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Linguagens, Códigos e suas
Tecnologias - Português
Ensino Médio, 3° Ano
Produções literárias da literatura
pernambucana
Produções literárias pernambucanas
# Qual a importância de um escritor
para o desenvolvimento cultural de um estado?
# Que escritores de Pernambuco são conhecidos
pelo público, principalmente, o jovem?
# Você já leu algum poema ou romance de escritor
do seu estado?
# Que razões fazem com que conheçamos
mais escritores de outras regiões que os da nossa?
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Leitura
Você já se imaginou em PASÁRGADA?
E viajando no TREM DAS ALAGOAS?
Talvez, participando do ENTERRO DA CIGARRA?
Ou em uma ROMARIA NA CAPELA DE SÃO SEVERINO
DOS RAMOS?
E ser surpreendido por uma MORTE E VIDA SEVERINA?
E envolver-se nas conquistas de LISBELA E O
PRISIONEIRO?
Talvez andar no TREM DE FERRO e percorrer o Recife
olhando DUAS ESTRELAS na companhia de Luzilá.
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Tantas vozes
João Mário Ascenso Bandeira Olegário Lins
Souto Mota Gonçalves Accioly.
Bem que este poderia ser o nome de um descendente
da nobreza. E é, pois faz parte de pessoas que
enobrecem Pernambuco com sua capacidade de
transformar pequenos detalhes numa beleza
extraordinária, pura, uma vez que em suas veias
“Corre o sangue de heróis rubro veio/Que há de
sempre o valor traduzir”.
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
ASCENSO FERREIRA
(1895-1965)
Poeta, Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira nasceu no município de Palmares, Zona
da Mata de Pernambuco, a 09 de maio de 1895, filho único do comerciante Antônio
Carneiro Torres e da professora Maria Luiza Gonçalves Ferreira. Órfão aos 13 anos de
idade, passa a trabalhar na mercearia de um tio e, em 1911, publica no jornal A
Notícia de Palmares o seu primeiro poema, "Flor Fenecida". Em 1920, muda-se para
o Recife, onde se torna funcionário público e passa a colaborar com o Diario de
Pernambuco e outros jornais. Em 1925, participa do Movimento Modernista de
Pernambuco e, em 1927, publica seu primeiro livro, "Catimbó". Viaja a vários
estados brasileiros para promover recitais. Em 1941, publica o seu segundo livro
("Cana Caiana"). O terceiro livro ("Xenhenhém") estava pronto para ser editado, mas
só sairia em 1951.
Em 1963, a Editora José Olympio (RJ) lança "Catimbó e Outros Poemas". A 05 de
maio de 1965, morre, no Recife.
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Acesse o Link:
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?opti
on=com_content&view=article&id=325&Itemid=180v
Comentário crítico
Ascenso Ferreira inicia sua carreira como poeta fazendo uso de
modelos poéticos tradicionais, compondo sonetos, baladas e
madrigais. Só depois da Semana de Arte Moderna e sob a
influência de Mário de Andrade (1893 - 1945), Joaquim Cardozo
(1897 - 1978) e Luís da Câmara Cascudo (1898 - 1986), entre
outros, é que sua poesia se volta para os temas regionais ligados
ao universo dos engenhos, das casas-grandes, da cana-de-açúcar,
dos vaqueiros, dos cangaceiros, dos cegos violeiros, dos
folguedos e das lendas populares. Manuel Bandeira observa que
os poemas de Ascenso Ferreira "são verdadeiras rapsódias
nordestinas, nas quais se espelha amoravelmente a alma ora
brincalhona, ora pungentemente nostálgica das populações dos
engenhos".
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
TREM DE ALAGOAS
O sino bate,
o condutor apita o apito,
solta o trem de ferro um grito,
põe-se logo a caminhar...
— Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
com vontade de chegar...
Mergulham mocambos
nos mangues molhados,
moleques mulatos,
vem vê-lo passar.
— Adeus!
— Adeus!
Do livro: "Poemas de Ascenso
Ferreira", Nordestal Editora, 1995, PE
A poesia de Ascenso Ferreira é
marcada por um senso aguçado
do ritmo. Como se percebe nos
famosos versos dedicados ao
trem de Alagoas, que corre sobre
os trilhos e passa pelo município
pernambucano de Catende,
vizinho à cidade natal do poeta.
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Fazendeiro – Ascenso Ferreira
─ Ô Maria! Maria!
Compadre Cazuza vem almoçar
amanhã aqui em casa…
Que é que tu preparaste pra ele?!
─ Eu matei uma galinha,
matei um pato,
matei um peru,
mandei matar um cevado…
─ Oxente, mulher!
Tu estás pensando que compadre
Cazuza é pinto?!
Manda matar um boi!!!
(Xenhenhém, idem.)
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Manuel Bandeira
(1886 – 1968)
Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasceu em Recife (PE), em 1886.
Depois de morar no Rio, em Santos e em São Paulo, a família regressou ao
Recife, onde permaneceu por mais algum tempo. A nova mudança para o Rio
levou o menino a ser matriculado no Colégio Pedro II. Com 17 anos, Manuel
Bandeira foi para São Paulo, a fim de ingressar na Escola Politécnica, mas já no
ano seguinte (1904) ficou tuberculoso. Abandonou os estudos, passando
temporadas em várias outras cidades, de clima mais propício ao seu estado de
saúde. Em 1913, partiu para a Suíça em busca de tratamento. Regressou no ano
seguinte, em decorrência da Primeira Guerra Mundial, que estava começando.
Em 1917, publicou seu primeiro livro: “A Cinza das Horas”.
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Imagem: marcusrg/Creative Commons Attribution 2.0 Generic
Análise crítica segundo Alfredo Bosi
“O crítico, porém, faz uma ressalva e atenta para o fato de
que, mesmo que sua poesia tenha um caráter ‘libertário’,
Manuel Bandeira não estava imune ao ‘prestígio das velhas
poéticas’, o que quer dizer que, em sua obra, algumas vezes,
notam-se resquícios da Literaturas do século XIX e
neoclássica.
Podemos verificar isto no poema ‘Vou-me embora pra
Pasárgada’, em que há um eu lírico angustiado, conturbado,
com tendências à evasão no espaço e ao escapismo,
recorrentes do espírito romântico, e uma métrica impecável,
conforme os padrões neoclassicistas, com versos em
redondilha maior.”
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
[...]
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar.
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora
Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Poema tirado de uma notícia de jornal
João Gostoso era carregador de feira livre
[e morava no morro da Babilônia
[num barracão sem número.
Uma noite ele chegou no bar Vinte de
[Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de
Freitas e morreu afogado.
Neste poema, verificamos o tom
prosaico de Bandeira, com fortes
tendências surrealistas, versos
livres e brancos (mantendo o que
Bosi chama de “homologia entre
sentimento e ritmo”), que
corporificam a liberdade “vital”, e
“estética”, apontada pelo crítico
também.
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
OLEGÁRIO MARIANO
(1889-1958)
Olegário Mariano Carneiro da Cunha, poeta, diplomata,
deputado federal e constituinte, nasceu em Recife,
Pernambuco. Estreou na vida literária aos 22 anos com o
volume Angelus, em 1911. Segundo os biógrafos da Academia
Brasileira de Letras, da qual foi membro, “sua poesia lírica é
simples, correntia, de fundo romântico, pertinente à fase do
sincretismo parnasiano-simbolista de transição para o
Modernismo. Ficou conhecido como o "poeta das cigarras",
por causa de um de seus temas prediletos, e considerado o
último poeta romântico brasileiro.
