Dengue manejo clínico

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Dengue manejo clínico

  1. 1. DengueDengueDengueDengueDengueDiagnóstico eDiagnóstico eDiagnóstico eDiagnóstico eDiagnóstico eManejo ClínicoManejo ClínicoManejo ClínicoManejo ClínicoManejo Clínicowww.funasa.gov.brFUNASAVIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICAFundação Nacional de Saúde - FUNASA, é uma instituição que tem como missão a promoção eproteção à saúde, mediante ações integradas de educação, prevenção e controle de doenças e outrosagravos, bem como o atendimento integral à saúde dos povos indígenas, visando a melhoria daqualidade de vida da população.O sistema descentralizado de Vigilância Epidemiológica permite que o Governo Federal, os estados e os municípiostrabalhem de forma integrada. Em parceria com órgãos e entidades públicas e privadas, esse sistema visa adesenvolver e a fortalecer a capacidade de atuação da FUNASA nas áreas de “Inteligência Epidemiológica” enas ações típicas da esfera federal. Uma das atividades desse sistema é consolidar a Rede de Laboratórios deSaúde Pública, integrando-o aos Sistemas de Vigilância Epidemiológica e Ambiental.O objetivo é antever e agir para promover saúde, prevenir doenças e assegurar qualidade de vida aos brasileiros.A FUNASA tem ainda o papel de coordenadora e normatizadora do processo de descentralização das ações deprevenção e controle das endemias que está sendo implementado de forma sustentável, com definição clara dopapel de cada instância de governo.Dessa forma as secretarias de saúde e municípios passam a ser responsáveis pela prevenção e combate àsenfermidades, desenvolvendo infra-estrutura que vem permitindo o aperfeiçoamento do Sistema Nacional deVigilância Epidemiológica no país.DengueDengueDengueDengueDengueDiagnóstico eDiagnóstico eDiagnóstico eDiagnóstico eDiagnóstico eManejo ClínicoManejo ClínicoManejo ClínicoManejo ClínicoManejo ClínicoA
  2. 2. Presidente da RepúblicaFernando Henrique CardosoFernando Henrique CardosoFernando Henrique CardosoFernando Henrique CardosoFernando Henrique CardosoMinistro da SaúdeBarjas NegriBarjas NegriBarjas NegriBarjas NegriBarjas NegriPresidente da Fundação Nacional de SaúdeMauro Ricardo Machado CostaMauro Ricardo Machado CostaMauro Ricardo Machado CostaMauro Ricardo Machado CostaMauro Ricardo Machado CostaDiretor-ExecutivoGeorge Hermann RGeorge Hermann RGeorge Hermann RGeorge Hermann RGeorge Hermann Rodolfo Todolfo Todolfo Todolfo Todolfo TorminorminorminorminorminDiretor do Centro Nacional de EpidemiologiaJarbas Barbosa da Silva JúniorJarbas Barbosa da Silva JúniorJarbas Barbosa da Silva JúniorJarbas Barbosa da Silva JúniorJarbas Barbosa da Silva JúniorDiretor do Departamento de Engenharia de Saúde PúblicaSadi Coutinho FilhoSadi Coutinho FilhoSadi Coutinho FilhoSadi Coutinho FilhoSadi Coutinho FilhoDiretor do Departamento de Saúde IndígenaUbiratan Pedrosa MoreiraUbiratan Pedrosa MoreiraUbiratan Pedrosa MoreiraUbiratan Pedrosa MoreiraUbiratan Pedrosa MoreiraDiretor do Departamento de AdministraçãoCelso TCelso TCelso TCelso TCelso Tadeu de Azevedo Silveiraadeu de Azevedo Silveiraadeu de Azevedo Silveiraadeu de Azevedo Silveiraadeu de Azevedo SilveiraDiretor do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento InstitucionalAntônio Leopoldo Frota MagalhãesAntônio Leopoldo Frota MagalhãesAntônio Leopoldo Frota MagalhãesAntônio Leopoldo Frota MagalhãesAntônio Leopoldo Frota Magalhães
  3. 3. DengueDengueDengueDengueDengueBrasília, dezembro de 2002Brasília, dezembro de 2002Brasília, dezembro de 2002Brasília, dezembro de 2002Brasília, dezembro de 2002Diagnóstico e Manejo ClínicoDiagnóstico e Manejo ClínicoDiagnóstico e Manejo ClínicoDiagnóstico e Manejo ClínicoDiagnóstico e Manejo Clínico
  4. 4. © 2002. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde.É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde quecitada a fonte.Editor:Assessoria de Comunicação e Educação em Saúde/Ascom/Pre/FUNASANúcleo de Editoração e Mídia de RedeSetor de Autarquias Sul, Quadra 4, Bl. N, 5º Andar - Sala 517CEP: 70.070-040 - Brasília/DFDistribuição e Informação:Centro Nacional de Epidemiologia. Fundação Nacional de Saúde.SAS - Setor de Autarquias Sul, Quadra 4, Bl. N, 7º Andar - sala 715Telefone: (61) 314.6290/255.0359 - Fax: (61) 226.4488CEP: 70.070-040 – Brasília/DFTiragem: 250.000 exemplares.Impresso no Brasil/Printed in BrazilBrasil. Fundação Nacional de Saúde.Dengue: diagnóstico e manejo clínico. – Brasília: FundaçãoNacional de Saúde, 2002.28p.1. Dengue – diagnóstico. 2. Dengue – terapia. 3. Dengue –classificação. I. Título.
