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A Metodologia de Estudo do Meio
no Ensino Fundamental e Médio
Prof. Orlando Ferretti
orlando.ferretti@ufsc.br
(MEN/CED UFSC)
ENSINAR E APRENDER NA
REALIDADE
• O desafio do professor é dinamizar as aulas, atrair
ao aluno, fazê-lo parte integrante da construção do
conhecimento.
• As propostas devem despertar a curiosidade e o
interesse levando à pesquisa, buscando assim novos
caminhos para a aprendizagem.
• Deve-se buscar atividades que propõem a
observação, a descrição a reflexão crítica e a ação.
SER INTERDISCIPLINAR, EIS A QUESTÃO...
• A interdisciplinaridade não é só a aproximação dos conteúdos de
diferentes disciplinas, é o conhecimento relacional e em uma
perspectiva do conhecimento do real, ou seja, na perspectiva de
uma ciência complexa.
• Cabe ao educador entender a importância da
interdisciplinaridade e passar a vê-la não somente como uma
“atividade de projeto” mas como uma proposta de ensino calcada
em diferentes olhares sobre o real, da pesquisa com as múltiplas
interpretações dos atores sociais dos questionamentos da ordem
social, econômica, cultural e ambiental.
 É preciso compreender o espaço produzido pela
sociedade, suas desigualdades e contradições, e a
apropriação da natureza pela sociedade.
 Explicar como o meio é produzido conforme
interesses de grupos sociais em processos e
momentos históricos diferentes;
 Entender que esse processo implica numa
transformação
PORQUE ENTENDER O MEIO?
POR UM ESTUDO DO MEIO
 O estudo do meio é uma metodologia de ensino
interdisciplinar que trabalha a complexidade de
um espaço determinado que é dinâmico e em
constante transformação.
 Permite o processo de ensino pela pesquisa.
 Permite saber como os conteúdos são construídos.
 Trata da apreensão do real.
 O enfoque principal da metodologia é propiciar
o conhecimento da realidade para transformar:
o aluno participa na construção de uma
sociedade propondo uma visão coletiva.
 As áreas específicas do conhecimento que fazem parte
do currículo das escolas de ensino fundamental e médio
– como língua portuguesa, história, geografia,
matemática, ciências, biologia, artes e educação física
etc. devem estruturar em sua proposta de estudo do
meio intervenção pedagógica disciplinares que serão
relacionais a outras disciplinas quanto ao objeto de
estudo.
O ESPAÇO É DINAMICO E TEMPORAL
 Onde estou e como atuo SOCIALMENTE nesse
espaço?
 Quais as relações entre os diferentes espaços?
 Como está marcado e definido historicamente o
espaço?
 O que é o espaço de vivência?
 Espaços múltiplos?
 Como observar as diferentes formas do cotidiano?
PAISAGEM: NATUREZA E
SOCIEDADE
 O que vejo é real? Ou apenas parte...
 Como a natureza se apresenta?
 E as transformações humanas?
 A sociedade se apossou da natureza... Onde está a
natureza?
 Conhecimentos sobre a paisagem
 Paisagem e memória
 Paisagem e meio
 No entendimento das questões humanas, a
cultura é primordial. A cultura é mediadora
entre o ser humano e a natureza e é o
resultado da comunicação no grupo, na
sociedade. Essa comunicação feita de
palavras articula-se no discurso e realiza-se
na representação
HISTÓRICO
– Como prática é antigo (estudo do entorno,
observação do meio circundante, do contexto
social, ...);
– Enquanto método iniciou com FREINET;
– Nos passeios, o que chamava mais atenção era
subsídio para as aulas;
– Chegou no Brasil com os anarquistas nas
chamadas escolas livres, que em 1920 foram
fechadas em São Paulo.
– Em 1930 - surge na Universidade de São Paulo - USP o
Movimento Escola Nova com o objetivo de um "contato
com o meio para adaptar a criança a este meio" 1969 -
foram fechadas pelo regime militar!
