SlideShare uma empresa Scribd logo
Rev Bras Ter Intensiva. 2018
Organização dos cuidados de reabilitação nas
unidades de cuidados intensivos portuguesas
ARTIGO ORIGINAL
INTRODUÇÃO
Nas unidades de cuidados intensivos (UCI), os conhecidos efeitos da imo-
bilização prolongada são potenciados pelo desenvolvimento de neuropatias ou
miopatias decorrentes da própria doença.(1-3)
Mesmo após superarem a fase agu-
da, os doentes passam frequentemente por um estado de grande debilidade
física/funcional, sendo, por vezes, incapazes de realizar simples Atividades de
Vida Diária, e de debilidade psicossocial, que compromete a reintegração social
e profissional. Todos estes achados associam-se a uma redução da qualidade de
vida abaixo da média da população em geral.
A teoria do repouso no leito já faz parte do passado, e a reabilitação precoce
figura como uma prática segura e benéfica. Segundo uma metanálise realizada
Roberto Miguel Gonçalves Mendes1,2
, Manuel
Lourenço Nunes1
, José António Pinho3
, Ricardo
Bruno Rodrigues Gonçalves4
1. Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade
da Beira Interior - Covilhã, Portugal.
2. Unidade de Cuidados Intensivos,
Unidade Local de Saúde de Castelo Branco -
Castelo Branco, Portugal.
3. Serviço de Cuidados Intensivos 1,
Centro Hospitalar do Porto - Porto, Portugal.
4. Unidade de Cuidados Intensivos, Serviço
de Saúde da Região Autónoma da Madeira -
Funchal, Portugal.
Objetivo: Descrever os diferentes
modelos de prestação de cuidados de
reabilitação em prática nas unidades de
cuidados intensivos de adultos portu-
guesas.
Métodos: Estudo observacional
simples (transversal), realizado por
meio de inquérito on-line enviado aos
enfermeiros-chefes ou responsáveis das
58 unidades de cuidados intensivos de
adultos que integram a base de dados
da Sociedade Portuguesa de Cuidados
Intensivos.
Resultados: Foram identificados três
modelos de organização dos cuidados
de reabilitação: cuidados prestados pela
equipe da unidade de cuidados inten-
sivos (22,9%), cuidados prestados por
equipes externas especializadas (25,0%),
um misto dos modelos anteriores, con-
jugando as duas situações (52,1%). No
primeiro modelo, os cuidados eram pres-
tados essencialmente por enfermeiros
Conflitos de interesse: Nenhum.
Submetido em 6 de setembro de 2017
Aceito em 3 de dezembro de 2017
Autor correspondente:
Roberto Miguel Gonçalves Mendes
Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade
da Beira Interior
Avenida Infante D. Henrique
Covilhã 6200-506
Portugual
E-mail: rmendes@ulscb.min-saude.pt
Editor responsável: Pedro Póvoa
Organization of rehabilitation care in Portuguese intensive
care units
RESUMO
Descritores: Cuidados críticos; En-
fermagem em reabilitação; Serviço hos-
pitalar de fisioterapia/organização & ad-
ministração; Portugal
com especialização em reabilitação e,
no segundo, por fisioterapeutas. Não fo-
ram encontradas diferenças significativas
entre os modelos no que diz respeito à
disponibilidade de cuidados, em horas/
dia ou dias/semana (p = 0,268 e 0,994
respetivamente), ou a resultados como
tempo de internamento em cuidados
intensivos, tempo de ventilação ou taxa
de mortalidade na unidade (p = 0,418,
0.923 e 0,240 respetivamente).
Conclusão: A organização dos cui-
dados de reabilitação nas unidades de
cuidados intensivos portuguesas é singu-
lar e heterogênea. Apesar dos diferentes
modelos de organização de cuidados, a
disponibilidade de horas de cuidados é
semelhante, bem como os resultados ge-
rais observados nos doentes.
DOI
Este é um artigo de acesso aberto sob licença CC BY (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/).
Organização dos cuidados de reabilitação nas unidades de cuidados intensivos 13
Rev Bras Ter Intensiva. 2018
em 2014,(3)
existem evidências de que esta prática, a par do
controle glicêmico, desempenha um papel protetor para
o desenvolvimento das alterações neuromusculares decor-
rentes da doença crítica.
Apesar de existirem recomendações internacionais
sobre a reabilitação em UCI(4-6)
e de serem divulga-
dos protocolos de mobilização precoce mais ou menos
abrangentes,(7-9)
a realidade portuguesa é pouco conhecida.
Ainda, o contexto português, para além de diferentes mo-
delos de gestão hospitalar, possui particularidades na orga-
nização dos próprios cuidados de reabilitação, com uma
multiplicidade de cenários, sem que se conheça o trabalho
desenvolvido em cada centro nem seus resultados.
O objetivo primário desta investigação foi descrever os
diferentes modelos de prestação de cuidados de reabilita-
ção em prática nas UCI de adultos portuguesas. Cons-
tituíram os objetivos secundários: quantificar o número
de profissionais com formação em reabilitação disponíveis
em cada unidade; verificar os prestadores e prescritores de
cuidados de reabilitação em cada modelo; e identificar o
modelo que garante mais horas de cuidados e melhores
resultados.
MÉTODOS
Estudo do tipo observacional simples (transversal),
realizado por meio de inquérito on-line dirigido aos en-
fermeiros-chefes ou responsáveis de serviço das UCI de
adultos, de nível II e III, que integravam a base de dados
da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos (SPCI),
com aprovação pela Comissão de Ética da Universidade da
Beira Interior (Parecer CE-FCS-2016-028).
O inquérito foi composto por 28 questões, agrupadas
em: caraterização da instituição, que identificava o modelo
de gestão e a classificação da instituição, tendo em conta a
natureza de suas responsabilidades e o quadro de valências
(Portaria 82/2014);(10)
caraterização da unidade, identifi-
cando seu tipo e o número de leitos ativos; caracterização
da equipe, quantificando o número de profissionais das
diferentes áreas de cuidados, distinguindo os que desen-
volviam sua atividade em tempo integral dos que o faziam
em tempo parcial; organização dos cuidados de reabilita-
ção, que identificava o modelo de organização de cuidados
e os prestadores, bem como sua forma de planeamento
e implementação. Foram ainda verificados: existência de
avaliação funcional na alta, acompanhamento após a alta,
utilização de indicadores relativos às práticas de reabili-
tação, disponibilidade de Recursos Humanos (em termos
de horas e dias de cuidados disponíveis), e de recursos
materiais para a reabilitação. Em relação ao último ano,
questionou-se: número de doentes admitidos, gravidade
média, tempo de internação em UCI, tempo médio de
ventilação invasiva e taxa de mortalidade na unidade.
Este questionário foi elaborado pela equipe de investi-
gadores e revisado por peritos da Associação Portuguesa de
Fisioterapeutas e da Associação Portuguesa dos Enfermei-
ros Especializados em Enfermagem de Reabilitação. Um
enfermeiro especializado em enfermagem de reabilitação,
com funções de chefia, e dois fisioterapeutas, que trabalha-
vam em uma UCI, também checaram as perguntas.
A coleta de dados decorreu no período de 1º de no-
vembro de 2016 a 1º de março de 2017.
A análise estatística foi realizada por meio do programa
IBM Statistical Package for Social Science (SPSS), versão
22. A estatística descritiva foi calculada por meio de fre-
quências, porcentagens, médias e desvios padrão. A análise
da independência do modelo de organização de cuidados,
em relação ao modelo de gestão institucional, ao grau de
diferenciação hospitalar e à classificação da UCI, foi rea-
lizada por meio do teste qui quadrado de Pearson obtido
por simulação de Monte Carlo. A comparação dos dife-
rentes modelos, no que se refere a horas/dias de cuidados,
número de doentes admitidos e sua gravidade, foi feita
pelo teste de teste de Kruskal-Wallis. A comparação dos
resultados assitenciais, tempo de internamento, tempo
de ventilação e taxa de mortalidade, foi feita pelo teste de
análise de variância (ANOVA). Utilizou-se um nível de
significância de 0.05.
RESULTADOS
Foram enviados inquéritos para os enfermeiros-chefes
ou responsáveis de 58 UCI, pertencentes a 51 hospitais.
Foram respondidos 54 inquéritos, sendo 6 excluídos por
apresentarem menos de dois terços de respostas válidas,
totalizando 48 inquéritos válidos. A elevada adesão a este
inquérito se deu, em parte, pela pertinência do tema e
também por conta da metodologia utilizada, já que o in-
quérito foi enviado após um primeiro contato telefônico,
que objetivou apresentar o investigador e os objetivos da
investigação.
A amostra obtida incluiu maioritariamente UCI inte-
gradas em hospitais do Grupo I (de menor diferenciação).
O modelo de gestão destas instituições era predominante-
mente o público empresarial, e as unidades eram, sobre-
tudo, médico-cirúrgicas ou polivalentes (Tabela 1). Esta
amostra representou um total de 399 leitos de cuidados
intensivos e 132 leitos de cuidados intermediários (refe-
rentes a 18 unidades que integravam serviços de cuidados
intermediários).
14 Mendes RM, Nunes ML, Pinho JA, Gonçalves RB
Rev Bras Ter Intensiva. 2018
Tabela 1 - Caraterização das unidades de cuidados intensivos participantes
Caracteristicas n (%)
Classificação institucional
Hospital do Grupo I 25 (52,1)
Hospital do Grupo II 8 (16,7)
Hospital do Grupo III 14 (29,2)
Não responderam 1 (2,1)
Modelo de gestão institucional
Entidade pública empresarial 43 (89,6)
Parceria público-privada 4 (8,3)
Não responderam 1 (2,1)
Classificação da UCI
Médico-cirúrgica 28 (58,3)
Cardiotorácica 2 (4,2)
Neurocirúrgica 3 (6,3)
Outra (polivalente) 14 (29,2)
Não responderam 1 (2,1)
UCI - unidade de cuidados intensivos.
