CIDADANIA E DESIGUALDADE DE GÊNERO

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CIDADANIA E DESIGUALDADE DE GÊNERO

  1. 1. CIDADANIA E DESIGUALDADE DE GÊNERO Prefácio- Apresentação do tema - Milena Barreto de OliveiraO presente trabalho é uma produção coletiva do grupo H, de um material paradidático paraauxiliar professores na prática docente de temas transversais, feito a partir da ferramentavirtual Wiki e que compõe a avaliação final do curso de extensão “ConceitosFundamentais em Sociologia”, realizado pela Fundação CECIERJ no primeiro semestre de2012.O grupo foi formado com os alunos ativos do curso, listados em ordem alfabética e divididopela equipe de tutoria em fóruns distintos que através desse espaço iniciamos o contato e asdiscussões a respeito da escolha de um tema que se relacionasse com os propostos pelocurso.A Sociologia é uma área muito ampla das Ciências Humanas sugerindo várias temáticas,porém o grupo logo demonstrou interesse pelos temas de cidadania e de desigualdade degênero. Desta forma, unimos esses dois temas e os relacionamos no trabalho que foientitulado de “Cidadania e desigualdade de gênero”. Compreendemos cidadania como oexercício pleno das funções sociais e políticas totais do indivíduo e gênero como umconceito relacionado ao papel social que o indivíduo exerce na sociedade em detrimento doseu sexo anatômiuco.As desigualdades de gênero são produzidas em todos os espaços da vida social, tanto nospúblicos quanto no privado. Os movimentos sociais têm se empenhado em lutas pararesguardar os direitos civis de homens e mulheres e nessa perspectiva a luta pela igualdadede gênero também é constante. O Brasil tem avançado bastante no que se refere àampliação e exercício desses direitos, na promoção da cidadania. No entanto ainda hámuitos obstáculos a serem transpassados e considerados no que se refere à igualdade,educação de qualidade, respeito e valorização dos indivíduos.As discussões propostas nesse material têm como objetivo motivar a reflexão coletiva eindividual contribuindo para a eliminação de qualquer desigualdade e diferença. Propomosa reflexão acerca dos conceitos de gênero e cidadania. Para desenvolver melhor esses temasiremos: conceituá-los, expor o papel da família e da escola no aprendizado de gênero,mostrar que a formação da identidade da criança e do adolescente é construída socialmente,exemplificar as diferenças de gêneros nos setores públicos e privados, apontar a violência ediscriminação de gênero como reflexo da desigualdade social, o surgimento de Movimentossociais pela igualdade de gêneros, relacionar Direitos Humanos, Cidadania e gênero,sugerir propostas educativas possíveis e por fim colocar nossas considerações finais.Todo trabalho está pautado nas referências bibliográficas citadas que nos serviram de basepara a construção dos nossos textos. Nosso objetivo maior é o de contribuir com osprofessores na discussão dos temas nas salas de aulas proporcionando o respeito dosdireitos civis dos indivíduos, da igualdade de gênero, contribuindo dessa maneira para quea escola seja um espaço público de promoção da cidadania.
  2. 2. Conceito de Cidadania e Gênero- Mônica Pires de OliveiraOlhando do alto do prédio o incrível formigueiro humano que se movimento pelas ruas dacidade, mal nos lembramos que cada ponto se movimentando naquele intenso vai e vemtrata-se de um ser humano, de um indivíduo, de uma pessoa, de alguém. Mas naquelamassa disforme quase não dá para identificar tratar-se de homem ou mulher no ponto emque tentamos fixar o olhar. Quem seria aquele humano que segue?...Humanos e grupos quem veio antes? Essa pergunta em um primeiro momento pode parecer fácil de responder, poishumanos vivem em grupos e grupos são constituídos por....humanos. Desde os tempos maisantigos o homem é um ser social. O convívio em sociedade implica em experiências,brigas,acordos, em trocas. Somos produtos da sociedade em que vivemos e a sociedade também éproduto das pessoas que ali se inserem. Será então que o fato de estar vivendo emsociedade nos torna um cidadão?Lembre-se: Cidadão não é uma cidade grande!O que nos torna cidadão? “Cidadania é a possibilidade que todos têm de cumprir seusdeveres e de exercitar seus direitos assegurados em lei. Cidadão é o indivíduo eu desfrutadesses direitos assegurados pelo Estado, participando consciente e efetivamente de tudo quediz respeito à sociedade em que vive” (1) Direitos, deveres – duas palavras, umaparticipação. Vejamos: a noção de cidadania reúne uma idéia ativa de duas mãos, é umaavenida: um lado que vem o outro lado que vai. No convívio do indivíduo dentro do seugrupo social, uma cadeia de prerrogativas e obrigações se formam – parece chato né? Tãobom se todos as pessoas só tivessem direitos; mas é assim que funciona e para por ordem,para mediar as relações e ditar as normas que regem a sociedade temos a figura do Estado.“A dimensão normativa da cidadania configura-se concretamente em condição de igualdadede direitos civis, políticos e sociais. No, entanto, deve-se lembrar que semelhante situaçãoresultou historicamente em vertentes paradoxais relativas à pertinência social e política dosvários grupos sociais. De um lado, o status de cidadão transformou-se em importante forçainclusiva dos indivíduos na vida nacional. Contudo, também funcionou como significativaforça de exclusão de uma grande parcela de pessoas da comunidade de políticas nacionais”.(2)Para facilitarmos o entendimento de como o Estado age na vida das pessoas/indivíduosvamos usar a figura do juiz de um ringue – imaginemos sua figura como O ESTADO , eleditará e fará valer as regras da luta e a cada round de disputa o dever ou o direito se manteráde pé, mas não significando a derrota definitiva do oponente, pois na luta diária do nosso
