GNOSIOLOGIA
Origem, natureza, possibilidadee limites do conhecimento.
Estudo do conhecimento – estudo das relações entre o
sujeito e o objeto, procurando esclarecer e analisar
criticamente os problemas que essas relações suscitam.
TEORIA DO
CONHECIMENTO
5.
O que éo conhecimento?
Que tipos de conhecimento existem?
Quais as fontes do conhecimento?
Qual a origem do conhecimento?
Será que o conhecimento é possível?
Qual o fundamento do conhecimento?
ALGUMAS QUESTÕES
GNOSIOLÓGICAS
6.
Representar o objetoé também, em certa medida, construí-lo.
Aquele que
conhece
Aquilo que é
conhecido
CONHECIMENTO
Um SUJEITO apreende um OBJETO
CORRELAÇÃO: o sujeito só é sujeito em relação a um objeto
e este só é objeto em relação a um sujeito.
INTERAÇÃO: o sujeito interage com a realidade, e é desse
processo que o conhecimento emerge.
7.
EXPERIÊNCIA: Apreensão, porparte de um sujeito, de uma realidade, um modo de fazer,
uma maneira de viver, etc., constituindo, em muitos casos, um modo de conhecer algo
imediatamente antes de todo o juízo que se formula sobre aquilo que se apreende.
Existem diferentes tipos de
conhecimentos.
Existe uma pluralidade
de experiências.
ATO DE CONHECIMENTO
É inseparável de um contexto.
8.
Exemplo: saber
cozinhar.
Conhecimento
prático ou
conhecimentode
atividades.
Conhecimento
direto de alguma
realidade.
TIPOS DE CONHECIMENTO
CONHECIMENTO
POR CONTACTO
SABER-QUE
(conhecimento
proposicional)
SABER-FAZER
(conhecimento por
aptidão ou saber-como)
Conhecimento de
proposições ou
pensamentos
verdadeiros.
Exemplo: saber
que «2 + 2 = 4».
Exemplo: conhecer
Paris.
O saber-que também se designa
por conhecimento factual,
podendo ser expresso com outras
locuções: por exemplo, «sei onde»;
«sei quando»; «sei quem», etc.
• o queé ou existe (o ser, o existente);
• o que se opõe ao aparente ou ilusório;
• o que não é potencial ou apenas possível, mas sim atual;
• o que se opõe ao nada, ao não-ser;
• o que existe independentemente do sujeito que o pensa ou conhece;
• o que nos é dado na experiência em geral;
• o que é (ou pode ser) esclarecido pelo conhecimento científico.
O que é o
conhecimento?
Seres em geral
REALIDADE
O que é a
realidade?
Ser particular
11.
Linguagem verbal Diversostipos de linguagem
CONHECIMENTO
LINGUAGEM
REALIDADE
Possibilidade de emitir sons articulados e de os exprimir por escrito.
Capacidade que nos permite organizar o pensamento.
12.
Está diretamente implicada:
Elementosindissociáveis
PENSAMENTO
LINGUAGEM
no conhecimento do mundo
na comunicação dos resultados do conhecimento
na reflexão sobre o conhecimento
na construção
de uma visão
do mundo e de
uma cultura
Relação adequada entre
osujeito cognoscente e a
realidade.
Atitude de adesão a uma
determinada proposição,
tomando-a como
verdadeira.
CONHECIMENTO PROPOSICIONAL
(SABER-QUE)
Proposições falsas
Proposições verdadeiras
Saber é acreditar
naquilo que se sabe.
CRENÇA OBJETO
SUJEITO
O verdadeiro e o
falso de qualquer
crença dependem
de algo exterior à
própria crença.
No conhecimento proposicional verifica-se uma
relação entre um sujeito e um objeto.
A crença é uma condição necessária do conhecimento. Mas as crenças podem ser verdadeiras ou falsas.
15.
DEFINIÇÃO TRADICIONAL DECONHECIMENTO
S acredita que P.
CRENÇA JUSTIFICAÇÃO
CONDIÇÕES DO CONHECIMENTO
VERDADE
P é verdadeira.
S dispõe de
justificação ou
provas para
acreditar que P.
S sabe que P se, e só se:
16.
CONHECIMENTO – DEFINIÇÃOTRIPARTIDA
CRENÇA VERDADEIRA JUSTIFICADA
PLATÃO – DIÁLOGO TEETETO
Crença, verdade
e justificação:
condições
necessárias e
suficientes para
que haja
conhecimento.
