1 - Conceitos básicos de
economia
Motivação
• O estudo de economia fornece uma maneira disciplinada e
sistemática de pensar sobre os mais variados problemas, desde os
mais fundamentais (determinantes da prosperidade das nações) até
aqueles da vida cotiada (como dividir meu tempo entre
trabalho/estudo e lazer).
• O conteúdo em si é extremamente valioso e torna-se mais importante
à medida que as pessoas ascendem na carreira.
Essas considerações foram
extraídas da coluna de Robert D.
McTeer Jr (The Wall Street Journal
de 04/06/2003, reproduzida no
cap. 1 do manual do Mankiw).
Roteiro da unidade
I. Panorama das ideias econômicas
II. O que a economia estuda, as três questões fundamentais e sua
relação com os sistemas econômicos (*)
III. Dez princípios de economia (*)
IV. Pensando como um economista e nossos primeiros modelos
econômicos (*)
V. Divisão do estudo econômico e outros conceitos que usaremos no
restante do curso
(*) Conteúdo mais relevante para
as avaliações
Parte I
• Fases pré-moderna (da antiguidade até o fim da idade média no século
XV), moderna (do século XV até o século XVIII) e contemporânea (do século
XVIII até os dias atuais);
• Escola clássica (1750-1870): o começo de tudo que importa hoje em dia –
ênfase em Adam Smith e David Ricardo;
• Neoclássicos e marginalistas (1870-1930): economia adquire caráter
internacional e consolida-se como disciplina acadêmica – elaboração de
inúmeros princípios teóricos relevantes para a economia moderna;
• John M. Keynes (1883-1946) e outras contribuições notáveis à
macroeconomia;
• Outros desenvolvimentos da segunda metade do século XX.
Panorama das ideias econômicas
• As ideias econômicas influenciam as decisões políticas que afetam o
desenrolar da história, assim como a história apresenta problemas que
motivam o desenvolvimento de teorias que indicam quais as respostas
mais adequadas (prescrição de políticas).
• Acerca da influência das ideias econômicas, o economista John Maynard
Keynes fez a seguinte observação:
As ideias dos economistas e dos filósofos políticos, tanto quando eles estão certos
como quando eles estão errados, são mais poderosas do que geralmente se entende.
Na verdade, o mundo é regido por pouca coisa a mais. Homens práticos que acreditam
ser isentos de influências intelectuais são geralmente escravos de algum economista
defunto. Os loucos em posições de comando, que ouvem vozes no ar, destilam seu
frenesi a partir de algum escriba acadêmico de poucos anos atrás.
Panorama das ideias econômicas
ALGUMAS CARACTERÍSTICAS
DELIMITAÇÃO
HISTÓRIA
FASE
• Ideias econômicas esparsas em trabalhos filosóficos ou políticos (antiguidade)
• Pensamento prático – econômico (do grego: de oikos, casa; e nomos, lei), significa a
administração da casa, em sentido abrangente
• Noção de que “Deus escolheu os ricos para serem os mordomos benevolentes dos
bem-estar material das massas, por intermédio da Igreja”
• Influência da moral cristã na idade média (defesa do preço justo, condenação de
juros, moderação na busca dos interesses pessoais)
Da antiguidade
(4000 a.C. -
476 d.C) até a
idade média
(século XV)
Pré-moderna
• Subordinação religiosa é substituída pela preocupação materialista no mercantilismo.
• Mercantilismo: riqueza advém do comércio (superávit na balança comercial)
• Fisiocratas: riqueza advém da agricultura
• O ”quadro econômico” (François Quesnay, 1759) é tido como a primeira formulação
de sistemas interdependentes na economia
Mercantilistas
(1450-1750) e
fisiocratas
(1760-1780)
Moderna
• Fase “científica” da economia, demarcada pela publicação “Riqueza das Nações” de
Adam Smith (1776)
• Grande desenvolvimento do conhecimento acerca dos mais variados problemas
econômicos
Do fim do
século XVIII aos
dias atuais
Contemporânea
Escola clássica – período aproximado: 1750-
1870
• Contexto: revolução industrial na Inglaterra no século XVIII.
• Economia política clássica: marca o início do estudo rigoroso sobre
progresso econômico e sua distribuição, ou, mais precisamente, sobre
as relações sociais de produção, circulação e distribuição de bens
materiais.
• Característica marcante: preocupação com tendências/ equilíbrio
(longo prazo) em detrimento de flutuações na demanda que podem
ocorrer no presente (curto prazo).
• Principais autores: Adam Smith, David Ricardo, Thomas Malthus, Jean
Baptiste Say, John Stuart Mill e Karl Marx
Adam Smith (1723-1790)
• Egoísmo natural dos homens – agem visando o seu interesse individual:
⁠Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da
consideração que eles tem pelos próprios interesses. Apelamos não à sua humanidade, mas ao seu amor-
próprio, e nunca falamos a eles das nossas próprias necessidades, mas das vantagens que eles podem
obter. Ninguém, exceto o mendigo, escolhe depender principalmente da benevolência dos cidadãos (...)
• Desse modo, ainda que inconscientemente, trabalham de forma a produzir o
melhor resultado possível para a sociedade:
Cada indivíduo necessariamente trabalha de forma a tornar a renda anual da sociedade o maior possível.
De fato, ele geralmente nem intenciona promover o interesse público nem sabe quanto ele o está
promovendo. (...) ele busca apenas seu próprio ganho, e nisso ele é, como em muitos outros casos, levado
por uma mão invisível a promover um fim que não era parte de suas intenções. (...) Ao buscar o seu
próprio interesse ele frequentemente promove o da sociedade mais efetivamente do que quando ele
realmente intenciona promover este último.
• Isso se dá por meio da operação da mão invisível do mercado (sistema de preços),
a forma mais eficiente de organização da sociedade (o funcionamento do sistema
de preços/ mão invisível, que estudaremos nas unidades 2 e 3, talvez seja a
principal lição deste curso).
Adam Smith. Uma investigação sobre
a natureza e as causas da riqueza das
nações, 1776.
Adam Smith (1723-1790)
• A divisão do trabalho é a principal explicação para o
desenvolvimento:
Tomemos, pois, um exemplo, tirado de uma manufatura muito pequena, mas na qual a divisão do
trabalho multas vezes tem sido notada: a fabricação de alfinetes. Um operário não treinado para essa
atividade (...) dificilmente poderia talvez fabricar um único alfinete em um dia (...).
Vi uma pequena manufatura desse tipo, com apenas 10 empregados (...). Mas, embora não fossem muito
hábeis (...) conseguiam, quando se esforçavam, fabricar em torno de 12 libras de alfinetes por dia. Ora, 1
libra contém mais do que 4 mil alfinetes de tamanho médio. (...)
A divisão do trabalho (...) gera, em cada oficio, um aumento proporcional das forças produtivas do
trabalho. (...) Essa diferenciação, aliás, geralmente atinge o máximo nos países que se caracterizam pelo
mais alto grau da evolução, no tocante ao trabalho e aprimoramento; o que, em uma sociedade em
estágio primitivo, é o trabalho de uma única pessoa, é o de várias em uma sociedade mais evoluída.
Adam Smith (1723-1790)
• Teoria do valor-trabalho: valor de uso (utilidade) é diferente do valor
de troca (quantidade de trabalho empregada em sua produção),
sendo o último mais relevante para entender as variações nos preços
relativos das mercadorias.
• Produto global criado pelo trabalho produtivo é distribuído em
salários, rendas dos proprietários e lucros dos capitalistas (não
apenas na agricultura como na visão fisiocrata).
• Os benefícios do desenvolvimento são partilhados pela sociedade.
David Ricardo (1772-1823)
• Enquanto Smith se concentrou no crescimento, Ricardo via a distribuição como a
principal questão da economia política;
• Aprimoramento na teoria do valor-trabalho – rendimentos decrescentes nas
margens intensiva (mais trabalhadores por terra) e extensiva (uso de terras
menos férteis):
O valor de troca de todos os produtos, sejam eles manufaturados ou produto de minas ou da terra, é
sempre regulado não pela menor quantidade de trabalho suficiente para sua produção sob
circunstâncias altamente favoráveis, (...); mas pela maior quantidade de trabalho necessariamente
empregado na sua produção por aqueles que continuam a produzi-los sob as mais desfavoráveis
circunstâncias.
• Contribuição marcante à teoria do comércio internacional: teoria das vantagens
comparativas (em oposição à teoria das vantagens absolutas de Smith):
• Todos ganham, mesmo se um país é melhor na produção de tudo.
• Crítico de restrições ao comércio (corn laws na Inglaterra – tarifas à importação para
sustentar o preço dos grãos dos produtores rurais ingleses diante da concorrência
estrangeira).
David Ricardo. Princípios de economia
política e tributação, 1817.
Prosperidade e distribuição na economia
clássica
• As teorias de Smith, Ricardo e seguidores tiveram êxito em explicar a
prosperidade, mas não tiveram o mesmo sucesso para explicar
questões distributivas, notadamente as consequências sociais da
industrialização na Inglaterra.
• Esse tema atraiu a atenção de John Stuart Mill e Karl Marx, que
tinham visões opostas: Mill recomendava políticas de promoção do
bem-estar social voltadas para a classe trabalhadora, enquanto Marx
preconizava a derrubada violenta da ordem capitalista.
Escola clássica - síntese
ALGUMAS CONTRIBUIÇÕES/ ANÁLISES MARCANTES
AUTOR
A busca pelo interesse individual leva ao melhor resultado para a sociedade por intermédio da mão invisível do
mercado. A divisão do trabalho leva ao aumento da produção e os resultados são partilhados pela sociedade na
forma de salários, lucros e renda da terra.
Adam Smith
(1723-1790)
Verificou a existência de rendimentos decrescentes nas margens intensiva (mais trabalhadores por terra) e
extensiva (uso de terras menos férteis). Observou que o valor de troca dos produtos é regulado custo na
margem. Criou a teoria das vantagens comparativas : há ganhos no comércio internacional mesmo quando um
país é melhor na produção de tudo.
David Ricardo
(1772-1823)
Ficou conhecido pela proposição (que se mostraria equivocada) de que a população a uma taxa geométrica,
enquanto a produção de alimentos cresce a uma taxa aritmética. Não poderia prever os efeitos do progresso
técnico na agricultura, além da redução nas taxas de natalidade.
Thomas Malthus
(1766-1834)
Ênfase no empresário, na produção e nos lucros. As trocas seriam subordinadas à produção. Ficou conhecido
pela proposição de que “toda oferta cria sua própria demanda” (Lei de Say).
Jean Baptiste Say
(1768-1832)
Consolidação da análise clássica com a alteração de algumas premissas. Reinterpretação das leis que regem a
distribuição de renda. Preocupação com a justiça social.
John Stuart Mill
(1806-1873)
O trabalhador é explorado pelo capitalista, cuja posição de poder decorre da existência do exército de
desempregados. A redução dos salários e o aumento da produção levam o capitalismo a vivenciar crises de
subconsumo.
Karl Marx (1818-
1883)
Neoclássicos e marginalistas (1870-1930)
• Contexto: prosperidade das nações do ocidente no último quarto do século
XIX (não confirmação do pessimismo de Malthus e Marx) e concentração
econômica (tendência monopolístitica – competição imperfeita não era
relevante para Smith, por exemplo);
• Nota-se também uma mudança na ênfase dos estudos: foco sai das
questões relativas à produção e distribuição para a maximização da
utilidade dos consumidores;
• Economia adquire caráter internacional (vários neoclássicos da Áustria,
Suécia, França e Alemanha) e torna-se uma disciplina acadêmica;
• Elaboração de princípios teóricos de extrema relevância para os
desenvolvimentos do século XX.
Neoclássicos e marginalistas (1870-1930)
EXEMPLOS DE CONTRIBUIÇÕES NOTÁVEIS
PRINCIPAIS AUTORES
DENOMINAÇÃO/
VERTENTE
Análise da determinação dos preços dos bens e
fatores a partir da análise de equilíbrio parcial – e a
criação de técnicas para tal (redução do número de
variáveis, desconsideração dos efeitos indiretos
irrelevantes, metodologia dedutiva)
Alfred Marshall (1842-1924)
Escola de Cambridge
Teoria do equilíbrio geral (abordagem alternativa à
usada por Marshall) – construção de um sistema
matemático enfatizando a interdependência de todos
os preços, bem como da micro e da macroeconomia.
Léon Walras (1834-1910) e
Vilfredo Pareto (1848-1923)
Escola matemática ou
escola de Lausanne
Teoria da utilidade marginal e análise da natureza do
capital e seu papel no processo produtivo (conciliar as
desvantagens da redução no consumo com as
vantagens do aumento futuro na produção)
Karkl Menger (1840-1921) e
Eugen Böhm-Bawerk (1851-
1914)
Escola psicológica
austríaca ou escola de
Viena
Neoclássicos e marginalistas (1870-1930)
EXEMPLOS DE CONTRIBUIÇÕES NOTÁVEIS
PRINCIPAIS AUTORES
DENOMINAÇÃO/
VERTENTE
Falhas de mercado e a utilização de tributos e subsídios para corrigir
divergências entre produtos marginais privado e social. Justificativa para a
intervenção do Estado para assegurar a provisão de bens e serviços em
determinadas situações.
Arthur Pigou (1877-
1959)
Economia do bem-
estar
Destacou o papel da moeda e do crédito na economia e integração da
análise monetária e real. Defendeu que os fenômenos monetários têm
efeito na economia real, diferentemente dos antecessores que
acreditavam que “a moeda é um simples véu que cobre as trocas”.
Knut Wicksell (1851-
1926)
Escola neoclássica
sueca
Procurou considerar o tempo (história) e o espaço (quadros sociais e
institucionais).
Oposição à metodologia clássica e neoclássica. Rejeitou a suposição de o
homem calcula os ganhos e perdas das diferentes alternativas disponíveis.
Defendeu que o padrão de consumo é resultado do hábito, da exibição e
do desejo de imitar padrões da classe rica.
Thorstein Veblen
(1857-1929)
Escola
institucionalista (não
se encaixa como um
neoclássico/
marginalista – é uma
crítica relevante)
John Maynard Keynes (1883-1946)
• Keynes foi disruptivo ao conceber a macroeconomia (determinação
do nível de produto e emprego) como um campo separado de estudo.
• Estudou as flutuações no nível de emprego no curto prazo,
diferentemente dos clássicos (interessados em explicar a evolução da
produção) e dos neoclássicos (que, como vimos, mudaram o foco de
suas análises para a teoria da utilidade, do valor e do bem-estar).
• Seu trabalho teve grande influência política: formulou ou inspirou
programas econômicos; participou da criação do FMI e do Bird; e suas
ideias, acrescida de elementos novos, ainda hoje guiam a política
fiscal de muitos países.
John Maynard Keynes.
Teoria Geral do Emprego,
do Juro e da Moeda, 1936.
John Maynard Keynes (1883-1946)
• Principais contribuições:
• Integração do lado real e do lado monetário da economia;
• Importância da demanda efetiva e do entesouramento (preferência pela
liquidez) na determinação do nível de produto e emprego no curto prazo.
• Principais omissões:
• Ao tratar os preços como fixos no curto prazo, não tratou das consequências
inflacionárias da ação governamental;
• Não considerou que os agentes econômicos formam expectativas e como isso
afeta os resultados das políticas.
Algumas contribuições notáveis à
macroeconomia pós-Keynes
• Flutuações econômicas:
• John Hicks (1904-1989): síntese neoclássica (Mr. Keynes and the classics, 1937).
• Milton Friedman (1912-2006): consumo (hipótese de renda permanente), história e teoria monetária
(monetarismo – que prescrevia um crescimento lento e estável para oferta de moeda), inflação,
desemprego e expectativas adaptativas (curva de Phillips vertical) – anos 1950/960
• Robert Lucas (1937-2023): expectativas racionais – anos 1970
• Robert Lucas (1937-2023), Thomas J. Sargent (1943-), Robert Barro (1944-), Finn E. Kydland (1943-)
e Edward Prescott (1940-2022): novo clássicos (choques monetários e ciclos econômicos) e modelos de
ciclos reais de negócios (choques de tecnologia explicam os ciclos e o crescimento) – anos 1970 e 1980
• N. Gregory Mankiw (1958-), David Romer (1958-) e muitos outros: economia Novo-Keynesiana
(competição monopolítistica, rigidez nominal/preços e salários não são ajustados a todo instante, não
neutralidade da política monetária no curto prazo) – anos 1980 e 1990
• Crescimento econômico:
• Robert Solow (1924-), Roy Harrod (1900-1978) e Evsey Domar (1914-1997): modelo de crescimento
com progresso técnico exógeno – anos 1940/50
• Paul Romer (1955-), Charles Jones (1956-), Lucas (1937-2023) e outros: modelos de crescimento com
capital humano e progresso técnico endógeno – décadas de 1980 e 1990
Outros desenvolvimentos da segunda metade
do século XX
• Análise de competição imperfeita.
• Assimetria de informação.
• Externalidades e direitos de propriedade.
• Mercados financeiros.
• Econometria: séries temporais, painel de dados, problema da auto-
seleção e possíveis soluções etc.
• Experimentos sociais em economia.
Referências
• Pinho, D. A ciência econômica do século XXI às suas origens. In: Pinho,
Vasconcellos e Toneto Jr. (Org). Introdução à economia. São Paulo:
Saraiva, 2012. Capítulo 2.
• Hunt, E. K. História do pensamento econômico: uma perspectiva
crítica. Rio de Janeiro: Campus Elsevier, 2005.
Parte II
• O que a economia estuda?
• Etimologia (origem da palavra)
• O problema fundamental da economia (definição do que a economia
moderna estuda)
• As três questões centrais e os sistemas econômicos
O que a economia estuda
• Economia é geralmente associada às grandes questões da sociedade:
• Crescimento e flutuações econômicas;
• Inflação e estabilização monetária;
• Inflação e desemprego;
• Déficit público e endividamento do governo;
• Balança comercial e fluxo de capitais;
• Pobreza e desigualdade.
