ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO

              TUBERCULOSE




                   1ª Edição

SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MINAS GERAIS

              Belo Horizonte, 2006
GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Governador
Aécio Neves da Cunha
SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MINAS GERAIS
Secretário
Marcelo Gouvêa Teixeira
SUPERINTENDÊNCIA DE ATENÇÃO À SAÚDE
Superintendente
Benedito Scaranci Fernandes
GERÊNCIA DE ATENÇÃO BÁSICA
Gerente
Maria Rizoneide Negreiros de Araújo
GERÊNCIA DE NORMALIZAÇÃO DE ATENÇÃO À SAÚDE
Gerente
Marco Antônio Bragança de Matos
COORDENADORIA DO PROGRAMA DE PNEUMOLOGIA SANITÁRIA
Coordenador
Edílson Corrêa de Moura

Aporte financeiro
Este material foi produzido com recursos do Projeto de Expansão e Consolidação da Saúde da
Família - PROESF

Projeto gráfico e editoração eletrônica
Casa de Editoração e Arte Ltda.

Ilustração
Mirella Spinelli

Produção, distribuição e informações Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais
Rua Sapucaí, 429 – Floresta – Belo Horizonrte – MG – CEP 30150 050
Telefone (31) 3273.5100 –
E-mail: secr.ses@saude.mg.gov.br
Site: www.saude.mg.gov.br
1ª Edição. 2006Aut


                   MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção à
      WF
                        Saúde     do     Adulto:   Tuberculose.Belo   Horizonte,   2006.
      250
                        144 p.
       MI
                   1. Saúde do adulto - Tuberculose. 2. Tuberculose - Atenção à Saúde
      AT
                   do Adulto.I.Titulo.
AUTORES




  Ailton Cezário Alves Júnior

  Cláudia Hermínia Lima e Silva

  Edílson Corrêa de Moura
APRESENTAÇÃO

       A situação da saúde, hoje, no Brasil e em Minas Gerais, é determinada por dois
fatores importantes. A cada ano acrescentam-se 200 mil pessoas maiores de 60 anos à
população brasileira, gerando uma demanda importante para o sistema de saúde (MS,
2005). Somando-se a isso, o cenário epidemiológico brasileiro mostra uma transição:
as doenças infecciosas que respondiam por 46% das mortes em 1930, em 2003 foram
responsáveis por apenas 5% da mortalidade, dando lugar às doenças cardiovasculares,
aos cânceres e aos acidentes e à violência. À frente do grupo das dez principais causas da
carga de doença no Brasil já estavam, em 1998, o diabete, a doença isquêmica do coração,
a doença cérebro-vascular e o transtorno depressivo recorrente. Segundo a Organização
Mundial de Saúde, até o ano de 2020, as condições crônicas serão responsáveis por 60%
da carga global de doença nos países em desenvolvimento (OMS, 2002).
       Este cenário preocupante impõe a necessidade de medidas inovadoras, que mudem
a lógica atual de uma rede de serviços voltada ao atendimento do agudo para uma rede de
atenção às condições crônicas.
       Para responder a essa situação, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais
estabeleceu como estratégia principal a implantação de redes de atenção à saúde em cada
uma das 75 microrregiões do estado que permitam prestar uma assistência contínua à
população. E a pré-condição para a eficácia e a eqüidade dessa rede é que o seu centro de
coordenação seja a atenção primária.
       O programa Saúde em Casa, em ato desde 2003, tendo como objetivo a melhoria da
atenção primária, está construindo os alicerces para a rede de atenção à saúde: recuperação
e ampliação das unidades básicas de saúde, distribuição de equipamentos, monitoramento
através da certificação das equipes e avaliação da qualidade da assistência, da educação
permanente para os profissionais e repasse de recursos mensais para cada equipe de saúde
da família, além da ampliação da lista básica de medicamentos, dentro do programa
Farmácia de Minas.
       Como base para o desenvolvimento dessa estratégia, foram publicadas anteriormente
as linhas-guias Atenção ao Pré-natal, Parto e Puerpério, Atenção à Saúde da Criança e
Atenção Hospitalar ao Neonato, e, agora, apresentamos as linhas-guias Atenção à Saúde do
Adolescente, Atenção à Saúde do Adulto (Hipertensão e Diabete, Tuberculose, Hanseníase
e Hiv/aids), Atenção à Saúde do Idoso, Atenção em Saúde Mental e Atenção em Saúde
Bucal e os manuais da Atenção Primária à Saúde e Prontuário da Família. Esse conjunto
de diretrizes indicará a direção para a reorganização dos serviços e da construção da rede
integrada.
       Esperamos, assim, dar mais um passo na consolidação do SUS em Minas Gerais,
melhorando as condições de saúde e de vida da nossa população.

                                                         Dr. Marcelo Gouvêa Teixeira
                                    Secretário de Saúde do Estado de Minas Gerais
AGRADECIMENTOS




               Agradecemos a todos os profissionais
         da Secretaria de Estado de Saúde de Minas
         Gerais que se empenharam na elaboração
         desta linha-guia e de maneira especial ao Dr.
         Edílson Corrêa de Moura pela sua dedicação
         ao combate à tuberculose no Estado de Minas
         Gerais.
               Agradecemos ao Ministério da Saúde/
         Fundação Nacional de Saúde, à Sociedade
         Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e
         ao Centro de Referência Professor Hélio
         Fraga, através de sua equipe brilhantemente
         coordenada pelo Dr. Miguel Aiub Hijjar,
         cujas publicações têm norteado o controle da
         tuberculose no Brasil, sendo a base bibliográfica
         para a redação desta linha-guia.
COMENTÁRIOS DE VALIDAÇÃO

      Graças aos esforços da Coordenação Estadual de Pneumologia Sanitária, o estado
de Minas Gerais conta com um Plano de Ação do Programa de Controle de Tuberculose,
desde 2005, que prevê atividades de aumento da cobertura do tratamento supervisionado
e humanizado e melhoria da rede pública de laboratórios para baciloscopia e cultura.
Destaca-se também a maior integração da Secretaria Estadual de Saúde com os municípios
e importantes ações educativas e de promoção da saúde.
      Temos a certeza que a implantação deste Plano muito contribuirá para levar o flagelo
da tuberculosa aos níveis aceitáveis diante dos recursos tecnológicos disponíveis, há anos,
e que nem sempre vêm sendo disponibilizados de forma eficiente para a população.
      No âmbito federal a tuberculose foi definida como um problema prioritário de saúde
cabendo às Secretarias Estaduais e Municipais a coordenação e execução das atividades
de controle que integram os diferentes componentes do Programa.
      A construção do importante instrumento LINHA-GUIA PARA O CONTROLE DA
TUBERCULOSE NA ATENÇÃO BÁSICA, graças aos esforços da competente equipe
técnica do estado vem levar uma proposta de organização a todos municípios mineiros,
com clara definição das atribuições das equipes de saúde e responsabilidades gerenciais
definidas para cada nível da estrutura. Aqui, segundo as diferentes realidades locais,
são detalhados exaustivamente normas e procedimentos para as atividades de controle;
definição da logística, papel e atribuições de cada categoria profissional tanto para
assistência propriamente dita, quanto para as atividades de Vigilância Epidemiologia. As
atividades de avaliação representam uma busca contínua de maior qualidade.
      Enfim, este instrumento, linha e guia, vem auxiliar de forma consistente e clara o
exercício diário dos profissionais que lutam para melhorar a saúde de nosso povo e que
sempre respondem a investimentos desta natureza.
       Saudamos esta     importante iniciativa no combate a tuberculose no Brasil que
contribuirá para maior qualificação e expansão de cobertura do controle e o alcance de
nossos principais objetivos que são o de reduzir, de modo significativo, a incidência
e mortalidade causadas pela tuberculose e como consequência diminuindo o sofrimento
humano e melhorando a qualidade de vida.

                                                                  Miguel Aiub Hijjar
                                 Diretor do Centro de Referência Prof. Hélio Fraga
                                               Secretaria de Vigilância em Saúde
                                                             Ministério da Saúde
SUMÁRIO

   Introdução .................................................................... 13
   Uma visão humanizada sobre o paciente com tuberculose ... 14
   I.    As diretrizes para o atendimento .............................. 17

         1.1   O acolhimento do usuário ................................. 19

         1.2   Sinais de risco ................................................... 20

         1.3   Sinais de alerta ................................................. 20

         1.4   A população de risco ........................................ 23
   II.   As ações de promoção à saúde e prevenção
         da doença ...................................................................27

         2.1 Ações de promoção à saúde ............................... 29

         2.2 Ações de prevenção da doença .......................... 29
   III. Abordagem clínica ................................................... 41

         3.1   A tuberculose .................................................... 43

         3.2   O atendimento na unidade básica de saúde ...... 84

         3.3   Especialidade: qual e quando será necessária.... 91

         3.4   Patologias associadas a serem consideradas ...... 91

         3.5   Apoio diagnóstico: qual exame e quando fazer .. 95
   IV A organização da assistência .................................... 97
     .

         4.1   As competências das unidades de saúde ........... 99

         4.2   A definição dos profissionais envolvidos .......... 102

         4.3   As atribuições dos profissionais ....................... 102

         4.4   O tratamento supervisionado .......................... 107
   V.    A vigilância epidemiológica e o
         sistema de informação............................................ 111

         5.1   Os sistemas de informação do
               Ministério da Saúde ........................................ 113

         5.2   A vigilância epidemiológica da tuberculose .......... 119

         5.3 Sites interessantes ........................................... 120

         5.4. Indicadores, parâmetros e fontes para
               monitoramento ............................................... 121
   Anexos ...................................................................... 127
   Referências Bibliográficas............................................ 142
INTRODUÇÃO




INTRODUÇÃO

       O que mais falar sobre uma doença que através dos milênios vem fazendo adoecer
e sucumbir milhões de pessoas? O que dizer sobre uma enfermidade que apesar de ter
sua etiopatogenia reconhecida, tratamento e cura disponível foi atualmente considerada
uma emergência mundial pela Organização Mundial de Saúde (OMS) levando ao óbito
anualmente quase 3 milhões de pessoas no planeta?
       A tuberculose é a doença infecto-contagiosa que mais mata jovens e adultos no
mundo. Com o advento do HIV e da multidrogarresistência, essa morbidade colore
novamente um cenário preocupante.
       No nosso país, a tuberculose ainda mata aproximadamente 6 mil brasileiros por ano e
adoece cerca de 100 mil pessoas. É sabido que contribuem para a grave situação o aumento
da pobreza, a má distribuição de renda e a urbanização acelerada. Tais fatores encontram-
se particularmente presentes em determinadas regiões de nosso país, especialmente na
sudeste, resultando em coeficientes de incidência da doença superiores aos nacionais.
       Minas Gerais, com 18 milhões de habitantes e 84% da população urbanizada,
apresentava em 2002 a maior taxa de analfabetismo, o menor PIB per capita e a maior
proporção de pobres da região sudeste. Contabilizaram-se, portanto, no Estado, 6.323
casos novos notificados da doença, no ano de 2004, concentrados em sua grande maioria
nas cidades com maior aglomeração urbana de Minas Gerais.
        A tuberculose tem deixado seu registro nas gerações e hoje se constitui,
inexoravelmente, um excelente marcador epidemiológico da qualidade de vida dos povos.
Mais que isso, essa enfermidade marca a necessidade de uma grande reflexão para uma
articulação melhor e mais harmônica entre a prática clínica e a prática sanitária a fim de
que possamos não somente ousar em dizer que curamos a doença, mas, que possibilitamos
a reinclusão social dos nossos pacientes que, em sua maioria, estão vivendo em um estado
de orfandade cidadã, sendo, em última análise, esse o principal fator desencadeante da
doença no indivíduo.
       Pela magnitude de nosso Estado, melhorar os indicadores epidemiológicos da doença
em Minas Gerais significa melhorar os indicadores nacionais, de modo a atingirmos os
preconizados 85% de cura e 5% de abandono.
       Para isso acontecer é necessário um Programa de Controle da Tuberculose que
permita a melhoria do acesso ao serviço e da informação à população, em geral, aliada à
rapidez do diagnóstico, garantia de medicamentos, sistema de informação eficiente e uma
abordagem personalizada e humanizada do indivíduo.



                      Coordenadoria Estadual da Pneumologia Sanitária/SES/MG




                                           13
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




UMA VISÃO HUMANIZADA SOBRE O
PACIENTE COM TUBERCULOSE



     “O ser humano não sobrevive à indiferença. Todos nós necessitamos de ser
reconhecidos, que as pessoas nos identifiquem e nos valorizem”.
                                                                      LERCH




     A OMS declarou ser a tuberculose uma emergência mundial por estar fora de controle
em muitas partes do mundo.
     A desestruturação familiar, as carências pessoais, as drogadições (particularmente
o alcoolismo), a falta de assistência social e a miséria concorrem para a baixa adesão ao
tratamento.
     Frente ao agravamento da situação pela epidemia da Aids e ao aumento da tuberculose
multidrogarresistente, o Brasil desenvolveu um Plano Emergencial que descentralizou
recursos, dirigindo-os para os municípios com maior incidência.
     Os profissionais de saúde passam a ter um papel diferenciado na assistência ao
paciente, ajudando-o a concluir o tratamento com êxito.
     Em respeito a essa “emergência”, a OMS tem adotado para o controle eficaz da
tuberculose a estratégia DOTS (Tratamento de curta duração diretamente supervisionado)
que tem por princípios:

      Disponibilidade de uma rede descentralizada de diagnóstico e de tratamento.


      Boa gestão de programas baseados na gestão responsável e supervisão de
        trabalhadores da atenção à saúde.


      Um sistema de busca de casos novos e recaídas;


      Garantia da baciloscopia para detecção de casos;


      Observação direta do paciente durante todo o tratamento;


      Sistema de notificação e de acompanhamento de casos que permita verificar o
        resultado do tratamento e do programa de controle da tuberculose.


                                            14
INTRODUÇÃO




      A educação em saúde é também estratégia fundamental, pois alia a aquisição de
informações e aptidões básicas com o senso de identidade, autonomia, solidariedade e
responsabilidade do indivíduo com a sua própria saúde e a da comunidade. Combina
conhecimento, aptidões e atitudes.
      A maneira de tratar o usuário assegura o sucesso do tratamento.
      Como fatores para o sucesso de qualquer tratamento, podemos apontar a adesão
ao tratamento, regularidade do uso da medicação, a completude do regime prescrito
e o comparecimento às consultas com regularidade. O bom desempenho da equipe
multidisciplinar de saúde é estratégico para a adesão do paciente ao tratamento, a fim de
identificar fatores que poderiam incorrer em risco de abandono, quer por razões ligadas ao
próprio paciente ou às condições ambientais ou sociais em que esse vive.
      A identificação de uma ou mais dessas condições, e outras eventualmente detectadas
em cada realidade, exige uma modalidade de tratamento diferenciado que assegura a
adesão e a completude do tratamento. Apontamos a alteridade e o acolhimento como
fatores essenciais numa abordagem humanizada, pois o “ser humano” é um ser que existe,
pensa, envolve-se, emociona-se e que necessita de interagir, receber atenção, orientação e
respeito.




                                                              Coordenadoria Estadual
                                                  de Pneumologia Sanitária/SES/MG




                                           15
I – AS DIRETRIZES PARA O
    ATENDIMENTO
AS DIRETRIZES PARA O ATENDIMENTO




1.1 O ACOLHIMENTO DO USUÁRIO
       “O Acolhimento vem se constituindo numa das ferramentas utilizadas para iniciar
mudanças no processo de trabalho em saúde com vistas a garantir o acesso a serviços
de saúde humanizados, resolutivos, de qualidade, e com responsabilização coletiva dos
trabalhadores com as necessidades de saúde dos usuários”. (Mishima, 1995).
        A assistência ao usuário sintomático respiratório suspeito de portar o bacilo
da tuberculose ou sabidamente enfermo se baseia na promoção da saúde, prevenção,
diagnóstico precoce e recuperação da doença. O adequado acompanhamento desse
indivíduo é fundamental para o êxito esperado, que é o controle da tuberculose.
      Assim sendo, o usuário deve idealmente encontrar ou mesmo ser um colaborador
na construção de uma assistência organizada que garanta, com uma avaliação de risco
adequada, um ágil acesso ao serviço de saúde.
      A captação precoce de casos compreende tanto os métodos de diagnóstico como as
ações organizadas para operacionalizá-los, envolvendo os serviços e a comunidade. Essas
ações estão voltadas para os grupos com maior probabilidade de apresentar tuberculose,
quais sejam: sintomáticos respiratórios (pessoas com tosse e expectoração por três semanas
ou mais); contatos de casos de tuberculose; suspeitos radiológicos; pessoas com doenças e/
ou em condição social que predisponham à tuberculose. Os contatos, definidos como toda
pessoa, parente ou não, que coabita com um doente de tuberculose, constituem-se em um
grupo para o qual se recomenda uma atitude de busca ativa, para a captação precoce.
      Os locais ideais para se organizar a procura de casos são os serviços de saúde,
públicos ou privados. Nessas instituições – Unidades Programas da Saúde de Famíla
(PSF), centros de saúde, ambulatórios e hospitais – realizar busca ativa de sintomáticos
respiratórios deve ser uma atitude permanente e incorporada à rotina de atividades de todos
os membros das equipes de saúde. Nas áreas onde as ações já estão organizadas, a visita
domiciliar periódica do agente de saúde deve incluir a detecção de casos entre sintomáticos
respiratórios e contatos, principalmente de casos bacilíferos e crianças. Quando necessário,
deve-se referenciá-los ao serviço de saúde.
      Atenção especial deve ser dada a populações de maior risco de adoecimento,
representadas sobretudo por residentes em comunidades fechadas, como presídios,
manicômios, abrigos e asilos. Nessas comunidades, justifica-se a busca ativa periódica de
casos. Indivíduos das categorias alcoólicos, usuários de drogas, mendigos, trabalhadores
de saúde e outros em situações especiais em que haja contato próximo com paciente
portador de tuberculose pulmonar bacilífera são também prioritários para essa ação.
Também incluem-se nessa categoria os imunodeprimidos por uso de medicamentos ou por
doenças imunossupressoras.
      A responsabilidade coletiva dos trabalhadores com as necessidades de saúde dos
usuários passa também por um atendimento embasado em procedimentos técnicos
programados que visam proteger os pacientes e a própria equipe profissional.
      No acolhimento, os pacientes devem ser informados sobre a transmissão do
M. tuberculosis e orientados a cobrir a boca e o nariz quando tossir ou espirrar, utilizando-se

                                              19
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




preferencialmente de um lenço, para reduzir a geração de partículas infectantes no ambiente.
Caso o paciente não tenha meios para isso, deverão ser providenciados lenços de papel
ou máscaras cirúrgicas (comuns) para fornecer aos pacientes suspeitos ou confirmados de
tuberculose. Cartazes enfatizando essas medidas devem ser colocados nas salas de espera
ou locais de fácil visibilidade. Aborde o paciente com respeito e profissionalismo sempre.


1.2 SINAIS DE RISCO
       Os profissionais de saúde devem ser treinados para identificar as evidências de
sinais e sintomas clínicos de risco para a tuberculose (TB) e analisar seus comportamentos
evolutivos. A partir das evidências, organiza-se a investigação para chegar a conclusões
válidas. As principais evidências a serem consideradas estão listadas no quadro 1.

        Quadro 1 – Evidências importantes a considerar no diagnóstico da tuberculose
1. A tuberculose se manifesta por uma síndrome infecciosa de curso crônico, com febre baixa, geralmente
   vespertina.

2. É uma doença que consome, debilitando e emagrecendo as pessoas.

3. Sudorese noturna, adinamia e hiporexia podem ser encontradas.

4. A mais freqüente localização é pulmonar e a tosse com expectoração por mais de 3 semanas é um
   sintoma importante, que pode evoluir para escarros sangüíneos e hemoptise.

5. Nas formas extrapulmonares, o quadro clínico varia conforme a localização e a gravidade do caso.

6. A forma extrapulmonar mais prevalente, a pleural, pode se apresentar com quadro agudo de dor
   torácica e febre, que freqüentemente é confundido com quadro pneumônico.

7. As formas primárias atingem as crianças, sendo uma doença muito comum na faixa de 15 aos 50
   anos.

8. Contatos com pessoas recém-tratadas para tuberculose ou que tiveram a doença nos últimos dois anos
   são significativos.

9. Idosos, diabéticos e pessoas infectadas pelo vírus HIV têm maior probabilidade de adoecer por
   tuberculose. (Afirmação válida para regiões com alta prevalência de tuberculose).


1.3 SINAIS DE ALERTA
      O Conselho Federal de Medicina, através da resolução 1451/95 definiu como
URGÊNCIA a “ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de
vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata” e como EMERGÊNCIA a
“constatação médica de agravo à saúde que implique risco iminente de vida , ou sofrimento
intenso, exigindo, portanto, o tratamento médico imediato”.
     Conforme classificação de risco estabelecida pela Secretaria Estadual de Saúde de
Minas Gerais, os sinais de alerta podem ser distribuídos quanto à conduta de urgência x
emergência de acordo com o designado no Quadro 2 a seguir:



                                                   20
AS DIRETRIZES PARA O ATENDIMENTO




                     Quadro 2: Classificação de risco para os sinais de alerta
 Nível 1 – Emergência: será identificada pela cor VERMELHA.
 Nível 2 – Urgência: será identificada pela cor AMARELA.
 Nível 3 – Encaminhamentos rápidos: será identificada pela cor VERDE.
 Nível 4 – Não Urgência: será identificada pela cor AZUL.


      A tuberculose pulmonar é a forma clínica mais comum. As formas extrapulmonares
mais freqüentes são pleural, ganglionares e meníngea. Essas duas últimas formas tiveram
aumento gradual de incidência provavelmente devido à coinfecção por HIV. Em relação à
tuberculose, a classificação de risco para os sinais de alerta, isoladamente, está explicitada
a seguir:
                                                                 SINAL             CONJUNTO
                  SINAIS DE ALERTA                             AVALIADO            DE SINAIS
                                                             ISOLADAMENTE COMPATÍVEL COM
 Escarros sanguíneos, hemoptises e sinais de dificuldade
  respiratória, tais como dispnéia e utilização de
                                                                NÍVEL 2
  musculatura acessória (por atelectasia, hiperinsuflação
                                                               (Amarelo)
  obstrutiva, síndrome do lobo médio e broncopneumonia                        Tuberculose pulmonar
  tuberculosa)
 Choque hipovolêmico e parada cardio-respiratória (por         NÍVEL 1
  hemoptise maciça)                                            (Vermelho)
 Dor torácica tipo pleurítica, febre e tosse seca de
                                                                NÍVEL 2
  instalação súbita ou insidiosa, com cansaço de
                                                               (Amarelo)
  intensidade variável pelo derrame pleural                                    Tuberculose pleural
                                                                NÍVEL 3
 Dor torácica tipo pleurítica isolada
                                                                (Verde)
 Sinais e sintomas de toxemia ocasional (calafrios,
  sudorese, etc), taquipnéia, descoramento e febre de
                                                                NÍVEL 2
  intensidade variável, com diminuição da expansibilidade
                                                               (Amarelo)
  pulmonar sem ruídos adventícios no comprometimento                             Tuberculose miliar
  pulmonar
 Hepatomegalia freqüente (35%) e linfadenomegalia
                                                             NÍVEL 4 (Azul)
  periférica (em até 30% dos pacientes)
 Febre persistente com irritabilidade, cefaléia,
  comprometimento e paralisia de pares cranianos
   (principalmente 4º, 2º, 3º, 6º, e 8º pares), alterações
                                                                NÍVEL 1
   sensoriais, déficits focais e/ou movimentos anormais
                                                               (Vermelho)
   (convulsão) evoluindo com sinais clínicos de
                                                                                 Tuberculose
   hipertensão craniana, como edema de papila na retina,
                                                                               meningoencefálica
   vômitos, letargia, estupor e rigidez de nuca
 Tubérculos coróides na retina (sinal muito sugestivo
  de tuberculose e presente em até 80% dos casos de             NÍVEL 1
  meningoencefalite por essa etiologia)                        (Vermelho)



                                                        21
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




 Irritabilidade, cefaléia, comprometimento e paralisia de
  pares cranianos, alterações sensoriais, déficits focais e/    NÍVEL 1
  ou movimentos anormais (convulsão) devido a infartos         (Vermelho)
  por dano vascular com trombose                                               Tuberculoma
 Sinais clínicos de hipertensão craniana, como edema de                       intracraniano
  papila na retina, vômitos, letargia, estupor e rigidez de     NÍVEL 1
  nuca pela obstrução à livre circulação do líquor, muitas     (Vermelho)
  vezes com hidrocefalia
 Dor e aumento do volume articular no segmento ósseo
  atingido, com posição antálgica nas lesões cervicais e        NÍVEL 3         Tuberculose
  torácicas, paraplegias e gibosidade quando na forma            (Verde)       osteoarticular
  mais encontrada, situada na coluna vertebral
 Dor lombar (na hidronefrose), urgência urinária e             NÍVEL 2
                                                                             Tuberculose renal
  hematúria, observada nas fases mais avançadas                (Amarelo)
 Debilidade física por emagrecimento                           NÍVEL 3
                                                                (Verde)
 Sinais de desnutrição severa                                  NÍVEL 2
                                                                            Tuberculose em geral
                                                               (Amarelo)
 Outros, de acordo com o local e o grau de                     NÍVEL 2
  acometimento da tuberculose.                                 (Amarelo)
 Sinais e sintomas de toxicidade hepática (vômitos,
  alteração das provas de função hepática, hepatite),
  hematológica (trombocitopenia, leucopenia, eosinofilia,
                                                                NÍVEL 2
  anemia hemolítica, agranulocitose e vasculite graves)                       Efeitos adversos
                                                               (Amarelo)
  ou renal (nefrite intersticial, rabdomiólise com                              maiores das
  mioglobinúria e insuficiência renal) por efeitos adversos                     medicações
  maiores das medicações                                                      tuberculostáticas
 Sinais e sintomas de toxicidade neurológica (psicose,
                                                                NÍVEL 1
  crise convulsiva, encefalopatia tóxica e coma) por
                                                               (Vermelho)
  efeitos adversos maiores das medicações



1.3.1 Indicações de internação do paciente com tuberculose
     com sinais de alerta

      A. Presença ao exame clínico de:
       sinais de dificuldade respiratória importantes: tiragens intercostais, batimentos de
        aletas nasais e balanço tóraco-abdominal nas crianças;

       cianose, hipoxemia;

       irregularidade respiratória, apnéia;

       dificuldade para se alimentar com vômitos e desidratação;

       alteração do sensório (confusão mental, irritabilidade);


                                                     22
AS DIRETRIZES PARA O ATENDIMENTO




       instabilidade hemodinâmica (pulsos finos, perfusão capilar lenta, hipotensão),
        taquicardia importante;
       sinais radiológicos de maior gravidade: pneumonia extensa associada,
        pneumatoceles, pneumotórax, derrame pleural extenso;
       sinais e sintomas de meningoencefalite tuberculosa, tuberculoma intra-craniano e
        tuberculose miliar;
       sinais e sintomas de toxicidade hepática, neurológica, hematológica ou renal por
        efeitos adversos graves das medicações.

      B. Outras condições associadas como a desnutrição grave e Aids.

      C. Situação social seriamente comprometida.

      D. Falha do tratamento ambulatorial de urgência.

      E. Indicações cirúrgicas.
                         (Fonte: Adaptado de VIANA, Maria Regina Et al. Atenção à saúde
                              da criança.Belo Horizonte: SAS/DNAS, 2004. p. 112 e 143).

      Na presença de sinais e sintomas de alerta (toxicidade) por efeitos adversos maiores
das medicações tuberculostáticas deve-se orientar o paciente, suspender o tratamento até
a resolução clínica e laboratorial e referenciar o paciente à atenção secundária ou terciária,
após a avaliação adequada.(Controle da tuberculose: uma proposta de integração ensino-
serviço. 5 ed. Rio de Janeiro: FUNASA/CRPHF/SBPT, 2002. p. 32.)
      Em praticamente todos os outros sinais e sintomas de alerta o paciente deve receber
terapia sintomática, com suporte especializado quando necessário e disponível, e iniciar,
o mais precocemente possível o tratamento específico com os tuberculostáticos caso ainda
não o tenha realizado, na unidade básica de saúde.


1.4 A POPULAÇÃO DE RISCO
      Por ser a tuberculose uma doença infecciosa e contagiosa que se propaga pelo ar por
meio de gotículas, contendo os bacilos de Koch expelidos por um doente ao tossir, espirrar
ou falar em voz alta, e que, ao serem inalados por pessoas sadias provocam a infecção
tuberculosa e o risco de desenvolver a doença, a população de risco deve ser identificada
e a procura de casos obrigatória.


1.4.1 Os fatores de risco
      Entre outras características, destacamos as seguintes que o profissional necessariamente
tem de computar no seu raciocínio: idade, estado imunológico e nutricional e doenças
intercorrentes. A tuberculose é uma doença que atinge principalmente as pessoas na idade

                                             23
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




produtiva entre 15 e 59 anos (70%), tendo características distintas segundo as faixas de
idade. Entre 15 e 29 anos, ela reflete a tuberculose primária de pessoas recém-infectadas e,
portanto, quando ela tem elevados índices, há uma grande possibilidade de haver muitas
fontes de infecção na região. Os estados imunológico e nutricional (desnutrição em criança)
guardam íntima relação e toda avaliação, mesmo que não aprofundada do ponto de vista
laboratorial, deve ser feita pelo médico como elemento de raciocínio. Várias doenças,
principalmente por interferência nas defesas imunológicas, podem afetar a evolução da
tuberculose como o caso do sarampo e mais recentemente, como veremos a seguir a
epidemia de Aids. O alcoolismo crônico em razão do seu cortejo, envolvendo queda da
imunidade, desnutrição, fragilidade social, exposições a situações de risco, entre outros é um
importante problema associado à tuberculose, tanto por aumentar sua incidência quanto
por retardar a sua recuperação, devendo inclusive analisar os aspectos comportamentais
associados a tratamentos prolongados, como é o caso. O uso de drogas imunossupressoras
se constitui um elevado risco em pessoas já infectadas, que passam a estar mais sujeitas ao
adoecimento.
      Acrescenta-se, entre os fatores de risco para a população, os seguintes:
       Desigualdade social (e suas implicações);
       Grandes movimentos migratórios;
       Envelhecimento da população;
       Confinamentos populacionais.
      Os homens apresentaram uma incidência de TB maior que a das mulheres, em uma
razão de 1.8/1, de acordo com dados do SINAN/2000. Isso significa que aproximadamente
65% dos casos eram homens e 35% mulheres (dados Brasil – Ministério da Saúde, 2002).
      As faixas etárias com maiores incidências, por 100.000 habitantes, no ano de 2000
foram:
       40 – 49 anos (91.7);
       50- 59 anos (85.4);
       30- 39 anos (85.1).


TUBERCULOSE E AIDS
      A associação da Tuberculose/Aids representa um novo desafio em escala mundial.
O aparecimento do vírus da imunodeficiência humana (HIV) modifica a epidemiologia da
tuberculose e dificulta seu controle. A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula cerca
de 5 a 10 milhões de indivíduos infectados atualmente no mundo pelo HIV. Destes, de 2 a
8 % vão desenvolver a síndrome completa (Aids), estimando-se a ocorrência de 500.000 a
3.000.000 de casos novos de Aids nos próximos 5 anos.
      A infecção por HIV é o maior fator de risco para se adoecer por tuberculose em
indivíduos previamente infectados pelo bacilo. Por outro lado, é uma das primeiras
complicações entre os infectados pelo HIV, surgindo antes de outras infecções freqüentes,

                                             24
AS DIRETRIZES PARA O ATENDIMENTO




devido à maior virulência do bacilo da tuberculose, independente do comprometimento
significativo do sistema imunológico.
       Os números dessa associação são preocupantes, pois a evolução do estado de
infecção para o adoecimento é muito diferente entre pessoas imunocompetentes e aquelas
infectadas pelo HIV. Enquanto na primeira as chances de que a infecção tuberculosa evolua
para a doença tuberculosa são de 10% ao longo de sua vida, no indivíduo infectado pelo
HIV essa chance passa a ser de 8 a 10% ao ano. Em 1999, a OMS estimava a existência de
33,6 milhões de pessoas vivendo com HIV/Aids e de 637 mil casos de TB associada com
HIV, no mundo.
       A tuberculose tem sido um dos principais complicadores dos infectados pelo HIV. Nos
países da África, da América Latina e em algumas populações de países desenvolvidos,
30% a 60% dos infectados com HIV estão coinfectados pelo bacilo da tuberculose.
       Segundo o Ministério da Saúde (MS), no Brasil, entre 1980 e junho de 2000,
ocorreram 190.523 casos de Aids. Estima-se que 20% a 40% desenvolveram tuberculose,
o que poderia mudar a tendência da doença no grupo etário de 15 a 49 anos, e em regiões
de grande prevalência da infecção pelo HIV. É importante destacar que a tuberculose é a
única doença contagiosa associada a infecção por HIV, que também é infectante e que pode
ser transmitida a indivíduos não infectados pelo HIV. A tuberculose é a mais prevenível,
curável e transmissível de todas as infecções que acompanham a infecção por HIV.
       Estimativas do MS, em 2002, mostram que no Brasil havia 43.600.000 pessoas
infectadas com o bacilo da tuberculose e aproximadamente 130.000 novos casos da doença
por ano, dos quais 57.000 infectantes e 10.000 coinfectados com HIV.
       Com relação à coinfecção TB-HIV, estimaram-se que 8,0% dos casos de tuberculose
seriam também soropositivos para HIV, o que corresponderia, em todo o mundo, a 640.000
casos de TB-HIV, entre os pacientes soropositivos.
       Considerando que a maioria dos casos de infecção por HIV ocorrerá em adultos
sexualmente ativos (15-49 anos) e assumindo que o risco de infecção com HIV e tuberculose
são independentes, a OMS estimou que 10 milhões de pessoas no mundo estariam co-
infectadas (0,18% da população mundial). Em 1990, 4,25% de casos de tuberculose foram
atribuídos à interação com HIV e, para 2000, esperava-se 13,8%.


1.4.2 As áreas de risco
      O problema da tuberculose, no Brasil, reflete o estágio de desenvolvimento social
do país, em que os determinantes do estado de pobreza, principalmente nos bolsões de
miséria da periferia das grandes cidades, e as fraquezas da organização do sistema de
saúde inibem a queda sustentada dessa doença.
      Observando o comportamento da transmissão da doença e as características
individuais associadas à tuberculose, é possível entender porque a tuberculose é um
problema social. Os principais elementos que contribuem para isso são:


                                           25
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




            Renda familiar baixa
            Educação precária
            Habitação ruim/inexistente
            Famílias numerosas
            Adensamentos comunitários
            Desnutrição alimentar
            Alcoolismo
            Doenças infecciosas associadas
            Dificuldade de acesso aos serviços de saúde
            Fragilidade da assistência social

        Assim, pode-se inferir quais os locais no espaço urbano que têm alto potencial de
reprodução da endemia de tuberculose que seriam favelas, mocambos, alagados, invasões,
populações agrupadas em calamidades públicas, populações que vivem em ambientes
socialmente fechados (escolas, creches, presídios, casas correcionais, abrigos sociais ou idosos,
etc.) e população com elevado percentual de pessoas infectadas pelo HIV. No espaço periurbano
e rural, as populações indígenas possuem elevado risco de evolução da endemia.
        Entretanto, embora a tuberculose encontre-se habitualmente localizada prefe-
rencialmente nos locais de grande aglomeração urbana, verifica-se atualmente o processo
de ruralização da doença, resultado entre outros do fluxo migratório de pessoas campo-
cidade e vice-versa e das precárias condições socioeconômicas que acometem também as
zonas rurais.


1.4.3 A definição de população-alvo
      Os grupos com maior probabilidade de apresentar tuberculose são:

       Sintomáticos respiratórios (pessoas com tosse e expectoração por 03 semanas ou
        mais);
       Contatos de casos de tuberculose;
       Suspeitas radiológicas;
       Pessoas com doenças e/ou condições sociais que predisponham à tuberculose.

     Nesses grupos a atitude permanente de BUSCA ATIVA (serviços de UBS, visitas
domiciliares, saúde, postos, centros de saúde, ambulatórios e hospitais) é fundamental.
      Atenção deve ser dada a populações de maior risco do adoecimento:
       Residentes em ambientes fechados (escolas, presídios, manicômios, creches,
        abrigos e asilos);
       Alcoólatras, usuários de drogas, população de rua e trabalhadores de saúde;
       População indígena;
       Imunodeprimidos (por uso de medicamentos ou por doenças como a Aids).


                                               26
II. AS AÇÕES DE PROMOÇÃO À
    SAÚDE E PREVENÇÃO DA DOENÇA
AS AÇÕES DE PROMOÇÃO À SAÚDE E PREVENÇÃO DA DOENÇA




2.1 AÇÕES DE PROMOÇÃO À SAÚDE
      Considerando que a única forma de reduzir a incidência e a mortalidade pela tuberculose
é detectar pelo menos 70% dos casos e curar pelo menos 85% dos pacientes, é necessário
reforçar as ações de conscientização da população, buscando parcerias na comunidade e nas
várias esferas de governo de forma a garantir, também melhores condições de vida, como
uma boa alimentação e moradia adequada. As principais ações são:
       Promover comportamento saudável – tal comportamento pode ser valorizado
        por ocasião do tratamento supervisionado, capaz de identificar e trabalhar os
        condicionantes do processo saúde-doença, da busca ativa de contatos, de incentivos
        financeiros, etc. (Ex: vale-transporte, vale-alimentação, cesta básica.) Ações e
        materiais educativos como panfletos e folders podem divulgar os cuidados com a
        saúde.
       Treinamento de profissionais de saúde envolvidos em técnicas preventivas,
        diagnósticas e de tratamento.
       Integração dos sistemas de serviços de saúde com outros sistemas sociais e
        econômicos através de uma ação intersetorial para o desenvolvimento de melhores
        condições de saúde individual e coletiva.


2.2 AÇÕES DE PREVENÇÃO DA DOENÇA
       O pilar estratégico para a prevenção da tuberculose é a atenção primária à saúde.
       Nesse contexto, salientamos que a prevenção visa à realização de intervenções de
modo a alcançar indivíduos, grupos sociais em risco de adoecer ou a sociedade em geral,
como a melhoria das condições de vida e maiores investimentos em saúde pública.
       No caso da tuberculose, temos dois tipos de intervenções – no nível individual e
social:
       Descoberta de casos e tratamento (medida mais eficaz);
       Vacinação com BCG;
       Quimioprofilaxia.

      Entre as intervenções preventivas gerais, temos:
       Ações educativas visando à divulgação das condicionantes da doença (processo
        de informações, educação e comunicação social);
       Medidas de biossegurança que são medidas de controle da transmissão da
        tuberculose, em unidades de saúde, preconizados pela OMS.

2.2.1 Controle de contatos

     Todos os contatos dos doentes de tuberculose, prioritariamente dos pacientes
pulmonares positivos, devem comparecer à unidade de saúde para exame. No diagrama

                                             29
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




a seguir, apresenta-se a conduta para exame dos contatos. Quando diagnosticada a
tuberculose em crianças, a equipe de saúde deverá examinar os contatos adultos para
busca do possível caso-fonte. Após serem examinados e não sendo constatada tuberculose-
doença, deve-se orientá-los a procurarem a unidade de saúde, em caso de aparecimento
de sintomatologia respiratória.

                            Avaliação dos contatos domiciliares de casos de
                              tuberculose pulmonar baciloscopia positiva

                       Adulto

    Assintomático**                     Sintomático


       Orientação        Exame de escarro (baciloscopia)



                    Positivo                                Negativo


                 Tratamento
                                          Cultura                            Rx de tórax



                             Positiva                 Negativa      S/alterações        Sugestivo
                                                                                             +
                                                                                      Cultura positiva
                         Tratamento
                                              Avaliar diagnóstico na Referência         Tratamento


                                  Crianças até 15 anos

            Não vacinado                                             Vacinado

                                                    Assintomático                  Sintomático*
                 PPD

  Não-reator                   Reator                 Orientação                   Raio x tórax


     BCG                  Raio X tórax                                Sugestivo de               Normal
                                                                     TB + sintomas                e sem
                                                                        clínicos            sintomas clínicos
             Sugestivo de                    Normal
            TB + sintomas                     e sem
               clínicos                 sintomas clínicos              Tratamento        Orientação medicação
                                                                                              sintomática
                                                                                           acompanhamento
               Tratamento               Quimioprofilaxia
  * Quando houver escarro, realizar baciloscopia
  ** Quando disponível, realizar Raio X

               Fonte: Tuberculose – Guia de Vigilância Epidemiológica. FUNASA/MS. 2002. p.37.
                                                         30
AS AÇÕES DE PROMOÇÃO À SAÚDE E PREVENÇÃO DA DOENÇA




2.2.2 Vacinação BCG
      A vacina BCG exerce notável poder protetor contra as manifestações graves da
primo-infecção, como as disseminações hematogênicas e a meningoencefalite, mas não
evita a infecção tuberculosa. A proteção se mantém por 10 a 15 anos. A vacina BCG não
protege os indivíduos já infectados pelo M. tuberculosis. Por isso, nos países com elevada
prevalência de infecção tuberculosa, como o nosso, as crianças devem ser vacinadas o
quanto antes possível, após o nascimento. Nas áreas geográficas com alta prevalência de
infecção por micobactérias não-tuberculosas, a margem de proteção do BCG contra a
tuberculose é reduzida, razão por que nessas regiões o seu rendimento é baixo em termos
de saúde pública.

                         VACINAÇÃO E CICATRIZ DA VACINA BCG




                 A vacinação BCG deve ser realizada segundo orientações
               do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde



      Dose e administração da vacina

      No Brasil, a vacina BCG é prioritariamente indicada para as crianças de zero a quatro
anos de idade, sendo obrigatória para menores de um ano, como dispõe a Portaria nº 452,
de 6/12/1976, do Ministério da Saúde.
      A aplicação da vacina é rigorosamente intradérmica, no braço direito, na altura da
inserção inferior do músculo deltóide, em caso de primo-vacinação, e 1cm a 2cm acima, na
revacinação. Essa localização permite a fácil verificação da existência de cicatriz para efeito
de avaliação do programa e limita as reações ganglionares à região axilar. A vacina BCG
pode ser simultaneamente aplicada com outras vacinas, mesmo com as de vírus vivos.
      Outros aspectos relacionados com a aplicação da vacina BCG, como conservação,
material utilizado, técnicas e procedimentos, constam do Manual do Programa Nacional de
Imunizações.




                                              31
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




    Recomenda-se vacinar

     Os recém-nascidos, sempre que possível na maternidade, desde que tenham peso
       igual ou superior a 2kg e sem interferências clínicas.

       Observação: Os recém-nascidos contatos de tuberculosos bacilíferos farão
       previamente a quimioprofilaxia, conforme exposto no item que trata desse
       procedimento preventivo.

     Os recém-nascidos, filhos de mães com Aids.

     Crianças soropositivas para HIV ou filhos de mães com Aids, desde que sejam
       tuberculino-negativas e que não apresentem os sintomas dessa síndrome.
       Os vacinados nessas condições deverão ser acompanhados pela vigilância
       epidemiológica, nas unidades de referência para Aids.

     Contatos de doentes com hanseníase. Nesses casos, deve-se seguir as normas
       estabelecidas pelo Programa de Controle da Hanseníase.

       A aplicação de duas doses da vacina BCG deve ser feita a todos os contatos
       intradomiciliares dos casos de hanseníase independentemente da forma clínica; o
       intervalo recomendado para a 2ª dose da vacina BCG é a partir de seis meses após a
       1ª dose (considerada a cicatriz por BCG prévia como 1ª dose, independentemente
       do tempo de aplicação). Na dúvida, aplicar as duas doses recomendadas;
       a aplicação da 1ª dose da vacina está condicionada à realização do exame
       dermatoneurológico; na ocasião do exame dermatoneurológico o contato deve ser
       bem orientado quanto ao período de incubação, transmissão, sinais e sintomas da
       hanseníase e retorno ao serviço, se necessário; todo contato deve também receber
       orientação no sentido de que não se trata de vacina específica para a hanseníase
       e que prioritariamente está destinada ao grupo de risco, contatos intradomiciliares.
       Em alguns casos, o aparecimento de sinais clínicos de hanseníase, logo após a
       vacinação, pode estar relacionado com o aumento da resposta imunológica em
       indivíduo anteriormente infectado.

     Profissionais de Serviços de Saúde e novos profissionais admitidos nesses serviços
       serão vacinados desde que sejam negativos à tuberculina. Para os profissionais
       lotados nos serviços de saúde de hansenianos, o procedimento da vacinação
       obedecerá às normas mencionadas no item anterior.

       Observação: Sempre que houver indicação de vacinação BCG em adultos,
       recomenda-se o aconselhamento para a realização do teste de detecção do HIV.


                                            32
AS AÇÕES DE PROMOÇÃO À SAÚDE E PREVENÇÃO DA DOENÇA




      Contra-indicações da vacinação BCG
      Relativas
       Recém-nascidos com peso inferior a dois quilos.

       Afecções dermatológicas no local da vacinação ou generalizada.

       Uso de imunodepressores.
        Observação: Nesses casos, a vacinação será adiada até a resolução das situações
        apontadas.
      Absolutas

       HIV positivos-adultos (independentemente dos sintomas) e crianças sintomáticas.

       Imunodeficiência congênita.


      Evolução da lesão vacinal, eventos adversos e conduta

      A vacina BCG não provoca reações gerais, tais como febre ou mal-estar. Normalmente,
nos menores de um ano, grupo prioritário, a reação local da vacina é de evolução lenta
e benigna, variando de indivíduo para indivíduo. Desde que a injeção intradérmica seja
corretamente aplicada, a lesão vacinal evolui da seguinte forma:
       em torno da segunda semana, palpa-se uma zona endurecida cujas dimensões
        variam de 3mm a 9mm;

       da quinta a sexta semana, o centro dessa lesão amolece, formando uma crosta;

       quando essa crosta cai, deixa em seu local uma úlcera de cerca de 2mm a 6mm de
        diâmetro, que desaparece lentamente, entre a oitava e a décima-terceira semanas,
        deixando como resultado uma cicatriz plana, com diâmetro de 3mm a 7mm. Em
        alguns casos, essa cicatrização é mais demorada, podendo prolongar-se até o
        quarto mês e, raramente, além do sexto mês.

      Não se deve, no entanto, colocar qualquer medicamento nem cobrir a úlcera resultante
da lesão de evolução normal; apenas mantê-la limpa, usando água e sabão.
      O enfartamento ganglionar axilar, não supurado, pode ocorrer durante a evolução
normal da lesão vacinal, desaparecendo, espontaneamente, sem necessidade de tratamento
medicamentoso e/ou cirúrgico (drenagem).
      As complicações da vacina BCG, aplicada por via intradérmica, são pouco freqüentes.
A maior parte resulta de técnica imperfeita, como aplicação profunda (subcutânea),
inoculação de dose excessiva ou contaminação. As complicações mais comuns são abcessos
no local da aplicação, úlcera de tamanho exagerado e gânglios flutuantes e fistulados. Em
caso de eventos adversos para notificação, devem-se observar as orientações contidas nos
quadros 2.1, 2.2, 2.3 e 2.4 do manual de Vigilância Epidemiológica dos Eventos Adversos
Pós-vacinação, das páginas 13 a 16.


                                           33
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




       O tratamento dessas complicações é feito com a administração de isoniazida, na
dosagem de 10mg/kg de peso (até, no máximo, 300mg), diariamente, até a regressão
da lesão, o que ocorre, em geral, em torno de 45 dias. Os abcessos frios e os gânglios
enfartados podem ser puncionados quando flutuantes, mas não devem ser incisados. Na
prática de Saúde Pública, têm sido raras as complicações decorrentes da aplicação de
BCG. Quando se notar, na rotina dos serviços de saúde, um aumento considerável do
número de casos, convém rever o treinamento dos vacinadores.
       A cicatriz quelóide pode ocorrer em indivíduos com propensão genética,
independentemente da técnica de aplicação. Seu aparecimento é mais freqüente em
pessoas já infectadas ou naquelas revacinadas.
       Outras complicações, como lupus vulgaris e osteomielite são raras, não havendo
registro de ocorrência no Brasil. Lesões generalizadas são ainda mais raras e, em geral,
associadas à deficiência imunológica.


2.2.3 Revacinação BCG

       Em 1995, baseando-se em estudos do exterior e recomendações da Organização
Mundial da Saúde (posteriormente retirada), o Ministério da Saúde do Brasil passou a
recomendar uma dose de reforço da vacina BCG ID a partir dos seis anos de idade. A
Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais acatou inicialmente a orientação e criou um
grupo de estudo sobre o problema, com participação de sociedades e faculdades médicas.
Esse grupo acabou por recomendar à SES-MG a manutenção da dose, estabelecendo a
idade de 10 anos como recomendada.
       Recentemente foram concluídos dois importantes estudos brasileiros (um prospectivo
realizado em Manaus e Salvador, outro retrospectivo realizado em Recife) que não
demonstraram benefício do uso da dose de reforço, e sim ressaltam a importância da
primeira dose. Diante disso o Comitê Técnico Assessor em Imunização do Programa
Nacional de Imunizações (CTAI-PNI), tomou as seguintes decisões:
      recomendar a suspensão da dose de reforço da BCG ID;
      reafirmar a grande importância do uso da primeira dose;
      recomendar ao PNI a elaboração de um documento técnico pormenorizado a ser
       distribuído para as Unidades Federadas e municípios brasileiros;
      manter a programação de estudos sobre BCG ID e a continuidade do estudo
       prospectivo anteriormente citado (em andamento)
     Diante do exposto, a SES-MG, através de sua Coordenadoria de Imunização,
recomenda aos municípios do Estado a suspensão da aplicação da dose de reforço da
BCG ID, informando a população sobre as razões desta decisão.


                                           34
AS AÇÕES DE PROMOÇÃO À SAÚDE E PREVENÇÃO DA DOENÇA




2.2.4 Quimioprofilaxia

      A quimioprofilaxia deve ser administrada em pessoas infectadas pelo M. tuberculosis,
com o uso da isoniazida na dosagem de 10 mg/kg de peso, com total máximo de 300 mg
diariamente, durante seis meses.
      Na atualidade, há consenso de que a quimioprofilaxia deve ser dirigida aos grupos
de alto risco de tuberculose, entre estes, especialmente os coinfectados pelo HIV e pelo M.
tuberculosis.

      2.2.4.1 Indicações de quimioprofilaxia
       Recém-nascidos coabitantes de foco tuberculoso ativo. A isoniazida é administrada
        por três meses e, após esse período, faz-se à prova tuberculínica. Se a criança
        for reatora, a quimioprofilaxia deve ser mantida por mais três meses; senão,
        interrompe-se o uso da isoniazida e vacina-se com BCG.
       Crianças menores de 15 anos, não vacinadas com BCG, que tiveram contato com
        um caso de tuberculose pulmonar bacilífera, sem sinais compatíveis de tuberculose
        doença, reatores à tuberculina de 10mm ou mais; crianças vacinadas com BCG,
        mas com resposta à tuberculina igual ou superior a 15 mm.
      Observação: Na eventualidade de contágio recente, a sensibilidade à tuberculina
pode não estar exteriorizada, sendo negativa a resposta tuberculina. Deve-se, portanto,
nesse caso, repetir a prova tuberculínica entre 40 e 60 dias. Se a resposta for positiva,
indica-se a quimioprofilaxia; se negativa, vacina-se com BCG.

       Indivíduos com viragem tuberculínica recente (até 12 meses), isto é, que tiveram
        um aumento na resposta tuberculínica de, no mínimo, 10mm.
       População indígena. Neste grupo, a quimioprofilaxia está indicada em todo o
        contato de tuberculoso bacilífero, reator forte ao PPD, independentemente da
        idade e do estado vacinal, após avaliação clínica e afastada a possibilidade de
        tuberculose-doença, por baciloscopia e pelo exame radiológico.
       Imunodeprimidos por uso de drogas ou por doenças imunodepressoras e contatos
        intradomiciliares de tuberculosos, sob criteriosa decisão médica.
       Reatores fortes à tuberculina, sem sinais de tuberculose ativa, mas com condições
        clínicas associadas a alto risco de desenvolvê-la, como:
        • Alcoolismo.
        • Diabetes mellitus insulinodependente.
        • Silicose.
        • Nefropatias graves.
        • Sarcoidose.
        • Linfomas.

                                            35
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




             • Pacientes com uso             prolongado       de    corticoesteróides       em     dose      de
               imunodepressão.
             • Pacientes submetidos à quimioterapia antineoplásica.
             • Pacientes submetidos a tratamento com imunodepressores.
             • Portadores de imagens radiográficas compatível com tuberculose inativa sem
               história de quimioterapia prévia.
           Coinfectados HIV e M. tuberculosis. Este grupo deve ser submetido à prova
            tuberculínica, sendo de 5 mm em vez de 10mm o limite da reação ao PPD para
            considerar-se uma pessoa infectada pelo M.tuberculosis.
     A quimioprofilaxia em pacientes com HIV será aplicada segundo as indicações do
quadro 3 a seguir.

                 Quadro 3: Quimioprofilaxia para tuberculose em pacientes com HIV
                      Indivíduo sem sinais ou sintomas sugestivos de tuberculose:
                      A. Com radiografia de tórax normal e
                         1. reação ao PPD maior ou igual a 5mm(3),
                         2. contatos intradomiciliares ou institucionais de tuberculose bacilífera, ou
                         3. PPD não-reator ou com enduração entre 0-4 mm, com registro documental
  Indicações(1)(2)          de ter sido reator ao teste tuberculino e não submetido a tratamento ou
                            quimioprofilaxia na ocasião.
                      B. Com radiografia de tórax anormal: presença de cicatriz radiológica de TB sem
                         tratamento anterior (afastada a possibilidade de TB ativa através de exames de
                         escarro e radigrafias anteriores), independente do resultado do teste tuberculino
                         (PPD).
                      Isoniazida, VO, 5-10 mg/kg/dia (dose máxima: 300 mg/dia) por seis meses
      Esquema(3)(4)
                      consecutivos.

                  Fonte: Tuberculose – Guia de Vigilância Epidemiológica. FUNASA/MS. 2002. p.41.
(1)
      O teste tuberculínico (PPD) deve ser sempre realizado na avaliação inicial do paciente HIV+,
      independentemente do seu estado clínico ou laboratorial (contagem de células CD4+ e carga
      viral), devendo ser repetido, anualmente, nos indivíduos não-reatores. Nos pacientes não-
      reatores e em uso de terapia antiretroviral, recomenda-se fazer o teste a cada seis meses no
      primeiro ano de tratamento, devido à possibilidade de restauração da resposta tuberculínica.
(2)
      A quimioprofilaxia com isoniazida (INH) reduz o risco de adoecimento a partir da reativação
      endógena do bacilo, mas não protege contra exposição exógena após a sua suspensão. Portanto,
      em situações de possível re-exposição ao bacilo da tuberculose, o paciente deverá ser reavaliado
      quanto à necessidade de prolongamento da quimioprofilaxia (caso esteja em uso de INH) ou de
      instauração de nova quimioprofilaxia (caso esta já tenha sido suspensa).
(3)
      Em pacientes com imunodeficiência moderada/grave e reação ao PPD >10mm, sugere-se
      investigar cuidadosamente a tuberculose ativa (pulmonar ou extrapulmonar) antes de se iniciar
      a quimioprofilaxia.
(4)
      Indivíduos HIV+ contatos de pacientes bacilíferos com tuberculose INH-resistente documentada
      e que não estão em uso de inibidores da proteases (IP) ou ITRNN incompatíveis com uso de RMP    ,
      poderão fazer uso de quimioprofilaxia com esquema alternativo de Rifampicina (600mg/dia) +
      Pirazinamida (2 g/dia) por dois meses, preferencialmente sob a supervisão de um especialista.
                                                      36
AS AÇÕES DE PROMOÇÃO À SAÚDE E PREVENÇÃO DA DOENÇA




Observações:
a) Não se recomenda a utilização da quimioprofilaxia nos HIV positivos e negativos à tuberculina,
   com ou sem evidências de imunodeficiência avançada. Deve-se repetir a prova tuberculínica
   entre 40 e 60 dias; mantendo-se negativa, repetir a cada seis meses.
b) Em pacientes com RX normal, devem-se investigar outras patologias ligadas à infecção pelo
   HIV, antes de se iniciar a quimioprofilaxia, devido à concomitância de agentes oportunistas/
   manifestações atípicas de tuberculose mais freqüentes nessas coortes.
c) Nos indivíduos HIV positivos e tuberculino-positivos com RX normal, sem sinais e sem sintomas
   de tuberculose, devem-se destacar os contatos institucionais (casas de apoio, presídios, abrigos,
   asilos, etc.).
d) Recomenda-se suspender imediatamente a quimioprofilaxia no surgimento de qualquer sinal de
   tuberculose ativa, monitorá-la nos casos de hepatotoxicidade e administrá-la com cautela nos
   alcoólicos.



2.2.5 Biossegurança

      2.2.5.1. Medidas de controle ocupacional e controle respiratório
      Atualmente, a OMS propõe que, mesmo em países em desenvolvimento, medidas
de controle da transmissão da tuberculose sejam adotadas em unidades de saúde, cujo
ambiente proporcione elevado risco de infecção pelo bacilo da tuberculose de paciente
para paciente ou de paciente para profissionais de saúde.

      Medidas de controle
      Quaisquer medidas que visem ao combate da transmissão da tuberculose devem
levar em conta toda a unidade de saúde. As medidas de controle de transmissão dividem-
se em três grupos:
      a) Administrativas.
      b) Ambientais (ou de engenharia).
      c) De proteção respiratória.
     As medidas administrativas são as mais importantes, eficazes, de relativa facilidade
de implantação e de baixo custo.

      Em unidades de saúde do tipo 1 e tipo 2 (definidas na item 4.1)
      Inicialmente, deve ser elaborado um plano com a definição de metas a serem atingidas
na referida unidade. Este plano consiste em:
      a) Identificar as áreas de risco.
      b) Avaliar as necessidades de treinar os profissionais de saúde.
      c) Proceder à identificação precoce do sintomático respiratório na triagem.
      d) Agilizar o diagnóstico bacteriológico.
      e) Criar rotinas para reduzir a permanência dos bacilíferos nas unidades de saúde.


                                                37
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




      f) Educar o paciente e seus familiares, se possível, quanto à necessidade de aderir ao
         tratamento medicamentoso.
      g) Identificar local específico, arejado e com luz solar para os pacientes coletarem o
         escarro (de preferência fora da unidade de saúde e nunca em ambiente pequeno e
         fechado) e, quando disponível, identificar ambiente apropriado para a realização
         de escarro induzido (na unidade de saúde tipo 2 e 3, de alta complexidade).


      Para o atendimento ambulatorial de pacientes com TB pulmonar, confirmada ou sob
suspeita, sugere-se que:
       os profissionais de saúde orientem os sintomáticos respiratórios sobre a necessidade
        do uso de máscaras cirúrgicas (máscaras comuns) quando disponíveis, ao entrarem
        na unidade de saúde e durante o tempo em que nela permanecerem;
       os profissionais de saúde que estejam na mesma sala de tais pacientes usem
        máscaras especiais (respiradores N95), desde que não haja ventilação adequada
        no local;
       na medida do possível, seja evitado o acúmulo de pacientes nas salas de espera, que
        devem ser amplas e bem ventiladas. Isso pode ser obtido pelo escalonamento das
        consultas ao longo do turno, ou mesmo pela consulta com hora marcada. Deve-se
        evitar a marcação de atendimentos em salas contíguas de pacientes sob suspeita
        de tuberculose com outros pacientes portadores de imunossupressão ou mesmo
        crianças com menos de cinco anos de idade. Caso esta conduta seja impossível,
        deve-se propor ao paciente imunodeprimido o uso de máscara especial enquanto
        estiver no recinto.


      Em unidades de saúde do tipo 3 (elevado grau de complexidade)

      Nestas unidades, com atendimento anual elevado de pacientes com tuberculose
pulmonar, devem-se adotar, se possível, todas as medidas de controle de infecção pelo M.
tuberculosis delineadas anteriormente. A unidade de saúde deve constituir uma comissão
para coordenar as atividades multiprofissionais de controle da TB, seja na área assistencial,
ou na de biossegurança.
      Além das atividades citadas para as unidades tipo 1 e 2, outras medidas devem ser
implantadas quando o paciente é atendido num hospital-dia ou é admitido nas enfermarias
ou quartos:
       no setor de atividades de hospital-dia, os pacientes com tosse há mais de três
         semanas devem permanecer no local, usando máscara comum o tempo todo;
         quando as medidas de engenharia não estiverem funcionando no recinto em que
         o paciente se encontra, este deve ser orientado a usar máscara especial (N95);


                                             38
AS AÇÕES DE PROMOÇÃO À SAÚDE E PREVENÇÃO DA DOENÇA




       devem ser definidas regras de isolamento para pacientes com TB bacilíferos, ou
        suspeitos, que necessitem internação, como tempo mínimo de permanência e
        condições de alta do isolamento;
       os locais de isolamento devem ser implementados no intuito de se obter pressão
        negativa no ambiente, em número suficiente para atender à demanda da unidade
        e deve ser evitada a internação conjunta.

       Entre as medidas de controle ambiental, a mais simples e menos cara é a que utiliza
a ventilação natural aumentando ao máximo o fluxo do ar livre no recinto, direcionando-o
com partículas infectantes para fora (áreas afastadas), através de janelas abertas situadas
em extremidades opostas. Nas situações em que não é possível o uso da ventilação natural,
empregam-se outras medidas um pouco mais complexas e dispendiosas que envolvem o
uso de ventilação mecânica (ex: ventiladores, exaustores) e as medidas especiais que são as
de filtração do ar para remoção de partículas infectantes (filtros HEPA) e as de inativação
do M.tuberculosis através da ação germicida da irradiação ultravioleta, somente disponível
em situações de maior complexidade e recursos.
       A proteção respiratória consiste no uso de máscaras especiais (respiradores) e é
considerada como uma medida complementar às demais (administrativas e ambientais).
Essas máscaras especiais devem ter a capacidade de filtrar partículas de 0,3 de diâmetro com
eficiência de 95% e de se adaptar adequadamente a diferentes tipos de formato de rosto.
       As máscaras especiais devem ser utilizadas por profissionais de saúde em determinadas
áreas de alto risco como salas de broncoscopia, de escarro induzido ou de espirometria;
locais onde possam estar pacientes com tuberculose confirmada ou suspeita (sala de
espera, enfermarias, áreas de isolamento com pacientes com tuberculose) ou em locais
onde medidas administrativas e ambientais não são suficientes para impedir a inalação de
partículas infectantes.
       “Essas máscaras especiais podem ser reutilizadas pelo mesmo profissional por
períodos longos, desde que se mantenham íntegras, secas e limpas (sem serem rasgadas,
puídas ou amassadas)” (Kritsky, 2000). Devem ser guardadas em locais limpos e secos,
evitando assim o seu armazenamento em sacos plásticos após o uso, pois estes retêm
umidade.

      2.2.5.2 Recomendações para a manipulação de secreção respiratória (escarro
      espontâneo ou não) no laboratório de microbiologia ou em outro setor

      1. Nas unidades tipo 1, será realizada apenas a baciloscopia do escarro. Portanto,
         seguindo a recomendação da OMS e da UICTER, não é necessária a manipulação
         dos materiais clínicos em cabines (fluxos laminares), pois o risco de transmissão
         do M. tuberculosis é baixo.
      2. Nas unidades tipo 2, onde serão realizadas a baciloscopia e a cultura para
         micobactéria, o escarro e os demais materiais biológicos devem ser manipulados
         em cabines de segurança biológica, de padrão mínimo Classe II.

                                            39
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




       3. Os profissionais do laboratório ou aqueles que, em ambientes fechados, realizam
          procedimentos que promovam a formação de partículas infectantes (escarro induzido,
          nebulização com pentamidina) devem usar máscaras especiais (respiradores N95)
          por ocasião da manipulação dos materiais e/ou realização de exames.
       O acesso ao laboratório e aos locais onde se realizam tais procedimentos deve ser
restrito aos funcionários responsáveis.

      2.2.5.3 Controle dos profissionais de saúde
      Todos os profissionais de saúde devem ser submetidos a exames pré-admissionais e
periódicos que incluam o teste tuberculínico. “Os grupos não-reatores submetidos a risco de
infecção ocupacional devem ser incluídos nos programas de realização de prova tuberculínica
periódica ou vacinação BCG” (I CONSENSO BRASILEIRO DE TUBERCULOSE, 1997)
(contra-indicada em adultos HIV positivos). “Estas medidas, como rotina, ainda carecem
de validação em nosso meio. Os casos de conversão recente devem ser avaliados no
sentido de detectar tuberculose em atividade. Não se confirmando a doença, está indicada
a quimioprofilaxia” (I Consenso Brasileiro de Tuberculose, 1997).
      “Todo profissional de saúde com sinais ou sintomas compatíveis com tuberculose deve
ser prontamente avaliado, submetido a exame de baciloscopia e outros e não deverá retornar
às suas atividades até que o diagnóstico seja excluído ou até que esteja sob tratamento e
não seja mais infectante” (I Consenso Brasileiro de Tuberculose, 1997).
      Finalmente, recomenda-se aos profissionais de saúde com imunodeficiências como
Aids, ou em uso de drogas imunossupressoras, que desenvolvam suas atividades em locais
com menor risco possível de exposição ao M.tuberculosis.




                                            40
III. ABORDAGEM CLÍNICA
ABORDAGEM CLÍNICA




3.1 A TUBERCULOSE


3.1.1 Etiopatogenia

     3.1.1.1 Etiologia – O Agente Infeccioso: Mycobacterium tuberculosis


      O Mycobacterium tuberculosis, agente etiológico identificado por Robert Koch em
1882, é uma bactéria espécie-tipo do gênero Mycobacterium, e se compõe de um complexo
constituído das seguintes espécies: M.tuberculosis, M. bovis e M. africanum. O M. microti
também faz parte do complexo, sendo um patógeno animal. Os estudos realizados sobre
o agente da tuberculose identificam várias características comportamentais que explicam
muitas questões da história natural da doença. As principais são resumidas abaixo:
      Estrutura bacilar – imóvel, não esporulado, não encapsulado;

      Álcool-ácido resistência – característica para identificação em laboratório que
       o permite ser denominado de BAAR (bacilo álccol-ácido resistente);

      Conteúdo lipídico em sua parede celular – formação do granuloma;

      Aeróbio – necessita oxigênio para crescer e multiplicar-se multiplica bem no
       pulmão;

      Parasito intracelular facultativo – sobrevive e se multiplica no interior de
       células fagocitárias;

      Podem ficar em estado de dormência por longos períodos – responsável
       pela reativação;

      Tempo de geração longo – 14 a 20 horas, dependendo do meio de cultura
       empregado para o seu crescimento;

      Resistente a agentes químicos;

      Resistente à dessecação e ao ambiente escuro – podem sobreviver anos no
       ambiente externo;

      Sensível ao calor e à radiação ultravioleta – sensível à luz solar.
       As micobactérias são bacilos retos ou ligeiramente curvos, dificilmente podem
ser corados pelo método de Gram, mas são considerados como Gram positivos pelas
características da sua parede celular. As bactérias do complexo M. tuberculosis são
classificadas como micobactérias não pigmentadas de crescimento lento. Além destas
características, uma peculiaridade importante é o agrupamento dos bacilos formando ramos
alongados e tortuosos, conhecidos como cordas. A observação de cordas à baciloscopia
é uma indicação de que se trata de bactéria do complexo M. tuberculosis. São álcool-


                                           43
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




ácido resistentes e, quando coradas a quente com fucsina fenicada de Ziehl ou a frio com
auramina, retêm os corantes após lavagens com soluções de álcool e ácido (propriedade
utilizada na coloração de Ziehl-Neelsen). Sua parede é constituída principalmente por
ácidos micólicos, formando uma barreira hidrofóbica que confere resistência à dessecação,
à descoloração por álcool e ácido e a diversos agentes químicos e antibióticos. Por exemplo,
soluções de hidróxido de sódio, fosfato trissódico ou cloreto de cetilpiridinium não afetam as
micobactérias da mesma maneira como afetam microorganismos contaminantes e podem
ser usadas em procedimentos de descontaminação de espécimes antes da realização do
cultivo para diagnóstico. Apresentam um alto conteúdo lipídico em sua parede celular,
sendo este responsável por importantes efeitos biológicos como a indução da formação
do granuloma. É, de modo geral, resistente à ação de agentes químicos e sensível à ação
de agentes físicos como o calor e a radiação ultravioleta. Micobactérias podem entrar em
um estado de dormência, no qual sobrevivem sem se dividir. Esta propriedade tem um
importante significado clínico, já que a tuberculose freqüentemente representa a reativação
de uma infecção antiga, subclínica, ocorrida vários anos antes. A dormência permite que as
bactérias permaneçam em pequenos grupos populacionais, dificultando de uma maneira
geral a erradicação da doença.

      3.1.1.2 A fonte de infecção e a pessoa susceptível: o contágio
      A fonte de infecção habitual é o indivíduo com forma pulmonar da tuberculose,
eliminando bacilos para o exterior. A capacidade do bacilo se transmitir para uma outra
pessoa a partir de um doente é conseqüência do estado bacteriológico deste:
       doentes bacilíferos (B+) – a baciloscopia do escarro é positiva e o doente
        elimina uma quantidade de bacilos superior a 5.000 por m de escarro;

       doentes não-bacilíferos – a baciloscopia do escarro é negativa e a cultura pode
        ser positiva (C+) ou negativa (C-).
      Calcula-se que, durante um ano, numa comunidade, uma fonte de infecção poderá
infectar, em média, de 10 a 15 pessoas que com ela tenham tido contato. Veja a seguir
quais as principais características da pessoa doente que infecta uma outra susceptível e
como deve ser esta relação:
       Doente com a forma pulmonar da doença – o mais importante é o
        bacilífero;

       Intensidade do contato – proximidade, continuidade, ambiente desfavorável;

       Bacilos depositados em roupas, copos, etc. não têm importância na
        transmissão.
      A intensidade do contato é uma das condições que fazem com que a tuberculose
esteja associada à população de baixa renda. Nessa camada social, famílias numerosas
convivem muito proximamente em casas pequenas, mal ventiladas e úmidas.


                                             44
ABORDAGEM CLÍNICA




      A fala, o espirro e, principalmente, a tosse de um doente com tuberculose pulmonar,
lançam no ar gotículas contaminadas de tamanhos variados. As gotículas mais pesadas se
depositam rapidamente e as mais leves permanecem em suspensão no ar, ou porque são
pequenas ou porque sofrem evaporação. Somente os núcleos secos das gotículas (núcleo
de Wells) com diâmetros de até 5 µ e com 1 a 2 bacilos em suspensão podem atingir
os bronquíolos e alvéolos e iniciarem a multiplicação. As gotículas médias são, na sua
maioria, retidas pela mucosa do trato respiratório superior e removidas dos brônquios por
meio do mecanismo mucociliar. Os bacilos assim removidos são deglutidos, inativados
pelo suco gástrico e eliminados nas fezes. Os que se depositam nas roupas, lençóis, copos
e outros objetos dificilmente se dispersarão em aerossóis e, por isto, não desempenham
papel importante na transmissão.