Todas as três
condições são
necessárias
para que haja
conhecimento.
Consideradas
isoladamente,
nenhuma delas
é suficiente.
EDMUND GETTIER
Contraexemplos àdefinição de conhecimento
como crença verdadeira justificada.
Pode haver crenças verdadeiras que são justificadas
apenas acidentalmente, em resultado da sorte, do
acaso ou da mera coincidência.
Pode haver crenças verdadeiras justificadas sem que
tais crenças equivalham a um efetivo conhecimento.
É possível que alguém não possua conhecimento,
ainda que sejam realizadas as três condições: crença,
verdade e justificação.
FONTES DE CONHECIMENTO
JUSTIFICAÇÃODO
CONHECIMENTO
PENSAMENTO
OU RAZÃO
Juízos a posteriori
Exemplo:
«O Sol brilha».
Juízos a priori
Exemplo:
«5 + 5 = 10».
SENTIDOS
(EXPERIÊNCIA SENSÍVEL)
Juízos cuja verdade pode ser conhecida
independentemente de qualquer experiência,
tendo, portanto, origem no pensamento ou razão.
Juízos cuja verdade só pode ser conhecida
através da experiência sensível.
São universais (são verdadeiros sempre e em toda a
parte) e necessários (negá-los implicaria entrar em
contradição).
Não são estritamente universais (não são
verdadeiros sempre e em toda a parte) e são
contingentes – são verdadeiros, mas poderiam
ser falsos, e negá-los não implica entrar em
contradição.
Perguntar pela fonte do
conhecimento equivale,
a perguntar pela forma
como é possível
conhecer a verdade de
um determinado juízo ou
pela justificação que
apresentamos para esse
conhecimento.
21.
MODOS DE CONHECIMENTO
Conhecimentoa priori Conhecimento a posteriori
Baseia-se em juízos a priori, tendo a sua fonte ou
origem apenas no pensamento ou na razão. É
justificado pela razão e não pela experiência.
Baseia-se em juízos a posteriori, tendo a sua
origem na experiência. É o conhecimento
empírico, justificado pela experiência.
Todo o conhecimento começa com a experiência,
mas nem todo deriva da experiência , segundo Kant.
Todos os corpos são extensos.
A = A
2 + 2 = 4
O Manuel é alto.
A chuva molha.
Todos os corpos são pesados.
Exemplos
Exemplos
22.
São aqueles cujo
predicadoestá
implícito no
conceito do
sujeito,
encontrando-se
pela simples
análise e
explicação desse
conceito. São
universais e
necessários.
São juízos
independentes da
experiência, tendo
uma origem racional
(a priori), mas cujo
predicado não está
implícito ou incluído
no conceito do
sujeito (sintéticos).
São universais e
necessários.
Utilizando como critério a inclusão (implícita) ou não
do predicado no conceito relativo ao sujeito, Kant
dividiu os juízos em:
Sintéticos a priori
Sintéticos
Analíticos
São aqueles cujo
predicado não está
implícito no
conceito do
sujeito. Não são
estritamente
universais e são
contingentes.
23.
Exemplos:
- O todoé maior
do que cada uma
das suas partes.
- O solteiro é não
casado.
Exemplos:
- 20 x 5 = 100.
- Num triângulo
retângulo, o
quadrado da
hipotenusa é igual à
soma dos quadrados
dos catetos.
JUÍZOS
Sintéticos a priori
Sintéticos
Analíticos
Exemplos:
- A minha escola
tem muitos alunos.
- As ovelhas
descansam à
sombra das
árvores.
Não contribuem
para aumentar o
nosso
conhecimento.
São extensivos, isto
é, ampliam o nosso
conhecimento.
São extensivos, isto
é, ampliam o nosso
conhecimento.
ORIGEM DO CONHECIMENTO
RACIONALISMO
(Racionalismodo século XVII)
EMPIRISMO
(Empirismo inglês do século XVIII)
Filósofos:
René Descartes
(1596-1650)
Gottfried Leibniz
(1646-1716)
Bento de Espinosa
(1632-1677)
Nicolas Malebranche
(1638-1715)
Filósofos:
John Locke
(1632-1704)
George Berkeley
(1685-1753)
David Hume
(1711-1776)
Será que todo o nosso
conhecimento provém da
experiência?
