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2Os poemas “Fingindo ser poetisa” e “Fingimento” tratam sobre ofingimento no fazer poético. Os leitores de Fernando Pessoa...
3o diálogo com a música “Carinhoso”, de Pixinguinha. Veja abaixo as duascomposições:CarinhosoiiDesgostoMeu coração, não se...
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Considerações sobre rabiscos poéticos

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Considerações sobre rabiscos poéticos

  1. 1. 1CONSIDERAÇÕES SOBRE “RABISCOS POÉTICOS”Ellen OliveiraNesse texto, pretendo conversar sobre meu singelo livro intitulado“Rabiscos Poéticos”, que teve sua primeira edição publicada pela BOOKESSEditora, em maio de 2013. Esta obra reúne algumas poesias de minha autoriaque considero meus primeiros rabiscos diante do fazer literário. Não sou capazde revelar se essas poesias foram feitas a partir de sentimentos realmentevividos por mim, ou se tem sua criação dentro dos limites do fingimentopoético. No entanto, mesmo que eu pudesse revelar tal questionamento, assimnão o faria, pois se o fizesse acabaria tirando essa mágica que é fazer com que oleitor tente interpretar tais poemas, limitando com isso o sentido plural dostextos poéticos. Assim, pretendo apenas colocar algumas questões curiosas quepoderão suscitar no leitor o desejo de refletir sobre os poemas lidos, e tambémajudá-lo em sua leitura, e impedir que sejam levantadas hipóteses equivocadas.Primeiro, o fato de essa obra ser intitulada como “Rabiscos Poéticos”, nãosignifica, necessariamente, dizer que os poemas contidos nela são os únicosfeitos por mim até o dia em que foram publicados, embora, sejam os primeirosentre outros primeiros. Ou seja, eles foram selecionados para compor meuprimeiro livro. Os outros poemas que tenho guardado serão publicados embreve, em livros que ainda estão sendo organizados de acordo com a temática.Os poemas selecionados para o livro “Rabiscos Poéticos” são poemas queme agradam muito, e foram escritos sem intenções literárias, em momentos deinspirações poéticas, o que não impede que o leitor encontre neles algumaqualidade literária.O poema “Rabiscos” que é o primeiro lido pelo leitor, enquanto essefolheia a obra, foi escrito no dia em que a obra seria publicada, inclusive esta jáestava pronta. Recentemente, esse poema foi selecionado e será publicado pelaCBJE (Câmara Brasileira de Jovens Escritores), na Antologia “Com amor &Com afeto”, com esse mesmo poema receberei um certificado de “QualidadeLiterária”, pela editora CBJE. Embora não seja pintora nem desenhistaprofissional, há algo que me identifique com esse poema, pois desde criançagosto de rabiscar, sem muito talento, em cadernos de desenhos, imagens depaisagens e rostos de pessoas. E de repente, nesse poema, me vejo como umapintora diante do fazer artístico, entre as turbulências da pós-modernidade e oamor. Isso pra mim é algo fantástico!O poema “Dom” é um poema que foi escrito, mais ou menos, entre 2007a 2009 quando ainda era aluna do Ensino Médio, no Colégio Estadual“Presidente Costa e Silva”. Por ser uma quadra, esse poema será publicado,também, em meu próximo livro “1000 QUADRAS: o povo quer poesia!”,previsto para ser publicado até o final de junho de 2013.
  2. 2. 2Os poemas “Fingindo ser poetisa” e “Fingimento” tratam sobre ofingimento no fazer poético. Os leitores de Fernando Pessoa, ao ler essespoemas, logo perceberão o diologuismo entre eles e o poema“Autopsicografia” de Pessoa, o qual eu cito abaixo:O poeta é um fingidor.Finge tão completamenteQue chega a fingir que é dorA dor que deveras sente.E os que lêem o que escreve,Na dor lida sentem bem,Não as duas que ele teve,Mas só a que eles não têm.E assim nas calhas de rodaGira, a entreter a razão,Esse comboio de cordaQue se chama coração.(Fernando Pessoa, Autopsicografiai)Esse conceito de fingimento poético, iniciado com Fernando Pessoa,refere-se à capacidade que o poeta tem de fingir ser, sentir e vivenciarsentimentos e situações que não sente, mas isso não quer dizer que sãopeculiaridades que não existem. Ao contrário, tanto existe que o poeta, diantedo fazer poético, consegue captar isso ao seu redor, no mundo em que vive, etranspõe para o poema. Mas, para isso, é preciso que o poeta reprima suasinceridade individual e humana para alcançar a sinceridade artística. Assim, oato de escrever poesia torna-se algo complexo e de difícil alcance. Nofingimento poético, o poeta finge “tão completamente” que acaba sentindorealmente a dor, como percebemos nesse poema de Pessoa, que se trata de umciclo de dores que se completa com a dor do leitor. Já no meu poema,“Fingimento”, percebe-se que o eu-lírico feminino quando começou a escrevê-lo não é poetisa, mas