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Páginas Amarelas - TAYANE GARCIA

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Páginas Amarelas - TAYANE GARCIA

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Entrevista COSTA SENNA

A nova face da poesia
                                                                                           TAYANE GARCIA




O poeta cearense diz que os professores que levam o cordel para a sala de aula
conseguem “driblar” melhor certos questionamentos e deixar a aula mais alegre


O                                                                               “Ás vezes eu
             ator, escritor e artista cea-
             rense Costa Senna, 55 anos,
             iniciou sua carreira artísti-
             ca no teatro na década de
1980. Desenvolveu projetos voltados                                         me sinto um ator
para crianças e adolescentes, como o
“Cordel nas Escolas” e a “Caravana do                                    brincando, encenando
Cordel”, gravou quadro CD’s, publicou
livros, participou de filmes e ganhou                                         um papel de
espaço e conceito com a literatura de
cordel. Preocupado com os avanços
tecnológicos e sociais, Costa Senna foi
                                                                              compositor             ”
um dos precursores da nova face do
cordel, que, além de se preocupar com
a estética, valoriza mais o poema em seu
contexto. Diz ele: “A literatura de cordel
existe para combater as grandes causas.
Precisamos tratar das questões sociais,
da educação, falar da problemática dos
sem terra, dos sem teto”.


O senhor passou por dificuldades
quando chegou em São Paulo? Qual foi
a diferença que o senhor sentiu de São
Paulo para Fortaleza, sua cidade de ori-
gem? A diferença que existe é que são
terras diferentes. Você vai chegando
a um lugar, que é bem maior que For-
taleza, e você não conhece ninguém,
não sabe a quem pedir uma ajuda,
você não sabe onde buscar uma infor-
mação, você não sabe como buscar
campo de trabalho. Então teve essa di-
ficuldade, mas eu dominei São Paulo
com muita facilidade. Eu acho que no
quarto, quinto mês que eu estava aqui,
eu já estava começando avançar um
pouco mais dentro da minha meta de
vida. Em São Paulo apareceram mui-
tos trabalhos para mim, mas eu não
queria, até porque eu vim pra cá para
trabalhar com arte, para trabalhar com
literatura, ser um trabalhar de arte e
de cultura e eu não iria jamais deixar
esse ideal de lado pra fazer uma coisa
que eu não gostaria de fazer, senão eu
teria ficado para fazer lá em Fortale-
za, que tinha família, tinha toda uma
                                             veja/universidade cruzeiro do sul I 24 DE MAIO, 2011 I 01
Entrevista       COSTA SENNA




estrutura montada já: primo, parentes,
                                              “Aquele momento                        sete sílabas. Então esse tipo de poesia
amigas, minha mãe.                              eu não consigo                       que Zé Limeira, Patativa do Assaré,
                                                                                     Zé da Luz e outros faziam, é chamado
Sua intenção sempre foi trabalhar com
arte e literatura? É eu nunca trabalhei
                                             esquecer. Um poeta                      de poesia matuta, ela não é tão exigi-
                                                                                     da como o cordel. Eu não quero dizer
na vida com outra coisa. Para não di-
zer que eu não trabalhei, o meu tempo
                                              declamando, com                        que o Patativa não era capaz de fazer
                                                                                     cordel, era, e até demais, indiscutível,
de trabalho, fora do que eu gosto de
fazer, foram quatorze, quinze meses
                                                 aquela dicção                       só que ele não fazia. Ele viveu quase
                                                                                     cem anos e ele fez apenas doze, treze,
só. Depois eu vi que não era o que eu
queria e acabei deixando tudo de lado        maravilhosa, aquela                     catorze, quinze, no máximo quinze
                                                                                     cordéis, então não é cordelista. Essa
e partindo para arte. E deu certo. Está
dando certo. Ainda tem muita coisa            expressividade. A                      nova face que as pessoas citam, não
                                                                                     fui eu que citei, é que existe uma pre-
para ser feita.
                                             primeira vez que eu                     ocupação com a literatura de cordel.
