SlideShare uma empresa Scribd logo
BIOGRAFIA

                     EUGÉNIO DE ANDRADE
                     Pseudônimo de José Fontinhas Rato.
                     Poeta português nascido na freguesia de
                     Póvoa de Atalaia (Fundão) em 19 de
                     Janeiro de 1923.
                     Faleceu a 13 de Junho de 2005, no Porto,
                     após uma doença neurológica prolongada.




     “Passamos pelas coisas sem as ver,
     gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,

    como frutos de sombra sem sabor,
   vamos caindo ao chão, apodrecidos.”
Madrigal




Tu já tinhas um nome, e eu
não sei se eras fonte ou brisa
ou mar ou flor.

Nos meus versos chamar-te-ei
amor...
FRENTE A FRENTE




Nada podeis contra o amor,
 Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
 contra a luz, nada podeis.


 Podeis dar-nos a morte,
  a mais vil, isso podeis
     - e é tão pouco!
As palavras

                                         São como um cristal,
                                             as palavras.
                                         Algumas, um punhal,
                                             um incêndio.

                                                Outras,
                                             orvalho apenas.
                                    Secretas vêm, cheias de memória.

                                           Inseguras navegam:
                                             barcos ou beijos,
                                          as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes, leves.        Quem as escuta?
Tecidas são de luz e são a noite.   Quem as recolhe, assim,
       E mesmo pálidas                  cruéis, desfeitas,
verdes paraísos lembram ainda.      nas suas conchas puras?
DEVIAS ESTAR AQUI
Devias estar aqui rente aos meus lábios
 para dividir contigo esta amargura
  dos meus dias partidos um a um
                                    - Eu vi a terra limpa no teu rosto,
                                Só no teu rosto e nunca em mais nenhum...
O AMOR

          Estou a amar-te como o frio
          corta os lábios.

A arrancar a raiz
ao mais diminuto dos rios.
            A inundar-te de facas,
           de saliva esperma lume.

Estou a rodear de agulhas
a boca mais vulnerável.
     A marcar sobre os teus flancos
            itinerários da espuma.


 Assim é o amor: mortal e navegável...
URGÊNCIA

         É urgente o amor.
    É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
    ódio, solidão e crueldade,
        alguns lamentos,
        muitas espadas.

  É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
      e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
        impura, até doer.
       É urgente o amor,
            é urgente
          Permanecer.
Respiro o teu corpo:
                                         sabe a lua-de-água
                                         ao amanhecer,

                                   sabe a cal molhada,
 sabe a luz mordida,
 sabe a brisa nua,




             ao sangue dos rios,         sabe a pedra amarga,
             sabe a rosa louca,          sabe à minha boca...
             ao cair da noite
Sem Ti



E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem luas.




      Só nas minhas mãos
      ouço a música das tuas...
Que música escutas tão atentamente?

Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,        Medo de quebrar o fio
mas tenho medo,                        com que teces os dias sem memória.
medo que toda a música cesse           Com que palavras ou beijos
e tu não possas mais olhar as rosas.   ou lágrimas
                                       se acordam os mortos sem os ferir,
                                       sem os trazer a esta espuma negra
Deixa-te estar assim,                  onde corpos e corpos se repetem,
ó cheia de doçura,                     parcimoniosamente,
sentada, olhando as rosas,             no meio de sombras?
e tão alheia
que nem dás por mim...
Sobre Flancos e Barcos

Havia ainda outro jardim
            o da minha vida
  exíguo é certo mas o do meu olhar
são talvez dois pássaros que se amam
 um sobre o outro ou dois cães de pé
    é sempre a mesma inquietação


  este delírio branco ou o rumor
  da chuva sobre flancos e barcos
       o inverno vai chegar
 sobre a palha ainda quente a mão
 uma doçura de abelha muito jovem

era o sopro distante das manhãs sobre o mar
e eu disse sentindo os seus passos nos pátios do coração

é o silêncio é por fim o silêncio
ADEUS
        Já gastamos as palavras pela rua, meu amor,
                 e o que nos ficou não chega
            para afastar o frio de quatro paredes.
              Gastamos tudo menos o silêncio.
         Gastamos os olhos com o sal das lágrimas,
         gastamos as mãos à força de as apertarmos,
         gastamos o relógio e as pedras das esquinas
                      em esperas inúteis.

