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1
HUMANIZAÇÃO NO SETOR DE RADIOLOGIA: um relato de
experiência
Iago Estéfano Brito da Silva¹
Valdetrudes Paz Junior2
1
iagobrito_rad@hotmail.com
2
valdetrudesjunior@hotmail.com
1
Autor: Técnico em Radiologia Médica, Professor Centro de Profissionalização do Vale do Assú – CEPROVA – Assú/RN.
2
Coautor, Orientador: Técnico em Radioterapia na LMECC – Liga Mossoroense de Estudos e Combate ao Câncer. Hospital da
Solidariedade – Unidade Radioterapia. Professor Centro Técnico Ceamo - CTC - Mossoró/RN - Membro - SBPR -Sociedade
Brasileira de Proteção Radiológica.
Resumo: O relato traz as reflexões que a experiência do estágio supervisionado
obrigatório oportunizou vivenciar em 208 exames realizados, durante aproximadamente
três meses no setor de Radiologia em um Hospital no interior do Rio Grande do Norte.
E, mais do que a proximidade com as experiências dos diversos atendimentos, objetiva
abordar as dificuldades encontradas, assim também como a necessidade da
humanização dos serviços no setor de Radiologia médica. Conclui-se que o trabalho
do técnico em Radiologia é pautado por cuidados complexos, individualizado, integral
e humanizado, apesar das grandes dificuldades.
Descritores: Radiologia, Humanização, Serviço hospitalar de radiologia.
1. Introdução
Na busca de atendimento de qualidade aos usuários dos serviços de saúde, com foco
nas necessidades individuais e subjetivas do individuo, foi intensificada nos últimos
anos, a discussão sobre a necessidade da humanização no sistema de saúde visto a
necessidade urgente de norteadores para a cidadania aplicada na pratica cotidiana.
Entende-se que a humanização deve perpassar todos os serviços de saúde, em seus
mais variados setores e em todos os níveis de atenção, para tanto a política nacional
de humanização PNH lançada em 2004 vem de encontro as realidades pontuais do
Brasil. Este estudo identificou que na atenção secundaria no setor de radiologia,
existem grandes dificuldades para efetivar o cuidado humanizado. A motivação de
realizar este estudo advém das observações do trabalho dos profissionais no setor
radiológico.
2. Objetivos
Relatar experiências vividas no setor de radiologia de um Hospital, com enfoque na
humanização do setor radiológico, identificando as principais dificuldades encontradas
pelos profissionais da área e sugerir possíveis soluções para melhoria da humanização
no setor.
2
3. Metodologia
Trata-se de um relato de experiência, realizado durante um estágio supervisionado
obrigatório do curso técnico em Radiologia, no período de fevereiro a abril de 2014, no
setor de Radiologia de um Hospital no interior do estado do Rio Grande do Norte.
Os descritores Radiologia, Humanização e Serviço hospitalar de radiologia foram
identificados por meio da busca nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) através
do endereço eletrônico: http://www.desc.bvs.br.
Utilizamos como critérios de inclusão a relação com o tema proposto, publicações em
língua portuguesa, artigo científico, trabalhos completos e pesquisas disponíveis, e que
tenham sido publicados no período de 2008 a 2014. Esse recorte temporal se deve ao
fato da modernização e atualizações da área.
4. Resultados
Este estudo identificou dificuldades dos profissionais das técnicas radiológicas para
uma prática de trabalho humanizada bem como o desconhecimento em parte da política
nacional. O relato parece que é algo simples de ser feito, que deve ser natural, já que
seres humanos cuidam de seres humanos rotineiramente. No entanto, observa-se a
dificuldade de alguns profissionais chamarem o paciente pelo nome, dar um sorriso,
olhar nos olhos, percebê-lo como alguém que necessita de atenção e escuta indo além
da tecnologia proporcionada por uma máquina. Não está se propondo a diminuição do
uso da tecnologia, mas, sim, a utilização de outras formas de perceber o paciente, indo
ao encontro do que é preconizado pela Política Nacional de Humanização do Ministério
da Saúde e ao Código de Ética dos Profissionais das Técnicas Radiológicas. Segundo
o artigo 4º do capitulo III do Código de Ética dos Profissionais das Técnicas
Radiológicas, 2011, O alvo de toda a atenção do Tecnólogo, Técnico e Auxiliar em
Radiologia, é o cliente/paciente, em beneficio do qual deverá agir com o máximo de
zelo e o melhor de sua capacidade física e profissional. A humanização é um processo
simples e ao mesmo tempo bastante complexo, já que envolve mudanças
comportamentais, assim, a importância da comunicação entre os profissionais é de
extrema importância para um cuidado humanizado.