Equipe multidisciplinar
Os enfermeiros constituíram a classe profissional maio-
ritária, seguidos dos médicos. Estatisticamente, em torno
de um em cada dez (9,4%) enfermeiros possuía formação
especializada em enfermagem de reabilitação; 92% das
UCI portuguesas tinham enfermeiros com esta especializa-
ção, ainda que em apenas 75% delas eles desempenhavam
funções especializadas. Cerca de 46% das unidades conta-
vam com enfermeiro de reabilitação a desempenhar funções
especializadas em tempo integral, 29% apenas em tempo
parcial e 25% não tinham enfermeiro de reabilitação em
funções. Apenas três fisioterapeutas trabalhavam em tempo
integral nas UCI, e fonoaudiólogos ou terapeutas ocupa-
cionais trabalhavam em tempo parcial e de forma pontual.
Organização dos cuidados
Foram identificados três modelos de organização dos
cuidados de reabilitação (Figura 1): um modelo interno,
em que a prestação de cuidados era feita pela equipa da
própria UCI (22,9%); um externo, em que a prestação
de cuidados era assegurada por uma equipe especializada
externa à UCI (25,0%); e um modelo misto, em que os
cuidados eram prestados pela equipe da UCI em articula-
ção com uma equipe externa especializada (52,1%).
Cruzando a distribuição destes modelos de cuidados
com o modelo de gestão institucional, observou-se que
tanto nas entidades públicas empresariais como nas parce-
rias público-privadas predominou o modelo de cuidados
misto (51% nas entidades públicas empresariais e 75% nas
Figura 1 - Modelos de organização dos cuidados de reabilitação.
parcerias público-privadas). No entanto, a análise inferen-
cial permitiu afirmar que a organização dos cuidados de
reabilitação era independente do modelo de gestão insti-
tucional (X2
(2)
= 1,419; p = 0,797; N = 43).
Efetuando análise semelhante para a classificação da
UCI, o modelo misto predominou também nas unidades
médico-cirúrgicas (43%), polivalentes (57%) e neuroci-
rúrgicas (100%). Nas unidades cardiotorácicas, os mode-
los misto e interno representavam igual proporção (50%).
No entanto, a organização dos cuidados de reabilitação é
igualmente independente da classificação da UCI (X2
(6)
=
6,498; p = 0,370; N = 47).
Sobre o grau de diferenciação hospitalar, nos hospitais
do Grupo I e III predominou o modelo misto (48% e
79%) e, nos do Grupo II, o modelo externo especializa-
do (63%), com diferenças estatisticamente significativas
(X2
(4)
= 12,178; p = 0,015; N = 47).
Os cuidados de reabilitação nas UCI portuguesas eram
prestados por vários profissionais, destacando-se os fisiote-
rapeutas e os enfermeiros especialistas em enfermagem de
reabilitação, por terem uma participação mais frequente.
No modelo de cuidados interno, os prestadores foram em
sua maioria enfermeiros com especialidade em enferma-
gem de reabilitação, designados popularmente como en-
fermeiros de reabilitação (todas as unidades com modelo
interno integravam enfermeiros de reabilitação). Já no
caso de os cuidados serem prestados por uma equipe ex-
terna especializada, os prestadores foram principalmente
fisioterapeutas (67,7%), seguidos dos enfermeiros de rea-
bilitação (18,9%).
A decisão de iniciar reabilitação em um doente críti-
co foi tomada com maior frequência pelos enfermeiros de
reabilitação, quer seja de forma unilateral ou por discus-
são da equipe multidisciplinar. Já no modelo de cuidados
Organização dos cuidados de reabilitação nas unidades de cuidados intensivos 15
Rev Bras Ter Intensiva. 2018
prestados por uma equipe externa especializada, este pa-
pel foi assumido principalmente pelo médico intensivista
(Figura 2). Também para elaboração do plano de cuidados
de reabilitação, destacou-se o papel dos enfermeiros de re-
abilitação, independentemente do modelo de organização
de cuidados (Figura 3).
Para a avaliação dos doentes na alta, em nove das uni-
dades (22,0%) foram avaliados aspetos relacionados com
a funcionalidade. Em cinco delas, o modelo de prestação
de cuidados de reabilitação era misto; em três era interno;
e em uma, externo.
Aavaliaçãopós-altaerafeitaemseisdasunidades(12,5%),
e apenas em uma situação foi reportada participação de um
fisioterapeuta nesta avaliação, a qual foi principalmente feita
por médico e enfermeiro. Duas UCI de cada modelo de orga-
nização de cuidados faziam avaliação dos doentes após a alta.
A obtenção de indicadores relacionados com as práti-
cas de reabilitação foi feita em dez unidades (20,8%), as
quais integravam em sua maioria o grupo em que a orga-
nização dos cuidados de reabilitação era feita segundo o
modelo misto (seis unidades com modelo misto e duas
com modelo interno).
Figura 2 - Tomada de decisão de iniciar cuidados de reabilitação.
Figura 3 - Elaboração do programa de reabilitação.
16 Mendes RM, Nunes ML, Pinho JA, Gonçalves RB
Rev Bras Ter Intensiva. 2018
Disponibilidade de recursos
Independentemente do modelo de organização dos
cuidados e do tempo que cada profissional dedicava à
UCI, 77,1% das unidades dispunham de cuidados de en-
fermagem de reabilitação, 68,8% de fisioterapia, 14,6%
de terapia ocupacional e 8,3% de fonoaudiólogo. Em mé-
dia, os cuidados de reabilitação estavam disponíveis 5,83
± 4,24 horas/dia e 5,02 ± 2,17 dias/semana. Apesar de o
modelo da equipe interna da UCI assegurar mais horas de
cuidados por dia e mais dias por semana, estas diferenças
não tiveram significado estatístico (Tabela 2).
Apenas 39,58% das unidades apresentaram seus resul-
tados em termos de tempo de internamento em UCI, tem-
po de ventilação invasiva e taxa de mortalidade na UCI. O
tempo médio de internamento foi de 7,38 ± 2,25 dias; o
tempo de ventilação invasiva, de 5,73 ± 2,69 dias; e a taxa
de mortalidade de 20,80 ± 6,07%. Estes resultados foram
independentes do modelo de organização dos cuidados de
reabilitação (Tabela 3).
DISCUSSÃO
Apesar de existirem publicações que tratam a utilização
de determinadas técnicas de reabilitação no doente crítico,
ou os benefícios da reabilitação em geral, a organização
dos cuidados de reabilitação nas UCI não é bem conhe-
cida. A nível europeu, no ano 2000 foi publicado o per-
fil da fisioterapia nas UCI.(11)
Segundo este estudo, 75%
das unidades integravam fisioterapeutas em exclusividade,
e os resultados de Portugal (à data representado por sete
UCI) estavam em concordância com os do resto da Euro-
pa. Nos Estados Unidos, em 2015, 34% das UCI tinham
Tabela 2 - Disponibilidade de cuidados de reabilitação
Variável
Modelo interno
(n = 11)
Modelo externo
(n = 12)
Modelo misto
(n = 25)
Valor de p
Horas de cuidados/dia 7,18 ± 5,21 4,17 ± 3,10 6,04 ± 4,14 0,268
Dias de cuidados/semana 5,27 ± 1,49 4,92 ± 2,47 4,88 ± 2,34 0,994
Tabela 3 - Resultados assistenciais no último ano
Indicador Modelo interno Modelo externo Modelo misto Valor de p
Doentes admitidos 320,00 ± 112,59 258,00 ± 186,82 389,50 ± 230,64 0,297
Gravidade
SAPS II 46,94 ± 2,91 27,00 ± 24,02 47,21 ± 5,73 0,128
APACHE II 20,57 ± 13,54 21,00 30,45 ±12,19 0,156
Dias de internamento em UCI 7,26 ± 2,37 8,13 ± 1,53 7,06 ± 2,53 0,418
Dias de ventilação invasiva 5,65 ± 3,70 6,10 ± 1,27 5,71 ± 2,47 0,923
Mortalidade em UCI 24,29 ± 4,26 18,83 ± 7,14 19,52 ± 6,22 0,240
SAPS - Simplified Acute Physiology Score; APACHE II - Acute Physiology and Chronic Health Evaluation; UCI - unidade de cuidados intensivos.
fisioterapeuta e/ou terapeuta ocupacional dedicados(12)
e,
no Japão, em 2016, 77% das UCI possuíam cuidados de
reabilitação em regime de chamada.(13)
Apesar de Portugal, há 17 anos, ter participado da
análise europeia, tínhamos a percepção de que, no pre-
sente, os resultados poderiam ser divergentes, não só pelo
período de tempo, como pelo desenvolvimento verifica-
do na organização das unidades e na formação especia-
lizada de fisioterapeutas, na área de cuidados intensivos,
e de enfermeiros de cuidados intensivos, em enfermagem
de reabilitação. Outros estudos que, de forma indireta,
abordaram esta questão fizeram-no focados na interven-
ção dos fisioterapeutas(14)
ou na dotação de enfermeiros
de reabilitação.(15)
Ambas as classes profissionais são rele-
vantes neste contexto: a enfermagem de reabilitação nor-
malmente integrada na equipe da UCI, e a fisioterapia
geralmente integrada em serviços de medicina física e re-
abilitação. Na maioria das unidades, independentemente
do tipo ou do modelo de gestão, o cenário mais frequente
é a articulação destas duas situações. Apesar das diferen-
tes formas de organização, a disponibilidade de horas de
cuidados é semelhante, e os resultados gerais também são
similares. Seria interessante analisar resultados mais sen-
síveis aos cuidados de reabilitação, mas ainda é baixo o
número de unidades que utiliza indicadores específicos,
os quais são relativamente heterogêneos - por este motivo,
não foram incluídos nesta análise.
Tal como em 2000,(11)
ainda não estão disponíveis os
cuidados de reabilitação no período noturno. Ainda assim,
16,7% das unidades oferecem cuidados de reabilitação por
mais de 8 horas por dia, contrastando com 10,4% que
referiram zero horas/dia, deixando entender que este tipo
Organização dos cuidados de reabilitação nas unidades de cuidados intensivos 17
Rev Bras Ter Intensiva. 2018
de cuidados não faz parte de sua prática diária. Também
apenas uma unidade referiu que a reabilitação era feita de
acordo com protocolo existente. São resultados com mar-
gem de melhoria, se considerarmos que a reabilitação pre-
coce do doente crítico é segura e benéfica, e que a sistema-
tização dos cuidados, por meio de protocolos, demonstra
