JB NEWS
Informativo Nr. 1.997
Filiado à ABIM sob nr. 007/JV
Editoria: IrJeronimo Borges – JP-2307-MT/SC
Academia Catarinense Maçônica de Letras (Membro)
Loja Templários da Nova Era nr. 91(Obreiro)
Loja Alferes Tiradentes nr. 20 (Membro Honorário)
Loja Fraternidade Brazileira de Estudos e Pesquisas (Correspondente)
Loja Francisco Xavier Ferreira de Pesquisas Maçônicas (Correspondente)
Nesta edição:
Pesquisas – Arquivos e artigos próprios e de colaboradores e da Internet
– Blogs - http:pt.wikipedia.org - Imagens: próprias, de colaboradores e
www.google.com.br
Os artigos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião deste
informativo, sendo plena a responsabilidade de seus autores.
Saudações, Prezado Irmão!
Índice do JB News nr. 1.997 – Florianópolis (SC) – segunda-feira, 21 de março de 2016
Bloco 1–Almanaque
Bloco 2-IrJuarez de Oliveira Castro - Igualdade (Foco & Ação)
Bloco 3-IrRui Bandeira – Mestre de Cerimônias
Bloco 4-IrDanilo Bruno Louro de Oliveira – Moral e Moral Maçônica
Bloco 5-IrCarlos Alberto Carvalho Pires – A Virtude e a Maçonaria
Bloco 6-IrPedro Juk – Perguntas & Respostas – do Ir Lauro Goerll Filho (Cianorte – PR)
Bloco 7-Destaques JB –
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Livros de artigos nos Graus de
Aprendiz, Companheiro e Mestre
Publicados na Revista O PRUMO.
Durante o período de 1970 a 2015.
Pedidos: site http://www.gosc.org.br
Ou pelo telefone: (48) 3952-3300


1 – ALMANAQUE
Hoje é o 80º dia do Calendário Gregoriano do ano de 2016– (Lua Quarto Crescente)
Faltam 286 dias para terminar este ano bissexto
É o 127º ano da Proclamçaõ da República;
194º da Independência do Brasil e
516º ano do Descobrimento do Brasil
Dia Florestal Mundial e dia Internacional
para a Eliminação da Discriminação Racial
Se o Irmão não deseja receber mais o informativo ou alterou o seu endereço eletrônico,
POR FAVOR, comunique-nos pelo mesmo e-mail que recebeu a presente mensagem, para evitar
atropelos em nossas remesssas diárias. Obrigado.
Colabore conosco para evitar problemas na emissão de nossas mala direta diária.
L I V R O S
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 1098 – Fundação da Abadia de Cister
 1188 – Ascensão ao trono do Japão do imperador Antoku.
 1413 – Henrique V torna-se o Rei da Inglaterra.
 1557 – Primeira celebração da Ceia do Senhor sob o rito calvinista no Brasil.
 1800 – Com as lideranças da Igreja impedidas de permanecerem em Roma devido a um conflito
armado, Pio VII é coroado Papa em Veneza com uma Tiara papal provisória feita de papier-mâché.
 1804 – O Código Napoleônico é adotado na França.
 1816 – D. João passa a assinar como D. João VI após a morte de D. Maria I.
 1844
o Início do Calendário bahá'í. Este é o primeiro dia do primeiro ano do calendário bahá'í. Ele é
anualmente celebrado pelos membros da Fé Bahá'í como o Ano Novo Bahá'í ou Naw-Rúz.
o Data originalmente indicada por William Miller para o retorno de Cristo.
 1857 – Um sismo em Tóquio, Japão causa a morte de mais de 100.000 pessoas.
 1871
o Otto von Bismarck é designado para Chanceler do Império Alemão.
o O jornalista Henry Morton Stanley inicia sua jornada para encontrar o missionário e
explorador David Livingstone.
 1918 – Primeira Guerra Mundial:
o Início da Segunda Batalha do Somme;
o Início da ofensiva alemã da primavera, que duraria até 17 de julho. A Operation Michael, que
trouxe poucos resultados positivos, finalmente selou a derrota do Império Alemão.
 1932 – Foi criada no Brasil a carteira de trabalho pelo governo de Getúlio Vargas.
 1935 – O Xá Reza Pahlavi formalmente pede à comunidade internacional para chamar a Pérsia por
seu nome original, Irã, que significa 'Terra dos Arianos';
 1945 – Segunda Guerra Mundial: Tropas britânicas libertam Mandalay, Birmânia.
 1952 – África do Sul anula a Lei de Segregação racial.
 1960 – Apartheid: Massacre de Sharpeville, África do Sul: A polícia abre fogo contra um grupo de
manifestantes negros sul-africanos desarmados, matando 69 e ferindo 180.
 1963
o É fechada Alcatraz, uma prisão federal em uma ilha na Baía de San Francisco.
o O criador de histórias em quadrinhos Maurício de Sousa cria a personagem Mônica.
 1964 – Em Copenhague, Dinamarca, Gigliola Cinquetti vence o nono Festival Eurovisão da Canção
para a Itália cantando "Non ho l'età".
 1965 – Martin Luther King lidera 3.200 pessoas no início da terceira e finalmente bem-sucedida
marcha pelos direitos civis de Selma até Montgomery, Alabama.
 1980 – O Presidente dos Estados Unidos da América Jimmy Carter anuncia um boicote estado-
unidense aos Jogos Olímpicos de Verão de 1980 em Moscou como forma de protesto à Invasão
Soviética do Afeganistão.
 1990 – A Namíbia torna-se independente depois de 75 anos de governo sul-africa no.
 1994 – O filme “A lista de Schindler” de Steven Spielberg recebe sete Óscars.
 1999 – A bordo do Breitling Orbiter III, o suíço Bertrand Piccard e o britânico Brian Jones entram
para a história ao completarem a primeira volta ao mundo sem escalas em um balão de ar quente em
quinze dias, 10 horas e 24 minutos.
 2005 – Sam Nujoma, Presidente da Namíbia desde 1990, é sucedido por Hifikepunye Pohamba.
 2006 – O Twitter é criado por Jack Dorsey, que logo se tornou famoso em todo o mundo.
Eventos históricos - (Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki)
Aprofunde seu conhecimento clicando nas palavras sublinhadas
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1832 Nasce, na cidade de Desterro, Antônio Justiniano Esteves Júnior. Líder republicano dirigiu a propaganda
contra o regime imperial do Rio de Janeiro para a província. Foi representante de Santa Catarina no Senado
da República.
1839 Proclamação, desta data, do presidente da República Sul-riograndense, general Bento Gonçalves da Silva
() dirigida à população do município catarinense de Lages, face a sua adesão ao movimento republicano.
1897 Fundação, nesta data, do Centro Catarinense, no Rio de Janeiro.
1900 Morre, em Pelotas, o marechal Antônio Nicolau Falcão da Frota. Natural de São Miguel, em Santa
Catarina, era veterano do Paraguai.
1934 Instalado, nesta data, o município de Indaial, desmembrado de Blumenau.
1737 Michael Ramsay teria feito seu célebre discurso numa Loja de Paris, afirmando que a Maçonaria
tinha origem na Ordem dos Templários.
1808 Nasce Benito Juarez () patriota mexicano.
1835 Visconde de Inhaúma e Maçons potiguares, fundam a Loja Sigilo Natalense, RN.
1889 Fundado o Supremo Grande Capítulo de Visctória, Austrália.
1972 Fundação da Academia Brasileira Maçônica de Letras, por Morivalde Calvet Fagundes.
1990 Fundação da Loja Luz da Acácia nº 2.586 (GOB/SC) em Jaraguá do Sul.
Fatos históricos de santa Catarina
Fatos maçônicos do dia
(Fontes: “O Livro dos Dias” do Ir João Guilherme - 20ª edição e arquivo pessoal)
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O Irmão Juarez de Oliveira Castro
escreve às segundas-feiras
(48) 9983-1654 (Claro) - (48) 9801-9025 (TIM)
juacastr@gmail.com – http://www.alferes20.net
Igualdade
Há uma variedade imensa de definições de igualdade. Pensamentos diversos sobre a igualdade. Porém, há
uma que me agrada muito que é de Guimarães Rosa: “O importante e bonito do mundo é isso: que as
pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando.
Afinam e desafinam”.
Ora, vejam que a citação acima é muito interessante. As pessoas não foram terminadas e que vão sempre
mudando. Parece que elas foram criadas de uma forma “bruta” e são buriladas no decorrer da vida.
A vida tem várias etapas no desenrolar da existência e, se pararmos para pensar, observamos que vamos
mudando. As pessoas começam a ser desiguais na maneira de serem criadas pelos pais. Uns têm o
privilégio de receberem uma educação esmerada e especial, outros não, recebem a educação da própria
vida, de rua e do meio e ambiente em que são criados, “afinando e desafinando”. Por isso que elas “não
estão sempre iguais”.
E, com efeito, as pessoas ficam sempre mudando de conformidade com o ambiente em que vivem, com a
educação que recebem com as amizades que constroem e com tudo aquilo que estudam e aprendem.
Às vezes, nem a própria lei do país que diz que “todos são iguais perante a lei”, não funciona igual para
todos. Parece que “a igualdade natural ou moral”, como diz Diderot e d’Alembert no tratado
“Igualdade”, “está, pois, fundada sobre a constituição da natureza humana comum a todos os homens;
que nascem, crescem, subsistem e morrem da mesma maneira. Posto que a natureza humana é a mesma
em todos os homens, é claro que segundo o direito natural, cada um deve estimar e tratar aos outros
como outros tantos seres que são naturalmente iguais a ele”.
Concluímos que somos iguais quando crescemos, vivemos e morremos, diferenciando em alguns pontos
influenciados pela natureza e que estamos sempre mudando em razão de que não fomos terminados.
Resumiria: estamos sempre em construção.
Na Maçonaria somos iguais quando estamos em Loja, como diz o Landmark: “Todos os maçons são
absolutamente iguais dentro da Loja, sem distinção e prerrogativas profanas, de privilégios que a
sociedade confere. A Maçonaria a todos nivela nas reuniões Maçônicas”. Isso deveria ser, porque é um
marco, porém nem sempre ocorre, infelizmente.
Veja o que escreveu o Irmão Almir Araújo de Oliveira em sua página “Ponto de Vista Maçônico”: “Nos
Princípios Gerais da Maçonaria temos que a nossa Ordem condena a exploração do homem, bem como
os privilégios e as regalias, mas enaltece o mérito da inteligência e da virtude e o valor demonstrado na
prestação de serviço à Ordem Maçônica, à Pátria e à Humanidade. Combate, de forma intransigente,
toda forma de sectarismo. Conforme preceitua a doutrina maçônica o ser humano deve ser priorizado. A
humildade é uma virtude a ser observada; a arrogância um vício a ser combatido”.
O que devemos fazer é sempre trabalhar em silêncio na construção do nosso ser, ajudando aos outros, e
deixar que o “sucesso” de cada um faça o “barulho”.
E Theodore Rooselvet me ajuda a terminar dizendo que “De longe, o maior prêmio que a vida oferece é a
chance de trabalhar muito e se dedicar a algo que valha a pena”.
2 – Opinião – Igualdade – (Foco & Ação)
Juarez de Oliveira Castro
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Ir. Rui Bandeira
Lisboa - Portugal
Cargos de Loja - Mestre de Cerimônias
No texto sobre o mandato do terceiro Venerável Mestre, fiz, a dado passo, referência ao ofício de
Mestre de Cerimônias. Tendo sempre presente que este blog se destina a ser lido por maçons e por
não maçons, este é um bom pretexto para descrever mais um dos ofícios da Loja, após já ter feito
referência aos de Venerável Mestre e de Vigilantes.
O ofício de Mestre de Cerimônias existe no Rito Escocês Antigo e Aceite (aquele que é praticado
na Loja Mestre Affonso Domingues) e bem pode ser exercido por um mudo. Com efeito, não me
recordo de existir uma única fala especificamente do Mestre de Cerimônias em qualquer das
cerimônias rituais deste rito. Toda a atividade deste Oficial se faz pelo movimento e pelos gestos.
No entanto, este ofício é um dos mais importantes do mencionado rito!
O Mestre de Cerimônias é o oficial de Loja que executa, dirige e conduz todas as movimentações
em Loja. Sempre que qualquer dos elementos da Loja deve circular nela, faz acompanhado pelo
Mestre de Cerimônias (melhor dizendo: seguindo-o). Sempre que a posição ou o estado de um dos
objetos com significado ritual deve ser corrigido, quem efetuar essa ação é o Mestre de
Cerimônias. Cumprindo instrução nesse sentido do Venerável Mestre ou por decisão própria.
O Mestre de Cerimônias é o responsável por toda a circulação no espaço da Loja e,
consequentemente, pela sua fluidez e correção. É ele quem indica por onde se deve ir, para se
fazer o quê.
