PROPOSTA DE LEI DO 
ORÇAMENTO DE ESTADO 
PARA 2015 
- 
PARTE 01
Introdução 
Na passada semana o Governo apresentou na Assembleia da República a sua 
Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2015.Dada a relevância do assunto 
para todos nós, iremos abordar o tema com alguma profundidade. 
Assim, começaremos por lhe fornecer esta semana uma visão geral dos principais 
aspetos da proposta do Governo, para depois na próxima semana nos focarmos 
nos aspetos puramente fiscais, apresentando por imposto as principais alterações 
ora propostas pelo Executivo. 
Em jeito de introdução, e antes de entrarmos na análise mais em detalhe, 
gostaríamos de salientar algumas ideias-chave que resultam da nossa análise ao 
documento: 
• Mantêm-se as medidas excecionais de angariação de receita incidentes 
sobre os salários e pensões, como a sobretaxa do IRS e a Contribuição 
Extraordinária de Solidariedade; No entanto, e ao contrário de anos 
anteriores, a tributação sobre o rendimento das famílias não sofre um 
agravamento, ou seja, na prática o IRS não sobe.
• Especificamente quanto à sobretaxa de 3,5% no IRS, aplicada ao montante 
que exceda o salário mínimo nacional, o Governo propõe um crédito 
fiscal que poderá permitir desagravar, parcial ou totalmente, a coleta da 
sobretaxa referente ao ano de 2015, mas só se as receitas efetivas de IVA 
e de IRS forem superiores às estimadas. 
• Ainda no que respeita às famílias, importa salientar que, apesar de não 
existir agravamento no IRS, em 2015 está prevista uma despesa fiscal 
adicional relativamente ao IMI, resultante da caducidade da cláusula de 
salvaguarda deste imposto; Neste âmbito, o Governo propõe uma subida do 
limiar de isenção para 2015, de modo a atenuar o efeito negativo daquela 
subida do IMI, sobretudo para os agregados familiares com menor nível de 
rendimentos. 
• No que se refere às empresas, merece obviamente um especial destaque 
a proposta da redução da taxa geral do IRC em dois pontos percentuais, 
de 23% para 21%, em concretização do compromisso assumido no âmbito da 
reforma do IRC. 
• Para 2015 o Governo propõe um aumento generalizado dos impostos 
específicos do consumo, bem como do imposto de circulação. 
• Por seu lado, as contribuições especiais sectoriais também sofrem um 
agravamento, nomeadamente para os setores bancário e rodoviário. Como 
novidade, surge a proposta de criação de uma nova taxa incidente sobre o 
setor farmacêutico. 
Conforme referido, passaremos agora à análise detalhada da Proposta de 
Orçamento, no que diz respeito aos Aspetos Gerais.
Aspetos Gerais 
Economia deverá crescer 1,5% e desemprego descer para 13,4% 
O Governo confirma a previsão de crescimento económico para 2015, 
estimando que seja de 1,5% (conforme previsto no Documento de Estratégia 
Orçamental – DEO – apresentado em abril), e diminui a previsão da taxa de 
desemprego, esperando que desça para os 13,4% no próximo ano (no DEO a 
estimativa do Executivo era que a taxa de desemprego ficasse pelos 14,8% em 
2015). 
Dívida pública cai para 123,7% do PIB 
A dívida pública deverá cair para os 123,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no 
próximo ano, de acordo com o relatório da proposta do Orçamento do Estado 
para 2015. Segundo o documento, cujos cálculos são já apresentados ao abrigo 
do novo Sistema Europeu de Contas (SEC2010), a dívida pública portuguesa 
passará dos 127,2% do PIB este ano para os 123,7% em 2015. 
Governo conta com ‘folga’ de 748,6 milhões de euros 
O Orçamento do Estado para 2015 tem uma folga de 748,6 milhões de euros 
para cobrir eventuais “buracos” orçamentais que possam surgir durante o ano. 
Este valor resulta da soma da dotação provisional e da reserva orçamental 
inscritas na proposta de orçamento para 2015, que combinadas ascendem 
àquele valor.
