O cristal a queda do símbolo livro 1

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O cristal a queda do símbolo livro 1

  1. 1. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souza O CRISTAL A queda do símbolo livro 1 Uriel dos Santos Souza Capitulo I O começo da história Como o cristal foi concebido e sua história saberemos maistarde, por enquanto podemos saber que ele não é bom, foi criadopara o mal, seus poderes maléficos foram utilizados na Terceira Eraem uma dimensão diferente da nossa em uma terra tambémdiferente da nossa, denominada Terra dos Dois Sóis, nada1
  2. 2. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzamagnético ou eletrônico funciona nessa terra. Também saberemosmais dessa terra no decorrer da história, não teria graça saber detudo agora. O Cristal Anûum é pequeno, tem formato de piramide,é do tamanho de um pequeno anel, possui cor azul escura quasenegra. Na Segunda Grande Guerra da Terceira Era este cristal foiencravado na espada de Gandor conhecido como o “Senhor doMal”, todos sabem que não foi ele quem criou o cristal. Gandor eramuito poderoso sem o cristal, mas com o cristal encravado em suaespada ficou quase invencível, quase, pois quando todos pensavamque ele tinha vencido a Segunda Grande Guerra da Terceira Era eque controlaria todas as terras deste mundo, ele perdeu, perdeu suapoderosa espada, ela quebrou-se em mil pedaços, o cristal se perdeu,sumiu no ar. Uns dizem que o cristal também havia se quebrado, outrosdizem que ele desapareceu e jamais vai retornar ou outros dizemque ele ainda vai reaparecer. Infelizmente a segunda opção é averdadeira, ele não se perdeu, de alguma forma foi transportadopara outra dimensão, à dimensão dos homens, ou seja, em nossomundo. Esse negócio de dimensões pode ser explicado pela Teoriadas Cordas, essa teoria diz que podem existir onze dimensões, umadelas é a nossa a outra pode ser a Terra dos Dois Sóis, nada aindaestá provado. Aqui o cristal não tem qualquer poder, apenas emite um brilhosingular, como nenhuma outra pedra existente em nosso mundo.Segundo os Velhos Sábios, pessoas estudiosas e muito importantes2
  3. 3. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzana Terra dos Dois Sóis, que sabiam para onde o cristal tinha ido,eles dizem que o cristal foi transportado para a nossa dimensão porcausa dos poderes contidos nas espadas do Senhor do Mal e doSenhor do Povos Das Montanhas. O contato da espada branca deGandor com a espada negra de Saspiam Senhor do Povo dasMontanhas. O poder destes metais especiais mais os poderes dosseus possuidores fizeram com que o cristal fosse transportado paranosso mundo. Como não possuía qualquer poder maléfico em nosso mundo, eo Senhor do Mal tinha sido destruído. Pelo menos sua forma física,não havia necessidade de virem até aqui buscar o cristal para enfimdestruí-lo. E caso o Senhor do Mal não estivesse totalmentedestruído e tentasse conseguir novamente o cristal, seria melhordeixá-lo aqui, ele não conseguiria facilmente chegar sem estartotalmente recuperado e se ele se recuperasse todos saberiam, seriapraticamente impossível ele se recuperar sem ninguém saber.Mesmo tentando esconder-se não conseguiria por muito tempo. Passaram-se muitos e muitos anos após a Segunda GrandeGuerra, todos os povos praticamente esqueceram do terror doSenhor do Mal e da crueldade da Segunda Grande Guerra, agora aTerra Dos Dois Sois tinha apenas pequenas guerras locais, porterritório ou por qualquer outro motivo, existem povos que seodeiam há muitas Eras sem saberem os motivos de tanto ódio.Houve inúmeras migrações, os povos saíram de suas terras deorigem, uns porque a terra estava seca e sem vida, outros porque3
  4. 4. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzaqueriam mudar de ares, e ainda outros não tinham motivosconclusivos. Muitas gerações nasceram e morreram, hoje os seresmais idosos acham que essas novas terras são suas terras de origem. O tempo no mundo dos homens passa muito mais lentamente doque o tempo na Terra Dos Dois Sóis, enquanto aqui passamos umsimples ano, lá já se passaram vários anos. O cristal chegou aqui eficou perdido por centenas de anos contados por nós até que... Marco I era uma criança, quando achou o pequeno CristalAnûum, num terreno remexido para se fazer uma construção, elebrincava na terra quando o viu, imediatamente o achou lindo, seusolhos brilharam, olhou para os lados verificando se tinha alguém,não enxergou nada, parecia que tudo estava deserto. Ele pegou ocristal, observou por alguns segundos. – Que pedra linda! - pensou ele. - e ela vai ser minha! -concluiu. Quando escutou o barulho de seus amigos chegando escondeurapidamente a pedra, deu uma desculpa qualquer, correu para casa.Lá colocou um fio em sua volta, escondeu, sempre admirava a belapedra, nunca contou nada a ninguém, nem sua amada esposa soubedele. Marco I achava que deveria ser só dele de mais ninguém.Depois de vários anos uma única vez mostrou para alguém, quandopresenteou seu único neto o amado e querido Marco II. Marco II também era uma criança quando colocou as pequenasmãos no cristal, apenas dez anos de idade. Adorou o presente do4
  5. 5. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzaquerido avô, seus olhos não brilharam, ele não sentiu o que o avôsentira quando viu o cristal pela primeira vez. Marco I achouestranho, mas não disse nada. Neto e avô se adoravam, brincavamjuntos, o velho lhe contava histórias, contos brasileiros, Kuka, SaciPererê, Boitatá, Caipora, Curupira entre muitos outros, contos queachava que o mundo inteiro deveria conhecer, chegou a escreverlivros sobre isso, mas nunca teve tempo para publicá-los, além dissoera ótimo amigo. – Tudo começou antes de os portugueses chegarem aqui! -disse o velho fazendo uma voz apropriada para uma história deterror - a Boitatá é uma lenda dos Índios brasileiros, e naquela épocaeste lugar que chamamos de Brasil não tinha nome nenhum, osÍndios não se sentiam donos da terra e por isso não davam nome aela – explicou o avô. - nos primeiros anos que o homem nãoindígena chegou aqui, começaram a derrubar uma árvore chamadaPau Brasil, que como você sabe deu nome a nosso país. A Boitatánão gostava nada nada disso, como você já sabe meu neto, ela é umabola de fogo! – e ele fez um barulho estranho tentando imitar ofogo. - que queima os homens, ela não queima nada além dehomens, caminha pela floresta iluminando tudo, quando encontraum homem perdido ou fazendo coisas erradas com a floresta,coitado desse homem! - Eu já conheço essa vovô! Me conte outra. - disse Marcomostrando impaciência. - Está bem! Esta bem! - o velho deu um sorriso amável econtinuou. - Vou lhe contar uma história do arteiro Saci Pererê! Elecomeça a contar a bonita história, o Saci gosta mesmo é de fazer5
  6. 6. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzabagunça. O menino dorme no meio da história. Sem qualquer explicação o velho desapareceu, numa noiteestava rindo e contando histórias na outra só estavam as lembranças,não deixou rastros, e não havia motivos aparentes para desaparecer,ele era feliz, e sempre muito de bem com a vida, a família tentou detudo, internet, rádio e TV, nunca encontraram uma só pista. Marconunca se conformou com o sumiço do avô, não acreditava que eletinha ido embora por livre e espontânea vontade, alguma coisaestava errada, pensava que ainda iria ver o velho e querido avô. Seis anos depois de ganhar o cristal do avô e do mesmodesaparecer. Marco agora estava com dezesseis anos de idade, nãotinha muitos amigos, vivendo bastante sozinho, todo dia pensava noavô e passava as mãos no pescoço, tinha deixado o cristal numcolar. Segurava o cristal com força e lacrimejava ao lembrar do avô. – Paraná, Brasil, Curitiba, é onde está o cristal! - disse Mochum dos discípulos e general do Senhor do Mal. Como os seguidores do Senhor do Mal descobriram onde está ocristal saberemos mais tarde. Moch é do povo Lobisomem um dospovos que seguem o Senhor do Mal. Felizmente algumaspouquíssimas aldeias do Leste deste povo não o seguem, pois nemtodos possuem as mesmas ideias e crenças. São meio homem e meiolobo, cara de lobo, rápidos como lobo e inteligentes como umhomem, não usam roupas muito elaboradas bastando uma tanga6
  7. 7. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzaescondendo as partes íntimas e pronto, Mas nas batalhas usamarmaduras que cobrem algumas partes do corpo. Mesmo no frio daSegunda Era eles pareciam não se incomodar com o frio de 30 grausabaixo de zero, grande quantidade de pelos pelo corpo os ajudavammuito. O povo de Moch não tem o poder para virem até aqui, oupara vigiar nosso mundo, eles são melhores na guerra, exímiossoldados, rápidos e certeiros, então um outro ser com podersuficiente tinha informado o paradeiro do cristal. * - As coisas estão mudando muito desde que os seguidores doSenhor do Mal descobriram onde o cristal está! – disse Haltam, umdos velhos sábios. - muitos anos se passaram depois da GrandeGuerra e o Senhor do Mal não morreu, como nós sabemos, ele estáse regenerando. Por enquanto é apenas uma fumaça sem forma! -Haltam abaixou a cabeça parecia mais velho e triste. - seusseguidores estão se juntando mais uma vez, desta vez com maispovos do que antes, se caso o Senhor do Mal conseguir pegar ocristal, irá vencer a Terceira Grande Guerra! - Haltam viu os outrossábios a sua volta assustarem-se e entreolharem-se. Ele continuou. -vai haver uma Grande Guerra meus velhos amigos! Caso não – eledeu uma pausa intimidadora. - seja vencida pelos povos livres aTerra dos Dois Sóis ficará feia, triste e sem vida. Os povos livresserão escravos, muitos morrerão, e não vai mais existir liberdade.Nós não podemos deixar isso acontecer! - Mas Haltam! - disse um dos sábios. – Teremos como venceressa guerra?7
  8. 8. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souza - Não sei meu amigo! Infelizmente não tenho o poder daadivinhação! Mas temos que tentar! - um brilho apareceu nos olhosde Haltam. * Marco não é muito bom com nada, não é bom em futebol, nopaís do futebol, sempre o último a ser chamado, não é bom emnenhum esporte, nem xadrez, nem bom de matemática, gosta de verTV e só, não é muito bom com computadores, ele participa dealgumas redes sociais, e faz pesquisas na Web, nada além. É umapessoa normal sem dons segundo ele, meio magrela, nem branconem negro, por ser filho de mãe branca e pai negro, algo normal noBrasil. Por falar em seus pais, eles não são omissos, mas tambémnão estão muito presentes na vida de Marco, eles trabalham muito.O pai possui sua própria empresa, sempre é o primeiro a chegar e oúltimo a sair, a mãe é executiva de uma empresa de Software Livre,os dois estão sempre sem tempo para o filho, mas o amam muito. Marco acabava sempre ficando sozinho, olhando para a TV esonhando, de vez em quando lembrando do avô. Marco tem essenome por causa do avô materno, que recebeu o mesmo nome deseus pais por causa do grande “Marco Polo” grande aventureiroitaliano. Mas nosso Marco é comum, não é forte e nem muitoaventureiro, prefere mudar seu caminho só em caso de extremanecessidade, é um pouco mais baixo que outros com dezesseis anos.Mas ele sonhava, sonhava em ter grandes aventuras, fazer coisasdiferentes, mas, nunca fez nada, nem tinha coragem de fazer nada,8
