1. O mapa abaixo representa a divisão geopolítica europeia no início do século XIX,
destacando a estratégia militar napoleônica conhecida como Bloqueio Continental.
A linha de Bloqueio Continental que se estende de Portugal até a Noruega, representada no
mapa, revela a intenção francesa de
a) integrar a economia europeia, com a isenção das tarifas alfandegárias.
b) fortalecer a França, garantindo-lhe a livre circulação pelos portos britânicos.
c) desenvolver a economia espanhola, consolidando seu monopólio comercial na Península
Ibérica.
d) isolar a Grã-Bretanha, impedindo-lhe o acesso a importantes mercados da Europa
continental.
e) inibir o comércio de escravos oriundos de portos africanos, situados ao norte da Linha do
Equador.
2. Napoleão Bonaparte assumiu o poder na França, em 1799. A partir do chamado Golpe do
18 Brumário, tornou-se primeiro cônsul, depois primeiro cônsul vitalício e, posteriormente,
imperador. Durante o seu governo,
a) retomou as relações com a Igreja Católica e permitiu total autonomia dos seus sacerdotes.
b) estabeleceu uma monarquia parlamentarista, nos moldes do sistema de governo vigente na
Inglaterra.
c) estabeleceu um novo Código Civil que manteve a igualdade jurídica para os cidadãos do
sexo masculino e o direito à propriedade privada.
d) procurou retomar antigas possessões marítimas francesas, envolvendo-se em uma guerra
desgastante no Haiti e no sudeste asiático.
e) aliou-se aos “sans culottes”, grupos mais radicais da Revolução Francesa, e, por isso, foi
derrubado em 1814.
3. A cena retratada no quadro simboliza a
a) estupefação diante da
destruição e da mortalidade
causadas por um tipo de guerra
que começava
a ser feita em escala até então
inédita.
b) Razão, propalada por filósofos
europeus do século XVIII, e seu
triunfo universal sobre o
autoritarismo do Antigo Regime.
c) perseverança da fé católica em
momentos de adversidade,
como os trazidos pelo advento
das
revoluções burguesas.
d) força do Estado nacional
nascente, a impor sua disciplina
civilizatória sobre populações
rústicas e
despolitizadas.
e) defesa da indústria bélica, considerada força motriz do desenvolvimento econômico dos
Estados
nacionais do século XIX.
4. Artigo 5.º — O comércio de mercadorias inglesas é proibido, e qualquer mercadoria
pertencente à Inglaterra, ou proveniente de suas fábricas e de suas colônias é declarada boa
presa.
(...)
Artigo 7.º — Nenhuma embarcação vinda diretamente da Inglaterra ou das colônias inglesas,
ou lá tendo estado, desde a publicação do presente decreto, será recebida em porto algum.
Artigo 8.º — Qualquer embarcação que, por meio de uma declaração, transgredir a disposição
acima, será apresada e o navio e sua carga serão confiscados como se fossem propriedade
inglesa.
(Excerto do Bloqueio Continental, Napoleão Bonaparte. Citado por Kátia M. de Queirós
Mattoso. Textos e documentos para o estudo da história contemporânea (1789-1963), 1977.)
Esses artigos do Bloqueio Continental, decretado pelo Imperador da França em 1806,
permitem notar a disposição francesa de
a) estimular a autonomia das colônias inglesas na América, que passariam a depender mais de
seu comércio interno.
b) impedir a Inglaterra de negociar com a França uma nova legislação para o comércio na
Europa e nas áreas coloniais.
c) provocar a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, por meio da ocupação militar da
Península Ibérica.
d) ampliar a ação de corsários ingleses no norte do Oceano Atlântico e ampliar a hegemonia
francesa nos mares europeus.
e) debilitar economicamente a Inglaterra, então em processo de industrialização, limitando seu
comércio com o restante da Europa.
5. "A mais extravagante ideia que possa germinar no cérebro de um político é acreditar que
basta a um povo entrar de mão armada num país estrangeiro para lhe fazer adotar as suas leis
e a sua Constituição. Ninguém estima os missionários armados, e o primeiro conselho que a
natureza e a prudência dão é repeli-los como inimigos."
