NESTA EDIÇÃO: 
A Catequese do 
Bom Pastor 
PÁG 40 
O que alguns católicos 
não notaram no último 
sucesso da Disney 
PÁG 95 
Sou catequista de 
Primeira Comunhão... 
E agora? PÁG 35 
CONFIRA NESTA EDIÇÃO: 
CATEQUESE & BRINCADEIRA 
PÁG. 26 
A CATEQUESE DE 
PRIMEIRA COMUNHÃO 
NA VIDA DAS CRIANÇAS 
PÁG. 34 
ELEMENTOS PARA UMA 
CATEQUESE PERSONALIZADA 
PÁG. 54 
UNIVERSIDADE MONSTROS 
PÁG. 95
Guia de Navegação para Tablets e Smartphones
NESTA EDIÇÃO: 
A Catequese do 
Bom Pastor 
PÁG 40 
CONFIRA NESTA EDIÇÃO: 
CATEQUESE & BRINCADEIRA 
O que alguns católicos 
não notaram no último 
sucesso da Disney 
PÁG 95 
Sou catequista de 
Primeira Comunhão... 
E agora? PÁG 35 
Edição 6 / Ano 2 / Agosto 2014 
Direção geral: Sérgio Fernandes 
Consultor Eclesiástico: Pe. José Alem 
Matéria de capa: Moacir Beggo 
Revisão: Marcus Facciollo 
Projeto gráfico: Agência Minha Paróquia 
Diagramação: Renan Trevisan 
Desenvolvimento WEB: Marcos Antônio 
e Matheus Moreira 
Atendimento: Ana Elisa Prado 
Comercial: Adriana Franco 
Banco de imagens: Shutterstock 
A revista digital Sou Catequista é uma publicação da 
agência Minha Paróquia, disponível gratuitamente para 
smartphones e tablets nas plataformas IOS e Android. Os 
conteúdos publicados são de responsabilidade de seus 
autores e não expressam necessariamente a visão da agên-cia 
Minha Paróquia. É permitida a reprodução dos mesmos 
desde que citada a fonte. O conteúdo dos anúncios é de 
total responsabilidade dos anunciantes. 
Editorial 
Estamos em festa! Agosto é o 
mês que celebramos as vocações, 
o dia do catequista (24) e 1 ano 
de publicação da revista Sou 
Catequista. São 3 temas que partem do mesmo 
princípio: GENEROSIDADE. Tudo o que fazemos em 
prol da Igreja exige um coração disposto a servir. 
O vocacionado aprende em seu percurso que deve 
se desapegar cada vez mais de suas vontades, 
interesses, para que seja o próprio Deus a conduzí-lo 
para a realização da vontade dEle. Não se chega 
dizendo “eis-me aqui para fazer de tal jeito”, o 
vocacionado de verdade diz “eis-me aqui para fazer a 
Sua vontade, Senhor”. 
Se estamos completando este tempo de trabalho 
pela formação dos catequistas é por graça de 
Deus. Os desafios não foram poucos. Aprendemos 
bastante e conquistamos resultados incríveis. Tudo 
isso não simplesmente por méritos próprios, mas 
porque buscamos dar o nosso melhor para que Deus 
iluminasse e tornasse fértil. O projeto Sou Catequista 
existe há 5 anos, começou com o portal, depois veio a 
rede social e mais adiante a revista digital. Em breve 
virá a plataforma de cursos e tudo mais o que Deus 
nos inspirar. 
A matéria de capa, com o título “Coração de 
Catequista” fala sobre esses corações inspirados, 
cheios de ideias e muito amor a Deus. Que contagiam 
outros corações com esse amor. 
Que esta edição seja bastante inspiradora para 
você na realização dessa vocação. E feliz dia dos 
catequistas! 
Sérgio Fernandes 
Direção geral 
sou catequista 
sou catequista 
PÁG. 22 
A CATEQUESE DE 
PRIMEIRA COMUNHÃO 
NA VIDA DAS CRIANÇAS 
PÁG. 29 
ELEMENTOS PARA UMA 
CATEQUESE PERSONALIZADA 
PÁG. 50 
UNIVERSIDADE MONSTROS 
PÁG. 95 
www.soucatequista.com.br 
facebook.com/soucatequista twitter.com/soucatequista
NESTA EDIÇÃO Para ler a revista, 
O CATECISMO 
RESPONDE 
60 64 
87 
A VOZ DA IGREJA 
O ESPÍRITO DOS 
EVANGELIZADORES 
Cardeal Odilo Pedro Scherer 
TEATRO NA CATEQUESE 
ARTE E VIDA À 
LUZ DA PALAVRA 
Erivandra Marques 
70 
PAPA FRANCISCO 
O QUE É FAMÍLIA PARA 
O PAPA FRANCISCO 
NOSSOS LEITORES 
DE CATEQUISTA PARA 
CATEQUISTA 
Rosilana Negoseki Foggiatto e Jaqueline 
CATECINE 
UNIVERSIDADE 
MONSTROS 
David Ives 
EVENTOS 
A VOZ DA 
IGREJA 
INICIAÇÃO CRISTÃ 
A PREPARAÇÃO 
DA CATEQUESE 
Liana Plentz 
CATEQUESE INFANTIL 
CATEQUESE & 
BRINCADEIRA 
Gilson P. Júnior 
QUAL A IMPORTÂNCIA DA CATEQUESE DE 
PRIMEIRA COMUNHÃO NA 
VIDA DAS CRIANÇAS? 
Roberto Garcia 
CATECUMENATO 
INICIAÇÃO CRISTÃ COM 
INSPIRAÇÃO CATECUMENAL 
Adriana Amorim 
CATEQUESE INCLUSIVA 
CINCO PILARES DA 
EVANGELIZAÇÃO 
INCLUSIVA 
Thaís Rufatto 
CATEQUESE PERSONALIZADA 
ELEMENTOS PARA 
UMA CATEQUESE 
PERSONALIZADA 
João Melo 
8 
12 
MATÉRIA DE CAPA 
CORAÇÃO DE CATEQUISTA 
Moacir Beggo 
88 
94 
TEOLOGIA 
A GLOBALIZAÇÃO 
NUMA VISÃO 
TEOLÓGICA 
Márcio Oliveira Elias 
92 
98 
100 
16 
26 
34 
36 
42 
54 
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próximas páginas ou 
toque nos itens do índice.
INOVAÇÃO, CRIATIVIDADE 
E PROFISSIONALISMO 
A SERVIÇO DA IGREJA 
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as paróquias, dioceses e províncias do Brasil 
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“Não tenhais medo de vos fazerdes cidadãos 
do ambiente digital.” 
Papa Francisco 
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que nos ajudarão a compreender a 
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ORÇAMENTO & 
CONTRATO 
Será enviada uma proposta 
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fecharemos um contrato e será paga 
a primeira parcela do serviço. 
PRODUÇÃO 
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de serviço (ex.: envio de pré-layout 
para aprovação). 
ENTREGA & 
LANÇAMENTO 
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NOSSOS LEITORES 8 
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Achei maravilhoso as duas peças de 
teatro, estou precisando de peças assim, 
mas para a catequese infantil, até 12 anos, 
essas duas vou passar pra Perseverança, 
os jovens vão amar. 
Pier Angeli 
Excelente, aprendo muito sobre o amor 
de Deus, e como deve um catequista se 
comportar perante os seus catequizando e 
com a Igreja. Obrigada. 
Maria Luiza 
Muito boa e um aprendizado muito 
abençoado! 
Douglas Henrique Galvão 
Estou gostando muito, tem me ajudado na 
catequese, obrigada! 
Edna Leite Silva 
Muito bom, gosto muito! 
Ana Cerdeira 
Adoro, aprendo muito com ela!!! 
Vera Covolan 
Gosto muito, aprecio as idéias. 
Uma bênção! 
Verinha da Silva 
Muito bom, ideias fantásticas. 
Marli Teresinha Pavlak Visneski
9 
Meu nome é Edilei da Silva Paula, sou 
Catequista de Adultos na cidade de 
Anápolis-GO, Paróquia Santa Clara - 
Diocese de Anápolis. Fiquei muito feliz ao 
me deparar com o site da revista já fiz o 
dowload da revista nº 4 e 5 e estou ansiosa 
pelo próximo número, principalmente. 
Pela novidade que vem aí os cursos on-line. 
Formação é uma das palavras chaves 
nos dias de hoje em todos os campos e 
não poderia deixar de ser também na 
Catequese, pois só se ama Aquilo que 
se Conhece e só se conhece quando 
estudamos, uma sugestão que faço é 
para estudarmos juntos o CIC (Catecismo 
da Igreja Católica) e os Documentos do 
Concílio Vaticano II, claro que tudo à luz 
da Sagrada Escritura. Em breve teremos 
uma formação para nossas catequistas 
e quero aproveitar esse momento para 
apresentar a revista para meus colegas 
catequistas e aproveito para sugerir 
também que vocês nos ajudem nas 
formações paroquiais sugerindo roteiros 
de formações atualizados e os eventos 
pelo Brasil e pelo mundo que tratam da 
Catequese. 
Bom trabalho a todos, fiquem com Deus e 
mais uma vez parabéns pelo belo trabalho 
e pela iniciativa. 
Edilei da Silva Paula 
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DE CATEQUISTA PARA CATEQUISTA 12 
Eu tinha 15 anos quando uma amiga me 
convidou para ajudá-la na catequese, 
lá na Colônia Zacarias, em São José 
dos Pinhais-PR. 
Quando ela me convidou eu não sabia o 
que dizer: “Mas eu? Por que eu? Eu não 
tenho instrução! Sou tão jovem e não 
tenho experiência”. Mas ela insistiu, 
dizendo: “Venha me ajudar que você 
aprende”. 
Conversei com minha mãe e ela me apoiou. 
Então, fui ajudar minha amiga num sábado 
à tarde, numa sala pequena, com algumas 
crianças. Em um momento me pediram 
para ler e explicar um trecho do Evangelho. 
Meu Deus! Eu li, mas para explicar eu 
mais gaguejei do que falei, pois realmente 
não sabia. Fiz o mínimo de catequese que 
uma pessoa deveria fazer: fiz Primeira 
Comunhão com sete anos, fui crismada 
com oito e meu catecismo era um livrinho 
vermelho só com perguntas e respostas... 
A partir daquele dia fui me capacitar, 
estudar, participar de encontros de 
formação, li e rezei muito e consegui 
vencer a timidez. Três anos depois ganhei 
uma turma de primeiro ano, com a qual 
consegui ensinar e aprender muita coisa. 
Foi maravilhoso. Fiquei com essa turma 
por cinco anos. 
Rosilana Negoseki Foggiatto 
46 anos, funcionária pública, catequista 
na Paróquia de São Pedro, Diocese de 
São José dos Pinhais-PR.
Com 23 anos eu me casei, mudei de 
paróquia, tive três filhos e fiquei longe 
da catequese. Sempre participava das 
missas, às vezes até cantava no coral, ia aos 
encontros da comunidade, novenas... Eu era 
feliz, mas sentia que faltava alguma coisa... 
Um dia recebi um telefonema da 
coordenadora da catequese me 
convidando para ser catequista. Eu aceitei 
sem nem pensar duas vezes. 
Ela então me confiou uma turma de 23 
crianças de primeiro ano. Quando cheguei 
à sala era completamente diferente de 
antigamente. Eu, que havia ensinado 
para crianças simples do interior, estava 
então com várias crianças da cidade, 
todas muito cultas e inteligentes... Tive 
que estudar ainda mais e nisso a internet 
me ajudou bastante. Conheci blogs e sites 
de catequistas que me deram a ideia de 
criar um também, com a ajuda do meu 
filho. Assim, em 29 de agosto de 2009 
criei o Blog da Nena (http://oblgdanena. 
blogsport.com.br) para me comunicar 
com outros catequistas, trocar ideias e 
experiências. 
Hoje sou catequista de terceiro ano de 
Eucaristia, este ano a minha turma é 
pequena, apenas dez crianças, eles são 
minha vida, como filhos para mim, são 
meus amigos queridos. 
Outro dia eu participava de um curso de 
liturgia e uma mulher se aproximou de 
mim e disse: “Não lembra de mim? Fui tua 
catequizanda” . 
Nossa, que alegria senti naquele momento 
em saber que uma sementinha que eu 
tinha plantado há quase 25 anos deu 
frutos! Ela é catequista, participa de 
muitos movimentos em sua paróquia. 
Quando vejo meus catequizandos 
participando da comunidade eu sinto uma 
alegria imensa em ser catequista. 
13
DE CATEQUISTA PARA CATEQUISTA 14 
Meu nome é Jaqueline, 37 anos, 
nascida em Juiz de Fora-MG e 
criada em Pequeri-MG, casada, 
mãe de dois filhos, Mariana e Daniel, 
funcionária pública e catequista. Me 
descobri catequista desde que recebi meu 
sacramento da comunhão e já ajudava 
minha querida tia Magali nas turmas 
que iam recebendo formação logo após a 
minha. Sou uma apaixonada por crianças 
e decidi servir a Deus evangelizando os 
pequeninos. Atualmente sirvo na Paróquia 
de São Pedro Apostolo em Pequeri e 
trabalho com crianças da pré-catequese, 
mas me envolvo na catequese como um 
todo. Desenvolvemos, junto com os outros 
catequistas, muitos projetos lindos. E vou 
copiando da internet muitos materiais 
católicos que contribuem com a expansão 
do Reino de Deus na Terra, principalmente 
entre as crianças. Seguem abaixo alguns 
de nossos projetos aqui na paróquia. 
Jaqueline 
37 anos, casada, mãe de dois filhos, 
Funcionária Pública e Catequista na Paróquia 
São Pedro Apóstolo em Pequeri/MG.
INICIAÇÃO CRISTÃ 16 
A PREPARAÇÃO 
DA CATEQUESE 
por Liana Plentz
17 
O Papa Francisco, na Alegria do Evangelho, dedicou 15 capítulos para o tema 
“A preparação da pregação”. Mas, se trocarmos o título para “a preparação 
da catequese” e focarmos as suas orientações para a iniciação à vida cristã, 
teremos um itinerário seguro para uma iniciação mais consciente e eficaz. 
Temos assim alguns 
objetivos a alcançar 
em nossa preparação 
de cada encontro de 
iniciação à vida cristã: 
Preparar adequadamente 
a catequese de iniciação à 
vida cristã: 
» Dedicar um tempo longo de estudo, 
oração, reflexão e criatividade pastoral 
para a preparação da catequese. Não 
confiar apenas no Espírito Santo. Temos 
que fazer a nossa parte, preparando-nos 
adequadamente. 
“Um pregador que não se prepara não é 
«espiritual»: é desonesto e irresponsável 
quanto aos dons que re-cebeu.” (EG 145) 
ISTO TAMBÉM NÃO VALE PARA O 
CATEQUISTA? 
QUANTO TEMPO DEDICAMOS PARA A 
PREPARAÇÃO DE NOSSA CATEQUESE? 
Tornar o estudo da Palavra 
de Deus o pano de fundo de 
cada catequese. 
O Papa Francisco nos convida a colocar o 
fundamento da nossa iniciação na Palavra 
de Deus, a exercer o “culto da verdade”, 
isto é, a procurar compreender qual é 
a mensagem do texto bíblico que é o 
fundamento daquela catequese. E nos 
orienta a como fazer isso adequadamente: 
» Reconhecer com humildade que somos 
os depositários, os arautos e os servidores 
dessa Palavra. 
» Estudar a Palavra com o máximo 
cuidado e com um santo temor de a 
manipular. 
» Não esperar resultados rápidos, fáceis 
ou imediatos ao ler um texto bíblico. 
» A preparação da catequese requer amor, 
pois uma pessoa só dedica um tempo 
gratuito e sem pressa às coisas ou às 
pessoas que ama; e aqui trata-se de amar 
a Deus, que quis falar. A partir desse amor, 
1 
2
INICIAÇÃO CRISTÃ 18 
uma pessoa pode deter-se todo o tempo 
que for necessário, com a atitude de um 
discípulo: «Fala, Senhor; o Teu servo 
escuta» (1Sm 3,9) (EG 146). 
» Descobrir qual é a mensagem principal, 
a mensagem que confere estrutura e 
unidade ao texto. Se o pregador não faz 
esse esforço, é possível que também a 
sua pregação não tenha unidade nem 
ordem; o seu discurso se-rá apenas uma 
súmula de várias ideias desarticuladas 
que não conseguirão mobilizar os outros. 
A mensagem central é a que o autor quis 
primariamente transmitir, o que implica 
identificar não só uma idéia, mas também 
o efeito que esse autor quis produzir. Se 
um texto foi escrito para consolar, não 
deveria ser utilizado para corri-gir erros; 
se foi escrito para exortar, não deveria ser 
utilizado para instruir; se foi escrito para 
ensinar algo sobre Deus, não deveria ser 
utilizado para explicar várias opiniões 
teológicas; se foi escrito para levar ao 
louvor ou ao serviço missionário, não o 
utilizemos para informar sobre as últimas 
notícias (EG 147). 
» Colocar o texto bíblico em ligação 
com o ensinamento da Bíblia inteira, 
transmitida pela Igreja. Este é um prin-cípio 
importante da interpretação bíblica, 
que tem em conta que o Espírito Santo 
não inspirou só uma parte, mas a Bíblia 
inteira, e que, em algumas questões, o 
povo cresceu na sua compreensão da 
vontade de Deus a partir da experiência 
vivida. Assim se evitam interpretações 
equivocadas ou parciais, que contradizem 
outros ensinamentos da mesma Escritura. 
(EG 148). 
» Desenvolver uma grande familiaridade 
pessoal com a Palavra de Deus: não 
basta conhecer o aspecto linguístico 
ou exegético, sem dúvida necessário; 
é preciso se abeirar da Palavra com o 
coração dócil e orante, a fim de que ela 
penetre a fundo nos seus pensamentos 
e sentimentos e gere em si uma nova 
mentalidade. 
» Verificar se está crescendo em nós o 
amor pela Palavra que anunciamos. 
» Não esquecer que, «particularmente, a 
maior ou menor santidade do catequista 
influi sobre o anúncio da Pala-vra». Como 
diz São Paulo, «falamos, não para agradar 
aos homens, mas a Deus que põe à prova 
os nossos co-rações» (1Ts 2,4). Se está 
vivo esse desejo de, primeiro, ouvirmos 
nós a Palavra que temos de anunciar, esta 
transmitir-se-á de uma maneira ou de 
outra ao povo fiel de Deus: «A boca fala da 
abundância do coração» (Mt 12,34). 
As leituras do Evangelho ressoarão com 
todo o seu esplendor no coração do povo, 
se primeiro ressoa-rem assim no coração 
do catequista. (cf EG 149) 
» Não podemos anunciar a Palavra de 
Deus sem nos deixar iluminar, deixar-nos 
tocar pela Palavra e encarná-la em nossa 
vida concreta. «Atam fardos pesados e 
insuportáveis e colocam-nos aos ombros 
dos outros, mas eles não põem nem um 
dedo para os deslocar» (Mt 23,4). 
Assim, o anúncio da Palavra consistirá 
na atividade tão intensa e fecunda 
que é «comunicar aos outros o que foi 
contemplado». Por tudo isto, antes de 
preparar concretamente o que vai dizer
na evangelização, o cate-quista tem de 
aceitar ser primeiro trespassado por essa 
Palavra que há de trespassar os outros, 
porque é uma Palavra viva e eficaz, que, 
como uma espada, «penetra até à divisão 
da alma e do espírito, das articulações e 
das medulas, e discerne os sentimentos e 
intenções do coração» (Heb 4,12). 
Nossa sociedade reclama evangelizadores 
que lhe falem de um Deus que eles 
conheçam e lhes seja familiar como se 
eles vissem o invisível. (EG 150) 
» Não cessemos de melhorar, vivamos o 
desejo profundo de progredir no caminho do 
Evangelho, e não deixe-mos cair os braços. 
» Estar seguros de que Deus nos ama, de 
que Jesus Cristo nos salvou, de que o seu 
amor tem sempre a última palavra. À vista 
de tanta beleza, sentiremos muitas vezes 
que a nossa vida não nos dá plenamente 
glória e de-sejaremos sinceramente 
corresponder melhor a um amor tão grande. 
ATENÇÃO! Todavia, se não 
nos detemos com sincera 
abertura a escutar essa 
Palavra, se não deixamos 
que ela toque a nossa vida, 
que nos interpele, exorte, 
mobilize, se não dedicamos 
tempo para rezar com ela, 
então, na realidade seremos 
falsos profetas, embusteiros 
ou um charlatães vazios. 
O Senhor quer servir-se de nós como seres 
vivos, livres e criativos, que se deixam pene-trar 
pela Sua Palavra antes de a transmitir; 
a Sua mensagem deve passar realmente por 
meio do evangelizador, e não só pela sua 
razão, mas tomando posse de todo o seu ser. 
O Espírito Santo, que inspirou a Palavra, é 
quem «hoje ainda, como nos inícios da Igreja, 
age em cada um dos evangelizadores que se 
deixa possuir e conduzir por Ele, e põe na sua 
boca as palavras que ele sozinho não poderia 
encontrar» (EG 151). 
ESTE É UM ITINERÁRIO CONCRETO PARA 
TORNAR A PALAVRA O FUNDAMENTO DE 
NOSSA INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ. 
OLHANDO PARA A REALIDADE EM NOSSA 
COMUNIDADE PAROQUIAL, QUAIS 
DESSES PAS-SOS JÁ ESTAMOS DANDO? O 
QUE NOS FALTA AINDA? COMO FAZÊ-LOS 
ACONTECER? 
19
INICIAÇÃO CRISTÃ 20 
Papa Francisco nos dá algumas dicas para 
fazer a leitura orante: 
Ficar na presença de Deus, numa leitura 
tranquila do texto, e perguntar-se: 
“Senhor, a mim que me 
diz este texto? Com esta 
mensagem, que quereis 
mudar na minha vida? Que é 
que me incomoda neste texto? 
Porque é que isto não me 
interessa?” 
Ou então: 
De que gosto? Em que me 
estimula esta Palavra? Que 
me atrai? E porque me atrai? 
Ele nos alerta que quando se procura ouvir 
o Senhor, é normal ter tentações: 
» Uma delas é simplesmente sentir-se 
aborrecido e acabrunhado e dar tudo por 
encerrado. 
» Outra tentação muito comum é começar 
a pensar naquilo que o texto diz aos 
outros, para evitar de aplicar à própria 
vida. 
» Acontece também começar a procurar 
desculpas que nos permitam diluir a 
mensagem específica do texto. 
3 
Escutar aquilo que o Senhor 
nos quer dizer por meio da 
lectio divina. 
A Alegria do Evangelho indica a lectio 
divina como a modalidade concreta para 
escutarmos aquilo que o Senhor nos quer 
dizer na Sua Palavra. E nos instrui que a 
leitura espiritual de um texto deve partir 
do seu sentido literal. Caso contrário, uma 
pessoa facilmente fará o texto dizer o que 
lhe convém, o que serve para confirmar as 
suas próprias decisões, o que se adapta 
aos seus próprios esquemas mentais. 
E isso seria, em última análise, usar o 
sagrado para proveito próprio e passar 
essa confusão para o povo de Deus. Nunca 
nos devemos esquecer de que, por vezes, 
«também Satanás se disfarça em anjo de 
luz» (2Cor 11,14) (EG 152). E ESTA É UMA 
TENTAÇÃO MUITO GRANDE EM NOSSA 
MISSÃO DE EVANGELIZAR: anunciar 
as verdades em que eu acredito e não a 
verdade de Jesus Cristo.
21 
» Outras vezes, pensamos que Deus 
nos exige uma decisão demasiado 
grande, que ainda não estamos 
em con-dições de tomar. Isso leva 
muitas pessoas a perderem a alegria 
do encontro com a Palavra, mas 
significaria es-quecer que ninguém 
é mais paciente do que Deus Pai, 
ninguém compreende e sabe esperar 
como Ele. Deus convida sempre a 
dar um passo mais, mas não exige 
uma resposta completa, se ainda 
não percorremos o ca-minho que 
a torna possível. Apenas quer 
que olhemos com sinceridade a 
nossa vida e a apresentemos sem 
fingimento diante dos seus olhos, 
que estejamos dispostos a continuar 
a crescer, e peçamos a Ele o que 
ainda não podemos conseguir (EG 
153). 
QUANTO JÁ PROGREDIMOS EM 
UTILIZAR A LECTIO DIVINA NA 
COMPREENSÃO DOS TEXTOS 
BÍBLICOS? 
QUE DIFICULDADES AINDA 
ENCONTRAMOS? 
4 
ESCUTAR O POVO, PARA 
DESCOBRIR AQUILO QUE 
OS FIÉIS PRECI-SAM 
OUVIR. 
» Como evangelizadores precisamos 
ser contemplativos da Palavra e também 
contemplativos do povo. 
Dessa forma, descobrimos «as aspirações, 
as riquezas e as limitações, as maneiras 
de orar, de amar, de encarar a vida e o 
mundo, que caracterizam este ou aquele 
aglomerado humano», prestando atenção 
«ao povo con-creto com os seus sinais e 
símbolos e respondendo aos problemas 
que apresenta». 
» Relacionar a mensagem do texto 
bíblico com uma situação humana, com 
algo que as pessoas vivem, com uma 
experiência que precisa da luz da Palavra. 
Essa preocupação não é ditada por uma 
atitude oportunista ou diplomática, mas é 
profundamente religiosa e pastoral. 
No fundo, é uma «sensibilidade espiritual 
para saber ler nos acontecimentos a 
mensagem de Deus», e isto é muito mais 
do que encontrar algo interessante para 
dizer. 
Procura-se descobrir «o que o Senhor tem 
a dizer nessas circunstâncias». Então, 
a preparação da catequese transforma-se 
num exercício de discernimento 
evangélico, no qual se procura reconhecer 
– à luz do Espírito – «um ‘apelo’ que Deus
INICIAÇÃO CRISTÃ 22 
faz ressoar na própria situação histórica: 
também nele e através dele, Deus chama o 
crente». (EG 154) 
DOCUMENTOS DA IGREJA, TAIS COMO 
CATEQUESE RENOVADA, DIRETÓRIO 
GERAL E NACIONAL DE CATEQUESE, VÊM 
NOS ALERTANDO PARA A NECES-SIDADE 
DE ESCUTAR O POVO HÁ MUITO TEMPO. 
MAS ESTAMOS TENDO DI-FICULDADE 
NESSA ESCUTA E CONTINUAMOS DANDO 
RESPOSTAS A PER-GUNTAS QUE NÃO 
NOS FORAM FEITAS. COMO VAMOS 
MELHORAR NA ES-CUTA DO POVO E DE 
SUAS PERGUNTAS? 
5 
É preciso empenhar-se 
em encontrar a forma 
adequada de apresentar 
a mensagem – Recursos 
pedagógicos 
» Não basta saber o que dizer, é preciso se 
preocupar com o como dizer. 
Lembrar de que «a evidente importância 
do conteúdo da evangelização não deve 
esconder a importância dos mé-todos 
e dos meios da mesma evangelização» 
(PAULO VI, Exort. Ap. Evangelii Nuntiandi 
(8 de dezembro de 1975), 40: AAS 68 
(1976), 31). 
» A preocupação com a forma de 
evangelizar também é uma atitude 
profundamente espiritual. É responder ao 
amor de Deus, entregando-nos com todas 
as nossas capacidades e criatividade à 
missão que Ele nos confia; mas também é 
um exímio exercício de amor ao próximo, 
porque não queremos oferecer aos outros 
algo de má qualidade (EG 156). 
» Um dos esforços mais necessários é 
aprender a usar imagens na pregação, isto 
é, a falar por imagens. 
Às vezes, usam-se exemplos para 
tornar mais compreensível algo que 
se quer explicar, mas estes exemplos 
frequentemente dirigem-se apenas ao 
entendimento, enquanto as imagens 
ajudam a apreciar e acolher a mensagem 
que se quer transmitir.
Uma imagem fascinante faz com que se 
sinta a mensagem como algo familiar, 
próximo, possível, relaciona-do com a 
própria vida. Uma imagem apropriada 
pode levar a saborear a mensagem que 
se quer transmitir, desperta um desejo e 
motiva a vontade na direção do Evangelho. 
Uma boa homilia, como me dizia um anti-go 
professor, deve conter «uma ideia, um 
sentimento, uma imagem» (EG 157). 
» Usar uma linguagem que os 
destinatários compreendam, para não 
correr o risco de falar ao vento. 
Acontece frequentemente que os 
evangelizadores usam palavras que 
aprenderam nos seus estudos e em certos 
ambientes, mas que não fazem parte da 
linguagem comum das pessoas que os 
ouvem. 
Há palavras próprias da teologia ou 
da catequese, cujo significado não é 
compreensível para a maioria dos cris-tãos. 
O maior risco de um pregador é habituar-se 
à sua própria linguagem e pensar que 
todos os outros a usam e compreendem 
espontaneamente. 
» Escutar muito para se adaptar à 
linguagem dos outros, para poder chegar 
até eles com a Palavra. É preciso partilhar 
a vida das pessoas e prestar-lhes benévola 
atenção. 
» Ter simplicidade e clareza no anúncio. 
Simplicidade e clareza são duas coisas 
diferentes. A linguagem pode ser muito 
simples, mas pouco clara a pre-gação. 
Pode-se tornar incompreensível pela 
desordem, pela sua falta de lógica, ou 
porque trata vários temas ao mesmo tempo. 
Por isso, outro cuidado necessário é 
procurar que o anúncio tenha unidade 
temática, uma ordem clara e liga-ção 
entre as frases, de modo que as pessoas 
possam facilmente seguir o evangelizador 
e captar a lógica do que lhes diz. 
» Nossa linguagem deve ser positiva, 
oferecendo sempre esperança e 
orientação para o futuro. 
Não dizer tanto o que não se deve fazer, 
como sobretudo propor o que podemos 
fazer melhor. 
E, se apontar algo negativo, sempre 
procurar mostrar também um valor 
positivo que atraia, para não ficar pela 
queixa, o lamento, a crítica ou o remorso. 
Além disso, uma pregação positiva 
oferece sempre esperança, orienta para 
o futuro, não nos deixa prisionei-ros da 
negatividade. 
» Reunir-se periodicamente para 
encontrar os recursos que tornem mais 
atraente a evangelização. 
Como é bom que sacerdotes, diáconos e 
leigos se reúnam periodicamente para 
encontrarem, juntos, os recur-sos que 
tornem mais atraente a evangelização (EG 
159)! 
Como seria bom se pudéssemos receber 
uma fórmula pronta e adequada de 
transmitir a mensa-gem que não exigisse 
o nosso estudo, oração e trabalho, não é 
mesmo? Mas ela não existe, por-que nunca 
seria adequada à nossa realidade e porque 
o plano de Deus sempre parte do amor, 
23
INICIAÇÃO CRISTÃ 24 
dos gestos de amor que empregamos 
em fazer acontecer a evangelização, da 
preparação amorosa de cada momento 
de encontro com Jesus que propiciamos 
aos outros. Recordemos o que Francisco 
nos diz: “A preparação da catequese 
requer amor, pois uma pessoa só dedica 
um tempo gratuito e sem pressa às coisas 
ou às pessoas que ama; e aqui trata-se 
de amar a Deus, que quis falar” e quer 
continuar falando por meio de nós. 
Por isso, queridos catequistas, 
arregacemos as nossas mangas e 
comecemos a fazer acontecer a iniciação à 
vida cristã em nossas comunidades. 
Temos um material de apoio tão rico que 
nos aponta o caminho, mas o caminhar 
somos nós que o fazemos, dentro da 
realidade que nos envolve. 
Que esta reflexão que fizemos aqui possa 
ser levada a sua comunidade catequética, 
para que, jun-tos, possam orar com Jesus 
sobre tudo isso e descobrir o que Ele está 
pedindo para vocês. 
Senhor Jesus, a ti entregamos a 
nossa missão de catequistas e nos 
comprometemos contigo de dar o nosso 
melhor, de fazer tudo com muito amor 
e carinho, para levar as pessoas ao Teu 
encontro, para fazer-te acontecer na vida 
delas e na vida de nossa comunidade. 
Conta conosco! Assim como contamos 
conti-go! Fica conosco, Senhor! 
Liana Plentz 
Jornalista, catequista, 
especialista em 
ensino religioso. 
Coordenadora da iniciação 
à vida cristã do Vicariato 
de Porto Alegre. 
Secretária da Animação 
Bíblico-catequética 
do Regional Sul 3 da 
CNBB.
CATEQUESE INFANTIL 26 
CATEQUESE & 
BRINCADEIRA 
por Gilson P. Júnior 
“Uma criança que nãos sabe brincar, 
uma miniatura de velho, será um 
adulto que não saberá pensar.” 
(Chateau 1987, p. 14)1 
1 Jean Chateau, pedagogo francês (1908-1990).
Quem não se recorda das brincadeiras 
de quando era criança? Pique-pega, 
esconde-esconde, pular corda, corre 
cutia, amarelinha e tantas outas. 
Cada brincadeira trazia em si uma 
mensagem, uma arte, uma técnica 
diferente e diferenciada em sua 
ludicidade que nos ajudava e nos ajudou 
em nosso desenvolvimento, cognitivo 
(funções envolvidas na leitura e na 
decodificação do contexto circundante), 
físico/motor (psicomotricidade, 
criatividade), social (integração, relação, 
partilha de costumes, crenças e valores) 
e afetivo (estima, simpatia, apreço, 
empatia que possibilita a ligação com o 
saber, com o conhecer, com o sagrado). 
Brincar era um aprendizado, pois por 
meio das brincadeiras aprendíamos 
matemática, português, geografia, 
conhecimentos gerais, entre tantas 
outras coisas. Aprendíamos brincando e 
brincávamos aprendendo. 
Com o passar do tempo fomos perdendo 
esse gosto pela brincadeira, esquecemos 
que fomos crianças e que aprendemos 
muito brincando, passamos a transmitir às 
gerações futuras a descaracterização da 
brincadeira, tornando-a meramente uma 
forma de diversão. “Adultizamos” o universo 
infantil das crianças desconsiderando que 
ao brincar elas aprendem mais e melhor 
por meio desse “outro mundo possível” 
concretizado por meio de suas experiências. 
Portanto, é preciso voltar atrás e rever a 
forma que evangelizamos/educamos as 
nossas crianças, sendo nós educadores 
da fé de nossos pequenos. O brincar 
possibilita o encontro com o Sagrado de 
forma mais eficaz e leve. 
Para tanto é preciso primeiro uma revisão 
interior. Um despertar de nossa criança 
que está oculta dentro de nós e que precisa 
voltar a brincar para que a brincadeira faça 
parte do universo evangelizador em que 
propomo-nos a atuar a fim de que nossas 
crianças tenham o grande encontro com o 
Sagrado que desejamos. 
(...) um professor que não sabe e/ou não 
gosta de brincar dificilmente desenvolverá a 
capacidade lúdica de seus alunos. Ele parte do 
princípio de que o brincar é perda de tempo. 