O que a economia estuda
• Renda per capita:
Maddison Historical Statistics, https://www.rug.nl/ggdc/
0
0,1
0,2
0,3
0,4
0,5
0,6
0,7
0,8
0,9
1875
1881
1887
1893
1899
1905
1911
1917
1923
1929
1935
1941
1947
1953
1959
1965
1971
1977
1983
1989
1995
2001
2007
2013
PIB per capita: Brasil e Argentina (% dos EUA)
ARG BRA
O que a economia estuda
• Evolução da produtividade:
0
5
10
15
20
25
30
35
40
45
50
1995
1996
1997
1998
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2000
2001
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2004
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2012
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2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022
Produtividade por hora trabalhada (R$ 2020)
Agropecuária Industria Total Serviços Total Total
Fonte: IBRE/FGV, Observatório da Produtividade Regis Bonelli.
0
20
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140
160
180
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1954
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1960
1963
1966
1969
1972
1975
1978
1981
1984
1987
1990
1993
1996
1999
2002
2005
2008
2011
2014
2017
Produtividade no Brasil e na Coréia do Sul
(1980=100)
BRA KOREA
Penn World Tables, https://www.rug.nl/ggdc/
O que a economia estuda
• PIB brasileiro - crescimento e ciclo econômico:
0
20
40
60
80
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140
160
180
200
mar-96
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mar-14
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mar-17
set-18
mar-20
set-21
mar-23
PIB (índice - média de 1995=100)
PIB efetivo PIB potencial
-0,12
-0,10
-0,08
-0,06
-0,04
-0,02
0,00
0,02
0,04
mar-96
set-97
mar-99
set-00
mar-02
set-03
mar-05
set-06
mar-08
set-09
mar-11
set-12
mar-14
set-15
mar-17
set-18
mar-20
set-21
mar-23
Hiato do produto (%)
Fonte: RAF – junho de 2023. Estimativas da IFI/Senado a partir de dados do IBGE.
O que a economia estuda
• Inflação e estabilização monetária no Brasil:
0
500
1.000
1.500
2.000
2.500
3.000
1980
1982
1984
1986
1988
1990
1992
1994
1996
1998
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2006
2008
2010
2012
2014
2016
2018
2020
2022
Inflação antes do Plano Real (IPCA – var. %)
0,0
5,0
10,0
15,0
20,0
25,0
1995 1997 1999 2001 2003 2005 2007 2009 201120132015 2017 2019 2021
Inflação depois do Plano Real (IPCA – var. %)
Fonte: IBGE
O que a economia estuda
• Dilema entre inflação e desemprego?
Fonte: Camargo, J. M. Credibilidade e o custo da
estabilização – a Curva de Phillips II. Blog do
IBRE/FGV, 15 de março de 2018:
https://blogdoibre.fgv.br/posts/credibilidade-e-o-
custo-da-estabilizacao-curva-de-phillips-ii
O que a economia estuda
• Déficit público e endividamento no Brasil:
0
10
20
30
40
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70
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90
100
dez/06
out/07
ago/08
jun/09
abr/10
fev/11
dez/11
out/12
ago/13
jun/14
abr/15
fev/16
dez/16
out/17
ago/18
jun/19
abr/20
fev/21
dez/21
out/22
DBGG (% do PIB)
0
2
4
6
8
10
12
14
16
nov/02
nov/03
nov/04
nov/05
nov/06
nov/07
nov/08
nov/09
nov/10
nov/11
nov/12
nov/13
nov/14
nov/15
nov/16
nov/17
nov/18
nov/19
nov/20
nov/21
nov/22
NFSP (% do PIB)
Fonte: Banco Central. NFSP = necessidade de financiamento do setor público (déficit público), DBGG = dívida bruta do governo geral.
O que a economia estuda
• Grandes grupos do balanço de pagamentos brasileiro:
-150.000
-100.000
-50.000
0
50.000
100.000
150.000
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022
Balança de pagamentos (USD milhões)
Transações correntes Movimento de capitais
Fonte: Banco Central
O que a economia estuda
• Pobreza e desigualdade:
Fonte: Souza, P. A. Evolução da pobreza monetária no Brasil no século XXI. IPEA. Boletim de Políticas Sociais, n. 29, 2022.
O que a economia estuda
• Fração da despesa com alimentos de acordo com o orçamento
domiciliar e a composição familiar:
Fonte: Vaz, P. M. Escalas de equivalência e
demanda do consumidor. 2012. Tese (Doutorado)
– Universidade de Brasília, Faculdade de
Economia, Administração, Contabilidade e Ciência
da Informação e Documentação.
O que a economia estuda
• O campo de estudo é amplo – vejamos algumas questões de economia aplicada:
UM ARTIGO DE EXEMPLO
EXEMPLOS DE TEMAS
ÁREA
KRUEGER, A. B.; LINDAHL, M. Education for growth: Why and for whom?. Journal of
Economic Literature, v. 39, n. 4, p. 1101-1136, 2001.
Teoria do capital humano, externalidades, desenvolvimento,
avaliação de políticas
Educação e
saúde
KRUEGER, A. B.; PISCHKE, J. The effect of social security on labor supply: A cohort analysis
of the notch generation. Journal of Labor Economics, v. 10, n. 4, p. 412-437, 1992.
Efeito das regras de acesso aos benefícios sobre o mercado de
trabalho, envelhecimento populacional e finanças públicas
Previdência
BECKER, G. S. Crime and punishment: An economic approach. Journal of Political Economy,
v. 76, n. 2, p. 169-217, 1968.
Comportamento criminal sob diferentes normas e diferentes
alternativas combater o crime
Crime
ASSUNÇÃO, J.; GANDOUR, C.; ROCHA, R. Deforestation slowdown in the Brazilian Amazon:
prices or policies?. Environment and Development Economics, v. 20, n. 6, p. 697-722, 2015.
Créditos de carbono, causas e consequências do
desmatamento
Meio
ambiente
MONASTEIRO, L.; LOPES, D. Brasil sem imigrantes: Estimativas de longo prazo baseadas em
microdados de paradigma. Brasília: IPEA, (Texto para Discussão, 2018).
Instituições e crescimento, cliometria (uso da teoria
econômica para estudar história com o uso de métodos
quantitativos), custos de transporte, spillovers tecnológicos
História e
geografia
GROSS, T. et al. The economic consequences of bankruptcy reform. American Economic
Review, v. 111, n. 7, p. 2309-2341, 2021.
Regulação dos mercados, efeito das leis sobre os mercados
(por exemplo: garantias e juros), análise econômica do direito
(microeconomia aplicada para analisar o efeito das leis)
Direito
AVIS, E.; FERRAZ, C.; FINAN, F. Do government audits reduce corruption? Estimating the
impacts of exposing corrupt politicians. Journal of Political Economy, v. 126, n. 5, p. 1912-
1964, 2018.
Ciclos políticos, disciplina eleitoral, corrupção e eleições
Política
O que a economia estuda
• E mais alguns temas já estudados...
CONTRIBUIÇÃO/ CONTRIBUIÇÃO
PROBLEMA ANALISADO
ARTIGO
Um pouco de oração não ajuda e pode piorar as
coisas. Mas muita oração ajuda bastante.
Estima o efeito de uma variável observável X (intensidade de oração) sobre
a variável não observável Y (atitude de Deus perante a humanidade), cuja
densidade populacional foi estimada pelo Padre Greeley.
HECKMAN, J. The effect of prayer on god’s
attitude toward mankind. Economic
Inquiry, v. 48, n. 1, p. 234-235, 2010.
Os resultados encontrados a partir da regressão
Tobit confirmam as previsões do modelo,
embora mais evidências sejam necessárias antes
que conclusões definitivas possam ser tiradas
Neste artigo é desenvolvido um modelo que explica a alocação do tempo
de um indivíduo com o trabalho e duas atividades de lazer: tempo com o
cônjuge e o tempo gasto com o amante. Usamos dados de duas enquetes
para testar as previsões do modelo.
FAIR, R. C. A theory of extramarital
affairs. Journal of political economy, v. 86,
n. 1, p. 45-61, 1978.
É construído um modelo matemático que
descreve o delicado equilíbrio ecológico entre
humanos e vampiros. Neste contexto, examina-
se o papel da política de estabilização. A
destruição completa dos vampiros não é
desejável do ponto de vista social.
Apesar do aumento da incidência de epidemias de vampiros nos últimos
anos, o vampirismo continua sendo um tópico negligenciado na
macroeconomia. Os vampiros devoram a força de trabalho e desviam
recursos de outros usos produtivos para proteger os humanos. Por outro
lado, a atividade humana influencia o vampirismo ao fornecer sangue pelo
qual os vampiros são alimentados e estacas pelas quais são destruídos.
SNOWER, D. J. Macroeconomic policy and
the optimal destruction of
vampires. Journal of Political Economy, v.
90, n. 3, p. 647-655, 1982.
Uma solução é derivada da teoria econômica e
dois teoremas inúteis, mas verdadeiros, são
provados.
Como devem ser calculadas as cobranças de juros sobre mercadorias em
trânsito quando as mercadorias viajam próximas à velocidade da luz?
Lembrando que o tempo gasto em trânsito parecerá menor para um
observador viajando com as mercadorias do que para um observador
estacionário.
KRUGMAN, P. The theory of interstellar
trade. Economic Inquiry, v. 48, n. 4, p.
1119-1123, 2010.
Etimologia
• A palavra “economia” vem do grego oikonomos (de oikos, casa; e
nomos, lei): “administração da casa” ou “aquele que administra o lar”.
• Essa definição “etimológica” traz alguns elementos interessantes
(embora não seja muito precisa considerando o desenvolvimento da
ciência econômica desde suas origens):
• A palavra “casa” pode ser entendida de forma mais ampla, como “família” ou
“Estado”;
• As palavras “Lei” (regra) e “Administrar” (dirigir, gerir) sugerem a realização de
escolhas sobre fins e meios.
• Porém, não reflete o que a economia moderna estuda.
Problema fundamental da economia
• O problema fundamental da economia reside em conciliar os recursos
escassos e as necessidades humanas ilimitadas, de forma a propiciar
o mais elevado nível de bem-estar possível.
• Uma definição bem aceita da disciplina é a seguinte:
Economia é a ciência social que estuda a alocação de recursos escassos de
forma a satisfazer as necessidades humanas da melhor maneira possível.
• Como não conseguimos produzir/adquirir tudo o que é necessário ou
desejamos, precisaremos fazer escolhas - a economia estuda essas
escolhas individuais e suas interações.
Problema fundamental da economia
• O problema fundamental da economia está presente em nossas
decisões cotiadas:
• Dado que o tempo é um recurso escasso, quantas horas por semana irei
alocar para trabalho, estudo e lazer? Como o valor do meu salário/hora
(supondo que somos remunerados por hora trabalhada) afeta essa decisão?
• Dado o meu salário e as minhas despesas básicas (saúde, educação,
alimentação, habitação, transporte, impostos e outros), quanto devo poupar
(sacrificar do meu consumo presente)? Como essa mudança é afetada pela
taxa de juros real? E pela trajetória da dívida pública?
• Devo comprar um carro ou andar de ônibus e Uber?
• Dado um orçamento de R$ 100, o que irei cozinhar para minha família no
almoço de domingo?
Problema fundamental da economia
• E também está presente nas decisões de política pública:
• Dado o orçamento público, o quanto devemos alocar em políticas para as crianças e
jovens (educação e programas de transferência de renda) e para os idosos (saúde e
previdência)?
• Cada R$ 1 a mais no salário mínimo aumenta o gasto público com previdência,
assistência, SD e abono salarial em mais de R$ 300 milhões. Em face disso, devemos
aumentar o salário mínimo acima da inflação, usar esses recursos em outras políticas
públicas ou reduzir o déficit público (que afeta a carga tributária e a taxa de juros)?
• Devemos usar recursos públicos para manter o preço da gasolina sistematicamente
abaixo da paridade internacional? Ou investir em transporte público?
• Devemos isentar a agricultura de impostos para estimular as exportações ou cobrar
impostos para financiar a previdência dos trabalhadores rurais em regime de
economia familiar?
• Devemos investir nas universidades públicas ou ampliar o FIES e o Prouni?
As três questões centrais
• Como vimos, dada a escassez de recursos, a sociedade precisa realizar
escolhas sobre alternativas de produção (o que e como produzir) e
distribuição (como distribuir os resultados das atividades produtivas
entre seus diferentes grupos):
• Chegamos, assim, aos três problemas centrais da economias:
• O que produzir?
• Como produzir?
• Para quem produzir?
As três questões centrais
• O que produzir: a sociedade precisa escolher para qual finalidade irá alocar
os seus recursos escassos, ou seja, o que irá produzir. Computadores
(PNI/1984 – reserva de mercado até 1992)? Carros (incentivos fiscais do IPI,
II e ICMS)? Ou alimentos? Substituição de importações no Brasil (1930-
1980) e o Grande Salto para Frente na China (1958-1962).
• Como produzir: Como irá combinar os recursos para atingir a produção
desejada? Qual tecnologia adotar? Exemplos: agricultura intensiva,
extensiva ou familiar? Desonerar a folha de pagamentos de alguns setores
(produtos têxteis, brinquedos etc.)? Isentar os bens de capital de impostos?
• Para quem produzir: determinação da remuneração dos fatores de
produção (salários, lucros, juros e rendas da terra), tributos e
transferências de renda.
Sistemas econômicos
• A forma como essas questões são tratadas depende de como a
sociedade está organizada, isto é, do sistema econômico vigente.
• Sistema econômico: a forma política, social e econômica de
organização de uma sociedade.
• Elementos básicos:
• O estoque de recursos produtivos ou fatores de produção, que incluem os
recursos humanos (trabalho e capacidade empresarial), o capital, a terra, as
reservas naturais e a tecnologia;
• O complexo de unidades de produção, constituído pelas empresas;
• O conjunto de instituições políticas, jurídicas, econômicas e sociais, que são a
base de organização da sociedade (pois definem as regras que regulam
comportamentos e interações).
Sistemas econômicos
SISTEMA CAPITALISTA
SISTEMA SOCIALISTA
Escolhas descentralizadas, mediadas pelo sistema de
preços (forças de mercado/ oferta e demanda)
Um órgão de
planejamento central
Quem resolve as questões
econômicas (o
que/quanto, como e para
quem produzir)
Propriedade privada (famílias), predomina a livre
iniciativa
Propriedade pública*
Fatores de produção e
complexo de unidades de
produção
Capitalismo “puro” em várias economias ocidentais
até o início do século XX (filosofia do Liberalismo),
quando surge o Estado de bem-estar social (Estado
como agente de promoção social).
É o sistema predominante em todo o mundo.
URSS (1922-1991),
China (pelo menos
na era Mao Tse-Tung:
1949-1976) e Cuba
Exemplos
(*) Não pertencem ao Estado pequenas atividades comerciais e artesanais, as quais, junto com os meios de sobrevivência,
como roupas, automóveis, pertencem aos indivíduos (mas com preços fixados pelo governo). Existe também liberdade para
escolha de profissão (ou seja, há mobilidade de mão de obra) (extraído de Pinho, Vasconcellos e Toneto Jr., 2012)
Resumo até aqui
• Os economistas estudam diversos fenômenos, mas a essência da
economia “é a alocação de recursos escassos de forma a satisfazer as
necessidades humanas da melhor maneira possível”.
• A forma como os recursos escassos são alocados na sociedade
depende do sistema econômico vigente: em uma economia
planificada (socialista), é o planejador central que decide o que/
quanto, como e para quem produzir; enquanto em uma economia de
mercado (capitalista) as decisões são descentralizadas.
• Portanto, ao estudar a alocação de recursos escassos, a economia
estuda as escolhas individuais e as suas interações.
Referências
• Braga, M. B.; Vasconcellos, M. A. S. Introdução à economia. In: Pinho,
Vasconcellos e Toneto Jr. (Org). Introdução à economia. São Paulo:
Saraiva, 2012. Capítulo 1.
• Guimarães, B.; Gonçalves, C. E. Introdução à economia. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2010. Introdução.
• Mankiw, N. G. Introdução à economia. Rio de Janeiro: Cengage
Learning, 2014. Capítulo 2.
Parte III
• Objetivo: introduzir conceitos e fornecer desde já uma visão ampla da economia.
• Para isso, iremos estudar dez princípios divididos em três grupos:
PRINCÍPIO
GRUPO
# 1: As pessoas enfrentam tradeoffs
# 2: O custo de alguma coisa é aquilo de que você desiste para obtê-la
# 3: As pessoas racionais pensam na margem
# 4: As pessoas reagem a incentivos
Como as pessoas
tomam decisões
# 5: O comércio pode ser bom para todos
# 6: Os mercados são geralmente uma boa maneira de organizar a atividade econômica
# 7: Às vezes os governos podem melhorar os resultados dos mercados
Como as pessoas
interagem
# 8: O padrão de vida de um país depende de sua capacidade de produzir bens e serviços
# 9: Os preços sobrem quando o governo emite mais moeda
# 10: A sociedade enfrenta um tradeoff de curto prazo entre inflação e desemprego
Como a economia
funciona
Como as pessoas tomam decisões (1/4)
1 – As pessoas enfrentam tradeoffs.
• O que é tradeoff – algumas definições: dilema; situação de escolha
conflitante; escolher uma coisa em detrimento da outra.
• Quando escolhemos algo, estamos abrindo mão de alguma outra
coisa.
• Em nossos estudos de economia, precisamos desenvolver a
capacidade de identificar os tradeoffs.
