JB NEWS
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Editoria: Ir Jeronimo Borges
Loja Templários da Nova Era nr. 91(Florianópolis) - Obreiro
Loja Alferes Tiradentes nr. 20 (Florianópolis) - Membro Honorário
Loja Harmonia nr. 26 (B. Horizonte) - Membro Honorário
Loja Fraternidade Brazileira de Estudos e Pesquisas (J. de Fora) -Correspondente
Loja Francisco Xavier Ferreira de Pesquisas Maçônicas (P. Alegre) - Correspondente
Academia Catarinense Maçônica de Letras
Academia Maçônica de Letras do Brasil – Arcádia de B. Horizonte
Estandarte da
ARLS “Alferes Tiradentes ” nr. 20 – Florianópolis - (GLSC) - Acervo JB News
Saudações, Prezado Irmão!
Índice do JB News nr. 2.290 – Florianópolis (SC) – sexta-feira , 6 de janeiro de 2017
Bloco 1-Almanaque
Bloco 2-IrCharles Evaldo Boller – Educação Natural na Maçonaria (artigo Semanal)
Bloco 3-IrAquilino R. Leal – Os Três Reis Magos Belchior, Baltazar e Gaspar
Bloco 4-IrMário Jorge Neves – O “Compagnonnage” e o nascimento do Sindicalismo
Bloco 5-IrJosé Anselmo Cícero de Sá – Reminiscências Maçônicas de “D. Pedro I”
Bloco 6-IrPedro Juk – Perguntas & Respostas - do IrValmir Pratas Guimarães Uberlândia – MG)
Bloco 7-Destaques JB – Breviário Maçônico p/o dia 6 de janeiro e versos do Irmão e Poeta
Franklin dos Santos Moura (Vila Velha - ES)
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6 de janeiro
1963: Criação do Estado do Acre
Nesta edição:
Pesquisas – Arquivos e artigos próprios e de colaboradores e da Internet
– Blogs - http:pt.wikipedia.org - Imagens: próprias, de colaboradores e
www.google.com.br
Os artigos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião deste
informativo, sendo plena a responsabilidade de seus autores.
1 – ALMANAQUE
Hoje é o 6º dia do Calendário Gregoriano.
Faltam 359 dias para terminar o ano de 2017
- Lua Quarto Crescente -
É o 128º ano da Proclamçaõ da República;
195º da Independência do Brasil e
517º ano do Descobrimento do Brasil
Hoje é o dia dos Reis Magos
Colabore conosco. Se o Irmão não deseja receber mais o informativo ou alterou o seu endereço
eletrônico, POR FAVOR, comunique-nos pelo mesmo e-mail que recebe o JB News, para evitar
atropelos em nossas remesssas diárias por mala direta. Obrigado.
EVENTOS HISTÓRICOS
(Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki) Aprofunde seu conhecimento clicando nas palavras sublinhadas
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 353 — Último ano em que é celebrado o nascimento de Jesus pelos católicos nesta data. Passará a ser
comemorado no ano seguinte no solstício de dezembro (25 de dezembro). Os ortodoxos continuam a
comemorar nesta data.
 1066 — Haroldo II é coroado Rei da Inglaterra
 1449 — Constantino XI Paleólogo é coroado imperador do Império Bizantino (seria o último)
 1502 — Descoberta da baía de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, pela expedição de Gonçalo Coelho, que
recebe esse nome em homenagem a visita dos Três Reis Magos ao menino Jesus comemorada nesse dia.
 1540 — Casamento de Henrique VIII de Inglaterra com Ana de Cleves (dissolvido a 9 de Julho)
 1579 — Estimulados pelo novo governador espanhol Alexander Farnese, Duque de Parma, os estados do
sul (situados hoje na sua maioria na Bélgica), assinaram a União de Atrecht expressando a sua lealdade ao
Rei espanhol (v. Guerra dos Oitenta Anos e Revoltas Holandesas)
 1598 — Inicio da construção da Fortaleza dos Reis Magos em Natal, Brasil
 1802 — Em sua expedição científica pela América, Alexander von Humboldt chega a Quito.
 1835 — Cabanagem (Brasil): os rebeldes atacam conquistam a cidade de Belém, assassinando o
presidente Sousa Lobo e o Comandante das Armas
 1838 — Samuel Morse realiza a primeira demonstração pública do telégrafo, em Nova Jersey
 1877 — Alois Hitler adota seu novo nome (anteriormente Aloys Schicklgruber).
 1880 — Fundação da cidade de Criciúma (Santa Catarina, Brasil)
 1912 — Novo México torna-se o 47º estado norte-americano
 1926 — Fundação da Lufthansa, empresa aérea estatal alemã.
 1927 — Os Estados Unidos invadem a Nicarágua
 1929 — Em reação à crise política que acometeu o Reino da Iugoslávia, o príncipe Alexandre institui
uma ditadura pessoal
 1939 — Os EUA iniciam aproximação com o Brasil, convidando o chanceler brasileiro Osvaldo Aranha para
uma entrevista pessoal com o presidente Franklin Delano Roosevelt
 1942 — A empresa aérea Pan American World Airways realiza o primeiro voo comercial ao redor do mundo
 1944 — Fundação do Esporte Clube Avenida
 1950 — A Inglaterra reconheceu o governo da China Comunista, liderada por Mao-tsé Tung
 1963
 Criação do estado do Acre, Brasil
 Restabelecimento do sistema presidencialista no Brasil (v. Campanha da Legalidade e Referendo): um
plebiscito escolheu para o Brasil a volta do presidencialismo como forma de governo, em que cerca de 9
milhões de pessoas votaram contra o parlamentarismo, que vigorava desde a posse de João Goulart, em
1961
 1987 — Caminhoneiros do porto de Santos, em São Paulo, entraram em greve. O protesto afetou 50 navios
dos quais 37 tiveram de aguardar atracamento.
 1988 — Maílson da Nóbrega tomou posse como quarto ministro da Fazenda do governo de José Sarney.
 1999 — O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), decretou a moratória de seu Estado: durante
noventa dias, contados a partir de 1º de janeiro, seu governo suspendeu o pagamento de todas as dívidas.
 2016 — Coreia do Norte alega ter explodido uma bomba de hidrogénio.
Culturais e de mídia/média[editar | editar código-fonte]
 1868 — Publicação do livro A Gênese, de Allan Kardec.
 1964 — Os Rolling Stones estrearam sua primeira turnê, no interior da Inglaterra.
 2004 — A Apple introduz ao mercado o iPod mini.
 2005 — A obra Fonte sofre ataque por um francês de 77 anos com um martelo.
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1504 Desembarca na baía de Babitonga, nesta data, o navegador francês Binot Paulmier de Goneville.
1851 Inauguração, na capital catarinense, do Mercado Público, situado na atual praça XV de Novembro,
onde funcionou até o ano de 1896.
1867 Inauguração da linha telegráfica entre Desterro e Porto Alegre.
1880 Fundado, nesta data, com a chegada dos primeiros imigrantes italianos, núcleo colonial que deu
origem à cidade de Criciúma.
1891 Lei nº 38, desta data, criou o município de Jaguaruna, desmembrado de Laguna.
1912 Morre em Blumenau, Emil Odebrecht. Engenheiro, nascido na Prússsia, naturalizando-se
brasileiro. Foi voluntário da Guerra do Paraguai e notabilizou-se na marcação de limites no estado
de Santa Catarina.
1914 Nasce em Alfenas, Minas Gerais, Fernando Ferreira de Melo. Advogado, teve participação na
política catarinense.
1918 Decreto nº 13.907, desta data, passou a administração do Governo Federal a Estrada de Ferro Santa
Catarina, na época ligando Blumenau à Harmonia, hoje Ibirama.
1967 Instalada, nesta data, a Comarca de Urubicí.
1706 Nasce Benjamin Franklin () estadista, diplomata, cientista, filósofo e editor, um dos pais da
nação americana.
1808 Fundada a Grande Loja de Ohio dos Maçons Livres e Aceitos.
1822 Nasce Heinrich Schliemann () descobridor de Tróia.
1855 Por ordem do Príncipe e Grão-Mestre, mais tarde rei Frederico VII, todas as Lojas dinamarquesas
passaram a trabalhar no Rito Sueco.
1866 Nasce William Boyden, organizador da Biblioteca do Supremo Conselho (Sul) dos Estados
Unidos, que dirigiu por 46 anos.
Fatos históricos de santa Catarina
Fatos maçônicos do dia
Fonte: O Livro dos Dias 20ª edição (Ir João Guilherme) e acervo pessoal
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(Coisa de Irmão para Irmão)
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Albergue Noturno Manoel Galdino Vieira
O “Albergue Noturno” é uma entidade administrada por alguns abnegados irmãos da
Maçonaria catarinense, que ampara todas as noites os necessitados e indigentes, ofertando-
lhes banho, cama limpa, refeições e alguns outros possíveis auxílios básicos.
Os Irmãos que coordenam essa instituição beneficente, que há 80 anos vem prestando esse
serviço fraterno, vêm encontrando sérias dificuldades financeiras para mantê-la. Não existe
qualquer auxílio do Poder Público.
Conclamamos o Irmão a ajudar com qualquer contribuição essa instituição benemérita, que
teve tantos maçons ilustres voluntários que participaram na sua coordenação e apoio,
mantendo-a por estes longos anos.
Faça a sua doação. Colabore. Qualquer contribuição pode não fazer falta para você, mas
fará muito bem aos necessitados de toda a espécie.
(transferências ou depósitos para o Banco SICOOB CREDISC/756 – Ag. 3258, conta
corrente nr. 11347-7 (com recibo de incentivo fiscal) em nome da Caixa de Esmolas aos
Indigentes de Florianópolis CNPJ/MF 83.901-041/0001-86)
Maçonaria também é caridade!
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Ir Charles Evaldo Boller
Curitiba – PR –
Charleseb@terra.com.br
Artigo extraído de sua obra
“Iluminação”
Herança Educacional Iluminista
Foram significativas as mudanças que se manifestaram na Europa durante o século
XVIII, e entre estas surgiu a Maçonaria Especulativa (1717), como parte ativa do processo de
gradativa migração do poder para a burguesia, concentrado até então na nobreza e no clero. O
Teocentrismo Medieval, Deus como centro de tudo, há muito instigava ao lançamento de ideias
que fortaleciam o poder do cidadão. Aos poucos o poder absoluto sobre o cidadão foi
desaparecendo e definiram-se os contornos da República. Na época, por herança de práticas e
costumes medievais, os nobres viviam à custa dos esforços de outros cidadãos da sociedade,
o que prejudicou o nascimento da indústria e dificultava o livre comércio.
2 – Educação Natural na Maçonaria
Charles Evaldo Boller
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Com a invenção e desenvolvimento da máquina a vapor entre 1765 e 1790, por James
Watt (1736-1819), se estabelece o início da Revolução Industrial, marca do fim do poder de
imperadores e papas, e nascimento do poder do povo. Os burgueses, na Revolução Francesa
(1789-1799), usaram de palavras cunhadas por Rousseau (1712-1778) que estabeleceram
princípios de liberdade, igualdade e fraternidade através das luzes, divisa usada até hoje pela
Maçonaria. Onde a Luz dos iluministas significava o conhecimento em resultado do uso do
poder da razão humana de interpretar e reorganizar o Universo.
O Movimento Iluminista visava inicialmente à liberdade de pesquisa científica, ação que,
através de Rousseau, estendeu-se depois para a educação natural com ênfase no
condicionamento moral e cívico.
O Século das Luzes teve inúmeros mentores, cuja ampla maioria concordava que, em
resumo, apenas o conhecimento poderia proporcionar os meios para livrar os homens das
garras do poder absoluto que embotava o desenvolvimento. Qualquer poder estabelecido sabe,
e a Maçonaria promove, que um povo instruído e educado é mais difícil de conduzir com
dogmas e crendices, mas é mais feliz porque assume o controle da sua convivência pacífica na
sociedade.
O Liberalismo foi outra forte movimentação da burguesia. Atuando na economia,
François Quesnay (1694-1774) e Adam Smith (1723-1790) representam as aspirações do
cidadão em gerenciar seus próprios negócios sem a interferência do Estado. Defendia-se a
economia perseguindo caminhos ditados por leis naturais, onde a figura de um Estado
intervencionista não existe. Na política, os mesmos ideais liberais lutavam de todas as formas
contra o Absolutismo. Na moral buscavam-se formas laicas de tornar naturais as ações do
comportamento humano.
Por conta de abusos clericais e da Inquisição, que durou mais de seiscentos anos, de
1183 até 1821, o Iluminismo rejeitava a adesão à religião. Principalmente às filosofias religiosas
povoadas de fantasias e alegorias ilógicas e impostas como verdades, que pelo aspecto
verossímil são colocadas como fatos verdadeiros ao invés de declaradas de origem ficcional,
apenas para fins de ilustração de verdades e filosofias.
Os iluministas combatiam os dogmas que em religião estabelecem invenções forçadas,
inverossímeis, determinadas por decreto pela autoridade religiosa como verdade divina
revelada e que o adepto tem por obrigação acatar; são imutáveis; verdades absolutas que
sequer permitem discussão, nem mesmo pensar em contestação; imposição que determina
como o adepto deve pensar e até sentir.
Foi contra as religiões que impõem dogmas e fantasias, que os iluministas se rebelaram;
não eram ateus, muito ao contrário! - Isto, mesmo hoje, não passa de acusação leviana, falsa e
insidiosa de parte dos detratores do Iluminismo. Defendiam o aporte de religião natural, com
orientação mais racional de fé, ou crença naquilo que não é visto e ser apenas sentido ou
intuído. O maçom desenvolve fé alicerçada na razão.
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Bastava-lhes a fé num princípio criador - semelhante ao que era percebido pelo
pensamento lógico do homem da natureza, o qual percebia a impossibilidade de sua existência
ser obra do acaso; para o qual é aceitável a existência de uma mente criadora lógica e
orientadora da exuberante e diversificada natureza que o cercava e servia; e com a qual vivia
em dependência.
Hoje se reconhece a simbiose evolutiva como obra criativa, onde a criação é resultado da
cooperação e co-evolução das células em processos evolutivos cada vez mais intrincados e
complexos, orientados por leis definidas por uma Mente Orientadora, conceito ao qual o
maçom denomina Grande Arquiteto do Universo.
O Iluminismo influenciou o Deísmo, doutrina que considera a razão como a única
maneira de assegurar a existência de Deus. Principalmente por isto, os detratores do
Iluminismo acusaram o movimento de introdutor do ateísmo na sociedade moderna, entretanto,
aquele movimento defendia a religião natural, sem dogmas e fanatismo. Para o iluminista, Deus
é o Primeiro Motor, o Supremo Criador.
Desta magnífica ideia a Maçonaria, que não é religião, herdou o conceito Grande
Arquiteto do Universo, o que possibilita a reunião de diversas linhas filosóficas e religiosas num
mesmo foro de debate, que de forma proativa discute os problemas da sociedade e do homem;
ato impossível para outras instituições, mormente religiões que nunca se entendem e
provavelmente nunca chegarão a acordos fraternos na solução de qualquer problema devido
ao ódio que nutrem entre si e aos que não concordam com seus dogmas.
Na prática maçônica, as proibições de discussões religiosas nada têm de incentivo ao
ateísmo, mas têm por finalidade afastar o maçom de discussões vazias dentro do pântano do
fundamentalismo religioso e o conduzir para a espiritualidade natural, respeitando crenças e a
religião de seus irmãos, independente de qual seja.
O ateu não é recebido pela Ordem Maçônica.
Para entrar na Maçonaria são exigidas as crenças num Princípio Criador e numa vida
futura.
Ambos são dogmas.
As duas crenças estão alicerçadas em fé raciocinada de que:
 O Universo organizado só pode ser o resultado de pensamento lógico;
 A vida consciente é ilusão energética que tem uma finalidade de ser, como resultado
igualmente de pensamento lógico;
 O Universo é feito de energia, tudo é energia, conforme a Física Quântica, lentamente,
engatinhando, comprova cientificamente;
 Em níveis energéticos ainda desconhecidos pode existir a ligação com a fonte da vida ao
que se denomina genericamente no conceito de Grande Arquiteto do Universo;
 Existe possibilidade de vida, de consciência, após a existência nesta forma energética
que transmite uma ilusão de existência material para outra mais sutil.
Nada é descartado! Nada é afirmado. Tudo é duvidado. Para tudo o maçom especula em
busca de explicação, da verdade. E mesmo esta verdade é, de tempos em tempos,
questionada. O maçom é o resultado da libertação de eras de obscurantismo. A dúvida é
constante. O maçom é por natureza um herege. É filho da heresia.