  9. 9. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzasair daquela vida simples e fácil não parecia ser uma coisa muitosensata, depois de sonhar com grandes aventuras ele reclamava quenão podia fazer nada, como muita gente que conhecemos. Quemdiria que esse garoto tinha uma história em outro mundo. Em alguns meses Marco percebeu que o cristal começou abrilhar mais. - Uma pedra não podia brilhar assim - pensava eleobservando a pequena pedra de cor extremamente azul. mas nãoligava muito, apenas lembrava do velho avô, e se sentia triste. Ocristal estava sentindo a presença do seu dono, que a cada diaadquiria mais poder, ele queria de alguma forma voltar para a TerraDos Sóis, mas no mundo dos homens ele não tinha poder e nãopodia voltar para seu verdadeiro dono, não podia fazer nada além debrilhar de forma estranha. * No mundo dos Dois Sóis os povos livres estavam começando ase preparar para a guerra, só não sabiam quando ela começaria, sósabiam que aconteceria e desta vez seria pior que a última grandeguerra. Vários mensageiros foram mandados pelo mundo para tentarconseguir novos aliados. A maioria dos lugares por onde passaramos Reis e Senhores já tinham se aliado ao Senhor do Mal. Outrosnão queriam se envolver por medo. Se Gandor vencer o que fariacom aqueles que lutaram contra ele? - Vociferam nos ouvidos dosmensageiros. Temiam por seus povos e por eles mesmos. Os quedesejavam lutar tinham poucos soldados para oferecer mas, por9
  10. 10. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzamenos que fossem, eram de grande ajuda. Os Velhos Sábios sabiam que o Senhor do Mal tentaria dequalquer forma ir para o mundo do homens pegar o seu cristal.Enquanto não tiver poder ou aliados que podem ir para o mundo doshomens, caso alguém passe para nosso mundo e entregue o cristalpara o Senhor do Mal estaremos perdidos, não teremos qualquerchance. Com o cristal o Gandor e seus aliados ficarão desta vez,invencíveis. Depois de muitas reuniões e estudos os Sábios resolverammandar alguém para o mundo dos homens, antes que o Senhor doMal o fizesse pela segunda vez. Queriam mandar um homem denome Valquir, ele seria o único capaz de aguentar a viagem entre asdimensões, o povo de Valquir não tem poderes e vivem menos queoutros povos, mas são fortes, rápidos, inteligentes e muito maiscoisas. Valquir foi convidado a participar do conselho dos Sábios,ele foi o único não Sábio a ser convidado desde a Segunda GrandeGuerra, muitas gerações do povo de Valquir tinha nascido e morridoem todo esse tempo. - Temos que mandá-lo para o mundo dos homens, meu amigo! –disse Haltam para Valquir com um pequeno sorriso - temo que jáestejamos atrasados, já deveríamos ter mandado alguém lá há algumtempo! - Haltam nós sabemos que você é muito conhecedor dos poderesdo cristal e do Senhor do Mal, mas o Conselho decidiu não mandar10
  11. 11. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzaninguém até que fosse provado que o Senhor do Mal estava vivo! -exclamou Fendef, parecendo indguinado. - Ah! meu velho e barbudo Fendef, do bom povo do Leste. Essefoi nosso erro, pois também não mandamos ninguém verificar osrumores de que o Senhor do Mal estava vivo! Nossa velhice nosatrapalhou, fomos muito lentos para tomar nossa decisão! - Haltamficou mais triste parecendo extremamente velho e cansado. - Agoraele já está juntando seus aliados e aumentando o seu poder a cadadia, e também já sabe onde e com quem está o cristal, apenas nãotem como chegar até ele, por enquanto! - Segundo minhas fontes ele já tem mais aliados que na SegundaGrande Guerra! - Haltam escutou Fauke dizer tristemente. Fauke éSábio do Povo das Montanhas. - Então mandaremos Valquir o mais rápido possível! RespondeuHaltam em voz alta para todos o ouvirem. - Estou pronto para ir agora mesmo! - disse Valquir enristando ocorpo e olhando o semi circulo cheio de velhos e seres esquisitos. - Teremos que reunir todos os poderes da maioria dos Sábios dospovos amigos, como vejo, não estão todos aqui! Você irá em breve,Valquir! - Quando os senhores desejarem!- respondeu prontamente. - Antes de mandá-lo para lá, nós vamos lhe mostrar onde ocristal está e com quem! - Haltam apontou em direção a porta.Valquir percebeu que ele estava mais alegre, não parecia tão velho enem cansado. Foram todos para uma outra sala, escura, fria, com uma bolaenorme no meio, transparente, brilhava com uma luz estranha e11
  12. 12. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzaassustadora. -Valquir, aqui você verá aquele que carrega o cristal, observebem! - Haltam ergueu a vós. - quando for até lá você terá queconvencê-lo a vir para nosso mundo! Não vai ser fácil, os homensdaquela terra não sabem da existência do nosso mundo e tambémnão acreditam em qualquer coisa! - Observe que eles possuem casas uma em cima da outra,chamam isso de prédios ou edifícios, e também possuem apenas umsol! - explicou Haltam parecendo um professor que adora a matériaque leciona. * Um mês se passou no mundo dos homens, na Terra Dos DoisSóis passaram-se muito mais que um mês, Valquir observou tudoque pôde. - Pronto Valquir? Perguntou Haltam. - Você irá hoje, espero quejá saiba como trará o cristal e seu possuidor! Não vou lhe darconselhos, acredito que conseguira! - disse o velho batendo a mãonas costas de Valquir. - lembre-se não encoste no cristal, ele irácorromper seu coração e seu espirito, qualquer um de nosso mundoque encostar no cristal será corrompido por ele, o cristal fará vocêfazer coisas que jamais faria, e ainda vai fazê-lo ir ao encontro doSenhor do Mal. Entendeu? - Perguntou Haltam em tom imperativo. - Sim Haltam! Todos do nosso mundo que tocarem o cristalserão corrompidos! - Respondeu Valquir rapidamente. - Valquir quero que deixe sua espada aqui! - pediu Haltam.- naquele mundo eles não entenderão um homem com uma espada,o tempo das espadas no mundo dos homens foi há muito tempo.-12
  13. 13. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzaexplicou vendo que Valquir não tinha gostado da ideia. Valquir entregou sua linda espada negra de brilho lindamenteestranho, sentiu tristeza, eles viveram grandes aventuras juntos. Então Haltam falou. - Senhores Sábios, de quase todos os povos amigos!Infelizmente alguns Sábios não puderam chegar até aqui, problemasem relação a nossos inimigos! Vamos usar nosso poder juntos paramandar Valquir para o mundo dos homens, vai doer muito a viagem!- Haltam olhou para Valquir com olhar de pena. - pois nosso podernão é suficiente para mandá-lo numa viagem sem problemas. - Espero que o possuidor do cristal entenda nosso problema eque venha nos ajudar! Pegue essa pequena pedra! Haltam entrega uma pedra pequena negra reluzente para Valquir. – Essa pedra precisa ser quebrada, jogue-a no chão quandodesejar voltar para nosso mundo – explicou Haltam - volte com opossuidor do cristal. Você tem dois dias do mundo deles para isso,senão a pedra vai perder seu poder. Caso não consiga, você nãovoltará. - Valquir viu a tristeza voltar nos olhos do sábio. - e não seio que acontecerá em nossa terra. * No meio de um círculo feito por todos os Sábios, Valquiresperava para partir. Do nada uma luz azulada começou a emanardas mãos de todos os sábios. Os olhos deles ficaram vermelhos, umvento forte passa por todos, raios e trovões são ouvidos e vistos porValquir, a claridade da luz azulada aumentava muito.13
  14. 14. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souza Valquir não enxergou mais nada. Uma dor enorme fez tremerseu corpo, já muito castigado. Ele gritou, era como se estivessesendo rasgado em pequenos pedaços. A dor estava realmente muitogrande, ele chegou a pensar em desistir da viagem por causa daenorme dor, depois não viu mais nada, desmaiou. Quando finalmente voltou a si, já estava no mundo dos homens,acordou pregado no chão, sentiu nas mãos e no rosto grãos de areiamolhada e áspera. Valquir olhou para os lados, estava num pequenoparque para crianças. Levantou-se, olhou suas roupas elas pareciama de um mendigo, muito batidas e um pouco sujas. Olhando paracima espantou-se com apenas um sol e percebeu que era a primeirahora da manhã. Valquir olhou para os lados para saber onde estava,viu os prédios e achou aquilo muito estranho, seres malucos, chegoua pensar. Sabendo exatamente onde se encontrava tomou o rumo dacasa de Marco em algumas horas, o menino iria para a escola. Comosabia o trajeto que o garoto percorria, foi até ele. Enquanto andavarapidamente, engoliu umas sementes de cor estranha e gostohorrível para poder falar e entender as palavras do Português, línguafalada no Brasil, fez caretas estranhas. Quase foi atropelado por umcarro quando tentou atravessar uma avenida. Ele viu o carroadmirou-se por ele não ter cavalos e fazer um barulho muitoestranho e andar muito, muito rápido. Foi observado por todos por onde passava, não se incomodoucom isso, ele também achou estranhas as roupas dessas pessoas. No caminho pensou se conseguiria convencer aquele quecarrega o cristal a sair da sua terra. Tentaria de todas as formas. Ecaso não desse certo Valquir não voltaria, ficaria ali observando até14
  15. 15. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzao Senhor do Mal tentar alguma coisa, protegeria o possuidor docristal com a sua vida, se preciso fosse. Valquir finalmente chegou na rua que Marco utilizava para irpara escola, e esperou. * - Ei você, Marco! - chamou Valquir. Voltando os olhos para trás, um homem alto, cabelos pretosondulados compridos pelo ombro, rosto com a barba por fazer,algumas cicatrizes rasgavam seu pescoço e queixo e um enormecorte perto do olho esquerdo, uma velha capa surrada e meio suja,seus olhos penetrantes o atingiram como uma faca. As pernas deMarco ficaram moles. - O quê? Você me chamou? - perguntou Marco assustado - Sim, eu o chamei, meu nome é Valquir! E venho por causa docristal no seu colar! - Valquir sentiu que foi imprudente, disse tudomuito rápido. - O quê?! Como você sabe dele? - o medo tomou conta do corpode Marco, suas pernas ficaram mais moles ainda. Pensou que seriaassaltado. - Ele veio do meu mundo! Precisa ser destruído lá! - Tentouexplicar Valquir, ansiosamente. - Q... que história é essa? Seu mundo? Vo... você está louco? -disse Marco pensando que tinha encontrado um mendigo maluco. - Eu venho de outro mundo, e preciso que você volte comigopara lá, só você pode destruir o cristal! - tentou explicar mais uma15
  16. 16. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzavez. - Eu destruir?! Não, não vou destruir a única lembrança de meuavô! - vociferou o menino. - Ele emite um brilho estranho, não emite? Perguntou Valquir. -nenhuma outra pedra no seu mundo faz isso não é? Por favor,preciso que nos ajude, você é nossa última esperança! Sem destruiro cristal as coisas podem ficar muito ruins na minha terra. - Marcoviu o homem abaixar a cabeça, parecendo imensamente triste esentiu pena. – Vamos comigo! - insistiu Valquir, pegando num dos braçosde Marco com força. – Não! Não vou! - Marco largou-se saiu correndo de medo,desaparecendo entre as ruas. -É! Vai ser mais difícil do que eu pensava, deveria ter usado umaestratégia diferente - Pensou Valquir lamentando-se. * O primeiro dia passou, Valquir só tinha mais um dia. Ainda nãosabia como convencer Marco a ir para seu mundo e destruir ocristal. Marco voltou para casa, e dormiu pensando naquele homem.Quando acordou de manhã, antes de se arrumar para ir a escola. – Ele deve ser maluco, mendigo doido, só pode! Pensou ele. -um outro mundo! Isso não existe. E ainda queria que eu destruísse opresente do meu avô, homem doido! - disse para si mesmo. - Ele queria me roubar, só pode, mas como sabia da existência do16