Robespierre, janeiro de 1792.
a) Por que a ocupação da Espanha pelo exército napoleônico, em 1808, tornou o texto
profético?
b) Há no momento atual alguma situação à qual o texto pode ser referido? Por quê?
6. Todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis,
entre os quais figuram a vida, a liberdade e a busca da felicidade. Para assegurar esses
direitos, entre os homens se instituem governos, que derivam seus justos poderes do
consentimento dos governados. Sempre que uma forma de governo se dispõe a destruir essas
finalidades, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la, e instituir um novo governo,
assentando seu fundamento sobre tais princípios e organizando seus poderes de tal forma que
a ele pareça ter maior probabilidade de alcançar-lhe a segurança e a felicidade.
(Declaração de Independência dos Estados Unidos (1776). In: Harold Syrett (org.).
Documentos históricos dos Estados Unidos, 1988.)
O documento expõe o vínculo da luta pela independência das treze colônias com os princípios
a) liberais, que defendem a necessidade de impor regras rígidas de protecionismo fiscal.
b) mercantilistas, que determinam os interesses de expansão do comércio externo.
c) iluministas, que enfatizam os direitos de cidadania e de rebelião contra governos tirânicos.
d) luteranos, que obrigam as mulheres e os homens a lutar pela própria salvação.
e) católicos, que justificam a ação humana apenas em função da vontade e do direito divinos.
7. Em 1773, procurando aliviar as dificuldades financeiras da Companhia das Índias Orientais,
o governo britânico concedeu-lhe o monopólio do chá nas colônias. Os colonos reagiram e
disfarçados de índios, patriotas de Boston, abordaram navios que transportavam chá, lançando
a mercadoria nas águas do porto.
(H. C. Allen. História dos Estados Unidos da América)
A ação descrita pelo texto levou o parlamento britânico a promulgar, em 1774, as Leis
Coercitivas ou, como foram chamadas pelos colonos, Intoleráveis. Tais leis:
a) lançavam impostos sobre vidro e corantes;
b) interditavam o porto de Boston até que fosse pago o prejuízo causado pelos colonos;
c) proibiam a emissão de papéis de crédito na colônia que, até então, eram usados como
moeda;
d) impunham aos colonos os custos do alojamento e fornecimento de víveres para as tropas
britânicas enviadas para a colônia;
e) enfraqueceram a autoridade do governador de Massachusetts.
8. Leia os trechos:
"Na Europa, as terras ou são cultivadas ou são proibidas aos agricultores. A manufatura deve,
então, ser procurada por necessidade e não por escolha. Nós, porém, temos uma imensidade
de terra. (...) Enquanto tivermos terra para trabalhar, nunca desejemos ver nossos cidadãos
ocupados numa bancada de trabalho ou girando uma roca de fiar (...). Para as operações
gerais de manufatura, deixemos que as nossas oficinas continuem na Europa. É melhor enviar
matérias-primas para os trabalhadores de lá do que trazê-los para cá (...), com seus costumes
e princípios. A aglomeração das grandes cidades não contribui para a manutenção de um
governo legítimo (...)."
(Thomas Jefferson, 1784)
"Os regulamentos restritivos, que têm feito baixar a venda nos mercados estrangeiros do
excedente cada vez maior de nossa produção agrícola (...) geraram forte desejo de que se
criasse, internamente, uma demanda maior para aqueles excedentes. (...)
Convém aqui enumerar os principais fatores que permitem concluir que os estabelecimentos
manufatureiros não apenas provocam um aumento positivo no produto e na renda da
sociedade, como também contribuem, decisivamente, para desenvolvê-la (...). 1. a divisão do
trabalho; 2. uma ampliação no uso da maquinaria; 3. a utilização adicional de classes da
comunidade (...); 4. a promoção da imigração de países estrangeiros; 5. a oferta de maiores
oportunidades à diversidade de talentos (...); 6. o aparecimento de um campo mais amplo e
variado para a empresa; (...)."
