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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS
ESCOLA NORMAL SUPERIOR
CURSO DE PEDAGOGIA
Criança, Sociedade e Cultura
Manaus-AM
2013
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS
ESCOLA NORMAL SUPERIOR
CURSO DE PEDAGOGIA
Criança, Sociedade e Cultura
Atividade: Análise de Material em Vídeo, Filme: “ Pequena Miss Sunshine”.
Amanda Dantas
Geziele Brazão
Isabela Oliveira
Jemima Quézia
Karolainy Godinho
Toni Estefano
Manaus-AM
2013
Trabalho solicitado pela Professora
Vanderlete Silva para obtenção de nota
da disciplina de Criança, Sociedade e
Cultura quinto período do curso de
Licenciatura em Pedagogia.
O filme Little Miss Sunshine conta a história de uma criança chamada Olive, a qual
faz parte de uma família completamente conflituosa: seu pai, Richard, é um palestrante
motivacional um tanto quanto fracassado que quase sempre entra em conflito com sua mãe,
Sheryl, por muitas vezes suas ideias e planos não condizerem; Seu irmão Dwayne, um jovem
rebelde que faz voto de silêncio; Um tio suicida gay, chamado Frank, e um avô
completamente fora do comum, usuário de cocaína. O problema central que aborda o filme, é
que Olive sonha em disputar um concurso de beleza mirim na qual participam várias outras
crianças da sua faixa etária, com estereótipos totalmente diferentes do seu. Sua mãe por sua
vez, apoia e quer que sua filha realize seu sonho, porém seu pai é contra no início, por não
acreditar na potencialidade da menina.
Olive, com seus óculos grandes, e corpo totalmente fora dos padrões de beleza da
sociedade em que vive, sonha em ser uma miss igual aquelas que sempre assiste na TV,
porém o que a faria pensar que poderia ganhar um concurso de beleza como a “Little Miss
Sunshine”? Isto envolve uma série de análises que faremos ao decorrer do texto, baseado em
um objeto de estudo que utilizaremos para embasar ainda mais nossas críticas, o artigo
“Infância no caleidoscópio: desconstruindo conceitos, desestabilizando teorias” de Emilene
Leite de Sousa.
O filme em pauta, destaca um grande problema no cotidiano atual da infância e da
adolescência: A sensualização, exposição do corpo infantil. Alguns pensadores questionaram
muito antes de nós essa ideia de malícia e o pecado na criança, por exemplo, o filósofo Santo
Agostinho, que acreditava que o pecado da criança vinha desde o desejo do seio da mãe. Ele
defende que a criança é pecadora, principalmente aquela que se encontra na raiz de sua
infância, pois ao passar o tempo esta vai saindo aos poucos do estado de pecado a qual estava
inserida. Olive por sua vez, não passava de uma criança cheia de sonhos e fantasias, que se
imaginava participando do concurso de beleza, porém, o que foi observado no filme é que
diferentemente das outras participantes, ela era a única que não tinha vaidade suficiente para
que se equilibrasse em cima de um salto, e muito menos enchesse o seu rosto com
maquiagens que a deixassem com o aspecto “Barbie”. Isso não demonstra uma criança cheia
de pecados e promiscuidade.
O que muito tem acontecido ultimamente são pais querendo se dar bem à custa do
sucesso de seus filhos, fazendo com que os mesmos atropelem sua infância (fase em que se
deve priorizar a ludicidade, o brincar) para trabalharem ou apostarem suas belezas em
concursos que não vão lhe agregar nada de positivo, não para estas crianças. Temos visto
muito isso ultimamente, crianças participando de concursos de beleza mirins, na qual estão
sujeitas a se frustrarem consigo mesmas caso não consigam atingir o prêmio principal.
A infância, mesmo que não possa ser definida, pois esta varia de uma sociedade para
outra, de lugar para outro, nos remete a uma fase em construção. Nesta fase, nossa identidade
está em desenvolvimento e isso vai depender muito de como, onde e com quem estamos
lidando e estamos rodeados.
Rousseau fala da infância como “o lugar ou momento do desenvolvimento humano,
em que se pode identificar o ser humano no seu momento de ser mais natural”. (ROSSEAU,
1995). Acreditamos que este “ser natural” a qual Rousseau se refere, seja aquele no seu estado
puro, sem certos constragimentos, sem malícias ou “papas na língua” se é que podemos assim
nos referir. Esta é a fase que o homem precisa aprender, conhecer e lidar com inúmeras
experiências que os vão levar para a fase adulta, a fase que o homem se torna um cidadão.