Como as pessoas tomam decisões (1/4)
• Exemplos de tradeoffs de indivíduos ou famílias:
• Estudante: como dividir o tempo de estudo entre as disciplinas;
• Casal: como gastar a renda familiar – jantares fora de casa, viagem no fim do
ano ou poupança?
• Exemplo de tradeoffs para pessoas agrupadas em sociedade:
• Eficiência e igualdade: distribuir renda através de transferências reduz a
desigualdade social, mas a tributação necessária gera distorções e ineficiência
econômica.
• Armas e manteiga (sociedade militarizada ou voltada para bens de consumo),
exemplo: esforço americano na Segunda Guerra Mundial (ver gráfico no
próximo slide).
Como as pessoas tomam decisões (1/4)
• Esforço de guerra pela ótica do gasto público americano:
Como as pessoas tomam decisões (2/4)
2 – O custo de alguma coisa é aquilo de que você desiste para obtê-la
• Dado os tradeoffs, as tomadas de decisões envolve a comparação de
custos e benefícios.
• O custo relevante para o economista é o custo de oportunidade – e
não no custo contábil:
• Qual é o custo de 1 hora de lazer do professor (assistindo futebol em casa)? É
justamente o seu salário por hora de trabalho.
• Qual é o custo de se cursar uma faculdade? Gastos com alimentação e
moradia? Ou, além dos custos com mensalidade, o salário de que abrem mão
para poderem assistir as aulas?
Como as pessoas tomam decisões (2/4)
• Mais exemplos:
• Qual é o custo para a sociedade de
reduzir os impostos sobre os bens
industriais (se a carga tributária não
pode mudar muito para financiar as
políticas públicas)? O aumento na
tributação dos demais setores (serviços
e agropecuária).
• Para vocês, o custo de estudar é maior
na segunda à tarde ou no sábado à
noite? Por que? Fonte: FIRJAN, https://joserobertoafonso.com.br/wp-
content/uploads/2021/05/Carga-tribut_ria-brasileira-por-
setores_Janeiro-2018-1.pdf
Como as pessoas tomam decisões (3/4)
3 – As pessoas racionais pensam na margem
• Pessoa racional: aquela que faz o melhor para alcançar os seus
objetivos (por exemplo, aumentar sua satisfação ou o seu lucro).
• Na margem/ mudança marginal: pequenos ajustes incrementais.
• A maior parte das decisões não são do tipo “tudo ou nada”, mas sim
do tipo “o quanto disso ou daquilo” – exemplos:
• Uma empresa deve decidir quantos trabalhadores contratar;
• Uma pessoa deve decidir quantas horas estudar/trabalhar;
• Na hora do almoço, você decide o quanto colocar de comida no prato, se vai
colocar um pedaço a mais de carne, por exemplo, e não se vai comer ou não.
Como as pessoas tomam decisões (3/4)
• Uma outra maneira de expressar esse princípio é: a pessoa racional toma
decisões comparando benefícios marginais e custos marginais (isto é,
decide sim quando o benefício marginal for superior ao custo marginal):
• Exemplo do livro: poucos minutos antes do embarque, uma companhia aérea decidiu
vender os últimos 3 assentos por um preço ($300) abaixo do custo médio ($500).
Essa escolha é racional? Qual é o custo marginal de cada passageiro adicional?
• No final da festa junina de uma Igreja, o padre decidiu reduzir o preço de todas as
barracas de alimentos perecíveis pela metade (abaixo do preço de custo). Essa é uma
decisão racional? Qual o benefício marginal e o custo marginal nesse caso?
• Por que conseguimos comprar verduras e legumes a um preço mais baixo no fim da
feira?
Como as pessoas tomam decisões (3/4)
• Uma característica importante é que o
benefício marginal depende da quantidade
de que já dispomos – exemplos:
• Um trabalhador a mais na padaria
(produtividade marginal decrescente);
• Um pedaço de bolo a mais no lanche (utilidade
marginal decrescente);
• Um carro a mais na família (utilidade marginal
decrescente).
• Lei da utilidade marginal decrescente
(ilustração a partir de uma função Cobb-
Douglas)
Como as pessoas tomam decisões (4/4)
4 – As pessoas reagem a incentivos
• O principal exemplo é o efeito dos preços sobre o comportamento do consumidor e
do produtor.
• Lei da oferta – quanto maior o preço de um bem,
maior será a quantidade que os produtores
estarão dispostos a fornecer:
• Se custa $2 para produzir um bem (custo marginal), não haverá oferta
a um preço menor do que esse. Mas haverá oferta para qualquer
preço acima de $2.
• Quanto maior o preço, maior será a disposição dos produtores em
fornecer aquele bem. E, se a recompensa for suficientemente alta,
novos produtores devem aparecer.
• Lei da demanda – quanto menor o preço de um
bem, maior será a quantidade demandada pelos
consumidores interessados.
Como as pessoas tomam decisões (4/4)
• Os efeitos indiretos podem ser importantes, vejamos esses exemplos
de regulação:
• Petzman (1975) sobre o efeito da lei da década de 1960 que impõe cinto de
segurança como equipamento obrigatório em todos os carros: reduz o
número de mortes por acidentes, mas aumentou o número de acidentes (as
pessoas passaram a ficar menos cuidadosas porque o cinto de segurança
reduziu o custo dos acidentes).
• Viscusi (1984) sobre o efeito da exigência de tampa protetora para aspirina e
outros remédios em 1972: não houve impacto nas taxas de envenenamento
por aspirina, mas verificou-se um aumento impressionante nas taxas de
ingestão de analgésicos (como as tampas são mais difíceis de abrir, alguns
pais passaram a deixar os recipientes destampados).
PELTZMAN, S. The effects of automobile safety regulation. Journal of political
Economy, v. 83, n. 4, p. 677-725, 1975.
VISCUSI, W. K. (1984). The lulling effect: the impact of child-resistant packaging on
aspirin and analgesic ingestions. The American Economic Review, 74(2), 324-327.
Como as pessoas tomam decisões (4/4)
• As pessoas trabalham menos quando
dispõe de benefícios como seguro-
desemprego (SD)?
• Na Áustria, a duração do SD aumenta
muito quando os indivíduos completam 50
anos.
• O gráfico ao lado mostra que indivíduos
com um pouco mais de 50 anos ficam
mais do dobro do tempo desempregados,
em média, do que aqueles com um pouco
menos de 50 anos.
LALIVE, R. Unemployment benefits, unemployment
duration, and post-unemployment jobs: A regression
discontinuity approach. American Economic Review, v.
97, n. 2, p. 108-112, 2007.
Como as pessoas tomam decisões (4/4)
• O IR induz as pessoas a
trabalharem menos?
• Saez (2010) mostra uma
acumulação de
trabalhadores com
rendimentos exatamente
no limite de isenção do IR
nos Estados Unidos.
SAEZ, E. Do taxpayers bunch at kink points?. American
economic Journal: economic policy, v. 2, n. 3, p. 180-
212, 2010.
Como as pessoas tomam decisões (4/4)
• Cálculo dos benefícios previdenciários e
aposentadoria?
• Até recentemente, os trabalhadores não tinham
idade mínima para se aposentar (ATC), mas se
aposentassem cedo, sofriam uma penalização no
valor do benefício (fator previdenciário)
• A Lei 13183/2015 concedeu um benefício muito
grande (não aplicação do fator) para quem
trabalhasse um pouco mais (regra 85/95
progressiva – 85/95: soma da idade e do TC).
• O gráfico ao lado mostra uma mudança muito
forte no comportamento de aposentadoria (as
pessoas passaram a esperar um pouco mais para
ter um benefício bem mais alto).
Elaboração própria (com Raphael Gouvêa).
Como as pessoas tomam decisões (4/4)
• Dois exemplos do efeito do Fundo de Participação dos Municípios
(FPM): divisão de municípios e contagem de habitantes.
MONASTERIO, L. O FPM e a estranha distribuição da população dos
pequenos municípios brasileiros. IPEA, 2013 (TD 1818).
EHRL, P. Minimum comparable areas for the period 1872-2010: an
aggregation of Brazilian municipalities. Estudos Econômicos, v. 47,
p. 215-229, 2017.
Como as pessoas interagem (5/7)
5 – O comércio pode ser bom para todos
• Ao se especializarem naquilo que são melhores, as pessoas se beneficiam
das trocas nos mercados de bens e fatores de produção.
• Por meio do comércio, podemos comprar uma variedade grande de bens a
um custo menor do que incorreríamos caso tentássemos produzir:
Quando você vai a uma loja comprar um lápis, você está trocando alguns minutos do
seu tempo de trabalho por alguns segundos do tempo de trabalho de todas as pessoas
necessárias para produzi-lo! (Friedman explica isso bem no vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=4ERbC7JyCfU)
• O comércio propicia ganhos para todos os países que se especializam
naquilo que são relativamente melhores (por exemplo, agricultura no caso
do Brasil e da Austrália) – teoria das vantagens comparativas.
Como as pessoas interagem (6/7)
6 – Os mercados são geralmente uma boa maneira de organizar a atividade
econômica
• Por trás do planejamento central (URSS e outras experiências socialistas), havia a
noção de que um órgão do governo seria capaz de organizar a atividade
econômica de modo a promover o bem-estar econômico das nações.
• Nenhuma pessoa e nenhum órgão possui informação suficiente para realizar tal
empreendimento (Mises, 1920, O cálculo econômico em uma comunidade
socialista) – para alocar os recursos de forma eficiente, o planejador central
precisaria de informações instantâneas sobre gostos/preferências pelos
diferentes produtos, sobre a tecnologia e a melhor forma de combinar os
insumos, sobre os custos de produção etc.
• O planejamento centralizado – executado, por exemplo, mediante o controle de
preços – resulta em escassez.
Como as pessoas interagem (6/7)
• Em uma economia de mercado, os recursos são alocados por meio de
decisões descentralizadas das famílias e empresas, que são guiadas em
suas decisões pelo sistema de preços (mão invisível).
• Os preços dos bens são uma expressão do consenso sobre o valor dos
diferentes itens e refletem: as preferências dos consumidores, a escassez
do produto e os custos de produção.
• Essas informações, transmitidas a produtores e consumidores por meio do
sistema de preços, é essencial para a organização das atividades
produtivas.
• As pessoas reagem aos sinais do sistema de preços e, nesse sentido,
dizemos que os preços livres coordenam as ações de todos os
consumidores e produtores em uma economia de mercado.
Como as pessoas interagem (7/7)
7 – Às vezes os governos podem melhorar os resultados dos mercados
• O governo possui um papel essencial para a economia de mercado:
garantir o cumprimento das regras em geral e, em especial, dos
direitos de propriedade.
• Como já discutimos (ao falar dos tradeoffs), a intervenção do governo
pode melhorar a distribuição de renda.
• Além disso, há situações em que a intervenção do governo pode
promover ganhos de eficiência.
Como as pessoas interagem (7/7)
• Falhas de mercado – o mercado, por si só, falha em alocar os recursos de
maneira eficiente:
• Poder de mercado: capacidade de alguns poucos agentes de influenciar os preços.
Nesse caso, a regulamentação governamental é justificada.
• Externalidade: a ação de um agente econômico afeta o bem-estar de outros não
envolvidos - exemplos: poluição e barulho são externalidades negativas de
atividades produtivas e P&D geram externalidades positivas.
• Bem público: não excludente (caro ou impossível para um usuário excluir outros de
se beneficiarem) e não rival (o fato de uma pessoa usar não impede outras de
usufruírem) – exemplo: defesa nacional. Embora as pessoas desejem o bem, o
mercado não oferta porque ele é não excludente (não há como cobrar das pessoas
que usufruem da oferta). Nesse caso, faz sentido o governo ofertar o bem e financiá-
lo por meio de tributos.
• Assimetria de informação: situação em que uma parte possui mais informação que a
outra e transações que seriam mutuamente vantajosas deixam de ser concretizadas
(exemplos: carro usado e crédito bancário).
Como a economia funciona (8/10)
8 – O padrão de vida de um país depende de sua capacidade de
produzir bens e serviços
• A produtividade explica grande parte dos diferenciais de padrões de
vida entre os países.
• A evolução da produtividade determina o ritmo de melhoria nos
padrões de vida ao longo do tempo.
Como a economia funciona (8/10)
• No gráfico ao lado, o PIB per capita
cresceu mais do que a produtividade
porque:
• Aumentou o número de pessoas em idade
ativa em relação à população (PIA/POP) –
bônus demográfico.
• A taxa de participação (PEA/PIA) aumentou
– mais pessoas em idade ativa decidiram
trabalhar.
• Ou seja, o número de trabalhadores ativos
em relação ao total da população também
é importante! Fonte: Veloso, F; Matos, S.; Peruchetti, P. Produtividade do
trabalho: o motor do crescimento econômico de longo prazo.
IBRE, 2019
https://ibre.fgv.br/sites/ibre.fgv.br/files/arquivos/u65/produti
vidade_do_trabalho_o_motor_do_crescimento_economico_d
e_longo_prazo.pdf
Como a economia funciona (9/10)
9 – Os preços sobem quando o governo emite mais moeda
• Inflação: aumento do nível geral de preços.
• Quase todos os casos de inflação elevada ou persistente estão
associados ao aumento na quantidade de moeda.
• Podemos pensar na moeda como uma mercadoria: se a sua oferta
aumenta, o seu preço relativo (o quanto vale em relação aos bens e
serviços) tende a diminuir.
Atualmente, os bancos
centrais não controlam a
oferta de moeda diretamente,
mas a influenciam através do
manejo da taxa básica de
juros.
Como a economia funciona (9/10)
• Vejamos os dados: comparativo internacional e séries brasileiras:
https://www.businessinsider.com/emerging-market-debt-seems-
risky-2014-6
Fonte: dados disponíveis no Bacen. M2 = papel moeda em poder do
público e depósitos à vista no sistema bancário (M1) e depósitos a prazo
Como a economia funciona (10/10)
10 – A sociedade enfrenta um tradeoff de curto prazo entre inflação e
desemprego
• O aumento na quantidade de moeda, em um primeiro momento,
estimula a demanda por bens e serviços.
• Diante do aumento na demanda por bens e serviços, as empresas
contratam mais trabalhadores para aumentar a oferta. Assim, a taxa
de desemprego cai.
• Os preços aumentam em função da maior demanda. A redução do
desemprego também pressiona os salários nominais. Ou seja, a
inflação aumenta.
Como a economia funciona
• Em 1958, A. W. Phillips analisou a relação entre inflação e
desemprego no Reino Unido com dados de 1861 a 1957.
Como a economia funciona
• Inflação e desemprego nos EUA e, 1949-1969 e 1970-1979: colapso
da curva de Phillips?
(a) 1948-1969 (b) 1970-1979
Referências
• Mankiw, N. G. Introdução à economia. Rio de Janeiro: Cengage
Learning, 2014. Capítulo 1.
• Guimarães, B.; Gonçalves, C. E. Introdução à economia. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2010. Capítulo 1.
Parte IV
• Pensando como um economista: economista como cientista e como
conselheiro de políticas.
• Nossos primeiros modelos econômicos: fluxo circular da renda, curva
de possibilidade de produção, linha de possibilidade de consumo,
vantagens comparativas.
Economista como cientista e como
conselheiro de políticas
• O “cientista” tenta explicar o mundo e o “conselheiro de políticas”
tenta melhorar o mundo (essa atividade que frequentemente
extrapola a análise econômica, pois inclui conceitos subjetivos de
justiça e valores morais).
• Importante diferenciar a “análise positiva” (como o mundo é) da
“análise normativa” (como o mundo deveria ser).
• Os economistas divergem por discordarem da validade das diferentes
teorias positivas e também por terem julgamentos/ valores
diferentes. Mas também concordam sobre muita coisa!
Economista como cientista
• Os economistas adotam a objetividade dos “cientistas” em seu campo de
estudo: desenvolvem teorias e analisam dados para confirmar ou refutar
suas teorias.
• Isso não quer dizer que os economistas trabalham em laboratórios. A
essência da ciência é o “método científico”: observação, teoria e mais
observação – o desenvolvimento e o teste imparcial de teorias sobre como
funciona o mundo.
• Os economistas brasileiros da década de 1980, incomodados com o ritmo acelerado
de aumento dos preços, desenvolviam teorias para explicar a realidade. Para testar a
validade de uma teoria (por exemplo, que a emissão de moeda causa inflação), eles
coletavam dados de vários países (emissão de moeda e inflação) para testar a
validade da teoria (se há uma relação sistemática entre emissão de moeda e
inflação)
Economista como cientista
• Mas há uma diferença importante em relação às ciências naturais:
• Como uma ciência social que lida com o comportamento humano, é quase
sempre impossível conduzir experimentos em economia (mas há
experimentos sociais, que renderam o Nobel a Abhijit Banerjee, Esther Duflo
e Michael Kremer – ver https://www.povertyactionlab.org/).
• É mais comum a análise de “dados observados”, por meio de técnicas
apropriadas, como quase-experimentos/ experimentos naturais que a história
oferece (grupo de tratados e controle).
Economista como cientista
• Hipóteses e modelos são importantes como nas outras ciências.
• Papel das hipóteses: simplificar o objeto de estudo (exemplo: no estudo do
comércio internacional, é comum partirmos de dois países e dois
produtos).
• Depois de aprendermos sobre o fenômeno, é natural verificar o quão
sensível são as conclusões qualitativas em relação às hipóteses adotadas.
• Hipóteses diferentes para analisar problemas diferentes: a hipótese de
preços rígidos pode ser útil para analisar o efeito de políticas no curto
prazo, mas certamente não no longo prazo.
• Modelos: a partir das hipóteses, o economista constrói uma representação
simplificada da realidade estudada por meio de equações ou diagramas
(que usaremos neste curso), sem detalhes irrelevantes, que o permita se
concentrar na essência do problema estudado.