                                                                                     Existe um grupo de pessoas tentando
Como foi sua passagem no teatro? Eu                                                  rever a história da literatura de cordel
fiquei muito tempo trabalhando com           vi, eu me encantei e                    do jeito que ela realmente merece ser
teatro. O teatro não me impedia de fa-                                               vista. Os valores mudaram muito.
zer poesia, porque é o poeta que nasce      foi ali que eu comecei                   Então, como teve essa mudança de
poeta, ele vai se aperfeiçoando depois,
vai estudando, vai lendo, vai ouvindo.
O teatro foi uma grande oficina para
                                                 a ser poeta           ”             valores, em vários setores da socie-
                                                                                     dade, a literatura de cordel também
                                                                                     avançou.
mim, porque eu convivi com pesso-
as de uma cultura elevada o caso da                                                  Como o senhor avalia o exercício
Guaracy Rodrigues, Murilo Blaciano,        Quando o senhor começou a se interes-     do cordel e da literatura nas escolas
Erotilde Onoro, Ari Sherlock... Eu         sar por cordel? Eu acho que eu traba-     públicas? A literatura tem que estar
acredito que o meu diferencial hoje,       lhei em umas cinco, seis peças, e eu      na sala de aula, e se a literatura está
quando eu estou declamando um              achei maravilhoso, mas ainda não era      na sala de aula, a literatura de cordel
cordel, é exatamente porque eu passei      o que eu queria, porque dependia de       também tem que estar. Eu acredito até
pelos palcos do teatro.                    muita gente. O teatro sempre depende      que tinha que ter uma disciplina sobre
                                           de muita gente, e para sobreviver em      literatura de cordel. Seria bom que
As primeiras peças apresentadas pelo       uma cidade tipo São Paulo, sem você       começasse logo lá no primeiro ano e
senhor, como: A noite Seca, Deus lhe       ter a quem procurar, você tem que ter     quando chegasse à faculdade tivesse
Pague e O Caldeirão, foram produzidas      um pequeno lucro de imediato pra          uma cadeira (matéria) a ser estudada,
na época em que ocorria o regime mili-     você poder comer, dormir tal. E foi aí    uma coisa mais séria. Eu acho que um
tar. Houve algum tipo de proibição para    que eu comecei a esquecer um pouco        professor, uma professora em uma
que essas peças não fossem apresenta-      o teatro e partir para um trabalho solo   sala de aula, levar o conhecimento da
das? A primeira peça que eu trabalhei      através da literatura de cordel dentro    literatura de cordel, ela ou ele sempre
foi a “Noite Seca” de Geraldo Ma-          das salas de aula como eu fazia em        vão conseguir driblar melhor certos
rkan. Ela tratava sobre a reforma agrá-    Fortaleza, dosado com um pouco de         questionamentos dentro da sala de
ria. Então, foi muito duro, a gente foi    humor. Naquela época eu fazia bas-        aula, deixar uma aula mais alegre,
perseguido, a polícia federal ficava no    tante coisa de humor. Hoje em dia eu      deixar o aluno mais feliz e transfor-
pé da gente o tempo todo, nosso cená-      não faço mais.                            mar muitos alunos, no futuro, em
rio foi destruído uma vez pela polícia                                               poetas.