Assim, antes de lidar com a ludicidade do 
aluno, é preciso que o professor desenvolva a 
sua própria. O professor que, não gostando de 
brincar, esforçar-se por fazê-lo normalmente 
assume uma postura artificial, facilmente 
identificada pelos alunos. A atividade proposta 
não anda. Em decorrência, muitas vezes 
os professores deduzem que brincar é uma 
bobagem mesmo, e que nunca deveriam ter 
dado essa atividade em sala de aula. A saída 
desse processo é um trabalho mais consciente 
e coerente do professor no desenvolvimento 
de sua atividade lúdica. (Mrech 1996, apud 
Miranda p. 111)2 
2Leny Mrech é socióloga, psicóloga e professora da faculdade de Educação da Universidade São Paulo. 
27
CATEQUESE INFANTIL 28 
Chateau (1987)3 , bem como tantos outros 
pedagogos que devotaram suas vidas 
à educação das crianças, adolescentes 
e jovens, diz que é pela brincadeira, 
pelo brinquedo, “que crescem a alma e 
a inteligência”4. Para ele a brincadeira 
se torna o laboratório do espírito onde 
acontecem as experiências que corroboram 
para tudo aquilo que há de vir. 
Sendo assim, desenvolver uma catequese 
por meio da brincadeira é fundamental 
para alcançar o universo em que se 
encontram aqueles que evangelizamos. 
Se fosse apenas para passar conteúdos as 
escolas convencionais já bastariam. Até 
as escolas há tempos vêm retomando o 
foco sobre a brincadeira, no que se refere 
à metodologia educacional voltada para 
as crianças, a fim de alcançar melhores 
resultados educacionais. 
Por que, então, não recorrer à brincadeira 
como parte metodológica para a 
evangelização das crianças? 
A atividade lúdica é um grande laboratório 
onde ocorrem experiências inteligentes 
e reflexivas. A experiência produz o 
conhecimento, portanto nos possibilita tornar 
concretos os conhecimentos adquiridos. 
(Miranda 2013, p. 24) 5 
3Jean Chateau, pedagogo francês (1908-1990). 
4Miranda, Simão de . Oficina de ludicidade na escola. Papirus, 2013, p.23. 
5Simão de Miranda é mestre em educação e doutor em psicologia. Residente em Brasília-DF, servidor da Secretaria de Educação do GDF. 
Escritor de mais de 37 livros e assessor em diversos países com temas voltados para a educação. Mirada, Simão de. Oficina de ludicidade 
na escola. Papirus, 2013.
29 
O brincar na educação 
A criança deve desfrutar plenamente de jogos 
e brincadeiras, os quais deverão estar dirigidos 
para a educação; a sociedade e as autoridades 
públicas esforçar-se-ão para promover o 
exercício deste direito. (Declaração Universal 
dos Direitos das Crianças, 1959) 
Além de ser um direito regulamentado 
por lei, o brincar vem recebendo 
destaque cada vez mais visível na 
sociedade, de forma mais clara e 
evidenciada nos métodos de educação 
exercendo papel fundamental na 
educação das crianças (Lima, 2006, p. 
13 apud PMBCN, p. 67)6. Ainda, esse 
assunto, vem descrito no parágrafo 7 
da Declaração Universal dos Direitos 
das Crianças que fala sobre o direito à 
educação gratuita e ao lazer infantil. 
Segundo o MEC (2006)7 as crianças 
precisam brincar, pois a brincadeira é 
essencial para a vida. O brincar alegra 
e motiva, reúne as crianças e as faz 
trocarem experiências e a ajudarem-se 
mutuamente. Esse contexto torna 
necessária a inclusão do brincar em 
todas as relações sociais da criança. 
A brincadeira é a vida da criança e uma 
forma gostosa para ela movimentar-se e 
ser independente. Brincando, a criança 
desenvolve os sentidos, adquire habilidades 
para usar as mãos, o corpo, reconhece os 
objetos, e suas características, textura, 
forma, tamanho, cor e som. Brincando a 
criança entra em contato com o ambiente, 
relaciona-se com o outro, desenvolve o físico, 
a mente, a autoestima, a afetividade, torna-se 
ativa e curiosa. (Siaulys, 2006, p. 10) 
Seria muita pretensão neste artigo 
esgotar todas as narrativas sobre os 
grandes pensadores a respeito do brincar 
na educação das crianças. É preciso 
um tempo maior de estudo daqueles 
que trabalham com a evangelização 
das infâncias dedicado a esse assunto, 
mas aqui era preciso descrever algumas 
reflexões a fim destacar o valor e 
grandiosidade dessa ferramenta que deve 
ser utilizada na evangelização/educação 
das crianças. Saiamos de nossos muros e 
vejamos o sol forte que nos espera lá fora. 
Será por acaso a criança em desenvolvimento, 
essa força da natureza, essa explorada 
aventurosa, é mantida imóvel, petrificada, 
confinada, reduzida à contemplação das 
paredes, enquanto o sol brilha lá fora (...)? 
(Christiane Rochefort apud Harper et al. 
1987, p. 47) 
6Província Marista Brasil Centro-Norte. Diretrizes curriculares para a educação infantil, p. 67. 
7Siaulys, Mara O. de Campos. Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial – Brincar para todos. Brasília 2005. Disponível em 
http://goo.gl/QftMzs. Visitado em 24 de junho de 2014.
CATEQUESE INFANTIL 30 
O brincar catequese 
O Diretório Nacional de Catequese (2006) 
diz que: 
Em todas as épocas a Igreja preocupou-se 
em buscar os meios mais apropriados para o 
cumprimento de sua missão evangelizadora 
(cf. CT 46). Ela não possui um método único e 
próprio para a transmissão da fé, mas assume 
os diversos métodos contemporâneos na 
sua variedade e riqueza, na medida em que 
respeitam integralmente os postulados de uma 
antropologia cristã a garantem a fidelidade do 
conteúdo. Utiliza-se das ciências pedagógicas 
e da comunicação, levando em conta a 
especificidade da educação na fé. (DNC 2006)8 
Nesse contexto os métodos pedagógicos 
presentes nas escolas deveriam estar 
também presentes em nosso meio 
evangelizador quando nos referimos à 
educação na fé de nossas crianças. As 
metodologias aplicadas na ambiência 
educativa podem facilitar e muito a 
nossa práxis pastoral na catequese. 
Somos chamados a sermos discípulos 
missionários no meio das crianças e 
para que essa missão aconteça se faz 
necessário apropriarmo-nos de métodos 
capazes de alcançar seus intelectos e 
corações. 
Tendo refletido sobre a importância da 
brincadeira na evangelização/educação 
das crianças, faz-se necessário que o 
catequista tenha essa familiaridade com o 
universo infantil por meio das brincadeiras 
e outros meios como nos afirma o DNC 
quando diz que: 
Também será bastante útil ter familiaridade 
com o universo infantil: brincadeiras, situação 
escolar e familiar, histórias em quadrinhos 
e filmes que as crianças preferem, literatura 
infantil de boa qualidade. (DNC 2006, p. 127) 
Somos chamados como evangelizadores 
das crianças, com urgência, a desbravar 
esse universo de possibilidade por meio 
do brincar, quebrando as barreiras que 
nos impedem de integrar a brincadeira e 
evangelização. 
Sobre essa urgência o Documento de 
Aparecida fala que é preciso “estudar 
e considerar as pedagogias adequadas 
para a educação na fé das crianças, 
especialmente em tudo o que se relaciona 
à iniciação cristã, privilegiando o momento 
da primeira comunhão”9. 
Para nós, fica esse grande desafio 
fundamentado pelo DNC que nos interpela 
a “integrar na catequese as conquistas das 
ciências da educação, particularmente a 
pedagogia contemporânea, discernida a luz 
do Evangelho”10 , destacando aqui o brincar 
como opção pedagógica para a catequese. 
8CNBB. Diretório Nacional de Catequese. Catequese como processo educativo. CNBB, Brasília 
2006, p. 103. 
9CNBB, Paulinas, Paulus. Documento de Aparecida. São Paulo, 2008,p. 198 
10CNBB. Diretório Nacional de Catequese. Brasília, 2006 p. 34
31 
O que deve ser 
considerado quando 
se fala de catequese 
e brincadeira? 
Imbuídos do contexto sobre a importância 
da brincadeira na vida da criança, vale 
salientar que a identidade da pedagogia 
catequética que tem por fundamento a 
pedagogia divina, modelo de educação da 
fé pretendida pela catequese11, não pode 
se perder nesse sistema de construção da 
brincadeira como ferramenta no processo 
de crescimento da fé das crianças. 
Os métodos pedagógicos por meio 
da brincadeira devem ser somados 
à pedagogia catequética para uma 
evangelização cada vez mais conectada às 
realidades e especificidades das crianças 
de hoje, na finalidade da construção do 
Reino de Deus por meio do anúncio da 
Boa Nova, não se sobrepondo à pedagogia 
catequética que acreditamos. 
A pedagogia catequética tem como modelo 
sobretudo o proceder de Jesus Cristo, que, a 
partir da convivência com as pessoas, deu 
continuidade ao processo pedagógico do Pai. 
Levou à plenitude, por meio de Sua vida, 
palavras, sinais e atitudes, a Revelação Divina, 
iniciada no Antigo Testamento. Motivou os 
Seus discípulos a viverem conforme os Seus 
ensinamentos e plantou a semente da Sua 
comunidade, a Igreja, para transmitir, de 
geração em geração, a mensagem da Salvação 
e a pedagogia que Ele mesmo ensinou com Sua 
vida. (DNC, 2006, p. 130) 
Para isso alguns itens precisam ser 
considerados na preparação dos encontros 
com as crianças: 
• A motivação do encontro 
Motivação é aquilo que nos impulsiona, 
que nos influencia a alcançar um 
determinado objetivo. As crianças só 
entrarão no universo evangelizador, no 
jogo, na brincadeira se sentirem motivadas 
pelos catequistas. 
Primeiro o catequista volta a brincar, 
buscando em seu interior a sua criança, 
depois junto com a criança se envolve 
na brincadeira. A motivação potencializa 
o interesse, a alegria e o entusiasmo da 
criança características fundantes para a 
transmissão da Boa Nova. 
• A transmissão do tema do 
encontro 
Como dito anteriormente, educar, 
evangelizar, catequizar precisa ser muito 
mais do que apenas transmitir conteúdos. 
O brincar possibilita essa interação e 
integração fazendo que o conteúdo 
desejado seja desenvolvido com as 
crianças de forma a leva-las ao encontro 
com o Sagrado. 
• A identificação das crianças 
no desenvolvimento do 
encontro 
Quando motivadas, as crianças respondem 
ao processo sistematizado pensado para o 
seu encontro com o Sagrado por meio de 
gestos, falas, escritas e outros. Ela não é 
apenas uma receptora de informação, mas 
passar a ser integrante de seu processo de 
ensino aprendizagem de crescimento na fé. 
11CNBB. Diretório Nacional de Catequese. Brasília, 2006 p. 20.
CATEQUESE INFANTIL 32 
• A avaliação do encontro 
É preciso avaliar com as crianças o 
encontro realizado. Pergunte a elas: como 
foi pra você o encontro de hoje? O que mais 
aprendemos? O que gostamos? O que não 
gostamos? 
Uma vez se sentindo participante do 
encontro, a criança se sente capaz de levar 
aos outros o que aprendeu, crescendo com 
esse aprendizado, levando parte desses 
ensinamentos pelo resto de sua vida. 
A sua participação, seu protagonismo 
nos encontros, estimula a persistência na 
caminhada catequética, nos processos de 
evangelização e na vida comunitária na 
Igreja. 
Quantas de nossas crianças, motivadas 
pela catequese, não estão inseridas em 
outros ambientes da Igreja? Quantas 
crianças não se tornam evangelizadoras de 
sua família após um encontro estimulante 
da catequese? E quantas crianças, por 
não se sentirem parte desses processos 
catequéticos, após a Primeira Eucaristia, 
desanimam e desaparecem dos processos 
evangelizadores da Igreja? 
• O diálogo sobre o próximo 
encontro 
Ao final do encontro motive as crianças 
sobre o tema do próximo encontro. 
Pergunte a elas como gostariam que fosse 
o encontro, se indicam músicas, filmes, 
dinâmicas para o desenvolvimento do 
próximo tema. 
Certo dia, um educador que trabalhava 
o tema da CF 2014 com as crianças, 
levou um desenho animado para que elas 
assistissem a ele. De imediato um grupo de 
crianças reagiu a sua proposta e disse: 
– Não queremos assistir ao desenho 
animado que você trouxe para o encontro. 
Queremos ver Os pinguins de Madagascar. 
O educador, conhecedor daquele desenho 
animado, respondeu de imediato: 
– Mas o desenho que vocês querem ver 
não se parece nada com o tema do nosso 
encontro.
33 
Reflexão... 
Toque para ler 
As crianças responderam: 
– Como não? O desenho não fala sobre 
liberdade e o esforço que aqueles animais 
fazem para serem livres? Então, acaso o 
tema da CF 2014 não é “É para a liberdade 
que Cristo nos libertou”? 
O educador tratou logo de providenciar o 
filme. 
Os encontros da catequese, cheios de 
brincadeiras, diálogos e ludicidade podem 
preencher a grande lacuna que existe em 
nossos processos evangelizadores com os 
pequenos. O próprio caráter socializador do 
brincar pode aproximar mais os catequistas 
e catequizandos, catequizandos e 
catequizados, Igreja e catequizandos e 
o Sagrado dos catequizandos, tornando 
a nossa prática pastoral eficaz em prol 
da construção de uma sociedade mais 
humana, justa e fraterna. 
Dessa forma, a catequese passaria a ser 
um serviço não apenas para a Igreja, mas 
um serviço para a vida toda. 
Gilson Prudêncio Júnior 
Analista Pastoral - Infâncias/Pastoral 
Marista UBEE - UNBEC
PRIMEIRA COMUNHÃO 34 
QUAL A IMPORTÂNCIA DA CATEQUESE DE 
Primeira Comunhão na 
vida das crianças? 
por Roberto Garcia 
Como todos nós sabemos, a Primeira 
Comunhão trata-se do momento 
em que nos aproximamos da ceia 
do Senhor, recebendo Seu corpo e Seu 
sangue e permitindo que Jesus habite 
nosso coração. 
Mas você já parou para pensar na 
importância que essa ação tem na vida de 
uma criança? 
Normalmente quando a criança inicia sua 
catequese é muito comum ouvirmos que
“estou aqui porque meus pais obrigaram”, 
“preciso fazer catequese para poder 
casar”, “o que é catequese?”, enfim, 
diversas exclamações e interrogações 
que, sinceramente, deixam-me bastante 
assustado! 
Não raramente, as crianças começam 
a catequese sem ao menos saber rezar 
as orações tradicionais (Pai-Nosso, Ave- 
Maria...) que deveriam ser aprendidas em 
casa, pois a introdução de uma criança 
na vida religiosa começa na família. A 
catequese familiar é fundamental para 
que a catequese ministrada na Igreja 
não seja vazia, pois ela corre o risco de 
ser alicerçada sobre a areia: na primeira 
“balançada”, desmorona. 
A ação do catequista na vida da criança 
deve ser transformadora. Durante a 
caminhada na catequese, ela deve 
sentir-se importante no processo de 
evangelização, sentir-se amada por 
Deus e também pelo catequista. Dessa 
forma, a criança vai absorvendo com mais 
facilidade o objetivo da catequese. 
Às vezes a criança vem para a catequese 
necessitando de carinho, de atenção, de 
alguém que esteja disposto a escutá-la 
e a orientá-la sobre alguma dificuldade 
ou algum problema. E devemos estar de 
braços e coração abertos para recebê-las, 
pois, como disse Jesus: “Deixai as crianças 
e não as proibais de vir a Mim, porque 
delas é o Reino dos Céus” (cf. Mt 19,14). 
Durante a catequese a criança vai 
conhecendo e se aprofundando na 
experiência cristã e, principalmente na 
vivência comunitária, ela vai descobrindo 
o que significa a comunhão. 
A catequese de Primeira Comunhão é 
fundamental para a formação religiosa da 
criança, pois, se ela for bem trabalhada 
desde as bases (familiar, escolar, 
comunitária), no futuro poderemos 
evitar uma série de problemas sociais. 
Afastaremos a criança do mundo das 
drogas, das más companhias, e estaremos 
auxiliando na formação de um bom cristão 
e também de um bom cidadão. 
Ah, e também devemos orientar as 
crianças que, após fazer a Primeira 
Comunhão, elas não devem abandonar 
a Igreja, viu? A Primeira Comunhão não 
pode ser única... Elas devem permanecer 
em comunhão com Cristo e com os irmãos 
para sempre! Assim como Jesus nunca 
nos abandonou, nós também não devemos 
nunca abandoná-Lo. 
Um fraterno abraço e até o mês que vem! 
PAZ & BEM 
Roberto Garcia 
Catequista desde 1997 na Comunidade Santa Rita de Cássia, 
Paróquia Rede de Comunidades São José – Gravataí-RS. 
Também integra a equipe Pascom da Paróquia desde 2012. 
35
CATECUMENATO 36
Iniciação Cristã com 
37 
inspiração 
Catecumenal 
Por Adriana Amorim
CATECUMENATO 38 
A catequese na Igreja do Brasil vive um desafio peculiar nos tempos 
atuais: formar discípulos e missionários de Jesus Cristo! Essa nova 
característica da evangelização concretizou-se na Conferência 
Episcopal dos Bispos do Brasil, que ocorreu na cidade de Aparecida-SP, 
em 2007. Para atingir esse objetivo, no entanto, o caminho é longo... 
Denominamos esse caminho de Processo de Iniciação à Vida Cristã, algo 
antigo e bastante eficiente. Antigo porque recebe uma inspiração vinda 
das primeiras comunidades cristãs, o catecumenato, e eficiente porque 
coloca o iniciante em contanto permanente com a pessoa de Jesus 
Cristo, tendo como fruto principal a formação de um verdadeiro cristão. 
O caminho da Iniciação data do século II 
depois de Cristo, com a estruturação do 
catecumenato para promover a adesão a 
Jesus Cristo e à Igreja. Era um processo 
contínuo, progressivo e dinâmico de 
preparação para os Sacramentos do 
Batismo, Crisma e Eucaristia, marcado 
por etapas e ritos, utilizado para 
conduzir os adultos (e não as crianças), 
recém-convertidos ao cristianismo, à 
experiência do mistério de Deus. Teve 
seu período áureo entre os séculos III e 
IV e seu declínio no século V, quando ser 
cristão tornou-se uma situação comum 
e abriu-se a possibilidade de o Batismo 
ser ministrado preponderantemente 
às crianças. No século VI desaparece o 
catecumenato propriamente dito. 
Apenas em 1972, com a promulgação 
do Ritual de Iniciação Cristã de Adultos 
(RICA), o catecumenato voltou a 
ser fonte de inspiração e itinerário 
de toda a catequese. A partir de 
então, a preocupação é possibilitar a 
iniciação tanto para os não batizados 
(catecúmenos) quanto para os batizados 
insuficientemente catequizados 
(catequizandos). Nesse sentido, há várias 
situações em que se encontram pessoas a 
serem atendidas no processo de iniciação: 
adultos e jovens não batizados; adultos e 
jovens batizados que desejam completar 
a iniciação cristã; adultos e jovens com 
prática religiosa, mas insuficientemente 
evangelizados; pessoas de várias idades 
marcadas por uma religiosidade conflitante,
39 
ambígua e confusa; grupos específicos, 
como as pessoas com deficiência, 
indígenas, etc.; casais em situação 
matrimonial irregular; adolescentes e 
jovens; crianças não batizadas e inscritas 
na catequese; e crianças e adolescentes 
batizados que seguem o processo 
tradicional de iniciação cristã. 
O processo de iniciação à vida cristã 
com inspiração catecumenal é aplicável 
a qualquer catequese sacramental 
(Batismo, Eucaristia, Crisma ou 
Matrimônio) ou a qualquer grupo que 
trabalhe com as realidades acima 
descritas. Especificamente em relação 
à catequese eucarística, o processo de 
iniciação oferece às crianças em idade de 
catequese o encontro pessoal e decisivo 
com Jesus Cristo. Não mais se trata de 
uma catequese que orienta a decorar 
as orações e a doutrina, mas incentiva a 
vivência em comunidade, que tem como 
finalidade “o ser cristão” e não apenas a 
sacramentalização, conscientizando que 
os Sacramentos alimentam esse processo 
e são sinais visíveis do próprio Jesus. 
Antes de compreender como está 
organizado o processo de iniciação à 
vida cristã e a inspiração catecumenal é 
importante saber distinguir um verdadeiro 
cristão, finalidade única desse processo. 
O livro dos Atos dos Apóstolos apresenta-nos 
o primeiro retrato dos cristãos: “Eram 
perseverantes em ouvir os ensinamentos 
dos apóstolos, na comunhão fraterna, no 
partir do pão e nas orações. Em todos eles 
havia temor, por causa dos numerosos 
prodígios e sinais que os apóstolos 
realizavam. Todos os que abraçaram a 
fé eram unidos e colocavam em comum 
todas as coisas” (At 2, 42-44). O relato 
bíblico revela-nos que o verdadeiro cristão 
é aquele que, sobretudo, vive sua fé em 
comunidade e cresce graças à catequese 
(“ensinamento dos apóstolos”). Desse 
modo, pode-se destacar um aspecto 
essencial do processo de iniciação à 
vida cristã: a catequese é realizada 
em conjunto pelos catequistas, pais, 
sacerdotes e toda comunidade de fé. 
Visto esse aspecto, fundamento da 
iniciação cristã, podem-se resumir os 
tempos desse processo como descrito a 
seguir:
CATECUMENATO 40 
1º tempo 
pré-catecumenato 
Corresponde ao período da primeira 
evangelização, de acolhimento do 
iniciante da comunidade cristã, da 
percepção de sua fé e do primeiro anúncio 
do Cristo (Querigma). 
2º tempo 
catecumenato 
É o tempo mais longo de todo o processo, 
dedicado à catequese completa, que se 
preocupa com a formação do cristão bem 
como com a vivência em comunidade por 
meio dos ritos (celebrações). 
4º tempo 
mistagogia 
Acontece durante o tempo pascal, a fim de 
aprofundar os mistérios pascais, revestir-se 
do Cristo e partir para uma vida nova. 
3º tempo 
purificação e iluminação 
Acontece preferencialmente no período 
quaresmal, a fim de proporcionar 
preparação próxima para os Sacramentos, 
por meio do aprofundamento das práticas 
quaresmais junto à comunidade.
41 
Cada tempo do processo catecumenal é 
enriquecido com a celebração de ritos 
que marcam a evolução do iniciante no 
caminho da catequese. É importante 
destacar que esses ritos, os quais 
fazem parte principalmente do tempo 
do catecumenato e da purificação 
e iluminação, fortalecem a união 
entre catequese e liturgia e criam um 
vínculo único entre os catecúmenos/ 
catequizandos e a comunidade eclesial. 
Assim, os catequistas têm a oportunidade 
de amadurecer a sua fé a partir da 
caminhada catecumenal de seus 
iniciantes, intensificando a vida de 
oração, a leitura e escuta da Palavra e 
comprometendo-se com a missão que 
Deus lhes confiou: formar verdadeiros 
discípulos e missionários de Jesus Cristo! 
Deus, em sua infinita bondade, abençoe 
cada catequista que mergulhará nessa 
fonte de inspiração catecumenal. 
A Imaculada Conceição, Rainha da 
Evangelização, conceda a todos os povos 
a graça santificante de amar e seguir a 
pessoa de Jesus Cristo! 
Adriana Amorim 
de Farias Leal 
Catequista 
Paróquia Nossa Senhora da 
Conceição 
Catedral da Diocese de 
Campina Grande-PB
CATEQUESE INCLUSIVA 42 
Cinco pilares da 
Evangelização 
Inclusiva 
Por Thaís Rufatto
APRENDER A AMAR 
O catequista que se abre ao amor de 
Deus e o amor aos irmãos é aquele, 
aquela catequista que está fazendo 
a experiência do amor na sua vida de 
batizado(a) e vocacionado(a) a esse 
ministério, como nos diz em João, todo 
aquele que ama é nascido de Deus e 
conhece a Deus, porque Deus é amor, o 
amor deve ser o cerne e o ápice da vida 
de um uma catequista, pois é pelo amor 
que ele ou ela tem por Deus e sente na 
sua intimidade com Deus que vai frutificar 
sua vocação catequética e dará por meio 
de Jesus na sociedade frutos e frutos em 
abundância. 
O exercício do amor na vida do catequista 
é um exercício que exige perseverança 
e acima de tudo vontade – querer amar 
primeiro a si mesmo e depois aos irmãos, 
fazendo o exercício do mandamento 
deixado por Jesus: “Amai-vos uns aos 
outros, como Eu vos amei”, e o fruto 
desse exercício se dá no aprendizado do 
amor. O catequista que se abre a esse 
exercício de aprender a amar vive na sua 
vida o mandamento deixado por Jesus, 
principalmente quando Jesus nos diz 
amai os vossos inimigos e fazei o bem a 
quem vos persegue. O catequista para ser 
o catequista que corresponde aos anseios 
do coração de Deus deve ser aquele que 
vive o amor em suas ações, pois não se 
pode dar aquilo que não se tem e nem 
falar sobre aquilo que não se vive. Assim 
como um engenheiro que projeta uma 
casa, Deus, antes de você, catequista, 
nascer, o(a) projetou e cabe a você 
corresponder por meio da sua vivência 
no amor aos anseios do coração de Dele, 
para que nossa sociedade, em Jesus por 
meio de cada um(a) de vocês tenha vida 
em abundância. Entre esses discípulos, 
os reunidos nas comunidades religiosas, 
“mulheres e homens de todas as nações, 
tribos, povos e línguas” (Cf. Ap 7, 9) 
foram e são ainda hoje uma expressão 
particularmente eloquente desse sublime 
e ilimitado Amor. 
Nascidos não da vontade da carne e do 
sangue, não de simpatias pessoais ou de 
motivos humanos, mas de Deus (Jo 1, 13), 
de uma vocação divina e de uma divina 
atração, as comunidades religiosas são 
um sinal vivo da primazia do amor de Deus 
que opera suas maravilhas e do amor a 
Deus e aos irmãos, como foi manifestado e 
praticado por Jesus Cristo. 
43
CATEQUESE INCLUSIVA 44 
O catequista que possui uma união 
com Jesus vai no dia a dia se colocar a 
rezar e aprender, assim como Deus diz 
em Sua palavra: “Tudo o que pedires na 
oração, credes que já tendes recebido”. 
Os discípulos dos nossos dias de hoje 
são chamados de catequistas, pois estes 
há 2.000 anos pediram para Jesus lhes 
ensinar a rezar e Jesus lhes ensinou a 
oração do Pai-Nosso, essa oração é MUITO 
poderosa, pois, uma vez que unido(a) ao 
coração de Jesus, o(a) catequista que 
entregar-se verdadeiramente na vontade 
de Deus, quando dizemos de maneira 
aberta “Seja feita a Vossa vontade, assim 
na terra como no céu” estará aberto(a) 
a receber do coração do Pai aquilo que é 
de acordo com a Sua vontade para ele(a) 
e o melhor para sua vida; fazendo assim, 
estará em sintonia com Deus e a cada 
oração que fizer vai lembrar que Jesus nos 
pede que antes de qualquer oração que 
façamos, em primeiro lugar devemos pedir 
o Espírito Santo, pois é Ele que sabe o que 
devemos pedir, como pedir e o que pedir. 
O catequista que adquire experiência com 
Jesus aprende pela missionaridade do seu 
chamado SER CATEQUISTA a evangelizar, 
que nada mais é do que levar a Boa Nova 
ao coração das pessoas sedentas do amor 
de Deus. 
O aprender a evangelizar do(a) catequista 
reporta-se à passagem do Evangelho em 
que Jesus saiu pelas ruas das sinagogas 
pregando o Evangelho, curando, etc. 
APRENDER 
A REZAR 
APRENDER A 
EVANGELIZAR
Debaixo do Sol há um tempo para cada 
coisa, nos diz em Eclesiastes 3,1. 
O(a) catequista deve entender que o 
tempo de Deus não é o tempo dele(a), ou 
seja, levando em consideração que o ser 
humano vive no chronos e Deus no kairós 
o tempo de Deus não é o tempo do(a) 
catequista, e esse tempo de espera o(a) 
catequista deve exercitá-lo a paciência, 
como está em Eclesiástico 2. Dizia certa 
vez uma sábia pessoa em um programa de 
rádio de uma emissora católica, cuja frase 
possui autoria desconhecida: “A paciência 
é amarga, mas seus frutos são doces”. 
“Quem ama, faz sempre comunidade; não 
fica nunca sozinho.” 
(Santa Tereza de Jesus) 
“Vede como eles se amam.” Atos 2 
O(a) catequista, vendo a imagem de 
Jesus no outro membro da comunidade, 
principalmente no catequizando com 
algum tipo de deficiência, aprende a fazer 
a experiência das primeiras comunidades, 
quando em Atos dos Apóstolos 2 lemos: 
“Vede como eles se amam”, em que o 
amor é o cerne e o ápice de toda ação 
missionária catequética inclusiva. 
Abaixo algumas dicas contendo cinco 
passos para viver e conviver bem em 
comunidade. 
Atos 2, 42-47 
APRENDER 
A ESPERAR 
APRENDER 
A VIVER E A 
CONVIVER EM 
COMUNIDADE 
45
CATEQUESE INCLUSIVA 46 
“Eles mostravam-se assíduos ao 
ensinamento dos apóstolos, à comunhão 
fraterna, à fração do pão e às orações. 
Apossava-se de todos o temor, pois 
numerosos eram os prodígios e sinais, que 
realizavam por meio dos apóstolos. Todos 
os que tinham abraçado a fé reuniam-se 
e punham tudo em comum: vendiam suas 
propriedades e bens, e dividiam-nos entre 
todos, segundo as necessidades de cada 
um. Dia após dia, unânimes, mostravam-se 
assíduos no templo e partiam o pão pelas 
casas, tomando o alimento com alegria e 
simplicidade de coração. Louvavam a Deus 
e gozavam da simpatia de todo o povo. 
E o senhor acrescentava cada dia ao seu 
número os que seriam salvos.” 
1º passo - Viver em 
comunidade: 
• Para viver bem em comunidade é preciso 
passar pelo conhecimento: “Conhecereis 
a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8, 
32). A verdade é Jesus: “Eu sou o caminho, 
a verdade e a vida…” (Jo 14, 6); conhecer a 
verdade é conhecer a Jesus Cristo revelado 
a nós por meio das Sagradas Escrituras, 
da Doutrina e da Tradição passadas a nós 
pelos nossos primeiros pais na fé. 
• Conhecer a comunidade. 
• Conhecer o outro, quem ele é, sua 
história. 
• Conhecer a palavra de Deus, a doutrina 
da igreja Católica Apostólica Romana. 
• É necessário reciclar-se, ou seja, passar 
pela formação continuada, permanente. 
Não podemos achar que estamos 
prontos, mas em constante processo 
de construção, de abertura a mudança, 
principalmente quando lidamos com a 
catequese inclusiva.
2º passo – Comunhão 
fraterna: 
1. O que é a comunhão. A comunhão é o 
“vínculo de unidade fraternal mantida pelo 
Espírito Santo e que leva os cristãos a se 
sentirem um só corpo em Jesus Cristo” 
(Dicionário Teológico, CPAD). A palavra 
grega koinonia traz a ideia de cooperação 
e relacionamento espiritual entre os 
santos. A comunhão da Igreja primitiva era 
completa (At 2.42). Reuniam-se em oração 
e súplica, mas também reuniam-se para 
socorrer os mais necessitados. 
Dom Bosco (Regra de vida dos Salesianos 
de Dom Bosco): 
•“Viver e trabalhar juntos é exigência 
fundamental e caminho seguro para 
realizarmos nossa vocação. Reunimo-nos 
em comunidade, nas quais amamos a ponto 
de tudo compartilhar em espírito de família 
e construímos a comunhão de pessoas. 
Na comunidade reflete-se o mistério da 
Trindade; nela encontramos uma resposta 
às aspirações profundas do coração e nos 
tornamos sinais de amor e unidade…” 
• “Deus nos chama a viver em 
comunidade, confiando-nos irmãos que 
devemos amar. Formamos assim um só 
coração, e uma só alma para amar e servir 
a Deus e para nos ajudarmos uns aos 
outros.” 
• LER COLOSSENSES 3, 12-15. 
• A comunhão da caridade: ler Rm 14, 7: 
ninguém vive ou morre para si; 1 Cor 12, 
26-27: todos compartilhamos com outro o 
que temos até os sofrimentos. 
• Jo 13, 35: “Nisto conheceram todos 
que sois os meus discípulos: sevos 
amardes uns aos outros”. Tertuliano diz 
que os cristãos levaram tão a sério este 
mandamento que os pagãos diziam entre 
si “Vede como eles se amam”. 
47
CATEQUESE INCLUSIVA 48 
3º passo - A partilha 
do pão: 
Mc 8,6 
14. Os discípulos tinham se esquecido de 
levar pães. Tinham consigo na barca só um 
pão. 
15. Então Jesus os advertiu: “Prestem 
atenção e tomem cuidado com o fermento 
dos fariseus e com o fermento de 
Herodes”. 
16. Os discípulos diziam entre si: “É 
porque não temos pão”. 
17. Mas Jesus percebeu e perguntou: 
“Por que vocês discutem sobre a falta de 
pães? Vocês ainda não entendem e nem 
compreendem? Estão com o coração 
endurecido?”. 
18. “Vocês têm olhos e não veem, tem 
ouvidos e não ouvem? Não se lembram 
19. de quando reparti cinco pães para 
cinco mil pessoas? Quantos cestos vocês 
recolheram cheios de pedaços?” Eles 
responderam: “Doze”. 
20. Jesus perguntou: “E quando reparti 
sete pães para quatro mil pessoas, 
quantos cestos vocês recolheram cheios 
de pedaços?”. Eles responderam: “Sete.” 
21. Jesus disse: “E vocês ainda não 
compreendem?”. 
• Está relacionada com a ceia do Senhor. 
Ler CIC 1329 “ com isso querem dizer 
que todos comem do único pão partido, 
Cristo”. 
• Discípulos de Emaús, Lucas 25, 13-35: 
Reconheceram Jesus na partilha do pão; 
é assim que reconhecerão os seguidores 
de Jesus. Antes da partilha eles estavam 
“cegos”, só viram quem era na hora da 
partilha, da refeição. 
• Quando nos reunimos à mesa do Senhor 
reconhecemos Jesus no outro e encontram 
em nós a Jesus ressuscitado. 
• Os crentes primitivos mantinham 
uma comunhão tão intensa entre si que 
se reuniam com alegria e singeleza de 
coração para celebrar a Santa Ceia. Era 
o seu “partir do pão” (At 2.42). Eles em 
Cristo e Cristo em cada um deles. Pode 
haver comunhão mais plena? Não era 
simplesmente uma cerimônia; era a festa 
na qual lembravam a morte e ressurreição 
de Jesus — a expressão mais sublime do 
amor divino. 