A infância nem sempre foi vista como uma fase digna de atenção e cuidados em
relação a sua necessidade de ludicidade e brincadeiras:
A partir dos séculos XV e XVI, a infância, através da iconografia, passou a ser
representada como a idade dos brinquedos e das brincadeiras. Assim, o termo
infância tem sido imediatamente associado à fase dos jogos e brincadeiras, sendo
pois, a ocupação por brincadeira, concebida como condição para viver a infância,
período de desenvolvimento do lúdico e criatividade. (SOUSA, 2005 p.65)
Isto por que antes, não havia o sentimento de infância. Esta era uma fase
desmerecida, sem muita importância, insignificante. Era vista somente como o período em
que o adulto está em forma reduzida, tanto que até suas vestimentas eram iguais dos adultos,
porém de tamanhos pequenos.
No século XVIII as coisas começaram a mudar mais ainda, pois a criança começou a
ser vista com mais atenção e prioridade passando assim a serem educadas separadas dos
adultos em regime escolar. Essa mudança também ocorreu nas vestimentas, assim as crianças
passaram a usar roupas mais adequadas a sua faixa etária.
Um fato interessante do filme é o momento em que enfim Olive faz sua
apresentação. Rodeada de jurados bastante rigorosos e pessoas com um alto senso crítico
sobre a exposição tratada, ela não hesita em fazer a apresentação que aprendeu com o recém-
falecido avô, homenageando-o sem pensar duas vezes que o faria. Certamente ao ver o filme,
algumas pessoas poderiam indagar o quão mal aquele avô poderia estar fazendo a sua neta,
ensinando passos um tanto quanto sensuais, o qual imitava uma tigresa rugindo com as garras
afiadas em direção a algo. Mas o que torna essa mensagem significante quanto ao que ela quer
passar é simplesmente isso, um avô que apesar das maluquices ou problemas pessoais,
incentivava a neta colaborando mesmo que indiretamente a levantar sua autoestima e fazendo
se sentir confiante diante de todas as pequenas “barbies” as quais iria enfrentar. Uma família
que mesmo com seus problemas, estavam ali juntas em uma Kombi velha caindo aos pedaços
em busca da conquista do sonho da pequena.
A autora nos destaca que “a sociedade deve reservar para as crianças um espaço, um
direito de vivência da infância, sem para tanto perguntar aos seus sábios locais e estrangeiros
(o teórico, o pesquisador) o que é verdadeira e objetivamente a infância” (SOUSA, 2005). É
importante saber que muitas das concepções feitas a respeito da infância, são concepções
“adultocêntricas” a qual os adultos acreditam saber o que é melhor para a criança mais do que
ela mesma.
Podemos refletir sobre os temas apresentados no filme que traz a tona questões
como padrões de beleza, valores sociais, o suicídio, drogas e a homofobia bastante presente
hoje em dia em nossa sociedade, mas no presente texto o que vamos nos ater é na percepção
da Infância sua construção e reconstrução diante da história social. Como também é tratado
pela Autora a cerca da pluralização do modo de ser criança, o que podemos perceber no vídeo
foi à importância que cada criança dedicou ao concurso com performances de alta qualidade e
empenho para vencer as outras no concurso, demonstrando o lado dela, forma de expressão
que traduz o que lhe é legado pelos adultos, ainda sim o aprendizado da protagonista clarear o
que foi ensinado por seu avô, não havendo nenhuma mudança em sua coreografia. No
decorrer da leitura vemos os dilemas a respeito da natureza da criança, tentando desvendar
esta, será boa ou má?
Descartes e Agostinho refletem sobre a questão da infância do ser criança, o que se
deve fazer nesse momento, como aprende, chegaram a conclusão que não será vago o tempo
livre sempre estão em mudanças consigo mesmos ainda que brinquem e estudem. Descartes
concebia a criança como alguém que vive numa época do predomínio da imaginação, dos
sentidos e sensações sobre a razão.
