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EXPEDIENTE
A cartilha O Cultivo da Mamona – Recomendações técnicas para a
agricultura familiar é um produto do PROJETO UTDS, implementado pelo
INSTITUTO BRASIL DE ESTUDOS, PESQUISAS E GESTÃO ESTRATÉGICA
DE COMPETÊNCIAS (IBRAGEC) em parceria com a Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) com gestão
financeira da Caixa Econômica Federal por meio do Contrato de Repasse nº
0323083-22/2010. O objetivo geral é a implantação de 90 Unidades Técnicas
de Demonstração e Observação (UTD’s) nos pólos de produção de oleaginosas no Nordeste e Semi-Árido do Brasil para transferir e difundir tecnologia e
conhecimento, em sistemas de produção de mamona e girassol.
Tiragem: 9.000 exemplares
Distribuição: gratuita
Circulação: Norte de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Paraíba, Rio
Grande do Norte, Piauí e Ceará.
Público-alvo: agricultores familiares, técnicos de assistência técnica,
engenheiros e demais interessados.
Editor: Gleidson Rocha Martins
Revisão: Herta de Oliveira Scarascia
Design gráfico: Samuel Araújo Figueiredo
INSTITUTO BRASIL
Presidente: Giovanni Weber Scarascia
Vice-presidente: Patrícia Oliveira Gomes
Diretor Financeiro: Derli José de Oliveira Junior
Secretária Executiva: Maria das Graças Soares Lourenço de Freitas
Diretora de Projetos Especiais: Herta de Oliveira Scarascia
Diretor Internacional: Wederson Marinho dos Santos
PROJETO UTDS
Equipe técnica
Engenheiro Supervisor: Gleidson Rocha Martins
Engenheiro Ceará: Wanderley Magalhães
Engenheiro norte de Minas Gerais: Adílio Teixeira da Silva
Engenheiro Bahia: Jullyan R. V. Castro
Engenheiro Pernambuco e Piauí: Roberto Ferreira Carvalho
Engenheiro Rio Grande do Norte e Paraíba: Elias Moura
®Todos os direitos reservados. É permitida a divulgação em parte ou na sua
totalidade desta Cartilha desde que citada a fonte.
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
INTRODUÇÃO
CULTIVO DA MAMONA
I. ASPECTO BOTÂNICO DA MAMONEIRA
II. VARIEDADES DA MAMONEIRA
III. LOCAL PARA PLANTIO
1. Exigências da planta
1.1. Clima e Solo
IV. PREPARO DO SOLO PARA PLANTIO
1. Limpeza da área
2. Práticas de conservação do solo
2.1 Controle da erosão
3. Calagem, aração e gradagem.
V. SISTEMA DE PRODUÇÃO
1. Cultivo em sistema isolado
2. Cultivo em sistema consorciado
VI. PLANTIO DA MAMONEIRA
1. Época do plantio
2. Espaçamento
2.1. Espaçamento do sistema solteiro
2.2. Espaçamento do sistema consorciado
3. Escolha das sementes
4. Semeadura
4.1. Semeadura manual
4.2. Semeadura mecanizada

1
VII. TRATOS CULTURAIS
1. Desbaste
2. Capina
3. Adubação de cobertura
4.Poda
VIII.CONTROLE FITOSSANITÁRIO
1. Controle das pragas
1.1. Percevejo verde
1.2. Cigarrinha
1.3. Ácaros
1.4. Lagartas
1.5. Inimigos naturais das pragas da mamoneira
2. Controle das doenças
2.1. Mofo cinzento
2.2. Podridão do tronco
2.3. Podridão dos ramos
2.4. Murcha de fusarium
IX. COLHEITA
1. Colheita manual
2. Colheita mecanizada
X. SECAGEM, BENEFICIAMENTO E ARMAZENAMENTO
1. Secagem
2. Beneficiamento
2.1. Beneficiamento manual
2.2. Beneficiamento mecanizado
3. Armazenamento
XI. COMERCIALIZAÇÃO DA MAMONA
BIBLIOGRAFIA
ANEXOS

2
APRESENTAÇÃO
A criação do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB),
focado no desenvolvimento das potencialidades regionais e, portanto,
no fortalecimento de culturas já consolidadas em cada uma das regiões
brasileiras, abriu enormes perspectivas para agricultores familiares das
regiões nordeste e semi-árido do Brasil, devido à possibilidade de plantio
e de fornecimento de mamona e girassol para a indústria de biodiesel.
Desde o início do PNPB, a mamona tornou-se a oleaginosa mais incentivada
e alvo de todos os esforços no Nordeste e Semi-Árido, considerando-se que
já era tradicionalmente plantada nessas regiões para suprir a demanda
da indústria ricinoquímica.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA – adotou, como estratégia prioritária para a inclusão da agricultura familiar na base produtiva,
o projeto Pólos de Biodiesel, que trouxe vários benefícios previsíveis e
imprevisíveis para a agricultura familiar e ao PNPB. São exemplos dessa
experiência: (a) o maior adensamento dos plantios de oleaginosas; (b)
o menor custo de logística na fase agrícola da cadeia produtiva; (c) a
maior qualidade e intensidade da assistência técnica; e (d) o aumento
de produtividade (Fonte MDA). Por outro lado, surgiu a necessidade
de aumentar ainda mais a competitividade dos agricultores familiares,
utilizando-se as tecnologias disponíveis geradas pelas instituições de
pesquisa e extensão rural dessas regiões.
Com os avanços das pesquisas e da assistência técnica, alguns estados
e territórios dessas regiões apresentaram grande potencial para a cultura.
Entretanto, apesar da cultura facilitar a participação da agricultura familiar
do nordeste e no semi-árido no PNPB, ela ainda apresenta baixo índice
de produtividade, seja por falta de pesquisas, seja pela difusão dessas
pesquisas ou, ainda, pela falta de uma assistência técnica especializada.
Os motivos da baixa produtividade da mamona, que já vem sendo plantada há anos, muito provavelmente estão associados à desorganização
e à irregularidade das relações na cadeia criada pela demanda de óleo
para a ricinoquímica e a consequente falta de investimentos em pesquisa
e em assistência técnica, apresentando assim baixo nível tecnológico.

3
Dessa forma, considerando-se que a dinâmica da cadeia produtiva do
biodiesel no Brasil, assim como toda atividade econômica de grande
demanda, se caracteriza pela necessidade de escala e altos rendimentos,
torna-se essencial que sejam feitos todos os esforços para aumentar a
produtividade dessas culturas facilitando a transferência de tecnologia
para esses agricultores familiares. Nesse sentido, um dos instrumentos
mais viáveis e validados para essa finalidade são as Unidades Técnicas
de Demonstração (UTDs).
As UTDs, também conhecidas como escolas de campo, são resultado
de uma metodologia desenvolvida inicialmente pela Food and Agriculture
Organization of de United Nations (FAO), na Indonésia, visando atender
- de forma grupal - aos agricultores daquele país, funcionando como instrumentos para transferência de tecnologia e assistência técnica coletiva.
Com essas unidades, os agricultores familiares têm a possibilidade de
aprender, de maneira prática, as melhores formas de manejo, plantio e
colheita, por meio de capacitações e acompanhamento do cultivo em
todas as etapas. Isso é feito através de uma vitrine real que contempla
as características regionais de cada agricultor e do meio no qual ele está
inserido.
Neste contexto, o Instituto Brasil de Estudos, Pesquisas e de Gestão
Estratégica de Competências – IBRAGEC, formalizou um convênio com
o MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário, tornando-se a instituição
responsável pela Implantação de 90 Unidades Técnicas de Demonstração e
Observação (UTDs) nos pólos de produção de oleaginosas no nordeste
e semi-árido do Brasil com o objetivo de transferir e de difundir tecnologia
e conhecimento, em sistemas de produção de mamona e girassol.
Giovanni Weber Scarascia
Presidente do IBRAGEC

4
INTRODUÇÃO
Este manual técnico do cultivo da mamona apresenta-se de forma simples
e ilustrada, detalhando todas as operações necessárias para o cultivo da
mamona, com informações técnicas para a execução das operações de
maneira prática e eficiente.
Contém informações sobre os procedimentos necessários para se conhecer
a botânica da planta da mamona e seus cultivares, a escolha do local
de plantio, a definição do sistema de produção, a efetuação do controle fitossanitário de pragas e doenças, e a orientação na colheita, no
beneficiamento, no armazenamento e na comercialização da mamona,
garantindo o conhecimento técnico necessário para o alcance de boas
produtividades com o aumento de renda por hectare das lavouras bem
conduzidas.

5
CULTIVO DA MAMONA
A mamona, mamoneira ou rícino (Ricinus communis L.), originária da
Etiópia, leste da África, é uma planta oleaginosa, de elevada importância
econômica para o semi-árido brasileiro, por ser de fácil cultivo,
ter resistência à seca, além de proporcionar ocupação e renda, sendo
bastante usada por pequenos produtores participantes do PNPB no
semi-árido e nordeste brasileiro, locais onde é adotada a mão-de-obra
familiar no cultivo desta oleaginosa consorciada com culturas alimentares,
como: feijão, milho, amendoim, melancia, abóbora.
As plantas da mamoneira apresentam-se arbustiva, de porte médio, cujos
frutos são produzidos em cachos, geralmente possuem espinhos, sendo
os grãos de alto valor energético utilizados para a produção de diversos
tipos de óleos, tortas, farelos, adubos orgânicos e biocombustíveis.
O óleo extraído do grão da mamona é uma fonte potencial para a produção
de biodiesel, bem como para diversas aplicações na área industrial (ceras, lubrificantes, cosméticos, plásticos, tintas, adesivos, entre outras), tornando
o cultivo da mamona uma atividade com elevada importância socioeconômica.