        Meto as mãos nas algibeiras
                   e não encontro nada.
        Antigamente
          tínhamos tanto para dar um ao outro;
        era como se todas as coisas fossem minhas:
        quanto mais te dava mais tinha para te dar.
                                        Continua >
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
       era no tempo em que os meus olhos
           eram realmente peixes verdes.
          Hoje são apenas os meus olhos.
              É pouco, mas é verdade,
          uns olhos como todos os outros.
           Já gastamos as palavras.
       Quando agora digo: meu amor
    já se não passa absolutamente nada.
  E no entanto, antes das palavras gastas,
                tenho a certeza
      que todas as coisas estremeciam
         só de murmurar o teu nome
         no silêncio do meu coração.
          Não temos já nada para dar.
                   Dentro de ti
        não há nada que me peça água.
      O passado é inútil como um trapo.
     E já te disse: as palavras estão gastas.
                                                  Adeus...
Minha singela homenagem
 ao meu amado poeta de Portugal
                                        Quase Nada


                                            O amor
                                      é uma ave a tremer
                                   nas mãos de uma criança.
                                     Serve-se de palavras
                                          por ignorar
                                  que as manhãs mais limpas
                                         não têm voz...




                                       By Eliane/2007
Pinturas: João Barcelos

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Análise de poemas
Análise de poemasAnálise de poemas
Análise de poemas
Ana Clara San
 
Eugenio Andrade 4
Eugenio Andrade 4Eugenio Andrade 4
Eugenio Andrade 4
Helena
 
Antologia poética
Antologia poéticaAntologia poética
Antologia poética
Cesarina Sousa
 
AntóNio GedeãO (ExposiçãO Pelo 9 º Ano De 2006 2007)
AntóNio GedeãO (ExposiçãO Pelo 9 º Ano De 2006 2007)AntóNio GedeãO (ExposiçãO Pelo 9 º Ano De 2006 2007)
AntóNio GedeãO (ExposiçãO Pelo 9 º Ano De 2006 2007)
luisprista
 
Poetas da contemporaneidade: Adélia Prado, Manoel de Barros e José Paulo Paes
Poetas da contemporaneidade: Adélia Prado, Manoel de Barros e José Paulo PaesPoetas da contemporaneidade: Adélia Prado, Manoel de Barros e José Paulo Paes
Poetas da contemporaneidade: Adélia Prado, Manoel de Barros e José Paulo Paes
Paula Back
 
Conceito generos-e-poetica
Conceito generos-e-poeticaConceito generos-e-poetica
Conceito generos-e-poetica
Ludmiilaa
 
Miguel Torga (ExposiçãO Com Poemas Com Estrofes Dos Alunos Do 10 º Ano Em 200...
Miguel Torga (ExposiçãO Com Poemas Com Estrofes Dos Alunos Do 10 º Ano Em 200...Miguel Torga (ExposiçãO Com Poemas Com Estrofes Dos Alunos Do 10 º Ano Em 200...
Miguel Torga (ExposiçãO Com Poemas Com Estrofes Dos Alunos Do 10 º Ano Em 200...
luisprista
 
Musica e poesia - comparação
Musica e poesia - comparaçãoMusica e poesia - comparação
Musica e poesia - comparação
Anabel Aguiar
 
Nota ii profundamente manuel bandeira 27.02.12
Nota ii profundamente manuel bandeira 27.02.12Nota ii profundamente manuel bandeira 27.02.12
Nota ii profundamente manuel bandeira 27.02.12
Péricles Penuel
 
Análise de meus poemas preferidos, de manuel bandeira
Análise de meus poemas preferidos, de manuel bandeiraAnálise de meus poemas preferidos, de manuel bandeira
Análise de meus poemas preferidos, de manuel bandeira
ma.no.el.ne.ves
 
Plano de aula prosa e poesia (4° bimestre)
Plano de aula prosa e poesia (4° bimestre) Plano de aula prosa e poesia (4° bimestre)
Plano de aula prosa e poesia (4° bimestre)
JH COSTA
 
Análise de textos poéticos
Análise de textos poéticosAnálise de textos poéticos
Análise de textos poéticos
José Alexandre Dos Santos
 
