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Livro Quarto: Esperanças e Consolações
Capítulo I: Penas e Gozos Terrestres
1.1 – Felicidade e infelicidade relativas
1.2 – Perda de pessoas amadas
1.3 – Decepções. – Afeições destruídas
1.4 – Uniões antipáticas
1.5 – Medo da morte
1.6 – Desgosto da vida. – Suicídio
Referências
Slides:
https://pt.slideshare.net/MartaMiranda6/411-felicidade-e-infelicidade-
relativaspptx
https://pt.slideshare.net/MartaMiranda6/412-perda-de-pessoas-
amadaspptx
https://pt.slideshare.net/MartaMiranda6/413-suicdiopptx
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INTRODUÇÃO
O Livro dos Espíritos é o primeiro livro da Codificação Espírita publicado por
Hippolyte Léon Denizard Rivail, com o pseudônimo de Allan Kardec.
A obra veio a público em 18 de abril de 1857, em Paris, na forma de perguntas
e respostas, originalmente compreendendo 501 itens. Foi fruto dos estudos de
Kardec sobre os fenômenos das mesas girantes, difundidos por toda a Europa
em meados do século XIX, e que, segundo muitos pesquisadores da época,
possuíam origem mediúnica.
As médiuns que serviram a esse trabalho foram inicialmente as jovens
Caroline e Julie Boudin, às quais mais tarde se juntou Celine Japhet e
Ermmance Defaux, no processo de revisão do livro. Após o primeiro esboço,
o método das perguntas e respostas foi submetido à comparação com as
comunicações obtidas por outros médiuns franceses, num total de "mais de
dez", nas palavras de Kardec, cujos textos psicografados contribuíram para a
estruturação do texto.
A segunda edição francesa foi lançada em 18 de março de 1860, tendo o Livro
dos Espíritos, naquela reimpressão, sido revisto quase "como trabalho novo,
embora os princípios não hajam sofrido nenhuma alteração. Para esta revisão,
Kardec manteve contato com grupos espíritas de cerca de 15 países
da Europa e das Américas. Nesta segunda edição é que aparecem 1018
perguntas e respostas.
O Livro dos Espíritos é a obra fundadora da Doutrina Espírita ou Espiritismo.
Ele trata dos aspectos científico, filosófico e religioso da doutrina, lançando as
bases que seriam posteriormente aprofundadas, por Allan Kardec, nas demais
obras da Codificação Espírita.
O Livro dos Espíritos é uma das oito obras fundamentais para o estudo da
Doutrina Espírita, sendo composto por quatro partes.
Estamos adentrando a quarta parte que trata das Esperanças e Consolações,
com apenas dois capítulos, aborda as consequências, para o Espírito, do
cumprimento ou não das leis:
 Capítulo I – Quando estiver vivendo no mundo corporal terá as “Penas e
gozos terrenos”.
 Capítulo II – Quando estiver vivendo no mundo espiritual terá as “Penas
e gozos futuros”.
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É uma das oito obras fundamentais para o estudo da Doutrina Espírita:
 O Livro dos Espíritos (1857);
 O que é o Espiritismo (1859);
 O Livro dos Médiuns (1861);
 O Evangelho Segundo Espiritismo (1863);
 O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo (1865);
 A Gênese, os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo (1868),
 Obras Póstumas (1890);
 Revista Espírita (1858-1869).
Doutrina Espírita – Terceira revelação
Pilares do Espiritismo:
1) A existência de Deus: Deus criador e eterno, bondoso, amoroso e justo.
2) A pluralidade dos mundos: a Terra não é o único planeta habitado nesse
universo. Há diversos outros mundos que não conseguimos perceber seus
habitantes devido a sua sutileza.
3) Imortalidade da alma: somos todos Espíritos imortais e não vivemos
apenas esse tempo desde o nascimento até o desenlace.
4) A pluralidade das existências (reencarnação): Quase uma consequência
do ponto anterior, somos seres imortais que reencarnam aqui nesse mundo e
também em outros sempre com o objetivo de evoluir através de experiências
na matéria.
5) Comunicabilidade dos Espíritos: a mediunidade é uma característica que
permite com que nos comuniquemos com espíritos desencarnados.
6) Evolução: processo de desenvolvimento progressivo, biológico e espiritual
da Natureza, no qual os seres vivos e inanimados se aperfeiçoam.
Com base nesses pilares, acrescidos do evangelho de Jesus e toda a moral
que ele contém, temos a formação da Doutrina Espírita, codificada por Allan
Kardec.
O Tríplice Aspecto da Doutrina Espírita compreende os princípios
Filosófico, Científico e Religioso.
O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina
filosófica. Como ciência prática ele consiste nas relações que se estabelecem
entre nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências
morais que fluem dessas mesmas relações.
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Podemos defini-lo assim:
O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos
Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.
O Espiritismo é uma ciência de observação e uma filosofia com
consequências morais. A religiosidade da doutrina espírita está nas
consequências morais.
- Evangelho Segundo o Espiritismo – Livro religioso da doutrina
- O Livro dos Espíritos – Livro filosófico da doutrina
- O Livro dos Médiuns e a Gênese – Parte científica da doutrina
Edifício em permanente construção.
As obras básicas da doutrina espírita sempre carecem de complementação,
pois nenhum campo da ciência é passível de ser esgotado, sempre há lacunas
a serem preenchidas pelos estudiosos, com o espiritismo não haveria de ser
diferente.
- Léon Denis, Camille Flamarion, Chico Xavier, Divaldo Franco, Zíbia Gasparetto, Mônica
de Castro, André Luiz Ruiz, Vera Lúcia, Yvonne, Edgard Ormond, etc. (encarnados) –
Contribuição dos desencarnados.
O Espiritismo não veio para solução dos nossos problemas imediatos.
O Espiritismo veio para que conheçamos as nossas múltiplas realidades
e saibamos fazer uma síntese dessas múltiplas realidades para entender
a razão da vida e do objetivo que nos espera.
“A salvação” e a felicidade só ocorrerá quando construirmos o templo
verdadeiro de Deus dentro de nossos corações, praticando o bem, o
amor e a caridade em todas as suas formas.
Vamos fazer sempre uma reflexão de como o mestre agiria em
determinadas situações e como nós deveríamos agir. Vamos seguir a
máxima de fazer aos outros aquilo que gostaríamos que nos fizesse. Se
assim procedermos estaremos cultivando as virtudes do bem e do amor,
incorporando o Evangelho do Cristo iremos chegar ao Pai por intermédio
do mestre Jesus, que é o Caminho, a Verdade e a Vida.
Orientação: Espíritas!, amai-vos, eis o primeiro ensinamento. Instruí-vos, eis
o segundo. (ESE, VI, 5)
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1.1 – Felicidade e infelicidade relativas
920 – O homem pode gozar, sobre a Terra, de uma felicidade completa?
Não, visto que a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Mas depende dele
amenizar seus males e ser tão feliz quanto se pode ser sobre a Terra.
Comentários:
A partir do momento que compreendemos que a Terra ainda se encontra no
nível de mundo de provas e expiações, agora passando para o mundo de
regeneração, fica fácil compreendermos como não é possível o homem gozar
plena felicidade na Terra, pois aqui ainda é um planeta de lutas, de provas, de
dificuldades. Aqui ainda é morada de Espíritos comprometidos com a lei de
Deus.
Assim não temos condições de almejar a felicidade completa, plena. Isso é
para os Mundos Felizes, Mundos Celestes. Não é o nosso caso ainda.
Porém, o fato de não termos uma completa felicidade na Terra, não quer dizer
que não podemos ser o máximo feliz possível que a Terra pode nos
proporcionar conforme a sua condição.
Nós podemos ser o mais feliz possível, depende de nós mesmos.
Podemos suavizar os males pela prática do bem.
A partir do momento que vivenciamos o Evangelho de Jesus, temos mais paz
de Espírito, sendo mais feliz.
Podemos não ter a felicidade plena, mas seremos mais felizes na Terra,
vivenciar essa felicidade aqui mesmo.
Muitas pessoas acreditam que se fizerem o bem estarão garantindo a
felicidade na erraticidade, quando desencarnar, como se a vida material não
pudesse nos proporcionar essa felicidade maior.
Para usufruir dessa felicidade não podemos buscá-la nas coisas do mundo,
pois nunca encontraremos a felicidade plena no mundo material.
Ao buscar essa felicidade nas conquistas do Espírito, com certeza teremos
condições de experenciar a felicidade terrestre.
LIVRO QUARTO: Esperanças e Consolações
Capítulo I: Penas e gozos Terrestres
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921 – Concebe-se que o homem será feliz sobre a Terra quando a
Humanidade estiver transformada; mas, até lá, cada um pode se garantir
uma felicidade relativa?
O mais frequentemente, o homem é o artífice de sua própria infelicidade.
Praticando a lei de Deus, ele se poupa dos males e chega a uma felicidade
tão grande quanto o comporta sua existência grosseira.
Allan Kardec:
O homem bem compenetrado de sua destinação futura não vê na vida
corporal senão uma estada passageira. É para ele uma parada
momentânea em má hospedaria. Ele se consola facilmente de alguns
desgostos passageiros de uma viagem que deve conduzi-lo a uma
posição tanto melhor quanto melhor tenha se preparado.
Somos punidos, desde esta vida, pelas infrações às leis da existência
corporal, pelos males que são a consequência dessas infrações e de
nossos próprios excessos. Se remontarmos, gradativamente, à origem
do que chamamos nossas infelicidades terrestres, veremos a estas na
maioria das vezes, como consequências de um primeiro desvio do
caminho reto. Por esse desvio, entramos num mau caminho e, de
consequência em consequência, caímos na infelicidade.
Comentários:
Aqui a Espiritualidade nos esclarece que o homem é o responsável pela sua
felicidade ou infelicidade.
A felicidade está em nossas mãos.
A nossa felicidade não depende do mundo material, do outro ou daquilo que
acontece ao nosso redor.
Porém, quando nós vemos o nosso próximo feliz, quando vemos que não há
desumanidade, quando vemos caridade, amor e que não há egoísmo nas
pessoas são motivos muito grandes para ficarmos felizes.
A felicidade do outro é motivo para a minha felicidade.
Quando amamos alguém ficamos felizes pela felicidade dele.
A dificuldade vivenciada hoje no planeta Terra não permite que nós possamos
ser plenamente felizes, mas se praticamos a lei de Deus vamos nos livrar de
muitos males e teremos a felicidade tão grande quanto comporta a nossa
existência grosseira.
A Terra ainda não proporciona a felicidade plena, mas teremos a felicidade
dentro das possibilidades, caso vivenciemos a lei de Deus. E assim, podemos
ser mais felizes do que somos hoje.
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Vamos passar pelos débitos e provas que devemos passar, mas teremos mais
força, coragem, perseverança, fé, entendimento para enfrentarmos os
desafios da vida, com paz e serenidade em nosso coração.
O destino da alma é ser feliz, é amar em todas as dimensões em que se possa engrandecer
cada vez mais. A Doutrina Espírita, juntamente com Jesus, que é seu sustentáculo nos
oferece, tanto na carne quanto no mundo espiritual, meios e métodos para verificar a nossa
maturidade. Despertando-nos para a vida real, a verdade começa a surgir nos nossos
caminhos, nos dando mais segurança no avanço espiritual.
Certamente que na Terra não existe felicidade na maneira que a ideamos, no entanto, a
felicidade relativa existe, com o conhecimento desse ambiente de luz. Os benfeitores
espirituais que se comunicam com os homens deixam traços dessa felicidade no que falam,
escrevem e inspiram os homens para o bem comum. (Miramez)
922 – A felicidade terrestre é relativa à posição de cada um; o que basta
à felicidade de um faz a infelicidade de outro. Entretanto, há uma medida
de felicidade comum a todos os homens?
Para a vida material, é a posse do necessário; para a vida moral, a consciência
tranquila e a fé no futuro.
Comentários:
A felicidade é bem relativa. Aquilo que me faz feliz pode não fazer feliz o outro
e pode até mesmo ser motivo de infelicidade. Então Kardec pergunta se há
uma felicidade comum a todos os homens.
- Em relação à vida material é a posse do necessário. Isso para nós é motivo
de felicidade comum porque não iremos passar necessidades para a
sobrevivência física. Aqui na Terra se tivermos condições de suprir as nossas
necessidades pela lei de conservação já é motivo de felicidade, de gratidão,
concedendo uma felicidade comum a todos os homens.
- Em relação à vida moral, a Espiritualidade nos orienta que é a consciência
tranquila e a fé no futuro.
De fato, quando estamos com a consciência tranquila nós nos sentimos
felizes. Nos traz um bem-estar enorme ao nosso coração. Sentimos o que é
felicidade.
Essa consciência tranquila varia de pessoa para pessoa.
A fé no futuro é outro fato que nos proporciona felicidade porque nos traz
esperança, a certeza de dias melhores e que nós iremos progredir e crescer
sempre. Essa certeza traz felicidade ao nosso coração.
Então existe uma felicidade comum a todos os homens, tanto materialmente,
quanto espiritualmente.
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Exemplo de pessoa feliz:
Quando reflito – uma coisa que faço frequentemente – sobre a felicidade de que desfrutei,
às vezes digo a mim mesmo que, se me fosse oferecida de novo exatamente a mesma
vida, voltaria a vivê-la do início ao fim”. (Benjamin Franklin)
Algo de felicidade na Terra existe, como marca da sua existência nos mundos venturosos,
todavia, ela tem uma escala que deve ser obedecida nos caminhos humanos. Cada criatura
a vê por um prisma e a sente na diversidade que a evolução ou despertamento lhe mostra.
A felicidade, com relação à vida material, são os bens terrenos, onde não falta o necessário.
Em se falando da vida moral, é a tranquilidade da consciência, aquela que não se perturba
com os acontecimentos transitórios do mundo exterior.
Se queres sentir a existência da felicidade, deves cultivar a fé, que sempre tem sua base
na oração, onde não podem faltar a sinceridade, a honestidade e a caridade. (Miramez)
923 – O que seria supérfluo para um não se torna necessário para outros,
e reciprocamente, segundo a posição?
Sim, de acordo com as vossas ideias materiais, vossos preconceitos, vossa
ambição e todos os vossos defeitos ridículos, aos quais o futuro fará justiça
quando compreenderdes a verdade. Sem dúvida, aquele que tinha cinquenta
mil libras de renda e se encontra reduzido a dez, se crê bem infeliz porque não
pode mais fazer uma figura tão grande, ter aquilo que chama sua posição, ter
cavalos, lacaios, satisfazer todas as suas paixões, etc. Ele crê faltar-lhe o
necessário; mas, francamente, o crês com direito a lamentar-se quando ao
seu lado há os que morrem de fome e de frio, e não têm um refúgio para
repousar a cabeça? O sábio, para ser feliz, olha abaixo de si e jamais acima,
a não ser para elevar sua alma até o infinito. (715).
Comentários:
Muitos de nós habituamos a reclamar quando percebemos, por exemplo,
alguma diminuição dos nossos bens, das facilidades, das coisas que fazíamos
e, por alguma razão hoje não podemos mais fazer.
Muitas vezes nos sentimos desventurados, infelicitados porque não podemos
fazer como antes. Isso nos mostra o quanto ainda somos egoístas e
orgulhosos.
Nós temos o hábito de olhar para cima e não para baixo. Se olharmos para
baixo e percebermos o quão afortunados nós somos, o quanto temos a
agradecer porque muitas vezes nós temos além do necessário.
Muitos não têm nem o necessário.
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O supérfluo é muito relativo. O supérfluo para pode não ser para o meu
próximo e vice-versa.
Quando todos nós evoluirmos, quando nós compreendermos que não
precisamos do supérfluo. Precisamos só do necessário para sermos felizes.
A verdadeira felicidade não vem dos bens materiais, mas dos bens espirituais.
Quando resolvermos compartilhar com outro aquilo que temos em excesso
nos tornaremos muito mais felizes e essa felicidade será de todos.
Vamos tentar trabalhar o nosso coração para quilo que realmente é
importante. Precisamos deixar de valorizar as coisas pequenas e darmos valor
para aquilo que importa, aquilo que é necessário para o nosso progresso e
evolução.
Há no mundo diversidade em tudo que se vê, em tudo o que se sente e em tudo o que se
usa. É imprescindível, por isso, crer em uma Inteligência Superior que comanda a tudo na
extensão infinita da criação.
Não existe desarmonia na vida; pode-se dizer que a desarmonia é psicológica, na mente
ignorante dos homens. Os acontecimentos, no que diz respeito ao mal, são para nos
educar, com o objetivo de nos instruir. Não existem erros na direção dos nossos destinos.
Quando falamos dos homens, não somente nos referimos aos encarnados, mas também
aos Espíritos ainda humanizados, envolvidos nas faixas das paixões inferiores ou sujeitas
a elas. (Miramez)
924 – Há males que são independentes da maneira de agir e que atingem
o homem mais justo; não há algum meio de se preservar deles?
Nesse caso, ele deve se resignar e suportá-los sem murmurar, se quer
progredir. Mas ele possui sempre uma consolação na sua consciência, que
lhe dá a esperança de um futuro melhor, se faz o que é preciso para obtê-lo.
Comentários:
Todos os males que eventualmente alcança a humanidade têm um fim útil.
Deus não permite o sofrimento porque Ele quer ou Ele goste de ver seus filhos
sofrerem. Deus é Pai de amor e de infinita bondade.
A dor é um dos últimos recursos (senão o último) a ser utilizados pelo Pai para
nos conduzir ao caminho do bem. Então os males que eventualmente
alcancem o homem, não alcançam sem propósito, mas porque precisa
alcançar, pois se Deus não quisesse que acontecesse Ele livraria aquela
pessoa de passar por aquela dificuldade. Se a pessoa não precisasse passar
por aquilo, estivesse a ponto de receber uma injustiça diante de mal que
pudesse lhe chegar, Deus com certeza iria agir, porque ninguém seria
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maltratado, ferido por alguma coisa que não precisasse ou que não
merecesse.
Por outro lado, ninguém é premiado sem mérito.
Se há males que nos chegam e que independem do nosso proceder nesta
existência e nada podemos fazer para nos livrar, temos que ter resignação,
sofrer sem reclamar, procurar superar tais dificuldades dentro das condições
que tivermos, certos de que não estaríamos passando por tais situações sem
justa causa por aquelas dificuldades, por aquele mal que nos chega. E também
precisamos trabalhar o nosso intelecto no sentido de evitar o mal e sair do mal,
caso ele nos chegue de alguma maneira. Não devemos nos acomodar.
Trabalhando para vencer, sem revolta e com resignação
Jesus nos pediu para orar e vigiar, no entanto, muito frequentemente somente oramos,
esquecendo a nossa parte, que é a de vigiar os nossos impulsos, por vezes inferiores.
Muitos males podemos evitar dessa maneira, pois certas arestas são cortadas pela simples
vigilância. Se sofremos mais, não é pelo passado: é por falta de discernimento no presente
mesmo. (Miramez)
925 – Por que Deus favorece com os dons da fortuna certos homens que
não parecem merecê-los?
É um favor aos olhos daqueles que não veem senão o presente; mas, sabei-
o bem, a fortuna é uma prova frequentemente mais perigosa do que a miséria.
(814 e seguintes).
Comentários:
A Espiritualidade já nos explicou acerca da riqueza e da pobreza.
Todos nós em algum momento da nossa caminhada evolutiva precisamos
passar pela prova da riqueza e da miséria, pois ambas nos oportunizam
crescimento, nos faz trabalhar determinados aspectos da nossa
personalidade, trabalhar e adquirir determinadas virtudes.
Mesmo que ainda não estejamos bem capacitados para ambas, nós
precisaremos em algum momento enfrentá-las.
Tudo é aprendizado, embora possa parecer para quem só vê o presente, com
uma visão limitada, um favor divino, como se fosse maravilhoso as pessoas
virem numa condição de riqueza. A Espiritualidade nos alerta que isso é para
as pessoas que tem uma visão pequena de Deus, da sua lei e da razão pela
qual existe a riqueza e a pobreza.
Para nós que já temos um entendimento, pois “O Livro dos Espíritos” já nos
explicou isso de forma bem clara, sabemos que a riqueza é uma prova
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dificílima porque leva as pessoas ao desenvolvimento das suas paixões,
instiga o desenvolvimento das paixões mundanas, como materialidade,
sensualidade, vaidade, poder.
E assim, para alguns possa parecer um favor, na verdade não é. É uma prova
necessária para o nosso progresso e para a nossa evolução.
Devemos nos conscientizar de que Deus sabe o que fazer ante as necessidades humanas
e espirituais de todos os Seus filhos do coração. Tudo o que recebemos é, pois, por
merecimento, e esse merecimento está de certo modo ligado às nossas necessidades.
A fortuna, aos olhos do mundo, parece um favor especial, contudo, representa convites
fortes para as paixões inferiores. No entanto, ela pode ser um meio de luta para o
fortalecimento moral. (Miramez)
926 – A civilização, criando novas necessidades, não é a fonte de novas
aflições?
Os males deste mundo estão em razão das necessidades fictícias que criais
para vós mesmos. Aquele que sabe limitar seus desejos e vê sem inveja o que
está acima de si, poupa-se a muitas decepções desta vida. O mais rico é
aquele que tem menos necessidades.
Invejais os gozos daqueles que vos parecem os felizes do mundo; mas sabeis
o que lhes está reservado? Se não gozam senão para eles, são egoístas e
virá o reverso. Antes, lastimai-os. Deus permite, algumas vezes, que o mau
prospere, mas sua felicidade não é para invejar porque a pagará com lágrimas
amargas. Se o justo é infeliz, é uma prova que lhe será tida em conta se a
suportar com coragem. Lembrai-vos destas palavras de Jesus: Felizes
aqueles que sofrem, porque serão consolados.
Comentários:
À medida que criamos novas necessidades e, muitas delas falsas, estamos
consequentemente criando fontes de novas aflições.
As necessidades primordiais são aquelas necessárias para a nossa
subsistência, para a manutenção da nossa vida em observância do instinto de
conservação.
Quando temos isso já somos felizes, pois já temos aquilo que necessitamos
nessa existência para sermos felizes.
Tudo o que criamos além disso é uma aflição que também criamos para nós,
pois se criamos outra necessidade precisamos pensar, trabalhar, avaliar como
conseguiremos suprir aquela necessidade o que pode ser possível, realizando
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aquela meta, mas em outras condições isso não acontece, vindo a angústia,
a ansiedade, a inveja, o desespero porque queremos e não conseguimos ter.
O que menos necessidade tem esse é o mais rico, pois não vai gastar sua
energia, sua inteligência em buscar mais conquistas materiais.
A partir do momento que entendemos o porquê de estarmos na Terra e,
principalmente, aquilo que precisamos fazer para crescer e evoluir, damos
monos importância ao mundo e a essas necessidades que o mundo e vamos
valorizando as conquistas espirituais.
Pessoas que buscam apenas as coisas do mundo não devem ser admiradas,
pelo contrário devem ser lastimadas porque utilizam toda a sua vida em busca
do mundo e da matéria, mas o reverso virá com “dor e ranger de dentes”.
Deus espera de nós uma postura diferente. Nós que já temos um pouco de
conhecimento devemos orientar aqueles que pudermos, esclarecendo-os
sobre as conquistas importantes da nossa vida e, principalmente, utilizar esse
conhecimento para a nossa reforma íntima, pois às vezes, sabemos muito e
vivenciamos pouco.
A moderna civilização é fonte de novas aflições que torturam o homem cada vez mais, pelas
necessidades fictícias que ele próprio cria e que o perseguem nos seus caminhos. Nós
criamos as nossas aflições, e elas nos servem como escolas, porque a vida, a natureza,
aproveita tudo e transforma em experiências valiosas.
Se hoje os Espíritos elevados vivem na plenitude da consciência imperturbável, como eram
ontem? é neste sentido que os benfeitores espirituais, em relação a nós outros, têm muita
tolerância com as nossas faltas. Se assim podemos dizer, eles passaram pelas mesmas
aflições, mas Deus é sempre Pai amoroso e santo, bom e justo, que não dá pedra a quem
pede peixe. Não deves invejar aos outros em situação bem melhor que a tua, porque não
sabes o que se encontra reservado para eles, nem tão pouco para ti. (Miramez)
927 – O supérfluo, certamente, não é indispensável à felicidade, mas não
se dá o mesmo com o necessário; ora, a infelicidade daqueles que estão
privados do necessário não é real?
O homem não é verdadeiramente infeliz senão quando sofre a falta do que é
necessário à vida e à saúde do corpo. Pode ser que essa privação seja por
sua culpa e, nesse caso, não deve imputá-la senão a si próprio. Se ela é por
culpa de outrem, a responsabilidade recairá sobre aquele que lhe deu causa.
Comentários:
Considerando que muitas pessoas não têm sequer o necessário, havendo
para esses, uma infelicidade real. Então para essas pessoas o supérfluo não
é causa de infelicidade?
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De fato, quando falta o necessário à vida e à saúde do corpo pode-se dizer
que a pessoa é infeliz aqui na Terra.
Nós já sabemos que muitas das privações, das dificuldades, das dores pelas
quais nós passamos são consequências das nossas atitudes equivocadas
nesta existência física ou em outras anteriores.
Não significa que todas as dificuldades, todas as dores que temos aqui na
Terra seja em decorrência de um resgate ou de algo que tenhamos feito.
Nós também já sabemos que muitas das dificuldades fomos nós que pedimos
para termos a oportunidade de sermos experimentados, provados com aquela
situação para crescermos e evoluirmos.
Nem sempre uma situação tem relação direta com algum erro do passado.
Tudo daquilo que passamos, que vivenciamos tem um fim útil e uma causa
justa.
São situações que nós precisamos em função de uma atitude equivocada que
tenhamos tido ou pedimos para o nosso próprio crescimento.
O fato de estarmos na Terra já é indício da nossa imperfeição moral, pois se
não fôssemos imperfeitos não estaríamos aqui na Terra. Já estaríamos
encarnando em mundos mais felizes.
Então, se somos imperfeitos sabemos que ainda precisamos da dor, pois ela
é um remédio muito potente.
Muitas vezes quando o amor não consegue despertar a criatura, vem a dor
para esse despertar.
Se eventualmente alguma dificuldade, alguma dor nos acompanha, ela é
necessária pelo tempo estritamente que nós precisamos para o nosso
aprendizado. Deus não quer a nossa dor e, sim o nosso aprendizado.
Vamos tentar aprender diante das dificuldades e dos sofrimentos que nos
chegam para que possamos evoluir mais rapidamente e nos livrarmos dessa
mesma dor.
Não há injustiça na justiça divina.
Deus é Pai de amor, não de dor.
928 – Pela especialidade das aptidões naturais, Deus indica
evidentemente nossa vocação neste mundo. Muitos dos males não
decorrem do fato de não seguirmos essa vocação?
É verdade, e, frequentemente, são os pais que, por orgulho ou avareza, fazem
seus filhos saírem do caminho traçado pela Natureza e, por esse
deslocamento, comprometem sua felicidade; eles disso serão responsáveis.
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928.a) Assim, acharíeis justo que o filho de um homem altamente
colocado no mundo fizesse tamancos, por exemplo, se para isso tinha
aptidão?
Não é preciso cair no absurdo, nem nada exagerar: a civilização tem suas
necessidades. Por que o filho de um homem altamente colocado, como dizes,
faria tamancos se pode fazer outra coisa? Ele poderá sempre se tornar útil na
medida de suas faculdades, se elas não são aplicadas em sentido contrário.
Assim, por exemplo, em lugar de um mau advogado, ele poderia, talvez,
tornar-se um bom mecânico, etc.
Allan Kardec:
O deslocamento dos homens fora de sua esfera intelectual é,
seguramente, uma das causas mais frequentes de decepção. A inaptidão
pela carreira abraçada é uma fonte perene de reveses. Depois, o amor-
próprio, vindo juntar-se a isso, impede o homem fracassado de procurar
um recurso numa profissão mais humilde e lhe mostra o suicídio como
remédio para escapar ao que ele crê uma humilhação. Se uma educação
moral o tivesse elevado acima dos tolos preconceitos do orgulho, ele não
seria apanhado de surpresa.
Comentários:
Quantas famílias, quantos pais acabam, de certa forma, impondo aos seus
filhos a profissão que eles devem seguir. Muitos pais não se sentiram felizes,
não conseguiram se realizar na profissão que seguiram e querem que os filhos
sigam aquela profissão que muitas vezes eles não puderam seguir.
Todos nós temos uma aptidão natural, viemos com essa aptidão para
crescermos, trabalhar determinadas virtudes. Tudo está previsto no nosso
planejamento reencarnatório, porém devido à imposição da sociedade, de
uma cobrança pessoal ou dos pais, há um desvirtuamento daquela aptidão
natural e a pessoa se sente infeliz, não gosta daquilo que faz e acaba no futuro
não se sentindo em condições de começar do início uma nova carreira
profissional, onde muitos procuram o suicídio como remédio para escapar
aquilo que lhe parece uma humilhação.
Se todos nós fôssemos para as mesmas profissões, algo estaria errado pois
faltaria outros tipos de profissionais no mundo.
Precisamos ser cuidadosos, principalmente, com aqueles que estão sob a
nossa guarda, os nossos filhos. Dar a eles orientação, se for possível, dar a
eles o estudo necessário para que eles possam seguir aquilo que eles desejam
seguir. Tendo entendimento, educação moral, uma boa educação intelectual
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eles vão se sentir mais aptos para escolher aquilo que eles desejam dentro
daquela orientação, daquela educação que eles receberam.
Que nós procuremos não impor aos nossos filhos ou aos nossos tutelados o
que eles devem ou não seguir.
929 – Há pessoas que, estando privadas de todos os recursos, nesse
caso, mesmo que a abundância reine ao seu redor, não têm senão a
morte por perspectiva; que partido devem tomar? Devem deixar-se
morrer de fome?
Não se deve jamais ter a ideia de se deixar morrer de fome. Encontrar-se-á
sempre meios de se alimentar, se o orgulho não se interpuser entre a
necessidade e o trabalho. Diz-se frequentemente: não há profissão tola e não
é a situação que desonra e isso, porém cada um diz para os outros e não para
si.
Comentários:
Por mais que estejamos em condições desfavoráveis, no sentido de nos faltar
os recursos necessários, nós precisamos lutar.
Estamos aqui para exercitar a nossa inteligência, a nossa capacidade de
trabalho, de superação. Diante das lutas, das dores, das necessidades não
devemos cruzar os braços. Não estamos aqui para viver na ociosidade
A lei do trabalho é uma lei divina. Essa lei nos oportuniza alcançar o progresso
e a depuração. É por meio do trabalho que nós crescemos.
Se eu me encontro em uma situação de miséria, de fome, tenho que procurar
superar essa dificuldade.
Muitas vezes é o nosso orgulho que nos impede de alcançarmos aquilo que
estamos necessitando, pois não queremos realizar determinados trabalhos
porque achamos que não é um trabalho digno ou que nós precisamos ou
merecemos algo melhor e aí deixamos de aceitar um trabalho mais humilde,
mas que nos garantiria o sustento devido ao nosso orgulho.
Deus nos coloca sempre em oportunidades, em situações que nos traz
aprendizado.
Refletindo:
- Será que estamos sabendo aproveitar a oportunidade que nos chega para
crescer?
- Será que deixo o orgulho sobressair desperdiçando aquela condição
maravilhosa de aprendizado?
16
930 – É evidente que, sem os preconceitos sociais pelos quais se se
deixa dominar, encontrar-se-ia sempre um trabalho qualquer que
pudesse ajudar a viver, mesmo deslocado de sua posição. Mas entre as
pessoas que não têm preconceitos, ou que os deixam de lado, há os que
estão na impossibilidade de prover às suas necessidades em
consequência de doenças ou de outras causas independentes de sua
vontade?
Numa sociedade organizada segundo a lei do Cristo, ninguém deve morrer de
fome.
Allan Kardec:
Com uma organização social sábia e previdente, não pode faltar ao
homem o necessário, senão por sua falta; mas mesmo suas faltas,
frequentemente, são o resultado do meio em que ele se encontra
colocado. Quando o homem praticar a lei de Deus, terá uma ordem social
fundada sobre a justiça e a solidariedade, e ele mesmo também será
melhor. (793).
Comentários:
Determinadas pessoas sem preconceito não têm condições de prover suas
próprias necessidades.
Nesse caso quem vai suprir a necessidade básica e as dificuldades daquela
pessoa? A sociedade, o próximo.
Numa sociedade organizada segundo a lei do Cristo ninguém deve morrer de
fome porque aquele que mais tem vai ajudar aquele que tem menos. Onde a
Lei de Deus vigora há fraternidade, há amor, há caridade, há união, há
benevolência e beneficência.
Se numa sociedade justa tivesse diante de nós uma situação como essa, nós
iríamos ajudar, amparar aquela pessoa que não tem meios de fazê-lo
individualmente.
Se a pessoa por moléstias ou outras causas que independam da sua vontade
não tem condições de suprir suas necessidades, precisando da ajuda de
outros, ela teria, sem problema nenhum.
Quando estivermos em mundos mais felizes não veremos as desigualdades
porque a humanidade está melhor.
O ser humano será uma criatura melhor e haverá mais amor, fraternidade e
menos desigualdade e menos necessidades
Capítulo XVI do Evangelho Segundo o Espiritismo, item 8, pág. 159
17
A igualdade que muitos entendem seja pregada pelo Cristianismo, não deve
ser entendida como a distribuição em partes iguais das riquezas entre todas
as almas que habitam este planeta. O socialismo visto no Evangelho é aquele
que distribui com justiça a todas as pessoas, que mostra seus direitos e junto
delas faz com que elas compreendam com respeito os seus deveres ante a
sociedade.
Poder-se-ia distribuir tudo em partes iguais para as criaturas, se todas elas
fossem do mesmo nível espiritual em todos os campos de entendimento, o
que é impossível. Não existe isso em nenhum mundo habitado. A distribuição,
neste caso, é de acordo com as necessidades de cada um.
Se Deus colocasse os Espíritos em um mundo do mesmo nível de evolução,
ninguém aprenderia com ninguém. A Inteligência Suprema permite as
desigualdades de todas as ordens para que uns sirvam de experiências para
outros.
Todo sistema político e econômico eventualmente entrará em colapso onde
há impulsos morais insuficientes para restringir o egoísmo humano e encorajar
a honestidade e as boas obras mesmo quando ninguém está vendo.
Apenas o respeito recíproco dos direitos e deveres, e a caridade mútua darão
o segredo do justo equilíbrio, do bem-estar honesto, da verdadeira paz e
prosperidade dos povos.
Ex: Allan Kardec, as instituições, a Casa do Caminho, as Cáritas diocesanas
931 – Por que, na sociedade, as classes sofredoras são mais numerosas
que as classes felizes?
Nenhuma é perfeitamente feliz, e, o que se crê a felicidade, esconde,
frequentemente, pungentes pesares: o sofrimento está por toda parte.
Entretanto, para responder ao teu pensamento, direi que as classes, a que
chamas sofredoras, são mais numerosas, porque a Terra é um lugar de
expiação. Quando o homem nela tiver feito a morada do bem e dos bons
Espíritos, não será mais infeliz e será para ele o paraíso terrestre.
Comentários:
Essa questão se torna mais clara à medida que compreendemos a destinação
da Terra.
Sendo a Terra um mundo de provas e expiações ainda é morada de Espíritos
sofredores, Espíritos endividados com a lei, Espíritos doentes.
18
Pessoas que estão doentes precisam de tratamento, de remédio.
Sabemos que o remédio que necessitamos muitas vezes ainda é o sofrimento,
a dor, pois é o único remédio em que deixamos fazer efeito dentro de nós.
Quando o remédio é bom, é adocicado nós não nos importamos com ele, mas
quando o remédio é amargo, doloroso, aí choramos, nos angustiamos, motivo
pelo qual lutamos para ficar bem, para se libertar desse remédio amargo e
buscamos ficarmos bons do corpo e do Espírito.
Se ainda estamos nessa condição de Espíritos, mais animalizados, imperfeitos
vamos lidando com infelicidades, com dores, com expiação.
Precisamos atentar para a condição da Terra porque não será sempre assim.
Quando a Terra se tornar morada de Espíritos bons (estamos trabalhando para
isso), ela será mais feliz. A quantidade de pessoas sofredoras será bem
menor.
No mundo de Regeneração também será bem menor do que hoje
vivenciamos.
Quando a Terra se tornar um mundo feliz será bem melhor. A maioria da
humanidade vivenciará o que nós chamamos de “Paraíso Terrestre”, pois
seremos bem mais felizes.
A felicidade que hoje se faz presente em determinados momentos da nossa
existência será mais completa e mais perene, ainda não completamente.
No mundo em que habitas, as classes sofredoras são em maior número, por ser a Terra
mundo de expiação e provas, como retraíam os benfeitores da espiritualidade em "O
Evangelho Segundo o Espiritismo" (Cap. III). Os que dizem que alguns são felizes se
enganam na expressão e mesmo na realidade. Tornamos a dizer o que muitos instrutores
da espiritualidade já falaram: não existe felicidade completa na Terra. No entanto, ela é uma
realidade, porque alguns já a percebem e de vez em quando recebem ou concebem alguns
minutos deste tesouro, que é permanente nos mundos venturosos. Nenhuma classe no
mundo é feliz, na expressão da palavra. Alguns, aqui e ali, sentem a existência da felicidade
e procuram ir em busca da paz que o Cristo tem com abundância. Ele, o Mestre dos
mestres, indicou os caminhos para aquisição desse estado d'alma que, em grande parte, é
conquista da alma, no certame da vida.
Se a Terra fosse morada dos eleitos, como se costuma dizer, onde se encontra a felicidade,
não precisaria vir Jesus a ela, nem seria necessário surgir a Doutrina dos Espíritos. O
Mestre veio para os sofredores e sempre está ao lado deles, consolando e instruindo e, se
a Doutrina dos Espíritos é Jesus voltando, deve fazer a mesma coisa. (Miramez)
932 – Por que, no mundo, os maus, tão frequentemente, sobrepujam os
bons em influência?
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Pela fraqueza dos bons; os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são
tímidos. Quando estes o quiserem, dominarão.
Comentários:
A Espiritualidade nos mostra a força que os maus ainda exercem no que se
refere aos bons, principalmente, na sua forma de agir.
Se prestarmos atenção veremos que os maus são intrigantes, audaciosos,
lutam por seus objetivos, mesmo sendo objetivos não construtivos que
possam maltratar e prejudicar os outros.
Eles são perseverantes no mal porque eles são obstinados. Eles querem tanto
prejudicar e fazer o mal que se obstinam nesse objetivo e com isso a força
deles se amplia.
E assim, a influência que eles exercem também se dá pela forma de agir que
eles têm.
Por outro lado, os bons normalmente são tímidos, não agem da mesma forma.
Quando os bons realmente quiserem, eles vão preponderar pois estes têm
força, entendimento, evolução, mais maturidade. Portanto, a capacidade de
influenciar para o bem é muito maior considerando a evolução de cada um.
Nós nos sentimos mais influenciados, mais atraídos por aquilo que somos
ainda.
Se ainda somos essencialmente imperfeitos. Se não fôssemos, não
estaríamos aqui na Terra. Então é natural que as forças perniciosas tenham
mais eco dentro dos nossos corações porque nos sintonizamos e sentimos
atraídos por aquilo que somos.
Queremos ser Espíritos bons, sublimados e melhores, então vamos
batalhando na conquista do nosso objetivo.
Quando formos pessoas realmente de bem, não nos sentiremos nem atraídos
e muito menos influenciados pelo mal. Isso só acontece porque ainda há o mal
dentro do nosso coração. Nós viemos de muitas reencarnações nas sombras.
Estamos nos esforçando para fazer o bem crescer dentro de nós.
933 – Se o homem, frequentemente, é o artífice dos seus sofrimentos
materiais, não ocorre o mesmo com os sofrimentos morais?
Mais ainda, porque os sofrimentos materiais, algumas vezes, são
independentes da vontade; mas o orgulho ferido, a ambição frustrada, a
ansiedade da avareza, a inveja, o ciúme, todas as paixões, em uma palavra,
são torturas da alma.
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A inveja e o ciúme! Felizes aqueles que não conhecem esses dois vermes
roedores! Com a inveja e o ciúme, não há calma nem repouso possível para
aquele que está atacado desse mal: os objetos de sua cobiça, de seu ódio, de
seu despeito, se levantam diante dele como fantasmas que não lhe dão
nenhuma trégua e o perseguem até no sono. Os invejosos e os ciumentos
estão num estado de febre contínua. Portanto, está aí uma situação desejável
e não compreendeis que, com suas paixões, o homem criou para si suplícios
voluntários, e a Terra torna-se para ele um verdadeiro inferno?
Allan Kardec:
Várias expressões pintam energicamente os efeitos de certas paixões;
diz-se: estar inchado de orgulho, morrer de inveja, secar de ciúme ou de
despeito, perder com isso a bebida e o alimento, etc. Esse quadro não é
senão muito verdadeiro. Algumas vezes mesmo o ciúme não tem
objetivo determinado. Há pessoas ciumentas por natureza, de tudo que
se eleva, de tudo que escapa à linha vulgar, nesse caso, mesmo que não
tenham nisso nenhum interesse direto, mas unicamente porque elas não
o podem alcançar. Tudo o que parece acima do horizonte as ofusca, e se
são a maioria na sociedade, elas querem tudo reconduzir ao seu nível. É
o ciúme somado à mediocridade.
Frequentemente, o homem não é infeliz senão pela importância que liga
às coisas deste mundo. É a vaidade, a ambição e a cobiça frustradas que
fazem sua infelicidade. Se ele se coloca acima do círculo estreito da vida
material, se eleva seus pensamentos até o infinito, que é a sua
destinação, as vicissitudes da Humanidade lhe parecem, então,
mesquinhas e pueris, como as tristezas de uma criança que se aflige com
a perda de um brinquedo que representava a sua felicidade suprema.
Aquele que não vê felicidade senão na satisfação do orgulho e dos
apetites grosseiros, é infeliz quando não os pode satisfazer, ao passo
que aquele que nada pede ao supérfluo é feliz com o que os outros olham
como calamidades.