3 – Mestre de Cerimônias
Rui Bandeira
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O ofício de Mestre de Cerimônias é fundamental na execução do ritual do Rito Escocês Antigo e
Aceite, porque é ele quem marca os ritmos e, assim, quem agiliza ou soleniza cada cerimônia.
Ao contrário do que sucede, por exemplo, no Rito de York, o ritual do Rito Escocês Antigo e
Aceite não é executado de cor: os oficiais que o executam têm o apoio do texto relativo à
cerimônia respectiva. Porém, o Mestre de Cerimônias, porque não tem falas, exerce o seu ofício
sem o apoio do ritual escrito, o que o obriga ao profundo conhecimento do ritual de todas as
cerimônias. Só bem conhecendo o ritual, pode ele estar preparado para executar uma determinada
ação no êxito momento em que é adequado fazê-lo, por saber que, quando determinada frase é dita
por alguém, se seguirá determinada ação que ele deve executar.
A experiência e o conhecimento do ritual do Mestre de Cerimônias pode fazer de qualquer
cerimônia ritual um até corriqueiro ou uma exaltante execução. O Mestre de Cerimônias tem que
saber que intuir, quando deve ser solene e pausado e quando deve acelerar o seu movimento - por
vezes, em função da existência ou não de atraso na execução dos trabalhos...
O Mestre de Cerimônias só aprende o seu ofício de uma maneira: executando-o e corrigindo os
erros e hesitações que lhe detectarem ou que ele próprio detectar. O Mestre de Cerimônias faz a
função, mas também se faz na função.
O símbolo da função do Mestre de Cerimônias - símbolo que ele transporta sempre consegue! - é
o bastão (ver figura), espécie de bordão ou vara de caminheiro com que ele marca o início dos
seus passos e as suas mudanças de direção e que é também utilizado, em conjunto com a espada
de outro oficial, para executar uma abóbada cerimonial, designadamente sobre os mais
importantes símbolos em Loja em momentos-chave da abertura e do encerramento dos trabalhos.
Pode ser substituído por uma versão em tamanho reduzido, de cerca de cerca de meio metro, que,
nesse caso, transportará sobre o antebraço, o que sucede normalmente em cerimônias a que se
pretende conferir maior "pompa e circunstância".
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Danilo Bruno Louro de Oliveira
1º Vigilante ARLS União e Justiça 27, Poções/BA – GLEB
Bel.danilobruno@gmail.com
MORAL E MORAL MAÇÔNICA
A discussão acerca do que seria “moral” e “ética” vem desafiando filósofos durante vários anos,
atravessando diversas correntes de pensamento e gerando acalorados debates, remontando estes à
Grécia Antiga, principalmente aos Mestres Sócrates, Platão e Aristóteles.
Nesta pequena divagação vou tentar explanar acerca do que seria, em meu íntimo, a “Moral” e a
existência de uma possível “Moral Maçônica”.
Gosto de iniciar com definições, pois apesar de ser um termo de uso cotidiano, a generalização
do uso provoca dúvidas e confusão com termos correlatos.
A palavra deriva do latim MORALES, que significa relativo aos costumes, sendo ensinado que a
criação desta palavra seria uma tentativa dos romanos em traduzir a palavra grega “Êthica” (nossa
atual ética), porém perdendo alguns conceitos importantíssimos, assunto este para outro texto.
Pesquisando sobre o tema, logo descobrimos que Moral seria um conjunto de regras que
orientam o comportamento do ser humano em sociedade, limitando-o para que desejos individuais
sejam submetidos a um crivo social, determinando o que seria ou não permitido para manter a coesão
social e possibilitar que o ser humano viva em sociedade.
Tal definição explica como conseguimos domar nossos instintos e sentimentos egoístas em prol
da vida em sociedade, pois esta normatização possuía o desiderato de nos proteger de predadores e
das intempéries da natureza, tornando a sobrevivência do homem mais fácil e garantida.
Hodiernamente, além de conservar essas qualidades, a vida em sociedade nos permite um
maior desenvolvimento intelectual, filosófico, religioso... Enfim, nos proporciona uma evolução
impossível para o ermitão, misantropo e até mesmo para quem evita o contato com seu semelhante.
Assim, o estudo e a consequente aplicação da Moral nos permite criar uma sociedade mais
justa, humana e solidária, pois a “consciência coletiva” de onde derivam conceitos como honestidade,
bondade, virtude, justiça, entre outros, tem o condão de nortear uma melhor convivência entre as
pessoas, sempre buscando aperfeiçoar os costumes, as ideias e tentando minorar chagas sociais
como preconceito, discriminação e egoísmo.
Mas e a “Moral Maçônica”, existiria tal conceito?
Quando instado a fazer este trabalho acerca da Moral, o conhecimento e a energia de Aprendiz
formularam esta pergunta em meu íntimo: Teriam os Maçons, pelos conhecimentos iniciáticos,
filosóficos e sociológicos passados em instruções, além da convivência com pessoas de alto gabarito
intelectual e ético, possuidores de uma bondade abnegada, de um constante e verdadeiro
4 – Moral e Moral Maçônica
Danilo Bruno Louro de Oliveira
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comportamento fraternal e solidário, atravessando décadas de obscurantismo e ignorância sem
macular seu pensar e agir. Teriam os Maçons agraciados com tamanho conhecimento e experiência a
possibilidade de possuir uma “moral própria”, “costumes diferenciados”?
Seria possível conceituar “Moral Maçônica” ou mesmo “Costumes Maçônicos”?
Ao estudar e conversar com vários irmãos, percebo que a principal virtude do Maçom é o
ESTUDO e para chegar a tal conclusão não precisei divagar muito ou elaborar teorias
complicadíssimas, nem sequer observar e experimentar à exaustão. Bastava apenas verdadeiramente
interiorizar o quanto explicado em instruções, o quanto lido em obras maçônicas, o quanto observado
em comportamentos rotineiros de Irmãos, ou seja, bastou não desviar da busca da verdade.
Isto porque o Maçom que estuda, sabe que nesta vida estamos sendo submetidos a provas, a
expiações, não importa se a crença religiosa do Maçom ensine que as escolhas feitas e as atitudes
tomadas resultarão em consequências sentidas em outras vidas, que seremos julgados quando da
nossa morte ou mesmo quando do retorno do Messias, entre outras possíveis crenças, o ponto comum
é que estamos sendo instados a evoluir, avaliados para um futuro próximo.
E estas escolhas e comportamentos não se limitam a nós, mas relacionam-se primordialmente
com nosso semelhante, pois é com ele que devemos demonstrar, justiça, misericórdia, piedade,
caridade, amor, pois não basta interiorizar e glorificar tais predicados, estes devem ser exteriorizados
para que a Maçonaria possa tornar feliz a humanidade.
E a Moral regula justamente esses comportamentos com o próximo e nesse ponto devemos
repensar se a nossa “moral” não seria hipocrisia.
Pois hipocrisia é o fingimento de crenças, valores, idéias, enfim de uma gama de sentimentos
que a pessoa não possui. Ao fingir ser bom e virtuoso, a pessoa tenta mascarar sentimentos ruins,
transformando a sociedade em algo bonito no direito, na “moral positivada”, mas grosseiro e egoísta
nas atitudes do cotidiano e nos pensamentos e ideias recorrentes.
E a hipocrisia é patente quando juramos solenemente ao adquirir graus maçônicos ou ocupar
cargos, trabalhar abnegadamente e despidos de vaidade, porém não nos esforçamos para cumprir
plenamente o quanto jurado e esta “evolução” apresenta-se somente no plano material, físico ao
ostentarmos um novo avental ou uma reluzente medalha, não havendo uma transformação interior do
Maçom, sendo nula a possibilidade de reverberação social dessa “evolução”.
Não sendo capaz o maçom de melhorar interiormente com tais “conquistas”, como ajudará no
progresso da humanidade?
Quando desempenharmos nossas funções de maneira satisfatória, embasando nossas atitudes
na necessária humildade que deve acompanhar o incessante e proveitoso labor Maçônico, sem nos
vangloriarmos de um tijolo que tenhamos colocado na construção da felicidade humana.
Quando buscamos o desenvolvimento de um profícuo trabalho que venha a melhorar a realidade
que nos cerca, promovendo uma evolução íntima nos obreiros que participam daquela empreitada,
nunca perdendo de vista que esta evolução, inevitavelmente, irá reverberar na sociedade, fazendo uma
sociedade mais justa e perfeita.
Nesta hora podemos ter a felicidade plena de estar lutando o bom combate, buscando a
verdade, sendo verdadeiros Maçons.
Por fim, apesar dos valores contidos em nossos rituais e ensinados através das gerações, não
devemos olvidar ser sabido que vários Maçons e até mesmo Lojas defenderam, entre outras posturas
equivocadas, a escravidão em tempos antigos, que existiram Lojas separadas pela “cor” da pele de
seus obreiros.
Salutar é a divisão entre “Moral Maçônica” e “Moral do Maçons”. Já ouvi várias vezes a
expressão: “A Maçonaria é perfeita, os Maçons é que não o são”, acreditando ser este o principal
motivo de nossas reuniões em Loja: A busca de uma perfeição, de um dever-se mais justo e fraterno
entre os Irmãos, mas sempre de olho na sociedade a qual nós pertencemos.
Portanto, apenas pincelando comentários acerca desta chamada “Moral Maçônica”, chego ao
fim destas reflexões satisfeito por ser instado a pesquisar sobre tão importante tema, confiando que
outros exemplos, outras peças de arquitetura, outros pontos de vista nos ajudarão a debater assuntos
discutidos há milhares de anos, mas que se apresentam modernos, instigantes e dotados da
maravilhosa propriedade de nos evoluir como Maçons, cidadãos, seres humanos.
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Irmão Carlos Alberto Carvalho Pires, M.M. –
Loja Acácia de Jaú 308 – Jaú SP
A Virtude e a Maçonaria
“O que entendeis por virtude?” ( pergunta de Apolo aos discípulos de Elêusis, Séc VI a.C.) 1- A
virtude para os Gregos Virtude na Grécia Clássica era a Areté, um termo que significa a excelência, o
máximo, o melhor, a força e o vigor, o esplendor ou o sublime.
Ser virtuoso equivalia a ser o modelo ideal de cidadão no contexto da pólis.
A vida boa, a vida digna e justa que os gregos deveriam almejar e cultuar era a opção dos
melhores, ou seja, dos daqueles coroados pelas virtudes. Sócrates afirmava que virtude era a prática
da excelência. Já Aristóteles dizia que a virtude são práticas ou hábitos que nos levam para o bem. A
dúvida que surge, nesta colocação, é como definir com clareza o que seria uma vida boa.
Qual seria o perfil de homem que os gregos antigos consideravam como exemplo a ser seguido?
Os gregos acreditavam que o mundo era perfeito.Tudo que existe teria uma finalidade, um sentido e
uma missão a cumprir. Isso ocorreria para todos os entes e para os infinitos fenômenos da natureza.
Como a chuva, os bodes e as acácias, cada elemento teria sua razão de existir e comporia o
universo regido por uma lógica, que eles chamavam de logos, que seria uma espécie de “princípio
criador”.
Este ente original teria orquestrado um projeto arquitetônico belo e harmônico, onde tudo
obrigatoriamente deveria funcionar de forma justa. O traçado do mundo, feito por este arquiteto
supremo, era uma obra de arte – e como toda obra de arte não haveria um traço, uma letra, um tijolo
ou pedra colocada aleatoriamente na planta. Tudo tinha que estar onde exatamente devia estar. Uma
peça que não se encaixasse no desenho da prancheta seria uma hybris, equivalente a um simulacro ou
uma aberração.
Assim, não há opção de vida alternativa – ou de alterar o seu destino – aos fenômenos naturais,
como um rio que flui para o mar ou como um terremoto que abre a terra, ou para os animais, como um
bode que nasce-pasta-reproduz e morre.
Dentre todas as criações existentes, haveria apenas uma que teria o potencial de viver fora de
seu objetivo primordial traçado a priori pelo arquiteto criador: o homem.
O ser humano teria condições de navegar contra a sua natureza. Isto ocorre quando a pessoa
desconhece seus verdadeiros talentos, ou quando apesar de descobri-los não os exerce na plenitude.
Portanto, o primeiro degrau da escada para a jornada em busca da vida virtuosa refere-se ao
emblemático processo denominado de autoconhecimento – gnouti sauthon em grego.
Todos tem que se auto-analisar. Como afirmava Sócrates, “uma vida não avaliada não merece
ser vivida”. Os talentos foram dados para que cada ser humano possa desempenhar sua função no
grande projeto arquitetônico do universo. Não foram aptidões agregadas por acaso, dizia o mestre de
Platão.
Para o ethos grego, portanto, a vida boa é aquela vivida de acordo com o exercício pleno das aptidões
naturais que o logos concedeu a cada cidadão.
Esta seria a forma virtuosa de viver: descubra para que você veio ao mundo, e realize com força
e vigor o seu destino, seja ele qual for. Se um homem não descobre para que serve, ou se apesar de
saber não tem força moral para exercer estes dons com excelência, estaria no caminho do vício.
