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Dinâmica para aula de Sociologia e Filosofia
A dica de hoje é destinada aos leitores que são docentes. Trata-se de
uma dinâmica. Segue:
Objetivo:
1. Refletir sobre o papel da educação frente as injustiças cometidas pelo Estado.
2. Refletir sobre o papel do cidadão frente a um Estado que rompe com o
“contrato social” (no sentido de Rousseau);
3. Refletir sobre a desapropriação de bens em ações socialistas.
Material necessário:
Bombons (devem ser solicitado 3 bombons por aluno, em aula anterior);
Vendas para os olhos.
Desenvolvimento
Inicie a aula sem
dizer os objetivos, apenas fale que será realizado uma dinâmica.
Comunique a regra do jogo: ninguém pode emitir nenhum tido de som durante
toda a dinâmica, apenas poderá falar (sim ou não) aqueles que o professor
solicitar.
1º momento:
Peça que todos coloquem os bombons sobre a mesa. Certamente alguns não
levarão para a aula os bombons solicitados – isso faz parte da dinâmica (em
escola pública, onde as desigualdades sociais são marcantes, a dinâmica
funciona ainda melhor).
Passe recolhendo todas os bombons. Lembrando que ninguém pode falar
nada!
Aleatoriamente, deve ser vendado os olhos de cerca de 1/3 dos alunos.
Redistribua os bombons de forma desigual (deixe uns alunos que estão com os
olhos vendados sem bombons e outros com um, dois, três, cinco... ). Obs:
coloque em suas mãos para terem ideia (os que estão com os olhos vendados)
que estão recebendo os bombons.
Olhos vendados, bombons redistribuídos, pergunte a alguns alunos (um de
cada vez) se tem se está tudo certo (só podem dizer sim ou não). Comece com
os alunos de olhos vendados que nada receberam (como eles estão de olhos
vendados, não terão nem ideia do que está ocorrendo), depois passe para os
de olhos vendados que receberam mais de 3 bombons (pergunte a eles se
estão satisfeitos, orientando que responda sim ou não, apenas), depois passe
para os que estão com vendas, mas que receberam menos de 4 balas. E por
fim, pergunte os que estão sem vendas. Nesse momento pergunte se estão
satisfeitos e o por que.
Mande que tirem as vendas e pergunte novamente (agora deixe eles falarem o
que quiserem a respeito). Certamente agora os que se sentiram prejudicados
reclamarão. Nesse momento explique a importância da educação (olhos
abertos) para compreender o que se passa na sociedade e na Administração
dos recursos angariados por meio de nossos impostos.
2º momento:
Como os que pouco receberam estão insatisfeitos e os que mais receberam
estão satisfeitos (especialmente aqueles que não levaram os bombons e agora
ganharam), recolha todas os bombons e coloque na bolsa (como se fosse levar
para casa). E diga que ficará com todos. Isso de forma bem ditatorial.
Nesse momento eles não concordarão. Explique a partir dai, a importância de
questionar o governo quando recolhe os impostos e nada ou quase nada faz.
3º momento:
Diga que “para todos ficarem satisfeitos, será distribuído igualmente à todos,
como no Socialismo. Faça assim. Haverá reclamação daqueles que trouxeram
4 bombons e ficaram com menos (devido ao fato de nem todos terem trazido, e
na hora da divisão os que trouxeram 3 bombons ficarão com 2 ou 1 bombom).
A partir dai discuta questões ligadas ao socialismo e a políticas redistributivas.
Obs: reflita que nem todos não contribuem devido as condições de comprar
bombons naquele dia, assim como tem pessoas na sociedade que são
impossibilidades por vários motivos de contribuir economicamente para o
Estado. Seria justo a redistribuição dos recurso públicos de forma igualitária?
Relembre a eles que o socialismo pregava que cada um deveria contribuir com
sua capacidade e receber conforme sua necessidade.
Dinâmica para aula de Sociologia ou Filosofia
20
Objetivo: Desenvolver a capacidade de argumentação, interpretação
e julgamento.
ATIVIDADE: Falar, ouvir e julgar
Instrução: Os alunos são divididos em grupos de 3, cada um terá
uma função que deverá ser revezada:
Orador: Escolhe um tema e faz um comentário sobre ele.
Secretário: Escreve o que vai sendo dito pelo orador.
Juiz: Julga se o que foi escrito tem haver com o que foi falado e
coloca sua observação abaixo do que foi escrito.
Continua abaixo:
A atividade possui três rodadas, sendo que cada membro deve passar
pelos três papeis, no fim haverá um registro com as opiniões dos três
e os seus julgamentos sobre o que foi escrito. Os temas podem ser
mudados conforme o que está sendo trabalhado.
TEMAS:
1. Pena de Morte 2. Reforma das prisões 3.Uso de drogas. 4.
Liberação feminina. 5. Política exterior.
6. Ecologia 7. Matrimonio homossexual. 8. Corrupção 9. Sexo pré-
matrimonial e extra matrimonial.
10. Gente da Rua. 11. Trabalho voluntário. 12. Reforma política. 13.
Divorcio. 14. Homossexualidade.
No final o grupo deve responder as três questões:
Questões:
1. Quais foram as dificuldades que vocês enfrentaram em cada papel
que interpretaram, secretário, orador e juiz?
2. Que dificuldades vocês tiveram durante a escuta?
3. O que vocês aprenderam sobre a capacidade de comunicação?
Dica de simulação de um julgamento em sala de aula
Abaixo um texto para fundamentar a situação e as orientações do
andamento da aula
Texto: O Animal
Era uma maternidade pública daquelas em que as mulheres chegam,
sabe Deus como ou de onde, sem nenhum preparo; sem pré-natal,
sem condições sem dinheiro, sem saúde, sem alento, sem
perspectivas. Até os médicos e enfermeiras tornaram-se
desalentados. Afinal conviver diariamente com a miséria é suficiente
para tornar a vida amarga.
Mas, quis o destino que assim fosse: nasceram juntos, nessa mesma
maternidade. Um porque a mãe não tinha onde cair morta, o outro
porque se a mãe não fosse rapidamente socorrida cairia morta. E
nasceram os dois de cesárea. E ainda assim, nasceram saudáveis,
chorando forte, corados. Foram amamentados, pesados, medidos,
esmiuçados e então devolvidos as respectivas mães. Foram
amamentados, acarinhados, embalados e depois, um ficou na própria
maternidade e o outro, assim que possível, transferido para casa de
saúde particular.
Um sozinho com a mãe solteira, o outro no seio de uma família agora
aliviada das circunstâncias do nascimento em local tão impróprio.
- Um acidente - diziam todos - Um acidente - dizia também a mãe
solteira com o pequeno nos seios agarrado.
Dois dias depois, cada qual seguiu seu destino, um, a favela; o outro
o apartamento de frente para o mar. E ambos cresceram hígidos
enquanto amamentados. Bonitos, saudáveis, risonhos. Depois, um já
recebia outros alimentos que até sobravam, e o outro quando as
tetas da mãe já não sustentavam, nem as sobras tinha para
alimentar-se. E enquanto na casa de um os avós o disputavam, na
favela a mãe desesperada não tinha mais com quem deixá-lo. E
assim, num orfanato, acabou sendo abandonado.
Cresceram, os anos passaram, um no seio da família, o outro no meio
de estranhos e a ele ninguém se vinculava. Um superestimado,
abençoado, o outro perdido, abandonado.
Aos 6 anos, um matriculava-se no primeiro grau, o outro fugia com
três pouco mais velhos para nunca mais voltar. Assim, enquanto um
fazia da escola o caminho da sua vida, o outro fazia da vida na rua a
sua escola. Um cada vez mais forte, saudável, o outro magrelo,
perebento, desdentado. Enquanto um aprendia para alargar seus
horizontes, o outro roubava estreitando cada vez mais o seu final.
Os anos passavam e enquanto um ia galgando as escolas mais
diferenciadas, o outro galgava os presídios mais apinhados. A seu
modo cada qual recebia, dia a dia, mais e mais conhecimentos. Em
pouco tempo, um usava a palavra como arma, e outro usava a arma
como palavra. E, no exato dia em que se formava advogado, o outro
empreendia mais uma fuga numa rebelião de presidiários. E ambos
se tornaram notórios, um como defensor incondicional da pena de
morte, o outro usando a morte como forma incondicional de
sobreviver. O inimigo público número um, o mais procurado. Um
tornou-se juiz de direito, o outro, terrível juiz das vitimas das ruas
escuras e desertas. Ambos com o destino dos outros nas mãos, um
com o código de lei da sociedade, o outro com a lei da sociedade sem
código.
Até que certo dia se encontraram. Um bateu o martelo condenando,
ao mesmo tempo que lamentava não haver pena de morte para
imputar a tamanho animal. O outro, o animal, acuado, algemado,
lamentando a vida que teria de novo na penitenciária.
E ninguém nunca soube que, naquela maternidade pública, trinta
anos atrás, eles haviam sido trocados.
Atividade:
O texto acima, deixa subtendido, que o rapaz denominado “animal”,
recebeu do Juiz a prisão perpétua, já que não há pena de morte.
Refaremos o julgamento do réu, para confirmar ou mudar a sentença
dada:
- Defesa: Elaborar um texto de defesa para o caso e estipular uma
nova pena.
- Acusação: Elaborar um texto de acusação para o caso e confirmar a
pena ou estipular outra.
- Júri: Elaborar por escrito três questões para serem feitas a defesa e
três para a acusação, com a finalidade de esclarecer os fatos e depois
que todos forem ouvidos, estipular a sentença.
Desenvolvimento:
Os grupos elaboram seus textos, depois a Acusação começa falando,
o Júri faz suas perguntas, fala a Defesa, Júri faz as perguntas, a
Acusação faz sua réplica , a Defesa faz a tréplica e logo após o Júri se
reúne e decide a sentença.
DIVERSIDADE
Exercícios sociologia 2º ano - Diversidade
A equipe do Café com Sociologia elaborou algumas atividades as quais podem
ser utilizadas pelo professor a partir do nosso plano de ensino.
2º Bimestre
1º Atividade – Estudos de raça
1- Qual a diferença do conceito sociológico e do conceito biológico de raça?
2- Qual a diferença entre o preconceito racial no Brasil e nos EUA.
3- Conceitue e exemplifique ações de discriminação afirmativa.
4- Pesquise o conceito de Estigma na visão de Goffman e responda como o
estigma racial pode fortalecer a criminalidade.
5- Com base em Munanga em sua obra “Um ponto de vista em defesa das
cotas” qual a discussão que está por trás das cotas?
2º Atividade – Movimentos afirmativos
1- O que foi o aparthaid? E qual era a justificativa ideológica e cultural para tal?
2- Qual o contexto histórico de surgimento e desenvolvimento da Ku Klux
Klan?
3- Qual a diferença fundamental do preconceito racial norteamericano par ao
preconceito racial brasileiro?
4- Quanto o referencial de etnia qual a diferença do padrão gradiente para o
padrão descendência? Cite um país para tipificar cada um dos exemplos.
5- Qual a sua visão sobre as políticas de ação afirmativa?
3º Atividade – Conflitos étinicos contemporâneos e relações
internacionais
1- Como se deu a instituição do Estado de Israel?
2- Como se seu a instituição do Estado Palestino?
3- Qual importância da cidade de Jerusalém para os:
a) Judeus
b) Mulçulmanos
c) Cristãos
4- Exemplifique situações de fundamentalismo:
a) Judeus
b) Mulçulmanos
c) Cristãos
5- Qual seria uma possível solução para o conflito étnico no oriente médio?
4º Atividade – Gênero e sexualidade
1- Qual a diferença entre sexo e gênero?
2- Conceitue:
a) Orientação Sexual
b) Identidade de Gênero
3- Caracterize o sistema de dominação masculina desenvolvido por Pierre
Bourdieu.
4- Como se deu o processo de construção histórica da dominação masculina?
5- A partir do conteúdo estudado, quais os caminhos para diminuir a violência
de gênero no Brasil?
5º Atividade – Homossexualidade e tabú
1- O que é tabú e porque a sexualidade é considerada como tabú?
2- Caracterize a homossexualidade na visão
a)Bíblia
b) Biologia
b) Psicologia
c) Ciências Sociais
3- Qual a diferença da maneira com a qual a sociedade romana de “Alexandre
o Grande” e a nossa sociedade atual lida com a questão da homoafetividade?
4- No imaginário social, o que é mais combatido e homossexualidade
masculina ou feminina? Justifique sua resposta.
5- Tramita no congresso uma lei de criminalização da homofobia.
Papeis sociais: o jogo "assassino, detetive e vítima"
4Objetivos da atividade:
- Apresentar o conceito e característica de papéis sociais a partir do jogo.
Introdução:
Papeis sociais é um dos conceitos-chave em sociologia. Segundo Lakatos
(1999) tal conceito pode ser definido como “um padrão de comportamento
esperado, exigido de uma pessoa que ocupa um determinado status. Portanto,
são as maneiras de comportarem-se, esperadas de qualquer indivíduo que
ocupe certa posição (status), constituem o papel associado com aquela
posição.” Neste sentido status é o lugar ou posição que a pessoa ocupa na
estrutura social, de acordo com um julgamento coletivo ou consenso da opinião
do grupo. (LAKATOS, 1999)
Neste sentido cada papel desempenhado tem respaldo em um status e, a partir
disto, há na sociedade a possibilidade de assumir vários papéis, dependendo
da situação: filho, aluno, namorado, jogador e etc. Para cada um destes papéis
há um sistema simbólico que pode proporcionar um status maior ou menos.
Para tanto, para cada um desses papéis há uma expectativa em relação a cada
comportamento: como aluno é esperado que você faça as atividades, passe de
ano e seja engajado nas aulas.
O nome "papel social" pode ser entendido como uma metáfora empregada
por Goffman em que o sujeito representa a si próprio, interagindo com outros
sujeitos, dos quais têm que se preocupar com a impressão que os outros terão
sobre seu comportamento. Para cada situação em que se desempenha
determinado papel social. Há, por um lado, a preocupação consigo em relação
à própria atuação e a expectativa de comportamento do outro.
Metodologia:
Papeis sociais:
1 - Detetive
2 - Assassino
3 - Vítima
Organização
Os participantes devem ordenar as
carteiras em círculo. A brincadeira é recomendável para um número de 10 a 40
pessoas. Antes de iniciar a rodada é necessário que o professor sorteie os
papéis sociais. Para cada 10 alunos é necessário 1 Detetive, 1 Assassino, o
resto do grupo deverá ser composto de vítimas.
Andamento
Durante a brincadeira cada participante tem um objetivo: o assassino vitimar os
participantes; o detetive encontrar o assassino e a vítima nada mais lhe resta
além de ser assassinada ou permanecer viva. Ninguém deverá dar pistas sobre
os papeis desempenhados. O assassino para tombar a vítima, deve piscar um
dos olhos para a mesma caia. O detetive, na suspeita ou constatação de algum
assassino pode dar voz de prisão apontando para o suspeito e dizer: “Preso
em nome da lei”. O detetive sairá do jogo caso erre três vezes consecutivas a
acusação.
Os participantes assassinados, presos ou demitidos devem ficar com a cabeça
abaixada ou com a mão no queixo (isso previamente estabelecido) para que os
demais participantes identifiquem quem ainda está no jogo. Em caso de
impasse quanto ao papel que cada um pegou os jogadores devem guardar o
papel sorteado. Para otimizar o andamento da brincadeira poderá ser
estipulado o tempo de 15 minutos para cada rodada, dependendo do tempo
disponível e o número de participantes.
Desfecho
Terminada a brincadeira, dialogue com seus alunos e faça algumas perguntas
para que eles identifiquem na brincadeira elementos dos papeis sociais.
1) O que poderíamos dizer ser o status na brincadeira?
2) O que é papel social a partir da brincadeira?
3) Quais as características do papel social?
4) Como identificamos os status de cada um?
5) Há como ter status de delegado e exercer papel de vítima?
6) "qual a implicação desse tipo de comportamento indefinido na
sociedade?"
REFERÊNCIAS:
GOFFMAN, Erving. A representação do eu na vida cotidiana. Trad. Maria
Célia Santos Raposo. 8ª ed. Petropolis, RJ: Vozes, 1999.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Sociologia Geral. 7ª
ed. São Paulo; Atlas,1999.
O protagonismo na escola
Toda instituição tem personagens, tal qual uma peça teatral, alguns destes tem
maior prestígio social que outros e isso faz parte do que se chama
protagonismo institucional, que é a relevância socialmente adquirida de um
personagem em relação aos demais. Neste texto discorreremos brevemente
sobre quem é o protagonista na escola.
Na modernidade, há uma tendência na especialização de instituições. O
hospital para atendimento de saúde, a defensoria para o atendimento
advocatício, EMBRAPA para consultoria técnica etc. Quando pensamos nos
principais personagens dessa instituição fica fácil identificar. Diante do
imaginário social é fácil apontar os protagonistas dessa instituição. Do hospital,
o médico. Da Defensoria pública, o Advogado defensor público. Da
EMBRAPA? O Engenheiro. Raramente uma decisão desses profissionais é
questionada, o reconhecimento quase faz da opinião deles um dogma. Mesmo
que haja outros personagens entre profissionais de “suporte” e público
atendidos, o protagonismo geralmente vai estar associado a esses
profissionais, prova disso é a propaganda que mostra jaleco e beca e capacete
e um agradecimento direcionamento ao profissional.
E o protagonismo da escola? Essa instituição é um campo de batalha e está
cada vez mais difícil identificar o protagonista. Por mais que o discurso busque
melhor valorização para o professor, na prática o professor tem perdido seu
protagonismo. Especulo algumas razões para que isso ocorra.
Os novos paradigmas educacionais enxergam o professor como um facilitador
de aprendizagem e tira a centralidade do ensino do mestre. O aluno muitas
vezes passa a ser o começo, meio e fim do processo. Esse passa a ser o
centro da instituição e muitas vezes tal concepção faz com que os discentes se
vejam como sujeito de diretos, nada de deveres. O aprendizado deles deixa de
ser o foco para que seja atendidas as suas vontades. Eles são incumbidos
muitas vezes de responsabilidades as quais ainda não estão preparados, tudo
por uma suporta nova pedagogia.
Devido a grande desvalorização social do professor, que vai desde a questão
salarial até ao excessivo questionamento de um pai da interpretação do
professor sobre uma questão de prova que é estopim da reprovação do filho;
outros personagens na instituição se vêm no direito de ter o mesmo
protagonismo que os professores, o que muitas vezes gera conflitos. Os
demais servidores de uma instituição educacionais, embora tenham uma
importância muito grande para o funcionamento da escola, muitas vezes
reivindicam igual ao do professor, partindo do entendimento de que ensina
indiretamente. Se é indiretamente, então não é tão protagonista assim.
É preciso pensar nos princípios e objetivos da escola de modo tal que todos
trabalhem para atingi-lo. Os objetivos devem estar acima de qualquer conflito
de protagonismo. O objetivo primordial da escola é ensinar. Os técnicos
administrativos ensinam? Claro que sim, mas seu objetivo primordial é dar
suporte na relação professor-aluno. Os alunos aprendem sozinhos? Também,
Mas levam muito tempo e se desgastam muito para fazê-lo. Agora, o professor
é condição sine qua non para que a escola seja uma instituição de excelência,
reconhecer o seu protagonismo é buscar uma educação de excelência.
É preciso repensar o protagonismo na escola, esse protagonismo nada tem a
ver com utilitarismo porque no final das contas todos os personagens são
interdependentes. Estabelecer adequadamente o protagonismo e a importância
dos sujeitos é reconhecer socialmente a responsabilidade que cada um tem
nesse sistema, para isso, além de uma boa gestão é necessário que os
sujeitos se coloquem no lugar do outro.
Por fim, embora o protagonismo seja de um personagem isso não exclui os
demais do processo democrático. É necessário que todos os interessados
participem democraticamente das decisões para construir uma escola melhor
para que esta avance no seu objetivo: ensinar com excelência com o cuidado
de do protagonismo não criar uma ideia nos professores de que estes são
sujeitos de “pleno direitos” e nada de deveres.
Todos unidos contra a terceirização: Consequências e
prejuízos.
O Congresso Nacional, em votação relâmpago, está prestes a aprovar
a PL 4330 que amplia a terceirização no país. Se antes as instituições
públicas só poderiam terceirizar atividades meio, agora não existem
mais restrições. Ou seja, uma escola que antes terceirizava faxina e
limpeza, por exemplo, agora deverá terceirizar professores e
professoras e todos os demais profissionais da principal atividade
institucional: o ensino.
Impacto para a classe trabalhadora
A medida é um retrocesso na medida em que vai beneficiar apenas os
grandes empresários e políticos. Todos nós seremos prejudicados.
Terceirizados ganham 24,7% a menos de salário; trabalham 3 horas
semanais a mais; permanecem 2,6 anos a menos no emprego; estão
envolvidos em 80% dos acidentes de trabalho; das últimas 36
missões de resgate de trabalho escravo 35 eram em empresas
terceirizadas. Além disso, não há estabilidade e nem
representatividade.
Como uma empresa visa lucro, a medida não vai aumentar empregos
porque, obviamente, quanto menos funcionários, menos custos e
mais lucros. O que faz a medida é criar um intermediário que vai
lucrar boa parte dos salários que seriam pagos diretamente para nós,
trabalhadores.
Impacto social e para o Estado
Mesmo terceirizando, o estado arca com as responsabilidades
trabalhistas em caso de negligência das empresas e isso pode
aumentar as despesas do estado em detrimento dos trabalhadores e
em beneficio dos donos de empresas terceirizadas. Sem falar em
comprometer a arrecadação fiscal e arrecadação previdenciária.
Na Inglaterra e EUA, onde a medida foi implantada, a desigualdade
social e outros indicadores sociais pioraram.
O período das terceirizações está marcado em escuro.
Impacto para democracia
Como se não bastasse, a medida cria “currais eleitorais” uma vez que
ficaremos extremamente reféns de indicações políticas para ingressar
no serviço público. Boa parte das empresas terceirizadas são ligadas
à políticos que pressionam seus funcionários a votarem em certos
candidatos, como da garantia na manutenção no emprego.
Relatórios sobre terceirização:
http://www.sinttel.org.br/downloads/dossie_terceirizacao_cut.pdf?
hc_location=ufi
http://portal.mte.gov.br/data/files/FF8080812BA5F4B7012BAAF91A9
E060F/Prod03_2007.pdf?hc_location=ufi
Roteiro para discutir o filme "Tempos Modernos"
Roteiro para análise do filme “Tempos Modernos”
1) Contextualização. Qual o contexto social e econômico relatado no filme? Quais aspectos significativos
mudaram e quais permanecem na estrutura econômica e social?
2) Crise econômica. O filme mostra a vida urbana dos Estados Unidos
após a grande depressão econômica de 1929. Quais as consequências
sociais provocada por tal crise?
3) Impactos da Revolução Industrial. Quais impactos provocados pela
Revolução Industrial são possíveis de serem observados no filme?
4) A Tecnologia. Quais questões aparecem na cena da máquina de
refeições?
5) Movimentos sociais. Por que houve uma prisão injusta de Chaplin
por estar apenas segurando a bandeira do manifesto? Como estes
movimentos sociais são vistos pela sociedade contemporânea?
6) Situação social. Por que Chaplin insiste em voltar para cadeia?
7) Prosperidade. Depois que encontra a jovem órfã, a vida do
personagem ganha novo sentido. Qual a ideia de prosperidade que
ele manifesta?
8) Diferenças sociais. O emprego de Chaplin na loja de
departamentos mostra claramente as diferenças sociais. Como isso é
mostrado e que outras situações do filme também são abordas a
mesma temática?
9) Consumismo. De que forma o consumismo aparece no filme?
10) Organização do tralho. Quem decide como o trabalho deve ser
organizado?
11) Condições de trabalho. Como é retratado pelo filme as condições
de trabalho na fábrica?