  3. 3. dia-a-dia sempre haverá espaço para uma nova disputa na arena. É esse cenário quetemos de luta cidadã de devemos inserir os direitos das minorias. Ás vezes o oponente noringue poderá aparentar fraqueza ou esmorecimento, mas a cada treino, a cada disputa, acada luta seu fortalecimento o agigantará. Tomemos de exemplo a questão do gênero emnossa sociedade. Hoje o cenário social atual demanda uma amplitude maior no leque deaceitação e descaracterização dos papéis pré-estabelecidos pelo senso-comum: o que épapel feminino e masculino. Em maio de 2012 a Comissão de Juristas do Senado aprovou aproposta que aumenta a quantidade de situações em que uma pessoa pode responder najustiça pela prática de atitudes discriminatórias e elas podem ser elencadas em váriosmotivos: gênero, identidade ou orientação sexual e até mesmo pela razão da procedênciaregional, que nada mais épreconceito do local de nascimento. Veja que o Estado através da sua lei visa proteger odiferente. Nós como humanos temos a desnecessária tendência de rejeitar o diferente: aaparência física, a etnia, a classe social; mas quase sempre esquecemos que há umadiferença básica enquanto seres humanos: homem e mulher.Surgimento do conceito de gênero. Hoje em dia por causa do surgimento do conceitogênero não usamos mais falar de guerra dos sexos ou de diferença de sexos, até mesmo porcausa dos transexuais muita gente evita a rotulagem unicamente baseada no sexo daspessoas pois, após a possibilidade de mudança de sexo alguns cidadãos passaram a declararque: o seu nascimento em um sexo não o faz necessariamente pertencente a ele ou comodisse um transexual paulista: - Eu não sou homem. Eu estou em um corpo de homem. Apósminha operação serei aquele a que pertence o meu pensamento. É importante saber que SãoPaulo é o primeiro estado brasileiro a instalar na capital um ambulatório voltado paratravestis e transexuais, respeitando o direito à integridade e respeito à identidade socialdesta população. “A expressão "gênero" começou a ser utilizada justamente para marcarque as diferenças entre homens e mulheres não são apenas de ordem física, biológica.Como não existe natureza humana fora da cultura, a diferença sexual anatômica não podemais ser pensada isolada do "caldo de cultura" no qual sempre está imersa. Ou seja, falar derelações de gênero é falar das características atribuídas a cada sexo pela sociedade e suacultura. A diferença biológica é apenas o ponto de partida para a construção social do que éser homem ou ser mulher. Sexo é atributo biológico, enquanto gênero é uma construçãosocial e histórica. A noção de gênero, portanto, aponta para a dimensão das relações sociaisdo feminino e do masculino.É importante enfatizar esta distinção de conceitos (biológico X cultural), porque, como nãose trata de fenômeno puramente biológico, podemos constatar que ocorrem mudanças nadefinição do que é ser homem ou mulher ao longo da história e em diferentes regiões eculturas. Desse modo, se as relações homem X mulher são um fenômeno de ordem cultural,podem ser transformadas. E a educação desempenha importante papel nesse sentido.A compreensão do conceito de gênero possibilita identificar os valores atribuídos a homense mulheres bem como as regras de comportamento decorrentes desses valores. Comisso, ficam mais evidentes:
  4. 4. • a interferência desses valores e regras no funcionamento das instituições sociais, como aescola;• a influência de todas essas questões na nossa vida cotidiana;• a possibilidade de se ter maior clareza dos processos a que estão submetidas as relaçõesindividuais e coletivas entre homens e mulheres.A perspectiva de gênero precisa, portanto, ser encarada como um dos eixos que constituemas relações sociais como um todo.O conceito de gênero também permite pensar nas diferenças sem transformá-las emdesigualdades, ou seja, sem que as diferenças sejam ponto de partida para a discriminação.O fato de poder gerar um filho, por exemplo, não é razão para que as mulheres sejamconsideradas superiores ou inferiores aos homens, apenas diferentes. Um exemplo concretodas mudanças ocorridas nas relações de gênero diz respeito à responsabilidade de homens emulheres na reprodução. É claro que a gestação, parto e amamentação no seio sãocapacidades exclusivamente femininas. Porém, o cuidado das crianças não é exclusivo demulheres. Essa mudança pode ser notada no cotidiano urbano com o aumento do número depais (homens) que cuidam das crianças, ie, aliás, está representada num aspecto legal: noBrasil, além da "licença-maternidade", já existe também a "licença-paternidade". quegarante uma semana para o pai cuidar dos filhos. Em alguns países europeus a legislação émais avançada e a licença para cuidar do filho recém-nascido pode ser exercida tanto pelamãe como pelo pai da criança, ficando a cargo do casal decidir qual dos dois cuidará dobebê.” (3)Comissão do Senado aprova projeto que criminaliza preconceito por gênero Disponível em:http://www.estadao.com.br/noticias/geral,comissao-do-senado-aprova-projeto-que-criminaliza-preconceito-por-genero,878042,0.htmVASCONCELOS, Ana – Coleção Base do Saber : Sociologia/ 1ª edição – São Paulo –Rideel, 2009.CARBONI, C. 1986. “Cittadinanza sociale e classsi: Marshall contro Marx”. Politica eEconomia, vol.7, pp.67 e ss.http://www.sinteseeventos.com.br/bien/pt/papers/marciabarattoDireitosHumanosRelacoesdeGeneroeCidadania.pdfrelações de gênero: Disponível:http://www.educared.org/educa/index.cfm?pg=oassuntoe.interna&id_tema=8&id_subtema=7Apostila Telecurso : Sociologia : ensino médio / Ana Cristina Loureiro Jurema, ThamyPogrebinschi?. 1 ed.Rio de ..... Janeiro : Fundação Roberto Marinho, 2008.Música: Pacato cidadão - Skank Disponível letra e vídeo emhttp://letras.mus.br/skank/72338/
  5. 5. Documentario Meninas gravidez na adolescência Completo (ORIGINAL), in, ......http://www.youtube.com/watch?v=KaVDBiZ?-bdMDesigualdade de Gênero, in , http://www.youtube.com/watch?v=wNLb2MqKUXIDesigualdade de Gênero, in, http://www.youtube.com/watch?v=oUhbC1rCChg&feature=relatedSUGESTÃO DE VÍDEOFilme: Tomates Verdes Fritos, (Fried Green Tomatoes, 1991 ) dirigido por Jon Avnet .carinhas memes, http://atalhodaweb.blogspot.com.br/2012/01/emoticons-dos-memes-para-o-msn_12.htmlPapel da família e da escola no aprendizado de gênero- Mônica deLima BastosNós, seres humanos, nascemos e passamos nossa existência em sociedade porquenecessitamos uns dos outros para viver. Família e escola são espaços sociais de construçãode relações, contextos primários de socialização dos indivíduos. O processo de socializaçãocomeça na família, passa pela escola , e inclui outros caminhos, como o convívio no bairro,na igreja, os grupos profissionais ou de esportes os quais o indivíduo freqüenta. Enfim,nosso dia é pontuado por relações que não se limitam a um único espaço, mas aqui, nestetrabalho, estaremos enfocando como se apresentam as ações da família e da escola nasquestões de gênero e como estas devem proceder no sentido de minorar o preconceito e adiscriminação.Desde o nascimento, somos educados para essa convivência social, havendo, no entanto, adiferença cultural na educação de meninos e meninas. Essa dicotomia meninasmeninaspode ser vislumbrada na cor das roupas, na organização do quarto dos bebês, desde quandose sabe o seu sexo, até o nascimento; a partir daí, nos brinquedos, nas brincadeiras, nasatividades de lazer, isso apenas para citar os exemplos mais visíveis do nosso dia a dia, econstitui o universo “masculino” e “feminino”. “... a identidade de gênero possibilita àmenina e ao menino se reconhecer como pertencente ao gênero masculino ou feminino,com base nas relações sociais e culturais que se estabelecem a partir do seu nascimento.”