Alicerçado em ciência, para o maçom a espiritualidade é parte do corpo, é sentida como
a plenitude da mente e do corpo; mente e corpo vivos, formando unidade. De alguma forma a
energia que a sua consciência e corpo tem ligação energética com o Universo. Os momentos
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de consciência espiritual são observados como unidade, uma percepção de pertencer ao
Universo como um todo. A Loja estabelecida é representação deste Universo, o útero da
criação, de onde o homem é parte integrante do todo. Quando o maçom contempla a Loja
como representação do Universo, percebe que não está lançado em meio ao caos. "Ordo ab
Caos", ordem no caos, é sua divisa e inspiração de que é parte de um projeto maior, de uma
ordem mais elevada, parte integrante de uma imensa sinfonia da vida conduzida pelo Grande
Geômetra, o Maestro da Criação e Grande Arquiteto do Universo.
Para facilitar o entendimento de especulações científicas complicadas da área da Física
Quântica que consideram quantas, isótopos e outras partículas, a projeção de vida futura é
construída no fato de que o corpo nunca morrerá e remanescerá vivo, mesmo depois que o
corpo se desfizer em seus elementos moleculares a vida continua. Como? Isso fica por conta
da filosofia, porque no momento em que ficar comprovada a verdade especulada ela deixa de
ser filosofia e passa ao campo da ciência.
E não apenas o sopro da vida, que é comum a todos os seres viventes, continua vivo,
mas também os princípios da organização vital dos seres viventes da biosfera. É esta
consciência de ser parte do Universo, de ser esta a sua casa, é desta sensação de pertencer,
de ser parte do todo que desperta no maçom o mais respeitoso e profundo sentido para a vida.
Quando na Maçonaria a Bíblia Judaico-cristã é utilizada na construção de parábolas e
alegorias, na representação de pensamentos e ideias de forma figurada, os textos são
utilizados apenas como referência para a criação de estórias. As alegorias copiadas e depois
adaptadas são pura ficção! Verossimilhança que serve apenas de suporte para a criação de
parábolas que auxiliam na especulação do conhecimento natural; esta utilização é deixada
bem clara para todos; é a cultura da Maçonaria voltada para a liberdade; educação natural
criada por Rousseau (1712-1778) e complementada por Kant (1724-1804).
Por outro lado, a mesma Bíblia é utilizada nas atividades litúrgicas das lojas formadas por
irmãos de religiões cristãs como livro da lei, a mais alta e sagrada representação do grupo,
sobre a qual se fazem juramentos e promessas, e da qual se extraem pensamentos e
sabedoria; o maçom cristão é constantemente instigado a usá-la como fonte de inspiração no
trabalho na pedra; na absoluta maioria dos ritos, nenhuma sessão maçônica inicia sem que um
trecho da mesma seja lido no momento mais solene de abertura ritualística dos trabalhos.
A liturgia e instrução maçônica constam de alegorias definidas em todos os aspectos
como invenções, historinhas, fantasias, de uso puramente pedagógico e com o único objetivo
de construir novas ideias pelos eternos ciclos de construção do pensamento.
Estes ciclos, que Hegel (1770-1893) definiu como Contradição Dialética, constituída de:
tese, antítese e síntese é a base do desenvolvimento de todo o conhecimento humano: tese é
a afirmação; antítese a negação ou complementação da tese; síntese a superação da
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contradição; é quando surge uma nova e inusitada ideia, diferente da primeira e da segunda.
Então se inicia um novo ciclo de tese, antítese e síntese. E o processo não tem fim.
É o que ocorre nos debates da Maçonaria onde, através da educação natural, se
constroem templos, templos vivos e livres.
Estes são alguns dos aspectos do movimento Iluminista que influenciaram a Maçonaria
quando de sua fundação como instituição especulativa.
Mesmo bebendo de inúmeras outras fontes de inspiração simbólica e alegórica foi esta a
origem de que a Ordem Maçônica se utilizou para promover a volta do homem natural perdido
desde Atenas, Grécia antiga, reportado por Platão em "A República".
Na Maçonaria o homem moderno tem a oportunidade de recuperar o que perdeu em
virtude do desmonte da escola hodierna, colocar os pés no chão, trabalhar seu templo vivo,
dentro de um templo material, edificado pela Maçonaria praticamente só para a sublime
finalidade do homem se autoconstruir.
Mas é dentro do grande templo da sociedade, um templo vivo feito por homens naturais
que cada artífice trabalha na pedra, e com a sabedoria da razão, a força da vontade, ele
constrói a sua beleza interior para honra e à glória do Grande Arquiteto do Universo!
Bibliografia
1. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda, História da Educação e da Pedagogia, Geral e Brasil, ISBN 85-16-05020-3, terceira edição,
Editora Moderna limitada., 384 páginas, São Paulo, 2006.
2. CAPRA, Fritjof, A Teia da Vida, Uma Nova Compreensão Científica dos Sistemas Vivos, título original: The Web of Life, a New
Scientific Understandding Ofliving Systems, tradução: Newton Roberval Eichemberg, ISBN 85-316-0556-3, primeira edição,
Editora Pensamento Cultrix limitada., 256 páginas, São Paulo, 1996.
3. CAPRA, Fritjof, As Conexões Ocultas, Ciência para a Vida Sustentável, título original: The Hidden Connections, tradução: Marcelo
Brandão Cipolla, 13ª edição, Editora Pensamento Cultrix limitada., 296 páginas, São Paulo, 2002.
4. ROHDEN, Humberto, Educação do Homem Integral, primeira edição, Martin Claret, 140 páginas, São Paulo, 2007.
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Ir Aquilino R. Leal *
(aquilinoleal@ibest.com.br )
OS TRÊS REIS MAGOS BELCHIOR[I]
,
BALTAZAR E GASPAR
Aquilino R. Leal
Fato: Nós, criados sob a égide da igreja do Vaticano, conhecemos de cor e salteado a estória dos
três reis magos que, no contexto bíblico a palavra mago, em verdade, não significa bruxo ou
feiticeiro, mas sim assume o sentido de sacerdote ou sábio, possuir poderes e dons divinos. Mas
até que ponto existe alguma realidade? Uma mera estória de carochinha? Mais outra?!
Com certeza mais outra! O catolicismo não é, afinal de contas, um universo de contos, ‘causos’,
lendas e revelações? ‘O campo religioso do catolicismo está repleto de práticas que visam
possibilitar situações mágicas que têm funções específicas na vida dos fiéis, sempre determinados
pelo tempo sagrado.’ (PEREIRA, José Carlos. O Encantamento da Sexta-Feira Santa:
manifestações do catolicismo no folclore brasileiro . – São Paulo: Annablume, 2005)
Segundo a estória, ou tradição se preferirem, que nos foi passada, os três reis magos vieram do
oriente, conduzidos por uma linda e brilhante estrela, para venerar o pequeno
menino Jesus, trazendo-lhe presentes: mirra[II]
, ouro e incenso (olíbano), cada um
com seu sentido simbólico:
 mirra simbolizava a pureza, a mortalidade, o perfume suave e sacrifício e era
presente oferecido a profetas - resina antisséptica mirra usada em embalsamamentos desde o
Egito antigo, também nos remete ao gênero da morte de Jesus, o martírio, sendo que um
composto de mirra e aloés foi usado no embalsamamento de Jesus (Jo 19:39-40[III]
), sendo que
estudos no Sudário de Turim encontraram estes produtos; entregue por Baltazar, em
reconhecimento da humanidade, o material;
 ouro representava a realeza, nobreza sendo apenas oferecido para réis; entregue por Belchior
em reconhecimento da realeza, sol;
 incenso simbolizava a fé e era presente oferecido apenas para sacerdotes (religiosos) – é usado
nos templos para simbolizar a oração que chega a Deus assim como a fumaça sobe ao céu (Sal
141:2[IV]
); entregue por Gaspar em reconhecimento da divindade, o espiritual.
Há de se ater para o fato que na antiguidade o ouro era um presente para um rei, simbolicamente a
autoridade; o incenso para um sacerdote, representava a espiritualidade e a mirra para um profeta
3 – Os Três Reis Magos Belchior, Baltazar e Gaspar
Aquilino R. Leal
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já que ela era usada para embalsamar corpos, simbolicamente representava a imortalidade.
Simbolicamente os reis magos também representavam os ricos e poderosos que apesar de suas
posses e conquistas se curvaram a Jesus, homem humilde que nasceu de um ventre virgem em
uma estrebaria rodeada de animais mostrando que todos nós nascemos para servir o próximo
independente de etnia e classe social. Reconhecidos como Baltazar, rei da Arábia de cor negra,
Melchior, rei da Pérsia de cor clara e Gaspar, rei da Índia de cor amarela, representam os povos de
toda cor e nação.
A tradição atribuiu à visitação dos Magos o dia 6 de janeiro estando ela a associada o presépio
onde os três personagens aparecem de forma contundente além do menino Jesus, lembramos que a
estrela colocada no topo das árvores de Natal representa a estrela (estrela de
Belém) que conduziu os reis magos para a cidade onde nasceu o menino Jesus.
Nós que residimos em pequena cidade do interior de Minas Gerais já tivemos
oportunidade de perceber quão forte é a tradição do culto católico quanto à
visitação dos reis magos ao menino Jesus. Estamos nos referindo à Folia de
Reis - festa de origem portuguesa que relembra anualmente a visita dos reis
Magos a Jesus. Em certos países tal comemoração acabou sendo mais
importante que o próprio Natal.
Nessa festa pessoas, com vestimentas típicas e extremamente coloridas, algumas com máscaras
(de extremo mau gosto para não dizer horrendas, tanto as máscaras como a própria roupa), vão de
porta em porta pedindo oferendas e cantando seus ‘louvores’, suas músicas (músicas?!)
glorificando o nascimento do menino Jesus e a visitação dos hipotéticos reis; as festividades têm
início próximo ao Natal e encerram-se no dia seis de janeiro, quando se comemora o dia de Reis.
Conclusão: Não há provas históricas da existência de tais reis – possivelmente sejam apenas um
símbolo, uma metáfora da legitimação de Jesus por todos os povos.
A verdade é que granjeamos essas tradições de nossos pais, dos nossos tios, avós etc. que, por sua
vez, as receberam de seus pais, avós... A pergunta: Elas têm alguma veracidade histórica? A
resposta nua e crua: NÃO! Tudo não passa de folclore! De meras lendas. Puras balelas!
Senão vejamos:
Os magos apenas são mencionados em um dos quatro evangelhos, o de Mateus; mesmo assim
sem mencionar quantos eram (sabe-se apenas tratar-se mais de um, porque a citação está no
plural). Porque o silêncio dos outros três escribas? Porque só aceitar Mateus em detrimento dos
demais? Não teria este criado a passagem bíblica? Não há evidência histórica da existência
dessas pessoas”, diz André Chevitaresse, professor de História Antiga da Universidade Federal
do Rio de Janeiro. “São personagens criados pelo evangelista Mateus para simbolizar o
reconhecimento de Jesus por todos os povos.” Possivelmente três não por ser o três um número
cabalístico, mas sim em função das prendas oferecidas, em número de três, estas sim, também
atreladas a forte simbolismo.
No evangelho de Mateus não há qualquer menção de que tivessem sido reis. Segundo
historiadores, foi apenas no século III que eles receberam o título de reis – provavelmente como
uma maneira de confirmar a profecia contida no Salmo 72:11: “E todos os reis se prostrarão
perante ele; todas as nações o servirão” e assim ‘ajustar as coisas’. Na melhor das hipóteses
eles seriam sacerdotes... Poderiam até ser astrólogos ou astrônomos: viram uma estrela e foram,
por isso, até a região onde nascera Jesus, dito o Cristo.
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De onde vieram seus nomes? Ainda segundo os historiadores, por volta de 800 anos depois do
nascimento de Jesus, é que eles ganharam nomes e locais de origem! Mais uma ‘adaptação’!
 Belchior  rei da Pérsia: ‘Meu Rei é Luz’;
 Baltazar  rei da Arábia: ‘Deus manifesta o Rei’ e
 Gaspar  rei da Índia: ‘Áquele que vai inspecionar’.
O livro sagrado dos cristãos não há qualquer menção quanto à data 6 de janeiro, mas uma vez
instituído o nascimento do menino, 25 de dezembro, é de se supor já se havia passado algum
tempo por causa da distância... Outro ‘belo chute’! Aliás ‘bela caminhada’ de uns 11 dias
perseguindo uma, certamente vagarosa, estrela...
A tradicional crença de que Jesus foi visitado quando do seu nascimento não é consensual entre
todos os pesquisadores bíblicos. Existem os que aceitam que Jesus já possuía uma certa idade.
Essencialmente há quatro linhas de evidência para acreditar que Jesus já não era mais um bebe
quando recebeu a visita dos, perdoem, três reis magos:
 a tradução para o texto de Mat. 2.11 usa a expressão "uma criancinha", "um menino", e não
um bebê;
 em diversas traduções de respeito é citado que quando Jesus foi encontrado estava em uma
casa e não em uma manjedoura;
 o fato de Herodes mandar matar as crianças de até dois anos e, por último,
 o fato de Maria ter dado apenas dois pássaros no templo como contribuição pelo nascimento
do menino, o que a identificava como muito pobre, e não parte dos presentes que
supostamente já teria ganho, já que na visita ela, através de seu filho, ganhou ouro e outros
itens valiosos
Da revista Super Interessante, janeiro/2002, extraímos (08/2010) o seguinte texto:
(http://super.abril.com.br/superarquivo/index_superarquivo.shtml)
Quem hoje for visitar a catedral de Colônia, na Alemanha, será informado de que ali repousam
os restos dos reis magos. De acordo com uma tradição medieval, os magos teriam se
reencontrado quase 50 anos depois do primeiro Natal, em Sewa, uma cidade da Turquia, onde
viriam a falecer. Mais tarde, seus corpos teriam sido levados para Milão, na Itália, onde
permaneceram até o século 12, quando o imperador germânico Frederico dominou a cidade e
trasladou as urnas mortuárias para Colônia. "Não sei quem está enterrado lá, mas com certeza
não são eles", diz o teólogo Jaldemir Vitório, do Centro de Estudo Superiores da Companhia de
Jesus, em Belo Horizonte. "Mas isso não diminui a beleza da simbologia do Evangelho de
Mateus ao narrar o nascimento de Cristo."
Mesmo com todos os fatos bem à mostra as mentiras continuam... E muitos ainda crendo nelas!
“Vivemos num mar de mentiras verdadeiras e verdades fictícias.” (Jesus Rocha)
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NOTAS:
[I
] Uma outra possível grafia é Melquior.
[II] Certamente a resina da mirra a qual se obtém dos seus caules é usada na preparação de
medicamentos, devido a suas propriedades antissépticas (fonte, inclusive a imagem da árvore:
http://pt.wikipedia.org – 8/2010).
[III] E foi também Nicodemos (aquele que anteriormente se dirigira de noite a Jesus), levando quase cem arráteis de um composto de mirra e aloés.
Tomaram, pois, o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com as especiarias, como os judeus costumam fazer, na preparação para o sepulcro.
[IV] Suba a minha oração perante a tua face como incenso, e as minhas mãos levantadas sejam
como o sacrifício da tarde.
Material assinado pelo Ir Aquilino R. Leal, engenheiro eletricista, professor universitário,
iniciado em 03 de setembro de 1976 no Templo Tiradentes (São Cristóvão – Rio de Janeiro -
Brasil), elevado em 28 de abril de 1978 e exaltado em 23 de março de 1979 ocupando o
veneralato em 05 de julho de 1988.
É fundador de duas Lojas Maçônicas, entre elas a Loja Stanislas de Guaita 165 – Rio de Janeiro,
ambas trabalhando no REAA e às terças-feiras. Colaborador permanente, desde março de 2013,
com duas colunas mensais, do mensário espanhol RETALES DE MASONERÍA.
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Irmão Mário Jorge Neves
Médico, escritor, pesquisador e palestrante.
Membro da R L Salvador Allende do Grande Oriente Lusitano (GOL),
Lisboa.
O “Compagnonnage”
e o nascimento do Sindicalismo
Foi a partir do século XII mas, essencialmente, no decurso dos séculos XV e XVI que
se assistiu ao despontar do “ Compagnonnage du Tour” em França.
A par com a sua acção de defesa dos interesses dos operários, ele afrontou as
corporações dos mestres.
Foi, então, que proliferaram as interdições do poder civil que não conseguiram atingir,
apesar de tudo, toda a extensão dos seus efectivos.
Apesar dos regulamentos e das disposições que lhes proibiam o abandono do seu mestre
sem o acordo deste e o poderem circular livremente, os operários do artesanato que
pretendiam instruir-se no seu ofício e melhorar os seus salários, organizaram-se
clandestinamente.
É nessa época que nasceram os primeiros companheiros pertencendo a uma sociedade
conhecida pelo nome de “Dever”.
Desafiando as poderosas corporações e, por via disso, o reino da França, o
4 – O “Compagnonnage” e o nascimento do Sindicalismo
Mário Jorge Neves
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Compagnonnage desencadeou a permanente hostilidade da Igreja Católica.
Praticar certas cerimónias durante a recepção de novos membros, ter sinais e palavras de
reconhecimento, a presença de um ritual, de um simbolismo, de um segredo do ofício,
tudo contribuiu para suscitar uma permanente desconfiança no seio da Igreja.