(Alexander Hamilton, 1791)
(In Secretaria da Educação-SP, "Coletânea de documentos de História da América para o 20.
grau")
Os documentos tratam dos Estados Unidos logo após a independência. De acordo com os
trechos, é correto afirmar que Jefferson e Hamilton
a) divergem sobre a necessidade de instalar manufaturas nos Estados Unidos.
b) concordam com a adoção de princípios fisiocratas no novo país.
c) destacam o aumento do volume e da renda das exportações agrícolas americanas.
d) defendem a vinda de imigrantes europeus para os Estados Unidos.
e) discordam sobre a manutenção do trabalho escravo em sua economia.
9. Alexis de Tocqueville, nobre francês que viajou pelos Estados Unidos e relatou suas
impressões em seu livro A democracia na América, de 1835, assim se referiu à sociedade
norte-americana:
“Os colonos americanos exerciam, desde o início, direitos de soberania. Nomeavam os seus
magistrados, concluíam a paz, declaravam a guerra, promulgavam as leis, como se sua
fidelidade só fosse devida a Deus. (...) Nas leis da Nova Inglaterra encontramos o germe e o
desenvolvimento da independência local que é a mola da liberdade americana de nossos dias.”
Alexis de Tocqueville. A democracia na América. Leis e Costumes. Livro I. São Paulo: Martins
Fontes, 2001, p.73.
a) IDENTIFIQUE uma característica da colonização inglesa na América possibilitadora do
“desenvolvimento da independência local” dos colonos.
b) EXPLIQUE uma motivação para a Declaração da Independência dos colonos americanos,
na década de 1770.
Gabarito:
Resposta da questão 1:
[D]
Somente a proposição [D] está correta. A questão remete ao Bloqueio Continental que
aconteceu na Era Napoleônica, 1799-1815. A Inglaterra era no início do século XIX a única
potência industrial. Napoleão Bonaparte tornou-se imperador da França em 1804 e tinha a
ambição de criar um grande império na Europa inspirado no Império Romano. Depois da
derrota francesa na Batalha (marítima) de Trafalgar, Napoleão decretou o famoso Bloqueio
Continental em 1806 objetivando isolar economicamente a Inglaterra que estava na era
industrial e necessitava de matéria-prima e mercador consumidor. Desta forma, a Inglaterra
utilizou sua influência sobre Portugal e escoltou a Corte Portuguesa para o Brasil em 1808
provocando a abertura dos portos brasileiros para os produtos ingleses.
Resposta da questão 2:
[C]
Somente a proposição [C] está correta. A questão remete a “Era Napoleônica”, entre 1799-
1815, que pode ser dividida em três fases, o Consulado (1799-1804), o Império (1804-1815) e
o Governo dos Cem Dias. Napoleão representou os ideais (ideias Liberais Iluministas) da
Revolução Francesa e expandiu estes princípios para a Europa. Uma grande marca deste
contexto (além das grandes batalhas) foi a elaboração do Código Civil em 1804, inspirado na
Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 e no Direito Romano. Este
código defendeu a igualdade do indivíduo perante a lei, o direito à propriedade e a proibição de
organização de sindicatos dos trabalhadores e greves.
Resposta da questão 3:
[A]
A famosa obra de Goya retrata o fuzilamento de populares em Madri, que resistiram à
ocupação francesa promovida por tropas napoleônicas. A invasão francesa foi responsável por
derrubar o absolutismo na Espanha, mas mesmo assim encontrou forte resistência popular que
se organizou e lutou pela libertação do país.
Resposta da questão 4:
[E]
A política expansionista francesa tinha como grande objetivo ampliar seus mercados na
Europa, como uma das bases para sua industrialização e, nesse sentido, após a derrota na
tentativa de invadir a Inglaterra, a política de Napoleão Bonaparte pretendeu isolar a Inglaterra
e estrangular sua economia.
