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Coletânea de Atividades – 4a série

                                                                                    Coletânea de Atividades
                                                                                                     4a série



capa coletânea de atividades 4a serie.indd 1                                                                12/28/09 9:34 AM
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
                                                                    SECRETARIA DA EDUCAÇÃO
                                                         FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO




                                                Coletânea de Atividades
                                                                        4a série


                                          ALUNO(A): _________________________________________________________________

                                          ___________________________________________________________________________

                                          TURMA: ___________________________NÚMERO DA CHAMADA: ___________________

                                          PROFESSOR(A): ____________________________________________________________

                                          ___________________________________________________________________________



                                                                       São Paulo, 2010




4a serie-coletânea de atividades.indd 1                                                                                 12/29/09 9:05 AM
Governo do Estado de São Paulo                                                Prefeitura da Cidade de São Paulo
                                                                                                                                         Prefeito
                                                      Governador
                                                                                                                                     Gilberto Kassab
                                                      José Serra
                                                                                                                       SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
                                                    Vice-Governador                                                         Alexandre Alves Schneider
                                                    Alberto Goldman                                                                 Secretário
                                                                                                                           Célia Regina Guidon Falótico
                                                Secretário da Educação                                                          Secretária-Adjunta
                                                 Paulo Renato Souza                                                      DIRETORIA DE ORIENTAÇÃO TÉCNICA
                                                                                                                              Regina Célia Lico Suzuki
                                                   Secretário-Adjunto                                                    Elaboração e Implantação do
                                             Guilherme Bueno de Camargo                                     Programa Ler e Escrever – Prioridade na Escola Municipal
                                                                                                                            Iara Gloria Areias Prado
                                                   Chefe de Gabinete
                                                    Fernando Padula                                                   Concepção e Elaboração deste Volume
                                                                                                                         Angela Maria da Silva Figueredo
                                Coordenadora de Estudos e Normas Pedagógicas                                                    Armando Traldi Júnior
                                                                                                                            Aparecida Eliane de Moraes
                                              Valéria de Souza
                                                                                                                                  Carlos Ricardo Bifi
                                                                                                                             Dermeval Santos Cerqueira
                                 Coordenador de Ensino da Região Metropolitana
                                                                                                                           Ivani da Cunha Borges Berton
                                             da Grande São Paulo
                                                                                                                          Jayme do Carmo Macedo Leme
                                          José Benedito de Oliveira
                                                                                                                                     Leika Watabe
                                                                                                                                     Márcia Maioli
                                           Coordenador de Ensino do Interior
                                                                                                                     Margareth Aparecida Ballesteros Buzinaro
                                          Rubens Antônio Mandetta de Souza
                                                                                                                                     Marly Barbosa
                                                                                                                              Sílvia Moretti Rosa Ferrari
                        Presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação
                                                                                                                         Regina Célia dos Santos Câmara
                                        Fábio Bonini Simões de Lima
                                                                                                                            Rogério Ferreira da Fonseca
                                                                                                                              Rogério Marques Ribeiro
                                          Diretora de Projetos Especiais da FDE
                                                                                                                          Rosanea Maria Mazzini Correa
                                               Claudia Rosenberg Aratangy
                                                                                                                               Suzete de Souza Borelli
                                                                                                                                 Tânia Nardi de Pádua
                                     Coordenadora do Programa Ler e Escrever
                                             Iara Gloria Areias Prado                                                            Consultoria Pedagógica
                                                                                                                            Shirlei de Oliveira Garcia Jurado
                                                                                                                               Célia Maria Carolino Pires
                                                                                                                                        Editoração
                                                                                                                                     Fatima Consales
                                                                                                                                    Ilustração
                                                                                                               Didiu Rio Branco / Robson Minghini / André Moreira
                                                                                                                              Os créditos acima são da
                                                                                                                      publicação original de fevereiro de 2008.



                                          Agradecemos à Prefeitura da Cidade de São Paulo por ter cedido esta obra à
                             Secretaria da Educação do Estado de São Paulo para atender aos objetivos do Programa Ler e Escrever.

                                                                       Catalogação na Fonte: Centro de Referência em Educação Mario Covas

                                                                         São Paulo (Estado) Secretaria da Educação.
                                                               S239L         Ler e escrever: coletânea de atividades – 4ª série / Secretaria
                                                                         da Educação, Fundação para o Desenvolvimento da Educação; adaptação do
                                                                         material original, Marisa Garcia, Andréa Beatriz Frigo. - São Paulo : FDE, 2010.
                                                                             244 p. : il.

                                                                             Obra cedida pela Prefeitura da Cidade de São Paulo à Secretaria da
                                                                         Educação do Estado de São Paulo para o Programa Ler e Escrever.
                                                                             Publicação complementar ao “Guia de Planejamento e Orientações
                                                                         Didáticas – 4ª série”.
                                                                             Documento em conformidade com o Acordo Ortográfico da Língua
                                                                         Portuguesa.

                                                                              1. Ensino Fundamental 2. Ciclo I 3. Alfabetização 4. Atividade Pedagógica
                                                                         5. Programa Ler e Escrever 6. São Paulo I. Fundação para o Desenvolvimento
                                                                         da Educação. II. Garcia, Marisa III. Frigo, Andréa Beatriz. IV. Título.

                                                                                                         CDU: 372.4(815.6)




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Prezada professora, prezado professor

                           Esta coletânea integra o Programa Ler e Escrever, sendo complemen-
                     tar ao Guia de Planejamento e Orientações Didáticas – 4ª série. As ativi-
                     dades estão organizadas na sequência em que aparecem no Guia, o que
                     não quer dizer que obedecem a uma ordem ou hierarquia prévia, mas que
                     deverão ser utilizadas de acordo com o seu planejamento. Note que as
                     páginas são destacáveis, pois este material não é e nem deve ser tratado
                     como um livro didático.

                          Na abertura de cada bloco há indicações das páginas onde podem
                     ser encontradas no Guia as orientações didáticas específicas e os objeti-
                     vos de aprendizagem.

                               Para um melhor aproveitamento desta publicação, sugerimos:

                               j Acompanhar os avanços de seus alunos em relação às hipóteses
                                   de escrita para escolher as atividades com mais critério.

                               j Como muitas atividades requerem a organização dos alunos em
                                   duplas, estas devem ser formadas de modo a proporcionar boas
                                   interações, isto é, de maneira que haja troca de saberes entre os
                                   alunos e ambos aprendam.

                               j Ler as orientações do Guia antes de utilizar qualquer uma das pro-
                                   postas.

                               j Checar se os objetivos das atividades estão afinados com os de
                                   seu planejamento.

                               j Quando tiver dúvidas, discuti-las com seu professor coordenador e
                                   com seus colegas de 2a série.

                               j Lembrar-se que algumas atividades são para alunos que ainda
                                   não leem. Ou seja, é preciso, sempre, explicar para eles do que se
                                   trata. Isso não quer dizer que aqueles que já sabem ler consigam
                                   compreender, sozinhos, a comanda das atividades. Auxilie-os tam-
                                   bém quando for preciso.

                               j Não é necessário que a classe toda faça sempre a mesma ativida-
                                   de. Você pode propor atividades variadas para grupos diferentes,
                                   simultaneamente.




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Esperamos que este material seja útil, mas não único. Aqui está
                                          contemplada apenas uma parte das atividades que devem compor a roti-
                                          na de sala de aula: análise e reflexão sobre o sistema de escrita, análise
                                          e reflexão sobre questões ortográficas, matemática. As demais propos-
                                          tas, relacionadas à produção de texto, comunicação oral e outras, não
                                          foram incluídas aqui, pois não comportam uma formatação como essa. É
                                          fundamental, entretanto, que aconteçam na sua rotina. Para tanto, há no
                                          Guia muitas propostas que fornecem orientação nesse sentido.



                                                                          Bom trabalho!
                                                                          Equipe do Programa Ler e Escrever




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Sumário
                      Atividades do projeto didático “Uma lenda, duas lendas, tantas lendas”                                                               ....9


                      Atividades do projeto didático “Universo ao meu redor”                                                 ..................                 37

                      Coletânea de textos da sequência didática “Caminhos do verde”                                                               .......       73

                      Coletânea de textos da sequência didática
                      “Lendo notícias para ler o mundo” . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87

                      Atividades da sequência didática “Estudo de pontuação”                                                   . . . . . . . . . . . . . . . . 111


                      Atividades da sequência didática “Estudo da ortografia” . . . . . . . . . . . . . . . . . 129

                      Atividades de Matemática                   . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141




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Projeto didático
                      “Uma lenda, duas lendas,
                      tantas lendas”



                     As orientações didáticas das atividades constam no
                     Guia de Planejamento e Orientações Didáticas – 4a série.
                     Estão divididas da seguinte forma:
                                                                                  Páginas do Guia
                     Orientações gerais para o projeto didático
                     “Uma lenda, duas lendas, tantas lendas” _____________________________        38
                     Etapa 1 – Levantando conhecimentos prévios sobre o gênero ____________       42
                     Etapa 2 – Compartilhando o projeto __________________________________        45
                     Etapa 3 – Ampliando os saberes sobre lendas _________________________        47
                     Etapa 4 – Selecionando as lendas, reescrevendo-as e revisando os textos __   82
                     Etapa 5 – Edição e preparação final da coletânea ______________________      90
                     Etapa 6 – Avaliação final do trabalho desenvolvido ______________________    94




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ATIVIDADE 1: PAR A INÍCIO DE CONVERSA


                     NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____


                             Acompanhe com atenção a leitura do texto que seu professor fará.


                                                          O DONO DA LUZ
                             No princípio, todo mundo vivia nas trevas. Os waraos procuravam o que comer
                             na escuridão, e a única luz que conheciam provinha do fogo que obtinham da
                             madeira. Não existiam então nem o dia nem a noite.
                             Um dia, um homem que possuía duas filhas ficou sabendo que existia um jo-
                             vem que era dono da luz. Então, chamou a filha mais velha e disse-lhe:
                             – Vá até onde se encontra o jovem dono da luz e traga-o para mim.
                             Ela fez sua trouxa e partiu. Mas encontrou pela frente muitos caminhos e aca-
                             bou tomando um que a levou até a casa do veado. Ali conheceu o animal e
                             acabou se distraindo a brincar com ele.
                             Em seguida, voltou à casa do pai, porém sem trazer a luz.
                             Então o pai decidiu enviar a filha mais nova.
                             – Vá até onde se encontra o jovem dono da luz e traga-o para mim.
                             A jovem tomou o caminho certo e, depois de muito andar, chegou à casa do
                             dono da luz e disse-lhe:
                             – Vim para conhecê-lo, ficar um pouco com você e obter a luz para meu pai.
                             O dono da luz lhe respondeu:
                             – Eu já esperava por você. Agora que chegou, viverá comigo.
                             Então o jovem pegou um baú de junco que tinha a seu lado e, com muito cui-
                             dado, abriu-o. A luz iluminou imediatamente seus braços e seus dentes bran-
                             cos. Iluminou também os cabelos e os olhos negros da jovem.
                             Foi assim que ela descobriu a luz. O jovem, depois de mostrar a luz à moça,
                             voltou a guardá-la.
                             Todos os dias, o dono da luz a tirava do baú para que se fizesse a claridade e ele
                             pudesse se distrair com a jovem. E assim foi passando o tempo. Até que a moça
                             se lembrou de que tinha de voltar para casa e levar ao pai a luz que viera buscar.
                             O dono da luz, que já tinha ficado amigo da moça, deu a ela, de presente, a luz.
                             – Tome a luz, leve-a para você. Assim poderá ver tudo.
                             A jovem regressou à casa do pai e entregou-lhe a luz fechada no baú de jun-
                             co. O pai pegou o baú, abriu-o e pendurou-o num dos paus que sustentavam
                             a palafita em que moravam. De imediato, os raios de luz iluminaram a água
                             do rio, as folhas dos mangues e os frutos do cajueiro.




                      COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE                                                              9


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Quando, nos vários povoados do delta do rio Orinoco, espalhou-se a notícia
                                           de que existia uma família que possuía a luz, os waraos começaram a vir
                                           conhecê-la. Chegaram em suas ubás do rio Araguabisi, do rio Mánamo e do
                                           rio Amacuro. Eram ubás e mais ubás, cheias de gente e mais gente.
                                           Até que chegou um momento em que a palafita já não podia aguentar o peso
                                           de tanta gente maravilhada com a luz. E ninguém ia embora, pois ninguém
                                           queria continuar vivendo na escuridão, já que com a claridade a vida era mui-
                                           to mais agradável.
                                           Por fim, o pai das moças não pôde mais suportar tanta gente dentro e fora de
                                           sua casa.
                                           – Vou pôr um fim nisto – disse. – Todos querem a luz? Pois lá vai ela!
                                           E com um soco quebrou o baú e atirou a luz ao céu. O corpo da luz voou para
                                           o leste, e o baú, para o oeste. Do corpo da luz fez-se o sol, e do baú em que
                                           ela estava guardada surgiu a lua, cada um de um lado.
                                           Mas, como eles ainda estavam sob o impulso da força do braço que as lança-
                                           ra longe, sol e lua andavam muito rápido. O dia e a noite eram, assim, muito
                                           curtos, e a cada instante amanhecia e anoitecia.
                                           Então o pai disse à filha mais nova:
                                           – Traga-me uma tartaruga.
                                           Quando a tartaruga chegou às suas mãos, esperou que o sol estivesse sobre
                                           sua cabeça e lançou-a a ele, dizendo-lhe:
                                           – Tome esta tartaruga. É sua, é um presente que lhe dou. Espere por ela.
                                           A partir desse momento, o sol ficou esperando a tartaruguinha. E, no dia se-
                                           guinte, ao amanhecer, viu-se que o sol caminhava lentamente, como a tarta-
                                           ruga, exatamente como anda hoje em dia, iluminando até que a noite chegue.
                                                          (Fonte: Como surgiram os seres e as coisas, Coedição latino-americana, 1987.)


                                           Agora, converse com seus colegas:
                                            Vocês já conheciam essa história ou outra parecida com essa?
                                            Qual é o tema dessa história?
                                            Como ela explica o surgimento do dia e da noite?
                                            Essa é uma explicação científica ou fantástica?
                                            Quem são os personagens que a compõem?
                                            Onde se passa toda a trama?
                                            Por que você acha que os venzuelanos contavam essa história uns aos outros?
                                            Você já ouviu falar na palavra LENDA? Sabe o que significa?




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ATIVIDADE 3A: CONHECENDO UM POUCO MAIS AS
                    LENDAS (1)


                    NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____


                             1. Acompanhe a leitura que seu professor fará da lenda intitulada “Santo Tomás
                                e o boi que voava”.
                                  Sabendo que é uma lenda e conhecendo o seu título, de que você acha que
                                  esse texto tratará? Converse com seu professor e demais colegas a esse
                                  respeito.


