Monografia Rita Pedagogia 2012

13.283 visualizações

Publicada em

Pedagogia 2012

1 comentário
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • 12-Título = Jogando.net/mu Venha se divertir de verdade !!!
    [b]Ola,sou o Pr1nceMG,Divulgador oficial do Servidor de Mu online Season 6 do Brasil
    ESTÁ ON HÁ MAIS DE 5 ANOS,Produzindo sua Diversão com qualidade.
    TODOS OS SERVERS ficam ON 24 horas por dia, Sempre Buscamos o Melhor para os Gamers.
    São varios Server esperando por você :
    * MuWar' 1000x/1500x
    * Super - 10.000x ** Pvp 15.000x
    * Very Easy - 5.000x
    * Hard 100 x
    * Extreme 10x
    * Novo servidor Phoenix: Free 3000x | Vip: 4000x Phoenix
    SÓ NO http://www.jogando.net/mu VOCÊ ENCONTRA
    Os Melhores itens e kits mais tops de um server De MU Online:
    * Novas asas level 4
    * Novos Kits DEVASTADOR
    * Novos Kits DIAMOND v2 + Kit Mystical (a combinação da super força)
    * Novos Sets especiais de TIME.
    *CASTLE SIEGE AOS SÁBADOS e DOMINGOS.
    Site http://www.jogando.net/mu/
    Esperamos pela sua visita.Sejam todos muito benvindos ao nosso Servidor.
    *Um mês de grandes eventos e Promoções do dia das Crianças e Sorteio de 1 iPad e 2.000.000 de Golds!
    E obrigado pela atençao de todos voces !!!
    Conheça também animes cloud http://animescloud.com/ São mais de 20.000 mil videos online.
    By:Pr1nceMG divulgador oficial do jogando.net/mu
       Responder 
    Tem certeza que deseja  Sim  Não
    Insira sua mensagem aqui
  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
13.283
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
165
Comentários
1
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Monografia Rita Pedagogia 2012

  1. 1. 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII - SENHOR DO BONFIM – BA PEDAGOGIA: DOCÊNCIA E GESTÃO NOS PROCESSOS EDUCATIVOSERA UMA VEZ... A LITERATURA INFANTIL NA PRATICA DOCENTE. RITA DE CÁSSIA DE SOUZA SANTOS SENHOR DO BONFIM - BA 2012
  2. 2. 2 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII - SENHOR DO BONFIM – BAPEDAGOGIA: DOCÊNCIA E GESTÃO NOS PROCESSOS EDUCATIVOSERA UMA VEZ... A LITERATURA INFANTIL NA PRÁTICA DOCENTE RITA DE CÁSSIA DE SOUZA SANTOS Trabalho Monográfico apresentado à Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Educação, Campus VII como pré-requisito para a conclusão do Curso de Pedagogia: Docência e Gestão dos Processos Educativos. Orientadora: Prof.ª Msc. Rita Braz Conceição Melo SENHOR DO BONFIM - BA 2012
  3. 3. 3 RITA DE CÁSSIA DE SOUZA SANTOSERA UMA VEZ... A LITERATURA INFANTIL NA PRÁTICA DOCENTE. Aprovada em: ____/____/_____ __________________________________ Orientadora __________________________________ Avaliador(a) __________________________________ Avaliador(a)
  4. 4. 4 A Deus em primeiro lugar por todas as bênçãosderramadas em minha vida. A Nossa Senhora queintercede por mim em minhas orações diárias.A Minha mãe, Maria da Paz, pelo exemplo que é. Nuncamediu esforços para investir em minha educação.Ao meu pai (in memorian) pelo amor, carinho e confiançadepositada em mim.A minha irmã e amiga Daiane, pela força, atenção eincentivo que sempre me impulsionou a vencer asbarreiras da vida.Ao meu filho Alysson Vitor, por seu amor e carinho, aalegria do meu viver.Ao meu padrasto Hotelino meu segundo pai pelo apoio ededicação.Ao meu esposo Ademilson. pela paciência, descontraçãoe carinho nos momentos estressantes.Ao meu sobrinhoGustavo pelo carinho e amor.
  5. 5. 5 AGRADECIMENTOS A Universidade do Estado da Bahia – Campus VII, representada pelosdocentes e direção.A todos os meus professores pelo conhecimento produzido durante o curso.A professora Rita de Cássia Braz, pela atenção, comprometimento, orientaçõese socializações de seus conhecimentos.Aos meus colegas do curso pela amizade e carinho. Aos meus colegas detrabalho da Escola Municipal José de Anchieta pela a amizade e pelosmomentos de descontração.A Viviane Brás pelo apoio técnico e a amizade. A todos que contribuíram deforma direta e indireta na minha formação. Agradeço a todos. Que Deus osabençoe!
  6. 6. 6“A leitura se levada a efeito critico e reflexivamente,levanta-se como um trabalho de combate a alienação(não racionalidade) é capaz de facilitar ao gênero humanoa realização de sua plenitude (liberdade)”. Ezequiel Silva
  7. 7. 7 RESUMOEste trabalho monográfico, é resultado de uma pesquisa realizada em uma instituiçãode educação infantil e traz reflexões sobre a temática Literatura Infantil fazendoreferência a importância da Literatura Infantil na prática pedagógica dos docentes daEscola Estrela do Amanhã. Buscamos nessa pesquisa identificar a importância daliteratura infantil na pratica pedagógica dos professores de Educação Infantil.Nosso quadro teórico fundamentou-se em autores como: Santos (1999), Oliveira(1992), Kramer (1992), Fazenda (1991), Kramer (2005), Garcia (2003), Abramovich(1997), Coelho (2000), Bettehleim (1996); entre outros. A metodologia utilizada foi apesquisa qualitativa cujos instrumentos de coleta de dados aplicados foram aentrevista semi-estruturada e o questionário fechado. Com a utilização dessesinstrumentos identificamos a importância da Literatura Infantil na prática pedagógicados docentes da Escola Estrela do Amanhã. Entretanto observamos que a práticadocente relacionada a Literatura Infantil em nosso lócus de pesquisa ainda éperpassada por compreensões tradicionais no qual a Literatura Infantil é utilizadacomo forma recreativa para atender as exigências do planejamentoPalavras-chave: Literatura Infantil: históricos e conceito; Infância e EducaçãoInfantil e Prática Pedagógica.