Fotos: Colheita, cacho e sementes de mamona
Fonte: G R M Agropecuária - Vitória Sementes

6
I. ASPECTO BOTÂNICO DA MAMONEIRA
A mamoneira apresenta variabilidade com relação ao porte, hábito de
crescimento, coloração do caule e folha, tamanhos e peso de sementes,
teores de óleo, entre outros aspectos.
É uma planta considerada perene, podendo ser arbórea, com altura que
varia de 0,8 m a 12 metros. O ciclo biológico varia de acordo com a cultivar
e o ambiente e compreende o período de 120 a 260 dias.
Com relação ao porte, a mamoneira pode ser classificada como: Anão
(0,8 m a 1,8 m), Médio (1,8m a 2,5 m), Alto (2,5m a 5,0 m) e Arbóreo (a
partir de 5 m).
O caule é tenro, tornando-se fibroso à medida que envelhece e apresenta
cor verde, roxa ou vermelha, podendo ser recoberto por cera ou não.
Os frutos da mamona podem se apresentar liso ou rugoso, com presença
ou não de espinhos. E quanto à deiscência (abertura dos frutos após
maturação) pode ser: indeiscentes (quando os frutos não se abrem),
semideiscentes (quando os frutos se abrem parcialmente) e deiscentes
(quando os frutos se abrem). As sementes podem variar de uma cultivar
para outra, apresentando várias características como: cor, tamanho,
peso, forma, presença de carúncula ou não e maior ou menor aderência
do pigmento ao endosperma.
Com relação à morfologia da raiz,
apresenta sistema radicular pivotante podendo atingir de 1,5 m
até 3,0 m de profundidade, com
ramificação lateral. As folhas são
de tamanho e cor variados e os
ramos terminam com uma inflorescência, apresentando flores
masculinas e femininas, chamadas de racemo.
Anatomia da Mamoneira: (weiss, 1983)

7
II. VARIEDADES DA MAMONEIRA
Várias são as cultivares de mamoneira disponível para o plantio e comercializadas em todo território nacional: Preta Pernambucana; BRS 188
Paraguaçu; BRS 149 Nordestinas; BRS Energia; IAC-80; IAC-226; AL
Guarani; Mirante; Coti; Sangue-de-Boi; Cerradão; Savana; Lyra; EBDA
MPA 11; MPB 01 etc.
As cultivares de interesses comerciais mais indicadas para o semi-árido
nordestino são a BRS 188 Paraguaçu, BRS 149 Nordestina, BRS Energia
e mais as variedades IAC 80, IAC 226 e AL Guarani para a região norte
de Minas Gerais, as quais apresentam produtividade média em torno de
1.500 kg/ha sob regime de sequeiro, podendo atingir até 5.000 kg/ha em
condições de irrigação.

Foto: Mamona IAC 80
Fonte: G R M Agropecuária - Vitória Sementes

8
CARACTERÍSTRICAS

BRS 188 PARAGUAÇU

BRS 149 NORDESTINA BRS 149 ENERGIA

Ciclo (do plantio à
colheita)

230 a 250 dias

230 a 250 dias

120 a 140 dias

Produtividade média

1500 kg/ha (sequeiro)
5000 kg/ha (irrigação)

1500 kg/ha (sequeiro)
5000 kg/ha (irrigação)

1800 kg/ha (sequeiro)
5000 kg/ha (irrigação)

Deiscência dos frutos Semideiscente

Semideiscente

Indeiscente

Altura média da
planta

1,60 m

1,90 m

1,40 m

Cor do caule

Roxo com cerosidade

Verde com cerosidade

Verde com cerosidade

Cor da semente

Preta

Preta

Rajada

Peso médio de 100
sementes

71 g

68 g

55 g

Teor de óleo

48 %

49%

48%

Foto: BRS 188 PARAGUAÇU Foto: BRS 149 NORDESTINA Foto: BRS ENERGIA
Fonte: G R M Agropecuária
Fonte: G R M Agropecuária
Fonte: G R M Agropecuária

9
III. LOCAL PARA PLANTIO
1. EXIGÊNCIAS DA PLANTA
Para o desenvolvimento vegetativo e uma boa produtividade, faz-se
necessário observar as condições ideais de clima e solo, bem como espaçamentos recomendados para as cultivares comerciais, evitando-se
sombreamento e competição por água, luz e nutrientes entre plantas.
1.1. CLIMA E SOLO
A mamoneira é uma planta de origem tropical, apresentando bom desenvolvimento e produtividades em locais cuja altitude é de 300 a 1.500
metros, temperatura média de 20º C a 30º C e chuvas anuais de 500 a
1500 milímetros. Quanto aos solos, ela deve ser cultivada em terrenos
com a topografia plana a suavemente onduladas ou com declividade
máxima de 12%, pH entre 6,0 e 7,0 com boa drenagem e baixa salinidade, não sendo recomendados os plantios nos solos muitos argilosos
e sujeitos a encharcamentos.

IV. PREPARO DO SOLO PARA PLANTIO
1. LIMPEZA DA ÁREA
A limpeza da área deve ser realizada conforme a cobertura vegetal encontrada. Se for necessário fazer o desmatamento e a destoca, verificar
as exigências da Lei Ambiental, (Lei Nº 4.771, de 15 de setembro de
1965), consultando os órgãos competentes. Caso o desmatamento e a
destoca sejam realizadas mecanicamente, não utilizar trator com lâmina,
a fim de evitar a retirada de matéria orgânica existente na camada superficial.

10
2. PRÁTICAS DE CONSERVAÇÃO DO SOLO.
A implantação da lavoura deve obedecer a Legislação Ambiental (Lei
nº. 4.771, de 15 de setembro de 1965 – Código Federal), protegendo as
nascentes, as veredas e o curso da água, preservando a mata ciliar.
2.1 CONTROLES DA EROSÃO
Plantios em locais com declividade até 12% devem ser feito através
da realização de curvas de nível ou terraceamento, protegendo o solo
contra a erosão.

Foto: Curva de nível
Fonte: EMBRAPA

3. CALAGEM, ARAÇÃO E GRADAGEM
A aplicação do calcário deve ser realizada caso seja indicada pelo resultado da análise do solo, com uma distribuição feita a lanço, manualmente com uma pá, e,ou, com uso de uma máquina especifica,
observando o período de 60 a 90 dias antes do plantio.
A aração consiste no revolvimento do solo, melhorando a sua estrutura
física. Esta prática é realizada com o solo úmido (friável) e no sentido
da curva de nível do terreno, evitando-se os efeitos causados pela
erosão, seguida de uma ou duas gradagens, que devem ser feitas com
o objetivo de destorroar e nivelar o solo, podendo também ser utilizada
para a incorporação do calcário.

11
Foto: Aração com arado de aiveca
Fonte: EMBRAPA

V.

SISTEMA DE PRODUÇÃO

1. CULTIVO EM SISTEMA ISOLADO
O sistema de cultivo isolado, também chamado de cultivo solteiro, utiliza
apenas a cultura da mamona na área de plantio, semeando-a em fileiras
simples ou duplas.

Foto: Cultivo solteiro – BRS
188 Paraguaçu
Fonte: G R M Agropecuária

2. CULTIVO EM SISTEMA CONSORCIADO
É o sistema de cultivo da oleaginosa com utilização de culturas alimentares,
de preferência as rasteiras ou de porte baixo, como exemplo o feijão e o
amendoim, possibilitando um aumento da renda para o produtor de mamona, bem como a melhoria das condições físicas do solo.

12
Para este tipo de cultivo, a cultura alimentar consorciada deve ser plantada em torno de 15 dias após o plantio da mamona, evitando não prejudicar o desenvolvimento inicial da cultura.

Foto: Cultivo consorciado com feijão
Fonte: G R M Agropecuária

VI.

Foto: Cultivo consorciado com milho
Fonte: G R M Agropecuária

PLANTIO DA MAMONEIRA

O plantio se baseia nas recomendações técnicas que permite um desenvolvimento satisfatório das plantas e consequentemente a obtenção
de bons índices de produtividade.
1. ÉPOCA DO PLANTIO
Para a definição da época do plantio, deverá ser observada a estação
chuvosa da região e o zoneamento agrícola, tomando o cuidado para
que o ciclo da plantas permita a colheita na estação seca.
2. ESPAÇAMENTO
O espaçamento adequado de plantio está relacionado com um melhor
aproveitamento da área, facilitando os tratos culturais, permitindo um
melhor desenvolvimento das plantas, uma vez que possibilita maior otimização da água, da luz e dos nutrientes, influenciando diretamente na
produção, se apresentado diferenciado para o sistema de cultivo solteiro
e consorciado da mamona.

