Grupo de estudos: Terapia Cognitivo-Comportamental
Facilitadores: Acadêmicos do 9º semestre de Psicologia
Coordenadora: Graça Martins
Distorções Cognitivas ou Erros Cognitivos
Falha no processamento de informações, o que faz com que uma pessoa mantenha suas
percepções distorcidas, mesmo quando existe provas do contrário.
Catastrofização
Pensar que o pior de uma situação irá acontecer sem levar em consideração a
possibilidade de outros desfechos. Acreditar que o que aconteceu ou irá acontecer será
terrível e insuportável. Eventos negativos que podem ocorrer são tratados como
catástrofes intoleráveis, em vez de serem vistos em perspectiva.
Raciocínio Emocional (emocionalização)
Presumir que sentimentos são fatos. “Sinto, logo existe”. Pensar que algo é verdadeiro
porque tem um sentimento (na verdade, um pensamento) muito forte a respeito. Deixar
Revisão do último encontro: Níveis de processamento cognitivo
Pensamentos automáticos: são cognições que passam rapidamente por nossas mentes
quando estamos em meio a situações (ou relembrando acontecimentos).
Embora possamos estar subliminarmente conscientes da presença de pensamentos
automáticos, normalmente essas cognições não estão sujeitas à análise racional
cuidadosa. Todas as pessoas têm pensamentos automáticos; eles não ocorrem
exclusivamente em pessoas com depressão, ansiedade ou outros transtornos
emocionais.
Esquemas: Na teoria cognitivo-comportamental, os esquemas são definidos como
matrizes ou regras fundamentais para o processamento de informações que estão
abaixo da camada mais superficial dos pensamentos automáticos (D. A. Clark et al.,
1999; Wright et al., 2003). Esquemas são princípios duradouros de pensamento que
começam a tomar forma no início da infância e são influenciados por uma infinidade
de experiências de vida. Bowlby (1985) e outros observaram que os seres humanos
precisam desenvolver esquemas para lidar com as grandes quantidades de informações
com as quais se deparam a cada dia e para tomar decisões oportunas e apropriadas. Por
exemplo, se uma pessoa tiver uma regra básica de “sempre planejar com antecedência”,
é improvável que ela passe muito tempo debatendo os méritos de entrar em uma nova
situação sem prévia preparação. Ao contrário, ela automaticamente começará a
preparar o terreno para lidar com a situação.
Crenças e pressupostos intermediários: Regras condicionais como afirmações do
tipo se-então, que influenciam a auto-estima e a regulação emocional.
Exemplos: “Tenho de ser perfeito para ser aceito”; “se eu não agradar aos outros o
tempo todo, então eles me rejeitarão”; “se eu trabalhar duro, conseguirei ter sucesso”.
Crenças nucleares sobre si mesmo: Regras globais e absolutas para interpretar as
informações ambientais relativas à auto-estima.
Exemplos: “Não sou digna de amor”; “sou burra”; “sou um fracasso”; “sou uma boa
amiga”; “posso confiar nos outros”.
os sentimentos guiarem a interpretação da realidade. Presumir que as reações emocionais
necessariamente refletem a situação verdadeira.
Polarização (pensamento tudo ou nada, dicotômico)
Ver a situação em duas categorias apenas, mutuamente exclusivas, em vez de um
continuum. Perceber eventos ou pessoas em termos absolutos.
Abstração Seletiva (visão de túnel, filtro mental, filtro negativo)
Um aspecto de uma situação complexa é o foco da atenção, enquanto outros aspectos
relevantes da situação são ignorados. Uma parte negativa (ou mesmo neutra) de toda uma
situação é realçada, enquanto todo o restante positivo não é percebido.
Adivinhação
Prever o futuro. Antecipar problemas que talvez não venham a existir. Expectativas
negativas estabelecidas como fatos.
Leitura Mental
Presumir, sem evidências, que sabe o que os outros estão pensando, desconsiderando
outras hipóteses possíveis.