Livrinho Jogando e escrevendo poemas
Livrinho Jogando e escrevendo poemasLivrinho Jogando e escrevendo poemas
Livrinho Jogando e escrevendo poemas
Aline França Russo
 
Memento Mori V Noite De Poesia Márcia Maranhão de Conti
Memento Mori   V Noite De Poesia   Márcia Maranhão de ContiMemento Mori   V Noite De Poesia   Márcia Maranhão de Conti
Memento Mori V Noite De Poesia Márcia Maranhão de Conti
Memento Mori
 
Análise do poema: Procura da poesia - Carlos Drummond de Andrade
Análise do poema: Procura da poesia - Carlos Drummond de AndradeAnálise do poema: Procura da poesia - Carlos Drummond de Andrade
Análise do poema: Procura da poesia - Carlos Drummond de Andrade
Leonardo Silva Coelho
 
Antologia poética (século XX e XXI)
 Antologia poética  (século XX e XXI) Antologia poética  (século XX e XXI)
Antologia poética (século XX e XXI)
Laryssa Prudencio
 
Antologia poética
Antologia poéticaAntologia poética
Antologia poética
Wallace Truyts
 
Análise comparativa
Análise comparativaAnálise comparativa
Análise comparativa
Josi Leão
 
Poesia e poema
Poesia e poemaPoesia e poema
Poesia e poema
ionasilva
 
Poemas so século xx
Poemas so século xxPoemas so século xx
Poemas so século xx
tildocas
 

Mais procurados (20)

Análise de poemas
Análise de poemasAnálise de poemas
Análise de poemas
 
Eugenio Andrade 4
Eugenio Andrade 4Eugenio Andrade 4
Eugenio Andrade 4
 
Antologia poética
Antologia poéticaAntologia poética
Antologia poética
 
AntóNio GedeãO (ExposiçãO Pelo 9 º Ano De 2006 2007)
AntóNio GedeãO (ExposiçãO Pelo 9 º Ano De 2006 2007)AntóNio GedeãO (ExposiçãO Pelo 9 º Ano De 2006 2007)
AntóNio GedeãO (ExposiçãO Pelo 9 º Ano De 2006 2007)
 
Poetas da contemporaneidade: Adélia Prado, Manoel de Barros e José Paulo Paes
Poetas da contemporaneidade: Adélia Prado, Manoel de Barros e José Paulo PaesPoetas da contemporaneidade: Adélia Prado, Manoel de Barros e José Paulo Paes
Poetas da contemporaneidade: Adélia Prado, Manoel de Barros e José Paulo Paes
 
Conceito generos-e-poetica
Conceito generos-e-poeticaConceito generos-e-poetica
Conceito generos-e-poetica
 
Miguel Torga (ExposiçãO Com Poemas Com Estrofes Dos Alunos Do 10 º Ano Em 200...
Miguel Torga (ExposiçãO Com Poemas Com Estrofes Dos Alunos Do 10 º Ano Em 200...Miguel Torga (ExposiçãO Com Poemas Com Estrofes Dos Alunos Do 10 º Ano Em 200...
Miguel Torga (ExposiçãO Com Poemas Com Estrofes Dos Alunos Do 10 º Ano Em 200...
 
Musica e poesia - comparação
Musica e poesia - comparaçãoMusica e poesia - comparação
Musica e poesia - comparação
 
Nota ii profundamente manuel bandeira 27.02.12
Nota ii profundamente manuel bandeira 27.02.12Nota ii profundamente manuel bandeira 27.02.12
Nota ii profundamente manuel bandeira 27.02.12
 
Análise de meus poemas preferidos, de manuel bandeira
Análise de meus poemas preferidos, de manuel bandeiraAnálise de meus poemas preferidos, de manuel bandeira
Análise de meus poemas preferidos, de manuel bandeira
 
Plano de aula prosa e poesia (4° bimestre)
Plano de aula prosa e poesia (4° bimestre) Plano de aula prosa e poesia (4° bimestre)
Plano de aula prosa e poesia (4° bimestre)
 
Análise de textos poéticos
Análise de textos poéticosAnálise de textos poéticos
Análise de textos poéticos
 
Livrinho Jogando e escrevendo poemas
Livrinho Jogando e escrevendo poemasLivrinho Jogando e escrevendo poemas
Livrinho Jogando e escrevendo poemas
 