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Acesse o Link:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Oleg%C3%A1rio_Mariano
Análise crítica feita por Francisco Martins
“Mesmo quando se nota certa artificialidade na inspiração
de alguns dos poemas de seus primeiros livros, está sempre
presente aquele lirismo contagiante que os converteu em
peças obrigatórias nos recitais de declamação, tal como
acontece com ‘O enterro da Cigarra” ou com ‘A Boêmia
Triste’. Olegário Mariano, com seus versos, especialmente ‘O
Enamorado da Vida’, desnorteia qualquer um que se
proponha a explicá-lo. Todos os cálculos, fórmulas e
sistemas falharão, tão radicais se apresentam as
divergências entre a sua existência e a melancolia de suas
rimas. A verdade é uma só: não é possível citar alguma peça
sem sentir que todas merecem ser citadas.”
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
O Enterro da Cigarra
As formigas levavam-na...Chovia...
Era o fim...Triste Outono fumarento...
Perto, uma fonte, em suave movimento,
Cantigas de água trêmula carpia.
Quando eu a conheci, ela trazia
Na voz um triste e doloroso acento.
Era a cigarra de maior talento,
Mais cantadeira desta freguesia.
Passa o cortejo entre árvores
[amigas...
Que tristeza nas folhas..., que
[tristeza
Que alegria nos olhos das formigas!
Pobre cigarra! Quando te levaram,
Enquanto te chorava a Natureza,
Tuas irmãs e tua mãe cantavam...
Olegário Mariano
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
A Boêmia Triste
Éramos três em torno à mesa. Três que a vida,
Na sua trama de ilusões urdida,
Juntou ao mesmo afeto e na mesma viuvez...
Um músico, um pintor, e um poeta. Éramos três...
O primeiro falou: - Veio da melodia
De um noturno, a mulher que me fez triste assim.
Amei-a como se ama a fantasia
E ela sendo mulher fugiu de mim...
Hoje tenho a alma como um piano vivo
Que mão nenhuma acordará talvez...
É por esse motivo que eu sou mais desgraçado
que vocês...
Disse o segundo: - Meus amigos, a sorte
Golpeou-nos, com a mais vil ingratidão
A mim levou-me à morte, o que eu tinha de
melhor.
A ilusão de que a vida era ilusão.
A força, a graça, o espírito, a beleza
A estátua humana olímpica e pagã
Espelho, natural da natureza
Nota da flauta mágica de Pan
Morreu com ela a vida, a luz, a cor
Manhã de sol e tarde de ametista
A paleta e a esperança de um pintor...
Todo o delírio de um impressionista.
Fez-se um grande silêncio em torno à mesa,
Silêncio de saudade e tristeza...
O terceiro baixou os olhos devagar
Disse um nome baixinho e não pode falar...
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Mauro Mota
(1911 – 1984)
Nascido em Nazaré da Mata – PE, Mauro Ramos da
Mota e Albuquerque, filho de José Feliciano da Mota e Albuquerque e de
Aline Ramos da Mota e Albuquerque, estudou na Escola Dom Vieira, em
Nazaré da Mata, no Colégio Salesiano e no Ginásio do Recife. Diplomou-se
na Faculdade de Direito do Recife, em 1937.
Como poeta, destaca-se por suas Elegias, publicadas em 1952. Nessa obra
figura também o "Boletim sentimental da guerra do Recife“, um dos seus
poemas mais conhecidos. Sua poesia é de fundo simbólico, sobre temas
nordestinos, retratando dramas do cotidiano em linguagem natural e
espontânea.
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Acesse o Link:
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?
option=com_content&view=article&id=827&Itemid=1
Análise crítica segundo Cláudia Cordeiro
“As referências regionais, em sua poética, são,
enfim, fruto de um ‘eu lírico’ coerentemente
comprometido com um universo de imagens,
sons, perfumes e valores socioculturais que
servem à instauração de um canto novo, o
canto mauromoteano.”
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
O Galo
É a noite negra e é o galo rubro,
da madrugada o industrial.
É a noite negra sobre o mundo
e o galo rubro no quintal.
A noite desce, o galo sobre,
plumas de fogo e de metal,
desfecha golpe sobre golpe
na treva unidimensional.
Afia os esporões e o bico,
canta o seu canto auroreal.
O galo inflama-se e fabrica
a madrugada no quintal.
Em: Antologia Poética, Mauro Mota, Editora Leitura:
1968, Rio de Janeiro
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Romaria na Capela de São Severino do Ramo
O Engenho nasceu no vale, nasceu no Engenho a Capela.
São Severino do Ramo
(pelos infelizes vela)
do pátio, esta noite, indaga:
--Que romaria é aquela?
Quando bole a ventania,
os romeiros saem do chão.
Cada um deles se aproxima
com sua vela na mão,
as velas verdes de cana
com a chama no pendão.
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
João Cabral de Melo Neto
(1920 – 1999)
Sua obra poética, que vai de uma tendência surrealista até a poesia
popular, porém caracterizada pelo rigor estético, com poemas avessos a
confessionalismos e marcados pelo uso de rimas toantes, inaugurou uma nova forma
de fazer poesia no Brasil. 1942 marca a publicação de seu primeiro livro, “Pedra do
Sono”. Em 1950, publica “O cão sem plumas”. Escreve o livro “O rio”, em 1953. Em
1954, a Editora Orfeu publica seus “Poemas Reunidos”. A Editora José Olympio
publica, em 1956, “Duas águas”, volume que reúne seus livros anteriores e os
inéditos: “Morte e vida severina”, “Paisagens com figuras” e “Uma faca só lâmina”.
Em 1961, a Editora do Autor, de Rubem Braga e Fernando Sabino, publica “Terceira
feira”, livro que reúne “Quaderna”, “Dois parlamentos”, ainda inéditos no Brasil, e
um novo livro: “Serial”. Em 1980, publica a antologia “Poesia crítica”. Em 1985,
publica os poemas de “Agrestes”. Nesse livro há uma sessão dedicada à morte ("A
indesejada das gentes"). Em Recife, no ano de 1988, lança sua antologia “Poemas
pernambucanos”. Publica, também, o segundo volume de poesias completas:
“Museu de tudo e depois”.
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Imagem:
Marcus
Guimarães/Disponibilizado
por
Eugenio
Hansen,
OFS
(talk)/
Creative
Commons
Attribution
2.0
Generic
Crítica literária
“A obra de João Cabral de Melo Neto (1920-1999) é uma das
maiores criações da cultura brasileira do século XX. Trata-se
de uma poesia cerebral e não emotiva. O poeta recorre a uma
construção elaborada da linguagem para criar uma atmosfera
poética.
Poemas como ‘Morte e Vida Severina’ e ‘O Cão sem Plumas’
estarão, para sempre, incluídos entre os maiores que a poesia
brasileira produziu. Seu rigor formal e expressivo pode ser
visto como uma lição que não é só de poesia, mas também de
ética.”
Folha Online
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Cão sem plumas
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.
Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.
Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.
[...]
A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.
O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.
Aquele rio
era como um cão sem plumas.
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Morte e Vida Severina
— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mais isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
[...]
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Osman Lins
(1924 – 1978)
Osman da Costa Lins nasceu a 05 de julho de 1924, em Vitória de Santo Antão,
cidade de Pernambuco. Aos dezesseis dias de vida, perdeu a mãe, Maria da Paz de
Mello Lins, em decorrência de complicações do parto.
Com frequência, Osman Lins menciona, em entrevistas, desconhecer seu rosto,
porque ela não deixou fotografia. Segundo ele, esse fato teria configurado seu
trabalho de escritor que, metaforicamente, seria o de construir com a imaginação um
rosto inexistente. A transfiguração poética dessa situação aparece em vários
momentos de sua obra, em que irrompe o motivo da fotografia surgir, nos
suplementos da capital pernambucana, suas primeiras experiências no campo da
ficção (“Menino Mau” e “Fantasmas...”).
