1. “Equívocos” - apresenta uma seleção de crônicas que põe a imaginação do leitorpara funcionar. Situações quase surreais,...
3. “De olho na linguagem” - prova que é possível ser engraçado sem abrir mão do bomportuguês. A crônica “Sexa”, que aborda...
serviço.Direitos humanos - É a história do motorista Algemiro, que ao levar uns americanospara conhecer o Rio de Janeiro, ...
partido, mudam seus ideais políticos.Rápido - Em poucas palavras e em forma de diálogos, o autor conta a história de vidau...
- Por quê?- Ele só pensa em gramática...TINTIMDurante alguns anos, o tintim me intrigou. Tintim por tintim: o que queria d...
babás. Nem os bebês.Mas os assaltos continuaram.Decidiram eletrificar os muros. Houve protestos, mas no fim todos concorda...
- Pois é. Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.- É para o seu bem.- Dispenso as suas correçõe...
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  1. 1. 1. “Equívocos” - apresenta uma seleção de crônicas que põe a imaginação do leitorpara funcionar. Situações quase surreais, como a do menino que vira super-herói em “Aespada”, são diversão garantida para os que gostam de aventura.Crônicas de "Equívocos":A espada – Um garoto de 7 anos ganha uma espada misteriosa no dia de seuaniversário. Ele fala ao pai que agora era um “Thunder boy”. O pai não o leva a sério,mas se surpreende quando escuta um forte estrondo e vê seu filho cumprindo sua missãode “Thunder boy”.O marajá – Um marido, cansado das crises de histeria da mulher, D. Morgadinha, emrelação à limpeza da casa, pede a um amigo que se finja de Marajá, a fim de que amulher se esquecesse um pouco da mania de limpeza. Não dá certo, a mulher seapaixona pelo falso Marajá.O homem trocado – As desventuras de um homem que teve toda a vida trocada, desdeseu nascimento. Agora, estava em um hospital para operar a apendicite e enganaram-sena cirurgia: trocaram-lhe o sexo.Suflê de chuchu – Duda, uma garota de classe média vai tentar a vida na Europa,porém não sabe fazer nada. Fica ligando para a mãe a fim de pedir-lhe explicações sobreassuntos domésticos.Sozinhos – Dois velhinhos roncadores que descobrem, sem querer, que os ladrões (ou amorte) invadiram sua casa.A foto – Família se reúne para tirar foto com o bisa e a bisa que já estão muitovelhinhos. Como ninguém queria deixar de aparecer na foto, o velhinho se irrita, tira afoto da família e vai dormir.2. “Outros tempos” - faz uma incursão à juventude e mostra o quanto ela pode serengraçada quando nos lembramos dela mais tarde.Crônicas de "Outros tempos":A bola – O garoto ganha uma bola e, obcecado por videogame não sabe o que fazercom ela. O pai se decepciona.História estranha – Um homem de quarenta anos se reconhece em uma criança queestá brincando no parque. A criança também o identifica, eles se abraçam e o garotopensa em como seria sentimental quando crescesse.Vivendo e... – O narrador começa a lembrar do que fazia na infância e percebe que jánão é mais capaz nem de cuspir com a língua entre os dentes como fazia antigamente.Adolescência – Um garoto perturba a todos com o violino que acabara de ganhar.Cansados, os vizinhos e o pai contratam Vandeca Furacão para que o garoto seesquecesse do instrumento musical.