A pequena Olive a Miss Sunshine, tendo um comportamento atípico no qual seu avo é
sua grande referencia de amigo, a figura do avô, o estilo cômico desse personagem prende
nossa atenção, mostra o perfil de infância onde age como a criança que é, naquele momento
ela obtém essa influencias culturais que recebe do mesmo, morando em uma cidade grande
zona urbana, a maneira de se divertir apresentada é no convívio de sua família. A família
reflete os anseios de uma sociedade capitalista. A infância nesse caso como diz Collodi: é
recortada de modo menos rígido, pois é vista como algo dependente da construção histórica.
Segue dissertando falando da ressurreição das várias forças culturais contingentes, isto é, a
infância neste contexto também é considerada um agente histórico que sofre variações, não
deixa de ser uma criação histórica, que vem sofrendo transformações no decorrer dos séculos.
A meta de vida que aparece no filme, nada mais é do que a sociedade espera de
cidadão ou resultado do homem em construção, que é a criança naquela situação, cumprir um
sonho, o que era pra ser uma brincadeira de instante passa a ser a meta de uma vida, pois
percebe no inicio do filme a ênfase no olhar de Oliver ao ver as Misses no concurso e os
benefícios que esta pode ter ao vencer. Fora do padrão das misses que são sempre belas e
magras, e na sua inocência, deixa de enxergar o que vai além de um simples concurso de
beleza, ela se ver com igualdade, não se sente inferior. A criança com essa visão de mundo
própria vive sua infância inalterada sob o seu olhar, apesar deste concurso ter sido criado para
adultos e mais tarde ter sido elevado para o gênero infantil, como se pensar na sua reação
diante das outras meninas que são criadas nesse meio comercial.
A imagem remetida pelas competidoras, maquiadas, lembram mulheres adultas, ainda
que sejam crianças, isso transmitia a informação novamente da construção, conforme a autora
explica é que não se pode esquecer que a visão que temos de infancia é um conceito que
surgiu na sociedade moderna. Ela baseou-se em Freitas e Kuhlmann Junior (2002, p.7) que
definem a infância com precisão.
A concepção ou a representação que os adultos fazem sobre o período inicial da vida, ou como
o próprio período vivido pela criança, o sujeito real que vive essa fase da vida. A historia da infancia
cria então a historia da relação da sociedade, da cultura, dos adultos, com essa classe de idade e a
história da criança seria a historia da relação das crianças entre si e com adultos, com a cultura e a
sociedade.
Desta maneira a infância reflete os anseios do adulto, do que pensa ser infância. Deste
modo não deve afirmar que há de fato uma definição de infância pronta e acabada, pois
verificou-se que o significado de infância varia muito de lugar para outro.
O irmão de Oliver, Dwayne, pôde constatar ao longo do filme que era daltônico, os
papais o criaram durante anos e nunca chegaram a notar essa deficiência no filho, a de
distinguir as cores, podemos também até discutir o papel dos pais no acompanhamento do
filho enquanto criança, e sendo com ajuda da irmã essa descoberta, em uma mera brincadeira,
aonde recolher folder de teste de exame para oftalmologista, os pais presentes no crescimento
do filho também perceberiam conheceriam o próprio filho. Deve então se verificar a
sociedade onde o sujeito esta inserido os valores culturais daquele país, traçar paralelos e
comparações a cerca da infância do individuo.
Outra cena interessante para analisarmos é como os membros da família se divertem
ao empurrar a combi amarela, o comportamento do avô, as vezes algumas pessoas na vida
cotidiana escutam “ Você não teve infância?”, quando terceiros o vêem fazendo algo que não
se direciona a sua idade, o que podemos retirar dessa experiência é que o ser humano é por
natureza uma eterna criança sem o olhar especifico doce e inocente, mas ainda não deixar de
se encantar com a descoberta do novo, e a necessidade de se questionar e renovar.
A autora trabalha no texto base a questão de uma definição fechada de Infância, o que
não deve ocorrer porque segundo a mesma, propor uma conceito de infância limitado, que nas
palavras se deseja universal é arriscado, sob pena de recairmos no etnocentrismo e julgarmos
a prática de uma infância a partir de uma percepção criada pelo Ocidente para ocupar as
crianças. Este tema problematizador exposto nos leva a pensar na questão do trabalho que é
perpassado de geração em geração, no qual as crianças devem seguir um paradigma normal da
sociedade primitiva, como aborda Darcy Ribeiro resultante de seus estudos em determinados
estados, no qual se chama de Diários dos Índios, onde trata sobre o cotidiano, hábitos e
costumes dos Urubus-Kaapor, revela a vivencia de um trabalho infantil, realizado veemente
pelas crianças indígenas. Então a analise, deste processo da criança é natural, isso é uma
tarefa diária, o trabalha árduo é um resultante de um ensinamento que lhes foi passado.
