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1
Trazendo a floresta
pra dentro da roca
SÉRIE AGROFLORESTAS AGROECOLÓGICAS DO SUL EM REDE — Nº 2
2 3
Trazendo a floresta
pra dentro da roca
4 5
Expediente
Coordenação Editorial e Edição:
Ana Carolina Dionísio (CEPAGRO)
Pesquisa e Conteúdo:
Ana Carolina Dionísio, Fernanda Dorta,
Grazianne Alessandra Simões Ramos, Ilyas
Siddique, Natal João Magnanti
Redação: Ana Carolina Dionísio e
Fernanda Dorta
Projeto Gráfico e Diagramação:
Juliana Duclós
Foto: Camila Argenta, Ilyas Siddique,
Tiago Fedrizzi. Acervos da Rede Juçara,
ASSESOAR, Cooperafloresta, CETAP e
Projeto Flora, gentilmente cedidos.
Foto da capa: Agricultora Aparecida de
Lima Moura em SAFA na Cooperafloresta.
Rede SAFAS
Universidade Federal de Santa Catarina
Centro de Ciências Agrárias (CCA-UFSC)
Departamento de Fitotecnia
Rod. Admar Gonzaga 1346, Itacorubi
Florianópolis - SC CEP 88034-001
Coordenador: Prof. Dr. Ilyas Siddique
ilyas.s@ufsc.br, redesafas@gmail.com
leap.ufsc.br/safas
A disseminação de experiências em Sistemas AgroFlorestais Agro-
ecológicos pelo Brasil mostra como essa agricultura em harmonia
com o meio ambiente pode trazer soluções em termos de conserva-
ção e regeneração ambiental e segurança e soberania alimentar e
nutricional. Conhecer e conectar as diversas experiências em agro-
florestas é um caminho para superar os desafios e gargalos para sua
expansão e desenvolvimento.
Foi buscando atender a esta demanda de compartilhamento de vivên-
cias práticas e aprimoramento em pesquisas acadêmicas que em 2014
começou-se a formar a Rede de Sistemas AgroFlorestais Agroecológi-
cos do Sul do Brasil (SAFAS), através de uma chamada conjunta entre
Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Conselho Nacional
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Um dos obje-
tivos primordiais da Rede SAFAS é sistematizar dados de pesquisas
já existentes e realizar análises que contribuam para a formulação e
implementação de políticas públicas que fomentem as agroflorestas
e as famílias que nelas trabalham e vivem. Além disso, ao promover
o diálogo entre estudantes, técnicos, acadêmicos e agricultores, a
Rede entrelaça conhecimentos teóricos e práticos que colaboram
para melhorar processos produtivos e de manejo nos SAFAs. Sua di-
versidade de atores reflete a da floresta, assim como a complemen-
taridade e cooperação entre eles.
Esta cartilha traça um breve panorama sobre o trabalho da Rede SA-
FAS: seus princípios, metodologias de trabalho e contribuições para
o desenvolvimento das agroflorestas agroecológicas no Sul do Brasil.
Além disso, o material busca também compartilhar experiências de
Sistemas AgroFlorestais Agroecológicos implantados e assessorados
por organizações e cooperativas que integram a Rede. Buscamos as-
sim dar cada vez mais visibilidade a essas iniciativas, seja para fortale-
cê-las pela superação de desafios ou para inspirar novas agroflorestas.
Uma rede inspirada
PELAS FLORESTAS
Apresentação
Dedicado ao saudoso
Jorge Luiz Vivan, que inspirou
e facilitou muitas agroflorestas
e pessoas, em rede
DIONÍSIO, Ana Carolina; DORTA, Fernanda; MAGNANTI, Natal João; SIMÕES-RAMOS, Gra-
zianne Alessandra; SIDDIQUE, Ilyas. Rede SAFAS: trazendo a floresta pra dentro da roça. Flo-
rianópolis: UFSC, 2017. (Série Agroflorestas Agroecológicas do Sul em Rede, v. 2). 32p. ISBN
e-book: 978-85-64093-54-6
Complementa o vídeo com o mesmo título, disponíveis em: http://leap.ufsc.br/safas/publ
Apoio financeiro: Ministério do Desenvolvimento Agrário, Chamada MDA/CNPq
Nº 39/2014 (Processo: 472529/2014-5)
2017 Rede de Sistemas Agroflorestais Agroecológicos do Sul (SAFAS).
O trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – atribuição com-
partilha igual 4.0 internacional. Qualquer parte desta publicação pode ser reproduzida,
desde que citada a fonte.
DIONÍSIO, Ana Carolina; DORTA, Fernanda; MAGNANTI, Natal João; SIMÕES-RAMOS,
Grazianne Alessandra; SIDDIQUE, Ilyas. Rede SAFAS: trazendo a floresta pra dentro da
roça. Florianópolis: UFSC, 2017. (Série Agroflorestas Agroecológicas do Sul em Rede, v.
2). 32p. ISBN e-book: 978-85-64093-54-6
Complementa o vídeo com o mesmo título, disponíveis em:
http://leap.ufsc.br/safas/publ
Apoio financeiro: Ministério do Desenvolvimento Agrário, Chamada MDA/CNPq
Nº 39/2014 (Processo: 472529/2014-5)
2017 Rede de Sistemas Agroflorestais Agroecológicos do Sul (SAFAS).
O trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – atribuição
compartilha igual 4.0 internacional. Qualquer parte desta publicação pode ser
reproduzida, desde que citada a fonte.
Dedicado ao saudoso
Jorge Luiz Vivan, que inspirou
e facilitou muitas agroflorestas
e pessoas, em rede.
EXPEDIENTE
Coordenação Editorial e Edição:
Ana Carolina Dionísio (CEPAGRO)
Pesquisa e Conteúdo:
Ana Carolina Dionísio, Fernanda Dorta,
Grazianne Alessandra Simões-Ramos,
Ilyas Siddique, Natal João Magnanti
Redação: Ana Carolina Dionísio e
Fernanda Dorta
Projeto Gráfico e Diagramação:
Juliana Duclós
Foto: Camila Argenta, Ilyas Siddique,
Tiago Fedrizzi. Acervos da Rede Juçara,
ASSESOAR, Cooperafloresta, CETAP e
Projeto Flora, gentilmente cedidos.
Foto da capa: Agricultora Aparecida de
Lima Moura em SAFA na Cooperafloresta.
Rede SAFAS
Universidade Federal de Santa Catarina
Centro de Ciências Agrárias (CCA-UFSC)
Departamento de Fitotecnia
Rod. Admar Gonzaga 1346, Itacorubi
Florianópolis - SC CEP 88034-001
Coordenador: Prof. Dr. Ilyas Siddique
ilyas.s@ufsc.br , redesafas@gmail.com
leap.ufsc.br/safas
6 7
Plantar, manejar, consorciar, integrar. Praticar uma agricultura sustentá-
vel com a floresta. Combinar produção de alimentos com conservação
ambiental. Recuperar áreas degradadas através da agroecologia.
Tão diversas quanto as florestas, são as definições de Sistemas AgroFlo-
restais Agroecológicos (SAFAs). E todas podem ser complementares,
assim como os elementos da natureza.
Como os SAFAs dependem de condições ambientais como o clima,
relevo e solos, podem ser implantados de várias maneiras, associando
diferentes tipos de cultivos. Mas a ideia básica é de integrar culturas
agrícolas e arbóreas no mesmo espaço, visando a usos múltiplos de
seus produtos: alimentação; provisão de lenha, fibras e biomassa; adu-
bação verde. É uma tecnologia agrícola relativamente recente, mas
que leva em conta conhecimentos tradicionais sobre a convivência da
agricultura dentro da floresta.
Trazendo a floresta
pra DENTRO DA ROCA
Sistema Agroflorestal Agroecológico
implantado na região Sudoeste do Paraná,
com apoio da organização ASSESOAR.
É muito gratificante
tirar alimento dali,
produzir, viver e
preservar o lugar.
Raquel Carlos Fernandes,
estudante e agricultora
de Três Cachoeiras (RS),
vendendo na Feira Ecológica
de Torres os alimentos vindos
do Sistema Agroflorestal
Agroecológico de sua família.
8 9
Biodiversidade Diferente das mo-
noculturas consideradas “conven-
cionais”, os Sistemas AgroFlores-
tais Agroecológicos inspiram-se na
diversidade do ambiente natural,
combinando várias espécies ve-
getais na mesma área. Esses con-
sórcios aproveitam a interação
entre plantas de diferentes estra-
tos, ciclos e funções, contribuindo
para a conservação da biodiversi-
dade – que inclui também animais
silvestres e domésticos. Conforme
o manejo avança no tempo, a
tendência é aumentar a con-
servação da biodiversidade.
A agricultura é uma das atividades mais antigas da
humanidade. Historicamente, o modelo predominante
no Brasi, que recebe mais apoios e ocupa mais terras,
é o da monocultura para exportação: soja, algodão,
cana-de-açúcar, café. Os Sistemas AgroFlorestais
Agroecológicos trabalham com uma lógica bem
diferente deste modelo agrícola com pesados impactos
socioambientais e voltado para mercados externos.
Vejamos alguns dos seus princípios norteadores, que
também pautam o trabalho da Rede SAFAS:
Quais os
diferenciais
dos SAFAs?
Agricultura Familiar
Estima-se que 70% dos alimentos
consumidos no Brasil são produzi-
dos por agricultores e agricultoras
familiares. Ao conjugar diversida-
de de cultivos com conservação
ambiental em pequenas extensões
de terra, os SAFAs apresentam-se
como uma alternativa interessante
para camponeses e camponesas.
Manejo Começa com a própria escolha das plantas que vão
compor o Sistema AgroFlorestal Agroecológico. Para garantir seu
estabelecimento, os SAFAs requerem intervenções constantes de mane-
jo nos seus estágios iniciais, como retirada de plantas espontâneas, co-
locação de cobertura morta, adubações e podas. Estas intervenções
colaboram para a recuperação dos solos e evitam a competição por
espaço e luz solar entre as espécies. O manejo da sucessão vegetal tam-
bém contribui para a elevada biodiversidade nas agroflorestas. Um dos
objetivos da Rede SAFAS é trocar experiências técnicas de manejo nas
agroflorestas para tornar o trabalho mais leve e prático.
Benefícios Ambientais
O modelo agrícola chamado “convencional” - com sua alta depen-
dência de insumos químicos, combustíveis fósseis e elevado consumo
de água – é responsável por pesados impactos socioambientais, como
redução e contaminação de recursos hídricos e câmbios
climáticos. Neste sentido, os Sistemas AgroFlorestais Agro-
ecológicos representam um caminho para aliar a pro-
dução de alimentos com conservação ambiental. Os
consórcios entre árvores e culturas agrícolas favorecem
a ciclagem tanto de matéria orgânica quanto da água,
além de aumentar a diversidade de espécies vegetais e
animais que participam deste ciclo virtuoso com a disper-
são de sementes e polinização.
Produção de alimentos
Com a promessa de “acabar com a fome no mundo”, a di-
fusão da agricultura químico-dependente e, mais recentemente,
dos transgênicos, mostrou-se ineficiente para a segurança alimentar das
populações, gerando a contaminação da saúde das pessoas, do meio
ambiente e dos alimentos ao privilegiar a produção de commodities de
exportação. No paradigma agroflorestal, a ideia é produzir alimentos em
menor quantidade, mas com mais diversidade. Além disso, a floresta não
representa um obstáculo para a agricultura, mas um ambiente adequa-
do para ela, aproveitando as potencialidades da sucessão vegetal no
espaço e no tempo. Assim, combinam-se produção de alimentos saudá-
veis e variados com a promoção de serviços ecossistêmicos (ciclagem
da água, produção de biomassa, sequestro de carbono).
10 11
A gente planta tudo junto. É
uma organização de plantas
no espaço e no tempo. Essa é a
grande sacada da agrofloresta,
que joga com a sucessão
natural. Algo muito parecido
é quando cai uma árvore na
floresta. Quando cai é porque
já fechou o ciclo, vem cipó
enroscado, abre clareira maior.
A clareira é lugar mais
rico da floresta. Ali, plantas
de crescimento rápido,
médio, todas convivem.
Pensando assim, a gente tenta
organizar nossos Sistemas
AgroFlorestais usando essa
lógica para os alimentos.
Uma alface a partir da
muda produz com 30 dias. A
vagem, 70 dias. O milho, 50.
A banana, 1 ano e meio. A
juçara, 6 anos. Uma infinidade.
Varia muito conforme o
entendimento do agricultor
sobre agrofloresta, seu
estado de espírito, condições
de solo, saúde física.