Falamos do homem civilizado, porque o selvagem, tendo suas
necessidades mais limitadas, não tem os mesmos objetos de cobiça e de
angústias: sua maneira de ver as coisas é diferente. No estado de
civilização, o homem raciocina sua infelicidade e a analisa e, por isso, é
por ela mais afetado. Mas pode, também, raciocinar e analisar os meios
de consolação. Essa consolação, ele a possui no sentimento cristão que
lhe dá a esperança de um futuro melhor, e no Espiritismo que lhe dá a
certeza desse futuro.
Comentários:
21
Nós convivemos diariamente com a inveja, com o ciúme, com a cobiça, com o
orgulho.
A questão nos mostra claramente que o homem civilizado a partir do momento
que cria para si mais necessidade, se vê torturado por todos esses desejos
inferiores.
Nos vemos a todo momento frustrados porque não temos determinadas coisas
ambicionadas, com ciúme, inveja do nosso próximo porque tem e gostaríamos
também de ter, estar com alguém que gostaríamos de estar, ter uma condição
financeira que o outro tem, enfim, algo que gostaríamos de ter e não será
possível nessa existência.
Aqui na vida material precisamos lembrar que estamos junto às pessoas, no
meio, no lugar, na profissão que nós precisamos para crescermos e
evoluirmos. Não existe a situação de que somos deserdados da justiça divina,
que Deus não olha, não nos ajuda, que não trabalha em nosso benefício.
Na verdade, Deus é nosso Pai, trabalha em benefício de todos nós.
Nós é que temos que compreender que em cada reencarnação estamos em
uma condição necessária para o nosso crescimento.
Não podemos e não devemos viver almejando o que outro tem.
Podemos trabalhar, nos esforçar para crescer, mas não podemos deixar que
a inveja, o ciúme e todos esses sentimentos inferiores destruam a minha
vontade de viver, de crescer, de ser uma pessoa melhor, pois de outra forma,
a vida se torna uma tortura, perdendo a oportunidade sagrada da
reencarnação.
Os sofrimentos no mundo devastam os homens, trazendo-Ihes padecimentos de todas as
ordens que se possa imaginar, sofrimentos materiais e morais. De certa forma, não se pode
deter esses sofrimentos, por serem processos de despertamento espiritual, no entanto,
compreender que são eles da nossa culpa é bem melhor para que possamos nos esforçar
para nos livrarmos deles.
Estamos falando de dois apenas, que são o ciúme e a inveja. São realmente dois vermes
roedores da alma, senão do próprio corpo físico. Como combater essas duas enfermidades,
livrar-se delas? Qual o ser humano, e mesmo o espiritual, que não sentiu ou sente ciúme
ou inveja? Todos, embora haja os que já se livraram deles.
Os que ainda não sentiram essas duas doenças, talvez se encontrem na fila para sentir
suas torturas. Elas, por seu caráter inferior, trazem lições dolorosas para a alma na sua
sequência de vida. Como encarnados, e por vezes fora da carne, todos sentirão esse
estado negativo do Espírito, por não terem ainda conhecido a verdade. Somente os
Espíritos livres das paixões humanas são limpos dos resíduos de todas as inferioridades.
Certamente que devemos combater todos os tipos de inferioridade nos caminhos que
percorremos, para que no amanhã, possamos dizer: "conheci a verdade e ela me tornou
livre das peias da ignorância." (Miramez)
22
INVEJA
A inveja é um processo doloroso e perturbador a nível psicológico. As virtudes,
êxitos e felicidade dos outros são para o invejoso uma força que ameaça o seu
equilíbrio emocional, enfraquecendo terrivelmente o seu amor-próprio e a
confiança. Sente-se irredutivelmente inferiorizado perante a vida, recalcando
sucessivos fracassos e frustrações. Tal como uma criatura ferida, reage por
instinto, destilando o veneno da maledicência e do desprezo, que usa para
esconder a raiva que sente, a insegurança em que vive e a inferioridade que
o martiriza.
Invejar não é apenas desejar para si o que o outro tem ou é, a isso chamamos
cobiça. Além de cobiçar, quem inveja pretende sobretudo que o outro não
tenha ou não seja. A grande tragédia do invejoso é interiorizar que a sua
felicidade não depende de si próprio mas sim da infelicidade dos outros.
Apegos, medos e especialmente a insegurança pessoal, aliados ao egoísmo
são seus geradores.
CARACTERÍSTICAS MAIS COMUNS DA INVEJA:
a) Desejo manifestado dentro de nós de possuir algo que vemos em alguém
ou na propriedade de alguém;
- Quando a pessoa não sossega enquanto não consegue algo que
alguém tem, como um bom emprego, carro, cônjuge, etc.
b) Crítica a alguém que pouco faz e muito possui, comparando sua posição
com os sacrifícios que a vida nos apresenta;
- Quanto externamos críticas incessantes ou constantes alfinetadas;
- Quando não conseguimos ver nada para elogiar ou valorizar em outra
pessoa, mas só encontra dúvidas, equívocos ou encontra alguma razão para
duvidar da outra pessoa ou derrubá-la. “Estava bom, mas...”
c) Estados de depressão, causando tristeza, sofrimento, inconformação e
revolta com a própria sorte;
- Sentimento de ressentimento quando alguém está à frente.
d) Sentimento penetrante e corrosivo que emitimos quando assim olhamos
para outrem, nos deixando entregues a ódios infundados por deterem o que
ambicionamos.
- Pessoas que vivem praguejando os outros.
GERALMENTE INVEJAMOS:
• Um bom carro
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• Um corpo espetacular
• Uma casa maravilhosa
• Uma saúde de ferro
• Um cargo hierárquico
• Um bom marido, uma boa esposa
• O carisma de um amigo, etc.
A inveja pode se originar naquilo que pensamos que não temos e precisamos
obter para sermos felizes e em uma autoestima pobre e machucada que sente
que, se tivesse o que outro conseguiu, aí sim seria feliz.
Invejar é desejar o que o outro tem.
PESSOA INVEJOSA
• Vive de aparência;
• Gasta até o que não tem para manter um padrão de vida acima de suas
condições;
• Busca impressionar os outros com a imagem de pessoa bem-sucedida;
• Acaba pagando um preço muito alto por isso, tendo noites mal dormidas
e sendo torturada pela sombra de suas dívidas;
• Não olha a vida com otimismo;
• Não reconhece as oportunidades que lhe são apresentadas como
possibilidades de transformação.
Pode-se encontrar este tipo de pessoa em todas as áreas, por exemplo, na
religiosa, política, esportiva, profissional, entre outras. Quantas pessoas não
desejam que o casamento do amigo acabe? Ou então, comemoram quando o
colega perde o emprego?
A pessoa que tem inveja passa energia negativa para o invejado e também
para as pessoas que os cercam. Ele também é inseguro, supersensível,
desconfiado, além de se passar por superior, quando na verdade, se sente
inferior.
A vibração que o invejoso emite é de tão forte envolvimento negativo, que, ao
atingir alguém desprotegido e desprevenido, realmente pode provocar vários
males.
Portanto, cuidado com os nossos sentimentos de inveja que venhamos a emitir
para quem quer que seja, lembrando sempre que colheremos para nós
mesmos todo o mal que aos outros provocarmos. (Manual Prático do Espírita)
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Devemos manter a nossa sintonia no bem, controlando os pensamentos,
sentimentos, atitudes e comportamentos. Para isso precisamos ter
consciência; visando exercer o controle sobre nossos pensamentos, palavras
e ações. Só depende de nós.
- Uma pessoa que sente inveja pertinaz de alguém também é uma obsessora
- O melhor a fazer é não se deixar contaminar pelo receio.
- Não importa se alguém sente inveja de nós, o importante é que devemos
cuidar é de nós mesmos, de nossos sentimentos e atitudes; o que os outros
pensam ou sentem é problema deles.
Mas quando sentir que está sendo vítima de inveja, pergunte a si mesmo se
não é você que está descontente consigo mesmo e está procurando
subterfúgios para seus fracassos. Isso é mais comum do que se pensa…
Jesus nos deu um conselho simples e sucinto: “Orai e vigiai”.
A serpente e o vaga-lume
Conta a lenda que a serpente começou a perseguir um
vaga-lume. Este fugia rápido, com medo da feroz
predadora, mas a cobra nem pensava em desistir.
Fugiu um dia, e ela não desistia; dois dias e nada… No
terceiro dia, já sem forças, o vaga-lume disse à cobra:
“Posso lhe fazer três perguntas”?
“Não costumo dar este precedente para ninguém, mas já
que vou devorá-lo, pode perguntar”, disse a serpente.
“Faço parte de sua cadeia alimentar”?
“Não”, respondeu a cobra.
“Fiz-lhe algum mal”?
“Não”, retrucou a serpente.
“Então, por que quer acabar comigo?”, perguntou o desesperado vaga-lume.
“Porque não suporto o seu brilho”.
Que beleza não poderia ser a vida sem a dimensão da inveja, que desde tenra idade
atormenta as pessoas, normalmente abastecida pelos adultos, porque precisam de que
alguém seja melhor do que o outro.
É muito difícil, mas muito difícil mesmo, não se tornar refém da inveja, que mina o espírito
do ser humano, abalando amizades e comprometendo, quando não destruindo, o espírito
de equipe.
A qualquer momento, uma cobra pode cruzar nosso caminho. Esteja sempre alerta, pois o
que não faltam são serpentes querendo nos atrapalhar. Mas, não tenha medo! Não fuja!
Brilhe sempre, com muita intensidade!
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CIÚME
O espiritismo é insistente em nos apontar o orgulho e o egoísmo como os
geradores de todos os defeitos humanos. O ciúme não escapa a essa regra.
Como sentimento egoísta, o ciúme procura roubar a liberdade do outro, tenta
obrigá-lo a seguir por um caminho delimitado ou simplesmente aprisioná-lo.
O ciúme é um exercício enlouquecido de poder, de dominação e de
aprisionamento do outro.
A pessoa ciumenta não sabe diferenciar imaginação e realidade, não sabe
distinguir fantasia e certeza. Qualquer dúvida em sua cabeça logo se
transforma em delírio.
A vítima do ciumento se sujeita a ter seus pertences revistados em busca de
vestígios que nem imagina do que seja.
O ciumento tem ciúme do passado do outro, dos seus relacionamentos
anteriores, e vive imaginando detalhes sobre fatos verdadeiros ou não.
O que o ciumento quer é o controle total e absoluto dos sentimentos, da
atenção e do comportamento em geral do outro. O outro passa por situações
vexatórias e bizarras, isso quando não impera a violência.
Quantos crimes passionais devem sua origem ao ciúme doentio?
Quantos casos de mulheres que se sujeitam à violência doméstica por
depender economicamente do parceiro?
Existe o ciumento movido pelo egoísmo, que não tem só ciúmes de pessoas,
mas de objetos também e de tudo que outras pessoas possam vir a ter
também.
E tem os ciumentos que só sentem isso por determinada pessoa, como se
fosse uma obsessão, onde pra esta pessoa só existe uma coisa importante
neste mundo, a pessoa que eles tanto amam.
Reflexões:
O ciúme refere-se simplesmente a casais? Ou pode ser estendido a
relacionamentos outros, tipo: de amizade, profissional, de
relacionamentos em geral?
R: O ciúme por ser proveniente do espírito, pode sim ser extensivo a demais
pessoas, não tendo como base apenas casais, mas sim duas ou mais pessoas
ligadas num mesmo passado próximo. Ex: mãe e filho.
O ciúme é realmente o tempero do Amor? Por que?
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R: Erradamente foi criada esta afirmação, talvez seja o tempero da discórdia,
das brigas, etc. Infelizmente as pessoas acham que quando demonstram
ciúmes a pessoa amada fica feliz e se sente assim mais importante pro outro.
É verdade que "Quanto mais amor, muito menos ciúme. Quanto mais
amor, é possível até não existir o ciúme."? Por que?
R: O amor quando é verdadeiro não há espaço para coisas pequenas como o
ciúme, porque ele como sentimento nobre, nos envolve de certa forma que
fica quase impossível vivê-los ao mesmo tempo. O ciúme é a falta ou o uso
incorreto do amor.
O ciúme pode ser uma obsessão? Por que?
R: O ciumento é um obsessor, onde há a falta de controle e certas atitudes
exclusivas para com determinadas pessoas. A obsessão pode estar por trás
de um ataque de ciúmes, mas é preciso muitas coisas acontecerem antes para
que um obsessor venha a nos incomodar e nos incentivar no ciúme. Lutar
contra o ciúme é o caminho para evitar este tipo de assédio.
CARACTERÍSTICAS DESTRUTIVAS DO CIUMENTO:
• Ciumento queixoso – Aquele que implora, falando ou em silencio o
amor que pensa não receber – usa da agressividade com pitadas de
covardia, pois se esmera em ofender de forma dissimulada. Sente-se
ofendido e frustrado e é capaz de interpretar um papel, com cena e tudo
para demonstrar sua insatisfação.
• Ciumento trombudo – Introvertido e desconfiado por natureza,
demonstra grande imaturidade afetiva, ficando de tromba quando o
companheiro não corresponde. Usa o silencio e a frieza para revidar
quando não é correspondido – faz greves intermináveis.
• Ciumento recriminante – com o dedo em riste este ciumento, meio
maníaco e paranoico, explica minuciosamente os motivos de sua
desconfiança. Sente-se prejudicado por não ser amado o suficiente.
Acusa e faz vexame em público, usando de agressividade. Não aceita
que o parceiro seja daquele jeito.
• Ciumento autopunitivo – é o ciumento que se sente infeliz por amar.
Inflige-se a própria tortura e desconfiança e se pune, afastando-se de
quem gosta. Dispõe-se a desaparecer se for preciso. Deixa de comer e
tenta o suicídio de maneira que não morra. Cria todas as facilidades para
que o outro o traia, para dizer: “a culpa é sua”, criando armadilhas para
o outro.
• Ciumento vingativo/destruidor – esta é da época de Moises – “olho
por olho, dente por dente “. Pensa: me traiu – me aguarde. Sente-se
abandonado e restitui o sofrimento que se julga vítima, compete com o
par e imagina represálias para punir a quem julga amar. A frase para
este ciumento: “aqui jaz o cadáver do amor”.
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Por que vamos, então, transformar nossa vida num verdadeiro inferno?
Procuremos serenamente indagar o porquê dos nossos ciúmes. Com que
sentido nos deixamos envolver por eles? Será por carência, ou por
insegurança? Por apego ou desespero?
Localizemos as causas do aparecimento desse fantasma que é o ciúme.
Fantasma criado pela nossa imaginação, que pode estar mal-informada ou até
deformada, e que precisa ser realimentada com a confiança, a fé, o otimismo,
a esperança, a alegria, a dedicação e o desprendimento, para sermos felizes
em profundidade, gerando felicidade e bem-estar em volta de nós.
COBIÇA
• É querer ter o que não tem.
• Desejo de possuir aquilo que o outro tem, sem que isso lhe cause tristeza
ou prejuízo.
• É se preocupar em ter alguma coisa, muitas vezes tendo o outro como
parâmetro.
• Pode ser legítimo, quando não se prejudica ninguém.
• Às vezes é o estímulo para buscar crescimento, melhoria da qualidade
de vida. É positivo, desde que haja equilíbrio e não cause a infelicidade
do outro.
INVEJA
• Não querer que o outro tenha.
• Só é feliz com a infelicidade do outro.
• O problema não é o que eu tenho, mas o outro.
• Se preocupar com alguém que tem alguma coisa.
• É um sentimento de descontentamento ou ressentimento com base no
que outra pessoa tem.
• É um forte desejo de ter as mesmas coisas que a outra pessoa possui.
• A coisa desejada pode ser uma qualidade, uma posse, como bens,
propriedade, emprego, salário ou um atributo que pertence a outra
pessoa, especialmente a seus inimigos.
A inveja é uma das causas mais poderosas da infelicidade e tem duas
vertentes:
• A inveja torna a pessoa infeliz.
• A pessoa invejosa deseja que a outra pessoa seja igualmente infeliz.
28
CIÚME
• É o sentimento de posse.
• Não querer perder, medo de perder algo que se tem ou que pelo menos
acha que tem.
• Medo de perder para uma terceira pessoa.
• Pode ser real ou imaginário.
É uma emoção de três partes: a pessoa A está preocupada com a perda da
pessoa (ou coisa) B por causa da pessoa (ou coisa) C.
O ciúme, assim como outros sentimentos como raiva, mágoa, inveja,
desencadeia uma série de doenças. Essas doenças podem se manifestar já
nesta encarnação ou acompanhar o Espírito imortal até uma próxima
oportunidade na matéria para expurgar essas energias negativas, esse lixo
mental e emocional.
É importante que o ciumento e sua(s) vítima(s) se conscientizem da
necessidade de ajuda. Pois, além da própria personalidade desajustada do
ciumento, há interferência de Espíritos obsessores nessas situações. Mas de
nada adianta tratamento desobsessivo ou ajuda profissional se não houver o
propósito firme de uma reforma íntima urgente. Só com a vontade real de se
ajudar, de colaborar consigo mesmo, pode ser efetivada uma melhoria
significativa. Isso vale para o ciumento, como também para as pessoas,
vitimadas pelo seu ciúme. Lembremos que ninguém é vítima por acaso. O
acaso não existe. Tudo o que nós colhemos é o que um dia nós plantamos…
https://www.chicoxavieramericana.com.br/ciumes-na-visao-espirita/
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30
TEXTOS COMPLEMENTARES
A Inveja
A inveja é a arma dos fracos. Matriz de inúmeros males, mentora de muitas
desordens, alicerce de incontáveis desventuras. Discreta, incomodamente,
tem sido deixada à margem pelos expositores das verdades evangélicas em
todas as crenças. Sutil como é, passa despercebida, embora maliciosa,
comparável a vapor deletério que intoxica todo aquele que lhe padece a
presença, espalhando miasma em derredor.
Hábil, consegue travestir-se de ciúme exacerbado, quando não o faz como
arrogância vingadora ou aparenta na condição de humildade, sempre
perniciosa, ou se disfarça como orgulho prepotente.
A inveja, além dos males psíquicos que produz, em razão dos pensamentos
negativos que dirige contra outrem, proporciona, simultaneamente, graves
prejuízos morais àquele que dela se empesta.
A inveja é capaz de caluniar, investindo contra uma vida com uma frase
dúbia, na qual consegue infamar o mais puro caráter. Soez, transmuda
palavras e infiltra doestos perniciosos; vê o que lhe apraz e realize conforme
lhe parece lucrar.
Consequentemente, o invejoso é um peso infeliz na comunidade humana,
porque débil moral; adapta-se, amolda-se, é venenoso na bajulação e terrível
na agressividade…
A arma do invejoso é o ódio desenfreado, mortífero. Na impossibilidade de
valorizar o trabalho que alguém faz, procura inspirar em muitos o despeito e
a mágoa, a raiva e a imponderação, e palavra ácida e a acusação mordaz, a
fim de realizar-me e afligir.
As lições da convivência, todavia, muito ensinam. Desprendimentos de uns,
simplicidade de outros, confiança de muitos e não obstante a deficiência que
há em cada um, sempre menor do que as minhas imensas mazelas da inveja,
é preciso aprender a respeitar, porquanto o invejoso não considera ninguém,
padecendo despeito de todos, a todos apedrejando, maldizendo…
O exercício é para querer estimar, conseguir amizade e plantar no coração o
que muitos chamam amor, mas que ao ególatra constitui um fardo pesado,
tenebroso, difícil de carregar.
Sim, o espírito invejoso odeia, persegue, porque, tendo ciúme da felicidade
alheia, corrói-se pela inveja da felicidade dos demais.
Os que apresentam recalques entre os homens, os que cultivam complexos
de inferioridade, no fundo são Espíritos invejosos, malévolos, insidiosos,
31
infelizes, pois somente quem é desventurado se compraz na desventura
alheia…
Por isso o exercício é treinar a largueza da generosidade, a difusão da
gentileza, a ampliação dos horizontes imensos da caridade, porque as mãos
que esparzem rosas sempre ficam impregnadas de perfume… Como é ditoso
oferecer-se rosas, muito melhor seria tirar-lhes, também, os espinhos, como
os cardos do caminho por onde transitam incautos pés.
Nota do autor: adaptado do texto A INVEJA, constante do livro Depoimentos
Vivos, de Divaldo Pereira Franco, Ed. LEAL, com transcrições parciais.
A Inveja
A inveja é considerada um dos grandes males da sociedade, a psicologia a
considerada como um câncer da humanidade já que ela desestrutura os
campos: emocional e físico, e ainda, ela impede o desenvolvimento de outros
sentimentos que estão ligados a ordem superior.
Muitos historiadores definem a inveja como um sentimento inferior de desejo,
que é atribuída ao egocentrismo, soberba e cobiça. Pode-se encontrar este
tipo de pessoa em todas as áreas, por exemplo, na religiosa, política,
esportiva, profissional, entre outras. Quantas pessoas não desejam que o
casamento do amigo acabe? Ou então, comemoram quando o colega perde o
emprego?
A pessoa que tem inveja passa energia negativa para o invejado e também
para as pessoas que os cercam. Ele também é inseguro, supersensível,
desconfiado, além de se passar por superior, quando na verdade, se sente
inferior. Outra característica do invejoso é a questão da cópia, do desejo de
ter aquilo que o outro tem, por exemplo, um bom relacionamento, emprego.
Fontes: O Clarim | Espiritismo, Prece de Luz
O Ciúme
Você conhece alguma pessoa ciumenta? Não me refiro ao ciúme comum,
aquele que dizem que é o tempero do amor. Falo do ciúme doentio, que foge
dos limites do aceitável. O espírito imortal traz consigo, ao reencarnar, suas
características adquiridas no curso de muitas vidas. Essas características
desabrocham logo na infância na forma de tendências. Se a educação e o
acompanhamento familiar não souberem detectar e modificar essas
tendências desde cedo, essas características se desenvolverão livremente.
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O espírito imortal mantém um padrão comportamental que lhe acompanha a
bagagem milenar. Fruto da sua lenta e gradativa evolução. A sua maneira de
pensar e de sentir, o seu modo de ação e reação você traz de outras
existências. A formação da sua personalidade, na infância, apenas utilizou o
seu material espiritual.
O espiritismo é insistente em nos apontar o orgulho e o egoísmo como os
geradores de todos os defeitos humanos. O ciúme não escapa a essa regra.
Como sentimento egoísta, o ciúme procura roubar a liberdade do outro, tenta
obrigá-lo a seguir por um caminho delimitado ou simplesmente aprisioná-lo. O
ciúme é um exercício enlouquecido de poder, de dominação e de
aprisionamento do outro.
A pessoa ciumenta não sabe diferenciar imaginação e realidade, não sabe
distinguir fantasia e certeza. Qualquer dúvida em sua cabeça logo se
transforma em delírio. A vítima do ciumento se sujeita a ter seus pertences
revistados em busca de vestígios que nem imagina do que seja. O ciumento
tem ciúme do passado do outro, dos seus relacionamentos anteriores, e vive
imaginando detalhes sobre fatos verdadeiros ou não.
O que o ciumento quer é o controle total e absoluto dos sentimentos, da
atenção e do comportamento em geral do outro. O outro passa por situações
vexatórias e bizarras, isso quando não impera a violência. Quantos crimes
passionais devem sua origem ao ciúme doentio? Quantos casos de mulheres
que se sujeitam à violência doméstica por depender emocionalmente ou
economicamente do parceiro?
Ciúme não é amor. Pode estar relacionado a amor, mas a um amor que está
doente. É um sentimento profundamente egoísta que envolve um medo
insuportável de perder o parceiro para outra pessoa. Mesmo que essa pessoa
só exista na imaginação do ciumento. O ciumento é alguém com a autoestima
baixíssima, que não confia em si e nos seus sentimentos. Julga o outro pelos
seus pensamentos mórbidos.
O ciúme, assim como outros sentimentos como raiva, mágoa, inveja,
desencadeia uma série de doenças. Essas doenças podem se manifestar já
nesta encarnação ou acompanhar o espírito imortal até uma próxima
oportunidade na matéria para expurgar essas energias negativas, esse lixo
mental e emocional.
É importante que o ciumento e sua vítima se conscientizem da necessidade
de ajuda. Parece claro que, além da própria personalidade desajustada do
ciumento, há interferência de espíritos obsessores nessas situações. Mas de
nada adianta tratamento desobsessivo ou ajuda profissional se não houver o
propósito firme de uma reforma íntima urgente. Só com a vontade real de se
ajudar, de colaborar consigo mesmo, pode ser efetivada uma melhoria
significativa. Isso vale para o ciumento e também para o seu parceiro, que é
vitimado pelo seu ciúme. Nunca é demais lembrar que ninguém é vítima por
33
acaso. O acaso não existe. Tudo o que nós colhemos é o que um dia nós
plantamos…
Amor fotografia por Yanalya – Freepik.com
O Ciúme
Você é ciumento? Você sente ciúmes de seus amigos, colegas de trabalho,
familiares? Qual a visão espírita do ciúme?
Antes de abordarmos a visão espírita do ciúme vamos relembrar que o amor
está relacionado à afinidade, a querer o próximo bem, etc.
Já o ciúme é possessão, é o chamado: “quero para mim, isto é meu”.
Ciúme não é amor. Ciúme é posse! É querer que o outro faça exatamente
aquilo que você deseja, é fazer o outro se isolar.
O ciumento nunca relaxa. Por exemplo, quando o outro não atende uma
ligação ou não responde uma mensagem, o ciumento já pensa que está sendo
traído, que a pessoa não quer lhe responder, etc. Portanto, o ciúme é sim um
inferno na Terra.
O ciúme é um excesso. Não de amor, mas sim, excesso de vaidade, de
orgulho, de egoísmo. O amor não carrega consigo nenhum sentimento ou
atitude que leva às más paixões.
Como o ciúme pode ser vencido?
A partir do momento, em que aprendermos a domar as nossas paixões. A
entendermos que o amor não é exclusivo.
“Você não ama uma única pessoa, você ama várias. E conforme desenvolve
o amor, vai amando mais e várias pessoas.
O amor é um só. A forma como a gente dirige hoje é diferente, porém, chegará
o momento em que não será. Vamos amar de forma igual, com a mesma
intensidade todo mundo.
Para finalizar, não podemos nos deixar levar por paixões desenfreadas que
prejudicam tanto a nós mesmos como os outros.
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1.2 – Perda de pessoas amadas
934 – A perda de pessoas que nos são queridas não constitui para nós
legítima causa de dor, tanto mais legítima quanto é irreparável e
independente de nossa vontade?
Essa causa de dor atinge tanto o rico quanto o pobre: é uma prova ou
expiação, e a lei comum. Mas é uma consolação poder comunicar-vos com
vossos amigos pelos meios que tendes, esperando que, para isso, tenhais
outros mais diretos e mais acessíveis aos vossos sentidos.
Comentários:
A dor da perda dos nossos entes queridos é legítima.
Apesar de sabermos que é uma separação temporária, que eles continuam
vivos, que continuam com sua individualidade na erraticidade, ainda assim é
legítima essa dor.
É uma separação temporária no aspecto físico, pois sabemos que mesmo
estando desencarnados nós podemos manter contatos e muitas vezes
continuamos unidos pelo pensamento, pelas atitudes no bem, pelos trabalhos
que podemos realizar.
Temos a consolação em podermos nos comunicar com os nossos amigos
pelos meios que nos estão ao alcance:
 Pelo pensamento;
 Quando estamos em desdobramento, através do sono; vivemos
parcialmente a vida no plano espiritual e assim temos condições de
encontrar nossos amigos e familiares queridos, conversar, trocar
informações e trabalhar juntos;
 Através da mediunidade, que permite uma comunicação mais ostensiva
e mais direta. Porém, ainda não é uma atividade à disposição de todos
e a qualquer momento. Mas quando estivermos mais depurados e
evoluídos todos nós teremos essa condição. Todos nós seremos
médiuns ostensivos. Teremos condições e possibilidades de manter
esse intercâmbio natural e espontâneo com o plano espiritual.
Esse entendimento facilita muito a nossa vida aqui na Terra.
LIVRO QUARTO: Esperanças e Consolações
Capítulo I: Penas e gozos Terrestres
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935 – Que pensar da opinião das pessoas que olham as comunicações
de além-túmulo como uma profanação?
Não pode haver nisso profanação quando há recolhimento, e quando a
evocação é feita com respeito e decoro. O que o prova, é que os Espíritos que
se vos afeiçoam vêm com prazer e são felizes com vossa lembrança e por
conversarem convosco. Haveria profanação em fazê-lo com leviandade.
Allan Kardec:
A possibilidade de entrar em comunicação com os Espíritos é uma bem
doce consolação, visto que ela nos proporciona o meio de conversar
com nossos parentes e nossos amigos que deixaram a Terra antes de
nós. Pela evocação, os aproximamos de nós, eles estão ao nosso lado,
nos ouvem e nos respondem; não há, por assim dizer, mais separação
entre eles e nós. Eles nos ajudam com seus conselhos, nos
testemunham sua afeição e o contentamento que experimentam com
nossa lembrança. É para nós uma satisfação sabê-los felizes, aprender
por eles mesmos os detalhes de sua nova existência e adquirir a certeza
de, por nossa vez, a eles nos reunir.
Comentários:
Profanação: desrespeito ou violação do que é santo, sagrado; atitude irreverente contra
pessoa ou coisa que merece respeito; afronta, insulto, irreverência
A comunicação com o plano espiritual é algo natural, importante e sempre
ocorreu, com maior incidência no futuro.
Não há profanação na comunicação com além-túmulo.
A doutrina espírita vem exatamente nos mostrar isso.
A proibição efetuada por Moisés foi porque as pessoas se comunicavam com
o plano espiritual de forma negativa, com fins comerciais, de curiosidade, de
satisfação dos seus interesses mesquinhos. Não havia um objetivo nobre, um
fim útil. As pessoas não buscavam a comunicação com os Espíritos para
amparo, para auxílio, para saber como estavam seus familiares
desencarnados. Estavam sempre movidos pelo interesse pessoal e egoísta.
Nesse caso, de forma leviana, há profanação.
A doutrina espírita nos deixa esse entendimento muito claro. Ela condena
justamente o que Moisés proibiu.
A comunicação com o plano espiritual tem que ser sempre com fins nobres,
com fins positivos para auxiliar, para amparar tanto encarnados quanto
desencarnados.
Tudo está na intenção. Deus avalia muito mais a intenção do que os fatos.
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936 – Como a dores inconsoláveis dos sobreviventes afetam os Espíritos
a que se dirigem?
O Espírito é sensível à lembrança e aos lamentos daqueles que amou, mas
uma dor incessante e irracional o afeta penosamente, porque ele vê nessa dor
excessiva uma falta de fé no futuro e de confiança em Deus e, por conseguinte,
um obstáculo ao progresso e, talvez, ao reencontro.
Allan Kardec:
O Espírito, estando mais feliz que sobre a Terra, lamentar-lhe a vida é
lamentar que ele seja feliz. Dois amigos são prisioneiros e encerrados no
mesmo cárcere; ambos devem ter um dia sua liberdade, mas um deles a
obtém antes do outro. Seria caridoso, àquele que fica, estar descontente
de que seu amigo seja libertado antes dele? Não haveria mais egoísmo
que afeição de sua parte, em querer que partilhasse seu cativeiro e seus
sofrimentos tanto tempo quanto ele? Ocorre o mesmo com dois seres
que se amam sobre a Terra: aquele que parte primeiro, está livre primeiro,
e devemos felicitá-lo por isso, esperando com paciência o momento em
que o estaremos por nossa vez.
Faremos, sobre esse assunto, uma outra comparação. Tendes um amigo
que, perto de vós, está numa situação muito penosa; sua saúde ou seu
interesse exige que ele vá para um outro país, onde estará melhor sob
todos os aspectos. Ele não estará mais perto de vós, momentaneamente,
mas estareis sempre em correspondência com ele: a separação não será
senão material. Estaríeis descontentes com seu afastamento, visto que
é para seu bem?
A Doutrina Espírita, pelas provas patentes que dá da vida futura, da
presença em torno de nós, daqueles que amamos, da continuidade da
sua afeição e da sua solicitude, pelas relações que nos faculta manter
com eles, nos oferece uma suprema consolação numa das causas mais
legítimas de dor. Com o Espiritismo, não há mais solidão, mais
abandono, porquanto o homem mais isolado, tem sempre amigos perto
de si, com os quais pode conversar.
Suportamos impacientemente as tribulações da vida e elas nos parecem
tão intoleráveis que não compreendemos que as possamos suportar.
Todavia, se as suportarmos com coragem, se houvermos imposto
silêncio às nossas murmurações, nós nos felicitaremos quando
estivermos fora dessa prisão terrestre, como o paciente que sofre se
felicita, quando está curado, de se ter resignado a um tratamento
doloroso.
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Comentários:
Quando conhecemos a doutrina espírita a nossa visão de mundo se modifica.
Embora sintamos a saudade e a dor dessa separação temporária nossos
corações ficam mais serenos, pois sabemos que os laços de amor continuam
e nós iremos voltar a ver os nossos familiares queridos.
Uma dor incessante, desarrazoada toca o Espírito desencarnado de forma
penosa, pois representa falta de fé no futuro e confiança em Deus, além de
ser um obstáculo ao adiantamento dos que choram. Dificulta o nosso
adiantamento aqui na Terra porque ficamos nesse estado de desequilíbrio, de
resignação. Isso é um obstáculo para o nosso adiantamento e muitas vezes
dificulta o nosso encontro com os nossos entes amados que partiram primeiro.
Quanto mais aceitação e entendimento, mais rapidamente estaremos juntos,
por exemplo, através de uma reunião mediúnica, de uma mensagem
mediúnica, pelo desdobramento através do sono.
Se queremos ter contato com os nossos entes amados, seja através dos
sonhos, seja através de mensagens mediúnicas precisamos merecer, fazer a
nossa parte.
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1.3 – Decepção. Ingratidão. Afeições destruídas.
937 – As decepções que nos fazem experimentar a ingratidão e a
fragilidade dos laços da amizade, não são também para o homem de
coração uma fonte de amargura?
Sim, mas já vos ensinamos a lastimar os ingratos e os amigos infiéis: eles
serão mais infelizes que vós. A ingratidão é filha do egoísmo e o egoísta
encontrará mais tarde corações insensíveis, como ele próprio o foi. Pensai em
todos aqueles que fizeram mais bem do que vós, que valeram mais que vós,
e que foram pagos pela ingratidão. Pensai que o próprio Jesus, em sua vida,
foi zombado e desprezado, tratado de velhaco e impostor, e não vos espanteis
que assim seja em relação a vós. Que o bem que houverdes feito seja a vossa
recompensa nesse mundo, e não olheis o que dizem sobre ele os que o
receberam. A ingratidão é uma prova para a vossa persistência em fazer o
bem; ser-vos-á levada em conta e aqueles que vos desconheceram serão
punidos por isso, tanto mais quanto maior houver sido a sua ingratidão.
Comentários:
Nós devemos fazer o bem, ajudar, amparar pela alegria de contribuir, de aliviar
a dor do próximo, mas sem esperar retribuição, pois só Deus sabe o que se
passa no íntimo do nosso coração e basta a Ele saber o bem que nós fazemos.
Não precisamos fazer o bem esperando uma gratidão, um reconhecimento
daqueles que são ajudados, pois quando nós almejamos essa gratidão é
porque ainda desponta o nosso egoísmo querendo esse reconhecimento,
havendo um pouco desse sentimento negativo que precisamos trabalhar.
Nosso maior exemplo, Jesus.
Ele esteve aqui, fez o bem indistintamente e não procurava gratidão,
reconhecimento. Mesmo na cruz, injuriado, menosprezado, não se revoltou,
não se sentiu em amarguras. Pediu perdão a Deus por nós em função do amor
que Ele tem por nós. Seu amor pela humanidade é tão grande que naquele
momento supremo de dor, de ingratidão de toda a humanidade Ele pediu ao
Pai perdão por nós. Em nenhum momento Ele se ofendeu ou se sentiu
magoado pela nossa conduta porque Ele conhecia a nossa imperfeição, a
nossa condição espiritual ainda muito distantes do objetivo maior da vida que
é a conquista do amor.
Portanto, assim como Jesus agiu conosco e ainda age, nós também devemos
agir com o próximo.
Aqueles que nos tratam com ingratidão, que não sabem reconhecer as
benesses recebidas, possamos lembrar que ainda estão a caminho das
LIVRO QUARTO: Esperanças e Consolações
Capítulo I: Penas e gozos Terrestres
39
verdades, do conhecimento e que no momento certo vão amadurecer e vão
lidar de outra maneira com os auxílios recebidos.
A nós cabe continuar fazendo o bem, pois Deus tudo vê e cabe a Ele fazer a
justiça para com aquele que foi grato, como para aquele que foi ingrato
Assim mesmo
Madre Teresa de Calcutá
“Muitas vezes as pessoas
são egocêntricas, ilógicas e insensatas.
Perdoe-as assim mesmo.
Se você é gentil,
as pessoas podem acusá-lo de interesseiro.
Seja gentil assim mesmo.
Se você é um vencedor,
terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros.
Vença assim mesmo.
Se você é honesto e franco,
as pessoas podem enganá-lo.
Seja honesto e franco assim mesmo.
O que você levou anos para construir,
alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo.
Se você tem paz e é feliz,
as pessoas podem sentir inveja.
Seja feliz assim mesmo.
O bem que você faz hoje,
pode ser esquecido amanhã.
Faça o bem assim mesmo.
Dê ao mundo o melhor de você,
mas isso pode não ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo.
Veja você que, no final das contas,
é tudo entre você e Deus.
Nunca foi entre você e os outros.”
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938 – As decepções causadas pela ingratidão não são feitas para
endurecer o coração e fechá-lo à sensibilidade?
Isso seria um erro, porque o homem de coração, como dizes, está sempre feliz
pelo bem que faz. Ele sabe que se o não lembrarem nesta vida, o farão em
outra, e que o ingrato disso terá vergonha e remorsos.
938.a) Esse pensamento não impede seu coração de ser ulcerado; ora,
isso não poderia originar-lhe a ideia de que seria mais feliz se fosse
menos sensível?
Sim, se prefere a felicidade do egoísta; é uma triste felicidade esta. Que ele
saiba, portanto, que os amigos ingratos que o abandonam não são dignos de
sua amizade e que se enganou sobre eles; desde então, não deve lamentar a
sua perda. Mais tarde, encontrará os que saberão melhor compreendê-lo.
Lamentai aqueles que têm para vós maus procedimentos que não merecestes,
porque haverá para eles um triste retorno; mas não vos aflijais com isso: é o
meio de vos colocardes acima deles.
Allan Kardec:
A Natureza deu ao homem a necessidade de amar e de ser amado. Um
dos maiores prazeres que lhe seja concedido sobre a Terra é o de
reencontrar corações que simpatizam com o seu, o que lhe dá as
premissas de uma felicidade que lhe está reservada no mundo dos
Espíritos perfeitos, onde tudo é amor e benevolência: é um prazer
negado ao egoísta.
Comentários:
Quando a pessoa resolve fechar o seu coração, fechar a sensibilidade em
decorrência das ingratidões recebidas acaba sendo uma atitude egoísta.
Essa é uma situação em que nos propomos a fazer o bem se recebermos algo
em troca como a gratidão ou o reconhecimento. Caso não recebamos, ao
invés de continuarmos fazendo o bem e ficarmos felizes pelo bem que fizemos,
acabamos nos tornando menos sensíveis e com isso mais egoístas. Isso é
uma felicidade do egoísta, uma felicidade triste.
Só somos felizes quando abrimos o nosso coração, quando amamos
verdadeiramente, quando fazemos o bem pela alegria, pela satisfação de
ajudar e de ser útil, mesmo que o outro não expresse esse reconhecimento.
Se esses possíveis amigos, realmente fossem amigos, não iriam nos
abandonar, não iriam deixar de ser gratos por aquilo que receberam. Se não
foram gratos é porque não eram nossos verdadeiros amigos, portanto, não há
motivos para lamentar por tê-los perdidos.
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O mais importante é sermos bons, é fazermos o bem.
Jesus ajudou, amou, fez tanto bem e recebeu atitudes completamente
diferentes daquelas que para conosco Ele agiu. Nós o colocamos na cruz e
tiramos sua vida física. Ele nos perdoou, não se sentiu ofendido. Em nenhum
momento Ele deixou que sua felicidade fosse abalada pela nossa conduta,
pois Ele conhecia nossa condição de Espíritos ainda imperfeitos.
A pessoa verdadeiramente boa sempre vai agir de forma positiva. Não vai
fechar seu coração, a sensibilidade e o amor porque o outro não soube
reconhecer o bem que recebeu, mas pelo contrário, continuará distribuindo o
bem para que o amor possa um dia reinar na Terra e assim não haverá mais
o orgulho, o egoísmo e a ingratidão, apenas o sentimento de alegria, de
respeito e de união entre as criaturas.
Não fique triste!
Procure o conforto que o céu dá a todos aqueles que se conformam e
aceitam as dores com resignação.
Se aquela criatura que você ama acima de tudo, mais do que a você mesmo,
foi ingrata com você, não fique triste: peça que o Pai a ajude e que ela se
torne cada vez mais feliz…
Entregue ao Pai Todo-Compreensivo aqueles a quem você ama, e ame-os
você também.
(Minutos de Sabedoria – 215 ou 219)
ESE – XIII, 19 e XIV, 09 – pág 140-141 e 146-148.
42
1.4 – Uniões antipáticas
939 – Visto que os Espíritos simpáticos são levados a unir-se, como se
dá que, entre os Espíritos encarnados, a afeição não esteja,
frequentemente, senão de um lado, e que o amor mais sincero seja
recebido com indiferença e mesmo repulsa? Como, de outra parte, a
afeição mais viva de dois seres pode mudar em antipatia e, algumas
vezes, em ódio?
Não compreendeis, pois, que é uma punição, mas que não é senão
passageira. Aliás, quantos não há que creem amar perdidamente, porque não
julgam senão sobre as aparências, e quando são obrigados a viver com as
pessoas, não tardam a reconhecer que isso não é senão uma admiração
material. Não basta estar enamorado de uma pessoa que vos agrada e a quem
creiais de belas qualidades; é vivendo realmente com ela que podereis
apreciá-la. Quantas também não há dessas uniões que, no início, parecem
não dever jamais ser simpáticas, e quando um e outro se conhecem bem e se
estudam bem, acabam por se amar com um amor terno e durável, porque
repousa sobre a estima! É preciso não esquecer que é o Espírito que ama e
não o corpo, e, quando a ilusão material se dissipa, o Espírito vê a realidade.
