Desenvolvimento e
Sustentabilidade
Aula 2 – Teorias do Desenvolvimento Econômico
Vitor Vieira Vasconcelos
São Bernardo do Campo - SP
Junho de 2019
Seminários do Programa de Pós-
Graduação em Economia Política
Mundial
 Seminário: Antropoceno e Economia
Política Mundial
 Palestrante: Leonardo Freire de Mello
 18 de junho (terça-feira), 12:00 a 14:00
 Sala S001 (térreo) no prédio Alfa 2
Conteúdo
 David Ricardo
 Joseph Schumpeter
 Walt Rostow
 CEPAL
 Albert Hirschman
Referência Básica
Nierdele, P. A.;
Radomsky, G. F. W.
Introdução às teorias
do desenvolvimento.
Porto Alegre: Editora
UFGRS. 2016.
Teorias sociológicas do desenvolvimento
 Max Weber
• Desenvolvimento como racionalização da ação social
• Eficiência do uso do tempo e recursos
 Nolbert Elias
• Controle dos impulsos biológicos individuais e
redirecionamento para finalidades socialmente
aceitáveis
• Desenvolvimento da “moral civilizada”
Weber, Max. "Wirtschaft und Gesellschaft (Economia e Sociedade)." Tübingen: Mohr (1922).
Elias, Norbert. Über den Prozeß der Zivilisation (O Processo Civilizatório). Bände in Kassette.
Frankfurt a. M: Suhrkamp Verlag, 1976.
Conteúdo
 David Ricardo
 Joseph Schumpeter
 Walt Rostow
 CEPAL
 Albert Hirschman
David Ricardo (1772-1823)
Investimentos Mais oferta de
empregos
Economia de
pleno emprego
Aumento dos
salários
Crescimento
populacional
Maior demanda
por alimentosExpansão
agricola para
terras menos
férteis
Aumento no
preço dos
alimentos
Aumento dos
salários
Diminuição do
lucro
Inovações
aumentam
produtividade
Esgotamento das
possibilidades de
inovação
Estado
estacionário
Ricardo, David. On the Principles of Political Economy and Taxation. London: John
Murray, 1821. Third edition. First published: 1817.
Atividade
Com base na história da
humanidade nos séculos XIX, XX
e XI, argumente sobre em que
medida as preocupações e
previsões de David Ricardo
continuam válidas atualmente.
David Ricardo
• Ainda não estamos em economia de pleno emprego em
nível mundial
• Redução nas taxas de crescimento populacional nos
países desenvolvidos
 Mas ainda não nos países sub-desenvolvidos
• Modernização agrícola produziu alimentos
potencialmente para todos os seres humanos
 Nem todos podem comprar
 Demanda por carne continua aumentando
• Questão mais ampla:
Até quando a inovação produtiva conseguirá adiar os
limites dos recursos naturais?
Novos aspectos após teorias de David Ricardo
 Fertilizantes e outras tecnologias agrícolas
 Criação de novos produtos de consumo
 Obsolescência programada
 Expansão do mercado de serviços
• Entretenimento, Saúde, Educação, Segurança
• Sem um limite material definido
Conteúdo
 David Ricardo
 Joseph Schumpeter
 Walt Rostow
 CEPAL
 Albert Hirschman
Joseph Aloïs Schumpeter
(1883-1950)
Joseph Schumpeter
 O cerne do Capitalismo não é
como ele administra as estruturas
existentes
 Destruição Criadora:
• Renovação constante de estruturas
sociais, produção e produtos
SCHUMPETER, J. Capitalism, Socialism and Democracy. New York:
Harper & Row, 1942
Conceito de Destruição Criadora
 Baseado na teoria de Karl Marx
• Capitalismo destrói estruturas anteriores para criar sua nova
estrutura
 Primeiro uso por Werner Sombart (sociólogo)
 Conceituação, teorização e popularização por
Joseph Schumpeter
 Distinção
Marx: destruição criadora também
destruiria o Capitalismo
Schumpeter: destruição criadora traz
possibilidade de desenvolvimento sem
limite definido para o capitalismo
Harvey, D. (2010). The Enigma of Capital and the Crises of Capitalism. London: Profile Books. p. 46.
Modelo Circular
(Economia Clássica)
Firmas
Famílias
Produtos
Pagamento
Trabalho
Salário
Empresário
Capitalista
Ideia
SucessoFracasso
Inovação
Lucro extra
Imitação por
outros
empresários
Generalização
do lucro
Difusão
Economia Circular
0
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0,4
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0,8
1
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1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
OfertaeDemanda
Preço
Oferta Demanda
Desequilíbrio Momentâneo
Schumpeter, Joseph A. Theory of economic development. [1934] Routledge, 2017
0
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0,6
0,8
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1,6
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
OfertaeDemanda
Preço
Oferta Demanda
Retorno ao Equilíbrio
Economia Circular
Schumpeter, Joseph A. Theory of economic development. [1934] Routledge, 2017
0
0,2
0,4
0,6
0,8
1
1,2
1,4
1,6
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
OfertaeDemanda
Preço
Oferta Demanda
Alteração nas Necessidades dos Consumidores
Economia Circular
Schumpeter, Joseph A. Theory of economic development. [1934] Routledge, 2017
0
0,2
0,4
0,6
0,8
1
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1,4
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OfertaeDemanda
Preço
Oferta Demanda
Retorno ao Equilíbrio (adaptação às mudanças sociais)
Economia Circular
Schumpeter, Joseph A. Theory of economic development. [1934] Routledge, 2017
0
0,2
0,4
0,6
0,8
1
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1,4
1,6
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