claros benefícios.(9,16-18)
Concluímos esta análise salientando o número de
enfermeiros com formação especializada em reabilitação
(cerca de 10%) a integrarem as equipes das UCI, ainda
que em alguns serviços não desempenhem funções na
área. Destaca-se ainda o papel interventivo destes profis-
sionais não só na prestação direta de cuidados, como na
planificação dos mesmos. A presença destes profissionais
na organização dos cuidados de reabilitação do doente crí-
tico torna Portugal um caso particular, justificando esta
análise individual.
Este estudo teve potenciais limitações. Tentamos mini-
mizar o enviesamento inquirindo todas as UCI nacionais
que integravam a base de dados da SPCI, e a taxa de par-
ticipação foi bastante positiva (82,76%). Para evitar que
pudesse haver mais que uma resposta do mesmo inqui-
rido, bloqueamos informaticamente o utilizador depois
de uma resposta (não o IP, porque poderia ser o mesmo
em unidades da mesma instituição). Para estimular a par-
ticipação, reduzimos o tamanho do inquérito, optando
por não incluir questões de caracterização do perfil dos
inquiridos ou dos elementos de reabilitação. Para recolher
o máximo de informação possível permitimos existência
de respostas em branco, sendo, a posteriori, selecionados
todos os inquéritos com mais de dois terços de respostas
válidas. Pode ter havido algum viés por inquirir apenas
o enfermeiro-chefe ou o responsável, e por não inquirir
elementos de outras áreas de especialização. Esta opção
foi tomada porque consideramos que, no seio da equipe
multidisciplinar e tendo em conta as várias especificidades
que dizem respeito a este tema, o enfermeiro-chefe é uma
figura presente em todos os contextos e com capacidade de
responder às diferentes questões.
Trabalhos futuros deveriam procurar conhecer as prá-
ticas de reabilitação de cada unidade, bem como comparar
resultados entre si e com outros países onde a realidade
seja diferente.
CONCLUSÃO
A realidade portuguesa se mostrou singular e hetero-
gênea. Foram identificados um modelo interno de orga-
nização, prestado essencialmente por enfermeiros de rea-
bilitação; um modelo externo, prestado maioritariamente
por fisioterapeutas; e um misto, geralmente com a partici-
pação de ambos. Apesar dos diferentes modelos de organi-
zação de cuidados, a disponibilidade de horas de cuidados
foi semelhante. Por outro lado, a análise de resultados e a
obtenção de indicadores sensíveis aos cuidados de reabili-
tação foram, na maioria das vezes, aspectos marginais aos
diversos modelos. No entanto, os resultados disponíveis
não mostraram diferenças entre os modelos.
AGRADECIMENTOS
A todos os participantes nesta investigação, pois apenas
com sua contribuição foi possível desenvolver este proje-
to; à Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos, por
ter disponibilizado sua base de dados; à Sociedade Por-
tuguesa de Fisioterapeutas e a Associação Portuguesa de
Enfermeiros de Reabilitação, pelo apoio prestado; aos fi-
sioterapeutas Daniel Martins e Miguel Ferraz, e ao enfer-
meiro Carlos Margato, pelo trabalho de revisão enquanto
especialistas na área.
Contributo dos autores
Roberto Mendes foi responsável por todos os aspetos
da pesquisa, incluindo a conceptualização do projeto, co-
leta de dados, análise, elaboração e revisão do manuscrito.
Manuel Nunes, José Pinho e Ricardo Gonçalves auxilia-
ram no desenho da investigação e na redação do artigo.
Todos os autores leram e aprovaram o manuscrito final.
Objective: To describe the different rehabilitation care
models in practice in Portuguese adult intensive care units.
Methods: A simple observational (cross-sectional) study was
conducted through an online survey sent to the head nurses or
individuals responsible for the 58 adult intensive care units that
are part of the database of the Sociedade Portuguesa de Cuidados
Intensivos.
Results: We identified three models of organization of
rehabilitation care: care provided by the staff of the intensive
care unit (22.9%), care provided by specialized external teams
(25.0%), and a mixture of the previous models, combining the
two situations (52.1%). In the first model, the care was provided
mainly by nurses with specialization in rehabilitation and, in the
second model, the care was provided by physiotherapists. No
significant differences were found between the models regarding
ABSTRACT
18 Mendes RM, Nunes ML, Pinho JA, Gonçalves RB
Rev Bras Ter Intensiva. 2018
Keywords: Critical care; Rehabilitation nursing; Hospital
physical therapy service/organization & administration; Portugal
REFERÊNCIAS
		1.	Callahan LA, Supinski GS. Sepsis-induced myopathy. Crit Care Med.
2009;37(10 Suppl):S354-67.
		2.	Angel MJ, Bril V, Shannon P, Herridge MS. Neuromuscular function in
survivors of the acute respiratory distress syndrome. Can J Neurol Sci.
2007;34(4):427-32.
		 3.	Hermans G, De Jonghe B, Bruyninckx F, Van den Berghe G. Interventions
for preventing critical illness polyneuropathy and critical illness myopathy.
Cochrane Database Syst Rev. 2014;(1):CD006832.
		4.	França EE, Ferrari F, Fernandes P, Cavalcanti R, Duarte A, Martinez BP,
et al. Fisioterapia em pacientes críticos adultos: recomendações do
Departamento de Fisioterapia da Associação de Medicina Intensiva
Brasileira. Rev Bras Ter Intensiva. 2012;24(1):6-22.
		5.	Hodgson CL, Stiller K, Needham DM, Tipping CJ, Harrold M, Baldwin
CE, et al. Expert consensus and recommendations on safety criteria for
active mobilization of mechanically ventilated critically ill adults. Crit Care.
2014;18(6):658.
		6.	Gosselink R, Bott J, Johnson M, Dean E, Nava S, Norrenberg M, et al.
Physiotherapy for adult patients with critical illness: recommendations of
the European Respiratory Society and European Society of Intensive Care
Medicine Task Force on Physiotherapy for Critically Ill Patients. Intensive
Care Med. 2008;34(7):1188-99.
		7.	Balas MC, Burke WJ, Gannon D, Cohen MZ, Colburn L, Bevil C, et al.
Implementing the awakening and breathing coordination, delirium
monitoring/management, and early exercise/mobility bundle into everyday
care: opportunities, challenges, and lessons learned for implementing the
ICU Pain, Agitation, and Delirium Guidelines. Crit Care Med. 2013;41(9
Suppl 1):S116-27.
		 8.	Drolet A, DeJuilio P, Harkless S, Henricks S, Kamin E, Leddy EA, et al. Move
to improve: the feasibility of using an early mobility protocol to increase
ambulation in the intensive and intermediate care settings. Phys Ther.
2013;93(2):197-207.
		 9.	Murakami FM, Yamaguti WP, Onoue MA, Mendes JM, Pedrosa RS, Maida
AL, et al. Functional evolution of critically ill patients undergoing an early
rehabilitation protocol. Rev Bras Ter Intensiva. 2015;27(2):161-9.
	 10.	Portaria no 82/14 de 10 de Abril. Diário da República No71/14 – I Série A
[Internet]. Ministério da Saude. Lisboa. 2014:2364–6. [citado 2018 Fev 4].
Disponível em: https://dre.pt/application/conteudo/25343991
	 11.	Norrenberg M, Vincent JL, European Soc Intensive Care M. A profile
of European intensive care unit physiotherapists. European Society of
Intensive Care Medicine. Intensive Care Med. 2000;26(7):988-94.
	 12.	Bakhru RN, Wiebe DJ, McWilliams DJ, Spuhler VJ, Schweickert WD. An
Environmental Scan for Early Mobilization Practices in U.S. ICUs. Crit Care
Med. 2015;43(11):2360-9.
	 13.	Taito S, Sanui M, Yasuda H, Shime N, Lefor AK; Japanese Society of
Education for Physicians and Trainees in Intensive Care (JSEPTIC) Clinical
Trial Group. Current rehabilitation practices in intensive care units: a
preliminary survey by the Japanese Society of Education for Physicians
and Trainees in Intensive Care (JSEPTIC) Clinical Trial Group. J Intensive
Care. 2016;4:66.
	 14.	Salgueiro AC, Correia CL, Lopes AA, Menezes A, Clemente J. Realidade
portuguesa da intervenção do fisioterapeuta em unidades de cuidados
intensivos. Re(habilitar). 2007;(4/5):65-91.
	 15.	Portugal. Ministério da Saúde. Avaliação da situação nacional das unidades
de cuidados intensivos. Portugal; 2013. 459p.
	 16.	Morris PE, Goad A, Thompson C, Taylor K, Harry B, Passmore L, et al. Early
intensive care unit mobility therapy in the treatment of acute respiratory
failure. Crit Care Med. 2008;36(8):2238-43.
	 17.	Schweickert WD, Pohlman MC, Pohlman AS, Nigos C, Pawlik AJ,
Esbrook CL, et al. Early physical and occupational therapy in mechanically
ventilated, critically ill patients: a randomised controlled trial. Lancet.
2009;373(9678):1874-82.
	 18.	Brummel NE, Girard TD, Ely EW, Pandharipande PP, Morandi A, Hughes CG,
et al. Feasibility and safety of early combined cognitive and physical therapy
for critically ill medical and surgical patients: the Activity and Cognitive
Therapy in ICU (ACT-ICU) trial. Intensive Care Med. 2014;40(3):370-9.
the availability of care, in hours/day or days/week (p = 0.268
and 0.994, respectively), or results such as length of hospital stay
in intensive care, ventilation time, or mortality rate in the unit
(p = 0.418, 0.923, and 0.240, respectively).
Conclusion: The organization of rehabilitation care in
Portuguese intensive care units is unique and heterogeneous.
Despite different care organization models, the availability
of hours of care is similar, as are the overall results observed
in patients.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Modulo9 urgencia emergencia
Modulo9 urgencia emergenciaModulo9 urgencia emergencia
Modulo9 urgencia emergencia
CarlosAlberto803554
 