Há duas espécies de afeições: a do corpo e a da alma e, frequentemente, se
toma uma pela outra. A afeição da alma, quando pura e simpática, é durável;
a do corpo é perecível. Eis porque, frequentemente, aqueles que creem se
amar, com um amor eterno, se odeiam quando a ilusão termina.
Comentários:
Aqui compreendemos o porquê de muitas uniões aqui na Terra parecerem
muito simpáticas no início, mas no decorrer da convivência surgem as
dificuldades de relacionamento e muitas uniões findam havendo traços de
mágoa, de ódio e de desafeto entre aquelas pessoas que antes pareciam se
amar.
A Espiritualidade nos esclarece que há dois tipos de afeição, a do corpo e a
da alma.
É importante observarmos o que de fato une as criaturas.
- Estão juntos porque havia algo em comum.
- Semelhante atrai semelhante. Não são os opostos, mas os iguais que se
atraem.
Será que naquela união há afeição verdadeira ou apenas encantamento
material?
LIVRO QUARTO: Esperanças e Consolações
Capítulo I: Penas e gozos Terrestres
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Será uma união decorrente da matéria, do nosso apego, da nossa mente, do
nosso coração ainda imperfeito que fazem com que nos aproximemos de
determinadas pessoas, por carência e por tantos outros sentimentos que não
a afeição real.
Quando a afeição é essa do corpo que é movida pelo mundo material, pelos
interesses materiais, não perdura.
Quando o encanto acaba, não sobra mais nada, pois não havia a essência.
Por outro lado, as afeições da alma, onde há pura e sincera simpatia, são
duradouras e não finalizam, nem com a morte e nem com o desenvolvimento
das uniões aqui no mundo material.
Juntos ou separados deve haver respeito.
No livro Estudando a Mediunidade, Martins Peralva destaca diferenças
espirituais relevantes e classifica o casamento em cinco tipos: acidentais,
provacionais, sacrificiais, afins (afinidade superior) e transcendentes.
Vejamos cada um deles:
Casamentos Acidentais – São aqueles decorrentes de um encontro de almas
com pouca evolução, “almas inferiorizadas”, atraídas momentaneamente e
sem identificação de ascendência espiritual. Podemos identificar este tipo de
casamento entre pessoas que se encontram, mas não apresentam
comprometimento espiritual anterior, não sendo tal união programada pela
espiritualidade para acontecer na vida atual, decorrendo de imprevisto e
eventualidade.
Atualmente, este casamento ainda é muito comum. Podem até dar certo, pois
é possível os cônjuges se adaptarem um ao outro, consolidando a união no
tempo.
Alguns dos fatores a ocasionar a ocorrência deste tipo de casamento são: a
atração momentânea, onde predomina a sensualidade; os interesses pessoais
e/ou financeiros, muito conhecido em todas as épocas da humanidade; fuga
do lar, em decorrência de dificuldades domésticas; união imposta, como as
decorrentes de gravidez fortuita, por exemplo; vaidade, com uma necessidade
de casar para se sentir bem, para mostrar à sociedade; luxúria e todos os
instintos inferiores ainda presentes na humanidade terrena.
Casamentos Provacionais – Há um reencontro de Espíritos para
reajustamento, condição indispensável à evolução de ambos.
Por haverem contraído débitos cármicos mútuos, a Providência Divina utiliza-
se da união conjugal para o necessário ressarcimento.
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São os mais frequentes em um mundo considerado de expiações e de provas,
como a Terra, razão pela qual não raro verificam-se dificuldades de
relacionamento entre os cônjuges, desarmonia, desconfiança e tantos outros
conflitos morais, podendo mesmo, se não devidamente trabalhados, causar
tragédias familiares.
Este casamento decorre da misericórdia divina, a oportunizar o cumprimento
da lei de causa e de efeito por meio de um convívio diário com aqueles
corações compromissados, contribuindo para aflorar o perdão, o amor sincero,
verdadeiro e fraternal nas lutas comuns da vida.
Para a conquista dos objetivos almejados estes casamentos são planejados
na espiritualidade, constam do plano reencarnatório. A espiritualidade superior
trabalha para que os Espíritos possam se encontrar e se apaixonar, sendo
“magnetizados e hipnotizados”, pode-se assim dizer, permitindo encantarem-
se um pelo outro, sem a interferência e a lembrança das antipatias do passado.
Sem a caridosa contribuição do plano superior, o antagonismo do pretérito,
mesmo que de modo intuitivo, far-se-ia presente, não permitindo a atração
entre os Espíritos e o casamento provacional. A Espiritualidade, portanto, une
estes corações para modificarem, pelo convívio diário, a animosidade do
passado em laços de fraternidade e de amor.
Posteriormente ao casamento, o encantamento inicial vai se fragilizando ante
as lembranças inconscientes do passado, as quais começam a aflorar e a
desarmonizar o lar, dando início às dificuldades de relacionamento, tornando-
se necessária a vivência do Evangelho, a boa vontade, a tolerância e a
resignação para que a união prospere. Lembremos que quando as afinidades
do sentimento não estão presentes, o casamento na Terra é tão somente um
serviço redentor. O Espiritismo, pelo esclarecimento trazido, auxilia
sobremaneira as uniões de caráter provacional, permitindo aos indivíduos
encontrarem força espiritual para continuarem caminhando para o bem e para
o regaste de suas faltas.
Casamentos Sacrificiais – Quando o Pai consente num “reencontro de alma
iluminada com alma inferiorizada”, com o objetivo de redimir aquela que se
equivocou durante a caminhada, havendo assim a aproximação de almas
espiritualmente opostas, uma mais esclarecida voluntariando-se para auxiliar
a retardatária na ascensão espiritual, sendo por isso mesmo um sacrifício.
Quando se ama não se consegue ser feliz se na retaguarda, em condição de
sofrimento e dor, está o destinatário de nossa afeição.
Nesta situação, a alma iluminada retorna com aquele coração amado para
através do amor, do exemplo, da renúncia e da resignação, estimular-lhe a
caminhada para Deus. Uma alma já se encontra iluminada pelas lutas
redentoras, mas a outra ainda precisa da luz para deixar as trevas, sendo o
evangelho o caminho a nos conduzir durante esta jornada evolutiva, sendo
estimulante da harmonia e do amor fraternal.
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Um exemplo desta categoria é o de Lívia com o senador Publio Lêntulus,
transcrito no livro Há Dois Mil Anos. O senador, embora evoluído
intelectualmente, era moralmente inferior à Lívia, devido ao seu orgulho.
Casamentos Afins – São aquelas uniões decorrentes da lei da afinidade,
quando Espíritos amigos reencontram-se para a consolidação de afetos.
Verifica-se, aqui, a reunião de almas mais esclarecidas espiritualmente e que
se afinam no amor, na amizade e na comunhão com as leis divinas, permitindo
o casamento a consolidação dos laços de afeição. Na Terra, pela condição
ainda muito imperfeita de seus habitantes, o número de casamentos afins é
bem mais reduzido, mas não deixa de existir.
Casamentos Transcendentes – bem mais raros se comparados com os
afins, decorrem de “almas engrandecidas no bem e que se buscam para
realizações imortais”. Podemos afirmar dar-se o reencontro desses Espíritos,
no plano material, objetivando realizações em prol da humanidade, com uma
finalidade superior, muito além dos nossos interesses pessoais e egoístas.
Esses Espíritos, pela evolução já alcançada, buscam e trabalham pelo bem,
trazem uma felicidade muito acima das paixões e vulgaridades terrena,
decorrendo de amor puro e verdadeiro.
Um exemplo de casamento transcendente é o do próprio Allan Kardec com
Amélie-Gabrielle Boudet, que embora seu nome não seja citado na
Codificação, sua participação e apoio na vida de Kardec foram fundamentais
para o cumprimento de sua missão.
Durante a nossa caminhada evolutiva natural será passarmos todos, em
algum momento, pelos diversos tipos de casamento. Normalmente, fica-se
bom tempo vivenciando os primeiros até haver merecimentos para se
desfrutar, no plano material, de união construída com base na afinidade
superior ou no amor transcendental. Nos casamentos transcendentais e afins,
por serem estáveis e baseados no amor, não há divórcio ou mesmo relações
extraconjugais, assim como por parte da alma iluminada da união sacrificial.
Por fim, significa o casamento oportunidade sublime de reajuste e, em menor
incidência, consolidação de laços de afinidade e de amor.
https://www.conhecendooespiritismo.com.br/post/quais-os-tipo-de-casamento
Muitas das uniões nessa vida aparentemente parecem ser uniões por
afinidade, mas na verdade são essencialmente provacionais.
46
Há que se colocar em prática todos os dias o perdão, a tolerância, a
compreensão, o respeito, o amor.
Família – É a mais importante instituição, onde são gerados todos os climas
de fraternidade, de educação, do verdadeiro amor. Garantia dos alicerces da
civilização.
940 – A falta de simpatia entre os seres destinados a viver juntos, não é
igualmente uma fonte de desgostos tanto mais amarga quanto envenena
toda a existência?
Muito amargas, com efeito. Mas é uma dessas infelicidades das quais,
frequentemente, sois a primeira causa. Primeiro, são vossas leis que são
erradas. Por que crês que Deus te constrange a ficar com aqueles que te
descontentam? Aliás, nessas uniões, frequentemente, procurais mais a
satisfação do vosso orgulho e da vossa ambição do que a felicidade de uma
afeição mútua; suportareis, nesse caso, a consequência dos vossos
preconceitos.
940.a) Mas, nesse caso, não há quase sempre uma vítima inocente?
Sim, e é para ela uma dura expiação; mas a responsabilidade de sua
infelicidade recairá sobre aqueles que lhe foram a causa. Se a luz da verdade
penetrou sua alma, ela terá sua consolação em sua fé no futuro. De resto, à
medida que os preconceitos se enfraquecerem, as causas de suas
infelicidades íntimas desaparecerão também.
Comentários:
As leis dos homens, de alguma forma, impediam ou determinavam que as
pessoas não poderiam se divorciar, em função de uma união em que não havia
mais desejo de ambas as partes de continuarem, de uma simpatia, de um
sentimento recíproco que fizesse com que aquelas pessoas ali desejassem
permanecer.
Em função das leis que existiam no mundo (e ainda existem em alguns países)
as pessoas precisavam permanecer unidas mesmo nessas condições. Isso
era fonte de dissabores, de insatisfação e infelicidade. Dissabores tanto mais
amargos, quanto houvesse falta de simpatia entre os seres destinados a viver.
Nesses casos, as uniões são bem mais difíceis e conflituosas.
O divórcio não é contrário às leis divinas. Lei 6.515, de 26/12/1977.
ESE – Capítulo XXII: Não separeis o que Deus juntou – pág. 204 a 206.
47
A doutrina Espírita não está incentivando que as uniões sejam desfeitas e que
cada um continue seguindo o seu caminho.
Muitas uniões são provacionais, onde ainda não há uma simpatia real e
verdadeira, mas os Espíritos vêm com aquele compromisso, com aquele
desejo de juntos trabalharem as suas dificuldades e evoluírem.
A doutrina nos esclarece que se aquela união não está mais trazendo as
alegrias, não está mais proporcionando o crescimento espiritual que aquelas
pessoas necessitam é melhor que cada um siga o seu caminho com respeito
um pelo outro e que possam ser felizes.
Todos nós viemos para cá com o mesmo objetivo: vivenciar o amor e
transformar laços de ódio, de mágoa, de desunião, de desafeto em laços de
fraternidade, respeito e amor. Nós podemos alcançar esse objetivo estando
em determinada união ou estando separados, como amigos.
Quantas uniões são desfeitas e se mantém o respeito, a amizade entre
aqueles que um dia estiveram juntos. O fato de não estarem mais juntos não
significa que eles não cumpriram o seu objetivo reencarnatório, pois estão
saindo dessa existência como irmãos fraternos.
Igualmente, há relações que permanecem juntos, mas com sentimentos de
ódio entre os parceiros, estando junto na matéria, mas não em Espírito, não
cumprindo o objetivo.
As uniões precisam estarem pautadas no respeito e no sentimento de
fraternidade que deve unir todas as criaturas
48
1.5 – Medo da morte
941 – O medo da morte é para muitas pessoas uma causa de
perplexidade; de onde vem esse temor, visto que elas têm diante de si o
futuro?
É errado que tenham esse temor. Todavia, que queres tu! procuram persuadi-
las em sua juventude de que há um inferno e um paraíso, mas que é mais
certo que elas irão para o inferno porque lhe dizem que, o que está na
Natureza, é um pecado mortal para a alma. Então, quando se tornam grandes,
se têm um pouco de julgamento, não podem admitir isso, e se tornam ateias
ou materialistas. É assim que as conduzem a crer que, fora da vida presente,
não há mais nada. Quanto às que persistiram em suas crenças da infância,
elas temem esse fogo eterno que as deve queimar, sem as destruir.
A morte não inspira ao justo nenhum medo, porque com a fé ele tem a certeza
do futuro; a esperança o faz esperar uma vida melhor, e a caridade, da qual
praticou a lei, dá-lhe a certeza de que não reencontrará, no mundo em que vai
entrar, nenhum ser do qual deva temer o olhar. (730).
Allan Kardec:
O homem carnal, mais ligado à vida corporal que à vida espiritual, tem,
sobre a Terra, penas e gozos materiais; sua felicidade está na satisfação
fugidia de todos os seus desejos. Sua alma, constantemente preocupada
e afetada pelas vicissitudes da vida, permanece numa ansiedade e numa
tortura perpétuas. A morte o assusta, porque ele duvida do seu futuro, e
acredita que deixa sobre a Terra todas as suas afeições e todas as suas
esperanças.
O homem moral, que se eleva acima das necessidades fictícias criadas
pelas paixões, tem, desde este mundo, prazeres desconhecidos ao
homem material. A moderação dos seus desejos dá ao seu Espírito a
calma e a serenidade. Feliz pelo bem que fez, não há para ele decepções,
e as contrariedades deslizam sobre sua alma sem deixar aí impressão
dolorosa.
Comentários:
Esse temor da morte decorre de várias fontes:
 A educação que se tem quando criança quando os pais repassam a ideia
de um paraíso e de um inferno ou fogo eterno, quando na verdade
existem as regiões umbralinas para a permanência transitória do Espírito
equivocado ou devedor.
LIVRO QUARTO: Esperanças e Consolações
Capítulo I: Penas e gozos Terrestres
49
 A ideia equivocada enquanto Espíritos imperfeitos de que quase tudo o
que há no mundo material constitui pecado, daí surge aquela quase
certeza de que tenhamos que ir para o inferno. Muitas pessoas que
vivem com esse temor têm receio de estar no inferno, onde há esse fogo
eterno que queima sem consumir. Poucos são aqueles que se
consideram merecedores do idealizado paraíso, que não tem erros
escabrosos e que vivenciam o bem em todas as suas atitudes.
 Pessoas que não aceitam esse tipo de interpretação de que há um
inferno e um paraíso, devido a sua própria intelectualidade repelem esse
raciocínio quando adultas se tornam ateias ou materialistas e acabam
achando que além da vida presente não há mais nada. Então esse
receio, vem o medo diante daquilo que eventualmente vai acontecer ou
vão encontrar após a morte.
 Há também aqueles que sentem que não cumpriram totalmente os seus
compromissos assumidos quando do preparo da reencarnação.
Quanto mais ignorância existe acerca da mortalidade da alma e da vida após
a morte, mais temor.
Quando compreendemos que a vida continua, que somos seres eternos, não
deixamos de ter nossa individualidade, nossa intelectualidade, de gostar e de
amar as pessoas que amamos, nos traz um grande alento, alivia o temor da
morte.
O instinto de conservação também é lei natural e nos proporciona certo temor
da morte exatamente para que procuremos estar aqui vivos biologicamente,
pois temos um compromisso enquanto encarnados.
Se não tivéssemos temor da morte, nós nos autodestruiríamos, através do
suicídio de uma forma muito mais intensa.
O temor da morte é freio para que possamos permanecer aqui fazendo o que
devemos fazer.
O temor da morte é um efeito da sabedoria da Providência e uma
consequência do instinto de conservação.
Por que os espíritas não temem a morte? (O Céu e o Inferno – Capítulo 2)
942 – Certas pessoas não acharão um pouco banais esses conselhos
para ser feliz sobre a Terra? Não verão neles o que chamam lugares
comuns, verdades repetidas? Não dirão elas que, em definitivo, o
segredo para ser feliz é saber suportar sua infelicidade?
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Há os que dirão isso, e muitos. Mas ocorre com eles o mesmo que com certos
doentes a quem o médico prescreve a dieta: gostariam de ser curados sem
remédios e continuando a se predispor às indigestões.
Comentários:
Nós estamos tendo a oportunidade de ouvir os conselhos da Espiritualidade,
de aprender com a doutrina dos Espíritos como sermos mais felizes na Terra,
conhecermos acerca da imortalidade da alma.
Em nossa singela avaliação somos seres privilegiados, pois hoje temos
acesso a informações e a verdades que no passado não tínhamos e que
muitas pessoas ainda não têm.
No entanto, cada um de nós lida com essas informações de uma maneira
diferente.
 Há aqueles que ouvem, mas não acreditam;
 Há aqueles que não conseguem ainda compreender a profundidade
dessas palavras, dessas ideias, dessas verdades e preferem negar,
entender que isso não é o correto, não é verdadeiro e que é melhor cada
um suportar as suas dificuldades, as suas dores porque é assim que tem
que ser.
 Parecem aqueles que o médico prescreve a dieta, indicando o
medicamento correto para os seus males, mas querem se curar sem
tomar o medicamento. Querem que a cura caia do Céu.
 Há muitas pessoas que conhecem a doutrina, mas da mesma forma não
querem fazer esforços, não querem se modificar, não querem fazer a
parte que lhes cabe.
Deus respeita o livre-arbítrio de cada um.
Não podemos reclamar se a felicidade demorar a chegar e se as dores se
fizerem mais vivas em nossas vidas, pois essa foi a escolha que fizemos.
Cada um escolhe o caminho que quer seguir.
Que possamos desde já escolhermos os caminhos do entendimento, do
esclarecimento e, acima de tudo.
Não é fácil ser espírita.
O Espiritismo tem a visão mais aberta e aclarada, dando a cada um a
responsabilidade da autorrenovação e da própria salvação. Então,
Espiritismo não é para quem quer, mas para quem aguenta.
A reforma íntima é o melhor caminho para sermos mais felizes.
- É muito mais fácil perdoar que remoer as mágoas, os ressentimentos. É
preciso ferir o nosso orgulho e, de preferência, eliminar do nosso íntimo.
- É muito mais fácil se doar que se fechar no casulo do egoísmo.
51
Caminhos difíceis sempre encontraremos, pois a Terra é:
 Um hospital – para corrigir os desajustes dos vícios do passado;
 Uma prisão – nos proporciona a expiação dolorosa para os resgates dos
débitos relacionados ao crime.
 Uma escola – para compreender que a vida não é mero acidente
biológico e nem uma jornada recreativa. Não estamos aqui a passeio
para nos divertir, mas para aprender com as nossas experiências.
 Oficina de trabalho para desenvolver atividades edificantes em favor da
nossa própria renovação.
Nem por isso deixamos de sentir o gostinho de uma felicidade relativa
proporcional ao que o nosso planeta azul possa nos oferecer, depende muito
da forma como encaramos as nossas vicissitudes e da nossa transformação.
52
1.6 – Desgosto da vida. Suicídio.
É um tema muito delicado e complexo.
Precisamos de boas vibrações no decorrer do estudo, das explanações e
reflexões das questões a seguir, pois sabemos que no íntimo de muitos de nós
já passamos por certos desgostos da vida e até pensamentos em romper com
a vida física (o que não é tão raro haver esses pensamentos).
Além disso, é possível que aqui entre os irmãos desencarnados há aqueles
que no momento de fraqueza não conseguiram resistir a um convite perverso
e saíram da vida física pelas vias do suicídio, mas que já sabem que Deus
nunca desiste de nenhum de seus filhos.
Como já sabemos, através da doutrina espírita, que não existe coincidência e
nem acaso, com certeza, é pela vontade de Deus, por meio do auxílio da
Espiritualidade Superior juntamente com os mentores desta Casa é que
vamos tratar desse assunto justamente agora no mês de setembro de 2023.
A campanha do “Setembro Amarelo” tem como objetivo trazer informações
e conscientizar a sociedade para a prevenção do suicídio no Brasil.
Como surgiu?
Em setembro de 1994, nos Estados Unidos, o jovem de 17 anos Mike Emme
cometeu suicídio. Ele tinha um Mustang amarelo e, no dia do seu velório, seus
pais e amigos decidiram distribuir cartões amarrados em fitas amarelas com
frases de apoio para pessoas que pudessem estar enfrentando problemas
emocionais.
Inspirado no caso Emme, o “Setembro Amarelo” foi adotado em 2015 no Brasil
pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina
(CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
Importância da campanha
Além de trazer esse tema à tona, as campanhas disponibilizam informações e
opções de tratamento para o público, visando a reduzir o tabu que faz com
que muitas pessoas evitem falar sobre suicídio e buscar ajuda.
https://guiadoestudante.abril.com.br/atualidades/setembro-amarelo-como-surgiu-e-por-que-ele-e-tao-importante/
Suicídio: Ação pela qual alguém põe intencionalmente fim à própria vida
física. É um ato exclusivamente humano e está presente em todas as culturas.
Do ponto de vista da Doutrina Espírita, o suicídio é considerado um crime, e
pode ser entendido não somente no ato voluntário que produz a morte
instantânea, mas em tudo quanto se faça conscientemente para apressar a
extinção das forças vitais, ou seja, abreviar o fim do corpo físico.
LIVRO QUARTO: Esperanças e Consolações
Capítulo I: Penas e gozos Terrestres
53
943 – De onde vem o desgosto da vida que se apodera de certos
indivíduos, sem motivos plausíveis?
Efeito da ociosidade, da falta de fé e, frequentemente, da saciedade. Para
aquele que exercita suas faculdades com um objetivo útil e segundo suas
aptidões naturais, o trabalho não tem nada de árido e a vida se escoa mais
rapidamente. Ele suporta as vicissitudes com tanto mais paciência e
resignação, quanto age tendo em vista uma felicidade mais sólida e mais
durável que o espera.
Comentários:
A Espiritualidade nos mostra três motivos importantes para o desgosto que
muitas pessoas sentem pela vida:
- Ociosidade – Faz com que não tenhamos a mente ocupada. Quando
estamos trabalhando, quando estamos desempenhando uma atividade que
nos agrada, que nos torna pessoas mais úteis, mais felizes, a nossa mente
não se ocupa com esses pensamentos. Sabemos que algum pensamento,
alguma lembrança, algum sentimento que não é bom está ao nosso lado, se
formos trabalhar vamos mudar o foco do pensamento, elevando a nossa
mente, tirando o nosso coração daquele pensamento negativo que nos
angustia e faz com que tenhamos desgosto pela vida. Então as pessoas
ociosas ficam com os pensamentos mais propensos a esse tipo de coisa.
- Falta de fé – Quando nós temos fé e aqui falamos da fé raciocinada, a fé que
compreende, que sabe das coisas, que faz com que acreditemos em Deus
acima de tudo e saibamos que Ele é nosso Pai e que tudo está sob a
orientação dele, nós não nos sentimos dessa forma, pois essa fé nos sustenta.
- Saciedade – No sentido de não estarmos satisfeitos, saciados com aquilo
que a vida nos dá. Quando nós buscamos a felicidade no mundo, estamos a
todo momento só buscando e a vida nunca vai nos saciar, porque o mundo
jamais tem a condição de alimentar a nossa fome, que não é material. É a
fome do Espírito, da alma. A gente se sacia dessa vida material, mas ela não
nos preenche.
Precisamos estar sempre muito atentos para aquilo que estamos buscando
para a forma como estamos nos sentindo.
Ao utilizarmos as nossas faculdades com um fim útil, o trabalho não nos
desgasta, pois estamos seguindo as nossas aptidões, seguindo aquilo que
viemos fazer aqui na Terra. Nós planejamos, nos propusemos, mas
precisamos estar atentos ao que nós estamos buscando. Fortalecer a fé.
Muitas vezes estamos buscando aquilo que não nos ajuda na conquista da fé,
do bem-estar e assim vamos nos sentir ociosos, sentir repletos desse mundo
que não nos preenche advindo o desgosto pela vida.
54
944 – O homem tem o direito de dispor da sua própria vida?
Não, só Deus tem esse direito. O suicídio voluntário é uma transgressão dessa
lei.
944.a) O suicídio não é sempre voluntário?
O louco que se mata não sabe o que faz.
Comentários:
Em momento algum temos o direito de dispor do nosso corpo físico.
Temos o livre-arbítrio que muitas vezes o usamos para atentar contra nossa
própria vida física.
Esse ato não é agradável a Deus.
É um ato que contraria as Leis de Deus. Contraria a Lei de Conservação que
nos faz buscar sempre a preservação da nossa própria existência física.
Portanto, quanto optamos por essa dita “solução”, que não é solução para
problema algum.
O homem não tem o direito de se dispor da sua vida. Só a Deus assiste esse
direito. Toda vez que o ser humano busca o suicídio (de forma voluntária ou
involuntária) está transgredindo a Lei de Deus.
Quando não possui a clareza de ideias, do pensamento, da compreensão do
ser, ele não pode ser responsabilizado da mesma forma, na mesma medida
daquele que tem plena consciência do que faz.
Portanto, muitos casos de suicídio onde há um processo obsessivo grave,
aqueles Espíritos que estão influenciando, instigando a pessoa a cometer o
suicídio também são responsabilizados por aquele ato e não apenas o Espírito
suicida.
Deus avalia quais Espíritos têm responsabilidades naquele ato, assim como a
intensidade da participação.
Todos somos responsabilizados na exata medida daquilo que tivermos
contribuído para a realização daquela situação, daquele fato.
Jamais busquemos o suicídio para a solução de qualquer problema.
O suicídio nada resolve, ao contrário, só piora a situação, prejudicando a
nossa vida e a nossa condição perante a justiça divina.
O ser humano não tem o direito de dispor da sua vida física. Ele tenta destrui-la, no entanto,
não consegue e ilude a si mesmo, pensando, por momentos de inquietação, em entrar na
paz que supõe encontrar. Ninguém destrói o que o Criador planejou e fez. O melhor para
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todas as criaturas é procurar obedecer aos propósitos da lei que nos rege a todos.
(Miramez)
Há muitos relatos acerca do suicídio na literatura espírita.
945 – Que pensar do suicídio que tem por causa o desgosto da vida?
Insensatos! Por que não trabalhavam? A existência não lhes seria uma carga!
Comentários:
A Espiritualidade nos mostra a importância do trabalho para dar sentido à vida.
Através do trabalho ocupamos o nosso tempo, ocupamos a nossa mente,
trazemos saúde para o nosso organismo físico e mental.
Encontramos as forças que necessitamos para seguir caminhando, lutando,
crescendo.
Através do trabalho vem o progresso.
Quando nós, de alguma forma, desgostamos da vida é um reflexo das nossas
buscas equivocadas, como:
 Quando nos preocupamos muito com a vida material;
 Quando nos preocupamos com a conquista que o mundo pode nos
ofertar;
 Quando buscamos os prazeres do mundo;
 Quando acreditamos que após a morte do corpo físico não há nada;
Tudo isso faz com que coloquemos toda a nossa atenção, toda a nossa
energia na conquista das coisas materiais, na satisfação dos nossos
interesses pessoais aqui na Terra.
Sabemos que a Terra não é capaz de nos proporcionar a verdadeira felicidade.
Ela nunca vai conseguir sanara a solidão, a fome da nossa alma, do nosso
Espírito. Só através da conquista dos valores espirituais conseguiremos dar
gosto à nossa vida.
Precisamos refletir sobre o que leva muitas pessoas ao suicídio. Com certeza
a razão maior e preponderante é o esquecimento dos valores espirituais,
deixando em segundo plano ou não dando a importância devida.
Para aquele que procura Jesus, jamais terá o desgosto da vida, a tristeza, a
solidão, o sofrimento no fundo da alma, pois Jesus é e sempre será a melhor
prevenção contra o suicídio, contra o aborto, contra as drogas, contra qualquer
crime, contra tudo aquilo que nos traz dor e sofrimento.
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946 – Que pensar do suicídio que tem por objetivo escapar às misérias e
às decepções deste mundo?
Pobres Espíritos que não têm a coragem de suportar as misérias da existência!
Deus ajuda àqueles que sofrem, e não àqueles que não têm nem força nem
coragem. As tribulações da vida são provas ou expiações; felizes aqueles que
as suportam sem murmurar, porque serão recompensados! Infelizes, ao
contrário, os que esperam sua salvação do que, em sua impiedade, chamam
de acaso ou fortuna! O acaso ou a fortuna, para me servir de sua linguagem,
podem, com efeito, lhes favorecer um instante, mas é para os fazer sentir mais
tarde e mais cruelmente o vazio dessas palavras.
946.a) Os que conduziram um infeliz a esse ato de desespero, suportarão
as consequências?
Oh! Ai deles! Porque responderão por homicídio.
Comentários:
A Espiritualidade nos traz duas informações básicas para a nossa
compreensão da temática.
Primeiro: As dificuldades, as misérias, as decepções desse mundo existem
para o nosso crescimento, como prova, como expiação exatamente para
sermos testados e com isso crescermos. Até onde vai nossa paciência,
compreensão, fé e resignação.
Deus ajuda aos que sofrem, mas não aqueles que carecem de energia e de
coragem. Temos que fazer a nossa parte.
Todos nós somos amparados pelo nosso Pai, porque todos nós sofremos, mas
precisamos atuar com coragem, com energia, com perseverança, resignação
e fé.
Diante das misérias da existência precisamos suportá-las e não as abandonar
através do suicídio.
As misérias deixarão de existir em nossa existência através da forma que
lidarmos com elas, através da nossa luta e, não da nossa desistência. Uma
hora saímos delas de forma digna, pois nada dura para sempre.
Segundo: Todos aqueles que de alguma forma induz uma pessoa para esse
ato responderão como assassino, como se tivessem realizado um
assassinato, porque induziu e de alguma forma levou a pessoa a esse ato,
tanto no mundo material, quanto no mundo espiritual.
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Espíritos encarnados ou desencarnados que de alguma forma atuam no
processo obsessivo ou induzindo a pessoa a isso vão responder por um
assassinato.
947 – O homem que luta com a necessidade e que se deixa morrer de
desespero, pode ser considerado um suicida?
É um suicida, mas os que lhe são a causa ou que poderiam impedi-lo, são
mais culpados que ele, e a indulgência o espera. Todavia, não creiais que
esteja inteiramente absolvido se lhe faltou firmeza e perseverança, se não fez
uso de toda a sua inteligência para se livrar do lamaçal. Ai dele, sobretudo, se
seu desespero nasce do orgulho; quero dizer, se é desses homens em quem
o orgulho paralisa os recursos da inteligência, que corariam de dever sua
existência ao trabalho de suas mãos, e que preferem morrer de fome a
derrogar aquilo que chamam sua posição social! Não há cem vezes mais de
grandeza e de dignidade em lutar contra a adversidade que desafiar a crítica
de um mundo fútil e egoísta, que não tem boa vontade senão para aqueles a
quem nada falta, e vos volta as costas, desde que tendes necessidades dele?
Sacrificar sua vida à consideração desse mundo é uma coisa estúpida, porque
ele não a tem em nenhuma conta.
Comentários:
Aqui trata de uma forma de suicídio indireto – aquele em que a pessoa adota
uma forma de viver que compromete a sua saúde fazendo com que viva
menos tempo que o previsto para a sua existência.
Quem se deixa morrer de fome é um suicida indireto que devido a sua forma
de viver acabou comprometendo a saúde do seu organismo e por isso viveu
menos, assim como, as pessoas que bebem, que usam entorpecentes, que
colocam sua vida em risco participando de esportes altamente de risco e,
numa dessas situações acaba por se desencarnar é também considerado um
suicídio, pois de forma voluntária adotara uma forma de vida que colocou em
risco a sua saúde.
Nessas situações as pessoas que poderiam ter evitado tal fato e não o fizeram
também são culpadas. Não contribuíram diretamente, foi por omissão.
Muitas vezes, as pessoas ou por orgulho ou por acharem que estão
renunciando a sua condição social não adotam medidas para evitar essa
condição e acabam morrendo.
Verifiquemos se não estamos no nosso dia a dia adotando medidas e condutas
que coloque em risco a nossa saúde e, automaticamente, a nossa vida física.
58
Parece-nos real que todas as criaturas praticam o suicídio lento. Mas, mesmo ainda no
mundo da carne, passa-se a responder pelos seus desleixes, nas vestes, nos alimentos,
na bebida, nos trabalhos, na violência, no falar em demasia ou em ficar calado demais.
Nesta linha de raciocínio, pode-se incluir muitas outras mais. (Miramez)
948 – O suicídio que tem por objetivo escapar à vergonha de uma ação
má é tão repreensível como o que é causado pelo desespero?
O suicídio não apaga a falta, ao contrário, haverá duas em lugar de uma.
Quando se teve a coragem de fazer o mal, é preciso ter a de suportar suas
consequências. Deus julga, e segundo a causa, pode, algumas vezes, diminuir
seus rigores.
Comentários:
Não devemos tratar todos os suicidas da mesma forma.
Jesus nos ensinou que cada um é responsável pela sua conduta, segundo o
entendimento, o conhecimento que cada um de nós tenha.
As pessoas que têm mais conhecimento terão maior responsabilidade.
O suicídio não apaga a falta. Os nossos erros perante a lei divina quando se
comete o suicídio se mantém.
Não devemos atentar contra nossa vida.
Quem comete o suicídio sempre erra.
Nós precisaremos sofrer as consequências das nossas atitudes, do nosso
desrespeito à lei de conservação, mas só Deus que vai pontuar como isso se
dará, de que maneira precisaremos passar por situações de provas e
expiações para que possamos suprir essa falta para com a justiça divina.
Não é fugir do erro, fugir da falta, mas ter coragem para enfrentar as
consequências. Essa é uma atitude covarde. O covarde é aquele que foge dos
seus compromissos. Devemos assumir as consequências dos nossos atos.
Conforme o nosso livre-arbítrio se optamos por cometer determinado erro,
agora é assumir a responsabilidade.
Não vamos precipitar em julgar e condenar, pois julgaremos de forma
equivocada.
O suicídio verdadeiramente não apaga a falta cometida; ele abre novas fontes de sofrimento
para a alma. é preciso saber que não podemos, de modo algum, infringir a lei natural, pois
a vida tem regras e nos compete obedecê-las.
Cada suicídio tem uma causa, e cada uma é julgada pelas intenções, no entanto, todas são
corrigidas para que não venhamos mais a cair em outras tentações. A vida, já falamos em
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outras vezes, tem aspectos que somente mais tarde viremos a conhecer com mais
profundidade. A verdade só pode ser dita com relatividade, o tanto quanto possamos
suportar. Somos corro crianças, que somente podem ouvir as coisas de crianças; depois
que se tornarem adultas, vão ouvir assuntos de adultos.
Quando se tem a coragem de praticar o ato de tirar a vida, por que não se tem a mesma
coragem de assumir as consequências de atitudes errôneas? Falamos a todos que queiram
ouvir, que se apeguem à oração todos os dias e tenham fé, que essas duas forças, aliadas
à caridade com Jesus, os livrarão de todas essas distorções das leis da vida e da
conservação da vida. Outra falta não apaga a primeira; passando a haver duas complicando
mais a situação do viajor. (Miramez)
949 – O suicídio é desculpável quando tem por objetivo impedir a
vergonha de recair sobre os filhos ou a família?
Aquele que age assim não faz bem, mas ele o crê, e Deus lho tem em conta,
porque é uma expiação que ele próprio se impôs. Ele atenua sua falta pela
intenção, mas com isso não deixa de cometer uma falta. De resto, aboli os
abusos de vossa sociedade e vossos preconceitos, e não tereis mais desses
suicídios.
Allan Kardec:
Aquele que tira a própria vida para fugir à vergonha de uma ação má,
prova que se prende mais à estima dos homens que à de Deus, porque
ele vai entrar na vida espiritual carregado de suas iniquidades e se tira
os meios de as reparar durante a vida. Frequentemente, Deus é menos
inexorável que os homens, perdoa o arrependimento sincero e nos
considera a reparação; o suicídio não repara nada.
Comentários:
Deus não pune as faltas da mesma forma. É sempre misericordioso.
Todos que eventualmente tenha cometido o suicídio foram envolvidos por uma
ilusória razão diferente, movidos por uma causa diversa. Uns foram mais
reflexivos, tiveram tempo para pensar, tiveram tempo para planejar tudo para
o suicídio, outros se suicidaram num rompante, num momento de irreflexão,
onde a emoção tomou conta, outros em decorrência de uma vergonha (que
caísse sobre a família).
Deus vai examinar cada uma das situações, avaliando a intenção, o que
motivou cada um dos suicídios. Deus é misericordioso e justo.
Deus avalia tudo que levou a prática daquele ato: o conhecimento, as
vivências, as fraquezas.
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A falta não deixa de existir, mas a intenção vai atenuar a falta.
Deus é a inteligência capaz de exercer essa análise de forma plena, com
perfeição. A nós é impossível, pois não temos nem o conhecimento, nem a
onipotência, nem a perfeição de Deus.
Para ficar bem perante o mundo, faço tudo, inclusive, me suicidar. Porém
chego na erraticidade repleta de iniquidades e equívocos não tem problema,
isso eu posso.
Como os nossos valores são equivocados e invertidos.
Com o tempo tudo isso vai acabar.
950 – Que pensar daquele que tira a própria vida na esperança de
alcançar mais cedo uma vida melhor?
Outra loucura! que ele faça o bem e estará mais seguro de alcançá-la; porque
retarda sua entrada num mundo melhor, e ele mesmo pedirá para vir terminar
essa vida que cortou por uma falsa ideia. Uma falta, qualquer que seja, não
abre jamais o santuário dos eleitos.
Comentários:
Outra loucura no campo do suicídio, é planejar tirar a vida física para ingressar
no reino do Espírito e ficar livre das tribulações, a que ora se encontra preso.
Isto é desconhecer que todas as tribulações acompanham a alma onde quer
que seja. Somente o que levamos, o que conosco atravessa os portais do
túmulo, é o que somos. (Miramez)
Se nós queremos uma vida melhor, uma vida mais feliz, com menos dores,
com mais paz e harmonia não será tentando cortar caminhos que vamos
conseguir. E ainda, de forma inadequada.
A única forma de sermos mais felizes é praticando o Evangelho. É fazendo o
bem, vivenciando a lei de caridade. A doutrina Espírita nos orienta que fora da
caridade não há salvação.
Precisamos mudar nosso jeito de ser, de pensar, de agir e de vibrar para que
possamos ter direito às graças divinas.
Se queremos chegar mais cedo a esse objetivo é fazendo o bem. Não é
matando a minha própria vida física. Não é acabando com essa oportunidade
que Deus nos deu de estarmos aqui na vida material, na Terra, aprendendo e
evoluindo.
61
Aquele que tenta entrar em uma vida mais feliz através do suicídio, faz o
contrário, pois vai retardar a sua chegada a um mundo mais feliz. “Uma falta
seja ela qual for jamais abre o santuário dos eleitos”.
Os eleitos têm direito às benesses do Pai porque caminham segundo a Lei de
Deus.
Queremos uma vida melhor, vivamos o Evangelho.
951 – O sacrifício de sua vida não é meritório, algumas vezes, quando
tem por objetivo salvar a de outrem ou de ser útil aos seus semelhantes?
Isso é sublime, conforme a intenção, e o sacrifício de sua vida não é um
suicídio. Mas Deus se opõe a um sacrifício inútil e não pode vê-lo com prazer
se é deslustrado pelo orgulho. Um sacrifício não é meritório senão pelo
desinteresse e, aquele que o realiza tem, algumas vezes, uma segunda
intenção, que lhe diminui o valor aos olhos de Deus.
Allan Kardec:
Todo sacrifício feito às custas de sua própria felicidade é um ato
soberanamente meritório aos olhos de Deus, porque é a prática da lei de
caridade. Ora, a vida sendo o bem terrestre ao qual o homem atribui
maior valor, aquele que a renuncia para o bem de seus semelhantes, não
comete um atentado: ele faz um sacrifício. Mas, antes de o cumprir, deve
refletir se sua vida não pode ser mais útil que sua morte.
Comentários:
Aqui a Espiritualidade fala acerca da caridade pelo sacrifício.
Nesse momento em que a pessoa renuncia sua própria vida pela vida de outro
mostra que ele está sendo caridoso porque está renunciando a si mesmo em
benefício do outro.
Ex: a mãe, o pai em defesa do filho diante de um perigo eminente, como,
afogamento, assalto, brigas, conflito familiar, etc.
Está colocando a vida do outro, a felicidade do outro acima da sua própria
vida. Esse é um ato de extrema caridade e não de egoísmo. Por isso não é
considerado um suicídio. Ele não deu a própria vida querendo morrer. Não foi
porque queria colocar fim a seus sofrimentos, mas para salvar a vida do outro,
um objetivo construtivo e útil. Se viu na condição de doar a sua própria vida
em benefício do outro. A intenção era poupar a vida do outro. Devemos
sempre atentar para a intenção.
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Os Espíritos deixam claro que só o desinteresse real e verdadeiro torna
meritório esse sacrifício.
Aquele que faz com o pensamento oculto, com orgulho, para parecer o que de
fato não é, para ser bem visto aos olhos da sociedade, há aí a vaidade, o
orgulho. Tudo isso mancha o ato, pois mostra que não era com desinteresse.
Mostra que não deseja apenas salvar a vida do outro, mas havia o interesse
pessoal.
Tudo isso é ponderado, analisado por Deus.
Nós não temos a possibilidade de avaliar tais fatos, só Deus vai agir com
perfeição.
Ex: Livro: O Céu e o Inferno – O pai e o conscrito.