federal...E essa peça a gente teve que     Como o senhor classifica essa “Nova
apresentar no Taibe porque era único       face da Literatura de Cordel” com os      O senhor acredita que seja possível
lugar que a gente podia apresentar. Eu     cordéis desenvolvidos por Patativa do     aumentar o interesse das pessoas na
trabalhei na “Noite Seca”, trabalhei       Assaré? Vamos começar falando sobre       literatura brasileira a partir de movimen-
em “Barrela” do Plínio Montado de          o Patativa. Nós cordelistas, a gente      tos culturais? Por quê? Eu acredito
Fortaleza, trabalhei no “Caldeirão”        não consegue ver o Patativa como          sim. Quando você passa a se inte-
do Oswald Barroso, sob a direção de        cordelista, me refiro a maioria. O        ressar por uma coisa que você viu, a
Eroltilde Onoro, onde tratava de uma       cordel é muito exato, se você começa      busca vai ser mais constante, você vai
matança que houve em Juazeiro do           o cordel com a estrofe de sete versos,    ter mais esperança de alcançar o seu
Norte. Bom, só sei que achavam que         todas as estrofes vão ter que ter sete    sonho. Então, se tem algum veículo
era um antro comunista e o governo         versos. Se o teu verso tem sete síla-     levando cultura pra sala de aula, para
da época mandou destruir tudo.             bas, todos os seus verbos terão que ter   as bibliotecas, para as praças públicas,
02 I 24 DE MAIO, 2011 I veja/universidade cruzeiro do sul
para todos os espaços, isso vai abrir
                                                 “Se todos os                        consigo esquecer. Um poeta decla-
um leque muito grande na mente das
pessoas e elas vão começar a fazer
                                             espaços que nós                         mando, com aquela dicção maravilho-
                                                                                     sa, aquela expressividade. A primeira
aquilo que viram, a tocar um instru-
mento, a tentar compor uma música,
                                           temos passam a ser                        vez que eu vi, eu me encantei e foi ali
                                                                                     que eu comecei a ser poeta.
a cantar, contar uma história, fazer
uma coreografia, capoeira, uma dança
                                             preenchidos com                         Como foi receber o título “Cidadão
qualquer... Com certeza, se todos os
espaços que nós temos passam a ser
                                            as nossas culturas                       Paulistano” em 2008? O senhor já es-
                                                                                     perava? Eu já esperava pelo trabalho
preenchidos com as nossas culturas
populares isso vai despertar o inte-        populares, isso vai                      que eu faço na cidade. Porque nesse
                                                                                     tempo todo, nessa caminhada nas
ressa de muita gente a aderir, a tentar
fazer e a divulgar aquilo que estão        despertar o interessa                     escolas, teve muita coisa de graça. Eu,
                                                                                     parando para pensar, acho que eu fiz
vendo.
                                           de muita gente tentar                     mais pela cidade do que a cidade fez
                                                                                     por mim e só tinha um jeito da cidade
Como surgiu a ideia de criar eventos                                                 retribuir tudo o que eu tinha feito
voltados para crianças e adolescen-          fazer e a divulgar                      por ela, que era me dando esse título.
tes como o “Cordel nas Escolas”?                                                     Então o título veio, eu agradeci muito
Eu sentia que a literatura de cordel         aquilo que estão                        e não paro de curtir porque é uma
dentro da escola ia fazer um efeito
muito grande. Eu fui pegando todas
as manhas, eu sentia que você que
                                                  vendo           ”                  coisa muito forte , eu acho que eu sou,
                                                                                     talvez, o primeiro poeta cearense a
                                                                                     receber o título de cidadão paulistano.
está se apresentando, tem que ter uma                                                Não é uma coisa que você recebe todo
dinâmica muito boa, você tem que ter      achavam que eu estava cantando e           dia, uma vez na vida; e dos milhões
ritmo no que faz, não errar, porque o     começaram a me chamar de cantor.           e milhões de pessoas que existem,
jovem vai estar sempre torcendo para      Uns queriam que eu cantasse e outros       raríssimas pessoas conseguem o título
que você erre que é para ele avacalhar    não. Eu comecei a compor e a cantar        de cidadão paulistano em uma cidade
e a coisa não sair mais. Numa sala de     no final dos meus 40 anos. Eu come-        chamada São Paulo.
