A gramática brasileira em perspectiva

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A gramática brasileira em perspectiva

  1. 1. A gramática brasileira em perspectiva Marli Quadros Leite USP - CNPq
  2. 2. Como peça que é do conjunto ocidental da consolidação de uma visão sistematizada da gramática da língua, a organização da gramática vigente no Brasil é tributária, por via da gramática latina, da organização gramatical que emergiu do esforço de preservação da língua dos estudiosos de Alexandria, que, nas suas formulações, amparavam-se no aparato herdado do pensamento filosófico grego. Consequentemente, essa organização é tributária também da terminologia referente às entidades envolvidas. Neves (2011, p. 663) 25/04/2015VJornadadeEstudosdeLinguagem-UFF 2
  3. 3. Gramática: formação 1. uma nomenclatura (o/os nome(s) do conceito); 2. uma ou mais definições; 3. uma ou mais lista(s) de elemento(s); 4. textos de referência e suas datas. 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 3
  4. 4. Gramática: estrutura 1. Termos teóricos; 2. Definições; 3. Classificação; 4. Exemplos (Auroux, 2012, p. 31) 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 4
  5. 5. Ao mesmo tempo que as teorias linguísticas – sem exceção – se apresentam como alternativas (superações e rupturas) à gramática tradicional – numa posição de descontinuidade em relação a ela –, mantém uma proximidade surpreendente com suas questões, noções e classificações – como se numa relação de continuidade. Borges Neto (2012, p. 88) 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 5
  6. 6. Tipos de gramáticas (1) Conservadoras quando se beneficiam quase completamente de terminologia, conceitos, métodos, ou seja, do modelo teórico quase completo da gramática configurada na tradição greco-latina, apenas com adaptações pertinentes à língua objeto, descrita de acordo com sua realização do espaço-tempo em questão. 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 6
  7. 7. Tipos de gramáticas (2) Criativas quando, i) se beneficiam de terminologia(s) e conceito(s) tradicionais; ii) trazem nova(s) terminologia(s); ou iii) implementam nova ordem na disposição do conteúdo; MAS iv) não acrescentam novos conhecimentos à teoria linguística. 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 7
  8. 8. Tipos de gramáticas (3) Inovadoras quando i) criam conhecimento novo, sob a terminologia tradicional, ou sob nova terminologia; ii) aperfeiçoam conceitos existentes e elaboram outros novos, para explicar fenômenos que ainda não haviam sido bem explicados no decorrer dos séculos. São inventivas quando há inovação e ela é aceita pela comunidade científica (pelo grupos de especialidade) e o novo conceito passa a integrar o saber linguístico geral, válido para uma língua histórica, ou para muitas de estrutura semelhante (como para as línguas românicas, p. ex.). 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 8
  9. 9. Tipos de gramáticas (4) Inventivas quando há inovação e ela é aceita pela comunidade científica (pelo grupos de especialidade) e o novo conceito passa a integrar o saber linguístico geral, válido para uma língua histórica, ou para muitas de estrutura semelhante (como para as línguas românicas, p. ex.). 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 9
  10. 10. Inovação x invenção No domínio da história das ciências, distingue-se a inovação que é a aparição de alguma coisa nova e a invenção que é o estatuto que adquire uma inovação uma vez que ela tenha sido reconhecida e que ela tenha sido datada e estabilizada (podem- se admitir invenções múltiplas). Os historiadores das técnicas inverteram a terminologia: para eles a invenção é a descoberta de um novo processo, enquanto a inovação é o desenvolvimento social, industrial e comercial de uma tal descoberta. Auroux (2012, p. 39, nota 12) 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 10
  11. 11. Metodologia da pesquisa Análise realizada 1. pelas indicações paratextuais (título, dedicatórias, prefácio); 2. pela disposição da matéria estudada e seleção da modalidade e variação linguísticas analisadas; 3. pelo aproveitamento e incorporação de teorias e filosofias em vigor em cada época, a partir do aproveitamento, maior ou menor, da teoria de base da formação da gramática (a teoria greco-latina); 4. pela formulação e introdução de novos conceitos, ou aperfeiçoamento dos já existentes. 5. pelo corpo de exemplos escolhido para confirmar a regra ou, ao contrário, a partir dos quais a regra é formulada. 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 11
  12. 12. Denominação do objeto Há mais de quinhentos anos a língua portuguesa foi trazida ao Brasil. Nos séculos XVI a XVIII foi rotulada como o português no Brasil, pois era inteiramente lusitana, e não tinha superado as línguas indígenas. A partir do século XIX, a língua portuguesa tornou-se majoritária, começou a distanciar-se do português europeu, sendo então denominada português do Brasil. A partir dos anos 80 do século XX, suprime-se a preposição do, e começamos a falar em português brasileiro. Sinaliza-se com isso que novos distanciamentos tinham ocorrido, servindo a expressão para designar a identidade linguística dos brasileiros. (Castilho, 2010, p. 31) Grifos nossos 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 12
  13. 13. O estilo De vez em quando, crio um diálogo com você. (p. 36) 15.2 A reflexão gramatical, ou o dia em que virei linguista- gramático” Para deduzir, procuramos identificar nos dados analisados os princípios estabelecidos no momento teórico escolhido. Não deu certo? Ou, como diz a molecada na escola: o exemplo não encaixou na regra, professor, não encaixou! Calma no pedaço!” 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 13