Economista como conselheiro de políticas
• Análise positiva versus análise normativa:
• Análise positiva: declarações que descrevem como o mundo é – podem ser
confrontadas com os dados;
• Análise normativa: declarações que afirmam como o mundo deveria ser –
envolve julgamentos (exemplo: pobreza, tributação e transferência).
• Julgamentos morais extrapolam a análise econômica (exemplo: o
papel das filosofias políticas para justificar políticas distributivas – que
veremos na unidade 4).
Economista como conselheiro de políticas
• Nem sempre as prescrições dos economistas (ainda que
fundamentadas na teoria e em evidências robustas) são seguidas
pelos políticos, pois eles consideram outros elementos para a tomada
de decisões (exemplo: desenho do novo PBF e desconto para compra
de carro zero).
• Os economistas divergem por discordarem da validade das diferentes
teorias positivas sobre o funcionamento do mundo e por terem
valores diferentes (primeiro caso: salário mínimo e desemprego;
segundo caso: PEC das domésticas, tributação de heranças).
• Mas também concordam sobre várias questões.
Economista como conselheiro de políticas
PROPOSIÇÃO (% QUE CONCORDA)
1. Estabelecer um teto para os aluguéis reduz a quantidade e a qualidade das moradias disponíveis. (93%)
2. Tarifas e cotas de importação costumam reduzir o bem-estar econômico geral. (93%)
3. Taxas de câmbio flexíveis e flutuantes permitem um arranjo monetário internacional eficaz. (90%)
4. A política fiscal (por exemplo, cortes de impostos e/ou aumento dos gastos do governo) tem efeitos estimulantes significativos sobre
uma economia que esteja abaixo do pleno emprego. (90%)
5. Os Estados Unidos não deveriam restringir a terceirização de outros países. (90%)
6. O crescimento econômico em países desenvolvidos como os Estados Unidos leva a níveis mais elevados de bem-estar. (88%)
7. Os Estados Unidos deveriam eliminar os subsídios agrícolas. (85%)
8. Uma política fiscal apropriadamente desenvolvida pode aumentar a taxa de formação de capital no longo prazo. (85%)
9. Os governos municipais e estaduais deveriam eliminar os subsídios para franquias de esportes profissionais. (85%)
10. O orçamento federal deve ser equilibrado durante o ciclo de negócios, não anualmente. (85%)
Economista como conselheiro de políticas
PROPOSIÇÃO (% QUE CONCORDA)
11. A diferença entre os fundos da Seguridade Social e os gastos se tornará insustentável nos próximos 50 anos se as políticas atuais
permanecerem inalteradas. (85%)
12. Os pagamentos em dinheiro aumentam o bem-estar dos beneficiários mais do que as transferências em mercadorias de igual valor
monetário. (84%)
13. Um grande déficit orçamentário federal tem efeitos adversos sobre a economia. (83%)
14. A redistribuição de renda nos Estados Unidos é um papel legítimo do governo. (83%)
15. A inflação é causada principalmente pelo crescimento excessivo da oferta de moeda. (83%)
16. Os Estados Unidos não devem banir safras geneticamente modificadas. (82%)
17. O salário mínimo aumenta o desemprego entre trabalhadores jovens e não qualificados. (79%)
18. O governo deveria reestruturar o sistema de assistência social nos moldes de um "imposto de renda negativo''. (79%i)
19. Os impostos sobre efluentes e as permissões para poluição negociáveis são uma abordagem melhor no controle da poluição do que a
imposição de tetos à poluição. (78%)
20. Os subsídios do governo sobre o etanol nos Estados Unidos devem ser reduzidos ou eliminados. (78%)
Extraído de Mankiw, capítulo 2. Fonte: Richard M. Alston, J. R. Kearl e Michael B. Vaughn, Is There Consensus among Economists in the 1990s? American
Economic Review, maio 1992, p. 203-209; Dan Fuller e Doris Geide-Stevenson, Consensus among Economists Revisited. Journal of Economics Education, outono
2003, p. 369-387; Robert Whaples, Do Economists Agree on Anything? Yes! Economists' Voice, nov. 2006, p. 1-6; Robert Whaples, "The Policy Views of American
Economic Association Members: The Results of a New Survey. Econ Journal Wath, set. 2009, p. 337-348.
Nossos primeiros modelos econômicos
• Fluxo circular da renda
• Linha de possibilidade de consumo
• Curva de possibilidade de produção
• Vantagens comparativas.
Fluxo circular da renda
• O diagrama de fluxo circular da renda (FCR) – nosso primeiro modelo.
• Este modelo retrata os fluxos reais e monetários na economia,
abrangendo o mercado de bens e serviços e o mercado de fatores de
produção.
• Hipóteses: economia fechada, sem governo e sem formação de
capital.
• Agentes econômicos: famílias e empresas.
• Economia de mercado: as interações entre a oferta e a demanda
determinam os preços dos bens e serviços e dos fatores de produção
(salários, juros e aluguéis).
Fluxo circular da renda
• Fluxo real da economia:
• As famílias, proprietárias dos fatores de produção,
os fornecem às empresas por meio do mercado de
fatores (as famílias ofertam e as empresas
demandam fatores);
• As empresas produzem bens e serviços a partir da
combinação dos fatores de produção e os vendem
às famílias no mercado de bens e serviços (as
empresas ofertam e as famílias demandam bens e
serviços).
• Fluxo monetário: as famílias adquirem bens
e serviços porque as empresas remuneram
os fatores de produção.
(a) Fluxo real
(b) Fluxo monetário
Fluxo circular da renda
• FCR:
Alguns aspectos interessantes de nossa economia
de mercado sem governo:
• O que e quanto produzir: definido no mercado
de bens (como veremos, a demanda depende
das preferências, entre outros elementos);
• As empresas definem como produzir a partir
da escolha da tecnologia de produção;
• A distribuição dos resultados da produção é
definida no mercado de fatores, onde as
famílias são remuneradas pelo trabalho,
capital e terras aportados na produção.
Fluxo circular da renda
• FCR de uma economia aberta (inclui o setor externo, isto é, o “resto do
mundo”), com governo e formação de capital (poupança/ investimento):
Fonte:
https://charlessouza.com/courses/macroeco
nomia/produto/
Linha de possibilidade de consumo
• Linha de possibilidade de consumo (mais conhecida na análise
econômica como “restrição orçamentária”) – nosso segundo modelo.
• Hipóteses: dois bens apenas e não saciedade/ monotonicidade (mais
é sempre preferível a menos).
• Exemplo – possibilidades de consumo em uma festa em que só há
cachorros-quentes (x1) e cervejas (x2):
• Orçamento total (m) = R$ 60
• Preço do cachorro-quente (p1) = R$ 10
• Preço da cerveja (p2) = R$ 5
Linha de possibilidade de consumo
• Representação matemática e gráfica:
m = p1*x1 + p2*x2
x2 = m/p2 – (p1/p2)*x1
x2 = 60/5 – (10/5)*x1
X2 = 12 – 2*x1
• Cestas de consumo:
• Cesta E: ineficiente - escolha
não racional sob a hipótese de
não saciedade;
• Cesta A, B, C ou D? Depende
das preferências do indivíduo
entre os dois bens.
Linha de possibilidade de consumo
• Qual tradeoff enfrentamos nessa festa?
• Qual é o custo de oportunidade de um cachorro-quente?
• O que acontece se o preço do cachorro-quente aumentar para R$ 20?
• O que acontece se o orçamento aumentar para R$ 90?
Linha de possibilidade de consumo
• Mudança no preço e na renda:
(a) Aumento no preço do cachorro-quente (b) Aumento no orçamento
Curva de possibilidade de produção
• A curva de possibilidade de produção (CPP) – nosso terceiro modelo
econômico.
• A CPP retrata a produção máxima (produto potencial ou de pleno
emprego) da sociedade supondo o pleno emprego dos fatores de
produção (sem ociosidade).
• Hipótese: a economia produz apenas dois bens.
Curva de possibilidade de produção
• Eficiência produtiva: a economia consegue obter o máximo dos
recursos escassos disponíveis (qualquer ponto na CPP).
• Alternativas de produção:
Soja (milhões de
toneladas)
Automóveis
(milhões de
unidades)
Alternativas
0
5
A
3
4
B
4
3
C
5
0
D
CPP: curva ABCD.
• Ponto E (qualquer ponto interior): combinação ineficiente - é possível
produzir mais carros e/ou soja com os mesmos fatores de produção.
• Ponto F (qualquer ponto além da fronteira): combinação impossível
(dados os fatores e a tecnologia disponíveis)
Exemplo prático:
mensuração da eficiência na
provisão de serviços públicos
considerando os fatores
“ambientais”.
Curva de possibilidade de produção
• Custo de oportunidade de um bem – é aquilo de que você abre mão
para obtê-lo:
• No ponto B, o custo de oportunidade de 1 milhão de
toneladas de soja é 1 milhão de carros.
• Mas no ponto C, o custo de oportunidade é de 3
milhões de carros.
• O custo de oportunidade é crescente: a intuição é que
os fatores de produção transferidos tornam-se cada
vez relativamente menos aptos à nova finalidade.
• Dito de outro modo, os recursos empregados para
produzir carros e soja não são perfeitamente
substituíveis entre si.
CPP é côncava – o custo de oportunidade é
crescente, pois os recursos usados para produzir
carros e soja não são perfeitamente substituíveis!
Curva de possibilidade de produção
• Qual formato faz mais sentido para uma CPP?
(a) CPP côncava (b) CPP linear (c) CPP convexa
Curva de possibilidade de produção
• Deslocamentos da curva: crescimento da economia – aumento na
disponibilidade de fatores (exemplo: maior número de trabalhadores)
ou avanço tecnológico.
Vantagens comparativas
• Hipóteses: dois agentes e dois bens
• Agentes: Robinson Crusoé e Sexta-Feira
• Bens: Coco e peixe
• Semana de trabalho: 40 horas.
• Robinson Crusoé consegue obter 20 cocos em uma semana de
trabalho ou pescar 20 peixes.
• Sexta-Feira consegue pegar 25 cocos e pescar 50 peixes.
• CPP é linear.
Vantagens comparativas
• Possibilidades de produção (quantidade por semana):
• Custo de oportunidade:
• Sexta-Feira é mais produtivo
nos dois bens (gasta a mesma
quantidade que Crusoé em
menos tempo). Ele tem
vantagem absoluta nos dois
casos.
• Mas Robinson Crusoé possui
uma vantagem comparativa
na produção de coco: ele
perde relativamente poucos
peixes quando se dedica à
coleta de cocos (custo de
oportunidade é mais baixo).
PEIXE
COCO
BEM
20
20
PROBINSON CRUSOÉ
50
25
SEXTA-FEIRA
QUANTOS COCOS
PRECISA ABRIR MÃO
PARA OBTER 1 PEIXE
QUANTOS PEIXES
PRECISA ABRIR MÃO
PARA OBTER 1 COCO
CUSTO DE OPORTUNIDADE
DO BEM
1
1
PROBINSON CRUSOÉ
0,5
2
SEXTA-FEIRA
Vantagens comparativas
• Curvas de possibilidades de produção (CPP) individuais:
(a) Robinson Crusoé (b) Sexta-Feira
Vantagens comparativas
• Sem comércio, o consumo deve ser igual à produção individual: vamos
supor que Robinson Crusoé e Sexta-Feira escolham consumir/produzir suas
cestas (indicadas na CPP).
• Mas Crusoé abre mão de 1 coco para conseguir 1 peixe (custo de
oportunidade de 1 coco é 1 peixe), enquanto Sexta-Feira consegue 2 peixes
ao abrir mão de 1 coco (custo de oportunidade de 1 coco são 2 peixes).
PEIXE
COCO
10
10
ROBINSON CRUSOÉ (CESTA B)
30
10
SEXTA-FEIRA (CESTA B)
40
20
PRODUÇÃO/ CONSUMO TOTAL
DA ECONOMIA
Vantagens comparativas
• A partir dessa observação, Crusoé propõe a Sexta-Feira trocar 2 cocos por 3
peixes (3/2 = 1,5 peixe por 1 coco) e argumenta que assim ambos ganham:
a) Sexta-Feira não terá que abrir mão de 2 peixes para conseguir 1 de coco,
apenas 1,5 (coco fica mais barato); e b) Crusoé só conseguiria 1 peixe se
pescasse ao invés de pegar 1 coco, agora ele vai obter 1,5 peixe (peixe fica
mais barato).
• A troca vale a pena para os dois porque o “preço” proposto por Crusoé
(3/2=1,5) está situado entre os dois “custos de oportunidade”.
QUANTOS COCOS
PRECISA ABRIR
MÃO PARA OBTER
1 PEIXE
QUANTOS PEIXES
PRECISA ABRIR
MÃO PARA
OBTER 1 COCO
1
1
PROBINSON
CRUSOÉ
0,5
2
SEXTA-FEIRA
Vantagens comparativas
• O preço é a quantidade de peixes por coco acordada = 1,5
• < que o custo de oportunidade de Sexta-Feira (ele abre mão de 2 peixes
quando para pegar 1 coco – sai mais barato obter cocos dessa forma)
• > que custo de oportunidade de Crusoé (ele só consegue 1 peixe quando
abre mão de 1 coco – sai mais barato obter peixes dessa forma)
• A troca será vantajosa desde que o “preço” proposto fique entre os
dois custos de oportunidade (1,2 e 1,7 também funcionaria, mas não
0,9 ou 2,2). QUANTOS
COCOS PRECISA
ABRIR MÃO
PARA OBTER 1
PEIXE
QUANTOS
PEIXES PRECISA
ABRIR MÃO
PARA OBTER 1
COCO
CUSTO DE
OPORTUNIDADE
DO BEM
1
1
PROBINSON
CRUSOÉ
0,5
2
SEXTA-FEIRA
• Se os custos de oportunidade de Crusoé e
Sexta-Feira fossem iguais, não haveria
ganhos do comércio.
Vantagens comparativas
• Produção e consumo sem comércio (devem ser iguais):
• Produção com especialização a partir das vantagens comparativas:
• Consumo com comércio (Crusoé entrega 10 cocos e recebe 15 peixes):
PEIXE
COCO
BEM
0
20
ROBINSON CRUSOÉ (CESTA A)
50
0
SEXTA-FEIRA (CESTA C)
50
20
PRODUÇÃO TOTAL
PEIXE
COCO
BEM
15
10
ROBINSON CRUSOÉ
35
10
SEXTA-FEIRA
50
20
PRODUÇÃO/ CONSUMO TOTAL
PEIXE
COCO
BEM
10
10
ROBINSON CRUSOÉ (CESTA B)
30
10
SEXTA-FEIRA (CESTA B)
40
20
PRODUÇÃO/ CONSUMO TOTAL
Vantagens comparativas
• Ganhos do comércio: ambos consomem mais dos dois bens
(a) Robinson Crusoé (b) Sexta-Feira
Vantagens comparativas
• CPP coletiva
Referências
• Mankiw, N. G. Introdução à economia. Rio de Janeiro: Cengage
Learning, 2014. Capítulo 2.
• Braga, M. B.; Vasconcellos, M. A. S. Introdução à economia. In: Pinho,
Vasconcellos e Toneto Jr. (Org). Introdução à economia. São Paulo:
Saraiva, 2012. Capítulo 1.
Parte V
• Outros conceitos que usaremos no restante do curso: classificações
dos bens (disponibilidade, forma de utilização e categorias de uso),
fatores de produção e remuneração, agentes econômicos e conceitos
de eficiência.
• Divisão do estudo econômico.
Classificação dos bens
• Um bem (em oposição a mal) é tudo aqui que traz satisfação (em sentido
amplo, incluem os serviços) – pode ser classificado de 3 formas:
Bens livres: não escassos,
disponíveis suficientemente
para satisfazer as
necessidades humanas
Exemplos: ar e luz do sol
Bens econômicos: escassos,
cuja obtenção implica
sempre custo.
Exemplo: uma geladeira
Bens intermediários: são transformados
ou agregados à produção de outros bens.
São exauridos no processo de produção
de outros bens. Insumos, matérias-
primas e componentes.
Exemplo: alumínio usado na geladeira.
Bens finais: não sofrerão mais nenhum
processo de transformação ou de
agregação de valor.
Exemplo: geladeira.
Bens de capital: são empregados na produção
de outros bens, mas não se desgastam
totalmente no processo produtivo. Máquinas,
equipamentos e instalações.
Exemplo: geladeira da cantina.
Bens de consumo: destinam-se ao consumo
das famílias e podem ser divididos em duas
espécies de acordo com a durabilidade – não
duráveis (alimentos) e duráveis (automóveis e
eletrodomésticos). Há ainda os semiduráveis
(calçados e roupas).
Exemplo: geladeira de casa.
Disponibilidade Forma de utilização Uso
Fatores de produção e remuneração
• Fatores de produção: recursos de produção da economia – RH
(trabalho e capacidade empresarial), terra, capital e tecnologia.
• Uma observação: essa classificação detalhada não é usualmente
empregada pelos economistas. O mais usual é considerar dois fatores
de produção: capital e trabalho.
TIPO DE REMUNERAÇÃO
FATOR DE PRODUÇÃO
Salários
Trabalho
Juros
Capital
Aluguéis
Terra
Royalties
Tecnologia
Lucros
Capacidade empresarial
Agentes econômicos
OBJETIVO
DESCRIÇÃO
AGENTE ECONÔMICO
Maximizar sua utilidade/ seu bem-estar
Unidades consumidoras e proprietárias
dos fatores de produção
Famílias
Maximizar o lucro/ minimizar o custo
Empregam fatores de produção para
produzir e comercializar bens e serviços
Firmas/ empresas
Funções estabilizadora (políticas fiscal ou monetária
de natureza anticíclica), distributiva (transferências)
e alocativa (desvia o parcela dos recursos da
economia para a oferta/ provisão de certos bens e
serviços)
São os órgãos e entidades controladas
pelo Estado Recolhe impostos, gasta e
transfere recursos
Governo
Troca de bens e serviços e movimento de capitais
Economia dos demais países
Resto do mundo
Eficiência
• Eficiência produtiva/ técnica:
• Obter o máximo possível com os recursos disponíveis;
• Atingir certo resultado com o uso da menor quantidade de recursos.