– 1980 - Retorna nas Disciplinas de Prática de Ensino -
USP
– 1989/1992 - Inserida no Movimento de Reorientação
Curricular da Prefeitura Municipal de São Paulo, como
Temas Geradores
– 1995 - Surge na UFSC nos grupos de estudos do Centro
de Educação
– 1995 - Inserida no Movimento de reorientação curricular
da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis
– No século XXI se espalhou pela Escola brasileira como
referencia de trabalho integrado e interdisciplinar.
ATRAVÉS DA GEOGRAFIA E
HISTÓRIA O ALUNO PODERÁ:
 Compreender o espaço produzido pela sociedade, suas
desigualdades e contradições, a apropriação da natureza pela
sociedade.
 Explicar como o espaço é produzido conforme interesses em
momentos históricos diferente
 Entender que esse processo implica numa transformação
 meio é uma Geografia e História viva.
 não há “lugares pobres” nem privilegiados para se estudar.
 Observação, descrição e análise antecedem as explicações (que
podem estar no interior da realidade estudada ou em outras
realidades)
HISTÓRIA NO ESTUDO DO
MEIO
 Já algum tempo as áreas de Geografia e História têm
procurado integração...
 estudo das diversas temporalidades...
 abordagem de mudanças e permanências, diferenças e
semelhanças entre PASSADO E PRESENTE entre
ESPAÇO VIVENCIADO e OUTROS ESPAÇOS...
 a história do cotidiano (tempo curto/longo, tempo
particular e social)...
 história oral (revelações sobre uma realidade, uma
história não oficial)
E A LÍNGUA PORTUGUESA
CABE NO ESTUDO DO MEIO?
 Qual o papel do Português no conjunto das
disciplinas?... SOMENTE corrigir relatórios?
 As linguagens visuais/articuladas – orais/escritas
constituem uma das dimensões do espaço social
portanto, sendo expressão do mesmo constituem uma
forma de apreende-lo (a forma de falar, de se
expressar, as diversas linguagens regionais/locais etc.)
 As ENTREVISTAS como aprendizado do real, como
análise das invenções do cotidiano e das verdades das
pessoas, por elas mesmo.
E A MATEMÁTICA?
 Destaque para a aprendizagem dos números no
real, no cotidiano;
 Distâncias, percursos, tamanho das coisas,
calculo do tempo, medidas na natureza etc.
 As oportunidades pedagógicas se multiplicam...
 Uso dos recursos presentes no espaço para sua
adição, subtração, divisão e multiplicação...
 Calculo de temperatura, de umidade relativa, de
tamanho de ruas, trilhas, árvores etc.
ETAPAS INICIAIS DOS
PROFESSORES
 A Escola precisa ter um debate sobre a
aproximação com a proposta interdisciplinar.
 O estudo do meio como diálogo para um
trabalho coletivo (proposta de plano de ensino
e inserção no PPP da Escola).
 A definição do meio, e as proposições
temáticas.
 Visita preliminar e opção de percurso.
 Planejamento do trabalho e das etapas do
Estudo do Meio.
PLANEJAMENTO DO TRABALHO
 Consolidação de um método interdisciplinar que trabalha pesquisa
e extensão;
 Verificação de testemunhos de tempos e espaços diferentes
(transformações e permanências);
 Levantamento dos sujeitos sociais a ser contactados;
 Observações a serem realizadas conforme documentos
levantados: anotações, desenhos, fotografias e filmes;
 Compartilhamento de visões diferentes;
 Coleta de dados do lugar (questionários e entrevistas);
 Conteúdos disciplinares a serem explorados;
 Produção de instrumentos de avaliação do processo;
 Recursos didáticos utilizados, processos e resultados.
DO TRABALHO NO COLETIVO, DAS
EQUIPES AO INDIVÍDUO.
 O Estudo do Meio trata da participação em coletivo,
com a distribuição de trabalhos em equipes;
 Responsabilidades quanto aos levantamentos;
 Trabalhos das equipes devem ser complementares;
 Todo o coletivo conhece bem o trabalho a ser realizado
por cada equipe.