O vício, para os gregos, é a vida exercida fora do planejado. Como exemplos desta condição
não ideal, imagine Mozart como um comerciante, Van Gogh como um pastor ou Pelé como um
funcionário público. Seriam casos exemplares de hybris, ou de virtudes degeneradas.
O que chama a atenção nesta perspectiva grega da virtude é que não importa o tipo de talentos
que o indivíduo possui. Não interessa se ele os usa para as chamadas boas ações ou para ações nem
5 – A Virtude e a Maçonaria
Carlos Alberto Carvalho Pires
JB News – Informativo nr. 1.997 – Florianópolis (SC) segunda-feira, 21 de março de 2016 Pág. 11/22
tão boas assim, quando analisadas pelos critérios de certo e errado dos inúmeros códigos de ética
mais atuais.
Os virtuosos, devidamente funcionais na máquina universal, Para os gregos somente os
talentosos e que exercem suas aptidões na plenitude poderiam dirigir com excelência os destinos da
polis. Assim, o ideal da vida grega ou a prática do bem se refletiria na boa condução dos negócios das
cidades, condição esta exclusiva aos virtuosos.
A virtude para os Cristãos A virtude para os cristãos tem outro significado. Agora a preocupação
com a possibilidade de se conquistar uma vida boa e digna se refere a ter acesso à cidade de Deus.
Os bons cristãos devem exercer alguns hábitos e práticas formuladas por Deus que ficaram
conhecidas como virtudes teleológicas: fé, esperança e amor (caridade).
Por este prisma os talentos individuais nada representam em termos de se alcançar o ideal de
vida. O que importa é a crença em Deus, a esperança de perspectivas melhores no futuro e o bem
cuidar do próximo.
A virtude na Modernidade Em meados do século 18 uma nova figura surgia no esplendor das
luzes pós Renascença: o homem moderno. A razão esclarecida passava a ser o timoneiro dos
pensamentos, dos atos e das omissões dos doutos iluminados. Tudo que existia até então teria que
passar pelo crivo da capacidade questionadora das mentes livres e conscientes. Este novo homem
racional se reinventou enquanto “ente-no-mundo”.
Uma vez que passara a questionar todo e qualquer pensamento, este pensador exercia uma
autonomia. Criou-se, assim, o sujeito, o indivíduo, o “”eu-senhor-de-si ou o ego condutor dos próprios
destinos. Com imenso poder de devastação sobre as concepções anteriores do que seria uma postura
virtuosa, a razão e o sujeito moderno ditavam quem tinha ou quem não tinha o direito de gozar uma
vida reta.
A virtude grega e cristã perdia fôlego – o modelo agora era a vida calcada em uma espécie de
virtude racional, exercida através do mote “Cogito Ergo Sum” cartesiano.
O novo ethos representava uma libertação de todas as formas de tutela ou de concepção
metafísica: o homem como sujeito seria o suficiente para gerar todo sentido e todos os significados
para a vida plena.
O homem, como figura subjetiva, não dependia mais de nenhuma instância superior a si para
explicar ou justificar o universo, enquanto projeto arquitetônico ou enquanto obra divina. Tudo se
resumiria ao indivíduo, completamente livre e por isso mesmo igual a todos que existem – os ideais de
liberdade e de igualdade surgem com o homem moderno.
A virtude na Contemporaneidade Já na pós-modernidade a definição de virtude se altera. Com a
derrocada dos valores modernos, devido à crise moral da ciência e da razão enquanto vertentes
moduladoras da boa vida, algo novo aparece no horizonte dos caminhos do homem.
Com a explosão dos meios de comunicação de massa, somado ao incremento na
industrialização e na produção de bens de consumo (a revolução industrial começou no século 18, mas
seu apogeu ocorreu logo depois da II grande guerra), e tendo ainda a recente intensificação brutal da
globalização de informações e de pessoas pelas conexões da internet, ser virtuoso na
contemporaneidade equivale a ser um bom consumidor dos produtos – tangíveis e intangíveis – que o
mercado oferece ininterruptamente.
Melhor explicando: o caminho da boa vida é o caminho do consumo.
Esta é uma consequência lógica do sistema capitalista. E atrelado a este consumismo vem todo
um estilo de vida de alta rotatividade, de relações fluidas – ou líquidas, como diz Bauman – de
hedonismos fugazes e de aparentar uma felicidade abstrata e plastificada. Independentemente da
forma como interpretamos o que seriam as virtudes ideais que todo cidadão “de bem” deve respeitar e
praticar trata-se de um conjunto de valores que determinam um condicionamento de comportamentos
ou um adestramento das aptidões individuais que ocorre com raridade entre os homens.
Mais que isso, são metas ou objetivos transcendentais que a maioria das pessoas não vai
conseguir atingir, por questões de limitações pessoais ou morais.
Em outras palavras: todos querem ser e se dizem muitas vezes virtuosos, mas na realidade isto
não ocorre.
O ser humano, com raras exceções, exercem em sua vida privada e pública apenas uma
interpretação caricata e bufona dos papéis virtuosos elencados ao longo das eras. Esta máscara “de
bonzinho” que é tão fartamente utilizada é apelidada de “vício”.
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O vício é a caricatura, o fake, o simulacro da virtude. A sociedade nos diz “seja virtuoso”, mas
se não for possível que seja pelo menos aparentemente virtuoso.
Este Bloco é produzido
pelo Irmão Pedro Juk, às segundas,
quartas e sextas-feiras
Quem instrui
Em 25.08.2015 o Respeitável Irmão Lauro Goerll Filho, Loja Filhos do Pelicano, 3.866, REAA, GOB-
PR, Oriente de Cianorte, Estado do Paraná, formula a seguinte questão:
laurogoerllfilho@hotmail.com
Tenho a seguinte dúvida: A quem cabe as instruções dos Aprendizes e
Companheiros? Ao 1º e 2º Vigilantes, respectivamente?
Já vi em alguns livros a respeito do REAA que aos Aprendizes, o responsável é o 1º Vigilante, e
em outros que é o 2º Vigilante.
Considerações:
No passado medieval (século XII) as reuniões das Corporações de Ofício da
Francomaçonaria não eram realizadas em Templos, já que à época estes nem mesmo existiam
(o primeiro somente apareceria no terceiro quartel do século XVIII em Londres).
Também não eram conhecidos os Ritos, ou Trabalhos no Craft tal como hoje os
conhecemos, porém já existiam à época as instruções éticas e morais e mesmo religiosas que
eram apresentadas sob a forma de catecismo concomitantemente ao aprendizado do ofício –
6 – Perguntas & Respostas
Pedro Juk
Não esqueça: envie sua pergunta identificada pelo nome completo, Loja, Oriente, Rito e Potência.
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elas seriam posteriormente então conhecidas como as “old charges”, ou as “antigas
obrigações”.
Era costume entre aquelas Corporações, a realização de reuniões comemorativas e festas
patronais onde também eram discutidos e avaliados os planos de trabalho do Ofício.
Geralmente nessas reuniões também aconteciam às recepções para novos iniciados no Ofício
da “arte da construção”.
Assim, essas assembleias de construtores se realizavam uma ou duas vezes por ano,
coincidindo sempre com os períodos solsticiais – solstício de verão em 24 de junho e solstício
de inverno em 27 de dezembro em relação à meia esfera norte do nosso Planeta (hemisfério
norte).
É dessas datas, por influência da Igreja, que mais tarde seriam identificados os Santos
Padroeiros, João, o Batista e João, o Evangelista na Maçonaria com as suas Lojas de São João.
Quando dessas reuniões, as mesmas eram realizadas no princípio em torno de uma mesa
longa orientada simbolicamente de Leste para Oeste onde o Mestre da Obra (não era o atual
Mestre Maçom da Moderna Maçonaria) ocupava a parte mais oriental do recinto. No lado oposto,
no extremo da banda ocidental, tomava assento o primeiro auxiliar do Mestre, conhecido à
época como “warden” (zelador) - mais tarde seria rotulado como 1º Vigilante. Na porção
mediana da grande mesa, todavia pelo seu lado Sul, assentava-se a ela o segundo “warden”
auxiliar do Mestre, que seria qualificado posteriormente como 2º Vigilante.
Vale a pena mencionar que essa antiga compleição relacionada aos três dirigentes (as
Luzes da Loja), já no período operativo, possuía caráter imemorial, espontâneo e
universalmente aceito, portanto, um verdadeiro “Landmark” (limite).
Então, desde o século XII, provavelmente pelo costume herdado das “Guildas”, essas
reuniões já eram realizadas à mesa de refeições, cuja disposição desse mobiliário daria origem
na Maçonaria à conhecida mesa em formato de “U” que seria também orientada de Leste para o
Oeste, tendo ao centro do Oriente pelo dado de fora da mesa o Mestre da Loja e, nos dois outros
extremos dessa mesa (pernas do “U”), no sentido longitudinal do espaço, os assentos a
noroeste o Primeiro Vigilante e a sudoeste o Segundo Vigilante (origem da disposição das
atuais Lojas de Mesa, que são denominadas equivocadamente como banquete ritualístico).
Descrito o ambiente, na mesma oportunidade em que se discutiam assuntos pertinentes à
Confraria geralmente acompanhados de um banquete, era também saudado o solstício
coincidente ao Santo Patronal que dava origem ao novo ciclo natural - a nova estação do ano.
Concomitante ao ato comemorativo mencionado era também realizada a iniciação para
membros aspirantes á “Arte de Construir” - nunca é demais lembrar que nos albores da
Francomaçonaria existiam, além do Mestre da Loja, apenas as classes dos Aprendizes recém-
iniciados e dos Aprendizes do Ofício, estes últimos posteriormente dariam origem aos
Companheiros do Grêmio (Fellow Craft).
Historicamente, era dentre a classe dos Companheiros (geralmente o mais experiente)
escolhido um para assumir a direção dos trabalhos da Loja (Mestre da Loja à época não era
grau).
Pela experiência contraída por esse Companheiro do Ofício, a ele era dada a oportunidade
de possuir a sua própria Guilda de Construtores, ocasião que recebia do senhorio uma carta
patente qualificando-o a contratar obras e se deslocar livremente para iniciar e ensinar novos
Aprendizes de acordo com as exigências da “Arte”.
É desse costume que quando em deslocamento por outras paragens, os Maçons se
reconheciam secretamente por sinais, toques e palavras, evitando com isso que um “pedreiro”
não precisasse ficar horas desbastando e esquadrejando uma pedra para provar a sua
habilidade.
Retomando as considerações do ancestral ambiente das antigas reuniões em torno da
mesa é que mais tarde os integrantes daquelas corporações (canteiros) passariam a usar um
recinto específico para a finalidade iniciática. Geralmente esses ambientes ocupavam espaços
de tabernas e ocupavam uma grande sala contígua ao espaço empregado nas reuniões
comensais.
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Assim, foi nesse espaço quadrangular, porém sem fazer uso daquela grande mesa, que os
assentos dos dirigentes (atual Venerável e os Vigilantes) eram simbolicamente dispostos de
modo análogo à antiga mesa – um no Leste, um no Meio-Dia e a outro no Oeste.
Diante dos dirigentes (atuais Luzes da Loja) havia apenas um pequeno pedestal e um
tocheiro. Um banco de se ajoelhar era também colocado próximo ao pedestal do Mestre da Loja.
Ao centro do ambiente, entre o Norte e o Sul eram desenhadas no chão – geralmente com giz ou
carvão - alegorias alusivas aos instrumentos de trabalho dos construtores de modo que
sugerissem também lições de moral e ética profissional, bem como a religiosidade conivente
com os clérigos eclesiásticos que eram na época os principais protetores das confrarias de
construtores de até então existentes.
Ainda com relação a esses conjuntos alegóricos desenhados no chão do espaço, há que
se mencionar que mais tarde seriam substituídos por gravações em tapetes que seriam os
ancestrais dos atuais Painéis da Loja (sistema francês), ou das Tábuas de Delinear (sistema
inglês) na Moderna Maçonaria.
Quanto ao tema da questão propriamente dito, antes, porém foi preciso descrever pelo
menos um panorama sucinto de como eram realizados os trabalhos maçônicos em tempos
dantes.