Para concluir este 3º passo: A eucaristia 
nos faz solidários, pois na matemática 
de Jesus quanto mais você divide mais se 
multiplica; costumo dizer que no lugar do 
divisor há uma cruz, pois o amor faz TUDO 
multiplicar e acontecer.
4º passo - Vida de oração 
(comunitária e pessoal) 
É imprescindível que o(a) catequista tenha 
um momento no dia de oração pessoal 
com Deus, ou seja, é se abastecer na 
oração e comunhão, ir à missa sempre 
que possível durante a semana, estar 
em dia com os Sacramentos, rezar o 
terço, estar em intimidade com Nossa 
Senhora e aprender dela as virtudes para 
ser um exemplo de catequista como ela, 
que foi quem catequizou Jesus, além de 
intimidade com a Palavra de Deus, isto é, 
a leitura diária da Bíblia, o(a) catequista 
tem que ter esse momento para se 
abastecer senão não consegue seguir 
em frente, e rezar para o Espírito Santo, 
pois Ele é o norteador de todo trabalho a 
ser desenvolvido pelos catequistas, sem 
Ele não tem catequese, pois é Dele que 
nascem a sabedoria, a inteligência, o 
temor de Deus e todos os demais dons, 
frutos e carismas necessários para realizar 
uma catequese de qualidade para todos. 
• “A oração é a elevação da alma a 
Deus ou o pedido a Deus dos bens 
convenientes.” (Sao João Damasceno) 
• “Para mim, a oração é um impulso 
do coração, é um simples olhar lançado 
ao céu, um grito de reconhecimento e 
amor no meio da provação ou no meio 
da alegria.” (Santa Terezinha do Menino 
Jesus) (CIC 2559ss) 
• CIC 2687 – A vida missionária ou 
comunitária não se mantém e não se 
propaga sem a oração; esta é uma das 
fontes vivas da contemplação e da vida 
espiritual. 
• Ninguém se mantém sem a vida de 
oração em comum. 
• Mateus 18,19: “Digo-vos ainda isto: se 
dois de vós se unirem sobre a terra para 
pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de 
meu Pai que está nos céus”. 
49
CATEQUESE INCLUSIVA 50 
• Oração pessoal: conseguiremos 
formar comunidades que rezam só se 
nos tornarmos pessoalmente homens e 
mulheres de oração. Cada um de nós tem 
a necessidade de exprimir em seu íntimo 
o modo pessoal de ser filho(a) de Deus, 
manifestar-lhe a gratidão, confidenciar-lhe 
os desejos e as preocupações 
apostólicas. Forma indispensável de 
oração é a oração mental. Ela fortalece 
nossa intimidade com Deus, salva a nossa 
rotina, conserva o coração livre e alimenta 
a doação ao próximo. Para Dom Bosco 
é a garantia de alegre perseverança na 
vocação. 
• Características da alma que ora (CIC): 
• Confiança – 2734 
• Esperança – 1820 
• Humildade – 2559 
• Vigilância – 2730 
• Vivência carismática – identidade ao 
carisma: 
• Sentido de pertença: é preciso se 
identificar e sentir-se pertencente 
ao carisma, sentir-se membro ativo e 
participativo da comunidade em que se 
vive. 
• Colocar em comum os dons que o 
Senhor lhe confiou para o bem maior: a 
comunidade. 
• Viver os dons recebidos no Batismo e 
confirmados no Crisma. 
• Leitura orante da Palavra. 
5º passo - Simplicidade 
de coração: 
O(A) catequista não deve se orgulhar por 
ser um catequista, ele(a) foi escolhido por 
Deus para designar essa missão aqui na 
Terra, antes mesmo de ter nascido (Jr 1,5), 
ou seja, ser catequista nada mais é do que 
dizer “sim” ao chamado feito por Deus e 
corresponder a esse chamado aprendendo 
com Jesus a ser reto(a) e humilde de 
coração, aceitando a vontade de Deus e 
exercendo com humildade a missão a cada 
um confiada. Pois não se é catequista 
para si, mas sim porque Deus chamou, 
escolheu, ungiu e capacitou antes mesmo 
de ter nascido. Temos que ter sempre 
isso muito claro nossa missão de profetas 
anunciadores inclusivos. 
• “Semelhantemente, vós outros que sois 
mais jovens, sede submissos aos anciãos. 
Todos vós, em vosso mútuo tratamento, 
revesti-vos de humildade; porque Deus 
resiste aos soberbos, mas dá a sua graça 
aos humildes (Pr 3,34).” 
• “Nada façais por espírito de partido ou 
vanglória, mas que a humildade vos ensine 
a considerar os outros superiores a vós 
mesmos.” (Fil 2,3).
51 
• “Portanto, como eleitos de Deus, santos 
e queridos, revesti-vos de entranhada 
misericórdia, de bondade, humildade, 
doçura, paciência.” (Colos 3,12). 
• “Assim como o Filho do Homem veio, 
não para ser servido, mas para servir e dar 
Sua vida em resgate por uma multidão.” 
(Mt 20,28). 
• Vivemos em comunidade não para 
sermos servidos, mas sim para servir 
aqueles que o Senhor mesmo confiou a 
nós para vivermos como irmãos. E como 
servir: 
• “Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, 
vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos 
os pés uns aos outros.” (Jo 13,14) 
Devemos seguir os ensinamentos deixados 
por Jesus, como exemplo: 
• Amar os outros, como a nós mesmos. 
• Viver o perdão, acolhida e reconciliação 
em comunidade. 
• Cuidar dos ambientes para o outro. 
• Saber escutar. 
• Falar na hora certa. 
• Respeitar os espaços do outro, todas as 
pastorais da paróquia utilizam as salas de 
encontros em que acontecem os encontros 
da catequese.
CATEQUESE INCLUSIVA 52 
Para finalizar este artigo é fundamental 
que o(a) catequista viva o amor em si, 
entre os irmãos, na sua própria família, 
pois é muito fácil e bonito o(a) catequista 
pregar sobre o amor nos encontros de 
catequese e dentro de casa e na sua 
própria família estar em divisão, com 
falta de perdão e diálogo. O(A) catequista 
não pode viver desse lema: “Faça o que 
eu digo, mas não faça o que faço”; muito 
pelo contrário, deve viver embasada nesta 
passagem: o Amor de Cristo reuniu para 
se tornarem uma só coisa um grande 
número de discípulos a fim de que, como 
Ele e graças a Ele, no Espírito, pudessem, 
através dos séculos, responder ao amor 
do Pai, amando-o “com todo o coração, 
com toda a alma e com todas as forças” 
(Dt 6, 5) e amando o próximo “como a si 
mesmos” (cf. Mt 22, 39). 
Catequistas, guardem isto: se cada um 
de vocês catequistas não estiverem 
em sintonia entre si, ou seja, vivendo 
a unidade e a comunhão de ações e 
pensamentos, e acima de tudo isso a 
oração, não terá como o Espírito Santo 
agir na unidade, o Espírito Santo não age 
na divisão. Pela unidade, a catequese 
terá mais frutos e vocês catequistas serão 
vocacionados felizes e comprometidos e 
compromissados com a causa inclusiva. 
Para cada um de vocês, Deus deixa a 
seguinte mensagem no livro de Josué*: 
1,7 “Tem ânimo, pois, e sê corajoso para 
cuidadosamente observares toda a lei que 
Moisés, meu servo, te prescreveu. Não te 
afastes dela nem para a direita nem para a 
esquerda, para que sejas feliz em todas as 
tuas empresas”. 1,8 “Traze sempre na boca 
(as palavras) deste livro da lei; medita-o 
dia e noite, cuidando de fazer tudo o que 
nele está escrito; assim prosperarás em 
teus caminhos e serás bem-sucedido.” 1,9 
“Isto é uma ordem: sê firme e corajoso. 
Não te atemorizes, não tenhas medo, 
porque o Senhor está contigo em qualquer 
parte para onde fores.” 
Thaís Rufatto dos Santos 
Thaís Rufatto dos Santos é Pedagoga, 
Psicopedagoga, Pós Graduada em Educação 
Especial, Consultora em Educação Inclusiva. 
Coordenou a Pastoral da Pessoa com Deficiência, 
na Diocese de Santo Amaro - SP. É autora de livros 
voltados à Catequese Inclusiva. Ministra palestras 
em Paróquias e Dioceses. 
Contato: thaisrdossantos@gmail.com
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CATEQUESE PERSONALIZADA 54 
ELEMENTOS PARA 
UMA CATEQUESE 
PERSONALIZADA 
O ENCONTRO ENTRE 
JESUS E ZAQUEU 
por João Melo
Acatequese de inspiração catecumenal 
não pressupõe que os iniciandos já 
estejam evangelizados ou que sequer 
conheçam Jesus, “esse pressuposto não 
só deixou de existir, mas frequentemente 
acaba até negado” (Porta Fidei, 2). A 
catequese que busca responder de 
forma adequada ao desafio de anunciar 
a Boa Nova de Jesus nos dias de hoje é 
consciente de que aqueles que chegam 
a nós para serem catequizados, sejam 
adultos, jovens ou crianças, muitas vezes 
– e cada vez mais – não receberam o 
primeiro anúncio de Jesus Cristo, portanto, 
não têm ainda uma adesão à fé Nele 
como o sentido maior e último de suas 
vidas. Antes de aprofundar ou educar a fé 
é preciso primeiro que haja adesão à fé, 
portanto, ela precisa ser despertada! A fé 
é um dom de Deus, mas é também uma 
resposta do homem. Como poderíamos 
aprofundar por meio da catequese o 
conteúdo da fé, a doutrina com um 
iniciando que a fé em Jesus ainda não 
foi acolhida? Não há como! Precisamos 
começar pelo que é essencial, o que é mais 
importante, Jesus Cristo, Filho de Deus que 
nos ama, veio ao mundo e por Seu mistério 
de paixão, morte e ressurreição nos salva e 
oferece a todos aqueles que Nele creem a 
vida eterna (cf. Jo 3, 16-21). Então, a nossa 
preocupação precisa ser antes essa: como 
suscitar em nossos iniciandos a fé em 
Jesus Cristo? A resposta: anunciando Jesus 
Cristo! Precisamos ajudá-los a fazerem a 
experiência pessoal do encontro com o 
Filho do Deus vivo. 
No processo catequético de iniciação 
à vida cristã isso implica em “grande 
atenção às pessoas, com atendimento 
personalizado” (Diretrizes Gerais da Ação 
Evangelizadora da Igreja no Brasil 201- 
2015, 87). Trata-se, portanto de assumir 
novas práticas pastorais que possam 
corresponder a essa urgência de iniciar as 
pessoas a partir do primeiro anúncio de 
Jesus Cristo morto e ressuscitado à fé e à 
vida cristã. Tal tarefa se fará por meio do 
diálogo, da proximidade, da reflexão sobre 
a experiência de vida, da amizade e do 
anúncio explícito do Evangelho de forma 
pessoal e personalizada a cada pessoa 
inicianda. De fato, todos trazem em si “o 
desejo e a capacidade de encontro com 
a Palavra de Deus, que o próprio Espírito 
Santo suscita” (idem). De modo prático, 
isso implica em um novo perfil de agente 
evangelizador, o Ministério dos Introdutores 
(cf. idem, 42). 
55
CATEQUESE PERSONALIZADA 56 
O Evangelho de São Lucas nos apresenta 
um episódio em que o cobrador de 
impostos Zaqueu faz a experiência pessoal 
de encontro com Cristo. Essa narrativa 
é baluarte e modelo para nós porque 
está carregada de elementos para uma 
catequese personalizada que se preocupa 
em fazer – ou repetir – o primeiro anúncio 
aos iniciandos. Nesse texto, precisamos 
olhar para Jesus Mestre, que é a razão de 
ser de nossa ação catequética, modelo 
de catequista e, como veremos, também 
de introdutor. Os gestos, a palavra e a 
vida de Jesus são inspiradores da nossa 
ação pastoral. É Dele que aprendemos a 
evangelizar e catequizar e é por Ele, para 
que se torne conhecido e amado e para 
que Sua proposta de salvação e de adesão 
ao Reino de Deus seja realidade no hoje e 
plenitude na vida eterna, que realizamos 
qualquer ação pastoral. Nesse sentido é 
que vemos Nele a identidade do introdutor 
e sua ação catequética. 
Primeiro, vejamos todo o episódio bíblico 
em Lucas 19, 1-10. 
“Jesus entrou em Jericó e estava 
atravessando a cidade.” (Lucas 19,1) 
Jericó era uma cidade conhecida, Jesus 
vai até lá e caminha no meio do povo, pela 
cidade... é Ele que possibilita o encontro 
Consigo, criar as condições. A iniciativa é 
Dele porque o primeiro amor é Dele, que 
nos amou primeiro e por isso nos atrai a 
Si (cf. 1 Jo 4,10). É ele a entrar nos lugares 
que nos encontramos. 
“Morava ali um homem rico, chamado 
Zaqueu que era chefe dos cobradores de 
impostos.” (Lucas 19,2) 
O evangelista nos narra QUEM era 
Zaqueu, seu nome, o que fazia (era 
cobrador de impostos), como era (homem 
de baixa estatura), onde morava (cidade 
de Jericó)... E Jesus chama Zaqueu pelo 
nome, ou seja, Jesus sabe quem ele é, Ele 
conhece Zaqueu. O chamado do introdutor 
e do catequista é a conhecer, aproximar-se, 
ir ao encontro e criar um vínculo de 
amizade sadia com o iniciando. Saber 
quem ele é, sua história, suas motivações, 
e deixar-se conhecer por ele também. 
“Ele estava tentando ver quem era Jesus, 
mas não podia, por causa da multidão, 
pois Zaqueu era muito baixo.” (Lucas 19,3) 
Como em Zaqueu, há em nós uma sede de 
VERDADE, um desejo de Deus, pois só Ele 
confere pleno sentido à vida... Muitas vezes 
não sabemos direito ou não identificamos 
isso em nós, mas todo ser humano “buscar 
ver” algo que faça sentido, que fale ao 
nosso coração inquieto. Mas há “multidões 
de ruídos” que atrapalham o encontro com 
o Cristo, muitos, por isso, são de “baixa 
estatura” na fé. 
“Então correu adiante da multidão e subiu 
numa árvore para ver Jesus, que devia 
passar por ali.” (Lucas 19,4) 
O texto diz que Zaqueu CORREU, ou seja, 
ele fez um percurso, um caminho... A 
catequese, a iniciação à vida cristã é o 
caminho a ser percorrido para “ver Jesus”. 
Como está o caminho que propomos aos 
nossos iniciandos? 
Zaqueu subiu em uma árvore para 
conseguir ver Jesus. A árvore foi o 
instrumento que para ele foi necessário 
para deixar de estar “em baixa estatura”, 
inclusive de fé...
57 
Nossa catequese é esse instrumento 
– árvore – para os nossos iniciandos 
aproximarem-se de Jesus. A catequese 
iniciática é instrumento que facilita o 
encontro pessoal do iniciando com a 
pessoa de Jesus Cristo, mas ela haverá de 
prepará-lo para continuar em busca do 
mesmo Cristo, para o discipulado, para 
a catequese permanente! Um dia, nosso 
iniciando “descerá da árvore”, queremos 
que seja para seguir Jesus... 
“Quando Jesus chegou àquele lugar, olhou 
para cima e disse a Zaqueu: ‘Zaqueu, 
desça depressa, pois hoje preciso ficar na 
sua casa’.” (Lucas 19, 5) 
O olhar penetrante de Jesus expressa Seu 
desejo de estar na casa, na intimidade, 
na vida de quem O encontra. Jesus diz 
que PRECISA ficar na casa de Zaqueu, 
Ele quer estar lá. O exemplo de Jesus nos 
impulsiona a promover uma catequese 
personalizada, familiar, no lar, na casa, 
especialmente por meio do ministério dos 
introdutores. 
O ministério dos introdutores é responsável 
por fazer o primeiro anúncio de Jesus 
Cristo – o primeiro tempo do itinerário 
da iniciação à vida cristã. Os introdutores 
são pessoas que conhecem o iniciando, 
acompanham e são testemunhas de sua 
caminhada de fé e desejo de celebrar 
os sacramentos. Agem como padrinho 
ou madrinha, mas não precisam 
necessariamente sê-lo (cf. RICA, 42). 
São membros das diversas pastorais 
e movimentos da comunidade que 
acompanham de forma personalizada 
a cada um dos iniciandos nessa fase 
inicial que antecede a catequese. Na 
maior parte das vezes, esse atendimento 
personalizado prestado pelos introdutores 
é feito nas casas dos iniciandos, com hora 
marcada e no caso das crianças, com a 
presença da família. 
“Zaqueu desceu depressa e o recebeu na 
sua casa, com muita alegria.” (Lucas 19,6) 
Diante da Palavra de Jesus, Zaqueu tem 
uma atitude... Acolhe a Palavra e isso 
lhe traz grande alegria, é a Alegria do 
Evangelho (cf. Evangelii Gaudium, 1), 
característica própria do cristão. Como 
motivar os nossos iniciandos e suas 
famílias para acolherem a Palavra de 
Jesus? Como contagiá-los com a alegria de 
ser cristão? 
“Todos os que viram isso começaram a 
resmungar: ‘Este homem foi se hospedar 
na casa de um pecador!’.” (Lucas 19,7) 
Muitos não compreendem e por isso 
reagem de forma negativa. A atitude de 
Jesus é incompreendida, por muitos não 
é aceita. A proposta de um processo de 
catequese de inspiração catecumenal não 
é fácil. Articular dentro da catequese um 
processo personalizado e pessoal exige 
ter a atitude de Jesus que mesmo na 
incompreensão da comunidade persistiu.
CATEQUESE PERSONALIZADA 58 
“Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: 
‘Escute, Senhor, eu vou dar a metade 
dos meus bens aos pobres. E, se roubei 
alguém, vou devolver quatro vezes mais’.” 
(Lucas 19,8) 
Zaqueu, que encontrou com Jesus e 
acolheu Sua Palavra, agora O chama de 
SENHOR. Jesus ocupa a centralidade da 
sua vida. O encontro com Jesus possui 
uma dimensão transformadora, leva 
à ação. Zaqueu age para o bem e por 
meio de atitudes concretas. A catequese 
é educação da fé comprometida com 
a realidade, gera conversão pessoal e 
transformação da realidade. 
“Então Jesus disse: ‘Hoje a salvação entrou 
nesta casa, pois este homem também é 
descendente de Abraão’.” (Lucas 19,9) 
A salvação alcança Zaqueu, que permite 
ser alcançado. Jesus diz que Zaqueu é 
filho de Abraão, ou seja, que ele pertence 
ao povo escolhido, à comunidade dos 
filhos de Deus. Por meio do processo 
catequético nossos iniciandos e 
suas famílias são inseridos em nossa 
comunidade, cresce neles a consciência 
de serem também Igreja. Quais os espaços 
e a acolhida que eles encontram em nossa 
comunidade? 
“Porque o Filho do Homem veio buscar e 
salvar quem está perdido.” (Lucas 19,10) 
Ser introdutor, ser catequista é cumprir o 
mandato de Jesus de ir e anunciar a Boa 
Nova (cf. Mt 28, 19-20), é contribuir para a 
realização do Reino de Deus. O objetivo da 
Catequese é fazer discípulos missionários 
de Jesus Cristo.
59 
Diretrizes para uma 
catequese personalizada 
Abrir-se a ação do Espírito Santo e ao 
1 
dom da humildade, pois é Jesus que nos 
atrai a si; 
Conhecer os iniciandos e sua família, 
2 
sua realidade, o que pensam, o que 
fazem, etc.; 
Anunciar o Evangelho de forma 
3 
pessoal e particular a partir de uma 
interação entre fé e vida; 
Revisar o itinerário ou o tipo de 
4 
catequese que estamos propondo; 
Promover uma catequese iniciática que 
5 
depois se torne discipulado por meio de 
uma catequese permanente; 
Instituir o ministério dos introdutores; 
Perseverar mesmo em meio às 
6 
7 
dificuldades e incompreensões da 
comunidade; 
Encorajar uma catequese que seja 
8 
educação da fé comprometida com a 
realidade; 
Articular a catequese de modo que os 
9 
iniciandos sejam inseridos na comunidade 
e percebam que pertencem a Igreja; 
Conscientizar e pautar as ações 
10 
pastorais a partir do objetivo da catequese 
que é fazer discípulos missionários de 
Jesus Cristo. 
João Melo 
Seminarista da Arquidiocese 
de São Paulo. Especialista 
em Catequese pelo UNISAL-SP 
e acadêmico do curso de 
pós-graduação em Ensino 
Religioso Escolar pelo mesmo 
instituto. É membro da Comissão 
Arquidiocesana de Animação 
Bíblico-Catequética da 
Arquidiocese de São Paulo.
TEATRO NA CATEQUESE 60 
Arte e vida 
à luz 
da Palavra 
por Erivandra Marques
61 
Ao catequista que se lança no Espírito 
Santo para usar o teatro na propagação 
do Evangelho nunca faltará fonte de 
inspiração. A Palavra de Deus é eterno 
suporte para criar oportunidades cênicas. 
Um único versículo, ou parte dele, pode ser 
a origem de uma história bem parecida com 
a de muitas pessoas! 
A depender dos intérpretes, os 
ensinamentos da Palavra podem chegar 
e se instalar, por meio da encenação, em 
áreas da vida que, talvez, numa leitura 
comum do texto bíblico, ainda que 
meditada, eles não alcançassem. 
Por que investir no teatro bíblico? Primeiro, 
porque histórias encenadas dão vida a 
personagens que são pouco explorados 
numa leitura comum e, segundo, porque 
o mundo lá fora investe em teatro secular 
e teatro satânico. A Palavra de Deus deve 
nos levar a combater todos os meios de 
transmissão de mensagem num nível 
superior de investimento em relação ao 
mundo, pois o trabalho do catequista-evangelizador 
é resgatar almas para 
Deus! Por isso, nada de pensar que teatro 
na igreja não deve ser feito por exigir 
muito esforço e dedicação prévios! Isso 
não deve passar pela cabeça dos que se 
comprometem com Cristo! Vejamos o 
que Paulo, que interpretou estar morto 
(Atos 14, 19-20) – visto que não tinha 
acabado sua missão, por isso não era hora 
de morrer – diz na 2ª Carta a Timóteo 4, 
2-4: “Prega a palavra, insiste oportuna e 
inoportunamente, repreende, ameaça, 
exorta com toda a paciência e empenho 
em instruir. Porque virá o tempo em que os 
homens já não suportarão a sã doutrina da 
salvação. Levados pelas próprias paixões 
e pelo prurido de escutar novidades, 
ajustarão mestres para si. Apartarão os 
ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas. 
Tu, porém, sê prudente em tudo, paciente 
nos sofrimentos, cumpre a missão de 
pregador do Evangelho, consagra-te ao teu 
ministério”. 
Chegamos ao tempo das fábulas! O que 
é oportuno? O que é inoportuno? Se é 
inoportuno investir tempo e dinheiro para 
dinamizar a transmissão da Palavra de 
Deus, façamo-lo mesmo assim! As pessoas 
tendem a seguir as mensagens mais 
atrativas! Por isso o texto bíblico pode e 
deve ser trabalhado de forma teatral. O 
texto sagrado que comumente é esquecido 
e empoeirado nas estantes é o mesmo que 
ganha e dá vida, e vida em abundância! 
Erivandra Marques 
Catequista de Primeira Comunhão 
Paróquia Senhor do Bonfim 
Maceió, AL 
Ainda é tempo 
de voltar 
(Mt 11,28) 
TOQUE PARA BAIXAR
TEOLOGIA 64
A Globalização 
numa visão 
teológica 
por Márcio Oliveira Elias 
A globalização é um fenômeno cultural 
recente, mas sua realidade é bem mais 
remota, podemos perceber as suas raízes 
no alvorecer da cultura da razão e da palavra 
na Antiguidade, emergindo em profusão na 
explosão das tecnologias da comunicação 
no mundo contemporâneo. Podemos situar 
uma via de origem no Extremo Oriente, onde 
a figura dos pensadores criou um caminho 
para a reflexão da potencialidade humana, 
despontado o anseio abrangente do homem. 
Outra via originária encontramos na Grécia dos 
filósofos, onde se forjou o logos que penetrou 
pelos caminhos abertos da razão universal. 
Estava lançada a semente da incessante busca 
pelo conhecimento, que formatou nossa cultura 
ocidental e que gestou a atual globalização. 
65
TEOLOGIA 66 
O cristianismo, com sua clara vocação 
universal, chega nos dias atuais aos 
mais longínquos recantos do planeta, 
mas a consciência da expansão firma-se, 
sobretudo, na esfera ocidental, onde 
sua doutrina de fé lançou mais fundo as 
suas raízes. A globalização nos tempos 
modernos está provocando uma nova 
forma de contato da fé cristã com outras 
formas culturais e religiosas; esta é a 
novidade da questão atual. 
Em tempos de modernidade e pós-modernidade 
a globalização se manifesta 
com um paradoxo marcado pela 
continuidade de alguns valores naturais, 
como a liberdade, e a ruptura de outros 
diante da lógica da flexibilidade e da 
pluralidade, como é o caso do relativismo. 
Tudo isso se manifesta no estado atual do 
comportamento humano, nas expressões 
religiosas e na estética social e cultural. 
Diante desse contexto, surge a 
preocupação de formular uma teologia 
que, seguindo sua lógica da universalidade 
histórica, deve ser contemporânea e 
Outra fonte globalizante poderá ser 
apontada no Oriente Médio, onde 
os profetas promulgavam a Palavra 
transcendente de Deus, que também 
possui cunho universal. “As nações 
caminharão para a Tua luz, e os reis, para 
o clarão da Tua aurora”, diz o profeta 
Isaías (60 1-3). No seguimento dessa 
proclamação profética, essa mentalidade 
universal amplia-se pelo mundo, refletindo 
a consciência de uma comunidade 
nascente, que recebe de Cristo uma 
missão: “Ide por todo o mundo e pregai o 
Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15). 
A caminhada histórica foi demonstrando 
que a cultura ocidental tem interiorizada 
uma consciência globalizante, em que se 
situam sonhos e desejos universalistas, 
bem como uma tendência expansionista 
nos campos político, econômico e cultural. 
O mundo torna-se hoje uma “aldeia 
global”, onde o planeta se apresenta 
para o homem como um espaço único e 
privilegiado, dominado pela tecnologia 
da comunicação em tempo real. Nesse 
diapasão o Evangelho também deve se 
propagar em tempo real.
relevante, objetivando a compreensão 
do próprio indivíduo e seu coletivo, visto 
que a questão de Deus, enquanto uma 
profissão de fé passa invariavelmente 
pelas questões essenciais da existência 
humana. 
O pensar teológico em tempos 
globalizantes não pode se colocar à 
margem das angústias e esperanças 
do homem. A Revelação se apresenta 
gratuitamente na história humana; uma 
história marcada por contradições e 
ambiguidades, mas que é caminho para 
o diálogo da teologia com a razão, no 
círculo hermenêutico do conhecimento e 
da religiosidade. A fé cristã se reinterpreta 
num processo interminável, pois cada vez 
lhe surge um novo encontro com a graça 
do Mistério. 
A afirmação evangélica deverá consolidar 
e aprofundar o diálogo da teologia 
com as ciências humanas, que já está 
consolidado desde o Concílio Vaticano 
II, na constituição pastoral Gaudium et 
spes, que analisa a situação do mundo, 
os dramas humanos e os desafios que 
emergem para a fé cristã, com a finalidade 
de oferecer uma reflexão teológica em 
melhores condições de compreender 
sistemática e rigorosamente o ser 
humano, no seu atual momento histórico. 
Temos de ressaltar que a globalização 
alavanca os fenômenos do relativismo, 
do nivelamento religioso rasteiro, do 
sincretismo amalgamado, com sérias 
consequências para uma abertura 
da consciência teológica ao diálogo 
com o mundo. A globalização não 
é um fluxo da cultura dominante e 
massificante tão somente, mas também 
um circular frenético de todo exotismo 
cultural possível e imaginável, talvez 
até inimaginável. E assim as mais 
diversas facções religiosas lançam 
suas expressões, habitualmente soltas 
e descoladas, em que cada sujeito as 
apreende como quer, quando quer e aonde 
lhe satisfizer individualmente. 
Alguns fenômenos contemporâneos 
chamam mais a atenção, porquanto 
conhecer o mundo moderno demanda 
a necessidade de uma visão mais 
67
TEOLOGIA 68 
abrangente e profunda, para captar e 
interpretar os “sinais dos tempos”, em 
face da exacerbação da subjetividade, 
do individualismo, em que a crise de 
identidade pessoal chega às raias do 
patológico e da insegurança existencial. 
A aldeia global eliminou distâncias, mas 
criou abismos com a pasteurização e 
a perda da memória cultural, gerando 
pseudovalores, inibindo assim o senso 
crítico e a criatividade. 
Os tempos globais nos desafiam a 
proclamar uma Nova Evangelização, 
na qual devemos encontrar Jesus na 
alteridade, apesar de todas as dificuldades 
que existem, apesar de algumas muitas 
pessoas não viverem coerentemente 
sua fé. Mas somos os comunicadores 
do Cristo, numa sociedade que muitas 
vezes encontra-se distante de Deus, 
que não percebe a falta Dele como uma 
ausência. Nós, portanto, precisamos 
ser sempre mais capazes e dispostos a 
nos aproximarmos uns dos outros, para 
transmitir nossa alegria como primeira 
experiência que devemos manifestar: a 
alegria de ter encontrado Jesus. 
O Evangelho nos pede que sejamos 
coerentes com o nosso testemunho, 
apesar das dificuldades, dos nossos 
limites, das nossas contradições; o que 
conta, na verdade, é o nosso modo de 
celebrar a vida e lutar por ela. Nesse 
sentido a globalização favorece a profusão 
do testemunho, pois nela ocorre um 
aumento do intercâmbio cultural de 
diversos matizes, sendo importante para 
ampliar a visão de mundo nos indivíduos, 
que assim podem passar a conhecer e 
respeitar outras realidades culturais e 
sociais. A globalização também pode fazer 
fluir um sentimento de integração, em que 
muitas pessoas passam a se sentir cidadãs 
do mundo, numa unidade na diversidade, 
numa fraternidade possível, no sonho 
cristão de sermos uma única família. 
Referências: 
Por uma nova razão teológica. A teologia na 
pós-modernidade. Professor Paulo Sérgio Lopes 
Gonçalves. 
Globalização e o impacto sobre a fé. Pe. João 
Batista Libanio, sj. Desafios da globalização. 
Márcio Oliveira Elias 
Advogado, Teólogo e Professor. 
Atua na formação permanente de 
agentes pastorais e fiéis leigos na 
Diocese de Cachoeiro de Itapemirim/ 
ES, sendo coordenador do Instituto 
de Ciências Humanas Evangelii 
Gaudium, instituição formativa de 
denominação católica, que tem por 
objetivo precípuo produzir e difundir o 
conhecimento da Doutrina Cristã.
MATÉRIA DE CAPA 70 
coração
71 
de TOQUE 
NO CORAÇÃO 
CONHEÇO 
UM CORAÇÃO 
PADRE JOÃOZINHO 
CATEQUISTA 
por Moacir Beggo
MATÉRIA DE CAPA 72 
Agosto é celebrado na Igreja como 
mês vocacional por excelência. A 
palavra vocação vem do latim vocare, 
que quer dizer chamado, ou, na melhor 
definição bíblica, “Antes de formar-te no 
ventre de tua mãe Eu te conhecia e te 
escolhi” (Jr 1,5). 
A esse chamado vemos sacerdotes, 
religiosas e religiosos, pais e mães, 
leigos, leigas e catequistas respondendo 
com alegria. Fazem de suas vidas oferta, 
oblação e entrega. 
De forma especial, destacamos nesta 
edição especial os catequistas, que são 
lembrados no último domingo de agosto 
de 2014. 
Para o Papa Francisco, o ser catequista 
não vive separado do amor. “Amor sempre 
mais forte por Cristo, amor pelo seu povo 
santo. E este amor, necessariamente, 
parte de Cristo.” 
Durante a Jornada dos Catequistas, em 
setembro do ano passado, o Papa explicou 
como age o coração do catequista. 
Segundo Francisco, ele vive sempre o 
movimento de “sístole-diástole”: união 
com Jesus, encontro com o outro. “Se falta 
um destes dois movimentos não bate mais, 
não vive. Recebe como dom o querigma, e 
por sua vez o oferece como dom. É esta a 
natureza do próprio querigma: é um dom 
que gera missão, que impulsiona sempre 
para fora de si mesmo. São Paulo dizia: ‘O 
amor de Cristo nos impulsiona’, mas este 
‘nos impulsiona’, pode se traduzir também 
em ‘nos possui’. É assim: o amor te atrai 
e te envia, te toma e te doa aos outros. 
Nesta tensão se move o coração do cristão, 
em particular o coração do catequista”, 
disse o Papa.
73 
Na raiz da palavra, catequizar, catá-ekhéi, 
em seu sentido original, significa 
“fazer ressoar aos ouvidos”; no Segundo 
Testamento podemos afirmar que catequese 
significa formar, instruir, ensinar de viva voz. 
Segundo o Catecismo da Igreja Católica, 
“a finalidade definitiva da catequese é 
levar à comunhão com Jesus Cristo: só ele 
pode conduzir ao amor do Pai no Espírito e 
fazer-nos participar da vida da Santíssima 
Trindade”. 
No parágrafo 427 do Catecismo, a 
definição de catequese e catequista: “Na 
catequese, é Cristo, Verbo Encarnado e 
Filho de Deus, que é ensinado – todo o 
resto está em relação com Ele; e somente 
Cristo ensina; todo outro que ensine, 
fá-lo na medida em que é seu porta-voz, 
permitindo a Cristo ensinar por sua boca... 
Todo catequista deveria poder aplicar a 
si mesmo a misteriosa palavra de Jesus: 
‘Minha doutrina não é minha, mas daquele 
que me enviou’ (Jo 7,16)”. 
Ser catequista... 
TOQUE 
NOS CORAÇÕES 
PARA LER OS 
DEPOIMENTOS
MATÉRIA DE CAPA 74 
Coração acelerado 
Mas como anda o coração do catequista 
diante dos desafios de nossa sociedade atual? 
Segundo Angela Maria Leal Rocha, 
formadora de catequistas com 
especialização em catequética pela 
Faculdade Vicentina de Curitiba- 
PR, hoje o evangelizador, como os 
primeiros apóstolos, se vê num mundo 
aparentemente hostil, mas cheio da 
“necessidade” de fé, de transcendência. “As 
pessoas andam perdidas pelo caminho, e 
a Palavra é entendida como resposta para 
tudo, só que no mundo de hoje, precisamos 
pensar o Evangelho como ‘pergunta’. 
Temos nos dedicado demais a dar respostas 
a perguntas que ninguém faz; o Papa 
Francisco, na Evangelii Gaudium, afirma 
isso. O ser humano precisa ‘se perguntar’ 
mais: A que veio? Qual é sua missão aqui? 