5. Conclusão
O trabalho do técnico em radiologia é pautado por cuidados complexos, individualizado,
integral e humanizado, apesar das grandes dificuldades. A cobrança pela produtividade
e pela qualidade é entendida até pelo alto número e a diversidade de exames realizados
por dia. Mas, o alto fluxo de pacientes faz com que alguns profissionais esqueçam de
que todo exame envolve uma ou mais vidas, sob o aspecto de temor frente ao
diagnóstico, fato que tese propicia alterações até de percepção psicológicas e emotivas
e exerçam um trabalho mecanizado. O hospital é uma grande instituição de saúde que
deve trabalhar de forma integrada e humanizada para atender às necessidades dos
pacientes que o procuram. No entanto, o que se percebe é um sistema desarticulado,
no qual cada setor executa seu trabalho de modo individualizado com pouca
comunicação com os demais. Com isso, os exames acabam sendo repetidos,
submetendo o paciente a mais radiação e consequente demora do seguimento de seu
atendimento que pode vir a ser em parte prejudicado. Tal fato decorre da pouca
comunicação, falta de interesse e interação da equipe multiprofissional; e dificuldades
3
sobre informações básicas, como posicionamento adequado, e letras ilegíveis, são
realidade do cotidiano. Os profissionais que estão dando assistência ao paciente no
momento do exame ficam receosos do perigo à exposição dos raios-X e, com isso,
deixam o local em busca de proteção. Assim sendo, este realiza o posicionamento em
condições desfavoráveis por estar sozinho, e com muita pressão de tempo e qualidade
do serviço, correndo risco de causar algum acidente na manipulação indevida dos
pacientes. A participação de todos os profissionais ajudando-se mutuamente
potencializa a diminuir o risco de acidentes e o paciente não sofre com a manipulação
única de um funcionário, partindo do pressuposto que todas as informações devem ser
difundidas e aplicadas na forma prática entre os profissionais. Sugere-se que as
instituições e órgãos públicos e privados competentes da saúde estimulem e promovam
treinamentos e cursos de atualizações profissionais sobre o tema. Somado a essas
observações, vale salientar a escassez de estudos sobre a humanização do trabalho
do radiologista, o que demonstra a relevância do tema, e enfatiza-se a importância de
mais estudos aprofundados na área.
REFERÊNCIAS:
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Programa Nacional
de Humanização da Assistência Hospitalar.Brasília: Ministério da Saúde, 2001. 60
p. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnhah01.pdf>. Acesso
em:05 Mar 2014.
______. ______. Política Nacional de Humanização: HumanizaSUS.
Brasília:Ministério da Saúde,Brasília: Ministério da Saúde, 2004. Disponível em:
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/humanizasus_2004.pdf>. Acesso em:05
Mar 2014.
Conselho Nacional de Técnicos em Radiologia. Código de Ética dos Profissionais das
Técnicas Radiológicas, 2011. Disponível em:
<http://www.conter.gov.br/uploads/legislativo/codigodeetica.pdf>.Acesso em:05 Mar
2014.
DUARTE, Maria de Lourdes Custódio; NORO,Adelita. Humanização do setor de
radiologia: dificuldades e sugestões dos profissionais de enfermagem.
CogitareEnfermagem, n. 03, v. 18, Jul-set 2013. P. 532-8. Disponível em:
<http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs/index.php/cogitare/article/view/33568/21066>. Acesso em:09
Mar 2014.