Escreve contos e apresenta-os em concursos. Em 1950, obtém a terceira colocação
no Concurso Jornal de Letras, com o conto “O Eco”. Outro, “A doação”, é agraciado
com primeiro prêmio no Concurso Minas-Brasil.
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Acesse o Link:
http://www.osman.lins.nom.br/home.htm
Apresenta mais um livro de conto, “Os sós”, a concurso literário, obtendo
o segundo prêmio no Concurso Livro de Contos Tentativa, em Atibaia, São
Paulo.
Entre as atividades da década de 1950, incluem-se publicações de poesias
em jornal (entre 1953 e 1959: “Instante”, “Lamentação Tranviária”, “A Corola”,
“A Imagem”, “Sonetinho Ingênuo”, “Poema sobre a melhor maneira de amar”,
“Serenata Recifense para Cacilda Becker”, “Soneto do Oferecimento” e
“Soneto Arquitetônico”).
Enquanto se encontra na capital parisiense, estreia, no Rio de Janeiro, a
peça “Lisbela e o prisioneiro”, que recebera o prêmio Concurso Cia. Tônia- -
Celi-Autran.
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Crítica literária
Osman Lins era um autor que não se submetia a fórmulas preestabelecidas,
consideradas tradicionais. Ao contrário, o exercício de experimentação da escrita, da
palavra é uma constante em sua obra, pois o escritor busca, por meio de um processo
rigoroso de escrita, alcançar a plenitude da palavra. Isso, de certa forma, explica a sua
constante preocupação para com a renovação da narrativa ficcional e as suas estratégias
narrativas e discursivas. Enfim, ele concebe o romance como uma selva a ser explorada,
mas cada escritor a explora a seu modo.
O escritor pernambucano estabelece, ao longo de sua obra literária, constantes
semelhanças entre o trabalho do escritor e o do artesão, em razão da paciência, do labor e
da precisão com que ambos realizam seu trabalho. O autor estava, portanto, disposto a
aprender “os segredos da arte de escrever” (LINS,1979, p. 190), da arte romanesca. Como
todo aprendiz, ele irá percorrer um longo caminho até chegar à fase do encontro, ou seja,
da plenitude. Sabemos que ele praticava o exercício da palavra com apurado senso crítico,
como um verdadeiro artesão da palavra, obstinado no trato de seu objeto de trabalho.
Flávio Pereira Camargo
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Trecho do conto Retábulo de Santa Joana Carolina
“A lenta rotação da água, em torno de sua vária natureza. Sua oscilação
entre a paz dos copos e as inundações. Talvez seja mineral; ou um ser
mitológico; ou uma planta, um liame, enredando continentes, ilhas. Pode
ser um bicho, peixe imenso, que tragou escuridões e abismos, com todas
as conchas, anêmonas, delfins, baleias e tesouros naufragados. Desejaria
ter, talvez, a definição das pedras; e nunca se define. Invisível. Visível.
Trespassável. Dura. Amiga. Existem os ciclones, as trombas marinhas.
Golpes de barbatanas? E também as nuvens, frutos que, maduros, tombam
em chuvas. O peixe as absorve e cresce. Então este peixe, verde e ramal,
de prata e sal, dele próprio se nutre? Bebe a sua própria sede? Come sua
fome? Nada em si mesmo? Não saberemos jamais sobre este ente fugidio,
lustral, obscuro, claro e avassalador. Tenho-o nos meus olhos, dentro das
pupilas. Não sei portanto se o vejo; se é ele que se vê.”
Do conto “Retábulo de Santa Joana Carolina”, uma das narrativas do livro “Nove Novena”.
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Lisbela e o prisioneiro
O regionalismo de “Lisbela e o
Prisioneiro”, fundado no
aproveitamento de incidentes
testemunhados por amigos, por
familiares e por Osman Lins, bem como
apoiado na transposição de ditados,
expressões populares e dísticos
encontrados em para-choques de
caminhões, é transfigurado sob a pena
de seu autor. Matéria e linguagem
reelaboradas tecem esta peça, regada
por uma equilibrada dosagem de
leveza, comicidade e ternura, e
assentada em valores libertários em
prol da vida, o que lhe abre as portas
para outros tempos e outros espaços.
Fonte:www.submarino.com.br
Lisbela: Não! Leléu, você não pode ir?
Leléu: Pude. Estou com dois cavalos aí fora. Mas
era grosseria eu ir com a senhora.
Lisbela: Não precisa continuar me chamando de
senhora.
Leléu: Pra mim é o que a senhora há de ser
sempre. Chamar “você” é um exagero, não
mereço tanto.
Dr. Noêmio: Por que você não foi embora,
rapaz? Por que voltou?
Leléu: Por causa de dona Lisbela, Doutor. Pra
ficar perto do chão onde ela pisa.
Lisbela: Você podia ouvir minhas pisadas junto
de você a vida toda. Por que não me levou?
Leléu: Porque a senhora não merece a incerteza
da minha vida. Não tenho eira nem beira,
que trono lhe podia oferecer?
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Mário Souto Maior
(1920 – 2001)
Nasceu no dia 14 de julho de 1920, na cidade de Bom Jardim,
Pernambuco.
Frequentou a escola da professora Josefa Coleta de Albuquerque
(Santinha), onde aprendeu as primeiras letras. No Colégio Marista do Recife,
fez o curso primário e ginasial. No Colégio Carneiro Leão, fez curso pré-jurídico
e em Maceió, na Faculdade de Direito de Alagoas, concluiu o curso de
Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais.
Advogado, exerceu as funções de promotor público das comarcas de
Surubim e João Alfredo. Foi prefeito de Orobó, professor na Escola Normal
Santana, de Bom Jardim, fundador, diretor e professor do Ginásio de Bom
Jardim, Inspetor Federal de Ensino, do Ministério da Educação e Cultura.
Utilizava uma linguagem simples, vinda do povo.
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Acesse o link:
http://www.soutomaior.eti.br/
Dentre as obras, destacam-se:
Como nasce um cabra da peste (1969)
Cachaça (1970/1)
Antônio Silvino Capitão de Trabuco (1971)
Em torno de uma possível etnografia do pão (1971)
Dicionário da cachaça (1973)
A morte na boca do povo (1974)
Nome próprios poucos comuns (1974)
Território da danação (1976)
Nordeste: a inventiva popular (1978)
Dicionário do palavrão e termos afins (1980)
A língua na boca do povo (1992)
Sogras: prós & contras (1992)
O Recife - quatro séculos de sua paisagem,
com Leonardo Dantas Silva (1992)
O puxa-saco: aqui, ali & acolá (1993)
Frei Damião: um santo? (1998)
Oração que o povo reza (1998)
Pedro e seu mil carneirinhos (1998)
Cangaço: algumas referências bibliográficas (1999)
A mulher que casou com uma cobra (1999)
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
A obra de Mário Souto Maior faz uma análise do cangaço
nordestino dos idos de 1900, onde se nota o rigoroso senso
de pesquisa do autor, dissecando uma situação que perdurou
no sertão durante mais de cinco décadas. Uma característica
marcante no estilo do autor é sintetizar o máximo suas obras,
atendendo às necessidades do homem que vive em plena era
tecnológica, com pouco tempo para dedicar-se a leituras
extensas. Para ele, folclore é ciência, é gente, povo,
costumes, tradições e também presente. "Muito do que
fazemos no cotidiano tem uma origem folclórica, como tomar
chá de ervas, soltar um palavrão, pedir uma lapada, nada
menos do que uma entre as mil designações populares da
cachaça".
Fonte: Gente Nossa, por Anamelia Dantas Maciel, Livraria São
José, Rio de Janeiro, 1975
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
DUAS ESTRELAS
Duas estrelas! Duas estrelas!
Que fazeis na imensidão?
Não vedes os homens que vivem?
Não vedes os homens que sofrem
E morrem na solidão?
Como as estrelas são felizes...