Do mesmo modo e para melhor esclarecer a obrigação de ofício de um Vigilante e a
instrução maçônica, objeto dessa questão, segue abaixo um sumário genérico que envolve a
realização de uma iniciação na época:
SUMÁRIO - o candidato ao Aprendiz do Ofício, vendado e despojado era conduzido para o
recinto apropriado e entregue ao 2º Vigilante que antes o apresentava aos demais membros da
Confraria para em seguida coloca-lo diante do 1º Vigilante quando recebia uma oração, ou
prece, em seu favor (esse costume prevalece até os dias atuais – veja Ritual em vigência no
GOB). Posteriormente, em perambulação pelo recinto, o proposto era conduzido pelo 2º
Vigilante (mais tarde por um Oficial de Chão, ou o Diácono) até o Mestre da Loja onde o
Candidato era orientado a se ajoelhar sobre o joelho esquerdo e segurar o Livro das Sagradas
escrituras que ia apoiada sobre a sua mão esquerda e colocada à respectiva mão direita
espalmada por sobre o Livro (postura que daria origem ao Due Guard1
) quando então prestava a
sua “obrigação” como Aprendiz do Ofício recebendo em seguida à Luz (o postulante era
desvendado). Naquela oportunidade então, lhe era entregue um par de luvas de couro e um
avental de pele de carneiro, objetos que lhe serviriam de proteção durante os labores no
desbaste da pedra bruta, ao mesmo tempo em que lhe eram apresentadas de forma verbal pelo
2º Vigilante as lendas, geralmente bíblicas, e também lhe eram lhe revelados os antigos
costumes da Confraria (Old Charges) que serviriam como um código de moral para norteá-lo na
senda destinada ao novo Aprendiz. Ato seguido o Neófito era então colocado diante do quadro
(ainda desenhado no chão na época) enquanto o 2º Vigilante provia a instrução (catecismo)
relacionada aos símbolos e alegorias constantes no quadro (origem do Tapete e dos Painéis da
Loja) e os primeiros segredos da Arte da Construção. Terminada a primeira preleção ao Neófito,
o mesmo era conduzido próximo ao canto nordeste da Loja e lhe apresentado o primeiro canto
marcado pela pedra angular da Obra. Por fim era encerrada a recepção ao novo Aprendiz do
Ofício no Craft.
Em síntese assim era uma Iniciação no distante período operativo que, salvo algumas
variações consoantes aos costumes regionais e culturais, em pouco se diferenciavam nas
confrarias dos Canteiros Medievais.
O Aprendiz iniciado passaria então o seu tempo, geralmente três anos, no canteiro de
obras aprendendo com o 2° Vigilante a arte de esquadrejar a pedra para servir os pedreiros mais
experientes até que, com tempo e dedicação, estivesse apto para assentar a pedra
esquadrejada, cujo objetivo seguinte, na senda dos construtores, seria a passagem para
prosseguir em direção à elevação da construção.
1
Due Guard – guarda devida, ou devido de guarda. Praticamente abolida das Lojas inglesas, esse sinal viria a sobreviver nas Lojas norte-
americanas (Craft) e irlandesas. O gesto exprime a atitude correta que o candidato deveria assumir ao prestar a sua obrigação
diante do Livro da Lei.
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Assim o 2º Vigilante comunicava ao 1º Vigilante que, por sua vez conferia e, se aprovada à
obra executada pelo postulante, solicitava ao Mestre da Obra aumento de salário profissional
em favor do Aprendiz. Se assim ele o obtivesse passava para a perpendicular ao nível (do nível
para o prumo) - a etapa do erguimento ou da elevação das paredes.
Com relação ao Companheiro do Craft – na época rotulado como Aprendiz Sênior - o
método era o mesmo, cujo tempo de aperfeiçoamento beirava os aproximados cinco anos, em
cujo período lhe eram ensinados os segredos da arte da aprumada e elevação das paredes,
assim como o fechamento estrutural dos arcos ogivais (góticos).
Nesse segundo ciclo de aperfeiçoamento as instruções eram ministradas e
supervisionadas pelo 1º Vigilante que, no crepúsculo doutrinário (final do quinto ano), pedia ao
Mestre da Obra aumento de salário profissional para o Companheiro.
Caso ele obtivesse aprovação, então ele estaria apto para receber a carta (placet) que o
habilitava a contratar serviços em seu nome e iniciar novos postulantes ao ofício.
É sob esse feitio que o Segundo Vigilante recebia e instruía os Aprendizes, enquanto que o
Primeiro Vigilante supervisionava e doutrinava os Companheiros, daí a tradição conservada até
os dias atuais, obedecida a tradição de que na Moderna Maçonaria os Ritos e Trabalhos do Craft
oriundos do hemisfério Norte, os Aprendizes tomam assento sempre no lado Norte e os
Companheiros no Sul, independente de que o Primeiro Vigilante se posiciona sempre no
Ocidente ou no noroeste (conforme o Rito) e o Segundo Vigilante no Sul (Meio-Dia).
Atualmente trabalhamos em uma Loja simbólica, enquanto que no passado medieval os
trabalhos operativos se realizavam cotidianamente nos canteiros de obras, reservando-se os
recintos fechados (salas das tabernas ou os adros das igrejas) apenas para as reuniões anuais
ou semestrais para as avaliações da obra, comemorações patronais e ingresso de novos
integrantes.
Com o advento da Moderna Maçonaria e o aparecimento dos Ritos Maçônicos (meados do
século XVIII), procurou-se conservar, dentre outras, essas tradições mesmo que de modo
especulativo.
Assim apareceria também a disposição mobiliária e topográfica dos canteiros simbólicos
conforme os Ritos e Trabalhos - as atuais Lojas Simbólicas - aonde exercem seus ofícios o
Venerável, os Vigilantes, as demais Dignidades e Oficiais, assim como os Aprendizes e
Companheiros. É nessa transição da Maçonaria que apareceria a partir de 1.724/25 na Inglaterra
o Grau de Mestre Maçom, sacramentado como condição iniciática a partir da segunda
Constituição inglesa - a de 1.738.
Daí, na Moderna Maçonaria como fiel guardiã das tradições usos e costumes manteria
também essa questão hierárquica, onde o 2º Vigilante instrui os Aprendizes; o 1º Vigilante, os
Companheiros e o Venerável, os Mestres.
Finalizando, é imperioso se compreender que verdadeiramente quem dirige a Loja é tão
somente o Venerável Mestre, auxiliado pelos Vigilantes. Dessa relação está o contido no Ritual
de Aprendiz do Rito Escocês Antigo e Aceito em vigência no GOB quando, dentre outros, prevê
que os Aprendizes, sentados no Topo da Coluna do Norte sejam instruídos simbolicamente pelo
Segundo Vigilante que por sua vez ocupa lugar na Coluna do Sul ao meridiano do Meio-Dia,
enquanto que os Companheiros, assentados no Topo da Coluna do Sul, são instruídos pelo
Primeiro Vigilante que fica posicionado no extremo ocidente da Coluna do Norte. A questão não
é de quem senta ou aonde se posiciona na Coluna, a questão é de tradição e história da Arte
Real assim como o que envolve a hierarquia das Luzes da Loja.
T.F.A. PEDRO JUK –
Secretário de Orientação Ritualística do GOB-PR
Out/2015
jukirm@hotmail.com –
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(as letras em vermelho significam que a Loja completou
ou está completando aniversário)
GOSC
https://www.gosc.org.br
Data Nome Oriente
05/03/2005 Aurora Florianópolis
10/03/1972 Templários da Justiça Lages
15/03/1998 Estrela do Sul Lages
18/03/1998 Jacy Daussen São José
18/03/2011 Monteiro Lobato Itajaí
19/03/1993 III Milênio Curitibanos
19/03/1994 Renascer da Luz Criciúma
20/03/1949 Januário Corte Florianópolis
23/03/1996 Pedra Cintilante Itapema
24/03/1998 Fiel Amizade Florianópolis
30/03/1998 Amigos para Sempre Joinville
30/03/1999 Círculo da Luz Joinville
31/03/1975 Estrela do Mar Balneário Camboriú
31/03/2011 Colunas do Arquiteto Ituporanga
Lojas Aniversariantes de Santa Catarina
Mês de Março
7 – Destaques JB
Resenha Final
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GOB/SC –
http://www.gob-sc.org.br/gobsc
Data Nome Oriente
03.03.2012 Guardiões das Virtudes - 4198 Biguaçú
14.03.1981 Estrela do Planalto -2119 Canoinhas
16.03.1899 União III Luz E Trab. 664 Porto União
16.03.2005 Cavaleiros da Luz - 3657 Florianópolis
19.03.2004 Quintessência - 3572 Bombinhas
21.03.1990 Luz da Acácia - 2586 Jaraguá do Sul
21.03.2009 Acácia de Balneário - 3978 Baln. Camboriú
29.03.1973 Acácia Joinvilense - 1937 Joinville
29.03.1973 Gênesis - 2701 Tubarão
29.03.2012 União Palhocense - 4236 Palhoça
30.03.2006 Luz da Porta do Vale - 3764 Itajaí
GLSC -
http://www.mrglsc.org.br
Data Nome da Loja Oriente
11.03.2003 Fraternidade Itajaiense nr. 85 Itajaí
17.03.2010 Fonte de Luz nr. 102 Chapecó
18.03.1989 Tríplice Fraternidade nr. 48 Dionísio Cerqueira
20.03.2009 Acácia Itajaiense II nr. 100 Itajaí
21.03.1940 Cruzeiro do Sul nr. 05 Joaçaba
24.03.2010 Loja do Sol nr. 103 Blumenau
28.03.1970 Pitágoras nr. 15 Florianópolis
30.03.1995 Leão de Judá nr. 62 Florianópolis
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Loja Professor Mâncio da Costa
Florianópolis – GOB/SC
CONVITE
Dando continuidade ao Ciclo de Grandes Palestras, a Administração da
B∴A∴R∴L∴S∴ Prof∴ MÂNCIO DA COSTA – N° 1977 - GOB tem a honra de Convidar os
Irmãos para mais uma grande Palestra deste projeto que será proferida pelo
Ir∴ MARCOS DE OLIVEIRA, com o título:
“TEORIAS SOBRE O SIGNIFICADO E A FUNÇÃO DO CONHECIMENTO”
Local: Templo da FAR - Rua Pres. Gama Rosa, n° 36 – Trindade – Florianópolis
Data: dia 21 de março de 2016 – Segunda- Feira
Horário: às 20:00 horas em Sessão no Grau de Aprendiz, REAA.
O Ir∴ Marcos de Oliveira é V∴M∴ da Loja Alvorada da Sabedoria, Cavaleiro
Templário, Maçom do Real Arco, Cavaleiro de São João de Jerusalém, Palestina,
Rodes e Malta, Coronel BM, foi Comandante Geral dos Bombeiros em Santa
Catarina, membro da Academia de Letras dos Policiais Militares de Sta. Catarina,
com vários cursos de Graduação e Pós Graduação.
Após a sessão haverá um Ágape por adesão. Aos IIr∴ que quiserem participar do
Ágape, solicitamos confirmação de presença para melhor organização.
Florianópolis, março de 2016.
Ir∴ Paulo Roberto Velloso V∴M∴
Prof∴ Mâncio da Costa
Dividir os trabalhos para somar resultados.
www.manciodacosta.mvu.com.br
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Os vídeos são pesquisados ou repassados, em sua maioria, por irmãos colaboradores do JB News.
1 – Topografia e simbolismo do Templo:
04.2014 - TOPOGRAFIA E SIMBOLISMO DO TEMPLO - REAA.pdf
2 – Hourdin:
276080_HOURDIN.PPS
3 – A pesquisa em Maçonaria:
A_Pesquisa_em_Maçonaria.docx
4 –Funeral do Gen. Carl Mundy - Fuzileiro
https://youtu.be/2kB9tt0XEH8
5 – Aqueduto de Segovia:
AquedutodeSegovia.pps
6 – Andes:
ANDES - 3.pps
7 – Filme do dia: (Pompéia – A Fúria dos Deuses) (épico) – dublado.
Sinopse:
Pompéia era uma típica cidade romana, situada próxima ao vulcão Vesúvio (arredores de Nápoles, sul da Itália). No
ano de 79, este vulcão entrou em erupção violenta, provocando um forte terremoto e expelindo grandes
quantidades de pedras incandescentes, lava vulcânica, poeira e fumaça tóxica.
A cidade de Pompéia foi totalmente coberta e quase toda população morreu soterrada. As cidades vizinhas de
Herculano e Stabia também foram atingidas.
No final do século XVIII, a cidade foi redescoberta por um agricultor que, ao trabalhar na região, localizou um muro
da cidade. Nos dois séculos seguintes, a cidade foi escavada por arqueólogos. Casas, prédios públicos, aquedutos
(sistema de condução de água), teatros, termas, lojas e outras construções foram encontrados. Os arqueólogos
acharam também objetos e afrescos (pinturas em paredes) que revelaram importantes aspectos do cotidiano de
uma cidade típica do Império Romano.