Agenda de investigação em medicina geral e familiar e cuidados de saúde primá...
Agenda de investigação em medicina geral e familiar e cuidados de saúde primá...Agenda de investigação em medicina geral e familiar e cuidados de saúde primá...
Agenda de investigação em medicina geral e familiar e cuidados de saúde primá...
João Pedro Batista Tomaz
 
Tcd finalizado
Tcd finalizadoTcd finalizado
Tcd finalizado
Daniela Gonçalves
 
Qualidade de vida do cuidador de enfermagem e sua relação com o cuidar
Qualidade de vida do cuidador de enfermagem e sua relação com o cuidarQualidade de vida do cuidador de enfermagem e sua relação com o cuidar
Qualidade de vida do cuidador de enfermagem e sua relação com o cuidar
Universidade Estadual de Maringá
 
tratado de enfermagem médico-cirúrgica lewis
tratado de enfermagem médico-cirúrgica lewistratado de enfermagem médico-cirúrgica lewis
tratado de enfermagem médico-cirúrgica lewis
Juninho Spina
 
A utilização da MTC nos Níveis de Atenção em Saúde
A utilização da MTC nos Níveis de Atenção em SaúdeA utilização da MTC nos Níveis de Atenção em Saúde
A utilização da MTC nos Níveis de Atenção em Saúde
comunidadedepraticas
 
96020392 anamnese-examefisico-cap-01
96020392 anamnese-examefisico-cap-0196020392 anamnese-examefisico-cap-01
96020392 anamnese-examefisico-cap-01
Klíscia Rosa
 
Desenvolvimento profissional contínuoem cuidados de saúde primários e integra...
Desenvolvimento profissional contínuoem cuidados de saúde primários e integra...Desenvolvimento profissional contínuoem cuidados de saúde primários e integra...
Desenvolvimento profissional contínuoem cuidados de saúde primários e integra...
João Pedro Batista Tomaz
 
Práticas integrativas e complementares com ênfase em acupuntura no sus um e...
Práticas integrativas e complementares com ênfase em acupuntura no sus   um e...Práticas integrativas e complementares com ênfase em acupuntura no sus   um e...
Práticas integrativas e complementares com ênfase em acupuntura no sus um e...
AbenaNacional
 
Histórico dos conceitos: medicina complementar e integrativa
Histórico dos conceitos: medicina complementar e integrativaHistórico dos conceitos: medicina complementar e integrativa
Histórico dos conceitos: medicina complementar e integrativa
Plataforma Colaborativa Comunidade de Práticas
 
Enfermeiro na atenção à dor e luto
Enfermeiro na atenção à dor e lutoEnfermeiro na atenção à dor e luto
Enfermeiro na atenção à dor e luto
Rodrigo Bastos
 
Artigo lesoes por pressao
Artigo lesoes por pressaoArtigo lesoes por pressao
Artigo lesoes por pressao
VictorAlves186
 
Slide 1
Slide 1Slide 1
Slide 1
guest38a579
 
Missoes gustavo 2010
Missoes gustavo 2010Missoes gustavo 2010
Missoes gustavo 2010
jorge luiz dos santos de souza
 
Tcc 1 ten al aderson
Tcc  1 ten al adersonTcc  1 ten al aderson
Tcc 1 ten al aderson
brabinha
 
Cipesc
CipescCipesc
estresse
 estresse estresse
estresse
Cissa Pires
 
Serviços de emergência
Serviços de emergênciaServiços de emergência
Serviços de emergência
Jandresson Soares de Araújo
 
USO DAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES AO ALÍVIO DA DOR À PARTURIENTE...
USO DAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES AO ALÍVIO DA DOR À PARTURIENTE...USO DAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES AO ALÍVIO DA DOR À PARTURIENTE...
USO DAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES AO ALÍVIO DA DOR À PARTURIENTE...
AbenaNacional
 
diagnóstico e intervenção de enfermagem
diagnóstico e intervenção de enfermagemdiagnóstico e intervenção de enfermagem
diagnóstico e intervenção de enfermagem
Criadouro Adriano Lima
 

Mais procurados (20)

Modulo9 urgencia emergencia
Modulo9 urgencia emergenciaModulo9 urgencia emergencia
Modulo9 urgencia emergencia
 
Agenda de investigação em medicina geral e familiar e cuidados de saúde primá...
Agenda de investigação em medicina geral e familiar e cuidados de saúde primá...Agenda de investigação em medicina geral e familiar e cuidados de saúde primá...
Agenda de investigação em medicina geral e familiar e cuidados de saúde primá...
 
Tcd finalizado
Tcd finalizadoTcd finalizado
Tcd finalizado
 
Qualidade de vida do cuidador de enfermagem e sua relação com o cuidar
Qualidade de vida do cuidador de enfermagem e sua relação com o cuidarQualidade de vida do cuidador de enfermagem e sua relação com o cuidar
Qualidade de vida do cuidador de enfermagem e sua relação com o cuidar
 
tratado de enfermagem médico-cirúrgica lewis
tratado de enfermagem médico-cirúrgica lewistratado de enfermagem médico-cirúrgica lewis
tratado de enfermagem médico-cirúrgica lewis
 
A utilização da MTC nos Níveis de Atenção em Saúde
A utilização da MTC nos Níveis de Atenção em SaúdeA utilização da MTC nos Níveis de Atenção em Saúde
A utilização da MTC nos Níveis de Atenção em Saúde
 
96020392 anamnese-examefisico-cap-01
96020392 anamnese-examefisico-cap-0196020392 anamnese-examefisico-cap-01
96020392 anamnese-examefisico-cap-01
 
Desenvolvimento profissional contínuoem cuidados de saúde primários e integra...
Desenvolvimento profissional contínuoem cuidados de saúde primários e integra...Desenvolvimento profissional contínuoem cuidados de saúde primários e integra...
Desenvolvimento profissional contínuoem cuidados de saúde primários e integra...
 
Práticas integrativas e complementares com ênfase em acupuntura no sus um e...
Práticas integrativas e complementares com ênfase em acupuntura no sus   um e...Práticas integrativas e complementares com ênfase em acupuntura no sus   um e...
Práticas integrativas e complementares com ênfase em acupuntura no sus um e...
 
Histórico dos conceitos: medicina complementar e integrativa
Histórico dos conceitos: medicina complementar e integrativaHistórico dos conceitos: medicina complementar e integrativa
Histórico dos conceitos: medicina complementar e integrativa
 
Enfermeiro na atenção à dor e luto
Enfermeiro na atenção à dor e lutoEnfermeiro na atenção à dor e luto
Enfermeiro na atenção à dor e luto
 
Artigo lesoes por pressao
Artigo lesoes por pressaoArtigo lesoes por pressao
Artigo lesoes por pressao
 
Slide 1
Slide 1Slide 1
Slide 1
 
Missoes gustavo 2010
Missoes gustavo 2010Missoes gustavo 2010
Missoes gustavo 2010
 
Tcc 1 ten al aderson
Tcc  1 ten al adersonTcc  1 ten al aderson
Tcc 1 ten al aderson
 
Cipesc
CipescCipesc
Cipesc
 
estresse
 estresse estresse
estresse
 
Serviços de emergência
Serviços de emergênciaServiços de emergência
Serviços de emergência
 
USO DAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES AO ALÍVIO DA DOR À PARTURIENTE...
USO DAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES AO ALÍVIO DA DOR À PARTURIENTE...USO DAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES AO ALÍVIO DA DOR À PARTURIENTE...
USO DAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES AO ALÍVIO DA DOR À PARTURIENTE...
 
diagnóstico e intervenção de enfermagem
diagnóstico e intervenção de enfermagemdiagnóstico e intervenção de enfermagem
diagnóstico e intervenção de enfermagem
 

Semelhante a Organização dos cuidados de reabilitação nas unidades de cuidados intensivos portuguesas

A prática clínica do enfermeiro na atenção básica um processo em construção u...
A prática clínica do enfermeiro na atenção básica um processo em construção u...A prática clínica do enfermeiro na atenção básica um processo em construção u...
A prática clínica do enfermeiro na atenção básica um processo em construção u...
Eli Paula
 
Atenção à saúde no nível secundário e terciário
Atenção à saúde no nível secundário e terciárioAtenção à saúde no nível secundário e terciário
Atenção à saúde no nível secundário e terciário
UNIME
 
Critérios de avaliação fisioterapêutica em uti
Critérios de avaliação fisioterapêutica em utiCritérios de avaliação fisioterapêutica em uti
Critérios de avaliação fisioterapêutica em uti
Fisioterapeuta
 
Artigo 1.pdf
Artigo 1.pdfArtigo 1.pdf
Artigo 1.pdf
RosanaRocha49
 
Enfermagememclnicamdicai 140822172753-phpapp01
Enfermagememclnicamdicai 140822172753-phpapp01Enfermagememclnicamdicai 140822172753-phpapp01
Enfermagememclnicamdicai 140822172753-phpapp01
Ctops Saúde
 
Enferagem em clinica médica em clínica médica
Enferagem em clinica médica em clínica médica Enferagem em clinica médica em clínica médica
Enferagem em clinica médica em clínica médica
Jackson Silva
 
NBH situações de insatisfação no trab.pdf
NBH situações de insatisfação no trab.pdfNBH situações de insatisfação no trab.pdf
NBH situações de insatisfação no trab.pdf
MiguelAlmeida502577
 
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivasServiço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Pedro Paulo Martins SCremin
 
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivasServiço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Pedro Paulo Martins SCremin
 
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivasServiço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Pedro Paulo Martins SCremin
 
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivasServiço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Pedro Paulo Martins SCremin
 
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivasServiço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Pedro Paulo Martins SCremin
 
Internação
InternaçãoInternação
Internação
Natha Fisioterapia
 
PMAQ e CIF
PMAQ e CIFPMAQ e CIF
3447-7631-1-PB.pdf
3447-7631-1-PB.pdf3447-7631-1-PB.pdf
3447-7631-1-PB.pdf
Fernandananda62
 
Atuação de enfermagem em unidades de terapia intensiva, implicações para diss...
Atuação de enfermagem em unidades de terapia intensiva, implicações para diss...Atuação de enfermagem em unidades de terapia intensiva, implicações para diss...
Atuação de enfermagem em unidades de terapia intensiva, implicações para diss...
Letícia Spina Tapia
 
Luis Fernando Rolim
Luis Fernando RolimLuis Fernando Rolim
Ciclo de investigação em cuidados intensivos
Ciclo de investigação em cuidados intensivosCiclo de investigação em cuidados intensivos
Ciclo de investigação em cuidados intensivos
Abilio Cardoso Teixeira
 
Educação permanente e a aprendizagem significativa
Educação permanente e a aprendizagem significativaEducação permanente e a aprendizagem significativa
Educação permanente e a aprendizagem significativa
Monica Oscalices
 
O significado de qualidade de vida para cuidadores de enfermagem de uma unida...
O significado de qualidade de vida para cuidadores de enfermagem de uma unida...O significado de qualidade de vida para cuidadores de enfermagem de uma unida...
O significado de qualidade de vida para cuidadores de enfermagem de uma unida...
Universidade Estadual de Maringá
 

Semelhante a Organização dos cuidados de reabilitação nas unidades de cuidados intensivos portuguesas (20)

A prática clínica do enfermeiro na atenção básica um processo em construção u...
A prática clínica do enfermeiro na atenção básica um processo em construção u...A prática clínica do enfermeiro na atenção básica um processo em construção u...
A prática clínica do enfermeiro na atenção básica um processo em construção u...
 