13
2.1. ESPAÇAMENTO DO SISTEMA SOLTEIRO
No cultivo solteiro ou isolado, o espaçamento será definido de acordo
com o porte da planta, e a fertilidade do solo.
Quadro 2. Exemplo de espaçamento para o sistema solteiro ou isolado
PORTE DA MANONEIRA

SOLO FÉERTIL

SOLO FRACO

ALTO

3,0m X 2,0m

2,5m X 1,8m

MÉDIO

1,8m X 1,3m

1,5m X 1,0m

ANÃO

1,2m X 1,0m

1,0m X 0,7m

2.2. ESPAÇAMENTO DO SISTEMA CONSORCIADO
No cultivo consorciado, o espaçamento será definido de acordo com o
porte da mamoneira e o número de fileiras da cultura intercalar. A escolha
da cultura intercalada e o número de linhas vão depender do interesse
comercial do produtor, sendo que para o cultivo com o milho, devem-se
seguir rigorosamente os espaçamentos recomendados, a fim de evitar
sombreamentos na cultura.
Quadro 03: Exemplo de espaçamento para o sistema consorciado

CULTIVO CONSORCIADO

MAMONEIRA

FEIJÃO

Mamoneira em fileira
simples, com 3 a 4
fileiras de feijão

3m x 1m ou 3m x 2m
4m x 1m ou 4m x 2m

0,5m x 0,1m

Mamoneira em fileiras 3m x 1m x 1m ou
duplas, com 3 a 4
4m x 1m x 1m
fileiras de feijão

14

0,5m x 0,1m
CONSÓRCIO MAMONA + FEIJÃO
FILEIRAS SIMPLES DE MAMONA
EXEMPLO DE ESPACAMENTO:
MAMONA 3,0m X 1,0m - FEIJÃO 0,5m X 0,1 m
MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA
FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF
FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF
FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF
MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA
FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF
FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF
FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF

CONSÓRCIO MAMONA + FEIJÃO
FILEIRAS DUPLAS DE MAMONA
EXEMPLO DE ESPACAMENTO:
MAMONA 3,0m X 1,0m X 1,0m - FEIJÃO 0,5m X 0,1 m
MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA
MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA
FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF
FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF
FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF
MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA
MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA
FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF
FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF
FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF

15
3. ESCOLHA DAS SEMENTES
Para uma boa produtividade, as sementes utilizadas no plantio devem ter
boa qualidade e serem provenientes de uma cultivar adaptada à região,
sendo que esta deve ser adquirida de um produtor idôneo e detentor de
registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA.
Se a região não dispuser de sementes certificadas, o produtor poderá
utilizar os grãos produzidos na própria região. No entanto, esses grãos devem ser oriundos de plantas sadias, com características genéticas desejáveis e produtivas.

Fotos: Sementes certificadas
Fonte: G R M Agropecuária Vitória Sementes

4. SEMEADURA
A mamoneira pode ser semeada manual ou mecanicamente.
5.1 SEMEADURA MANUAL
No plantio manual, deve-se fazer a abertura das covas com enxada, na
profundidade de 3 cm para solos argilosos, e de 6 cm, para solo arenosos,
colocando-se de 2 a 3 sementes por cova, mesma quantidade utilizada no
plantio com matraca.

Foto: Semeadura manual
Fonte: EMBRAPA

16

Foto: Semeadura manual
Fonte: EMBRAPA
5.2 SEMEADURA MECANIZADA
O cultivo mecanizado pode ser feito por semeaduras tracionadas por
animal ou trator, que devem estar reguladas conforme o espaçamento.
Dependendo do método de semeadura e da cultura utilizada, o gasto
de sementes é de 5 a 15 kg/ha, com adubação de plantio/fundação, de
acordo com as recomendações da análise química do solo.

Foto: Semeadura tracionada por animal
Fonte: EMBRAPA

Foto: Semeadura tracionada por trator
Fonte: G R M Agropecuária - Vitória Sementes

VII. TRATOS CULTURAIS
1. DESBASTE
O desbaste é uma prática que consiste na retirada de excesso de plantas deixando somente aquela que apresenta o maior desenvolvimento
em cada cova. Deve ser realizado quando as plantas tiverem atingido de
10 a 12 cm de altura e,ou, 20 ou 30 dias após o plantio.
2. CAPINA
Consiste na retirada da ervas daninhas visando minimizar as perdas de
água, luz, nutrientes e espaço físico, proporcionando o bom desenvolvimento da mamoneira com boa produtividade. Essa técnica deve ser
realizada até 60 dias após a germinação.
Os métodos de capina utilizados podem ser realizados mecanicamente
nas entrelinhas e manualmente nas linhas, não sendo recomendado
após os 60 dias de germinação para não danificar as raízes.

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Foto: Capina com cultivador tração animal
Fonte: EMBRAPA

Foto: Capina manual nas linhas
Fonte: G R M Agropecuária

3. ADUBAÇÃO DE COBERTURA
Prática realizada entre 40 a 50 dias após a emergência da mamoneira ou
quando alcançarem aproximadamente 50 cm de altura. A quantidade de
adubo a ser utilizado será determinada de acordo com a recomendação
da análise do solo.
4. PODA
A poda é uma técnica utilizada quando a sobrevivência das plantas está
acima de 80% após a última colheita do 1º ano e 30 a 40 dias a partir o início do período chuvoso. Deve ser realizada com corte em bizel a uma altura média de 50 cm do solo, utilizando ferramentas
apropriadas (foice, facão, tesoura de poda, serra,
entre outras). Após a poda, sugere-se a aplicação
de calda bordaleza (fungicida natural) no local do
corte para evitar a disseminação de fungos.

Foto: Poda da mamoneira
Fonte: GRM Agropecuária

18
VIII. CONTROLE FITOSSANITÁRIO
Para o controle adequado das pragas e doenças que acometem a cultura da mamona, é importante que se realize o monitoramento periódico
das plantas, visando identificar o índice populacional das pragas e a incidência de doenças, definindo assim o momento ideal para o controle.
1. CONTROLE DAS PRAGAS
1.1 PERCEVEJO VERDE
O percevejo verde (Nezara viridula, L.) é um inseto que apresenta coloração escura e com manchas vermelhas na fase jovem e, na fase adulta,
coloração verde. Vive em colônias e alimenta-se de seiva presentes nas
folhas, haste e frutos.
Os sintomas de infestação do percevejo verde são o murchamento e
secamento dos frutos de um mesmo cacho entre frutos normais. Para
o controle do percevejo verde, utilizar métodos culturais ou químicos
mediante a orientação técnica.

Foto: Percevejo verde
Fonte: GRM Agropecuária

Foto: Sintomas de ataque de percevejo
verde
Fonte: EMBRAPA

2 CIGARRINHA
A cigarrinha (Empoasca cramer) é um inseto sugador, pequeno e ágil,
que se locomove lateralmente na face inferior das folhas. Após o ataque

19
das cigarrinhas, as folhas ficam cloráticas e viram as bordas para cima
tornando-se quebradiças.
Para o controle da cigarrinha, utilizar método cultural, biológico ou químico, mediante orientação técnica.

Foto: Cigarrinha
Fonte: EMBRAPA

Foto: Sintomas de ataque das
cigarrinhas
Fonte: EMBRAPA

1.3 ÁCAROS
Os ácaros vermelhos (Tetranychus ludeni) e ácaros rajados (Tetranychus urticae) são pequenos aracnídeos, quase invisíveis a olho nu, devendo ser observados com o auxílio de uma lupa. São comumente encontrados na face
inferior das folhas, se alimentando da epiderme foliar, provocando a perda
de brilho das folhas, as quais se tornam escuras, secando posteriormente.
Para o controle do ácaro, utilizar método cultural, biológico ou químico,
mediante orientação técnica.

Foto: Ácaros vermelhos
Fonte: EMBRAPA

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Foto: Ácaros rajados
Fonte: EMBRAPA

Foto: Sintomas de ataque de
ácaros nas folhas
Fonte: EMBRAPA
1.4 LAGARTAS
Diversos tipos de lagartas podem atacar a mamoneira, como: lagartada-folhas (Spodoptera latifascia), lagarta-de-solo (Elasmopalpus lignosellus zeller) e a lagarta-rosca (Agrotir ipsilon).

Foto: Lagarta-da-folha
Fonte: EMBRAPA

Foto: Lagarta-rosca
Fonte: EMBRAPA

os principais sintomas após os ataques são:
• Lagarta–da–folha: causa o desfolhamento das plantas.
• Lagarta–de–solo: causa galeria no colo da planta, danificando os tecidos.
• Lagarta–rosca: corta o colo da planta jovem, provocando a sua morte.
Para o controle da lagarta, utilizar método cultural, biológico ou químico,
mediante orientação técnica.
1.5 - INIMIGOS NATURAIS DAS PRAGAS DA MAMONEIRA.
Algumas pragas da cultura da mamoneira podem ser controladas pelos
seguintes inimigos naturais:
• Aranha: alimentam-se de todos os insetos pragas da mamoneira, principalmente as lagartas.
• Joaninha: alimentam-se de lagartas, pulgões e cochonilhas.
• Crisopa ou Lixeiro: alimentam-se de ovos de lagartas e lepitódpteros.
• Parasitódes: controlam as lagartas

21
2. CONTROLE DAS DOENÇAS
2.1 MOFO CINZENTO
Principal doença da mamoneira causada pelo fungo (Botryotinia ricini). Em
condições favoráveis (temperatura em torno de 25ºC e umidade relativa
do ar superior a 80%), ataca o caule, as folhas e toda a estrutura floral e
de frutificação. O fungo ataca o caule e as folhas, provocando exudação
de um líquido amarelo. Nos frutos, verifica-se a presença de bolor cinza,
semelhante à teia de aranha.

Foto: Sinomas do mofo cinzento no cacho da mamoneira
Fonte: EMBRAPA

O controle do morfo cinzento se inicia com a utilização de sementes de
boa procedência, sadias, cultivares resistentes e controle químico com
fungicidas, conforme orientação de um responsável técnico.
2.2 PODRIDÃO DO TRONCO
Doença causada pelo fungo (Macrophomina phaseolina), considerada
uma das doenças mais importantes da mamoneira, na região do semiárido nordestino, devido à ocorrência de solo seco e temperatura elevada
em boa parte do ano, favorecendo a permanência do fungo no solo.
Seu controle é muito difícil, pois o fungo permanece no solo por muitos
anos e ataca diversas culturas. Recomenda-se a rotação de culturas, pousio
do solo por pelo menos dois anos e utilização de cultivares resistentes.

22
Os principais sintomas são amolecimento e manchas nas plantas, com
lesões nas raízes, podendo atingir também o caule evoluído para outras
partes da planta, provocando a sua morte.