(Diferença de gênero na escola: interiorização do masculino e do feminino, por FabianaCristina de Souza).Margareth Mead, antropóloga americana, nos anos 30 do século passado estudou essaquestão e descobriu que não existe uma relação direta entre o sexo do corpo e a condutasocial de homens e mulheres. Homens e mulheres comportam-se e reagem de maneirasdiferentes aos estímulos que recebem não apenas por sua estrutura biológica, mas em
  6. 6. grande parte, ao menos, isso é resultado do modo como aprenderam socialmente, resultadoda influência cultural. Ou seja, as pessoas nascem pertencendo a um dos sexos, peloprocesso biológico, mas só passam a pertencer ao gênero masculino ou feminino através doprocesso de aprendizado, a socialização.Escola e família, a depender de suas ações, poderão, através de suas práticas, reforçar ouatenuar as diferenças de gênero e suas consequências, contribuindo para estimular traços,gestos e aptidões não restritos aos atributos de um ou outro gênero.No estudo “Diferenças de Gênero na escola: interiorização do masculino e do feminino”,Fabiana Souza aborda as relações entre os envolvidos no processo de aprendizagem,educandos e educadores, na construção do conhecimento numa turma de pré-escolar,apresentando situações práticas na escola, dos estereótipos previstos para cada sexo. Umexemplo seria um elogio dado a uma menina considerada quieta e comportada, por estarcumprindo a conduta desejada; ou ainda, quando ao comentar o comportamento de umaturma, uma professora cita que todos os alunos se comportam mal, inclusive as meninas,mas que para estas o comportamento seria mais”feio”, apontando que há diferentes formasde agir “naturalmente” para meninos e meninas, reforçando os estereótipos de gênero.Através dos episódios na escola, foi possível verificar uma tensão entre igualdade ediferença do feminino e do masculino, não estando a escola “salva” das ideologias ecrenças que estão enraizadas na sociedade de um modo geral.As relações escolares são relações sociais, e como tal estão imersas em simbologias,normas, valores que ultrapassam o campo objetivo da vida escolar; mas do que isso, ficaclaro, através dessas vivências de situações escolares, o quanto por detrás de um “modelopedagógico” há um conteúdo abstrato que contribui para a perpetuação da diferenciação. Em outro estudo, agora desenvolvido por Janete Leony Vitorino, intitulado“Sucesso nas meninas, fracasso nos meninos: o papel dos contextos nos distúrbios deaprendizagem e gênero” aponta que os contextos histórico, biológico, social, educacional efamiliar são produtores relevantes de questões de gênero, produzindo em meninos,distúrbios de aprendizagem. Gênero, sendo um produto social, aprendido, representado,institucionalizado e transmitido ao longo de gerações, é , portanto, influenciado pelosvalores sociais, políticos, econômicos e culturais de uma determinada sociedade.(VITORINO, 2010)Através das leituras foi possível concluir que família e escola, como espaços sociais, sãoelementos essenciais na construção e reconstrução de valores e ideais sociais, da cidadania,dos direitos e deveres, do respeito à diferença, à não discriminação e ao preconceito, àconstrução de dignidade e igualdade como princípio dos direitos humanos. No entanto, aprática vem demonstrar que o ideário relativo ao assunto “Gênero” ainda “carrega” altadose de discriminação, desde os contatos mais primários e significativos como família eescola. Reflexões? e discussões tornam-se necessárias na desconstrução dessesestereótipos, e a escola, como ambiente de construção do conhecimento deve contribuirpara a ampliação desse debate, de crítica da ideologia do preconceito e da discriminação.FONTES: SOUZA, Fabiana Cristina de. Diferenças de gênero na escola: interiorização do masculino e do feminino. Unesp. VITORINO, Janete Leony. Sucesso nas meninas, fracasso nos meninos: O papel dos contextos nos distúrbios de aprendizagem e gênero. 2010: www.psicologia.com.pt
  7. 7. Gênero e Diversidade na escola: Formação de professorases em Gênero, Orientação Sexual e Relações Étnicorraciais. O Aprendizado de Gênero: Socialização na família e na escola.Rio de Janeiro: CEPESC; Brasília: SPM, 2009.SUGESTÃO DE FILMES: • Billy Elliot ( Inglaterra, 2000) – Menino enfrenta dificuldades por ter como sonho de vida o balé. • Cartão vermelho ( Brasil, 1994) – História de menina que gosta de jogar bola com meninos. • Acorda Raimundo... Acorda! ( Brasil, 1990) – História de família de operários.Construção Social da identidade do adolescente e criança- PauloGonzales e Paula Gomes MoreiraO panorama social brasileiro transformou-se rapidamente nas últimas três décadas e arepresentação social tornou-se tema constante nas discussões acerca do papel do cidadão naconstrução e desenvolvimento sócio- político- econômico. A ruptura ocorrida no ano de1985, após 21 anos de regime militar para uma nova ordem social incluiu o Brasil em ummundo globalizado e grande parte a sociedade despreparados para essa metamorfose. Nãohaviam políticas públicas especificas voltadas para a área da educação, onde a sociedade, afamília, a escola e o governo estivessem unidos e definindo estratégias para melhorias naestrutura organizacional, práticas pedagógicas e na construção social. O estudo acerca decomo melhorar a educação e as relações sociais de crianças e adolescentes de determinadacomunidade foi um passo significativo já que até o ano de 1985 não havia a participação dafamília, dessa forma uma inexistência da comunidade escolar como percebemos hoje. Aanálise da participação de cada pessoa, sua memória e sua identidade é parte da construçãodessas transformações e construção a partir do vivido e percebido.A partir de 1996, com a aprovação da Lei Darcy Ribeiro, a nova LDB 9394/96, criou-secondições para que houvesse uma descentralização das decisões dentro da unidade escolar,uma escola com