Memento Mori V Noite De Poesia Márcia Maranhão de Conti
Memento Mori   V Noite De Poesia   Márcia Maranhão de ContiMemento Mori   V Noite De Poesia   Márcia Maranhão de Conti
Memento Mori V Noite De Poesia Márcia Maranhão de Conti
 
Análise do poema: Procura da poesia - Carlos Drummond de Andrade
Análise do poema: Procura da poesia - Carlos Drummond de AndradeAnálise do poema: Procura da poesia - Carlos Drummond de Andrade
Análise do poema: Procura da poesia - Carlos Drummond de Andrade
 
Antologia poética (século XX e XXI)
 Antologia poética  (século XX e XXI) Antologia poética  (século XX e XXI)
Antologia poética (século XX e XXI)
 
Antologia poética
Antologia poéticaAntologia poética
Antologia poética
 
Análise comparativa
Análise comparativaAnálise comparativa
Análise comparativa
 
Poesia e poema
Poesia e poemaPoesia e poema
Poesia e poema
 
Poemas so século xx
Poemas so século xxPoemas so século xx
Poemas so século xx
 

Destaque

Eugenio de andrade
Eugenio de andradeEugenio de andrade
Eugenio de andrade
Biblioteca André Soares Beas
 
Polacos Famosos
Polacos FamososPolacos Famosos
Polacos Famosos
elcedin
 
"Frutos", Eugénio de Andrade
"Frutos", Eugénio de Andrade"Frutos", Eugénio de Andrade
"Frutos", Eugénio de Andrade
elcedin
 
Eugenio De Andrade
Eugenio De AndradeEugenio De Andrade
Eugenio De Andrade
kally
 
Eugenio de andrade
Eugenio de andradeEugenio de andrade
Eugenio de andrade
liofer21
 
Eugénio de Andrade e Augusto de Campos
Eugénio de Andrade e Augusto de CamposEugénio de Andrade e Augusto de Campos
Eugénio de Andrade e Augusto de Campos
Rosário Cunha
 
Eugénio De Andrade
Eugénio De AndradeEugénio De Andrade
Eugénio De Andrade
davidaaduarte
 
Sophia de Mello Breyner
Sophia de Mello BreynerSophia de Mello Breyner
Sophia de Mello Breyner
Dina Baptista
 
Poetas do século xx
Poetas do século xx Poetas do século xx
Poetas do século xx
Rosário Cunha
 
Poetas do séc.xx Sophia de Mello Breyner
Poetas do séc.xx  Sophia de Mello BreynerPoetas do séc.xx  Sophia de Mello Breyner
Poetas do séc.xx Sophia de Mello Breyner
Rosário Cunha
 
Poesia do século XX - 1
Poesia do século XX - 1Poesia do século XX - 1
Poesia do século XX - 1
Dina Baptista
 

Destaque (11)

Eugenio de andrade
Eugenio de andradeEugenio de andrade
Eugenio de andrade
 
Polacos Famosos
Polacos FamososPolacos Famosos
Polacos Famosos
 
"Frutos", Eugénio de Andrade
"Frutos", Eugénio de Andrade"Frutos", Eugénio de Andrade
"Frutos", Eugénio de Andrade
 
Eugenio De Andrade
Eugenio De AndradeEugenio De Andrade
Eugenio De Andrade
 
Eugenio de andrade
Eugenio de andradeEugenio de andrade
Eugenio de andrade
 
Eugénio de Andrade e Augusto de Campos
Eugénio de Andrade e Augusto de CamposEugénio de Andrade e Augusto de Campos
Eugénio de Andrade e Augusto de Campos
 
Eugénio De Andrade
Eugénio De AndradeEugénio De Andrade
Eugénio De Andrade
 
Sophia de Mello Breyner
Sophia de Mello BreynerSophia de Mello Breyner
Sophia de Mello Breyner
 
Poetas do século xx
Poetas do século xx Poetas do século xx
Poetas do século xx
 
Poetas do séc.xx Sophia de Mello Breyner
Poetas do séc.xx  Sophia de Mello BreynerPoetas do séc.xx  Sophia de Mello Breyner
Poetas do séc.xx Sophia de Mello Breyner
 
Poesia do século XX - 1
Poesia do século XX - 1Poesia do século XX - 1
Poesia do século XX - 1
 