Não veem as misérias do mundo...
Não veem as famílias desamparadas...
Não veem o destino melancólico
Dos que matam para viver...
Duas estrelas! Duas estrelas!
Que fazeis na imensidão?
Não vedes os homens que vivem?
Não veem os homens que sofrem
E morrem na solidão?
As estrelas não sabem falar...
As estrelas não têm coração...
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Luzilá Gonçalves
Nasceu em Garanhuns, é uma escritora e professora universitária brasileira.
Professora aposentada de língua e literatura francesa da UFPE. Concluiu seu
doutorado na Universidade de Paris, o mestrado na UFPE e especialização na
Universidade de Paris (área de Letras). É também pesquisadora nas áreas de
Literatura Escrita por Mulheres em Pernambuco e Imprensa Feminina em
Pernambuco.
Obras
Muito Além do Corpo (1988) , A Anti-poesia de Alberto Caeiro (1990) ,
Os Rios Turvos (1993), A Garça Malferida (1995),
Em Busca de Thargélia (1996), Humana, Demasiado Humana (2000),
Voltar a Palermo (2002), No Tempo Frágil das Horas (2004).
Prêmios
O livro “Os Rios Turvos”, que conta a vida romanceada do poeta Bento Teixeira, foi agraciado
com o Prêmio Joaquim Nabuco da Academia Brasileira de Letras, concedido a biografias.
”Muito além do corpo” foi premiado na IV Bienal Nestlé de Literatura.
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Luzilá por Moisés Neto
“O texto de Luzilá, como sempre, é extremamente poético.
Ela tem uma intimidade total com a criação literária e uma
visão particular sobre o ‘feitiço’ das letras.
Criou um romance (novela?) moderno, cheio de impulso
vital. Tentativa de conjurar passado e presente num texto
sintético e denso, imagem a imagem, balançando entre o
corpo e o espírito.
Luzilá, pernambucana que soube buscar no silêncio da
palavra a força da linguagem.”
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
"Percorro o Recife como quem percorre o corpo
amado:
que ruazinha, que curva de repente, que cheiro
de flor
em jardim antigo, despertarão aos sentidos
aspectos ignorados e insuspeitados do meu
amor?
Uma fachada na rua da Aurora, uma casa
entre palmeiras na Várzea do Poço. Um prédio
perto
do porto, que a luminosidade faz vibrar
- e o encontro se faz, corpo que descobre o
corpo,
coisa viva e inteira, alegria que se transforma
em algo mais do que ela própria. Amar o Recife
como se quer o Amado, espaço onde me espraio
e respiro, onde me perco e me realizo,
prolongamento de mim que no outro reconhece
e se constrói, eu a salvo. Tudo cabe aqui: uma
menina magrinha retoma o caminho do colégio
pelas ruas do Espinheiro e a adolescência se refaz
no Parque 13 de Maio, onde a gente festejava a
vida
depois das aulas. Aqui reencontro amigos,
naquela praça ouvi meu primeiro "eu te amo",
naquele
cais chorei o amor desesperadamente perdido,
O Capibaribe por testemunha.”
Luzilá Gonçalves
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Marcus Accioly
Marcus Moraes Accioly nasceu no Engenho Laureano, município de Aliança, Pernambuco,
a 21 de janeiro de 1943.
Fez seu curso primário no Grupo Escolar Joaquina Lyra (Aliança) e o curso secundário no
Colégio Americano Batista (Recife).
Formou-se em Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco, concluído
em 1969. Tem o curso de Pós-Graduação em Letras, na Universidade Federal de
Pernambuco, defendendo sua dissertação de Mestrado em Teoria da Literatura (1980).
Foi, em condição de poeta, lançado pelo poeta César Leal no Suplemento Literário do
Diario de Pernambuco e reuniu-se no grupo recifense que o professor Tadeu Rocha
denominou de “Geração 65”.
Foi vice-presidente da União Brasileira de Escritores (UBE), seção Pernambuco, e professor
de Teoria Literária e Literatura Brasileira da Universidade Federal de Pernambuco.
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Acesse o Link:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcus_Accioly
Obras – Marcus Accioly
• Cancioneiro (1968);
• Nordestinados: poemas-canção
(1971);
• Xilografia (1974);
• Poética (1977);
• Narciso(1984);
• Óxion (1986);
• Guriatã (1986);
• Para(ti)nação (1986);
• Poética-Popular;
• Latinoamérica;
• Louvação & Incelença;
• O Exílio da Canção.
“Trata-se dum domador de
palavras, dum fascinado de
todos os jogos que a boa
Retórica, antiga e moderna,
oferece aos artífices do
encantamento por meio da
expressão verbal. Marcus
Accioly faz a coreografia de
todos os ritmos, pratica as
convenções e as audácias
de todos os tempos.”
Fábio Lucas
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
XXXII do trem-de-ferro
Quem grita na noite?
Não vejo ninguém,
é o eco do grito
do apito do trem,
é a boca-da-noite
que grita também,
é o eco do eco
que ecoa no além.
Quem grita na noite?
Não vejo ninguém,
é o grito da ponte
debaixo do trem,
é o vento que chora
por morte de alguém,
é o coro das almas
que dizem amém.
Quem grita na noite?
[...]
Quem grita na noite?
Não vejo ninguém,
é o sonho-barulho
das rodas do trem,
é a luz de uma estrela
que tange belém
no sino-silêncio
que a noite não tem.
Quem grita na noite?
Não grita ninguém,
é o trem dos fantasmas
nos trilhos sem trem,
é a voz dos dormentes
que às vezes contém
o grito da vida
que a morte detém.”
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Para este momento, foram apresentados alguns dos
escritores pernambucanos, sabendo-se, é claro, que
nossa produção cultural é bastante rica, inclusive com
nomes mais jovens, porém, não menos importantes.
O professor poderá utilizar esses nomes para
apresentar parte dessa produção aos alunos, bem como
os links apresentados como referências para aprofundar o
estudo sobre nossas produções literárias.