  5. 5. SumárioSumárioSumárioSumárioSumário1. Introdução..............................................................................52. Espectro clínico......................................................................62.1. Febre homorrágica da dengue........................................62.2. Dengue com complicações.............................................63. Atendimento ao paciente com suspeita de dengue .................73.1. Caso suspeito de dengue ................................................73.2. Anamnese .......................................................................83.3. Exame físico ...................................................................94. Diagnóstico diferencial .........................................................105. Estadiamento e tratamento ...................................................105.1. Grupo A ........................................................................115.2. Grupo B........................................................................155.3. Grupo C e D..................................................................195.4. Outros distúrbios eletrolíticos e metabólicos quepodem exigir correção específica.................................225.5. Critérios de alta hospitalar ..........................................226. Confirmação laboratorial......................................................226.1. Diagnóstico sorológico.................................................226.2. Diagnóstico por detecção de vírus ou antígenos virais .236.3. Diagnóstico laboratorial nos óbitos suspeitos ..............237. Classificação final do caso ....................................................247.1. Caso confirmado de dengue clássica ............................247.2. Caso confirmado de febre hemorrágica .......................24
  6. 6. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 555551. Introdução1. Introdução1. Introdução1. Introdução1. IntroduçãoA identificação precoce dos casos é de vital importância para tomardecisões e implementar medidas de maneira oportuna, visando principal-mente o controle da doença. A organização dos serviços de saúde tanto naárea de vigilância epidemiológica quanto na prestação de assistência médicaé essencial para reduzir a letalidade das formas graves e conhecer o compor-tamento da dengue, sobretudo em períodos de epidemia. Nessas situações émandatória a efetivação de um Plano de Contingência que contemple as ne-cessidades de recursos humanos e financeiros e a identificação de unidadesde referência.A classificação da dengue, segundo a Organização Mundial de Saúde éretrospectiva e depende de critérios clínicos e laboratoriais que nem sempreestão disponíveis precocemente, sobretudo para os casos de dengue clássicacom complicações. Estes critérios não permitem o reconhecimento de for-mas potencialmente graves, para as quais é crucial a instituição precoce detratamento.Pelos motivos expostos, preconizamos a adoção do protocolo de con-dutas apresentado a seguir, frente a todo paciente com suspeita de dengue.Nele, propõe-se uma abordagem clínico-evolutiva, baseada no reconheci-mento de elementos clínico-laboratoriais e de condições associadas quepodem ser indicativos de gravidade, com o objetivo de orientar a condutaterapêutica adequada para cada situação.
  7. 7. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 666662. Espectro clínico2. Espectro clínico2. Espectro clínico2. Espectro clínico2. Espectro clínicoA infecção por dengue causa uma doença cujo espectro inclui desdeformas clinicamente inaparentes, até quadros graves de hemorragia e cho-que podendo evoluir para o óbito.Dengue clássica: a primeira manifestação é a febre, geralmente alta(39ºC a 40ºC), de início abrupto, associada a cefaléia, prostação, mialgia,artralgia, dor retroorbitária, exantema maculopapular acompanhado ou nãode prurido. Anorexia, náuseas, vômitos e diarréia podem ser observados.Nofinaldoperíodofebrilpodemsurgirmanifestaçõeshemorrágicascomoepistaxe, petéquias, gengivorragia, metrorragia e outros. Em casos mais rarospodem existir sangramentos maiores como hematêmese, melena ou hematúria.A presença de manifestações hemorrágicas não é exclusiva da febrehemorrágica da dengue e quadros com plaquetopenia (<100.000/mm3) po-dem ser observados, com ou sem essas manifestações. É importante diferen-ciar esses casos de dengue clássica com manifestações hemorrágicas e/ouplaquetopenia dos casos de febre hemorrágica da dengue.2.1. Febre hemorrágica da dengue (FHD)2.1. Febre hemorrágica da dengue (FHD)2.1. Febre hemorrágica da dengue (FHD)2.1. Febre hemorrágica da dengue (FHD)2.1. Febre hemorrágica da dengue (FHD)As manifestações clínicas iniciais da dengue hemorrágica são as mes-mas descritas para a dengue clássica, até que ocorra a defervescência dafebre, entre o 3º e o 7º dias e a síndrome se instale. Evidencia-se o surgimentode manifestações hemorrágicas espontânea ou provocada, trombocitopenia(Plaquetas <100.000/mm3) e perda de plasma para o terceiro espaço.2.2. Dengue com complicações2.2. Dengue com complicações2.2. Dengue com complicações2.2. Dengue com complicações2.2. Dengue com complicaçõesÉ todo caso que não se enquadre nos critérios de FHD e quando aclassificação de dengue clássica é insatisfatória dado o potencial de risco.Nessa situação a presença de um dos itens a seguir caracteriza o quadro:alterações neurológicas; disfunção cardiorrespiratória; insuficiência hepáti-
  8. 8. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 77777ca; plaquetopenia igual ou inferior a 50.000/mm3; hemorragia digestiva; der-rames cavitários; leucometria global igual ou inferior a 1.000/mm3; óbito.Manifestações clínicas menos freqüentes incluem as neurológicas epsíquicas tanto em adultos como em crianças caracterizadas por delírio,sonolência, coma, depressão, irritabilidade, psicose maníaca, demência, am-nésia e outros sinais meníngeos, paresias, paralisias (polineuropatias,síndrome de Reye, síndrome de Guillain-Barré) e encefalite. Surgem no de-correr do período febril ou mais tardiamente, na convalescença.3. Atendimento ao paciente com suspeita3. Atendimento ao paciente com suspeita3. Atendimento ao paciente com suspeita3. Atendimento ao paciente com suspeita3. Atendimento ao paciente com suspeitade denguede denguede denguede denguede dengueA abordagem do paciente com suspeita de dengue deve seguir umarotina mínima de anamnese e exame físico. Essas informações são necessá-rias para o estadiamento e o planejamento terapêutico adequados.3.1. Caso suspeito de dengue3.1. Caso suspeito de dengue3.1. Caso suspeito de dengue3.1. Caso suspeito de dengue3.1. Caso suspeito de dengueTodo paciente que apresente doença febril aguda com duração máxi-ma de até sete dias, acompanhada de pelo menos dois dos seguintes sinto-mas: cefaléia; dor retroorbitária; mialgia; artralgia; prostração ou exantemaassociados ou não à presença de hemorragias. Além desses sintomas, deveter estado, nos últimos quinze dias, em área onde esteja ocorrendo transmis-são de dengue ou tenha a presença de Aedes aegypti.Todo caso suspeito deve ser notificado à Vigilância Epidemiológica.A presença de sinais de alerta (relacionados a seguir) indica a possi-bilidade de gravidade do quadro clínico.