No século XVIII, existiam duas categorias de companheiros: os companheiros do
“Dever”, o rito de Jacques e de Soubise, essencialmente ligados à religião católica, e os
que eram qualificados como “ não do Dever”, agrupando numa larga maioria os
companheiros protestantes.
As diversas sociedades de companheiros adquiriram um grande poder, podendo impedir
a contratação e a colocação de qualquer operário, o que constituía, para alguns, um
grave risco para a economia de uma cidade.
Foi no início do século XV, durante as obras da Catedral de Orléans que o
Compagnonnage permaneceu largo tempo dividido entre protestantes e católicos,
surgindo frequentes lutas e querelas entre as facções, por vezes sangrentas.
Colocou-se, então, a questão de procurar analisar qual a razão porque uma elite operária
que proclamava valores como a honra, a fraternidade e a fidelidade se deixou arrastar
para querelas intestinas que frequentemente degeneraram em confrontos sangrentos e
mortíferos.
Há que ter presente o contexto da época, em que o “ Tour de France” se efectuava a pé,
sendo estes companheiros homens jovens, bem constituídos fisicamente, com grande
orgulho e com um carácter bem marcado, que não receavam um confronto com
qualquer um que pretendesse impedir o seu caminho ou para defenderem as suas
convicções religiosas ou profissionais.
As rixas eram muito numerosas, principalmente nas grandes cidades, onde surgiam
confrontos entre corporações, entre “Deveres” e mesmo entre ofícios por questões fúteis
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de antecedentes, de vaidades e de amor próprio.
Se a religião serviu, na realidade, de primeiro pretexto para as querelas e rixas, certas
corporações lutaram contra uma sociedade rival menos nobre e menos antiga, não
somente por uma atitude de simples supremacia e de orgulho, mas sobretudo para a
garantir a necessidade vital de preservar o monopólio do trabalho e da colocação dos
seus companheiros.
É necessário lembrar que na Idade Média os operários companheiros podiam tornar-se
patrões, mas a partir do século XVI e sobretudo no século XVIII esta possibilidade
deixou de existir.
No entanto, eles só desencadearam greves por questões salariais e de benefícios
materiais precisos, tendo por consequência, às vezes, a interdição da da sua oficina, a
colocação numa lista tipo “índex” ou, até, a destruição da própria oficina.
Em 2 de Março de 1791, em plena revolução, o decreto de Allarde aboliu as
corporações e em 14 de Junho desse mesmo ano a lei “Le Chapelier” reforçou essa
disposição e proibiu qualquer associação profissional, assim como o direito à greve.
Após o período sangrento da revolução, as Compagnonnages reapareceram
imediatamente.
Apesar da lei “Le Chapelier” a sua força e a sua organização atemorizaram os mestres
que levaram o governo a votar uma lei que estabeleceu a obrigação de uma espécie de
registo ou carteira profissional para os operários no estabelecimento dos contratos e
proibindo todas as coligações contra os mestres.
O operário independente não podia beneficiar de todas as numerosas vantagens
fornecidas pelo Compagnonnage: caixa de socorro em caso de doença ou de acidente,
facilidade de contratação, formação profissional onde aprendia um bom ofício e onde
se aperfeiçoava nos seus conhecimentos e uma escola de vida onde aprendia a estimar-
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se.
Existiam ligações de fraternidade, de solidariedade e de elevação moral nos “Deveres”.
A seguir ao período da revolução e com a restauração, durante o reinado de Carlos X, os
movimentos operários foram interditos e o Compagnonnage regressou à
clandestinidade.
Sob o reinado de Luís Filipe d’ Orléans ( 1830/1848) uma sociedade de antigos
companheiros foi fundada em Albi em 1831.
Uma lei emitida em 9 de Abril de 1834 proibiu qualquer associação com mais de 20
membros.
Entretanto, surgiu uma personagem chamada Agricol Perdiguier que publicou, em 1839,
uma obra com o título “ Le livre du Compagnonnage”, cujo objectivo principal foi
conciliar o conjunto dos diferentes ritos dos companheiros.
Ao acontecimentos que Perdiguier abordou ao longo da sua obra, as reflexões que
formulou são de um companheiro desejoso de juntar os seus irmãos em torno das suas
ideias reformadoras.
Em Março de 1848, com o advento da II República, um decreto limitou a jornada de
trabalho a 10 horas diárias.
Em Agosto do mesmo ano, outro decreto restabeleceu o direito de reunião e de
associação, mas as reuniões das sociedades secretas permaneceram interditas.
As cisões e os conflitos entre as várias organizações de companheiros continuaram a
verificar-se.
Em Abril de 1843, Perdiguier participou na elaboração de uma proposta de uma
“constituição companheirística”, fraternal e social.
Somente 8 corporações se pronunciaram a favor da união, 7 recusaram e 20 abstiveram-
se.
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Constitui-se, assim, a “sociedade de deveres reunidos”.
Perdiguier foi iniciado maçon em 1846, assim como um razoável número de
companheiros nessa época.
Desde 1850, o declínio do Compagnonnage acelerou-se, dilacerado a partir do seu
interior, onde, por exemplo, os aprendizes não suportavam mais os vexames e o
despotismo dos mais antigos.
Ao longo da sua existência o Compagnonnage foi a única organização a tomar em
consideração os interesses morais e materiais dos operários, protegendo-os dos abusos
patronais, reivindicando melhores condições de trabalho e exigindo salários justos.
Para assegurar uma distribuição do trabalho de cidade em cidade e de província em
província, o Compagnonnage criou uma “bolsa de trabalho”.
Pode afirmar-se que o Compagnonnage foi o sindicalismo antes dos sindicatos.
Ele é o antepassado de todos os movimentos populares e de todos os organismos
sociais.
Foi ele que criou as mutualidades, as cooperativas, as caixas de empréstimos e de
reforma, os organismos de crédito.
O nascimento do Sindicalismo
O Compagnonnage integrou um grande número de operários através de uma adesão
imprudente, acolhendo nas suas fileiras homens que só procuraram o benefício material,
sem adoptar o espírito da instituição.
As cisões apareceram e as leis morais e iniciáticas foram cada vez mais objecto de
incumprimento.
A palavra “sindicato” é atribuída ao Compagnonnage.
Já em 1730, o governador de Montpellier redigiu uma ordem relativa aos companheiros
marceneiros onde afirmava que “… eles empreenderam fazer um sindicato entre eles…
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ei-los todos juntos contra os mestres”.
Entre 1852 e 1864, a maquinaria foi substituindo o trabalho manual e esta “aristocracia
do trabalho” viu os seus poderes diminuídos, mostrando que o Compagnonnage estava
mal preparado para enfrentar a concentração industrial.
Em 1863, surgiu a nova fórmula “ Câmara Sindical Operária”, dando origem a uma
nova força: o sindicalismo.
Em 1870, as câmaras sindicais uniram-se numa federação nacional.
Em 1876, após vários congressos, foi votado em Arras um projecto por um sindicalismo
autónomo e independente do patronato, do Estado e dos partidos políticos.
Em 1895, em Limoges, foi criada a Confederação Geral do Trabalho.
Mário Jorge Neves
Referências bibliográficas:
- Agricol Perdiguier, le symbole (Initiations Magazine, Abril/Mai 2009)
- Origine du syndicalisme (Initiations Magazine, Abril/Mai 2009)
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Irmão José Anselmo Cícero de Sá (33º. REAA- 48 anos de Maçonaria)
M I da Loja Estrela da Distinção Maçônica, 953 (GOB/GOERJ)
Academia de Artes, Ciências e Letras do Estado do Rio de Janeiro
Cadeira nr. 29 - Patrono: Quintino Bocaiuva –
REMINISCÊNCIAS MAÇÔNICAS DE “D. PEDRO I”
Estas reminiscências têm o seu início no dia 17 de junho de 1822, quando os
maçons do Rio de Janeiro se reuniram em Sessão Magna extraordinária, presidida pelo
Irmão João Mendes Viana (Graccho), Venerável Mestre da Loja Comércio e Artes na
Idade do Ouro, única até então existente e regular no Rio de Janeiro, para a criação e
instalação do Grande Oriente Brasílico ou Grande Oriente do Brasil.
Escolhendo (Pitágoras) como Grão-Mestre
Da ata da nona sessão do Grande Oriente do Brasil, realizada em 02 de agosto de
1822 consta ter o Grão-Mestre da Ordem Maçônica proposto para ser iniciado nos
mistérios da Ordem, Sua Alteza Príncipe Regente do Brasil e seu defensor perpétuo.
Aprovada de forma unânime, D. Pedro I foi imediata e convenientemente comunicado,
que se dignando aceitá-la, compareceu na mesma sessão, sendo iniciado conforme
prescrevia a liturgia maçônica.
Para a historiografia maçônica, a 17ª sessão do Grande Oriente do Brasil se reveste
de um significado particular. Realizada em 04 de outubro de 1822, D. Pedro I foi
aclamado Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil (exatamente a dois meses
e dois dias após a sua Iniciação), em substituição a José Bonifácio de Andrada e
Silva. A sessão foi presidida pelo Grande Mestre Adjunto (Diderot). E no dia 21 de
outubro de 1822, D. Pedro determinou a interrupção das atividades
maçônicas, afiançando a Gonçalves Ledo que a suspensão seria breve nos seguintes
termos: "Meu Ledo. Convindo fazer certas averiguações, tanto públicas como
particulares na Maçonaria, mando: primo como Imperador, segundo como
Grão-Mestre, que os trabalhos Maçônicos se suspendam até segunda ordem
minha. É o que tenho a participar-vos; agora resta-me reiterar os meus
5 – Reminiscências Maçônicas de “D.Pedro I”
José Anselmo Cícero de Sá
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protestos como Irmão. Pedro Guatimozim Grão-Mestre. Post. Scriptum: “Hoje
mesmo deve ter execução e espero que dure pouco tempo a suspensão,
porque em breve conseguiremos o fim que deve resultar das averiguações”.
De fato, quatro dias depois, em 25 de outubro de 1822, Pedro
Guatimozim, era assim que o Imperador assinava sua correspondência maçônica,
determinando o fim da suspensão dos trabalhos em função do término das
averiguações: "São Cristóvão, 25.10.1822. Meu Irmão – tendo outro dia suspendido
nossos augustos trabalhos pelos motivos que vos participei, e achando-se hoje concluídas
as averiguações, vos faço saber que segunda-feira que vem, os nossos trabalhos devem
recobrar o seu antigo vigor, começando a abertura pela Loja em Assembléia Geral. É o
que tenho a participar-vos para que, passando as necessárias ordens, assim o executeis.
Queira o Supremo Arquiteto do Universo dar-vos fortunas imensas como vos deseja o –
Vosso Irmão – Pedro Guatimozim – Grão-Mestre – Rosa Cruz".
Esses sãos os fatos históricos que julgamos bem apresentar a título de
reminiscências, que estão narrados no Boletim do Grande Oriente do Brasil (Rio de
Janeiro, ano 48, 1923, p. 690/691 e 917) e Arquivo da Casa Imperial do Brasil (Cartas de
D. Pedro I a Joaquim Gonçalves Ledo). São Cristóvão, 21/10/1822 e 25/10/1822.
Registro citado por Alexandre Mansur Barata, (in Maçonaria, Sociabilidade Ilustrada &
Independência do Brasil (1790-1822), com adaptações. Os relatos dos historiadores
maçons comprometidos com a Ordem e não-maçons não destoam, melhor, se coadunam
com o histórico indigitado. O escopo desta reminiscência é reverenciar a memória de D.
Pedro, o primeiro Imperador do Brasil que, ao ser Iniciado Maçom, adotou o nome
histórico de Guatimozim, em homenagem ao último Imperador das Astecas na região
de Anahuac (área do atual México) e que depois de supliciado, foi amarrado e lançado
sobre brasas até morrer, em 1522, pelos invasores espanhóis comandados por Hernan
Cortez. Simbolicamente, D. Pedro I considerou-se, à semelhança de Guatimozim,
disposto a sacrificar-se pelo Brasil, honrando o título de Defensor Perpétuo do Brasil, que
o Grande Oriente Brasílico ou Brasiliano lhe concedera em 13 de maio de 1822. Fica aqui
o nosso primeiro registro curioso. O nome Guatimozim, entrementes, era o nome
histórico adotado por (Martim Francisco Ribeiro de Andrade), irmão carnal e
maçônico de José Bonifácio, e que perfilava ao lado de Falkland (Antônio Carlos
Ribeiro de Andrade), Tibiriçá (José Bonifácio de Andrade e
Silva), Caramuru (Antônio Telles da Silva), Aristides (Caetano Pinto de Miranda
Montenegro) e Claudiano (Frei Francisco Sampaio de Santa Tereza de Jesus
Sampaio) nas alas maçônicas e registros do Apostolado e da Nobre Ordem dos
Cavaleiros da Santa Cruz. Ademais, no Recife existia uma Loja Maçônica denominada
Guatimozin, fundada em 1816 e que em 1821 mudou o seu nome para "Loja 6 de
Marco de 1817", em homenagem aos maçons sacrificados na gloriosa Revolução
Pernambucana de 1817.
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A historiagrafia maçônica, contudo, passa ao largo da preferência de D. Pedro
pelo nome heróico de Guatimozim. Outro registro nos remete ao restabelecimento dos
trabalhos maçônicos na forma ordenada por D. Pedro I. E estes, contudo, não foram
reencetados, haja vista que a 02 de novembro de 1822, José Bonifácio determinou uma
devassa contra os maçons do "Grupo do Ledo", no episódio que ficou conhecido
como "Bonifácia". As razões ainda são pouco claras, ao que tudo indica o fato de D.
Pedro ter sido aclamado Grão-Mestre numa sessão presidida por Joaquim Gonçalves Ledo
foi interpretado como um golpe maçônico ao "Grupo do Bonifácio", e os ânimos entre os
grupos (azul e vermelho) que se mostravam em acirramento crescente desde o
episódio que resultou em repreensão ao Frei Francisco Sampaio mostravam-se mais
radicalizados com a eleição de D. Pedro para o cargo de Grão-Mestre em substituição a
José Bonifácio que não compareceu a sessão em que D. Pedro tomou posse, como de
resto, não compareceu a nenhuma sessão importante e até mesmo foi colocado no cargo
sem ser consultado, mas não foi totalmente tirado da diretoria, porque ainda era ministro
de D. Pedro e continuava a exercer o cargo de Grão-Mestre Adjunto e Lugar-Tenente de
D. Pedro no Apostolado.
O clima realmente esquentou quando o "Grupo do Ledo" tentou impor a D. Pedro,
por ocasião da sua aclamação a Imperador do Brasil, em 12 de outubro de 1822, um
juramento prévio da Constituição que seria elaborada pela Assembléia Geral Constituinte
e Legislativa convocada pela circular de 17 de setembro de 1822. Tal fato desagradou
profundamente ao "Grupo do Bonifácio" e ao próprio D. Pedro I, daí a interrupção dos
trabalhos ordenada por este, para as "averiguações procedimentais", na forma narrada.
A abertura da "devassa" ordenada por José Bonifácio, dois dias depois da
autorização emanada do Imperador e Grão-Mestre para o recomeço das atividades
maçônicas, ocorreu depois que os Andradas (José Bonifácio e Martim
Francisco) colocaram seus cargos de ministros à disposição do Imperador. Tão logo a
notícia tornou-se conhecida no meio maçônico, iniciou-se um movimento no sentido de
fazer o Imperador reintegrar os Andradas, o que acabou acontecendo. Reintegrados e
fortalecidos pelas manifestações favoráveis, José Bonifácio desencadeou violenta
repressão aos maçons identificados com a liderança de Joaquim Gonçalves Ledo e esse
conjunto de fatos ficou conhecido como "Bonifácia".
O devassado, Joaquim Gonçalves Ledo fugiu para a Argentina com o auxílio do
Cônsul da Suécia. José Clemente Pereira foi preso e depois deportado em 30 de
dezembro de 1822 para Havre, na França, em companhia de Januário da Cunha
Barbosa, e posteriormente, os dois foram para Londres. Outros maçons foram presos e
depois libertados. As lojas encerraram seus trabalhos e o Grande Oriente do Brasil
fechado, deixando os maçons em polvorosa.
Com a cissura, o fechamento do Grande Oriente do Brasil e sem oposição, os anti-
maçons recrudesceram em campanhas, fazendo com que a Maçonaria aparecesse como
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inimiga do Imperador e do Trono, constituindo uma memória da Independência cada vez
mais distante dos maçons e da Maçonaria. E a única voz que se ouvia bradar na
imprensa era a do brigadeiro e maçom Domingos Alves Branco Moniz Barreto
(Sólon) em seu jornal "Despertador Constitucional".
O que se registra no meio maçônico, contudo, e em que pese o fechamento do
Grande Oriente do Brasil, é que muitos maçons continuaram a se reunir às escondidas
enquanto as lojas cerraram suas portas, atas e documentos maçônicos eram destruídos
por todo o Brasil, à exceção de Pernambuco, onde as Lojas funcionavam e os maçons se
reuniam em oposição às determinações do Rio de Janeiro, e até conduziram os
preparativos do movimento que ficou conhecido como um dos momentos marcantes dos
tempos de ouro da maçonaria pernambucana.