autonomia e com gestão participativa. Os desafios seriam gerir a partir dacriação de comissões internas, onde cada um conhecesse bem o funcionamento da escola,contando com o apoio da comunidade escolar, para um fim comum, a prática democrática.Para o jovem reconhecer e analisar as mudanças ocorridas na atual sociedadeindubitavelmente globalizada é necessário uma estrutura educacional capaz de proporcionartais condições. A mediação na orientação do conhecimento a partir do novo modelo degerenciamento depende da capacitação do professor e a clareza quanto seus objetivos econteúdos, novas metodologias e técnicas que facilitem as analises e discussões. Por isso,falar de construção e mudanças sociais deve-se antes de tudo se ter uma mudança nocomportamento dos nós professores, responsáveis por parte dessa transformação e naorientação dessa construção social a partir da identidade de adolescentes e crianças,fazendo-os reconhecer que o vivido por eles é parte do processo, além de despertar o
  8. 8. interesse na organização do espaço em que vivem, e na busca cooperativa nodesenvolvimento sócio-escolar e familiar estruturas fundamentais e intrínsecasO acesso as informações a partir da revolução digital viabilizou a interação de diversasrepresentações sociais, crianças e adolescentes conhecendo e analisando o contexto pluralbrasileiro. A escola e a comunidades romperam barreiras.A cultura familiar é à base da estrutura da intelectualidade do individuo. Seu desempenhoinicial na sociedade dependerá das informações recebidas nesta fase. Os adultos sãoresponsáveis pela disseminação da cultura familiar e também pelo encaminhamento dacriança aos círculos escolares. As identidades da criança são o resultado dos valorestransmitidos no seio familiar, e nela o jovem estrutura sua moral, percebendo os conceitoséticos, na sociedade. A importância da participação efetiva da família na formaçãointelectual da criança proporciona que a ela em seu espaço vivido que se aproprie de noçõesde direitos e deveres comuns a sociedade em que vive. A geração mais velha tem a missãode ensinar a geração mais nova os valores familiares.O adulto tem a obrigação de encaminhar a criança e o adolescente à escola que éresponsável pelo estímulo ao conhecimento específico de cada disciplina.Crianças eadolescentes precisam perceber que se encontram em um ambiente onde se pode observar,questionar e produzir conhecimento de forma natural. O sentimento de obrigação leva oaluno a um estresse e oprime o desejo de perguntar.Nas escolas os alunos estão mais conscientes e observam os movimentos da sociedade e sãocapazes de contextualizar o conhecimento adquirido. Porém o comportamento do individuoem cada sociedade está ligado aos seus valores éticos e arraigados de ideologias. Éimportante que os professores estejam preparados para lidar com as questões sócio-familiares e que sejam capazes de perceberem as mudanças comportamentais de seusalunos, no que diz respeito aos embates ideológicos do saber adquirido e das questõessociais analisadas. O ensino das relações sociais proporciona aos alunos uma consciênciacritica e desenvolve o “saber pensar”. As transformações ou modificações de naturezapolítica, econômica e social são conhecimentos essenciais na formação da personalidade eintelectualidade do jovem e da sua relação com a sociedade em que vive. No saber históricoo desenvolvimento da habilidade de pensar e produzir e tornar o aluno um cidadão, com umsentimento de inserção não somente dentro da comunidade em que vive, mas dentro dasociedade a sua volta e consciente acima de tudo da sua identidade e das suas realizaçõessociais, os professores deverão contar com um arsenal de informações, tendo como metauma reflexão crítica dos conteúdos, criando espaço para a ideia, a mentalidade e oprogresso dos alunos. E é a escola que oferece este ambiente propício aos debates e aosesclarecimentos das questões sociais. A educação propicia o entendimento globalimpedindo a visão fragmentada e deturpada das questões sociais. A educação dirigida alémde ser um elemento de fortalecimento e crescimento das relações interpessoais e doaumento do intelecto do aluno conduz o mesmo à inserção na sociedade como umindividuo questionador e consciente de suas tarefas.A nova representação social demonstra o avanço da educação e torna claro o cumprimentodas metas estabelecidas nas ações da escola, da família, do poder público e da sociedade,
  9. 9. desde a implantação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9394/96. A Gestão EscolarParticipativa mostrou-se eficiente na formação da produção humana, e na condição deintegração social, pois age diretamente como unidade socializadora. O adolescente ecriança, participantes de um modelo educacional flexível, construindo a partir de açõesintegradoras que possibilitam a compreensão do seu estado social, podendo compreender oporquê e como estabelecer suas relações em rede. A percepção da sua memória individual ecoletiva fatores decisivos na construção, social da sua identidade.ALVES, João Valdir de Souza. Introdução à Sociologia da educação. Minas Gerais:Editora Autêntica, 2007.CADIOU, François, COULOMB, Clarisse, LEMONDE, Anne, SANTAMARIA, Yves.Como se faz a História. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2007.CONTREIRAS, Helio. AI-5 – A opressão no Brasil. Rio de Janeiro/ São Paulo, EditoraRecord, 2005.DIEHL, Astor Antonio. Cultura Historiográfica – Memória, identidade erepresentação. São Paulo: Editora EDUSC, 2002.DOMINGUES, José Maurício. Teorias sociológicas no século XX. Rio de Janeiro: EditoraRecord, 2008.FARIA, Ana Lucia G. Ideologia no livro didático. São Paulo. Cortez Editora, 1994.FAZENDA, Ivani Catarina A. Interdisciplinaridade- Um projeto em parceria. SãoPaulo: Edições Loyola, 2002.FERREIRA, Naura Syria Carapeto. Formação continuada e gestão da educação nocontexto da “cultura globalizada”. In: FERREIRA, Naura Syria Carapeto (org.).Formação Continuada e Gestão da Educação. São Paulo: Cortez, 2003.FREITAS, Marcos Cesar, BICCAS, Maurilane de Souza. História da educação no Brasil– 1926- 1996. São Paulo: Editora Cortez, 2009.GOFF, Jaques Le, LADURIE, Le Roy, DUBY, Georges e outros. A nova História. Lisboa– Portugal: Edições 70, 1991.HALLET, Edward Carr. Que é História. São Paulo: Editora Paz e terra, 1996.HOBSBAWM, Eric. Sobre História. São Paulo: Editora Companhia das letras, 2007.KARNAL, Leandro. História na sala de aula. São Paulo: Editora Contexto, 2007.