Desta maneira o trabalho infantil em diversas sociedades, são vistos de diferente
formas, na sociedade globalizada em áreas urbanas, é entendido do seguinte modo com
contos, livros infantis que tragam mensagens que contribuam para o crescimento intelectual e
o melhoramento da sua socialização com o outro, a partir da sua prática em comunidade.
Pensando assim “a vivencia da infância passa a ser determinada por critérios estipulados pela
própria cultura em que as crianças estão imersas.” A partir deste pensar a autora faz
indagações a respeito das ferramentas em que se baseia a infância, na seria o trabalho
realizado pelas crianças indígenas, na condição fundamental para a vivencia da infância na
concepção delas e de seus pais? Afinal, quais são as condições que a cultura indígena
determinam para a vivencia da infância?
Umas das principais criticas da autora é com relação a exclusão do trabalho como
possibilidade desse ciclo de vida, excluímos com ele todas as crianças que vivem desta
maneira, e ainda apesar disto vivenciaram sua infância mesmo que distante do lúdico. A tarefa
do pesquisador ou teórico, não é a do “Medidor de Criança”. (COSTA, 1973).
Portanto, após estes vários embates a cerca da verdadeira concepção, conceito,
definição de Infância e o ser criança na visão de teóricos pesquisadores onde já foi
reconhecida e legitimada pela ciência de modo geral é um estudo da “concepção
adultocêntrica”, na qual os adultos acreditam sempre saber o que é melhor para as crianças,
para infância, e defini-las. O trecho que traduz em suma sua idéia central é que devemos
romper com a ‘concepção adultocêntrica’ da infância e deixar as crianças a tarefa de dizer,
através de suas práticas, em que consiste a infância e o ser criança.
No presente artigo, discorremos sobre uma sociedade que é dividida em classes, por
isso enfrentamos dificuldades em enxergar os diversos papéis de ser criança diante dos muitos
contextos.
Ao longo da história a criança nem teve sempre esta denominação “criança”, só a
partir do momento em que passou a brincar. O que podemos ver nesta análise é o descaso com
o brincar na infância, a criança é desde muito cedo exposta à pressão, responsabilidade e sofre
diversas situações que a tornam sobrecarregada, estressada, entre outras consequências, sendo
que, olhando para o texto, este é o momento em que deve estar o mais livre possível das
preocupações. Para finalizar a análise queremos destacar o ser criança no campo. O texto nos
aponta as vantagens da vida no campo para uma criança. No campo não há lugares proibidos
por convenções, apenas por situações que foge do alcance da proteção do adulto, quando
podemos perceber que na cidade há poucos lugares em que o adulto não esteja
supervisionando a criança. O campo traz o vislumbre de um lugar onde a diversão está fora,
onde o estar dentro pode significar doença, castigo. Este meio traz à criança a possibilidade de
fazer cada dia uma prática totalmente diferente por sua abertura às possibilidades. Fazendo
um paralelo com a história do filme, verificamos um contexto onde há também abertura à
possibilidades, porém com a intervenção do adulto e por vezes a dependência dele. A pequena
Miss Sunshine vive um dilema entre ser criança e fazer o que mais lhe agrada e o ser uma
criança da qual esperam que ela seja, uma campeã.
Todavia, o conceito de infância, hoje, pode ser considerado cruel, pois as
crianças literalmente são limitadas por inúmeras, afazeres, responsabilidades, convenções,
separação de pais, pressões entre outras situações que tornam a infância uma prévia da vida
adulta. Podemos notar na atitude das crianças de hoje, discutem frente a frente aos pais,
reivindicam seus direitos e ainda podemos ver pais que não reconhecem que eles mesmo
plantaram em seus filhos um essa falsa maturidade. A infância precisa ser respeitada para que
as crianças possam crescer de forma saudável, e, não se tornando adultos com atitudes infantis
no futuro. O filme pode ser considerado uma comédia em algumas situações, mas se abrimos
nossos olhos ele é, na verdade, um alerta.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio ou da educação. 3. Ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil,
1995.