Semelhante a Eugenio andrade (1)

Eugenio de Andrade
Eugenio de AndradeEugenio de Andrade
Eugenio de Andrade
Mensagens Virtuais
 
Eugenio Andrade
Eugenio AndradeEugenio Andrade
Eugenio Andrade
frutinha
 
Eugenio andrade 4
Eugenio andrade 4Eugenio andrade 4
Eugenio andrade 4
Licinio Borges
 
Eugenio andrade 4
Eugenio andrade 4Eugenio andrade 4
Eugenio andrade 4
Júlio Salgueiral
 
Caderno digital de Literatura
Caderno digital de LiteraturaCaderno digital de Literatura
Caderno digital de Literatura
davidaaduarte
 
Um coração, um cúpido e um beijo por um poema de amor em português
Um coração, um cúpido e um beijo por um poema de amor em portuguêsUm coração, um cúpido e um beijo por um poema de amor em português
Um coração, um cúpido e um beijo por um poema de amor em português
Leonor Costa
 
Poesias mostra cultural
Poesias mostra culturalPoesias mostra cultural
Poesias mostra cultural
Barbara Coelho
 
Natércia Freire
Natércia FreireNatércia Freire
Natércia Freire
davidaaduarte
 
Poemas dia s. valentim
Poemas dia s. valentimPoemas dia s. valentim
Poemas dia s. valentim
Bestc Tomascabreira
 
Poema da semana
Poema da semanaPoema da semana
Poema da semana
Raquel Rodriges
 
Poema da semana
Poema da semanaPoema da semana
Poema da semana
Raquel Rodriges
 
Leituras
LeiturasLeituras
Leituras
guida04
 
Biblioteca Global - Ponte entre Culturas
Biblioteca Global - Ponte entre CulturasBiblioteca Global - Ponte entre Culturas
Biblioteca Global - Ponte entre Culturas
Besaf Biblioteca
 
Semana da Poesia em Miranda do Corvo
Semana da Poesia  em Miranda do CorvoSemana da Poesia  em Miranda do Corvo
Semana da Poesia em Miranda do Corvo
criscouceiro
 
Sessão leitura poética 2014
Sessão leitura poética 2014Sessão leitura poética 2014
Sessão leitura poética 2014
Arlindo Rodrigues Vieira
 
Poemas Ilustrados
Poemas IlustradosPoemas Ilustrados
Poemas Ilustrados
vales
 
Rosa lobat - ana branco e marta
Rosa lobat - ana branco e martaRosa lobat - ana branco e marta
Rosa lobat - ana branco e marta
101d1
 
Poemas de vários autores
Poemas de vários autoresPoemas de vários autores
Poemas de vários autores
bibliotecanordeste
 
Poemas
PoemasPoemas
Poemas
xyagox
 
Vinte poemas de amor e uma canção desesperada, Pablo Neruda
Vinte poemas de amor e uma canção desesperada, Pablo NerudaVinte poemas de amor e uma canção desesperada, Pablo Neruda
Vinte poemas de amor e uma canção desesperada, Pablo Neruda
Zanah
 

Semelhante a Eugenio andrade (1) (20)

Eugenio de Andrade
Eugenio de AndradeEugenio de Andrade
Eugenio de Andrade
 
Eugenio Andrade
Eugenio AndradeEugenio Andrade
Eugenio Andrade
 
Eugenio andrade 4
Eugenio andrade 4Eugenio andrade 4
Eugenio andrade 4
 
Eugenio andrade 4
Eugenio andrade 4Eugenio andrade 4
Eugenio andrade 4
 
Caderno digital de Literatura
Caderno digital de LiteraturaCaderno digital de Literatura
Caderno digital de Literatura
 
Um coração, um cúpido e um beijo por um poema de amor em português
Um coração, um cúpido e um beijo por um poema de amor em portuguêsUm coração, um cúpido e um beijo por um poema de amor em português
Um coração, um cúpido e um beijo por um poema de amor em português
 
Poesias mostra cultural
Poesias mostra culturalPoesias mostra cultural
Poesias mostra cultural
 
Natércia Freire
Natércia FreireNatércia Freire
Natércia Freire
 
Poemas dia s. valentim
Poemas dia s. valentimPoemas dia s. valentim
Poemas dia s. valentim
 
