O Renascimento
 
Introdução É no final do século XV , inicio do século XVI que floresce o Renascimento. Após todas as perturbações da Idade Média que surge este movimento de renovação cultural; mudam as mentalidades e a concepção do pensamento, surgindo novos valores e atitudes. Era o nascimento de uma nova mentalidade moderna perante o mundo.
A mentalidade renascentista O Homem, centro do Mundo ou Homem vitruviano sintetiza o ideário renascentista: humanista e clássico
O  Humanismo  é uma das principais características da nova mentalidade renascentista, que valoriza o ser humano e as suas capacidades, inspirando-se nos modelos clássicos greco-latinos. O ser humano encontra-se no centro do Universo (antropocentrismo), passando o seu bem-estar a constituir a principal preocupação, ao contrário do teocentrismo medieval , que valorizava Deus como centro do mundo e do pensamento.  Humanismo
Classicismo O  Classicismo  nas suas manifestações literárias e artísticas. Estes intelectuais desenvolveram uma renovação literária: traduziram muitas obras clássicas, comparando edições, fazendo críticas e comentários e escreveram novas obras, imitando os temas e os géneros das antigas. No entanto, os humanistas recusavam o dogmatismo e o saber livresco, desenvolvendo um forte espírito crítico e atribuindo um grande valor à razão.
A arte renascentista Na medida em que o Renascimento resgata a cultura clássica, greco-romana, as construções foram influenciadas por características antigas, adaptadas à nova realidade moderna, ou seja, a construção de igrejas cristãs adoptando-se os padrões clássicos e a construção de palácios e mosteiros seguindo as mesmas bases.
Arquitectura Os arquitectos renascentistas perceberam que a origem de construção clássica estava na geometria euclidiana, que usava como base de suas obras o quadrado, aplicando-se a perspectiva, com o intuito de se obter uma construção harmónica. Apesar de racional e antropocêntrica, a arte renascentista continuou cristã, porém as novas igrejas adoptaram um novo estilo, caracterizado pela funcionalidade e portanto pela racionalidade, representada pelo plano centralizado, ou a cruz grega. Os palácios também foram construídos de forma plana tendo como base o quadrado, um corpo sólido e normalmente com um pátio central, quadrangular, que tem a função de fazer chegar a luz às janelas internas  Hospital Tavera" Alonso de Covarrubias -- Toledo, Espanha
Escultura Pode-se dizer que a escultura é a forma de expressão artística que melhor representa o renascimento, no sentido humanista. Utilizando-se da perspectiva e da proporção geométrica, destacam-se as figuras humanas, que até então estavam relegadas a segundo plano, acopladas às paredes ou capitéis. No renascimento a escultura ganha independência e a obra, colocada acima de uma base, pode ser apreciada de todos os ângulos.  Busto de Lourenço de Médicis" Michelangelo
Dois elementos se destacam: a expressão corporal que garante o equilíbrio, revelando uma figura humana de músculos levemente torneados e de proporções perfeitas; e as expressões das figuras, reflectindo seus sentimentos. Mesmo contrariando a moral cristã da época, o nu volta a ser utilizado reflectindo o naturalismo.  Encontramos várias obras retratando elementos mitológicos, como o Baco, de Michelangelo, assim como o busto ou as tumbas de mecenas, reis e papas.  "Estátua Eqüestre" Donatello -- Piazza do Santo, Pádua
Pintura Duas grandes novidades marcam a pintura renascentista: a utilização da perspectiva, através da qual os artistas conseguem reproduzir em suas obras, espaços reais sobre uma superfície plana, dando a noção de profundidade e de volume, ajudados pelo jogo de cores que permitem destacar na obra os elementos mais importantes e obscurecer os elementos secundários, a variação de cores frias e quentes e o manejo da luz permitem criar distâncias e volumes que parecem ser copiados da realidade; e a utilização da tinta à óleo, que possibilitará a pintura sobre tela com uma qualidade maior, dando maior ênfase à realidade e maior durabilidade às obras.  MONALISA "Monalisa" de Leonardo da Vinci, Museu do Louvre - Paris
