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CONCEPÇÃO DE LEITURA

1) Teoricamente sabemos da importância da leitura, mas a real compreensão do
   que é leitura ou como e para que devemos ler?

R: Essas perguntas podem ser respondidas de diferentes modos. Se perguntarmos a
um matemático, a um médico e a um poeta sobre o mesmo assunto, teremos três
pontos de vistas diferentes, ou seja, três respostas. Qual a melhor? Depende do
contexto e dos objetivos. O mesmo ocorre com a questão sobre o que é leitura e para
que e como devemos ler.

As respostas passam pela compreensão que o nosso interlocutor tem sobre os
conceitos de sujeito, de língua de texto e de sentido. Depende de qual aspecto ele
quer focar para obter sua resposta.

FOCO NO AUTOR

2) Que concepção teremos da leitura se focarmos nossa atenção no autor do texto?

R: A Leitura será entendida como atividade de captação das idéias do autor, sem
levar em conta as experiências e os conhecimentos do leitor. O foco de atenção está
no autor e nas suas intenções, e o sentido do texto está concentrado nele. Caberá ao
leitor apenas captar suas intenções de forma passiva.

EXPLICAÇÃO

Se considerarmos que a língua (ou linguagem) é a representação do que pensamentos
e enxergamos o sujeito psicológico, individual dono de sua vontades e de suas ações,
entenderemos o autor com alguém que constrói uma representação mental e caberá
ao interlocutor apenas captar essa imagem mental exatamente como ela foi
idealizada.

A língua compreendida como representação do pensamento, e o sujeito é visto como
senhor absoluto de sua ações e de SUS dizeres, o texto é visto como um produto
lógico do pensamento do autor, ou seja, uma representação mental, e ao leitor
caberá apenas a captação dessa idéia e sua intenção psicológica, exatamente como
lhes são apresentadas, assumindo assim uma postura passiva.

FOCO NO TEXTO

3) Que concepção teremos da leitura se focarmos nossa atenção no texto? (dúvida:
   perguntar para profª que é o sujeito: o texto ou o leitor?)

R: A leitura seria o reconhecimento do sentido das palavras e da estrutura do texto.
EXPLICAÇÃO

Aqui, a língua é vista como instrumento de comunicação, o sujeito já foi pré-
determinado pelo sistema e o texto é o produto da codificação de um emissor. Ao
leitor cabe a decodificação, bastando então, conhecer o código utilizado.

Nesse caso, a compreensão da língua como estrutura está ligada ao entendimento do
sujeito como determinado por um sistema. Aqui, sujeito não tem vontade própria
nem é o senhor de sua ações, qualquer comportamento individual será explicado pelo
sistema que pode ser lingüístico ou social.

Se anteriormente, tendo o autor como foco, cabia ao leitor reconhecer as intenções
do autor, agora com foco no texto, caberá ao leitor o reconhecimento do sentido das
palavras e da estrutura do texto. Mas nos dois casos, o leitor realiza um a atividade de
reconhecimento e de reprodução.

Nos dois casos, o sentido de um texto é pré-existente.

FOCO NA INTERAÇÃO AUTOR-TEXTO-LEITOR

4) Qual é o entendimento de leitura quando o foco é na interação autor – texto –
   leitor?

R: A leitura seria uma atividade de reprodução de sentidos, interativa altamente
complexa, onde interagem o autor, o texto e o leitor. É realizada com base mos
elementos lingüísticos e de organização textual, mas mobiliza um vasto conjunto de
saberes dentro desse evento comunicativo.

Nesse caso, temos uma compreensão interacional (dialógica) da língua. A língua é
vista como um diálogo, os sujeitos são ativos e vistos como atores/construtores
sociais. O sentido do texto construído de acordo com a interação texto-sujeitos.
Haverá em entendimento do texto de acordo com o entendimento de mundo de cada
participante dessa interação (autor e leitor interligados pelo texto)

Existem varias camadas do texto que serão descobertas de acordo com o contexto
sóciocognitivo de cada um. Por sóciocognitivo podemos entender os fatores sociais, a
época, a instrução educacional, a experiência de vida, etc.

O leitor interage com o texto, construindo-lhe um sentido, levando em consideração o
contexto, as informações explicitas e implícitas. Isso nos faz chegar a , no mínimo duas
observações:

       A leitura é uma atividade na qual se leva em conta as experiências e o
       conhecimento do leitor.
       A leitura de um texto exige do leitor bem mais que o conhecimento do código
       lingüístico, uma vez que o texto não é simples produto de codificação de um
emissor a ser decodificado por um receptor passivo. (saber ler não é
       compreender).