Ou será que provém
também da razão?
Ou procederá de ambas
estas fontes, mas tem
maior importância
quando provém de uma
do que de outra?
27.
RACIONALISMO
A razão (entendimento)é a
fonte principal do
conhecimento.
A razão é fonte de um
conhecimento totalmente
independente da experiência
sensível – a priori, necessário
e universal. A matemática
constitui o modelo do
conhecimento.
O sujeito impõe-se ao
objeto através das noções
e princípios evidentes
que traz em si.
Ideias inatas:
As ideias
fundamentais já
nascem
connosco.
Intuição e
dedução:
As ideias
fundamentais
descobrem-se
por intuição
intelectual. O
conhecimento
constrói-se de
forma dedutiva.
Desconfiança
dos sentidos:
Eles são fonte
de crenças
confusas e,
muitas vezes,
incertas.
Otimismo
racionalista:
Há uma
correspondência
entre
pensamento e
realidade. Toda a
realidade pode
ser conhecida.
28.
EMPIRISMO
A experiência éa fonte
principal do conhecimento.
Todas as ideias têm uma base
empírica, até as mais
complexas. O conhecimento
do mundo obtém-se através
de impressões sensoriais.
O objeto impõe-se ao
sujeito.
Rejeição do
inatismo:
Não existem
ideias,
conhecimentos
ou princípios
inatos. O
entendimento
assemelha-se a
uma página em
branco.
Significado da
experiência:
É nela que o
conhecimento
tem o seu
fundamento e
os seus limites.
John Locke:
O conhecimento
encontra-se limitado
pela experiência
(externa ou interna),
ao nível da sua:
Extensão: o
entendimento
é incapaz de
ultrapassar os
limites
impostos pela
experiência.
Certeza: as
certezas de
que dispomos
referem-se
apenas àquilo
que se
encontra
dentro dos
limites da
experiência.
29.
RACIONALISMO EMPIRISMO
FUNDACIONALISMO
EXPERIÊNCIA
Combinação da
RAZÃOe da
EXPERIÊNCIA
RAZÃO
Valorização do
conhecimento a
priori (mas não se
nega a existência
do conhecimento a
posteriori).
Valorização do
conhecimento a
posteriori (mas não
se nega a existência
do conhecimento a
priori).
O conhecimento deve ser concebido como uma estrutura que se ergue e se
desenvolve a partir de fundamentos certos, seguros e indubitáveis.
30.
Corre-se o riscoda regressão infinita da justificação.
A justificação é inferencial: a crença justificada infere-
se daquela que a justifica.
Uma crença é justificada por outra, a qual por sua vez
é justificada por outra e assim sucessivamente.
De acordo com a definição tradicional de
conhecimento, uma crença encontra-se justificada se
tivermos razões para pensar que ela é verdadeira.
FUNDACIONALISMO
crenças básicas ou fundacionais
permitem evitar a
31.
Suportam o sistemado saber.
Não necessitam de uma
justificação fornecida por
outras crenças, porque se
justificam a si mesmas.
infalíveis – não podem estar erradas
FUNDACIONALISMO
Crenças básicas Crenças não básicas
incorrigíveis – não podem ser refutadas
indubitáveis – não podem ser postas em dúvida
São justificadas por outras
crenças.
É o dogmatismo
ingénuo.Não
coloca o problema
do conhecimento.
Não ocorre
propriamente na
filosofia.
DOGMATISMO
Posição própria do
realismo ingénuo –
ausência de exame
crítico das
aparências.
O conhecimento é
possível. Esta
perspetiva opõe-se
ao ceticismo.
Confiança de que a
razão pode atingir
a certeza e a
verdade.
Expressando uma
ausência de
espírito crítico, o
termo adquire
aqui um sentido
pejorativo.
Submissão, sem
exame pessoal, a
certos princípios
ou à autoridade de
que provêm.
Opõe-se ao
criticismo (Kant).
Exercício da razão,
em domínios
metafísicos, sem
uma crítica prévia
da sua capacidade.
QUATRO ACEÇÕES DO TERMO
35.
Pirro de Élis
(c.365-275 a. C.)
Sexto Empírico
(séculos II-III d. C)
CETICISMO
Ceticismo absoluto
ou radical
Arcesilau
(c. 315-241 a. C.)
Carnéades
(c.213-c.128a.C.)
