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18       FREUD, Sigmund (1920). Além do Princípio do Prazer. In: Edição StandartBrasileira das Obras Completas de Sigmund ...
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Projeto de pesquisa

  1. 1. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo FACHS – Curso de Psicologia PUC – SP Projeto de Iniciação Cientifica Pesquisa Individual Orientação: Paula Regina Peron Pesquisador: Diego Amaral Penha São Paulo 2010
  2. 2. 2 Resumo O objetivo desta pesquisa é investigar quais os mecanismos psíquicossubjacentes aos motivos que levam espectadores a assistir filmes de terror.Secundariamente, a pesquisa pretende relacionar sonhos e os pesadelos a taisfilmes, partindo da concepção de que a produção de cinema e a produção desonhos possuem dinâmicas e metas semelhantes sob a ótica psicanalítica. A Psicanálise é um dos caminhos para o estudo do psiquismo humano. Apartir de seu método interpretativo o inconsciente pode ser estudado, inclusive naanálise de produções artísticas. O filme Silent Hill (Terror em Silent Hill, 2006) será utilizado comorepresentante da categoria terror por se tratar de um filme de relevância no mercadocinematográfico e por contar com características básicas do gênero de terror. Umaanálise dos conteúdos abordados pelo filme e suas técnicas de produção de medo,será usada para representar como a sétima arte produz reações psíquicas nosespectadores. O Cinema, desde sua mais precoce aparição, tem como objetivo atingir oimaginário humano, confundindo ficção com realidade. A função da sétima arte estáextremamente ligada com a reação dos espectadores. O Cinema comorepresentação fantasiosa da realidade auxilia e requer auxilio da Psicanálise paracompreender o sentido dos desejos humanos. Assim, a partir de reflexões sobre como o Cinema e a Psicanálise podematuar juntos, este trabalho busca compreender pela perspectiva psicanalítica quaissão os motivos que levam pessoas a gostarem de filmes de terror. Palavras-chaves: psicanálise, cinema, filmes de terror, pulsão de morte.
  3. 3. 3 Introdução Ao sentarmos em uma poltrona confortável para assistir um filme, olhamosfixamente para a tela em branco que logo estará nos transportando para um mundoimaginário, em que o que mais desejamos dele é o prazer. Queremos viver o ator,queremos nos aventurar por lugares desconhecidos, queremos sonhar. Um filme, por outro lado, brota do imaginário de outrem. É dotado do anseiode ser divulgado, o autor quer que sua criação, seu ideal de imagem seja dividido.Camila Sampaio (2000) diz que: “[...] a experiência do sonho, ou o desejo humanode compartilhar os sonhos, está na própria origem da possibilidade do cinema...”(p.46), o filme, assim como o sonho, é uma porta para a psique, que pode nos levarpara dentro, ou trazer algo para fora. Assim como nos sonhos, o cinema proporciona a possibilidade de escapar àregra, fazer o proibido, liberando a psique para gozar de tais efeitos por mérito daexpressão artística. Temos no cinema a “maquina do prazer” (Sampaio, 2000, p.47)para sonharmos acordados e mais uma vez tentarmos saciar os nossos desejospulsantes. Porém algo perturba nossos sonhos, algumas vezes acordarmos sufocantesdurante a madrugada, temos pesadelos. Conscientemente, estes não nos parecemser prazerosos, pelo contrario desejaríamos nunca tê-los, pois estes nos dificultam osono e despertam uma angustia terrível deixando-nos com medo. E assim como nossonhos, em filmes também podemos ter pesadelos, pois, “[...] existem filmes que nosfazem sonhar para proteger nosso sono [...] e, existem filmes que nos acordam,despertam, instigam [...]” (Magalhães, 2008, p.89). Um exemplo de tais filmes são osdo gênero terror. Se pudéssemos escolher entre ter ou não pesadelos, com certezaescolheríamos não tê-los. Mas como podemos observar, escolhemospropositalmente ver filmes de terror, por mais contraditório que pareça escolhemossonhar pesadelos acordados. Gastamos tempo, dinheiro e atenção para nosassustarmos. Onde está o prazer nisto? Realmente buscamos prazer nestes filmes?Se não, o que buscamos? A busca para compreender os sentidos que as imagens cinematográficaspodem receber de seus espectadores tem sido campo da psicanálise por algumtempo. Temas psicanalíticos como identificação, projeção, introjeção e sublimaçãofazem parte dos métodos cinematográficos de cativar o público e arrastá-los para omundo da realidade imaginária, apesar de nem sempre utilizar-se da mesmanomenclatura que a psicanálise.