Doença causada pelo fungo (Macophomina phaseolina)
Fonte: EMBRAPA

2.3 PODRIDÃO DOS RAMOS
Podridão dos ramos, também conhecida como podridão de botryodiplodia. É causada pelo fungo (Lasiodiplodia theobromae), que provoca
o murchamento dos ramos e do caule, de cima para baixo, atingindo as
raízes, causando a morte da planta.
Rotação de culturas, utilização de sementes sadias, eliminação de restos culturais e a desinfecção das ferramentas utilizadas na poda, a fim
de se evitar a disseminação da doença, são os principais método de
controle dessa doença.

Foto: Sintomas de podridão de botryodiplodia
Fonte: EMBRAPA

23
2.4 MURCHA–DE–FUSÁRIUM
A murcha–de–fusárium, : causada pelo fungo (Fusarium oxysporum. sp.
ricini), provoca a obstrução dos vasos, o aparecimento de manchas amareladas e quedas das folha, causando murchamento e a morte da planta.

Foto: Sintomas de fusariosa na mamoneira
Fonte: EMBRAPA

O método de controle se inicia com a utilização de sementes sadias, provenientes de campos livres de doenças, a realização de rotação de culturas, a eliminação de ervas daninha, além de deixar a área em pousio por
pelo menos dois anos.

IX. COLHEITA
Dependendo da cultivar utilizada no plantio, a colheita poderá ser manual
ou mecânica, sendo que para as culturas deiscentes e semideiscentes
colhe-se de 50% a 70% dos frutos presentes nos cachos que estiverem
maduros, enquanto que, para as variedades indeiscentes, faz-se apenas
uma colheita quando os cachos estiverem totalmente secos

Foto: Mamona em ponto de colheita
Fonte: G R M Agropecuária

24
2. COLHEITA MECANIZADA
A colheita mecânica é outra forma utilizada desde que haja adequação
das lavouras e espaçamentos, a fim de facilitar o trânsito de máquinas,
sendo mais indicada para as variedades de portes baixo, frutos indeiscentes,
com diâmetros e maturidade dos frutos uniformes.

Foto:Colheitadeira mecanizada
Fonte:G R M Agropecuária - Vitória Sementes

X. SECAGEM, BENEFICIAMENTO
E ARMAZENAMENTO.
1. SECAGEM
A secagem dos frutos pode ser natural, quando exposta ao sol ou artificial,
quando realizada com secadores.
A secagem natural é feita em terraços de alvenaria, chão batido ou lona
plástica, sendo os frutos retirados do racemo e espalhados em camadas
finas de 5 a 10 cm, revirados várias vezes ao dia, durante o período de
15 dias, dependendo da condição climática. Para a secagem dos frutos de mamona de uma área correspondente a um hectare de cultivo
necessita-se de um terraço de dimensão 10 x 20m.
A umidade ideal dos frutos após a secagem é de 10% ou quando os
grãos estiverem estalando (abertura da casca e desprendimento do
grão).

25
Foto: Secagem natural da mamona em terreiro de chão batido
Fonte: G R M Agropecuária - Vitória Sementes

2. BENEFICIAMENTO
O beneficiamento consiste na separação das cascas dos grãos quando os
frutos estiverem em temperatura ambiente, podendo ser realizado manual
ou mecanicamente.

Esquema de funcionamento de descascador. Fonte: Jarry (1962).

26
2.1 BENEFICIAMENTO MANUAL
Consiste no beneficiamento dos frutos, através da bateção com vara
fina, mangueira plástica ou pedaços de tábua e posterior abanamento
para separar a casca do grão.

Foto: Máquina adaptada para o descascamento.
Foto: O. S. Carvalho.

2.2 BENEFICIAMENTO MECÂNICO
Consiste no desprendimento e separação das cascas dos grãos através
de máquinas descascadoras, que utilizam disco de borracha ou cilindros
batedores.

Foto: Equipamentos mecânicos utilizados no beneficiamento da mamona
Fonte: EMBRAPA

27
Foto: Equipamento mecânico utilizado
no beneficiamento da mamona
Fonte: G R M Agropecuária - Vitória
Sementes

3. ARMAZENAMENTO
Após o beneficiamento, os grãos deverão estar limpos e com teor de umidade de 8% a 10% devendo ser acondicionados em sacos de aniagem
com capacidade de 60 kg e empilhados sobre estrados de madeira, em
depósitos limpos, secos e arejados.

XI. COMERCIALIZAÇÃO DA MAMONA
A comercialização é uma etapa muito importante e deve ser planejada
antes mesmo de se realizar o plantio.
Nesse planejamento, o produtor deve fazer uma pesquisa sobre o preço
do produto no mercado e o custo de sua produção, a fim de constatar se
vai obter lucro ou prejuízo em seu empreendimento. Além disso, o produtor
precisa identificar o mercado para comercialização do seu produto.
É importante que o produtor se organize em cooperativas ou associações,
fortalecendo a comercialização junto às indústrias de extração de óleo
para a produção de biodiesel ou para atender ao mercado de ricinoquímica,
que são indústrias à base de óleo de mamona.

28
BIBLIOGRAFIA
http://www.cnpa.embrapa.br/produtos/mamona/cultivares.html.
Acessado em 26 de abril de 2007.
http://www.cnpa.embrapa.br/produtos/mamona/controle_pragas.html.
Acessado em 26 de abril de 2007.
http://www.cnpa.embrapa.br/produtos/mamona/controle_doenças.
html. Acessado em 26 de abril de 2007.
http://www.cnpa.embrapa.br/produtos/mamona/tratos_culturais.html.
Acessado em 26 de abril de 2007.
http://www.cnpa.embrapa.br/produtos/mamona/cadeia_produtiva_
biodiesel.html Acessado em 26 de abril de 2007.
http://www.cnpa.embrapa.br/produtos/mamona/plantio.html. Acessado
em 05 de maio de 2007.
http://www.criareplantar.com.br/agricultura/mamona/mamona.
php?tipoConteudo=texto&i... Acessado em 24 de abril de 2007.
AZEVEDO, D. M.; BELTRÃO, N. E. M. O Agronegócio da Mamona no
Brasil / editores técnicos. Brasília: 2. Ed. Ver. e ampl. Embrapa Informação Tecnológica, Embrapa Algodão (Campina Grande, PB), 207. 504p.
http://www.iac.sp.gov.br/Tecnologias/Mamona/Mamona.html.
Acessado em 24 de abril de 2007.
CARVALHO, B.C.L. Manual do cultivo da mamona. Salvador: EBDA,
2005. 65p.il.
BRASIL BIODIESEL. Cultivo da mamona e do feijão caupi/Recomendações
básicas para a agricultura familiar. Fortaleza-CE. 2005. 28p.

29
OLIVEIRA, Reinaldo Nunes. Cultivo e Processamento de Mamona, ViçosaMG, CTP, 2004.156p.
BELTRÃO, N.E.M.; SILVA, L.C.; MELO, F.B. Cultivo da mamona (Ricinus
communis L.) consorciado com feijão caupi [(Vigna unguiculata(L.) Walp]
para o Semi-Árido nordestino, em especial do Piauí. Campina Grande:
Embrapa CNPA, 2002.44p.(Embrapa CNPA. Documentos, 97).
AZEVEDO, D.P.M.; LIMA, E.F.; BATISTA, F. A. S.; BELTRÃO, N.E.M.;
SOARES, J.J.; VIEIRA, R.M.; MORREIRA, J. A.N. Recomendações técnicas para o cultivo da mamoneira (Ricinus communis L.) no Nordeste
do Brasil. Campina Grande: Embrapa CNPA, 1997.92p. (Embrapa CNPA.
Circular Técnica, 25).
WEISS, E.A. Oil seed crops. London: Longman, 1983.600p.
TÁVORA, F.J.A. A cultura da mamona. Fortaleza: EPACE, 1982.111p
BERTONI, J.; PASTANA, F.I., LOMBARDI NETO, F., BENATTI JÚNIOR, R.
Conclusões gerais das pesquisas sobre conservação do solo no Instituto
Agronômico de Campinas. Campinas: Instituto Agronômico, 1972.56p.
(IAC. Circular, 20).

30
ANEXOS 01: PLANILHA PARA ACOMPANHAMENTO DA LAVOURA
CUSTO DE PRODUÇÃO/HA DE MAMONA SOLTEIRA
ESPACAMENTO: _____ m X ____m
Discriminação

Und.

Quant.

1º ANO
Valor (R$ 1,00)
Unitário

2º ANO
%

Total

%

Total

Serviços de terceiros
Análise de solo

und.

Preparo do solo (aração e gradagem)

h/t

Plantio + adubação da mamona

d/h

Pulverizações

d/h

Capinas entre linha (tratorizado)

h/t

Capina com enxada e desbaste

d/h

Colheita manual da mamona

d/h

Beneficiamento da mamona

d/h

Poda

d/h

Insumos
Semente de mamona

kg

Fertilizantes (NPK)

kg

Inseticida

lt

Fungicida

lt

Sacaria

und.

CUSTO DE PRODUÇÃO (1+2)
Produção estimada mamona**

kg

Custo de produção**

RENDA LÍQUIDA

31
CUSTO DE PRODUÇÃO/HA DE MAMONA CONSORCIADO COM_________________________
ESPACAMENTOS - MAMONA: _____ m X ____ m - CONSORCIO:__________:____ m X____ m
Discriminação

Und.

Quant.

1º ANO
Valor (R$ 1,00)
Unitário

Serviços de terceiros
Análise de solo

und.

Preparo do solo (aração e gradagem)

h/t

Plantio + adubação do consorcio

d/h

Plantio + adubação da mamona

d/h

Pulverizações

d/h

Capinas com enxada ou cultivador

d/h

Capina com enxada e desbaste

d/h

Colheita manual

d/h

Colheita manual da mamona

d/h

Beneficiamento

d/h

Beneficiamento da mamona

d/h

Poda

d/h

Insumos
Sementes do consorcio

kg

Semente de mamona

kg

Fertilizantes (NPK)

kg

Inseticida

lt

Fungicida

lt

Sacaria

und.