Outra curiosidade marcante fica por conta de dois fatos. O primeiro, D. Pedro
em 20 de julho de 1822, portanto, doze dias antes de ser iniciado, enviou um bilhete a
José Bonifácio no qual tratava da Província da Bahia, convulsionada e resistente à
Regência do Rio de Janeiro. Anote os termos maçônicos usados. Dizia o Príncipe
Regente: "O Pequeno Ocidente toma a ousadia de fazer presente ao Grande
Oriente, duas cartas da Bahia e alguns papéis periódicos da mesma terra há
pouco vindas.
Outro fato singular refere-se a possibilidade do Príncipe Regente D. Pedro
pertencer ao Apostolado da Nobre Ordem dos Cavaleiros da Santa Cruz, sociedade
secreta de fins maçônicos, fundada em 2 de junho de 1822 por José Bonifácio. O atesto
é feito por Castellani ao citar Rio Branco em nota à "História da Independência do
Brasil" de Vernhagem: "D. Pedro já pertencia, como ficou dito, a uma sociedade secreta,
a Nobre ordem dos Cavaleiros de Santa Cruz, denominada Apostolado. Pelo livro das atas
que S. M. o Sr. D. Pedro II possui, e figurou na Exposição de História do Brasil, sabe-se
hoje que essa sociedade fundada por José Bonifácio começou a funcionar em 2 de junho.
D. Pedro era chefe do Apostolado com o título de arconte-rei, sendo José Bonifácio seu
lugar-tenente”. Pelo livro do juramento, também exposto em (Castellani, [in História do
Grande Oriente do Brasil, p. 70]). O Nóbrega referido poderia ser os maçons Francisco
Luiz Pereira da Nóbrega ou Luiz Pereira da Nóbrega de Sousa Coutinho.
Procuramos demonstrar que o período de adormecimento da Maçonaria
Brasileira, entre 02 de novembro de 1822 e a abdicação de dom Pedro I, em 07 de abril
de 1831, não corresponde ao relato propalado por muitos maçons dentro e fora das
lojas, seja porque as atividades maçônicas não tenham se encerrado totalmente neste
período; seja porque a suspensão dos trabalhos não pode ser responsabilizada a D.
Pedro I; seja porque o Grão-Mestre Pedro Guatimozim pouco fez para interromper os
trabalhos ou se colocar contra a interrupção; seja porque pertencia ao apostolado cujas
reuniões suspendeu pessoalmente, ou seja, porque sofreu a oposição dos maçons que
resultou em sua abdicação ao Trono Brasileiro. A suspensão ocorreu por conta da
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dissensão interna que confrontava o Grupo do Ledo ao Grupo do Bonifácio e às
questões políticas havidas no seio da Maçonaria.
Em relação aos trabalhos maçônicos, Castellani escreveu que pelo menos a Loja
6 de Março de 1817, do Recife, fundada em 1821, continuou funcionando, sob a
proteção de maçons americanos, já que foi instalada e regularizada pelo Grande Oriente
de Nova Iorque. A ela ajuntou-se, em 1823, a Sociedade Carpinteira, de moldes e
finalidades maçônicas.
Por ocasião da revolta de 1824, todavia, ela foi obrigada a entrar em recesso. No
terreno político institucional, o principal fato foi, exatamente, o movimento revolucionário
de 1824, que visava a congregar sob regime republicano – na chamada Confederação do
Equador – as províncias do Nordeste, que se haviam rebelado contra os atos de D. Pedro
I.
E mais adiante assevera que de 1824 a 1829, pouco se sabe sobre a atividade
maçônica. Parece, todavia, que, em 1825, alguns maçons mais corajosos, revolveram
enfrentar a perseguição que sofriam, fundando um Quadro itinerante, denominado
"Vigilância da Pátria", que, posteriormente, seria repartido em dois novos quadros,
"União" e "Sete de Abril", para formar o Grande Oriente Brasileiro, que precedeu a
reinstalação do Grande Oriente do Brasil (Castellani, ob. cit. p. 75/76).
De Irmão para Irmão
As publicidades veiculadas no JB News
são cortesia deste informativo,
como apoio aos irmãos em suas atividades profissionais.
Valorize-os, preferindo o que está sendo anunciado.
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Este Bloco está sendo produzido
pelo Irmão Pedro Juk, às segundas,
quartas e sextas-feiras
Sinal na marcha
Em 24/05/2016 o Respeitável Irmão Valmir Pratas Guimarães, Orador da Loja Luz e Caridade, 0525,
REAA, GOB-MG, Oriente de Uberlândia, Estado de Minas Gerais, formula a seguinte questão:
valmir.guimaraes@uol.com.br
Ontem tivemos uma sessão de Grau 3 para instruções aos novos Mestres.
Na página 40 do ritual do 3º Grau, assim descreve como deve ser feita a Marcha de Mestre
Maçom: “Inicia-se com o Sinal de Aprendiz e dá-se os passos de Aprendiz; passa-se
DIRETAMENTE (grifo meu) para o Sinal de Companheiro e executa-se os Passos de
Companheiro...”
Ai nesse DIRETAMENTE ficou a duvida, alguns Irmãos entendem que passar diretamente para o
Sinal de Companheiro deve ser feito sem desfazer o Sinal de Aprendiz pelo Sinal Penal.
Eu entendo que para passar para o Sinal de Companheiro é necessário desfazer pelo Sinal
Penal, o Sinal de Aprendiz e depois logo em seguida (diretamente) fazer o Sinal de
Companheiro.
Gostaria de seus préstimos para nos orientar qual o procedimento correto.
6 – Perguntas & Respostas
Pedro Juk
Não esqueça: envie sua pergunta identificada pelo nome completo, Loja, Oriente, Rito e Potência.
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Considerações:
O Irmão está coberto de razão. Infelizmente, ainda existe a turma que busca a
complicação – esses geralmente ficam a inventar procedimentos. Ora, obviamente que quando
se compõe um Sinal é necessário desfazê-lo antes de compor outro, ou mesmo antes de sentar.
O ato de desfazer o Sinal está diretamente ligado ao seu título (Gut, Cord ou Ventr).
É regra consuetudinária que ao se desfazer um Sinal do Grau, o fazemos pela pena
simbólica (vide o juramento). Não se vai diretamente de um para outro sem que antes o anterior
esteja finalizado.
Assim, no caso da Marcha (única situação que se anda com o Sinal), o termo
“diretamente” é para que não se faça saudação às Luzes, já que esta só acontece ao final dos
passos do Grau. A regra é por primeiro se desfazer um Sinal para em seguida se compor outro.
Outro aspecto para se considerar é que nem sempre o gesto de se desfazer um Sinal
significa que se esteja saudando alguém. O que existe realmente é a saudação pelo Sinal e isso
denota em Maçonaria que quando cumprimentamos alguém em Loja o fazemos pelo Sinal,
todavia nem sempre fazer o Sinal significa saudar. Afinal, o significado de um Sinal maçônico é
muito mais profundo do que um gesto de cumprimento.
Finalizando, o termo “diretamente” vem do adjetivo “direto” que, nesse caso, significa
“de imediato”, isto é, muda-se o Sinal de imediato para outro Sinal (desfaz primeiro um e de
imediato compõe outro).
T.F.A.
Pedro Juk
jukirm@hotmail.com
Ago/2016.
Exegese Simbólica
para o Aprendiz Maçom
I Tomo - Rito Escocês Antigo e Aceito e Trabalhos de Emulação
Autor – Ir. Pedro Juk - Editora – A trolha, Londrina 2.012 – Segunda
Edição. www.atrolha.com.br - Objetivo – Introdução a interpretação
simbólica maçônica. Conteúdo – Resumo histórico das origens da
Maçonaria – Operativa, Especulativa e Moderna. Apreciação – Sistema
Latino e Inglês – Rito Escocês Antigo e Aceito e Trabalho de Emulação.
Tema Central – Origens históricas do Painel da Loja de Aprendiz e da Tábua
de Delinear. Enfoque – Exegese do conteúdo dos Painéis (Ritualística e Liturgia, História, Ética e
Filosofia). Extenso roteiro bibliográfico.
https://www.trolha.com.br/loja/
JB News – Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 29/36
(as letras em vermelho significam que a Loja completou
ou está completando aniversário)
GLSC -
http://www.mrglsc.org.br
GOSC
https://www.gosc.org.br
Data Nome Oriente
01/01/2003 Fraternidade Joinvillense Joinville
26/01/1983 Humânitas Joinville
31/01/1998 Loja Maçônica Especial União e
Fraternidade do Mercosul Ir
Hamilton Savi nr. 70
Florianópolis (trabalha no recesso
maçônico)
11/02/1980 Toneza Cascaes Orleans
13/02/2011 Entalhadores de Maçaranduba Massaranduba
17/02/2000 Samuel Fonseca Florianópolis
21/02/1983 Lédio Martins São José
21/02/2006 Pedra Áurea do Vale Taió
22/02/1953 Justiça e Trabalho Blumenau
GOB/SC –
Data Nome da Loja Oriente
11.01.1957 Pedro Cunha nr. 11 Araranguá
18.01.2006 Obreiros de Salomão nr. 39 Blumenau
15.02.2001 Pedreiros da Liberdade nr. 79 Florianópolis
21.02.1903 Fraternidade Lagunense nr. 10 Laguna
25.02.1997 Acácia Blumenauense nr. 67 Blumenau
25.02.2009 Caminho da Luz nr. 99 Brusque
7 – Destaques (Resenha Final)
Lojas Aniversariantes de Santa Catarina
Mêses de janeiro e fevereiro
JB News – Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 30/36
http://www.gob-sc.org.br/gobsc
Data Nome Oriente
07.01.77 Prof. Mâncio da Costa - 1977 Florianópolis
14.01.06 Osmar Romão da Silva - 3765 Florianópolis
25.01.95 Gideões da Paz - 2831 Itapema
06.02.06 Ordem e Progresso - 3797 Navegantes
11.02.98 Energia e Luz -3130 Tubarão
29.02.04 Luz das Águas - 3563 Corupá
Benção
"Que vocês tenham pensamentos puros e positivos para os
outros e assim transformem o negativo em positivo. Para
permanecer poderosos, lembre-se de duas coisas: pensamentos
puros para o eu e pensamentos positivos para os outros. Se
vocês não têm pensamentos positivos para si então vocês não
podem ter pensamentos positivos em relação aos outros. No
momento atual prestem atenção a estes dois aspectos porque as
pessoas não estão entendendo através de palavras. Procurem
dar a elas as vibrações dos seus pensamentos puros e positivos
e elas mudarão."
Brahma Kumaris
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José Aparecido dos Santos
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"Tudo o que somos é o resultado dos nossos pensamentos".
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LOJA MAÇÔNICA ESPECIAL
União e Fraternidade do Mercosul
Ir∴ Hamilton Savi nº 70
RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO – GOSC/COMAB
FUNDADA EM 31/01/1998
À GDGADU
Orde Florianópolis, aos 20 dias do mês de dezembro do ano de 2016 E∴V∴
Ofic. 003/2016
A Todos os Homens Livres e de Bons Costumes
Programação – Loja União e Fraternidade do Mercosul - Hamilton Savi nº 70 - Mês de Janeiro de 2017
Dia 09/01/2017:
Abertura dos trabalhos com leitura do ato do GM nomeando a Administração da Loja para o ano
2017.
Palavra do Grande Oriente de Santa Catarina – GOSC
Palestra do eminente Ir. Kennyo Ismail –
Editor-chefe da revista “Ciência & Maçonaria”, a primeira revista acadêmico-científica dedicada
ao estudo da Maçonaria na América do Sul, vinculada ao NP3/CEAM/UnB; professor do curso de
pós-graduação em História da Maçonaria pela UnyLeya; e membro da Academia Maçônica de
Letras do Distrito Federal, ocupando a cadeira No.33.
Palestrante conhecido no meio maçônico é autor de diversos artigos publicados em várias revistas
e sites maçônicos no Brasil e em outros países. Foi revisor técnico e prefaciou a edição brasileira
do best-seller internacional Freemasons for Dummies (Maçonaria para Leigos), publicado pela
AltaBooks (2015); traduziu e comentou a obra “Ahiman Rezon – A Constituição dos Maçons
Antigos”, publicado pela A Trolha (2016); e é autor dos livros: “Desmistificando a Maçonaria”
(2012), “O Líder Maçom” (2014), e “Debatendo Tabus Maçônicos” (2016).
Dia 23/01/2017:
Palestra do eminente Ir.: Gean Marques Loureiro, Prefeito eleito da Capital de Santa Catarina.
Mestre instalado da ARLS Samuel Fonseca nº 79 - GOSC
Informamos que as sessões da Loja Mercosul Hamilton Savi nº 70 serão realizadas no
Templo da Loja Ordem e Trabalho nº 3, Or. de Florianópolis, Situado próximo à UFSC –
Serrinha. AV. DESEMBARGADOR VITOR LIMA. 550, com inicio às 20:00hs
Grande Abraço
Ir.: EMÍLIO CÉSAR ESPÍNDOLA V.: M.:
(048)32445761 - (048)999824363
emilioespindola@yahoo.com.br
JB News – Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 32/36
Ir Marcelo Angelo de Macedo, 33∴
MI da Loja Razão e Lealdade nº 21
Or de Cuiabá/MT, GOEMT-COMAB-CMI
Tel: (65) 3052-6721 divulga diariamente no
JB News o Breviário Maçônico, Obra de autoria do saudoso IrRIZZARDO DA CAMINO,
cuja referência bibliográfica é: Camino, Rizzardo da, 1918-2007 - Breviário Maçônico /
Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014 - ISBN 978-85.370.0292-6)
Dia 6 de janeiro:
Abraço
Entre os maçons, quando do encontro, além do aperto de mão caloroso, há o fraternal
tríplice abraço.
Porque chamaria muita atenção, esse abraço tríplice é dado apenas nas dependências
da Loja.
Trata-se de um cerimonial místico, culminando pelas "pancadas" dadas nas costas.
É uma postura dinâmica com reflexos espirituais, relembrando o significado da
trilogia, os juramentos feitos e recordando que, após a cerimônia da Iniciação,
recebeu do Venerável Mestre o seu primeiro tríplice abraço.
Entre os dois Irmãos há uma permuta de energias, de extremoso amor fraterno, de
sentir o "corpo a corpo" benéfico, simbolizando a união de todos os maçons que se
encontram em suas respectivas Lojas.
Quando no mundo profano, dada a impossibilidade desse abraço, afora os que não se
importam de enfrentar a crítica, o maçom não estará só; sempre encontrará alguém de
sua família a lhe dar forças nos momentos de desânimo e tristeza.
Essas benesses devem ser cultivadas por todos os maçons, reforçando, assim, a
própria Ordem.
Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 25.
JB News – Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 33/36
Do Museu Maçônico do GOF - Paris –
Templo destruído em tempos difíceis
PUTZ!!!!!
JB News – Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 34/36
(pesquisa e arquivo JB News, vídeos da internet e colaboração de irmãos - fontes: Google)
1 –
Você já visitou a
Patagônia? Este
lugar é maravilhoso!
2 –
Hora do Teste: Você
reconhece essas
imagens?
3 – Nilo Amaro e seus cantores de ébano:
https://www.youtube.com/watch?v=gxwoNjz6ceI
4 – China
China.pps
5 – Austria:
Austria.pps
6 - München - Alemanha:
https://www.youtube.com/watch?v=-mF-fs8kdDM
7 - Filme do dia: “Charlie Chaplin – Dia Chuvoso” –
https://www.youtube.com/watch?v=JNHAZfhBofQ
JB News – Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 35/36
Ir Franklin dos Santos Moura
Loja Prof. Hermínio Blackman 1761
Vila Velha – GOB-ES
Membro Fundador da ACADGOB-ES
Cadeira 22, Patrono Wagner Araújo.
Escreve neste espaço às sextas-feiras
fsmoura1761@yahoo.com.br
O bêbado e o Filósofo
O homem exausto, fraco, se entrega ao repetir da taça,
enquanto o “inquieto” ora é sofista, ora parnasiano,
bebendo gotas do infinito oceano.
Sem saber, estão no mesmo jardim, na mesma praça.
O filósofo se aproxima e pergunta: Porque se destrói?
O bêbado responde: Porque pergunta?
Aqui, isso não se assunta.
Eu escolho o que me corrói.
E o filósofo não desiste e tenta novamente,
poderoso de sabedoria, não se intimida.
Feliz ano novo! Mude sua vida!
Então, recebe um olhar diferente.
Sente-se moço e brinde comigo.
Hoje bebo pelas respostas que não tive,
Pelos lugares que não estive.
Solitário é brindar sem um amigo.
JB News – Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 36/36
Saiba amigo, as respostas são casadas com os desejos...
Os lugares dos seus sonhos aguardam sua visita.
Porém nada se faz a caminho dessa forca esquisita,
Bebendo desse jeito, futuro para ti não vejo.
O último trago é em sua homenagem...