  10. 10. MAGALDI, Ana Maria, GONDRA, José Gonçalves. A reorganização do campoeducacional no Brasil – manifestações, manifestos e manifestantes. Rio de Janeiro:Editora Viveiros de Castro, 2003.MONTEIRO, Ana Maria. Professores de História – Entre saberes e práticas. Rio deJaneiro: Editora Mauad X, 2007.MOREIRA, Lucia, CARVALHO, MOREIRA, Lúcia. Família e educação – olhares dapsicologia. São Paulo: Editora Paulinas, 2008.RIBEIRO, Maria Luiza S. História da Educação no Brasil. São Paulo: Editora Moraes,1982.PILETTI, Nelson. História da educação. São Paulo: Editora Ática, 1990.ROMANELLI, Otaiza de Oliveira. História da educação no Brasil. São Paulo: EditoraÁtica.SANTOS, Milton. Por uma outra globalização – do pensamento único à consciênciauniversal. Rio de Janeiro: Editora Record, 2008.TEVES, Nilda, RANGEL Mary (orgs.). Representação Social e educação. São Paulo:Editora Papirus, 1995.WERNECK, Vera Rudge, A ideologia na educação. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1982.Diferenças de gênero no espaço público e privado - Noe AssunçãoEssa divisão do espaço público e privado pode ser percebido num exemplo bem simples,quando se quer ofender uma mulher. Ela é chamada de “mulher da rua”, “vadia”, emoposição à “mulher da casa”, “mulher direita”, “de família” ou “do lar”. Esse exemplosimples envolvendo esses dois espaços casa x rua, apesar de simples é particularmenteinteressante para se perceber a posição dos gêneros masculino e feminino nessa divisão,onde fica evidente o mundo da produção (masculino) e o mundo da reprodução (feminino).Discutir espaço “público” e “privado” é colocar em pauta a relação entre indivíduos e oespaço no qual estão inseridos. É pensar que esses espaços estão para além de divisõesgeográficas e que carregam em si simbologias e regras que definem através do mundo dacasa (privado) e o mundo da rua (público) como essa sociedade pensa e vive.Até início do século XX, antes da eclosão dos movimentos sociais , como o feminista(1960) e o sufragista , a concepção de ser mulher estava atrelada à maternidade, ao mundo
  11. 11. da casa e ao casamento, com a modernização industrial e tecnológica, ocorrida na segundametade do século XX se evidencia a nova realidade, no qual levou as mulheres ao mercadode trabalho inserindo-as no espaço público, porém permanecendo ainda a imposição deuma dupla jornada de trabalho. Essa divisão de tarefas entre o masculino e femininochamamos de divisão sexual do trabalho.Apesar de todo o aparato legislativo influenciando a vida das mulheres e sua crescenteparticipação ativa no contexto político e de governança, da cidadania e mesmo dos lugarestradicionais associados ao masculino, esses ganhos ainda não são satisfatórios quandocolocados frente a uma grande maioria, impunidades de crimes contra a mulher,discriminação de gênero e étnico – racial.Atualmente a presença das mulheres no mercado de trabalho é evidente e crescente, emboraacompanha esse processo a discriminação, preconceito e desigualdade quando comparadasao homem. Muitas mulheres sustentam suas casas, filhos, as vezes até os companheiros esão reconhecidas em alguns casos como “chefes de famílias”.Outro fenômeno interessante que influencia na desigualdade de gênero é o nível deescolaridade, cada vez mais tem crescido o ingresso de mulheres nas escolas nos níveisfundamental, médio, superior e pós graduação, certamente vinculado a sua inserção aomundo do trabalho e busca por melhores salários, apesar da equiparação e igualdadesalarial com os homens ainda seja lento e pouco percebida.Quanto à participação político social no Brasil, as mulheres só tiveram direito ao voto em1932, pela luta do movimento sufragista, início do século XX, liderado pela biólogapaulista Bertha Lutz. Muito se discute a necessidade da igualdade das mulheres no espaçopúblico, uma dessas discussões transita pela Lei de Cotas, a respeito de garantir às mulheressuas representações em partidos e consequentemente nas esferas legislativa e executiva. (HTTP://planalto.gov.br/ccivil03/Leis/L9504.htm .De acordo com o exposto é possível perceber uma hierarquia de gênero que organiza asrelações sociais entre homens e mulheres, determinando lugares, direitos, deveres de cadasexo, acesso à escola, ao mercado de trabalho e posições de chefia no lar. Porém nãopodemos deixar de refletir que a participação dos indivíduos e mulheres no espaço públiconão depende apenas de aptidões e desejos pessoais, ou habilidades de cada sexo, existe todauma dinâmica social que opera paralelo junto a esse espaço.É inegável que o caráter reprodutivo do corpo da mulher exerce grande influência nadivisão e inserção da mesma na vida pública e na divisão do trabalho. Elas são responsáveisem gestar os filhos , pari-los, criá-los, além de manter os serviços domésticos e muitasvezes trabalhar fora de casa, enquanto o homem tradicionalmente é considerado o provedorda casa.Podemos perceber que gênero, enquanto uma construção social do aparato biológico,poderá determinar o padrão de organização e a representação de homens e mulheres noespaço público e privado. Embora as mulheres tenham ganhado grande representação no
  12. 12. espaço público a participação dos homens no espaço privado (doméstico) não temacompanhado na mesma proporção.Visto que o processo socializador do espaço público e suas relações sociais entre osindivíduos, a escola exerce um papel fundamental na formação de cidadãos e cidadãs nadesconstrução das diferenças de gênero e desigualdades tanto no espaço público quanto noprivado.Bertha Lutz: (1894 – 1976) Lutou pelos direitos femininos durante toda sua vida. Não sóconseguiu formação e postos de trabalho mais restritos aos homens, como tambémergueu a bandeira de maior igualdade entre os sexos e maior penetração das mulheresna educação, no mercado de trabalho e na vida política. Teve grandes atuações dentro efora do país. Defendeu o direito de voto, garantiu ingresso de meninas em colégios,propôs igualdade salarial, licença de três meses à gestante, redução da jornada detrabalho, entre outros feitos.Movimento Sufragista: O movimento pelo sufrágio feminino é um movimento social,político e econômico, de caráter reformista, que tem como objetivo estender o sufrágio (odireito de votar) às mulheres.Movimento Feminista: Movimento social e político de defesa de direitos iguais paramulheres e homens, tanto no âmbito da legislação (plano normativo e jurídico), quantono plano da formulação de políticas públicas que ofereçam serviços e programas sociaisde apoio a mulheres.Gênero: Conceito formulado nos anos 1970 com profunda influência do pensamentofeminista. Ele foi criado para distinguir a dimensão biológica da dimensão social,baseando-se no raciocínio de que há machos e fêmeas na espécie humana, no entanto, amaneira de ser homem e de ser mulher é realizada pela cultura. Assim, gênero significaque homens e mulheres são produtos da realidade social e não decorrência da anatomiade seus corpos.Indivíduo: Ser apenas biológico que se distingue de pessoa, que é o indivíduo socializadoe possuidor de status e papéis.OKIN, Susan Moller. Gênero, o público e o privado. Revista dos Estudos Feministas.vol.16 no.2 Florianópolis May/Aug. 2008.Disponível:http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-26X2008000200002&script=sci_arttextABOIM, Sofia. Do público e do privado: uma perspectiva de gênero sobre uma dicotomiamoderna. Revista dos Estudos Feministas. Vol.20 no.1 Florianópolis Jan/Apr.2012.Disponível:http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-026X2012000100006&script=sci_arttext