                                              SANTO TOMÁS E O BOI QUE VOAVA
                             Contam os fastos da ordem de São Domingos que, achando-se Santo Tomás
                             de Aquino na sua cela, no convento de São Jacques, curvado sobre obscuros
                             manuscritos medievais, ali entrou, de repente, um frade folgazão, que foi ex-
                             clamando com escândalo:
                             – Vinde ver, irmão Tomás, vinde ver um boi voando!
                             Tranquilamente, o grande doutor da igreja ergueu-se do seu banco. Deixou a
                             cela e, vindo para o átrio do mosteiro, pôs-se a olhar o céu, protegendo os
                             olhos com as mãos. Ao vê-lo assim, o frade jovial desatou a rir com estrondo.
                             – Ora, irmão Tomás, então sois tão crédulo a ponto de acreditardes que um
                             boi pudesse voar?
                             – Por que não, meu amigo? – tornou o santo. E com a mesma singeleza, fora
                             da sabedoria: – Eu preferi admitir que um boi voasse a acreditar que um reli-
                             gioso pudesse mentir.
                                                 (Machado, Irene. Literatura e redação. São Paulo: Scipione, 1994. p. 97.)


                             2. Converse com seu professor e demais colegas sobre as seguintes questões:
                                   Essa lenda se parece com as lendas que você conhecia? Em quê? Explique.
                                   De que época você acha que é essa lenda?
                                   Qual você acha que é a finalidade dela?
                             3. Agora, acompanhe a leitura que seu professor fará de outra lenda, intitulada
                                “Beowulf e o dragão”.
                                Comente com seus colegas: Você já ouviu falar nessa lenda? Quando? Co-
                                nhece a história?
                                Acompanhe a leitura a partir do texto apresentado a seguir.




                     COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE                                                                       11


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BEOWULF E O DRAGÃO
                                           Havia um rei dinamarquês que era valente na guerra e sábio nos tempos de
                                           paz. Vivia num castelo esplêndido. Recebia muitos convites e dava festas ma-
                                           ravilhosas. Mas tudo isso era bom demais para durar eternamente.
                                           Um dia, no final de uma festa, todos ouviram um ruído estranho. Era o dragão
                                           Grandel, que saíra do lago e entrara no castelo. Engoliu o primeiro homem
                                           que encontrou e gostou tanto do sangue humano que atacou muitos outros.
                                           Deixou um rastro vermelho como marca de sua passagem.
                                           Desse dia em diante, a vida no castelo mudou completamente. O terrível
                                           Grandel aparecia todas as noites, matava os homens, bebendo seu sangue, e
                                           carregava o corpo para o lago.
                                           Nem mesmo os guerreiros mais fortes conseguiam vencê-lo, e o castelo aca-
                                           bou sendo abandonado.
                                           Depois de doze anos, esta história chegou aos ouvidos de Beowulf, um ca-
                                           valeiro jovem e corajoso, capaz de vencer trinta homens ao mesmo tempo.
                                           Quando soube da desgraça que tinha se abatido sobre os súditos do rei dina-
                                           marquês, ficou comovido e não pensou duas vezes. Escolheu catorze comba-
                                           tentes e partiu para a Dinamarca.
                                           – Quem é você? – perguntou-lhe o rei.
                                           – Sou Beowulf, viemos libertá-lo do terrível Grandel.
                                           O rei sentiu o coração encher-se de esperança. Deu uma grande festa.
                                           Enquanto todos celebravam, um estranho assobio atravessou o castelo.
                                           As portas de ferro caíram por terra e o terrível Grandel entrou pela sala.
                                           Os olhos brilhavam, a boca cuspia fogo e as garras eram espadas que rasga-
                                           vam o chão. Mas antes que ele conseguisse engolir um guerreiro, sentiu uma
                                           dor insuportável.
                                           Beowulf havia se lançado na direção do dragão e apertava sua garganta com
                                           uma força igual a de trinta homens. Grandel se retorceu, urrou, mas não con-
                                           seguiu se soltar. Foi empurrado por Beowulf até o lago e morreu.
                                           O rei agradeceu ao herói e a vida voltou para o castelo. Mas no fundo do lago,
                                           uma velha feiticeira, a mãe de Grandel, resolveu vingar a morte de seu filho.
                                           Penetrou na grande sala do castelo e aprisionou o conselheiro do rei.
                                           – Caro Beowulf – disse o rei –, preciso novamente de sua ajuda.
                                           Nesse mesmo dia, Beowulf e o rei montaram a cavalo e foram até o lago.
                                           Boiando sobre as águas, estava a cabeça ensanguentada do conselheiro.
                                           Beowulf mergulhou imediatamente, até que chegou no antro dos monstros.
                                           Viu uma mulher horrorosa sentada em cima de ossadas humanas.
                                           Era a mãe de Grandel. A bruxa se atirou sobre ele. Beowulf foi mais rápido.
                                           Sua espada cortou a garganta da velha. Mas ela continuou a atacá-lo.




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Nisso, o cavaleiro avistou uma espada gigantesca. Agarrou-a e arrancou a
                             cabeça da velha. Foi só então que ele viu, ao lado, o corpo monstruoso de
                             Grandel. Beowulf também lhe cortou a cabeça e carregou-a até a superfície.
                             Mas depois que Beowulf libertou a Dinamarca desse monstro sinistro, sentiu
                             muitas saudades de seu próprio país. Seu tio havia acabado de morrer. E
                             como ele era o único herdeiro, foi coroado rei. Governou durante cinquenta
                             anos com sabedoria e justiça.
                             Foi quando novamente recebeu notícias de que um dragão incendiava a Dinamar-
                             ca. Não perdeu tempo. Convocou sua tropa e viajou para enfrentar o monstro.
                             O animal o esperava. De sua garganta saíam chamas envenenadas e uma
                             fumaça verde. Os cavaleiros de Beowulf apavoraram-se e fugiram; Beowulf
                             viu-se só diante do monstro. Mas havia alguém a seu lado: Wiglaf, o mais jo-
                             vem dos homens de sua tropa.
                             Esquecendo-se da espada, Beowulf atacou o dragão com tanta força que nem
                             parecia que havia envelhecido. O monstro grunhiu e o sangue escorreu do
                             ferimento de sua garganta. Mesmo assim Beowulf foi atingi-lo com o golpe
                             mortal e percebeu que sua espada havia se partido ao meio.
                             Estava condenado. Então ouviu uma voz:
                             – Estou a seu lado, meu rei.
                             Era Wiglaf, que imediatamente atacou o dragão, ferindo-o mortalmente.
                             O dragão estendeu a pata e atingiu o rei com suas garras venenosas. Beowulf
                             sentiu o veneno penetrar nas profundezas de seu corpo. Antes que a vida o
                             deixasse, disse:
                             – Eu te nomeio rei, fiel Wiglaf. E como prova disso, aqui está o meu anel.
                             Estas foram as últimas palavras do célebre matador de dragões, Beowulf.
                             Ele morreu tranquilo, porque sabia que seu sucessor era o mais corajoso de
                             todos os homens, o melhor de todos os guerreiros, e que reinaria com justiça,
                             trazendo felicidade a seu povo.
                                             (Machado, Irene. Literatura e redação. São Paulo: Scipione, 1994. p. 99-100.)


                             4. Converse com seu professor e demais colegas sobre as seguintes questões:
                                   Essa lenda é mais parecida com as que você já conhecia? Em quê? Explique.
                                   Em que essa lenda se parece com a que foi lida antes?
                                   De que época você acha que é essa lenda?
                                   De onde vem essa lenda? De que povo?
                                   Qual você acha que é a finalidade dessa lenda?
                             5. Agora, acompanhe a leitura da “Lenda da vitória-régia”.
                                Comente com seus colegas e professor: Você já conhece essa lenda? De que
                                ela trata?




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A LENDA DA VITÓRIA-RÉGIA
                                                     A enorme folha boiava nas águas do rio. Era tão grande que, se qui-
                                                     sesse, o curumim que a contemplava poderia fazer dela um barco.
                                                     Ele era miudinho, nascera numa noite de grande temporal. A primei-
                                                     ra luz que seus pequeninos olhos contemplaram foi o clarão azul
                                                     de um forte raio, aquele que derrubara a grande seringueira, cujo
                                                     tronco dilacerado até hoje ainda lá estava.
                                                     “Se alguém deve cortá-la, então será meu filho, que nasceu hoje”, fa-
                                                     lou o cacique ao vê-la tombada depois da procela. Ele será forte e ve-
                                                     loz como o raio e, como este, ele deverá cortá-la para fazer o ubá com
                                                     que lutará e vencerá a torrente dos grandes rios...”
                                           Talvez, por isso, aquele curumim tão pequenino já se sentisse tão corajoso
                                           e capaz de enfrentar, sozinho, os perigos da selva amazônica. Ele caminhava
                                           horas, ao léu, cortando cipós, caçando pequenos mamíferos e aves; porém,
                                           até hoje, nos seus sete anos, ainda não enfrentara a torrente do grande rio,
                                           que agora contemplava.
                                           Observando bem aquelas grandes folhas, imaginou navegar sobre uma delas,
                                           e não perdeu tempo. Pisou com muito cuidado – os índios são sempre muito
                                           cautelosos – e, sentindo que ela suportava o seu peso, sentou-se devagar, e
                                           com as mãozinhas improvisou um remo. Desceu rio abaixo.
                                           É verdade que a correnteza favorecia, mas, contudo, por duas vezes quase caiu.
                                           Nem por isso se intimidou. Navegou no seu barco vegetal até chegar a uma pe-
                                           quena enseada onde avistou a mãe e outras índias que, ao sol, acariciavam os
                                           curumins quase recém-nascidos embalando-os com suas canções, que falam
                                           da lua, da mãe-d’água do sol e de certas forças naturais que muito temem.
                                           Saltando em terra, correu para junto da mãe, muito feliz com a façanha que
                                           praticara:
                                           “Mãe, tenho o barco. Já posso pescar no grande rio?”
                                           “Um barco? Mas aquilo é apenas um uapê; é uma formosa índia que Tupã
                                           transformou em planta.”
                                           “Como, mãe? Então não é o meu barco? Você sempre me disse que eu um
                                           dia haveria de ter meu ubá...”
                                           “Meu filho, o teu barco, tu o farás; este é apenas uma folha. É Naia, que se
                                           apaixonou pela lua...”
                                           “Quem é Naia?”, perguntou curioso o indiozinho.
                                           “Vou contar-te... Um dia, uma formosa índia, chamada Naia, apaixonou-se
                                           pela lua. Sentia-se atraída por ela e, como quisesse alcançá-la, correu, cor-
                                           reu, por vales e montanhas atrás dela. Porém, quanto mais corriam, mais lon-
                                           ge e alta ela ficava. Desistiu de alcançá-la e voltou para a taba.
                                           “A lua aparecia e fugia sempre, e Naia cada vez mais a desejava.




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“Uma noite, andando pelas matas ao clarão do luar, Naia se aproximou de um
                             lago e viu, nele refletida, a imagem da lua.
                             “Sentiu-se feliz; julgou poder agora alcançá-la e, atirando-se nas águas cal-
                             mas do lago, afundou.
                             “Nunca mais ninguém a viu, mas Tupã, com pena dela, transformou-a nesta lin-
                             da planta, que floresce em todas as luas. Entretanto uapê só abre suas petalas
                             à noite, para poder abraçar a lua, que se vem refletir na sua aveludada corola.
                             “Vês? Não queiras, pois, tomá-la para teu barco. Nela irás, por certo, para o
                             fundo das águas.
                             “Meu filho, se se sentes bastante forte, toma o machado e vai cortar aquele
                             tronco que foi vencido pelo raio. Ele é teu desde que nasceste.
                             “Dele farás o teu ubá; então, navegarás sem perigo.
                             “Deixa em paz a grande flor das águas...”
                             Eis aí, como nasceu da imaginação fértil e criadora de nossos índios, a histó-
                             ria da vitória-régia, ou uapê, ou iapunaque-uapê, a maior flor do mundo.
                                           (Machado, Irene. Literatura e redação. São Paulo: Scipione, 1994. p. 105-106.)


                             6. Agora, converse com seu professor e demais colegas sobre as seguintes
                                questões:
                              E essa lenda, é mais parecida com alguma das que você já conhecia? Em quê?
                               Explique. Com a ajuda de seus colegas e também do professor, preencha o qua-
                               dro a seguir.

                                               SANTO TOMÁS E O           BEOWULF E                  A LENDA DA
                                               BOI QUE VOAVA             O DRAGÃO                   VITÓRIA-RÉGIA

                      Época a qual
                      se refere


                      Origem




                      Propósito




                     COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE                                                                      15


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ATIVIDADE 3B: CONHECENDO UM POUCO MAIS AS
                                           LENDAS (2)


                                           NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____


                                                Para realizar esta atividade, você lerá novamente, com seu professor, as lendas
                                           da aula anterior.
                                                Depois, reúna-se com seu colega e procure descobrir o que as três histórias têm
                                           em comum e quais são as diferenças entre elas. A seguir, converse com ele e organi-
                                           zem, na tabela abaixo, as informações levantadas.

                                                                QUADRO COMPARATIVO DAS TRÊS LENDAS
                                            O QUE AS LENDAS TÊM EM COMUM?             O QUE AS LENDAS TÊM DE DIFERENTE?




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ATIVIDADE 3C: AMPLIANDO O REPERTÓRIO DE LENDAS


                    NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____


                             1. Vocês lerão “A lenda do papagaio Crá-Crá”. Trata-se de uma lenda de origem
                                indígena – tupi – e, à medida que foi sendo contada, acabou incorporada e
                                transformada pelo povo, circulando, depois, pelo Brasil todo. Esse modo de
                                contar, a linguagem presente nessa versão da lenda, é mais típico das regiões
                                Sul e Sudeste do país.


                                              A LENDA DO PAPAGAIO CRÁ-CRÁ
                             Conta a lenda que, antigamente, morava em um vilarejo um menino muito
                             guloso. Tudo que via, queria comer, e a gula era tanta, a pressa de comer era
                             tamanha, que ele tinha costume de engolir a comida sem mastigá-la.
                             Uma vez sua mãe encontrou frutos de batoí e assou-os na cinza.
                             O filho, sem querer esperar, comeu todos os frutos, tirando-os diretamente do
                             fogo e, como sempre, engoliu-os sem pestanejar.
                             Os frutos do batoí são frutos cuja polpa viscosa se mantém quentíssima por
                             muito tempo. Comendo-os tão quentes, sapecaram-lhe a garganta, de forma
                             que doía muito e queimavam-lhe o estômago.
                             O menino, tentando vomitar os frutos comidos, começou a fazer força para
                             expulsá-los. Arranhava a garganta grunhindo crá-crá-crá! Mas os frutos não
                             saíam... e entalaram na garganta, sufocando-o.
                             No mesmo momento, cresceram-lhe as asas e as penas e ele tornou-se um
                             papagaio. Voou pra longe. Até hoje pode-se ouvi-lo vagando pelas matas do
                             lugar, voando e gritando “crá-crá-crá”!
                                           (Machado, Irene. Literatura e redação. São Paulo: Scipione, 1994. p. 105-106.)