 Construção coletiva do caderno de campo.
 Entendimento e participação do indivíduo.
CADERNO DE CAMPO
 Deve ser individual, mas as questões a
serem investigadas são da equipe;
 Roteiro da Pesquisa de campo, com todos
os passos do que se vai fazer (discutidos em
sala de aula);
 Inclusão de textos quando necessário,
desenhos, croquis e mapas;
 Conjunto de questões para as entrevistas.
LEVANTAMENTO
PRELIMINAR (OBSERVAÇÃO
INFORMAL)
– definição/reconhecimento do local de
estudos
– identificação das relações que se dão neste
espaço (sujeitos X tema)
– observação dos atores sociais para posterior
entrevista
– detectar as necessidades inerentes às etapas
posteriores
– o primeiro contato sempre será do professor
ETAPAS DO ESTUDO DO MEIO
Etapa I – Conhecendo o Meio
 Definição do espaço: rua, escola, parque,
bairro, museu, praia etc.
 Coleta de informações/levantamento de dados
– bibliografias sobre o local
– documentos
– plantas/fotos/mapas
– possíveis fontes para entrevistas
Etapa II - o trabalho de campo
 organização dos objetivos - conhecimento prévio do local -
preparação do aluno: O que observar? O que coletar?
Como registrar? Como utilizar os registros? Como
sintetizar? Quando concluir?
 o trabalho com a informação - manuseio de cartas,
plantas, fotografias aéreas, imagens de satélites, descrições,
dados estatísticos etc.
 contatos com a equipe técnico-administrativa da escola
(objetivos, custos, responsabilidades).
 contatos prévios com os responsáveis pelo(s) local (ou
locais) a ser(em) visitado(s) e pessoa-fonte.
 previsão dos meios de transporte, despesas, hospedagem,
material a ser levado.
Etapa III – exploração dos
levantamentos
 relatos orais e escritos
 sistematização dos dados coletados
 questionamento a partir das observações e dos dados
 trabalho com desenhos, plantas e mapas
 produção de um texto coletivo, textos individuais e
gráficos
 maquete
 teatralização
 formulação de conclusões
 encaminhamento para novas investigações...

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  • 1. A Metodologia de Estudo do Meio no Ensino Fundamental e Médio Prof. Orlando Ferretti orlando.ferretti@ufsc.br (MEN/CED UFSC)
  • 2. ENSINAR E APRENDER NA REALIDADE • O desafio do professor é dinamizar as aulas, atrair ao aluno, fazê-lo parte integrante da construção do conhecimento. • As propostas devem despertar a curiosidade e o interesse levando à pesquisa, buscando assim novos caminhos para a aprendizagem. • Deve-se buscar atividades que propõem a observação, a descrição a reflexão crítica e a ação.
  • 3. SER INTERDISCIPLINAR, EIS A QUESTÃO... • A interdisciplinaridade não é só a aproximação dos conteúdos de diferentes disciplinas, é o conhecimento relacional e em uma perspectiva do conhecimento do real, ou seja, na perspectiva de uma ciência complexa. • Cabe ao educador entender a importância da interdisciplinaridade e passar a vê-la não somente como uma “atividade de projeto” mas como uma proposta de ensino calcada em diferentes olhares sobre o real, da pesquisa com as múltiplas interpretações dos atores sociais dos questionamentos da ordem social, econômica, cultural e ambiental.
  • 4.  É preciso compreender o espaço produzido pela sociedade, suas desigualdades e contradições, e a apropriação da natureza pela sociedade.  Explicar como o meio é produzido conforme interesses de grupos sociais em processos e momentos históricos diferentes;  Entender que esse processo implica numa transformação PORQUE ENTENDER O MEIO?
  • 5. POR UM ESTUDO DO MEIO  O estudo do meio é uma metodologia de ensino interdisciplinar que trabalha a complexidade de um espaço determinado que é dinâmico e em constante transformação.  Permite o processo de ensino pela pesquisa.  Permite saber como os conteúdos são construídos.  Trata da apreensão do real.  O enfoque principal da metodologia é propiciar o conhecimento da realidade para transformar: o aluno participa na construção de uma sociedade propondo uma visão coletiva.