  9. 9. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 88888Todo paciente com suspeita de dengue deverá ser reavaliado clinica-mente, com ênfase na busca por sinais de alerta e exame físico.3.2. Anamnese3.2. Anamnese3.2. Anamnese3.2. Anamnese3.2. AnamneseA história clínica deve ser mais detalhada possível e os itens abaixodevem constar em prontuário:3.2.1. História da doença atuala) Cronologia dos sinais e sintomas;b) Caracterização da curva febril;c) Pesquisa de sinais de alerta.a) Dor abdominal intensa e contínua;b) Vômitos persistentes;c) Hipotensão postural;d) Hipotensão arterial;e) Pressão diferencial <20mmHg (PA convergente);f) Hepatomegalia dolorosa;g) Hemorragias importantes;h) Extremidades frias, cianose;i) Pulso rápido e fino;j) Agitação e/ou letargia;k) Diminuição da diurese;l) Diminuição repentina da temperatura corpóreaou hipotermia;m)Aumento repentino do hematócrito.Sinais de alerta na dengue
  10. 10. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 999993.2.2. Epidemiologiaa) Presença de casos semelhantes no local de moradia ou de trabalho;b) História de deslocamento nos últimos 15 dias.3.2.3. História patológica pregressaa) Doenças crônicas associadas: hipertensão arterial, diabete melito,DPOC, doenças hematológicas crônicas (principalmente anemiafalciforme), doença renal crônica, doença severa do sistema car-diovascular, doença ácido-péptica e doenças auto-imunes;b) Uso de medicamentos, sobretudo antiagregantes plaquetários,anticoagulantes, antiinflamatórios e imunossupressores.3.3. Exame físico3.3. Exame físico3.3. Exame físico3.3. Exame físico3.3. Exame físico3.3.1 Exame físico gerala) Ectoscopia;b) PA em duas posições (sentado/deitado e em pé) e pulso;c) Temperatura;d) Ritmo respiratório;e) Hidratação.3.3.2. Exame físico específicoa) Pele: manifestações hemorrágicas, turgor, coloração;b) Segmento torácico: pesquisa de derrame pleural/pericárdico;c) Segmento abdominal: pesquisa de hepatomegalia, dor e ascite;d) Neurológico: orientado pela história clínica, nível de consciência,sinais de irritação meníngea.
  11. 11. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 10101010103.3.3. Prova do laçoa) Desenhar um quadrado de 2,5cm de lado (ou uma área ao redordo polegar) no antebraço da pessoa e verificar a PA (deitada ousentada); 2. Calcular o valor médio=(PAS+PAD)/2 ; 3. Insuflarnovamente o manguito até o valor médio e manter por cinco mi-nutos; 4. Contar o número de petéquias no quadrado. A prova éconsiderada positiva se houver mais de 20 petéquias;b) Prova do laço positiva não é patognomônica de FHD e pode ocor-rer em outras situações clínicas que cursam com alteração dapermeabilidade capilar ou trombocitopenia (idade avançada oucoagulopatias);c) Prova do laço é importante para a triagem de pacientes com po-tencial alteração da permeabilidade vascular;d) Não há contra-indicações em doenças crônicas (DM, HAS, etc.).4. Diagnóstico Diferencial4. Diagnóstico Diferencial4. Diagnóstico Diferencial4. Diagnóstico Diferencial4. Diagnóstico DiferencialConsiderando que a dengue tem um amplo espectro clínico, as prin-cipais doenças que fazem diagnóstico diferencial são: influenza, rubéola eoutras doenças exantemáticas, meningococcemia, febre amarela, leptospirose,malária, hepatite infecciosa, hantavirose, riquetsioses. Além das doenças ci-tadas, outros agravos devem ser considerados de acordo com a situaçãoepidemiológica da região.5. Estadiamento e tratamento5. Estadiamento e tratamento5. Estadiamento e tratamento5. Estadiamento e tratamento5. Estadiamento e tratamentoOs dados de anamnese e exame físico serão utilizados para estadiar oscasos e para orientar as medidas terapêuticas cabíveis. É importante lembrarque a dengue é uma doença dinâmica, o que permite que o paciente evolua deum estágio a outro rapidamente. O manejo adequado dos pacientes dependedo reconhecimento precoce de sinais de alerta, do contínuo monitoramento ere-estadiamento dos casos e da pronta reposição hídrica. Com isso torna-se
  12. 12. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 1111111111necessária a revisão da história clínica, acompanhada do exame físico com-pleto a cada reavaliação do paciente, com o devido registro em instrumentospertinentes (prontuários, ficha de atendimento, cartão de acompanhamento).Atenção: os sinais de alerta e agravamento do quadro costumam ocor-rer na fase de remissão da febre.Não há tratamento específico para a dengue, o que o torna eminente-mente sintomático ou preventivo das possíveis complicações. As drogas anti-virais, o interferon α e a gamaglobulina, testados até o momento, não apre-sentaram resultados satisfatórios que subsidiem sua indicação terapêutica.5.1. Grupo A5.1. Grupo A5.1. Grupo A5.1. Grupo A5.1. Grupo A5.1.1. Caracterizaçãoa) Febre por até sete dias, acompanhada de pelo menos dois sinais esintomas inespecíficos (cefaléia, prostração, dor retroorbitária,exantema, mialgia, artralgia) e história epidemiológica compatível;b) Ausência de manifestações hemorrágicas (espontâneas e induzidas,como a prova do laço);c) Ausência de sinais de alerta.5.1.2. CondutaEsses pacientes devem ser atendidos preferencialmente nas unidadesde atenção básica.5.1.2.1 Conduta diagnósticaa) Exames específicos:• A confirmação laboratorial é orientada de acordo com a situa-ção epidemiológica:
  13. 13. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 1212121212– Em períodos não epidêmicos: solicitar o exame em todosos casos suspeitos;– Em períodos epidêmicos: solicitar o exame conforme a ori-entação da vigilância epidemiológica;• Solicitar sempre nas seguintes situações:– Gestantes (diagnóstico diferencial com rubéola);b) Exames inespecíficos:• Hematócrito, hemoglobina, plaquetas e leucograma:– Recomendado para pacientes que se enquadrem nas se-guintes situações: gestantes; idosos (>65 anos); hiperten-são arterial, diabete melito, DPOC, doenças hematológicascrônicas (principalmente anemia falciforme), doença re-nal crônica, doença severa do sistema cardiovascular, do-ença ácido-péptica e doenças auto-imunes;• Coleta no mesmo dia e resultado em até 24 horas.5.1.2.2 Conduta terapêuticaa) Hidratação oral• Calcular o volume de líquidos de 60 a 80ml/kg/dia, sendo umterço com solução salina e iniciando com volume maior. Paraos dois terços restantes, orientar a ingesta de líquidos caseiros(água, sucos de frutas, soro caseiro, chás, água de coco, etc.),utilizando-se os meios mais adequados à idade e aos hábitosdo paciente. Especificar o volume a ser ingerido por dia. Porexemplo, para um adulto de 70kg, orientar:– 1odia: 80ml/kg/dia ≅ 6,0L:- Período da manhã: 1l de SRO e 2l de líquidos caseiros;- Período da tarde: 0,5l de SRO, 1,5l de líquidos caseiros e;- Período da noite: 0,5l de SRO e 0,5l de líquidos caseiros;– 2odia: 60ml/kg/dia ≅ 4,0l, distribuídos ao longo do dia, deforma semelhante:
