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Sou
Diferente,
Sou
Fantástico!
Susana Teles Margarido
Ilustrado por
Marília Ascenso e Fedra Santos
Sou
Diferente,
Sou
Fantástico!
Este livro é para todas as meninas e
todos os meninos que querem ajudar a
construir um mundo mais justo.
Falar de igualdade não é exigir que as pes-
soas sejam todas iguais.
As pessoas são diferentes. São diferentes
porque têm cores diferentes, porque têm se-
xos diferentes, porque pensam de forma di-
ferente, porque gostam de coisas diferentes.
São diferentes, porque... não são iguais!
Falar de igualdade quer dizer que, apesar
de sermos todas e todos diferentes, temos
que respeitar essas diferenças, porque temos
iguais deveres e direitos.
Devemos tratar as outras pessoas da mes-
ma forma que queremos que elas nos tratem.
Devemos lutar para sermos pessoas felizes
e fazermos felizes quem nos rodeia.
Só assim poderemos viver em paz e contri-
buir para que o mundo se vá tornando cada
vez mais justo.
Vamos melhorar o mundo... respeitando as
pessoas que são diferentes de nós!
1010
1111
E
ra uma vez uma grandiosa flo-
resta repleta de árvores enor-
mes e seculares .
Nessa floresta existiam carvalhos,
choupos, nogueiras, freixos, acácias,
salgueiros e ulmeiros; uma diversida-
de de árvores magníficas que atingiam
trinta e quarenta metros de altura. A
floresta era, por isso, muito verde, mui-
to densa e com o ar muito puro.
Os carvalhos tinham troncos tão
grossos que dava para se fazer casas lá
1212
dentro. Eram o espaço privilegiado dos
esquilos e dos coelhos que construíam
grandes tocas com vários pisos. Algu-
mas até tinham escadas e elevadores.
Num desses grandiosos carvalhos,
de vinte metros de altura, de copa arre-
dondada, com um tronco de casca acin-
zentada e ramos avermelhados cober-
tos de pêlos, vivia uma grande família
de esquilos: a família Ratufa.
Todos os membros da família tinham
enormes olhos, dentes colossais e per-
nas musculosas que lhes permitiam sal-
tar distâncias de mais de cinco metros.
As crianças faziam incríveis acrobacias:
davam quedas de trinta metros e não se
magoavam.
– Dentinho, já te avisei que não que-
1313
1414
ro que te atires da varanda! – gritava a
mãe do esquilo, zangada.
Mas Dentinho não resistia e de ma-
nhã, quando acordava, atirava-se da va-
randa do quarto.
– Assim é muito mais rápido. Chego à
cozinha antes dos outros e fico com as
nozes maiores.
Depois chegavam os irmãos, que des-
ciam pelas escadas, e o alvoroço era
enorme. Desapareciam dos cestos de-
zenas de nozes e de bolotas e no ar ins-
talava-se um enorme silêncio.
Iam todos para a escola, mas Denti-
nho ficava em casa com a mãe. Logo
de seguida, começavam as limpezas na
cozinha e a criança aproveitava para ir
passear pela floresta.
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– Olá! – disse uma voz muito doce.
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disse Alegria, envergonhada.
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comigo, chamam-me nomes e não me
deixam brincar com elas. Até os meus
irmãos quando vão passear não me le-
vam; dizem que eu só atrapalho.
Quando Dentinho falou notou-se uma
grande amargura na sua voz. Alegria
deu um suspiro de tristeza.
1717
1818
«Como podem os outros ser tão maus,
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– Mas isso é um grande disparate; não
é justo! Tu não vês, mas podes fazer
tudo aquilo que os outros fazem. Tal-
vez até haja coisas que fazes melhor...
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– Isso não sei. Nunca me deixam fa-
zer nada. Sou sempre posto de lado…
Alegria estava enfurecida com toda
aquela maldade, com toda aquela in-
justiça. As fadas são muito simpáticas,
muito amáveis, mas perante a cruel-
dade dos outros ficam enraivecidas e
quando isso acontece o melhor é não
estar por perto.
– Deixa-os estar, Dentinho. Ainda se
vão arrepender. Anda comigo, vamos
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brincar; adoro construir castelos com
ramos e folhas. Vens?
– Vou. Mas porque é que tu não fazes
uma magia e os castelos aparecem? Tu
és uma fada – perguntou dentinho, con-
vencido de que a varinha mágica podia
fazer tudo.
– Ora, e que piada é que isso tinha?
É muito mais giro brincar. Eu só uso a
varinha de condão para coisas sérias.