  4. 4. 4 A psicanálise nos diz sobre mecanismos da psique que não buscam o prazer.A pulsão de morte teorizada por Freud é o impulso agressivo, voltado ao objeto, quetende a redução completa das tensões entre desejos, ou seja, busca oaniquilamento do objeto para o retorno ao estado inorgânico, sem o desejar. É nessesentido que a psicanálise pode nos ajudar a responder quais são os motivos para oterror no cinema, pois ela nos diz sobre o que não gostamos de saber quegostamos.
  5. 5. 5 Delimitação do tema de pesquisa Esta pesquisa pretende trabalhar o fenômeno dos filmes de terror, sob aperspectiva psicanalítica. Conceitos psicanalíticos serão usados para esquematizarqual a dinâmica psíquica envolvida para pessoas gostarem de tais filmes. O objeto de estudo da Psicanálise é o inconsciente. Freud (1915) utilizou-sedeste termo para definir que durante a sua prática analítica buscaria dentro dopsiquismo de seus pacientes conteúdos recalcados, desagradáveis, que há muitohaviam escapado à consciência, entrando em um estado de esquecimento.Recalque é uma das operações pelas quais a psique se defende dos conflitospulsionais. O recalque age sobre os representantes psíquicos das pulsões noinconsciente. A segunda teoria pulsional de Freud (1920) traz a divisão das forças pulsionaisdo aparelho psíquico em pulsões de vida e pulsões de morte. O autor explica que opróprio amor objetal é dividido entre estas duas polaridades, “Amor (ou afeição)” e o“Ódio (ou agressividade)” (Freud, 1920, p.35). Para ele a pulsão de morte é maisprimitiva, pois ela entra em ação “a serviço da função sexual” (Freud, 1920, p.35). Odesejo de controlar o objeto desejado coincide com o aniquilamento dele.Posteriormente, durante o desenvolvimento psíquico, a pulsão sádica se isola e apulsão sexual agora tem primazia sobre o objeto, por enquanto. Poder-se-iaverdadeiramente dizer que o sadismo que for expulso do ego apontou o caminhopara os componentes libidinais do instinto (pulsão) sexual e que estes o seguirampara o objeto. (Freud, 1920, p.35) Após a criação da segunda tópica, Freud afirma que o ego lida com conflitosinconscientes (Id), morais (Superego) e do mundo externo. Assim o ego passa a sercompreendido como sede da angústia na psique, podendo produzir e sentirangústia. Nesse contexto a angústia causa o recalque, sendo este uma reação doego a eventos tidos como perigosos para a psique. (Freud, 1923, p.10-25) Outra maneira defensiva de lidar com a angústia é através do mecanismo deprojeção. A projeção aparece sempre como uma defesa, como a atribuição ao outro– pessoa ou coisa – de qualidades, de sentimentos, de desejos que o sujeito recusaou desconhece em si. (Laplanche e Pontalis, 2008, p.376). Com a projeção oindivíduo defende-se, deslocando para um objeto os seus desejos inconscientes. Apsicanálise trata do termo introjeção para referir-se ao movimento defensivocontrário à projeção. Introjeção é o movimento de apropriação do mundo externopela psique. Sobre a oposição projeção e introjeção:
  6. 6. 6 [...] o “ego-prazer purificado” constitui-se por uma introjeção de tudo o que éfonte de prazer e por uma projeção para fora de tudo o que é ocasião de desprazer.(Laplanche e Pontalis, 2008, p.248) Os autores referem-se aqui ao principio de prazer e a tendência do ego desatisfazer seus desejos, adquirindo tudo que é bom para si próprio e expulsando oque é ruim. Estes movimentos psíquicos de defesa são ferramentas integrantes daconstituição da personalidade do sujeito. A identificação se dá através destesmovimentos, pois esta é um processo psicológico pelo qual alguém adquirepropriedades de um objeto e se transforma segundo este modelo (Laplanche ePontalis, 2008). Este movimento é de grande valia quando buscamos estudar oefeito que filmes possuem nos espectadores, pois quando assistimos a um filmeidentificamo-nos com um ou mais personagens, ou seja, adquirimos para nós algoespecífico de tal personagem, integrando-o ao nosso universo psíquico. Por outrolado a identificação também se estabelece de forma projetiva, ou seja, depositandoem algum objeto externo a possibilidade de realização de seu próprio desejo. Este éum movimento também observado quando nos identificamos com personagens, eestes realizam por nós nossos desejos recalcados. As identificações e introjeções que um sujeito faz estruturam suas imagenspsíquicas inconscientes. Estas virão a constituir suas imagens oníricas por meio demecanismos como condensação e deslocamento, movimentos típicos dos sonhos.Os sonhos são para Freud (1910 [1916]) o caminho mais seguro para atingir oinconsciente na psicanálise, pois neles as resistências da psique estão afrouxadas eos conteúdos inconscientes esquecidos podem ser acessados. Nos sonhos a psiquebusca a realização de desejos que lhe foram recusados durante o dia. Citando Freud(1910 [1916]: “[...] a interpretação de sonhos, quando não a estorvam em excesso asresistências do doente, leva ao conhecimento dos desejos ocultos e reprimidos [...]”