      3.1.1.3 Patogenia e imunidade
      A patogenia da doença revela muitos elementos que compõem o raciocínio clínico,
os métodos preventivos e terapêuticos e o elemento central é a integridade do sistema
imunológico, pela cooperação entre macrófagos e linfócitos T na contenção da infecção pelo
bacilo da tuberculose. Outros elementos como a virulência da cepa infectante e o tamanho
da dose inalada têm, também, papel importante na patogenia. Mas a questão central
continua sendo: por que a tuberculose se desenvolve no homem? A resposta seria que os
mecanismos de defesa contra a micobactéria são afetados quando do desenvolvimento da
tuberculose ativa, por predisposição genética do hospedeiro ou por influência de fenômenos
induzidos pela própria micobactéria, que funcionariam como mecanismos de escape. Tais
mecanismos têm sido estudados por várias décadas, sem que todos os elementos estejam
ainda hoje claramente delineados. Algumas destas contribuições resistiram ao teste do tempo
e permanecem válidas, como a contribuição de Rich na década de quarenta e as de Lurie
e Dannenberg nos anos sessenta. Rich propôs que o estabelecimento da lesão tuberculosa
depende do balanço de fatores ligados ao bacilo e de fatores ligados ao hospedeiro, como
se observa na fórmula abaixo.
                FATORES CONDICIONANTES DA LESÃO TUBERCULOSA
                                                    L = lesão
           (FÓRMULA DE RICH)                        N = número de bacilos
                                                    V = virulência
                    N . V . Hy
               L=                                   Hy = hipersensibilidade
                      In . Ia
                                                    In = imunidade natural
                                                    Ia = imunidade adquirida

      A fórmula indica que o desenvolvimento da lesão tuberculosa é diretamente
proporcional ao número de bacilos, à virulência da cepa inalada e ao desenvolvimento
da hipersensibilidade pelo hospedeiro, e inversamente proporcional à imunidade natural
e à imunidade adquirida. Fatores genéticos representam um papel importante conforme
demonstraram Lurie & Dannenberg (1965), usando como modelo famílias de coelhos
híbridos.

                                            45
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




                                  PATOGENIA DA TUBERCULOSE
                                       (Lurie & Dannenberg)
Estágio 1 – Destruição do bacilo por macrófagos alveolares residentes maduros
Depende de
 capacidade inibitória do macrófago (ativação inespecífica, predisposição genética).
 virulência do bacilo.
 carga infectante.
Estágio 2 – Multiplicação logarítmica do M. tuberculosis dentro de macrófagos imaturos
Mecanismo
 Monócitos/macrófagos recrutados da circulação não detêm crescimento.
 Formação da lesão inicial.
Estágio 3 – Número estacionário de bacilos
Mecanismo
 Multiplicação de Mtb inibida pela resposta imunológica mediada por células.
 Forma o foco tuberculoso: centro caseoso sólido impede multiplicação extracelular de Mtb.
 Em torno do centro necrótico, células epitelióides inibem multiplicação e destroem Mtb.
 Macrófagos imaturos ainda permitem multiplicação.
 Evolução da doença depende do número de macrófagos maturos e/ou imaturos.
Estágio 4 – Liquefação do cáseo e evasão do bacilo
Mecanismo
 Multiplicação extracelular em larga escala.
 Expectoração e preservação da espécie pela transmissão para outro hospedeiro.
 Mecanismos de defesa incapazes de controlar a infecção.

      A imunidade natural – defesas mecânicas e naturais
       Após a inalação, ocorre uma resistência inespecífica do homem contra a instalação
dos bacilos, devido, inicialmente, às barreiras físicas como os pelos nasais, a angulação das
vias aéreas, o turbilhonamento aéreo, a secreção traqueobrônquica e, o mais importante, o
cleareance mucociliar. Apesar da relativa eficiência desse sistema de defesa, e dependendo
do número de bacilos inalados, alguns atingem os alvéolos pulmonares e a infecção
tuberculosa tem início. Na prática, a resistência natural parece estar relacionada com a
maior ou menor velocidade com que o hospedeiro infectado é capaz de desenvolver sua
resistência ou imunidade adquirida específica.

      A imunidade adquirida
      Os macrófagos pulmonares residentes são uma das primeiras células a interagir
com os bacilos por meio da fagocitose, que caracteriza a etapa inicial da resposta imune
inespecífica antimicobacteriana. Vários mecanismos de escape foram desenvolvidos pelas
micobactérias para sobreviverem no interior dessas células. Contudo, os mecanismos que
garantem a sobrevivência dos bacilos no compartimento endossomal ou no citoplasma


                                                   46
ABORDAGEM CLÍNICA




não impedem que parte dos macrófagos sejam ativados pelos próprios bacilos. Além da
produção de interleucinas, como a IL-12, os macrófagos ativados e infectados por Mtb
processam e apresentam antígenos, resultantes da degradação do bacilo ou de antígenos
fagocitados (exógenos) ou liberados no citoplasma celular (endógenos). A apresentação
de antígenos estabelece o início da ativação da resposta imune específica, que pode ser
mediada por anticorpos ou por células. Esta última é de grande importância, uma vez que
linfócitos T CD4 e T CD8 são estimulados e participam ativamente da resposta imunológica
contra os bacilos infectantes.
       Os linfócitos T CD4+ com atividade anti-M. tuberculosis são facilmente detectados
em indivíduos expostos às micobactérias, pela demonstração da hipersensibilidade cutânea
ao PPD in vivo, e pela elevada resposta linfoproliferativa aos antígenos micobacterianos in
vitro. A resposta de células T está inversamente correlacionada com a progressão da doença,
verificando-se baixa resposta linfoproliferativa e inexistência de reação cutânea ao PPD
em pacientes com tuberculose pulmonar avançada. No homem, o exemplo mais claro do
papel fundamental dessas células é a infecção pelo HIV-1, nos quais existe uma diminuição
dos linfócitos T CD4+, provocando uma grande susceptibilidade à primoinfecção ou à
reativação de uma tuberculose prévia (Jones e cols., 1993). Estas evidências demonstram
que células T CD4+ desempenham papel central na resistência contra a tuberculose
humana, principalmente pela produção de IFN-.
       Os linfócitos T CD8+ fazem parte igualmente dos mecanismos efetores celulares
que intervêm na resposta imune à infecção por Mtb. Essas células produzem citocinas com
perfil similar ao descrito para Th1 e funcionam como células citotóxicas efetoras, restritas
às moléculas de classe I do HLA ou MHC. O principal papel atribuído a essa população é a
lise das células infectadas nas lesões que ainda contêm algumas bactérias e a esterilização
dos granulomas.
       Tanto os linfócitos T CD4 como os T CD8 humanos apresentam dicotomia quanto
à produção de citocinas, similar ao modelo murino. Assim, as citocinas produzidas por
linfócitos T CD4+/CD8+ do tipo Th1/Tc1 secretam IFN-, IL-2, IL-3, e TGF-, enquanto que
linfócitos T CD4+/CD8+ do tipo Th2/Tc2 secretam IL-4, IL-5, IL-6, IL-10 e TNF- / IL-4,
respectivamente. A atuação de cada um desses hormônios celulares resulta em diferentes
espectros de ativação ou desativação celular. Foi demonstrado que o IFN-, único mediador
da ativação de macrófagos produzidos inicialmente por células NK ou células T, as quais são
estimuladas por IL-12 proveniente de macrófagos infectados, é capaz de induzir atividade
micobactericida em macrófagos humanos. Citocinas do tipo Th2, como a IL-10, atuam como
um potente inibidor da atividade celular inflamatória, inibindo a produção de óxido nítrico,
a produção de citocinas pró-inflamatórias (IL-1, TNF-), burst respiratório e a expressão de
receptores para IL-1 e MHC de classe II. A tuberculose humana ainda está sendo alvo de
estudo para a determinação do padrão de citocinas que predomina durante a evolução da
doença. O balanço entre citocinas do tipo Th1/Tc1, ditas como inibitórias (IFN-, TNF-), ou
do tipo Th2, ditas como aceleradoras (IL-4, IL-10), do crescimento micobacteriano pode ser
importante na regulação da atividade micobactericida em macrófagos infectados por Mtb.


                                            47
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




      Tem sido demonstrado que IFN- é uma das principais interleucinas associadas à
resposta protetora durante a infecção por micobactérias. A presença de linfócitos T CD4+
auxiliares (Th) com fenótipo Th1 e de linfócitos T CD8+ citotóxicos produtores de IFN-
promove a melhor ativação dos macrófagos e, conseqüentemente, o controle da infecção.
Estudos com animais que não possuem o gene para IFN- mostram que estes, quando
infectados com M. tuberculosis por via intravenosa ou por aerosol, apresentam destruição
e necrose tecidual progressiva, não produzem intermediários reativos do nitrogênio e são
incapazes de restringir o crescimento dos bacilos.
      Mais recentemente, vários modelos de infecção ou de prevenção (vacinação) da
tuberculose experimental foram desenvolvidos em diversos laboratórios, sendo úteis
para identificar as características essenciais das células que conferem proteção contra
a infecção por M. tuberculosis. O estudo detalhado das duas principais subpopulações
de linfócitos T mostrou que existem vários fatores relacionados com a proteção contra o
bacilo da tuberculose. Assim, os linfócitos T CD8+ estimulados por antígenos endógenos
micobacterianos (antígenos citoplasmáticos liberados na infecção ou por vacinação com
BCG ou vacina gênica) são preferencialmente do tipo citotóxicos, isto é, têm a capacidade
de destruir células que contêm o bacilo da tuberculose em seu interior, permitindo a
eliminação dos mesmos. Tanto os linfócitos T CD8+ como os T CD4+ secretam grande
quantidade de IFN-, que ajuda a manter ativados os vários sistemas responsáveis pela
eliminação dos microrganismos da célula hospedeira. A transferência de linfócitos T CD8+
de animais infectados ou vacinados para animais normais (irradiados) protege estes últimos
da infecção pelos bacilos virulentos, mostrando que essas células são fundamentais para os
processos de defesa.
      A imunidade humoral é mediada por moléculas capazes de efetuar o reconhecimento
específico e a eliminação de antígenos, podendo ser transferida a indivíduos não-
imunizados por frações de sangue que não contenham células, como o plasma ou o soro. Ao
reconhecerem o bacilo da tuberculose ou os seus antígenos, os linfócitos B se transformam
em plasmócitos secretantes de anticorpos anti-Mtb. Esses anticorpos, no entanto, não têm
capacidade de penetrar nos macrófagos infectados e destruir o bacilo. Embora anticorpos
específicos possam desempenhar um papel na resposta dos neutrófilos à infecção por
micobactéria, a participação dessas células na defesa contra a tuberculose ainda não está
bem estabelecida. Conseqüentemente, a imunidade humoral parece ter pouco valor no
combate à essa doença.
      Uma vez que imunocomplexos são encontrados no soro de pacientes com tuberculose,
vários métodos para detecção de anticorpos antituberculose têm sido desenvolvidos no
sentido de se tentar o diagnóstico sorológico da tuberculose. Embora testes detectando
imunocomplexos compostos de IgG ou IgM ou IgA e antígenos micobacterianos já tenham
sido desenvolvidos, a sorologia para TB ainda não está incorporada à prática clínica.


                                            48
ABORDAGEM CLÍNICA




      Nos últimos dez anos, muitos conhecimentos novos sobre os mecanismos imunológicos
associados à infecção por Mtb permitiram que se compreendesse melhor por que algumas
pessoas adoecem e a maioria nunca desenvolve a forma ativa da doença. Alguns desses
novos conhecimentos estão resumidos abaixo.

      Mecanismos de escape à proteção imunológica do hospedeiro –
      imunossupressão – o modelo da infecção pelo HIV
       Os casos mais comuns de imunossupressão associados com a tuberculose são os
indivíduos com Aids, os estressados, os que fazem uso de drogas imunossupressoras,
os alcoólatras e os desnutridos. O mecanismo de aparecimento da TB em um indivíduo
pode se dar tanto pela reativação de uma infecção tuberculosa pregressa, como de uma
reinfecção ou de uma infecção recente (primária). Estudos em pessoas infectadas pelo HIV,
a partir de dados epidemiológicos, clínico e laboratoriais, demonstram uma forte relação
com a disfunção e a depleção dos elementos envolvidos na imunidade celular do indivíduo,
levando ao desenvolvimento da tuberculose primária, da disseminação hematogênica do
bacilo e aumentando a possibilidade de reativação.
       Foi observado que além da diminuição de linfócitos CD4 circulantes provocada pelo
HIV, ocorre também uma disfunção qualitativa dessas células. Essa disfunção se evidencia,
in vivo, pela perda de resposta do tipo hipersensibilidade retardada, que pode se manifestar
mesmo com um número relativamente elevado de células CD4. Com a progressiva depleção
e disfunção desses linfócitos CD4 e conseqüente deterioração da imunidade celular do
indivíduo, infecções oportunistas, que seriam normalmente controladas por um mecanismo
de defesa intacto, tornam-se freqüentes. Tal é o caso da tuberculose, cujo mecanismo de
defesa se baseia justamente na imunidade celular.
       A coexistência, portanto, de uma infecção pelo HIV constitui-se no mais potente
ativador da tuberculose até hoje conhecido. Por outro lado, a tuberculose também influi no
curso da infecção pelo HIV por meio da ativação de macrófagos e de células T infectadas
pelo vírus, levando a um desenvolvimento mais precoce da Aids.

      Adaptação do bacilo ao homem – seus mecanismos
     Um dos grandes problemas da tuberculose correlaciona-se com o alto grau de
adaptação dos bacilos ao homem. Os principais eventos são descritos a seguir.

      Latência no granuloma
      Dentro dos macrófagos, células com alto potencial microbicida, os bacilos têm a
habilidade de desativar os sistemas de defesa dessas células e conseguem sobreviver e se
multiplicar no seu interior. O sistema de defesa imunitário do homem toma conhecimento
da presença dos bacilos e estabelece uma resposta contra os mesmos, caracterizada por uma
reação inflamatória crônica denominada granuloma, que tem a finalidade de circunscrever
e delimitar a infecção. Nessas condições, os bacilos podem sobreviver por anos em estado
de latência ou de dormência e o indivíduo infectado pode não manifestar a doença.


                                            49
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




      Sobrevivência no interior de macrófagos
       Na infecção inicial, os bacilos sofrem a ação dos macrófagos alveolares que os
fagocitam. Apesar do macrófago ser uma célula com alta capacidade bactericida, o bacilo
da tuberculose desenvolveu meios apropriados para sobreviver a esse sistema de defesa
do hospedeiro. Assim, durante a evolução, foram desenvolvidos sistemas que facilitam a
fagocitose de Mtb pelos macrófagos, utilizando receptores de complemento CR1, CR2 e
CR3, bem como receptores de manose, e outras moléculas receptoras de superfície celular
como fibronectina. A interação entre os receptores de manose na célula fagocitária e o bacilo
é feita por uma glicoproteína de superfície da micobactéria chamada lipoarabinomanana
(LAM). A LAM inibe a ação de compostos intermediários de formas reativas do oxigênio
e diminui a produção de citocinas inflamatórias. Além disso, as micobactérias podem
induzir a liberação de fatores supressores da resposta imune pelos macrófagos, como o
TGF- e a IL-10. Nos macrófagos infectados, sob condições variadas de estresse, também
são produzidas altas concentrações da proteína hsp65 pelos bacilos, que podem induzir: a
liberação de TNF- e de TGF-, o aumento da transcrição de RNAm para IL-1, IL-10 e TNF-, e
a diminuição da transcrição de RNAm para a enzima óxido nítrico sintase induzível (iNOS).
Esse mecanismo de entrada de Mtb nos macrófagos permite uma desativação inicial do
sistema microbicida dessas células, principalmente a diminuição de radicais tóxicos do
oxigênio, dando um tempo suficiente para os bacilos se adaptarem no interior celular e
começarem a se multiplicar.
       Embora a fagocitose aconteça sem maiores problemas e parte dos bacilos sejam
destruídos, um maior contingente permanece vivo e se multiplica dentro dos fagossomas
do macrófago, no seu citoplasma ou, eventualmente, livres na cavidade alveolar. Por razões
ainda não totalmente esclarecidas, os lisossomas do macrófago, que contêm enzimas
capazes de destruir o bacilo, não conseguem se fundir com os fagossomas nos quais eles
estão contidos. Uma primeira tentativa de combater a micobactéria pelo macrófago se faz
com a produção de ácidos praticamente inócuos para um bacilo ácido-álcool resistente.
A multiplicação bacilar provoca a morte do macrófago com liberação de lisossomas e
destruição tecidual. Forma-se, então, uma reação inflamatória inespecífica, com acúmulo
de neutrófilos na região do parênquima pulmonar em que os bacilos se instalaram.
       Outros sistemas da imunidade inata também são ativados nessa fase, como o
sistema complemento, que libera substâncias quimiotáticas para neutrófilos e monócitos.
Além disso, a presença de Mtb no interior de fagócitos estimula a liberação de citocinas
e quimiocinas inflamatórias, como IL-1, IL-6, IL-8 e TNF- que também são responsáveis
pelo recrutamento celular para o foco inflamatório. Outra citocina também liberada dos
macrófagos logo após a fagocitose dos bacilos, a IL-12, atua em conjunto com o TNF-,
induzindo as células Natural Killer (NK) a secretarem IFN- nos períodos ainda iniciais da
infecção. O IFN- é o principal responsável pela ativação dos macrófagos recém-migrados da
corrente sangüínea e, conseqüentemente, pelo controle dos processos iniciais da infecção.
A ativação dos mecanismos da imunidade inata leva a um intenso recrutamento de células
para o foco inflamatório, que, uma vez organizado em granuloma, constitui a lesão inicial da


                                             50
ABORDAGEM CLÍNICA




infecção micobacteriana, que resulta, em última análise, em um equilíbrio dos mecanismos
de defesa do hospedeiro frente à presença e à tentativa de multiplicação dos bacilos.
      Como observado acima, diversos componentes celulares participam da defesa
inespecífica, como macrófagos residentes, neutrófilos, eosinófilos e células NK. Existem
evidências preliminares de que a defesa dita inespecífica pode desempenhar um papel maior
na proteção contra a tuberculose do que se imaginava anteriormente, mas muitos estudos
ainda terão de ser feitos para estabelecer o real papel de cada um desses mecanismos na
defesa antituberculose.

                Resumo sobre o papel dos linfócitos no controle da tuberculose
1. Papel dos linfócitos T CD4+
   Regulação da resposta imunológica ao Mtb
   Secreção de citocinas reguladoras da função macrofágica
   Ação efetora por meio de citotoxicidade contra macrófagos infectados
2. Papel dos linfócitos T CD8+
   Controle da infecção por Mtb
   Ação efetora citotóxica: destroem as células que albergam o bacilo, secretam grânulos enzimáticos
    que ajudam na eliminação dos mesmos.
   Secretam citocinas reguladoras da função macrofágica, como a IL-12 e o IFN-g, que ajudam a
    manter ativados os sistemas microbicidas dos macrófagos.
3. Papel dos linfócitos T gama-delta
   Ativados pelos antígenos solúveis do bacilo vivo
   Têm papel importante nas fases iniciais da infecção
   Função citotóxica
4. Papel dos macrófagos
   Principal célula efetora contra Mtb, juntamente com os linfócitos T
   Ação reguladora por meio da secreção de citocinas
5. Papel das citocinas ativadoras ou inibitórias da função microbicida dos macrófagos


      3.1.1.4 O processo de infecção e adoecimento em tuberculose

      a) Primoinfecção tuberculosa
       Se conseguir ultrapassar os mecanismos de defesa e alcançar os alvéolos pulmonares,
o bacilo da tuberculose ocasiona uma rápida resposta inflamatória, envolvendo macrófagos
alveolares residentes e neutrófilos rapidamente mobilizados, que resulta em uma rápida
depuração dos bacilos, sem lesão visível ao radiograma torácico. Pode ocorrer, no entanto,
uma falha neste mecanismo inespecífico de depuração, resultando em progressão da
inflamação e broncopneumonia inespecífica. Com isso, o bacilo começa a se dividir e a
aumentar em número no foco de inoculação, principalmente porque, nos primeiros quinze
a vinte dias de infecção, o organismo ainda não desenvolveu uma resposta imunológica
específica que possa bloquear o processo de multiplicação celular. Ao fim de 15 dias de
replicação, o número de bacilos no foco de inoculação pode atingir 105, e resultar em

                                                   51
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




disseminação tanto por via linfática, para os gânglios linfáticos de drenagem, como por via
hematogênica, para órgãos extratorácicos.
      Esse foco pulmonar, em geral único, e periférico e de consistência amolecida, é
pequeno e arredondado, tem de 1 a 2 mm e é chamado de foco de Ghon. O período
de tempo para o seu desenvolvimento é de cerca de três a quatro semanas. O momento
do surgimento do tubérculo corresponde ao desenvolvimento da imunidade celular e é
associado à viragem do teste tuberculínico, encerrando o período pré-alérgico. Portanto, o
período que vai desde a penetração do bacilo no organismo até o aparecimento da reação
ao teste tuberculínico é clínicamente chamado de período pré-alérgico. Simultaneamente,
a partir do foco pulmonar, há uma disseminação linfática até o gânglio satélite (foco
ganglionar), de onde haverá uma disseminação hematogênica para todo o organismo. Esse
complexo composto de um foco pulmonar, linfangite e um foco ganglionar é chamado de
complexo primário ou complexo de Ranke. No momento da disseminação hematogênica,
o organismo, já com a imunidade adquirida desenvolvida, impede o estabelecimento de
tuberculose doença em 95% dos casos, encerrando, então, a primoinfecção.
      O encapsulamento do bacilo resulta na formação de uma lesão chamada de granuloma,
que não é exclusiva da tuberculose, mas apresenta algumas características morfológicas
que, freqüentemente, auxiliam no estabelecimento do diagnóstico histológico da condição.
O granuloma é um aglomerado celular não vascularizado, constituído histologicamente
por células epitelióides, células gigantes multinucleadas ou de Langhans, que se apresenta
com forma oval ou arredondada e numerosos núcleos periféricos dispostos em ferradura.
Numerosos linfócitos se localizam entre estas subpopulações de macrófagos. Uma das
características do granuloma tuberculoso é a necrose caseosa, rica em lipídios degradados
da parede celular das micobactérias.

      b) Tuberculose primária
      Em cerca de 95% das lesões pulmonares iniciais, os focos de Gohn evoluem para
fibrose e/ou calcificação, que poderão ser percebidas em radiogramas. Em 5% dos casos,
entretanto, a primoinfecção não é contida, seja pela deficiência no desenvolvimento da
imunidade celular, seja pela carga infectante ou pela virulência da cepa aspirada. Há
uma liquefação do caseo e o desenvolvimento de doença ainda nesta fase primária da
infecção.
      Conceitualmente, a tuberculose resultante da progressão do complexo pulmonar
primário que se desenvolve nos primeiros cinco anos após a primoinfecção é chamada
de tuberculose primária. As formas de tuberculose primária contemporâneas ao complexo
primário podem ser apenas ganglionares, ou envolverem gânglios e pulmão, nesse
caso apresentando-se como formas pneumônicas, bronco-pneumônicas, cavitárias ou
atelectásicas (epituberculose). Uma das formas mais graves de tuberculose primária é a
forma miliar, resultante da difusão de lesões granulomatosas muito pequenas que atingem
não apenas os pulmões, mas muitos órgãos.


                                            52
ABORDAGEM CLÍNICA




      Clínicamente, a tuberculose primária pode se apresentar de forma aguda e grave
(menos comum) ou de forma mais insidiosa, e lenta (mais comum). Na forma insidiosa
o paciente, comumente uma criança, apresenta-se irritadiço, com febre baixa, sudorese
noturna, inapetência e exame físico inexpressivo. As manifestações de hipersensibilidade
extrapulmonar não são comuns, porém, quando ocorrem, são bem características da
tuberculose primária (eritema nodoso, conjuntivite flictenular, artralgia de Poncet). O exame
radiológico varia de acordo com o local para o qual o bacilo foi drenado.

      c) Tuberculose pós-primária ou do adulto
       É a forma de tuberculose que ocorre, em geral, tardiamente, anos após o
estabelecimento da lesão primária. O indivíduo já apresenta memória imunológica para os
antígenos de Mtb e, em geral, desenvolve lesão mais circunscrita, de evolução mais arrastada
que as formas primárias e com maior reação inflamatória do tipo hipersensibilidade,
caracterizada por cavitação e fibrose. A origem pode ser tanto endógena, por reativação de
um foco quiescente (com bacilos que se encontravam em inatividade metabólica-reativação
endógena), quanto exógena, a partir de uma nova contaminação, em geral, por cepas
mais virulentas e resistentes à forte resposta imunológica desencadeada pelo hospedeiro
(reativação exógena).
       É mais comum nos ápices pulmonares, devido ao maior aporte de oxigênio, necessário
ao desenvolvimento do bacilo. A reativação do foco se dá com formação de granulomas,
poucos macrófagos, poucas hemácias e rica em fibrina. Evolui para necrose de caseificação
e progride para doença. Ocorre drenagem do caseo para um brônquio, que pode levar à
disseminação broncógena para todo o pulmão. Normalmente, a drenagem dá lugar a uma
cavidade pulmonar, chamada caverna tuberculosa.
       A cavitação pode evoluir para cura ou para complicações. A cura pode ser aberta
ou fechada. Uma das complicações da cavitação é a dilatação aneurismática dos ramos da
artéria brônquica (aneurismas de Rasmüssen), que antes dos antimicrobianos ocorria em
até 4% dos casos e que pode resultar em fortes hemoptises, com risco de vida. Mesmo que
ocorra a cura bacteriológica após o estabelecimento destas cavernas, é importante ressaltar
que poderão ocorrer seqüelas, às vezes grosseiras e com conseqüências importantes para
a qualidade de vida do paciente.
       Algumas complicações do processo destrutivo parenquimatoso ocasionado pelo
desenvolvimento da forma pós-primária são cavidade saneada aberta, cavidade fechada
sem brônquio de drenagem, bronquiectasias, destruições pulmonares, desvios de órgãos
do mediastino, escoliose, alterações funcionais pulmonares graves, geralmente de natureza
mista, micetoma intracavitário e bronquiectasia. A hemoptise é freqüente em pacientes
com tais seqüelas, podendo ser necessário tratamento corretivo cirúrgico, em geral de
prognóstico reservado. A importância do diagnóstico precoce e da aderência ao tratamento
coíbem, assim, o desenvolvimento das seqüelas graves.


                                             53
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




      d) Vias de disseminação
      São quatro as vias pelas quais os sítios extrapulmonares podem ser acometidos na
tuberculose:

       via linfohematogênica – responsável pela maioria das formas extrapulmonares
        da doença, uma vez que é o caminho natural do bacilo após sua entrada no
        organismo: tuberculose ganglionar, renal, adrenal, óssea, menigoencefálica,
        ganglionar intra-abdominal e genital feminina;

       via hematogênica – quando há ruptura da lesão diretamente no vaso, podendo
        ocasionar formas disseminadas agudas da doença;

       por contigüidade – responsável pelas formas pleural a partir do pulmão;
        pericárdica a partir de gânglios mediastinais; peritoneal a partir de gânglios
        mesentéricos, alças intestinais ou trompas (por ruptura de pequenos divertículos)
        e algumas formas de tuberculose cutânea peri-orificial e a partir, por exemplo, de
        focos ósseos;

       intra-canalicular – comprometimento de vias aéreas altas a partir do pulmão;
        trato urinário inferior e sistema genital masculino a partir do rim; endométrio e
        peritôneo a partir das trompas (por saída do material caseoso pelos óstios uterino
        e abdominal).



3.1.2 Procura de casos
       Denomina-se “Caso de Tuberculose” todo indivíduo com diagnóstico confirmado
por baciloscopia ou cultura e aquele em que o médico, com base nos dados clínico-
epidemiológicos e no resultado de exames complementares, firma o diagnóstico de
Tuberculose. “Caso Novo” é o doente com tuberculose que nunca usou ou usou por menos
de um mês drogas antituberculosas.
       A procura de casos é um conceito programático que compreende tanto os métodos
de diagnóstico como as ações organizadas para operacionalizá-los, envolvendo os serviços
e a comunidade. Essas ações estão voltadas para os grupos com maior probabilidade
de apresentar tuberculose, quais sejam: sintomáticos respiratórios (pessoas com tosse
e expectoração por três semanas ou mais); contatos de casos de tuberculose; suspeitos
radiológicos; pessoas com doenças e/ou em condição social que predisponham à tuberculose.
Os contatos, definidos como toda pessoa, parente ou não, que coabita com um doente de
tuberculose, constituem um grupo para o qual se recomenda uma atitude de busca ativa.
Os locais ideais para se organizar a procura de casos são os serviços de saúde, públicos ou
privados. Nestas instituições – postos, centros de saúde, ambulatórios e hospitais – realizar
busca ativa de sintomáticos respiratórios deve ser uma atitude permanente e incorporada
à rotina de atividades de todos os membros das equipes de saúde.


                                             54
ABORDAGEM CLÍNICA




      3.1.2.1 Busca na comunidade
      Deve-se fazer a busca de casos em todas as pessoas que apresentem tosse e
expectoração por três semanas ou mais, por meio do exame bacteriológico. Quando a
baciloscopia direta for persistentemente negativa, deve-se realizar exame radiológico do
tórax. Essa atividade deve integrar o trabalho do agente que faz visita domiciliar sistemática,
sobretudo nas comunidades em que esteja organizada a atenção primária de saúde.
      Nas áreas onde as ações já estão organizadas, a visita domiciliar periódica do agente
de saúde deve incluir a detecção de casos entre sintomáticos respiratórios e contatos,
principalmente, de casos bacilíferos e crianças. Quando necessário, deve-se referenciá-
los ao serviço de saúde. Atenção especial deve ser dada a populações de maior risco de
adoecimento, representadas sobretudo por residentes em comunidades fechadas, como
presídios, manicômios, abrigos e asilos. Nessas comunidades, justifica-se a busca ativa
periódica de casos. Indivíduos das categorias alcoólicos, usuários de drogas, mendigos,
trabalhadores de saúde e outros em situações especiais em que haja contato próximo com
paciente portador de tuberculose pulmonar bacilífera são também prioritários para essa
ação. Também incluem-se nessa categoria os imunodeprimidos por uso de medicamentos
ou por doenças imunossupressoras, conforme descrito no item 1.4.3 A definição da
população-alvo.
      O qauro 4 sumariza a busca e os principais exames a serem ofertados.

            Quadro 4: Busca de casos de tuberculose e exames a serem realizados

                        Quem buscar?                                          Exames

Contatos de doentes com tuberculose                                         Baciloscopia
Pessoas soro-positivas para HIV                                          Teste tuberculínico
Indivíduos com tosse e com expectoração por três semanas ou mais        Radiografias do tórax
Pessoas que vivem em isntituições fechadas
Trabalhador de saúde

 Fonte: Controle da Tuberculose – Uma Proposta de Integração Ensino Serviço. FUNASA/MS. 2002. p. 66

       Em infectados pelo HIV, principalmente aqueles na fase avançada de imunodepressão
(nível sérico de CD4 inferior a 200 cels/mm3 ou linfócitos inferior a 1.000 cels/mm3), deve-
se suspeitar de tuberculose na presença de qualquer sintoma respiratório e quadros de
febre de origem indeterminada. A justificativa para essa conduta deve-se à alta freqüência
de manifestações atípicas de tuberculose e à ocorrência de outras doenças respiratórias
causadas por agentes oportunistas.

      3.1.2.2 Busca na demanda
      A prática mais adequada neste tipo de busca consiste em interrogar, de forma
sistemática, todas as pessoas que consultam os serviços de saúde por qualquer motivo,



                                                55
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




a respeito de tosse e de expectoração que se prolonguem por três semanas ou mais
e submeter a exame bacteriológico as que apresentam os sintomas pesquisados. No
grupo de sintomáticos respiratórios, o exame radiológico do tórax será realizado quando a
baciloscopia direta do escarro for persistentemente negativa.

      A organização do sistema de busca de casos na unidade de saúde compreende os
seguinte elementos:
      o envolvimento de toda a equipe de saúde (médicos, enfermeiros, demais
       profissionais de nível superior e auxiliares) na pesquisa dos sintomáticos respiratórios
       entre a população que demanda a unidade de saúde por qualquer motivo;
      um sistema de registro dos sintomáticos respiratórios para uma avaliação do
       parâmetro na demanda;
      a participação do laboratório com pessoal treinado nas técnicas de baciloscopia e
       no registro dos sintomáticos respiratórios realmente examinados;
      uma unidade de referência para encaminhamento dos casos que requeiram maior
       capacidade resolutiva.
      Uma vez selecionado o indivíduo sintomático respiratório na demanda da unidade
de saúde, procede-se à escolha dos exames complementares necessários (Quadro 4).


     3.1.2.3 Busca entre contatos
      Este grupo compreende todas as pessoas, parentes ou não, que coabitam com um
paciente com tuberculose e os contatos prolongados de maior proximidade nos ambientes
de trabalho. Os comunicantes de doentes bacilíferos têm maior risco de adoecer de
tuberculose e, por esta razão, são prioritários para a ação de busca de casos, segundo as
seguintes normas:
      baciloscopia do escarro;
      prova tuberculínica nos contatos;
      exame radiológico.

       A busca de casos por meio do exame radiológico indiscriminado tem sido o método
de menor rendimento, com maiores custos e alto risco potencial para a população, por
submetê-la a radiações ionizantes em intervalos curtos, não sendo mais recomendada para
este fim.




                                             56
ABORDAGEM CLÍNICA




      O quadro 5 estalece as condutas com os contato de tuberculose, a partir dos resultados
de exames.
                 Quadro 5: Conduta com as pessoas, contatos de tuberculose,
                             segundo os resultados de exames
          Resultado do exame                                         Conduta
1. Rx tórax sem alteração                 Aplicar vacina BCG-IDem menor de 15 anos não vacinado
   PPD não-reator                         Risco de TB* – aplicar vacina BCG-ID
   Sem escarro e/ou BAAR negativo         Orientar sobre aparecimento de SR
                                          Quimioprofilaxia: **Menor de 15 anos não vacinado com
2. Rx tórax sem alteração
                                          BCG-ID
   PPD reator
                                          Pessoa HIV positiva***
   Sem escarro e/ou BAAR negativo
                                          Grupo de risco para TB****
3. Rx tórax com alteração
                                          Contato de TB: Diagnóstico de probabilidade: Quimioterapia
   PPD reator
                                          Não contato de TB***** Esclarecer diagnóstico
   Sem escarro e/ou BAAR negativo
4. Rx tórax com alteração
   PPD reator ou não-reator               Esclarecer o diagnóstico
   Sem escarro e/ou BAAR negativo
5. Rx tórax com alteração
   PPD reator ou não-reator               Quimioterapia
   BAAR negativo
Natal, S
*Risco de Tb: trabalhador de saúde, albergados, asilados. Fazer a sorologia para HIV antes da vacina.
** Avaliar o custo-benefício: Idade, uso álcool, uso de drogas hepatotóxicas, adesão ao tratamento.
*** reator forte para HIV positivo, para fins de quimioprofilaxia, considerar 5 mm ou mais.
**** Diabéticos, uso de drogas e/ou doenças imunossupressoras.
***** Avaliar tuberculose passada e possibilidade de ser residual.

3.1.3 Diagnóstico
     O diagnóstico da tuberculose, além da avaliação clínica, deverá estar fundamentado
nos métodos a seguir.

      3.1.3.1 Bacteriológico
      A pesquisa bacteriológica é método de importância fundamental, tanto para o
diagnóstico como para o controle de tratamento.
       É fundamental que os profissionais de saúde conheçam as condições que asseguram
a confiabilidade dos resultados da baciloscopia direta e da cultura. Para que o laboratório
possa fornecer resultados, é necessário que receba espécimes que provêm do local da lesão
que se investiga e que sejam identificados, conservados e transportados adequadamente.

      Material, colheita, conservação e transporte
      Os espécimes clínicos comumente utilizados para a investigação do M. tuberculosis
e de outras espécies micobacterianas são: escarro, lavado gástrico, lavados brônquicos,
urina, fluidos orgânicos, pus, material de biópsia e de ressecção.

                                                   57
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




    Colheita de escarro
    a) Condutas: a boa amostra de escarro é a proveniente da árvore brônquica, obtida
       após esforço da tosse, e não a que se obtém da faringe que, usualmente, contém
       saliva. Solicita-se ao paciente duas amostras de escarro, sendo a primeira colhida
       durante a primeira consulta, e a outra no dia seguinte, ao despertar. O escarro
       deverá ser colhido em local aberto e bem ventilado. A colheita deve ser feita em
       potes plásticos descartáveis, transparentes, limpos, de boca larga, com tampa de
       rosca e capacidade de cerca de 30 a 50 ml. O nome do paciente e o seu número
       de registro devem ser colocados sempre no corpo e não na tampa do pote.
    b) Orientações ao paciente:
        lavar a boca com água antes de expectorar, para eliminar resíduos de comida,
         pasta de dente e outros;
        inspirar profundamente, reter por instantes o ar no pulmão, tossir e lançar o
         material no recipiente. Esta operação deverá ser repetida até a obtenção de três
         eliminações de escarro, evitando que o mesmo escorra pela parede externa do
         pote;
        fechar hermeticamente o pote e envolvê-lo em papel limpo, com o cuidado de
         manter o frasco com a boca para cima;
        lavar as mãos com água e sabão.
    Quando a expectoração é escassa, pode-se recorrer a outros métodos, como indução
    do escarro e colheita do material por broncoscopia e lavagem gástrica.

    Colheita de outros materiais
    Pela escassa quantidade de bacilos presentes (materiais paucibacilares), os espécimes
    descritos devem ser submetidos a baciloscopia e também ser semeados para cultura
    em meios apropriados.
    a) Urina – Recomenda-se a colheita de todo o volume da primeira urina da manhã. O
       número de amostras recomendado é de três a seis, colhidas em dias consecutivos.
       Antes da micção, deve-se lavar a genitália externa com água e sabão. O recipiente
       (de 300 a 500 ml) deve estar limpo e a amostra deve ser encaminhada o mais
       rápido possível ao laboratório, acondicionada em isopor com gelo.
    b) Líquido céfalo-raquidiano, pleural, ascítico e outros – Colher esses materiais em
       tubo estéril e enviar ao laboratório imediatamente de preferência acondicionado
       em isopor com gelo.
    c) Biópsia e material de ressecção – Colher estes materiais em frasco com água
       destilada ou solução salina fisiológica estéril. Não adicionar conservantes (formol).
       Enviar ao laboratório imediatamente, de preferência acondicionado em isopor
       com gelo.


                                           58
ABORDAGEM CLÍNICA




      d) Sangue – Colher esse espécime em tubo estéril agregando-se de preferência o SPS
         (polianeto sulfonato de sódio) como anticoagulante. O volume recomendado é de
         5 ml. Enviar ao laboratório imediatamente.

      Conservação e transporte das amostras
     Quanto mais rapidamente o espécime chegar ao laboratório, maior será a possibilidade
de se encontrar M. tuberculosis, e outras micobactérias. A temperatura ambiente e o
tempo favorecem a multiplicação de microorganismos contaminantes. O escarro obtido de
expectoração pode ser excepcionalmente conservado sob refrigeração por até 7 dias, sem
que haja prejuízo na realização da baciloscopia e da cultura.

      Exame microscópico direto do escarro
      A baciloscopia direta do escarro é método fundamental porque permite descobrir
as fontes mais importantes de infecção: os casos bacilíferos. Por ser um método simples
e seguro, deve ser realizado por todo laboratório público de saúde e pelos laboratórios
privados tecnicamente habilitados.
      O exame baciloscópico deve ser solicitado, por ordem de prioridade, aos pacientes
que:
       procurem o serviço de saúde por queixas respiratórias ou por qualquer outro
        motivo, mas que, espontaneamente ou em resposta ao profissional de saúde,
        informem ter tosse e expectoração há três semanas ou mais;
       apresentem alterações radiológicas pulmonares.

      Recomenda-se, ainda, o controle de qualidade das baciloscopias. Para este fim, os
laboratórios de âmbito local deverão guardar todas as lâminas examinadas, positivas e
negativas, para enviá-las, se solicitado, ao laboratório supervisor.

      Cultura para micobactéria
       A cultura, comumente realizada no meio Lowenstien-Jesen, é até o momento o
diagnóstico de certeza da tuberculose com o isolamento e a identificação do bacilo.
       A cultura é indicada para os suspeitos de tuberculose pulmonar persistentemente
negativos ao exame direto e para o diagnóstico de formas extrapulmonares como
meningoencefálica, renal, pleural, óssea ou ganglionar. A cultura também está indicada
nos casos de suspeita de resistência bacteriana às drogas, seguida do teste de sensibilidade,
e nos casos de retratamento por abandono, recidiva ou falência.
       Nos casos de suspeita de infecção por micobactérias não tuberculosas, notadamente
nos pacientes HIV positivos ou com Aids, que sempre deverão fazer cultura, deverá ser
realizada a tipificação do bacilo.

      3.1.3.2 Radiológico
       O exame radiológico é auxiliar no diagnóstico da tuberculose, justificando-se sua
utilização nos casos suspeitos. Nesses pacientes, o exame radiológico permite a seleção de

                                             59
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




portadores de imagens sugestivas de tuberculose ou de outra patologia, sendo indispensável
submetê-los a exame bacteriológico para se fazer um diagnóstico correto, já que não é
aceitável, exceto em crianças, o diagnóstico de tuberculose pulmonar sem investigação do
agente causal pela baciloscopia de escarro.
       Em suspeitos radiológicos de tuberculose pulmonar com baciloscopia direta negativa,
deve-se afastar a possibilidade de outras doenças, recomendando-se, ainda, a cultura para
2icobactéria.
       O estudo radiológico tem, ainda, importante papel na diferenciação de formas de
tuberculose de apresentação atípica e no diagnóstico de outras pneumopatias no paciente
portador de HIV/Aids ou de outras situações de imunossupressão.
       No diagnóstico de probabilidade, deve-se levar em conta que o erro causa atraso na
identificação da verdadeira doença, acarretando ao doente sofrimento físico, psicológico,
econômico e social.
       O exame radiológico, em pacientes com baciloscopia positiva, tem como função
principal a exclusão de doença pulmonar associada, que necessite de tratamento
concomitante, além de permitir avaliação da evolução radiológica dos pacientes, sobretudo
naqueles que não responderem à quimioterapia.
       Os resultados dos exames radiológicos do tórax deverão obedecer à seguinte
classificação:
       Normal – os que não apresentam imagens patológicas nos campos pulmonares.
       Seqüela – os que apresentam imagens sugestivas de lesões cicatriciais.
       Suspeito – os que apresentam imagens sugestivas de tuberculose.
       Outras doenças – os que apresentam imagens sugestivas de pneumopatia não
        tuberculosa.
      A tuberculose causa anormalidades radiográficas na maioria dos pacientes.

      A imagem radiológica na tuberculose primária
       A tuberculose primária ocorre com mais freqüência na infância, embora sua incidência
venha aumentando nos adultos. A radiografia do tórax é essencial no diagnóstico da
tuberculose da criança, já que uma significativa proporção de casos é oligossintomática e o
diagnóstico bacteriológico é mais difícil nessa faixa etária. A imagem radiológica sugestiva
da tuberculose primária é o aspecto bipolar, de aumento hilar, pela hipertrofia dos linfonodos
regionais conseqüentes da disseminação linfática do foco de. A principal alteração
parenquimatosa é representada por opacidade de limites mal definidos, sem predileção por
lobos ou segmentos, invariavelmente associada à linfonodomegalia mediastinal ou hilar
ipsi-lateral. O polo parenquimatoso e o linfonodal, associados à linfangite que interliga os
dois, o complexo de Ranke, raramente é detectado à radiografia.
       A tuberculose primária pode regredir espontaneamente, deixando como seqüelas
alterações parenquimatosas calcificadas ou não, conhecidas como nódulos de Ghon, nos


                                             60
ABORDAGEM CLÍNICA




lobos inferiores e focos de Simon nos lobos superiores. Imagens cavitárias podem surgir
no decorrer da evolução, associadas ou não à disseminação hemática e traduzem, sempre,
formas mais graves. A participação do pólo linfonodal é bem mais exuberante, sendo sua
regressão mais lenta que o pólo parenquimatoso e, portanto, mais expressivas as formas
de apresentação radiológica. Os principais linfonodos comprometidos são os da região
paratraqueal e hilar direita. Em razão da expressiva reação linfonodal observada na infância,
os fenômenos obstrutivos dominam o quadro radiológico caracterizado por atelectasias
lobares, cuja síndrome do lobo médio é o protótipo destas manifestações compressivas
(Figura 2). A erosão da parede brônquica e a consequente invasão de material caseoso
na árvore respiratória, a partir de um linfonodo, origina quadros graves, seja do ponto
de vista clínico quanto radiográfico representados por opacidades broncopneumônicas de
limites indefinidos e com tendência à confluência. O envolvimento pleural na tuberculose
da infância é raro.
                       Figura 1                                  Figura 2




Figura 1: RX em PA, demonstrando linfonodemegalia hilar direita e sinal da silhueta.
Figura 2: Perfil E demonstrando atelectasia do lobo médio caracterizada por aumento da densidade do
coração.

      A imagem radiológica na tuberculose de reinfecção ou pós-primária
       A tuberculose de reinfecção ou pós-primária é praticamente exclusiva do adulto. Tem
predileção pelos segmentos dorsais dos lobos superiores e pelos segmentos apicais dos lobos
inferiores, característica esta que sustenta o aforismo segundo o qual “o doente carrega a
tuberculose nas costas”. Em razão da predominância das lesões nos lobos superiores, a
incidência ápico-lordótica ou de Fleischner é extremamente útil para demonstrar alterações
mal definidas, escondidas pelas clavículas e arcos costais superiores.

      A evolução da lesão tuberculosa do ponto de vista radiológico
      A lesão inicial caracteriza-se por pequenas opacidades nodulares, cuja extensão não
ultrapassa o espaço intercostal ou a região apical, sendo, por conseguinte, denominada lesão
mínima ou infiltrado precoce. Este infiltrado precoce é assintomático durante algum tempo,
fato este que reforça o valor dos exames radiográficos notadamente entre os contatos. As
pequenas opacidades tendem a progredir, envolvendo o lobo, ocorrendo caseificação de
áreas mais ou menos extensas e aparecimento de imagens cavitárias, o mais importante

                                                61
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




dado radiológico desta forma. A cavitação implica a possibilidade de complicações
tanto relacionadas com a disseminação canalicular quanto em razão da erosão de vasos
arteriais, originando os pseudo-aneurismas de Rasmussen, responsáveis por hemoptises
vultosas, às vezes fulminantes. As cavidades são surpreendidas no curso da doença em
mais da metade dos casos. Têm paredes espessas, podem ser únicas ou múltiplas, variando
entre alguns milímetros a vários centímetros de diâmetro. A evolução mais freqüente da
tuberculose cavitária é a presença de opacidades acinares, denominadas de lesões satélites,
descobertas pela radiografia em mais da metade dos casos. Esta disseminação broncógena
é sugestiva de tuberculose, mesmo sendo excepcionalmente observada em outras doenças,
e compromete mais intensamente o lobo médio, língula e bases pulmonares. (Figura 3).
                  Figura 3




                                       Figura 3: Radiografia em PA, demonstrando imagem cavitária
                                       de paredes espessas, localizada no segmento apical do lobo
                                       superior direito, além de nódulos acinares compromentendo
                                       tanto o pulmão direito, quanto o esquerdo, configurando a
                                       disseminação broncógena própria da tuberculose.


      Apresentações radiológicas atípicas
      As apresentações radiológicas consideradas atípicas, representadas por formas
pseudotumorais e por alterações que envolvem os segmentos anteriores, estão
freqüentemente associadas a condições mórbidas, como diabetes mellitus e síndrome de
imunodeficiência adquirida. Nestas situações, assim como nas formas miliares, a tomografia
computadorizada do tórax (TC), mais especificamente a técnica de alta resolução, pode
demonstrar alterações não visualizadas na radiografia. Desta forma, a TC tem se mostrado
excelente método complementar à radiografia. Nas formas miliares, permite caracterizar
com mais precisão o infiltrado micronodular, demonstrando sua distribuição aleatória
e centrolobular. Permite ainda o estudo concomitante do mediastino, demonstrando
linfonodomegalias, às vezes de densidade heterogênea, dado este extremamente útil no
diagnóstico diferencial da pneumopatias associadas à AIDS.
       Nas formas pseudotumorais a TC é ainda mais útil, podendo demonstrar alterações
que sustentam a natureza benigna da lesão tais como aspectos da cavitação, ectasias
brônquicas que permeiam a massa e disseminação broncógena caracterizada pela presença
de nódulos acinares não visualizados na radiografia.

      3.1.3.3 Prova tuberculínica
       Indicada como método auxiliar no diagnóstico da tuberculose, a prova tuberculínica
positiva, isoladamente, indica apenas infecção e não é suficiente para o diagnóstico da
tuberculose doença.

                                            62
ABORDAGEM CLÍNICA




      No Brasil, a tuberculina usada é o PPD RT23, aplicada por via intradérmica no
terço médio da face anterior do antebraço esquerdo, na dose de 0,1ml, equivalente a 2
UT (unidades de tuberculina). Deve ser conservada em temperatura entre 4ºC e 8ºC, não
devendo ser congelada ou exposta à luz solar direta.
      A técnica de aplicação e o material utilizado são padronizados pela Organização Mundial
de Saúde (OMS) e têm especificações semelhantes às usadas para a vacinação BCG.
      A leitura da prova tuberculínica é realizada 72 a 96 horas após a aplicação, medindo-
se, com régua milimetrada, o maior diâmetro transverso da área de endurecimento palpável.
O resultado, registrado em milímetros, classifica-se como:
       0mm a 4mm – não-reator – indivíduo não infectado pelo M. tuberculosis ou com
        hipersensibilidade reduzida.
       5mm a 9mm – reator fraco – indivíduo vacinado com BCG ou infectado pelo
        M. tuberculosis ou por outras micobactérias.
       10mm ou mais – reator forte – indivíduo infectado pelo M. tuberculosis, que pode
        estar doente ou não, e indivíduos vacinados com BCG nos últimos dois anos.

      Algumas circunstâncias podem interferir no resultado das provas tuberculínicas, como,
      Portadores de doenças imunodepressoras:
         Sarcoidose.
         Aids.
         Neoplasias de cabeça e de pescoço.
         Doenças linfoproliferativas.
       Outras neoplasias.

      Situações com imunodepressão transitória:
         Vacinação com vírus vivos.
         Gravidez.
         Tratamentos com corticosteróides e drogas imunodepressoras.
         Crianças com menos de dois meses de vida.
       Idade acima de 65 anos.

       Todos os indivíduos infectados pelo HIV devem ser submetidos à prova tuberculínica.
Nesses casos, considera-se reator aquele que apresenta endurecimento de 5 mm ou mais, e
não-reator aquele com endurecimento entre 0 mm e 4 mm.
       Pacientes portadores do HIV ou com Aids, inicialmente não-reatores, deverão ter sua
prova tuberculínica repetida, após melhora clínica com o uso de anti-retrovirais.
       Recomenda-se a prova tuberculínica, como parte do exame médico, a todos os
profissionais dos serviços de saúde, por ocasião de sua admissão.
       Nos indivíduos vacinados com BCG, sobretudo nos imunizados há até dois anos, a
prova tuberculínica deve ser interpretada com cautela, pois, em geral, apresenta reações de
tamanho médio, embora possa alcançar 10mm ou mais segundo a vacina utilizada.

                                             63
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




     3.1.3.4 Histopatológico
        É um método empregado principalmente na investigação das formas extrapulmonares.
A lesão apresenta-se como um granuloma, geralmente com necrose de caseificação e
infiltrado histiocitário de células multinucleadas. Como esta apresentação ocorre em
outras doenças, o achado de BAAR na lesão é fundamental para auxiliar o diagnóstico de
tuberculose.

     3.1.3.5 Outros métodos de diagnóstico
      Além da bacteriologia, da radiologia, da prova tuberculínica e da histopatologia,
existem, desenvolvidas ou em desenvolvimento, outras metodologias diagnósticas.
Entretanto, pelo alto custo destes métodos e pela ausência de provas consistentes
quanto à sensibilidade, especificidade e valores preditivos, eles não devem ser usados
indiscriminadamente.
      Esses fatos não permitem sua utilização em substituição aos métodos convencionais,
devendo-se privilegiar seu uso, como auxílio diagnóstico para a tuberculose, aos serviços
de referência, serviços especializados ou instituições de pesquisa.
      Hemocultura
        Está indicada em pacientes portadores do HIV ou com Aids em que haja suspeita
        de doença micobacteriana disseminada.
      Detecção da produção de CO2
        Método radiométrico: utiliza a produção de gás carbônico pelo bacilo em
        crescimento, para a detecção de sua presença nos meios de cultura em que se
        inoculou o espécime clínico. Como no meio de cultura se adicionam nutrientes
        com carbono marcado isotopicamente, o CO2 produzido terá também o carbono
        radioativo, que poderá ser identificado por equipamento específico para esse fim.
        O método permite também a realização de teste de sensibilidade a drogas num
        tempo mais curto que o habitual, o que constitui sua grande vantagem sobre os
        métodos convencionais. Uma variação deste método detecta a produção do gás,
        por um sistema de sensores ópticos, e não por emissão de carbono marcado.
      Detecção de consumo de O2
        Mycobacteria Growth Indicator Tube (MGIT)
        Este método utiliza tubos de ensaio com meios líquidos de cultura, nos quais existe
        uma base de silicone impregnada com rutênio, metal que emite luminescências
        na ausência de O2. Se há crescimento bacteriano, há também consumo de O2 e o
        rutênio emitirá luminescências possíveis de serem detectadas com luz ultravioleta.
        O resultado é obtido num tempo mais curto que a cultura convencional e pode-se,
        também, realizar teste de sensibilidade.


                                           64
ABORDAGEM CLÍNICA




       Sorológico
        Consiste na detecção de anticorpos produzidos pelo organismo, contra componentes
        do M. tuberculosis. São utilizados antígenos purificados ou clonados, em
        metodologias que se baseiam em reações antígeno-anticorpo. São métodos muito
        rápidos, mas que têm o inconveniente de, em função da baixa especificidade dos
        antígenos disponíveis, revelar reações cruzadas com outros germes, além de outras
        circunstâncias que alteram os resultados. Além disso, ainda não é possível com
        absoluta segurança, identificar os doentes dos apenas infectados ou vacinados.
       Marcadores biológicos
        Há dois marcadores com importância clínica:
        a) A adenosinadeaminase (ADA), uma enzima presente em várias células,
          particularmente no linfócito ativado, como observado na tuberculose. A
          determinação do aumento da atividade da ADA no líquido pleural, sobretudo se
          associado a alguns parâmetros como idade (<45anos), predomínio de linfócitos
          (acima de 80%) e proteína alta (exsudato), é indicadora de pleurite tuberculosa.
          É método colorimétrico, de fácil execução em qualquer laboratório que disponha
          de um espectrofotômetro, podendo, à luz dos conhecimentos disponíveis,
          autorizar o início do tratamento para suspeita de tuberculose pleural, em que
          não seja possível a biópsia. Ressalte-se que o método a ser utilizado deve ser o
          de Giusti, feito no laboratório, que é o mais utilizado no país.
        b) O ácido tubérculo-esteárico, um metabólito do bacilo, cuja taxa aumentada, no
          liquor, indica a presença de meningoencefalite por tuberculose. Sua importância
          em outros fluidos ainda está sendo estudada. O inconveniente para sua utilização
          rotineira é o alto custo do equipamento necessário para sua determinação.
       Técnicas de biologia molecular
        Partindo-se do pressuposto de que o genoma de qualquer organismo é o que de
        mais específico existe para sua identificação, as técnicas de biologia molecular
        passaram a ser utilizadas para o diagnóstico de diversas doenças, inclusive para
        tuberculose, com a vantagem de poderem oferecer o resultado num tempo muito
        curto (algumas horas). Desta forma, desenvolveram-se várias técnicas para essa
        finalidade. Os métodos mais conhecidos de diagnóstico baseados em amplificação
        do alvo são:
        • Reação em cadeia da polimerase (PCR).
        • Amplificação mediada por transcrição (TMA).
        • Amplificação baseada na seqüência de ácidos nucléicos (NASBA).
        • Amplificação por transferência de fita (SDA).

      A reação em cadeia da polimerase, no momento o teste mais usado e já disponível para
o diagnóstico rápido na Fundação Ezequiel Dias, permite a detecção de quantidades mínimas
de material genético, sendo o precursor dos métodos baseados na biologia molecular.

                                           65
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




      Entretanto, em nossa rotina de diagnóstico, tais testes não substituem os métodos
convencionais de detecção do bacilo, devendo o PCR ser utilizado nas suspeitas clínico-
radiológicos com baciloscopias sucessivamente negativas e necessidade de diagnóstico
rápido para o pronto estabelecimento da conduta.
      Nenhum novo teste ou kit para diagnóstico da tuberculose pulmonar ou extrapulmonar
deve ser usado na rotina, sem que ele esteja validado por instituição credenciada pelo
Ministério da Saúde.

       3.1.3.6 Classificação dos doentes de tuberculose

       Tuberculose pulmonar positiva – quando apresentam:
        duas baciloscopias diretas positivas;
        uma baciloscopia direta positiva e cultura positiva;
        uma baciloscopia direta positiva e imagem radiológica sugestiva de tuberculose;
        duas ou mais baciloscopias diretas negativas e cultura positiva;

     Em caso de uma baciloscopia positiva e outra negativa, encaminhar para outros
exames; não havendo disponibilidade de meios, iniciar tratamento de prova.
     Tuberculose pulmonar negativa – quando apresentam:
        duas baciloscopias negativas, com imagem radiológica sugestiva e achados clínicos
         ou outros exames complementares que permitam ao médico efetuar o diagnóstico
         de tuberculose.
          Atenção: Antes de se optar por um diagnóstico de tuberculose pulmonar sem
          confirmação bacteriológica (tuberculose pulmonar de probabilidade), devem ser
          afastados os quadros agudos, especialmente os que apresentem febre. Nesses
          casos, o doente será reavaliado após 7 a 15 dias de tratamento sintomático ou
          com antibioticoterapia inespecífica. Quando a radiologia do tórax revela regressão
          da lesão, ele deve ser classificado como portador de infecção inespecífica; nos
          doentes adultos com sintomatologia crônica, deve-se afastar a possibilidade de
          doença pulmonar obstrutiva crônica, câncer de pulmão, micoses pulmonares,
          outras pneumopatias crônicas e infecção pelo HIV ou Aids.
     Quadro 6. Classificação da tuberculose pulmonar segundo a bacteriologia do escarro

       Critério segundo                         Resultado da                 Critério segundo
     baciloscopia e cultura          Baciloscopia           Cultura           a baciloscopia

 Pulmonar positiva                          +                 NR      Baciloscopia positiva
 Pulmonar positiva                          +                  +      Baciloscopia positiva
 Pulmonar positiva                          –                  +      Baciloscopia negativa

 Pulmonar negativa                          –                 NR      Baciloscopia negativa

 Pulmonar negativa                          –                  –      Baciloscopia negativa
 Pulmonar não realizada                    NR                 NR      Baciloscopia não realizada

Legenda: (+) positiva, (–) negativa, e (NR) não realizada
                          Fonte: Tuberculose – Guia de Vigilância Epidemiológica. FUNASA/MS. 2002. p.16
                                                    66
ABORDAGEM CLÍNICA




      Tuberculose extrapulmonar
      A tuberculose pode ainda se expressar por formas disseminadas como a miliar ou
extrapulmonares (classificadas segundo a localização: pleural, ganglionar periférica, ósteo-
articular, geniturinária, meningoencefálica e assim por diante), com base nos achados
clínicos e em exames complementares que permitam ao médico diagnosticar tuberculose.

      3.1.3.7 Diagnóstico da tuberculose na criança e no adolescente

      Pulmonar
      O diagnóstico, na prática, segundo um sistema de contagem de pontos, está sumariado
no Quadro 7 – Diagnóstico da Tuberculose Pulmonar em Crianças e em Adolescentes,
baseado em similares publicados na literatura nas últimas décadas.
      As manifestações clínicas podem ser variadas. O dado que chama atenção na
maioria dos casos é a febre, habitualmente moderada, persistente por mais de 15 dias
e freqüentemente vespertina. São comuns irritabilidade, tosse, perda de peso, sudorese
noturna, às vezes profusa; a hemoptise é rara. Há predomínio da localização pulmonar
sobre as demais formas de tuberculose, isto é, as formas extrapulmonares.
      Para todas as crianças com suspeita clínica de TB, devem ser solicitados o PPD e a
radiografia de tórax.
      Os achados radiográficos mais sugestivos da tuberculose pulmonar são: adenomegalias
hilares e/ou paratraqueais (gânglios mediastínicos aumentados de volume); pneumonias
com qualquer aspecto radiológico, de evolução lenta, às vezes associadas a adenomegalias
mediastínicas, ou que cavitam durante a evolução; infiltrado nodular difuso (padrão
miliar). Sempre deve ser feito o diagnóstico diferencial com tuberculose, em crianças com
pneumonia de evolução lenta, isto é, quando o paciente vem sendo tratado com antibióticos
para germes comuns sem apresentar melhora após duas semanas.
      A história de contágio com adulto tuberculoso, bacilífero ou não, deve ser valorizada,
principalmente nas crianças até a idade escolar.
      O teste tuberculínico pode ser interpretado como sugestivo de infecção pelo M.
tuberculosis quando superior a 10mm em crianças não vacinadas com BCG ou vacinadas há
mais de dois anos; ou superior a 15mm em crianças vacinadas com BCG há menos de dois
anos. No caso de crianças que receberam revacinação BCG, esta interpretação é discutível.
      Em crianças de até cinco anos que estejam internadas para investigação de tuberculose,
pode ser tentada a realização de cultura para M. tuberculosis em espécime de lavado gástrico.
Em serviços ambulatoriais, o lavado gástrico não é recomendado. O exame de escarro
(baciloscopia e cultura), em geral, só é possível a partir dos cinco ou seis anos.


                                              67
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




      Dependendo do quadro clínico-radiológico apresentado pela criança, podem ser
necessários outros métodos diagnósticos, tais como broncoscopia, punções e até mesmo
biópsia pulmonar por toracotomia. Nestas condições, além de exame bacteriológico, pode-
se proceder a exame cito ou histopatológico, para aumentar a chance de positividade.

      Extrapulmonar

       Algumas localizações extrapulmonares da tuberculose são mais freqüentes na infância,
como gânglios periféricos, pleura, ossos e meninges. A tuberculose do aparelho digestivo
(peritonite e intestinal), a pericardite, a geniturinária e a cutânea são mais raras.
       A tuberculose ganglionar periférica acomete com freqüência as cadeias cervicais e é,
geralmente, unilateral com adenomegalias de evolução lenta, superior a três semanas. Os
gânglios têm consistência endurecida e podem fistulizar (escrófula ou escrofuloderma). É
comum a suspeita de tuberculose em casos de adenomegalia que não responderam ao uso
de antibióticos.
       A meningoencefalite tuberculosa costuma cursar com fase prodrômica de uma a
oito semanas, quase sempre com febre, irritabilidade, paralisia de pares cranianos e pode
evoluir com sinais clínicos de hipertensão intracraniana, como vômitos, letargia e rigidez
de nuca. O liquor é claro, com glicose baixa e predomínio de mononucleares. O teste
tuberculínico pode ser não-reator, pois a forma é anérgica.
       A forma osteoarticular mais encontrada situa-se na coluna vertebral, constituindo-
se no Mal de Pott. Cursa com dor no segmento atingido e posição antálgica nas lesões
cervicais e torácicas, paraplegias e gibosidade.

      Tuberculose pulmonar + extrapulmonar
    A tuberculose pode comprometer ao mesmo tempo, mais de um órgão no sistema
em um mesmo paciente.

      O tratamento da criança

      As crianças, apesar de não constituírem uma fonte de transmissão, têm maior risco de
complicação, de ocorrência de formas graves e mortes, sendo o tratamento de fundamental
importância.
      A conduta deve ser tomada de acordo com a classificação do quadro de diagnóstico
a seguir:
       TB MUITO PROVÁVEL: tratar;
       TB POSSÍVEL: tratar ou acompanhar rigorosamente (mensalmente); considerar
        na decisão, a idade e as condições socioeconômicas;
       TB POUCO PROVÁVEL: acompanhar periodicamente (2/2 ou 3/3 meses).

      Maiores detalhes sobre o tratamento serão oferecidos no item 3.1.4 Tratamento.


                                            68
Quadro 7: Diagnóstico de tuberculose pulmonar em crianças e adolescentes negativos à baciloscopia
                                                                                       Contato
                                                                                                            Teste tuberculínico e
                          Quadro clínico-radiológico                                 com adulto                                                  Estado nutricional
                                                                                                               vacinação BCG
                                                                                     tuberculoso
     Febre ou sintomas como: tosse,    Adenomegalia hilar ou padrão miliar           Próximo, nos       Vacinados há mais de 2 anos           Desnutrição grave ou peso
     adinamia, expectoração,           • Condensação ou infiltrado (com             últimos 2 anos      • menor de 5mm                         abaixo do percentil 10
     emagrecimento, sudorese > 2         ou sem escavação) inalterado > 2              Adicionar                    0 pts                             Sisvan **
     semanas                             semanas                                         10 pts         • 5mm a 9mm                                Adicionar 5 pts
             Adicionar 15pts           • Condensação ou infiltrado (com                                        Adicionar 5pts
                                         ou sem escavação) > 2 semanas                                  • 10mm a 14mm
                                         evoluindo com piora ou sem                                           Adicionar 10pts
                                         melhora com antibióticos para                                  • 15mm ou mais
                                         germes comuns                                                        Adicionar 15pts
                                                    Adicionar
                                                      15pts




     Assintomático ou com sintomas     Condensação ou infiltrado de qualquer                            Vacinados há menos de 2




69
     <2                                tipo < 2 semanas                                                   anos
     semanas                                       Adicionar 5pts                                       • menor de 10mm
                  O pts                                                                                             0 pts
                                                                                                        • 10 mm a 14mm
                                                                                                               Adicionar 5 pts
                                                                                                        • 15mm ou mais
                                                                                                              Adicionar 15 pts
     Infecção respiratória com         Radiografia normal                            Ocasional ou       Não vacinados                           Peso igual ou acima do
     melhora após                                   Subtrair 5pts                     negativo          • menor de 5mm                                percentil 10
     uso de antibióticos para germes                                                    0 pts.                      0 pts                                0 pts
     comuns ou sem antibióticos                                                                         • 5mm a 9mm
               Subtrair 10pts                                                                                 Adicionar 5 pts
                                                                                                        • 10mm ou mais
                                                                                                              Adicionar 15 pts
        Legenda: pts = pontos. Esta interpretação não se aplica a revacinados em BCG; ** SISVAN - Sistema de Vigilância Alimentar e Nutridonal (MS/1997).
     Interpretação:    Maior ou igual a 40 pontos       30 a 35 pontos                     Igual ou inferior a 25 pontos
                       Diagnóstico muito provável       Diagnóstico possível               Diagnóstico pouco provável
                                               Fontes: Stegen G, Jones K., Kaplan P (1969) Pediatr 42:260-3: Tijidani O et al (1986 Tubercle 67:269-81; croftonJ et al (1992),
                                                                                   .
                                                                                                                    Londres. Macmilian p; 29.. adaptado por Sant’AnnaC. C.
                                                                                                                                                                                 ABORDAGEM CLÍNICA
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




3.1.4 Tratamento
      A tuberculose é uma doença grave, porém, curável em praticamente 100% dos casos
novos, desde que obedecidos os principios da moderna quimioterapia
      A regularidade no uso dos medicamentos e a eficácia do esquema são os
pontos críticos para o sucesso do tratamento da tuberculose. Outros fatores podem ser
destacados de forma menos relevante como a gravidade da doença, alimentação, repouso,
cuidados de enfermagem e traços psicológicos.
      Desta forma, a adesão ao tratamento, somado à regularidade nas tomadas dos
medicamentos, à completude do regime prescrito e ao comparecimento regular às consultas
médicas, são fatores cruciais para o sucesso de qualquer regime.

     3.1.4.1 A medicação




         Fármacos               Concentração         Forma farmacêutica              Sigla

                                    300mg
 Rifampicina + Isoniazida                                    Cápsula                  RH
                                    200mg

                                    150mg
 Rifampicina + Isoniazida                                    Cápsula               RH ½ dose
                                    100mg

        Etambutol                  400 mg                 Comprimido                  E

        Etionamida                 250 mg                    Drágea                   ET

        Isoniazida                 100 mg                 Comprimido                  H

       Pirazinamida                500 mg                 Comprimido                  Z

       Pirazinamida               3gr/100ml                  Xarope                   Z

       Rifampicina                2 gr/ 100ml              Suspensão                  R

                                                     Frasco ampola com pó
      Estreptomicina                 1 gr         liofililizado para diluição em      S
                                                           água bidestilada



                                            70
ABORDAGEM CLÍNICA




      3.1.4.2 Os esquemas padronizados
       No Brasil, os esquemas medicamentosos para o tratamento da tuberculose são
padronizados e distribuídos gratuitamente pelo Ministério da Saúde, de acordo com
a notificação dos casos. A definição do esquema mais adequado é feita com base na
forma clínica, na idade, na história de tratamento anterior e em seu resultado. Em todos
os esquemas, a medicação é de uso diário e deve ser administrada de preferência em uma
única tomada.
                                 ESQUEMAS PADRONIZADOS
                   SITUAÇÃO                                      ESQUEMA INDICADO

Caso novo de todas as formas de tuberculose
pulmonar e extrapulmonar, exceto a forma
                                                                      Esquema I
meningoencefálica, sem tratamento anterior
ou tratado por menos de 30 dias ou com
tratamento anterior há mais de 5 anos.

Retratamento de casos de recidiva após cura ou                        Esquema IR
retorno após abandono do esquema 1.                              Esquema I + Etambutol
TB meningoencefálica                                                  Esquema II
Falência dos esquemas I ou IR: falência dos
                                                                      Esquema III
esquemas básico ou básico + etambutol.



      ESQUEMA I (Básico) – 2 meses c/ RHZ / 4 meses c/ RH

      Indicado nos casos novos de todas as formas de tuberculose pulmonar e
      extrapulmonar exceto meningoencefálica.
      O Esquema 1 está indicado para os doentes Virgem de Tratamento (sem tratamento
anterior ou virgem de tratamento (VT) são os pacientes que nunca se submeteram à
quimioterapia antituberculose, ou a fizeram apenas por 30 dias), e para as doentes tratados
há mais de 5 anos, exceto os portadores de forma meningoencefálica.