  8. 8. 8 SUMÁRIOINTRODUÇÃO ................................................................................................. 10CAPÍTULO I ..................................................................................................... 12 1. ERA UMA VEZ... A LITERATURA INFANTIL NO CONTEXTO DAEDUCAÇÃO..................................................................................................... 12CAPÍTULO II .................................................................................................... 16 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ........................................................... 16 2.1.1-Compreendendo a Infância e a Literatura Infantil .................. 19 2.2.Compreendendo a Educação Infantil ........................................ 20 2.3 Literatura infantil: despertando a imaginação e construindoconhecimentos. .............................................................................................. 21 2.4 Professor e Prática Pedagógica .................................................. 22CAPÍTULO III ................................................................................................... 25 3. PRODECIMENTOS METODOLÓGICOS............................................. 25 3.1 Tipo de pesquisa .......................................................................... 25 3.2 Lócus e sujeitos da pesquisa. ..................................................... 26 3.3 Instrumentos de coleta de dados................................................ 27 3.3.1 Questionário Fechado. .......................................................... 27 3.3.2 Entrevista Semi-Estruturada ................................................ 27 3.4 Perspectivas de análise dos dados e integração dos resultados......................................................................................................................... 28CAPÍTULO IV................................................................................................... 29 4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS .................................... 29 4.1 Perfil dos sujeitos......................................................................... 29 4.1.1 Gênero .................................................................................... 29 4.1.2 Nível de formação.................................................................. 30 4.1.3 Carga horária de trabalho ..................................................... 31 4.1.4 Renda mensal ........................................................................ 32 4.2 O que dizem as professoras: análise e interpretação daentrevista semi-estruturada .......................................................................... 33
  9. 9. 9 4.2.1 As histórias infantis: as experiências vivenciadas pelasprofessoras na sua prática diária. ................................................................ 33 4.2.2 O hábito de ler livros infantis ............................................... 34 4.2.3 Compreensão das docentes sobre literatura infantil ......... 35 4.2.4 O momento da Literatura Infantil no plano semanal .......... 36 4.2.5 História preferida pela turma ................................................ 37 4.2.6 O tipo de história mais contada. .......................................... 38 4.2.7 O interesse das crianças pela Literatura Infantil ................ 39 4.2.8 A metodologia usada para trabalhar com a literatura infantilem sala de aula ............................................................................................... 405. CONSIDERAÇOES FINAIS ......................................................................... 42REFERÊNCIAS................................................................................................ 45
  10. 10. 10 INTRODUÇÃOA Literatura Infantil é um suporte básico no conhecimento e aprendizado dosalunos, possibilitando o aluno viver um mundo de encantamento e fantasia.Através de várias leituras as crianças constroem o seu mundo aproximando-sede varias linguagens. A contação de historias pode possibilitar à criança umaexperiência com mundo da leitura, elas vivem experiências enriquecedoras quefavorecem a sua criatividade, promovem a formulação de idéias e observação.Sendo de suma importância no currículo escolar e principalmente no planodiário, pois ela deve ser trabalhada todos os dias em sala de aula e não comouma mera recreação sem nenhum objetivo. É nesse contexto que buscamosnessa pesquisa identificar a importância da literatura infantil na práticapedagógica dos docentes da Educação Infantil.Nossa pesquisa foi dividida em quatro capítulos que seguem:No Capítulo I, apresentamos o histórico da Literatura Infantil enfatizando onosso problema de pesquisa que é identificar a importância da LiteraturaInfantil na prática pedagógica dos professores da Educação Infantil.No Capítulo II, apresentamos o referencial teórico que aprofundou e conceituouas palavras-chave que nortearam nossa discussão: Literatura Infantil, Infânciae Educação Infantil, Prática Pedagógica.No Capítulo III, traçamos o percurso metodológico, que se subsidiou napesquisa com abordagem qualitativa, cujos instrumentos de coletas de dadosforam a, entrevista semi-estruturada e o questionário fechado.No Capitulo IV, apresentamos o resultado das informações adquiridas atravésdos instrumentos anteriormente citados, os quais permitiram identificar aimportância da literatura infantil na pratica pedagógica dos professores daEducação Infantil.
  11. 11. 11Para finalizar trazemos as nossas considerações finais sobre a Literaturainfantil embasando-se na análise de dados sobre a importância da literaturainfantil na prática pedagógica dos docentes da Educação Infantil.
  12. 12. 12 CAPÍTULO I1. ProblemáticaA literatura infantil desempenha um papel importante no desenvolvimento doser humano, através de várias leituras as crianças constroem um mundo deidéias e vivem experiências enriquecedoras; nesse sentido compreende-se aliteratura infantil como instrumento facilitador e prazeroso na construção doconhecimento do educando, despertando-o assim para o mundo da leitura.A história da literatura infantil surge para a criança apartir do século XVIII,quando a criança passa a ser vista como um ser diferente do adulto. Ascrianças eram vistas como um adulto em miniatura participando dos mesmoseventos que os adultos, não havia uma literatura especifica para elas comnecessidades e peculiaridades próprias.A partir da idade moderna, com a revolução industrial surge um novo modelofamiliar burguês, transformando o contexto da infância. A criança para detrabalhar e passa a ser vista como um ser com necessidades diferentes, destaforma entendia-se que o público infantil precisava de uma formação específicae cuidados diferenciados. Zilberman (1987) afirma que: Antes da constituição deste modelo burguês, inexistia uma consideração especial para com a infância. Essa faixa etária não era percebida como um tempo diferente, nem o mundo da criança como um espaço separado. Pequenos e grandes compartilhavam dos mesmos eventos porem nenhum laço amoroso especial os aproximava.(p.23).É nesse contexto que surge a literatura infantil, voltada para ensina a moral eos bons costumes. Seu caráter era inteiramente pedagógico com intuitoformativo. Segundo Palo (2011) desde primórdios, a literatura infantil surge
  13. 13. 13como uma forma literária menor atrelada a função utilitário – pedagógica que afaz ser mais pedagogia do que literatura (p. 15). Desse modo a literatura tinhacomo principal função ensinar a criança a ler e a escrever semcontextualização com a Literatura Infantil, mais com um caráter formativo e dedifusão de idéias.Apesar da valorização da criança no contexto educacional as primeiras obrasinfantis eram adaptações da literatura para adultos, a literatura infantil não eradada a importância no desenvolvimento da criança. Segundo Coelho (2000); Ligada desde a origem a diversão ou aprendizado das crianças, obviamente sua matéria deveria ser adequada a compreensão e interesse desse peculiar destinatário. E como criança era vista como um “adulto em miniatura”, os primeiros textos infantis resultaram da adaptação ou da minimização de textos escritos para adultos. (p.29).No Brasil, a literatura tem início no século XIX com obras pedagógicas eadaptações portuguesas sem considerar a realidade da criança. Como afirmaCunha (1991): “No Brasil, como não poderia deixar de ser, a literatura infantiltem inicio com obras pedagógicas e sobretudo adaptadas de produçõesportuguesas, demonstrando a dependência típica de colônias (p.23). Apartir dadécada de 70 com Monteiro Lobato é que passa-se a conhecer uma literaturainfantil voltada para a criança e para os valores sociais culturais e humanos.Segundo Cunha (1991): Com Monteiro Lobato é que se tem início a verdadeira literatura infantil brasileira. Com uma obra diversificada quanto a gêneros e orientação, cria esse autor uma literatura centralizada em algumas personagens que percorrem e unificam seu universo ficcional. (p.24)Monteiro Lobato soube traduzir o mundo infantil através de seus personagens ,levando às crianças textos imaginativos e emocionantes, seus textos
  14. 14. 14possibilitando que as crianças reflitam sobre as suas realidadescompreendendo o universo social onde vivem.Porém, apesar dos avanços e conquistas na área da infância, o quepercebemos no contexto em que estamos inseridos, através de nossasexperiências na educação infantil, é que alguns professores trabalham com aliteratura infantil de forma descontextualizada sem levar em conta o que essaferramenta lúdica pode oferecer. A Literatura aparece mais como uma tarefa acumprir, obrigando as crianças a lerem sem refletirem a relevância da leitura.Sendo assim “... acreditamos que um ponto pode ser atingido: o educador.Pode-se trabalhar com ele, melhorar seus conhecimentos e sua visão quanto amatéria Literatura Infantil”. ( CUNHA, 1991,p.11).Reconhecemos a importância da Literatura Infantil ser trabalhada desde osprimeiros contatos da criança, através de diversos tipos de histórias.Comoafirma Abramovich (1997): “... pode contar qualquer história a criança:comprida, curta, de muito antigamente ou dos dias de hoje, contos de fadas, defantasmas, realistas, lendas, historias em forma de poesia ou de prosa ...”Ressaltamos que muitas crianças desde pequenas já tem contato com aLiteratura Infantil, pois quando chegam à escola trazem consigo experiênciascom a literatura vivenciada com suas famílias ou em outros espaços sociais.Diante do que foi exposto colocamos a nossa questão de pesquisa: Qual aimportância da literatura infantil na prática pedagógica dos docentes deEducação Infantil?Sendo assim, nosso objetivo consiste em identificar a importância da literaturaInfantil na prática pedagógica dos docentes de educação infantil da EscolaEstrela do Amanhã. Ao pesquisarmos sobre a importância da literatura naprática pedagógica dos professores de educação infantil pretendemos assimdespertar um olhar reflexivo do professor para com sua prática educativa.Poisacreditamos que a literatura infantil contribui no desenvolvimento e naformação das crianças e no papel do professor como mediador doconhecimento. Entretanto, é necessário a reflexão do professor sobre sua
  15. 15. 15pratica em sala de aula para despertar nos seus educandos o envolvimentocom a literatura infantil.
