Revista tpm email

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  1. 1. À MODA DE QUEM? QUANDO VOCÊ PARA NA FREN- TE DO ESPELHO, QUEM REALMENTE ESCOLHE O QUE VAI VESTIR?AQUI NÃO É LUGAR DE BRAÇOS-CURTOS.AQUI É LUGAR DE QUEM TEM MUITA VONTADE
  2. 2. 16 | PÁGINAS VERMELHAS Há mais de 20 anos estudanto o comportamento feminino, a antropólogaMirian Goldenberg fala de traição envelhecimento e liberdade 30 | BAZAR No Rio, há 15 anos, MarianaXimenes desponta como musa do teatro underground paulistano; as peças da cantora Nina Becker, e oStudio SP ganha espaço no Rio de Janeiro 50 | CAPA Aposta do cinema nacional, a diretora Vera Egitoprepara seu primeiro longa e mais uma parceira com Heitor Dhalia 58 | REPORTAGEM Tpm analisa Àmoda de quem as pessoas se vestem e compram, será que elas escolhem o que vão vestir, ou tem alguémque toma decisões por elas? 70 | ENSAIO o lutador Gregor Gracie mostra porque merece a atenção dosholofotes - mesmo sem a namorada Fernanda Paes Leme 72 | MODA Aposte em looks casuais para o diaa dia 88 | DECORAÇÃO Projetada por Rui Ohtake há três décadas, a casa da relações-públicas FernandaThompson continua moderna 94 | BELEZA A rotina de beleza da chef Renata Vanzetto; aprenda a fazeruma maquiagem natural com Vanessa Rozan; e 17 hidratantes labiais para proteger a sua boca 105| BA-DULAQUE Uma denúncia contra os brinquedos machistas; um surto saudosista pela antiga embalagem doSonho de Valsa; e cor normal agora virou vintage 111| NÉCESSAIRE Antonia Pellegrino 112 | COLUNA DOMEIO Milly Lacombe 114 | PRA FECHAR Mara Gabrilli
  3. 3. UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL Curso de Jornalismo Trabalho de Curso TEMA À moda de quem?Grande reportagem sobre a função social da moda, os limites de consumo e o papel da mídia POR Vi-vian Fróes de Souza ORIENTADORA Prof.ª Ms. Flávia Serralvo TURMA 2011 Campus Anália Franco SãoPaulo, SP 57
  4. 4. A moda de quem? Quando você para na frente do espelho, quem realmente escolhe o que você vai vestir? TEXTO | ILUSTRAÇÃO | FOTO | POR VIVIAN FRÓESE ra Dia Mundial do Rock e ela vestia algo especial. O estilo do dia era de uma pin-up moderna, usando Combinava ankle boots de tachinhas com bermuda batom vermelho, lencinho na cabeça e óculos de grau boyfriend, meia-calça e uma jaqueta de couro em wayfarer, camisetinha gola V, jeans e sapatilha. Prevendohomenagem à data. Mesmo engajada em um projeto so- que a conversa seria longa, pediu uma água com gás e secial, aproveitava as deixas da reunião para falar de moda, acomodou na grande cadeira de vime.e as roupas que usava no dia viraram hit da estação um Inquieta com o molho de chaves, Dani demorou al-ano depois da ocasião. guns minutos para se sentir totalmente confortável, afi- Essa não foi a primeira vez que Daniella Almeida, 23 nal, nunca havia sido entrevistada antes e, quando se deuanos, antecipou alguma tendência. Não por trabalhar na conta, já narrava os detalhes de sua história.área ou algo do gênero. O que ela faz é ler, e ler muito. O primeiro contato que teve com a moda foi dentroAlém do mais, quem cresce no atelier de uma grande cos- de casa, mais especificamente, dentro do atelier da ma-tureira não perde a mão (ou o gosto) nunca. drinha. Ainda criança, começou a ter relação com a alta A jovem paulistana mora sozinha faz alguns anos em costura, então brincou, dizendo que aprendeu moulageum charmoso apartamento na Vila Pompéia, bairro ba- com sete anos, ao descrever o lugar como palco de suasdalado de São Paulo, desde quando se mudou de Minas primeiras experimentações artísticas. “Eu pegava os ma-Gerais para estudar Administração na Fundação Getúlio nequins, abria todas as gavetas, pegava retalhos e botões,Vargas. No dia da entrevista, ela preferiu bater um papo e não é que a coisa ficava legal?”.na área de convivência do condomínio, sob um agradável Dani não estudou moda por opção. Quando o pai,sol de fim de tarde que resolveu interromper o frio cor- economista, percebeu o potencial artístico em algunstante do inverno paulista. desenhos dela, investiu pesado em atividades que desen-58 | REPORTAGEM 59