                                                         Peso do paciente
    Fases do                                     Mais de 20 kg     Mais de 35 kg
                   Drogas      Até 20kg                                             Mais de 45 kg
   Tratamento                                     e até 35kg        e até 45 kg
                               mg/kg/dia              mg/dia          mg/dia           mg/dia
     1ª fase         R             10                   300              450               600
 (2 meses – RHZ)     H             10                   200              300               400
                     Z             35                 1 000            1 500             2 000
     2ª fase         R             10                   300              450               600
 (4 meses – RH)      H             10                   200              300               400

Siglas: Rifampicina = R— Isoniazida = H — Pirazinamida = Z - Etambutol = E - Estreptomicina =
S - Etíonamida = Et



                                                 71
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




ESQUEMA II – 2 meses c/ RHZ / 7 meses c/ RH

Indicado para a forma meningoencefálica da tuberculose


                                                                Peso do paciente
                             Doses para       Mais de
  Fases do                                              Mais de 35 kg       Mais de           Dose
               Drogas      todas as idades      20 kg
 Tratamento                                              e até 45kg          45 kg           máxima
                              mg/kg/dia      e até 35kg
                                              mg/dia           mg/dia           mg/dia        mg/dia
   1ª fase         R           10 a 20          300              450              600           600
  (2 meses)        H           10 a 20          200              300              400           400
     RHZ           Z             35           1 000            1 500            2 000         2 000


   2ª fase
  (7 meses)        R           10 a 20          300             450              600            600
     RH            H           10 a 20          200             300              400            400

     Orientações para o uso do esquema II
     a) Nos casos de concomitância entre tuberculose meningoencefálica e qualquer outra
        localização, usar o esquema E- II.
     b) Nos casos de tuberculose meníngoencefálica em qualquer idade, recomenda-se o
        uso de corficosteróides (prednisona, dexametasona ou outros) por um período de
        1 a 4 meses, a partir do início do tratamento.
     c) Na criança, a prednisona é administrada na dose de 1 a 2 mg/kg de peso corporal,
        até a dose máxima de 30 mg/dia. No caso de se utilizar outro corticosteróide,
        aplicar a tabela de equivalência entre eles.
     d) A fisioterapia na tuberculose meningoencefálica deverá ser iniciada o mais cedo
        possível, com o objetivo de prevenir seqüelas motoras e sensitivas.

ESQUEMA l Reforçado (Esquema – IR – 2 meses c/ RHZE / 4 meses c/ RHE
Indicado nos casos de recidiva após cura ou retorno após abandono do esquema I

                                                         Peso do paciente
   Fases do                                     Mais de 20 kg      Mais de 35 kg
                   Drogas        Até 20kg                                                Mais de 45 kg
  Tratamento                                     e até 35kg         e até 45 kg
                                 mg/kg/dia            mg/dia            mg/dia              mg/dia
     1ª fase           R             10                 300               450                  600
(2 meses – RHZE)       H             10                 200               300                  400
                       Z             35               1 000             1 500                2 000
                       E             25                 600               800                1 200


     2ª fase           R             10                 300               450                 600
                       H             10                 200               300                 400
 (4 meses – RHE)
                       E             25                 600               800                1200


                                                72
ABORDAGEM CLÍNICA




     Orientações para o uso do Esquema IR (Reforçado)

     a) Os casos de recidiva de esquemas alternativos por toxicidade ao esquema E-I devem
        ser avaliados para prescrição de um regime de tratamento individualizado.
     b) O paciente que apresentar alteração da visão deverá ser encaminhado para uma
        unidade de referência, com o objetivo de avaliar a relação deste achado com o
        uso do etambutol.
     c) O paciente que retorna ao sistema de saúde após abandono de tratamento
        deve receber a investigação diagnóstica da doença como um caso novo, com
        baciloscopia e cultura, antes da reintrodução do regime de retratamento.


ESQUEMA III – 3 meses c/ SZEET / 9 meses c/ EET
Indicado nos casos de falência de tratamento dos Esquemas I e IR
                                                   Peso do paciente
   Fases do                               Mais de 20 kg     Mais de 35 kg
                   Drogas   Até 20kg                                         Mais de 45 kg
  Tratamento                               e até 35kg        e até 45 kg
                            mg/kg/dia           mg/dia         mg/dia           mg/dia
     1ª fase         S          20                500           1 000            1 000
 (3 meses–SZEEt)     Z          35              1 000           1 500            2 000
                     E          25                600             800            1 200
                     Et         12                250             500              750


     2ª fase         E          25                600             800            1 200
                     Et         12                250             500              750
 (9 meses – EEt)


     Orientações para o uso do Esquema III
     a) A estreptomicina deve ser usada por via intramuscular (IM). Em situações especiais,
        pode ser aplicada por via endovenenosa (EV), diluída a 50 ou 100 ml de soro
        fisiológico sendo administrada lentamente, por no mínimo meia hora.
     b) Em casos especiais. com dificuldades de aceitação de droga injetável ou para
        facilitar seu uso supervisionado na Unidade de Saúde, o regime de uso da
        estreptomicina pode ser alterado para aplicações de 2ª a 6ª feira por 2 meses e
        duas vezes por semana, por mais 4 meses.
     c) Em pessoas maiores de 60 anos, a estreptomicina deve ser administrada na dose
        de 500 mg/dia.
       Quando ocorre falência do esquema III, deve ser considerada a possibilidade de
tratar-se de tuberculose multirresistente (TBMR). Nessa situação, encaminha-se o doente
para unidades de referência capacitadas para o devido acompanhamento. Nestas unidades,
serão indicados regimes especiais, com esquemas mais adequados de drogas alternativas.


                                           73
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




       Para esses pacientes será obrigatório o teste de sensibilidade às drogas. Recomenda-
se a supervisão do tratamento, preferencialmente, com a hospitalização inicial dos casos
mais graves ou de difícil adesão, em hospitais ou enfermarias especilamente preparadas
para essa situação. As drogas deverão ser fornecidas pelo Ministério da Saúde sob estreita
vigilância, de acordo com a demanda infromada pelos serviços e pela Coordenação
Estadual do programa.

      ESQUEMA PARA MULTIDROGARESISTENTE (MDR)

       O tratamento tem duração igual ou superior a 18 meses, com uso diário da
        medicação por pelo menos 12 meses.

       É recomendada a supervisão das tomadas, envolvendo a unidade de saúde
        próxima ao domicílio e dos familiares.


         • AMICACINA: 500mg – 1 g, IM ou IV, 05 vezes/semana x 08 semanas e 2
            vezes / semana x 10 meses = 12 meses

         • OFLOXACINO: 600 a 800mg /dia;
         • TERIZIDONA: 500mg a 750mg/dia;
         • ETAMBUTOL: 800mg a 1,2 g/dia;
         • CLOFAZIMINE: 100mg/dia.


      3.1.4.3 Efeitos colaterais no uso de drogas antituberculose e conduta

      A maioria dos pacientes em tratamento da tuberculose consegue completar o tempo
recomendado sem manifestar qualquer efeito colateral relevante. Os fatores relacionados
às reações são multifatoriais; todavia, os maiores determinantes destas reações se referem
à dose, aos horários de administração da medicação, à idade, ao estado nutricional, ao
alcoolismo, às condições da função hepática e renal e à coinfecção pelo HIV. Intolerância
gástrica, manifestações cutâneas variadas, icterícia e dores articulares são os efeitos mais
freqüentemente descritos durante o tratamento com o esquema E-1. Os pacientes devem
ser advertidos sobre estas possibilidades e, caso se manifestem, orientados a procurar
imediatamente o médico.
       Mediante esses efeitos, a conduta está sumariada nos quadros a seguir, conforme a
classificação: efeitos menores e efeitos maiores. Os efeitos menores ocorrem entre 5% a 20%
dos casos e não implicam na modificação imediata do esquema padronizado; os efeitos
maiores, que implicam na interrupção ou alteração do tratamento, são menos freqüentes,
em torno de 2%, podendo chegar a 8% em serviços especializados.

                                               74
ABORDAGEM CLÍNICA




        Efeitos menores

                 EFEITO                      DROGA                       CONDUTA
                                      Rifampicina          Reformular os horários de
Irritação gástrica (náusea, vômito)
                                      Isoniazida           administração da medicação.
Epigastralgia e dor abdominal
                                      Pirazinamida         Avaliar a função hepática.
                                      Pirazinamida
Artralgia ou Artrite                                       Medicar com ácido acetilsalicílico.
                                      Isoniazida
Neurapatia perilérica                 Isoniazida
                                                           Medicar com piridoxina ( vit B6)
(queimação das extremidades)          Etambutol
Cefaléia e mudança de
comportamento (euforia, insônia,      Isoniazida           Orientar
ansiedade e sonolência)
Suor e urina de cor laranja           Rifampicina          Orientar
                                      Isoniazida
Prurido cutâneo                                            Medicar com anti-histamínico
                                      Rifampicina
                                      Pirazinamida
Hiperuricemia (com ou sem sintomas)                        Orientar (dieta hipopurínica)
                                      Etambutol
                                      Rifampicina
Febre                                                      Orientar
                                      Isoniazida

        Efeitos maiores

                 EFEITO                      DROGA                       CONDUTA
                                                           Suspender o tratamento.
                                                           Reintroduzir o tratamento droga a droga
                                      Estreptomicina
Exanternas                                                 após resolução.
                                      Rifampicina
                                                           Subsitituir o esquema nos casos graves
                                                           ou reincidentes
                                                           Suspender a droga e substituí-la pela
Hipocusia                             Estreptomicina
                                                           melhor opção.
                                      Isoniazida           Suspender a droga e substuí-la pela
Vertigem e nistagmo
                                                           melhor opção.
Psicose, crise convulsiva,                                 Substituir por estreptomicina +
                                      Isoniazida
encefalopatia tóxica e coma                                etambultol
                                      Etambutol
Neurite óptica                                             Substituir
                                      Isoniazida
Hepatotoxidade (vômitos, alteração
das provas de função hepática,        Todas as drogas      Medicar com anti-histamínico
hepatite)
Trombocitopenia, leucopenia,                               Dependendo da gravidade suspender
                                      Rifampicina
eosinofilia, anemia, hemolítica,                           o tratamento e reavaliar o esquema de
                                      Isoniazida
agranulocitose, vasculite                                  tratamento.
                                      Rifampicina
Nefrite intersticial                  principalmente       Suspender o tratamento.
                                      intermitente
Rabdomiólise com mioglobinuria e
                                      Pirazinamida         Suspender o tratamento.
insuficiência renal


        O Quadro 8 traça, a partir dos principais fármacos antituberculose, os mais importantes
efeitos adversos e as condutas recomendadas.

                                                   75
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




Quadro 8: Efeitos adversos dos principais remédios antituberculose e condutas recomendadas
 MEDICA-
                          EFEITOS ADVERSOS                                          CONDUTAS
 MENTOS
                   1. Irritação gástrica (náusea, vômito).        1. Reformular os horários de administração da
                   2. Epigastralgia e dor abdominal.                 medicação.
                   3. Suor e urina cor de laranja.                2. Avaliar a função hepática.
                   4. Prurido cutâneo.                            3. Orientar.
                   5. Febre.                                      4. Medicar com anti-histamínico.
                   6. Exantemas.                                  5. Orientar.
    Rifampicina




                   7. Hepatotoxicidade (hepatite,                 6. Suspender o tratamento.
                      alteração das provas de função                 Reintroduzir o tratamento droga a droga após
                      hepática).                                     resolução.
                   8. Trombocitopenia, leucopenia,                   Substituir o esquema nos casos graves ou
                      eosinofilia, anemia hemolítica,                reincidentes.
                      agranulocitose, vasculite.                  7. Suspender o tratamento temporariamente até
                                                                     resolução.
                                                                  8. Dependendo da gravidade, suspender
                                                                     o tratamento e reavaliar o esquema de
                                                                     tratamento.
                   1. Irritação gástrica (náusea, vômito).        1. Reformular os horários de administração da
                   2. Epigastralgia e dor abdominal.                 medicação.
                   3. Artralgia ou artrite.                       2. Avaliar a função hepática.
                   4. Neuropatia periférica (queimação            3. Medicar com ácido acetilsalicílico.
                      das extremidades).                          4. Medicar com piridoxina (vit B6).
                   5. Cefaléia e mudança de                       5. Orientar.
                      comportamento (euforia, insônia,            6. Orientar.
    Isoniazida




                      ansiedade e sonolência).                    7. Substituir por estreptomicina + etambutol.
                   6. Febre.                                      8. Substituir.
                   7. Psicose, crise convulsiva,                  9. Suspender o tratamento temporariamente até
                      encefalopatia tóxica e coma.                   resolução.
                   8. Neurite ótica.                              10. Dependendo da gravidade, suspender
                   9. Hepatotoxicidade (hepatite,                    o tratamento e reavaliar o esquema de
                      alteração das provas de função                 tratamento.
                      hepática).
                   10. Trombocitopenia, leucopenia,
                      eosinofilia, anemia hemolítica,
                      agranulocitose, vasculite
                   1. Irritação gástrica (náusea, vômito).        1. Reformular os horários de administração da
                   2. Epigastralgia e dor abdominal.                 medicação.
                   3. Artralgia ou artrite.                       2. Avaliar a função hepática.
    Pirazinamida




                   4. Hiperuricemia ( com ou sem                  3. Medicar com ácido acetilsalicílico.
                      sintomas).                                  4. Orientação dietética (dieta hipopurínica)
                   5. Hepatotoxicidade (hepatite,                    Medicar com halopurinol
                      alteração das provas de função              5. Suspender o tratamento temporariamente até
                      hepática).                                     resolução.
                   6. Nefrite intersticial, rabdomiólise com      6. Suspender o tratamento.
                      mioglobinúria e insuficiência renal.

                   1. Neuropatia periférica (queimação            1. Medicar com piridoxina (vit B6).
                      das extremidades).                          2. Orientação dietética (dieta hipopurínica)
    Etambutol




                   2. Hiperuricemia (com ou sem                      Medicar com halopurinol
                      sintomas).                                  3. Substituir.
                   3. Neurite ótica.                              4. Suspender o tratamento temporariamente até
                   4. Hepatotoxicidade (hepatite,                    resolução.
                      alteração das provas de função
                      hepática)


                                                             76
ABORDAGEM CLÍNICA




                               1. Prurido cutâneo.                          1. Medicar com anti- histamínico.
                               2. Exantemas.                                2. Suspender o tratamento.
                               3. Hipoacusia.                                  Reintroduzir o tratamento droga a droga após
            Estreptomicina


                               4. Vertigem e nistagmo.                         resolução.
                               5. Hepatotoxicidade (hepatite,                  Substituir o esquema nos casos graves ou
                                  alteração das provas de função               reincidentes.
                                  hepática)                                 3. Substituir a medicação por etambutol.
                                                                            4. Substituir a medicação por etambutol.
                                                                            5. Suspender o tratamento temporariamente até
                                                                               resolução
Fonte: Controle da Tuberculose – Uma proposta de Integração Ensino Serviço. FUNASA / MS. 2002. p. 123.

                       3.1.4.4 Conduta nos casos de intolerância medicamentosa

EFEITO                                SITUAÇÃO                                           CONDUTA
                             A combinação RMP + INH + a) Suspender os medicamentos por 48 a 72 horas,
                             PZA pode estar associada com      recomendando o uso de sintomáticos.
                             irritação gástrica.               Controlados os sintomas, reiniciar o tratamento, indicando
                             São referidas náuseas, pirose,    a administração da pirazinamida após o almoço e da
  Irritação gástrica




                             epigastralgia que, na maioria     rifampicina combinada com a isoniazida após o desjejum.
                             das vezes, ocorrem na primeira b) Havendo novas queixas, suspender todas os
                             fase do tratamento.               medicamentos por mais 24 horas e reiniciar o tratamento
                                                               – uma droga a cada 48 horas, na seguinte ordem:
                                                               pirazinamida, isoniazida e finalmente rifampicina.
                                                            c) Quando não houver resolução das queixas e nesta fase já
                                                               tiver sido identificada a droga responsável pelos sintomas,
                                                               proceder à modificação do esquema, conforme se segue:
                                                            • Substituição da pirazinamida – 2 RHE/ 4 RH
                                                            • Substituição da isoniazida – 2 RESZ/ 4 RE
                                                            • Substituição da rifampicina – 2 SEHZ/ 10 HE
                             Os medicamentos usados             O tratamento só deverá ser interrompido quando os valores
                             nos esquemas de tratamento         das enzimas atingirem três vezes o seu valor normal, com
                             da tuberculose apresentam          início de sintomas ou logo que a icterícia se manifeste,
                             interações entre si e com outros   encaminhando o doente a um serviço de maior poder
                             medicamentos que aumentam          resolutivo para acompanhamento clínico e laboratorial, além
                             o risco de hepatotoxicidade.       da adequação do tratamento, caso seja necessário.
                             Em cerca de 5% dos pacientes,      Se, após a interrupção do tratamento houver redução
  Hepatotoxicidade




                             observa-se, nos dois primeiros     dos níveis séricos das enzimas hepáticas e resolução dos
                             meses de tratamento, elevação      sintomas, indica-se a reintrodução do esquema E- 1, da
                             assintomática dos níveis séricos   seguinte maneira:
                             das enzimas hepáticas, seguida     • Icterícia sem aumento sérico das enzimas hepáticas
                             de normalização espontânea,           – iniciar o tratamento com rifampicina, acrescentar
                             sem qualquer manifestação             isoniazida e, por último, pirazinamida, com intervalo de
                             clínica e sem necessidade             três dias entre elas.
                             de interrupção ou alteração do     • Icterícia com aumento sérico das enzimas hepáticas
                             esquema terapêutico.                  – iniciar o tratamento com isoniazida, acrescentar
                             É importante considerar o             rifampicina e, por último, pirazinamida, com intervalo
                             peso do paciente quando               de três dias entre elas, ou substituir o esquema 1 por um
                             indicar a dose do                     esquema alternativo: estreptomicina/ etambutol/ isoniazida
                             medicamento.                          (SEH) ou estreptomicina/ etambutol/ ofloxacino (SEO)




                                                                       77
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




EFEITO                                                  SITUAÇÃO                                          CONDUTA
                                               A hiperuricemia é causa de         Na presença de hiperuricemia, deve-se fazer
                                               graves problemas renais:           orientação dietética (dieta hipopurínica) com
                                               nefrolitíase, nefropatia por       ou sem associação de alopurinol nas doses
                                               uratos ou por ácido úrico          convencionais.
                                               que podem evoluir com              A artralgia e a artrite costumam responder ao
                                               insuficiência renal.               uso de antiinflamatórios não hormonais.
  Hiperuricemia e artralgia




                                               A hiperuricemia assintomática
                                               é um efeito adverso, freqüente
                                               durante o uso da pirazinamida
                                               e em menor freqüência com
                                               o uso do etambutol, sendo
                                               a gota, nestes casos, uma
                                               manifestação rara.
                                               As artralgias, quando não
                                               relacionadas à hiperuricemia,
                                               são freqüentemente associadas
                                               ao uso da pirazinamida.
                                               A artrite é descrita com uso de
                                               isoniazida; no entanto, não se
                                               caracteriza como efeito adverso
                                               comum.
                                               A neuropatia periférica é          A suplementação de piridoxina pode amenizar os sintomas
                                               associada ao uso da isoniazida     de neuropatia periférica sem interferir com o efeito
                                               em cerca de 17 % dos               antibacteriano.
                                               pacientes que utilizam doses       Nos casos de efeitos mais graves, como crise convulsiva, o
                                               maiores de 300 mg/ dia e em        paciente deve ter a medicação imediatamente interrompida e
                                               menor freqüência ao uso do         ser encaminhado à unidade de maior resolução.
                                               etambutol.
                                               A neurite ótica se manifesta
                                               com redução do campo visual
  Manifestações neurológicas e psiquiátricas




                                               ou redução da acuidade
                                               ou da visão de cores; é
                                               incomum durante o uso da
                                               isoniazida e está relacionada
                                               ao etambutol, em geral
                                               em doses altas ou por uso
                                               prolongado.
                                               Os distúrbios do
                                               comportamento, as
                                               alterações do ritmo do sono,
                                               a redução da memória e as
                                               psicoses já foram descritas
                                               durante o uso da isoniazida.
                                               A crise convulsiva e o coma
                                               são descritos pela ingestão
                                               excessiva da isoniazida.
                                               A toxicidade acústica (ou
                                               vestibular) é complicação
                                               relacionada ao uso da
                                               estreptomicina.
                                               O alcoolismo, a diabetes
                                               mellitus, a desnutrição e a
                                               uremia são fatores
                                               predisponentes para todas as
                                               manifestações neurológicas e
                                               psiquiátricas aqui relacionadas.


                                                                                         78
ABORDAGEM CLÍNICA




 EFEITO                                   SITUAÇÃO                                        CONDUTA
                                 A trombocitopenia, a             Suspender o tratamento diante desses achados e
   Alterações hematológicas


                                 leucopenia, a                    acompanhar com exames de sangue. A reintrodução dos
                                 eosinofilia, a agranulocitose,   medicamentos estará relacionada à evolução do quadro.
                                 a anemia, a vasculite com        Pode ser necessário o uso de corticosteróides sistêmicos
                                 formação de anticorpos
                                 antinucleares são alterações
                                 relacionadas à
                                 hipersensibilidade ao uso
                                 da isoniazida ou a altas doses
                                 ou ao esquema intermitente
                                 com rifampicina.
                                 A nefrite intersticial descrita  Exame do sedimento urinário, bioquímica sérica e
                                 durante o uso da rifampicina     hemograma realizados regularmente podem auxiliar na
                                 ou da pirazinamida (por          identificação precoce do problema.
                                 depósitos de cristais de
                                 uratos) e a rabdomiólise com
   Nefrotoxicidade




                                 conseqüente mioglobinúria
                                 observada como complicação
                                 ao uso da pirazinamida são
                                 causas de insuficiência renal
                                 aguda, identificada por oligúria
                                 e algumas vezes exantema e
                                 febre.
                                 A nefrotoxicidade devida ao
                                 uso de estreptomicina é menos
                                 freqüente do que com outros
                                 aminoglicosídeos.

Fonte: Controle da Tuberculose – Uma proposta de Integração Ensino Serviço. FUNASA / MS. 2002. p. 124 e 125.

                              3.1.4.5 Outras reações
     Durante o uso da isoniazida os seguintes sintomas são possíveis: febre, adenomegalia,
exantema, acne e síndrome semelhante à do Lupus Eritematoso Sistêmico.
     Pacientes que usam rifampicina irregularmente podem queixar-se de falta de ar ou
de uma síndrome semelhante à gripe, caracterizada por cefaléia, mialgia, tonteira, febre
com calafrios e dor nos ossos ou choque.
       Conduta
        Nos casos de falta de ar ou de choque, a rifampicina deve ser imediatamente
interrompida. Em geral, a síndrome gripal regride com a regularização das doses; em casos
graves, recomenda-se a sua interrupção.

                              3.1.4.6 Situações especiais
        a) Hepatopatas
        A rifampicina é uma droga metabolizada no fígado e excretada principalmente pela via
biliar. Nos hepatopatas moderados e graves, há redução da metabolização da rifampicina,
aumentando a quantidade do antibiótico livre que segue para o intestino para ser reabsorvido,
elevando assim o seu nível sérico. Pelo exposto, nos alcoolistas, nos cirróticos, nos pacientes
com hepatite aguda ou crônica, o uso da rifampicina deverá ser evitado; nos casos em que
seu uso é indispensável, a dose deverá ser reduzida em 30% a 40%.

                                                                         79
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




      A isoniazida é também metabolizada (acetilada) no fígado e eliminada na sua maior
parte pela urina, sendo que a capacidade de acetilar a isoniazida com maior ou menor
rapidez é determinada geneticamente. É uma droga hepatotóxica, cujo efeito fica mais
evidente em pacientes com mais de 50 anos ou nos hepatopatas que terão meia vida de
isoniazida mais longa e níveis séricos mais altos. Nos casos de insuficiência hepática grave,
mais seguro será a redução da dose à metade.
      A pirazinamida é hidrolizada no fígado e subseqüentemente excretada por filtração
glomerular renal. Paciente com conhecida doença hepática prévia deverá ser submetido a
freqüentes testes da função hepática, além de acompanhamento clínico rigoroso e, algumas
vezes, de redução da dose para 25 mg/ kg (dose máxima de 2g). Em caso de hepatite
crônica ativa, cirrose hepática ou insuficiência hepática grave é aconselhável evitar o uso
da pirazinamida associada com a rifampicina. Nestes casos, deve-se iniciar o tratamento
com a associação: estreptomicina / etambutol / isoniazida.

       b) Nefropatas
        Nos pacientes nefropatas, é necessário conhecer o clearance da creatinina antes de
iniciar o esquema terapêutico, para que seja realizado o ajuste das doses.

                                 (140 – idade) x ( peso/ kg) para homens ( x 0,85 para mulheres)
Clearance de creatinina =
                                                    72 x creatinina sérica mg%

          Quadro 9: Ajuste das doses das drogas antituberculose na insuficiência renal

                                 Clearance de creatina
 Medicamento      Método                ml/min                       Suplementação por por diálise
                               > 50-90   10-50    < 10
                                                                 HEMO: desconhecida
 Etambutol           D         100%      50-100% 25-50%          CAPD: desconhecida
                                                                 CAVH: desconhecida
                                                                 CAPD: desconhecida
 Etionamida          D         100%      100%         50%        CAVH: desconhecida
                                                                 HEMO: dose após diálise
                                                                 CAPD; dose p/clearence 10-50
 Isoniazida          D         100%      75-100% 50%             CAVH: dose p/ clearence 10-50
                                                                 HEMO: dose após diálise
 Pirazinamda          I        q 24h     q 24h       q 48-72h    CAPD: desconhecida
                                                                 CAVH: provável remoção-dose p/ clearence
                                                                 10-50
 Rifampicima         D         100%      100%        100%        HEMO: nada
                                                                 CAPD: nada
                                                                 CAVH:nada
 Estreptomicima       I        q 24h     q 24-72h     q72-       HEMO: dose após diáluse 1/2 normal
                               96h                               CAPD: dose p/GFR 10-50
                                                                 CAVH:doae P/GFR 10-50

                          (Diseases of kidney -6th ed./ edited by Robert W. Schrier, Carl W. Gottachalk) 1997.

CAVH: hemofiltragem artério-venosa contínua                  CAPD: diálise peritoneal crônica ambulatorial
D: redução da dose                                           I: aumento do intervalo entre as doses
GFR: fitração glomerular renal

                                                      80
ABORDAGEM CLÍNICA




 3.1.4.7 Interações medicamentosas dos tuberculostáticos com outras drogas

TUBERCULOSTÁTICO               EFEITO ESPERADO                OUTRA(S) DROGA(S)
                                                              Anticoagulantes orais,
                                                              anticoncepcionais,
                                                              hipoglicemiantes orais,
                                                              beta agonistas, cetoconazol,
                        Diminui o nível sérico
                                                              corticosteróides, digitálicos,
                                                              enalapril, metadona, narcóticos
                                                              e analgésicos, propafenona,
                                                              quinidina e teofilina.

                                                              INH+ Cetoconazol, fenil
  RIFAMPICINA
                        Maior hepatotoxidade                  hidantoínas, etionamida,
                                                              isoniazida, sulfas

                        Maior excreção de ácido úrico         Pirazinamida

                        Hipoglicemia                          Sulfaniluréias

                        Aumenta a toxicidade da RMP   ,
                        enquanto seus níveis séricos são      Ritonavir, indinavir e saquinavir.
                        diminuídos

                        Diminui absorção de INH               Antiácidos, derivados imidazólicos

                        Maior hepatotoxidade                  Fenil hidantoinatos e rifampicina.

                        Diminuiu o seu metabolismo            Acetaminofen

                        Aumenta seu efeito                    Benzodiazepínicos

                        Indução de toxicidade                 Carbamazepina
  ISONIAZIADA           Maior neurotoxicidade                 Cicloserina

                        Maior metabolismo da INH              Corticóides

                        Inibição da MAO                       Queijos e vinhos

                        Hipoglicemia                          Sulfaniluréias

                        Potencializa neurite periférica       DDI e DDC

                                                              Rifampicina, Isoniazida e
  PIRAZINAMIDA          Maior hepatotoxicidade
                                                              Cetoconazol

                        Diminui absorção do E M B              Antiácidos
   ETAMBUTOL
                        Potencializa a neurite periférica     DDI e DDC

                        Maior nefrotoxicidade                 Cefalosporinas, polimixinas
 ESTREPTOMICINA
                        Efeito aditivo                        Drogas curarizantes

                        Maiores efeitos adversos              Antituberculostáticos
   ETIONAMIDA
                        Potencializa a neurite periférica     DDS

                Fonte: Tuberculose – Guia de Vigilância Epidemiológica. FUNASA / MS. 2002. p.91,92.

                                          81
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




     3.1.4.8 Normas para fornecimento dos tuberculostáticos

     Para possibilitar o fornecimento adequado e racional dos tuberculostáticos a todos
os pacientes, evitando faltas e excessos torna-se necessário a adoção de medidas, aliando
na padronização de condutas a qualidade do medicamento e a informação necessária
à vigilância epidemiológica da doença. Desta forma, as Unidades Básicas de Saúde
devem observar as seguintes orientações para a dispensação de tuberculostáticos, também
resumidas no fluxograma a seguir.
      A farmácia do posto ou da instituição de saúde deverá ser a responsável pela
        guarda, armazenamento, controle e dispensa do medicamento diretamente
        ao paciente. Atualmente, verifica-se que em muitas Unidades de Saúde, esses
        medicamentos ficam armazenados nos postos de enfermagem ou no consultório
        do médico.

      A dispensa dos tuberculostáticos deverá estar vinculada à apresentação pelo
        paciente à farmácia, da receita em duas vias + a notificação (1ª consulta) ou a
        ficha de acompanhamento mensal (pacientes já em tratamento).

      A farmácia deverá dispensar a medicação para 30 dias ou até próxima consulta
        e registrar os dados referente à dispensa, no impresso “Histórico da Dispensação
        Mensal de Tuberculostáticos”.

      A farmácia deverá encaminhar as notificações e as fichas de acompanha-
        mento recebidas para os setores ou órgãos responsáveis pelo seu lançamento no
        SINAN.

      Com base nos dados registrados no formulário “Histórico da Dispensação de
        Tuberculostáticos” do mês, a farmácia irá preencher o Mapa de Movimentação
        Mensal e de Solicitação dos Tuberculostáticos e enviá-los para a Gerência Regional
        de Saúde (GRS) de sua referência, no município, entre os dias 20 a 30 de cada
        mês.

      A GRS irá conferir e compilar os dados em uma mapa único dos municípios de
        região de sua abrangência e enviá-lo para a Coordenação Estadual de Pneumologia
        Sanitária / Secretaria Estadual de Saúde de MG (CEPS/SES-MG) entre os dias 1º
        até o dia 10 de cada mês.

      A CEPS/SES-MG, através de seu farmacêutico, irá realizar a análise dos mapas e
        liberar os medicamentos, segundo os critérios de dispensa preestabelecidos.

      O Almoxarifado da Secretaria de Estado da Saúde irá receber a fatura autorizada
        pela CEPS e realizar a liberação do medicamento para a GRS.


                                           82
ABORDAGEM CLÍNICA




FLUXOGRAMA DAS AÇÕES PARA DISPENSA DE TUBERCULOSTÁTICOS



NÍVEL                                                  AÇÕES                         RESPONSABILIDADES

                                                 Notificação ou ficha de
                                               acompanhamento + receita                    MÉDICO
                                                         em 2 vias
                        S A Ú D E




                                                            
                                             Entrega da receita + formulário
                                                                                          PACIENTE
                                                 preenchido na Farmácia
    M U N I C I P A L




                                                            
                        D E




                                        Dispensa dos tuberculostáticos ao paciente
                        B Á S I C A




                                                            
                                         Lançamento dos dados no Histórico da
                                             dispensa dos tuberculostáticos
    N Í V E L




                                                                                         FARMÁCIA
                                                                                            da UBS
                        U N I D A D E




                                         Envio das fichas de acompanhamento e
                                              notificações à Epidemiologia

                                                            
                                           Concretização dos lançamentos no
                                            impresso Histórico da Dispensa
                                             e preenchimento do mapa de
                                                 movimentação de TB

                                                            
R E G I O N A L
   N Í V E L




                                             GRS compila os dados de todos               REF. TÉCNICA
                        GRS




                                            os municípios de sua abrangência                da GRS
                                                e repassa para a CEPS



                                                            
E S T A D U A L




                                         CEPS analisa, efetua os cálculos ref. aos
   N Í V E L




                                                                                        FARMACÊUTICO
                        CEPS




                                         mapas recebidos e envia as faturas para
                                                                                          da CEPS/SES
                                          o Almoxarifado SES, que realizará a
                                           dispensa do medicamento às GRS




                                                                          83
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




3.2 O ATENDIMENTO NA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE
       É necessário orientar o usuário, em uma linguagem acessível, as características da
doença e o esquema de tratamento a ser seguido – drogas, duração, benefícios do uso
regular da medicação, conseqüências advindas do abandono do tratamento e possíveis
efeitos adversos dos medicamentos.
       É imprescindível tornar o paciente e seus familiares responsáveis pela cura, para
evitar as irregularidades no processo do tratamento.


3.2.1 O número de consultas/intervenção
      As consultas devem ser mensais e a realização da baciloscopia de controle indispensável
no 2º, 4º, 6º meses de tratamento, no esquema I e IR, e nos 3º, 6º, 9º, 12º meses, nos casos
do esquema III e esquemas especiais.
      Em situações especiais e conforme a necessidade individualizada de cada caso, outra
periodicidade e número de consultas podem ser necessárias.


3.2.2 Roteiro para Primeira Consulta
      Primeira consulta – Os principais parâmetros a serem abordados no início do
tratamento, são:
      1) Exame de comunicantes – todas as pessoas que coabitam com o paciente ou
         têm relação próxima e prolongada devem ser examinadas, segundo o protocolo.

      2) Busca de aliados – estimule o paciente a trazer um parente com quem coabita
         para vir junto à consulta. Este auxiliará na compreensão das instruções(se o
         paciente é analfabeto, este aliado pode ser de grande ajuda), será um aliado na
         adesão do paciente ao tratamento e uma fonte de informação sobre a regularidade
         do uso diário dos medicamentos e possíveis efeitos colaterais.

      3) Uso regular das drogas é fundamental nos primeiros meses – os primeiros
         meses de tratamento são fundamentais para o resultado e eventual geração de
         resistência aos quimioterápicos, pois, neste período, a carga bacilar é maior e,
         portanto, com probabilidade de presença de cepas resistentes, exigindo ação
         bactericida potente do esquema.

      4) Seja claro – não aumente e nem diminua nada do que poderá ocorrer; diga
         claramente que o tratamento é eficaz, mostre convicção; fale da regularidade;
         diga que ele pode passar mal e como poderá se conduzir e antecipar a próxima
         consulta; fale da cor da urina, pois a Rifampicina pode dar um tom alaranjado nas
         primeiras horas após a sua tomada.



                                             84
ABORDAGEM CLÍNICA




   5) Co-morbidades ou situações de ajuste de dose – pessoas com nefropatias
      devem ter suas doses ajustadas; os hepatopatas, com especial acompanhamento;
      os diabéticos que usam hipoglicemiantes orais devem passar a usar insulina em
      substituição desses; pessoas infectadas pelo HIV/Aids em uso de antiretrovirais
      devem ter orientação especial; mulheres em uso de anticoncepcional oral devem
      optar por outros métodos, como os de barreira.
   6) Não precisa realizar cultura e teste de sensibilidade – quando se trata de
      uma pessoa virgem de tratamento não é necessário o teste de sensibilidade e nem
      a cultura, pois a baciloscopia é um teste com bom valor preditivo positivo. No
      entanto, se o paciente, embora virgem de tratamento pelos critérios, apresentar
      comorbidades importantes como HIV-Aids, diabetes mellitus em uso de insulina,
      IRC em diálise e silicose, ou apresentar lesões pulmonaes prévias devido a
      micobactérias não tuberculosas, ou tiver indícios de que seja contato de outro
      paciente suspeito de resistência, a cultura deve ser pedida, sendo, nessa última
      situação, acrescida da identificação e do teste de sensibilidade.
   7) Com o consentimento do paciente, solicite teste de HIV – após esclarecer
      a razão e uma vez tendo o consentimento do paciente, solicite o teste de HIV.
   8) Tratamento supervisionado ou auto-administrado – o paciente pode receber
      medicamentos suficientes para até 30 dias de tratamento, conforme o perfil social,
      em regime auto-administrado ou preferencialmente, supervisionado e ainda que as
      tomadas sejam diárias, pode ser observado por parentes ou pela equipe de saúde.
   9) Marque a próxima consulta – procure marcar a próxima consulta regular para
      25 a 30 dias, de modo a não deixar o paciente sem medicamentos.


3.2.3 Roteiro para consultas subsequentes

   Segunda consulta – Término do primeiro mês de tratamento
   1) Procure informar-se se o paciente está fazendo uso regular dos
     medicamentos – existem algumas táticas que servem para acompanhar o uso
     regular dos medicamentos: a primeira é solicitar que ele traga as sobras do mês,
     pois assim o profissional de saúde tem como conferir o seu uso; outra tática é
     de informações através do acompanhante da consulta (o aliado) e outra por
     informações indiretas como cor da urina, etc.
   2) Procure o paciente faltoso – se o paciente faltar à consulta, não espere, proceda
      à convocação imediata pelos meios de comunicação e locomoção necessários.
   3) Exame obrigatório – o paciente deverá realizar, obrigatoriamente, uma
     baciloscopia mensal até o término do tratamento e ter o seu exame de conjuntivas,
     mucosas, mensuração de peso e temperatura. Se for diabético, solicite a glicemia.
     Já no primeiro mês, ele deve ter melhorado o apetite, aumentado o peso, diminuído
     a sudorese noturna e a expectoração, mas mantendo, ainda, a tosse.


                                         85
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




    4) Cuide dos efeitos colaterais – se o paciente estiver tendo algum efeito colateral,
       procure diminuí-lo, buscando o total conforto do tratamento.
    5) Procure saber de adoecimento entre algum contato – informe-se se alguém
       está apresentando algum problema de saúde, qualquer que seja e procure esclarecer
       do que se trata.

    Terceira consulta – Término do segundo mês de tratamento
     Repita os passos 1, 2, 3, 4 e 5 da segunda consulta
     Realize a Radiografia do Tórax – se há condição de realizar o exame, esta é
       ocasião propícia para já se observar alguma melhora do padrão radiológico.
     Suspenda a Pirazinamida – normalmente todos os parâmetros (clínicos,
       laboratoriais e radiográficos) indicam melhora da doença, mas se a baciloscopia
       mantém-se no mesmo nível do início do esquema ou, após uma pequena queda,
       volta a subir e tendo confiança no diagnóstico do laboratório, peça cultura,
       identificação e teste de sensibilidade, e mesmo assim suspenda a PZA.

    Quarta consulta – Término do terceiro mês de tratamento
     Repita os passos 1, 2, 3, 4 e 5 da segunda consulta
     Solicite cultura, identificação e teste de sensibilidade – se a baciloscopia
       voltou a subir e você ainda não tenha realizado na consulta anterior.

    Quinta consulta – Término do quarto mês de tratamento
     Repita os passos 1, 2, 3, 4 e 5 da segunda consulta
     Referêncie o paciente – se a carga voltar a subir ou se mantiver positiva,
       encaminhe o paciente para um local de referência, visando à avaliação de
       falência do esquema utilizado. Nesse caso, a referência responsável modificará o
       tratamento para o esquema III e solicitará a cultura, com identificação e teste de
       sensibilidade.

    Sexta consulta – Término do quinto mês de tratamento
     Repita os passos 1, 2, 3, 4 e 5 da segunda consulta

    Sétima consulta – Término do sexto mês de tratamento
     Repita os passos 1, 2, 3, 4 e 5 da segunda consulta
     Formule a alta e oriente sobre recidivas – oriente o paciente, descrevendo o
       quadro clínico, indicando a imediata procura do serviço caso se sinta doente.

                                          86
ABORDAGEM CLÍNICA




  3.2.4 Fluxograma: O tratamento do paciente com tuberculose
       na atenção básica



            ACS VISITA AS FAMÍLIAS, IDENTIFICA O PACIENTE COM SINTOMAS RESPIRATÓRIOS OU
                           PACIENTE PROCURA ESPONTANEAMENTE O PSF/UBS



                           C/ SINTOMAS RESPIRATÓRIOS COMPATÍVEIS COM TBC?

                  NÃO                                                       SIM
   NECESSÁRIO CONSULTA MÉDICA                          1ª SOLICITAÇÃO DE BACILOSCOPIA DE ESCARRO (NO
                                                               MOMENTO DA PRIMEIRA CONSULTA)

    SIM                      NÃO
                         RECEBE ORIENTAÇÃO E                  2ª SOLICITAÇÃO DE BACILOSCOPIA EM
ATENDIMENTO
                         EDUCAÇÃO EM SAÚDE                    OUTRA AMOSTRA DE ESCARRO NO DIA
   MÉDICO
                                                                           SEGUINTE



                                              BACILOSCOPIA POSITIVA?

                                  SIM                                             NÃO

                        OFERECER TESTE                                    COM CLÍNICA, RADIOLOGIA
                             HIV                                            E/OU EPIDEMIOLOGIA



                                                                        EXTENDER PROPEDÊUTICA
                           POSITIVO?                                      (3ª AMOSTRA DE BACI-
                                                                       LOSCOPIA COM CULTURA) E
                 SIM                                                   REFERENCIAR, SE NEGATIVA,
                                            NÃO                        PARA REALIZAR DIGNÓSTICO
                                                                             DIFERENCIAL OU
  SEGUIR PROTOCOLO                       INICIAR TRATAMENTO                INICIAR TRATAMENTO
       DST/Aids                             IMEDIATAMENTE                CONFORME PROTOCOLO
                                        CONFORME PROTOCOLO




                                                  PREENCHIMENTO DA FICHA DE
          NECESSÁRIO INTERNAÇÃO?
                                                         NOTIFICAÇÃO
                                                               +
           SIM              NÃO                   RECEITA DOS MEDICAMENTOS
  ENCAMINHA                  TRATAMENTO                  EM DUAS VIAS
     PARA                 AMBULATORIAL COM
HOSPITALIZAÇÃO            CONSULTAS MENSAIS
                                                  REGISTRO NO LIVRO DE REGISTRO E CONTROLE
                                                   DE TRATAMENTO DE CASOS DE TUBERCULOSE
                                                                  (LRCTCT).




                                                  87
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




Fluxograma: O tratamento do paciente com tuberculose na atenção básica – continuação



                             TRATAMENTO AMBULATORIAL
                               C/ CONSULTAS MENSAIS




                             PACIENTE VAI À FARMÁCIA/UBS ,
                                ENTREGA NOTIFICAÇÃO                  UBS ENCAMINHA
                          + RECEITA E RECEBE MEDICAMENTOS           NOTIFICAÇÃO A GRS
                                     PARA UM MÊS




                                CONTINUAR TRATAMENTO
                          SUPERVISIONADO PREFERENCIALMENTE



                            CONSULTAS MÉDICAS MENSAIS C/
                                   BACILOSCOPIA
                                AVALIAÇÃo NO 4º MÊS


                MELHORA CLÍNICA E                      PREENCHIMENTO DA FICHA
              BACILOSCOPIA NEGATIVA?                DE ACOMPANHAMENTO MENSAL +
                                                  LRCTCT + RECEITA DOS MEDICAMENTOS
               SIM
                                                             EM DUAS VIAS
     CONTINUAÇÃO DO
   TRATAMENTO ATÉ O 6º
   MÊS, COM AVALIAÇÃO
   CLÍNICA, RADIOLÓGICA                                PACIENTE VAI À FARMÁCIA/UBS
   E BACILOSCÓPIA NO 6º                               MENSALMENTE, ENTREGA FICHA
                                                      DE ACOMPANHAMENTO MENSAL +
                                                            RECEITA E RECEBE
                                                       MEDICAMENTOS PARA UM MÊS
           CURA?

            SIM
                             NÃO (IDENTIFICAÇÃO DA CAUSA)
   REGISTRO DE
  ENCERRAMENTO
    DE CASO NO
 LRCTCT E FICHA DE
 ACOMPANHAMENTO
                                 FALTOSO                          FALÊNCIA OU MDR
      MENSAL
                                                             (MULTIDROGARRESISTENTE)?


   UBS ENCAMINHA               BUSCA ATIVA
 INFORMAÇÃO À GRS               PELO ACS
                                                              ENCAMINHA PARA UNIDADE
                                                                  DE REFERÊNCIA




                                             88
ABORDAGEM CLÍNICA




3.2.5 Fluxograma – avaliação dos contatos domiciliares de
      casos de tuberculose pulmonar – baciloscopia positiva

    Adultos

   ACS VISITA AS FAMÍLIAS, IDENTIFICA O PACIENTE E ENCAMINHA-O PARA A EQUIPE PSF/UBS




                                     SINTOMÁTICO?

                      SIM                                      NÃO

          SEGUE FLUXOGRAMA 3.2.4
                                                    ORIENTAÇÕES E RAIO-X DE TÓRAX,
                                                            SE DISPONÍVEL




    Crianças até 15 anos


    ACS VISITA AS FAMÍLIAS, IDENTIFICA O CONTATO E O ENCAMINHA PARA A EQUIPE PSF/UBS



         VACINADAS C/ BCG                                            NÃO VACINADAS


ASSINTOMÁTICO       SINTOMÁTICO (SE ESCARRO,                             TESTE PPD
                         BACILOSCOPIA)

                                                                         REATOR?
ORIENTAÇÃO               RAIO-X DE TÓRAX
                                                                   SIM               NÃO
                                                        REALIZAR RAIO-X
                                                                                VACINAR BCG
                     OBSERVADA ALTERAÇÃO?                  DE TÓRAX

                   NÃO                 SIM

          SEM SINTOMAS                 SEGUIR            OBSERVADA ALTERAÇÃO?
       CLÍNICOS SUGESTIVOS         FLUXOGRAMA 3.2.4          SIM                     NÃO

                                                                          SEM SINTOMAS
     ORIENTAÇÃO E MEDICAÇÃO             SINTOMAS SUGESTIVOS?
                                                                            CLÍNICOS
           SINTOMÁTICA                   NÃO             SIM               SUGESTIVOS
                                    OBSERVAR        TRATAMENTO

                                                                             AVALIAR
                                                                         QUIMIOPROFILAXIA




                                             89
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




3.2.6 Formulários a serem preenchidos

       Atenção especial deve ser dada ao preenchimento dos formulários padronizados, pois
são ferramentas essenciais para a efetividade do programa de controle da tuberculose em todos
os níveis de gestão do SUS. EsSes formulários são a base das informações que desencadeiam
a Vigilância Epidemiológica não só da tuberculose como também de outros agravos e devem
ser preenchidos no momento do diagnóstico da doença (notificação do caso), nas consultas
subseqüentes (acompanhamento do caso) e em outras situações descritas a seguir:

                                          QUANDO                         QUAL           NÚMERO
     FORMULÁRIOS
                                         PREENCHER                    PROFISSIONAL      DO ANEXO

Ficha de                                                              Médico; equipe
                               No momento do diagnóstico
Notificação/Investigação                                              de enfermagem         I
                              da doença (caso confirmado)
de Tuberculose (SINAN)                                                habilitada.

                                                                      Médico; equipe
Boletim de Acompanhamento
                          A cada 3 meses                              de enfermagem        II
de Casos de Tuberculose
                                                                      habilitada
                              Mensalmente, a cada consulta            Médico; equipe
Ficha de Acompanhamento
                              do paciente e no encerramento do        de enfermagem        III
Mensal Individual
                              caso                                    habilitada.
Solicitação de Pesquisa de    No diagnóstico e no
                                                                      Médico e
BAAR para Tuberculose -       acompanhamento mensal,                                       IV
                                                                      enfermeiro
Baciloscopia                  principalmente, no 2º , 4º e 6º meses
Livro de Registro de          No registro de todas as amostras
                                                                      Bioquímico;
Baciloscopia e de Cultura     de pesquisa bacteriológica no
                                                                      Técnico de           V
para Diagnóstico e Controle   diagnóstico e no controle da
                                                                      Laboratório
da Tuberculose                tuberculose
                             Sempre que a Farmácia dispensar
Histórico da Dispensa dos    medicamentos tuberculostáticos           Farmacêutico;
Tuberculostáticos na Unidade como forma de registro para              funcionários da      VI
Básica de Saúde               subsidiar o preenchimento do mapa       Farmácia
                              de solicitação mensal.

                              Uma vez por mês para solicitação de
Mapa de Movimentação
                              tuberculostáticos de acordo com nº      Farmacêutico        VII
Mensal de Tuberculostáticos
                              de pacientes em tratamento

Livro de Registro de Pacientes
                               No registro de novos tratamentos de    Médico; equipe
e Controle de Tratamento
                               pacientes confirmados e no controle    de enfermagem       VIII
dos Casos de Tuberculose
                               de tratamento dos mesmos.              habilitada.
(Livro Preto)




                                                  90
ABORDAGEM CLÍNICA




3.3 ESPECIALIDADE: QUAL E QUANDO SERÁ
    NECESSÁRIA

      O paciente deverá ser encaminhado para uma unidade de referência de tuberculose,
quando se tratar de:
       Antecedentes ou evidências clínicas de hepatopatia aguda ou crônica;

       Doente de Aids ou soropositivo para o HIV;

       Antecedentes ou evidências clínicas de nefropatias;

       Suspeita de tuberculose multidrogarresistente e tuberculose extrapulmonar (princi-
         palmente meningite tuberculosa).


      Nesses casos, paciente deve ser acompanhado pelo pneumologista ou infectologista,
especialmente se soropositivo.
      Os pacientes em retratamento por abandono, recidiva e falência, assim como os
casos de tuberculose em crianças devem preferencialmente ser acompanhados por uma
referência secundária municipal ou terciária.



3.4 PATOLOGIAS ASSOCIADAS A SEREM
      CONSIDERADAS


3.4.1 Alcoolismo, hepatopatias, nefropatias e outras
      O paciente alcoólatra, idoso ou portador de alguma imunodeficiência deve ser
acompanhado regularmente, com atenção especial.
      O paciente que apresente hepatopatia aguda ou crônica ou nefropatia merece uma
abordagem diferenciada, principalmente no que se refere ao tratamento, descrito no item
3.1.4.5.6 Situações especiais.



3.4.2 Tuberculose associada ao HIV
      No item 1.4.1 destaca-se entre os fatores de risco, em especial, a associação tuberculose
/ HIV. Os pacientes com essa coinfecção deverão ser tratados nos serviços de referência
para HIV.
      Várias recomendações devem ser consideradas, como as relacionadas no Quadro
10, a seguir,




                                              91
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




                   QUADOR 10: RECOMENDAÇÕES TERAPÊUTICAS PARA
                        PACIENTES HIV + COM TUBERCULOSE
          Característica da situação                                    Recomendação
Paciente HIV+, virgem de tratamento parotubercu- Tratar a tuberculose durante seis meses, utilizando o
lose, com contagem de caiu Ias T-CD4+ e carga viral Esquema I(I) (E-1), recomendado pelo Ministério
não disponíveis.                                    da Saúde, aguardar estabilidade clínica e depois
                                                    realizar contagem de células T-CD4 e de carga viral
                                                    para avaliação da necessidade de terapia anti-
                                                    retroviral(2).
Paciente HIV+, virgem de tratamento para             Tratar a tuberculose durante seis meses, utilizando
tuberculose, com contagem de células T-CD4+          o Esquema I(1), recomendado pelo Ministério
acima de 350 células/mm3 (após estabilização do      da Saúde; e não iniciar terapia anti-retroviral(3).
quadro clínico de tuberculosei(2).                   Entretanto, sugere-se uma reavaliação clínico-
                                                     imunologica após 30-60 dias do início do tratamento
                                                     da tuberculose, para melhor definição da conduta.
Paciente HIV+, virgem de tratamento paro             Tratar a tuberculose durante seis meses, utilizando
tuberculose, com contagem de células T-CD4+          o Esquema l(1), recomendado pelo Ministério
entre 200 e 350 células/mm3 e carga viral para HlV   da Saúde; e, caso indicado, iniciar ou substituir o
< 100.000 cópias/ml (após estabilização do quadro    tratamento anti-retroviral por um dos seguintes
clínico de tuberculose(2)).                          esquemas compatíveis com uso concomitante de
                                                     RMP (4)
                                                     • ZDV + 3TC + ABC(5)
                                                     • 2 ITRN+EFZ(6,8)
                                                     • 3 ITRN+SQV/RTVW(6)
Paciente HIV+, virgem de tratamento para             Tratar a tuberculose durante seis meses, utilizando
tuberculose, com contagem de células T-CD4+          a Esquema I(1), recomendado pelo Ministério
entre 200 e 350 células/mm3 e carga viral para HIV   da Saúde; e, caso indicado, iniciar ou substituir o
≥100.000 cópias/ml (após estabilização do quadro     tratamento anti-retroviral por um dos seguintes
clínico de tuberculose(2).                           esquemas compatíveis com uso concomitante de
                                                     RMP(4):
                                                     • ZDV+3TC+ABC(5)
                                                     • 2 ITRN+EFZ(6,8)
                                                     • 2 ITRN+SQV/RTV(6)
Paciente HIV+, virgem da tratamento para             Tratar a tuberculose durante seis meses, utilizando o
tuberculose, com contagem de células T-CD4+          Esquema 1(1), recomendado pelo Ministério da Saúde;
abaixo de 200 células/mm3 (após estabilização do     e, caso indicado, iniciar ou substituir o tratamento anti-
quadro clínico de tuberculose(2)).                   retroviral por um dos seguintes esquemas compatíveis
                                                     com uso concomitanta de RMP(4):
                                                     • 2 ITRN+EFZ(6,2)
                                                     • 2 ITRN+SQIV/RTV(6)
Paciente HIV+ com meningoencefalite tuberculosa.     Tratar a tuberculose durante nove meses, utilizando
                                                     o Esquema II (2), recomendado pelo Ministério da
                                                     Saúde; e iniciar ou substituir a terapia anti-retroviral
                                                     por esquemas compatíveis com uso concomitante
                                                     de RMP a serem escolhidos conforme parâmetros
                                                             ,
                                                     de contagem de células T-CD4+ e carga viral
                                                     para pacientes HIV+ virgens de tratamento para
                                                     tuberculose?(2,4,5,6,8)



                                                 92
ABORDAGEM CLÍNICA




                  QUADOR 10: RECOMENDAÇÕES TERAPÊUTICAS PARA
                   PACIENTES HIV + COM TUBERCULOSE (continuação)
Paciente HIV+ em situação de retratamento para     Tratar a tuberculose durante seis meses, utilizando o
tuberculose.                                       Esquema I Reforçado – IR(9), recomendado pelo
                                                   Ministério da Saíde e iniciar ou substituir a terapia
                                                   anti-retroviral por esquemas compatíveis com uso
                                                   concomitante de RMP a serem escolhidos conforme
                                                                                 ,
                                                   parâmetros de contagem de células T-CD4+ e carga
                                                   vira; para pacientes HIV+virgens de tratamento para
                                                   tuberculose (2,4,5,6,7,8,10).
Paciente HIV+ em situação de falha a tratamento    Tratar a tuberculose durante 12 meses, utilizando o
anterior para tuterculose.                         Esquema III (11), recomendado pelo Ministério da
                                                   Saúde; e iniciar ou substituir o tratamento anti-
                                                   retroviral pelo esquema considerado mais adequado
                                                   do ponto de vista imunológico e virológico(2,4,5,6,7,8,10).
Paciente HIV+ com tuberculose multidrogar-         Encaminhar aos serviços de referência em tuber-
resistente.                                        culose, para avaliação de especialista e uso de
                                                   esquemas especiais.
Siglas:
ZDV = Zidovudina, 3TC = lamivudina, ABC = Abacavir, EFZ = Efavirens, RTV = Ritomavir,
SQV = Saquinavir, ITRN = Inibidor de Transcriptase Reserva Análogo de Nucleosídeo, ITRNN = Inibidor
de Transcriptase Reserva Não-Análogo de Nucleosídeo, IP = Inibidores de Protease.



     1. Dois meses iniciais com R+H+Z, seguidos de quatro meses com R+H (2RHZ/
        4RH).
     2. O adoecimento por tuberculose, freqüentemente, promove a elevação da carga
        viral e a diminuição da contagem de células T-CD4+ em pacientes HIV+. Sugere-
        se iniciar a terapia antituberculose, aguardar a estabilização clínica do quadro e
        depois utilizar esses exames na avaliação da indicação de terapia anti-retroviral.
        Para a escolha da opção de tratamento deve-se também avaliar o risco de toxicidade
        e a capacidade de adesão do paciente para ambos tratamentos, considerando a
        possibilidade de utilizar esquemas anti-retrovirais menos complexos ou mesmo
        a postergação do início do tratamento anti-retroviral naqueles pacientes com
        quadros de imunodeficiência menos grave.
     3. Nessa situação, alguns autores consideram a possibilidade de se iniciar tratamento
        anti-retroviral, pois há risco de progressão mais rápida da imunodeficiência causada
        pelo HIV, devendo ser avaliados os parâmetros clínicos e laboratoriais específicos
        (contagem de células T-CD4+ e carga viral) com maior freqüência. Quanto mais
        próxima de 200 células/mm3 for a contagem de células T-CD4+ e/ou maior a carga
        viral (particularmente se > 100.000 cópias/m), mais forte será a indicação para
        início da terapia anti-retroviral. É importante considerar a motivação do paciente
        e a probabilidade de adesão, antes de se iniciar o tratamento.

                                                  93
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




    4. Pacientes com tuberculose e indicação de uso do esquema I (E-1), mas que não
       possam utilizar algum dos esquemas anti-retrovirais compatíveis com Rifampicina,
       deverão ser tratados para tuberculose durante 12 meses com esquema para pacientes
       com intolerância ou contra-indicação para uso de Rifampicina, recomendado pelo
       Ministério da Saúde (dois meses iniciais com H+Z+S+E, seguidos de 10 meses
       com H+E [2HEZS/10HE]).

    5. A experiência clínica com o uso do Abacavir é limitada, em indivíduos HIV + com
       tuberculose. Para pacientes sintomáticos ou assintomáticos com imunodeficiência
       mais grave (contagem de células T-CD4+ < 200 células/mm3) e/ou carga
       viral elevada (> 100.000 cópias/ml), alguns especialistas recomendam utilizar
       preferencialmente esquemas anti-retrovirais mais potentes, contendo ITRNN ou
       IP O uso concomitante de Abacavir e outros inibidores da Transcriptase Reversa
         .
       Nucleosídeos (ITRN) com RMP não estão contra-indicados, pois não existe
       nenhuma interação farmacológica com os medicamentos antituberculose descrita
       até o momento.

    6. Nessas situações, não há dados que permitam escolher entre esquemas com
       ITRNN ou IP Entretanto, o uso de Ritonavir associado a drogas antituberculose
                  .
       utilizadas no esquema I (E-1) apresenta risco aumentado de hepatotoxicidade.
       Sugere-se monitorar cuidadosamente as transaminases e outras provas de função
       hepática do paciente durante o tratamento e não iniciar o uso de esquema com
       esse anti-retroviral associado ao esquema I (E-1), caso os níveis basais dessas
       enzimas hepáticas estejam três vezes acima dos valores de referência.

    7. Dois meses iniciais com R+H+Z, seguidos de sete meses com R+H (2RHZ/7RH).
       Observar que doses mais elevadas de Rifampicina e Isoniazida são recomendadas
       nessa situação.

    8. O Efavirenz é contra-indicado durante a gestação. Não há dados conclusivos sobre
       a segurança do Abacavir na gravidez.

    9. Dois meses iniciais com R+H+Z+E, seguidos de quatro meses com R+H+E
       (2RHZE/4RHE).

    10.Recomenda-se monitorar rigorosamente a adesão (tratamento supervisionado) e
       coletar material para teste de sensibilidade aos medicamentos antituberculose.

    11.Três meses iniciais com S+Et+E+Z, seguidos de nove meses com Et+E (3SEtEZ/
       9EtE).
                Fonte: Tuberculose – Guia de Vigilância Epidemiológica. FUNASA/MS. 2002. p. 28 a 30.




                                               94
ABORDAGEM CLÍNICA




3.5 APOIO DIAGNÓSTICO: QUAL EXAME E QUANDO
    FAZER

      Os elementos para o diagnóstico da tuberculose pulmonar bacilífera na Atenção
Básica são, além da história clínica, a baciloscopia direta do escarro, a radiografia do tórax
e a prova tuberculínica.
       A baciloscopia direta do escarro é método fundamental, pois permite
         descobrir as fontes mais importantes de infecção – os casos bacilíferos. Esse exame
         deve ser solicitado sempre para as pessoas que procurem o serviço de saúde
         com sintomas respiratórios – tosse com expectoração por três ou mais semanas,
         pacientes com alterações radiológicas no tórax e contatos de casos de tuberculose
         pulmonar com queixas respiratórias. Recomenda-se a coleta de duas amostras:
         uma na primeira consulta e a segunda na manhã do dia seguinte.

       O exame radiológico é auxiliar no diagnóstico da tuberculose. A radiologia
         permite a identificação de pessoas portadoras de imagem sugestivas de tuberculose
         ou de outras patologias e permite também a avaliação da evolução radiológica
         dos pacientes, sobretudo naqueles que não responderam ao tratamento.

       A prova tuberculínica é também um método auxiliar no diagnóstico. A
         prova tuberculínica, quando reatora, isoladamente, indica apenas a presença de
         infecção e não é suficiente para diagnóstico de tuberculose doença. O teste de
         PPD deve ser realizado em todos os profissionais de saúde na admissão, e em
         todos os indivíduos infectados pelo HIV, além de ser um dos critérios diagnósticos
         da tuberculose pulmonar em crianças e adolescentes negativos à baciloscopia.

       A todo doente com diagnóstico de tuberculose confirmado, deve ser
         oferecido o teste sorológico anti – HIV.

       Outros exames auxiliares para o diagnóstico são: cultura para micobactéria,
         principalmente, nos casos de tuberculose pulmonar persistentemente negativos
         ao exame direto do escarro e nas demais indicações do item 3.1.3.1 Diagnósticos
         Bacteriológico; exame histopatológico, principalmente nas formas extra-pulmonares;
         marcadores biológicos (ADA), técnicas de biologia molecular, conforme detalhado
         no item 3.1.3 Diagnóstico.




                                             95
IV A ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA
  .
A ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA




4.1 AS COMPETÊNCIAS DAS UNIDADES DE SAÚDE

      As principais estratégias para o pleno desenvolvimento das competências das unidades
de saúde são a implantação de programas de controle, conforme normatização descrita e
a melhoria das condições gerais dessas instituições, o que seria benéfico também para o
controle de outras doenças transmissíveis. Os programas de controle da tuberculose devem
possibilitar a descoberta precoce dos casos e o início rápido do tratamento supervisionado,
além da abordagem sistematizada dos casos suspeitos e dos pulmonares com o exame de
escarro positivo, especialmente até que se tornem não transmissíveis, o que ocorre em
torno de 15º dia de tratamento adequado.


Unidades tipo 1
      Estas unidades, de baixa complexidade técnica, têm como principal função a execução
das ações para o controle da tuberculose no município. São classificadas como de baixa
complexidade as ações padronizadas e realizadas em grande escala, sem necessidade
de equipamentos sofisticados, supervisionadas por profissional de nível superior, não
necessariamente residente no próprio município. (NOB/SUS 96).
      Em todos os municípios do país, bem como nos serviços de saúde que realizam
atividades mais simples do SÚS, devem ser realizadas as ações para a descoberta dos casos
infectantes da tuberculose, pela baciloscopia direta do escarro, a anulação dessas fontes
de infecção mediante tratamento padronizado, a vigilância epidemiológica dos focos na
comunidade e a vacinação com BCG.


Unidades tipo 2
      O denominador comum que as diferencia das Unidades tipo 1 é a existência de
aparelho de RX na própria unidade ou a facilidade de conseguir exames radiológicos de
tórax por convênio ou parceria.
      Do ponto de vista técnico-operacional, estas unidades dividem-se em assistenciais
comuns e as unidades que, além disso, funcionam como unidades de referência e contra-
referência para pacientes das unidades do tipo 1 de seu município e de municípios de sua
microrregião.
      Compete aos profissionais dessas unidades:
       Diagnosticar e tratar os casos de tuberculose pulmonar na área de sua jurisdição,
        devendo adotar os critérios de descoberta de casos preconizados para as unidades
        do tipo 1. Nesse sentido, a distritalização do município ou da área adscrita à unidade
        viria ao encontro desta recomendação, inclusive para o tratamento diretamente
        observado.
       Estabelecer o diagnóstico diferencial de tuberculose pulmonar negativa ao exame
        direto do escarro e com apresentação clínica e radiológica atípica, de outras
        pneumopatias, especialmente em consultantes HIV+/AIDS.
                                             99
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




      Estabelecer ou auxiliar no diagnóstico de tuberculose extrapulmonar, especialmente
       a forma pleural.
      Indicar o tratamento e a conduta para os casos “pulmonares negativos” e
       extrapulmonares oriundos das unidades tipo 1.
      Realizar ou, ao menos, iniciar o retratamento, com o Esquema 1 Reforçado, de
       pacientes das unidades tipo 1 e, se for o caso, fornecer os medicamentos à unidade
       para completá-lo.



Unidades tipo 3
     Estas unidades, que correspondem aos centros de referência nos estados, são
unidades de referência (tipo 2) mais qualificadas, por apresentarem equipamentos de maior
complexidade e recursos humanos mais capacitados.
     Afora as atribuições gerais, compete aos centros:
         Atuar como referência e contra-referência para pacientes das unidades tipo 2 e,
         também, para as do tipo 1 de sua área de influência.
      Fazer o diagnóstico diferencial de pneumopatias suspeitas de tuberculose.
      Realizar os tratamentos quimioterápicos com esquemas especiais.
      Manter, em seu quadro de funcionários, técnicos como “padrões” de referência
       para o teste tuberculínico e, também, para a bacteriologia da tuberculose.
      Funcionar como centros de treinamento para técnicos e auxiliares da rede
       ambulatorial.
      Desenvolver pesquisa operacional.
      Realizar atividades de controle de qualidade sobre as técnicas diagnósticas em
       tuberculose.
      Promover atividades de biossegurança em tuberculose, tanto em âmbito hospitalar
       como ambulatorial.


4.1.1 O encerramento do tratamento nas Unidades de
      Saúde – critérios

     Alta por cura
      Pulmonares inicialmente positivos: a alta por cura será dada se, durante o
       tratamento, o paciente apresentar duas baciloscopias negativas – uma na fase do
       acompanhamento e outra no final do tratamento (cura).



                                          100
A ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA




Alta por completar o tratamento
A alta será dada com base em critérios clínicos e radiológicos, quando:
 o paciente não tiver realizado o exame de escarro por ausência de expectoração,
  e tiver alta com base em dados clínicos e exames complementares, como os
  radiológicos;
 casos de tuberculose pulmonar inicialmente negativos;
 casos de tuberculose extrapulmonar.

Alta por abandono de tratamento
 Será dada ao doente que deixou de comparecer à unidade por mais de 30 dias
  consecutivos, após a data prevista para seu retorno.
 Nos casos de tratamento supervisionado, o prazo de 30 dias conta a partir da
  última tomada da droga.
 A visita domiciliar realizada pela equipe de saúde tem como um dos objetivos,
  evitar que o doente abandone o tratamento.

Alta por Mudança de diagnóstico
 Será dada quando for constatado erro no diagnóstico.

Alta por óbito
 Será dada por ocasião do conhecimento da morte do paciente, durante o
  tratamento e independentemente da causa.

Alta por falência
 Será dada quando houver persistência da positividade do escarro ao final do 4º
  ou 5º mês de tratamento.
 Os doentes que no início do tratamento são fortemente positivos (+ + ou + + +)
  e mantêm essa situação, até o 4º mês, ou os que apresentam positividade inicial
  seguida de negativação e nova positividade por dois meses consecutivos, a partir
  do 4º mês de tratamento, são classificados como caso de falência.
 O aparecimento de poucos bacilos no exame direto do escarro, na altura do 5º
  ou 6º mês do tratamento, isoladamente, não significa, necessariamente, a falência
  do tratamento, em especial se acompnhado de melhora clínico-radiológico. Nesse
  caso, o paciente deve ser acompanhado com exames bacteriológicos para melhor
  definição. O tratamento, se preciso, será prolongado por mais três meses, período
  em que o caso deve ser redefinido ou concluído. Sempre que possível, deve-se
  consultar uma unidade de referência antes de se decidir por este prolongamento.


                                     101
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




      Observação: quando o caso for encerrado por falência e o paciente iniciar novo
       tratamento, deve ser registrado como caso de retratamento no livro de Registro e
       Controle de Tratamento dos Casos de Tuberculose.

     Alta por transferência
      Será dada quando o doente for transferido para outro serviço de saúde.
      A transferência deve ser processada por meio de documento que informe à unidade
       receptora sobre o diagnóstico e o tratamento realizado até aquele momento.
      Deve-se buscar a confirmação de que o paciente compareceu à unidade para a
       qual foi transferido e o resultado do tratamento, no momento da avaliação da
       coorte. Só serão considerados transferidos aqueles pacientes cujo resultado do
       tratamento for conhecido.

     Controle pós-cura
      Os casos curados não necessitam de controle pós-tratamento, devendo-se orientar
       o paciente a retornar à unidade apenas se surgirem sintomas semelhantes aos do
       início da doença.



4.2 A DEFINIÇÃO DOS PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS
      As ações do Plano Nacional de Controle da Tuberculose (PC+NCT) em cada
município deverão ser adaptados à estrutura vigente.
      A estrutura organizacional do PNCT prevê duas esferas de competências: uma
técnico-administrativa e outra técnico-operacional, subdivididas em níveis hierárquicos.
      Esfera técnico-administrativa: federal; estadual; regional; municipal.
      Esfera técnico-operacional: unidade tipo 1; unidade tipo 2; unidade tipo 3.

      O indispensável é que em todas as instâncias e locais exista um responsável pela
execução das ações do PNCT. Essa responsabilidade técnico-administrativa pode estar
a cargo de profissionais de nível superior ou, quando for o caso, de auxiliares de nível
médio.


4.3 AS ATRIBUIÇÕES DOS PROFISSIONAIS


4.3.1 Esfera Estadual
      Nas coordenadorias estaduais compete-lhes gerenciar a execução das medidas de
controle em esfera estadual:


                                          102
A ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA




       Programar, acompanhar e controlar os tuberculostáticos e insumos para o PNCT
        em instância estadual.
       Realizar avaliação operacional e epidemiológica das ações do PNCT, em âmbito
        estadual.
       Promover e participar da capacitação de recursos humanos na área da
        tuberculose.
       Assessorar as coordenadorias regionais na implantação / implementação do PNCT
        nos municípios.