952 – O homem que perece vítima do abuso de paixões que ele sabe
dever apressar seu fim, mas às quais ele não tem mais o poder de resistir,
porque o hábito fez delas verdadeiras necessidades físicas, comete um
suicídio?
É um suicídio moral. Não compreendeis que o homem é duplamente culpado
nesse caso? Há nele falta de coragem e animalidade, e além disso, o
esquecimento de Deus.
952.a) É mais, ou menos culpado que aquele que tira a si mesmo a vida
por desespero?
É mais culpado, porque tem tempo de raciocinar sobre o seu suicídio. No que
o faz instantaneamente há, algumas vezes, uma espécie de descaminho
ligado à loucura. O outro será muito mais punido, porque as penas são sempre
proporcionais à consciência que se tem das faltas cometidas.
Comentários:
A Espiritualidade reforça a questão do conhecimento, do entendimento, da
intenção de cada um de nós no que se refere a qualquer ato cometido.
A pessoa que perece através de suas paixões sabia que iria apressar seu fim,
mas não se achava em condições de resistir, acaba por praticar o suicídio
moral, sendo mais culpado que aquele tira sua vida num ato de desespero,
pois este não teve tempo para refletir sobre os seus atos.
Estava em um momento que gerara uma espécie de loucura, de
desvairamento, que acaba diminuindo a sua lucidez, fato que não justifica o
erro, mas a sua responsabilidade diante da justiça divina nessa situação pode
ser aliviada.
63
Quanto ao outro teve tempo para pensar, refletir e mudar as suas condutas
diárias para uma vida mais saudável, mais equilibrada, com menos
agressividade física, psíquica e emocional.
Caso contrário, ela é mais responsável perante à justiça divina do que aquele
que cometeu o suicídio através de um ato impensado, no impulso da situação,
do momento.
São coisas diferentes, embora o suicídio tenha existido, são situações distintas
e como tais Deus vai analisar e responsabilizar cada um na exata medida da
sua responsabilidade para com a justiça divina.
Formas de suicídio:
Suicídio direto ou consciente:
Ato deliberado executado pelo próprio indivíduo, cuja intenção seja a morte,
de forma consciente e intencional, usando um meio que acredita ser letal.
Suicídio indireto ou inconsciente:
É quando aniquilamos lentamente nosso corpo físico. É um suicídio lento e
silencioso, sendo este o que mais mata.
São situações que causam o desgaste do nosso organismo transformando em
enfermidades que abreviam a nossa vida física, antecipando o nosso
desencarne, nos tornando suicidas inconscientes.
Exemplos:
Destruímos o corpo de fora para dentro:
 Os vícios: a alimentação, o cigarro, a bebida alcoólica, o sexo
desregrado;
 Os calmantes: a busca da tranquilidade artificial – causa dependência e
degenera o organismo;
 Os alucinógenos: a busca da euforia ilusória através das drogas e
bebidas alcoólicas;
 Os hipocondríacos: de tanto imaginar doenças acabam ficando doentes;
 Ausência de exercícios físicos;
 Esportes radicais;
 Ausência ou deficiência dos cuidados de higiene;
 Trabalho em excesso e falta de repouso adequado;
 Desrespeito às leis de trânsito
Tudo isso reduz a resistência orgânica ao longo dos anos, abreviando a vida
física. (Richard Simonetti)
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Destruímos o corpo de dentro para fora:
 Cultivo de pensamentos negativos e ideias infelizes;
 Sentimentos desequilibrados, envolvendo ciúme, inveja, pessimismo,
raiva, ódio, rancor, revolta, etc.
 A irritação (impaciência): causadora de vários distúrbios físicos e mental
– problemas nos nervos, no sistema circulatório, entupimento de veias
do coração;
 Os melancólicos: adoecem porque a parte psicológica está em baixa;
 Os maledicentes: se envenenam com o mal que julgam identificar nos
outros;
 Os rebeldes: os eternos inconformados com a vida e com tudo que os
cercam;
 Os apegados à família e aos bens terrenos: passam a vida preocupados
em ter, em cuidar, em não perder, em não deixar ninguém lhe passar a
perna;
Alguns habituados a reagir com irritação e agressividade, sempre que
contrariados que um dia “implodem” o coração em um infarte fulminante.
Outros “afogam” o sistema imunológico num dilúvio de mágoas e
ressentimentos, depressões e angústias favorecendo a evolução de tumores
cancerígenos ou outros tipos de doenças, abreviando a vida física (Richard
Simonetti)
É necessário cuidarmos mais de nossos sentimentos e de nosso corpo físico,
considerando sempre que ele nos foi emprestado por Deus, sendo nossa
obrigação devolvermos em bom estado quando desencarnarmos.
953 – Quando uma pessoa vê diante de si uma morte inevitável e terrível,
é ela culpada por abreviar de alguns instantes seus sofrimentos por uma
morte voluntária?
Sempre se é culpado por não esperar o termo fixado por Deus. Aliás, se está
bem certo de que esse termo chegou, malgrado as aparências, e que não se
pode receber um socorro inesperado no último momento?
953.a) Concebe-se que nas circunstâncias normais o suicídio seja
repreensível, mas suponhamos o caso em que a morte é inevitável e em
que a vida não é abreviada senão de alguns instantes?
É sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Criador.
953.b) Quais são, nesse caso, as consequências dessa ação?
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Uma expiação proporcional à gravidade da falta, conforme as circunstâncias,
como sempre.
Comentários:
Nessa questão podemos avaliar a eutanásia.
Muitas pessoas questionam se a doutrina espírita é favorável ou contrária à
abreviação da vida nessas situações?
Seria lícito abreviar um pouco esse sofrimento? Ou não?
A Espiritualidade foi muito clara. É falta de submissão, de resignação ao
Criador e nós não temos condições plenas de dizer que chegou o término para
aquele ser.
Há situações que pode acontecer um socorro inesperado no último momento
e que permita que aquela vida que estava aparentemente no fim não faleça e
continue aqui no mundo material.
Portanto, não devemos abreviar mesmo que por alguns instantes. Precisamos
aguardar o termo que Deus nos determinou.
Nesse período em que o Espírito já está, muitas vezes, em início de
desligamento, mas ainda está encarnado é um momento importante para o
Espírito, embora para o mundo material pareça que não está servindo de nada.
Nesses momentos o Espírito inicia um processo de preparação para o
desencarne. Ele vai dissipando, purgando as vibrações, os fluidos perniciosos
que ainda tenha, de forma que ao concluir o desencarne ele esteja mais
preparado para a sua chegada no plano espiritual. São momentos importantes
para o Espírito.
Então não devemos abreviar. Devemos deixar que Deus marque o momento
que nós devemos retornar à Pátria Espiritual.
Se de alguma forma anteciparmos o nosso desencarne, é uma falta perante a
lei e vamos de alguma forma expiar, conforme a gravidade, as circunstâncias,
o conhecimento. Tudo é ponderado por Deus.
No caso da eutanásia, daquelas injeções em que a pessoa adormece.
Sabemos os seus fluidos vitais ainda não estavam extintos e o Espírito fica
preso até que esses fluidos se dissipem completamente.
Em algumas situações mesmo após os fluidos vitais se dissiparem, o Espírito
fica em estado de entorpecimento, desmemoriado devido ao medicamento
que foi aplicado para levá-lo à morte
Ex: Livro: Quem tem medo da morte? Tema – Solução infeliz
Livro: Obreiros da Vida Eterna – Capítulo 18
66
954 – Uma imprudência que compromete a vida sem necessidade é
repreensível?
Não há culpabilidade quando não há intenção ou consciência positiva de fazer
o mal.
Comentários:
O suicídio envolve uma atitude voluntária, um querer direto ou indireto de
comprometer a vida.
Quem diretamente se mata querendo morrer por alguma razão mostra que há
um ato voluntário da pessoa nesse sentido.
Mesmo quem compromete sua vida mediante um suicídio indireto, a partir do
momento que adota voluntariamente atitudes, posturas, hábitos que
comprometem a sua saúde, está de certa forma assumindo o risco, de forma
voluntária, de morrer antes da hora, pois tais posturas podem ceifar a vida
antes do tempo inicialmente previsto.
Ex: Esportes radicais, trânsito, apostas, brincadeiras de mau gosto, roleta
russa, etc.
Nesta questão, a Espiritualidade esclarece que se não houver a intenção, não
há culpabilidade. Indiferença às consequências do ato ou ingenuidade.
Quando a pessoa ainda não tem a consciência da prática do mal ou quando
não tem a intenção, não há culpabilidade.
Precisamos estarmos sempre atentos quanto à intenção, a vontade que move
cada um de nós.
955 – As mulheres que, em certos países, se queimam voluntariamente
sobre o corpo de seu marido, podem ser consideradas suicidas,
suportando as consequências?
Elas obedecem a um preconceito e, frequentemente, mais à força que por sua
própria vontade. Elas creem cumprir um dever, e esse não o caráter do
suicídio. Sua desculpa está na nulidade moral da maioria, dentre eles, e na
sua ignorância. Esses usos bárbaros e estúpidos desaparecem com a
civilização.
Comentários:
Sati ou suttee (em devanágari: सती, o feminino de sat "verdadeiro") é um antigo costume
entre algumas comunidades hindus, hoje em dia estritamente proibido pelas leis do Estado
Indiano, que obrigava (no sentido honroso, moral e prestigioso) a esposa viúva devota a se
sacrificar viva na fogueira da pira funerária de seu marido morto.
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Por volta do século V, o sati, como é entendido hoje, era conhecido em grande parte
do subcontinente indiano. Ele continuou a ocorrer, geralmente em uma frequência baixa e
com variações regionais, até o início do século XIX.
O sati era supostamente uma prática que deveria ser voluntária, mas sabe-se que muitas
vezes foi forçado nas mulheres do subcontinente indiano.
Apesar da proibição governamental, existem dezenas de relatos de ocorrências
de satis nas últimas décadas. A erradicação de uma prática cultural tida como nobre exige
um esforço contínuo por parte das autoridades oficiais.
Nesse caso, essas mulheres estão tirando a própria vida, de forma voluntária,
obedecendo tradições culturais.
Para quem não conhece a doutrina espírita, para quem não conhece as leis
divinas ou não entende a justiça divina diria que essas mulheres cometem
suicídio.
A Espiritualidade, mais uma vez nos mostra que tudo depende da vontade, do
entendimento, do que move a criatura naquele ato.
Elas obedecem a um preconceito, muitas vezes à força que pela vontade.
Acreditam que estão cumprindo um dever que esse papel que cabe a elas,
devido à nulidade moral que elas vivem, pois são levadas a pensar que nada
valem. Só valem pelo que o marido faz delas e que elas vivem para ele e
estando ele morto, elas devem igualmente, morrer.
Não tem clareza do ato. Não compreendem as leis divinas. Não tem o
entendimento que hoje já temos.
A ignorância que se acham essas pessoas
Deus, na sua perfeição sabe analisar cada coisa da forma correta não vai
responsabilizar uma mulher dessa diante da ignorância que ela se encontra.
Deus analisa o que está inserido em nosso coração e a partir daí determina o
quão culpável, o quão responsável somos por nossos atos.
956 – Os que, não podendo suportar a perda de pessoas que lhes são
queridas, se matam na esperança de ir reencontrá-las, atingem seu
objetivo?
O resultado, para eles, é diferente do que esperam, e em lugar de estar
reunido ao objeto de sua afeição, dele se distanciam por maior tempo, porque
Deus não pode recompensar um ato de covardia e o insulto que lhe é feito,
duvidando de sua providência. Eles pagarão esse instante de loucura por
desgostos maiores que aqueles que acreditavam abreviar e não terão para os
compensar a satisfação que esperavam. (934 e seguintes).
68
Comentários:
Aquelas pessoas que imaginam que através do suicídio terão a oportunidade
de se unirem com aqueles que se desencarnaram e que eram seus afetos
acabam agindo com um grande engano. É uma ideia completamente
equivocada.
Livro: O Céu e o Inferno – capítulo V da Segunda Parte
Há um caso similar a essa questão.
Uma mãe ao ver seu filho jovem desencarnar se suicida minutos após o
desencarne do seu filho, objetivando estar com ele no plano espiritual.
Quando eles são evocados, ela ainda muito revoltada encontrava-se
aborrecida porque não estava junto ao filho querido.
O filho também esteve presente disse exatamente que caso não fosse a
atitude dela, ele estaria completamente feliz, mas sofria por ver sua mãe
amada naquela condição. Ele fez a seguinte observação: se ela tivesse
suportado a separação naquele momento, assim que ela desencarnasse, ele
estaria ao lado dela para recebê-la e continuariam juntos. Mas em função da
atitude dela, da revolta, esse encontro foi postergado por um tempo
indeterminado.
Portanto, o que ela almejava era exatamente aquilo que não iria acontecer em
função da sua postura.
Cada falta é punida de acordo com as circunstâncias que a determinam, e que não há
punições uniformes para as faltas do mesmo gênero. (O Céu e o Inferno)
Nós nunca iremos alcançar os nossos reais objetivos agindo em
desconformidade com as leis divinas.
Se queremos o amor precisamos vivenciar o amor e quando eu tiro a minha
própria vida acaba sendo um ato de desamor para comigo mesmo, para com
o próximo, para com aquele ente amado que poderia estar comigo, mas em
função da minha atitude não é possível.
É um ato que demonstra falta de fé, falta de confiança em Deus, no seu amor,
na sua justiça.
Deus sabe o que é melhor para nós. Temos que confiar.
957 – Quais são, em geral, as consequências do suicídio sobre o estado
do Espírito?
As consequências do suicídio são muito diversas: não há penas fixadas e, em
todos os casos, são sempre relativas às causas que o provocaram. Mas uma
69
consequência à qual o suicida não pode fugir é o desapontamento. De resto,
a sorte não é a mesma para todos: depende das circunstâncias. Alguns
expiam a sua falta imediatamente, outros em uma nova existência, que será
pior do que aquela cujo curso interromperam.
Comentários:
As consequências são muito diversas. Não há como estabelecer uma regra
das consequências em relação ao Espírito que comete o suicídio.
A regra geral para todos é o desapontamento.
Aquele que tinha como objetivo colocar fim às suas dificuldades, às suas
dores, às suas desesperanças. Quando se percebe vivo e que o suicídio não
colocou fim em nada, verifica-se a ampliação do seu sofrimento, das suas
dificuldades, das suas dores, das suas desesperanças. Não resolveu o
problema e criou outro maior. É muito doloroso para o Espírito. Além do
problema que imaginaria resolver, vem o remorso, a culpa, a dor da alma o
que leva a quase a um estado de loucura, mesmo na erraticidade.
Allan Kardec:
A observação mostra, com efeito, que as consequências do suicídio não
são sempre as mesmas. Mas há as que são comuns a todos os casos de
morte violenta, e a consequência da interrupção brusca da vida. Há
primeiro a persistência mais prolongada e mais tenaz do laço que une o
Espírito e o corpo, por estar esse laço quase sempre na plenitude de sua
força, no momento em que quebrado, enquanto que na morte natural ele
se enfraquece gradualmente e, no mais das vezes, se rompe antes que a
vida esteja completamente extinta. As consequências desse estado de
coisa são a prolongação da perturbação espírita, depois a ilusão que,
durante um tempo mais ou menos longo, faz o Espírito crer que está
ainda entre o número de vivos. (155 e 165).
A afinidade que persiste entre o Espírito e o corpo produz em alguns
suicidas uma espécie de repercussão do estado do corpo sobre o
Espírito, que sente assim, malgrado ele, os efeitos da decomposição e
experimenta uma sensação plena de angústias e de horror, e esse estado
pode persistir tanto tempo quanto deveria durar a vida que
interromperam. Esse efeito não é geral, mas, em nenhum caso, o suicida
está isento das consequências de sua falta de coragem e, cedo ou tarde,
expia sua falta de uma ou de outra maneira. É assim que certos Espíritos
que foram infelizes sobre a Terra, disseram ser suicidas na precedente
existência e estar voluntariamente submetidos a novas provas para
tentar suportá-las com mais resignação. Em alguns, é uma espécie de
ligação à matéria da qual eles procuram em vão se desembaraçar, para
70
alçar aos mundos melhores, mas nos quais o acesso lhes é interditado;
na maioria, é o desgosto de ter feito uma coisa inútil, visto que dela não
experimentaram senão a decepção. A religião, a moral, todas as
filosofias condenam o suicídio como contrário à lei natural. Todas nos
dizem, em princípio, que não se tem o direito de abreviar voluntariamente
a vida; mas por que não se tem esse direito? Por que não se é livre para
pôr termo aos sofrimentos? Estava reservado ao Espiritismo
demonstrar, pelo exemplo daqueles que sucumbiram, que isso não é só
uma falta como infração a uma lei moral, consideração de pouca
importância para certos indivíduos, mas um ato estúpido, visto que com
ele nada se ganha. Isso não é a teoria que nos ensina, mas os fatos que
ele coloca sob nossos olhos.
Comentários:
O desligamento do corpo perispiritual nas mortes violentas (no caso o suicídio)
sempre demora mais, pois a união que existia entre o Espírito e o corpo era
muito mais forte. Assim, o desligamento será prolongado e doloroso para o
Espírito trazendo um estado de perturbação maior.
Alguns Espíritos sentem a repercussão no seu corpo perispiritual daquilo que
acontece no seu corpo físico (a decomposição) fazendo com que o estado de
sofrimento seja ainda pior.
A sensação de angústia, de horror pode durar pelo tempo que devia durar a
vida do corpo físico que sofreu a interrupção. Fica nesse estado de sofrimento
e perturbação pelo tempo que faltava ainda para o seu desencarne. O
desligamento perispiritual já aconteceu, mas o estado de perturbação ainda
continua.
O suicídio não é apenas um ato contrário às leis da natureza, mas um ato
estúpido no sentido de que não cumpre o objetivo e acrescenta muito
sofrimento para a sua vida na erraticidade e em reencarnações posteriores.
As consequências do suicídio são diversas, de acordo com o motivo que levou a alma a
esse ato de violência contra o seu próprio corpo físico. O que faz mais o suicida sofrer é o
tribunal da sua consciência; ela o acusa permanentemente, mostrando em uma tela mental
os acontecimentos, de modo que a intuição acresça para sua razão o que deve fazer para
reparar: vestir novo corpo, predisposto a determinados sofrimentos no reparo do que
estragou, sendo que não são iguais os caminhos de reparo de todos os suicidas.
Cada um tem a sua consequência, e a bondade de Deus é tão grande que mostra aos
encarnados, pelos processos das comunicações dos Espíritos com os homens, o destino
dos suicidas.
Se vêm à tua cabeça essas ideias, procura desfazê-las, porque o condicionamento é uma
realidade; de tanto pensar, acaba-se fazendo. Desfaz o pensamento negativo no trabalho;
71
junta-te aos que pensam melhor, para seres um deles. Por vezes, encontramos grandes
personagens trabalhando no mundo espiritual, de forma que nos admiramos ao vê-los, com
a bagagem de conhecimentos adquiridos. No entanto, se encontram preparando para vestir
de novo a carne, em reparo do que destruíram. Convém pensar nisto e procurar se desfazer
da ideia negativa de eliminar a vida física, porque a consciência cobra, e ela é um tribunal
implacável dentro da criatura. Quando te encontrares em duras provas, resultado da
violência contigo mesmo, lembra-te das palavras de Jesus, a te dizer na acústica da alma.
Ao que Jesus lhes disse:
Tende fé em Deus. (Marcos, 11:22)
Miramez
Considerações Finais:
Diante das revelações da Doutrina Espírita sobre o sofrimento dos suicidas, o
que se pode fazer por eles é não julgá-los; ter a certeza de que não estarão
irremediavelmente abandonados, mas que serão observados e amparados
por mensageiros do Bem e, efetivamente, que a oração em seu benefício é o
refrigério de suas almas. Quando oramos por eles, nossas vibrações lhes
proporcionam brando alívio.
Consequências imediatas do suicídio:
Desapontamento. A terrível constatação: o suicida não alcançou o seu
objetivo. Não morreu! Não pois fim à Vida. Continua a existir, sentir e sofrer,
em outra dimensão, experimentando tormentos mil vezes acentuados. É uma
situação traumática e apavorante, conforme informam suicidas que se
manifestam em reuniões mediúnicas.
Há o sofrimento de ordem moral, mas também outro aspecto a ser
considerado: os estragos no perispírito, o corpo espiritual. O apóstolo Paulo o
denominava corpo celeste. Um corpo feito de matéria mais sutil, chamada
quintessenciada, como define Allan Kardec. É o corpo de manifestação do
Espírito no plano espiritual, e intermediário entre ele e o corpo físico, na
reencarnação.
A verdade é que após o desencarne, não há tribunal nem Juízes para
condenar o suicida. Fica ele simplesmente diante da própria consciência, nu
perante si mesmo e todos os demais, pois nada pode ser escondido no mundo
espiritual, tendo o indivíduo de enfrentar suas próprias criações mentais
infelizes.
Para onde vai o suicida?
Geralmente, o Espírito suicida fica confinado nas regiões do Umbral (região
destinada a esgotamento de resíduos mentais), o tempo que teria de vida
restante aqui na Terra, incluindo nessa região o chamado Vale dos suicidas.
72
O Vale dos Suicidas é uma região do umbral onde os espíritos
desencarnados que praticaram o suicídio quando em vida se agrupam pela lei
da atração ou afinidade, uma das leis universais, que pode ser traduzida na
máxima “Os iguais se atraem”.
Alguns suicidas sentem-se presos ao corpo de tal modo que, leva-os a ver e
sentir os efeitos da decomposição, mesmo após o corpo físico já estar
decomposto, fica anos a fio sentindo as sensações do trágico ato; outros
ainda, com muito sofrimento, muita dor, como conta no livro “Memórias de um
suicida”, torna-se presas de obsessores, que às vezes, também foram
suicidas. Todas essas situações ocorrem no Baixo Umbral.
Em todos os lugares, em todas as dimensões há grupos de socorro para os
Espíritos que sofrem. No Vale dos Suicidas, por exemplo, o grupo de
trabalhadores é chamado de: Legião dos Servos de Maria, pois o Vale é
chefiado pelo grande Espírito de Maria de Nazaré.
Quando vem o merecimento, seja pela alteração dos seus pensamentos e
sentimentos, seja pela intervenção de entes queridos, os Espíritos suicidas
são resgatados e conduzidos para as cidades organizadas do mundo
espiritual. Quando necessário, são submetidos a cirurgias de restauração dos
órgãos do perispírito que foram afetados, restituindo o equilíbrio. Mas para
completar o processo de recuperação, é necessária uma ou mais
reencarnações. As “mutilações” do perispírito (provocadas pelo ato suicida),
são transferidas do perispírito, para o corpo físico, gerando as lesões que
podem se expressar através das cardiopatias, úlceras, idiotia etc.,
dependendo do órgão lesionado. Através dessas reencarnações o suicida
conseguirá a cura completa, e com a experiência adquirida, terá maior
fortaleza moral de modo a evitar a reincidência nesse crime. Fato que confirma
o amor de Deus com todos os seus filhos.
Exemplo: Os excepcionais
Em regra geral, a criança excepcional é o suicida reencarnado.
Volta à Terra com os remanescentes que levou daqui mesmo, após o suicídio.
Se uma pessoa espatifou o crânio e o projétil atingiu o centro da fala, ela volta
com a mudez;
Se atingiu apenas o centro da visão, volta cega;
Se atingiu determinadas regiões mais complexas do cérebro, vem em plena
idiotia, e aí os centros fisiológicos não funcionam.
Se ela suicidou-se, mergulhando em águas profundas, vem com a disposição
para o enfisema, o enfisema infantil ou da mocidade nos primeiros dias da
vida;
73
Se ela se enforcou, vem com a paraplegia, depois de uma simples queda, que
toda criança cai (do colo da ama, do colo da mãezinha); então, quando o
processo é de enforcamento, a vértebra que foi deslocada vem mais fraca e,
numa simples queda, a criança é acometida pela paraplegia;
O esquizofrênico é o homicida que se fez suicida, porque o complexo de culpa
é tão grande, o remorso é tão terrível que aquilo se reflete na próxima vida
física da criatura durante algum tempo ou muito tempo.
Trechos extraídos do livro Chico de Francisco – Adelino da Silveira, 6ª ed, pág.91.
Assim como o suicida consciente, o suicida inconsciente terá sequelas em
existência futura que funcionarão não apenas como resultado de seus
excessos, mas, também, como veículos de contenção, destinados a frear e
eliminar as tendências e vícios desenvolvidos.
Prevenção
Pessoas com tendência ao suicídio têm algum tipo de sofrimento mental e
precisam de atendimento médico de emergência seguido de tratamento de
saúde por uma equipe multidisciplinar – psicólogos/as, assistentes sociais,
terapeutas ocupacionais.
Os comportamentos suicidas podem ser contextualizados como um processo
complexo, que pode variar desde a ideia de retirar a própria vida, que pode
ser comunicada por meios verbais e não verbais, até o planejamento do ato,
a tentativa e, no pior dos casos, a morte.
Uma grande questão vinculada ao suicídio é que a prevenção é possível.
Essas ações requerem uma ampla articulação em rede, envolvendo famílias,
poder público, comunidades de fé e sociedade como um todo, além de uma
escuta ativa, que deve sempre estar presente nesses diálogos. (mesmo que
esse diálogo não seja efetivado com palavras articuladas).
Mitos comuns sobre o suicídio
1. Quem fala, não faz' - Não é verdade. Muitas vezes, a pessoa que diz que vai
se matar não quer "chamar a atenção", mas apenas dar um último sinal para
pedir ajuda. Por isso, os especialistas pedem que um aviso de suicídio seja
levado a sério.
2. 'Não se deve perguntar se a pessoa vai se matar' - É importante, caso a
pessoa esteja com sintomas da depressão, ter uma conversa para entender
o que se passa e ajudar. Não tocar no assunto só piora a situação.
3. 'Só os depressivos clássicos se matam' - Não. Existe o depressivo mais
conhecido, aquele que fica deitado na cama e não consegue levantar. Mas
outras reações podem ser previsões de um comportamento suicida, como alta
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agressividade e nível extremo de impulsividade. Os médicos, inclusive,
pedem para a família ficar atenta ao momento em que um depressivo sem
tratamento diz estar bem: muitas vezes ele pode já ter decidido se matar e
tem o assunto como resolvido.
4. 'Quando a pessoa tenta uma vez, tenta sempre' - A maior parte dos
pacientes que levam a sério o tratamento com medicamentos e terapia não
chegam a tentar se matar uma segunda vez. O importante é buscar a ajuda.
Onde buscar ajuda para suicídio:
 CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da Família, Postos e Centro de Saúde);
 UPA 24h, SAMU 192, Pronto Socorro e Hospitais;
 Centro de Valorização: ligue 188 (ligação gratuita).
Centro de Valorização da Vida (CVV)
O CVV é um importante aliado na prevenção do suicídio. Assim, em parceria com o SUS,
o Centro oferece apoio emocional de maneira voluntária e gratuita para pessoas que
querem e precisam conversar, sob total sigilo, via telefone, e-mail, chat e voip 24h por dia.
 Para falar por telefone celular ou fixo, basta ligar no número 188;
 Através do site cvv.org.br, é possível conversar por chat, Skype e e-mail;
Embora não haja uma orientação específica para tratar a depressão, Chico
Xavier acreditava que a oração e a meditação podem ajudar a aliviar os
sintomas da depressão. Em uma mensagem em vídeo, Chico Xavier e
Emmanuel sugerem que, diante dos quadros depressivos, precisamos ter
ânimo para lutar e não pensar em morte. Eles também pedem ajuda para
encontrar a porta de saída do labirinto escuro em que nos internamos e
fortalecer a vontade de sermos úteis.
Além disso, Chico Xavier mantinha pregado na cabeceira de sua cama um
papel com a mensagem “Tudo passa”. Ele usava essa orientação da Mãe
Divina todos os dias, não importavam os problemas, as dificuldades ou os
desafios. Essa mensagem pode ser uma fonte de inspiração para aqueles que
sofrem de depressão.
Por fim, é importante lembrar que a depressão é uma doença séria e que o
tratamento deve ser feito por um profissional qualificado. Se você está
sofrendo de depressão ou conhece alguém que esteja passando por isso,
procure ajuda médica imediatamente.
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Finalizando:
Diante das dificuldades, perdas, sofrimentos, nunca, em momento algum,
desistir da vida, nem perder a esperança na bondade de Deus. A vida nos
pede simplesmente para caminhar. Se tropeçarmos e cairmos, levantemo-nos
porque tudo passa. Deus nos ama! Ele deseja a nossa felicidade! Depositemos
a nossa confiança inteiramente em Deus. Ele sabe o momento oportuno de
nos tirar do embaraço.
Toda existência, por mais difícil que seja, é uma benção concedida por Deus
a benefício de nossos reajustes, aprendizados e evolução a que somos
destinados.
O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII – Sede Perfeitos, item 11,
nos diz: “amai, então, a vossa alma, mas cuidai também do corpo, instrumento
da alma. Não castigueis o corpo pelas faltas que o vosso livre arbítrio o fez
cometer e do qual ele é tão responsável quanto o cavalo malconduzido o é,
pelos acidentes que causa”.
E, por último, lembrar-se do recado consolador de Jesus: “Vinde a mim todos
os que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei” (Mateus, 11:28).
Jesus nos deixou claro que nenhuma ovelha se perderá. (João 10)
Em todas as situações busquemos a prece. Essa prática está relacionada à
necessidade que temos de nos ligar à Divindade, de nos abstrairmos do
mundo material e conectarmos com o nosso Criador buscando proteção,
amparo, orientação.
“O que Deus lhe concederá sempre, se ele o pedir com confiança, é a
coragem, a paciência, a resignação. Também lhe concederá os meios de se
tirar por si mesmo das dificuldades, mediante ideias que fará lhe sugiram os
bons Espíritos, deixando-lhe dessa forma o mérito da ação. Ele assiste os que
se ajudam a si mesmos, de conformidade com esta máxima: “Ajuda-te, que o
Céu te ajudará”; não assiste, porém, os que tudo esperam de um socorro
estranho, sem fazer uso das faculdades que possui. Entretanto, as mais das
vezes, o que o homem quer é ser socorrido por milagre, sem despender o
mínimo esforço (Cap. XXV, n.º 1 e seguintes).” (ESE – Cap. XXVII, item 7)
Pela prece não pediremos o livramento das dificuldades, mas devemos pedir
força, sabedoria, perseverança para superar e vencer tais dificuldades. É
muito importante perceber a resposta, que muitas vezes não é a que nós
queremos, mas é a que nós necessitamos.
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Nem todo suicídio está associado à depressão e também nem todo paciente
deprimido quer se suicidar. A depressão tem diversos estágios e o suicídio é
um dos atos mais graves.
Muitas pessoas em risco de suicídio estão com problemas em suas vidas entre
os desejos de viver e de acabar com a dor psíquica.
Fique atento a alguns sinais de depressão e ideação suicida:
 Tristeza profunda
 Distúrbios do sono
 Pensamentos negativos
 Desinteresse e apatia
 Baixa autoestima
 Desleixo com a aparência
 Dores física
 Isolamento
 Rejeição
 Irritabilidade
 Choro frequente
 Falta de vontade de fazer coisas simples
 Mudanças comportamentais bruscas
 Rejeição a determinados assuntos
 frases como ‘“preferia estar morto’” ou ‘quero desaparecer’
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RELATOS:
Suicidou-se nas últimas dez reencarnações:
Certa senhora procurou o Chico com uma criança nos braços e lhe disse:
- Chico, meu filho nasceu surdo, mudo, cego e sem os dois braços. Agora está com uma
doença nas pernas e os médicos querem amputar as duas para salvar a vida dele. Há uma
resposta para mim no Espiritismo?
Foi com a intervenção de Emmanuel que a resposta veio:
Chico, explique à nossa irmã que este nosso irmão em seus braços suicidou-se nas dez
últimas encarnações e pediu, antes de nascer, que lhe fossem retiradas todas as
possibilidades de se matar novamente. Mas, agora que está aproximadamente com cinco
anos, procura um rio, um precipício para se atirar. Avise nossa irmã que os médicos amigos
estão com a razão. As duas pernas dele vão ser amputadas, em seu próprio benefício, para
que ele fique mais algum tempo na Terra, a fim de que diminua a ideia do suicídio.
Trechos extraídos do livro Chico de Francisco – Adelino da Silveira, 6ª ed, pág.34
Assistência fraternal
Pedi a uma das irmãs presentes, em deploráveis condições perispiríticas, expor-nos, por
gentileza, a experiência de que fora objeto.
A infortunada concentrou a atenção de todos, em virtude das feridas extensas que mostrava
no semblante agora erguido.
— Ai de mim! — começou, penosamente — Ai de mim, a quem a paixão cegou e venceu,
transportando-me ao suicídio! Mãe de dois filhos, não suportei a solidão que o mundo me
impusera com a morte de meu marido tuberculoso. Cerrei os olhos ao campo de obrigações
que me convidavam ao entendimento e sufoquei as reflexões ante o futuro que se
avizinhava. Olvidei o lar, os filhos, os compromissos assumidos e precipitei-me no vale
fundo de sofrimentos inenarráveis. Há quinze anos, precisamente, vagueio sem pouso, à
feição da ave imprevidente que aniquilasse o ninho... Leviana que fui! Quando me vi só e
aparentemente desamparada, entreguei meus pobres filhos a parentes caridosos e sorvi,
louca, o veneno que me desintegraria o corpo menosprezado. Supunha reencontrar o
esposo querido ou chafurdar-me no abismo da inexistência; todavia, nem uma realização
nem outra me surpreenderam o coração. Despertei sob denso nevoeiro de lama e cinza e
debalde clamei socorro, à face dos padecimentos que me asfixiavam. Coberta de chagas,
qual se o tóxico letal me atingisse os mais finos tecidos da alma, gritei sem destino certo!
A essa altura, porque a emotividade lhe interceptasse a voz, interferi, perguntando, de modo
a fixar o ensinamento:
— E não conseguiu retornar ao santuário doméstico?
— Ah! Sim! Fui até lá — informou a interpelada tentando dominar-se —, mas, para acentuar-
me a angústia, o toque de meu carinho nos filhos amados, que confiara aos parentes
próximos, provocava-lhes aflição e enfermidade. As irradiações de minha dor lhes
alcançavam os corpos tenros, envenenando-lhes a carne delicada, através da respiração.
Quando compreendi que a minha presença lhes inoculava pavoroso “vírus fluídico”, deles
fugi aterrada. É preferível suportar o castigo de minha própria consciência isolada e sem
rumo que infligir-lhes sofrimento sem causa! Experimentei medo e horror de mim mesma.
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Desde então, perambulo sem consolo e sem norte. É por isto que venho até aqui implorando
alívio e segurança. Estou cansada e vencida...
— Convença-se de que receberá os recursos que pleiteia, por intermédio da prece —
esclareci,
Trechos extraídos do livro Libertação, capítulo 17.
André Luiz
No livro “Nosso Lar”, André Luiz descreve o local em que se encontrou após a
desencarnação por um período de oito anos. Sentia-se permanentemente em
viagem... Pouca claridade. Pavor por chacotas vindas de desconhecidos.
Dificuldade para obter a bênção do sono. Lágrimas permanentes. Esteve
próximo à loucura, prestes a perder a razão. Via seres monstruosos, irônicos,
perturbadores... Recordações da existência terrena, quando gozava de
prosperidade material e pais “extremamente generosos”.
Seres maldosos e sarcásticos gritavam a André Luiz: “suicida, criminoso,
infame”. Em vão tentou revidar. Com a barba cabeluda e roupa rompendo-se
sofria mais pelo abandono que o envolvera. Não se conformava em ser
acusado de suicida, pois sabia que não o fora, lembrando-se de haver morrido
no hospital, após cirurgia intestinal. Sentia fome. Saciava-se com lama...
Repetidamente via manada de seres animalescos. Médico, sempre detestara
as religiões, mas agora experimentava necessidade de socorrer-se de alguma
delas. Estando já no limite das forças, orou pedindo o socorro a Deus. Em
resposta, das neblinas surgiu o benfeitor Clarêncio, acompanhado de dois
auxiliares. Foi conduzido para a Colônia Espiritual “Nosso Lar”.
Hospitalizado, André Luiz é atendido por um médico espiritual que comprova
o “suicídio inconsciente” que praticou, diante da vida desregrada que levara
em relação à bebida “socialmente”, a alimentação e o sexo (em sua
juventude). É lição-alerta imperdível e inédita quanto a essa característica do
comportamento da maioria dos encarnados.
O PODER DA PRECE
Um Espírito suicida que pede preces
Estou preso em um quarto escuro. Não vejo nada, mas ouço gritos, gemidos e queixas de
dores atrozes. Vou apalpando para ver se encontro uma porta, uma janela ou uma fresta,
mas nada. Uma pessoa às vezes aparece e diz: “Por que cometeste a falta mais grave que
um ser humano pode fazer? Sois um suicida.” Quando assim diz sinto dores que
arrebentam o meu cérebro, pois dei um tiro em meu ouvido. Estava desesperado envolvido
por muitos problemas. Todos se afastaram de mim, só se aproximaram os meus credores
que não eram poucos.
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Tive uma vida invejável, pois fui um vulto de relevância na mídia.
Todos me achavam belo, cheio de charme e “bem de vida”. Mas mal sabiam o meu dilema,
envolvi-me com drogas e coisas ilícitas e fiquei num beco sem saída, até que um dia eu
não aguentei e liquidei com minha vida.
Às vezes até ajudei alguém antes de minha bancarrota.
Quero sair desse lugar... Mas não tenho condições.
Estou fazendo esse relato no intuito de alertar a todos que lerem, que jamais, jamais
mesmo, cometam o suicídio.
A vida não é nossa, mas pertence a Deus.
Agora é tarde... Já morri pelo suicídio.
Um espírito suicida que pede preces.
Médium: Catarina.
Autor desconhecido
https://www.mensagemespirita.com.br/md/ad/psicografia-de-um-espirito-
suicida-que-pede-preces
Divaldo Franco e a História do suicida do Trem.
Divaldo Franco é um ser humano fantástico: reconhecido como um dos maiores médiuns e
oradores espíritas da atualidade, foi o criador de um belíssimo projeto social em Salvador
– BA: a Mansão do Caminho.
Divaldo Franco conta que certa vez leu em um jornal sobre um terrível suicídio de um
homem, pai de dez filhos, que havia se atirado sobre a linha do trem e foi triturado.
Era um modesto operário.
Ficou muito impressionado com o caso e passou então a orar por esse pobre espírito.
Anotou seu nome em sua caderneta de preces especiais: as que ele faz pela madrugada.
Divaldo Franco intercedia por ele pedindo a Jesus, dizendo que talvez esse pobre operário
nem queria se matar de fato, talvez o tenha feito pelas circunstâncias.
Quinze anos se passaram e continuava firme na oração, todos os dias.
Certo dia, Divaldo estava com um problema e por esse motivo, estava sofrendo muito.
Nessa noite não conseguiu então interceder por ninguém, pois não se sentia em condições.
O sofrimento era grande, então começou a chorar.
Nesse momento um Espírito apareceu e perguntou por qual motivo chorava.
Divaldo explicou então que estava enfrentando um grave problema e sentia uma vontade
muito grande de chorar.
O Espírito disse-lhe então que se continuasse chorando, ele também o faria, porque amava
muito Divaldo e lhe tinha muita gratidão, e ficava muito triste em vê-lo assim.
Essas palavras fizeram com que Divaldo ficasse um pouco menos triste.
O Espírito então começou a contar sua história:
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Disse que há muitos anos havia se jogado embaixo das rodas de um trem e que não era
possível descrever o que sentia nessa tragédia eterna.
Mesmo depois de morto, ouvia incessantemente o trem apitando indo em sua direção.
Sentia o corpo sendo triturado pelas rodas eternamente, sem nunca morrer.
Quando o trem por fim acabava de passar e ele achava que iria então respirar, começava
tudo outra vez: o apito, a trituração do corpo, a eterna dor…
Mas um dia, escutou alguém chamando seu nome com tanto amor e ternura, que se sentiu
aliviado por alguns segundos.
Mas logo o sofrimento voltou.
De tempos em tempos ouvia essa pessoa desconhecida chamando seu nome.
Percebeu então que não ouvia mais o apito do trem.
Deu-se conta que, apesar do suicídio, continuava vivo e que alguém pedia a Deus por ele.
Começou então a refletir sobre a gravidade do seu ato.
Um dia, sentiu-se fortemente atraído pela voz que orava por ele e viu então, Divaldo em
seu quarto orando.
Ficou sabendo que aquele ser desconhecido, de grande bondade, orava pelos
desgraçados.
Passou a visitar Divaldo sempre que ele orava em seu favor. Mas Divaldo não o enxergava.
Quando o Espírito se encontrava totalmente lúcido, resolveu visitar sua família e o
sofrimento foi muito grande, pois encontrou sua mulher blasfemando contra ele.
Ela atribuía ao seu ato impensado o fato de que, para conseguirem algum dinheiro e
comida, a filha tenha virado prostituta e o filho um bandido.
Então, além das dores físicas que sentia, passou a sofrer também das dores morais.
Explicou a Divaldo que todo suicida responde, não só pelo seu ato impensado, mas também
por toda uma onda de efeito que ocorre daí.
Era o único que orava e pedia por ele.
Como uma pequena retribuição, estava ali naquele dia em que Divaldo chorava, pedindo
para que não sofresse, porque se ele se entristecesse, o que seria dos permanentemente
tristes?
Deu um abraço apertado em Divaldo e chorou também, demoradamente.
Divaldo ficou emocionado pois não esperava comovê-lo com seu sofrimento.
Então o Espírito explicou que eram lágrimas de felicidade, pois pela primeira vez sentia-se
feliz, já que agora, por estar aprendendo a consolar alguém, ele poderia iniciar uma nova
jornada de reabilitação.
E a primeira pessoa que ele consolava era Divaldo Franco.
A história de Divaldo Franco e o suicida do trem é muito forte. Quando a lemos pela primeira
vez, é impossível não se emocionar.
Mas além da emoção ela vem acompanhada de muitos ensinamentos.
É um texto que pode ajudar muitas pessoas, principalmente as que estão passando por
alguma situação de desespero e desânimo.