Atenção à saúde no nível secundário e terciário
Atenção à saúde no nível secundário e terciárioAtenção à saúde no nível secundário e terciário
Atenção à saúde no nível secundário e terciário
 
Critérios de avaliação fisioterapêutica em uti
Critérios de avaliação fisioterapêutica em utiCritérios de avaliação fisioterapêutica em uti
Critérios de avaliação fisioterapêutica em uti
 
Artigo 1.pdf
Artigo 1.pdfArtigo 1.pdf
Artigo 1.pdf
 
Enfermagememclnicamdicai 140822172753-phpapp01
Enfermagememclnicamdicai 140822172753-phpapp01Enfermagememclnicamdicai 140822172753-phpapp01
Enfermagememclnicamdicai 140822172753-phpapp01
 
Enferagem em clinica médica em clínica médica
Enferagem em clinica médica em clínica médica Enferagem em clinica médica em clínica médica
Enferagem em clinica médica em clínica médica
 
NBH situações de insatisfação no trab.pdf
NBH situações de insatisfação no trab.pdfNBH situações de insatisfação no trab.pdf
NBH situações de insatisfação no trab.pdf
 
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivasServiço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
 
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivasServiço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
 
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivasServiço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
 
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivasServiço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
 
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivasServiço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
Serviço de atendimento pré hospitalar caminhos e perspectivas
 
Internação
InternaçãoInternação
Internação
 
PMAQ e CIF
PMAQ e CIFPMAQ e CIF
PMAQ e CIF
 
3447-7631-1-PB.pdf
3447-7631-1-PB.pdf3447-7631-1-PB.pdf
3447-7631-1-PB.pdf
 
Atuação de enfermagem em unidades de terapia intensiva, implicações para diss...
Atuação de enfermagem em unidades de terapia intensiva, implicações para diss...Atuação de enfermagem em unidades de terapia intensiva, implicações para diss...
Atuação de enfermagem em unidades de terapia intensiva, implicações para diss...
 
Luis Fernando Rolim
Luis Fernando RolimLuis Fernando Rolim
Luis Fernando Rolim
 
Ciclo de investigação em cuidados intensivos
Ciclo de investigação em cuidados intensivosCiclo de investigação em cuidados intensivos
Ciclo de investigação em cuidados intensivos
 
Educação permanente e a aprendizagem significativa
Educação permanente e a aprendizagem significativaEducação permanente e a aprendizagem significativa
Educação permanente e a aprendizagem significativa
 
O significado de qualidade de vida para cuidadores de enfermagem de uma unida...
O significado de qualidade de vida para cuidadores de enfermagem de uma unida...O significado de qualidade de vida para cuidadores de enfermagem de uma unida...
O significado de qualidade de vida para cuidadores de enfermagem de uma unida...
 

Mais de Roberto Mendes

Introdução à monitorização eletrocardiográfica
Introdução à monitorização eletrocardiográficaIntrodução à monitorização eletrocardiográfica
Introdução à monitorização eletrocardiográfica
Roberto Mendes
 
In exuflação mecânica em cuidados intensivos / Cough Assist
In exuflação mecânica em cuidados intensivos / Cough AssistIn exuflação mecânica em cuidados intensivos / Cough Assist
In exuflação mecânica em cuidados intensivos / Cough Assist
Roberto Mendes
 
In exuflação mcânica em cuidados intensivos
In exuflação mcânica em cuidados intensivosIn exuflação mcânica em cuidados intensivos
In exuflação mcânica em cuidados intensivos
Roberto Mendes
 
Poster: Alterações da mobilidade após internamento prolongado em cuidados int...
Poster: Alterações da mobilidade após internamento prolongado em cuidados int...Poster: Alterações da mobilidade após internamento prolongado em cuidados int...
Poster: Alterações da mobilidade após internamento prolongado em cuidados int...
Roberto Mendes
 
Alterações da mobilidade após internamento prolongado em cuidados intensivos
Alterações da mobilidade após internamento prolongado em cuidados intensivosAlterações da mobilidade após internamento prolongado em cuidados intensivos
Alterações da mobilidade após internamento prolongado em cuidados intensivos
Roberto Mendes
 
Ventilação não invasiva no traumatizado medular
Ventilação não invasiva no traumatizado medularVentilação não invasiva no traumatizado medular
Ventilação não invasiva no traumatizado medular
Roberto Mendes
 
Vni no doente cardíaco
Vni no doente cardíacoVni no doente cardíaco
Vni no doente cardíaco
Roberto Mendes
 
VNI linhas de orientação
VNI linhas de orientaçãoVNI linhas de orientação
VNI linhas de orientação
Roberto Mendes
 

Mais de Roberto Mendes (8)

Introdução à monitorização eletrocardiográfica
Introdução à monitorização eletrocardiográficaIntrodução à monitorização eletrocardiográfica
Introdução à monitorização eletrocardiográfica
 
In exuflação mecânica em cuidados intensivos / Cough Assist
In exuflação mecânica em cuidados intensivos / Cough AssistIn exuflação mecânica em cuidados intensivos / Cough Assist
In exuflação mecânica em cuidados intensivos / Cough Assist
 
In exuflação mcânica em cuidados intensivos
In exuflação mcânica em cuidados intensivosIn exuflação mcânica em cuidados intensivos
In exuflação mcânica em cuidados intensivos
 
Poster: Alterações da mobilidade após internamento prolongado em cuidados int...
Poster: Alterações da mobilidade após internamento prolongado em cuidados int...Poster: Alterações da mobilidade após internamento prolongado em cuidados int...
Poster: Alterações da mobilidade após internamento prolongado em cuidados int...
 
Alterações da mobilidade após internamento prolongado em cuidados intensivos
Alterações da mobilidade após internamento prolongado em cuidados intensivosAlterações da mobilidade após internamento prolongado em cuidados intensivos
Alterações da mobilidade após internamento prolongado em cuidados intensivos
 
Ventilação não invasiva no traumatizado medular
Ventilação não invasiva no traumatizado medularVentilação não invasiva no traumatizado medular
Ventilação não invasiva no traumatizado medular
 
Vni no doente cardíaco
Vni no doente cardíacoVni no doente cardíaco
Vni no doente cardíaco
 
VNI linhas de orientação
VNI linhas de orientaçãoVNI linhas de orientação
VNI linhas de orientação
 

Último

Descubra os segredos do emagrecimento sustentável: Dicas práticas e estratégi...
Descubra os segredos do emagrecimento sustentável: Dicas práticas e estratégi...Descubra os segredos do emagrecimento sustentável: Dicas práticas e estratégi...
Descubra os segredos do emagrecimento sustentável: Dicas práticas e estratégi...
Lenilson Souza
 
VIAS+E+ADMINISTRAÇÃO+DE+MEDICAMENTOS-+AULA+03 (2).pdf
VIAS+E+ADMINISTRAÇÃO+DE+MEDICAMENTOS-+AULA+03 (2).pdfVIAS+E+ADMINISTRAÇÃO+DE+MEDICAMENTOS-+AULA+03 (2).pdf
VIAS+E+ADMINISTRAÇÃO+DE+MEDICAMENTOS-+AULA+03 (2).pdf
kailanejoyce4
 
A-Importancia-da-Saude-Mental-na-Juventude.pptx
A-Importancia-da-Saude-Mental-na-Juventude.pptxA-Importancia-da-Saude-Mental-na-Juventude.pptx
A-Importancia-da-Saude-Mental-na-Juventude.pptx
walterjose20
 
higienização de espaços e equipamentos
higienização de espaços    e equipamentoshigienização de espaços    e equipamentos
higienização de espaços e equipamentos
Manuel Pacheco Vieira
 
AULA 04.06. BOTOX.pdfHarmonizaçao Facia
AULA 04.06. BOTOX.pdfHarmonizaçao  FaciaAULA 04.06. BOTOX.pdfHarmonizaçao  Facia
AULA 04.06. BOTOX.pdfHarmonizaçao Facia
AntonioXavier35
 
higienização de espaços e equipamentos
higienização de    espaços e equipamentoshigienização de    espaços e equipamentos
higienização de espaços e equipamentos
Manuel Pacheco Vieira
 
Medicamentos que atuam no Sistema Digestório.pdf
Medicamentos que atuam no Sistema Digestório.pdfMedicamentos que atuam no Sistema Digestório.pdf
Medicamentos que atuam no Sistema Digestório.pdf
jhordana1
 
8. Medicamentos que atuam no Sistema Endócrino.pdf
8. Medicamentos que atuam no Sistema Endócrino.pdf8. Medicamentos que atuam no Sistema Endócrino.pdf
8. Medicamentos que atuam no Sistema Endócrino.pdf
jhordana1
 
Sistema Reprodutor Feminino curso tec. de enfermagem
Sistema Reprodutor Feminino curso tec. de enfermagemSistema Reprodutor Feminino curso tec. de enfermagem
Sistema Reprodutor Feminino curso tec. de enfermagem
BarbaraKelle
 

Último (9)

Descubra os segredos do emagrecimento sustentável: Dicas práticas e estratégi...
Descubra os segredos do emagrecimento sustentável: Dicas práticas e estratégi...Descubra os segredos do emagrecimento sustentável: Dicas práticas e estratégi...
Descubra os segredos do emagrecimento sustentável: Dicas práticas e estratégi...
 