(p.45), sendo assim dentro de sonhos temos a alternativa possível encontrada pornossos desejos que não puderam ser realizados. A interpretação de sonhos freudiana se mostra eficaz na tentativa de alcançarconteúdos inconscientes da psique, dando sentido às imagens oníricas, muitasvezes, sem sentido. Identificar quais mecanismos estão corroborando para aformação dessas imagens nos dão pistas para a compreensão do funcionamento dapsique. Se pretendermos descobrir por quais razões alguém assiste a um filme deterror, a resposta pode ser encontrada na identificação dos mecanismos por trás dacriação das imagens cinematográficas, pois segundo Sampaio (2000): “[...] o cinema(é) o instrumento apropriado para a descrição da vida mental profunda [...]” (p.47),ou seja, tal qual um sonho um filme pode ser usado para atingir conteúdosinconscientes, não de um individuo, mas de todo o público espectador. Utilizaremos nesta pesquisa o filme “Terror em Silent Hill” (2006), pois estefilme teve grande repercussão no universo cinematográfico. O filme lucrouUS$97.607.453 e seu orçamento foi de US$50 milhões. O filme é baseado no
  7. 7. 7enredo de uma série de jogos virtuais da KONAMI Corporation, esta é uma dasrazões pela qual foi um dos quatro filmes da Sony Pictures a ocupar a primeiracolocação nas bilheterias dos Estados Unidos da América no ano de 2006 (França,2010). Silent Hill trata de dois mundos paralelos: um real, em que vivemos e um queestá dentro, e é atravessado pelo psiquismo de uma garota que fora atormentada etorturada na infância. Seus maiores temores agora são os temores das pessoas queficam presas em seu mundo imaginário.
  8. 8. 8 Problematização O medo, a ansiedade e o estresse têm suas importâncias evolutivas.Segundo Loiola (2010) eles deixam os indivíduos preparados para a maioria dasadversidades, aumentando sua eficiência. Ainda citando a autora, quando: [...] o cérebro percebe uma ameaça, um sistema chamado circuito do medoentra em ação. Formado por núcleos cerebrais como a amígdala e o hipocampo, elelibera neuro-hormônios e neurotransmissores para defender o organismo. (Loiola,2010, p.38) Ou seja, sentir medo fora das salas de cinema é desagradável, porém é ummecanismo de defesa evolutivo útil para proteger a integridade do próprioorganismo. Podemos pensar que filmes de terror podem nos ajudar evolutivamentea nos preparar para algum evento desconfortante futuro, mas esta afirmação nãoexplicaria o fato de alguém realmente procurar um filme de terror no seu momentode lazer, para se divertir. Se nos detivermos ao pensamento bioquímicochegaríamos à conclusão de que os filmes de terror seriam evolutivamenteimportantes para constituir os mecanismos de defesa orgânicos e que assisti-losseria uma tarefa desconfortável mais importante. Não é o que observamos. O hábito de assistir estes tipos de filmes é, para certas pessoas, prazeroso.Partindo de pressupostos psicanalíticos, o sujeito que assiste possui pulsõesinconscientes que operam sobre as imagens recebidas de um filme. Este já édotado, como obra artística, por inúmeros anseios e desejos depositados nele portodas as pessoas que o produziram. São vários inconscientes agindo juntos, atores,diretores, escritores, operadores de câmeras, cenógrafos, sonoplastas, dublês,maquiadores e uma infinidade de outros profissionais atuando juntos para criar umaobra completa que represente o que o espectador poderá compreender como, porexemplo, o terror. Esta criação é dotada de conteúdos inconscientes. Conteúdossubjetivos são lançados ao espectador, e este dialeticamente impõe seus própriosconteúdos subjetivos inconscientes nas imagens e conceitos registrados por seuraciocínio. Como, então, este espectador opera frente a um filme de terror? E quais sãoas técnicas cinematográficas utilizadas para levar este espectador a operar de talmaneira? Barbosa (1996), em seu estudo sobre a poética do cine-terror detalha astécnicas cinematográficas de trazer a tona no espectador o medo. Para descrever astécnicas de suspense o autor explica as “Estratégias de temporalização” (Barbosa,1996, p.23). Estas podem ocorrer de duas maneiras, produzindo duas reaçõesdistintas entendidas como medo.
