Nova história cultural e a micro história

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Nessa apresentação, abordo um tema atual sobre a discução historiográfica, a Nova História Cultural. Trato de seus surgimento e suas principais características. Além dela, também dediquei espaço a micro-história, abordando suas principais características e algumas críticas que vem sofrendo.

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Nova história cultural e a micro história

  1. 1. Nova História Cultural e a Micro-História Gabriel Valente Barbosa retalhosdahistoria.blogspot.com
  2. 2. Annales – 1° Geração <ul><li>Criticava a história “totalizante” do século XIX. </li></ul><ul><li>Valorizava a multidisciplinaridade. </li></ul><ul><li>Propôs novas fontes e métodos </li></ul><ul><li>Preocupação com modos de viver, sentir e pensar. </li></ul>
  3. 3. Annales – 2° Geração <ul><li>“ Era Braudel”: Eclipsadas as preocupações com as mentalidades. </li></ul><ul><li>Valorização da história econômica e material. </li></ul><ul><li>Concebeu os diversos tempos na história: </li></ul><ul><li>Longa duração </li></ul><ul><li>Média duração </li></ul><ul><li>Curta duração </li></ul>
  4. 4. Annales – 3° Geração <ul><li>“ Retorno do porão para ir ao sótão” </li></ul><ul><li>Conceito de mentalidades. </li></ul><ul><li>Preocupação com as massas anônimas: Modos de viver, sentir e pensar. </li></ul><ul><li>Retorno da preocupação com o mental iniciada na 1° geração. </li></ul><ul><li>Abertura demasiada a interdisciplinaridade, muitas vezes confundia com transdisciplinaridade. </li></ul><ul><li>A aproximação da narrativa provocou críticas quanto a possibilidade da história buscar o verossímil. </li></ul>
  5. 5. Annales – 3° Geração <ul><li>A história das mentalidades abriu-se demais a “outros sabores” e pôs em risco a soberania da própria disciplina. </li></ul><ul><li>Acusada de história sem dinâmica. Ampla valorização da longa duração. </li></ul><ul><li>Com as pesadas críticas o conceito de mentalidades declina a partir da década de 80, surgindo “novos campos” (história do gênero, da sexualidade, da vida privada). </li></ul><ul><li>Mas o grande refúgio das mentalidades foi a História Cultural. </li></ul>
  6. 6. Nova História Cultural <ul><li>“ Nova” foi herdado da “nova história”, deixada pelos Annales e “Cultural” pela pluralidade de seu objeto. </li></ul><ul><li>Na década de 80, a história das mentalidades passava por uma crise e o marxismo declinava, devido a queda de prestígio da URSS, o que provocou abertura para o crescimento da História cultural. </li></ul>
  7. 7. Nova História Cultural <ul><li>Rejeição ao conceito de mentalidades ( O consideravam extremamente vago) </li></ul><ul><li>Não nega a importância: Do mental, da aproximação com a antropologia, da longa duração, dos temas das mentalidades, do cotidiano e da micro-história. </li></ul><ul><li>Em suma, é um nome dado ao que nos anos 70 era chamado de história das mentalidades. </li></ul>
  8. 8. Nova História Cultural <ul><li>É uma história plural, apresentando diversos caminhos para a investigação. </li></ul><ul><li>Características básicas: </li></ul><ul><li>Recusa do conceito de mentalidades. </li></ul><ul><li>Preocupação com o popular. </li></ul><ul><li>Valorização das estratificações e dos conflitos socioculturais como objetos de investigação. </li></ul>
  9. 9. Nova História Cultural <ul><li>Ronaldo Vainfas aponta três modelos possíveis ao historiador: </li></ul><ul><li>História vista de baixo (E. Thompson) </li></ul><ul><li>Práticas e representações (Roger Chartier) </li></ul><ul><li>Micro-história (Carlo Ginzburg) </li></ul>
  10. 10. A micro-história <ul><li>É assim chamada, provavelmente, devido a uma coleção italiana de livros de história, lançada na década de 80 que se chama “microstorie”. </li></ul><ul><li>É um gênero da historiografia contemporânea, baseado na redução da escala de observação, em uma análise microscópica da realidade. </li></ul>
  11. 11. A micro-história <ul><li>Diz respeito mais a uma prática de pesquisa do que a um referencial teórico. Os debates sobre ela giram mais em torno de um método do que sobre os referenciais. </li></ul><ul><li>Tem em comum com a história narrativa, o gênero narrativo, portanto descritivo. </li></ul><ul><li>Neste sentido, possui um diálogo permanente com a descrição antropológica. </li></ul>
  12. 12. A micro-história – Questão da narrativa <ul><li>A ênfase da narrativa é bem diferente da proposta por Hayden White. A pesquisa histórica não é uma atividade puramente retórica e estética. </li></ul><ul><li>É importante não reduzir o historiador a uma atividade puramente retórica, que interprete os textos e não os acontecimentos. </li></ul>
  13. 13. A micro-história – Questão da narrativa <ul><li>A pesquisa histórica não é apenas a narração dos resultados de um livro. A retórica é importante na historiografia prática, mas não é, como declara White, incompatível com uma referência realista a fatos históricos. </li></ul><ul><li>Com o interesse da micro-história ao particular, ao individual, ela se volta para a narrativa, e com isso, segundo Levi, se aproxima da antropologia interpretativa. </li></ul>
  14. 14. A micro-história – Questão da narrativa <ul><li>Antropologia interpretativa: Destina pouco espaço a teoria. Crítica a metodologia antropológica da década de 50, distanciada da realidade encontrada no campo de pesquisa. </li></ul><ul><li>A narrativa da micro-história se aproxima da “descrição densa” da antropologia interpretativa, que é incapaz de se restringir a um aspecto da sociedade, estudando a mesma como um todo. </li></ul>
  15. 15. A micro-história – Questão da narrativa <ul><li>Porém, elas se distanciam em relação às diferenças sociais, negligenciadas pela antropologia interpretativa. </li></ul><ul><li>Ginzburg propõe o conceito de circularidade cultural. A cultura popular mantém relações com a dominante, sendo filtrada pelas classes subalternas. O mesmo acontece inversamente. </li></ul><ul><li>É o que descreve em “O queijo e os vermes”, quando um moleiro letrado tem acesso a livros da elite e os interpreta com a visão das classes populares. </li></ul>
  16. 16. Micro-história - Características <ul><li>Redução da escala </li></ul><ul><li>Debate sobre a racionalidade </li></ul><ul><li>A pequena indicação como paradigma científico. </li></ul><ul><li>O papel do particular (não, entretanto, em oposição ao social) </li></ul><ul><li>Atenção à capacidade receptiva e narrativa. </li></ul><ul><li>Uma definição específica do contexto </li></ul><ul><li>Rejeição do relativismo. </li></ul>
  17. 17. Referências <ul><li>VAINFAS, Ronaldo. Da história das mentalidades à história cultural. In: CARDOSO, Ciro Flamarion; VAINFAS, Ronaldo (Orgs.). Domínios da história: ensaios de teoria e metodologia. Rio de janeiro: Campus, 1997, p. 144-158. </li></ul><ul><li>LEVI, Giovanni. Sobre a micro-história. In: BURKE, Peter (Org.). A Escrita da história: novas perspectivas. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1992, p.133-161. </li></ul>

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