BADUY, RossanaStaevie. A regulação assistencial e a produção do cuidado: um
arranjo potente para qualificar a atenção.Cad. Saúde Pública, v.27, n.2. Rio de
Janeiro, 2011.Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2011000200011>.
Acesso em:09 Mar 2014.

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  • 1. 1 HUMANIZAÇÃO NO SETOR DE RADIOLOGIA: um relato de experiência Iago Estéfano Brito da Silva¹ Valdetrudes Paz Junior2 1 iagobrito_rad@hotmail.com 2 valdetrudesjunior@hotmail.com 1 Autor: Técnico em Radiologia Médica, Professor Centro de Profissionalização do Vale do Assú – CEPROVA – Assú/RN. 2 Coautor, Orientador: Técnico em Radioterapia na LMECC – Liga Mossoroense de Estudos e Combate ao Câncer. Hospital da Solidariedade – Unidade Radioterapia. Professor Centro Técnico Ceamo - CTC - Mossoró/RN - Membro - SBPR -Sociedade Brasileira de Proteção Radiológica. Resumo: O relato traz as reflexões que a experiência do estágio supervisionado obrigatório oportunizou vivenciar em 208 exames realizados, durante aproximadamente três meses no setor de Radiologia em um Hospital no interior do Rio Grande do Norte. E, mais do que a proximidade com as experiências dos diversos atendimentos, objetiva abordar as dificuldades encontradas, assim também como a necessidade da humanização dos serviços no setor de Radiologia médica. Conclui-se que o trabalho do técnico em Radiologia é pautado por cuidados complexos, individualizado, integral e humanizado, apesar das grandes dificuldades. Descritores: Radiologia, Humanização, Serviço hospitalar de radiologia. 1. Introdução Na busca de atendimento de qualidade aos usuários dos serviços de saúde, com foco nas necessidades individuais e subjetivas do individuo, foi intensificada nos últimos anos, a discussão sobre a necessidade da humanização no sistema de saúde visto a necessidade urgente de norteadores para a cidadania aplicada na pratica cotidiana. Entende-se que a humanização deve perpassar todos os serviços de saúde, em seus mais variados setores e em todos os níveis de atenção, para tanto a política nacional de humanização PNH lançada em 2004 vem de encontro as realidades pontuais do Brasil. Este estudo identificou que na atenção secundaria no setor de radiologia, existem grandes dificuldades para efetivar o cuidado humanizado. A motivação de realizar este estudo advém das observações do trabalho dos profissionais no setor radiológico. 2. Objetivos Relatar experiências vividas no setor de radiologia de um Hospital, com enfoque na humanização do setor radiológico, identificando as principais dificuldades encontradas pelos profissionais da área e sugerir possíveis soluções para melhoria da humanização no setor.
  • 2. 2 3. Metodologia Trata-se de um relato de experiência, realizado durante um estágio supervisionado obrigatório do curso técnico em Radiologia, no período de fevereiro a abril de 2014, no setor de Radiologia de um Hospital no interior do estado do Rio Grande do Norte. Os descritores Radiologia, Humanização e Serviço hospitalar de radiologia foram identificados por meio da busca nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) através do endereço eletrônico: http://www.desc.bvs.br. Utilizamos como critérios de inclusão a relação com o tema proposto, publicações em língua portuguesa, artigo científico, trabalhos completos e pesquisas disponíveis, e que tenham sido publicados no período de 2008 a 2014. Esse recorte temporal se deve ao fato da modernização e atualizações da área. 4. Resultados Este estudo identificou dificuldades dos profissionais das técnicas radiológicas para uma prática de trabalho humanizada bem como o desconhecimento em parte da política nacional. O relato parece que é algo simples de ser feito, que deve ser natural, já que seres humanos cuidam de seres humanos rotineiramente. No entanto, observa-se a dificuldade de alguns profissionais chamarem o paciente pelo nome, dar um sorriso, olhar nos olhos, percebê-lo como alguém que necessita de atenção e escuta indo além da tecnologia proporcionada por uma máquina. Não está se propondo a diminuição do uso da tecnologia, mas, sim, a utilização de outras formas de perceber o paciente, indo ao encontro do que é preconizado pela Política Nacional de Humanização do Ministério da Saúde e ao Código de Ética dos Profissionais das Técnicas Radiológicas. Segundo o artigo 4º do capitulo III do Código de Ética dos Profissionais das Técnicas Radiológicas, 2011, O alvo de toda a atenção do Tecnólogo, Técnico e Auxiliar em Radiologia, é o cliente/paciente, em beneficio do qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade física e profissional. A humanização é um processo simples e ao mesmo tempo bastante complexo, já que envolve mudanças comportamentais, assim, a importância da comunicação entre os profissionais é de extrema importância para um cuidado humanizado. 