  13. 13. ITABORAI, Nathalie Reis. Atravessando as fronteiras entre público e privado: relaçõesde Gênero no trabalho e na família . (IUPERJ)Disponível: http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/anais/outros/gtgenero_2009/itaborai.pdfCLAM - Centro de Sexualidade e Direitos Humanos (UERJ)http://www.e-clam.org/publicacoes.phpSUGESTÕES DE LIVROS :AUAD, D. Educar meninas e meninos . Relações de gênero na escola. São Paulo: EditoraContexto, 2006.LAVINAS, Lena. “Gênero, cidadania e adolescência”. In: MADEIRA, F. R. (org.).Quem mandou nascer mulher? Estudos sobre crianças e adolescentes pobres no Brasil.Rio de Janeiro: Editora Rosa dos Tempos/Unicef, 1996. p.11-43.LOURO, Guacira Louro. “Currículo, gênero e sexualidade. O´normal´, o´diferente´ e o‘excêntrico´”. In: LOURO, G. L., NECKEL, J. F. & GOELLNER, S. V. (orgs.). Corpo,gênero e sexualidade. Petrópolis: Vozes, 2003.MADEIRA, F. R. “A trajetória das meninas dos setores populares: escola, trabalho ou...reclusão”. In: MADEIRA, F. R. (Org.). Quem mandou nascer mulher? Estudos sobrecrianças e adolescentes pobres no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Rosa dos Tempos/Unicef,1996. p.45-133.SUGESTÕES DE WEBIBLIOGRAFIA:Fazendo história das mulheres. Cadernos Pagu, Campinas, n.4, 1994. Disponível em:http://www.unicamp.br/pagu/cadernos4.htmlHIRATA, Helena; KERGOAT, Daniele. Novas configurações da Divisão Sexual doTrabalho. In: Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v.37, n.132, p.595-609, Set/Dez2007.Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cp/v37n32/a0537132.pdfCLAM- Centro Latino Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (UERJ)-
  14. 14. http://www.e-clam.org/publicacoes.phpSUGESTÕES DE VÍDEOS:Billy Elliot – Inglaterra/França. 2000. 110min. A vida do garoto de onze anos Billy Elliot(Jamie Bell), filho de um mineiro de carvão do norte da Inglaterra, muda para semprequando ele tropeça em uma aula de ballet durante sua lição semanal de boxe.Romeu e Julieta. Brasil. 1995. 17min. Produção: ECOS – Comunicação em Sexualidade.De uma maneira descontraída e divertida, as fantasias, as dúvidas, os erros e os acertos dainiciação sexual na adolescência são mostrados através do namoro de Julieta e Romeu.Vídeo Saúde da Fiocruz – http://www.cict.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=47Possui um importante acervo de vídeos sobre a temática gênero .Violência e discriminação de gênero, como reflexo da desigualdade-Pedro Antonio Rodrigues NetoMuitas mulheres e homossexuais são vítimas diariamente de agressões no mundo. No casoda mulher, isto ocorre,geralmente, através de seus parceiros. Já em relação aoshomossexuais, a agressão acontece pelo fato de eles teres escolhido uma orientação sexualdiferente. Estas atitudes refletem uma desigualdade de gênero que precisa ser combatida nasociedade.Os números de vítimas são alarmantes. Dados da Organização Mundial da Saúde, de 2002,apontam que entre 10% e 69% das mulheres já foram agredidas em todo o mundo pelo seuparceiro. No Brasil, estima-se que 2,1 milhões de mulheres já sofreram espancamentograves,ocorrendo uma média de 175mil mulheres agredidas por mês (Apud ROSA et al,2008, p. 2).A violência de gênero é “societal” e seu caráter é relacional, ou seja, é um fenômeno socialproduzido no contexto de relação de poder, onde o homem busca uma relação dedominância sobre o sexo oposto, que encontra na violência uma forma de resolver seusproblemas.Dentre os motivos apontados pelos homens agressores para a violência contra a mulherestão três: “ela”, porque apresentou uma atitude inadequada; “eu”, quando o homemmostrava irritação coma companheira e/ou considerava ofensa quando ela reclamava, emgeral, no momento que ele estava bebendo; e, finalmente, “outros”, alguém externo ao casalcomo amigas ou famílias.
  15. 15. Como consequências da violência doméstica para a pessoa agredida têm-se: fraturas,luxações e hematomas, até impactos psicológicos e comportamentais, como depressão,ansiedade, dependência química e farmacológica, ou, em casos mais graves, desequilíbriosque levam a suicídios (OMS, 2001). Este tipo de violência reflete um problema de saúdepública, que precisa ser cuidado pelas autoridades competentes.A luta pelo direito das mulheres ganha força a partir dos anos 1980, com o movimentofeminista e a luta em defesa dos direitos da criança e adolescentes. Este movimento foiimportante para dar visibilidade à violência e promover ações contra as agressões.Neste sentido, no Brasil, em 2006, foi criada a lei 11.340, conhecida como lei Maria daPenha, que pune os agressores de mulheres. A lei tem o objetivo de combater a violênciadoméstica e familiar conta à mulher, sendo considerada um marco importante para políticaspúblicas de proteção à mulheres.Além da violência, a mulher também é vítima de desigualdade. Dados do IBGE apontamque as mulheres ocupam menos cargos de chefia do que os homens, apesar de elas teremuma média mais alta de anos de estudo. Segundo o PNAD, 2007, feito pelo IBGE, apontaque as mulheres ganham 66,1% dos salários dos homens com o mesmo grau deescolaridade. O que mostra o quanto a sociedade brasileira ainda é machista.Em suma, nos dias atuais a luta contra a desigualdade é cada vez maior, mas conformemostrado ainda há muita, que precisa ser combatida. Em relação à violência, esta precisaser combatida, não somente às mulheres, mas a todos os grupos, pois não é admissívelagressões físicas ou verbais. Assim sendo, as graves consequências provocadas pelasagressões serão evitadas.Referências BibliográficasPougy, Lilia Guimarães. Desafios políticos em tempos de Lei Maria da Penha, . Rev.katálysis, Jun 2010, vol.13, no.1, p.76-85.Rosa, Antonio Gomes da et al. A violência conjugal contra mulher a partir da ótica dohomem autor da violência. Saude soc., Set 2008, vol.17, no.3, p.152-160.SARTI, Cynthia Andersen, BARBOSA, Rosana Machin e SUAREZ, Marcelo MendesViolência e gênero: vítimas demarcadas .Physis, 2006, vol.16, nº.2, p.167-183.Glossário:IBGE :Instituto Brasileiro de Geografia e EstatísticaLei Maria da Penha : Homenagem a Maria da Penha Maia Fernandes. Biofarmacêuticabrasileira que lutou para que seu agressor viesse a ser condenado. Com 67 anos etrês filhas,hoje ela é líder de movimentos de defesa dos direitos das mulheres , vítima emblemática daviolência doméstica .