                             2. Retome o quadro com as características das lendas analisadas e comente
                                com seu professor e colegas: essa lenda contém as características comuns
                                às demais lendas até o momento? Para explicar, procure responder às ques-
                                tões no quadro da página seguinte.




                     COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE                                                                      17


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ANALISANDO “A LENDA DO PAPAGAIO CRÁ-CRÁ”

                                                       ASPECTOS                        INFORMAÇÕES OBSERVADAS

                                           O que essa lenda procura explicar?




                                           Esta lenda revela um aspecto da
                                           cultura do povo brasileiro.
                                           Qual é ele?


                                           Quem são os protagonistas?
                                           São pessoas comuns?




                                           Os fatos narrados são tratados
                                           como episódios comuns da vida
                                           das pessoas? Explique.




                                           Há outros aspectos importantes
                                           a ser considerados?




                                              3. Com seus colegas e com a ajuda de seu professor, releia “A lenda do papa-
                                                 gaio Crá-Crá” observando as expressões que foram utilizadas para contar a
                                                 história. Anote-as em seu caderno.
                                              4. Agora, sente-se com sua dupla de trabalho e procurem, em seu livro, as len-
                                                 das que foram lidas. Escolha duas delas para fazer a mesma análise, anotan-
                                                 do, cada um em seu caderno, as expressões interessantes que encontrarem.
                                                 Depois, compartilhe o trabalho com os demais colegas da turma.



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ATIVIDADE 3D: RODA DE LEITUR A


                    NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____




                             Agora você irá participar de uma roda de leitura. Você já sabe que, nesses momen-
                             tos, deve comentar o que leu, recomendando – ou não – para seus colegas.
                             Neste momento, estamos estudando lendas, e a sua tarefa foi selecionar uma
                             obra na sala de leitura ou biblioteca pública e comentá-la, de maneira que essa
                             obra possa, por um lado, compor nosso inventário de lendas e, por outro, ser indi-
                             cada para compor a coletânea que a classe organizará.
                             Segue abaixo um roteiro de indicação de leitura para que você se oriente para
                             executar essa atividade.

                    ROTEIRO PARA INDICAÇÃO DE LEITURA
                             1. Apresente a obra que você leu, informando:
                                  a. título;

                                  b. autor;

                                  c. editora;

                                  d. como a obra se organiza (só lendas brasileiras, só apresenta uma lenda etc.).
                                     Nesse momento você pode até dar uma lida rápida no índice, se achar inte-
                                     ressante para os colegas; não se esqueça de mostrar-lhes o livro também;

                                  e. se tem ilustrações, de que tipo são – observe se são pinturas, gravuras, fo-
                                     tografias; se são coloridas, se explicam ou não informações do texto (mos-
                                     tre-as para seus colegas) e dê sua opinião sobre elas.
                             2. Comente a lenda que você leu, informando:
                                  a. título;

                                  b. origem da lenda (se houver informação sobre isso no livro);

                                  c. em que região costuma circular;

                                  d. tema, ensinamento ou fenômeno que explica;

                                  e. personagens;

                                  f. se constam ilustrações da lenda;

                                  g. se há relações que se possa estabelecer com alguma lenda do inventário
                                     da classe ou outra que você mesmo conheça.




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3. Apresente um pequeno resumo da lenda, comentando:
                                             a. se gostou ou não e por quê;

                                             b. se recomendaria – ou não – para compor a coletânea da classe, explicando
                                                o motivo de sua afirmação ou negação;

                                             c. se quiser, pode ler um trecho da lenda também ou, pelo menos, aquele que
                                                você considerou mais interessante ou bonito. Ao final da apresentação, não
                                                esqueça de registrar a lenda lida no inventário da classe, caso ela tenha
                                                sido recomendada para compor a coletânea.




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ATIVIDADE 3E: LENDAS DE OUTROS TEMPOS
                    E LUGARES


                    NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____


                             1. Leia, silenciosamente, a lenda sobre um conhecido personagem da mitologia
                                grega chamado Narciso.


                                                              NARCISO
                                                                                                 Mitologia grega


                             Há muito tempo, na floresta, passeava Narciso, o filho do sagrado rio Kiphis-
                             sos. Era lindo, porém tinha um modo frio e egoísta de ser. Era muito conven-
                             cido de sua beleza e sabia que não havia no mundo ninguém mais bonito
                             que ele.
                             Vaidoso, a todos dizia que seu coração jamais seria ferido pelas flechas de
                             Eros, filho de Afrodite, pois não se apaixonava por ninguém.
                             As coisas foram assim até o dia em que a ninfa Eco o viu e imediatamente se
                             apaixonou por ele.
                             Ela era linda, mas não falava; o máximo que conseguia era repetir as últimas
                             sílabas das palavras que ouvia.
                             Narciso, fingindo-se de desentendido, perguntou:
                             – Quem está se escondendo aqui perto de mim?
                             – … de mim – repetiu a ninfa assustada.
                             – Vamos, apareça! – ordenou. – Quero ver você!
                             – … ver você! – repetiu a mesma voz em tom alegre.
                             Assim, Eco aproximou-se do rapaz. Mas nem a beleza e nem o misterioso bri-
                             lho nos olhos da ninfa conseguiram amolecer o coração de Narciso.
                             – Dê o fora! – gritou, de repente. – Por acaso pensa que eu nasci para ser um
                             da sua espécie? Sua tola!
                             – Tola! – repetiu Eco, fugindo de vergonha.
                             A deusa do amor não poderia deixar Narciso impune depois de fazer uma coisa
                             daquelas. Resolveu, pois, que ele deveria ser castigado pelo mal que havia feito.
                             Um dia, quando estava passeando pela floresta, Narciso sentiu sede e quis
                             tomar água.
                             Ao debruçar-se num lago, viu seu próprio rosto refetido na água. Foi naquele
                             momento que Eros atirou uma flecha direto em seu coração.
                             Sem saber que o reflexo era de seu próprio rosto, Narciso imediatamente se
                             apaixonou pela imagem.



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Quando se abaixou para beijá-la, seus lábios se encostaram na água e a ima-
                                           gem se desfez. A cada nova tentativa, Narciso ia ficando cada vez mais de-
                                           sapontado e recusando-se a sair de perto da lagoa. Passou dias e dias sem
                                           comer nem beber, ficando cada vez mais fraco.
                                           Assim, acabou morrendo ali mesmo, com o rosto pálido voltado para as
                                           águas serenas do lago.
                                           Esse foi o castigo do belo Narciso, cujo destino foi amar a si próprio.
                                           Eco ficou chorando ao lado do corpo dele, até que a noite a envolveu. Ao desper-
                                           tar, Eco viu que Narciso não estava mais ali, mas em seu lugar havia uma bela
                                           flor perfumada. Hoje, ela é conhecida pelo nome de “narciso”, a flor da noite.

                                           Agora, comente essa lenda com seus colegas, observando:
                                            De que trata a lenda?
                                            Quem são os personagens?
                                            Onde se passa a história?
                                            O que a lenda procura explicar?
                                            Que outros comentários poderiam ser feitos a respeito dessa lenda?
                                           Agora, acompanhe, com atenção, a leitura que seu professor fará dessa lenda.
                                           A seguir, prepare-se para recontá-la a colegas de outras turmas.




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ATIVIDADE 3F: AS LENDAS E O FANTÁSTICO UNIVERSO
                    INDÍGENA


                    NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____


                             1. Acompanhe a leitura que seu professor fará de “A lenda da Lagoa das Guaraíras”
                             Trata-se de uma história da época da colonização brasileira, do tempo em que os
                             portugueses aqui chegaram. Com eles vieram os padres jesuítas, que começa-
                             ram a catequizar os índios. Você sabe o que é “catequizar”?
                             Catequização: instrução que os jesuítas – padres portugueses que vieram para o
                             Brasil assim que foi descoberto – davam aos índios, para ensinar-lhes a religião
                             cristã. Essa instrução era dada oralmente, por meio de histórias bíblicas.
                             No processo de catequização, os portugueses pretendiam que os índios aban-
                             donassem traços de sua cultura e assumissem os costumes portugueses. Essa
                             lenda fala um pouco disso: da ameaça que representava para os portugueses a
                             antropofagia, que era o costume de os índios comerem carne humana, e de como
                             consideravam importante que esse traço cultural fosse eliminado.


                                           A LENDA DA LAGOA DAS GUARAÍRAS
                             Certo índio da aldeia de Guaraíra, em momento de retorno sen-
                             timental à vida selvagem, esquecido das lições que recebia,
                             matou uma criança. Matou e comeu.
                             O povo e os parentes da pequena vítima reagiram veementemen-
                             te. Não preocupavam, àquela altura, se prejudicariam o trabalho
                             paciente, mas superficial, dos padres da Companhia Jesuítica. A
                             família queria que fossem tomadas providências para terminar
                             com a tradição cultural da antropofagia, que recomeçara sem
                             que se esperasse, ameaçando a cultura branca europeia.
                             O superior da Missão não pôde se omitir na circunstância, mas não podia
                             usar de violência, segundo a norma invariavelmente adotada nos métodos da
                             catequese dos discípulos de Santo Inácio. Tinha, porém, que impor o castigo
                             exigido. E mandou que o índio, farto das carnes da criança, ficasse dentro
                             d’água até que fosse chamado.
                             Assim, o índio ficou lá, mas quando procurado não foi encontrado. Foi quan-
                             do começou a aparecer nas águas da lagoa um peixe-boi indo e vindo de um
                             lado para o outro. Alta noite, o que se ouvia, subindo das águas salgadas da
                             lagoa, era o gemido pavoroso de tremer, horripilante, dolorido, inesquecível.
                             O castigo devia perdurar por muitos anos, segundo sentença do missionário.
                             Os pescadores iam pescar e voltavam; a rede, enxuta, sem peixe nenhum.
                             Antes mesmo de eles lançarem a rede, o peixe-boi aparecia varejando a ca-
                             noa com toda a velocidade possível.



                     COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE                                                           23


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De lá de baixo subia o gemido cortante, agoniado e rouco, como se alguém
                                            estivesse afogando. Era o índio que devorara a criança. Os gemidos eram
                                            mais feios, mais lancinantes, pungentes, mais magoados nas noites de luar.
                                            E quando a mareta se erguia, via-se ao reflexo da lua o dorso do peixe-boi
                                            que subia à superfície.
                                            O pior era a incerteza. O peixe-boi aparecia em toda a parte. Uma noite
                                            estava lá no canto do Borquei. Outra, no córrego das Capivaras. Na Barra
                                            do Tibau, em especial, vinham aos ouvidos os urros tremendamente feios,
                                            medonhos, apavorantes!!! Singular destino dessa lagoa. Quando menos se
                                            espera, o mar a devolve. Depois retoma. Tudo é um precioso mistério. Em
                                            Tibau do Sul, Rio Grande do Norte, na Lagoa das Guaraíras.
                                                      (Adaptado de “Crônicas” por Hélio Galvão (Derradeiras cartas da praia). Disponível
                                                   em: <http://ifolclore.vilabol.uol.com.br/lendas/index.htm>. Acesso em: 27 dez. 2007.
                                                                           Gravuras de Hans Stadem, Viagens ao Brasil. Marburgo, 1556.)


                                           2. Pense e converse com seus colegas: Esta lenda contém as características co-
                                              muns às demais lendas lidas até o momento? Por que isso acontece?
                                           3. Agora, sente-se com sua dupla de trabalho e, juntos, façam a descrição do
                                              peixe-boi. Vocês podem consultar as imagens para realizar a tarefa.


                                                                             O PEIXE-BOI




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ATIVIDADE 3H: COMPAR ANDO VERSÕES DE UMA LENDA


                    NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____


                             1. Seu professor lerá para você uma lenda intitulada “O Negrinho do Pastoreio”.
                             Trata-se de uma lenda meio africana, meio cristã, muito contada no final do sécu-
                             lo XIX pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão. É muito popular no Sul
                             do Brasil, em especial no Rio Grande do Sul.


                                                O NEGRINHO DO PASTOREIO
                             No tempo dos escravos, havia um estancieiro muito ruim, que levava tudo por
                             diante, a grito e a relho. Naqueles fins de mundo, fazia o que bem entendia,
                             sem dar satisfação a ninguém.
                             Entre os escravos da estância havia um negrinho, encarregado do pastoreio
                             de alguns animais, coisa muito comum nos tempos em que os campos de
                             estância não conheciam cerca de arame; quando muito, havia apenas alguma
                             cerca de pedra erguida pelos próprios escravos, que não podiam ficar para-
                             dos, para não pensar bobagem... No mais, os limites dos campos eram aque-
                             les colocados por Deus Nosso Senhor: rios, cerros, lagoas.
                             Pois de uma feita, o pobre negrinho, que já vivia as maiores judiarias nas
                             mãos do patrão, perdeu um animal no pastoreio. Pra quê! Apanhou uma bar-
                             baridade atado a um palanque e, depois, cai-caindo, ainda foi mandado pro-
                             curar o animal extraviado. Como a noite vinha chegando, ele agarrou um to-
                             quinho de vela e uns avios de fogo, com fumo e tudo, e saiu campeando. Mas
                             nada! O toquinho acabou, o dia veio chegando e ele teve que voltar para a
                             estância.
                             Então, foi outra vez atado ao palanque e dessa vez apanhou tanto que mor-
                             reu, ou pareceu morrer. Vai daí, o patrão mandou abrir a “panela” de um for-
                             migueiro e atirar lá dentro, de qualquer jeito, o pequeno corpo do negrinho,
                             todo lanhado de laçaço e banhando em sangue.
                             No outro dia, o patrão foi com a peonada e os escravos ver o formigueiro.
                             Qual não é a sua surpresa ao ver o Negrinho do Pastoreio: ele estava lá, mas
                             de pé, com a pele lisa, sem nenhuma marca das chicotadas. Ao lado dele, a
                             Virgem Nossa Senhora, e mais adiante o baio e os outros cavalos.
                             O estancieiro se jogou no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada respondeu.
                             Apenas beijou a mão da santa, montou no baio e partiu conduzindo a tropilha.
                             Desde aí, o Negrinho do Pastoreio ficou sendo o achador das coisas extra-
                             viadas. E não cobra muito: basta acender um toquinho de vela, ou atirar num
                             canto qualquer naco de fumo.
                                                                                             (Domínio público)




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2. Converse com seu professor e colegas:
                                               Qual é o tema dessa história?
                                               Como ela explica o surgimento desse ícone religioso?
                                               Essa é uma explicação científica, fantástica ou de fé?
                                               Eles conhecem alguma outra lenda similar?
                                               Quem são os personagens que a compõem?
                                               Onde se passa a trama?
                                           3. Agora você lerá outra versão dessa mesma história. Fique atento e observe
                                              semelhanças e diferenças entre elas, considerando que podem ser de conteú-
                                              do ou na linguagem, isto é, as histórias podem trazer informações divergentes
                                              ou dizer o mesmo de outro modo.
                                              Depois, você registrará suas descobertas no caderno.