CUSTO DE PRODUÇÃO (1+2)
Produção estimada mamona**

kg

Produção estimada da cultura
consorciada

kg

Custo de produção**

RENDA LÍQUIDA
CONSÓRCIO
MAMONA

32

MAMONA & CONSORCIO

Total

2º ANO
%

Total

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Cultivo da Mamona - Autor & Consultor Eng. Gleidson Martins

  • 1.
  • 2. EXPEDIENTE A cartilha O Cultivo da Mamona – Recomendações técnicas para a agricultura familiar é um produto do PROJETO UTDS, implementado pelo INSTITUTO BRASIL DE ESTUDOS, PESQUISAS E GESTÃO ESTRATÉGICA DE COMPETÊNCIAS (IBRAGEC) em parceria com a Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) com gestão financeira da Caixa Econômica Federal por meio do Contrato de Repasse nº 0323083-22/2010. O objetivo geral é a implantação de 90 Unidades Técnicas de Demonstração e Observação (UTD’s) nos pólos de produção de oleaginosas no Nordeste e Semi-Árido do Brasil para transferir e difundir tecnologia e conhecimento, em sistemas de produção de mamona e girassol. Tiragem: 9.000 exemplares Distribuição: gratuita Circulação: Norte de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí e Ceará. Público-alvo: agricultores familiares, técnicos de assistência técnica, engenheiros e demais interessados. Editor: Gleidson Rocha Martins Revisão: Herta de Oliveira Scarascia Design gráfico: Samuel Araújo Figueiredo INSTITUTO BRASIL Presidente: Giovanni Weber Scarascia Vice-presidente: Patrícia Oliveira Gomes Diretor Financeiro: Derli José de Oliveira Junior Secretária Executiva: Maria das Graças Soares Lourenço de Freitas Diretora de Projetos Especiais: Herta de Oliveira Scarascia Diretor Internacional: Wederson Marinho dos Santos PROJETO UTDS Equipe técnica Engenheiro Supervisor: Gleidson Rocha Martins Engenheiro Ceará: Wanderley Magalhães Engenheiro norte de Minas Gerais: Adílio Teixeira da Silva Engenheiro Bahia: Jullyan R. V. Castro Engenheiro Pernambuco e Piauí: Roberto Ferreira Carvalho Engenheiro Rio Grande do Norte e Paraíba: Elias Moura ®Todos os direitos reservados. É permitida a divulgação em parte ou na sua totalidade desta Cartilha desde que citada a fonte.
  • 3. SUMÁRIO APRESENTAÇÃO INTRODUÇÃO CULTIVO DA MAMONA I. ASPECTO BOTÂNICO DA MAMONEIRA II. VARIEDADES DA MAMONEIRA III. LOCAL PARA PLANTIO 1. Exigências da planta 1.1. Clima e Solo IV. PREPARO DO SOLO PARA PLANTIO 1. Limpeza da área 2. Práticas de conservação do solo 2.1 Controle da erosão 3. Calagem, aração e gradagem. V. SISTEMA DE PRODUÇÃO 1. Cultivo em sistema isolado 2. Cultivo em sistema consorciado VI. PLANTIO DA MAMONEIRA 1. Época do plantio 2. Espaçamento 2.1. Espaçamento do sistema solteiro 2.2. Espaçamento do sistema consorciado 3. Escolha das sementes 4. Semeadura 4.1. Semeadura manual 4.2. Semeadura mecanizada 1
  • 4. VII. TRATOS CULTURAIS 1. Desbaste 2. Capina 3. Adubação de cobertura 4.Poda VIII.CONTROLE FITOSSANITÁRIO 1. Controle das pragas 1.1. Percevejo verde 1.2. Cigarrinha 1.3. Ácaros 1.4. Lagartas 1.5. Inimigos naturais das pragas da mamoneira 2. Controle das doenças 2.1. Mofo cinzento 2.2. Podridão do tronco 2.3. Podridão dos ramos 2.4. Murcha de fusarium IX. COLHEITA 1. Colheita manual 2. Colheita mecanizada X. SECAGEM, BENEFICIAMENTO E ARMAZENAMENTO 1. Secagem 2. Beneficiamento 2.1. Beneficiamento manual 2.2. Beneficiamento mecanizado 3. Armazenamento XI. COMERCIALIZAÇÃO DA MAMONA BIBLIOGRAFIA ANEXOS 2
  • 5. APRESENTAÇÃO A criação do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), focado no desenvolvimento das potencialidades regionais e, portanto, no fortalecimento de culturas já consolidadas em cada uma das regiões brasileiras, abriu enormes perspectivas para agricultores familiares das regiões nordeste e semi-árido do Brasil, devido à possibilidade de plantio e de fornecimento de mamona e girassol para a indústria de biodiesel. Desde o início do PNPB, a mamona tornou-se a oleaginosa mais incentivada e alvo de todos os esforços no Nordeste e Semi-Árido, considerando-se que já era tradicionalmente plantada nessas regiões para suprir a demanda da indústria ricinoquímica. O Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA – adotou, como estratégia prioritária para a inclusão da agricultura familiar na base produtiva, o projeto Pólos de Biodiesel, que trouxe vários benefícios previsíveis e imprevisíveis para a agricultura familiar e ao PNPB. São exemplos dessa experiência: (a) o maior adensamento dos plantios de oleaginosas; (b) o menor custo de logística na fase agrícola da cadeia produtiva; (c) a maior qualidade e intensidade da assistência técnica; e (d) o aumento de produtividade (Fonte MDA). Por outro lado, surgiu a necessidade de aumentar ainda mais a competitividade dos agricultores familiares, utilizando-se as tecnologias disponíveis geradas pelas instituições de pesquisa e extensão rural dessas regiões. Com os avanços das pesquisas e da assistência técnica, alguns estados e territórios dessas regiões apresentaram grande potencial para a cultura. Entretanto, apesar da cultura facilitar a participação da agricultura familiar do nordeste e no semi-árido no PNPB, ela ainda apresenta baixo índice de produtividade, seja por falta de pesquisas, seja pela difusão dessas pesquisas ou, ainda, pela falta de uma assistência técnica especializada. Os motivos da baixa produtividade da mamona, que já vem sendo plantada há anos, muito provavelmente estão associados à desorganização e à irregularidade das relações na cadeia criada pela demanda de óleo para a ricinoquímica e a consequente falta de investimentos em pesquisa e em assistência técnica, apresentando assim baixo nível tecnológico. 3
  • 6. Dessa forma, considerando-se que a dinâmica da cadeia produtiva do biodiesel no Brasil, assim como toda atividade econômica de grande demanda, se caracteriza pela necessidade de escala e altos rendimentos, torna-se essencial que sejam feitos todos os esforços para aumentar a produtividade dessas culturas facilitando a transferência de tecnologia para esses agricultores familiares. Nesse sentido, um dos instrumentos mais viáveis e validados para essa finalidade são as Unidades Técnicas de Demonstração (UTDs). As UTDs, também conhecidas como escolas de campo, são resultado de uma metodologia desenvolvida inicialmente pela Food and Agriculture Organization of de United Nations (FAO), na Indonésia, visando atender - de forma grupal - aos agricultores daquele país, funcionando como instrumentos para transferência de tecnologia e assistência técnica coletiva. Com essas unidades, os agricultores familiares têm a possibilidade de aprender, de maneira prática, as melhores formas de manejo, plantio e colheita, por meio de capacitações e acompanhamento do cultivo em todas as etapas. Isso é feito através de uma vitrine real que contempla as características regionais de cada agricultor e do meio no qual ele está inserido. Neste contexto, o Instituto Brasil de Estudos, Pesquisas e de Gestão Estratégica de Competências – IBRAGEC, formalizou um convênio com o MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário, tornando-se a instituição responsável pela Implantação de 90 Unidades Técnicas de Demonstração e Observação (UTDs) nos pólos de produção de oleaginosas no nordeste e semi-árido do Brasil com o objetivo de transferir e de difundir tecnologia e conhecimento, em sistemas de produção de mamona e girassol. Giovanni Weber Scarascia Presidente do IBRAGEC 4
  • 7. INTRODUÇÃO Este manual técnico do cultivo da mamona apresenta-se de forma simples e ilustrada, detalhando todas as operações necessárias para o cultivo da mamona, com informações técnicas para a execução das operações de maneira prática e eficiente. Contém informações sobre os procedimentos necessários para se conhecer a botânica da planta da mamona e seus cultivares, a escolha do local de plantio, a definição do sistema de produção, a efetuação do controle fitossanitário de pragas e doenças, e a orientação na colheita, no beneficiamento, no armazenamento e na comercialização da mamona, garantindo o conhecimento técnico necessário para o alcance de boas produtividades com o aumento de renda por hectare das lavouras bem conduzidas. 5