por tanto fingi, é possível que acabe se tornando, issodepende de tantas coisas, e depende principalmente das interpretações dosleitores, e se o poema conseguir atingir a dor deles. O leitor pode pensar que,com essa explicação, estou me traindo e assumindo que meus poemas sãofingidos. Talvez. Deixo isso para o leitor descobrir ou decidir.Ao falar sobre dialogismo, há de se perceber que é um recurso muitofrequente em minhas produções. Talvez, pelo fato de que durante minhainfância e adolescência eu escrevia muitas paródias de músicas, principalmentedurante o ensino básico, quando participava de gincanas escolares. Nessaépoca era comum minha turma ganhar pontos com paródias feiras por mim. Épossível que esse hábito de dialogar com outras produções tenha alcançado aminha escrita poética. Um exemplo é o poema “Desgosto”, que é bem notável
  3. 3. 3o diálogo com a música “Carinhoso”, de Pixinguinha. Veja abaixo as duascomposições:CarinhosoiiDesgostoMeu coração, não sei por quêBate feliz quando te vêE os meus olhos ficam sorrindoE pelas ruas vão te seguindo,Mas mesmo assim foges de mim.Ah se tu soubessesComo sou tão carinhosoE o muito, muito que te quero.E como é sincero o meu amor,Eu sei que tu não fugirias mais de mim.Vem, vem, vem, vem,Vem sentir o calor dos lábios meusÀ procura dos teus.Vem matar essa paixãoQue me devora o coraçãoE só assim então serei feliz,Bem feliz.Meu coração,Já sei o porquê,Não bate mais feliz,Quando te vêE os meus olhos,Que tanto sorriramHoje estão tristes,Perderam o brilhoTudo porqueFugiste de mimAh! Se tu soubessesComo dói tanto desgostoPor ser desprezada assimMas simplesmente meu amorTu ignoras,Finge não saber de mimMeu coração despedaçadoE os meus olhos já cansados de te olharNão veem razão para sorrirHoje só sonham em deixar de te amar(Pinxiguinha) (Ellen Oliveira)Há outros poemas em “Rabiscos Poéticos” que percebemos o dialogismocom outras obras. Como é o caso do poema “Meu Poetinha”, dedicado aVinicius de Moraes, nesse poema o eu-lírico, Ariana, dialoga com váriospoemas de Vinicius, e fala com Vinicius de tal forma que dá a entender que setrate de uma das amantes do Poetinha. Será? Só para lembrar, Ariana é umapersonagem criada pelo poeta Vinicius, em seu extenso poema “Ariana, amulher”, vale à pena conferir. Enfim, não me prolongarei mais nessa questão,deixarei que o leitor perceba outros contatos de diálogos na minha obrapoética.Ao ler alguns de meus poemas, como “Despedida”;”Ele ainda está aqui”;“Lembranças”; “Recordações”; “Monólogo” entre outros, o leitor podeimaginar que eu tenha perdido um grande amor, bem como não se perde oque nunca se teve, o eu-lírico realmente sente isso.Um poema que gosto muito é “Eleita”. Ele foi escrito durante o primeiroperíodo do curso de Letras da Faculdade São Luís de França, especificamentena aula de Teoria Literária ministrada pela profa. Vilma Mota Quintela.Lembro que, nessa aula, a professora solicitou aos alunos que fizessem um
  4. 4. 4poema. Como ela queria avaliar se os alunos estavam compreendendo a noçãoe o lugar do “eu-lírico” nas produções poéticas, ela instruiu os discentesmasculinos a criarem um “eu-lírico feminino” e as discentes femininas acriarem um “eu-lírico masculino”. Depois de feitos os poemas, cada umdeclamou o seu. Recordo que ao ser declamado meu poema foi muitoaplaudido pelos colegas de classe, o que me deixou encabulada, como decostume. No entanto fiquei muito feliz. Pois esse é um poema que amo muito.Creio que muitas leitoras irão sonhar em ser essa “Eleita”, afinal, qual a mulherque não sonha em ser eleita por alguém. Confesso que quando o escreviimaginei alguém o escrevendo pra mim. Está aí um poema que gostaria queoutra pessoa tivesse feito. Pra mim, é claro.Já que resolvi me confessar nessa conversa, há uma coisa que eu tenho afalar sobre os poemas “Você quem quis assim” e “Meu melhor tempo éagora”. Vou direto ao ponto. Esses poemas foram compostos para serem letrasde músicas. Por isso que eles têm uma musicalidade maior que os outrospoemas. Resolvi publicá-los no livro porque, embora letras de músicas, elepossuem uma carga poética muito grande. Há neles, uma poesia que, acredito,fará muitos leitores se identificar com as letras. Então, não se surpreendam seum dia resolver gravá-las em música.Concluo por aqui essa conversa. Espero ter dado contribuições relevantessobre o fazer poético, e especificamente, sobre minha escrita literária. Desejouma boa leitura poética a todos.NOTASiOs versos acima foram extraídos do livro "Fernando Pessoa - Obra Poética", Cia. JoséAguilar Editora - Rio de Janeiro, 1972, pág. 164.iiLetra disponível no site http://letras.mus.br/pixinguinha/358582/

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