aula, em uma escola, se você ficar ma-    cei a transformar minha obra literária
nhã e tarde, você terá no mínimo 500      em música.                                 No seu ponto de vista, qual será o
pessoas pra te assistir. É uma plateia.                                              futuro da cultural e literatura brasileira
Tem escolas que eu me apresentei          Em entrevista a “Rádio Z”, que ocor-       depois do advento da internet? Sofrerá
que eram 500 pessoas de manhã, 500        reu devido à divulgação da “1° Mostra      alterações? Vai sofrer alterações, mas
pessoas de tarde, 500 pessoas de noi-     Nordeste”, você disse que sua grande       não vai acabar, até porque o livro é
te. O que a pessoa que trabalha com       inspiração foi uma pessoa que você         uma peça muito charmosa. Além do
arte quer? Evidência. Quer gente para     não sabe exatamente o nome, mas            conteúdo, o livro ele é muito práti-
aplaudir, reconhecer o seu trabalho.      que era um ótimo declamador. Como          co. Ele vai cair um pouco? Vai. São
Não existe lugar melhor do que uma        foi o despertar desse interesse? Essa      novos tempos, mas ele não vai sair
escola, uma faculdade.                    pessoa, da família dos Maroca, é um        das prateleiras das livrarias não. Eu
                                          declamador maravilhoso que encantou        vejo que ele vai quebrar por um lado
Como a música surgiu em sua vida?         uma criança de 6 anos. Parece que eu       e vai fortalecer pelo outro. Quando
Eu sempre cantei. Em Fortaleza eu         vejo o cara. Sabe o que é um montão        ele desaparecer, o homem e a mulher
tinha a mania de ir para as baladas e     de gente em um terreno, sem micro-         conseguiram um jeito mais fácil de
ficar nas mesas de praia tocando um       fone sem nada e um cidadão chegar e        buscar a leitura. Por enquanto, eu não
sambinha batido a mão e até recebia       soltar aquela voz. Aquela voz que não      vejo isso acontecer.
alguns trocados por aquilo. Eu tocava     parecia ser nem grave nem médio,
Paulinho da Viola e aí vai. Eu sem-       era uma voz que “soava” bem nos          Como é trabalhar com essa versatilida-
pre fazia da música uma brincadeira.      ouvidos. E o que me fez ser poeta foi    de de papéis: ator, cantor, compositor,
Em São Paulo, foi que a música            ver e ouvir esse cidadão declamando.     escritor, cordelista e poeta? Eu nem
despertou, porque eu declamo com          Eu era muito jovem, no sertão do         sinto isso. Eu vejo uma pessoa só.
muita agilidade e se você não tiver       Ceará, e aquilo ficou na minha cabeça    Poderia se dividir em três momentos:
um conhecimento bom do que você           e, a partir dali, eu tentava fazer tudo  o ator, o escritor e o artista. Esse ator,
está ouvindo, você vai pensar que eu      aquilo que eu via e ouvia. Acho que      quando ele se determina a fazer ele
estou cantando, mas na realidade eu       me aproximo bem desse cara lá quan-      faz. Ás vezes eu me sinto um ator
não estou cantando, eu estou falando.     do eu declamo, porque eu guardei a       brincando, encenando um papel de
Eu falo com muita facilidade e eles       imagem dele, aquele momento eu não       compositor.
                                                                  veja/universidade cruzeiro do sul I 24 DE MAIO, 2011 I 03

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  • 1. Entrevista COSTA SENNA A nova face da poesia TAYANE GARCIA O poeta cearense diz que os professores que levam o cordel para a sala de aula conseguem “driblar” melhor certos questionamentos e deixar a aula mais alegre O “Ás vezes eu ator, escritor e artista cea- rense Costa Senna, 55 anos, iniciou sua carreira artísti- ca no teatro na década de 1980. Desenvolveu projetos voltados me sinto um ator para crianças e adolescentes, como o “Cordel nas Escolas” e a “Caravana do brincando, encenando Cordel”, gravou quadro CD’s, publicou