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Referências:
http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_3153.html
http://www.plataforma.paraapoesia.nom.br/trilhasclau22004.htm
http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_lit/index.cfm?fuseaction=biografias_texto&cd_verb
ete=5034&cd_item=35
http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u320288.shtml
http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=M%C3%A1rio+Souto+Maior&lt
r=m&id_perso=1215
http://www.moisesneto.com.br/estudo31.html
http://www.google.com.br/imagens
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/pernambuco/ascenso_ferreira.html
http://www.culturabrasil.pro.br/bandeira.htm
www.academia.org.br
http://www.jornaldepoesia.jor.br/wladimirsaldanha3.html
http://www.enemsimples.info/2011/07/resumo-pedra-do-sono-joao-cabral-de.html#ixzz1y5lACic5
http://www.biografia.inf.br/osman-lins-escritor.html
http://www.astormentas.com/din/poema.asp?key=12782&titulo=Prosa%E7%E3o
http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_lit/index.cfm?fuseaction=biografias_texto&cd_verb
ete=5762
http://onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Luzil%C3%A1+Gon%C3%A7alves&ltr
=l&id_perso=601
LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio
Produções literárias da literatura pernambucana
Tabela de Imagens
n° do
slide
direito da imagem como está ao lado da
foto
link do site onde se consegiu a informação Data do
Acesso
9 marcusrg/Creative Commons Attribution 2.0
Generic
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Manuel_B
andeira.jpg
12/09/2012
21 Marcus Guimarães/Disponibilizado por
Eugenio Hansen, OFS (talk)/ Creative
Commons Attribution 2.0 Generic
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Joao_Cabr
al_de_Melo_Neto_.jpeg
12/09/2012

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Produções literárias da literatura pernambucana.ppt

  • 1. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias - Português Ensino Médio, 3° Ano Produções literárias da literatura pernambucana
  • 2. Produções literárias pernambucanas # Qual a importância de um escritor para o desenvolvimento cultural de um estado? # Que escritores de Pernambuco são conhecidos pelo público, principalmente, o jovem? # Você já leu algum poema ou romance de escritor do seu estado? # Que razões fazem com que conheçamos mais escritores de outras regiões que os da nossa? LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 3. Leitura Você já se imaginou em PASÁRGADA? E viajando no TREM DAS ALAGOAS? Talvez, participando do ENTERRO DA CIGARRA? Ou em uma ROMARIA NA CAPELA DE SÃO SEVERINO DOS RAMOS? E ser surpreendido por uma MORTE E VIDA SEVERINA? E envolver-se nas conquistas de LISBELA E O PRISIONEIRO? Talvez andar no TREM DE FERRO e percorrer o Recife olhando DUAS ESTRELAS na companhia de Luzilá. LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 4. Tantas vozes João Mário Ascenso Bandeira Olegário Lins Souto Mota Gonçalves Accioly. Bem que este poderia ser o nome de um descendente da nobreza. E é, pois faz parte de pessoas que enobrecem Pernambuco com sua capacidade de transformar pequenos detalhes numa beleza extraordinária, pura, uma vez que em suas veias “Corre o sangue de heróis rubro veio/Que há de sempre o valor traduzir”. LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 5. ASCENSO FERREIRA (1895-1965) Poeta, Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira nasceu no município de Palmares, Zona da Mata de Pernambuco, a 09 de maio de 1895, filho único do comerciante Antônio Carneiro Torres e da professora Maria Luiza Gonçalves Ferreira. Órfão aos 13 anos de idade, passa a trabalhar na mercearia de um tio e, em 1911, publica no jornal A Notícia de Palmares o seu primeiro poema, "Flor Fenecida". Em 1920, muda-se para o Recife, onde se torna funcionário público e passa a colaborar com o Diario de Pernambuco e outros jornais. Em 1925, participa do Movimento Modernista de Pernambuco e, em 1927, publica seu primeiro livro, "Catimbó". Viaja a vários estados brasileiros para promover recitais. Em 1941, publica o seu segundo livro ("Cana Caiana"). O terceiro livro ("Xenhenhém") estava pronto para ser editado, mas só sairia em 1951. Em 1963, a Editora José Olympio (RJ) lança "Catimbó e Outros Poemas". A 05 de maio de 1965, morre, no Recife. LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana Acesse o Link: http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?opti on=com_content&view=article&id=325&Itemid=180v
  • 6. Comentário crítico Ascenso Ferreira inicia sua carreira como poeta fazendo uso de modelos poéticos tradicionais, compondo sonetos, baladas e madrigais. Só depois da Semana de Arte Moderna e sob a influência de Mário de Andrade (1893 - 1945), Joaquim Cardozo (1897 - 1978) e Luís da Câmara Cascudo (1898 - 1986), entre outros, é que sua poesia se volta para os temas regionais ligados ao universo dos engenhos, das casas-grandes, da cana-de-açúcar, dos vaqueiros, dos cangaceiros, dos cegos violeiros, dos folguedos e das lendas populares. Manuel Bandeira observa que os poemas de Ascenso Ferreira "são verdadeiras rapsódias nordestinas, nas quais se espelha amoravelmente a alma ora brincalhona, ora pungentemente nostálgica das populações dos engenhos". LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 7. TREM DE ALAGOAS O sino bate, o condutor apita o apito, solta o trem de ferro um grito, põe-se logo a caminhar... — Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende, vou danado pra Catende com vontade de chegar... Mergulham mocambos nos mangues molhados, moleques mulatos, vem vê-lo passar. — Adeus! — Adeus! Do livro: "Poemas de Ascenso Ferreira", Nordestal Editora, 1995, PE A poesia de Ascenso Ferreira é marcada por um senso aguçado do ritmo. Como se percebe nos famosos versos dedicados ao trem de Alagoas, que corre sobre os trilhos e passa pelo município pernambucano de Catende, vizinho à cidade natal do poeta. LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 8. Fazendeiro – Ascenso Ferreira ─ Ô Maria! Maria! Compadre Cazuza vem almoçar amanhã aqui em casa… Que é que tu preparaste pra ele?! ─ Eu matei uma galinha, matei um pato, matei um peru, mandei matar um cevado… ─ Oxente, mulher! Tu estás pensando que compadre Cazuza é pinto?! Manda matar um boi!!! (Xenhenhém, idem.) LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 9. Manuel Bandeira (1886 – 1968) Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasceu em Recife (PE), em 1886. Depois de morar no Rio, em Santos e em São Paulo, a família regressou ao Recife, onde permaneceu por mais algum tempo. A nova mudança para o Rio levou o menino a ser matriculado no Colégio Pedro II. Com 17 anos, Manuel Bandeira foi para São Paulo, a fim de ingressar na Escola Politécnica, mas já no ano seguinte (1904) ficou tuberculoso. Abandonou os estudos, passando temporadas em várias outras cidades, de clima mais propício ao seu estado de saúde. Em 1913, partiu para a Suíça em busca de tratamento. Regressou no ano seguinte, em decorrência da Primeira Guerra Mundial, que estava começando. Em 1917, publicou seu primeiro livro: “A Cinza das Horas”. LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana Imagem: marcusrg/Creative Commons Attribution 2.0 Generic