O que se espera dele?”, interpela Angela, 
da Paróquia Nossa Senhora Rainha dos 
Apóstolos, de Londrina. 
Catequista por nove anos e agente 
da Pascom, Angela conta que leu 
recentemente uma entrevista em que o 
Pe. Antonio Spadaro pergunta: “O homem 
de hoje tem necessidade de perguntas. A 
Igreja sabe envolver-se com as dúvidas e 
as perguntas dos homens? Sabe despertar 
as perguntas que estão no coração deles 
sobre a existência?”. 
“Sem que o catequista entre em diálogo 
com o catequizando, compreenda suas 
expectativas e suas esperanças, entenda 
suas motivações e conheça o contexto 
em que ele vive, não há evangelização. 
E aqui eu falo de um catequizando com 
maturidade para entender os aspectos da 
fé, não de crianças”, acredita a formadora. 
E Angela é enfática: “Penso que o maior 
desafio, hoje, para a catequese ainda é 
deixar o ‘conteúdo’ de lado e partir para 
o ‘relacionamento’. Deixar de pensar no 
sacramento como ‘fim’ e fazê-lo acontecer 
como ‘etapa’ na caminhada de conversão e 
seguimento. O catequista de hoje precisa 
pensar em evangelizar o adulto muito mais 
do que a criança. Ela não é mais educada 
na infância pelo testemunho dos pais, 
já não vivemos mais um cristianismo de 
‘berço’; existe pluralidade religiosa dentro 
até de uma mesma família”.
75 
Frei Djalmo Fuck, pároco na Igreja São 
Francisco de Assis da Vila Clementino, 
em São Paulo, defendeu o tema 
“Catequese com adultos: processo de 
iniciação e aprofundamento permanente 
da fé” na conclusão do seu curso de 
teologia. Para ele, não basta transmitir 
a doutrina. “O catequista precisa 
dialogar obrigatoriamente com o coração 
das pessoas!”, decreta, pedindo uma 
formação continuada e permanente 
de nossos catequistas: “Formação não 
apenas teórica, doutrinária, mas prática: 
como interagir e dialogar com nossos 
catequizandos?”. 
Segundo Frei Djalmo, precisamos rever 
ainda a metodologia, aproveitar as mídias 
modernas para transmissão da fé. 
Para ele, um segundo grande desafio é 
envolver os pais, a família, no processo 
“O catequista 
precisa dialogar 
obrigatoriamente com 
o coração das pessoas!” 
Frei Djalmo Fuck 
catequético. “Os pais são os primeiros 
catequistas de seus filhos. Não podemos 
terceirizar ou delegar esta missão tão 
somente para os catequistas e a Igreja. 
A catequese começa dentro de casa!”, 
reforçou. 
Por último, e maior desafio, transformar 
a mentalidade de que catequese é 
“coisa para criança”. “Historicamente 
identificamos a catequese como atividade 
quase que exclusiva de crianças, mas 
hoje entendemos e compreendemos que 
catequese é um processo de iniciação 
permanente da fé e deste processo 
fazemos parte todos nós! Estamos 
continuamente fazendo iniciação na fé, 
a catequese não termina com celebração 
dos sacramentos da iniciação cristã”, 
explicou.
MATÉRIA DE CAPA 76 
O catequista não é só aquele que ensina, 
mas que aprende junto, aperfeiçoa, cresce, 
está junto, coordenando, orientando, 
mostrando pistas, caminhos. Para que ele 
possa fazer isso é preciso que antes esteja 
disposto a formar-se, a orientar-se, a ler, 
estudar, preparar-se a fim de que esteja em 
comunhão perfeita com o Evangelho e com 
os ensinamentos da Igreja. 
“Além de formação, o catequista precisa 
testemunhar aquilo que fala, ser pessoa 
de oração, escuta da Palavra e prática 
da caridade. Só através do testemunho e 
exemplo é que as pessoas podem conhecer 
a Jesus por meio dele, levando a um 
verdadeiro processo de conversão pessoal 
contínua e daqueles que estão ao seu 
redor”, acredita Cristy Rose de Azevedo, 
coordenadora da catequese na Paróquia 
São Francisco de Assis da Vila Clementino. 
Para Marta Núbia de Moura Candeias, 
oito anos como catequista na Paróquia 
Nossa Senhora de Fátima do Imirim (SP), 
a catequese fala realmente ao coração 
das pessoas com “fé autêntica, práticas 
espirituais e vida de testemunho”. 
“É preciso ser testemunha da vida em 
Jesus Cristo e assumir a dinâmica da 
vida em comunidade. Não existem 
dificuldades: assumindo a vida cristã 
com convicção, e respeitando os limites 
da sociedade, pode-se levar o Cristo 
às pessoas mesmo nas realidades 
fragmentadas do nosso mundo”, acredita. 
Para a catequista Karen Cristina Riola 
Batista, pioneira na catequese da 
Comunidade São Paulo da Paróquia Santo 
Antônio de Indaiatuba-SP há cerca de seis 
anos, a catequese deve ser acolhedora e 
Coração pleno 
Quem é o catequista? 
TOQUE 
NOS CORAÇÕES 
PARA LER OS 
DEPOIMENTOS
77 
estar sempre atenta à necessidade das 
pessoas. “As pessoas buscam carinho, 
atenção, esperança, opinião, explicações... 
e sacramentos. Com muita luz do Espírito 
Santo, precisamos corresponder a essas 
expectativas com amor e dedicação”. 
Mesmo neste mundo plural e fragmentado 
é possível transmitir valores humanos 
e cristãos porque o catequista tem 
como exemplo Cristo. “Ele é um grande 
catequista e nos mostra caminhos para 
vivenciar o amor e a fraternidade”, diz a 
guerreira Karen, em luta contra um desafio 
maior: a doença lúpus, que a obriga a 
extenuantes sessões de quimioterapia. 
Para Angela Rocha, não há outra palavra 
que melhor defina como educar para 
“Não vamos 
transmitir 
valores e nem 
‘ensinar’ a amar 
sem amarmos 
aqueles que nos 
são confiados” 
Angela Rocha 
o amor: relacionamentos. “Precisamos 
conhecer e entender as pessoas e nos 
tornarmos mais ‘disponíveis’ a elas. Não 
vamos transmitir valores e nem ‘ensinar’ a 
amar sem amarmos aqueles que nos são 
confiados. E não apenas a eles como seres 
independentes. Eles vêm de uma família 
que precisa ser conhecida, entendida e 
amada. Apesar de sermos tão plurais em 
nossas crenças, atitudes e valores, somos 
seres oriundos de um mesmo Criador e 
temos as mesmas necessidades: amor, 
reconhecimento, atenção e aceitação das 
nossas diferenças e erros”, acredita ela, 
que tem um blog sobre catequese: “Temos 
agora o desafio de evangelizar na era da 
cultura digital. Nesse sentido, o mundo 
pede uma Nova Evangelização”.
MATÉRIA DE CAPA 78 
Por uma catequese humana e humanizadora 
A catequese a partir das idades 
O Padre Jordélio Siles Ledo, pároco da 
igreja Sagrada Família em São Caetano 
do Sul-SP, é hoje um referencial no Brasil 
quando o assunto é catequese. Desde 
que se ordenou presbítero em 2002, este 
religioso estigmatino tem se dedicado 
à formação catequética e, aos 38 anos, 
tem um sonho: “O dia em que a Igreja, 
com as nossas paróquias e comunidades, 
conseguir atingir todas as fases da vida de 
uma pessoa, nós completaremos o ciclo de 
acompanhamento da fé”, espera. 
O desafio é grande, mas Pe. Jordélio 
insiste numa catequese permanente, que 
deve acompanhar a pessoa ao longo da 
vida: “Hoje, nós focamos só a criança e 
depois se esquece dela e só vai atendê-la 
lá no fim da vida. Então, a ideia é pensar 
uma catequese evangelizadora que atinja 
todas as fases, todas as etapas”. 
Pensando nisso, Pe. Jordélio Siles Ledo e Pe. 
Eduardo Calandro lançaram, pela Paulus, 
Psicopedagogia catequética – reflexões e 
vivências para a catequese conforme as 
idades, em quatro volumes, para ajudar os 
catequistas na adequação dos conteúdos da 
catequese para a linguagem da criança, do 
adulto, do idoso, etc. 
Segundo Pe. Jordélio, esse trabalho de 
formação não tem nenhuma novidade, 
mas nasceu a partir do Diretório Nacional 
e do Diretório Geral de Catequese, que 
coloca a ideia da catequese conforme as 
idades. “Pesquisamos mais de 700 obras 
para fazer esse trabalho. Ele é fruto de 
uma experiência de quase dez anos dentro 
de salas de aula na área de pedagogia 
catequética e de assessorias andando pelo 
país afora”, explica o sacerdote, dando o 
seguinte diagnóstico: nossa catequese 
foi muito fragmentada e viveu em busca 
apenas dos sacramentos. “Funcionou e 
respondeu a uma realidade de Igreja numa 
época, mas que hoje precisamos repensar 
esse método, esses conceitos”, acredita. 
Segundo o religioso, caracterizar 
a situação existencial, bem como 
compreender o desenvolvimento da 
criança, é o objetivo dessa obra. “A 
catequese é essencialmente educação da
fé; no entanto, para que a mensagem de 
Jesus Cristo seja anunciada e acolhida 
pelos catequizandos, é necessário que 
esta seja adaptada à sua capacidade de 
compreensão e assimilação”, observa 
Pe. Jordélio, que trabalha com uma 
abordagem que vem do psicodrama, da 
psicologia e da psicopedagogia. 
Pe. Jordélio fez mestrado em teologia 
pastoral com pesquisa na área de 
catequese e é especialista em pedagogia 
catequética e coordenador da Comissão de 
Animação Bíblico-catequética da Diocese 
de Santo André-SP. Para ele, muitas 
dioceses têm investido na formação de 
catequistas, mas também muitas deixam 
a desejar. “O que observamos é que há 
regiões no país em que o catequista é 
aquele que vai à Missa e o padre chama 
para ser catequista, sem ter um mínimo 
de formação. Essas situações estão muito 
presentes porque é uma prática que 
sempre foi assim”, avalia o formador. 
Segundo Pe. Jordélio, o desafio é gerar 
consciência e colocar o catequista numa 
escola catequética, num itinerário de 
formação. “Nós queremos fazer com 
que o catequista entenda, assimile a 
ideia de que ele é um educador. Ele é 
um pedagogo, um mistagogo. Hoje, 
trabalhamos muito essa ideia da 
catequese como itinerário mistagógico, 
que é centrada no mistério de Cristo, 
para viver e celebrar esse mistério. E aí 
há necessidade de uma catequese mais 
vivencial, uma catequese da experiência, 
uma catequese que caminhe com as 
pessoas, que atinja seus corações e não 
fique só no universo de transmissão de 
conteúdo para os sacramentos”, enfatiza. 
Para ele, falta na formação do catequista 
a dimensão humana. “Acredito que para 
a nossa a catequese ser boa ela precisa 
ser humanizante e humanizadora. Foi o 
que o Papa falou naquele encontro aos 
catequistas no ano passado. Uma das 
coisas que ele dizia é justamente que o 
catequista precisa ‘sair de si’. Tanto é que 
ele citou aquela frase que todo mundo 
refletiu bastante: ‘Prefiro mil vezes uma 
Igreja que se acidente, que corra riscos...’. 
A educação da fé precisa correr riscos, 
precisa se acidentar. Nós precisamos nos 
abrir mais ao diálogo com o outro. Por 
isso é importante dar esse embasamento 
teórico, metodológico, psicopedagógico ao 
catequista, para que ele tenha um diálogo 
sereno com uma criança, com o adulto, 
com o jovem, com o idoso”, ensina. 
Ainda que vivamos num país com realidades 
diferentes e gigante na sua extensão 
territorial, Pe. Jordélio não vê outro caminho: 
“São desafios que nós temos. É preciso que a 
Igreja assuma isso como causa. Temos mais 
de 800 mil catequistas no país que precisam 
de cuidado, de atenção, porque eles são 
os responsáveis diretos, muitas vezes, de 
transmitir a fé cristã católica a uma criança 
ou jovem”. 
“Nós, padres, temos que valorizar mais o 
catequista, criar em nossas comunidades 
espaços que nossos catequistas se 
sintam acolhidos, respeitados e amados. 
Um centro catequético, uma biblioteca, 
etc.”, completa. Ele, contudo, não precisa 
fazer esse mea culpa, pois há três anos 
se debruça sobre um projeto inovador na 
sua Paróquia: o Museu Sagrada Família: 
Catequese e Arte, um espaço de diálogo 
entre educação da fé e arte. 
79
MATÉRIA DE CAPA 80 
A catequese e as mídias sociais 
Pe. Jordélio não tem dúvida de que as novas 
mídias sociais podem ser um instrumento a 
mais na evangelização. “Hoje mais do que 
nunca nós temos necessidade de difundir 
nosso pensamento. A Igreja não pode 
ficar retraída diante de tantas mudanças. 
Às vezes, ficamos assustados com tanta 
tecnologia. Mas temos um tesouro para ser 
transmitido e não podemos deixar isso se 
perder”, acredita. 
Ele lembrou que o próprio Papa Francisco, 
no Congresso de Catequese, perguntava: 
“Quem são hoje as testemunhas vivas 
de que Jesus existe?” E o Papa disse: 
somos nós que estamos aqui. “Se nós 
temos na Igreja, a história, a tradição 
que nos diz que ele existiu e que muita 
gente professou a fé, nesse mundo, nesse 
momento, somos os responsáveis diretos 
em manter essa fé viva e dizer que Cristo 
existe. Temos esse desafio e as mídias, 
todas elas, podem contribuir”, avalia. 
Pe Jordélio, contudo, lembra que devem 
existir alguns critérios de avaliação de 
conteúdo. “Nem tudo que se escreve 
pode se mandar para o Facebook, para 
o Twitter, etc. Pode ser que, às vezes, 
em vez de ajudar, acabe atrapalhando a 
catequese, ao divulgar um conceito, uma 
doutrina errada, ou uma interpretação 
que não é a real. Precisamos meio que 
purificar as coisas, estudar mais, refletir 
um pouco mais antes de fazer algumas 
publicações”, pondera. 
Ele ainda faz um alerta: “A criança não 
tem amigos de convívio. Ela tem cinco 
mil amigos virtuais e nenhum real. Isso 
para uma catequese, para uma vivência 
comunitária, solidária, não é saudável. 
Nós precisamos dessas experiências. E 
hoje as novas mídias têm tem tirado isso 
das pessoas”, lamenta. 
Para o religioso, o desafio é buscar o 
equilíbrio. “Ter um pé atrás com as mídias 
porque nem tudo presta, nem tudo é o 
melhor caminho. Muitas vezes é atingir o 
consumidor, não necessariamente formar, 
educar. Então, é preciso avaliar. Não se deve 
esquivar, mas utilizar com critérios”, ensina.
81 
Novo museu une catequese e arte sacra 
Há três anos, o Pe. Jordélio se perguntava: 
como podemos criar um espaço 
museológico que contribua na formação do 
catequista e que seja também um espaço 
da fé cristã, que agregue valor, que traga a 
pessoa para a reflexão? 
A resposta poderá se concretizar no 
final deste ano ou começo do ano que 
vem, quando será inaugurado o primeiro 
Museu de Arte Sacra e Catequese. O 
projeto está sendo erguido junto à 
tradicional Igreja Matriz Sagrada Família, 
localizada na Praça Cardeal Arcoverde, 
em São Caetano do Sul-SP. 
“Estamos aproveitando alguns espaços que 
estavam ociosos e criando um ambiente 
que os catequistas, tanto de nossa Diocese 
como de todo o país, possam frequentar 
e refletir sobre a importância da arte na 
educação da fé. Como é que a arte, ao longo 
da história, contribuiu para educar a fé das 
pessoas e de tantas gerações? Pensamos 
numa catequese mais lúdica, que leve 
ao encontro da beleza expressa na arte, 
uma beleza que fala do próprio Cristo. Um 
espaço que pense até o catequista como 
artista, porque a arte de evangelizar exige 
muito de nós. Um espaço que estimule essa 
criatividade, estimule a espontaneidade e 
que leva à dimensão orante do catequista”, 
adianta o criador. 
Dos 2.000 m² do projeto, uma parte será 
de restauração da antiga residência dos 
padres e uma parte de cerca de 20% 
está em construção ao lado da Matriz. É, 
segundo Pe. Jordélio, por onde o visitante
MATÉRIA DE CAPA 82 
entrará para conhecer o acervo por meio de 
passarela que fará a ligação da edificação 
com a parte antiga. Na recepção do 
museu será construída a Capela Sagrados 
Estigmas e depois o visitante poderá 
contemplar exposições em três salões. 
Pe. Jordélio explica que a igreja não possui 
um acervo permanente. “A ideia é criar 
galerias que se abrem para exposições 
rotativas. Trazer esse dinamismo, em 
que o artista, o catequista, pode trazer 
uma exposição dentro dessa linha de 
pensamento e criar um diálogo. Por 
exemplo, nós estamos pesquisando o rosto 
de Jesus ao longo da história. Como isso 
contribuiu na educação da fé, na formação 
das pessoas? Que imagem de Deus se 
passou pela arte?”, explica o pároco. 
Hoje, a Sagrada Família está classificada 
como ponto de interesse histórico e cultural 
do município, segundo o Padre Jordélio Siles 
Ledo. Não é só a arquitetura que chama a 
atenção, mas também as pinturas sacras 
assinadas pelos irmãos Gentili em 1943. 
“Minha pergunta era como aproveitar esse 
espaço que nós temos com suas pinturas 
na reflexão da fé cristã. Como atingir esse 
homem, essa mulher contemporâneos que, 
muitas vezes, afastaram-se desse espaço 
sacro?”, pergunta o religioso. 
Na cúpula do altar-mor, Pedro Gentili 
desenhou Jesus Cristo e um cordeiro 
imolado. A cidade foi estilizada ao fundo. 
Na sequência, fez 14 cenas da caminhada 
de Cristo ao calvário. 
Segundo o pároco da Sagrada Família, a 
construção do Museu está sendo feita com 
doações dos paroquianos e de algumas 
empresas.
Livros publicados pelo Pe. Jordélio 
Querigma com adolescentes e jovens – vol. I 
Este livro sobre o querigma tem como objetivo possibilitar aos 
adolescentes e jovens o encontro pessoal e comunitário com Jesus 
Cristo e despertar para o seu seguimento. 
Catequese com adolescentes 
e jovens – vol. II catequista 
Este livro foi elaborado para adolescentes e jovens que 
estão no itinerário da catequese e neste processo receberão 
o sacramento do Crisma. 
Catequese com adolescentes 
e jovens – vol. II catequizando 
Um guia de formação e celebrações de “inspiração 
catecumenal”. Os três subsídios foram elaborados pela 
Associação dos Fiéis do Centro de Formação Permanente 
(CEFOPE) da Diocese de Santo André-SP. 
Roteiro de formação com catequistas – o saber e o 
saber fazer a catequese – Pe. Jordélio e Pe. Eduardo 
“Trabalhamos esse texto pela Editora Vozes, que é a questão da 
pedagogia catequética. O catequista precisa estudar a pedagogia 
da Igreja, a pedagogia de Jesus, a pedagogia de Deus, entender o 
planejamento catequético”, diz Pe. Jordélio. 
Psicopedagogia catequética – reflexões 
e vivências para a catequese conforme as 
idades (vol. 1 – Criança; vol. 2 – Adolescentes e jovens; 
vol. 3 – Adultos; vol. 4 – Pessoas idosas). Pe. Jordélio e Pe. 
Eduardo, Editora Paulus. 
83
MATÉRIA DE CAPA 84 
Dez dicas para tornar a catequese 
mais evangelizadora 
1 Anuncie e testemunhe explicitamente a 
Pessoa de Jesus Cristo; 
2 Proporcione e facilite aos catequistas 
e catequizandos o encontro pessoal e 
comunitário com Jesus Cristo. 
3 Invista na formação dos catequistas a 
fim de construir uma catequese dinâmica 
e atualizada à luz da pedagogia de Jesus. 
4 Leve o grupo de catequese a uma 
profunda e verdadeira experiência de 
conversão a Jesus Cristo. 
5 Incentive a vivência comunitária 
despertando em todos para a prática do 
amor fraterno. 
6 Fortaleça o vínculo do grupo de 
catequese como equipe a serviço da 
construção de uma sociedade justa e 
solidária. 
7 Aprofunde o primeiro anúncio do 
Evangelho: levar o catequizando a 
conhecer, acolher, celebrar e vivenciar o 
mistério de Deus, manifestado em Jesus 
Cristo, que nos revela o Pai e nos envia o 
Espírito Santo. 
8 Introduza uma justa compreensão 
da Bíblia e à sua leitura frutuosa que 
permita descobrir a verdade divina que 
ela contém e que suscite uma resposta, a 
mais generosa possível, à mensagem que 
Deus dirige por Sua Palavra à humanidade. 
«A fecundidade da catequese depende do 
valor da hermenêutica empregada.» 
9 Dinamize a catequese como itinerário 
de crescimento e amadurecimento na fé, 
esperança e caridade. 
10 Intensifique a catequese com 
adultos; alerta para um maior zelo nesta 
importante ação evangelizadora. 
Por Pe. Paulo Gil 
É pedagogo e especialista em psicopedagogia, coordenador da Dimensão Bíblico-Catequética do Regional 
Sul I, coordenador de pastoral e assessor da Região Santana da Escola de Catequistas.
85 
Aos catequistas e 
às catequistas nossos 
parabéns pelo seu dia 
e também votos de 
que continuem firmes 
na missão! 
catequista 
sou catequista
O CATECISMO RESPONDE 87 
O desejo de Deus 
30. «Exulte o coração dos que procuram o Senhor» (Sl 105, 3). Se o homem pode esquecer 
ou rejeitar Deus, Deus é que nunca deixa de chamar todo o homem a que O procure, para 
que encontre a vida e a felicidade. Mas esta busca exige do homem todo o esforço da sua 
inteligência, a rectidão da sua vontade, «um coração recto», e também o testemunho de 
outros que o ensinam a procurar Deus. 
És grande, Senhor, e altamente louvável; grande é o teu poder e a tua sabedoria é sem 
medida. E o homem, pequena parcela da tua criação, pretende louvar-Te – precisamente 
ele que, revestido da sua condição mortal, traz em si o testemunho do seu pecado, o 
testemunho de que Tu resistes aos soberbos. Apesar de tudo, o homem, pequena parcela 
da tua criação, quer louvar-Te. Tu próprio a isso o incitas, fazendo com que ele encontre 
as suas delícias no teu louvor, porque nos fizeste para Ti e o nosso coração não descansa 
enquanto não repousar em Ti (7). 
Como falar de Deus? 
39. Ao defender a capacidade da razão humana para conhecer Deus, a Igreja exprime a 
sua confiança na possibilidade de falar de Deus a todos os homens e com todos os homens. 
Esta convicção está na base do seu diálogo com as outras religiões, com a filosofia e as 
ciências, e também com os descrentes e os ateus. 
A vida do homem – 
conhecer e amar a Deus 
3. Aqueles que, com a ajuda de Deus, 
aceitaram o convite de Cristo e livremente 
Lhe responderam, foram por sua vez 
impelidos, pelo amor do mesmo Cristo, 
a anunciar por toda a parte a Boa-Nova. 
Este tesouro, recebido dos Apóstolos, foi 
fielmente guardado pelos seus sucessores. 
Todos os fiéis de Cristo são chamados 
a transmiti-lo de geração em geração, 
anunciando a fé, vivendo-a em partilha 
fraterna e celebrando-a na liturgia e na 
oração (1).
PAPA FRANCISCO 88
89 
O que é 
família 
para o Papa 
Francisco 
O Papa Francisco enviou uma mensagem aos participantes do 
1º Congresso Latino-Americano de Pastoral Familiar, realizado 
de 4 a 9 de agosto, no Panamá. O evento, intitulado “Família e 
desenvolvimento social para a vida plena” foi organizado pelo 
departamento Família, Vida e Juventude, do CELAM.
PAPA FRANCISCO 90 
O Papa afirma que “a família é um ‘centro 
de amor’, onde reina a lei do respeito e da 
comunhão, capaz de resistir aos ataques 
da manipulação e da dominação dos 
‘centros de poder’ mundanos”. 
A família é o refúgio dos seus membros: 
“Na casa familiar, a pessoa se integra 
natural e harmonicamente em um grupo 
humano, superando a falsa oposição entre 
indivíduo e sociedade. No seio da família, 
ninguém é descartado: tanto o idoso 
como a criança são bem vindos. A cultura 
do encontro e o diálogo, a abertura à 
solidariedade e à transcendência têm nela 
o seu berço”. 
O Papa Francisco também disse que a 
família é uma grande riqueza social, 
citando o Papa Emérito Bento XVI. Além 
disso, sublinhou que a família oferece à 
sociedade dois elementos importantes: a 
estabilidade e a fecundidade. 
O núcleo familiar é uma escola de amor 
fiel e duradouro: “As relações baseadas no 
amor fiel, até a morte, como o matrimônio, 
a paternidade, a filiação ou a irmandade, 
aprendem-se e se vivem no núcleo 
familiar.” 
As relações familiares formam o tecido 
da sociedade: “Quando estas relações 
formam o tecido básico de uma sociedade 
humana, dão-lhe coesão e consistência. 
Pois não é possível formar parte de um 
povo, sentir-se próximo, ter em conta 
os mais distantes e desfavorecidos, se 
no coração do homem estão quebradas 
estas relações básicas, que lhes oferecem 
segurança em sua abertura aos demais” 
escreveu o Papa. 
O Pontífice também destacou a família 
constrói um mundo novo na fecundidade e 
no amor, pois “o amor familiar é fecundo, e 
não somente porque gera novas vidas, mas 
porque amplia o horizonte da existência, 
gera um mundo novo; faz-nos acreditar, 
contra toda desesperança e derrotismo, 
que uma convivência baseada no respeito 
e na confiança é possível”. 
O amor da família é a receita do Papa 
Francisco contra o materialismo: “Frente 
a uma visão materialista do mundo, a 
família não reduz o homem ao estéril 
utilitarismo, mas dá canal aos seus 
desejos mais profundos”. 
O Santo Padre garantiu que o amor 
familiar faz a pessoa crescer em sua 
abertura a Deus como Pai. Neste sentido, 
citando o Documento de Aparecida, 
convidou a não ver a família somente 
como objeto de evangelização, mas 
também como agente evangelizador. 
O que é 
a família? 
O amor nos 
aproxima 
de Deus
As palavras 
importantes 
na família: 
“obrigado”, 
“por favor”, 
91 
São João Paulo II, a “perdão” 
vida de um papa Santo 
“Conscientes de que o amor familiar 
enobrece tudo o que o homem faz, dando-lhe 
um valor agregado, é importante 
incentivar as famílias a cultivarem 
relações sadias entre seus membros, como 
dizer uns aos outros “perdão”, obrigada”, 
“por favor”, e a se dirigir a Deus com o belo 
nome de Pai”, acrescentou o Papa, em sua 
mensagem. 
O Pontífice concluiu felicitando os 
organizadores pela iniciativa “a favor de 
um valor tão querido e importante hoje em 
nossos povos”. E pediu a bênção de Nossa 
Senhora de Guadalupe para os lares da 
América. 
Por Ary Waldir Ramos Díaz 
“Nela se reflete a imagem de Deus que 
em seu mistério mais profundo é uma 
família e, deste modo, permite ver o amor 
humano como sinal e presença do amor 
divino (Lumen fidei, 52). Na família, a fé se 
mescla com o leite materno”, afirmou. 
E completou: “Por exemplo, esse sincero e 
espontâneo gesto de pedir a benção, que 
se conserva em muitos de nossos povos, 
reflete perfeitamente a convicção de que a 
benção de Deus se transmite de pais para 
filhos”.
A VOZ DA IGREJA 92 
O ESPÍRITO DOS 
EVANGELIZADORES 
“Enviai o vosso Espírito e renovai a face 
da terra” – assim a Igreja suplica a Deus, 
confiante na força vivificadora e na ação 
renovadora do Espírito de Deus. 
Animada pela força do Espírito de 
Deus, a Igreja atravessou 20 séculos 
de história, apesar das dificuldades 
e fraquezas humanas, que não foram 
poucas... 
Mas a ação do divino Consolador, do 
Advogado e Defensor, do Conselheiro, 
do Sopro vivificante e da Divina Unção 
confortou sempre de novo a Igreja de 
Cristo, mostrou-lhe as decisões a tomar 
e o caminho a seguir; deu discernimento 
aos pastores, constância e virtude aos 
santos, coragem aos mártires, alegria e 
esperança ao povo de Deus no caminho 
do Evangelho.
93 
No momento atual da história, a Igreja 
procura confrontar-se, de maneira 
renovada, com sua identidade e missão. De 
muitos modos, somos chamados a viver a 
alegria da fé numa renovada autenticidade 
de vida cristã e no zelo pela transmissão da 
fé. De onde podemos receber a capacidade 
para fazê-lo senão do próprio Senhor da 
Igreja, que concede o Seu Espírito Santo 
em abundância a quem O invoca?! 
No último capítulo de sua exortação 
apostólica sobre A Alegria do Evangelho 
(Evangelii Gaudium), o Papa Francisco 
observa que a Igreja precisa de 
“evangelizadores com espírito”, 
abertos à ação do Espírito 
Santo, que faz reconhecer as 
maravilhas de Deus e infunde a 
alegria da salvação; o Espírito 
Santo faz perder o medo e 
desperta corajosas e dedicadas 
testemunhas de Jesus Cristo. É 
ainda o Espírito Santo que move 
interiormente, dá coragem e 
incentiva para a ação pessoal e 
comunitária (cf. nº 261). 
Uma evangelização nova depende de 
evangelizadores novos, animados pela força 
do Espírito de Cristo, cheios do “fogo” do 
Espírito, que os consome de amor a Deus 
e aos irmãos. O Espírito Santo é a alma da 
Igreja; sem Ele, o ardor missionário esfria e 
a chama da fé se apaga. 
Diz ainda o Papa na mesma Exortação 
Apostólica: 
“Para manter vivo o ardor 
missionário, é necessária uma 
decidida confiança no Espírito 
Santo, porque Ele ‘vem em socorro 
de nossa fraqueza’ (Rm 8,26). 
Ele pode curar tudo o que nos 
faz esmorecer no compromisso 
missionário” (nº 280). 
Portanto, 
“Continuemos indo em frente, 
empenhemo-nos totalmente, mas 
deixemos que seja Ele a tornar 
fecundos os nossos esforços, como 
melhor Lhe parecer” (nº 279). 
No domingo de Pentecostes, pedimos que 
Deus realize “ainda hoje, mediante seu 
Espírito, as maravilhas que realizou no 
início da pregação do Evangelho” (Oração 
do Dia). Planejamentos e programas 
pastorais, com métodos apropriados para 
a sua implementação, são necessários. 
Mas não são eles que garantem o fruto 
da evangelização: este é obra da graça do 
Espírito Santo e dos corações que se abrem 
à Sua ação, com liberdade e generosidade. 
E de evangelizadores animados pelo 
Espírito Santo e dóceis a Ele. 
Cardeal Odilo Pedro Scherer 
Arcebispo de São Paulo
CATECINE 94
“Esqueçam os seus sonhos, 
crianças”: acredite ou não, esta 
é uma das principais mensagens 
que a Pixar quer transmitir aos seus filhos 
em seu filme mais recente, Universidade 
Monstros. E, analisando isso em seu 
contexto apropriado, eu não vejo nenhum 
problema – mas suponho que eu deveria 
explicar por quê. 
A última vez que vimos Mike e Sully, no 
final de Monstros S.A., a dupla conseguiu 
resolver a crise de energia de seu mundo 
por meio da descoberta de que o riso das 
crianças gera mais energia do que seus 
gritos de terror. 
E pelo que sabemos, Sully e Mike ainda 
estão felizes trabalhando na Monstros 
S.A., fazendo com que as crianças 
rachem de rir todas as noites. Isso porque 
Universidade Monstros não é sobre o que 
Mike e Sully fazem depois, mas sobre o 
que fizeram na faculdade antes de se 
tornar os amigos que nós conhecemos e 
amamos hoje. 
O filme começa com um breve prólogo em 
que o jovem Mike visita a Monstros S.A. 
como parte de uma viagem de campo do 
ensino fundamental e fica encantado com 
a ideia de se tornar um “assustador”, um 
dos poucos monstros da elite com talento 
para assustar adequadamente as crianças. 
Para ajudar a alcançar esse sonho, assim 
que ele completa a idade necessária, Mike 
se matricula na Universidade Monstros, 
a melhor instituição de formação para 
monstros na arte do susto. 
Para frustração de Mike, no entanto, ele 
descobre que há duas coisas que estão 
no caminho do seu sucesso na faculdade. 
95
CATECINE 96 
Uma delas é que não importa o quanto 
ele se destaque em seus estudos, pois 
será constantemente ofuscado por um tal 
de Sully. A outra é o simples fato de que, 
embora ele mesmo não perceba, Mike não 
é assustador de jeito nenhum. Nem mesmo 
um pouquinho. 
É durante uma acalorada discussão 
sobre este último detalhe que Mike e 
Sully conseguem atrair a ira do reitor da 
escola, que elimina ambos do programa 
de assustadores. Mike faz um acordo com 
o reitor segundo o qual, se ele ganhar 
a competição anual de susto da escola, 
permanecerá no programa. Mas, como a 
competição é realizada em grupos, Mike 
busca apoio em uma fraternidade, unindo-se 
à Oozma Kappa, a pior casa do campus 
(a única que poderia aceitá-lo, claro). 
Essa fraternidade de monstros consiste 
de um grupo agradável de perdedores. 
Infelizmente, mesmo com todos os seus 
novos irmãos da fraternidade, Mike ainda 
é um monstro fraco, então ele aceita 
relutantemente Sully na equipe, a fim de se 
qualificar para competir. Nenhum dos dois 
está feliz com a ideia de ter de trabalhar 
juntos, mas ambos entendem que esta é 
sua única chance. 
É neste ponto que Universidade Monstros 
entra em território muito familiar para 
quem cresceu assistindo aos clássicos 
da comédia dos anos 1980, como Animal 
house, Up the creek e A vingança dos nerds. 
Mas Universidade Monstro agradavelmente 
se desvia do padrão quando a competição 
termina, mas o filme, não. 
É nesses múltiplos finais que o tema 
subjacente de Universidade Monstros 
chega à superfície e, como em 
muitas outras produções da Pixar, é 
surpreendentemente maduro para um 
filme comercializado para crianças. 
Enquanto outros filmes sugeririam 
preguiçosamente a mensagem “seja 
você mesmo” e, em seguida, tocariam 
uma música pop, Universidade Monstros 
mostra Mike descobrindo que seus desejos 
e sua verdadeira vocação podem não ser a 
mesma coisa. 