Em um período de ascensão da burguesia e de valorização do homem no sentido individualista, surgem os retratos ou mesmo cenas de família, fato que não elimina a produção de carácter religioso, particularmente na Itália. Nos Países Baixos destacou-se a reprodução do natural de rostos, paisagens, fauna e flora, com um cuidado e uma exactidão assombrosos, o que acabou resultando naquilo a que se deu o nome de Janela para a Realidade.  As obras abaixo são de Antonio Allegri (Corregio) e reflectem bem o espírito do renascimento, caracterizadas por elementos que remontam ao passado clássico, elementos religiosos e por grande sensualidade, destacando a perfeição das formas e a beleza do corpo, junto a presença de anjos.  "Nossa Senhora da Cesta" national Gallery - Londres
O Estilo manuelino O  Estilo manuelino , por vezes também chamado de  gótico português tardio  ou  flamejante , é um estilo arquitectónico, escultórico e de arte móvel que se desenvolveu no reinado de D. Manuel I e prosseguiu após a sua morte, ainda que já existisse desde o reinado de D. João II. É uma variação portuguesa do Gótico final, bem como da arte luso-mourisca ou mudéjar, marcada por uma sistematização de motivos iconográficos próprios, de grande porte, simbolizando o poder régio. Incorporou, mais tarde, ornamentações do Renascimento italiano. O termo "Manuelino" foi criado por Francisco Adolfo Varnhagen na sua  Notícia Histórica e Descritiva do Mosteiro de Belém , de 1842. O Estilo desenvolveu-se numa época propícia da economia portuguesa e deixou marcas em todo o território nacional. Igreja Matriz da Golegã, cujo portal é um dos mais característicos do manuelino.
A Arquitectura manuelina Esta tendência artística era conhecida, na época, como a variante portuguesa da arquitectura  ad modum Yspaniae  (ao modo hispânico) que, por sua vez, estava incluída na corrente arquitectónica "ao moderno" - expressão utilizada para o gótico tardio onde também havia a variante, por exemplo, do  modo tudesco  ou  alemão  na então nova arquitectura nórdica. Esta corrente opunha-se à arquitectura  ao modo antigo  ou  ao romano . O alçado interior das igrejas mantém-se através da orientação este-oeste, da planta, dos sistemas de suporte e cobertura, do cálculo de proporções.
Apesar de ser essencialmente ornamental, o Manuelino caracteriza-se também pela aplicação de determinadas fórmulas técnicas da altura, como as abóbadas com nervuras polinervadas a partir de mísulas. Na compente civil destacam-se os palácios, como o Paço de D. Manuel, em Évora, e solares rurais, como o Solar de Sempre Noiva, em Arraiolos, todos de planta rectangular. E na tipologia militar é referência maior o baluarte do Restelo, a Torre de Belém. Um dos primeiros baluartes de artilharia do país, a quebrar a tradição das torres de menagem, a sua planta rectangular sobrepõe-se a uma base poliédrica, que penetram Tejo adentro. A rectangularidade da planta opõe-se à curvilínea da decoração esculpida. Torre de Belém, Lisboa
Escultura manuelina É precisamente na escultura que o manuelino revela o seu maior amadurecimento e hegemonia, sendo que é através da simbologia decoração esculpida que é reconhecido como estilo próprio nacional, e não uma aliteração de outros estilos europeus. O estilo Manuelino não mascara a estrutura dos edifícios ao mantê-los livres de ornamentação desnecessária: as paredes exteriores ou interiores são geralmente nuas, concentrando-se a decoração em determinados elementos estruturais, como janelas, portais, arcos de triunfo, tectos, abóbadas, pilares e colunas, arcos, nervuras (ogivas, liernes e terceletes), frisos, cornijas, platibandas (como nos Jerónimos) óculos e contrafortes, além de túmulos, fontes, cruzeiros.  Abóbada dos nós, na Sé de Viseu, de João de Castilho.