SOUSA, Emilene Leite de. INFÂNCIA NO CALEIDOSCÓPIO: desconstruindo
conceitos, desestabilizando teorias. São Luís, 2005.

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  • 2. UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS ESCOLA NORMAL SUPERIOR CURSO DE PEDAGOGIA Criança, Sociedade e Cultura Atividade: Análise de Material em Vídeo, Filme: “ Pequena Miss Sunshine”. Amanda Dantas Geziele Brazão Isabela Oliveira Jemima Quézia Karolainy Godinho Toni Estefano Manaus-AM 2013 Trabalho solicitado pela Professora Vanderlete Silva para obtenção de nota da disciplina de Criança, Sociedade e Cultura quinto período do curso de Licenciatura em Pedagogia.
  • 3. O filme Little Miss Sunshine conta a história de uma criança chamada Olive, a qual faz parte de uma família completamente conflituosa: seu pai, Richard, é um palestrante motivacional um tanto quanto fracassado que quase sempre entra em conflito com sua mãe, Sheryl, por muitas vezes suas ideias e planos não condizerem; Seu irmão Dwayne, um jovem rebelde que faz voto de silêncio; Um tio suicida gay, chamado Frank, e um avô completamente fora do comum, usuário de cocaína. O problema central que aborda o filme, é que Olive sonha em disputar um concurso de beleza mirim na qual participam várias outras crianças da sua faixa etária, com estereótipos totalmente diferentes do seu. Sua mãe por sua vez, apoia e quer que sua filha realize seu sonho, porém seu pai é contra no início, por não acreditar na potencialidade da menina. Olive, com seus óculos grandes, e corpo totalmente fora dos padrões de beleza da sociedade em que vive, sonha em ser uma miss igual aquelas que sempre assiste na TV, porém o que a faria pensar que poderia ganhar um concurso de beleza como a “Little Miss Sunshine”? Isto envolve uma série de análises que faremos ao decorrer do texto, baseado em um objeto de estudo que utilizaremos para embasar ainda mais nossas críticas, o artigo “Infância no caleidoscópio: desconstruindo conceitos, desestabilizando teorias” de Emilene Leite de Sousa. O filme em pauta, destaca um grande problema no cotidiano atual da infância e da adolescência: A sensualização, exposição do corpo infantil. Alguns pensadores questionaram muito antes de nós essa ideia de malícia e o pecado na criança, por exemplo, o filósofo Santo Agostinho, que acreditava que o pecado da criança vinha desde o desejo do seio da mãe. Ele defende que a criança é pecadora, principalmente aquela que se encontra na raiz de sua infância, pois ao passar o tempo esta vai saindo aos poucos do estado de pecado a qual estava inserida. Olive por sua vez, não passava de uma criança cheia de sonhos e fantasias, que se imaginava participando do concurso de beleza, porém, o que foi observado no filme é que diferentemente das outras participantes, ela era a única que não tinha vaidade suficiente para que se equilibrasse em cima de um salto, e muito menos enchesse o seu rosto com maquiagens que a deixassem com o aspecto “Barbie”. Isso não demonstra uma criança cheia de pecados e promiscuidade. O que muito tem acontecido ultimamente são pais querendo se dar bem à custa do sucesso de seus filhos, fazendo com que os mesmos atropelem sua infância (fase em que se deve priorizar a ludicidade, o brincar) para trabalharem ou apostarem suas belezas em concursos que não vão lhe agregar nada de positivo, não para estas crianças. Temos visto muito isso ultimamente, crianças participando de concursos de beleza mirins, na qual estão sujeitas a se frustrarem consigo mesmas caso não consigam atingir o prêmio principal. A infância, mesmo que não possa ser definida, pois esta varia de uma sociedade para outra, de lugar para outro, nos remete a uma fase em construção. Nesta fase, nossa identidade está em desenvolvimento e isso vai depender muito de como, onde e com quem estamos lidando e estamos rodeados. Rousseau fala da infância como “o lugar ou momento do desenvolvimento humano, em que se pode identificar o ser humano no seu momento de ser mais natural”. (ROSSEAU, 1995). Acreditamos que este “ser natural” a qual Rousseau se refere, seja aquele no seu estado puro, sem certos constragimentos, sem malícias ou “papas na língua” se é que podemos assim