Resposta da questão 5:
a) Porque, apesar de as tropas napoleônicas serem propagadoras dos ideais de liberdade
contrários ao Antigo Regime que ainda vigorava na Espanha, sua presença no território
espanhol desencadeou a revolta da população, contrária à dominação estrangeira.
b) Sim. O caso da ocupação do Iraque por tropas norte-americanas e seus aliados, porque
apesar destes justificarem suas ações em nome do estabelecimento da democracia e da
liberdade no país, encontram forte resistência de grupos iraquianos de orientação nacionalista
ou de orientação fundamentalista associados a estrangeiros árabes contrários à imposição de
valores ocidentais ao mundo árabe.
Resposta da questão 6:
[C]
O Iluminismo, movimento contrário ao Absolutismo e que defendia o direito à liberdade e à
igualdade dos povos, influenciou uma série de movimentos mundo afora, incluindo a
Independência das 13 Colônias.
Resposta da questão 7:
[B]
No episódio que ficou conhecido como “Boston Tea Party”, os colonos americanos derrubaram
cargas de chá de navios ingleses. A metrópole reagiu fazendo as “Leis Intoleráveis” ou
coercitivas, em 1774, interditando o porto de Boston, o principal da região.
Resposta da questão 8:
[A]
Resposta da questão 9:
a) O candidato poderá identificar uma entre as seguintes características da colonização
inglesa na América:
- os próprios colonos nomeavam seus magistrados, podiam declarar guerra, concluir tratados
de paz e promulgar leis que dissessem respeito às questões locais;
- o fato de comunidades inteiras migrarem para o Novo Mundo fugindo de perseguições
religiosas ou de condições miseráveis de vida, buscando construir um novo lar, colaborou para
que os colonos desenvolvessem um espírito de autonomia em relação à Inglaterra;
- a autonomia local esteve mais presente nas colônias originárias de companhias de comércio,
como Massachussets, nas quais o governador e a Assembleia eram eleitos pelos colonos e os
funcionários eram nomeados pela autoridade popular; contudo, mesmo as colônias reais, como
Geórgia ou Virginia, e as de proprietários, como Maryland ou Pensilvânia, evoluíram para a
criação de Assembleias compostas e eleitas por representantes de homens livres; a isto se
denomina tradição do self-government ou autogoverno.
b) O candidato poderá explicar uma entre as seguintes motivações:
- a independência das Treze Colônias da Inglaterra, em 1776, está relacionada primeiramente
à vitória que os colonos norte-americanos tiveram sobre os franceses em território americano
durante a Guerra dos Sete Anos (1756-1763). A vitória na guerra tornou o apoio da metrópole
dispensável, uma vez que o “perigo francês” havia sido eliminado e, portanto, a presença de
tropas inglesas em solo americano parecia cada vez mais incômoda;
- logo após a guerra, a Coroa impediu qualquer povoamento das ricas terras – dos Apalaches
ao Mississipi – que os colonos haviam conquistado dos franceses, reservando-as para si;
- a Coroa impôs aos colonos o pagamento dos custos da guerra e, para isso, propôs ao
Parlamento uma série de medidas que restaurariam o regime de monopólio e permitiriam a
cobrança de novas taxas. O sistema de exclusivo desde muito se deteriorara nas colônias
inglesas, e a volta efetiva a uma aplicação estrita deste estatuto trazia em si a ruína de toda
uma classe de comerciantes, armadores e marinheiros que tinham baseado sua fortuna no
comércio com as Antilhas francesas e espanholas. A subsequente aprovação e imposição pelo
Parlamento inglês de uma série de leis (a Lei do Selo, a Lei do Chá, as Leis Intoleráveis, por
exemplo), sem consultar as Assembleias coloniais, veio a alterar profundamente as relações
entre a metrópole e as colônias. As novas taxas, além de onerarem os colonos, tocavam em
um ponto de direito cuja discussão vai ocupar um lugar cada vez maior no desacordo entre as
partes. A questão que se colocava se o governo inglês tinha o direito de cobrar esses impostos
envolvia o grande princípio constitucional inglês: nada de imposições novas sem o
consentimento dos representantes, que remetia à Magna Carta. As colônias da América, ao se
rebelarem contra essas atitudes e ao invocarem o respeito a esse princípio, não o faziam
somente por influência das ideias iluministas em voga na época, mas colocavam em prática
todo um conjunto de tradições políticas britânicas apreendidas na própria experiência colonial.