Minimização ou maximização
Características e experiências positivas em si mesmo, no outro ou nas situações são
minimizadas, enquanto o negativo é maximizado.
Personalização
Assumir a culpa ou responsabilidade por acontecimentos negativos, falhando em ver que
outras pessoas e fatores também estão envolvidos nos acontecimentos.
Supergeneralização
Perceber num evento específico um padrão universal. Uma característica específica em
uma situação é avaliada como acontecendo em todas as situações.
Técnicas Básicas da Terapia Cognitivo Comportamental
Agenda: esta técnica consiste na organização de atividades que o indivíduo clínico irá
fazer ao longo do dia, semana ou mês. Desta maneira ele poderá realizar as tarefas e se
reforçar ao percebê-las concluídas.
Treinamento Assertivo e Dramatização: o treinamento assertivo focaliza habilidades
específicas como modelagem, treinamento e ensaio de comportamento. A dramatização
envolve a adoção de um papel pelo terapeuta ou por ambos – terapeuta e cliente – e a
interação social subsequente embasada no papel designado.
Detecção ou Registro de Pensamentos Automáticos: o cliente é encorajado a detectar
e escrever o máximo possível de pensamentos que pensam pela sua cabeça. A partir destas
anotações o cliente poderá detectar quais pensamentos disfuncionais lhe causam
sofrimento psicológico.
Examinando e Testando a Realidade dos Pensamentos e Imagens Automáticos: após
detectar os pensamentos disfuncionais, o paciente é encorajado a avaliá-los e a testá-los
no seu dia-a- dia para confirmar sua veracidade ou refuta-los.
Questionamento Socrático: utilização de várias perguntas relativas a uma crença alvo
onde o paciente possa entrar em contato com algumas informações pessoais que não
acessava antes.
Questionamento Reflexivo: esta técnica tem como objetivo fazer perguntas também
relativas a uma crença alvo, mas não está necessariamente preocupada em obter uma
resposta imediata por parte do cliente, mas sim suscitar uma reflexão neste sobre seu
problema.
Auto-Monitoramento: o paciente é incentivado a prestar mais atenção ao seu
comportamento, em direção ao desenvolvimento do autocontrole, a partir da observação
de aspectos específicos e registros objetivos. Assim a consciência ativa das condutas-alvo
é mantida, devendo aumentar a capacidade auto-reguladora do sujeito.
Cadernos de Observação: registro das situações cotidianas significativas e das tarefas
de casa propostas.
Registro de Sentimentos: enfoca a aquisição de habilidades mais adaptativas na
interação social, modulando-se a expressão da afetividade. O paciente registra
sentimentos vividos em determinadas situações, analisando-se posteriormente sua
competência para responder de forma adaptativa.
Cartão de Orientações: lembretes visuais que orientam a aquisição de um
comportamento ou habilidade.
Tarefas de Casa: São tarefas feitas no decorrer da semana, fora da clínica.
Reestruturação Cognitiva: detecção e identificação de pensamentos distorcidos e
contestação da veracidade destas interpretações
Fazem parte da reestruturação cognitiva
 Registro diário dos pensamentos disfuncionais: A partir do registro dos
pensamentos, das emoções e dos comportamentos diante de determinadas
situações (que são temidas, por exemplo), o indivíduo aprende a identificar as suas
distorções cognitivas e a substituí-las por um modo de pensar mais racional.
 Confirmação da realidade: O cliente é solicitado a buscar informações nos fatos
reais, em vez de basear-se em preconceitos. Este deverá fazer uma descrição
precisa da situação, levantando questões, tais como: “Que evidências eu tenho
para pensar assim?” “Existe uma forma alternativa para interpretar a situação?”
“Estou esquecendo fatos relevantes ou centrando-me excessivamente em fatos
irrelevantes?”
 Técnica de reatribuição: Em vez de atribuir todos os fracassos a uma causa, o
indivíduo é encorajado a explorar outras causas possíveis, por meio de questões,
tais como: “O que pensaria outra pessoa sobre a situação?” “Estou superestimando
meu grau de responsabilidade na experiência?” “Estou superestimando o meu
grau de controle sobre a maneira como funcionam as coisas?”