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REFERÊNCIAS:
KARDEC, Allan. A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o
Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 52ª Ed. Araras – SP: IDE, 2018.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de
Salvador Gentile. 365ª Ed. Araras – SP: IDE, 2009.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Salvador Gentile. 182ª
Ed. Araras – SP: IDE, 2009.
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 85ª Ed.
Araras – SP: IDE, 2008.
KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Tradução de Salvador Gentile. Araras –
SP: IDE, 2008.
KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. 19ª Ed. Rio
de Janeiro: FEB, 1983.
MLODINOW, Leonard. De primatas a astronautas: A jornada do homem
em busca do conhecimento. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2015.
SILVEIRA, Adelino. Chico, de Francisco. São Paulo: Cultura Espírita União,
1987.
XAVIER, Chico. A Caminho da Luz. 21ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995. Pelo
Espírito Emmanuel.
XAVIER, Chico. Nosso Lar. 64ª ed. Brasília: FEB, 2021. Pelo Espírito André
Luiz.
XAVIER, Chico. Os Mensageiros. 47ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito
André Luiz.
XAVIER, Chico. Missionários da Luz. 45ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 2021. Pelo
Espírito André Luiz.
XAVIER, Chico. Obreiros da Vida Eterna. 35ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo
Espírito André Luiz.
XAVIER, Chico. No Mundo Maior. 28ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito
André Luiz.
XAVIER, Chico. Libertação. 33ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito André
Luiz.
XAVIER, Chico. Entre a Terra e o Céu. 27ª ed. Brasília: FEB, 2018. Pelo
Espírito André Luiz.
XAVIER, Chico. Nos domínios da Mediunidade. 36ª ed. Brasília: FEB, 2018.
Pelo Espírito André Luiz.
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XAVIER, Chico. Ação e Reação. 30ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito
André Luiz.
XAVIER, Chico & VIEIRA, Waldo. Evolução em dois Mundos. 27ª ed.
Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito André Luiz.
XAVIER, Chico & VIEIRA, Waldo. Mecanismos da Mediunidade. 28ª ed.
Brasília: FEB, 2018. Pelo Espírito André Luiz.
XAVIER, Chico & VIEIRA, Waldo. Sexo e Destino. 34ª ed. Brasília: FEB,
2018. Pelo Espírito André Luiz.
XAVIER, Chico. E a vida continua.... 35ª ed. Esp. Rio de Janeiro: FEB, 2021.
Pelo Espírito André Luiz.
https://www.bibliaonline.com.br/
http://www.olivrodosespiritoscomentado.com/questoes.html
https://super.abril.com.br/historia/os-bastidores-do-livro-dos-espiritos/
https://www.youtube.com/user/livrodosespiritos/videos
https://www.youtube.com/watch?v=4xRhAKctMo8&list=PLI-
OgasY7T5tz8FFyT2yr5aKTPbavF7by&index=111
https://www.youtube.com/playlist?list=PLlRlJDlCghdwROpe8PBZF5_wFxlJqq
UnZ
https://espirito.org.br/artigos/possessao-3/
https://pt.slideshare.net/espirinauta/reinos-da-natureza
https://slideplayer.com.br/slide/14346629/
http://www.caminhosluz.com.br
A Lei de Ação e Reação é a mesma coisa que a Lei de Causa e Efeito?
https://editoradionisi.com.br/folhaespiritacairbarschutel/2020/05/31/a-lei-de-
acao-e-reacao-e-a-mesma-coisa-que-a-lei-de-causa-e-efeito/

Capítulo I - Penas e Gozos Terrestres.docx

  • 1.
    1 Livro Quarto: Esperançase Consolações Capítulo I: Penas e Gozos Terrestres 1.1 – Felicidade e infelicidade relativas 1.2 – Perda de pessoas amadas 1.3 – Decepções. – Afeições destruídas 1.4 – Uniões antipáticas 1.5 – Medo da morte 1.6 – Desgosto da vida. – Suicídio Referências Slides: https://pt.slideshare.net/MartaMiranda6/411-felicidade-e-infelicidade- relativaspptx https://pt.slideshare.net/MartaMiranda6/412-perda-de-pessoas- amadaspptx https://pt.slideshare.net/MartaMiranda6/413-suicdiopptx
  • 2.
    2 INTRODUÇÃO O Livro dosEspíritos é o primeiro livro da Codificação Espírita publicado por Hippolyte Léon Denizard Rivail, com o pseudônimo de Allan Kardec. A obra veio a público em 18 de abril de 1857, em Paris, na forma de perguntas e respostas, originalmente compreendendo 501 itens. Foi fruto dos estudos de Kardec sobre os fenômenos das mesas girantes, difundidos por toda a Europa em meados do século XIX, e que, segundo muitos pesquisadores da época, possuíam origem mediúnica. As médiuns que serviram a esse trabalho foram inicialmente as jovens Caroline e Julie Boudin, às quais mais tarde se juntou Celine Japhet e Ermmance Defaux, no processo de revisão do livro. Após o primeiro esboço, o método das perguntas e respostas foi submetido à comparação com as comunicações obtidas por outros médiuns franceses, num total de "mais de dez", nas palavras de Kardec, cujos textos psicografados contribuíram para a estruturação do texto. A segunda edição francesa foi lançada em 18 de março de 1860, tendo o Livro dos Espíritos, naquela reimpressão, sido revisto quase "como trabalho novo, embora os princípios não hajam sofrido nenhuma alteração. Para esta revisão, Kardec manteve contato com grupos espíritas de cerca de 15 países da Europa e das Américas. Nesta segunda edição é que aparecem 1018 perguntas e respostas. O Livro dos Espíritos é a obra fundadora da Doutrina Espírita ou Espiritismo. Ele trata dos aspectos científico, filosófico e religioso da doutrina, lançando as bases que seriam posteriormente aprofundadas, por Allan Kardec, nas demais obras da Codificação Espírita. O Livro dos Espíritos é uma das oito obras fundamentais para o estudo da Doutrina Espírita, sendo composto por quatro partes. Estamos adentrando a quarta parte que trata das Esperanças e Consolações, com apenas dois capítulos, aborda as consequências, para o Espírito, do cumprimento ou não das leis:  Capítulo I – Quando estiver vivendo no mundo corporal terá as “Penas e gozos terrenos”.  Capítulo II – Quando estiver vivendo no mundo espiritual terá as “Penas e gozos futuros”.
  • 3.
    3 É uma dasoito obras fundamentais para o estudo da Doutrina Espírita:  O Livro dos Espíritos (1857);  O que é o Espiritismo (1859);  O Livro dos Médiuns (1861);  O Evangelho Segundo Espiritismo (1863);  O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo (1865);  A Gênese, os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo (1868),  Obras Póstumas (1890);  Revista Espírita (1858-1869). Doutrina Espírita – Terceira revelação Pilares do Espiritismo: 1) A existência de Deus: Deus criador e eterno, bondoso, amoroso e justo. 2) A pluralidade dos mundos: a Terra não é o único planeta habitado nesse universo. Há diversos outros mundos que não conseguimos perceber seus habitantes devido a sua sutileza. 3) Imortalidade da alma: somos todos Espíritos imortais e não vivemos apenas esse tempo desde o nascimento até o desenlace. 4) A pluralidade das existências (reencarnação): Quase uma consequência do ponto anterior, somos seres imortais que reencarnam aqui nesse mundo e também em outros sempre com o objetivo de evoluir através de experiências na matéria. 5) Comunicabilidade dos Espíritos: a mediunidade é uma característica que permite com que nos comuniquemos com espíritos desencarnados. 6) Evolução: processo de desenvolvimento progressivo, biológico e espiritual da Natureza, no qual os seres vivos e inanimados se aperfeiçoam. Com base nesses pilares, acrescidos do evangelho de Jesus e toda a moral que ele contém, temos a formação da Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec. O Tríplice Aspecto da Doutrina Espírita compreende os princípios Filosófico, Científico e Religioso. O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que fluem dessas mesmas relações.
  • 4.
    4 Podemos defini-lo assim: OEspiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal. O Espiritismo é uma ciência de observação e uma filosofia com consequências morais. A religiosidade da doutrina espírita está nas consequências morais. - Evangelho Segundo o Espiritismo – Livro religioso da doutrina - O Livro dos Espíritos – Livro filosófico da doutrina - O Livro dos Médiuns e a Gênese – Parte científica da doutrina Edifício em permanente construção. As obras básicas da doutrina espírita sempre carecem de complementação, pois nenhum campo da ciência é passível de ser esgotado, sempre há lacunas a serem preenchidas pelos estudiosos, com o espiritismo não haveria de ser diferente. - Léon Denis, Camille Flamarion, Chico Xavier, Divaldo Franco, Zíbia Gasparetto, Mônica de Castro, André Luiz Ruiz, Vera Lúcia, Yvonne, Edgard Ormond, etc. (encarnados) – Contribuição dos desencarnados. O Espiritismo não veio para solução dos nossos problemas imediatos. O Espiritismo veio para que conheçamos as nossas múltiplas realidades e saibamos fazer uma síntese dessas múltiplas realidades para entender a razão da vida e do objetivo que nos espera. “A salvação” e a felicidade só ocorrerá quando construirmos o templo verdadeiro de Deus dentro de nossos corações, praticando o bem, o amor e a caridade em todas as suas formas. Vamos fazer sempre uma reflexão de como o mestre agiria em determinadas situações e como nós deveríamos agir. Vamos seguir a máxima de fazer aos outros aquilo que gostaríamos que nos fizesse. Se assim procedermos estaremos cultivando as virtudes do bem e do amor, incorporando o Evangelho do Cristo iremos chegar ao Pai por intermédio do mestre Jesus, que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Orientação: Espíritas!, amai-vos, eis o primeiro ensinamento. Instruí-vos, eis o segundo. (ESE, VI, 5)
  • 5.
    5 1.1 – Felicidadee infelicidade relativas 920 – O homem pode gozar, sobre a Terra, de uma felicidade completa? Não, visto que a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Mas depende dele amenizar seus males e ser tão feliz quanto se pode ser sobre a Terra. Comentários: A partir do momento que compreendemos que a Terra ainda se encontra no nível de mundo de provas e expiações, agora passando para o mundo de regeneração, fica fácil compreendermos como não é possível o homem gozar plena felicidade na Terra, pois aqui ainda é um planeta de lutas, de provas, de dificuldades. Aqui ainda é morada de Espíritos comprometidos com a lei de Deus. Assim não temos condições de almejar a felicidade completa, plena. Isso é para os Mundos Felizes, Mundos Celestes. Não é o nosso caso ainda. Porém, o fato de não termos uma completa felicidade na Terra, não quer dizer que não podemos ser o máximo feliz possível que a Terra pode nos proporcionar conforme a sua condição. Nós podemos ser o mais feliz possível, depende de nós mesmos. Podemos suavizar os males pela prática do bem. A partir do momento que vivenciamos o Evangelho de Jesus, temos mais paz de Espírito, sendo mais feliz. Podemos não ter a felicidade plena, mas seremos mais felizes na Terra, vivenciar essa felicidade aqui mesmo. Muitas pessoas acreditam que se fizerem o bem estarão garantindo a felicidade na erraticidade, quando desencarnar, como se a vida material não pudesse nos proporcionar essa felicidade maior. Para usufruir dessa felicidade não podemos buscá-la nas coisas do mundo, pois nunca encontraremos a felicidade plena no mundo material. Ao buscar essa felicidade nas conquistas do Espírito, com certeza teremos condições de experenciar a felicidade terrestre. LIVRO QUARTO: Esperanças e Consolações Capítulo I: Penas e gozos Terrestres
  • 6.
    6 921 – Concebe-seque o homem será feliz sobre a Terra quando a Humanidade estiver transformada; mas, até lá, cada um pode se garantir uma felicidade relativa? O mais frequentemente, o homem é o artífice de sua própria infelicidade. Praticando a lei de Deus, ele se poupa dos males e chega a uma felicidade tão grande quanto o comporta sua existência grosseira. Allan Kardec: O homem bem compenetrado de sua destinação futura não vê na vida corporal senão uma estada passageira. É para ele uma parada momentânea em má hospedaria. Ele se consola facilmente de alguns desgostos passageiros de uma viagem que deve conduzi-lo a uma posição tanto melhor quanto melhor tenha se preparado. Somos punidos, desde esta vida, pelas infrações às leis da existência corporal, pelos males que são a consequência dessas infrações e de nossos próprios excessos. Se remontarmos, gradativamente, à origem do que chamamos nossas infelicidades terrestres, veremos a estas na maioria das vezes, como consequências de um primeiro desvio do caminho reto. Por esse desvio, entramos num mau caminho e, de consequência em consequência, caímos na infelicidade. Comentários: Aqui a Espiritualidade nos esclarece que o homem é o responsável pela sua felicidade ou infelicidade. A felicidade está em nossas mãos. A nossa felicidade não depende do mundo material, do outro ou daquilo que acontece ao nosso redor. Porém, quando nós vemos o nosso próximo feliz, quando vemos que não há desumanidade, quando vemos caridade, amor e que não há egoísmo nas pessoas são motivos muito grandes para ficarmos felizes. A felicidade do outro é motivo para a minha felicidade. Quando amamos alguém ficamos felizes pela felicidade dele. A dificuldade vivenciada hoje no planeta Terra não permite que nós possamos ser plenamente felizes, mas se praticamos a lei de Deus vamos nos livrar de muitos males e teremos a felicidade tão grande quanto comporta a nossa existência grosseira. A Terra ainda não proporciona a felicidade plena, mas teremos a felicidade dentro das possibilidades, caso vivenciemos a lei de Deus. E assim, podemos ser mais felizes do que somos hoje.
  • 7.
    7 Vamos passar pelosdébitos e provas que devemos passar, mas teremos mais força, coragem, perseverança, fé, entendimento para enfrentarmos os desafios da vida, com paz e serenidade em nosso coração. O destino da alma é ser feliz, é amar em todas as dimensões em que se possa engrandecer cada vez mais. A Doutrina Espírita, juntamente com Jesus, que é seu sustentáculo nos oferece, tanto na carne quanto no mundo espiritual, meios e métodos para verificar a nossa maturidade. Despertando-nos para a vida real, a verdade começa a surgir nos nossos caminhos, nos dando mais segurança no avanço espiritual. Certamente que na Terra não existe felicidade na maneira que a ideamos, no entanto, a felicidade relativa existe, com o conhecimento desse ambiente de luz. Os benfeitores espirituais que se comunicam com os homens deixam traços dessa felicidade no que falam, escrevem e inspiram os homens para o bem comum. (Miramez) 922 – A felicidade terrestre é relativa à posição de cada um; o que basta à felicidade de um faz a infelicidade de outro. Entretanto, há uma medida de felicidade comum a todos os homens? Para a vida material, é a posse do necessário; para a vida moral, a consciência tranquila e a fé no futuro. Comentários: A felicidade é bem relativa. Aquilo que me faz feliz pode não fazer feliz o outro e pode até mesmo ser motivo de infelicidade. Então Kardec pergunta se há uma felicidade comum a todos os homens. - Em relação à vida material é a posse do necessário. Isso para nós é motivo de felicidade comum porque não iremos passar necessidades para a sobrevivência física. Aqui na Terra se tivermos condições de suprir as nossas necessidades pela lei de conservação já é motivo de felicidade, de gratidão, concedendo uma felicidade comum a todos os homens. - Em relação à vida moral, a Espiritualidade nos orienta que é a consciência tranquila e a fé no futuro. De fato, quando estamos com a consciência tranquila nós nos sentimos felizes. Nos traz um bem-estar enorme ao nosso coração. Sentimos o que é felicidade. Essa consciência tranquila varia de pessoa para pessoa. A fé no futuro é outro fato que nos proporciona felicidade porque nos traz esperança, a certeza de dias melhores e que nós iremos progredir e crescer sempre. Essa certeza traz felicidade ao nosso coração. Então existe uma felicidade comum a todos os homens, tanto materialmente, quanto espiritualmente.
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    8 Exemplo de pessoafeliz: Quando reflito – uma coisa que faço frequentemente – sobre a felicidade de que desfrutei, às vezes digo a mim mesmo que, se me fosse oferecida de novo exatamente a mesma vida, voltaria a vivê-la do início ao fim”. (Benjamin Franklin) Algo de felicidade na Terra existe, como marca da sua existência nos mundos venturosos, todavia, ela tem uma escala que deve ser obedecida nos caminhos humanos. Cada criatura a vê por um prisma e a sente na diversidade que a evolução ou despertamento lhe mostra. A felicidade, com relação à vida material, são os bens terrenos, onde não falta o necessário. Em se falando da vida moral, é a tranquilidade da consciência, aquela que não se perturba com os acontecimentos transitórios do mundo exterior. Se queres sentir a existência da felicidade, deves cultivar a fé, que sempre tem sua base na oração, onde não podem faltar a sinceridade, a honestidade e a caridade. (Miramez) 923 – O que seria supérfluo para um não se torna necessário para outros, e reciprocamente, segundo a posição? Sim, de acordo com as vossas ideias materiais, vossos preconceitos, vossa ambição e todos os vossos defeitos ridículos, aos quais o futuro fará justiça quando compreenderdes a verdade. Sem dúvida, aquele que tinha cinquenta mil libras de renda e se encontra reduzido a dez, se crê bem infeliz porque não pode mais fazer uma figura tão grande, ter aquilo que chama sua posição, ter cavalos, lacaios, satisfazer todas as suas paixões, etc. Ele crê faltar-lhe o necessário; mas, francamente, o crês com direito a lamentar-se quando ao seu lado há os que morrem de fome e de frio, e não têm um refúgio para repousar a cabeça? O sábio, para ser feliz, olha abaixo de si e jamais acima, a não ser para elevar sua alma até o infinito. (715). Comentários: Muitos de nós habituamos a reclamar quando percebemos, por exemplo, alguma diminuição dos nossos bens, das facilidades, das coisas que fazíamos e, por alguma razão hoje não podemos mais fazer. Muitas vezes nos sentimos desventurados, infelicitados porque não podemos fazer como antes. Isso nos mostra o quanto ainda somos egoístas e orgulhosos. Nós temos o hábito de olhar para cima e não para baixo. Se olharmos para baixo e percebermos o quão afortunados nós somos, o quanto temos a agradecer porque muitas vezes nós temos além do necessário. Muitos não têm nem o necessário.
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    9 O supérfluo émuito relativo. O supérfluo para pode não ser para o meu próximo e vice-versa. Quando todos nós evoluirmos, quando nós compreendermos que não precisamos do supérfluo. Precisamos só do necessário para sermos felizes. A verdadeira felicidade não vem dos bens materiais, mas dos bens espirituais. Quando resolvermos compartilhar com outro aquilo que temos em excesso nos tornaremos muito mais felizes e essa felicidade será de todos. Vamos tentar trabalhar o nosso coração para quilo que realmente é importante. Precisamos deixar de valorizar as coisas pequenas e darmos valor para aquilo que importa, aquilo que é necessário para o nosso progresso e evolução. Há no mundo diversidade em tudo que se vê, em tudo o que se sente e em tudo o que se usa. É imprescindível, por isso, crer em uma Inteligência Superior que comanda a tudo na extensão infinita da criação. Não existe desarmonia na vida; pode-se dizer que a desarmonia é psicológica, na mente ignorante dos homens. Os acontecimentos, no que diz respeito ao mal, são para nos educar, com o objetivo de nos instruir. Não existem erros na direção dos nossos destinos. Quando falamos dos homens, não somente nos referimos aos encarnados, mas também aos Espíritos ainda humanizados, envolvidos nas faixas das paixões inferiores ou sujeitas a elas. (Miramez) 924 – Há males que são independentes da maneira de agir e que atingem o homem mais justo; não há algum meio de se preservar deles? Nesse caso, ele deve se resignar e suportá-los sem murmurar, se quer progredir. Mas ele possui sempre uma consolação na sua consciência, que lhe dá a esperança de um futuro melhor, se faz o que é preciso para obtê-lo. Comentários: Todos os males que eventualmente alcança a humanidade têm um fim útil. Deus não permite o sofrimento porque Ele quer ou Ele goste de ver seus filhos sofrerem. Deus é Pai de amor e de infinita bondade. A dor é um dos últimos recursos (senão o último) a ser utilizados pelo Pai para nos conduzir ao caminho do bem. Então os males que eventualmente alcancem o homem, não alcançam sem propósito, mas porque precisa alcançar, pois se Deus não quisesse que acontecesse Ele livraria aquela pessoa de passar por aquela dificuldade. Se a pessoa não precisasse passar por aquilo, estivesse a ponto de receber uma injustiça diante de mal que pudesse lhe chegar, Deus com certeza iria agir, porque ninguém seria
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    10 maltratado, ferido poralguma coisa que não precisasse ou que não merecesse. Por outro lado, ninguém é premiado sem mérito. Se há males que nos chegam e que independem do nosso proceder nesta existência e nada podemos fazer para nos livrar, temos que ter resignação, sofrer sem reclamar, procurar superar tais dificuldades dentro das condições que tivermos, certos de que não estaríamos passando por tais situações sem justa causa por aquelas dificuldades, por aquele mal que nos chega. E também precisamos trabalhar o nosso intelecto no sentido de evitar o mal e sair do mal, caso ele nos chegue de alguma maneira. Não devemos nos acomodar. Trabalhando para vencer, sem revolta e com resignação Jesus nos pediu para orar e vigiar, no entanto, muito frequentemente somente oramos, esquecendo a nossa parte, que é a de vigiar os nossos impulsos, por vezes inferiores. Muitos males podemos evitar dessa maneira, pois certas arestas são cortadas pela simples vigilância. Se sofremos mais, não é pelo passado: é por falta de discernimento no presente mesmo. (Miramez) 925 – Por que Deus favorece com os dons da fortuna certos homens que não parecem merecê-los? É um favor aos olhos daqueles que não veem senão o presente; mas, sabei- o bem, a fortuna é uma prova frequentemente mais perigosa do que a miséria. (814 e seguintes). Comentários: A Espiritualidade já nos explicou acerca da riqueza e da pobreza. Todos nós em algum momento da nossa caminhada evolutiva precisamos passar pela prova da riqueza e da miséria, pois ambas nos oportunizam crescimento, nos faz trabalhar determinados aspectos da nossa personalidade, trabalhar e adquirir determinadas virtudes. Mesmo que ainda não estejamos bem capacitados para ambas, nós precisaremos em algum momento enfrentá-las. Tudo é aprendizado, embora possa parecer para quem só vê o presente, com uma visão limitada, um favor divino, como se fosse maravilhoso as pessoas virem numa condição de riqueza. A Espiritualidade nos alerta que isso é para as pessoas que tem uma visão pequena de Deus, da sua lei e da razão pela qual existe a riqueza e a pobreza. Para nós que já temos um entendimento, pois “O Livro dos Espíritos” já nos explicou isso de forma bem clara, sabemos que a riqueza é uma prova
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    11 dificílima porque levaas pessoas ao desenvolvimento das suas paixões, instiga o desenvolvimento das paixões mundanas, como materialidade, sensualidade, vaidade, poder. E assim, para alguns possa parecer um favor, na verdade não é. É uma prova necessária para o nosso progresso e para a nossa evolução. Devemos nos conscientizar de que Deus sabe o que fazer ante as necessidades humanas e espirituais de todos os Seus filhos do coração. Tudo o que recebemos é, pois, por merecimento, e esse merecimento está de certo modo ligado às nossas necessidades. A fortuna, aos olhos do mundo, parece um favor especial, contudo, representa convites fortes para as paixões inferiores. No entanto, ela pode ser um meio de luta para o fortalecimento moral. (Miramez) 926 – A civilização, criando novas necessidades, não é a fonte de novas aflições? Os males deste mundo estão em razão das necessidades fictícias que criais para vós mesmos. Aquele que sabe limitar seus desejos e vê sem inveja o que está acima de si, poupa-se a muitas decepções desta vida. O mais rico é aquele que tem menos necessidades. Invejais os gozos daqueles que vos parecem os felizes do mundo; mas sabeis o que lhes está reservado? Se não gozam senão para eles, são egoístas e virá o reverso. Antes, lastimai-os. Deus permite, algumas vezes, que o mau prospere, mas sua felicidade não é para invejar porque a pagará com lágrimas amargas. Se o justo é infeliz, é uma prova que lhe será tida em conta se a suportar com coragem. Lembrai-vos destas palavras de Jesus: Felizes aqueles que sofrem, porque serão consolados. Comentários: À medida que criamos novas necessidades e, muitas delas falsas, estamos consequentemente criando fontes de novas aflições. As necessidades primordiais são aquelas necessárias para a nossa subsistência, para a manutenção da nossa vida em observância do instinto de conservação. Quando temos isso já somos felizes, pois já temos aquilo que necessitamos nessa existência para sermos felizes. Tudo o que criamos além disso é uma aflição que também criamos para nós, pois se criamos outra necessidade precisamos pensar, trabalhar, avaliar como conseguiremos suprir aquela necessidade o que pode ser possível, realizando
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    12 aquela meta, masem outras condições isso não acontece, vindo a angústia, a ansiedade, a inveja, o desespero porque queremos e não conseguimos ter. O que menos necessidade tem esse é o mais rico, pois não vai gastar sua energia, sua inteligência em buscar mais conquistas materiais. A partir do momento que entendemos o porquê de estarmos na Terra e, principalmente, aquilo que precisamos fazer para crescer e evoluir, damos monos importância ao mundo e a essas necessidades que o mundo e vamos valorizando as conquistas espirituais. Pessoas que buscam apenas as coisas do mundo não devem ser admiradas, pelo contrário devem ser lastimadas porque utilizam toda a sua vida em busca do mundo e da matéria, mas o reverso virá com “dor e ranger de dentes”. Deus espera de nós uma postura diferente. Nós que já temos um pouco de conhecimento devemos orientar aqueles que pudermos, esclarecendo-os sobre as conquistas importantes da nossa vida e, principalmente, utilizar esse conhecimento para a nossa reforma íntima, pois às vezes, sabemos muito e vivenciamos pouco. A moderna civilização é fonte de novas aflições que torturam o homem cada vez mais, pelas necessidades fictícias que ele próprio cria e que o perseguem nos seus caminhos. Nós criamos as nossas aflições, e elas nos servem como escolas, porque a vida, a natureza, aproveita tudo e transforma em experiências valiosas. Se hoje os Espíritos elevados vivem na plenitude da consciência imperturbável, como eram ontem? é neste sentido que os benfeitores espirituais, em relação a nós outros, têm muita tolerância com as nossas faltas. Se assim podemos dizer, eles passaram pelas mesmas aflições, mas Deus é sempre Pai amoroso e santo, bom e justo, que não dá pedra a quem pede peixe. Não deves invejar aos outros em situação bem melhor que a tua, porque não sabes o que se encontra reservado para eles, nem tão pouco para ti. (Miramez) 927 – O supérfluo, certamente, não é indispensável à felicidade, mas não se dá o mesmo com o necessário; ora, a infelicidade daqueles que estão privados do necessário não é real? O homem não é verdadeiramente infeliz senão quando sofre a falta do que é necessário à vida e à saúde do corpo. Pode ser que essa privação seja por sua culpa e, nesse caso, não deve imputá-la senão a si próprio. Se ela é por culpa de outrem, a responsabilidade recairá sobre aquele que lhe deu causa. Comentários: Considerando que muitas pessoas não têm sequer o necessário, havendo para esses, uma infelicidade real. Então para essas pessoas o supérfluo não é causa de infelicidade?
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    13 De fato, quandofalta o necessário à vida e à saúde do corpo pode-se dizer que a pessoa é infeliz aqui na Terra. Nós já sabemos que muitas das privações, das dificuldades, das dores pelas quais nós passamos são consequências das nossas atitudes equivocadas nesta existência física ou em outras anteriores. Não significa que todas as dificuldades, todas as dores que temos aqui na Terra seja em decorrência de um resgate ou de algo que tenhamos feito. Nós também já sabemos que muitas das dificuldades fomos nós que pedimos para termos a oportunidade de sermos experimentados, provados com aquela situação para crescermos e evoluirmos. Nem sempre uma situação tem relação direta com algum erro do passado. Tudo daquilo que passamos, que vivenciamos tem um fim útil e uma causa justa. São situações que nós precisamos em função de uma atitude equivocada que tenhamos tido ou pedimos para o nosso próprio crescimento. O fato de estarmos na Terra já é indício da nossa imperfeição moral, pois se não fôssemos imperfeitos não estaríamos aqui na Terra. Já estaríamos encarnando em mundos mais felizes. Então, se somos imperfeitos sabemos que ainda precisamos da dor, pois ela é um remédio muito potente. Muitas vezes quando o amor não consegue despertar a criatura, vem a dor para esse despertar. Se eventualmente alguma dificuldade, alguma dor nos acompanha, ela é necessária pelo tempo estritamente que nós precisamos para o nosso aprendizado. Deus não quer a nossa dor e, sim o nosso aprendizado. Vamos tentar aprender diante das dificuldades e dos sofrimentos que nos chegam para que possamos evoluir mais rapidamente e nos livrarmos dessa mesma dor. Não há injustiça na justiça divina. Deus é Pai de amor, não de dor. 928 – Pela especialidade das aptidões naturais, Deus indica evidentemente nossa vocação neste mundo. Muitos dos males não decorrem do fato de não seguirmos essa vocação? É verdade, e, frequentemente, são os pais que, por orgulho ou avareza, fazem seus filhos saírem do caminho traçado pela Natureza e, por esse deslocamento, comprometem sua felicidade; eles disso serão responsáveis.
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    14 928.a) Assim, acharíeisjusto que o filho de um homem altamente colocado no mundo fizesse tamancos, por exemplo, se para isso tinha aptidão? Não é preciso cair no absurdo, nem nada exagerar: a civilização tem suas necessidades. Por que o filho de um homem altamente colocado, como dizes, faria tamancos se pode fazer outra coisa? Ele poderá sempre se tornar útil na medida de suas faculdades, se elas não são aplicadas em sentido contrário. Assim, por exemplo, em lugar de um mau advogado, ele poderia, talvez, tornar-se um bom mecânico, etc. Allan Kardec: O deslocamento dos homens fora de sua esfera intelectual é, seguramente, uma das causas mais frequentes de decepção. A inaptidão pela carreira abraçada é uma fonte perene de reveses. Depois, o amor- próprio, vindo juntar-se a isso, impede o homem fracassado de procurar um recurso numa profissão mais humilde e lhe mostra o suicídio como remédio para escapar ao que ele crê uma humilhação. Se uma educação moral o tivesse elevado acima dos tolos preconceitos do orgulho, ele não seria apanhado de surpresa. Comentários: Quantas famílias, quantos pais acabam, de certa forma, impondo aos seus filhos a profissão que eles devem seguir. Muitos pais não se sentiram felizes, não conseguiram se realizar na profissão que seguiram e querem que os filhos sigam aquela profissão que muitas vezes eles não puderam seguir. Todos nós temos uma aptidão natural, viemos com essa aptidão para crescermos, trabalhar determinadas virtudes. Tudo está previsto no nosso planejamento reencarnatório, porém devido à imposição da sociedade, de uma cobrança pessoal ou dos pais, há um desvirtuamento daquela aptidão natural e a pessoa se sente infeliz, não gosta daquilo que faz e acaba no futuro não se sentindo em condições de começar do início uma nova carreira profissional, onde muitos procuram o suicídio como remédio para escapar aquilo que lhe parece uma humilhação. Se todos nós fôssemos para as mesmas profissões, algo estaria errado pois faltaria outros tipos de profissionais no mundo. Precisamos ser cuidadosos, principalmente, com aqueles que estão sob a nossa guarda, os nossos filhos. Dar a eles orientação, se for possível, dar a eles o estudo necessário para que eles possam seguir aquilo que eles desejam seguir. Tendo entendimento, educação moral, uma boa educação intelectual
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    15 eles vão sesentir mais aptos para escolher aquilo que eles desejam dentro daquela orientação, daquela educação que eles receberam. Que nós procuremos não impor aos nossos filhos ou aos nossos tutelados o que eles devem ou não seguir. 929 – Há pessoas que, estando privadas de todos os recursos, nesse caso, mesmo que a abundância reine ao seu redor, não têm senão a morte por perspectiva; que partido devem tomar? Devem deixar-se morrer de fome? Não se deve jamais ter a ideia de se deixar morrer de fome. Encontrar-se-á sempre meios de se alimentar, se o orgulho não se interpuser entre a necessidade e o trabalho. Diz-se frequentemente: não há profissão tola e não é a situação que desonra e isso, porém cada um diz para os outros e não para si. Comentários: Por mais que estejamos em condições desfavoráveis, no sentido de nos faltar os recursos necessários, nós precisamos lutar. Estamos aqui para exercitar a nossa inteligência, a nossa capacidade de trabalho, de superação. Diante das lutas, das dores, das necessidades não devemos cruzar os braços. Não estamos aqui para viver na ociosidade A lei do trabalho é uma lei divina. Essa lei nos oportuniza alcançar o progresso e a depuração. É por meio do trabalho que nós crescemos. Se eu me encontro em uma situação de miséria, de fome, tenho que procurar superar essa dificuldade. Muitas vezes é o nosso orgulho que nos impede de alcançarmos aquilo que estamos necessitando, pois não queremos realizar determinados trabalhos porque achamos que não é um trabalho digno ou que nós precisamos ou merecemos algo melhor e aí deixamos de aceitar um trabalho mais humilde, mas que nos garantiria o sustento devido ao nosso orgulho. Deus nos coloca sempre em oportunidades, em situações que nos traz aprendizado. Refletindo: - Será que estamos sabendo aproveitar a oportunidade que nos chega para crescer? - Será que deixo o orgulho sobressair desperdiçando aquela condição maravilhosa de aprendizado?
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    16 930 – Éevidente que, sem os preconceitos sociais pelos quais se se deixa dominar, encontrar-se-ia sempre um trabalho qualquer que pudesse ajudar a viver, mesmo deslocado de sua posição. Mas entre as pessoas que não têm preconceitos, ou que os deixam de lado, há os que estão na impossibilidade de prover às suas necessidades em consequência de doenças ou de outras causas independentes de sua vontade? Numa sociedade organizada segundo a lei do Cristo, ninguém deve morrer de fome. Allan Kardec: Com uma organização social sábia e previdente, não pode faltar ao homem o necessário, senão por sua falta; mas mesmo suas faltas, frequentemente, são o resultado do meio em que ele se encontra colocado. Quando o homem praticar a lei de Deus, terá uma ordem social fundada sobre a justiça e a solidariedade, e ele mesmo também será melhor. (793). Comentários: Determinadas pessoas sem preconceito não têm condições de prover suas próprias necessidades. Nesse caso quem vai suprir a necessidade básica e as dificuldades daquela pessoa? A sociedade, o próximo. Numa sociedade organizada segundo a lei do Cristo ninguém deve morrer de fome porque aquele que mais tem vai ajudar aquele que tem menos. Onde a Lei de Deus vigora há fraternidade, há amor, há caridade, há união, há benevolência e beneficência. Se numa sociedade justa tivesse diante de nós uma situação como essa, nós iríamos ajudar, amparar aquela pessoa que não tem meios de fazê-lo individualmente. Se a pessoa por moléstias ou outras causas que independam da sua vontade não tem condições de suprir suas necessidades, precisando da ajuda de outros, ela teria, sem problema nenhum. Quando estivermos em mundos mais felizes não veremos as desigualdades porque a humanidade está melhor. O ser humano será uma criatura melhor e haverá mais amor, fraternidade e menos desigualdade e menos necessidades Capítulo XVI do Evangelho Segundo o Espiritismo, item 8, pág. 159
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    17 A igualdade quemuitos entendem seja pregada pelo Cristianismo, não deve ser entendida como a distribuição em partes iguais das riquezas entre todas as almas que habitam este planeta. O socialismo visto no Evangelho é aquele que distribui com justiça a todas as pessoas, que mostra seus direitos e junto delas faz com que elas compreendam com respeito os seus deveres ante a sociedade. Poder-se-ia distribuir tudo em partes iguais para as criaturas, se todas elas fossem do mesmo nível espiritual em todos os campos de entendimento, o que é impossível. Não existe isso em nenhum mundo habitado. A distribuição, neste caso, é de acordo com as necessidades de cada um. Se Deus colocasse os Espíritos em um mundo do mesmo nível de evolução, ninguém aprenderia com ninguém. A Inteligência Suprema permite as desigualdades de todas as ordens para que uns sirvam de experiências para outros. Todo sistema político e econômico eventualmente entrará em colapso onde há impulsos morais insuficientes para restringir o egoísmo humano e encorajar a honestidade e as boas obras mesmo quando ninguém está vendo. Apenas o respeito recíproco dos direitos e deveres, e a caridade mútua darão o segredo do justo equilíbrio, do bem-estar honesto, da verdadeira paz e prosperidade dos povos. Ex: Allan Kardec, as instituições, a Casa do Caminho, as Cáritas diocesanas 931 – Por que, na sociedade, as classes sofredoras são mais numerosas que as classes felizes? Nenhuma é perfeitamente feliz, e, o que se crê a felicidade, esconde, frequentemente, pungentes pesares: o sofrimento está por toda parte. Entretanto, para responder ao teu pensamento, direi que as classes, a que chamas sofredoras, são mais numerosas, porque a Terra é um lugar de expiação. Quando o homem nela tiver feito a morada do bem e dos bons Espíritos, não será mais infeliz e será para ele o paraíso terrestre. Comentários: Essa questão se torna mais clara à medida que compreendemos a destinação da Terra. Sendo a Terra um mundo de provas e expiações ainda é morada de Espíritos sofredores, Espíritos endividados com a lei, Espíritos doentes.
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    18 Pessoas que estãodoentes precisam de tratamento, de remédio. Sabemos que o remédio que necessitamos muitas vezes ainda é o sofrimento, a dor, pois é o único remédio em que deixamos fazer efeito dentro de nós. Quando o remédio é bom, é adocicado nós não nos importamos com ele, mas quando o remédio é amargo, doloroso, aí choramos, nos angustiamos, motivo pelo qual lutamos para ficar bem, para se libertar desse remédio amargo e buscamos ficarmos bons do corpo e do Espírito. Se ainda estamos nessa condição de Espíritos, mais animalizados, imperfeitos vamos lidando com infelicidades, com dores, com expiação. Precisamos atentar para a condição da Terra porque não será sempre assim. Quando a Terra se tornar morada de Espíritos bons (estamos trabalhando para isso), ela será mais feliz. A quantidade de pessoas sofredoras será bem menor. No mundo de Regeneração também será bem menor do que hoje vivenciamos. Quando a Terra se tornar um mundo feliz será bem melhor. A maioria da humanidade vivenciará o que nós chamamos de “Paraíso Terrestre”, pois seremos bem mais felizes. A felicidade que hoje se faz presente em determinados momentos da nossa existência será mais completa e mais perene, ainda não completamente. No mundo em que habitas, as classes sofredoras são em maior número, por ser a Terra mundo de expiação e provas, como retraíam os benfeitores da espiritualidade em "O Evangelho Segundo o Espiritismo" (Cap. III). Os que dizem que alguns são felizes se enganam na expressão e mesmo na realidade. Tornamos a dizer o que muitos instrutores da espiritualidade já falaram: não existe felicidade completa na Terra. No entanto, ela é uma realidade, porque alguns já a percebem e de vez em quando recebem ou concebem alguns minutos deste tesouro, que é permanente nos mundos venturosos. Nenhuma classe no mundo é feliz, na expressão da palavra. Alguns, aqui e ali, sentem a existência da felicidade e procuram ir em busca da paz que o Cristo tem com abundância. Ele, o Mestre dos mestres, indicou os caminhos para aquisição desse estado d'alma que, em grande parte, é conquista da alma, no certame da vida. Se a Terra fosse morada dos eleitos, como se costuma dizer, onde se encontra a felicidade, não precisaria vir Jesus a ela, nem seria necessário surgir a Doutrina dos Espíritos. O Mestre veio para os sofredores e sempre está ao lado deles, consolando e instruindo e, se a Doutrina dos Espíritos é Jesus voltando, deve fazer a mesma coisa. (Miramez) 932 – Por que, no mundo, os maus, tão frequentemente, sobrepujam os bons em influência?
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    19 Pela fraqueza dosbons; os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, dominarão. Comentários: A Espiritualidade nos mostra a força que os maus ainda exercem no que se refere aos bons, principalmente, na sua forma de agir. Se prestarmos atenção veremos que os maus são intrigantes, audaciosos, lutam por seus objetivos, mesmo sendo objetivos não construtivos que possam maltratar e prejudicar os outros. Eles são perseverantes no mal porque eles são obstinados. Eles querem tanto prejudicar e fazer o mal que se obstinam nesse objetivo e com isso a força deles se amplia. E assim, a influência que eles exercem também se dá pela forma de agir que eles têm. Por outro lado, os bons normalmente são tímidos, não agem da mesma forma. Quando os bons realmente quiserem, eles vão preponderar pois estes têm força, entendimento, evolução, mais maturidade. Portanto, a capacidade de influenciar para o bem é muito maior considerando a evolução de cada um. Nós nos sentimos mais influenciados, mais atraídos por aquilo que somos ainda. Se ainda somos essencialmente imperfeitos. Se não fôssemos, não estaríamos aqui na Terra. Então é natural que as forças perniciosas tenham mais eco dentro dos nossos corações porque nos sintonizamos e sentimos atraídos por aquilo que somos. Queremos ser Espíritos bons, sublimados e melhores, então vamos batalhando na conquista do nosso objetivo. Quando formos pessoas realmente de bem, não nos sentiremos nem atraídos e muito menos influenciados pelo mal. Isso só acontece porque ainda há o mal dentro do nosso coração. Nós viemos de muitas reencarnações nas sombras. Estamos nos esforçando para fazer o bem crescer dentro de nós. 933 – Se o homem, frequentemente, é o artífice dos seus sofrimentos materiais, não ocorre o mesmo com os sofrimentos morais? Mais ainda, porque os sofrimentos materiais, algumas vezes, são independentes da vontade; mas o orgulho ferido, a ambição frustrada, a ansiedade da avareza, a inveja, o ciúme, todas as paixões, em uma palavra, são torturas da alma.