  14. 14. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 1313131313- A alimentação não deve ser interrompida durante a hi-dratação, mas administrada de acordo com a aceitaçãodo paciente;- Não existe contra-indicação formal para o aleitamentomaterno;b) Sintomáticos em casab.1. Antitérmicos e analgésicosO uso de antitérmicos é recomendado para todos os pacientescom febre, principalmente para crianças menores de dois anosque tenham risco de convulsões:• Dipirona:– Crianças – 1 gota/kg até de 6/6 horas (respeitar dose máxi-ma para peso e idade);– Adultos – 20 a 40 gotas ou 1 comprimido (500mg) atéde 6/6 horas;• Paracetamol:– Crianças – uma gota/kg até de 6/6 horas (respeitar dosemáxima para peso e idade);– Adultos – 20 a 40 gotas ou um comprimido (500mg a750mg) até de 6/6 horas;• Em pacientes de risco (crianças com convulsão febril, adultoscom ICC grave, etc.) em que não há resposta satisfatória à terapiaantitérmica, com apenas um medicamento, pode-se utilizardipirona e paracetamol alternadamente a cada quatro horas;• Em situações excepcionais, para pacientes com dor intensa,pode-se utilizar, nos adultos, o ácido mefenâmico 500mg ou aassociação de paracetamol e fosfato de codeína (7,5 a 30mg)até de 6/6 horas;• Os salicilatos não devem ser administrados, pois podem cau-sar sangramento e acidose metabólica;• Não há subsídio científico que dê suporte clínico ao uso de antiin-flamatórios não hormonais ou corticoesteróides. Além disso, es-sas drogas podem aumentar a tendência hemorrágica na dengue;
  15. 15. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 1414141414• Drogas hepatotóxicas devem ser evitadas;b.2. Antieméticos• Metoclopramida:– Crianças – 1 gota/kg até de 8/8 horas (respeitar dose máxi-ma para peso e idade);– Adultos – 1 comprimido de 10mg até de 8/8 horas;• Bromoprida:– Crianças – 1 gota/kg até de 8/8 horas (respeitar dose máxi-ma para peso e idade);– Adultos – 1 comprimido de 10mg até de 8/8 horas;• Alizaprida:– Crianças – 4 gotas/kg até de 8/8 horas (respeitar dose má-xima para peso e idade);– Adultos – 1 comprimido de 50mg até de 8/8 horas;b.3. AntipruriginososO prurido na dengue pode ser extremamente incômodo mas éautolimitado, durando em torno de 36 a 48 horas. A resposta àterapêutica antipruriginosa usual nem sempre é satisfatória, maspodem ser utilizadas as medidas abaixo:• Medidas tópicas: banhos frios, compressas com gelo, talcosmentolados, pasta d’água, etc.;• Drogas de uso sistêmico:– Dexclorfeniramina:- Crianças – 0,15mg/kg/dia até de 6/6 horas;- Adultos – 2mg até de 6/6 horas;– Cetirizina:- Crianças (6 a 12 anos) – 5ml(5mg) pela manhã e 5ml anoite;- Adultos – 10mg 1 vez ao dia;– Loratadina:- Crianças–5mg1vezaodiaparapacientecompeso<30kg;- Adultos – 10mg 1 vez ao dia;
  16. 16. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 1515151515c) Orientar sobre os sinais de alerta;d) Retornar no primeiro dia sem febre sempre que possível para apopulação geral e obrigatoriamente para os pacientes nas situa-ções especiais mencionadas acima.Importante:1. Todo paciente com dengue (e sua família) deve serorientado sobre a possibilidade do aparecimentodos sinais de alerta e a procurar imediatamenteatendimento médico no caso de apresentá-los.2. Para seguimento do paciente, recomenda-se aadoção do “Cartão de Identificação do Paciente comDengue”, que é entregue após a consulta e ondeconstam as seguintes informações: dados de iden-tificação, unidade de atendimento, data de iníciodos sintomas, PA em duas posições, prova do laço,hematócrito, plaquetas, sorologia, orientações so-bre sinais de alerta e local de referência para aten-dimento de casos graves na região.5.2. Grupo B5.2. Grupo B5.2. Grupo B5.2. Grupo B5.2. Grupo B5.2.1. Caracterizaçãoa) Febre por até sete dias, acompanhada de pelo menos dois sinais esintomasinespecíficos(cefaléia,prostração,dorretroorbitária,exan-tema, mialgia, artralgia) e história epidemiológica compatível;b) Manifestações hemorrágicas (espontâneas e induzidas, como a pro-va do laço) sem repercussão hemodinâmica;c) Ausência de sinais de alerta.
  17. 17. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 16161616165.2.2. CondutaEsses pacientes devem ser atendidos inicialmente nas unidades de atençãobásica, podendo necessitar de leito de observação, na dependência da evolução.5.2.2.1. Conduta diagnósticaa) Exames específicos:• Obrigatório;b) Exames inespecíficos:• Hematócrito, hemoglobina, plaquetas e leucograma;• Obrigatório para todos os pacientes do grupo;• Coleta e resultado no mesmo dia.5.2.2.2. Conduta terapêuticaa) Hidratação oral conforme recomendado para o grupo A, até o re-sultado do exame;b) Sintomáticos (analgésicos, antitérmicos);c) Seguir conduta conforme resultados dos exames inespecíficos:• Paciente com hemograma normal:– Tratamento em regime ambulatorial, como grupo A;• Paciente com hematócrito aumentado em até 10% acima dovalor basal ou, na ausência deste, as seguintes faixas de valo-res: crianças: >38% e <42%; mulheres: >40% e <44%; ho-mens: >45% e <50%;e/ou plaquetopenia entre 50 e 100.000céls/mm3e/ou leuco-penia <1.000 céls/mm3:– Tratamento ambulatorial;– Hidratação oral rigorosa (80ml/kg/dia), conforme orienta-do no grupo A;– Sintomáticos;
  18. 18. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 1717171717– Orientar sobre sinais de alerta;– Retorno para reavaliação clínico laboratorial em 24 horase re-estadiamento;• Paciente com hematócrito aumentado em mais de 10% acimado valor basal ou, na ausência deste, os seguintes valores: cri-anças: >42%; mulheres: >44%; homens: >50%; e/ou plaque-topenia <50.000 céls/mm3:– Leito de observação em unidade de emergência ou unidadehospitalar ou unidade ambulatorial com capacidade de re-alizar hidratação venosa sob supervisão médica por perío-do mínimo de seis horas;– Hidrataçãooralsupervisionadaouparenteral:80ml/kg/dia,sen-do 1/3 do volume infundido nas primeiras quatro a seis horase na forma de solução salina isotônica. Veja na página 18.– Sintomáticos;– Reavaliação clínica e de hematócrito após a etapa de hidra-tação;– Se normal, tratamento ambulatorial com hidratação rigorosae retorno para reavaliação clínico-laboratorial em 24 horas;– Se resposta inadequada, repetir a conduta se a unidade ti-ver condições. Se não, manter hidratação parenteral atétransferência para unidade de referência.Importante1. Em todas as situações, monitorar o aparecimentode sinais de alerta. O surgimento destes ou a res-posta inadequada à hidratação, isto é, aumentoou manutenção dos níveis de hematócrito, carac-terizam indicação de internação.2. Pacientes com plaquetopenia <20.000/mm3sem re-percussão clínica devem ser internados e reavaliadosclínica e laboratorialmente a cada 12 horas.