Esta é uma luta familiar para muitos 
cristãos. Como acontece com muitos de 
nós, um dia você percebe que o que você 
imaginou que faria no resto de sua vida 
não vai acontecer, porque Deus tem outros 
planos. 
E, como Mike, muitas vezes demoramos 
para aceitar essa realidade. Afinal de 
contas, são os nossos sonhos – e devemos 
saber o que é melhor para nós, certo? Mas, 
com um pouco de oração e paciência, e 
um pouco mais de oração e discernimento, 
e ainda mais oração e uma útil direção 
espiritual, e talvez apenas um pouco mais 
de oração (a oração é importante, caso eu 
tenha me esquecido de mencionar isso), 
nós finalmente compreendemos o que 
Deus quer que sejamos. Nós encontramos 
nossa verdadeira vocação. 
Mike demora muito tempo para perceber 
isso – não apenas para perceber que ele 
nunca vai ser o assustador astro que 
imaginou, mas para entender que ele pode 
ser muito importante e necessário para
97 
os outros monstros em sua vida, de outra 
maneira. 
E quando ele chega a esse ponto, 
começamos a ver a sua relação com Sully 
em Monstros S.A. sob uma luz diferente. 
Mike não é apenas o infeliz parasita que 
pode parecer à primeira vista. Realmente, 
isso é o que esperávamos de uma 
continuação (neste caso, uma prequela), 
que é divertida e que desenvolveu a 
história. 
Universidade Monstros foi um sucesso 
nesse sentido. 
Por David Ives 
TOQUE 
PARA VER 
O TRAILER
EVENTOS 98 
Sociedade Brasileira 
de Catequetas completa 
dois anos de fundação 
Aos 9 de junho de 2012, dia do então 
bem-aventurado José de Anchieta, 
em São Paulo-SP, um grupo de 
catequetas, acompanhado por Dom 
Paulo Mendes Peixoto, arcebispo de 
Uberaba-MG e integrante da Comissão 
Episcopal Pastoral para a Animação 
Bíblico-catequética da CNBB e pelo 
assessor desta comissão, padre Décio José 
Walker, realizou a fundação da Sociedade 
Brasileira de Catequetas. 
Essa foi uma data preenchida de sinais e 
símbolos, bem como um sonho alimentado 
há muito tempo por muitos estudiosos 
da catequese em nosso país. São José 
de Anchieta, como passa a ser chamado, 
tem um profundo valor histórico para a 
catequese no Brasil. 
O arcebispo de Aparecida-SP e presidente 
da CNBB, Cardeal Raymundo Damasceno 
Assis, destacou a importância da vida e 
missão de São José de Anchieta, que optou 
por uma catequese acessível, utilizando-se 
da poesia, do teatro e de recursos 
próprios da época. “Ele é um modelo de 
evangelizador e missionário de todos 
os tempos e todas as épocas. Ensinou-nos 
que o Evangelho, ao ser anunciado, 
deve ser inculturado, levando em conta a 
cultura das pessoas ao qual se destina”. 
Nessa data em que comemoramos dois 
anos de fundação vale lembrar o objetivo 
da associação na Igreja do Brasil, que tem 
como finalidade favorecer a convergência 
de pessoas qualificadas no campo 
da catequese e o livre intercâmbio de 
pesquisas e experiências que promovem 
o avanço nessa área pastoral. Ela está 
a serviço do povo de Deus, mediante a 
elaboração de estudos sobre aspectos 
específicos da missão catequética, a 
colaboração interdisciplinar, a resposta 
a solicitações e sugestões dentro de 
sua área, mantendo sintonia com a 
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil 
– CNBB e organismos eclesiais afins. 
Nos próximos dias 27 e 28 de agosto 
será realizada em São Paulo-SP mais 
uma Assembleia da SBCat, com o 
objetivo de aprofundar a temática do 
processo catequético da Igreja do Brasil, 
que deve avançar sempre mais, bem 
como as repercussões do III Congresso 
Internacional sobre Catecumenato, que 
será promovido pelo Instituto Católico 
de Paris e a Universidade Católica Silva 
Henriques do Chile, que refletirá sobre a 
iniciação cristã em mudança de época.
DICAS DE LEITURA 100 
Acesse o site 
A obra apresenta leituras e perspectivas para a 
Igreja, tendo-se como referência os primeiros atos 
e pronunciamentos do Papa Francisco. São 14 
capítulos escritos por diversos autores brasileiros 
e estrangeiros que abordam as menções faladas, 
escritas e gestuais do Papa Francisco em seu 
primeiro ano de pontificado, além de refletir 
sobre a importância dessas menções e avançar as 
perspectivas que, com isso, abrem-se na área de 
abordagem de cada autor. 
Francisco é o primeiro Papa não europeu em mais 
de 13 séculos de história da Igreja Católica e desde 
sua apresentação na Praça de São Pedro, quando 
humildemente solicitou orações para ele mesmo 
à multidão que o aguardava, ou mesmo um pouco 
antes, quando dispensou as tradicionais vestes 
papais e escolheu o nome pontifício, passando 
pela escolha da moradia oficial e pela bem-sucedida 
Acesse o site 
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Jornada Mundial da Juventude no Brasil, 
até a reforma da Cúria Romana, atualmente em 
adiantado curso, Francisco vem surpreendendo 
o mundo com suas homilias, pronunciamentos, 
documentos, iniciativas e gestos. 
Autor: Obra Coletiva 
Editora: Vozes 
O livro aplica à catequese a reflexão sobre o 
sentido da vida, levando em consideração que a 
catequese será significativa e relevante para as 
pessoas se as ajudar a encontrar na fé cristã o 
sentido maior de sua existência. Quem primeiro 
precisa fazer esse processo são os catequistas 
para, então, favorecerem os catequizados a ter 
claro na vida quais são seus valores e qual é o 
maior; por conseguinte, qual o sentido de sua 
existência, diante da realidade e das perspectivas 
atuais. Catequistas e cristãos que saibam 
encontrar na fé cristã o sentido maior de sua 
existência podem melhor ajudar as pessoas de 
hoje a encantar-se com a fé e seus desafios e nela 
estabelecer o sentido de suas vidas, preenchendo 
os vazios da existência. 
Papa Francisco – perspectivas e 
expectativas de um papado 
O sentido da vida na catequese 
Autor: Isabel Cristina A. Siqueira 
Editora: Paulus
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A próxima edição chega em 
breve e queremos que nos 
ajude a torná-la ainda melhor. 
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elogios, críticas, ou mesmo um 
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Revista Sou catequista -revista digital

  • 1.
    NESTA EDIÇÃO: ACatequese do Bom Pastor PÁG 40 O que alguns católicos não notaram no último sucesso da Disney PÁG 95 Sou catequista de Primeira Comunhão... E agora? PÁG 35 CONFIRA NESTA EDIÇÃO: CATEQUESE & BRINCADEIRA PÁG. 26 A CATEQUESE DE PRIMEIRA COMUNHÃO NA VIDA DAS CRIANÇAS PÁG. 34 ELEMENTOS PARA UMA CATEQUESE PERSONALIZADA PÁG. 54 UNIVERSIDADE MONSTROS PÁG. 95
  • 2.
    Guia de Navegaçãopara Tablets e Smartphones
  • 4.
    NESTA EDIÇÃO: ACatequese do Bom Pastor PÁG 40 CONFIRA NESTA EDIÇÃO: CATEQUESE & BRINCADEIRA O que alguns católicos não notaram no último sucesso da Disney PÁG 95 Sou catequista de Primeira Comunhão... E agora? PÁG 35 Edição 6 / Ano 2 / Agosto 2014 Direção geral: Sérgio Fernandes Consultor Eclesiástico: Pe. José Alem Matéria de capa: Moacir Beggo Revisão: Marcus Facciollo Projeto gráfico: Agência Minha Paróquia Diagramação: Renan Trevisan Desenvolvimento WEB: Marcos Antônio e Matheus Moreira Atendimento: Ana Elisa Prado Comercial: Adriana Franco Banco de imagens: Shutterstock A revista digital Sou Catequista é uma publicação da agência Minha Paróquia, disponível gratuitamente para smartphones e tablets nas plataformas IOS e Android. Os conteúdos publicados são de responsabilidade de seus autores e não expressam necessariamente a visão da agên-cia Minha Paróquia. É permitida a reprodução dos mesmos desde que citada a fonte. O conteúdo dos anúncios é de total responsabilidade dos anunciantes. Editorial Estamos em festa! Agosto é o mês que celebramos as vocações, o dia do catequista (24) e 1 ano de publicação da revista Sou Catequista. São 3 temas que partem do mesmo princípio: GENEROSIDADE. Tudo o que fazemos em prol da Igreja exige um coração disposto a servir. O vocacionado aprende em seu percurso que deve se desapegar cada vez mais de suas vontades, interesses, para que seja o próprio Deus a conduzí-lo para a realização da vontade dEle. Não se chega dizendo “eis-me aqui para fazer de tal jeito”, o vocacionado de verdade diz “eis-me aqui para fazer a Sua vontade, Senhor”. Se estamos completando este tempo de trabalho pela formação dos catequistas é por graça de Deus. Os desafios não foram poucos. Aprendemos bastante e conquistamos resultados incríveis. Tudo isso não simplesmente por méritos próprios, mas porque buscamos dar o nosso melhor para que Deus iluminasse e tornasse fértil. O projeto Sou Catequista existe há 5 anos, começou com o portal, depois veio a rede social e mais adiante a revista digital. Em breve virá a plataforma de cursos e tudo mais o que Deus nos inspirar. A matéria de capa, com o título “Coração de Catequista” fala sobre esses corações inspirados, cheios de ideias e muito amor a Deus. Que contagiam outros corações com esse amor. Que esta edição seja bastante inspiradora para você na realização dessa vocação. E feliz dia dos catequistas! Sérgio Fernandes Direção geral sou catequista sou catequista PÁG. 22 A CATEQUESE DE PRIMEIRA COMUNHÃO NA VIDA DAS CRIANÇAS PÁG. 29 ELEMENTOS PARA UMA CATEQUESE PERSONALIZADA PÁG. 50 UNIVERSIDADE MONSTROS PÁG. 95 www.soucatequista.com.br facebook.com/soucatequista twitter.com/soucatequista
  • 5.
    NESTA EDIÇÃO Paraler a revista, O CATECISMO RESPONDE 60 64 87 A VOZ DA IGREJA O ESPÍRITO DOS EVANGELIZADORES Cardeal Odilo Pedro Scherer TEATRO NA CATEQUESE ARTE E VIDA À LUZ DA PALAVRA Erivandra Marques 70 PAPA FRANCISCO O QUE É FAMÍLIA PARA O PAPA FRANCISCO NOSSOS LEITORES DE CATEQUISTA PARA CATEQUISTA Rosilana Negoseki Foggiatto e Jaqueline CATECINE UNIVERSIDADE MONSTROS David Ives EVENTOS A VOZ DA IGREJA INICIAÇÃO CRISTÃ A PREPARAÇÃO DA CATEQUESE Liana Plentz CATEQUESE INFANTIL CATEQUESE & BRINCADEIRA Gilson P. Júnior QUAL A IMPORTÂNCIA DA CATEQUESE DE PRIMEIRA COMUNHÃO NA VIDA DAS CRIANÇAS? Roberto Garcia CATECUMENATO INICIAÇÃO CRISTÃ COM INSPIRAÇÃO CATECUMENAL Adriana Amorim CATEQUESE INCLUSIVA CINCO PILARES DA EVANGELIZAÇÃO INCLUSIVA Thaís Rufatto CATEQUESE PERSONALIZADA ELEMENTOS PARA UMA CATEQUESE PERSONALIZADA João Melo 8 12 MATÉRIA DE CAPA CORAÇÃO DE CATEQUISTA Moacir Beggo 88 94 TEOLOGIA A GLOBALIZAÇÃO NUMA VISÃO TEOLÓGICA Márcio Oliveira Elias 92 98 100 16 26 34 36 42 54 deslize para as próximas páginas ou toque nos itens do índice.
  • 6.
    INOVAÇÃO, CRIATIVIDADE EPROFISSIONALISMO A SERVIÇO DA IGREJA Conheça a agência que está conquistando as paróquias, dioceses e províncias do Brasil e é referência em qualidade e bom atendimento. “Não tenhais medo de vos fazerdes cidadãos do ambiente digital.” Papa Francisco Mensagem pelo Dia Mundial das Comunicações – 2014 NOVOS TEMPOS, NOVOS DESAFIOS E MUITAS OPORTUNIDADES Com quase 10 anos de atuação e grandes projetos lançados, a agência Minha Paróquia está fazendo história como colaboradora da Igreja no desafio de comunicar no ambiente digital. SOMOS JOVENS E CRIATIVOS Nossa equipe é formada por jovens profissionais qualificados nas áreas de tecnologia da informação, design e comunicação, que são entusiasmados pelo que fazem e estão sempre em busca de ideias inovadoras e adequadas ao setor em que atuam. BUSCAMOS OS MESMOS OBJETIVOS Nosso objetivo principal é auxiliar a Igreja na comunicação da Boa Nova de Cristo. Ao nos contratar, você terá mais do que uma empresa prestando um serviço, terá um parceiro que se empenhará ao máximo para que a missão seja cumprida de forma efetiva. OFERECEMOS SOLUÇÕES Além de nossa estrutura técnica, contamos com a consultoria de sacerdotes de diferentes dioceses que colaboram conosco na melhoria e ampliação de nossos serviços para que estejam mais de acordo com a sua necessidade. EM SINTONIA COM A IGREJA Estamos engajados com a Igreja de forma objetiva desenvolvendo produtos e serviços gratuitos (Rota Católica, Sou Catequista), dando suporte a iniciativas oficiais da CNBB e diversos projetos sociais. COMPETÊNCIA COMPROVADA Acesse minhaparoquia.com.br/resultados e conheça os cases, reconhecimentos e prêmios recebidos pela agência em projetos inovadores que deram o que falar. Principais clientes e apoiadores entre dioceses, congregações, entidades da CNBB, empresas e associações:
  • 7.
    Vamos trabalhar juntos? Contate-nos agora mesmo! (19) 3241 0654 contato@minhaparoquia.com.br facebook.com/agenciaminhaparoquia SEDE CRIATIVA Rua Flávio de Carvalho, 1.410, Jardim Eulina CEP 13063-390 – Campinas, SP Expediente: de segunda a sexta-feira, das 9 às 17h. ATENDIMENTO COMERCIAL Rua Heliodora,118, Santana – São Paulo, SP (11) 3455 7631 / (11) 99679 9545 (Vivo) adriana@minhaparoquia.com.br representantes Rio de Janeiro: (21) 8076 4509 maffei@minhaparoquia.com.br Brasília: (61) 8221 7384 tarcisio@minhaparoquia.com.br Fortaleza: (85) 8103 7458 duda@minhaparoquia.com.br Divulgue esta ideia inovadora nos representando em sua diocese! Oferecemos ótimas comissões e premiações. Envie seu currículo para contato@minhaparoquia.com.br. ESTAMOS UNIDOS AO PAPA FRANCISCO POR UMA “COMUNICAÇÃO A SERVIÇO DE UMA AUTÊNTICA CULTURA DO ENCONTRO”. A AGÊNCIA DAS PARÓQUIAS DO BRASIL Com mais de 180 paróquias atendidas, mais de 900 projetos lançados e serviços exclusivos, a agência Minha Paróquia é a favorita das comunidades católicas para a parceria em ações de comunicação. AMPLIAÇÃO e NOVA SEDE Após seus primeiros anos de trabalho na capital de São Paulo, a agência expandiu sua estrutura inaugurando uma nova sede criativa na cidade de Campinas, com escritórios de atendimento em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Fortaleza. METODOLOGIA Para melhor atender os nossos clientes, desenvolvemos uma metodologia de trabalho dinâmica, com transparência nos prazos e atenção à qualidade em cada atividade. BRIEFING Ao nos contatar, enviaremos um questionário com algumas perguntas que nos ajudarão a compreender a sua necessidade. ORÇAMENTO & CONTRATO Será enviada uma proposta de orçamento. Após aprovada, fecharemos um contrato e será paga a primeira parcela do serviço. PRODUÇÃO O projeto será desenvolvido com metodologia específica para o tipo de serviço (ex.: envio de pré-layout para aprovação). ENTREGA & LANÇAMENTO Com a aprovação final e quitada a última parcela do serviço, o cliente receberá os arquivos finais ou poderá oficialmente lançar seu projeto.
  • 8.
    NOSSOS LEITORES 8 AJUDE-NOS A CHEGAR A MAIS CATEQUISTAS! AVALIE E DEIXE O SEU COMENTÁRIO SOBRE O APLICATIVO NA APPSTORE: < CLIQUE AQUI A SUA AVALIAÇÃO NOS AJUDA A MELHORAR DE POSIÇÃO NO RANKING E TER MAIS DESTAQUE NAS LOJAS. Achei maravilhoso as duas peças de teatro, estou precisando de peças assim, mas para a catequese infantil, até 12 anos, essas duas vou passar pra Perseverança, os jovens vão amar. Pier Angeli Excelente, aprendo muito sobre o amor de Deus, e como deve um catequista se comportar perante os seus catequizando e com a Igreja. Obrigada. Maria Luiza Muito boa e um aprendizado muito abençoado! Douglas Henrique Galvão Estou gostando muito, tem me ajudado na catequese, obrigada! Edna Leite Silva Muito bom, gosto muito! Ana Cerdeira Adoro, aprendo muito com ela!!! Vera Covolan Gosto muito, aprecio as idéias. Uma bênção! Verinha da Silva Muito bom, ideias fantásticas. Marli Teresinha Pavlak Visneski
  • 9.
    9 Meu nomeé Edilei da Silva Paula, sou Catequista de Adultos na cidade de Anápolis-GO, Paróquia Santa Clara - Diocese de Anápolis. Fiquei muito feliz ao me deparar com o site da revista já fiz o dowload da revista nº 4 e 5 e estou ansiosa pelo próximo número, principalmente. Pela novidade que vem aí os cursos on-line. Formação é uma das palavras chaves nos dias de hoje em todos os campos e não poderia deixar de ser também na Catequese, pois só se ama Aquilo que se Conhece e só se conhece quando estudamos, uma sugestão que faço é para estudarmos juntos o CIC (Catecismo da Igreja Católica) e os Documentos do Concílio Vaticano II, claro que tudo à luz da Sagrada Escritura. Em breve teremos uma formação para nossas catequistas e quero aproveitar esse momento para apresentar a revista para meus colegas catequistas e aproveito para sugerir também que vocês nos ajudem nas formações paroquiais sugerindo roteiros de formações atualizados e os eventos pelo Brasil e pelo mundo que tratam da Catequese. Bom trabalho a todos, fiquem com Deus e mais uma vez parabéns pelo belo trabalho e pela iniciativa. Edilei da Silva Paula ESTE PROJETO CONTINUA CRESCENDO E CHEGANDO A + PESSOAS: 15.400 assinantes 810.550 visualizações de páginas 21.070 seguidores no Facebook 4.835 visitantes únicos/dia no site ENVIE SUA MENSAGEM PARA contato@soucatequista.com.br
  • 11.
    CONCORRA AO SORTEIODA COLEÇÃO SEMENTES (EDITORA AVE-MARIA). Basta clicar no link da promoção para adquirir o seu cupom, CURTIR a nossa fanpage e COMPARTILHAR o link para os seus amigos. Sorteio: 25 de setembro Acesse: sorteiefb.com.br/tab/promocao/377781 Atenção: antes da divulgação do resultado, será verificado se o sorteado realmente compartilhou a promoção em seu perfil; caso contrário, será feito um novo sorteio.
  • 12.
    DE CATEQUISTA PARACATEQUISTA 12 Eu tinha 15 anos quando uma amiga me convidou para ajudá-la na catequese, lá na Colônia Zacarias, em São José dos Pinhais-PR. Quando ela me convidou eu não sabia o que dizer: “Mas eu? Por que eu? Eu não tenho instrução! Sou tão jovem e não tenho experiência”. Mas ela insistiu, dizendo: “Venha me ajudar que você aprende”. Conversei com minha mãe e ela me apoiou. Então, fui ajudar minha amiga num sábado à tarde, numa sala pequena, com algumas crianças. Em um momento me pediram para ler e explicar um trecho do Evangelho. Meu Deus! Eu li, mas para explicar eu mais gaguejei do que falei, pois realmente não sabia. Fiz o mínimo de catequese que uma pessoa deveria fazer: fiz Primeira Comunhão com sete anos, fui crismada com oito e meu catecismo era um livrinho vermelho só com perguntas e respostas... A partir daquele dia fui me capacitar, estudar, participar de encontros de formação, li e rezei muito e consegui vencer a timidez. Três anos depois ganhei uma turma de primeiro ano, com a qual consegui ensinar e aprender muita coisa. Foi maravilhoso. Fiquei com essa turma por cinco anos. Rosilana Negoseki Foggiatto 46 anos, funcionária pública, catequista na Paróquia de São Pedro, Diocese de São José dos Pinhais-PR.
  • 13.
    Com 23 anoseu me casei, mudei de paróquia, tive três filhos e fiquei longe da catequese. Sempre participava das missas, às vezes até cantava no coral, ia aos encontros da comunidade, novenas... Eu era feliz, mas sentia que faltava alguma coisa... Um dia recebi um telefonema da coordenadora da catequese me convidando para ser catequista. Eu aceitei sem nem pensar duas vezes. Ela então me confiou uma turma de 23 crianças de primeiro ano. Quando cheguei à sala era completamente diferente de antigamente. Eu, que havia ensinado para crianças simples do interior, estava então com várias crianças da cidade, todas muito cultas e inteligentes... Tive que estudar ainda mais e nisso a internet me ajudou bastante. Conheci blogs e sites de catequistas que me deram a ideia de criar um também, com a ajuda do meu filho. Assim, em 29 de agosto de 2009 criei o Blog da Nena (http://oblgdanena. blogsport.com.br) para me comunicar com outros catequistas, trocar ideias e experiências. Hoje sou catequista de terceiro ano de Eucaristia, este ano a minha turma é pequena, apenas dez crianças, eles são minha vida, como filhos para mim, são meus amigos queridos. Outro dia eu participava de um curso de liturgia e uma mulher se aproximou de mim e disse: “Não lembra de mim? Fui tua catequizanda” . Nossa, que alegria senti naquele momento em saber que uma sementinha que eu tinha plantado há quase 25 anos deu frutos! Ela é catequista, participa de muitos movimentos em sua paróquia. Quando vejo meus catequizandos participando da comunidade eu sinto uma alegria imensa em ser catequista. 13
  • 14.
    DE CATEQUISTA PARACATEQUISTA 14 Meu nome é Jaqueline, 37 anos, nascida em Juiz de Fora-MG e criada em Pequeri-MG, casada, mãe de dois filhos, Mariana e Daniel, funcionária pública e catequista. Me descobri catequista desde que recebi meu sacramento da comunhão e já ajudava minha querida tia Magali nas turmas que iam recebendo formação logo após a minha. Sou uma apaixonada por crianças e decidi servir a Deus evangelizando os pequeninos. Atualmente sirvo na Paróquia de São Pedro Apostolo em Pequeri e trabalho com crianças da pré-catequese, mas me envolvo na catequese como um todo. Desenvolvemos, junto com os outros catequistas, muitos projetos lindos. E vou copiando da internet muitos materiais católicos que contribuem com a expansão do Reino de Deus na Terra, principalmente entre as crianças. Seguem abaixo alguns de nossos projetos aqui na paróquia. Jaqueline 37 anos, casada, mãe de dois filhos, Funcionária Pública e Catequista na Paróquia São Pedro Apóstolo em Pequeri/MG.
  • 16.
    INICIAÇÃO CRISTÃ 16 A PREPARAÇÃO DA CATEQUESE por Liana Plentz
  • 17.
    17 O PapaFrancisco, na Alegria do Evangelho, dedicou 15 capítulos para o tema “A preparação da pregação”. Mas, se trocarmos o título para “a preparação da catequese” e focarmos as suas orientações para a iniciação à vida cristã, teremos um itinerário seguro para uma iniciação mais consciente e eficaz. Temos assim alguns objetivos a alcançar em nossa preparação de cada encontro de iniciação à vida cristã: Preparar adequadamente a catequese de iniciação à vida cristã: » Dedicar um tempo longo de estudo, oração, reflexão e criatividade pastoral para a preparação da catequese. Não confiar apenas no Espírito Santo. Temos que fazer a nossa parte, preparando-nos adequadamente. “Um pregador que não se prepara não é «espiritual»: é desonesto e irresponsável quanto aos dons que re-cebeu.” (EG 145) ISTO TAMBÉM NÃO VALE PARA O CATEQUISTA? QUANTO TEMPO DEDICAMOS PARA A PREPARAÇÃO DE NOSSA CATEQUESE? Tornar o estudo da Palavra de Deus o pano de fundo de cada catequese. O Papa Francisco nos convida a colocar o fundamento da nossa iniciação na Palavra de Deus, a exercer o “culto da verdade”, isto é, a procurar compreender qual é a mensagem do texto bíblico que é o fundamento daquela catequese. E nos orienta a como fazer isso adequadamente: » Reconhecer com humildade que somos os depositários, os arautos e os servidores dessa Palavra. » Estudar a Palavra com o máximo cuidado e com um santo temor de a manipular. » Não esperar resultados rápidos, fáceis ou imediatos ao ler um texto bíblico. » A preparação da catequese requer amor, pois uma pessoa só dedica um tempo gratuito e sem pressa às coisas ou às pessoas que ama; e aqui trata-se de amar a Deus, que quis falar. A partir desse amor, 1 2
  • 18.
    INICIAÇÃO CRISTÃ 18 uma pessoa pode deter-se todo o tempo que for necessário, com a atitude de um discípulo: «Fala, Senhor; o Teu servo escuta» (1Sm 3,9) (EG 146). » Descobrir qual é a mensagem principal, a mensagem que confere estrutura e unidade ao texto. Se o pregador não faz esse esforço, é possível que também a sua pregação não tenha unidade nem ordem; o seu discurso se-rá apenas uma súmula de várias ideias desarticuladas que não conseguirão mobilizar os outros. A mensagem central é a que o autor quis primariamente transmitir, o que implica identificar não só uma idéia, mas também o efeito que esse autor quis produzir. Se um texto foi escrito para consolar, não deveria ser utilizado para corri-gir erros; se foi escrito para exortar, não deveria ser utilizado para instruir; se foi escrito para ensinar algo sobre Deus, não deveria ser utilizado para explicar várias opiniões teológicas; se foi escrito para levar ao louvor ou ao serviço missionário, não o utilizemos para informar sobre as últimas notícias (EG 147). » Colocar o texto bíblico em ligação com o ensinamento da Bíblia inteira, transmitida pela Igreja. Este é um prin-cípio importante da interpretação bíblica, que tem em conta que o Espírito Santo não inspirou só uma parte, mas a Bíblia inteira, e que, em algumas questões, o povo cresceu na sua compreensão da vontade de Deus a partir da experiência vivida. Assim se evitam interpretações equivocadas ou parciais, que contradizem outros ensinamentos da mesma Escritura. (EG 148). » Desenvolver uma grande familiaridade pessoal com a Palavra de Deus: não basta conhecer o aspecto linguístico ou exegético, sem dúvida necessário; é preciso se abeirar da Palavra com o coração dócil e orante, a fim de que ela penetre a fundo nos seus pensamentos e sentimentos e gere em si uma nova mentalidade. » Verificar se está crescendo em nós o amor pela Palavra que anunciamos. » Não esquecer que, «particularmente, a maior ou menor santidade do catequista influi sobre o anúncio da Pala-vra». Como diz São Paulo, «falamos, não para agradar aos homens, mas a Deus que põe à prova os nossos co-rações» (1Ts 2,4). Se está vivo esse desejo de, primeiro, ouvirmos nós a Palavra que temos de anunciar, esta transmitir-se-á de uma maneira ou de outra ao povo fiel de Deus: «A boca fala da abundância do coração» (Mt 12,34). As leituras do Evangelho ressoarão com todo o seu esplendor no coração do povo, se primeiro ressoa-rem assim no coração do catequista. (cf EG 149) » Não podemos anunciar a Palavra de Deus sem nos deixar iluminar, deixar-nos tocar pela Palavra e encarná-la em nossa vida concreta. «Atam fardos pesados e insuportáveis e colocam-nos aos ombros dos outros, mas eles não põem nem um dedo para os deslocar» (Mt 23,4). Assim, o anúncio da Palavra consistirá na atividade tão intensa e fecunda que é «comunicar aos outros o que foi contemplado». Por tudo isto, antes de preparar concretamente o que vai dizer
  • 19.
    na evangelização, ocate-quista tem de aceitar ser primeiro trespassado por essa Palavra que há de trespassar os outros, porque é uma Palavra viva e eficaz, que, como uma espada, «penetra até à divisão da alma e do espírito, das articulações e das medulas, e discerne os sentimentos e intenções do coração» (Heb 4,12). Nossa sociedade reclama evangelizadores que lhe falem de um Deus que eles conheçam e lhes seja familiar como se eles vissem o invisível. (EG 150) » Não cessemos de melhorar, vivamos o desejo profundo de progredir no caminho do Evangelho, e não deixe-mos cair os braços. » Estar seguros de que Deus nos ama, de que Jesus Cristo nos salvou, de que o seu amor tem sempre a última palavra. À vista de tanta beleza, sentiremos muitas vezes que a nossa vida não nos dá plenamente glória e de-sejaremos sinceramente corresponder melhor a um amor tão grande. ATENÇÃO! Todavia, se não nos detemos com sincera abertura a escutar essa Palavra, se não deixamos que ela toque a nossa vida, que nos interpele, exorte, mobilize, se não dedicamos tempo para rezar com ela, então, na realidade seremos falsos profetas, embusteiros ou um charlatães vazios. O Senhor quer servir-se de nós como seres vivos, livres e criativos, que se deixam pene-trar pela Sua Palavra antes de a transmitir; a Sua mensagem deve passar realmente por meio do evangelizador, e não só pela sua razão, mas tomando posse de todo o seu ser. O Espírito Santo, que inspirou a Palavra, é quem «hoje ainda, como nos inícios da Igreja, age em cada um dos evangelizadores que se deixa possuir e conduzir por Ele, e põe na sua boca as palavras que ele sozinho não poderia encontrar» (EG 151). ESTE É UM ITINERÁRIO CONCRETO PARA TORNAR A PALAVRA O FUNDAMENTO DE NOSSA INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ. OLHANDO PARA A REALIDADE EM NOSSA COMUNIDADE PAROQUIAL, QUAIS DESSES PAS-SOS JÁ ESTAMOS DANDO? O QUE NOS FALTA AINDA? COMO FAZÊ-LOS ACONTECER? 19
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    INICIAÇÃO CRISTÃ 20 Papa Francisco nos dá algumas dicas para fazer a leitura orante: Ficar na presença de Deus, numa leitura tranquila do texto, e perguntar-se: “Senhor, a mim que me diz este texto? Com esta mensagem, que quereis mudar na minha vida? Que é que me incomoda neste texto? Porque é que isto não me interessa?” Ou então: De que gosto? Em que me estimula esta Palavra? Que me atrai? E porque me atrai? Ele nos alerta que quando se procura ouvir o Senhor, é normal ter tentações: » Uma delas é simplesmente sentir-se aborrecido e acabrunhado e dar tudo por encerrado. » Outra tentação muito comum é começar a pensar naquilo que o texto diz aos outros, para evitar de aplicar à própria vida. » Acontece também começar a procurar desculpas que nos permitam diluir a mensagem específica do texto. 3 Escutar aquilo que o Senhor nos quer dizer por meio da lectio divina. A Alegria do Evangelho indica a lectio divina como a modalidade concreta para escutarmos aquilo que o Senhor nos quer dizer na Sua Palavra. E nos instrui que a leitura espiritual de um texto deve partir do seu sentido literal. Caso contrário, uma pessoa facilmente fará o texto dizer o que lhe convém, o que serve para confirmar as suas próprias decisões, o que se adapta aos seus próprios esquemas mentais. E isso seria, em última análise, usar o sagrado para proveito próprio e passar essa confusão para o povo de Deus. Nunca nos devemos esquecer de que, por vezes, «também Satanás se disfarça em anjo de luz» (2Cor 11,14) (EG 152). E ESTA É UMA TENTAÇÃO MUITO GRANDE EM NOSSA MISSÃO DE EVANGELIZAR: anunciar as verdades em que eu acredito e não a verdade de Jesus Cristo.
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    21 » Outrasvezes, pensamos que Deus nos exige uma decisão demasiado grande, que ainda não estamos em con-dições de tomar. Isso leva muitas pessoas a perderem a alegria do encontro com a Palavra, mas significaria es-quecer que ninguém é mais paciente do que Deus Pai, ninguém compreende e sabe esperar como Ele. Deus convida sempre a dar um passo mais, mas não exige uma resposta completa, se ainda não percorremos o ca-minho que a torna possível. Apenas quer que olhemos com sinceridade a nossa vida e a apresentemos sem fingimento diante dos seus olhos, que estejamos dispostos a continuar a crescer, e peçamos a Ele o que ainda não podemos conseguir (EG 153). QUANTO JÁ PROGREDIMOS EM UTILIZAR A LECTIO DIVINA NA COMPREENSÃO DOS TEXTOS BÍBLICOS? QUE DIFICULDADES AINDA ENCONTRAMOS? 4 ESCUTAR O POVO, PARA DESCOBRIR AQUILO QUE OS FIÉIS PRECI-SAM OUVIR. » Como evangelizadores precisamos ser contemplativos da Palavra e também contemplativos do povo. Dessa forma, descobrimos «as aspirações, as riquezas e as limitações, as maneiras de orar, de amar, de encarar a vida e o mundo, que caracterizam este ou aquele aglomerado humano», prestando atenção «ao povo con-creto com os seus sinais e símbolos e respondendo aos problemas que apresenta». » Relacionar a mensagem do texto bíblico com uma situação humana, com algo que as pessoas vivem, com uma experiência que precisa da luz da Palavra. Essa preocupação não é ditada por uma atitude oportunista ou diplomática, mas é profundamente religiosa e pastoral. No fundo, é uma «sensibilidade espiritual para saber ler nos acontecimentos a mensagem de Deus», e isto é muito mais do que encontrar algo interessante para dizer. Procura-se descobrir «o que o Senhor tem a dizer nessas circunstâncias». Então, a preparação da catequese transforma-se num exercício de discernimento evangélico, no qual se procura reconhecer – à luz do Espírito – «um ‘apelo’ que Deus
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    INICIAÇÃO CRISTÃ 22 faz ressoar na própria situação histórica: também nele e através dele, Deus chama o crente». (EG 154) DOCUMENTOS DA IGREJA, TAIS COMO CATEQUESE RENOVADA, DIRETÓRIO GERAL E NACIONAL DE CATEQUESE, VÊM NOS ALERTANDO PARA A NECES-SIDADE DE ESCUTAR O POVO HÁ MUITO TEMPO. MAS ESTAMOS TENDO DI-FICULDADE NESSA ESCUTA E CONTINUAMOS DANDO RESPOSTAS A PER-GUNTAS QUE NÃO NOS FORAM FEITAS. COMO VAMOS MELHORAR NA ES-CUTA DO POVO E DE SUAS PERGUNTAS? 5 É preciso empenhar-se em encontrar a forma adequada de apresentar a mensagem – Recursos pedagógicos » Não basta saber o que dizer, é preciso se preocupar com o como dizer. Lembrar de que «a evidente importância do conteúdo da evangelização não deve esconder a importância dos mé-todos e dos meios da mesma evangelização» (PAULO VI, Exort. Ap. Evangelii Nuntiandi (8 de dezembro de 1975), 40: AAS 68 (1976), 31). » A preocupação com a forma de evangelizar também é uma atitude profundamente espiritual. É responder ao amor de Deus, entregando-nos com todas as nossas capacidades e criatividade à missão que Ele nos confia; mas também é um exímio exercício de amor ao próximo, porque não queremos oferecer aos outros algo de má qualidade (EG 156). » Um dos esforços mais necessários é aprender a usar imagens na pregação, isto é, a falar por imagens. Às vezes, usam-se exemplos para tornar mais compreensível algo que se quer explicar, mas estes exemplos frequentemente dirigem-se apenas ao entendimento, enquanto as imagens ajudam a apreciar e acolher a mensagem que se quer transmitir.