VIAS+E+ADMINISTRAÇÃO+DE+MEDICAMENTOS-+AULA+03 (2).pdf
VIAS+E+ADMINISTRAÇÃO+DE+MEDICAMENTOS-+AULA+03 (2).pdfVIAS+E+ADMINISTRAÇÃO+DE+MEDICAMENTOS-+AULA+03 (2).pdf
VIAS+E+ADMINISTRAÇÃO+DE+MEDICAMENTOS-+AULA+03 (2).pdf
 
A-Importancia-da-Saude-Mental-na-Juventude.pptx
A-Importancia-da-Saude-Mental-na-Juventude.pptxA-Importancia-da-Saude-Mental-na-Juventude.pptx
A-Importancia-da-Saude-Mental-na-Juventude.pptx
 
higienização de espaços e equipamentos
higienização de espaços    e equipamentoshigienização de espaços    e equipamentos
higienização de espaços e equipamentos
 
AULA 04.06. BOTOX.pdfHarmonizaçao Facia
AULA 04.06. BOTOX.pdfHarmonizaçao  FaciaAULA 04.06. BOTOX.pdfHarmonizaçao  Facia
AULA 04.06. BOTOX.pdfHarmonizaçao Facia
 
higienização de espaços e equipamentos
higienização de    espaços e equipamentoshigienização de    espaços e equipamentos
higienização de espaços e equipamentos
 
Medicamentos que atuam no Sistema Digestório.pdf
Medicamentos que atuam no Sistema Digestório.pdfMedicamentos que atuam no Sistema Digestório.pdf
Medicamentos que atuam no Sistema Digestório.pdf
 
8. Medicamentos que atuam no Sistema Endócrino.pdf
8. Medicamentos que atuam no Sistema Endócrino.pdf8. Medicamentos que atuam no Sistema Endócrino.pdf
8. Medicamentos que atuam no Sistema Endócrino.pdf
 
Sistema Reprodutor Feminino curso tec. de enfermagem
Sistema Reprodutor Feminino curso tec. de enfermagemSistema Reprodutor Feminino curso tec. de enfermagem
Sistema Reprodutor Feminino curso tec. de enfermagem
 

Organização dos cuidados de reabilitação nas unidades de cuidados intensivos portuguesas