4.3.2 Esfera Regional

      Cada diretoria regional deve ter, no mínimo, um técnico capacitado em epidemiologia
e controle da tuberculose, integrado ao setor das demais DNC. Seu papel é, basicamente, de
apoio e assessoramento às secretarias municipais de saúde na implantação/implementação
das medidas de controle da tuberculose, no contexto do Sistema de Vigilância Epidemiológica
e Controle de Doenças. Considerando que é o nível mais próximo da execução, deve,
por meio da supervisão direta e indireta, identificar, de imediato, as anormalidades
epidemiológicas e operacionais nos municípios e tomar as providências cabíveis. Assim,
no PNCT, compete-lhe, entre outros:
       Promover a agilização das notificações dos municípios via SINAN.
       Analisar os dados da Ficha Individual de Investigação do SINAN, relativa aos casos
        de tuberculose de cada município, bem como colher elementos complementares,
        inclusive in loco, se for o caso.
       Vigiar a compatibilidade entre o número de casos de tuberculose (“pulmonares
        positivos”, pulmonares negativos e extrapulmonares) descobertos nos municípios
        e a realidade epidemiológica da região.
       Fornecer as drogas aos municípios, com prioridade absoluta para os “pulmonares
        positivos”, conforme fluxo padronizado pela Coordenadoria Estadual de
        Pneumologia Sanitária, mantendo o registro e o controle do estoque de
        medicamentos e insumos.
       Acompanhar a adoção do tratamento diretamente supervisionado e o não
        supervisionado nos municípios.


4.3.3 Esfera Municipal

      Médico(a)
       Identificar e examinar os sintomáticos respiratórios em visita domiciliar na
        comunidade e no atendimento na UBS.

                                           103
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




     Solicitar baciloscopia do sintomático respiratório para diagnóstico (duas
      amostras).
     Orientar quanto à coleta de escarro.
     Solicitar RX de tórax segundo critérios definidos no protocolo.
     Oferecer, a todo paciente com diagnóstico de tuberculose confirmado, o teste
      sorológico anti-HIV.
     Dar orientações gerais a respeito do agravo como, por exemplo, a necessidade e a
      duração do tratamento, solucionando os possíveis mitos.
     Iniciar e acompanhar o tratamento dos casos novos confirmados de tuberculose
      nos pacientes com a localização pulmonar.
     Explicar ao paciente porque o tratamento supervisionado é necessário e quem vai
      realizar a supervisão, nos casos que tiverem indicação.
     Convocar os comunicantes para consulta.
     Iniciar quimioprofilaxia para os comunicantes de acordo com o protocolo.
     Solicitar baciloscopias para acompanhamento do tratamento.
     Iniciar e acompanhar tratamento dos casos de tuberculose pulmonar com
      baciloscopias negativas e dos casos de tuberculose extrapulmonar quando o
      diagnóstico for confirmado após investigação em uma unidade de referência.
     Dar alta aos pacientes após o tratamento e notificá-la ao serviço de Epide-
      miologia.
     Encaminhar os casos para outro nível de assistência, quando necessário, com
      ficha de referência/contra-referência devidamente preenchida.
     Fazer visita domiciliar quando necessário.
     Notificar o caso de tuberculose confirmado.
     Identificar efeitos colaterais das medicações e interações medicamentosas.
     Realizar ações educativas junto à comunidade.

    Enfermeiro(a)
     Identificar os sintomáticos respiratórios entre as pessoas que procuram as unidades
      básicas de saúde, nas visitas domiciliares ou mediante os relatos dos ACS.
     Solicitar baciloscopia dos sintomáticos respiratórios para diagnóstico (duas
      amostras).
     Orientar quanto à coleta de escarro.
     Identificar, no pote, o nome do paciente.
                                         104
A ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA




 Fornecer o pote para a coleta do escarro.
 Enviar a amostra ao laboratório.
 Aplicar a vacina BCG. Caso não tenha capacitação para tal, providenciar junto ao
  gestor da UBS a sua capacitação em outra unidade de saúde.
 Fazer teste tuberculínico. Caso não tenha capacitação para tal, encaminhar para a
  unidade de referência.
 Realizar consulta de enfermagem mensal (conforme programação de trabalho da
  equipe).
 Notificar o caso de tuberculose que vai iniciar tratamento.
 Convocar os comunicantes para investigação.
 Orientar como usar a medicação; se necessário dispensar a medicação e esclarecer
  as dúvidas dos doentes, desmitificando os tabus e estigmas.
 Programar os quantitativos de medicamentos necessários ao mês, para cada
  doente cadastrado na unidade básica de saúde, de forma a assegurar o tratamento
  completo de todos.
 Solicitar exame de escarro mensal (pelo menos aos 2, 4 e 6 meses para os doentes
  em uso dos esquemas básico e básico + etambutol) para acompanhar o tratamento
  dos pulmonares bacilíferos.
 Identificar reações adversas dos medicamentos e interações medicamentosas.
 Transferir o doente da unidade básica de saúde, quando necessário, com a ficha
  de referência e contra-referência devidamente preenchida.
 Encaminhar o doente para uma unidade de referência, quando necessário.
 Agendar consulta extra, quando necessário.
 Fazer visita domiciliar para acompanhar o tratamento domiciliar e supervisionar o
  trabalho do ACS.
 Realizar ações educativas junto à clientela da UBS e no domicílio.
 Convocar o doente faltoso à consulta. Planejar visita domiciliar.
 Convocar o doente em abandono de tratamento. Planejar visita domiciliar.
 Preencher o Livro de Registro e Acompanhamento dos Casos de Tuberculose na
  UBS.
 Atualizar os critérios de alta, verificando que a “alta por cura comprovada” foi
  substituída por “alta por cura”, e que a “alta por cura não comprovada” foi
  substituída por “alta por completar o tratamento”.



                                     105
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




     Acompanhar a ficha de supervisão do tratamento preenchida pelo ACS.

     Fazer, juntamente com a equipe, a análise de coorte trimestral.

     Manter a ficha do SIAB (B -TB) atualizada.

     Planejar, juntamente com a equipe e coordenação municipal, estratégias de
       controle da tuberculose na comunidade.

    Auxiliar de enfermagem

     Identificar os sintomáticos respiratórios em visita domiciliar na comunidade e na
       unidade básica de saúde.

     Convocar os comunicantes para consulta médica.

     Identificar o pote de coleta do escarro.

     Orientar a coleta do escarro.

     Encaminhar o material ao laboratório.

     Receber o resultado do exame diagnóstico, protocolá-lo e anexá-lo ao
       prontuário.

     Receber o resultado da baciloscopia de acompanhamento do tratamento, protoco-
       lá-lo e anexá-lo ao prontuário.

     Aplicar a vacina BCG. Caso não tenha capacitação para tal, providenciar junto ao
       gestor da UBS a sua capacitação em outra unidade de saúde.

     Fazer teste tuberculínico. Caso não tenha capacitação para tal, providenciar junto
       ao gestor da UBS a sua capacitação em outra unidade de saúde.

     Fornecer medicação, orientar o seu uso e a importância do tratamento.

     Esclarecer as dúvidas dos doentes.

     Supervisionar o uso correto da medicação nas visitas domiciliares e o
       comparecimento às consultas de acordo com a rotina da equipe.

     Agendar consulta extra, quando necessário.

     Convocar o doente faltoso à consulta: Planejar visita domiciliar.

     Convocar o doente em abandono de tratamento: Planejar visita domiciliar.

     Manter a ficha do SIAB (B -TB) atualizada.

     Realizar ações educativas junto à comunidade.

     Participar da programação e da avaliação das ações.


                                         106
A ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA




     Agente comunitário de saúde
      Identificar os sintomáticos respiratórios nos domicílio e na comunidade.
      Orientar e encaminhar os comunicantes à UBS para consulta, diagnóstico e
       tratamento, quando necessário.
      Encaminhar ou comunicar o caso suspeito à equipe.
      Orientar a coleta e o encaminhamento do escarro dos sintomáticos respiratórios.
      Supervisionar a tomada diária da medicação específica, quando indicada, e o
       comparecimento do doente às consultas agendadas.
      Fazer visita domiciliar de acordo com a programação da equipe, usando a ficha do
       SIAB (B -TB).
      Verificar, no Cartão da Criança, a sua situação vacinal: se em falta, encaminhar à
       UBS ou ao centro de saúde para ser vacinação.
      Verificar a presença de cicatriz da vacina BCG no braço direito da criança. Caso
       não exista e não haja qualquer comprovante no cartão, encaminhar a criança para
       vacinação, conforme protocolo do PNI.
      Agendar consulta extra, quando necessária.
      Realizar ações educativas junto à comunidade.
      Participar, com a equipe, do planejamento para o controle da tuberculose na
        comunidade.
      Manter a ficha do SIAB (B -TB) atualizada.



4.4 O TRATAMENTO SUPERVISIONADO
      A estratégia do tratamento supervisionado ou DOTS (sigla em inglês utilizada
para denominar a estratégia de tratamento de curta duração diretamente observada) é
constituída por cinco diretrizes:
      Vontade e decisão política;
      Acesso aos exames laboratoriais na rede de laboratórios do SUS;
      Garantia de medicamentos;
      Sistema de registro e de informação confiável;
      Tratamento diretamente observado;

     A estratégia DOTS, presente em 180 países do mundo e já cobrindo atualmente
73% das populações das Américas tem os seguintes objetivos:



                                          107
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




      Garantir a adesão ao tratamento;
      Reduzir o risco de transmissão da doença na comunidade;
      Reduzir a mortalidade por tuberculose;
      Garantir a regularidade do tratamento;
      Evitar o fracasso do esquema utilizado;
      Evitar a resistência adquirida aos antibióticos;
      Evitar o abandono;
      Melhorar o sistema de notificação;
      Aumentar o percentual de cura.

      Nos locais com boa cobertura de DOTS a taxa de cura média é de 87%, portanto,
superior à meta de cura do Ministério da Saúde, que é de 85%. Embora a meta de cobertura
de DOTS para as populações das Américas seja de 100%, em 2005, no Brasil, apenas 52%
da população estava coberta pelo DOTS.
      Todos os pacientes com tuberculose devem preferencialmente estar em estratégia
DOTS. Entretanto, os “casos novos” de tuberculose pulmonar com baciloscopia positiva
são prioridade. Nesses, a supervisão da tomada deve ser feita da seguinte maneira:
      Três observações semanais nos 2 primeiros meses;
      Duas observações semanais nos 4 meses seguintes;
      Se for possível; a observação deverá ser realizada diariamente.

       UTILIZA-SE PARA O RETRATAMENTO POR ABANDONO OU POR RECIDIVA O
REGIME SUPERVISIONADO COM 3 (TRÊS) OBSERVAÇÕES SEMANAIS DURANTE
TODO O TRATAMENTO.
       Uma atenção especial para o tratamento supervisionado dos doentes pulmonares
bacíliferos deve ser dada nas seguintes situações:
      Etilistas;
      Casos de retratamento;
      População de rua;
      Presidiários;
      Doentes institucionalizados (asilos, manicômios, etc.)
      Os “casos novos” das formas pulmonar com exames de escarro negativos e
extrapulmonar podem ser acompanhados por regime de tratamento supervisionado ou
auto-administrado.


                                            108
A ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA




           A ADMINISTRAÇÃO DO TRATAMENTO
                   SUPERVISIONADO
              QUEM FAZ A                           ONDE?
              SUPERVISÃO?
                                   UNIDADES DE SAÚDE
                                   RESIDÊNCIA DO DOENTE
                                   OUTROS LOCAIS A COMBINAR
             Profissionais de Saúde (PSF)
             Médico
             Enfermeiro
             Auxiliar de enfermagem
             Agentes comunitários de Saúde
             Outros sob orientação
             Familiares
             Pessoas da comunidade



Antes de iniciar a quimioterapia

    Utilizar abordagem acolhedora;
    Orientar o paciente quanto ao tratamento;
    Explicar, em linguagem acessível, as características da doença, o esquema de
     tratamento-drogas, a duração, a importância do uso regular da medicação, as
     conseqüências do abandono do tratamento e efeitos adversos.
    Orientar sobre as visitas domiciliares.

   As principais propostas da Coordenadoria Estadual de Pneumologia
   Sanitária quanto à estratégia DOTS são:
    Ampliação e implementação do Tratamento Supervisionado com adoção uniforme
     dessa estratégia nos níveis estadual e municipal.
    Descentralização das ações do Programa de Controle da Tuberculose, articuladas
     com o Programa Saúde da Família (PSF).
    Adoção da Abordagem Humanizada, aliada à estratégia do Tratamento.
     Supervisionado.



                                         109
V A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
 .
   E O SISTEMA DE INFORMAÇÃO
A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA E O SISTEMA DE INFORMAÇÃO




5.1 OS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO DO
    MINISTÉRIO DA SAÚDE
       O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) é a principal fonte de
dados do sistema de informação epidemiológica da tuberculose nos níveis federal, estadual
e municipal.
       Sua regulamentação está presente nas Normas Operacionais Básicas do Sistema
Único de Saúde (NOB -SUS 1/96, de 6/11/96, e NOAS – SUS Portaria nº 95/GM/MS, de
26/1/2001), nas quais são definidas as atribuições das três esferas de governo na gestão,
estruturação e operacionalização do sistema de informação epidemiológica informatizada,
a fim de garantir a alimentação permanente e regular dos bancos de base nacional.
       Nas portarias nº 1.882/GM, de 18/12/1997, e nº 933 de 4/9/2000, a transferência de
recursos do PAB poderá ser suspensa no caso da falta de alimentação de informações do
SINAN, pela Secretaria de Saúde dos municípios, junto à Secretaria Estadual de Saúde,
por dois meses consecutivos.
       O SINAN tem por objetivo coletar, transmitir e disseminar dados gerados rotineiramente
pelo Sistema de Vigilância Epidemiológica das três esferas de governo, por meio de uma
rede informatizada.
       Dados de tuberculose também estão disponíveis nos sistemas de informação referentes
a internações (SIH/SUS), atendimento ambulatorial (SIA/SUS) e óbitos (SIM).
       No tocante aos dados laboratoriais, existe o Sistema de Informação Laboratorial
da Tuberculose (SILTB), que permite tanto o armazenamento dos dados de casos de
tuberculose registrados no livro de Registro de Baciloscopia e de Cultura para Diagnóstico e
Controle da Tuberculose dos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACEN) e Unidades
Laboratoriais, bem como a avaliação da qualidade dos exames realizados.
       O conjunto de ações relativas à coleta e ao processamento de dados, ao fluxo e
à divulgação de informações sobre os agravos de notificação compulsória de interesse
nacional, incluindo a tuberculose, deverá atender às normas definidas pela portaria
ministerial e pelos manuais de normas e rotinas do SINAN.


5.1.1 Entrada de dados no SINAN (versão para Windows)

      Notificação do caso de tuberculose
       Os casos novos, os reingressos após abandono, as recidivas e os casos que transferiram,
oficialmente ou não, seu tratamento para outra unidade de saúde devem ser notificados,
utilizando a ficha individual de notificação/investigação de tuberculose (Anexo I) e segundo
o fluxo e a periodicidade estabelecidos por portaria nacional e complementadas por
portarias estaduais/municipais.
       A digitação da ficha de notificação/investigação no SINAN deverá ser realizada
sempre pelo município notificante, independentemente do local de residência do paciente.
Portanto, os municípios informatizados deverão digitar tanto os casos residentes no próprio
município, quanto aqueles residentes em outros municípios.
                                             113
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




     As correções de qualquer campo da notificação/investigação de registros já digitados e
enviados pela rotina de transferência deverão ser feitas pelo primeiro nível informatizado.

      Notificação/investigação e/ou acompanhamento de casos fora do município
de residência (município notificante)
      Casos de tuberculose notificados e/ou acompanhados fora do município de residência
(município notificante) deverão ter suas fichas de notificação/investigação e dados de
acompanhamento enviados, em papel, para o município de residência somente após o
encerramento do caso, para serem digitados. Deverão ser incluídos, mantendo os mesmos
campos chaves identificadores do registro (número da notificação, data da notificação,
município notificante – código do IBGE e a unidade notificante), atribuídos pelo município
de notificação. Esses dados não poderão ser modificados, caso contrário, o SINAN irá gerar
outra notificação, criando desta forma um caso duplicado.
      Ressalta-se que as informações sobre o acompanhamento do caso deverão ser
regularmente atualizadas apenas pelo município que está acompanhando atualmente
o paciente, e não pelo de residência. O município de residência atualizará esses dados
somente após o encerramento do caso (situação de encerramento preenchida).
      A digitação destes casos no município de residência tem a finalidade de permitir que
esse município possa conhecer a situação epidemiológica desse agravo, segundo o local de
residência.

       Nota: Todo caso de tuberculose notificado ao Sistema de Informação de Mortalidade
(SIM) deverá ser comunicado à coordenação de vigilância epidemiológica para que se
proceda à pesquisa no SINAN pelos técnicos do PCT nas instâncias municipal e estadual,
para avaliar se esse caso já foi notificado. Se a notificação desse caso não constar na base
de dados do SINAN, esse deverá ser investigado e, se confirmado, esse óbito deverá ser
notificado no SINAN com situação de encerramento como óbito. Deverá ser realizada
também a investigação dos contatos desse caso.

5.1.2 Acompanhamento do caso de tuberculose:
      atualização das informações
       Os dados referentes às baciloscopias de controle e outros exames realizados, o número
de contatos examinados, a situação do tratamento no 9º ou 12º mês e no encerramento,
bem como a data de encerramento, compõem as informações do acompanhamento do
tratamento e possibilitam a avaliação do resultado do tratamento. Portanto, é importante
que esses dados sejam registrados pela unidade de saúde.
       O instrumento nacional de coleta dos dados de acompanhamento do tratamento para
digitação no SINAN é o Boletim de Acompanhamento de Casos de Tuberculose (Anexo II).
       Este relatório deverá ser emitido pelo primeiro nível informatizado e enviado às
unidades de saúde, pelo menos quatro vezes ao ano (janeiro, abril, julho e outubro).
Neste relatório são listados, por unidade de saúde responsável pelo acompanhamento
do caso, os pacientes que têm pelo menos 31 dias de diagnóstico (data da emissão do


                                            114
A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA E O SISTEMA DE INFORMAÇÃO




relatório subtraída a data do diagnóstico) e cuja situação de encerramento não tenha sido
informada. A unidade de saúde atualizará os dados de acompanhamento dos pacientes
listados no referido relatório e os enviará, para digitação, ao primeiro nível informatizado.
Em caso de correção de dados de acompanhamento, essa deve ser efetuada no primeiro
nível informatizado.
       O campo “situação no 9º mês” deve ser preenchido em todos os casos, exceto quando
for paciente com meningite, exclusiva ou não, e será utilizado para avaliar resultado de
tratamento com esquema com duração de seis meses. O campo “situação no 12º mês”
deve ser preenchido nos casos de meningite, forma exclusiva ou não e será utilizado para
avaliar resultado de tratamento com esquema com duração de nove meses.
       A categoria 7 - “continua em tratamento” deve ser selecionada no preenchimento
dos campos acima quando o paciente permanece em tratamento com o esquema inicial,
decorrido o prazo para avaliação do resultado do tratamento (9 ou 12 meses).
       O campo “situação de encerramento” deve ser preenchido em todos os casos
notificados.
       É importante ressaltar que o preenchimento das informações do acompanhamento
do caso de tuberculose, bem como da data de início de tratamento, são essenciais para
o cálculo dos indicadores utilizados para avaliar o resultado de tratamento de coortes de
casos.
       Em nível estadual, efetivou-se a Ficha de Acompanhamento Individual de Casos de
Tuberculose (Anexo III).
       Este formulário deverá ser preenchido a cada consulta médica mensalmente e
entregue ao paciente juntamente com a receita em duas vias para que o mesmo possa
receber a medicação na Farmácia da Unidade. A Ficha de Acompanhamento será pré-
requisito para que a medicação seja entregue ao paciente e também deverá ser utilizada
para informações referentes à situação de encerramento do caso.
       A Farmácia deverá encaminhar as fichas de acompanhamento de casos para a
Vigilância Epidemiológica do município.


5.1.3 Rotinas

      Rotina I – mudança de local de tratamento do paciente de tuberculose
      (transferência)
       Caso o paciente mude o tratamento para outra unidade de atendimento (dentro ou
fora do município de notificação, na mesma unidade federada), este deverá ser novamente
notificado pela nova unidade de saúde que receber esse paciente (em caso de transferência
oficial ou espontânea), utilizando um novo número de notificação e registro da data desta
nova notificação. O nível informatizado que detectar, pela análise do relatório de duplicidade,
dois registros para um mesmo paciente (duas fichas de notificação/investigação), deverá
averiguar se a situação é uma transferência de tratamento (oficial ou espontânea). Em caso

                                             115
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




afirmativo, os dois registros devem ser vinculados (vide rotina de vinculação no manual de
normas e rotinas do SINAN) e deverá ser comunicada à primeira unidade que notificou
o caso de alta por transferência e à segunda unidade que o campo “tipo de entrada”
deve estar preenchido com a categoria ”transferência”. Desta forma, a instância municipal
informatizada deverá vincular as notificações dos casos transferidos para as unidades de
saúde de sua abrangência (transferência intramunicipal).
      As regionais de saúde informatizadas deverão vincular as notificações dos casos
transferidos para as unidades de saúde de municípios da sua abrangência (transferência
intermunicipal), assim como a vinculação intramunicipal dos casos notificados por município
não informatizado.
      A Secretaria Estadual de Saúde (SES) deverá vincular as notificações dos casos
transferidos para as unidades de saúde de municípios pertencentes a diferentes regionais.
No caso de regionais de saúde não informatizadas, a SES deverá vincular as transferências
intermunicipais, independente da regional de notificação. A SES efetuará a vinculação
intramunicipal somente quando esta for o primeiro nível informatizado do SINAN. A
unidade de saúde, ao receber uma transferência interestadual deverá notificar este caso
com novo número de notificação e registro da data desta nova notificação. Além disso,
esta nova notificação deverá ter o campo tipo de entrada preenchido com o código 5
(transferência).

      Rotina II – mudança de diagnóstico
       Os pacientes que, no decurso do tratamento, tenham seu diagnóstico de tuberculose
revisto e modificado deverão ter o campo “situação no 9º mês” (ou 12º mês, quando
notificado como meningite) e “situação de encerramento” preenchido com a categoria 5 –
”mudança de diagnóstico”. Esses registros não são considerados nos relatórios emitidos pelo
sistema, exceto nos relatórios de acompanhamento de casos e de resultado de tratamento
de coorte de casos.


      Rotina III – Mudança de esquema terapêutico devido à toxicidade
       Caso o paciente tenha seu tratamento inicial substituído por outro por causa da
toxicidade e continua em tratamento 9 meses após ter iniciado o primeiro esquema, deve
ser registrado no campo “situação no 9º mês” (ou 12º mês, quando meningite) a categoria 6
– “mudança de esquema por intol./toxicidade”. Posteriormente, de acordo com a evolução
do caso, deve-se registrar no campo “situação de encerramento” a categoria correspondente
(cura, abandono, óbito, transferência ou Tb multirresistente)


      Rotina IV – Situação de falência dos pacientes de tuberculose
      Caso o paciente apresente falência ao tratamento inicial (com seis meses de duração),
este caso não deverá ser notificado novamente. Deve-se registrar este caso como falência

                                           116
A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA E O SISTEMA DE INFORMAÇÃO




no campo situação no 9º mês, acompanhá-lo nos meses seguintes até o término do seu
tratamento para a falência e encerrá-lo, segundo a situação apresentada (cura, abandono,
óbito, transferência ou TB multirresistente) no campo “situação de encerramento”.

      Rotina V – Registros duplicados
       Critérios para emissão do relatório de duplicidade
       O SINAN emite um relatório (relatório de duplicidade) com a relação de possíveis
registros duplicados. O sistema seleciona registros que tenham os seguintes campos
idênticos: primeiro e último nome do paciente, data de nascimento e sexo.
       Este relatório deve ser analisado, semanalmente, na instância municipal informatizada.
As regionais e a Secretaria Estadual de Saúde deverão emitir e analisar o relatório de
duplicidade com periodicidade quinzenal e mensal, respectivamente.
       A seguir são descritos as diversas possibilidades de registros duplicados e os respectivos
procedimentos:


Homônimos

       Conceito: são registros que apresentam os mesmos primeiro e último nomes dos
pacientes, mesma data de nascimento e mesmo sexo. No entanto, após análise de outros
dados e, se necessário, investigação, conclui-se que são pessoas diferentes.
       Procedimento: a utilização da opção “não listar”, para que estes registros não sejam
listados no relatório de duplicidade.


Duplo registro

       Conceito: é o paciente que foi notificado mais de uma vez pela mesma unidade
de saúde em tratamentos diferentes (recidiva ou reingresso após abandono) ou foi
notificado mais de uma vez por unidades de saúde diferentes durante o mesmo tratamento
(transferência oficial ou espontânea) ou em tratamentos diferentes (recidiva, reingresso
após abandono).
       Procedimentos: caso existam duas notificações de um mesmo paciente atendido
em unidades de saúde diferentes deve-se avaliar se houve uma transferência (intra ou
intermunicipal). Em caso afirmativo, os dois registros devem ser vinculados e deverá ser
comunicada à primeira unidade que notificou o caso a alta por transferência. Na segunda
unidade de saúde, o campo “tipo de entrada” da ficha de notificação/investigação deverá
ser preenchido com a categoria 5 – “transferência”. Em caso negativo, investigar se a
segunda notificação refere-se a reingresso após abandono ou recidiva. Nestes casos, os
registros não devem ser vinculados e os campos “situação no nono mês” (ou 12º mês) e
“situação de encerramento” da primeira ficha de notificação/investigação e o campo “tipo
de entrada” da segunda ficha deverão estar preenchidos com categorias correspondentes
à situação do caso.

                                              117
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




       Ao executar a “rotina de vinculação” para dois registros, o SINAN mantém os dados
da primeira notificação/investigação e os dados de acompanhamento remetidos pela
unidade de saúde atualmente responsável pela conclusão do tratamento, em único registro.
O primeiro nível informatizado capaz de detectar o duplo registro devido à transferência
deverá efetuar a vinculação das notificações (ver item Rotina I – Mudança de local de
tratamento do paciente de tuberculose– transferência). Quando o paciente efetuar mais de
uma transferência durante o mesmo tratamento, devem ser realizadas sucessivas vinculações
das notificações, mantendo desse modo os dados da notificação/investigação mais antiga e
o acompanhamento pela Unidade de Saúde responsável pela conclusão do tratamento.
       Quando o paciente for transferido, temporariamente, para unidade hospitalar, esta
unidade deverá notificar este paciente. Após a alta hospitalar, a unidade de saúde para a
qual o paciente for transferido para acompanhamento de tratamento ambulatorial deverá
notificá-lo novamente, ainda que seja a mesma unidade que o transferir para o hospital.
A rotina adotada, nessa situação, é a mesma adotada quando o paciente efetuar mais de
uma transferência durante o mesmo tratamento, conforme citado no parágrafo anterior.
Desta forma, é possível acompanhar, no SINAN, as transferências desse paciente entre as
unidades de saúde e solicitar dados sobre a situação de encerramento do caso à unidade
que ficou responsável pela conclusão do caso.
      Concluindo, os duplos registros por causa da transferência de tratamento para
outra unidade de saúde devem ser vinculados. Já os duplos registros devido à recidiva
ou reingresso após abandono NÃO devem ser vinculados e podem ser assinalados com a
opção “não listar” para não serem listados no relatório de duplicidade.


Duplicidade de registros
       Conceito: quando há mais de uma notificação de um mesmo paciente, referente
ao mesmo “episódio” ou tratamento, pela mesma unidade de saúde, com números de
notificações diferentes, (ex.: mesmo paciente notificado duas vezes pela mesma US como
dois casos novos ou duas recidivas).
       Procedimento: nesses casos, o segundo registro (mais atual) deverá ser excluído
pela rotina do SINAN pelo primeiro nível informatizado.


5.1.4 Tabulação de dados
     A base de dados do SINAN contém dados necessários ao cálculo de indicadores
operacionais e epidemiológicos considerados essenciais para avaliação do comportamento
da endemia e das ações de controle.

     O SINAN emite os seguintes relatórios:
      Incidência anual de tuberculose pulmonar bacilífera por grupo etário e sexo.

                                          118
A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA E O SISTEMA DE INFORMAÇÃO




       Incidência de meningite tuberculosa em menores de cinco anos.
       Percentual de coinfecção de HIV/TB por faixa etária.
       Percentual de casos de tuberculose pulmonar com baciloscopia positiva que
        negativaram no segundo mês.
       Relatório de acompanhamento dos casos de tuberculose.

      Os casos de tuberculose notificados e incluídos no SINAN geram um banco de
dados específico, que pode ser exportado para o formato DBF, situado no subdiretório
C:sinanwtabwinitube.dbf. Esse arquivo poderá ser usado para tabulação dos dados de
tuberculose em outros softwares (ex. epiinfo, tabwin, etc). Entretanto, cabe ressaltar que a
comparação de resultados de tabulações efetuadas por diferentes softwares deve pressupor
o emprego dos mesmos critérios (seleção dos mesmos campos e categorias).
      Observação: São necessárias avaliações periódicas do preenchimento dos campos
da notificação/investigação e do acompanhamento dos casos, visando a detectar e a
corrigir campos essenciais à avaliação epidemiológica e operacional não preenchidos ou
inconsistentes.


5.2 A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DA TUBERCULOSE
      O controle, a eliminação e a erradicação das doenças transmissíveis se realizam por
meio de processos políticos, sociais e econômicos, usando medidas técnico-científicas. Esse
método é chamado Vigilância Epidemiológica. O conceito de vigilância epidemiológica é
simplificado, mas de clareza ímpar: “informação para ação”. A detecção precoce de surtos
e a imediata adoção de medidas de controle exigem rapidez de um sistema de vigilância.
A tuberculose não apresenta, habitualmente, um comportamento epidêmico, pela maior
lentidão da reprodução bacilar. No entanto, não há por que deixar de aplicar sobre esta
enfermidade os procedimentos adotados nas doenças transmissíveis agudas, considerando,
evidentemente, suas peculiaridades.

      A vigilância epidemiológica é composta de três ações básicas:
       a identificação e a notificação de um caso da doença;
       a investigação epidemiológica;
       mas medidas específicas.
      A descoberta de um caso de tuberculose numa dada região deve desencadear três
ações imediatas:
      1. A notificação do caso para as autoridades sanitárias da área (vide ficha de
         notificação – Anexo I);
      2. O tratamento com quimioterápicos com a finalidade de reduzir a carga bacilar do
         doente como fonte de infecção e curá-lo;
      3. O exame dos contatos.

                                            119
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




      Os dados de notificação e de investigação epidemiológica de cada caso de tuberculose
diagnosticado nas US são registrados na Ficha de Notificação / Investigação de Tuberculose.
O acompanhamento do caso – por meio de baciloscopias de controle – a atualização de
informações e seu encerramento na US são feitos por meio do preenchimento do Boletim
de Acompanhamento de Casos de Tuberculose e dos demais impressos do PNCT.
      Também se impõe a investigação epidemiológica das pessoas que tiveram contato
com o caso diagnosticado, especialmente os coabitantes. Além disso, cada detecção
implica busca ativa incessante na comunidade de outras fontes de infecção da doença
esperada para a região, examinando-se o número de sintomáticos respiratórios “crônicos”
correspondente para descobrí-las.


      Avaliação epidemiológica
      As autoridades sanitárias e as equipes de saúde (nas unidades comuns ou de saúde
da família) de posse de um conjunto de notificações, organizam estes dados em indicadores
e com estas informações avaliam o impacto determinado pelas medidas de controle:

         coeficiente de incidência de tuberculose pulmonar confirmada por baciloscopia;
       coeficiente de incidência de todas as formas de tuberculose;
       coeficiente de incidência de meningoencefalite tuberculosa no grupo de 0-4 anos;
       coeficiente de mortalidade por tuberculose.

      Nota: No caso da tuberculose, a influência da situação socioeconômica sobre
o comportamento da doença dificulta a avaliação do resultado das ações de controle.
Conseqüentemente, para atribuir-se um determinado resultado ao emprego dessas ações,
é necessário que os efeitos sejam significativos e ocorram em prazo relativamente curto.


5.3 SITES INTERESSANTES

       www.saude.gov.br

       www.saude.com.br

       www.saude.mg.gov.br

       www.saudeemmovimento.com.br

       www.cosemsmg.org.br

       www.sbpt.org.br

       www.gerais.mg.gov.br/sistema/index.asp

       www.funasa.gov.br



                                           120
5.4 INDICADORES, PARÂMETROS E FONTES PARA MONITORAMENTO


       INDICADORES SELECIONADOS – AVALIAÇÃO, PLANEJAMENTO E REORIENTAÇÃO DE AÇÕES DE VIGILÂNCIA/TUBERCULOSE



                                                                                        Motivo da           Campo /
         Indicador                        Fórmula de Cálculo                                                                Fonte           Periodicidade
                                                                                                                                                                                      GRS




                                                                                        Inclusão            Variável
                                                                                                                                                                Unidade
                                                                                                                                                                                             Estadual




                                                                                                                                                                          Município
                                                                                                                                                                                            Secretaria




          Taxa de         Nº de casos novos de TB bacilifera em determ. local e           Verificar                     Livro Preto ou        Trimestral,
       incidência de                     período x 100.000 h                         indiretamente o                   ficha de notific.      semestral e                   X         X        X
       TB bacilífera              População no mesmo local e período                 risco de adoecer                       SINAM                anual

                        Nº de casos novos de TB encerrados por cura em determ.      Verificar eficiência                                   Mensal, avaliando
                                                                                                                        Livro Preto e
       Percentual de                      local e período x 100                      do tratamento e                                            as coortes
                                                                                                                       Branco ou ficha                           X          X         X        X
        cura de TB           Total de casos novos de TB diagnosticados no           alcançar as metas                                       iniciadas 9,12 ou
                                                                                                                       de notif. SINAM
                                         mesmo local e período                            do PCT                                           15 meses antes (*)




121
         Taxa de           Nº de óbitos por TB em determinado local e período         Saber o risco de
      mortalidade por                         x 100.000 h                             morte p/ TB na                         SIM                 Anual                      X         X        X
            TB                  População total no mesmo local e período                localidade

                                                                                                                        Informe dos         Pelo menos uma
      Cobertura do      Proporção de municípios com PCT no Estado/Região x 100         Dimensionar
                                                                                                                         munic. às         vez a.a. ou sempre
         PCT no                                                                        a extensão da                                                                                  X        X
                                  Total de municípios do Estado/Região                                                   instâncias            que houver
      Estado/Região                                                                      cobertura
                                                                                                                         superiores             mudança

       Percentual de
                                                                                    Avaliar importância
        casos de TB                 Nº de casos de TB/HIV/Aids x 100                                                   Livro Preto ou          Semestral
                                                                                     da coinfecção na                                                            X          X         X        X
       associados a                Total de casos de TB diagnosticados                                                 SINAN – Aids             /Anual
                                                                                       tuberculose
         HIV/Aids

       Percentual de        Nº de casos novos de TB (BK+) curados no mesmo          Avaliar a efetividade               Livro Preto e  Mensal, avaliando
      casos novos TB                       local e período x 100                      do tratamento                    Branco ou ficha as coortes iniciadas
                                                                                                                                                                 X          X         X        X
      (BK+) curados      Total de casos novos de TB de todas as formas curados no      com controle                     de notificação  9,12 ou 15 meses
       comprovados                         mesmo local e período                       baciloscopico                     do SINAN           antes (*)
                                                                                                                                                                                                         A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA E O SISTEMA DE INFORMAÇÃO
Percentual de
                         Nº de casos novos sem informação de result. de tratamento        Avaliar o                          Mensal, avaliando
        casos novos
                                      no mesmo local e período x 100                    cumprimento        Livro Preto ou        as coortes
      sem informação                                                                                                                              X   X   X   X
                           Total de casos novos diagnosticados no mesmo local e        da organização          SINAN         iniciadAs 9,12 ou
      de resultado de
                                                  período                              administrativa                        15 meses antes (*)
        tratamento

       Proporção de
                                      Nº de casos de TP entre X 100                       Avaliar a         Livro Preto
        casos de TP
                                                                                       prevalência da       ou ficha de
      entre os casos        Total de casos de TB de todas as formas no mesmo                                                      Mensal          X   X   X   X
                                                                                      forma pulmonar:      notificação do
      de TB de todas                          local e período                             gerenciar            SINAN
         as formas

         Proporção
          de casos
                                                                                                            Livro Preto e
         de TP com           Nº de casos de TP com baciloscopia não realizada             Avaliar o
                                                                                                           Branco ou ficha
       baciloscopia                                                                  gerenciamento das                            Mensal          X   X   X   X
                              Total de casos de TP no mesmo local e período                                 de notificação
       não realizada                                                                  normas do PCT
                                                                                                              do SINAN
      entre o total de
        casos de TP




122
                                                                                                                                                                  ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




                         Nº de casos novos de TP (BK+) encerrados por abandono         Avaliar a adesão     Livro Preto      Mensal, avaliando
       Percentual de
                                   em determinado local e período x 100                ao tratamento e      ou ficha de           as coortes
       abandono em                                                                                                                                X   X   X   X
                           Total de casos novos de TP (BK+) diagnosticados no         gerenciamento do     notificação do     iniciadas 9,12 ou
         TP (BK+)
                                          mesmo local e período                              PCT               SINAN         15 meses antes (*)

       Proporção de              Nº de casos de TB em que é realizado o              Avalia a coinfecção    Livro Preto e
       casos em que                      teste de anti-HIV x 100                      e a qualidade dos    Branco ou ficha     Trimestral ou
                                                                                                                                                  X   X   X   X
       é realizado o             Total de casos de TB diagnosticados no                programas TB e       de notificação       Semestral
      teste para HIV                      mesmo local e período                              Aids             do SINAN


           Taxa de
       incidência de         Nº de casos novos de TB de todas as formas em           Avaliar a magnitude
      tuberculose por           determinado local e período x 100.000 h                  da doença /       Livro Preto ou       Trimestral,
                                                                                                                                                  X   X   X   X
      todas as formas              População no mesmo local e período                   tendência da           SINAN         Semestral e Anual
         (por sexo e                                                                       endemia
        grupo etário)
Verificar
       Incidência de     Nº de casos de Meningite por TB em < de 5 anos x 100.000     indiretamente
       meningite por                                                                   a cobertura
                             População < de 5 anos no mesmo local e período                                     SINAN-Meningite          Anual          X   X   X   X
       TB em < de 5                                                                    e eficácia da
           anos                                                                       vacinação por
                                                                                           BCG

                                                                                                                 Cadastro de         Pelo menos uma
       Proporção de         Total de US integradas ao PCT no Município/Estado          Dimensionar
                                                                                                                  unidades          por ano ou sempre
       US integradas                                                                   cobertura do                                                         X   X   X
                                      Total de US do Município/Estado                                            municipais do          que houver
          ao PCT                                                                          PCT
                                                                                                                    SUS                  mudança

        Proporção de
                            Nº de baciloscopias positivcas para dignóstico x 100                                  Livro Preto e
       baciloscopias                                                                   Relação entre
                                                                                                                 Branco ou ficha
       positivas entre    Total de baciloscopias realizadas p/ diagósticos no mesmo   casos de BK+ e                                     Mensal         X   X
                                                                                                                de notificação do
        as realizadas                           local e período                       SR examinados
                                                                                                                     SINAN
      para diagnóstico

        Índice da
                                        Nº de contados examinados                       Análise da
         relação                                                                                                   SINAN ou




123
                                                                                        vigilância e                                    Trimestral      X   X
      contatos/casos                   Nº de de casos diagnosticados                                               prontuário
                                                                                        divulgação
       examinados

                                                                                                                  Livro preto
       Percentual de       Nº de casos de TB em tratamento supervisionado x 100          Avaliar a
                                                                                                                  ou ficha de
        Tratamento         Total de casos de TB diagnosticados no mesmo local e       implantação do                                     Mensal         X   X   X   X
                                                                                                                 notificação do
      Supervisionado                              período                                 DOTS
                                                                                                                     SINAN

      TB – Tuberculose
      TP – Tuberculose pulmonar
      BK+ – Caso pulmonar com baciloscopia positiva
      (*) – Avaliação separada seungo coortes de tratamento supervisionado e auto-administrado
      Livro preto – Livro de registro e controle de tratamento dos casos de tuberculose
      Livro branco – Livro de registro da baciloscopia e de cultura para diagnóstico e controle de tuberulose
      SINAM – Sistema Naiconal de Agravos de Notificação
                                                                                                                                                                        A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA E O SISTEMA DE INFORMAÇÃO
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




5.5 A PLANILHA DE PROGRAMAÇÃO LOCAL

Saúde do Adulto – Tuberculose


    RESULTADO                            ATIVIDADE                                PARÂMETRO

                       Realizar campanhas de conscientização da
                                                                           Campanhas quadrimestrais
                       equipe de saúde e da comunidade para
                                                                           realizadas.
                       detecção dos sintomáticos respiratórios.
                                                                           100% dos sintomáticos
                       Identificar todos os sintomáticos respiratórios     respiratórios que
 Vigilância de todos   que freqüentarem a UBS por qualquer motivo.         freqüentarem a UBS
                                                                           identificados.
  os sintomáticos
                                                                           100% dos sintomáticos
respiratórios da área Realizar busca ativa de todos os sintomáticos
                                                                           respiratórios da área adstrita
 de abrangência da respiratórios na região adstrita e comunidades
                                                                           e de comunidades fechadas
        UBS           reclusas.
                                                                           identificados.
                                                                           100% dos sintomáticos
                                                                           respiratórios registrados com
                       Registrar em livro próprio todos os sintomáticos
                                                                           nome, endereço completo
                       respiratórios identificados.
                                                                           e resultado de exames
                                                                           solicitados.
                       Realizar campanhas de conscientização dos
                                                                           Campanhas quadrimestrais
                       profissionais de saúde para solicitação do teste
                                                                           realizadas.
                       de baciloscopia.
                                                                           100% dos adultos
                       Realizar consulta para todos os adultos
                                                                           sintomáticos respiratórios
                       sintomáticos respiratórios.
                                                                           realizam consulta
                                                                           100% dos sintomáticos
                       Solicitar teste de baciloscopia em todos os         respiratórios identificados
                       adultos sintomáticos respiratórios identificados.   realizam teste de
                                                                           baciloscopia.
                       Registrar no Livro de Registro de Baciloscopias     100% dos exames realizados
                       (Livro Branco) o resultado do exame.                registrados.
                                                                           100% dos exames positivos
  Identificação de     Monitorar o repasse de informação sobre os
                                                                           informados à UBS nas
  todos os adultos     testes positivos de baciloscopia, até 24 horas
                                                                           primeiras 24 horas após a
  com tuberculose      após a sua realização, dos Laboratórios à UBS.
                                                                           sua realização.
                                                                           100% dos adultos
                       Realizar RX Tórax em todos os adultos
                                                                           sintomáticos respiratórios
                       sintomáticos respiratórios.
                                                                           realizam RX Tórax.
                                                                           100% dos adultos
                       Realizar PPD em todos os adultos sintomáticos
                                                                           sintomáticos respiratórios
                       respiratórios, quando das baciloscopias
                                                                           realizam PPD, nessas
                       negativas, Rx sugestivos e TB extrapulmonar.
                                                                           situações.
                       Preencher corretamente a ficha de notificação       100% dos casos com
                       para todo caso confirmado.                          notificação preenchida.
                                                                           100% dos adultos
                       Registrar no Livro Preto todos os adultos
                                                                           diagnosticados e em
                       diagnosticados e em tratamento na US.
                                                                           tratamento na US registrados.




                                                124
A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA E O SISTEMA DE INFORMAÇÃO




    RESULTADO                           ATIVIDADE                              PARÂMETRO

                                                                       100% dos adultos
                                                                       com tuberculose
                       Realizar consultas mensais para cada paciente
                                                                       realizam consultas de
                       até o término do tratamento.
                                                                       acompanhamento médico,
                                                                       no mínimo, mensal.
                       Fornecer a medicação para cada paciente de      100% da medicação prescrita
                       acordo com o esquema prescrito até o término    fornecida ao paciente até o
                       do tratamento.                                  término do tratamento.
                       Realizar tratamento supervisionado para todos   100% dos adultos com tuberculose
Acompanhamento e       os adultos com tuberculose.                     realizam tratamento supervisionado.

tratamento de todos                                                    100% dos pacientes com oferta do
                    Ofertar o teste de detecção de HIV.
   os adultos com                                                      teste.
     tuberculose                                                       100% dos adultos com
                                                                       tuberculose pulmonar
                       Solicitar o exame de baciloscopia.              realizam baciloscopia, no
                                                                       mínimo, no 2º, 4º e 6º mês
                                                                       de tratamento.
                                                                       100% dos pacientes
                                                                       atendidos nas consultas
                       Preencher a ficha de acompanhamento mensal
                                                                       subseqüentes com ficha de
                       para todo paciente a cada atendimento.
                                                                       acompanhamento mensal
                                                                       preenchidas.
                                                                       100% dos adultos
                       Identificar todos os adultos com tuberculose
                                                                       com tuberculose MDR
                       MDR.
                                                                       identificados.
Acompanhamento de
  todos os adultos
                                                                       100% dos adultos
  com tuberculose
                   Encaminhar para o serviço de referência todos       com tuberculose MDR
       MDR
                   os adultos com tuberculose MDR.                     encaminhados para o serviço
                                                                       de referência.




                                                125
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




    RESULTADO                           ATIVIDADE                              PARÂMETRO

                                                                        100% dos pacientes
                       Realizar consulta médica de encerramento
                                                                        submetidos a consulta
                       dos casos para todos os pacientes, no final do
                                                                        médica de encerramento dos
 Encerramento dos      tratamento.
                                                                        casos no final do tratamento.
       casos
                       Preencher a ficha de acompanhamento mensal       100% dos casos encerrados
                       com os dados de “Encerramento do Caso” e         com notificação realizada e
                       encaminhá-la para epidemiologia.                 encaminhada.
                       Realizar consulta médica de todos os contatos de 100% dos contatos realizam
                       adultos com tuberculose pulmonar.                consulta médica.
                                                                        100% dos contatos realizam
                       Realizar RX Tórax de todos os contatos.
                                                                        RX Tórax.
                                                                        100% dos contatos
                       Realizar baciloscopia de todos os contatos
     Controle de                                                        sintomáticos respiratórios
                       sintomáticos respiratórios.
 contatos de adultos                                                    realizam baciloscopia.
  com tuberculose      Realizar tratamento e acompanhamento             100% de todos os contatos
     pulmonar e        de todos os contatos com diagnóstico de          com diagnóstico confirmado
    prevenção da       tuberculose confirmado                           recebem tratamento.
     tuberculose
                                                                        100% dos contatos com
                       Realizar quimioprofilaxia de todos os contatos
                                                                        situações de risco realizam
                       com situações de risco.
                                                                        quimioprofilaxia.
                                                                        100% dos recém-nascidos
                       Vacinar todos os recém-nascidos com vacina
                                                                        vacinados
                       BCG
                                                                        com BCG.




                                               126
VI. ANEXOS: FORMULÁRIOS
    PADRONIZADOS PELO MINISTÉRIO
    DA SAÚDE E SECRETARIA ESTADUAL
    DE SAÚDE DE MINAS GERAIS
ANEXO I
INSTRUÇÕES PARA O PREENCHIMENTO
                            FICHA DE NOTIFICAÇÃO/ INVESTIGAÇÃO - SINAN WINDOWS
Nº – Anotar o número da notificação atribuído pela unidade de saúde para            desempregado. O ramo de atividade económica do paciente refere-se
identificação do caso (ex.: número do registro na unidade de saúde, número          às atividades económicas desenvolvidas nos processos de produção
do prontuário). CAMPO DE PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO.                                 do setor primário (agricultura e extrativismo); secundário (indústria) ou
1. Este campo identifica o tipo de notificação, a informação necessária à           terciário (serviços e comércio).
   digitação. Não é necessário preenchê-lo.                                         Preencher com o nome da ocupação e o ramo da atividade econômica
2. Anotar a data da notificação: data de preenchimento da ficha                     do paciente (ex.:metalúrgico, indústria de autopeças).
   de notificação/investigação. CAMPO DE PREENCHIMENTO                        28.   Preencher com o código correspondente a situação de entrada do
   OBRIGATÓRIO.                                                                     paciente na unidade de saúde. O item TRANSFERÊNCIA se refere
3. Preencher com o nome completo do município, ou código correspondente             àquele paciente que comparece a esta unidade de saúde para dar
   segundo cadastro do IBGE, onde está localizada a unidade de saúde                continuidade ao tratamento iniciado em outra unidade de saúde, desde
   (ou outra fonte notificadora) que realizou a notificação. CAMPO DE               que não tenha havido interrupção do uso da medicação por mais de
   PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO.                                                       30 dias. Neste último caso, o tipo de entrada deve ser “Reingresso após
4. Preencher com o nome completo da unidade de saúde (ou outra                      abandono”. Os conceitos de “Caso Novo” e “Recidiva” estão referidos
   fonte notificadora) ou código correspondente segundo cadastro                    no Manual de Normas Técnicas da Tuberculose. A opção “Não
   estabelecido pelo SINAN que realizou a notificação do caso. CAMPO                Sabe” deve ser assinalada quando o paciente não souber fornecer
   DE PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO.                                                    informações. CAMPO DE PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO.
5. Nome do agravo/doença, ou código correspondente estabelecido pelo          29.   Preencher com o código correspondente o resultado da teleradiografia
   SINAN (CID 10), que está sendo notificado.                                       de tórax ou abreugrafia (o código 3 diz respeito a outras alterações que
6. Anotar a data em que foi realizado o diagnóstico do caso. CAMPO DE               não são compatíveis com a tuberculose) por ocasião da notificação.
   PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO.                                                 30.   Preencher com o código correspondente o resultado do teste
7. Preencher com o nome completo do paciente (sem abreviações).                     tuberculínico por ocasião da notificação:
8. Preencher com a data de nascimento do paciente (dia/mês/ano) de                  1 - Não-reator (0 – 4 mm)
   forma completa.                                                                  2 - Reator fraco (5 – 9 mm)
9. Anotar a idade do paciente somente se a data de nascimento for                   3 - Reator forte (10 mm ou mais)
   desconhecida (ex.: 20 dias = 20 D; 3 meses = 3 M; 26 anos = 26 A).               4 - Não realizado
   Se o paciente não souber informar sua idade, anotar a idade aparente.      31.   Preencher com o código correspondente segundo a forma clínica
   OBS: Se a data de nascimento não for preenchida, a idade será                    da tuberculose (pulmonar exclusiva, extrapulmonar exclusiva ou
   CAMPO DE PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO.                                              pulmonar + extrapulmonar) por ocasião da notificação. CAMPO DE
10. Preencher segundo a categoria referente ao sexo do paciente (M =                PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO.
    masculino, F = feminino e I = ignorado).                                  32.   Preencher com o código correspondente à localização extrapulmonar
11. Preencher com o código correspondente à cor ou raça declarada                   da tuberculose nos casos em que o paciente apresente a forma clínica
    pela pessoa: l) Branca; 2) Preta; 3) Amarela (compreendendo-se                  igual a 2 ou 3. O item OUTRAS se refere às formas extrapulmonares
    nesta categoria a pessoa que se declarou de raça amarela); 4) Parda             que não estão listadas no campo da ficha. Caso o paciente apresente
                                                                                    mais de uma localização extrapulmonar, preencher a segunda caseia
    (incluindo-se nesta categoria a pessoa que se declarou mulata, cabocla,
                                                                                    do campo. CAMPO DE PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO,
    cafuza, mameluca ou mestiça de preto com pessoa de outra cor ou
                                                                                    QUANDO 31 = 2 OU 3.
    raça); 5) Indígena (considerando-se nesta categoria a pessoa que se
                                                                              33.   Preencher com o código correspondente do agravo presente no
    declarou indígena ou índia).
                                                                                    momento da notificação do caso.
12. Preencher com o código correspondente ao número de anos de estudo
                                                                              34.   Preencher com o código correspondente o resultado da baciloscopia
    concluídos. A classificação é obtida em função da série e do grau que
                                                                                    de escarro para BAAR (bacilo álcool-ácido resistentes) realizada
    a pessoa está frequentando ou frequentou considerando a última série
                                                                                    em amostra para diagnóstico. CAMPO DE PREENCHIMENTO
    concluída com aprovação. A correspondência é feita de forma que cada
                                                                                    OBRIGATÓRIO.
    série concluída com aprovação corresponda a um ano de estudo, (ex.:
                                                                              35.   Preencher com o código correspondente o resultado da baciloscopia
    Paciente cursou 4 anos, porém não concluiu o último ano, portanto o
                                                                                    de outro material para BAAR realizada em amostra para diagnóstico.
    paciente deverá ser incluído na categoria de l a 3). Este campo não se
                                                                              36.   Preencher com o código correspondente o resultado da cultura de
    aplica para paciente com idade inferior a 7 anos.
                                                                                    escarro para M tiiberculosis realizada cm amostra para diagnóstico.
13. Preencher com o número do CARTÃO ÚNICO do Sistema Único de
                                                                                    CAMPO DE PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO.
    Saúde ( SUS).
                                                                              37.   Preencher com o código correspondente o resultado da cultura de outro
14. Preencher com o nome completo da mãe do paciente (sem
                                                                                    material para M. tuberculosis realizada em amostra para diagnóstico.
    abreviações).
                                                                              38.   Preencher com o código correspondente o resultado da. sorologia para
15. Anotar o tipo (avenida, rua, travessa, etc.), nome completo ou código
                                                                                    o vírus da imunodcficiencia adquirida (H I V).
    correspondente do logradouro da residência do paciente. Se o paciente
                                                                              39.   Preencher com o código correspondente o resultado do exame
    for indígena anotar o nome da aldeia.
                                                                                    histopatológico para diagnóstico de TB (biópsia).
16. Anotar o número do logradouro da residência do paciente (ex.: n.° 575)    40.   Preencher com a data de início do tratamento atual na unidade de
17. Anotar o complemento do logradouro (ex.: bloco B, apto 402, lote 25,            saúde que está notificando o caso.
    casa 14, etc.).                                                           41.   Preencher com o código correspondente as drogas que estão sendo
18. Anotar o ponto de referenda para localização da residência do paciente          utilizadas no esquema de tratamento prescrito. Listar no quadro
    (perto da padaria do João).                                                     OUTRAS as drogas utilizadas nos esquemas alternativos (ex.:
19. Anotar a sigla da unidade federada da residência do paciente (ex : DF).         OFLOXACINA + RIFABUTINA).
20. Anotar o nome do município (ou código correspondente segundo              42.   Preencher com o código correspondente se o paciente está em
    cadastro do IBGE) da residência do paciente.                                    tratamento supervisionado para a tuberculose (conforme norma do
21. Anotar o nome do bairro (ou código correspondente segundo cadastro              PNCT/MS).
    do SINAN) de residência do paciente.                                      43.   Informar se o paciente adquiriu a doença em decorrência do processo
22. Anotar o código de endereçamento postal do logradouro (avenida,                 de trabalho, determinada pêlos ambientes ou condições inadequadas
    rua, travessa, etc.) da residência do paciente (ex.: CEP: 70036-030).           de trabalho (contaminação acidental, exposição ou conta to dircto).
23. Telefone do paciente.                                                           OBS. : informar as observações necessárias para complementar a
24. Zona de residência do paciente (ex.:l = área com características                investigação.
    estritamente urbana; 2 = área com características estritamente rural; 3   44.   Informar o nome do município/unidade de saúde responsável por esta
    = área rural com aglomeração populacional que se assemelha à uma                investigação.
    área urbana).                                                             45.   Informar o código da unidade de saúde responsável por esta
25. Anotar o nome do país de residência quando o paciente notificado                investigação.
    residir em outro país.                                                    46.   Informar o nome completo do responsável por esta investigação (ex.:
26. Preencher com o numero do prontuário do paciente na unidade de                  Mário José da Silva).
    saúde onde se realiza o tratamento.                                       47.   Informar a função do responsável por esta investigação (ex.:
27. Informar a atividade exercida pelo paciente no setor formal, informal           enfermeiro).
    ou autónomo ou sua última atividade exercida quando paciente for          48.   Registrar a assinatura do responsável por esta investigação.
ANEXO II


                                 República Federativa do Brasil
                                                                                                                 SISTEMA NACIONAL DE AGRAVOS DE NOTIFICAÇÃO
                                 Ministério da Saúde
                                                                                                                          RELATÓRIO DE TUBERCULOSE
                                 SES

Boletim de acomapnhamento de casos de tuberculose por minicípio de atendimento atual
Município de atendimento atual:

Unidade de saúde atual:

  Nº da      Data de                                                                       Data de      Nº de                                           Cultura          Cultura
                                                       Bacilosc.   Bacilosc.   Bacilosc.                        Situação    Situação Situação   Dt. de
notificação notificação           Nome                                                     mudança     contatos                                         de outro         de outro   HIV    Histopat.     Observações
                                                        2º mês      4º mês      8º mês                           9º mês     12º mês encerram. encerram.
   atual       atual                                                                        do trat. examinados                                         escarro          material




Cultura de escarro, Cultura de outro material, HIV: 1- Positiva; 2- Negativa; 3- Em andamento; 4 - Não realizada
Baciloscopia do 2º mês/4º mês/ 6º mês: 1- Positiva; 2- Negativa; 3- Não realizada
Histopatologia: 1- BAAR positiva; 2- Sugestivo de TB; 3- Não sugestivo de TB; 4- Em andamento; 4 - Não realizada
Situação no 9º mês (preenhcer p/ todos os casos, exceto menin gite, exclusiva ou não): 1- Cura; 2- Abandono; 3 - Óbito; 4 - Transferência; 5 - Mudança de diagnóstico; 6 - Mudança de esq. por into./toxici. (cont. em
trat. mas com outro esq.); 7 - Continua em tratamento (com esq. inicial); 8 - Falência (cont. em trat. com outro esq.)
Situação no 12º mês (p/ miningite, exclusvia ou não): 1- Cura; 2- Abandono; 3 - Óbito; 4 - Transferência; 5 - Mudança de diagnóstico; 6 - TB Multirristente e (resultado do teste de sensibilidade
Data do encerramento: Data da cura, óbito, transferência, mundaça de diagnóstico ou de resultado do teste de sensibilidade (TB multirresistente)
Data de mudança de tratamento: Preencher quando trat. inicial substituído deviso à toxicidade ou falência
ANEXO III

                           SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE MINAS GERAIS
                           SUPERINTENDÊNCIA DE ATENÇÃO À SAÚDE                                                       ACAMPANHAMENTO MENSAL DE
                           GERÊNCIA DE NORMALIZAÇÃO DA ATENÇÃO À SAÚDE                                                     TUBERCULOSE
                           COORDENADORIA ESTADUAL DE PNEUMOLOGIA
01 - MUNICÍPIO DE ATENDIMENTO ATUAL:                                                      CÓDIGO (IBGE)                                 02 - Nº DE NOTIFICAÇÃO


03 - UNIDADE DE SAÚDE ATUAL:                                  CÓDIGO                                              MICROÁREA             04 - OCORREU HOSPITALIZAÇÃO:
                                                                                                                                        1- Sim   2 - Não 09 - Ignorado
NOME:                                                                                                                                                    KG/PESO:
PRONTUÁRIO:                         Nº CARÃO SUS:


ENDEREÇAO-LOGRADOURO:                                                                                                           NÚMERO:                  COMPLEMENTO


BAIRRO:                                           DISTRITO:                                                                MUNICÍPIO:


05 - BACILOSCOPIA 2º MÊS                                      06 - BACILOSCOPIA 4º MÊS                                     07- BACILOSCOPIA 6º MÊS OU ENCERRAMENTO
1- POSITIVA:                                                   1- POSITIVA:                                                1- POSITIVA:
2- NEGATIVA:                                                   2- NEGATIVA:                                                2- NEGATIVA:
3- NÃO REALIZADA:                                              3- NÃO REALIZADA:                                           3- NÃO REALIZADA:
08 - DATA DE MARCAÇÃO DE TRATAMENTO               09 - Nº DE CATACTANTES EXAMINADOS                                                          10 - DATA DE ATENDIMENTO:


11 - SITUAÇÃO ATUAL:
1 - CURA               3 - ÓBITO                        5 - MUNDAÇA DE DIAGNÓSTICO                                         7 - CONTINUA TRATAMENTO
2 - ABANDONO        4 - TRANSFERÊNCIA                   6 - MUDANÇA DE ESQUEMA TERAPÊUTICO POR INTOLERÂNCIA 8 - FALÊNCIA
EM CASO DE TRANSFERÊNCIA-UNIDADE:                                                                                               CÓDIGO:


12 - DATA DE ENCERRAMENTO           13 - SITUAÇÃO NO ENCERRAMENTO
                                    1 - CURA            3 - ÓBITO                 5 - MUNDAÇA DE DIAGNÓSTICO                                       7 - CONTINUA TRATAMENTO
                                    2 - ABANDONO        4 - TRANSFERÊNCIA         6 - MUDANÇA DE ESQUEMA TERAPÊUTICO POR INTOLERÂNCIA 8 - FALÊNCIA
MÊS ENC.   14 - MEDICAMENTOS: Indicar a quandiade mensal da medicação prescrita                      OUTROS:
           S                  ET          RH                  Z                   RLSWP
                                                                                                     QUANTIDADE:
           E                  H           RH 1/2 dose         Z XPE

OBSERVAÇÕES (ANOTAR RESULTADOS DE EXAMES DURANTE O TRATAMENTO):



                                                                                     Assinatura e carimbo do responsável
ANEXO IV



                                        SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE
                                        SUPERINTENDÊNCIA DE ATENÇÃO À SAÚDE
                                        GERÊNCIA DE NORMALIZAÇÃO DA ATENÇÃO À SAÚDE
                                        COORDENADORIA ESTADUAL DE PNEUMOLOGIA SANITÁRIA


                          SOLICITAÇÃO PARA INVESTIGAÇÃO BACTERIOLÓGICA DE TUBERCULOSE

Unidade de Saúde .................................................................................................................... Data: .......................

Nome completo: .....................................................................................Idade: ........................ Sexo: .......................

Endereço (Rua, Nº, Bairro) .......................................................................................................................................

Telefone de contato:................................................................................nº de Prontuário ........................................

Tipo de Amostra: 1) Nunca tratado                               2) Antes Tratado                    3) Recidiva                   4) Abandono
                                                                                                      (suspeita)

Para Diagnóstico: Em Sintomático Respiratório                                   Rx Anormal                      1ª Amostra                  2ª Amostra

Para Controle de:                  1º          2º          3º          4º          5º          6º                      Mês de tratamento

Nº de Caso                                                             Pede-se Baciloscopia                                                    Cultura

Solicitante: .............................................................. Observações: ............................................................................
                    (Ass. e Carimbo)

RESULTADOS:

Baciloscopia:         Positiva                            Negativa                               Nº de Registro ...................Data: ____/ ____/ ____

Cultivo::             Positiva                            Negativa                               Nº de Registro ...................Data: ____/ ____/ ____


Ass. do laboratorista: ................................................................................................................................................
ANEXO V

                            LIVRO DE REGISTRO DE BACILOSCOPIA E DE CULTURA PARA DIAGNÓSTICO E CONTROLE DA TUBERCULOSE



                                                                                                                               RESULTADO POR TIPO DE EXAME




                                       SEXO




                               NOME
                                                                                        UNIDADE
                                                                                        D ESAÚDE
                                                                                                                                                                                            MATERIAL




                                                                            MUNICIPIO
                                                                                                                     BACILOSCOPIA                             CULTURA




                                                                 ENDEREÇO
                                                                                                                                                                                                       OBSEVAÇÃO




               DATA EXAME
                                                                                                   PRONTUÁRIO




 Nº DE ORDEM
                                                                                                                Diagnóstico  Controle                 Diagnóstico   Controle




                                              DATA NASC./IDADE
                                                                                                                  1ª        2ª                          1ª        2ª
                                                                                                                                    Mês   Resultado                       Mês   Resultado
                                                                                                                amostra   amostra                     amostra   amostra
LIVRO DE REGISTRO DE BACILOSCOPIA E DE CULTURA PARA DIAGNÓSTICO E CONTROLE DA TUBERCULOSE
Os laboratórios integrados ou vinculados à Rede Nacional de Laboratórios de Saúde Pública devem ter um sistema de registro interno que permita: (l) fornecer o resultado do exame ao
solicitante; (2) registrar e avaliar o trabalho diário realizado e (3) fornecer informações indispensáveis para o programa do controle da tuberculose e para a rede de laboratórios.
Este livro de registro de baciloscopia e de cultura deverá ser utilizado por toda a unidade de saúde que realizar somente baciloscopia (mas que poderá enviar material clinico para a
cultura) e laboratórios que realizarem, tanto a baciloscopia quanto a cultura, para diagnóstico e controle da tuberculose. Esta proposta pretende adequar e uniformizar as informações
obtidas no laboratório, para melhor utilização dos dados produzidos no programa de controle da tuberculose. As informações contidas aqui são confidenciais e devem ser cuidadosamente
protegidas contra danos e extravios.
Dos dados deste livro, será feito um consolidado mensal que informará ao coordenador de tuberculose da unidade de saúde, ou na falta deste, ao coordenador municipal ou estadual,
os números de pacientes sintomáticos respiratórios examinados que forem positivos e/ou negativos à baciloscopia ou à cultura. Alem disso, será feita uma listagem nominal dos pacientes
positivos, utilizando o “Informe mensal do laboratório ao programa” para que seja comparada com Livro de Registro e Controle de Tratamento dos Casos de Tuberculose das unidades de
saúde que solicitarem os exames. Estes dados poderão ser armazenados no programa de computação intitulado SILTB (Sistema de Informação Laboratorial da Tuberculose) e distribuído
gratuitamente pelo Centro de Referência Professor Hélio Fraga* da Fundação Nacional de Saúde.

Para preencher as colunas do livro de registro:                                             Cultura: relativo aos exames de isolamento do bacilo da tuberculose
Nome: nome completo do paciente                                                             Diagnóstico: relativo aos exames para diagnóstico de tuberculose
Sexo: M (masculino)                F (feminino)                                             1ª amostra: relativa ao primeiro exame para diagnóstico de tuberculose
Data de nasc./idade: colocar dia, mês e ano ou a Idade se o paciente não relatar a data     2.ª amostra: relativo ao segundo exame para diagnóstico de tuberculose
exata de nascimento                                                                         Controle: relativo aos exames para acompanhamento do tratamento de tuberculose
Endereço: rua, travessa, avenida, quadra, bloco, lote ou gleba e o número da habitação      Mês: relativo ao mês do tratamento de tuberculose
do paciente                                                                                 Resultado: relativo ao resultado do exame para acompanhamento do tratamento de
Município: município de residência do paciente                                              tuberculose.
Unidade de saúde: nome completo da unidade de saúde requisitante do exame                   Para a cultura utilizar as seguintes anotações:
Prontuário: número de matrícula do paciente na unidade de saúde requisitante                NR – não realizada
Nº de ordem: número sequencial usado para identificar o material clínico recebido pelo      neg – sem crescimento no meio de cultura
laboratório                                                                                 C – contaminado
Data exame: dia, mês e ano em que se iniciaram os procedimentos laboratoriais relativos     EA (em andamento) - resultado provisório para indicar que o exame não foi concluído
ao exame                                                                                    (+) – de 20 a 100 colônias
Resultados por tipo de exame:                                                               (++) – mais de 100 colônias separadas
Baciloscopia: relativo aos exames microscópicos                                             (+++) – colônias confluentes
Diagnóstico: relativo aos exames para diagnóstico de tuberculose                            Material: relativo ao tipo de material clínico (escarro, lavados gástrico, brônquico,
1ª amostra: relativa ao primeiro exame para diagnóstico de tuberculose                      bronco-alveolar. tráqueo-brônquico, broncoaspirado, urina, gânglio, sangue, aspirado de
2ª amostra: relativa ao segundo exame para diagnóstico de tuberculose                       medula óssea, biópsia e outros)
Controle: relativo aos exames para acompanhamento do tratamento de tuberculose              Observação: relativo aos comentários pertinentes às observações relevantes não
Mês: relativo ao mês do tratamento de tuberculose                                           especificados em outros campos
Resultado: relativo ao resultado do exame para acompanhamento do tratamento de              *Centro de Referência Prof. Hélio Fraga
tuberculose
                                                                                            Estrada de Curicica, 2000 – Jacarepaguá – Rio de Janeiro – RJ
Preencher resultados da baciloscopia, usando as seguintes notações:
Neg –negativo ou de 1 a 4 bacilos em 100 campos examinados                                  CEP:22710-550
(+) – menos de 1 bacilo em 100 campos examinados                                            Telefone: (21) 445 6848
(++) – de 1 a 10 bacilos em 50 campos examinados                                            Telefax:(21)4414715
(+++) – mais de 10 bacilos em 20 campos examinados                                          E-mail: labtb@gbl.com.br
NR - não realizado
ANEXO VI
            SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE MINAS GERAIS                                                             MÊS                ANO
            SUPERINTENDÊNCIA DE ATENÇÃO À SAÚDE
            GERÊNCIA DE NORMALIZAÇÃO DA ATENÇÃO À SAÚDE                                                    HISTÓRICO DA Dispensa MENSAL DE
            COORDENADORIA ESTADUAL DE PNEUMOLOGIA SANITÁRIA                                                     TUBERCULOSTÁTICOS


 GRS:

 MUNICÍPIO:                                                                                       MEDICAÇÃO DISPENSADA
                                                                                                     QUANTIDADE/MÊS
 UNIDADE DE SAÚDE:
                                       Indicar a letra:
                Indicar a letra:                                                                                                  Z        RI       RH
                                   N -Notificação           Nome do
 Nº   DATA I    = internado                                              S        E       ET        H         RH         Z       frs.     frs.      1/2
                                   A -Acompanhamento        Paciente
            A   = ambulatório                                                                                                   Xarope   Susp.     dose
                                   Q   = quimioprofilaxia


  1

  2

  3

  4

  5

  6

  7

Nº DE PACIENTES EM QUIMIOPROFILAXIA:                                   TOTAL:   TOTAL:   TOTAL:   TOTAL:     TOTAL:    TOTAL:   TOTAL:   TOTAL:   TOTAL:

Nº DE NOTIFICAÇÕES DO MÊS:
                                                                       ______   ______   ______   ______     ______    ______   ______   ______   ______
Nº TOTAL DE PACIENTES EM TRATAMENTO:
                                                                       ASSINATURA DO RESPONSÁVEL:
ANEXO VII                                                                                                                                    ANO:
             SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE MINAS GERAIS                                                                                   MÊS:
             SUPERINTENDÊNCIA DE ATENÇÃO À SAÚDE
             GERÊNCIA DE NORMALIZAÇÃO DA ATENÇÃO À SAÚDE
             COORDENADORIA ESTAUDAL DE PNEUMOLOGIA SANITÁRIA

                                        MOVIMENTO MENSAL DOS MEDICAMENTOS TUBERCULÓSTÁTICOS


GRS:                                                         MUNICÍPIO UNIDADE DE SAÚDE:
                                       Indicar o número de   Quandidade
                                                                           Estoque                                             Estoque              Quantiodade
                                       pacientes em uso de   mensal por                Recebido       Distribuído Perdido no               Lote
Código            Especificação                                            do mês                                               atual                solicitada
                                         cada medicação       paciente                  no mês          no mês       mês                 Validade
                                                                           anterior                                              (C)                AxBx2–C
                                                (A)             (B)

 876     Estreptomicina 1g fr.a                                30 frs.

 1007    Etambutol 400 mg / comp.                             90 comp.

 4588    Etionamida 250 mg / drágea                          90 drágeas

 1023    Isoniazida 100 mg / comp.                            90 comp.
         Isoniazida + Rifampicina
 7684                                                         60 cáps.
         200 m + 300 mg / cáps.
 4855    Pirazinamida 500 mg / comp.                          120 cáps.