livros, participou de filmes e ganhou um papel de espaço e conceito com a literatura de cordel. Preocupado com os avanços tecnológicos e sociais, Costa Senna foi compositor ” um dos precursores da nova face do cordel, que, além de se preocupar com a estética, valoriza mais o poema em seu contexto. Diz ele: “A literatura de cordel existe para combater as grandes causas. Precisamos tratar das questões sociais, da educação, falar da problemática dos sem terra, dos sem teto”. O senhor passou por dificuldades quando chegou em São Paulo? Qual foi a diferença que o senhor sentiu de São Paulo para Fortaleza, sua cidade de ori- gem? A diferença que existe é que são terras diferentes. Você vai chegando a um lugar, que é bem maior que For- taleza, e você não conhece ninguém, não sabe a quem pedir uma ajuda, você não sabe onde buscar uma infor- mação, você não sabe como buscar campo de trabalho. Então teve essa di- ficuldade, mas eu dominei São Paulo com muita facilidade. Eu acho que no quarto, quinto mês que eu estava aqui, eu já estava começando avançar um pouco mais dentro da minha meta de vida. Em São Paulo apareceram mui- tos trabalhos para mim, mas eu não queria, até porque eu vim pra cá para trabalhar com arte, para trabalhar com literatura, ser um trabalhar de arte e de cultura e eu não iria jamais deixar esse ideal de lado pra fazer uma coisa que eu não gostaria de fazer, senão eu teria ficado para fazer lá em Fortale- za, que tinha família, tinha toda uma veja/universidade cruzeiro do sul I 24 DE MAIO, 2011 I 01
  • 2. Entrevista COSTA SENNA estrutura montada já: primo, parentes, “Aquele momento sete sílabas. Então esse tipo de poesia amigas, minha mãe. eu não consigo que Zé Limeira, Patativa do Assaré, Zé da Luz e outros faziam, é chamado Sua intenção sempre foi trabalhar com arte e literatura? É eu nunca trabalhei esquecer. Um poeta de poesia matuta, ela não é tão exigi- da como o cordel. Eu não quero dizer na vida com outra coisa. Para não di- zer que eu não trabalhei, o meu tempo declamando, com que o Patativa não era capaz de fazer cordel, era, e até demais, indiscutível, de trabalho, fora do que eu gosto de fazer, foram quatorze, quinze meses aquela dicção só que ele não fazia. Ele viveu quase cem anos e ele fez apenas doze, treze, só. Depois eu vi que não era o que eu queria e acabei deixando tudo de lado maravilhosa, aquela catorze, quinze, no máximo quinze cordéis, então não é cordelista. Essa e partindo para arte. E deu certo. Está dando certo. Ainda tem muita coisa expressividade. A nova face que as pessoas citam, não fui eu que citei, é que existe uma pre- para ser feita. primeira vez que eu ocupação com a literatura de cordel. Existe um grupo de pessoas tentando Como foi sua passagem no teatro? Eu rever a história da literatura de cordel fiquei muito tempo trabalhando com vi, eu me encantei e do jeito que ela realmente merece ser teatro. O teatro não me impedia de fa- vista. Os valores mudaram muito. zer poesia, porque é o poeta que nasce foi ali que eu comecei Então, como teve essa mudança de poeta, ele vai se aperfeiçoando depois, vai estudando, vai lendo, vai ouvindo. O teatro foi uma grande oficina para a ser poeta ” valores, em vários setores da socie- dade, a literatura de cordel também avançou. mim, porque eu convivi com pesso- as de uma cultura elevada o caso da Como o senhor avalia o exercício Guaracy Rodrigues, Murilo Blaciano, Quando o senhor começou a se interes- do cordel e da literatura nas escolas Erotilde Onoro, Ari Sherlock... Eu sar por cordel? Eu acho que eu traba- públicas? A literatura tem que estar acredito que o meu diferencial hoje, lhei em umas cinco, seis peças, e eu na sala de aula, e se a literatura está quando eu estou declamando um achei maravilhoso, mas ainda não era na sala de aula, a literatura de cordel cordel, é exatamente porque eu passei o que eu queria, porque dependia de também tem que estar. Eu acredito até pelos palcos do teatro. muita gente. O teatro sempre depende que tinha