  • 6.  As áreas específicas do conhecimento que fazem parte do currículo das escolas de ensino fundamental e médio – como língua portuguesa, história, geografia, matemática, ciências, biologia, artes e educação física etc. devem estruturar em sua proposta de estudo do meio intervenção pedagógica disciplinares que serão relacionais a outras disciplinas quanto ao objeto de estudo.
  • 7. O ESPAÇO É DINAMICO E TEMPORAL  Onde estou e como atuo SOCIALMENTE nesse espaço?  Quais as relações entre os diferentes espaços?  Como está marcado e definido historicamente o espaço?  O que é o espaço de vivência?  Espaços múltiplos?  Como observar as diferentes formas do cotidiano?
  • 8. PAISAGEM: NATUREZA E SOCIEDADE  O que vejo é real? Ou apenas parte...  Como a natureza se apresenta?  E as transformações humanas?  A sociedade se apossou da natureza... Onde está a natureza?  Conhecimentos sobre a paisagem  Paisagem e memória  Paisagem e meio
  • 9.  No entendimento das questões humanas, a cultura é primordial. A cultura é mediadora entre o ser humano e a natureza e é o resultado da comunicação no grupo, na sociedade. Essa comunicação feita de palavras articula-se no discurso e realiza-se na representação
  • 10. HISTÓRICO – Como prática é antigo (estudo do entorno, observação do meio circundante, do contexto social, ...); – Enquanto método iniciou com FREINET; – Nos passeios, o que chamava mais atenção era subsídio para as aulas; – Chegou no Brasil com os anarquistas nas chamadas escolas livres, que em 1920 foram fechadas em São Paulo.
  • 11. – Em 1930 - surge na Universidade de São Paulo - USP o Movimento Escola Nova com o objetivo de um "contato com o meio para adaptar a criança a este meio" 1969 - foram fechadas pelo regime militar! – 1980 - Retorna nas Disciplinas de Prática de Ensino - USP – 1989/1992 - Inserida no Movimento de Reorientação Curricular da Prefeitura Municipal de São Paulo, como Temas Geradores – 1995 - Surge na UFSC nos grupos de estudos do Centro de Educação – 1995 - Inserida no Movimento de reorientação curricular da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis – No século XXI se espalhou pela Escola brasileira como referencia de trabalho integrado e interdisciplinar.
  • 12. ATRAVÉS DA GEOGRAFIA E HISTÓRIA O ALUNO PODERÁ:  Compreender o espaço produzido pela sociedade, suas desigualdades e contradições, a apropriação da natureza pela sociedade.  Explicar como o espaço é produzido conforme interesses em momentos históricos diferente  Entender que esse processo implica numa transformação  meio é uma Geografia e História viva.  não há “lugares pobres” nem privilegiados para se estudar.  Observação, descrição e análise antecedem as explicações (que podem estar no interior da realidade estudada ou em outras realidades)
  • 13. HISTÓRIA NO ESTUDO DO MEIO  Já algum tempo as áreas de Geografia e História têm procurado integração...  estudo das diversas temporalidades...  abordagem de mudanças e permanências, diferenças e semelhanças entre PASSADO E PRESENTE entre ESPAÇO VIVENCIADO e OUTROS ESPAÇOS...  a história do cotidiano (tempo curto/longo, tempo particular e social)...  história oral (revelações sobre uma realidade, uma história não oficial)
  • 14. E A LÍNGUA PORTUGUESA CABE NO ESTUDO DO MEIO?  Qual o papel do Português no conjunto das disciplinas?... SOMENTE corrigir relatórios?  As linguagens visuais/articuladas – orais/escritas constituem uma das dimensões do espaço social portanto, sendo expressão do mesmo constituem uma forma de apreende-lo (a forma de falar, de se expressar, as diversas linguagens regionais/locais etc.)  As ENTREVISTAS como aprendizado do real, como análise das invenções do cotidiano e das verdades das pessoas, por elas mesmo.