Td 8   hist i

Td 8 hist i

  • 1.
    1. O mapaabaixo representa a divisão geopolítica europeia no início do século XIX, destacando a estratégia militar napoleônica conhecida como Bloqueio Continental. A linha de Bloqueio Continental que se estende de Portugal até a Noruega, representada no mapa, revela a intenção francesa de a) integrar a economia europeia, com a isenção das tarifas alfandegárias. b) fortalecer a França, garantindo-lhe a livre circulação pelos portos britânicos. c) desenvolver a economia espanhola, consolidando seu monopólio comercial na Península Ibérica. d) isolar a Grã-Bretanha, impedindo-lhe o acesso a importantes mercados da Europa continental. e) inibir o comércio de escravos oriundos de portos africanos, situados ao norte da Linha do Equador. 2. Napoleão Bonaparte assumiu o poder na França, em 1799. A partir do chamado Golpe do 18 Brumário, tornou-se primeiro cônsul, depois primeiro cônsul vitalício e, posteriormente, imperador. Durante o seu governo, a) retomou as relações com a Igreja Católica e permitiu total autonomia dos seus sacerdotes. b) estabeleceu uma monarquia parlamentarista, nos moldes do sistema de governo vigente na Inglaterra. c) estabeleceu um novo Código Civil que manteve a igualdade jurídica para os cidadãos do sexo masculino e o direito à propriedade privada. d) procurou retomar antigas possessões marítimas francesas, envolvendo-se em uma guerra desgastante no Haiti e no sudeste asiático. e) aliou-se aos “sans culottes”, grupos mais radicais da Revolução Francesa, e, por isso, foi derrubado em 1814. 3. A cena retratada no quadro simboliza a
  • 2.
    a) estupefação dianteda destruição e da mortalidade causadas por um tipo de guerra que começava a ser feita em escala até então inédita. b) Razão, propalada por filósofos europeus do século XVIII, e seu triunfo universal sobre o autoritarismo do Antigo Regime. c) perseverança da fé católica em momentos de adversidade, como os trazidos pelo advento das revoluções burguesas. d) força do Estado nacional nascente, a impor sua disciplina civilizatória sobre populações rústicas e despolitizadas. e) defesa da indústria bélica, considerada força motriz do desenvolvimento econômico dos Estados nacionais do século XIX. 4. Artigo 5.º — O comércio de mercadorias inglesas é proibido, e qualquer mercadoria pertencente à Inglaterra, ou proveniente de suas fábricas e de suas colônias é declarada boa presa. (...) Artigo 7.º — Nenhuma embarcação vinda diretamente da Inglaterra ou das colônias inglesas, ou lá tendo estado, desde a publicação do presente decreto, será recebida em porto algum. Artigo 8.º — Qualquer embarcação que, por meio de uma declaração, transgredir a disposição acima, será apresada e o navio e sua carga serão confiscados como se fossem propriedade inglesa. (Excerto do Bloqueio Continental, Napoleão Bonaparte. Citado por Kátia M. de Queirós Mattoso. Textos e documentos para o estudo da história contemporânea (1789-1963), 1977.) Esses artigos do Bloqueio Continental, decretado pelo Imperador da França em 1806, permitem notar a disposição francesa de a) estimular a autonomia das colônias inglesas na América, que passariam a depender mais de seu comércio interno. b) impedir a Inglaterra de negociar com a França uma nova legislação para o comércio na Europa e nas áreas coloniais. c) provocar a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, por meio da ocupação militar da Península Ibérica. d) ampliar a ação de corsários ingleses no norte do Oceano Atlântico e ampliar a hegemonia francesa nos mares europeus. e) debilitar economicamente a Inglaterra, então em processo de industrialização, limitando seu comércio com o restante da Europa. 5. "A mais extravagante ideia que possa germinar no cérebro de um político é acreditar que basta a um povo entrar de mão armada num país estrangeiro para lhe fazer adotar as suas leis e a sua Constituição. Ninguém estima os missionários armados, e o primeiro conselho que a natureza e a prudência dão é repeli-los como inimigos." Robespierre, janeiro de 1792. a) Por que a ocupação da Espanha pelo exército napoleônico, em 1808, tornou o texto
  • 3.