  • 1. Rev Bras Ter Intensiva. 2018 Organização dos cuidados de reabilitação nas unidades de cuidados intensivos portuguesas ARTIGO ORIGINAL INTRODUÇÃO Nas unidades de cuidados intensivos (UCI), os conhecidos efeitos da imo- bilização prolongada são potenciados pelo desenvolvimento de neuropatias ou miopatias decorrentes da própria doença.(1-3) Mesmo após superarem a fase agu- da, os doentes passam frequentemente por um estado de grande debilidade física/funcional, sendo, por vezes, incapazes de realizar simples Atividades de Vida Diária, e de debilidade psicossocial, que compromete a reintegração social e profissional. Todos estes achados associam-se a uma redução da qualidade de vida abaixo da média da população em geral. A teoria do repouso no leito já faz parte do passado, e a reabilitação precoce figura como uma prática segura e benéfica. Segundo uma metanálise realizada Roberto Miguel Gonçalves Mendes1,2 , Manuel Lourenço Nunes1 , José António Pinho3 , Ricardo Bruno Rodrigues Gonçalves4 1. Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade da Beira Interior - Covilhã, Portugal. 2. Unidade de Cuidados Intensivos, Unidade Local de Saúde de Castelo Branco - Castelo Branco, Portugal. 3. Serviço de Cuidados Intensivos 1, Centro Hospitalar do Porto - Porto, Portugal. 4. Unidade de Cuidados Intensivos, Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira - Funchal, Portugal. Objetivo: Descrever os diferentes modelos de prestação de cuidados de reabilitação em prática nas unidades de cuidados intensivos de adultos portu- guesas. Métodos: Estudo observacional simples (transversal), realizado por meio de inquérito on-line enviado aos enfermeiros-chefes ou responsáveis das 58 unidades de cuidados intensivos de adultos que integram a base de dados da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos. Resultados: Foram identificados três modelos de organização dos cuidados de reabilitação: cuidados prestados pela equipe da unidade de cuidados inten- sivos (22,9%), cuidados prestados por equipes externas especializadas (25,0%), um misto dos modelos anteriores, con- jugando as duas situações (52,1%). No primeiro modelo, os cuidados eram pres- tados essencialmente por enfermeiros Conflitos de interesse: Nenhum. Submetido em 6 de setembro de 2017 Aceito em 3 de dezembro de 2017 Autor correspondente: Roberto Miguel Gonçalves Mendes Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior Avenida Infante D. Henrique Covilhã 6200-506 Portugual E-mail: rmendes@ulscb.min-saude.pt Editor responsável: Pedro Póvoa Organization of rehabilitation care in Portuguese intensive care units RESUMO Descritores: Cuidados críticos; En- fermagem em reabilitação; Serviço hos- pitalar de fisioterapia/organização & ad- ministração; Portugal com especialização em reabilitação e, no segundo, por fisioterapeutas. Não fo- ram encontradas diferenças significativas entre os modelos no que diz respeito à disponibilidade de cuidados, em horas/ dia ou dias/semana (p = 0,268 e 0,994 respetivamente), ou a resultados como tempo de internamento em cuidados intensivos, tempo de ventilação ou taxa de mortalidade na unidade (p = 0,418, 0.923 e 0,240 respetivamente). Conclusão: A organização dos cui- dados de reabilitação nas unidades de cuidados intensivos portuguesas é singu- lar e heterogênea. Apesar dos diferentes modelos de organização de cuidados, a disponibilidade de horas de cuidados é semelhante, bem como os resultados ge- rais observados nos doentes. DOI Este é um artigo de acesso aberto sob licença CC BY (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/).
  • 2. Organização dos cuidados de reabilitação nas unidades de cuidados intensivos 13 Rev Bras Ter Intensiva. 2018 em 2014,(3) existem evidências de que esta prática, a par do controle glicêmico, desempenha um papel protetor para o desenvolvimento das alterações neuromusculares decor- rentes da doença crítica. Apesar de existirem recomendações internacionais sobre a reabilitação em UCI(4-6) e de serem divulga- dos protocolos de mobilização precoce mais ou menos abrangentes,(7-9) a realidade portuguesa é pouco conhecida. Ainda, o contexto português, para além de diferentes mo- delos de gestão hospitalar, possui particularidades na orga- nização dos próprios cuidados de reabilitação, com uma multiplicidade de cenários, sem que se conheça o trabalho desenvolvido em cada centro nem seus resultados. O objetivo primário desta investigação foi descrever os diferentes modelos de prestação de cuidados de reabilita- ção em prática nas UCI de adultos portuguesas. Cons- tituíram os objetivos secundários: quantificar o número de profissionais com formação em reabilitação disponíveis em cada unidade; verificar os prestadores e prescritores de cuidados de reabilitação em cada modelo; e identificar o modelo que garante mais horas de cuidados e melhores resultados. MÉTODOS Estudo do tipo observacional simples (transversal), realizado por meio de inquérito on-line dirigido aos en- fermeiros-chefes ou responsáveis de serviço das UCI de adultos, de nível II e III, que integravam a base de dados da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos (SPCI), com aprovação pela Comissão de Ética da Universidade da Beira Interior (Parecer CE-FCS-2016-028). O inquérito foi composto por 28 questões, agrupadas em: caraterização da instituição, que identificava o modelo de gestão e a classificação da instituição, tendo em conta a natureza de suas responsabilidades e o quadro de valências (Portaria 82/2014);(10) caraterização da unidade, identifi- cando seu tipo e o número de leitos ativos; caracterização da equipe, quantificando o número de profissionais das diferentes áreas de cuidados, distinguindo os que desen- volviam sua atividade em tempo integral dos que o faziam em tempo parcial; organização dos cuidados de reabilita- ção, que identificava o modelo de organização de cuidados e os prestadores, bem como sua forma de planeamento e implementação. Foram ainda verificados: existência de avaliação funcional na alta, acompanhamento após a alta, utilização de indicadores relativos às práticas de reabili- tação, disponibilidade de Recursos Humanos (em termos de horas e dias de cuidados disponíveis), e de recursos materiais para a reabilitação. Em relação ao último ano, questionou-se: número de doentes admitidos, gravidade média, tempo de internação em UCI, tempo médio de ventilação invasiva e taxa de mortalidade na unidade. Este questionário foi elaborado pela equipe de investi- gadores e revisado por peritos da Associação Portuguesa de Fisioterapeutas e da Associação Portuguesa dos Enfermei- ros Especializados em Enfermagem de Reabilitação. Um enfermeiro especializado em enfermagem de reabilitação, com funções de chefia, e dois fisioterapeutas, que trabalha- vam em uma UCI, também checaram as perguntas. A coleta de dados decorreu no período de 1º de no- vembro de 2016 a 1º de março de 2017. A análise estatística foi realizada por meio do programa IBM Statistical Package for Social Science (SPSS), versão 22. A estatística descritiva foi calculada por meio de fre- quências, porcentagens, médias e desvios padrão. A análise da independência do modelo de organização de cuidados, em relação ao modelo de gestão institucional, ao grau de diferenciação hospitalar e à classificação da UCI, foi rea- lizada por meio do teste qui quadrado de Pearson obtido por simulação de Monte Carlo. A comparação dos dife- rentes modelos, no que se refere a horas/dias de cuidados, número de doentes admitidos e sua gravidade, foi feita pelo teste de teste de Kruskal-Wallis. A comparação dos resultados assitenciais, tempo de internamento, tempo de ventilação e taxa de mortalidade, foi feita pelo teste de análise de variância (ANOVA). Utilizou-se um nível de significância de 0.05. RESULTADOS Foram enviados inquéritos para os enfermeiros-chefes ou responsáveis de 58 UCI, pertencentes a 51 hospitais. Foram respondidos 54 inquéritos, sendo 6 excluídos por apresentarem menos de dois terços de respostas válidas, totalizando 48 inquéritos válidos. A elevada adesão a este inquérito se deu, em parte, pela pertinência do tema e também por conta da metodologia utilizada, já que o in- quérito foi enviado após um primeiro contato telefônico, que objetivou apresentar o investigador e os objetivos da investigação. A amostra obtida incluiu maioritariamente UCI inte- gradas em hospitais do Grupo I (de menor diferenciação). O modelo de gestão destas instituições era predominante- mente o público empresarial, e as unidades eram, sobre- tudo, médico-cirúrgicas ou polivalentes (Tabela 1). Esta amostra representou um total de 399 leitos de cuidados intensivos e 132 leitos de cuidados intermediários (refe- rentes a 18 unidades que integravam serviços de cuidados intermediários).
  • 3. 14 Mendes RM, Nunes ML, Pinho JA, Gonçalves RB Rev Bras Ter Intensiva. 2018 Tabela 1 - Caraterização das unidades de cuidados intensivos participantes Caracteristicas n (%) Classificação institucional Hospital do Grupo I 25 (52,1) Hospital do Grupo II 8 (16,7) Hospital do Grupo III 14 (29,2) Não responderam 1 (2,1) Modelo de gestão institucional Entidade pública empresarial 43 (89,6) Parceria público-privada 4 (8,3) Não responderam 1 (2,1) Classificação da UCI Médico-cirúrgica 28 (58,3) Cardiotorácica 2 (4,2) Neurocirúrgica 3 (6,3) Outra (polivalente) 14 (29,2) Não responderam 1 (2,1) UCI - unidade de cuidados intensivos. Equipe multidisciplinar Os enfermeiros constituíram a classe profissional maio- ritária, seguidos dos médicos. Estatisticamente, em torno de um em cada dez (9,4%) enfermeiros possuía formação especializada em enfermagem de reabilitação; 92% das UCI portuguesas tinham enfermeiros com esta especializa- ção, ainda que em apenas 75% delas eles desempenhavam funções especializadas. Cerca de 46% das unidades conta- vam com enfermeiro de reabilitação a desempenhar funções especializadas em tempo integral, 29% apenas em tempo parcial e 25% não tinham enfermeiro de reabilitação em funções. Apenas três fisioterapeutas trabalhavam em tempo integral nas UCI, e fonoaudiólogos ou terapeutas ocupa- cionais trabalhavam em tempo parcial e de forma pontual. Organização dos cuidados Foram identificados três modelos de organização dos cuidados de reabilitação (Figura 1): um modelo interno, em que a prestação de cuidados era feita pela equipa da própria UCI (22,9%); um externo, em que a prestação de cuidados era assegurada por uma equipe especializada externa à UCI (25,0%); e um modelo misto, em que os cuidados eram prestados pela equipe da UCI em articula- ção com uma equipe externa especializada (52,1%). Cruzando a distribuição destes modelos de cuidados com o modelo de gestão institucional, observou-se que tanto nas entidades públicas empresariais como nas parce- rias público-privadas predominou o modelo de cuidados misto (51% nas entidades públicas empresariais e 75% nas Figura 1 - Modelos de organização dos cuidados de reabilitação. parcerias público-privadas). No entanto, a análise inferen- cial permitiu afirmar que a organização dos cuidados de reabilitação era independente do modelo de gestão insti- tucional (X2 (2) = 1,419; p = 0,797; N = 43). Efetuando análise semelhante para a classificação da UCI, o modelo misto predominou também nas unidades médico-cirúrgicas (43%), polivalentes (57%) e neuroci- rúrgicas (100%). Nas unidades cardiotorácicas, os mode- los misto e interno representavam igual proporção (50%). No entanto, a organização dos cuidados de reabilitação é igualmente independente da classificação da UCI (X2 (6) = 6,498; p = 0,370; N = 47). Sobre o grau de diferenciação hospitalar, nos hospitais do Grupo I e III predominou o modelo misto (48% e 79%) e, nos do Grupo II, o modelo externo especializa- do (63%), com diferenças estatisticamente significativas (X2 (4) = 12,178; p = 0,015; N = 47). Os cuidados de reabilitação nas UCI portuguesas eram prestados por vários profissionais, destacando-se os fisiote- rapeutas e os enfermeiros especialistas em enfermagem de reabilitação, por terem uma participação mais frequente. No modelo de cuidados interno, os prestadores foram em sua maioria enfermeiros com especialidade em enferma- gem de reabilitação, designados popularmente como en- fermeiros de reabilitação (todas as unidades com modelo interno integravam enfermeiros de reabilitação). Já no caso de os cuidados serem prestados por uma equipe ex- terna especializada, os prestadores foram principalmente fisioterapeutas (67,7%), seguidos dos enfermeiros de rea- bilitação (18,9%). A decisão de iniciar reabilitação em um doente críti- co foi tomada com maior frequência pelos enfermeiros de reabilitação, quer seja de forma unilateral ou por discus- são da equipe multidisciplinar. Já no modelo de cuidados
  • 4. Organização dos cuidados de reabilitação nas unidades de cuidados intensivos 15 Rev Bras Ter Intensiva. 2018 prestados por uma equipe externa especializada, este pa- pel foi assumido principalmente pelo médico intensivista (Figura 2). Também para elaboração do plano de cuidados de reabilitação, destacou-se o papel dos enfermeiros de re- abilitação, independentemente do modelo de organização de cuidados (Figura 3). Para a avaliação dos doentes na alta, em nove das uni- dades (22,0%) foram avaliados aspetos relacionados com a funcionalidade. Em cinco delas, o modelo de prestação de cuidados de reabilitação era misto; em três era interno; e em uma, externo. Aavaliaçãopós-altaerafeitaemseisdasunidades(12,5%), e apenas em uma situação foi reportada participação de um fisioterapeuta nesta avaliação, a qual foi principalmente feita por médico e enfermeiro. Duas UCI de cada modelo de orga- nização de cuidados faziam avaliação dos doentes após a alta. A obtenção de indicadores relacionados com as práti- cas de reabilitação foi feita em dez unidades (20,8%), as quais integravam em sua maioria o grupo em que a orga- nização dos cuidados de reabilitação era feita segundo o modelo misto (seis unidades com modelo misto e duas com modelo interno). Figura 2 - Tomada de decisão de iniciar cuidados de reabilitação. Figura 3 - Elaboração do programa de reabilitação.