  16. 16. 16 CAPÍTULO II2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICADiante do que foi refletido, sobre as questões que envolvem este estudo,realizaremos uma discussão teórica sobre as palavras chaves que embasaramo desenvolvimento metodológico e que darão suporte a análise de dados dapesquisa. Neste sentido, a nossa discussão teórica centra-se nos conceitos deLiteratura Infantil; Infância e Educação Infantil, Pratica Pedagógica.Palavras-chave: Literatura Infantil; Infância e Educação Infantil, PraticaPedagógica.2.1- Literatura infantil: despertando a imaginação e construindoconhecimentos.É uma expressão artística literária que tem como função levar o conhecimentoas crianças para que possam transformar sua própria existência. As obrasliterárias despertam na criança a imaginação, favorece o desenvolvimento dacriticidade, ajudando no desenvolvimento social e intelectual. Como afirmaAbramovich (1997): Ao ler uma história a criança também desenvolve todo potencial critico. Apartir daí ela pode pensar, duvidar, se perguntar, questionar... Pode se sentir inquieta, cutucada, querendo saber mais e melhor ou percebendo que se pode mudar de opinião. (p.143)
  17. 17. 17Neste sentido, a literatura infantil desenvolve a criatividade e a criticidade dascrianças, através das histórias infantis as crianças viajam no mundo daimaginação. Coelho (2000) enfatiza que: “É do livro a palavra escrita queatribuímos a maior responsabilidade na formação da consciência de mundodas crianças e dos jovens. (p.15) .Ressaltamos que existem vários gêneros de literatura infantil como: contos defadas, historias bíblicas, poemas, poesias, historias em quadrinhos, lendas,fábulas entre outros.Assim constatamos que a escola tem papel fundamental na construção doconhecimento das crianças. Coelho (2000) pontua: Em face desta realidade concreta e desafiante, torna-se cada vez mais urgente uma nova reflexão sobre educação e o ensino, pois é nessa área que os novos princípios ordenadores da sociedade serão definidos, equacionados e transmitidos a todos, para que uma nova civilização se construa num amanhã próximo (ou longínquo). (p.15).A literatura abre oportunidades para que as crianças despertem o gosto pelaleitura, vivenciando situações reais que possibilitarão uma maior interaçãoentre o leitor e o texto e de acordo com Bettelheim (1996): Para que uma estória realmente prenda a atenção da criança, deve entretê-la e despertar sua curiosidade. Mas para enriquecer sua vida, deve estimular-lhe a imaginação: ajudá-la a desenvolver seu intelecto e tornar suas emoções; estar harmonizada com suas ansiedades e aspirações, reconhecer plenamente suas dificuldades e, ao mesmo tempo, sugerir soluções para os problemas que a perturbam... (p.13).Compreende-se assim que a literatura proporciona prazer, lazer eencantamento. Os textos literários tais como os contos de fadas apesar deretratarem o contexto socioeconômico da Europa Medieval, também têm seuespaço na educação infantil, pois apresentam problemas sociais como: omedo, o amor, a dificuldade de ser criança, a vida e morte. Visto que:
  18. 18. 18 É ouvindo histórias que se pode sentir (também) emoções importantes, como a tristeza, a raiva, a irritação, o bem-estar, o medo, a alegria, o pavor, a insegurança, a tranqüilidade, e tantas outras mais, e viver profundamente tudo o que as narrativas provocam em quem as ouve... (ABRAMOVICH, 1997, p. 17)De acordo com a autora percebemos que a Literatura Infantil desperta nascrianças sentimentos importantes no desenvolvimento social. Segundo Coelho(2000), ao privilegiarmos os estudos literários, estaremos estimulando oexercício da mente bem como “a percepção do real em suas múltiplassignificações, a consciência do eu em relação ao outro, a leitura de mundo emseus vários níveis” (p.16).Neste sentido a literatura infantil pode ser considerada como um significativo noprocesso de construção do conhecimento infantil, capaz de despertar acuriosidade de conhecer o mundo a sua volta. Através do contato com textosliterários as crianças terão oportunidade de criação e recriação da realidadecomo forma de enriquecimento social e intelectual.Sendo assim o professor deve saber contar histórias primeiramente conhecere envolver-se em cada história expressando sentimentos verdadeiros queestão contidos nos textos infantis. Como afirma Abramovich (2005): ... ler o livro antes, bem lido, sentir como nos pega, nos emociona, nos irrita... Assim, quando chegar o momento de narrar a historia, que se passe a emoção verdadeira, aquela que vem lá de dentro, lá do fundinho, e que, por isso, chega no ouvinte... (p.20)O professor pode contar os mais diversos tipos de história desde que jáconheça e domine a contação de histórias, fazendo com que seus alunosenvolvam-se e participem das histórias que são contadas. Para isso énecessário que o professor deixe seus alunos bem a vontade só depoiscomeçar a contar histórias.
  19. 19. 192.2- Compreendendo a Infância e a Educação InfantilO conceito de infância é traduzido como fase do desenvolvimento do serhumano em que a criança constrói seu conhecimento social. De acordo comStein Berg (2001): (…) a criança é uma criação da sociedade sujeita a mudar sempre que surgem transformações mais amplas. O apogeu da infância tradicional durou aproximadamente de 1850 a 1950. Durante esse período, protegido dos perigos do mundo adulto, as crianças foram retiradas e colocadas em escolas. A medida em que o protótipo da família moderna se desenvolveu no final do século XIX, o comportamento apropriado dos pais para com os filhos se consolidou em torno de noções de carinho e responsabilidade do adulto para o bem estar da criança.(p.12).Antigamente a criança era vista como um ser inocente, ingênuo, dependentedo adulto e sem participação da sociedade, um adulto em miniatura. É nestecontexto que Santos (1999) afirma que: A criança, ao longo da historia e da evolução do homem, nem sempre foi considerada como hoje é. Antigamente ela era caracterizada como um ser ingênuo, inocente, gracioso ou ainda imperfeito e incompleto. Estas noções se constituíram em elementos básicos que fundamentaram o conceito de criança, entendido como um ser “sem existência social, miniatura do adulto, abstrata e universal”. Portanto, um conceito que independe da cultura ou classe social. ”(p.9).A construção do conhecimento da criança se dá através da interação comoutros indivíduos, essa interação possibilitará a troca de conhecimentos e aaquisição de novas experiências. Desse modo, Oliveira (1992) afirma que: A criança constrói assim conhecimentos conforme estabelece relações que organizam e explicam o mundo. Isso envolve assimilar aspectos dessa realidade, apropriando-se de significados sobre a mesma através de processos ativos de interação com outras pessoas e