Ceticismo mitigado
ou moderado
Não é possível ao sujeito apreender, de um modo
efetivo ou então de um modo rigoroso, o objeto.
Pode haver apenas
um ceticismo
localizado, que
incide sobre um
conhecimento
determinado: por
exemplo, o
conhecimento
metafísico –
ceticismo
metafísico.
36.
CETICISMO RADICAL
A existência,
relativamenteao
mesmo objeto,
de sensações e
perceções
diferentes, e até
incompatíveis.
O facto de os
objetos, pelas
diversas formas
como se nos
apresentam,
desencadearem
ilusões e
aparências (os
sentidos
enganam-nos).
A existência de
opiniões
divergentes a
respeito dos mais
variados
assuntos,
tornando
impossível que
nos decidamos
por uma ou outra.
Estado de
neutralidade em
que nada se afirma
e nada se nega.
O facto de nada se
compreender por si
e o facto de nada
poder ser
verdadeiramente
compreendido com
base noutra coisa:
regressão infinita
da justificação.
Argumentos para a
- É impossível ao sujeito apreender o objeto.
- O conhecimento não é possível.
- Nega-se que haja justificações suficientes para as
nossas crenças.
suspensão do juízo
CONTRADIÇÃO: exprime o conhecimento de que o conhecimento não é possível.
Conduz à ataraxia
ou ausência de
perturbação.
37.
Não podemos afirmarse este ou aquele juízo é ou
não verdadeiro, se corresponde ou não à realidade,
apenas podemos dizer se é ou não provável ou
verosímil.
CETICISMO
MITIGADO
Não estabelece a impossibilidade do conhecimento,
mas sim a impossibilidade de um saber rigoroso.
CONTRADIÇÃO: o conceito de «probabilidade»
pressupõe o de «verdade».
38.
É um meiopara
alcançar a verdade.
CETICISMO
Importante no nosso desenvolvimento intelectual.
Inconformismo perante as soluções apresentadas e
busca de novas soluções.
Ceticismo
metódico
Ceticismo
sistemático
Adota a dúvida como
um princípio definitivo.
RENÉ DESCARTES
(1596-1650)
Procurou narazão os fundamentos do conhecimento.
Filósofo racionalista
A razão a fonte principal do conhecimento:
fonte do conhecimento universal e necessário.
Tentativa de superação dos argumentos dos céticos radicais.
41.
Proposições da matemática
REGRASDO MÉTODO
Têm origem exclusivamente racional e a priori.
Método inspirado na matemática.
Evidência Análise Síntese Enumeração /
revisão
Não aceitar nada
como verdadeiro
se não se
apresentar à
consciência como
claro e distinto,
sem qualquer
margem para
dúvidas.
Dividir cada uma
das dificuldades
em partes, para
melhor as
resolver.
Começar pelo
mais simples e
fácil de
compreender e
subir
gradualmente
para o mais
complexo.
Fazer
enumerações tão
completas e
revisões tão
gerais, que
tivesse a certeza
de nada omitir.
42.
REGRAS DO MÉTODO
IntuiçãoDedução
Ato de apreensão direta
e imediata de noções
simples, evidentes e
indubitáveis.
Encadeamento de
intuições, envolvendo
um movimento do
pensamento, desde os
princípios evidentes até
às consequências
necessárias.
Permitem guiar a razão (o bom senso),
orientando duas operações fundamentais:
DÚVIDA
RAZÕES QUE JUSTIFICAMA DÚVIDA
Recusar todas as crenças em que se note a
mínima suspeita de incerteza.
É um instrumento da luz natural ou razão, posto
ao serviço da verdade.
Por causa dos
preconceitos e
dos juízos
precipitados que
formulámos na
infância.
Porque os
sentidos são
muitas vezes
enganadores:
convém fazer de
conta que nos
enganam sempre.
Porque não
dispomos de um
critério que nos
permita discernir
o sonho da vigília.
Porque alguns
seres humanos se
enganaram nas
demonstrações
matemáticas.
Porque pode
existir um deus
enganador, ou
um génio
maligno, que
sempre nos
engana.
Se alguma crença
resistir à dúvida,
então ela poderá
ser a base ou o
fundamento para
as restantes.
Esta hipótese equivale a admitir que o entendimento humano é de tal natureza
que se engana sempre, mesmo quando pensa captar a verdade.
45.