• Eficiência alocativa:
• Produção está alinhada com as preferências do consumidor;
• Todo bem ou serviço é produzido até o ponto em que a última unidade
forneça um benefício marginal aos consumidores igual ao custo marginal de
produção (ou seja, utilidade marginal = custo marginal).
• Eficiência de Pareto:
• Não é possível melhorar a situação de um agente sem a piorar a de outro.

Unidade 1 - Conceitos basicos de economia.pdf

  • 1.
    1 - Conceitosbásicos de economia
  • 2.
    Motivação • O estudode economia fornece uma maneira disciplinada e sistemática de pensar sobre os mais variados problemas, desde os mais fundamentais (determinantes da prosperidade das nações) até aqueles da vida cotiada (como dividir meu tempo entre trabalho/estudo e lazer). • O conteúdo em si é extremamente valioso e torna-se mais importante à medida que as pessoas ascendem na carreira. Essas considerações foram extraídas da coluna de Robert D. McTeer Jr (The Wall Street Journal de 04/06/2003, reproduzida no cap. 1 do manual do Mankiw).
  • 3.
    Roteiro da unidade I.Panorama das ideias econômicas II. O que a economia estuda, as três questões fundamentais e sua relação com os sistemas econômicos (*) III. Dez princípios de economia (*) IV. Pensando como um economista e nossos primeiros modelos econômicos (*) V. Divisão do estudo econômico e outros conceitos que usaremos no restante do curso (*) Conteúdo mais relevante para as avaliações
  • 4.
    Parte I • Fasespré-moderna (da antiguidade até o fim da idade média no século XV), moderna (do século XV até o século XVIII) e contemporânea (do século XVIII até os dias atuais); • Escola clássica (1750-1870): o começo de tudo que importa hoje em dia – ênfase em Adam Smith e David Ricardo; • Neoclássicos e marginalistas (1870-1930): economia adquire caráter internacional e consolida-se como disciplina acadêmica – elaboração de inúmeros princípios teóricos relevantes para a economia moderna; • John M. Keynes (1883-1946) e outras contribuições notáveis à macroeconomia; • Outros desenvolvimentos da segunda metade do século XX.
  • 5.
    Panorama das ideiaseconômicas • As ideias econômicas influenciam as decisões políticas que afetam o desenrolar da história, assim como a história apresenta problemas que motivam o desenvolvimento de teorias que indicam quais as respostas mais adequadas (prescrição de políticas). • Acerca da influência das ideias econômicas, o economista John Maynard Keynes fez a seguinte observação: As ideias dos economistas e dos filósofos políticos, tanto quando eles estão certos como quando eles estão errados, são mais poderosas do que geralmente se entende. Na verdade, o mundo é regido por pouca coisa a mais. Homens práticos que acreditam ser isentos de influências intelectuais são geralmente escravos de algum economista defunto. Os loucos em posições de comando, que ouvem vozes no ar, destilam seu frenesi a partir de algum escriba acadêmico de poucos anos atrás.
  • 6.
    Panorama das ideiaseconômicas ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DELIMITAÇÃO HISTÓRIA FASE • Ideias econômicas esparsas em trabalhos filosóficos ou políticos (antiguidade) • Pensamento prático – econômico (do grego: de oikos, casa; e nomos, lei), significa a administração da casa, em sentido abrangente • Noção de que “Deus escolheu os ricos para serem os mordomos benevolentes dos bem-estar material das massas, por intermédio da Igreja” • Influência da moral cristã na idade média (defesa do preço justo, condenação de juros, moderação na busca dos interesses pessoais) Da antiguidade (4000 a.C. - 476 d.C) até a idade média (século XV) Pré-moderna • Subordinação religiosa é substituída pela preocupação materialista no mercantilismo. • Mercantilismo: riqueza advém do comércio (superávit na balança comercial) • Fisiocratas: riqueza advém da agricultura • O ”quadro econômico” (François Quesnay, 1759) é tido como a primeira formulação de sistemas interdependentes na economia Mercantilistas (1450-1750) e fisiocratas (1760-1780) Moderna • Fase “científica” da economia, demarcada pela publicação “Riqueza das Nações” de Adam Smith (1776) • Grande desenvolvimento do conhecimento acerca dos mais variados problemas econômicos Do fim do século XVIII aos dias atuais Contemporânea
  • 7.
    Escola clássica –período aproximado: 1750- 1870 • Contexto: revolução industrial na Inglaterra no século XVIII. • Economia política clássica: marca o início do estudo rigoroso sobre progresso econômico e sua distribuição, ou, mais precisamente, sobre as relações sociais de produção, circulação e distribuição de bens materiais. • Característica marcante: preocupação com tendências/ equilíbrio (longo prazo) em detrimento de flutuações na demanda que podem ocorrer no presente (curto prazo). • Principais autores: Adam Smith, David Ricardo, Thomas Malthus, Jean Baptiste Say, John Stuart Mill e Karl Marx
  • 8.
    Adam Smith (1723-1790) •Egoísmo natural dos homens – agem visando o seu interesse individual: ⁠Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da consideração que eles tem pelos próprios interesses. Apelamos não à sua humanidade, mas ao seu amor- próprio, e nunca falamos a eles das nossas próprias necessidades, mas das vantagens que eles podem obter. Ninguém, exceto o mendigo, escolhe depender principalmente da benevolência dos cidadãos (...) • Desse modo, ainda que inconscientemente, trabalham de forma a produzir o melhor resultado possível para a sociedade: Cada indivíduo necessariamente trabalha de forma a tornar a renda anual da sociedade o maior possível. De fato, ele geralmente nem intenciona promover o interesse público nem sabe quanto ele o está promovendo. (...) ele busca apenas seu próprio ganho, e nisso ele é, como em muitos outros casos, levado por uma mão invisível a promover um fim que não era parte de suas intenções. (...) Ao buscar o seu próprio interesse ele frequentemente promove o da sociedade mais efetivamente do que quando ele realmente intenciona promover este último. • Isso se dá por meio da operação da mão invisível do mercado (sistema de preços), a forma mais eficiente de organização da sociedade (o funcionamento do sistema de preços/ mão invisível, que estudaremos nas unidades 2 e 3, talvez seja a principal lição deste curso). Adam Smith. Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações, 1776.
  • 9.
    Adam Smith (1723-1790) •A divisão do trabalho é a principal explicação para o desenvolvimento: Tomemos, pois, um exemplo, tirado de uma manufatura muito pequena, mas na qual a divisão do trabalho multas vezes tem sido notada: a fabricação de alfinetes. Um operário não treinado para essa atividade (...) dificilmente poderia talvez fabricar um único alfinete em um dia (...). Vi uma pequena manufatura desse tipo, com apenas 10 empregados (...). Mas, embora não fossem muito hábeis (...) conseguiam, quando se esforçavam, fabricar em torno de 12 libras de alfinetes por dia. Ora, 1 libra contém mais do que 4 mil alfinetes de tamanho médio. (...) A divisão do trabalho (...) gera, em cada oficio, um aumento proporcional das forças produtivas do trabalho. (...) Essa diferenciação, aliás, geralmente atinge o máximo nos países que se caracterizam pelo mais alto grau da evolução, no tocante ao trabalho e aprimoramento; o que, em uma sociedade em estágio primitivo, é o trabalho de uma única pessoa, é o de várias em uma sociedade mais evoluída.
  • 10.
    Adam Smith (1723-1790) •Teoria do valor-trabalho: valor de uso (utilidade) é diferente do valor de troca (quantidade de trabalho empregada em sua produção), sendo o último mais relevante para entender as variações nos preços relativos das mercadorias. • Produto global criado pelo trabalho produtivo é distribuído em salários, rendas dos proprietários e lucros dos capitalistas (não apenas na agricultura como na visão fisiocrata). • Os benefícios do desenvolvimento são partilhados pela sociedade.
  • 11.
    David Ricardo (1772-1823) •Enquanto Smith se concentrou no crescimento, Ricardo via a distribuição como a principal questão da economia política; • Aprimoramento na teoria do valor-trabalho – rendimentos decrescentes nas margens intensiva (mais trabalhadores por terra) e extensiva (uso de terras menos férteis): O valor de troca de todos os produtos, sejam eles manufaturados ou produto de minas ou da terra, é sempre regulado não pela menor quantidade de trabalho suficiente para sua produção sob circunstâncias altamente favoráveis, (...); mas pela maior quantidade de trabalho necessariamente empregado na sua produção por aqueles que continuam a produzi-los sob as mais desfavoráveis circunstâncias. • Contribuição marcante à teoria do comércio internacional: teoria das vantagens comparativas (em oposição à teoria das vantagens absolutas de Smith): • Todos ganham, mesmo se um país é melhor na produção de tudo. • Crítico de restrições ao comércio (corn laws na Inglaterra – tarifas à importação para sustentar o preço dos grãos dos produtores rurais ingleses diante da concorrência estrangeira). David Ricardo. Princípios de economia política e tributação, 1817.
  • 12.
    Prosperidade e distribuiçãona economia clássica • As teorias de Smith, Ricardo e seguidores tiveram êxito em explicar a prosperidade, mas não tiveram o mesmo sucesso para explicar questões distributivas, notadamente as consequências sociais da industrialização na Inglaterra. • Esse tema atraiu a atenção de John Stuart Mill e Karl Marx, que tinham visões opostas: Mill recomendava políticas de promoção do bem-estar social voltadas para a classe trabalhadora, enquanto Marx preconizava a derrubada violenta da ordem capitalista.
  • 13.
    Escola clássica -síntese ALGUMAS CONTRIBUIÇÕES/ ANÁLISES MARCANTES AUTOR A busca pelo interesse individual leva ao melhor resultado para a sociedade por intermédio da mão invisível do mercado. A divisão do trabalho leva ao aumento da produção e os resultados são partilhados pela sociedade na forma de salários, lucros e renda da terra. Adam Smith (1723-1790) Verificou a existência de rendimentos decrescentes nas margens intensiva (mais trabalhadores por terra) e extensiva (uso de terras menos férteis). Observou que o valor de troca dos produtos é regulado custo na margem. Criou a teoria das vantagens comparativas : há ganhos no comércio internacional mesmo quando um país é melhor na produção de tudo. David Ricardo (1772-1823) Ficou conhecido pela proposição (que se mostraria equivocada) de que a população a uma taxa geométrica, enquanto a produção de alimentos cresce a uma taxa aritmética. Não poderia prever os efeitos do progresso técnico na agricultura, além da redução nas taxas de natalidade. Thomas Malthus (1766-1834) Ênfase no empresário, na produção e nos lucros. As trocas seriam subordinadas à produção. Ficou conhecido pela proposição de que “toda oferta cria sua própria demanda” (Lei de Say). Jean Baptiste Say (1768-1832) Consolidação da análise clássica com a alteração de algumas premissas. Reinterpretação das leis que regem a distribuição de renda. Preocupação com a justiça social. John Stuart Mill (1806-1873) O trabalhador é explorado pelo capitalista, cuja posição de poder decorre da existência do exército de desempregados. A redução dos salários e o aumento da produção levam o capitalismo a vivenciar crises de subconsumo. Karl Marx (1818- 1883)
  • 14.
    Neoclássicos e marginalistas(1870-1930) • Contexto: prosperidade das nações do ocidente no último quarto do século XIX (não confirmação do pessimismo de Malthus e Marx) e concentração econômica (tendência monopolístitica – competição imperfeita não era relevante para Smith, por exemplo); • Nota-se também uma mudança na ênfase dos estudos: foco sai das questões relativas à produção e distribuição para a maximização da utilidade dos consumidores; • Economia adquire caráter internacional (vários neoclássicos da Áustria, Suécia, França e Alemanha) e torna-se uma disciplina acadêmica; • Elaboração de princípios teóricos de extrema relevância para os desenvolvimentos do século XX.
  • 15.
    Neoclássicos e marginalistas(1870-1930) EXEMPLOS DE CONTRIBUIÇÕES NOTÁVEIS PRINCIPAIS AUTORES DENOMINAÇÃO/ VERTENTE Análise da determinação dos preços dos bens e fatores a partir da análise de equilíbrio parcial – e a criação de técnicas para tal (redução do número de variáveis, desconsideração dos efeitos indiretos irrelevantes, metodologia dedutiva) Alfred Marshall (1842-1924) Escola de Cambridge Teoria do equilíbrio geral (abordagem alternativa à usada por Marshall) – construção de um sistema matemático enfatizando a interdependência de todos os preços, bem como da micro e da macroeconomia. Léon Walras (1834-1910) e Vilfredo Pareto (1848-1923) Escola matemática ou escola de Lausanne Teoria da utilidade marginal e análise da natureza do capital e seu papel no processo produtivo (conciliar as desvantagens da redução no consumo com as vantagens do aumento futuro na produção) Karkl Menger (1840-1921) e Eugen Böhm-Bawerk (1851- 1914) Escola psicológica austríaca ou escola de Viena
  • 16.
    Neoclássicos e marginalistas(1870-1930) EXEMPLOS DE CONTRIBUIÇÕES NOTÁVEIS PRINCIPAIS AUTORES DENOMINAÇÃO/ VERTENTE Falhas de mercado e a utilização de tributos e subsídios para corrigir divergências entre produtos marginais privado e social. Justificativa para a intervenção do Estado para assegurar a provisão de bens e serviços em determinadas situações. Arthur Pigou (1877- 1959) Economia do bem- estar Destacou o papel da moeda e do crédito na economia e integração da análise monetária e real. Defendeu que os fenômenos monetários têm efeito na economia real, diferentemente dos antecessores que acreditavam que “a moeda é um simples véu que cobre as trocas”. Knut Wicksell (1851- 1926) Escola neoclássica sueca Procurou considerar o tempo (história) e o espaço (quadros sociais e institucionais). Oposição à metodologia clássica e neoclássica. Rejeitou a suposição de o homem calcula os ganhos e perdas das diferentes alternativas disponíveis. Defendeu que o padrão de consumo é resultado do hábito, da exibição e do desejo de imitar padrões da classe rica. Thorstein Veblen (1857-1929) Escola institucionalista (não se encaixa como um neoclássico/ marginalista – é uma crítica relevante)
  • 17.
    John Maynard Keynes(1883-1946) • Keynes foi disruptivo ao conceber a macroeconomia (determinação do nível de produto e emprego) como um campo separado de estudo. • Estudou as flutuações no nível de emprego no curto prazo, diferentemente dos clássicos (interessados em explicar a evolução da produção) e dos neoclássicos (que, como vimos, mudaram o foco de suas análises para a teoria da utilidade, do valor e do bem-estar). • Seu trabalho teve grande influência política: formulou ou inspirou programas econômicos; participou da criação do FMI e do Bird; e suas ideias, acrescida de elementos novos, ainda hoje guiam a política fiscal de muitos países. John Maynard Keynes. Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, 1936.
  • 18.
    John Maynard Keynes(1883-1946) • Principais contribuições: • Integração do lado real e do lado monetário da economia; • Importância da demanda efetiva e do entesouramento (preferência pela liquidez) na determinação do nível de produto e emprego no curto prazo. • Principais omissões: • Ao tratar os preços como fixos no curto prazo, não tratou das consequências inflacionárias da ação governamental; • Não considerou que os agentes econômicos formam expectativas e como isso afeta os resultados das políticas.
  • 19.
    Algumas contribuições notáveisà macroeconomia pós-Keynes • Flutuações econômicas: • John Hicks (1904-1989): síntese neoclássica (Mr. Keynes and the classics, 1937). • Milton Friedman (1912-2006): consumo (hipótese de renda permanente), história e teoria monetária (monetarismo – que prescrevia um crescimento lento e estável para oferta de moeda), inflação, desemprego e expectativas adaptativas (curva de Phillips vertical) – anos 1950/960 • Robert Lucas (1937-2023): expectativas racionais – anos 1970 • Robert Lucas (1937-2023), Thomas J. Sargent (1943-), Robert Barro (1944-), Finn E. Kydland (1943-) e Edward Prescott (1940-2022): novo clássicos (choques monetários e ciclos econômicos) e modelos de ciclos reais de negócios (choques de tecnologia explicam os ciclos e o crescimento) – anos 1970 e 1980 • N. Gregory Mankiw (1958-), David Romer (1958-) e muitos outros: economia Novo-Keynesiana (competição monopolítistica, rigidez nominal/preços e salários não são ajustados a todo instante, não neutralidade da política monetária no curto prazo) – anos 1980 e 1990 • Crescimento econômico: • Robert Solow (1924-), Roy Harrod (1900-1978) e Evsey Domar (1914-1997): modelo de crescimento com progresso técnico exógeno – anos 1940/50 • Paul Romer (1955-), Charles Jones (1956-), Lucas (1937-2023) e outros: modelos de crescimento com capital humano e progresso técnico endógeno – décadas de 1980 e 1990
  • 20.
    Outros desenvolvimentos dasegunda metade do século XX • Análise de competição imperfeita. • Assimetria de informação. • Externalidades e direitos de propriedade. • Mercados financeiros. • Econometria: séries temporais, painel de dados, problema da auto- seleção e possíveis soluções etc. • Experimentos sociais em economia.
  • 21.
    Referências • Pinho, D.A ciência econômica do século XXI às suas origens. In: Pinho, Vasconcellos e Toneto Jr. (Org). Introdução à economia. São Paulo: Saraiva, 2012. Capítulo 2. • Hunt, E. K. História do pensamento econômico: uma perspectiva crítica. Rio de Janeiro: Campus Elsevier, 2005.