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    Uma imagem fascinantefaz com que se sinta a mensagem como algo familiar, próximo, possível, relaciona-do com a própria vida. Uma imagem apropriada pode levar a saborear a mensagem que se quer transmitir, desperta um desejo e motiva a vontade na direção do Evangelho. Uma boa homilia, como me dizia um anti-go professor, deve conter «uma ideia, um sentimento, uma imagem» (EG 157). » Usar uma linguagem que os destinatários compreendam, para não correr o risco de falar ao vento. Acontece frequentemente que os evangelizadores usam palavras que aprenderam nos seus estudos e em certos ambientes, mas que não fazem parte da linguagem comum das pessoas que os ouvem. Há palavras próprias da teologia ou da catequese, cujo significado não é compreensível para a maioria dos cris-tãos. O maior risco de um pregador é habituar-se à sua própria linguagem e pensar que todos os outros a usam e compreendem espontaneamente. » Escutar muito para se adaptar à linguagem dos outros, para poder chegar até eles com a Palavra. É preciso partilhar a vida das pessoas e prestar-lhes benévola atenção. » Ter simplicidade e clareza no anúncio. Simplicidade e clareza são duas coisas diferentes. A linguagem pode ser muito simples, mas pouco clara a pre-gação. Pode-se tornar incompreensível pela desordem, pela sua falta de lógica, ou porque trata vários temas ao mesmo tempo. Por isso, outro cuidado necessário é procurar que o anúncio tenha unidade temática, uma ordem clara e liga-ção entre as frases, de modo que as pessoas possam facilmente seguir o evangelizador e captar a lógica do que lhes diz. » Nossa linguagem deve ser positiva, oferecendo sempre esperança e orientação para o futuro. Não dizer tanto o que não se deve fazer, como sobretudo propor o que podemos fazer melhor. E, se apontar algo negativo, sempre procurar mostrar também um valor positivo que atraia, para não ficar pela queixa, o lamento, a crítica ou o remorso. Além disso, uma pregação positiva oferece sempre esperança, orienta para o futuro, não nos deixa prisionei-ros da negatividade. » Reunir-se periodicamente para encontrar os recursos que tornem mais atraente a evangelização. Como é bom que sacerdotes, diáconos e leigos se reúnam periodicamente para encontrarem, juntos, os recur-sos que tornem mais atraente a evangelização (EG 159)! Como seria bom se pudéssemos receber uma fórmula pronta e adequada de transmitir a mensa-gem que não exigisse o nosso estudo, oração e trabalho, não é mesmo? Mas ela não existe, por-que nunca seria adequada à nossa realidade e porque o plano de Deus sempre parte do amor, 23
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    INICIAÇÃO CRISTÃ 24 dos gestos de amor que empregamos em fazer acontecer a evangelização, da preparação amorosa de cada momento de encontro com Jesus que propiciamos aos outros. Recordemos o que Francisco nos diz: “A preparação da catequese requer amor, pois uma pessoa só dedica um tempo gratuito e sem pressa às coisas ou às pessoas que ama; e aqui trata-se de amar a Deus, que quis falar” e quer continuar falando por meio de nós. Por isso, queridos catequistas, arregacemos as nossas mangas e comecemos a fazer acontecer a iniciação à vida cristã em nossas comunidades. Temos um material de apoio tão rico que nos aponta o caminho, mas o caminhar somos nós que o fazemos, dentro da realidade que nos envolve. Que esta reflexão que fizemos aqui possa ser levada a sua comunidade catequética, para que, jun-tos, possam orar com Jesus sobre tudo isso e descobrir o que Ele está pedindo para vocês. Senhor Jesus, a ti entregamos a nossa missão de catequistas e nos comprometemos contigo de dar o nosso melhor, de fazer tudo com muito amor e carinho, para levar as pessoas ao Teu encontro, para fazer-te acontecer na vida delas e na vida de nossa comunidade. Conta conosco! Assim como contamos conti-go! Fica conosco, Senhor! Liana Plentz Jornalista, catequista, especialista em ensino religioso. Coordenadora da iniciação à vida cristã do Vicariato de Porto Alegre. Secretária da Animação Bíblico-catequética do Regional Sul 3 da CNBB.
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    CATEQUESE INFANTIL 26 CATEQUESE & BRINCADEIRA por Gilson P. Júnior “Uma criança que nãos sabe brincar, uma miniatura de velho, será um adulto que não saberá pensar.” (Chateau 1987, p. 14)1 1 Jean Chateau, pedagogo francês (1908-1990).
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    Quem não serecorda das brincadeiras de quando era criança? Pique-pega, esconde-esconde, pular corda, corre cutia, amarelinha e tantas outas. Cada brincadeira trazia em si uma mensagem, uma arte, uma técnica diferente e diferenciada em sua ludicidade que nos ajudava e nos ajudou em nosso desenvolvimento, cognitivo (funções envolvidas na leitura e na decodificação do contexto circundante), físico/motor (psicomotricidade, criatividade), social (integração, relação, partilha de costumes, crenças e valores) e afetivo (estima, simpatia, apreço, empatia que possibilita a ligação com o saber, com o conhecer, com o sagrado). Brincar era um aprendizado, pois por meio das brincadeiras aprendíamos matemática, português, geografia, conhecimentos gerais, entre tantas outras coisas. Aprendíamos brincando e brincávamos aprendendo. Com o passar do tempo fomos perdendo esse gosto pela brincadeira, esquecemos que fomos crianças e que aprendemos muito brincando, passamos a transmitir às gerações futuras a descaracterização da brincadeira, tornando-a meramente uma forma de diversão. “Adultizamos” o universo infantil das crianças desconsiderando que ao brincar elas aprendem mais e melhor por meio desse “outro mundo possível” concretizado por meio de suas experiências. Portanto, é preciso voltar atrás e rever a forma que evangelizamos/educamos as nossas crianças, sendo nós educadores da fé de nossos pequenos. O brincar possibilita o encontro com o Sagrado de forma mais eficaz e leve. Para tanto é preciso primeiro uma revisão interior. Um despertar de nossa criança que está oculta dentro de nós e que precisa voltar a brincar para que a brincadeira faça parte do universo evangelizador em que propomo-nos a atuar a fim de que nossas crianças tenham o grande encontro com o Sagrado que desejamos. (...) um professor que não sabe e/ou não gosta de brincar dificilmente desenvolverá a capacidade lúdica de seus alunos. Ele parte do princípio de que o brincar é perda de tempo. Assim, antes de lidar com a ludicidade do aluno, é preciso que o professor desenvolva a sua própria. O professor que, não gostando de brincar, esforçar-se por fazê-lo normalmente assume uma postura artificial, facilmente identificada pelos alunos. A atividade proposta não anda. Em decorrência, muitas vezes os professores deduzem que brincar é uma bobagem mesmo, e que nunca deveriam ter dado essa atividade em sala de aula. A saída desse processo é um trabalho mais consciente e coerente do professor no desenvolvimento de sua atividade lúdica. (Mrech 1996, apud Miranda p. 111)2 2Leny Mrech é socióloga, psicóloga e professora da faculdade de Educação da Universidade São Paulo. 27
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    CATEQUESE INFANTIL 28 Chateau (1987)3 , bem como tantos outros pedagogos que devotaram suas vidas à educação das crianças, adolescentes e jovens, diz que é pela brincadeira, pelo brinquedo, “que crescem a alma e a inteligência”4. Para ele a brincadeira se torna o laboratório do espírito onde acontecem as experiências que corroboram para tudo aquilo que há de vir. Sendo assim, desenvolver uma catequese por meio da brincadeira é fundamental para alcançar o universo em que se encontram aqueles que evangelizamos. Se fosse apenas para passar conteúdos as escolas convencionais já bastariam. Até as escolas há tempos vêm retomando o foco sobre a brincadeira, no que se refere à metodologia educacional voltada para as crianças, a fim de alcançar melhores resultados educacionais. Por que, então, não recorrer à brincadeira como parte metodológica para a evangelização das crianças? A atividade lúdica é um grande laboratório onde ocorrem experiências inteligentes e reflexivas. A experiência produz o conhecimento, portanto nos possibilita tornar concretos os conhecimentos adquiridos. (Miranda 2013, p. 24) 5 3Jean Chateau, pedagogo francês (1908-1990). 4Miranda, Simão de . Oficina de ludicidade na escola. Papirus, 2013, p.23. 5Simão de Miranda é mestre em educação e doutor em psicologia. Residente em Brasília-DF, servidor da Secretaria de Educação do GDF. Escritor de mais de 37 livros e assessor em diversos países com temas voltados para a educação. Mirada, Simão de. Oficina de ludicidade na escola. Papirus, 2013.
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    29 O brincarna educação A criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras, os quais deverão estar dirigidos para a educação; a sociedade e as autoridades públicas esforçar-se-ão para promover o exercício deste direito. (Declaração Universal dos Direitos das Crianças, 1959) Além de ser um direito regulamentado por lei, o brincar vem recebendo destaque cada vez mais visível na sociedade, de forma mais clara e evidenciada nos métodos de educação exercendo papel fundamental na educação das crianças (Lima, 2006, p. 13 apud PMBCN, p. 67)6. Ainda, esse assunto, vem descrito no parágrafo 7 da Declaração Universal dos Direitos das Crianças que fala sobre o direito à educação gratuita e ao lazer infantil. Segundo o MEC (2006)7 as crianças precisam brincar, pois a brincadeira é essencial para a vida. O brincar alegra e motiva, reúne as crianças e as faz trocarem experiências e a ajudarem-se mutuamente. Esse contexto torna necessária a inclusão do brincar em todas as relações sociais da criança. A brincadeira é a vida da criança e uma forma gostosa para ela movimentar-se e ser independente. Brincando, a criança desenvolve os sentidos, adquire habilidades para usar as mãos, o corpo, reconhece os objetos, e suas características, textura, forma, tamanho, cor e som. Brincando a criança entra em contato com o ambiente, relaciona-se com o outro, desenvolve o físico, a mente, a autoestima, a afetividade, torna-se ativa e curiosa. (Siaulys, 2006, p. 10) Seria muita pretensão neste artigo esgotar todas as narrativas sobre os grandes pensadores a respeito do brincar na educação das crianças. É preciso um tempo maior de estudo daqueles que trabalham com a evangelização das infâncias dedicado a esse assunto, mas aqui era preciso descrever algumas reflexões a fim destacar o valor e grandiosidade dessa ferramenta que deve ser utilizada na evangelização/educação das crianças. Saiamos de nossos muros e vejamos o sol forte que nos espera lá fora. Será por acaso a criança em desenvolvimento, essa força da natureza, essa explorada aventurosa, é mantida imóvel, petrificada, confinada, reduzida à contemplação das paredes, enquanto o sol brilha lá fora (...)? (Christiane Rochefort apud Harper et al. 1987, p. 47) 6Província Marista Brasil Centro-Norte. Diretrizes curriculares para a educação infantil, p. 67. 7Siaulys, Mara O. de Campos. Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial – Brincar para todos. Brasília 2005. Disponível em http://goo.gl/QftMzs. Visitado em 24 de junho de 2014.
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    CATEQUESE INFANTIL 30 O brincar catequese O Diretório Nacional de Catequese (2006) diz que: Em todas as épocas a Igreja preocupou-se em buscar os meios mais apropriados para o cumprimento de sua missão evangelizadora (cf. CT 46). Ela não possui um método único e próprio para a transmissão da fé, mas assume os diversos métodos contemporâneos na sua variedade e riqueza, na medida em que respeitam integralmente os postulados de uma antropologia cristã a garantem a fidelidade do conteúdo. Utiliza-se das ciências pedagógicas e da comunicação, levando em conta a especificidade da educação na fé. (DNC 2006)8 Nesse contexto os métodos pedagógicos presentes nas escolas deveriam estar também presentes em nosso meio evangelizador quando nos referimos à educação na fé de nossas crianças. As metodologias aplicadas na ambiência educativa podem facilitar e muito a nossa práxis pastoral na catequese. Somos chamados a sermos discípulos missionários no meio das crianças e para que essa missão aconteça se faz necessário apropriarmo-nos de métodos capazes de alcançar seus intelectos e corações. Tendo refletido sobre a importância da brincadeira na evangelização/educação das crianças, faz-se necessário que o catequista tenha essa familiaridade com o universo infantil por meio das brincadeiras e outros meios como nos afirma o DNC quando diz que: Também será bastante útil ter familiaridade com o universo infantil: brincadeiras, situação escolar e familiar, histórias em quadrinhos e filmes que as crianças preferem, literatura infantil de boa qualidade. (DNC 2006, p. 127) Somos chamados como evangelizadores das crianças, com urgência, a desbravar esse universo de possibilidade por meio do brincar, quebrando as barreiras que nos impedem de integrar a brincadeira e evangelização. Sobre essa urgência o Documento de Aparecida fala que é preciso “estudar e considerar as pedagogias adequadas para a educação na fé das crianças, especialmente em tudo o que se relaciona à iniciação cristã, privilegiando o momento da primeira comunhão”9. Para nós, fica esse grande desafio fundamentado pelo DNC que nos interpela a “integrar na catequese as conquistas das ciências da educação, particularmente a pedagogia contemporânea, discernida a luz do Evangelho”10 , destacando aqui o brincar como opção pedagógica para a catequese. 8CNBB. Diretório Nacional de Catequese. Catequese como processo educativo. CNBB, Brasília 2006, p. 103. 9CNBB, Paulinas, Paulus. Documento de Aparecida. São Paulo, 2008,p. 198 10CNBB. Diretório Nacional de Catequese. Brasília, 2006 p. 34
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    31 O quedeve ser considerado quando se fala de catequese e brincadeira? Imbuídos do contexto sobre a importância da brincadeira na vida da criança, vale salientar que a identidade da pedagogia catequética que tem por fundamento a pedagogia divina, modelo de educação da fé pretendida pela catequese11, não pode se perder nesse sistema de construção da brincadeira como ferramenta no processo de crescimento da fé das crianças. Os métodos pedagógicos por meio da brincadeira devem ser somados à pedagogia catequética para uma evangelização cada vez mais conectada às realidades e especificidades das crianças de hoje, na finalidade da construção do Reino de Deus por meio do anúncio da Boa Nova, não se sobrepondo à pedagogia catequética que acreditamos. A pedagogia catequética tem como modelo sobretudo o proceder de Jesus Cristo, que, a partir da convivência com as pessoas, deu continuidade ao processo pedagógico do Pai. Levou à plenitude, por meio de Sua vida, palavras, sinais e atitudes, a Revelação Divina, iniciada no Antigo Testamento. Motivou os Seus discípulos a viverem conforme os Seus ensinamentos e plantou a semente da Sua comunidade, a Igreja, para transmitir, de geração em geração, a mensagem da Salvação e a pedagogia que Ele mesmo ensinou com Sua vida. (DNC, 2006, p. 130) Para isso alguns itens precisam ser considerados na preparação dos encontros com as crianças: • A motivação do encontro Motivação é aquilo que nos impulsiona, que nos influencia a alcançar um determinado objetivo. As crianças só entrarão no universo evangelizador, no jogo, na brincadeira se sentirem motivadas pelos catequistas. Primeiro o catequista volta a brincar, buscando em seu interior a sua criança, depois junto com a criança se envolve na brincadeira. A motivação potencializa o interesse, a alegria e o entusiasmo da criança características fundantes para a transmissão da Boa Nova. • A transmissão do tema do encontro Como dito anteriormente, educar, evangelizar, catequizar precisa ser muito mais do que apenas transmitir conteúdos. O brincar possibilita essa interação e integração fazendo que o conteúdo desejado seja desenvolvido com as crianças de forma a leva-las ao encontro com o Sagrado. • A identificação das crianças no desenvolvimento do encontro Quando motivadas, as crianças respondem ao processo sistematizado pensado para o seu encontro com o Sagrado por meio de gestos, falas, escritas e outros. Ela não é apenas uma receptora de informação, mas passar a ser integrante de seu processo de ensino aprendizagem de crescimento na fé. 11CNBB. Diretório Nacional de Catequese. Brasília, 2006 p. 20.
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    CATEQUESE INFANTIL 32 • A avaliação do encontro É preciso avaliar com as crianças o encontro realizado. Pergunte a elas: como foi pra você o encontro de hoje? O que mais aprendemos? O que gostamos? O que não gostamos? Uma vez se sentindo participante do encontro, a criança se sente capaz de levar aos outros o que aprendeu, crescendo com esse aprendizado, levando parte desses ensinamentos pelo resto de sua vida. A sua participação, seu protagonismo nos encontros, estimula a persistência na caminhada catequética, nos processos de evangelização e na vida comunitária na Igreja. Quantas de nossas crianças, motivadas pela catequese, não estão inseridas em outros ambientes da Igreja? Quantas crianças não se tornam evangelizadoras de sua família após um encontro estimulante da catequese? E quantas crianças, por não se sentirem parte desses processos catequéticos, após a Primeira Eucaristia, desanimam e desaparecem dos processos evangelizadores da Igreja? • O diálogo sobre o próximo encontro Ao final do encontro motive as crianças sobre o tema do próximo encontro. Pergunte a elas como gostariam que fosse o encontro, se indicam músicas, filmes, dinâmicas para o desenvolvimento do próximo tema. Certo dia, um educador que trabalhava o tema da CF 2014 com as crianças, levou um desenho animado para que elas assistissem a ele. De imediato um grupo de crianças reagiu a sua proposta e disse: – Não queremos assistir ao desenho animado que você trouxe para o encontro. Queremos ver Os pinguins de Madagascar. O educador, conhecedor daquele desenho animado, respondeu de imediato: – Mas o desenho que vocês querem ver não se parece nada com o tema do nosso encontro.
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    33 Reflexão... Toquepara ler As crianças responderam: – Como não? O desenho não fala sobre liberdade e o esforço que aqueles animais fazem para serem livres? Então, acaso o tema da CF 2014 não é “É para a liberdade que Cristo nos libertou”? O educador tratou logo de providenciar o filme. Os encontros da catequese, cheios de brincadeiras, diálogos e ludicidade podem preencher a grande lacuna que existe em nossos processos evangelizadores com os pequenos. O próprio caráter socializador do brincar pode aproximar mais os catequistas e catequizandos, catequizandos e catequizados, Igreja e catequizandos e o Sagrado dos catequizandos, tornando a nossa prática pastoral eficaz em prol da construção de uma sociedade mais humana, justa e fraterna. Dessa forma, a catequese passaria a ser um serviço não apenas para a Igreja, mas um serviço para a vida toda. Gilson Prudêncio Júnior Analista Pastoral - Infâncias/Pastoral Marista UBEE - UNBEC
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    PRIMEIRA COMUNHÃO 34 QUAL A IMPORTÂNCIA DA CATEQUESE DE Primeira Comunhão na vida das crianças? por Roberto Garcia Como todos nós sabemos, a Primeira Comunhão trata-se do momento em que nos aproximamos da ceia do Senhor, recebendo Seu corpo e Seu sangue e permitindo que Jesus habite nosso coração. Mas você já parou para pensar na importância que essa ação tem na vida de uma criança? Normalmente quando a criança inicia sua catequese é muito comum ouvirmos que
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    “estou aqui porquemeus pais obrigaram”, “preciso fazer catequese para poder casar”, “o que é catequese?”, enfim, diversas exclamações e interrogações que, sinceramente, deixam-me bastante assustado! Não raramente, as crianças começam a catequese sem ao menos saber rezar as orações tradicionais (Pai-Nosso, Ave- Maria...) que deveriam ser aprendidas em casa, pois a introdução de uma criança na vida religiosa começa na família. A catequese familiar é fundamental para que a catequese ministrada na Igreja não seja vazia, pois ela corre o risco de ser alicerçada sobre a areia: na primeira “balançada”, desmorona. A ação do catequista na vida da criança deve ser transformadora. Durante a caminhada na catequese, ela deve sentir-se importante no processo de evangelização, sentir-se amada por Deus e também pelo catequista. Dessa forma, a criança vai absorvendo com mais facilidade o objetivo da catequese. Às vezes a criança vem para a catequese necessitando de carinho, de atenção, de alguém que esteja disposto a escutá-la e a orientá-la sobre alguma dificuldade ou algum problema. E devemos estar de braços e coração abertos para recebê-las, pois, como disse Jesus: “Deixai as crianças e não as proibais de vir a Mim, porque delas é o Reino dos Céus” (cf. Mt 19,14). Durante a catequese a criança vai conhecendo e se aprofundando na experiência cristã e, principalmente na vivência comunitária, ela vai descobrindo o que significa a comunhão. A catequese de Primeira Comunhão é fundamental para a formação religiosa da criança, pois, se ela for bem trabalhada desde as bases (familiar, escolar, comunitária), no futuro poderemos evitar uma série de problemas sociais. Afastaremos a criança do mundo das drogas, das más companhias, e estaremos auxiliando na formação de um bom cristão e também de um bom cidadão. Ah, e também devemos orientar as crianças que, após fazer a Primeira Comunhão, elas não devem abandonar a Igreja, viu? A Primeira Comunhão não pode ser única... Elas devem permanecer em comunhão com Cristo e com os irmãos para sempre! Assim como Jesus nunca nos abandonou, nós também não devemos nunca abandoná-Lo. Um fraterno abraço e até o mês que vem! PAZ & BEM Roberto Garcia Catequista desde 1997 na Comunidade Santa Rita de Cássia, Paróquia Rede de Comunidades São José – Gravataí-RS. Também integra a equipe Pascom da Paróquia desde 2012. 35
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    Iniciação Cristã com 37 inspiração Catecumenal Por Adriana Amorim
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    CATECUMENATO 38 Acatequese na Igreja do Brasil vive um desafio peculiar nos tempos atuais: formar discípulos e missionários de Jesus Cristo! Essa nova característica da evangelização concretizou-se na Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil, que ocorreu na cidade de Aparecida-SP, em 2007. Para atingir esse objetivo, no entanto, o caminho é longo... Denominamos esse caminho de Processo de Iniciação à Vida Cristã, algo antigo e bastante eficiente. Antigo porque recebe uma inspiração vinda das primeiras comunidades cristãs, o catecumenato, e eficiente porque coloca o iniciante em contanto permanente com a pessoa de Jesus Cristo, tendo como fruto principal a formação de um verdadeiro cristão. O caminho da Iniciação data do século II depois de Cristo, com a estruturação do catecumenato para promover a adesão a Jesus Cristo e à Igreja. Era um processo contínuo, progressivo e dinâmico de preparação para os Sacramentos do Batismo, Crisma e Eucaristia, marcado por etapas e ritos, utilizado para conduzir os adultos (e não as crianças), recém-convertidos ao cristianismo, à experiência do mistério de Deus. Teve seu período áureo entre os séculos III e IV e seu declínio no século V, quando ser cristão tornou-se uma situação comum e abriu-se a possibilidade de o Batismo ser ministrado preponderantemente às crianças. No século VI desaparece o catecumenato propriamente dito. Apenas em 1972, com a promulgação do Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (RICA), o catecumenato voltou a ser fonte de inspiração e itinerário de toda a catequese. A partir de então, a preocupação é possibilitar a iniciação tanto para os não batizados (catecúmenos) quanto para os batizados insuficientemente catequizados (catequizandos). Nesse sentido, há várias situações em que se encontram pessoas a serem atendidas no processo de iniciação: adultos e jovens não batizados; adultos e jovens batizados que desejam completar a iniciação cristã; adultos e jovens com prática religiosa, mas insuficientemente evangelizados; pessoas de várias idades marcadas por uma religiosidade conflitante,
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    39 ambígua econfusa; grupos específicos, como as pessoas com deficiência, indígenas, etc.; casais em situação matrimonial irregular; adolescentes e jovens; crianças não batizadas e inscritas na catequese; e crianças e adolescentes batizados que seguem o processo tradicional de iniciação cristã. O processo de iniciação à vida cristã com inspiração catecumenal é aplicável a qualquer catequese sacramental (Batismo, Eucaristia, Crisma ou Matrimônio) ou a qualquer grupo que trabalhe com as realidades acima descritas. Especificamente em relação à catequese eucarística, o processo de iniciação oferece às crianças em idade de catequese o encontro pessoal e decisivo com Jesus Cristo. Não mais se trata de uma catequese que orienta a decorar as orações e a doutrina, mas incentiva a vivência em comunidade, que tem como finalidade “o ser cristão” e não apenas a sacramentalização, conscientizando que os Sacramentos alimentam esse processo e são sinais visíveis do próprio Jesus. Antes de compreender como está organizado o processo de iniciação à vida cristã e a inspiração catecumenal é importante saber distinguir um verdadeiro cristão, finalidade única desse processo. O livro dos Atos dos Apóstolos apresenta-nos o primeiro retrato dos cristãos: “Eram perseverantes em ouvir os ensinamentos dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações. Em todos eles havia temor, por causa dos numerosos prodígios e sinais que os apóstolos realizavam. Todos os que abraçaram a fé eram unidos e colocavam em comum todas as coisas” (At 2, 42-44). O relato bíblico revela-nos que o verdadeiro cristão é aquele que, sobretudo, vive sua fé em comunidade e cresce graças à catequese (“ensinamento dos apóstolos”). Desse modo, pode-se destacar um aspecto essencial do processo de iniciação à vida cristã: a catequese é realizada em conjunto pelos catequistas, pais, sacerdotes e toda comunidade de fé. Visto esse aspecto, fundamento da iniciação cristã, podem-se resumir os tempos desse processo como descrito a seguir:
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    CATECUMENATO 40 1ºtempo pré-catecumenato Corresponde ao período da primeira evangelização, de acolhimento do iniciante da comunidade cristã, da percepção de sua fé e do primeiro anúncio do Cristo (Querigma). 2º tempo catecumenato É o tempo mais longo de todo o processo, dedicado à catequese completa, que se preocupa com a formação do cristão bem como com a vivência em comunidade por meio dos ritos (celebrações). 4º tempo mistagogia Acontece durante o tempo pascal, a fim de aprofundar os mistérios pascais, revestir-se do Cristo e partir para uma vida nova. 3º tempo purificação e iluminação Acontece preferencialmente no período quaresmal, a fim de proporcionar preparação próxima para os Sacramentos, por meio do aprofundamento das práticas quaresmais junto à comunidade.
  • 41.
    41 Cada tempodo processo catecumenal é enriquecido com a celebração de ritos que marcam a evolução do iniciante no caminho da catequese. É importante destacar que esses ritos, os quais fazem parte principalmente do tempo do catecumenato e da purificação e iluminação, fortalecem a união entre catequese e liturgia e criam um vínculo único entre os catecúmenos/ catequizandos e a comunidade eclesial. Assim, os catequistas têm a oportunidade de amadurecer a sua fé a partir da caminhada catecumenal de seus iniciantes, intensificando a vida de oração, a leitura e escuta da Palavra e comprometendo-se com a missão que Deus lhes confiou: formar verdadeiros discípulos e missionários de Jesus Cristo! Deus, em sua infinita bondade, abençoe cada catequista que mergulhará nessa fonte de inspiração catecumenal. A Imaculada Conceição, Rainha da Evangelização, conceda a todos os povos a graça santificante de amar e seguir a pessoa de Jesus Cristo! Adriana Amorim de Farias Leal Catequista Paróquia Nossa Senhora da Conceição Catedral da Diocese de Campina Grande-PB
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    CATEQUESE INCLUSIVA 42 Cinco pilares da Evangelização Inclusiva Por Thaís Rufatto
  • 43.
    APRENDER A AMAR O catequista que se abre ao amor de Deus e o amor aos irmãos é aquele, aquela catequista que está fazendo a experiência do amor na sua vida de batizado(a) e vocacionado(a) a esse ministério, como nos diz em João, todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus, porque Deus é amor, o amor deve ser o cerne e o ápice da vida de um uma catequista, pois é pelo amor que ele ou ela tem por Deus e sente na sua intimidade com Deus que vai frutificar sua vocação catequética e dará por meio de Jesus na sociedade frutos e frutos em abundância. O exercício do amor na vida do catequista é um exercício que exige perseverança e acima de tudo vontade – querer amar primeiro a si mesmo e depois aos irmãos, fazendo o exercício do mandamento deixado por Jesus: “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei”, e o fruto desse exercício se dá no aprendizado do amor. O catequista que se abre a esse exercício de aprender a amar vive na sua vida o mandamento deixado por Jesus, principalmente quando Jesus nos diz amai os vossos inimigos e fazei o bem a quem vos persegue. O catequista para ser o catequista que corresponde aos anseios do coração de Deus deve ser aquele que vive o amor em suas ações, pois não se pode dar aquilo que não se tem e nem falar sobre aquilo que não se vive. Assim como um engenheiro que projeta uma casa, Deus, antes de você, catequista, nascer, o(a) projetou e cabe a você corresponder por meio da sua vivência no amor aos anseios do coração de Dele, para que nossa sociedade, em Jesus por meio de cada um(a) de vocês tenha vida em abundância. Entre esses discípulos, os reunidos nas comunidades religiosas, “mulheres e homens de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Cf. Ap 7, 9) foram e são ainda hoje uma expressão particularmente eloquente desse sublime e ilimitado Amor. Nascidos não da vontade da carne e do sangue, não de simpatias pessoais ou de motivos humanos, mas de Deus (Jo 1, 13), de uma vocação divina e de uma divina atração, as comunidades religiosas são um sinal vivo da primazia do amor de Deus que opera suas maravilhas e do amor a Deus e aos irmãos, como foi manifestado e praticado por Jesus Cristo. 43
  • 44.
    CATEQUESE INCLUSIVA 44 O catequista que possui uma união com Jesus vai no dia a dia se colocar a rezar e aprender, assim como Deus diz em Sua palavra: “Tudo o que pedires na oração, credes que já tendes recebido”. Os discípulos dos nossos dias de hoje são chamados de catequistas, pois estes há 2.000 anos pediram para Jesus lhes ensinar a rezar e Jesus lhes ensinou a oração do Pai-Nosso, essa oração é MUITO poderosa, pois, uma vez que unido(a) ao coração de Jesus, o(a) catequista que entregar-se verdadeiramente na vontade de Deus, quando dizemos de maneira aberta “Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu” estará aberto(a) a receber do coração do Pai aquilo que é de acordo com a Sua vontade para ele(a) e o melhor para sua vida; fazendo assim, estará em sintonia com Deus e a cada oração que fizer vai lembrar que Jesus nos pede que antes de qualquer oração que façamos, em primeiro lugar devemos pedir o Espírito Santo, pois é Ele que sabe o que devemos pedir, como pedir e o que pedir. O catequista que adquire experiência com Jesus aprende pela missionaridade do seu chamado SER CATEQUISTA a evangelizar, que nada mais é do que levar a Boa Nova ao coração das pessoas sedentas do amor de Deus. O aprender a evangelizar do(a) catequista reporta-se à passagem do Evangelho em que Jesus saiu pelas ruas das sinagogas pregando o Evangelho, curando, etc. APRENDER A REZAR APRENDER A EVANGELIZAR
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    Debaixo do Solhá um tempo para cada coisa, nos diz em Eclesiastes 3,1. O(a) catequista deve entender que o tempo de Deus não é o tempo dele(a), ou seja, levando em consideração que o ser humano vive no chronos e Deus no kairós o tempo de Deus não é o tempo do(a) catequista, e esse tempo de espera o(a) catequista deve exercitá-lo a paciência, como está em Eclesiástico 2. Dizia certa vez uma sábia pessoa em um programa de rádio de uma emissora católica, cuja frase possui autoria desconhecida: “A paciência é amarga, mas seus frutos são doces”. “Quem ama, faz sempre comunidade; não fica nunca sozinho.” (Santa Tereza de Jesus) “Vede como eles se amam.” Atos 2 O(a) catequista, vendo a imagem de Jesus no outro membro da comunidade, principalmente no catequizando com algum tipo de deficiência, aprende a fazer a experiência das primeiras comunidades, quando em Atos dos Apóstolos 2 lemos: “Vede como eles se amam”, em que o amor é o cerne e o ápice de toda ação missionária catequética inclusiva. Abaixo algumas dicas contendo cinco passos para viver e conviver bem em comunidade. Atos 2, 42-47 APRENDER A ESPERAR APRENDER A VIVER E A CONVIVER EM COMUNIDADE 45
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    CATEQUESE INCLUSIVA 46 “Eles mostravam-se assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações. Apossava-se de todos o temor, pois numerosos eram os prodígios e sinais, que realizavam por meio dos apóstolos. Todos os que tinham abraçado a fé reuniam-se e punham tudo em comum: vendiam suas propriedades e bens, e dividiam-nos entre todos, segundo as necessidades de cada um. Dia após dia, unânimes, mostravam-se assíduos no templo e partiam o pão pelas casas, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e gozavam da simpatia de todo o povo. E o senhor acrescentava cada dia ao seu número os que seriam salvos.” 1º passo - Viver em comunidade: • Para viver bem em comunidade é preciso passar pelo conhecimento: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8, 32). A verdade é Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida…” (Jo 14, 6); conhecer a verdade é conhecer a Jesus Cristo revelado a nós por meio das Sagradas Escrituras, da Doutrina e da Tradição passadas a nós pelos nossos primeiros pais na fé. • Conhecer a comunidade. • Conhecer o outro, quem ele é, sua história. • Conhecer a palavra de Deus, a doutrina da igreja Católica Apostólica Romana. • É necessário reciclar-se, ou seja, passar pela formação continuada, permanente. Não podemos achar que estamos prontos, mas em constante processo de construção, de abertura a mudança, principalmente quando lidamos com a catequese inclusiva.