Receitas com IRS voltam a aumentar no próximo ano 
O Governo estima arrecadar 13.168 milhões de euros em receitas de IRS, mais 
2,4% que os 12.863,1 milhões de euros que espera arrecadar até ao final de 
2014. 
Salários e progressões continuam congelados na Função Pública 
As progressões de carreira e as valorizações remuneratórias na Administração 
Pública mantêm-se congeladas no próximo ano, embora o Governo admita a 
atribuição “excecional” de prémios de desempenho. De acordo com a proposta 
do Governo, “é vedada a prática de quaisquer atos que consubstanciem 
valorizações remuneratórias” no próximo ano. 
Subsídio de Natal dos funcionários públicos e pensionistas pago em 
duodécimos 
Tal como em 2013 e em 2014, o subsídio de Natal dos funcionários públicos 
e dos aposentados, reformados e pensionistas será pago em duodécimos no 
próximo ano. 
Trabalhadores do setor privado podem optar por receber 50% dos subsídios 
em duodécimos 
A medida que vigorou durante os anos de 2013 e de 2014, ao abrigo da lei n.º 
11/2013, de 28 de janeiro, é mantida pelo Governo para 2015.
RSI e Complemento para Idosos com cortes de 2,8% e 6,7%, respetivamente 
O Rendimento Social de Inserção (RSI) e o Complemento Social para Idosos 
(CSI) vão sofrer uma redução de 2,8% e 6,7%, respetivamente. De acordo com 
a proposta de Orçamento do Estado para 2015, o Complemento Solidário para 
Idosos vai sofrer um corte de 6,72% relativamente ao OE2014. 
Municípios vão receber mais 
Os municípios deverão receber em 2015 cerca de 2,357 mil milhões de euros, 
um acréscimo de 131 milhões de euros em relação às transferências deste 
ano. Na proposta apresentada pelo Governo, os municípios devem receber 
1,726 mil milhões de euros através do Fundo de Equilíbrio Financeiro (FEF), 
relacionado com a repartição de verbas do Estado para as autarquias, mais 
cerca de 25 milhões do que no ano passado. 
Regiões autónomas com menor dotação 
As Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira vão receber em 2015 perto 
de 423 milhões de euros, menos cerca de 1.7 milhões de euros do que este 
ano. Em concreto, as duas regiões autónomas vão receber 422.645.270 euros 
no próximo ano, depois de em 2014 terem recebido 424.339.771 euros. 
A diferença é de 1.694.501 euros. O Estado vai atribuir no próximo ano 
250.963.710 euros aos Açores (contra os 251.439.198 euros transferidos este 
ano) e 171.681.560 euros à Madeira (contra os 172.900.573 transferidos em 
2014).
Despesa com ensino básico e secundário cai 700 milhões 
A despesa com o ensino básico e secundário baixa 704,4 milhões de euros em 
2015 face a 2014, caindo para os 5.539,5 milhões de euros. A despesa total 
consolidada prevista para 2015 para o ensino básico e secundário decresce 
11,3% em comparação com 2014, ano em que se fixou em 6.243,9 milhões de 
euros. 
Despesa com prestações de desemprego perde mais de 243 milhões de euros 
O valor previsto no Orçamento do Estado para 2015 para as prestações de 
desemprego e de apoio ao emprego vai sofrer um corte de 10,6%, perdendo 
mais de 243 milhões de euros relativamente ao Orçamento de 2014. 
Encargos com Parcerias Público-Privadas descem 
Os encargos líquidos com as Parcerias Público-Privadas (PPP) vão diminuir 5% em 
2015 face às estimativas para 2014, totalizando 1.382 milhões de euros, o valor 
mais baixo até 2019, de acordo com a proposta do Orçamento do Estado. 
Do valor previsto para 2015 (1.382 milhões de euros), 924 milhões de euros são 
referentes a contratos rodoviários, que continuam a representar a maioria dos 
encargos, nove milhões à ferrovia, 400 milhões à área da saúde e 49 milhões à 
segurança. 
No caso das parcerias rodoviárias, há uma redução dos encargos em relação a 
2014 (de 987 milhões de euros para 924 milhões de euros em 2015, valor que 
deverá voltar a subir em 2016 para os 1.125 milhões de euros). 