A organização dos cultivos no espaço e tempo da floresta é observada
também no SAFA do agricultor Valdeci Evaldt, de Morrinhos do Sul (RS).
Pedro Oliveira de Souza, agricultor
agroflorestal da Cooperafloresta
(Vale do Ribeira, SP).
12 13
“Por exemplo, no lugar onde eu moro parecia que o vento
ia levar a casa. Com a agrofloresta em volta de casa, ou
o vento parou ou as árvores estão protegendo. Esse é um
benefício. A trilha sonora dos passarinhos é outra coisa que
não tem preço. Meu solo tem melhorado. Aos poucos es-
tou reconquistando a confiança da terra. Poderia dizer que
estou aprendendo a trabalhar, mas é a terra que está con-
fiando em mim. Está me revelando seus segredos”. A fala do
agricultor Pedro Oliveira de Souza aponta alguns dos serviços
ecossistêmicos gerados pelos sistemas agroflorestais agroeco-
lógicos: proteção contra variações climáticas, melhoria do
solo, aumento da biodiversidade. Membro da Cooperaflo-
resta – associação de agricultores agroflorestais do Vale do
Ribeira (SP e PR) – Pedro conta que a decisão por agroflo-
restar partiu primeiro de uma necessidade muito básica: ga-
rantir sua própria alimentação. Mais do que uma técnica de
cultivo de sucesso, a agrofloresta representou uma melhoria
na qualidade de vida do agricultor e, no conjunto da Coope-
rafloresta, da situação da Mata Atlântica naquela região.
Pesquisadores da Embrapa já verificaram em estudos o que
Pedro observou ao longo de sua vida como agricultor agro-
florestal. Numa pesquisa em 13 unidades familiares, cons-
tatou-se que o cultivo de SAFAs pelas famílias agricultoras,
combinando diversos tipos de espécies no mesmo espaço,
transformou uma paisagem dominada por pastos num mo-
saico de espaços cultivados e capoeiras, resultando num
espaço produtivo e ao mesmo tempo em processo de res-
tauração. De um panorama em que 94% da área de solos
era usada como pasto ou coivara nos anos 90, em 2011
encontrou-se 80% da mesma área cobertas por florestas
em regeneração ou agroflorestas. O que mudou?
SAFAS: UMA AGRICULTURA QUE
COLABORA COM O MEIO AMBIENTE
Diversidade de cultivos
e trabalho coletivo
marcam a implantação
e manejo dos SAFAs da
Cooperafloresta, no Vale
do Ribeira (SP e PR). Além
de segurança alimentar e
qualidade de vida, estes
agricultores e agricultoras
também colhem benefícios
ambientais. Nascida a partir
da organização de famílias
agricultoras quilombolas, a
Cooperafloresta atualmente
é formada por 110 unidades
familiares, envolvendo
mais de 300 pessoas nos
municípios de Barra do
Turvo (SP) e Adrianópolis
e Bocaiúva do Sul (PR).
A biomassa produzida pelo manejo
das espécies arbóreas e de aduba-
ção verde, ao ser incorporada ao solo,
aumenta a quantidade de matéria or-
gânica, recuperando sua fertilidade.
As áreas de vegetação secun-
dária deixadas intencionalmente
pelos agricultores – as capoeiras
– abrigam pássaros e abelhas,
que trazem sementes e contri-
buem para a polinização.
As agroflorestas atuam como
esponjas, retendo a água das
chuvas e fazendo-a circular de
volta para a atmosfera. Este
movimento regula a disponibi-
lidade de água e também a
temperatura local.
As árvores amortizam os espaços de
produção de alimentos, protegen-
do as lavouras de condições climá-
ticas extremas (vento, frio ou calor).
13
14 15
Estamos implantando
cerca de 40
unidades de SAFs
em 12 municípios do
Sudoeste do Paraná.
Áreas de pasto
ou de produção
de grãos estão
sendo retomadas
para produção
de alimentos
e preservação
ambiental. Um grande
desafio é que é uma
região produtora de
grãos, principalmente
soja e milho. As
famílias não têm
tradição de manejar
floresta. É preciso
quebrar paradigmas
de que tem que ser
tudo limpo e com uma
única planta, para
fazer uma grande
mistura de plantas.
Janete Rosane Fabro, técnica
da ASSESOAR, organização de
Francisco Beltrão (PR).
Da monocultura predatória à diversidade produtiva
No Sudoeste do Paraná, a implantação de
Sistemas AgroFlorestais Agroecológicos vai
lentamente transformando a paisagem,
recuperando áreas degradadas pela agricultura
convencional e retomando o debate da soberania
alimentar. Com foco na produção de alimentos
agroecológicos diversificados, os SAFAs contribuem
para a autonomia regional dessas famílias.
16 17
AGROFLORESTANDO A REFORMA AGRÁRIA
Com patrocínio do Programa Petrobrás Socioambiental, o
Projeto Flora (implementado pelo Instituto Contestado de
Agroecologia e outros 3 centros de formação em agroeco-
logia do Paraná) teve o objetivo de: transformar 200 hectares
de áreas degradadas em SAFAs, realizar pesquisa e sistema-
tização das experiências e capacitar camponeses e cam-
ponesas em agroecologia. O público alvo foram famílias de
assentamentos da reforma agrária em cerca de 40 municí-
pios do Paraná. Como explica Priscila Monerat, “80% do Pa-
raná era floresta. Isso tudo foi destruído em 100 anos. Hoje
vemos os resultados: falta de água, enchentes, vendavais. É
urgente, então, recuperar as florestas. Mas não conseguimos
restabelecê-las como eram. É preciso encontrar uma nova
forma, integrando camponeses nesse trabalho, gerando ren-
da, reflorestamento e recuperação do ambiente.”
Nosso projeto de agrofloresta incentiva as
famílias a plantar madeira, reflorestar. É uma
agricultura que insere o componente arbóreo
pra diminuir a pressão sobre as florestas. Os
assentamentos têm grandes áreas florestais,
como o assentamento Contestado, que tem
38% de área em reserva. O assentamento tem
16 anos e desde então as famílias têm cuidado
a área de reserva. O ambiente era degradado,
e hoje em dia começaram a aparecer animais.
Além dos benefícios ambientais, esse trabalho
tem se mostrado eficiente no enriquecimento e
diversificação da alimentação das famílias.
Priscila Faccina Monerat,
equipe técnica Projeto Flora.
18 19
O colorido
dos alimentos
agroecológicos
do SAFA da
família Evaldt,
comercializados
na Feira Ecológica
de Torres.
Na sua função primordial, que é a
produção de alimentos, a agricultura
foi um dos fatores que causou o desmatamento
de grandes áreas florestais. Com a desculpa de “alimentar
o mundo”, foi disseminado o uso de fertilizantes, agrotóxicos e de
sementes patenteadas. Mas seria possível manter uma produção de
alimentos saudáveis sem agredir tanto o meio ambiente e a saúde
dos agricultores?
Essa é a ideia dos Sistemas AgroFlorestais Agroecológicos: aproveitar
as dinâmicas de sucessão de espécies, ciclagem de nutrientes e bio-
diversidade dos ecossistemas para produzir alimentos variados e sadios,
sem o uso de agroquímicos. Além de incorporar as árvores às áreas de
cultivo - desmistificando a noção de que antes de plantar é preciso
PRODUZINDO ALIMENTOS
JUNTO COM A FLORESTA
acabar com a floresta - o trabalho com SAFAs fortalece a segurança
alimentar das famílias pela diversificação da alimentação, ao valo-
rizar o policultivo, as espécies nativas e as Plantas Alimentícias Não
Convencionais (PANCs).
Como afirma a nutricionista Mariana Oliveira Ramos, da ONG Anama,
no litoral norte do Rio Grande do Sul, que integra a Rede SAFAS: “A gen-
te precisa fortalecer padrão de produzir comida junto com a floresta. Se
considerarmos que o agribusiness é um sucesso porque produz muito,
deixamos de considerar o custo ambiental. Precisamos reverter esse mo-
delo de expansão que tira a floresta. O diálogo é o caminho que a gen-
20 21
Se a gente consegue produzir tantas toneladas
em um hectare de monocultura, na agrofloresta
vamos conseguir menos toneladas, mas com mais
diversidade. Em vez de tantas toneladas que teríamos
de tal grão, vamos ter 10, 20, 30 tipos de alimento.
Menos quantidade na colheita por espécie, mas com
uma diversidade maior na mesma área.
Márcio Mortari, biólogo e permacultor
do Instituto Çarakura, de Florianópolis (SC).
te precisa”. Em seu trabalho na ANAMA, Maria-
na assessora o beneficiamento e produção de
polpas de frutas nativas da Mata Atlântica. “A
juçara é o carro chefe, mas também trabalha-
mos com guabiroba, goiaba, jabuticaba, araçá”,
conta. A valorização dessas frutas passa também
por um trabalho de educação para o consumo, que
ela realiza, por exemplo, na EcoFeira de Torres (RS), pre-
parando receitas inovadoras e saborosas. A Cooperativa
de Consumidores EcoTorres, que tem seu próprio espaço de co-
mercialização (foto), também desenvolve ações voltadas ao consu-
mo consciente de alimentos, aproximando agricultores e consumidores.
Outra iniciativa de valorização da agrobiodiversidade é empreendida
pela organização gaúcha Centro de Tecnologias Alternativas Populares
(CETAP), com sede em Passo Fundo. Desde 2001 eles articulam uma ca-
deia produtiva e de comercialização de frutas nativas do Sul do Brasil,
como guabiroba, pitanga, araçá vermelho, pinhão, jabuticaba, uvaia
e butiá. De tão comuns, não eram vistas como produtos comercializá-
veis em potencial. “Então começou um trabalho forte de valorização
de produtos agroflorestais, com recorte das frutas nativas”, conta Alvir
Longhi, técnico do CETAP. Em sucessivos projetos, foram assessoradas e
desenvolvidas estruturas de beneficiamento das frutas, transformadas
em polpas, picolés e sorvetes. Através da parceria com o Encontro de
Sabores (empreendimento da economia solidária de facilitação das di-
nâmicas de circulação e comercialização dos produtos das frutas nati-
vas entre as diferentes regiões do RS), Investiu-se na apresentação dos
produtos e na busca de pontos de comercialização. “Não basta ser or-
gânico e da agrofloresta, tem que ser muito bom. Ter uma aparência
boa, boa embalagem”. A estratégia de valorização das frutas nativas
do CETAP passa pela apresentação desses sabores em receitas diversas.
Assim, a Cadeia Solidária das Frutas Nativas tem ganhado espaço na
comunidade urbana, com empórios e restaurantes comercializando os
produtos. “Isso também aumenta a autoestima do agricultor. Então
a gente precisa trabalhar as estratégias de produção
junto com comercialização, de maneira que se-
jam complementares”, completa Alvir. Além de
representar um mercado em potencial, o aprovei-
tamento das frutas nativas possibilita a ampliação
da base alimentar dos próprios agricultores.
Mas seria possível produzir alimentos em quantidade su-
ficiente para a população nessa agricultura junto com a
floresta? O professor Fábio Dal Soglio (UFRGS), responde:
“Sim, com certeza! problema é que não vamos produzir tal
grão no formato e na quantidade que tal empresa quer. Esta-
mos falando de alimentos para a sociedade”.
22 23
O QUE FALTA PARA
TERMOS MAIS
AGROFLORESTAS?
Os gargalos para o desenvolvimento
das agroflorestas no Brasil são de diver-
sos tipos: de limitações técnicas a res-
trições legislativas, da dificuldade de
comercializar os produtos agroflores-
tais à grande demanda de mão-de-
-obra para manejo das áreas. Depen-
dendo do tipo de envolvimento com a
temática, técnicos das organizações,
pesquisadores, acadêmicos e agricul-
tores apontam diferentes desafios para
as agroflorestas, sendo de origem téc-
nica, cultural, econômica ou política.
A gente vai se
encaixando
nos espaços,
trabalhando,
produzindo,
buscando a
legalização
do produto e
o registro da
agroindústria.
Alguns são
mais difíceis,
como o açaí.
Depois passam
2 anos, a gente
olha pra trás e
acha que foi
fácil. Tudo é
possível.
Izaías Becker,
agricultor e proprietário
da Agroindústria Morro
Azul, no município
de Três Cachoeiras
(RS), integrante da
Associação dos Colonos
Ecologistas da Região de
Torres (ACERT).