  • 22.
    Parte II • Oque a economia estuda? • Etimologia (origem da palavra) • O problema fundamental da economia (definição do que a economia moderna estuda) • As três questões centrais e os sistemas econômicos
  • 23.
    O que aeconomia estuda • Economia é geralmente associada às grandes questões da sociedade: • Crescimento e flutuações econômicas; • Inflação e estabilização monetária; • Inflação e desemprego; • Déficit público e endividamento do governo; • Balança comercial e fluxo de capitais; • Pobreza e desigualdade.
  • 24.
    O que aeconomia estuda • Renda per capita: Maddison Historical Statistics, https://www.rug.nl/ggdc/ 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1875 1881 1887 1893 1899 1905 1911 1917 1923 1929 1935 1941 1947 1953 1959 1965 1971 1977 1983 1989 1995 2001 2007 2013 PIB per capita: Brasil e Argentina (% dos EUA) ARG BRA
  • 25.
    O que aeconomia estuda • Evolução da produtividade: 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 Produtividade por hora trabalhada (R$ 2020) Agropecuária Industria Total Serviços Total Total Fonte: IBRE/FGV, Observatório da Produtividade Regis Bonelli. 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 1954 1957 1960 1963 1966 1969 1972 1975 1978 1981 1984 1987 1990 1993 1996 1999 2002 2005 2008 2011 2014 2017 Produtividade no Brasil e na Coréia do Sul (1980=100) BRA KOREA Penn World Tables, https://www.rug.nl/ggdc/
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    O que aeconomia estuda • PIB brasileiro - crescimento e ciclo econômico: 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 mar-96 set-97 mar-99 set-00 mar-02 set-03 mar-05 set-06 mar-08 set-09 mar-11 set-12 mar-14 set-15 mar-17 set-18 mar-20 set-21 mar-23 PIB (índice - média de 1995=100) PIB efetivo PIB potencial -0,12 -0,10 -0,08 -0,06 -0,04 -0,02 0,00 0,02 0,04 mar-96 set-97 mar-99 set-00 mar-02 set-03 mar-05 set-06 mar-08 set-09 mar-11 set-12 mar-14 set-15 mar-17 set-18 mar-20 set-21 mar-23 Hiato do produto (%) Fonte: RAF – junho de 2023. Estimativas da IFI/Senado a partir de dados do IBGE.
  • 27.
    O que aeconomia estuda • Inflação e estabilização monetária no Brasil: 0 500 1.000 1.500 2.000 2.500 3.000 1980 1982 1984 1986 1988 1990 1992 1994 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 2014 2016 2018 2020 2022 Inflação antes do Plano Real (IPCA – var. %) 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 1995 1997 1999 2001 2003 2005 2007 2009 201120132015 2017 2019 2021 Inflação depois do Plano Real (IPCA – var. %) Fonte: IBGE
  • 28.
    O que aeconomia estuda • Dilema entre inflação e desemprego? Fonte: Camargo, J. M. Credibilidade e o custo da estabilização – a Curva de Phillips II. Blog do IBRE/FGV, 15 de março de 2018: https://blogdoibre.fgv.br/posts/credibilidade-e-o- custo-da-estabilizacao-curva-de-phillips-ii
  • 29.
    O que aeconomia estuda • Déficit público e endividamento no Brasil: 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 dez/06 out/07 ago/08 jun/09 abr/10 fev/11 dez/11 out/12 ago/13 jun/14 abr/15 fev/16 dez/16 out/17 ago/18 jun/19 abr/20 fev/21 dez/21 out/22 DBGG (% do PIB) 0 2 4 6 8 10 12 14 16 nov/02 nov/03 nov/04 nov/05 nov/06 nov/07 nov/08 nov/09 nov/10 nov/11 nov/12 nov/13 nov/14 nov/15 nov/16 nov/17 nov/18 nov/19 nov/20 nov/21 nov/22 NFSP (% do PIB) Fonte: Banco Central. NFSP = necessidade de financiamento do setor público (déficit público), DBGG = dívida bruta do governo geral.
  • 30.
    O que aeconomia estuda • Grandes grupos do balanço de pagamentos brasileiro: -150.000 -100.000 -50.000 0 50.000 100.000 150.000 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 Balança de pagamentos (USD milhões) Transações correntes Movimento de capitais Fonte: Banco Central
  • 31.
    O que aeconomia estuda • Pobreza e desigualdade: Fonte: Souza, P. A. Evolução da pobreza monetária no Brasil no século XXI. IPEA. Boletim de Políticas Sociais, n. 29, 2022.
  • 32.
    O que aeconomia estuda • Fração da despesa com alimentos de acordo com o orçamento domiciliar e a composição familiar: Fonte: Vaz, P. M. Escalas de equivalência e demanda do consumidor. 2012. Tese (Doutorado) – Universidade de Brasília, Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Ciência da Informação e Documentação.
  • 33.
    O que aeconomia estuda • O campo de estudo é amplo – vejamos algumas questões de economia aplicada: UM ARTIGO DE EXEMPLO EXEMPLOS DE TEMAS ÁREA KRUEGER, A. B.; LINDAHL, M. Education for growth: Why and for whom?. Journal of Economic Literature, v. 39, n. 4, p. 1101-1136, 2001. Teoria do capital humano, externalidades, desenvolvimento, avaliação de políticas Educação e saúde KRUEGER, A. B.; PISCHKE, J. The effect of social security on labor supply: A cohort analysis of the notch generation. Journal of Labor Economics, v. 10, n. 4, p. 412-437, 1992. Efeito das regras de acesso aos benefícios sobre o mercado de trabalho, envelhecimento populacional e finanças públicas Previdência BECKER, G. S. Crime and punishment: An economic approach. Journal of Political Economy, v. 76, n. 2, p. 169-217, 1968. Comportamento criminal sob diferentes normas e diferentes alternativas combater o crime Crime ASSUNÇÃO, J.; GANDOUR, C.; ROCHA, R. Deforestation slowdown in the Brazilian Amazon: prices or policies?. Environment and Development Economics, v. 20, n. 6, p. 697-722, 2015. Créditos de carbono, causas e consequências do desmatamento Meio ambiente MONASTEIRO, L.; LOPES, D. Brasil sem imigrantes: Estimativas de longo prazo baseadas em microdados de paradigma. Brasília: IPEA, (Texto para Discussão, 2018). Instituições e crescimento, cliometria (uso da teoria econômica para estudar história com o uso de métodos quantitativos), custos de transporte, spillovers tecnológicos História e geografia GROSS, T. et al. The economic consequences of bankruptcy reform. American Economic Review, v. 111, n. 7, p. 2309-2341, 2021. Regulação dos mercados, efeito das leis sobre os mercados (por exemplo: garantias e juros), análise econômica do direito (microeconomia aplicada para analisar o efeito das leis) Direito AVIS, E.; FERRAZ, C.; FINAN, F. Do government audits reduce corruption? Estimating the impacts of exposing corrupt politicians. Journal of Political Economy, v. 126, n. 5, p. 1912- 1964, 2018. Ciclos políticos, disciplina eleitoral, corrupção e eleições Política
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    O que aeconomia estuda • E mais alguns temas já estudados... CONTRIBUIÇÃO/ CONTRIBUIÇÃO PROBLEMA ANALISADO ARTIGO Um pouco de oração não ajuda e pode piorar as coisas. Mas muita oração ajuda bastante. Estima o efeito de uma variável observável X (intensidade de oração) sobre a variável não observável Y (atitude de Deus perante a humanidade), cuja densidade populacional foi estimada pelo Padre Greeley. HECKMAN, J. The effect of prayer on god’s attitude toward mankind. Economic Inquiry, v. 48, n. 1, p. 234-235, 2010. Os resultados encontrados a partir da regressão Tobit confirmam as previsões do modelo, embora mais evidências sejam necessárias antes que conclusões definitivas possam ser tiradas Neste artigo é desenvolvido um modelo que explica a alocação do tempo de um indivíduo com o trabalho e duas atividades de lazer: tempo com o cônjuge e o tempo gasto com o amante. Usamos dados de duas enquetes para testar as previsões do modelo. FAIR, R. C. A theory of extramarital affairs. Journal of political economy, v. 86, n. 1, p. 45-61, 1978. É construído um modelo matemático que descreve o delicado equilíbrio ecológico entre humanos e vampiros. Neste contexto, examina- se o papel da política de estabilização. A destruição completa dos vampiros não é desejável do ponto de vista social. Apesar do aumento da incidência de epidemias de vampiros nos últimos anos, o vampirismo continua sendo um tópico negligenciado na macroeconomia. Os vampiros devoram a força de trabalho e desviam recursos de outros usos produtivos para proteger os humanos. Por outro lado, a atividade humana influencia o vampirismo ao fornecer sangue pelo qual os vampiros são alimentados e estacas pelas quais são destruídos. SNOWER, D. J. Macroeconomic policy and the optimal destruction of vampires. Journal of Political Economy, v. 90, n. 3, p. 647-655, 1982. Uma solução é derivada da teoria econômica e dois teoremas inúteis, mas verdadeiros, são provados. Como devem ser calculadas as cobranças de juros sobre mercadorias em trânsito quando as mercadorias viajam próximas à velocidade da luz? Lembrando que o tempo gasto em trânsito parecerá menor para um observador viajando com as mercadorias do que para um observador estacionário. KRUGMAN, P. The theory of interstellar trade. Economic Inquiry, v. 48, n. 4, p. 1119-1123, 2010.
  • 35.
    Etimologia • A palavra“economia” vem do grego oikonomos (de oikos, casa; e nomos, lei): “administração da casa” ou “aquele que administra o lar”. • Essa definição “etimológica” traz alguns elementos interessantes (embora não seja muito precisa considerando o desenvolvimento da ciência econômica desde suas origens): • A palavra “casa” pode ser entendida de forma mais ampla, como “família” ou “Estado”; • As palavras “Lei” (regra) e “Administrar” (dirigir, gerir) sugerem a realização de escolhas sobre fins e meios. • Porém, não reflete o que a economia moderna estuda.
  • 36.
    Problema fundamental daeconomia • O problema fundamental da economia reside em conciliar os recursos escassos e as necessidades humanas ilimitadas, de forma a propiciar o mais elevado nível de bem-estar possível. • Uma definição bem aceita da disciplina é a seguinte: Economia é a ciência social que estuda a alocação de recursos escassos de forma a satisfazer as necessidades humanas da melhor maneira possível. • Como não conseguimos produzir/adquirir tudo o que é necessário ou desejamos, precisaremos fazer escolhas - a economia estuda essas escolhas individuais e suas interações.
  • 37.
    Problema fundamental daeconomia • O problema fundamental da economia está presente em nossas decisões cotiadas: • Dado que o tempo é um recurso escasso, quantas horas por semana irei alocar para trabalho, estudo e lazer? Como o valor do meu salário/hora (supondo que somos remunerados por hora trabalhada) afeta essa decisão? • Dado o meu salário e as minhas despesas básicas (saúde, educação, alimentação, habitação, transporte, impostos e outros), quanto devo poupar (sacrificar do meu consumo presente)? Como essa mudança é afetada pela taxa de juros real? E pela trajetória da dívida pública? • Devo comprar um carro ou andar de ônibus e Uber? • Dado um orçamento de R$ 100, o que irei cozinhar para minha família no almoço de domingo?
  • 38.
    Problema fundamental daeconomia • E também está presente nas decisões de política pública: • Dado o orçamento público, o quanto devemos alocar em políticas para as crianças e jovens (educação e programas de transferência de renda) e para os idosos (saúde e previdência)? • Cada R$ 1 a mais no salário mínimo aumenta o gasto público com previdência, assistência, SD e abono salarial em mais de R$ 300 milhões. Em face disso, devemos aumentar o salário mínimo acima da inflação, usar esses recursos em outras políticas públicas ou reduzir o déficit público (que afeta a carga tributária e a taxa de juros)? • Devemos usar recursos públicos para manter o preço da gasolina sistematicamente abaixo da paridade internacional? Ou investir em transporte público? • Devemos isentar a agricultura de impostos para estimular as exportações ou cobrar impostos para financiar a previdência dos trabalhadores rurais em regime de economia familiar? • Devemos investir nas universidades públicas ou ampliar o FIES e o Prouni?
  • 39.
    As três questõescentrais • Como vimos, dada a escassez de recursos, a sociedade precisa realizar escolhas sobre alternativas de produção (o que e como produzir) e distribuição (como distribuir os resultados das atividades produtivas entre seus diferentes grupos): • Chegamos, assim, aos três problemas centrais da economias: • O que produzir? • Como produzir? • Para quem produzir?
  • 40.
    As três questõescentrais • O que produzir: a sociedade precisa escolher para qual finalidade irá alocar os seus recursos escassos, ou seja, o que irá produzir. Computadores (PNI/1984 – reserva de mercado até 1992)? Carros (incentivos fiscais do IPI, II e ICMS)? Ou alimentos? Substituição de importações no Brasil (1930- 1980) e o Grande Salto para Frente na China (1958-1962). • Como produzir: Como irá combinar os recursos para atingir a produção desejada? Qual tecnologia adotar? Exemplos: agricultura intensiva, extensiva ou familiar? Desonerar a folha de pagamentos de alguns setores (produtos têxteis, brinquedos etc.)? Isentar os bens de capital de impostos? • Para quem produzir: determinação da remuneração dos fatores de produção (salários, lucros, juros e rendas da terra), tributos e transferências de renda.
  • 41.
    Sistemas econômicos • Aforma como essas questões são tratadas depende de como a sociedade está organizada, isto é, do sistema econômico vigente. • Sistema econômico: a forma política, social e econômica de organização de uma sociedade. • Elementos básicos: • O estoque de recursos produtivos ou fatores de produção, que incluem os recursos humanos (trabalho e capacidade empresarial), o capital, a terra, as reservas naturais e a tecnologia; • O complexo de unidades de produção, constituído pelas empresas; • O conjunto de instituições políticas, jurídicas, econômicas e sociais, que são a base de organização da sociedade (pois definem as regras que regulam comportamentos e interações).
  • 42.
    Sistemas econômicos SISTEMA CAPITALISTA SISTEMASOCIALISTA Escolhas descentralizadas, mediadas pelo sistema de preços (forças de mercado/ oferta e demanda) Um órgão de planejamento central Quem resolve as questões econômicas (o que/quanto, como e para quem produzir) Propriedade privada (famílias), predomina a livre iniciativa Propriedade pública* Fatores de produção e complexo de unidades de produção Capitalismo “puro” em várias economias ocidentais até o início do século XX (filosofia do Liberalismo), quando surge o Estado de bem-estar social (Estado como agente de promoção social). É o sistema predominante em todo o mundo. URSS (1922-1991), China (pelo menos na era Mao Tse-Tung: 1949-1976) e Cuba Exemplos (*) Não pertencem ao Estado pequenas atividades comerciais e artesanais, as quais, junto com os meios de sobrevivência, como roupas, automóveis, pertencem aos indivíduos (mas com preços fixados pelo governo). Existe também liberdade para escolha de profissão (ou seja, há mobilidade de mão de obra) (extraído de Pinho, Vasconcellos e Toneto Jr., 2012)
  • 43.
    Resumo até aqui •Os economistas estudam diversos fenômenos, mas a essência da economia “é a alocação de recursos escassos de forma a satisfazer as necessidades humanas da melhor maneira possível”. • A forma como os recursos escassos são alocados na sociedade depende do sistema econômico vigente: em uma economia planificada (socialista), é o planejador central que decide o que/ quanto, como e para quem produzir; enquanto em uma economia de mercado (capitalista) as decisões são descentralizadas. • Portanto, ao estudar a alocação de recursos escassos, a economia estuda as escolhas individuais e as suas interações.
  • 44.
    Referências • Braga, M.B.; Vasconcellos, M. A. S. Introdução à economia. In: Pinho, Vasconcellos e Toneto Jr. (Org). Introdução à economia. São Paulo: Saraiva, 2012. Capítulo 1. • Guimarães, B.; Gonçalves, C. E. Introdução à economia. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. Introdução. • Mankiw, N. G. Introdução à economia. Rio de Janeiro: Cengage Learning, 2014. Capítulo 2.
  • 45.
    Parte III • Objetivo:introduzir conceitos e fornecer desde já uma visão ampla da economia. • Para isso, iremos estudar dez princípios divididos em três grupos: PRINCÍPIO GRUPO # 1: As pessoas enfrentam tradeoffs # 2: O custo de alguma coisa é aquilo de que você desiste para obtê-la # 3: As pessoas racionais pensam na margem # 4: As pessoas reagem a incentivos Como as pessoas tomam decisões # 5: O comércio pode ser bom para todos # 6: Os mercados são geralmente uma boa maneira de organizar a atividade econômica # 7: Às vezes os governos podem melhorar os resultados dos mercados Como as pessoas interagem # 8: O padrão de vida de um país depende de sua capacidade de produzir bens e serviços # 9: Os preços sobrem quando o governo emite mais moeda # 10: A sociedade enfrenta um tradeoff de curto prazo entre inflação e desemprego Como a economia funciona
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    Como as pessoastomam decisões (1/4) 1 – As pessoas enfrentam tradeoffs. • O que é tradeoff – algumas definições: dilema; situação de escolha conflitante; escolher uma coisa em detrimento da outra. • Quando escolhemos algo, estamos abrindo mão de alguma outra coisa. • Em nossos estudos de economia, precisamos desenvolver a capacidade de identificar os tradeoffs.
  • 47.