OfertaeDemanda
Preço
Oferta Demanda
Inovação Produtiva
Desenvolvimento Econômico
Schumpeter, Joseph A. Theory of economic development. [1934] Routledge, 2017
0
0,2
0,4
0,6
0,8
1
1,2
1,4
1,6
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
OfertaeDemanda
Preço
Oferta Demanda
Retorno ao Equilíbrio (Desenvolvimento Econômico)
Desenvolvimento Econômico
Schumpeter, Joseph A. Theory of economic development. [1934] Routledge, 2017
Schumpeter
 Formas de Inovação Econômica:
• Novo bem (ou com novas qualidades)
• Novo método de produção
• Novo mercado
• Nova fonte de matérias primas ou bens semi-
manufaturados
• Nova organização (monopolização ou
fragmentação)
 Papel do crédito como estimulador às
inovações produtivas no capitalismo
Schumpeter, Joseph A. Theory of economic development. [1934] Routledge, 2017
Schumpeter
 Empresários
• Responsáveis por implementar as
inovações produtivas
• Função social
oA partir de características pessoais:
iniciativa e liderança
oNão é classe social
oPode ser exercido apenas por certo período
Schumpeter, Joseph A. Theory of economic development. [1934] Routledge, 2017
Schumpeter
 Empresários
• Precisam convencer os bancos a investirem na
inovação
• Saem da zona de conforto dos padrões já
estabelecidos (racionalidade inconsciente)
• Intuição + Planejamento (racionalidade consciente)
• Reações contra a inovação produtiva:
o Impedimento legal ou político
o Condenação social (moral)
₋ Resistência de grupos ameaçados pela inovação
₋ Dificuldade para cooperação
₋ Resistência dos consumidores
Schumpeter, Joseph A. Theory of economic development. [1934] Routledge, 2017
Schumpeter
 Psicologia do empresário
• Não-hedonista: trabalho em vez do lazer
e consumo de bens
• Ambição por ascensão social
• Prazer por criação, engenhosidade e
esforço
Schumpeter, Joseph A. Theory of economic development. [1934] Routledge, 2017
Diferentes focos
 J. Schumpeter
• Grandes inovações Ciclos de Desenvolvimento
 A.P. Usher
• Acumulação contínua de diversos pequenos
progressos técnicos, de repente registradas como
um todo
USHER, A. A History of Mechanical Inventions, 2ª ed. Cambridge, Mass: Harvard University Press, 1954
Evolução do capitalismo
 Períodos de crise: empresas maiores adquirem as
menores
 Inovações passam a requerem cada vez mais capital
 Grandes corporações assumem o papel de provedoras
de capital e de inovação
• Substituem a dupla Empresário + Capitalista
• Corporatização do mercado
o redução das possibilidades de inovação
(estado estacionário do capitalismo)
o domínio das corporações sobre instituições reguladoras
(governos)
SCHUMPETER, J. Capitalism, Socialism and Democracy. New York: Harper & Row, 1942
Quem matou o
carro elétrico?
Estratégias das grandes
empresas automotivas e
de combustíveis para
atrasar ou paralisar o
desenvolvimento de
carros elétricos
https://youtu.be/7tcv2ZXTk_E
https://youtu.be/gWfTQAWh8Sg
Pós-capitalismo
• Aumento da educação privilegiaria visão
crítica ao capitalismo corporativista
• Mudança de foco dos bens materiais para
bens culturais
• Escolha democrática de representantes
políticos contrários aos valores do capitalismo
• No limite, se aproximaria do Socialismo
(Estado de Bem Estar)mas sem uma revolução
SCHUMPETER, J. Capitalism, Socialism and Democracy. New York: Harper & Row, 1942
Atividade
Levando em consideração as
tendências indicadas por
Schumpeter, em 1942, quanto à
evolução do capitalismo, educação
e consequentes mudanças
políticas, reflita sobre a sua
validade e/ou viabilidade após
passados mais de 75 anos.
 Criação de bancos de desenvolvimento
 Ex: BID, BNDES
Críticas às teorias de Schumpeter
 Pouco foco em fatores como:
• Exploração do trabalho e desigualdades sociais (Karl Marx)
• Papel do Estado na economia (John Keynes)
o O Estado poderia ser indutor de inovações?
• Relações entre salário e demanda
o Para Schumpeter, a oferta criaria a própria demanda
o Suposição simplificada de pleno emprego
 Como lidar com países subdesenvolvidos
“menos inovadores”?
Repercursões das teorias de Schumpeter
Conteúdo
 David Ricardo
 Joseph Schumpeter
 Walt Rostow
 CEPAL
 Albert Hirschman
Walt Whitman Rostow
1916-2003
Walt Whitman Rostow
 Contexto Geopolítico após a Segunda Guerra
Mundial
 Banco Mundial financiando países devastados
pelo Pós-Guerra – Plano Marshall
 Discurso que o desenvolvimento no Capitalismo
era mais vantajoso que no Socialismo
• Foco nos países subdesenvolvidos
 Teoria Econômica em oposição ao Marxismo
RIBEIRO, Flávio Diniz. Walt Whitman Rostow e a problemática do desenvolvimento: ideologia,
política e ciência na Guerra Fria. Tese (Doutorado em História Social) USP, São Paulo, 2008.
 Etapas do desenvolvimento:
 Subdesenvolvimento é uma etapa atrasada no processo
histórico de desenvolvimento e crescimento econômico
 Países subdesenvolvidos chegariam ao patamar dos
desenvolvidos pelo mesmo modelo de desenvolvimento
País
Subdesenvolvido
Financiamento
Internacional
+
Intervenção
estatal
Industrialização
País
Desenvolvido
Walt Whitman Rostow
Cinco etapas do desenvolvimento:
ROSTOW, Walt Whitman. The Stages of Economic Growth: A Non-Communist Manifesto.