  • 10. Análise crítica segundo Alfredo Bosi “O crítico, porém, faz uma ressalva e atenta para o fato de que, mesmo que sua poesia tenha um caráter ‘libertário’, Manuel Bandeira não estava imune ao ‘prestígio das velhas poéticas’, o que quer dizer que, em sua obra, algumas vezes, notam-se resquícios da Literaturas do século XIX e neoclássica. Podemos verificar isto no poema ‘Vou-me embora pra Pasárgada’, em que há um eu lírico angustiado, conturbado, com tendências à evasão no espaço e ao escapismo, recorrentes do espírito romântico, e uma métrica impecável, conforme os padrões neoclassicistas, com versos em redondilha maior.” LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 11. Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei [...] Em Pasárgada tem tudo É outra civilização Tem um processo seguro De impedir a concepção Tem telefone automático Tem alcalóide à vontade Tem prostitutas bonitas Para a gente namorar. E quando eu estiver mais triste Mas triste de não ter jeito Quando de noite me der Vontade de me matar - Lá sou amigo do rei - Terei a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada. Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90 LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 12. Poema tirado de uma notícia de jornal João Gostoso era carregador de feira livre [e morava no morro da Babilônia [num barracão sem número. Uma noite ele chegou no bar Vinte de [Novembro Bebeu Cantou Dançou Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado. Neste poema, verificamos o tom prosaico de Bandeira, com fortes tendências surrealistas, versos livres e brancos (mantendo o que Bosi chama de “homologia entre sentimento e ritmo”), que corporificam a liberdade “vital”, e “estética”, apontada pelo crítico também. LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 13. OLEGÁRIO MARIANO (1889-1958) Olegário Mariano Carneiro da Cunha, poeta, diplomata, deputado federal e constituinte, nasceu em Recife, Pernambuco. Estreou na vida literária aos 22 anos com o volume Angelus, em 1911. Segundo os biógrafos da Academia Brasileira de Letras, da qual foi membro, “sua poesia lírica é simples, correntia, de fundo romântico, pertinente à fase do sincretismo parnasiano-simbolista de transição para o Modernismo. Ficou conhecido como o "poeta das cigarras", por causa de um de seus temas prediletos, e considerado o último poeta romântico brasileiro. LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana Acesse o Link: http://pt.wikipedia.org/wiki/Oleg%C3%A1rio_Mariano
  • 14. Análise crítica feita por Francisco Martins “Mesmo quando se nota certa artificialidade na inspiração de alguns dos poemas de seus primeiros livros, está sempre presente aquele lirismo contagiante que os converteu em peças obrigatórias nos recitais de declamação, tal como acontece com ‘O enterro da Cigarra” ou com ‘A Boêmia Triste’. Olegário Mariano, com seus versos, especialmente ‘O Enamorado da Vida’, desnorteia qualquer um que se proponha a explicá-lo. Todos os cálculos, fórmulas e sistemas falharão, tão radicais se apresentam as divergências entre a sua existência e a melancolia de suas rimas. A verdade é uma só: não é possível citar alguma peça sem sentir que todas merecem ser citadas.” LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 15. O Enterro da Cigarra As formigas levavam-na...Chovia... Era o fim...Triste Outono fumarento... Perto, uma fonte, em suave movimento, Cantigas de água trêmula carpia. Quando eu a conheci, ela trazia Na voz um triste e doloroso acento. Era a cigarra de maior talento, Mais cantadeira desta freguesia. Passa o cortejo entre árvores [amigas... Que tristeza nas folhas..., que [tristeza Que alegria nos olhos das formigas! Pobre cigarra! Quando te levaram, Enquanto te chorava a Natureza, Tuas irmãs e tua mãe cantavam... Olegário Mariano LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 16. A Boêmia Triste Éramos três em torno à mesa. Três que a vida, Na sua trama de ilusões urdida, Juntou ao mesmo afeto e na mesma viuvez... Um músico, um pintor, e um poeta. Éramos três... O primeiro falou: - Veio da melodia De um noturno, a mulher que me fez triste assim. Amei-a como se ama a fantasia E ela sendo mulher fugiu de mim... Hoje tenho a alma como um piano vivo Que mão nenhuma acordará talvez... É por esse motivo que eu sou mais desgraçado que vocês... Disse o segundo: - Meus amigos, a sorte Golpeou-nos, com a mais vil ingratidão A mim levou-me à morte, o que eu tinha de melhor. A ilusão de que a vida era ilusão. A força, a graça, o espírito, a beleza A estátua humana olímpica e pagã Espelho, natural da natureza Nota da flauta mágica de Pan Morreu com ela a vida, a luz, a cor Manhã de sol e tarde de ametista A paleta e a esperança de um pintor... Todo o delírio de um impressionista. Fez-se um grande silêncio em torno à mesa, Silêncio de saudade e tristeza... O terceiro baixou os olhos devagar Disse um nome baixinho e não pode falar... LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 17. Mauro Mota (1911 – 1984) Nascido em Nazaré da Mata – PE, Mauro Ramos da Mota e Albuquerque, filho de José Feliciano da Mota e Albuquerque e de Aline Ramos da Mota e Albuquerque, estudou na Escola Dom Vieira, em Nazaré da Mata, no Colégio Salesiano e no Ginásio do Recife. Diplomou-se na Faculdade de Direito do Recife, em 1937. Como poeta, destaca-se por suas Elegias, publicadas em 1952. Nessa obra figura também o "Boletim sentimental da guerra do Recife“, um dos seus poemas mais conhecidos. Sua poesia é de fundo simbólico, sobre temas nordestinos, retratando dramas do cotidiano em linguagem natural e espontânea. LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana Acesse o Link: http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php? option=com_content&view=article&id=827&Itemid=1
  • 18. Análise crítica segundo Cláudia Cordeiro “As referências regionais, em sua poética, são, enfim, fruto de um ‘eu lírico’ coerentemente comprometido com um universo de imagens, sons, perfumes e valores socioculturais que servem à instauração de um canto novo, o canto mauromoteano.” LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 19. O Galo É a noite negra e é o galo rubro, da madrugada o industrial. É a noite negra sobre o mundo e o galo rubro no quintal. A noite desce, o galo sobre, plumas de fogo e de metal, desfecha golpe sobre golpe na treva unidimensional. Afia os esporões e o bico, canta o seu canto auroreal. O galo inflama-se e fabrica a madrugada no quintal. Em: Antologia Poética, Mauro Mota, Editora Leitura: 1968, Rio de Janeiro LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 20. Romaria na Capela de São Severino do Ramo O Engenho nasceu no vale, nasceu no Engenho a Capela. São Severino do Ramo (pelos infelizes vela) do pátio, esta noite, indaga: --Que romaria é aquela? Quando bole a ventania, os romeiros saem do chão. Cada um deles se aproxima com sua vela na mão, as velas verdes de cana com a chama no pendão. LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 21. João Cabral de Melo Neto (1920 – 1999) Sua obra poética, que vai de uma tendência surrealista até a poesia popular, porém caracterizada pelo rigor estético, com poemas avessos a confessionalismos e marcados pelo uso de rimas toantes, inaugurou uma nova forma de fazer poesia no Brasil. 1942 marca a publicação de seu primeiro livro, “Pedra do Sono”. Em 1950, publica “O cão sem plumas”. Escreve o livro “O rio”, em 1953. Em 1954, a Editora Orfeu publica seus “Poemas Reunidos”. A Editora José Olympio publica, em 1956, “Duas águas”, volume que reúne seus livros anteriores e os inéditos: “Morte e vida severina”, “Paisagens com figuras” e “Uma faca só lâmina”. Em 1961, a Editora do Autor, de Rubem Braga e Fernando Sabino, publica “Terceira feira”, livro que reúne “Quaderna”, “Dois parlamentos”, ainda inéditos no Brasil, e um novo livro: “Serial”. Em 1980, publica a antologia “Poesia crítica”. Em 1985, publica os poemas de “Agrestes”. Nesse livro há uma sessão dedicada à morte ("A indesejada das gentes"). Em Recife, no ano de 1988, lança sua antologia “Poemas pernambucanos”. Publica, também, o segundo volume de poesias completas: “Museu de tudo e depois”. LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana Imagem: Marcus Guimarães/Disponibilizado por Eugenio Hansen, OFS (talk)/ Creative Commons Attribution 2.0 Generic