 8494    Pirazinamida xarope 3% fr.                             5 frs.

 1791    Rifampicina 2% fr.                                     6 frs.
         Isoniazida + Rifampicina
10170                                                         90 comp.
         100 m + 150 mg /cáps.
                                                                          Assinatura do responsável
Nº de notificações novas

Nº pacientes em quimioprofilaxia

Total de pacientes em tratamento
ANEXO VIII
REGISTRO DE PACIENTES E CONTROLE DE TRATAMENTO DOS CASOS DE TUBERCULOSE

UNIDADE DE SAÚDE:                                                                                                                                                        UF:
                                                                                                                                      MÊS DE                                                          ANO

                Identificação                            Exames de diagnóstico                                                                  Exames de controle                                        Casos
                                                                                                        Tratamento
                                                                                           Forma                                                                                                  R     Enc. / Alta
 Nº Matrícula                                   Bac.                                       clínica                                                   Baciloscopia                                 x
Serv.               Nome        Idade   Sexo              Cult.   PPD   Hist.   Rx   HIV
                                                                                                                                                                                                                       Observações




        Geral                                  1ª   2ª                                               Tipo   Início   Esq.   1ª   2ª   3ª   4ª   5ª     6ª   7ª      8ª     9ª   10ª   11ª   12ª        Data   Motivo
 TB
Plano nacional de controle da tuberculose
Unidade de Saúde: _________Đ                                                                                                                                                                                  UF: ______________________________
                                                                              Instruções para o Registro de Pacientes de Tuberculose e Controle de Tratamento
Considerações gerais:
Este livro de “Registro e Controle de Tratamento dos Casos de Tuberculose” é um instrumento de informação oficial do Plano Nacional de Controle da Tuberculose (PCT). De caráter confidencial as informações aqui contidas devem ser adequadas e
cuidadosamente protegidas contra danos e extravios. Devem ser registradas apenas as informações dos pacientes que iniciam o tratamento, com seu diagnóstico firmado. Deste livro serão retiradas as informações para a elaboração dos boletins mensais,
trimestrais e anuais e os consoĐ
As informações do mês seguinte poderão ser feitas na mesma folha seguindo a ordem sequencial numérica do mês anterior,Đ
multirresistentes (TBMR), estes devem ser registrados em folha especial para o devido controle.
Como preencher os campos                                                                                                                                                            CASOS ENCERRADOS/ALTA
IDENTIFICAÇÃO                                                                            FORMA CLÍNICA                                                                              Data          Registrar a data da alta (dia, mês e ano).
Matrícula Geral Registrar o número de matrícula do paciente do registro geral da                         Registrar P+ para tuberculose pulmonar positiva; P- para tuber-            Motivo        Registrar
                  unidade.                                                                               culose pulmonar negativa. Quando não realizada a baciloscopia,             Cura C        Alto por cura comprovada será dada quando um caso pulmonar
N.° Serv. TB      Registrar em ordem sequencial o número de inscrição do caso de                         assinalar apenas a letra P Nos casos de tuberculose extrapulmonar,                       inicialmente positivo, ao completar o tratamento (final do 6° mês),
                  tuberculose no serviço de pneumologia.                                                 assinalar a localização de acordo com a seguinte convenção:                              apresentar o resultado de duas amostras baciloscopias negativas
Nome              Registrar o nome completo do paciente.                                                 Pl - pleural; Gp - ganglionar periférica; Oa - osteoarticular;                           (insistir na coleta das duas amostra de escarro).
Idade             Registrar a idade do paciente em anos completos; nos menores de                        Oc - ocular: Gu - genitourinária; Me - meningoencefállca:                                Ex.: NEG
                  um ano registrar a idade em meses.                                                     Mi - miliar e, 0 -outras localizações                                                          NEG
Sexo              Assinalar M para masculino e F para feminino.                          TRATAMENTO                                                                                 CuraNC        Alta por cura não comprovada será dado quando, o caso pulmonar
                                                                                         Tipo            Registrar Tl para os casos de tratamento inicial (caso novo);                            inicialmente positivo, ao completa tratamento, não tiver realizado as
EXAMES DE DIAGNÓSTICO
                                                                                                         Registrar RR para retratamento de recidiva; Registrar RA para                            baciloscopias para encerramento do caso.
Baciloscopia      Transcrever o resultado da 1° amostra da baciloscopia na primeira
                                                                                                         retratamento após abandono e RF para o retratamento nos casos              Cura          A alta por cura será dada com base em critérios clínico-radiológicos,
                  coluna e da 2ª amostra na coluna correspondente, de acordo com
                                                                                                         de falência.                                                                             nos casos pulmonares inicialmente negativos ou extrapulmonares,
                  o seguinte critério: +, ++, +++, para os positivos e NEG para
                                                                                         Início          Registrar a data do início do tratamento (dia, mês e ano). Em                            ao completarem o tratamento.
                  os negativos.Quando o exame de baciloscopia não for realizado,
                                                                                                         caso de paciente transferido, registra-se a data do início do              Aband.        A alta por abandono de tratamento será dada ao doente que deixou
                  assinalar com um traço entre parênteses (-).
                                                                                                         tratamento na unidade de origem.                                                         de comparecer a unidade de saúde, por mais 30 dias consecutivos,
Cultura           Transcrever o resultado da cultura assinalando POS para o positivo
                                                                                         Esquema         Registrar o esquema utilizado I,I R, II e III. Registrar EE nas unidades                 após a data aprazada para seu retorno.
                  e NEG para o negativo. Quando não realizado, assinalar com um
                                                                                                         de referência quando forem utilizados esquemas especiais em                M. Diag.      A alta por mudança de diagnóstico será dada quando constatado
                  traço entre parênteses (-).
                                                                                                         pacientes resistentes aos tuberculostáticos.                                             errode diagnóstico de tuberculose.
PPD               Registrar o resultado da prova tuberculínica usando a sigla NR (O a
                  4 mm) para não-reator; Rf (5 a 9 mm) para reator fraco; RF (10 mm                                                                                                 Óbito         A alta por óbito será dada quando do conhecimento da morte do

                  e mais) para reator forte. Quando não realizada, assinalar com um                                                                                                               paciente, durante o tratamento e independentemente da causa.

                  traço entre parentes (-).                                                                                                                                         Fol.          A falência deverá ser considerada quando os doentes no início do
                                                                                         EXAMES DE CONTROLE
Histologia        Registrar POS quando o resultado do exame histopatológico acusar                                                                                                                tratamento são fortemente positivos (++ +++) e mantêm essa
                                                                                         Baciloscopia    Registrar o resultado na coluna correspondente ao mês de trata-
                  a presença de BAAR.                                                                                                                                                             situação até o quarto mês tratamento. E também aqueles com
                                                                                                         mento em que o exame foi realizado. Transcrever o resultado da
                  Registrar SUG quando o resultado referir achados sugestivos                                                                                                                     positividade inicial seguida de negativação e nova positividade por
                                                                                                         baciloscopia de acordo com o seguinte critério: +, ++, +++
                  de tuberculose. Registrar NEG quando os achados não forem                                                                                                                       dois meses consecutivos, a partir do quarto mês de tratamento.
                                                                                                         para os positivos e NEG para os negativos. Quando não-realiza-
                  sugestivos de tuberculose.                                                                                                                                                      NOTA: Quando o caso for encerrado por falência paciente deverá
                                                                                                         da, assinalar com um traço entre parênteses (-).
                  Quando não realizado, assinalar com um traço entra parênteses (-).                                                                                                              ser novamente registrado neste livro como caso de retratamento.
                                                                                         RX              Registrar X quando for realizado exame radiológico ao final do
RX                Registrar S quando as imagens radiológicas forem suspeitas de                                                                                                     Tranff.       A transferência será dada quando o doente for transferido para
                                                                                                         tratamento e traço entre parênteses (-) quando não-realizado.
                  tuberculose. Registrar OP quando houver imagem sugestiva de outra                                                                                                               outro serviço de saúde.

                  patologia e Registrar N quando o aspecto radiológico for normal.                                                                                                  Observações   Registrar ocorrências não especificadas, como intolerância ao

                  Quando o RX não for realizado, assinalar um traço entre parênteses                                                                                                              medicamentosa, interrupção do tratamento, irregularidade (justificar)

                  (-).                                                                                                                                                                            e outros.

HIV               Registrar POS quando o resultado da sorologia para HIV for positvo
                  e NEG quando negativo. Quando não realizado, assinalar com um
                  traço entre parênteses (-).
Avaliação do resultado de tratamento estudo de coorte
Avaliação Nos 9°, 12° e 15° meses conforme esquema utilizado

                                                                                                     Cura                                            Transfe-                    Continuação                        Mudança
                                                                  Inscritos                                                        Abandono                         Óbito                             Falência
     Tratamento                    Forma clínica                                  Comprovada N/Comprovada              Total                          rência                      tratamento                        esquema
                                                                 Nº        %      Nº       %      Nº      %       Nº           %   Nº     %          Nº    %       Nº     %        Nº        %       Nº      %      Nº      %
                                Pulmonar positiva                          100
                            Pulmonar s/confirmação                         100




          Inicial
                                  Extra-Pulmonar                           100
                                        Total                              100

 Retramento após
                                Pulmonar positiva                          100
      aband.
    Retratamento                     Pulmonar
                                                                           100
     após cura                        postiiva
                                                  Total                    100

        TB                      Pulmonar positiva                          100
   Associada com
   HIV+ ou Aids             Pulmonar e outra forma                         100

                         Falência                                          100


                                                     AVALIAÇÃO DO RESULTADO DO TRATAMENTO DE TUBERCULOSE
Estudo de Coorte                                                           A avaliação permite conhecer a efetividade do Tratamento.                  e preencher as quadrículas correspondentes, assim como calcular os
Toda Unidade de Saúde deverá avaliar o resultado dos casos tratados        Caso não se esteja obtendo cura igual ou maior que 85%, deve-se            percentuais.
pelo estudo de coorte.                                                     identificar o(s) fator(es) que determinam esta baixa efetividade para
Para realizar esse estudo é necessário coletar os dados da folha de                                                                                   Tratamento de nove meses
                                                                           corrigí-los.
registro de pacientes deste livro.                                                                                                                    Separar os que foram inscritos há doze meses por forma clínica e avaliar
                                                                           Para o preenchimento das tabelas que compõem o estudo de coorte,
Para os casos de tratamento Inicial (Esquema l) e Retratamento                                                                                        o resultado daqueles que receberam cura, abandono, transferência,
                                                                           deverão ser registrados a soma de todos os casos cujo tratamento tenham
(Esquema l R) com duração de seis meses a avaliação será feita nove                                                                                   óbito, permaneceram em tratamento, falência de esquema e preencher as
                                                                           sido iniciados num determinado período, por exemplo: a coorte do 1°
meses após o início do tratamento. Para os casos com HIV+ ou Aids                                                                                     quadrículas correspondentes, assim como calcular os percentuais.
                                                                           trimestre pode ser feita no mês de abril com os paciente notificados em
(Esquema l Prolongado) e Meningite Tuberculosa (Esquema II) cuja           agosto do ano anterior.                                                    Tratamento de doze meses
duração é de nove meses, a avaliação será feita doze meses após o início                                                                              Separar os que foram inscritos há doze meses por forma clínica e avaliar
                                                                           Tratamento de seis meses
do tratamento. Para os casos de Falência de Tratamento (Esquema III)                                                                                  o resultado daqueles que receberam cura, abandono, transferência,
                                                                           Separar os que foram inscritos há noves meses passados por forma
cuja duração é de doze meses, a avaliação será feita quinze meses após o                                                                              óbito, permaneceram em tratamento, falência de esquema e preencher as
                                                                           clínica e avaliar o resultado daqueles que receberam cura, abandono,
início do tratamento.                                                                                                                                 quadrículas correspondentes, assim como calcular os percentuais.
                                                                           transferência, óbito, permaneceram em tratamento, falência de esquema
ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Ministério da Saúde. Tuberculose – guia de vigilância epidemiológica/elaborado
pelo Comitê Técnico – Científico de Assessoramento à tuberculose e Comitê Assessor
para Coinfecção HIV -Tuberculose – Brasília: Ministério da Saúde: Fundação Nacional de
Saúde, 2002.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de
Atenção Básica. Manual técnico para o controle da tuberculose: cadernos de atenção
básica/ Ministério da Saúde – 6 ed.ver. e ampl. – Brasília: Ministério da Saúde, 2002.

DALCOMO, MP; FORTES A; MELO FF; MOTTA R; IDE NETO J; SESISCENTO M;
GERHARDT G. Esquemas alternativos para o tratamento da tuberculose multiresistente.
Bol Pneumol Sanit 1996.

Controle da tuberculose: uma proposta de integração ensino-serviço. 5a edição – Rio de
Janeiro: FUNASA/CRPHF/SBPT, 2002.p 82-96.