Palavras sábias para tentar salvar esse moribundo,
Sou um grão de areia nesse mundo.
E devo o mais cedo possível retomar minha viagem.
De repente o garçom se aproxima avisando que o bar irá fechar.
Cordialmente disse que lamentava vê-lo a noite toda sozinho
Triste nos dias de hoje ver alguém perdido no caminho,
e por fim perguntou se continuaria bebendo em dois copos até encerrar.

Jb news informativo nr. 2290

  • 1.
    JB NEWS Filiado àABIM sob nr. 007/JV Editoria: Ir Jeronimo Borges Loja Templários da Nova Era nr. 91(Florianópolis) - Obreiro Loja Alferes Tiradentes nr. 20 (Florianópolis) - Membro Honorário Loja Harmonia nr. 26 (B. Horizonte) - Membro Honorário Loja Fraternidade Brazileira de Estudos e Pesquisas (J. de Fora) -Correspondente Loja Francisco Xavier Ferreira de Pesquisas Maçônicas (P. Alegre) - Correspondente Academia Catarinense Maçônica de Letras Academia Maçônica de Letras do Brasil – Arcádia de B. Horizonte Estandarte da ARLS “Alferes Tiradentes ” nr. 20 – Florianópolis - (GLSC) - Acervo JB News Saudações, Prezado Irmão! Índice do JB News nr. 2.290 – Florianópolis (SC) – sexta-feira , 6 de janeiro de 2017 Bloco 1-Almanaque Bloco 2-IrCharles Evaldo Boller – Educação Natural na Maçonaria (artigo Semanal) Bloco 3-IrAquilino R. Leal – Os Três Reis Magos Belchior, Baltazar e Gaspar Bloco 4-IrMário Jorge Neves – O “Compagnonnage” e o nascimento do Sindicalismo Bloco 5-IrJosé Anselmo Cícero de Sá – Reminiscências Maçônicas de “D. Pedro I” Bloco 6-IrPedro Juk – Perguntas & Respostas - do IrValmir Pratas Guimarães Uberlândia – MG) Bloco 7-Destaques JB – Breviário Maçônico p/o dia 6 de janeiro e versos do Irmão e Poeta Franklin dos Santos Moura (Vila Velha - ES)
  • 2.
    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 2/36 6 de janeiro 1963: Criação do Estado do Acre Nesta edição: Pesquisas – Arquivos e artigos próprios e de colaboradores e da Internet – Blogs - http:pt.wikipedia.org - Imagens: próprias, de colaboradores e www.google.com.br Os artigos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião deste informativo, sendo plena a responsabilidade de seus autores. 1 – ALMANAQUE Hoje é o 6º dia do Calendário Gregoriano. Faltam 359 dias para terminar o ano de 2017 - Lua Quarto Crescente - É o 128º ano da Proclamçaõ da República; 195º da Independência do Brasil e 517º ano do Descobrimento do Brasil Hoje é o dia dos Reis Magos Colabore conosco. Se o Irmão não deseja receber mais o informativo ou alterou o seu endereço eletrônico, POR FAVOR, comunique-nos pelo mesmo e-mail que recebe o JB News, para evitar atropelos em nossas remesssas diárias por mala direta. Obrigado. EVENTOS HISTÓRICOS (Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki) Aprofunde seu conhecimento clicando nas palavras sublinhadas
  • 3.
    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 3/36  353 — Último ano em que é celebrado o nascimento de Jesus pelos católicos nesta data. Passará a ser comemorado no ano seguinte no solstício de dezembro (25 de dezembro). Os ortodoxos continuam a comemorar nesta data.  1066 — Haroldo II é coroado Rei da Inglaterra  1449 — Constantino XI Paleólogo é coroado imperador do Império Bizantino (seria o último)  1502 — Descoberta da baía de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, pela expedição de Gonçalo Coelho, que recebe esse nome em homenagem a visita dos Três Reis Magos ao menino Jesus comemorada nesse dia.  1540 — Casamento de Henrique VIII de Inglaterra com Ana de Cleves (dissolvido a 9 de Julho)  1579 — Estimulados pelo novo governador espanhol Alexander Farnese, Duque de Parma, os estados do sul (situados hoje na sua maioria na Bélgica), assinaram a União de Atrecht expressando a sua lealdade ao Rei espanhol (v. Guerra dos Oitenta Anos e Revoltas Holandesas)  1598 — Inicio da construção da Fortaleza dos Reis Magos em Natal, Brasil  1802 — Em sua expedição científica pela América, Alexander von Humboldt chega a Quito.  1835 — Cabanagem (Brasil): os rebeldes atacam conquistam a cidade de Belém, assassinando o presidente Sousa Lobo e o Comandante das Armas  1838 — Samuel Morse realiza a primeira demonstração pública do telégrafo, em Nova Jersey  1877 — Alois Hitler adota seu novo nome (anteriormente Aloys Schicklgruber).  1880 — Fundação da cidade de Criciúma (Santa Catarina, Brasil)  1912 — Novo México torna-se o 47º estado norte-americano  1926 — Fundação da Lufthansa, empresa aérea estatal alemã.  1927 — Os Estados Unidos invadem a Nicarágua  1929 — Em reação à crise política que acometeu o Reino da Iugoslávia, o príncipe Alexandre institui uma ditadura pessoal  1939 — Os EUA iniciam aproximação com o Brasil, convidando o chanceler brasileiro Osvaldo Aranha para uma entrevista pessoal com o presidente Franklin Delano Roosevelt  1942 — A empresa aérea Pan American World Airways realiza o primeiro voo comercial ao redor do mundo  1944 — Fundação do Esporte Clube Avenida  1950 — A Inglaterra reconheceu o governo da China Comunista, liderada por Mao-tsé Tung  1963  Criação do estado do Acre, Brasil  Restabelecimento do sistema presidencialista no Brasil (v. Campanha da Legalidade e Referendo): um plebiscito escolheu para o Brasil a volta do presidencialismo como forma de governo, em que cerca de 9 milhões de pessoas votaram contra o parlamentarismo, que vigorava desde a posse de João Goulart, em 1961  1987 — Caminhoneiros do porto de Santos, em São Paulo, entraram em greve. O protesto afetou 50 navios dos quais 37 tiveram de aguardar atracamento.  1988 — Maílson da Nóbrega tomou posse como quarto ministro da Fazenda do governo de José Sarney.  1999 — O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), decretou a moratória de seu Estado: durante noventa dias, contados a partir de 1º de janeiro, seu governo suspendeu o pagamento de todas as dívidas.  2016 — Coreia do Norte alega ter explodido uma bomba de hidrogénio. Culturais e de mídia/média[editar | editar código-fonte]  1868 — Publicação do livro A Gênese, de Allan Kardec.  1964 — Os Rolling Stones estrearam sua primeira turnê, no interior da Inglaterra.  2004 — A Apple introduz ao mercado o iPod mini.  2005 — A obra Fonte sofre ataque por um francês de 77 anos com um martelo.
  • 4.
    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 4/36 1504 Desembarca na baía de Babitonga, nesta data, o navegador francês Binot Paulmier de Goneville. 1851 Inauguração, na capital catarinense, do Mercado Público, situado na atual praça XV de Novembro, onde funcionou até o ano de 1896. 1867 Inauguração da linha telegráfica entre Desterro e Porto Alegre. 1880 Fundado, nesta data, com a chegada dos primeiros imigrantes italianos, núcleo colonial que deu origem à cidade de Criciúma. 1891 Lei nº 38, desta data, criou o município de Jaguaruna, desmembrado de Laguna. 1912 Morre em Blumenau, Emil Odebrecht. Engenheiro, nascido na Prússsia, naturalizando-se brasileiro. Foi voluntário da Guerra do Paraguai e notabilizou-se na marcação de limites no estado de Santa Catarina. 1914 Nasce em Alfenas, Minas Gerais, Fernando Ferreira de Melo. Advogado, teve participação na política catarinense. 1918 Decreto nº 13.907, desta data, passou a administração do Governo Federal a Estrada de Ferro Santa Catarina, na época ligando Blumenau à Harmonia, hoje Ibirama. 1967 Instalada, nesta data, a Comarca de Urubicí. 1706 Nasce Benjamin Franklin () estadista, diplomata, cientista, filósofo e editor, um dos pais da nação americana. 1808 Fundada a Grande Loja de Ohio dos Maçons Livres e Aceitos. 1822 Nasce Heinrich Schliemann () descobridor de Tróia. 1855 Por ordem do Príncipe e Grão-Mestre, mais tarde rei Frederico VII, todas as Lojas dinamarquesas passaram a trabalhar no Rito Sueco. 1866 Nasce William Boyden, organizador da Biblioteca do Supremo Conselho (Sul) dos Estados Unidos, que dirigiu por 46 anos. Fatos históricos de santa Catarina Fatos maçônicos do dia Fonte: O Livro dos Dias 20ª edição (Ir João Guilherme) e acervo pessoal
  • 5.
    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 5/36 Venerável Mestre! Desejas criar e manter um site de qualidade da sua Loja? Então atente para este anúncio (Coisa de Irmão para Irmão) Contatos: Ir Darci Rocco (Loja Templários da Nova Era) nos telefones acima
  • 6.
    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 6/36 Albergue Noturno Manoel Galdino Vieira O “Albergue Noturno” é uma entidade administrada por alguns abnegados irmãos da Maçonaria catarinense, que ampara todas as noites os necessitados e indigentes, ofertando- lhes banho, cama limpa, refeições e alguns outros possíveis auxílios básicos. Os Irmãos que coordenam essa instituição beneficente, que há 80 anos vem prestando esse serviço fraterno, vêm encontrando sérias dificuldades financeiras para mantê-la. Não existe qualquer auxílio do Poder Público. Conclamamos o Irmão a ajudar com qualquer contribuição essa instituição benemérita, que teve tantos maçons ilustres voluntários que participaram na sua coordenação e apoio, mantendo-a por estes longos anos. Faça a sua doação. Colabore. Qualquer contribuição pode não fazer falta para você, mas fará muito bem aos necessitados de toda a espécie. (transferências ou depósitos para o Banco SICOOB CREDISC/756 – Ag. 3258, conta corrente nr. 11347-7 (com recibo de incentivo fiscal) em nome da Caixa de Esmolas aos Indigentes de Florianópolis CNPJ/MF 83.901-041/0001-86) Maçonaria também é caridade!
  • 7.
    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 7/36 Ir Charles Evaldo Boller Curitiba – PR – Charleseb@terra.com.br Artigo extraído de sua obra “Iluminação” Herança Educacional Iluminista Foram significativas as mudanças que se manifestaram na Europa durante o século XVIII, e entre estas surgiu a Maçonaria Especulativa (1717), como parte ativa do processo de gradativa migração do poder para a burguesia, concentrado até então na nobreza e no clero. O Teocentrismo Medieval, Deus como centro de tudo, há muito instigava ao lançamento de ideias que fortaleciam o poder do cidadão. Aos poucos o poder absoluto sobre o cidadão foi desaparecendo e definiram-se os contornos da República. Na época, por herança de práticas e costumes medievais, os nobres viviam à custa dos esforços de outros cidadãos da sociedade, o que prejudicou o nascimento da indústria e dificultava o livre comércio. 2 – Educação Natural na Maçonaria Charles Evaldo Boller
  • 8.
    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 8/36 Com a invenção e desenvolvimento da máquina a vapor entre 1765 e 1790, por James Watt (1736-1819), se estabelece o início da Revolução Industrial, marca do fim do poder de imperadores e papas, e nascimento do poder do povo. Os burgueses, na Revolução Francesa (1789-1799), usaram de palavras cunhadas por Rousseau (1712-1778) que estabeleceram princípios de liberdade, igualdade e fraternidade através das luzes, divisa usada até hoje pela Maçonaria. Onde a Luz dos iluministas significava o conhecimento em resultado do uso do poder da razão humana de interpretar e reorganizar o Universo. O Movimento Iluminista visava inicialmente à liberdade de pesquisa científica, ação que, através de Rousseau, estendeu-se depois para a educação natural com ênfase no condicionamento moral e cívico. O Século das Luzes teve inúmeros mentores, cuja ampla maioria concordava que, em resumo, apenas o conhecimento poderia proporcionar os meios para livrar os homens das garras do poder absoluto que embotava o desenvolvimento. Qualquer poder estabelecido sabe, e a Maçonaria promove, que um povo instruído e educado é mais difícil de conduzir com dogmas e crendices, mas é mais feliz porque assume o controle da sua convivência pacífica na sociedade. O Liberalismo foi outra forte movimentação da burguesia. Atuando na economia, François Quesnay (1694-1774) e Adam Smith (1723-1790) representam as aspirações do cidadão em gerenciar seus próprios negócios sem a interferência do Estado. Defendia-se a economia perseguindo caminhos ditados por leis naturais, onde a figura de um Estado intervencionista não existe. Na política, os mesmos ideais liberais lutavam de todas as formas contra o Absolutismo. Na moral buscavam-se formas laicas de tornar naturais as ações do comportamento humano. Por conta de abusos clericais e da Inquisição, que durou mais de seiscentos anos, de 1183 até 1821, o Iluminismo rejeitava a adesão à religião. Principalmente às filosofias religiosas povoadas de fantasias e alegorias ilógicas e impostas como verdades, que pelo aspecto verossímil são colocadas como fatos verdadeiros ao invés de declaradas de origem ficcional, apenas para fins de ilustração de verdades e filosofias. Os iluministas combatiam os dogmas que em religião estabelecem invenções forçadas, inverossímeis, determinadas por decreto pela autoridade religiosa como verdade divina revelada e que o adepto tem por obrigação acatar; são imutáveis; verdades absolutas que sequer permitem discussão, nem mesmo pensar em contestação; imposição que determina como o adepto deve pensar e até sentir. Foi contra as religiões que impõem dogmas e fantasias, que os iluministas se rebelaram; não eram ateus, muito ao contrário! - Isto, mesmo hoje, não passa de acusação leviana, falsa e insidiosa de parte dos detratores do Iluminismo. Defendiam o aporte de religião natural, com orientação mais racional de fé, ou crença naquilo que não é visto e ser apenas sentido ou intuído. O maçom desenvolve fé alicerçada na razão.