12) Quais as condições de trabalho retratadas no filme?
Dia Internacional das Mulheres: uma pausa para reflexão da dominação
masculina em elementos sutis*
Datas internacionais são, em muitos casos, não momentos de
comemorações, mas de denúncias de injustiças ainda latentes no
mundo moderno; e o dia Internacional das Mulheres é uma dessas
datas. No caso da dominação masculina, tais denúncias devem
desnaturalizar a posição de inferioridade da mulher na sociedade.
A denúncia deve ter como foco desnaturalizar, uma dominação
masculina que se manifesta de forma sutil e que se materializa de
forma concreta. A divisão entre sexos se manifesta, muitas vezes, de
forma sutil, porém eficiente para reproduzir a dominação masculina
objetiva (quero me ater a esse tipo de dominação). Tal dominação
notamos presente, por exemplo, na casa, onde as partes são
“sexuadas”, sendo algumas vistas como tipicamente masculinas
(sala) e outras tipicamente femininas (cozinha).O mesmo vale para
profissões.
Quase não notamos a sutileza de muitas coisa e atividades que são
sexualizadas, as quais marcam uma oposição camuflada entre
masculino e feminino, como as noções de em cima/embaixo,
frente/atrás, seco/úmido, quente/frio. Ao homem desejoso por sexo
se diz: “você está pegando fogo”; à mulher, ao contrário, se diz que
têm a capacidade de “apagar o fogo”, indicando quase sempre
servidão ao homem, ou ainda “você está toda molhada”, como se
lubrificação fosse de exclusividade das mulheres, embora a tenha
com maior intensidade. Expressões como “ativo” e “passivo” está
igualmente relacionada a dominação masculina, assim como por cima
e por baixo. Ainda que em um relacionamento homoafetivo, o passivo
será aquele que está em condição feminina. A ideia de possuir está
associada ao masculino, assim como a ideia de poder e de tomar para
si. Nas relações sociais em nossa machista sociedade, cabe ao
homem possuir e a mulher jogar o jogo de se deixar ou não ser
possuída. O ato sexual é visto, para os que estão em condições
masculinas, como “conquista” e dentre as pessoas em condições
femininas como “possuída”; por isso as comuns e horríveis
expressões: “dar” e “pegar”.
Em uma sociedade onde o gozo masculino é, antes de tudo, gozo do
gozo feminino, ou seja, do poder de fazer gozar, de mostrar-se viril,
podemos afirmar que ela [a sociedade]está longe de ser igualitária. O
ato de penetração, por exemplo, é símbolo de dominação, tanto que
em casos de um homem ser forçado a receber penetração a dor
maior se manifesta não de forma física, mas simbólica, pois ele foi
“feito mulher”, perdeu sua posição de dominante e passou a ser
dominado (pena comum aplicada por detentos à estupradores – “o
fizeram mulherzinha”).
A questão da virilidade, que tem seu significado vindo da ideia de
“qualidade da virtus, da honra”, que seria o princípio de conservação
e do aumento da honra, está associada à prova masculina de
potência sexual que se confirma muitas vezes com a defloração e
com o apetite sexual aflorado. Para as mulheres o apetite sexual
acentuado não é visto como virilidade, mas como um comportamento
“pervertido”. No comportamento feminino, os braços devem estar
cruzados sobre o peito e as pernas unidas simbolizando a barreia
sagrada que protege seu órgão sexual socialmente constituída em
objeto sagrado submetida a regras de acesso de contatos também
sagrados. Assim espera-se das mulheres. Não que eu seja favorável a
“libertinagem sexual” feminina, mas torna-se necessário denunciar a
“libertinagem” masculina que, no fundo, é a manifestação e
concretização de seu desejo de dominação sobre as “mulheres-
coisas”.
Espero que não seja apenas no Dia Internacional da Mulher que
venhamos a (re)pensar as formas de dominação, sobretudo as sutis,
para que, entendendo as relações díspares de poder impregnadas por
todos os lados, possamos realizar uma efetiva denúncia das práticas
e dos símbolos que naturalizam a dominação masculina.
*Texto publicado originalmente no Jornal "Correio Regional", em 08
de Março de 2013, p.2. (jornal impresso)
Noção de dialética em Marx e Engels
Antes de tudo, devemos nos perguntar o que é
dialética? Dialética, grosso modo, é a percepção de
que a realidade não é constituída de uma essência
imutável. Ela parte da premissa que há um constante
movimento que transforma a realidade a partir das
suas contradições.
A dialética remonta a uma construção histórica que
começa na antiguidade clássica grega e se estende
até os dias atuais. Em contraposição a dialética, há
também na filosofia o idealismo, que parte da
premissa que a realidade é formada de aspectos que
são essencialmente imutáveis, ou ainda que a
realidade se dirige a uma perfeição. Enquanto a
dialética tinha como representante Sócrates e
Heráclito, alguns dos representantes do idealismo
era Parmênides e Platão. Com as transformações
sociais que se seguiam, a dialética foi sufocada em
favor da ascensão do idealismo em razão das
classes dominantes enxergarem no idealismo um
instrumento de manutenção de seus próprios
privilégios na medida em que ficava mais fácil as
pessoas aceitarem que o fato de quem são e o que
fazem é sustentado na crença de uma essência
imutável.
Na era moderna, com as transformações sociais e
maior circulação de ideias e mercadorias a dialética
passa a ser permanentemente revitalizada. A
filosofia alemã de Kant e Hegel, mesmo sendo
filosofias com grande apelo ao idealismo usam
instrumentos do pensamento dialético e a revitaliza.
Foi com Hegel que a dialética passa a ter uma boa
sustentação teórica. Para este autor, o entendimento
da realidade parte das ideias para o concreto, que é
imperfeito, para retornar as ideias numa dimensão
idealizada que tende a perfeição. Assim, o homem
tende a se constituir a partir do trabalho intelectual
para fazer exercícios de mediação da realidade que
vão fazendo movimentos de totalização da realidade.
Ou seja, o exercício intelectual deve ser feita de
modo a compreender as contradições da realidade e
articulando tais contradições com as várias
dimensões até ir compreendendo a visão do todo.
Para Hegel a busca da verdade está no exercício
das buscas de contradições, visando articular as
várias dimensões da realidade, quanto mais
conexões se fazem, maior entendimento da
realidade se tem
Marx usa como referencia a dialética de Hegel, mas
a inverte, passa a conceber o trabalho
material como constituinte fundamental da historia e
por conta disso, o exercício da reflexão deve fazer o
movimento partindo do concreto, indo para o
abstrato e retornando para novamente para o
concreto. Foi a partir das contribuições de
Feuerbach que o materialismo foi incorporado a
teoria de Marx e as contradições da realidade foram
analisadas com base nas condições materiais,
dando um caráter empírico a dialética.
Neste sentido, a partir do método materialista
histórico de Marx ele concluiu que as condições
materiais criam contradições que criam classes
sociais que se antagonizam entre si e dá dinâmica a
história da humanidade.
Referência:
KONDER, Leandro. O que é dialética. São Paulo:
Ed. Brasiliense, 1988.
o reducionismo moralista como explicação dos problemas
sociais
Arte Armandinho
Os problemas sociais são complexos e oriundos de tramas igualmente complexas. O tempo todo estamos
avaliando as explicações e soluções dos nossos problemas sociais. Entre alguns exemplos: redução da
maioridade penal, aborto e regulação do mercado da maconha. Cada um desses assuntos é possível
encontrar polarizações contra ou a favor cuja argumentação segue diversificados espectros. A partir dos tópicos
citados, é possível repensar nossa postura diante deles: Estamos nos baseando nossa fundamentação
racionalmente ou estamos deixando ser dominados por nosso moralismo reducionista?
A questão da Maioridade Penal
Para ficar mais didático, vamos focar na questão da redução da maioridade penal. Vamos buscar uma linha
argumentativa para compreender o problema e algumas de suas soluções, buscando problematizar o moralismo
reducionista e um posicionamento teórico-empírico, pautado na racionalidade. A partir dos exemplos vamos
compreender o que é reducionismo moralista.
É inegável que nosso país esteja mergulhado em alarmantes índices de violência e que há uma sensação
generalizada de insegurança, parte dessa insegurança é motivada por aspectos reais e outra parte é
hiperbolizada pelos meios de comunicação.
Mediante ao cenário de violência e denúncia de impunidade, surge como proposta a redução da maioridade
penal para resolver ou amenizar o problema da violência.
Geralmente a comoção geral em torno de algum crime ou a vinculação religiosa ou política de um grupo usa
sua moralidade interna para replicá-la a um nível universal, fato que parece ter uma lógica microcósmica
mas quando aplicada num cenário diferente, pode ter outros resultados. Noutras palavras, muitas vezes isso
transforma a exceção em regra e a regra em exceção. Dessa forma, é necessário fundamentar teórico e
empiricamente nossas opiniões para que nossas referências não sejam estritamente baseadas no nosso
moralismo. “Eu não gosto disso e não quero que aconteça”. Com base nisso algumas perguntas devem ser
feitas:
Qual o fundamento que sustenta o fim da maioridade penal?
Geralmente a resposta é algo próximo disso: Uma pessoal que foi assaltada, morta ou violentada por
adolescentes e que teve cobertura em rede nacional. Um depoimento de um adolescente que diz que vai
continuar cometendo crimes. A maioria das pessoas que defendem a redução da maioridade penal baseia-se
tão somente em um sentimento que pode ser motivado por uma situação particular que muitas vezes não se
refere a raiz do problema ou não enxerga o problema de maneira ampla.
Outra corrente que defende a proposta parte do pressuposto que existe grande impunidade em torno de criança
e adolescentes no Brasil. Será? Segundo o movimento "Dezoito Razões" até junho de 2011, o Cadastro
Nacional de Adolescentes em Conflito com a Lei (CNACL), do Conselho Nacional de Justiça, registrou
ocorrências de mais de 90 mil adolescentes. Desses, cerca de 30 mil cumprem medidas socioeducativas. O
número, embora seja considerável, corresponde a 0,5% da população jovem do Brasil, que conta com 21
milhões de meninos e meninas entre 12 e 18 anos. Segundo o Mapa da Violência, cerca de 42,5% (2010) das
vítimas de homicídio eram jovens. Podemos dizer que no Brasil os jovens não são punidos? Pagar com a própria
vida não é o suficiente?
Além da pergunta acima, é pertinente outras perguntas para problematizarmos mais ainda a
questão?
Quem mais é beneficiado com a impunidade no Brasil?
Qual o perfil dos jovens infratores no Brasil?
Como as políticas públicas podem ajudar a reverter tais índices?
Qual foi o impacto dessa política em outros países? Quais particularidades tem o país que pode inviabilizar ou
facilitar a implantação?
O que pode acontecer quando a maioridade penal a partir dos 16 for implantada no Brasil?
Como isso vai nos afetar?
O que aconteceram com outros locais que aplicaram a medida e quais características peculiares do Brasil
podem interferir nos resultados?
Considerações finais
A partir desse texto, percebemos que basear-se apenas na moralidade sem usar-se de referências teórico-
empíricas pode criar uma cegueira a qual simplifica o problema, maquia suas causas, seus efeitos e endossam
“soluções mágicas” esbaforidas por demagogos. Ao afirmar "um adolescente de 16 anos já é capaz de
responder por seus crimes", é possível detectar a negação do caráter social e o recorte que reduz
individualmente o problema. Aquele adolescente pertence a um contexto o qual o fez aproximar-se ou
distanciar-se do crime, qual o contexto social em que os adolescentes são menos propensos ao crime?
É necessário estudar bem as propostas para defendê-las, nenhum problema social tem uma solução tão fácil
quanto parece. Eu particularmente sou contra a proposta de redução da maioridade uma vez que ela ataca o
sintoma do problema e não mexe no problema em si. Agora, se você é a favor da proposta e baseia-se tão
somente no seu moralismo reavalie-a com base nas provocações feitas nesse texto ou ainda fique a vontade
para fazer outras provocações.
Castigos, Sanções e Condições Materiais: Uma contribuição
dos clássicos
Neste texto pretendo fazer um breve exercício intelectual de como as condições materiais de cada família,
aliado a outros fatores, pode interferir no tipo de punição que é dado a cada criança.
O sociólogo francês, Émile Durkheim, foi um intelectual que trouxe grandes contribuições para a sociologia,
dentre as quais destacamos o modo com a sociedade age para coagir os indivíduos.
Para o autor, as bruscas mudanças sociais mudaram a lógica de funcionamento da sociedade de uma sociedade
mecânica para uma orgânica.
Nas sociedades mecânicas há forte coesão social oriunda da similaridade entre indivíduos, sendo as sanções
mais comuns são do tipo penal, ou seja, o indivíduo é punido de forma direta; muitas vezes com o próprio
corpo. Já no caso das sociedades modernas (orgânicas), existem, além das sanções penais, sanções chamadas
de restitutivas. Tais sanções ão deflagradas de maneira indireta, uma multa, suspensão, apreensão etc.
Para o francês existe uma tendência das sociedades de solidariedade mecânica transformar-se em uma
sociedade orgânica na medida que o a divisão do trabalho social intensificar-se. Pensando em Marx, as
condições materiais interferem na mudança dessa lógica. Como? Veremos mais adiante.
A partir do que foi dito, podemos usar essas ideias de Durkheim e também de Marx para fazer uma análise de
como as famílias costumam punir os filhos, algumas vezes de forma restitutiva, algumas vezes de forma penal.
Além de fatores culturais, o tipo de punição pode ser diversificado em função das famílias terem melhores
condições materiais. Assim, além do castigo físico os pais podem optar por punir os filhos de maneira
restitutiva: restringir o uso do vídeo game, televisão, computador, internet, etc. Aos pais com poucas condições
materiais a possibilidade de castigo físico é bem maior, haja visto que há menos opções para o uso da sansão
restitutiva.
Embora não seja regra que famílias com melhores condições materiais e famílias de condições limitadas usem
mais um tipo de sanção em detrimento da outra, as condições materiais podem afetar significativamente no
tipo de sanções aplicadas. Faltando o que restringir, muitas vezes os pais utilizam-se do castigo físico.
Falando nisso, a restrição da palmada e outros castigos físicos como instrumento pedagógico, qual sua opinião
a respeito?
Dica de debate sobre cotas de acesso à Universidade Pública
18:14
Roniel Sampaio
Por Roniel Sampaio Silva
Objetivo da atividade: Refletir sobre a situação das cotas na
Universidade pública e fazer as devidas conexões com a
realidade social brasileira. O professor deve mostrar o seu
ponto de vista e esclarecer que o objetivo da atividade não é
convencê-los da sua opinião, mas levá-los a pensar
criticamente sobre o assunto.
1. Disposições preliminares
As seguintes pautas de discussão deverão ser apresentadas,
discutidas ponto a ponto. Após os pontos discutidos
avançaremos para o próximo ponto sem que os
assuntos sejam misturados, de preferência nesta ordem:
1- Cotas para estudantes oriundos de escola pública;
2- Cotas para estudantes de baixa renda;
3- Cotas para afrodescendentes;
4- Cotas para outras minorias.
Neste ponto o professor deve falar o conceito de cotas, bem
como o conceito de minorias. Cotas são políticas públicas de
discriminação afirmativa, ou seja, tem como pressuposto
inserir grupos os quais tem seus direitos negados, neste caso,
ao acesso à educação pública em nível superior.
Para o sociólogo inglês Marshall é considerado minoria não
quem é represente um menor segmento da população, mas
o grupo quem não tem acesso a direitos. Conhecendo o atual
cenário político brasileiro percebemos que há mais mulheres
entre a população, entretanto, ainda há pouca representação
política feminina no congresso.
É nesse entendimento que as cotas buscam corrigir
provisoriamente uma disparidade para entre grupos com
oportunidades de acesso diferentes, até que as condições de
acesso se equilibrem. Para iniciar o debate o professor pode
usar um questionamento: Até que ponto as cotas podem
ajudar a diminuir estas desigualdades?
2- Facilitadores
Para que “As regras do jogo”, ou melhor, do debate, sejam
asseguradas é necessário que haja estabilidade e organização
no processo. Para tanto será necessário definir algumas
funções:
Timer: uma pessoa responsável pela cronometragem do
tempo (não deve participar do debate. Pode ser alternado por
blocos.)
Relator: um responsável pela inscrição dos falantes, nome e
ordem da fala. (não deve participar do debate. Pode ser
alternado por blocos)
Representante pró: resumir os argumentos “pró-cotas” no
quadro.
Representante contra: resumir argumentos “contra-cotas”
no quadro.
Regras/princípios
1- Respeito à opinião e fala do colega. Não desqualificar o
argumentador, procurar questionar o argumentos.
2- Respeitar o tempo máximo de 3 min. para cada fala.
3- Não conversar paralelamente ou tumultuar a discussão;
4- Pesquisar, trazer informações referentes ao tema: tabelas,
gráficos e etc (citar fontes)
5- O aluno que desrespeitar os itens: 1, 2 e 3 poderá perder
o direito de fala durante o bloco. Caso insista, poderá ser
convidado a deixar o debate.
Blocos:
Cada bloco será discutido separadamente. Em cada bloco
cada aluno manifesta sua opinião sobre o tema. Encerrada a
discussão de cada bloco, os relatores apresentarão de forma
resumida os principais argumentos usados pelos alunos. O
professor estará finalizando cada bloco apontando possíveis
argumentos não apresentados sejam eles pró ou contra as
referidas cotas.
1- Bloco de ideias preliminares relativo às cotas para
estudantes oriundos de escola pública.
2- Bloco de debates relativo às cotas para alunos de
baixa renda.
3-Bloco de ideias preliminares relativo às cotas para
estudantes afrodescendentes.
4- Bloco sobre as outras minorias.
5- Balanço final dos debates e confecção de relatório por
parte dos alunos.
Dica de debate sobre cotas de acesso à Universidade Pública
18:14
Roniel Sampaio
Por Roniel Sampaio Silva
Objetivo da atividade: Refletir sobre a situação das cotas na
Universidade pública e fazer as devidas conexões com a
realidade social brasileira. O professor deve mostrar o seu
ponto de vista e esclarecer que o objetivo da atividade não é
convencê-los da sua opinião, mas levá-los a pensar
criticamente sobre o assunto.
1. Disposições preliminares
As seguintes pautas de discussão deverão ser apresentadas,
discutidas ponto a ponto. Após os pontos discutidos
avançaremos para o próximo ponto sem que os
assuntos sejam misturados, de preferência nesta ordem:
1- Cotas para estudantes oriundos de escola pública;
2- Cotas para estudantes de baixa renda;
3- Cotas para afrodescendentes;
4- Cotas para outras minorias.
Neste ponto o professor deve falar o conceito de cotas, bem
como o conceito de minorias. Cotas são políticas públicas de
discriminação afirmativa, ou seja, tem como pressuposto
inserir grupos os quais tem seus direitos negados, neste caso,
ao acesso à educação pública em nível superior.
Para o sociólogo inglês Marshall é considerado minoria não
quem é represente um menor segmento da população, mas
o grupo quem não tem acesso a direitos. Conhecendo o atual
cenário político brasileiro percebemos que há mais mulheres
entre a população, entretanto, ainda há pouca representação
política feminina no congresso.
É nesse entendimento que as cotas buscam corrigir
provisoriamente uma disparidade para entre grupos com
oportunidades de acesso diferentes, até que as condições de
acesso se equilibrem. Para iniciar o debate o professor pode
usar um questionamento: Até que ponto as cotas podem
ajudar a diminuir estas desigualdades?
2- Facilitadores
Para que “As regras do jogo”, ou melhor, do debate, sejam
asseguradas é necessário que haja estabilidade e organização
no processo. Para tanto será necessário definir algumas
funções:
Timer: uma pessoa responsável pela cronometragem do
tempo (não deve participar do debate. Pode ser alternado por
blocos.)
Relator: um responsável pela inscrição dos falantes, nome e
ordem da fala. (não deve participar do debate. Pode ser
alternado por blocos)
Representante pró: resumir os argumentos “pró-cotas” no
quadro.
Representante contra: resumir argumentos “contra-cotas”
no quadro.
Regras/princípios
1- Respeito à opinião e fala do colega. Não desqualificar o
argumentador, procurar questionar o argumentos.
2- Respeitar o tempo máximo de 3 min. para cada fala.
3- Não conversar paralelamente ou tumultuar a discussão;
4- Pesquisar, trazer informações referentes ao tema: tabelas,
gráficos e etc (citar fontes)
5- O aluno que desrespeitar os itens: 1, 2 e 3 poderá perder
o direito de fala durante o bloco. Caso insista, poderá ser
convidado a deixar o debate.
Blocos:
Cada bloco será discutido separadamente. Em cada bloco
cada aluno manifesta sua opinião sobre o tema. Encerrada a
discussão de cada bloco, os relatores apresentarão de forma
resumida os principais argumentos usados pelos alunos. O
professor estará finalizando cada bloco apontando possíveis
argumentos não apresentados sejam eles pró ou contra as
referidas cotas.
1- Bloco de ideias preliminares relativo às cotas para
estudantes oriundos de escola pública.
2- Bloco de debates relativo às cotas para alunos de
baixa renda.
3-Bloco de ideias preliminares relativo às cotas para
estudantes afrodescendentes.
4- Bloco sobre as outras minorias.
5- Balanço final dos debates e confecção de relatório por
parte dos alunos.
Noção de dialética em Marx e Engels
06:26
Roniel Sampaio
Por Roniel Sampaio Silva
Antes de tudo, devemos nos perguntar o que é
dialética? Dialética, grosso modo, é a percepção de
que a realidade não é constituída de uma essência
imutável. Ela parte da premissa que há um constante
movimento que transforma a realidade a partir das
suas contradições.
A dialética remonta a uma construção histórica que
começa na antiguidade clássica grega e se estende
até os dias atuais. Em contraposição a dialética, há
também na filosofia o idealismo, que parte da
premissa que a realidade é formada de aspectos que
são essencialmente imutáveis, ou ainda que a
realidade se dirige a uma perfeição. Enquanto a
dialética tinha como representante Sócrates e
Heráclito, alguns dos representantes do idealismo
era Parmênides e Platão. Com as transformações
sociais que se seguiam, a dialética foi sufocada em
favor da ascensão do idealismo em razão das
classes dominantes enxergarem no idealismo um
instrumento de manutenção de seus próprios
privilégios na medida em que ficava mais fácil as
pessoas aceitarem que o fato de quem são e o que
fazem é sustentado na crença de uma essência
imutável.
Na era moderna, com as transformações sociais e
maior circulação de ideias e mercadorias a dialética
passa a ser permanentemente revitalizada. A
filosofia alemã de Kant e Hegel, mesmo sendo
filosofias com grande apelo ao idealismo usam
instrumentos do pensamento dialético e a revitaliza.
Foi com Hegel que a dialética passa a ter uma boa
sustentação teórica. Para este autor, o entendimento
da realidade parte das ideias para o concreto, que é
imperfeito, para retornar as ideias numa dimensão
idealizada que tende a perfeição. Assim, o homem
tende a se constituir a partir do trabalho intelectual
para fazer exercícios de mediação da realidade que
vão fazendo movimentos de totalização da realidade.
Ou seja, o exercício intelectual deve ser feita de
modo a compreender as contradições da realidade e
articulando tais contradições com as várias
dimensões até ir compreendendo a visão do todo.
Para Hegel a busca da verdade está no exercício
das buscas de contradições, visando articular as
várias dimensões da realidade, quanto mais
conexões se fazem, maior entendimento da
realidade se tem
Marx usa como referencia a dialética de Hegel, mas
a inverte, passa a conceber o trabalhomaterial como
constituinte fundamental da historia e por conta
disso, o exercício da reflexão deve fazer o
movimento partindo do concreto, indo para o
abstrato e retornando para novamente para o
concreto. Foi a partir das contribuições de
Feuerbach que o materialismo foi incorporado a
teoria de Marx e as contradições da realidade foram
analisadas com base nas condições materiais,
dando um caráter empírico a dialética.