  5. 5. volvessem suas habilidades. Foi desenho clássico, pinturaa óleo, música. Então, por que não estudar moda, se ela ”Todo mundo nascetinha o dom? “Eu pensei em estudar moda quando eu tinha uns 12 igual, ser diferente é oanos. Enquanto isso, meu pai queria que eu fosse médica![risos] Ele chegou a me dar uma boneca de médica! Mas lance e eu gosto de mefoi conversando com um tio muito próximo, que é umhomem de negócios, que eu decidi não cursar moda. Es- arrumar em todos os mo-tudando Administração, eu poderia trabalhar com modae, se eu não quisesse isso em algum momento, não estaria mentos da minha vida.de mãos atadas, poderia partir para qualquer área”. Já que não nasci bonito, Antes de entrar na FGV, o primeiro vestibular quefez foi para o curso de Direito, mas não passou, então se deixa pelo menos eu mepreparou durante seis meses em um cursinho e tentouAdministração. Hoje, prestes a terminar a faculdade, pre- arrumar!” Adriano Oliveiratende ser diplomata, entretanto, nada disso a impede deestudar moda de forma extracurricular.Sociedade fashion sofre preconceito por usar certas peças de roupa. “Todo Para todos os lados que olhamos, vemos traços das mundo nasce igual, ser diferente é o lance e eu gosto deúltimas tendências citadas pelas grandes grifes e estilistas me arrumar em todos os momentos da minha vida. Jádurante as semanas de moda espalhadas pelo mundo. E, que não nasci bonito, deixa pelo menos eu me arrumar!” [risos]. Consumista assumido, Adriano ainda explica que, se ele não comprar na hora, talvez a peça acabe e seja em determinadas épocas do ano, essas tendências se re- Mas há quem acredite que a moda pode ser uma vilã para difícil encontrá-la novamente. Entretanto, não são todas novam e criam novos olhares e significados para a moda, a sociedade e para o bolso das pessoas. as roupas que lhe chamam a atenção, demonstrando que sempre recheando as diversas lojas espalhadas pela cida- Gisele Godoy, 20 anos, acredita que a indústria da seu consumismo está mais relacionado ao estilo de vida e“Até o cara supostamen- de com muitas novidades. O que não pode ser deixado de moda existe para gerar o consumo em massa das ten- não a uma compulsão lado é que a moda tem um papel social que vai além das dências desenvolvidas pelo movimento estético social da Quando o assunto é comprar, a busca por uma peçate mais desarrumado, araras lotadas com o que é a maior novidade do momen- moda. Crítica, ela explicou que esse é o momento em que nova pode ser comparada a ir ao garimpo. É preciso ir aantes de sair de casa, to em roupa e acessório. O vestuário não serve mais somente para a proteção, o capitalismo exerce a sua função na melhor forma. “As pessoas são bombardeadas de todos os lados com quilos diversas lojas e pesquisar o melhor preço. O investimento deve estar mais associado ao estilo do que ao valor. “Euconfere se o cabelo dele como no tempo das cavernas, nem mesmo para deno- tar o pudor, ou separar o clero da pobreza. Hoje a moda de informações. Elas fazem de tudo para se encaixar nes- se contexto e isso gera a padronização. As pessoas usam a não vou pagar R$100 em uma camiseta que em outra loja custa R$50, e a única diferença é a etiqueta. As pessoasestá mesmo desarruma- tem um significado que vai além da colocação social do indivíduo ou da simples proteção contra o frio. Trata-se moda para se enquadrar. É estética pela estética, é a esté- tica vazia, que gera uma sociedade robotizada.” se iludem com marca, mas o que vale mesmo é o estilo”. Adriano é sushiman em um restaurante asíatico no Itaimdo, porque se não estiver de um movimento que está dentro da sociedade e vive A jovem não liga para a roupa do momento, nem para e não tem gastos com faculdade ou todas as despesas da em sintonia com os demais mecanismos dessa complexa a marca do que está vestindo. Adepta do