CARACTERÍSTICAS
DA DÚVIDA
É ummeio para atingir
a certeza e a verdade,
não constituindo um
fim em si mesma.
Rejeita como se fosse
falso tudo aquilo em
que se note a mínima
suspeita de incerteza.
Incide não só sobre o
conhecimento em
geral, como também
sobre os seus
fundamentos e as suas
raízes.
Metódica e provisória Hiperbólica Universal e radical
46.
DÚVIDA
Tem uma funçãocatártica, já que liberta o espírito dos erros que o
podem perturbar ao longo do processo de indagação da verdade.
EXERCÍCIO VOLUNTÁRIO
FUNÇÃO DA DÚVIDA
SUSPENSÃO DO JUÍZO
Abre caminho à possibilidade de reconstruir, com fundamentos sólidos,
o edifício do saber.
CARACTERÍSTICAS DO COGITO
Refere-sea toda a atividade consciente, distinguindo-se do corpo. A alma é conhecida
antes do corpo e de tudo o resto, de forma bastante mais fácil.
É um princípio evidente e indubitável, uma certeza inabalável.
Obtém-se por intuição, de modo inteiramente racional e a priori.
Serve de modelo do conhecimento: fornece o critério de verdade.
É uma crença fundacional relativamente a todo o sistema do saber.
Apresenta a condição da dúvida e impõe uma exceção à sua universalidade.
Revela a natureza ou a essência do sujeito: o pensamento ou alma.
49.
CRITÉRIO DE VERDADE
Presençada ideia ao
espírito.
Separação de uma
ideia relativamente a
outras: não lhe estão
associados elementos
que não lhe
pertençam.
CLAREZA DISTINÇÃO
Ainda não afastámos a hipótese do deus enganador. Necessitamos de demonstrar a
existência de um deus que não nos engane.
EVIDÊNCIA
50.
Tipos de ideias
Têmorigem na
experiência sensível.
São fabricadas pela
imaginação.
São ideias
constitutivas da
própria razão.
Adventícias Factícias Inatas
Dispõe de ideias
SUJEITO PENSANTE
SER IMPERFEITO: possuir o saber é uma
perfeição maior do que duvidar.
Exemplos: ideias de
pensamento,
existência, ser
perfeito; ideias
matemáticas.
Exemplos: ideias de
sereia, unicórnio,
dragão.
Exemplos: ideias de
árvore, cebola,
relógio.
51.
PROVAS DA EXISTÊNCIADE DEUS
Argumento
ontológico: na ideia de
ser perfeito estão
compreendidas todas
as perfeições; a
existência é uma
dessas perfeições;
logo, Deus existe
necessariamente. O
facto de existir é
inerente à essência de
Deus.
Argumento da marca
impressa: a causa que
faz com que a ideia de
ser perfeito, que
representa uma
substância infinita, se
encontre em nós não
pode ser outro ser
senão Deus, que
possui todas as
perfeições
representadas nessa
ideia.
A causa da existência
do ser pensante e
imperfeito não é ele
próprio. De contrário,
daria a si próprio as
perfeições de que tem
ideia. Além disso,
como o sujeito finito
não possui o poder de
se conservar no seu
próprio ser, o seu
criador e conservador
é Deus (causa sui).
1.ª prova 2.ª prova 3.ª prova
IDEIA DE SER PERFEITO : noção de um ser
omnisciente, omnipotente e sumamente bom.
52.
É um serperfeito e não é
enganador.
É o criador das verdades
eternas, a origem do ser e
o fundamento da certeza.
Garante a adequação entre
o pensamento evidente e a
realidade.
Legitima o valor da ciência
e confere objetividade ao
conhecimento.
DEUS
- a sua
importância
no sistema
cartesiano
É a garantia da verdade
objetiva das ideias claras e
distintas.
É infinito, a fonte do bem e
da verdade.
Embora criador do
Universo, não é autor do
mal nem responsável pelos
nossos erros.
É o princípio do ser e do
conhecimento.
Permite superar os
argumentos dos céticos
radicais e provar a
existência do mundo
exterior.
É omnipotente, eterno e
omnisciente.
53.
No erro intervêm:
Formulajuízos.
Dá ou não o
consentimento aos
juízos que o
entendimento
formula.
ENTENDIMENTO VONTADE
Erramos quando se verifica uma precipitação da vontade - quando usamos mal a
liberdade e damos o consentimento a juízos que não são evidentes.