    profético? b) Há nomomento atual alguma situação à qual o texto pode ser referido? Por quê? 6. Todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, entre os quais figuram a vida, a liberdade e a busca da felicidade. Para assegurar esses direitos, entre os homens se instituem governos, que derivam seus justos poderes do consentimento dos governados. Sempre que uma forma de governo se dispõe a destruir essas finalidades, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la, e instituir um novo governo, assentando seu fundamento sobre tais princípios e organizando seus poderes de tal forma que a ele pareça ter maior probabilidade de alcançar-lhe a segurança e a felicidade. (Declaração de Independência dos Estados Unidos (1776). In: Harold Syrett (org.). Documentos históricos dos Estados Unidos, 1988.) O documento expõe o vínculo da luta pela independência das treze colônias com os princípios a) liberais, que defendem a necessidade de impor regras rígidas de protecionismo fiscal. b) mercantilistas, que determinam os interesses de expansão do comércio externo. c) iluministas, que enfatizam os direitos de cidadania e de rebelião contra governos tirânicos. d) luteranos, que obrigam as mulheres e os homens a lutar pela própria salvação. e) católicos, que justificam a ação humana apenas em função da vontade e do direito divinos. 7. Em 1773, procurando aliviar as dificuldades financeiras da Companhia das Índias Orientais, o governo britânico concedeu-lhe o monopólio do chá nas colônias. Os colonos reagiram e disfarçados de índios, patriotas de Boston, abordaram navios que transportavam chá, lançando a mercadoria nas águas do porto. (H. C. Allen. História dos Estados Unidos da América) A ação descrita pelo texto levou o parlamento britânico a promulgar, em 1774, as Leis Coercitivas ou, como foram chamadas pelos colonos, Intoleráveis. Tais leis: a) lançavam impostos sobre vidro e corantes; b) interditavam o porto de Boston até que fosse pago o prejuízo causado pelos colonos; c) proibiam a emissão de papéis de crédito na colônia que, até então, eram usados como moeda; d) impunham aos colonos os custos do alojamento e fornecimento de víveres para as tropas britânicas enviadas para a colônia; e) enfraqueceram a autoridade do governador de Massachusetts. 8. Leia os trechos: "Na Europa, as terras ou são cultivadas ou são proibidas aos agricultores. A manufatura deve, então, ser procurada por necessidade e não por escolha. Nós, porém, temos uma imensidade de terra. (...) Enquanto tivermos terra para trabalhar, nunca desejemos ver nossos cidadãos ocupados numa bancada de trabalho ou girando uma roca de fiar (...). Para as operações gerais de manufatura, deixemos que as nossas oficinas continuem na Europa. É melhor enviar matérias-primas para os trabalhadores de lá do que trazê-los para cá (...), com seus costumes e princípios. A aglomeração das grandes cidades não contribui para a manutenção de um governo legítimo (...)." (Thomas Jefferson, 1784) "Os regulamentos restritivos, que têm feito baixar a venda nos mercados estrangeiros do excedente cada vez maior de nossa produção agrícola (...) geraram forte desejo de que se criasse, internamente, uma demanda maior para aqueles excedentes. (...) Convém aqui enumerar os principais fatores que permitem concluir que os estabelecimentos manufatureiros não apenas provocam um aumento positivo no produto e na renda da sociedade, como também contribuem, decisivamente, para desenvolvê-la (...). 1. a divisão do trabalho; 2. uma ampliação no uso da maquinaria; 3. a utilização adicional de classes da comunidade (...); 4. a promoção da imigração de países estrangeiros; 5. a oferta de maiores
  • 4.