O estilo manuelino tem a sua fase de maior amadurecimento a partir da segunda década de reinado de D. Manuel. Os escultores e arquitectos de Portugal definiram, neste contexto, um estilo de uma originalidade vigorosa que ainda hoje causa espanto entre todo o património artístico português. Os motivos ornamentais que caracterizam esta tendência são de uma riqueza impressionante e, ao contrário do que se tornou vulgar dizer, não é caracterizada apenas pelos motivos marítimos, inspirados na Era das Descobertas, mas por um conjunto de símbolos de ordem diversa onde, eventualmente, se encontram elementos do género. A ideia de que os motivos ornamentais se ligavam ao mar deve-se a Edgar Quinet, em 1857, e tornou-se um lugar-comum. Colunas torsas, típicas do Manuelino,  na Sé da Guarda.  Coluna no Claustro do Mosteiro dos Jerónimos
Principais autores No Norte de Portugal, os principais autores deste estilo, provenientes da Galiza ou de Biscaia, foram Tomé de Tolosa, Francisco Fial e Pêro Galego, que participaram na criação da Igreja Matriz de Caminha, bem como João de Vargas e João de Parmenes, que trabalharam juntamente com o português João Lopes na Sé de Lamego. O cantábrico João de Castilho, responsável pela galilé e pela capela-mor da Sé de Braga, também deixou a sua marca no Mosteiro dos Jerónimos, onde avulta a figura de Diogo Boitaca, criador do Mosteiro de Jesus de Setúbal. Além de Boitaca, o centro de Portugal conta também com a obra notável de Mateus Fernandes, bem representada no portal das Capelas  Imperfeitas, no Mosteiro da Batalha. Pormenor do portal das Capelas Imperfeitas, de Mateus Fernandes
O Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, é um dos legados mais exuberantes deste estilo. Interior da Igreja dos Jerónimos
Motivos ornamentais   A característica dominante do Manuelino é a exuberância de formas e uma forte interpretação naturalista-simbólica de temas originais, eruditos ou tradicionais. O conjunto decorativo de um elemento escultórico manuelino apresenta-se quase sempre como um discurso de pedra, onde diversos elementos e referências se cruzam ( pansemiose  - ou " todos os significados "), como o cabalismo cristão, a alquimia, a tradição popular. O contexto tanto pode ser moralizante, como alegórico, jocoso (quando se aponta o dedo aos defeitos humanos ou a pormenores obscenos, como na referência ao sexo oral, numa gárgula exterior à capela de São Nicolau, em Guimarães), esotérico ou, simplesmente, propagandístico em relação ao poder imperial de D. Manuel I. Note-se que esta simbologia está também muito ligada à heráldica. Pormenor da Torre da Colegiada da Oliveira, em Guimarães, onde às cordas esculpidas se associa uma gárgula.
Os motivos mais importantes da arquitectura manuelina são: Símbolos nacionais:   A esfera armilar (" a esfera dos matemáticos " conferida como divisa por D. João II ao seu genro, D. Manuel I, que, tendo escrito no meridiano " Spera Mundi " - Esfera do Mundo - foi, mais tarde, interpretada como sinal de um desígnio divino para o reinado de D. Manuel que se apresenta nos motivos artísticos do estilo como " Esperança do Mundo ", como também poderia ser interpretada a expressão aí inscrita)  A Cruz da Ordem de Cristo;  Escudo nacional;
Elementos naturalistas :  Corais;  Algas;  Árvores secas. Aparecem também no gótico final da Europa Central, usando-se o termo " astwerk " para descrever a sua utilização - são, portanto, um elemento característico do tardo-gótico e remetem para a estética franciscana, de cariz marcadamente naturalista e austera. Por outro lado, é um elemento que foi utilizado pelos detractores do gótico que consideravam o estilo bárbaro e primitivo - estéril como uma árvore seca. As suas raízes e troncos nodosos têm presença notável no Mosteiro de Alcobaça, na janela do Capítulo de Tomar, sobre o busto fundeiro; na Igreja de Vilar de Frades ou no Paço de Sintra.  Folhas de loureiro, como no Claustro de D. João I, no Mosteiro da Batalha;  Romãs (como nas portas laterais da Igreja Matriz de Golegã - símbolo de fertilidade, pela quantidade extraordinária de sementes que contêm)  Pinhas (fertilidade e/ou imortalidade - por vezes interpretadas como sendo espigas de milho ou maçarocas) - são visíveis, por exemplo, sobre o portal da Igreja Matriz da Golegã;  Caracóis ou conchas de nautilus (como na Igreja da Vestiaria, em Alcobaça; ou na entrada das Capelas Imperfeitas, no Mosteiro da Batalha, simbolizando, talvez, a lentidão dos trabalhos);
Elementos fantásticos :  Ouroboros (a serpente que morde a sua própria cauda: símbolo do Universo: a união do princípio e do fim)  Sereias (motivo de arte profana, talvez fossem uma referência a várias palavras semelhantes e ao simbolismo associado:  serão , ou a altura em que o ciclo produtivo do cardar da lã se realizava;  serenata , ritual de namoro ligado ao pecado da carne, tal como em  serralho );  Monstros (principalmente as gárgulas, mas também outros, como dragões e animais de boca aberta, devorando o seu próprio corpo)  Orelhudos (cabeças com orelhas descomunalmente grandes, como no cadeiral de Santa Cruz de Coimbra);  Animais realizando acções humanas, numa perspectiva carnavalesca, como a tocar instrumentos musicais.