Questões Técnicas
• Assistência técnica: prestada
quase sempre por organizações que
sofrem com a instabilidade financeira
e têm que buscar apoios externos
para financiar seus projetos e auxiliar
famílias na transição agroecológica.
• Faltam pesquisas sobre processos e
maquinários para facilitar o manejo
das agroflorestas e sobre insumos
agroecológicos para substituir os
agrotóxicos e adubos químicos.
• Acesso a tecnologias
de beneficiamento de
produtos de SAFAs.
• Acesso e qualidade de
bancos de sementes.
O desenvolvimento de técnicas e ferramentas
para facilitar o manejo e aprimoramento
da legislação ambiental sobre este
tema podem impulsionar a expansão de
Sistemas AgroFlorestais Agroecológicos.
Questões Territoriais
• Dificuldade de trabalhar em áreas
degradadas ou com desequilíbrios
ambientais no entorno. Vulnerabilidade
a mudanças climáticas.
• Distância das comunidades em relação
a grandes centros urbanos ou estradas.
Questões Econômicas
• Poucas linhas de crédito para
agroflorestas. Quando existem, as
planilhas não estão adaptadas à
realidade da agricultura familiar.
• Falta de seguro agrícola que
financie sistemas e não só culturas.
• Comercialização: dificuldade de acesso a
mercados, desestruturação de programas de
compras institucionais, entraves burocráticos
para regularização dos produtos.
Questões Culturais
• Resistência em mudar
sistema de cultivo,
abandonar o uso de
agrotóxicos e aceitar a
diversidade de plantas e
a presença das árvores
nas áreas cultiváveis.
• Ideia de que só a
monocultura químico-
dependente é
produtiva e capaz de
“alimentar o mundo”.
Questões Políticas
• É necessário construir e
consolidar políticas públicas
para assistência técnica
agroecológica, estruturas
de beneficiamento de
alimentos dos SAFAs e
ampliação e facilitação
do acesso a canais de
comercialização.
• Priorizam-se subsídios à
agricultura convencional:
há mais incentivo público
e institucional para o uso
de agrotóxicos e adubos
químicos do que para fazer
a transição agroecológica.
• Legislação ambiental
ainda não abarca a
realidade dos SAFAs,
principalmente em termos
de práticas de manejo,
extrativismo e aspectos
sanitários dos produtos.
• Concentração fundiária.
24 25
Compartilhar experiências práticas e resultados de pesquisas é um
dos caminhos para superar os desafios e gargalos para o desenvolvi-
mento de SAFAs. Dentre os objetivos primordiais da Rede de Sistemas
AgroFlorestais Agroecológicos do Sul do Brasil (Rede SAFAS) está exa-
tamente a promoção deste diálogo.
Embora formada em 2014, a Rede SAFAS resulta de uma articulação
de outras redes e organizações que já desde o início dos anos 2000
vinham trabalhando com a avaliação e sistematização de Sistemas
AgroFlorestais Agroecológicos implantados ainda nos anos 90, além
de prestar assessoria para o desenvolvimento de novos SAFAs. “É cos-
turar um trabalho que já existe na Rede, tecendo algo mais amplo,
que procura conexão com outros atores que são importantes para
que o modo de trabalhar com agroflorestas seja massificado”, con-
ta Natal João Magnanti, do Centro Vianei de Educação Popular,
organização de Lages (SC) que atua na implantação e assessoria
a Sistemas AgroFlorestais e Agrosilvopastoris na região serrana de
Santa Catarina.
O Vianei participou de um dos primeiros projetos a articular essas
iniciativas em SAFAs: o “Formação Agroflorestal em Rede na Mata
Atlântica”, financiado pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente do
Ministério do Meio Ambiente de 2003 a 2006. Articulando dezesseis
organizações de 8 estados brasileiros, teve como objetivos realizar
atividades de campo (cursos, oficinas, intercâmbios) e criar metodo-
logias para mapeamento, avaliação e sistematização experiências
em SAFAs. Com a coordenação técnica de Jorge Luiz Vivan, um dos
expoentes na criação de metodologias em SAFAs, o projeto resultou
na produção de uma cartilha e na realização de seminários nacio-
nais para discutir SAFs.
Várias entidades do Sul do Brasil que posteriormente integrariam a
Rede SAFAS realizaram em setembro de 2005 um Seminário no Cen-
REDE SAFAS: ENTRELACANDO TRABALHOS,
EXPERIENCIAS E CONHECIMENTOS
tro Ecológico de Ipê (RS) para socializar estratégias de sensibiliza-
ção para adoção de SAFAs pelas famílias agricultoras e também
intercambiar informações sobre processamento e comercialização
de alimentos das agroflorestas. Com a participação das entidades
AOPA, ASSESOAR, Centro Ecológico, CAPA, CETAP, Cooperafloresta,
ECOCITRUS e Vianei, o Seminário constituiu um importante espaço
de diálogo e troca de experiências, desdobrando-se na formação
do Grupo de Trabalho e Monitoramento dos Sistemas Agroflorestais
na Rede Ecovida de Agroecologia.
Enquanto as iniciativas com Sistemas AgroFlorestais Agroecológi-
cos multiplicavam-se no Sul do Brasil, o projeto “Consolidação do
Grupo de trabalho e monitoramento dos Sistemas AgroFlorestais na
Rede Agroecológica”, coordenado pelo Instituto Morro da Cutia de
Agroecologia (IMCA-RS) e com apoio do Ministério do Meio Am-
biente, favoreceu a articulação das organizações para assessorar
esses processos até 2011. Na sequência, outro projeto importante no
desenvolvimento de SAFAs foi o do Fundo Brasileiro para a Biodiver-
sidade, em que participaram várias das organizações que estavam
no Seminário de Ipê.
Paralelamente, algumas chamadas públicas administradas pelo
CNPq incentivaram a formação de Núcleos de Estudos em Agroe-
cologia (NEAs) para fortalecer parcerias e troca de conhecimentos
entre universidades, instituições de ensino tecnológico, centros
de pesquisa, organizações de agricultores e de assistência
técnica e extensão rural (ATER). Essas chamadas facilita-
ram uma maior integração funcional de ações de ensino,
pesquisa e comunicação (não apenas extensão) em Agro-
ecologia em todo Brasil. Uma dessas chamadas (39/2014 do
MDA /CNPq) viabilizou a articulação de um NEA focado especifi-
camente em Sistemas AgroFlorestais Agroecológicos abrangendo
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, através do qual se
formou a Rede SAFAS, integrante e parceira da Rede Sul de Núcleos
de Agroecologia e Sistemas de Produção Orgânicos (ReSNEA).
26 27
A Rede SAFAS
articula cooperativas
e associações
de agricultores,
organizações e
coletivos de assistência
técnica e promoção
da agroecologia,
instituições de pesquisa
e extensão rural e
universidades de Rio
Grande do Sul, Santa
Catarina e Paraná. A
diversidade caracteriza
os sujeitos envolvidos,
assim como os
ecossistemas trabalhados
e os alimentos e espécies
cultivados. Além disso,
a complementaridade
também é um elemento
importante na Rede.
Como explica Janete
Rosane Fabro, da
ASSESOAR (PR):” A Rede
pra mim é essa grande
ponte, entre quem está
trabalhando e quem
está pesquisando,
entre demandas de
uns e conhecimentos
gerados por outros, entre
diversos agricultores
sobre o que cada um
vem fazendo. É uma
grande troca coletiva:
de experiências,
de conhecimentos
e de pesquisas”.
ONDE ESTAO
E QUAIS SAO
OS NOS DA
REDE SAFAS?
Implantação de SAFAS • Produção e beneficiamento de alimentos oriundos de SAFAs
Asessoria técnica agroecológica • implantação de SAFAs
Comercialização de alimentos de SAFAs
Instituição de ensino • pesquisa • extensão rural
1 ACERT
2 ACEVAM
3 ANAMA
4 ASSESOAR (ver páginas 14 e 15)
5 CEMEAR
6 Centro Ecológico (ver página 11)
7 Centro Vianei de Educação Popular
8 CEPAGRO
9 CETAP
10 Cooperafloresta (ver páginas 12 e 13)
11 COPAVI
12 ECONATIVA
13 ECOTORRES (ver página 20)
14 EMATER - RS
15 EMBRAPA Clima Temperado
16 EMBRAPA Florestas
17 FATMA
18 Fundação Municipal de Desenvolvimento Rural 25 de Julho
19 ICA / ELAA / Projeto Flora (ver páginas 16 e 17)
20 IFC – Instituto Federal Catarinense
21 IFPR – Instituto Federal do Paraná
22 Instituto Çarakura
23 UFFS - Campi Chapecó e Laranjeiras do Sul
24 UFRGS - Faculdade de Agronomia, ResNEA, UVAIA e DESMA
25 UFSC - CCA e Campus Curitibanos
26 UTFPR
• ABRASCO
• Associação Içara - Maquiné (RS)
• CATARSE – Coletivo de Comunicação (RS)
• CODETER CCS (RS)
• CODETER Litoral (RS)
• Comunidade Morada da Paz (RS)
• Escola Rural de Osório (RS)
• Estação de Permacultura
Moinho de Luz (SC)
• Grupo Viveiros Comunitários (RS)
• Instituto Caminho do
Meio / CEBB – Centro de Estudos
Budistas Bodisatva (RS)
Outros coletivos, instituições e organizações que participam ou são parceiros da Rede SAFAS:
• ICMBio - Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade (SC)
• NAAU – Núcleo de Agroecologia
do Alto Uruguai (RS)
• Recicleide Arte e Educação
Socioambiental (SC)
• Rede Ecovida de
Agroecologia (RS+SC+PR)
• Rede Juçara (RS+SC+PR)
• ReSNEA – (RS+SC+PR)
• SEMA – Secretaria do Ambiente e
Desenvolvimento Sustentável (RS)
• Tekoa Pindoty – Aldeia Mbya Guarani (RS)
2
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8 17
22
28 29
Celebrar a alimentação biodiversa
também é um dos objetivos
da Rede SAFAS. Na foto, os
participantes da Macro-Oficina
1 compartilham um belo almoço
agroecológico preparado pela
agricultora Zelma Strege Evaldt e sua
equipe, durante a visita de campo
à propriedade de sua família.
SAFAS: TROCANDO E GERANDO
CONHECIMENTOS EM REDE
Mas como articular atores tão variados num território extenso como o
Sul e Sudeste do Brasil? E, mais do que o reconhecimento mútuo, como
promover uma troca de conhecimentos efetiva para o desenvolvimen-
to de SAFAs? “Nos trabalhos da Rede, nós focamos em atividades de
compartilhamento de experiências práticas, pois percebemos que di-
ferentes parceiros têm conhecimentos práticos diferentes”, explica o
professor Ilyas Siddique (UFSC), que coordena o projeto da Rede SAFAS.
“As oficinas são o espaço que a gente criou para ter essa interlocução
do conhecimento agroecológico, propiciando o protagonismo das or-
ganizações e dos agricultores que vivem da agrofloresta”, completa
Natal João Magnanti, do Centro Vianei de Educação Popular (SC).
Reunindo agricultores, estudantes, professores universitários, pesqui-
sadores, técnicos de ONGs, membros de comunidades tradicionais e
militantes do movimento agroecológico, a primeira Macro-Oficina da
Rede SAFAS aconteceu em novembro de 2015, no sede do Centro Eco-
lógico em Dom Pedro de Alcântara (RS). Através de atividades como vi-
sitas a campo, debates e oficinas temáticas, foram promovidos intensos
diálogos de saberes práticos e conhecimentos acadêmicos, discussões
sobre legislação envolvendo as agroflorestas, socialização de resulta-
dos de pesquisas e articulações para chegar aos tomadores de deci-
sões. A segunda Macro-Oficina da Rede SAFAS foi realizada em março
de 2017, na Escola Latino-Americana de Agroecologia na Lapa (PR).
“As oficinas são um caminho potente para combinar conhecimento
acadêmico e prático”, afirma Ilyas Siddique. A agricultora e estudante
Raquel Carlos Fernandes, de Três Cachoeiras (RS), ressalta a importân-
cia desse intercâmbio: “A pesquisa tem muito pra passar pro agricultor,
e ele também! Só que os conhecimentos dos agricultores não estão
organizados cientificamente. Tem que aliar os dois, a escola e a prática,
a vivência no campo”. Nessa relação de cooperação e complemen-
taridade, a Rede imita uma agrofloresta, como avalia Eduardo Seoane,
pesquisador da Embrapa Florestas (PR): “A questão da participação
de várias entidades, com vários perfis de origem, interesses, com todo
mundo trabalhando junto num mesmo objetivo é semelhante aos prin-
cípios que regem a agrofloresta. Uma espécie faz sombra pra outra,
disponibiliza substâncias para outra, tudo num sentido de coopera-
ção, mais do que competição”.