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    20 A inveja eo ciúme! Felizes aqueles que não conhecem esses dois vermes roedores! Com a inveja e o ciúme, não há calma nem repouso possível para aquele que está atacado desse mal: os objetos de sua cobiça, de seu ódio, de seu despeito, se levantam diante dele como fantasmas que não lhe dão nenhuma trégua e o perseguem até no sono. Os invejosos e os ciumentos estão num estado de febre contínua. Portanto, está aí uma situação desejável e não compreendeis que, com suas paixões, o homem criou para si suplícios voluntários, e a Terra torna-se para ele um verdadeiro inferno? Allan Kardec: Várias expressões pintam energicamente os efeitos de certas paixões; diz-se: estar inchado de orgulho, morrer de inveja, secar de ciúme ou de despeito, perder com isso a bebida e o alimento, etc. Esse quadro não é senão muito verdadeiro. Algumas vezes mesmo o ciúme não tem objetivo determinado. Há pessoas ciumentas por natureza, de tudo que se eleva, de tudo que escapa à linha vulgar, nesse caso, mesmo que não tenham nisso nenhum interesse direto, mas unicamente porque elas não o podem alcançar. Tudo o que parece acima do horizonte as ofusca, e se são a maioria na sociedade, elas querem tudo reconduzir ao seu nível. É o ciúme somado à mediocridade. Frequentemente, o homem não é infeliz senão pela importância que liga às coisas deste mundo. É a vaidade, a ambição e a cobiça frustradas que fazem sua infelicidade. Se ele se coloca acima do círculo estreito da vida material, se eleva seus pensamentos até o infinito, que é a sua destinação, as vicissitudes da Humanidade lhe parecem, então, mesquinhas e pueris, como as tristezas de uma criança que se aflige com a perda de um brinquedo que representava a sua felicidade suprema. Aquele que não vê felicidade senão na satisfação do orgulho e dos apetites grosseiros, é infeliz quando não os pode satisfazer, ao passo que aquele que nada pede ao supérfluo é feliz com o que os outros olham como calamidades. Falamos do homem civilizado, porque o selvagem, tendo suas necessidades mais limitadas, não tem os mesmos objetos de cobiça e de angústias: sua maneira de ver as coisas é diferente. No estado de civilização, o homem raciocina sua infelicidade e a analisa e, por isso, é por ela mais afetado. Mas pode, também, raciocinar e analisar os meios de consolação. Essa consolação, ele a possui no sentimento cristão que lhe dá a esperança de um futuro melhor, e no Espiritismo que lhe dá a certeza desse futuro. Comentários:
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    21 Nós convivemos diariamentecom a inveja, com o ciúme, com a cobiça, com o orgulho. A questão nos mostra claramente que o homem civilizado a partir do momento que cria para si mais necessidade, se vê torturado por todos esses desejos inferiores. Nos vemos a todo momento frustrados porque não temos determinadas coisas ambicionadas, com ciúme, inveja do nosso próximo porque tem e gostaríamos também de ter, estar com alguém que gostaríamos de estar, ter uma condição financeira que o outro tem, enfim, algo que gostaríamos de ter e não será possível nessa existência. Aqui na vida material precisamos lembrar que estamos junto às pessoas, no meio, no lugar, na profissão que nós precisamos para crescermos e evoluirmos. Não existe a situação de que somos deserdados da justiça divina, que Deus não olha, não nos ajuda, que não trabalha em nosso benefício. Na verdade, Deus é nosso Pai, trabalha em benefício de todos nós. Nós é que temos que compreender que em cada reencarnação estamos em uma condição necessária para o nosso crescimento. Não podemos e não devemos viver almejando o que outro tem. Podemos trabalhar, nos esforçar para crescer, mas não podemos deixar que a inveja, o ciúme e todos esses sentimentos inferiores destruam a minha vontade de viver, de crescer, de ser uma pessoa melhor, pois de outra forma, a vida se torna uma tortura, perdendo a oportunidade sagrada da reencarnação. Os sofrimentos no mundo devastam os homens, trazendo-Ihes padecimentos de todas as ordens que se possa imaginar, sofrimentos materiais e morais. De certa forma, não se pode deter esses sofrimentos, por serem processos de despertamento espiritual, no entanto, compreender que são eles da nossa culpa é bem melhor para que possamos nos esforçar para nos livrarmos deles. Estamos falando de dois apenas, que são o ciúme e a inveja. São realmente dois vermes roedores da alma, senão do próprio corpo físico. Como combater essas duas enfermidades, livrar-se delas? Qual o ser humano, e mesmo o espiritual, que não sentiu ou sente ciúme ou inveja? Todos, embora haja os que já se livraram deles. Os que ainda não sentiram essas duas doenças, talvez se encontrem na fila para sentir suas torturas. Elas, por seu caráter inferior, trazem lições dolorosas para a alma na sua sequência de vida. Como encarnados, e por vezes fora da carne, todos sentirão esse estado negativo do Espírito, por não terem ainda conhecido a verdade. Somente os Espíritos livres das paixões humanas são limpos dos resíduos de todas as inferioridades. Certamente que devemos combater todos os tipos de inferioridade nos caminhos que percorremos, para que no amanhã, possamos dizer: "conheci a verdade e ela me tornou livre das peias da ignorância." (Miramez)
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    22 INVEJA A inveja éum processo doloroso e perturbador a nível psicológico. As virtudes, êxitos e felicidade dos outros são para o invejoso uma força que ameaça o seu equilíbrio emocional, enfraquecendo terrivelmente o seu amor-próprio e a confiança. Sente-se irredutivelmente inferiorizado perante a vida, recalcando sucessivos fracassos e frustrações. Tal como uma criatura ferida, reage por instinto, destilando o veneno da maledicência e do desprezo, que usa para esconder a raiva que sente, a insegurança em que vive e a inferioridade que o martiriza. Invejar não é apenas desejar para si o que o outro tem ou é, a isso chamamos cobiça. Além de cobiçar, quem inveja pretende sobretudo que o outro não tenha ou não seja. A grande tragédia do invejoso é interiorizar que a sua felicidade não depende de si próprio mas sim da infelicidade dos outros. Apegos, medos e especialmente a insegurança pessoal, aliados ao egoísmo são seus geradores. CARACTERÍSTICAS MAIS COMUNS DA INVEJA: a) Desejo manifestado dentro de nós de possuir algo que vemos em alguém ou na propriedade de alguém; - Quando a pessoa não sossega enquanto não consegue algo que alguém tem, como um bom emprego, carro, cônjuge, etc. b) Crítica a alguém que pouco faz e muito possui, comparando sua posição com os sacrifícios que a vida nos apresenta; - Quanto externamos críticas incessantes ou constantes alfinetadas; - Quando não conseguimos ver nada para elogiar ou valorizar em outra pessoa, mas só encontra dúvidas, equívocos ou encontra alguma razão para duvidar da outra pessoa ou derrubá-la. “Estava bom, mas...” c) Estados de depressão, causando tristeza, sofrimento, inconformação e revolta com a própria sorte; - Sentimento de ressentimento quando alguém está à frente. d) Sentimento penetrante e corrosivo que emitimos quando assim olhamos para outrem, nos deixando entregues a ódios infundados por deterem o que ambicionamos. - Pessoas que vivem praguejando os outros. GERALMENTE INVEJAMOS: • Um bom carro
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    23 • Um corpoespetacular • Uma casa maravilhosa • Uma saúde de ferro • Um cargo hierárquico • Um bom marido, uma boa esposa • O carisma de um amigo, etc. A inveja pode se originar naquilo que pensamos que não temos e precisamos obter para sermos felizes e em uma autoestima pobre e machucada que sente que, se tivesse o que outro conseguiu, aí sim seria feliz. Invejar é desejar o que o outro tem. PESSOA INVEJOSA • Vive de aparência; • Gasta até o que não tem para manter um padrão de vida acima de suas condições; • Busca impressionar os outros com a imagem de pessoa bem-sucedida; • Acaba pagando um preço muito alto por isso, tendo noites mal dormidas e sendo torturada pela sombra de suas dívidas; • Não olha a vida com otimismo; • Não reconhece as oportunidades que lhe são apresentadas como possibilidades de transformação. Pode-se encontrar este tipo de pessoa em todas as áreas, por exemplo, na religiosa, política, esportiva, profissional, entre outras. Quantas pessoas não desejam que o casamento do amigo acabe? Ou então, comemoram quando o colega perde o emprego? A pessoa que tem inveja passa energia negativa para o invejado e também para as pessoas que os cercam. Ele também é inseguro, supersensível, desconfiado, além de se passar por superior, quando na verdade, se sente inferior. A vibração que o invejoso emite é de tão forte envolvimento negativo, que, ao atingir alguém desprotegido e desprevenido, realmente pode provocar vários males. Portanto, cuidado com os nossos sentimentos de inveja que venhamos a emitir para quem quer que seja, lembrando sempre que colheremos para nós mesmos todo o mal que aos outros provocarmos. (Manual Prático do Espírita)
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    24 Devemos manter anossa sintonia no bem, controlando os pensamentos, sentimentos, atitudes e comportamentos. Para isso precisamos ter consciência; visando exercer o controle sobre nossos pensamentos, palavras e ações. Só depende de nós. - Uma pessoa que sente inveja pertinaz de alguém também é uma obsessora - O melhor a fazer é não se deixar contaminar pelo receio. - Não importa se alguém sente inveja de nós, o importante é que devemos cuidar é de nós mesmos, de nossos sentimentos e atitudes; o que os outros pensam ou sentem é problema deles. Mas quando sentir que está sendo vítima de inveja, pergunte a si mesmo se não é você que está descontente consigo mesmo e está procurando subterfúgios para seus fracassos. Isso é mais comum do que se pensa… Jesus nos deu um conselho simples e sucinto: “Orai e vigiai”. A serpente e o vaga-lume Conta a lenda que a serpente começou a perseguir um vaga-lume. Este fugia rápido, com medo da feroz predadora, mas a cobra nem pensava em desistir. Fugiu um dia, e ela não desistia; dois dias e nada… No terceiro dia, já sem forças, o vaga-lume disse à cobra: “Posso lhe fazer três perguntas”? “Não costumo dar este precedente para ninguém, mas já que vou devorá-lo, pode perguntar”, disse a serpente. “Faço parte de sua cadeia alimentar”? “Não”, respondeu a cobra. “Fiz-lhe algum mal”? “Não”, retrucou a serpente. “Então, por que quer acabar comigo?”, perguntou o desesperado vaga-lume. “Porque não suporto o seu brilho”. Que beleza não poderia ser a vida sem a dimensão da inveja, que desde tenra idade atormenta as pessoas, normalmente abastecida pelos adultos, porque precisam de que alguém seja melhor do que o outro. É muito difícil, mas muito difícil mesmo, não se tornar refém da inveja, que mina o espírito do ser humano, abalando amizades e comprometendo, quando não destruindo, o espírito de equipe. A qualquer momento, uma cobra pode cruzar nosso caminho. Esteja sempre alerta, pois o que não faltam são serpentes querendo nos atrapalhar. Mas, não tenha medo! Não fuja! Brilhe sempre, com muita intensidade!
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    25 CIÚME O espiritismo éinsistente em nos apontar o orgulho e o egoísmo como os geradores de todos os defeitos humanos. O ciúme não escapa a essa regra. Como sentimento egoísta, o ciúme procura roubar a liberdade do outro, tenta obrigá-lo a seguir por um caminho delimitado ou simplesmente aprisioná-lo. O ciúme é um exercício enlouquecido de poder, de dominação e de aprisionamento do outro. A pessoa ciumenta não sabe diferenciar imaginação e realidade, não sabe distinguir fantasia e certeza. Qualquer dúvida em sua cabeça logo se transforma em delírio. A vítima do ciumento se sujeita a ter seus pertences revistados em busca de vestígios que nem imagina do que seja. O ciumento tem ciúme do passado do outro, dos seus relacionamentos anteriores, e vive imaginando detalhes sobre fatos verdadeiros ou não. O que o ciumento quer é o controle total e absoluto dos sentimentos, da atenção e do comportamento em geral do outro. O outro passa por situações vexatórias e bizarras, isso quando não impera a violência. Quantos crimes passionais devem sua origem ao ciúme doentio? Quantos casos de mulheres que se sujeitam à violência doméstica por depender economicamente do parceiro? Existe o ciumento movido pelo egoísmo, que não tem só ciúmes de pessoas, mas de objetos também e de tudo que outras pessoas possam vir a ter também. E tem os ciumentos que só sentem isso por determinada pessoa, como se fosse uma obsessão, onde pra esta pessoa só existe uma coisa importante neste mundo, a pessoa que eles tanto amam. Reflexões: O ciúme refere-se simplesmente a casais? Ou pode ser estendido a relacionamentos outros, tipo: de amizade, profissional, de relacionamentos em geral? R: O ciúme por ser proveniente do espírito, pode sim ser extensivo a demais pessoas, não tendo como base apenas casais, mas sim duas ou mais pessoas ligadas num mesmo passado próximo. Ex: mãe e filho. O ciúme é realmente o tempero do Amor? Por que?
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    26 R: Erradamente foicriada esta afirmação, talvez seja o tempero da discórdia, das brigas, etc. Infelizmente as pessoas acham que quando demonstram ciúmes a pessoa amada fica feliz e se sente assim mais importante pro outro. É verdade que "Quanto mais amor, muito menos ciúme. Quanto mais amor, é possível até não existir o ciúme."? Por que? R: O amor quando é verdadeiro não há espaço para coisas pequenas como o ciúme, porque ele como sentimento nobre, nos envolve de certa forma que fica quase impossível vivê-los ao mesmo tempo. O ciúme é a falta ou o uso incorreto do amor. O ciúme pode ser uma obsessão? Por que? R: O ciumento é um obsessor, onde há a falta de controle e certas atitudes exclusivas para com determinadas pessoas. A obsessão pode estar por trás de um ataque de ciúmes, mas é preciso muitas coisas acontecerem antes para que um obsessor venha a nos incomodar e nos incentivar no ciúme. Lutar contra o ciúme é o caminho para evitar este tipo de assédio. CARACTERÍSTICAS DESTRUTIVAS DO CIUMENTO: • Ciumento queixoso – Aquele que implora, falando ou em silencio o amor que pensa não receber – usa da agressividade com pitadas de covardia, pois se esmera em ofender de forma dissimulada. Sente-se ofendido e frustrado e é capaz de interpretar um papel, com cena e tudo para demonstrar sua insatisfação. • Ciumento trombudo – Introvertido e desconfiado por natureza, demonstra grande imaturidade afetiva, ficando de tromba quando o companheiro não corresponde. Usa o silencio e a frieza para revidar quando não é correspondido – faz greves intermináveis. • Ciumento recriminante – com o dedo em riste este ciumento, meio maníaco e paranoico, explica minuciosamente os motivos de sua desconfiança. Sente-se prejudicado por não ser amado o suficiente. Acusa e faz vexame em público, usando de agressividade. Não aceita que o parceiro seja daquele jeito. • Ciumento autopunitivo – é o ciumento que se sente infeliz por amar. Inflige-se a própria tortura e desconfiança e se pune, afastando-se de quem gosta. Dispõe-se a desaparecer se for preciso. Deixa de comer e tenta o suicídio de maneira que não morra. Cria todas as facilidades para que o outro o traia, para dizer: “a culpa é sua”, criando armadilhas para o outro. • Ciumento vingativo/destruidor – esta é da época de Moises – “olho por olho, dente por dente “. Pensa: me traiu – me aguarde. Sente-se abandonado e restitui o sofrimento que se julga vítima, compete com o par e imagina represálias para punir a quem julga amar. A frase para este ciumento: “aqui jaz o cadáver do amor”.
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    27 Por que vamos,então, transformar nossa vida num verdadeiro inferno? Procuremos serenamente indagar o porquê dos nossos ciúmes. Com que sentido nos deixamos envolver por eles? Será por carência, ou por insegurança? Por apego ou desespero? Localizemos as causas do aparecimento desse fantasma que é o ciúme. Fantasma criado pela nossa imaginação, que pode estar mal-informada ou até deformada, e que precisa ser realimentada com a confiança, a fé, o otimismo, a esperança, a alegria, a dedicação e o desprendimento, para sermos felizes em profundidade, gerando felicidade e bem-estar em volta de nós. COBIÇA • É querer ter o que não tem. • Desejo de possuir aquilo que o outro tem, sem que isso lhe cause tristeza ou prejuízo. • É se preocupar em ter alguma coisa, muitas vezes tendo o outro como parâmetro. • Pode ser legítimo, quando não se prejudica ninguém. • Às vezes é o estímulo para buscar crescimento, melhoria da qualidade de vida. É positivo, desde que haja equilíbrio e não cause a infelicidade do outro. INVEJA • Não querer que o outro tenha. • Só é feliz com a infelicidade do outro. • O problema não é o que eu tenho, mas o outro. • Se preocupar com alguém que tem alguma coisa. • É um sentimento de descontentamento ou ressentimento com base no que outra pessoa tem. • É um forte desejo de ter as mesmas coisas que a outra pessoa possui. • A coisa desejada pode ser uma qualidade, uma posse, como bens, propriedade, emprego, salário ou um atributo que pertence a outra pessoa, especialmente a seus inimigos. A inveja é uma das causas mais poderosas da infelicidade e tem duas vertentes: • A inveja torna a pessoa infeliz. • A pessoa invejosa deseja que a outra pessoa seja igualmente infeliz.
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    28 CIÚME • É osentimento de posse. • Não querer perder, medo de perder algo que se tem ou que pelo menos acha que tem. • Medo de perder para uma terceira pessoa. • Pode ser real ou imaginário. É uma emoção de três partes: a pessoa A está preocupada com a perda da pessoa (ou coisa) B por causa da pessoa (ou coisa) C. O ciúme, assim como outros sentimentos como raiva, mágoa, inveja, desencadeia uma série de doenças. Essas doenças podem se manifestar já nesta encarnação ou acompanhar o Espírito imortal até uma próxima oportunidade na matéria para expurgar essas energias negativas, esse lixo mental e emocional. É importante que o ciumento e sua(s) vítima(s) se conscientizem da necessidade de ajuda. Pois, além da própria personalidade desajustada do ciumento, há interferência de Espíritos obsessores nessas situações. Mas de nada adianta tratamento desobsessivo ou ajuda profissional se não houver o propósito firme de uma reforma íntima urgente. Só com a vontade real de se ajudar, de colaborar consigo mesmo, pode ser efetivada uma melhoria significativa. Isso vale para o ciumento, como também para as pessoas, vitimadas pelo seu ciúme. Lembremos que ninguém é vítima por acaso. O acaso não existe. Tudo o que nós colhemos é o que um dia nós plantamos… https://www.chicoxavieramericana.com.br/ciumes-na-visao-espirita/
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    30 TEXTOS COMPLEMENTARES A Inveja Ainveja é a arma dos fracos. Matriz de inúmeros males, mentora de muitas desordens, alicerce de incontáveis desventuras. Discreta, incomodamente, tem sido deixada à margem pelos expositores das verdades evangélicas em todas as crenças. Sutil como é, passa despercebida, embora maliciosa, comparável a vapor deletério que intoxica todo aquele que lhe padece a presença, espalhando miasma em derredor. Hábil, consegue travestir-se de ciúme exacerbado, quando não o faz como arrogância vingadora ou aparenta na condição de humildade, sempre perniciosa, ou se disfarça como orgulho prepotente. A inveja, além dos males psíquicos que produz, em razão dos pensamentos negativos que dirige contra outrem, proporciona, simultaneamente, graves prejuízos morais àquele que dela se empesta. A inveja é capaz de caluniar, investindo contra uma vida com uma frase dúbia, na qual consegue infamar o mais puro caráter. Soez, transmuda palavras e infiltra doestos perniciosos; vê o que lhe apraz e realize conforme lhe parece lucrar. Consequentemente, o invejoso é um peso infeliz na comunidade humana, porque débil moral; adapta-se, amolda-se, é venenoso na bajulação e terrível na agressividade… A arma do invejoso é o ódio desenfreado, mortífero. Na impossibilidade de valorizar o trabalho que alguém faz, procura inspirar em muitos o despeito e a mágoa, a raiva e a imponderação, e palavra ácida e a acusação mordaz, a fim de realizar-me e afligir. As lições da convivência, todavia, muito ensinam. Desprendimentos de uns, simplicidade de outros, confiança de muitos e não obstante a deficiência que há em cada um, sempre menor do que as minhas imensas mazelas da inveja, é preciso aprender a respeitar, porquanto o invejoso não considera ninguém, padecendo despeito de todos, a todos apedrejando, maldizendo… O exercício é para querer estimar, conseguir amizade e plantar no coração o que muitos chamam amor, mas que ao ególatra constitui um fardo pesado, tenebroso, difícil de carregar. Sim, o espírito invejoso odeia, persegue, porque, tendo ciúme da felicidade alheia, corrói-se pela inveja da felicidade dos demais. Os que apresentam recalques entre os homens, os que cultivam complexos de inferioridade, no fundo são Espíritos invejosos, malévolos, insidiosos,
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    31 infelizes, pois somentequem é desventurado se compraz na desventura alheia… Por isso o exercício é treinar a largueza da generosidade, a difusão da gentileza, a ampliação dos horizontes imensos da caridade, porque as mãos que esparzem rosas sempre ficam impregnadas de perfume… Como é ditoso oferecer-se rosas, muito melhor seria tirar-lhes, também, os espinhos, como os cardos do caminho por onde transitam incautos pés. Nota do autor: adaptado do texto A INVEJA, constante do livro Depoimentos Vivos, de Divaldo Pereira Franco, Ed. LEAL, com transcrições parciais. A Inveja A inveja é considerada um dos grandes males da sociedade, a psicologia a considerada como um câncer da humanidade já que ela desestrutura os campos: emocional e físico, e ainda, ela impede o desenvolvimento de outros sentimentos que estão ligados a ordem superior. Muitos historiadores definem a inveja como um sentimento inferior de desejo, que é atribuída ao egocentrismo, soberba e cobiça. Pode-se encontrar este tipo de pessoa em todas as áreas, por exemplo, na religiosa, política, esportiva, profissional, entre outras. Quantas pessoas não desejam que o casamento do amigo acabe? Ou então, comemoram quando o colega perde o emprego? A pessoa que tem inveja passa energia negativa para o invejado e também para as pessoas que os cercam. Ele também é inseguro, supersensível, desconfiado, além de se passar por superior, quando na verdade, se sente inferior. Outra característica do invejoso é a questão da cópia, do desejo de ter aquilo que o outro tem, por exemplo, um bom relacionamento, emprego. Fontes: O Clarim | Espiritismo, Prece de Luz O Ciúme Você conhece alguma pessoa ciumenta? Não me refiro ao ciúme comum, aquele que dizem que é o tempero do amor. Falo do ciúme doentio, que foge dos limites do aceitável. O espírito imortal traz consigo, ao reencarnar, suas características adquiridas no curso de muitas vidas. Essas características desabrocham logo na infância na forma de tendências. Se a educação e o acompanhamento familiar não souberem detectar e modificar essas tendências desde cedo, essas características se desenvolverão livremente.
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    32 O espírito imortalmantém um padrão comportamental que lhe acompanha a bagagem milenar. Fruto da sua lenta e gradativa evolução. A sua maneira de pensar e de sentir, o seu modo de ação e reação você traz de outras existências. A formação da sua personalidade, na infância, apenas utilizou o seu material espiritual. O espiritismo é insistente em nos apontar o orgulho e o egoísmo como os geradores de todos os defeitos humanos. O ciúme não escapa a essa regra. Como sentimento egoísta, o ciúme procura roubar a liberdade do outro, tenta obrigá-lo a seguir por um caminho delimitado ou simplesmente aprisioná-lo. O ciúme é um exercício enlouquecido de poder, de dominação e de aprisionamento do outro. A pessoa ciumenta não sabe diferenciar imaginação e realidade, não sabe distinguir fantasia e certeza. Qualquer dúvida em sua cabeça logo se transforma em delírio. A vítima do ciumento se sujeita a ter seus pertences revistados em busca de vestígios que nem imagina do que seja. O ciumento tem ciúme do passado do outro, dos seus relacionamentos anteriores, e vive imaginando detalhes sobre fatos verdadeiros ou não. O que o ciumento quer é o controle total e absoluto dos sentimentos, da atenção e do comportamento em geral do outro. O outro passa por situações vexatórias e bizarras, isso quando não impera a violência. Quantos crimes passionais devem sua origem ao ciúme doentio? Quantos casos de mulheres que se sujeitam à violência doméstica por depender emocionalmente ou economicamente do parceiro? Ciúme não é amor. Pode estar relacionado a amor, mas a um amor que está doente. É um sentimento profundamente egoísta que envolve um medo insuportável de perder o parceiro para outra pessoa. Mesmo que essa pessoa só exista na imaginação do ciumento. O ciumento é alguém com a autoestima baixíssima, que não confia em si e nos seus sentimentos. Julga o outro pelos seus pensamentos mórbidos. O ciúme, assim como outros sentimentos como raiva, mágoa, inveja, desencadeia uma série de doenças. Essas doenças podem se manifestar já nesta encarnação ou acompanhar o espírito imortal até uma próxima oportunidade na matéria para expurgar essas energias negativas, esse lixo mental e emocional. É importante que o ciumento e sua vítima se conscientizem da necessidade de ajuda. Parece claro que, além da própria personalidade desajustada do ciumento, há interferência de espíritos obsessores nessas situações. Mas de nada adianta tratamento desobsessivo ou ajuda profissional se não houver o propósito firme de uma reforma íntima urgente. Só com a vontade real de se ajudar, de colaborar consigo mesmo, pode ser efetivada uma melhoria significativa. Isso vale para o ciumento e também para o seu parceiro, que é vitimado pelo seu ciúme. Nunca é demais lembrar que ninguém é vítima por
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    33 acaso. O acasonão existe. Tudo o que nós colhemos é o que um dia nós plantamos… Amor fotografia por Yanalya – Freepik.com O Ciúme Você é ciumento? Você sente ciúmes de seus amigos, colegas de trabalho, familiares? Qual a visão espírita do ciúme? Antes de abordarmos a visão espírita do ciúme vamos relembrar que o amor está relacionado à afinidade, a querer o próximo bem, etc. Já o ciúme é possessão, é o chamado: “quero para mim, isto é meu”. Ciúme não é amor. Ciúme é posse! É querer que o outro faça exatamente aquilo que você deseja, é fazer o outro se isolar. O ciumento nunca relaxa. Por exemplo, quando o outro não atende uma ligação ou não responde uma mensagem, o ciumento já pensa que está sendo traído, que a pessoa não quer lhe responder, etc. Portanto, o ciúme é sim um inferno na Terra. O ciúme é um excesso. Não de amor, mas sim, excesso de vaidade, de orgulho, de egoísmo. O amor não carrega consigo nenhum sentimento ou atitude que leva às más paixões. Como o ciúme pode ser vencido? A partir do momento, em que aprendermos a domar as nossas paixões. A entendermos que o amor não é exclusivo. “Você não ama uma única pessoa, você ama várias. E conforme desenvolve o amor, vai amando mais e várias pessoas. O amor é um só. A forma como a gente dirige hoje é diferente, porém, chegará o momento em que não será. Vamos amar de forma igual, com a mesma intensidade todo mundo. Para finalizar, não podemos nos deixar levar por paixões desenfreadas que prejudicam tanto a nós mesmos como os outros.
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    34 1.2 – Perdade pessoas amadas 934 – A perda de pessoas que nos são queridas não constitui para nós legítima causa de dor, tanto mais legítima quanto é irreparável e independente de nossa vontade? Essa causa de dor atinge tanto o rico quanto o pobre: é uma prova ou expiação, e a lei comum. Mas é uma consolação poder comunicar-vos com vossos amigos pelos meios que tendes, esperando que, para isso, tenhais outros mais diretos e mais acessíveis aos vossos sentidos. Comentários: A dor da perda dos nossos entes queridos é legítima. Apesar de sabermos que é uma separação temporária, que eles continuam vivos, que continuam com sua individualidade na erraticidade, ainda assim é legítima essa dor. É uma separação temporária no aspecto físico, pois sabemos que mesmo estando desencarnados nós podemos manter contatos e muitas vezes continuamos unidos pelo pensamento, pelas atitudes no bem, pelos trabalhos que podemos realizar. Temos a consolação em podermos nos comunicar com os nossos amigos pelos meios que nos estão ao alcance:  Pelo pensamento;  Quando estamos em desdobramento, através do sono; vivemos parcialmente a vida no plano espiritual e assim temos condições de encontrar nossos amigos e familiares queridos, conversar, trocar informações e trabalhar juntos;  Através da mediunidade, que permite uma comunicação mais ostensiva e mais direta. Porém, ainda não é uma atividade à disposição de todos e a qualquer momento. Mas quando estivermos mais depurados e evoluídos todos nós teremos essa condição. Todos nós seremos médiuns ostensivos. Teremos condições e possibilidades de manter esse intercâmbio natural e espontâneo com o plano espiritual. Esse entendimento facilita muito a nossa vida aqui na Terra. LIVRO QUARTO: Esperanças e Consolações Capítulo I: Penas e gozos Terrestres
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    35 935 – Quepensar da opinião das pessoas que olham as comunicações de além-túmulo como uma profanação? Não pode haver nisso profanação quando há recolhimento, e quando a evocação é feita com respeito e decoro. O que o prova, é que os Espíritos que se vos afeiçoam vêm com prazer e são felizes com vossa lembrança e por conversarem convosco. Haveria profanação em fazê-lo com leviandade. Allan Kardec: A possibilidade de entrar em comunicação com os Espíritos é uma bem doce consolação, visto que ela nos proporciona o meio de conversar com nossos parentes e nossos amigos que deixaram a Terra antes de nós. Pela evocação, os aproximamos de nós, eles estão ao nosso lado, nos ouvem e nos respondem; não há, por assim dizer, mais separação entre eles e nós. Eles nos ajudam com seus conselhos, nos testemunham sua afeição e o contentamento que experimentam com nossa lembrança. É para nós uma satisfação sabê-los felizes, aprender por eles mesmos os detalhes de sua nova existência e adquirir a certeza de, por nossa vez, a eles nos reunir. Comentários: Profanação: desrespeito ou violação do que é santo, sagrado; atitude irreverente contra pessoa ou coisa que merece respeito; afronta, insulto, irreverência A comunicação com o plano espiritual é algo natural, importante e sempre ocorreu, com maior incidência no futuro. Não há profanação na comunicação com além-túmulo. A doutrina espírita vem exatamente nos mostrar isso. A proibição efetuada por Moisés foi porque as pessoas se comunicavam com o plano espiritual de forma negativa, com fins comerciais, de curiosidade, de satisfação dos seus interesses mesquinhos. Não havia um objetivo nobre, um fim útil. As pessoas não buscavam a comunicação com os Espíritos para amparo, para auxílio, para saber como estavam seus familiares desencarnados. Estavam sempre movidos pelo interesse pessoal e egoísta. Nesse caso, de forma leviana, há profanação. A doutrina espírita nos deixa esse entendimento muito claro. Ela condena justamente o que Moisés proibiu. A comunicação com o plano espiritual tem que ser sempre com fins nobres, com fins positivos para auxiliar, para amparar tanto encarnados quanto desencarnados. Tudo está na intenção. Deus avalia muito mais a intenção do que os fatos.
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    36 936 – Comoa dores inconsoláveis dos sobreviventes afetam os Espíritos a que se dirigem? O Espírito é sensível à lembrança e aos lamentos daqueles que amou, mas uma dor incessante e irracional o afeta penosamente, porque ele vê nessa dor excessiva uma falta de fé no futuro e de confiança em Deus e, por conseguinte, um obstáculo ao progresso e, talvez, ao reencontro. Allan Kardec: O Espírito, estando mais feliz que sobre a Terra, lamentar-lhe a vida é lamentar que ele seja feliz. Dois amigos são prisioneiros e encerrados no mesmo cárcere; ambos devem ter um dia sua liberdade, mas um deles a obtém antes do outro. Seria caridoso, àquele que fica, estar descontente de que seu amigo seja libertado antes dele? Não haveria mais egoísmo que afeição de sua parte, em querer que partilhasse seu cativeiro e seus sofrimentos tanto tempo quanto ele? Ocorre o mesmo com dois seres que se amam sobre a Terra: aquele que parte primeiro, está livre primeiro, e devemos felicitá-lo por isso, esperando com paciência o momento em que o estaremos por nossa vez. Faremos, sobre esse assunto, uma outra comparação. Tendes um amigo que, perto de vós, está numa situação muito penosa; sua saúde ou seu interesse exige que ele vá para um outro país, onde estará melhor sob todos os aspectos. Ele não estará mais perto de vós, momentaneamente, mas estareis sempre em correspondência com ele: a separação não será senão material. Estaríeis descontentes com seu afastamento, visto que é para seu bem? A Doutrina Espírita, pelas provas patentes que dá da vida futura, da presença em torno de nós, daqueles que amamos, da continuidade da sua afeição e da sua solicitude, pelas relações que nos faculta manter com eles, nos oferece uma suprema consolação numa das causas mais legítimas de dor. Com o Espiritismo, não há mais solidão, mais abandono, porquanto o homem mais isolado, tem sempre amigos perto de si, com os quais pode conversar. Suportamos impacientemente as tribulações da vida e elas nos parecem tão intoleráveis que não compreendemos que as possamos suportar. Todavia, se as suportarmos com coragem, se houvermos imposto silêncio às nossas murmurações, nós nos felicitaremos quando estivermos fora dessa prisão terrestre, como o paciente que sofre se felicita, quando está curado, de se ter resignado a um tratamento doloroso.
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    37 Comentários: Quando conhecemos adoutrina espírita a nossa visão de mundo se modifica. Embora sintamos a saudade e a dor dessa separação temporária nossos corações ficam mais serenos, pois sabemos que os laços de amor continuam e nós iremos voltar a ver os nossos familiares queridos. Uma dor incessante, desarrazoada toca o Espírito desencarnado de forma penosa, pois representa falta de fé no futuro e confiança em Deus, além de ser um obstáculo ao adiantamento dos que choram. Dificulta o nosso adiantamento aqui na Terra porque ficamos nesse estado de desequilíbrio, de resignação. Isso é um obstáculo para o nosso adiantamento e muitas vezes dificulta o nosso encontro com os nossos entes amados que partiram primeiro. Quanto mais aceitação e entendimento, mais rapidamente estaremos juntos, por exemplo, através de uma reunião mediúnica, de uma mensagem mediúnica, pelo desdobramento através do sono. Se queremos ter contato com os nossos entes amados, seja através dos sonhos, seja através de mensagens mediúnicas precisamos merecer, fazer a nossa parte.
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    38 1.3 – Decepção.Ingratidão. Afeições destruídas. 937 – As decepções que nos fazem experimentar a ingratidão e a fragilidade dos laços da amizade, não são também para o homem de coração uma fonte de amargura? Sim, mas já vos ensinamos a lastimar os ingratos e os amigos infiéis: eles serão mais infelizes que vós. A ingratidão é filha do egoísmo e o egoísta encontrará mais tarde corações insensíveis, como ele próprio o foi. Pensai em todos aqueles que fizeram mais bem do que vós, que valeram mais que vós, e que foram pagos pela ingratidão. Pensai que o próprio Jesus, em sua vida, foi zombado e desprezado, tratado de velhaco e impostor, e não vos espanteis que assim seja em relação a vós. Que o bem que houverdes feito seja a vossa recompensa nesse mundo, e não olheis o que dizem sobre ele os que o receberam. A ingratidão é uma prova para a vossa persistência em fazer o bem; ser-vos-á levada em conta e aqueles que vos desconheceram serão punidos por isso, tanto mais quanto maior houver sido a sua ingratidão. Comentários: Nós devemos fazer o bem, ajudar, amparar pela alegria de contribuir, de aliviar a dor do próximo, mas sem esperar retribuição, pois só Deus sabe o que se passa no íntimo do nosso coração e basta a Ele saber o bem que nós fazemos. Não precisamos fazer o bem esperando uma gratidão, um reconhecimento daqueles que são ajudados, pois quando nós almejamos essa gratidão é porque ainda desponta o nosso egoísmo querendo esse reconhecimento, havendo um pouco desse sentimento negativo que precisamos trabalhar. Nosso maior exemplo, Jesus. Ele esteve aqui, fez o bem indistintamente e não procurava gratidão, reconhecimento. Mesmo na cruz, injuriado, menosprezado, não se revoltou, não se sentiu em amarguras. Pediu perdão a Deus por nós em função do amor que Ele tem por nós. Seu amor pela humanidade é tão grande que naquele momento supremo de dor, de ingratidão de toda a humanidade Ele pediu ao Pai perdão por nós. Em nenhum momento Ele se ofendeu ou se sentiu magoado pela nossa conduta porque Ele conhecia a nossa imperfeição, a nossa condição espiritual ainda muito distantes do objetivo maior da vida que é a conquista do amor. Portanto, assim como Jesus agiu conosco e ainda age, nós também devemos agir com o próximo. Aqueles que nos tratam com ingratidão, que não sabem reconhecer as benesses recebidas, possamos lembrar que ainda estão a caminho das LIVRO QUARTO: Esperanças e Consolações Capítulo I: Penas e gozos Terrestres
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    39 verdades, do conhecimentoe que no momento certo vão amadurecer e vão lidar de outra maneira com os auxílios recebidos. A nós cabe continuar fazendo o bem, pois Deus tudo vê e cabe a Ele fazer a justiça para com aquele que foi grato, como para aquele que foi ingrato Assim mesmo Madre Teresa de Calcutá “Muitas vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas. Perdoe-as assim mesmo. Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de interesseiro. Seja gentil assim mesmo. Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros. Vença assim mesmo. Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo. Seja honesto e franco assim mesmo. O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra. Construa assim mesmo. Se você tem paz e é feliz, as pessoas podem sentir inveja. Seja feliz assim mesmo. O bem que você faz hoje, pode ser esquecido amanhã. Faça o bem assim mesmo. Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode não ser o bastante. Dê o melhor de você assim mesmo. Veja você que, no final das contas, é tudo entre você e Deus. Nunca foi entre você e os outros.”
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    40 938 – Asdecepções causadas pela ingratidão não são feitas para endurecer o coração e fechá-lo à sensibilidade? Isso seria um erro, porque o homem de coração, como dizes, está sempre feliz pelo bem que faz. Ele sabe que se o não lembrarem nesta vida, o farão em outra, e que o ingrato disso terá vergonha e remorsos. 938.a) Esse pensamento não impede seu coração de ser ulcerado; ora, isso não poderia originar-lhe a ideia de que seria mais feliz se fosse menos sensível? Sim, se prefere a felicidade do egoísta; é uma triste felicidade esta. Que ele saiba, portanto, que os amigos ingratos que o abandonam não são dignos de sua amizade e que se enganou sobre eles; desde então, não deve lamentar a sua perda. Mais tarde, encontrará os que saberão melhor compreendê-lo. Lamentai aqueles que têm para vós maus procedimentos que não merecestes, porque haverá para eles um triste retorno; mas não vos aflijais com isso: é o meio de vos colocardes acima deles. Allan Kardec: A Natureza deu ao homem a necessidade de amar e de ser amado. Um dos maiores prazeres que lhe seja concedido sobre a Terra é o de reencontrar corações que simpatizam com o seu, o que lhe dá as premissas de uma felicidade que lhe está reservada no mundo dos Espíritos perfeitos, onde tudo é amor e benevolência: é um prazer negado ao egoísta. Comentários: Quando a pessoa resolve fechar o seu coração, fechar a sensibilidade em decorrência das ingratidões recebidas acaba sendo uma atitude egoísta. Essa é uma situação em que nos propomos a fazer o bem se recebermos algo em troca como a gratidão ou o reconhecimento. Caso não recebamos, ao invés de continuarmos fazendo o bem e ficarmos felizes pelo bem que fizemos, acabamos nos tornando menos sensíveis e com isso mais egoístas. Isso é uma felicidade do egoísta, uma felicidade triste. Só somos felizes quando abrimos o nosso coração, quando amamos verdadeiramente, quando fazemos o bem pela alegria, pela satisfação de ajudar e de ser útil, mesmo que o outro não expresse esse reconhecimento. Se esses possíveis amigos, realmente fossem amigos, não iriam nos abandonar, não iriam deixar de ser gratos por aquilo que receberam. Se não foram gratos é porque não eram nossos verdadeiros amigos, portanto, não há motivos para lamentar por tê-los perdidos.
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    41 O mais importanteé sermos bons, é fazermos o bem. Jesus ajudou, amou, fez tanto bem e recebeu atitudes completamente diferentes daquelas que para conosco Ele agiu. Nós o colocamos na cruz e tiramos sua vida física. Ele nos perdoou, não se sentiu ofendido. Em nenhum momento Ele deixou que sua felicidade fosse abalada pela nossa conduta, pois Ele conhecia nossa condição de Espíritos ainda imperfeitos. A pessoa verdadeiramente boa sempre vai agir de forma positiva. Não vai fechar seu coração, a sensibilidade e o amor porque o outro não soube reconhecer o bem que recebeu, mas pelo contrário, continuará distribuindo o bem para que o amor possa um dia reinar na Terra e assim não haverá mais o orgulho, o egoísmo e a ingratidão, apenas o sentimento de alegria, de respeito e de união entre as criaturas. Não fique triste! Procure o conforto que o céu dá a todos aqueles que se conformam e aceitam as dores com resignação. Se aquela criatura que você ama acima de tudo, mais do que a você mesmo, foi ingrata com você, não fique triste: peça que o Pai a ajude e que ela se torne cada vez mais feliz… Entregue ao Pai Todo-Compreensivo aqueles a quem você ama, e ame-os você também. (Minutos de Sabedoria – 215 ou 219) ESE – XIII, 19 e XIV, 09 – pág 140-141 e 146-148.