  20. 20. 20 objetos, modificando ao mesmo tempo sua forma de agir, pensar e sentir (p.51).A infância é uma etapa importante para o indivíduo. Pois através dela oindivíduo forma o seu caráter e sua personalidade. A literatura infantil cumpre amissão de transformar socialmente a criança com sua função de fazê-la pensarcriticamente. Neste sentido, para Kramer (2005): Estudos contemporâneos sobre infância enfatizam que a criança é um sujeito social, que possui historia e que alem disso, é produtora e reprodutora do meio no qual está inserida, atuante, portanto, como produtora de historia e cultura. (p.133).A criança é um ser social e é função da escola compreender e respeitar seuspontos de vista e suas diversidades buscando adaptar-se a ela. ConformeKramer (1992), a criança não deve ser “(...) encarada como se fosse a históricae como seu papel social e seu desenvolvimento independessem dascontribuições de vida, da classe social e do meio cultural de sua família. (p.23).Fica evidenciada então que a leitura é de fundamental importância noaprendizado da criança, pois através dela a criança faz a interpretação do meiosocial em que vive.A educação infantil é a primeira etapa escolar do indivíduo e tem comoobjetivo o desenvolvimento integral da criança, como afirma a LDB emseu artigo 29: A educação infantil, primeira etapa da educação básica tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seus seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicologico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade.De acordo com a lei, a educação infantil deve ser oferecida em creches paracrianças de 0 a 3 anos, e em pré escolas para crianças de 4 e 5 anos, porem
  21. 21. 21não sendo obrigatória. A educação infantil surge no Brasil com as creches quetinham como função um atendimento assistencialista oferecido como forma deapoio aos pais que tinham que trabalhar. Nessas instituições as crianças nãorecebiam uma educação de qualidade, o atendimento era de forma precária,inadequada ao desenvolvimento integral das crianças, pois não tinham umaconcepção de educação, apenas de guarda e cuidado dessas crianças.Com o novo conceito de infância muda-se o atendimento às crianças, asinstituições passam além de ter um caráter assistencialista, de guardar, cuidare alimentar, a ter uma formação educativa respeitando seus aspectos sociais,psicológicos, físicos e intelectuais como afirma Fazenda (1991): (…) um novo papel para o ensino pré-escolar é oferecer condições propicias, oportunidades e estímulos dos mais variados para a criança educar-se, socializar-se, formar-se independente e autônoma para enfrentar situações de conflito dos mais diversos, apropiando-se do processo de aprendizagem como sujeitos de sua historia. (p. 35).A educação infantil busca proporcionar à criança o desenvolvimento pleno e aconstrução da aprendizagem para torná-la crítica, possibilitando a construçãode sua própria identidade. Na educação infantil a literatura é de grandeimportância para a construção do conhecimento da criança. Neste sentido,Kramer (2001) afirma que: A pré- escola serve para propiciar o desenvolvimento infantil considerando os conhecimentos e valores culturais que as crianças já têm e progressivamente, garantindo a aplicação dos conhecimentos, de forma a possibilitar a construção da autonomia (…) contribuindo, portanto, para a formação da cidadania. (p.50).As crianças são seres em desenvolvimento e com características diferentes.Cabe ao adulto compreender o mundo infantil considerando sua singularidade,respeitando sua capacidade afetiva, emocional, cognitiva, social e individual. Énesta perspectiva que o Referencial Curricular Nacional para a EducaçãoInfantil (1998) afirma que:
  22. 22. 22 Considerar que as crianças são diferentes entre si implica propiciar uma educação baseada em condições de aprendizagem que respeitem suas necessidades e ritmos individuais, visando ampliar e enriquecer as capacidades de cada criança considerando como pessoas singulares e com características próprias. (p. 32,33).É necessário que a escola trabalhe com a leitura a partir da educação infantilatravés de atividades lúdicas que despertem a criatividade e a criticidade. Aopossibilitarmos vivencias com a leitura e escrita, consideramos “sua relevânciae significado para a vida da criança”, mas também como “algo que se torneuma necessidade para ela e que lhe permita refletir sobre a sua realidade ecompreende-la. (GARCIA, 2003, p.94).Neste contexto, faz-se necessário uma educação que ofereça à criança acompreensão de si e da realidade em que está inserida reconhecendo ocontexto social e cultural desta, na tentativa de uma educação significativa.Neste sentido o professor exerce um papel fundamental na educação infantilque consiste num papel importante desta pesquisa.. 2.3- Prática Pedagógica e Educação InfantilO papel do professor de Educação infantil é o de mediador de conhecimentos,ele não ensinará o conteúdo pronto e acabado, mas sim irá auxiliá-lo napercepção de mundo, pois, segundo Marcuchi (1986) diz: ”O certo que ler eescrever são hoje duas práticas sociais básicas em todas as sociedadesletradas, independentemente do tempo médio com elas despendido e docontingente de pessoas que as pratica. (p.39)”.
  23. 23. 23Entende-se que a pratica do professor seja criativa possibilitando assim aoaluno o seu autoconhecimento e o acesso ao mundo da leitura e escrita quecaracteriza a sociedade em que vive.É neste contexto que aparece a formação de professores que é de extremaimportância na qualidade da educação infantil. Essa preocupação inicia-seapartir da década de 1980 com a abertura de outro momento na historia dospais, encerrando o período da ditadura militar é “... a ruptura com opensamento tecnicista que predominava na área (FREITAS, 2002 p.2), o Brasilcomeça a buscar rumos para a elaboração de outro projeto político idealizadopelos educadores, no momento da formação.Dessa forma para que o professor desenvolva sua capacidade de ensinar naEducação infantil é necessário que ele tenha uma formação sólida e especifica: A formação dos docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e instituições superiores de educação admitida como a formação mínima para o exercício do magistério na Educação Infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio na modalidade normal. (BRASIL, 2006, p.52).Assim percebemos a formação especifica garantida pela LDB que estabelececomo preceito ao menos a formação na modalidade normal em nível médiopara os profissionais da educação infantil. Sabemos, portanto, que amparadona LDB 9394/96, a sociedade brasileira reestrutura seus sistemaseducacionais, com o objetivo de acompanhar o processo de avanços datecnologia, globalização da economia e mudanças das interações sociais.Tal discussão é analisada por Cury (1996): A formação inicial de professores como a preparação profissional passa a ter papel crucial na própria organização da educação nacional não só por ser um momento de entrelace entre o nível básico e o superior, mas também pode representar o momento de
  24. 24. 24 inserção qualificada na escolarização, hoje cada vez mais necessária (p.40).Neste contexto, o professor será um mediador consciente de seu papel quepossibilitara o desenvolvimento das capacidades das crianças, utilizando-se daliteratura infantil como meio para que seus educandos expressem seuspensamentos e sentimentos, proporcionando a reflexão e recriação darealidade. Sobre essa questão Lajolo (2002). A escola conta com a literatura infantil para difundir-ataviados pelo envolvimento da narrativa, ou pela forma encantadora dos versos-sentimentos, atitudes e comportamentos que lhe competem inculcar em sua clientela (p.66).Portanto o educador deve propiciar aos seus alunos o contato comdiversos livros e textos literários possibilitando assim a oportunidade dedesenvolver seus conhecimentos e pontos de vista diversos.Entretanto, para que os alunos despertem o gosto pela leitura cabe aoprofessor ser um assíduo leitor. Sobre esta questão Costa (2006), afirmaque: “cabe, portanto, ao professor que trabalha com textos e leituraspromover progressos constantes dos seus alunos juntamente com aevolução pessoal de leituras e conhecimentos.” (p.23).Assim é tarefa do educador facilitar o aprendizado dos seus alunos atravésde uma pratica educativa envolvente que trabalhe com a literatura infantiltodos os dias através de atividades que prendam a atenção dos alunos.