  9. 9. 9 A primeira é uma técnica de produção de ansiedade. Sabemos que algo vaiacontecer com um personagem, porém este não divide do mesmo saber. Os cortesentre cenas vão se tornando mais demorados e a trilha sonora contribui paraaumentar a ansiedade. O outro (monstro) é introduzido lentamente no foco e quandoestá totalmente visível para o espectador é que ocorre o ataque. Nãonecessariamente ocorre um susto, mas depois do ataque os cortes entre cenasficam extremamente acelerados, e o espectador sente-se dentro de um conflito deimagens. (Barbosa, 1996, p. 25-28) A segunda técnica, em sua maioria das vezes, ocorre quando o personagemsabe qual perigo o está à espera. Da mesma maneira do anterior o tempo entrecortes é diminuído para criar o terreno de ansiedade mais uma vez. Desta vez aoinvés de o outro (monstro) ser introduzido lentamente em foco, ele é apresentadoentre cortes e em sintonia com uma variação brusca da trilha sonora, que assusta,seguida do ataque e rápidos cortes de cena novamente. (Barbosa, 1996, p.25-28) Estas técnicas produzem reações nos espectadores, pois estes já sabem oque esperar de tais filmes. Ou por já terem experimentado situações de medo,ansiedade e susto, ou por já terem assistido a um filme de terror. “Esse gênero nãoganha nada escondendo que cenas aterrorizantes virão. É importante que desde oinício o espectador fique na espera de que algo virá para causar-lhe medo.”(Barbosa, 1996, p.13) Segundo Freud as reações de: “„Susto‟, „medo‟ e „ansiedade‟ são palavras impropriamente empregadas como expressões sinônimas; são, de fato, capazes de uma distinção clara em sua relação com o perigo. A „ansiedade‟ descreve um estado particular de esperar o perigo ou preparar-se para ele, ainda que possa ser desconhecido. O „medo‟ exige um objeto definido de que se tenha temor. „Susto‟, contudo, é o nome que damos ao estado em que alguém fica, quando entrou em perigo sem estar preparado para ele, dando-se ênfase ao fator da surpresa.” (Freud, 1920, p.8) Fazer esta diferenciação nos é útil, pois cada reação é estabelecida em umacategoria de tempo específica. A ansiedade por descrever o estado de esperar estávoltada para o futuro, ou seja, possibilidade de prever as relações causais deeventos. O medo é fixo em um objeto que está no presente, mesmo se este objetonão está no mesmo lócus do sujeito, sua imagem é presente na psique. E o susto éa reação que ocorre após (mesmo que seja em milésimos de segundo) a apariçãosurpresa e sem previsão de algo, por tanto está vinculada ao passado, a um eventoque já ocorreu. Os sustos podem gerar a próxima ansiedade, quando objetos que lhe foramassustadores no ocorrido (os sustos) estão em mente, lhe deixando com medo deuma possível situação desagradável. De fato toda essa cadeia é desagradável, detal maneira que Freud preocupou-se sobre o que de fato ocorriam nos pesadelos.