  • 4. nos referir. Esta é a fase que o homem precisa aprender, conhecer e lidar com inúmeras experiências que os vão levar para a fase adulta, a fase que o homem se torna um cidadão. A infância nem sempre foi vista como uma fase digna de atenção e cuidados em relação a sua necessidade de ludicidade e brincadeiras: A partir dos séculos XV e XVI, a infância, através da iconografia, passou a ser representada como a idade dos brinquedos e das brincadeiras. Assim, o termo infância tem sido imediatamente associado à fase dos jogos e brincadeiras, sendo pois, a ocupação por brincadeira, concebida como condição para viver a infância, período de desenvolvimento do lúdico e criatividade. (SOUSA, 2005 p.65) Isto por que antes, não havia o sentimento de infância. Esta era uma fase desmerecida, sem muita importância, insignificante. Era vista somente como o período em que o adulto está em forma reduzida, tanto que até suas vestimentas eram iguais dos adultos, porém de tamanhos pequenos. No século XVIII as coisas começaram a mudar mais ainda, pois a criança começou a ser vista com mais atenção e prioridade passando assim a serem educadas separadas dos adultos em regime escolar. Essa mudança também ocorreu nas vestimentas, assim as crianças passaram a usar roupas mais adequadas a sua faixa etária. Um fato interessante do filme é o momento em que enfim Olive faz sua apresentação. Rodeada de jurados bastante rigorosos e pessoas com um alto senso crítico sobre a exposição tratada, ela não hesita em fazer a apresentação que aprendeu com o recém- falecido avô, homenageando-o sem pensar duas vezes que o faria. Certamente ao ver o filme, algumas pessoas poderiam indagar o quão mal aquele avô poderia estar fazendo a sua neta, ensinando passos um tanto quanto sensuais, o qual imitava uma tigresa rugindo com as garras afiadas em direção a algo. Mas o que torna essa mensagem significante quanto ao que ela quer passar é simplesmente isso, um avô que apesar das maluquices ou problemas pessoais, incentivava a neta colaborando mesmo que indiretamente a levantar sua autoestima e fazendo se sentir confiante diante de todas as pequenas “barbies” as quais iria enfrentar. Uma família que mesmo com seus problemas, estavam ali juntas em uma Kombi velha caindo aos pedaços em busca da conquista do sonho da pequena. A autora nos destaca que “a sociedade deve reservar para as crianças um espaço, um direito de vivência da infância, sem para tanto perguntar aos seus sábios locais e estrangeiros (o teórico, o pesquisador) o que é verdadeira e objetivamente a infância” (SOUSA, 2005). É importante saber que muitas das concepções feitas a respeito da infância, são concepções “adultocêntricas” a qual os adultos acreditam saber o que é melhor para a criança mais do que ela mesma. Podemos refletir sobre os temas apresentados no filme que traz a tona questões como padrões de beleza, valores sociais, o suicídio, drogas e a homofobia bastante presente hoje em dia em nossa sociedade, mas no presente texto o que vamos nos ater é na percepção da Infância sua construção e reconstrução diante da história social. Como também é tratado pela Autora a cerca da pluralização do modo de ser criança, o que podemos perceber no vídeo foi à importância que cada criança dedicou ao concurso com performances de alta qualidade e
  • 5. empenho para vencer as outras no concurso, demonstrando o lado dela, forma de expressão que traduz o que lhe é legado pelos adultos, ainda sim o aprendizado da protagonista clarear o que foi ensinado por seu avô, não havendo nenhuma mudança em sua coreografia. No decorrer da leitura vemos os dilemas a respeito da natureza da criança, tentando desvendar esta, será boa ou má? Descartes e Agostinho refletem sobre a questão da infância do ser criança, o que se deve fazer nesse momento, como aprende, chegaram a conclusão que não será vago o tempo livre sempre estão em mudanças consigo mesmos ainda que brinquem e estudem. Descartes concebia a criança como alguém que vive numa época do predomínio da imaginação, dos sentidos e sensações sobre a razão. A pequena Olive a Miss Sunshine, tendo um comportamento atípico no qual seu avo é sua grande referencia de amigo, a figura do avô, o estilo cômico desse personagem prende nossa atenção, mostra o perfil de infância onde age como a criança que é, naquele momento ela obtém essa influencias culturais que recebe do mesmo, morando em uma cidade grande zona urbana, a maneira de se divertir apresentada é no convívio de sua família. A família reflete os anseios de uma sociedade capitalista. A infância nesse caso como diz Collodi: é recortada de modo menos rígido, pois é vista como algo dependente da construção histórica. Segue dissertando falando da ressurreição das várias forças culturais contingentes, isto é, a infância neste contexto também é considerada um agente histórico que sofre variações, não deixa de ser uma criação histórica, que vem sofrendo transformações no decorrer dos séculos. A meta de vida que aparece no filme, nada mais é do que a sociedade espera de cidadão ou resultado do homem em construção, que é a criança naquela situação, cumprir um sonho, o que era pra ser uma brincadeira de instante passa a ser a meta de uma vida, pois percebe no inicio do filme a ênfase no olhar de Oliver ao ver as Misses no concurso e os benefícios que esta pode ter ao vencer. Fora do padrão das misses que são sempre belas e magras, e na sua inocência, deixa de enxergar o que vai além de um simples concurso de beleza, ela se ver com igualdade, não se sente inferior. A criança com essa visão de mundo própria vive sua infância inalterada sob o seu olhar, apesar deste concurso ter sido criado para adultos e mais tarde ter sido elevado para o gênero infantil, como se pensar na sua reação diante das outras meninas que são criadas nesse meio comercial. A imagem remetida pelas competidoras, maquiadas, lembram mulheres adultas, ainda que sejam crianças, isso transmitia a informação novamente da construção, conforme a autora explica é que não se pode esquecer que a visão que temos de infancia é um conceito que surgiu na sociedade moderna. Ela baseou-se em Freitas e Kuhlmann Junior (2002, p.7) que definem a infância com precisão. A concepção ou a representação que os adultos fazem sobre o período inicial da vida, ou como o próprio período vivido pela criança, o sujeito real que vive essa fase da vida. A historia da infancia cria então a historia da relação da sociedade, da cultura, dos adultos, com essa classe de idade e a história da criança seria a historia da relação das crianças entre si e com adultos, com a cultura e a sociedade.
  • 6. Desta maneira a infância reflete os anseios do adulto, do que pensa ser infância. Deste modo não deve afirmar que há de fato uma definição de infância pronta e acabada, pois verificou-se que o significado de infância varia muito de lugar para outro. O irmão de Oliver, Dwayne, pôde constatar ao longo do filme que era daltônico, os papais o criaram durante anos e nunca chegaram a notar essa deficiência no filho, a de distinguir as cores, podemos também até discutir o papel dos pais no acompanhamento do filho enquanto criança, e sendo com ajuda da irmã essa descoberta, em uma mera brincadeira, aonde recolher folder de teste de exame para oftalmologista, os pais presentes no crescimento do filho também perceberiam conheceriam o próprio filho. Deve então se verificar a sociedade onde o sujeito esta inserido os valores culturais daquele país, traçar paralelos e comparações a cerca da infância do individuo. Outra cena interessante para analisarmos é como os membros da família se divertem ao empurrar a combi amarela, o comportamento do avô, as vezes algumas pessoas na vida cotidiana escutam “ Você não teve infância?”, quando terceiros o vêem fazendo algo que não se direciona a sua idade, o que podemos retirar dessa experiência é que o ser humano é por natureza uma eterna criança sem o olhar especifico doce e inocente, mas ainda não deixar de se encantar com a descoberta do novo, e a necessidade de se questionar e renovar. A autora trabalha no texto base a questão de uma definição fechada de Infância, o que não deve ocorrer porque segundo a mesma, propor uma conceito de infância limitado, que nas palavras se deseja universal é arriscado, sob pena de recairmos no etnocentrismo e julgarmos a prática de uma infância a partir de uma percepção criada pelo Ocidente para ocupar as crianças. Este tema problematizador exposto nos leva a pensar na questão do trabalho que é perpassado de geração em geração, no qual as crianças devem seguir um paradigma normal da sociedade primitiva, como aborda Darcy Ribeiro resultante de seus estudos em determinados estados, no qual se chama de Diários dos Índios, onde trata sobre o cotidiano, hábitos e costumes dos Urubus-Kaapor, revela a vivencia de um trabalho infantil, realizado veemente pelas crianças indígenas. Então a analise, deste processo da criança é natural, isso é uma tarefa diária, o trabalha árduo