Cambridge: Cambridge, University Press, 1960
NíveldeDesenvolvimento
Tempo
Sociedades
Tradicionais
Pré-condições
para o arranco
O arranco
(take-off)
Marcha para a
maturidade
Era do consumo
em massa
Cinco etapas do desenvolvimento
1. Sociedades tradicionais
 Poucos recursos financeiros
 Baixa tecnologia
 Predominantemente agrícola de subsistência
 Incapacidade de produção de excedentes
 Incapacidade de acumulação
ROSTOW, Walt Whitman. The Stages of Economic Growth: A Non-Communist Manifesto. Cambridge:
Cambridge, University Press, 1960
2. Pré-condições para o arranco
(estágio de transição)
Mudanças sociais
internas
Pressão pela
colonização
Especialização
do trabalho
Modernização
tecnológica
Mudança dos valores sociais,
política e conhecimento
Aumento da
produtividade
Primeiros
empreendimentos
Expansão do comércio
interno e externo
3. Arranco
 Retirada das amarras (valores sociais) que
mantinham no estado anterior
 Migração da mão de obra rural para o setor
industrial
 Novo sistema político, institucional e social
4. Marcha para a maturidade
 Especialização da mão de obra urbana
 Diversificação dos produtos
 Substituição de importações
ROSTOW, Walt Whitman. The Stages of Economic Growth: A Non-Communist Manifesto.
Cambridge: Cambridge, University Press, 1960
5. Era do consumo de massa
Aumento da renda
per capita
Melhor distribuição
de renda
Expansão do mercado interno
de consumo
ROSTOW, Walt Whitman. The Stages of Economic Growth: A Non-Communist Manifesto.
Cambridge: Cambridge, University Press, 1960
Alocação da força de trabalho
EtapaSetor
Primário
(agricultura)
Secundário
(indústria)
Terciário
(serviços)
Sociedade
tradicional
Predominante Muito pequeno Muito pequeno
Pré-condições
para o arranco
Predominante Pequeno Muito pequeno
O arranco Declinando
Crescendo
rapidamente
Pequeno
Marcha para a
maturidade
Pequeno Estável
Crescendo
rapidamente
Era do consumo
em massa
Muito pequeno Declinando Predominante
Walt Whitman Rostow
Cinco etapas do desenvolvimento:
ROSTOW, Walt Whitman. The Stages of Economic Growth: A Non-Communist Manifesto.
Cambridge: Cambridge, University Press, 1960
NíveldeDesenvolvimento
Tempo
Sociedades
Tradicionais
Pré-condições
para o arranco
O arranco
(take-off)
Marcha para a
maturidade
Era do consumo
em massa
UK 1750
EUA 1800
Japão 1880
UK 1820
EUA 1850
Japão 1900
UK 1850
EUA 1920
Japão 1930
UK 1940
EUA 1930
Japão 1950
Quais poderiam ser as
críticas, limitações e
ressalvas à teoria de
Rostow?
Críticas à teoria de Rostow
 Supõe uma trajetória única de desenvolvimento
 Desvalorização da cultura dos países
subdesenvolvidos
 Transferência tecnológica (industrialização) sem
levar em conta os conhecimentos locais
tradicionais
 Não inclui relações econômicas entre países
 Após os anos 1970, críticas devido ao
endividamento dos países em desenvolvimento,
sem alcançar o nível dos países desenvolvidos
RIBEIRO, Flávio Diniz. Walt Whitman Rostow e a problemática do desenvolvimento: ideologia, política e ciência na Guerra
Fria. Tese (Doutorado em História Social) USP, São Paulo, 2008.
Conteúdo
 David Ricardo
 Joseph Schumpeter
 Walt Rostow
 CEPAL
 Albert Hirschman
CEPAL
(Comissão Econômica para a América Latina e Caribe)
 Porque a estratégia dos estágios de
desenvolvimento de Rostow não tornou os países
latino-americanos desenvolvidos?
 Desenvolvimento na América Latina acentuou as
desigualdades sociais internas
 Subdesenvolvimento não é uma etapa para o
desenvolvimento
 Subdesenvolvimento é fruto de relações desiguais
entre países centrais e periféricos
BIELSCHOWSKY, Ricardo. Cinquenta anos de pensamento na CEPAL: uma resenha. In: ______ (Org.).
Cinquenta anos de pensamento na CEPAL. Rio de Janeiro: Record, 2000. p. 13-68.
Raúl Frederico Prébisch
(1901-1986)
Raúl Frederico Prébisch
 Lei das vantagens comparativas de David Ricardo
• Liberação comercial entre países traria benefícios para todos
 Crítica devido às relações desiguais entre os países
• Os países centrais se beneficiariam mais do que os periféricos
Países Centrais
Países Periféricos
Investimento
Pagamento
deDívida
Bensdealto
valoragregado
Bensdebaixo
valoragregado
Balança de pagamentos
positiva
Balança de pagamentos
negativa
Prebisch, R., & Cabañas, G. M. (1949). El desarrollo económico de la América Latina y
algunos de sus principales problemas. El trimestre económico, 16(63 (3), 347-431.
https://mises.org/library/more-evidence-global-economic-inequality-decreasing
Desigualdade no Mundo (Índice de Gini)
Desigualdade
dentro dos países
Desigualdade
entre os países
Gini
Yanofsk, D. For the First Time, the combined GDP of poor nations is greater than the Rich
ones. Quartz. 2013.
PIB per capita (paridade de poder de compra)
Economias avançadas
Economias em desenvolvimento e emergentes
OXFAM (2015) Wealth: Having It All and Wanting More.