  • 8. CULTIVO DA MAMONA A mamona, mamoneira ou rícino (Ricinus communis L.), originária da Etiópia, leste da África, é uma planta oleaginosa, de elevada importância econômica para o semi-árido brasileiro, por ser de fácil cultivo, ter resistência à seca, além de proporcionar ocupação e renda, sendo bastante usada por pequenos produtores participantes do PNPB no semi-árido e nordeste brasileiro, locais onde é adotada a mão-de-obra familiar no cultivo desta oleaginosa consorciada com culturas alimentares, como: feijão, milho, amendoim, melancia, abóbora. As plantas da mamoneira apresentam-se arbustiva, de porte médio, cujos frutos são produzidos em cachos, geralmente possuem espinhos, sendo os grãos de alto valor energético utilizados para a produção de diversos tipos de óleos, tortas, farelos, adubos orgânicos e biocombustíveis. O óleo extraído do grão da mamona é uma fonte potencial para a produção de biodiesel, bem como para diversas aplicações na área industrial (ceras, lubrificantes, cosméticos, plásticos, tintas, adesivos, entre outras), tornando o cultivo da mamona uma atividade com elevada importância socioeconômica. Fotos: Colheita, cacho e sementes de mamona Fonte: G R M Agropecuária - Vitória Sementes 6
  • 9. I. ASPECTO BOTÂNICO DA MAMONEIRA A mamoneira apresenta variabilidade com relação ao porte, hábito de crescimento, coloração do caule e folha, tamanhos e peso de sementes, teores de óleo, entre outros aspectos. É uma planta considerada perene, podendo ser arbórea, com altura que varia de 0,8 m a 12 metros. O ciclo biológico varia de acordo com a cultivar e o ambiente e compreende o período de 120 a 260 dias. Com relação ao porte, a mamoneira pode ser classificada como: Anão (0,8 m a 1,8 m), Médio (1,8m a 2,5 m), Alto (2,5m a 5,0 m) e Arbóreo (a partir de 5 m). O caule é tenro, tornando-se fibroso à medida que envelhece e apresenta cor verde, roxa ou vermelha, podendo ser recoberto por cera ou não. Os frutos da mamona podem se apresentar liso ou rugoso, com presença ou não de espinhos. E quanto à deiscência (abertura dos frutos após maturação) pode ser: indeiscentes (quando os frutos não se abrem), semideiscentes (quando os frutos se abrem parcialmente) e deiscentes (quando os frutos se abrem). As sementes podem variar de uma cultivar para outra, apresentando várias características como: cor, tamanho, peso, forma, presença de carúncula ou não e maior ou menor aderência do pigmento ao endosperma. Com relação à morfologia da raiz, apresenta sistema radicular pivotante podendo atingir de 1,5 m até 3,0 m de profundidade, com ramificação lateral. As folhas são de tamanho e cor variados e os ramos terminam com uma inflorescência, apresentando flores masculinas e femininas, chamadas de racemo. Anatomia da Mamoneira: (weiss, 1983) 7
  • 10. II. VARIEDADES DA MAMONEIRA Várias são as cultivares de mamoneira disponível para o plantio e comercializadas em todo território nacional: Preta Pernambucana; BRS 188 Paraguaçu; BRS 149 Nordestinas; BRS Energia; IAC-80; IAC-226; AL Guarani; Mirante; Coti; Sangue-de-Boi; Cerradão; Savana; Lyra; EBDA MPA 11; MPB 01 etc. As cultivares de interesses comerciais mais indicadas para o semi-árido nordestino são a BRS 188 Paraguaçu, BRS 149 Nordestina, BRS Energia e mais as variedades IAC 80, IAC 226 e AL Guarani para a região norte de Minas Gerais, as quais apresentam produtividade média em torno de 1.500 kg/ha sob regime de sequeiro, podendo atingir até 5.000 kg/ha em condições de irrigação. Foto: Mamona IAC 80 Fonte: G R M Agropecuária - Vitória Sementes 8
  • 11. CARACTERÍSTRICAS BRS 188 PARAGUAÇU BRS 149 NORDESTINA BRS 149 ENERGIA Ciclo (do plantio à colheita) 230 a 250 dias 230 a 250 dias 120 a 140 dias Produtividade média 1500 kg/ha (sequeiro) 5000 kg/ha (irrigação) 1500 kg/ha (sequeiro) 5000 kg/ha (irrigação) 1800 kg/ha (sequeiro) 5000 kg/ha (irrigação) Deiscência dos frutos Semideiscente Semideiscente Indeiscente Altura média da planta 1,60 m 1,90 m 1,40 m Cor do caule Roxo com cerosidade Verde com cerosidade Verde com cerosidade Cor da semente Preta Preta Rajada Peso médio de 100 sementes 71 g 68 g 55 g Teor de óleo 48 % 49% 48% Foto: BRS 188 PARAGUAÇU Foto: BRS 149 NORDESTINA Foto: BRS ENERGIA Fonte: G R M Agropecuária Fonte: G R M Agropecuária Fonte: G R M Agropecuária 9
  • 12. III. LOCAL PARA PLANTIO 1. EXIGÊNCIAS DA PLANTA Para o desenvolvimento vegetativo e uma boa produtividade, faz-se necessário observar as condições ideais de clima e solo, bem como espaçamentos recomendados para as cultivares comerciais, evitando-se sombreamento e competição por água, luz e nutrientes entre plantas. 1.1. CLIMA E SOLO A mamoneira é uma planta de origem tropical, apresentando bom desenvolvimento e produtividades em locais cuja altitude é de 300 a 1.500 metros, temperatura média de 20º C a 30º C e chuvas anuais de 500 a 1500 milímetros. Quanto aos solos, ela deve ser cultivada em terrenos com a topografia plana a suavemente onduladas ou com declividade máxima de 12%, pH entre 6,0 e 7,0 com boa drenagem e baixa salinidade, não sendo recomendados os plantios nos solos muitos argilosos e sujeitos a encharcamentos. IV. PREPARO DO SOLO PARA PLANTIO 1. LIMPEZA DA ÁREA A limpeza da área deve ser realizada conforme a cobertura vegetal encontrada. Se for necessário fazer o desmatamento e a destoca, verificar as exigências da Lei Ambiental, (Lei Nº 4.771, de 15 de setembro de 1965), consultando os órgãos competentes. Caso o desmatamento e a destoca sejam realizadas mecanicamente, não utilizar trator com lâmina, a fim de evitar a retirada de matéria orgânica existente na camada superficial. 10
  • 13. 2. PRÁTICAS DE CONSERVAÇÃO DO SOLO. A implantação da lavoura deve obedecer a Legislação Ambiental (Lei nº. 4.771, de 15 de setembro de 1965 – Código Federal), protegendo as nascentes, as veredas e o curso da água, preservando a mata ciliar. 2.1 CONTROLES DA EROSÃO Plantios em locais com declividade até 12% devem ser feito através da realização de curvas de nível ou terraceamento, protegendo o solo contra a erosão. Foto: Curva de nível Fonte: EMBRAPA 3. CALAGEM, ARAÇÃO E GRADAGEM A aplicação do calcário deve ser realizada caso seja indicada pelo resultado da análise do solo, com uma distribuição feita a lanço, manualmente com uma pá, e,ou, com uso de uma máquina especifica, observando o período de 60 a 90 dias antes do plantio. A aração consiste no revolvimento do solo, melhorando a sua estrutura física. Esta prática é realizada com o solo úmido (friável) e no sentido da curva de nível do terreno, evitando-se os efeitos causados pela erosão, seguida de uma ou duas gradagens, que devem ser feitas com o objetivo de destorroar e nivelar o solo, podendo também ser utilizada para a incorporação do calcário. 11
  • 14. Foto: Aração com arado de aiveca Fonte: EMBRAPA V. SISTEMA DE PRODUÇÃO 1. CULTIVO EM SISTEMA ISOLADO O sistema de cultivo isolado, também chamado de cultivo solteiro, utiliza apenas a cultura da mamona na área de plantio, semeando-a em fileiras simples ou duplas. Foto: Cultivo solteiro – BRS 188 Paraguaçu Fonte: G R M Agropecuária 2. CULTIVO EM SISTEMA CONSORCIADO É o sistema de cultivo da oleaginosa com utilização de culturas alimentares, de preferência as rasteiras ou de porte baixo, como exemplo o feijão e o amendoim, possibilitando um aumento da renda para o produtor de mamona, bem como a melhoria das condições físicas do solo. 12
  • 15. Para este tipo de cultivo, a cultura alimentar consorciada deve ser plantada em torno de 15 dias após o plantio da mamona, evitando não prejudicar o desenvolvimento inicial da cultura. Foto: Cultivo consorciado com feijão Fonte: G R M Agropecuária VI. Foto: Cultivo consorciado com milho Fonte: G R M Agropecuária PLANTIO DA MAMONEIRA O plantio se baseia nas recomendações técnicas que permite um desenvolvimento satisfatório das plantas e consequentemente a obtenção de bons índices de produtividade. 1. ÉPOCA DO PLANTIO Para a definição da época do plantio, deverá ser observada a estação chuvosa da região e o zoneamento agrícola, tomando o cuidado para que o ciclo da plantas permita a colheita na estação seca. 2. ESPAÇAMENTO O espaçamento adequado de plantio está relacionado com um melhor aproveitamento da área, facilitando os tratos culturais, permitindo um melhor desenvolvimento das plantas, uma vez que possibilita maior otimização da água, da luz e dos nutrientes, influenciando diretamente na produção, se apresentado diferenciado para o sistema de cultivo solteiro e consorciado da mamona. 13