  17. 17. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzameu cristal. Meu avô nunca contou para ninguém, e eu tambémnunca falei nada! Ver ele não viu tenho certeza. Estou com medo,espero não vê-lo novamente. - Hoje vou tomar um caminho diferente. Aquele mendigo deveriaestar dormindo naquela rua, assim ele não vai me encher mais! -concluiu orgulhoso de si. Valquir esperou no mesmo lugar e nada, Marco não apareceu. Apreocupação tomou conta. O que faria? Teria mesmo que ficar ali?Será que não conseguiria realizar mais essa missão? - Falta pouquíssimo tempo para a pedra negra perder seu poder.E se algum aliado do Senhor do Mal já estivesse chegado? - pensou. Marco voltou para casa satisfeito por não encontrar nenhummendigo. Entrou pelo portão da bela casa de seus pais, foi para asala, jogou a mochila num canto qualquer, ligou a TV, deixou numcanal de series, se desmontou no sofá. Ficou lá até sentir vontade de tomar banho, era noite, correu atéseu quarto. De súbito antes de conseguir acender a lampada alguémo pegou por trás, ele não conseguiu ver quem era, esforçou-se paragritar, não conseguiu, a criatura tampou sua boca, tentou sedesvincilhar, não conseguiu, a criatura era muito mais forte que ele.Marco pensou que estava sendo sequestrado. Escutou um estalo nochão, tudo ficou claro e azulado, depois não sentiu e nem viu maisnada. Marco acordou num lugar estranho, sentindo em suas costasuma cama dura e desconfortável, um pano branco e muito macio17
  18. 18. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzacobria seu corpo, correu um gelo em sua espinha por não estar emseu quarto e seu coração disparou. Olhou em volta assustado, viupedras entrepostas uma em cima da outra, sem qualquer massa oucoisa no meio para fixá-las, paredes escuras, o quarto era frio, tendoum ar de ser muito, muito antigo. O medo estremeceu seu corpo,passou as mãos por seu rosto sem barba. Marco tentou levantar, foiimpedido pelas dores no corpo, sentia como se tivesse sidoatropelado por um trem. - Onde será que estou? - pensou. - que lugar estranho! Fuisequestrado? - se indagou, sentindo medo da resposta, o coraçãoqueria sai pela boca. Ele escutou passos, ao longe, tremeu. Ospassos ficaram cada vez mais alto. Depois param, porta se abriu.Um homem, alto, velho, cabeludo e barbudo, com chapéu de pontae roupas estranhas, largas, volumosas e extremamente verdes. - Olá, Marco! - uma voz forte, grossa e calma saiu da boca dovelho invadindo os ouvidos do garoto. - Quem é você? - perguntou Marco com medo e curiosidade. - Sou apenas o velho! - disse amavelmente – fui eu quem pediupara Valquir lhe trazer para nosso mundo, me chamam de Haltam! - O quê?! Aquele mendigo? Ele queria me roubar! - indignou-se. - Não ele não queria te roubar! Olhe – o velho apontou uma desuas longas mãos em direção ao peito do menino. Marco viu dedosvelhos e gastos apareceram. - o cristal ainda está em seu pescoçonão está? Marco rapidamente voltou-se para olhar o cristal, ainda estavalá! Intacto só que brilhando muito mais que antes. - Viu! ele está aí, com você! - falou calmamente o velho olhando18
  19. 19. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzapara cima. Depois de uma inspirada e expirada forte, Marco falou. – Hum? Então ele falava a verdade? - indagou. - Onde estou? – Sim ele falava a verdade! - Marco viu o velho parar por umsegundo e continuar. - você está na Terra do Dois Sóis! E no Castelodos conselheiros ou o Castelo dos Sábios, como dizem muitos seres. - Dois Sóis? Castelo dos Sábio? Como assim? Você também élouco? - Na sua terra existe uma estrela que brilha e faz o dia, não tem?- perguntou o velho. - Sim, o nosso Sol! - respondeu prontamente. - Aqui existem duas estrelas que fazem o dia! E não, eu nãoestou louco! Olhe as minhas roupas – Haltam fez um gesto bonitomostrando as vestes. - parece alguma coisa que vestem em seumundo? Olhe em volta, você enxerga algo parecido em seu mundo? Marco olhou calmamente para as roupas de Haltam em suafrente, e olhou mais uma vez por todos os lados. - Faz sentido! É estranho mesmo, nunca vi ninguém usar essasroupas ou um lugar assim com essas paredes... -Castelo dosconselheiros? O senhor disse não disse? Que conselheiros? -perguntou Marco. - Seu primeiro nome foi Castelo dos Conselheiros, mas todonosso mundo o conhece pelo nome de Castelo dos Sábios. – Cada povo livre tem seu conselheiro, um velho assim comoeu! Nós temos alguns poderes, e podemos ajudar onde estamos,somos as vezes a última esperança desses povos, nós existimos efomos criados para ajudar aqueles precisam. E onde você está é olocal em que fazemos nossas reuniões. Decidimos muitas coisas, e19
  20. 20. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzaseres de todo o mundo chegam aqui em nossas portas pedindoajuda, este castelo é muito, muito antigo! Mas – Haltam fez umapausa. - vou mudar de assunto, temos outros assuntos maisimportantes a tratar agora! Haltam deu uma lenta inspirada, recomeçou a falar. - Infelizmente Valquir não conseguiu convencê-lo a vir para cá,por sua livre e espontânea vontade, ele teve que lhe trazer a força! - Eu percebi! E quero voltar para minha casa! - disseimpacientemente. - Valquir o trouxe sem o seu consentimento, mas, não podemosprendê-lo aqui! Você decidirá se quer ficar ou não, se deseja ou nãonos ajudar! Não podemos forçá-lo a nada! - Haltam se calou por umsegundo. - antes de você decidir quero que saiba nossa história,saiba o que o cristal significa em nossa terra. Depois você decidiráse vão esquecer de você no seu mundo ou não! - Hum? Como assim? Acho que não entendi bem o que o senhordisse! - Calma! - disse o velho em tom imperativo. - Na hora certavocê saberá de tudo e com muitos detalhes! Tudo tem sua horamenino! - Antes, quero que você coma estas sementes, elas têm um gostohorrível! - Haltam sorriu e entregou umas sementes nas mãos deMarco. – O que essas sementes fazem? - perguntou Marco curiosoolhando para as sementes em suas mãos. – Elas vão fazê-lo entender o idioma de nosso mundo, o20
  21. 21. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos SouzaIdioma Geral. Sem elas você nunca entenderia uma só sílaba doIdioma Geral! Coma! Você não vai gostar delas! - mais um sorrisoapareceu no rosto de Haltam, o velho parecia divertir-se. Marco gostou daquele senhor, parecia sincero, amável, até certoponto lembrava seu querido avô, embora tudo aquilo que ele diziaparecia uma loucura. Depois de alguns segundos pensando resolveucomer as sementes. Um gosto horrível encheu sua boca, sentiuvontade de vomitar. - Não jogue fora menino, engula tudo! - disse o velho sorrindocom o canto da boca. - Que gosto horrível tem isso! - gritou o garoto. Quando tentou falar mais uma vez, percebeu que não diziapalavras do português. Falava com sons esquisitos, mas que faziamtodo o sentido. Estava falando o Idioma Geral. – Saiba Marco! Algumas palavras você pode não entender, vaidemorar alguns minutos para as sementes fazerem o efeito total. – Agora fique aí! Troque a sua roupa, pegue esta aí no canto, éuma roupa desta terra, ela é quente no frio e fresca no calor, não ébonita como as de seu povo, mas lhe servirá bem! Você seráchamado em breve. Marco olhou para o canto para qual Haltam apontava e viu umabota de couro esverdeado, parecendo ser coturno mas, sem fios paraamarrá-los, não tinha sola, parecia feita de uma só peça, não muitobonita, uma calça de pano esquisito, muito sedoso, e bom de vestir,uma camisa que parecia de seda, só que melhor, mais um sobretudocom capuz, tudo de tom esverdeado meio escuro. Eram essas asroupas.21
  22. 22. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souza O velho saiu com seu andar lento e ponderado, encontrou naporta Valquir, ambos se cumprimentaram. Haltam desapareceu pelocorredor, enquanto Valquir se dirigia na direção de Marco. - Peço desculpas por ter lhe trazido a força para nosso mundo!Não tive outra escolha, você não acreditaria em mim! - Eu nunca acreditaria! Uma história dessas! Ainda acho queestou sonhando! - Não, você não está sonhando. Infelizmente não, tudo isso éverdade!- Marco viu um suspiro de Valquir. - Fiz aquilo por doismotivos: um você já sabe, o segundo vou lhe dizer agora. Eu vi emsua terra alguns aliados do Senhor do Mal, não sei como eleschegaram até você, alguém com poderes suficientes uniu-se a ele. - Senhor do Mal? Do que está falando? - Inqueriu Marco. - O Senhor do Mal é o verdadeiro dono deste cristal! Ou pelomenos se declara seu verdadeiro dono! Logo você saberá mais sobreele e também sobre o cristal. - Valquir baixou a cabeça e disse emvoz baixa, quase chorosa. - Peço-lhe desculpas mais uma vez peloque fiz! - Pelo que você me disse, e se isso não for um sonho, eu não oculpo, eu não acreditaria mesmo em nenhuma de suas palavras! Estádesculpado! Marco viu um sorriso sorriso amarelo sai da boca de Valquir. -Muito obrigado! E vou lhe oferecer algo, enquanto estiver nestemundo tem a minha proteção! Caso a aceite é claro!- Marco sorriu,Valquir estufou o peito. - Eu sou Valquir, do povo NitraduimNômades, e digo que serei seu protetor enquanto for preciso, e oguiarei em todos os lugares, darei minha vida para salvar a sua.22
  23. 23. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souza Marco assustou-se com as palavras de Valquir. Nunca ninguémlhe tinha dado algo tão valioso como a própria vida. ele quis mudarde assunto. - Nômade você disse? Como assim? - Meu jovem, meu povo é nômade, nós somos andarilhos,paramos apenas por pouco tempo em cada lugar, andamos emgrandes caravanas, meu povo não tem casas, nunca ficamos mais deum ano no mesmo lugar, isso explica por que somos nômades! Porfalar nisso já não vejo meu povo ha muito tempo! - Você não vê seu povo por quê? -Valquir fechou a cara evisivelmente uma tristeza tomou conta do rosto dele.. - Agora não é a hora de falarmos disso! Em um outro momentoeu lhe contarei. Valquir mudou de assunto rapidamente, ficaram conversandopor muitas horas, até Marco acreditar em tudo que estava ouvindo. - Agora tenho que ir! Fique aí, você será chamado em breve.Muito rápido Valquir desapareceu pela porta e corredor. O Conselho dos Sábios finalmente estava completo, com umrepresentante de cada um dos Povos Livres. Eles conversavam sobreMarco e sua jornada caso ele a aceitasse, e o que tentarão fazer casoele não aceite. - Haltam ele é apenas um homem, não tem qualquer poder! -exclamou um dos sábios parecendo muito cetico. - É verdade ele não tem poderes! Mas é o único que o cristal nãocorrompe, o cristal não tem qualquer poder sobre o menino! Ele é oúnico que pode levá-lo e destruí-lo, meu amigo Fendef. Mesmoassim ele não pode fazer todo o caminho sozinho, ele vai precisar de23
  24. 24. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzaajuda, Valquir já se ofereceu para ajudar! - Marco não é desta terra, não conhece nada daqui, e não tem ocorpo feito para suportar o clima de onde ele irá, os lugares poronde ele precisará passar são perigosos e hostis, temo pela vida deleHaltam! - exclamou Fendef, mais uma vez. - Eu também sinto medo por ele Fendef! Mas não temos outraescolha! Temos? -Por que nós não pegamos o cristal e o destruímos nós mesmos?- gritou alguém que Haltam não conseguiu ver quem era. - Nenhum ser vivo desta terra pode tocá-lo sem ser corrompidopor ele. Estamos em má situação, só Marco pode fazer isso. Já reunios voluntários para acompanhá-lo, caso ele queira fazer a jornada,eles vão chegar em breve, são de vários povos e podem demorarpara chegar. - Eles já deveriam estar aqui não deveriam? - perguntou Faukesecamente. - Sim e não! - respondeu Haltam calmamente. - Vai depender dequando chegaram as mensagens. E da distância que cada um precisapercorrer, mais os perigos que cada um enfrentará! - Está bem Haltam! - sibilou Fauke baixinho. - acho que fuiinfeliz em minha pergunta! - Não meu amigo, nosso tempo não é muito longo, e o medotoma conta de nossas mentes, isso faz com que ajamos de formaimpensada e até temerosa, por isso peço que tomem cuidado comseus pensamentos, pensem bem antes de tomarem qualquer decisão!- Haltam para, depois dá um grande suspiro. - Vamos chamar omenino! - o velho olhou para a porta, onde já alguns minutos24