  19. 19. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 18181818181. Calcular o volume de líquidos em 80ml/kg/dia, sendo um terço na formade solução salina e dois com solução glicosada a 5%;2. Por exemplo, para um adulto de 55kg, prescrever:Volume: 80ml x 55kg = 4.400ml. Volume a ser prescrito: 4.500ml em 24horas, sendo 1.500ml de Soro Fisiológico e 3.000 de Soro Glicosado a 5%.a) Primeira fase (4 horas):• Soro Fisiológico – 500ml;• Soro Glicosado a 5% – 1.000ml;b) Segunda fase (8 horas):• Soro Fisiológico – 500ml;• Soro Glicosado a 5% – 1.000ml;c) Terceira fase (12 horas):• Soro Fisiológico – 500ml;• Soro Glicosado a 5% – 1.000ml;3. Outra forma de calcular o volume de hidratação é utilizar a fórmula 25ml/kgpara cada fase a ser administrada. Por exemplo, para o mesmo paciente:a) Primeira fase: 25ml x 55kg=1.375ml. Volume prescrito: 1.500ml em4 horas:• Soro Fisiológico – 500ml;• Soro Glicosado a 5% – 1.000ml;b) Segunda fase: 25ml x 55kg = 1.375ml. Volume prescrito: 1.500mlem oito horas:• Soro Fisiológico – 500ml;• Soro Glicosado a 5% – 1.000ml;c) Terceira fase: 25ml x 55kg = 1.375ml. Volume prescrito: 1.500ml em12 horas:• Soro Fisiológico – 500ml;• Soro Glicosado a 5% – 1.000ml;4. A reposição de potássio deve ser iniciada uma vez observado o início dediurese acima de 500ml ou 30ml/hora.Hidratação Parenteral
  20. 20. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 19191919195.3 Grupos C e D5.3 Grupos C e D5.3 Grupos C e D5.3 Grupos C e D5.3 Grupos C e D5.3.1. Caracterizaçãoa) Febre por até sete dias, acompanhada de pelo menos dois sinais esintomas inespecíficos (cefaléia, prostração, dor retroorbitária,exantema, mialgia, artralgia) e história epidemiológica compatível;b) Presença de algum sinal de alerta e/ou;c) Choque;d) Manifestações hemorrágicas presentes ou ausentes.5.3.2. CondutaEsses pacientes devem ser atendidos inicialmente em qualquer nívelde complexidade, sendo obrigatório início da hidratação venosa até sua trans-ferência para unidade de referência, se houver necessidade.5.3.2.1. Conduta diagnósticaa) Exames específicos:• Obrigatório;b) Exames inespecíficos:• Hematócrito, hemoglobina, plaquetas, leucograma e outros,conforme necessidade (gasometria, eletrólitos, transaminases,albumina, Rx de tórax, ultra-sonografia de abdome);• Outros, orientados pela história e evolução clínica: uréia, cre-atinina, glicose, eletrólitos, provas de função hepática, líquor,urina, etc.
  21. 21. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 20202020205.3.2.2. Conduta terapêuticaa) Grupo C – paciente sem hipotensão• Leito de observação em unidade com capacidade de realizarhidratação venosa sob supervisão médica por período mínimode 24 horas;• Hidratação EV imediata: 25ml/kg em quatro horas, sendo umterço deste volume na forma de solução salina isotônica;• Sintomáticos;• Reavaliação clínica e de hematócrito após quatro horas e deplaquetas após 12 horas;• Se melhora clínica e laboratorial, iniciar etapa de manutençãocom 25ml/kg em cada uma das etapas seguintes (8 e 12 horas);• Se resposta inadequada, repetir a conduta anterior, reavaliandoao fim da etapa. A prescrição pode ser repetida por até trêsvezes;• Se melhora, passar para etapa de manutenção com 25ml/kgem cada uma das etapas seguintes (8 e 12 horas);• Se resposta inadequada, tratar como paciente com hipotensão(ver abaixo).b) Grupo D – paciente com hipotensão• Iniciar a hidratação parenteral com solução salina isotônica(20ml/kg/hora) imediatamente, independente do local de aten-dimento. Se necessário, repetir por até três vezes;• Leito de observação em unidade com capacidade de realizarhidratação venosa sob supervisão médica por período mínimode 24 horas;• Sintomáticos;• Reavaliação clínica (cada 15-30 minutos) e hematócrito apósduas horas;• Se melhora, tratar como paciente sem hipotensão;• Se resposta inadequada, avaliar hemoconcentração;
  22. 22. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 2121212121• Hematócrito em ascensão:– utilizar expansores plasmáticos (albumina – 3ml/kg/horaou colóides artificiais);• Hematócrito em queda:– investigar hemorragias e transfundir concentrado dehemácias se necessário;– investigar coagulopatias de consumo e discutir conduta comespecialista se necessário;– investigar hiperidratação (sinais de insuficiência cardíacacongestiva) e tratar com diuréticos se necessário;• Em ambos os casos, se a resposta for inadequada, encaminharpara a unidade de cuidados intensivos;• Monitoramento laboratorial:– Hematócrito a cada duas horas, durante o período de insta-bilidade hemodinâmica e a cada quatro a seis horas nasprimeiras 12 horas após estabilização do quadro;– Plaquetas a cada 12 horas.Importante1. Não efetuar punção ou drenagem de derrames serososou outros procedimentos invasivos.2. A utilização de acesso venoso central é excepcional,indicada em alguns casos graves de choque que nãorevertam após as medidas recomendadas, para moni-toramento da pressão venosa central.3. A reposição de potássio deve ser iniciada uma vez obser-vado o início de diurese acima de 500ml ou 30ml/hora.4. Com a resolução do choque, há reabsorção do plas-ma extravasado que se manifesta por queda adicionaldo hematócrito após a suspensão da hidratação pa-renteral. Essa reabsorção poderá causar hipervolemia,edema pulmonar ou insuficiência cardíaca, caso se-jam administrados mais líquidos, requerendo vigilân-cia clínica redobrada.