Simbolismo cristão :  Cachos de uvas e sarmentos (relacionado com a " Vinha do Senhor " e com a Eucaristia), como em Luz de Tavira;  Agnus Dei  Querubins
Outros motivos :  As cordas entrelaçadas e cabos, fazendo muitas vezes nós, como na Sé de Viseu, na Torre de Belém ou na Casa dos Alpoins, em Coimbra.  Redes;  Cinturões com grandes fivelas, como no Coro do Convento de Cristo, em Tomar;  Meias esferas, como na Igreja da Conceição, em Beja;  Pináculos cónicos com cogulhos de formas diversas;  Colunas torsas (como no portal da Igreja Matriz da Golegã ou na Sé da Guarda)  Correntes, como na arquivolta do portal principal da Casa de Sub-Ripas, em Coimbra;  Bustos de personagens históricas;  Cabeças de infantes (crianças)  Desenhos finos, semelhantes aos das pratas espanholas, suas contemporâneas.  Referências à cestaria;  Note-se que estes mesmos motivos aparecem também noutras construções, como pelourinhos, túmulos ou mesmo peças artísticas, como em ourivesaria.
Trabalho realizado por: Kevin Figueiredo  Nº14 Luís Oliveira Nº15

O Renascimento

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    Introdução É nofinal do século XV , inicio do século XVI que floresce o Renascimento. Após todas as perturbações da Idade Média que surge este movimento de renovação cultural; mudam as mentalidades e a concepção do pensamento, surgindo novos valores e atitudes. Era o nascimento de uma nova mentalidade moderna perante o mundo.
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    A mentalidade renascentistaO Homem, centro do Mundo ou Homem vitruviano sintetiza o ideário renascentista: humanista e clássico
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    O Humanismo é uma das principais características da nova mentalidade renascentista, que valoriza o ser humano e as suas capacidades, inspirando-se nos modelos clássicos greco-latinos. O ser humano encontra-se no centro do Universo (antropocentrismo), passando o seu bem-estar a constituir a principal preocupação, ao contrário do teocentrismo medieval , que valorizava Deus como centro do mundo e do pensamento. Humanismo
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    Classicismo O Classicismo nas suas manifestações literárias e artísticas. Estes intelectuais desenvolveram uma renovação literária: traduziram muitas obras clássicas, comparando edições, fazendo críticas e comentários e escreveram novas obras, imitando os temas e os géneros das antigas. No entanto, os humanistas recusavam o dogmatismo e o saber livresco, desenvolvendo um forte espírito crítico e atribuindo um grande valor à razão.
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    A arte renascentistaNa medida em que o Renascimento resgata a cultura clássica, greco-romana, as construções foram influenciadas por características antigas, adaptadas à nova realidade moderna, ou seja, a construção de igrejas cristãs adoptando-se os padrões clássicos e a construção de palácios e mosteiros seguindo as mesmas bases.