  25. 25. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos SouzaValquir estava parado, observando a reunião. - Por favor Valquir váchamá-lo, temos que falar tudo que pudermos para ele. Se mesmoassim ele não quiser ficar, teremos que resolver de outra forma.! – Estou indo Haltam! - do corredor Haltam ouviu as palavras. - Creio que ele irá ficar! * Marco chegou até o conselho um cheiro que coisa velha invadiuseu nariz, olhou em volta, uma enorme quantidade de velhosbarbudos, com roupas e chapéus estranhos. Todos pareciam nãoconfiar nele, olhavam-no estranhamente, desconfiados, menosHaltam, que tinha o olhar mais amável e sincero do mundo. Unspareciam simples humanos, outros nem tanto assim, pessoas devários tamanhos e formas, inclusive um gigante que fez o coraçãode Marco disparar. Uma sala um pouco escura, com os Sábios deum lado em filas semicirculares uma em cima da outra parecendo asarquibancadas do coliseu romano. Dava medo. - Calma Marco, todos que estão aqui são pessoas boas! - disseValquir com um sorriso acalentador. - Marco! - sibilou Haltam com sua voz alta e grave do ladooposto a todos os Sábios e em pé. - Você saberá agora a história portrás do cristal, até quando seu avô o encontrou, também sabemosalguma coisa sobre e o que houve com ele. - Meu avô?- interrompeu Marco. - o que houve com ele? - Quieto menino! - uma voz alta e pouco suave entrou nosouvidos de Marco. - só fale quando lhe dirigirem a palavra! -25
  26. 26. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzaexclamou do lado de Haltam, kalteim o sábio do povo do Oeste esegundo no comando do conselho dos Sábios, este parecia estarsempre irritado. Marco não gostou dele. - Calma velho amigo, ele não conhece nossos costumes, comovocê sabe o garoto vem de outra dimensão! - Haltam deu um sorrisopara Marco. - fique do meu lado Marco, assim todos saberão quevocê é meu companheiro neste conselho! E você também Valquir. - Por favor Fendef diga o que sabe. - pediu Haltam calmamente.Uma voz bonita e baixa ecoou pelo lugar. - Tudo começou, segundo meus estudos, na Primeira Era.Existia uma sociedade, um povo muito rico e inteligente, osVendags, viviam no pé das Montanhas Claras, onde existia e aindaexiste o Lago de Fogo. Seu último rei foi bom e honesto, amavamuito seu povo, ele tinha como conselheiro um Druida. - Valquir,contou para Marco o que era e como era um Druida, eles eramparecidos com homens, seus poderes controlavam o fogo, metal, aágua e a terra. - Não foram uma sociedade ruim, sempre dispostos a ajudar noque fosse preciso. Eles parecem com os sábios de hoje nasvestimentas e aparência de velhos, mas os sábios possuem bemmenos poderes que os antigos Druidas. - O rei dos Vendags! - interrompeu Fendef. - achava que seupovo estaria bem protegido com um Druida, cheio de poderes emseu reino. Como todos sabem, a sociedade dos Druidas desapareceuantes da Segunda Era por motivos ainda desconhecidos. - Esse Druida era muito, muito poderoso, os Druidas sempre26
  27. 27. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzaajudavam o bem, mas como em toda a sociedade livre existiamaqueles que traíam o bem e passavam para o lado do Mal. Esse foi ocaso, não sendo nada confiável, ruim por dentro, se tornaraconselheiro do rei para poder chegar às bibliotecas reais, paraaprender mais e mais coisas dos livros antigos. Ele deveria ser oúnico a entender perfeitamente as línguas mortas dos livros antigos,aprendeu muitos e muitos poderes. - Fendef parou, respirou erecomeçou. - com seu aprendizado da magia antiga ele resolveucriar uma pedra, que poderia canalizar todo seu poder, e canalizar aforça dos males do mundo. Com isso ele seria o Druida maispoderoso de todo o universo. - Como exatamente criou o cristal ninguém sabe, mas o quedescobri é que no Lago de Fogo, com um poder desconhecido elecriou o cristal, dando-lhe o nome de Anûum que significa na línguaDruida antiga “Azul” que é a cor do cristal. - Apenas no Lago de Fogo o cristal pode ser destruído. Assimque o Druida pegou o cristal nas mãos, este o corrompeu, ele queriaapenas mais poder, mas o cristal tomou conta de seu espírito ecoração. Com o cristal no comandando, ele se tornou pior do queera, passou a ser cruel, o Druida destruiu o reino onde morava,destruiu tudo, todos os livros da magia antiga, matou quase todos oshabitantes do reino Vendag. Os poucos habitantes que sobreviveramdeixaram essa história escrita, na língua deles, muito antiga,demorei anos para achar os escritos e mais alguns anos para decifraro idioma. Ele ainda destruiu metade da sociedade Druida. Como sabemosaquele Druida não é o Senhor do Mal. O Druida acabou sendo27
  28. 28. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzamorto porque o cristal o traiu, em uma batalha simples, contra umexercito pequeno e fraco, alguém conseguiu atingi-lo no coração,pensando que viveria, o Druida riu, aí percebeu que fora traído pelocristal, morreu ali mesmo. Ele não tinha poderes suficientes paragovernar o cristal, assim que morreu, o cristal se perdeu ou seescondeu, eu conclui que ninguém naquela Era tinha poder parasuportá-lo. – Como todos nós sabemos ninguém vai até as MontanhasClaras. É um lugar ruim, agourento, existem seres que nunca vimoscheios de maldade. – Não existem vestígios da sociedade Vendag, apenas há umaúnica construção o grande portão do Lago de Fogo, nada mais. – Hoje não existe mais a magia para criar outro cristal. É porisso que o Senhor do Mal quer tanto este que Marco carrega, ele nãotem como fazer outro, já que os livros antigos desapareceram. Foi isso que encontrei sobre a primeira parte da história docristal. – A segunda parte quem vai contar sou eu! - intrometeu-sekalteim em voz alta e grave. - o cristal ficou perdido! - começou. - ecom o tempo foi esquecido. Ninguém mais sabia da existência dele.Todos os que ouviram falar “deste tal cristal” já estavam mortos, osque ainda estavam vivos acreditavam que seus avós contavamlendas, histórias para assustar crianças. Mas. - Kalteim parou pordois segundos que pareciam uma eternidade. – no meio da Terceira Era um grande estudioso da história daPrimeira Era descobriu em alguns escritos sobre a existência de umapedra muito poderosa, então esqueceu do resto da história da28
  29. 29. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos SouzaPrimeira Era, focou na pedra, descobriu o cristal, soube de quasetodo seu poder, sabendo isso, imediatamente informou seu rei, osenhor de Rundor. - o sábio parou por mais dois segundos eternos.Marco não gostava quando ele fazia isso. - este soberano tinha todoo mal no coração, só chegou a ser rei por que matou o pai e o irmãomais velho. Chamavam-no na época de “Gandor, o Terrível”, senhorde Rundor. – Quando decidia invadir um outro reino ou terra, os que nãoconseguissem fugir certamente morreriam, com ele não existiamescravos ou presos os vencidos simplesmente eram exterminados,Gandor tinha certeza que seus súditos saberiam cuidar das novasterras. Não tinha qualquer sentimento e o pior! - Kalteim pareceuficar mais triste e ainda mais velho. - estudava os segredos demagias antigas que deveriam ser esquecidas pelo tempo. Tinhaprofessores: Magos, Bruxos, Alquimistas e outros, aprendeu tudoque pôde e sempre utilizava seus poderes e conhecimentos contraseus inimigos, só para ver como eles se feriam. Kalteim deu uma longa respirada, e voltou a falar. – Foi ele quem começou a Primeira Grande Guerra, quisenfrentar todos os povos livres, dizia que seu povo era superior epor isso deveriam comandar todo o mundo. Felizmente! - Marcoenxergou pela primeira vez um sorriso nos lábios do sábio irritado. -ele e seus aliados perderam. Gandor ainda não possuía o poder docristal nesta época, a guerra durou vários e vários anos, matandomuitos e muitos soldados dos dois lados, fazendo seres inocentessofrerem como toda guerra faz. Quando finalmente percebeu quenão venceria, por que nós estávamos ganhando todas as batalhas,29
  30. 30. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos SouzaGandor fugiu se resguardou em seu reino, deixou seus aliadossozinhos, lutando contra nós, vencemos facilmente. Depois os povoslivres tentaram, tornaram a tentar atravessar os imponentes murosde Rundor, não conseguiram. Os soldados estavam cansados etristes, não aguentavam mais lutar, queriam e precisavam descansar,rever seus entes queridos, alguns nem chegaram a conhecer seusfilhos. – Depois de muitas tentativas de invasão a Rundor, ossoldados desistiram. Imaginaram que Gandor jamais tentarianovamente comandar todas as Terras dos Dois Sóis, ele não tinhamais aliados, nem seu reino tinha mais riquezas para financiar umanova guerra, deixaram-no exilado em seu próprio reino. - Os anos passaram, Gandor não tentou nada, apenas continuavaa aprender mais e mais magias. - o sábio voltou a ficar triste. - elequeria poder, queria ser o mais poderoso de todo o mundo, massabia, que nunca venceria todos os povos livres, mesmo quevoltasse a ter todos os seus aliados e a riqueza de seu reino. - Quando um de seus estudiosos descobriu que existia um cristalque poderia dar o poder que faltava para finalmente vencer.Imediatamente foi atrás dele, pessoalmente. A procura foiincansável, durou muitos e muitos anos. Quando ele e os soldados jáestavam desistindo da longa busca! - o sábio ficou ainda mais velho,seus cabelos mais brancos e secos. - infelizmente, Gandor oencontrou, exatamente nas Montanhas Claras. Só o encontrou porque o cristal desejava ser encontrado, apareceu em um local ondequalquer um poderia enxergá-lo, o cristal sabia, tinha encontradoalguém que podia compartilhar seu imenso poder. Ele foi encrustado30
  31. 31. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzaem uma espada, feita de metal branco, um dos mais duros epoderosos de todos, Gandor obteve finalmente o poder tão desejado.- Kalteim parou por três segundos, intermináveis. - imediatamenterecomeçou a juntar seus aliados, desta vez com mais povos queantes, e a Segunda Grande Guerra da Terceira Era começou.Gandor, o Terrível, passou a ser conhecido como o “Senhor DoMal”. Por onde seus exércitos passavam, tudo mudava, os povosmorriam, as árvores murchavam, os animais fugiam, os que nãomorriam se tornavam escravos, que trabalhavam sem descanso até oúltimo suspiro de vida. - Desta vez todos achávamos que ele venceria a guerra contra ospovos livres, tivemos que pedir ajuda aos residentes de além doOceano Verde. Mesmo com a ajuda deles, estávamos perdendo,quase não tínhamos esperanças, ela estava pequena e frágil, o moraldas tropas não estava alto. Muitos feridos, amigos, filhos, pais,mortos pelo horror da Grande Guerra. Quando finalmente chegou a última batalha estávamos compoucos soldados, só um milhão contra dez milhões do inimigo.Decidimos lutar, nunca nos entregaríamos sem luta. Conseguimosarrumar forças que não sei de onde vieram. Atacamos com todanossa força e inspiração. Conseguimos derrubar dois milhões e meiode inimigos, mas tínhamos perdido metade do nosso exército. OSaspiam o Senhor do Povo das Montanhas lutou mais bravamenteque todos, era o mais obstinado a vencer, só ele deve ter derrubadomais de cinquenta soldados inimigos. De alguma forma e com muitaperseverança ele conseguiu chegar perto de Gandor. O Senhor doMal estava furioso, queria vencer logo, como todos os geniosos,31