Neste sentido, a partir do método materialista
histórico de Marx ele concluiu que
as condiçõesmateriais criam contradições que criam
classes sociais que se antagonizam entre si e dá
dinâmica a história da humanidade.
Referência:
KONDER, Leandro. O que é dialética. São Paulo:
Ed. Brasiliense, 1988.
Sua vida é, em muitos aspectos, como uma novela! Você
merece aplausos?
04:56
Cristiano Bodart
Segue um texto publicado originalmente no Portal 27 (aqui), onde tenho uma coluna denominada "Um papo sociológico".
Por Cristiano Bodart
Você sabia que cotidianamente representamos papéis semelhantes aos de atores de teatro ou de novela? Se você já disse
que sua vida é uma novela, não estava completamente errado.
O lugar onde estamos é como um cenário de teatro ou de novela. Nele atuamos de acordo com as disposições dos objetos que
compõe o ambiente. Na praia, por exemplo, agimos, ou melhor, atuamos, como banhistas. Nossa forma de falar e agir na praia
devem ser bem diferentes de quando estamos em uma igreja. Mas não é apenas o cenário de praia que nos leva ao
comportamento específico para o ambiente de praia. Os demais indivíduos também nos levam a esse comportamento, assim
como, eles, também atuam como banhistas ou como plateia, ou seja, não estão ali como banhistas mas esperam que nossa
atuação ou representação seja adequada ao lugar. Esses são como uma plateia que nos observa, nos
avalia e nos julga. Assim somos pressionados a atuarmos conforme a cena cotidiana.
Nossa vida é como uma novela, temos vários papéis, cenários, plateias e diversos outros atores com quem contracenamos. Ao
longo do dia representamos o papel de filho, pai, amigo, consumidor, empregado, vizinho, cidadão, esposo ou namorado, entre
muitos outros…
Assim como em uma novela não podemos misturar os papéis. Se não quisermos ter problemas com os demais atores e
espectadores temos que conhecer a cena (os papéis dos outros atores, o cenário, a plateia, e seu papel esperado) para assim
atuarmos da melhor forma possível e recebermos aplausos na novela da vida real.
O rito da “Chegada”
05:26
Cristiano Bodart
Por Cristiano Bodart
Em férias, na cidade de Ouro Preto- MG, não pude deixar observar um ritual bastante rico de significados*;
trata-se de uma espécie de rito de conquista. Vou chamá-lo de “chegada”, pois assim chamam tal ritual o qual
diz respeito aos jovens daquela cidade.
Dois adendos são necessários para a continuação desse relato: i) os ritos ali observados se repetem em outros
grupos, embora teria sido a primeira vez que esteve tão próximo aos meus olhos e passível de serem
observados por mim por um longo período; ii) não tenho a pretensão de realizar um relato antropológico
exaustivo, apenas compartilhar algumas observações e impressões iniciais em torno do rito.
Em companhia de minha esposa, historiadora e amante das riquezas materiais que aquela cidade proporciona
aos olhos, estávamos na noite de Ouro Preto em um restaurante, precisamente ao lado de uma janela, a qual
tinha vista para uma rua próxima a Praça Tiradentes, onde ocorria o “Festival de Samba de Ouro Preto”. Nessa
rua havia muitos jovens bebendo, fumando, “papeando” e, principalmente, dando umas “chagadas”. A riqueza
antropológica me chamou atenção de imediato e, a partir daí, fiz o convite à minha esposa para observarmos
tal riqueza simbólica, cujo complemento se deu a partir de uma conversa com um dos grupos de jovens que
observávamos no local.
A “chegada” parece ser um rito de conquista com poucas variações ritualísticas, embora bastante complexa e
merecendo um estudo mais aprofundado e atento.
Os envolvidos no rito
Em sua maioria, os participantes parecem possuir de 11 a 20 anos de idade e pertencente a classe social
menos favorecida, embora a maioria se esforce para vestir roupas e bonés de “marca”. Em conversa com um
grupo, este nos revelou que são da cidade e que a maior parte das pessoas que eles buscam se relacionar são
da região.
Tanto os rapazes, quanto as garotas, andam em grupos de 3 a 6 pessoas.
A divisão dos papéis sexuais
A divisão dos papéis sociais é bem marcada e clara nesse rito. Os garotos ficam, parados em pontos
estratégicos onde esperam a passagem das meninas. Enquanto cabe a eles ficaram parados esperando as
meninas para “chegarem”. A elas cabe a tarefa de subir e descer a rua para serem abordadas pelos meninos.
O preparo
O ritual é bastante rico em detalhes. Os rapazes estando em locais estratégicos na rua mais afastada e ainda
movimentada observam as garotas ainda a alguns metros, escolhendo uma delas pela aparência física. A
escolhida será a que deverá ser conquistada.
A rua escolhida é aquela onde o diálogo é possível, ainda que tendo que conversar ao pé do ouvido e quase aos
gritos por conta do som auto da festa, mas que não esteja com aglomeração demasiada, a fim de permitir a
observação e o deslocamento das garotas.
A chegada propriamente dita
Escolhida a garota, vai-se de encontro a ela interrompendo seu trajeto se colocando à sua frente. Nesse
momento, pergunta se ela quer “ficar com ele”. Nessa hora, cabe a garota escusar-se por alguns instantes
enquanto faz sua avaliação do rapaz, levando em conta a “azaração” (cantada) do pretendente, a roupa e sua
aparência física. Se o rapaz for de seu agrado ela cede ao pedido e deixa-se beijar e recebendo um abraço
apertado, tendo as mãos percorrendo parte do corpo da garota(o que eles chamam de amasso), marcado por
um demorado beijo de língua.
As garotas andam igualmente em grupos e em passos lentos, facilitando a aproximação dos rapazes.
A “chegada” pode ser realizada por mais de um rapaz ao mesmo tempo, mas nunca direcionada à mesma
garota. Há o respeito pela escolha prévia, segundos antes de “chegar” (ato de abordar a mulher, buscando
conseguir uma ou mais beijos na boca).
Ao “chegar na garota”, o rapaz tece elogios a garota. Diz que a estava observando e cria uma situação
oportuna ao beijo. Frente à recusa inicial, ele continua a insistir. Ela continua andando enquanto ele insiste,
algumas vezes obstruindo a passagem da garota ou segurando-a pelo braço (minha esposa julgou esse gesto
bastante agressivo, embora o grupo tenha nos dito que as garotas nem sempre pensam dessa forma). As
demais garotas do grupo continuam caminhando no mesmo ritmo, indo à frente. Essas aguardam metros à
frente a fim de perguntar como foi e se beijou o rapaz. Ela aceitando ou não beija-lo, conta a façanha às suas
colegas, em vantagem às demais por ter sido a escolhida dentre o grupo. Após isso, caminha-se até o fim da
rua e retorna para uma nova rodada do rito.
Em alguns casos onde a garota se recusa beijar o rapaz, esta é xingada por ele.
Os desfechos possíveis:
Podem ocorrer dois desfecho: i) o beijo encerrar o ritual ou; ii) o ritual se prorrogar por mais alguns minutos ou
horas.
O certo é que findado o ritual, ambos fingem que nunca se viram ou se encontraram.
Há vínculo amoroso?
O ritual é um ato sem compromisso amoroso ou de fidelidade. Trata-se de um ato despretensioso em relação a
matrimônio ou relacionamento fixo. O rito caracteriza-se pelo seu aspecto momentâneo e que se repete muitas
vezes na mesma noite e entre indivíduos diferentes.
O status e consumo
A bebida é um elemento de status social. Notei que alguns jovens carregavam nas mãos garrafas de bebidas
relativamente caras, como se tivessem carregando um troféu ou algo que lhe desse destaque dentre os demais.
Outros exibiam em punho uma lata de cerveja. Notei que alguns jovens permanecerem com latas de cervejas
vazias por horas, simulando estarem cheias. Houve um momento que um dos rapazes pegou uma lata no chão
para simular que estava bebendo como os demais.
As roupas e bonés de “marcas” (produtor de marcas conhecidas entre os jovens e mais caras que as demais)
parecem ter um papel igualmente importante em relação ao status.
Dentre as meninas, o status social em relação às amigas é atribuído a partir de dois indicadores básicos: i)
quantidade de garotos que chegaram nela durante a noite; ii) beleza dos garotos que permitiu beijá-la. Garotas
mais assediadas por rapazes bonitos e bem arrumados teriam mais prestígios entre as colegas.
A conquista
A conquista é o elementos de status social mais importante do ritual da chegada, embora outras partes dos
ritual também o seja. O garoto que mais realiza o ritual (de chegar nas garotas, como dizem) detém entre os
amigosstatus de “corajoso”, entretanto o que consegue beijar mais garotas o status de “pegador” (espécie de
conquistador de sucesso).
Os tímidos e os desinibidos
Claro que existe rapazes mais tímidos que outros. Nesse caso, cabe ao desinibido a tarefa de “chegar” para o
colega. Ele se aproxima de um grupo de meninas e pergunta se alguma delas estaria interessada em “ficar”
com o colega tímido, fazendo, assim, o papel de intermediador.
O ciclo
O ritual se repete durante toda a noite. As garotas sobem e descem a rua passando próxima aos grupos de
rapazes a fim de que estes cheguem nelas. As garotas dotadas de melhor aparência na avaliação dos rapazes
são rapidamente abordadas e passam pelo ritual por diversas vezes na noite, tendo essa condições de ser mais
seleta em suas escolhas.
Breves apontamentos interpretativos
O rito da “Chegada” nos elucida três aspectos marcantes em nossa sociedade: o machismo, a desejo pelo poder
e o papel do consumo na definição do status social.
Rituais como esse nos demonstram a faceta de nossa sociedade machista, onde a mulher é tida como objeto a
ser conquistado, de ser “tomada” como troféu. Embora as mulheres tenham conquistado poder na sociedade
brasileira, o rito da Chegada evidencia a permanência de sua submissão ainda presente na atualidade. No rito,
cabe a mulher ser agente passiva. Ser possuía, ser “pegada” (como se referem os rapazes ao conquistá-las).
Embora a mulher tenha condições de recusar o beijo, a insistência, às vezes agressiva é marca de nossa
realidade. Igualmente notamos o machismo quando a garota se recusa o beijo, sendo esta algumas vezes
xingada pelo rapaz. Nota-se que a liberdade da mulher em escolher é ainda, no rito, algo frágil.
O sentimento de dominação é bastante presente no rito; ora observável na busca por conquistar a mulher, ora
na ostentação de roupas e bonés de marcas mais caras. A bebida, como inculca nossa mídia, é tida como
símbolo de masculinidade e poder entre os rapazes.
A prática de obstruir a trajetória das garotas, assim como segurá-las pelo braço deixa-nos evidente que o
macho se coloca em situação de dominador, enquanto que caberia à fêmea ser dominada, ainda que podendo
se escusar do pretendente.
As roupas e bonés de marcas caras se manifestam como o desejo de incluir-se no grupo e conquistar status
social perante ele. O consumo é igualmente um potencializador do respeito do outro, o que eles chamam de
“moral”. Ter moral com os amigos é destacar-se e isso é possível via consumo e dominação, não muito
diferente do restante dos grupos sociais ocidentais.
O rito da “Chegada”, a princípio nos trás estranheza pelas características que apresentam, mas sob uma
perspectiva que busque familiaridades notaremos que sua essência está presente em grande parte de nossos
rituais ocidentalizados.
A noite já dava lugar a madrugada e estávamos ainda ali, conversando com um dos grupos observados. Esses
nos apresentavam as conquistas como se fossem troféus.
Atividades Planos de aula
Aula: fotografia e meio ambiente
Hoje, buscando em meus arquivo pessoais, encontrei um "projeto" que
desenvolvi em 2008 com meus alunos de Ensino Fundamental em uma escola
do interior do município de Anchieta (cidade cujo nome era até algumas década
Benevente). Na ocasião o projeto obteve o primeiro lugar em um concurso
promovida pela Secretaria Municipal de Educação de Anchieta (cujo prêmio,
para variar, não foi entregue - era um Notebook para o professor e DataShow,
notebook e aparelho DVD para a escola, além de uma passeio com os alunos
em um parque aquático).
[Pena que as fotografias ficaram com a escola]
A temática envolvia os temas meio ambiente e pertencimento. Segue:
TRATOS E RETRATOS DE MEU BENEVENTE
1 - Justificativa:
O presente projeto está diretamente inserido à realidade de nossa
região, uma vez que se apresenta como uma contribuição importante no
processo de conscientização/mobilização da comunidade inserida na Bacia do
Benevente. Desta forma este se apresenta com dois objetivos centrais: 1)
devido à insensibilidade que tem caracterizado um grande seguimento da
sociedade residente na região localizada na Bacia do Benevente/ES, busca-se,
por meio deste, promover uma maior divulgação dos perigos que nos cercam
referentes aos impactos sobre a referida bacia, bem como divulgar suas
belezas e apontar ações importante para a sua preservação; 2) frente à
necessidade de promover uma educação ambiental coerente com a realidade
dos educandos e do currículo nacional, objetiva-se integrar os educandos a
ações de conservação e conscientização ambiental. Assim, os alunos não
serão, na execução do projeto, agentes passivos, mas ativos, estando incluídos
como os principais executores do mesmo. Em síntese, o presente trabalho
apresenta aspecto conscientizador ambiental e formador de agentes
defensores da bacia do Benevente/ES.
2 - Delimitação do objeto e do público alvo
O objeto deste projeto é a Bacia do Rio Benevente localizada no
estado do Espírito Santo, entre os municípios de Alfredo Chaves, Iconha e Anchieta. O
Rio Benevente é o principal rio desta bacia. Este rio nasce no município de Alfredo
Chaves, cortando a área urbana deste município, vindo a percorrer todo o município de
Anchieta no sentido oeste – leste, desaguando no Oceano Atlântico, nas águas da praia
central de Anchieta. Muitos de seus afluentes perpassam por comunidades rurais,
incluindo a comunidade de Baixo Pongal/Anchieta, onde está a escola realizadora deste
projeto.
O público alvo do projeto não se limita aos educandos da escola de
Baixo Pongal, mas aos educandos das principais comunidades inseridas na
Bacia do Benevente e ao público da área central dos municípios que compõem
a bacia. Esse amplo campo de atuação está diretamente ligado ao fato de se
tratar de um projeto itinerante, o qual será executado em diversas escolas e
áreas centrais dos municípios supracitados.
3 - Referencial Teórico
TRATOS E RETRATOS DE MEU BENEVENTE
Uma das principais características da sociedade contemporânea é, por
parte daqueles mais informados, a perplexidade mediante as duas grandes
crises vivenciadas pela humanidade. Referimos-nos à crise da natureza e à
das relações humanas de produção e sociabilidade (ABDALLA, 2004; IANNI,
2004).
Com relação à crise da natureza, ninguém nega a forma depredatória
com a qual o homem vem explorando os recursos naturais e agredindo-os
através de emissões de poluentes e dejetos industriais e residenciais. Um
grande problema que se soma a isto é a falta de sensibilidade das pessoas.
Por ser algo corriqueiro - já alertava o sociólogo alemão Georg Simmel nas
últimas décadas do século XIX – as pessoas têm perdido a sensibilidade
necessária para se opor a tal situação. Informação não tem faltado! É comum a
mídia tratar de assuntos ligados à preservação do meio ambiente, e isso já não
“dá mais ibope” como antes. Sennet (2002) denuncia o declínio do homem
público, afirmando que as pessoas têm perdido o interesse pelo bem público.
Notamos que em nossa região a situação não tem sido diferente.
O sociólogo Sennet (2003) aponta que o mundo moderno tem criado
homens indiferentes face aos problemas de ordem pública. Os problemas de
ordem coletiva não sensibilizam os moradores. Por ser algo coletivo, acredita-
se que alguém o resolverá ou buscará faze-lo, não necessariamente
precisando ser ele, desta forma, todos pensando da mesma forma, acaba
ocorrendo que ninguém tomando medidas cabíveis. É necessário um despertar
para as questões coletivas, assumindo-as para si. Passar a usar, nesse
contexto, a tão utilizada palavra “meu”.
O meio ambiente é um bem público e deve ser encarado
como “meu”, num sentimento de pertencimento. Por que em uma sociedade
onde a noção de meu é tão usada para designar o privado é tão esquecida em
se tratando de um bem público? Eis aqui um dos problemas de sociabilidade!
O bem público é algo que por ser imensurável não pode ser apropriado
por um indivíduo ou grupo, antes sendo pertencente à coletividade. O meio
ambiente também é um bem público, pois todos se utilizam do mesmo, sendo
seu valor incalculável (embora, em sentenças judiciais, determinados crimes
ambientais tenham seu valor “estimado” – a multa).
Da mesma forma que a sociedade, como destacou Sennet (2003), tem
deixado a outro a tarefa de se envolver com bens públicos, como política e
planejamento urbano, têm também desprezado seu papel em relação às
questões ambientais. O presente projeto prima pelo despertar da sensibilidade
dos cidadãos, especificamente sobre aqueles inseridos em um grande e
imensurável bem público: a Bacia do Benevente. Destarte, levar o sentido de
pertencimento, do significado da expressão “meu” em relação aos recursos
hídricos de nossa região.
A importância do presente projeto se dá em quatro âmbitos, os quais se
inserem no contexto transcrito anteriormente: 1) despertar os educandos,
especialmente, mas não exclusivamente, àqueles envolvidos diretamente no
projeto, para a importância do sentimento de pertencimento em relação à Bacia
do Benevente; 2) buscar despertar a atenção dos habitantes inseridos na bacia
do Benevente para a causa ambiental através de mensagens visuais (painéis
fotográfico e slides projetados via Datashow) e da internet (blog), uma vez que
a presente sociedade é também conhecida como a sociedade da imagem e da
informação, isso devido a forte influência destes sobre as mentalidades
coletivas e individuais (IANNI, 2004; BOURDIEU, 2002); 3) desenvolver
atividades ecológicas, a fim de promover uma educação alinhada aos Temas
Transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN, 1998, pp. 169 -
233); 4) transmitir aos educandos e a comunidade inserida na Bacia do
Benevente uma educação pautada na racionalidade sustentável, em detrimento
a cultura do consumo e do desperdiço.
É sabido que as crises aqui mencionadas – a ecológica e de
sociabilidade – não serão transpostas através deste projeto, mas em nível
local, quem sabe, pode vir a ser uma contribuição para aqueles que já estão
inseridos na causa da Bacia do Benevente, despertando outros civitas a se
preocuparem com tal bem público, desta forma a contribuição seria em
amenizar, em nível local, tais crises, em síntese buscar promover um meio
ambiente em equilíbrio e indivíduos conscientes.
Divulgar os “Tratos” através de “retratos” é uma forma de confirmar em
diversas mentalidades uma coisa: O Benevente é meu!
4 - Objetivo Geral
• Despertar a consciência ambiental da comunidade inserida na Bacia do
Benevente através de um projeto itinerante.
5 - Objetivos específicos
• Capacitar os educandos da escola de Baixo Pongal para serem agentes ativos
no processo de conscientização dos demais indivíduos inseridos à Bacia do
Benevente/ES;
• Promover aulas práticas e em campo relacionadas ao meio ambiente;
• Desenvolver habilidades artísticas, poéticas e de comunicação;
• Ampliar a auto-estima dos educandos da escola de Baixo Pongal;
• Promover a sociabilidade entre educandos de diferentes escolas;
• Despertar o interesse pela causa ambiental da comunidade em geral;
• Apontar os riscos ambientais existentes na Bacia do Benevente;
• Divulgar as belezas naturais da referida bacia.
6 - Cronograma
Atividades Agos. Set. Out Nov.
Aulas referentes ao meio ambiente _ _
Visita ao Rio Benevente/Aula de Campo _
Atividade de fotografia _
Elaboração do Blog e atualização do mesmo _
Elaboração dos slides para o Datashow _
Produção de poesias e pinturas _
Produção dos painéis _
Produção das molduras para as fotos e poesias _
Exposição do projeto em espaços urbanos e escolas _ _
7 - Recursos
Material Proveniência Quantidade
Valor Unitário
(R$)
Valor total
Máquinas fotográficas Já disponível 04 0,00 0,00
Computador / internet Já disponível 01 0,00 0,00
Revelação de fotos
Recursos do
projeto
A definir
Compensados
Recursos do
projeto
A definir
Dobradiças
Recursos do
projeto
A definir
Tinta
Recursos do
projeto
1
Massa para madeira
Recursos do
projeto
1
Barco para visita ao Rio
Benevente
Recursos do
projeto/ alunos
A definir 5,00 por aluno A definir
Condução itinerante
à buscar parceria
com a SMEC
01 0,00 O,00
Obs: Valores pesquisados no dia 02 de junho de 2002. Os itens que estão a serem definidas
estarão dependendo do valor do premio auferido ao projeto.
8 - Referências Bibliográficas
ABDALLA, Mauríco. O princípio da Cooperação: em busca de uma nova
racionalidade. Paullus, Rio de Janeiro. 2004.
BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico. Bertrand, Rio de Janeiro. 2002.
IANNI, Octavio. Capitalismo, Violência e Terrorismo. Civilização Brasileira, Rio
de Janeiro. 2004.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e
quarto ciclos do Ensino Fundamental – Temas transversais. MEC/SEF,
Brasília. 2001.
SENNET, R. Carne e Pedra. Record, São Paulo. 2003.
__________. O Declínio do Homem Público. In: As Tiranias da Intimidade. Cia
das Letras. São Paulo. 2002.
SIMMEL, George. A Metrópole e a Vida mental. In: VELHO, O. O Fenômeno
Urbano. Zahar, Rio de Janeiro. 2002.
______________. O Indivíduo e a liberdade. In: VELHO, O. O Fenômeno
Urbano. Zahar, Rio de Janeiro. 2002.
9 - Anexo
9.1 - Modelo dos painéis
Dinâmica para aula de sociologia e filosofia
Ação Coletiva
18:04
Cristiano Bodart
Ação coletiva: Ação comum que visa atingir fins partilhados. Segundo A. Bentley
(1949), grupo e interesse são inseparáveis. Os membros do grupo são solidários
na ação e para a ação a empreender. Nesse caso, a mobilização em ordem a uma
ação coletiva não levanta nenhum problema.
A idéia segundo a qual um grupo (ou uma classe) constitui uma unidade de
análise é combatida por algumas teorias utilitaristas. Mancur Olson (1966)
mostra que a lógica da ação coletiva não pode reduzir-se à lógica da ação
individual. Não basta que um conjunto de indivíduos partilhe um interesse
comum para que estes se empenhem numa ação coletiva em ordem a satisfazer
esse interesse. A entrada na ação coletiva implica, para cada um dos membros
do grupo latente, um certo custo de participação (tempo, dinheiro, etc.). Ora, se
se verifica que o bem obtido graças à ação coletiva pode aproveitar a todos, não
se vê porque é que cada um dos membros do grupo não seria tentado a deixar
aos outros o cuidado de suportar o custo da ação coletiva. Torna-se evidente,
nestas condições, que a pura expectativa generalizada gerará um "efeito
perverso" (Boudon 1977): com efeito, se todos os membros optarem pela
estratégia do "bilhete gratuito" (free rider), o bem coletivo deixará de ter
qualquer possibilidade de ser obtido. A dimensão do grupo deve ser tida em
conta: nos pequenos grupos, cada um terá de fato compreendido que "a ação de
cada indivíduo conta", o que já não acontecerá nos grandes grupos (por
exemplo, os grupos de consumidores), em que os indivíduos terão tendência
para pensar que a sua participação apenas pode ter uma eficácia despicienda. O
recurso às medidas coercitivas ou aos incitamentos seletivos permite aos grupos
organizados limitar essas estratégias de defeção. Um oferecimento paralelo de
bens individuais (lugar de responsabilidade ou qualquer outra marca de
distinção que confere prestígio e respeito) será um meio para estimular os
recalcitrantes: é assim que a esperança de ter acesso a posições eletivas poderá
levar um indivíduo a aceitar o custo implicado por um militantismo ativo dentro
de um partido político. Um tal oferecimento só é possível se o grupo se dotou de
uma estrutura organizacional.