  2. 2. 3. “De olho na linguagem” - prova que é possível ser engraçado sem abrir mão do bomportuguês. A crônica “Sexa”, que aborda a ingenuidade de um garoto diante da mentemaliciosa do pai, já vale o livro.Crônicas de "De olho na linguagem":Sexa – Um garoto interroga o pai sobre o feminino de sexo.Pá, pá, pá – Um brasileiro tenta explicar a uma americana o que significam certasexpressões da língua como: “pois é”, pois sim, pois não e pá, pá, pá”.Defenestração – O narrador brinca com o significado de certas palavras e se interrogacom o sentido de “defenestrar” – ato de atirar algo ou alguém da janela.Tintim – Brincadeira com as expressões brasileiras: tintim – barulho das moedas.Papos – O narrador brinca com as palavras e critica a gramática da língua portuguesaatravés da colocação pronominal.O jargão – O narrador se imagina um marinheiro, embora não entenda nada de barcos ecomeça a usar vários jargões (provavelmente inventados), fazendo uma crítica aoseconomistas que usam palavras as quais ninguém entende, mas que as pessoas jamaisousariam questionar.Pudor – O narrador brinca com o significado de algumas palavras, dentre elas “trilhão”,que antigamente significava um número muito alto, impossível de se imaginar e quehoje, devido à inflação e às mudanças de planos econômicos torna-se quase íntimonosso.Palavreado – O narrador brinca com as palavras e imagina novos significados para elas(falácia, lascívia, fornida, lipídio, otorrino, pseudônimo etc.).4. “Fábulas” - mostra o lado cômico das situações mais embaraçosas do cotidianoCrônicas de "Fábulas":A novata – Conta o primeiro dia de trabalho na vida de uma jornalista. No início ochefe não acredita muito na moça, mas ela se revela uma ousada profissional.Bobagem – Dois amigos que não se viam há muitos anos porque estavam brigados enem se lembravam do porquê. Pensaram que deveria ser bobagem. Conversaram,beberam, marcaram um outro encontro, mas um deles não compareceu porque havia selembrado da bobagem que os fez brigar.Hábito Nacional – Vários políticos famosos brasileiros morrem em um desastre deavião. São Pedro quer levá-los direto para o inferno, mas Deus lhes perdoa. “Sabe comoé, Brasileiro...”Pode acontecer – Dois amigos tramam atacar o Congresso Nacional e pegar políticoscomo reféns. O fracasso foi total, pois no dia combinado os políticos faltaram ao
  3. 3. serviço.Direitos humanos - É a história do motorista Algemiro, que ao levar uns americanospara conhecer o Rio de Janeiro, encontra Budum Filho, um homem que estava lhevendendo o dinheiro do jogo de bicho. Algemiro briga com o rapaz, mas este se faz devítima para os americanos que o defendem.Segurança – Cansados de serem assaltados, os moradores de um condomínio fechadotentam de todas as maneiras buscar estratégias para espantar os ladrões e ficam cada vezmais trancados em suas próprias casas. Ao final, fazem uma rebelião, querendo fugir doCondomínio.5. “Falando sério” - é uma coletânea de crônicas sobre problemas comuns do cidadãobrasileiro.Crônicas de "Falando sério":Fobias – O autor expõe diversos tipos de medos e aversões a alguma coisa(claustrofobia, acrofobia, collorfobia etc.) e brinca com o leitor querendo saber como sechamaria o medo de não ter o que ler.Anedotas – O narrador faz reflexões sobre as anedotas e diz que nem todos oshumoristas conseguem fazê-la, pois é um processo único.Da timidez – O narrador faz uma exposição sobre pessoas tímidas que, mesmoquerendo se esconder de todos, sempre acaba chamando a atenção de alguma forma.ABC – Comentários irônicos sobre o tamanho das letras de acordo com as idades.Quanto mais velhos ficamos, mais as letras diminuem. Segundo o narrador, esseprocesso está errado.6. “Exercícios de estilo”- finaliza a obra, com o autor brincando com estilos de textosem perder a pose nem a graça.Crônicas de "Exercícios de estilo":Amor – “Poema mais ou menos de amor” – alguém que queria ser o guarda-roupa daamada para guardar seus segredos.Um, dois, três – O narrador diz querer, um dia, fazer uma crônica que enchesse omundo de magia.O ator - Um ator leva seu trabalho tão a sério que confunde sua vida com a de seupersonagem e acaba perdendo sua própria identidade.O recital - Um invasor tenta tocar seu instrumento musical (uma tuba) junto com umquarteto de cordas e a confusão se generaliza.Siglas - Os personagens, preocupados em arrumar uma sigla para seu novo partido,esquecem-se de seus princípios e de suas lutas e, em nome de uma boa sigla para o