http://www.oxfam.org/sites/www.oxfam.org/files/file_attachments/ib-wealth-having-all-wanting-more-190115-en.pdf
Participaçãonariquezamundial(%)
1% mais rico
99% mais pobre
OXFAM (2015) Wealth: Having It All and Wanting More
Credit Suisse Research Institute, Global Wealth Report 2015, October 2015
População adulta mundial e distribuição da riqueza total por grupo, 2015
% de adultos % da riqueza
Celso Furtado
(1920-2004)
Celso Furtado
 Países desenvolvidos
Desenvolvimento
tecnológico
Acumulação de
capital
Alteração do
perfil de demanda
 Países subdesenvolvidos
Desenvolvimento
tecnológico
Acumulação de
capital
Alteração do
perfil de demanda
FURTADO, Celso. Um Projeto para o Brasil, 4.a ed., Rio de Janeiro, Saga, 1968
Celso Furtado
 Países desenvolvidos:
• Lucro em grande parte reinvestido em produção
 Países subdesenvolvidos
• Elite industrial usa lucro para consumo de bens supérfluos
importados dos países desenvolvidos
• Dinheiro retorna aos países desenvolvidos pela importação
• Sobra pouco dinheiro para reinvestimento
• Controle do Estado pela elite mantém a estrutura de
dependência
Furtado, C., 1974. O mito do desenvolvimento econômico. Ed. Paz Terra
Conteúdo
 David Ricardo
 Joseph Schumpeter
 Walt Rostow
 CEPAL
 Albert Hirschman
Albert Otto Hirschman
(1915-2012)
Albert Hirschman
 Não há uma receita única de
desenvolvimento
• Contextos sociais distintos definem
diferentes trajetórias de desenvolvimento
 Desenvolvimento deve ser sequencial
• Não se consegue fazer uma revolução que
mude todos os valores sociais de uma só vez
HIRSCHMAN, Albert Otto. The rise and decline of development economics. In: Essays in Trespassing
Economics to Politics and Beyond. Cambridge University Press. 1981.
PINTO, Aníbal. Albert Otto Hirschman. Journeys toward progress. Studies of economic policy making in
Latin America. El Trimestre Económico, México, v. 31, n. 1, p. 166-168, 1964
Albert Hirschman
 Reconhece que existem relações
desiguais entre centro e periferia
 Mas para um país periférico, é melhor ter
um pequeno desenvolvimento
(crescimento financiado antes do
endividamento) do que desenvolvimento
nenhum
HIRSCHMAN, Albert Otto. The rise and decline of development economics. In: Essays in Trespassing
Economics to Politics and Beyond. Cambridge University Press. 1981.
Source: Pew Research Center analysis of data from World Bank PovcalNet database
(Center for Global Development version available on the Harvard Dataverse Network)
and the Luxembourg Income Study Database, August 2015
População global por nível de renda
Pobres Baixa renda Renda média Renda
média-
alta
Alta
renda
https://ourworldindata.org/uploads/2013/11/4-World-Income-Distribution-2003-to-2035-growth-rates.png
Distribuição global da renda em 2003, 2013, e projeção para 2035
Renda ajustada por paridade de poder de compra entre os países e através do tempo
Renda por cidadão no mundo, por ano (em dólares de 2011)
%dapopulaçãodomundorecebendoonívelderenda
2003
2013
Projeção para 2035
Albert Hirschman
 Estratégia de crescimento equilibrado:
• Política de desenvolvimento idealmente deveria ser
balanceada entre os diversos segmentos da economia
• Modelo utilizado pelo Plano Marshall na Europa Pós-Guerra
 Países subdesenvolvidos:
• Não possuem recursos suficientes
• Governos com limitada estrutura operacional
• Melhor investir em segmentos mais promissores e contar com
o efeito de encadeamento econômico
BIANCHI, Ana Maria. Albert Hirschman na América Latina e sua trilogia sobre desenvolvimento econômico.
Economia e Sociedade, Campinas, v. 16, n. 2, p. 131-150, ago. 2007.
HIRSCHMAN, Albert Otto. 1958. The Strategy of Economic Development. New Haven, Conn.: Yale University Press.
Albert Hirschman
 Desenvolvimento econômico é criador de
desigualdade sociais
 Estado é responsável por gerir os
desequilíbrios
• Políticas de desenvolvimento: aumentam
desigualdade
• Políticas sociais: socializam o desenvolvimento
HIRSCHMAN, Albert Otto. 1958. The Strategy of Economic Development. New Haven, Conn.: Yale University Press.
HIRSCHMAN, Albert Otto. The rise and decline of development economics. In: Essays in Trespassing Economics to
Politics and Beyond. Cambridge University Press. 1981.
Albert Hirschman Metáfora do Túnel
Nível de Desenvolvimento Geral
Hirschman, Albert O., Rothschild, Michael. "The changing tolerance for income inequality in the course of
economic development." The Quarterly Journal of Economics 87, no. 4 (1973): 544-566.
Albert Hirschman Metáfora do Túnel
Nível de Desenvolvimento Geral
Túnel
Nível de
Desenvolvimento
Avançado
Hirschman, Albert O., Rothschild, Michael. "The changing tolerance for income inequality in the course of
economic development." The Quarterly Journal of Economics 87, no. 4 (1973): 544-566.
Perspectiva Histórica
• Doutrina Truman – Guerra Fria (1947)
 Plano Marshall (1947-1951)
 Banco Mundial (1945) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (1959)
• Estado desenvolvimentista (1930-1970)
 Estado-empresário (indústria de base e de capital)
 Protecionismo de mercado
 Endividamento
• Neoliberalismo (1980-1990)
 Consenso de Washington (1990)
 Economia neoclássica
 Privatização
• Estado Neo-desenvolvimentista (2000-2010)
 Estado como regulador macroeconômico
 Políticas de Financiamento
 Políticas de Redistribuição de renda
BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. Do antigo ao novo desenvolvimentismo na América Latina. Texto para Discussão n.
274. São Paulo: FGV, nov. 2010.
Estado e Desenvolvimento
• Modelo asiático (Japão, Coreia do Sul, Singapura, Hong Kong)
 Investimento em educação
 Planificação central e programas de industrialização
 Críticas quanto a autoritarismo e ambiente anti-democrático
• Modelo escandinavo
 Investimento em educação
 Incentivo a inovação
 Políticas de sociais
• Modelo BRICS
 Atração de investimentos para mercado interno
 Programas de fortalecimento econômico pelo governo
CHANG, Ha-Joon. Chutando a escada: a estratégia do desenvolvimento em perspectiva histórica. São Paulo: UNESP, 2004.
CHANG, Ha-Joon. How to ‘do’ a developmental state: political, organisational and human resource requirements for the
developmental state. In: EDIGHEJI, Omano (Ed.). Constructing a democratic developmental state in South Africa:
potentials and challenges. Pretoria: Human Sciences Research Council Press, 2010. cap. 4, p. 82- 96.