Na visita à propriedade de Zelma
e Valdeci Evaldt, em Morrinhos do
Sul (RS), os participantes da Macro-
Oficina 1 vivenciaram na prática
um pouco do manejo de um
sistema agroflorestal. “Para saber
quais tecnologias simples podemos
usar para reduzir a penosidade do
trabalho, os pesquisadores precisam
estar em campo, participando do
trabalho”, afirma Ilyas Siddique.
30 31
O diálogo promovido pela ar-
ticulação de diversos atores na
Rede SAFAS contribui não só para
a construção do conhecimento
e o aprimoramento do trabalho
em agroflorestas. O fortalecimen-
to de cada um dos nós da Rede
torna as temáticas relacionadas
aos Sistemas AgroFlorestais Agro-
ecológicos cada vez mais conhe-
cidas pela sociedade em geral e
também pelo poder público. Ao
sistematizar e divulgar experiên-
cias em agroflorestas, focando
especialmente nos problemas
enfrentados e soluções encon-
tradas, a Rede SAFAS colabora
para a superação de gargalos e
entraves no desenvolvimento das
agroflorestas. Também porque
torna-se um ator político, capaz
de subsidiar e acompanhar a
construção de legislações, polí-
ticas públicas e programas que
auxiliem a expansão e consoli-
dação de Sistemas AgroFlorestais
Agroecológicos.
Além disso, a Rede SAFAS re-
presenta todo um modelo de
agricultura em harmonia com o
meio ambiente que já era prati-
cado por vários povos e comuni-
dades tradicionais. A valorização
de conhecimentos tradicionais
REDE SAFAS: PRATICA, PESQUISA, POLITICA
Ambiental: reavaliar permissões
e restrições para manejo e
implantação de SAFAs
Sanitária: enquadramento
dos alimentos agroflorestais,
licenciamento de agroindústrias
familiares
Compras Institucionais:
constituem um importante
canal de escoamento
para a agricultura familiar
agroecológica
Crédito e seguro agrícola:
necessidade de adaptar
planilhas para a realidade dos
SAFAs e da agricultura familiar
agroecológica; ampliação dos
subsídios para agroecologia
Debate realizado durante a
Macro-Oficina 1 da Rede no
Campus Santa Rosa do Sul do
Instituto Federal Catarinense,
reunindo agricultores, técnicos,
pesquisadores, estudantes e
representantes de órgãos de
fiscalização ambiental do Rio
Grande do Sul e Santa Catarina.
Exemplo de articulação política
promovida pela Rede SAFAS.
caminha junto com o desenvolvimento das agroflorestas: “A agroflo-
resta toca o conhecimento indígena, que já tem convivência com a
natureza. Através da agrofloresta, começaram a fazer estudos sobre
esses conhecimentos. É importante pra gente contribuir para esses
estudos, achar um caminho tanto pros agricultores quanto pros indí-
genas”, conta Felipe Brizoela Karaî Mirî, liderança da Terra Indígena
Guarani Riozinho - Tekoá Pindoty (RS).
O estreitamento do diálogo com a sociedade é fundamental para
que esse paradigma baseado na harmonia entre agricultura e con-
servação ambiental com soberania e segurança alimentar e nutricio-
nal preconizado pela Rede SAFAS e outras redes agroecológicas seja
estabelecido e cada vez mais difundido. Na avaliação do agricultor
Pedro Oliveira de Souza, da Cooperafloresta (SP-PR), dessa mudança
depende a própria sobrevivência do planeta, e por isso precisa ser
defendida por todos: “Essa forma de agricultura baseada nos com-
bustíveis fósseis, nas máquinas, que gasta a energia que o planeta
tem guardado nas entranhas por milhões de anos pra produzir ali-
mento e depois libera toda essa energia, é uma situação insana. Não
dá pra gente competir com isso. Se não conseguirmos nos aliar com
a sociedade, com pessoas despertas e dispostas a caminhar junto,
não vamos poder subsistir. Ou a sociedade acorda e compra a briga,
ou não vamos poder fazer diferença”.
LEGISLAÇÕES E POLÍTICAS
PÚBLICAS DISCUTIDAS NO
ÂMBITO DA REDE SAFAS
32 33
ABRASCO –
Associação Brasileira
de Saúde Coletiva
(Nacional) - www.
abrasco.org.br/
ACERT – Associação
dos Agricultores
Ecologistas da Região
de Torres (RS) - www.
centroecologico.org.br
ACEVAM - Associação
de Colonos
Ecologistas Vale
Mampituba (SC)
- acevam.org
Acolhida na Colônia
– Associação de
Agroturismo (SC) -
acolhida.com.br
ANAMA – Ação
Nascente Maquiné
(RS) - www.
onganama.org.br
ASSESOAR –
Associação de
Estudos, Orientação
e Assistência Rural
(PR) - assesoar.org.br/
CAPA – Centro de
Apoio ao Pequeno
Agricultor (RS) - www.
capa.org.br/
Coletivo CATARSE
– Cooperativa de
Comunicação (RS)
- coletivocatarse.
com.br/home
EMATER (RS) - www.
emater.tche.br/site/
EMBRAPA Clima Temperado
(RS) - www.embrapa.br/
clima-temperado
EMBRAPA Florestas (PR) - https://
www.embrapa.br/florestas
Escola Caminho do Meio/
Instituto Caminho do Meio
/ CEBB – Centro de
Estudos Budistas Bodisatva
(RS) - www.cebb.org.br/
centros/rs/viamao/
Escola Rural de Osório
(RS) - escolaruralosorio.
blogspot.com.br
Estação de Permacultura
Moinho de Luz (SC)
FATMA – Fundação do
Meio Ambiente (SC) -
www.fatma.sc.gov.br
Fundação Municipal
de Desenvolvimento
Rural 25 de Julho (SC) -
www.joinville.sc.gov.br/
departamento/sdrural/
Grupo Viveiros Comunitários
/ DAIB / UFRGS-Biologia
(RS) - www.facebook.com/
grupoviveiroscomunitarios/
ICA – Instituto Contestado
de Agroecologia / ELAA –
Escola Latino Americana de
Agroecologia / Projeto Flora
(PR) - ww.projetoflora.org
PARTICIPANTES E PARCEIROS - REDE SAFAS
CEMEAR – Centro de
Motivação Ecológica e
Alternativas Rurais (SC) -
cemear.wordpress.com/
Centro Ecológico (RS) -
www.centroecologico.
org.br
Centro Vianei de
Educação Popular (SC)
- www.vianei.org.br/
CEPAGRO – Centro de
Estudos e Promoção da
Agricultura de Grupo (SC)
- www.cepagro.org.br
CETAP – Centro de
Tecnologias Alternativas
Populares (RS) - cetap.org.br
CODETER CCS
– Colegiado de
Desenvolvimento
Territorial Campos de
Cima da Serra (RS)
CODETER Litoral
RS – Colegiado de
Desenvolvimento
Territorial (RS)
Comunidade Morada
da Paz (RS) - https://
moradadapaz.
wordpress.com
COOMAFITT – Cooperativa
Mista de Agricultores
Familiares de Itati Terra
de Areia e Três Forquilhas
(RS) - http://coomafitt.
blogspot.com.br/
COOPERAFLORESTA
– Associação
dos Agricultores
Agroflorestais de
Barra do Turvo
e Adrianópolis
(SP+PR) - www.
cooperafloresta.
com
COOPTRASC –
Cooperativa de
Trabalho e Extensão
Rural Terra Viva (SC)
- cooptrasc.com.br
COPAVI –
Cooperativa
de Produção
Agropecuária
Vitória (PR) - www.
cooperar.org.
br/node/9
ECONATIVA –
Cooperativa
Regional de
Produtores
Ecologistas do
Litoral Norte do RS
e Sul de SC Ltda.
(RS+SC) - www.
centroecologico.
org.br/
cooperativas.php
ECOTORRES –
Cooperativa de
Consumidores de
Produtos Ecológicos
de Torres (RS) - www.
centroecologico.
org.br/
cooperativas.php
ICMBio - Instituto Chico
Mendes de Conservação
da Biodiversidade (SC)
- www.icmbio.gov.br
IFC – Instituto Federal
Catarinense – Campus
Santa Rosa do Sul (SC)
- santarosa.ifc.edu.br
IFPR – Instituto Federal
do Paraná (PR) -
www.ifpr.edu.br
Instituto Çarakura
(SC) - www.
institutocarakura.org.br
Motirõ Sociedade
Cooperativa (PR) -
www.motiro.org
NAAU – Núcleo de
Agroecologia do
Alto Uruguai (RS)
Núcleo Litoral Solidário
da Rede Ecovida
(RS) - ecovida.org.br
Onda Verde (RS) -
ondaverdeong.org.br/
Recicleide Arte
e Educação
Socioambiental (SC)
- recicleide.com.br
Rede Ecovida de
Agroecologia (RS+SC+PR)
- ecovida.org.br
Rede Juçara
(RS+SC+PR) - www.
redejucara.org.br/site
ReSNEA – Rede Sul de
Núcleos de Estudo
em Agroecologia
e Produção
Orgânica (RS+SC+PR)
- resnea.blogspot.com
SEMA – Secretaria
do Ambiente e
Desenvolvimento
Sustentável (RS) -
www.sema.rs.gov.br
Terra Indígena Riozinho
Tekoa Pindoty – aldeia
Mbya Guarani (RS)
UFFS – Universidade
Federal da Fronteira
Sul – www.uffs.edu.br
UFPR – Universidade
Federal do Paraná
- www.ufpr.br
UFRGS – Universidade
Federal do Rio
Grande do Sul
- www.ufrgs.br -
UFSC – Universidade
Federal de Santa
Catarina - www.ufsc.br
URICER –
Universidade
Regional Integrada
(RS) - www.
uricer.edu.br
UTFPR – Universidade
Federal Tecnológica
do Paraná - www.
utfpr.edu.br
34 35
Referências Bibliográficas
Associação de Estudos, Orientação e Assistência Rural. Agroflorestas
no Sudoeste Paranaense: Agroecologia como base na dinâmica
florestal. Francisco Beltrão (PR): ASSESOAR, 2015. Disponível
em assesoar.org.br/?p=5623. Acesso em 24 fev. 2017.
DEITENBACH, Armin; MAGNANTI, Natal; VIVAN, Jorge Luiz (orgs.).
Cartilha Agroflorestal da Mata Atlântica. Projeto de formação
Agroflorestal em Rede na Mata Atlântica (CONSAFS).
GONÇALVES, André Luiz Rodrigues; VENTURIN, Leandro. SISTEMAS AGROFLORESTAIS:
produção de alimentos em harmonia com a natureza. Ipê: Centro Ecológico, 2014.
Instituto Contestado de Agroecologia; Projeto Flora. Caderno
n° 1 - Terra, floresta e gente. Disponível em https://issuu.com/
comunicadoresflora/docs/flora_cartilha_view, acesso em 24 fev. 2017.
NETO, Nelson Eduardo Corrêa; MARANHÃO, Namastê; STEENBOCK,
Walter; MONNERAT, Priscila Facina. Cartilha Sistemas Agroflorestais
Agroecológicos em Assentamentos da Reforma Agrária. Barra do Turvo:
COOPERAFLORESTA, 2016. Disponível em http://media.wix.com/ugd/
e4b2ec_f8589733319d4c48b38500d0c95ce565.pdf, acesso em 24 fev. 2017
NETO, Nelson Eduardo Corrêa; MARANHÃO, Namastê; STEENBOCK, Walter;
MONNERAT, Priscila Facina. Cartilha Agroflorestar: Organicamente com a Vida.
Barra do Turvo: COOPERAFLORESTA, 2016. Disponível em http://media.wix.com/
ugd/e4b2ec_1231e45192344d509fcc74c638a04b34.pdf, acesso em 24 fev. 2017
RAMOS, Grazianne Alessandra Simões. Potencial de usos madeireiros
em diferentes tipos de vegetação arbórea no sistema roça de toco na
Mata Atlântica. 2014. 99 p. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal
de Santa Catarina, Centro de Ciências Agrárias, Programa de Pós-
Graduação em Agroecossistemas, Florianópolis, 2014. Disponível em: <http://
www.bu.ufsc.br/teses/PAGR0338-D.pdf>, acesso em 24 fev. 2017.
SEOANE, Carlos Eduardo Sicoli et al. Restauração ecológica de paisagens
degradadas por meio da produção agroecológica em sistemas agroflorestais.