Poema da semana
Poema da semanaPoema da semana
Poema da semana
 
Poema da semana
Poema da semanaPoema da semana
Poema da semana
 
Leituras
LeiturasLeituras
Leituras
 
Biblioteca Global - Ponte entre Culturas
Biblioteca Global - Ponte entre CulturasBiblioteca Global - Ponte entre Culturas
Biblioteca Global - Ponte entre Culturas
 
Semana da Poesia em Miranda do Corvo
Semana da Poesia  em Miranda do CorvoSemana da Poesia  em Miranda do Corvo
Semana da Poesia em Miranda do Corvo
 
Sessão leitura poética 2014
Sessão leitura poética 2014Sessão leitura poética 2014
Sessão leitura poética 2014
 
Poemas Ilustrados
Poemas IlustradosPoemas Ilustrados
Poemas Ilustrados
 
Rosa lobat - ana branco e marta
Rosa lobat - ana branco e martaRosa lobat - ana branco e marta
Rosa lobat - ana branco e marta
 
Poemas de vários autores
Poemas de vários autoresPoemas de vários autores
Poemas de vários autores
 
Poemas
PoemasPoemas
Poemas
 
Vinte poemas de amor e uma canção desesperada, Pablo Neruda
Vinte poemas de amor e uma canção desesperada, Pablo NerudaVinte poemas de amor e uma canção desesperada, Pablo Neruda
Vinte poemas de amor e uma canção desesperada, Pablo Neruda
 

Mais de Biblioteca IreneLisboa

A pide e a censura
A pide e a censuraA pide e a censura
A pide e a censura
Biblioteca IreneLisboa
 
Mural na eb irene lisboa
Mural na eb irene lisboaMural na eb irene lisboa
Mural na eb irene lisboa
Biblioteca IreneLisboa
 
Mural na eb irene lisboa
Mural na eb irene lisboaMural na eb irene lisboa
Mural na eb irene lisboa
Biblioteca IreneLisboa
 
Mural na eb irene lisboa
Mural na eb irene lisboaMural na eb irene lisboa
Mural na eb irene lisboa
Biblioteca IreneLisboa
 
Encontro de isabel alçada com os leitores
Encontro de isabel alçada com os leitoresEncontro de isabel alçada com os leitores
Encontro de isabel alçada com os leitores
Biblioteca IreneLisboa
 
Feira do livro
Feira do livroFeira do livro
Feira do livro
Biblioteca IreneLisboa
 
Feira do livro
Feira do livroFeira do livro
Feira do livro
Biblioteca IreneLisboa
 
(Microsoft power point romance do25 [s
(Microsoft power point   romance do25 [s(Microsoft power point   romance do25 [s
(Microsoft power point romance do25 [s
Biblioteca IreneLisboa
 
Aquilo que os meus olhos vêem ou o
Aquilo que os meus olhos vêem ou oAquilo que os meus olhos vêem ou o
Aquilo que os meus olhos vêem ou o
Biblioteca IreneLisboa
 
Aquilo que os meus olhos vêem ou o
Aquilo que os meus olhos vêem ou oAquilo que os meus olhos vêem ou o
Aquilo que os meus olhos vêem ou o
Biblioteca IreneLisboa
 
Adamastor1ªparte
Adamastor1ªparteAdamastor1ªparte
Adamastor1ªparte
Biblioteca IreneLisboa
 
áLbum de fotografias noite da ciencia
áLbum de fotografias noite da cienciaáLbum de fotografias noite da ciencia
áLbum de fotografias noite da ciencia
Biblioteca IreneLisboa
 
Algumas capas de livros de
Algumas capas de livros deAlgumas capas de livros de
Algumas capas de livros de
Biblioteca IreneLisboa
 
Algumas capas de livros de
Algumas capas de livros deAlgumas capas de livros de
Algumas capas de livros de
Biblioteca IreneLisboa
 
áLbum de fotografias noite da ciencia
áLbum de fotografias noite da cienciaáLbum de fotografias noite da ciencia
áLbum de fotografias noite da ciencia
Biblioteca IreneLisboa
 
Encontro com a escritora
Encontro com a escritoraEncontro com a escritora
Encontro com a escritora
Biblioteca IreneLisboa
 