Atividade
Seria possível o Brasil diminuir a
desigualdade em relação ao nível
socioeconômico dos países
desenvolvidos, ao mesmo tempo que
diminui a sua desigualdade
socioeconômica interna?
O que seria necessário para isso?
Dúvidas?
Comentários?
Obrigado!
Vitor Vieira Vasconcelos
vitor.v.v@gmail.com

Teorias do Desenvolvimento Econômico

  • 1.
    Desenvolvimento e Sustentabilidade Aula 2– Teorias do Desenvolvimento Econômico Vitor Vieira Vasconcelos São Bernardo do Campo - SP Junho de 2019
  • 2.
    Seminários do Programade Pós- Graduação em Economia Política Mundial  Seminário: Antropoceno e Economia Política Mundial  Palestrante: Leonardo Freire de Mello  18 de junho (terça-feira), 12:00 a 14:00  Sala S001 (térreo) no prédio Alfa 2
  • 3.
    Conteúdo  David Ricardo Joseph Schumpeter  Walt Rostow  CEPAL  Albert Hirschman
  • 4.
    Referência Básica Nierdele, P.A.; Radomsky, G. F. W. Introdução às teorias do desenvolvimento. Porto Alegre: Editora UFGRS. 2016.
  • 5.
    Teorias sociológicas dodesenvolvimento  Max Weber • Desenvolvimento como racionalização da ação social • Eficiência do uso do tempo e recursos  Nolbert Elias • Controle dos impulsos biológicos individuais e redirecionamento para finalidades socialmente aceitáveis • Desenvolvimento da “moral civilizada” Weber, Max. "Wirtschaft und Gesellschaft (Economia e Sociedade)." Tübingen: Mohr (1922). Elias, Norbert. Über den Prozeß der Zivilisation (O Processo Civilizatório). Bände in Kassette. Frankfurt a. M: Suhrkamp Verlag, 1976.
  • 6.
    Conteúdo  David Ricardo Joseph Schumpeter  Walt Rostow  CEPAL  Albert Hirschman
  • 7.
    David Ricardo (1772-1823) InvestimentosMais oferta de empregos Economia de pleno emprego Aumento dos salários Crescimento populacional Maior demanda por alimentosExpansão agricola para terras menos férteis Aumento no preço dos alimentos Aumento dos salários Diminuição do lucro Inovações aumentam produtividade Esgotamento das possibilidades de inovação Estado estacionário Ricardo, David. On the Principles of Political Economy and Taxation. London: John Murray, 1821. Third edition. First published: 1817.
  • 8.
    Atividade Com base nahistória da humanidade nos séculos XIX, XX e XI, argumente sobre em que medida as preocupações e previsões de David Ricardo continuam válidas atualmente.
  • 9.
    David Ricardo • Aindanão estamos em economia de pleno emprego em nível mundial • Redução nas taxas de crescimento populacional nos países desenvolvidos  Mas ainda não nos países sub-desenvolvidos • Modernização agrícola produziu alimentos potencialmente para todos os seres humanos  Nem todos podem comprar  Demanda por carne continua aumentando • Questão mais ampla: Até quando a inovação produtiva conseguirá adiar os limites dos recursos naturais?
  • 10.
    Novos aspectos apósteorias de David Ricardo  Fertilizantes e outras tecnologias agrícolas  Criação de novos produtos de consumo  Obsolescência programada  Expansão do mercado de serviços • Entretenimento, Saúde, Educação, Segurança • Sem um limite material definido
  • 11.
    Conteúdo  David Ricardo Joseph Schumpeter  Walt Rostow  CEPAL  Albert Hirschman
  • 12.
  • 13.
    Joseph Schumpeter  Ocerne do Capitalismo não é como ele administra as estruturas existentes  Destruição Criadora: • Renovação constante de estruturas sociais, produção e produtos SCHUMPETER, J. Capitalism, Socialism and Democracy. New York: Harper & Row, 1942
  • 14.
    Conceito de DestruiçãoCriadora  Baseado na teoria de Karl Marx • Capitalismo destrói estruturas anteriores para criar sua nova estrutura  Primeiro uso por Werner Sombart (sociólogo)  Conceituação, teorização e popularização por Joseph Schumpeter  Distinção Marx: destruição criadora também destruiria o Capitalismo Schumpeter: destruição criadora traz possibilidade de desenvolvimento sem limite definido para o capitalismo Harvey, D. (2010). The Enigma of Capital and the Crises of Capitalism. London: Profile Books. p. 46.
  • 15.
  • 16.
    Economia Circular 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 1,6 1 23 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 OfertaeDemanda Preço Oferta Demanda Desequilíbrio Momentâneo Schumpeter, Joseph A. Theory of economic development. [1934] Routledge, 2017
  • 17.
    0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 1,6 1 2 34 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 OfertaeDemanda Preço Oferta Demanda Retorno ao Equilíbrio Economia Circular Schumpeter, Joseph A. Theory of economic development. [1934] Routledge, 2017
  • 18.
    0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 1,6 1 2 34 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 OfertaeDemanda Preço Oferta Demanda Alteração nas Necessidades dos Consumidores Economia Circular Schumpeter, Joseph A. Theory of economic development. [1934] Routledge, 2017
  • 19.
    0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 1,6 1 2 34 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 OfertaeDemanda Preço Oferta Demanda Retorno ao Equilíbrio (adaptação às mudanças sociais) Economia Circular Schumpeter, Joseph A. Theory of economic development. [1934] Routledge, 2017
  • 20.
    0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 1,6 1 2 34 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 OfertaeDemanda Preço Oferta Demanda Inovação Produtiva Desenvolvimento Econômico Schumpeter, Joseph A. Theory of economic development. [1934] Routledge, 2017
  • 21.