Comunicado Técnico Embrapa Florestas n° 346. Colombo (PR): Embrapa
Florestas, Outubro de 2014, p. 1-5. Disponível em ainfo.cnptia.embrapa.br/
digital/bitstream/item/120203/1/CT.-346-Seoane.pdf, acesso em 24 fev. 2017.
SEOANE, Carlos Eduardo Sicoli et al. Conservação Ambiental Forte Alcançada
Através de Sistemas Agroflorestais Multiestratificados. 1 - Agroflorestas e a
Restauração Ecológica de Florestas. Cadernos de Agroecologia – ISSN 2236-7934
– Vol 9, No. 4, Nov 2014, p. 1-11. Disponível em https://www.alice.cnptia.embrapa.
br/alice/bitstream/doc/1018264/1/2014C.EduardoAGROECOLConservacao11.pdf.
Impressora Mayer
Pomerode (SC)
www.mayer.ind.br.
Cartilha impressa
em Março de 2017.
36
Esta cartilha é o segundo volume da série AGROFLORESTAS
AGROECOLÓGICAS DO SUL EM REDE, que integra
o Projeto Núcleo de Sistemas AgroFlorestais
Agroecológicos do Sul (SAFAS), resultado da Chamada
MDA/CNPq Nº 39/2014, Processo nº 472529/2014-5,
coordenado pelo Prof. Dr. Ilyas Siddique (UFSC).
leap.ufsc.br/projetos/safas/
redesafas@gmail.com

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Rede SAFAS: Trazendo a floresta pra dentro da roça

  • 1. 1 Trazendo a floresta pra dentro da roca SÉRIE AGROFLORESTAS AGROECOLÓGICAS DO SUL EM REDE — Nº 2
  • 2. 2 3 Trazendo a floresta pra dentro da roca
  • 3. 4 5 Expediente Coordenação Editorial e Edição: Ana Carolina Dionísio (CEPAGRO) Pesquisa e Conteúdo: Ana Carolina Dionísio, Fernanda Dorta, Grazianne Alessandra Simões Ramos, Ilyas Siddique, Natal João Magnanti Redação: Ana Carolina Dionísio e Fernanda Dorta Projeto Gráfico e Diagramação: Juliana Duclós Foto: Camila Argenta, Ilyas Siddique, Tiago Fedrizzi. Acervos da Rede Juçara, ASSESOAR, Cooperafloresta, CETAP e Projeto Flora, gentilmente cedidos. Foto da capa: Agricultora Aparecida de Lima Moura em SAFA na Cooperafloresta. Rede SAFAS Universidade Federal de Santa Catarina Centro de Ciências Agrárias (CCA-UFSC) Departamento de Fitotecnia Rod. Admar Gonzaga 1346, Itacorubi Florianópolis - SC CEP 88034-001 Coordenador: Prof. Dr. Ilyas Siddique ilyas.s@ufsc.br, redesafas@gmail.com leap.ufsc.br/safas A disseminação de experiências em Sistemas AgroFlorestais Agro- ecológicos pelo Brasil mostra como essa agricultura em harmonia com o meio ambiente pode trazer soluções em termos de conserva- ção e regeneração ambiental e segurança e soberania alimentar e nutricional. Conhecer e conectar as diversas experiências em agro- florestas é um caminho para superar os desafios e gargalos para sua expansão e desenvolvimento. Foi buscando atender a esta demanda de compartilhamento de vivên- cias práticas e aprimoramento em pesquisas acadêmicas que em 2014 começou-se a formar a Rede de Sistemas AgroFlorestais Agroecológi- cos do Sul do Brasil (SAFAS), através de uma chamada conjunta entre Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Um dos obje- tivos primordiais da Rede SAFAS é sistematizar dados de pesquisas já existentes e realizar análises que contribuam para a formulação e implementação de políticas públicas que fomentem as agroflorestas e as famílias que nelas trabalham e vivem. Além disso, ao promover o diálogo entre estudantes, técnicos, acadêmicos e agricultores, a Rede entrelaça conhecimentos teóricos e práticos que colaboram para melhorar processos produtivos e de manejo nos SAFAs. Sua di- versidade de atores reflete a da floresta, assim como a complemen- taridade e cooperação entre eles. Esta cartilha traça um breve panorama sobre o trabalho da Rede SA- FAS: seus princípios, metodologias de trabalho e contribuições para o desenvolvimento das agroflorestas agroecológicas no Sul do Brasil. Além disso, o material busca também compartilhar experiências de Sistemas AgroFlorestais Agroecológicos implantados e assessorados por organizações e cooperativas que integram a Rede. Buscamos as- sim dar cada vez mais visibilidade a essas iniciativas, seja para fortale- cê-las pela superação de desafios ou para inspirar novas agroflorestas. Uma rede inspirada PELAS FLORESTAS Apresentação Dedicado ao saudoso Jorge Luiz Vivan, que inspirou e facilitou muitas agroflorestas e pessoas, em rede DIONÍSIO, Ana Carolina; DORTA, Fernanda; MAGNANTI, Natal João; SIMÕES-RAMOS, Gra- zianne Alessandra; SIDDIQUE, Ilyas. Rede SAFAS: trazendo a floresta pra dentro da roça. Flo- rianópolis: UFSC, 2017. (Série Agroflorestas Agroecológicas do Sul em Rede, v. 2). 32p. ISBN e-book: 978-85-64093-54-6 Complementa o vídeo com o mesmo título, disponíveis em: http://leap.ufsc.br/safas/publ Apoio financeiro: Ministério do Desenvolvimento Agrário, Chamada MDA/CNPq Nº 39/2014 (Processo: 472529/2014-5) 2017 Rede de Sistemas Agroflorestais Agroecológicos do Sul (SAFAS). O trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – atribuição com- partilha igual 4.0 internacional. Qualquer parte desta publicação pode ser reproduzida, desde que citada a fonte. DIONÍSIO, Ana Carolina; DORTA, Fernanda; MAGNANTI, Natal João; SIMÕES-RAMOS, Grazianne Alessandra; SIDDIQUE, Ilyas. Rede SAFAS: trazendo a floresta pra dentro da roça. Florianópolis: UFSC, 2017. (Série Agroflorestas Agroecológicas do Sul em Rede, v. 2). 32p. ISBN e-book: 978-85-64093-54-6 Complementa o vídeo com o mesmo título, disponíveis em: http://leap.ufsc.br/safas/publ Apoio financeiro: Ministério do Desenvolvimento Agrário, Chamada MDA/CNPq Nº 39/2014 (Processo: 472529/2014-5) 2017 Rede de Sistemas Agroflorestais Agroecológicos do Sul (SAFAS). O trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – atribuição compartilha igual 4.0 internacional. Qualquer parte desta publicação pode ser reproduzida, desde que citada a fonte. Dedicado ao saudoso Jorge Luiz Vivan, que inspirou e facilitou muitas agroflorestas e pessoas, em rede. EXPEDIENTE Coordenação Editorial e Edição: Ana Carolina Dionísio (CEPAGRO) Pesquisa e Conteúdo: Ana Carolina Dionísio, Fernanda Dorta, Grazianne Alessandra Simões-Ramos, Ilyas Siddique, Natal João Magnanti Redação: Ana Carolina Dionísio e Fernanda Dorta Projeto Gráfico e Diagramação: Juliana Duclós Foto: Camila Argenta, Ilyas Siddique, Tiago Fedrizzi. Acervos da Rede Juçara, ASSESOAR, Cooperafloresta, CETAP e Projeto Flora, gentilmente cedidos. Foto da capa: Agricultora Aparecida de Lima Moura em SAFA na Cooperafloresta. Rede SAFAS Universidade Federal de Santa Catarina Centro de Ciências Agrárias (CCA-UFSC) Departamento de Fitotecnia Rod. Admar Gonzaga 1346, Itacorubi Florianópolis - SC CEP 88034-001 Coordenador: Prof. Dr. Ilyas Siddique ilyas.s@ufsc.br , redesafas@gmail.com leap.ufsc.br/safas
  • 4. 6 7 Plantar, manejar, consorciar, integrar. Praticar uma agricultura sustentá- vel com a floresta. Combinar produção de alimentos com conservação ambiental. Recuperar áreas degradadas através da agroecologia. Tão diversas quanto as florestas, são as definições de Sistemas AgroFlo- restais Agroecológicos (SAFAs). E todas podem ser complementares, assim como os elementos da natureza. Como os SAFAs dependem de condições ambientais como o clima, relevo e solos, podem ser implantados de várias maneiras, associando diferentes tipos de cultivos. Mas a ideia básica é de integrar culturas agrícolas e arbóreas no mesmo espaço, visando a usos múltiplos de seus produtos: alimentação; provisão de lenha, fibras e biomassa; adu- bação verde. É uma tecnologia agrícola relativamente recente, mas que leva em conta conhecimentos tradicionais sobre a convivência da agricultura dentro da floresta. Trazendo a floresta pra DENTRO DA ROCA Sistema Agroflorestal Agroecológico implantado na região Sudoeste do Paraná, com apoio da organização ASSESOAR. É muito gratificante tirar alimento dali, produzir, viver e preservar o lugar. Raquel Carlos Fernandes, estudante e agricultora de Três Cachoeiras (RS), vendendo na Feira Ecológica de Torres os alimentos vindos do Sistema Agroflorestal Agroecológico de sua família.
  • 5. 8 9 Biodiversidade Diferente das mo- noculturas consideradas “conven- cionais”, os Sistemas AgroFlores- tais Agroecológicos inspiram-se na diversidade do ambiente natural, combinando várias espécies ve- getais na mesma área. Esses con- sórcios aproveitam a interação entre plantas de diferentes estra- tos, ciclos e funções, contribuindo para a conservação da biodiversi- dade – que inclui também animais silvestres e domésticos. Conforme o manejo avança no tempo, a tendência é aumentar a con- servação da biodiversidade. A agricultura é uma das atividades mais antigas da humanidade. Historicamente, o modelo predominante no Brasi, que recebe mais apoios e ocupa mais terras, é o da monocultura para exportação: soja, algodão, cana-de-açúcar, café. Os Sistemas AgroFlorestais Agroecológicos trabalham com uma lógica bem diferente deste modelo agrícola com pesados impactos socioambientais e voltado para mercados externos. Vejamos alguns dos seus princípios norteadores, que também pautam o trabalho da Rede SAFAS: Quais os diferenciais dos SAFAs? Agricultura Familiar Estima-se que 70% dos alimentos consumidos no Brasil são produzi- dos por agricultores e agricultoras familiares. Ao conjugar diversida- de de cultivos com conservação ambiental em pequenas extensões de terra, os SAFAs apresentam-se como uma alternativa interessante para camponeses e camponesas. Manejo Começa com a própria escolha das plantas que vão compor o Sistema AgroFlorestal Agroecológico. Para garantir seu estabelecimento, os SAFAs requerem intervenções constantes de mane- jo nos seus estágios iniciais, como retirada de plantas espontâneas, co- locação de cobertura morta, adubações e podas. Estas intervenções colaboram para a recuperação dos solos e evitam a competição por espaço e luz solar entre as espécies. O manejo da sucessão vegetal tam- bém contribui para a elevada biodiversidade nas agroflorestas. Um dos objetivos da Rede SAFAS é trocar experiências técnicas de manejo nas agroflorestas para tornar o trabalho mais leve e prático. Benefícios Ambientais O modelo agrícola chamado “convencional” - com sua alta depen- dência de insumos químicos, combustíveis fósseis e elevado consumo de água – é responsável por pesados impactos socioambientais, como redução e contaminação de recursos hídricos e câmbios climáticos. Neste sentido, os Sistemas AgroFlorestais Agro- ecológicos representam um caminho para aliar a pro- dução de alimentos com conservação ambiental. Os consórcios entre árvores e culturas agrícolas favorecem a ciclagem tanto de matéria orgânica quanto da água, além de aumentar a diversidade de espécies vegetais e animais que participam deste ciclo virtuoso com a disper- são de sementes e polinização. Produção de alimentos Com a promessa de “acabar com a fome no mundo”, a di- fusão da agricultura químico-dependente e, mais recentemente, dos transgênicos, mostrou-se ineficiente para a segurança alimentar das populações, gerando a contaminação da saúde das pessoas, do meio ambiente e dos alimentos ao privilegiar a produção de commodities de exportação. No paradigma agroflorestal, a ideia é produzir alimentos em menor quantidade, mas com mais diversidade. Além disso, a floresta não representa um obstáculo para a agricultura, mas um ambiente adequa- do para ela, aproveitando as potencialidades da sucessão vegetal no espaço e no tempo. Assim, combinam-se produção de alimentos saudá- veis e variados com a promoção de serviços ecossistêmicos (ciclagem da água, produção de biomassa, sequestro de carbono).