  • 5. 16 Mendes RM, Nunes ML, Pinho JA, Gonçalves RB Rev Bras Ter Intensiva. 2018 Disponibilidade de recursos Independentemente do modelo de organização dos cuidados e do tempo que cada profissional dedicava à UCI, 77,1% das unidades dispunham de cuidados de en- fermagem de reabilitação, 68,8% de fisioterapia, 14,6% de terapia ocupacional e 8,3% de fonoaudiólogo. Em mé- dia, os cuidados de reabilitação estavam disponíveis 5,83 ± 4,24 horas/dia e 5,02 ± 2,17 dias/semana. Apesar de o modelo da equipe interna da UCI assegurar mais horas de cuidados por dia e mais dias por semana, estas diferenças não tiveram significado estatístico (Tabela 2). Apenas 39,58% das unidades apresentaram seus resul- tados em termos de tempo de internamento em UCI, tem- po de ventilação invasiva e taxa de mortalidade na UCI. O tempo médio de internamento foi de 7,38 ± 2,25 dias; o tempo de ventilação invasiva, de 5,73 ± 2,69 dias; e a taxa de mortalidade de 20,80 ± 6,07%. Estes resultados foram independentes do modelo de organização dos cuidados de reabilitação (Tabela 3). DISCUSSÃO Apesar de existirem publicações que tratam a utilização de determinadas técnicas de reabilitação no doente crítico, ou os benefícios da reabilitação em geral, a organização dos cuidados de reabilitação nas UCI não é bem conhe- cida. A nível europeu, no ano 2000 foi publicado o per- fil da fisioterapia nas UCI.(11) Segundo este estudo, 75% das unidades integravam fisioterapeutas em exclusividade, e os resultados de Portugal (à data representado por sete UCI) estavam em concordância com os do resto da Euro- pa. Nos Estados Unidos, em 2015, 34% das UCI tinham Tabela 2 - Disponibilidade de cuidados de reabilitação Variável Modelo interno (n = 11) Modelo externo (n = 12) Modelo misto (n = 25) Valor de p Horas de cuidados/dia 7,18 ± 5,21 4,17 ± 3,10 6,04 ± 4,14 0,268 Dias de cuidados/semana 5,27 ± 1,49 4,92 ± 2,47 4,88 ± 2,34 0,994 Tabela 3 - Resultados assistenciais no último ano Indicador Modelo interno Modelo externo Modelo misto Valor de p Doentes admitidos 320,00 ± 112,59 258,00 ± 186,82 389,50 ± 230,64 0,297 Gravidade SAPS II 46,94 ± 2,91 27,00 ± 24,02 47,21 ± 5,73 0,128 APACHE II 20,57 ± 13,54 21,00 30,45 ±12,19 0,156 Dias de internamento em UCI 7,26 ± 2,37 8,13 ± 1,53 7,06 ± 2,53 0,418 Dias de ventilação invasiva 5,65 ± 3,70 6,10 ± 1,27 5,71 ± 2,47 0,923 Mortalidade em UCI 24,29 ± 4,26 18,83 ± 7,14 19,52 ± 6,22 0,240 SAPS - Simplified Acute Physiology Score; APACHE II - Acute Physiology and Chronic Health Evaluation; UCI - unidade de cuidados intensivos. fisioterapeuta e/ou terapeuta ocupacional dedicados(12) e, no Japão, em 2016, 77% das UCI possuíam cuidados de reabilitação em regime de chamada.(13) Apesar de Portugal, há 17 anos, ter participado da análise europeia, tínhamos a percepção de que, no pre- sente, os resultados poderiam ser divergentes, não só pelo período de tempo, como pelo desenvolvimento verifica- do na organização das unidades e na formação especia- lizada de fisioterapeutas, na área de cuidados intensivos, e de enfermeiros de cuidados intensivos, em enfermagem de reabilitação. Outros estudos que, de forma indireta, abordaram esta questão fizeram-no focados na interven- ção dos fisioterapeutas(14) ou na dotação de enfermeiros de reabilitação.(15) Ambas as classes profissionais são rele- vantes neste contexto: a enfermagem de reabilitação nor- malmente integrada na equipe da UCI, e a fisioterapia geralmente integrada em serviços de medicina física e re- abilitação. Na maioria das unidades, independentemente do tipo ou do modelo de gestão, o cenário mais frequente é a articulação destas duas situações. Apesar das diferen- tes formas de organização, a disponibilidade de horas de cuidados é semelhante, e os resultados gerais também são similares. Seria interessante analisar resultados mais sen- síveis aos cuidados de reabilitação, mas ainda é baixo o número de unidades que utiliza indicadores específicos, os quais são relativamente heterogêneos - por este motivo, não foram incluídos nesta análise. Tal como em 2000,(11) ainda não estão disponíveis os cuidados de reabilitação no período noturno. Ainda assim, 16,7% das unidades oferecem cuidados de reabilitação por mais de 8 horas por dia, contrastando com 10,4% que referiram zero horas/dia, deixando entender que este tipo
  • 6. Organização dos cuidados de reabilitação nas unidades de cuidados intensivos 17 Rev Bras Ter Intensiva. 2018 de cuidados não faz parte de sua prática diária. Também apenas uma unidade referiu que a reabilitação era feita de acordo com protocolo existente. São resultados com mar- gem de melhoria, se considerarmos que a reabilitação pre- coce do doente crítico é segura e benéfica, e que a sistema- tização dos cuidados, por meio de protocolos, demonstra claros benefícios.(9,16-18) Concluímos esta análise salientando o número de enfermeiros com formação especializada em reabilitação (cerca de 10%) a integrarem as equipes das UCI, ainda que em alguns serviços não desempenhem funções na área. Destaca-se ainda o papel interventivo destes profis- sionais não só na prestação direta de cuidados, como na planificação dos mesmos. A presença destes profissionais na organização dos cuidados de reabilitação do doente crí- tico torna Portugal um caso particular, justificando esta análise individual. Este estudo teve potenciais limitações. Tentamos mini- mizar o enviesamento inquirindo todas as UCI nacionais que integravam a base de dados da SPCI, e a taxa de par- ticipação foi bastante positiva (82,76%). Para evitar que pudesse haver mais que uma resposta do mesmo inqui- rido, bloqueamos informaticamente o utilizador depois de uma resposta (não o IP, porque poderia ser o mesmo em unidades da mesma instituição). Para estimular a par- ticipação, reduzimos o tamanho do inquérito, optando por não incluir questões de caracterização do perfil dos inquiridos ou dos elementos de reabilitação. Para recolher o máximo de informação possível permitimos existência de respostas em branco, sendo, a posteriori, selecionados todos os inquéritos com mais de dois terços de respostas válidas. Pode ter havido algum viés por inquirir apenas o enfermeiro-chefe ou o responsável, e por não inquirir elementos de outras áreas de especialização. Esta opção foi tomada porque consideramos que, no seio da equipe multidisciplinar e tendo em conta as várias especificidades que dizem respeito a este tema, o enfermeiro-chefe é uma figura presente em todos os contextos e com capacidade de responder às diferentes questões. Trabalhos futuros deveriam procurar conhecer as prá- ticas de reabilitação de cada unidade, bem como comparar resultados entre si e com outros países onde a realidade seja diferente. CONCLUSÃO A realidade portuguesa se mostrou singular e hetero- gênea. Foram identificados um modelo interno de orga- nização, prestado essencialmente por enfermeiros de rea- bilitação; um modelo externo, prestado maioritariamente por fisioterapeutas; e um misto, geralmente com a partici- pação de ambos. Apesar dos diferentes modelos de organi- zação de cuidados, a disponibilidade de horas de cuidados foi semelhante. Por outro lado, a análise de resultados e a obtenção de indicadores sensíveis aos cuidados de reabili- tação foram, na maioria das vezes, aspectos marginais aos diversos modelos. No entanto, os resultados disponíveis não mostraram diferenças entre os modelos. AGRADECIMENTOS A todos os participantes nesta investigação, pois apenas com sua contribuição foi possível desenvolver este proje- to; à Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos, por ter disponibilizado sua base de dados; à Sociedade Por- tuguesa de Fisioterapeutas e a Associação Portuguesa de Enfermeiros de Reabilitação, pelo apoio prestado; aos fi- sioterapeutas Daniel Martins e Miguel Ferraz, e ao enfer- meiro Carlos Margato, pelo trabalho de revisão enquanto especialistas na área. Contributo dos autores Roberto Mendes foi responsável por todos os aspetos da pesquisa, incluindo a conceptualização do projeto, co- leta de dados, análise, elaboração e revisão do manuscrito. Manuel Nunes, José Pinho e Ricardo Gonçalves auxilia- ram no desenho da investigação e na redação do artigo. Todos os autores leram e aprovaram o manuscrito final. Objective: To describe the different rehabilitation care models in practice in Portuguese adult intensive care units. Methods: A simple observational (cross-sectional) study was conducted through an online survey sent to the head nurses or individuals responsible for the 58 adult intensive care units that are part of the database of the Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos. Results: We identified three models of organization of rehabilitation care: care provided by the staff of the intensive care unit (22.9%), care provided by specialized external teams (25.0%), and a mixture of the previous models, combining the two situations (52.1%). In the first model, the care was provided mainly by nurses with specialization in rehabilitation and, in the second model, the care was provided by physiotherapists. No significant differences were found between the models regarding ABSTRACT
  • 7. 18 Mendes RM, Nunes ML, Pinho JA, Gonçalves RB Rev Bras Ter Intensiva. 2018 Keywords: Critical care; Rehabilitation nursing; Hospital physical therapy service/organization & administration; Portugal REFERÊNCIAS 1. Callahan LA, Supinski GS. Sepsis-induced myopathy. Crit Care Med. 2009;37(10 Suppl):S354-67. 2. Angel MJ, Bril V, Shannon P, Herridge MS. Neuromuscular function in survivors of the acute respiratory distress syndrome. Can J Neurol Sci. 2007;34(4):427-32. 3. Hermans G, De Jonghe B, Bruyninckx F, Van den Berghe G. Interventions for preventing critical illness polyneuropathy and critical illness myopathy. Cochrane Database Syst Rev. 2014;(1):CD006832. 4. França EE, Ferrari F, Fernandes P, Cavalcanti R, Duarte A, Martinez BP, et al. Fisioterapia em pacientes críticos adultos: recomendações do Departamento de Fisioterapia da Associação de Medicina Intensiva Brasileira. Rev Bras Ter Intensiva. 2012;24(1):6-22. 5. Hodgson CL, Stiller K, Needham DM, Tipping CJ, Harrold M, Baldwin CE, et al. Expert consensus and recommendations on safety criteria for active mobilization of mechanically ventilated critically ill adults. Crit Care. 2014;18(6):658. 6. Gosselink R, Bott J, Johnson M, Dean E, Nava S, Norrenberg M, et al. Physiotherapy for adult patients with critical illness: recommendations of the European Respiratory Society and European Society of Intensive Care Medicine Task Force on Physiotherapy for Critically Ill Patients. Intensive Care Med. 2008;34(7):1188-99. 7. Balas MC, Burke WJ, Gannon D, Cohen MZ, Colburn L, Bevil C, et al. Implementing the awakening and breathing coordination, delirium monitoring/management, and early exercise/mobility bundle into everyday care: opportunities, challenges, and lessons learned for implementing the ICU Pain, Agitation, and Delirium Guidelines. Crit Care Med. 2013;41(9 Suppl 1):S116-27. 8. Drolet A, DeJuilio P, Harkless S, Henricks S, Kamin E, Leddy EA, et al. Move to improve: the feasibility of using an early mobility protocol to increase ambulation in the intensive and intermediate care settings. Phys Ther. 2013;93(2):197-207. 9. Murakami FM, Yamaguti WP, Onoue MA, Mendes JM, Pedrosa RS, Maida AL, et al. Functional evolution of critically ill patients undergoing an early rehabilitation protocol. Rev Bras Ter Intensiva. 2015;27(2):161-9. 10. Portaria no 82/14 de 10 de Abril. Diário da República No71/14 – I Série A [Internet]. Ministério da Saude. Lisboa. 2014:2364–6. [citado 2018 Fev 4]. Disponível em: https://dre.pt/application/conteudo/25343991 11. Norrenberg M, Vincent JL, European Soc Intensive Care M. A profile of European intensive care unit physiotherapists. European Society of Intensive Care Medicine. Intensive Care Med. 2000;26(7):988-94. 12. Bakhru RN, Wiebe DJ, McWilliams DJ, Spuhler VJ, Schweickert WD. An Environmental Scan for Early Mobilization Practices in U.S. ICUs. Crit Care Med. 2015;43(11):2360-9. 13. Taito S, Sanui M, Yasuda H, Shime N, Lefor AK; Japanese Society of Education for Physicians and Trainees in Intensive Care (JSEPTIC) Clinical Trial Group. Current rehabilitation practices in intensive care units: a preliminary survey by the Japanese Society of Education for Physicians and Trainees in Intensive Care (JSEPTIC) Clinical Trial Group. J Intensive Care. 2016;4:66. 14. Salgueiro AC, Correia CL, Lopes AA, Menezes A, Clemente J. Realidade portuguesa da intervenção do fisioterapeuta em unidades de cuidados intensivos. Re(habilitar). 2007;(4/5):65-91. 15. Portugal. Ministério da Saúde. Avaliação da situação nacional das unidades de cuidados intensivos. Portugal; 2013. 459p. 16. Morris PE, Goad A, Thompson C, Taylor K, Harry B, Passmore L, et al. Early intensive care unit mobility therapy in the treatment of acute respiratory failure. Crit Care Med. 2008;36(8):2238-43. 17. Schweickert WD, Pohlman MC, Pohlman AS, Nigos C, Pawlik AJ, Esbrook CL, et al. Early physical and occupational therapy in mechanically ventilated, critically ill patients: a randomised controlled trial. Lancet. 2009;373(9678):1874-82. 18. Brummel NE, Girard TD, Ely EW, Pandharipande PP, Morandi A, Hughes CG, et al. Feasibility and safety of early combined cognitive and physical therapy for critically ill medical and surgical patients: the Activity and Cognitive Therapy in ICU (ACT-ICU) trial. Intensive Care Med. 2014;40(3):370-9. the availability of care, in hours/day or days/week (p = 0.268 and 0.994, respectively), or results such as length of hospital stay in intensive care, ventilation time, or mortality rate in the unit (p = 0.418, 0.923, and 0.240, respectively). Conclusion: The organization of rehabilitation care in Portuguese intensive care units is unique and heterogeneous. Despite different care organization models, the availability of hours of care is similar, as are the overall results observed in patients.