Porém, o que mais impressionou os pesquisadores foram os corpos petrificados, em posição de proteção, que
foram atingidos pelas lavas vulcânicas.
https://www.youtube.com/watch?v=Ha3OnX99kLc&list=PL5-jB_qTbSEw-
MGy0b2ih7eVxT7AFxA8v
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Jb news informativo nr. 1997

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    JB NEWS Informativo Nr.1.997 Filiado à ABIM sob nr. 007/JV Editoria: IrJeronimo Borges – JP-2307-MT/SC Academia Catarinense Maçônica de Letras (Membro) Loja Templários da Nova Era nr. 91(Obreiro) Loja Alferes Tiradentes nr. 20 (Membro Honorário) Loja Fraternidade Brazileira de Estudos e Pesquisas (Correspondente) Loja Francisco Xavier Ferreira de Pesquisas Maçônicas (Correspondente) Nesta edição: Pesquisas – Arquivos e artigos próprios e de colaboradores e da Internet – Blogs - http:pt.wikipedia.org - Imagens: próprias, de colaboradores e www.google.com.br Os artigos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião deste informativo, sendo plena a responsabilidade de seus autores. Saudações, Prezado Irmão! Índice do JB News nr. 1.997 – Florianópolis (SC) – segunda-feira, 21 de março de 2016 Bloco 1–Almanaque Bloco 2-IrJuarez de Oliveira Castro - Igualdade (Foco & Ação) Bloco 3-IrRui Bandeira – Mestre de Cerimônias Bloco 4-IrDanilo Bruno Louro de Oliveira – Moral e Moral Maçônica Bloco 5-IrCarlos Alberto Carvalho Pires – A Virtude e a Maçonaria Bloco 6-IrPedro Juk – Perguntas & Respostas – do Ir Lauro Goerll Filho (Cianorte – PR) Bloco 7-Destaques JB –
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    JB News –Informativo nr. 1.997 – Florianópolis (SC) segunda-feira, 21 de março de 2016 Pág. 2/22 Livros de artigos nos Graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre Publicados na Revista O PRUMO. Durante o período de 1970 a 2015. Pedidos: site http://www.gosc.org.br Ou pelo telefone: (48) 3952-3300   1 – ALMANAQUE Hoje é o 80º dia do Calendário Gregoriano do ano de 2016– (Lua Quarto Crescente) Faltam 286 dias para terminar este ano bissexto É o 127º ano da Proclamçaõ da República; 194º da Independência do Brasil e 516º ano do Descobrimento do Brasil Dia Florestal Mundial e dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial Se o Irmão não deseja receber mais o informativo ou alterou o seu endereço eletrônico, POR FAVOR, comunique-nos pelo mesmo e-mail que recebeu a presente mensagem, para evitar atropelos em nossas remesssas diárias. Obrigado. Colabore conosco para evitar problemas na emissão de nossas mala direta diária. L I V R O S
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    JB News –Informativo nr. 1.997 – Florianópolis (SC) segunda-feira, 21 de março de 2016 Pág. 3/22  1098 – Fundação da Abadia de Cister  1188 – Ascensão ao trono do Japão do imperador Antoku.  1413 – Henrique V torna-se o Rei da Inglaterra.  1557 – Primeira celebração da Ceia do Senhor sob o rito calvinista no Brasil.  1800 – Com as lideranças da Igreja impedidas de permanecerem em Roma devido a um conflito armado, Pio VII é coroado Papa em Veneza com uma Tiara papal provisória feita de papier-mâché.  1804 – O Código Napoleônico é adotado na França.  1816 – D. João passa a assinar como D. João VI após a morte de D. Maria I.  1844 o Início do Calendário bahá'í. Este é o primeiro dia do primeiro ano do calendário bahá'í. Ele é anualmente celebrado pelos membros da Fé Bahá'í como o Ano Novo Bahá'í ou Naw-Rúz. o Data originalmente indicada por William Miller para o retorno de Cristo.  1857 – Um sismo em Tóquio, Japão causa a morte de mais de 100.000 pessoas.  1871 o Otto von Bismarck é designado para Chanceler do Império Alemão. o O jornalista Henry Morton Stanley inicia sua jornada para encontrar o missionário e explorador David Livingstone.  1918 – Primeira Guerra Mundial: o Início da Segunda Batalha do Somme; o Início da ofensiva alemã da primavera, que duraria até 17 de julho. A Operation Michael, que trouxe poucos resultados positivos, finalmente selou a derrota do Império Alemão.  1932 – Foi criada no Brasil a carteira de trabalho pelo governo de Getúlio Vargas.  1935 – O Xá Reza Pahlavi formalmente pede à comunidade internacional para chamar a Pérsia por seu nome original, Irã, que significa 'Terra dos Arianos';  1945 – Segunda Guerra Mundial: Tropas britânicas libertam Mandalay, Birmânia.  1952 – África do Sul anula a Lei de Segregação racial.  1960 – Apartheid: Massacre de Sharpeville, África do Sul: A polícia abre fogo contra um grupo de manifestantes negros sul-africanos desarmados, matando 69 e ferindo 180.  1963 o É fechada Alcatraz, uma prisão federal em uma ilha na Baía de San Francisco. o O criador de histórias em quadrinhos Maurício de Sousa cria a personagem Mônica.  1964 – Em Copenhague, Dinamarca, Gigliola Cinquetti vence o nono Festival Eurovisão da Canção para a Itália cantando "Non ho l'età".  1965 – Martin Luther King lidera 3.200 pessoas no início da terceira e finalmente bem-sucedida marcha pelos direitos civis de Selma até Montgomery, Alabama.  1980 – O Presidente dos Estados Unidos da América Jimmy Carter anuncia um boicote estado- unidense aos Jogos Olímpicos de Verão de 1980 em Moscou como forma de protesto à Invasão Soviética do Afeganistão.  1990 – A Namíbia torna-se independente depois de 75 anos de governo sul-africa no.  1994 – O filme “A lista de Schindler” de Steven Spielberg recebe sete Óscars.  1999 – A bordo do Breitling Orbiter III, o suíço Bertrand Piccard e o britânico Brian Jones entram para a história ao completarem a primeira volta ao mundo sem escalas em um balão de ar quente em quinze dias, 10 horas e 24 minutos.  2005 – Sam Nujoma, Presidente da Namíbia desde 1990, é sucedido por Hifikepunye Pohamba.  2006 – O Twitter é criado por Jack Dorsey, que logo se tornou famoso em todo o mundo. Eventos históricos - (Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki) Aprofunde seu conhecimento clicando nas palavras sublinhadas
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    JB News –Informativo nr. 1.997 – Florianópolis (SC) segunda-feira, 21 de março de 2016 Pág. 4/22 1832 Nasce, na cidade de Desterro, Antônio Justiniano Esteves Júnior. Líder republicano dirigiu a propaganda contra o regime imperial do Rio de Janeiro para a província. Foi representante de Santa Catarina no Senado da República. 1839 Proclamação, desta data, do presidente da República Sul-riograndense, general Bento Gonçalves da Silva () dirigida à população do município catarinense de Lages, face a sua adesão ao movimento republicano. 1897 Fundação, nesta data, do Centro Catarinense, no Rio de Janeiro. 1900 Morre, em Pelotas, o marechal Antônio Nicolau Falcão da Frota. Natural de São Miguel, em Santa Catarina, era veterano do Paraguai. 1934 Instalado, nesta data, o município de Indaial, desmembrado de Blumenau. 1737 Michael Ramsay teria feito seu célebre discurso numa Loja de Paris, afirmando que a Maçonaria tinha origem na Ordem dos Templários. 1808 Nasce Benito Juarez () patriota mexicano. 1835 Visconde de Inhaúma e Maçons potiguares, fundam a Loja Sigilo Natalense, RN. 1889 Fundado o Supremo Grande Capítulo de Visctória, Austrália. 1972 Fundação da Academia Brasileira Maçônica de Letras, por Morivalde Calvet Fagundes. 1990 Fundação da Loja Luz da Acácia nº 2.586 (GOB/SC) em Jaraguá do Sul. Fatos históricos de santa Catarina Fatos maçônicos do dia (Fontes: “O Livro dos Dias” do Ir João Guilherme - 20ª edição e arquivo pessoal)
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    JB News –Informativo nr. 1.997 – Florianópolis (SC) segunda-feira, 21 de março de 2016 Pág. 5/22 O Irmão Juarez de Oliveira Castro escreve às segundas-feiras (48) 9983-1654 (Claro) - (48) 9801-9025 (TIM) juacastr@gmail.com – http://www.alferes20.net Igualdade Há uma variedade imensa de definições de igualdade. Pensamentos diversos sobre a igualdade. Porém, há uma que me agrada muito que é de Guimarães Rosa: “O importante e bonito do mundo é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam”. Ora, vejam que a citação acima é muito interessante. As pessoas não foram terminadas e que vão sempre mudando. Parece que elas foram criadas de uma forma “bruta” e são buriladas no decorrer da vida. A vida tem várias etapas no desenrolar da existência e, se pararmos para pensar, observamos que vamos mudando. As pessoas começam a ser desiguais na maneira de serem criadas pelos pais. Uns têm o privilégio de receberem uma educação esmerada e especial, outros não, recebem a educação da própria vida, de rua e do meio e ambiente em que são criados, “afinando e desafinando”. Por isso que elas “não estão sempre iguais”. E, com efeito, as pessoas ficam sempre mudando de conformidade com o ambiente em que vivem, com a educação que recebem com as amizades que constroem e com tudo aquilo que estudam e aprendem. Às vezes, nem a própria lei do país que diz que “todos são iguais perante a lei”, não funciona igual para todos. Parece que “a igualdade natural ou moral”, como diz Diderot e d’Alembert no tratado “Igualdade”, “está, pois, fundada sobre a constituição da natureza humana comum a todos os homens; que nascem, crescem, subsistem e morrem da mesma maneira. Posto que a natureza humana é a mesma em todos os homens, é claro que segundo o direito natural, cada um deve estimar e tratar aos outros como outros tantos seres que são naturalmente iguais a ele”. Concluímos que somos iguais quando crescemos, vivemos e morremos, diferenciando em alguns pontos influenciados pela natureza e que estamos sempre mudando em razão de que não fomos terminados. Resumiria: estamos sempre em construção. Na Maçonaria somos iguais quando estamos em Loja, como diz o Landmark: “Todos os maçons são absolutamente iguais dentro da Loja, sem distinção e prerrogativas profanas, de privilégios que a sociedade confere. A Maçonaria a todos nivela nas reuniões Maçônicas”. Isso deveria ser, porque é um marco, porém nem sempre ocorre, infelizmente. Veja o que escreveu o Irmão Almir Araújo de Oliveira em sua página “Ponto de Vista Maçônico”: “Nos Princípios Gerais da Maçonaria temos que a nossa Ordem condena a exploração do homem, bem como os privilégios e as regalias, mas enaltece o mérito da inteligência e da virtude e o valor demonstrado na prestação de serviço à Ordem Maçônica, à Pátria e à Humanidade. Combate, de forma intransigente, toda forma de sectarismo. Conforme preceitua a doutrina maçônica o ser humano deve ser priorizado. A humildade é uma virtude a ser observada; a arrogância um vício a ser combatido”. O que devemos fazer é sempre trabalhar em silêncio na construção do nosso ser, ajudando aos outros, e deixar que o “sucesso” de cada um faça o “barulho”. E Theodore Rooselvet me ajuda a terminar dizendo que “De longe, o maior prêmio que a vida oferece é a chance de trabalhar muito e se dedicar a algo que valha a pena”. 2 – Opinião – Igualdade – (Foco & Ação) Juarez de Oliveira Castro
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    JB News –Informativo nr. 1.997 – Florianópolis (SC) segunda-feira, 21 de março de 2016 Pág. 6/22 Ir. Rui Bandeira Lisboa - Portugal Cargos de Loja - Mestre de Cerimônias No texto sobre o mandato do terceiro Venerável Mestre, fiz, a dado passo, referência ao ofício de Mestre de Cerimônias. Tendo sempre presente que este blog se destina a ser lido por maçons e por não maçons, este é um bom pretexto para descrever mais um dos ofícios da Loja, após já ter feito referência aos de Venerável Mestre e de Vigilantes. O ofício de Mestre de Cerimônias existe no Rito Escocês Antigo e Aceite (aquele que é praticado na Loja Mestre Affonso Domingues) e bem pode ser exercido por um mudo. Com efeito, não me recordo de existir uma única fala especificamente do Mestre de Cerimônias em qualquer das cerimônias rituais deste rito. Toda a atividade deste Oficial se faz pelo movimento e pelos gestos. No entanto, este ofício é um dos mais importantes do mencionado rito! O Mestre de Cerimônias é o oficial de Loja que executa, dirige e conduz todas as movimentações em Loja. Sempre que qualquer dos elementos da Loja deve circular nela, faz acompanhado pelo Mestre de Cerimônias (melhor dizendo: seguindo-o). Sempre que a posição ou o estado de um dos objetos com significado ritual deve ser corrigido, quem efetuar essa ação é o Mestre de Cerimônias. Cumprindo instrução nesse sentido do Venerável Mestre ou por decisão própria. O Mestre de Cerimônias é o responsável por toda a circulação no espaço da Loja e, consequentemente, pela sua fluidez e correção. É ele quem indica por onde se deve ir, para se fazer o quê. 3 – Mestre de Cerimônias Rui Bandeira
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    JB News –Informativo nr. 1.997 – Florianópolis (SC) segunda-feira, 21 de março de 2016 Pág. 7/22 O ofício de Mestre de Cerimônias é fundamental na execução do ritual do Rito Escocês Antigo e Aceite, porque é ele quem marca os ritmos e, assim, quem agiliza ou soleniza cada cerimônia. Ao contrário do que sucede, por exemplo, no Rito de York, o ritual do Rito Escocês Antigo e Aceite não é executado de cor: os oficiais que o executam têm o apoio do texto relativo à cerimônia respectiva. Porém, o Mestre de Cerimônias, porque não tem falas, exerce o seu ofício sem o apoio do ritual escrito, o que o obriga ao profundo conhecimento do ritual de todas as cerimônias. Só bem conhecendo o ritual, pode ele estar preparado para executar uma determinada ação no êxito momento em que é adequado fazê-lo, por saber que, quando determinada frase é dita por alguém, se seguirá determinada ação que ele deve executar. A experiência e o conhecimento do ritual do Mestre de Cerimônias pode fazer de qualquer cerimônia ritual um até corriqueiro ou uma exaltante execução. O Mestre de Cerimônias tem que saber que intuir, quando deve ser solene e pausado e quando deve acelerar o seu movimento - por vezes, em função da existência ou não de atraso na execução dos trabalhos... O Mestre de Cerimônias só aprende o seu ofício de uma maneira: executando-o e corrigindo os erros e hesitações que lhe detectarem ou que ele próprio detectar. O Mestre de Cerimônias faz a função, mas também se faz na função. O símbolo da função do Mestre de Cerimônias - símbolo que ele transporta sempre consegue! - é o bastão (ver figura), espécie de bordão ou vara de caminheiro com que ele marca o início dos seus passos e as suas mudanças de direção e que é também utilizado, em conjunto com a espada de outro oficial, para executar uma abóbada cerimonial, designadamente sobre os mais importantes símbolos em Loja em momentos-chave da abertura e do encerramento dos trabalhos. Pode ser substituído por uma versão em tamanho reduzido, de cerca de cerca de meio metro, que, nesse caso, transportará sobre o antebraço, o que sucede normalmente em cerimônias a que se pretende conferir maior "pompa e circunstância".