    oportunidades à diversidadede talentos (...); 6. o aparecimento de um campo mais amplo e variado para a empresa; (...)." (Alexander Hamilton, 1791) (In Secretaria da Educação-SP, "Coletânea de documentos de História da América para o 20. grau") Os documentos tratam dos Estados Unidos logo após a independência. De acordo com os trechos, é correto afirmar que Jefferson e Hamilton a) divergem sobre a necessidade de instalar manufaturas nos Estados Unidos. b) concordam com a adoção de princípios fisiocratas no novo país. c) destacam o aumento do volume e da renda das exportações agrícolas americanas. d) defendem a vinda de imigrantes europeus para os Estados Unidos. e) discordam sobre a manutenção do trabalho escravo em sua economia. 9. Alexis de Tocqueville, nobre francês que viajou pelos Estados Unidos e relatou suas impressões em seu livro A democracia na América, de 1835, assim se referiu à sociedade norte-americana: “Os colonos americanos exerciam, desde o início, direitos de soberania. Nomeavam os seus magistrados, concluíam a paz, declaravam a guerra, promulgavam as leis, como se sua fidelidade só fosse devida a Deus. (...) Nas leis da Nova Inglaterra encontramos o germe e o desenvolvimento da independência local que é a mola da liberdade americana de nossos dias.” Alexis de Tocqueville. A democracia na América. Leis e Costumes. Livro I. São Paulo: Martins Fontes, 2001, p.73. a) IDENTIFIQUE uma característica da colonização inglesa na América possibilitadora do “desenvolvimento da independência local” dos colonos. b) EXPLIQUE uma motivação para a Declaração da Independência dos colonos americanos, na década de 1770.
  • 5.
    Gabarito: Resposta da questão1: [D] Somente a proposição [D] está correta. A questão remete ao Bloqueio Continental que aconteceu na Era Napoleônica, 1799-1815. A Inglaterra era no início do século XIX a única potência industrial. Napoleão Bonaparte tornou-se imperador da França em 1804 e tinha a ambição de criar um grande império na Europa inspirado no Império Romano. Depois da derrota francesa na Batalha (marítima) de Trafalgar, Napoleão decretou o famoso Bloqueio Continental em 1806 objetivando isolar economicamente a Inglaterra que estava na era industrial e necessitava de matéria-prima e mercador consumidor. Desta forma, a Inglaterra utilizou sua influência sobre Portugal e escoltou a Corte Portuguesa para o Brasil em 1808 provocando a abertura dos portos brasileiros para os produtos ingleses. Resposta da questão 2: [C] Somente a proposição [C] está correta. A questão remete a “Era Napoleônica”, entre 1799- 1815, que pode ser dividida em três fases, o Consulado (1799-1804), o Império (1804-1815) e o Governo dos Cem Dias. Napoleão representou os ideais (ideias Liberais Iluministas) da Revolução Francesa e expandiu estes princípios para a Europa. Uma grande marca deste contexto (além das grandes batalhas) foi a elaboração do Código Civil em 1804, inspirado na Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 e no Direito Romano. Este código defendeu a igualdade do indivíduo perante a lei, o direito à propriedade e a proibição de organização de sindicatos dos trabalhadores e greves. Resposta da questão 3: [A] A famosa obra de Goya retrata o fuzilamento de populares em Madri, que resistiram à ocupação francesa promovida por tropas napoleônicas. A invasão francesa foi responsável por derrubar o absolutismo na Espanha, mas mesmo assim encontrou forte resistência popular que se organizou e lutou pela libertação do país. Resposta da questão 4: [E] A política expansionista francesa tinha como grande objetivo ampliar seus mercados na Europa, como uma das bases para sua industrialização e, nesse sentido, após a derrota na tentativa de invadir a Inglaterra, a política de Napoleão Bonaparte pretendeu isolar a Inglaterra e estrangular sua economia. Resposta da questão 5: a) Porque, apesar de as tropas napoleônicas serem propagadoras dos ideais de liberdade contrários ao Antigo Regime que ainda vigorava na Espanha, sua presença no território espanhol desencadeou a revolta da população, contrária à dominação estrangeira. b) Sim. O caso da ocupação do Iraque por tropas norte-americanas e seus aliados, porque apesar destes justificarem suas ações em nome do estabelecimento da democracia e da liberdade no país, encontram forte resistência de grupos iraquianos de orientação nacionalista ou de orientação fundamentalista associados a estrangeiros árabes contrários à imposição de valores ocidentais ao mundo árabe. Resposta da questão 6: [C]
  • 6.
