Terça-feira 17 Novembro 2009   Diário Económico | U N I V E R S I D A D E S IX




              NADIM HABIB




Paula Nunes
              Administrador Executivo do Nova Forum




              Who is your brand?
              A visibilidade das marcas vai definitivamente
              estar em alta em 2010

              Numa altura em que a maioria das empresas está a preparar
              o budget para 2010, a grande questão para os departamentos
              de Marketing não tem apenas a ver com os valores a investir
              mas – mais relevante – com os canais onde investir.
              No próximo ano a publicidade deverá entrar num ciclo
              ascendente. É quase certo que os “marketers” terão à sua
              disposição um conjunto vasto e variado de meios que lhes
              permitam dar uma resposta à altura da recuperação económica.
              Na verdade, muitos “marketers” vão estar concentrados tanto
              no que vão gastar, como na melhor forma de se afirmarem
              perante a concorrência, sobretudo aquela que se mostra mais
              relutante em mergulhar de cabeça num futuro incerto.
              A visibilidade das marcas vai definitivamente estar em alta
              em 2010. Mas com os consumidores ainda hesitantes, resta saber
              se esta visibilidade se vai traduzir em clientes menos sensíveis
              ao preço, que gastam, e que – consequentemente – engrossam
              as margens e lucros das empresas. Neste ponto, as coisas não
              são muito claras.
              É verdade que um consumidor confiante gasta mais.
              Mas é também verdade que as relações de confiança, segurança
              e credibilidade têm um papel cada vez mais importante nas
              decisões do consumidor. Nos próximos anos, os negócios que
              tenham sucesso na difícil tarefa de se ligar aos consumidores,
              verão certamente as suas receitas subir e a elasticidade dos
              preços descer – tudo alimentado por uma carteira de clientes
              altamente rentáveis e leais aos seus produtos.
              Mas há o outro lado. Tendo em conta o sentimento dos
              consumidores, os negócios que gerarem falsas expectativas,
              isto é, os negócios que não fizerem corresponder às mensagens
              publicitárias a experiência dos clientes, não só terão um baixo
              retorno sobre o investimento em marketing como, mais grave,
              iniciarão uma espiral negativa de quebra nas vendas e destruição
              da confiança dos consumidores.
              A tentação de prometer muito e cumprir pouco – over promisse,
              under deliver – é significativa. É um comportamento típico em
              épocas de maior pressão económica – idealmente, gastaríamos
              agora e lidaríamos com a satisfação do cliente depois. Vender
              muito ajuda a resolver alguns problemas e por isso, colocar
              a qualidade à frente das vendas na linha de prioridades
              da organização, é uma ideia difícil de passar em qualquer
              administração.
              Mas neste clima económico em que o consumidor foi chamado
              a envolver-se, a confiança tem um papel fundamental no
              processo de escolha. Factores como qualidade de serviço,
              capacidade de resolver problemas e preocupação autêntica
              com o cliente determinarão o aumento de visibilidade
              e o sucesso da organização.
              Um estudo recente sobre a fidelidade dos consumidores
              norte-americanos na banca de retalho demonstrou que mais
              de 50 por cento dos clientes valoriza sobretudo a conjugação
              de dois aspectos: bom atendimento por parte dos colaboradores
              do banco e capacidade de resolver
              problemas. Claramente, a habilidade dos colaboradores mais
              próximos do cliente para estabelecer relações, satisfazendo
              as expectativas geradas pelo Marketing, vai ser determinante
              para as empresas. E isto exige das linhas da frente capacidade
              de improvisação, resiliência e criatividade, para se adaptarem
              a um consumidor desconfiando e hesitante. Em última análise,
              estas pessoas serão a face visível da diferença entre
              as expectativas geradas pelo Marketing e a realidade
              da experiência proporcionada ao cliente. Talento passa
              a ser sinónimo da marca. Por isso, a pergunta mais relevante
              que um “marketer” pode fazer antes de investir para 2010 é:
              “who is your brand?”

Interview Diário Económico

  • 1.
    Terça-feira 17 Novembro2009 Diário Económico | U N I V E R S I D A D E S IX NADIM HABIB Paula Nunes Administrador Executivo do Nova Forum Who is your brand? A visibilidade das marcas vai definitivamente estar em alta em 2010 Numa altura em que a maioria das empresas está a preparar o budget para 2010, a grande questão para os departamentos de Marketing não tem apenas a ver com os valores a investir mas – mais relevante – com os canais onde investir. No próximo ano a publicidade deverá entrar num ciclo ascendente. É quase certo que os “marketers” terão à sua disposição um conjunto vasto e variado de meios que lhes permitam dar uma resposta à altura da recuperação económica. Na verdade, muitos “marketers” vão estar concentrados tanto no que vão gastar, como na melhor forma de se afirmarem perante a concorrência, sobretudo aquela que se mostra mais relutante em mergulhar de cabeça num futuro incerto. A visibilidade das marcas vai definitivamente estar em alta em 2010. Mas com os consumidores ainda hesitantes, resta saber se esta visibilidade se vai traduzir em clientes menos sensíveis ao preço, que gastam, e que – consequentemente – engrossam as margens e lucros das empresas. Neste ponto, as coisas não são muito claras. É verdade que um consumidor confiante gasta mais. Mas é também verdade que as relações de confiança, segurança e credibilidade têm um papel cada vez mais importante nas decisões do consumidor. Nos próximos anos, os negócios que tenham sucesso na difícil tarefa de se ligar aos consumidores, verão certamente as suas receitas subir e a elasticidade dos preços descer – tudo alimentado por uma carteira de clientes altamente rentáveis e leais aos seus produtos. Mas há o outro lado. Tendo em conta o sentimento dos consumidores, os negócios que gerarem falsas expectativas, isto é, os negócios que não fizerem corresponder às mensagens publicitárias a experiência dos clientes, não só terão um baixo retorno sobre o investimento em marketing como, mais grave, iniciarão uma espiral negativa de quebra nas vendas e destruição da confiança dos consumidores. A tentação de prometer muito e cumprir pouco – over promisse, under deliver – é significativa. É um comportamento típico em épocas de maior pressão económica – idealmente, gastaríamos agora e lidaríamos com a satisfação do cliente depois. Vender muito ajuda a resolver alguns problemas e por isso, colocar a qualidade à frente das vendas na linha de prioridades da organização, é uma ideia difícil de passar em qualquer administração. Mas neste clima económico em que o consumidor foi chamado a envolver-se, a confiança tem um papel fundamental no processo de escolha. Factores como qualidade de serviço, capacidade de resolver problemas e preocupação autêntica com o cliente determinarão o aumento de visibilidade e o sucesso da organização. Um estudo recente sobre a fidelidade dos consumidores norte-americanos na banca de retalho demonstrou que mais de 50 por cento dos clientes valoriza sobretudo a conjugação de dois aspectos: bom atendimento por parte dos colaboradores do banco e capacidade de resolver problemas. Claramente, a habilidade dos colaboradores mais próximos do cliente para estabelecer relações, satisfazendo as expectativas geradas pelo Marketing, vai ser determinante para as empresas. E isto exige das linhas da frente capacidade de improvisação, resiliência e criatividade, para se adaptarem a um consumidor desconfiando e hesitante. Em última análise, estas pessoas serão a face visível da diferença entre as expectativas geradas pelo Marketing e a realidade da experiência proporcionada ao cliente. Talento passa a ser sinónimo da marca. Por isso, a pergunta mais relevante que um “marketer” pode fazer antes de investir para 2010 é: “who is your brand?”