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    Arquitectura Os arquitectosrenascentistas perceberam que a origem de construção clássica estava na geometria euclidiana, que usava como base de suas obras o quadrado, aplicando-se a perspectiva, com o intuito de se obter uma construção harmónica. Apesar de racional e antropocêntrica, a arte renascentista continuou cristã, porém as novas igrejas adoptaram um novo estilo, caracterizado pela funcionalidade e portanto pela racionalidade, representada pelo plano centralizado, ou a cruz grega. Os palácios também foram construídos de forma plana tendo como base o quadrado, um corpo sólido e normalmente com um pátio central, quadrangular, que tem a função de fazer chegar a luz às janelas internas Hospital Tavera" Alonso de Covarrubias -- Toledo, Espanha
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    Escultura Pode-se dizerque a escultura é a forma de expressão artística que melhor representa o renascimento, no sentido humanista. Utilizando-se da perspectiva e da proporção geométrica, destacam-se as figuras humanas, que até então estavam relegadas a segundo plano, acopladas às paredes ou capitéis. No renascimento a escultura ganha independência e a obra, colocada acima de uma base, pode ser apreciada de todos os ângulos. Busto de Lourenço de Médicis" Michelangelo
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    Dois elementos sedestacam: a expressão corporal que garante o equilíbrio, revelando uma figura humana de músculos levemente torneados e de proporções perfeitas; e as expressões das figuras, reflectindo seus sentimentos. Mesmo contrariando a moral cristã da época, o nu volta a ser utilizado reflectindo o naturalismo. Encontramos várias obras retratando elementos mitológicos, como o Baco, de Michelangelo, assim como o busto ou as tumbas de mecenas, reis e papas. "Estátua Eqüestre" Donatello -- Piazza do Santo, Pádua
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    Pintura Duas grandesnovidades marcam a pintura renascentista: a utilização da perspectiva, através da qual os artistas conseguem reproduzir em suas obras, espaços reais sobre uma superfície plana, dando a noção de profundidade e de volume, ajudados pelo jogo de cores que permitem destacar na obra os elementos mais importantes e obscurecer os elementos secundários, a variação de cores frias e quentes e o manejo da luz permitem criar distâncias e volumes que parecem ser copiados da realidade; e a utilização da tinta à óleo, que possibilitará a pintura sobre tela com uma qualidade maior, dando maior ênfase à realidade e maior durabilidade às obras. MONALISA "Monalisa" de Leonardo da Vinci, Museu do Louvre - Paris
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    Em um períodode ascensão da burguesia e de valorização do homem no sentido individualista, surgem os retratos ou mesmo cenas de família, fato que não elimina a produção de carácter religioso, particularmente na Itália. Nos Países Baixos destacou-se a reprodução do natural de rostos, paisagens, fauna e flora, com um cuidado e uma exactidão assombrosos, o que acabou resultando naquilo a que se deu o nome de Janela para a Realidade. As obras abaixo são de Antonio Allegri (Corregio) e reflectem bem o espírito do renascimento, caracterizadas por elementos que remontam ao passado clássico, elementos religiosos e por grande sensualidade, destacando a perfeição das formas e a beleza do corpo, junto a presença de anjos. "Nossa Senhora da Cesta" national Gallery - Londres
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    O Estilo manuelinoO Estilo manuelino , por vezes também chamado de gótico português tardio ou flamejante , é um estilo arquitectónico, escultórico e de arte móvel que se desenvolveu no reinado de D. Manuel I e prosseguiu após a sua morte, ainda que já existisse desde o reinado de D. João II. É uma variação portuguesa do Gótico final, bem como da arte luso-mourisca ou mudéjar, marcada por uma sistematização de motivos iconográficos próprios, de grande porte, simbolizando o poder régio. Incorporou, mais tarde, ornamentações do Renascimento italiano. O termo "Manuelino" foi criado por Francisco Adolfo Varnhagen na sua Notícia Histórica e Descritiva do Mosteiro de Belém , de 1842. O Estilo desenvolveu-se numa época propícia da economia portuguesa e deixou marcas em todo o território nacional. Igreja Matriz da Golegã, cujo portal é um dos mais característicos do manuelino.
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    A Arquitectura manuelinaEsta tendência artística era conhecida, na época, como a variante portuguesa da arquitectura ad modum Yspaniae (ao modo hispânico) que, por sua vez, estava incluída na corrente arquitectónica "ao moderno" - expressão utilizada para o gótico tardio onde também havia a variante, por exemplo, do modo tudesco ou alemão na então nova arquitectura nórdica. Esta corrente opunha-se à arquitectura ao modo antigo ou ao romano . O alçado interior das igrejas mantém-se através da orientação este-oeste, da planta, dos sistemas de suporte e cobertura, do cálculo de proporções.