  23. 23. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 22222222225.4.5.4.5.4.5.4.5.4. Outros distúrbios eletrolíticos e metabólicosOutros distúrbios eletrolíticos e metabólicosOutros distúrbios eletrolíticos e metabólicosOutros distúrbios eletrolíticos e metabólicosOutros distúrbios eletrolíticos e metabólicosque podem exigir correção específicaque podem exigir correção específicaque podem exigir correção específicaque podem exigir correção específicaque podem exigir correção específicaEm pacientes chocados que não respondem conforme o esperado, de-verão ser realizadas, periodicamente, gasometria arterial, dosagem de eletróli-tos, uréia, creatinina. Desta forma, será possível estimar a magnitude do déficitde eletrólitos e determinar a presença e o grau de acidose. Geralmente, repo-sição precoce do volume de líquido perdido corrige a acidose metabólica.Em pacientes chocados que não respondem a duas etapas de expan-são e atendidos em unidades que não dispõem de gasometria, a acidosemetabólica poderá ser minimizada com a infusão de 40ml de Bicarbonato deSódio 8,4% durante a terceira tentativa de expansão.5.5. Critérios de alta hospitalar5.5. Critérios de alta hospitalar5.5. Critérios de alta hospitalar5.5. Critérios de alta hospitalar5.5. Critérios de alta hospitalarOs pacientes precisam preencher todos os seis critérios abaixo:a) Ausência de febre durante 24 horas, sem uso de terapia antitérmica;b) Melhora visível do quadro clínico;c) Hematócrito normal e estável por 24 horas;d) Plaquetas em elevação e acima de 50.000/mm3;e) Estabilização hemodinâmica durante 24 horas;f) Derrames cavitários em reabsorção e sem repercussão clínica.6. Confirmação laboratorial6. Confirmação laboratorial6. Confirmação laboratorial6. Confirmação laboratorial6. Confirmação laboratorial6.1.6.1.6.1.6.1.6.1. Diagnóstico sorológicoDiagnóstico sorológicoDiagnóstico sorológicoDiagnóstico sorológicoDiagnóstico sorológicoa) Método de escolha para o diagnóstico da dengue;b) Detecta anticorpos antidengue;c) Coleta a partir do sexto dia do início dos sintomas;d) A técnica disponível nos laboratórios centrais do país é o ELISA;
  24. 24. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 2323232323e) Outras técnicas como Inibição de hemaglutinação, testeneutralização não são utilizadas na rotina.6.2.6.2.6.2.6.2.6.2. Diagnóstico por detecçãoDiagnóstico por detecçãoDiagnóstico por detecçãoDiagnóstico por detecçãoDiagnóstico por detecçãode vírus ou antígenos viraisde vírus ou antígenos viraisde vírus ou antígenos viraisde vírus ou antígenos viraisde vírus ou antígenos viraisa) Isolamento viral: seu uso deve ser orientado pela vigilância epide-miológica com o objetivo de monitorar os sorotipos circulantes;b) Coleta até o quinto dia de início dos sintomas;c) Detecção de antígenos virais pela imuno-histoquímica de tecidos;d) Diagnóstico molecular feito pelo RT-PCR.6.36.36.36.36.3 Diagnóstico laboratorialDiagnóstico laboratorialDiagnóstico laboratorialDiagnóstico laboratorialDiagnóstico laboratorialnos óbitos suspeitosnos óbitos suspeitosnos óbitos suspeitosnos óbitos suspeitosnos óbitos suspeitosa) Todo óbito deve ser investigado;b) Deve-se coletar sangue para isolamento viral e/ou sorologia e teci-dos para estudo anatomopatológico e isolamento viral;c) O procedimento deve ser feito tão logo seja constatado o óbito efragmentos de fígado, pulmão, baço, gânglios, timo e cérebro de-vem ser retirados;d) Para isolamento viral o material deve ser colado em recipienteestéril, enviado imediatamente para o laboratório, acondicionadoem nitrogênio líquido ou gelo seco. Caso não seja possível o envioimediato, acondicionar em geladeira (+4oC) por até seis horas;e) Para a histopalogia o material deve ser colocado em frasco comformalina tamponada, mantendo e transportando em temperaturaambiente.
  25. 25. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 24242424247. Classificação final do caso7. Classificação final do caso7. Classificação final do caso7. Classificação final do caso7. Classificação final do casoA padronização da classificação de casos permite a comparação dasituação epidemiológica entre diferentes regiões. A classificação é retrospec-tiva e para sua realização deve-se reunir todas as informações clínicas elaboratoriais do paciente, conforme descrito abaixo:7.1.7.1.7.1.7.1.7.1. Caso confirmado de dengue clássicaCaso confirmado de dengue clássicaCaso confirmado de dengue clássicaCaso confirmado de dengue clássicaCaso confirmado de dengue clássicaÉ o caso suspeito confirmado laboratorialmente. Em curso de umaepidemia,aconfirmaçãopodeserfeitapeloscritériosclínico-epidemiológicos,exceto nos primeiros casos da área, que deverão ter confirmação labora-torial.7.2.7.2.7.2.7.2.7.2. Caso confirmado deCaso confirmado deCaso confirmado deCaso confirmado deCaso confirmado defebre hemorrágica da denguefebre hemorrágica da denguefebre hemorrágica da denguefebre hemorrágica da denguefebre hemorrágica da dengueÉ o caso em que todos os critérios abaixo estão presentes:a) febre ou história de febre recente de sete dias ou menos;b) trombocitopenia (<=100.000/mm3ou menos);c) tendências hemorrágicas evidenciadas por um ou mais dos seguin-tes sinais: prova do laço positiva, petéquias, equimoses ou púrpu-ras, e sangramentos de mucosas, do trato gastrointestinal e outros;d) extravasamento de plasma devido ao aumento de permeabilidadecapilar, manifestado por: hematócrito apresentando um aumentode 20% sobre o basal na admissão ou queda do hematócrito em20%, após o tratamento; ou presença de derrame pleural, ascite ehipoproteinemia.A dengue hemorrágica pode ser classificada, de acordo com a suagravidade em:a) Grau I – Febre acompanhada de sintomas inespecíficos e sem ma-nifestações hemorrágicas espontâneas. A única manifestação
  26. 26. FUNASA - dezembro/2002 - pág. 2525252525hemorrágica é a prova do laço positiva ou sangramento no localde punção venosa (manifestações hemorrágicas provocadas);b) Grau II – Febre acompanhada de sintomas inespecíficos e commanifestações hemorrágicas espontâneas (petéquias, equimoses,sangramentos: gengival, tubo digestivo, mucosa conjuntival, vagi-nal e na urina);c) Grau III – Febre acompanhada de sintomas inespecíficos, commanifestações hemorrágicas espontâneas e colapso circulatório.Surgem, subitamente, sinais de insuficiência circulatória tais como:pulso rápido e fraco, diminuição da pressão em 20 mmHG oumenos, hipotensão, pele pegajosa, pele fria, inquietação. Se o pa-ciente não for tratado neste estágio inicial do choque, evoluirápara o choque profundo;d) Grau IV – Choque profundo com pressão arterial e pulso imper-ceptíveis.