  16. 16. PNAD : Pesquisa Nacional de Amostraspor Domicílios.Movimentos sociais pela igualdade de gêneros- Oziel José da SilvaTema bastante abordado tanto nos meios acadêmicos como nos veículos de comunicação, acelebração da igualdade de gênero no Brasil e no mundo, é algo que tem suscitadodiscussões apaixonadas ao mesmo tempo que levantam desafios e também reações degrupos muitas vezes radicais, tradicionalmente dominantes na sociedade.Em vista disto, diversos setores da sociedade civil tem se organizado e enfrentado taldesafio através da mobilização de movimentos e redes de apoio a grupos historicamenteexcluídos e discriminados. Como exemplo e trazendo o enfoque para o tema deste tópico,teceremos algumas considerações sobre alguns grupos que empunham bandeiras pelaigualdade de gênero no Brasil, principalmente visando a condição feminina e homoafetiva.Esperamos que os links deste tópico possam de alguma forma, auxiliar os profissionais daeducação a trabalhar este tema nas escolas, uma vez que atuamos com crianças,adolescentes e jovens que desde cedo aprendem, principalmente com familiares, a definiros sexos e o papel social que cada um deve representar.Como exemplo, descrevemos a seguir, quatro movimentos sociais que lutam pela igualdadede gênero no Brasil, escolhidos devido à abrangência de sua atuação, visibilidade, seriedadee importância de suas ações.CEDAW (Comitê para a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra aMulher). Vinculado ao Observatório Brasil da Igualdade de Gênero (www.observatoriodegenero.gov.br ) da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres daPresidência da República (SPM/PR) tem como objetivo:Contribuir para a promoção da igualdade de gênero e dos direitos das mulheres no Brasil,a partir de uma perspectiva não-sexista, não-racista e não-lesbofóbica/homofóbica .Igualmente, o Instituto Promundo ( http://www.promundo.org.br/ ) é outra entidade queatua não só na defesa das mulheres como de crianças, adolescentes e jovens. Está ligado auma rede global de organizações da sociedade civil, comprometida em: Engajar homens emeninos para a promoção da igualdade de gêneros.Também no âmbito da promoção dos direitos e da condição feminina, merece destaqueneste tópico a Marcha das vadias, evento internacional inspirado no " Slut Walk " ( http://www.slutwalktoronto.com ). Um movimento mundial criado em abril de 2011. De acordocom informações colhidas na internet, o movimento:
  17. 17. Além de lutar pelo fim do julgamento da mulher pela sua sexualidade, tem também oobjetivo de ratificar os direitos femininos e de acabar com a responsabilização das vítimas.Em uma visão machista , a mulher seria a culpada pela violência que sofreu, visto que, aoandar como um “vadia”, ou seja, com poucas roupas, teria estimulado o autor do crime,isentando o abusador da culpa.Na defesa dos direitos e dignidade dos homossexuais, uma das mais antigas organizaçõesda sociedade civil a denunciar e combater o preconceito é o GGB (Grupo Gay da Bahia),http://www.ggb.org.br/ . Em que pese estar situado e atuar mais naquele estado do Nordestebrasileiro, o grupo se mostra presente em todo o país, acolhendo denúncias de violência,promovendo palestras e auxiliando as autoridades governamentais na elaboração depolíticas públicas que visem a dignidade dos homossexuais.Em síntese, tais associações representam ferramentas essenciais para dar voz a gruposhistoricamente excluídos dos debates acerca dos destinos da sociedade e de sua própriavida. Em um mundo organizado historicamente dentro de uma ótica hétero e masculina,sejam nos modelos de família, gestão governamental, profissões e religiões, o surgimento epermanência dos movimentos sociais na vida nacional, cobrando direitos, fazendo-sepresente inclusive nas casas legislativas, mostra o quanto avançamos no campo dacidadania e reconhecimento da exclusão que, ao longo do tempo, foi imposta a tais grupos.No entanto, as reações, muitas vezes histéricas e violentas contra as bandeiras de taismovimentos, indicam também o longo e talvez conflituoso caminho que ainda temos portrilhar.Vale lembrar, que o advento das mídias eletrônicas serviram e servem tanto para a difusãodas idéias que pregam a igualdade de gênero como também se tornaram um canal bastanteutilizado por elementos preconceituosos e racistas que, auxiliados pelo anonimato,despejam ameaças e ofensas a indivíduos que apenas desejam ter seus direitos respeitados.Referências bibliográficasÁVILA, Maria Betânia. (2001), "Feminismo, cidadania e transformação social" inTextos e imagens do feminismo: mulheres construindo a igualdade. Maria Betânia Ávila(org.). Recife, SOS Corpo Gênero e Cidadania.YANNOULAS, Silvia Cristina. Iguais mas não idênticos. Revista de Estudos Feministas.Rio de Janeiro: CIEC/ECO/UFRJ, Vol. 2, N° 3, 1994.Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Movimentos Sociais. Movimentos sociais nacontemporaneidade. São Paulo, PUCSP, 1997, n.2.SAFFIOTI, Heleieth I. B. Violência de gênero no Brasil contemporâneo. In:SAFFIOTTI, Heleieth I.
  18. 18. ArtigosCurso de gênero e diversidade na escolaDisponível em: http://portal.mec.gov.br/arquivos/redediversidade/pdfs/gde.pdfAcesso em: 25-06-2012SILVA, Susana Veleda da. Os estudos de gênero no Brasil: Algumas consideraçõesDisponível em: http://www.ub.edu/geocrit/b3w-262.htmAcesso em: 25-06-2012FACCHINI, Regina. De cores e matizes: sujeitos, conexões e desafios no MovimentoLGBT brasileiroDisponível em: http://www.e-publicacoes.uerj.br/ojs/index.php/SexualidadSaludySociedad?/article/viewArticle/41/466Acesso em 25-06-2012Sugestão de vídeosEra uma vez outra Maria - parte 1 e 2Disponível em:http://www.youtube.com/watch?v=BxMLYl_ANrA?&feature=relatedhttp://www.youtube.com/watch?v=wpw2GYaO-Bc&feature=relmfuAcesso em: 25-06-2012Vídeo contra a homofobia do Ministério da EducaçãoDisponível em:http://www.youtube.com/watch?v=W-4o5FHeaXY?&feature=relatedAcesso em: 25-06-2012
  19. 19. Direitos Humanos, Cidadania e gênero- Railane Antunes PereiraA (des) naturalização de algumas manifestações de gênero nosespaços escolares-Regina Aparecida Correia Trindade “A divisão entre os sexos parece estar ‘na ordem das coisas’, como se diz por vezes para falar do que é normal, natural, a ponto de ser inevitável: ela esta presente, ao mesmo tempo, em estado objetivado nas coisas..., em todo o mundo social, e em estado incorporado, nos corpos e nos habitus dos agentes, funcionando como sistemas de esquemas de percepção, de pensamento e de ação” (Bourdieu, 1998,p.17).É comum, nos espaços escolares, sobretudo nos espaços ao ar livre, verificar as relaçõesacontecerem de forma “natural” como se percebe nas fotos, isto é, por espontânea vontadedo aluno ou aluna e não por alguma atividade relacionada ou dirigida pelo professor. Mas éaí que considero estar a possibilidade de “estranhar” o familiar, aquilo que nos é dado comonatural, incitando a possibilidade de “naturalizar” algo tradicionalmente aceito. Comoposso dizer que é natural a menina gostar de rosa e o menino de azul? A menina brincar deboneca e o menino de carrinho? Entre tantas outras indagações... No entanto, essas, entreoutras considerações são naturalizadas no plano do senso comum, interiorizadas ereproduzidas muitas vezes até pelos professores.Comecemos a refletir sobre o campo das expectativas, criadas desde quando os pais muitasvezes descobrem o sexo do filho ou filha. Se menino, muitos sonham que será jogador defutebol, namorador, pai de família, trabalhador, etc... se menina, sonham que será bonita,prendada, educada, caseira, etc. Estas relações desde quando a criança passa a existir noventre da mãe passam desde então serem definidoras de sua educação. E como a educação éum processo cultural, posso afirmar que então, tais práticas definem as relações culturais deuma sociedade podendo ser diferentes de acordo com a cultura, influindo na formação deindivíduos, e na percepção que a sociedade tem das pessoas de sua mesma cultura.Na escola, alguns espaços demonstram induzir para a “naturalização” de suas práticas. Porexemplo, a quadra. Normalmente um espaço desejado por ambos (meninos e meninas), masque na sua grande maioria é usada preferencialmente pelos meninos. Ao questionaralgumas pessoas sobre a situação, obtive de grande parte delas a justificativa de que “as