    Como as pessoastomam decisões (1/4) • Exemplos de tradeoffs de indivíduos ou famílias: • Estudante: como dividir o tempo de estudo entre as disciplinas; • Casal: como gastar a renda familiar – jantares fora de casa, viagem no fim do ano ou poupança? • Exemplo de tradeoffs para pessoas agrupadas em sociedade: • Eficiência e igualdade: distribuir renda através de transferências reduz a desigualdade social, mas a tributação necessária gera distorções e ineficiência econômica. • Armas e manteiga (sociedade militarizada ou voltada para bens de consumo), exemplo: esforço americano na Segunda Guerra Mundial (ver gráfico no próximo slide).
  • 48.
    Como as pessoastomam decisões (1/4) • Esforço de guerra pela ótica do gasto público americano:
  • 49.
    Como as pessoastomam decisões (2/4) 2 – O custo de alguma coisa é aquilo de que você desiste para obtê-la • Dado os tradeoffs, as tomadas de decisões envolve a comparação de custos e benefícios. • O custo relevante para o economista é o custo de oportunidade – e não no custo contábil: • Qual é o custo de 1 hora de lazer do professor (assistindo futebol em casa)? É justamente o seu salário por hora de trabalho. • Qual é o custo de se cursar uma faculdade? Gastos com alimentação e moradia? Ou, além dos custos com mensalidade, o salário de que abrem mão para poderem assistir as aulas?
  • 50.
    Como as pessoastomam decisões (2/4) • Mais exemplos: • Qual é o custo para a sociedade de reduzir os impostos sobre os bens industriais (se a carga tributária não pode mudar muito para financiar as políticas públicas)? O aumento na tributação dos demais setores (serviços e agropecuária). • Para vocês, o custo de estudar é maior na segunda à tarde ou no sábado à noite? Por que? Fonte: FIRJAN, https://joserobertoafonso.com.br/wp- content/uploads/2021/05/Carga-tribut_ria-brasileira-por- setores_Janeiro-2018-1.pdf
  • 51.
    Como as pessoastomam decisões (3/4) 3 – As pessoas racionais pensam na margem • Pessoa racional: aquela que faz o melhor para alcançar os seus objetivos (por exemplo, aumentar sua satisfação ou o seu lucro). • Na margem/ mudança marginal: pequenos ajustes incrementais. • A maior parte das decisões não são do tipo “tudo ou nada”, mas sim do tipo “o quanto disso ou daquilo” – exemplos: • Uma empresa deve decidir quantos trabalhadores contratar; • Uma pessoa deve decidir quantas horas estudar/trabalhar; • Na hora do almoço, você decide o quanto colocar de comida no prato, se vai colocar um pedaço a mais de carne, por exemplo, e não se vai comer ou não.
  • 52.
    Como as pessoastomam decisões (3/4) • Uma outra maneira de expressar esse princípio é: a pessoa racional toma decisões comparando benefícios marginais e custos marginais (isto é, decide sim quando o benefício marginal for superior ao custo marginal): • Exemplo do livro: poucos minutos antes do embarque, uma companhia aérea decidiu vender os últimos 3 assentos por um preço ($300) abaixo do custo médio ($500). Essa escolha é racional? Qual é o custo marginal de cada passageiro adicional? • No final da festa junina de uma Igreja, o padre decidiu reduzir o preço de todas as barracas de alimentos perecíveis pela metade (abaixo do preço de custo). Essa é uma decisão racional? Qual o benefício marginal e o custo marginal nesse caso? • Por que conseguimos comprar verduras e legumes a um preço mais baixo no fim da feira?
  • 53.
    Como as pessoastomam decisões (3/4) • Uma característica importante é que o benefício marginal depende da quantidade de que já dispomos – exemplos: • Um trabalhador a mais na padaria (produtividade marginal decrescente); • Um pedaço de bolo a mais no lanche (utilidade marginal decrescente); • Um carro a mais na família (utilidade marginal decrescente). • Lei da utilidade marginal decrescente (ilustração a partir de uma função Cobb- Douglas)
  • 54.
    Como as pessoastomam decisões (4/4) 4 – As pessoas reagem a incentivos • O principal exemplo é o efeito dos preços sobre o comportamento do consumidor e do produtor. • Lei da oferta – quanto maior o preço de um bem, maior será a quantidade que os produtores estarão dispostos a fornecer: • Se custa $2 para produzir um bem (custo marginal), não haverá oferta a um preço menor do que esse. Mas haverá oferta para qualquer preço acima de $2. • Quanto maior o preço, maior será a disposição dos produtores em fornecer aquele bem. E, se a recompensa for suficientemente alta, novos produtores devem aparecer. • Lei da demanda – quanto menor o preço de um bem, maior será a quantidade demandada pelos consumidores interessados.
  • 55.
    Como as pessoastomam decisões (4/4) • Os efeitos indiretos podem ser importantes, vejamos esses exemplos de regulação: • Petzman (1975) sobre o efeito da lei da década de 1960 que impõe cinto de segurança como equipamento obrigatório em todos os carros: reduz o número de mortes por acidentes, mas aumentou o número de acidentes (as pessoas passaram a ficar menos cuidadosas porque o cinto de segurança reduziu o custo dos acidentes). • Viscusi (1984) sobre o efeito da exigência de tampa protetora para aspirina e outros remédios em 1972: não houve impacto nas taxas de envenenamento por aspirina, mas verificou-se um aumento impressionante nas taxas de ingestão de analgésicos (como as tampas são mais difíceis de abrir, alguns pais passaram a deixar os recipientes destampados). PELTZMAN, S. The effects of automobile safety regulation. Journal of political Economy, v. 83, n. 4, p. 677-725, 1975. VISCUSI, W. K. (1984). The lulling effect: the impact of child-resistant packaging on aspirin and analgesic ingestions. The American Economic Review, 74(2), 324-327.
  • 56.
    Como as pessoastomam decisões (4/4) • As pessoas trabalham menos quando dispõe de benefícios como seguro- desemprego (SD)? • Na Áustria, a duração do SD aumenta muito quando os indivíduos completam 50 anos. • O gráfico ao lado mostra que indivíduos com um pouco mais de 50 anos ficam mais do dobro do tempo desempregados, em média, do que aqueles com um pouco menos de 50 anos. LALIVE, R. Unemployment benefits, unemployment duration, and post-unemployment jobs: A regression discontinuity approach. American Economic Review, v. 97, n. 2, p. 108-112, 2007.
  • 57.
    Como as pessoastomam decisões (4/4) • O IR induz as pessoas a trabalharem menos? • Saez (2010) mostra uma acumulação de trabalhadores com rendimentos exatamente no limite de isenção do IR nos Estados Unidos. SAEZ, E. Do taxpayers bunch at kink points?. American economic Journal: economic policy, v. 2, n. 3, p. 180- 212, 2010.
  • 58.
    Como as pessoastomam decisões (4/4) • Cálculo dos benefícios previdenciários e aposentadoria? • Até recentemente, os trabalhadores não tinham idade mínima para se aposentar (ATC), mas se aposentassem cedo, sofriam uma penalização no valor do benefício (fator previdenciário) • A Lei 13183/2015 concedeu um benefício muito grande (não aplicação do fator) para quem trabalhasse um pouco mais (regra 85/95 progressiva – 85/95: soma da idade e do TC). • O gráfico ao lado mostra uma mudança muito forte no comportamento de aposentadoria (as pessoas passaram a esperar um pouco mais para ter um benefício bem mais alto). Elaboração própria (com Raphael Gouvêa).
  • 59.
    Como as pessoastomam decisões (4/4) • Dois exemplos do efeito do Fundo de Participação dos Municípios (FPM): divisão de municípios e contagem de habitantes. MONASTERIO, L. O FPM e a estranha distribuição da população dos pequenos municípios brasileiros. IPEA, 2013 (TD 1818). EHRL, P. Minimum comparable areas for the period 1872-2010: an aggregation of Brazilian municipalities. Estudos Econômicos, v. 47, p. 215-229, 2017.
  • 60.
    Como as pessoasinteragem (5/7) 5 – O comércio pode ser bom para todos • Ao se especializarem naquilo que são melhores, as pessoas se beneficiam das trocas nos mercados de bens e fatores de produção. • Por meio do comércio, podemos comprar uma variedade grande de bens a um custo menor do que incorreríamos caso tentássemos produzir: Quando você vai a uma loja comprar um lápis, você está trocando alguns minutos do seu tempo de trabalho por alguns segundos do tempo de trabalho de todas as pessoas necessárias para produzi-lo! (Friedman explica isso bem no vídeo https://www.youtube.com/watch?v=4ERbC7JyCfU) • O comércio propicia ganhos para todos os países que se especializam naquilo que são relativamente melhores (por exemplo, agricultura no caso do Brasil e da Austrália) – teoria das vantagens comparativas.
  • 61.
    Como as pessoasinteragem (6/7) 6 – Os mercados são geralmente uma boa maneira de organizar a atividade econômica • Por trás do planejamento central (URSS e outras experiências socialistas), havia a noção de que um órgão do governo seria capaz de organizar a atividade econômica de modo a promover o bem-estar econômico das nações. • Nenhuma pessoa e nenhum órgão possui informação suficiente para realizar tal empreendimento (Mises, 1920, O cálculo econômico em uma comunidade socialista) – para alocar os recursos de forma eficiente, o planejador central precisaria de informações instantâneas sobre gostos/preferências pelos diferentes produtos, sobre a tecnologia e a melhor forma de combinar os insumos, sobre os custos de produção etc. • O planejamento centralizado – executado, por exemplo, mediante o controle de preços – resulta em escassez.
  • 62.
    Como as pessoasinteragem (6/7) • Em uma economia de mercado, os recursos são alocados por meio de decisões descentralizadas das famílias e empresas, que são guiadas em suas decisões pelo sistema de preços (mão invisível). • Os preços dos bens são uma expressão do consenso sobre o valor dos diferentes itens e refletem: as preferências dos consumidores, a escassez do produto e os custos de produção. • Essas informações, transmitidas a produtores e consumidores por meio do sistema de preços, é essencial para a organização das atividades produtivas. • As pessoas reagem aos sinais do sistema de preços e, nesse sentido, dizemos que os preços livres coordenam as ações de todos os consumidores e produtores em uma economia de mercado.
  • 63.
    Como as pessoasinteragem (7/7) 7 – Às vezes os governos podem melhorar os resultados dos mercados • O governo possui um papel essencial para a economia de mercado: garantir o cumprimento das regras em geral e, em especial, dos direitos de propriedade. • Como já discutimos (ao falar dos tradeoffs), a intervenção do governo pode melhorar a distribuição de renda. • Além disso, há situações em que a intervenção do governo pode promover ganhos de eficiência.
  • 64.
    Como as pessoasinteragem (7/7) • Falhas de mercado – o mercado, por si só, falha em alocar os recursos de maneira eficiente: • Poder de mercado: capacidade de alguns poucos agentes de influenciar os preços. Nesse caso, a regulamentação governamental é justificada. • Externalidade: a ação de um agente econômico afeta o bem-estar de outros não envolvidos - exemplos: poluição e barulho são externalidades negativas de atividades produtivas e P&D geram externalidades positivas. • Bem público: não excludente (caro ou impossível para um usuário excluir outros de se beneficiarem) e não rival (o fato de uma pessoa usar não impede outras de usufruírem) – exemplo: defesa nacional. Embora as pessoas desejem o bem, o mercado não oferta porque ele é não excludente (não há como cobrar das pessoas que usufruem da oferta). Nesse caso, faz sentido o governo ofertar o bem e financiá- lo por meio de tributos. • Assimetria de informação: situação em que uma parte possui mais informação que a outra e transações que seriam mutuamente vantajosas deixam de ser concretizadas (exemplos: carro usado e crédito bancário).
  • 65.
    Como a economiafunciona (8/10) 8 – O padrão de vida de um país depende de sua capacidade de produzir bens e serviços • A produtividade explica grande parte dos diferenciais de padrões de vida entre os países. • A evolução da produtividade determina o ritmo de melhoria nos padrões de vida ao longo do tempo.
  • 66.
    Como a economiafunciona (8/10) • No gráfico ao lado, o PIB per capita cresceu mais do que a produtividade porque: • Aumentou o número de pessoas em idade ativa em relação à população (PIA/POP) – bônus demográfico. • A taxa de participação (PEA/PIA) aumentou – mais pessoas em idade ativa decidiram trabalhar. • Ou seja, o número de trabalhadores ativos em relação ao total da população também é importante! Fonte: Veloso, F; Matos, S.; Peruchetti, P. Produtividade do trabalho: o motor do crescimento econômico de longo prazo. IBRE, 2019 https://ibre.fgv.br/sites/ibre.fgv.br/files/arquivos/u65/produti vidade_do_trabalho_o_motor_do_crescimento_economico_d e_longo_prazo.pdf
  • 67.
    Como a economiafunciona (9/10) 9 – Os preços sobem quando o governo emite mais moeda • Inflação: aumento do nível geral de preços. • Quase todos os casos de inflação elevada ou persistente estão associados ao aumento na quantidade de moeda. • Podemos pensar na moeda como uma mercadoria: se a sua oferta aumenta, o seu preço relativo (o quanto vale em relação aos bens e serviços) tende a diminuir. Atualmente, os bancos centrais não controlam a oferta de moeda diretamente, mas a influenciam através do manejo da taxa básica de juros.
  • 68.
    Como a economiafunciona (9/10) • Vejamos os dados: comparativo internacional e séries brasileiras: https://www.businessinsider.com/emerging-market-debt-seems- risky-2014-6 Fonte: dados disponíveis no Bacen. M2 = papel moeda em poder do público e depósitos à vista no sistema bancário (M1) e depósitos a prazo
  • 69.
    Como a economiafunciona (10/10) 10 – A sociedade enfrenta um tradeoff de curto prazo entre inflação e desemprego • O aumento na quantidade de moeda, em um primeiro momento, estimula a demanda por bens e serviços. • Diante do aumento na demanda por bens e serviços, as empresas contratam mais trabalhadores para aumentar a oferta. Assim, a taxa de desemprego cai. • Os preços aumentam em função da maior demanda. A redução do desemprego também pressiona os salários nominais. Ou seja, a inflação aumenta.
  • 70.
    Como a economiafunciona • Em 1958, A. W. Phillips analisou a relação entre inflação e desemprego no Reino Unido com dados de 1861 a 1957.
  • 71.
    Como a economiafunciona • Inflação e desemprego nos EUA e, 1949-1969 e 1970-1979: colapso da curva de Phillips? (a) 1948-1969 (b) 1970-1979
  • 72.
    Referências • Mankiw, N.G. Introdução à economia. Rio de Janeiro: Cengage Learning, 2014. Capítulo 1. • Guimarães, B.; Gonçalves, C. E. Introdução à economia. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. Capítulo 1.
  • 73.
    Parte IV • Pensandocomo um economista: economista como cientista e como conselheiro de políticas. • Nossos primeiros modelos econômicos: fluxo circular da renda, curva de possibilidade de produção, linha de possibilidade de consumo, vantagens comparativas.
  • 74.
    Economista como cientistae como conselheiro de políticas • O “cientista” tenta explicar o mundo e o “conselheiro de políticas” tenta melhorar o mundo (essa atividade que frequentemente extrapola a análise econômica, pois inclui conceitos subjetivos de justiça e valores morais). • Importante diferenciar a “análise positiva” (como o mundo é) da “análise normativa” (como o mundo deveria ser). • Os economistas divergem por discordarem da validade das diferentes teorias positivas e também por terem julgamentos/ valores diferentes. Mas também concordam sobre muita coisa!
  • 75.
    Economista como cientista •Os economistas adotam a objetividade dos “cientistas” em seu campo de estudo: desenvolvem teorias e analisam dados para confirmar ou refutar suas teorias. • Isso não quer dizer que os economistas trabalham em laboratórios. A essência da ciência é o “método científico”: observação, teoria e mais observação – o desenvolvimento e o teste imparcial de teorias sobre como funciona o mundo. • Os economistas brasileiros da década de 1980, incomodados com o ritmo acelerado de aumento dos preços, desenvolviam teorias para explicar a realidade. Para testar a validade de uma teoria (por exemplo, que a emissão de moeda causa inflação), eles coletavam dados de vários países (emissão de moeda e inflação) para testar a validade da teoria (se há uma relação sistemática entre emissão de moeda e inflação)
  • 76.
    Economista como cientista •Mas há uma diferença importante em relação às ciências naturais: • Como uma ciência social que lida com o comportamento humano, é quase sempre impossível conduzir experimentos em economia (mas há experimentos sociais, que renderam o Nobel a Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer – ver https://www.povertyactionlab.org/). • É mais comum a análise de “dados observados”, por meio de técnicas apropriadas, como quase-experimentos/ experimentos naturais que a história oferece (grupo de tratados e controle).
  • 77.
    Economista como cientista •Hipóteses e modelos são importantes como nas outras ciências. • Papel das hipóteses: simplificar o objeto de estudo (exemplo: no estudo do comércio internacional, é comum partirmos de dois países e dois produtos). • Depois de aprendermos sobre o fenômeno, é natural verificar o quão sensível são as conclusões qualitativas em relação às hipóteses adotadas. • Hipóteses diferentes para analisar problemas diferentes: a hipótese de preços rígidos pode ser útil para analisar o efeito de políticas no curto prazo, mas certamente não no longo prazo. • Modelos: a partir das hipóteses, o economista constrói uma representação simplificada da realidade estudada por meio de equações ou diagramas (que usaremos neste curso), sem detalhes irrelevantes, que o permita se concentrar na essência do problema estudado.
  • 78.
    Economista como conselheirode políticas • Análise positiva versus análise normativa: • Análise positiva: declarações que descrevem como o mundo é – podem ser confrontadas com os dados; • Análise normativa: declarações que afirmam como o mundo deveria ser – envolve julgamentos (exemplo: pobreza, tributação e transferência). • Julgamentos morais extrapolam a análise econômica (exemplo: o papel das filosofias políticas para justificar políticas distributivas – que veremos na unidade 4).
  • 79.