  27. 27. OrganizadoresOrganizadoresOrganizadoresOrganizadoresOrganizadoresSuely Hiromi TuboiAna Cristina da Rocha SimplícioJoão Bosco Siqueira JúniorCristiane Penaforte do NascimentoColaboradoresColaboradoresColaboradoresColaboradoresColaboradoresBernardino Cláudio Albuquerque – Universidade Federal do AmazonasIvo Castelo Branco – Universidade Federal do CearáCarlos Alexandre Brito – Universidade Federal de PernambucoSônia Maris Oliveira Zagne – Universidade Federal FluminenseCecília Carmen de Araujo Nicolai – Secretaria Municipal de Saúde doRio de JaneiroDiagramação, Normalização Bibliográfica,Diagramação, Normalização Bibliográfica,Diagramação, Normalização Bibliográfica,Diagramação, Normalização Bibliográfica,Diagramação, Normalização Bibliográfica,RRRRRevisão Ortográfica e Capaevisão Ortográfica e Capaevisão Ortográfica e Capaevisão Ortográfica e Capaevisão Ortográfica e CapaAscom/PRE/FUNASAAgradecimentosAgradecimentosAgradecimentosAgradecimentosAgradecimentosAgradecemos a todos os médicos que participaram da revisão críticado material, presentes nos treinamentos realizados em Salvador e Vitória.
  28. 28. Diagnóstico e Conduta do Paciente com Suspeita de DengueA dengue é uma doença dinâmica, o que permite que o paciente possa evoluir de um estágio a outro, durante o curso da doença. TODO CASO SUSPEITO (COM HIPÓTESE DIAGNÓSTICA DE DENGUE) DEVE SER NOTIFICADO À VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA.TODO CASO SUSPEITO (COM HIPÓTESE DIAGNÓSTICA DE DENGUE) DEVE SER NOTIFICADO À VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA.TODO CASO SUSPEITO (COM HIPÓTESE DIAGNÓSTICA DE DENGUE) DEVE SER NOTIFICADO À VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA.TODO CASO SUSPEITO (COM HIPÓTESE DIAGNÓSTICA DE DENGUE) DEVE SER NOTIFICADO À VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA.TODO CASO SUSPEITO (COM HIPÓTESE DIAGNÓSTICA DE DENGUE) DEVE SER NOTIFICADO À VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA.Caso suspeito de dengue: Paciente com doença febril aguda, com duração máxima de até sete dias, acompanhada de pelo menos dois dos seguintes sintomas: cefaléia, dor retroorbitária, mialgia, artralgia, prostração ou exantema associados a história epidemiológica compatível.Normal ou não realizadoNormal ou não realizadoNormal ou não realizadoNormal ou não realizadoNormal ou não realizado AlteradoAlteradoAlteradoAlteradoAlteradoAlteradoAlteradoAlteradoAlteradoAlteradoNormalNormalNormalNormalNormalGrupo A*Grupo A*Grupo A*Grupo A*Grupo A* Grupo B*Grupo B*Grupo B*Grupo B*Grupo B*Melhora?Melhora?Melhora?Melhora?Melhora?SIMSIMSIMSIMSIM NÃONÃONÃONÃONÃOCondutaCondutaCondutaCondutaConduta• Leito de observação• Hidratação oral supervisionada ou parenteral: 80ml/kg/dia, sendo 1/3 do volume infundido nas primeiras 4 a 6horas e na forma de solução salina isotônica• Reavaliação clínica e de hematócrito após a etapa dehidrataçãoExpansor plasmáticoExpansor plasmáticoExpansor plasmáticoExpansor plasmáticoExpansor plasmático• Albumina: 3ml/kg/hora• Substitutos artificiaisHematócrito emHematócrito emHematócrito emHematócrito emHematócrito emascensão ouascensão ouascensão ouascensão ouascensão ouhipoalbuminemiahipoalbuminemiahipoalbuminemiahipoalbuminemiahipoalbuminemiaUnidade de cuidados intensivosUnidade de cuidados intensivosUnidade de cuidados intensivosUnidade de cuidados intensivosUnidade de cuidados intensivosDiuréticosDiuréticosDiuréticosDiuréticosDiuréticosAvaliar sangramentos eAvaliar sangramentos eAvaliar sangramentos eAvaliar sangramentos eAvaliar sangramentos ecoagulopatias de consumocoagulopatias de consumocoagulopatias de consumocoagulopatias de consumocoagulopatias de consumoMelhora clínica e laboratorial?Melhora clínica e laboratorial?Melhora clínica e laboratorial?Melhora clínica e laboratorial?Melhora clínica e laboratorial?TTTTTratamentoratamentoratamentoratamentoratamentoambulatorialambulatorialambulatorialambulatorialambulatorialRRRRRetorno em 24 horasetorno em 24 horasetorno em 24 horasetorno em 24 horasetorno em 24 horasRRRRReeeee-----estadiarestadiarestadiarestadiarestadiarMelhora?Melhora?Melhora?Melhora?Melhora?Em quedaEm quedaEm quedaEm quedaEm quedaHiperidratação?Hiperidratação?Hiperidratação?Hiperidratação?Hiperidratação?VVVVVerificar sinaiserificar sinaiserificar sinaiserificar sinaiserificar sinaisde ICCde ICCde ICCde ICCde ICCMelhora?Melhora?Melhora?Melhora?Melhora?Concentrado deConcentrado deConcentrado deConcentrado deConcentrado dehemácias e avaliaçãohemácias e avaliaçãohemácias e avaliaçãohemácias e avaliaçãohemácias e avaliaçãode especialistade especialistade especialistade especialistade especialistaCondutaCondutaCondutaCondutaConduta• Tratamento ambulatorial• Hidratação oral rigorosa (80ml/kg/dia), comoorientado para o grupo A• Analgésicos e antitérmicos• Orientar sobre sinais de alerta• Retorno para reavaliação clínico laboratorialem 24 horas e re-estadiamento.Grupo C e D*Grupo C e D*Grupo C e D*Grupo C e D*Grupo C e D*SintomatologiaSintomatologiaSintomatologiaSintomatologiaSintomatologia• Ausência de manifestações