  • 16. 2.1. ESPAÇAMENTO DO SISTEMA SOLTEIRO No cultivo solteiro ou isolado, o espaçamento será definido de acordo com o porte da planta, e a fertilidade do solo. Quadro 2. Exemplo de espaçamento para o sistema solteiro ou isolado PORTE DA MANONEIRA SOLO FÉERTIL SOLO FRACO ALTO 3,0m X 2,0m 2,5m X 1,8m MÉDIO 1,8m X 1,3m 1,5m X 1,0m ANÃO 1,2m X 1,0m 1,0m X 0,7m 2.2. ESPAÇAMENTO DO SISTEMA CONSORCIADO No cultivo consorciado, o espaçamento será definido de acordo com o porte da mamoneira e o número de fileiras da cultura intercalar. A escolha da cultura intercalada e o número de linhas vão depender do interesse comercial do produtor, sendo que para o cultivo com o milho, devem-se seguir rigorosamente os espaçamentos recomendados, a fim de evitar sombreamentos na cultura. Quadro 03: Exemplo de espaçamento para o sistema consorciado CULTIVO CONSORCIADO MAMONEIRA FEIJÃO Mamoneira em fileira simples, com 3 a 4 fileiras de feijão 3m x 1m ou 3m x 2m 4m x 1m ou 4m x 2m 0,5m x 0,1m Mamoneira em fileiras 3m x 1m x 1m ou duplas, com 3 a 4 4m x 1m x 1m fileiras de feijão 14 0,5m x 0,1m
  • 17. CONSÓRCIO MAMONA + FEIJÃO FILEIRAS SIMPLES DE MAMONA EXEMPLO DE ESPACAMENTO: MAMONA 3,0m X 1,0m - FEIJÃO 0,5m X 0,1 m MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF CONSÓRCIO MAMONA + FEIJÃO FILEIRAS DUPLAS DE MAMONA EXEMPLO DE ESPACAMENTO: MAMONA 3,0m X 1,0m X 1,0m - FEIJÃO 0,5m X 0,1 m MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA MA FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF 15
  • 18. 3. ESCOLHA DAS SEMENTES Para uma boa produtividade, as sementes utilizadas no plantio devem ter boa qualidade e serem provenientes de uma cultivar adaptada à região, sendo que esta deve ser adquirida de um produtor idôneo e detentor de registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA. Se a região não dispuser de sementes certificadas, o produtor poderá utilizar os grãos produzidos na própria região. No entanto, esses grãos devem ser oriundos de plantas sadias, com características genéticas desejáveis e produtivas. Fotos: Sementes certificadas Fonte: G R M Agropecuária Vitória Sementes 4. SEMEADURA A mamoneira pode ser semeada manual ou mecanicamente. 5.1 SEMEADURA MANUAL No plantio manual, deve-se fazer a abertura das covas com enxada, na profundidade de 3 cm para solos argilosos, e de 6 cm, para solo arenosos, colocando-se de 2 a 3 sementes por cova, mesma quantidade utilizada no plantio com matraca. Foto: Semeadura manual Fonte: EMBRAPA 16 Foto: Semeadura manual Fonte: EMBRAPA
  • 19. 5.2 SEMEADURA MECANIZADA O cultivo mecanizado pode ser feito por semeaduras tracionadas por animal ou trator, que devem estar reguladas conforme o espaçamento. Dependendo do método de semeadura e da cultura utilizada, o gasto de sementes é de 5 a 15 kg/ha, com adubação de plantio/fundação, de acordo com as recomendações da análise química do solo. Foto: Semeadura tracionada por animal Fonte: EMBRAPA Foto: Semeadura tracionada por trator Fonte: G R M Agropecuária - Vitória Sementes VII. TRATOS CULTURAIS 1. DESBASTE O desbaste é uma prática que consiste na retirada de excesso de plantas deixando somente aquela que apresenta o maior desenvolvimento em cada cova. Deve ser realizado quando as plantas tiverem atingido de 10 a 12 cm de altura e,ou, 20 ou 30 dias após o plantio. 2. CAPINA Consiste na retirada da ervas daninhas visando minimizar as perdas de água, luz, nutrientes e espaço físico, proporcionando o bom desenvolvimento da mamoneira com boa produtividade. Essa técnica deve ser realizada até 60 dias após a germinação. Os métodos de capina utilizados podem ser realizados mecanicamente nas entrelinhas e manualmente nas linhas, não sendo recomendado após os 60 dias de germinação para não danificar as raízes. 17
  • 20. Foto: Capina com cultivador tração animal Fonte: EMBRAPA Foto: Capina manual nas linhas Fonte: G R M Agropecuária 3. ADUBAÇÃO DE COBERTURA Prática realizada entre 40 a 50 dias após a emergência da mamoneira ou quando alcançarem aproximadamente 50 cm de altura. A quantidade de adubo a ser utilizado será determinada de acordo com a recomendação da análise do solo. 4. PODA A poda é uma técnica utilizada quando a sobrevivência das plantas está acima de 80% após a última colheita do 1º ano e 30 a 40 dias a partir o início do período chuvoso. Deve ser realizada com corte em bizel a uma altura média de 50 cm do solo, utilizando ferramentas apropriadas (foice, facão, tesoura de poda, serra, entre outras). Após a poda, sugere-se a aplicação de calda bordaleza (fungicida natural) no local do corte para evitar a disseminação de fungos. Foto: Poda da mamoneira Fonte: GRM Agropecuária 18
  • 21. VIII. CONTROLE FITOSSANITÁRIO Para o controle adequado das pragas e doenças que acometem a cultura da mamona, é importante que se realize o monitoramento periódico das plantas, visando identificar o índice populacional das pragas e a incidência de doenças, definindo assim o momento ideal para o controle. 1. CONTROLE DAS PRAGAS 1.1 PERCEVEJO VERDE O percevejo verde (Nezara viridula, L.) é um inseto que apresenta coloração escura e com manchas vermelhas na fase jovem e, na fase adulta, coloração verde. Vive em colônias e alimenta-se de seiva presentes nas folhas, haste e frutos. Os sintomas de infestação do percevejo verde são o murchamento e secamento dos frutos de um mesmo cacho entre frutos normais. Para o controle do percevejo verde, utilizar métodos culturais ou químicos mediante a orientação técnica. Foto: Percevejo verde Fonte: GRM Agropecuária Foto: Sintomas de ataque de percevejo verde Fonte: EMBRAPA 2 CIGARRINHA A cigarrinha (Empoasca cramer) é um inseto sugador, pequeno e ágil, que se locomove lateralmente na face inferior das folhas. Após o ataque 19
  • 22. das cigarrinhas, as folhas ficam cloráticas e viram as bordas para cima tornando-se quebradiças. Para o controle da cigarrinha, utilizar método cultural, biológico ou químico, mediante orientação técnica. Foto: Cigarrinha Fonte: EMBRAPA Foto: Sintomas de ataque das cigarrinhas Fonte: EMBRAPA 1.3 ÁCAROS Os ácaros vermelhos (Tetranychus ludeni) e ácaros rajados (Tetranychus urticae) são pequenos aracnídeos, quase invisíveis a olho nu, devendo ser observados com o auxílio de uma lupa. São comumente encontrados na face inferior das folhas, se alimentando da epiderme foliar, provocando a perda de brilho das folhas, as quais se tornam escuras, secando posteriormente. Para o controle do ácaro, utilizar método cultural, biológico ou químico, mediante orientação técnica. Foto: Ácaros vermelhos Fonte: EMBRAPA 20 Foto: Ácaros rajados Fonte: EMBRAPA Foto: Sintomas de ataque de ácaros nas folhas Fonte: EMBRAPA
  • 23. 1.4 LAGARTAS Diversos tipos de lagartas podem atacar a mamoneira, como: lagartada-folhas (Spodoptera latifascia), lagarta-de-solo (Elasmopalpus lignosellus zeller) e a lagarta-rosca (Agrotir ipsilon). Foto: Lagarta-da-folha Fonte: EMBRAPA Foto: Lagarta-rosca Fonte: EMBRAPA os principais sintomas após os ataques são: • Lagarta–da–folha: causa o desfolhamento das plantas. • Lagarta–de–solo: causa galeria no colo da planta, danificando os tecidos. • Lagarta–rosca: corta o colo da planta jovem, provocando a sua morte. Para o controle da lagarta, utilizar método cultural, biológico ou químico, mediante orientação técnica. 1.5 - INIMIGOS NATURAIS DAS PRAGAS DA MAMONEIRA. Algumas pragas da cultura da mamoneira podem ser controladas pelos seguintes inimigos naturais: • Aranha: alimentam-se de todos os insetos pragas da mamoneira, principalmente as lagartas. • Joaninha: alimentam-se de lagartas, pulgões e cochonilhas. • Crisopa ou Lixeiro: alimentam-se de ovos de lagartas e lepitódpteros. • Parasitódes: controlam as lagartas 21
  • 24. 2. CONTROLE DAS DOENÇAS 2.1 MOFO CINZENTO Principal doença da mamoneira causada pelo fungo (Botryotinia ricini). Em condições favoráveis (temperatura em torno de 25ºC e umidade relativa do ar superior a 80%), ataca o caule, as folhas e toda a estrutura floral e de frutificação. O fungo ataca o caule e as folhas, provocando exudação de um líquido amarelo. Nos frutos, verifica-se a presença de bolor cinza, semelhante à teia de aranha. Foto: Sinomas do mofo cinzento no cacho da mamoneira Fonte: EMBRAPA O controle do morfo cinzento se inicia com a utilização de sementes de boa procedência, sadias, cultivares resistentes e controle químico com fungicidas, conforme orientação de um responsável técnico. 2.2 PODRIDÃO DO TRONCO Doença causada pelo fungo (Macrophomina phaseolina), considerada uma das doenças mais importantes da mamoneira, na região do semiárido nordestino, devido à ocorrência de solo seco e temperatura elevada em boa parte do ano, favorecendo a permanência do fungo no solo. Seu controle é muito difícil, pois o fungo permanece no solo por muitos anos e ataca diversas culturas. Recomenda-se a rotação de culturas, pousio do solo por pelo menos dois anos e utilização de cultivares resistentes. 22