                                                                NEGRINHO DO PASTOREIO
                                           Era o tempo da escravidão, e um menino negrinho, pretinho que nem carvão,
                                           humilde e raquítico era escravo de um fazendeiro muito rico, mas por demais
                                           avarento. Se alguém necessitasse de um favor, não se podia contar com este
                                           homem. Não dava um níquel a ninguém e seu coração era a morada de uma
                                           pedra, não nutria qualquer sentimento por ninguém, a não ser por seu filho,
                                           um menino tão malvado quanto seu pai, pois, afinal, a fruta nunca cai muito
                                           longe da árvore. Estes dois eram extremamente perversos e maltratavam o
                                           menino-escravo desde o raiar do dia, sem lhe dar trégua. Este jovenzinho não
                                           tinha nome, porque ninguém se deu sequer o trabalho de pensar algum para
                                           ele; assim, respondia pelo apelido de “Negrinho”.
                                           Seus afazeres não eram condizentes com seu porte físico, não parava o dia
                                           inteiro. O sol nascia e lá já estava ele ocupado com seus afazeres e mesmo
                                           ao se pôr, ainda se encontrava o Negrinho trabalhando. Sua principal ocupa-
                                           ção era pastorear. Depois de encerrar seu laborioso dia, juntava os trapos
                                           que lhe serviam de cama e recebia um mísero prato de comida, que não era
                                           suficiente para repor as energias perdidas pelo sacrificado trabalho.
                                           Mesmo sendo tão útil, considerado mestre do laço e o melhor peão-cavaleiro
                                           de toda a região, o menino era inúmeras vezes castigado sem piedade.
                                           Certa vez, o estanceiro atou uma carreira com um vizinho que se gabava de
                                           possuir um cavalo mais veloz que seu baio. Foi marcada a data da corrida, e o
                                           Negrinho ficou encarregado de treinar e montar o famoso baio, pois sabia seu
                                           patrão não haver ninguém mais capaz que ele para tal tarefa.
                                           Chegando o grande dia, todos os habitantes da cidade, vestindo suas roupas
                                           domingueiras, se alojaram na cancha da carreira. Palpites discutidos, apostas
                                           feitas, inicia-se a corrida.
                                           Os dois cavalos saem emparelhados. Negrinho começa a suar frio, pois sabe
                                           o que lhe espera se não ganhar. Mas, aos poucos, toma a dianteira e quase



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não há dúvida de que seria vencedor. Mas eis que o inesperado acontece:
                             algo assusta o cavalo, que para, empina e quase derruba Negrinho. Foi tempo
                             suficiente para que seu adversário o ultrapassasse e ganhasse a corrida. 
                             E agora? O outro cavalo venceu. Negrinho tremia feito “vara verde” ao ver a
                             expressão de ódio nos olhos de seu patrão. Mas o fazendeiro, sem saída,
                             deve cobrir as apostas e põe a mão no lugar que lhe é mais caro: o bolso.
                             Ao retornarem à fazenda, o Negrinho tem pressa para chegar à estrebaria.
                             – Aonde pensa que vai? – pergunta-lhe o patrão.
                             – Guardar o cavalo, sinhô! – balbuciou bem baixinho.
                             – Nada feito! Você deverá passar trinta dias e trinta noites com ele no pasto
                             e cuidará também de mais trinta cavalos. Será seu castigo pelo meu prejuízo.
                             Mas ainda tem mais. Passe aqui que vou lhe aplicar o devido corretivo.
                             O homem apanhou seu chicote e foi em direção ao menino:
                             – Trinta quadras tinham a cancha da corrida, trinta chibatadas vais levar no
                             lombo e depois trate de pastorear a minha tropilha.
                             Lá vai o pequeno escravo, doído até a alma levando o baio e os outros ca-
                             valos a caminho do pastoreio. Passou dia, passou noite, choveu, ventou e
                             o sol torrou-lhe as feridas do corpo e do coração. Nem tinha mais lágrima
                             para chorar e então resolveu rezar para a Nossa Senhora, pois como não
                             lhe foi dado nome, dizia-se afilhado da Virgem. E foi a “santa solução”, pois
                             Negrinho aquietou-se e então, cansado de carregar sua cruz tão pesada,
                             adormeceu.
                             As estrelas subiram aos céus e a lua já tinha andado metade de seu caminho
                             quando algumas corujas curiosas resolveram chegar mais perto, pairando no
                             ar para observar o menino. O farfalhar de suas asas assustou o baio, que se
                             soltou e fugiu, sendo acompanhado pelos outros cavalos. Negrinho acordou
                             assustado, mas não podia fazer mais nada, pois ainda era noite e a cerração,
                             como um lençol branco, cobria tudo. E, assim, o negrinho-escravo sentou-se
                             e chorou...
                             O filho do fazendeiro, que andava pelas bandas, presenciou tudo e apressou-se
                             em contar a novidade ao seu pai. O homem mandou dois escravos buscá-lo.
                             O menino até tentou explicar o acontecido para o seu senhor, mas de nada
                             adiantou. Foi amarrado no tronco e novamente açoitado pelo patrão, que de-
                             pois ordenou que ele fosse buscar os cavalos. Ai dele que não os encontrasse!
                             Assim, Negrinho teve que retornar ao local do pastoreio e para ficar mais fácil
                             sua procura, acendeu um toco de vela. A cada pingo dela, deitado sobre o
                             chão, uma luz brilhante nascia em seu lugar, até que todo lugar ficou tão claro
                             quanto o dia e lhe foi permitido, desta forma, achar a tropilha. Amarrou o baio
                             e, gemendo de dor, jogou-se ao solo desfalecido. 
                             Danado como ele só e não satisfeito com o que já fizera ao escravo, o filho
                             do fazendeiro aproveitou a oportunidade de praticar mais uma maldade: dis-




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persar os cavalos. Feito isso, correu novamente até seu pai e contou-lhe que
                                           Negrinho havia encontrado os cavalos e os deixara fugir de propósito. A histó-
                                           ria se repete, e dois escravos vão buscá-lo, só que dessa vez seu patrão está
                                           decidido em dar cabo dele. Amarrou-o pelos pulsos e surrou-o como nunca. O
                                           chicote subia e descia, dilacerando a carne e picoteando-a como guisado. Ne-
                                           grinho não aguentou tanta dor e desmaiou. Achando que o havia matado, seu
                                           senhor não sabia que destino dar ao corpo. Enterrá-lo lhe daria muito trabalho
                                           e, avistando um enorme formigueiro, jogou-o lá. As formigas acabariam com
                                           ele em pouco tempo, pensou.
                                           No dia seguinte, o cruel fazendeiro, curioso para ver de que jeito estaria o cor-
                                           po do menino, dirigiu-se até o formigueiro. Qual sua surpresa quando o viu em
                                           pé, sorrindo e rodeado pelos cavalos e o baio perdido. O Negrinho montou-o e
                                           partiu a galope, acompanhado pelos trinta cavalos.
                                           O milagre tomou o rumo dos ventos e alcançou o povoado, que se alegrou
                                           com a notícia. Desde aquele dia, muitos foram os relatos de quem viu o Negri-
                                           nho passeando pelos pampas, montado em seu baio e sumindo em seguida
                                           por entre nuvens douradas. Ele anda sempre à procura das coisas perdidas,
                                           e quem necessitar de seu ajutório, é só acender uma vela entre as ramas de
                                           uma árvore e dizer:


                                           Foi aqui que eu perdi
                                           Mas Negrinho vai me ajudar
                                           Se ele não achar
                                           Ninguém mais conseguirá!

                                                       (Disponível em: <http://www.rosanevolpatto.trd.br/lendanegrinhopastoreio.html>.)




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ATIVIDADE 3J: ANALISANDO ASPECTOS LINGUÍSTICOS
                    DAS LENDAS


                    NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____


                             1. Retome as lendas lidas até o momento e analise o modo como as narrativas
                                começaram, assim como o tema central que cada uma aborda. Para organizar
                                melhor as informações, preencha o quadro a seguir.
                                   TÍTULO DA LENDA               COMO INICIA             TEMA CENTRAL


                       O dono da luz




                       Santo Tomás e o boi que voava




                       Beowulf e o dragão




                       A lenda da vitória-régia




                       A lenda do papagaio Crá-Crá




                       A lenda de Narciso




                       A lenda da Lagoa das Guaraíras




                       O Negrinho do Pastoreio


                             2. Apresente as observações do grupo para os demais colegas e o professor,
                                discutindo-as. A seguir, elaborem, coletivamente, um registro que sintetize as
                                observações gerais sobre as lendas e as dicas para serem utilizadas na pos-
                                terior reescrita das lendas.


                     COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE                                                           29


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ATIVIDADE 3K: ANALISANDO O DISCURSO NAS LENDAS


                                           NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____


                                               1. Acompanhe, com atenção, a leitura que seu professor fará da lenda “Maria
                                                  Pamonha”. Depois, faça o que se pede.


                                                                             MARIA PAMONHA
                                                                                                        Lenda latino-americana


                                               Certo dia apareceu na porta da casa-grande da fazenda uma menina suja e
                                               faminta. Nesse dia, deram-lhe de comer e de beber. E no dia seguinte tam-
                                               bém. E no outro, e no outro, e assim sucessivamente.
                                               Sem que as pessoas da casa se dessem conta, a menina foi ficando, ficando,
                                               sempre calada e de canto em canto.
                                               Uma tarde, os garotos da fazenda perguntaram-lhe como se chamava e ela
                                               respondeu com um fiozinho de voz:
                                               – Maria.
                                               E os garotos, às gargalhadas, fecharam-na numa roda e começaram a debo-
                                               char dela:
                                               – Maria, Maria Pamonha, Maria, Maria Pamonha…
                                               Uma noite de lua cheia, o filho da patroa estava se arrumando para ir a um
                                               baile, quando Maria Pamonha apareceu no seu quarto:
                                               – Me leva no baile? – pediu-lhe.
                                               O jovem ficou duro de espanto.
                                               – Quem você pensa que é para ir dançar comigo? – gritou. – Ponha-se no seu
                                               lugar! Ou quer levar uma cintada?
                                               Quando o rapaz saiu para o baile, Maria Pamonha foi até o poço que havia no
                                               mato, banhou-se e perfumou-se com capim-cheiroso e alfazema. Voltou para
                                               casa, pôs um lindo vestido da filha da patroa e prendeu os cabelos.
                                               Quando a jovem apareceu no baile, todos ficaram deslumbrados com a beleza
                                               da desconhecida. Os homens brigavam para dançar com ela, e o filho da pa-
                                               troa não tirava os olhos de cima da moça.
                                               – De onde é você? – perguntou-lhe, por fim.
                                               – Ah, eu venho de muito, muito longe. Venho da Cidade de Cintada – res-
                                               pondeu a garota. Mas o rapaz a olhava tão embasbacado que não percebeu
                                               nada.
                                               Quando voltou para casa, o jovem não parava de falar para a mãe da beleza
                                               daquela garota desconhecida que ele vira no baile. Nos dias que se seguiram,



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procurou-a por toda a fazenda e pelos povoados vizinhos, mas não conseguiu
                             encontrá-la. E ficou muito triste.
                             Uma noite sem lua, dez dias depois, o jovem foi convidado para outro baile.
                             Como da primeira vez, Maria Pamonha apareceu no seu quarto e disse-lhe
                             com sua vozinha:
                             – Me leva no baile?
                             E o jovem voltou a gritar-lhe:
                             – Quem você pensa que é para ir dançar comigo? Ponha-se no seu lugar! Ou
                             quer levar uma espetada?
                             Logo que o jovem saiu, Maria Pamonha correu para o poço, banhou-se, perfu-
                             mou-se, pôs outro vestido da filha da patroa e prendeu os cabelos.
                             De novo, no baile, todos se deslumbraram com a beleza da jovem desconheci-
                             da. O filho da patroa aproximou-se dela, suspirando, e perguntou-lhe:
                             – Diga-me uma coisa, de onde é você?
                             – Ah, ah, eu venho de muito, muito longe. Venho da Cidade de Espetada – res-
                             pondeu a jovem. Mas ele nem se deu conta do que ela estava querendo lhe
                             dizer, de tão apaixonado que estava. Ao voltar para casa, não se cansava de
                             elogiar a desconhecida do baile.
                             Nos dias que se seguiram, procurou-a por toda a fazenda e pelos povoados
                             vizinhos, mas não conseguiu encontrá-la. E ficou mais triste ainda.
                             Uma noite de lua crescente, dez dias depois, o rapaz foi convidado para outro
                             baile. Pela terceira vez, Maria Pamonha apareceu em seu quarto e disse-lhe
                             com aquele fiozinho de voz:
                             – Me leva no baile?
                             E pela terceira vez ele gritou:
                             – Quem você pensa que é para ir dançar comigo? Ponha-se no seu lugar! Ou
                             quer levar uma sapatada?
                             Outra vez, Maria Pamonha vestiu-se maravilhosamente e apareceu no baile. E
                             outra vez todos ficaram deslumbrados com sua beleza.
                             O jovem dançou com ela, murmurando-lhe palavras de amor, e deu-lhe de pre-
                             sente um anel. Pela terceira vez, ele lhe perguntou:
                             – Diga-me uma coisa, de onde é você?
                             – Ah, ah, ah, eu venho de muito, muito longe. Venho da Cidade de Sapatada.
                             Mas como o rapaz estava quase louco de paixão, nem se deu conta do que
                             queriam dizer aquelas palavras.
                             Ao voltar para casa, ele acordou todo mundo para contar como era bela a
                             jovem desconhecida. No dia seguinte, procurou-a por toda a fazenda e pelos
                             povoados vizinhos, sem conseguir encontrá-la.
                             Tão triste ele ficou que caiu doente. Não havia remédio que o curasse, nem
                             reza que o fizesse recobrar as forças. Triste, triste, já estava a ponto de morrer.



                     COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE                                                             31


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Então Maria Pamonha pediu à patroa que a deixasse fazer um mingau para o
                                           doente. A patroa ficou furiosa.
                                           – Então você acha que meu filho vai querer que você faça o mingau, menina?
                                           Ele só gosta do mingau feito por sua mãe.
                                           Mas Maria Pamonha ficou atrás da patroa e tanto insistiu que ela, cansada,
                                           acabou deixando.
                                           Maria Pamonha preparou o mingau e, sem que ninguém visse, colocou o anel
                                           dentro dele.
                                           Enquanto tomava o mingau, o jovem suspirava:
                                           – Que delícia de mingau, mãe!
                                           De repente, ao encontrar o anel, perguntou, surpreso:
                                           – Mãe, quem foi que fez este mingau?
                                           – Foi Maria Pamonha. Mas por que você está me perguntando isso?
                                           E antes mesmo que o jovem pudesse responder, Maria Pamonha apareceu no
                                           quarto, com um lindo vestido, limpa, perfumada e com os cabelos presos.
                                           E o rapaz sarou na hora. E casou-se com ela. E foram muito felizes.


                                           2. Em seu caderno, copie os trechos sublinhados transformando o discurso dire-
                                              to em indireto e vice-versa. Lembre-se de usar dois-pontos, parágrafo e traves-
                                              são quando necessário!
                                           3. Ao terminar, compartilhe com seu professor e colegas o modo como foi cons-
                                              truindo os diálogos entre os personagens.