  10. 10. 10Estes foram alguns dos motivos que levaram Freud a elaborar a sua segunda teoriapulsional. Sua questão era a seguinte: Por que a psique iria em alguma circunstânciaquerer reproduzir situações desprazerosas durante o sono? O próprio Freud,parcialmente responde está pergunta: “Se não quisermos que os sonhos dos neuróticos traumáticos abalem nossa crença no teor realizador de desejos dos sonhos, teremos ainda aberta a nós uma saída: podemos argumentar que a função de sonhar, tal como muitas pessoas, nessa condição está perturbada e afastada de seus propósitos, ou podemos ser levados a refletir sobre as misteriosas tendências masoquistas do ego.” (Freud, 1920, p.8) Esta ultima proposta, juntamente com outras, levou Freud a desenvolver suateoria de que as pulsões não mais se dividiriam em pulsões de auto-conservação epulsão sexual, como acreditava e sim em pulsões de vida (Sexuais e auto-conservação) e pulsões de morte, estas dotadas de agressividade para com oobjeto. Como já afirmei Freud ainda vai além, afirma que a pulsão de morte seriaprimitiva e anterior à pulsão de vida, o que nos leva a pensar que assistir um filmede terror não é tão diferente de ter um pesadelo. Ainda sobre a ansiedade Freud (1910 [1916]) afirma que esta é uma reaçãodo ego que tem por meta recalcar desejos violentos. Também afirma que aansiedade é constituinte do pesadelo e que a forte presença dela pode ter conexãocom um forte foco do sonho na satisfação de desejos violentos recalcados. (p.44) A questão de desejos recalcados nos leva a uma questão importante: “O queocorre com estes desejos recalcados ao se assistir um filme de terror?” Este é umdebate clássico e atual que não se fixa apenas a filmes de terror, mas também incluifilmes eróticos e violentos. Estes filmes realmente incitam o que apresentam ou pelocontrario, satisfazem os desejos recalcados e preparam os jovens para a difíciltarefa de viver em sociedade e abdicar-se de seus desejos? Esta pesquisa tem como objetivo secundário contribuir para a produção deconhecimento nesta área. Temas como este são recorrentes em debates televisivose acadêmicos. Será que o fato de um garoto entrar em um cinema com umasubmetralhadora está inter-relacionado com o filme que estava em cartaz? (Ferrera,2004). Durante a exibição do filme “Clube da Luta” (1999), o ex-estudante demedicina Mateus da Costa Meira matou três pessoas e colocou em risco a vida demais 15 no MorumbiShopping em São Paulo. O fato de estar passando um filmecompreendido como violento teria influenciado a ação do garoto? Filmes realmentepodem nos influenciar desta maneira? Estas não são questões de fácil resolução, porém a compreensãopsicanalítica dos mecanismos que fazem alguém assistir filmes de terror pode servirde contribuição para futuros debates sobre o tema.
  11. 11. 11 Objetivos Esta pesquisa tem como objetivo específico reconhecer e trabalhar emconceitos psicanalíticos quais mecanismos psíquicos fazem pessoas gostarem deassistir filmes de terror. Como objetivo geral esta pesquisa pretende contribuir para a produção deconhecimento acerca dos estudos entre Psicanálise e Cinema. Esta pesquisa, também secundariamente, procura contribuir para a produçãode conhecimento em relação ao fenômeno social cinema de terror, podendo serfuturamente parâmetro para novas pesquisas. A inserção de um aluno em graduação no universo de produção acadêmicatambém consta como objetivo geral, pois o programa de iniciação cientifica servecomo incentivo aos alunos para produzirem conhecimento dentro da universidade.
  12. 12. 12 Quadro teórico A pesquisa se embasará na Psicanálise Freudiana, que tem como objeto deestudo geral a psique humana e objeto específico o Inconsciente. O método de talteoria é baseado em sua situação analítica que pode ser transposta para o mundoartístico. Seus métodos de interpretação da subjetividade são as bases para essetipo de estudo.