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    2º passo –Comunhão fraterna: 1. O que é a comunhão. A comunhão é o “vínculo de unidade fraternal mantida pelo Espírito Santo e que leva os cristãos a se sentirem um só corpo em Jesus Cristo” (Dicionário Teológico, CPAD). A palavra grega koinonia traz a ideia de cooperação e relacionamento espiritual entre os santos. A comunhão da Igreja primitiva era completa (At 2.42). Reuniam-se em oração e súplica, mas também reuniam-se para socorrer os mais necessitados. Dom Bosco (Regra de vida dos Salesianos de Dom Bosco): •“Viver e trabalhar juntos é exigência fundamental e caminho seguro para realizarmos nossa vocação. Reunimo-nos em comunidade, nas quais amamos a ponto de tudo compartilhar em espírito de família e construímos a comunhão de pessoas. Na comunidade reflete-se o mistério da Trindade; nela encontramos uma resposta às aspirações profundas do coração e nos tornamos sinais de amor e unidade…” • “Deus nos chama a viver em comunidade, confiando-nos irmãos que devemos amar. Formamos assim um só coração, e uma só alma para amar e servir a Deus e para nos ajudarmos uns aos outros.” • LER COLOSSENSES 3, 12-15. • A comunhão da caridade: ler Rm 14, 7: ninguém vive ou morre para si; 1 Cor 12, 26-27: todos compartilhamos com outro o que temos até os sofrimentos. • Jo 13, 35: “Nisto conheceram todos que sois os meus discípulos: sevos amardes uns aos outros”. Tertuliano diz que os cristãos levaram tão a sério este mandamento que os pagãos diziam entre si “Vede como eles se amam”. 47
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    CATEQUESE INCLUSIVA 48 3º passo - A partilha do pão: Mc 8,6 14. Os discípulos tinham se esquecido de levar pães. Tinham consigo na barca só um pão. 15. Então Jesus os advertiu: “Prestem atenção e tomem cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes”. 16. Os discípulos diziam entre si: “É porque não temos pão”. 17. Mas Jesus percebeu e perguntou: “Por que vocês discutem sobre a falta de pães? Vocês ainda não entendem e nem compreendem? Estão com o coração endurecido?”. 18. “Vocês têm olhos e não veem, tem ouvidos e não ouvem? Não se lembram 19. de quando reparti cinco pães para cinco mil pessoas? Quantos cestos vocês recolheram cheios de pedaços?” Eles responderam: “Doze”. 20. Jesus perguntou: “E quando reparti sete pães para quatro mil pessoas, quantos cestos vocês recolheram cheios de pedaços?”. Eles responderam: “Sete.” 21. Jesus disse: “E vocês ainda não compreendem?”. • Está relacionada com a ceia do Senhor. Ler CIC 1329 “ com isso querem dizer que todos comem do único pão partido, Cristo”. • Discípulos de Emaús, Lucas 25, 13-35: Reconheceram Jesus na partilha do pão; é assim que reconhecerão os seguidores de Jesus. Antes da partilha eles estavam “cegos”, só viram quem era na hora da partilha, da refeição. • Quando nos reunimos à mesa do Senhor reconhecemos Jesus no outro e encontram em nós a Jesus ressuscitado. • Os crentes primitivos mantinham uma comunhão tão intensa entre si que se reuniam com alegria e singeleza de coração para celebrar a Santa Ceia. Era o seu “partir do pão” (At 2.42). Eles em Cristo e Cristo em cada um deles. Pode haver comunhão mais plena? Não era simplesmente uma cerimônia; era a festa na qual lembravam a morte e ressurreição de Jesus — a expressão mais sublime do amor divino. Para concluir este 3º passo: A eucaristia nos faz solidários, pois na matemática de Jesus quanto mais você divide mais se multiplica; costumo dizer que no lugar do divisor há uma cruz, pois o amor faz TUDO multiplicar e acontecer.
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    4º passo -Vida de oração (comunitária e pessoal) É imprescindível que o(a) catequista tenha um momento no dia de oração pessoal com Deus, ou seja, é se abastecer na oração e comunhão, ir à missa sempre que possível durante a semana, estar em dia com os Sacramentos, rezar o terço, estar em intimidade com Nossa Senhora e aprender dela as virtudes para ser um exemplo de catequista como ela, que foi quem catequizou Jesus, além de intimidade com a Palavra de Deus, isto é, a leitura diária da Bíblia, o(a) catequista tem que ter esse momento para se abastecer senão não consegue seguir em frente, e rezar para o Espírito Santo, pois Ele é o norteador de todo trabalho a ser desenvolvido pelos catequistas, sem Ele não tem catequese, pois é Dele que nascem a sabedoria, a inteligência, o temor de Deus e todos os demais dons, frutos e carismas necessários para realizar uma catequese de qualidade para todos. • “A oração é a elevação da alma a Deus ou o pedido a Deus dos bens convenientes.” (Sao João Damasceno) • “Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu, um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria.” (Santa Terezinha do Menino Jesus) (CIC 2559ss) • CIC 2687 – A vida missionária ou comunitária não se mantém e não se propaga sem a oração; esta é uma das fontes vivas da contemplação e da vida espiritual. • Ninguém se mantém sem a vida de oração em comum. • Mateus 18,19: “Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus”. 49
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    CATEQUESE INCLUSIVA 50 • Oração pessoal: conseguiremos formar comunidades que rezam só se nos tornarmos pessoalmente homens e mulheres de oração. Cada um de nós tem a necessidade de exprimir em seu íntimo o modo pessoal de ser filho(a) de Deus, manifestar-lhe a gratidão, confidenciar-lhe os desejos e as preocupações apostólicas. Forma indispensável de oração é a oração mental. Ela fortalece nossa intimidade com Deus, salva a nossa rotina, conserva o coração livre e alimenta a doação ao próximo. Para Dom Bosco é a garantia de alegre perseverança na vocação. • Características da alma que ora (CIC): • Confiança – 2734 • Esperança – 1820 • Humildade – 2559 • Vigilância – 2730 • Vivência carismática – identidade ao carisma: • Sentido de pertença: é preciso se identificar e sentir-se pertencente ao carisma, sentir-se membro ativo e participativo da comunidade em que se vive. • Colocar em comum os dons que o Senhor lhe confiou para o bem maior: a comunidade. • Viver os dons recebidos no Batismo e confirmados no Crisma. • Leitura orante da Palavra. 5º passo - Simplicidade de coração: O(A) catequista não deve se orgulhar por ser um catequista, ele(a) foi escolhido por Deus para designar essa missão aqui na Terra, antes mesmo de ter nascido (Jr 1,5), ou seja, ser catequista nada mais é do que dizer “sim” ao chamado feito por Deus e corresponder a esse chamado aprendendo com Jesus a ser reto(a) e humilde de coração, aceitando a vontade de Deus e exercendo com humildade a missão a cada um confiada. Pois não se é catequista para si, mas sim porque Deus chamou, escolheu, ungiu e capacitou antes mesmo de ter nascido. Temos que ter sempre isso muito claro nossa missão de profetas anunciadores inclusivos. • “Semelhantemente, vós outros que sois mais jovens, sede submissos aos anciãos. Todos vós, em vosso mútuo tratamento, revesti-vos de humildade; porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes (Pr 3,34).” • “Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos.” (Fil 2,3).
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    51 • “Portanto,como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência.” (Colos 3,12). • “Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar Sua vida em resgate por uma multidão.” (Mt 20,28). • Vivemos em comunidade não para sermos servidos, mas sim para servir aqueles que o Senhor mesmo confiou a nós para vivermos como irmãos. E como servir: • “Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros.” (Jo 13,14) Devemos seguir os ensinamentos deixados por Jesus, como exemplo: • Amar os outros, como a nós mesmos. • Viver o perdão, acolhida e reconciliação em comunidade. • Cuidar dos ambientes para o outro. • Saber escutar. • Falar na hora certa. • Respeitar os espaços do outro, todas as pastorais da paróquia utilizam as salas de encontros em que acontecem os encontros da catequese.
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    CATEQUESE INCLUSIVA 52 Para finalizar este artigo é fundamental que o(a) catequista viva o amor em si, entre os irmãos, na sua própria família, pois é muito fácil e bonito o(a) catequista pregar sobre o amor nos encontros de catequese e dentro de casa e na sua própria família estar em divisão, com falta de perdão e diálogo. O(A) catequista não pode viver desse lema: “Faça o que eu digo, mas não faça o que faço”; muito pelo contrário, deve viver embasada nesta passagem: o Amor de Cristo reuniu para se tornarem uma só coisa um grande número de discípulos a fim de que, como Ele e graças a Ele, no Espírito, pudessem, através dos séculos, responder ao amor do Pai, amando-o “com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças” (Dt 6, 5) e amando o próximo “como a si mesmos” (cf. Mt 22, 39). Catequistas, guardem isto: se cada um de vocês catequistas não estiverem em sintonia entre si, ou seja, vivendo a unidade e a comunhão de ações e pensamentos, e acima de tudo isso a oração, não terá como o Espírito Santo agir na unidade, o Espírito Santo não age na divisão. Pela unidade, a catequese terá mais frutos e vocês catequistas serão vocacionados felizes e comprometidos e compromissados com a causa inclusiva. Para cada um de vocês, Deus deixa a seguinte mensagem no livro de Josué*: 1,7 “Tem ânimo, pois, e sê corajoso para cuidadosamente observares toda a lei que Moisés, meu servo, te prescreveu. Não te afastes dela nem para a direita nem para a esquerda, para que sejas feliz em todas as tuas empresas”. 1,8 “Traze sempre na boca (as palavras) deste livro da lei; medita-o dia e noite, cuidando de fazer tudo o que nele está escrito; assim prosperarás em teus caminhos e serás bem-sucedido.” 1,9 “Isto é uma ordem: sê firme e corajoso. Não te atemorizes, não tenhas medo, porque o Senhor está contigo em qualquer parte para onde fores.” Thaís Rufatto dos Santos Thaís Rufatto dos Santos é Pedagoga, Psicopedagoga, Pós Graduada em Educação Especial, Consultora em Educação Inclusiva. Coordenou a Pastoral da Pessoa com Deficiência, na Diocese de Santo Amaro - SP. É autora de livros voltados à Catequese Inclusiva. Ministra palestras em Paróquias e Dioceses. Contato: thaisrdossantos@gmail.com
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    Nossa equipe temse dedicado bastante para trazer de presente a você uma revista tão caprichada. E o que pedimos em troca? Pedimos apenas que #compartilhe, curta a nossa fanpage e divulgue este trabalho ao máximo de pessoas. E obrigado pela amizade!
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    CATEQUESE PERSONALIZADA 54 ELEMENTOS PARA UMA CATEQUESE PERSONALIZADA O ENCONTRO ENTRE JESUS E ZAQUEU por João Melo
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    Acatequese de inspiraçãocatecumenal não pressupõe que os iniciandos já estejam evangelizados ou que sequer conheçam Jesus, “esse pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado” (Porta Fidei, 2). A catequese que busca responder de forma adequada ao desafio de anunciar a Boa Nova de Jesus nos dias de hoje é consciente de que aqueles que chegam a nós para serem catequizados, sejam adultos, jovens ou crianças, muitas vezes – e cada vez mais – não receberam o primeiro anúncio de Jesus Cristo, portanto, não têm ainda uma adesão à fé Nele como o sentido maior e último de suas vidas. Antes de aprofundar ou educar a fé é preciso primeiro que haja adesão à fé, portanto, ela precisa ser despertada! A fé é um dom de Deus, mas é também uma resposta do homem. Como poderíamos aprofundar por meio da catequese o conteúdo da fé, a doutrina com um iniciando que a fé em Jesus ainda não foi acolhida? Não há como! Precisamos começar pelo que é essencial, o que é mais importante, Jesus Cristo, Filho de Deus que nos ama, veio ao mundo e por Seu mistério de paixão, morte e ressurreição nos salva e oferece a todos aqueles que Nele creem a vida eterna (cf. Jo 3, 16-21). Então, a nossa preocupação precisa ser antes essa: como suscitar em nossos iniciandos a fé em Jesus Cristo? A resposta: anunciando Jesus Cristo! Precisamos ajudá-los a fazerem a experiência pessoal do encontro com o Filho do Deus vivo. No processo catequético de iniciação à vida cristã isso implica em “grande atenção às pessoas, com atendimento personalizado” (Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 201- 2015, 87). Trata-se, portanto de assumir novas práticas pastorais que possam corresponder a essa urgência de iniciar as pessoas a partir do primeiro anúncio de Jesus Cristo morto e ressuscitado à fé e à vida cristã. Tal tarefa se fará por meio do diálogo, da proximidade, da reflexão sobre a experiência de vida, da amizade e do anúncio explícito do Evangelho de forma pessoal e personalizada a cada pessoa inicianda. De fato, todos trazem em si “o desejo e a capacidade de encontro com a Palavra de Deus, que o próprio Espírito Santo suscita” (idem). De modo prático, isso implica em um novo perfil de agente evangelizador, o Ministério dos Introdutores (cf. idem, 42). 55
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    CATEQUESE PERSONALIZADA 56 O Evangelho de São Lucas nos apresenta um episódio em que o cobrador de impostos Zaqueu faz a experiência pessoal de encontro com Cristo. Essa narrativa é baluarte e modelo para nós porque está carregada de elementos para uma catequese personalizada que se preocupa em fazer – ou repetir – o primeiro anúncio aos iniciandos. Nesse texto, precisamos olhar para Jesus Mestre, que é a razão de ser de nossa ação catequética, modelo de catequista e, como veremos, também de introdutor. Os gestos, a palavra e a vida de Jesus são inspiradores da nossa ação pastoral. É Dele que aprendemos a evangelizar e catequizar e é por Ele, para que se torne conhecido e amado e para que Sua proposta de salvação e de adesão ao Reino de Deus seja realidade no hoje e plenitude na vida eterna, que realizamos qualquer ação pastoral. Nesse sentido é que vemos Nele a identidade do introdutor e sua ação catequética. Primeiro, vejamos todo o episódio bíblico em Lucas 19, 1-10. “Jesus entrou em Jericó e estava atravessando a cidade.” (Lucas 19,1) Jericó era uma cidade conhecida, Jesus vai até lá e caminha no meio do povo, pela cidade... é Ele que possibilita o encontro Consigo, criar as condições. A iniciativa é Dele porque o primeiro amor é Dele, que nos amou primeiro e por isso nos atrai a Si (cf. 1 Jo 4,10). É ele a entrar nos lugares que nos encontramos. “Morava ali um homem rico, chamado Zaqueu que era chefe dos cobradores de impostos.” (Lucas 19,2) O evangelista nos narra QUEM era Zaqueu, seu nome, o que fazia (era cobrador de impostos), como era (homem de baixa estatura), onde morava (cidade de Jericó)... E Jesus chama Zaqueu pelo nome, ou seja, Jesus sabe quem ele é, Ele conhece Zaqueu. O chamado do introdutor e do catequista é a conhecer, aproximar-se, ir ao encontro e criar um vínculo de amizade sadia com o iniciando. Saber quem ele é, sua história, suas motivações, e deixar-se conhecer por ele também. “Ele estava tentando ver quem era Jesus, mas não podia, por causa da multidão, pois Zaqueu era muito baixo.” (Lucas 19,3) Como em Zaqueu, há em nós uma sede de VERDADE, um desejo de Deus, pois só Ele confere pleno sentido à vida... Muitas vezes não sabemos direito ou não identificamos isso em nós, mas todo ser humano “buscar ver” algo que faça sentido, que fale ao nosso coração inquieto. Mas há “multidões de ruídos” que atrapalham o encontro com o Cristo, muitos, por isso, são de “baixa estatura” na fé. “Então correu adiante da multidão e subiu numa árvore para ver Jesus, que devia passar por ali.” (Lucas 19,4) O texto diz que Zaqueu CORREU, ou seja, ele fez um percurso, um caminho... A catequese, a iniciação à vida cristã é o caminho a ser percorrido para “ver Jesus”. Como está o caminho que propomos aos nossos iniciandos? Zaqueu subiu em uma árvore para conseguir ver Jesus. A árvore foi o instrumento que para ele foi necessário para deixar de estar “em baixa estatura”, inclusive de fé...
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    57 Nossa catequeseé esse instrumento – árvore – para os nossos iniciandos aproximarem-se de Jesus. A catequese iniciática é instrumento que facilita o encontro pessoal do iniciando com a pessoa de Jesus Cristo, mas ela haverá de prepará-lo para continuar em busca do mesmo Cristo, para o discipulado, para a catequese permanente! Um dia, nosso iniciando “descerá da árvore”, queremos que seja para seguir Jesus... “Quando Jesus chegou àquele lugar, olhou para cima e disse a Zaqueu: ‘Zaqueu, desça depressa, pois hoje preciso ficar na sua casa’.” (Lucas 19, 5) O olhar penetrante de Jesus expressa Seu desejo de estar na casa, na intimidade, na vida de quem O encontra. Jesus diz que PRECISA ficar na casa de Zaqueu, Ele quer estar lá. O exemplo de Jesus nos impulsiona a promover uma catequese personalizada, familiar, no lar, na casa, especialmente por meio do ministério dos introdutores. O ministério dos introdutores é responsável por fazer o primeiro anúncio de Jesus Cristo – o primeiro tempo do itinerário da iniciação à vida cristã. Os introdutores são pessoas que conhecem o iniciando, acompanham e são testemunhas de sua caminhada de fé e desejo de celebrar os sacramentos. Agem como padrinho ou madrinha, mas não precisam necessariamente sê-lo (cf. RICA, 42). São membros das diversas pastorais e movimentos da comunidade que acompanham de forma personalizada a cada um dos iniciandos nessa fase inicial que antecede a catequese. Na maior parte das vezes, esse atendimento personalizado prestado pelos introdutores é feito nas casas dos iniciandos, com hora marcada e no caso das crianças, com a presença da família. “Zaqueu desceu depressa e o recebeu na sua casa, com muita alegria.” (Lucas 19,6) Diante da Palavra de Jesus, Zaqueu tem uma atitude... Acolhe a Palavra e isso lhe traz grande alegria, é a Alegria do Evangelho (cf. Evangelii Gaudium, 1), característica própria do cristão. Como motivar os nossos iniciandos e suas famílias para acolherem a Palavra de Jesus? Como contagiá-los com a alegria de ser cristão? “Todos os que viram isso começaram a resmungar: ‘Este homem foi se hospedar na casa de um pecador!’.” (Lucas 19,7) Muitos não compreendem e por isso reagem de forma negativa. A atitude de Jesus é incompreendida, por muitos não é aceita. A proposta de um processo de catequese de inspiração catecumenal não é fácil. Articular dentro da catequese um processo personalizado e pessoal exige ter a atitude de Jesus que mesmo na incompreensão da comunidade persistiu.
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    CATEQUESE PERSONALIZADA 58 “Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: ‘Escute, Senhor, eu vou dar a metade dos meus bens aos pobres. E, se roubei alguém, vou devolver quatro vezes mais’.” (Lucas 19,8) Zaqueu, que encontrou com Jesus e acolheu Sua Palavra, agora O chama de SENHOR. Jesus ocupa a centralidade da sua vida. O encontro com Jesus possui uma dimensão transformadora, leva à ação. Zaqueu age para o bem e por meio de atitudes concretas. A catequese é educação da fé comprometida com a realidade, gera conversão pessoal e transformação da realidade. “Então Jesus disse: ‘Hoje a salvação entrou nesta casa, pois este homem também é descendente de Abraão’.” (Lucas 19,9) A salvação alcança Zaqueu, que permite ser alcançado. Jesus diz que Zaqueu é filho de Abraão, ou seja, que ele pertence ao povo escolhido, à comunidade dos filhos de Deus. Por meio do processo catequético nossos iniciandos e suas famílias são inseridos em nossa comunidade, cresce neles a consciência de serem também Igreja. Quais os espaços e a acolhida que eles encontram em nossa comunidade? “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar quem está perdido.” (Lucas 19,10) Ser introdutor, ser catequista é cumprir o mandato de Jesus de ir e anunciar a Boa Nova (cf. Mt 28, 19-20), é contribuir para a realização do Reino de Deus. O objetivo da Catequese é fazer discípulos missionários de Jesus Cristo.
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    59 Diretrizes parauma catequese personalizada Abrir-se a ação do Espírito Santo e ao 1 dom da humildade, pois é Jesus que nos atrai a si; Conhecer os iniciandos e sua família, 2 sua realidade, o que pensam, o que fazem, etc.; Anunciar o Evangelho de forma 3 pessoal e particular a partir de uma interação entre fé e vida; Revisar o itinerário ou o tipo de 4 catequese que estamos propondo; Promover uma catequese iniciática que 5 depois se torne discipulado por meio de uma catequese permanente; Instituir o ministério dos introdutores; Perseverar mesmo em meio às 6 7 dificuldades e incompreensões da comunidade; Encorajar uma catequese que seja 8 educação da fé comprometida com a realidade; Articular a catequese de modo que os 9 iniciandos sejam inseridos na comunidade e percebam que pertencem a Igreja; Conscientizar e pautar as ações 10 pastorais a partir do objetivo da catequese que é fazer discípulos missionários de Jesus Cristo. João Melo Seminarista da Arquidiocese de São Paulo. Especialista em Catequese pelo UNISAL-SP e acadêmico do curso de pós-graduação em Ensino Religioso Escolar pelo mesmo instituto. É membro da Comissão Arquidiocesana de Animação Bíblico-Catequética da Arquidiocese de São Paulo.
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    TEATRO NA CATEQUESE60 Arte e vida à luz da Palavra por Erivandra Marques
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    61 Ao catequistaque se lança no Espírito Santo para usar o teatro na propagação do Evangelho nunca faltará fonte de inspiração. A Palavra de Deus é eterno suporte para criar oportunidades cênicas. Um único versículo, ou parte dele, pode ser a origem de uma história bem parecida com a de muitas pessoas! A depender dos intérpretes, os ensinamentos da Palavra podem chegar e se instalar, por meio da encenação, em áreas da vida que, talvez, numa leitura comum do texto bíblico, ainda que meditada, eles não alcançassem. Por que investir no teatro bíblico? Primeiro, porque histórias encenadas dão vida a personagens que são pouco explorados numa leitura comum e, segundo, porque o mundo lá fora investe em teatro secular e teatro satânico. A Palavra de Deus deve nos levar a combater todos os meios de transmissão de mensagem num nível superior de investimento em relação ao mundo, pois o trabalho do catequista-evangelizador é resgatar almas para Deus! Por isso, nada de pensar que teatro na igreja não deve ser feito por exigir muito esforço e dedicação prévios! Isso não deve passar pela cabeça dos que se comprometem com Cristo! Vejamos o que Paulo, que interpretou estar morto (Atos 14, 19-20) – visto que não tinha acabado sua missão, por isso não era hora de morrer – diz na 2ª Carta a Timóteo 4, 2-4: “Prega a palavra, insiste oportuna e inoportunamente, repreende, ameaça, exorta com toda a paciência e empenho em instruir. Porque virá o tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas. Tu, porém, sê prudente em tudo, paciente nos sofrimentos, cumpre a missão de pregador do Evangelho, consagra-te ao teu ministério”. Chegamos ao tempo das fábulas! O que é oportuno? O que é inoportuno? Se é inoportuno investir tempo e dinheiro para dinamizar a transmissão da Palavra de Deus, façamo-lo mesmo assim! As pessoas tendem a seguir as mensagens mais atrativas! Por isso o texto bíblico pode e deve ser trabalhado de forma teatral. O texto sagrado que comumente é esquecido e empoeirado nas estantes é o mesmo que ganha e dá vida, e vida em abundância! Erivandra Marques Catequista de Primeira Comunhão Paróquia Senhor do Bonfim Maceió, AL Ainda é tempo de voltar (Mt 11,28) TOQUE PARA BAIXAR
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    A Globalização numavisão teológica por Márcio Oliveira Elias A globalização é um fenômeno cultural recente, mas sua realidade é bem mais remota, podemos perceber as suas raízes no alvorecer da cultura da razão e da palavra na Antiguidade, emergindo em profusão na explosão das tecnologias da comunicação no mundo contemporâneo. Podemos situar uma via de origem no Extremo Oriente, onde a figura dos pensadores criou um caminho para a reflexão da potencialidade humana, despontado o anseio abrangente do homem. Outra via originária encontramos na Grécia dos filósofos, onde se forjou o logos que penetrou pelos caminhos abertos da razão universal. Estava lançada a semente da incessante busca pelo conhecimento, que formatou nossa cultura ocidental e que gestou a atual globalização. 65
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    TEOLOGIA 66 Ocristianismo, com sua clara vocação universal, chega nos dias atuais aos mais longínquos recantos do planeta, mas a consciência da expansão firma-se, sobretudo, na esfera ocidental, onde sua doutrina de fé lançou mais fundo as suas raízes. A globalização nos tempos modernos está provocando uma nova forma de contato da fé cristã com outras formas culturais e religiosas; esta é a novidade da questão atual. Em tempos de modernidade e pós-modernidade a globalização se manifesta com um paradoxo marcado pela continuidade de alguns valores naturais, como a liberdade, e a ruptura de outros diante da lógica da flexibilidade e da pluralidade, como é o caso do relativismo. Tudo isso se manifesta no estado atual do comportamento humano, nas expressões religiosas e na estética social e cultural. Diante desse contexto, surge a preocupação de formular uma teologia que, seguindo sua lógica da universalidade histórica, deve ser contemporânea e Outra fonte globalizante poderá ser apontada no Oriente Médio, onde os profetas promulgavam a Palavra transcendente de Deus, que também possui cunho universal. “As nações caminharão para a Tua luz, e os reis, para o clarão da Tua aurora”, diz o profeta Isaías (60 1-3). No seguimento dessa proclamação profética, essa mentalidade universal amplia-se pelo mundo, refletindo a consciência de uma comunidade nascente, que recebe de Cristo uma missão: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15). A caminhada histórica foi demonstrando que a cultura ocidental tem interiorizada uma consciência globalizante, em que se situam sonhos e desejos universalistas, bem como uma tendência expansionista nos campos político, econômico e cultural. O mundo torna-se hoje uma “aldeia global”, onde o planeta se apresenta para o homem como um espaço único e privilegiado, dominado pela tecnologia da comunicação em tempo real. Nesse diapasão o Evangelho também deve se propagar em tempo real.
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    relevante, objetivando acompreensão do próprio indivíduo e seu coletivo, visto que a questão de Deus, enquanto uma profissão de fé passa invariavelmente pelas questões essenciais da existência humana. O pensar teológico em tempos globalizantes não pode se colocar à margem das angústias e esperanças do homem. A Revelação se apresenta gratuitamente na história humana; uma história marcada por contradições e ambiguidades, mas que é caminho para o diálogo da teologia com a razão, no círculo hermenêutico do conhecimento e da religiosidade. A fé cristã se reinterpreta num processo interminável, pois cada vez lhe surge um novo encontro com a graça do Mistério. A afirmação evangélica deverá consolidar e aprofundar o diálogo da teologia com as ciências humanas, que já está consolidado desde o Concílio Vaticano II, na constituição pastoral Gaudium et spes, que analisa a situação do mundo, os dramas humanos e os desafios que emergem para a fé cristã, com a finalidade de oferecer uma reflexão teológica em melhores condições de compreender sistemática e rigorosamente o ser humano, no seu atual momento histórico. Temos de ressaltar que a globalização alavanca os fenômenos do relativismo, do nivelamento religioso rasteiro, do sincretismo amalgamado, com sérias consequências para uma abertura da consciência teológica ao diálogo com o mundo. A globalização não é um fluxo da cultura dominante e massificante tão somente, mas também um circular frenético de todo exotismo cultural possível e imaginável, talvez até inimaginável. E assim as mais diversas facções religiosas lançam suas expressões, habitualmente soltas e descoladas, em que cada sujeito as apreende como quer, quando quer e aonde lhe satisfizer individualmente. Alguns fenômenos contemporâneos chamam mais a atenção, porquanto conhecer o mundo moderno demanda a necessidade de uma visão mais 67
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    TEOLOGIA 68 abrangentee profunda, para captar e interpretar os “sinais dos tempos”, em face da exacerbação da subjetividade, do individualismo, em que a crise de identidade pessoal chega às raias do patológico e da insegurança existencial. A aldeia global eliminou distâncias, mas criou abismos com a pasteurização e a perda da memória cultural, gerando pseudovalores, inibindo assim o senso crítico e a criatividade. Os tempos globais nos desafiam a proclamar uma Nova Evangelização, na qual devemos encontrar Jesus na alteridade, apesar de todas as dificuldades que existem, apesar de algumas muitas pessoas não viverem coerentemente sua fé. Mas somos os comunicadores do Cristo, numa sociedade que muitas vezes encontra-se distante de Deus, que não percebe a falta Dele como uma ausência. Nós, portanto, precisamos ser sempre mais capazes e dispostos a nos aproximarmos uns dos outros, para transmitir nossa alegria como primeira experiência que devemos manifestar: a alegria de ter encontrado Jesus. O Evangelho nos pede que sejamos coerentes com o nosso testemunho, apesar das dificuldades, dos nossos limites, das nossas contradições; o que conta, na verdade, é o nosso modo de celebrar a vida e lutar por ela. Nesse sentido a globalização favorece a profusão do testemunho, pois nela ocorre um aumento do intercâmbio cultural de diversos matizes, sendo importante para ampliar a visão de mundo nos indivíduos, que assim podem passar a conhecer e respeitar outras realidades culturais e sociais. A globalização também pode fazer fluir um sentimento de integração, em que muitas pessoas passam a se sentir cidadãs do mundo, numa unidade na diversidade, numa fraternidade possível, no sonho cristão de sermos uma única família. Referências: Por uma nova razão teológica. A teologia na pós-modernidade. Professor Paulo Sérgio Lopes Gonçalves. Globalização e o impacto sobre a fé. Pe. João Batista Libanio, sj. Desafios da globalização. Márcio Oliveira Elias Advogado, Teólogo e Professor. Atua na formação permanente de agentes pastorais e fiéis leigos na Diocese de Cachoeiro de Itapemirim/ ES, sendo coordenador do Instituto de Ciências Humanas Evangelii Gaudium, instituição formativa de denominação católica, que tem por objetivo precípuo produzir e difundir o conhecimento da Doutrina Cristã.
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    MATÉRIA DE CAPA70 coração
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    71 de TOQUE NO CORAÇÃO CONHEÇO UM CORAÇÃO PADRE JOÃOZINHO CATEQUISTA por Moacir Beggo
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    MATÉRIA DE CAPA72 Agosto é celebrado na Igreja como mês vocacional por excelência. A palavra vocação vem do latim vocare, que quer dizer chamado, ou, na melhor definição bíblica, “Antes de formar-te no ventre de tua mãe Eu te conhecia e te escolhi” (Jr 1,5). A esse chamado vemos sacerdotes, religiosas e religiosos, pais e mães, leigos, leigas e catequistas respondendo com alegria. Fazem de suas vidas oferta, oblação e entrega. De forma especial, destacamos nesta edição especial os catequistas, que são lembrados no último domingo de agosto de 2014. Para o Papa Francisco, o ser catequista não vive separado do amor. “Amor sempre mais forte por Cristo, amor pelo seu povo santo. E este amor, necessariamente, parte de Cristo.” Durante a Jornada dos Catequistas, em setembro do ano passado, o Papa explicou como age o coração do catequista. Segundo Francisco, ele vive sempre o movimento de “sístole-diástole”: união com Jesus, encontro com o outro. “Se falta um destes dois movimentos não bate mais, não vive. Recebe como dom o querigma, e por sua vez o oferece como dom. É esta a natureza do próprio querigma: é um dom que gera missão, que impulsiona sempre para fora de si mesmo. São Paulo dizia: ‘O amor de Cristo nos impulsiona’, mas este ‘nos impulsiona’, pode se traduzir também em ‘nos possui’. É assim: o amor te atrai e te envia, te toma e te doa aos outros. Nesta tensão se move o coração do cristão, em particular o coração do catequista”, disse o Papa.
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    73 Na raizda palavra, catequizar, catá-ekhéi, em seu sentido original, significa “fazer ressoar aos ouvidos”; no Segundo Testamento podemos afirmar que catequese significa formar, instruir, ensinar de viva voz. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, “a finalidade definitiva da catequese é levar à comunhão com Jesus Cristo: só ele pode conduzir ao amor do Pai no Espírito e fazer-nos participar da vida da Santíssima Trindade”. No parágrafo 427 do Catecismo, a definição de catequese e catequista: “Na catequese, é Cristo, Verbo Encarnado e Filho de Deus, que é ensinado – todo o resto está em relação com Ele; e somente Cristo ensina; todo outro que ensine, fá-lo na medida em que é seu porta-voz, permitindo a Cristo ensinar por sua boca... Todo catequista deveria poder aplicar a si mesmo a misteriosa palavra de Jesus: ‘Minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou’ (Jo 7,16)”. Ser catequista... TOQUE NOS CORAÇÕES PARA LER OS DEPOIMENTOS
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    MATÉRIA DE CAPA74 Coração acelerado Mas como anda o coração do catequista diante dos desafios de nossa sociedade atual? Segundo Angela Maria Leal Rocha, formadora de catequistas com especialização em catequética pela Faculdade Vicentina de Curitiba- PR, hoje o evangelizador, como os primeiros apóstolos, se vê num mundo aparentemente hostil, mas cheio da “necessidade” de fé, de transcendência. “As pessoas andam perdidas pelo caminho, e a Palavra é entendida como resposta para tudo, só que no mundo de hoje, precisamos pensar o Evangelho como ‘pergunta’. Temos nos dedicado demais a dar respostas a perguntas que ninguém faz; o Papa Francisco, na Evangelii Gaudium, afirma isso. O ser humano precisa ‘se perguntar’ mais: A que veio? Qual é sua missão aqui? O que se espera dele?”, interpela Angela, da Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, de Londrina. Catequista por nove anos e agente da Pascom, Angela conta que leu recentemente uma entrevista em que o Pe. Antonio Spadaro pergunta: “O homem de hoje tem necessidade de perguntas. A Igreja sabe envolver-se com as dúvidas e as perguntas dos homens? Sabe despertar as perguntas que estão no coração deles sobre a existência?”. “Sem que o catequista entre em diálogo com o catequizando, compreenda suas expectativas e suas esperanças, entenda suas motivações e conheça o contexto em que ele vive, não há evangelização. E aqui eu falo de um catequizando com maturidade para entender os aspectos da fé, não de crianças”, acredita a formadora. E Angela é enfática: “Penso que o maior desafio, hoje, para a catequese ainda é deixar o ‘conteúdo’ de lado e partir para o ‘relacionamento’. Deixar de pensar no sacramento como ‘fim’ e fazê-lo acontecer como ‘etapa’ na caminhada de conversão e seguimento. O catequista de hoje precisa pensar em evangelizar o adulto muito mais do que a criança. Ela não é mais educada na infância pelo testemunho dos pais, já não vivemos mais um cristianismo de ‘berço’; existe pluralidade religiosa dentro até de uma mesma família”.