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ATIVIDADE 4B: REESCREVENDO TRECHOS
                    DE UMA LENDA


                    NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____


                             1. Junto a sua dupla de trabalho, releia silenciosamente “A lenda do papagaio
                                Crá-Crá”.


                                              A LENDA DO PAPAGAIO CRÁ-CRÁ
                             Conta a lenda que, antigamente, morava em um vilarejo um menino muito gu-
                             loso. Tudo que via, queria comer, e a gula era tanta, a pressa de comer era
                             tamanha, que ele tinha costume de engolir a comida sem mastigá-la.
                             Uma vez sua mãe encontrou frutos de batoí e assou-os na cinza.
                             O filho, sem querer esperar, comeu todos os frutos, tirando-os diretamente do
                             fogo e, como sempre, engoliu-os sem pestanejar.
                             Os frutos do batoí são frutos cuja polpa viscosa se mantém quentíssima por
                             muito tempo. Comendo-os tão quentes, sapecaram-lhe a garganta, de forma
                             que doía muito e queimavam-lhe o estômago.
                             O menino, tentando vomitar os frutos comidos, começou a fazer força para
                             expulsá-los. Arranhava a garganta grunhindo crá-crá-crá! Mas os frutos não
                             saíam... e entalaram na garganta, sufocando-o.
                             No mesmo momento, cresceram-lhe as asas e as penas e ele tornou-se um
                             papagaio. Voou pra longe. Até hoje pode-se ouvi-lo vagando pelas matas do
                             lugar, voando e gritando “crá-crá-crá”!
                                           (Machado, Irene. Literatura e redação. São Paulo: Scipione, 1994. p. 105-106.)


                             2. Observem que o início dessa lenda está em negrito. Esse trecho deverá ser
                                reescrito por vocês de dois modos diferentes. Para isso, utilizem a folha pau-
                                tada entregue por seu professor.
                             3. Fiquem atentos às possibilidades de escrita que já foram abordadas em aula,
                                lembrando-se de que as lendas começam remetendo-se ao passado, mas
                                sem definir um tempo específico. Vocês poderão optar pelo discurso direto ou
                                indireto quando acharem mais apropriado, e podem enriquecer a lenda com
                                descrições de personagens e ambientes.
                             4. Quando terminarem, façam uma boa revisão do texto, observando se faltam
                                informações ou se há erros de gramática ou ortografia.
                             5. Finalmente, escolham a versão que lhes pareceu mais interessante para ler
                                para os colegas.




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Coletânea de atividades 5º ano