    O Iluminismo, movimentocontrário ao Absolutismo e que defendia o direito à liberdade e à igualdade dos povos, influenciou uma série de movimentos mundo afora, incluindo a Independência das 13 Colônias. Resposta da questão 7: [B] No episódio que ficou conhecido como “Boston Tea Party”, os colonos americanos derrubaram cargas de chá de navios ingleses. A metrópole reagiu fazendo as “Leis Intoleráveis” ou coercitivas, em 1774, interditando o porto de Boston, o principal da região. Resposta da questão 8: [A] Resposta da questão 9: a) O candidato poderá identificar uma entre as seguintes características da colonização inglesa na América: - os próprios colonos nomeavam seus magistrados, podiam declarar guerra, concluir tratados de paz e promulgar leis que dissessem respeito às questões locais; - o fato de comunidades inteiras migrarem para o Novo Mundo fugindo de perseguições religiosas ou de condições miseráveis de vida, buscando construir um novo lar, colaborou para que os colonos desenvolvessem um espírito de autonomia em relação à Inglaterra; - a autonomia local esteve mais presente nas colônias originárias de companhias de comércio, como Massachussets, nas quais o governador e a Assembleia eram eleitos pelos colonos e os funcionários eram nomeados pela autoridade popular; contudo, mesmo as colônias reais, como Geórgia ou Virginia, e as de proprietários, como Maryland ou Pensilvânia, evoluíram para a criação de Assembleias compostas e eleitas por representantes de homens livres; a isto se denomina tradição do self-government ou autogoverno. b) O candidato poderá explicar uma entre as seguintes motivações: - a independência das Treze Colônias da Inglaterra, em 1776, está relacionada primeiramente à vitória que os colonos norte-americanos tiveram sobre os franceses em território americano durante a Guerra dos Sete Anos (1756-1763). A vitória na guerra tornou o apoio da metrópole dispensável, uma vez que o “perigo francês” havia sido eliminado e, portanto, a presença de tropas inglesas em solo americano parecia cada vez mais incômoda; - logo após a guerra, a Coroa impediu qualquer povoamento das ricas terras – dos Apalaches ao Mississipi – que os colonos haviam conquistado dos franceses, reservando-as para si; - a Coroa impôs aos colonos o pagamento dos custos da guerra e, para isso, propôs ao Parlamento uma série de medidas que restaurariam o regime de monopólio e permitiriam a cobrança de novas taxas. O sistema de exclusivo desde muito se deteriorara nas colônias inglesas, e a volta efetiva a uma aplicação estrita deste estatuto trazia em si a ruína de toda uma classe de comerciantes, armadores e marinheiros que tinham baseado sua fortuna no comércio com as Antilhas francesas e espanholas. A subsequente aprovação e imposição pelo Parlamento inglês de uma série de leis (a Lei do Selo, a Lei do Chá, as Leis Intoleráveis, por exemplo), sem consultar as Assembleias coloniais, veio a alterar profundamente as relações entre a metrópole e as colônias. As novas taxas, além de onerarem os colonos, tocavam em um ponto de direito cuja discussão vai ocupar um lugar cada vez maior no desacordo entre as partes. A questão que se colocava se o governo inglês tinha o direito de cobrar esses impostos envolvia o grande princípio constitucional inglês: nada de imposições novas sem o consentimento dos representantes, que remetia à Magna Carta. As colônias da América, ao se rebelarem contra essas atitudes e ao invocarem o respeito a esse princípio, não o faziam somente por influência das ideias iluministas em voga na época, mas colocavam em prática todo um conjunto de tradições políticas britânicas apreendidas na própria experiência colonial.