Em 2015, os encargos com as PPP ferroviárias mantêm-se estáveis nos nove 
milhões de euros, enquanto os custos com as parcerias da área da saúde descem 
de 414 milhões de euros este ano para 400 milhões de euros.
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Proposta de lei do Orçamento de Estado para 2015

  • 3.
    PROPOSTA DE LEIDO ORÇAMENTO DE ESTADO PARA 2015 - PARTE 01
  • 4.
    Introdução Na passadasemana o Governo apresentou na Assembleia da República a sua Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2015.Dada a relevância do assunto para todos nós, iremos abordar o tema com alguma profundidade. Assim, começaremos por lhe fornecer esta semana uma visão geral dos principais aspetos da proposta do Governo, para depois na próxima semana nos focarmos nos aspetos puramente fiscais, apresentando por imposto as principais alterações ora propostas pelo Executivo. Em jeito de introdução, e antes de entrarmos na análise mais em detalhe, gostaríamos de salientar algumas ideias-chave que resultam da nossa análise ao documento: • Mantêm-se as medidas excecionais de angariação de receita incidentes sobre os salários e pensões, como a sobretaxa do IRS e a Contribuição Extraordinária de Solidariedade; No entanto, e ao contrário de anos anteriores, a tributação sobre o rendimento das famílias não sofre um agravamento, ou seja, na prática o IRS não sobe.
  • 5.
    • Especificamente quantoà sobretaxa de 3,5% no IRS, aplicada ao montante que exceda o salário mínimo nacional, o Governo propõe um crédito fiscal que poderá permitir desagravar, parcial ou totalmente, a coleta da sobretaxa referente ao ano de 2015, mas só se as receitas efetivas de IVA e de IRS forem superiores às estimadas. • Ainda no que respeita às famílias, importa salientar que, apesar de não existir agravamento no IRS, em 2015 está prevista uma despesa fiscal adicional relativamente ao IMI, resultante da caducidade da cláusula de salvaguarda deste imposto; Neste âmbito, o Governo propõe uma subida do limiar de isenção para 2015, de modo a atenuar o efeito negativo daquela subida do IMI, sobretudo para os agregados familiares com menor nível de rendimentos. • No que se refere às empresas, merece obviamente um especial destaque a proposta da redução da taxa geral do IRC em dois pontos percentuais, de 23% para 21%, em concretização do compromisso assumido no âmbito da reforma do IRC. • Para 2015 o Governo propõe um aumento generalizado dos impostos específicos do consumo, bem como do imposto de circulação. • Por seu lado, as contribuições especiais sectoriais também sofrem um agravamento, nomeadamente para os setores bancário e rodoviário. Como novidade, surge a proposta de criação de uma nova taxa incidente sobre o setor farmacêutico. Conforme referido, passaremos agora à análise detalhada da Proposta de Orçamento, no que diz respeito aos Aspetos Gerais.
  • 6.
    Aspetos Gerais Economiadeverá crescer 1,5% e desemprego descer para 13,4% O Governo confirma a previsão de crescimento económico para 2015, estimando que seja de 1,5% (conforme previsto no Documento de Estratégia Orçamental – DEO – apresentado em abril), e diminui a previsão da taxa de desemprego, esperando que desça para os 13,4% no próximo ano (no DEO a estimativa do Executivo era que a taxa de desemprego ficasse pelos 14,8% em 2015). Dívida pública cai para 123,7% do PIB A dívida pública deverá cair para os 123,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, de acordo com o relatório da proposta do Orçamento do Estado para 2015. Segundo o documento, cujos cálculos são já apresentados ao abrigo do novo Sistema Europeu de Contas (SEC2010), a dívida pública portuguesa passará dos 127,2% do PIB este ano para os 123,7% em 2015. Governo conta com ‘folga’ de 748,6 milhões de euros O Orçamento do Estado para 2015 tem uma folga de 748,6 milhões de euros para cobrir eventuais “buracos” orçamentais que possam surgir durante o ano. Este valor resulta da soma da dotação provisional e da reserva orçamental inscritas na proposta de orçamento para 2015, que combinadas ascendem àquele valor.
  • 7.