A INTERAÇÃO: AUTOR – TEXTO – LEITOR

5) De acordo com os parâmetros curriculares de língua portuguesa, qual é o
   conceito de leitura?

R: “É o processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e
interpretação do texto, a partir de seus objetivos, de seu conhecimento sobre o
assunto, sobre o autor, de tudo o que se sabe sobre a linguagem etc. não se trata de
extrair informação, decodificando letra por letra, palavra por palavra. Trata-se de uma
atividade que implica estratégia de seleção, antecipação, inferência e verificação, sem
as quais não é possível proficiência (competência para realizar algo)”.

6) Que tipo e estratégias de leitura o leitor pode usar para construir o sentido de um
   texto?

R: Varias são as estratégias, mas dentre as mais usadas podemos citar:

SELEÇÃO,

ANTECIPAÇÃO,

INFERÊNCIA (Operação intelectual pela qual se passa de uma verdade a outra, julgada
tal em razão de seu liame com a primeira: a dedução é uma inferência)

E VERIFICAÇÃO

7) Quando a concepção de leitura Poe em foco o leitor e seus conhecimentos em
   interação com o autor e seu texto, o que se espera de um leitor enquanto
   construtor de sentido?

R: Espera-se que processe, critique, contradiga ou avalie a informação que tem diante
de si, que a desfrute ou a rejeite, que dê sentido ao que lê.

8) Como podemos começar nossa atividade de leitores ativos em interação com o
   autor e o texto?

R: Podemos começar formulando antecipações e hipóteses elaboradas com base em
nossos conhecimentos, por exemplo, sobre o autor do texto, o meio de veiculação do
texto, gênero textual, o titulo, a distribuição e a configuração de informações no texto.
Essas antecipações e hipóteses serão confirmadas, rejeitadas e reformuladas no
decorrer da leitura.

Como leitores ativos, estabelecemos conhecimentos anteriormente constituídos e as
novas informações contidas no texto, fazemos inferências, comparações, formulamos
perguntas relacionadas com o seu conteúdo, processamos, criticamos, contratamos e
avaliamos as informações que são apresentadas, produzindo sentido para o que
lemos.

OBJETIVOS DA LEITURA

9) Qual a importância da intenção com que lemos o texto para sua compreensão?

R: Os objetivos da leitura regulam a interação entre o conteúdo do texto e o leitor. De
acordo com a nossa intenção com o texto, o que pretendemos com ele, nosso modo
de leitura será em maior ou menor tempo, mais ou menos atenção, maior ou menor
interação. Em outras palavras, quanto mais precisamos de um texto, maior será nossa
interação com ele.

LEITURA PRODUÇÃO E SENTIDO

10) Mesmo levando em conta que a materialidade lingüística (língua, código) do
    texto é um elemento sobre o qual e a partir do qual se constitui a interação autor
    – texto – leitor, que outro elemento é necessário para o estabelecimento dessa
    interação?

R: Os conhecimentos do leitor, que são condição fundamental para estabelecer a
interação com maior ou menor intensidade, durabilidade e qualidade.

11) Por que falamos de um sentido para o texto, e não do sentido do texto?

R: O sentido dificilmente será único. Falamos de um sentido, pois a interpretação se dá
levando em o lugar social, vivência, relações com o outro, valores da comunidade,
valores da época, crenças, conhecimentos, textuais etc. cada fator influencia para a
interação com o texto. Sendo assim, um mesmo texto poder ter vários sentidos
conforme o conhecimento de mundo do leitor.

PLURALIDADE DE LEITURA E SENTIDO

12) Qual a conseqüência de levarmos em conta que os conhecimentos são diferentes
    de um leitor para outro?

R: A conseqüência é a aceitação de uma pluralidade de leituras e de sentidos em
relação a um mesmo texto. Não é que o leitor possa ler qualquer coisa em um texto,
pois o sentido não esta apenas no leitor, nem no texto, mas na interação autor – texto
– leitor. Para a produção de sentido, o leitor leva em conta as sinalizações do texto,
além do conhecimento que possui. Essa pluralidade pode ir mais longe, variando não
só de um leitor para outro, mas também mudando de sentido para o mesmo leitor.
Algumas vezes, a indicação do autor de como realizar as leituras diferentes é feita
explicitamente, outras vezes fica implícita pelas construções léxico – sintático –
semânticas (conjunto de vocábulos de um idioma, a disposição das palavras na frase e
a das frases no discurso, bem como a relação lógica das frase entre si e sentido das
palavras de uma língua).