  25. 25. 25 CAPÍTULO III3. PRODECIMENTOS METODOLÓGICOSA metodologia é o processo pelo qual se pode alcançar um fim determinado.Como afirma Minayo (2003): “a metodologia inclui as concepções teóricas deabordagem, o conjunto de técnicas que possibilita a construção da realidade éo sopro divino, do potencial criativo do investigador.” Desta forma, a pesquisaestá ligada as bases qualitativas, através de instrumentos que possibilitaram aopesquisador uma compreensão sobre o objetivo da pesquisa.Diante disso optou-se pela pesquisa qualitativa uma vez que esta nos propicia,enquanto pesquisador, vivenciar critérios de qualidade tomando como base aentrevista semi estruturada que nos possibilita compreender o que os sujeitosdizem e pensam sobre o tema pesquisado. Ludke e André (1986) expressam: È cada vez mais evidente o interesse que os pesquisadores da área de educação vêm demonstrando pelo uso das metodologias qualitativas. Apesar da crescente popularidade dessas metodologias, ainda parecem existir muitas duvidas sobre o que realmente caracteriza uma pesquisa qualitativa, quando é ou não é adequado utilizá-la e como se coloca a questão do rigor cientifico nesse tipo de investigação. (...) A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento. A pesquisa qualitativa supõe contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que está inserida (...) (p.11).Sendo assim é necessário que o pesquisador esteja em contato com ossujeitos da pesquisa.3.1 Tipo de pesquisa
  26. 26. 26A pesquisa realizada é de cunho qualitativo, pois segundo Bogdan e Beklin(1987): “A pesquisa qualitativa envolve a obtenção de dados descritivos,obtidos no contato direto do pesquisador com situações estudadas, enfatizamais o processo do que o produto e se preocupa em relatar as perspectivasdos participantes”. (apud LUDKE e ANDRÉ, 1986, p. 13). A pesquisa qualitativafoi escolhida, pois embasa-se no contato direto com o pesquisador, através datroca de informações entre o pesquisador e o pesquisado na busca de novosconhecimentos.A pesquisa qualitativa proporciona ao pesquisador a capacidade de interagir eouvir atentamente as informações obtidas, coletando fatos relatados pelos ossujeitos que vivenciam uma determinada realidade, e assim, possibilitando aomesmo interpretar os significados que são atribuídos a realidade em que ossujeitos estão inseridos.3.2 Locus e sujeitos da pesquisa.A presente pesquisa foi realizada na Escola Estrela do Amanhã no municípiode Senhor do Bonfim-BA. Localizada na Rua José Coelho, Bairro Olaria.Escolhemos essa instituição por estar localizada na comunidade onde moro,onde moram pessoas de classe baixa e que possui alguns problemas declasses sociais como uso de drogas ilícitas, alcoolismo, gravidez precoce eextrema pobreza.A Escola Estrela do Amanhã está localizada na Rua José Coelho, sem número,Olaria sendo um estabelecimento de ensino privado em um bairro periférico dacidade que recebe alunos da comunidade e das localidades circunvizinhas. Ainstituição atende a 100 alunos divididas em 6 turmas, funcionando nos turnosmatutino e vespertino. O estabelecimento possui 03 sanitários, 01 para osfuncionários e 02 para os alunos, 01 cozinha, 05 salas de aula, 01 secretaria,01 sala de leitura. O corpo funcionário é composto por 6 professoras deEducação Infantil , 02 auxiliares de classe e 02 auxiliares de serviço gerais.
  27. 27. 27Para a realização desta pesquisa tivemos como sujeitos da pesquisa os 05professores atuantes na instituição. Inicialmente convidamos os professorespara a participação da nossa pesquisa e explicamos o nosso objetivo a serdesenvolvido na presente instituição e o quanto desejávamos a colaboração detodos para a realização do nosso trabalho.3.3 Instrumentos de coleta de dadosPara alcançar os objetivos desta pesquisa utilizamos como instrumentos decoleta de dados o questionário fechado e a entrevista semi-estruturada que nospossibilitou identificar as contribuições da literatura infantil na Educaçãoinfantil. Sendo assim é necessário que o pesquisador esteja em contato com ossujeitos da pesquisa.3.3.1.1 Questionário FechadoVisando traçar o perfil dos sujeitos optarmos pelo questionário fechado emanexo, pela necessidade de obtermos dados que nos possibilitasse descrevero perfil dos sujeitos em seus aspectos sócio-econômicos educacionais, umavez que o questionário fechado apresenta-se como instrumento prático que nosgarante respostas diretas.e neste sentido o questionário auxiliou no alcance donosso objetivo: Identificar a importância da Literatura Infantil na praticadocente. Como nos afirma Marconi e Lakatos (1996) o questionário fechado é“um instrumento de coleta de dados constituído por uma ordenada deperguntas que deve ser respondido por escrito e sem a presença dopesquisador” (p.88).3.3.2.1 Entrevista Semi-Estruturada
  28. 28. 28A entrevista semi-estruturada proporciona ao pesquisador a obtenção deinformações através do dialogo, das novas revelações sobre suas experiênciasvivenciadas no ambiente pesquisado. A entrevista é de grande valia naaquisição de dados na pesquisa qualitativa, constituindo-se como instrumentoque permite o contato com o entrevistado. Para Trivinos (1987) a: (...) entrevista semi-estruturada, em geral aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias; hipóteses, que interessam a pesquisa, e que, em seguida oferece amplo campo de interrogativas, fruto de nossas hipóteses que vão surgindo á medida que recebem as respostas do informante. Desta maneira, o informante, seguindo espotaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências dentro do foco principal colocado pelo investigador, começa a participar na elaboração do conteúdo da pesquisa. (p.146).Assim a entrevista semi-estruturada em anexo dá possibilidades aopesquisador de interpretar cada gesto e atitude de forma minuciosa cadaresposta, cada resposta, cada expressão apresentada na fala do pesquisado,que servirá de dado a ser também analisado juntamente com o conteúdo daentrevista.
  29. 29. 29 CAPÍTULO IV4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOSNeste capítulo apresentaremos a análise e interpretação de dados, que buscouanalisar as contribuições da Literatura Infantil na prática pedagógica dosdocentes da Escola Estrela do Amanhã. Sendo assim, na coleta de dadosnorteada pela abordagem da pesquisa qualitativa, utilizamos com instrumentoso questionário fechado e a entrevista semi-estruturada aplicados aos sujeitosda pesquisa, ou seja, cinco professoras da educação infantil do referido lócus.Ressaltamos que nossas análises foram embasadas nos teóricos quefundamentaram as palavras-chave, através do cruzamento dos dados. Paramelhor estruturação desta etapa, estabelecemos categorias com os pontosmais relevantes tendo em vista o objetivo proposto.4.1 Perfil dos sujeitosApresentamos o resultado do questionário fechado, que buscou traçar o perfildos sujeitos, tomando como base itens que nos levaram a uma reflexão sobrea prática pedagógica vinculada a literatura-infantil.4.1.1 GêneroNossos sujeitos são as cinco regentes de Educação Infantil da escola EstrelaAmanhã no turno vespertino. Conforme dados coletados percebemos que100% são do sexo feminino.Essa informação demonstra que a presença das mulheres na educação,principalmente na Educação Infantil pode ser atribuída ao paradigma histórico,
  30. 30. 30no qual a maternidade e o cuidar eram fatores determinantes nesta etapa daeducação, a partir de uma visão assistencialista e tradicional da educaçãoinfantil. Segundo Machado (1991) caberia a instituição substituir a mãecuidando da criança, alimentando e cuidando de sua higiene, saúde com muitorigor. “[...] a soma desses elementos seriam responsáveis pela formaçãoadequada das crianças preenchendo a lacuna deixada pela mãe ausente, atéque aos sete anos eles ingressassem no sistema escolar vigente”. (p. 17).Desde primórdios essa função assistencialista foi atribuída à mulher. Portanto,com o surgimento das creches o intuito era primordialmente o cuidar dascrianças, papel atribuído às mulheres. Essa realidade nos leva a refletir sobre opapel da mulher principalmente na Educação Infantil Como afirma Kramer(1992): O gênero como constitutivo das relações sociais e apontando marcas de uma socialização orientada por modelos de papeis sexuais dicotimizados e diferenciados, em que a socialização feminina tem como eixos o trabalho domestico e a maternagem (p.87).De acordo com o que afirma a autora, ao longo da história as mulheressempre estiveram presente na Educação Infantil sendo responsáveis pelaformação das crianças.4.1.2 Nível de formaçãoQuanto à escolaridade percebemos que 60% das entrevistadas têm o ensinomédio completo e somente 40% possui o Ensino superior incompleto. O cursodas professoras é na área de Pedagogia.Estes dados demonstram uma carência formativa das profissionais daEducação Infantil tendo em vista que essas professoras, em sua grande
  31. 31. 31maioria, possuem apenas nível médio. Acreditamos que esta realidade podeimplicar diretamente na formação do aluno. Nesse sentido:Fazenda (1991) afirma que: Educar ou participar do processo educacional de crianças pequenas requer além de um conhecimento técnico e metodológico diversificado (as situações nem sempre se repetem) uma compreensão teórica profunda dos prejuízos irreversíveis que uma má educação nessa idade produz. (p. 16).A LDB promulgada em 1996 estabeleceu um prazo de dez anos para queapenas professores habilitados em nível superior sejam admitidos para lecionarna Educação Infantil e de 1ª a 4ª nas séries do ensino fundamental. Destaforma percebemos mais uma vez que em nosso país as leis são criadasobjetivando maior qualidade na educação, no entanto, não são cumpridasprincipalmente quando essa realidade faz parte de uma escola privada em umbairro periférico da cidade.4.1.3 Carga horária de trabalhoPercebemos que 100% das entrevistadas trabalham 40 horas semanais. Este éum reflexo do não reconhecimento profissional dos professores que há muitotempo lutam por melhores condições de trabalho e aumento salarial. Oprofessor se vê muitas vezes obrigado a trabalhar uma carga horária elevadapara adquirir maior rentabilidade financeira e poder arcar com suas despesaspessoais.Sabemos que a carga horária de 40 horas reduz o tempo do professor paraplanejar as suas atividades impossibilitando que o profissional desempenhemelhor a sua função. “os trabalhadores e as trabalhadoras da educação vivemtambém em um estado de permanente antinonímia existencial” (GENTILI,2008, p.11). Percebemos que na escola pesquisada os professores devido ao
  32. 32. 32baixo salário necessitam trabalhar 40 horas para complementar a sua rendamensal. Sendo assim Angotti (2001) afirma que: o exercício da profissão exigeque: O professor tenha elementos para proceder à análise, reflexões e avaliações referentes ao seu próprio fazer, encontrando novos caminhos qualitativamente diferente para efetivação de um trabalho docente, reflexivo e orientado por um projeto de educação pré- escolar. (p. 55)E para que este exercício seja efetuado qualificadamente é necessário que oprofessor disponha de tempo para elaborar suas aulas como também parainvestir na sua formação.4.1.4 Renda mensalIdentificamos que 60% das professoras recebem um salário mínimo e somente40% meio salário. O salário dos professores está abaixo do piso nacional parao magistério que é de R$ 1.451,00. A diretora da escola justifica que por seruma escola de pequeno porte, tem pouco tempo que funciona e que o valordas mensalidades não são o suficiente para pagar o valor determinado pelopiso nacional. Libanêo (2004) afirma que: O professorado diante das novas realidades e da complexidade de saberes envolvidos presentemente na sua formação profissional precisaria de formação teórica mais aprofundada (...) além, obviamente, da indispensável correção dos salários, nas condições de trabalho e de exercício profissional (p.76).Ressaltamos que a baixa renda mensal pode ser também um reflexo do nívelde formação desses profissionais.