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    42 1.4 – Uniõesantipáticas 939 – Visto que os Espíritos simpáticos são levados a unir-se, como se dá que, entre os Espíritos encarnados, a afeição não esteja, frequentemente, senão de um lado, e que o amor mais sincero seja recebido com indiferença e mesmo repulsa? Como, de outra parte, a afeição mais viva de dois seres pode mudar em antipatia e, algumas vezes, em ódio? Não compreendeis, pois, que é uma punição, mas que não é senão passageira. Aliás, quantos não há que creem amar perdidamente, porque não julgam senão sobre as aparências, e quando são obrigados a viver com as pessoas, não tardam a reconhecer que isso não é senão uma admiração material. Não basta estar enamorado de uma pessoa que vos agrada e a quem creiais de belas qualidades; é vivendo realmente com ela que podereis apreciá-la. Quantas também não há dessas uniões que, no início, parecem não dever jamais ser simpáticas, e quando um e outro se conhecem bem e se estudam bem, acabam por se amar com um amor terno e durável, porque repousa sobre a estima! É preciso não esquecer que é o Espírito que ama e não o corpo, e, quando a ilusão material se dissipa, o Espírito vê a realidade. Há duas espécies de afeições: a do corpo e a da alma e, frequentemente, se toma uma pela outra. A afeição da alma, quando pura e simpática, é durável; a do corpo é perecível. Eis porque, frequentemente, aqueles que creem se amar, com um amor eterno, se odeiam quando a ilusão termina. Comentários: Aqui compreendemos o porquê de muitas uniões aqui na Terra parecerem muito simpáticas no início, mas no decorrer da convivência surgem as dificuldades de relacionamento e muitas uniões findam havendo traços de mágoa, de ódio e de desafeto entre aquelas pessoas que antes pareciam se amar. A Espiritualidade nos esclarece que há dois tipos de afeição, a do corpo e a da alma. É importante observarmos o que de fato une as criaturas. - Estão juntos porque havia algo em comum. - Semelhante atrai semelhante. Não são os opostos, mas os iguais que se atraem. Será que naquela união há afeição verdadeira ou apenas encantamento material? LIVRO QUARTO: Esperanças e Consolações Capítulo I: Penas e gozos Terrestres
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    43 Será uma uniãodecorrente da matéria, do nosso apego, da nossa mente, do nosso coração ainda imperfeito que fazem com que nos aproximemos de determinadas pessoas, por carência e por tantos outros sentimentos que não a afeição real. Quando a afeição é essa do corpo que é movida pelo mundo material, pelos interesses materiais, não perdura. Quando o encanto acaba, não sobra mais nada, pois não havia a essência. Por outro lado, as afeições da alma, onde há pura e sincera simpatia, são duradouras e não finalizam, nem com a morte e nem com o desenvolvimento das uniões aqui no mundo material. Juntos ou separados deve haver respeito. No livro Estudando a Mediunidade, Martins Peralva destaca diferenças espirituais relevantes e classifica o casamento em cinco tipos: acidentais, provacionais, sacrificiais, afins (afinidade superior) e transcendentes. Vejamos cada um deles: Casamentos Acidentais – São aqueles decorrentes de um encontro de almas com pouca evolução, “almas inferiorizadas”, atraídas momentaneamente e sem identificação de ascendência espiritual. Podemos identificar este tipo de casamento entre pessoas que se encontram, mas não apresentam comprometimento espiritual anterior, não sendo tal união programada pela espiritualidade para acontecer na vida atual, decorrendo de imprevisto e eventualidade. Atualmente, este casamento ainda é muito comum. Podem até dar certo, pois é possível os cônjuges se adaptarem um ao outro, consolidando a união no tempo. Alguns dos fatores a ocasionar a ocorrência deste tipo de casamento são: a atração momentânea, onde predomina a sensualidade; os interesses pessoais e/ou financeiros, muito conhecido em todas as épocas da humanidade; fuga do lar, em decorrência de dificuldades domésticas; união imposta, como as decorrentes de gravidez fortuita, por exemplo; vaidade, com uma necessidade de casar para se sentir bem, para mostrar à sociedade; luxúria e todos os instintos inferiores ainda presentes na humanidade terrena. Casamentos Provacionais – Há um reencontro de Espíritos para reajustamento, condição indispensável à evolução de ambos. Por haverem contraído débitos cármicos mútuos, a Providência Divina utiliza- se da união conjugal para o necessário ressarcimento.
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    44 São os maisfrequentes em um mundo considerado de expiações e de provas, como a Terra, razão pela qual não raro verificam-se dificuldades de relacionamento entre os cônjuges, desarmonia, desconfiança e tantos outros conflitos morais, podendo mesmo, se não devidamente trabalhados, causar tragédias familiares. Este casamento decorre da misericórdia divina, a oportunizar o cumprimento da lei de causa e de efeito por meio de um convívio diário com aqueles corações compromissados, contribuindo para aflorar o perdão, o amor sincero, verdadeiro e fraternal nas lutas comuns da vida. Para a conquista dos objetivos almejados estes casamentos são planejados na espiritualidade, constam do plano reencarnatório. A espiritualidade superior trabalha para que os Espíritos possam se encontrar e se apaixonar, sendo “magnetizados e hipnotizados”, pode-se assim dizer, permitindo encantarem- se um pelo outro, sem a interferência e a lembrança das antipatias do passado. Sem a caridosa contribuição do plano superior, o antagonismo do pretérito, mesmo que de modo intuitivo, far-se-ia presente, não permitindo a atração entre os Espíritos e o casamento provacional. A Espiritualidade, portanto, une estes corações para modificarem, pelo convívio diário, a animosidade do passado em laços de fraternidade e de amor. Posteriormente ao casamento, o encantamento inicial vai se fragilizando ante as lembranças inconscientes do passado, as quais começam a aflorar e a desarmonizar o lar, dando início às dificuldades de relacionamento, tornando- se necessária a vivência do Evangelho, a boa vontade, a tolerância e a resignação para que a união prospere. Lembremos que quando as afinidades do sentimento não estão presentes, o casamento na Terra é tão somente um serviço redentor. O Espiritismo, pelo esclarecimento trazido, auxilia sobremaneira as uniões de caráter provacional, permitindo aos indivíduos encontrarem força espiritual para continuarem caminhando para o bem e para o regaste de suas faltas. Casamentos Sacrificiais – Quando o Pai consente num “reencontro de alma iluminada com alma inferiorizada”, com o objetivo de redimir aquela que se equivocou durante a caminhada, havendo assim a aproximação de almas espiritualmente opostas, uma mais esclarecida voluntariando-se para auxiliar a retardatária na ascensão espiritual, sendo por isso mesmo um sacrifício. Quando se ama não se consegue ser feliz se na retaguarda, em condição de sofrimento e dor, está o destinatário de nossa afeição. Nesta situação, a alma iluminada retorna com aquele coração amado para através do amor, do exemplo, da renúncia e da resignação, estimular-lhe a caminhada para Deus. Uma alma já se encontra iluminada pelas lutas redentoras, mas a outra ainda precisa da luz para deixar as trevas, sendo o evangelho o caminho a nos conduzir durante esta jornada evolutiva, sendo estimulante da harmonia e do amor fraternal.
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    45 Um exemplo destacategoria é o de Lívia com o senador Publio Lêntulus, transcrito no livro Há Dois Mil Anos. O senador, embora evoluído intelectualmente, era moralmente inferior à Lívia, devido ao seu orgulho. Casamentos Afins – São aquelas uniões decorrentes da lei da afinidade, quando Espíritos amigos reencontram-se para a consolidação de afetos. Verifica-se, aqui, a reunião de almas mais esclarecidas espiritualmente e que se afinam no amor, na amizade e na comunhão com as leis divinas, permitindo o casamento a consolidação dos laços de afeição. Na Terra, pela condição ainda muito imperfeita de seus habitantes, o número de casamentos afins é bem mais reduzido, mas não deixa de existir. Casamentos Transcendentes – bem mais raros se comparados com os afins, decorrem de “almas engrandecidas no bem e que se buscam para realizações imortais”. Podemos afirmar dar-se o reencontro desses Espíritos, no plano material, objetivando realizações em prol da humanidade, com uma finalidade superior, muito além dos nossos interesses pessoais e egoístas. Esses Espíritos, pela evolução já alcançada, buscam e trabalham pelo bem, trazem uma felicidade muito acima das paixões e vulgaridades terrena, decorrendo de amor puro e verdadeiro. Um exemplo de casamento transcendente é o do próprio Allan Kardec com Amélie-Gabrielle Boudet, que embora seu nome não seja citado na Codificação, sua participação e apoio na vida de Kardec foram fundamentais para o cumprimento de sua missão. Durante a nossa caminhada evolutiva natural será passarmos todos, em algum momento, pelos diversos tipos de casamento. Normalmente, fica-se bom tempo vivenciando os primeiros até haver merecimentos para se desfrutar, no plano material, de união construída com base na afinidade superior ou no amor transcendental. Nos casamentos transcendentais e afins, por serem estáveis e baseados no amor, não há divórcio ou mesmo relações extraconjugais, assim como por parte da alma iluminada da união sacrificial. Por fim, significa o casamento oportunidade sublime de reajuste e, em menor incidência, consolidação de laços de afinidade e de amor. https://www.conhecendooespiritismo.com.br/post/quais-os-tipo-de-casamento Muitas das uniões nessa vida aparentemente parecem ser uniões por afinidade, mas na verdade são essencialmente provacionais.
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    46 Há que secolocar em prática todos os dias o perdão, a tolerância, a compreensão, o respeito, o amor. Família – É a mais importante instituição, onde são gerados todos os climas de fraternidade, de educação, do verdadeiro amor. Garantia dos alicerces da civilização. 940 – A falta de simpatia entre os seres destinados a viver juntos, não é igualmente uma fonte de desgostos tanto mais amarga quanto envenena toda a existência? Muito amargas, com efeito. Mas é uma dessas infelicidades das quais, frequentemente, sois a primeira causa. Primeiro, são vossas leis que são erradas. Por que crês que Deus te constrange a ficar com aqueles que te descontentam? Aliás, nessas uniões, frequentemente, procurais mais a satisfação do vosso orgulho e da vossa ambição do que a felicidade de uma afeição mútua; suportareis, nesse caso, a consequência dos vossos preconceitos. 940.a) Mas, nesse caso, não há quase sempre uma vítima inocente? Sim, e é para ela uma dura expiação; mas a responsabilidade de sua infelicidade recairá sobre aqueles que lhe foram a causa. Se a luz da verdade penetrou sua alma, ela terá sua consolação em sua fé no futuro. De resto, à medida que os preconceitos se enfraquecerem, as causas de suas infelicidades íntimas desaparecerão também. Comentários: As leis dos homens, de alguma forma, impediam ou determinavam que as pessoas não poderiam se divorciar, em função de uma união em que não havia mais desejo de ambas as partes de continuarem, de uma simpatia, de um sentimento recíproco que fizesse com que aquelas pessoas ali desejassem permanecer. Em função das leis que existiam no mundo (e ainda existem em alguns países) as pessoas precisavam permanecer unidas mesmo nessas condições. Isso era fonte de dissabores, de insatisfação e infelicidade. Dissabores tanto mais amargos, quanto houvesse falta de simpatia entre os seres destinados a viver. Nesses casos, as uniões são bem mais difíceis e conflituosas. O divórcio não é contrário às leis divinas. Lei 6.515, de 26/12/1977. ESE – Capítulo XXII: Não separeis o que Deus juntou – pág. 204 a 206.
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    47 A doutrina Espíritanão está incentivando que as uniões sejam desfeitas e que cada um continue seguindo o seu caminho. Muitas uniões são provacionais, onde ainda não há uma simpatia real e verdadeira, mas os Espíritos vêm com aquele compromisso, com aquele desejo de juntos trabalharem as suas dificuldades e evoluírem. A doutrina nos esclarece que se aquela união não está mais trazendo as alegrias, não está mais proporcionando o crescimento espiritual que aquelas pessoas necessitam é melhor que cada um siga o seu caminho com respeito um pelo outro e que possam ser felizes. Todos nós viemos para cá com o mesmo objetivo: vivenciar o amor e transformar laços de ódio, de mágoa, de desunião, de desafeto em laços de fraternidade, respeito e amor. Nós podemos alcançar esse objetivo estando em determinada união ou estando separados, como amigos. Quantas uniões são desfeitas e se mantém o respeito, a amizade entre aqueles que um dia estiveram juntos. O fato de não estarem mais juntos não significa que eles não cumpriram o seu objetivo reencarnatório, pois estão saindo dessa existência como irmãos fraternos. Igualmente, há relações que permanecem juntos, mas com sentimentos de ódio entre os parceiros, estando junto na matéria, mas não em Espírito, não cumprindo o objetivo. As uniões precisam estarem pautadas no respeito e no sentimento de fraternidade que deve unir todas as criaturas
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    48 1.5 – Medoda morte 941 – O medo da morte é para muitas pessoas uma causa de perplexidade; de onde vem esse temor, visto que elas têm diante de si o futuro? É errado que tenham esse temor. Todavia, que queres tu! procuram persuadi- las em sua juventude de que há um inferno e um paraíso, mas que é mais certo que elas irão para o inferno porque lhe dizem que, o que está na Natureza, é um pecado mortal para a alma. Então, quando se tornam grandes, se têm um pouco de julgamento, não podem admitir isso, e se tornam ateias ou materialistas. É assim que as conduzem a crer que, fora da vida presente, não há mais nada. Quanto às que persistiram em suas crenças da infância, elas temem esse fogo eterno que as deve queimar, sem as destruir. A morte não inspira ao justo nenhum medo, porque com a fé ele tem a certeza do futuro; a esperança o faz esperar uma vida melhor, e a caridade, da qual praticou a lei, dá-lhe a certeza de que não reencontrará, no mundo em que vai entrar, nenhum ser do qual deva temer o olhar. (730). Allan Kardec: O homem carnal, mais ligado à vida corporal que à vida espiritual, tem, sobre a Terra, penas e gozos materiais; sua felicidade está na satisfação fugidia de todos os seus desejos. Sua alma, constantemente preocupada e afetada pelas vicissitudes da vida, permanece numa ansiedade e numa tortura perpétuas. A morte o assusta, porque ele duvida do seu futuro, e acredita que deixa sobre a Terra todas as suas afeições e todas as suas esperanças. O homem moral, que se eleva acima das necessidades fictícias criadas pelas paixões, tem, desde este mundo, prazeres desconhecidos ao homem material. A moderação dos seus desejos dá ao seu Espírito a calma e a serenidade. Feliz pelo bem que fez, não há para ele decepções, e as contrariedades deslizam sobre sua alma sem deixar aí impressão dolorosa. Comentários: Esse temor da morte decorre de várias fontes:  A educação que se tem quando criança quando os pais repassam a ideia de um paraíso e de um inferno ou fogo eterno, quando na verdade existem as regiões umbralinas para a permanência transitória do Espírito equivocado ou devedor. LIVRO QUARTO: Esperanças e Consolações Capítulo I: Penas e gozos Terrestres
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    49  A ideiaequivocada enquanto Espíritos imperfeitos de que quase tudo o que há no mundo material constitui pecado, daí surge aquela quase certeza de que tenhamos que ir para o inferno. Muitas pessoas que vivem com esse temor têm receio de estar no inferno, onde há esse fogo eterno que queima sem consumir. Poucos são aqueles que se consideram merecedores do idealizado paraíso, que não tem erros escabrosos e que vivenciam o bem em todas as suas atitudes.  Pessoas que não aceitam esse tipo de interpretação de que há um inferno e um paraíso, devido a sua própria intelectualidade repelem esse raciocínio quando adultas se tornam ateias ou materialistas e acabam achando que além da vida presente não há mais nada. Então esse receio, vem o medo diante daquilo que eventualmente vai acontecer ou vão encontrar após a morte.  Há também aqueles que sentem que não cumpriram totalmente os seus compromissos assumidos quando do preparo da reencarnação. Quanto mais ignorância existe acerca da mortalidade da alma e da vida após a morte, mais temor. Quando compreendemos que a vida continua, que somos seres eternos, não deixamos de ter nossa individualidade, nossa intelectualidade, de gostar e de amar as pessoas que amamos, nos traz um grande alento, alivia o temor da morte. O instinto de conservação também é lei natural e nos proporciona certo temor da morte exatamente para que procuremos estar aqui vivos biologicamente, pois temos um compromisso enquanto encarnados. Se não tivéssemos temor da morte, nós nos autodestruiríamos, através do suicídio de uma forma muito mais intensa. O temor da morte é freio para que possamos permanecer aqui fazendo o que devemos fazer. O temor da morte é um efeito da sabedoria da Providência e uma consequência do instinto de conservação. Por que os espíritas não temem a morte? (O Céu e o Inferno – Capítulo 2) 942 – Certas pessoas não acharão um pouco banais esses conselhos para ser feliz sobre a Terra? Não verão neles o que chamam lugares comuns, verdades repetidas? Não dirão elas que, em definitivo, o segredo para ser feliz é saber suportar sua infelicidade?
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    50 Há os quedirão isso, e muitos. Mas ocorre com eles o mesmo que com certos doentes a quem o médico prescreve a dieta: gostariam de ser curados sem remédios e continuando a se predispor às indigestões. Comentários: Nós estamos tendo a oportunidade de ouvir os conselhos da Espiritualidade, de aprender com a doutrina dos Espíritos como sermos mais felizes na Terra, conhecermos acerca da imortalidade da alma. Em nossa singela avaliação somos seres privilegiados, pois hoje temos acesso a informações e a verdades que no passado não tínhamos e que muitas pessoas ainda não têm. No entanto, cada um de nós lida com essas informações de uma maneira diferente.  Há aqueles que ouvem, mas não acreditam;  Há aqueles que não conseguem ainda compreender a profundidade dessas palavras, dessas ideias, dessas verdades e preferem negar, entender que isso não é o correto, não é verdadeiro e que é melhor cada um suportar as suas dificuldades, as suas dores porque é assim que tem que ser.  Parecem aqueles que o médico prescreve a dieta, indicando o medicamento correto para os seus males, mas querem se curar sem tomar o medicamento. Querem que a cura caia do Céu.  Há muitas pessoas que conhecem a doutrina, mas da mesma forma não querem fazer esforços, não querem se modificar, não querem fazer a parte que lhes cabe. Deus respeita o livre-arbítrio de cada um. Não podemos reclamar se a felicidade demorar a chegar e se as dores se fizerem mais vivas em nossas vidas, pois essa foi a escolha que fizemos. Cada um escolhe o caminho que quer seguir. Que possamos desde já escolhermos os caminhos do entendimento, do esclarecimento e, acima de tudo. Não é fácil ser espírita. O Espiritismo tem a visão mais aberta e aclarada, dando a cada um a responsabilidade da autorrenovação e da própria salvação. Então, Espiritismo não é para quem quer, mas para quem aguenta. A reforma íntima é o melhor caminho para sermos mais felizes. - É muito mais fácil perdoar que remoer as mágoas, os ressentimentos. É preciso ferir o nosso orgulho e, de preferência, eliminar do nosso íntimo. - É muito mais fácil se doar que se fechar no casulo do egoísmo.
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    51 Caminhos difíceis sempreencontraremos, pois a Terra é:  Um hospital – para corrigir os desajustes dos vícios do passado;  Uma prisão – nos proporciona a expiação dolorosa para os resgates dos débitos relacionados ao crime.  Uma escola – para compreender que a vida não é mero acidente biológico e nem uma jornada recreativa. Não estamos aqui a passeio para nos divertir, mas para aprender com as nossas experiências.  Oficina de trabalho para desenvolver atividades edificantes em favor da nossa própria renovação. Nem por isso deixamos de sentir o gostinho de uma felicidade relativa proporcional ao que o nosso planeta azul possa nos oferecer, depende muito da forma como encaramos as nossas vicissitudes e da nossa transformação.
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    52 1.6 – Desgostoda vida. Suicídio. É um tema muito delicado e complexo. Precisamos de boas vibrações no decorrer do estudo, das explanações e reflexões das questões a seguir, pois sabemos que no íntimo de muitos de nós já passamos por certos desgostos da vida e até pensamentos em romper com a vida física (o que não é tão raro haver esses pensamentos). Além disso, é possível que aqui entre os irmãos desencarnados há aqueles que no momento de fraqueza não conseguiram resistir a um convite perverso e saíram da vida física pelas vias do suicídio, mas que já sabem que Deus nunca desiste de nenhum de seus filhos. Como já sabemos, através da doutrina espírita, que não existe coincidência e nem acaso, com certeza, é pela vontade de Deus, por meio do auxílio da Espiritualidade Superior juntamente com os mentores desta Casa é que vamos tratar desse assunto justamente agora no mês de setembro de 2023. A campanha do “Setembro Amarelo” tem como objetivo trazer informações e conscientizar a sociedade para a prevenção do suicídio no Brasil. Como surgiu? Em setembro de 1994, nos Estados Unidos, o jovem de 17 anos Mike Emme cometeu suicídio. Ele tinha um Mustang amarelo e, no dia do seu velório, seus pais e amigos decidiram distribuir cartões amarrados em fitas amarelas com frases de apoio para pessoas que pudessem estar enfrentando problemas emocionais. Inspirado no caso Emme, o “Setembro Amarelo” foi adotado em 2015 no Brasil pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Importância da campanha Além de trazer esse tema à tona, as campanhas disponibilizam informações e opções de tratamento para o público, visando a reduzir o tabu que faz com que muitas pessoas evitem falar sobre suicídio e buscar ajuda. https://guiadoestudante.abril.com.br/atualidades/setembro-amarelo-como-surgiu-e-por-que-ele-e-tao-importante/ Suicídio: Ação pela qual alguém põe intencionalmente fim à própria vida física. É um ato exclusivamente humano e está presente em todas as culturas. Do ponto de vista da Doutrina Espírita, o suicídio é considerado um crime, e pode ser entendido não somente no ato voluntário que produz a morte instantânea, mas em tudo quanto se faça conscientemente para apressar a extinção das forças vitais, ou seja, abreviar o fim do corpo físico. LIVRO QUARTO: Esperanças e Consolações Capítulo I: Penas e gozos Terrestres
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    53 943 – Deonde vem o desgosto da vida que se apodera de certos indivíduos, sem motivos plausíveis? Efeito da ociosidade, da falta de fé e, frequentemente, da saciedade. Para aquele que exercita suas faculdades com um objetivo útil e segundo suas aptidões naturais, o trabalho não tem nada de árido e a vida se escoa mais rapidamente. Ele suporta as vicissitudes com tanto mais paciência e resignação, quanto age tendo em vista uma felicidade mais sólida e mais durável que o espera. Comentários: A Espiritualidade nos mostra três motivos importantes para o desgosto que muitas pessoas sentem pela vida: - Ociosidade – Faz com que não tenhamos a mente ocupada. Quando estamos trabalhando, quando estamos desempenhando uma atividade que nos agrada, que nos torna pessoas mais úteis, mais felizes, a nossa mente não se ocupa com esses pensamentos. Sabemos que algum pensamento, alguma lembrança, algum sentimento que não é bom está ao nosso lado, se formos trabalhar vamos mudar o foco do pensamento, elevando a nossa mente, tirando o nosso coração daquele pensamento negativo que nos angustia e faz com que tenhamos desgosto pela vida. Então as pessoas ociosas ficam com os pensamentos mais propensos a esse tipo de coisa. - Falta de fé – Quando nós temos fé e aqui falamos da fé raciocinada, a fé que compreende, que sabe das coisas, que faz com que acreditemos em Deus acima de tudo e saibamos que Ele é nosso Pai e que tudo está sob a orientação dele, nós não nos sentimos dessa forma, pois essa fé nos sustenta. - Saciedade – No sentido de não estarmos satisfeitos, saciados com aquilo que a vida nos dá. Quando nós buscamos a felicidade no mundo, estamos a todo momento só buscando e a vida nunca vai nos saciar, porque o mundo jamais tem a condição de alimentar a nossa fome, que não é material. É a fome do Espírito, da alma. A gente se sacia dessa vida material, mas ela não nos preenche. Precisamos estar sempre muito atentos para aquilo que estamos buscando para a forma como estamos nos sentindo. Ao utilizarmos as nossas faculdades com um fim útil, o trabalho não nos desgasta, pois estamos seguindo as nossas aptidões, seguindo aquilo que viemos fazer aqui na Terra. Nós planejamos, nos propusemos, mas precisamos estar atentos ao que nós estamos buscando. Fortalecer a fé. Muitas vezes estamos buscando aquilo que não nos ajuda na conquista da fé, do bem-estar e assim vamos nos sentir ociosos, sentir repletos desse mundo que não nos preenche advindo o desgosto pela vida.
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    54 944 – Ohomem tem o direito de dispor da sua própria vida? Não, só Deus tem esse direito. O suicídio voluntário é uma transgressão dessa lei. 944.a) O suicídio não é sempre voluntário? O louco que se mata não sabe o que faz. Comentários: Em momento algum temos o direito de dispor do nosso corpo físico. Temos o livre-arbítrio que muitas vezes o usamos para atentar contra nossa própria vida física. Esse ato não é agradável a Deus. É um ato que contraria as Leis de Deus. Contraria a Lei de Conservação que nos faz buscar sempre a preservação da nossa própria existência física. Portanto, quanto optamos por essa dita “solução”, que não é solução para problema algum. O homem não tem o direito de se dispor da sua vida. Só a Deus assiste esse direito. Toda vez que o ser humano busca o suicídio (de forma voluntária ou involuntária) está transgredindo a Lei de Deus. Quando não possui a clareza de ideias, do pensamento, da compreensão do ser, ele não pode ser responsabilizado da mesma forma, na mesma medida daquele que tem plena consciência do que faz. Portanto, muitos casos de suicídio onde há um processo obsessivo grave, aqueles Espíritos que estão influenciando, instigando a pessoa a cometer o suicídio também são responsabilizados por aquele ato e não apenas o Espírito suicida. Deus avalia quais Espíritos têm responsabilidades naquele ato, assim como a intensidade da participação. Todos somos responsabilizados na exata medida daquilo que tivermos contribuído para a realização daquela situação, daquele fato. Jamais busquemos o suicídio para a solução de qualquer problema. O suicídio nada resolve, ao contrário, só piora a situação, prejudicando a nossa vida e a nossa condição perante a justiça divina. O ser humano não tem o direito de dispor da sua vida física. Ele tenta destrui-la, no entanto, não consegue e ilude a si mesmo, pensando, por momentos de inquietação, em entrar na paz que supõe encontrar. Ninguém destrói o que o Criador planejou e fez. O melhor para
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    55 todas as criaturasé procurar obedecer aos propósitos da lei que nos rege a todos. (Miramez) Há muitos relatos acerca do suicídio na literatura espírita. 945 – Que pensar do suicídio que tem por causa o desgosto da vida? Insensatos! Por que não trabalhavam? A existência não lhes seria uma carga! Comentários: A Espiritualidade nos mostra a importância do trabalho para dar sentido à vida. Através do trabalho ocupamos o nosso tempo, ocupamos a nossa mente, trazemos saúde para o nosso organismo físico e mental. Encontramos as forças que necessitamos para seguir caminhando, lutando, crescendo. Através do trabalho vem o progresso. Quando nós, de alguma forma, desgostamos da vida é um reflexo das nossas buscas equivocadas, como:  Quando nos preocupamos muito com a vida material;  Quando nos preocupamos com a conquista que o mundo pode nos ofertar;  Quando buscamos os prazeres do mundo;  Quando acreditamos que após a morte do corpo físico não há nada; Tudo isso faz com que coloquemos toda a nossa atenção, toda a nossa energia na conquista das coisas materiais, na satisfação dos nossos interesses pessoais aqui na Terra. Sabemos que a Terra não é capaz de nos proporcionar a verdadeira felicidade. Ela nunca vai conseguir sanara a solidão, a fome da nossa alma, do nosso Espírito. Só através da conquista dos valores espirituais conseguiremos dar gosto à nossa vida. Precisamos refletir sobre o que leva muitas pessoas ao suicídio. Com certeza a razão maior e preponderante é o esquecimento dos valores espirituais, deixando em segundo plano ou não dando a importância devida. Para aquele que procura Jesus, jamais terá o desgosto da vida, a tristeza, a solidão, o sofrimento no fundo da alma, pois Jesus é e sempre será a melhor prevenção contra o suicídio, contra o aborto, contra as drogas, contra qualquer crime, contra tudo aquilo que nos traz dor e sofrimento.
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    56 946 – Quepensar do suicídio que tem por objetivo escapar às misérias e às decepções deste mundo? Pobres Espíritos que não têm a coragem de suportar as misérias da existência! Deus ajuda àqueles que sofrem, e não àqueles que não têm nem força nem coragem. As tribulações da vida são provas ou expiações; felizes aqueles que as suportam sem murmurar, porque serão recompensados! Infelizes, ao contrário, os que esperam sua salvação do que, em sua impiedade, chamam de acaso ou fortuna! O acaso ou a fortuna, para me servir de sua linguagem, podem, com efeito, lhes favorecer um instante, mas é para os fazer sentir mais tarde e mais cruelmente o vazio dessas palavras. 946.a) Os que conduziram um infeliz a esse ato de desespero, suportarão as consequências? Oh! Ai deles! Porque responderão por homicídio. Comentários: A Espiritualidade nos traz duas informações básicas para a nossa compreensão da temática. Primeiro: As dificuldades, as misérias, as decepções desse mundo existem para o nosso crescimento, como prova, como expiação exatamente para sermos testados e com isso crescermos. Até onde vai nossa paciência, compreensão, fé e resignação. Deus ajuda aos que sofrem, mas não aqueles que carecem de energia e de coragem. Temos que fazer a nossa parte. Todos nós somos amparados pelo nosso Pai, porque todos nós sofremos, mas precisamos atuar com coragem, com energia, com perseverança, resignação e fé. Diante das misérias da existência precisamos suportá-las e não as abandonar através do suicídio. As misérias deixarão de existir em nossa existência através da forma que lidarmos com elas, através da nossa luta e, não da nossa desistência. Uma hora saímos delas de forma digna, pois nada dura para sempre. Segundo: Todos aqueles que de alguma forma induz uma pessoa para esse ato responderão como assassino, como se tivessem realizado um assassinato, porque induziu e de alguma forma levou a pessoa a esse ato, tanto no mundo material, quanto no mundo espiritual.
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    57 Espíritos encarnados oudesencarnados que de alguma forma atuam no processo obsessivo ou induzindo a pessoa a isso vão responder por um assassinato. 947 – O homem que luta com a necessidade e que se deixa morrer de desespero, pode ser considerado um suicida? É um suicida, mas os que lhe são a causa ou que poderiam impedi-lo, são mais culpados que ele, e a indulgência o espera. Todavia, não creiais que esteja inteiramente absolvido se lhe faltou firmeza e perseverança, se não fez uso de toda a sua inteligência para se livrar do lamaçal. Ai dele, sobretudo, se seu desespero nasce do orgulho; quero dizer, se é desses homens em quem o orgulho paralisa os recursos da inteligência, que corariam de dever sua existência ao trabalho de suas mãos, e que preferem morrer de fome a derrogar aquilo que chamam sua posição social! Não há cem vezes mais de grandeza e de dignidade em lutar contra a adversidade que desafiar a crítica de um mundo fútil e egoísta, que não tem boa vontade senão para aqueles a quem nada falta, e vos volta as costas, desde que tendes necessidades dele? Sacrificar sua vida à consideração desse mundo é uma coisa estúpida, porque ele não a tem em nenhuma conta. Comentários: Aqui trata de uma forma de suicídio indireto – aquele em que a pessoa adota uma forma de viver que compromete a sua saúde fazendo com que viva menos tempo que o previsto para a sua existência. Quem se deixa morrer de fome é um suicida indireto que devido a sua forma de viver acabou comprometendo a saúde do seu organismo e por isso viveu menos, assim como, as pessoas que bebem, que usam entorpecentes, que colocam sua vida em risco participando de esportes altamente de risco e, numa dessas situações acaba por se desencarnar é também considerado um suicídio, pois de forma voluntária adotara uma forma de vida que colocou em risco a sua saúde. Nessas situações as pessoas que poderiam ter evitado tal fato e não o fizeram também são culpadas. Não contribuíram diretamente, foi por omissão. Muitas vezes, as pessoas ou por orgulho ou por acharem que estão renunciando a sua condição social não adotam medidas para evitar essa condição e acabam morrendo. Verifiquemos se não estamos no nosso dia a dia adotando medidas e condutas que coloque em risco a nossa saúde e, automaticamente, a nossa vida física.
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    58 Parece-nos real quetodas as criaturas praticam o suicídio lento. Mas, mesmo ainda no mundo da carne, passa-se a responder pelos seus desleixes, nas vestes, nos alimentos, na bebida, nos trabalhos, na violência, no falar em demasia ou em ficar calado demais. Nesta linha de raciocínio, pode-se incluir muitas outras mais. (Miramez) 948 – O suicídio que tem por objetivo escapar à vergonha de uma ação má é tão repreensível como o que é causado pelo desespero? O suicídio não apaga a falta, ao contrário, haverá duas em lugar de uma. Quando se teve a coragem de fazer o mal, é preciso ter a de suportar suas consequências. Deus julga, e segundo a causa, pode, algumas vezes, diminuir seus rigores. Comentários: Não devemos tratar todos os suicidas da mesma forma. Jesus nos ensinou que cada um é responsável pela sua conduta, segundo o entendimento, o conhecimento que cada um de nós tenha. As pessoas que têm mais conhecimento terão maior responsabilidade. O suicídio não apaga a falta. Os nossos erros perante a lei divina quando se comete o suicídio se mantém. Não devemos atentar contra nossa vida. Quem comete o suicídio sempre erra. Nós precisaremos sofrer as consequências das nossas atitudes, do nosso desrespeito à lei de conservação, mas só Deus que vai pontuar como isso se dará, de que maneira precisaremos passar por situações de provas e expiações para que possamos suprir essa falta para com a justiça divina. Não é fugir do erro, fugir da falta, mas ter coragem para enfrentar as consequências. Essa é uma atitude covarde. O covarde é aquele que foge dos seus compromissos. Devemos assumir as consequências dos nossos atos. Conforme o nosso livre-arbítrio se optamos por cometer determinado erro, agora é assumir a responsabilidade. Não vamos precipitar em julgar e condenar, pois julgaremos de forma equivocada. O suicídio verdadeiramente não apaga a falta cometida; ele abre novas fontes de sofrimento para a alma. é preciso saber que não podemos, de modo algum, infringir a lei natural, pois a vida tem regras e nos compete obedecê-las. Cada suicídio tem uma causa, e cada uma é julgada pelas intenções, no entanto, todas são corrigidas para que não venhamos mais a cair em outras tentações. A vida, já falamos em
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    59 outras vezes, temaspectos que somente mais tarde viremos a conhecer com mais profundidade. A verdade só pode ser dita com relatividade, o tanto quanto possamos suportar. Somos corro crianças, que somente podem ouvir as coisas de crianças; depois que se tornarem adultas, vão ouvir assuntos de adultos. Quando se tem a coragem de praticar o ato de tirar a vida, por que não se tem a mesma coragem de assumir as consequências de atitudes errôneas? Falamos a todos que queiram ouvir, que se apeguem à oração todos os dias e tenham fé, que essas duas forças, aliadas à caridade com Jesus, os livrarão de todas essas distorções das leis da vida e da conservação da vida. Outra falta não apaga a primeira; passando a haver duas complicando mais a situação do viajor. (Miramez) 949 – O suicídio é desculpável quando tem por objetivo impedir a vergonha de recair sobre os filhos ou a família? Aquele que age assim não faz bem, mas ele o crê, e Deus lho tem em conta, porque é uma expiação que ele próprio se impôs. Ele atenua sua falta pela intenção, mas com isso não deixa de cometer uma falta. De resto, aboli os abusos de vossa sociedade e vossos preconceitos, e não tereis mais desses suicídios. Allan Kardec: Aquele que tira a própria vida para fugir à vergonha de uma ação má, prova que se prende mais à estima dos homens que à de Deus, porque ele vai entrar na vida espiritual carregado de suas iniquidades e se tira os meios de as reparar durante a vida. Frequentemente, Deus é menos inexorável que os homens, perdoa o arrependimento sincero e nos considera a reparação; o suicídio não repara nada. Comentários: Deus não pune as faltas da mesma forma. É sempre misericordioso. Todos que eventualmente tenha cometido o suicídio foram envolvidos por uma ilusória razão diferente, movidos por uma causa diversa. Uns foram mais reflexivos, tiveram tempo para pensar, tiveram tempo para planejar tudo para o suicídio, outros se suicidaram num rompante, num momento de irreflexão, onde a emoção tomou conta, outros em decorrência de uma vergonha (que caísse sobre a família). Deus vai examinar cada uma das situações, avaliando a intenção, o que motivou cada um dos suicídios. Deus é misericordioso e justo. Deus avalia tudo que levou a prática daquele ato: o conhecimento, as vivências, as fraquezas.
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    60 A falta nãodeixa de existir, mas a intenção vai atenuar a falta. Deus é a inteligência capaz de exercer essa análise de forma plena, com perfeição. A nós é impossível, pois não temos nem o conhecimento, nem a onipotência, nem a perfeição de Deus. Para ficar bem perante o mundo, faço tudo, inclusive, me suicidar. Porém chego na erraticidade repleta de iniquidades e equívocos não tem problema, isso eu posso. Como os nossos valores são equivocados e invertidos. Com o tempo tudo isso vai acabar. 950 – Que pensar daquele que tira a própria vida na esperança de alcançar mais cedo uma vida melhor? Outra loucura! que ele faça o bem e estará mais seguro de alcançá-la; porque retarda sua entrada num mundo melhor, e ele mesmo pedirá para vir terminar essa vida que cortou por uma falsa ideia. Uma falta, qualquer que seja, não abre jamais o santuário dos eleitos. Comentários: Outra loucura no campo do suicídio, é planejar tirar a vida física para ingressar no reino do Espírito e ficar livre das tribulações, a que ora se encontra preso. Isto é desconhecer que todas as tribulações acompanham a alma onde quer que seja. Somente o que levamos, o que conosco atravessa os portais do túmulo, é o que somos. (Miramez) Se nós queremos uma vida melhor, uma vida mais feliz, com menos dores, com mais paz e harmonia não será tentando cortar caminhos que vamos conseguir. E ainda, de forma inadequada. A única forma de sermos mais felizes é praticando o Evangelho. É fazendo o bem, vivenciando a lei de caridade. A doutrina Espírita nos orienta que fora da caridade não há salvação. Precisamos mudar nosso jeito de ser, de pensar, de agir e de vibrar para que possamos ter direito às graças divinas. Se queremos chegar mais cedo a esse objetivo é fazendo o bem. Não é matando a minha própria vida física. Não é acabando com essa oportunidade que Deus nos deu de estarmos aqui na vida material, na Terra, aprendendo e evoluindo.
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    61 Aquele que tentaentrar em uma vida mais feliz através do suicídio, faz o contrário, pois vai retardar a sua chegada a um mundo mais feliz. “Uma falta seja ela qual for jamais abre o santuário dos eleitos”. Os eleitos têm direito às benesses do Pai porque caminham segundo a Lei de Deus. Queremos uma vida melhor, vivamos o Evangelho. 951 – O sacrifício de sua vida não é meritório, algumas vezes, quando tem por objetivo salvar a de outrem ou de ser útil aos seus semelhantes? Isso é sublime, conforme a intenção, e o sacrifício de sua vida não é um suicídio. Mas Deus se opõe a um sacrifício inútil e não pode vê-lo com prazer se é deslustrado pelo orgulho. Um sacrifício não é meritório senão pelo desinteresse e, aquele que o realiza tem, algumas vezes, uma segunda intenção, que lhe diminui o valor aos olhos de Deus. Allan Kardec: Todo sacrifício feito às custas de sua própria felicidade é um ato soberanamente meritório aos olhos de Deus, porque é a prática da lei de caridade. Ora, a vida sendo o bem terrestre ao qual o homem atribui maior valor, aquele que a renuncia para o bem de seus semelhantes, não comete um atentado: ele faz um sacrifício. Mas, antes de o cumprir, deve refletir se sua vida não pode ser mais útil que sua morte. Comentários: Aqui a Espiritualidade fala acerca da caridade pelo sacrifício. Nesse momento em que a pessoa renuncia sua própria vida pela vida de outro mostra que ele está sendo caridoso porque está renunciando a si mesmo em benefício do outro. Ex: a mãe, o pai em defesa do filho diante de um perigo eminente, como, afogamento, assalto, brigas, conflito familiar, etc. Está colocando a vida do outro, a felicidade do outro acima da sua própria vida. Esse é um ato de extrema caridade e não de egoísmo. Por isso não é considerado um suicídio. Ele não deu a própria vida querendo morrer. Não foi porque queria colocar fim a seus sofrimentos, mas para salvar a vida do outro, um objetivo construtivo e útil. Se viu na condição de doar a sua própria vida em benefício do outro. A intenção era poupar a vida do outro. Devemos sempre atentar para a intenção.
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    62 Os Espíritos deixamclaro que só o desinteresse real e verdadeiro torna meritório esse sacrifício. Aquele que faz com o pensamento oculto, com orgulho, para parecer o que de fato não é, para ser bem visto aos olhos da sociedade, há aí a vaidade, o orgulho. Tudo isso mancha o ato, pois mostra que não era com desinteresse. Mostra que não deseja apenas salvar a vida do outro, mas havia o interesse pessoal. Tudo isso é ponderado, analisado por Deus. Nós não temos a possibilidade de avaliar tais fatos, só Deus vai agir com perfeição. Ex: Livro: O Céu e o Inferno – O pai e o conscrito. 952 – O homem que perece vítima do abuso de paixões que ele sabe dever apressar seu fim, mas às quais ele não tem mais o poder de resistir, porque o hábito fez delas verdadeiras necessidades físicas, comete um suicídio? É um suicídio moral. Não compreendeis que o homem é duplamente culpado nesse caso? Há nele falta de coragem e animalidade, e além disso, o esquecimento de Deus. 952.a) É mais, ou menos culpado que aquele que tira a si mesmo a vida por desespero? É mais culpado, porque tem tempo de raciocinar sobre o seu suicídio. No que o faz instantaneamente há, algumas vezes, uma espécie de descaminho ligado à loucura. O outro será muito mais punido, porque as penas são sempre proporcionais à consciência que se tem das faltas cometidas. Comentários: A Espiritualidade reforça a questão do conhecimento, do entendimento, da intenção de cada um de nós no que se refere a qualquer ato cometido. A pessoa que perece através de suas paixões sabia que iria apressar seu fim, mas não se achava em condições de resistir, acaba por praticar o suicídio moral, sendo mais culpado que aquele tira sua vida num ato de desespero, pois este não teve tempo para refletir sobre os seus atos. Estava em um momento que gerara uma espécie de loucura, de desvairamento, que acaba diminuindo a sua lucidez, fato que não justifica o erro, mas a sua responsabilidade diante da justiça divina nessa situação pode ser aliviada.