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 9/36 Bastava-lhes a fé num princípio criador - semelhante ao que era percebido pelo pensamento lógico do homem da natureza, o qual percebia a impossibilidade de sua existência ser obra do acaso; para o qual é aceitável a existência de uma mente criadora lógica e orientadora da exuberante e diversificada natureza que o cercava e servia; e com a qual vivia em dependência. Hoje se reconhece a simbiose evolutiva como obra criativa, onde a criação é resultado da cooperação e co-evolução das células em processos evolutivos cada vez mais intrincados e complexos, orientados por leis definidas por uma Mente Orientadora, conceito ao qual o maçom denomina Grande Arquiteto do Universo. O Iluminismo influenciou o Deísmo, doutrina que considera a razão como a única maneira de assegurar a existência de Deus. Principalmente por isto, os detratores do Iluminismo acusaram o movimento de introdutor do ateísmo na sociedade moderna, entretanto, aquele movimento defendia a religião natural, sem dogmas e fanatismo. Para o iluminista, Deus é o Primeiro Motor, o Supremo Criador. Desta magnífica ideia a Maçonaria, que não é religião, herdou o conceito Grande Arquiteto do Universo, o que possibilita a reunião de diversas linhas filosóficas e religiosas num mesmo foro de debate, que de forma proativa discute os problemas da sociedade e do homem; ato impossível para outras instituições, mormente religiões que nunca se entendem e provavelmente nunca chegarão a acordos fraternos na solução de qualquer problema devido ao ódio que nutrem entre si e aos que não concordam com seus dogmas. Na prática maçônica, as proibições de discussões religiosas nada têm de incentivo ao ateísmo, mas têm por finalidade afastar o maçom de discussões vazias dentro do pântano do fundamentalismo religioso e o conduzir para a espiritualidade natural, respeitando crenças e a religião de seus irmãos, independente de qual seja. O ateu não é recebido pela Ordem Maçônica. Para entrar na Maçonaria são exigidas as crenças num Princípio Criador e numa vida futura. Ambos são dogmas. As duas crenças estão alicerçadas em fé raciocinada de que:  O Universo organizado só pode ser o resultado de pensamento lógico;  A vida consciente é ilusão energética que tem uma finalidade de ser, como resultado igualmente de pensamento lógico;  O Universo é feito de energia, tudo é energia, conforme a Física Quântica, lentamente, engatinhando, comprova cientificamente;  Em níveis energéticos ainda desconhecidos pode existir a ligação com a fonte da vida ao que se denomina genericamente no conceito de Grande Arquiteto do Universo;  Existe possibilidade de vida, de consciência, após a existência nesta forma energética que transmite uma ilusão de existência material para outra mais sutil. Nada é descartado! Nada é afirmado. Tudo é duvidado. Para tudo o maçom especula em busca de explicação, da verdade. E mesmo esta verdade é, de tempos em tempos, questionada. O maçom é o resultado da libertação de eras de obscurantismo. A dúvida é constante. O maçom é por natureza um herege. É filho da heresia. Alicerçado em ciência, para o maçom a espiritualidade é parte do corpo, é sentida como a plenitude da mente e do corpo; mente e corpo vivos, formando unidade. De alguma forma a energia que a sua consciência e corpo tem ligação energética com o Universo. Os momentos
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 10/36 de consciência espiritual são observados como unidade, uma percepção de pertencer ao Universo como um todo. A Loja estabelecida é representação deste Universo, o útero da criação, de onde o homem é parte integrante do todo. Quando o maçom contempla a Loja como representação do Universo, percebe que não está lançado em meio ao caos. "Ordo ab Caos", ordem no caos, é sua divisa e inspiração de que é parte de um projeto maior, de uma ordem mais elevada, parte integrante de uma imensa sinfonia da vida conduzida pelo Grande Geômetra, o Maestro da Criação e Grande Arquiteto do Universo. Para facilitar o entendimento de especulações científicas complicadas da área da Física Quântica que consideram quantas, isótopos e outras partículas, a projeção de vida futura é construída no fato de que o corpo nunca morrerá e remanescerá vivo, mesmo depois que o corpo se desfizer em seus elementos moleculares a vida continua. Como? Isso fica por conta da filosofia, porque no momento em que ficar comprovada a verdade especulada ela deixa de ser filosofia e passa ao campo da ciência. E não apenas o sopro da vida, que é comum a todos os seres viventes, continua vivo, mas também os princípios da organização vital dos seres viventes da biosfera. É esta consciência de ser parte do Universo, de ser esta a sua casa, é desta sensação de pertencer, de ser parte do todo que desperta no maçom o mais respeitoso e profundo sentido para a vida. Quando na Maçonaria a Bíblia Judaico-cristã é utilizada na construção de parábolas e alegorias, na representação de pensamentos e ideias de forma figurada, os textos são utilizados apenas como referência para a criação de estórias. As alegorias copiadas e depois adaptadas são pura ficção! Verossimilhança que serve apenas de suporte para a criação de parábolas que auxiliam na especulação do conhecimento natural; esta utilização é deixada bem clara para todos; é a cultura da Maçonaria voltada para a liberdade; educação natural criada por Rousseau (1712-1778) e complementada por Kant (1724-1804). Por outro lado, a mesma Bíblia é utilizada nas atividades litúrgicas das lojas formadas por irmãos de religiões cristãs como livro da lei, a mais alta e sagrada representação do grupo, sobre a qual se fazem juramentos e promessas, e da qual se extraem pensamentos e sabedoria; o maçom cristão é constantemente instigado a usá-la como fonte de inspiração no trabalho na pedra; na absoluta maioria dos ritos, nenhuma sessão maçônica inicia sem que um trecho da mesma seja lido no momento mais solene de abertura ritualística dos trabalhos. A liturgia e instrução maçônica constam de alegorias definidas em todos os aspectos como invenções, historinhas, fantasias, de uso puramente pedagógico e com o único objetivo de construir novas ideias pelos eternos ciclos de construção do pensamento. Estes ciclos, que Hegel (1770-1893) definiu como Contradição Dialética, constituída de: tese, antítese e síntese é a base do desenvolvimento de todo o conhecimento humano: tese é a afirmação; antítese a negação ou complementação da tese; síntese a superação da
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 11/36 contradição; é quando surge uma nova e inusitada ideia, diferente da primeira e da segunda. Então se inicia um novo ciclo de tese, antítese e síntese. E o processo não tem fim. É o que ocorre nos debates da Maçonaria onde, através da educação natural, se constroem templos, templos vivos e livres. Estes são alguns dos aspectos do movimento Iluminista que influenciaram a Maçonaria quando de sua fundação como instituição especulativa. Mesmo bebendo de inúmeras outras fontes de inspiração simbólica e alegórica foi esta a origem de que a Ordem Maçônica se utilizou para promover a volta do homem natural perdido desde Atenas, Grécia antiga, reportado por Platão em "A República". Na Maçonaria o homem moderno tem a oportunidade de recuperar o que perdeu em virtude do desmonte da escola hodierna, colocar os pés no chão, trabalhar seu templo vivo, dentro de um templo material, edificado pela Maçonaria praticamente só para a sublime finalidade do homem se autoconstruir. Mas é dentro do grande templo da sociedade, um templo vivo feito por homens naturais que cada artífice trabalha na pedra, e com a sabedoria da razão, a força da vontade, ele constrói a sua beleza interior para honra e à glória do Grande Arquiteto do Universo! Bibliografia 1. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda, História da Educação e da Pedagogia, Geral e Brasil, ISBN 85-16-05020-3, terceira edição, Editora Moderna limitada., 384 páginas, São Paulo, 2006. 2. CAPRA, Fritjof, A Teia da Vida, Uma Nova Compreensão Científica dos Sistemas Vivos, título original: The Web of Life, a New Scientific Understandding Ofliving Systems, tradução: Newton Roberval Eichemberg, ISBN 85-316-0556-3, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix limitada., 256 páginas, São Paulo, 1996. 3. CAPRA, Fritjof, As Conexões Ocultas, Ciência para a Vida Sustentável, título original: The Hidden Connections, tradução: Marcelo Brandão Cipolla, 13ª edição, Editora Pensamento Cultrix limitada., 296 páginas, São Paulo, 2002. 4. ROHDEN, Humberto, Educação do Homem Integral, primeira edição, Martin Claret, 140 páginas, São Paulo, 2007.
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 12/36 Ir Aquilino R. Leal * (aquilinoleal@ibest.com.br ) OS TRÊS REIS MAGOS BELCHIOR[I] , BALTAZAR E GASPAR Aquilino R. Leal Fato: Nós, criados sob a égide da igreja do Vaticano, conhecemos de cor e salteado a estória dos três reis magos que, no contexto bíblico a palavra mago, em verdade, não significa bruxo ou feiticeiro, mas sim assume o sentido de sacerdote ou sábio, possuir poderes e dons divinos. Mas até que ponto existe alguma realidade? Uma mera estória de carochinha? Mais outra?! Com certeza mais outra! O catolicismo não é, afinal de contas, um universo de contos, ‘causos’, lendas e revelações? ‘O campo religioso do catolicismo está repleto de práticas que visam possibilitar situações mágicas que têm funções específicas na vida dos fiéis, sempre determinados pelo tempo sagrado.’ (PEREIRA, José Carlos. O Encantamento da Sexta-Feira Santa: manifestações do catolicismo no folclore brasileiro . – São Paulo: Annablume, 2005) Segundo a estória, ou tradição se preferirem, que nos foi passada, os três reis magos vieram do oriente, conduzidos por uma linda e brilhante estrela, para venerar o pequeno menino Jesus, trazendo-lhe presentes: mirra[II] , ouro e incenso (olíbano), cada um com seu sentido simbólico:  mirra simbolizava a pureza, a mortalidade, o perfume suave e sacrifício e era presente oferecido a profetas - resina antisséptica mirra usada em embalsamamentos desde o Egito antigo, também nos remete ao gênero da morte de Jesus, o martírio, sendo que um composto de mirra e aloés foi usado no embalsamamento de Jesus (Jo 19:39-40[III] ), sendo que estudos no Sudário de Turim encontraram estes produtos; entregue por Baltazar, em reconhecimento da humanidade, o material;  ouro representava a realeza, nobreza sendo apenas oferecido para réis; entregue por Belchior em reconhecimento da realeza, sol;  incenso simbolizava a fé e era presente oferecido apenas para sacerdotes (religiosos) – é usado nos templos para simbolizar a oração que chega a Deus assim como a fumaça sobe ao céu (Sal 141:2[IV] ); entregue por Gaspar em reconhecimento da divindade, o espiritual. Há de se ater para o fato que na antiguidade o ouro era um presente para um rei, simbolicamente a autoridade; o incenso para um sacerdote, representava a espiritualidade e a mirra para um profeta 3 – Os Três Reis Magos Belchior, Baltazar e Gaspar Aquilino R. Leal
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 13/36 já que ela era usada para embalsamar corpos, simbolicamente representava a imortalidade. Simbolicamente os reis magos também representavam os ricos e poderosos que apesar de suas posses e conquistas se curvaram a Jesus, homem humilde que nasceu de um ventre virgem em uma estrebaria rodeada de animais mostrando que todos nós nascemos para servir o próximo independente de etnia e classe social. Reconhecidos como Baltazar, rei da Arábia de cor negra, Melchior, rei da Pérsia de cor clara e Gaspar, rei da Índia de cor amarela, representam os povos de toda cor e nação. A tradição atribuiu à visitação dos Magos o dia 6 de janeiro estando ela a associada o presépio onde os três personagens aparecem de forma contundente além do menino Jesus, lembramos que a estrela colocada no topo das árvores de Natal representa a estrela (estrela de Belém) que conduziu os reis magos para a cidade onde nasceu o menino Jesus. Nós que residimos em pequena cidade do interior de Minas Gerais já tivemos oportunidade de perceber quão forte é a tradição do culto católico quanto à visitação dos reis magos ao menino Jesus. Estamos nos referindo à Folia de Reis - festa de origem portuguesa que relembra anualmente a visita dos reis Magos a Jesus. Em certos países tal comemoração acabou sendo mais importante que o próprio Natal. Nessa festa pessoas, com vestimentas típicas e extremamente coloridas, algumas com máscaras (de extremo mau gosto para não dizer horrendas, tanto as máscaras como a própria roupa), vão de porta em porta pedindo oferendas e cantando seus ‘louvores’, suas músicas (músicas?!) glorificando o nascimento do menino Jesus e a visitação dos hipotéticos reis; as festividades têm início próximo ao Natal e encerram-se no dia seis de janeiro, quando se comemora o dia de Reis. Conclusão: Não há provas históricas da existência de tais reis – possivelmente sejam apenas um símbolo, uma metáfora da legitimação de Jesus por todos os povos. A verdade é que granjeamos essas tradições de nossos pais, dos nossos tios, avós etc. que, por sua vez, as receberam de seus pais, avós... A pergunta: Elas têm alguma veracidade histórica? A resposta nua e crua: NÃO! Tudo não passa de folclore! De meras lendas. Puras balelas! Senão vejamos: Os magos apenas são mencionados em um dos quatro evangelhos, o de Mateus; mesmo assim sem mencionar quantos eram (sabe-se apenas tratar-se mais de um, porque a citação está no plural). Porque o silêncio dos outros três escribas? Porque só aceitar Mateus em detrimento dos demais? Não teria este criado a passagem bíblica? Não há evidência histórica da existência dessas pessoas”, diz André Chevitaresse, professor de História Antiga da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “São personagens criados pelo evangelista Mateus para simbolizar o reconhecimento de Jesus por todos os povos.” Possivelmente três não por ser o três um número cabalístico, mas sim em função das prendas oferecidas, em número de três, estas sim, também atreladas a forte simbolismo. No evangelho de Mateus não há qualquer menção de que tivessem sido reis. Segundo historiadores, foi apenas no século III que eles receberam o título de reis – provavelmente como uma maneira de confirmar a profecia contida no Salmo 72:11: “E todos os reis se prostrarão perante ele; todas as nações o servirão” e assim ‘ajustar as coisas’. Na melhor das hipóteses eles seriam sacerdotes... Poderiam até ser astrólogos ou astrônomos: viram uma estrela e foram, por isso, até a região onde nascera Jesus, dito o Cristo.
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 14/36 De onde vieram seus nomes? Ainda segundo os historiadores, por volta de 800 anos depois do nascimento de Jesus, é que eles ganharam nomes e locais de origem! Mais uma ‘adaptação’!  Belchior  rei da Pérsia: ‘Meu Rei é Luz’;  Baltazar  rei da Arábia: ‘Deus manifesta o Rei’ e  Gaspar  rei da Índia: ‘Áquele que vai inspecionar’. O livro sagrado dos cristãos não há qualquer menção quanto à data 6 de janeiro, mas uma vez instituído o nascimento do menino, 25 de dezembro, é de se supor já se havia passado algum tempo por causa da distância... Outro ‘belo chute’! Aliás ‘bela caminhada’ de uns 11 dias perseguindo uma, certamente vagarosa, estrela... A tradicional crença de que Jesus foi visitado quando do seu nascimento não é consensual entre todos os pesquisadores bíblicos. Existem os que aceitam que Jesus já possuía uma certa idade. Essencialmente há quatro linhas de evidência para acreditar que Jesus já não era mais um bebe quando recebeu a visita dos, perdoem, três reis magos:  a tradução para o texto de Mat. 2.11 usa a expressão "uma criancinha", "um menino", e não um bebê;  em diversas traduções de respeito é citado que quando Jesus foi encontrado estava em uma casa e não em uma manjedoura;  o fato de Herodes mandar matar as crianças de até dois anos e, por último,  o fato de Maria ter dado apenas dois pássaros no templo como contribuição pelo nascimento do menino, o que a identificava como muito pobre, e não parte dos presentes que supostamente já teria ganho, já que na visita ela, através de seu filho, ganhou ouro e outros itens valiosos Da revista Super Interessante, janeiro/2002, extraímos (08/2010) o seguinte texto: (http://super.abril.com.br/superarquivo/index_superarquivo.shtml) Quem hoje for visitar a catedral de Colônia, na Alemanha, será informado de que ali repousam os restos dos reis magos. De acordo com uma tradição medieval, os magos teriam se reencontrado quase 50 anos depois do primeiro Natal, em Sewa, uma cidade da Turquia, onde viriam a falecer. Mais tarde, seus corpos teriam sido levados para Milão, na Itália, onde permaneceram até o século 12, quando o imperador germânico Frederico dominou a cidade e trasladou as urnas mortuárias para Colônia. "Não sei quem está enterrado lá, mas com certeza não são eles", diz o teólogo Jaldemir Vitório, do Centro de Estudo Superiores da Companhia de Jesus, em Belo Horizonte. "Mas isso não diminui a beleza da simbologia do Evangelho de Mateus ao narrar o nascimento de Cristo." Mesmo com todos os fatos bem à mostra as mentiras continuam... E muitos ainda crendo nelas! “Vivemos num mar de mentiras verdadeiras e verdades fictícias.” (Jesus Rocha)
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 15/36 NOTAS: [I ] Uma outra possível grafia é Melquior. [II] Certamente a resina da mirra a qual se obtém dos seus caules é usada na preparação de medicamentos, devido a suas propriedades antissépticas (fonte, inclusive a imagem da árvore: http://pt.wikipedia.org – 8/2010). [III] E foi também Nicodemos (aquele que anteriormente se dirigira de noite a Jesus), levando quase cem arráteis de um composto de mirra e aloés. Tomaram, pois, o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com as especiarias, como os judeus costumam fazer, na preparação para o sepulcro. [IV] Suba a minha oração perante a tua face como incenso, e as minhas mãos levantadas sejam como o sacrifício da tarde. Material assinado pelo Ir Aquilino R. Leal, engenheiro eletricista, professor universitário, iniciado em 03 de setembro de 1976 no Templo Tiradentes (São Cristóvão – Rio de Janeiro - Brasil), elevado em 28 de abril de 1978 e exaltado em 23 de março de 1979 ocupando o veneralato em 05 de julho de 1988. É fundador de duas Lojas Maçônicas, entre elas a Loja Stanislas de Guaita 165 – Rio de Janeiro, ambas trabalhando no REAA e às terças-feiras. Colaborador permanente, desde março de 2013, com duas colunas mensais, do mensário espanhol RETALES DE MASONERÍA.