  32. 32. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzasempre desejam coisas imediatamente. - Gandor usava uma bela armadura que podia ser vista ao longede brilho cinzento, bonita e horripilante ao mesmo tempo. Quandose encontraram nenhuma palavra foi dita por nenhum dos dois,palavras não precisam ser ditas em algumas situações. – Os dois lutaram, Gandor era gigante perto do Senhor do Povodas Montanhas, mas mesmo assim, este lutou bravamente. A luta foidura, faíscas saíam das espadas quando uma lâmina batia na outra,ás vezes, luzes de cor azul claro também. Saspiam quase foi abatidoalgumas vezes, mas sempre conseguia levantar, o Senhor do Malpermitia. Os dois lutaram, lutaram, e nós ao longe observávamosquando podíamos, pois tínhamos que lutar também. Os raios sóaumentavam, o brilho emitido pelas espadas quase cegava. OSenhor do Povo das Montanhas estava visivelmente cansado, seusgolpes estavam obviamente ficando lentos, e gemia alto a cadaesforço, mas não parava de lutar, algo dentro dele não permitia.Gandor não quis usar nenhum de seus poderes, seu orgulho faziacom que tivesse certeza da vitória sem uso de magia, lutava comdesdém. - mais uma pausa chata feita por Kalteim. - Saspiamtentava, tentava, e não conseguia acertar um único golpe naarmadura de Gandor. Os raios brilhavam ofuscando o dia, que foificando mais e mais escuro. Pela enésima vez o Senhor do Povo dasMontanhas caiu, seu elmo voou para longe, mostrando um rostocansado, barbudo e cabeludo. Mas desta vez parecia que nãolevantaria, estirado no chão tentou uma, duas, três, mas nãoconseguiu levantar, estava extremamente cansado. Gandor estavaprestes a finalizar a batalha, um brilho apareceu em seu elmo32
  33. 33. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzaexatamente onde ficavam os olhos do Senhor do Mal, ele ergueu aenorme espada para o céu, olhou em seu alvo, imprimiu toda suaforça. O Saspiam com muito esforço segurou o golpe vindo para suacabeça. Quando as espadas se tocaram, a luz emitida por elas noscegou. Quando finalmente voltamos a enxerga Gandor tinhadiminuído de tamanho, seu exército diminuiu em número, o poderdo cristal fazia seus aliados terem mais soldados que a realidade. Dealguma forma a espada construída do metal negro da região dasmontanhas e a espada de metal branco do Senhor do Mal fizeramcom que o cristal fosse transportado para o mundo de Marco. Aespada do Senhor do Mal se quebrou em mil pedaços. Segundo osestudiosos dos metais da Terra dos Dois Sóis, ainda não sabemostodos os poderes contidos nos metais que utilizamos. – O senhor do Povo das Montanhas percebeu que seu oponenteestava paralisado e confuso com a destruição da sua espada e com aperda do seu cristal. “Gandor não esperava por isso”. Ainda caídodesferiu um golpe certeiro, enfiou a espada com o resto de suasforças exatamente no coração do Senhor do Mal. A espada estavaincandescente, vermelha de tão quente. Entrou pela armadura comose o Senhor do Mal estivesse sem ela. Gandor morreu, seu corpocaiu. Trovões, raios, e ventos fortes começaram assustadores.Depois tudo ficou calmo, seus aliados também mortos com poucadificuldade. - Marco percebeu que Kalteim não estava mais tãovelho, e mais uma vez um sorriso apareceu nos lábios dele. - aguerra foi vencida mais uma vez pelos povos livres. - o sábiosuspirou. - como Gandor estava morto, e o cristal tinhadesaparecido, não existiria mais grandes guerras e tudo estava bem33
  34. 34. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzade novo. Só que o Senhor do Mal não havia morrido, ele usou seusconhecimentos para esfumaçar seu espirito. O corpo morreu, oespirito não, sem seu corpo perdeu praticamente toda a sua força epoder, os anos passaram, todos acharam que ele estava morto,esqueceram dele, também esqueceram do cristal. Explica Kalteim. Haltam o interrompe. - Kalteim deixe que eu termino! - Tudo bem senhor! - respondeu prontamente. – Como o espirito do Senhor do Mal não tinha sido destruído! -iniciou Haltam calmamente. - ele voltou a seu reino e se comunicoucom seus servos. Nós nunca invadimos o reino do Senhor do Mal,como todos sabem. Seus servos eram fortes e nossos soldadosestavam cansados. Com o tempo fomos esquecendo dele, mas elefoi recuperando seu poder, vários e vários anos se passaram. Paravocê ter uma ideia Marco, o cristal chegou em seu mundo quandotodo o seu país ainda tinha só florestas. - Gandor ainda não tem todo o seu poder, é apenas um espiritoesfumaçado, mas tem muito poder e já reorganiza seus aliados pelaterceira vez, teremos uma Terceira Grande Guerra. Ele já tem maisaliados que na Segunda Grande Guerra, e pior nem todos os povoslivres desejam lutar desta vez. Estão com medo, os inimigos agorasão mais fortes que na Segunda Guerra, os reis temem pelo povo epor si próprios. - Haltam para por um segundo. - de qualquer forma,temos que destruir o cristal! E mais uma vez lutar na guerra. Caso oSenhor do Mal coloque as mãos no cristal não venceremos destavez, e será pior que antes, ele vai se vingar dos povos que ovenceram na Segunda Guerra, não sobrará um só ser livre em nossa34
  35. 35. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzaterra. - Caso o cristal seja destruído o que vai acontecer? - interrompeuMarco preocupado. – Lutaremos da mesma forma. - respondeu Kalteim secamente. – Mas não sei se venceremos! - continuou Haltampesadamente. - desta vez está mais difícil que antes, mas com ocristal ele vencerá facilmente, sem o cristal infelizmente ele tambémpode vencer, tentaremos de qualquer forma vencer, mas não temoscerteza da vitória. - Então mesmo se o cristal for destruído vocês podem perder aguerra? - indagou Marco, pensando que aquilo era muito estranho. - Sim! Sem o cristal ele já tem aliados o suficiente para vencer aguerra. - respondeu Haltam. - Por que não usamos o cristal contra ele? - indagou Marco,pensando que tinha tido a melhor ideia do mundo. - O cristal é ruim! - disse Kalteim friamente. - o poder dele émaléfico, nenhum ser de nosso mundo suporta esse tipo de poder, anão ser o Senhor do Mal. - Marco baixou a cabeça, sua ideiapareceu extremamente estupida. - você é o único que pode carregá-lo sem sentir os efeitos maléficos. - concluiu Kalteim secamente. - Então eu lutarei usando ele! - gritou Marco, pensando que teveuma ideia realmente genial. – Não dá! - respondeu Haltam. - pois com você ele não temnenhum poder, um é neutro para o outro. Não mudaria nada vocêestar com ele ou sem ele no meio de uma batalha. Mas... se oSenhor do Mal o pegar, não quero imaginar o que poderia acontecer.Ele é o único que controla o cristal pode utilizar seus poderes. Você35
  36. 36. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzanão poderia aparecer em uma batalha com ele no pescoço, emminutos estaria morto e o cristal chegaria a Gandor. Haltam olhou bondosamente para Marco e disse: – Mas não podemos obrigá-lo a destruir o cristal, sem que vocêqueira isso. Não o obrigaremos a nada, só uma pessoa pode decidirse vai ou não iniciar a jornada e ela é você. – Já aviso, a jornada não será nem um pouco fácil, você poderánão conseguir. Não podemos mentir, o caminho é muito longo até asMontanhas Claras, e há perigos que você nunca imaginou. Além domais, seu corpo não foi feito para aguentar nosso clima, será maisum problema que irá enfrentar, você também não conhece nossaterra, e nossos inimigos... Valquir irá com você, se decidir fazer ocaminho... - Sua escolha terá consequências em nosso mundo e noseu. – Você pode ir para seu quarto... Valquir o acompanhará efalará sobre seu avô, continuaremos a nossa reunião. - pediu Haltamcalmamente. Os dois sairão a reunião continuou... - Você poderia ter amenizado os problemas para o meninoHaltam! - disse com pena Kalteim. – Você passou a gostar deste menino Kalteim? - Kalteim fingiunão escutar, Haltam continuou. - quero que ele saiba exatamente oque vai enfrentar, o garoto pode não voltar para seu mundo, sedecidir destruir o cristal. Mesmo assim não sei se ele vai aguentar asdificuldades do caminho... Agora com nossos inimigos se juntando erondando por aí. Você sabe que nossos inimigos são poderosos e36
  37. 37. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzapodem... matar o menino, mas não temos outra alternativa. E euconfio nele. - Haltam sorriu. - acho que os seres humanos são maisfortes do que parecem! * - Como disse Haltam, só você pode decidir o que fará, lembre-setudo tem uma consequência. - ponderou Valquir. - Como assim? - perguntou o menino sentado em sua nova edesconfortável cama no castelo dos sábios. - Se você decidir não ir acontecerá muitas coisas, se você fortambém acontecerão muitas coisas, boas ou ruins. Bem...Vou sair edeixá-lo pensar, qualquer decisão tomada por você será aceita semquestionamentos. - Antes de você sair me explique melhor essas consequências? – Tudo bem. Se você ficar e decidir destruir o cristal, além donosso clima, e da grande distância, você terá que enfrentar osaliados do Senhor do Mal, eles são muitos. Alguns estão em nossomeio, são os traidores, além dos seres que não são aliados deninguém, você pode “não conseguir”. Mas, se você resolver nãoficar e voltar para a sua terra, em pouco tempo Gandor irá oumandará alguém buscar o cristal no seu mundo. Eu só o trouxe paracá a força por causa do inimigo, ele já havia mandado um lacaiopegar o cristal. E depois que o Senhor do Mal vencer aqui em nossomundo, ele irá para o seu mundo, ele é ganancioso, e sabe que seumundo existe, vai tentar conquistar de qualquer forma, arrumaráuma maneira de seus poderes funcionarem lá e destruirá a todos.37
  38. 38. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souza – Claro, isso pode demorar muito tempo, quem sabe você nemesteja mais vivo, mas ele vai fazer de qualquer jeito, mais cedo oumais tarde. – Já decidi. - disse Marco seriamente. - vou ficar e tentardestruir o cristal, de qualquer modo, as coisas não são boas, mastenho que pelo menos tentar, embora eu tenha medo do que vouencontrar. – Que ótimo! Estarei a seu lado, no que for preciso. - falouValquir com um sorriso discreto. – Vamos ver o que vai acontecer! - Mais uma coisa. Vou lhe contar sobre o que houve com seuavô. - Nossa! - espantou-se o menino. - estou tão preocupado com ocristal e comigo que esqueci de meu avô. O que você sabe sobreele? Você o conheceu? - Não. Não o conheci! Mas tenho um amigo que conheceu. - Diga logo! - falou desesperadamente. O coração disparando. -o que houve com meu avô? – Calma, vou dizer. Segundo Vaduim meu amigo, ele foitransportado à força para nosso mundo. Um traidor dos povos livresque tinha o poder necessário o trouxe. Mas logo o traidor foi morto!- disse com orgulho. - e não pôde voltar atrás de você. – Seu avô foi preso nas masmorras dos Norchs, povo quesempre foi aliado de Gandor, eles vivem nas Montanhas, sãoinimigos mortais do Povo das Montanhas, suas masmorras sãoconstruídas nas montanhas. São horríveis, as piores cadeias queexistem, os presos são torturados, passam pelos piores castigos,38