Material do segundo encontro

  • 1.
    Grupo de estudos:Terapia Cognitivo-Comportamental Facilitadores: Acadêmicos do 9º semestre de Psicologia Coordenadora: Graça Martins Distorções Cognitivas ou Erros Cognitivos Falha no processamento de informações, o que faz com que uma pessoa mantenha suas percepções distorcidas, mesmo quando existe provas do contrário. Catastrofização Pensar que o pior de uma situação irá acontecer sem levar em consideração a possibilidade de outros desfechos. Acreditar que o que aconteceu ou irá acontecer será terrível e insuportável. Eventos negativos que podem ocorrer são tratados como catástrofes intoleráveis, em vez de serem vistos em perspectiva. Raciocínio Emocional (emocionalização) Presumir que sentimentos são fatos. “Sinto, logo existe”. Pensar que algo é verdadeiro porque tem um sentimento (na verdade, um pensamento) muito forte a respeito. Deixar Revisão do último encontro: Níveis de processamento cognitivo Pensamentos automáticos: são cognições que passam rapidamente por nossas mentes quando estamos em meio a situações (ou relembrando acontecimentos). Embora possamos estar subliminarmente conscientes da presença de pensamentos automáticos, normalmente essas cognições não estão sujeitas à análise racional cuidadosa. Todas as pessoas têm pensamentos automáticos; eles não ocorrem exclusivamente em pessoas com depressão, ansiedade ou outros transtornos emocionais. Esquemas: Na teoria cognitivo-comportamental, os esquemas são definidos como matrizes ou regras fundamentais para o processamento de informações que estão abaixo da camada mais superficial dos pensamentos automáticos (D. A. Clark et al., 1999; Wright et al., 2003). Esquemas são princípios duradouros de pensamento que começam a tomar forma no início da infância e são influenciados por uma infinidade de experiências de vida. Bowlby (1985) e outros observaram que os seres humanos precisam desenvolver esquemas para lidar com as grandes quantidades de informações com as quais se deparam a cada dia e para tomar decisões oportunas e apropriadas. Por exemplo, se uma pessoa tiver uma regra básica de “sempre planejar com antecedência”, é improvável que ela passe muito tempo debatendo os méritos de entrar em uma nova situação sem prévia preparação. Ao contrário, ela automaticamente começará a preparar o terreno para lidar com a situação. Crenças e pressupostos intermediários: Regras condicionais como afirmações do tipo se-então, que influenciam a auto-estima e a regulação emocional. Exemplos: “Tenho de ser perfeito para ser aceito”; “se eu não agradar aos outros o tempo todo, então eles me rejeitarão”; “se eu trabalhar duro, conseguirei ter sucesso”. Crenças nucleares sobre si mesmo: Regras globais e absolutas para interpretar as informações ambientais relativas à auto-estima. Exemplos: “Não sou digna de amor”; “sou burra”; “sou um fracasso”; “sou uma boa amiga”; “posso confiar nos outros”.
  • 2.