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    Apesar de seressencialmente ornamental, o Manuelino caracteriza-se também pela aplicação de determinadas fórmulas técnicas da altura, como as abóbadas com nervuras polinervadas a partir de mísulas. Na compente civil destacam-se os palácios, como o Paço de D. Manuel, em Évora, e solares rurais, como o Solar de Sempre Noiva, em Arraiolos, todos de planta rectangular. E na tipologia militar é referência maior o baluarte do Restelo, a Torre de Belém. Um dos primeiros baluartes de artilharia do país, a quebrar a tradição das torres de menagem, a sua planta rectangular sobrepõe-se a uma base poliédrica, que penetram Tejo adentro. A rectangularidade da planta opõe-se à curvilínea da decoração esculpida. Torre de Belém, Lisboa
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    Escultura manuelina Éprecisamente na escultura que o manuelino revela o seu maior amadurecimento e hegemonia, sendo que é através da simbologia decoração esculpida que é reconhecido como estilo próprio nacional, e não uma aliteração de outros estilos europeus. O estilo Manuelino não mascara a estrutura dos edifícios ao mantê-los livres de ornamentação desnecessária: as paredes exteriores ou interiores são geralmente nuas, concentrando-se a decoração em determinados elementos estruturais, como janelas, portais, arcos de triunfo, tectos, abóbadas, pilares e colunas, arcos, nervuras (ogivas, liernes e terceletes), frisos, cornijas, platibandas (como nos Jerónimos) óculos e contrafortes, além de túmulos, fontes, cruzeiros. Abóbada dos nós, na Sé de Viseu, de João de Castilho.
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    O estilo manuelinotem a sua fase de maior amadurecimento a partir da segunda década de reinado de D. Manuel. Os escultores e arquitectos de Portugal definiram, neste contexto, um estilo de uma originalidade vigorosa que ainda hoje causa espanto entre todo o património artístico português. Os motivos ornamentais que caracterizam esta tendência são de uma riqueza impressionante e, ao contrário do que se tornou vulgar dizer, não é caracterizada apenas pelos motivos marítimos, inspirados na Era das Descobertas, mas por um conjunto de símbolos de ordem diversa onde, eventualmente, se encontram elementos do género. A ideia de que os motivos ornamentais se ligavam ao mar deve-se a Edgar Quinet, em 1857, e tornou-se um lugar-comum. Colunas torsas, típicas do Manuelino, na Sé da Guarda. Coluna no Claustro do Mosteiro dos Jerónimos
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    Principais autores NoNorte de Portugal, os principais autores deste estilo, provenientes da Galiza ou de Biscaia, foram Tomé de Tolosa, Francisco Fial e Pêro Galego, que participaram na criação da Igreja Matriz de Caminha, bem como João de Vargas e João de Parmenes, que trabalharam juntamente com o português João Lopes na Sé de Lamego. O cantábrico João de Castilho, responsável pela galilé e pela capela-mor da Sé de Braga, também deixou a sua marca no Mosteiro dos Jerónimos, onde avulta a figura de Diogo Boitaca, criador do Mosteiro de Jesus de Setúbal. Além de Boitaca, o centro de Portugal conta também com a obra notável de Mateus Fernandes, bem representada no portal das Capelas Imperfeitas, no Mosteiro da Batalha. Pormenor do portal das Capelas Imperfeitas, de Mateus Fernandes
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    O Mosteiro dosJerónimos, em Lisboa, é um dos legados mais exuberantes deste estilo. Interior da Igreja dos Jerónimos
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    Motivos ornamentais A característica dominante do Manuelino é a exuberância de formas e uma forte interpretação naturalista-simbólica de temas originais, eruditos ou tradicionais. O conjunto decorativo de um elemento escultórico manuelino apresenta-se quase sempre como um discurso de pedra, onde diversos elementos e referências se cruzam ( pansemiose - ou " todos os significados "), como o cabalismo cristão, a alquimia, a tradição popular. O contexto tanto pode ser moralizante, como alegórico, jocoso (quando se aponta o dedo aos defeitos humanos ou a pormenores obscenos, como na referência ao sexo oral, numa gárgula exterior à capela de São Nicolau, em Guimarães), esotérico ou, simplesmente, propagandístico em relação ao poder imperial de D. Manuel I. Note-se que esta simbologia está também muito ligada à heráldica. Pormenor da Torre da Colegiada da Oliveira, em Guimarães, onde às cordas esculpidas se associa uma gárgula.