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dar-me visão? – questionou, de novo,
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Dentinho começou a cantar de satisfa-
ção. Pela primeira vez era convidado
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A fada cessou a sua tarefa e ficou a
escutar atentamente Dentinho. Estava
boquiaberta, emocionada. Ao fim de al-
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2323
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tros são mais cegos do que tu, são ce-
gos da alma, do coração; e não há pior
cegueira do que aquela que atinge o co-
ração – afirmou a fada.
Dentinho ficou ainda mais feliz; para
além de ter encontrado uma amiga,
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Naquela noite Dentinho não conse-
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tume, atirou-se da varanda, mas nem
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2626
Alegria, que ainda estava deitada num
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– Bom dia, Alegria! Estou pronto para
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O
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voz maravilhosa. Quero-te na minha
orquestra – disse, alto e em bom som,
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3636
3737
A
orquestra do castor era com-
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A pianista, uma gazela lindíssima, an-
dava numa cadeira de rodas. Nem todos
tinham problemas físicos, mas muitos
tinham, o que não os impedia de serem
fantásticos e formarem a mais maravi-
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de todos os tempos.
Quando havia concertos, todos os
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3838
realizavam lindos bailes de gala, nas
clareiras, ao luar.
Mais tarde, motivados por aquele ex-
traordinário exemplo, formou-se um
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nos e dançarinas mostravam a toda a
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tes vistas. A professora de bailado era
surda, mas era a melhor dançarina da-
quela região.
3939
4040
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D
entinho cresceu. Ficou um
lindo e robusto esquilo.
À medida que os anos pas-
savam, cada vez cantava mais e melhor.
Começou a obedecer à mãe e já não se
atirava da varanda; em contrapartida,
nas noites calmas, em que o vento dor-
mia sereno, Dentinho ia para essa mes-
ma varanda cantar e o seu canto encan-
tava todos os animais, que depois ador-
meciam calmos e felizes.
4242
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Actividades
Escrevo, desenho e pinto
Escrevo, desenho e pinto
Título Sou Diferente, Sou Fantástico!
Autora Susana Teles Margarido
Ilustrações Marília Ascenso e Fedra Santos
Design Furtacores Design
Revisão Brites Araújo
Edição Direcção Regional da Igualdade de Oportunidades
Execução Gráfica Nova Gráfica
ISBN 978-989-96363-1-6
Tiragem 5000 exemplares
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Susana Teles Margarido

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  • 2.
  • 4.
  • 5. Susana Teles Margarido Ilustrado por Marília Ascenso e Fedra Santos Sou Diferente, Sou Fantástico!
  • 6.
  • 7. Este livro é para todas as meninas e todos os meninos que querem ajudar a construir um mundo mais justo.
  • 8.
  • 9. Falar de igualdade não é exigir que as pes- soas sejam todas iguais. As pessoas são diferentes. São diferentes porque têm cores diferentes, porque têm se- xos diferentes, porque pensam de forma di- ferente, porque gostam de coisas diferentes. São diferentes, porque... não são iguais! Falar de igualdade quer dizer que, apesar de sermos todas e todos diferentes, temos que respeitar essas diferenças, porque temos iguais deveres e direitos. Devemos tratar as outras pessoas da mes- ma forma que queremos que elas nos tratem. Devemos lutar para sermos pessoas felizes e fazermos felizes quem nos rodeia. Só assim poderemos viver em paz e contri- buir para que o mundo se vá tornando cada vez mais justo. Vamos melhorar o mundo... respeitando as pessoas que são diferentes de nós!
  • 10. 1010
  • 11. 1111 E ra uma vez uma grandiosa flo- resta repleta de árvores enor- mes e seculares . Nessa floresta existiam carvalhos, choupos, nogueiras, freixos, acácias, salgueiros e ulmeiros; uma diversida- de de árvores magníficas que atingiam trinta e quarenta metros de altura. A floresta era, por isso, muito verde, mui- to densa e com o ar muito puro. Os carvalhos tinham troncos tão grossos que dava para se fazer casas lá
  • 12. 1212 dentro. Eram o espaço privilegiado dos esquilos e dos coelhos que construíam grandes tocas com vários pisos. Algu- mas até tinham escadas e elevadores. Num desses grandiosos carvalhos, de vinte metros de altura, de copa arre- dondada, com um tronco de casca acin- zentada e ramos avermelhados cober- tos de pêlos, vivia uma grande família de esquilos: a família Ratufa. Todos os membros da família tinham enormes olhos, dentes colossais e per- nas musculosas que lhes permitiam sal- tar distâncias de mais de cinco metros. As crianças faziam incríveis acrobacias: davam quedas de trinta metros e não se magoavam. – Dentinho, já te avisei que não que-
  • 13. 1313
  • 14. 1414 ro que te atires da varanda! – gritava a mãe do esquilo, zangada. Mas Dentinho não resistia e de ma- nhã, quando acordava, atirava-se da va- randa do quarto. – Assim é muito mais rápido. Chego à cozinha antes dos outros e fico com as nozes maiores. Depois chegavam os irmãos, que des- ciam pelas escadas, e o alvoroço era enorme. Desapareciam dos cestos de- zenas de nozes e de bolotas e no ar ins- talava-se um enorme silêncio. Iam todos para a escola, mas Denti- nho ficava em casa com a mãe. Logo de seguida, começavam as limpezas na cozinha e a criança aproveitava para ir passear pela floresta.