5. Conclusão O trabalho do técnico em radiologia é pautado por cuidados complexos, individualizado, integral e humanizado, apesar das grandes dificuldades. A cobrança pela produtividade e pela qualidade é entendida até pelo alto número e a diversidade de exames realizados por dia. Mas, o alto fluxo de pacientes faz com que alguns profissionais esqueçam de que todo exame envolve uma ou mais vidas, sob o aspecto de temor frente ao diagnóstico, fato que tese propicia alterações até de percepção psicológicas e emotivas e exerçam um trabalho mecanizado. O hospital é uma grande instituição de saúde que deve trabalhar de forma integrada e humanizada para atender às necessidades dos pacientes que o procuram. No entanto, o que se percebe é um sistema desarticulado, no qual cada setor executa seu trabalho de modo individualizado com pouca comunicação com os demais. Com isso, os exames acabam sendo repetidos, submetendo o paciente a mais radiação e consequente demora do seguimento de seu atendimento que pode vir a ser em parte prejudicado. Tal fato decorre da pouca comunicação, falta de interesse e interação da equipe multiprofissional; e dificuldades
  • 3. 3 sobre informações básicas, como posicionamento adequado, e letras ilegíveis, são realidade do cotidiano. Os profissionais que estão dando assistência ao paciente no momento do exame ficam receosos do perigo à exposição dos raios-X e, com isso, deixam o local em busca de proteção. Assim sendo, este realiza o posicionamento em condições desfavoráveis por estar sozinho, e com muita pressão de tempo e qualidade do serviço, correndo risco de causar algum acidente na manipulação indevida dos pacientes. A participação de todos os profissionais ajudando-se mutuamente potencializa a diminuir o risco de acidentes e o paciente não sofre com a manipulação única de um funcionário, partindo do pressuposto que todas as informações devem ser difundidas e aplicadas na forma prática entre os profissionais. Sugere-se que as instituições e órgãos públicos e privados competentes da saúde estimulem e promovam treinamentos e cursos de atualizações profissionais sobre o tema. Somado a essas observações, vale salientar a escassez de estudos sobre a humanização do trabalho do radiologista, o que demonstra a relevância do tema, e enfatiza-se a importância de mais estudos aprofundados na área. REFERÊNCIAS: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar.Brasília: Ministério da Saúde, 2001. 60 p. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnhah01.pdf>. Acesso em:05 Mar 2014. ______. ______. Política Nacional de Humanização: HumanizaSUS. Brasília:Ministério da Saúde,Brasília: Ministério da Saúde, 2004. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/humanizasus_2004.pdf>. Acesso em:05 Mar 2014. Conselho Nacional de Técnicos em Radiologia. Código de Ética dos Profissionais das Técnicas Radiológicas, 2011. Disponível em: <http://www.conter.gov.br/uploads/legislativo/codigodeetica.pdf>.Acesso em:05 Mar 2014. DUARTE, Maria de Lourdes Custódio; NORO,Adelita. Humanização do setor de radiologia: dificuldades e sugestões dos profissionais de enfermagem. CogitareEnfermagem, n. 03, v. 18, Jul-set 2013. P. 532-8. Disponível em: <http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs/index.php/cogitare/article/view/33568/21066>. Acesso em:09 Mar 2014. BADUY, RossanaStaevie. A regulação assistencial e a produção do cuidado: um arranjo potente para qualificar a atenção.Cad. Saúde Pública, v.27, n.2. Rio de Janeiro, 2011.Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2011000200011>. Acesso em:09 Mar 2014.