Semana da leitura2011 p
Semana da leitura2011 pSemana da leitura2011 p
Semana da leitura2011 p
Biblioteca IreneLisboa
 
Semana da leitura2011 p
Semana da leitura2011 pSemana da leitura2011 p
Semana da leitura2011 p
Biblioteca IreneLisboa
 
Semana da leitura 2011
Semana da leitura 2011Semana da leitura 2011
Semana da leitura 2011
Biblioteca IreneLisboa
 
Semana da leitura 2011
Semana da leitura 2011Semana da leitura 2011
Semana da leitura 2011
Biblioteca IreneLisboa
 

Mais de Biblioteca IreneLisboa (20)

A pide e a censura
A pide e a censuraA pide e a censura
A pide e a censura
 
Mural na eb irene lisboa
Mural na eb irene lisboaMural na eb irene lisboa
Mural na eb irene lisboa
 
Mural na eb irene lisboa
Mural na eb irene lisboaMural na eb irene lisboa
Mural na eb irene lisboa
 
Mural na eb irene lisboa
Mural na eb irene lisboaMural na eb irene lisboa
Mural na eb irene lisboa
 
Encontro de isabel alçada com os leitores
Encontro de isabel alçada com os leitoresEncontro de isabel alçada com os leitores
Encontro de isabel alçada com os leitores
 
Feira do livro
Feira do livroFeira do livro
Feira do livro
 
Feira do livro
Feira do livroFeira do livro
Feira do livro
 
(Microsoft power point romance do25 [s
(Microsoft power point   romance do25 [s(Microsoft power point   romance do25 [s
(Microsoft power point romance do25 [s
 
Aquilo que os meus olhos vêem ou o
Aquilo que os meus olhos vêem ou oAquilo que os meus olhos vêem ou o
Aquilo que os meus olhos vêem ou o
 
Aquilo que os meus olhos vêem ou o
Aquilo que os meus olhos vêem ou oAquilo que os meus olhos vêem ou o
Aquilo que os meus olhos vêem ou o
 
Adamastor1ªparte
Adamastor1ªparteAdamastor1ªparte
Adamastor1ªparte
 
áLbum de fotografias noite da ciencia
áLbum de fotografias noite da cienciaáLbum de fotografias noite da ciencia
áLbum de fotografias noite da ciencia
 
Algumas capas de livros de
Algumas capas de livros deAlgumas capas de livros de
Algumas capas de livros de
 
Algumas capas de livros de
Algumas capas de livros deAlgumas capas de livros de
Algumas capas de livros de
 
áLbum de fotografias noite da ciencia
áLbum de fotografias noite da cienciaáLbum de fotografias noite da ciencia
áLbum de fotografias noite da ciencia
 
Encontro com a escritora
Encontro com a escritoraEncontro com a escritora
Encontro com a escritora
 
Semana da leitura2011 p
Semana da leitura2011 pSemana da leitura2011 p
Semana da leitura2011 p
 
Semana da leitura2011 p
Semana da leitura2011 pSemana da leitura2011 p
Semana da leitura2011 p
 
Semana da leitura 2011
Semana da leitura 2011Semana da leitura 2011
Semana da leitura 2011
 
Semana da leitura 2011
Semana da leitura 2011Semana da leitura 2011
Semana da leitura 2011
 

Eugenio andrade (1)