Minimizados na teoria da escolha racional (fundada no paradigma econômico),
os incitamentos morais e "solidários" desempenham, na realidade, um papel
importante na emergência da ação coletiva. Agir coletivamente numa
coletividade, em que predominam os laços de solidariedade e de amizade pode
constituir uma obrigação moral para o indivíduo, podendo tornar-se
igualmente, para ele, um prazer. Sob este aspeto, é a não participação que será
custosa, pois que poderá pôr em questão a imagem e a estima que o indivíduo
tem de si próprio. A. Oberschall (1973) mostra que a ausência de laços e a
decomposição das redes de interação são um obstáculo importante à
mobilização. A capacidade de conduzir uma ação concertada depende, pois,
estreitamente do grau e do tipo de organização inerentes à coletividade
considerada. Se a ameaça de uma repressão da parte do poder político constitui
um outro obstáculo à mobilização, razões de ordem ética ou ideológica são
sempre capazes de desviar os atores dos seus interesses pessoais. A escala de
avaliação "custos/vantagens" é, portanto, sempre susceptível de ser perturbada
por uma ideologia portadora da esperança de um mundo melhor.
Fonte: DICIONÁRIO DE SOCIOLOGIA
Sob a direcção de RAYMOND BOUDON, PHILIPPE BESNARD, MOHAMED CHERKAOUI e
BERNARD-PIERRE LÉCUYER
Tradução de António J. Pinto Ribeiro
PUBLICAÇÕES DOM QUIXOTE
LISBOA
1990
Caso Charlie Hebdo: imperialismo, contracultura e resistência
18:20
Cristiano Bodart
1
Por Vanessa Mutti*
Contracultura diz respeito ao movimento de mobilização e contestação social que utiliza meios de comunicação de massa,
para denunciar atitudes e situações que ferem a liberdade individual, a liberdade de expressão e a liberdade artística.
Alguns autores consideram historicamente o movimento hippie e o festival de Woodstock, que surgiram nos anos 60, como
importantes movimentos que contestavam a ordem e os valores consumistas, mas também questionavam os valores
etnocêntricos presentes nas políticas de guerra e na submissão econômica e cultural dos países desenvolvidos sobre as
demais civilizações. Desde então é possível perceber diferentes movimentos de contestação e resistência em diversos lugares
do planeta.
Dentro do processo globalizante das economias pelo Capital, assim como as economias nacionais, os valores e as
subjetividades culturais veem sofrendo constante aniquilamento em prol de uma padronização de comportamentos e dados
estatísticos. Cada vez mais é preciso atingir metas e índices conforme os princípios originários pelo american way life.
A falácia da existência de uma aldeia global, confirma o que fora denunciado pelo pensador e professor Milton Santos. De
forma que a influência perversa e homogeneizante da cultura de massa enlatada e introjetada sobre as culturas locais reluzem
nos novos movimentos sociais e populares de resistência e subversão cultural.
Hoobsbawn, nem o próprio Milton Santos, e tantos outros pensadores não puderam presenciar a revanche da contracultura
através das mídias livres e redes sociais. (Provavelmente estejam em algum panteão a presenciar esse fio libertador e
intragável na goela de todo tipo de conservadorismo).
Inúmeros foram os retrocessos, mas também foram os avanços.
O recente atentado ao escritório da revista Charlie Hebdo, revela a investida contra a liberdade de expressão e liberdade
artística. Muito mais que um ataque à ousadia e subversão dos editores, o episódio mostra a ferida e a fragilidade dos valores
ocidentais das nações herdeiras do iluminismo. É uma denúncia à vigente xenofobia que se revigora na armada reforma
conservadora política das “principais” nações europeias e dos Estados Unidos.
O fenômeno foi assustador! Pulverizou um sentimento de insegurança e medo, mas também assinalou o ódio e a intolerância
ao Islão e o povo árabe.
Ora, legitimamente (tsc), utilizamos a lente etnocêntrica para julgar o outro. Esse é o fundamento que está presente nos
atentados terroristas. Porém, por outro lado, essa mesma lente, que converge ao meu cerne e minha noção de pertencimento
e valores, é que chancela as ações dos Estados centrais a invadirem e interferirem diretamente nas nações fora de um padrão,
dissidentes, desviantes por aspectos religiosos, sociais, culturais e econômicos.
Eles assinalam que é preciso reforçar a xenofobia, a homofobia, o preconceito de classe, o racismo e tantos outros
preconceitos que desmerecem as minorias culturais e todo tipo de contrapadrão.
O neoimperialismo, presente e virtuoso, permanece como tábua de salvação para essas nações e povos desviantes. Essa
preciosa justificativa esteve presente nas investidas contra o Vietnã, na ocasião dos movimentos de contracultura mencionados
no início do texto. Entretanto, faz-se presente nas investidas contra o Golfo em 2001, na constante ocupação do Afeganistão,
do Iraque, nas agressões à Síria...
Ao debruçar sobre o atentado e a repercussão da islamofobia, que agora parece ser um sentimento legítimo e terrestre, penso
o que quão frágil e ameaçadas estão as nações e povos dissidentes. A intolerância é aviltada! A violência é justificada!
Somente os movimentos de contracultura, o ativismo, a deserção parecem ser formas de romper com a lógica imperialista.
Mas em nome de que? Em nome de quem? Que sabedoria é essa que parece tão escassa ao julgar o outro? O estranho? O
alheio? O feio?
Reiterar as ações abusivas e desrespeitosa contra as nações é reagir com a mesma cegueira é compactuar com o
etnocentrismo e a intolerância.
Julgar, criticar ou defender Charlie Habdo? Que diferenças faz? Inocentes foram mortos. Civis, inclusive crianças, são mortos
diariamente. Escolas e hospitais são alvejados. Como se apoiar numa ética super humana e dizer quem deve ser castigado?
Qual povo é menos merecedor da vida? Da infância de suas crianças ou da velhice e história de seus antepassados?
*Professora de Sociologia - IFBA Campus Jequié
Globalização: para além da mera ideia de um mundo
interligado, de trocas e intercâmbios culturais.
04:20
Cristiano Bodart
Por Cristiano Bodart
A globalização é um fenômeno que marca nosso tempo. Isso é indiscutível. Discutível é o termo usado para
designar esse fenômeno.
Ao usarmos a expressão “globalização” ou “aldeia global” estamos fazendo alusão à ideia de que o mundo
tornou-se menor, seus cantos mais acessíveis e marcados por trocas de bens materiais e imateriais em um
fluxo nunca visto antes, assim como os países que se influenciam mutualmente. Em parte isso é verdadeiro.
Digo em parte porque a ideia de que existe uma troca entre as nações é um tanto exagerada. O que existe, em
muitos casos, é uma imposição da cultura ocidental sobre os demais países do mundo. Por isso a
expressão “ocidentalização do mundo” utilizada por Serge Latouche em 1989 em "L’occodentalisation du
Monde".
O conceito de “Ocidentalização do Mundo” desenvolvida por Latouche (1989) nos fornece caminhos
interpretativos do fenômeno que recorrentemente chamamos de globalização. Para Latouche, o que existe é
uma imposição da cultura europeia sobre o globo; fenômeno que teve origem ainda nas primeiras Cruzadas, no
século XI, sendo ampliada nos séculos XV e XVI, com as Grande Navegações - que culminaram com a
descoberta de novas terras - e aprofundada no final do século XX, sendo agora chamada de Globalização.
Tanto nas Cruzadas, nas Grandes Navegações, quanto no fenômeno conhecido como globalização, o que
observamos é uma imposição de hábitos culturais e não uma troca clara. É certo que no contato como outros
grupos sociais acabamos sendo, em alguma medida, influenciados por esses. Alguns hábitos dos índios
americanos certamente foram incorporados pelos europeus, porém não tão claramente no sentido contrário. No
caso dos índios americanos, quase todos passaram pelo processo de aculturação, caracterizado pela imposição
de uma nova cultura: a europeia.
Atualmente, o processo de aculturação continua em curso. À todo tempo somos influenciados pela cultura
europeia – muitas vezes via Estados Unidos da América. Bastamos olhar para as últimas tendências da moda. O
quanto o Camboja influencia a cultura francesa? E o inverso? Temos uma troca de hábitos culturais ou trata-se
de um caminho praticamente de mão-única?
Frente a essa atual tendência de aculturação constantes, sobretudo nos hábitos culturais, nos vêm a pergunta:
por quê isso ocorre? Uma palavra me parece bastante completa para tal indagação: poder. Outrora, poder
religioso e, posteriormente, poder econômico. Em tempos de globalização, a aculturação, ou padronização da
cultura acaba padronizando, igualmente, os hábitos de consumo. Uma vez o consumo padronizado, torna-se
possível as grandes empresas venderam seus produtos para todos os cantos do mundo, obtendo assim poder
econômico de forma mais fácil e eficiente.
Com o advento do capitalismo e sua busca pela maximização do lucro, o objetivo dos “homens poderosos”
passou a ser a ampliação dos lucros, o que se dá via ampliação do mercado consumidor. Em um mundo “mais
igual” é muito mais fácil e barato ofertar os seus produtos por todos os cantos do mundo. Os benefícios da
globalização, tais como a facilidade de deslocamento de passageiros e a maior informação é uma realidade,
pena que também sejam também mercadorias e a serviço de seus donos.
O fenômeno está ai. Resta-nos compreende-lo para além da mera ideia de um mundo interligado, de trocas e
intercâmbios culturais.
Por que devemos ter cuidado com o bairrismo e com os
mosquitos?
11:33
Roniel Sampaio
2
Por Roniel Sampaio Silva
Você tem orgulho de ser brasileiro? orgulho do seu estado? Da sua cidade? Não importa qual a região, o sentimento de
comunidade, de pertencimento étnico em relação a uma territoriedade está relacionado ao regionalismo. O Brasil tem
riquíssimos exemplos sobre o regionalismo.; mas até que ponto isso é positivo? Vou procurar nesse texto mostrar os alguns
dois lados a mesma moeda sobre a questão do bairrismo e do coronelismo, e por fim, vou falar ilustrar uma metáfora do
mosquito da dengue.
Antes de mais nada vale conceituar regionalismo. É um conjunto de caraterísticas que tornam particular uma região”. Tais
características são evocadas no sentido de criar uma relação de pertencimento a uma certa localidade. O primeiro grande
movimento intelectual e cultural relacionado ao regionalismo no Brasil surgiu no nordeste e teve como um dos líderes o
sociólogo Gilberto Freyre, o qual foi um dos signatários do manifesto homônimo em 1930.
Além disso, o regionalismo está muito relacionado a um outro conceito antropológico chamado etnocentrismo, o qual põe a
cultura local como centro da visão do mundo de determinado grupo cultural. Em 1952, o antropólogo Claude Levi-strauss a
pedido da UNESCO escreveu um texto intitulado “Raça e História” cujo objetivo era problematizar sobre o etnocentrismo, o
evolucionismo e a diversidade cultural. Em um dos pontos do texto, o francês sugere que é graças a etnocentrismo que temos
toda essa diversidade cultural, e que esta diversidade deve contribuir para colaboração entre as culturas, jamais para sua
destruição.
Voltando ao regionalismo de Freyre, este não deixa de ser uma espécie de etnocentrismo, um etnocentrismo que tem uma
faceta, até certo ponto, sadia para preservação da cultura tradicional. Na ocasião o sociólogo dialogou com outros grupos
culturais e buscou a colaboração cultural mencionada por Lévi-strauss.
E como isso tudo pode se tornar uma armadilha?
As armadilhas do bairrismo
Ocorre que, os discursos extremistas, fundamentalistas transformam o regionalismo em bairrismo. Na ocasião, é oportuno
conceituar o que seria bairrismo como “um esforço de promover aversão à tudo aquilo que vem fora de um território restrito”,
é, na verdade, um tipo de como uma em escala regional ou local do regionalismo. É uma expressão que remete à ideia de
aversão a tudo que vem de fora do espaço restrito do bairro.
Se na primeira metade do século XX tivemos os movimentos fascistas que aclamavam o nacionalismo como matriz de um
governo centralizado num líder carismático; o Brasil vivenciou e tem vivenciado o discurso do bairrismo, o qual que busca isolar
um território em favor do fortalecimento de uma autoafirmação étnica, que por sua vez tende a negar a contribuição de outros
sujeitos pelo mero fato destes não serem reconhecidos localmente pelas autoridades que se dizem “da terra”.
A negação do outro acaba sendo um ataque pessoal, sorrateiro que torna-se uma estratégia que esvazia o diálogo
argumentativo, político e racional, o que acaba sendo um rótulo reducionista, uma falácia de autoridade.
Tais medidas são comuns em locais provincianos, cuja autoridade do coronel - ou coronéis, são criadas no sentido de imunizar
o poder tradicional para garantir o status quo, ameaçadas por ideias “inovadoras” advindas dos “forasteiros”. A medida reflete
uma insegurança quanto as suas próprias doa habitantes locais e se fecham para contribuições de um outro ponto de vista.
Desta maneira, as pessoas “da terra” são superestimadas independente do que elas têm à oferecer. São promovidas pelo
mero fato de serem reconhecidas pelos demais como “minhoca”, como se isso apenas bastasse para ter compromisso com a
região. E já que estamos citando animais, vale destacar o mosquito. Este por sua vez, surge num contexto de estagnação de
ideias oriundas pelo fechamento do grupo. O grupo torna-se tão sem movimento que assemelha-se a água parada, oportuna
para proliferação de mosquitos parasitas que vivem para se alimentar do sangue alheio. Estes mosquitos são os coronéis, eis
um dos perigos do bairrismo.
Tanto as fronteiras geográficas são artificiais, como o reconhecimento dos sujeitos como “nativos”. O reconhecimento destas
pessoas é arbitrário uma vez que tais indivíduos de outra naturalidade pode ser reconhecido como autoridade local e uma
pessoa daquela naturalidade pode não ser reconhecida como tal. A exemplo disso, temos o poeta Torquato Neto, um dos
intelectuais da Tropicália, que mesmo sendo teresinense era expulso de locais frequentados pelas famílias tradicionais pelo
simples fato da sua estética não ser aceita pelas elites locais. Assim, a negação bairrista tem a finalidade de segregação
política, social, cultural ou estética.
O bairrismo é herança do coronelismo patrimonialista. Neste sentido, o apego pela terra, típico de sociedades tradicionais, foi e
continua sendo seu campo fértil. Raymundo Faoro destaca que o coronelismo foi um dos grandes empecilhos para
consolidação do republicanismo e do federalismo, sendo uma estratégia para preservação do poder tradicional consolidado, ou
seja, um esforço “contramodernizante”.
O discurso do bairrismo acaba tendo ainda bastante adesão, até hoje justamente por criar uma expectativa de beneficiar o
sujeito na “panelinha”. O isolamento de um grupo em si cria o que eu chamo de “água parada”. Como todos sabem água
parada cria mosquito.
Eu me ariscaria a afirmar que o bairrismo é uma herança do coronelismo e ao mesmo tempo seu grande pilar de sustentação.
Na medida em que um grupo tende a se fechar para as contribuição de outros grupos culturais ou sujeitos, criam-se entre os
pares autoridades cujo poder é delegado apenas pelo autoreconhecimento, que na maioria das vezes não leva em conta um
projeto político que beneficie a todos.
Assim, o projeto bairrista fatalmente cria as panelinhas, cujo conteúdo perde no marasmo
e faz proliferar um batalhão de mosquitos. Portanto, lembre-se, água parada e grupo fechado cria mosquito! Sugadores de
sangue...
Por que a Sociologia incomoda?
05:10
Cristiano Bodart
Por Cristiano das Neves Bodart
cristianobodart@hotmail.com
Por que a sociologia incomoda? Essa indagação é recorrente dentre os que iniciam suas “aventuras” no campo
da Sociologia. Além de incomodar é perigosa e, consequentemente, gera perigos. Incomoda os que dela se
utilizam, assim como aos que não a utilizam em suas práticas compreensivas da realidade social.
Em regimes autoritários, uma das primeiras práticas dos governantes é tentar eliminar a Sociologia. Sociólogos
são ameaças a tais governos por desvendar seus aspectos, funcionamentos e objetivos. No Brasil, durante a
Ditadura Militar, professores foram expulsos do país, cursos fechados e disciplina banida do Ensino Médio. Era o
ataque do regime a seu grande e perigoso inimigo. Ao se apresentar como ameaçadora, acaba gerando, em
última instância, perigo ao seu “possuidor”, podendo ser perseguido e/ou assassinado.
Os que se utilizam da Sociologia são, por ela, constantemente incomodados. Incomodados pela luz que passam
a ver, estando fora da caverna de Platão. A Sociologia nos faz enxergar a exploração do homem sobre o
homem, os interesses de grupos, as nefastas intenções políticas e os indesejáveis jeitinhos nas práticas
cotidianas. Passamos a notar a "microfísica do poder" que mantém a estrutura hierárquica social, os machismos
e as demais discriminações veladas, entre tantos fenômenos sociais que passam a nos afligir. A Sociologia
acaba sendo um incômodo por nos persuadir a “remar contra a correnteza”, a se colocar contrário a muita coisa
que está enraizada nas relações sociais.
Pierre Bourdieu já dizia que a Sociologia é um campo de batalha. Ela incomoda aqueles que se beneficiam
dostatus quo, isso porque desvenda, interpela e o questiona. Assim, sociólogos são, quase sempre,
indesejáveis por aqueles que se beneficiam da “ordem das coisas”.
A criticidade que desperta a Sociologia sobre aqueles que a buscam os leva a se posicionarem quase sempre
contrário ao consenso, este enraizado nas mentalidades.
Com posse da “imaginação sociológica”, verás que a batalha estará armada e a luta é árdua. Com o tempo
notarás que não serás mais o mesmo, pois a Sociologia nos impele à luta, nos incomoda.
"Batalha" de perguntas: Dinâmica de jogo de pergunta e
resposta entre grupos.
19:55
Roniel Sampaio
10
Por Roniel Sampaio Silva
Sempre tive a curiosidade de fazer um jogo de perguntas e respostas, estilo "passa ou repassa". Resolvi fazer a
dinâmica uma vez que já estava trabalhando o texto "O que é sociologia” na aula anterior. Na ocasião pedi aos
alunos que se reunissem em grupos e estabelecessem os tópicos frasais de cada parágrafo do texto. Então,
resolvi promover uma competição entre os grupos para que eles aprendessem a importância de uma boa leitura
e interpretação do texto para responder adequadamente ao que se pedia.
Ao ingressar em sala, pedi novamente que se organizassem em grupo . Os grupos foram dispostos de maneira
circular, e foram definidos como grupo “A”, “B”, “C”...etc.. Escrevi no quadro as regras do jogo:
1- Cada grupo tem um 60 segundos para responder o que se pede, caso o grupo não responda a pergunta
corretamente, a vez será repassada para o grupo seguinte, de maneira circular até todos os grupos tenham
oportunidade de tentar responder.
2- Um dos componentes do grupo deve escrever a resposta no papel para registrar a resposta que foi dita.
3- Um componente do grupo deve falar a resposta para a sala em voz alta.
4- Caso ninguém consiga responder, o professor irá explicar sobre o tópico.
Previamente, elabore questões sobre o texto e faça o sorteio das questões antes de perguntar ao grupo. Em
seguida, tenha o cuidado de copiar no quadro as questões que se pedem no ato do sorteio.
Usei as seguintes questões, do texto “O que é sociologia”:
1- Qual a semelhança entre sociologia e senso comum?
2- Qual o objeto de estudo da sociologia?
3- Qual a diferença entre sociologia e senso comum?
4- Por que os temas da sociologia soa mais discutidos do que os temas da astronomia?
5- O que é imaginação sociológica?
6- Cite exemplos de mecanismos de controle da sociologia?
7- Qual o tema de estudo comum das ciências humanas?
Assim que terminamos a atividade, mostrei a importância de fazer uma leitura detalhada do texto, utilizando a
estratégia dos tópicos frasais. A experiência foi muito positiva, sobretudo pela interatividade e dinâmica da
aula.
O melhor de tudo nessa dinâmica é que ela serve para qualquer assunto, basta trabalhar um texto.
Pensamento social e questão de gênero
14:45
Cristiano Bodart
2
Por Joyce Miranda Leão Martins*
Émile Durkheim foi o primeiro professor da disciplina que hoje se conhece
como Sociologia e que objetiva estudar as relações humanas e a organização das
sociedades. Em seus estudos, que passaram pela religião até o suicídio e a divisão do
trabalho, o sociólogo chegou à conclusão de que o crime era um "fato social normal",
posto que era encontrado em todas sociedades, em todos os tempos. De acordo com o
francês, os acontecimentos de um grupo, bem como o trabalho de seus membros, tinham
uma função dentro de uma estrutura maior, que era a sociedade. Cada indivíduo
possuiria um "papel" que ajudaria sua comunidade a funcionar harmonicamente.
Incorporado posteriormente às Ciências Sociais, Karl Marx fazia uma análise
diferente. Para ele, a sociedade capitalista não era nem poderia ser harmônica e seria
rompida a partir de uma revolução levada a cabo através dos trabalhadores mais
explorados pelos detentores dos meios de produção. Marx fazia uma grande crítica aos
economistas de sua época, que julgavam o sistema capitalista como um "caminho
natural" da humanidade. Tinha em comum com Durkheim a percepção de que o social
não era algo dado, mas construído historicamente.
Se como disse Wright Mills "não devemos esquecer que bebemos na fonte dos
clássicos", lembrar que o social é construção histórica é um dos maiores ensinamentos
dos consagrados autores. É a partir disso que podemos estimular a imaginação
sociológica e passar de uma perspectiva naturalizada a outra, de questionamento.
Em tempos que racismo, homofobia e machismo vêm sendo constantemente
combatidos por movimentos sociais, cabe perguntar: funciona normalmente uma
sociedade em que são violentadas, por ano, 50 mil mulheres, de acordo com dados do 8º
Anuário Brasileiro de Segurança Pública? A exploração da força de trabalho é igual
entre homens e mulheres, sendo a desigualdade de renda a única que afeta a
humanidade?
As questões levantadas são quase retóricas, posto que são presumíveis as
respostas esperadas. Mas se a Sociologia é - desde os seus princípios - "um esporte de
combate" (ainda que de acordo com determinado contexto), não é difícil antever que
essas questões precisem estar, cada vez mais, nas discussões da disciplina. Não apenas
como um recorte específico dos estudos de gênero, mas também como forma de impedir
que o conhecimento reproduza discursos dominantes e se restrinja a destacar os escritos
do gênero masculino, algo corriqueiro na trajetória das disciplinas científicas. É
necessário ampliar os espaços de atuação desse esporte de combate que são as Ciências
Sociais e lembrar que os textos de Marianne Weber, Harriet Martineau e Beatrice Webb
(além de tantas outras) devem ser conhecidos e revisitados. A tarefa faz parte de uma
Sociologia da Sociologia (que coloca em xeque as verdades aceitas), proposta por
Bourdieu (1989), indo no sentido do questionamento da restrição de canônes, e agindo
em direção a novas epistemologias pós-colonias. Quem foram as mulheres que
pensaram o social contemporaneamente aos clássicos, por que foram esquecidas e o que
tinham a dizer? O que isso tem a ver com violência e desigualdade social?