  33. 33. 334.2 O que dizem as professoras: análise e interpretação da entrevistasemi-estruturadaAo analisarmos os resultados das entrevistas buscamos, nas respostasapresentadas pelas colaboradoras, conhecer os significados que a literaturainfantil representa na vida de cada sujeito e da leitura que fizemos dessasentrevistas surgiram as unidades de análise que trataremos a seguir.Salientamos que a entrevista foi gravada e transcrita, para melhor análise ecompreensão dos dados coletados.4.2.1 As histórias infantis: as experiências vivenciadas pelas professorasna sua prática diária.Ao perguntarmos às professoras se gostam de literatura infantil todas asrespostas foram positivas, só variam as justificativas. Sentimos que a maiorialer para ter um maior domínio na contação de histórias e por ser mais umaexigência da escola como afirma a P1 1: “... trabalho com os contos infantis parater domínio na contação de historias infantis”. A professora não deixatransparecer que gosta de contar histórias infantis, mas sim, que tem anecessidade de conhecer para usar em sua prática pedagógica. No entanto,percebemos nas falas das docentes P2 e P5 que elas trabalham com aliteratura infantil porque gostam e tem prazer em contá-las. Gosto de contar histórias e sempre que conto me envolvo nelas, eu sempre estou lendo historias infantis.P2 Gosto de histórias infantis desde criança, pois tive contato na infância com contos infantis. P51 Utilizaremos a letra P maiúscula seguida de números crescentes para identificar e ocultar aidentidade das professoras.
  34. 34. 34Desse modo observamos que a literatura infantil faz parte da vida delas e quese envolvem e se encantam contando histórias infantis. Os presentes relatos seaproximam do que fala Abramovich (1997) quando enfatiza que ler históriasinfantis: (...) É poder ler sorrir e gargalhar com as situações vividas pelas personagens, com a ideia do conto ou do jeito de escrever dum autor e, então ser um pouco cúmplice desse momento de humor, de brincadeira, de divertimento... (p.17).Percebemos que as docentes P2 e P5 lêem por prazer, pois tiveram umcontato maior com a literatura infantil na infância, no depoimento afirmam quecomeçaram a gostar da literatura infantil na escola, pois eram trabalhadoscontos infantis que despertou a oportunidade de conhecer e vivenciar situaçõesreais através da fantasia.4.2.2 O hábito de ler livros infantisQuando questionadas sobre o hábito de ler livros, todas responderam que lêemsempre livros infantis. Só uma das pesquisadas que afirmou que ler somentepara seus alunos, porque não tem tempo para ler histórias infantis. Leio só quando é necessário para meus alunos, pois não tenho tempo de ler histórias infantis. P4Observamos que a docente apesar de achar a leitura necessária na pratica doprofessor não tem o hábito da leitura diária, por afirmar que desempenha duasfunções na escola, de diretora e professora.Para nos tornarmos leitores assíduos precisamos “criar tempo” para a leiturapara que possamos passar esse hábito para os nossos alunos, pois osprofessores são exemplos para seus alunos e a escola tem como papelfundamental trabalhar a leitura desde a infância.Ter o costume de ler textos
  35. 35. 35literários é enriquecedor, pois possibilita a construção de conhecimentos, dainterpretação da realidade. A literatura infantil é importante, pois através dela a criança desenvolve-se cognitivamente e psicologicamente. P5.Assim o hábito de ler histórias é percebido como uma atividade dodesenvolvimento das crianças pequenas. Tal atitude se aproxima do que afirmaCoelho (2000): Chega-se a conclusão de que o professor precisa estar “sintonizado” com as transformações do momento presente e reorganizar seu próprio conhecimento ou consciência de mundo, orientado em três direções principais: da literatura (como leitor atento), da realidade social que o cerca... E da docência (como profissional competente). (p.18).Desse modo, a literatura possibilita a construção do conhecimento através dacriação da realidade, além de ser prazeroso e levar a criança à fantasia e aemoção com as histórias infantis.4.2.3 Compreensão das docentes sobre literatura infantilBuscamos através da análise das falas das professoras discorrer sobre aimportância da Literatura Infantil na prática pedagógica da Educação Infantil.Quando questionadas se consideram a Literatura Infantil como influenciadorano desenvolvimento das crianças as pesquisadas responderam: Sim, pois contribui para o aprendizado da criança. P1 Sim, elas aprenderem a contar e recontar as histórias que eu conto. P2 Sim, desenvolve a linguagem, a escrita, e eles aprendem a lição de moral das histórias. P3
  36. 36. 36 Depende da maneira como é aplicada se você procura uma literatura que vai despertar algo no aluno é benéfico. P4 Sim é importante, pois, através da leitura é que a criança se desenvolve. P5Percebemos nas falas das professoras que estas conhecem a importância daliteratura infantil no desenvolvimento da criança considerando como um meioestimulador do aprendizado. Nas falas das professoras observamos que aliteratura contribui no aprendizado desenvolvendo a linguagem, a escrita,estabelecendo valores que irão contribui na formação da personalidade doaluno.Identificamos que as professoras gostam da literatura infantil e conhecem averdadeira importância da literatura, tendo em vista que esta ferramentafavorece a aquisição do conhecimento, tendo a oportunidade de vivenciarnovas experiências através do mundo da leitura. Como afirma Coelho (2000):“No contato com a literatura, os homens têm a oportunidade de ampliar,transformar ou enriquecer sua própria existência de vida, em um grau deintensidade não igualada por nenhuma outra atividade. (p.29).4.2.4 O momento da Literatura Infantil no plano semanalAo serem questionadas se existia um momento especifico para a literatura emseu plano de aula semanal, 80% das professoras responderam positivamente,e somente 20% deu resposta negativa, desconsiderando a importância daliteratura em sua pratica diária. Sim, sexta-feira é a recreação. P1 Não, é aleatoriamente. P2 Sim na sexta-feira. P3 Sim, como recreação na sexta-feira. P4 Sim na sexta-feira. P5