  • 1. Coletânea de Atividades – 4a série Coletânea de Atividades 4a série capa coletânea de atividades 4a serie.indd 1 12/28/09 9:34 AM
  • 2. GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO SECRETARIA DA EDUCAÇÃO FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO Coletânea de Atividades 4a série ALUNO(A): _________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ TURMA: ___________________________NÚMERO DA CHAMADA: ___________________ PROFESSOR(A): ____________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ São Paulo, 2010 4a serie-coletânea de atividades.indd 1 12/29/09 9:05 AM
  • 3. Governo do Estado de São Paulo Prefeitura da Cidade de São Paulo Prefeito Governador Gilberto Kassab José Serra SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO Vice-Governador Alexandre Alves Schneider Alberto Goldman Secretário Célia Regina Guidon Falótico Secretário da Educação Secretária-Adjunta Paulo Renato Souza DIRETORIA DE ORIENTAÇÃO TÉCNICA Regina Célia Lico Suzuki Secretário-Adjunto Elaboração e Implantação do Guilherme Bueno de Camargo Programa Ler e Escrever – Prioridade na Escola Municipal Iara Gloria Areias Prado Chefe de Gabinete Fernando Padula Concepção e Elaboração deste Volume Angela Maria da Silva Figueredo Coordenadora de Estudos e Normas Pedagógicas Armando Traldi Júnior Aparecida Eliane de Moraes Valéria de Souza Carlos Ricardo Bifi Dermeval Santos Cerqueira Coordenador de Ensino da Região Metropolitana Ivani da Cunha Borges Berton da Grande São Paulo Jayme do Carmo Macedo Leme José Benedito de Oliveira Leika Watabe Márcia Maioli Coordenador de Ensino do Interior Margareth Aparecida Ballesteros Buzinaro Rubens Antônio Mandetta de Souza Marly Barbosa Sílvia Moretti Rosa Ferrari Presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação Regina Célia dos Santos Câmara Fábio Bonini Simões de Lima Rogério Ferreira da Fonseca Rogério Marques Ribeiro Diretora de Projetos Especiais da FDE Rosanea Maria Mazzini Correa Claudia Rosenberg Aratangy Suzete de Souza Borelli Tânia Nardi de Pádua Coordenadora do Programa Ler e Escrever Iara Gloria Areias Prado Consultoria Pedagógica Shirlei de Oliveira Garcia Jurado Célia Maria Carolino Pires Editoração Fatima Consales Ilustração Didiu Rio Branco / Robson Minghini / André Moreira Os créditos acima são da publicação original de fevereiro de 2008. Agradecemos à Prefeitura da Cidade de São Paulo por ter cedido esta obra à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo para atender aos objetivos do Programa Ler e Escrever. Catalogação na Fonte: Centro de Referência em Educação Mario Covas São Paulo (Estado) Secretaria da Educação. S239L Ler e escrever: coletânea de atividades – 4ª série / Secretaria da Educação, Fundação para o Desenvolvimento da Educação; adaptação do material original, Marisa Garcia, Andréa Beatriz Frigo. - São Paulo : FDE, 2010. 244 p. : il. Obra cedida pela Prefeitura da Cidade de São Paulo à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo para o Programa Ler e Escrever. Publicação complementar ao “Guia de Planejamento e Orientações Didáticas – 4ª série”. Documento em conformidade com o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. 1. Ensino Fundamental 2. Ciclo I 3. Alfabetização 4. Atividade Pedagógica 5. Programa Ler e Escrever 6. São Paulo I. Fundação para o Desenvolvimento da Educação. II. Garcia, Marisa III. Frigo, Andréa Beatriz. IV. Título. CDU: 372.4(815.6) 4a serie-coletânea de atividades.indd 2 12/29/09 9:05 AM
  • 4. Prezada professora, prezado professor Esta coletânea integra o Programa Ler e Escrever, sendo complemen- tar ao Guia de Planejamento e Orientações Didáticas – 4ª série. As ativi- dades estão organizadas na sequência em que aparecem no Guia, o que não quer dizer que obedecem a uma ordem ou hierarquia prévia, mas que deverão ser utilizadas de acordo com o seu planejamento. Note que as páginas são destacáveis, pois este material não é e nem deve ser tratado como um livro didático. Na abertura de cada bloco há indicações das páginas onde podem ser encontradas no Guia as orientações didáticas específicas e os objeti- vos de aprendizagem. Para um melhor aproveitamento desta publicação, sugerimos: j Acompanhar os avanços de seus alunos em relação às hipóteses de escrita para escolher as atividades com mais critério. j Como muitas atividades requerem a organização dos alunos em duplas, estas devem ser formadas de modo a proporcionar boas interações, isto é, de maneira que haja troca de saberes entre os alunos e ambos aprendam. j Ler as orientações do Guia antes de utilizar qualquer uma das pro- postas. j Checar se os objetivos das atividades estão afinados com os de seu planejamento. j Quando tiver dúvidas, discuti-las com seu professor coordenador e com seus colegas de 2a série. j Lembrar-se que algumas atividades são para alunos que ainda não leem. Ou seja, é preciso, sempre, explicar para eles do que se trata. Isso não quer dizer que aqueles que já sabem ler consigam compreender, sozinhos, a comanda das atividades. Auxilie-os tam- bém quando for preciso. j Não é necessário que a classe toda faça sempre a mesma ativida- de. Você pode propor atividades variadas para grupos diferentes, simultaneamente. 4a serie-coletânea de atividades.indd 3 12/29/09 9:05 AM
  • 5. Esperamos que este material seja útil, mas não único. Aqui está contemplada apenas uma parte das atividades que devem compor a roti- na de sala de aula: análise e reflexão sobre o sistema de escrita, análise e reflexão sobre questões ortográficas, matemática. As demais propos- tas, relacionadas à produção de texto, comunicação oral e outras, não foram incluídas aqui, pois não comportam uma formatação como essa. É fundamental, entretanto, que aconteçam na sua rotina. Para tanto, há no Guia muitas propostas que fornecem orientação nesse sentido. Bom trabalho! Equipe do Programa Ler e Escrever 4a serie-coletânea de atividades.indd 4 12/29/09 9:05 AM
  • 6. Sumário Atividades do projeto didático “Uma lenda, duas lendas, tantas lendas” ....9 Atividades do projeto didático “Universo ao meu redor” .................. 37 Coletânea de textos da sequência didática “Caminhos do verde” ....... 73 Coletânea de textos da sequência didática “Lendo notícias para ler o mundo” . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87 Atividades da sequência didática “Estudo de pontuação” . . . . . . . . . . . . . . . . 111 Atividades da sequência didática “Estudo da ortografia” . . . . . . . . . . . . . . . . . 129 Atividades de Matemática . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141 4a serie-coletânea de atividades.indd 5 12/29/09 9:05 AM
  • 7. 4a serie-coletânea de atividades.indd 6 12/29/09 9:05 AM
  • 8. Projeto didático “Uma lenda, duas lendas, tantas lendas” As orientações didáticas das atividades constam no Guia de Planejamento e Orientações Didáticas – 4a série. Estão divididas da seguinte forma: Páginas do Guia Orientações gerais para o projeto didático “Uma lenda, duas lendas, tantas lendas” _____________________________ 38 Etapa 1 – Levantando conhecimentos prévios sobre o gênero ____________ 42 Etapa 2 – Compartilhando o projeto __________________________________ 45 Etapa 3 – Ampliando os saberes sobre lendas _________________________ 47 Etapa 4 – Selecionando as lendas, reescrevendo-as e revisando os textos __ 82 Etapa 5 – Edição e preparação final da coletânea ______________________ 90 Etapa 6 – Avaliação final do trabalho desenvolvido ______________________ 94 4a serie-coletânea de atividades.indd 7 12/29/09 9:05 AM
  • 9. 4a serie-coletânea de atividades.indd 8 12/29/09 9:05 AM
  • 10. ATIVIDADE 1: PAR A INÍCIO DE CONVERSA NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____ Acompanhe com atenção a leitura do texto que seu professor fará. O DONO DA LUZ No princípio, todo mundo vivia nas trevas. Os waraos procuravam o que comer na escuridão, e a única luz que conheciam provinha do fogo que obtinham da madeira. Não existiam então nem o dia nem a noite. Um dia, um homem que possuía duas filhas ficou sabendo que existia um jo- vem que era dono da luz. Então, chamou a filha mais velha e disse-lhe: – Vá até onde se encontra o jovem dono da luz e traga-o para mim. Ela fez sua trouxa e partiu. Mas encontrou pela frente muitos caminhos e aca- bou tomando um que a levou até a casa do veado. Ali conheceu o animal e acabou se distraindo a brincar com ele. Em seguida, voltou à casa do pai, porém sem trazer a luz. Então o pai decidiu enviar a filha mais nova. – Vá até onde se encontra o jovem dono da luz e traga-o para mim. A jovem tomou o caminho certo e, depois de muito andar, chegou à casa do dono da luz e disse-lhe: – Vim para conhecê-lo, ficar um pouco com você e obter a luz para meu pai. O dono da luz lhe respondeu: – Eu já esperava por você. Agora que chegou, viverá comigo. Então o jovem pegou um baú de junco que tinha a seu lado e, com muito cui- dado, abriu-o. A luz iluminou imediatamente seus braços e seus dentes bran- cos. Iluminou também os cabelos e os olhos negros da jovem. Foi assim que ela descobriu a luz. O jovem, depois de mostrar a luz à moça, voltou a guardá-la. Todos os dias, o dono da luz a tirava do baú para que se fizesse a claridade e ele pudesse se distrair com a jovem. E assim foi passando o tempo. Até que a moça se lembrou de que tinha de voltar para casa e levar ao pai a luz que viera buscar. O dono da luz, que já tinha ficado amigo da moça, deu a ela, de presente, a luz. – Tome a luz, leve-a para você. Assim poderá ver tudo. A jovem regressou à casa do pai e entregou-lhe a luz fechada no baú de jun- co. O pai pegou o baú, abriu-o e pendurou-o num dos paus que sustentavam a palafita em que moravam. De imediato, os raios de luz iluminaram a água do rio, as folhas dos mangues e os frutos do cajueiro. COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 9 4a serie-coletânea de atividades.indd 9 12/29/09 9:05 AM
  • 11. Quando, nos vários povoados do delta do rio Orinoco, espalhou-se a notícia de que existia uma família que possuía a luz, os waraos começaram a vir conhecê-la. Chegaram em suas ubás do rio Araguabisi, do rio Mánamo e do rio Amacuro. Eram ubás e mais ubás, cheias de gente e mais gente. Até que chegou um momento em que a palafita já não podia aguentar o peso de tanta gente maravilhada com a luz. E ninguém ia embora, pois ninguém queria continuar vivendo na escuridão, já que com a claridade a vida era mui- to mais agradável. Por fim, o pai das moças não pôde mais suportar tanta gente dentro e fora de sua casa. – Vou pôr um fim nisto – disse. – Todos querem a luz? Pois lá vai ela! E com um soco quebrou o baú e atirou a luz ao céu. O corpo da luz voou para o leste, e o baú, para o oeste. Do corpo da luz fez-se o sol, e do baú em que ela estava guardada surgiu a lua, cada um de um lado. Mas, como eles ainda estavam sob o impulso da força do braço que as lança- ra longe, sol e lua andavam muito rápido. O dia e a noite eram, assim, muito curtos, e a cada instante amanhecia e anoitecia. Então o pai disse à filha mais nova: – Traga-me uma tartaruga. Quando a tartaruga chegou às suas mãos, esperou que o sol estivesse sobre sua cabeça e lançou-a a ele, dizendo-lhe: – Tome esta tartaruga. É sua, é um presente que lhe dou. Espere por ela. A partir desse momento, o sol ficou esperando a tartaruguinha. E, no dia se- guinte, ao amanhecer, viu-se que o sol caminhava lentamente, como a tarta- ruga, exatamente como anda hoje em dia, iluminando até que a noite chegue. (Fonte: Como surgiram os seres e as coisas, Coedição latino-americana, 1987.) Agora, converse com seus colegas:  Vocês já conheciam essa história ou outra parecida com essa?  Qual é o tema dessa história?  Como ela explica o surgimento do dia e da noite?  Essa é uma explicação científica ou fantástica?  Quem são os personagens que a compõem?  Onde se passa toda a trama?  Por que você acha que os venzuelanos contavam essa história uns aos outros?  Você já ouviu falar na palavra LENDA? Sabe o que significa? 10 COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 4a serie-coletânea de atividades.indd 10 12/29/09 9:05 AM
  • 12. ATIVIDADE 3A: CONHECENDO UM POUCO MAIS AS LENDAS (1) NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____ 1. Acompanhe a leitura que seu professor fará da lenda intitulada “Santo Tomás e o boi que voava”. Sabendo que é uma lenda e conhecendo o seu título, de que você acha que esse texto tratará? Converse com seu professor e demais colegas a esse respeito. SANTO TOMÁS E O BOI QUE VOAVA Contam os fastos da ordem de São Domingos que, achando-se Santo Tomás de Aquino na sua cela, no convento de São Jacques, curvado sobre obscuros manuscritos medievais, ali entrou, de repente, um frade folgazão, que foi ex- clamando com escândalo: – Vinde ver, irmão Tomás, vinde ver um boi voando! Tranquilamente, o grande doutor da igreja ergueu-se do seu banco. Deixou a cela e, vindo para o átrio do mosteiro, pôs-se a olhar o céu, protegendo os olhos com as mãos. Ao vê-lo assim, o frade jovial desatou a rir com estrondo. – Ora, irmão Tomás, então sois tão crédulo a ponto de acreditardes que um boi pudesse voar? – Por que não, meu amigo? – tornou o santo. E com a mesma singeleza, fora da sabedoria: – Eu preferi admitir que um boi voasse a acreditar que um reli- gioso pudesse mentir. (Machado, Irene. Literatura e redação. São Paulo: Scipione, 1994. p. 97.) 2. Converse com seu professor e demais colegas sobre as seguintes questões:  Essa lenda se parece com as lendas que você conhecia? Em quê? Explique.  De que época você acha que é essa lenda?  Qual você acha que é a finalidade dela? 3. Agora, acompanhe a leitura que seu professor fará de outra lenda, intitulada “Beowulf e o dragão”. Comente com seus colegas: Você já ouviu falar nessa lenda? Quando? Co- nhece a história? Acompanhe a leitura a partir do texto apresentado a seguir. COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 11 4a serie-coletânea de atividades.indd 11 12/29/09 9:05 AM
  • 13. BEOWULF E O DRAGÃO Havia um rei dinamarquês que era valente na guerra e sábio nos tempos de paz. Vivia num castelo esplêndido. Recebia muitos convites e dava festas ma- ravilhosas. Mas tudo isso era bom demais para durar eternamente. Um dia, no final de uma festa, todos ouviram um ruído estranho. Era o dragão Grandel, que saíra do lago e entrara no castelo. Engoliu o primeiro homem que encontrou e gostou tanto do sangue humano que atacou muitos outros. Deixou um rastro vermelho como marca de sua passagem. Desse dia em diante, a vida no castelo mudou completamente. O terrível Grandel aparecia todas as noites, matava os homens, bebendo seu sangue, e carregava o corpo para o lago. Nem mesmo os guerreiros mais fortes conseguiam vencê-lo, e o castelo aca- bou sendo abandonado. Depois de doze anos, esta história chegou aos ouvidos de Beowulf, um ca- valeiro jovem e corajoso, capaz de vencer trinta homens ao mesmo tempo. Quando soube da desgraça que tinha se abatido sobre os súditos do rei dina- marquês, ficou comovido e não pensou duas vezes. Escolheu catorze comba- tentes e partiu para a Dinamarca. – Quem é você? – perguntou-lhe o rei. – Sou Beowulf, viemos libertá-lo do terrível Grandel. O rei sentiu o coração encher-se de esperança. Deu uma grande festa. Enquanto todos celebravam, um estranho assobio atravessou o castelo. As portas de ferro caíram por terra e o terrível Grandel entrou pela sala. Os olhos brilhavam, a boca cuspia fogo e as garras eram espadas que rasga- vam o chão. Mas antes que ele conseguisse engolir um guerreiro, sentiu uma dor insuportável. Beowulf havia se lançado na direção do dragão e apertava sua garganta com uma força igual a de trinta homens. Grandel se retorceu, urrou, mas não con- seguiu se soltar. Foi empurrado por Beowulf até o lago e morreu. O rei agradeceu ao herói e a vida voltou para o castelo. Mas no fundo do lago, uma velha feiticeira, a mãe de Grandel, resolveu vingar a morte de seu filho. Penetrou na grande sala do castelo e aprisionou o conselheiro do rei. – Caro Beowulf – disse o rei –, preciso novamente de sua ajuda. Nesse mesmo dia, Beowulf e o rei montaram a cavalo e foram até o lago. Boiando sobre as águas, estava a cabeça ensanguentada do conselheiro. Beowulf mergulhou imediatamente, até que chegou no antro dos monstros. Viu uma mulher horrorosa sentada em cima de ossadas humanas. Era a mãe de Grandel. A bruxa se atirou sobre ele. Beowulf foi mais rápido. Sua espada cortou a garganta da velha. Mas ela continuou a atacá-lo. 12 COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 4a serie-coletânea de atividades.indd 12 12/29/09 9:05 AM
  • 14. Nisso, o cavaleiro avistou uma espada gigantesca. Agarrou-a e arrancou a cabeça da velha. Foi só então que ele viu, ao lado, o corpo monstruoso de Grandel. Beowulf também lhe cortou a cabeça e carregou-a até a superfície. Mas depois que Beowulf libertou a Dinamarca desse monstro sinistro, sentiu muitas saudades de seu próprio país. Seu tio havia acabado de morrer. E como ele era o único herdeiro, foi coroado rei. Governou durante cinquenta anos com sabedoria e justiça. Foi quando novamente recebeu notícias de que um dragão incendiava a Dinamar- ca. Não perdeu tempo. Convocou sua tropa e viajou para enfrentar o monstro. O animal o esperava. De sua garganta saíam chamas envenenadas e uma fumaça verde. Os cavaleiros de Beowulf apavoraram-se e fugiram; Beowulf viu-se só diante do monstro. Mas havia alguém a seu lado: Wiglaf, o mais jo- vem dos homens de sua tropa. Esquecendo-se da espada, Beowulf atacou o dragão com tanta força que nem parecia que havia envelhecido. O monstro grunhiu e o sangue escorreu do ferimento de sua garganta. Mesmo assim Beowulf foi atingi-lo com o golpe mortal e percebeu que sua espada havia se partido ao meio. Estava condenado. Então ouviu uma voz: – Estou a seu lado, meu rei. Era Wiglaf, que imediatamente atacou o dragão, ferindo-o mortalmente. O dragão estendeu a pata e atingiu o rei com suas garras venenosas. Beowulf sentiu o veneno penetrar nas profundezas de seu corpo. Antes que a vida o deixasse, disse: – Eu te nomeio rei, fiel Wiglaf. E como prova disso, aqui está o meu anel. Estas foram as últimas palavras do célebre matador de dragões, Beowulf. Ele morreu tranquilo, porque sabia que seu sucessor era o mais corajoso de todos os homens, o melhor de todos os guerreiros, e que reinaria com justiça, trazendo felicidade a seu povo. (Machado, Irene. Literatura e redação. São Paulo: Scipione, 1994. p. 99-100.) 4. Converse com seu professor e demais colegas sobre as seguintes questões:  Essa lenda é mais parecida com as que você já conhecia? Em quê? Explique.  Em que essa lenda se parece com a que foi lida antes?  De que época você acha que é essa lenda?  De onde vem essa lenda? De que povo?  Qual você acha que é a finalidade dessa lenda? 5. Agora, acompanhe a leitura da “Lenda da vitória-régia”. Comente com seus colegas e professor: Você já conhece essa lenda? De que ela trata? COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 13 4a serie-coletânea de atividades.indd 13 12/29/09 9:05 AM