é um resultante de um ensinamento que lhes foi passado. Desta maneira o trabalho infantil em diversas sociedades, são vistos de diferente formas, na sociedade globalizada em áreas urbanas, é entendido do seguinte modo com contos, livros infantis que tragam mensagens que contribuam para o crescimento intelectual e o melhoramento da sua socialização com o outro, a partir da sua prática em comunidade. Pensando assim “a vivencia da infância passa a ser determinada por critérios estipulados pela própria cultura em que as crianças estão imersas.” A partir deste pensar a autora faz indagações a respeito das ferramentas em que se baseia a infância, na seria o trabalho realizado pelas crianças indígenas, na condição fundamental para a vivencia da infância na concepção delas e de seus pais? Afinal, quais são as condições que a cultura indígena determinam para a vivencia da infância? Umas das principais criticas da autora é com relação a exclusão do trabalho como possibilidade desse ciclo de vida, excluímos com ele todas as crianças que vivem desta
  • 7. maneira, e ainda apesar disto vivenciaram sua infância mesmo que distante do lúdico. A tarefa do pesquisador ou teórico, não é a do “Medidor de Criança”. (COSTA, 1973). Portanto, após estes vários embates a cerca da verdadeira concepção, conceito, definição de Infância e o ser criança na visão de teóricos pesquisadores onde já foi reconhecida e legitimada pela ciência de modo geral é um estudo da “concepção adultocêntrica”, na qual os adultos acreditam sempre saber o que é melhor para as crianças, para infância, e defini-las. O trecho que traduz em suma sua idéia central é que devemos romper com a ‘concepção adultocêntrica’ da infância e deixar as crianças a tarefa de dizer, através de suas práticas, em que consiste a infância e o ser criança. No presente artigo, discorremos sobre uma sociedade que é dividida em classes, por isso enfrentamos dificuldades em enxergar os diversos papéis de ser criança diante dos muitos contextos. Ao longo da história a criança nem teve sempre esta denominação “criança”, só a partir do momento em que passou a brincar. O que podemos ver nesta análise é o descaso com o brincar na infância, a criança é desde muito cedo exposta à pressão, responsabilidade e sofre diversas situações que a tornam sobrecarregada, estressada, entre outras consequências, sendo que, olhando para o texto, este é o momento em que deve estar o mais livre possível das preocupações. Para finalizar a análise queremos destacar o ser criança no campo. O texto nos aponta as vantagens da vida no campo para uma criança. No campo não há lugares proibidos por convenções, apenas por situações que foge do alcance da proteção do adulto, quando podemos perceber que na cidade há poucos lugares em que o adulto não esteja supervisionando a criança. O campo traz o vislumbre de um lugar onde a diversão está fora, onde o estar dentro pode significar doença, castigo. Este meio traz à criança a possibilidade de fazer cada dia uma prática totalmente diferente por sua abertura às possibilidades. Fazendo um paralelo com a história do filme, verificamos um contexto onde há também abertura à possibilidades, porém com a intervenção do adulto e por vezes a dependência dele. A pequena Miss Sunshine vive um dilema entre ser criança e fazer o que mais lhe agrada e o ser uma criança da qual esperam que ela seja, uma campeã. Todavia, o conceito de infância, hoje, pode ser considerado cruel, pois as crianças literalmente são limitadas por inúmeras, afazeres, responsabilidades, convenções, separação de pais, pressões entre outras situações que tornam a infância uma prévia da vida adulta. Podemos notar na atitude das crianças de hoje, discutem frente a frente aos pais, reivindicam seus direitos e ainda podemos ver pais que não reconhecem que eles mesmo plantaram em seus filhos um essa falsa maturidade. A infância precisa ser respeitada para que as crianças possam crescer de forma saudável, e, não se tornando adultos com atitudes infantis no futuro. O filme pode ser considerado uma comédia em algumas situações, mas se abrimos nossos olhos ele é, na verdade, um alerta.
  • 8. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio ou da educação. 3. Ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995. SOUSA, Emilene Leite de. INFÂNCIA NO CALEIDOSCÓPIO: desconstruindo conceitos, desestabilizando teorias. São Luís, 2005.