    0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 1,6 1 2 34 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 OfertaeDemanda Preço Oferta Demanda Retorno ao Equilíbrio (Desenvolvimento Econômico) Desenvolvimento Econômico Schumpeter, Joseph A. Theory of economic development. [1934] Routledge, 2017
  • 22.
    Schumpeter  Formas deInovação Econômica: • Novo bem (ou com novas qualidades) • Novo método de produção • Novo mercado • Nova fonte de matérias primas ou bens semi- manufaturados • Nova organização (monopolização ou fragmentação)  Papel do crédito como estimulador às inovações produtivas no capitalismo Schumpeter, Joseph A. Theory of economic development. [1934] Routledge, 2017
  • 23.
    Schumpeter  Empresários • Responsáveispor implementar as inovações produtivas • Função social oA partir de características pessoais: iniciativa e liderança oNão é classe social oPode ser exercido apenas por certo período Schumpeter, Joseph A. Theory of economic development. [1934] Routledge, 2017
  • 24.
    Schumpeter  Empresários • Precisamconvencer os bancos a investirem na inovação • Saem da zona de conforto dos padrões já estabelecidos (racionalidade inconsciente) • Intuição + Planejamento (racionalidade consciente) • Reações contra a inovação produtiva: o Impedimento legal ou político o Condenação social (moral) ₋ Resistência de grupos ameaçados pela inovação ₋ Dificuldade para cooperação ₋ Resistência dos consumidores Schumpeter, Joseph A. Theory of economic development. [1934] Routledge, 2017
  • 25.
    Schumpeter  Psicologia doempresário • Não-hedonista: trabalho em vez do lazer e consumo de bens • Ambição por ascensão social • Prazer por criação, engenhosidade e esforço Schumpeter, Joseph A. Theory of economic development. [1934] Routledge, 2017
  • 26.
    Diferentes focos  J.Schumpeter • Grandes inovações Ciclos de Desenvolvimento  A.P. Usher • Acumulação contínua de diversos pequenos progressos técnicos, de repente registradas como um todo USHER, A. A History of Mechanical Inventions, 2ª ed. Cambridge, Mass: Harvard University Press, 1954
  • 27.
    Evolução do capitalismo Períodos de crise: empresas maiores adquirem as menores  Inovações passam a requerem cada vez mais capital  Grandes corporações assumem o papel de provedoras de capital e de inovação • Substituem a dupla Empresário + Capitalista • Corporatização do mercado o redução das possibilidades de inovação (estado estacionário do capitalismo) o domínio das corporações sobre instituições reguladoras (governos) SCHUMPETER, J. Capitalism, Socialism and Democracy. New York: Harper & Row, 1942
  • 28.
    Quem matou o carroelétrico? Estratégias das grandes empresas automotivas e de combustíveis para atrasar ou paralisar o desenvolvimento de carros elétricos https://youtu.be/7tcv2ZXTk_E https://youtu.be/gWfTQAWh8Sg
  • 29.
    Pós-capitalismo • Aumento daeducação privilegiaria visão crítica ao capitalismo corporativista • Mudança de foco dos bens materiais para bens culturais • Escolha democrática de representantes políticos contrários aos valores do capitalismo • No limite, se aproximaria do Socialismo (Estado de Bem Estar)mas sem uma revolução SCHUMPETER, J. Capitalism, Socialism and Democracy. New York: Harper & Row, 1942
  • 30.
    Atividade Levando em consideraçãoas tendências indicadas por Schumpeter, em 1942, quanto à evolução do capitalismo, educação e consequentes mudanças políticas, reflita sobre a sua validade e/ou viabilidade após passados mais de 75 anos.
  • 31.
     Criação debancos de desenvolvimento  Ex: BID, BNDES Críticas às teorias de Schumpeter  Pouco foco em fatores como: • Exploração do trabalho e desigualdades sociais (Karl Marx) • Papel do Estado na economia (John Keynes) o O Estado poderia ser indutor de inovações? • Relações entre salário e demanda o Para Schumpeter, a oferta criaria a própria demanda o Suposição simplificada de pleno emprego  Como lidar com países subdesenvolvidos “menos inovadores”? Repercursões das teorias de Schumpeter
  • 32.
    Conteúdo  David Ricardo Joseph Schumpeter  Walt Rostow  CEPAL  Albert Hirschman
  • 33.
  • 34.
    Walt Whitman Rostow Contexto Geopolítico após a Segunda Guerra Mundial  Banco Mundial financiando países devastados pelo Pós-Guerra – Plano Marshall  Discurso que o desenvolvimento no Capitalismo era mais vantajoso que no Socialismo • Foco nos países subdesenvolvidos  Teoria Econômica em oposição ao Marxismo RIBEIRO, Flávio Diniz. Walt Whitman Rostow e a problemática do desenvolvimento: ideologia, política e ciência na Guerra Fria. Tese (Doutorado em História Social) USP, São Paulo, 2008.
  • 35.
     Etapas dodesenvolvimento:  Subdesenvolvimento é uma etapa atrasada no processo histórico de desenvolvimento e crescimento econômico  Países subdesenvolvidos chegariam ao patamar dos desenvolvidos pelo mesmo modelo de desenvolvimento País Subdesenvolvido Financiamento Internacional + Intervenção estatal Industrialização País Desenvolvido
  • 36.
    Walt Whitman Rostow Cincoetapas do desenvolvimento: ROSTOW, Walt Whitman. The Stages of Economic Growth: A Non-Communist Manifesto. Cambridge: Cambridge, University Press, 1960 NíveldeDesenvolvimento Tempo Sociedades Tradicionais Pré-condições para o arranco O arranco (take-off) Marcha para a maturidade Era do consumo em massa
  • 37.
    Cinco etapas dodesenvolvimento 1. Sociedades tradicionais  Poucos recursos financeiros  Baixa tecnologia  Predominantemente agrícola de subsistência  Incapacidade de produção de excedentes  Incapacidade de acumulação ROSTOW, Walt Whitman. The Stages of Economic Growth: A Non-Communist Manifesto. Cambridge: Cambridge, University Press, 1960
  • 38.