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    JB News –Informativo nr. 1.997 – Florianópolis (SC) segunda-feira, 21 de março de 2016 Pág. 8/22 Danilo Bruno Louro de Oliveira 1º Vigilante ARLS União e Justiça 27, Poções/BA – GLEB Bel.danilobruno@gmail.com MORAL E MORAL MAÇÔNICA A discussão acerca do que seria “moral” e “ética” vem desafiando filósofos durante vários anos, atravessando diversas correntes de pensamento e gerando acalorados debates, remontando estes à Grécia Antiga, principalmente aos Mestres Sócrates, Platão e Aristóteles. Nesta pequena divagação vou tentar explanar acerca do que seria, em meu íntimo, a “Moral” e a existência de uma possível “Moral Maçônica”. Gosto de iniciar com definições, pois apesar de ser um termo de uso cotidiano, a generalização do uso provoca dúvidas e confusão com termos correlatos. A palavra deriva do latim MORALES, que significa relativo aos costumes, sendo ensinado que a criação desta palavra seria uma tentativa dos romanos em traduzir a palavra grega “Êthica” (nossa atual ética), porém perdendo alguns conceitos importantíssimos, assunto este para outro texto. Pesquisando sobre o tema, logo descobrimos que Moral seria um conjunto de regras que orientam o comportamento do ser humano em sociedade, limitando-o para que desejos individuais sejam submetidos a um crivo social, determinando o que seria ou não permitido para manter a coesão social e possibilitar que o ser humano viva em sociedade. Tal definição explica como conseguimos domar nossos instintos e sentimentos egoístas em prol da vida em sociedade, pois esta normatização possuía o desiderato de nos proteger de predadores e das intempéries da natureza, tornando a sobrevivência do homem mais fácil e garantida. Hodiernamente, além de conservar essas qualidades, a vida em sociedade nos permite um maior desenvolvimento intelectual, filosófico, religioso... Enfim, nos proporciona uma evolução impossível para o ermitão, misantropo e até mesmo para quem evita o contato com seu semelhante. Assim, o estudo e a consequente aplicação da Moral nos permite criar uma sociedade mais justa, humana e solidária, pois a “consciência coletiva” de onde derivam conceitos como honestidade, bondade, virtude, justiça, entre outros, tem o condão de nortear uma melhor convivência entre as pessoas, sempre buscando aperfeiçoar os costumes, as ideias e tentando minorar chagas sociais como preconceito, discriminação e egoísmo. Mas e a “Moral Maçônica”, existiria tal conceito? Quando instado a fazer este trabalho acerca da Moral, o conhecimento e a energia de Aprendiz formularam esta pergunta em meu íntimo: Teriam os Maçons, pelos conhecimentos iniciáticos, filosóficos e sociológicos passados em instruções, além da convivência com pessoas de alto gabarito intelectual e ético, possuidores de uma bondade abnegada, de um constante e verdadeiro 4 – Moral e Moral Maçônica Danilo Bruno Louro de Oliveira
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    JB News –Informativo nr. 1.997 – Florianópolis (SC) segunda-feira, 21 de março de 2016 Pág. 9/22 comportamento fraternal e solidário, atravessando décadas de obscurantismo e ignorância sem macular seu pensar e agir. Teriam os Maçons agraciados com tamanho conhecimento e experiência a possibilidade de possuir uma “moral própria”, “costumes diferenciados”? Seria possível conceituar “Moral Maçônica” ou mesmo “Costumes Maçônicos”? Ao estudar e conversar com vários irmãos, percebo que a principal virtude do Maçom é o ESTUDO e para chegar a tal conclusão não precisei divagar muito ou elaborar teorias complicadíssimas, nem sequer observar e experimentar à exaustão. Bastava apenas verdadeiramente interiorizar o quanto explicado em instruções, o quanto lido em obras maçônicas, o quanto observado em comportamentos rotineiros de Irmãos, ou seja, bastou não desviar da busca da verdade. Isto porque o Maçom que estuda, sabe que nesta vida estamos sendo submetidos a provas, a expiações, não importa se a crença religiosa do Maçom ensine que as escolhas feitas e as atitudes tomadas resultarão em consequências sentidas em outras vidas, que seremos julgados quando da nossa morte ou mesmo quando do retorno do Messias, entre outras possíveis crenças, o ponto comum é que estamos sendo instados a evoluir, avaliados para um futuro próximo. E estas escolhas e comportamentos não se limitam a nós, mas relacionam-se primordialmente com nosso semelhante, pois é com ele que devemos demonstrar, justiça, misericórdia, piedade, caridade, amor, pois não basta interiorizar e glorificar tais predicados, estes devem ser exteriorizados para que a Maçonaria possa tornar feliz a humanidade. E a Moral regula justamente esses comportamentos com o próximo e nesse ponto devemos repensar se a nossa “moral” não seria hipocrisia. Pois hipocrisia é o fingimento de crenças, valores, idéias, enfim de uma gama de sentimentos que a pessoa não possui. Ao fingir ser bom e virtuoso, a pessoa tenta mascarar sentimentos ruins, transformando a sociedade em algo bonito no direito, na “moral positivada”, mas grosseiro e egoísta nas atitudes do cotidiano e nos pensamentos e ideias recorrentes. E a hipocrisia é patente quando juramos solenemente ao adquirir graus maçônicos ou ocupar cargos, trabalhar abnegadamente e despidos de vaidade, porém não nos esforçamos para cumprir plenamente o quanto jurado e esta “evolução” apresenta-se somente no plano material, físico ao ostentarmos um novo avental ou uma reluzente medalha, não havendo uma transformação interior do Maçom, sendo nula a possibilidade de reverberação social dessa “evolução”. Não sendo capaz o maçom de melhorar interiormente com tais “conquistas”, como ajudará no progresso da humanidade? Quando desempenharmos nossas funções de maneira satisfatória, embasando nossas atitudes na necessária humildade que deve acompanhar o incessante e proveitoso labor Maçônico, sem nos vangloriarmos de um tijolo que tenhamos colocado na construção da felicidade humana. Quando buscamos o desenvolvimento de um profícuo trabalho que venha a melhorar a realidade que nos cerca, promovendo uma evolução íntima nos obreiros que participam daquela empreitada, nunca perdendo de vista que esta evolução, inevitavelmente, irá reverberar na sociedade, fazendo uma sociedade mais justa e perfeita. Nesta hora podemos ter a felicidade plena de estar lutando o bom combate, buscando a verdade, sendo verdadeiros Maçons. Por fim, apesar dos valores contidos em nossos rituais e ensinados através das gerações, não devemos olvidar ser sabido que vários Maçons e até mesmo Lojas defenderam, entre outras posturas equivocadas, a escravidão em tempos antigos, que existiram Lojas separadas pela “cor” da pele de seus obreiros. Salutar é a divisão entre “Moral Maçônica” e “Moral do Maçons”. Já ouvi várias vezes a expressão: “A Maçonaria é perfeita, os Maçons é que não o são”, acreditando ser este o principal motivo de nossas reuniões em Loja: A busca de uma perfeição, de um dever-se mais justo e fraterno entre os Irmãos, mas sempre de olho na sociedade a qual nós pertencemos. Portanto, apenas pincelando comentários acerca desta chamada “Moral Maçônica”, chego ao fim destas reflexões satisfeito por ser instado a pesquisar sobre tão importante tema, confiando que outros exemplos, outras peças de arquitetura, outros pontos de vista nos ajudarão a debater assuntos discutidos há milhares de anos, mas que se apresentam modernos, instigantes e dotados da maravilhosa propriedade de nos evoluir como Maçons, cidadãos, seres humanos.