  39. 39. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzasofrem muito. Até hoje só um preso saiu dela, foi Vaduim, masvoltou sem um dos braços e com um olho cego. Ele e seu avôficaram presos por um tempo juntos. - Então meu avô está vivo? - interrompeu Marco ofegando. - Quando Vaduim conseguiu fugir, ele ainda estava vivo, masmuito debilitado e fraco. Estava completo não lhe faltava ummembro sequer, não acredito que ele ainda esteja vivo! Mas não háqualquer certeza disto. Eu acho que ele não aguentou as masmorrasdos Norchs. Lá é terrível até para os seres mais fortes de nossomundo! - O quê? Morto! - disse tristemente Marco. - Olha, o corpo dele assim como o seu não foram feitos paraaguentar as agruras deste lugar. Mas ele pode sim estar vivo, isso ébem possível, Valduim disse que ele era uma pessoa especial epossuía um espírito muito forte. Mas saiba, não alimente grandesesperanças, seu avô pode estar morto. - concluiu Valquirsimplesmente. – Agora tenho que ir, já lhe falei tudo que sabia sobre seu avô!- Valquir sumiu pelo corredor. Na reunião do conselho dos sábios, os mais céticos nãoacreditavam que Marco conseguiria destruir o cristal. - É apenas um menino, e pior, não é deste mundo, não vai durardois dias em nossas duras terras! - disse um sábio no ponto mais altodos semicírculos. – Creio que não saibamos ainda o quão pode ser forte esse39
  40. 40. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzamenino. - falou Haltam com calma. - ou quanto seu corpo poderáaguentar nosso pesado clima. Ele não tem qualquer poder ouconhecimento da nossa terra. Acho que isso poderá ajudar mais doque atrapalhar. Kalteim fala enquanto Valquir chega pela grandeporta. - Marco pode não realizar essa grande tarefa, ou pior podedesistir da jornada! Temos que ficar preparados para qualquersituação! - Não! - interrompeu Valquir- ele irá, decidiu isso ainda hápouco em minha presença, a não ser que ele tenha mudado de ideia,ele disse que fará a jornada! - Será mesmo? Valquir? - perguntou Kalteim com ar duvidoso. - Teremos que deixá-lo pensar por mais tempo! - disse Fauke. -essa resposta veio muito rápido, tudo será mais difícil pra ele do quepara qualquer um de nós aqui presente! – Por hoje a reunião acabou! - falou Haltam. - preciso que cadaum de vocês volte para seus povos, e esperem por notícias minhas,mas antes de qualquer notícia, quero que vocês tentem arranjarsoldados para a batalha, não escondam nada do que poderáacontecer a quem aceitar lutar. Tentem ir também a povos que nãosão nossos amigos e nem nossos inimigos, quem sabe eles queiramlutar conosco. Mandarei aves mensageiras com mais notícias. Devagar todos foram saindo, alguns de cabeça baixa, outroscom um olhar triste, eles tinham conversado muito, e chegaram àconclusão de que as chances de vencer a guerra eram menores doque imaginavam.40
  41. 41. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souza Haltam e Valquir ficaram sozinhos. - Temo pelo pior Valquir, estão chegando notícias ruins de todosos cantos, e sempre mais um povo está se aliando a Gandor, creioque mesmo com o cristal destruído, não venceremos! - Calma amigo. Nem parece o Haltam que conheci, ou o mesmoHaltam que comandava esta reunião! Bem eu acredito quevenceremos mesmo com o cristal nas mãos do Senhor do Mal, ele jáfoi derrotado antes, por que não agora? só porque ele tem mais seresseguindo-o? - Eu queria ter essa grande esperança, Valquir, mas nãovislumbro nada de bom para o futuro! De qualquer forma temos quetentar, não temos? Mesmo que ele esteja muito mais forte que antes!- ponderou o velho tristemente. - É assim que se fala, velho amigo! - algo de estranho estavaacontecendo com Haltam, pensou Valquir, ele nunca foi de terpoucas esperanças. – Vou dormir, tenho que descansar, estou velho e precisodormir, fiz muita coisa. - disse Haltam com a voz cansada e triste. Ambos se despediram e cada um foi para seu aposento. Minutos depois Valquir deitou na cama e dormiu. Já Haltam, nãodormiu tão rápido, a preocupação tomou conta de seu velhocoração, não sabe como tudo poderá terminar, mesmo com toda aexperiência de sua vida, ele não sabe se vencerão a guerra, se terãosoldados suficientes. Ele pensou o pior, e imaginou como seria omundo se Gandor vencesse: O mundo parecia muito ruim, sem asgrandes matas, com povos escravizados, sentindo as agruras que sóos escravos sentem, que mundo feio. Haltam sentiu pavor desse41
  42. 42. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzamundo horrível, cheio de dor. Virou para o lado e tentou dormir, nãoconseguiu. Dormiu horas mais tarde, depois de virar e rolar muitopela cama. Marco ainda não viu um só palmo da Terra dos Dois Sóis,quando acordara da primeira vez já estava escuro, não pôde vernada pelas janelas redondas do seu quarto, deseja ver os lugaresbonitos que Valquir falara. Ele não conseguia dormir, ficoupraticamente a noite toda pensando no que vai fazer, se ia conseguir,e se seu avô estaria vivo. O sono não o pegou até quase amanhecer,assim que caiu no sono. Um sonho esquisito chegou. Marco estavanuma floresta com árvores gigantescas, o chão cheio de folhas,novas e velhas. Marco estava sozinho, olhou para todos os lados enão enxergou nada além de grandes troncos enormes e ásperos.Repentinamente sentiu um frio na espinha, os cabelos da nucalevantaram. Os Dois Sóis deviam estar brilhando, Marco olhou maisuma vez para todos os lados, não viu ninguém, sentiu mais uma vezo frio na espinha, o coração disparou. Assim que anda um poucopara frente bate sua bota em uma pedra, quase caiu. Assim quevoltou seu olhar para o horizonte viu varias fumaças com formassemi humanas, ele estremeceu. Elas possiam braços e mãos finas,pareciam feitas de ossos sem carne, uma cabeça, mas não possuíampernas, o rosto não tem forma fixa, mudando de lugar os olhos aboca e o nariz como uma fumaça que não para quieta num mesmolugar. O medo tomou conta de Marco, o menino correu, as fumaçasvoaram atrás dele, Marco gritou, não ouve qualquer som. Quandoenfim uma das fumaças chegou perto, sua força vital diminui, ele42
  43. 43. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzacaiu de frente para o monstro construído de fumaça cinza, a formachegou mais perto, ficaram cara a cara, o monstro soltou um silvohorrível, que doeu no coração de Marco, o silvo e fez ficar maisfraco. Quanto mais tempo ficava de frente para o rosto do homemde fumaça, mais a felicidade do mundo parecia acabar e sua forçadiminuía. De repente Marco sentiu seu coração ficar duro, percebeuque estava sendo prensado, o frio aumentou. Marco colocou a mãono coração, não conseguia mais respirar, o coração tentava bater,não conseguia, algo estava o esmagando, ele sentiu que daquelahora não passaria, morreria. Tentou com muito esforço dar umúltimo grito, não se ouviu qualquer som. - Acorde! Acorde! - Gritou Valquir do lado da cama de Marco. De súbito Marco abriu os olhos, e soltou um grito de medo. - O que foi? - perguntou Valquir assustado. - você estavasonhando com o quê? - Não sei! - respondeu ainda ofegante. O rosto mostrando horror.- era estranho, em um lugar totalmente estranho, nunca vi um lugarcomo aquele antes. Era cheio de árvores gigantes, mas o pior foramas fumaças com forma quase humana. - O que!? Fumaça com forma de homens? Tem certeza? - Sim tenho, eram várias, eu senti muito frio antes de elasaparecerem, quando eu vi, senti medo, corri, elas voaram atrás demim, eu caí quando uma delas chegou perto de mim! -Você perdeu sua força, e seu coração parecia que estava sendoprensado? - Isso mesmo! - E também parecia que a felicidade do mundo estava acabando?43
  44. 44. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souza - Sim, isso mesmo, meu coração começou a parar e... - Já sei quem são, infelizmente sei. - Quem são ou o que são? – São “Rastreadores”. – Rastreadores!? – Sim! Eles são os reis inimigos de Gandor, quando forammortos na Segunda Grande Guerra, foram transformados emRastreadores, feitos de fumaça cinza, como vingança por teremenfrentado o Senhor do Mal, seus espíritos foram presos eescravizados por Gandor, assim ficaram ligados a ele. São obrigadosa caçar quem o Senhor do Mal desejar. Infelizmente eles nãopossuem outra escolha, são escravos e não podem fazer nada. Sãopobres escravos que odeia o que fazem. Eu temia por isso! - Temia? - Se eles estavam em seu sonho, Gandor já sabe que está aqui. Etambém os Rastreadores reapareceram, eles tinham desaparecido nodia que o Senhor do Povo das Montanhas tinha matado Gandor. Porisso achamos que ele tinha realmente morrido, se eles estão por aí,quer dizer que ele já recuperou bastante poder, ainda não pode elemesmo sair do seu castelo, mas já pode controlar seus escravos! Issoquer dizer que estamos pior do que pensávamos. - Como assim? - Achávamos que ele ainda não tinha tanto poder, isso explica onúmero de novos povos o seguindo. São os Rastreadores quetambém deixam os reis com medo de aliarem-se a nós. Ninguémquer se tornar um Rastreador caso o Gandor vença a guerra. - Então temos que ir o mais rápido possível? - perguntou Marco44
  45. 45. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzaapreensivo. - Infelizmente sim! Teremos que sair somente nós dois, não vaidar tempo de reunir os outros que se dispuseram a ir junto conosco!- Valquir pareceu muito preocupado - Já é dia, vamos falar comHaltam, ele vai nos ajudar. Marco viu Haltam sentado numa mesa muito comprida, no lugardedicado ao comandante do Conselho, no canto ao fundo. A sala eramais clara que os outros cômodos e mais bonita também e cheiravaa flores. Haltam estava de cabeça baixa, pensando. - Marco sonhou com os Rastreadores Haltam! - gritou Valquircaminhando em direção a Haltam. Ele levantou lentamente acabeça, ela parecia muito pesada. - O quê? Rastreadores... Tão cedo? - disse calmamente o velho.Ele não pareceu muito preocupado com a novidade. – Fale Marco do seu sonho! - pediu Valquir – diga todos osdetalhes. Marco contou todo seu sonho, sem deixar de contar um sódetalhe. – Se os Rastreadores estavam no seu sonho, Gandor já sabeque o cristal está aqui. E logo virão atrás de você Marco. - disseHaltam com calma. - você já sabe o que irá fazer? Vai ficar e tentardestruir o cristal ou voltará para sua casa? - Ontem mesmo decidi ficar! - respondeu decidido. - mesmo queeste cristal seja a única lembrança de meu avô. - Está bem Marco, temos que nos preparar, vou mandar hojemesmo aves mensageiras para todos os Sábios. - disse Haltam selevantando.45
  46. 46. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souza - Temos que sair hoje mesmo, Haltam! - exclamou Valquir. – Como eu temia, não vai dar tempo de reunir os outros, vocêspartirão hoje mesmo, à noite, pois na escuridão, os inimigos tempior visão. – E nós também temos pior visão!- ponderou Valquir. - Valquir, você conhece quase toda nossa terra, sabe todos oscaminhos, os mais utilizados e os menos, também está acostumado àandar a noite, afinal você é ou não é do povo Nômade? - Sim, sou. - Valquir olhou para Marco - tomaremos os piorescaminhos, os melhores com certeza estão sendo vigiados. Vai sermuito difícil para você Marco! - Eu aceitei, não aceitei, terei que aguentar! - Sim. - disse Haltam. - mas antes de você partir tenho que lhedizer uma última coisa, Valquir já sabe o que é, e isso pode fazervocê desistir da jornada. Uma sombra de medo tomou conta de Marco. - O que é Haltam? - perguntou o menino apreensivo. - Você vai ter que tomar uma poção, e essa poção vai fazer todosque te conheceram, ou te amam. - Haltam parou por dois segundos.- Vai fazer com que eles esqueçam de sua existência! - Como assim, eles vão esquecer de mim? - perguntou commedo o menino. - Sim! Assim que você tomar a poção, você e tudo que lembrevocê diretamente será apagado da mente daqueles que teconheceram. Se você quiser realmente fazer a jornada vai ter quetomar essa poção! – Por quê? - perguntou Marco. Temendo que seus pais não46