que ter uma disciplina sobre de muita gente, e para sobreviver em literatura de cordel. Seria bom que As primeiras peças apresentadas pelo uma cidade tipo São Paulo, sem você começasse logo lá no primeiro ano e senhor, como: A noite Seca, Deus lhe ter a quem procurar, você tem que ter quando chegasse à faculdade tivesse Pague e O Caldeirão, foram produzidas um pequeno lucro de imediato pra uma cadeira (matéria) a ser estudada, na época em que ocorria o regime mili- você poder comer, dormir tal. E foi aí uma coisa mais séria. Eu acho que um tar. Houve algum tipo de proibição para que eu comecei a esquecer um pouco professor, uma professora em uma que essas peças não fossem apresenta- o teatro e partir para um trabalho solo sala de aula, levar o conhecimento da das? A primeira peça que eu trabalhei através da literatura de cordel dentro literatura de cordel, ela ou ele sempre foi a “Noite Seca” de Geraldo Ma- das salas de aula como eu fazia em vão conseguir driblar melhor certos rkan. Ela tratava sobre a reforma agrá- Fortaleza, dosado com um pouco de questionamentos dentro da sala de ria. Então, foi muito duro, a gente foi humor. Naquela época eu fazia bas- aula, deixar uma aula mais alegre, perseguido, a polícia federal ficava no tante coisa de humor. Hoje em dia eu deixar o aluno mais feliz e transfor- pé da gente o tempo todo, nosso cená- não faço mais. mar muitos alunos, no futuro, em rio foi destruído uma vez pela polícia poetas. federal...E essa peça a gente teve que Como o senhor classifica essa “Nova apresentar no Taibe porque era único face da Literatura de Cordel” com os O senhor acredita que seja possível lugar que a gente podia apresentar. Eu cordéis desenvolvidos por Patativa do aumentar o interesse das pessoas na trabalhei na “Noite Seca”, trabalhei Assaré? Vamos começar falando sobre literatura brasileira a partir de movimen- em “Barrela” do Plínio Montado de o Patativa. Nós cordelistas, a gente tos culturais? Por quê? Eu acredito Fortaleza, trabalhei no “Caldeirão” não consegue ver o Patativa como sim. Quando você passa a se inte- do Oswald Barroso, sob a direção de cordelista, me refiro a maioria. O ressar por uma coisa que você viu, a Eroltilde Onoro, onde tratava de uma cordel é muito exato, se você começa busca vai ser mais constante, você vai matança que houve em Juazeiro do o cordel com a estrofe de sete versos, ter mais esperança de alcançar o seu Norte. Bom, só sei que achavam que todas as estrofes vão ter que ter sete sonho. Então, se tem algum veículo era um antro comunista e o governo versos. Se o teu verso tem sete síla- levando cultura pra sala de aula, para da época mandou destruir tudo. bas, todos os seus verbos terão que ter as bibliotecas, para as praças públicas, 02 I 24 DE MAIO, 2011 I veja/universidade cruzeiro do sul
  • 3. para todos os espaços, isso vai abrir “Se todos os consigo esquecer. Um poeta decla- um leque muito grande na mente das pessoas e elas vão começar a fazer espaços que nós mando, com aquela dicção maravilho- sa, aquela expressividade. A primeira aquilo que viram, a tocar um instru- mento, a tentar compor uma música, temos passam a ser vez que eu vi, eu me encantei e foi ali que eu comecei a ser poeta. a cantar, contar uma história, fazer uma coreografia, capoeira, uma dança preenchidos com Como foi receber o título “Cidadão qualquer... Com certeza, se todos os espaços que nós temos passam a ser as nossas culturas Paulistano” em 2008? O senhor já es- perava? Eu já esperava pelo trabalho preenchidos com as nossas culturas populares isso vai despertar o inte- populares, isso vai que eu faço na cidade. Porque nesse tempo todo, nessa caminhada nas ressa de muita gente a aderir, a tentar fazer e a divulgar aquilo que estão despertar o interessa escolas, teve muita coisa de graça. Eu, parando para pensar, acho que eu fiz vendo. de muita gente tentar mais pela cidade do que a cidade fez por mim e só tinha um jeito da cidade Como surgiu a ideia de criar eventos retribuir tudo