    2. Pré-condições parao arranco (estágio de transição) Mudanças sociais internas Pressão pela colonização Especialização do trabalho Modernização tecnológica Mudança dos valores sociais, política e conhecimento Aumento da produtividade Primeiros empreendimentos Expansão do comércio interno e externo
  • 39.
    3. Arranco  Retiradadas amarras (valores sociais) que mantinham no estado anterior  Migração da mão de obra rural para o setor industrial  Novo sistema político, institucional e social 4. Marcha para a maturidade  Especialização da mão de obra urbana  Diversificação dos produtos  Substituição de importações ROSTOW, Walt Whitman. The Stages of Economic Growth: A Non-Communist Manifesto. Cambridge: Cambridge, University Press, 1960
  • 40.
    5. Era doconsumo de massa Aumento da renda per capita Melhor distribuição de renda Expansão do mercado interno de consumo ROSTOW, Walt Whitman. The Stages of Economic Growth: A Non-Communist Manifesto. Cambridge: Cambridge, University Press, 1960
  • 41.
    Alocação da forçade trabalho EtapaSetor Primário (agricultura) Secundário (indústria) Terciário (serviços) Sociedade tradicional Predominante Muito pequeno Muito pequeno Pré-condições para o arranco Predominante Pequeno Muito pequeno O arranco Declinando Crescendo rapidamente Pequeno Marcha para a maturidade Pequeno Estável Crescendo rapidamente Era do consumo em massa Muito pequeno Declinando Predominante
  • 42.
    Walt Whitman Rostow Cincoetapas do desenvolvimento: ROSTOW, Walt Whitman. The Stages of Economic Growth: A Non-Communist Manifesto. Cambridge: Cambridge, University Press, 1960 NíveldeDesenvolvimento Tempo Sociedades Tradicionais Pré-condições para o arranco O arranco (take-off) Marcha para a maturidade Era do consumo em massa UK 1750 EUA 1800 Japão 1880 UK 1820 EUA 1850 Japão 1900 UK 1850 EUA 1920 Japão 1930 UK 1940 EUA 1930 Japão 1950
  • 43.
    Quais poderiam seras críticas, limitações e ressalvas à teoria de Rostow?
  • 44.
    Críticas à teoriade Rostow  Supõe uma trajetória única de desenvolvimento  Desvalorização da cultura dos países subdesenvolvidos  Transferência tecnológica (industrialização) sem levar em conta os conhecimentos locais tradicionais  Não inclui relações econômicas entre países  Após os anos 1970, críticas devido ao endividamento dos países em desenvolvimento, sem alcançar o nível dos países desenvolvidos RIBEIRO, Flávio Diniz. Walt Whitman Rostow e a problemática do desenvolvimento: ideologia, política e ciência na Guerra Fria. Tese (Doutorado em História Social) USP, São Paulo, 2008.
  • 45.
    Conteúdo  David Ricardo Joseph Schumpeter  Walt Rostow  CEPAL  Albert Hirschman
  • 46.
    CEPAL (Comissão Econômica paraa América Latina e Caribe)  Porque a estratégia dos estágios de desenvolvimento de Rostow não tornou os países latino-americanos desenvolvidos?  Desenvolvimento na América Latina acentuou as desigualdades sociais internas  Subdesenvolvimento não é uma etapa para o desenvolvimento  Subdesenvolvimento é fruto de relações desiguais entre países centrais e periféricos BIELSCHOWSKY, Ricardo. Cinquenta anos de pensamento na CEPAL: uma resenha. In: ______ (Org.). Cinquenta anos de pensamento na CEPAL. Rio de Janeiro: Record, 2000. p. 13-68.
  • 47.
  • 48.
    Raúl Frederico Prébisch Lei das vantagens comparativas de David Ricardo • Liberação comercial entre países traria benefícios para todos  Crítica devido às relações desiguais entre os países • Os países centrais se beneficiariam mais do que os periféricos Países Centrais Países Periféricos Investimento Pagamento deDívida Bensdealto valoragregado Bensdebaixo valoragregado Balança de pagamentos positiva Balança de pagamentos negativa Prebisch, R., & Cabañas, G. M. (1949). El desarrollo económico de la América Latina y algunos de sus principales problemas. El trimestre económico, 16(63 (3), 347-431.
  • 49.
    https://mises.org/library/more-evidence-global-economic-inequality-decreasing Desigualdade no Mundo(Índice de Gini) Desigualdade dentro dos países Desigualdade entre os países Gini
  • 50.
    Yanofsk, D. Forthe First Time, the combined GDP of poor nations is greater than the Rich ones. Quartz. 2013. PIB per capita (paridade de poder de compra) Economias avançadas Economias em desenvolvimento e emergentes
  • 51.
    OXFAM (2015) Wealth:Having It All and Wanting More. http://www.oxfam.org/sites/www.oxfam.org/files/file_attachments/ib-wealth-having-all-wanting-more-190115-en.pdf Participaçãonariquezamundial(%) 1% mais rico 99% mais pobre
  • 52.
    OXFAM (2015) Wealth:Having It All and Wanting More
  • 53.
    Credit Suisse ResearchInstitute, Global Wealth Report 2015, October 2015 População adulta mundial e distribuição da riqueza total por grupo, 2015 % de adultos % da riqueza
  • 54.
  • 55.
    Celso Furtado  Paísesdesenvolvidos Desenvolvimento tecnológico Acumulação de capital Alteração do perfil de demanda  Países subdesenvolvidos Desenvolvimento tecnológico Acumulação de capital Alteração do perfil de demanda FURTADO, Celso. Um Projeto para o Brasil, 4.a ed., Rio de Janeiro, Saga, 1968
  • 56.
    Celso Furtado  Paísesdesenvolvidos: • Lucro em grande parte reinvestido em produção  Países subdesenvolvidos • Elite industrial usa lucro para consumo de bens supérfluos importados dos países desenvolvidos • Dinheiro retorna aos países desenvolvidos pela importação • Sobra pouco dinheiro para reinvestimento • Controle do Estado pela elite mantém a estrutura de dependência Furtado, C., 1974. O mito do desenvolvimento econômico. Ed. Paz Terra
  • 57.