  47. 47. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzasaibam mais que tiveram um filho. - É simples a resposta. - disse Haltam com calmamente. - casovocê não sobreviva, ou sua jornada demore mais que o previsto, émelhor que seus pais não se preocupem com você, pois você estádesaparecido no seu mundo. Se você morrer aqui, eles irão teprocurar no seu mundo, mas será uma busca vã. Ficarãopreocupados e sofrerão muito, sem qualquer notícia do seuparadeiro, seus amigos também sentirão sua falta. Isso não é bompara eles e nem para você. Caso você consiga destruir o cristal evoltar, nós lhe daremos outra poção, eles voltarão a lembrar de vocêcomo se nada tivesse acontecido. - Minha família e meus amigos vão esquecer de mim - dissepesadamente com medo do que poderia acontecer. - Isso mesmo Marco, menos seu avô ele foi transportado para cá,acho que assim é melhor. – Haltam está certo, pois não é bom que eles sofram por suafalta não é? - concluiu Valquir. Marco pensou por alguns minutos, depois disse. - Acho que vocês estão certos, mas mesmo assim, eu não mesinto bem com isso, estou apagando a minha existência da mentedas pessoas que amo. – Você ainda pode desistir! - ponderou Haltam com um sorriso- pode voltar para a sua casa e amigos, como se nada tivesseacontecido. Lembre-se de que a escolha é só sua. E as suaslembranças continuarão intactas. – Eu fico! - disse Marco decidido. - Está bem! - Haltam sorriu satisfeito. - vou preparar a poção.47
  48. 48. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos SouzaValquir leve-o para aquela sala especial, quero que ele veja suafamília mais uma vez. - Que sala é esta? - Aqui é a Sala das Visões! - respondeu Valquir olhando por todaa sala. - Como assim? Visões! - Você está vendo aquela bola enorme ali no meio, não está? - Sim estou, ela emite um brilho estranho, quase ilumina a salatoda, mas aqui é meio sombrio. - Por essa grande esfera você pode ver muitas coisas, eu lhetrouxe aqui para você ver mais uma vez a sua família, chegue pertodela e olhe. Lembre-se pense em sua família. Demorou um pouco para ele enxergar sua família, a bola ficouescura, depois branca e por último transparente, primeiro viu suamãe, linda como sempre, cabelos negros lisos e pele branca, estavaem casa. No sofá, preocupada, parecia querer chorar, visivelmentetriste, depois seu pai chegou, forte, alto como um deus de ébano,vindo da cozinha, trouxe um copo de água para a esposa, abraçou amulher e também visivelmente triste, pegou uma mochila commuita força, então Marco percebeu que aquela mochila era dele, eentendeu que estavam preocupados com ele, sofriam porque eletinha desaparecido. – Onde pode estar nosso filho? - perguntou a mãe, com a vozempastada. Uma gota de lágrima cai por seu lindo rosto - primeiromeu pai e agora nosso filho! O que pode ter acontecido com ele? - Não sei minha querida! - disse o pai tristemente. - não posso48
  49. 49. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzaimaginar. - Espero que não seja o pior! - agora foi dos olhos do pai que alágrima caiu. - Por que eles estão preocupados comigo? - perguntou Marco. - Lembre-se de que eu o trouxe à força, e você desmaiou,dormiu por quatro dias no nosso mundo. No seu mundo ficou umdia sumido. - Então eles já estão preocupados comigo? - Sim, eles te amam. - É melhor eles me esquecerem, pelo menos por enquanto não é? - Eu creio que sim. Dessa forma eles não irão sofrer! Mas vocêprecisa ter certeza do que quer! – Quando a tal poção fica pronta? - Haltam é muito bom com isso, logo ele chegara e vai lhe dar apoção. - Espero que seja logo, não estou aguentando vê-los desse jeito,sinto vontade de chorar junto deles. - Chorar é bom, já chorei muito em minha vida. disse Valquir,dando um pequeno sorriso. Haltam chegou. - Está aqui a poção. - disse ele. - tem certeza que vai fazer aviagem? Você precisa saber exatamente o que quer! - Sim! Eu sei o que quero, e desejo ajudá-los. Haltam entrega o frasco de formato semi triangular, com umlíquido verde esfumaçante, não estava quente e sim gelado. Antes debeber o conteúdo do frasco Marco deu mais uma olhada para seuspais, e bebeu tudo de uma única vez. Doeu nos dentes o líquido49
  50. 50. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzaextremamente gelado. Em nosso mundo, devagar, fotos onde Marco aparecia, a suaimagem foi desaparecendo como se ele nunca estivesse lá, suamochila desapareceu das mãos do seu pai, todas as suas lembrançasforam sumindo, como se ele nunca tivesse nascido. Tudo quemencionava ou mostrava Marco desapareceu, pessoas quelembravam ou o conheciam não sabem que um dia ele existiu. Em alguns segundos os pais dele levantaram assustados, nãosabiam por que seus olhos estava cheios de lágrimas, ou porque nãoestavam no trabalho naquela hora do dia. Cada um foi para um lado,desapareceram. Marco sentiu dores, o corpo todo doía. Uma lagrima saiu dosolhos dele. - Você está bem? - perguntou Haltam. - Sim estou! - mentiu Marco. - como essa poção funciona emmeu mundo? - desconversou. - Nós temos algum poder em seu mundo. - disse Haltam - não émuito, mas da pra fazer algumas coisas, já Gandor ainda não sabecomo usar seus poderes em seu mundo, se ele pegar o cristal, vaiacabar descobrindo uma forma de usar os seus poderes maléficos.Dê mais uma olhada em sua família, logo você terá que ir. Marco olhou mais uma vez pela enorme bola transparente,muitas lágrimas saíram de seus olhos. Virou as costas e saiu da salaa passos duros. Haltam ficou na sala, com o olhar pesado e triste, ele sabia que omenino teve que fazer algo difícil, não é fácil fazer sua própriafamília esquecer de você.50
  51. 51. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souza - Espero ter feito a coisa certa! - pensou ele – mas eu nãoenxergo outra solução, os pais deles sofreriam muito e ele também.Se Marco não voltar pelo menos eles não sofrerão com isso. - As coisas foram rápidas demais, o menino veio, não sabe quasenada sobre esta terra e já teve que sair para um destino que pode sero pior para ele. Não deveríamos ter esperado tanto – pensou o sábioalisando sua grande barba. - O erro foi meu, porque esperei tanto!Gostaria que tudo desse certo para esse menino. - Temos que nos preparar! - informou Valquir. - vou arrumarnossa bagagem, não vai ser muita coisa, mas vai ser o suficientepara chegarmos até nosso aliado mais próximo, eles vão nos ajudar. - Quanto tempo levaremos para chegar nesse lugar? – Serão muitos dias de viagem, vários quilômetros dedistância. Acho que não teremos problemas. Seguiremos o maisrápido que pudermos. Bem vou arrumar tudo, terei que fazer umamochila para você. Deixe tudo comigo, vá para seu quarto. Haltamirá conversar com você mais um pouco. * Haltam contou muito mais sobre Gandor e seu mundo. O sábio pediu para Marco dizer que era da terra de além doOceano Verde, seu nome é estranho por essas bandas e ninguémsabe quase nada sobre os povos do outro lado do oceano, serámelhor assim, já que Marco não sabe nada sobre a Terra dos Dois51
  52. 52. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos SouzaSóis. Se caso fizesse algo errado seria perdoado por não conhecertodos os costumes deste lado terra, ele poderia usar seu próprionome, e que ele só revelasse seu verdadeiro lugar para aliados, masnem todos eles. E também lhe deu uma espada, de cor prata, debrilho opaco, ela seria útil caso fossem atacados, essa pequenaespada foi muito utilizada por Haltam em suas viagens, e agoraestará em boas mãos. Embora essas mãos não saibam manejardireito uma espada e nem tenham entrado em qualquer batalhaantes. Capitulo II Começando a jornada Já estava noite, os dois estavam enfim preparados. Marco estavaexcitado, como seria este mundo, tinha que ser legal, como nosfilmes e series que tanto assistia. Haltam se despediu, amboscolocaram seus capuzes e saíram pela grande porta da frente, depoisde alguns passos deram uma última olhada para traz. Marco viu uma52
  53. 53. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzaimensa construção na escuridão, enorme, imponente, mas ela erafria a até certo ponto triste, ele ficou hipnotizado pelo castelo,jamais virá um lugar assim, a não ser em filmes e fotos. Ele olhoupara o céu e não enxergou qualquer lua, mas estava claro como sefosse lua cheia. Vamos Marco! - Valquir chamou. Ele se virou, em minutos passaram pelo grande campo de gramarasteira e entraram na Floresta Parda que ficava em frente aocastelo. - Marco, aqui é a Floresta Parda. - informou Valquir. - ela recebeesse nome porque os troncos de muitas árvores possuem essa cor,infelizmente agora só enxergamos troncos negros por causa danoite. - Que enormes troncos, não são arvores, são muito maiores queas árvores que eu já vi! - Marco estava pasmo olhando os enormestroncos e para cima. Ao mesmo tempo curioso e com medo. – Sim, essas árvores são realmente grandes, as maiores queconheço e muito antigas, datam da Primeira Era. Segundo estudosdos sábios, elas já viram e ouviram muitas coisas boas e ruins emsuas longas vidas. Temos que ir, não é bom ficarmos parados aqui,os seres que residem na floresta podem querer nos conhecer, e issopode ser muito ruim! A floresta era quieta, com cheiro de folhas mortas, não haviavegetação rasteira, um lugar agradável, não era quente nem frio. -um ótimo lugar para se fazer um acampamento. - pensou Marco.Embora ele nunca tenha feito um acampamento na vida.53
  54. 54. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souza Os dois andaram por várias horas sem parar ou beber água,sempre pelos lugares mais difíceis, por onde tinham mais pedras epelas encostas mais íngremes, desviando de grandes raízes. Nãoescutaram qualquer ruido ou sussurro. Andavam com muitocuidado e com medo, eles poderiam ser capturados pelo inimigo etudo estaria perdido. Marco não reclamava de nada, emboraestivesse sofrendo dores nos pés de tanto caminhar, não estavaacostumado a andar grandes distâncias. Curitiba é cheia de bonsônibus, que vão para toda a cidade, ele não precisava andar muitopara chegar aonde desejava. Marco sentia medo do novo lugar, danova situação, achou em alguns momentos que tinha sidoprecipitado em sua escolha, pensou em desistir, mas não desistiu, acuriosidade e a vontade de ter uma aventura eram maiores que seumedo, pelo menos por enquanto. Valquir parecia não perceber que Marco não estava bem, omedo do inimigo o fazia olhar tudo, menos seu jovem companheirode outro mundo, estava tão preocupado em não ser visto que não viaMarco sofrer ao lado dele. Até que Marco parou, Valquir olhou paratrás e perguntou. - Parou por quê? - Nada não! - mentiu. Na verdade os pés dele estavam doendotanto que ele teve que parar. - vamos voltar a caminhar! Valquir sentiu a voz do menino cansada, resolveu parar por alimesmo, saíram do lugar onde estavam, andaram uns duzentosmetros ao longe, e sentaram, comeram um pouco, mas não trocaramuma só palavra. Valquir colocou dois pedaços de couroamarronzados no chão, era um tipo de saco de dormir, entraram54