  • 6. 10 11 A gente planta tudo junto. É uma organização de plantas no espaço e no tempo. Essa é a grande sacada da agrofloresta, que joga com a sucessão natural. Algo muito parecido é quando cai uma árvore na floresta. Quando cai é porque já fechou o ciclo, vem cipó enroscado, abre clareira maior. A clareira é lugar mais rico da floresta. Ali, plantas de crescimento rápido, médio, todas convivem. Pensando assim, a gente tenta organizar nossos Sistemas AgroFlorestais usando essa lógica para os alimentos. Uma alface a partir da muda produz com 30 dias. A vagem, 70 dias. O milho, 50. A banana, 1 ano e meio. A juçara, 6 anos. Uma infinidade. Varia muito conforme o entendimento do agricultor sobre agrofloresta, seu estado de espírito, condições de solo, saúde física. A organização dos cultivos no espaço e tempo da floresta é observada também no SAFA do agricultor Valdeci Evaldt, de Morrinhos do Sul (RS). Pedro Oliveira de Souza, agricultor agroflorestal da Cooperafloresta (Vale do Ribeira, SP).
  • 7. 12 13 “Por exemplo, no lugar onde eu moro parecia que o vento ia levar a casa. Com a agrofloresta em volta de casa, ou o vento parou ou as árvores estão protegendo. Esse é um benefício. A trilha sonora dos passarinhos é outra coisa que não tem preço. Meu solo tem melhorado. Aos poucos es- tou reconquistando a confiança da terra. Poderia dizer que estou aprendendo a trabalhar, mas é a terra que está con- fiando em mim. Está me revelando seus segredos”. A fala do agricultor Pedro Oliveira de Souza aponta alguns dos serviços ecossistêmicos gerados pelos sistemas agroflorestais agroeco- lógicos: proteção contra variações climáticas, melhoria do solo, aumento da biodiversidade. Membro da Cooperaflo- resta – associação de agricultores agroflorestais do Vale do Ribeira (SP e PR) – Pedro conta que a decisão por agroflo- restar partiu primeiro de uma necessidade muito básica: ga- rantir sua própria alimentação. Mais do que uma técnica de cultivo de sucesso, a agrofloresta representou uma melhoria na qualidade de vida do agricultor e, no conjunto da Coope- rafloresta, da situação da Mata Atlântica naquela região. Pesquisadores da Embrapa já verificaram em estudos o que Pedro observou ao longo de sua vida como agricultor agro- florestal. Numa pesquisa em 13 unidades familiares, cons- tatou-se que o cultivo de SAFAs pelas famílias agricultoras, combinando diversos tipos de espécies no mesmo espaço, transformou uma paisagem dominada por pastos num mo- saico de espaços cultivados e capoeiras, resultando num espaço produtivo e ao mesmo tempo em processo de res- tauração. De um panorama em que 94% da área de solos era usada como pasto ou coivara nos anos 90, em 2011 encontrou-se 80% da mesma área cobertas por florestas em regeneração ou agroflorestas. O que mudou? SAFAS: UMA AGRICULTURA QUE COLABORA COM O MEIO AMBIENTE Diversidade de cultivos e trabalho coletivo marcam a implantação e manejo dos SAFAs da Cooperafloresta, no Vale do Ribeira (SP e PR). Além de segurança alimentar e qualidade de vida, estes agricultores e agricultoras também colhem benefícios ambientais. Nascida a partir da organização de famílias agricultoras quilombolas, a Cooperafloresta atualmente é formada por 110 unidades familiares, envolvendo mais de 300 pessoas nos municípios de Barra do Turvo (SP) e Adrianópolis e Bocaiúva do Sul (PR). A biomassa produzida pelo manejo das espécies arbóreas e de aduba- ção verde, ao ser incorporada ao solo, aumenta a quantidade de matéria or- gânica, recuperando sua fertilidade. As áreas de vegetação secun- dária deixadas intencionalmente pelos agricultores – as capoeiras – abrigam pássaros e abelhas, que trazem sementes e contri- buem para a polinização. As agroflorestas atuam como esponjas, retendo a água das chuvas e fazendo-a circular de volta para a atmosfera. Este movimento regula a disponibi- lidade de água e também a temperatura local. As árvores amortizam os espaços de produção de alimentos, protegen- do as lavouras de condições climá- ticas extremas (vento, frio ou calor). 13
  • 8. 14 15 Estamos implantando cerca de 40 unidades de SAFs em 12 municípios do Sudoeste do Paraná. Áreas de pasto ou de produção de grãos estão sendo retomadas para produção de alimentos e preservação ambiental. Um grande desafio é que é uma região produtora de grãos, principalmente soja e milho. As famílias não têm tradição de manejar floresta. É preciso quebrar paradigmas de que tem que ser tudo limpo e com uma única planta, para fazer uma grande mistura de plantas. Janete Rosane Fabro, técnica da ASSESOAR, organização de Francisco Beltrão (PR). Da monocultura predatória à diversidade produtiva No Sudoeste do Paraná, a implantação de Sistemas AgroFlorestais Agroecológicos vai lentamente transformando a paisagem, recuperando áreas degradadas pela agricultura convencional e retomando o debate da soberania alimentar. Com foco na produção de alimentos agroecológicos diversificados, os SAFAs contribuem para a autonomia regional dessas famílias.
  • 9. 16 17 AGROFLORESTANDO A REFORMA AGRÁRIA Com patrocínio do Programa Petrobrás Socioambiental, o Projeto Flora (implementado pelo Instituto Contestado de Agroecologia e outros 3 centros de formação em agroeco- logia do Paraná) teve o objetivo de: transformar 200 hectares de áreas degradadas em SAFAs, realizar pesquisa e sistema- tização das experiências e capacitar camponeses e cam- ponesas em agroecologia. O público alvo foram famílias de assentamentos da reforma agrária em cerca de 40 municí- pios do Paraná. Como explica Priscila Monerat, “80% do Pa- raná era floresta. Isso tudo foi destruído em 100 anos. Hoje vemos os resultados: falta de água, enchentes, vendavais. É urgente, então, recuperar as florestas. Mas não conseguimos restabelecê-las como eram. É preciso encontrar uma nova forma, integrando camponeses nesse trabalho, gerando ren- da, reflorestamento e recuperação do ambiente.” Nosso projeto de agrofloresta incentiva as famílias a plantar madeira, reflorestar. É uma agricultura que insere o componente arbóreo pra diminuir a pressão sobre as florestas. Os assentamentos têm grandes áreas florestais, como o assentamento Contestado, que tem 38% de área em reserva. O assentamento tem 16 anos e desde então as famílias têm cuidado a área de reserva. O ambiente era degradado, e hoje em dia começaram a aparecer animais. Além dos benefícios ambientais, esse trabalho tem se mostrado eficiente no enriquecimento e diversificação da alimentação das famílias. Priscila Faccina Monerat, equipe técnica Projeto Flora.
  • 10. 18 19 O colorido dos alimentos agroecológicos do SAFA da família Evaldt, comercializados na Feira Ecológica de Torres. Na sua função primordial, que é a produção de alimentos, a agricultura foi um dos fatores que causou o desmatamento de grandes áreas florestais. Com a desculpa de “alimentar o mundo”, foi disseminado o uso de fertilizantes, agrotóxicos e de sementes patenteadas. Mas seria possível manter uma produção de alimentos saudáveis sem agredir tanto o meio ambiente e a saúde dos agricultores? Essa é a ideia dos Sistemas AgroFlorestais Agroecológicos: aproveitar as dinâmicas de sucessão de espécies, ciclagem de nutrientes e bio- diversidade dos ecossistemas para produzir alimentos variados e sadios, sem o uso de agroquímicos. Além de incorporar as árvores às áreas de cultivo - desmistificando a noção de que antes de plantar é preciso PRODUZINDO ALIMENTOS JUNTO COM A FLORESTA acabar com a floresta - o trabalho com SAFAs fortalece a segurança alimentar das famílias pela diversificação da alimentação, ao valo- rizar o policultivo, as espécies nativas e as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs). Como afirma a nutricionista Mariana Oliveira Ramos, da ONG Anama, no litoral norte do Rio Grande do Sul, que integra a Rede SAFAS: “A gen- te precisa fortalecer padrão de produzir comida junto com a floresta. Se considerarmos que o agribusiness é um sucesso porque produz muito, deixamos de considerar o custo ambiental. Precisamos reverter esse mo- delo de expansão que tira a floresta. O diálogo é o caminho que a gen-
  • 11. 20 21 Se a gente consegue produzir tantas toneladas em um hectare de monocultura, na agrofloresta vamos conseguir menos toneladas, mas com mais diversidade. Em vez de tantas toneladas que teríamos de tal grão, vamos ter 10, 20, 30 tipos de alimento. Menos quantidade na colheita por espécie, mas com uma diversidade maior na mesma área. Márcio Mortari, biólogo e permacultor do Instituto Çarakura, de Florianópolis (SC). te precisa”. Em seu trabalho na ANAMA, Maria- na assessora o beneficiamento e produção de polpas de frutas nativas da Mata Atlântica. “A juçara é o carro chefe, mas também trabalha- mos com guabiroba, goiaba, jabuticaba, araçá”, conta. A valorização dessas frutas passa também por um trabalho de educação para o consumo, que ela realiza, por exemplo, na EcoFeira de Torres (RS), pre- parando receitas inovadoras e saborosas. A Cooperativa de Consumidores EcoTorres, que tem seu próprio espaço de co- mercialização (foto), também desenvolve ações voltadas ao consu- mo consciente de alimentos, aproximando agricultores e consumidores. Outra iniciativa de valorização da agrobiodiversidade é empreendida pela organização gaúcha Centro de Tecnologias Alternativas Populares (CETAP), com sede em Passo Fundo. Desde 2001 eles articulam uma ca- deia produtiva e de comercialização de frutas nativas do Sul do Brasil, como guabiroba, pitanga, araçá vermelho, pinhão, jabuticaba, uvaia e butiá. De tão comuns, não eram vistas como produtos comercializá- veis em potencial. “Então começou um trabalho forte de valorização de produtos agroflorestais, com recorte das frutas nativas”, conta Alvir Longhi, técnico do CETAP. Em sucessivos projetos, foram assessoradas e desenvolvidas estruturas de beneficiamento das frutas, transformadas em polpas, picolés e sorvetes. Através da parceria com o Encontro de Sabores (empreendimento da economia solidária de facilitação das di- nâmicas de circulação e comercialização dos produtos das frutas nati- vas entre as diferentes regiões do RS), Investiu-se na apresentação dos produtos e na busca de pontos de comercialização. “Não basta ser or- gânico e da agrofloresta, tem que ser muito bom. Ter uma aparência boa, boa embalagem”. A estratégia de valorização das frutas nativas do CETAP passa pela apresentação desses sabores em receitas diversas. Assim, a Cadeia Solidária das Frutas Nativas tem ganhado espaço na comunidade urbana, com empórios e restaurantes comercializando os produtos. “Isso também aumenta a autoestima do agricultor. Então a gente precisa trabalhar as estratégias de produção junto com comercialização, de maneira que se- jam complementares”, completa Alvir. Além de representar um mercado em potencial, o aprovei- tamento das frutas nativas possibilita a ampliação da base alimentar dos próprios agricultores. Mas seria possível produzir alimentos em quantidade su- ficiente para a população nessa agricultura junto com a floresta? O professor Fábio Dal Soglio (UFRGS), responde: “Sim, com certeza! problema é que não vamos produzir tal grão no formato e na quantidade que tal empresa quer. Esta- mos falando de alimentos para a sociedade”.