estilo “desen- casa, então seu dinheiro todo mês tem uma parte des-ele vai ter de bagunçá- máquina em que vivemos. canada”, usa as peças sem se preocupar demais se está tinada somente para roupas e acessórios. “Acredito que O sociólogo de moda Alexandre Bérgamo explica que combinando ou não, e o assunto é um dos menos discu- pelo menos 1/3 do meu salário, uns R$600, são gastos-lo, para parecer desar- a roupa tem um significado. “O ser humano é simbólico. tidos por ela. Hoje, ela prefere se importar mais com seu entre blusas, camisetas, relógios e calças por mês”.rumado” Alexandre Bérgamo Assim como a linguagem tem um significado, a moda e a roupa têm também e cumprem um papel parecido com intelecto, estudando Jornalismo e terminando um curso técnico de dança. Em contrapartida, vivendo sozinha em São Paulo há anos, Daniella aprendeu a não “consumir”, e sim “inves- o da linguagem na hora de transportar uma informação, Já Adriano Oliveira, 26 anos, acredita que a moda não tir” em seu guarda-roupa. Ao contrário de Adriano, que mas não tão completo”. serve para enquadrá-lo na sociedade. No seu caso, é a prefere peças com preço bom e estilo, Dani entende que Vestir-se de determinada maneira pode ser a expres- maneira que encontrou de se diferenciar dos demais. Ele, comprar por comprar e encher o guarda-roupa não vale são mais natural e sutil de dizer aos demais quem você é. que já foi grafiteiro, tem um estilo nada convencional e nada se as peças não conversarem entre si, e, principal-60 | REPORTAGEM 61
  6. 6. “A mídia tem um papel de regu- lação muito forte. Quem criou o discurso do certo e errado foi o jornalista” Alexandre Bérgamo Amor próprio Com frequência ligamos a TV, acessamos a internet, abri- mos um jornal e lá estão matérias sobre os transtornos alimen- tares causados em mulheres e adolescentes pela imagem esguia que as modelos passam em ensaios fotográficos, editoriais e desfiles, construindo uma ilusão sobre um físico ideal e neces- sário para ser aceita pela sociedade.“Eu só usava preto e, com o tempo, o meu guarda Dani, que hoje é plus size assumida, já sofreu com algo pare- cido. Não ficou bulímica ou anoréxica, como muitas mulheres,- roupa foi clareando, porque ele é um reflexo de mas se torturou na frente do espelho durante um longo perío- do. Não aceitava o corpo que tem, então fazia academia, regi-como me sinto e me expresso” Daniella Almeida mes e dietas malucos, e tinha dificuldades em aceitar a própria imagem. O objetivo era ser, como nas palavras dela, “gostosa”. Depois de um bom tempo de terapia e muita leitura, a jo- vem percebeu que ter um corpo diferente não era o problema. O problema era fazer a imagem errada de si própria. “Dá paramente, se em poucos meses a peça estiver destruída. mais nesse sentido de alimentar a imagem que querem ser linda e ter o seu corpo e ser feliz com você mesma. Eu ma- “Você compra uma legging da Renner por R$40 e na fazer compreender. Às vezes, a compra compulsiva faz lho todos os dias, isso me fez emagrecer muito menos do queprimeira lavada ela deforma, e em algumas vezes de uso parte dessa imagem. Às vezes, a aversão à moda faz parte perder medida, e eu estou muito mais preocupada em cuidarela estraga. Vale muito mais a pena pagar R$150 em uma dessa imagem. Até porque não adianta eu ter uma ima- do meu corpo, da minha pele, e principalmente da minha saú-legging da American Apparel que vai durar muito mais gem se ninguém mais compartilha dela”, explica Alexan- de. Hoje eu gosto do meu corpo, consegui encontrar dentro dotempo e não vai estragar só de pôr na máquina de lavar”. dre. E completa: “Os códigos que usamos para elaborar a meu estilo peças que favoreçam o meu shape”, revela. Nos três casos, a explicação é uma só: nossa imagem nossa imagem são os códigos sociais”. Para a psicóloga Maria Lúcia, as pessoas gostam de mostrar,é social. O consumo está associado à ideia que cada pes- Mas vale ressaltar que os indivíduos que consomem por meio da