  13. 13. 13 Metodologia Um filme de terror pode ser campo de investigação psicanalítico, pois trata deconteúdos inconscientes e é eliciador de dinâmicas psíquicas inconscientes emquem o assiste. Segundo Violante (2000) “[...] a pesquisa em Psicanálise tambémpode ocorrer em situação extra-analítica.“ (p.110), isto é, o campo de pesquisa emPsicanálise não se limita ao estudo e compreensão das dinâmicas inconscientesapenas dentro de um consultório, mas amplia-se para todo o ambiente humano,dotado de marcas do inconsciente. Para Violante (2000) [...] a metapsicologia tem apretensão de ir além da psicologia, o que quer dizer [...] realizar um percurso quetranscende o comportamento. (p.112) A arte é compreendida pela autora como um dos possíveis saberespsicanalíticos, desde que se problematize o objeto de estudo de tal maneira que aPsicanálise seja invariavelmente necessária para a efetivação da pesquisa (Violante,2000, p.115). E por que não a sétima arte? O cinema como arte também pode sercampo da pesquisa em Psicanálise. O cinema permite, nos conta Sampaio (2000),que o homem [...] represente para si a realidade do mundo que o rodeia [...] (p.30)através da linguagem, tema indiscutivelmente constituinte do campo psicanalítico.As dinâmicas psíquicas influenciadas pelos estímulos cinematográficos podem sercompreendidas a partir da teoria psicanalítica. Para a Psicanálise estas dinâmicassão atravessadas pelos movimentos inconscientes que terão influência sobre asimbolização da percepção de tais estímulos. Portanto diferentes indivíduos terãodiferentes dinâmicas psíquicas frente a um filme de terror que levaram a diferentestipos de simbolização. Para explorar o cinema e os filmes de terror temos queconsiderá-los em complexa relação polissêmica com o aparelho psíquico, nãounideterminada, nem unidimensional, pois segundo Rezende (1993) "investigar (...)é interpretar a polissemia das situações observadas." (p.104), ou seja, não podemosque um fenômeno psíquico é determinado por uma causa só, e sim por umacomplexidade de causas. É nos escritos freudianos e no seu método de investigação e interpretação,por exemplo, de sonhos, que basearemos nosso estudo sobre o cinema, devido àpossibilidade, já referida de aproximação dos temas, pois “[...] a teoria tem porfunção vincular a singularidade do experimentado à universalidade dos conceitos, eno caso da psicanálise isso é realizado através da noção de mecanismos psíquicos”(Mezan, 1993, p.5). Aqui temos o que pretendemos retribuir à teoria. Os estudos dosmecanismos psíquicos que operam frente a um filme de terror servirão decontribuição ao conhecimento psicanalítico quando generalizados.
  14. 14. 14 Plano de atividades Esta pesquisa consiste em uma pesquisa teórica a partir de dados do filmeescolhido. O aluno (Diego Amaral Penha) deverá, portanto, assistir ao filme “Terrorem Silent Hill” (2006), fazer um levantamento bibliográfico teórico sobre os assuntosabordados pela pesquisa em relação ao filme, discutir os dados colhidos com oorientador e produzir a pesquisa.
  15. 15. 15 CronogramaAgosto/2010 Levantamento bibliográfico: Leitura e fichamento Tema: Terror no Cinema Discussão com o orientador O que já foi escrito? Elaboração da Introdução.Setembro/2010 Destrinchamento do Filme (Silent Assisti-lo com viés em Hill): Psicanálise Levantamento bibliográfico sobre Discussão com o orientador o filme e de seus pontos mais Elaboração do resumo do importantes. filme.Outubro/2010 Levantamento bibliográfico: Leitura e fichamento Tema: O Medo em Freud. Discussão com o orientador - Sonhos/Pesadelos Elaboração do capítulo sobre Medo.Novembro/2010 Levantamento bibliográfico: Leitura e fichamento Tema: O Medo em outros Discussão com o orientador Psicanalistas. Elaboração do capítulo sobre - Sonhos/Pesadelos Medo.Dezembro/2010 Levantamento bibliográfico: Leitura e fichamento Tema: O Medo fora da Discussão com o orientador Psicanálise. Elaboração do capítulo sobre - Sonhos/Pesadelos Medo.Janeiro/2011 Levantamento bibliográfico: Leitura e fichamento Tema: Técnicas de produção de Discussão com o orientador Medo no Cinema. Elaboração do capítulo sobre técnicas cinematográficas.Fevereiro/2011 Levantamento bibliográfico: Leitura e fichamento Tema: Cinema e Psicanálise. Discussão com o orientador Subjetivação e Identificação Início da elaboração do Relatório parcial capítulo sobre Cinema e