o que eu tinha feito voltados para crianças e adolescen- fazer e a divulgar por ela, que era me dando esse título. tes como o “Cordel nas Escolas”? Então o título veio, eu agradeci muito Eu sentia que a literatura de cordel aquilo que estão e não paro de curtir porque é uma dentro da escola ia fazer um efeito muito grande. Eu fui pegando todas as manhas, eu sentia que você que vendo ” coisa muito forte , eu acho que eu sou, talvez, o primeiro poeta cearense a receber o título de cidadão paulistano. está se apresentando, tem que ter uma Não é uma coisa que você recebe todo dinâmica muito boa, você tem que ter achavam que eu estava cantando e dia, uma vez na vida; e dos milhões ritmo no que faz, não errar, porque o começaram a me chamar de cantor. e milhões de pessoas que existem, jovem vai estar sempre torcendo para Uns queriam que eu cantasse e outros raríssimas pessoas conseguem o título que você erre que é para ele avacalhar não. Eu comecei a compor e a cantar de cidadão paulistano em uma cidade e a coisa não sair mais. Numa sala de no final dos meus 40 anos. Eu come- chamada São Paulo. aula, em uma escola, se você ficar ma- cei a transformar minha obra literária nhã e tarde, você terá no mínimo 500 em música. No seu ponto de vista, qual será o pessoas pra te assistir. É uma plateia. futuro da cultural e literatura brasileira Tem escolas que eu me apresentei Em entrevista a “Rádio Z”, que ocor- depois do advento da internet? Sofrerá que eram 500 pessoas de manhã, 500 reu devido à divulgação da “1° Mostra alterações? Vai sofrer alterações, mas pessoas de tarde, 500 pessoas de noi- Nordeste”, você disse que sua grande não vai acabar, até porque o livro é te. O que a pessoa que trabalha com inspiração foi uma pessoa que você uma peça muito charmosa. Além do arte quer? Evidência. Quer gente para não sabe exatamente o nome, mas conteúdo, o livro ele é muito práti- aplaudir, reconhecer o seu trabalho. que era um ótimo declamador. Como co. Ele vai cair um pouco? Vai. São Não existe lugar melhor do que uma foi o despertar desse interesse? Essa novos tempos, mas ele não vai sair escola, uma faculdade. pessoa, da família dos Maroca, é um das prateleiras das livrarias não. Eu declamador maravilhoso que encantou vejo que ele vai quebrar por um lado Como a música surgiu em sua vida? uma criança de 6 anos. Parece que eu e vai fortalecer pelo outro. Quando Eu sempre cantei. Em Fortaleza eu vejo o cara. Sabe o que é um montão ele desaparecer, o homem e a mulher tinha a mania de ir para as baladas e de gente em um terreno, sem micro- conseguiram um jeito mais fácil de ficar nas mesas de praia tocando um fone sem nada e um cidadão chegar e buscar a leitura. Por enquanto, eu não sambinha batido a mão e até recebia soltar aquela voz. Aquela voz que não vejo isso acontecer. alguns trocados por aquilo. Eu tocava parecia ser nem grave nem médio, Paulinho da Viola e aí vai. Eu sem- era uma voz que “soava” bem nos Como é trabalhar com essa versatilida- pre fazia da música uma brincadeira. ouvidos. E o que me fez ser poeta foi de de papéis: ator, cantor, compositor, Em São Paulo, foi que a música ver e ouvir esse cidadão declamando. escritor, cordelista e poeta? Eu nem despertou, porque eu declamo com Eu era muito jovem, no sertão do sinto isso. Eu vejo uma pessoa só. muita agilidade e se você não tiver Ceará, e aquilo ficou na minha cabeça Poderia se dividir em três momentos: um conhecimento bom do que você e, a partir dali, eu tentava fazer tudo o ator, o escritor e o artista. Esse ator, está ouvindo, você vai pensar que eu aquilo que eu via e ouvia. Acho que quando ele se determina a fazer ele estou cantando, mas na realidade eu me aproximo bem desse cara lá quan- faz. Ás vezes eu me sinto um ator não estou cantando, eu estou falando. do eu declamo, porque eu guardei a brincando, encenando um papel de Eu falo com muita facilidade e eles imagem dele, aquele momento eu não compositor. veja/universidade cruzeiro do sul I 24 DE MAIO, 2011 I 03