  • 25. Os principais sintomas são amolecimento e manchas nas plantas, com lesões nas raízes, podendo atingir também o caule evoluído para outras partes da planta, provocando a sua morte. Doença causada pelo fungo (Macophomina phaseolina) Fonte: EMBRAPA 2.3 PODRIDÃO DOS RAMOS Podridão dos ramos, também conhecida como podridão de botryodiplodia. É causada pelo fungo (Lasiodiplodia theobromae), que provoca o murchamento dos ramos e do caule, de cima para baixo, atingindo as raízes, causando a morte da planta. Rotação de culturas, utilização de sementes sadias, eliminação de restos culturais e a desinfecção das ferramentas utilizadas na poda, a fim de se evitar a disseminação da doença, são os principais método de controle dessa doença. Foto: Sintomas de podridão de botryodiplodia Fonte: EMBRAPA 23
  • 26. 2.4 MURCHA–DE–FUSÁRIUM A murcha–de–fusárium, : causada pelo fungo (Fusarium oxysporum. sp. ricini), provoca a obstrução dos vasos, o aparecimento de manchas amareladas e quedas das folha, causando murchamento e a morte da planta. Foto: Sintomas de fusariosa na mamoneira Fonte: EMBRAPA O método de controle se inicia com a utilização de sementes sadias, provenientes de campos livres de doenças, a realização de rotação de culturas, a eliminação de ervas daninha, além de deixar a área em pousio por pelo menos dois anos. IX. COLHEITA Dependendo da cultivar utilizada no plantio, a colheita poderá ser manual ou mecânica, sendo que para as culturas deiscentes e semideiscentes colhe-se de 50% a 70% dos frutos presentes nos cachos que estiverem maduros, enquanto que, para as variedades indeiscentes, faz-se apenas uma colheita quando os cachos estiverem totalmente secos Foto: Mamona em ponto de colheita Fonte: G R M Agropecuária 24
  • 27. 2. COLHEITA MECANIZADA A colheita mecânica é outra forma utilizada desde que haja adequação das lavouras e espaçamentos, a fim de facilitar o trânsito de máquinas, sendo mais indicada para as variedades de portes baixo, frutos indeiscentes, com diâmetros e maturidade dos frutos uniformes. Foto:Colheitadeira mecanizada Fonte:G R M Agropecuária - Vitória Sementes X. SECAGEM, BENEFICIAMENTO E ARMAZENAMENTO. 1. SECAGEM A secagem dos frutos pode ser natural, quando exposta ao sol ou artificial, quando realizada com secadores. A secagem natural é feita em terraços de alvenaria, chão batido ou lona plástica, sendo os frutos retirados do racemo e espalhados em camadas finas de 5 a 10 cm, revirados várias vezes ao dia, durante o período de 15 dias, dependendo da condição climática. Para a secagem dos frutos de mamona de uma área correspondente a um hectare de cultivo necessita-se de um terraço de dimensão 10 x 20m. A umidade ideal dos frutos após a secagem é de 10% ou quando os grãos estiverem estalando (abertura da casca e desprendimento do grão). 25
  • 28. Foto: Secagem natural da mamona em terreiro de chão batido Fonte: G R M Agropecuária - Vitória Sementes 2. BENEFICIAMENTO O beneficiamento consiste na separação das cascas dos grãos quando os frutos estiverem em temperatura ambiente, podendo ser realizado manual ou mecanicamente. Esquema de funcionamento de descascador. Fonte: Jarry (1962). 26
  • 29. 2.1 BENEFICIAMENTO MANUAL Consiste no beneficiamento dos frutos, através da bateção com vara fina, mangueira plástica ou pedaços de tábua e posterior abanamento para separar a casca do grão. Foto: Máquina adaptada para o descascamento. Foto: O. S. Carvalho. 2.2 BENEFICIAMENTO MECÂNICO Consiste no desprendimento e separação das cascas dos grãos através de máquinas descascadoras, que utilizam disco de borracha ou cilindros batedores. Foto: Equipamentos mecânicos utilizados no beneficiamento da mamona Fonte: EMBRAPA 27
  • 30. Foto: Equipamento mecânico utilizado no beneficiamento da mamona Fonte: G R M Agropecuária - Vitória Sementes 3. ARMAZENAMENTO Após o beneficiamento, os grãos deverão estar limpos e com teor de umidade de 8% a 10% devendo ser acondicionados em sacos de aniagem com capacidade de 60 kg e empilhados sobre estrados de madeira, em depósitos limpos, secos e arejados. XI. COMERCIALIZAÇÃO DA MAMONA A comercialização é uma etapa muito importante e deve ser planejada antes mesmo de se realizar o plantio. Nesse planejamento, o produtor deve fazer uma pesquisa sobre o preço do produto no mercado e o custo de sua produção, a fim de constatar se vai obter lucro ou prejuízo em seu empreendimento. Além disso, o produtor precisa identificar o mercado para comercialização do seu produto. É importante que o produtor se organize em cooperativas ou associações, fortalecendo a comercialização junto às indústrias de extração de óleo para a produção de biodiesel ou para atender ao mercado de ricinoquímica, que são indústrias à base de óleo de mamona. 28
  • 31. BIBLIOGRAFIA http://www.cnpa.embrapa.br/produtos/mamona/cultivares.html. Acessado em 26 de abril de 2007. http://www.cnpa.embrapa.br/produtos/mamona/controle_pragas.html. Acessado em 26 de abril de 2007. http://www.cnpa.embrapa.br/produtos/mamona/controle_doenças. html. Acessado em 26 de abril de 2007. http://www.cnpa.embrapa.br/produtos/mamona/tratos_culturais.html. Acessado em 26 de abril de 2007. http://www.cnpa.embrapa.br/produtos/mamona/cadeia_produtiva_ biodiesel.html Acessado em 26 de abril de 2007. http://www.cnpa.embrapa.br/produtos/mamona/plantio.html. Acessado em 05 de maio de 2007. http://www.criareplantar.com.br/agricultura/mamona/mamona. php?tipoConteudo=texto&i... Acessado em 24 de abril de 2007. AZEVEDO, D. M.; BELTRÃO, N. E. M. O Agronegócio da Mamona no Brasil / editores técnicos. Brasília: 2. Ed. Ver. e ampl. Embrapa Informação Tecnológica, Embrapa Algodão (Campina Grande, PB), 207. 504p. http://www.iac.sp.gov.br/Tecnologias/Mamona/Mamona.html. Acessado em 24 de abril de 2007. CARVALHO, B.C.L. Manual do cultivo da mamona. Salvador: EBDA, 2005. 65p.il. BRASIL BIODIESEL. Cultivo da mamona e do feijão caupi/Recomendações básicas para a agricultura familiar. Fortaleza-CE. 2005. 28p. 29
  • 32. OLIVEIRA, Reinaldo Nunes. Cultivo e Processamento de Mamona, ViçosaMG, CTP, 2004.156p. BELTRÃO, N.E.M.; SILVA, L.C.; MELO, F.B. Cultivo da mamona (Ricinus communis L.) consorciado com feijão caupi [(Vigna unguiculata(L.) Walp] para o Semi-Árido nordestino, em especial do Piauí. Campina Grande: Embrapa CNPA, 2002.44p.(Embrapa CNPA. Documentos, 97). AZEVEDO, D.P.M.; LIMA, E.F.; BATISTA, F. A. S.; BELTRÃO, N.E.M.; SOARES, J.J.; VIEIRA, R.M.; MORREIRA, J. A.N. Recomendações técnicas para o cultivo da mamoneira (Ricinus communis L.) no Nordeste do Brasil. Campina Grande: Embrapa CNPA, 1997.92p. (Embrapa CNPA. Circular Técnica, 25). WEISS, E.A. Oil seed crops. London: Longman, 1983.600p. TÁVORA, F.J.A. A cultura da mamona. Fortaleza: EPACE, 1982.111p BERTONI, J.; PASTANA, F.I., LOMBARDI NETO, F., BENATTI JÚNIOR, R. Conclusões gerais das pesquisas sobre conservação do solo no Instituto Agronômico de Campinas. Campinas: Instituto Agronômico, 1972.56p. (IAC. Circular, 20). 30
  • 33. ANEXOS 01: PLANILHA PARA ACOMPANHAMENTO DA LAVOURA CUSTO DE PRODUÇÃO/HA DE MAMONA SOLTEIRA ESPACAMENTO: _____ m X ____m Discriminação Und. Quant. 1º ANO Valor (R$ 1,00) Unitário 2º ANO % Total % Total Serviços de terceiros Análise de solo und. Preparo do solo (aração e gradagem) h/t Plantio + adubação da mamona d/h Pulverizações d/h Capinas entre linha (tratorizado) h/t Capina com enxada e desbaste d/h Colheita manual da mamona d/h Beneficiamento da mamona d/h Poda d/h Insumos Semente de mamona kg Fertilizantes (NPK) kg Inseticida lt Fungicida lt Sacaria und. CUSTO DE PRODUÇÃO (1+2) Produção estimada mamona** kg Custo de produção** RENDA LÍQUIDA 31
  • 34. CUSTO DE PRODUÇÃO/HA DE MAMONA CONSORCIADO COM_________________________ ESPACAMENTOS - MAMONA: _____ m X ____ m - CONSORCIO:__________:____ m X____ m Discriminação Und. Quant. 1º ANO Valor (R$ 1,00) Unitário Serviços de terceiros Análise de solo und. Preparo do solo (aração e gradagem) h/t Plantio + adubação do consorcio d/h Plantio + adubação da mamona d/h Pulverizações d/h Capinas com enxada ou cultivador d/h Capina com enxada e desbaste d/h Colheita manual d/h Colheita manual da mamona d/h Beneficiamento d/h Beneficiamento da mamona d/h Poda d/h Insumos Sementes do consorcio kg Semente de mamona kg Fertilizantes (NPK) kg Inseticida lt Fungicida lt Sacaria und. CUSTO DE PRODUÇÃO (1+2) Produção estimada mamona** kg Produção estimada da cultura consorciada kg Custo de produção** RENDA LÍQUIDA CONSÓRCIO MAMONA 32 MAMONA & CONSORCIO Total 2º ANO % Total %