  16. 16. 16 Psicanálise Elaboração do relatório parcial.Março/2011 Levantamento bibliográfico: Leitura e fichamento Tema: Cinema e Psicanálise. Discussão com o orientador Dinâmica de pulsões no cinema. Continuação da elaboração do capítulo sobre Cinema e Psicanálise.Abril/2011 Levantamento bibliográfico: Leitura e fichamento Tema: Cinema e Psicanálise. Discussão com o orientador Análise do Filme. Elaboração da Análise do Filme.Maio/2011 Conclusão e retoques finais Redação Conclusão do trabalho. Discussão com o orientador Início da elaboração da conclusão.Junho/2011 Conclusão e retoques finais Redação Conclusão do trabalho. Discussão com o orientador Continuação da elaboração da conclusão.Julho/2011 Relatório final Redação Discussão com o orientador Finalização da elaboração da conclusãoAgosto/2011 Entrega do relatório final Entrega do relatório final
  17. 17. 17 Bibliografia SAMPAIO, Camila Pedral. Cinema e potência do imaginário. In:Psicanálise, cinema e estéticas de subjetivação. Giovanna Bartucci (org.). Rio deJaneiro: Imago, 2000. MAGALHÃES, Sonia Campos. Cinema, Sonho e psicanálise. Cogito, 2008,vol.9, p.86-90. ISSN 1519-9479. CARVALHO, Ana Cecília. O processo de criação na produção literária: umdepoimento. Psicol. Cienc. Prof., 1994, vol14, no.1-3,p.4-9. ISSN 1414-9893. KEHL, Maria Rita. Imagens da violência e violência das imagens.Disponível em: <www.mariaritakehl.psc.br Acesso em: 26 mar. 2010 > FRANÇA, Viviane. Terror em Silent Hill (Silent Hill). Disponível em:http://www.bocadoinferno.com/romepeige/silent.html Acesso em: 7 abr. 2010> Wikipédia – Enciclopédia livre. Silent Hill (filme). Disponível em:http://pt.wikipedia.org/wiki/Silent_Hill_(filme) Acesso em : 7 abr. 2010> FERREIRA, Carlos. Justiça de SP condena "atirador do shopping" a 120anos de prisão. Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u95219.shtml Acesso em: 30 mar.2010> LOIOLA, Rita. Todo Mundo Em Pânico. Galileu, São Paulo, v.222, n.1, p. 37-45, 2010. RUDGE, Ana Maria. Jones e Lacan: pesadelos, demônios e angustia.Pulsional ver. Psicanálise; 18(181):80-87, mar. 2005. COELHO, Julie. Apreciação e Sublimação: ensaio sobre arte epsicanálise. São Paulo, 2009. 114p. Dissertação (Mestrado em Psicologia Clínica) –Faculdade de Psicologia, Pontifícia Universidade Católica. BARBOSA, André Schaer. A POÉTICA DO CINE-TERROR, um estudosobre a produção do medo. Salvador, 1996. 52p. Dissertação (Bacharelado emJornalismo) - Faculdade de Comunicação, Universidade Federal da Bahia. FREUD, Sigmund. Das Unbewusste, 1915. Apud LAPLANCHE, Jean ePONTALIS, Jean-Bertrand. Vocabulário de Psicanálise. São Paulo: MartinsFontes, 2008. LAPLANCHE, Jean e PONTALIS, Jean-Bertrand. Vocabulário dePsicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
  18. 18. 18 FREUD, Sigmund (1920). Além do Princípio do Prazer. In: Edição StandartBrasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, vol. XVIII. 3. Ed. Rio de Janeiro:Imago, 1977. FREUD, Sigmund (1923). O ego e o ID. In: Edição Standart Brasileira dasObras Completas de Sigmund Freud, vol. XIX. 3. Ed. Rio de Janeiro: Imago, 1977. FREUD, Sigmund (1910 [1916]). Sigmund Freud – Os Pensadores, Cincolições de Psicanálise, A História do Movimento Psicanalítico e Esboço dePsicanálise – Seleção de Jayme Salomão. São Paulo: Nova Cultura Ltda, 2005. VIOLANTE, Maria Lucia Vieira. Pesquisa em Psicanálise. In: Ciência,Pesquisa, Representação e Realidade em Psicanálise. Raul Albino Pacheco Filho,Nelson Coelho Junior, Miriam Debieux Rosa (org.). São Paulo: Educ, 2000.

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