  • 12. 22 23 O QUE FALTA PARA TERMOS MAIS AGROFLORESTAS? Os gargalos para o desenvolvimento das agroflorestas no Brasil são de diver- sos tipos: de limitações técnicas a res- trições legislativas, da dificuldade de comercializar os produtos agroflores- tais à grande demanda de mão-de- -obra para manejo das áreas. Depen- dendo do tipo de envolvimento com a temática, técnicos das organizações, pesquisadores, acadêmicos e agricul- tores apontam diferentes desafios para as agroflorestas, sendo de origem téc- nica, cultural, econômica ou política. A gente vai se encaixando nos espaços, trabalhando, produzindo, buscando a legalização do produto e o registro da agroindústria. Alguns são mais difíceis, como o açaí. Depois passam 2 anos, a gente olha pra trás e acha que foi fácil. Tudo é possível. Izaías Becker, agricultor e proprietário da Agroindústria Morro Azul, no município de Três Cachoeiras (RS), integrante da Associação dos Colonos Ecologistas da Região de Torres (ACERT). Questões Técnicas • Assistência técnica: prestada quase sempre por organizações que sofrem com a instabilidade financeira e têm que buscar apoios externos para financiar seus projetos e auxiliar famílias na transição agroecológica. • Faltam pesquisas sobre processos e maquinários para facilitar o manejo das agroflorestas e sobre insumos agroecológicos para substituir os agrotóxicos e adubos químicos. • Acesso a tecnologias de beneficiamento de produtos de SAFAs. • Acesso e qualidade de bancos de sementes. O desenvolvimento de técnicas e ferramentas para facilitar o manejo e aprimoramento da legislação ambiental sobre este tema podem impulsionar a expansão de Sistemas AgroFlorestais Agroecológicos. Questões Territoriais • Dificuldade de trabalhar em áreas degradadas ou com desequilíbrios ambientais no entorno. Vulnerabilidade a mudanças climáticas. • Distância das comunidades em relação a grandes centros urbanos ou estradas. Questões Econômicas • Poucas linhas de crédito para agroflorestas. Quando existem, as planilhas não estão adaptadas à realidade da agricultura familiar. • Falta de seguro agrícola que financie sistemas e não só culturas. • Comercialização: dificuldade de acesso a mercados, desestruturação de programas de compras institucionais, entraves burocráticos para regularização dos produtos. Questões Culturais • Resistência em mudar sistema de cultivo, abandonar o uso de agrotóxicos e aceitar a diversidade de plantas e a presença das árvores nas áreas cultiváveis. • Ideia de que só a monocultura químico- dependente é produtiva e capaz de “alimentar o mundo”. Questões Políticas • É necessário construir e consolidar políticas públicas para assistência técnica agroecológica, estruturas de beneficiamento de alimentos dos SAFAs e ampliação e facilitação do acesso a canais de comercialização. • Priorizam-se subsídios à agricultura convencional: há mais incentivo público e institucional para o uso de agrotóxicos e adubos químicos do que para fazer a transição agroecológica. • Legislação ambiental ainda não abarca a realidade dos SAFAs, principalmente em termos de práticas de manejo, extrativismo e aspectos sanitários dos produtos. • Concentração fundiária.
  • 13. 24 25 Compartilhar experiências práticas e resultados de pesquisas é um dos caminhos para superar os desafios e gargalos para o desenvolvi- mento de SAFAs. Dentre os objetivos primordiais da Rede de Sistemas AgroFlorestais Agroecológicos do Sul do Brasil (Rede SAFAS) está exa- tamente a promoção deste diálogo. Embora formada em 2014, a Rede SAFAS resulta de uma articulação de outras redes e organizações que já desde o início dos anos 2000 vinham trabalhando com a avaliação e sistematização de Sistemas AgroFlorestais Agroecológicos implantados ainda nos anos 90, além de prestar assessoria para o desenvolvimento de novos SAFAs. “É cos- turar um trabalho que já existe na Rede, tecendo algo mais amplo, que procura conexão com outros atores que são importantes para que o modo de trabalhar com agroflorestas seja massificado”, con- ta Natal João Magnanti, do Centro Vianei de Educação Popular, organização de Lages (SC) que atua na implantação e assessoria a Sistemas AgroFlorestais e Agrosilvopastoris na região serrana de Santa Catarina. O Vianei participou de um dos primeiros projetos a articular essas iniciativas em SAFAs: o “Formação Agroflorestal em Rede na Mata Atlântica”, financiado pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente do Ministério do Meio Ambiente de 2003 a 2006. Articulando dezesseis organizações de 8 estados brasileiros, teve como objetivos realizar atividades de campo (cursos, oficinas, intercâmbios) e criar metodo- logias para mapeamento, avaliação e sistematização experiências em SAFAs. Com a coordenação técnica de Jorge Luiz Vivan, um dos expoentes na criação de metodologias em SAFAs, o projeto resultou na produção de uma cartilha e na realização de seminários nacio- nais para discutir SAFs. Várias entidades do Sul do Brasil que posteriormente integrariam a Rede SAFAS realizaram em setembro de 2005 um Seminário no Cen- REDE SAFAS: ENTRELACANDO TRABALHOS, EXPERIENCIAS E CONHECIMENTOS tro Ecológico de Ipê (RS) para socializar estratégias de sensibiliza- ção para adoção de SAFAs pelas famílias agricultoras e também intercambiar informações sobre processamento e comercialização de alimentos das agroflorestas. Com a participação das entidades AOPA, ASSESOAR, Centro Ecológico, CAPA, CETAP, Cooperafloresta, ECOCITRUS e Vianei, o Seminário constituiu um importante espaço de diálogo e troca de experiências, desdobrando-se na formação do Grupo de Trabalho e Monitoramento dos Sistemas Agroflorestais na Rede Ecovida de Agroecologia. Enquanto as iniciativas com Sistemas AgroFlorestais Agroecológi- cos multiplicavam-se no Sul do Brasil, o projeto “Consolidação do Grupo de trabalho e monitoramento dos Sistemas AgroFlorestais na Rede Agroecológica”, coordenado pelo Instituto Morro da Cutia de Agroecologia (IMCA-RS) e com apoio do Ministério do Meio Am- biente, favoreceu a articulação das organizações para assessorar esses processos até 2011. Na sequência, outro projeto importante no desenvolvimento de SAFAs foi o do Fundo Brasileiro para a Biodiver- sidade, em que participaram várias das organizações que estavam no Seminário de Ipê. Paralelamente, algumas chamadas públicas administradas pelo CNPq incentivaram a formação de Núcleos de Estudos em Agroe- cologia (NEAs) para fortalecer parcerias e troca de conhecimentos entre universidades, instituições de ensino tecnológico, centros de pesquisa, organizações de agricultores e de assistência técnica e extensão rural (ATER). Essas chamadas facilita- ram uma maior integração funcional de ações de ensino, pesquisa e comunicação (não apenas extensão) em Agro- ecologia em todo Brasil. Uma dessas chamadas (39/2014 do MDA /CNPq) viabilizou a articulação de um NEA focado especifi- camente em Sistemas AgroFlorestais Agroecológicos abrangendo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, através do qual se formou a Rede SAFAS, integrante e parceira da Rede Sul de Núcleos de Agroecologia e Sistemas de Produção Orgânicos (ReSNEA).
  • 14. 26 27 A Rede SAFAS articula cooperativas e associações de agricultores, organizações e coletivos de assistência técnica e promoção da agroecologia, instituições de pesquisa e extensão rural e universidades de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A diversidade caracteriza os sujeitos envolvidos, assim como os ecossistemas trabalhados e os alimentos e espécies cultivados. Além disso, a complementaridade também é um elemento importante na Rede. Como explica Janete Rosane Fabro, da ASSESOAR (PR):” A Rede pra mim é essa grande ponte, entre quem está trabalhando e quem está pesquisando, entre demandas de uns e conhecimentos gerados por outros, entre diversos agricultores sobre o que cada um vem fazendo. É uma grande troca coletiva: de experiências, de conhecimentos e de pesquisas”. ONDE ESTAO E QUAIS SAO OS NOS DA REDE SAFAS? Implantação de SAFAS • Produção e beneficiamento de alimentos oriundos de SAFAs Asessoria técnica agroecológica • implantação de SAFAs Comercialização de alimentos de SAFAs Instituição de ensino • pesquisa • extensão rural 1 ACERT 2 ACEVAM 3 ANAMA 4 ASSESOAR (ver páginas 14 e 15) 5 CEMEAR 6 Centro Ecológico (ver página 11) 7 Centro Vianei de Educação Popular 8 CEPAGRO 9 CETAP 10 Cooperafloresta (ver páginas 12 e 13) 11 COPAVI 12 ECONATIVA 13 ECOTORRES (ver página 20) 14 EMATER - RS 15 EMBRAPA Clima Temperado 16 EMBRAPA Florestas 17 FATMA 18 Fundação Municipal de Desenvolvimento Rural 25 de Julho 19 ICA / ELAA / Projeto Flora (ver páginas 16 e 17) 20 IFC – Instituto Federal Catarinense 21 IFPR – Instituto Federal do Paraná 22 Instituto Çarakura 23 UFFS - Campi Chapecó e Laranjeiras do Sul 24 UFRGS - Faculdade de Agronomia, ResNEA, UVAIA e DESMA 25 UFSC - CCA e Campus Curitibanos 26 UTFPR • ABRASCO • Associação Içara - Maquiné (RS) • CATARSE – Coletivo de Comunicação (RS) • CODETER CCS (RS) • CODETER Litoral (RS) • Comunidade Morada da Paz (RS) • Escola Rural de Osório (RS) • Estação de Permacultura Moinho de Luz (SC) • Grupo Viveiros Comunitários (RS) • Instituto Caminho do Meio / CEBB – Centro de Estudos Budistas Bodisatva (RS) Outros coletivos, instituições e organizações que participam ou são parceiros da Rede SAFAS: • ICMBio - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (SC) • NAAU – Núcleo de Agroecologia do Alto Uruguai (RS) • Recicleide Arte e Educação Socioambiental (SC) • Rede Ecovida de Agroecologia (RS+SC+PR) • Rede Juçara (RS+SC+PR) • ReSNEA – (RS+SC+PR) • SEMA – Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (RS) • Tekoa Pindoty – Aldeia Mbya Guarani (RS) 2 3 4 5 6 79 10 10 11 12 131 14 15 16 24 25 25 18 19 20 21 23 26 26 27 8 17 22
  • 15. 28 29 Celebrar a alimentação biodiversa também é um dos objetivos da Rede SAFAS. Na foto, os participantes da Macro-Oficina 1 compartilham um belo almoço agroecológico preparado pela agricultora Zelma Strege Evaldt e sua equipe, durante a visita de campo à propriedade de sua família. SAFAS: TROCANDO E GERANDO CONHECIMENTOS EM REDE Mas como articular atores tão variados num território extenso como o Sul e Sudeste do Brasil? E, mais do que o reconhecimento mútuo, como promover uma troca de conhecimentos efetiva para o desenvolvimen- to de SAFAs? “Nos trabalhos da Rede, nós focamos em atividades de compartilhamento de experiências práticas, pois percebemos que di- ferentes parceiros têm conhecimentos práticos diferentes”, explica o professor Ilyas Siddique (UFSC), que coordena o projeto da Rede SAFAS. “As oficinas são o espaço que a gente criou para ter essa interlocução do conhecimento agroecológico, propiciando o protagonismo das or- ganizações e dos agricultores que vivem da agrofloresta”, completa Natal João Magnanti, do Centro Vianei de Educação Popular (SC). Reunindo agricultores, estudantes, professores universitários, pesqui- sadores, técnicos de ONGs, membros de comunidades tradicionais e militantes do movimento agroecológico, a primeira Macro-Oficina da Rede SAFAS aconteceu em novembro de 2015, no sede do Centro Eco- lógico em Dom Pedro de Alcântara (RS). Através de atividades como vi- sitas a campo, debates e oficinas temáticas, foram promovidos intensos diálogos de saberes práticos e conhecimentos acadêmicos, discussões sobre legislação envolvendo as agroflorestas, socialização de resulta- dos de pesquisas e articulações para chegar aos tomadores de deci- sões. A segunda Macro-Oficina da Rede SAFAS foi realizada em março de 2017, na Escola Latino-Americana de Agroecologia na Lapa (PR). “As oficinas são um caminho potente para combinar conhecimento acadêmico e prático”, afirma Ilyas Siddique. A agricultora e estudante Raquel Carlos Fernandes, de Três Cachoeiras (RS), ressalta a importân- cia desse intercâmbio: “A pesquisa tem muito pra passar pro agricultor, e ele também! Só que os conhecimentos dos agricultores não estão organizados cientificamente. Tem que aliar os dois, a escola e a prática, a vivência no campo”. Nessa relação de cooperação e complemen- taridade, a Rede imita uma agrofloresta, como avalia Eduardo Seoane, pesquisador da Embrapa Florestas (PR): “A questão da participação de várias entidades, com vários perfis de origem, interesses, com todo mundo trabalhando junto num mesmo objetivo é semelhante aos prin- cípios que regem a agrofloresta. Uma espécie faz sombra pra outra, disponibiliza substâncias para outra, tudo num sentido de coopera- ção, mais do que competição”. Na visita à propriedade de Zelma e Valdeci Evaldt, em Morrinhos do Sul (RS), os participantes da Macro- Oficina 1 vivenciaram na prática um pouco do manejo de um sistema agroflorestal. “Para saber quais tecnologias simples podemos usar para reduzir a penosidade do trabalho, os pesquisadores precisam estar em campo, participando do trabalho”, afirma Ilyas Siddique.