Quando parcelas importantes da sociedade estão a descortinar antigas crenças e a
questionar diversos tipos de violências (sejam elas relacionadas à mulheres, negros,
homossexuais etc), colocam um desafio às Ciências Sociais: é preciso repensá-las para
que elas caminhem junto ao seu tempo. Lembrando Boaventura (2000), que avisa aos
sociólogos ser necessário "escavar o lixo da ciência moderna" pra ver o que lá havia de
importante e foi relegado ao desconhecido, porque considerado inferior, é necessário
revolver as próprias Ciências Sociais e buscar as suas protagonistas, que trazem luzes
para o pensar da sociedade atual e problemáticas que ainda se fazem contemporâneas,
pois foram deixadas de lado no passado.
Sobre as três pensadoras sociais citadas aqui, vale dizer: Harriet Martineau foi
uma das grandes críticas do sistema político americano. Para ela, o país não podia ser
considerado democrático, pois permitia a escravidão. Autoditada em Ciências Sociais,
publicou artigos também em economia política, com a intenção de mostrar e simplificar
princípios dessa disciplina. Como Durkheim, acreditava que a natureza e a sociedade
possuíam leis; Marianne Weber, mais conhecida pela publicação da obra póstuma de
seu marido Max Weber, estudou como as diferentes classes sociais, educação e
ideologia contribuíam para a desigualdade relacionada à mulher. Em seus escritos,
mostrou que a dominação patriarcal no matrimônio contradizia os valores liberais
individualistas tão louvados em sua época; Por sua vez, Beatrice Webb foi autodidata na
aprendizagem de filosofia e economia. Filha de um rico empresário da Inglaterra,
passou a trabalhar nas fábricas de seu pai para compreender o dia a dia dos
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Dinâmica para aula de sociologia e filosofia

  • 1. Dinâmica para aula de Sociologia e Filosofia A dica de hoje é destinada aos leitores que são docentes. Trata-se de uma dinâmica. Segue: Objetivo: 1. Refletir sobre o papel da educação frente as injustiças cometidas pelo Estado. 2. Refletir sobre o papel do cidadão frente a um Estado que rompe com o “contrato social” (no sentido de Rousseau); 3. Refletir sobre a desapropriação de bens em ações socialistas. Material necessário: Bombons (devem ser solicitado 3 bombons por aluno, em aula anterior); Vendas para os olhos. Desenvolvimento Inicie a aula sem dizer os objetivos, apenas fale que será realizado uma dinâmica. Comunique a regra do jogo: ninguém pode emitir nenhum tido de som durante toda a dinâmica, apenas poderá falar (sim ou não) aqueles que o professor solicitar. 1º momento: Peça que todos coloquem os bombons sobre a mesa. Certamente alguns não levarão para a aula os bombons solicitados – isso faz parte da dinâmica (em escola pública, onde as desigualdades sociais são marcantes, a dinâmica funciona ainda melhor). Passe recolhendo todas os bombons. Lembrando que ninguém pode falar nada! Aleatoriamente, deve ser vendado os olhos de cerca de 1/3 dos alunos. Redistribua os bombons de forma desigual (deixe uns alunos que estão com os olhos vendados sem bombons e outros com um, dois, três, cinco... ). Obs: coloque em suas mãos para terem ideia (os que estão com os olhos vendados) que estão recebendo os bombons.
  • 2. Olhos vendados, bombons redistribuídos, pergunte a alguns alunos (um de cada vez) se tem se está tudo certo (só podem dizer sim ou não). Comece com os alunos de olhos vendados que nada receberam (como eles estão de olhos vendados, não terão nem ideia do que está ocorrendo), depois passe para os de olhos vendados que receberam mais de 3 bombons (pergunte a eles se estão satisfeitos, orientando que responda sim ou não, apenas), depois passe para os que estão com vendas, mas que receberam menos de 4 balas. E por fim, pergunte os que estão sem vendas. Nesse momento pergunte se estão satisfeitos e o por que. Mande que tirem as vendas e pergunte novamente (agora deixe eles falarem o que quiserem a respeito). Certamente agora os que se sentiram prejudicados reclamarão. Nesse momento explique a importância da educação (olhos abertos) para compreender o que se passa na sociedade e na Administração dos recursos angariados por meio de nossos impostos. 2º momento: Como os que pouco receberam estão insatisfeitos e os que mais receberam estão satisfeitos (especialmente aqueles que não levaram os bombons e agora ganharam), recolha todas os bombons e coloque na bolsa (como se fosse levar para casa). E diga que ficará com todos. Isso de forma bem ditatorial. Nesse momento eles não concordarão. Explique a partir dai, a importância de questionar o governo quando recolhe os impostos e nada ou quase nada faz. 3º momento: Diga que “para todos ficarem satisfeitos, será distribuído igualmente à todos, como no Socialismo. Faça assim. Haverá reclamação daqueles que trouxeram 4 bombons e ficaram com menos (devido ao fato de nem todos terem trazido, e na hora da divisão os que trouxeram 3 bombons ficarão com 2 ou 1 bombom). A partir dai discuta questões ligadas ao socialismo e a políticas redistributivas. Obs: reflita que nem todos não contribuem devido as condições de comprar bombons naquele dia, assim como tem pessoas na sociedade que são impossibilidades por vários motivos de contribuir economicamente para o Estado. Seria justo a redistribuição dos recurso públicos de forma igualitária? Relembre a eles que o socialismo pregava que cada um deveria contribuir com sua capacidade e receber conforme sua necessidade.
  • 3. Dinâmica para aula de Sociologia ou Filosofia 20 Objetivo: Desenvolver a capacidade de argumentação, interpretação e julgamento. ATIVIDADE: Falar, ouvir e julgar Instrução: Os alunos são divididos em grupos de 3, cada um terá uma função que deverá ser revezada: Orador: Escolhe um tema e faz um comentário sobre ele. Secretário: Escreve o que vai sendo dito pelo orador. Juiz: Julga se o que foi escrito tem haver com o que foi falado e coloca sua observação abaixo do que foi escrito. Continua abaixo: A atividade possui três rodadas, sendo que cada membro deve passar pelos três papeis, no fim haverá um registro com as opiniões dos três e os seus julgamentos sobre o que foi escrito. Os temas podem ser mudados conforme o que está sendo trabalhado. TEMAS: 1. Pena de Morte 2. Reforma das prisões 3.Uso de drogas. 4. Liberação feminina. 5. Política exterior. 6. Ecologia 7. Matrimonio homossexual. 8. Corrupção 9. Sexo pré- matrimonial e extra matrimonial. 10. Gente da Rua. 11. Trabalho voluntário. 12. Reforma política. 13. Divorcio. 14. Homossexualidade. No final o grupo deve responder as três questões: Questões: 1. Quais foram as dificuldades que vocês enfrentaram em cada papel que interpretaram, secretário, orador e juiz?
  • 4. 2. Que dificuldades vocês tiveram durante a escuta? 3. O que vocês aprenderam sobre a capacidade de comunicação? Dica de simulação de um julgamento em sala de aula Abaixo um texto para fundamentar a situação e as orientações do andamento da aula Texto: O Animal Era uma maternidade pública daquelas em que as mulheres chegam, sabe Deus como ou de onde, sem nenhum preparo; sem pré-natal, sem condições sem dinheiro, sem saúde, sem alento, sem perspectivas. Até os médicos e enfermeiras tornaram-se desalentados. Afinal conviver diariamente com a miséria é suficiente para tornar a vida amarga. Mas, quis o destino que assim fosse: nasceram juntos, nessa mesma maternidade. Um porque a mãe não tinha onde cair morta, o outro porque se a mãe não fosse rapidamente socorrida cairia morta. E nasceram os dois de cesárea. E ainda assim, nasceram saudáveis, chorando forte, corados. Foram amamentados, pesados, medidos, esmiuçados e então devolvidos as respectivas mães. Foram amamentados, acarinhados, embalados e depois, um ficou na própria maternidade e o outro, assim que possível, transferido para casa de saúde particular. Um sozinho com a mãe solteira, o outro no seio de uma família agora aliviada das circunstâncias do nascimento em local tão impróprio. - Um acidente - diziam todos - Um acidente - dizia também a mãe solteira com o pequeno nos seios agarrado. Dois dias depois, cada qual seguiu seu destino, um, a favela; o outro o apartamento de frente para o mar. E ambos cresceram hígidos enquanto amamentados. Bonitos, saudáveis, risonhos. Depois, um já recebia outros alimentos que até sobravam, e o outro quando as tetas da mãe já não sustentavam, nem as sobras tinha para
  • 5. alimentar-se. E enquanto na casa de um os avós o disputavam, na favela a mãe desesperada não tinha mais com quem deixá-lo. E assim, num orfanato, acabou sendo abandonado. Cresceram, os anos passaram, um no seio da família, o outro no meio de estranhos e a ele ninguém se vinculava. Um superestimado, abençoado, o outro perdido, abandonado. Aos 6 anos, um matriculava-se no primeiro grau, o outro fugia com três pouco mais velhos para nunca mais voltar. Assim, enquanto um fazia da escola o caminho da sua vida, o outro fazia da vida na rua a sua escola. Um cada vez mais forte, saudável, o outro magrelo, perebento, desdentado. Enquanto um aprendia para alargar seus horizontes, o outro roubava estreitando cada vez mais o seu final. Os anos passavam e enquanto um ia galgando as escolas mais diferenciadas, o outro galgava os presídios mais apinhados. A seu modo cada qual recebia, dia a dia, mais e mais conhecimentos. Em pouco tempo, um usava a palavra como arma, e outro usava a arma como palavra. E, no exato dia em que se formava advogado, o outro empreendia mais uma fuga numa rebelião de presidiários. E ambos se tornaram notórios, um como defensor incondicional da pena de morte, o outro usando a morte como forma incondicional de sobreviver. O inimigo público número um, o mais procurado. Um tornou-se juiz de direito, o outro, terrível juiz das vitimas das ruas escuras e desertas. Ambos com o destino dos outros nas mãos, um com o código de lei da sociedade, o outro com a lei da sociedade sem código. Até que certo dia se encontraram. Um bateu o martelo condenando, ao mesmo tempo que lamentava não haver pena de morte para imputar a tamanho animal. O outro, o animal, acuado, algemado, lamentando a vida que teria de novo na penitenciária. E ninguém nunca soube que, naquela maternidade pública, trinta anos atrás, eles haviam sido trocados. Atividade: O texto acima, deixa subtendido, que o rapaz denominado “animal”, recebeu do Juiz a prisão perpétua, já que não há pena de morte.
  • 6. Refaremos o julgamento do réu, para confirmar ou mudar a sentença dada: - Defesa: Elaborar um texto de defesa para o caso e estipular uma nova pena. - Acusação: Elaborar um texto de acusação para o caso e confirmar a pena ou estipular outra. - Júri: Elaborar por escrito três questões para serem feitas a defesa e três para a acusação, com a finalidade de esclarecer os fatos e depois que todos forem ouvidos, estipular a sentença. Desenvolvimento: Os grupos elaboram seus textos, depois a Acusação começa falando, o Júri faz suas perguntas, fala a Defesa, Júri faz as perguntas, a Acusação faz sua réplica , a Defesa faz a tréplica e logo após o Júri se reúne e decide a sentença. DIVERSIDADE Exercícios sociologia 2º ano - Diversidade A equipe do Café com Sociologia elaborou algumas atividades as quais podem ser utilizadas pelo professor a partir do nosso plano de ensino. 2º Bimestre 1º Atividade – Estudos de raça 1- Qual a diferença do conceito sociológico e do conceito biológico de raça? 2- Qual a diferença entre o preconceito racial no Brasil e nos EUA.
  • 7. 3- Conceitue e exemplifique ações de discriminação afirmativa. 4- Pesquise o conceito de Estigma na visão de Goffman e responda como o estigma racial pode fortalecer a criminalidade. 5- Com base em Munanga em sua obra “Um ponto de vista em defesa das cotas” qual a discussão que está por trás das cotas? 2º Atividade – Movimentos afirmativos 1- O que foi o aparthaid? E qual era a justificativa ideológica e cultural para tal? 2- Qual o contexto histórico de surgimento e desenvolvimento da Ku Klux Klan? 3- Qual a diferença fundamental do preconceito racial norteamericano par ao preconceito racial brasileiro? 4- Quanto o referencial de etnia qual a diferença do padrão gradiente para o padrão descendência? Cite um país para tipificar cada um dos exemplos. 5- Qual a sua visão sobre as políticas de ação afirmativa? 3º Atividade – Conflitos étinicos contemporâneos e relações internacionais 1- Como se deu a instituição do Estado de Israel? 2- Como se seu a instituição do Estado Palestino? 3- Qual importância da cidade de Jerusalém para os: a) Judeus b) Mulçulmanos c) Cristãos 4- Exemplifique situações de fundamentalismo: a) Judeus b) Mulçulmanos c) Cristãos 5- Qual seria uma possível solução para o conflito étnico no oriente médio? 4º Atividade – Gênero e sexualidade 1- Qual a diferença entre sexo e gênero? 2- Conceitue: a) Orientação Sexual b) Identidade de Gênero 3- Caracterize o sistema de dominação masculina desenvolvido por Pierre Bourdieu. 4- Como se deu o processo de construção histórica da dominação masculina? 5- A partir do conteúdo estudado, quais os caminhos para diminuir a violência de gênero no Brasil? 5º Atividade – Homossexualidade e tabú
  • 8. 1- O que é tabú e porque a sexualidade é considerada como tabú? 2- Caracterize a homossexualidade na visão a)Bíblia b) Biologia b) Psicologia c) Ciências Sociais 3- Qual a diferença da maneira com a qual a sociedade romana de “Alexandre o Grande” e a nossa sociedade atual lida com a questão da homoafetividade? 4- No imaginário social, o que é mais combatido e homossexualidade masculina ou feminina? Justifique sua resposta. 5- Tramita no congresso uma lei de criminalização da homofobia. Papeis sociais: o jogo "assassino, detetive e vítima" 4Objetivos da atividade: - Apresentar o conceito e característica de papéis sociais a partir do jogo. Introdução: Papeis sociais é um dos conceitos-chave em sociologia. Segundo Lakatos (1999) tal conceito pode ser definido como “um padrão de comportamento esperado, exigido de uma pessoa que ocupa um determinado status. Portanto, são as maneiras de comportarem-se, esperadas de qualquer indivíduo que ocupe certa posição (status), constituem o papel associado com aquela posição.” Neste sentido status é o lugar ou posição que a pessoa ocupa na estrutura social, de acordo com um julgamento coletivo ou consenso da opinião do grupo. (LAKATOS, 1999)
  • 9. Neste sentido cada papel desempenhado tem respaldo em um status e, a partir disto, há na sociedade a possibilidade de assumir vários papéis, dependendo da situação: filho, aluno, namorado, jogador e etc. Para cada um destes papéis há um sistema simbólico que pode proporcionar um status maior ou menos. Para tanto, para cada um desses papéis há uma expectativa em relação a cada comportamento: como aluno é esperado que você faça as atividades, passe de ano e seja engajado nas aulas. O nome "papel social" pode ser entendido como uma metáfora empregada por Goffman em que o sujeito representa a si próprio, interagindo com outros sujeitos, dos quais têm que se preocupar com a impressão que os outros terão sobre seu comportamento. Para cada situação em que se desempenha determinado papel social. Há, por um lado, a preocupação consigo em relação à própria atuação e a expectativa de comportamento do outro. Metodologia: Papeis sociais: 1 - Detetive 2 - Assassino 3 - Vítima Organização Os participantes devem ordenar as carteiras em círculo. A brincadeira é recomendável para um número de 10 a 40 pessoas. Antes de iniciar a rodada é necessário que o professor sorteie os
  • 10. papéis sociais. Para cada 10 alunos é necessário 1 Detetive, 1 Assassino, o resto do grupo deverá ser composto de vítimas. Andamento Durante a brincadeira cada participante tem um objetivo: o assassino vitimar os participantes; o detetive encontrar o assassino e a vítima nada mais lhe resta além de ser assassinada ou permanecer viva. Ninguém deverá dar pistas sobre os papeis desempenhados. O assassino para tombar a vítima, deve piscar um dos olhos para a mesma caia. O detetive, na suspeita ou constatação de algum assassino pode dar voz de prisão apontando para o suspeito e dizer: “Preso em nome da lei”. O detetive sairá do jogo caso erre três vezes consecutivas a acusação. Os participantes assassinados, presos ou demitidos devem ficar com a cabeça abaixada ou com a mão no queixo (isso previamente estabelecido) para que os demais participantes identifiquem quem ainda está no jogo. Em caso de impasse quanto ao papel que cada um pegou os jogadores devem guardar o papel sorteado. Para otimizar o andamento da brincadeira poderá ser estipulado o tempo de 15 minutos para cada rodada, dependendo do tempo disponível e o número de participantes. Desfecho Terminada a brincadeira, dialogue com seus alunos e faça algumas perguntas para que eles identifiquem na brincadeira elementos dos papeis sociais. 1) O que poderíamos dizer ser o status na brincadeira? 2) O que é papel social a partir da brincadeira? 3) Quais as características do papel social? 4) Como identificamos os status de cada um? 5) Há como ter status de delegado e exercer papel de vítima? 6) "qual a implicação desse tipo de comportamento indefinido na sociedade?" REFERÊNCIAS: GOFFMAN, Erving. A representação do eu na vida cotidiana. Trad. Maria Célia Santos Raposo. 8ª ed. Petropolis, RJ: Vozes, 1999.
  • 11. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Sociologia Geral. 7ª ed. São Paulo; Atlas,1999. O protagonismo na escola Toda instituição tem personagens, tal qual uma peça teatral, alguns destes tem maior prestígio social que outros e isso faz parte do que se chama protagonismo institucional, que é a relevância socialmente adquirida de um personagem em relação aos demais. Neste texto discorreremos brevemente sobre quem é o protagonista na escola. Na modernidade, há uma tendência na especialização de instituições. O hospital para atendimento de saúde, a defensoria para o atendimento advocatício, EMBRAPA para consultoria técnica etc. Quando pensamos nos principais personagens dessa instituição fica fácil identificar. Diante do imaginário social é fácil apontar os protagonistas dessa instituição. Do hospital, o médico. Da Defensoria pública, o Advogado defensor público. Da EMBRAPA? O Engenheiro. Raramente uma decisão desses profissionais é questionada, o reconhecimento quase faz da opinião deles um dogma. Mesmo que haja outros personagens entre profissionais de “suporte” e público atendidos, o protagonismo geralmente vai estar associado a esses profissionais, prova disso é a propaganda que mostra jaleco e beca e capacete e um agradecimento direcionamento ao profissional.
  • 12. E o protagonismo da escola? Essa instituição é um campo de batalha e está cada vez mais difícil identificar o protagonista. Por mais que o discurso busque melhor valorização para o professor, na prática o professor tem perdido seu protagonismo. Especulo algumas razões para que isso ocorra. Os novos paradigmas educacionais enxergam o professor como um facilitador de aprendizagem e tira a centralidade do ensino do mestre. O aluno muitas vezes passa a ser o começo, meio e fim do processo. Esse passa a ser o centro da instituição e muitas vezes tal concepção faz com que os discentes se vejam como sujeito de diretos, nada de deveres. O aprendizado deles deixa de ser o foco para que seja atendidas as suas vontades. Eles são incumbidos muitas vezes de responsabilidades as quais ainda não estão preparados, tudo por uma suporta nova pedagogia. Devido a grande desvalorização social do professor, que vai desde a questão salarial até ao excessivo questionamento de um pai da interpretação do professor sobre uma questão de prova que é estopim da reprovação do filho; outros personagens na instituição se vêm no direito de ter o mesmo protagonismo que os professores, o que muitas vezes gera conflitos. Os demais servidores de uma instituição educacionais, embora tenham uma importância muito grande para o funcionamento da escola, muitas vezes reivindicam igual ao do professor, partindo do entendimento de que ensina indiretamente. Se é indiretamente, então não é tão protagonista assim. É preciso pensar nos princípios e objetivos da escola de modo tal que todos trabalhem para atingi-lo. Os objetivos devem estar acima de qualquer conflito de protagonismo. O objetivo primordial da escola é ensinar. Os técnicos administrativos ensinam? Claro que sim, mas seu objetivo primordial é dar suporte na relação professor-aluno. Os alunos aprendem sozinhos? Também, Mas levam muito tempo e se desgastam muito para fazê-lo. Agora, o professor é condição sine qua non para que a escola seja uma instituição de excelência, reconhecer o seu protagonismo é buscar uma educação de excelência. É preciso repensar o protagonismo na escola, esse protagonismo nada tem a ver com utilitarismo porque no final das contas todos os personagens são interdependentes. Estabelecer adequadamente o protagonismo e a importância dos sujeitos é reconhecer socialmente a responsabilidade que cada um tem nesse sistema, para isso, além de uma boa gestão é necessário que os sujeitos se coloquem no lugar do outro.
  • 13. Por fim, embora o protagonismo seja de um personagem isso não exclui os demais do processo democrático. É necessário que todos os interessados participem democraticamente das decisões para construir uma escola melhor para que esta avance no seu objetivo: ensinar com excelência com o cuidado de do protagonismo não criar uma ideia nos professores de que estes são sujeitos de “pleno direitos” e nada de deveres. Todos unidos contra a terceirização: Consequências e prejuízos. O Congresso Nacional, em votação relâmpago, está prestes a aprovar a PL 4330 que amplia a terceirização no país. Se antes as instituições públicas só poderiam terceirizar atividades meio, agora não existem mais restrições. Ou seja, uma escola que antes terceirizava faxina e limpeza, por exemplo, agora deverá terceirizar professores e professoras e todos os demais profissionais da principal atividade institucional: o ensino. Impacto para a classe trabalhadora A medida é um retrocesso na medida em que vai beneficiar apenas os grandes empresários e políticos. Todos nós seremos prejudicados. Terceirizados ganham 24,7% a menos de salário; trabalham 3 horas semanais a mais; permanecem 2,6 anos a menos no emprego; estão envolvidos em 80% dos acidentes de trabalho; das últimas 36 missões de resgate de trabalho escravo 35 eram em empresas terceirizadas. Além disso, não há estabilidade e nem representatividade. Como uma empresa visa lucro, a medida não vai aumentar empregos porque, obviamente, quanto menos funcionários, menos custos e mais lucros. O que faz a medida é criar um intermediário que vai
  • 14. lucrar boa parte dos salários que seriam pagos diretamente para nós, trabalhadores. Impacto social e para o Estado Mesmo terceirizando, o estado arca com as responsabilidades trabalhistas em caso de negligência das empresas e isso pode aumentar as despesas do estado em detrimento dos trabalhadores e em beneficio dos donos de empresas terceirizadas. Sem falar em comprometer a arrecadação fiscal e arrecadação previdenciária. Na Inglaterra e EUA, onde a medida foi implantada, a desigualdade social e outros indicadores sociais pioraram. O período das terceirizações está marcado em escuro. Impacto para democracia Como se não bastasse, a medida cria “currais eleitorais” uma vez que ficaremos extremamente reféns de indicações políticas para ingressar no serviço público. Boa parte das empresas terceirizadas são ligadas à políticos que pressionam seus funcionários a votarem em certos candidatos, como da garantia na manutenção no emprego. Relatórios sobre terceirização: http://www.sinttel.org.br/downloads/dossie_terceirizacao_cut.pdf? hc_location=ufi http://portal.mte.gov.br/data/files/FF8080812BA5F4B7012BAAF91A9 E060F/Prod03_2007.pdf?hc_location=ufi
  • 15. Roteiro para discutir o filme "Tempos Modernos" Roteiro para análise do filme “Tempos Modernos” 1) Contextualização. Qual o contexto social e econômico relatado no filme? Quais aspectos significativos mudaram e quais permanecem na estrutura econômica e social? 2) Crise econômica. O filme mostra a vida urbana dos Estados Unidos após a grande depressão econômica de 1929. Quais as consequências sociais provocada por tal crise? 3) Impactos da Revolução Industrial. Quais impactos provocados pela Revolução Industrial são possíveis de serem observados no filme? 4) A Tecnologia. Quais questões aparecem na cena da máquina de refeições? 5) Movimentos sociais. Por que houve uma prisão injusta de Chaplin por estar apenas segurando a bandeira do manifesto? Como estes movimentos sociais são vistos pela sociedade contemporânea? 6) Situação social. Por que Chaplin insiste em voltar para cadeia? 7) Prosperidade. Depois que encontra a jovem órfã, a vida do personagem ganha novo sentido. Qual a ideia de prosperidade que ele manifesta? 8) Diferenças sociais. O emprego de Chaplin na loja de departamentos mostra claramente as diferenças sociais. Como isso é mostrado e que outras situações do filme também são abordas a mesma temática?