  • 15. E A MATEMÁTICA?  Destaque para a aprendizagem dos números no real, no cotidiano;  Distâncias, percursos, tamanho das coisas, calculo do tempo, medidas na natureza etc.  As oportunidades pedagógicas se multiplicam...  Uso dos recursos presentes no espaço para sua adição, subtração, divisão e multiplicação...  Calculo de temperatura, de umidade relativa, de tamanho de ruas, trilhas, árvores etc.
  • 16. ETAPAS INICIAIS DOS PROFESSORES  A Escola precisa ter um debate sobre a aproximação com a proposta interdisciplinar.  O estudo do meio como diálogo para um trabalho coletivo (proposta de plano de ensino e inserção no PPP da Escola).  A definição do meio, e as proposições temáticas.  Visita preliminar e opção de percurso.  Planejamento do trabalho e das etapas do Estudo do Meio.
  • 17. PLANEJAMENTO DO TRABALHO  Consolidação de um método interdisciplinar que trabalha pesquisa e extensão;  Verificação de testemunhos de tempos e espaços diferentes (transformações e permanências);  Levantamento dos sujeitos sociais a ser contactados;  Observações a serem realizadas conforme documentos levantados: anotações, desenhos, fotografias e filmes;  Compartilhamento de visões diferentes;  Coleta de dados do lugar (questionários e entrevistas);  Conteúdos disciplinares a serem explorados;  Produção de instrumentos de avaliação do processo;  Recursos didáticos utilizados, processos e resultados.
  • 18. DO TRABALHO NO COLETIVO, DAS EQUIPES AO INDIVÍDUO.  O Estudo do Meio trata da participação em coletivo, com a distribuição de trabalhos em equipes;  Responsabilidades quanto aos levantamentos;  Trabalhos das equipes devem ser complementares;  Todo o coletivo conhece bem o trabalho a ser realizado por cada equipe.  Construção coletiva do caderno de campo.  Entendimento e participação do indivíduo.
  • 19. CADERNO DE CAMPO  Deve ser individual, mas as questões a serem investigadas são da equipe;  Roteiro da Pesquisa de campo, com todos os passos do que se vai fazer (discutidos em sala de aula);  Inclusão de textos quando necessário, desenhos, croquis e mapas;  Conjunto de questões para as entrevistas.
  • 20. LEVANTAMENTO PRELIMINAR (OBSERVAÇÃO INFORMAL) – definição/reconhecimento do local de estudos – identificação das relações que se dão neste espaço (sujeitos X tema) – observação dos atores sociais para posterior entrevista – detectar as necessidades inerentes às etapas posteriores – o primeiro contato sempre será do professor
  • 21. ETAPAS DO ESTUDO DO MEIO Etapa I – Conhecendo o Meio  Definição do espaço: rua, escola, parque, bairro, museu, praia etc.  Coleta de informações/levantamento de dados – bibliografias sobre o local – documentos – plantas/fotos/mapas – possíveis fontes para entrevistas
  • 22. Etapa II - o trabalho de campo  organização dos objetivos - conhecimento prévio do local - preparação do aluno: O que observar? O que coletar? Como registrar? Como utilizar os registros? Como sintetizar? Quando concluir?  o trabalho com a informação - manuseio de cartas, plantas, fotografias aéreas, imagens de satélites, descrições, dados estatísticos etc.  contatos com a equipe técnico-administrativa da escola (objetivos, custos, responsabilidades).  contatos prévios com os responsáveis pelo(s) local (ou locais) a ser(em) visitado(s) e pessoa-fonte.  previsão dos meios de transporte, despesas, hospedagem, material a ser levado.
  • 23. Etapa III – exploração dos levantamentos  relatos orais e escritos  sistematização dos dados coletados  questionamento a partir das observações e dos dados  trabalho com desenhos, plantas e mapas  produção de um texto coletivo, textos individuais e gráficos  maquete  teatralização  formulação de conclusões  encaminhamento para novas investigações...