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EQUIPE RESPONSÁVEL



COLEÇÃO SAÚDE EM CASA

Organizador

 Marco Antônio Bragança de Matos

Consultora

 Maria Emi Shimazak




ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO TUBERCULOSE




Autores

   Ailton Cesário Alves Júnior

   Cláudia Hermínia Lima e Silva

   Edilson Corrêa de Moura


Colaboradores

   Benedito Scaranci Fernandes

   Miguel Aiub Hijjar

   Presidente da SMPT
Linha guiatuberculose

Linha guiatuberculose

  • 1.
    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO TUBERCULOSE 1ª Edição SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MINAS GERAIS Belo Horizonte, 2006
  • 2.
    GOVERNO DO ESTADODE MINAS GERAIS Governador Aécio Neves da Cunha SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MINAS GERAIS Secretário Marcelo Gouvêa Teixeira SUPERINTENDÊNCIA DE ATENÇÃO À SAÚDE Superintendente Benedito Scaranci Fernandes GERÊNCIA DE ATENÇÃO BÁSICA Gerente Maria Rizoneide Negreiros de Araújo GERÊNCIA DE NORMALIZAÇÃO DE ATENÇÃO À SAÚDE Gerente Marco Antônio Bragança de Matos COORDENADORIA DO PROGRAMA DE PNEUMOLOGIA SANITÁRIA Coordenador Edílson Corrêa de Moura Aporte financeiro Este material foi produzido com recursos do Projeto de Expansão e Consolidação da Saúde da Família - PROESF Projeto gráfico e editoração eletrônica Casa de Editoração e Arte Ltda. Ilustração Mirella Spinelli Produção, distribuição e informações Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais Rua Sapucaí, 429 – Floresta – Belo Horizonrte – MG – CEP 30150 050 Telefone (31) 3273.5100 – E-mail: secr.ses@saude.mg.gov.br Site: www.saude.mg.gov.br 1ª Edição. 2006Aut MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção à WF Saúde do Adulto: Tuberculose.Belo Horizonte, 2006. 250 144 p. MI 1. Saúde do adulto - Tuberculose. 2. Tuberculose - Atenção à Saúde AT do Adulto.I.Titulo.
  • 3.
    AUTORES AiltonCezário Alves Júnior Cláudia Hermínia Lima e Silva Edílson Corrêa de Moura
  • 5.
    APRESENTAÇÃO A situação da saúde, hoje, no Brasil e em Minas Gerais, é determinada por dois fatores importantes. A cada ano acrescentam-se 200 mil pessoas maiores de 60 anos à população brasileira, gerando uma demanda importante para o sistema de saúde (MS, 2005). Somando-se a isso, o cenário epidemiológico brasileiro mostra uma transição: as doenças infecciosas que respondiam por 46% das mortes em 1930, em 2003 foram responsáveis por apenas 5% da mortalidade, dando lugar às doenças cardiovasculares, aos cânceres e aos acidentes e à violência. À frente do grupo das dez principais causas da carga de doença no Brasil já estavam, em 1998, o diabete, a doença isquêmica do coração, a doença cérebro-vascular e o transtorno depressivo recorrente. Segundo a Organização Mundial de Saúde, até o ano de 2020, as condições crônicas serão responsáveis por 60% da carga global de doença nos países em desenvolvimento (OMS, 2002). Este cenário preocupante impõe a necessidade de medidas inovadoras, que mudem a lógica atual de uma rede de serviços voltada ao atendimento do agudo para uma rede de atenção às condições crônicas. Para responder a essa situação, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais estabeleceu como estratégia principal a implantação de redes de atenção à saúde em cada uma das 75 microrregiões do estado que permitam prestar uma assistência contínua à população. E a pré-condição para a eficácia e a eqüidade dessa rede é que o seu centro de coordenação seja a atenção primária. O programa Saúde em Casa, em ato desde 2003, tendo como objetivo a melhoria da atenção primária, está construindo os alicerces para a rede de atenção à saúde: recuperação e ampliação das unidades básicas de saúde, distribuição de equipamentos, monitoramento através da certificação das equipes e avaliação da qualidade da assistência, da educação permanente para os profissionais e repasse de recursos mensais para cada equipe de saúde da família, além da ampliação da lista básica de medicamentos, dentro do programa Farmácia de Minas. Como base para o desenvolvimento dessa estratégia, foram publicadas anteriormente as linhas-guias Atenção ao Pré-natal, Parto e Puerpério, Atenção à Saúde da Criança e Atenção Hospitalar ao Neonato, e, agora, apresentamos as linhas-guias Atenção à Saúde do Adolescente, Atenção à Saúde do Adulto (Hipertensão e Diabete, Tuberculose, Hanseníase e Hiv/aids), Atenção à Saúde do Idoso, Atenção em Saúde Mental e Atenção em Saúde Bucal e os manuais da Atenção Primária à Saúde e Prontuário da Família. Esse conjunto de diretrizes indicará a direção para a reorganização dos serviços e da construção da rede integrada. Esperamos, assim, dar mais um passo na consolidação do SUS em Minas Gerais, melhorando as condições de saúde e de vida da nossa população. Dr. Marcelo Gouvêa Teixeira Secretário de Saúde do Estado de Minas Gerais
  • 7.
    AGRADECIMENTOS Agradecemos a todos os profissionais da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais que se empenharam na elaboração desta linha-guia e de maneira especial ao Dr. Edílson Corrêa de Moura pela sua dedicação ao combate à tuberculose no Estado de Minas Gerais. Agradecemos ao Ministério da Saúde/ Fundação Nacional de Saúde, à Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e ao Centro de Referência Professor Hélio Fraga, através de sua equipe brilhantemente coordenada pelo Dr. Miguel Aiub Hijjar, cujas publicações têm norteado o controle da tuberculose no Brasil, sendo a base bibliográfica para a redação desta linha-guia.
  • 9.
    COMENTÁRIOS DE VALIDAÇÃO Graças aos esforços da Coordenação Estadual de Pneumologia Sanitária, o estado de Minas Gerais conta com um Plano de Ação do Programa de Controle de Tuberculose, desde 2005, que prevê atividades de aumento da cobertura do tratamento supervisionado e humanizado e melhoria da rede pública de laboratórios para baciloscopia e cultura. Destaca-se também a maior integração da Secretaria Estadual de Saúde com os municípios e importantes ações educativas e de promoção da saúde. Temos a certeza que a implantação deste Plano muito contribuirá para levar o flagelo da tuberculosa aos níveis aceitáveis diante dos recursos tecnológicos disponíveis, há anos, e que nem sempre vêm sendo disponibilizados de forma eficiente para a população. No âmbito federal a tuberculose foi definida como um problema prioritário de saúde cabendo às Secretarias Estaduais e Municipais a coordenação e execução das atividades de controle que integram os diferentes componentes do Programa. A construção do importante instrumento LINHA-GUIA PARA O CONTROLE DA TUBERCULOSE NA ATENÇÃO BÁSICA, graças aos esforços da competente equipe técnica do estado vem levar uma proposta de organização a todos municípios mineiros, com clara definição das atribuições das equipes de saúde e responsabilidades gerenciais definidas para cada nível da estrutura. Aqui, segundo as diferentes realidades locais, são detalhados exaustivamente normas e procedimentos para as atividades de controle; definição da logística, papel e atribuições de cada categoria profissional tanto para assistência propriamente dita, quanto para as atividades de Vigilância Epidemiologia. As atividades de avaliação representam uma busca contínua de maior qualidade. Enfim, este instrumento, linha e guia, vem auxiliar de forma consistente e clara o exercício diário dos profissionais que lutam para melhorar a saúde de nosso povo e que sempre respondem a investimentos desta natureza. Saudamos esta importante iniciativa no combate a tuberculose no Brasil que contribuirá para maior qualificação e expansão de cobertura do controle e o alcance de nossos principais objetivos que são o de reduzir, de modo significativo, a incidência e mortalidade causadas pela tuberculose e como consequência diminuindo o sofrimento humano e melhorando a qualidade de vida. Miguel Aiub Hijjar Diretor do Centro de Referência Prof. Hélio Fraga Secretaria de Vigilância em Saúde Ministério da Saúde
  • 11.
    SUMÁRIO Introdução .................................................................... 13 Uma visão humanizada sobre o paciente com tuberculose ... 14 I. As diretrizes para o atendimento .............................. 17 1.1 O acolhimento do usuário ................................. 19 1.2 Sinais de risco ................................................... 20 1.3 Sinais de alerta ................................................. 20 1.4 A população de risco ........................................ 23 II. As ações de promoção à saúde e prevenção da doença ...................................................................27 2.1 Ações de promoção à saúde ............................... 29 2.2 Ações de prevenção da doença .......................... 29 III. Abordagem clínica ................................................... 41 3.1 A tuberculose .................................................... 43 3.2 O atendimento na unidade básica de saúde ...... 84 3.3 Especialidade: qual e quando será necessária.... 91 3.4 Patologias associadas a serem consideradas ...... 91 3.5 Apoio diagnóstico: qual exame e quando fazer .. 95 IV A organização da assistência .................................... 97 . 4.1 As competências das unidades de saúde ........... 99 4.2 A definição dos profissionais envolvidos .......... 102 4.3 As atribuições dos profissionais ....................... 102 4.4 O tratamento supervisionado .......................... 107 V. A vigilância epidemiológica e o sistema de informação............................................ 111 5.1 Os sistemas de informação do Ministério da Saúde ........................................ 113 5.2 A vigilância epidemiológica da tuberculose .......... 119 5.3 Sites interessantes ........................................... 120 5.4. Indicadores, parâmetros e fontes para monitoramento ............................................... 121 Anexos ...................................................................... 127 Referências Bibliográficas............................................ 142
  • 13.
    INTRODUÇÃO INTRODUÇÃO O que mais falar sobre uma doença que através dos milênios vem fazendo adoecer e sucumbir milhões de pessoas? O que dizer sobre uma enfermidade que apesar de ter sua etiopatogenia reconhecida, tratamento e cura disponível foi atualmente considerada uma emergência mundial pela Organização Mundial de Saúde (OMS) levando ao óbito anualmente quase 3 milhões de pessoas no planeta? A tuberculose é a doença infecto-contagiosa que mais mata jovens e adultos no mundo. Com o advento do HIV e da multidrogarresistência, essa morbidade colore novamente um cenário preocupante. No nosso país, a tuberculose ainda mata aproximadamente 6 mil brasileiros por ano e adoece cerca de 100 mil pessoas. É sabido que contribuem para a grave situação o aumento da pobreza, a má distribuição de renda e a urbanização acelerada. Tais fatores encontram- se particularmente presentes em determinadas regiões de nosso país, especialmente na sudeste, resultando em coeficientes de incidência da doença superiores aos nacionais. Minas Gerais, com 18 milhões de habitantes e 84% da população urbanizada, apresentava em 2002 a maior taxa de analfabetismo, o menor PIB per capita e a maior proporção de pobres da região sudeste. Contabilizaram-se, portanto, no Estado, 6.323 casos novos notificados da doença, no ano de 2004, concentrados em sua grande maioria nas cidades com maior aglomeração urbana de Minas Gerais. A tuberculose tem deixado seu registro nas gerações e hoje se constitui, inexoravelmente, um excelente marcador epidemiológico da qualidade de vida dos povos. Mais que isso, essa enfermidade marca a necessidade de uma grande reflexão para uma articulação melhor e mais harmônica entre a prática clínica e a prática sanitária a fim de que possamos não somente ousar em dizer que curamos a doença, mas, que possibilitamos a reinclusão social dos nossos pacientes que, em sua maioria, estão vivendo em um estado de orfandade cidadã, sendo, em última análise, esse o principal fator desencadeante da doença no indivíduo. Pela magnitude de nosso Estado, melhorar os indicadores epidemiológicos da doença em Minas Gerais significa melhorar os indicadores nacionais, de modo a atingirmos os preconizados 85% de cura e 5% de abandono. Para isso acontecer é necessário um Programa de Controle da Tuberculose que permita a melhoria do acesso ao serviço e da informação à população, em geral, aliada à rapidez do diagnóstico, garantia de medicamentos, sistema de informação eficiente e uma abordagem personalizada e humanizada do indivíduo. Coordenadoria Estadual da Pneumologia Sanitária/SES/MG 13
  • 14.
    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE UMA VISÃO HUMANIZADA SOBRE O PACIENTE COM TUBERCULOSE “O ser humano não sobrevive à indiferença. Todos nós necessitamos de ser reconhecidos, que as pessoas nos identifiquem e nos valorizem”. LERCH A OMS declarou ser a tuberculose uma emergência mundial por estar fora de controle em muitas partes do mundo. A desestruturação familiar, as carências pessoais, as drogadições (particularmente o alcoolismo), a falta de assistência social e a miséria concorrem para a baixa adesão ao tratamento. Frente ao agravamento da situação pela epidemia da Aids e ao aumento da tuberculose multidrogarresistente, o Brasil desenvolveu um Plano Emergencial que descentralizou recursos, dirigindo-os para os municípios com maior incidência. Os profissionais de saúde passam a ter um papel diferenciado na assistência ao paciente, ajudando-o a concluir o tratamento com êxito. Em respeito a essa “emergência”, a OMS tem adotado para o controle eficaz da tuberculose a estratégia DOTS (Tratamento de curta duração diretamente supervisionado) que tem por princípios:  Disponibilidade de uma rede descentralizada de diagnóstico e de tratamento.  Boa gestão de programas baseados na gestão responsável e supervisão de trabalhadores da atenção à saúde.  Um sistema de busca de casos novos e recaídas;  Garantia da baciloscopia para detecção de casos;  Observação direta do paciente durante todo o tratamento;  Sistema de notificação e de acompanhamento de casos que permita verificar o resultado do tratamento e do programa de controle da tuberculose. 14
  • 15.
    INTRODUÇÃO A educação em saúde é também estratégia fundamental, pois alia a aquisição de informações e aptidões básicas com o senso de identidade, autonomia, solidariedade e responsabilidade do indivíduo com a sua própria saúde e a da comunidade. Combina conhecimento, aptidões e atitudes. A maneira de tratar o usuário assegura o sucesso do tratamento. Como fatores para o sucesso de qualquer tratamento, podemos apontar a adesão ao tratamento, regularidade do uso da medicação, a completude do regime prescrito e o comparecimento às consultas com regularidade. O bom desempenho da equipe multidisciplinar de saúde é estratégico para a adesão do paciente ao tratamento, a fim de identificar fatores que poderiam incorrer em risco de abandono, quer por razões ligadas ao próprio paciente ou às condições ambientais ou sociais em que esse vive. A identificação de uma ou mais dessas condições, e outras eventualmente detectadas em cada realidade, exige uma modalidade de tratamento diferenciado que assegura a adesão e a completude do tratamento. Apontamos a alteridade e o acolhimento como fatores essenciais numa abordagem humanizada, pois o “ser humano” é um ser que existe, pensa, envolve-se, emociona-se e que necessita de interagir, receber atenção, orientação e respeito. Coordenadoria Estadual de Pneumologia Sanitária/SES/MG 15
  • 17.
    I – ASDIRETRIZES PARA O ATENDIMENTO
  • 19.
    AS DIRETRIZES PARAO ATENDIMENTO 1.1 O ACOLHIMENTO DO USUÁRIO “O Acolhimento vem se constituindo numa das ferramentas utilizadas para iniciar mudanças no processo de trabalho em saúde com vistas a garantir o acesso a serviços de saúde humanizados, resolutivos, de qualidade, e com responsabilização coletiva dos trabalhadores com as necessidades de saúde dos usuários”. (Mishima, 1995). A assistência ao usuário sintomático respiratório suspeito de portar o bacilo da tuberculose ou sabidamente enfermo se baseia na promoção da saúde, prevenção, diagnóstico precoce e recuperação da doença. O adequado acompanhamento desse indivíduo é fundamental para o êxito esperado, que é o controle da tuberculose. Assim sendo, o usuário deve idealmente encontrar ou mesmo ser um colaborador na construção de uma assistência organizada que garanta, com uma avaliação de risco adequada, um ágil acesso ao serviço de saúde. A captação precoce de casos compreende tanto os métodos de diagnóstico como as ações organizadas para operacionalizá-los, envolvendo os serviços e a comunidade. Essas ações estão voltadas para os grupos com maior probabilidade de apresentar tuberculose, quais sejam: sintomáticos respiratórios (pessoas com tosse e expectoração por três semanas ou mais); contatos de casos de tuberculose; suspeitos radiológicos; pessoas com doenças e/ ou em condição social que predisponham à tuberculose. Os contatos, definidos como toda pessoa, parente ou não, que coabita com um doente de tuberculose, constituem-se em um grupo para o qual se recomenda uma atitude de busca ativa, para a captação precoce. Os locais ideais para se organizar a procura de casos são os serviços de saúde, públicos ou privados. Nessas instituições – Unidades Programas da Saúde de Famíla (PSF), centros de saúde, ambulatórios e hospitais – realizar busca ativa de sintomáticos respiratórios deve ser uma atitude permanente e incorporada à rotina de atividades de todos os membros das equipes de saúde. Nas áreas onde as ações já estão organizadas, a visita domiciliar periódica do agente de saúde deve incluir a detecção de casos entre sintomáticos respiratórios e contatos, principalmente de casos bacilíferos e crianças. Quando necessário, deve-se referenciá-los ao serviço de saúde. Atenção especial deve ser dada a populações de maior risco de adoecimento, representadas sobretudo por residentes em comunidades fechadas, como presídios, manicômios, abrigos e asilos. Nessas comunidades, justifica-se a busca ativa periódica de casos. Indivíduos das categorias alcoólicos, usuários de drogas, mendigos, trabalhadores de saúde e outros em situações especiais em que haja contato próximo com paciente portador de tuberculose pulmonar bacilífera são também prioritários para essa ação. Também incluem-se nessa categoria os imunodeprimidos por uso de medicamentos ou por doenças imunossupressoras. A responsabilidade coletiva dos trabalhadores com as necessidades de saúde dos usuários passa também por um atendimento embasado em procedimentos técnicos programados que visam proteger os pacientes e a própria equipe profissional. No acolhimento, os pacientes devem ser informados sobre a transmissão do M. tuberculosis e orientados a cobrir a boca e o nariz quando tossir ou espirrar, utilizando-se 19
  • 20.
    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE preferencialmente de um lenço, para reduzir a geração de partículas infectantes no ambiente. Caso o paciente não tenha meios para isso, deverão ser providenciados lenços de papel ou máscaras cirúrgicas (comuns) para fornecer aos pacientes suspeitos ou confirmados de tuberculose. Cartazes enfatizando essas medidas devem ser colocados nas salas de espera ou locais de fácil visibilidade. Aborde o paciente com respeito e profissionalismo sempre. 1.2 SINAIS DE RISCO Os profissionais de saúde devem ser treinados para identificar as evidências de sinais e sintomas clínicos de risco para a tuberculose (TB) e analisar seus comportamentos evolutivos. A partir das evidências, organiza-se a investigação para chegar a conclusões válidas. As principais evidências a serem consideradas estão listadas no quadro 1. Quadro 1 – Evidências importantes a considerar no diagnóstico da tuberculose 1. A tuberculose se manifesta por uma síndrome infecciosa de curso crônico, com febre baixa, geralmente vespertina. 2. É uma doença que consome, debilitando e emagrecendo as pessoas. 3. Sudorese noturna, adinamia e hiporexia podem ser encontradas. 4. A mais freqüente localização é pulmonar e a tosse com expectoração por mais de 3 semanas é um sintoma importante, que pode evoluir para escarros sangüíneos e hemoptise. 5. Nas formas extrapulmonares, o quadro clínico varia conforme a localização e a gravidade do caso. 6. A forma extrapulmonar mais prevalente, a pleural, pode se apresentar com quadro agudo de dor torácica e febre, que freqüentemente é confundido com quadro pneumônico. 7. As formas primárias atingem as crianças, sendo uma doença muito comum na faixa de 15 aos 50 anos. 8. Contatos com pessoas recém-tratadas para tuberculose ou que tiveram a doença nos últimos dois anos são significativos. 9. Idosos, diabéticos e pessoas infectadas pelo vírus HIV têm maior probabilidade de adoecer por tuberculose. (Afirmação válida para regiões com alta prevalência de tuberculose). 1.3 SINAIS DE ALERTA O Conselho Federal de Medicina, através da resolução 1451/95 definiu como URGÊNCIA a “ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata” e como EMERGÊNCIA a “constatação médica de agravo à saúde que implique risco iminente de vida , ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, o tratamento médico imediato”. Conforme classificação de risco estabelecida pela Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, os sinais de alerta podem ser distribuídos quanto à conduta de urgência x emergência de acordo com o designado no Quadro 2 a seguir: 20
  • 21.
    AS DIRETRIZES PARAO ATENDIMENTO Quadro 2: Classificação de risco para os sinais de alerta  Nível 1 – Emergência: será identificada pela cor VERMELHA.  Nível 2 – Urgência: será identificada pela cor AMARELA.  Nível 3 – Encaminhamentos rápidos: será identificada pela cor VERDE.  Nível 4 – Não Urgência: será identificada pela cor AZUL. A tuberculose pulmonar é a forma clínica mais comum. As formas extrapulmonares mais freqüentes são pleural, ganglionares e meníngea. Essas duas últimas formas tiveram aumento gradual de incidência provavelmente devido à coinfecção por HIV. Em relação à tuberculose, a classificação de risco para os sinais de alerta, isoladamente, está explicitada a seguir: SINAL CONJUNTO SINAIS DE ALERTA AVALIADO DE SINAIS ISOLADAMENTE COMPATÍVEL COM  Escarros sanguíneos, hemoptises e sinais de dificuldade respiratória, tais como dispnéia e utilização de NÍVEL 2 musculatura acessória (por atelectasia, hiperinsuflação (Amarelo) obstrutiva, síndrome do lobo médio e broncopneumonia Tuberculose pulmonar tuberculosa)  Choque hipovolêmico e parada cardio-respiratória (por NÍVEL 1 hemoptise maciça) (Vermelho)  Dor torácica tipo pleurítica, febre e tosse seca de NÍVEL 2 instalação súbita ou insidiosa, com cansaço de (Amarelo) intensidade variável pelo derrame pleural Tuberculose pleural NÍVEL 3  Dor torácica tipo pleurítica isolada (Verde)  Sinais e sintomas de toxemia ocasional (calafrios, sudorese, etc), taquipnéia, descoramento e febre de NÍVEL 2 intensidade variável, com diminuição da expansibilidade (Amarelo) pulmonar sem ruídos adventícios no comprometimento Tuberculose miliar pulmonar  Hepatomegalia freqüente (35%) e linfadenomegalia NÍVEL 4 (Azul) periférica (em até 30% dos pacientes)  Febre persistente com irritabilidade, cefaléia, comprometimento e paralisia de pares cranianos (principalmente 4º, 2º, 3º, 6º, e 8º pares), alterações NÍVEL 1 sensoriais, déficits focais e/ou movimentos anormais (Vermelho) (convulsão) evoluindo com sinais clínicos de Tuberculose hipertensão craniana, como edema de papila na retina, meningoencefálica vômitos, letargia, estupor e rigidez de nuca  Tubérculos coróides na retina (sinal muito sugestivo de tuberculose e presente em até 80% dos casos de NÍVEL 1 meningoencefalite por essa etiologia) (Vermelho) 21
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE  Irritabilidade, cefaléia, comprometimento e paralisia de pares cranianos, alterações sensoriais, déficits focais e/ NÍVEL 1 ou movimentos anormais (convulsão) devido a infartos (Vermelho) por dano vascular com trombose Tuberculoma  Sinais clínicos de hipertensão craniana, como edema de intracraniano papila na retina, vômitos, letargia, estupor e rigidez de NÍVEL 1 nuca pela obstrução à livre circulação do líquor, muitas (Vermelho) vezes com hidrocefalia  Dor e aumento do volume articular no segmento ósseo atingido, com posição antálgica nas lesões cervicais e NÍVEL 3 Tuberculose torácicas, paraplegias e gibosidade quando na forma (Verde) osteoarticular mais encontrada, situada na coluna vertebral  Dor lombar (na hidronefrose), urgência urinária e NÍVEL 2 Tuberculose renal hematúria, observada nas fases mais avançadas (Amarelo)  Debilidade física por emagrecimento NÍVEL 3 (Verde)  Sinais de desnutrição severa NÍVEL 2 Tuberculose em geral (Amarelo)  Outros, de acordo com o local e o grau de NÍVEL 2 acometimento da tuberculose. (Amarelo)  Sinais e sintomas de toxicidade hepática (vômitos, alteração das provas de função hepática, hepatite), hematológica (trombocitopenia, leucopenia, eosinofilia, NÍVEL 2 anemia hemolítica, agranulocitose e vasculite graves) Efeitos adversos (Amarelo) ou renal (nefrite intersticial, rabdomiólise com maiores das mioglobinúria e insuficiência renal) por efeitos adversos medicações maiores das medicações tuberculostáticas  Sinais e sintomas de toxicidade neurológica (psicose, NÍVEL 1 crise convulsiva, encefalopatia tóxica e coma) por (Vermelho) efeitos adversos maiores das medicações 1.3.1 Indicações de internação do paciente com tuberculose com sinais de alerta A. Presença ao exame clínico de:  sinais de dificuldade respiratória importantes: tiragens intercostais, batimentos de aletas nasais e balanço tóraco-abdominal nas crianças;  cianose, hipoxemia;  irregularidade respiratória, apnéia;  dificuldade para se alimentar com vômitos e desidratação;  alteração do sensório (confusão mental, irritabilidade); 22
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    AS DIRETRIZES PARAO ATENDIMENTO  instabilidade hemodinâmica (pulsos finos, perfusão capilar lenta, hipotensão), taquicardia importante;  sinais radiológicos de maior gravidade: pneumonia extensa associada, pneumatoceles, pneumotórax, derrame pleural extenso;  sinais e sintomas de meningoencefalite tuberculosa, tuberculoma intra-craniano e tuberculose miliar;  sinais e sintomas de toxicidade hepática, neurológica, hematológica ou renal por efeitos adversos graves das medicações. B. Outras condições associadas como a desnutrição grave e Aids. C. Situação social seriamente comprometida. D. Falha do tratamento ambulatorial de urgência. E. Indicações cirúrgicas. (Fonte: Adaptado de VIANA, Maria Regina Et al. Atenção à saúde da criança.Belo Horizonte: SAS/DNAS, 2004. p. 112 e 143). Na presença de sinais e sintomas de alerta (toxicidade) por efeitos adversos maiores das medicações tuberculostáticas deve-se orientar o paciente, suspender o tratamento até a resolução clínica e laboratorial e referenciar o paciente à atenção secundária ou terciária, após a avaliação adequada.(Controle da tuberculose: uma proposta de integração ensino- serviço. 5 ed. Rio de Janeiro: FUNASA/CRPHF/SBPT, 2002. p. 32.) Em praticamente todos os outros sinais e sintomas de alerta o paciente deve receber terapia sintomática, com suporte especializado quando necessário e disponível, e iniciar, o mais precocemente possível o tratamento específico com os tuberculostáticos caso ainda não o tenha realizado, na unidade básica de saúde. 1.4 A POPULAÇÃO DE RISCO Por ser a tuberculose uma doença infecciosa e contagiosa que se propaga pelo ar por meio de gotículas, contendo os bacilos de Koch expelidos por um doente ao tossir, espirrar ou falar em voz alta, e que, ao serem inalados por pessoas sadias provocam a infecção tuberculosa e o risco de desenvolver a doença, a população de risco deve ser identificada e a procura de casos obrigatória. 1.4.1 Os fatores de risco Entre outras características, destacamos as seguintes que o profissional necessariamente tem de computar no seu raciocínio: idade, estado imunológico e nutricional e doenças intercorrentes. A tuberculose é uma doença que atinge principalmente as pessoas na idade 23
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE produtiva entre 15 e 59 anos (70%), tendo características distintas segundo as faixas de idade. Entre 15 e 29 anos, ela reflete a tuberculose primária de pessoas recém-infectadas e, portanto, quando ela tem elevados índices, há uma grande possibilidade de haver muitas fontes de infecção na região. Os estados imunológico e nutricional (desnutrição em criança) guardam íntima relação e toda avaliação, mesmo que não aprofundada do ponto de vista laboratorial, deve ser feita pelo médico como elemento de raciocínio. Várias doenças, principalmente por interferência nas defesas imunológicas, podem afetar a evolução da tuberculose como o caso do sarampo e mais recentemente, como veremos a seguir a epidemia de Aids. O alcoolismo crônico em razão do seu cortejo, envolvendo queda da imunidade, desnutrição, fragilidade social, exposições a situações de risco, entre outros é um importante problema associado à tuberculose, tanto por aumentar sua incidência quanto por retardar a sua recuperação, devendo inclusive analisar os aspectos comportamentais associados a tratamentos prolongados, como é o caso. O uso de drogas imunossupressoras se constitui um elevado risco em pessoas já infectadas, que passam a estar mais sujeitas ao adoecimento. Acrescenta-se, entre os fatores de risco para a população, os seguintes:  Desigualdade social (e suas implicações);  Grandes movimentos migratórios;  Envelhecimento da população;  Confinamentos populacionais. Os homens apresentaram uma incidência de TB maior que a das mulheres, em uma razão de 1.8/1, de acordo com dados do SINAN/2000. Isso significa que aproximadamente 65% dos casos eram homens e 35% mulheres (dados Brasil – Ministério da Saúde, 2002). As faixas etárias com maiores incidências, por 100.000 habitantes, no ano de 2000 foram:  40 – 49 anos (91.7);  50- 59 anos (85.4);  30- 39 anos (85.1). TUBERCULOSE E AIDS A associação da Tuberculose/Aids representa um novo desafio em escala mundial. O aparecimento do vírus da imunodeficiência humana (HIV) modifica a epidemiologia da tuberculose e dificulta seu controle. A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula cerca de 5 a 10 milhões de indivíduos infectados atualmente no mundo pelo HIV. Destes, de 2 a 8 % vão desenvolver a síndrome completa (Aids), estimando-se a ocorrência de 500.000 a 3.000.000 de casos novos de Aids nos próximos 5 anos. A infecção por HIV é o maior fator de risco para se adoecer por tuberculose em indivíduos previamente infectados pelo bacilo. Por outro lado, é uma das primeiras complicações entre os infectados pelo HIV, surgindo antes de outras infecções freqüentes, 24
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    AS DIRETRIZES PARAO ATENDIMENTO devido à maior virulência do bacilo da tuberculose, independente do comprometimento significativo do sistema imunológico. Os números dessa associação são preocupantes, pois a evolução do estado de infecção para o adoecimento é muito diferente entre pessoas imunocompetentes e aquelas infectadas pelo HIV. Enquanto na primeira as chances de que a infecção tuberculosa evolua para a doença tuberculosa são de 10% ao longo de sua vida, no indivíduo infectado pelo HIV essa chance passa a ser de 8 a 10% ao ano. Em 1999, a OMS estimava a existência de 33,6 milhões de pessoas vivendo com HIV/Aids e de 637 mil casos de TB associada com HIV, no mundo. A tuberculose tem sido um dos principais complicadores dos infectados pelo HIV. Nos países da África, da América Latina e em algumas populações de países desenvolvidos, 30% a 60% dos infectados com HIV estão coinfectados pelo bacilo da tuberculose. Segundo o Ministério da Saúde (MS), no Brasil, entre 1980 e junho de 2000, ocorreram 190.523 casos de Aids. Estima-se que 20% a 40% desenvolveram tuberculose, o que poderia mudar a tendência da doença no grupo etário de 15 a 49 anos, e em regiões de grande prevalência da infecção pelo HIV. É importante destacar que a tuberculose é a única doença contagiosa associada a infecção por HIV, que também é infectante e que pode ser transmitida a indivíduos não infectados pelo HIV. A tuberculose é a mais prevenível, curável e transmissível de todas as infecções que acompanham a infecção por HIV. Estimativas do MS, em 2002, mostram que no Brasil havia 43.600.000 pessoas infectadas com o bacilo da tuberculose e aproximadamente 130.000 novos casos da doença por ano, dos quais 57.000 infectantes e 10.000 coinfectados com HIV. Com relação à coinfecção TB-HIV, estimaram-se que 8,0% dos casos de tuberculose seriam também soropositivos para HIV, o que corresponderia, em todo o mundo, a 640.000 casos de TB-HIV, entre os pacientes soropositivos. Considerando que a maioria dos casos de infecção por HIV ocorrerá em adultos sexualmente ativos (15-49 anos) e assumindo que o risco de infecção com HIV e tuberculose são independentes, a OMS estimou que 10 milhões de pessoas no mundo estariam co- infectadas (0,18% da população mundial). Em 1990, 4,25% de casos de tuberculose foram atribuídos à interação com HIV e, para 2000, esperava-se 13,8%. 1.4.2 As áreas de risco O problema da tuberculose, no Brasil, reflete o estágio de desenvolvimento social do país, em que os determinantes do estado de pobreza, principalmente nos bolsões de miséria da periferia das grandes cidades, e as fraquezas da organização do sistema de saúde inibem a queda sustentada dessa doença. Observando o comportamento da transmissão da doença e as características individuais associadas à tuberculose, é possível entender porque a tuberculose é um problema social. Os principais elementos que contribuem para isso são: 25
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE  Renda familiar baixa  Educação precária  Habitação ruim/inexistente  Famílias numerosas  Adensamentos comunitários  Desnutrição alimentar  Alcoolismo  Doenças infecciosas associadas  Dificuldade de acesso aos serviços de saúde  Fragilidade da assistência social Assim, pode-se inferir quais os locais no espaço urbano que têm alto potencial de reprodução da endemia de tuberculose que seriam favelas, mocambos, alagados, invasões, populações agrupadas em calamidades públicas, populações que vivem em ambientes socialmente fechados (escolas, creches, presídios, casas correcionais, abrigos sociais ou idosos, etc.) e população com elevado percentual de pessoas infectadas pelo HIV. No espaço periurbano e rural, as populações indígenas possuem elevado risco de evolução da endemia. Entretanto, embora a tuberculose encontre-se habitualmente localizada prefe- rencialmente nos locais de grande aglomeração urbana, verifica-se atualmente o processo de ruralização da doença, resultado entre outros do fluxo migratório de pessoas campo- cidade e vice-versa e das precárias condições socioeconômicas que acometem também as zonas rurais. 1.4.3 A definição de população-alvo Os grupos com maior probabilidade de apresentar tuberculose são:  Sintomáticos respiratórios (pessoas com tosse e expectoração por 03 semanas ou mais);  Contatos de casos de tuberculose;  Suspeitas radiológicas;  Pessoas com doenças e/ou condições sociais que predisponham à tuberculose. Nesses grupos a atitude permanente de BUSCA ATIVA (serviços de UBS, visitas domiciliares, saúde, postos, centros de saúde, ambulatórios e hospitais) é fundamental. Atenção deve ser dada a populações de maior risco do adoecimento:  Residentes em ambientes fechados (escolas, presídios, manicômios, creches, abrigos e asilos);  Alcoólatras, usuários de drogas, população de rua e trabalhadores de saúde;  População indígena;  Imunodeprimidos (por uso de medicamentos ou por doenças como a Aids). 26
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    II. AS AÇÕESDE PROMOÇÃO À SAÚDE E PREVENÇÃO DA DOENÇA
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    AS AÇÕES DEPROMOÇÃO À SAÚDE E PREVENÇÃO DA DOENÇA 2.1 AÇÕES DE PROMOÇÃO À SAÚDE Considerando que a única forma de reduzir a incidência e a mortalidade pela tuberculose é detectar pelo menos 70% dos casos e curar pelo menos 85% dos pacientes, é necessário reforçar as ações de conscientização da população, buscando parcerias na comunidade e nas várias esferas de governo de forma a garantir, também melhores condições de vida, como uma boa alimentação e moradia adequada. As principais ações são:  Promover comportamento saudável – tal comportamento pode ser valorizado por ocasião do tratamento supervisionado, capaz de identificar e trabalhar os condicionantes do processo saúde-doença, da busca ativa de contatos, de incentivos financeiros, etc. (Ex: vale-transporte, vale-alimentação, cesta básica.) Ações e materiais educativos como panfletos e folders podem divulgar os cuidados com a saúde.  Treinamento de profissionais de saúde envolvidos em técnicas preventivas, diagnósticas e de tratamento.  Integração dos sistemas de serviços de saúde com outros sistemas sociais e econômicos através de uma ação intersetorial para o desenvolvimento de melhores condições de saúde individual e coletiva. 2.2 AÇÕES DE PREVENÇÃO DA DOENÇA O pilar estratégico para a prevenção da tuberculose é a atenção primária à saúde. Nesse contexto, salientamos que a prevenção visa à realização de intervenções de modo a alcançar indivíduos, grupos sociais em risco de adoecer ou a sociedade em geral, como a melhoria das condições de vida e maiores investimentos em saúde pública. No caso da tuberculose, temos dois tipos de intervenções – no nível individual e social:  Descoberta de casos e tratamento (medida mais eficaz);  Vacinação com BCG;  Quimioprofilaxia. Entre as intervenções preventivas gerais, temos:  Ações educativas visando à divulgação das condicionantes da doença (processo de informações, educação e comunicação social);  Medidas de biossegurança que são medidas de controle da transmissão da tuberculose, em unidades de saúde, preconizados pela OMS. 2.2.1 Controle de contatos Todos os contatos dos doentes de tuberculose, prioritariamente dos pacientes pulmonares positivos, devem comparecer à unidade de saúde para exame. No diagrama 29
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE a seguir, apresenta-se a conduta para exame dos contatos. Quando diagnosticada a tuberculose em crianças, a equipe de saúde deverá examinar os contatos adultos para busca do possível caso-fonte. Após serem examinados e não sendo constatada tuberculose- doença, deve-se orientá-los a procurarem a unidade de saúde, em caso de aparecimento de sintomatologia respiratória. Avaliação dos contatos domiciliares de casos de tuberculose pulmonar baciloscopia positiva Adulto Assintomático** Sintomático Orientação Exame de escarro (baciloscopia) Positivo Negativo Tratamento Cultura Rx de tórax Positiva Negativa S/alterações Sugestivo + Cultura positiva Tratamento Avaliar diagnóstico na Referência Tratamento Crianças até 15 anos Não vacinado Vacinado Assintomático Sintomático* PPD Não-reator Reator Orientação Raio x tórax BCG Raio X tórax Sugestivo de Normal TB + sintomas e sem clínicos sintomas clínicos Sugestivo de Normal TB + sintomas e sem clínicos sintomas clínicos Tratamento Orientação medicação sintomática acompanhamento Tratamento Quimioprofilaxia * Quando houver escarro, realizar baciloscopia ** Quando disponível, realizar Raio X Fonte: Tuberculose – Guia de Vigilância Epidemiológica. FUNASA/MS. 2002. p.37. 30
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    AS AÇÕES DEPROMOÇÃO À SAÚDE E PREVENÇÃO DA DOENÇA 2.2.2 Vacinação BCG A vacina BCG exerce notável poder protetor contra as manifestações graves da primo-infecção, como as disseminações hematogênicas e a meningoencefalite, mas não evita a infecção tuberculosa. A proteção se mantém por 10 a 15 anos. A vacina BCG não protege os indivíduos já infectados pelo M. tuberculosis. Por isso, nos países com elevada prevalência de infecção tuberculosa, como o nosso, as crianças devem ser vacinadas o quanto antes possível, após o nascimento. Nas áreas geográficas com alta prevalência de infecção por micobactérias não-tuberculosas, a margem de proteção do BCG contra a tuberculose é reduzida, razão por que nessas regiões o seu rendimento é baixo em termos de saúde pública. VACINAÇÃO E CICATRIZ DA VACINA BCG A vacinação BCG deve ser realizada segundo orientações do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde Dose e administração da vacina No Brasil, a vacina BCG é prioritariamente indicada para as crianças de zero a quatro anos de idade, sendo obrigatória para menores de um ano, como dispõe a Portaria nº 452, de 6/12/1976, do Ministério da Saúde. A aplicação da vacina é rigorosamente intradérmica, no braço direito, na altura da inserção inferior do músculo deltóide, em caso de primo-vacinação, e 1cm a 2cm acima, na revacinação. Essa localização permite a fácil verificação da existência de cicatriz para efeito de avaliação do programa e limita as reações ganglionares à região axilar. A vacina BCG pode ser simultaneamente aplicada com outras vacinas, mesmo com as de vírus vivos. Outros aspectos relacionados com a aplicação da vacina BCG, como conservação, material utilizado, técnicas e procedimentos, constam do Manual do Programa Nacional de Imunizações. 31
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE Recomenda-se vacinar  Os recém-nascidos, sempre que possível na maternidade, desde que tenham peso igual ou superior a 2kg e sem interferências clínicas. Observação: Os recém-nascidos contatos de tuberculosos bacilíferos farão previamente a quimioprofilaxia, conforme exposto no item que trata desse procedimento preventivo.  Os recém-nascidos, filhos de mães com Aids.  Crianças soropositivas para HIV ou filhos de mães com Aids, desde que sejam tuberculino-negativas e que não apresentem os sintomas dessa síndrome. Os vacinados nessas condições deverão ser acompanhados pela vigilância epidemiológica, nas unidades de referência para Aids.  Contatos de doentes com hanseníase. Nesses casos, deve-se seguir as normas estabelecidas pelo Programa de Controle da Hanseníase. A aplicação de duas doses da vacina BCG deve ser feita a todos os contatos intradomiciliares dos casos de hanseníase independentemente da forma clínica; o intervalo recomendado para a 2ª dose da vacina BCG é a partir de seis meses após a 1ª dose (considerada a cicatriz por BCG prévia como 1ª dose, independentemente do tempo de aplicação). Na dúvida, aplicar as duas doses recomendadas; a aplicação da 1ª dose da vacina está condicionada à realização do exame dermatoneurológico; na ocasião do exame dermatoneurológico o contato deve ser bem orientado quanto ao período de incubação, transmissão, sinais e sintomas da hanseníase e retorno ao serviço, se necessário; todo contato deve também receber orientação no sentido de que não se trata de vacina específica para a hanseníase e que prioritariamente está destinada ao grupo de risco, contatos intradomiciliares. Em alguns casos, o aparecimento de sinais clínicos de hanseníase, logo após a vacinação, pode estar relacionado com o aumento da resposta imunológica em indivíduo anteriormente infectado.  Profissionais de Serviços de Saúde e novos profissionais admitidos nesses serviços serão vacinados desde que sejam negativos à tuberculina. Para os profissionais lotados nos serviços de saúde de hansenianos, o procedimento da vacinação obedecerá às normas mencionadas no item anterior. Observação: Sempre que houver indicação de vacinação BCG em adultos, recomenda-se o aconselhamento para a realização do teste de detecção do HIV. 32
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    AS AÇÕES DEPROMOÇÃO À SAÚDE E PREVENÇÃO DA DOENÇA Contra-indicações da vacinação BCG Relativas  Recém-nascidos com peso inferior a dois quilos.  Afecções dermatológicas no local da vacinação ou generalizada.  Uso de imunodepressores. Observação: Nesses casos, a vacinação será adiada até a resolução das situações apontadas. Absolutas  HIV positivos-adultos (independentemente dos sintomas) e crianças sintomáticas.  Imunodeficiência congênita. Evolução da lesão vacinal, eventos adversos e conduta A vacina BCG não provoca reações gerais, tais como febre ou mal-estar. Normalmente, nos menores de um ano, grupo prioritário, a reação local da vacina é de evolução lenta e benigna, variando de indivíduo para indivíduo. Desde que a injeção intradérmica seja corretamente aplicada, a lesão vacinal evolui da seguinte forma:  em torno da segunda semana, palpa-se uma zona endurecida cujas dimensões variam de 3mm a 9mm;  da quinta a sexta semana, o centro dessa lesão amolece, formando uma crosta;  quando essa crosta cai, deixa em seu local uma úlcera de cerca de 2mm a 6mm de diâmetro, que desaparece lentamente, entre a oitava e a décima-terceira semanas, deixando como resultado uma cicatriz plana, com diâmetro de 3mm a 7mm. Em alguns casos, essa cicatrização é mais demorada, podendo prolongar-se até o quarto mês e, raramente, além do sexto mês. Não se deve, no entanto, colocar qualquer medicamento nem cobrir a úlcera resultante da lesão de evolução normal; apenas mantê-la limpa, usando água e sabão. O enfartamento ganglionar axilar, não supurado, pode ocorrer durante a evolução normal da lesão vacinal, desaparecendo, espontaneamente, sem necessidade de tratamento medicamentoso e/ou cirúrgico (drenagem). As complicações da vacina BCG, aplicada por via intradérmica, são pouco freqüentes. A maior parte resulta de técnica imperfeita, como aplicação profunda (subcutânea), inoculação de dose excessiva ou contaminação. As complicações mais comuns são abcessos no local da aplicação, úlcera de tamanho exagerado e gânglios flutuantes e fistulados. Em caso de eventos adversos para notificação, devem-se observar as orientações contidas nos quadros 2.1, 2.2, 2.3 e 2.4 do manual de Vigilância Epidemiológica dos Eventos Adversos Pós-vacinação, das páginas 13 a 16. 33
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE O tratamento dessas complicações é feito com a administração de isoniazida, na dosagem de 10mg/kg de peso (até, no máximo, 300mg), diariamente, até a regressão da lesão, o que ocorre, em geral, em torno de 45 dias. Os abcessos frios e os gânglios enfartados podem ser puncionados quando flutuantes, mas não devem ser incisados. Na prática de Saúde Pública, têm sido raras as complicações decorrentes da aplicação de BCG. Quando se notar, na rotina dos serviços de saúde, um aumento considerável do número de casos, convém rever o treinamento dos vacinadores. A cicatriz quelóide pode ocorrer em indivíduos com propensão genética, independentemente da técnica de aplicação. Seu aparecimento é mais freqüente em pessoas já infectadas ou naquelas revacinadas. Outras complicações, como lupus vulgaris e osteomielite são raras, não havendo registro de ocorrência no Brasil. Lesões generalizadas são ainda mais raras e, em geral, associadas à deficiência imunológica. 2.2.3 Revacinação BCG Em 1995, baseando-se em estudos do exterior e recomendações da Organização Mundial da Saúde (posteriormente retirada), o Ministério da Saúde do Brasil passou a recomendar uma dose de reforço da vacina BCG ID a partir dos seis anos de idade. A Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais acatou inicialmente a orientação e criou um grupo de estudo sobre o problema, com participação de sociedades e faculdades médicas. Esse grupo acabou por recomendar à SES-MG a manutenção da dose, estabelecendo a idade de 10 anos como recomendada. Recentemente foram concluídos dois importantes estudos brasileiros (um prospectivo realizado em Manaus e Salvador, outro retrospectivo realizado em Recife) que não demonstraram benefício do uso da dose de reforço, e sim ressaltam a importância da primeira dose. Diante disso o Comitê Técnico Assessor em Imunização do Programa Nacional de Imunizações (CTAI-PNI), tomou as seguintes decisões:  recomendar a suspensão da dose de reforço da BCG ID;  reafirmar a grande importância do uso da primeira dose;  recomendar ao PNI a elaboração de um documento técnico pormenorizado a ser distribuído para as Unidades Federadas e municípios brasileiros;  manter a programação de estudos sobre BCG ID e a continuidade do estudo prospectivo anteriormente citado (em andamento) Diante do exposto, a SES-MG, através de sua Coordenadoria de Imunização, recomenda aos municípios do Estado a suspensão da aplicação da dose de reforço da BCG ID, informando a população sobre as razões desta decisão. 34
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    AS AÇÕES DEPROMOÇÃO À SAÚDE E PREVENÇÃO DA DOENÇA 2.2.4 Quimioprofilaxia A quimioprofilaxia deve ser administrada em pessoas infectadas pelo M. tuberculosis, com o uso da isoniazida na dosagem de 10 mg/kg de peso, com total máximo de 300 mg diariamente, durante seis meses. Na atualidade, há consenso de que a quimioprofilaxia deve ser dirigida aos grupos de alto risco de tuberculose, entre estes, especialmente os coinfectados pelo HIV e pelo M. tuberculosis. 2.2.4.1 Indicações de quimioprofilaxia  Recém-nascidos coabitantes de foco tuberculoso ativo. A isoniazida é administrada por três meses e, após esse período, faz-se à prova tuberculínica. Se a criança for reatora, a quimioprofilaxia deve ser mantida por mais três meses; senão, interrompe-se o uso da isoniazida e vacina-se com BCG.  Crianças menores de 15 anos, não vacinadas com BCG, que tiveram contato com um caso de tuberculose pulmonar bacilífera, sem sinais compatíveis de tuberculose doença, reatores à tuberculina de 10mm ou mais; crianças vacinadas com BCG, mas com resposta à tuberculina igual ou superior a 15 mm. Observação: Na eventualidade de contágio recente, a sensibilidade à tuberculina pode não estar exteriorizada, sendo negativa a resposta tuberculina. Deve-se, portanto, nesse caso, repetir a prova tuberculínica entre 40 e 60 dias. Se a resposta for positiva, indica-se a quimioprofilaxia; se negativa, vacina-se com BCG.  Indivíduos com viragem tuberculínica recente (até 12 meses), isto é, que tiveram um aumento na resposta tuberculínica de, no mínimo, 10mm.  População indígena. Neste grupo, a quimioprofilaxia está indicada em todo o contato de tuberculoso bacilífero, reator forte ao PPD, independentemente da idade e do estado vacinal, após avaliação clínica e afastada a possibilidade de tuberculose-doença, por baciloscopia e pelo exame radiológico.  Imunodeprimidos por uso de drogas ou por doenças imunodepressoras e contatos intradomiciliares de tuberculosos, sob criteriosa decisão médica.  Reatores fortes à tuberculina, sem sinais de tuberculose ativa, mas com condições clínicas associadas a alto risco de desenvolvê-la, como: • Alcoolismo. • Diabetes mellitus insulinodependente. • Silicose. • Nefropatias graves. • Sarcoidose. • Linfomas. 35
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE • Pacientes com uso prolongado de corticoesteróides em dose de imunodepressão. • Pacientes submetidos à quimioterapia antineoplásica. • Pacientes submetidos a tratamento com imunodepressores. • Portadores de imagens radiográficas compatível com tuberculose inativa sem história de quimioterapia prévia.  Coinfectados HIV e M. tuberculosis. Este grupo deve ser submetido à prova tuberculínica, sendo de 5 mm em vez de 10mm o limite da reação ao PPD para considerar-se uma pessoa infectada pelo M.tuberculosis. A quimioprofilaxia em pacientes com HIV será aplicada segundo as indicações do quadro 3 a seguir. Quadro 3: Quimioprofilaxia para tuberculose em pacientes com HIV Indivíduo sem sinais ou sintomas sugestivos de tuberculose: A. Com radiografia de tórax normal e 1. reação ao PPD maior ou igual a 5mm(3), 2. contatos intradomiciliares ou institucionais de tuberculose bacilífera, ou 3. PPD não-reator ou com enduração entre 0-4 mm, com registro documental Indicações(1)(2) de ter sido reator ao teste tuberculino e não submetido a tratamento ou quimioprofilaxia na ocasião. B. Com radiografia de tórax anormal: presença de cicatriz radiológica de TB sem tratamento anterior (afastada a possibilidade de TB ativa através de exames de escarro e radigrafias anteriores), independente do resultado do teste tuberculino (PPD). Isoniazida, VO, 5-10 mg/kg/dia (dose máxima: 300 mg/dia) por seis meses Esquema(3)(4) consecutivos. Fonte: Tuberculose – Guia de Vigilância Epidemiológica. FUNASA/MS. 2002. p.41. (1) O teste tuberculínico (PPD) deve ser sempre realizado na avaliação inicial do paciente HIV+, independentemente do seu estado clínico ou laboratorial (contagem de células CD4+ e carga viral), devendo ser repetido, anualmente, nos indivíduos não-reatores. Nos pacientes não- reatores e em uso de terapia antiretroviral, recomenda-se fazer o teste a cada seis meses no primeiro ano de tratamento, devido à possibilidade de restauração da resposta tuberculínica. (2) A quimioprofilaxia com isoniazida (INH) reduz o risco de adoecimento a partir da reativação endógena do bacilo, mas não protege contra exposição exógena após a sua suspensão. Portanto, em situações de possível re-exposição ao bacilo da tuberculose, o paciente deverá ser reavaliado quanto à necessidade de prolongamento da quimioprofilaxia (caso esteja em uso de INH) ou de instauração de nova quimioprofilaxia (caso esta já tenha sido suspensa). (3) Em pacientes com imunodeficiência moderada/grave e reação ao PPD >10mm, sugere-se investigar cuidadosamente a tuberculose ativa (pulmonar ou extrapulmonar) antes de se iniciar a quimioprofilaxia. (4) Indivíduos HIV+ contatos de pacientes bacilíferos com tuberculose INH-resistente documentada e que não estão em uso de inibidores da proteases (IP) ou ITRNN incompatíveis com uso de RMP , poderão fazer uso de quimioprofilaxia com esquema alternativo de Rifampicina (600mg/dia) + Pirazinamida (2 g/dia) por dois meses, preferencialmente sob a supervisão de um especialista. 36
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    AS AÇÕES DEPROMOÇÃO À SAÚDE E PREVENÇÃO DA DOENÇA Observações: a) Não se recomenda a utilização da quimioprofilaxia nos HIV positivos e negativos à tuberculina, com ou sem evidências de imunodeficiência avançada. Deve-se repetir a prova tuberculínica entre 40 e 60 dias; mantendo-se negativa, repetir a cada seis meses. b) Em pacientes com RX normal, devem-se investigar outras patologias ligadas à infecção pelo HIV, antes de se iniciar a quimioprofilaxia, devido à concomitância de agentes oportunistas/ manifestações atípicas de tuberculose mais freqüentes nessas coortes. c) Nos indivíduos HIV positivos e tuberculino-positivos com RX normal, sem sinais e sem sintomas de tuberculose, devem-se destacar os contatos institucionais (casas de apoio, presídios, abrigos, asilos, etc.). d) Recomenda-se suspender imediatamente a quimioprofilaxia no surgimento de qualquer sinal de tuberculose ativa, monitorá-la nos casos de hepatotoxicidade e administrá-la com cautela nos alcoólicos. 2.2.5 Biossegurança 2.2.5.1. Medidas de controle ocupacional e controle respiratório Atualmente, a OMS propõe que, mesmo em países em desenvolvimento, medidas de controle da transmissão da tuberculose sejam adotadas em unidades de saúde, cujo ambiente proporcione elevado risco de infecção pelo bacilo da tuberculose de paciente para paciente ou de paciente para profissionais de saúde. Medidas de controle Quaisquer medidas que visem ao combate da transmissão da tuberculose devem levar em conta toda a unidade de saúde. As medidas de controle de transmissão dividem- se em três grupos: a) Administrativas. b) Ambientais (ou de engenharia). c) De proteção respiratória. As medidas administrativas são as mais importantes, eficazes, de relativa facilidade de implantação e de baixo custo. Em unidades de saúde do tipo 1 e tipo 2 (definidas na item 4.1) Inicialmente, deve ser elaborado um plano com a definição de metas a serem atingidas na referida unidade. Este plano consiste em: a) Identificar as áreas de risco. b) Avaliar as necessidades de treinar os profissionais de saúde. c) Proceder à identificação precoce do sintomático respiratório na triagem. d) Agilizar o diagnóstico bacteriológico. e) Criar rotinas para reduzir a permanência dos bacilíferos nas unidades de saúde. 37
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE f) Educar o paciente e seus familiares, se possível, quanto à necessidade de aderir ao tratamento medicamentoso. g) Identificar local específico, arejado e com luz solar para os pacientes coletarem o escarro (de preferência fora da unidade de saúde e nunca em ambiente pequeno e fechado) e, quando disponível, identificar ambiente apropriado para a realização de escarro induzido (na unidade de saúde tipo 2 e 3, de alta complexidade). Para o atendimento ambulatorial de pacientes com TB pulmonar, confirmada ou sob suspeita, sugere-se que:  os profissionais de saúde orientem os sintomáticos respiratórios sobre a necessidade do uso de máscaras cirúrgicas (máscaras comuns) quando disponíveis, ao entrarem na unidade de saúde e durante o tempo em que nela permanecerem;  os profissionais de saúde que estejam na mesma sala de tais pacientes usem máscaras especiais (respiradores N95), desde que não haja ventilação adequada no local;  na medida do possível, seja evitado o acúmulo de pacientes nas salas de espera, que devem ser amplas e bem ventiladas. Isso pode ser obtido pelo escalonamento das consultas ao longo do turno, ou mesmo pela consulta com hora marcada. Deve-se evitar a marcação de atendimentos em salas contíguas de pacientes sob suspeita de tuberculose com outros pacientes portadores de imunossupressão ou mesmo crianças com menos de cinco anos de idade. Caso esta conduta seja impossível, deve-se propor ao paciente imunodeprimido o uso de máscara especial enquanto estiver no recinto. Em unidades de saúde do tipo 3 (elevado grau de complexidade) Nestas unidades, com atendimento anual elevado de pacientes com tuberculose pulmonar, devem-se adotar, se possível, todas as medidas de controle de infecção pelo M. tuberculosis delineadas anteriormente. A unidade de saúde deve constituir uma comissão para coordenar as atividades multiprofissionais de controle da TB, seja na área assistencial, ou na de biossegurança. Além das atividades citadas para as unidades tipo 1 e 2, outras medidas devem ser implantadas quando o paciente é atendido num hospital-dia ou é admitido nas enfermarias ou quartos:  no setor de atividades de hospital-dia, os pacientes com tosse há mais de três semanas devem permanecer no local, usando máscara comum o tempo todo; quando as medidas de engenharia não estiverem funcionando no recinto em que o paciente se encontra, este deve ser orientado a usar máscara especial (N95); 38
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    AS AÇÕES DEPROMOÇÃO À SAÚDE E PREVENÇÃO DA DOENÇA  devem ser definidas regras de isolamento para pacientes com TB bacilíferos, ou suspeitos, que necessitem internação, como tempo mínimo de permanência e condições de alta do isolamento;  os locais de isolamento devem ser implementados no intuito de se obter pressão negativa no ambiente, em número suficiente para atender à demanda da unidade e deve ser evitada a internação conjunta. Entre as medidas de controle ambiental, a mais simples e menos cara é a que utiliza a ventilação natural aumentando ao máximo o fluxo do ar livre no recinto, direcionando-o com partículas infectantes para fora (áreas afastadas), através de janelas abertas situadas em extremidades opostas. Nas situações em que não é possível o uso da ventilação natural, empregam-se outras medidas um pouco mais complexas e dispendiosas que envolvem o uso de ventilação mecânica (ex: ventiladores, exaustores) e as medidas especiais que são as de filtração do ar para remoção de partículas infectantes (filtros HEPA) e as de inativação do M.tuberculosis através da ação germicida da irradiação ultravioleta, somente disponível em situações de maior complexidade e recursos. A proteção respiratória consiste no uso de máscaras especiais (respiradores) e é considerada como uma medida complementar às demais (administrativas e ambientais). Essas máscaras especiais devem ter a capacidade de filtrar partículas de 0,3 de diâmetro com eficiência de 95% e de se adaptar adequadamente a diferentes tipos de formato de rosto. As máscaras especiais devem ser utilizadas por profissionais de saúde em determinadas áreas de alto risco como salas de broncoscopia, de escarro induzido ou de espirometria; locais onde possam estar pacientes com tuberculose confirmada ou suspeita (sala de espera, enfermarias, áreas de isolamento com pacientes com tuberculose) ou em locais onde medidas administrativas e ambientais não são suficientes para impedir a inalação de partículas infectantes. “Essas máscaras especiais podem ser reutilizadas pelo mesmo profissional por períodos longos, desde que se mantenham íntegras, secas e limpas (sem serem rasgadas, puídas ou amassadas)” (Kritsky, 2000). Devem ser guardadas em locais limpos e secos, evitando assim o seu armazenamento em sacos plásticos após o uso, pois estes retêm umidade. 2.2.5.2 Recomendações para a manipulação de secreção respiratória (escarro espontâneo ou não) no laboratório de microbiologia ou em outro setor 1. Nas unidades tipo 1, será realizada apenas a baciloscopia do escarro. Portanto, seguindo a recomendação da OMS e da UICTER, não é necessária a manipulação dos materiais clínicos em cabines (fluxos laminares), pois o risco de transmissão do M. tuberculosis é baixo. 2. Nas unidades tipo 2, onde serão realizadas a baciloscopia e a cultura para micobactéria, o escarro e os demais materiais biológicos devem ser manipulados em cabines de segurança biológica, de padrão mínimo Classe II. 39
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE 3. Os profissionais do laboratório ou aqueles que, em ambientes fechados, realizam procedimentos que promovam a formação de partículas infectantes (escarro induzido, nebulização com pentamidina) devem usar máscaras especiais (respiradores N95) por ocasião da manipulação dos materiais e/ou realização de exames. O acesso ao laboratório e aos locais onde se realizam tais procedimentos deve ser restrito aos funcionários responsáveis. 2.2.5.3 Controle dos profissionais de saúde Todos os profissionais de saúde devem ser submetidos a exames pré-admissionais e periódicos que incluam o teste tuberculínico. “Os grupos não-reatores submetidos a risco de infecção ocupacional devem ser incluídos nos programas de realização de prova tuberculínica periódica ou vacinação BCG” (I CONSENSO BRASILEIRO DE TUBERCULOSE, 1997) (contra-indicada em adultos HIV positivos). “Estas medidas, como rotina, ainda carecem de validação em nosso meio. Os casos de conversão recente devem ser avaliados no sentido de detectar tuberculose em atividade. Não se confirmando a doença, está indicada a quimioprofilaxia” (I Consenso Brasileiro de Tuberculose, 1997). “Todo profissional de saúde com sinais ou sintomas compatíveis com tuberculose deve ser prontamente avaliado, submetido a exame de baciloscopia e outros e não deverá retornar às suas atividades até que o diagnóstico seja excluído ou até que esteja sob tratamento e não seja mais infectante” (I Consenso Brasileiro de Tuberculose, 1997). Finalmente, recomenda-se aos profissionais de saúde com imunodeficiências como Aids, ou em uso de drogas imunossupressoras, que desenvolvam suas atividades em locais com menor risco possível de exposição ao M.tuberculosis. 40
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    ABORDAGEM CLÍNICA 3.1 ATUBERCULOSE 3.1.1 Etiopatogenia 3.1.1.1 Etiologia – O Agente Infeccioso: Mycobacterium tuberculosis O Mycobacterium tuberculosis, agente etiológico identificado por Robert Koch em 1882, é uma bactéria espécie-tipo do gênero Mycobacterium, e se compõe de um complexo constituído das seguintes espécies: M.tuberculosis, M. bovis e M. africanum. O M. microti também faz parte do complexo, sendo um patógeno animal. Os estudos realizados sobre o agente da tuberculose identificam várias características comportamentais que explicam muitas questões da história natural da doença. As principais são resumidas abaixo:  Estrutura bacilar – imóvel, não esporulado, não encapsulado;  Álcool-ácido resistência – característica para identificação em laboratório que o permite ser denominado de BAAR (bacilo álccol-ácido resistente);  Conteúdo lipídico em sua parede celular – formação do granuloma;  Aeróbio – necessita oxigênio para crescer e multiplicar-se multiplica bem no pulmão;  Parasito intracelular facultativo – sobrevive e se multiplica no interior de células fagocitárias;  Podem ficar em estado de dormência por longos períodos – responsável pela reativação;  Tempo de geração longo – 14 a 20 horas, dependendo do meio de cultura empregado para o seu crescimento;  Resistente a agentes químicos;  Resistente à dessecação e ao ambiente escuro – podem sobreviver anos no ambiente externo;  Sensível ao calor e à radiação ultravioleta – sensível à luz solar. As micobactérias são bacilos retos ou ligeiramente curvos, dificilmente podem ser corados pelo método de Gram, mas são considerados como Gram positivos pelas características da sua parede celular. As bactérias do complexo M. tuberculosis são classificadas como micobactérias não pigmentadas de crescimento lento. Além destas características, uma peculiaridade importante é o agrupamento dos bacilos formando ramos alongados e tortuosos, conhecidos como cordas. A observação de cordas à baciloscopia é uma indicação de que se trata de bactéria do complexo M. tuberculosis. São álcool- 43
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE ácido resistentes e, quando coradas a quente com fucsina fenicada de Ziehl ou a frio com auramina, retêm os corantes após lavagens com soluções de álcool e ácido (propriedade utilizada na coloração de Ziehl-Neelsen). Sua parede é constituída principalmente por ácidos micólicos, formando uma barreira hidrofóbica que confere resistência à dessecação, à descoloração por álcool e ácido e a diversos agentes químicos e antibióticos. Por exemplo, soluções de hidróxido de sódio, fosfato trissódico ou cloreto de cetilpiridinium não afetam as micobactérias da mesma maneira como afetam microorganismos contaminantes e podem ser usadas em procedimentos de descontaminação de espécimes antes da realização do cultivo para diagnóstico. Apresentam um alto conteúdo lipídico em sua parede celular, sendo este responsável por importantes efeitos biológicos como a indução da formação do granuloma. É, de modo geral, resistente à ação de agentes químicos e sensível à ação de agentes físicos como o calor e a radiação ultravioleta. Micobactérias podem entrar em um estado de dormência, no qual sobrevivem sem se dividir. Esta propriedade tem um importante significado clínico, já que a tuberculose freqüentemente representa a reativação de uma infecção antiga, subclínica, ocorrida vários anos antes. A dormência permite que as bactérias permaneçam em pequenos grupos populacionais, dificultando de uma maneira geral a erradicação da doença. 3.1.1.2 A fonte de infecção e a pessoa susceptível: o contágio A fonte de infecção habitual é o indivíduo com forma pulmonar da tuberculose, eliminando bacilos para o exterior. A capacidade do bacilo se transmitir para uma outra pessoa a partir de um doente é conseqüência do estado bacteriológico deste:  doentes bacilíferos (B+) – a baciloscopia do escarro é positiva e o doente elimina uma quantidade de bacilos superior a 5.000 por m de escarro;  doentes não-bacilíferos – a baciloscopia do escarro é negativa e a cultura pode ser positiva (C+) ou negativa (C-). Calcula-se que, durante um ano, numa comunidade, uma fonte de infecção poderá infectar, em média, de 10 a 15 pessoas que com ela tenham tido contato. Veja a seguir quais as principais características da pessoa doente que infecta uma outra susceptível e como deve ser esta relação:  Doente com a forma pulmonar da doença – o mais importante é o bacilífero;  Intensidade do contato – proximidade, continuidade, ambiente desfavorável;  Bacilos depositados em roupas, copos, etc. não têm importância na transmissão. A intensidade do contato é uma das condições que fazem com que a tuberculose esteja associada à população de baixa renda. Nessa camada social, famílias numerosas convivem muito proximamente em casas pequenas, mal ventiladas e úmidas. 44
  • 45.
    ABORDAGEM CLÍNICA A fala, o espirro e, principalmente, a tosse de um doente com tuberculose pulmonar, lançam no ar gotículas contaminadas de tamanhos variados. As gotículas mais pesadas se depositam rapidamente e as mais leves permanecem em suspensão no ar, ou porque são pequenas ou porque sofrem evaporação. Somente os núcleos secos das gotículas (núcleo de Wells) com diâmetros de até 5 µ e com 1 a 2 bacilos em suspensão podem atingir os bronquíolos e alvéolos e iniciarem a multiplicação. As gotículas médias são, na sua maioria, retidas pela mucosa do trato respiratório superior e removidas dos brônquios por meio do mecanismo mucociliar. Os bacilos assim removidos são deglutidos, inativados pelo suco gástrico e eliminados nas fezes. Os que se depositam nas roupas, lençóis, copos e outros objetos dificilmente se dispersarão em aerossóis e, por isto, não desempenham papel importante na transmissão. 3.1.1.3 Patogenia e imunidade A patogenia da doença revela muitos elementos que compõem o raciocínio clínico, os métodos preventivos e terapêuticos e o elemento central é a integridade do sistema imunológico, pela cooperação entre macrófagos e linfócitos T na contenção da infecção pelo bacilo da tuberculose. Outros elementos como a virulência da cepa infectante e o tamanho da dose inalada têm, também, papel importante na patogenia. Mas a questão central continua sendo: por que a tuberculose se desenvolve no homem? A resposta seria que os mecanismos de defesa contra a micobactéria são afetados quando do desenvolvimento da tuberculose ativa, por predisposição genética do hospedeiro ou por influência de fenômenos induzidos pela própria micobactéria, que funcionariam como mecanismos de escape. Tais mecanismos têm sido estudados por várias décadas, sem que todos os elementos estejam ainda hoje claramente delineados. Algumas destas contribuições resistiram ao teste do tempo e permanecem válidas, como a contribuição de Rich na década de quarenta e as de Lurie e Dannenberg nos anos sessenta. Rich propôs que o estabelecimento da lesão tuberculosa depende do balanço de fatores ligados ao bacilo e de fatores ligados ao hospedeiro, como se observa na fórmula abaixo. FATORES CONDICIONANTES DA LESÃO TUBERCULOSA L = lesão (FÓRMULA DE RICH) N = número de bacilos V = virulência N . V . Hy L= Hy = hipersensibilidade In . Ia In = imunidade natural Ia = imunidade adquirida A fórmula indica que o desenvolvimento da lesão tuberculosa é diretamente proporcional ao número de bacilos, à virulência da cepa inalada e ao desenvolvimento da hipersensibilidade pelo hospedeiro, e inversamente proporcional à imunidade natural e à imunidade adquirida. Fatores genéticos representam um papel importante conforme demonstraram Lurie & Dannenberg (1965), usando como modelo famílias de coelhos híbridos. 45
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE PATOGENIA DA TUBERCULOSE (Lurie & Dannenberg) Estágio 1 – Destruição do bacilo por macrófagos alveolares residentes maduros Depende de  capacidade inibitória do macrófago (ativação inespecífica, predisposição genética).  virulência do bacilo.  carga infectante. Estágio 2 – Multiplicação logarítmica do M. tuberculosis dentro de macrófagos imaturos Mecanismo  Monócitos/macrófagos recrutados da circulação não detêm crescimento.  Formação da lesão inicial. Estágio 3 – Número estacionário de bacilos Mecanismo  Multiplicação de Mtb inibida pela resposta imunológica mediada por células.  Forma o foco tuberculoso: centro caseoso sólido impede multiplicação extracelular de Mtb.  Em torno do centro necrótico, células epitelióides inibem multiplicação e destroem Mtb.  Macrófagos imaturos ainda permitem multiplicação.  Evolução da doença depende do número de macrófagos maturos e/ou imaturos. Estágio 4 – Liquefação do cáseo e evasão do bacilo Mecanismo  Multiplicação extracelular em larga escala.  Expectoração e preservação da espécie pela transmissão para outro hospedeiro.  Mecanismos de defesa incapazes de controlar a infecção. A imunidade natural – defesas mecânicas e naturais Após a inalação, ocorre uma resistência inespecífica do homem contra a instalação dos bacilos, devido, inicialmente, às barreiras físicas como os pelos nasais, a angulação das vias aéreas, o turbilhonamento aéreo, a secreção traqueobrônquica e, o mais importante, o cleareance mucociliar. Apesar da relativa eficiência desse sistema de defesa, e dependendo do número de bacilos inalados, alguns atingem os alvéolos pulmonares e a infecção tuberculosa tem início. Na prática, a resistência natural parece estar relacionada com a maior ou menor velocidade com que o hospedeiro infectado é capaz de desenvolver sua resistência ou imunidade adquirida específica. A imunidade adquirida Os macrófagos pulmonares residentes são uma das primeiras células a interagir com os bacilos por meio da fagocitose, que caracteriza a etapa inicial da resposta imune inespecífica antimicobacteriana. Vários mecanismos de escape foram desenvolvidos pelas micobactérias para sobreviverem no interior dessas células. Contudo, os mecanismos que garantem a sobrevivência dos bacilos no compartimento endossomal ou no citoplasma 46
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    ABORDAGEM CLÍNICA não impedemque parte dos macrófagos sejam ativados pelos próprios bacilos. Além da produção de interleucinas, como a IL-12, os macrófagos ativados e infectados por Mtb processam e apresentam antígenos, resultantes da degradação do bacilo ou de antígenos fagocitados (exógenos) ou liberados no citoplasma celular (endógenos). A apresentação de antígenos estabelece o início da ativação da resposta imune específica, que pode ser mediada por anticorpos ou por células. Esta última é de grande importância, uma vez que linfócitos T CD4 e T CD8 são estimulados e participam ativamente da resposta imunológica contra os bacilos infectantes. Os linfócitos T CD4+ com atividade anti-M. tuberculosis são facilmente detectados em indivíduos expostos às micobactérias, pela demonstração da hipersensibilidade cutânea ao PPD in vivo, e pela elevada resposta linfoproliferativa aos antígenos micobacterianos in vitro. A resposta de células T está inversamente correlacionada com a progressão da doença, verificando-se baixa resposta linfoproliferativa e inexistência de reação cutânea ao PPD em pacientes com tuberculose pulmonar avançada. No homem, o exemplo mais claro do papel fundamental dessas células é a infecção pelo HIV-1, nos quais existe uma diminuição dos linfócitos T CD4+, provocando uma grande susceptibilidade à primoinfecção ou à reativação de uma tuberculose prévia (Jones e cols., 1993). Estas evidências demonstram que células T CD4+ desempenham papel central na resistência contra a tuberculose humana, principalmente pela produção de IFN-. Os linfócitos T CD8+ fazem parte igualmente dos mecanismos efetores celulares que intervêm na resposta imune à infecção por Mtb. Essas células produzem citocinas com perfil similar ao descrito para Th1 e funcionam como células citotóxicas efetoras, restritas às moléculas de classe I do HLA ou MHC. O principal papel atribuído a essa população é a lise das células infectadas nas lesões que ainda contêm algumas bactérias e a esterilização dos granulomas. Tanto os linfócitos T CD4 como os T CD8 humanos apresentam dicotomia quanto à produção de citocinas, similar ao modelo murino. Assim, as citocinas produzidas por linfócitos T CD4+/CD8+ do tipo Th1/Tc1 secretam IFN-, IL-2, IL-3, e TGF-, enquanto que linfócitos T CD4+/CD8+ do tipo Th2/Tc2 secretam IL-4, IL-5, IL-6, IL-10 e TNF- / IL-4, respectivamente. A atuação de cada um desses hormônios celulares resulta em diferentes espectros de ativação ou desativação celular. Foi demonstrado que o IFN-, único mediador da ativação de macrófagos produzidos inicialmente por células NK ou células T, as quais são estimuladas por IL-12 proveniente de macrófagos infectados, é capaz de induzir atividade micobactericida em macrófagos humanos. Citocinas do tipo Th2, como a IL-10, atuam como um potente inibidor da atividade celular inflamatória, inibindo a produção de óxido nítrico, a produção de citocinas pró-inflamatórias (IL-1, TNF-), burst respiratório e a expressão de receptores para IL-1 e MHC de classe II. A tuberculose humana ainda está sendo alvo de estudo para a determinação do padrão de citocinas que predomina durante a evolução da doença. O balanço entre citocinas do tipo Th1/Tc1, ditas como inibitórias (IFN-, TNF-), ou do tipo Th2, ditas como aceleradoras (IL-4, IL-10), do crescimento micobacteriano pode ser importante na regulação da atividade micobactericida em macrófagos infectados por Mtb. 47
  • 48.
    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE Tem sido demonstrado que IFN- é uma das principais interleucinas associadas à resposta protetora durante a infecção por micobactérias. A presença de linfócitos T CD4+ auxiliares (Th) com fenótipo Th1 e de linfócitos T CD8+ citotóxicos produtores de IFN- promove a melhor ativação dos macrófagos e, conseqüentemente, o controle da infecção. Estudos com animais que não possuem o gene para IFN- mostram que estes, quando infectados com M. tuberculosis por via intravenosa ou por aerosol, apresentam destruição e necrose tecidual progressiva, não produzem intermediários reativos do nitrogênio e são incapazes de restringir o crescimento dos bacilos. Mais recentemente, vários modelos de infecção ou de prevenção (vacinação) da tuberculose experimental foram desenvolvidos em diversos laboratórios, sendo úteis para identificar as características essenciais das células que conferem proteção contra a infecção por M. tuberculosis. O estudo detalhado das duas principais subpopulações de linfócitos T mostrou que existem vários fatores relacionados com a proteção contra o bacilo da tuberculose. Assim, os linfócitos T CD8+ estimulados por antígenos endógenos micobacterianos (antígenos citoplasmáticos liberados na infecção ou por vacinação com BCG ou vacina gênica) são preferencialmente do tipo citotóxicos, isto é, têm a capacidade de destruir células que contêm o bacilo da tuberculose em seu interior, permitindo a eliminação dos mesmos. Tanto os linfócitos T CD8+ como os T CD4+ secretam grande quantidade de IFN-, que ajuda a manter ativados os vários sistemas responsáveis pela eliminação dos microrganismos da célula hospedeira. A transferência de linfócitos T CD8+ de animais infectados ou vacinados para animais normais (irradiados) protege estes últimos da infecção pelos bacilos virulentos, mostrando que essas células são fundamentais para os processos de defesa. A imunidade humoral é mediada por moléculas capazes de efetuar o reconhecimento específico e a eliminação de antígenos, podendo ser transferida a indivíduos não- imunizados por frações de sangue que não contenham células, como o plasma ou o soro. Ao reconhecerem o bacilo da tuberculose ou os seus antígenos, os linfócitos B se transformam em plasmócitos secretantes de anticorpos anti-Mtb. Esses anticorpos, no entanto, não têm capacidade de penetrar nos macrófagos infectados e destruir o bacilo. Embora anticorpos específicos possam desempenhar um papel na resposta dos neutrófilos à infecção por micobactéria, a participação dessas células na defesa contra a tuberculose ainda não está bem estabelecida. Conseqüentemente, a imunidade humoral parece ter pouco valor no combate à essa doença. Uma vez que imunocomplexos são encontrados no soro de pacientes com tuberculose, vários métodos para detecção de anticorpos antituberculose têm sido desenvolvidos no sentido de se tentar o diagnóstico sorológico da tuberculose. Embora testes detectando imunocomplexos compostos de IgG ou IgM ou IgA e antígenos micobacterianos já tenham sido desenvolvidos, a sorologia para TB ainda não está incorporada à prática clínica. 48
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    ABORDAGEM CLÍNICA Nos últimos dez anos, muitos conhecimentos novos sobre os mecanismos imunológicos associados à infecção por Mtb permitiram que se compreendesse melhor por que algumas pessoas adoecem e a maioria nunca desenvolve a forma ativa da doença. Alguns desses novos conhecimentos estão resumidos abaixo. Mecanismos de escape à proteção imunológica do hospedeiro – imunossupressão – o modelo da infecção pelo HIV Os casos mais comuns de imunossupressão associados com a tuberculose são os indivíduos com Aids, os estressados, os que fazem uso de drogas imunossupressoras, os alcoólatras e os desnutridos. O mecanismo de aparecimento da TB em um indivíduo pode se dar tanto pela reativação de uma infecção tuberculosa pregressa, como de uma reinfecção ou de uma infecção recente (primária). Estudos em pessoas infectadas pelo HIV, a partir de dados epidemiológicos, clínico e laboratoriais, demonstram uma forte relação com a disfunção e a depleção dos elementos envolvidos na imunidade celular do indivíduo, levando ao desenvolvimento da tuberculose primária, da disseminação hematogênica do bacilo e aumentando a possibilidade de reativação. Foi observado que além da diminuição de linfócitos CD4 circulantes provocada pelo HIV, ocorre também uma disfunção qualitativa dessas células. Essa disfunção se evidencia, in vivo, pela perda de resposta do tipo hipersensibilidade retardada, que pode se manifestar mesmo com um número relativamente elevado de células CD4. Com a progressiva depleção e disfunção desses linfócitos CD4 e conseqüente deterioração da imunidade celular do indivíduo, infecções oportunistas, que seriam normalmente controladas por um mecanismo de defesa intacto, tornam-se freqüentes. Tal é o caso da tuberculose, cujo mecanismo de defesa se baseia justamente na imunidade celular. A coexistência, portanto, de uma infecção pelo HIV constitui-se no mais potente ativador da tuberculose até hoje conhecido. Por outro lado, a tuberculose também influi no curso da infecção pelo HIV por meio da ativação de macrófagos e de células T infectadas pelo vírus, levando a um desenvolvimento mais precoce da Aids. Adaptação do bacilo ao homem – seus mecanismos Um dos grandes problemas da tuberculose correlaciona-se com o alto grau de adaptação dos bacilos ao homem. Os principais eventos são descritos a seguir. Latência no granuloma Dentro dos macrófagos, células com alto potencial microbicida, os bacilos têm a habilidade de desativar os sistemas de defesa dessas células e conseguem sobreviver e se multiplicar no seu interior. O sistema de defesa imunitário do homem toma conhecimento da presença dos bacilos e estabelece uma resposta contra os mesmos, caracterizada por uma reação inflamatória crônica denominada granuloma, que tem a finalidade de circunscrever e delimitar a infecção. Nessas condições, os bacilos podem sobreviver por anos em estado de latência ou de dormência e o indivíduo infectado pode não manifestar a doença. 49
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE Sobrevivência no interior de macrófagos Na infecção inicial, os bacilos sofrem a ação dos macrófagos alveolares que os fagocitam. Apesar do macrófago ser uma célula com alta capacidade bactericida, o bacilo da tuberculose desenvolveu meios apropriados para sobreviver a esse sistema de defesa do hospedeiro. Assim, durante a evolução, foram desenvolvidos sistemas que facilitam a fagocitose de Mtb pelos macrófagos, utilizando receptores de complemento CR1, CR2 e CR3, bem como receptores de manose, e outras moléculas receptoras de superfície celular como fibronectina. A interação entre os receptores de manose na célula fagocitária e o bacilo é feita por uma glicoproteína de superfície da micobactéria chamada lipoarabinomanana (LAM). A LAM inibe a ação de compostos intermediários de formas reativas do oxigênio e diminui a produção de citocinas inflamatórias. Além disso, as micobactérias podem induzir a liberação de fatores supressores da resposta imune pelos macrófagos, como o TGF- e a IL-10. Nos macrófagos infectados, sob condições variadas de estresse, também são produzidas altas concentrações da proteína hsp65 pelos bacilos, que podem induzir: a liberação de TNF- e de TGF-, o aumento da transcrição de RNAm para IL-1, IL-10 e TNF-, e a diminuição da transcrição de RNAm para a enzima óxido nítrico sintase induzível (iNOS). Esse mecanismo de entrada de Mtb nos macrófagos permite uma desativação inicial do sistema microbicida dessas células, principalmente a diminuição de radicais tóxicos do oxigênio, dando um tempo suficiente para os bacilos se adaptarem no interior celular e começarem a se multiplicar. Embora a fagocitose aconteça sem maiores problemas e parte dos bacilos sejam destruídos, um maior contingente permanece vivo e se multiplica dentro dos fagossomas do macrófago, no seu citoplasma ou, eventualmente, livres na cavidade alveolar. Por razões ainda não totalmente esclarecidas, os lisossomas do macrófago, que contêm enzimas capazes de destruir o bacilo, não conseguem se fundir com os fagossomas nos quais eles estão contidos. Uma primeira tentativa de combater a micobactéria pelo macrófago se faz com a produção de ácidos praticamente inócuos para um bacilo ácido-álcool resistente. A multiplicação bacilar provoca a morte do macrófago com liberação de lisossomas e destruição tecidual. Forma-se, então, uma reação inflamatória inespecífica, com acúmulo de neutrófilos na região do parênquima pulmonar em que os bacilos se instalaram. Outros sistemas da imunidade inata também são ativados nessa fase, como o sistema complemento, que libera substâncias quimiotáticas para neutrófilos e monócitos. Além disso, a presença de Mtb no interior de fagócitos estimula a liberação de citocinas e quimiocinas inflamatórias, como IL-1, IL-6, IL-8 e TNF- que também são responsáveis pelo recrutamento celular para o foco inflamatório. Outra citocina também liberada dos macrófagos logo após a fagocitose dos bacilos, a IL-12, atua em conjunto com o TNF-, induzindo as células Natural Killer (NK) a secretarem IFN- nos períodos ainda iniciais da infecção. O IFN- é o principal responsável pela ativação dos macrófagos recém-migrados da corrente sangüínea e, conseqüentemente, pelo controle dos processos iniciais da infecção. A ativação dos mecanismos da imunidade inata leva a um intenso recrutamento de células para o foco inflamatório, que, uma vez organizado em granuloma, constitui a lesão inicial da 50
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    ABORDAGEM CLÍNICA infecção micobacteriana,que resulta, em última análise, em um equilíbrio dos mecanismos de defesa do hospedeiro frente à presença e à tentativa de multiplicação dos bacilos. Como observado acima, diversos componentes celulares participam da defesa inespecífica, como macrófagos residentes, neutrófilos, eosinófilos e células NK. Existem evidências preliminares de que a defesa dita inespecífica pode desempenhar um papel maior na proteção contra a tuberculose do que se imaginava anteriormente, mas muitos estudos ainda terão de ser feitos para estabelecer o real papel de cada um desses mecanismos na defesa antituberculose. Resumo sobre o papel dos linfócitos no controle da tuberculose 1. Papel dos linfócitos T CD4+  Regulação da resposta imunológica ao Mtb  Secreção de citocinas reguladoras da função macrofágica  Ação efetora por meio de citotoxicidade contra macrófagos infectados 2. Papel dos linfócitos T CD8+  Controle da infecção por Mtb  Ação efetora citotóxica: destroem as células que albergam o bacilo, secretam grânulos enzimáticos que ajudam na eliminação dos mesmos.  Secretam citocinas reguladoras da função macrofágica, como a IL-12 e o IFN-g, que ajudam a manter ativados os sistemas microbicidas dos macrófagos. 3. Papel dos linfócitos T gama-delta  Ativados pelos antígenos solúveis do bacilo vivo  Têm papel importante nas fases iniciais da infecção  Função citotóxica 4. Papel dos macrófagos  Principal célula efetora contra Mtb, juntamente com os linfócitos T  Ação reguladora por meio da secreção de citocinas 5. Papel das citocinas ativadoras ou inibitórias da função microbicida dos macrófagos 3.1.1.4 O processo de infecção e adoecimento em tuberculose a) Primoinfecção tuberculosa Se conseguir ultrapassar os mecanismos de defesa e alcançar os alvéolos pulmonares, o bacilo da tuberculose ocasiona uma rápida resposta inflamatória, envolvendo macrófagos alveolares residentes e neutrófilos rapidamente mobilizados, que resulta em uma rápida depuração dos bacilos, sem lesão visível ao radiograma torácico. Pode ocorrer, no entanto, uma falha neste mecanismo inespecífico de depuração, resultando em progressão da inflamação e broncopneumonia inespecífica. Com isso, o bacilo começa a se dividir e a aumentar em número no foco de inoculação, principalmente porque, nos primeiros quinze a vinte dias de infecção, o organismo ainda não desenvolveu uma resposta imunológica específica que possa bloquear o processo de multiplicação celular. Ao fim de 15 dias de replicação, o número de bacilos no foco de inoculação pode atingir 105, e resultar em 51
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE disseminação tanto por via linfática, para os gânglios linfáticos de drenagem, como por via hematogênica, para órgãos extratorácicos. Esse foco pulmonar, em geral único, e periférico e de consistência amolecida, é pequeno e arredondado, tem de 1 a 2 mm e é chamado de foco de Ghon. O período de tempo para o seu desenvolvimento é de cerca de três a quatro semanas. O momento do surgimento do tubérculo corresponde ao desenvolvimento da imunidade celular e é associado à viragem do teste tuberculínico, encerrando o período pré-alérgico. Portanto, o período que vai desde a penetração do bacilo no organismo até o aparecimento da reação ao teste tuberculínico é clínicamente chamado de período pré-alérgico. Simultaneamente, a partir do foco pulmonar, há uma disseminação linfática até o gânglio satélite (foco ganglionar), de onde haverá uma disseminação hematogênica para todo o organismo. Esse complexo composto de um foco pulmonar, linfangite e um foco ganglionar é chamado de complexo primário ou complexo de Ranke. No momento da disseminação hematogênica, o organismo, já com a imunidade adquirida desenvolvida, impede o estabelecimento de tuberculose doença em 95% dos casos, encerrando, então, a primoinfecção. O encapsulamento do bacilo resulta na formação de uma lesão chamada de granuloma, que não é exclusiva da tuberculose, mas apresenta algumas características morfológicas que, freqüentemente, auxiliam no estabelecimento do diagnóstico histológico da condição. O granuloma é um aglomerado celular não vascularizado, constituído histologicamente por células epitelióides, células gigantes multinucleadas ou de Langhans, que se apresenta com forma oval ou arredondada e numerosos núcleos periféricos dispostos em ferradura. Numerosos linfócitos se localizam entre estas subpopulações de macrófagos. Uma das características do granuloma tuberculoso é a necrose caseosa, rica em lipídios degradados da parede celular das micobactérias. b) Tuberculose primária Em cerca de 95% das lesões pulmonares iniciais, os focos de Gohn evoluem para fibrose e/ou calcificação, que poderão ser percebidas em radiogramas. Em 5% dos casos, entretanto, a primoinfecção não é contida, seja pela deficiência no desenvolvimento da imunidade celular, seja pela carga infectante ou pela virulência da cepa aspirada. Há uma liquefação do caseo e o desenvolvimento de doença ainda nesta fase primária da infecção. Conceitualmente, a tuberculose resultante da progressão do complexo pulmonar primário que se desenvolve nos primeiros cinco anos após a primoinfecção é chamada de tuberculose primária. As formas de tuberculose primária contemporâneas ao complexo primário podem ser apenas ganglionares, ou envolverem gânglios e pulmão, nesse caso apresentando-se como formas pneumônicas, bronco-pneumônicas, cavitárias ou atelectásicas (epituberculose). Uma das formas mais graves de tuberculose primária é a forma miliar, resultante da difusão de lesões granulomatosas muito pequenas que atingem não apenas os pulmões, mas muitos órgãos. 52