  55. 55. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzaneles. Em seguida Marco dormiu rapidamente por causa do cansaço. Valquir não dormiu tão rápido, ficara acordado pensando nospossíveis inimigos no caminho. Teria que salvar a si mesmo e aomenino, seu companheiro. Pensava se conseguiria acompanhá-lo, ouse teria que mudar seu caminho pela necessidade e deixá-lo comoutro aliado. Pensou por muito tempo e depois dormiu um sonoatribulado. Antes do dia quente da Terra dos Dois Sóis nascer, Valquiracordou Marco, com um sinal, pediu para ele ficar quieto. - Tem alguma coisa na floresta! - disse ele. A coisa fazia muitobarulho, parecia ser bem grande, escutou-se galhos sendoquebrados. Valquir tirou sua linda espada negra da cintura, e saiulentamente e em silêncio. Marco ficou sozinho, com medo, o ser fazia um barulho forte etambém rugia, e tudo isso dava mais medo, seu coração disparou, eele começou a tremer. A criatura não parecia ser boa, rugindo equebrando coisas. Pelo barulho parecia ser enorme, um gigante nomeio da floresta. Marco pegou sua pequena espada tremendo eolhando para todo os lados apreensivo. “Ele não sabia manuseá- la,imagine eu ou você leitor com uma espada, nós até saberíamossegurá-la mas utilizá-la em batalha não claro. A não ser que o leitorpratique esgrima ou qualquer coisa com espadas”. O rugido se tornou mais alto e pareceu ir em direção de Marco, -A coisa está vindo em minha direção - pensou. Marco respirou maisrápido, o coração quase saindo do peito, suas pernas amoleceram.Ele olhou para todos os lados, não viu nada, apenas escutou maisaltos os rugidos, galhos sendo quebrados e o chão tremendo com os55
  56. 56. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzapassos, o ser estava mais perto. - e se o monstro chegar aqui? O quefarei? - pensou. O barulho aumentou, chegou mais perto, os batimentos docoração de marco também aumentaram, parecia que seu coração iriasair pulando por seu peito frágil. Um cheiro de podre invadiu onariz dele, Marco quase vomitou. As árvores de perto começaram ase mexer e o barulho de galhos quebrando aumentaram. Marcocomeçou a tremer como vara verde, olhou para os lados, procurouem todos os cantos desesperadamente, depois de alguns segundosque pareceram anos viu um pouco ao longe uma raiz enorme quesaia do chão fazendo uma pequena toca. Marco não sabia se caberiano buraco, mesmo assim foi até ele. No mesmo momento que quaseestava dentro do buraco, entrando de cabeça para frente para ver dequem era o barulho e o cheiro. Um monstro apareceu, meiodesengonçado e enorme, fedia a podre, parecia ter uma casca verdeapodrecida por todo o corpo gordo e barrigudo, sua cabeça era muitopequena e tinha dois chifres enormes e nas mãos um tipo de porretegigante. Marco travou, não conseguia respirar de tanto medo, ocoração batia tão rápido que ele não sabia se morreria por isso.Pensou se seria pego. A criatura tentava cheirar pelo lugar, foi atémuito perto da raiz onde Marco estava. Marco travou mais ainda, asmãos dele tremiam, seus olhos arderam por causa do mal cheiro,sentiu ânsia. O imenso porrete foi abaixado na frente dele, caiucomo uma pedra furando o chão jogando terra na cara de Marco, e ocegando por alguns segundos que pareceram horas intermináveis.Depois de finalmente conseguir abrir os olhos ardendo os fechou porconta própria e pensou que sua hora tinha chegado, e que fora uma56
  57. 57. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzapéssima decisão ter aceitado destruir o cristal. - Onde fui me meter! – disse para si mesmo tremendo e olhandoos pés feios com unhas horríveis do monstro . Passado algum tempo o monstro não saia, e ainda tentava cheirarpor todo os lados, Marco podia ouvir as fungadas do ser. De repenteo porrete saiu do chão, o monstro se virou e sentou na enorme raiz,ela envergou um pouco esmagando Marco, que não pode respirardireito e nem se mexer. Enquanto estava sendo esmagado pensouque não tinha sido uma boa ideia ter se enfiado ali. Ele estava bem no meio da pernas fedidas do monstro,esmagado, nem gritar podia, não respirava o bastante para isso, nemtinha coragem para tal. Podia ver a frente por entre as horríveispernas. O porrete caiu no chão, fazendo mais uma vez um buraco.Marco viu sua vida passar como um filme por seus olhos, e viu quenão tinha feito nada memorável, viu sua mãe e seu pai, se sentiumuito triste, sabia que eles não sabiam quem mais ele era. Viunaquele filme o velho avô, sentiu mais tristeza ainda. De repente o porrete caiu inteiro no chão a criatura o deixou cair,isso o fez sair do filme de sua vida, e ele viu onde o porrete erapego, estava amassado pelas mãos enormes. O monstro pareceu ficarfurioso, deu um urro forte, tentou pegar o porrete ainda sentado.Suas mãos gigantes não o alcançaram, ele pareceu ficar mais furiosoainda, deu mais um urro ensurdecedor, e esmagou mais um poucoMarco, o menino não conseguia mais respirar, estava muitoapertado. De repente o monstro levantou-se, Marco pode respirar,puxou o ar tão depressa que chegou a pensar que tinha feito barulho.O bicho abaixou-se, Marco viu os seus grandes chifres, e rezou para57
  58. 58. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzaque ele não se abaixa-se mais nem um milimetro pois o veria. Nissoele ouviu uns gritos ao longe, o monstro imediatamente pegou oporrete e saiu de perto foi em direção aos gritos, quebrando galhosenormes das árvores. Então Valquir reapareceu correndo por entre asárvores. Marco não lembrava um outro momento que sentiu tantafelicidade na vida. – Vamos logo! - gritou Valquir sem folego. - pegue tudo o quepuder e corra atrás de mim, não somos páreo para esse ser. - Marcovoltou a si rapidamente. Saiu do buraco o mais rápido que o medofaz uma pessoa correr. Pegou o que pode e saiu correndo. Algumas coisas ficaram lá mesmo, outras eles conseguiramlevar, por sorte o que ficou não tinha muita utilidade. Marco tentoufazer perguntas enquanto corriam. - O que foi aquilo, Valquir? Era muito grande. - Era enorme com certeza! - respondeu ofegante. - O que era? - Vamos continuar correndo, depois eu falo que ser era, quandojá estivermos longe dele! Continuaram a correr, os Sóis nasceram, eles correram semparar até Valquir sentir que o perigo estava a uma certa distância. Ainda ofegantes pelo cansaço da corrida por meio das árvores epedras espalhadas pelo chão da floresta, eles pararam. Valquir olhoucom preocupação para todos os lados, tentou escutar alguma coisa,deu uma última respirada forte, voltou a respirar normalmente.Marco estava muito cansado, sua traqueia ardia, não estavaacostumado a correr, e aquilo foi muito pra ele. Marco sentou numapedra qualquer, respirou rapidamente por alguns minutos, engolia o58
  59. 59. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzaar como se ele não quisesse entrar, tentou respirar mais devagar, nãoconseguiu, sentiu uma pequena tontura, mas não caiu. Marcopensou que morreria. Depois de alguns minutos sua respiração ficou normal. - O que era aquilo? - perguntou. - Era um Troll de Chifre. - Um Troll? - perguntou boquiaberto. - Sim, mas não sei o que ele estava fazendo aqui, isso não ébom! - Como assim? - Trolls não são desta região do mundo, ainda mais um Troll deChifre. Como ele veio parar aqui eu não sei, mas isso não é nadabom. - Então estamos correndo muito perigo? - Na verdade não! - Então por que corremos tanto? - indignou-se. - Trolls são criaturas más por natureza, matam e comem homense outros seres sem piedade. Se ele nos visse, estaríamos mortos, nãosão inteligentes, mas são fortes. Eles também não servem ao Senhordo Mal, não servem a ninguém a não ser a si mesmos. – Ele não segue a Gandor, e isso já é ótimo, por esse perigo nósnão passamos. Mas se ele nos visse, estaríamos em uma panelaneste momento. Trolls são de muito longe daqui, ficam nas Florestasdo Fim. Trolls de Chifre não saem de seu lugar por motivo nenhum.Alguma coisa está errada, o que pode ter acontecido onde este Trollvivia, para ele sair e vir para tão longe? - perguntou Valquir para simesmo.59
  60. 60. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souza - Isso não é nada bom! - continuou. - vamos deixar de conversa,temos que continuar nossa viagem. Devagar os dois voltaram acaminhar. Depois de alguns minutos Marco sentiu o ar pesado,quente e abafado, e o cheiro de folhas mortas tinha ficado pior.Parecia que a floresta não queria eles ali. - Nossa que calor! - exclamou Marco passando a mão no rostopara retirar um pouco de suor. - É a floresta, ela não está gostando de nossa presença, asárvores sabem que você carrega algo muito poderoso e mau. Afloresta é muito sabia. E tem o nosso clima Marco, os nossos Sóissão bem quentes nessa época também. - concluiu. Agora Marco viu que a maioria das árvores existentes tinhamcasca de cor cinza, elas tinham folhas bonitas, não muito verdescom um tom amarelado de formatos comuns. Os dois andaram porhoras, Marco a essa altura já sentia fome, afinal não fez umdesjejum, sua barriga roncava de fome. -Valquir, eu estou com fome! - disse Marco. -Nossa, estou tão preocupado com problemas que esqueci disso,vamos parar ali e comer um pouco. Sentaram em algumas pedras. Marco percebeu que os pães eram diferentes, tinham o formatochato para caber mais unidades dentro das mochilas, muitogostosos, davam gosto de força, aqueles pães possuiam sabor doce,mas não era de açúcar, algo muito melhor, melhor que melinclusive. Com apenas uma unidade, ele ficou satisfeito. Então voltaram a caminhar, caminharam por muitosquilômetros, dormiram, acordaram, comeram,voltaram a caminham,60
  61. 61. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souzacomeram mais uma vez, andaram, comeram, e dormiram.Quilômetros e quilômetros dessa forma, estavam com sorte, nãoencontraram nenhum inimigo, apenas alguns animais pequenos eestranhos para Marco. Valquir falou sobre cada um deles, todoseram amigos, embora nem todos fossem bonitos. Viajaram porvários dias, a Floresta Parda nunca acabava, mais e mais árvorestodos os dias. E claro Marco não gostava nada, nada disso. -Valquir! Quando essa floresta vai acabar? - Calma, menino, logo, logo, tivemos que pegar o caminho maiscomplicado e longo, por isso a demora para sairmos daqui, setivéssemos ido pelo caminho normal, em um dia e uma noite nãoveríamos mais a Floresta. Mas estaríamos nas mãos dos inimigos.Estaremos fora da floresta em um dia e uma noite. Espero nãotermos nenhum problema, eu não gostaria de encontrar nenhuminimigo.- concluiu. – Nem eu, nem eu. - complementou Marco. Depois de dormirem, e voltarem a caminhar por mais algumashoras, finalmente saíram da Floresta Parda. Marco viu o mundo emsua frente, esfregou os olhos, tudo estava muito claro, enxergou umaenorme quantidade de terra, montanhas ao longe, serras, algumascom pequenas florestas, outras apenas com vegetação rasteira, tudoera muito grande e lindo. Marco se assustou ao ver tudo aquilo, nunca na vida dele tinhavisto um lugar tão vasto. Quando olhou para cima, finalmente viu osSóis, os dois eram maiores que o nosso sol, os dois brilhavam um aolado do outro, grandes estrelas bonitas.61
  62. 62. O Cristal - A Queda do Símbolo livro 1 - Uriel dos Santos Souza - Não olhe muito para os Sóis Marco, eles podem cegá-lo. -informou Valquir sorrindo. - eu também me assusto ao ver tudo isso.- complementou. - realmente toda essa terra é muito grande e vasta.Você está vendo aquelas montanhas lá ao longe? - Sim estou! – Teremos que passar por elas, onde temos que ir é muito maislonge. - Marco engoliu em seco. - Não sei se vou aguentar andar tanto! - disse tristemente. - Você não vai precisar andar por todo o caminho, uma partefaremos com barcos ou balsas, pelo rio. Mas todo o caminho vai sermuito longo.62

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