  37. 37. 37Observamos que na maioria dos casos as professoras trabalham a LiteraturaInfantil em sala de aula e afirmam possuir um dia no plano semanal reservadopara o conto de histórias infantis. Somente uma professora disse que não tinhaum momento especifico em seu plano de aula. Ela afirmou que conta históriaspara seus alunos quando sente vontade, no dia que ela quer.Através da respostas observamos que as docentes têm o conhecimento daimportância da Literatura Infantil, no entanto, não trabalham com a LiteraturaInfantil diariamente tratando-a com um mero sentido recreativo, como umpassatempo nas sextas-feiras, distanciando-se do verdadeiro sentido daliteratura infantil na vida das crianças.4.2.5 História preferida pela turmaOs textos literários dividem-se nas seguintes modalidades de textos: os contosde fadas, as histórias infantis contemporâneas, as fábulas, as histórias bíblicas,as lendas, poesias e prosas. Assim é importante que o professor tenha oconhecimento desses diversos tipos de textos infantis para que possa contarpara seus alunos de acordo com seu interesse.Para que o professor estimule a leitura, primeiramente é necessário que elegoste de ler e busque sempre histórias novas para ler para seus alunos,conhecendo seus interesses e respeitando sua faixa etária.Questionadas sobre o gosto da turma sobre as histórias infantis as respostasforam diversas. João e pé de feijão, Chapeuzinho Vermelho, Os três porquinhos. P1 Chapeuzinho vermelho, A branca de neve. P2 As historias bíblicas. P3 As meninas Barbie, Monica e os meninos Pato Donald o que é relacionado às histórias em quadrinhos. P4
  38. 38. 38 Branca de neve. P5Percebemos através dos depoimentos que as crianças preferem mais oscontos clássicos universais como Chapeuzinho Vermelho, Cinderela, Os trêsporquinhos e também as histórias bíblicas, isso fica evidenciado nas falas deP2, P3 e P5. Só duas professoras, P1 e P4, afirmam que os alunos não gostammuito de ouvir histórias segundo elas seus alunos só gostam de históriasdramatizadas. Percebemos também o preconceito existente na fala dasprofessoras ao escolherem os tipos de histórias a serem contadas para osalunos, elas não contam histórias e que tenham negros como protagonistas.Conforme Oliveira (2001): O professor deve ter bastante claro que os princípios que regem seu fazer estão diretamente relacionados com os princípios de cidadania que estão sendo construídos pelas crianças. Desta maneira é fundamental a busca, a coerência entre o ideal de formação que se quer alcançar e os procedimentos assumidos pelo docente enquanto ser individual, social, profissional e político na efetivação de seus objetivos, seus valores e seus ideais, para que possamos almejar uma sociedade mais humana, igualitária e justa, preservando o que a sociedade tem de melhor, seu potencial humano. (p. 67).Para isso o professor tem que ter uma preparação para contação de histórias,pois as histórias dramatizadas prendem mais a atenção dos alunos, levando aimaginação e a fantasia. Para Abramovich (1997): “Os contos de fadas são tãoricos que tem sido fonte de estudos para psicanalistas, sociólogos,antropólogos, psicólogos, cada qual dando sua interpretação e seaprofundando no seu eixo de interesse”. (p.121)Percebemos a riqueza das histórias infantis ultrapassando barreiras,desenvolvendo a criatividade, encantando a vida das crianças. Os contos defadas são importantes também, pois sempre tem uma lição de moral queajudam as crianças a solucionarem seus problemas.
  39. 39. 39Apenas uma entrevistada, P3, respondeu que as histórias que seus alunosmais gostavam eram as histórias bíblicas. Compreendemos que essaafirmação está relacionada ao fato de que a dona da escola é evangélica etrabalha com um projeto sobre as histórias bíblicasNesse contexto é que o professor deve conhecer a história que seu aluno gostapara ser contada de maneira interessante e que levem seus alunos paraselecionarem os livros de sua preferência. Ao analisarmos as falas pudemosconstatar que as crianças gostam e se interessam pelas histórias infantis.Portanto, a literatura infantil precisa ser utilizada de forma lúdica, pois dessaforma despertará o interesse fazendo com que participem das histórias4.2.6 O interesse das crianças pela Literatura InfantilDesde a infância é importante o contato da criança com a literatura infantil,portanto, a escola tem como papel fundamental inserí-las nesse contato com aleitura, por isso é imprescindível ter um acervo completo com diversos tipos degêneros literários. Na perspectiva de sabermos se os alunos demonstraminteresse pela Literatura Infantil perguntamos as professoras se as criançassentem interesse por esta ferramenta educativa. A maior parte das professorasafirmou: Sim, principalmente os clássicos universais. P1 Em parte eles gostam mais de assistir do que ouvir histórias infantis. P2 Sim eles gostam mais quando são dramatizadas. P3 Mais ou menos só historias do interesse deles. P4 Sim eles sempre ouvem quando estou contando. P5Ao analisarmos as falas pudemos constatar que as crianças gostam e seinteressam pelas histórias infantis. Portanto, a literatura infantil precisa ser
  40. 40. 40utilizada de forma lúdica, pois dessa forma despertará o interesse fazendo comque participem das histórias.É necessário que o professor seja um artista no momento da contação dehistórias para que assim possa chamar atenção dos alunos envolvendo-os nashistórias contadas. Como afirma Bettelheim (1996) “para que uma estóriarealmente prenda a atenção da criança, deve entretê-la e despertar suacuriosidade” (p.13). acreditamos que três pontos são fundamentais paradespertar o gosto da leitura: o professor gostar de ler, os alunos selecionaremos livros de leitura de acordo com seus gostos e o professor saber contarhistórias ludicamente prendendo a atenção dos seus alunos.4.2.7 A metodologia usada para trabalhar com a literatura infantil em salade aulaPercebemos que as professoras usam vários tipos de estratégias para exporema Literatura Infantil em sala de aula através de histórias contadas, DVD,dramatizações. Ao serem questionadas sobre a forma como trabalham com ostextos infantis elas responderam da seguinte forma: Conto histórias, eles assistem DVD, trabalho também contando historias com fantoches. P1 Leio as histórias e depois mando eles recontarem e dramatizarem a história. P2 Lendo as historias e depois mandando eles dramatizarem. P3 Exposições teatrais, fantoches, dedoches infantis sempre procurando uma maneira de atrair a atenção das crianças. P4 Através de figuras, teatros e fantoches dessa forma fica mais interessante contar historias. P5As professares planejam suas aulas de acordo com o interesse dos seusalunos procurando sempre diversas maneiras de contar histórias não só da
  41. 41. 41forma tradicional, mas através de DVD, fantoches, dedoches, teatro. Elas usamvários tipos de recursos para atrair a atenção de seus alunos. Literatura é arte, literatura é prazer... Que a escola encape esse lado. É precisar e isso inclui criticar... Se ler for mais uma lição de casa a gente bem sabe que é que dá... Cobrança nunca foi passaporte ou a aval pra vontade e descoberta ou pro crescimento de ninguém. (ABRAMOVICH 1995, p.148). Diante desse contexto, acreditamos que podemos trabalhar comdiversas metodologias, tornando a literatura infantil mais atrativa e prazerosa.Acreditamos que é importante o professor estar inovando sua praticapedagógica através de metodologias que favoreçam a contação de historias.Entretanto se o professor não buscar aprimorar seus conhecimentos suapratica ficara descontextualizada.