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 16/36 Irmão Mário Jorge Neves Médico, escritor, pesquisador e palestrante. Membro da R L Salvador Allende do Grande Oriente Lusitano (GOL), Lisboa. O “Compagnonnage” e o nascimento do Sindicalismo Foi a partir do século XII mas, essencialmente, no decurso dos séculos XV e XVI que se assistiu ao despontar do “ Compagnonnage du Tour” em França. A par com a sua acção de defesa dos interesses dos operários, ele afrontou as corporações dos mestres. Foi, então, que proliferaram as interdições do poder civil que não conseguiram atingir, apesar de tudo, toda a extensão dos seus efectivos. Apesar dos regulamentos e das disposições que lhes proibiam o abandono do seu mestre sem o acordo deste e o poderem circular livremente, os operários do artesanato que pretendiam instruir-se no seu ofício e melhorar os seus salários, organizaram-se clandestinamente. É nessa época que nasceram os primeiros companheiros pertencendo a uma sociedade conhecida pelo nome de “Dever”. Desafiando as poderosas corporações e, por via disso, o reino da França, o 4 – O “Compagnonnage” e o nascimento do Sindicalismo Mário Jorge Neves
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 17/36 Compagnonnage desencadeou a permanente hostilidade da Igreja Católica. Praticar certas cerimónias durante a recepção de novos membros, ter sinais e palavras de reconhecimento, a presença de um ritual, de um simbolismo, de um segredo do ofício, tudo contribuiu para suscitar uma permanente desconfiança no seio da Igreja. No século XVIII, existiam duas categorias de companheiros: os companheiros do “Dever”, o rito de Jacques e de Soubise, essencialmente ligados à religião católica, e os que eram qualificados como “ não do Dever”, agrupando numa larga maioria os companheiros protestantes. As diversas sociedades de companheiros adquiriram um grande poder, podendo impedir a contratação e a colocação de qualquer operário, o que constituía, para alguns, um grave risco para a economia de uma cidade. Foi no início do século XV, durante as obras da Catedral de Orléans que o Compagnonnage permaneceu largo tempo dividido entre protestantes e católicos, surgindo frequentes lutas e querelas entre as facções, por vezes sangrentas. Colocou-se, então, a questão de procurar analisar qual a razão porque uma elite operária que proclamava valores como a honra, a fraternidade e a fidelidade se deixou arrastar para querelas intestinas que frequentemente degeneraram em confrontos sangrentos e mortíferos. Há que ter presente o contexto da época, em que o “ Tour de France” se efectuava a pé, sendo estes companheiros homens jovens, bem constituídos fisicamente, com grande orgulho e com um carácter bem marcado, que não receavam um confronto com qualquer um que pretendesse impedir o seu caminho ou para defenderem as suas convicções religiosas ou profissionais. As rixas eram muito numerosas, principalmente nas grandes cidades, onde surgiam confrontos entre corporações, entre “Deveres” e mesmo entre ofícios por questões fúteis
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 18/36 de antecedentes, de vaidades e de amor próprio. Se a religião serviu, na realidade, de primeiro pretexto para as querelas e rixas, certas corporações lutaram contra uma sociedade rival menos nobre e menos antiga, não somente por uma atitude de simples supremacia e de orgulho, mas sobretudo para a garantir a necessidade vital de preservar o monopólio do trabalho e da colocação dos seus companheiros. É necessário lembrar que na Idade Média os operários companheiros podiam tornar-se patrões, mas a partir do século XVI e sobretudo no século XVIII esta possibilidade deixou de existir. No entanto, eles só desencadearam greves por questões salariais e de benefícios materiais precisos, tendo por consequência, às vezes, a interdição da da sua oficina, a colocação numa lista tipo “índex” ou, até, a destruição da própria oficina. Em 2 de Março de 1791, em plena revolução, o decreto de Allarde aboliu as corporações e em 14 de Junho desse mesmo ano a lei “Le Chapelier” reforçou essa disposição e proibiu qualquer associação profissional, assim como o direito à greve. Após o período sangrento da revolução, as Compagnonnages reapareceram imediatamente. Apesar da lei “Le Chapelier” a sua força e a sua organização atemorizaram os mestres que levaram o governo a votar uma lei que estabeleceu a obrigação de uma espécie de registo ou carteira profissional para os operários no estabelecimento dos contratos e proibindo todas as coligações contra os mestres. O operário independente não podia beneficiar de todas as numerosas vantagens fornecidas pelo Compagnonnage: caixa de socorro em caso de doença ou de acidente, facilidade de contratação, formação profissional onde aprendia um bom ofício e onde se aperfeiçoava nos seus conhecimentos e uma escola de vida onde aprendia a estimar-
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 19/36 se. Existiam ligações de fraternidade, de solidariedade e de elevação moral nos “Deveres”. A seguir ao período da revolução e com a restauração, durante o reinado de Carlos X, os movimentos operários foram interditos e o Compagnonnage regressou à clandestinidade. Sob o reinado de Luís Filipe d’ Orléans ( 1830/1848) uma sociedade de antigos companheiros foi fundada em Albi em 1831. Uma lei emitida em 9 de Abril de 1834 proibiu qualquer associação com mais de 20 membros. Entretanto, surgiu uma personagem chamada Agricol Perdiguier que publicou, em 1839, uma obra com o título “ Le livre du Compagnonnage”, cujo objectivo principal foi conciliar o conjunto dos diferentes ritos dos companheiros. Ao acontecimentos que Perdiguier abordou ao longo da sua obra, as reflexões que formulou são de um companheiro desejoso de juntar os seus irmãos em torno das suas ideias reformadoras. Em Março de 1848, com o advento da II República, um decreto limitou a jornada de trabalho a 10 horas diárias. Em Agosto do mesmo ano, outro decreto restabeleceu o direito de reunião e de associação, mas as reuniões das sociedades secretas permaneceram interditas. As cisões e os conflitos entre as várias organizações de companheiros continuaram a verificar-se. Em Abril de 1843, Perdiguier participou na elaboração de uma proposta de uma “constituição companheirística”, fraternal e social. Somente 8 corporações se pronunciaram a favor da união, 7 recusaram e 20 abstiveram- se.
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 20/36 Constitui-se, assim, a “sociedade de deveres reunidos”. Perdiguier foi iniciado maçon em 1846, assim como um razoável número de companheiros nessa época. Desde 1850, o declínio do Compagnonnage acelerou-se, dilacerado a partir do seu interior, onde, por exemplo, os aprendizes não suportavam mais os vexames e o despotismo dos mais antigos. Ao longo da sua existência o Compagnonnage foi a única organização a tomar em consideração os interesses morais e materiais dos operários, protegendo-os dos abusos patronais, reivindicando melhores condições de trabalho e exigindo salários justos. Para assegurar uma distribuição do trabalho de cidade em cidade e de província em província, o Compagnonnage criou uma “bolsa de trabalho”. Pode afirmar-se que o Compagnonnage foi o sindicalismo antes dos sindicatos. Ele é o antepassado de todos os movimentos populares e de todos os organismos sociais. Foi ele que criou as mutualidades, as cooperativas, as caixas de empréstimos e de reforma, os organismos de crédito. O nascimento do Sindicalismo O Compagnonnage integrou um grande número de operários através de uma adesão imprudente, acolhendo nas suas fileiras homens que só procuraram o benefício material, sem adoptar o espírito da instituição. As cisões apareceram e as leis morais e iniciáticas foram cada vez mais objecto de incumprimento. A palavra “sindicato” é atribuída ao Compagnonnage. Já em 1730, o governador de Montpellier redigiu uma ordem relativa aos companheiros marceneiros onde afirmava que “… eles empreenderam fazer um sindicato entre eles…
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 21/36 ei-los todos juntos contra os mestres”. Entre 1852 e 1864, a maquinaria foi substituindo o trabalho manual e esta “aristocracia do trabalho” viu os seus poderes diminuídos, mostrando que o Compagnonnage estava mal preparado para enfrentar a concentração industrial. Em 1863, surgiu a nova fórmula “ Câmara Sindical Operária”, dando origem a uma nova força: o sindicalismo. Em 1870, as câmaras sindicais uniram-se numa federação nacional. Em 1876, após vários congressos, foi votado em Arras um projecto por um sindicalismo autónomo e independente do patronato, do Estado e dos partidos políticos. Em 1895, em Limoges, foi criada a Confederação Geral do Trabalho. Mário Jorge Neves Referências bibliográficas: - Agricol Perdiguier, le symbole (Initiations Magazine, Abril/Mai 2009) - Origine du syndicalisme (Initiations Magazine, Abril/Mai 2009)
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 22/36 Irmão José Anselmo Cícero de Sá (33º. REAA- 48 anos de Maçonaria) M I da Loja Estrela da Distinção Maçônica, 953 (GOB/GOERJ) Academia de Artes, Ciências e Letras do Estado do Rio de Janeiro Cadeira nr. 29 - Patrono: Quintino Bocaiuva – REMINISCÊNCIAS MAÇÔNICAS DE “D. PEDRO I” Estas reminiscências têm o seu início no dia 17 de junho de 1822, quando os maçons do Rio de Janeiro se reuniram em Sessão Magna extraordinária, presidida pelo Irmão João Mendes Viana (Graccho), Venerável Mestre da Loja Comércio e Artes na Idade do Ouro, única até então existente e regular no Rio de Janeiro, para a criação e instalação do Grande Oriente Brasílico ou Grande Oriente do Brasil. Escolhendo (Pitágoras) como Grão-Mestre Da ata da nona sessão do Grande Oriente do Brasil, realizada em 02 de agosto de 1822 consta ter o Grão-Mestre da Ordem Maçônica proposto para ser iniciado nos mistérios da Ordem, Sua Alteza Príncipe Regente do Brasil e seu defensor perpétuo. Aprovada de forma unânime, D. Pedro I foi imediata e convenientemente comunicado, que se dignando aceitá-la, compareceu na mesma sessão, sendo iniciado conforme prescrevia a liturgia maçônica. Para a historiografia maçônica, a 17ª sessão do Grande Oriente do Brasil se reveste de um significado particular. Realizada em 04 de outubro de 1822, D. Pedro I foi aclamado Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil (exatamente a dois meses e dois dias após a sua Iniciação), em substituição a José Bonifácio de Andrada e Silva. A sessão foi presidida pelo Grande Mestre Adjunto (Diderot). E no dia 21 de outubro de 1822, D. Pedro determinou a interrupção das atividades maçônicas, afiançando a Gonçalves Ledo que a suspensão seria breve nos seguintes termos: "Meu Ledo. Convindo fazer certas averiguações, tanto públicas como particulares na Maçonaria, mando: primo como Imperador, segundo como Grão-Mestre, que os trabalhos Maçônicos se suspendam até segunda ordem minha. É o que tenho a participar-vos; agora resta-me reiterar os meus 5 – Reminiscências Maçônicas de “D.Pedro I” José Anselmo Cícero de Sá
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 23/36 protestos como Irmão. Pedro Guatimozim Grão-Mestre. Post. Scriptum: “Hoje mesmo deve ter execução e espero que dure pouco tempo a suspensão, porque em breve conseguiremos o fim que deve resultar das averiguações”. De fato, quatro dias depois, em 25 de outubro de 1822, Pedro Guatimozim, era assim que o Imperador assinava sua correspondência maçônica, determinando o fim da suspensão dos trabalhos em função do término das averiguações: "São Cristóvão, 25.10.1822. Meu Irmão – tendo outro dia suspendido nossos augustos trabalhos pelos motivos que vos participei, e achando-se hoje concluídas as averiguações, vos faço saber que segunda-feira que vem, os nossos trabalhos devem recobrar o seu antigo vigor, começando a abertura pela Loja em Assembléia Geral. É o que tenho a participar-vos para que, passando as necessárias ordens, assim o executeis. Queira o Supremo Arquiteto do Universo dar-vos fortunas imensas como vos deseja o – Vosso Irmão – Pedro Guatimozim – Grão-Mestre – Rosa Cruz". Esses sãos os fatos históricos que julgamos bem apresentar a título de reminiscências, que estão narrados no Boletim do Grande Oriente do Brasil (Rio de Janeiro, ano 48, 1923, p. 690/691 e 917) e Arquivo da Casa Imperial do Brasil (Cartas de D. Pedro I a Joaquim Gonçalves Ledo). São Cristóvão, 21/10/1822 e 25/10/1822. Registro citado por Alexandre Mansur Barata, (in Maçonaria, Sociabilidade Ilustrada & Independência do Brasil (1790-1822), com adaptações. Os relatos dos historiadores maçons comprometidos com a Ordem e não-maçons não destoam, melhor, se coadunam com o histórico indigitado. O escopo desta reminiscência é reverenciar a memória de D. Pedro, o primeiro Imperador do Brasil que, ao ser Iniciado Maçom, adotou o nome histórico de Guatimozim, em homenagem ao último Imperador das Astecas na região de Anahuac (área do atual México) e que depois de supliciado, foi amarrado e lançado sobre brasas até morrer, em 1522, pelos invasores espanhóis comandados por Hernan Cortez. Simbolicamente, D. Pedro I considerou-se, à semelhança de Guatimozim, disposto a sacrificar-se pelo Brasil, honrando o título de Defensor Perpétuo do Brasil, que o Grande Oriente Brasílico ou Brasiliano lhe concedera em 13 de maio de 1822. Fica aqui o nosso primeiro registro curioso. O nome Guatimozim, entrementes, era o nome histórico adotado por (Martim Francisco Ribeiro de Andrade), irmão carnal e maçônico de José Bonifácio, e que perfilava ao lado de Falkland (Antônio Carlos Ribeiro de Andrade), Tibiriçá (José Bonifácio de Andrade e Silva), Caramuru (Antônio Telles da Silva), Aristides (Caetano Pinto de Miranda Montenegro) e Claudiano (Frei Francisco Sampaio de Santa Tereza de Jesus Sampaio) nas alas maçônicas e registros do Apostolado e da Nobre Ordem dos Cavaleiros da Santa Cruz. Ademais, no Recife existia uma Loja Maçônica denominada Guatimozin, fundada em 1816 e que em 1821 mudou o seu nome para "Loja 6 de Marco de 1817", em homenagem aos maçons sacrificados na gloriosa Revolução Pernambucana de 1817.
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 24/36 A historiagrafia maçônica, contudo, passa ao largo da preferência de D. Pedro pelo nome heróico de Guatimozim. Outro registro nos remete ao restabelecimento dos trabalhos maçônicos na forma ordenada por D. Pedro I. E estes, contudo, não foram reencetados, haja vista que a 02 de novembro de 1822, José Bonifácio determinou uma devassa contra os maçons do "Grupo do Ledo", no episódio que ficou conhecido como "Bonifácia". As razões ainda são pouco claras, ao que tudo indica o fato de D. Pedro ter sido aclamado Grão-Mestre numa sessão presidida por Joaquim Gonçalves Ledo foi interpretado como um golpe maçônico ao "Grupo do Bonifácio", e os ânimos entre os grupos (azul e vermelho) que se mostravam em acirramento crescente desde o episódio que resultou em repreensão ao Frei Francisco Sampaio mostravam-se mais radicalizados com a eleição de D. Pedro para o cargo de Grão-Mestre em substituição a José Bonifácio que não compareceu a sessão em que D. Pedro tomou posse, como de resto, não compareceu a nenhuma sessão importante e até mesmo foi colocado no cargo sem ser consultado, mas não foi totalmente tirado da diretoria, porque ainda era ministro de D. Pedro e continuava a exercer o cargo de Grão-Mestre Adjunto e Lugar-Tenente de D. Pedro no Apostolado. O clima realmente esquentou quando o "Grupo do Ledo" tentou impor a D. Pedro, por ocasião da sua aclamação a Imperador do Brasil, em 12 de outubro de 1822, um juramento prévio da Constituição que seria elaborada pela Assembléia Geral Constituinte e Legislativa convocada pela circular de 17 de setembro de 1822. Tal fato desagradou profundamente ao "Grupo do Bonifácio" e ao próprio D. Pedro I, daí a interrupção dos trabalhos ordenada por este, para as "averiguações procedimentais", na forma narrada. A abertura da "devassa" ordenada por José Bonifácio, dois dias depois da autorização emanada do Imperador e Grão-Mestre para o recomeço das atividades maçônicas, ocorreu depois que os Andradas (José Bonifácio e Martim Francisco) colocaram seus cargos de ministros à disposição do Imperador. Tão logo a notícia tornou-se conhecida no meio maçônico, iniciou-se um movimento no sentido de fazer o Imperador reintegrar os Andradas, o que acabou acontecendo. Reintegrados e fortalecidos pelas manifestações favoráveis, José Bonifácio desencadeou violenta repressão aos maçons identificados com a liderança de Joaquim Gonçalves Ledo e esse conjunto de fatos ficou conhecido como "Bonifácia". O devassado, Joaquim Gonçalves Ledo fugiu para a Argentina com o auxílio do Cônsul da Suécia. José Clemente Pereira foi preso e depois deportado em 30 de dezembro de 1822 para Havre, na França, em companhia de Januário da Cunha Barbosa, e posteriormente, os dois foram para Londres. Outros maçons foram presos e depois libertados. As lojas encerraram seus trabalhos e o Grande Oriente do Brasil fechado, deixando os maçons em polvorosa. Com a cissura, o fechamento do Grande Oriente do Brasil e sem oposição, os anti- maçons recrudesceram em campanhas, fazendo com que a Maçonaria aparecesse como
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 25/36 inimiga do Imperador e do Trono, constituindo uma memória da Independência cada vez mais distante dos maçons e da Maçonaria. E a única voz que se ouvia bradar na imprensa era a do brigadeiro e maçom Domingos Alves Branco Moniz Barreto (Sólon) em seu jornal "Despertador Constitucional". O que se registra no meio maçônico, contudo, e em que pese o fechamento do Grande Oriente do Brasil, é que muitos maçons continuaram a se reunir às escondidas enquanto as lojas cerraram suas portas, atas e documentos maçônicos eram destruídos por todo o Brasil, à exceção de Pernambuco, onde as Lojas funcionavam e os maçons se reuniam em oposição às determinações do Rio de Janeiro, e até conduziram os preparativos do movimento que ficou conhecido como um dos momentos marcantes dos tempos de ouro da maçonaria pernambucana. Outra curiosidade marcante fica por conta de dois fatos. O primeiro, D. Pedro em 20 de julho de 1822, portanto, doze dias antes de ser iniciado, enviou um bilhete a José Bonifácio no qual tratava da Província da Bahia, convulsionada e resistente à Regência do Rio de Janeiro. Anote os termos maçônicos usados. Dizia o Príncipe Regente: "O Pequeno Ocidente toma a ousadia de fazer presente ao Grande Oriente, duas cartas da Bahia e alguns papéis periódicos da mesma terra há pouco vindas. Outro fato singular refere-se a possibilidade do Príncipe Regente D. Pedro pertencer ao Apostolado da Nobre Ordem dos Cavaleiros da Santa Cruz, sociedade secreta de fins maçônicos, fundada em 2 de junho de 1822 por José Bonifácio. O atesto é feito por Castellani ao citar Rio Branco em nota à "História da Independência do Brasil" de Vernhagem: "D. Pedro já pertencia, como ficou dito, a uma sociedade secreta, a Nobre ordem dos Cavaleiros de Santa Cruz, denominada Apostolado. Pelo livro das atas que S. M. o Sr. D. Pedro II possui, e figurou na Exposição de História do Brasil, sabe-se hoje que essa sociedade fundada por José Bonifácio começou a funcionar em 2 de junho. D. Pedro era chefe do Apostolado com o título de arconte-rei, sendo José Bonifácio seu lugar-tenente”. Pelo livro do juramento, também exposto em (Castellani, [in História do Grande Oriente do Brasil, p. 70]). O Nóbrega referido poderia ser os maçons Francisco Luiz Pereira da Nóbrega ou Luiz Pereira da Nóbrega de Sousa Coutinho. Procuramos demonstrar que o período de adormecimento da Maçonaria Brasileira, entre 02 de novembro de 1822 e a abdicação de dom Pedro I, em 07 de abril de 1831, não corresponde ao relato propalado por muitos maçons dentro e fora das lojas, seja porque as atividades maçônicas não tenham se encerrado totalmente neste período; seja porque a suspensão dos trabalhos não pode ser responsabilizada a D. Pedro I; seja porque o Grão-Mestre Pedro Guatimozim pouco fez para interromper os trabalhos ou se colocar contra a interrupção; seja porque pertencia ao apostolado cujas reuniões suspendeu pessoalmente, ou seja, porque sofreu a oposição dos maçons que resultou em sua abdicação ao Trono Brasileiro. A suspensão ocorreu por conta da
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 26/36 dissensão interna que confrontava o Grupo do Ledo ao Grupo do Bonifácio e às questões políticas havidas no seio da Maçonaria. Em relação aos trabalhos maçônicos, Castellani escreveu que pelo menos a Loja 6 de Março de 1817, do Recife, fundada em 1821, continuou funcionando, sob a proteção de maçons americanos, já que foi instalada e regularizada pelo Grande Oriente de Nova Iorque. A ela ajuntou-se, em 1823, a Sociedade Carpinteira, de moldes e finalidades maçônicas. Por ocasião da revolta de 1824, todavia, ela foi obrigada a entrar em recesso. No terreno político institucional, o principal fato foi, exatamente, o movimento revolucionário de 1824, que visava a congregar sob regime republicano – na chamada Confederação do Equador – as províncias do Nordeste, que se haviam rebelado contra os atos de D. Pedro I. E mais adiante assevera que de 1824 a 1829, pouco se sabe sobre a atividade maçônica. Parece, todavia, que, em 1825, alguns maçons mais corajosos, revolveram enfrentar a perseguição que sofriam, fundando um Quadro itinerante, denominado "Vigilância da Pátria", que, posteriormente, seria repartido em dois novos quadros, "União" e "Sete de Abril", para formar o Grande Oriente Brasileiro, que precedeu a reinstalação do Grande Oriente do Brasil (Castellani, ob. cit. p. 75/76). De Irmão para Irmão As publicidades veiculadas no JB News são cortesia deste informativo, como apoio aos irmãos em suas atividades profissionais. Valorize-os, preferindo o que está sendo anunciado.