FATORES DE COMPREENSÃO DA LEITURA.

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  • 1. CONCEPÇÃO DE LEITURA 1) Teoricamente sabemos da importância da leitura, mas a real compreensão do que é leitura ou como e para que devemos ler? R: Essas perguntas podem ser respondidas de diferentes modos. Se perguntarmos a um matemático, a um médico e a um poeta sobre o mesmo assunto, teremos três pontos de vistas diferentes, ou seja, três respostas. Qual a melhor? Depende do contexto e dos objetivos. O mesmo ocorre com a questão sobre o que é leitura e para que e como devemos ler. As respostas passam pela compreensão que o nosso interlocutor tem sobre os conceitos de sujeito, de língua de texto e de sentido. Depende de qual aspecto ele quer focar para obter sua resposta. FOCO NO AUTOR 2) Que concepção teremos da leitura se focarmos nossa atenção no autor do texto? R: A Leitura será entendida como atividade de captação das idéias do autor, sem levar em conta as experiências e os conhecimentos do leitor. O foco de atenção está no autor e nas suas intenções, e o sentido do texto está concentrado nele. Caberá ao leitor apenas captar suas intenções de forma passiva. EXPLICAÇÃO Se considerarmos que a língua (ou linguagem) é a representação do que pensamentos e enxergamos o sujeito psicológico, individual dono de sua vontades e de suas ações, entenderemos o autor com alguém que constrói uma representação mental e caberá ao interlocutor apenas captar essa imagem mental exatamente como ela foi idealizada. A língua compreendida como representação do pensamento, e o sujeito é visto como senhor absoluto de sua ações e de SUS dizeres, o texto é visto como um produto lógico do pensamento do autor, ou seja, uma representação mental, e ao leitor caberá apenas a captação dessa idéia e sua intenção psicológica, exatamente como lhes são apresentadas, assumindo assim uma postura passiva. FOCO NO TEXTO 3) Que concepção teremos da leitura se focarmos nossa atenção no texto? (dúvida: perguntar para profª que é o sujeito: o texto ou o leitor?) R: A leitura seria o reconhecimento do sentido das palavras e da estrutura do texto.
  • 2. EXPLICAÇÃO Aqui, a língua é vista como instrumento de comunicação, o sujeito já foi pré- determinado pelo sistema e o texto é o produto da codificação de um emissor. Ao leitor cabe a decodificação, bastando então, conhecer o código utilizado. Nesse caso, a compreensão da língua como estrutura está ligada ao entendimento do sujeito como determinado por um sistema. Aqui, sujeito não tem vontade própria nem é o senhor de sua ações, qualquer comportamento individual será explicado pelo sistema que pode ser lingüístico ou social. Se anteriormente, tendo o autor como foco, cabia ao leitor reconhecer as intenções do autor, agora com foco no texto, caberá ao leitor o reconhecimento do sentido das palavras e da estrutura do texto. Mas nos dois casos, o leitor realiza um a atividade de reconhecimento e de reprodução. Nos dois casos, o sentido de um texto é pré-existente. FOCO NA INTERAÇÃO AUTOR-TEXTO-LEITOR 4) Qual é o entendimento de leitura quando o foco é na interação autor – texto – leitor? R: A leitura seria uma atividade de reprodução de sentidos, interativa altamente complexa, onde interagem o autor, o texto e o leitor. É realizada com base mos elementos lingüísticos e de organização textual, mas mobiliza um vasto conjunto de saberes dentro desse evento comunicativo. Nesse caso, temos uma compreensão interacional (dialógica) da língua. A língua é vista como um diálogo, os sujeitos são ativos e vistos como atores/construtores sociais. O sentido do texto construído de acordo com a interação texto-sujeitos. Haverá em entendimento do texto de acordo com o entendimento de mundo de cada participante dessa interação (autor e leitor interligados pelo texto) Existem varias camadas do texto que serão descobertas de acordo com o contexto sóciocognitivo de cada um. Por sóciocognitivo podemos entender os fatores sociais, a época, a instrução educacional, a experiência de vida, etc. O leitor interage com o texto, construindo-lhe um sentido, levando em consideração o contexto, as informações explicitas e implícitas. Isso nos faz chegar a , no mínimo duas observações: A leitura é uma atividade na qual se leva em conta as experiências e o conhecimento do leitor. A leitura de um texto exige do leitor bem mais que o conhecimento do código lingüístico, uma vez que o texto não é simples produto de codificação de um