    Economista como conselheirode políticas • Nem sempre as prescrições dos economistas (ainda que fundamentadas na teoria e em evidências robustas) são seguidas pelos políticos, pois eles consideram outros elementos para a tomada de decisões (exemplo: desenho do novo PBF e desconto para compra de carro zero). • Os economistas divergem por discordarem da validade das diferentes teorias positivas sobre o funcionamento do mundo e por terem valores diferentes (primeiro caso: salário mínimo e desemprego; segundo caso: PEC das domésticas, tributação de heranças). • Mas também concordam sobre várias questões.
  • 80.
    Economista como conselheirode políticas PROPOSIÇÃO (% QUE CONCORDA) 1. Estabelecer um teto para os aluguéis reduz a quantidade e a qualidade das moradias disponíveis. (93%) 2. Tarifas e cotas de importação costumam reduzir o bem-estar econômico geral. (93%) 3. Taxas de câmbio flexíveis e flutuantes permitem um arranjo monetário internacional eficaz. (90%) 4. A política fiscal (por exemplo, cortes de impostos e/ou aumento dos gastos do governo) tem efeitos estimulantes significativos sobre uma economia que esteja abaixo do pleno emprego. (90%) 5. Os Estados Unidos não deveriam restringir a terceirização de outros países. (90%) 6. O crescimento econômico em países desenvolvidos como os Estados Unidos leva a níveis mais elevados de bem-estar. (88%) 7. Os Estados Unidos deveriam eliminar os subsídios agrícolas. (85%) 8. Uma política fiscal apropriadamente desenvolvida pode aumentar a taxa de formação de capital no longo prazo. (85%) 9. Os governos municipais e estaduais deveriam eliminar os subsídios para franquias de esportes profissionais. (85%) 10. O orçamento federal deve ser equilibrado durante o ciclo de negócios, não anualmente. (85%)
  • 81.
    Economista como conselheirode políticas PROPOSIÇÃO (% QUE CONCORDA) 11. A diferença entre os fundos da Seguridade Social e os gastos se tornará insustentável nos próximos 50 anos se as políticas atuais permanecerem inalteradas. (85%) 12. Os pagamentos em dinheiro aumentam o bem-estar dos beneficiários mais do que as transferências em mercadorias de igual valor monetário. (84%) 13. Um grande déficit orçamentário federal tem efeitos adversos sobre a economia. (83%) 14. A redistribuição de renda nos Estados Unidos é um papel legítimo do governo. (83%) 15. A inflação é causada principalmente pelo crescimento excessivo da oferta de moeda. (83%) 16. Os Estados Unidos não devem banir safras geneticamente modificadas. (82%) 17. O salário mínimo aumenta o desemprego entre trabalhadores jovens e não qualificados. (79%) 18. O governo deveria reestruturar o sistema de assistência social nos moldes de um "imposto de renda negativo''. (79%i) 19. Os impostos sobre efluentes e as permissões para poluição negociáveis são uma abordagem melhor no controle da poluição do que a imposição de tetos à poluição. (78%) 20. Os subsídios do governo sobre o etanol nos Estados Unidos devem ser reduzidos ou eliminados. (78%) Extraído de Mankiw, capítulo 2. Fonte: Richard M. Alston, J. R. Kearl e Michael B. Vaughn, Is There Consensus among Economists in the 1990s? American Economic Review, maio 1992, p. 203-209; Dan Fuller e Doris Geide-Stevenson, Consensus among Economists Revisited. Journal of Economics Education, outono 2003, p. 369-387; Robert Whaples, Do Economists Agree on Anything? Yes! Economists' Voice, nov. 2006, p. 1-6; Robert Whaples, "The Policy Views of American Economic Association Members: The Results of a New Survey. Econ Journal Wath, set. 2009, p. 337-348.
  • 82.
    Nossos primeiros modeloseconômicos • Fluxo circular da renda • Linha de possibilidade de consumo • Curva de possibilidade de produção • Vantagens comparativas.
  • 83.
    Fluxo circular darenda • O diagrama de fluxo circular da renda (FCR) – nosso primeiro modelo. • Este modelo retrata os fluxos reais e monetários na economia, abrangendo o mercado de bens e serviços e o mercado de fatores de produção. • Hipóteses: economia fechada, sem governo e sem formação de capital. • Agentes econômicos: famílias e empresas. • Economia de mercado: as interações entre a oferta e a demanda determinam os preços dos bens e serviços e dos fatores de produção (salários, juros e aluguéis).
  • 84.
    Fluxo circular darenda • Fluxo real da economia: • As famílias, proprietárias dos fatores de produção, os fornecem às empresas por meio do mercado de fatores (as famílias ofertam e as empresas demandam fatores); • As empresas produzem bens e serviços a partir da combinação dos fatores de produção e os vendem às famílias no mercado de bens e serviços (as empresas ofertam e as famílias demandam bens e serviços). • Fluxo monetário: as famílias adquirem bens e serviços porque as empresas remuneram os fatores de produção. (a) Fluxo real (b) Fluxo monetário
  • 85.
    Fluxo circular darenda • FCR: Alguns aspectos interessantes de nossa economia de mercado sem governo: • O que e quanto produzir: definido no mercado de bens (como veremos, a demanda depende das preferências, entre outros elementos); • As empresas definem como produzir a partir da escolha da tecnologia de produção; • A distribuição dos resultados da produção é definida no mercado de fatores, onde as famílias são remuneradas pelo trabalho, capital e terras aportados na produção.
  • 86.
    Fluxo circular darenda • FCR de uma economia aberta (inclui o setor externo, isto é, o “resto do mundo”), com governo e formação de capital (poupança/ investimento): Fonte: https://charlessouza.com/courses/macroeco nomia/produto/
  • 87.
    Linha de possibilidadede consumo • Linha de possibilidade de consumo (mais conhecida na análise econômica como “restrição orçamentária”) – nosso segundo modelo. • Hipóteses: dois bens apenas e não saciedade/ monotonicidade (mais é sempre preferível a menos). • Exemplo – possibilidades de consumo em uma festa em que só há cachorros-quentes (x1) e cervejas (x2): • Orçamento total (m) = R$ 60 • Preço do cachorro-quente (p1) = R$ 10 • Preço da cerveja (p2) = R$ 5
  • 88.
    Linha de possibilidadede consumo • Representação matemática e gráfica: m = p1*x1 + p2*x2 x2 = m/p2 – (p1/p2)*x1 x2 = 60/5 – (10/5)*x1 X2 = 12 – 2*x1 • Cestas de consumo: • Cesta E: ineficiente - escolha não racional sob a hipótese de não saciedade; • Cesta A, B, C ou D? Depende das preferências do indivíduo entre os dois bens.
  • 89.
    Linha de possibilidadede consumo • Qual tradeoff enfrentamos nessa festa? • Qual é o custo de oportunidade de um cachorro-quente? • O que acontece se o preço do cachorro-quente aumentar para R$ 20? • O que acontece se o orçamento aumentar para R$ 90?
  • 90.
    Linha de possibilidadede consumo • Mudança no preço e na renda: (a) Aumento no preço do cachorro-quente (b) Aumento no orçamento
  • 91.
    Curva de possibilidadede produção • A curva de possibilidade de produção (CPP) – nosso terceiro modelo econômico. • A CPP retrata a produção máxima (produto potencial ou de pleno emprego) da sociedade supondo o pleno emprego dos fatores de produção (sem ociosidade). • Hipótese: a economia produz apenas dois bens.
  • 92.
    Curva de possibilidadede produção • Eficiência produtiva: a economia consegue obter o máximo dos recursos escassos disponíveis (qualquer ponto na CPP). • Alternativas de produção: Soja (milhões de toneladas) Automóveis (milhões de unidades) Alternativas 0 5 A 3 4 B 4 3 C 5 0 D CPP: curva ABCD. • Ponto E (qualquer ponto interior): combinação ineficiente - é possível produzir mais carros e/ou soja com os mesmos fatores de produção. • Ponto F (qualquer ponto além da fronteira): combinação impossível (dados os fatores e a tecnologia disponíveis) Exemplo prático: mensuração da eficiência na provisão de serviços públicos considerando os fatores “ambientais”.
  • 93.
    Curva de possibilidadede produção • Custo de oportunidade de um bem – é aquilo de que você abre mão para obtê-lo: • No ponto B, o custo de oportunidade de 1 milhão de toneladas de soja é 1 milhão de carros. • Mas no ponto C, o custo de oportunidade é de 3 milhões de carros. • O custo de oportunidade é crescente: a intuição é que os fatores de produção transferidos tornam-se cada vez relativamente menos aptos à nova finalidade. • Dito de outro modo, os recursos empregados para produzir carros e soja não são perfeitamente substituíveis entre si. CPP é côncava – o custo de oportunidade é crescente, pois os recursos usados para produzir carros e soja não são perfeitamente substituíveis!
  • 94.
    Curva de possibilidadede produção • Qual formato faz mais sentido para uma CPP? (a) CPP côncava (b) CPP linear (c) CPP convexa
  • 95.
    Curva de possibilidadede produção • Deslocamentos da curva: crescimento da economia – aumento na disponibilidade de fatores (exemplo: maior número de trabalhadores) ou avanço tecnológico.
  • 96.
    Vantagens comparativas • Hipóteses:dois agentes e dois bens • Agentes: Robinson Crusoé e Sexta-Feira • Bens: Coco e peixe • Semana de trabalho: 40 horas. • Robinson Crusoé consegue obter 20 cocos em uma semana de trabalho ou pescar 20 peixes. • Sexta-Feira consegue pegar 25 cocos e pescar 50 peixes. • CPP é linear.
  • 97.
    Vantagens comparativas • Possibilidadesde produção (quantidade por semana): • Custo de oportunidade: • Sexta-Feira é mais produtivo nos dois bens (gasta a mesma quantidade que Crusoé em menos tempo). Ele tem vantagem absoluta nos dois casos. • Mas Robinson Crusoé possui uma vantagem comparativa na produção de coco: ele perde relativamente poucos peixes quando se dedica à coleta de cocos (custo de oportunidade é mais baixo). PEIXE COCO BEM 20 20 PROBINSON CRUSOÉ 50 25 SEXTA-FEIRA QUANTOS COCOS PRECISA ABRIR MÃO PARA OBTER 1 PEIXE QUANTOS PEIXES PRECISA ABRIR MÃO PARA OBTER 1 COCO CUSTO DE OPORTUNIDADE DO BEM 1 1 PROBINSON CRUSOÉ 0,5 2 SEXTA-FEIRA
  • 98.
    Vantagens comparativas • Curvasde possibilidades de produção (CPP) individuais: (a) Robinson Crusoé (b) Sexta-Feira
  • 99.
    Vantagens comparativas • Semcomércio, o consumo deve ser igual à produção individual: vamos supor que Robinson Crusoé e Sexta-Feira escolham consumir/produzir suas cestas (indicadas na CPP). • Mas Crusoé abre mão de 1 coco para conseguir 1 peixe (custo de oportunidade de 1 coco é 1 peixe), enquanto Sexta-Feira consegue 2 peixes ao abrir mão de 1 coco (custo de oportunidade de 1 coco são 2 peixes). PEIXE COCO 10 10 ROBINSON CRUSOÉ (CESTA B) 30 10 SEXTA-FEIRA (CESTA B) 40 20 PRODUÇÃO/ CONSUMO TOTAL DA ECONOMIA
  • 100.
    Vantagens comparativas • Apartir dessa observação, Crusoé propõe a Sexta-Feira trocar 2 cocos por 3 peixes (3/2 = 1,5 peixe por 1 coco) e argumenta que assim ambos ganham: a) Sexta-Feira não terá que abrir mão de 2 peixes para conseguir 1 de coco, apenas 1,5 (coco fica mais barato); e b) Crusoé só conseguiria 1 peixe se pescasse ao invés de pegar 1 coco, agora ele vai obter 1,5 peixe (peixe fica mais barato). • A troca vale a pena para os dois porque o “preço” proposto por Crusoé (3/2=1,5) está situado entre os dois “custos de oportunidade”. QUANTOS COCOS PRECISA ABRIR MÃO PARA OBTER 1 PEIXE QUANTOS PEIXES PRECISA ABRIR MÃO PARA OBTER 1 COCO 1 1 PROBINSON CRUSOÉ 0,5 2 SEXTA-FEIRA
  • 101.
    Vantagens comparativas • Opreço é a quantidade de peixes por coco acordada = 1,5 • < que o custo de oportunidade de Sexta-Feira (ele abre mão de 2 peixes quando para pegar 1 coco – sai mais barato obter cocos dessa forma) • > que custo de oportunidade de Crusoé (ele só consegue 1 peixe quando abre mão de 1 coco – sai mais barato obter peixes dessa forma) • A troca será vantajosa desde que o “preço” proposto fique entre os dois custos de oportunidade (1,2 e 1,7 também funcionaria, mas não 0,9 ou 2,2). QUANTOS COCOS PRECISA ABRIR MÃO PARA OBTER 1 PEIXE QUANTOS PEIXES PRECISA ABRIR MÃO PARA OBTER 1 COCO CUSTO DE OPORTUNIDADE DO BEM 1 1 PROBINSON CRUSOÉ 0,5 2 SEXTA-FEIRA • Se os custos de oportunidade de Crusoé e Sexta-Feira fossem iguais, não haveria ganhos do comércio.
  • 102.
    Vantagens comparativas • Produçãoe consumo sem comércio (devem ser iguais): • Produção com especialização a partir das vantagens comparativas: • Consumo com comércio (Crusoé entrega 10 cocos e recebe 15 peixes): PEIXE COCO BEM 0 20 ROBINSON CRUSOÉ (CESTA A) 50 0 SEXTA-FEIRA (CESTA C) 50 20 PRODUÇÃO TOTAL PEIXE COCO BEM 15 10 ROBINSON CRUSOÉ 35 10 SEXTA-FEIRA 50 20 PRODUÇÃO/ CONSUMO TOTAL PEIXE COCO BEM 10 10 ROBINSON CRUSOÉ (CESTA B) 30 10 SEXTA-FEIRA (CESTA B) 40 20 PRODUÇÃO/ CONSUMO TOTAL
  • 103.
    Vantagens comparativas • Ganhosdo comércio: ambos consomem mais dos dois bens (a) Robinson Crusoé (b) Sexta-Feira
  • 104.
  • 105.
    Referências • Mankiw, N.G. Introdução à economia. Rio de Janeiro: Cengage Learning, 2014. Capítulo 2. • Braga, M. B.; Vasconcellos, M. A. S. Introdução à economia. In: Pinho, Vasconcellos e Toneto Jr. (Org). Introdução à economia. São Paulo: Saraiva, 2012. Capítulo 1.
  • 106.
    Parte V • Outrosconceitos que usaremos no restante do curso: classificações dos bens (disponibilidade, forma de utilização e categorias de uso), fatores de produção e remuneração, agentes econômicos e conceitos de eficiência. • Divisão do estudo econômico.
  • 107.
    Classificação dos bens •Um bem (em oposição a mal) é tudo aqui que traz satisfação (em sentido amplo, incluem os serviços) – pode ser classificado de 3 formas: Bens livres: não escassos, disponíveis suficientemente para satisfazer as necessidades humanas Exemplos: ar e luz do sol Bens econômicos: escassos, cuja obtenção implica sempre custo. Exemplo: uma geladeira Bens intermediários: são transformados ou agregados à produção de outros bens. São exauridos no processo de produção de outros bens. Insumos, matérias- primas e componentes. Exemplo: alumínio usado na geladeira. Bens finais: não sofrerão mais nenhum processo de transformação ou de agregação de valor. Exemplo: geladeira. Bens de capital: são empregados na produção de outros bens, mas não se desgastam totalmente no processo produtivo. Máquinas, equipamentos e instalações. Exemplo: geladeira da cantina. Bens de consumo: destinam-se ao consumo das famílias e podem ser divididos em duas espécies de acordo com a durabilidade – não duráveis (alimentos) e duráveis (automóveis e eletrodomésticos). Há ainda os semiduráveis (calçados e roupas). Exemplo: geladeira de casa. Disponibilidade Forma de utilização Uso
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    Fatores de produçãoe remuneração • Fatores de produção: recursos de produção da economia – RH (trabalho e capacidade empresarial), terra, capital e tecnologia. • Uma observação: essa classificação detalhada não é usualmente empregada pelos economistas. O mais usual é considerar dois fatores de produção: capital e trabalho. TIPO DE REMUNERAÇÃO FATOR DE PRODUÇÃO Salários Trabalho Juros Capital Aluguéis Terra Royalties Tecnologia Lucros Capacidade empresarial
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    Agentes econômicos OBJETIVO DESCRIÇÃO AGENTE ECONÔMICO Maximizarsua utilidade/ seu bem-estar Unidades consumidoras e proprietárias dos fatores de produção Famílias Maximizar o lucro/ minimizar o custo Empregam fatores de produção para produzir e comercializar bens e serviços Firmas/ empresas Funções estabilizadora (políticas fiscal ou monetária de natureza anticíclica), distributiva (transferências) e alocativa (desvia o parcela dos recursos da economia para a oferta/ provisão de certos bens e serviços) São os órgãos e entidades controladas pelo Estado Recolhe impostos, gasta e transfere recursos Governo Troca de bens e serviços e movimento de capitais Economia dos demais países Resto do mundo
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    Eficiência • Eficiência produtiva/técnica: • Obter o máximo possível com os recursos disponíveis; • Atingir certo resultado com o uso da menor quantidade de recursos. • Eficiência alocativa: • Produção está alinhada com as preferências do consumidor; • Todo bem ou serviço é produzido até o ponto em que a última unidade forneça um benefício marginal aos consumidores igual ao custo marginal de produção (ou seja, utilidade marginal = custo marginal). • Eficiência de Pareto: • Não é possível melhorar a situação de um agente sem a piorar a de outro.