  14. 14. Enquadramento da obra Prefácio Nova gramática do português brasileiro: tradição e ruptura Ao chamar seu livro de ‘gramática’. Ataliba Castilho pretende, evidentemente, inserir-se nessa tradição. Mas o modo como o faz é paradoxal, e não poderia ser de outra maneira, dada a sua história pessoal. (Rodolfo Ilari, Prefácio. In: Castilho, 2010, p. 26), 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 14
  15. 15. Público-alvo O público-alvo desta gramática são os professores do ensino médio, os alunos do curso superior, os professores universitários de Linguística Geral e de Linguística do Português Brasileiro, e as pessoas que se sintam atraídas pelo mistério das línguas naturais. (Castilho, p. 33). 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 15
  16. 16. Organização: diposição da máteria 1. O que se entende por gramática (p. 41 a 107) 2. Os sistemas linguísticos (p. 109 a 195) 3. História do português brasileiro (p. 169 a 195) 4. Diversidade do português brasileiro (p. 197 a 224) 5. A conversação e o texto (225 a 242) 6. Primeira abordagem de sentença (p. 243 a 276) 7. Estrutura funcional da sentença (p. 277 a 312) 8. Minissentença e sentença simples (p. 313 a 336) 9. A sentença complexa e sua tipologia (p. 337 a 390) 10. O sintagma verbal (p. 391 a 452) 11. O sintagma nominal (p. 453 a 510) 12. O sintagma adjetival (p. 511 a 540) 13. O sintagma adverbial (p. 541 a 582) 14. O sintagma preposicional (p. 583 a 610) 15. Algumas generalizações sobre a gramática do português brasileiro. A reflexão gramatical (p. 611 a 662) 16. ?????? 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 16
  17. 17. Objetivo Desvelar o conhecimento linguístico armazenado na mente dos falantes, desde o cidadão analfabeto até o escritor laureado. (Castilho, 2010, p. 32) 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 17
  18. 18. Justificativa: paradoxo Deixando de lado uma bisonha repulsa aos achados da Gramática tradicional, este livro mostra como as pesquisas linguísticas, na verdade, aprofundaram e enriqueceram esses achados, operando a partir de princípios e aplicando uma metodologia segura, ou seja, a oposição ‘linguista versus gramático’, bastante cultivada nas décadas de 1960 e 1970, fase em que a Linguística moderna se implantou no Brasil, foi superada pela pesquisa científica. Gramáticos aprimoraram sua formação. Linguistas passaram a ocupar-se com a redação de gramáticas. E todos viveram felizes para sempre. (Castilho, 2010, p. 33) 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 18
  19. 19. A descrição: verbo • Morfológico: “são identificadas como verbos classes que dispõem de um radical e de morfemas flexionais específicos.” (p. 392) • Sintaxe: “[verbos são] palavras que articulam argumentos, via princípio de projeção”. (p. 395) • Semânticos: “os verbos expressam os estados de coisas, entendendo-se por isso as ações, os estados e os eventos de que precisamos quando falamos ou escrevemos.” (p. 396) • Discursivo: “palavra que introduz participantes no texto”; “que os qualifica devidamente, via processo da predicação”; “que concorre para a constituição dos gêneros discursivos, via alternância de tempos e modos.” (p. 396) 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 19
  20. 20. A descrição: substantivo (1) contáveis/não contáveis (e, como subclasse, os concretos e os abstratos); (2) animados/inanimados (e, como subclasse dos primeiros, os humanos/não humanos); (3) os comuns/próprios.” (Castilho, 2010, p. 467). 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 20
  21. 21. Exemplos Natureza: forjados e de língua falada [Projeto de Estudo da Norma Urbana Culta do Brasil (Projeto NURC – Brasil)] 11.2.3.3.4 TEMA FENDIDO O primeiro tema se desdobra em diversos temas sentenciais, como em (51) A Linguística é a ciência dos signos verbais. A Pragmática estuda as relações entre os signos e a sociedade. A Semântica, as relações entre os signos e seus referentes. A Gramática, as relações entre os signos entre si. - Pô, professor, até aqui!!! (Castilho, 2010, p. 472) 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 21
  22. 22. Finalmente 1. O dinamismo da gramática 2. Sobre a obra analisada: 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 22
  23. 23. Bibliografia Fonte CASTILHO, Ataliba Teixeira de (2010). Nova gramática do português brasileiro. São Paulo : Contexto. Estudos AUROUX, S. (1987). Histoire des sciences et entropie des systèmes scientifiques. Les horizonts de retrospection. In: P. Schimitter (éd.) Geschichte der sprachtheorie, 1. Zur theorie und methode der geschichtsschreibung der linguistik. Tübingen : Gunter Narr Verlag, p. 20-42. _________ (1992). A revolução tecnológica da gramatização. Trad.Eni Orlandi. Campinas SP : Ed. Da UNICAMP. _________ (1998). La raison, le langage et les normes.Paris : PUF. _________ (2006). Les modes d’historicisation. Histoire Épistemologie Langage (HEL) 28/1 (2006), p. 105-116. _________ (2007). La question de l’origine des langues, suivi de l’historicité des sciences. Paris : PUF. 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 23
  24. 24. Bibliografia CAVALIERE, R. (2014). A gramática no Brasil. Rio de Janeiro : Lexikon. COLOMBAT, B.; FOURNIER, J-M.; PUECH, C. (2010). Histoires des idées sur le langages et les langues. Paris : Klincksieck. COSERIU, E. (1980). Tradição e novidade na ciência da linguagem. Rio de Janeiro : Presença/EDUSP. LEITE, M. Q. (2014). Tradição, invenção e inovação da língua portuguesa. In NEVES, M. H. de M.; CASSEB-GALVÃO, V. Gramáticas contemporâneas do português. São Paulo : Parábola. NEVEU, F.; LAUWERS, P. (2007). La notion de ‘tradition grammaticale’ et son usage en linguistique française. Langages, 167 : 7-27 25/04/2015 VJornadadeEstudosde Linguagem-UFF 24

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