  • 15. 1515
  • 16. 1616 – Olá! – disse uma voz muito doce. – Quem és tu? – Sou o Dentinho e tu? – Sou Alegria, a fada desta floresta. Não se nota pelas minhas asas? – Talvez se note, mas eu não vejo; sou cego! – Oh, desculpa. Não me apercebi. – disse Alegria, envergonhada. – Deixa estar… já estou habituado. O pior é que as outras crianças gozam comigo, chamam-me nomes e não me deixam brincar com elas. Até os meus irmãos quando vão passear não me le- vam; dizem que eu só atrapalho. Quando Dentinho falou notou-se uma grande amargura na sua voz. Alegria deu um suspiro de tristeza.
  • 17. 1717
  • 18. 1818 «Como podem os outros ser tão maus, tão insensíveis?» – pensou. – Mas isso é um grande disparate; não é justo! Tu não vês, mas podes fazer tudo aquilo que os outros fazem. Tal- vez até haja coisas que fazes melhor... – proferiu a fada, indignada. – Isso não sei. Nunca me deixam fa- zer nada. Sou sempre posto de lado… Alegria estava enfurecida com toda aquela maldade, com toda aquela in- justiça. As fadas são muito simpáticas, muito amáveis, mas perante a cruel- dade dos outros ficam enraivecidas e quando isso acontece o melhor é não estar por perto. – Deixa-os estar, Dentinho. Ainda se vão arrepender. Anda comigo, vamos
  • 19. 1919
  • 20. 2020 brincar; adoro construir castelos com ramos e folhas. Vens? – Vou. Mas porque é que tu não fazes uma magia e os castelos aparecem? Tu és uma fada – perguntou dentinho, con- vencido de que a varinha mágica podia fazer tudo. – Ora, e que piada é que isso tinha? É muito mais giro brincar. Eu só uso a varinha de condão para coisas sérias. – Ai é? Então podes curar-me? Podes dar-me visão? – questionou, de novo, cheio de esperança. – Não, amigo, isso não posso. Quero ajudar-te, mas as magias que faço não dão para tanto – respondeu Alegria, co- movida. Enquanto apanhavam ramos e folhas,
  • 21. 2121
  • 22. 2222 Dentinho começou a cantar de satisfa- ção. Pela primeira vez era convidado para brincar e não era por uma criança qualquer, era por uma fada-menina. A fada cessou a sua tarefa e ficou a escutar atentamente Dentinho. Estava boquiaberta, emocionada. Ao fim de al- gum tempo, conseguiu exclamar, com a voz trémula: – Dentinho, tens uma voz magnífi- ca… fantástica! O esquilo, que continuava atarefado, também fez uma pausa e, admirado, questionou: – Achas, mesmo? Nunca ninguém me disse isso. – Porque nem olham para ti; porque não te prestam atenção. Porque os ou-
  • 23. 2323
  • 24. 2424 tros são mais cegos do que tu, são ce- gos da alma, do coração; e não há pior cegueira do que aquela que atinge o co- ração – afirmou a fada. Dentinho ficou ainda mais feliz; para além de ter encontrado uma amiga, descobriu que tinha uma linda voz. – Tive uma boa ideia – disse Alegria. – Amanhã vou apresentar-te um grande amigo. Ele é muito culto e é maestro. Tenho a certeza de que te ajudará a se- res um grande cantor. Naquela noite Dentinho não conse- guiu dormir. Estava agitadíssimo de fe- licidade. Mal amanheceu, como de cos- tume, atirou-se da varanda, mas nem tomou o pequeno-almoço; foi a correr encontrar-se com Alegria.