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    75 Frei DjalmoFuck, pároco na Igreja São Francisco de Assis da Vila Clementino, em São Paulo, defendeu o tema “Catequese com adultos: processo de iniciação e aprofundamento permanente da fé” na conclusão do seu curso de teologia. Para ele, não basta transmitir a doutrina. “O catequista precisa dialogar obrigatoriamente com o coração das pessoas!”, decreta, pedindo uma formação continuada e permanente de nossos catequistas: “Formação não apenas teórica, doutrinária, mas prática: como interagir e dialogar com nossos catequizandos?”. Segundo Frei Djalmo, precisamos rever ainda a metodologia, aproveitar as mídias modernas para transmissão da fé. Para ele, um segundo grande desafio é envolver os pais, a família, no processo “O catequista precisa dialogar obrigatoriamente com o coração das pessoas!” Frei Djalmo Fuck catequético. “Os pais são os primeiros catequistas de seus filhos. Não podemos terceirizar ou delegar esta missão tão somente para os catequistas e a Igreja. A catequese começa dentro de casa!”, reforçou. Por último, e maior desafio, transformar a mentalidade de que catequese é “coisa para criança”. “Historicamente identificamos a catequese como atividade quase que exclusiva de crianças, mas hoje entendemos e compreendemos que catequese é um processo de iniciação permanente da fé e deste processo fazemos parte todos nós! Estamos continuamente fazendo iniciação na fé, a catequese não termina com celebração dos sacramentos da iniciação cristã”, explicou.
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    MATÉRIA DE CAPA76 O catequista não é só aquele que ensina, mas que aprende junto, aperfeiçoa, cresce, está junto, coordenando, orientando, mostrando pistas, caminhos. Para que ele possa fazer isso é preciso que antes esteja disposto a formar-se, a orientar-se, a ler, estudar, preparar-se a fim de que esteja em comunhão perfeita com o Evangelho e com os ensinamentos da Igreja. “Além de formação, o catequista precisa testemunhar aquilo que fala, ser pessoa de oração, escuta da Palavra e prática da caridade. Só através do testemunho e exemplo é que as pessoas podem conhecer a Jesus por meio dele, levando a um verdadeiro processo de conversão pessoal contínua e daqueles que estão ao seu redor”, acredita Cristy Rose de Azevedo, coordenadora da catequese na Paróquia São Francisco de Assis da Vila Clementino. Para Marta Núbia de Moura Candeias, oito anos como catequista na Paróquia Nossa Senhora de Fátima do Imirim (SP), a catequese fala realmente ao coração das pessoas com “fé autêntica, práticas espirituais e vida de testemunho”. “É preciso ser testemunha da vida em Jesus Cristo e assumir a dinâmica da vida em comunidade. Não existem dificuldades: assumindo a vida cristã com convicção, e respeitando os limites da sociedade, pode-se levar o Cristo às pessoas mesmo nas realidades fragmentadas do nosso mundo”, acredita. Para a catequista Karen Cristina Riola Batista, pioneira na catequese da Comunidade São Paulo da Paróquia Santo Antônio de Indaiatuba-SP há cerca de seis anos, a catequese deve ser acolhedora e Coração pleno Quem é o catequista? TOQUE NOS CORAÇÕES PARA LER OS DEPOIMENTOS
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    77 estar sempreatenta à necessidade das pessoas. “As pessoas buscam carinho, atenção, esperança, opinião, explicações... e sacramentos. Com muita luz do Espírito Santo, precisamos corresponder a essas expectativas com amor e dedicação”. Mesmo neste mundo plural e fragmentado é possível transmitir valores humanos e cristãos porque o catequista tem como exemplo Cristo. “Ele é um grande catequista e nos mostra caminhos para vivenciar o amor e a fraternidade”, diz a guerreira Karen, em luta contra um desafio maior: a doença lúpus, que a obriga a extenuantes sessões de quimioterapia. Para Angela Rocha, não há outra palavra que melhor defina como educar para “Não vamos transmitir valores e nem ‘ensinar’ a amar sem amarmos aqueles que nos são confiados” Angela Rocha o amor: relacionamentos. “Precisamos conhecer e entender as pessoas e nos tornarmos mais ‘disponíveis’ a elas. Não vamos transmitir valores e nem ‘ensinar’ a amar sem amarmos aqueles que nos são confiados. E não apenas a eles como seres independentes. Eles vêm de uma família que precisa ser conhecida, entendida e amada. Apesar de sermos tão plurais em nossas crenças, atitudes e valores, somos seres oriundos de um mesmo Criador e temos as mesmas necessidades: amor, reconhecimento, atenção e aceitação das nossas diferenças e erros”, acredita ela, que tem um blog sobre catequese: “Temos agora o desafio de evangelizar na era da cultura digital. Nesse sentido, o mundo pede uma Nova Evangelização”.
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    MATÉRIA DE CAPA78 Por uma catequese humana e humanizadora A catequese a partir das idades O Padre Jordélio Siles Ledo, pároco da igreja Sagrada Família em São Caetano do Sul-SP, é hoje um referencial no Brasil quando o assunto é catequese. Desde que se ordenou presbítero em 2002, este religioso estigmatino tem se dedicado à formação catequética e, aos 38 anos, tem um sonho: “O dia em que a Igreja, com as nossas paróquias e comunidades, conseguir atingir todas as fases da vida de uma pessoa, nós completaremos o ciclo de acompanhamento da fé”, espera. O desafio é grande, mas Pe. Jordélio insiste numa catequese permanente, que deve acompanhar a pessoa ao longo da vida: “Hoje, nós focamos só a criança e depois se esquece dela e só vai atendê-la lá no fim da vida. Então, a ideia é pensar uma catequese evangelizadora que atinja todas as fases, todas as etapas”. Pensando nisso, Pe. Jordélio Siles Ledo e Pe. Eduardo Calandro lançaram, pela Paulus, Psicopedagogia catequética – reflexões e vivências para a catequese conforme as idades, em quatro volumes, para ajudar os catequistas na adequação dos conteúdos da catequese para a linguagem da criança, do adulto, do idoso, etc. Segundo Pe. Jordélio, esse trabalho de formação não tem nenhuma novidade, mas nasceu a partir do Diretório Nacional e do Diretório Geral de Catequese, que coloca a ideia da catequese conforme as idades. “Pesquisamos mais de 700 obras para fazer esse trabalho. Ele é fruto de uma experiência de quase dez anos dentro de salas de aula na área de pedagogia catequética e de assessorias andando pelo país afora”, explica o sacerdote, dando o seguinte diagnóstico: nossa catequese foi muito fragmentada e viveu em busca apenas dos sacramentos. “Funcionou e respondeu a uma realidade de Igreja numa época, mas que hoje precisamos repensar esse método, esses conceitos”, acredita. Segundo o religioso, caracterizar a situação existencial, bem como compreender o desenvolvimento da criança, é o objetivo dessa obra. “A catequese é essencialmente educação da
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    fé; no entanto,para que a mensagem de Jesus Cristo seja anunciada e acolhida pelos catequizandos, é necessário que esta seja adaptada à sua capacidade de compreensão e assimilação”, observa Pe. Jordélio, que trabalha com uma abordagem que vem do psicodrama, da psicologia e da psicopedagogia. Pe. Jordélio fez mestrado em teologia pastoral com pesquisa na área de catequese e é especialista em pedagogia catequética e coordenador da Comissão de Animação Bíblico-catequética da Diocese de Santo André-SP. Para ele, muitas dioceses têm investido na formação de catequistas, mas também muitas deixam a desejar. “O que observamos é que há regiões no país em que o catequista é aquele que vai à Missa e o padre chama para ser catequista, sem ter um mínimo de formação. Essas situações estão muito presentes porque é uma prática que sempre foi assim”, avalia o formador. Segundo Pe. Jordélio, o desafio é gerar consciência e colocar o catequista numa escola catequética, num itinerário de formação. “Nós queremos fazer com que o catequista entenda, assimile a ideia de que ele é um educador. Ele é um pedagogo, um mistagogo. Hoje, trabalhamos muito essa ideia da catequese como itinerário mistagógico, que é centrada no mistério de Cristo, para viver e celebrar esse mistério. E aí há necessidade de uma catequese mais vivencial, uma catequese da experiência, uma catequese que caminhe com as pessoas, que atinja seus corações e não fique só no universo de transmissão de conteúdo para os sacramentos”, enfatiza. Para ele, falta na formação do catequista a dimensão humana. “Acredito que para a nossa a catequese ser boa ela precisa ser humanizante e humanizadora. Foi o que o Papa falou naquele encontro aos catequistas no ano passado. Uma das coisas que ele dizia é justamente que o catequista precisa ‘sair de si’. Tanto é que ele citou aquela frase que todo mundo refletiu bastante: ‘Prefiro mil vezes uma Igreja que se acidente, que corra riscos...’. A educação da fé precisa correr riscos, precisa se acidentar. Nós precisamos nos abrir mais ao diálogo com o outro. Por isso é importante dar esse embasamento teórico, metodológico, psicopedagógico ao catequista, para que ele tenha um diálogo sereno com uma criança, com o adulto, com o jovem, com o idoso”, ensina. Ainda que vivamos num país com realidades diferentes e gigante na sua extensão territorial, Pe. Jordélio não vê outro caminho: “São desafios que nós temos. É preciso que a Igreja assuma isso como causa. Temos mais de 800 mil catequistas no país que precisam de cuidado, de atenção, porque eles são os responsáveis diretos, muitas vezes, de transmitir a fé cristã católica a uma criança ou jovem”. “Nós, padres, temos que valorizar mais o catequista, criar em nossas comunidades espaços que nossos catequistas se sintam acolhidos, respeitados e amados. Um centro catequético, uma biblioteca, etc.”, completa. Ele, contudo, não precisa fazer esse mea culpa, pois há três anos se debruça sobre um projeto inovador na sua Paróquia: o Museu Sagrada Família: Catequese e Arte, um espaço de diálogo entre educação da fé e arte. 79
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    MATÉRIA DE CAPA80 A catequese e as mídias sociais Pe. Jordélio não tem dúvida de que as novas mídias sociais podem ser um instrumento a mais na evangelização. “Hoje mais do que nunca nós temos necessidade de difundir nosso pensamento. A Igreja não pode ficar retraída diante de tantas mudanças. Às vezes, ficamos assustados com tanta tecnologia. Mas temos um tesouro para ser transmitido e não podemos deixar isso se perder”, acredita. Ele lembrou que o próprio Papa Francisco, no Congresso de Catequese, perguntava: “Quem são hoje as testemunhas vivas de que Jesus existe?” E o Papa disse: somos nós que estamos aqui. “Se nós temos na Igreja, a história, a tradição que nos diz que ele existiu e que muita gente professou a fé, nesse mundo, nesse momento, somos os responsáveis diretos em manter essa fé viva e dizer que Cristo existe. Temos esse desafio e as mídias, todas elas, podem contribuir”, avalia. Pe Jordélio, contudo, lembra que devem existir alguns critérios de avaliação de conteúdo. “Nem tudo que se escreve pode se mandar para o Facebook, para o Twitter, etc. Pode ser que, às vezes, em vez de ajudar, acabe atrapalhando a catequese, ao divulgar um conceito, uma doutrina errada, ou uma interpretação que não é a real. Precisamos meio que purificar as coisas, estudar mais, refletir um pouco mais antes de fazer algumas publicações”, pondera. Ele ainda faz um alerta: “A criança não tem amigos de convívio. Ela tem cinco mil amigos virtuais e nenhum real. Isso para uma catequese, para uma vivência comunitária, solidária, não é saudável. Nós precisamos dessas experiências. E hoje as novas mídias têm tem tirado isso das pessoas”, lamenta. Para o religioso, o desafio é buscar o equilíbrio. “Ter um pé atrás com as mídias porque nem tudo presta, nem tudo é o melhor caminho. Muitas vezes é atingir o consumidor, não necessariamente formar, educar. Então, é preciso avaliar. Não se deve esquivar, mas utilizar com critérios”, ensina.
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    81 Novo museuune catequese e arte sacra Há três anos, o Pe. Jordélio se perguntava: como podemos criar um espaço museológico que contribua na formação do catequista e que seja também um espaço da fé cristã, que agregue valor, que traga a pessoa para a reflexão? A resposta poderá se concretizar no final deste ano ou começo do ano que vem, quando será inaugurado o primeiro Museu de Arte Sacra e Catequese. O projeto está sendo erguido junto à tradicional Igreja Matriz Sagrada Família, localizada na Praça Cardeal Arcoverde, em São Caetano do Sul-SP. “Estamos aproveitando alguns espaços que estavam ociosos e criando um ambiente que os catequistas, tanto de nossa Diocese como de todo o país, possam frequentar e refletir sobre a importância da arte na educação da fé. Como é que a arte, ao longo da história, contribuiu para educar a fé das pessoas e de tantas gerações? Pensamos numa catequese mais lúdica, que leve ao encontro da beleza expressa na arte, uma beleza que fala do próprio Cristo. Um espaço que pense até o catequista como artista, porque a arte de evangelizar exige muito de nós. Um espaço que estimule essa criatividade, estimule a espontaneidade e que leva à dimensão orante do catequista”, adianta o criador. Dos 2.000 m² do projeto, uma parte será de restauração da antiga residência dos padres e uma parte de cerca de 20% está em construção ao lado da Matriz. É, segundo Pe. Jordélio, por onde o visitante
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    MATÉRIA DE CAPA82 entrará para conhecer o acervo por meio de passarela que fará a ligação da edificação com a parte antiga. Na recepção do museu será construída a Capela Sagrados Estigmas e depois o visitante poderá contemplar exposições em três salões. Pe. Jordélio explica que a igreja não possui um acervo permanente. “A ideia é criar galerias que se abrem para exposições rotativas. Trazer esse dinamismo, em que o artista, o catequista, pode trazer uma exposição dentro dessa linha de pensamento e criar um diálogo. Por exemplo, nós estamos pesquisando o rosto de Jesus ao longo da história. Como isso contribuiu na educação da fé, na formação das pessoas? Que imagem de Deus se passou pela arte?”, explica o pároco. Hoje, a Sagrada Família está classificada como ponto de interesse histórico e cultural do município, segundo o Padre Jordélio Siles Ledo. Não é só a arquitetura que chama a atenção, mas também as pinturas sacras assinadas pelos irmãos Gentili em 1943. “Minha pergunta era como aproveitar esse espaço que nós temos com suas pinturas na reflexão da fé cristã. Como atingir esse homem, essa mulher contemporâneos que, muitas vezes, afastaram-se desse espaço sacro?”, pergunta o religioso. Na cúpula do altar-mor, Pedro Gentili desenhou Jesus Cristo e um cordeiro imolado. A cidade foi estilizada ao fundo. Na sequência, fez 14 cenas da caminhada de Cristo ao calvário. Segundo o pároco da Sagrada Família, a construção do Museu está sendo feita com doações dos paroquianos e de algumas empresas.
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    Livros publicados peloPe. Jordélio Querigma com adolescentes e jovens – vol. I Este livro sobre o querigma tem como objetivo possibilitar aos adolescentes e jovens o encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo e despertar para o seu seguimento. Catequese com adolescentes e jovens – vol. II catequista Este livro foi elaborado para adolescentes e jovens que estão no itinerário da catequese e neste processo receberão o sacramento do Crisma. Catequese com adolescentes e jovens – vol. II catequizando Um guia de formação e celebrações de “inspiração catecumenal”. Os três subsídios foram elaborados pela Associação dos Fiéis do Centro de Formação Permanente (CEFOPE) da Diocese de Santo André-SP. Roteiro de formação com catequistas – o saber e o saber fazer a catequese – Pe. Jordélio e Pe. Eduardo “Trabalhamos esse texto pela Editora Vozes, que é a questão da pedagogia catequética. O catequista precisa estudar a pedagogia da Igreja, a pedagogia de Jesus, a pedagogia de Deus, entender o planejamento catequético”, diz Pe. Jordélio. Psicopedagogia catequética – reflexões e vivências para a catequese conforme as idades (vol. 1 – Criança; vol. 2 – Adolescentes e jovens; vol. 3 – Adultos; vol. 4 – Pessoas idosas). Pe. Jordélio e Pe. Eduardo, Editora Paulus. 83
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    MATÉRIA DE CAPA84 Dez dicas para tornar a catequese mais evangelizadora 1 Anuncie e testemunhe explicitamente a Pessoa de Jesus Cristo; 2 Proporcione e facilite aos catequistas e catequizandos o encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo. 3 Invista na formação dos catequistas a fim de construir uma catequese dinâmica e atualizada à luz da pedagogia de Jesus. 4 Leve o grupo de catequese a uma profunda e verdadeira experiência de conversão a Jesus Cristo. 5 Incentive a vivência comunitária despertando em todos para a prática do amor fraterno. 6 Fortaleça o vínculo do grupo de catequese como equipe a serviço da construção de uma sociedade justa e solidária. 7 Aprofunde o primeiro anúncio do Evangelho: levar o catequizando a conhecer, acolher, celebrar e vivenciar o mistério de Deus, manifestado em Jesus Cristo, que nos revela o Pai e nos envia o Espírito Santo. 8 Introduza uma justa compreensão da Bíblia e à sua leitura frutuosa que permita descobrir a verdade divina que ela contém e que suscite uma resposta, a mais generosa possível, à mensagem que Deus dirige por Sua Palavra à humanidade. «A fecundidade da catequese depende do valor da hermenêutica empregada.» 9 Dinamize a catequese como itinerário de crescimento e amadurecimento na fé, esperança e caridade. 10 Intensifique a catequese com adultos; alerta para um maior zelo nesta importante ação evangelizadora. Por Pe. Paulo Gil É pedagogo e especialista em psicopedagogia, coordenador da Dimensão Bíblico-Catequética do Regional Sul I, coordenador de pastoral e assessor da Região Santana da Escola de Catequistas.
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    85 Aos catequistase às catequistas nossos parabéns pelo seu dia e também votos de que continuem firmes na missão! catequista sou catequista
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    O CATECISMO RESPONDE87 O desejo de Deus 30. «Exulte o coração dos que procuram o Senhor» (Sl 105, 3). Se o homem pode esquecer ou rejeitar Deus, Deus é que nunca deixa de chamar todo o homem a que O procure, para que encontre a vida e a felicidade. Mas esta busca exige do homem todo o esforço da sua inteligência, a rectidão da sua vontade, «um coração recto», e também o testemunho de outros que o ensinam a procurar Deus. És grande, Senhor, e altamente louvável; grande é o teu poder e a tua sabedoria é sem medida. E o homem, pequena parcela da tua criação, pretende louvar-Te – precisamente ele que, revestido da sua condição mortal, traz em si o testemunho do seu pecado, o testemunho de que Tu resistes aos soberbos. Apesar de tudo, o homem, pequena parcela da tua criação, quer louvar-Te. Tu próprio a isso o incitas, fazendo com que ele encontre as suas delícias no teu louvor, porque nos fizeste para Ti e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em Ti (7). Como falar de Deus? 39. Ao defender a capacidade da razão humana para conhecer Deus, a Igreja exprime a sua confiança na possibilidade de falar de Deus a todos os homens e com todos os homens. Esta convicção está na base do seu diálogo com as outras religiões, com a filosofia e as ciências, e também com os descrentes e os ateus. A vida do homem – conhecer e amar a Deus 3. Aqueles que, com a ajuda de Deus, aceitaram o convite de Cristo e livremente Lhe responderam, foram por sua vez impelidos, pelo amor do mesmo Cristo, a anunciar por toda a parte a Boa-Nova. Este tesouro, recebido dos Apóstolos, foi fielmente guardado pelos seus sucessores. Todos os fiéis de Cristo são chamados a transmiti-lo de geração em geração, anunciando a fé, vivendo-a em partilha fraterna e celebrando-a na liturgia e na oração (1).
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    89 O queé família para o Papa Francisco O Papa Francisco enviou uma mensagem aos participantes do 1º Congresso Latino-Americano de Pastoral Familiar, realizado de 4 a 9 de agosto, no Panamá. O evento, intitulado “Família e desenvolvimento social para a vida plena” foi organizado pelo departamento Família, Vida e Juventude, do CELAM.
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    PAPA FRANCISCO 90 O Papa afirma que “a família é um ‘centro de amor’, onde reina a lei do respeito e da comunhão, capaz de resistir aos ataques da manipulação e da dominação dos ‘centros de poder’ mundanos”. A família é o refúgio dos seus membros: “Na casa familiar, a pessoa se integra natural e harmonicamente em um grupo humano, superando a falsa oposição entre indivíduo e sociedade. No seio da família, ninguém é descartado: tanto o idoso como a criança são bem vindos. A cultura do encontro e o diálogo, a abertura à solidariedade e à transcendência têm nela o seu berço”. O Papa Francisco também disse que a família é uma grande riqueza social, citando o Papa Emérito Bento XVI. Além disso, sublinhou que a família oferece à sociedade dois elementos importantes: a estabilidade e a fecundidade. O núcleo familiar é uma escola de amor fiel e duradouro: “As relações baseadas no amor fiel, até a morte, como o matrimônio, a paternidade, a filiação ou a irmandade, aprendem-se e se vivem no núcleo familiar.” As relações familiares formam o tecido da sociedade: “Quando estas relações formam o tecido básico de uma sociedade humana, dão-lhe coesão e consistência. Pois não é possível formar parte de um povo, sentir-se próximo, ter em conta os mais distantes e desfavorecidos, se no coração do homem estão quebradas estas relações básicas, que lhes oferecem segurança em sua abertura aos demais” escreveu o Papa. O Pontífice também destacou a família constrói um mundo novo na fecundidade e no amor, pois “o amor familiar é fecundo, e não somente porque gera novas vidas, mas porque amplia o horizonte da existência, gera um mundo novo; faz-nos acreditar, contra toda desesperança e derrotismo, que uma convivência baseada no respeito e na confiança é possível”. O amor da família é a receita do Papa Francisco contra o materialismo: “Frente a uma visão materialista do mundo, a família não reduz o homem ao estéril utilitarismo, mas dá canal aos seus desejos mais profundos”. O Santo Padre garantiu que o amor familiar faz a pessoa crescer em sua abertura a Deus como Pai. Neste sentido, citando o Documento de Aparecida, convidou a não ver a família somente como objeto de evangelização, mas também como agente evangelizador. O que é a família? O amor nos aproxima de Deus
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    As palavras importantes na família: “obrigado”, “por favor”, 91 São João Paulo II, a “perdão” vida de um papa Santo “Conscientes de que o amor familiar enobrece tudo o que o homem faz, dando-lhe um valor agregado, é importante incentivar as famílias a cultivarem relações sadias entre seus membros, como dizer uns aos outros “perdão”, obrigada”, “por favor”, e a se dirigir a Deus com o belo nome de Pai”, acrescentou o Papa, em sua mensagem. O Pontífice concluiu felicitando os organizadores pela iniciativa “a favor de um valor tão querido e importante hoje em nossos povos”. E pediu a bênção de Nossa Senhora de Guadalupe para os lares da América. Por Ary Waldir Ramos Díaz “Nela se reflete a imagem de Deus que em seu mistério mais profundo é uma família e, deste modo, permite ver o amor humano como sinal e presença do amor divino (Lumen fidei, 52). Na família, a fé se mescla com o leite materno”, afirmou. E completou: “Por exemplo, esse sincero e espontâneo gesto de pedir a benção, que se conserva em muitos de nossos povos, reflete perfeitamente a convicção de que a benção de Deus se transmite de pais para filhos”.
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    A VOZ DAIGREJA 92 O ESPÍRITO DOS EVANGELIZADORES “Enviai o vosso Espírito e renovai a face da terra” – assim a Igreja suplica a Deus, confiante na força vivificadora e na ação renovadora do Espírito de Deus. Animada pela força do Espírito de Deus, a Igreja atravessou 20 séculos de história, apesar das dificuldades e fraquezas humanas, que não foram poucas... Mas a ação do divino Consolador, do Advogado e Defensor, do Conselheiro, do Sopro vivificante e da Divina Unção confortou sempre de novo a Igreja de Cristo, mostrou-lhe as decisões a tomar e o caminho a seguir; deu discernimento aos pastores, constância e virtude aos santos, coragem aos mártires, alegria e esperança ao povo de Deus no caminho do Evangelho.
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    93 No momentoatual da história, a Igreja procura confrontar-se, de maneira renovada, com sua identidade e missão. De muitos modos, somos chamados a viver a alegria da fé numa renovada autenticidade de vida cristã e no zelo pela transmissão da fé. De onde podemos receber a capacidade para fazê-lo senão do próprio Senhor da Igreja, que concede o Seu Espírito Santo em abundância a quem O invoca?! No último capítulo de sua exortação apostólica sobre A Alegria do Evangelho (Evangelii Gaudium), o Papa Francisco observa que a Igreja precisa de “evangelizadores com espírito”, abertos à ação do Espírito Santo, que faz reconhecer as maravilhas de Deus e infunde a alegria da salvação; o Espírito Santo faz perder o medo e desperta corajosas e dedicadas testemunhas de Jesus Cristo. É ainda o Espírito Santo que move interiormente, dá coragem e incentiva para a ação pessoal e comunitária (cf. nº 261). Uma evangelização nova depende de evangelizadores novos, animados pela força do Espírito de Cristo, cheios do “fogo” do Espírito, que os consome de amor a Deus e aos irmãos. O Espírito Santo é a alma da Igreja; sem Ele, o ardor missionário esfria e a chama da fé se apaga. Diz ainda o Papa na mesma Exortação Apostólica: “Para manter vivo o ardor missionário, é necessária uma decidida confiança no Espírito Santo, porque Ele ‘vem em socorro de nossa fraqueza’ (Rm 8,26). Ele pode curar tudo o que nos faz esmorecer no compromisso missionário” (nº 280). Portanto, “Continuemos indo em frente, empenhemo-nos totalmente, mas deixemos que seja Ele a tornar fecundos os nossos esforços, como melhor Lhe parecer” (nº 279). No domingo de Pentecostes, pedimos que Deus realize “ainda hoje, mediante seu Espírito, as maravilhas que realizou no início da pregação do Evangelho” (Oração do Dia). Planejamentos e programas pastorais, com métodos apropriados para a sua implementação, são necessários. Mas não são eles que garantem o fruto da evangelização: este é obra da graça do Espírito Santo e dos corações que se abrem à Sua ação, com liberdade e generosidade. E de evangelizadores animados pelo Espírito Santo e dóceis a Ele. Cardeal Odilo Pedro Scherer Arcebispo de São Paulo
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    “Esqueçam os seussonhos, crianças”: acredite ou não, esta é uma das principais mensagens que a Pixar quer transmitir aos seus filhos em seu filme mais recente, Universidade Monstros. E, analisando isso em seu contexto apropriado, eu não vejo nenhum problema – mas suponho que eu deveria explicar por quê. A última vez que vimos Mike e Sully, no final de Monstros S.A., a dupla conseguiu resolver a crise de energia de seu mundo por meio da descoberta de que o riso das crianças gera mais energia do que seus gritos de terror. E pelo que sabemos, Sully e Mike ainda estão felizes trabalhando na Monstros S.A., fazendo com que as crianças rachem de rir todas as noites. Isso porque Universidade Monstros não é sobre o que Mike e Sully fazem depois, mas sobre o que fizeram na faculdade antes de se tornar os amigos que nós conhecemos e amamos hoje. O filme começa com um breve prólogo em que o jovem Mike visita a Monstros S.A. como parte de uma viagem de campo do ensino fundamental e fica encantado com a ideia de se tornar um “assustador”, um dos poucos monstros da elite com talento para assustar adequadamente as crianças. Para ajudar a alcançar esse sonho, assim que ele completa a idade necessária, Mike se matricula na Universidade Monstros, a melhor instituição de formação para monstros na arte do susto. Para frustração de Mike, no entanto, ele descobre que há duas coisas que estão no caminho do seu sucesso na faculdade. 95
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    CATECINE 96 Umadelas é que não importa o quanto ele se destaque em seus estudos, pois será constantemente ofuscado por um tal de Sully. A outra é o simples fato de que, embora ele mesmo não perceba, Mike não é assustador de jeito nenhum. Nem mesmo um pouquinho. É durante uma acalorada discussão sobre este último detalhe que Mike e Sully conseguem atrair a ira do reitor da escola, que elimina ambos do programa de assustadores. Mike faz um acordo com o reitor segundo o qual, se ele ganhar a competição anual de susto da escola, permanecerá no programa. Mas, como a competição é realizada em grupos, Mike busca apoio em uma fraternidade, unindo-se à Oozma Kappa, a pior casa do campus (a única que poderia aceitá-lo, claro). Essa fraternidade de monstros consiste de um grupo agradável de perdedores. Infelizmente, mesmo com todos os seus novos irmãos da fraternidade, Mike ainda é um monstro fraco, então ele aceita relutantemente Sully na equipe, a fim de se qualificar para competir. Nenhum dos dois está feliz com a ideia de ter de trabalhar juntos, mas ambos entendem que esta é sua única chance. É neste ponto que Universidade Monstros entra em território muito familiar para quem cresceu assistindo aos clássicos da comédia dos anos 1980, como Animal house, Up the creek e A vingança dos nerds. Mas Universidade Monstro agradavelmente se desvia do padrão quando a competição termina, mas o filme, não. É nesses múltiplos finais que o tema subjacente de Universidade Monstros chega à superfície e, como em muitas outras produções da Pixar, é surpreendentemente maduro para um filme comercializado para crianças. Enquanto outros filmes sugeririam preguiçosamente a mensagem “seja você mesmo” e, em seguida, tocariam uma música pop, Universidade Monstros mostra Mike descobrindo que seus desejos e sua verdadeira vocação podem não ser a mesma coisa. Esta é uma luta familiar para muitos cristãos. Como acontece com muitos de nós, um dia você percebe que o que você imaginou que faria no resto de sua vida não vai acontecer, porque Deus tem outros planos. E, como Mike, muitas vezes demoramos para aceitar essa realidade. Afinal de contas, são os nossos sonhos – e devemos saber o que é melhor para nós, certo? Mas, com um pouco de oração e paciência, e um pouco mais de oração e discernimento, e ainda mais oração e uma útil direção espiritual, e talvez apenas um pouco mais de oração (a oração é importante, caso eu tenha me esquecido de mencionar isso), nós finalmente compreendemos o que Deus quer que sejamos. Nós encontramos nossa verdadeira vocação. Mike demora muito tempo para perceber isso – não apenas para perceber que ele nunca vai ser o assustador astro que imaginou, mas para entender que ele pode ser muito importante e necessário para
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    97 os outrosmonstros em sua vida, de outra maneira. E quando ele chega a esse ponto, começamos a ver a sua relação com Sully em Monstros S.A. sob uma luz diferente. Mike não é apenas o infeliz parasita que pode parecer à primeira vista. Realmente, isso é o que esperávamos de uma continuação (neste caso, uma prequela), que é divertida e que desenvolveu a história. Universidade Monstros foi um sucesso nesse sentido. Por David Ives TOQUE PARA VER O TRAILER
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    EVENTOS 98 SociedadeBrasileira de Catequetas completa dois anos de fundação Aos 9 de junho de 2012, dia do então bem-aventurado José de Anchieta, em São Paulo-SP, um grupo de catequetas, acompanhado por Dom Paulo Mendes Peixoto, arcebispo de Uberaba-MG e integrante da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética da CNBB e pelo assessor desta comissão, padre Décio José Walker, realizou a fundação da Sociedade Brasileira de Catequetas. Essa foi uma data preenchida de sinais e símbolos, bem como um sonho alimentado há muito tempo por muitos estudiosos da catequese em nosso país. São José de Anchieta, como passa a ser chamado, tem um profundo valor histórico para a catequese no Brasil. O arcebispo de Aparecida-SP e presidente da CNBB, Cardeal Raymundo Damasceno Assis, destacou a importância da vida e missão de São José de Anchieta, que optou por uma catequese acessível, utilizando-se da poesia, do teatro e de recursos próprios da época. “Ele é um modelo de evangelizador e missionário de todos os tempos e todas as épocas. Ensinou-nos que o Evangelho, ao ser anunciado, deve ser inculturado, levando em conta a cultura das pessoas ao qual se destina”. Nessa data em que comemoramos dois anos de fundação vale lembrar o objetivo da associação na Igreja do Brasil, que tem como finalidade favorecer a convergência de pessoas qualificadas no campo da catequese e o livre intercâmbio de pesquisas e experiências que promovem o avanço nessa área pastoral. Ela está a serviço do povo de Deus, mediante a elaboração de estudos sobre aspectos específicos da missão catequética, a colaboração interdisciplinar, a resposta a solicitações e sugestões dentro de sua área, mantendo sintonia com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB e organismos eclesiais afins. Nos próximos dias 27 e 28 de agosto será realizada em São Paulo-SP mais uma Assembleia da SBCat, com o objetivo de aprofundar a temática do processo catequético da Igreja do Brasil, que deve avançar sempre mais, bem como as repercussões do III Congresso Internacional sobre Catecumenato, que será promovido pelo Instituto Católico de Paris e a Universidade Católica Silva Henriques do Chile, que refletirá sobre a iniciação cristã em mudança de época.
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    DICAS DE LEITURA100 Acesse o site A obra apresenta leituras e perspectivas para a Igreja, tendo-se como referência os primeiros atos e pronunciamentos do Papa Francisco. São 14 capítulos escritos por diversos autores brasileiros e estrangeiros que abordam as menções faladas, escritas e gestuais do Papa Francisco em seu primeiro ano de pontificado, além de refletir sobre a importância dessas menções e avançar as perspectivas que, com isso, abrem-se na área de abordagem de cada autor. Francisco é o primeiro Papa não europeu em mais de 13 séculos de história da Igreja Católica e desde sua apresentação na Praça de São Pedro, quando humildemente solicitou orações para ele mesmo à multidão que o aguardava, ou mesmo um pouco antes, quando dispensou as tradicionais vestes papais e escolheu o nome pontifício, passando pela escolha da moradia oficial e pela bem-sucedida Acesse o site Toque para ver maior Toque para ver maior Jornada Mundial da Juventude no Brasil, até a reforma da Cúria Romana, atualmente em adiantado curso, Francisco vem surpreendendo o mundo com suas homilias, pronunciamentos, documentos, iniciativas e gestos. Autor: Obra Coletiva Editora: Vozes O livro aplica à catequese a reflexão sobre o sentido da vida, levando em consideração que a catequese será significativa e relevante para as pessoas se as ajudar a encontrar na fé cristã o sentido maior de sua existência. Quem primeiro precisa fazer esse processo são os catequistas para, então, favorecerem os catequizados a ter claro na vida quais são seus valores e qual é o maior; por conseguinte, qual o sentido de sua existência, diante da realidade e das perspectivas atuais. Catequistas e cristãos que saibam encontrar na fé cristã o sentido maior de sua existência podem melhor ajudar as pessoas de hoje a encantar-se com a fé e seus desafios e nela estabelecer o sentido de suas vidas, preenchendo os vazios da existência. Papa Francisco – perspectivas e expectativas de um papado O sentido da vida na catequese Autor: Isabel Cristina A. Siqueira Editora: Paulus
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    GOSTOU? A próximaedição chega em breve e queremos que nos ajude a torná-la ainda melhor. Envie um e-mail para sou catequista contato@soucatequista.com.br com as suas sugestões, elogios, críticas, ou mesmo um artigo ou depoimento. sou catequista