  20. 20. meninas não tem interesse por jogos, esportes, que o negócio delas é brincadeiras menosagitadas e que os meninos são mais fortes, tem mais resistência”.Vejamos algumas imagens:Para elucidar esta relação do dia a dia pedi para que os alunos desenhassem as suasbrincadeiras preferidas, que eles realizam tanto no espaço escolar enquanto no entorno.Segue as ilustrações:Desenhos de meninos: Desenhos de meninas: *É preciso ao professor, perceber que tais práticas são naturalizadas, e que compõem a formacomo o indivíduo se relaciona e é aceito pela sociedade, da mesma forma que tais práticasreafirmam ainda uma relação de constituição da conceituação de pessoa.Por que não inverter, para provocar? Por que não em um dia convidar os meninos a fazerbrincadeiras de meninas e vice versa. O que poderia acontecer? Que tipo de conclusãovocês poderiam chegar juntos? É preciso experimentar para buscar desnaturalizar umalógica que muitas vezes se mantém como cristalizada na sociedade e que reflete naformação não só da individualidade do sujeito como na forma como ele trabalha sua estimae se relaciona com os demais.Bibliografia:BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. 33ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1995(Coleção Primeiros Passos).BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina revisitada. In: LINS, Daniel. A DominaçãoMasculina revisitada. São Paulo: Papirus, 1998.BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria da Educação Fundamental.Parâmetros Curriculares Nacionais. Apresentação dos temas transversais e
  21. 21. ética: ensino de 1ª a 4ª serie. Brasília: MEC/SEF, 1997 b.. Parâmetros Curriculares Nacionais. Pluralidade cultural e orientação sexual: ensino de 1ªa 4ª serie. Brasília: MEC/SEF, 1997 c.1? Gênero - Para as ciências sociais e humanas, o conceito de gênero refere-se àconstrução social do sexo anatômico. Ele foi criado para distinguir a dimensão biológicada dimensão social, baseando-se no raciocínio de que há machos e fêmeas na espéciehumana, mas a maneira de ser homem e de ser mulher é produzida pela cultura. Assim,gênero significa que homens e mulheres são produtos da realidade social e nãonaturalmente determinados pelas diferenças inscritas em seus corpos. Por exemplo, o fatodas mulheres, em razão da reprodução, serem tidas como mais próximas da natureza temsido apropriado por diferentes culturas como símbolo de sua fragilidade ou de sujeição àordem natural. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), formuladospelo MEC para o 3º e 4º ciclos do ensino fundamental: "O conceito de gênero diz respeitoao conjunto das representações sociais e culturais construídas a partir da diferençabiológica dos sexos. Enquanto o sexo diz respeito ao atributo anatômico, no conceito degênero toma-se o desenvolvimento das noções de ‘masculino’ e ‘feminino’ comoconstrução social. O uso desse conceito permite abandonar a explicação da natureza comoa responsável pela grande diferença existente entre os comportamentos e lugaresocupados por homens e mulheres na sociedade. Essa diferença historicamente temprivilegiado os homens, na medida em que a sociedade não tem oferecido as mesmasoportunidades de inserção social e exercício de cidadania a homens e mulheres. Mesmocom a grande transformação dos costumes e valores que vêm ocorrendo nas últimasdécadas, ainda persistem muitas discriminações, por vezes encobertas, relacionadas aogênero." (p.321-322)Propostas educativas- Rafael do Nascimento Laman
  22. 22. Considerações finais - Elaboração com a participação de tod@sEste material didático é resultado de um esforço coletivo de cursistas do curso de extensãoda Fundação CECIERJ – “Conceitos fundamentais de Sociologia”, sob a orientação deprofessores e tutores da referida instituição que visa auxiliar profissionais da educação nadiscussão junto aos seus educandos as temáticas de gênero, desigualdade , cidadania etantos outros temas que perpassam por tais conceitos. Trata-se de um trabalho colaborativoon-line adaptado para uma proposta educativa envolvendo temas transversais.A escolha do tema se faz pertinente na medida em que raramente essas temáticas sãoincluídas nos currículos escolares, apesar de serem consolidadas através de Leis eResoluções. No momento em que os movimentos sociais de mulheres, indígenas, negr@s eLGBTT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e trangêneros) têm avançado nas suasconquistas, uma reflexão é pensar que eles correm o perigo de trabalharem individualmentenão interagindo entre si, ou seja quando discutimos a desigualdade de gênero, muitas vezesnão levamos em conta a discriminação e desigualdade que sofre a mulher negra e a índia,dentro do universo das mulheres. É visível como a mulher é inferiorizada nos movimentoslibertários como LGBTT, negro e tantos outros.O presente projeto pretende apresentar aos profissionais da educação uma noção decidadania, desigualdade de Gênero, uma valorização dos direitos humanos. A escolha dostemas a serem trabalhados neste material, parte da reflexão de que os fenômenos sociais eos atores envolvidos se relacionam entre si numa dinâmica complexa, intensa e sempre emmovimento. As discussões apresentadas vêm de encontro com o que estabelece aConstituição Federal de 88 no que diz respeito a um Estado de caráter democrático, nadefesa da cidadania, de respeito ao indivíduo, buscando o bem de tod@s , semdiscriminação de gênero, raça, cor, idade e que tod@s sejam iguais.A desigualdade de gênero e o respeito à cidadania depende de políticas públicas para aeducação e que os grupos discriminados tenham acesso e respeito aos direitos civis dosindivíduos. São necessárias também ações que tenham como objetivo educar a sociedadesobre tais temas, visando consolidar o respeito e a valorização dos indivíduos e a escola seinseri neste trabalho enquanto lócus de formação, ensino e aprendizagem de cidadãos.Educar para a cidadania e a desigualdade de gênero não é apenas reconhecer o diferente eos grupos envolvidos, mas discutir e pensar sobre os direitos de tod@s. A escola seestrutura num espaço público em que diferentes personalidades se encontram e serelacionam entre si , portanto deve ser um local para educar para o respeito e exercício dacidadania.Esse projeto pretende desenvolver a capacidade dos professores de compreender, refletir ese posicionar frente à modificações políticas e culturais do povo brasileiro e de outrospovos.
  23. 23. “Cidadania e desigualdade de Gênero” trata-se de um projeto que debate sobre conceitostransversais que estão em construção e devem ser discutidos cotidianamente nas escolas,reconhecendo que negros e negras, índios e índias, mulheres e homossexuais, dentre outrosgrupos discriminados devem ser respeitados em suas identidades e diferenças, porque talrespeito é direito social, constitucional e inalienável, tanto no espaço público, quanto noprivado.Editor: Noe AssunçãoCopyright © 2008 Fundação CECIERJ. Todo o material deste site pode ser utilizado desdeque citados a fonte e o autor.

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