  • 16. 9) Consumismo. De que forma o consumismo aparece no filme? 10) Organização do tralho. Quem decide como o trabalho deve ser organizado? 11) Condições de trabalho. Como é retratado pelo filme as condições de trabalho na fábrica? 12) Quais as condições de trabalho retratadas no filme? Dia Internacional das Mulheres: uma pausa para reflexão da dominação masculina em elementos sutis* Datas internacionais são, em muitos casos, não momentos de comemorações, mas de denúncias de injustiças ainda latentes no mundo moderno; e o dia Internacional das Mulheres é uma dessas datas. No caso da dominação masculina, tais denúncias devem desnaturalizar a posição de inferioridade da mulher na sociedade. A denúncia deve ter como foco desnaturalizar, uma dominação masculina que se manifesta de forma sutil e que se materializa de forma concreta. A divisão entre sexos se manifesta, muitas vezes, de forma sutil, porém eficiente para reproduzir a dominação masculina objetiva (quero me ater a esse tipo de dominação). Tal dominação notamos presente, por exemplo, na casa, onde as partes são “sexuadas”, sendo algumas vistas como tipicamente masculinas (sala) e outras tipicamente femininas (cozinha).O mesmo vale para profissões.
  • 17. Quase não notamos a sutileza de muitas coisa e atividades que são sexualizadas, as quais marcam uma oposição camuflada entre masculino e feminino, como as noções de em cima/embaixo, frente/atrás, seco/úmido, quente/frio. Ao homem desejoso por sexo se diz: “você está pegando fogo”; à mulher, ao contrário, se diz que têm a capacidade de “apagar o fogo”, indicando quase sempre servidão ao homem, ou ainda “você está toda molhada”, como se lubrificação fosse de exclusividade das mulheres, embora a tenha com maior intensidade. Expressões como “ativo” e “passivo” está igualmente relacionada a dominação masculina, assim como por cima e por baixo. Ainda que em um relacionamento homoafetivo, o passivo será aquele que está em condição feminina. A ideia de possuir está associada ao masculino, assim como a ideia de poder e de tomar para si. Nas relações sociais em nossa machista sociedade, cabe ao homem possuir e a mulher jogar o jogo de se deixar ou não ser possuída. O ato sexual é visto, para os que estão em condições masculinas, como “conquista” e dentre as pessoas em condições femininas como “possuída”; por isso as comuns e horríveis expressões: “dar” e “pegar”. Em uma sociedade onde o gozo masculino é, antes de tudo, gozo do gozo feminino, ou seja, do poder de fazer gozar, de mostrar-se viril, podemos afirmar que ela [a sociedade]está longe de ser igualitária. O ato de penetração, por exemplo, é símbolo de dominação, tanto que em casos de um homem ser forçado a receber penetração a dor maior se manifesta não de forma física, mas simbólica, pois ele foi “feito mulher”, perdeu sua posição de dominante e passou a ser dominado (pena comum aplicada por detentos à estupradores – “o fizeram mulherzinha”). A questão da virilidade, que tem seu significado vindo da ideia de “qualidade da virtus, da honra”, que seria o princípio de conservação e do aumento da honra, está associada à prova masculina de potência sexual que se confirma muitas vezes com a defloração e com o apetite sexual aflorado. Para as mulheres o apetite sexual acentuado não é visto como virilidade, mas como um comportamento “pervertido”. No comportamento feminino, os braços devem estar cruzados sobre o peito e as pernas unidas simbolizando a barreia
  • 18. sagrada que protege seu órgão sexual socialmente constituída em objeto sagrado submetida a regras de acesso de contatos também sagrados. Assim espera-se das mulheres. Não que eu seja favorável a “libertinagem sexual” feminina, mas torna-se necessário denunciar a “libertinagem” masculina que, no fundo, é a manifestação e concretização de seu desejo de dominação sobre as “mulheres- coisas”. Espero que não seja apenas no Dia Internacional da Mulher que venhamos a (re)pensar as formas de dominação, sobretudo as sutis, para que, entendendo as relações díspares de poder impregnadas por todos os lados, possamos realizar uma efetiva denúncia das práticas e dos símbolos que naturalizam a dominação masculina. *Texto publicado originalmente no Jornal "Correio Regional", em 08 de Março de 2013, p.2. (jornal impresso) Noção de dialética em Marx e Engels Antes de tudo, devemos nos perguntar o que é dialética? Dialética, grosso modo, é a percepção de que a realidade não é constituída de uma essência imutável. Ela parte da premissa que há um constante movimento que transforma a realidade a partir das suas contradições.
  • 19. A dialética remonta a uma construção histórica que começa na antiguidade clássica grega e se estende até os dias atuais. Em contraposição a dialética, há também na filosofia o idealismo, que parte da premissa que a realidade é formada de aspectos que são essencialmente imutáveis, ou ainda que a realidade se dirige a uma perfeição. Enquanto a dialética tinha como representante Sócrates e Heráclito, alguns dos representantes do idealismo era Parmênides e Platão. Com as transformações sociais que se seguiam, a dialética foi sufocada em favor da ascensão do idealismo em razão das classes dominantes enxergarem no idealismo um instrumento de manutenção de seus próprios privilégios na medida em que ficava mais fácil as pessoas aceitarem que o fato de quem são e o que fazem é sustentado na crença de uma essência imutável. Na era moderna, com as transformações sociais e maior circulação de ideias e mercadorias a dialética passa a ser permanentemente revitalizada. A filosofia alemã de Kant e Hegel, mesmo sendo filosofias com grande apelo ao idealismo usam instrumentos do pensamento dialético e a revitaliza. Foi com Hegel que a dialética passa a ter uma boa sustentação teórica. Para este autor, o entendimento da realidade parte das ideias para o concreto, que é imperfeito, para retornar as ideias numa dimensão idealizada que tende a perfeição. Assim, o homem tende a se constituir a partir do trabalho intelectual para fazer exercícios de mediação da realidade que vão fazendo movimentos de totalização da realidade. Ou seja, o exercício intelectual deve ser feita de modo a compreender as contradições da realidade e articulando tais contradições com as várias
  • 20. dimensões até ir compreendendo a visão do todo. Para Hegel a busca da verdade está no exercício das buscas de contradições, visando articular as várias dimensões da realidade, quanto mais conexões se fazem, maior entendimento da realidade se tem Marx usa como referencia a dialética de Hegel, mas a inverte, passa a conceber o trabalho material como constituinte fundamental da historia e por conta disso, o exercício da reflexão deve fazer o movimento partindo do concreto, indo para o abstrato e retornando para novamente para o concreto. Foi a partir das contribuições de Feuerbach que o materialismo foi incorporado a teoria de Marx e as contradições da realidade foram analisadas com base nas condições materiais, dando um caráter empírico a dialética. Neste sentido, a partir do método materialista histórico de Marx ele concluiu que as condições materiais criam contradições que criam classes sociais que se antagonizam entre si e dá dinâmica a história da humanidade. Referência: KONDER, Leandro. O que é dialética. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1988. o reducionismo moralista como explicação dos problemas sociais
  • 21. Arte Armandinho Os problemas sociais são complexos e oriundos de tramas igualmente complexas. O tempo todo estamos avaliando as explicações e soluções dos nossos problemas sociais. Entre alguns exemplos: redução da maioridade penal, aborto e regulação do mercado da maconha. Cada um desses assuntos é possível encontrar polarizações contra ou a favor cuja argumentação segue diversificados espectros. A partir dos tópicos citados, é possível repensar nossa postura diante deles: Estamos nos baseando nossa fundamentação racionalmente ou estamos deixando ser dominados por nosso moralismo reducionista? A questão da Maioridade Penal Para ficar mais didático, vamos focar na questão da redução da maioridade penal. Vamos buscar uma linha argumentativa para compreender o problema e algumas de suas soluções, buscando problematizar o moralismo reducionista e um posicionamento teórico-empírico, pautado na racionalidade. A partir dos exemplos vamos compreender o que é reducionismo moralista. É inegável que nosso país esteja mergulhado em alarmantes índices de violência e que há uma sensação generalizada de insegurança, parte dessa insegurança é motivada por aspectos reais e outra parte é hiperbolizada pelos meios de comunicação. Mediante ao cenário de violência e denúncia de impunidade, surge como proposta a redução da maioridade penal para resolver ou amenizar o problema da violência. Geralmente a comoção geral em torno de algum crime ou a vinculação religiosa ou política de um grupo usa sua moralidade interna para replicá-la a um nível universal, fato que parece ter uma lógica microcósmica mas quando aplicada num cenário diferente, pode ter outros resultados. Noutras palavras, muitas vezes isso transforma a exceção em regra e a regra em exceção. Dessa forma, é necessário fundamentar teórico e empiricamente nossas opiniões para que nossas referências não sejam estritamente baseadas no nosso moralismo. “Eu não gosto disso e não quero que aconteça”. Com base nisso algumas perguntas devem ser feitas: Qual o fundamento que sustenta o fim da maioridade penal? Geralmente a resposta é algo próximo disso: Uma pessoal que foi assaltada, morta ou violentada por adolescentes e que teve cobertura em rede nacional. Um depoimento de um adolescente que diz que vai continuar cometendo crimes. A maioria das pessoas que defendem a redução da maioridade penal baseia-se tão somente em um sentimento que pode ser motivado por uma situação particular que muitas vezes não se refere a raiz do problema ou não enxerga o problema de maneira ampla.
  • 22. Outra corrente que defende a proposta parte do pressuposto que existe grande impunidade em torno de criança e adolescentes no Brasil. Será? Segundo o movimento "Dezoito Razões" até junho de 2011, o Cadastro Nacional de Adolescentes em Conflito com a Lei (CNACL), do Conselho Nacional de Justiça, registrou ocorrências de mais de 90 mil adolescentes. Desses, cerca de 30 mil cumprem medidas socioeducativas. O número, embora seja considerável, corresponde a 0,5% da população jovem do Brasil, que conta com 21 milhões de meninos e meninas entre 12 e 18 anos. Segundo o Mapa da Violência, cerca de 42,5% (2010) das vítimas de homicídio eram jovens. Podemos dizer que no Brasil os jovens não são punidos? Pagar com a própria vida não é o suficiente? Além da pergunta acima, é pertinente outras perguntas para problematizarmos mais ainda a questão? Quem mais é beneficiado com a impunidade no Brasil? Qual o perfil dos jovens infratores no Brasil? Como as políticas públicas podem ajudar a reverter tais índices? Qual foi o impacto dessa política em outros países? Quais particularidades tem o país que pode inviabilizar ou facilitar a implantação? O que pode acontecer quando a maioridade penal a partir dos 16 for implantada no Brasil? Como isso vai nos afetar? O que aconteceram com outros locais que aplicaram a medida e quais características peculiares do Brasil podem interferir nos resultados? Considerações finais A partir desse texto, percebemos que basear-se apenas na moralidade sem usar-se de referências teórico- empíricas pode criar uma cegueira a qual simplifica o problema, maquia suas causas, seus efeitos e endossam “soluções mágicas” esbaforidas por demagogos. Ao afirmar "um adolescente de 16 anos já é capaz de responder por seus crimes", é possível detectar a negação do caráter social e o recorte que reduz individualmente o problema. Aquele adolescente pertence a um contexto o qual o fez aproximar-se ou distanciar-se do crime, qual o contexto social em que os adolescentes são menos propensos ao crime? É necessário estudar bem as propostas para defendê-las, nenhum problema social tem uma solução tão fácil quanto parece. Eu particularmente sou contra a proposta de redução da maioridade uma vez que ela ataca o sintoma do problema e não mexe no problema em si. Agora, se você é a favor da proposta e baseia-se tão somente no seu moralismo reavalie-a com base nas provocações feitas nesse texto ou ainda fique a vontade para fazer outras provocações. Castigos, Sanções e Condições Materiais: Uma contribuição dos clássicos
  • 23. Neste texto pretendo fazer um breve exercício intelectual de como as condições materiais de cada família, aliado a outros fatores, pode interferir no tipo de punição que é dado a cada criança. O sociólogo francês, Émile Durkheim, foi um intelectual que trouxe grandes contribuições para a sociologia, dentre as quais destacamos o modo com a sociedade age para coagir os indivíduos. Para o autor, as bruscas mudanças sociais mudaram a lógica de funcionamento da sociedade de uma sociedade mecânica para uma orgânica. Nas sociedades mecânicas há forte coesão social oriunda da similaridade entre indivíduos, sendo as sanções mais comuns são do tipo penal, ou seja, o indivíduo é punido de forma direta; muitas vezes com o próprio corpo. Já no caso das sociedades modernas (orgânicas), existem, além das sanções penais, sanções chamadas de restitutivas. Tais sanções ão deflagradas de maneira indireta, uma multa, suspensão, apreensão etc. Para o francês existe uma tendência das sociedades de solidariedade mecânica transformar-se em uma sociedade orgânica na medida que o a divisão do trabalho social intensificar-se. Pensando em Marx, as condições materiais interferem na mudança dessa lógica. Como? Veremos mais adiante. A partir do que foi dito, podemos usar essas ideias de Durkheim e também de Marx para fazer uma análise de como as famílias costumam punir os filhos, algumas vezes de forma restitutiva, algumas vezes de forma penal. Além de fatores culturais, o tipo de punição pode ser diversificado em função das famílias terem melhores condições materiais. Assim, além do castigo físico os pais podem optar por punir os filhos de maneira restitutiva: restringir o uso do vídeo game, televisão, computador, internet, etc. Aos pais com poucas condições materiais a possibilidade de castigo físico é bem maior, haja visto que há menos opções para o uso da sansão restitutiva. Embora não seja regra que famílias com melhores condições materiais e famílias de condições limitadas usem mais um tipo de sanção em detrimento da outra, as condições materiais podem afetar significativamente no tipo de sanções aplicadas. Faltando o que restringir, muitas vezes os pais utilizam-se do castigo físico. Falando nisso, a restrição da palmada e outros castigos físicos como instrumento pedagógico, qual sua opinião a respeito?
  • 24. Dica de debate sobre cotas de acesso à Universidade Pública 18:14 Roniel Sampaio Por Roniel Sampaio Silva Objetivo da atividade: Refletir sobre a situação das cotas na Universidade pública e fazer as devidas conexões com a realidade social brasileira. O professor deve mostrar o seu ponto de vista e esclarecer que o objetivo da atividade não é convencê-los da sua opinião, mas levá-los a pensar criticamente sobre o assunto. 1. Disposições preliminares As seguintes pautas de discussão deverão ser apresentadas, discutidas ponto a ponto. Após os pontos discutidos avançaremos para o próximo ponto sem que os assuntos sejam misturados, de preferência nesta ordem: 1- Cotas para estudantes oriundos de escola pública; 2- Cotas para estudantes de baixa renda; 3- Cotas para afrodescendentes; 4- Cotas para outras minorias. Neste ponto o professor deve falar o conceito de cotas, bem como o conceito de minorias. Cotas são políticas públicas de discriminação afirmativa, ou seja, tem como pressuposto
  • 25. inserir grupos os quais tem seus direitos negados, neste caso, ao acesso à educação pública em nível superior. Para o sociólogo inglês Marshall é considerado minoria não quem é represente um menor segmento da população, mas o grupo quem não tem acesso a direitos. Conhecendo o atual cenário político brasileiro percebemos que há mais mulheres entre a população, entretanto, ainda há pouca representação política feminina no congresso. É nesse entendimento que as cotas buscam corrigir provisoriamente uma disparidade para entre grupos com oportunidades de acesso diferentes, até que as condições de acesso se equilibrem. Para iniciar o debate o professor pode usar um questionamento: Até que ponto as cotas podem ajudar a diminuir estas desigualdades? 2- Facilitadores Para que “As regras do jogo”, ou melhor, do debate, sejam asseguradas é necessário que haja estabilidade e organização no processo. Para tanto será necessário definir algumas funções: Timer: uma pessoa responsável pela cronometragem do tempo (não deve participar do debate. Pode ser alternado por blocos.) Relator: um responsável pela inscrição dos falantes, nome e ordem da fala. (não deve participar do debate. Pode ser alternado por blocos) Representante pró: resumir os argumentos “pró-cotas” no quadro. Representante contra: resumir argumentos “contra-cotas” no quadro. Regras/princípios 1- Respeito à opinião e fala do colega. Não desqualificar o argumentador, procurar questionar o argumentos. 2- Respeitar o tempo máximo de 3 min. para cada fala. 3- Não conversar paralelamente ou tumultuar a discussão;
  • 26. 4- Pesquisar, trazer informações referentes ao tema: tabelas, gráficos e etc (citar fontes) 5- O aluno que desrespeitar os itens: 1, 2 e 3 poderá perder o direito de fala durante o bloco. Caso insista, poderá ser convidado a deixar o debate. Blocos: Cada bloco será discutido separadamente. Em cada bloco cada aluno manifesta sua opinião sobre o tema. Encerrada a discussão de cada bloco, os relatores apresentarão de forma resumida os principais argumentos usados pelos alunos. O professor estará finalizando cada bloco apontando possíveis argumentos não apresentados sejam eles pró ou contra as referidas cotas. 1- Bloco de ideias preliminares relativo às cotas para estudantes oriundos de escola pública. 2- Bloco de debates relativo às cotas para alunos de baixa renda. 3-Bloco de ideias preliminares relativo às cotas para estudantes afrodescendentes. 4- Bloco sobre as outras minorias. 5- Balanço final dos debates e confecção de relatório por parte dos alunos. Dica de debate sobre cotas de acesso à Universidade Pública 18:14 Roniel Sampaio Por Roniel Sampaio Silva
  • 27. Objetivo da atividade: Refletir sobre a situação das cotas na Universidade pública e fazer as devidas conexões com a realidade social brasileira. O professor deve mostrar o seu ponto de vista e esclarecer que o objetivo da atividade não é convencê-los da sua opinião, mas levá-los a pensar criticamente sobre o assunto. 1. Disposições preliminares As seguintes pautas de discussão deverão ser apresentadas, discutidas ponto a ponto. Após os pontos discutidos avançaremos para o próximo ponto sem que os assuntos sejam misturados, de preferência nesta ordem: 1- Cotas para estudantes oriundos de escola pública; 2- Cotas para estudantes de baixa renda; 3- Cotas para afrodescendentes; 4- Cotas para outras minorias. Neste ponto o professor deve falar o conceito de cotas, bem como o conceito de minorias. Cotas são políticas públicas de discriminação afirmativa, ou seja, tem como pressuposto inserir grupos os quais tem seus direitos negados, neste caso, ao acesso à educação pública em nível superior. Para o sociólogo inglês Marshall é considerado minoria não quem é represente um menor segmento da população, mas o grupo quem não tem acesso a direitos. Conhecendo o atual cenário político brasileiro percebemos que há mais mulheres
  • 28. entre a população, entretanto, ainda há pouca representação política feminina no congresso. É nesse entendimento que as cotas buscam corrigir provisoriamente uma disparidade para entre grupos com oportunidades de acesso diferentes, até que as condições de acesso se equilibrem. Para iniciar o debate o professor pode usar um questionamento: Até que ponto as cotas podem ajudar a diminuir estas desigualdades? 2- Facilitadores Para que “As regras do jogo”, ou melhor, do debate, sejam asseguradas é necessário que haja estabilidade e organização no processo. Para tanto será necessário definir algumas funções: Timer: uma pessoa responsável pela cronometragem do tempo (não deve participar do debate. Pode ser alternado por blocos.) Relator: um responsável pela inscrição dos falantes, nome e ordem da fala. (não deve participar do debate. Pode ser alternado por blocos) Representante pró: resumir os argumentos “pró-cotas” no quadro. Representante contra: resumir argumentos “contra-cotas” no quadro. Regras/princípios 1- Respeito à opinião e fala do colega. Não desqualificar o argumentador, procurar questionar o argumentos. 2- Respeitar o tempo máximo de 3 min. para cada fala. 3- Não conversar paralelamente ou tumultuar a discussão; 4- Pesquisar, trazer informações referentes ao tema: tabelas, gráficos e etc (citar fontes) 5- O aluno que desrespeitar os itens: 1, 2 e 3 poderá perder o direito de fala durante o bloco. Caso insista, poderá ser convidado a deixar o debate. Blocos:
  • 29. Cada bloco será discutido separadamente. Em cada bloco cada aluno manifesta sua opinião sobre o tema. Encerrada a discussão de cada bloco, os relatores apresentarão de forma resumida os principais argumentos usados pelos alunos. O professor estará finalizando cada bloco apontando possíveis argumentos não apresentados sejam eles pró ou contra as referidas cotas. 1- Bloco de ideias preliminares relativo às cotas para estudantes oriundos de escola pública. 2- Bloco de debates relativo às cotas para alunos de baixa renda. 3-Bloco de ideias preliminares relativo às cotas para estudantes afrodescendentes. 4- Bloco sobre as outras minorias. 5- Balanço final dos debates e confecção de relatório por parte dos alunos. Noção de dialética em Marx e Engels 06:26 Roniel Sampaio Por Roniel Sampaio Silva Antes de tudo, devemos nos perguntar o que é dialética? Dialética, grosso modo, é a percepção de que a realidade não é constituída de uma essência imutável. Ela parte da premissa que há um constante
  • 30. movimento que transforma a realidade a partir das suas contradições. A dialética remonta a uma construção histórica que começa na antiguidade clássica grega e se estende até os dias atuais. Em contraposição a dialética, há também na filosofia o idealismo, que parte da premissa que a realidade é formada de aspectos que são essencialmente imutáveis, ou ainda que a realidade se dirige a uma perfeição. Enquanto a dialética tinha como representante Sócrates e Heráclito, alguns dos representantes do idealismo era Parmênides e Platão. Com as transformações sociais que se seguiam, a dialética foi sufocada em favor da ascensão do idealismo em razão das classes dominantes enxergarem no idealismo um instrumento de manutenção de seus próprios privilégios na medida em que ficava mais fácil as pessoas aceitarem que o fato de quem são e o que fazem é sustentado na crença de uma essência imutável. Na era moderna, com as transformações sociais e maior circulação de ideias e mercadorias a dialética passa a ser permanentemente revitalizada. A filosofia alemã de Kant e Hegel, mesmo sendo filosofias com grande apelo ao idealismo usam instrumentos do pensamento dialético e a revitaliza. Foi com Hegel que a dialética passa a ter uma boa sustentação teórica. Para este autor, o entendimento da realidade parte das ideias para o concreto, que é imperfeito, para retornar as ideias numa dimensão idealizada que tende a perfeição. Assim, o homem tende a se constituir a partir do trabalho intelectual para fazer exercícios de mediação da realidade que vão fazendo movimentos de totalização da realidade.