  42. 42. 42 5. CONSIDERAÇOES FINAISCompreendemos que a escola precisa trabalhar com a literatura infantil desdeas series iniciais, pois esta contribui para o desempenho social da criança. Noinicio da vida escolar, já na educação infantil é necessário introduzir textos quedespertem o gosto pela leitura, tornando-se um hábito. Neste sentido Damke(1995) afirma que: (...) uma escola democrática em que pratique uma pedagogia da pergunta, em que se ensine e se aprenda com seriedade, mas que a seriedade jamais livre sisudez. Uma escola em que ao se ensinarem necessariamente os conteúdos, se ensine também a pensar certo (p.24).Aos professores cabe a missão de trabalhar em suas aulas com a literaturainfantil fazendo com que seus alunos se envolvam com as histórias,participando, opinando, recontando, ilustrando para que através dessa práticapossam desenvolver sua criatividade e seus dons artísticos. O educadoralegando que seu tempo é pouco para ler acaba sempre induzindo os seuseducandos a lerem os mesmos livros, tornando esse momento que deveria serprazeroso em uma árdua obrigação.Como afirma Abramovich (1997), a literatura na escola: (...) se for mais umalição de casa, a gente bem sabe no que é que dá (...) cobrança nunca foipassaporte ou aval pra vontade, descoberta ou pro crescimento de ninguém...(p.148).Na maioria das vezes também, os professores tratam a literatura infantil comouma atividade recreativa, que sempre é feita nas sextas-feiras ou então comodever de casa sem importância, desconsiderando essa atividade como aampliação do gosto pela leitura na vida da criança.Na fase de desenvolvimento da criança a literatura infantil é um ponto crucialno desempenho das habilidades das crianças, para que adquiram
  43. 43. 43conhecimento de uma forma prazerosa. Cabe ao professor, estimular a práticada leitura com aulas inovadoras que possibilitem aos seus alunos uma leituraampla de mundo.Já no sentido social é de suma importância a literatura infantil, pois atravésdela as crianças aprenderão a interagir socializar-se e expressarem-se comfacilidade. Desse modo, abre a possibilidade da criança perceber o mundoatravés da palavra ao influenciar o desenvolvimento da aprendizagem. Nestesentido percebe-se que é necessário o professor refletir sobre a sua práticaeducativa com intuito de transformá-la em uma prática significativa,proporcionando às crianças um contato com os livros e atividades de leitura.O contato das crianças com a Literatura desde a Educação infantil éimpreencendivel no desenvolvimento motor, cognitivo, social. A criança desdecedo deve ter contato com livros infantis para poder desenvolver o gosto pelaleitura, escrita e desenvolver diversas potencialidades. Sendo assim cabe aoprofessor estar constantemente trabalhando com a Literatura Infantil em salade aula, levando as crianças a expressarem seus sentimentos, opiniões edespertando sua criatividade.A forma como o professor concebe a Literatura Infantil influencia na sua práticadiária. É importante que o professor tenha formação necessária para trabalhara Literatura Infantil em sala de aula.Entre as cinco professoras, sujeitos dessa pesquisa, duas estão cursando oPedagogia, e as outras três só possuem magistério que não lhes daembasamento para trabalhar com Educação Infantil, pois o curso de magistérioera voltado para ensinar series inicias e não Educação Infantil.A formação do professor influencia muito em sua prática, pois os professoressem formação muitas vezes não tratam a Literatura dentro de um contextoatualizado e pedagógico, mas como um divertimento sem importância, umpassatempo que nas sextas-feiras não permitem as crianças vivenciarem a
  44. 44. 44Literatura Infantil em suas vidas, despertando a imaginação e desenvolvendo acriatividade.A maioria das docentes apesar de conhecerem e evidenciarem em suas falas aimportância da Literatura Infantil tanto no aspecto social, cognitivo epsicológico, percebemos ainda que os discursos não condizem com a práticadas pesquisadas que falam que a Literatura Infantil é importante na formaçãoda criança, no entanto, não trabalham adequadamente em sala de aula. Asprofessoras não fazem a leitura de textos infantis porque gostam e sim comonecessidade para dar suporte em suas aulas, tornando a Literatura Infantil umatendimento às normas estabelecidas pelo planejamento semanal.
  45. 45. 45 REFERÊNCIASABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: Gostosuras e bobices. São Paulo:Scipione, 1997.ANGOTTI, Maristela. (organizadora). Educação Infantil: para que, para queme por quê? Campinas, SP: Ed. Alínea, 2006.BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. 11ª Ed. Rio deJaneiro: Paz e Terra, 1996.BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de EducaçãoFundamental. Referencial Curricular Nacional Para Educação Infantil.Brasília: MEC/SEF, VOL. 1,2,3, 1998._______. Ministério da Educação e Cultura. Lei de Diretrizes e Bases daEducação Nacional.(1996). Apresentação Carlos Roberto Jamil. 10 ed. Rio deJaneiro, DP &, 2006. Legislação Brasileira.COELHO, Nelly Novaes. Teoria, Analise, Didática. 1ª Ed. São Paulo:Moderna, 2000.COSTA, Marta Moraes da. Literatura infantil. Marta Moraes da Costa.Curitiba:IESDE, 2006.CUNHA, Maria Antonieta Antunes. Literatura infantil: teoria e prática. SãoPaulo: Atica, 1991.CURY, Carlos Roberto Jamil. A Educação na primeira ConstituinteRepublicana. In: FÁVERO, Osmar. A Educação nas constituintesbrasileiras. Campinas –SP: Autores Associados, 1996, p. 69- 80.DAMKE, I. R. O processo do conhecimento na pedagogia da libertação:as idéias de Freire, Fiori e Dussel. Petrópolis: Vozes, 1995.FAZENDA, Ivani Catarina Arantes(org). Ta pronto seu lobo? Didática/Prática na pré escola. São Paulo: Atica, 1991.GARCIA, Regina Leite(Org). A formação da professora- alfabetizadora:reflexões sobre a prática. São Paulo: Cortez 2003.GENTILI, Pablo. Desencanto e utopia: a educação no labirinto dos novostempos/ Pablo Gentili, Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.KRAMER, Sonia. A política da pré-escola no Brasil: A arte do disfarce. 4ªEd. São Paulo: Cortez, 1992.
  46. 46. 46____________, Sonia(org) Et.al.Com a pré- escola nas mãos: umaalternativa curricular para a educação infantil. 14ª Ed. São Paulo: Atica,2005.LAJOLO , Marisa. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. 6ª Ed. SaoPaulo: Atica, 2002.LAJOLO, Marisa e ZILBERMAN, Regina. Literatura Infantil Brasileira:Histórias e Histórias. São Paulo: Atica, 2005.LIBANEO, José Carlos. Adeus professor, adeus professora? Novasexigências educacionais e profissionais docentes. 8ª ED. São Paulo;Cortez, 2004.MACHADO, Maria Lúcia A. Pré escola é não é escola: busca de um caminho.3ª edição, Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1991MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Técnicas de Pesquisa: Planejamento depesquisas, amostragens e técnicas de pesquisas, elaboração, análise einterpretação de dados. 3ª edição. São Paulo: Atlas, 1996.MARCUSCHI, Luiz Antônio. Análise da Conversação. São Paulo: Ática, 1986.MINAYO,M.D.A.LAKATOS, E.M. Técnicas de pesquisa: planejamento eexecução de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisa, elaboração,analise e interpretação de dados.3.ed. São Paulo: Atlas, 1996.OLIVEIRA, Zilma de Moraes (org) et al. Creches: Criança faz de conta e Cia.9ª Ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1992.OLIVEIRA, Zilma de Moraes Ramos (org) et al . Creches: Criança faz deconta e Cia. 5ª edição. São Paulo: Cortez, 2001.PALO, Maria Jose; Oliveira, Maria Rosa D. Literatura Infantil:Voz de Criança.3ª Ed. São Paulo: Áica, 2001.STEINBERG, Shirley R. KICHELDE, Joel. Cultura infantil e a construçãocorporativa da infância. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.TRIVINOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução a pesquisa em ciênciassociais: A pesquisa qualitativa em educação. São Paulo; Atica, 1987.ZILBERMAN, Regina. A literatura na Escola. 6ª Ed. São Paulo: Global, 1987.ZILBERMAN, Regina; SILVA, Ezequiel Theodoro da. Literatura e pedagogia:ponto e contra ponto. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1990.
  47. 47. 47

×