  • 1.
  • 2. BIOGRAFIA EUGÉNIO DE ANDRADE Pseudônimo de José Fontinhas Rato. Poeta português nascido na freguesia de Póvoa de Atalaia (Fundão) em 19 de Janeiro de 1923. Faleceu a 13 de Junho de 2005, no Porto, após uma doença neurológica prolongada. “Passamos pelas coisas sem as ver, gastos, como animais envelhecidos: se alguém chama por nós não respondemos, se alguém nos pede amor não estremecemos, como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos.”
  • 3. Madrigal Tu já tinhas um nome, e eu não sei se eras fonte ou brisa ou mar ou flor. Nos meus versos chamar-te-ei amor...
  • 4. FRENTE A FRENTE Nada podeis contra o amor, Contra a cor da folhagem, contra a carícia da espuma, contra a luz, nada podeis. Podeis dar-nos a morte, a mais vil, isso podeis - e é tão pouco!
  • 5. As palavras São como um cristal, as palavras. Algumas, um punhal, um incêndio. Outras, orvalho apenas. Secretas vêm, cheias de memória. Inseguras navegam: barcos ou beijos, as águas estremecem. Desamparadas, inocentes, leves. Quem as escuta? Tecidas são de luz e são a noite. Quem as recolhe, assim, E mesmo pálidas cruéis, desfeitas, verdes paraísos lembram ainda. nas suas conchas puras?
  • 6. DEVIAS ESTAR AQUI Devias estar aqui rente aos meus lábios para dividir contigo esta amargura dos meus dias partidos um a um - Eu vi a terra limpa no teu rosto, Só no teu rosto e nunca em mais nenhum...
  • 7. O AMOR Estou a amar-te como o frio corta os lábios. A arrancar a raiz ao mais diminuto dos rios. A inundar-te de facas, de saliva esperma lume. Estou a rodear de agulhas a boca mais vulnerável. A marcar sobre os teus flancos itinerários da espuma. Assim é o amor: mortal e navegável...
  • 8. URGÊNCIA É urgente o amor. É urgente um barco no mar. É urgente destruir certas palavras, ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas. É urgente inventar alegria, multiplicar os beijos, as searas, é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras. Cai o silêncio nos ombros e a luz impura, até doer. É urgente o amor, é urgente Permanecer.
  • 9. Respiro o teu corpo: sabe a lua-de-água ao amanhecer, sabe a cal molhada, sabe a luz mordida, sabe a brisa nua, ao sangue dos rios, sabe a pedra amarga, sabe a rosa louca, sabe à minha boca... ao cair da noite
  • 10. Sem Ti E de súbito desaba o silêncio. É um silêncio sem ti, sem álamos, sem luas. Só nas minhas mãos ouço a música das tuas...
  • 11. Que música escutas tão atentamente? Que música escutas tão atentamente que não dás por mim? Que bosque, ou rio, ou mar? Ou é dentro de ti que tudo canta ainda? Queria falar contigo, dizer-te apenas que estou aqui, Medo de quebrar o fio mas tenho medo, com que teces os dias sem memória. medo que toda a música cesse Com que palavras ou beijos e tu não possas mais olhar as rosas. ou lágrimas se acordam os mortos sem os ferir, sem os trazer a esta espuma negra Deixa-te estar assim, onde corpos e corpos se repetem, ó cheia de doçura, parcimoniosamente, sentada, olhando as rosas, no meio de sombras? e tão alheia que nem dás por mim...
  • 12. Sobre Flancos e Barcos Havia ainda outro jardim o da minha vida exíguo é certo mas o do meu olhar são talvez dois pássaros que se amam um sobre o outro ou dois cães de pé é sempre a mesma inquietação este delírio branco ou o rumor da chuva sobre flancos e barcos o inverno vai chegar sobre a palha ainda quente a mão uma doçura de abelha muito jovem era o sopro distante das manhãs sobre o mar e eu disse sentindo os seus passos nos pátios do coração é o silêncio é por fim o silêncio
  • 13. ADEUS Já gastamos as palavras pela rua, meu amor, e o que nos ficou não chega para afastar o frio de quatro paredes. Gastamos tudo menos o silêncio. Gastamos os olhos com o sal das lágrimas, gastamos as mãos à força de as apertarmos, gastamos o relógio e as pedras das esquinas em esperas inúteis. Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro; era como se todas as coisas fossem minhas: quanto mais te dava mais tinha para te dar. Continua >
  • 14. Mas isso era no tempo dos segredos, era no tempo em que o teu corpo era um aquário, era no tempo em que os meus olhos eram realmente peixes verdes. Hoje são apenas os meus olhos. É pouco, mas é verdade, uns olhos como todos os outros. Já gastamos as palavras. Quando agora digo: meu amor já se não passa absolutamente nada. E no entanto, antes das palavras gastas, tenho a certeza que todas as coisas estremeciam só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração. Não temos já nada para dar. Dentro de ti não há nada que me peça água. O passado é inútil como um trapo. E já te disse: as palavras estão gastas. Adeus...
  • 15. Minha singela homenagem ao meu amado poeta de Portugal Quase Nada O amor é uma ave a tremer nas mãos de uma criança. Serve-se de palavras por ignorar que as manhãs mais limpas não têm voz... By Eliane/2007 Pinturas: João Barcelos