    Receitas com IRSvoltam a aumentar no próximo ano O Governo estima arrecadar 13.168 milhões de euros em receitas de IRS, mais 2,4% que os 12.863,1 milhões de euros que espera arrecadar até ao final de 2014. Salários e progressões continuam congelados na Função Pública As progressões de carreira e as valorizações remuneratórias na Administração Pública mantêm-se congeladas no próximo ano, embora o Governo admita a atribuição “excecional” de prémios de desempenho. De acordo com a proposta do Governo, “é vedada a prática de quaisquer atos que consubstanciem valorizações remuneratórias” no próximo ano. Subsídio de Natal dos funcionários públicos e pensionistas pago em duodécimos Tal como em 2013 e em 2014, o subsídio de Natal dos funcionários públicos e dos aposentados, reformados e pensionistas será pago em duodécimos no próximo ano. Trabalhadores do setor privado podem optar por receber 50% dos subsídios em duodécimos A medida que vigorou durante os anos de 2013 e de 2014, ao abrigo da lei n.º 11/2013, de 28 de janeiro, é mantida pelo Governo para 2015.
  • 8.
    RSI e Complementopara Idosos com cortes de 2,8% e 6,7%, respetivamente O Rendimento Social de Inserção (RSI) e o Complemento Social para Idosos (CSI) vão sofrer uma redução de 2,8% e 6,7%, respetivamente. De acordo com a proposta de Orçamento do Estado para 2015, o Complemento Solidário para Idosos vai sofrer um corte de 6,72% relativamente ao OE2014. Municípios vão receber mais Os municípios deverão receber em 2015 cerca de 2,357 mil milhões de euros, um acréscimo de 131 milhões de euros em relação às transferências deste ano. Na proposta apresentada pelo Governo, os municípios devem receber 1,726 mil milhões de euros através do Fundo de Equilíbrio Financeiro (FEF), relacionado com a repartição de verbas do Estado para as autarquias, mais cerca de 25 milhões do que no ano passado. Regiões autónomas com menor dotação As Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira vão receber em 2015 perto de 423 milhões de euros, menos cerca de 1.7 milhões de euros do que este ano. Em concreto, as duas regiões autónomas vão receber 422.645.270 euros no próximo ano, depois de em 2014 terem recebido 424.339.771 euros. A diferença é de 1.694.501 euros. O Estado vai atribuir no próximo ano 250.963.710 euros aos Açores (contra os 251.439.198 euros transferidos este ano) e 171.681.560 euros à Madeira (contra os 172.900.573 transferidos em 2014).
  • 9.
    Despesa com ensinobásico e secundário cai 700 milhões A despesa com o ensino básico e secundário baixa 704,4 milhões de euros em 2015 face a 2014, caindo para os 5.539,5 milhões de euros. A despesa total consolidada prevista para 2015 para o ensino básico e secundário decresce 11,3% em comparação com 2014, ano em que se fixou em 6.243,9 milhões de euros. Despesa com prestações de desemprego perde mais de 243 milhões de euros O valor previsto no Orçamento do Estado para 2015 para as prestações de desemprego e de apoio ao emprego vai sofrer um corte de 10,6%, perdendo mais de 243 milhões de euros relativamente ao Orçamento de 2014. Encargos com Parcerias Público-Privadas descem Os encargos líquidos com as Parcerias Público-Privadas (PPP) vão diminuir 5% em 2015 face às estimativas para 2014, totalizando 1.382 milhões de euros, o valor mais baixo até 2019, de acordo com a proposta do Orçamento do Estado. Do valor previsto para 2015 (1.382 milhões de euros), 924 milhões de euros são referentes a contratos rodoviários, que continuam a representar a maioria dos encargos, nove milhões à ferrovia, 400 milhões à área da saúde e 49 milhões à segurança. No caso das parcerias rodoviárias, há uma redução dos encargos em relação a 2014 (de 987 milhões de euros para 924 milhões de euros em 2015, valor que deverá voltar a subir em 2016 para os 1.125 milhões de euros). Em 2015, os encargos com as PPP ferroviárias mantêm-se estáveis nos nove milhões de euros, enquanto os custos com as parcerias da área da saúde descem de 414 milhões de euros este ano para 400 milhões de euros.
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