  • 16. 30 31 O diálogo promovido pela ar- ticulação de diversos atores na Rede SAFAS contribui não só para a construção do conhecimento e o aprimoramento do trabalho em agroflorestas. O fortalecimen- to de cada um dos nós da Rede torna as temáticas relacionadas aos Sistemas AgroFlorestais Agro- ecológicos cada vez mais conhe- cidas pela sociedade em geral e também pelo poder público. Ao sistematizar e divulgar experiên- cias em agroflorestas, focando especialmente nos problemas enfrentados e soluções encon- tradas, a Rede SAFAS colabora para a superação de gargalos e entraves no desenvolvimento das agroflorestas. Também porque torna-se um ator político, capaz de subsidiar e acompanhar a construção de legislações, polí- ticas públicas e programas que auxiliem a expansão e consoli- dação de Sistemas AgroFlorestais Agroecológicos. Além disso, a Rede SAFAS re- presenta todo um modelo de agricultura em harmonia com o meio ambiente que já era prati- cado por vários povos e comuni- dades tradicionais. A valorização de conhecimentos tradicionais REDE SAFAS: PRATICA, PESQUISA, POLITICA Ambiental: reavaliar permissões e restrições para manejo e implantação de SAFAs Sanitária: enquadramento dos alimentos agroflorestais, licenciamento de agroindústrias familiares Compras Institucionais: constituem um importante canal de escoamento para a agricultura familiar agroecológica Crédito e seguro agrícola: necessidade de adaptar planilhas para a realidade dos SAFAs e da agricultura familiar agroecológica; ampliação dos subsídios para agroecologia Debate realizado durante a Macro-Oficina 1 da Rede no Campus Santa Rosa do Sul do Instituto Federal Catarinense, reunindo agricultores, técnicos, pesquisadores, estudantes e representantes de órgãos de fiscalização ambiental do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Exemplo de articulação política promovida pela Rede SAFAS. caminha junto com o desenvolvimento das agroflorestas: “A agroflo- resta toca o conhecimento indígena, que já tem convivência com a natureza. Através da agrofloresta, começaram a fazer estudos sobre esses conhecimentos. É importante pra gente contribuir para esses estudos, achar um caminho tanto pros agricultores quanto pros indí- genas”, conta Felipe Brizoela Karaî Mirî, liderança da Terra Indígena Guarani Riozinho - Tekoá Pindoty (RS). O estreitamento do diálogo com a sociedade é fundamental para que esse paradigma baseado na harmonia entre agricultura e con- servação ambiental com soberania e segurança alimentar e nutricio- nal preconizado pela Rede SAFAS e outras redes agroecológicas seja estabelecido e cada vez mais difundido. Na avaliação do agricultor Pedro Oliveira de Souza, da Cooperafloresta (SP-PR), dessa mudança depende a própria sobrevivência do planeta, e por isso precisa ser defendida por todos: “Essa forma de agricultura baseada nos com- bustíveis fósseis, nas máquinas, que gasta a energia que o planeta tem guardado nas entranhas por milhões de anos pra produzir ali- mento e depois libera toda essa energia, é uma situação insana. Não dá pra gente competir com isso. Se não conseguirmos nos aliar com a sociedade, com pessoas despertas e dispostas a caminhar junto, não vamos poder subsistir. Ou a sociedade acorda e compra a briga, ou não vamos poder fazer diferença”. LEGISLAÇÕES E POLÍTICAS PÚBLICAS DISCUTIDAS NO ÂMBITO DA REDE SAFAS
  • 17. 32 33 ABRASCO – Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Nacional) - www. abrasco.org.br/ ACERT – Associação dos Agricultores Ecologistas da Região de Torres (RS) - www. centroecologico.org.br ACEVAM - Associação de Colonos Ecologistas Vale Mampituba (SC) - acevam.org Acolhida na Colônia – Associação de Agroturismo (SC) - acolhida.com.br ANAMA – Ação Nascente Maquiné (RS) - www. onganama.org.br ASSESOAR – Associação de Estudos, Orientação e Assistência Rural (PR) - assesoar.org.br/ CAPA – Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (RS) - www. capa.org.br/ Coletivo CATARSE – Cooperativa de Comunicação (RS) - coletivocatarse. com.br/home EMATER (RS) - www. emater.tche.br/site/ EMBRAPA Clima Temperado (RS) - www.embrapa.br/ clima-temperado EMBRAPA Florestas (PR) - https:// www.embrapa.br/florestas Escola Caminho do Meio/ Instituto Caminho do Meio / CEBB – Centro de Estudos Budistas Bodisatva (RS) - www.cebb.org.br/ centros/rs/viamao/ Escola Rural de Osório (RS) - escolaruralosorio. blogspot.com.br Estação de Permacultura Moinho de Luz (SC) FATMA – Fundação do Meio Ambiente (SC) - www.fatma.sc.gov.br Fundação Municipal de Desenvolvimento Rural 25 de Julho (SC) - www.joinville.sc.gov.br/ departamento/sdrural/ Grupo Viveiros Comunitários / DAIB / UFRGS-Biologia (RS) - www.facebook.com/ grupoviveiroscomunitarios/ ICA – Instituto Contestado de Agroecologia / ELAA – Escola Latino Americana de Agroecologia / Projeto Flora (PR) - ww.projetoflora.org PARTICIPANTES E PARCEIROS - REDE SAFAS CEMEAR – Centro de Motivação Ecológica e Alternativas Rurais (SC) - cemear.wordpress.com/ Centro Ecológico (RS) - www.centroecologico. org.br Centro Vianei de Educação Popular (SC) - www.vianei.org.br/ CEPAGRO – Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (SC) - www.cepagro.org.br CETAP – Centro de Tecnologias Alternativas Populares (RS) - cetap.org.br CODETER CCS – Colegiado de Desenvolvimento Territorial Campos de Cima da Serra (RS) CODETER Litoral RS – Colegiado de Desenvolvimento Territorial (RS) Comunidade Morada da Paz (RS) - https:// moradadapaz. wordpress.com COOMAFITT – Cooperativa Mista de Agricultores Familiares de Itati Terra de Areia e Três Forquilhas (RS) - http://coomafitt. blogspot.com.br/ COOPERAFLORESTA – Associação dos Agricultores Agroflorestais de Barra do Turvo e Adrianópolis (SP+PR) - www. cooperafloresta. com COOPTRASC – Cooperativa de Trabalho e Extensão Rural Terra Viva (SC) - cooptrasc.com.br COPAVI – Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória (PR) - www. cooperar.org. br/node/9 ECONATIVA – Cooperativa Regional de Produtores Ecologistas do Litoral Norte do RS e Sul de SC Ltda. (RS+SC) - www. centroecologico. org.br/ cooperativas.php ECOTORRES – Cooperativa de Consumidores de Produtos Ecológicos de Torres (RS) - www. centroecologico. org.br/ cooperativas.php ICMBio - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (SC) - www.icmbio.gov.br IFC – Instituto Federal Catarinense – Campus Santa Rosa do Sul (SC) - santarosa.ifc.edu.br IFPR – Instituto Federal do Paraná (PR) - www.ifpr.edu.br Instituto Çarakura (SC) - www. institutocarakura.org.br Motirõ Sociedade Cooperativa (PR) - www.motiro.org NAAU – Núcleo de Agroecologia do Alto Uruguai (RS) Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida (RS) - ecovida.org.br Onda Verde (RS) - ondaverdeong.org.br/ Recicleide Arte e Educação Socioambiental (SC) - recicleide.com.br Rede Ecovida de Agroecologia (RS+SC+PR) - ecovida.org.br Rede Juçara (RS+SC+PR) - www. redejucara.org.br/site ReSNEA – Rede Sul de Núcleos de Estudo em Agroecologia e Produção Orgânica (RS+SC+PR) - resnea.blogspot.com SEMA – Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (RS) - www.sema.rs.gov.br Terra Indígena Riozinho Tekoa Pindoty – aldeia Mbya Guarani (RS) UFFS – Universidade Federal da Fronteira Sul – www.uffs.edu.br UFPR – Universidade Federal do Paraná - www.ufpr.br UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul - www.ufrgs.br - UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina - www.ufsc.br URICER – Universidade Regional Integrada (RS) - www. uricer.edu.br UTFPR – Universidade Federal Tecnológica do Paraná - www. utfpr.edu.br
  • 18. 34 35 Referências Bibliográficas Associação de Estudos, Orientação e Assistência Rural. Agroflorestas no Sudoeste Paranaense: Agroecologia como base na dinâmica florestal. Francisco Beltrão (PR): ASSESOAR, 2015. Disponível em assesoar.org.br/?p=5623. Acesso em 24 fev. 2017. DEITENBACH, Armin; MAGNANTI, Natal; VIVAN, Jorge Luiz (orgs.). Cartilha Agroflorestal da Mata Atlântica. Projeto de formação Agroflorestal em Rede na Mata Atlântica (CONSAFS). GONÇALVES, André Luiz Rodrigues; VENTURIN, Leandro. SISTEMAS AGROFLORESTAIS: produção de alimentos em harmonia com a natureza. Ipê: Centro Ecológico, 2014. Instituto Contestado de Agroecologia; Projeto Flora. Caderno n° 1 - Terra, floresta e gente. Disponível em https://issuu.com/ comunicadoresflora/docs/flora_cartilha_view, acesso em 24 fev. 2017. NETO, Nelson Eduardo Corrêa; MARANHÃO, Namastê; STEENBOCK, Walter; MONNERAT, Priscila Facina. Cartilha Sistemas Agroflorestais Agroecológicos em Assentamentos da Reforma Agrária. Barra do Turvo: COOPERAFLORESTA, 2016. Disponível em http://media.wix.com/ugd/ e4b2ec_f8589733319d4c48b38500d0c95ce565.pdf, acesso em 24 fev. 2017 NETO, Nelson Eduardo Corrêa; MARANHÃO, Namastê; STEENBOCK, Walter; MONNERAT, Priscila Facina. Cartilha Agroflorestar: Organicamente com a Vida. Barra do Turvo: COOPERAFLORESTA, 2016. Disponível em http://media.wix.com/ ugd/e4b2ec_1231e45192344d509fcc74c638a04b34.pdf, acesso em 24 fev. 2017 RAMOS, Grazianne Alessandra Simões. Potencial de usos madeireiros em diferentes tipos de vegetação arbórea no sistema roça de toco na Mata Atlântica. 2014. 99 p. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Agrárias, Programa de Pós- Graduação em Agroecossistemas, Florianópolis, 2014. Disponível em: <http:// www.bu.ufsc.br/teses/PAGR0338-D.pdf>, acesso em 24 fev. 2017. SEOANE, Carlos Eduardo Sicoli et al. Restauração ecológica de paisagens degradadas por meio da produção agroecológica em sistemas agroflorestais. Comunicado Técnico Embrapa Florestas n° 346. Colombo (PR): Embrapa Florestas, Outubro de 2014, p. 1-5. Disponível em ainfo.cnptia.embrapa.br/ digital/bitstream/item/120203/1/CT.-346-Seoane.pdf, acesso em 24 fev. 2017. SEOANE, Carlos Eduardo Sicoli et al. Conservação Ambiental Forte Alcançada Através de Sistemas Agroflorestais Multiestratificados. 1 - Agroflorestas e a Restauração Ecológica de Florestas. Cadernos de Agroecologia – ISSN 2236-7934 – Vol 9, No. 4, Nov 2014, p. 1-11. Disponível em https://www.alice.cnptia.embrapa. br/alice/bitstream/doc/1018264/1/2014C.EduardoAGROECOLConservacao11.pdf. Impressora Mayer Pomerode (SC) www.mayer.ind.br. Cartilha impressa em Março de 2017.
  • 19. 36 Esta cartilha é o segundo volume da série AGROFLORESTAS AGROECOLÓGICAS DO SUL EM REDE, que integra o Projeto Núcleo de Sistemas AgroFlorestais Agroecológicos do Sul (SAFAS), resultado da Chamada MDA/CNPq Nº 39/2014, Processo nº 472529/2014-5, coordenado pelo Prof. Dr. Ilyas Siddique (UFSC). leap.ufsc.br/projetos/safas/ redesafas@gmail.com