vestimenta, a que grupos pertencem, seja pelo sta-soa constrói de si para mostrar aos demais. Comprar, ou compulsivamente podem ter outros motivos, mais rela- tus social, ou pela rebeldia. “Além disso, faz parte do ser huma-não, é uma das ferramentas encontradas pelos indivíduos cionados a algum tipo de transtorno psicológico. “Pesso- no uma maior ou menor vaidade. Ver-se belo e bem arrumadopara ilustrar essa imagem social. as que consomem de maneira desenfreada tentam preen- vem ao encontro de nosso narcisismo”, comenta. A aparência “Até o cara supostamente mais desarrumado, antes de cher vazios existenciais e se recompensar por frustrações cabe aqui não como algo visto por fora, mas como algo quesair de casa, confere se o cabelo dele está mesmo desar- vividas. Pode ser um vício, assim como comer demais, vemos por dentro, o que pensamos de nós mesmos.rumado, porque, se não estiver, ele vai ter de bagunçá-lo, ser alcoólatra ou até mesmo jogar”, explica a psicóloga “A rigor deveríamos consumir o que necessitamos para vi-para parecer desarrumado. E as pessoas compram muito Maria Lúcia Moreira. ver e trabalhar. É claro que o homem não vive só de pão, o que62 | REPORTAGEM 63
  7. 7. Na medida da mídia O certo e errado mais comuns em revistas, programas de TV, sites e blogs de consultoria de moda o salto médio é indicado para mulheres altas por alongar as pernas e não passar uma imagem exagera- da e vulgar rto essa peça normal- dio Mulher alta e magra vestido cu salto mé mente fica mais curta do que deve- ria e tende a cha- o decote V chama mar atenção para a atenção para o o peso e altura colo e fica ótimo combinado com uma calça de corte reto e de lavagem escura bota cano long o botas de cano longo para esse decote V a Mulher baixa e acim biotipo somente do peso se for na mesma cor da calça, caso a saia godê marca contrário, achata a a cintura e segue silhueta solta ao longo das coxas, criando um efeito suave ao redor dos quadris saia godê calça skinny calças muito justas Mulher de quadril aumentam o tama-64 | REPORTAGEM largo nho do quadril 65
  8. 8. faz com que ele necessite também de algum lazer. Já para responsável por divulgar modelos de beleza, capazes dea sociedade de consumo, não existe limites. O consumi- potencializar o consumo da moda e de produtos de be-dor deve saber colocar limites para não ser levado pelo leza”, comenta a jornalista de moda Daniela Hinerasky.capitalismo de forma desmedida. Para isso, é preciso que Ela explica que esse processo instituiu o que os espe- "Hoje eu estou muitoele tenha sido educado quanto aos verdadeiros valores cialistas chamam de cultura de consumo. “É quando aque devem ser transmitidos pela família, escola e a socie- rapidez da circulação da informação e os novos meios de mais preocupada emdade geral”, completa Maria Lúcia. interagir, por meio da rede, fazem com que estejamos em um contato mais próximo com o universo da moda, ce- cuidar de mim, da minhaConsultoria ou padronização? Na hora de escolher a peça certa, sempre pensamos lebridades, estilistas, músicos, mas é o momento em que buscamos referências para o nosso dia a dia, para as pe- saúde, da minha pele. Eunas últimas dicas dadas naquele programa de consultoria ças que vamos comprar, ou músicas que vamos ouvir. É gosto de quem eu sou"amigo da TV ou no blog daquela jornalista totalmente o processo de inspiração, aspiração e projeção”, completa.up-to-date, e, de acordo com o que é apropriado para Além do jornalismo, um grande difusor de tendências é Daniella Almeidanosso corpo, fazemos nossas compras. a boa novela de cada dia. Muitas vezes, o que vemos nas Os profissionais que definem e moldam a moda aca- lojas é resultado de uma febre nacional gerada da ma-bam agindo como reguladores sociais, escolhendo o que neira mais sutil que se possa imaginar. Poucas semanasé certo para cada tipo de pessoa, para cada silhueta. “Às após alguma atriz usar uma roupa, um acessório, ou atévezes, assistimos a