    os sentimentos guiarema interpretação da realidade. Presumir que as reações emocionais necessariamente refletem a situação verdadeira. Polarização (pensamento tudo ou nada, dicotômico) Ver a situação em duas categorias apenas, mutuamente exclusivas, em vez de um continuum. Perceber eventos ou pessoas em termos absolutos. Abstração Seletiva (visão de túnel, filtro mental, filtro negativo) Um aspecto de uma situação complexa é o foco da atenção, enquanto outros aspectos relevantes da situação são ignorados. Uma parte negativa (ou mesmo neutra) de toda uma situação é realçada, enquanto todo o restante positivo não é percebido. Adivinhação Prever o futuro. Antecipar problemas que talvez não venham a existir. Expectativas negativas estabelecidas como fatos. Leitura Mental Presumir, sem evidências, que sabe o que os outros estão pensando, desconsiderando outras hipóteses possíveis. Minimização ou maximização Características e experiências positivas em si mesmo, no outro ou nas situações são minimizadas, enquanto o negativo é maximizado. Personalização Assumir a culpa ou responsabilidade por acontecimentos negativos, falhando em ver que outras pessoas e fatores também estão envolvidos nos acontecimentos. Supergeneralização Perceber num evento específico um padrão universal. Uma característica específica em uma situação é avaliada como acontecendo em todas as situações. Técnicas Básicas da Terapia Cognitivo Comportamental Agenda: esta técnica consiste na organização de atividades que o indivíduo clínico irá fazer ao longo do dia, semana ou mês. Desta maneira ele poderá realizar as tarefas e se reforçar ao percebê-las concluídas. Treinamento Assertivo e Dramatização: o treinamento assertivo focaliza habilidades específicas como modelagem, treinamento e ensaio de comportamento. A dramatização envolve a adoção de um papel pelo terapeuta ou por ambos – terapeuta e cliente – e a interação social subsequente embasada no papel designado. Detecção ou Registro de Pensamentos Automáticos: o cliente é encorajado a detectar e escrever o máximo possível de pensamentos que pensam pela sua cabeça. A partir destas anotações o cliente poderá detectar quais pensamentos disfuncionais lhe causam sofrimento psicológico. Examinando e Testando a Realidade dos Pensamentos e Imagens Automáticos: após detectar os pensamentos disfuncionais, o paciente é encorajado a avaliá-los e a testá-los no seu dia-a- dia para confirmar sua veracidade ou refuta-los.
  • 3.
    Questionamento Socrático: utilizaçãode várias perguntas relativas a uma crença alvo onde o paciente possa entrar em contato com algumas informações pessoais que não acessava antes. Questionamento Reflexivo: esta técnica tem como objetivo fazer perguntas também relativas a uma crença alvo, mas não está necessariamente preocupada em obter uma resposta imediata por parte do cliente, mas sim suscitar uma reflexão neste sobre seu problema. Auto-Monitoramento: o paciente é incentivado a prestar mais atenção ao seu comportamento, em direção ao desenvolvimento do autocontrole, a partir da observação de aspectos específicos e registros objetivos. Assim a consciência ativa das condutas-alvo é mantida, devendo aumentar a capacidade auto-reguladora do sujeito. Cadernos de Observação: registro das situações cotidianas significativas e das tarefas de casa propostas. Registro de Sentimentos: enfoca a aquisição de habilidades mais adaptativas na interação social, modulando-se a expressão da afetividade. O paciente registra sentimentos vividos em determinadas situações, analisando-se posteriormente sua competência para responder de forma adaptativa. Cartão de Orientações: lembretes visuais que orientam a aquisição de um comportamento ou habilidade. Tarefas de Casa: São tarefas feitas no decorrer da semana, fora da clínica. Reestruturação Cognitiva: detecção e identificação de pensamentos distorcidos e contestação da veracidade destas interpretações Fazem parte da reestruturação cognitiva  Registro diário dos pensamentos disfuncionais: A partir do registro dos pensamentos, das emoções e dos comportamentos diante de determinadas situações (que são temidas, por exemplo), o indivíduo aprende a identificar as suas distorções cognitivas e a substituí-las por um modo de pensar mais racional.  Confirmação da realidade: O cliente é solicitado a buscar informações nos fatos reais, em vez de basear-se em preconceitos. Este deverá fazer uma descrição precisa da situação, levantando questões, tais como: “Que evidências eu tenho para pensar assim?” “Existe uma forma alternativa para interpretar a situação?” “Estou esquecendo fatos relevantes ou centrando-me excessivamente em fatos irrelevantes?”  Técnica de reatribuição: Em vez de atribuir todos os fracassos a uma causa, o indivíduo é encorajado a explorar outras causas possíveis, por meio de questões, tais como: “O que pensaria outra pessoa sobre a situação?” “Estou superestimando meu grau de responsabilidade na experiência?” “Estou superestimando o meu grau de controle sobre a maneira como funcionam as coisas?”