hemorrágicas espontâneas ou induzidas (prova do laço)• Ausência de sinais de alertaExames complementaresExames complementaresExames complementaresExames complementaresExames complementaresEspecífico:• Em período não epidêmico: para todos os casos• Em período epidêmico: por amostragem (conforme orientação da Vigilância)Inespecíficos(recomendado):• Hematócrito, hemoglobina, plaquetas e leucograma para pacientes em situações especiais1: gestante, idoso(>65 anos), hipertensão arterial, diabete melito, asma brônquica, doença hematológica ou renal crônicas,doença severa do sistema cardiovascular, doença ácido-péptica ou doença auto-imuneCondutaCondutaCondutaCondutaConduta• Tratamento ambulatorial• Hidratação oral: 60 a 80ml/kg/dia; um terço deste volume com SRO e o restante em líquidos caseiros (água,sucos naturais, chás, etc.)• Analgésicos e antitérmicos: dipirona, paracetamol. Reavaliar medicamentos de uso contínuo• Orientar sobre sinais de alerta2• NÃO UTILIZAR SALICILATOS• Não há subsídio científico que dê suporte clínico ao uso de antiinflamatórios não hormonais ou corticóides.Avaliar o risco de sangramentos• Pacientes em situações especiais devem ser reavaliados no primeiro dia sem febre. Para os outros pacientes,reavaliar sempre que possível no mesmo períodoHematócrito aumentado em até 10% acima do valorbasal ou, na ausência deste, as seguintes faixas devalores:crianças: >38% e <42%mulheres: >40% e <44%homens: >45% e <50%e/ouPlaquetopenia entre 50 e 100.000 céls/mm3e/ouLeucopenia < 1.000 céls/mm3Hematócrito aumentado em mais de 10% acima dovalor basal ou, na ausência deste, os seguintes valores:crianças: > 42%mulheres: > 44%homens: > 50%e/ouPlaquetopenia <50.000 céls/mm3Exames complementaresExames complementaresExames complementaresExames complementaresExames complementaresEspecífico: ObrigatórioInespecíficos: Hematócrito, hemoglobina, plaquetas, leucograma e outros, conforme necessidade (gasometria,eletrólitos, transaminases, albumina, Rx de tórax, ultra-sonografia)SIMSIMSIMSIMSIM NÃONÃONÃONÃONÃOSIMSIMSIMSIMSIM NÃONÃONÃONÃONÃOSIMSIMSIMSIMSIM NÃONÃONÃONÃONÃOSIMSIMSIMSIMSIM NÃONÃONÃONÃONÃOSIMSIMSIMSIMSIM NÃONÃONÃONÃONÃOAvaliar hemoconcentraçãoAvaliar hemoconcentraçãoAvaliar hemoconcentraçãoAvaliar hemoconcentraçãoAvaliar hemoconcentraçãoMelhora?Melhora?Melhora?Melhora?Melhora?SintomatologiaSintomatologiaSintomatologiaSintomatologiaSintomatologia• Presença de algum sinal de alerta e/ou• Choque• Manifestações hemorrágicas ausentes ou presentesOBS: iniciar a hidratação imediatamente independente do local de atendimentoSIMSIMSIMSIMSIM NÃONÃONÃONÃONÃOSIMSIMSIMSIMSIM NÃONÃONÃONÃONÃOCom hipotensão ou choque (grupo D)Com hipotensão ou choque (grupo D)Com hipotensão ou choque (grupo D)Com hipotensão ou choque (grupo D)Com hipotensão ou choque (grupo D)Sem hipotensão (grupo C)Sem hipotensão (grupo C)Sem hipotensão (grupo C)Sem hipotensão (grupo C)Sem hipotensão (grupo C)CondutaCondutaCondutaCondutaConduta• Leito de observação ou hospitalar• Hidratação EV imediata: 25ml/kg em 4 horas,sendo 1/3 deste volume na forma de solução salinaisotônica• Reavaliação clínica e de hematócrito após 4 horase de plaquetas após 12 horas.• SintomáticosMelhora clínicaMelhora clínicaMelhora clínicaMelhora clínicaMelhora clínicae laboratorial?e laboratorial?e laboratorial?e laboratorial?e laboratorial?Etapa de manutenção, comEtapa de manutenção, comEtapa de manutenção, comEtapa de manutenção, comEtapa de manutenção, com25ml/kg em 8 e 12 horas25ml/kg em 8 e 12 horas25ml/kg em 8 e 12 horas25ml/kg em 8 e 12 horas25ml/kg em 8 e 12 horasRRRRRepetir condutaepetir condutaepetir condutaepetir condutaepetir conduta(até 3 vezes)(até 3 vezes)(até 3 vezes)(até 3 vezes)(até 3 vezes)CondutaCondutaCondutaCondutaConduta• Hidratação EV imediata (fase de expansão): 20ml/kg/hora com solução salina isotônica sob supervisãomédica (até 3 vezes)• Leito de observação ou hospitalar• Reavaliação clínica (cada 15-30 minutos) ehematócrito após 2 horas• SintomáticosSintomatologiaSintomatologiaSintomatologiaSintomatologiaSintomatologia• Manifestações hemorrágicas induzidas (prova do laço) ou espontâneas sem repercussãohemodinâmica• Ausência de sinais de alertaObservações:◗ Em vigência de hemorragia visceral importante, sobretudo no Sistema Nervoso Central, associada à plaquetopenia <50.000/mm³, avaliar a indicação detransfusão de plaquetas.◗ Pacientes com plaquetopenia <20.000/mm³ sem repercussão clínica devem ser internados e reavaliados clínica e laboratorialmente a cada 12 horas.◗ As manifestações não usuais (encefalite, hepatite, miocardite, entre outras) podem ocorrer em qualquer estágio da doença, e terão abordagens específicas.* Anteriormente classificado como leve (Grupo A), Moderado (Grupo B) e Grave (Grupos C e D).1. Estes pacientes podem apresentar evolução desfavorável e devem ter acompanhamento clínico diferenciado.2. Os sinais de alerta e agravamento do quadro costumam ocorrer na fase de remissão da febre.>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

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