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 27/36 Este Bloco está sendo produzido pelo Irmão Pedro Juk, às segundas, quartas e sextas-feiras Sinal na marcha Em 24/05/2016 o Respeitável Irmão Valmir Pratas Guimarães, Orador da Loja Luz e Caridade, 0525, REAA, GOB-MG, Oriente de Uberlândia, Estado de Minas Gerais, formula a seguinte questão: valmir.guimaraes@uol.com.br Ontem tivemos uma sessão de Grau 3 para instruções aos novos Mestres. Na página 40 do ritual do 3º Grau, assim descreve como deve ser feita a Marcha de Mestre Maçom: “Inicia-se com o Sinal de Aprendiz e dá-se os passos de Aprendiz; passa-se DIRETAMENTE (grifo meu) para o Sinal de Companheiro e executa-se os Passos de Companheiro...” Ai nesse DIRETAMENTE ficou a duvida, alguns Irmãos entendem que passar diretamente para o Sinal de Companheiro deve ser feito sem desfazer o Sinal de Aprendiz pelo Sinal Penal. Eu entendo que para passar para o Sinal de Companheiro é necessário desfazer pelo Sinal Penal, o Sinal de Aprendiz e depois logo em seguida (diretamente) fazer o Sinal de Companheiro. Gostaria de seus préstimos para nos orientar qual o procedimento correto. 6 – Perguntas & Respostas Pedro Juk Não esqueça: envie sua pergunta identificada pelo nome completo, Loja, Oriente, Rito e Potência.
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 28/36 Considerações: O Irmão está coberto de razão. Infelizmente, ainda existe a turma que busca a complicação – esses geralmente ficam a inventar procedimentos. Ora, obviamente que quando se compõe um Sinal é necessário desfazê-lo antes de compor outro, ou mesmo antes de sentar. O ato de desfazer o Sinal está diretamente ligado ao seu título (Gut, Cord ou Ventr). É regra consuetudinária que ao se desfazer um Sinal do Grau, o fazemos pela pena simbólica (vide o juramento). Não se vai diretamente de um para outro sem que antes o anterior esteja finalizado. Assim, no caso da Marcha (única situação que se anda com o Sinal), o termo “diretamente” é para que não se faça saudação às Luzes, já que esta só acontece ao final dos passos do Grau. A regra é por primeiro se desfazer um Sinal para em seguida se compor outro. Outro aspecto para se considerar é que nem sempre o gesto de se desfazer um Sinal significa que se esteja saudando alguém. O que existe realmente é a saudação pelo Sinal e isso denota em Maçonaria que quando cumprimentamos alguém em Loja o fazemos pelo Sinal, todavia nem sempre fazer o Sinal significa saudar. Afinal, o significado de um Sinal maçônico é muito mais profundo do que um gesto de cumprimento. Finalizando, o termo “diretamente” vem do adjetivo “direto” que, nesse caso, significa “de imediato”, isto é, muda-se o Sinal de imediato para outro Sinal (desfaz primeiro um e de imediato compõe outro). T.F.A. Pedro Juk jukirm@hotmail.com Ago/2016. Exegese Simbólica para o Aprendiz Maçom I Tomo - Rito Escocês Antigo e Aceito e Trabalhos de Emulação Autor – Ir. Pedro Juk - Editora – A trolha, Londrina 2.012 – Segunda Edição. www.atrolha.com.br - Objetivo – Introdução a interpretação simbólica maçônica. Conteúdo – Resumo histórico das origens da Maçonaria – Operativa, Especulativa e Moderna. Apreciação – Sistema Latino e Inglês – Rito Escocês Antigo e Aceito e Trabalho de Emulação. Tema Central – Origens históricas do Painel da Loja de Aprendiz e da Tábua de Delinear. Enfoque – Exegese do conteúdo dos Painéis (Ritualística e Liturgia, História, Ética e Filosofia). Extenso roteiro bibliográfico. https://www.trolha.com.br/loja/
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 29/36 (as letras em vermelho significam que a Loja completou ou está completando aniversário) GLSC - http://www.mrglsc.org.br GOSC https://www.gosc.org.br Data Nome Oriente 01/01/2003 Fraternidade Joinvillense Joinville 26/01/1983 Humânitas Joinville 31/01/1998 Loja Maçônica Especial União e Fraternidade do Mercosul Ir Hamilton Savi nr. 70 Florianópolis (trabalha no recesso maçônico) 11/02/1980 Toneza Cascaes Orleans 13/02/2011 Entalhadores de Maçaranduba Massaranduba 17/02/2000 Samuel Fonseca Florianópolis 21/02/1983 Lédio Martins São José 21/02/2006 Pedra Áurea do Vale Taió 22/02/1953 Justiça e Trabalho Blumenau GOB/SC – Data Nome da Loja Oriente 11.01.1957 Pedro Cunha nr. 11 Araranguá 18.01.2006 Obreiros de Salomão nr. 39 Blumenau 15.02.2001 Pedreiros da Liberdade nr. 79 Florianópolis 21.02.1903 Fraternidade Lagunense nr. 10 Laguna 25.02.1997 Acácia Blumenauense nr. 67 Blumenau 25.02.2009 Caminho da Luz nr. 99 Brusque 7 – Destaques (Resenha Final) Lojas Aniversariantes de Santa Catarina Mêses de janeiro e fevereiro
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 30/36 http://www.gob-sc.org.br/gobsc Data Nome Oriente 07.01.77 Prof. Mâncio da Costa - 1977 Florianópolis 14.01.06 Osmar Romão da Silva - 3765 Florianópolis 25.01.95 Gideões da Paz - 2831 Itapema 06.02.06 Ordem e Progresso - 3797 Navegantes 11.02.98 Energia e Luz -3130 Tubarão 29.02.04 Luz das Águas - 3563 Corupá Benção "Que vocês tenham pensamentos puros e positivos para os outros e assim transformem o negativo em positivo. Para permanecer poderosos, lembre-se de duas coisas: pensamentos puros para o eu e pensamentos positivos para os outros. Se vocês não têm pensamentos positivos para si então vocês não podem ter pensamentos positivos em relação aos outros. No momento atual prestem atenção a estes dois aspectos porque as pessoas não estão entendendo através de palavras. Procurem dar a elas as vibrações dos seus pensamentos puros e positivos e elas mudarão." Brahma Kumaris Meditações, Palestras e Artigos clique aqui Conheça também: Editora BK | Outras mensagens Para indicar o recebimento dessas mensagens a um colega, favor sugerir que acesse www.bkumaris.org.br/cadastro A Organização Brahma Kumaris respeita sua privacidade. Caso você não deseje mais receber as mensagens, clique na expressão “remova aqui”, abaixo. Elas podem estar sendo enviadas diretamente por nós (remetente mensagens@bkumaris.org.br) ou reenviada por terceiros; no nosso caso, garantimos a descontinuidade no recebimento. José Aparecido dos Santos TIM: 044-9846-3552 E-mail: aparecido14@gmail.com Visite nosso site: www.ourolux.com.br "Tudo o que somos é o resultado dos nossos pensamentos".
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 31/36 LOJA MAÇÔNICA ESPECIAL União e Fraternidade do Mercosul Ir∴ Hamilton Savi nº 70 RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO – GOSC/COMAB FUNDADA EM 31/01/1998 À GDGADU Orde Florianópolis, aos 20 dias do mês de dezembro do ano de 2016 E∴V∴ Ofic. 003/2016 A Todos os Homens Livres e de Bons Costumes Programação – Loja União e Fraternidade do Mercosul - Hamilton Savi nº 70 - Mês de Janeiro de 2017 Dia 09/01/2017: Abertura dos trabalhos com leitura do ato do GM nomeando a Administração da Loja para o ano 2017. Palavra do Grande Oriente de Santa Catarina – GOSC Palestra do eminente Ir. Kennyo Ismail – Editor-chefe da revista “Ciência & Maçonaria”, a primeira revista acadêmico-científica dedicada ao estudo da Maçonaria na América do Sul, vinculada ao NP3/CEAM/UnB; professor do curso de pós-graduação em História da Maçonaria pela UnyLeya; e membro da Academia Maçônica de Letras do Distrito Federal, ocupando a cadeira No.33. Palestrante conhecido no meio maçônico é autor de diversos artigos publicados em várias revistas e sites maçônicos no Brasil e em outros países. Foi revisor técnico e prefaciou a edição brasileira do best-seller internacional Freemasons for Dummies (Maçonaria para Leigos), publicado pela AltaBooks (2015); traduziu e comentou a obra “Ahiman Rezon – A Constituição dos Maçons Antigos”, publicado pela A Trolha (2016); e é autor dos livros: “Desmistificando a Maçonaria” (2012), “O Líder Maçom” (2014), e “Debatendo Tabus Maçônicos” (2016). Dia 23/01/2017: Palestra do eminente Ir.: Gean Marques Loureiro, Prefeito eleito da Capital de Santa Catarina. Mestre instalado da ARLS Samuel Fonseca nº 79 - GOSC Informamos que as sessões da Loja Mercosul Hamilton Savi nº 70 serão realizadas no Templo da Loja Ordem e Trabalho nº 3, Or. de Florianópolis, Situado próximo à UFSC – Serrinha. AV. DESEMBARGADOR VITOR LIMA. 550, com inicio às 20:00hs Grande Abraço Ir.: EMÍLIO CÉSAR ESPÍNDOLA V.: M.: (048)32445761 - (048)999824363 emilioespindola@yahoo.com.br
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 32/36 Ir Marcelo Angelo de Macedo, 33∴ MI da Loja Razão e Lealdade nº 21 Or de Cuiabá/MT, GOEMT-COMAB-CMI Tel: (65) 3052-6721 divulga diariamente no JB News o Breviário Maçônico, Obra de autoria do saudoso IrRIZZARDO DA CAMINO, cuja referência bibliográfica é: Camino, Rizzardo da, 1918-2007 - Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014 - ISBN 978-85.370.0292-6) Dia 6 de janeiro: Abraço Entre os maçons, quando do encontro, além do aperto de mão caloroso, há o fraternal tríplice abraço. Porque chamaria muita atenção, esse abraço tríplice é dado apenas nas dependências da Loja. Trata-se de um cerimonial místico, culminando pelas "pancadas" dadas nas costas. É uma postura dinâmica com reflexos espirituais, relembrando o significado da trilogia, os juramentos feitos e recordando que, após a cerimônia da Iniciação, recebeu do Venerável Mestre o seu primeiro tríplice abraço. Entre os dois Irmãos há uma permuta de energias, de extremoso amor fraterno, de sentir o "corpo a corpo" benéfico, simbolizando a união de todos os maçons que se encontram em suas respectivas Lojas. Quando no mundo profano, dada a impossibilidade desse abraço, afora os que não se importam de enfrentar a crítica, o maçom não estará só; sempre encontrará alguém de sua família a lhe dar forças nos momentos de desânimo e tristeza. Essas benesses devem ser cultivadas por todos os maçons, reforçando, assim, a própria Ordem. Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 25.
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 33/36 Do Museu Maçônico do GOF - Paris – Templo destruído em tempos difíceis PUTZ!!!!!
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 34/36 (pesquisa e arquivo JB News, vídeos da internet e colaboração de irmãos - fontes: Google) 1 – Você já visitou a Patagônia? Este lugar é maravilhoso! 2 – Hora do Teste: Você reconhece essas imagens? 3 – Nilo Amaro e seus cantores de ébano: https://www.youtube.com/watch?v=gxwoNjz6ceI 4 – China China.pps 5 – Austria: Austria.pps 6 - München - Alemanha: https://www.youtube.com/watch?v=-mF-fs8kdDM 7 - Filme do dia: “Charlie Chaplin – Dia Chuvoso” – https://www.youtube.com/watch?v=JNHAZfhBofQ
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 35/36 Ir Franklin dos Santos Moura Loja Prof. Hermínio Blackman 1761 Vila Velha – GOB-ES Membro Fundador da ACADGOB-ES Cadeira 22, Patrono Wagner Araújo. Escreve neste espaço às sextas-feiras fsmoura1761@yahoo.com.br O bêbado e o Filósofo O homem exausto, fraco, se entrega ao repetir da taça, enquanto o “inquieto” ora é sofista, ora parnasiano, bebendo gotas do infinito oceano. Sem saber, estão no mesmo jardim, na mesma praça. O filósofo se aproxima e pergunta: Porque se destrói? O bêbado responde: Porque pergunta? Aqui, isso não se assunta. Eu escolho o que me corrói. E o filósofo não desiste e tenta novamente, poderoso de sabedoria, não se intimida. Feliz ano novo! Mude sua vida! Então, recebe um olhar diferente. Sente-se moço e brinde comigo. Hoje bebo pelas respostas que não tive, Pelos lugares que não estive. Solitário é brindar sem um amigo.
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    JB News –Informativo nr. 2.290 – Florianópolis (SC), sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 Pág. 36/36 Saiba amigo, as respostas são casadas com os desejos... Os lugares dos seus sonhos aguardam sua visita. Porém nada se faz a caminho dessa forca esquisita, Bebendo desse jeito, futuro para ti não vejo. O último trago é em sua homenagem... Palavras sábias para tentar salvar esse moribundo, Sou um grão de areia nesse mundo. E devo o mais cedo possível retomar minha viagem. De repente o garçom se aproxima avisando que o bar irá fechar. Cordialmente disse que lamentava vê-lo a noite toda sozinho Triste nos dias de hoje ver alguém perdido no caminho, e por fim perguntou se continuaria bebendo em dois copos até encerrar.