    Conteúdo  David Ricardo Joseph Schumpeter  Walt Rostow  CEPAL  Albert Hirschman
  • 58.
  • 59.
    Albert Hirschman  Nãohá uma receita única de desenvolvimento • Contextos sociais distintos definem diferentes trajetórias de desenvolvimento  Desenvolvimento deve ser sequencial • Não se consegue fazer uma revolução que mude todos os valores sociais de uma só vez HIRSCHMAN, Albert Otto. The rise and decline of development economics. In: Essays in Trespassing Economics to Politics and Beyond. Cambridge University Press. 1981. PINTO, Aníbal. Albert Otto Hirschman. Journeys toward progress. Studies of economic policy making in Latin America. El Trimestre Económico, México, v. 31, n. 1, p. 166-168, 1964
  • 60.
    Albert Hirschman  Reconheceque existem relações desiguais entre centro e periferia  Mas para um país periférico, é melhor ter um pequeno desenvolvimento (crescimento financiado antes do endividamento) do que desenvolvimento nenhum HIRSCHMAN, Albert Otto. The rise and decline of development economics. In: Essays in Trespassing Economics to Politics and Beyond. Cambridge University Press. 1981.
  • 61.
    Source: Pew ResearchCenter analysis of data from World Bank PovcalNet database (Center for Global Development version available on the Harvard Dataverse Network) and the Luxembourg Income Study Database, August 2015 População global por nível de renda Pobres Baixa renda Renda média Renda média- alta Alta renda
  • 62.
    https://ourworldindata.org/uploads/2013/11/4-World-Income-Distribution-2003-to-2035-growth-rates.png Distribuição global darenda em 2003, 2013, e projeção para 2035 Renda ajustada por paridade de poder de compra entre os países e através do tempo Renda por cidadão no mundo, por ano (em dólares de 2011) %dapopulaçãodomundorecebendoonívelderenda 2003 2013 Projeção para 2035
  • 63.
    Albert Hirschman  Estratégiade crescimento equilibrado: • Política de desenvolvimento idealmente deveria ser balanceada entre os diversos segmentos da economia • Modelo utilizado pelo Plano Marshall na Europa Pós-Guerra  Países subdesenvolvidos: • Não possuem recursos suficientes • Governos com limitada estrutura operacional • Melhor investir em segmentos mais promissores e contar com o efeito de encadeamento econômico BIANCHI, Ana Maria. Albert Hirschman na América Latina e sua trilogia sobre desenvolvimento econômico. Economia e Sociedade, Campinas, v. 16, n. 2, p. 131-150, ago. 2007. HIRSCHMAN, Albert Otto. 1958. The Strategy of Economic Development. New Haven, Conn.: Yale University Press.
  • 64.
    Albert Hirschman  Desenvolvimentoeconômico é criador de desigualdade sociais  Estado é responsável por gerir os desequilíbrios • Políticas de desenvolvimento: aumentam desigualdade • Políticas sociais: socializam o desenvolvimento HIRSCHMAN, Albert Otto. 1958. The Strategy of Economic Development. New Haven, Conn.: Yale University Press. HIRSCHMAN, Albert Otto. The rise and decline of development economics. In: Essays in Trespassing Economics to Politics and Beyond. Cambridge University Press. 1981.
  • 65.
    Albert Hirschman Metáforado Túnel Nível de Desenvolvimento Geral Hirschman, Albert O., Rothschild, Michael. "The changing tolerance for income inequality in the course of economic development." The Quarterly Journal of Economics 87, no. 4 (1973): 544-566.
  • 66.
    Albert Hirschman Metáforado Túnel Nível de Desenvolvimento Geral Túnel Nível de Desenvolvimento Avançado Hirschman, Albert O., Rothschild, Michael. "The changing tolerance for income inequality in the course of economic development." The Quarterly Journal of Economics 87, no. 4 (1973): 544-566.
  • 67.
    Perspectiva Histórica • DoutrinaTruman – Guerra Fria (1947)  Plano Marshall (1947-1951)  Banco Mundial (1945) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (1959) • Estado desenvolvimentista (1930-1970)  Estado-empresário (indústria de base e de capital)  Protecionismo de mercado  Endividamento • Neoliberalismo (1980-1990)  Consenso de Washington (1990)  Economia neoclássica  Privatização • Estado Neo-desenvolvimentista (2000-2010)  Estado como regulador macroeconômico  Políticas de Financiamento  Políticas de Redistribuição de renda BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. Do antigo ao novo desenvolvimentismo na América Latina. Texto para Discussão n. 274. São Paulo: FGV, nov. 2010.
  • 68.
    Estado e Desenvolvimento •Modelo asiático (Japão, Coreia do Sul, Singapura, Hong Kong)  Investimento em educação  Planificação central e programas de industrialização  Críticas quanto a autoritarismo e ambiente anti-democrático • Modelo escandinavo  Investimento em educação  Incentivo a inovação  Políticas de sociais • Modelo BRICS  Atração de investimentos para mercado interno  Programas de fortalecimento econômico pelo governo CHANG, Ha-Joon. Chutando a escada: a estratégia do desenvolvimento em perspectiva histórica. São Paulo: UNESP, 2004. CHANG, Ha-Joon. How to ‘do’ a developmental state: political, organisational and human resource requirements for the developmental state. In: EDIGHEJI, Omano (Ed.). Constructing a democratic developmental state in South Africa: potentials and challenges. Pretoria: Human Sciences Research Council Press, 2010. cap. 4, p. 82- 96.
  • 69.
    Atividade Seria possível oBrasil diminuir a desigualdade em relação ao nível socioeconômico dos países desenvolvidos, ao mesmo tempo que diminui a sua desigualdade socioeconômica interna? O que seria necessário para isso?
  • 70.