  • 31. Ou seja, o exercício intelectual deve ser feita de modo a compreender as contradições da realidade e articulando tais contradições com as várias dimensões até ir compreendendo a visão do todo. Para Hegel a busca da verdade está no exercício das buscas de contradições, visando articular as várias dimensões da realidade, quanto mais conexões se fazem, maior entendimento da realidade se tem Marx usa como referencia a dialética de Hegel, mas a inverte, passa a conceber o trabalhomaterial como constituinte fundamental da historia e por conta disso, o exercício da reflexão deve fazer o movimento partindo do concreto, indo para o abstrato e retornando para novamente para o concreto. Foi a partir das contribuições de Feuerbach que o materialismo foi incorporado a teoria de Marx e as contradições da realidade foram analisadas com base nas condições materiais, dando um caráter empírico a dialética. Neste sentido, a partir do método materialista histórico de Marx ele concluiu que as condiçõesmateriais criam contradições que criam classes sociais que se antagonizam entre si e dá dinâmica a história da humanidade. Referência: KONDER, Leandro. O que é dialética. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1988. Sua vida é, em muitos aspectos, como uma novela! Você merece aplausos? 04:56
  • 32. Cristiano Bodart Segue um texto publicado originalmente no Portal 27 (aqui), onde tenho uma coluna denominada "Um papo sociológico". Por Cristiano Bodart Você sabia que cotidianamente representamos papéis semelhantes aos de atores de teatro ou de novela? Se você já disse que sua vida é uma novela, não estava completamente errado. O lugar onde estamos é como um cenário de teatro ou de novela. Nele atuamos de acordo com as disposições dos objetos que compõe o ambiente. Na praia, por exemplo, agimos, ou melhor, atuamos, como banhistas. Nossa forma de falar e agir na praia devem ser bem diferentes de quando estamos em uma igreja. Mas não é apenas o cenário de praia que nos leva ao comportamento específico para o ambiente de praia. Os demais indivíduos também nos levam a esse comportamento, assim como, eles, também atuam como banhistas ou como plateia, ou seja, não estão ali como banhistas mas esperam que nossa atuação ou representação seja adequada ao lugar. Esses são como uma plateia que nos observa, nos avalia e nos julga. Assim somos pressionados a atuarmos conforme a cena cotidiana. Nossa vida é como uma novela, temos vários papéis, cenários, plateias e diversos outros atores com quem contracenamos. Ao longo do dia representamos o papel de filho, pai, amigo, consumidor, empregado, vizinho, cidadão, esposo ou namorado, entre muitos outros… Assim como em uma novela não podemos misturar os papéis. Se não quisermos ter problemas com os demais atores e espectadores temos que conhecer a cena (os papéis dos outros atores, o cenário, a plateia, e seu papel esperado) para assim atuarmos da melhor forma possível e recebermos aplausos na novela da vida real. O rito da “Chegada” 05:26 Cristiano Bodart Por Cristiano Bodart Em férias, na cidade de Ouro Preto- MG, não pude deixar observar um ritual bastante rico de significados*; trata-se de uma espécie de rito de conquista. Vou chamá-lo de “chegada”, pois assim chamam tal ritual o qual diz respeito aos jovens daquela cidade. Dois adendos são necessários para a continuação desse relato: i) os ritos ali observados se repetem em outros grupos, embora teria sido a primeira vez que esteve tão próximo aos meus olhos e passível de serem
  • 33. observados por mim por um longo período; ii) não tenho a pretensão de realizar um relato antropológico exaustivo, apenas compartilhar algumas observações e impressões iniciais em torno do rito. Em companhia de minha esposa, historiadora e amante das riquezas materiais que aquela cidade proporciona aos olhos, estávamos na noite de Ouro Preto em um restaurante, precisamente ao lado de uma janela, a qual tinha vista para uma rua próxima a Praça Tiradentes, onde ocorria o “Festival de Samba de Ouro Preto”. Nessa rua havia muitos jovens bebendo, fumando, “papeando” e, principalmente, dando umas “chagadas”. A riqueza antropológica me chamou atenção de imediato e, a partir daí, fiz o convite à minha esposa para observarmos tal riqueza simbólica, cujo complemento se deu a partir de uma conversa com um dos grupos de jovens que observávamos no local. A “chegada” parece ser um rito de conquista com poucas variações ritualísticas, embora bastante complexa e merecendo um estudo mais aprofundado e atento. Os envolvidos no rito Em sua maioria, os participantes parecem possuir de 11 a 20 anos de idade e pertencente a classe social menos favorecida, embora a maioria se esforce para vestir roupas e bonés de “marca”. Em conversa com um grupo, este nos revelou que são da cidade e que a maior parte das pessoas que eles buscam se relacionar são da região. Tanto os rapazes, quanto as garotas, andam em grupos de 3 a 6 pessoas. A divisão dos papéis sexuais A divisão dos papéis sociais é bem marcada e clara nesse rito. Os garotos ficam, parados em pontos estratégicos onde esperam a passagem das meninas. Enquanto cabe a eles ficaram parados esperando as meninas para “chegarem”. A elas cabe a tarefa de subir e descer a rua para serem abordadas pelos meninos. O preparo O ritual é bastante rico em detalhes. Os rapazes estando em locais estratégicos na rua mais afastada e ainda movimentada observam as garotas ainda a alguns metros, escolhendo uma delas pela aparência física. A escolhida será a que deverá ser conquistada.
  • 34. A rua escolhida é aquela onde o diálogo é possível, ainda que tendo que conversar ao pé do ouvido e quase aos gritos por conta do som auto da festa, mas que não esteja com aglomeração demasiada, a fim de permitir a observação e o deslocamento das garotas. A chegada propriamente dita Escolhida a garota, vai-se de encontro a ela interrompendo seu trajeto se colocando à sua frente. Nesse momento, pergunta se ela quer “ficar com ele”. Nessa hora, cabe a garota escusar-se por alguns instantes enquanto faz sua avaliação do rapaz, levando em conta a “azaração” (cantada) do pretendente, a roupa e sua aparência física. Se o rapaz for de seu agrado ela cede ao pedido e deixa-se beijar e recebendo um abraço apertado, tendo as mãos percorrendo parte do corpo da garota(o que eles chamam de amasso), marcado por um demorado beijo de língua. As garotas andam igualmente em grupos e em passos lentos, facilitando a aproximação dos rapazes. A “chegada” pode ser realizada por mais de um rapaz ao mesmo tempo, mas nunca direcionada à mesma garota. Há o respeito pela escolha prévia, segundos antes de “chegar” (ato de abordar a mulher, buscando conseguir uma ou mais beijos na boca). Ao “chegar na garota”, o rapaz tece elogios a garota. Diz que a estava observando e cria uma situação oportuna ao beijo. Frente à recusa inicial, ele continua a insistir. Ela continua andando enquanto ele insiste, algumas vezes obstruindo a passagem da garota ou segurando-a pelo braço (minha esposa julgou esse gesto bastante agressivo, embora o grupo tenha nos dito que as garotas nem sempre pensam dessa forma). As demais garotas do grupo continuam caminhando no mesmo ritmo, indo à frente. Essas aguardam metros à frente a fim de perguntar como foi e se beijou o rapaz. Ela aceitando ou não beija-lo, conta a façanha às suas colegas, em vantagem às demais por ter sido a escolhida dentre o grupo. Após isso, caminha-se até o fim da rua e retorna para uma nova rodada do rito. Em alguns casos onde a garota se recusa beijar o rapaz, esta é xingada por ele. Os desfechos possíveis: Podem ocorrer dois desfecho: i) o beijo encerrar o ritual ou; ii) o ritual se prorrogar por mais alguns minutos ou horas. O certo é que findado o ritual, ambos fingem que nunca se viram ou se encontraram. Há vínculo amoroso? O ritual é um ato sem compromisso amoroso ou de fidelidade. Trata-se de um ato despretensioso em relação a matrimônio ou relacionamento fixo. O rito caracteriza-se pelo seu aspecto momentâneo e que se repete muitas vezes na mesma noite e entre indivíduos diferentes. O status e consumo
  • 35. A bebida é um elemento de status social. Notei que alguns jovens carregavam nas mãos garrafas de bebidas relativamente caras, como se tivessem carregando um troféu ou algo que lhe desse destaque dentre os demais. Outros exibiam em punho uma lata de cerveja. Notei que alguns jovens permanecerem com latas de cervejas vazias por horas, simulando estarem cheias. Houve um momento que um dos rapazes pegou uma lata no chão para simular que estava bebendo como os demais. As roupas e bonés de “marcas” (produtor de marcas conhecidas entre os jovens e mais caras que as demais) parecem ter um papel igualmente importante em relação ao status. Dentre as meninas, o status social em relação às amigas é atribuído a partir de dois indicadores básicos: i) quantidade de garotos que chegaram nela durante a noite; ii) beleza dos garotos que permitiu beijá-la. Garotas mais assediadas por rapazes bonitos e bem arrumados teriam mais prestígios entre as colegas. A conquista A conquista é o elementos de status social mais importante do ritual da chegada, embora outras partes dos ritual também o seja. O garoto que mais realiza o ritual (de chegar nas garotas, como dizem) detém entre os amigosstatus de “corajoso”, entretanto o que consegue beijar mais garotas o status de “pegador” (espécie de conquistador de sucesso). Os tímidos e os desinibidos Claro que existe rapazes mais tímidos que outros. Nesse caso, cabe ao desinibido a tarefa de “chegar” para o colega. Ele se aproxima de um grupo de meninas e pergunta se alguma delas estaria interessada em “ficar” com o colega tímido, fazendo, assim, o papel de intermediador. O ciclo O ritual se repete durante toda a noite. As garotas sobem e descem a rua passando próxima aos grupos de rapazes a fim de que estes cheguem nelas. As garotas dotadas de melhor aparência na avaliação dos rapazes são rapidamente abordadas e passam pelo ritual por diversas vezes na noite, tendo essa condições de ser mais seleta em suas escolhas. Breves apontamentos interpretativos O rito da “Chegada” nos elucida três aspectos marcantes em nossa sociedade: o machismo, a desejo pelo poder e o papel do consumo na definição do status social. Rituais como esse nos demonstram a faceta de nossa sociedade machista, onde a mulher é tida como objeto a ser conquistado, de ser “tomada” como troféu. Embora as mulheres tenham conquistado poder na sociedade brasileira, o rito da Chegada evidencia a permanência de sua submissão ainda presente na atualidade. No rito, cabe a mulher ser agente passiva. Ser possuía, ser “pegada” (como se referem os rapazes ao conquistá-las). Embora a mulher tenha condições de recusar o beijo, a insistência, às vezes agressiva é marca de nossa
  • 36. realidade. Igualmente notamos o machismo quando a garota se recusa o beijo, sendo esta algumas vezes xingada pelo rapaz. Nota-se que a liberdade da mulher em escolher é ainda, no rito, algo frágil. O sentimento de dominação é bastante presente no rito; ora observável na busca por conquistar a mulher, ora na ostentação de roupas e bonés de marcas mais caras. A bebida, como inculca nossa mídia, é tida como símbolo de masculinidade e poder entre os rapazes. A prática de obstruir a trajetória das garotas, assim como segurá-las pelo braço deixa-nos evidente que o macho se coloca em situação de dominador, enquanto que caberia à fêmea ser dominada, ainda que podendo se escusar do pretendente. As roupas e bonés de marcas caras se manifestam como o desejo de incluir-se no grupo e conquistar status social perante ele. O consumo é igualmente um potencializador do respeito do outro, o que eles chamam de “moral”. Ter moral com os amigos é destacar-se e isso é possível via consumo e dominação, não muito diferente do restante dos grupos sociais ocidentais. O rito da “Chegada”, a princípio nos trás estranheza pelas características que apresentam, mas sob uma perspectiva que busque familiaridades notaremos que sua essência está presente em grande parte de nossos rituais ocidentalizados. A noite já dava lugar a madrugada e estávamos ainda ali, conversando com um dos grupos observados. Esses nos apresentavam as conquistas como se fossem troféus. Atividades Planos de aula Aula: fotografia e meio ambiente Hoje, buscando em meus arquivo pessoais, encontrei um "projeto" que desenvolvi em 2008 com meus alunos de Ensino Fundamental em uma escola do interior do município de Anchieta (cidade cujo nome era até algumas década Benevente). Na ocasião o projeto obteve o primeiro lugar em um concurso promovida pela Secretaria Municipal de Educação de Anchieta (cujo prêmio, para variar, não foi entregue - era um Notebook para o professor e DataShow, notebook e aparelho DVD para a escola, além de uma passeio com os alunos em um parque aquático). [Pena que as fotografias ficaram com a escola] A temática envolvia os temas meio ambiente e pertencimento. Segue:
  • 37. TRATOS E RETRATOS DE MEU BENEVENTE 1 - Justificativa: O presente projeto está diretamente inserido à realidade de nossa região, uma vez que se apresenta como uma contribuição importante no processo de conscientização/mobilização da comunidade inserida na Bacia do Benevente. Desta forma este se apresenta com dois objetivos centrais: 1) devido à insensibilidade que tem caracterizado um grande seguimento da sociedade residente na região localizada na Bacia do Benevente/ES, busca-se, por meio deste, promover uma maior divulgação dos perigos que nos cercam referentes aos impactos sobre a referida bacia, bem como divulgar suas belezas e apontar ações importante para a sua preservação; 2) frente à necessidade de promover uma educação ambiental coerente com a realidade dos educandos e do currículo nacional, objetiva-se integrar os educandos a ações de conservação e conscientização ambiental. Assim, os alunos não serão, na execução do projeto, agentes passivos, mas ativos, estando incluídos como os principais executores do mesmo. Em síntese, o presente trabalho apresenta aspecto conscientizador ambiental e formador de agentes defensores da bacia do Benevente/ES. 2 - Delimitação do objeto e do público alvo O objeto deste projeto é a Bacia do Rio Benevente localizada no estado do Espírito Santo, entre os municípios de Alfredo Chaves, Iconha e Anchieta. O Rio Benevente é o principal rio desta bacia. Este rio nasce no município de Alfredo Chaves, cortando a área urbana deste município, vindo a percorrer todo o município de Anchieta no sentido oeste – leste, desaguando no Oceano Atlântico, nas águas da praia central de Anchieta. Muitos de seus afluentes perpassam por comunidades rurais, incluindo a comunidade de Baixo Pongal/Anchieta, onde está a escola realizadora deste projeto. O público alvo do projeto não se limita aos educandos da escola de Baixo Pongal, mas aos educandos das principais comunidades inseridas na Bacia do Benevente e ao público da área central dos municípios que compõem a bacia. Esse amplo campo de atuação está diretamente ligado ao fato de se tratar de um projeto itinerante, o qual será executado em diversas escolas e áreas centrais dos municípios supracitados. 3 - Referencial Teórico TRATOS E RETRATOS DE MEU BENEVENTE Uma das principais características da sociedade contemporânea é, por parte daqueles mais informados, a perplexidade mediante as duas grandes crises vivenciadas pela humanidade. Referimos-nos à crise da natureza e à das relações humanas de produção e sociabilidade (ABDALLA, 2004; IANNI, 2004). Com relação à crise da natureza, ninguém nega a forma depredatória com a qual o homem vem explorando os recursos naturais e agredindo-os através de emissões de poluentes e dejetos industriais e residenciais. Um grande problema que se soma a isto é a falta de sensibilidade das pessoas. Por ser algo corriqueiro - já alertava o sociólogo alemão Georg Simmel nas últimas décadas do século XIX – as pessoas têm perdido a sensibilidade necessária para se opor a tal situação. Informação não tem faltado! É comum a mídia tratar de assuntos ligados à preservação do meio ambiente, e isso já não “dá mais ibope” como antes. Sennet (2002) denuncia o declínio do homem
  • 38. público, afirmando que as pessoas têm perdido o interesse pelo bem público. Notamos que em nossa região a situação não tem sido diferente. O sociólogo Sennet (2003) aponta que o mundo moderno tem criado homens indiferentes face aos problemas de ordem pública. Os problemas de ordem coletiva não sensibilizam os moradores. Por ser algo coletivo, acredita- se que alguém o resolverá ou buscará faze-lo, não necessariamente precisando ser ele, desta forma, todos pensando da mesma forma, acaba ocorrendo que ninguém tomando medidas cabíveis. É necessário um despertar para as questões coletivas, assumindo-as para si. Passar a usar, nesse contexto, a tão utilizada palavra “meu”. O meio ambiente é um bem público e deve ser encarado como “meu”, num sentimento de pertencimento. Por que em uma sociedade onde a noção de meu é tão usada para designar o privado é tão esquecida em se tratando de um bem público? Eis aqui um dos problemas de sociabilidade! O bem público é algo que por ser imensurável não pode ser apropriado por um indivíduo ou grupo, antes sendo pertencente à coletividade. O meio ambiente também é um bem público, pois todos se utilizam do mesmo, sendo seu valor incalculável (embora, em sentenças judiciais, determinados crimes ambientais tenham seu valor “estimado” – a multa). Da mesma forma que a sociedade, como destacou Sennet (2003), tem deixado a outro a tarefa de se envolver com bens públicos, como política e planejamento urbano, têm também desprezado seu papel em relação às questões ambientais. O presente projeto prima pelo despertar da sensibilidade dos cidadãos, especificamente sobre aqueles inseridos em um grande e imensurável bem público: a Bacia do Benevente. Destarte, levar o sentido de pertencimento, do significado da expressão “meu” em relação aos recursos hídricos de nossa região. A importância do presente projeto se dá em quatro âmbitos, os quais se inserem no contexto transcrito anteriormente: 1) despertar os educandos, especialmente, mas não exclusivamente, àqueles envolvidos diretamente no projeto, para a importância do sentimento de pertencimento em relação à Bacia do Benevente; 2) buscar despertar a atenção dos habitantes inseridos na bacia do Benevente para a causa ambiental através de mensagens visuais (painéis fotográfico e slides projetados via Datashow) e da internet (blog), uma vez que a presente sociedade é também conhecida como a sociedade da imagem e da informação, isso devido a forte influência destes sobre as mentalidades coletivas e individuais (IANNI, 2004; BOURDIEU, 2002); 3) desenvolver atividades ecológicas, a fim de promover uma educação alinhada aos Temas Transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN, 1998, pp. 169 - 233); 4) transmitir aos educandos e a comunidade inserida na Bacia do Benevente uma educação pautada na racionalidade sustentável, em detrimento a cultura do consumo e do desperdiço. É sabido que as crises aqui mencionadas – a ecológica e de sociabilidade – não serão transpostas através deste projeto, mas em nível local, quem sabe, pode vir a ser uma contribuição para aqueles que já estão inseridos na causa da Bacia do Benevente, despertando outros civitas a se preocuparem com tal bem público, desta forma a contribuição seria em amenizar, em nível local, tais crises, em síntese buscar promover um meio ambiente em equilíbrio e indivíduos conscientes. Divulgar os “Tratos” através de “retratos” é uma forma de confirmar em diversas mentalidades uma coisa: O Benevente é meu! 4 - Objetivo Geral • Despertar a consciência ambiental da comunidade inserida na Bacia do Benevente através de um projeto itinerante.
  • 39. 5 - Objetivos específicos • Capacitar os educandos da escola de Baixo Pongal para serem agentes ativos no processo de conscientização dos demais indivíduos inseridos à Bacia do Benevente/ES; • Promover aulas práticas e em campo relacionadas ao meio ambiente; • Desenvolver habilidades artísticas, poéticas e de comunicação; • Ampliar a auto-estima dos educandos da escola de Baixo Pongal; • Promover a sociabilidade entre educandos de diferentes escolas; • Despertar o interesse pela causa ambiental da comunidade em geral; • Apontar os riscos ambientais existentes na Bacia do Benevente; • Divulgar as belezas naturais da referida bacia. 6 - Cronograma Atividades Agos. Set. Out Nov. Aulas referentes ao meio ambiente _ _ Visita ao Rio Benevente/Aula de Campo _ Atividade de fotografia _ Elaboração do Blog e atualização do mesmo _ Elaboração dos slides para o Datashow _ Produção de poesias e pinturas _ Produção dos painéis _ Produção das molduras para as fotos e poesias _ Exposição do projeto em espaços urbanos e escolas _ _ 7 - Recursos Material Proveniência Quantidade Valor Unitário (R$) Valor total Máquinas fotográficas Já disponível 04 0,00 0,00 Computador / internet Já disponível 01 0,00 0,00 Revelação de fotos Recursos do projeto A definir Compensados Recursos do projeto A definir Dobradiças Recursos do projeto A definir Tinta Recursos do projeto 1 Massa para madeira Recursos do projeto 1 Barco para visita ao Rio Benevente Recursos do projeto/ alunos A definir 5,00 por aluno A definir Condução itinerante à buscar parceria com a SMEC 01 0,00 O,00 Obs: Valores pesquisados no dia 02 de junho de 2002. Os itens que estão a serem definidas estarão dependendo do valor do premio auferido ao projeto.
  • 40. 8 - Referências Bibliográficas ABDALLA, Mauríco. O princípio da Cooperação: em busca de uma nova racionalidade. Paullus, Rio de Janeiro. 2004. BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico. Bertrand, Rio de Janeiro. 2002. IANNI, Octavio. Capitalismo, Violência e Terrorismo. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro. 2004. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental – Temas transversais. MEC/SEF, Brasília. 2001. SENNET, R. Carne e Pedra. Record, São Paulo. 2003. __________. O Declínio do Homem Público. In: As Tiranias da Intimidade. Cia das Letras. São Paulo. 2002. SIMMEL, George. A Metrópole e a Vida mental. In: VELHO, O. O Fenômeno Urbano. Zahar, Rio de Janeiro. 2002. ______________. O Indivíduo e a liberdade. In: VELHO, O. O Fenômeno Urbano. Zahar, Rio de Janeiro. 2002. 9 - Anexo 9.1 - Modelo dos painéis
  • 42. Ação Coletiva 18:04 Cristiano Bodart Ação coletiva: Ação comum que visa atingir fins partilhados. Segundo A. Bentley (1949), grupo e interesse são inseparáveis. Os membros do grupo são solidários na ação e para a ação a empreender. Nesse caso, a mobilização em ordem a uma ação coletiva não levanta nenhum problema. A idéia segundo a qual um grupo (ou uma classe) constitui uma unidade de análise é combatida por algumas teorias utilitaristas. Mancur Olson (1966) mostra que a lógica da ação coletiva não pode reduzir-se à lógica da ação individual. Não basta que um conjunto de indivíduos partilhe um interesse comum para que estes se empenhem numa ação coletiva em ordem a satisfazer esse interesse. A entrada na ação coletiva implica, para cada um dos membros do grupo latente, um certo custo de participação (tempo, dinheiro, etc.). Ora, se se verifica que o bem obtido graças à ação coletiva pode aproveitar a todos, não se vê porque é que cada um dos membros do grupo não seria tentado a deixar aos outros o cuidado de suportar o custo da ação coletiva. Torna-se evidente, nestas condições, que a pura expectativa generalizada gerará um "efeito perverso" (Boudon 1977): com efeito, se todos os membros optarem pela estratégia do "bilhete gratuito" (free rider), o bem coletivo deixará de ter qualquer possibilidade de ser obtido. A dimensão do grupo deve ser tida em conta: nos pequenos grupos, cada um terá de fato compreendido que "a ação de cada indivíduo conta", o que já não acontecerá nos grandes grupos (por exemplo, os grupos de consumidores), em que os indivíduos terão tendência para pensar que a sua participação apenas pode ter uma eficácia despicienda. O recurso às medidas coercitivas ou aos incitamentos seletivos permite aos grupos organizados limitar essas estratégias de defeção. Um oferecimento paralelo de bens individuais (lugar de responsabilidade ou qualquer outra marca de distinção que confere prestígio e respeito) será um meio para estimular os recalcitrantes: é assim que a esperança de ter acesso a posições eletivas poderá levar um indivíduo a aceitar o custo implicado por um militantismo ativo dentro
  • 43. de um partido político. Um tal oferecimento só é possível se o grupo se dotou de uma estrutura organizacional. Minimizados na teoria da escolha racional (fundada no paradigma econômico), os incitamentos morais e "solidários" desempenham, na realidade, um papel importante na emergência da ação coletiva. Agir coletivamente numa coletividade, em que predominam os laços de solidariedade e de amizade pode constituir uma obrigação moral para o indivíduo, podendo tornar-se igualmente, para ele, um prazer. Sob este aspeto, é a não participação que será custosa, pois que poderá pôr em questão a imagem e a estima que o indivíduo tem de si próprio. A. Oberschall (1973) mostra que a ausência de laços e a decomposição das redes de interação são um obstáculo importante à mobilização. A capacidade de conduzir uma ação concertada depende, pois, estreitamente do grau e do tipo de organização inerentes à coletividade considerada. Se a ameaça de uma repressão da parte do poder político constitui um outro obstáculo à mobilização, razões de ordem ética ou ideológica são sempre capazes de desviar os atores dos seus interesses pessoais. A escala de avaliação "custos/vantagens" é, portanto, sempre susceptível de ser perturbada por uma ideologia portadora da esperança de um mundo melhor. Fonte: DICIONÁRIO DE SOCIOLOGIA Sob a direcção de RAYMOND BOUDON, PHILIPPE BESNARD, MOHAMED CHERKAOUI e BERNARD-PIERRE LÉCUYER Tradução de António J. Pinto Ribeiro PUBLICAÇÕES DOM QUIXOTE LISBOA 1990 Caso Charlie Hebdo: imperialismo, contracultura e resistência 18:20 Cristiano Bodart 1 Por Vanessa Mutti* Contracultura diz respeito ao movimento de mobilização e contestação social que utiliza meios de comunicação de massa, para denunciar atitudes e situações que ferem a liberdade individual, a liberdade de expressão e a liberdade artística. Alguns autores consideram historicamente o movimento hippie e o festival de Woodstock, que surgiram nos anos 60, como importantes movimentos que contestavam a ordem e os valores consumistas, mas também questionavam os valores etnocêntricos presentes nas políticas de guerra e na submissão econômica e cultural dos países desenvolvidos sobre as
  • 44. demais civilizações. Desde então é possível perceber diferentes movimentos de contestação e resistência em diversos lugares do planeta. Dentro do processo globalizante das economias pelo Capital, assim como as economias nacionais, os valores e as subjetividades culturais veem sofrendo constante aniquilamento em prol de uma padronização de comportamentos e dados estatísticos. Cada vez mais é preciso atingir metas e índices conforme os princípios originários pelo american way life. A falácia da existência de uma aldeia global, confirma o que fora denunciado pelo pensador e professor Milton Santos. De forma que a influência perversa e homogeneizante da cultura de massa enlatada e introjetada sobre as culturas locais reluzem nos novos movimentos sociais e populares de resistência e subversão cultural. Hoobsbawn, nem o próprio Milton Santos, e tantos outros pensadores não puderam presenciar a revanche da contracultura através das mídias livres e redes sociais. (Provavelmente estejam em algum panteão a presenciar esse fio libertador e intragável na goela de todo tipo de conservadorismo). Inúmeros foram os retrocessos, mas também foram os avanços. O recente atentado ao escritório da revista Charlie Hebdo, revela a investida contra a liberdade de expressão e liberdade artística. Muito mais que um ataque à ousadia e subversão dos editores, o episódio mostra a ferida e a fragilidade dos valores ocidentais das nações herdeiras do iluminismo. É uma denúncia à vigente xenofobia que se revigora na armada reforma conservadora política das “principais” nações europeias e dos Estados Unidos. O fenômeno foi assustador! Pulverizou um sentimento de insegurança e medo, mas também assinalou o ódio e a intolerância ao Islão e o povo árabe.