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    ABORDAGEM CLÍNICA Clínicamente, a tuberculose primária pode se apresentar de forma aguda e grave (menos comum) ou de forma mais insidiosa, e lenta (mais comum). Na forma insidiosa o paciente, comumente uma criança, apresenta-se irritadiço, com febre baixa, sudorese noturna, inapetência e exame físico inexpressivo. As manifestações de hipersensibilidade extrapulmonar não são comuns, porém, quando ocorrem, são bem características da tuberculose primária (eritema nodoso, conjuntivite flictenular, artralgia de Poncet). O exame radiológico varia de acordo com o local para o qual o bacilo foi drenado. c) Tuberculose pós-primária ou do adulto É a forma de tuberculose que ocorre, em geral, tardiamente, anos após o estabelecimento da lesão primária. O indivíduo já apresenta memória imunológica para os antígenos de Mtb e, em geral, desenvolve lesão mais circunscrita, de evolução mais arrastada que as formas primárias e com maior reação inflamatória do tipo hipersensibilidade, caracterizada por cavitação e fibrose. A origem pode ser tanto endógena, por reativação de um foco quiescente (com bacilos que se encontravam em inatividade metabólica-reativação endógena), quanto exógena, a partir de uma nova contaminação, em geral, por cepas mais virulentas e resistentes à forte resposta imunológica desencadeada pelo hospedeiro (reativação exógena). É mais comum nos ápices pulmonares, devido ao maior aporte de oxigênio, necessário ao desenvolvimento do bacilo. A reativação do foco se dá com formação de granulomas, poucos macrófagos, poucas hemácias e rica em fibrina. Evolui para necrose de caseificação e progride para doença. Ocorre drenagem do caseo para um brônquio, que pode levar à disseminação broncógena para todo o pulmão. Normalmente, a drenagem dá lugar a uma cavidade pulmonar, chamada caverna tuberculosa. A cavitação pode evoluir para cura ou para complicações. A cura pode ser aberta ou fechada. Uma das complicações da cavitação é a dilatação aneurismática dos ramos da artéria brônquica (aneurismas de Rasmüssen), que antes dos antimicrobianos ocorria em até 4% dos casos e que pode resultar em fortes hemoptises, com risco de vida. Mesmo que ocorra a cura bacteriológica após o estabelecimento destas cavernas, é importante ressaltar que poderão ocorrer seqüelas, às vezes grosseiras e com conseqüências importantes para a qualidade de vida do paciente. Algumas complicações do processo destrutivo parenquimatoso ocasionado pelo desenvolvimento da forma pós-primária são cavidade saneada aberta, cavidade fechada sem brônquio de drenagem, bronquiectasias, destruições pulmonares, desvios de órgãos do mediastino, escoliose, alterações funcionais pulmonares graves, geralmente de natureza mista, micetoma intracavitário e bronquiectasia. A hemoptise é freqüente em pacientes com tais seqüelas, podendo ser necessário tratamento corretivo cirúrgico, em geral de prognóstico reservado. A importância do diagnóstico precoce e da aderência ao tratamento coíbem, assim, o desenvolvimento das seqüelas graves. 53
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE d) Vias de disseminação São quatro as vias pelas quais os sítios extrapulmonares podem ser acometidos na tuberculose:  via linfohematogênica – responsável pela maioria das formas extrapulmonares da doença, uma vez que é o caminho natural do bacilo após sua entrada no organismo: tuberculose ganglionar, renal, adrenal, óssea, menigoencefálica, ganglionar intra-abdominal e genital feminina;  via hematogênica – quando há ruptura da lesão diretamente no vaso, podendo ocasionar formas disseminadas agudas da doença;  por contigüidade – responsável pelas formas pleural a partir do pulmão; pericárdica a partir de gânglios mediastinais; peritoneal a partir de gânglios mesentéricos, alças intestinais ou trompas (por ruptura de pequenos divertículos) e algumas formas de tuberculose cutânea peri-orificial e a partir, por exemplo, de focos ósseos;  intra-canalicular – comprometimento de vias aéreas altas a partir do pulmão; trato urinário inferior e sistema genital masculino a partir do rim; endométrio e peritôneo a partir das trompas (por saída do material caseoso pelos óstios uterino e abdominal). 3.1.2 Procura de casos Denomina-se “Caso de Tuberculose” todo indivíduo com diagnóstico confirmado por baciloscopia ou cultura e aquele em que o médico, com base nos dados clínico- epidemiológicos e no resultado de exames complementares, firma o diagnóstico de Tuberculose. “Caso Novo” é o doente com tuberculose que nunca usou ou usou por menos de um mês drogas antituberculosas. A procura de casos é um conceito programático que compreende tanto os métodos de diagnóstico como as ações organizadas para operacionalizá-los, envolvendo os serviços e a comunidade. Essas ações estão voltadas para os grupos com maior probabilidade de apresentar tuberculose, quais sejam: sintomáticos respiratórios (pessoas com tosse e expectoração por três semanas ou mais); contatos de casos de tuberculose; suspeitos radiológicos; pessoas com doenças e/ou em condição social que predisponham à tuberculose. Os contatos, definidos como toda pessoa, parente ou não, que coabita com um doente de tuberculose, constituem um grupo para o qual se recomenda uma atitude de busca ativa. Os locais ideais para se organizar a procura de casos são os serviços de saúde, públicos ou privados. Nestas instituições – postos, centros de saúde, ambulatórios e hospitais – realizar busca ativa de sintomáticos respiratórios deve ser uma atitude permanente e incorporada à rotina de atividades de todos os membros das equipes de saúde. 54
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    ABORDAGEM CLÍNICA 3.1.2.1 Busca na comunidade Deve-se fazer a busca de casos em todas as pessoas que apresentem tosse e expectoração por três semanas ou mais, por meio do exame bacteriológico. Quando a baciloscopia direta for persistentemente negativa, deve-se realizar exame radiológico do tórax. Essa atividade deve integrar o trabalho do agente que faz visita domiciliar sistemática, sobretudo nas comunidades em que esteja organizada a atenção primária de saúde. Nas áreas onde as ações já estão organizadas, a visita domiciliar periódica do agente de saúde deve incluir a detecção de casos entre sintomáticos respiratórios e contatos, principalmente, de casos bacilíferos e crianças. Quando necessário, deve-se referenciá- los ao serviço de saúde. Atenção especial deve ser dada a populações de maior risco de adoecimento, representadas sobretudo por residentes em comunidades fechadas, como presídios, manicômios, abrigos e asilos. Nessas comunidades, justifica-se a busca ativa periódica de casos. Indivíduos das categorias alcoólicos, usuários de drogas, mendigos, trabalhadores de saúde e outros em situações especiais em que haja contato próximo com paciente portador de tuberculose pulmonar bacilífera são também prioritários para essa ação. Também incluem-se nessa categoria os imunodeprimidos por uso de medicamentos ou por doenças imunossupressoras, conforme descrito no item 1.4.3 A definição da população-alvo. O qauro 4 sumariza a busca e os principais exames a serem ofertados. Quadro 4: Busca de casos de tuberculose e exames a serem realizados Quem buscar? Exames Contatos de doentes com tuberculose Baciloscopia Pessoas soro-positivas para HIV Teste tuberculínico Indivíduos com tosse e com expectoração por três semanas ou mais Radiografias do tórax Pessoas que vivem em isntituições fechadas Trabalhador de saúde Fonte: Controle da Tuberculose – Uma Proposta de Integração Ensino Serviço. FUNASA/MS. 2002. p. 66 Em infectados pelo HIV, principalmente aqueles na fase avançada de imunodepressão (nível sérico de CD4 inferior a 200 cels/mm3 ou linfócitos inferior a 1.000 cels/mm3), deve- se suspeitar de tuberculose na presença de qualquer sintoma respiratório e quadros de febre de origem indeterminada. A justificativa para essa conduta deve-se à alta freqüência de manifestações atípicas de tuberculose e à ocorrência de outras doenças respiratórias causadas por agentes oportunistas. 3.1.2.2 Busca na demanda A prática mais adequada neste tipo de busca consiste em interrogar, de forma sistemática, todas as pessoas que consultam os serviços de saúde por qualquer motivo, 55
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE a respeito de tosse e de expectoração que se prolonguem por três semanas ou mais e submeter a exame bacteriológico as que apresentam os sintomas pesquisados. No grupo de sintomáticos respiratórios, o exame radiológico do tórax será realizado quando a baciloscopia direta do escarro for persistentemente negativa. A organização do sistema de busca de casos na unidade de saúde compreende os seguinte elementos:  o envolvimento de toda a equipe de saúde (médicos, enfermeiros, demais profissionais de nível superior e auxiliares) na pesquisa dos sintomáticos respiratórios entre a população que demanda a unidade de saúde por qualquer motivo;  um sistema de registro dos sintomáticos respiratórios para uma avaliação do parâmetro na demanda;  a participação do laboratório com pessoal treinado nas técnicas de baciloscopia e no registro dos sintomáticos respiratórios realmente examinados;  uma unidade de referência para encaminhamento dos casos que requeiram maior capacidade resolutiva. Uma vez selecionado o indivíduo sintomático respiratório na demanda da unidade de saúde, procede-se à escolha dos exames complementares necessários (Quadro 4). 3.1.2.3 Busca entre contatos Este grupo compreende todas as pessoas, parentes ou não, que coabitam com um paciente com tuberculose e os contatos prolongados de maior proximidade nos ambientes de trabalho. Os comunicantes de doentes bacilíferos têm maior risco de adoecer de tuberculose e, por esta razão, são prioritários para a ação de busca de casos, segundo as seguintes normas:  baciloscopia do escarro;  prova tuberculínica nos contatos;  exame radiológico. A busca de casos por meio do exame radiológico indiscriminado tem sido o método de menor rendimento, com maiores custos e alto risco potencial para a população, por submetê-la a radiações ionizantes em intervalos curtos, não sendo mais recomendada para este fim. 56
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    ABORDAGEM CLÍNICA O quadro 5 estalece as condutas com os contato de tuberculose, a partir dos resultados de exames. Quadro 5: Conduta com as pessoas, contatos de tuberculose, segundo os resultados de exames Resultado do exame Conduta 1. Rx tórax sem alteração Aplicar vacina BCG-IDem menor de 15 anos não vacinado PPD não-reator Risco de TB* – aplicar vacina BCG-ID Sem escarro e/ou BAAR negativo Orientar sobre aparecimento de SR Quimioprofilaxia: **Menor de 15 anos não vacinado com 2. Rx tórax sem alteração BCG-ID PPD reator Pessoa HIV positiva*** Sem escarro e/ou BAAR negativo Grupo de risco para TB**** 3. Rx tórax com alteração Contato de TB: Diagnóstico de probabilidade: Quimioterapia PPD reator Não contato de TB***** Esclarecer diagnóstico Sem escarro e/ou BAAR negativo 4. Rx tórax com alteração PPD reator ou não-reator Esclarecer o diagnóstico Sem escarro e/ou BAAR negativo 5. Rx tórax com alteração PPD reator ou não-reator Quimioterapia BAAR negativo Natal, S *Risco de Tb: trabalhador de saúde, albergados, asilados. Fazer a sorologia para HIV antes da vacina. ** Avaliar o custo-benefício: Idade, uso álcool, uso de drogas hepatotóxicas, adesão ao tratamento. *** reator forte para HIV positivo, para fins de quimioprofilaxia, considerar 5 mm ou mais. **** Diabéticos, uso de drogas e/ou doenças imunossupressoras. ***** Avaliar tuberculose passada e possibilidade de ser residual. 3.1.3 Diagnóstico O diagnóstico da tuberculose, além da avaliação clínica, deverá estar fundamentado nos métodos a seguir. 3.1.3.1 Bacteriológico A pesquisa bacteriológica é método de importância fundamental, tanto para o diagnóstico como para o controle de tratamento. É fundamental que os profissionais de saúde conheçam as condições que asseguram a confiabilidade dos resultados da baciloscopia direta e da cultura. Para que o laboratório possa fornecer resultados, é necessário que receba espécimes que provêm do local da lesão que se investiga e que sejam identificados, conservados e transportados adequadamente. Material, colheita, conservação e transporte Os espécimes clínicos comumente utilizados para a investigação do M. tuberculosis e de outras espécies micobacterianas são: escarro, lavado gástrico, lavados brônquicos, urina, fluidos orgânicos, pus, material de biópsia e de ressecção. 57
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE Colheita de escarro a) Condutas: a boa amostra de escarro é a proveniente da árvore brônquica, obtida após esforço da tosse, e não a que se obtém da faringe que, usualmente, contém saliva. Solicita-se ao paciente duas amostras de escarro, sendo a primeira colhida durante a primeira consulta, e a outra no dia seguinte, ao despertar. O escarro deverá ser colhido em local aberto e bem ventilado. A colheita deve ser feita em potes plásticos descartáveis, transparentes, limpos, de boca larga, com tampa de rosca e capacidade de cerca de 30 a 50 ml. O nome do paciente e o seu número de registro devem ser colocados sempre no corpo e não na tampa do pote. b) Orientações ao paciente:  lavar a boca com água antes de expectorar, para eliminar resíduos de comida, pasta de dente e outros;  inspirar profundamente, reter por instantes o ar no pulmão, tossir e lançar o material no recipiente. Esta operação deverá ser repetida até a obtenção de três eliminações de escarro, evitando que o mesmo escorra pela parede externa do pote;  fechar hermeticamente o pote e envolvê-lo em papel limpo, com o cuidado de manter o frasco com a boca para cima;  lavar as mãos com água e sabão. Quando a expectoração é escassa, pode-se recorrer a outros métodos, como indução do escarro e colheita do material por broncoscopia e lavagem gástrica. Colheita de outros materiais Pela escassa quantidade de bacilos presentes (materiais paucibacilares), os espécimes descritos devem ser submetidos a baciloscopia e também ser semeados para cultura em meios apropriados. a) Urina – Recomenda-se a colheita de todo o volume da primeira urina da manhã. O número de amostras recomendado é de três a seis, colhidas em dias consecutivos. Antes da micção, deve-se lavar a genitália externa com água e sabão. O recipiente (de 300 a 500 ml) deve estar limpo e a amostra deve ser encaminhada o mais rápido possível ao laboratório, acondicionada em isopor com gelo. b) Líquido céfalo-raquidiano, pleural, ascítico e outros – Colher esses materiais em tubo estéril e enviar ao laboratório imediatamente de preferência acondicionado em isopor com gelo. c) Biópsia e material de ressecção – Colher estes materiais em frasco com água destilada ou solução salina fisiológica estéril. Não adicionar conservantes (formol). Enviar ao laboratório imediatamente, de preferência acondicionado em isopor com gelo. 58
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    ABORDAGEM CLÍNICA d) Sangue – Colher esse espécime em tubo estéril agregando-se de preferência o SPS (polianeto sulfonato de sódio) como anticoagulante. O volume recomendado é de 5 ml. Enviar ao laboratório imediatamente. Conservação e transporte das amostras Quanto mais rapidamente o espécime chegar ao laboratório, maior será a possibilidade de se encontrar M. tuberculosis, e outras micobactérias. A temperatura ambiente e o tempo favorecem a multiplicação de microorganismos contaminantes. O escarro obtido de expectoração pode ser excepcionalmente conservado sob refrigeração por até 7 dias, sem que haja prejuízo na realização da baciloscopia e da cultura. Exame microscópico direto do escarro A baciloscopia direta do escarro é método fundamental porque permite descobrir as fontes mais importantes de infecção: os casos bacilíferos. Por ser um método simples e seguro, deve ser realizado por todo laboratório público de saúde e pelos laboratórios privados tecnicamente habilitados. O exame baciloscópico deve ser solicitado, por ordem de prioridade, aos pacientes que:  procurem o serviço de saúde por queixas respiratórias ou por qualquer outro motivo, mas que, espontaneamente ou em resposta ao profissional de saúde, informem ter tosse e expectoração há três semanas ou mais;  apresentem alterações radiológicas pulmonares. Recomenda-se, ainda, o controle de qualidade das baciloscopias. Para este fim, os laboratórios de âmbito local deverão guardar todas as lâminas examinadas, positivas e negativas, para enviá-las, se solicitado, ao laboratório supervisor. Cultura para micobactéria A cultura, comumente realizada no meio Lowenstien-Jesen, é até o momento o diagnóstico de certeza da tuberculose com o isolamento e a identificação do bacilo. A cultura é indicada para os suspeitos de tuberculose pulmonar persistentemente negativos ao exame direto e para o diagnóstico de formas extrapulmonares como meningoencefálica, renal, pleural, óssea ou ganglionar. A cultura também está indicada nos casos de suspeita de resistência bacteriana às drogas, seguida do teste de sensibilidade, e nos casos de retratamento por abandono, recidiva ou falência. Nos casos de suspeita de infecção por micobactérias não tuberculosas, notadamente nos pacientes HIV positivos ou com Aids, que sempre deverão fazer cultura, deverá ser realizada a tipificação do bacilo. 3.1.3.2 Radiológico O exame radiológico é auxiliar no diagnóstico da tuberculose, justificando-se sua utilização nos casos suspeitos. Nesses pacientes, o exame radiológico permite a seleção de 59
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE portadores de imagens sugestivas de tuberculose ou de outra patologia, sendo indispensável submetê-los a exame bacteriológico para se fazer um diagnóstico correto, já que não é aceitável, exceto em crianças, o diagnóstico de tuberculose pulmonar sem investigação do agente causal pela baciloscopia de escarro. Em suspeitos radiológicos de tuberculose pulmonar com baciloscopia direta negativa, deve-se afastar a possibilidade de outras doenças, recomendando-se, ainda, a cultura para 2icobactéria. O estudo radiológico tem, ainda, importante papel na diferenciação de formas de tuberculose de apresentação atípica e no diagnóstico de outras pneumopatias no paciente portador de HIV/Aids ou de outras situações de imunossupressão. No diagnóstico de probabilidade, deve-se levar em conta que o erro causa atraso na identificação da verdadeira doença, acarretando ao doente sofrimento físico, psicológico, econômico e social. O exame radiológico, em pacientes com baciloscopia positiva, tem como função principal a exclusão de doença pulmonar associada, que necessite de tratamento concomitante, além de permitir avaliação da evolução radiológica dos pacientes, sobretudo naqueles que não responderem à quimioterapia. Os resultados dos exames radiológicos do tórax deverão obedecer à seguinte classificação:  Normal – os que não apresentam imagens patológicas nos campos pulmonares.  Seqüela – os que apresentam imagens sugestivas de lesões cicatriciais.  Suspeito – os que apresentam imagens sugestivas de tuberculose.  Outras doenças – os que apresentam imagens sugestivas de pneumopatia não tuberculosa. A tuberculose causa anormalidades radiográficas na maioria dos pacientes. A imagem radiológica na tuberculose primária A tuberculose primária ocorre com mais freqüência na infância, embora sua incidência venha aumentando nos adultos. A radiografia do tórax é essencial no diagnóstico da tuberculose da criança, já que uma significativa proporção de casos é oligossintomática e o diagnóstico bacteriológico é mais difícil nessa faixa etária. A imagem radiológica sugestiva da tuberculose primária é o aspecto bipolar, de aumento hilar, pela hipertrofia dos linfonodos regionais conseqüentes da disseminação linfática do foco de. A principal alteração parenquimatosa é representada por opacidade de limites mal definidos, sem predileção por lobos ou segmentos, invariavelmente associada à linfonodomegalia mediastinal ou hilar ipsi-lateral. O polo parenquimatoso e o linfonodal, associados à linfangite que interliga os dois, o complexo de Ranke, raramente é detectado à radiografia. A tuberculose primária pode regredir espontaneamente, deixando como seqüelas alterações parenquimatosas calcificadas ou não, conhecidas como nódulos de Ghon, nos 60
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    ABORDAGEM CLÍNICA lobos inferiorese focos de Simon nos lobos superiores. Imagens cavitárias podem surgir no decorrer da evolução, associadas ou não à disseminação hemática e traduzem, sempre, formas mais graves. A participação do pólo linfonodal é bem mais exuberante, sendo sua regressão mais lenta que o pólo parenquimatoso e, portanto, mais expressivas as formas de apresentação radiológica. Os principais linfonodos comprometidos são os da região paratraqueal e hilar direita. Em razão da expressiva reação linfonodal observada na infância, os fenômenos obstrutivos dominam o quadro radiológico caracterizado por atelectasias lobares, cuja síndrome do lobo médio é o protótipo destas manifestações compressivas (Figura 2). A erosão da parede brônquica e a consequente invasão de material caseoso na árvore respiratória, a partir de um linfonodo, origina quadros graves, seja do ponto de vista clínico quanto radiográfico representados por opacidades broncopneumônicas de limites indefinidos e com tendência à confluência. O envolvimento pleural na tuberculose da infância é raro. Figura 1 Figura 2 Figura 1: RX em PA, demonstrando linfonodemegalia hilar direita e sinal da silhueta. Figura 2: Perfil E demonstrando atelectasia do lobo médio caracterizada por aumento da densidade do coração. A imagem radiológica na tuberculose de reinfecção ou pós-primária A tuberculose de reinfecção ou pós-primária é praticamente exclusiva do adulto. Tem predileção pelos segmentos dorsais dos lobos superiores e pelos segmentos apicais dos lobos inferiores, característica esta que sustenta o aforismo segundo o qual “o doente carrega a tuberculose nas costas”. Em razão da predominância das lesões nos lobos superiores, a incidência ápico-lordótica ou de Fleischner é extremamente útil para demonstrar alterações mal definidas, escondidas pelas clavículas e arcos costais superiores. A evolução da lesão tuberculosa do ponto de vista radiológico A lesão inicial caracteriza-se por pequenas opacidades nodulares, cuja extensão não ultrapassa o espaço intercostal ou a região apical, sendo, por conseguinte, denominada lesão mínima ou infiltrado precoce. Este infiltrado precoce é assintomático durante algum tempo, fato este que reforça o valor dos exames radiográficos notadamente entre os contatos. As pequenas opacidades tendem a progredir, envolvendo o lobo, ocorrendo caseificação de áreas mais ou menos extensas e aparecimento de imagens cavitárias, o mais importante 61
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE dado radiológico desta forma. A cavitação implica a possibilidade de complicações tanto relacionadas com a disseminação canalicular quanto em razão da erosão de vasos arteriais, originando os pseudo-aneurismas de Rasmussen, responsáveis por hemoptises vultosas, às vezes fulminantes. As cavidades são surpreendidas no curso da doença em mais da metade dos casos. Têm paredes espessas, podem ser únicas ou múltiplas, variando entre alguns milímetros a vários centímetros de diâmetro. A evolução mais freqüente da tuberculose cavitária é a presença de opacidades acinares, denominadas de lesões satélites, descobertas pela radiografia em mais da metade dos casos. Esta disseminação broncógena é sugestiva de tuberculose, mesmo sendo excepcionalmente observada em outras doenças, e compromete mais intensamente o lobo médio, língula e bases pulmonares. (Figura 3). Figura 3 Figura 3: Radiografia em PA, demonstrando imagem cavitária de paredes espessas, localizada no segmento apical do lobo superior direito, além de nódulos acinares compromentendo tanto o pulmão direito, quanto o esquerdo, configurando a disseminação broncógena própria da tuberculose. Apresentações radiológicas atípicas As apresentações radiológicas consideradas atípicas, representadas por formas pseudotumorais e por alterações que envolvem os segmentos anteriores, estão freqüentemente associadas a condições mórbidas, como diabetes mellitus e síndrome de imunodeficiência adquirida. Nestas situações, assim como nas formas miliares, a tomografia computadorizada do tórax (TC), mais especificamente a técnica de alta resolução, pode demonstrar alterações não visualizadas na radiografia. Desta forma, a TC tem se mostrado excelente método complementar à radiografia. Nas formas miliares, permite caracterizar com mais precisão o infiltrado micronodular, demonstrando sua distribuição aleatória e centrolobular. Permite ainda o estudo concomitante do mediastino, demonstrando linfonodomegalias, às vezes de densidade heterogênea, dado este extremamente útil no diagnóstico diferencial da pneumopatias associadas à AIDS. Nas formas pseudotumorais a TC é ainda mais útil, podendo demonstrar alterações que sustentam a natureza benigna da lesão tais como aspectos da cavitação, ectasias brônquicas que permeiam a massa e disseminação broncógena caracterizada pela presença de nódulos acinares não visualizados na radiografia. 3.1.3.3 Prova tuberculínica Indicada como método auxiliar no diagnóstico da tuberculose, a prova tuberculínica positiva, isoladamente, indica apenas infecção e não é suficiente para o diagnóstico da tuberculose doença. 62
  • 63.
    ABORDAGEM CLÍNICA No Brasil, a tuberculina usada é o PPD RT23, aplicada por via intradérmica no terço médio da face anterior do antebraço esquerdo, na dose de 0,1ml, equivalente a 2 UT (unidades de tuberculina). Deve ser conservada em temperatura entre 4ºC e 8ºC, não devendo ser congelada ou exposta à luz solar direta. A técnica de aplicação e o material utilizado são padronizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e têm especificações semelhantes às usadas para a vacinação BCG. A leitura da prova tuberculínica é realizada 72 a 96 horas após a aplicação, medindo- se, com régua milimetrada, o maior diâmetro transverso da área de endurecimento palpável. O resultado, registrado em milímetros, classifica-se como:  0mm a 4mm – não-reator – indivíduo não infectado pelo M. tuberculosis ou com hipersensibilidade reduzida.  5mm a 9mm – reator fraco – indivíduo vacinado com BCG ou infectado pelo M. tuberculosis ou por outras micobactérias.  10mm ou mais – reator forte – indivíduo infectado pelo M. tuberculosis, que pode estar doente ou não, e indivíduos vacinados com BCG nos últimos dois anos. Algumas circunstâncias podem interferir no resultado das provas tuberculínicas, como, Portadores de doenças imunodepressoras:  Sarcoidose.  Aids.  Neoplasias de cabeça e de pescoço.  Doenças linfoproliferativas.  Outras neoplasias. Situações com imunodepressão transitória:  Vacinação com vírus vivos.  Gravidez.  Tratamentos com corticosteróides e drogas imunodepressoras.  Crianças com menos de dois meses de vida.  Idade acima de 65 anos. Todos os indivíduos infectados pelo HIV devem ser submetidos à prova tuberculínica. Nesses casos, considera-se reator aquele que apresenta endurecimento de 5 mm ou mais, e não-reator aquele com endurecimento entre 0 mm e 4 mm. Pacientes portadores do HIV ou com Aids, inicialmente não-reatores, deverão ter sua prova tuberculínica repetida, após melhora clínica com o uso de anti-retrovirais. Recomenda-se a prova tuberculínica, como parte do exame médico, a todos os profissionais dos serviços de saúde, por ocasião de sua admissão. Nos indivíduos vacinados com BCG, sobretudo nos imunizados há até dois anos, a prova tuberculínica deve ser interpretada com cautela, pois, em geral, apresenta reações de tamanho médio, embora possa alcançar 10mm ou mais segundo a vacina utilizada. 63
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE 3.1.3.4 Histopatológico É um método empregado principalmente na investigação das formas extrapulmonares. A lesão apresenta-se como um granuloma, geralmente com necrose de caseificação e infiltrado histiocitário de células multinucleadas. Como esta apresentação ocorre em outras doenças, o achado de BAAR na lesão é fundamental para auxiliar o diagnóstico de tuberculose. 3.1.3.5 Outros métodos de diagnóstico Além da bacteriologia, da radiologia, da prova tuberculínica e da histopatologia, existem, desenvolvidas ou em desenvolvimento, outras metodologias diagnósticas. Entretanto, pelo alto custo destes métodos e pela ausência de provas consistentes quanto à sensibilidade, especificidade e valores preditivos, eles não devem ser usados indiscriminadamente. Esses fatos não permitem sua utilização em substituição aos métodos convencionais, devendo-se privilegiar seu uso, como auxílio diagnóstico para a tuberculose, aos serviços de referência, serviços especializados ou instituições de pesquisa.  Hemocultura Está indicada em pacientes portadores do HIV ou com Aids em que haja suspeita de doença micobacteriana disseminada.  Detecção da produção de CO2 Método radiométrico: utiliza a produção de gás carbônico pelo bacilo em crescimento, para a detecção de sua presença nos meios de cultura em que se inoculou o espécime clínico. Como no meio de cultura se adicionam nutrientes com carbono marcado isotopicamente, o CO2 produzido terá também o carbono radioativo, que poderá ser identificado por equipamento específico para esse fim. O método permite também a realização de teste de sensibilidade a drogas num tempo mais curto que o habitual, o que constitui sua grande vantagem sobre os métodos convencionais. Uma variação deste método detecta a produção do gás, por um sistema de sensores ópticos, e não por emissão de carbono marcado.  Detecção de consumo de O2 Mycobacteria Growth Indicator Tube (MGIT) Este método utiliza tubos de ensaio com meios líquidos de cultura, nos quais existe uma base de silicone impregnada com rutênio, metal que emite luminescências na ausência de O2. Se há crescimento bacteriano, há também consumo de O2 e o rutênio emitirá luminescências possíveis de serem detectadas com luz ultravioleta. O resultado é obtido num tempo mais curto que a cultura convencional e pode-se, também, realizar teste de sensibilidade. 64
  • 65.
    ABORDAGEM CLÍNICA  Sorológico Consiste na detecção de anticorpos produzidos pelo organismo, contra componentes do M. tuberculosis. São utilizados antígenos purificados ou clonados, em metodologias que se baseiam em reações antígeno-anticorpo. São métodos muito rápidos, mas que têm o inconveniente de, em função da baixa especificidade dos antígenos disponíveis, revelar reações cruzadas com outros germes, além de outras circunstâncias que alteram os resultados. Além disso, ainda não é possível com absoluta segurança, identificar os doentes dos apenas infectados ou vacinados.  Marcadores biológicos Há dois marcadores com importância clínica: a) A adenosinadeaminase (ADA), uma enzima presente em várias células, particularmente no linfócito ativado, como observado na tuberculose. A determinação do aumento da atividade da ADA no líquido pleural, sobretudo se associado a alguns parâmetros como idade (<45anos), predomínio de linfócitos (acima de 80%) e proteína alta (exsudato), é indicadora de pleurite tuberculosa. É método colorimétrico, de fácil execução em qualquer laboratório que disponha de um espectrofotômetro, podendo, à luz dos conhecimentos disponíveis, autorizar o início do tratamento para suspeita de tuberculose pleural, em que não seja possível a biópsia. Ressalte-se que o método a ser utilizado deve ser o de Giusti, feito no laboratório, que é o mais utilizado no país. b) O ácido tubérculo-esteárico, um metabólito do bacilo, cuja taxa aumentada, no liquor, indica a presença de meningoencefalite por tuberculose. Sua importância em outros fluidos ainda está sendo estudada. O inconveniente para sua utilização rotineira é o alto custo do equipamento necessário para sua determinação.  Técnicas de biologia molecular Partindo-se do pressuposto de que o genoma de qualquer organismo é o que de mais específico existe para sua identificação, as técnicas de biologia molecular passaram a ser utilizadas para o diagnóstico de diversas doenças, inclusive para tuberculose, com a vantagem de poderem oferecer o resultado num tempo muito curto (algumas horas). Desta forma, desenvolveram-se várias técnicas para essa finalidade. Os métodos mais conhecidos de diagnóstico baseados em amplificação do alvo são: • Reação em cadeia da polimerase (PCR). • Amplificação mediada por transcrição (TMA). • Amplificação baseada na seqüência de ácidos nucléicos (NASBA). • Amplificação por transferência de fita (SDA). A reação em cadeia da polimerase, no momento o teste mais usado e já disponível para o diagnóstico rápido na Fundação Ezequiel Dias, permite a detecção de quantidades mínimas de material genético, sendo o precursor dos métodos baseados na biologia molecular. 65
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE Entretanto, em nossa rotina de diagnóstico, tais testes não substituem os métodos convencionais de detecção do bacilo, devendo o PCR ser utilizado nas suspeitas clínico- radiológicos com baciloscopias sucessivamente negativas e necessidade de diagnóstico rápido para o pronto estabelecimento da conduta. Nenhum novo teste ou kit para diagnóstico da tuberculose pulmonar ou extrapulmonar deve ser usado na rotina, sem que ele esteja validado por instituição credenciada pelo Ministério da Saúde. 3.1.3.6 Classificação dos doentes de tuberculose Tuberculose pulmonar positiva – quando apresentam:  duas baciloscopias diretas positivas;  uma baciloscopia direta positiva e cultura positiva;  uma baciloscopia direta positiva e imagem radiológica sugestiva de tuberculose;  duas ou mais baciloscopias diretas negativas e cultura positiva; Em caso de uma baciloscopia positiva e outra negativa, encaminhar para outros exames; não havendo disponibilidade de meios, iniciar tratamento de prova. Tuberculose pulmonar negativa – quando apresentam:  duas baciloscopias negativas, com imagem radiológica sugestiva e achados clínicos ou outros exames complementares que permitam ao médico efetuar o diagnóstico de tuberculose. Atenção: Antes de se optar por um diagnóstico de tuberculose pulmonar sem confirmação bacteriológica (tuberculose pulmonar de probabilidade), devem ser afastados os quadros agudos, especialmente os que apresentem febre. Nesses casos, o doente será reavaliado após 7 a 15 dias de tratamento sintomático ou com antibioticoterapia inespecífica. Quando a radiologia do tórax revela regressão da lesão, ele deve ser classificado como portador de infecção inespecífica; nos doentes adultos com sintomatologia crônica, deve-se afastar a possibilidade de doença pulmonar obstrutiva crônica, câncer de pulmão, micoses pulmonares, outras pneumopatias crônicas e infecção pelo HIV ou Aids. Quadro 6. Classificação da tuberculose pulmonar segundo a bacteriologia do escarro Critério segundo Resultado da Critério segundo baciloscopia e cultura Baciloscopia Cultura a baciloscopia Pulmonar positiva + NR Baciloscopia positiva Pulmonar positiva + + Baciloscopia positiva Pulmonar positiva – + Baciloscopia negativa Pulmonar negativa – NR Baciloscopia negativa Pulmonar negativa – – Baciloscopia negativa Pulmonar não realizada NR NR Baciloscopia não realizada Legenda: (+) positiva, (–) negativa, e (NR) não realizada Fonte: Tuberculose – Guia de Vigilância Epidemiológica. FUNASA/MS. 2002. p.16 66
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    ABORDAGEM CLÍNICA Tuberculose extrapulmonar A tuberculose pode ainda se expressar por formas disseminadas como a miliar ou extrapulmonares (classificadas segundo a localização: pleural, ganglionar periférica, ósteo- articular, geniturinária, meningoencefálica e assim por diante), com base nos achados clínicos e em exames complementares que permitam ao médico diagnosticar tuberculose. 3.1.3.7 Diagnóstico da tuberculose na criança e no adolescente Pulmonar O diagnóstico, na prática, segundo um sistema de contagem de pontos, está sumariado no Quadro 7 – Diagnóstico da Tuberculose Pulmonar em Crianças e em Adolescentes, baseado em similares publicados na literatura nas últimas décadas. As manifestações clínicas podem ser variadas. O dado que chama atenção na maioria dos casos é a febre, habitualmente moderada, persistente por mais de 15 dias e freqüentemente vespertina. São comuns irritabilidade, tosse, perda de peso, sudorese noturna, às vezes profusa; a hemoptise é rara. Há predomínio da localização pulmonar sobre as demais formas de tuberculose, isto é, as formas extrapulmonares. Para todas as crianças com suspeita clínica de TB, devem ser solicitados o PPD e a radiografia de tórax. Os achados radiográficos mais sugestivos da tuberculose pulmonar são: adenomegalias hilares e/ou paratraqueais (gânglios mediastínicos aumentados de volume); pneumonias com qualquer aspecto radiológico, de evolução lenta, às vezes associadas a adenomegalias mediastínicas, ou que cavitam durante a evolução; infiltrado nodular difuso (padrão miliar). Sempre deve ser feito o diagnóstico diferencial com tuberculose, em crianças com pneumonia de evolução lenta, isto é, quando o paciente vem sendo tratado com antibióticos para germes comuns sem apresentar melhora após duas semanas. A história de contágio com adulto tuberculoso, bacilífero ou não, deve ser valorizada, principalmente nas crianças até a idade escolar. O teste tuberculínico pode ser interpretado como sugestivo de infecção pelo M. tuberculosis quando superior a 10mm em crianças não vacinadas com BCG ou vacinadas há mais de dois anos; ou superior a 15mm em crianças vacinadas com BCG há menos de dois anos. No caso de crianças que receberam revacinação BCG, esta interpretação é discutível. Em crianças de até cinco anos que estejam internadas para investigação de tuberculose, pode ser tentada a realização de cultura para M. tuberculosis em espécime de lavado gástrico. Em serviços ambulatoriais, o lavado gástrico não é recomendado. O exame de escarro (baciloscopia e cultura), em geral, só é possível a partir dos cinco ou seis anos. 67
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE Dependendo do quadro clínico-radiológico apresentado pela criança, podem ser necessários outros métodos diagnósticos, tais como broncoscopia, punções e até mesmo biópsia pulmonar por toracotomia. Nestas condições, além de exame bacteriológico, pode- se proceder a exame cito ou histopatológico, para aumentar a chance de positividade. Extrapulmonar Algumas localizações extrapulmonares da tuberculose são mais freqüentes na infância, como gânglios periféricos, pleura, ossos e meninges. A tuberculose do aparelho digestivo (peritonite e intestinal), a pericardite, a geniturinária e a cutânea são mais raras. A tuberculose ganglionar periférica acomete com freqüência as cadeias cervicais e é, geralmente, unilateral com adenomegalias de evolução lenta, superior a três semanas. Os gânglios têm consistência endurecida e podem fistulizar (escrófula ou escrofuloderma). É comum a suspeita de tuberculose em casos de adenomegalia que não responderam ao uso de antibióticos. A meningoencefalite tuberculosa costuma cursar com fase prodrômica de uma a oito semanas, quase sempre com febre, irritabilidade, paralisia de pares cranianos e pode evoluir com sinais clínicos de hipertensão intracraniana, como vômitos, letargia e rigidez de nuca. O liquor é claro, com glicose baixa e predomínio de mononucleares. O teste tuberculínico pode ser não-reator, pois a forma é anérgica. A forma osteoarticular mais encontrada situa-se na coluna vertebral, constituindo- se no Mal de Pott. Cursa com dor no segmento atingido e posição antálgica nas lesões cervicais e torácicas, paraplegias e gibosidade. Tuberculose pulmonar + extrapulmonar A tuberculose pode comprometer ao mesmo tempo, mais de um órgão no sistema em um mesmo paciente. O tratamento da criança As crianças, apesar de não constituírem uma fonte de transmissão, têm maior risco de complicação, de ocorrência de formas graves e mortes, sendo o tratamento de fundamental importância. A conduta deve ser tomada de acordo com a classificação do quadro de diagnóstico a seguir:  TB MUITO PROVÁVEL: tratar;  TB POSSÍVEL: tratar ou acompanhar rigorosamente (mensalmente); considerar na decisão, a idade e as condições socioeconômicas;  TB POUCO PROVÁVEL: acompanhar periodicamente (2/2 ou 3/3 meses). Maiores detalhes sobre o tratamento serão oferecidos no item 3.1.4 Tratamento. 68
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    Quadro 7: Diagnósticode tuberculose pulmonar em crianças e adolescentes negativos à baciloscopia Contato Teste tuberculínico e Quadro clínico-radiológico com adulto Estado nutricional vacinação BCG tuberculoso Febre ou sintomas como: tosse, Adenomegalia hilar ou padrão miliar Próximo, nos Vacinados há mais de 2 anos Desnutrição grave ou peso adinamia, expectoração, • Condensação ou infiltrado (com últimos 2 anos • menor de 5mm abaixo do percentil 10 emagrecimento, sudorese > 2 ou sem escavação) inalterado > 2 Adicionar 0 pts Sisvan ** semanas semanas 10 pts • 5mm a 9mm Adicionar 5 pts Adicionar 15pts • Condensação ou infiltrado (com Adicionar 5pts ou sem escavação) > 2 semanas • 10mm a 14mm evoluindo com piora ou sem Adicionar 10pts melhora com antibióticos para • 15mm ou mais germes comuns Adicionar 15pts Adicionar 15pts Assintomático ou com sintomas Condensação ou infiltrado de qualquer Vacinados há menos de 2 69 <2 tipo < 2 semanas anos semanas Adicionar 5pts • menor de 10mm O pts 0 pts • 10 mm a 14mm Adicionar 5 pts • 15mm ou mais Adicionar 15 pts Infecção respiratória com Radiografia normal Ocasional ou Não vacinados Peso igual ou acima do melhora após Subtrair 5pts negativo • menor de 5mm percentil 10 uso de antibióticos para germes 0 pts. 0 pts 0 pts comuns ou sem antibióticos • 5mm a 9mm Subtrair 10pts Adicionar 5 pts • 10mm ou mais Adicionar 15 pts Legenda: pts = pontos. Esta interpretação não se aplica a revacinados em BCG; ** SISVAN - Sistema de Vigilância Alimentar e Nutridonal (MS/1997). Interpretação: Maior ou igual a 40 pontos 30 a 35 pontos Igual ou inferior a 25 pontos Diagnóstico muito provável Diagnóstico possível Diagnóstico pouco provável Fontes: Stegen G, Jones K., Kaplan P (1969) Pediatr 42:260-3: Tijidani O et al (1986 Tubercle 67:269-81; croftonJ et al (1992), . Londres. Macmilian p; 29.. adaptado por Sant’AnnaC. C. ABORDAGEM CLÍNICA
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE 3.1.4 Tratamento A tuberculose é uma doença grave, porém, curável em praticamente 100% dos casos novos, desde que obedecidos os principios da moderna quimioterapia A regularidade no uso dos medicamentos e a eficácia do esquema são os pontos críticos para o sucesso do tratamento da tuberculose. Outros fatores podem ser destacados de forma menos relevante como a gravidade da doença, alimentação, repouso, cuidados de enfermagem e traços psicológicos. Desta forma, a adesão ao tratamento, somado à regularidade nas tomadas dos medicamentos, à completude do regime prescrito e ao comparecimento regular às consultas médicas, são fatores cruciais para o sucesso de qualquer regime. 3.1.4.1 A medicação Fármacos Concentração Forma farmacêutica Sigla 300mg Rifampicina + Isoniazida Cápsula RH 200mg 150mg Rifampicina + Isoniazida Cápsula RH ½ dose 100mg Etambutol 400 mg Comprimido E Etionamida 250 mg Drágea ET Isoniazida 100 mg Comprimido H Pirazinamida 500 mg Comprimido Z Pirazinamida 3gr/100ml Xarope Z Rifampicina 2 gr/ 100ml Suspensão R Frasco ampola com pó Estreptomicina 1 gr liofililizado para diluição em S água bidestilada 70
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    ABORDAGEM CLÍNICA 3.1.4.2 Os esquemas padronizados No Brasil, os esquemas medicamentosos para o tratamento da tuberculose são padronizados e distribuídos gratuitamente pelo Ministério da Saúde, de acordo com a notificação dos casos. A definição do esquema mais adequado é feita com base na forma clínica, na idade, na história de tratamento anterior e em seu resultado. Em todos os esquemas, a medicação é de uso diário e deve ser administrada de preferência em uma única tomada. ESQUEMAS PADRONIZADOS SITUAÇÃO ESQUEMA INDICADO Caso novo de todas as formas de tuberculose pulmonar e extrapulmonar, exceto a forma Esquema I meningoencefálica, sem tratamento anterior ou tratado por menos de 30 dias ou com tratamento anterior há mais de 5 anos. Retratamento de casos de recidiva após cura ou Esquema IR retorno após abandono do esquema 1. Esquema I + Etambutol TB meningoencefálica Esquema II Falência dos esquemas I ou IR: falência dos Esquema III esquemas básico ou básico + etambutol. ESQUEMA I (Básico) – 2 meses c/ RHZ / 4 meses c/ RH Indicado nos casos novos de todas as formas de tuberculose pulmonar e extrapulmonar exceto meningoencefálica. O Esquema 1 está indicado para os doentes Virgem de Tratamento (sem tratamento anterior ou virgem de tratamento (VT) são os pacientes que nunca se submeteram à quimioterapia antituberculose, ou a fizeram apenas por 30 dias), e para as doentes tratados há mais de 5 anos, exceto os portadores de forma meningoencefálica. Peso do paciente Fases do Mais de 20 kg Mais de 35 kg Drogas Até 20kg Mais de 45 kg Tratamento e até 35kg e até 45 kg mg/kg/dia mg/dia mg/dia mg/dia 1ª fase R 10 300 450 600 (2 meses – RHZ) H 10 200 300 400 Z 35 1 000 1 500 2 000 2ª fase R 10 300 450 600 (4 meses – RH) H 10 200 300 400 Siglas: Rifampicina = R— Isoniazida = H — Pirazinamida = Z - Etambutol = E - Estreptomicina = S - Etíonamida = Et 71
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE ESQUEMA II – 2 meses c/ RHZ / 7 meses c/ RH Indicado para a forma meningoencefálica da tuberculose Peso do paciente Doses para Mais de Fases do Mais de 35 kg Mais de Dose Drogas todas as idades 20 kg Tratamento e até 45kg 45 kg máxima mg/kg/dia e até 35kg mg/dia mg/dia mg/dia mg/dia 1ª fase R 10 a 20 300 450 600 600 (2 meses) H 10 a 20 200 300 400 400 RHZ Z 35 1 000 1 500 2 000 2 000 2ª fase (7 meses) R 10 a 20 300 450 600 600 RH H 10 a 20 200 300 400 400 Orientações para o uso do esquema II a) Nos casos de concomitância entre tuberculose meningoencefálica e qualquer outra localização, usar o esquema E- II. b) Nos casos de tuberculose meníngoencefálica em qualquer idade, recomenda-se o uso de corficosteróides (prednisona, dexametasona ou outros) por um período de 1 a 4 meses, a partir do início do tratamento. c) Na criança, a prednisona é administrada na dose de 1 a 2 mg/kg de peso corporal, até a dose máxima de 30 mg/dia. No caso de se utilizar outro corticosteróide, aplicar a tabela de equivalência entre eles. d) A fisioterapia na tuberculose meningoencefálica deverá ser iniciada o mais cedo possível, com o objetivo de prevenir seqüelas motoras e sensitivas. ESQUEMA l Reforçado (Esquema – IR – 2 meses c/ RHZE / 4 meses c/ RHE Indicado nos casos de recidiva após cura ou retorno após abandono do esquema I Peso do paciente Fases do Mais de 20 kg Mais de 35 kg Drogas Até 20kg Mais de 45 kg Tratamento e até 35kg e até 45 kg mg/kg/dia mg/dia mg/dia mg/dia 1ª fase R 10 300 450 600 (2 meses – RHZE) H 10 200 300 400 Z 35 1 000 1 500 2 000 E 25 600 800 1 200 2ª fase R 10 300 450 600 H 10 200 300 400 (4 meses – RHE) E 25 600 800 1200 72
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    ABORDAGEM CLÍNICA Orientações para o uso do Esquema IR (Reforçado) a) Os casos de recidiva de esquemas alternativos por toxicidade ao esquema E-I devem ser avaliados para prescrição de um regime de tratamento individualizado. b) O paciente que apresentar alteração da visão deverá ser encaminhado para uma unidade de referência, com o objetivo de avaliar a relação deste achado com o uso do etambutol. c) O paciente que retorna ao sistema de saúde após abandono de tratamento deve receber a investigação diagnóstica da doença como um caso novo, com baciloscopia e cultura, antes da reintrodução do regime de retratamento. ESQUEMA III – 3 meses c/ SZEET / 9 meses c/ EET Indicado nos casos de falência de tratamento dos Esquemas I e IR Peso do paciente Fases do Mais de 20 kg Mais de 35 kg Drogas Até 20kg Mais de 45 kg Tratamento e até 35kg e até 45 kg mg/kg/dia mg/dia mg/dia mg/dia 1ª fase S 20 500 1 000 1 000 (3 meses–SZEEt) Z 35 1 000 1 500 2 000 E 25 600 800 1 200 Et 12 250 500 750 2ª fase E 25 600 800 1 200 Et 12 250 500 750 (9 meses – EEt) Orientações para o uso do Esquema III a) A estreptomicina deve ser usada por via intramuscular (IM). Em situações especiais, pode ser aplicada por via endovenenosa (EV), diluída a 50 ou 100 ml de soro fisiológico sendo administrada lentamente, por no mínimo meia hora. b) Em casos especiais. com dificuldades de aceitação de droga injetável ou para facilitar seu uso supervisionado na Unidade de Saúde, o regime de uso da estreptomicina pode ser alterado para aplicações de 2ª a 6ª feira por 2 meses e duas vezes por semana, por mais 4 meses. c) Em pessoas maiores de 60 anos, a estreptomicina deve ser administrada na dose de 500 mg/dia. Quando ocorre falência do esquema III, deve ser considerada a possibilidade de tratar-se de tuberculose multirresistente (TBMR). Nessa situação, encaminha-se o doente para unidades de referência capacitadas para o devido acompanhamento. Nestas unidades, serão indicados regimes especiais, com esquemas mais adequados de drogas alternativas. 73
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE Para esses pacientes será obrigatório o teste de sensibilidade às drogas. Recomenda- se a supervisão do tratamento, preferencialmente, com a hospitalização inicial dos casos mais graves ou de difícil adesão, em hospitais ou enfermarias especilamente preparadas para essa situação. As drogas deverão ser fornecidas pelo Ministério da Saúde sob estreita vigilância, de acordo com a demanda infromada pelos serviços e pela Coordenação Estadual do programa. ESQUEMA PARA MULTIDROGARESISTENTE (MDR)  O tratamento tem duração igual ou superior a 18 meses, com uso diário da medicação por pelo menos 12 meses.  É recomendada a supervisão das tomadas, envolvendo a unidade de saúde próxima ao domicílio e dos familiares. • AMICACINA: 500mg – 1 g, IM ou IV, 05 vezes/semana x 08 semanas e 2 vezes / semana x 10 meses = 12 meses • OFLOXACINO: 600 a 800mg /dia; • TERIZIDONA: 500mg a 750mg/dia; • ETAMBUTOL: 800mg a 1,2 g/dia; • CLOFAZIMINE: 100mg/dia. 3.1.4.3 Efeitos colaterais no uso de drogas antituberculose e conduta A maioria dos pacientes em tratamento da tuberculose consegue completar o tempo recomendado sem manifestar qualquer efeito colateral relevante. Os fatores relacionados às reações são multifatoriais; todavia, os maiores determinantes destas reações se referem à dose, aos horários de administração da medicação, à idade, ao estado nutricional, ao alcoolismo, às condições da função hepática e renal e à coinfecção pelo HIV. Intolerância gástrica, manifestações cutâneas variadas, icterícia e dores articulares são os efeitos mais freqüentemente descritos durante o tratamento com o esquema E-1. Os pacientes devem ser advertidos sobre estas possibilidades e, caso se manifestem, orientados a procurar imediatamente o médico. Mediante esses efeitos, a conduta está sumariada nos quadros a seguir, conforme a classificação: efeitos menores e efeitos maiores. Os efeitos menores ocorrem entre 5% a 20% dos casos e não implicam na modificação imediata do esquema padronizado; os efeitos maiores, que implicam na interrupção ou alteração do tratamento, são menos freqüentes, em torno de 2%, podendo chegar a 8% em serviços especializados. 74
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    ABORDAGEM CLÍNICA Efeitos menores EFEITO DROGA CONDUTA Rifampicina Reformular os horários de Irritação gástrica (náusea, vômito) Isoniazida administração da medicação. Epigastralgia e dor abdominal Pirazinamida Avaliar a função hepática. Pirazinamida Artralgia ou Artrite Medicar com ácido acetilsalicílico. Isoniazida Neurapatia perilérica Isoniazida Medicar com piridoxina ( vit B6) (queimação das extremidades) Etambutol Cefaléia e mudança de comportamento (euforia, insônia, Isoniazida Orientar ansiedade e sonolência) Suor e urina de cor laranja Rifampicina Orientar Isoniazida Prurido cutâneo Medicar com anti-histamínico Rifampicina Pirazinamida Hiperuricemia (com ou sem sintomas) Orientar (dieta hipopurínica) Etambutol Rifampicina Febre Orientar Isoniazida Efeitos maiores EFEITO DROGA CONDUTA Suspender o tratamento. Reintroduzir o tratamento droga a droga Estreptomicina Exanternas após resolução. Rifampicina Subsitituir o esquema nos casos graves ou reincidentes Suspender a droga e substituí-la pela Hipocusia Estreptomicina melhor opção. Isoniazida Suspender a droga e substuí-la pela Vertigem e nistagmo melhor opção. Psicose, crise convulsiva, Substituir por estreptomicina + Isoniazida encefalopatia tóxica e coma etambultol Etambutol Neurite óptica Substituir Isoniazida Hepatotoxidade (vômitos, alteração das provas de função hepática, Todas as drogas Medicar com anti-histamínico hepatite) Trombocitopenia, leucopenia, Dependendo da gravidade suspender Rifampicina eosinofilia, anemia, hemolítica, o tratamento e reavaliar o esquema de Isoniazida agranulocitose, vasculite tratamento. Rifampicina Nefrite intersticial principalmente Suspender o tratamento. intermitente Rabdomiólise com mioglobinuria e Pirazinamida Suspender o tratamento. insuficiência renal O Quadro 8 traça, a partir dos principais fármacos antituberculose, os mais importantes efeitos adversos e as condutas recomendadas. 75
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE Quadro 8: Efeitos adversos dos principais remédios antituberculose e condutas recomendadas MEDICA- EFEITOS ADVERSOS CONDUTAS MENTOS 1. Irritação gástrica (náusea, vômito). 1. Reformular os horários de administração da 2. Epigastralgia e dor abdominal. medicação. 3. Suor e urina cor de laranja. 2. Avaliar a função hepática. 4. Prurido cutâneo. 3. Orientar. 5. Febre. 4. Medicar com anti-histamínico. 6. Exantemas. 5. Orientar. Rifampicina 7. Hepatotoxicidade (hepatite, 6. Suspender o tratamento. alteração das provas de função Reintroduzir o tratamento droga a droga após hepática). resolução. 8. Trombocitopenia, leucopenia, Substituir o esquema nos casos graves ou eosinofilia, anemia hemolítica, reincidentes. agranulocitose, vasculite. 7. Suspender o tratamento temporariamente até resolução. 8. Dependendo da gravidade, suspender o tratamento e reavaliar o esquema de tratamento. 1. Irritação gástrica (náusea, vômito). 1. Reformular os horários de administração da 2. Epigastralgia e dor abdominal. medicação. 3. Artralgia ou artrite. 2. Avaliar a função hepática. 4. Neuropatia periférica (queimação 3. Medicar com ácido acetilsalicílico. das extremidades). 4. Medicar com piridoxina (vit B6). 5. Cefaléia e mudança de 5. Orientar. comportamento (euforia, insônia, 6. Orientar. Isoniazida ansiedade e sonolência). 7. Substituir por estreptomicina + etambutol. 6. Febre. 8. Substituir. 7. Psicose, crise convulsiva, 9. Suspender o tratamento temporariamente até encefalopatia tóxica e coma. resolução. 8. Neurite ótica. 10. Dependendo da gravidade, suspender 9. Hepatotoxicidade (hepatite, o tratamento e reavaliar o esquema de alteração das provas de função tratamento. hepática). 10. Trombocitopenia, leucopenia, eosinofilia, anemia hemolítica, agranulocitose, vasculite 1. Irritação gástrica (náusea, vômito). 1. Reformular os horários de administração da 2. Epigastralgia e dor abdominal. medicação. 3. Artralgia ou artrite. 2. Avaliar a função hepática. Pirazinamida 4. Hiperuricemia ( com ou sem 3. Medicar com ácido acetilsalicílico. sintomas). 4. Orientação dietética (dieta hipopurínica) 5. Hepatotoxicidade (hepatite, Medicar com halopurinol alteração das provas de função 5. Suspender o tratamento temporariamente até hepática). resolução. 6. Nefrite intersticial, rabdomiólise com 6. Suspender o tratamento. mioglobinúria e insuficiência renal. 1. Neuropatia periférica (queimação 1. Medicar com piridoxina (vit B6). das extremidades). 2. Orientação dietética (dieta hipopurínica) Etambutol 2. Hiperuricemia (com ou sem Medicar com halopurinol sintomas). 3. Substituir. 3. Neurite ótica. 4. Suspender o tratamento temporariamente até 4. Hepatotoxicidade (hepatite, resolução. alteração das provas de função hepática) 76
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    ABORDAGEM CLÍNICA 1. Prurido cutâneo. 1. Medicar com anti- histamínico. 2. Exantemas. 2. Suspender o tratamento. 3. Hipoacusia. Reintroduzir o tratamento droga a droga após Estreptomicina 4. Vertigem e nistagmo. resolução. 5. Hepatotoxicidade (hepatite, Substituir o esquema nos casos graves ou alteração das provas de função reincidentes. hepática) 3. Substituir a medicação por etambutol. 4. Substituir a medicação por etambutol. 5. Suspender o tratamento temporariamente até resolução Fonte: Controle da Tuberculose – Uma proposta de Integração Ensino Serviço. FUNASA / MS. 2002. p. 123. 3.1.4.4 Conduta nos casos de intolerância medicamentosa EFEITO SITUAÇÃO CONDUTA A combinação RMP + INH + a) Suspender os medicamentos por 48 a 72 horas, PZA pode estar associada com recomendando o uso de sintomáticos. irritação gástrica. Controlados os sintomas, reiniciar o tratamento, indicando São referidas náuseas, pirose, a administração da pirazinamida após o almoço e da Irritação gástrica epigastralgia que, na maioria rifampicina combinada com a isoniazida após o desjejum. das vezes, ocorrem na primeira b) Havendo novas queixas, suspender todas os fase do tratamento. medicamentos por mais 24 horas e reiniciar o tratamento – uma droga a cada 48 horas, na seguinte ordem: pirazinamida, isoniazida e finalmente rifampicina. c) Quando não houver resolução das queixas e nesta fase já tiver sido identificada a droga responsável pelos sintomas, proceder à modificação do esquema, conforme se segue: • Substituição da pirazinamida – 2 RHE/ 4 RH • Substituição da isoniazida – 2 RESZ/ 4 RE • Substituição da rifampicina – 2 SEHZ/ 10 HE Os medicamentos usados O tratamento só deverá ser interrompido quando os valores nos esquemas de tratamento das enzimas atingirem três vezes o seu valor normal, com da tuberculose apresentam início de sintomas ou logo que a icterícia se manifeste, interações entre si e com outros encaminhando o doente a um serviço de maior poder medicamentos que aumentam resolutivo para acompanhamento clínico e laboratorial, além o risco de hepatotoxicidade. da adequação do tratamento, caso seja necessário. Em cerca de 5% dos pacientes, Se, após a interrupção do tratamento houver redução Hepatotoxicidade observa-se, nos dois primeiros dos níveis séricos das enzimas hepáticas e resolução dos meses de tratamento, elevação sintomas, indica-se a reintrodução do esquema E- 1, da assintomática dos níveis séricos seguinte maneira: das enzimas hepáticas, seguida • Icterícia sem aumento sérico das enzimas hepáticas de normalização espontânea, – iniciar o tratamento com rifampicina, acrescentar sem qualquer manifestação isoniazida e, por último, pirazinamida, com intervalo de clínica e sem necessidade três dias entre elas. de interrupção ou alteração do • Icterícia com aumento sérico das enzimas hepáticas esquema terapêutico. – iniciar o tratamento com isoniazida, acrescentar É importante considerar o rifampicina e, por último, pirazinamida, com intervalo peso do paciente quando de três dias entre elas, ou substituir o esquema 1 por um indicar a dose do esquema alternativo: estreptomicina/ etambutol/ isoniazida medicamento. (SEH) ou estreptomicina/ etambutol/ ofloxacino (SEO) 77
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE EFEITO SITUAÇÃO CONDUTA A hiperuricemia é causa de Na presença de hiperuricemia, deve-se fazer graves problemas renais: orientação dietética (dieta hipopurínica) com nefrolitíase, nefropatia por ou sem associação de alopurinol nas doses uratos ou por ácido úrico convencionais. que podem evoluir com A artralgia e a artrite costumam responder ao insuficiência renal. uso de antiinflamatórios não hormonais. Hiperuricemia e artralgia A hiperuricemia assintomática é um efeito adverso, freqüente durante o uso da pirazinamida e em menor freqüência com o uso do etambutol, sendo a gota, nestes casos, uma manifestação rara. As artralgias, quando não relacionadas à hiperuricemia, são freqüentemente associadas ao uso da pirazinamida. A artrite é descrita com uso de isoniazida; no entanto, não se caracteriza como efeito adverso comum. A neuropatia periférica é A suplementação de piridoxina pode amenizar os sintomas associada ao uso da isoniazida de neuropatia periférica sem interferir com o efeito em cerca de 17 % dos antibacteriano. pacientes que utilizam doses Nos casos de efeitos mais graves, como crise convulsiva, o maiores de 300 mg/ dia e em paciente deve ter a medicação imediatamente interrompida e menor freqüência ao uso do ser encaminhado à unidade de maior resolução. etambutol. A neurite ótica se manifesta com redução do campo visual Manifestações neurológicas e psiquiátricas ou redução da acuidade ou da visão de cores; é incomum durante o uso da isoniazida e está relacionada ao etambutol, em geral em doses altas ou por uso prolongado. Os distúrbios do comportamento, as alterações do ritmo do sono, a redução da memória e as psicoses já foram descritas durante o uso da isoniazida. A crise convulsiva e o coma são descritos pela ingestão excessiva da isoniazida. A toxicidade acústica (ou vestibular) é complicação relacionada ao uso da estreptomicina. O alcoolismo, a diabetes mellitus, a desnutrição e a uremia são fatores predisponentes para todas as manifestações neurológicas e psiquiátricas aqui relacionadas. 78
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    ABORDAGEM CLÍNICA EFEITO SITUAÇÃO CONDUTA A trombocitopenia, a Suspender o tratamento diante desses achados e Alterações hematológicas leucopenia, a acompanhar com exames de sangue. A reintrodução dos eosinofilia, a agranulocitose, medicamentos estará relacionada à evolução do quadro. a anemia, a vasculite com Pode ser necessário o uso de corticosteróides sistêmicos formação de anticorpos antinucleares são alterações relacionadas à hipersensibilidade ao uso da isoniazida ou a altas doses ou ao esquema intermitente com rifampicina. A nefrite intersticial descrita Exame do sedimento urinário, bioquímica sérica e durante o uso da rifampicina hemograma realizados regularmente podem auxiliar na ou da pirazinamida (por identificação precoce do problema. depósitos de cristais de uratos) e a rabdomiólise com Nefrotoxicidade conseqüente mioglobinúria observada como complicação ao uso da pirazinamida são causas de insuficiência renal aguda, identificada por oligúria e algumas vezes exantema e febre. A nefrotoxicidade devida ao uso de estreptomicina é menos freqüente do que com outros aminoglicosídeos. Fonte: Controle da Tuberculose – Uma proposta de Integração Ensino Serviço. FUNASA / MS. 2002. p. 124 e 125. 3.1.4.5 Outras reações Durante o uso da isoniazida os seguintes sintomas são possíveis: febre, adenomegalia, exantema, acne e síndrome semelhante à do Lupus Eritematoso Sistêmico. Pacientes que usam rifampicina irregularmente podem queixar-se de falta de ar ou de uma síndrome semelhante à gripe, caracterizada por cefaléia, mialgia, tonteira, febre com calafrios e dor nos ossos ou choque. Conduta Nos casos de falta de ar ou de choque, a rifampicina deve ser imediatamente interrompida. Em geral, a síndrome gripal regride com a regularização das doses; em casos graves, recomenda-se a sua interrupção. 3.1.4.6 Situações especiais a) Hepatopatas A rifampicina é uma droga metabolizada no fígado e excretada principalmente pela via biliar. Nos hepatopatas moderados e graves, há redução da metabolização da rifampicina, aumentando a quantidade do antibiótico livre que segue para o intestino para ser reabsorvido, elevando assim o seu nível sérico. Pelo exposto, nos alcoolistas, nos cirróticos, nos pacientes com hepatite aguda ou crônica, o uso da rifampicina deverá ser evitado; nos casos em que seu uso é indispensável, a dose deverá ser reduzida em 30% a 40%. 79
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE A isoniazida é também metabolizada (acetilada) no fígado e eliminada na sua maior parte pela urina, sendo que a capacidade de acetilar a isoniazida com maior ou menor rapidez é determinada geneticamente. É uma droga hepatotóxica, cujo efeito fica mais evidente em pacientes com mais de 50 anos ou nos hepatopatas que terão meia vida de isoniazida mais longa e níveis séricos mais altos. Nos casos de insuficiência hepática grave, mais seguro será a redução da dose à metade. A pirazinamida é hidrolizada no fígado e subseqüentemente excretada por filtração glomerular renal. Paciente com conhecida doença hepática prévia deverá ser submetido a freqüentes testes da função hepática, além de acompanhamento clínico rigoroso e, algumas vezes, de redução da dose para 25 mg/ kg (dose máxima de 2g). Em caso de hepatite crônica ativa, cirrose hepática ou insuficiência hepática grave é aconselhável evitar o uso da pirazinamida associada com a rifampicina. Nestes casos, deve-se iniciar o tratamento com a associação: estreptomicina / etambutol / isoniazida. b) Nefropatas Nos pacientes nefropatas, é necessário conhecer o clearance da creatinina antes de iniciar o esquema terapêutico, para que seja realizado o ajuste das doses. (140 – idade) x ( peso/ kg) para homens ( x 0,85 para mulheres) Clearance de creatinina = 72 x creatinina sérica mg% Quadro 9: Ajuste das doses das drogas antituberculose na insuficiência renal Clearance de creatina Medicamento Método ml/min Suplementação por por diálise > 50-90 10-50 < 10 HEMO: desconhecida Etambutol D 100% 50-100% 25-50% CAPD: desconhecida CAVH: desconhecida CAPD: desconhecida Etionamida D 100% 100% 50% CAVH: desconhecida HEMO: dose após diálise CAPD; dose p/clearence 10-50 Isoniazida D 100% 75-100% 50% CAVH: dose p/ clearence 10-50 HEMO: dose após diálise Pirazinamda I q 24h q 24h q 48-72h CAPD: desconhecida CAVH: provável remoção-dose p/ clearence 10-50 Rifampicima D 100% 100% 100% HEMO: nada CAPD: nada CAVH:nada Estreptomicima I q 24h q 24-72h q72- HEMO: dose após diáluse 1/2 normal 96h CAPD: dose p/GFR 10-50 CAVH:doae P/GFR 10-50 (Diseases of kidney -6th ed./ edited by Robert W. Schrier, Carl W. Gottachalk) 1997. CAVH: hemofiltragem artério-venosa contínua CAPD: diálise peritoneal crônica ambulatorial D: redução da dose I: aumento do intervalo entre as doses GFR: fitração glomerular renal 80
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    ABORDAGEM CLÍNICA 3.1.4.7Interações medicamentosas dos tuberculostáticos com outras drogas TUBERCULOSTÁTICO EFEITO ESPERADO OUTRA(S) DROGA(S) Anticoagulantes orais, anticoncepcionais, hipoglicemiantes orais, beta agonistas, cetoconazol, Diminui o nível sérico corticosteróides, digitálicos, enalapril, metadona, narcóticos e analgésicos, propafenona, quinidina e teofilina. INH+ Cetoconazol, fenil RIFAMPICINA Maior hepatotoxidade hidantoínas, etionamida, isoniazida, sulfas Maior excreção de ácido úrico Pirazinamida Hipoglicemia Sulfaniluréias Aumenta a toxicidade da RMP , enquanto seus níveis séricos são Ritonavir, indinavir e saquinavir. diminuídos Diminui absorção de INH Antiácidos, derivados imidazólicos Maior hepatotoxidade Fenil hidantoinatos e rifampicina. Diminuiu o seu metabolismo Acetaminofen Aumenta seu efeito Benzodiazepínicos Indução de toxicidade Carbamazepina ISONIAZIADA Maior neurotoxicidade Cicloserina Maior metabolismo da INH Corticóides Inibição da MAO Queijos e vinhos Hipoglicemia Sulfaniluréias Potencializa neurite periférica DDI e DDC Rifampicina, Isoniazida e PIRAZINAMIDA Maior hepatotoxicidade Cetoconazol Diminui absorção do E M B Antiácidos ETAMBUTOL Potencializa a neurite periférica DDI e DDC Maior nefrotoxicidade Cefalosporinas, polimixinas ESTREPTOMICINA Efeito aditivo Drogas curarizantes Maiores efeitos adversos Antituberculostáticos ETIONAMIDA Potencializa a neurite periférica DDS Fonte: Tuberculose – Guia de Vigilância Epidemiológica. FUNASA / MS. 2002. p.91,92. 81
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE 3.1.4.8 Normas para fornecimento dos tuberculostáticos Para possibilitar o fornecimento adequado e racional dos tuberculostáticos a todos os pacientes, evitando faltas e excessos torna-se necessário a adoção de medidas, aliando na padronização de condutas a qualidade do medicamento e a informação necessária à vigilância epidemiológica da doença. Desta forma, as Unidades Básicas de Saúde devem observar as seguintes orientações para a dispensação de tuberculostáticos, também resumidas no fluxograma a seguir.  A farmácia do posto ou da instituição de saúde deverá ser a responsável pela guarda, armazenamento, controle e dispensa do medicamento diretamente ao paciente. Atualmente, verifica-se que em muitas Unidades de Saúde, esses medicamentos ficam armazenados nos postos de enfermagem ou no consultório do médico.  A dispensa dos tuberculostáticos deverá estar vinculada à apresentação pelo paciente à farmácia, da receita em duas vias + a notificação (1ª consulta) ou a ficha de acompanhamento mensal (pacientes já em tratamento).  A farmácia deverá dispensar a medicação para 30 dias ou até próxima consulta e registrar os dados referente à dispensa, no impresso “Histórico da Dispensação Mensal de Tuberculostáticos”.  A farmácia deverá encaminhar as notificações e as fichas de acompanha- mento recebidas para os setores ou órgãos responsáveis pelo seu lançamento no SINAN.  Com base nos dados registrados no formulário “Histórico da Dispensação de Tuberculostáticos” do mês, a farmácia irá preencher o Mapa de Movimentação Mensal e de Solicitação dos Tuberculostáticos e enviá-los para a Gerência Regional de Saúde (GRS) de sua referência, no município, entre os dias 20 a 30 de cada mês.  A GRS irá conferir e compilar os dados em uma mapa único dos municípios de região de sua abrangência e enviá-lo para a Coordenação Estadual de Pneumologia Sanitária / Secretaria Estadual de Saúde de MG (CEPS/SES-MG) entre os dias 1º até o dia 10 de cada mês.  A CEPS/SES-MG, através de seu farmacêutico, irá realizar a análise dos mapas e liberar os medicamentos, segundo os critérios de dispensa preestabelecidos.  O Almoxarifado da Secretaria de Estado da Saúde irá receber a fatura autorizada pela CEPS e realizar a liberação do medicamento para a GRS. 82
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    ABORDAGEM CLÍNICA FLUXOGRAMA DASAÇÕES PARA DISPENSA DE TUBERCULOSTÁTICOS NÍVEL AÇÕES RESPONSABILIDADES Notificação ou ficha de acompanhamento + receita MÉDICO em 2 vias S A Ú D E  Entrega da receita + formulário PACIENTE preenchido na Farmácia M U N I C I P A L  D E Dispensa dos tuberculostáticos ao paciente B Á S I C A  Lançamento dos dados no Histórico da dispensa dos tuberculostáticos N Í V E L  FARMÁCIA da UBS U N I D A D E Envio das fichas de acompanhamento e notificações à Epidemiologia  Concretização dos lançamentos no impresso Histórico da Dispensa e preenchimento do mapa de movimentação de TB  R E G I O N A L N Í V E L GRS compila os dados de todos REF. TÉCNICA GRS os municípios de sua abrangência da GRS e repassa para a CEPS  E S T A D U A L CEPS analisa, efetua os cálculos ref. aos N Í V E L FARMACÊUTICO CEPS mapas recebidos e envia as faturas para da CEPS/SES o Almoxarifado SES, que realizará a dispensa do medicamento às GRS 83
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE 3.2 O ATENDIMENTO NA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE É necessário orientar o usuário, em uma linguagem acessível, as características da doença e o esquema de tratamento a ser seguido – drogas, duração, benefícios do uso regular da medicação, conseqüências advindas do abandono do tratamento e possíveis efeitos adversos dos medicamentos. É imprescindível tornar o paciente e seus familiares responsáveis pela cura, para evitar as irregularidades no processo do tratamento. 3.2.1 O número de consultas/intervenção As consultas devem ser mensais e a realização da baciloscopia de controle indispensável no 2º, 4º, 6º meses de tratamento, no esquema I e IR, e nos 3º, 6º, 9º, 12º meses, nos casos do esquema III e esquemas especiais. Em situações especiais e conforme a necessidade individualizada de cada caso, outra periodicidade e número de consultas podem ser necessárias. 3.2.2 Roteiro para Primeira Consulta Primeira consulta – Os principais parâmetros a serem abordados no início do tratamento, são: 1) Exame de comunicantes – todas as pessoas que coabitam com o paciente ou têm relação próxima e prolongada devem ser examinadas, segundo o protocolo. 2) Busca de aliados – estimule o paciente a trazer um parente com quem coabita para vir junto à consulta. Este auxiliará na compreensão das instruções(se o paciente é analfabeto, este aliado pode ser de grande ajuda), será um aliado na adesão do paciente ao tratamento e uma fonte de informação sobre a regularidade do uso diário dos medicamentos e possíveis efeitos colaterais. 3) Uso regular das drogas é fundamental nos primeiros meses – os primeiros meses de tratamento são fundamentais para o resultado e eventual geração de resistência aos quimioterápicos, pois, neste período, a carga bacilar é maior e, portanto, com probabilidade de presença de cepas resistentes, exigindo ação bactericida potente do esquema. 4) Seja claro – não aumente e nem diminua nada do que poderá ocorrer; diga claramente que o tratamento é eficaz, mostre convicção; fale da regularidade; diga que ele pode passar mal e como poderá se conduzir e antecipar a próxima consulta; fale da cor da urina, pois a Rifampicina pode dar um tom alaranjado nas primeiras horas após a sua tomada. 84
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    ABORDAGEM CLÍNICA 5) Co-morbidades ou situações de ajuste de dose – pessoas com nefropatias devem ter suas doses ajustadas; os hepatopatas, com especial acompanhamento; os diabéticos que usam hipoglicemiantes orais devem passar a usar insulina em substituição desses; pessoas infectadas pelo HIV/Aids em uso de antiretrovirais devem ter orientação especial; mulheres em uso de anticoncepcional oral devem optar por outros métodos, como os de barreira. 6) Não precisa realizar cultura e teste de sensibilidade – quando se trata de uma pessoa virgem de tratamento não é necessário o teste de sensibilidade e nem a cultura, pois a baciloscopia é um teste com bom valor preditivo positivo. No entanto, se o paciente, embora virgem de tratamento pelos critérios, apresentar comorbidades importantes como HIV-Aids, diabetes mellitus em uso de insulina, IRC em diálise e silicose, ou apresentar lesões pulmonaes prévias devido a micobactérias não tuberculosas, ou tiver indícios de que seja contato de outro paciente suspeito de resistência, a cultura deve ser pedida, sendo, nessa última situação, acrescida da identificação e do teste de sensibilidade. 7) Com o consentimento do paciente, solicite teste de HIV – após esclarecer a razão e uma vez tendo o consentimento do paciente, solicite o teste de HIV. 8) Tratamento supervisionado ou auto-administrado – o paciente pode receber medicamentos suficientes para até 30 dias de tratamento, conforme o perfil social, em regime auto-administrado ou preferencialmente, supervisionado e ainda que as tomadas sejam diárias, pode ser observado por parentes ou pela equipe de saúde. 9) Marque a próxima consulta – procure marcar a próxima consulta regular para 25 a 30 dias, de modo a não deixar o paciente sem medicamentos. 3.2.3 Roteiro para consultas subsequentes Segunda consulta – Término do primeiro mês de tratamento 1) Procure informar-se se o paciente está fazendo uso regular dos medicamentos – existem algumas táticas que servem para acompanhar o uso regular dos medicamentos: a primeira é solicitar que ele traga as sobras do mês, pois assim o profissional de saúde tem como conferir o seu uso; outra tática é de informações através do acompanhante da consulta (o aliado) e outra por informações indiretas como cor da urina, etc. 2) Procure o paciente faltoso – se o paciente faltar à consulta, não espere, proceda à convocação imediata pelos meios de comunicação e locomoção necessários. 3) Exame obrigatório – o paciente deverá realizar, obrigatoriamente, uma baciloscopia mensal até o término do tratamento e ter o seu exame de conjuntivas, mucosas, mensuração de peso e temperatura. Se for diabético, solicite a glicemia. Já no primeiro mês, ele deve ter melhorado o apetite, aumentado o peso, diminuído a sudorese noturna e a expectoração, mas mantendo, ainda, a tosse. 85
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE 4) Cuide dos efeitos colaterais – se o paciente estiver tendo algum efeito colateral, procure diminuí-lo, buscando o total conforto do tratamento. 5) Procure saber de adoecimento entre algum contato – informe-se se alguém está apresentando algum problema de saúde, qualquer que seja e procure esclarecer do que se trata. Terceira consulta – Término do segundo mês de tratamento  Repita os passos 1, 2, 3, 4 e 5 da segunda consulta  Realize a Radiografia do Tórax – se há condição de realizar o exame, esta é ocasião propícia para já se observar alguma melhora do padrão radiológico.  Suspenda a Pirazinamida – normalmente todos os parâmetros (clínicos, laboratoriais e radiográficos) indicam melhora da doença, mas se a baciloscopia mantém-se no mesmo nível do início do esquema ou, após uma pequena queda, volta a subir e tendo confiança no diagnóstico do laboratório, peça cultura, identificação e teste de sensibilidade, e mesmo assim suspenda a PZA. Quarta consulta – Término do terceiro mês de tratamento  Repita os passos 1, 2, 3, 4 e 5 da segunda consulta  Solicite cultura, identificação e teste de sensibilidade – se a baciloscopia voltou a subir e você ainda não tenha realizado na consulta anterior. Quinta consulta – Término do quarto mês de tratamento  Repita os passos 1, 2, 3, 4 e 5 da segunda consulta  Referêncie o paciente – se a carga voltar a subir ou se mantiver positiva, encaminhe o paciente para um local de referência, visando à avaliação de falência do esquema utilizado. Nesse caso, a referência responsável modificará o tratamento para o esquema III e solicitará a cultura, com identificação e teste de sensibilidade. Sexta consulta – Término do quinto mês de tratamento  Repita os passos 1, 2, 3, 4 e 5 da segunda consulta Sétima consulta – Término do sexto mês de tratamento  Repita os passos 1, 2, 3, 4 e 5 da segunda consulta  Formule a alta e oriente sobre recidivas – oriente o paciente, descrevendo o quadro clínico, indicando a imediata procura do serviço caso se sinta doente. 86
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    ABORDAGEM CLÍNICA 3.2.4 Fluxograma: O tratamento do paciente com tuberculose na atenção básica ACS VISITA AS FAMÍLIAS, IDENTIFICA O PACIENTE COM SINTOMAS RESPIRATÓRIOS OU PACIENTE PROCURA ESPONTANEAMENTE O PSF/UBS C/ SINTOMAS RESPIRATÓRIOS COMPATÍVEIS COM TBC? NÃO SIM NECESSÁRIO CONSULTA MÉDICA 1ª SOLICITAÇÃO DE BACILOSCOPIA DE ESCARRO (NO MOMENTO DA PRIMEIRA CONSULTA) SIM NÃO RECEBE ORIENTAÇÃO E 2ª SOLICITAÇÃO DE BACILOSCOPIA EM ATENDIMENTO EDUCAÇÃO EM SAÚDE OUTRA AMOSTRA DE ESCARRO NO DIA MÉDICO SEGUINTE BACILOSCOPIA POSITIVA? SIM NÃO OFERECER TESTE COM CLÍNICA, RADIOLOGIA HIV E/OU EPIDEMIOLOGIA EXTENDER PROPEDÊUTICA POSITIVO? (3ª AMOSTRA DE BACI- LOSCOPIA COM CULTURA) E SIM REFERENCIAR, SE NEGATIVA, NÃO PARA REALIZAR DIGNÓSTICO DIFERENCIAL OU SEGUIR PROTOCOLO INICIAR TRATAMENTO INICIAR TRATAMENTO DST/Aids IMEDIATAMENTE CONFORME PROTOCOLO CONFORME PROTOCOLO PREENCHIMENTO DA FICHA DE NECESSÁRIO INTERNAÇÃO? NOTIFICAÇÃO + SIM NÃO RECEITA DOS MEDICAMENTOS ENCAMINHA TRATAMENTO EM DUAS VIAS PARA AMBULATORIAL COM HOSPITALIZAÇÃO CONSULTAS MENSAIS REGISTRO NO LIVRO DE REGISTRO E CONTROLE DE TRATAMENTO DE CASOS DE TUBERCULOSE (LRCTCT). 87
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE Fluxograma: O tratamento do paciente com tuberculose na atenção básica – continuação TRATAMENTO AMBULATORIAL C/ CONSULTAS MENSAIS PACIENTE VAI À FARMÁCIA/UBS , ENTREGA NOTIFICAÇÃO UBS ENCAMINHA + RECEITA E RECEBE MEDICAMENTOS NOTIFICAÇÃO A GRS PARA UM MÊS CONTINUAR TRATAMENTO SUPERVISIONADO PREFERENCIALMENTE CONSULTAS MÉDICAS MENSAIS C/ BACILOSCOPIA AVALIAÇÃo NO 4º MÊS MELHORA CLÍNICA E PREENCHIMENTO DA FICHA BACILOSCOPIA NEGATIVA? DE ACOMPANHAMENTO MENSAL + LRCTCT + RECEITA DOS MEDICAMENTOS SIM EM DUAS VIAS CONTINUAÇÃO DO TRATAMENTO ATÉ O 6º MÊS, COM AVALIAÇÃO CLÍNICA, RADIOLÓGICA PACIENTE VAI À FARMÁCIA/UBS E BACILOSCÓPIA NO 6º MENSALMENTE, ENTREGA FICHA DE ACOMPANHAMENTO MENSAL + RECEITA E RECEBE MEDICAMENTOS PARA UM MÊS CURA? SIM NÃO (IDENTIFICAÇÃO DA CAUSA) REGISTRO DE ENCERRAMENTO DE CASO NO LRCTCT E FICHA DE ACOMPANHAMENTO FALTOSO FALÊNCIA OU MDR MENSAL (MULTIDROGARRESISTENTE)? UBS ENCAMINHA BUSCA ATIVA INFORMAÇÃO À GRS PELO ACS ENCAMINHA PARA UNIDADE DE REFERÊNCIA 88
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    ABORDAGEM CLÍNICA 3.2.5 Fluxograma– avaliação dos contatos domiciliares de casos de tuberculose pulmonar – baciloscopia positiva Adultos ACS VISITA AS FAMÍLIAS, IDENTIFICA O PACIENTE E ENCAMINHA-O PARA A EQUIPE PSF/UBS SINTOMÁTICO? SIM NÃO SEGUE FLUXOGRAMA 3.2.4 ORIENTAÇÕES E RAIO-X DE TÓRAX, SE DISPONÍVEL Crianças até 15 anos ACS VISITA AS FAMÍLIAS, IDENTIFICA O CONTATO E O ENCAMINHA PARA A EQUIPE PSF/UBS VACINADAS C/ BCG NÃO VACINADAS ASSINTOMÁTICO SINTOMÁTICO (SE ESCARRO, TESTE PPD BACILOSCOPIA) REATOR? ORIENTAÇÃO RAIO-X DE TÓRAX SIM NÃO REALIZAR RAIO-X VACINAR BCG OBSERVADA ALTERAÇÃO? DE TÓRAX NÃO SIM SEM SINTOMAS SEGUIR OBSERVADA ALTERAÇÃO? CLÍNICOS SUGESTIVOS FLUXOGRAMA 3.2.4 SIM NÃO SEM SINTOMAS ORIENTAÇÃO E MEDICAÇÃO SINTOMAS SUGESTIVOS? CLÍNICOS SINTOMÁTICA NÃO SIM SUGESTIVOS OBSERVAR TRATAMENTO AVALIAR QUIMIOPROFILAXIA 89
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE 3.2.6 Formulários a serem preenchidos Atenção especial deve ser dada ao preenchimento dos formulários padronizados, pois são ferramentas essenciais para a efetividade do programa de controle da tuberculose em todos os níveis de gestão do SUS. EsSes formulários são a base das informações que desencadeiam a Vigilância Epidemiológica não só da tuberculose como também de outros agravos e devem ser preenchidos no momento do diagnóstico da doença (notificação do caso), nas consultas subseqüentes (acompanhamento do caso) e em outras situações descritas a seguir: QUANDO QUAL NÚMERO FORMULÁRIOS PREENCHER PROFISSIONAL DO ANEXO Ficha de Médico; equipe No momento do diagnóstico Notificação/Investigação de enfermagem I da doença (caso confirmado) de Tuberculose (SINAN) habilitada. Médico; equipe Boletim de Acompanhamento A cada 3 meses de enfermagem II de Casos de Tuberculose habilitada Mensalmente, a cada consulta Médico; equipe Ficha de Acompanhamento do paciente e no encerramento do de enfermagem III Mensal Individual caso habilitada. Solicitação de Pesquisa de No diagnóstico e no Médico e BAAR para Tuberculose - acompanhamento mensal, IV enfermeiro Baciloscopia principalmente, no 2º , 4º e 6º meses Livro de Registro de No registro de todas as amostras Bioquímico; Baciloscopia e de Cultura de pesquisa bacteriológica no Técnico de V para Diagnóstico e Controle diagnóstico e no controle da Laboratório da Tuberculose tuberculose Sempre que a Farmácia dispensar Histórico da Dispensa dos medicamentos tuberculostáticos Farmacêutico; Tuberculostáticos na Unidade como forma de registro para funcionários da VI Básica de Saúde subsidiar o preenchimento do mapa Farmácia de solicitação mensal. Uma vez por mês para solicitação de Mapa de Movimentação tuberculostáticos de acordo com nº Farmacêutico VII Mensal de Tuberculostáticos de pacientes em tratamento Livro de Registro de Pacientes No registro de novos tratamentos de Médico; equipe e Controle de Tratamento pacientes confirmados e no controle de enfermagem VIII dos Casos de Tuberculose de tratamento dos mesmos. habilitada. (Livro Preto) 90
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    ABORDAGEM CLÍNICA 3.3 ESPECIALIDADE:QUAL E QUANDO SERÁ NECESSÁRIA O paciente deverá ser encaminhado para uma unidade de referência de tuberculose, quando se tratar de:  Antecedentes ou evidências clínicas de hepatopatia aguda ou crônica;  Doente de Aids ou soropositivo para o HIV;  Antecedentes ou evidências clínicas de nefropatias;  Suspeita de tuberculose multidrogarresistente e tuberculose extrapulmonar (princi- palmente meningite tuberculosa). Nesses casos, paciente deve ser acompanhado pelo pneumologista ou infectologista, especialmente se soropositivo. Os pacientes em retratamento por abandono, recidiva e falência, assim como os casos de tuberculose em crianças devem preferencialmente ser acompanhados por uma referência secundária municipal ou terciária. 3.4 PATOLOGIAS ASSOCIADAS A SEREM CONSIDERADAS 3.4.1 Alcoolismo, hepatopatias, nefropatias e outras O paciente alcoólatra, idoso ou portador de alguma imunodeficiência deve ser acompanhado regularmente, com atenção especial. O paciente que apresente hepatopatia aguda ou crônica ou nefropatia merece uma abordagem diferenciada, principalmente no que se refere ao tratamento, descrito no item 3.1.4.5.6 Situações especiais. 3.4.2 Tuberculose associada ao HIV No item 1.4.1 destaca-se entre os fatores de risco, em especial, a associação tuberculose / HIV. Os pacientes com essa coinfecção deverão ser tratados nos serviços de referência para HIV. Várias recomendações devem ser consideradas, como as relacionadas no Quadro 10, a seguir, 91
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE QUADOR 10: RECOMENDAÇÕES TERAPÊUTICAS PARA PACIENTES HIV + COM TUBERCULOSE Característica da situação Recomendação Paciente HIV+, virgem de tratamento parotubercu- Tratar a tuberculose durante seis meses, utilizando o lose, com contagem de caiu Ias T-CD4+ e carga viral Esquema I(I) (E-1), recomendado pelo Ministério não disponíveis. da Saúde, aguardar estabilidade clínica e depois realizar contagem de células T-CD4 e de carga viral para avaliação da necessidade de terapia anti- retroviral(2). Paciente HIV+, virgem de tratamento para Tratar a tuberculose durante seis meses, utilizando tuberculose, com contagem de células T-CD4+ o Esquema I(1), recomendado pelo Ministério acima de 350 células/mm3 (após estabilização do da Saúde; e não iniciar terapia anti-retroviral(3). quadro clínico de tuberculosei(2). Entretanto, sugere-se uma reavaliação clínico- imunologica após 30-60 dias do início do tratamento da tuberculose, para melhor definição da conduta. Paciente HIV+, virgem de tratamento paro Tratar a tuberculose durante seis meses, utilizando tuberculose, com contagem de células T-CD4+ o Esquema l(1), recomendado pelo Ministério entre 200 e 350 células/mm3 e carga viral para HlV da Saúde; e, caso indicado, iniciar ou substituir o < 100.000 cópias/ml (após estabilização do quadro tratamento anti-retroviral por um dos seguintes clínico de tuberculose(2)). esquemas compatíveis com uso concomitante de RMP (4) • ZDV + 3TC + ABC(5) • 2 ITRN+EFZ(6,8) • 3 ITRN+SQV/RTVW(6) Paciente HIV+, virgem de tratamento para Tratar a tuberculose durante seis meses, utilizando tuberculose, com contagem de células T-CD4+ a Esquema I(1), recomendado pelo Ministério entre 200 e 350 células/mm3 e carga viral para HIV da Saúde; e, caso indicado, iniciar ou substituir o ≥100.000 cópias/ml (após estabilização do quadro tratamento anti-retroviral por um dos seguintes clínico de tuberculose(2). esquemas compatíveis com uso concomitante de RMP(4): • ZDV+3TC+ABC(5) • 2 ITRN+EFZ(6,8) • 2 ITRN+SQV/RTV(6) Paciente HIV+, virgem da tratamento para Tratar a tuberculose durante seis meses, utilizando o tuberculose, com contagem de células T-CD4+ Esquema 1(1), recomendado pelo Ministério da Saúde; abaixo de 200 células/mm3 (após estabilização do e, caso indicado, iniciar ou substituir o tratamento anti- quadro clínico de tuberculose(2)). retroviral por um dos seguintes esquemas compatíveis com uso concomitanta de RMP(4): • 2 ITRN+EFZ(6,2) • 2 ITRN+SQIV/RTV(6) Paciente HIV+ com meningoencefalite tuberculosa. Tratar a tuberculose durante nove meses, utilizando o Esquema II (2), recomendado pelo Ministério da Saúde; e iniciar ou substituir a terapia anti-retroviral por esquemas compatíveis com uso concomitante de RMP a serem escolhidos conforme parâmetros , de contagem de células T-CD4+ e carga viral para pacientes HIV+ virgens de tratamento para tuberculose?(2,4,5,6,8) 92