  • 15. A LENDA DA VITÓRIA-RÉGIA A enorme folha boiava nas águas do rio. Era tão grande que, se qui- sesse, o curumim que a contemplava poderia fazer dela um barco. Ele era miudinho, nascera numa noite de grande temporal. A primei- ra luz que seus pequeninos olhos contemplaram foi o clarão azul de um forte raio, aquele que derrubara a grande seringueira, cujo tronco dilacerado até hoje ainda lá estava. “Se alguém deve cortá-la, então será meu filho, que nasceu hoje”, fa- lou o cacique ao vê-la tombada depois da procela. Ele será forte e ve- loz como o raio e, como este, ele deverá cortá-la para fazer o ubá com que lutará e vencerá a torrente dos grandes rios...” Talvez, por isso, aquele curumim tão pequenino já se sentisse tão corajoso e capaz de enfrentar, sozinho, os perigos da selva amazônica. Ele caminhava horas, ao léu, cortando cipós, caçando pequenos mamíferos e aves; porém, até hoje, nos seus sete anos, ainda não enfrentara a torrente do grande rio, que agora contemplava. Observando bem aquelas grandes folhas, imaginou navegar sobre uma delas, e não perdeu tempo. Pisou com muito cuidado – os índios são sempre muito cautelosos – e, sentindo que ela suportava o seu peso, sentou-se devagar, e com as mãozinhas improvisou um remo. Desceu rio abaixo. É verdade que a correnteza favorecia, mas, contudo, por duas vezes quase caiu. Nem por isso se intimidou. Navegou no seu barco vegetal até chegar a uma pe- quena enseada onde avistou a mãe e outras índias que, ao sol, acariciavam os curumins quase recém-nascidos embalando-os com suas canções, que falam da lua, da mãe-d’água do sol e de certas forças naturais que muito temem. Saltando em terra, correu para junto da mãe, muito feliz com a façanha que praticara: “Mãe, tenho o barco. Já posso pescar no grande rio?” “Um barco? Mas aquilo é apenas um uapê; é uma formosa índia que Tupã transformou em planta.” “Como, mãe? Então não é o meu barco? Você sempre me disse que eu um dia haveria de ter meu ubá...” “Meu filho, o teu barco, tu o farás; este é apenas uma folha. É Naia, que se apaixonou pela lua...” “Quem é Naia?”, perguntou curioso o indiozinho. “Vou contar-te... Um dia, uma formosa índia, chamada Naia, apaixonou-se pela lua. Sentia-se atraída por ela e, como quisesse alcançá-la, correu, cor- reu, por vales e montanhas atrás dela. Porém, quanto mais corriam, mais lon- ge e alta ela ficava. Desistiu de alcançá-la e voltou para a taba. “A lua aparecia e fugia sempre, e Naia cada vez mais a desejava. 14 COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 4a serie-coletânea de atividades.indd 14 12/29/09 9:05 AM
  • 16. “Uma noite, andando pelas matas ao clarão do luar, Naia se aproximou de um lago e viu, nele refletida, a imagem da lua. “Sentiu-se feliz; julgou poder agora alcançá-la e, atirando-se nas águas cal- mas do lago, afundou. “Nunca mais ninguém a viu, mas Tupã, com pena dela, transformou-a nesta lin- da planta, que floresce em todas as luas. Entretanto uapê só abre suas petalas à noite, para poder abraçar a lua, que se vem refletir na sua aveludada corola. “Vês? Não queiras, pois, tomá-la para teu barco. Nela irás, por certo, para o fundo das águas. “Meu filho, se se sentes bastante forte, toma o machado e vai cortar aquele tronco que foi vencido pelo raio. Ele é teu desde que nasceste. “Dele farás o teu ubá; então, navegarás sem perigo. “Deixa em paz a grande flor das águas...” Eis aí, como nasceu da imaginação fértil e criadora de nossos índios, a histó- ria da vitória-régia, ou uapê, ou iapunaque-uapê, a maior flor do mundo. (Machado, Irene. Literatura e redação. São Paulo: Scipione, 1994. p. 105-106.) 6. Agora, converse com seu professor e demais colegas sobre as seguintes questões:  E essa lenda, é mais parecida com alguma das que você já conhecia? Em quê? Explique. Com a ajuda de seus colegas e também do professor, preencha o qua- dro a seguir. SANTO TOMÁS E O BEOWULF E A LENDA DA BOI QUE VOAVA O DRAGÃO VITÓRIA-RÉGIA Época a qual se refere Origem Propósito COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 15 4a serie-coletânea de atividades.indd 15 12/29/09 9:05 AM
  • 17. ATIVIDADE 3B: CONHECENDO UM POUCO MAIS AS LENDAS (2) NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____ Para realizar esta atividade, você lerá novamente, com seu professor, as lendas da aula anterior. Depois, reúna-se com seu colega e procure descobrir o que as três histórias têm em comum e quais são as diferenças entre elas. A seguir, converse com ele e organi- zem, na tabela abaixo, as informações levantadas. QUADRO COMPARATIVO DAS TRÊS LENDAS O QUE AS LENDAS TÊM EM COMUM? O QUE AS LENDAS TÊM DE DIFERENTE? 16 COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 4a serie-coletânea de atividades.indd 16 12/29/09 9:05 AM
  • 18. ATIVIDADE 3C: AMPLIANDO O REPERTÓRIO DE LENDAS NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____ 1. Vocês lerão “A lenda do papagaio Crá-Crá”. Trata-se de uma lenda de origem indígena – tupi – e, à medida que foi sendo contada, acabou incorporada e transformada pelo povo, circulando, depois, pelo Brasil todo. Esse modo de contar, a linguagem presente nessa versão da lenda, é mais típico das regiões Sul e Sudeste do país. A LENDA DO PAPAGAIO CRÁ-CRÁ Conta a lenda que, antigamente, morava em um vilarejo um menino muito guloso. Tudo que via, queria comer, e a gula era tanta, a pressa de comer era tamanha, que ele tinha costume de engolir a comida sem mastigá-la. Uma vez sua mãe encontrou frutos de batoí e assou-os na cinza. O filho, sem querer esperar, comeu todos os frutos, tirando-os diretamente do fogo e, como sempre, engoliu-os sem pestanejar. Os frutos do batoí são frutos cuja polpa viscosa se mantém quentíssima por muito tempo. Comendo-os tão quentes, sapecaram-lhe a garganta, de forma que doía muito e queimavam-lhe o estômago. O menino, tentando vomitar os frutos comidos, começou a fazer força para expulsá-los. Arranhava a garganta grunhindo crá-crá-crá! Mas os frutos não saíam... e entalaram na garganta, sufocando-o. No mesmo momento, cresceram-lhe as asas e as penas e ele tornou-se um papagaio. Voou pra longe. Até hoje pode-se ouvi-lo vagando pelas matas do lugar, voando e gritando “crá-crá-crá”! (Machado, Irene. Literatura e redação. São Paulo: Scipione, 1994. p. 105-106.) 2. Retome o quadro com as características das lendas analisadas e comente com seu professor e colegas: essa lenda contém as características comuns às demais lendas até o momento? Para explicar, procure responder às ques- tões no quadro da página seguinte. COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 17 4a serie-coletânea de atividades.indd 17 12/29/09 9:05 AM
  • 19. ANALISANDO “A LENDA DO PAPAGAIO CRÁ-CRÁ” ASPECTOS INFORMAÇÕES OBSERVADAS O que essa lenda procura explicar? Esta lenda revela um aspecto da cultura do povo brasileiro. Qual é ele? Quem são os protagonistas? São pessoas comuns? Os fatos narrados são tratados como episódios comuns da vida das pessoas? Explique. Há outros aspectos importantes a ser considerados? 3. Com seus colegas e com a ajuda de seu professor, releia “A lenda do papa- gaio Crá-Crá” observando as expressões que foram utilizadas para contar a história. Anote-as em seu caderno. 4. Agora, sente-se com sua dupla de trabalho e procurem, em seu livro, as len- das que foram lidas. Escolha duas delas para fazer a mesma análise, anotan- do, cada um em seu caderno, as expressões interessantes que encontrarem. Depois, compartilhe o trabalho com os demais colegas da turma. 18 COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 4a serie-coletânea de atividades.indd 18 12/29/09 9:05 AM
  • 20. ATIVIDADE 3D: RODA DE LEITUR A NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____ Agora você irá participar de uma roda de leitura. Você já sabe que, nesses momen- tos, deve comentar o que leu, recomendando – ou não – para seus colegas. Neste momento, estamos estudando lendas, e a sua tarefa foi selecionar uma obra na sala de leitura ou biblioteca pública e comentá-la, de maneira que essa obra possa, por um lado, compor nosso inventário de lendas e, por outro, ser indi- cada para compor a coletânea que a classe organizará. Segue abaixo um roteiro de indicação de leitura para que você se oriente para executar essa atividade. ROTEIRO PARA INDICAÇÃO DE LEITURA 1. Apresente a obra que você leu, informando: a. título; b. autor; c. editora; d. como a obra se organiza (só lendas brasileiras, só apresenta uma lenda etc.). Nesse momento você pode até dar uma lida rápida no índice, se achar inte- ressante para os colegas; não se esqueça de mostrar-lhes o livro também; e. se tem ilustrações, de que tipo são – observe se são pinturas, gravuras, fo- tografias; se são coloridas, se explicam ou não informações do texto (mos- tre-as para seus colegas) e dê sua opinião sobre elas. 2. Comente a lenda que você leu, informando: a. título; b. origem da lenda (se houver informação sobre isso no livro); c. em que região costuma circular; d. tema, ensinamento ou fenômeno que explica; e. personagens; f. se constam ilustrações da lenda; g. se há relações que se possa estabelecer com alguma lenda do inventário da classe ou outra que você mesmo conheça. COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 19 4a serie-coletânea de atividades.indd 19 12/29/09 9:05 AM
  • 21. 3. Apresente um pequeno resumo da lenda, comentando: a. se gostou ou não e por quê; b. se recomendaria – ou não – para compor a coletânea da classe, explicando o motivo de sua afirmação ou negação; c. se quiser, pode ler um trecho da lenda também ou, pelo menos, aquele que você considerou mais interessante ou bonito. Ao final da apresentação, não esqueça de registrar a lenda lida no inventário da classe, caso ela tenha sido recomendada para compor a coletânea. 20 COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 4a serie-coletânea de atividades.indd 20 12/29/09 9:05 AM
  • 22. ATIVIDADE 3E: LENDAS DE OUTROS TEMPOS E LUGARES NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____ 1. Leia, silenciosamente, a lenda sobre um conhecido personagem da mitologia grega chamado Narciso. NARCISO Mitologia grega Há muito tempo, na floresta, passeava Narciso, o filho do sagrado rio Kiphis- sos. Era lindo, porém tinha um modo frio e egoísta de ser. Era muito conven- cido de sua beleza e sabia que não havia no mundo ninguém mais bonito que ele. Vaidoso, a todos dizia que seu coração jamais seria ferido pelas flechas de Eros, filho de Afrodite, pois não se apaixonava por ninguém. As coisas foram assim até o dia em que a ninfa Eco o viu e imediatamente se apaixonou por ele. Ela era linda, mas não falava; o máximo que conseguia era repetir as últimas sílabas das palavras que ouvia. Narciso, fingindo-se de desentendido, perguntou: – Quem está se escondendo aqui perto de mim? – … de mim – repetiu a ninfa assustada. – Vamos, apareça! – ordenou. – Quero ver você! – … ver você! – repetiu a mesma voz em tom alegre. Assim, Eco aproximou-se do rapaz. Mas nem a beleza e nem o misterioso bri- lho nos olhos da ninfa conseguiram amolecer o coração de Narciso. – Dê o fora! – gritou, de repente. – Por acaso pensa que eu nasci para ser um da sua espécie? Sua tola! – Tola! – repetiu Eco, fugindo de vergonha. A deusa do amor não poderia deixar Narciso impune depois de fazer uma coisa daquelas. Resolveu, pois, que ele deveria ser castigado pelo mal que havia feito. Um dia, quando estava passeando pela floresta, Narciso sentiu sede e quis tomar água. Ao debruçar-se num lago, viu seu próprio rosto refetido na água. Foi naquele momento que Eros atirou uma flecha direto em seu coração. Sem saber que o reflexo era de seu próprio rosto, Narciso imediatamente se apaixonou pela imagem. COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 21 4a serie-coletânea de atividades.indd 21 12/29/09 9:05 AM
  • 23. Quando se abaixou para beijá-la, seus lábios se encostaram na água e a ima- gem se desfez. A cada nova tentativa, Narciso ia ficando cada vez mais de- sapontado e recusando-se a sair de perto da lagoa. Passou dias e dias sem comer nem beber, ficando cada vez mais fraco. Assim, acabou morrendo ali mesmo, com o rosto pálido voltado para as águas serenas do lago. Esse foi o castigo do belo Narciso, cujo destino foi amar a si próprio. Eco ficou chorando ao lado do corpo dele, até que a noite a envolveu. Ao desper- tar, Eco viu que Narciso não estava mais ali, mas em seu lugar havia uma bela flor perfumada. Hoje, ela é conhecida pelo nome de “narciso”, a flor da noite. Agora, comente essa lenda com seus colegas, observando:  De que trata a lenda?  Quem são os personagens?  Onde se passa a história?  O que a lenda procura explicar?  Que outros comentários poderiam ser feitos a respeito dessa lenda? Agora, acompanhe, com atenção, a leitura que seu professor fará dessa lenda. A seguir, prepare-se para recontá-la a colegas de outras turmas. 22 COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 4a serie-coletânea de atividades.indd 22 12/29/09 9:05 AM
  • 24. ATIVIDADE 3F: AS LENDAS E O FANTÁSTICO UNIVERSO INDÍGENA NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____ 1. Acompanhe a leitura que seu professor fará de “A lenda da Lagoa das Guaraíras” Trata-se de uma história da época da colonização brasileira, do tempo em que os portugueses aqui chegaram. Com eles vieram os padres jesuítas, que começa- ram a catequizar os índios. Você sabe o que é “catequizar”? Catequização: instrução que os jesuítas – padres portugueses que vieram para o Brasil assim que foi descoberto – davam aos índios, para ensinar-lhes a religião cristã. Essa instrução era dada oralmente, por meio de histórias bíblicas. No processo de catequização, os portugueses pretendiam que os índios aban- donassem traços de sua cultura e assumissem os costumes portugueses. Essa lenda fala um pouco disso: da ameaça que representava para os portugueses a antropofagia, que era o costume de os índios comerem carne humana, e de como consideravam importante que esse traço cultural fosse eliminado. A LENDA DA LAGOA DAS GUARAÍRAS Certo índio da aldeia de Guaraíra, em momento de retorno sen- timental à vida selvagem, esquecido das lições que recebia, matou uma criança. Matou e comeu. O povo e os parentes da pequena vítima reagiram veementemen- te. Não preocupavam, àquela altura, se prejudicariam o trabalho paciente, mas superficial, dos padres da Companhia Jesuítica. A família queria que fossem tomadas providências para terminar com a tradição cultural da antropofagia, que recomeçara sem que se esperasse, ameaçando a cultura branca europeia. O superior da Missão não pôde se omitir na circunstância, mas não podia usar de violência, segundo a norma invariavelmente adotada nos métodos da catequese dos discípulos de Santo Inácio. Tinha, porém, que impor o castigo exigido. E mandou que o índio, farto das carnes da criança, ficasse dentro d’água até que fosse chamado. Assim, o índio ficou lá, mas quando procurado não foi encontrado. Foi quan- do começou a aparecer nas águas da lagoa um peixe-boi indo e vindo de um lado para o outro. Alta noite, o que se ouvia, subindo das águas salgadas da lagoa, era o gemido pavoroso de tremer, horripilante, dolorido, inesquecível. O castigo devia perdurar por muitos anos, segundo sentença do missionário. Os pescadores iam pescar e voltavam; a rede, enxuta, sem peixe nenhum. Antes mesmo de eles lançarem a rede, o peixe-boi aparecia varejando a ca- noa com toda a velocidade possível. COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 23 4a serie-coletânea de atividades.indd 23 12/29/09 9:05 AM
  • 25. De lá de baixo subia o gemido cortante, agoniado e rouco, como se alguém estivesse afogando. Era o índio que devorara a criança. Os gemidos eram mais feios, mais lancinantes, pungentes, mais magoados nas noites de luar. E quando a mareta se erguia, via-se ao reflexo da lua o dorso do peixe-boi que subia à superfície. O pior era a incerteza. O peixe-boi aparecia em toda a parte. Uma noite estava lá no canto do Borquei. Outra, no córrego das Capivaras. Na Barra do Tibau, em especial, vinham aos ouvidos os urros tremendamente feios, medonhos, apavorantes!!! Singular destino dessa lagoa. Quando menos se espera, o mar a devolve. Depois retoma. Tudo é um precioso mistério. Em Tibau do Sul, Rio Grande do Norte, na Lagoa das Guaraíras. (Adaptado de “Crônicas” por Hélio Galvão (Derradeiras cartas da praia). Disponível em: <http://ifolclore.vilabol.uol.com.br/lendas/index.htm>. Acesso em: 27 dez. 2007. Gravuras de Hans Stadem, Viagens ao Brasil. Marburgo, 1556.) 2. Pense e converse com seus colegas: Esta lenda contém as características co- muns às demais lendas lidas até o momento? Por que isso acontece? 3. Agora, sente-se com sua dupla de trabalho e, juntos, façam a descrição do peixe-boi. Vocês podem consultar as imagens para realizar a tarefa. O PEIXE-BOI 24 COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 4a serie-coletânea de atividades.indd 24 12/29/09 9:05 AM