  • 3. emissor a ser decodificado por um receptor passivo. (saber ler não é compreender). A INTERAÇÃO: AUTOR – TEXTO – LEITOR 5) De acordo com os parâmetros curriculares de língua portuguesa, qual é o conceito de leitura? R: “É o processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação do texto, a partir de seus objetivos, de seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o que se sabe sobre a linguagem etc. não se trata de extrair informação, decodificando letra por letra, palavra por palavra. Trata-se de uma atividade que implica estratégia de seleção, antecipação, inferência e verificação, sem as quais não é possível proficiência (competência para realizar algo)”. 6) Que tipo e estratégias de leitura o leitor pode usar para construir o sentido de um texto? R: Varias são as estratégias, mas dentre as mais usadas podemos citar: SELEÇÃO, ANTECIPAÇÃO, INFERÊNCIA (Operação intelectual pela qual se passa de uma verdade a outra, julgada tal em razão de seu liame com a primeira: a dedução é uma inferência) E VERIFICAÇÃO 7) Quando a concepção de leitura Poe em foco o leitor e seus conhecimentos em interação com o autor e seu texto, o que se espera de um leitor enquanto construtor de sentido? R: Espera-se que processe, critique, contradiga ou avalie a informação que tem diante de si, que a desfrute ou a rejeite, que dê sentido ao que lê. 8) Como podemos começar nossa atividade de leitores ativos em interação com o autor e o texto? R: Podemos começar formulando antecipações e hipóteses elaboradas com base em nossos conhecimentos, por exemplo, sobre o autor do texto, o meio de veiculação do texto, gênero textual, o titulo, a distribuição e a configuração de informações no texto. Essas antecipações e hipóteses serão confirmadas, rejeitadas e reformuladas no decorrer da leitura. Como leitores ativos, estabelecemos conhecimentos anteriormente constituídos e as novas informações contidas no texto, fazemos inferências, comparações, formulamos
  • 4. perguntas relacionadas com o seu conteúdo, processamos, criticamos, contratamos e avaliamos as informações que são apresentadas, produzindo sentido para o que lemos. OBJETIVOS DA LEITURA 9) Qual a importância da intenção com que lemos o texto para sua compreensão? R: Os objetivos da leitura regulam a interação entre o conteúdo do texto e o leitor. De acordo com a nossa intenção com o texto, o que pretendemos com ele, nosso modo de leitura será em maior ou menor tempo, mais ou menos atenção, maior ou menor interação. Em outras palavras, quanto mais precisamos de um texto, maior será nossa interação com ele. LEITURA PRODUÇÃO E SENTIDO 10) Mesmo levando em conta que a materialidade lingüística (língua, código) do texto é um elemento sobre o qual e a partir do qual se constitui a interação autor – texto – leitor, que outro elemento é necessário para o estabelecimento dessa interação? R: Os conhecimentos do leitor, que são condição fundamental para estabelecer a interação com maior ou menor intensidade, durabilidade e qualidade. 11) Por que falamos de um sentido para o texto, e não do sentido do texto? R: O sentido dificilmente será único. Falamos de um sentido, pois a interpretação se dá levando em o lugar social, vivência, relações com o outro, valores da comunidade, valores da época, crenças, conhecimentos, textuais etc. cada fator influencia para a interação com o texto. Sendo assim, um mesmo texto poder ter vários sentidos conforme o conhecimento de mundo do leitor. PLURALIDADE DE LEITURA E SENTIDO 12) Qual a conseqüência de levarmos em conta que os conhecimentos são diferentes de um leitor para outro? R: A conseqüência é a aceitação de uma pluralidade de leituras e de sentidos em relação a um mesmo texto. Não é que o leitor possa ler qualquer coisa em um texto, pois o sentido não esta apenas no leitor, nem no texto, mas na interação autor – texto – leitor. Para a produção de sentido, o leitor leva em conta as sinalizações do texto, além do conhecimento que possui. Essa pluralidade pode ir mais longe, variando não só de um leitor para outro, mas também mudando de sentido para o mesmo leitor. Algumas vezes, a indicação do autor de como realizar as leituras diferentes é feita explicitamente, outras vezes fica implícita pelas construções léxico – sintático – semânticas (conjunto de vocábulos de um idioma, a disposição das palavras na frase e
  • 5. a das frases no discurso, bem como a relação lógica das frase entre si e sentido das palavras de uma língua). FATORES DE COMPREENSÃO DA LEITURA.