TEORIA DO ERRO
54.
Três tipos de
substânciase seus
atributos essenciais
Pensamento Extensão Vários atributos, todos
eles numa perfeição
infinita.
Substância pensante
(res cogitans)
Substância extensa
(res extensa)
Substância divina
(res divina)
Alma Corpo Qualidades objetivas
Qualidades subjetivas
(não estão presentes nos
corpos)
Ser humano
55.
Fundacionalismo de Descartes
Todavia,este fundamento do conhecimento depende daquele que é o
princípio de toda a realidade: Deus.
Ideias inatas
– conhecimento claro e distinto
O fundamento do conhecimento é o cogito, enquanto crença básica ou
fundacional e primeira verdade, e outras ideias claras e distintas da razão.
CÍRCULO CARTESIANO: o facto de a ideia que temos de Deus ser clara e
distinta garante-nos que Deus existe; mas é Deus quem garante a verdade e a
objetividade das ideias claras e distintas.
Principais verdades:
- a existência do pensamento (alma), traduzida no cogito;
- a existência de Deus, ser perfeito, com os atributos respetivos;
- a existência de corpos extensos em comprimento, largura e altura.
DAVID HUME
(1711-1776)
Todas ascrenças e ideias têm uma base empírica, até
as mais complexas.
Filósofo empirista
O conhecimento deriva fundamentalmente da
experiência.
É na experiência que deve ser procurado o
fundamento do conhecimento.
58.
Perceções
São as perceçõesmais
vívidas e fortes, como
as sensações, emoções
e paixões.
Exemplo: a cor de uma
flor.
São as representações
das impressões, ou as
suas imagens
enfraquecidas.
Exemplo: a memória
da cor de uma flor.
(As ideias da memória
são mais fortes e
vívidas que as da
imaginação.)
Impressões
Ideias
(pensamentos)
As ideias derivam das
impressões, são cópias
delas.
Elementos do conhecimento
Grau de
força e
vivacidade
menor
maior
Não existem ideias
inatas.
59.
Exemplo:
sensação visual deum
tom de verde.
Exemplo:
memória de um tom
de verde.
Impressões
Ideias
(pensamentos)
Não admitem qualquer
separação ou divisão.
Simples
Podem ser divididas em
partes, resultando da
combinação das
impressões ou das ideias
simples.
Complexas
Exemplo:
ver uma certa maçã.
Exemplo:
pensar numa certa
maçã.
Ideias simples derivam de impressões simples, mas muitas ideias complexas não resultam de impressões
complexas.
A ideia de Deus, por exemplo, referindo-se a um Ser infinitamente inteligente, sábio e bom, é uma ideia complexa
que tem por base ideias simples que a mente e a vontade compõem, elevando sem limite as qualidades de bondade
e sabedoria. Nenhum objeto da experiência sensível lhe corresponde.
60.
Conhecimento a
priori, traduzido
emproposições
necessárias.
Conhecimento a
posteriori,
traduzido em
proposições
contingentes.
RELAÇÕES DE
IDEIAS
Tipos ou modos de
conhecimento
QUESTÕES DE
FACTO
Os conhecimentos a priori nada nos dizem de substancial acerca do mundo.
A distinção entre relações de ideias e questões de facto é, de certa maneira,
equivalente à distinção entre juízos analíticos e juízos sintéticos (a posteriori).
Não estão
dependentes
do confronto
com a
experiência.
São sempre
verdadeiras, em
quaisquer
circunstâncias.
Negá-las implica
contradição.
São os
conhecimentos
da lógica e da
matemática.
Verdades
necessárias.
Exemplo:
«2 + 4 = 6.»
Verdades
contingentes.
Exemplo: «As
estrelas cintilam.»
A sua
justificação
encontra-se na
experiência
sensível.
Poderiam ter
sido falsas.
Negá-las não
implica
contradição.
61.
Exemplo:
uma ave desenhada
numpapel faz lembrar
uma ave que vemos
voar.
Exemplo:
a recordação de uma
festa de aniversário
leva à recordação dos
amigos que estavam
presentes.
Exemplo:
o vinho que se bebeu
em excesso (causa) faz
pensar nas
desagradáveis
consequências que daí
advirão (efeito).
Semelhança Contiguidade no
tempo e no espaço
Causalidade
(causa e efeito)
Princípios de associação de ideias
62.