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    Os motivos maisimportantes da arquitectura manuelina são: Símbolos nacionais: A esfera armilar (" a esfera dos matemáticos " conferida como divisa por D. João II ao seu genro, D. Manuel I, que, tendo escrito no meridiano " Spera Mundi " - Esfera do Mundo - foi, mais tarde, interpretada como sinal de um desígnio divino para o reinado de D. Manuel que se apresenta nos motivos artísticos do estilo como " Esperança do Mundo ", como também poderia ser interpretada a expressão aí inscrita) A Cruz da Ordem de Cristo; Escudo nacional;
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    Elementos naturalistas : Corais; Algas; Árvores secas. Aparecem também no gótico final da Europa Central, usando-se o termo " astwerk " para descrever a sua utilização - são, portanto, um elemento característico do tardo-gótico e remetem para a estética franciscana, de cariz marcadamente naturalista e austera. Por outro lado, é um elemento que foi utilizado pelos detractores do gótico que consideravam o estilo bárbaro e primitivo - estéril como uma árvore seca. As suas raízes e troncos nodosos têm presença notável no Mosteiro de Alcobaça, na janela do Capítulo de Tomar, sobre o busto fundeiro; na Igreja de Vilar de Frades ou no Paço de Sintra. Folhas de loureiro, como no Claustro de D. João I, no Mosteiro da Batalha; Romãs (como nas portas laterais da Igreja Matriz de Golegã - símbolo de fertilidade, pela quantidade extraordinária de sementes que contêm) Pinhas (fertilidade e/ou imortalidade - por vezes interpretadas como sendo espigas de milho ou maçarocas) - são visíveis, por exemplo, sobre o portal da Igreja Matriz da Golegã; Caracóis ou conchas de nautilus (como na Igreja da Vestiaria, em Alcobaça; ou na entrada das Capelas Imperfeitas, no Mosteiro da Batalha, simbolizando, talvez, a lentidão dos trabalhos);
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    Elementos fantásticos : Ouroboros (a serpente que morde a sua própria cauda: símbolo do Universo: a união do princípio e do fim) Sereias (motivo de arte profana, talvez fossem uma referência a várias palavras semelhantes e ao simbolismo associado: serão , ou a altura em que o ciclo produtivo do cardar da lã se realizava; serenata , ritual de namoro ligado ao pecado da carne, tal como em serralho ); Monstros (principalmente as gárgulas, mas também outros, como dragões e animais de boca aberta, devorando o seu próprio corpo) Orelhudos (cabeças com orelhas descomunalmente grandes, como no cadeiral de Santa Cruz de Coimbra); Animais realizando acções humanas, numa perspectiva carnavalesca, como a tocar instrumentos musicais.
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    Simbolismo cristão : Cachos de uvas e sarmentos (relacionado com a " Vinha do Senhor " e com a Eucaristia), como em Luz de Tavira; Agnus Dei Querubins
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    Outros motivos : As cordas entrelaçadas e cabos, fazendo muitas vezes nós, como na Sé de Viseu, na Torre de Belém ou na Casa dos Alpoins, em Coimbra. Redes; Cinturões com grandes fivelas, como no Coro do Convento de Cristo, em Tomar; Meias esferas, como na Igreja da Conceição, em Beja; Pináculos cónicos com cogulhos de formas diversas; Colunas torsas (como no portal da Igreja Matriz da Golegã ou na Sé da Guarda) Correntes, como na arquivolta do portal principal da Casa de Sub-Ripas, em Coimbra; Bustos de personagens históricas; Cabeças de infantes (crianças) Desenhos finos, semelhantes aos das pratas espanholas, suas contemporâneas. Referências à cestaria; Note-se que estes mesmos motivos aparecem também noutras construções, como pelourinhos, túmulos ou mesmo peças artísticas, como em ourivesaria.
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    Trabalho realizado por:Kevin Figueiredo Nº14 Luís Oliveira Nº15