esses programas e vemos os consulto- mesmo expressão no horário nobre, como na época deres abrirem o guarda-roupa do convidado e jogar tudo "O Clone", da Rede Globo, todos passam a se vestir, agir efora, porque nada presta. Na verdade, não é que nada falar de maneira similar.presta, mas esses apresentadores que fazem patrulhas, “Um exemplo básico de como as pessoas seguem aqui-esquadrões da moda, têm um tipo de regra básica que lo que elas veem na TV é a bota por cima da calça. Antesé definido para cada personagem", comenta Alexandre. que a atriz Carolina Ferraz aparecesse em um episódio Outra figura importante na difusão da moda é o pró- de uma novela, já bem antiga, com a bota por cima daprio jornalista, principalmente numa fase em que a inter- calça, ninguém assimilava muito bem, e agora, até hoje,net é um dos principais veículos de comunicação, com as pessoas usam, independentemente das tendências dodiversos sites destinados à moda e suas especialidades. momento”, explica o sociólogo Alexandre.Definir padrões e regras é uma maneira encontrada pela E, de uma hora para outra, a nova moda vira febre ecomunicação para ajustar as pessoas. todo mundo começa a usar, de maneira desenfreada. “De- “A mídia tem um papel de regulação muito forte. mocratização da moda é legal, mas você precisa adaptar aQuem criou o discurso do certo e errado foi o jornalis- tendência para o seu corpo”, opina Dani, que acredita serta. E talvez o papel regulador dele seja muito maior até preciso ter o mínimo de bom senso na hora de adquirirmesmo do que o papel do criador de moda. Uma padro- uma peça que é desejo de todo mundo. Ela, que tem onização é cobrada por eles o tempo todo, observando quadril largo, usa como exemplo a saia bandage, que caiuse a pessoa está vestida da forma correta, e se ela estiver no gosto popular nos últimos meses. “Ela é uma saia deerrada, se torna necessário tirar a roupa dela e vesti-la cintura alta, de tecido fino e é elástica. É uma peça quenovamente”, explica Alexandre. vai mostrar tudo que tem no seu corpo, então, é preciso ter cuidado com o que usar com ela.Não é simplesmenteMas essa não é uma área só de lobos maus... colocar uma blusinha por dentro. Eu não posso usar a O jornalismo, assim como a publicidade, são pilares minha desse jeito porque, se não, chama muito a atençãopara a transmissão do que está em voga, como todos sa- para meu tamanho”. Ela defende a ideia de que as pessoasbem. O mundo da beleza e do vestuário sempre teve uma precisam ter, acima de qualquer tendência e modismo,importância muito significativa no mercado editorial, consciência do próprio corpo e estilo. Afinal, o que im-por se tratar de áreas que crescem conforme o crescimen- porta mesmo, nesse e em qualquer outro caso fashion, éto de mercado. “Todo esse universo foi e continua sendo se dar bem com o espelho na hora de sair de casa.66 | REPORTAGEM 67
  9. 9. A moda de ParisA capital da moda no mundo não é feita somentede glamour. Tem pesquisa também! FOTO|LUIS FELIPE SALLES FILHOD aniela Hinerasky, 32 anos, chegou a Paris há alguns cotidiano. De forma geral, a moda são as possibilidades meses, graças ao seu doutorado. Conseguiu uma oferecidas pelos estilistas e pela indústria, as coleções, o bolsa pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamen- que está nas vitrines, enquanto o estilo é apropriação des-to de Pessoal de Nível Superior) para realizar o chama- sa moda que é cíclica, de acordo com o nosso jeito, comdo “doutorado sanduíche” e foi para a capital da moda o nosso modo de vida, com o nosso corpo. Mas também,no mundo fazer parte de sua pesquisa, que tem como que não possui um conceito fechado.tema “As narrativas dos blogs de streetstyle: do flâneur De onde surgiu o seu interesse por moda? Como a suaao fashion blogguer”, pela Famecos/ PUC-RS, orientada relação com ela começa? Eu costurava roupinha de bo-na França pelo sociólogo Michel Maffesoli, na Sorbonne, necas com retalhos (daí o nome do meu