OS OVOS
MISTERIOSOS
Era uma vez uma galinha que
todos os dias punha um ovo.
E todos os dias vinha a dona,
com uma cestinha tirar-lho.
- Já pus 1000 ovos. Podia ser mãe de
mil filhos. Mas não tenho nenhum por
causa da gente gulosa. Vou fugir!
Quando a dona abriu a porta
para entrar na capoeira, ela
fugiu para a mata.
Fez um ninho muito bonito e
pôs um ovo muito
branquinho.
A galinha saiu do ninho para comer.
Quando voltou, qual não foi o seu
espanto ao ver o ninho cheio de ovos
de todos os tamanhos e feitios.
-Na minha
capoeira tiravam-
me os ovos, aqui
oferecem-mos.
Mas que sorte.
A galinha aninhou-se e ficou a chocar os
ovos. Daí por diante, mal saia do choco.
O tempo foi passando. Até que o
primeiro ovo estalou.
Ai, mas que filho
Eu até desmaio!
Em vez de ser pinto
É um papagaio.
No dia seguinte outro ovo se
abriu.
Ai, mas que filho
Como ele é diferente!
Em vez de ser pinto
É uma serpente.
Nessa mesma
tarde, o maior
de todos os
ovos partiu-se
ao meio.
Ai, mas que filho
Este é de truz!
Em vez de ser pinto
É uma avestruz.
A galinha
ia caindo
para o
lado
quando
viu o
próximo a
nascer.
Ai, mas que filho
Deve vir do Nilo!
Em vez de ser pinto
É um crocodilo.
A galinha ia
caindo para o
lado quando viu
o próximo a
nascer.
Ai, mas que filho
Diz o meu instinto!
Que este finalmente
É mesmo um pinto.
As amigas diziam à mãe galinha para ela só
tratar do pinto e não ligar aos outros bichos.
Mas como podia ela abandoná-los depois
de os ter chocado com tanto amor? Que
outra mãe havia de tratar deles?
Era feliz mas vivia num desassossego.
O papagaio voava
para as árvores e
ela não sabia voar.
O
crocodilo
só estava
bem
dentro da
água e ela
não sabia
nadar.
A serpente metia-se por todos os
buracos e ela era gorda demais para
a poder ir buscar.
A avestruz, essa, devorava tudo, não
havia comida que lhe chegasse.
Só o pinto, naturalmente, se portava
como um pinto.
Mas ela de todos gostava.
De todos cuidava.
Coçava a serpente quando ela tinha
cócegas,
porque à
pobrezinha
faltavam
as patas.
Enrouquecia de tanto tagarelar com
o papagaio,
que queria
sempre
conversa.
Cansava-se a
carregar petiscos
para a comilona da
avestruz.
Esgravatava o chão em busca de
sementes para o pinto.
E nos intervalos
lavava as dentuças do crocodilo.
Tudo
parecia
correr bem
até que
apareceu no
bosque um
rapaz.
Que belo frango!
Vou assá-lo para o
jantar.
Cocorococó!
A mãe galinha
refilou....
o que na
sua língua
quer dizer
“Não lhe
toques,
senão
pico-te”.
A serpente, ao ver o que se
passava, pôs-se à sua frente
a assobiar, mostrando os
dentes de veneno.
O rapaz
atirou-se
ao lago
para lhe
escapar.
Foi a vez do
crocodilo
avançar de
boca aberta.
Ai, que este
me come!
Depois
apareceu o
papagaio a
gritar:
O rapaz pensou que era a polícia.
Logo atrás de si começou a ouvir
passos, primeiro
distantes, depois
cada vez mais
próximos. Era a
avestruz.
Pensando que um
polícia o perseguia, largou a ave e
só parou na aldeia.
Às costas da irmã
avestruz, o frango
voltou para casa.
Para festejar, a
galinha juntou
todos os filhos e
fez-lhes um
bolo com vários
andares.
Outro, ratos para a serpente.
Outro, fruta para o papagaio.
Outro, peixe para o crocodilo.
Um tinha milho para o frango.
E por cima, a enfeitar, sete berlindes, um martelo e vinte
pregos, porque a avestruz só gostava de pitéus extravagantes.
Depois do jantar, os filhos fizeram uma roda à
volta da galinha e puseram-se a cantar:
Somos todos irmãos,
Somos todos diferentes:
Há uns que têm bico,
Outros que têm dentes,
Há uns que têm escamas,
Outros que têm asas,
Na terra e na água
Fazemos nossas casas.
Eu só tenho pescoço.
Eu voo pelo ar.
Eu nado a quatro patas.
Eu cá gosto de andar.
Somos todos diferentes,
Mas todos queremos bem
À boa da galinha
Que é a nossa mãe.