  • 22. Crítica literária “A obra de João Cabral de Melo Neto (1920-1999) é uma das maiores criações da cultura brasileira do século XX. Trata-se de uma poesia cerebral e não emotiva. O poeta recorre a uma construção elaborada da linguagem para criar uma atmosfera poética. Poemas como ‘Morte e Vida Severina’ e ‘O Cão sem Plumas’ estarão, para sempre, incluídos entre os maiores que a poesia brasileira produziu. Seu rigor formal e expressivo pode ser visto como uma lição que não é só de poesia, mas também de ética.” Folha Online LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 23. Cão sem plumas Nada sabia da chuva azul, da fonte cor-de-rosa, da água do copo de água, da água de cântaro, dos peixes de água, da brisa na água. Sabia dos caranguejos de lodo e ferrugem. Sabia da lama como de uma mucosa. Devia saber dos povos. Sabia seguramente da mulher febril que habita as ostras. [...] A cidade é passada pelo rio como uma rua é passada por um cachorro; uma fruta por uma espada. O rio ora lembrava a língua mansa de um cão ora o ventre triste de um cão, ora o outro rio de aquoso pano sujo dos olhos de um cão. Aquele rio era como um cão sem plumas. LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 24. Morte e Vida Severina — O meu nome é Severino, como não tenho outro de pia. Como há muitos Severinos, que é santo de romaria, deram então de me chamar Severino de Maria como há muitos Severinos com mães chamadas Maria, fiquei sendo o da Maria do finado Zacarias. Mais isso ainda diz pouco: há muitos na freguesia, por causa de um coronel que se chamou Zacarias e que foi o mais antigo senhor desta sesmaria. [...] LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 25. Osman Lins (1924 – 1978) Osman da Costa Lins nasceu a 05 de julho de 1924, em Vitória de Santo Antão, cidade de Pernambuco. Aos dezesseis dias de vida, perdeu a mãe, Maria da Paz de Mello Lins, em decorrência de complicações do parto. Com frequência, Osman Lins menciona, em entrevistas, desconhecer seu rosto, porque ela não deixou fotografia. Segundo ele, esse fato teria configurado seu trabalho de escritor que, metaforicamente, seria o de construir com a imaginação um rosto inexistente. A transfiguração poética dessa situação aparece em vários momentos de sua obra, em que irrompe o motivo da fotografia surgir, nos suplementos da capital pernambucana, suas primeiras experiências no campo da ficção (“Menino Mau” e “Fantasmas...”). Escreve contos e apresenta-os em concursos. Em 1950, obtém a terceira colocação no Concurso Jornal de Letras, com o conto “O Eco”. Outro, “A doação”, é agraciado com primeiro prêmio no Concurso Minas-Brasil. LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana Acesse o Link: http://www.osman.lins.nom.br/home.htm
  • 26. Apresenta mais um livro de conto, “Os sós”, a concurso literário, obtendo o segundo prêmio no Concurso Livro de Contos Tentativa, em Atibaia, São Paulo. Entre as atividades da década de 1950, incluem-se publicações de poesias em jornal (entre 1953 e 1959: “Instante”, “Lamentação Tranviária”, “A Corola”, “A Imagem”, “Sonetinho Ingênuo”, “Poema sobre a melhor maneira de amar”, “Serenata Recifense para Cacilda Becker”, “Soneto do Oferecimento” e “Soneto Arquitetônico”). Enquanto se encontra na capital parisiense, estreia, no Rio de Janeiro, a peça “Lisbela e o prisioneiro”, que recebera o prêmio Concurso Cia. Tônia- - Celi-Autran. LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 27. Crítica literária Osman Lins era um autor que não se submetia a fórmulas preestabelecidas, consideradas tradicionais. Ao contrário, o exercício de experimentação da escrita, da palavra é uma constante em sua obra, pois o escritor busca, por meio de um processo rigoroso de escrita, alcançar a plenitude da palavra. Isso, de certa forma, explica a sua constante preocupação para com a renovação da narrativa ficcional e as suas estratégias narrativas e discursivas. Enfim, ele concebe o romance como uma selva a ser explorada, mas cada escritor a explora a seu modo. O escritor pernambucano estabelece, ao longo de sua obra literária, constantes semelhanças entre o trabalho do escritor e o do artesão, em razão da paciência, do labor e da precisão com que ambos realizam seu trabalho. O autor estava, portanto, disposto a aprender “os segredos da arte de escrever” (LINS,1979, p. 190), da arte romanesca. Como todo aprendiz, ele irá percorrer um longo caminho até chegar à fase do encontro, ou seja, da plenitude. Sabemos que ele praticava o exercício da palavra com apurado senso crítico, como um verdadeiro artesão da palavra, obstinado no trato de seu objeto de trabalho. Flávio Pereira Camargo LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 28. Trecho do conto Retábulo de Santa Joana Carolina “A lenta rotação da água, em torno de sua vária natureza. Sua oscilação entre a paz dos copos e as inundações. Talvez seja mineral; ou um ser mitológico; ou uma planta, um liame, enredando continentes, ilhas. Pode ser um bicho, peixe imenso, que tragou escuridões e abismos, com todas as conchas, anêmonas, delfins, baleias e tesouros naufragados. Desejaria ter, talvez, a definição das pedras; e nunca se define. Invisível. Visível. Trespassável. Dura. Amiga. Existem os ciclones, as trombas marinhas. Golpes de barbatanas? E também as nuvens, frutos que, maduros, tombam em chuvas. O peixe as absorve e cresce. Então este peixe, verde e ramal, de prata e sal, dele próprio se nutre? Bebe a sua própria sede? Come sua fome? Nada em si mesmo? Não saberemos jamais sobre este ente fugidio, lustral, obscuro, claro e avassalador. Tenho-o nos meus olhos, dentro das pupilas. Não sei portanto se o vejo; se é ele que se vê.” Do conto “Retábulo de Santa Joana Carolina”, uma das narrativas do livro “Nove Novena”. LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 29. Lisbela e o prisioneiro O regionalismo de “Lisbela e o Prisioneiro”, fundado no aproveitamento de incidentes testemunhados por amigos, por familiares e por Osman Lins, bem como apoiado na transposição de ditados, expressões populares e dísticos encontrados em para-choques de caminhões, é transfigurado sob a pena de seu autor. Matéria e linguagem reelaboradas tecem esta peça, regada por uma equilibrada dosagem de leveza, comicidade e ternura, e assentada em valores libertários em prol da vida, o que lhe abre as portas para outros tempos e outros espaços. Fonte:www.submarino.com.br Lisbela: Não! Leléu, você não pode ir? Leléu: Pude. Estou com dois cavalos aí fora. Mas era grosseria eu ir com a senhora. Lisbela: Não precisa continuar me chamando de senhora. Leléu: Pra mim é o que a senhora há de ser sempre. Chamar “você” é um exagero, não mereço tanto. Dr. Noêmio: Por que você não foi embora, rapaz? Por que voltou? Leléu: Por causa de dona Lisbela, Doutor. Pra ficar perto do chão onde ela pisa. Lisbela: Você podia ouvir minhas pisadas junto de você a vida toda. Por que não me levou? Leléu: Porque a senhora não merece a incerteza da minha vida. Não tenho eira nem beira, que trono lhe podia oferecer? LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 30. Mário Souto Maior (1920 – 2001) Nasceu no dia 14 de julho de 1920, na cidade de Bom Jardim, Pernambuco. Frequentou a escola da professora Josefa Coleta de Albuquerque (Santinha), onde aprendeu as primeiras letras. No Colégio Marista do Recife, fez o curso primário e ginasial. No Colégio Carneiro Leão, fez curso pré-jurídico e em Maceió, na Faculdade de Direito de Alagoas, concluiu o curso de Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. Advogado, exerceu as funções de promotor público das comarcas de Surubim e João Alfredo. Foi prefeito de Orobó, professor na Escola Normal Santana, de Bom Jardim, fundador, diretor e professor do Ginásio de Bom Jardim, Inspetor Federal de Ensino, do Ministério da Educação e Cultura. Utilizava uma linguagem simples, vinda do povo. LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana Acesse o link: http://www.soutomaior.eti.br/