  • 25. 2525
  • 26. 2626 Alegria, que ainda estava deitada num colchão de pétalas, acabara de acordar e espreguiçava-se deliciada. – Bom dia, Alegria! Estou pronto para a caminhada. Trouxe umas bolotas para comermos. – Bolotas?! Achas que gosto de bolo- tas? Não sou um esquilo, sou uma fada; esqueceste-te? – Oh… pois és… esqueci-me. – Deixa lá, apanho amoras; há muitas na floresta. Caminharam durante horas. Conver- saram, cantaram e riram-se das anedo- tas que Dentinho contou. – Sabes imensas anedotas, quem te ensinou?
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  • 28. 2828 – Ora, inventei. Como estou quase sempre sozinho tento divertir-me como posso; canto, invento anedotas e contos e apanho flores perfumadas para fazer ramos que ofereço à minha mãe. – Fantástico! Prepara-te, estamos a chegar – informou Alegria.
  • 29. 2929
  • 30. 3030
  • 31. 3131 O amigo da fada era um cas- tor. Atarefado, construía uma barragem, com tron- cos, no rio. – Bom dia, Castrim! Ainda gostava de saber como é que tens energia para construir tantas barragens... – disse Alegria. – Olá, amiga. Que agradável surpresa! Parece-me que trazes companhia. – É o Dentinho, o meu mais novo ami- go. Gostaria que o conhecesses e o ou-
  • 32. 3232 visses cantar, ele tem uma voz maravi- lhosa. – Muito prazer, Dentinho. Não te con- sigo ver bem porque sou amblíope. – E eu sou cego. Também não te con- sigo ver. – Com certeza terás outras vantagens – disse o castor. – Eu vejo muito mal, mas tenho um excelente olfacto e uma audi- ção muito apurada. É por isso que sou maestro; decidi dedicar-me à música. – Ele canta e canta muito bem! – afir- mou Alegria, muito alegre. – Canta lá um bocadinho para o Castrim te ouvir. Dentinho ficou muito corado, afinal nunca tinha cantado para um maestro, mas encheu-se de coragem e deu o seu melhor.
  • 33. 3333
  • 34. 3434 Cantou, cantou, cantou… Esqueceu-se do mundo que o rodea- va e cantou… Quando acabou, ouviu bater palmas; muitas, muitas palmas. Ouviu: Bravo! Bravo! Bis! Bis! Eram centenas de vozes em uníssono. Dentinho estava confuso. – Estarei a sonhar? – murmurou. – Não, Dentinho, não estás a sonhar. À tua volta estão todos os animais da floresta. Estão encantados. E, de facto, à volta de Dentinho ti- nham-se juntado veados, búfalos, ma- cacos, leões, hienas, tigres, pássaros de todas as cores e tamanhos e, como não podia deixar de ser, todos os esquilos
  • 35. 3535 da floresta, até aqueles que gozavam com ele. – Fantástico! Fantástico! Tens uma voz maravilhosa. Quero-te na minha orquestra – disse, alto e em bom som, o maestro.
  • 36. 3636
  • 37. 3737 A orquestra do castor era com- posta por músicos que toca- vam diferentes instrumentos. A pianista, uma gazela lindíssima, an- dava numa cadeira de rodas. Nem todos tinham problemas físicos, mas muitos tinham, o que não os impedia de serem fantásticos e formarem a mais maravi- lhosa orquestra de todas as florestas e de todos os tempos. Quando havia concertos, todos os animais iam assistir. Às vezes também
  • 38. 3838 realizavam lindos bailes de gala, nas clareiras, ao luar. Mais tarde, motivados por aquele ex- traordinário exemplo, formou-se um grupo de bailado, onde lindos dançari- nos e dançarinas mostravam a toda a população técnicas de dança nunca an- tes vistas. A professora de bailado era surda, mas era a melhor dançarina da- quela região.
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  • 41. 4141 D entinho cresceu. Ficou um lindo e robusto esquilo. À medida que os anos pas- savam, cada vez cantava mais e melhor. Começou a obedecer à mãe e já não se atirava da varanda; em contrapartida, nas noites calmas, em que o vento dor- mia sereno, Dentinho ia para essa mes- ma varanda cantar e o seu canto encan- tava todos os animais, que depois ador- meciam calmos e felizes.
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  • 47.
  • 48. Título Sou Diferente, Sou Fantástico! Autora Susana Teles Margarido Ilustrações Marília Ascenso e Fedra Santos Design Furtacores Design Revisão Brites Araújo Edição Direcção Regional da Igualdade de Oportunidades Execução Gráfica Nova Gráfica ISBN 978-989-96363-1-6 Tiragem 5000 exemplares Depósito Legal ???