CAUSALIDADE E INDUÇÃO
Inferênciasde carácter indutivo
(indução como previsão).
Factos que esperamos que se
verifiquem no futuro…
…têm por base uma inferência causal.
Exemplo:
Até hoje, sempre o calor dilatou os corpos. Logo, isso irá
igualmente verificar-se amanhã.
63.
CONEXÃO NECESSÁRIA?
Mas nãodispomos de qualquer impressão
relativa à ideia de conexão necessária
entre fenómenos.
RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO
É geralmente entendida como uma conexão necessária.
A única coisa que percecionamos é que
entre dois fenómenos se verifica uma
conjunção constante.
O conhecimento acerca dos factos futuros
é apenas suposição ou probabilidade,
assentando na expectativa.
As certezas relativas
aos factos futuros têm
só um fundamento
psicológico: o hábito
ou costume.
Conhecimento
a posteriori e
não a priori.
O hábito é um guia imprescindível da vida prática,
mas não constitui um princípio racional.
64.
A crença na
identidade,na
unidade e na
permanência do eu é
apenas um produto da
imaginação, não
sendo possível afirmar
que existe o eu como
substância distinta em
relação às impressões
e às ideias.
Não temos experiência
ou impressão de uma
realidade exterior e
independente das
nossas impressões. Só
a coerência e a
constância de certas
perceções é que nos
levam a acreditar
nessa realidade
externa.
O que concebemos
como existente
também o podemos
conceber como não
existente. Por outro
lado, Deus não é
objeto de qualquer
impressão. Os
argumentos
tradicionais deixam de
ter sentido.
EU
MUNDO (REALIDADE
EXTERIOR) DEUS
Algo de que nunca tenhamos tido qualquer impressão.
Apenas se pode aceitar quando é
estabelecida entre impressões.
Inferência causal
65.
Fundacionalismo de Hume
Empirismo
Crençasbásicas para um empirista: crenças de que se está
a ter estas ou aquelas experiências.
Baseiam-se nas
impressões dos sentidos.
Só conhecemos as
perceções, pelo que a
realidade acaba por se
reduzir aos
fenómenos.
A crença na
existência de algo para
lá dos fenómenos
carece de
fundamento. A
capacidade cognitiva
do entendimento
humano limita-se ao
âmbito do provável.
Fenomenismo Ceticismo
Relativo às teorias
metafísicas: elas
procuram
ultrapassar
o âmbito da
experiência e da
observação, o que
Hume considera
inaceitável.
Mitigado ou
moderado: Hume
reconhece as
limitações
das nossas
capacidades
cognitivas e a
nossa propensão
para o erro.
ANÁLISE COMPARATIVA DASTEORIAS DE DESCARTES E HUME
A razão é a fonte principal do conhecimento –
racionalismo.
DESCARTES HUME
Origem do
conhecimento
Operações da
mente e ideias
Possibilidade do
conhecimento
Perspetivas
metafísicas
Fundamentação
do conhecimento
Há ideias factícias, adventícias e inatas. A partir das
ideias inatas, obtém-se o conhecimento (por
intuição e dedução).
Descartes adotou um ceticismo metódico. Mas,
porque depositava inteira confiança na razão, poderá
ser enquadrado no âmbito do dogmatismo.
Podemos ter ideias claras e distintas dos atributos
essenciais de três tipos de substâncias: pensante,
extensa e divina.
O fundamento do conhecimento encontra-se na
razão: é o cogito e outras ideias claras e distintas.
Mas tal fundamento depende do princípio de toda a
realidade: Deus.
A experiência é a fonte principal do conhecimento e
todas as ideias têm uma origem empírica –
empirismo.
Não há ideias inatas. As ideias associam-se por
semelhança, contiguidade no tempo e no espaço e
causalidade. Sublinha-se o papel do raciocínio
indutivo.
A capacidade cognitiva do entendimento humano
limita-se ao âmbito do provável (ceticismo mitigado).
Nada podemos conhecer para lá do âmbito da
experiência (ceticismo metafísico).
Não encontramos qualquer princípio que confira
unidade e conexão às perceções. Não temos
impressões do eu pensante, de uma realidade
exterior, de Deus.
O fundamento do conhecimento encontra-se nas
impressões dos sentidos. É a crença básica de que se
está a ter determinada experiência que justifica as
crenças obtidas através dela.