  • 31. Dentre as obras, destacam-se: Como nasce um cabra da peste (1969) Cachaça (1970/1) Antônio Silvino Capitão de Trabuco (1971) Em torno de uma possível etnografia do pão (1971) Dicionário da cachaça (1973) A morte na boca do povo (1974) Nome próprios poucos comuns (1974) Território da danação (1976) Nordeste: a inventiva popular (1978) Dicionário do palavrão e termos afins (1980) A língua na boca do povo (1992) Sogras: prós & contras (1992) O Recife - quatro séculos de sua paisagem, com Leonardo Dantas Silva (1992) O puxa-saco: aqui, ali & acolá (1993) Frei Damião: um santo? (1998) Oração que o povo reza (1998) Pedro e seu mil carneirinhos (1998) Cangaço: algumas referências bibliográficas (1999) A mulher que casou com uma cobra (1999) LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 32. A obra de Mário Souto Maior faz uma análise do cangaço nordestino dos idos de 1900, onde se nota o rigoroso senso de pesquisa do autor, dissecando uma situação que perdurou no sertão durante mais de cinco décadas. Uma característica marcante no estilo do autor é sintetizar o máximo suas obras, atendendo às necessidades do homem que vive em plena era tecnológica, com pouco tempo para dedicar-se a leituras extensas. Para ele, folclore é ciência, é gente, povo, costumes, tradições e também presente. "Muito do que fazemos no cotidiano tem uma origem folclórica, como tomar chá de ervas, soltar um palavrão, pedir uma lapada, nada menos do que uma entre as mil designações populares da cachaça". Fonte: Gente Nossa, por Anamelia Dantas Maciel, Livraria São José, Rio de Janeiro, 1975 LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 33. DUAS ESTRELAS Duas estrelas! Duas estrelas! Que fazeis na imensidão? Não vedes os homens que vivem? Não vedes os homens que sofrem E morrem na solidão? Como as estrelas são felizes... Não veem as misérias do mundo... Não veem as famílias desamparadas... Não veem o destino melancólico Dos que matam para viver... Duas estrelas! Duas estrelas! Que fazeis na imensidão? Não vedes os homens que vivem? Não veem os homens que sofrem E morrem na solidão? As estrelas não sabem falar... As estrelas não têm coração... LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 34. Luzilá Gonçalves Nasceu em Garanhuns, é uma escritora e professora universitária brasileira. Professora aposentada de língua e literatura francesa da UFPE. Concluiu seu doutorado na Universidade de Paris, o mestrado na UFPE e especialização na Universidade de Paris (área de Letras). É também pesquisadora nas áreas de Literatura Escrita por Mulheres em Pernambuco e Imprensa Feminina em Pernambuco. Obras Muito Além do Corpo (1988) , A Anti-poesia de Alberto Caeiro (1990) , Os Rios Turvos (1993), A Garça Malferida (1995), Em Busca de Thargélia (1996), Humana, Demasiado Humana (2000), Voltar a Palermo (2002), No Tempo Frágil das Horas (2004). Prêmios O livro “Os Rios Turvos”, que conta a vida romanceada do poeta Bento Teixeira, foi agraciado com o Prêmio Joaquim Nabuco da Academia Brasileira de Letras, concedido a biografias. ”Muito além do corpo” foi premiado na IV Bienal Nestlé de Literatura. LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 35. Luzilá por Moisés Neto “O texto de Luzilá, como sempre, é extremamente poético. Ela tem uma intimidade total com a criação literária e uma visão particular sobre o ‘feitiço’ das letras. Criou um romance (novela?) moderno, cheio de impulso vital. Tentativa de conjurar passado e presente num texto sintético e denso, imagem a imagem, balançando entre o corpo e o espírito. Luzilá, pernambucana que soube buscar no silêncio da palavra a força da linguagem.” LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 36. "Percorro o Recife como quem percorre o corpo amado: que ruazinha, que curva de repente, que cheiro de flor em jardim antigo, despertarão aos sentidos aspectos ignorados e insuspeitados do meu amor? Uma fachada na rua da Aurora, uma casa entre palmeiras na Várzea do Poço. Um prédio perto do porto, que a luminosidade faz vibrar - e o encontro se faz, corpo que descobre o corpo, coisa viva e inteira, alegria que se transforma em algo mais do que ela própria. Amar o Recife como se quer o Amado, espaço onde me espraio e respiro, onde me perco e me realizo, prolongamento de mim que no outro reconhece e se constrói, eu a salvo. Tudo cabe aqui: uma menina magrinha retoma o caminho do colégio pelas ruas do Espinheiro e a adolescência se refaz no Parque 13 de Maio, onde a gente festejava a vida depois das aulas. Aqui reencontro amigos, naquela praça ouvi meu primeiro "eu te amo", naquele cais chorei o amor desesperadamente perdido, O Capibaribe por testemunha.” Luzilá Gonçalves LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 37. Marcus Accioly Marcus Moraes Accioly nasceu no Engenho Laureano, município de Aliança, Pernambuco, a 21 de janeiro de 1943. Fez seu curso primário no Grupo Escolar Joaquina Lyra (Aliança) e o curso secundário no Colégio Americano Batista (Recife). Formou-se em Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco, concluído em 1969. Tem o curso de Pós-Graduação em Letras, na Universidade Federal de Pernambuco, defendendo sua dissertação de Mestrado em Teoria da Literatura (1980). Foi, em condição de poeta, lançado pelo poeta César Leal no Suplemento Literário do Diario de Pernambuco e reuniu-se no grupo recifense que o professor Tadeu Rocha denominou de “Geração 65”. Foi vice-presidente da União Brasileira de Escritores (UBE), seção Pernambuco, e professor de Teoria Literária e Literatura Brasileira da Universidade Federal de Pernambuco. LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana Acesse o Link: http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcus_Accioly
  • 38. Obras – Marcus Accioly • Cancioneiro (1968); • Nordestinados: poemas-canção (1971); • Xilografia (1974); • Poética (1977); • Narciso(1984); • Óxion (1986); • Guriatã (1986); • Para(ti)nação (1986); • Poética-Popular; • Latinoamérica; • Louvação & Incelença; • O Exílio da Canção. “Trata-se dum domador de palavras, dum fascinado de todos os jogos que a boa Retórica, antiga e moderna, oferece aos artífices do encantamento por meio da expressão verbal. Marcus Accioly faz a coreografia de todos os ritmos, pratica as convenções e as audácias de todos os tempos.” Fábio Lucas LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 39. XXXII do trem-de-ferro Quem grita na noite? Não vejo ninguém, é o eco do grito do apito do trem, é a boca-da-noite que grita também, é o eco do eco que ecoa no além. Quem grita na noite? Não vejo ninguém, é o grito da ponte debaixo do trem, é o vento que chora por morte de alguém, é o coro das almas que dizem amém. Quem grita na noite? [...] Quem grita na noite? Não vejo ninguém, é o sonho-barulho das rodas do trem, é a luz de uma estrela que tange belém no sino-silêncio que a noite não tem. Quem grita na noite? Não grita ninguém, é o trem dos fantasmas nos trilhos sem trem, é a voz dos dormentes que às vezes contém o grito da vida que a morte detém.” LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 40. Para este momento, foram apresentados alguns dos escritores pernambucanos, sabendo-se, é claro, que nossa produção cultural é bastante rica, inclusive com nomes mais jovens, porém, não menos importantes. O professor poderá utilizar esses nomes para apresentar parte dessa produção aos alunos, bem como os links apresentados como referências para aprofundar o estudo sobre nossas produções literárias. LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 41. Referências: http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_3153.html http://www.plataforma.paraapoesia.nom.br/trilhasclau22004.htm http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_lit/index.cfm?fuseaction=biografias_texto&cd_verb ete=5034&cd_item=35 http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u320288.shtml http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=M%C3%A1rio+Souto+Maior&lt r=m&id_perso=1215 http://www.moisesneto.com.br/estudo31.html http://www.google.com.br/imagens http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/pernambuco/ascenso_ferreira.html http://www.culturabrasil.pro.br/bandeira.htm www.academia.org.br http://www.jornaldepoesia.jor.br/wladimirsaldanha3.html http://www.enemsimples.info/2011/07/resumo-pedra-do-sono-joao-cabral-de.html#ixzz1y5lACic5 http://www.biografia.inf.br/osman-lins-escritor.html http://www.astormentas.com/din/poema.asp?key=12782&titulo=Prosa%E7%E3o http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_lit/index.cfm?fuseaction=biografias_texto&cd_verb ete=5762 http://onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Luzil%C3%A1+Gon%C3%A7alves&ltr =l&id_perso=601 LÍNGUA PORTUGUESA, 3º Ano do Ensino Médio Produções literárias da literatura pernambucana
  • 42. Tabela de Imagens n° do slide direito da imagem como está ao lado da foto link do site onde se consegiu a informação Data do Acesso 9 marcusrg/Creative Commons Attribution 2.0 Generic http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Manuel_B andeira.jpg 12/09/2012 21 Marcus Guimarães/Disponibilizado por Eugenio Hansen, OFS (talk)/ Creative Commons Attribution 2.0 Generic http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Joao_Cabr al_de_Melo_Neto_.jpeg 12/09/2012