  • 45. Ora, legitimamente (tsc), utilizamos a lente etnocêntrica para julgar o outro. Esse é o fundamento que está presente nos atentados terroristas. Porém, por outro lado, essa mesma lente, que converge ao meu cerne e minha noção de pertencimento e valores, é que chancela as ações dos Estados centrais a invadirem e interferirem diretamente nas nações fora de um padrão, dissidentes, desviantes por aspectos religiosos, sociais, culturais e econômicos. Eles assinalam que é preciso reforçar a xenofobia, a homofobia, o preconceito de classe, o racismo e tantos outros preconceitos que desmerecem as minorias culturais e todo tipo de contrapadrão. O neoimperialismo, presente e virtuoso, permanece como tábua de salvação para essas nações e povos desviantes. Essa preciosa justificativa esteve presente nas investidas contra o Vietnã, na ocasião dos movimentos de contracultura mencionados no início do texto. Entretanto, faz-se presente nas investidas contra o Golfo em 2001, na constante ocupação do Afeganistão, do Iraque, nas agressões à Síria... Ao debruçar sobre o atentado e a repercussão da islamofobia, que agora parece ser um sentimento legítimo e terrestre, penso o que quão frágil e ameaçadas estão as nações e povos dissidentes. A intolerância é aviltada! A violência é justificada! Somente os movimentos de contracultura, o ativismo, a deserção parecem ser formas de romper com a lógica imperialista. Mas em nome de que? Em nome de quem? Que sabedoria é essa que parece tão escassa ao julgar o outro? O estranho? O alheio? O feio? Reiterar as ações abusivas e desrespeitosa contra as nações é reagir com a mesma cegueira é compactuar com o etnocentrismo e a intolerância. Julgar, criticar ou defender Charlie Habdo? Que diferenças faz? Inocentes foram mortos. Civis, inclusive crianças, são mortos diariamente. Escolas e hospitais são alvejados. Como se apoiar numa ética super humana e dizer quem deve ser castigado? Qual povo é menos merecedor da vida? Da infância de suas crianças ou da velhice e história de seus antepassados? *Professora de Sociologia - IFBA Campus Jequié
  • 46. Globalização: para além da mera ideia de um mundo interligado, de trocas e intercâmbios culturais. 04:20 Cristiano Bodart Por Cristiano Bodart A globalização é um fenômeno que marca nosso tempo. Isso é indiscutível. Discutível é o termo usado para designar esse fenômeno. Ao usarmos a expressão “globalização” ou “aldeia global” estamos fazendo alusão à ideia de que o mundo tornou-se menor, seus cantos mais acessíveis e marcados por trocas de bens materiais e imateriais em um fluxo nunca visto antes, assim como os países que se influenciam mutualmente. Em parte isso é verdadeiro. Digo em parte porque a ideia de que existe uma troca entre as nações é um tanto exagerada. O que existe, em muitos casos, é uma imposição da cultura ocidental sobre os demais países do mundo. Por isso a expressão “ocidentalização do mundo” utilizada por Serge Latouche em 1989 em "L’occodentalisation du Monde". O conceito de “Ocidentalização do Mundo” desenvolvida por Latouche (1989) nos fornece caminhos interpretativos do fenômeno que recorrentemente chamamos de globalização. Para Latouche, o que existe é uma imposição da cultura europeia sobre o globo; fenômeno que teve origem ainda nas primeiras Cruzadas, no século XI, sendo ampliada nos séculos XV e XVI, com as Grande Navegações - que culminaram com a descoberta de novas terras - e aprofundada no final do século XX, sendo agora chamada de Globalização. Tanto nas Cruzadas, nas Grandes Navegações, quanto no fenômeno conhecido como globalização, o que observamos é uma imposição de hábitos culturais e não uma troca clara. É certo que no contato como outros grupos sociais acabamos sendo, em alguma medida, influenciados por esses. Alguns hábitos dos índios
  • 47. americanos certamente foram incorporados pelos europeus, porém não tão claramente no sentido contrário. No caso dos índios americanos, quase todos passaram pelo processo de aculturação, caracterizado pela imposição de uma nova cultura: a europeia. Atualmente, o processo de aculturação continua em curso. À todo tempo somos influenciados pela cultura europeia – muitas vezes via Estados Unidos da América. Bastamos olhar para as últimas tendências da moda. O quanto o Camboja influencia a cultura francesa? E o inverso? Temos uma troca de hábitos culturais ou trata-se de um caminho praticamente de mão-única? Frente a essa atual tendência de aculturação constantes, sobretudo nos hábitos culturais, nos vêm a pergunta: por quê isso ocorre? Uma palavra me parece bastante completa para tal indagação: poder. Outrora, poder religioso e, posteriormente, poder econômico. Em tempos de globalização, a aculturação, ou padronização da cultura acaba padronizando, igualmente, os hábitos de consumo. Uma vez o consumo padronizado, torna-se possível as grandes empresas venderam seus produtos para todos os cantos do mundo, obtendo assim poder econômico de forma mais fácil e eficiente. Com o advento do capitalismo e sua busca pela maximização do lucro, o objetivo dos “homens poderosos” passou a ser a ampliação dos lucros, o que se dá via ampliação do mercado consumidor. Em um mundo “mais igual” é muito mais fácil e barato ofertar os seus produtos por todos os cantos do mundo. Os benefícios da globalização, tais como a facilidade de deslocamento de passageiros e a maior informação é uma realidade, pena que também sejam também mercadorias e a serviço de seus donos. O fenômeno está ai. Resta-nos compreende-lo para além da mera ideia de um mundo interligado, de trocas e intercâmbios culturais. Por que devemos ter cuidado com o bairrismo e com os mosquitos? 11:33 Roniel Sampaio 2
  • 48. Por Roniel Sampaio Silva Você tem orgulho de ser brasileiro? orgulho do seu estado? Da sua cidade? Não importa qual a região, o sentimento de comunidade, de pertencimento étnico em relação a uma territoriedade está relacionado ao regionalismo. O Brasil tem riquíssimos exemplos sobre o regionalismo.; mas até que ponto isso é positivo? Vou procurar nesse texto mostrar os alguns dois lados a mesma moeda sobre a questão do bairrismo e do coronelismo, e por fim, vou falar ilustrar uma metáfora do mosquito da dengue. Antes de mais nada vale conceituar regionalismo. É um conjunto de caraterísticas que tornam particular uma região”. Tais características são evocadas no sentido de criar uma relação de pertencimento a uma certa localidade. O primeiro grande movimento intelectual e cultural relacionado ao regionalismo no Brasil surgiu no nordeste e teve como um dos líderes o sociólogo Gilberto Freyre, o qual foi um dos signatários do manifesto homônimo em 1930. Além disso, o regionalismo está muito relacionado a um outro conceito antropológico chamado etnocentrismo, o qual põe a cultura local como centro da visão do mundo de determinado grupo cultural. Em 1952, o antropólogo Claude Levi-strauss a pedido da UNESCO escreveu um texto intitulado “Raça e História” cujo objetivo era problematizar sobre o etnocentrismo, o evolucionismo e a diversidade cultural. Em um dos pontos do texto, o francês sugere que é graças a etnocentrismo que temos toda essa diversidade cultural, e que esta diversidade deve contribuir para colaboração entre as culturas, jamais para sua destruição.
  • 49. Voltando ao regionalismo de Freyre, este não deixa de ser uma espécie de etnocentrismo, um etnocentrismo que tem uma faceta, até certo ponto, sadia para preservação da cultura tradicional. Na ocasião o sociólogo dialogou com outros grupos culturais e buscou a colaboração cultural mencionada por Lévi-strauss. E como isso tudo pode se tornar uma armadilha? As armadilhas do bairrismo Ocorre que, os discursos extremistas, fundamentalistas transformam o regionalismo em bairrismo. Na ocasião, é oportuno conceituar o que seria bairrismo como “um esforço de promover aversão à tudo aquilo que vem fora de um território restrito”, é, na verdade, um tipo de como uma em escala regional ou local do regionalismo. É uma expressão que remete à ideia de aversão a tudo que vem de fora do espaço restrito do bairro. Se na primeira metade do século XX tivemos os movimentos fascistas que aclamavam o nacionalismo como matriz de um governo centralizado num líder carismático; o Brasil vivenciou e tem vivenciado o discurso do bairrismo, o qual que busca isolar um território em favor do fortalecimento de uma autoafirmação étnica, que por sua vez tende a negar a contribuição de outros sujeitos pelo mero fato destes não serem reconhecidos localmente pelas autoridades que se dizem “da terra”. A negação do outro acaba sendo um ataque pessoal, sorrateiro que torna-se uma estratégia que esvazia o diálogo argumentativo, político e racional, o que acaba sendo um rótulo reducionista, uma falácia de autoridade. Tais medidas são comuns em locais provincianos, cuja autoridade do coronel - ou coronéis, são criadas no sentido de imunizar o poder tradicional para garantir o status quo, ameaçadas por ideias “inovadoras” advindas dos “forasteiros”. A medida reflete uma insegurança quanto as suas próprias doa habitantes locais e se fecham para contribuições de um outro ponto de vista.
  • 50. Desta maneira, as pessoas “da terra” são superestimadas independente do que elas têm à oferecer. São promovidas pelo mero fato de serem reconhecidas pelos demais como “minhoca”, como se isso apenas bastasse para ter compromisso com a região. E já que estamos citando animais, vale destacar o mosquito. Este por sua vez, surge num contexto de estagnação de ideias oriundas pelo fechamento do grupo. O grupo torna-se tão sem movimento que assemelha-se a água parada, oportuna para proliferação de mosquitos parasitas que vivem para se alimentar do sangue alheio. Estes mosquitos são os coronéis, eis um dos perigos do bairrismo. Tanto as fronteiras geográficas são artificiais, como o reconhecimento dos sujeitos como “nativos”. O reconhecimento destas pessoas é arbitrário uma vez que tais indivíduos de outra naturalidade pode ser reconhecido como autoridade local e uma pessoa daquela naturalidade pode não ser reconhecida como tal. A exemplo disso, temos o poeta Torquato Neto, um dos intelectuais da Tropicália, que mesmo sendo teresinense era expulso de locais frequentados pelas famílias tradicionais pelo simples fato da sua estética não ser aceita pelas elites locais. Assim, a negação bairrista tem a finalidade de segregação política, social, cultural ou estética. O bairrismo é herança do coronelismo patrimonialista. Neste sentido, o apego pela terra, típico de sociedades tradicionais, foi e continua sendo seu campo fértil. Raymundo Faoro destaca que o coronelismo foi um dos grandes empecilhos para consolidação do republicanismo e do federalismo, sendo uma estratégia para preservação do poder tradicional consolidado, ou seja, um esforço “contramodernizante”. O discurso do bairrismo acaba tendo ainda bastante adesão, até hoje justamente por criar uma expectativa de beneficiar o sujeito na “panelinha”. O isolamento de um grupo em si cria o que eu chamo de “água parada”. Como todos sabem água parada cria mosquito.
  • 51. Eu me ariscaria a afirmar que o bairrismo é uma herança do coronelismo e ao mesmo tempo seu grande pilar de sustentação. Na medida em que um grupo tende a se fechar para as contribuição de outros grupos culturais ou sujeitos, criam-se entre os pares autoridades cujo poder é delegado apenas pelo autoreconhecimento, que na maioria das vezes não leva em conta um projeto político que beneficie a todos. Assim, o projeto bairrista fatalmente cria as panelinhas, cujo conteúdo perde no marasmo e faz proliferar um batalhão de mosquitos. Portanto, lembre-se, água parada e grupo fechado cria mosquito! Sugadores de sangue... Por que a Sociologia incomoda? 05:10 Cristiano Bodart Por Cristiano das Neves Bodart cristianobodart@hotmail.com Por que a sociologia incomoda? Essa indagação é recorrente dentre os que iniciam suas “aventuras” no campo da Sociologia. Além de incomodar é perigosa e, consequentemente, gera perigos. Incomoda os que dela se utilizam, assim como aos que não a utilizam em suas práticas compreensivas da realidade social. Em regimes autoritários, uma das primeiras práticas dos governantes é tentar eliminar a Sociologia. Sociólogos são ameaças a tais governos por desvendar seus aspectos, funcionamentos e objetivos. No Brasil, durante a Ditadura Militar, professores foram expulsos do país, cursos fechados e disciplina banida do Ensino Médio. Era o ataque do regime a seu grande e perigoso inimigo. Ao se apresentar como ameaçadora, acaba gerando, em última instância, perigo ao seu “possuidor”, podendo ser perseguido e/ou assassinado. Os que se utilizam da Sociologia são, por ela, constantemente incomodados. Incomodados pela luz que passam a ver, estando fora da caverna de Platão. A Sociologia nos faz enxergar a exploração do homem sobre o homem, os interesses de grupos, as nefastas intenções políticas e os indesejáveis jeitinhos nas práticas cotidianas. Passamos a notar a "microfísica do poder" que mantém a estrutura hierárquica social, os machismos e as demais discriminações veladas, entre tantos fenômenos sociais que passam a nos afligir. A Sociologia acaba sendo um incômodo por nos persuadir a “remar contra a correnteza”, a se colocar contrário a muita coisa que está enraizada nas relações sociais. Pierre Bourdieu já dizia que a Sociologia é um campo de batalha. Ela incomoda aqueles que se beneficiam dostatus quo, isso porque desvenda, interpela e o questiona. Assim, sociólogos são, quase sempre, indesejáveis por aqueles que se beneficiam da “ordem das coisas”. A criticidade que desperta a Sociologia sobre aqueles que a buscam os leva a se posicionarem quase sempre contrário ao consenso, este enraizado nas mentalidades.
  • 52. Com posse da “imaginação sociológica”, verás que a batalha estará armada e a luta é árdua. Com o tempo notarás que não serás mais o mesmo, pois a Sociologia nos impele à luta, nos incomoda. "Batalha" de perguntas: Dinâmica de jogo de pergunta e resposta entre grupos. 19:55 Roniel Sampaio 10 Por Roniel Sampaio Silva Sempre tive a curiosidade de fazer um jogo de perguntas e respostas, estilo "passa ou repassa". Resolvi fazer a dinâmica uma vez que já estava trabalhando o texto "O que é sociologia” na aula anterior. Na ocasião pedi aos alunos que se reunissem em grupos e estabelecessem os tópicos frasais de cada parágrafo do texto. Então, resolvi promover uma competição entre os grupos para que eles aprendessem a importância de uma boa leitura e interpretação do texto para responder adequadamente ao que se pedia. Ao ingressar em sala, pedi novamente que se organizassem em grupo . Os grupos foram dispostos de maneira circular, e foram definidos como grupo “A”, “B”, “C”...etc.. Escrevi no quadro as regras do jogo: 1- Cada grupo tem um 60 segundos para responder o que se pede, caso o grupo não responda a pergunta corretamente, a vez será repassada para o grupo seguinte, de maneira circular até todos os grupos tenham oportunidade de tentar responder. 2- Um dos componentes do grupo deve escrever a resposta no papel para registrar a resposta que foi dita. 3- Um componente do grupo deve falar a resposta para a sala em voz alta. 4- Caso ninguém consiga responder, o professor irá explicar sobre o tópico.
  • 53. Previamente, elabore questões sobre o texto e faça o sorteio das questões antes de perguntar ao grupo. Em seguida, tenha o cuidado de copiar no quadro as questões que se pedem no ato do sorteio. Usei as seguintes questões, do texto “O que é sociologia”: 1- Qual a semelhança entre sociologia e senso comum? 2- Qual o objeto de estudo da sociologia? 3- Qual a diferença entre sociologia e senso comum? 4- Por que os temas da sociologia soa mais discutidos do que os temas da astronomia? 5- O que é imaginação sociológica? 6- Cite exemplos de mecanismos de controle da sociologia? 7- Qual o tema de estudo comum das ciências humanas? Assim que terminamos a atividade, mostrei a importância de fazer uma leitura detalhada do texto, utilizando a estratégia dos tópicos frasais. A experiência foi muito positiva, sobretudo pela interatividade e dinâmica da aula. O melhor de tudo nessa dinâmica é que ela serve para qualquer assunto, basta trabalhar um texto. Pensamento social e questão de gênero 14:45 Cristiano Bodart 2 Por Joyce Miranda Leão Martins* Émile Durkheim foi o primeiro professor da disciplina que hoje se conhece como Sociologia e que objetiva estudar as relações humanas e a organização das sociedades. Em seus estudos, que passaram pela religião até o suicídio e a divisão do trabalho, o sociólogo chegou à conclusão de que o crime era um "fato social normal", posto que era encontrado em todas sociedades, em todos os tempos. De acordo com o francês, os acontecimentos de um grupo, bem como o trabalho de seus membros, tinham uma função dentro de uma estrutura maior, que era a sociedade. Cada indivíduo possuiria um "papel" que ajudaria sua comunidade a funcionar harmonicamente. Incorporado posteriormente às Ciências Sociais, Karl Marx fazia uma análise diferente. Para ele, a sociedade capitalista não era nem poderia ser harmônica e seria rompida a partir de uma revolução levada a cabo através dos trabalhadores mais explorados pelos detentores dos meios de produção. Marx fazia uma grande crítica aos economistas de sua época, que julgavam o sistema capitalista como um "caminho natural" da humanidade. Tinha em comum com Durkheim a percepção de que o social não era algo dado, mas construído historicamente.
  • 54. Se como disse Wright Mills "não devemos esquecer que bebemos na fonte dos clássicos", lembrar que o social é construção histórica é um dos maiores ensinamentos dos consagrados autores. É a partir disso que podemos estimular a imaginação sociológica e passar de uma perspectiva naturalizada a outra, de questionamento. Em tempos que racismo, homofobia e machismo vêm sendo constantemente combatidos por movimentos sociais, cabe perguntar: funciona normalmente uma sociedade em que são violentadas, por ano, 50 mil mulheres, de acordo com dados do 8º Anuário Brasileiro de Segurança Pública? A exploração da força de trabalho é igual entre homens e mulheres, sendo a desigualdade de renda a única que afeta a humanidade? As questões levantadas são quase retóricas, posto que são presumíveis as respostas esperadas. Mas se a Sociologia é - desde os seus princípios - "um esporte de combate" (ainda que de acordo com determinado contexto), não é difícil antever que essas questões precisem estar, cada vez mais, nas discussões da disciplina. Não apenas como um recorte específico dos estudos de gênero, mas também como forma de impedir que o conhecimento reproduza discursos dominantes e se restrinja a destacar os escritos do gênero masculino, algo corriqueiro na trajetória das disciplinas científicas. É necessário ampliar os espaços de atuação desse esporte de combate que são as Ciências Sociais e lembrar que os textos de Marianne Weber, Harriet Martineau e Beatrice Webb (além de tantas outras) devem ser conhecidos e revisitados. A tarefa faz parte de uma Sociologia da Sociologia (que coloca em xeque as verdades aceitas), proposta por Bourdieu (1989), indo no sentido do questionamento da restrição de canônes, e agindo em direção a novas epistemologias pós-colonias. Quem foram as mulheres que pensaram o social contemporaneamente aos clássicos, por que foram esquecidas e o que tinham a dizer? O que isso tem a ver com violência e desigualdade social? Quando parcelas importantes da sociedade estão a descortinar antigas crenças e a questionar diversos tipos de violências (sejam elas relacionadas à mulheres, negros, homossexuais etc), colocam um desafio às Ciências Sociais: é preciso repensá-las para que elas caminhem junto ao seu tempo. Lembrando Boaventura (2000), que avisa aos sociólogos ser necessário "escavar o lixo da ciência moderna" pra ver o que lá havia de importante e foi relegado ao desconhecido, porque considerado inferior, é necessário revolver as próprias Ciências Sociais e buscar as suas protagonistas, que trazem luzes para o pensar da sociedade atual e problemáticas que ainda se fazem contemporâneas, pois foram deixadas de lado no passado. Sobre as três pensadoras sociais citadas aqui, vale dizer: Harriet Martineau foi uma das grandes críticas do sistema político americano. Para ela, o país não podia ser considerado democrático, pois permitia a escravidão. Autoditada em Ciências Sociais, publicou artigos também em economia política, com a intenção de mostrar e simplificar princípios dessa disciplina. Como Durkheim, acreditava que a natureza e a sociedade possuíam leis; Marianne Weber, mais conhecida pela publicação da obra póstuma de seu marido Max Weber, estudou como as diferentes classes sociais, educação e ideologia contribuíam para a desigualdade relacionada à mulher. Em seus escritos, mostrou que a dominação patriarcal no matrimônio contradizia os valores liberais individualistas tão louvados em sua época; Por sua vez, Beatrice Webb foi autodidata na aprendizagem de filosofia e economia. Filha de um rico empresário da Inglaterra, passou a trabalhar nas fábricas de seu pai para compreender o dia a dia dos