Disciplina : Literatura
Profª: Luciana Tavares
A origem da palavra barroco tem suscitado muitas discussões. Segundo
alguns autores, a palavra tem origem no vocábulo espa...
O Barroco, embora tenha ganhado força a partir do século XVII,
está muito relacionado ao contexto da Contrarreforma, cujos...
No final do século XVI, a igreja reafirma a interpretação
dogmática e teocêntrica do mundo, combatendo o racionalismo
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Por ser uma produção bastante diversificada, a poesia barroca atingia
leitores de diferentes estratos sociais: enquanto a ...
O padre Antônio Vieira é visto como o principal representante da oratória
sacra em língua portuguesa. Apesar de sacros, se...
O período de produção que pode ser delimitado como Barroco na literatura
brasileira dura aproximadamente um século (1601-1...
A lírica de Gregório de Matos, composta principalmente de sonetos, é marcada pela
leitura que o escritor fez de poetas clá...
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Barroco | Literatura | Profª Luciana Tavares

  1. 1. Disciplina : Literatura Profª: Luciana Tavares
  2. 2. A origem da palavra barroco tem suscitado muitas discussões. Segundo alguns autores, a palavra tem origem no vocábulo espanhol barrueco, um termo usado pelos joalheiros desde o século XVI, para designar um tipo de pérola irregular e de formação defeituosa. Assim, o termo técnico, aplicado às diferentes artes, passou a designar tudo o que era exagerado, irregular.
  3. 3. O Barroco, embora tenha ganhado força a partir do século XVII, está muito relacionado ao contexto da Contrarreforma, cujos marcos históricos vêm do século anterior. Em 1517, o movimento religioso conhecido como Reforma começa a dividir a igreja cristã em católicos e protestantes. Essa divisão enfraquece a influência do catolicismo na Europa, questionada há tempos pelo racionalismo dos humanistas e renascentistas. Com a Reforma, acentua-se a queda de poder político e econômico do Vaticano, pois muitas regiões da Europa Ocidental em que antes o catolicismo imperava passam a ser, majoritariamente, protestantes. A reação a esse quadro vem com a Contrarreforma, em 1563. A igreja católica tenta recuperar prestígio e influência de vários modos. Um deles é o incentivo às manifestações artísticas de temática religiosa, como arma para fortalecer a fé católica.
  4. 4. No final do século XVI, a igreja reafirma a interpretação dogmática e teocêntrica do mundo, combatendo o racionalismo renascentista ainda em vigor. No meio disso está o artista, que, ao lidar com esse embate filosófico e psicológico vivido nesse período, começa a reconsiderar a importância da religiosidade, sem, no entanto, desconsiderar as conquistas racionais. Como expressão da crise em que vive, ou como tentativa de escapar dela, o artista barroco lança mão de um grande rebuscamento formal: ornamenta e decora suas igrejas e catedrais ostensivamente; produz uma música rica em nuances; cria pinturas dominadas pelo jogo de claro e escuro; constrói esculturas de alta dramaticidade e escreve uma literatura repleta de jogos de palavras e de ideias. Dentre os artistas barrocos, destacam-se as figuras dos italianos Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610) e Gian Lorenzo Bernini (1598-1680).
  5. 5. Por ser uma produção bastante diversificada, a poesia barroca atingia leitores de diferentes estratos sociais: enquanto a lírica amorosa, religiosa circulava nos salões da corte e nos ambientes frequentados pela burguesia mais abastada, a poesia satírica encontrava receptividade entre a grande massa da população. Já no caso da prosa, como são exemplos os Sermões de padre Antônio Vieira no Brasil, os textos eram lidos por membros do clero, da nobreza e da população em geral. Formalmente, o Barroco apresenta duas vertentes bem definidas: Cultismo: baseia-se na convicção de que o conhecimento do mundo pode se dar por meio de sua descrição plástica; tal ideia se realiza por meio de jogos de imagens, de palavras e de construções sintáticas. Conceptismo: exploração dos jogos de ideias ou de conceitos; lança mão do raciocínio, da lógica, de figuras de linguagem como a antítese e o paradoxo na abordagem de temas escolhidos.
  6. 6. O padre Antônio Vieira é visto como o principal representante da oratória sacra em língua portuguesa. Apesar de sacros, seus sermões abordam temas que ultrapassam a esfera religiosa: trata de questões metalinguísticas, como o próprio ato de discursar; jurídicas e humanísticas, quando faz a defesa de leis contra a escravização dos indígenas; e políticas, quando critica a corrupção e opina sobre as invasões holandesas no Brasil. A obra de Vieira adota o conceptismo, trabalhando, sobretudo, com elaborados jogos de ideias e argumentos de autoridade. No entanto, não lhe seria possível chegar ao refinado trabalho conceitual que faz em seus Sermões se não empregasse também jogos de palavras ,igualmente, rebuscados. Compilado em 16 volumes, o conjunto de sermões do padre Vieira é numeroso e variado. Pregado na capela real de Lisboa em 1655, o Sermão da Sexagésima é um dos mais célebres. Nele, o orador discorre sobre o estilo dos pregadores de sua época, considerando-os culpados pelo fato de a palavra de Deus não fazer frutos, ou seja, não causar a conversão dos ouvintes.
  7. 7. O período de produção que pode ser delimitado como Barroco na literatura brasileira dura aproximadamente um século (1601-1705), como em Portugal e na Espanha. Já nas artes plásticas, principalmente a escultura, o período prolonga-se pelo século XVIII e chega até princípios do século XIX. Bento Teixeira (1561-1600) é considerado o autor da obra que marca o começo do Barroco no Brasil: Prosopopeia. Publicado em 1601, o livro é um longo poema narrativo sobre Jorge de Albuquerque Coelho, na época o donatário da capitania de Pernambuco. A crítica atribui pouco valor literário ao poema de Bento Teixeira, que geralmente só é citado pelo seu valor histórico como introdutor da estética barroca no Brasil. O grande realizador dessa estética em nosso país foi Gregório de Matos (1636-1696).
  8. 8. A lírica de Gregório de Matos, composta principalmente de sonetos, é marcada pela leitura que o escritor fez de poetas clássicos. Os poemas de Gregório de Matos podem ser divididos em dois núcleos principais: um deles formado pelos que tratam da problemática amorosa e outro que reúne os poemas de natureza reflexiva e filosófica. A preferência pelos contrastes, tão ao gosto da arte barroca, aparecerá em ambos. No primeiro núcleo de poemas, destacam-se textos que versam sobre a beleza da mulher, contrastando-a com a passagem do tempo, que a deteriora. O tema do carpe diem, que exalta as felicidades momentâneas, marca alguns dos seus versos. Já os poemas de natureza reflexiva e filosófica tratam dos temas do desconcerto/inconstância do mundo. Mas a poesia satírica é, provavelmente, a parte mais popular da obra de Gregório de Matos. Pelas críticas frequentes e impiedosas que fez a políticos e à organização social da Bahia, o poeta ficou conhecido pelo famoso apelido de Boca do inferno. Outro aspecto importante a ser observado na poesia de Gregório de Matos é a recorrência da temática religiosa. Nesse ponto, manifesta-se com bastante clareza o conflito entre a razão e a fé, muito presente na arte barroca.

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