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    JB News –Informativo nr. 1.997 – Florianópolis (SC) segunda-feira, 21 de março de 2016 Pág. 10/22 Irmão Carlos Alberto Carvalho Pires, M.M. – Loja Acácia de Jaú 308 – Jaú SP A Virtude e a Maçonaria “O que entendeis por virtude?” ( pergunta de Apolo aos discípulos de Elêusis, Séc VI a.C.) 1- A virtude para os Gregos Virtude na Grécia Clássica era a Areté, um termo que significa a excelência, o máximo, o melhor, a força e o vigor, o esplendor ou o sublime. Ser virtuoso equivalia a ser o modelo ideal de cidadão no contexto da pólis. A vida boa, a vida digna e justa que os gregos deveriam almejar e cultuar era a opção dos melhores, ou seja, dos daqueles coroados pelas virtudes. Sócrates afirmava que virtude era a prática da excelência. Já Aristóteles dizia que a virtude são práticas ou hábitos que nos levam para o bem. A dúvida que surge, nesta colocação, é como definir com clareza o que seria uma vida boa. Qual seria o perfil de homem que os gregos antigos consideravam como exemplo a ser seguido? Os gregos acreditavam que o mundo era perfeito.Tudo que existe teria uma finalidade, um sentido e uma missão a cumprir. Isso ocorreria para todos os entes e para os infinitos fenômenos da natureza. Como a chuva, os bodes e as acácias, cada elemento teria sua razão de existir e comporia o universo regido por uma lógica, que eles chamavam de logos, que seria uma espécie de “princípio criador”. Este ente original teria orquestrado um projeto arquitetônico belo e harmônico, onde tudo obrigatoriamente deveria funcionar de forma justa. O traçado do mundo, feito por este arquiteto supremo, era uma obra de arte – e como toda obra de arte não haveria um traço, uma letra, um tijolo ou pedra colocada aleatoriamente na planta. Tudo tinha que estar onde exatamente devia estar. Uma peça que não se encaixasse no desenho da prancheta seria uma hybris, equivalente a um simulacro ou uma aberração. Assim, não há opção de vida alternativa – ou de alterar o seu destino – aos fenômenos naturais, como um rio que flui para o mar ou como um terremoto que abre a terra, ou para os animais, como um bode que nasce-pasta-reproduz e morre. Dentre todas as criações existentes, haveria apenas uma que teria o potencial de viver fora de seu objetivo primordial traçado a priori pelo arquiteto criador: o homem. O ser humano teria condições de navegar contra a sua natureza. Isto ocorre quando a pessoa desconhece seus verdadeiros talentos, ou quando apesar de descobri-los não os exerce na plenitude. Portanto, o primeiro degrau da escada para a jornada em busca da vida virtuosa refere-se ao emblemático processo denominado de autoconhecimento – gnouti sauthon em grego. Todos tem que se auto-analisar. Como afirmava Sócrates, “uma vida não avaliada não merece ser vivida”. Os talentos foram dados para que cada ser humano possa desempenhar sua função no grande projeto arquitetônico do universo. Não foram aptidões agregadas por acaso, dizia o mestre de Platão. Para o ethos grego, portanto, a vida boa é aquela vivida de acordo com o exercício pleno das aptidões naturais que o logos concedeu a cada cidadão. Esta seria a forma virtuosa de viver: descubra para que você veio ao mundo, e realize com força e vigor o seu destino, seja ele qual for. Se um homem não descobre para que serve, ou se apesar de saber não tem força moral para exercer estes dons com excelência, estaria no caminho do vício. O vício, para os gregos, é a vida exercida fora do planejado. Como exemplos desta condição não ideal, imagine Mozart como um comerciante, Van Gogh como um pastor ou Pelé como um funcionário público. Seriam casos exemplares de hybris, ou de virtudes degeneradas. O que chama a atenção nesta perspectiva grega da virtude é que não importa o tipo de talentos que o indivíduo possui. Não interessa se ele os usa para as chamadas boas ações ou para ações nem 5 – A Virtude e a Maçonaria Carlos Alberto Carvalho Pires
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    JB News –Informativo nr. 1.997 – Florianópolis (SC) segunda-feira, 21 de março de 2016 Pág. 11/22 tão boas assim, quando analisadas pelos critérios de certo e errado dos inúmeros códigos de ética mais atuais. Os virtuosos, devidamente funcionais na máquina universal, Para os gregos somente os talentosos e que exercem suas aptidões na plenitude poderiam dirigir com excelência os destinos da polis. Assim, o ideal da vida grega ou a prática do bem se refletiria na boa condução dos negócios das cidades, condição esta exclusiva aos virtuosos. A virtude para os Cristãos A virtude para os cristãos tem outro significado. Agora a preocupação com a possibilidade de se conquistar uma vida boa e digna se refere a ter acesso à cidade de Deus. Os bons cristãos devem exercer alguns hábitos e práticas formuladas por Deus que ficaram conhecidas como virtudes teleológicas: fé, esperança e amor (caridade). Por este prisma os talentos individuais nada representam em termos de se alcançar o ideal de vida. O que importa é a crença em Deus, a esperança de perspectivas melhores no futuro e o bem cuidar do próximo. A virtude na Modernidade Em meados do século 18 uma nova figura surgia no esplendor das luzes pós Renascença: o homem moderno. A razão esclarecida passava a ser o timoneiro dos pensamentos, dos atos e das omissões dos doutos iluminados. Tudo que existia até então teria que passar pelo crivo da capacidade questionadora das mentes livres e conscientes. Este novo homem racional se reinventou enquanto “ente-no-mundo”. Uma vez que passara a questionar todo e qualquer pensamento, este pensador exercia uma autonomia. Criou-se, assim, o sujeito, o indivíduo, o “”eu-senhor-de-si ou o ego condutor dos próprios destinos. Com imenso poder de devastação sobre as concepções anteriores do que seria uma postura virtuosa, a razão e o sujeito moderno ditavam quem tinha ou quem não tinha o direito de gozar uma vida reta. A virtude grega e cristã perdia fôlego – o modelo agora era a vida calcada em uma espécie de virtude racional, exercida através do mote “Cogito Ergo Sum” cartesiano. O novo ethos representava uma libertação de todas as formas de tutela ou de concepção metafísica: o homem como sujeito seria o suficiente para gerar todo sentido e todos os significados para a vida plena. O homem, como figura subjetiva, não dependia mais de nenhuma instância superior a si para explicar ou justificar o universo, enquanto projeto arquitetônico ou enquanto obra divina. Tudo se resumiria ao indivíduo, completamente livre e por isso mesmo igual a todos que existem – os ideais de liberdade e de igualdade surgem com o homem moderno. A virtude na Contemporaneidade Já na pós-modernidade a definição de virtude se altera. Com a derrocada dos valores modernos, devido à crise moral da ciência e da razão enquanto vertentes moduladoras da boa vida, algo novo aparece no horizonte dos caminhos do homem. Com a explosão dos meios de comunicação de massa, somado ao incremento na industrialização e na produção de bens de consumo (a revolução industrial começou no século 18, mas seu apogeu ocorreu logo depois da II grande guerra), e tendo ainda a recente intensificação brutal da globalização de informações e de pessoas pelas conexões da internet, ser virtuoso na contemporaneidade equivale a ser um bom consumidor dos produtos – tangíveis e intangíveis – que o mercado oferece ininterruptamente. Melhor explicando: o caminho da boa vida é o caminho do consumo. Esta é uma consequência lógica do sistema capitalista. E atrelado a este consumismo vem todo um estilo de vida de alta rotatividade, de relações fluidas – ou líquidas, como diz Bauman – de hedonismos fugazes e de aparentar uma felicidade abstrata e plastificada. Independentemente da forma como interpretamos o que seriam as virtudes ideais que todo cidadão “de bem” deve respeitar e praticar trata-se de um conjunto de valores que determinam um condicionamento de comportamentos ou um adestramento das aptidões individuais que ocorre com raridade entre os homens. Mais que isso, são metas ou objetivos transcendentais que a maioria das pessoas não vai conseguir atingir, por questões de limitações pessoais ou morais. Em outras palavras: todos querem ser e se dizem muitas vezes virtuosos, mas na realidade isto não ocorre. O ser humano, com raras exceções, exercem em sua vida privada e pública apenas uma interpretação caricata e bufona dos papéis virtuosos elencados ao longo das eras. Esta máscara “de bonzinho” que é tão fartamente utilizada é apelidada de “vício”.
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    JB News –Informativo nr. 1.997 – Florianópolis (SC) segunda-feira, 21 de março de 2016 Pág. 12/22 O vício é a caricatura, o fake, o simulacro da virtude. A sociedade nos diz “seja virtuoso”, mas se não for possível que seja pelo menos aparentemente virtuoso. Este Bloco é produzido pelo Irmão Pedro Juk, às segundas, quartas e sextas-feiras Quem instrui Em 25.08.2015 o Respeitável Irmão Lauro Goerll Filho, Loja Filhos do Pelicano, 3.866, REAA, GOB- PR, Oriente de Cianorte, Estado do Paraná, formula a seguinte questão: laurogoerllfilho@hotmail.com Tenho a seguinte dúvida: A quem cabe as instruções dos Aprendizes e Companheiros? Ao 1º e 2º Vigilantes, respectivamente? Já vi em alguns livros a respeito do REAA que aos Aprendizes, o responsável é o 1º Vigilante, e em outros que é o 2º Vigilante. Considerações: No passado medieval (século XII) as reuniões das Corporações de Ofício da Francomaçonaria não eram realizadas em Templos, já que à época estes nem mesmo existiam (o primeiro somente apareceria no terceiro quartel do século XVIII em Londres). Também não eram conhecidos os Ritos, ou Trabalhos no Craft tal como hoje os conhecemos, porém já existiam à época as instruções éticas e morais e mesmo religiosas que eram apresentadas sob a forma de catecismo concomitantemente ao aprendizado do ofício – 6 – Perguntas & Respostas Pedro Juk Não esqueça: envie sua pergunta identificada pelo nome completo, Loja, Oriente, Rito e Potência.
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    JB News –Informativo nr. 1.997 – Florianópolis (SC) segunda-feira, 21 de março de 2016 Pág. 13/22 elas seriam posteriormente então conhecidas como as “old charges”, ou as “antigas obrigações”. Era costume entre aquelas Corporações, a realização de reuniões comemorativas e festas patronais onde também eram discutidos e avaliados os planos de trabalho do Ofício. Geralmente nessas reuniões também aconteciam às recepções para novos iniciados no Ofício da “arte da construção”. Assim, essas assembleias de construtores se realizavam uma ou duas vezes por ano, coincidindo sempre com os períodos solsticiais – solstício de verão em 24 de junho e solstício de inverno em 27 de dezembro em relação à meia esfera norte do nosso Planeta (hemisfério norte). É dessas datas, por influência da Igreja, que mais tarde seriam identificados os Santos Padroeiros, João, o Batista e João, o Evangelista na Maçonaria com as suas Lojas de São João. Quando dessas reuniões, as mesmas eram realizadas no princípio em torno de uma mesa longa orientada simbolicamente de Leste para Oeste onde o Mestre da Obra (não era o atual Mestre Maçom da Moderna Maçonaria) ocupava a parte mais oriental do recinto. No lado oposto, no extremo da banda ocidental, tomava assento o primeiro auxiliar do Mestre, conhecido à época como “warden” (zelador) - mais tarde seria rotulado como 1º Vigilante. Na porção mediana da grande mesa, todavia pelo seu lado Sul, assentava-se a ela o segundo “warden” auxiliar do Mestre, que seria qualificado posteriormente como 2º Vigilante. Vale a pena mencionar que essa antiga compleição relacionada aos três dirigentes (as Luzes da Loja), já no período operativo, possuía caráter imemorial, espontâneo e universalmente aceito, portanto, um verdadeiro “Landmark” (limite). Então, desde o século XII, provavelmente pelo costume herdado das “Guildas”, essas reuniões já eram realizadas à mesa de refeições, cuja disposição desse mobiliário daria origem na Maçonaria à conhecida mesa em formato de “U” que seria também orientada de Leste para o Oeste, tendo ao centro do Oriente pelo dado de fora da mesa o Mestre da Loja e, nos dois outros extremos dessa mesa (pernas do “U”), no sentido longitudinal do espaço, os assentos a noroeste o Primeiro Vigilante e a sudoeste o Segundo Vigilante (origem da disposição das atuais Lojas de Mesa, que são denominadas equivocadamente como banquete ritualístico). Descrito o ambiente, na mesma oportunidade em que se discutiam assuntos pertinentes à Confraria geralmente acompanhados de um banquete, era também saudado o solstício coincidente ao Santo Patronal que dava origem ao novo ciclo natural - a nova estação do ano. Concomitante ao ato comemorativo mencionado era também realizada a iniciação para membros aspirantes á “Arte de Construir” - nunca é demais lembrar que nos albores da Francomaçonaria existiam, além do Mestre da Loja, apenas as classes dos Aprendizes recém- iniciados e dos Aprendizes do Ofício, estes últimos posteriormente dariam origem aos Companheiros do Grêmio (Fellow Craft). Historicamente, era dentre a classe dos Companheiros (geralmente o mais experiente) escolhido um para assumir a direção dos trabalhos da Loja (Mestre da Loja à época não era grau). Pela experiência contraída por esse Companheiro do Ofício, a ele era dada a oportunidade de possuir a sua própria Guilda de Construtores, ocasião que recebia do senhorio uma carta patente qualificando-o a contratar obras e se deslocar livremente para iniciar e ensinar novos Aprendizes de acordo com as exigências da “Arte”. É desse costume que quando em deslocamento por outras paragens, os Maçons se reconheciam secretamente por sinais, toques e palavras, evitando com isso que um “pedreiro” não precisasse ficar horas desbastando e esquadrejando uma pedra para provar a sua habilidade. Retomando as considerações do ancestral ambiente das antigas reuniões em torno da mesa é que mais tarde os integrantes daquelas corporações (canteiros) passariam a usar um recinto específico para a finalidade iniciática. Geralmente esses ambientes ocupavam espaços de tabernas e ocupavam uma grande sala contígua ao espaço empregado nas reuniões comensais.