  4. 4. partido, mudam seus ideais políticos.Rápido - Em poucas palavras e em forma de diálogos, o autor conta a história de vidaum casal que se encontra, casa-se, tem filhos, viram avós e já estão na idade “perigosa”,a de morrer de velhice.O classificado através da história - O autor faz brincadeiras com a própria língua ecom os objetos a serem vendidos, como se fossem classificados de jornais.............................................................A seguir, leia algumas crônicas contidas em Comédias para se ler na escola:SEXA- Pai...- Hmmmm?- Como é o feminino de sexo?- O quê?- O feminino de sexo.- Não tem.- Sexo não tem feminino?- Não.- Só tem sexo masculino?- É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.- E como é o feminino de sexo?- Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.- Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino...- O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra "sexo" é masculina. O sexomasculino, o sexo feminino.- Não devia ser "a sexa"?- Não.- Por que não?- Porque não! Desculpe, porque não. "Sexo" é sempre masculino.- O sexo da mulher é masculino?- Sexo mesmo. Igual ao do homem.- O sexo da mulher é igual ao do homem?- É. Quer dizer... Olha aqui: tem sexo masculino e o sexo feminino, certo?- Certo.- São duas coisas diferentes.- Então como é o feminino de sexo?- É igual ao masculino.- Mas não são diferentes?- Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.- Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.- A palavra é masculina.- Não. "A palavra" é feminino. Se fosse masculino seria "o pal..."- Chega! Vai brincar, vai...O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:- Temos que ficar de olho nesse guri...
  5. 5. - Por quê?- Ele só pensa em gramática...TINTIMDurante alguns anos, o tintim me intrigou. Tintim por tintim: o que queria dizeraquilo? Imaginei que fosse alguma misteriosa medida de outros tempos quesobrevivera ao sistema métrico, como a braça, a légua, etc. Outro mistério era o triz.Qual a exata definição de um triz? É uma subdivisão de tempo ou de espaço. As coisasdeixam de acontecer por um triz, por uma fração de segundo ou de milímetro. Mas quefração? O triz talvez correspondesse a meio tintim, ou o tintim a um décimo de triz.Tanto o tintim quanto o triz pertenceriam ao obscuro mundo das microcoisas. Há quemdiga que não existe uma fração mínima de matéria, que tudo pode ser dividido esubdividido. Assim como existe o infinito para fora - isto é, o espaço sem fim, depoisque o Universo acaba - existiria o infinito para dentro. A menor fração da menorpartícula do último átomo ainda seria formada por dois trizes, e cada triz por doistintins, e cada tintim por dois trizes, e assim por diante, até a loucura.Descobri, finalmente, o que significa tintim. É verdade que, se tivesse me dado otrabalho de olhar no dicionário mais cedo, minha ignorância não teria durado tanto.Mas o óbvio, às vezes, é a última coisa que nos ocorre. Está no Aurelião. Tintim,vocábulo onomatopaico que evoca o tinido das moedas. Originalmente, portanto,“tintim por tintim” indicava um pagamento feito minuciosamente, moeda por moeda.Isso no tempo em que as moedas, no Brasil, tiniam, ao contrário de hoje, quando sãofeitas de papelão e se chocam sem ruído. Numa investigação feita hoje da corrupção nopaís tintim por tintim ficaríamos tinindo sem parar e chegaríamos a uma novaconcepção de infinito.Tintim por tintim. A menina muito dada namoraria sim-sim por sim-sim. O gordoincontrolável progrediria pela vida quindim por quindim. O telespectador habitualviveria plim-plim por plim-plim. E você e eu vamos ganhando nosso salário tin por tin(olha aí, a inflação já levou dois tins). Resolvido o mistério do tintim, que não é umasubdivisão nem de tempo nem de espaço nem de matéria, resta o triz. O Aurelião nãonos ajuda. “Triz”, diz ele, significa por pouco. Sim, mas que pouco?Queremos algarismos, vírgulas, zeros, definições para “triz”. Substantivo feminino.Popular. “Icterícia.” Triz quer dizer icterícia. Ou teremos que mudar todas as nossasteorias sobre o Universo ou teremos que mudar de assunto. Acho melhor mudar deassunto. O Universo já tem problemas