  • 26. ATIVIDADE 3H: COMPAR ANDO VERSÕES DE UMA LENDA NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____ 1. Seu professor lerá para você uma lenda intitulada “O Negrinho do Pastoreio”. Trata-se de uma lenda meio africana, meio cristã, muito contada no final do sécu- lo XIX pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão. É muito popular no Sul do Brasil, em especial no Rio Grande do Sul. O NEGRINHO DO PASTOREIO No tempo dos escravos, havia um estancieiro muito ruim, que levava tudo por diante, a grito e a relho. Naqueles fins de mundo, fazia o que bem entendia, sem dar satisfação a ninguém. Entre os escravos da estância havia um negrinho, encarregado do pastoreio de alguns animais, coisa muito comum nos tempos em que os campos de estância não conheciam cerca de arame; quando muito, havia apenas alguma cerca de pedra erguida pelos próprios escravos, que não podiam ficar para- dos, para não pensar bobagem... No mais, os limites dos campos eram aque- les colocados por Deus Nosso Senhor: rios, cerros, lagoas. Pois de uma feita, o pobre negrinho, que já vivia as maiores judiarias nas mãos do patrão, perdeu um animal no pastoreio. Pra quê! Apanhou uma bar- baridade atado a um palanque e, depois, cai-caindo, ainda foi mandado pro- curar o animal extraviado. Como a noite vinha chegando, ele agarrou um to- quinho de vela e uns avios de fogo, com fumo e tudo, e saiu campeando. Mas nada! O toquinho acabou, o dia veio chegando e ele teve que voltar para a estância. Então, foi outra vez atado ao palanque e dessa vez apanhou tanto que mor- reu, ou pareceu morrer. Vai daí, o patrão mandou abrir a “panela” de um for- migueiro e atirar lá dentro, de qualquer jeito, o pequeno corpo do negrinho, todo lanhado de laçaço e banhando em sangue. No outro dia, o patrão foi com a peonada e os escravos ver o formigueiro. Qual não é a sua surpresa ao ver o Negrinho do Pastoreio: ele estava lá, mas de pé, com a pele lisa, sem nenhuma marca das chicotadas. Ao lado dele, a Virgem Nossa Senhora, e mais adiante o baio e os outros cavalos. O estancieiro se jogou no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada respondeu. Apenas beijou a mão da santa, montou no baio e partiu conduzindo a tropilha. Desde aí, o Negrinho do Pastoreio ficou sendo o achador das coisas extra- viadas. E não cobra muito: basta acender um toquinho de vela, ou atirar num canto qualquer naco de fumo. (Domínio público) COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 25 4a serie-coletânea de atividades.indd 25 12/29/09 9:05 AM
  • 27. 2. Converse com seu professor e colegas:  Qual é o tema dessa história?  Como ela explica o surgimento desse ícone religioso?  Essa é uma explicação científica, fantástica ou de fé?  Eles conhecem alguma outra lenda similar?  Quem são os personagens que a compõem?  Onde se passa a trama? 3. Agora você lerá outra versão dessa mesma história. Fique atento e observe semelhanças e diferenças entre elas, considerando que podem ser de conteú- do ou na linguagem, isto é, as histórias podem trazer informações divergentes ou dizer o mesmo de outro modo. Depois, você registrará suas descobertas no caderno. NEGRINHO DO PASTOREIO Era o tempo da escravidão, e um menino negrinho, pretinho que nem carvão, humilde e raquítico era escravo de um fazendeiro muito rico, mas por demais avarento. Se alguém necessitasse de um favor, não se podia contar com este homem. Não dava um níquel a ninguém e seu coração era a morada de uma pedra, não nutria qualquer sentimento por ninguém, a não ser por seu filho, um menino tão malvado quanto seu pai, pois, afinal, a fruta nunca cai muito longe da árvore. Estes dois eram extremamente perversos e maltratavam o menino-escravo desde o raiar do dia, sem lhe dar trégua. Este jovenzinho não tinha nome, porque ninguém se deu sequer o trabalho de pensar algum para ele; assim, respondia pelo apelido de “Negrinho”. Seus afazeres não eram condizentes com seu porte físico, não parava o dia inteiro. O sol nascia e lá já estava ele ocupado com seus afazeres e mesmo ao se pôr, ainda se encontrava o Negrinho trabalhando. Sua principal ocupa- ção era pastorear. Depois de encerrar seu laborioso dia, juntava os trapos que lhe serviam de cama e recebia um mísero prato de comida, que não era suficiente para repor as energias perdidas pelo sacrificado trabalho. Mesmo sendo tão útil, considerado mestre do laço e o melhor peão-cavaleiro de toda a região, o menino era inúmeras vezes castigado sem piedade. Certa vez, o estanceiro atou uma carreira com um vizinho que se gabava de possuir um cavalo mais veloz que seu baio. Foi marcada a data da corrida, e o Negrinho ficou encarregado de treinar e montar o famoso baio, pois sabia seu patrão não haver ninguém mais capaz que ele para tal tarefa. Chegando o grande dia, todos os habitantes da cidade, vestindo suas roupas domingueiras, se alojaram na cancha da carreira. Palpites discutidos, apostas feitas, inicia-se a corrida. Os dois cavalos saem emparelhados. Negrinho começa a suar frio, pois sabe o que lhe espera se não ganhar. Mas, aos poucos, toma a dianteira e quase 26 COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 4a serie-coletânea de atividades.indd 26 12/29/09 9:05 AM
  • 28. não há dúvida de que seria vencedor. Mas eis que o inesperado acontece: algo assusta o cavalo, que para, empina e quase derruba Negrinho. Foi tempo suficiente para que seu adversário o ultrapassasse e ganhasse a corrida.  E agora? O outro cavalo venceu. Negrinho tremia feito “vara verde” ao ver a expressão de ódio nos olhos de seu patrão. Mas o fazendeiro, sem saída, deve cobrir as apostas e põe a mão no lugar que lhe é mais caro: o bolso. Ao retornarem à fazenda, o Negrinho tem pressa para chegar à estrebaria. – Aonde pensa que vai? – pergunta-lhe o patrão. – Guardar o cavalo, sinhô! – balbuciou bem baixinho. – Nada feito! Você deverá passar trinta dias e trinta noites com ele no pasto e cuidará também de mais trinta cavalos. Será seu castigo pelo meu prejuízo. Mas ainda tem mais. Passe aqui que vou lhe aplicar o devido corretivo. O homem apanhou seu chicote e foi em direção ao menino: – Trinta quadras tinham a cancha da corrida, trinta chibatadas vais levar no lombo e depois trate de pastorear a minha tropilha. Lá vai o pequeno escravo, doído até a alma levando o baio e os outros ca- valos a caminho do pastoreio. Passou dia, passou noite, choveu, ventou e o sol torrou-lhe as feridas do corpo e do coração. Nem tinha mais lágrima para chorar e então resolveu rezar para a Nossa Senhora, pois como não lhe foi dado nome, dizia-se afilhado da Virgem. E foi a “santa solução”, pois Negrinho aquietou-se e então, cansado de carregar sua cruz tão pesada, adormeceu. As estrelas subiram aos céus e a lua já tinha andado metade de seu caminho quando algumas corujas curiosas resolveram chegar mais perto, pairando no ar para observar o menino. O farfalhar de suas asas assustou o baio, que se soltou e fugiu, sendo acompanhado pelos outros cavalos. Negrinho acordou assustado, mas não podia fazer mais nada, pois ainda era noite e a cerração, como um lençol branco, cobria tudo. E, assim, o negrinho-escravo sentou-se e chorou... O filho do fazendeiro, que andava pelas bandas, presenciou tudo e apressou-se em contar a novidade ao seu pai. O homem mandou dois escravos buscá-lo. O menino até tentou explicar o acontecido para o seu senhor, mas de nada adiantou. Foi amarrado no tronco e novamente açoitado pelo patrão, que de- pois ordenou que ele fosse buscar os cavalos. Ai dele que não os encontrasse! Assim, Negrinho teve que retornar ao local do pastoreio e para ficar mais fácil sua procura, acendeu um toco de vela. A cada pingo dela, deitado sobre o chão, uma luz brilhante nascia em seu lugar, até que todo lugar ficou tão claro quanto o dia e lhe foi permitido, desta forma, achar a tropilha. Amarrou o baio e, gemendo de dor, jogou-se ao solo desfalecido.  Danado como ele só e não satisfeito com o que já fizera ao escravo, o filho do fazendeiro aproveitou a oportunidade de praticar mais uma maldade: dis- COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 27 4a serie-coletânea de atividades.indd 27 12/29/09 9:05 AM
  • 29. persar os cavalos. Feito isso, correu novamente até seu pai e contou-lhe que Negrinho havia encontrado os cavalos e os deixara fugir de propósito. A histó- ria se repete, e dois escravos vão buscá-lo, só que dessa vez seu patrão está decidido em dar cabo dele. Amarrou-o pelos pulsos e surrou-o como nunca. O chicote subia e descia, dilacerando a carne e picoteando-a como guisado. Ne- grinho não aguentou tanta dor e desmaiou. Achando que o havia matado, seu senhor não sabia que destino dar ao corpo. Enterrá-lo lhe daria muito trabalho e, avistando um enorme formigueiro, jogou-o lá. As formigas acabariam com ele em pouco tempo, pensou. No dia seguinte, o cruel fazendeiro, curioso para ver de que jeito estaria o cor- po do menino, dirigiu-se até o formigueiro. Qual sua surpresa quando o viu em pé, sorrindo e rodeado pelos cavalos e o baio perdido. O Negrinho montou-o e partiu a galope, acompanhado pelos trinta cavalos. O milagre tomou o rumo dos ventos e alcançou o povoado, que se alegrou com a notícia. Desde aquele dia, muitos foram os relatos de quem viu o Negri- nho passeando pelos pampas, montado em seu baio e sumindo em seguida por entre nuvens douradas. Ele anda sempre à procura das coisas perdidas, e quem necessitar de seu ajutório, é só acender uma vela entre as ramas de uma árvore e dizer: Foi aqui que eu perdi Mas Negrinho vai me ajudar Se ele não achar Ninguém mais conseguirá! (Disponível em: <http://www.rosanevolpatto.trd.br/lendanegrinhopastoreio.html>.) 28 COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 4a serie-coletânea de atividades.indd 28 12/29/09 9:05 AM
  • 30. ATIVIDADE 3J: ANALISANDO ASPECTOS LINGUÍSTICOS DAS LENDAS NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____ 1. Retome as lendas lidas até o momento e analise o modo como as narrativas começaram, assim como o tema central que cada uma aborda. Para organizar melhor as informações, preencha o quadro a seguir. TÍTULO DA LENDA COMO INICIA TEMA CENTRAL O dono da luz Santo Tomás e o boi que voava Beowulf e o dragão A lenda da vitória-régia A lenda do papagaio Crá-Crá A lenda de Narciso A lenda da Lagoa das Guaraíras O Negrinho do Pastoreio 2. Apresente as observações do grupo para os demais colegas e o professor, discutindo-as. A seguir, elaborem, coletivamente, um registro que sintetize as observações gerais sobre as lendas e as dicas para serem utilizadas na pos- terior reescrita das lendas. COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 29 4a serie-coletânea de atividades.indd 29 12/29/09 9:05 AM
  • 31. ATIVIDADE 3K: ANALISANDO O DISCURSO NAS LENDAS NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____ 1. Acompanhe, com atenção, a leitura que seu professor fará da lenda “Maria Pamonha”. Depois, faça o que se pede. MARIA PAMONHA Lenda latino-americana Certo dia apareceu na porta da casa-grande da fazenda uma menina suja e faminta. Nesse dia, deram-lhe de comer e de beber. E no dia seguinte tam- bém. E no outro, e no outro, e assim sucessivamente. Sem que as pessoas da casa se dessem conta, a menina foi ficando, ficando, sempre calada e de canto em canto. Uma tarde, os garotos da fazenda perguntaram-lhe como se chamava e ela respondeu com um fiozinho de voz: – Maria. E os garotos, às gargalhadas, fecharam-na numa roda e começaram a debo- char dela: – Maria, Maria Pamonha, Maria, Maria Pamonha… Uma noite de lua cheia, o filho da patroa estava se arrumando para ir a um baile, quando Maria Pamonha apareceu no seu quarto: – Me leva no baile? – pediu-lhe. O jovem ficou duro de espanto. – Quem você pensa que é para ir dançar comigo? – gritou. – Ponha-se no seu lugar! Ou quer levar uma cintada? Quando o rapaz saiu para o baile, Maria Pamonha foi até o poço que havia no mato, banhou-se e perfumou-se com capim-cheiroso e alfazema. Voltou para casa, pôs um lindo vestido da filha da patroa e prendeu os cabelos. Quando a jovem apareceu no baile, todos ficaram deslumbrados com a beleza da desconhecida. Os homens brigavam para dançar com ela, e o filho da pa- troa não tirava os olhos de cima da moça. – De onde é você? – perguntou-lhe, por fim. – Ah, eu venho de muito, muito longe. Venho da Cidade de Cintada – res- pondeu a garota. Mas o rapaz a olhava tão embasbacado que não percebeu nada. Quando voltou para casa, o jovem não parava de falar para a mãe da beleza daquela garota desconhecida que ele vira no baile. Nos dias que se seguiram, 30 COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 4a serie-coletânea de atividades.indd 30 12/29/09 9:05 AM
  • 32. procurou-a por toda a fazenda e pelos povoados vizinhos, mas não conseguiu encontrá-la. E ficou muito triste. Uma noite sem lua, dez dias depois, o jovem foi convidado para outro baile. Como da primeira vez, Maria Pamonha apareceu no seu quarto e disse-lhe com sua vozinha: – Me leva no baile? E o jovem voltou a gritar-lhe: – Quem você pensa que é para ir dançar comigo? Ponha-se no seu lugar! Ou quer levar uma espetada? Logo que o jovem saiu, Maria Pamonha correu para o poço, banhou-se, perfu- mou-se, pôs outro vestido da filha da patroa e prendeu os cabelos. De novo, no baile, todos se deslumbraram com a beleza da jovem desconheci- da. O filho da patroa aproximou-se dela, suspirando, e perguntou-lhe: – Diga-me uma coisa, de onde é você? – Ah, ah, eu venho de muito, muito longe. Venho da Cidade de Espetada – res- pondeu a jovem. Mas ele nem se deu conta do que ela estava querendo lhe dizer, de tão apaixonado que estava. Ao voltar para casa, não se cansava de elogiar a desconhecida do baile. Nos dias que se seguiram, procurou-a por toda a fazenda e pelos povoados vizinhos, mas não conseguiu encontrá-la. E ficou mais triste ainda. Uma noite de lua crescente, dez dias depois, o rapaz foi convidado para outro baile. Pela terceira vez, Maria Pamonha apareceu em seu quarto e disse-lhe com aquele fiozinho de voz: – Me leva no baile? E pela terceira vez ele gritou: – Quem você pensa que é para ir dançar comigo? Ponha-se no seu lugar! Ou quer levar uma sapatada? Outra vez, Maria Pamonha vestiu-se maravilhosamente e apareceu no baile. E outra vez todos ficaram deslumbrados com sua beleza. O jovem dançou com ela, murmurando-lhe palavras de amor, e deu-lhe de pre- sente um anel. Pela terceira vez, ele lhe perguntou: – Diga-me uma coisa, de onde é você? – Ah, ah, ah, eu venho de muito, muito longe. Venho da Cidade de Sapatada. Mas como o rapaz estava quase louco de paixão, nem se deu conta do que queriam dizer aquelas palavras. Ao voltar para casa, ele acordou todo mundo para contar como era bela a jovem desconhecida. No dia seguinte, procurou-a por toda a fazenda e pelos povoados vizinhos, sem conseguir encontrá-la. Tão triste ele ficou que caiu doente. Não havia remédio que o curasse, nem reza que o fizesse recobrar as forças. Triste, triste, já estava a ponto de morrer. COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 31 4a serie-coletânea de atividades.indd 31 12/29/09 9:05 AM
  • 33. Então Maria Pamonha pediu à patroa que a deixasse fazer um mingau para o doente. A patroa ficou furiosa. – Então você acha que meu filho vai querer que você faça o mingau, menina? Ele só gosta do mingau feito por sua mãe. Mas Maria Pamonha ficou atrás da patroa e tanto insistiu que ela, cansada, acabou deixando. Maria Pamonha preparou o mingau e, sem que ninguém visse, colocou o anel dentro dele. Enquanto tomava o mingau, o jovem suspirava: – Que delícia de mingau, mãe! De repente, ao encontrar o anel, perguntou, surpreso: – Mãe, quem foi que fez este mingau? – Foi Maria Pamonha. Mas por que você está me perguntando isso? E antes mesmo que o jovem pudesse responder, Maria Pamonha apareceu no quarto, com um lindo vestido, limpa, perfumada e com os cabelos presos. E o rapaz sarou na hora. E casou-se com ela. E foram muito felizes. 2. Em seu caderno, copie os trechos sublinhados transformando o discurso dire- to em indireto e vice-versa. Lembre-se de usar dois-pontos, parágrafo e traves- são quando necessário! 3. Ao terminar, compartilhe com seu professor e colegas o modo como foi cons- truindo os diálogos entre os personagens. 32 COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 4a serie-coletânea de atividades.indd 32 12/29/09 9:05 AM
  • 34. ATIVIDADE 4B: REESCREVENDO TRECHOS DE UMA LENDA NOME ___________________________________________ DATA _____ / _____ / _____ 1. Junto a sua dupla de trabalho, releia silenciosamente “A lenda do papagaio Crá-Crá”. A LENDA DO PAPAGAIO CRÁ-CRÁ Conta a lenda que, antigamente, morava em um vilarejo um menino muito gu- loso. Tudo que via, queria comer, e a gula era tanta, a pressa de comer era tamanha, que ele tinha costume de engolir a comida sem mastigá-la. Uma vez sua mãe encontrou frutos de batoí e assou-os na cinza. O filho, sem querer esperar, comeu todos os frutos, tirando-os diretamente do fogo e, como sempre, engoliu-os sem pestanejar. Os frutos do batoí são frutos cuja polpa viscosa se mantém quentíssima por muito tempo. Comendo-os tão quentes, sapecaram-lhe a garganta, de forma que doía muito e queimavam-lhe o estômago. O menino, tentando vomitar os frutos comidos, começou a fazer força para expulsá-los. Arranhava a garganta grunhindo crá-crá-crá! Mas os frutos não saíam... e entalaram na garganta, sufocando-o. No mesmo momento, cresceram-lhe as asas e as penas e ele tornou-se um papagaio. Voou pra longe. Até hoje pode-se ouvi-lo vagando pelas matas do lugar, voando e gritando “crá-crá-crá”! (Machado, Irene. Literatura e redação. São Paulo: Scipione, 1994. p. 105-106.) 2. Observem que o início dessa lenda está em negrito. Esse trecho deverá ser reescrito por vocês de dois modos diferentes. Para isso, utilizem a folha pau- tada entregue por seu professor. 3. Fiquem atentos às possibilidades de escrita que já foram abordadas em aula, lembrando-se de que as lendas começam remetendo-se ao passado, mas sem definir um tempo específico. Vocês poderão optar pelo discurso direto ou indireto quando acharem mais apropriado, e podem enriquecer a lenda com descrições de personagens e ambientes. 4. Quando terminarem, façam uma boa revisão do texto, observando se faltam informações ou se há erros de gramática ou ortografia. 5. Finalmente, escolham a versão que lhes pareceu mais interessante para ler para os colegas. COLETÂNEA DE ATIVIDADES - 4 a SÉRIE 33 4a serie-coletânea de atividades.indd 33 12/29/09 9:05 AM