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    ABORDAGEM CLÍNICA QUADOR 10: RECOMENDAÇÕES TERAPÊUTICAS PARA PACIENTES HIV + COM TUBERCULOSE (continuação) Paciente HIV+ em situação de retratamento para Tratar a tuberculose durante seis meses, utilizando o tuberculose. Esquema I Reforçado – IR(9), recomendado pelo Ministério da Saíde e iniciar ou substituir a terapia anti-retroviral por esquemas compatíveis com uso concomitante de RMP a serem escolhidos conforme , parâmetros de contagem de células T-CD4+ e carga vira; para pacientes HIV+virgens de tratamento para tuberculose (2,4,5,6,7,8,10). Paciente HIV+ em situação de falha a tratamento Tratar a tuberculose durante 12 meses, utilizando o anterior para tuterculose. Esquema III (11), recomendado pelo Ministério da Saúde; e iniciar ou substituir o tratamento anti- retroviral pelo esquema considerado mais adequado do ponto de vista imunológico e virológico(2,4,5,6,7,8,10). Paciente HIV+ com tuberculose multidrogar- Encaminhar aos serviços de referência em tuber- resistente. culose, para avaliação de especialista e uso de esquemas especiais. Siglas: ZDV = Zidovudina, 3TC = lamivudina, ABC = Abacavir, EFZ = Efavirens, RTV = Ritomavir, SQV = Saquinavir, ITRN = Inibidor de Transcriptase Reserva Análogo de Nucleosídeo, ITRNN = Inibidor de Transcriptase Reserva Não-Análogo de Nucleosídeo, IP = Inibidores de Protease. 1. Dois meses iniciais com R+H+Z, seguidos de quatro meses com R+H (2RHZ/ 4RH). 2. O adoecimento por tuberculose, freqüentemente, promove a elevação da carga viral e a diminuição da contagem de células T-CD4+ em pacientes HIV+. Sugere- se iniciar a terapia antituberculose, aguardar a estabilização clínica do quadro e depois utilizar esses exames na avaliação da indicação de terapia anti-retroviral. Para a escolha da opção de tratamento deve-se também avaliar o risco de toxicidade e a capacidade de adesão do paciente para ambos tratamentos, considerando a possibilidade de utilizar esquemas anti-retrovirais menos complexos ou mesmo a postergação do início do tratamento anti-retroviral naqueles pacientes com quadros de imunodeficiência menos grave. 3. Nessa situação, alguns autores consideram a possibilidade de se iniciar tratamento anti-retroviral, pois há risco de progressão mais rápida da imunodeficiência causada pelo HIV, devendo ser avaliados os parâmetros clínicos e laboratoriais específicos (contagem de células T-CD4+ e carga viral) com maior freqüência. Quanto mais próxima de 200 células/mm3 for a contagem de células T-CD4+ e/ou maior a carga viral (particularmente se > 100.000 cópias/m), mais forte será a indicação para início da terapia anti-retroviral. É importante considerar a motivação do paciente e a probabilidade de adesão, antes de se iniciar o tratamento. 93
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE 4. Pacientes com tuberculose e indicação de uso do esquema I (E-1), mas que não possam utilizar algum dos esquemas anti-retrovirais compatíveis com Rifampicina, deverão ser tratados para tuberculose durante 12 meses com esquema para pacientes com intolerância ou contra-indicação para uso de Rifampicina, recomendado pelo Ministério da Saúde (dois meses iniciais com H+Z+S+E, seguidos de 10 meses com H+E [2HEZS/10HE]). 5. A experiência clínica com o uso do Abacavir é limitada, em indivíduos HIV + com tuberculose. Para pacientes sintomáticos ou assintomáticos com imunodeficiência mais grave (contagem de células T-CD4+ < 200 células/mm3) e/ou carga viral elevada (> 100.000 cópias/ml), alguns especialistas recomendam utilizar preferencialmente esquemas anti-retrovirais mais potentes, contendo ITRNN ou IP O uso concomitante de Abacavir e outros inibidores da Transcriptase Reversa . Nucleosídeos (ITRN) com RMP não estão contra-indicados, pois não existe nenhuma interação farmacológica com os medicamentos antituberculose descrita até o momento. 6. Nessas situações, não há dados que permitam escolher entre esquemas com ITRNN ou IP Entretanto, o uso de Ritonavir associado a drogas antituberculose . utilizadas no esquema I (E-1) apresenta risco aumentado de hepatotoxicidade. Sugere-se monitorar cuidadosamente as transaminases e outras provas de função hepática do paciente durante o tratamento e não iniciar o uso de esquema com esse anti-retroviral associado ao esquema I (E-1), caso os níveis basais dessas enzimas hepáticas estejam três vezes acima dos valores de referência. 7. Dois meses iniciais com R+H+Z, seguidos de sete meses com R+H (2RHZ/7RH). Observar que doses mais elevadas de Rifampicina e Isoniazida são recomendadas nessa situação. 8. O Efavirenz é contra-indicado durante a gestação. Não há dados conclusivos sobre a segurança do Abacavir na gravidez. 9. Dois meses iniciais com R+H+Z+E, seguidos de quatro meses com R+H+E (2RHZE/4RHE). 10.Recomenda-se monitorar rigorosamente a adesão (tratamento supervisionado) e coletar material para teste de sensibilidade aos medicamentos antituberculose. 11.Três meses iniciais com S+Et+E+Z, seguidos de nove meses com Et+E (3SEtEZ/ 9EtE). Fonte: Tuberculose – Guia de Vigilância Epidemiológica. FUNASA/MS. 2002. p. 28 a 30. 94
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    ABORDAGEM CLÍNICA 3.5 APOIODIAGNÓSTICO: QUAL EXAME E QUANDO FAZER Os elementos para o diagnóstico da tuberculose pulmonar bacilífera na Atenção Básica são, além da história clínica, a baciloscopia direta do escarro, a radiografia do tórax e a prova tuberculínica.  A baciloscopia direta do escarro é método fundamental, pois permite descobrir as fontes mais importantes de infecção – os casos bacilíferos. Esse exame deve ser solicitado sempre para as pessoas que procurem o serviço de saúde com sintomas respiratórios – tosse com expectoração por três ou mais semanas, pacientes com alterações radiológicas no tórax e contatos de casos de tuberculose pulmonar com queixas respiratórias. Recomenda-se a coleta de duas amostras: uma na primeira consulta e a segunda na manhã do dia seguinte.  O exame radiológico é auxiliar no diagnóstico da tuberculose. A radiologia permite a identificação de pessoas portadoras de imagem sugestivas de tuberculose ou de outras patologias e permite também a avaliação da evolução radiológica dos pacientes, sobretudo naqueles que não responderam ao tratamento.  A prova tuberculínica é também um método auxiliar no diagnóstico. A prova tuberculínica, quando reatora, isoladamente, indica apenas a presença de infecção e não é suficiente para diagnóstico de tuberculose doença. O teste de PPD deve ser realizado em todos os profissionais de saúde na admissão, e em todos os indivíduos infectados pelo HIV, além de ser um dos critérios diagnósticos da tuberculose pulmonar em crianças e adolescentes negativos à baciloscopia.  A todo doente com diagnóstico de tuberculose confirmado, deve ser oferecido o teste sorológico anti – HIV.  Outros exames auxiliares para o diagnóstico são: cultura para micobactéria, principalmente, nos casos de tuberculose pulmonar persistentemente negativos ao exame direto do escarro e nas demais indicações do item 3.1.3.1 Diagnósticos Bacteriológico; exame histopatológico, principalmente nas formas extra-pulmonares; marcadores biológicos (ADA), técnicas de biologia molecular, conforme detalhado no item 3.1.3 Diagnóstico. 95
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    IV A ORGANIZAÇÃODA ASSISTÊNCIA .
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    A ORGANIZAÇÃO DAASSISTÊNCIA 4.1 AS COMPETÊNCIAS DAS UNIDADES DE SAÚDE As principais estratégias para o pleno desenvolvimento das competências das unidades de saúde são a implantação de programas de controle, conforme normatização descrita e a melhoria das condições gerais dessas instituições, o que seria benéfico também para o controle de outras doenças transmissíveis. Os programas de controle da tuberculose devem possibilitar a descoberta precoce dos casos e o início rápido do tratamento supervisionado, além da abordagem sistematizada dos casos suspeitos e dos pulmonares com o exame de escarro positivo, especialmente até que se tornem não transmissíveis, o que ocorre em torno de 15º dia de tratamento adequado. Unidades tipo 1 Estas unidades, de baixa complexidade técnica, têm como principal função a execução das ações para o controle da tuberculose no município. São classificadas como de baixa complexidade as ações padronizadas e realizadas em grande escala, sem necessidade de equipamentos sofisticados, supervisionadas por profissional de nível superior, não necessariamente residente no próprio município. (NOB/SUS 96). Em todos os municípios do país, bem como nos serviços de saúde que realizam atividades mais simples do SÚS, devem ser realizadas as ações para a descoberta dos casos infectantes da tuberculose, pela baciloscopia direta do escarro, a anulação dessas fontes de infecção mediante tratamento padronizado, a vigilância epidemiológica dos focos na comunidade e a vacinação com BCG. Unidades tipo 2 O denominador comum que as diferencia das Unidades tipo 1 é a existência de aparelho de RX na própria unidade ou a facilidade de conseguir exames radiológicos de tórax por convênio ou parceria. Do ponto de vista técnico-operacional, estas unidades dividem-se em assistenciais comuns e as unidades que, além disso, funcionam como unidades de referência e contra- referência para pacientes das unidades do tipo 1 de seu município e de municípios de sua microrregião. Compete aos profissionais dessas unidades:  Diagnosticar e tratar os casos de tuberculose pulmonar na área de sua jurisdição, devendo adotar os critérios de descoberta de casos preconizados para as unidades do tipo 1. Nesse sentido, a distritalização do município ou da área adscrita à unidade viria ao encontro desta recomendação, inclusive para o tratamento diretamente observado.  Estabelecer o diagnóstico diferencial de tuberculose pulmonar negativa ao exame direto do escarro e com apresentação clínica e radiológica atípica, de outras pneumopatias, especialmente em consultantes HIV+/AIDS. 99
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE  Estabelecer ou auxiliar no diagnóstico de tuberculose extrapulmonar, especialmente a forma pleural.  Indicar o tratamento e a conduta para os casos “pulmonares negativos” e extrapulmonares oriundos das unidades tipo 1.  Realizar ou, ao menos, iniciar o retratamento, com o Esquema 1 Reforçado, de pacientes das unidades tipo 1 e, se for o caso, fornecer os medicamentos à unidade para completá-lo. Unidades tipo 3 Estas unidades, que correspondem aos centros de referência nos estados, são unidades de referência (tipo 2) mais qualificadas, por apresentarem equipamentos de maior complexidade e recursos humanos mais capacitados. Afora as atribuições gerais, compete aos centros:  Atuar como referência e contra-referência para pacientes das unidades tipo 2 e, também, para as do tipo 1 de sua área de influência.  Fazer o diagnóstico diferencial de pneumopatias suspeitas de tuberculose.  Realizar os tratamentos quimioterápicos com esquemas especiais.  Manter, em seu quadro de funcionários, técnicos como “padrões” de referência para o teste tuberculínico e, também, para a bacteriologia da tuberculose.  Funcionar como centros de treinamento para técnicos e auxiliares da rede ambulatorial.  Desenvolver pesquisa operacional.  Realizar atividades de controle de qualidade sobre as técnicas diagnósticas em tuberculose.  Promover atividades de biossegurança em tuberculose, tanto em âmbito hospitalar como ambulatorial. 4.1.1 O encerramento do tratamento nas Unidades de Saúde – critérios Alta por cura  Pulmonares inicialmente positivos: a alta por cura será dada se, durante o tratamento, o paciente apresentar duas baciloscopias negativas – uma na fase do acompanhamento e outra no final do tratamento (cura). 100
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    A ORGANIZAÇÃO DAASSISTÊNCIA Alta por completar o tratamento A alta será dada com base em critérios clínicos e radiológicos, quando:  o paciente não tiver realizado o exame de escarro por ausência de expectoração, e tiver alta com base em dados clínicos e exames complementares, como os radiológicos;  casos de tuberculose pulmonar inicialmente negativos;  casos de tuberculose extrapulmonar. Alta por abandono de tratamento  Será dada ao doente que deixou de comparecer à unidade por mais de 30 dias consecutivos, após a data prevista para seu retorno.  Nos casos de tratamento supervisionado, o prazo de 30 dias conta a partir da última tomada da droga.  A visita domiciliar realizada pela equipe de saúde tem como um dos objetivos, evitar que o doente abandone o tratamento. Alta por Mudança de diagnóstico  Será dada quando for constatado erro no diagnóstico. Alta por óbito  Será dada por ocasião do conhecimento da morte do paciente, durante o tratamento e independentemente da causa. Alta por falência  Será dada quando houver persistência da positividade do escarro ao final do 4º ou 5º mês de tratamento.  Os doentes que no início do tratamento são fortemente positivos (+ + ou + + +) e mantêm essa situação, até o 4º mês, ou os que apresentam positividade inicial seguida de negativação e nova positividade por dois meses consecutivos, a partir do 4º mês de tratamento, são classificados como caso de falência.  O aparecimento de poucos bacilos no exame direto do escarro, na altura do 5º ou 6º mês do tratamento, isoladamente, não significa, necessariamente, a falência do tratamento, em especial se acompnhado de melhora clínico-radiológico. Nesse caso, o paciente deve ser acompanhado com exames bacteriológicos para melhor definição. O tratamento, se preciso, será prolongado por mais três meses, período em que o caso deve ser redefinido ou concluído. Sempre que possível, deve-se consultar uma unidade de referência antes de se decidir por este prolongamento. 101
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE  Observação: quando o caso for encerrado por falência e o paciente iniciar novo tratamento, deve ser registrado como caso de retratamento no livro de Registro e Controle de Tratamento dos Casos de Tuberculose. Alta por transferência  Será dada quando o doente for transferido para outro serviço de saúde.  A transferência deve ser processada por meio de documento que informe à unidade receptora sobre o diagnóstico e o tratamento realizado até aquele momento.  Deve-se buscar a confirmação de que o paciente compareceu à unidade para a qual foi transferido e o resultado do tratamento, no momento da avaliação da coorte. Só serão considerados transferidos aqueles pacientes cujo resultado do tratamento for conhecido. Controle pós-cura  Os casos curados não necessitam de controle pós-tratamento, devendo-se orientar o paciente a retornar à unidade apenas se surgirem sintomas semelhantes aos do início da doença. 4.2 A DEFINIÇÃO DOS PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS As ações do Plano Nacional de Controle da Tuberculose (PC+NCT) em cada município deverão ser adaptados à estrutura vigente. A estrutura organizacional do PNCT prevê duas esferas de competências: uma técnico-administrativa e outra técnico-operacional, subdivididas em níveis hierárquicos.  Esfera técnico-administrativa: federal; estadual; regional; municipal.  Esfera técnico-operacional: unidade tipo 1; unidade tipo 2; unidade tipo 3. O indispensável é que em todas as instâncias e locais exista um responsável pela execução das ações do PNCT. Essa responsabilidade técnico-administrativa pode estar a cargo de profissionais de nível superior ou, quando for o caso, de auxiliares de nível médio. 4.3 AS ATRIBUIÇÕES DOS PROFISSIONAIS 4.3.1 Esfera Estadual Nas coordenadorias estaduais compete-lhes gerenciar a execução das medidas de controle em esfera estadual: 102
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    A ORGANIZAÇÃO DAASSISTÊNCIA  Programar, acompanhar e controlar os tuberculostáticos e insumos para o PNCT em instância estadual.  Realizar avaliação operacional e epidemiológica das ações do PNCT, em âmbito estadual.  Promover e participar da capacitação de recursos humanos na área da tuberculose.  Assessorar as coordenadorias regionais na implantação / implementação do PNCT nos municípios. 4.3.2 Esfera Regional Cada diretoria regional deve ter, no mínimo, um técnico capacitado em epidemiologia e controle da tuberculose, integrado ao setor das demais DNC. Seu papel é, basicamente, de apoio e assessoramento às secretarias municipais de saúde na implantação/implementação das medidas de controle da tuberculose, no contexto do Sistema de Vigilância Epidemiológica e Controle de Doenças. Considerando que é o nível mais próximo da execução, deve, por meio da supervisão direta e indireta, identificar, de imediato, as anormalidades epidemiológicas e operacionais nos municípios e tomar as providências cabíveis. Assim, no PNCT, compete-lhe, entre outros:  Promover a agilização das notificações dos municípios via SINAN.  Analisar os dados da Ficha Individual de Investigação do SINAN, relativa aos casos de tuberculose de cada município, bem como colher elementos complementares, inclusive in loco, se for o caso.  Vigiar a compatibilidade entre o número de casos de tuberculose (“pulmonares positivos”, pulmonares negativos e extrapulmonares) descobertos nos municípios e a realidade epidemiológica da região.  Fornecer as drogas aos municípios, com prioridade absoluta para os “pulmonares positivos”, conforme fluxo padronizado pela Coordenadoria Estadual de Pneumologia Sanitária, mantendo o registro e o controle do estoque de medicamentos e insumos.  Acompanhar a adoção do tratamento diretamente supervisionado e o não supervisionado nos municípios. 4.3.3 Esfera Municipal Médico(a)  Identificar e examinar os sintomáticos respiratórios em visita domiciliar na comunidade e no atendimento na UBS. 103
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE  Solicitar baciloscopia do sintomático respiratório para diagnóstico (duas amostras).  Orientar quanto à coleta de escarro.  Solicitar RX de tórax segundo critérios definidos no protocolo.  Oferecer, a todo paciente com diagnóstico de tuberculose confirmado, o teste sorológico anti-HIV.  Dar orientações gerais a respeito do agravo como, por exemplo, a necessidade e a duração do tratamento, solucionando os possíveis mitos.  Iniciar e acompanhar o tratamento dos casos novos confirmados de tuberculose nos pacientes com a localização pulmonar.  Explicar ao paciente porque o tratamento supervisionado é necessário e quem vai realizar a supervisão, nos casos que tiverem indicação.  Convocar os comunicantes para consulta.  Iniciar quimioprofilaxia para os comunicantes de acordo com o protocolo.  Solicitar baciloscopias para acompanhamento do tratamento.  Iniciar e acompanhar tratamento dos casos de tuberculose pulmonar com baciloscopias negativas e dos casos de tuberculose extrapulmonar quando o diagnóstico for confirmado após investigação em uma unidade de referência.  Dar alta aos pacientes após o tratamento e notificá-la ao serviço de Epide- miologia.  Encaminhar os casos para outro nível de assistência, quando necessário, com ficha de referência/contra-referência devidamente preenchida.  Fazer visita domiciliar quando necessário.  Notificar o caso de tuberculose confirmado.  Identificar efeitos colaterais das medicações e interações medicamentosas.  Realizar ações educativas junto à comunidade. Enfermeiro(a)  Identificar os sintomáticos respiratórios entre as pessoas que procuram as unidades básicas de saúde, nas visitas domiciliares ou mediante os relatos dos ACS.  Solicitar baciloscopia dos sintomáticos respiratórios para diagnóstico (duas amostras).  Orientar quanto à coleta de escarro.  Identificar, no pote, o nome do paciente. 104
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    A ORGANIZAÇÃO DAASSISTÊNCIA  Fornecer o pote para a coleta do escarro.  Enviar a amostra ao laboratório.  Aplicar a vacina BCG. Caso não tenha capacitação para tal, providenciar junto ao gestor da UBS a sua capacitação em outra unidade de saúde.  Fazer teste tuberculínico. Caso não tenha capacitação para tal, encaminhar para a unidade de referência.  Realizar consulta de enfermagem mensal (conforme programação de trabalho da equipe).  Notificar o caso de tuberculose que vai iniciar tratamento.  Convocar os comunicantes para investigação.  Orientar como usar a medicação; se necessário dispensar a medicação e esclarecer as dúvidas dos doentes, desmitificando os tabus e estigmas.  Programar os quantitativos de medicamentos necessários ao mês, para cada doente cadastrado na unidade básica de saúde, de forma a assegurar o tratamento completo de todos.  Solicitar exame de escarro mensal (pelo menos aos 2, 4 e 6 meses para os doentes em uso dos esquemas básico e básico + etambutol) para acompanhar o tratamento dos pulmonares bacilíferos.  Identificar reações adversas dos medicamentos e interações medicamentosas.  Transferir o doente da unidade básica de saúde, quando necessário, com a ficha de referência e contra-referência devidamente preenchida.  Encaminhar o doente para uma unidade de referência, quando necessário.  Agendar consulta extra, quando necessário.  Fazer visita domiciliar para acompanhar o tratamento domiciliar e supervisionar o trabalho do ACS.  Realizar ações educativas junto à clientela da UBS e no domicílio.  Convocar o doente faltoso à consulta. Planejar visita domiciliar.  Convocar o doente em abandono de tratamento. Planejar visita domiciliar.  Preencher o Livro de Registro e Acompanhamento dos Casos de Tuberculose na UBS.  Atualizar os critérios de alta, verificando que a “alta por cura comprovada” foi substituída por “alta por cura”, e que a “alta por cura não comprovada” foi substituída por “alta por completar o tratamento”. 105
  • 106.
    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE  Acompanhar a ficha de supervisão do tratamento preenchida pelo ACS.  Fazer, juntamente com a equipe, a análise de coorte trimestral.  Manter a ficha do SIAB (B -TB) atualizada.  Planejar, juntamente com a equipe e coordenação municipal, estratégias de controle da tuberculose na comunidade. Auxiliar de enfermagem  Identificar os sintomáticos respiratórios em visita domiciliar na comunidade e na unidade básica de saúde.  Convocar os comunicantes para consulta médica.  Identificar o pote de coleta do escarro.  Orientar a coleta do escarro.  Encaminhar o material ao laboratório.  Receber o resultado do exame diagnóstico, protocolá-lo e anexá-lo ao prontuário.  Receber o resultado da baciloscopia de acompanhamento do tratamento, protoco- lá-lo e anexá-lo ao prontuário.  Aplicar a vacina BCG. Caso não tenha capacitação para tal, providenciar junto ao gestor da UBS a sua capacitação em outra unidade de saúde.  Fazer teste tuberculínico. Caso não tenha capacitação para tal, providenciar junto ao gestor da UBS a sua capacitação em outra unidade de saúde.  Fornecer medicação, orientar o seu uso e a importância do tratamento.  Esclarecer as dúvidas dos doentes.  Supervisionar o uso correto da medicação nas visitas domiciliares e o comparecimento às consultas de acordo com a rotina da equipe.  Agendar consulta extra, quando necessário.  Convocar o doente faltoso à consulta: Planejar visita domiciliar.  Convocar o doente em abandono de tratamento: Planejar visita domiciliar.  Manter a ficha do SIAB (B -TB) atualizada.  Realizar ações educativas junto à comunidade.  Participar da programação e da avaliação das ações. 106
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    A ORGANIZAÇÃO DAASSISTÊNCIA Agente comunitário de saúde  Identificar os sintomáticos respiratórios nos domicílio e na comunidade.  Orientar e encaminhar os comunicantes à UBS para consulta, diagnóstico e tratamento, quando necessário.  Encaminhar ou comunicar o caso suspeito à equipe.  Orientar a coleta e o encaminhamento do escarro dos sintomáticos respiratórios.  Supervisionar a tomada diária da medicação específica, quando indicada, e o comparecimento do doente às consultas agendadas.  Fazer visita domiciliar de acordo com a programação da equipe, usando a ficha do SIAB (B -TB).  Verificar, no Cartão da Criança, a sua situação vacinal: se em falta, encaminhar à UBS ou ao centro de saúde para ser vacinação.  Verificar a presença de cicatriz da vacina BCG no braço direito da criança. Caso não exista e não haja qualquer comprovante no cartão, encaminhar a criança para vacinação, conforme protocolo do PNI.  Agendar consulta extra, quando necessária.  Realizar ações educativas junto à comunidade.  Participar, com a equipe, do planejamento para o controle da tuberculose na comunidade.  Manter a ficha do SIAB (B -TB) atualizada. 4.4 O TRATAMENTO SUPERVISIONADO A estratégia do tratamento supervisionado ou DOTS (sigla em inglês utilizada para denominar a estratégia de tratamento de curta duração diretamente observada) é constituída por cinco diretrizes:  Vontade e decisão política;  Acesso aos exames laboratoriais na rede de laboratórios do SUS;  Garantia de medicamentos;  Sistema de registro e de informação confiável;  Tratamento diretamente observado; A estratégia DOTS, presente em 180 países do mundo e já cobrindo atualmente 73% das populações das Américas tem os seguintes objetivos: 107
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE  Garantir a adesão ao tratamento;  Reduzir o risco de transmissão da doença na comunidade;  Reduzir a mortalidade por tuberculose;  Garantir a regularidade do tratamento;  Evitar o fracasso do esquema utilizado;  Evitar a resistência adquirida aos antibióticos;  Evitar o abandono;  Melhorar o sistema de notificação;  Aumentar o percentual de cura. Nos locais com boa cobertura de DOTS a taxa de cura média é de 87%, portanto, superior à meta de cura do Ministério da Saúde, que é de 85%. Embora a meta de cobertura de DOTS para as populações das Américas seja de 100%, em 2005, no Brasil, apenas 52% da população estava coberta pelo DOTS. Todos os pacientes com tuberculose devem preferencialmente estar em estratégia DOTS. Entretanto, os “casos novos” de tuberculose pulmonar com baciloscopia positiva são prioridade. Nesses, a supervisão da tomada deve ser feita da seguinte maneira:  Três observações semanais nos 2 primeiros meses;  Duas observações semanais nos 4 meses seguintes;  Se for possível; a observação deverá ser realizada diariamente. UTILIZA-SE PARA O RETRATAMENTO POR ABANDONO OU POR RECIDIVA O REGIME SUPERVISIONADO COM 3 (TRÊS) OBSERVAÇÕES SEMANAIS DURANTE TODO O TRATAMENTO. Uma atenção especial para o tratamento supervisionado dos doentes pulmonares bacíliferos deve ser dada nas seguintes situações:  Etilistas;  Casos de retratamento;  População de rua;  Presidiários;  Doentes institucionalizados (asilos, manicômios, etc.) Os “casos novos” das formas pulmonar com exames de escarro negativos e extrapulmonar podem ser acompanhados por regime de tratamento supervisionado ou auto-administrado. 108
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    A ORGANIZAÇÃO DAASSISTÊNCIA A ADMINISTRAÇÃO DO TRATAMENTO SUPERVISIONADO QUEM FAZ A ONDE? SUPERVISÃO?  UNIDADES DE SAÚDE  RESIDÊNCIA DO DOENTE  OUTROS LOCAIS A COMBINAR  Profissionais de Saúde (PSF)  Médico  Enfermeiro  Auxiliar de enfermagem  Agentes comunitários de Saúde  Outros sob orientação  Familiares  Pessoas da comunidade Antes de iniciar a quimioterapia  Utilizar abordagem acolhedora;  Orientar o paciente quanto ao tratamento;  Explicar, em linguagem acessível, as características da doença, o esquema de tratamento-drogas, a duração, a importância do uso regular da medicação, as conseqüências do abandono do tratamento e efeitos adversos.  Orientar sobre as visitas domiciliares. As principais propostas da Coordenadoria Estadual de Pneumologia Sanitária quanto à estratégia DOTS são:  Ampliação e implementação do Tratamento Supervisionado com adoção uniforme dessa estratégia nos níveis estadual e municipal.  Descentralização das ações do Programa de Controle da Tuberculose, articuladas com o Programa Saúde da Família (PSF).  Adoção da Abordagem Humanizada, aliada à estratégia do Tratamento. Supervisionado. 109
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    V A VIGILÂNCIAEPIDEMIOLÓGICA . E O SISTEMA DE INFORMAÇÃO
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    A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICAE O SISTEMA DE INFORMAÇÃO 5.1 OS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) é a principal fonte de dados do sistema de informação epidemiológica da tuberculose nos níveis federal, estadual e municipal. Sua regulamentação está presente nas Normas Operacionais Básicas do Sistema Único de Saúde (NOB -SUS 1/96, de 6/11/96, e NOAS – SUS Portaria nº 95/GM/MS, de 26/1/2001), nas quais são definidas as atribuições das três esferas de governo na gestão, estruturação e operacionalização do sistema de informação epidemiológica informatizada, a fim de garantir a alimentação permanente e regular dos bancos de base nacional. Nas portarias nº 1.882/GM, de 18/12/1997, e nº 933 de 4/9/2000, a transferência de recursos do PAB poderá ser suspensa no caso da falta de alimentação de informações do SINAN, pela Secretaria de Saúde dos municípios, junto à Secretaria Estadual de Saúde, por dois meses consecutivos. O SINAN tem por objetivo coletar, transmitir e disseminar dados gerados rotineiramente pelo Sistema de Vigilância Epidemiológica das três esferas de governo, por meio de uma rede informatizada. Dados de tuberculose também estão disponíveis nos sistemas de informação referentes a internações (SIH/SUS), atendimento ambulatorial (SIA/SUS) e óbitos (SIM). No tocante aos dados laboratoriais, existe o Sistema de Informação Laboratorial da Tuberculose (SILTB), que permite tanto o armazenamento dos dados de casos de tuberculose registrados no livro de Registro de Baciloscopia e de Cultura para Diagnóstico e Controle da Tuberculose dos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACEN) e Unidades Laboratoriais, bem como a avaliação da qualidade dos exames realizados. O conjunto de ações relativas à coleta e ao processamento de dados, ao fluxo e à divulgação de informações sobre os agravos de notificação compulsória de interesse nacional, incluindo a tuberculose, deverá atender às normas definidas pela portaria ministerial e pelos manuais de normas e rotinas do SINAN. 5.1.1 Entrada de dados no SINAN (versão para Windows) Notificação do caso de tuberculose Os casos novos, os reingressos após abandono, as recidivas e os casos que transferiram, oficialmente ou não, seu tratamento para outra unidade de saúde devem ser notificados, utilizando a ficha individual de notificação/investigação de tuberculose (Anexo I) e segundo o fluxo e a periodicidade estabelecidos por portaria nacional e complementadas por portarias estaduais/municipais. A digitação da ficha de notificação/investigação no SINAN deverá ser realizada sempre pelo município notificante, independentemente do local de residência do paciente. Portanto, os municípios informatizados deverão digitar tanto os casos residentes no próprio município, quanto aqueles residentes em outros municípios. 113
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE As correções de qualquer campo da notificação/investigação de registros já digitados e enviados pela rotina de transferência deverão ser feitas pelo primeiro nível informatizado. Notificação/investigação e/ou acompanhamento de casos fora do município de residência (município notificante) Casos de tuberculose notificados e/ou acompanhados fora do município de residência (município notificante) deverão ter suas fichas de notificação/investigação e dados de acompanhamento enviados, em papel, para o município de residência somente após o encerramento do caso, para serem digitados. Deverão ser incluídos, mantendo os mesmos campos chaves identificadores do registro (número da notificação, data da notificação, município notificante – código do IBGE e a unidade notificante), atribuídos pelo município de notificação. Esses dados não poderão ser modificados, caso contrário, o SINAN irá gerar outra notificação, criando desta forma um caso duplicado. Ressalta-se que as informações sobre o acompanhamento do caso deverão ser regularmente atualizadas apenas pelo município que está acompanhando atualmente o paciente, e não pelo de residência. O município de residência atualizará esses dados somente após o encerramento do caso (situação de encerramento preenchida). A digitação destes casos no município de residência tem a finalidade de permitir que esse município possa conhecer a situação epidemiológica desse agravo, segundo o local de residência. Nota: Todo caso de tuberculose notificado ao Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) deverá ser comunicado à coordenação de vigilância epidemiológica para que se proceda à pesquisa no SINAN pelos técnicos do PCT nas instâncias municipal e estadual, para avaliar se esse caso já foi notificado. Se a notificação desse caso não constar na base de dados do SINAN, esse deverá ser investigado e, se confirmado, esse óbito deverá ser notificado no SINAN com situação de encerramento como óbito. Deverá ser realizada também a investigação dos contatos desse caso. 5.1.2 Acompanhamento do caso de tuberculose: atualização das informações Os dados referentes às baciloscopias de controle e outros exames realizados, o número de contatos examinados, a situação do tratamento no 9º ou 12º mês e no encerramento, bem como a data de encerramento, compõem as informações do acompanhamento do tratamento e possibilitam a avaliação do resultado do tratamento. Portanto, é importante que esses dados sejam registrados pela unidade de saúde. O instrumento nacional de coleta dos dados de acompanhamento do tratamento para digitação no SINAN é o Boletim de Acompanhamento de Casos de Tuberculose (Anexo II). Este relatório deverá ser emitido pelo primeiro nível informatizado e enviado às unidades de saúde, pelo menos quatro vezes ao ano (janeiro, abril, julho e outubro). Neste relatório são listados, por unidade de saúde responsável pelo acompanhamento do caso, os pacientes que têm pelo menos 31 dias de diagnóstico (data da emissão do 114
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    A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICAE O SISTEMA DE INFORMAÇÃO relatório subtraída a data do diagnóstico) e cuja situação de encerramento não tenha sido informada. A unidade de saúde atualizará os dados de acompanhamento dos pacientes listados no referido relatório e os enviará, para digitação, ao primeiro nível informatizado. Em caso de correção de dados de acompanhamento, essa deve ser efetuada no primeiro nível informatizado. O campo “situação no 9º mês” deve ser preenchido em todos os casos, exceto quando for paciente com meningite, exclusiva ou não, e será utilizado para avaliar resultado de tratamento com esquema com duração de seis meses. O campo “situação no 12º mês” deve ser preenchido nos casos de meningite, forma exclusiva ou não e será utilizado para avaliar resultado de tratamento com esquema com duração de nove meses. A categoria 7 - “continua em tratamento” deve ser selecionada no preenchimento dos campos acima quando o paciente permanece em tratamento com o esquema inicial, decorrido o prazo para avaliação do resultado do tratamento (9 ou 12 meses). O campo “situação de encerramento” deve ser preenchido em todos os casos notificados. É importante ressaltar que o preenchimento das informações do acompanhamento do caso de tuberculose, bem como da data de início de tratamento, são essenciais para o cálculo dos indicadores utilizados para avaliar o resultado de tratamento de coortes de casos. Em nível estadual, efetivou-se a Ficha de Acompanhamento Individual de Casos de Tuberculose (Anexo III). Este formulário deverá ser preenchido a cada consulta médica mensalmente e entregue ao paciente juntamente com a receita em duas vias para que o mesmo possa receber a medicação na Farmácia da Unidade. A Ficha de Acompanhamento será pré- requisito para que a medicação seja entregue ao paciente e também deverá ser utilizada para informações referentes à situação de encerramento do caso. A Farmácia deverá encaminhar as fichas de acompanhamento de casos para a Vigilância Epidemiológica do município. 5.1.3 Rotinas Rotina I – mudança de local de tratamento do paciente de tuberculose (transferência) Caso o paciente mude o tratamento para outra unidade de atendimento (dentro ou fora do município de notificação, na mesma unidade federada), este deverá ser novamente notificado pela nova unidade de saúde que receber esse paciente (em caso de transferência oficial ou espontânea), utilizando um novo número de notificação e registro da data desta nova notificação. O nível informatizado que detectar, pela análise do relatório de duplicidade, dois registros para um mesmo paciente (duas fichas de notificação/investigação), deverá averiguar se a situação é uma transferência de tratamento (oficial ou espontânea). Em caso 115
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE afirmativo, os dois registros devem ser vinculados (vide rotina de vinculação no manual de normas e rotinas do SINAN) e deverá ser comunicada à primeira unidade que notificou o caso de alta por transferência e à segunda unidade que o campo “tipo de entrada” deve estar preenchido com a categoria ”transferência”. Desta forma, a instância municipal informatizada deverá vincular as notificações dos casos transferidos para as unidades de saúde de sua abrangência (transferência intramunicipal). As regionais de saúde informatizadas deverão vincular as notificações dos casos transferidos para as unidades de saúde de municípios da sua abrangência (transferência intermunicipal), assim como a vinculação intramunicipal dos casos notificados por município não informatizado. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) deverá vincular as notificações dos casos transferidos para as unidades de saúde de municípios pertencentes a diferentes regionais. No caso de regionais de saúde não informatizadas, a SES deverá vincular as transferências intermunicipais, independente da regional de notificação. A SES efetuará a vinculação intramunicipal somente quando esta for o primeiro nível informatizado do SINAN. A unidade de saúde, ao receber uma transferência interestadual deverá notificar este caso com novo número de notificação e registro da data desta nova notificação. Além disso, esta nova notificação deverá ter o campo tipo de entrada preenchido com o código 5 (transferência). Rotina II – mudança de diagnóstico Os pacientes que, no decurso do tratamento, tenham seu diagnóstico de tuberculose revisto e modificado deverão ter o campo “situação no 9º mês” (ou 12º mês, quando notificado como meningite) e “situação de encerramento” preenchido com a categoria 5 – ”mudança de diagnóstico”. Esses registros não são considerados nos relatórios emitidos pelo sistema, exceto nos relatórios de acompanhamento de casos e de resultado de tratamento de coorte de casos. Rotina III – Mudança de esquema terapêutico devido à toxicidade Caso o paciente tenha seu tratamento inicial substituído por outro por causa da toxicidade e continua em tratamento 9 meses após ter iniciado o primeiro esquema, deve ser registrado no campo “situação no 9º mês” (ou 12º mês, quando meningite) a categoria 6 – “mudança de esquema por intol./toxicidade”. Posteriormente, de acordo com a evolução do caso, deve-se registrar no campo “situação de encerramento” a categoria correspondente (cura, abandono, óbito, transferência ou Tb multirresistente) Rotina IV – Situação de falência dos pacientes de tuberculose Caso o paciente apresente falência ao tratamento inicial (com seis meses de duração), este caso não deverá ser notificado novamente. Deve-se registrar este caso como falência 116
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    A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICAE O SISTEMA DE INFORMAÇÃO no campo situação no 9º mês, acompanhá-lo nos meses seguintes até o término do seu tratamento para a falência e encerrá-lo, segundo a situação apresentada (cura, abandono, óbito, transferência ou TB multirresistente) no campo “situação de encerramento”. Rotina V – Registros duplicados Critérios para emissão do relatório de duplicidade O SINAN emite um relatório (relatório de duplicidade) com a relação de possíveis registros duplicados. O sistema seleciona registros que tenham os seguintes campos idênticos: primeiro e último nome do paciente, data de nascimento e sexo. Este relatório deve ser analisado, semanalmente, na instância municipal informatizada. As regionais e a Secretaria Estadual de Saúde deverão emitir e analisar o relatório de duplicidade com periodicidade quinzenal e mensal, respectivamente. A seguir são descritos as diversas possibilidades de registros duplicados e os respectivos procedimentos: Homônimos Conceito: são registros que apresentam os mesmos primeiro e último nomes dos pacientes, mesma data de nascimento e mesmo sexo. No entanto, após análise de outros dados e, se necessário, investigação, conclui-se que são pessoas diferentes. Procedimento: a utilização da opção “não listar”, para que estes registros não sejam listados no relatório de duplicidade. Duplo registro Conceito: é o paciente que foi notificado mais de uma vez pela mesma unidade de saúde em tratamentos diferentes (recidiva ou reingresso após abandono) ou foi notificado mais de uma vez por unidades de saúde diferentes durante o mesmo tratamento (transferência oficial ou espontânea) ou em tratamentos diferentes (recidiva, reingresso após abandono). Procedimentos: caso existam duas notificações de um mesmo paciente atendido em unidades de saúde diferentes deve-se avaliar se houve uma transferência (intra ou intermunicipal). Em caso afirmativo, os dois registros devem ser vinculados e deverá ser comunicada à primeira unidade que notificou o caso a alta por transferência. Na segunda unidade de saúde, o campo “tipo de entrada” da ficha de notificação/investigação deverá ser preenchido com a categoria 5 – “transferência”. Em caso negativo, investigar se a segunda notificação refere-se a reingresso após abandono ou recidiva. Nestes casos, os registros não devem ser vinculados e os campos “situação no nono mês” (ou 12º mês) e “situação de encerramento” da primeira ficha de notificação/investigação e o campo “tipo de entrada” da segunda ficha deverão estar preenchidos com categorias correspondentes à situação do caso. 117
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE Ao executar a “rotina de vinculação” para dois registros, o SINAN mantém os dados da primeira notificação/investigação e os dados de acompanhamento remetidos pela unidade de saúde atualmente responsável pela conclusão do tratamento, em único registro. O primeiro nível informatizado capaz de detectar o duplo registro devido à transferência deverá efetuar a vinculação das notificações (ver item Rotina I – Mudança de local de tratamento do paciente de tuberculose– transferência). Quando o paciente efetuar mais de uma transferência durante o mesmo tratamento, devem ser realizadas sucessivas vinculações das notificações, mantendo desse modo os dados da notificação/investigação mais antiga e o acompanhamento pela Unidade de Saúde responsável pela conclusão do tratamento. Quando o paciente for transferido, temporariamente, para unidade hospitalar, esta unidade deverá notificar este paciente. Após a alta hospitalar, a unidade de saúde para a qual o paciente for transferido para acompanhamento de tratamento ambulatorial deverá notificá-lo novamente, ainda que seja a mesma unidade que o transferir para o hospital. A rotina adotada, nessa situação, é a mesma adotada quando o paciente efetuar mais de uma transferência durante o mesmo tratamento, conforme citado no parágrafo anterior. Desta forma, é possível acompanhar, no SINAN, as transferências desse paciente entre as unidades de saúde e solicitar dados sobre a situação de encerramento do caso à unidade que ficou responsável pela conclusão do caso. Concluindo, os duplos registros por causa da transferência de tratamento para outra unidade de saúde devem ser vinculados. Já os duplos registros devido à recidiva ou reingresso após abandono NÃO devem ser vinculados e podem ser assinalados com a opção “não listar” para não serem listados no relatório de duplicidade. Duplicidade de registros Conceito: quando há mais de uma notificação de um mesmo paciente, referente ao mesmo “episódio” ou tratamento, pela mesma unidade de saúde, com números de notificações diferentes, (ex.: mesmo paciente notificado duas vezes pela mesma US como dois casos novos ou duas recidivas). Procedimento: nesses casos, o segundo registro (mais atual) deverá ser excluído pela rotina do SINAN pelo primeiro nível informatizado. 5.1.4 Tabulação de dados A base de dados do SINAN contém dados necessários ao cálculo de indicadores operacionais e epidemiológicos considerados essenciais para avaliação do comportamento da endemia e das ações de controle. O SINAN emite os seguintes relatórios:  Incidência anual de tuberculose pulmonar bacilífera por grupo etário e sexo. 118
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    A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICAE O SISTEMA DE INFORMAÇÃO  Incidência de meningite tuberculosa em menores de cinco anos.  Percentual de coinfecção de HIV/TB por faixa etária.  Percentual de casos de tuberculose pulmonar com baciloscopia positiva que negativaram no segundo mês.  Relatório de acompanhamento dos casos de tuberculose. Os casos de tuberculose notificados e incluídos no SINAN geram um banco de dados específico, que pode ser exportado para o formato DBF, situado no subdiretório C:sinanwtabwinitube.dbf. Esse arquivo poderá ser usado para tabulação dos dados de tuberculose em outros softwares (ex. epiinfo, tabwin, etc). Entretanto, cabe ressaltar que a comparação de resultados de tabulações efetuadas por diferentes softwares deve pressupor o emprego dos mesmos critérios (seleção dos mesmos campos e categorias). Observação: São necessárias avaliações periódicas do preenchimento dos campos da notificação/investigação e do acompanhamento dos casos, visando a detectar e a corrigir campos essenciais à avaliação epidemiológica e operacional não preenchidos ou inconsistentes. 5.2 A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DA TUBERCULOSE O controle, a eliminação e a erradicação das doenças transmissíveis se realizam por meio de processos políticos, sociais e econômicos, usando medidas técnico-científicas. Esse método é chamado Vigilância Epidemiológica. O conceito de vigilância epidemiológica é simplificado, mas de clareza ímpar: “informação para ação”. A detecção precoce de surtos e a imediata adoção de medidas de controle exigem rapidez de um sistema de vigilância. A tuberculose não apresenta, habitualmente, um comportamento epidêmico, pela maior lentidão da reprodução bacilar. No entanto, não há por que deixar de aplicar sobre esta enfermidade os procedimentos adotados nas doenças transmissíveis agudas, considerando, evidentemente, suas peculiaridades. A vigilância epidemiológica é composta de três ações básicas:  a identificação e a notificação de um caso da doença;  a investigação epidemiológica;  mas medidas específicas. A descoberta de um caso de tuberculose numa dada região deve desencadear três ações imediatas: 1. A notificação do caso para as autoridades sanitárias da área (vide ficha de notificação – Anexo I); 2. O tratamento com quimioterápicos com a finalidade de reduzir a carga bacilar do doente como fonte de infecção e curá-lo; 3. O exame dos contatos. 119
  • 120.
    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE Os dados de notificação e de investigação epidemiológica de cada caso de tuberculose diagnosticado nas US são registrados na Ficha de Notificação / Investigação de Tuberculose. O acompanhamento do caso – por meio de baciloscopias de controle – a atualização de informações e seu encerramento na US são feitos por meio do preenchimento do Boletim de Acompanhamento de Casos de Tuberculose e dos demais impressos do PNCT. Também se impõe a investigação epidemiológica das pessoas que tiveram contato com o caso diagnosticado, especialmente os coabitantes. Além disso, cada detecção implica busca ativa incessante na comunidade de outras fontes de infecção da doença esperada para a região, examinando-se o número de sintomáticos respiratórios “crônicos” correspondente para descobrí-las. Avaliação epidemiológica As autoridades sanitárias e as equipes de saúde (nas unidades comuns ou de saúde da família) de posse de um conjunto de notificações, organizam estes dados em indicadores e com estas informações avaliam o impacto determinado pelas medidas de controle:  coeficiente de incidência de tuberculose pulmonar confirmada por baciloscopia;  coeficiente de incidência de todas as formas de tuberculose;  coeficiente de incidência de meningoencefalite tuberculosa no grupo de 0-4 anos;  coeficiente de mortalidade por tuberculose. Nota: No caso da tuberculose, a influência da situação socioeconômica sobre o comportamento da doença dificulta a avaliação do resultado das ações de controle. Conseqüentemente, para atribuir-se um determinado resultado ao emprego dessas ações, é necessário que os efeitos sejam significativos e ocorram em prazo relativamente curto. 5.3 SITES INTERESSANTES  www.saude.gov.br  www.saude.com.br  www.saude.mg.gov.br  www.saudeemmovimento.com.br  www.cosemsmg.org.br  www.sbpt.org.br  www.gerais.mg.gov.br/sistema/index.asp  www.funasa.gov.br 120
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    5.4 INDICADORES, PARÂMETROSE FONTES PARA MONITORAMENTO INDICADORES SELECIONADOS – AVALIAÇÃO, PLANEJAMENTO E REORIENTAÇÃO DE AÇÕES DE VIGILÂNCIA/TUBERCULOSE Motivo da Campo / Indicador Fórmula de Cálculo Fonte Periodicidade GRS Inclusão Variável Unidade Estadual Município Secretaria Taxa de Nº de casos novos de TB bacilifera em determ. local e Verificar Livro Preto ou Trimestral, incidência de período x 100.000 h indiretamente o ficha de notific. semestral e X X X TB bacilífera População no mesmo local e período risco de adoecer SINAM anual Nº de casos novos de TB encerrados por cura em determ. Verificar eficiência Mensal, avaliando Livro Preto e Percentual de local e período x 100 do tratamento e as coortes Branco ou ficha X X X X cura de TB Total de casos novos de TB diagnosticados no alcançar as metas iniciadas 9,12 ou de notif. SINAM mesmo local e período do PCT 15 meses antes (*) 121 Taxa de Nº de óbitos por TB em determinado local e período Saber o risco de mortalidade por x 100.000 h morte p/ TB na SIM Anual X X X TB População total no mesmo local e período localidade Informe dos Pelo menos uma Cobertura do Proporção de municípios com PCT no Estado/Região x 100 Dimensionar munic. às vez a.a. ou sempre PCT no a extensão da X X Total de municípios do Estado/Região instâncias que houver Estado/Região cobertura superiores mudança Percentual de Avaliar importância casos de TB Nº de casos de TB/HIV/Aids x 100 Livro Preto ou Semestral da coinfecção na X X X X associados a Total de casos de TB diagnosticados SINAN – Aids /Anual tuberculose HIV/Aids Percentual de Nº de casos novos de TB (BK+) curados no mesmo Avaliar a efetividade Livro Preto e Mensal, avaliando casos novos TB local e período x 100 do tratamento Branco ou ficha as coortes iniciadas X X X X (BK+) curados Total de casos novos de TB de todas as formas curados no com controle de notificação 9,12 ou 15 meses comprovados mesmo local e período baciloscopico do SINAN antes (*) A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA E O SISTEMA DE INFORMAÇÃO
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    Percentual de Nº de casos novos sem informação de result. de tratamento Avaliar o Mensal, avaliando casos novos no mesmo local e período x 100 cumprimento Livro Preto ou as coortes sem informação X X X X Total de casos novos diagnosticados no mesmo local e da organização SINAN iniciadAs 9,12 ou de resultado de período administrativa 15 meses antes (*) tratamento Proporção de Nº de casos de TP entre X 100 Avaliar a Livro Preto casos de TP prevalência da ou ficha de entre os casos Total de casos de TB de todas as formas no mesmo Mensal X X X X forma pulmonar: notificação do de TB de todas local e período gerenciar SINAN as formas Proporção de casos Livro Preto e de TP com Nº de casos de TP com baciloscopia não realizada Avaliar o Branco ou ficha baciloscopia gerenciamento das Mensal X X X X Total de casos de TP no mesmo local e período de notificação não realizada normas do PCT do SINAN entre o total de casos de TP 122 ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO – TUBERCULOSE Nº de casos novos de TP (BK+) encerrados por abandono Avaliar a adesão Livro Preto Mensal, avaliando Percentual de em determinado local e período x 100 ao tratamento e ou ficha de as coortes abandono em X X X X Total de casos novos de TP (BK+) diagnosticados no gerenciamento do notificação do iniciadas 9,12 ou TP (BK+) mesmo local e período PCT SINAN 15 meses antes (*) Proporção de Nº de casos de TB em que é realizado o Avalia a coinfecção Livro Preto e casos em que teste de anti-HIV x 100 e a qualidade dos Branco ou ficha Trimestral ou X X X X é realizado o Total de casos de TB diagnosticados no programas TB e de notificação Semestral teste para HIV mesmo local e período Aids do SINAN Taxa de incidência de Nº de casos novos de TB de todas as formas em Avaliar a magnitude tuberculose por determinado local e período x 100.000 h da doença / Livro Preto ou Trimestral, X X X X todas as formas População no mesmo local e período tendência da SINAN Semestral e Anual (por sexo e endemia grupo etário)
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    Verificar Incidência de Nº de casos de Meningite por TB em < de 5 anos x 100.000 indiretamente meningite por a cobertura População < de 5 anos no mesmo local e período SINAN-Meningite Anual X X X X TB em < de 5 e eficácia da anos vacinação por BCG Cadastro de Pelo menos uma Proporção de Total de US integradas ao PCT no Município/Estado Dimensionar unidades por ano ou sempre US integradas cobertura do X X X Total de US do Município/Estado municipais do que houver ao PCT PCT SUS mudança Proporção de Nº de baciloscopias positivcas para dignóstico x 100 Livro Preto e baciloscopias Relação entre Branco ou ficha positivas entre Total de baciloscopias realizadas p/ diagósticos no mesmo casos de BK+ e Mensal X X de notificação do as realizadas local e período SR examinados SINAN para diagnóstico Índice da Nº de contados examinados Análise da relação SINAN ou 123 vigilância e Trimestral X X contatos/casos Nº de de casos diagnosticados prontuário divulgação examinados Livro preto Percentual de Nº de casos de TB em tratamento supervisionado x 100 Avaliar a ou ficha de Tratamento Total de casos de TB diagnosticados no mesmo local e implantação do Mensal X X X X notificação do Supervisionado período DOTS SINAN TB – Tuberculose TP – Tuberculose pulmonar BK+ – Caso pulmonar com baciloscopia positiva (*) – Avaliação separada seungo coortes de tratamento supervisionado e auto-administrado Livro preto – Livro de registro e controle de tratamento dos casos de tuberculose Livro branco – Livro de registro da baciloscopia e de cultura para diagnóstico e controle de tuberulose SINAM – Sistema Naiconal de Agravos de Notificação A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA E O SISTEMA DE INFORMAÇÃO
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE 5.5 A PLANILHA DE PROGRAMAÇÃO LOCAL Saúde do Adulto – Tuberculose RESULTADO ATIVIDADE PARÂMETRO Realizar campanhas de conscientização da Campanhas quadrimestrais equipe de saúde e da comunidade para realizadas. detecção dos sintomáticos respiratórios. 100% dos sintomáticos Identificar todos os sintomáticos respiratórios respiratórios que Vigilância de todos que freqüentarem a UBS por qualquer motivo. freqüentarem a UBS identificados. os sintomáticos 100% dos sintomáticos respiratórios da área Realizar busca ativa de todos os sintomáticos respiratórios da área adstrita de abrangência da respiratórios na região adstrita e comunidades e de comunidades fechadas UBS reclusas. identificados. 100% dos sintomáticos respiratórios registrados com Registrar em livro próprio todos os sintomáticos nome, endereço completo respiratórios identificados. e resultado de exames solicitados. Realizar campanhas de conscientização dos Campanhas quadrimestrais profissionais de saúde para solicitação do teste realizadas. de baciloscopia. 100% dos adultos Realizar consulta para todos os adultos sintomáticos respiratórios sintomáticos respiratórios. realizam consulta 100% dos sintomáticos Solicitar teste de baciloscopia em todos os respiratórios identificados adultos sintomáticos respiratórios identificados. realizam teste de baciloscopia. Registrar no Livro de Registro de Baciloscopias 100% dos exames realizados (Livro Branco) o resultado do exame. registrados. 100% dos exames positivos Identificação de Monitorar o repasse de informação sobre os informados à UBS nas todos os adultos testes positivos de baciloscopia, até 24 horas primeiras 24 horas após a com tuberculose após a sua realização, dos Laboratórios à UBS. sua realização. 100% dos adultos Realizar RX Tórax em todos os adultos sintomáticos respiratórios sintomáticos respiratórios. realizam RX Tórax. 100% dos adultos Realizar PPD em todos os adultos sintomáticos sintomáticos respiratórios respiratórios, quando das baciloscopias realizam PPD, nessas negativas, Rx sugestivos e TB extrapulmonar. situações. Preencher corretamente a ficha de notificação 100% dos casos com para todo caso confirmado. notificação preenchida. 100% dos adultos Registrar no Livro Preto todos os adultos diagnosticados e em diagnosticados e em tratamento na US. tratamento na US registrados. 124
  • 125.
    A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICAE O SISTEMA DE INFORMAÇÃO RESULTADO ATIVIDADE PARÂMETRO 100% dos adultos com tuberculose Realizar consultas mensais para cada paciente realizam consultas de até o término do tratamento. acompanhamento médico, no mínimo, mensal. Fornecer a medicação para cada paciente de 100% da medicação prescrita acordo com o esquema prescrito até o término fornecida ao paciente até o do tratamento. término do tratamento. Realizar tratamento supervisionado para todos 100% dos adultos com tuberculose Acompanhamento e os adultos com tuberculose. realizam tratamento supervisionado. tratamento de todos 100% dos pacientes com oferta do Ofertar o teste de detecção de HIV. os adultos com teste. tuberculose 100% dos adultos com tuberculose pulmonar Solicitar o exame de baciloscopia. realizam baciloscopia, no mínimo, no 2º, 4º e 6º mês de tratamento. 100% dos pacientes atendidos nas consultas Preencher a ficha de acompanhamento mensal subseqüentes com ficha de para todo paciente a cada atendimento. acompanhamento mensal preenchidas. 100% dos adultos Identificar todos os adultos com tuberculose com tuberculose MDR MDR. identificados. Acompanhamento de todos os adultos 100% dos adultos com tuberculose Encaminhar para o serviço de referência todos com tuberculose MDR MDR os adultos com tuberculose MDR. encaminhados para o serviço de referência. 125
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE RESULTADO ATIVIDADE PARÂMETRO 100% dos pacientes Realizar consulta médica de encerramento submetidos a consulta dos casos para todos os pacientes, no final do médica de encerramento dos Encerramento dos tratamento. casos no final do tratamento. casos Preencher a ficha de acompanhamento mensal 100% dos casos encerrados com os dados de “Encerramento do Caso” e com notificação realizada e encaminhá-la para epidemiologia. encaminhada. Realizar consulta médica de todos os contatos de 100% dos contatos realizam adultos com tuberculose pulmonar. consulta médica. 100% dos contatos realizam Realizar RX Tórax de todos os contatos. RX Tórax. 100% dos contatos Realizar baciloscopia de todos os contatos Controle de sintomáticos respiratórios sintomáticos respiratórios. contatos de adultos realizam baciloscopia. com tuberculose Realizar tratamento e acompanhamento 100% de todos os contatos pulmonar e de todos os contatos com diagnóstico de com diagnóstico confirmado prevenção da tuberculose confirmado recebem tratamento. tuberculose 100% dos contatos com Realizar quimioprofilaxia de todos os contatos situações de risco realizam com situações de risco. quimioprofilaxia. 100% dos recém-nascidos Vacinar todos os recém-nascidos com vacina vacinados BCG com BCG. 126
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    VI. ANEXOS: FORMULÁRIOS PADRONIZADOS PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE E SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE DE MINAS GERAIS
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    INSTRUÇÕES PARA OPREENCHIMENTO FICHA DE NOTIFICAÇÃO/ INVESTIGAÇÃO - SINAN WINDOWS Nº – Anotar o número da notificação atribuído pela unidade de saúde para desempregado. O ramo de atividade económica do paciente refere-se identificação do caso (ex.: número do registro na unidade de saúde, número às atividades económicas desenvolvidas nos processos de produção do prontuário). CAMPO DE PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO. do setor primário (agricultura e extrativismo); secundário (indústria) ou 1. Este campo identifica o tipo de notificação, a informação necessária à terciário (serviços e comércio). digitação. Não é necessário preenchê-lo. Preencher com o nome da ocupação e o ramo da atividade econômica 2. Anotar a data da notificação: data de preenchimento da ficha do paciente (ex.:metalúrgico, indústria de autopeças). de notificação/investigação. CAMPO DE PREENCHIMENTO 28. Preencher com o código correspondente a situação de entrada do OBRIGATÓRIO. paciente na unidade de saúde. O item TRANSFERÊNCIA se refere 3. Preencher com o nome completo do município, ou código correspondente àquele paciente que comparece a esta unidade de saúde para dar segundo cadastro do IBGE, onde está localizada a unidade de saúde continuidade ao tratamento iniciado em outra unidade de saúde, desde (ou outra fonte notificadora) que realizou a notificação. CAMPO DE que não tenha havido interrupção do uso da medicação por mais de PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO. 30 dias. Neste último caso, o tipo de entrada deve ser “Reingresso após 4. Preencher com o nome completo da unidade de saúde (ou outra abandono”. Os conceitos de “Caso Novo” e “Recidiva” estão referidos fonte notificadora) ou código correspondente segundo cadastro no Manual de Normas Técnicas da Tuberculose. A opção “Não estabelecido pelo SINAN que realizou a notificação do caso. CAMPO Sabe” deve ser assinalada quando o paciente não souber fornecer DE PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO. informações. CAMPO DE PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO. 5. Nome do agravo/doença, ou código correspondente estabelecido pelo 29. Preencher com o código correspondente o resultado da teleradiografia SINAN (CID 10), que está sendo notificado. de tórax ou abreugrafia (o código 3 diz respeito a outras alterações que 6. Anotar a data em que foi realizado o diagnóstico do caso. CAMPO DE não são compatíveis com a tuberculose) por ocasião da notificação. PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO. 30. Preencher com o código correspondente o resultado do teste 7. Preencher com o nome completo do paciente (sem abreviações). tuberculínico por ocasião da notificação: 8. Preencher com a data de nascimento do paciente (dia/mês/ano) de 1 - Não-reator (0 – 4 mm) forma completa. 2 - Reator fraco (5 – 9 mm) 9. Anotar a idade do paciente somente se a data de nascimento for 3 - Reator forte (10 mm ou mais) desconhecida (ex.: 20 dias = 20 D; 3 meses = 3 M; 26 anos = 26 A). 4 - Não realizado Se o paciente não souber informar sua idade, anotar a idade aparente. 31. Preencher com o código correspondente segundo a forma clínica OBS: Se a data de nascimento não for preenchida, a idade será da tuberculose (pulmonar exclusiva, extrapulmonar exclusiva ou CAMPO DE PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO. pulmonar + extrapulmonar) por ocasião da notificação. CAMPO DE 10. Preencher segundo a categoria referente ao sexo do paciente (M = PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO. masculino, F = feminino e I = ignorado). 32. Preencher com o código correspondente à localização extrapulmonar 11. Preencher com o código correspondente à cor ou raça declarada da tuberculose nos casos em que o paciente apresente a forma clínica pela pessoa: l) Branca; 2) Preta; 3) Amarela (compreendendo-se igual a 2 ou 3. O item OUTRAS se refere às formas extrapulmonares nesta categoria a pessoa que se declarou de raça amarela); 4) Parda que não estão listadas no campo da ficha. Caso o paciente apresente mais de uma localização extrapulmonar, preencher a segunda caseia (incluindo-se nesta categoria a pessoa que se declarou mulata, cabocla, do campo. CAMPO DE PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO, cafuza, mameluca ou mestiça de preto com pessoa de outra cor ou QUANDO 31 = 2 OU 3. raça); 5) Indígena (considerando-se nesta categoria a pessoa que se 33. Preencher com o código correspondente do agravo presente no declarou indígena ou índia). momento da notificação do caso. 12. Preencher com o código correspondente ao número de anos de estudo 34. Preencher com o código correspondente o resultado da baciloscopia concluídos. A classificação é obtida em função da série e do grau que de escarro para BAAR (bacilo álcool-ácido resistentes) realizada a pessoa está frequentando ou frequentou considerando a última série em amostra para diagnóstico. CAMPO DE PREENCHIMENTO concluída com aprovação. A correspondência é feita de forma que cada OBRIGATÓRIO. série concluída com aprovação corresponda a um ano de estudo, (ex.: 35. Preencher com o código correspondente o resultado da baciloscopia Paciente cursou 4 anos, porém não concluiu o último ano, portanto o de outro material para BAAR realizada em amostra para diagnóstico. paciente deverá ser incluído na categoria de l a 3). Este campo não se 36. Preencher com o código correspondente o resultado da cultura de aplica para paciente com idade inferior a 7 anos. escarro para M tiiberculosis realizada cm amostra para diagnóstico. 13. Preencher com o número do CARTÃO ÚNICO do Sistema Único de CAMPO DE PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO. Saúde ( SUS). 37. Preencher com o código correspondente o resultado da cultura de outro 14. Preencher com o nome completo da mãe do paciente (sem material para M. tuberculosis realizada em amostra para diagnóstico. abreviações). 38. Preencher com o código correspondente o resultado da. sorologia para 15. Anotar o tipo (avenida, rua, travessa, etc.), nome completo ou código o vírus da imunodcficiencia adquirida (H I V). correspondente do logradouro da residência do paciente. Se o paciente 39. Preencher com o código correspondente o resultado do exame for indígena anotar o nome da aldeia. histopatológico para diagnóstico de TB (biópsia). 16. Anotar o número do logradouro da residência do paciente (ex.: n.° 575) 40. Preencher com a data de início do tratamento atual na unidade de 17. Anotar o complemento do logradouro (ex.: bloco B, apto 402, lote 25, saúde que está notificando o caso. casa 14, etc.). 41. Preencher com o código correspondente as drogas que estão sendo 18. Anotar o ponto de referenda para localização da residência do paciente utilizadas no esquema de tratamento prescrito. Listar no quadro (perto da padaria do João). OUTRAS as drogas utilizadas nos esquemas alternativos (ex.: 19. Anotar a sigla da unidade federada da residência do paciente (ex : DF). OFLOXACINA + RIFABUTINA). 20. Anotar o nome do município (ou código correspondente segundo 42. Preencher com o código correspondente se o paciente está em cadastro do IBGE) da residência do paciente. tratamento supervisionado para a tuberculose (conforme norma do 21. Anotar o nome do bairro (ou código correspondente segundo cadastro PNCT/MS). do SINAN) de residência do paciente. 43. Informar se o paciente adquiriu a doença em decorrência do processo 22. Anotar o código de endereçamento postal do logradouro (avenida, de trabalho, determinada pêlos ambientes ou condições inadequadas rua, travessa, etc.) da residência do paciente (ex.: CEP: 70036-030). de trabalho (contaminação acidental, exposição ou conta to dircto). 23. Telefone do paciente. OBS. : informar as observações necessárias para complementar a 24. Zona de residência do paciente (ex.:l = área com características investigação. estritamente urbana; 2 = área com características estritamente rural; 3 44. Informar o nome do município/unidade de saúde responsável por esta = área rural com aglomeração populacional que se assemelha à uma investigação. área urbana). 45. Informar o código da unidade de saúde responsável por esta 25. Anotar o nome do país de residência quando o paciente notificado investigação. residir em outro país. 46. Informar o nome completo do responsável por esta investigação (ex.: 26. Preencher com o numero do prontuário do paciente na unidade de Mário José da Silva). saúde onde se realiza o tratamento. 47. Informar a função do responsável por esta investigação (ex.: 27. Informar a atividade exercida pelo paciente no setor formal, informal enfermeiro). ou autónomo ou sua última atividade exercida quando paciente for 48. Registrar a assinatura do responsável por esta investigação.
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    ANEXO II República Federativa do Brasil SISTEMA NACIONAL DE AGRAVOS DE NOTIFICAÇÃO Ministério da Saúde RELATÓRIO DE TUBERCULOSE SES Boletim de acomapnhamento de casos de tuberculose por minicípio de atendimento atual Município de atendimento atual: Unidade de saúde atual: Nº da Data de Data de Nº de Cultura Cultura Bacilosc. Bacilosc. Bacilosc. Situação Situação Situação Dt. de notificação notificação Nome mudança contatos de outro de outro HIV Histopat. Observações 2º mês 4º mês 8º mês 9º mês 12º mês encerram. encerram. atual atual do trat. examinados escarro material Cultura de escarro, Cultura de outro material, HIV: 1- Positiva; 2- Negativa; 3- Em andamento; 4 - Não realizada Baciloscopia do 2º mês/4º mês/ 6º mês: 1- Positiva; 2- Negativa; 3- Não realizada Histopatologia: 1- BAAR positiva; 2- Sugestivo de TB; 3- Não sugestivo de TB; 4- Em andamento; 4 - Não realizada Situação no 9º mês (preenhcer p/ todos os casos, exceto menin gite, exclusiva ou não): 1- Cura; 2- Abandono; 3 - Óbito; 4 - Transferência; 5 - Mudança de diagnóstico; 6 - Mudança de esq. por into./toxici. (cont. em trat. mas com outro esq.); 7 - Continua em tratamento (com esq. inicial); 8 - Falência (cont. em trat. com outro esq.) Situação no 12º mês (p/ miningite, exclusvia ou não): 1- Cura; 2- Abandono; 3 - Óbito; 4 - Transferência; 5 - Mudança de diagnóstico; 6 - TB Multirristente e (resultado do teste de sensibilidade Data do encerramento: Data da cura, óbito, transferência, mundaça de diagnóstico ou de resultado do teste de sensibilidade (TB multirresistente) Data de mudança de tratamento: Preencher quando trat. inicial substituído deviso à toxicidade ou falência
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    ANEXO III SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE MINAS GERAIS SUPERINTENDÊNCIA DE ATENÇÃO À SAÚDE ACAMPANHAMENTO MENSAL DE GERÊNCIA DE NORMALIZAÇÃO DA ATENÇÃO À SAÚDE TUBERCULOSE COORDENADORIA ESTADUAL DE PNEUMOLOGIA 01 - MUNICÍPIO DE ATENDIMENTO ATUAL: CÓDIGO (IBGE) 02 - Nº DE NOTIFICAÇÃO 03 - UNIDADE DE SAÚDE ATUAL: CÓDIGO MICROÁREA 04 - OCORREU HOSPITALIZAÇÃO: 1- Sim 2 - Não 09 - Ignorado NOME: KG/PESO: PRONTUÁRIO: Nº CARÃO SUS: ENDEREÇAO-LOGRADOURO: NÚMERO: COMPLEMENTO BAIRRO: DISTRITO: MUNICÍPIO: 05 - BACILOSCOPIA 2º MÊS 06 - BACILOSCOPIA 4º MÊS 07- BACILOSCOPIA 6º MÊS OU ENCERRAMENTO 1- POSITIVA: 1- POSITIVA: 1- POSITIVA: 2- NEGATIVA: 2- NEGATIVA: 2- NEGATIVA: 3- NÃO REALIZADA: 3- NÃO REALIZADA: 3- NÃO REALIZADA: 08 - DATA DE MARCAÇÃO DE TRATAMENTO 09 - Nº DE CATACTANTES EXAMINADOS 10 - DATA DE ATENDIMENTO: 11 - SITUAÇÃO ATUAL: 1 - CURA 3 - ÓBITO 5 - MUNDAÇA DE DIAGNÓSTICO 7 - CONTINUA TRATAMENTO 2 - ABANDONO 4 - TRANSFERÊNCIA 6 - MUDANÇA DE ESQUEMA TERAPÊUTICO POR INTOLERÂNCIA 8 - FALÊNCIA EM CASO DE TRANSFERÊNCIA-UNIDADE: CÓDIGO: 12 - DATA DE ENCERRAMENTO 13 - SITUAÇÃO NO ENCERRAMENTO 1 - CURA 3 - ÓBITO 5 - MUNDAÇA DE DIAGNÓSTICO 7 - CONTINUA TRATAMENTO 2 - ABANDONO 4 - TRANSFERÊNCIA 6 - MUDANÇA DE ESQUEMA TERAPÊUTICO POR INTOLERÂNCIA 8 - FALÊNCIA MÊS ENC. 14 - MEDICAMENTOS: Indicar a quandiade mensal da medicação prescrita OUTROS: S ET RH Z RLSWP QUANTIDADE: E H RH 1/2 dose Z XPE OBSERVAÇÕES (ANOTAR RESULTADOS DE EXAMES DURANTE O TRATAMENTO): Assinatura e carimbo do responsável
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    ANEXO IV SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE SUPERINTENDÊNCIA DE ATENÇÃO À SAÚDE GERÊNCIA DE NORMALIZAÇÃO DA ATENÇÃO À SAÚDE COORDENADORIA ESTADUAL DE PNEUMOLOGIA SANITÁRIA SOLICITAÇÃO PARA INVESTIGAÇÃO BACTERIOLÓGICA DE TUBERCULOSE Unidade de Saúde .................................................................................................................... Data: ....................... Nome completo: .....................................................................................Idade: ........................ Sexo: ....................... Endereço (Rua, Nº, Bairro) ....................................................................................................................................... Telefone de contato:................................................................................nº de Prontuário ........................................ Tipo de Amostra: 1) Nunca tratado 2) Antes Tratado 3) Recidiva 4) Abandono (suspeita) Para Diagnóstico: Em Sintomático Respiratório Rx Anormal 1ª Amostra 2ª Amostra Para Controle de: 1º 2º 3º 4º 5º 6º Mês de tratamento Nº de Caso Pede-se Baciloscopia Cultura Solicitante: .............................................................. Observações: ............................................................................ (Ass. e Carimbo) RESULTADOS: Baciloscopia: Positiva Negativa Nº de Registro ...................Data: ____/ ____/ ____ Cultivo:: Positiva Negativa Nº de Registro ...................Data: ____/ ____/ ____ Ass. do laboratorista: ................................................................................................................................................
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    ANEXO V LIVRO DE REGISTRO DE BACILOSCOPIA E DE CULTURA PARA DIAGNÓSTICO E CONTROLE DA TUBERCULOSE RESULTADO POR TIPO DE EXAME SEXO NOME UNIDADE D ESAÚDE MATERIAL MUNICIPIO BACILOSCOPIA CULTURA ENDEREÇO OBSEVAÇÃO DATA EXAME PRONTUÁRIO Nº DE ORDEM Diagnóstico Controle Diagnóstico Controle DATA NASC./IDADE 1ª 2ª 1ª 2ª Mês Resultado Mês Resultado amostra amostra amostra amostra
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    LIVRO DE REGISTRODE BACILOSCOPIA E DE CULTURA PARA DIAGNÓSTICO E CONTROLE DA TUBERCULOSE Os laboratórios integrados ou vinculados à Rede Nacional de Laboratórios de Saúde Pública devem ter um sistema de registro interno que permita: (l) fornecer o resultado do exame ao solicitante; (2) registrar e avaliar o trabalho diário realizado e (3) fornecer informações indispensáveis para o programa do controle da tuberculose e para a rede de laboratórios. Este livro de registro de baciloscopia e de cultura deverá ser utilizado por toda a unidade de saúde que realizar somente baciloscopia (mas que poderá enviar material clinico para a cultura) e laboratórios que realizarem, tanto a baciloscopia quanto a cultura, para diagnóstico e controle da tuberculose. Esta proposta pretende adequar e uniformizar as informações obtidas no laboratório, para melhor utilização dos dados produzidos no programa de controle da tuberculose. As informações contidas aqui são confidenciais e devem ser cuidadosamente protegidas contra danos e extravios. Dos dados deste livro, será feito um consolidado mensal que informará ao coordenador de tuberculose da unidade de saúde, ou na falta deste, ao coordenador municipal ou estadual, os números de pacientes sintomáticos respiratórios examinados que forem positivos e/ou negativos à baciloscopia ou à cultura. Alem disso, será feita uma listagem nominal dos pacientes positivos, utilizando o “Informe mensal do laboratório ao programa” para que seja comparada com Livro de Registro e Controle de Tratamento dos Casos de Tuberculose das unidades de saúde que solicitarem os exames. Estes dados poderão ser armazenados no programa de computação intitulado SILTB (Sistema de Informação Laboratorial da Tuberculose) e distribuído gratuitamente pelo Centro de Referência Professor Hélio Fraga* da Fundação Nacional de Saúde. Para preencher as colunas do livro de registro: Cultura: relativo aos exames de isolamento do bacilo da tuberculose Nome: nome completo do paciente Diagnóstico: relativo aos exames para diagnóstico de tuberculose Sexo: M (masculino) F (feminino) 1ª amostra: relativa ao primeiro exame para diagnóstico de tuberculose Data de nasc./idade: colocar dia, mês e ano ou a Idade se o paciente não relatar a data 2.ª amostra: relativo ao segundo exame para diagnóstico de tuberculose exata de nascimento Controle: relativo aos exames para acompanhamento do tratamento de tuberculose Endereço: rua, travessa, avenida, quadra, bloco, lote ou gleba e o número da habitação Mês: relativo ao mês do tratamento de tuberculose do paciente Resultado: relativo ao resultado do exame para acompanhamento do tratamento de Município: município de residência do paciente tuberculose. Unidade de saúde: nome completo da unidade de saúde requisitante do exame Para a cultura utilizar as seguintes anotações: Prontuário: número de matrícula do paciente na unidade de saúde requisitante NR – não realizada Nº de ordem: número sequencial usado para identificar o material clínico recebido pelo neg – sem crescimento no meio de cultura laboratório C – contaminado Data exame: dia, mês e ano em que se iniciaram os procedimentos laboratoriais relativos EA (em andamento) - resultado provisório para indicar que o exame não foi concluído ao exame (+) – de 20 a 100 colônias Resultados por tipo de exame: (++) – mais de 100 colônias separadas Baciloscopia: relativo aos exames microscópicos (+++) – colônias confluentes Diagnóstico: relativo aos exames para diagnóstico de tuberculose Material: relativo ao tipo de material clínico (escarro, lavados gástrico, brônquico, 1ª amostra: relativa ao primeiro exame para diagnóstico de tuberculose bronco-alveolar. tráqueo-brônquico, broncoaspirado, urina, gânglio, sangue, aspirado de 2ª amostra: relativa ao segundo exame para diagnóstico de tuberculose medula óssea, biópsia e outros) Controle: relativo aos exames para acompanhamento do tratamento de tuberculose Observação: relativo aos comentários pertinentes às observações relevantes não Mês: relativo ao mês do tratamento de tuberculose especificados em outros campos Resultado: relativo ao resultado do exame para acompanhamento do tratamento de *Centro de Referência Prof. Hélio Fraga tuberculose Estrada de Curicica, 2000 – Jacarepaguá – Rio de Janeiro – RJ Preencher resultados da baciloscopia, usando as seguintes notações: Neg –negativo ou de 1 a 4 bacilos em 100 campos examinados CEP:22710-550 (+) – menos de 1 bacilo em 100 campos examinados Telefone: (21) 445 6848 (++) – de 1 a 10 bacilos em 50 campos examinados Telefax:(21)4414715 (+++) – mais de 10 bacilos em 20 campos examinados E-mail: labtb@gbl.com.br NR - não realizado
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    ANEXO VI SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE MINAS GERAIS MÊS ANO SUPERINTENDÊNCIA DE ATENÇÃO À SAÚDE GERÊNCIA DE NORMALIZAÇÃO DA ATENÇÃO À SAÚDE HISTÓRICO DA Dispensa MENSAL DE COORDENADORIA ESTADUAL DE PNEUMOLOGIA SANITÁRIA TUBERCULOSTÁTICOS GRS: MUNICÍPIO: MEDICAÇÃO DISPENSADA QUANTIDADE/MÊS UNIDADE DE SAÚDE: Indicar a letra: Indicar a letra: Z RI RH N -Notificação Nome do Nº DATA I = internado S E ET H RH Z frs. frs. 1/2 A -Acompanhamento Paciente A = ambulatório Xarope Susp. dose Q = quimioprofilaxia 1 2 3 4 5 6 7 Nº DE PACIENTES EM QUIMIOPROFILAXIA: TOTAL: TOTAL: TOTAL: TOTAL: TOTAL: TOTAL: TOTAL: TOTAL: TOTAL: Nº DE NOTIFICAÇÕES DO MÊS: ______ ______ ______ ______ ______ ______ ______ ______ ______ Nº TOTAL DE PACIENTES EM TRATAMENTO: ASSINATURA DO RESPONSÁVEL:
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    ANEXO VII ANO: SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE MINAS GERAIS MÊS: SUPERINTENDÊNCIA DE ATENÇÃO À SAÚDE GERÊNCIA DE NORMALIZAÇÃO DA ATENÇÃO À SAÚDE COORDENADORIA ESTAUDAL DE PNEUMOLOGIA SANITÁRIA MOVIMENTO MENSAL DOS MEDICAMENTOS TUBERCULÓSTÁTICOS GRS: MUNICÍPIO UNIDADE DE SAÚDE: Indicar o número de Quandidade Estoque Estoque Quantiodade pacientes em uso de mensal por Recebido Distribuído Perdido no Lote Código Especificação do mês atual solicitada cada medicação paciente no mês no mês mês Validade anterior (C) AxBx2–C (A) (B) 876 Estreptomicina 1g fr.a 30 frs. 1007 Etambutol 400 mg / comp. 90 comp. 4588 Etionamida 250 mg / drágea 90 drágeas 1023 Isoniazida 100 mg / comp. 90 comp. Isoniazida + Rifampicina 7684 60 cáps. 200 m + 300 mg / cáps. 4855 Pirazinamida 500 mg / comp. 120 cáps. 8494 Pirazinamida xarope 3% fr. 5 frs. 1791 Rifampicina 2% fr. 6 frs. Isoniazida + Rifampicina 10170 90 comp. 100 m + 150 mg /cáps. Assinatura do responsável Nº de notificações novas Nº pacientes em quimioprofilaxia Total de pacientes em tratamento
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    ANEXO VIII REGISTRO DEPACIENTES E CONTROLE DE TRATAMENTO DOS CASOS DE TUBERCULOSE UNIDADE DE SAÚDE: UF: MÊS DE ANO Identificação Exames de diagnóstico Exames de controle Casos Tratamento Forma R Enc. / Alta Nº Matrícula Bac. clínica Baciloscopia x Serv. Nome Idade Sexo Cult. PPD Hist. Rx HIV Observações Geral 1ª 2ª Tipo Início Esq. 1ª 2ª 3ª 4ª 5ª 6ª 7ª 8ª 9ª 10ª 11ª 12ª Data Motivo TB
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    Plano nacional decontrole da tuberculose Unidade de Saúde: _________Đ UF: ______________________________ Instruções para o Registro de Pacientes de Tuberculose e Controle de Tratamento Considerações gerais: Este livro de “Registro e Controle de Tratamento dos Casos de Tuberculose” é um instrumento de informação oficial do Plano Nacional de Controle da Tuberculose (PCT). De caráter confidencial as informações aqui contidas devem ser adequadas e cuidadosamente protegidas contra danos e extravios. Devem ser registradas apenas as informações dos pacientes que iniciam o tratamento, com seu diagnóstico firmado. Deste livro serão retiradas as informações para a elaboração dos boletins mensais, trimestrais e anuais e os consoĐ As informações do mês seguinte poderão ser feitas na mesma folha seguindo a ordem sequencial numérica do mês anterior,Đ multirresistentes (TBMR), estes devem ser registrados em folha especial para o devido controle. Como preencher os campos CASOS ENCERRADOS/ALTA IDENTIFICAÇÃO FORMA CLÍNICA Data Registrar a data da alta (dia, mês e ano). Matrícula Geral Registrar o número de matrícula do paciente do registro geral da Registrar P+ para tuberculose pulmonar positiva; P- para tuber- Motivo Registrar unidade. culose pulmonar negativa. Quando não realizada a baciloscopia, Cura C Alto por cura comprovada será dada quando um caso pulmonar N.° Serv. TB Registrar em ordem sequencial o número de inscrição do caso de assinalar apenas a letra P Nos casos de tuberculose extrapulmonar, inicialmente positivo, ao completar o tratamento (final do 6° mês), tuberculose no serviço de pneumologia. assinalar a localização de acordo com a seguinte convenção: apresentar o resultado de duas amostras baciloscopias negativas Nome Registrar o nome completo do paciente. Pl - pleural; Gp - ganglionar periférica; Oa - osteoarticular; (insistir na coleta das duas amostra de escarro). Idade Registrar a idade do paciente em anos completos; nos menores de Oc - ocular: Gu - genitourinária; Me - meningoencefállca: Ex.: NEG um ano registrar a idade em meses. Mi - miliar e, 0 -outras localizações NEG Sexo Assinalar M para masculino e F para feminino. TRATAMENTO CuraNC Alta por cura não comprovada será dado quando, o caso pulmonar Tipo Registrar Tl para os casos de tratamento inicial (caso novo); inicialmente positivo, ao completa tratamento, não tiver realizado as EXAMES DE DIAGNÓSTICO Registrar RR para retratamento de recidiva; Registrar RA para baciloscopias para encerramento do caso. Baciloscopia Transcrever o resultado da 1° amostra da baciloscopia na primeira retratamento após abandono e RF para o retratamento nos casos Cura A alta por cura será dada com base em critérios clínico-radiológicos, coluna e da 2ª amostra na coluna correspondente, de acordo com de falência. nos casos pulmonares inicialmente negativos ou extrapulmonares, o seguinte critério: +, ++, +++, para os positivos e NEG para Início Registrar a data do início do tratamento (dia, mês e ano). Em ao completarem o tratamento. os negativos.Quando o exame de baciloscopia não for realizado, caso de paciente transferido, registra-se a data do início do Aband. A alta por abandono de tratamento será dada ao doente que deixou assinalar com um traço entre parênteses (-). tratamento na unidade de origem. de comparecer a unidade de saúde, por mais 30 dias consecutivos, Cultura Transcrever o resultado da cultura assinalando POS para o positivo Esquema Registrar o esquema utilizado I,I R, II e III. Registrar EE nas unidades após a data aprazada para seu retorno. e NEG para o negativo. Quando não realizado, assinalar com um de referência quando forem utilizados esquemas especiais em M. Diag. A alta por mudança de diagnóstico será dada quando constatado traço entre parênteses (-). pacientes resistentes aos tuberculostáticos. errode diagnóstico de tuberculose. PPD Registrar o resultado da prova tuberculínica usando a sigla NR (O a 4 mm) para não-reator; Rf (5 a 9 mm) para reator fraco; RF (10 mm Óbito A alta por óbito será dada quando do conhecimento da morte do e mais) para reator forte. Quando não realizada, assinalar com um paciente, durante o tratamento e independentemente da causa. traço entre parentes (-). Fol. A falência deverá ser considerada quando os doentes no início do EXAMES DE CONTROLE Histologia Registrar POS quando o resultado do exame histopatológico acusar tratamento são fortemente positivos (++ +++) e mantêm essa Baciloscopia Registrar o resultado na coluna correspondente ao mês de trata- a presença de BAAR. situação até o quarto mês tratamento. E também aqueles com mento em que o exame foi realizado. Transcrever o resultado da Registrar SUG quando o resultado referir achados sugestivos positividade inicial seguida de negativação e nova positividade por baciloscopia de acordo com o seguinte critério: +, ++, +++ de tuberculose. Registrar NEG quando os achados não forem dois meses consecutivos, a partir do quarto mês de tratamento. para os positivos e NEG para os negativos. Quando não-realiza- sugestivos de tuberculose. NOTA: Quando o caso for encerrado por falência paciente deverá da, assinalar com um traço entre parênteses (-). Quando não realizado, assinalar com um traço entra parênteses (-). ser novamente registrado neste livro como caso de retratamento. RX Registrar X quando for realizado exame radiológico ao final do RX Registrar S quando as imagens radiológicas forem suspeitas de Tranff. A transferência será dada quando o doente for transferido para tratamento e traço entre parênteses (-) quando não-realizado. tuberculose. Registrar OP quando houver imagem sugestiva de outra outro serviço de saúde. patologia e Registrar N quando o aspecto radiológico for normal. Observações Registrar ocorrências não especificadas, como intolerância ao Quando o RX não for realizado, assinalar um traço entre parênteses medicamentosa, interrupção do tratamento, irregularidade (justificar) (-). e outros. HIV Registrar POS quando o resultado da sorologia para HIV for positvo e NEG quando negativo. Quando não realizado, assinalar com um traço entre parênteses (-).
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    Avaliação do resultadode tratamento estudo de coorte Avaliação Nos 9°, 12° e 15° meses conforme esquema utilizado Cura Transfe- Continuação Mudança Inscritos Abandono Óbito Falência Tratamento Forma clínica Comprovada N/Comprovada Total rência tratamento esquema Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Pulmonar positiva 100 Pulmonar s/confirmação 100 Inicial Extra-Pulmonar 100 Total 100 Retramento após Pulmonar positiva 100 aband. Retratamento Pulmonar 100 após cura postiiva Total 100 TB Pulmonar positiva 100 Associada com HIV+ ou Aids Pulmonar e outra forma 100 Falência 100 AVALIAÇÃO DO RESULTADO DO TRATAMENTO DE TUBERCULOSE Estudo de Coorte A avaliação permite conhecer a efetividade do Tratamento. e preencher as quadrículas correspondentes, assim como calcular os Toda Unidade de Saúde deverá avaliar o resultado dos casos tratados Caso não se esteja obtendo cura igual ou maior que 85%, deve-se percentuais. pelo estudo de coorte. identificar o(s) fator(es) que determinam esta baixa efetividade para Para realizar esse estudo é necessário coletar os dados da folha de Tratamento de nove meses corrigí-los. registro de pacientes deste livro. Separar os que foram inscritos há doze meses por forma clínica e avaliar Para o preenchimento das tabelas que compõem o estudo de coorte, Para os casos de tratamento Inicial (Esquema l) e Retratamento o resultado daqueles que receberam cura, abandono, transferência, deverão ser registrados a soma de todos os casos cujo tratamento tenham (Esquema l R) com duração de seis meses a avaliação será feita nove óbito, permaneceram em tratamento, falência de esquema e preencher as sido iniciados num determinado período, por exemplo: a coorte do 1° meses após o início do tratamento. Para os casos com HIV+ ou Aids quadrículas correspondentes, assim como calcular os percentuais. trimestre pode ser feita no mês de abril com os paciente notificados em (Esquema l Prolongado) e Meningite Tuberculosa (Esquema II) cuja agosto do ano anterior. Tratamento de doze meses duração é de nove meses, a avaliação será feita doze meses após o início Separar os que foram inscritos há doze meses por forma clínica e avaliar Tratamento de seis meses do tratamento. Para os casos de Falência de Tratamento (Esquema III) o resultado daqueles que receberam cura, abandono, transferência, Separar os que foram inscritos há noves meses passados por forma cuja duração é de doze meses, a avaliação será feita quinze meses após o óbito, permaneceram em tratamento, falência de esquema e preencher as clínica e avaliar o resultado daqueles que receberam cura, abandono, início do tratamento. quadrículas correspondentes, assim como calcular os percentuais. transferência, óbito, permaneceram em tratamento, falência de esquema
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    ATENÇÃO À SAÚDEDO ADULTO – TUBERCULOSE REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Ministério da Saúde. Tuberculose – guia de vigilância epidemiológica/elaborado pelo Comitê Técnico – Científico de Assessoramento à tuberculose e Comitê Assessor para Coinfecção HIV -Tuberculose – Brasília: Ministério da Saúde: Fundação Nacional de Saúde, 2002. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica. Manual técnico para o controle da tuberculose: cadernos de atenção básica/ Ministério da Saúde – 6 ed.ver. e ampl. – Brasília: Ministério da Saúde, 2002. DALCOMO, MP; FORTES A; MELO FF; MOTTA R; IDE NETO J; SESISCENTO M; GERHARDT G. Esquemas alternativos para o tratamento da tuberculose multiresistente. Bol Pneumol Sanit 1996. Controle da tuberculose: uma proposta de integração ensino-serviço. 5a edição – Rio de Janeiro: FUNASA/CRPHF/SBPT, 2002.p 82-96. 142
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    EQUIPE RESPONSÁVEL COLEÇÃO SAÚDEEM CASA Organizador Marco Antônio Bragança de Matos Consultora Maria Emi Shimazak ATENÇÃO À SAÚDE DO ADULTO TUBERCULOSE Autores Ailton Cesário Alves Júnior Cláudia Hermínia Lima e Silva Edilson Corrêa de Moura Colaboradores Benedito Scaranci Fernandes Miguel Aiub Hijjar Presidente da SMPT