demais.SEGURANÇAO ponto de venda mais forte do condomínio era a sua segurança. Havia as mais belascasas, os jardins, os playgrounds, as piscinas, mas havia, acima de tudo, segurança.Toda a área era cercada por um muro alto. Havia um portão principal com muitosguardas que controlavam tudo por um circuito fechado de TV. Só entravam nocondomínio os proprietários e visitantes devidamente identificados e crachados.Mas os assaltos começaram assim mesmo. Ladrões pulavam os muros e assaltavam ascasas.Os condôminos decidiram colocar torres com guardas ao longo do muro alto. Nosquatro lados. As inspeções tornaram-se mais rigorosas no portão de entrada. Agoranão só os visitantes eram obrigados a usar crachá. Os proprietários e seus familiarestambém. Não passava ninguém pelo portão sem se identificar para a guarda. Nem as
  6. 6. babás. Nem os bebês.Mas os assaltos continuaram.Decidiram eletrificar os muros. Houve protestos, mas no fim todos concordaram. Omais importante era a segurança. Quem tocasse no fio de alta tensão em cima do muromorreria eletrocutado. Se não morresse, atrairia para o local um batalhão de guardascom ordens de atirar para matar.Mas os assaltos continuaram.Grades nas janelas de todas as casas. Era o jeito. Mesmo se os ladrões ultrapassassemos altos muros, e o fio de alta tensão, e as patrulhas, e os cachorros, e a segunda cerca,de arame farpado, erguida dentro do perímetro, não conseguiriam entrar nas casas.Todas as janelas foram engradadas. Mas os assaltos continuaram.Foi feito um apelo para que as pessoas saíssem de casa o mínimo possível. Doisassaltantes tinham entrado no condomínio no banco de trás do carro de umproprietário, com um revólver apontado para a sua nuca. Assaltaram a casa, depoissaíram no carro roubado, com crachás roubados. Além do controle das entradas,passou a ser feito um rigoroso controle das saídas. Para sair, só com um examedemorado do crachá e com autorização expressa da guarda, que não queria conversanem aceitava suborno.Mas os assaltos continuaram.Foi reforçada a guarda. Construíram uma terceira cerca. As famílias de mais posses,com mais coisas para serem roubadas, mudaram-se para uma chamada área desegurança máxima. E foi tomada uma medida extrema. Ninguém pode entrar nocondomínio. Ninguém. Visitas, só num local predeterminado pela guarda, sob suasevera vigilância e por curtos períodos.E ninguém pode sair.Agora, a segurança é completa. Não tem havido mais assaltos. Ninguém precisa temerpelo seu patrimônio. Os ladrões que passam pela calçada só conseguem espiar atravésdo garnde portão de ferro e talvez avistar um ou outro condômino agarrado às gradesda sua casa, olhando melancolicamente para a rua.Mas surgiu outro problema.As tentativas de fuga. E há motins constantes de condôminos que tentam de qualquermaneira atingir a liberdade.A guarda tem sido obrigada a agir com energia.PAPOS- Me disseram...- Disseram-me.- Hein?- O correto é “disseram-me”. Não “me disseram”.- Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é “digo-te”?- O quê?- Digo-te que você...- O “te” e o “você” não combinam.- Lhe digo?- Também não. O que você ia me dizer?- Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que eu vou te partir a cara. Lhepartir a cara. Partir a sua cara. Como é que se diz?- Partir-te a cara.
  7. 7. - Pois é. Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.- É para o seu bem.- Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender. Mais umacorreção e eu...- O quê?- O mato.- Que mato?- Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem?- Eu só estava querendo...- Pois esqueça-o e pára-te. Pronome no lugar certo é elitismo!- Se você prefere falar errado...- Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderem-me?- No caso... não sei.- Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?- Esquece.- Não. Como “esquece”? Você prefere falar errado? E o certo é “esquece” ou“esqueça”? Ilumine-me. Me diga. Ensines-lo-me, vamos.- Depende.- Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-lo-ias se o soubesses, mas não sabes-o.- Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.- Agradeço-lhe a permissão para falar errado que mas dá. Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.- Por quê?- Porque, com todo este papo, esqueci-lo.

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