Fim

Os ovos misteriosos

  • 1.
  • 2.
    Era uma vezuma galinha que todos os dias punha um ovo. E todos os dias vinha a dona, com uma cestinha tirar-lho.
  • 3.
    - Já pus1000 ovos. Podia ser mãe de mil filhos. Mas não tenho nenhum por causa da gente gulosa. Vou fugir!
  • 4.
    Quando a donaabriu a porta para entrar na capoeira, ela fugiu para a mata. Fez um ninho muito bonito e pôs um ovo muito branquinho.
  • 5.
    A galinha saiudo ninho para comer. Quando voltou, qual não foi o seu espanto ao ver o ninho cheio de ovos de todos os tamanhos e feitios.
  • 6.
    -Na minha capoeira tiravam- meos ovos, aqui oferecem-mos. Mas que sorte. A galinha aninhou-se e ficou a chocar os ovos. Daí por diante, mal saia do choco.
  • 7.
    O tempo foipassando. Até que o primeiro ovo estalou. Ai, mas que filho Eu até desmaio! Em vez de ser pinto É um papagaio.
  • 8.
    No dia seguinteoutro ovo se abriu. Ai, mas que filho Como ele é diferente! Em vez de ser pinto É uma serpente.
  • 9.
    Nessa mesma tarde, omaior de todos os ovos partiu-se ao meio. Ai, mas que filho Este é de truz! Em vez de ser pinto É uma avestruz.
  • 10.
    A galinha ia caindo parao lado quando viu o próximo a nascer. Ai, mas que filho Deve vir do Nilo! Em vez de ser pinto É um crocodilo.
  • 11.
    A galinha ia caindopara o lado quando viu o próximo a nascer. Ai, mas que filho Diz o meu instinto! Que este finalmente É mesmo um pinto.
  • 12.
    As amigas diziamà mãe galinha para ela só tratar do pinto e não ligar aos outros bichos. Mas como podia ela abandoná-los depois de os ter chocado com tanto amor? Que outra mãe havia de tratar deles?
  • 13.
    Era feliz masvivia num desassossego. O papagaio voava para as árvores e ela não sabia voar.
  • 14.
  • 15.
    A serpente metia-sepor todos os buracos e ela era gorda demais para a poder ir buscar.
  • 16.
    A avestruz, essa,devorava tudo, não havia comida que lhe chegasse.
  • 17.
    Só o pinto,naturalmente, se portava como um pinto.
  • 18.
    Mas ela detodos gostava. De todos cuidava.
  • 19.
    Coçava a serpentequando ela tinha cócegas, porque à pobrezinha faltavam as patas.
  • 20.
    Enrouquecia de tantotagarelar com o papagaio, que queria sempre conversa.
  • 21.
    Cansava-se a carregar petiscos paraa comilona da avestruz.
  • 22.
    Esgravatava o chãoem busca de sementes para o pinto.
  • 23.
    E nos intervalos lavavaas dentuças do crocodilo.
  • 24.
    Tudo parecia correr bem até que apareceuno bosque um rapaz. Que belo frango! Vou assá-lo para o jantar.
  • 25.
    Cocorococó! A mãe galinha refilou.... oque na sua língua quer dizer “Não lhe toques, senão pico-te”.
  • 26.
    A serpente, aover o que se passava, pôs-se à sua frente a assobiar, mostrando os dentes de veneno. O rapaz atirou-se ao lago para lhe escapar.
  • 27.
    Foi a vezdo crocodilo avançar de boca aberta. Ai, que este me come!
  • 28.
  • 29.
    O rapaz pensouque era a polícia. Logo atrás de si começou a ouvir passos, primeiro distantes, depois cada vez mais próximos. Era a avestruz. Pensando que um polícia o perseguia, largou a ave e só parou na aldeia.
  • 30.
    Às costas dairmã avestruz, o frango voltou para casa. Para festejar, a galinha juntou todos os filhos e fez-lhes um bolo com vários andares.
  • 31.
    Outro, ratos paraa serpente. Outro, fruta para o papagaio. Outro, peixe para o crocodilo. Um tinha milho para o frango. E por cima, a enfeitar, sete berlindes, um martelo e vinte pregos, porque a avestruz só gostava de pitéus extravagantes.
  • 32.
    Depois do jantar,os filhos fizeram uma roda à volta da galinha e puseram-se a cantar: Somos todos irmãos, Somos todos diferentes: Há uns que têm bico, Outros que têm dentes, Há uns que têm escamas, Outros que têm asas, Na terra e na água Fazemos nossas casas. Eu só tenho pescoço. Eu voo pelo ar. Eu nado a quatro patas. Eu cá gosto de andar. Somos todos diferentes, Mas todos queremos bem À boa da galinha Que é a nossa mãe.
  • 33.