blog). À mão edepartamento da Université René Descartes. com a máquina de costura que meu pai herdou da minha Formada em jornalismo desde 2000, começou a tra- avó. Eu sempre quis muito aprender a costurar. Mas nãobalhar com pesquisas acadêmicas voltadas para moda em fui incentivada pela minha família, aliás, de avós costu-2002, com uma análise sobre a cobertura jornalística de reiras e avô alfaiate. Mas minhas roupas, desde criança, ti-diversos veículos de comunicação no Fashion Week para veram uma relação direta e importante com o meu modo periência bem interessante e importante, já que eu tinha E como foi começar (e dar continuidade) aos estudosseu mestrado, e até hoje realiza trabalhos relacionados à de ser e viver. Eu escolhia sempre. Mas só voltei a flertar poucos conhecimentos específicos e técnicos sobre ves- sobre o assunto? É preciso se interessar, se questionar, irárea. Colaborou com sites de moda e outros veículos de com moda, na prática, em dezembro de 2005, com um tuário, para poder fazer críticas de desfiles, por exemplo. atrás dos temas relacionados, das áreas que dão suporte,comunicação, dá aulas em universidades do Rio Grande curso (Moda, Mercado e Comunicação), oferecido pela Mas, como na maioria das coisas na vida, aprender fazen- dos assuntos que se cruzam. Foi o que fiz. Comecei a lerdo Sul, seu Estado natal, coordena o Portal MaisUNIFRA PUC/RS, porque eu já era interessada pelo tema, tinha do dá certo. Em particular porque eu ia pesquisando, es- autores que já se dedicavam especificamente à moda, àe ainda tem tempo para manter suas redes sociais atua- alguns livros – me inspirei na Constanza [Pascolatto] no tudando. Indo atrás mesmo. Em função de estar longe de moda e à comunicação, à sociologia da moda, à imagemlizadas. início, mas é minha mãe o meu ponto de partida, claro. São Paulo, acabei desistindo da parceria com os paulistas de moda. Tentei construir um percurso de estudos entre E depois de ser pesquisadora? A partir daí, como pes- e comecei um blog – o Retalhos – em 2007, bem quan- comunicação, jornalismo, publicidade, moda, sociologia,TpmQual significado a moda tem para você? quisadora e professora universitária que já era, direcionei do surgiu a onda dos blogs de moda no país. Concomi- história, economia, cibercultura e outros aspectos queDaniela Hinerasky A moda pra mim é muito importante minhas pesquisas na área, começando a estudar a cober- tantemente eu me tornei pesquisadora das relações entre fazem parte do sistema da moda, para dar conta das mi-não só pela possibilidade de diálogo que as roupas me tura jornalística da São Paulo Fashion Week em deze- moda e comunicação, que contempla desde o jornalismo nhas pesquisas. Assim como já vinham fazendo outrospermitem, ao expressar quem sou, mostrar meu jeito, mi- nas de veículos impressos, tendo ido inclusive ao even- de moda, a publicidade, a fotografia, a moda na internet, pesquisadores dessas áreas, que também estavam levan-nha personalidade, meu estilo de vestir e de vida, como to, como jornalista, em 2006, e também, para trabalhar com as minhas pesquisas sobre a cobertura jornalística do a sério desde os primeiros anos da década de 20, umatambém profissionalmente, já que hoje é um dos eixos como observadora. Na época, fiz contatos com paulistas da SPFW, as pesquisas dos orientandos de monografia e, área que é tão importante economicamente para o nossodas minhas pesquisas e do meu trabalho como jornalista. e trabalhei como editora de um site (Minimais.com, que hoje, minha tese, que estuda a relação entre cibercultura país e, mundialmente. E, por isso mesmo, merece interes-No dia a dia, minha moda é meu estilo. É o meu estilo era vinculado ao portal argentino Clarín). Foi uma ex- e moda, a partir dos blogs de streetstyle. se acadêmico científico.68 | REPORTAGEM 69
  10. 10. 70 | REPORTAGEM 71
  11. 11. vian Fróes de Souza EXPEDIENTE - VIVIAN FRÓES 72 | REPORTAGEM

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