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    JB News –Informativo nr. 1.997 – Florianópolis (SC) segunda-feira, 21 de março de 2016 Pág. 14/22 Assim, foi nesse espaço quadrangular, porém sem fazer uso daquela grande mesa, que os assentos dos dirigentes (atual Venerável e os Vigilantes) eram simbolicamente dispostos de modo análogo à antiga mesa – um no Leste, um no Meio-Dia e a outro no Oeste. Diante dos dirigentes (atuais Luzes da Loja) havia apenas um pequeno pedestal e um tocheiro. Um banco de se ajoelhar era também colocado próximo ao pedestal do Mestre da Loja. Ao centro do ambiente, entre o Norte e o Sul eram desenhadas no chão – geralmente com giz ou carvão - alegorias alusivas aos instrumentos de trabalho dos construtores de modo que sugerissem também lições de moral e ética profissional, bem como a religiosidade conivente com os clérigos eclesiásticos que eram na época os principais protetores das confrarias de construtores de até então existentes. Ainda com relação a esses conjuntos alegóricos desenhados no chão do espaço, há que se mencionar que mais tarde seriam substituídos por gravações em tapetes que seriam os ancestrais dos atuais Painéis da Loja (sistema francês), ou das Tábuas de Delinear (sistema inglês) na Moderna Maçonaria. Quanto ao tema da questão propriamente dito, antes, porém foi preciso descrever pelo menos um panorama sucinto de como eram realizados os trabalhos maçônicos em tempos dantes. Do mesmo modo e para melhor esclarecer a obrigação de ofício de um Vigilante e a instrução maçônica, objeto dessa questão, segue abaixo um sumário genérico que envolve a realização de uma iniciação na época: SUMÁRIO - o candidato ao Aprendiz do Ofício, vendado e despojado era conduzido para o recinto apropriado e entregue ao 2º Vigilante que antes o apresentava aos demais membros da Confraria para em seguida coloca-lo diante do 1º Vigilante quando recebia uma oração, ou prece, em seu favor (esse costume prevalece até os dias atuais – veja Ritual em vigência no GOB). Posteriormente, em perambulação pelo recinto, o proposto era conduzido pelo 2º Vigilante (mais tarde por um Oficial de Chão, ou o Diácono) até o Mestre da Loja onde o Candidato era orientado a se ajoelhar sobre o joelho esquerdo e segurar o Livro das Sagradas escrituras que ia apoiada sobre a sua mão esquerda e colocada à respectiva mão direita espalmada por sobre o Livro (postura que daria origem ao Due Guard1 ) quando então prestava a sua “obrigação” como Aprendiz do Ofício recebendo em seguida à Luz (o postulante era desvendado). Naquela oportunidade então, lhe era entregue um par de luvas de couro e um avental de pele de carneiro, objetos que lhe serviriam de proteção durante os labores no desbaste da pedra bruta, ao mesmo tempo em que lhe eram apresentadas de forma verbal pelo 2º Vigilante as lendas, geralmente bíblicas, e também lhe eram lhe revelados os antigos costumes da Confraria (Old Charges) que serviriam como um código de moral para norteá-lo na senda destinada ao novo Aprendiz. Ato seguido o Neófito era então colocado diante do quadro (ainda desenhado no chão na época) enquanto o 2º Vigilante provia a instrução (catecismo) relacionada aos símbolos e alegorias constantes no quadro (origem do Tapete e dos Painéis da Loja) e os primeiros segredos da Arte da Construção. Terminada a primeira preleção ao Neófito, o mesmo era conduzido próximo ao canto nordeste da Loja e lhe apresentado o primeiro canto marcado pela pedra angular da Obra. Por fim era encerrada a recepção ao novo Aprendiz do Ofício no Craft. Em síntese assim era uma Iniciação no distante período operativo que, salvo algumas variações consoantes aos costumes regionais e culturais, em pouco se diferenciavam nas confrarias dos Canteiros Medievais. O Aprendiz iniciado passaria então o seu tempo, geralmente três anos, no canteiro de obras aprendendo com o 2° Vigilante a arte de esquadrejar a pedra para servir os pedreiros mais experientes até que, com tempo e dedicação, estivesse apto para assentar a pedra esquadrejada, cujo objetivo seguinte, na senda dos construtores, seria a passagem para prosseguir em direção à elevação da construção. 1 Due Guard – guarda devida, ou devido de guarda. Praticamente abolida das Lojas inglesas, esse sinal viria a sobreviver nas Lojas norte- americanas (Craft) e irlandesas. O gesto exprime a atitude correta que o candidato deveria assumir ao prestar a sua obrigação diante do Livro da Lei.
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    JB News –Informativo nr. 1.997 – Florianópolis (SC) segunda-feira, 21 de março de 2016 Pág. 15/22 Assim o 2º Vigilante comunicava ao 1º Vigilante que, por sua vez conferia e, se aprovada à obra executada pelo postulante, solicitava ao Mestre da Obra aumento de salário profissional em favor do Aprendiz. Se assim ele o obtivesse passava para a perpendicular ao nível (do nível para o prumo) - a etapa do erguimento ou da elevação das paredes. Com relação ao Companheiro do Craft – na época rotulado como Aprendiz Sênior - o método era o mesmo, cujo tempo de aperfeiçoamento beirava os aproximados cinco anos, em cujo período lhe eram ensinados os segredos da arte da aprumada e elevação das paredes, assim como o fechamento estrutural dos arcos ogivais (góticos). Nesse segundo ciclo de aperfeiçoamento as instruções eram ministradas e supervisionadas pelo 1º Vigilante que, no crepúsculo doutrinário (final do quinto ano), pedia ao Mestre da Obra aumento de salário profissional para o Companheiro. Caso ele obtivesse aprovação, então ele estaria apto para receber a carta (placet) que o habilitava a contratar serviços em seu nome e iniciar novos postulantes ao ofício. É sob esse feitio que o Segundo Vigilante recebia e instruía os Aprendizes, enquanto que o Primeiro Vigilante supervisionava e doutrinava os Companheiros, daí a tradição conservada até os dias atuais, obedecida a tradição de que na Moderna Maçonaria os Ritos e Trabalhos do Craft oriundos do hemisfério Norte, os Aprendizes tomam assento sempre no lado Norte e os Companheiros no Sul, independente de que o Primeiro Vigilante se posiciona sempre no Ocidente ou no noroeste (conforme o Rito) e o Segundo Vigilante no Sul (Meio-Dia). Atualmente trabalhamos em uma Loja simbólica, enquanto que no passado medieval os trabalhos operativos se realizavam cotidianamente nos canteiros de obras, reservando-se os recintos fechados (salas das tabernas ou os adros das igrejas) apenas para as reuniões anuais ou semestrais para as avaliações da obra, comemorações patronais e ingresso de novos integrantes. Com o advento da Moderna Maçonaria e o aparecimento dos Ritos Maçônicos (meados do século XVIII), procurou-se conservar, dentre outras, essas tradições mesmo que de modo especulativo. Assim apareceria também a disposição mobiliária e topográfica dos canteiros simbólicos conforme os Ritos e Trabalhos - as atuais Lojas Simbólicas - aonde exercem seus ofícios o Venerável, os Vigilantes, as demais Dignidades e Oficiais, assim como os Aprendizes e Companheiros. É nessa transição da Maçonaria que apareceria a partir de 1.724/25 na Inglaterra o Grau de Mestre Maçom, sacramentado como condição iniciática a partir da segunda Constituição inglesa - a de 1.738. Daí, na Moderna Maçonaria como fiel guardiã das tradições usos e costumes manteria também essa questão hierárquica, onde o 2º Vigilante instrui os Aprendizes; o 1º Vigilante, os Companheiros e o Venerável, os Mestres. Finalizando, é imperioso se compreender que verdadeiramente quem dirige a Loja é tão somente o Venerável Mestre, auxiliado pelos Vigilantes. Dessa relação está o contido no Ritual de Aprendiz do Rito Escocês Antigo e Aceito em vigência no GOB quando, dentre outros, prevê que os Aprendizes, sentados no Topo da Coluna do Norte sejam instruídos simbolicamente pelo Segundo Vigilante que por sua vez ocupa lugar na Coluna do Sul ao meridiano do Meio-Dia, enquanto que os Companheiros, assentados no Topo da Coluna do Sul, são instruídos pelo Primeiro Vigilante que fica posicionado no extremo ocidente da Coluna do Norte. A questão não é de quem senta ou aonde se posiciona na Coluna, a questão é de tradição e história da Arte Real assim como o que envolve a hierarquia das Luzes da Loja. T.F.A. PEDRO JUK – Secretário de Orientação Ritualística do GOB-PR Out/2015 jukirm@hotmail.com –
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    JB News –Informativo nr. 1.997 – Florianópolis (SC) segunda-feira, 21 de março de 2016 Pág. 16/22 (as letras em vermelho significam que a Loja completou ou está completando aniversário) GOSC https://www.gosc.org.br Data Nome Oriente 05/03/2005 Aurora Florianópolis 10/03/1972 Templários da Justiça Lages 15/03/1998 Estrela do Sul Lages 18/03/1998 Jacy Daussen São José 18/03/2011 Monteiro Lobato Itajaí 19/03/1993 III Milênio Curitibanos 19/03/1994 Renascer da Luz Criciúma 20/03/1949 Januário Corte Florianópolis 23/03/1996 Pedra Cintilante Itapema 24/03/1998 Fiel Amizade Florianópolis 30/03/1998 Amigos para Sempre Joinville 30/03/1999 Círculo da Luz Joinville 31/03/1975 Estrela do Mar Balneário Camboriú 31/03/2011 Colunas do Arquiteto Ituporanga Lojas Aniversariantes de Santa Catarina Mês de Março 7 – Destaques JB Resenha Final
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    JB News –Informativo nr. 1.997 – Florianópolis (SC) segunda-feira, 21 de março de 2016 Pág. 17/22 GOB/SC – http://www.gob-sc.org.br/gobsc Data Nome Oriente 03.03.2012 Guardiões das Virtudes - 4198 Biguaçú 14.03.1981 Estrela do Planalto -2119 Canoinhas 16.03.1899 União III Luz E Trab. 664 Porto União 16.03.2005 Cavaleiros da Luz - 3657 Florianópolis 19.03.2004 Quintessência - 3572 Bombinhas 21.03.1990 Luz da Acácia - 2586 Jaraguá do Sul 21.03.2009 Acácia de Balneário - 3978 Baln. Camboriú 29.03.1973 Acácia Joinvilense - 1937 Joinville 29.03.1973 Gênesis - 2701 Tubarão 29.03.2012 União Palhocense - 4236 Palhoça 30.03.2006 Luz da Porta do Vale - 3764 Itajaí GLSC - http://www.mrglsc.org.br Data Nome da Loja Oriente 11.03.2003 Fraternidade Itajaiense nr. 85 Itajaí 17.03.2010 Fonte de Luz nr. 102 Chapecó 18.03.1989 Tríplice Fraternidade nr. 48 Dionísio Cerqueira 20.03.2009 Acácia Itajaiense II nr. 100 Itajaí 21.03.1940 Cruzeiro do Sul nr. 05 Joaçaba 24.03.2010 Loja do Sol nr. 103 Blumenau 28.03.1970 Pitágoras nr. 15 Florianópolis 30.03.1995 Leão de Judá nr. 62 Florianópolis
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    JB News –Informativo nr. 1.997 – Florianópolis (SC) segunda-feira, 21 de março de 2016 Pág. 19/22 Loja Professor Mâncio da Costa Florianópolis – GOB/SC CONVITE Dando continuidade ao Ciclo de Grandes Palestras, a Administração da B∴A∴R∴L∴S∴ Prof∴ MÂNCIO DA COSTA – N° 1977 - GOB tem a honra de Convidar os Irmãos para mais uma grande Palestra deste projeto que será proferida pelo Ir∴ MARCOS DE OLIVEIRA, com o título: “TEORIAS SOBRE O SIGNIFICADO E A FUNÇÃO DO CONHECIMENTO” Local: Templo da FAR - Rua Pres. Gama Rosa, n° 36 – Trindade – Florianópolis Data: dia 21 de março de 2016 – Segunda- Feira Horário: às 20:00 horas em Sessão no Grau de Aprendiz, REAA. O Ir∴ Marcos de Oliveira é V∴M∴ da Loja Alvorada da Sabedoria, Cavaleiro Templário, Maçom do Real Arco, Cavaleiro de São João de Jerusalém, Palestina, Rodes e Malta, Coronel BM, foi Comandante Geral dos Bombeiros em Santa Catarina, membro da Academia de Letras dos Policiais Militares de Sta. Catarina, com vários cursos de Graduação e Pós Graduação. Após a sessão haverá um Ágape por adesão. Aos IIr∴ que quiserem participar do Ágape, solicitamos confirmação de presença para melhor organização. Florianópolis, março de 2016. Ir∴ Paulo Roberto Velloso V∴M∴ Prof∴ Mâncio da Costa Dividir os trabalhos para somar resultados. www.manciodacosta.mvu.com.br
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    JB News –Informativo nr. 1.997 – Florianópolis (SC) segunda-feira, 21 de março de 2016 Pág. 21/22 Os vídeos são pesquisados ou repassados, em sua maioria, por irmãos colaboradores do JB News. 1 – Topografia e simbolismo do Templo: 04.2014 - TOPOGRAFIA E SIMBOLISMO DO TEMPLO - REAA.pdf 2 – Hourdin: 276080_HOURDIN.PPS 3 – A pesquisa em Maçonaria: A_Pesquisa_em_Maçonaria.docx 4 –Funeral do Gen. Carl Mundy - Fuzileiro https://youtu.be/2kB9tt0XEH8 5 – Aqueduto de Segovia: AquedutodeSegovia.pps 6 – Andes: ANDES - 3.pps 7 – Filme do dia: (Pompéia – A Fúria dos Deuses) (épico) – dublado. Sinopse: Pompéia era uma típica cidade romana, situada próxima ao vulcão Vesúvio (arredores de Nápoles, sul da Itália). No ano de 79, este vulcão entrou em erupção violenta, provocando um forte terremoto e expelindo grandes quantidades de pedras incandescentes, lava vulcânica, poeira e fumaça tóxica. A cidade de Pompéia foi totalmente coberta e quase toda população morreu soterrada. As cidades vizinhas de Herculano e Stabia também foram atingidas. No final do século XVIII, a cidade foi redescoberta por um agricultor que, ao trabalhar na região, localizou um muro da cidade. Nos dois séculos seguintes, a cidade foi escavada por arqueólogos. Casas, prédios públicos, aquedutos (sistema de condução de água), teatros, termas, lojas e outras construções foram encontrados. Os arqueólogos acharam também objetos e afrescos (pinturas em paredes) que revelaram importantes aspectos do cotidiano de uma cidade típica do Império Romano. Porém, o que mais impressionou os pesquisadores foram os corpos petrificados, em posição de proteção, que foram atingidos pelas lavas vulcânicas. https://www.youtube.com/watch?v=Ha3OnX99kLc&list=PL5-jB_qTbSEw- MGy0b2ih7eVxT7AFxA8v
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