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    63 Quanto ao outroteve tempo para pensar, refletir e mudar as suas condutas diárias para uma vida mais saudável, mais equilibrada, com menos agressividade física, psíquica e emocional. Caso contrário, ela é mais responsável perante à justiça divina do que aquele que cometeu o suicídio através de um ato impensado, no impulso da situação, do momento. São coisas diferentes, embora o suicídio tenha existido, são situações distintas e como tais Deus vai analisar e responsabilizar cada um na exata medida da sua responsabilidade para com a justiça divina. Formas de suicídio: Suicídio direto ou consciente: Ato deliberado executado pelo próprio indivíduo, cuja intenção seja a morte, de forma consciente e intencional, usando um meio que acredita ser letal. Suicídio indireto ou inconsciente: É quando aniquilamos lentamente nosso corpo físico. É um suicídio lento e silencioso, sendo este o que mais mata. São situações que causam o desgaste do nosso organismo transformando em enfermidades que abreviam a nossa vida física, antecipando o nosso desencarne, nos tornando suicidas inconscientes. Exemplos: Destruímos o corpo de fora para dentro:  Os vícios: a alimentação, o cigarro, a bebida alcoólica, o sexo desregrado;  Os calmantes: a busca da tranquilidade artificial – causa dependência e degenera o organismo;  Os alucinógenos: a busca da euforia ilusória através das drogas e bebidas alcoólicas;  Os hipocondríacos: de tanto imaginar doenças acabam ficando doentes;  Ausência de exercícios físicos;  Esportes radicais;  Ausência ou deficiência dos cuidados de higiene;  Trabalho em excesso e falta de repouso adequado;  Desrespeito às leis de trânsito Tudo isso reduz a resistência orgânica ao longo dos anos, abreviando a vida física. (Richard Simonetti)
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    64 Destruímos o corpode dentro para fora:  Cultivo de pensamentos negativos e ideias infelizes;  Sentimentos desequilibrados, envolvendo ciúme, inveja, pessimismo, raiva, ódio, rancor, revolta, etc.  A irritação (impaciência): causadora de vários distúrbios físicos e mental – problemas nos nervos, no sistema circulatório, entupimento de veias do coração;  Os melancólicos: adoecem porque a parte psicológica está em baixa;  Os maledicentes: se envenenam com o mal que julgam identificar nos outros;  Os rebeldes: os eternos inconformados com a vida e com tudo que os cercam;  Os apegados à família e aos bens terrenos: passam a vida preocupados em ter, em cuidar, em não perder, em não deixar ninguém lhe passar a perna; Alguns habituados a reagir com irritação e agressividade, sempre que contrariados que um dia “implodem” o coração em um infarte fulminante. Outros “afogam” o sistema imunológico num dilúvio de mágoas e ressentimentos, depressões e angústias favorecendo a evolução de tumores cancerígenos ou outros tipos de doenças, abreviando a vida física (Richard Simonetti) É necessário cuidarmos mais de nossos sentimentos e de nosso corpo físico, considerando sempre que ele nos foi emprestado por Deus, sendo nossa obrigação devolvermos em bom estado quando desencarnarmos. 953 – Quando uma pessoa vê diante de si uma morte inevitável e terrível, é ela culpada por abreviar de alguns instantes seus sofrimentos por uma morte voluntária? Sempre se é culpado por não esperar o termo fixado por Deus. Aliás, se está bem certo de que esse termo chegou, malgrado as aparências, e que não se pode receber um socorro inesperado no último momento? 953.a) Concebe-se que nas circunstâncias normais o suicídio seja repreensível, mas suponhamos o caso em que a morte é inevitável e em que a vida não é abreviada senão de alguns instantes? É sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Criador. 953.b) Quais são, nesse caso, as consequências dessa ação?
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    65 Uma expiação proporcionalà gravidade da falta, conforme as circunstâncias, como sempre. Comentários: Nessa questão podemos avaliar a eutanásia. Muitas pessoas questionam se a doutrina espírita é favorável ou contrária à abreviação da vida nessas situações? Seria lícito abreviar um pouco esse sofrimento? Ou não? A Espiritualidade foi muito clara. É falta de submissão, de resignação ao Criador e nós não temos condições plenas de dizer que chegou o término para aquele ser. Há situações que pode acontecer um socorro inesperado no último momento e que permita que aquela vida que estava aparentemente no fim não faleça e continue aqui no mundo material. Portanto, não devemos abreviar mesmo que por alguns instantes. Precisamos aguardar o termo que Deus nos determinou. Nesse período em que o Espírito já está, muitas vezes, em início de desligamento, mas ainda está encarnado é um momento importante para o Espírito, embora para o mundo material pareça que não está servindo de nada. Nesses momentos o Espírito inicia um processo de preparação para o desencarne. Ele vai dissipando, purgando as vibrações, os fluidos perniciosos que ainda tenha, de forma que ao concluir o desencarne ele esteja mais preparado para a sua chegada no plano espiritual. São momentos importantes para o Espírito. Então não devemos abreviar. Devemos deixar que Deus marque o momento que nós devemos retornar à Pátria Espiritual. Se de alguma forma anteciparmos o nosso desencarne, é uma falta perante a lei e vamos de alguma forma expiar, conforme a gravidade, as circunstâncias, o conhecimento. Tudo é ponderado por Deus. No caso da eutanásia, daquelas injeções em que a pessoa adormece. Sabemos os seus fluidos vitais ainda não estavam extintos e o Espírito fica preso até que esses fluidos se dissipem completamente. Em algumas situações mesmo após os fluidos vitais se dissiparem, o Espírito fica em estado de entorpecimento, desmemoriado devido ao medicamento que foi aplicado para levá-lo à morte Ex: Livro: Quem tem medo da morte? Tema – Solução infeliz Livro: Obreiros da Vida Eterna – Capítulo 18
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    66 954 – Umaimprudência que compromete a vida sem necessidade é repreensível? Não há culpabilidade quando não há intenção ou consciência positiva de fazer o mal. Comentários: O suicídio envolve uma atitude voluntária, um querer direto ou indireto de comprometer a vida. Quem diretamente se mata querendo morrer por alguma razão mostra que há um ato voluntário da pessoa nesse sentido. Mesmo quem compromete sua vida mediante um suicídio indireto, a partir do momento que adota voluntariamente atitudes, posturas, hábitos que comprometem a sua saúde, está de certa forma assumindo o risco, de forma voluntária, de morrer antes da hora, pois tais posturas podem ceifar a vida antes do tempo inicialmente previsto. Ex: Esportes radicais, trânsito, apostas, brincadeiras de mau gosto, roleta russa, etc. Nesta questão, a Espiritualidade esclarece que se não houver a intenção, não há culpabilidade. Indiferença às consequências do ato ou ingenuidade. Quando a pessoa ainda não tem a consciência da prática do mal ou quando não tem a intenção, não há culpabilidade. Precisamos estarmos sempre atentos quanto à intenção, a vontade que move cada um de nós. 955 – As mulheres que, em certos países, se queimam voluntariamente sobre o corpo de seu marido, podem ser consideradas suicidas, suportando as consequências? Elas obedecem a um preconceito e, frequentemente, mais à força que por sua própria vontade. Elas creem cumprir um dever, e esse não o caráter do suicídio. Sua desculpa está na nulidade moral da maioria, dentre eles, e na sua ignorância. Esses usos bárbaros e estúpidos desaparecem com a civilização. Comentários: Sati ou suttee (em devanágari: सती, o feminino de sat "verdadeiro") é um antigo costume entre algumas comunidades hindus, hoje em dia estritamente proibido pelas leis do Estado Indiano, que obrigava (no sentido honroso, moral e prestigioso) a esposa viúva devota a se sacrificar viva na fogueira da pira funerária de seu marido morto.
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    67 Por volta doséculo V, o sati, como é entendido hoje, era conhecido em grande parte do subcontinente indiano. Ele continuou a ocorrer, geralmente em uma frequência baixa e com variações regionais, até o início do século XIX. O sati era supostamente uma prática que deveria ser voluntária, mas sabe-se que muitas vezes foi forçado nas mulheres do subcontinente indiano. Apesar da proibição governamental, existem dezenas de relatos de ocorrências de satis nas últimas décadas. A erradicação de uma prática cultural tida como nobre exige um esforço contínuo por parte das autoridades oficiais. Nesse caso, essas mulheres estão tirando a própria vida, de forma voluntária, obedecendo tradições culturais. Para quem não conhece a doutrina espírita, para quem não conhece as leis divinas ou não entende a justiça divina diria que essas mulheres cometem suicídio. A Espiritualidade, mais uma vez nos mostra que tudo depende da vontade, do entendimento, do que move a criatura naquele ato. Elas obedecem a um preconceito, muitas vezes à força que pela vontade. Acreditam que estão cumprindo um dever que esse papel que cabe a elas, devido à nulidade moral que elas vivem, pois são levadas a pensar que nada valem. Só valem pelo que o marido faz delas e que elas vivem para ele e estando ele morto, elas devem igualmente, morrer. Não tem clareza do ato. Não compreendem as leis divinas. Não tem o entendimento que hoje já temos. A ignorância que se acham essas pessoas Deus, na sua perfeição sabe analisar cada coisa da forma correta não vai responsabilizar uma mulher dessa diante da ignorância que ela se encontra. Deus analisa o que está inserido em nosso coração e a partir daí determina o quão culpável, o quão responsável somos por nossos atos. 956 – Os que, não podendo suportar a perda de pessoas que lhes são queridas, se matam na esperança de ir reencontrá-las, atingem seu objetivo? O resultado, para eles, é diferente do que esperam, e em lugar de estar reunido ao objeto de sua afeição, dele se distanciam por maior tempo, porque Deus não pode recompensar um ato de covardia e o insulto que lhe é feito, duvidando de sua providência. Eles pagarão esse instante de loucura por desgostos maiores que aqueles que acreditavam abreviar e não terão para os compensar a satisfação que esperavam. (934 e seguintes).
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    68 Comentários: Aquelas pessoas queimaginam que através do suicídio terão a oportunidade de se unirem com aqueles que se desencarnaram e que eram seus afetos acabam agindo com um grande engano. É uma ideia completamente equivocada. Livro: O Céu e o Inferno – capítulo V da Segunda Parte Há um caso similar a essa questão. Uma mãe ao ver seu filho jovem desencarnar se suicida minutos após o desencarne do seu filho, objetivando estar com ele no plano espiritual. Quando eles são evocados, ela ainda muito revoltada encontrava-se aborrecida porque não estava junto ao filho querido. O filho também esteve presente disse exatamente que caso não fosse a atitude dela, ele estaria completamente feliz, mas sofria por ver sua mãe amada naquela condição. Ele fez a seguinte observação: se ela tivesse suportado a separação naquele momento, assim que ela desencarnasse, ele estaria ao lado dela para recebê-la e continuariam juntos. Mas em função da atitude dela, da revolta, esse encontro foi postergado por um tempo indeterminado. Portanto, o que ela almejava era exatamente aquilo que não iria acontecer em função da sua postura. Cada falta é punida de acordo com as circunstâncias que a determinam, e que não há punições uniformes para as faltas do mesmo gênero. (O Céu e o Inferno) Nós nunca iremos alcançar os nossos reais objetivos agindo em desconformidade com as leis divinas. Se queremos o amor precisamos vivenciar o amor e quando eu tiro a minha própria vida acaba sendo um ato de desamor para comigo mesmo, para com o próximo, para com aquele ente amado que poderia estar comigo, mas em função da minha atitude não é possível. É um ato que demonstra falta de fé, falta de confiança em Deus, no seu amor, na sua justiça. Deus sabe o que é melhor para nós. Temos que confiar. 957 – Quais são, em geral, as consequências do suicídio sobre o estado do Espírito? As consequências do suicídio são muito diversas: não há penas fixadas e, em todos os casos, são sempre relativas às causas que o provocaram. Mas uma
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    69 consequência à qualo suicida não pode fugir é o desapontamento. De resto, a sorte não é a mesma para todos: depende das circunstâncias. Alguns expiam a sua falta imediatamente, outros em uma nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam. Comentários: As consequências são muito diversas. Não há como estabelecer uma regra das consequências em relação ao Espírito que comete o suicídio. A regra geral para todos é o desapontamento. Aquele que tinha como objetivo colocar fim às suas dificuldades, às suas dores, às suas desesperanças. Quando se percebe vivo e que o suicídio não colocou fim em nada, verifica-se a ampliação do seu sofrimento, das suas dificuldades, das suas dores, das suas desesperanças. Não resolveu o problema e criou outro maior. É muito doloroso para o Espírito. Além do problema que imaginaria resolver, vem o remorso, a culpa, a dor da alma o que leva a quase a um estado de loucura, mesmo na erraticidade. Allan Kardec: A observação mostra, com efeito, que as consequências do suicídio não são sempre as mesmas. Mas há as que são comuns a todos os casos de morte violenta, e a consequência da interrupção brusca da vida. Há primeiro a persistência mais prolongada e mais tenaz do laço que une o Espírito e o corpo, por estar esse laço quase sempre na plenitude de sua força, no momento em que quebrado, enquanto que na morte natural ele se enfraquece gradualmente e, no mais das vezes, se rompe antes que a vida esteja completamente extinta. As consequências desse estado de coisa são a prolongação da perturbação espírita, depois a ilusão que, durante um tempo mais ou menos longo, faz o Espírito crer que está ainda entre o número de vivos. (155 e 165). A afinidade que persiste entre o Espírito e o corpo produz em alguns suicidas uma espécie de repercussão do estado do corpo sobre o Espírito, que sente assim, malgrado ele, os efeitos da decomposição e experimenta uma sensação plena de angústias e de horror, e esse estado pode persistir tanto tempo quanto deveria durar a vida que interromperam. Esse efeito não é geral, mas, em nenhum caso, o suicida está isento das consequências de sua falta de coragem e, cedo ou tarde, expia sua falta de uma ou de outra maneira. É assim que certos Espíritos que foram infelizes sobre a Terra, disseram ser suicidas na precedente existência e estar voluntariamente submetidos a novas provas para tentar suportá-las com mais resignação. Em alguns, é uma espécie de ligação à matéria da qual eles procuram em vão se desembaraçar, para
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    70 alçar aos mundosmelhores, mas nos quais o acesso lhes é interditado; na maioria, é o desgosto de ter feito uma coisa inútil, visto que dela não experimentaram senão a decepção. A religião, a moral, todas as filosofias condenam o suicídio como contrário à lei natural. Todas nos dizem, em princípio, que não se tem o direito de abreviar voluntariamente a vida; mas por que não se tem esse direito? Por que não se é livre para pôr termo aos sofrimentos? Estava reservado ao Espiritismo demonstrar, pelo exemplo daqueles que sucumbiram, que isso não é só uma falta como infração a uma lei moral, consideração de pouca importância para certos indivíduos, mas um ato estúpido, visto que com ele nada se ganha. Isso não é a teoria que nos ensina, mas os fatos que ele coloca sob nossos olhos. Comentários: O desligamento do corpo perispiritual nas mortes violentas (no caso o suicídio) sempre demora mais, pois a união que existia entre o Espírito e o corpo era muito mais forte. Assim, o desligamento será prolongado e doloroso para o Espírito trazendo um estado de perturbação maior. Alguns Espíritos sentem a repercussão no seu corpo perispiritual daquilo que acontece no seu corpo físico (a decomposição) fazendo com que o estado de sofrimento seja ainda pior. A sensação de angústia, de horror pode durar pelo tempo que devia durar a vida do corpo físico que sofreu a interrupção. Fica nesse estado de sofrimento e perturbação pelo tempo que faltava ainda para o seu desencarne. O desligamento perispiritual já aconteceu, mas o estado de perturbação ainda continua. O suicídio não é apenas um ato contrário às leis da natureza, mas um ato estúpido no sentido de que não cumpre o objetivo e acrescenta muito sofrimento para a sua vida na erraticidade e em reencarnações posteriores. As consequências do suicídio são diversas, de acordo com o motivo que levou a alma a esse ato de violência contra o seu próprio corpo físico. O que faz mais o suicida sofrer é o tribunal da sua consciência; ela o acusa permanentemente, mostrando em uma tela mental os acontecimentos, de modo que a intuição acresça para sua razão o que deve fazer para reparar: vestir novo corpo, predisposto a determinados sofrimentos no reparo do que estragou, sendo que não são iguais os caminhos de reparo de todos os suicidas. Cada um tem a sua consequência, e a bondade de Deus é tão grande que mostra aos encarnados, pelos processos das comunicações dos Espíritos com os homens, o destino dos suicidas. Se vêm à tua cabeça essas ideias, procura desfazê-las, porque o condicionamento é uma realidade; de tanto pensar, acaba-se fazendo. Desfaz o pensamento negativo no trabalho;
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    71 junta-te aos quepensam melhor, para seres um deles. Por vezes, encontramos grandes personagens trabalhando no mundo espiritual, de forma que nos admiramos ao vê-los, com a bagagem de conhecimentos adquiridos. No entanto, se encontram preparando para vestir de novo a carne, em reparo do que destruíram. Convém pensar nisto e procurar se desfazer da ideia negativa de eliminar a vida física, porque a consciência cobra, e ela é um tribunal implacável dentro da criatura. Quando te encontrares em duras provas, resultado da violência contigo mesmo, lembra-te das palavras de Jesus, a te dizer na acústica da alma. Ao que Jesus lhes disse: Tende fé em Deus. (Marcos, 11:22) Miramez Considerações Finais: Diante das revelações da Doutrina Espírita sobre o sofrimento dos suicidas, o que se pode fazer por eles é não julgá-los; ter a certeza de que não estarão irremediavelmente abandonados, mas que serão observados e amparados por mensageiros do Bem e, efetivamente, que a oração em seu benefício é o refrigério de suas almas. Quando oramos por eles, nossas vibrações lhes proporcionam brando alívio. Consequências imediatas do suicídio: Desapontamento. A terrível constatação: o suicida não alcançou o seu objetivo. Não morreu! Não pois fim à Vida. Continua a existir, sentir e sofrer, em outra dimensão, experimentando tormentos mil vezes acentuados. É uma situação traumática e apavorante, conforme informam suicidas que se manifestam em reuniões mediúnicas. Há o sofrimento de ordem moral, mas também outro aspecto a ser considerado: os estragos no perispírito, o corpo espiritual. O apóstolo Paulo o denominava corpo celeste. Um corpo feito de matéria mais sutil, chamada quintessenciada, como define Allan Kardec. É o corpo de manifestação do Espírito no plano espiritual, e intermediário entre ele e o corpo físico, na reencarnação. A verdade é que após o desencarne, não há tribunal nem Juízes para condenar o suicida. Fica ele simplesmente diante da própria consciência, nu perante si mesmo e todos os demais, pois nada pode ser escondido no mundo espiritual, tendo o indivíduo de enfrentar suas próprias criações mentais infelizes. Para onde vai o suicida? Geralmente, o Espírito suicida fica confinado nas regiões do Umbral (região destinada a esgotamento de resíduos mentais), o tempo que teria de vida restante aqui na Terra, incluindo nessa região o chamado Vale dos suicidas.
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    72 O Vale dosSuicidas é uma região do umbral onde os espíritos desencarnados que praticaram o suicídio quando em vida se agrupam pela lei da atração ou afinidade, uma das leis universais, que pode ser traduzida na máxima “Os iguais se atraem”. Alguns suicidas sentem-se presos ao corpo de tal modo que, leva-os a ver e sentir os efeitos da decomposição, mesmo após o corpo físico já estar decomposto, fica anos a fio sentindo as sensações do trágico ato; outros ainda, com muito sofrimento, muita dor, como conta no livro “Memórias de um suicida”, torna-se presas de obsessores, que às vezes, também foram suicidas. Todas essas situações ocorrem no Baixo Umbral. Em todos os lugares, em todas as dimensões há grupos de socorro para os Espíritos que sofrem. No Vale dos Suicidas, por exemplo, o grupo de trabalhadores é chamado de: Legião dos Servos de Maria, pois o Vale é chefiado pelo grande Espírito de Maria de Nazaré. Quando vem o merecimento, seja pela alteração dos seus pensamentos e sentimentos, seja pela intervenção de entes queridos, os Espíritos suicidas são resgatados e conduzidos para as cidades organizadas do mundo espiritual. Quando necessário, são submetidos a cirurgias de restauração dos órgãos do perispírito que foram afetados, restituindo o equilíbrio. Mas para completar o processo de recuperação, é necessária uma ou mais reencarnações. As “mutilações” do perispírito (provocadas pelo ato suicida), são transferidas do perispírito, para o corpo físico, gerando as lesões que podem se expressar através das cardiopatias, úlceras, idiotia etc., dependendo do órgão lesionado. Através dessas reencarnações o suicida conseguirá a cura completa, e com a experiência adquirida, terá maior fortaleza moral de modo a evitar a reincidência nesse crime. Fato que confirma o amor de Deus com todos os seus filhos. Exemplo: Os excepcionais Em regra geral, a criança excepcional é o suicida reencarnado. Volta à Terra com os remanescentes que levou daqui mesmo, após o suicídio. Se uma pessoa espatifou o crânio e o projétil atingiu o centro da fala, ela volta com a mudez; Se atingiu apenas o centro da visão, volta cega; Se atingiu determinadas regiões mais complexas do cérebro, vem em plena idiotia, e aí os centros fisiológicos não funcionam. Se ela suicidou-se, mergulhando em águas profundas, vem com a disposição para o enfisema, o enfisema infantil ou da mocidade nos primeiros dias da vida;
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    73 Se ela seenforcou, vem com a paraplegia, depois de uma simples queda, que toda criança cai (do colo da ama, do colo da mãezinha); então, quando o processo é de enforcamento, a vértebra que foi deslocada vem mais fraca e, numa simples queda, a criança é acometida pela paraplegia; O esquizofrênico é o homicida que se fez suicida, porque o complexo de culpa é tão grande, o remorso é tão terrível que aquilo se reflete na próxima vida física da criatura durante algum tempo ou muito tempo. Trechos extraídos do livro Chico de Francisco – Adelino da Silveira, 6ª ed, pág.91. Assim como o suicida consciente, o suicida inconsciente terá sequelas em existência futura que funcionarão não apenas como resultado de seus excessos, mas, também, como veículos de contenção, destinados a frear e eliminar as tendências e vícios desenvolvidos. Prevenção Pessoas com tendência ao suicídio têm algum tipo de sofrimento mental e precisam de atendimento médico de emergência seguido de tratamento de saúde por uma equipe multidisciplinar – psicólogos/as, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais. Os comportamentos suicidas podem ser contextualizados como um processo complexo, que pode variar desde a ideia de retirar a própria vida, que pode ser comunicada por meios verbais e não verbais, até o planejamento do ato, a tentativa e, no pior dos casos, a morte. Uma grande questão vinculada ao suicídio é que a prevenção é possível. Essas ações requerem uma ampla articulação em rede, envolvendo famílias, poder público, comunidades de fé e sociedade como um todo, além de uma escuta ativa, que deve sempre estar presente nesses diálogos. (mesmo que esse diálogo não seja efetivado com palavras articuladas). Mitos comuns sobre o suicídio 1. Quem fala, não faz' - Não é verdade. Muitas vezes, a pessoa que diz que vai se matar não quer "chamar a atenção", mas apenas dar um último sinal para pedir ajuda. Por isso, os especialistas pedem que um aviso de suicídio seja levado a sério. 2. 'Não se deve perguntar se a pessoa vai se matar' - É importante, caso a pessoa esteja com sintomas da depressão, ter uma conversa para entender o que se passa e ajudar. Não tocar no assunto só piora a situação. 3. 'Só os depressivos clássicos se matam' - Não. Existe o depressivo mais conhecido, aquele que fica deitado na cama e não consegue levantar. Mas outras reações podem ser previsões de um comportamento suicida, como alta
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    74 agressividade e nívelextremo de impulsividade. Os médicos, inclusive, pedem para a família ficar atenta ao momento em que um depressivo sem tratamento diz estar bem: muitas vezes ele pode já ter decidido se matar e tem o assunto como resolvido. 4. 'Quando a pessoa tenta uma vez, tenta sempre' - A maior parte dos pacientes que levam a sério o tratamento com medicamentos e terapia não chegam a tentar se matar uma segunda vez. O importante é buscar a ajuda. Onde buscar ajuda para suicídio:  CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da Família, Postos e Centro de Saúde);  UPA 24h, SAMU 192, Pronto Socorro e Hospitais;  Centro de Valorização: ligue 188 (ligação gratuita). Centro de Valorização da Vida (CVV) O CVV é um importante aliado na prevenção do suicídio. Assim, em parceria com o SUS, o Centro oferece apoio emocional de maneira voluntária e gratuita para pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, via telefone, e-mail, chat e voip 24h por dia.  Para falar por telefone celular ou fixo, basta ligar no número 188;  Através do site cvv.org.br, é possível conversar por chat, Skype e e-mail; Embora não haja uma orientação específica para tratar a depressão, Chico Xavier acreditava que a oração e a meditação podem ajudar a aliviar os sintomas da depressão. Em uma mensagem em vídeo, Chico Xavier e Emmanuel sugerem que, diante dos quadros depressivos, precisamos ter ânimo para lutar e não pensar em morte. Eles também pedem ajuda para encontrar a porta de saída do labirinto escuro em que nos internamos e fortalecer a vontade de sermos úteis. Além disso, Chico Xavier mantinha pregado na cabeceira de sua cama um papel com a mensagem “Tudo passa”. Ele usava essa orientação da Mãe Divina todos os dias, não importavam os problemas, as dificuldades ou os desafios. Essa mensagem pode ser uma fonte de inspiração para aqueles que sofrem de depressão. Por fim, é importante lembrar que a depressão é uma doença séria e que o tratamento deve ser feito por um profissional qualificado. Se você está sofrendo de depressão ou conhece alguém que esteja passando por isso, procure ajuda médica imediatamente.
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    75 Finalizando: Diante das dificuldades,perdas, sofrimentos, nunca, em momento algum, desistir da vida, nem perder a esperança na bondade de Deus. A vida nos pede simplesmente para caminhar. Se tropeçarmos e cairmos, levantemo-nos porque tudo passa. Deus nos ama! Ele deseja a nossa felicidade! Depositemos a nossa confiança inteiramente em Deus. Ele sabe o momento oportuno de nos tirar do embaraço. Toda existência, por mais difícil que seja, é uma benção concedida por Deus a benefício de nossos reajustes, aprendizados e evolução a que somos destinados. O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII – Sede Perfeitos, item 11, nos diz: “amai, então, a vossa alma, mas cuidai também do corpo, instrumento da alma. Não castigueis o corpo pelas faltas que o vosso livre arbítrio o fez cometer e do qual ele é tão responsável quanto o cavalo malconduzido o é, pelos acidentes que causa”. E, por último, lembrar-se do recado consolador de Jesus: “Vinde a mim todos os que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei” (Mateus, 11:28). Jesus nos deixou claro que nenhuma ovelha se perderá. (João 10) Em todas as situações busquemos a prece. Essa prática está relacionada à necessidade que temos de nos ligar à Divindade, de nos abstrairmos do mundo material e conectarmos com o nosso Criador buscando proteção, amparo, orientação. “O que Deus lhe concederá sempre, se ele o pedir com confiança, é a coragem, a paciência, a resignação. Também lhe concederá os meios de se tirar por si mesmo das dificuldades, mediante ideias que fará lhe sugiram os bons Espíritos, deixando-lhe dessa forma o mérito da ação. Ele assiste os que se ajudam a si mesmos, de conformidade com esta máxima: “Ajuda-te, que o Céu te ajudará”; não assiste, porém, os que tudo esperam de um socorro estranho, sem fazer uso das faculdades que possui. Entretanto, as mais das vezes, o que o homem quer é ser socorrido por milagre, sem despender o mínimo esforço (Cap. XXV, n.º 1 e seguintes).” (ESE – Cap. XXVII, item 7) Pela prece não pediremos o livramento das dificuldades, mas devemos pedir força, sabedoria, perseverança para superar e vencer tais dificuldades. É muito importante perceber a resposta, que muitas vezes não é a que nós queremos, mas é a que nós necessitamos.
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    76 Nem todo suicídioestá associado à depressão e também nem todo paciente deprimido quer se suicidar. A depressão tem diversos estágios e o suicídio é um dos atos mais graves. Muitas pessoas em risco de suicídio estão com problemas em suas vidas entre os desejos de viver e de acabar com a dor psíquica. Fique atento a alguns sinais de depressão e ideação suicida:  Tristeza profunda  Distúrbios do sono  Pensamentos negativos  Desinteresse e apatia  Baixa autoestima  Desleixo com a aparência  Dores física  Isolamento  Rejeição  Irritabilidade  Choro frequente  Falta de vontade de fazer coisas simples  Mudanças comportamentais bruscas  Rejeição a determinados assuntos  frases como ‘“preferia estar morto’” ou ‘quero desaparecer’
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    77 RELATOS: Suicidou-se nas últimasdez reencarnações: Certa senhora procurou o Chico com uma criança nos braços e lhe disse: - Chico, meu filho nasceu surdo, mudo, cego e sem os dois braços. Agora está com uma doença nas pernas e os médicos querem amputar as duas para salvar a vida dele. Há uma resposta para mim no Espiritismo? Foi com a intervenção de Emmanuel que a resposta veio: Chico, explique à nossa irmã que este nosso irmão em seus braços suicidou-se nas dez últimas encarnações e pediu, antes de nascer, que lhe fossem retiradas todas as possibilidades de se matar novamente. Mas, agora que está aproximadamente com cinco anos, procura um rio, um precipício para se atirar. Avise nossa irmã que os médicos amigos estão com a razão. As duas pernas dele vão ser amputadas, em seu próprio benefício, para que ele fique mais algum tempo na Terra, a fim de que diminua a ideia do suicídio. Trechos extraídos do livro Chico de Francisco – Adelino da Silveira, 6ª ed, pág.34 Assistência fraternal Pedi a uma das irmãs presentes, em deploráveis condições perispiríticas, expor-nos, por gentileza, a experiência de que fora objeto. A infortunada concentrou a atenção de todos, em virtude das feridas extensas que mostrava no semblante agora erguido. — Ai de mim! — começou, penosamente — Ai de mim, a quem a paixão cegou e venceu, transportando-me ao suicídio! Mãe de dois filhos, não suportei a solidão que o mundo me impusera com a morte de meu marido tuberculoso. Cerrei os olhos ao campo de obrigações que me convidavam ao entendimento e sufoquei as reflexões ante o futuro que se avizinhava. Olvidei o lar, os filhos, os compromissos assumidos e precipitei-me no vale fundo de sofrimentos inenarráveis. Há quinze anos, precisamente, vagueio sem pouso, à feição da ave imprevidente que aniquilasse o ninho... Leviana que fui! Quando me vi só e aparentemente desamparada, entreguei meus pobres filhos a parentes caridosos e sorvi, louca, o veneno que me desintegraria o corpo menosprezado. Supunha reencontrar o esposo querido ou chafurdar-me no abismo da inexistência; todavia, nem uma realização nem outra me surpreenderam o coração. Despertei sob denso nevoeiro de lama e cinza e debalde clamei socorro, à face dos padecimentos que me asfixiavam. Coberta de chagas, qual se o tóxico letal me atingisse os mais finos tecidos da alma, gritei sem destino certo! A essa altura, porque a emotividade lhe interceptasse a voz, interferi, perguntando, de modo a fixar o ensinamento: — E não conseguiu retornar ao santuário doméstico? — Ah! Sim! Fui até lá — informou a interpelada tentando dominar-se —, mas, para acentuar- me a angústia, o toque de meu carinho nos filhos amados, que confiara aos parentes próximos, provocava-lhes aflição e enfermidade. As irradiações de minha dor lhes alcançavam os corpos tenros, envenenando-lhes a carne delicada, através da respiração. Quando compreendi que a minha presença lhes inoculava pavoroso “vírus fluídico”, deles fugi aterrada. É preferível suportar o castigo de minha própria consciência isolada e sem rumo que infligir-lhes sofrimento sem causa! Experimentei medo e horror de mim mesma.
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    78 Desde então, perambulosem consolo e sem norte. É por isto que venho até aqui implorando alívio e segurança. Estou cansada e vencida... — Convença-se de que receberá os recursos que pleiteia, por intermédio da prece — esclareci, Trechos extraídos do livro Libertação, capítulo 17. André Luiz No livro “Nosso Lar”, André Luiz descreve o local em que se encontrou após a desencarnação por um período de oito anos. Sentia-se permanentemente em viagem... Pouca claridade. Pavor por chacotas vindas de desconhecidos. Dificuldade para obter a bênção do sono. Lágrimas permanentes. Esteve próximo à loucura, prestes a perder a razão. Via seres monstruosos, irônicos, perturbadores... Recordações da existência terrena, quando gozava de prosperidade material e pais “extremamente generosos”. Seres maldosos e sarcásticos gritavam a André Luiz: “suicida, criminoso, infame”. Em vão tentou revidar. Com a barba cabeluda e roupa rompendo-se sofria mais pelo abandono que o envolvera. Não se conformava em ser acusado de suicida, pois sabia que não o fora, lembrando-se de haver morrido no hospital, após cirurgia intestinal. Sentia fome. Saciava-se com lama... Repetidamente via manada de seres animalescos. Médico, sempre detestara as religiões, mas agora experimentava necessidade de socorrer-se de alguma delas. Estando já no limite das forças, orou pedindo o socorro a Deus. Em resposta, das neblinas surgiu o benfeitor Clarêncio, acompanhado de dois auxiliares. Foi conduzido para a Colônia Espiritual “Nosso Lar”. Hospitalizado, André Luiz é atendido por um médico espiritual que comprova o “suicídio inconsciente” que praticou, diante da vida desregrada que levara em relação à bebida “socialmente”, a alimentação e o sexo (em sua juventude). É lição-alerta imperdível e inédita quanto a essa característica do comportamento da maioria dos encarnados. O PODER DA PRECE Um Espírito suicida que pede preces Estou preso em um quarto escuro. Não vejo nada, mas ouço gritos, gemidos e queixas de dores atrozes. Vou apalpando para ver se encontro uma porta, uma janela ou uma fresta, mas nada. Uma pessoa às vezes aparece e diz: “Por que cometeste a falta mais grave que um ser humano pode fazer? Sois um suicida.” Quando assim diz sinto dores que arrebentam o meu cérebro, pois dei um tiro em meu ouvido. Estava desesperado envolvido por muitos problemas. Todos se afastaram de mim, só se aproximaram os meus credores que não eram poucos.
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    79 Tive uma vidainvejável, pois fui um vulto de relevância na mídia. Todos me achavam belo, cheio de charme e “bem de vida”. Mas mal sabiam o meu dilema, envolvi-me com drogas e coisas ilícitas e fiquei num beco sem saída, até que um dia eu não aguentei e liquidei com minha vida. Às vezes até ajudei alguém antes de minha bancarrota. Quero sair desse lugar... Mas não tenho condições. Estou fazendo esse relato no intuito de alertar a todos que lerem, que jamais, jamais mesmo, cometam o suicídio. A vida não é nossa, mas pertence a Deus. Agora é tarde... Já morri pelo suicídio. Um espírito suicida que pede preces. Médium: Catarina. Autor desconhecido https://www.mensagemespirita.com.br/md/ad/psicografia-de-um-espirito- suicida-que-pede-preces Divaldo Franco e a História do suicida do Trem. Divaldo Franco é um ser humano fantástico: reconhecido como um dos maiores médiuns e oradores espíritas da atualidade, foi o criador de um belíssimo projeto social em Salvador – BA: a Mansão do Caminho. Divaldo Franco conta que certa vez leu em um jornal sobre um terrível suicídio de um homem, pai de dez filhos, que havia se atirado sobre a linha do trem e foi triturado. Era um modesto operário. Ficou muito impressionado com o caso e passou então a orar por esse pobre espírito. Anotou seu nome em sua caderneta de preces especiais: as que ele faz pela madrugada. Divaldo Franco intercedia por ele pedindo a Jesus, dizendo que talvez esse pobre operário nem queria se matar de fato, talvez o tenha feito pelas circunstâncias. Quinze anos se passaram e continuava firme na oração, todos os dias. Certo dia, Divaldo estava com um problema e por esse motivo, estava sofrendo muito. Nessa noite não conseguiu então interceder por ninguém, pois não se sentia em condições. O sofrimento era grande, então começou a chorar. Nesse momento um Espírito apareceu e perguntou por qual motivo chorava. Divaldo explicou então que estava enfrentando um grave problema e sentia uma vontade muito grande de chorar. O Espírito disse-lhe então que se continuasse chorando, ele também o faria, porque amava muito Divaldo e lhe tinha muita gratidão, e ficava muito triste em vê-lo assim. Essas palavras fizeram com que Divaldo ficasse um pouco menos triste. O Espírito então começou a contar sua história:
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    80 Disse que hámuitos anos havia se jogado embaixo das rodas de um trem e que não era possível descrever o que sentia nessa tragédia eterna. Mesmo depois de morto, ouvia incessantemente o trem apitando indo em sua direção. Sentia o corpo sendo triturado pelas rodas eternamente, sem nunca morrer. Quando o trem por fim acabava de passar e ele achava que iria então respirar, começava tudo outra vez: o apito, a trituração do corpo, a eterna dor… Mas um dia, escutou alguém chamando seu nome com tanto amor e ternura, que se sentiu aliviado por alguns segundos. Mas logo o sofrimento voltou. De tempos em tempos ouvia essa pessoa desconhecida chamando seu nome. Percebeu então que não ouvia mais o apito do trem. Deu-se conta que, apesar do suicídio, continuava vivo e que alguém pedia a Deus por ele. Começou então a refletir sobre a gravidade do seu ato. Um dia, sentiu-se fortemente atraído pela voz que orava por ele e viu então, Divaldo em seu quarto orando. Ficou sabendo que aquele ser desconhecido, de grande bondade, orava pelos desgraçados. Passou a visitar Divaldo sempre que ele orava em seu favor. Mas Divaldo não o enxergava. Quando o Espírito se encontrava totalmente lúcido, resolveu visitar sua família e o sofrimento foi muito grande, pois encontrou sua mulher blasfemando contra ele. Ela atribuía ao seu ato impensado o fato de que, para conseguirem algum dinheiro e comida, a filha tenha virado prostituta e o filho um bandido. Então, além das dores físicas que sentia, passou a sofrer também das dores morais. Explicou a Divaldo que todo suicida responde, não só pelo seu ato impensado, mas também por toda uma onda de efeito que ocorre daí. Era o único que orava e pedia por ele. Como uma pequena retribuição, estava ali naquele dia em que Divaldo chorava, pedindo para que não sofresse, porque se ele se entristecesse, o que seria dos permanentemente tristes? Deu um abraço apertado em Divaldo e chorou também, demoradamente. Divaldo ficou emocionado pois não esperava comovê-lo com seu sofrimento. Então o Espírito explicou que eram lágrimas de felicidade, pois pela primeira vez sentia-se feliz, já que agora, por estar aprendendo a consolar alguém, ele poderia iniciar uma nova jornada de reabilitação. E a primeira pessoa que ele consolava era Divaldo Franco. A história de Divaldo Franco e o suicida do trem é muito forte. Quando a lemos pela primeira vez, é impossível não se emocionar. Mas além da emoção ela vem acompanhada de muitos ensinamentos. É um texto que pode ajudar muitas pessoas, principalmente as que estão passando por alguma situação de desespero e desânimo.
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    81 REFERÊNCIAS: KARDEC, Allan. AGênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 52ª Ed. Araras – SP: IDE, 2018. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 365ª Ed. Araras – SP: IDE, 2009. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Salvador Gentile. 182ª Ed. Araras – SP: IDE, 2009. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 85ª Ed. Araras – SP: IDE, 2008. KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Tradução de Salvador Gentile. Araras – SP: IDE, 2008. KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. 19ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1983. MLODINOW, Leonard. De primatas a astronautas: A jornada do homem em busca do conhecimento. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2015. SILVEIRA, Adelino. Chico, de Francisco. São Paulo: Cultura Espírita União, 1987. XAVIER, Chico. A Caminho da Luz. 21ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995. Pelo Espírito Emmanuel. XAVIER, Chico. Nosso Lar. 64ª ed. Brasília: FEB, 2021. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico. Os Mensageiros. 47ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico. Missionários da Luz. 45ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 2021. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico. Obreiros da Vida Eterna. 35ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico. No Mundo Maior. 28ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico. Libertação. 33ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico. Entre a Terra e o Céu. 27ª ed. Brasília: FEB, 2018. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico. Nos domínios da Mediunidade. 36ª ed. Brasília: FEB, 2018. Pelo Espírito André Luiz.
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    82 XAVIER, Chico. Açãoe Reação. 30ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico & VIEIRA, Waldo. Evolução em dois Mundos. 27ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico & VIEIRA, Waldo. Mecanismos da Mediunidade. 28ª ed. Brasília: FEB, 2018. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico & VIEIRA, Waldo. Sexo e Destino. 34ª ed. Brasília: FEB, 2018. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico. E a vida continua.... 35ª ed. Esp. Rio de Janeiro: FEB, 2021. Pelo Espírito André Luiz. https://www.bibliaonline.com.br/ http://www.olivrodosespiritoscomentado.com/questoes.html https://super.abril.com.br/historia/os-bastidores-do-livro-dos-espiritos/ https://www.youtube.com/user/livrodosespiritos/videos https://www.youtube.com/watch?v=4xRhAKctMo8&list=PLI- OgasY7T5tz8FFyT2yr5aKTPbavF7by&index=111 https://www.youtube.com/playlist?list=PLlRlJDlCghdwROpe8PBZF5_wFxlJqq UnZ https://espirito.org.br/artigos/possessao-3/ https://pt.slideshare.net/espirinauta/reinos-da-natureza https://slideplayer.com.br/slide/14346629/ http://www.caminhosluz.com.br A Lei de Ação e Reação é a mesma coisa que a Lei de Causa e Efeito? https://editoradionisi.com.br/folhaespiritacairbarschutel/2020/05/31/a-lei-de- acao-e-reacao-e-a-mesma-coisa-que-a-lei-de-causa-e-efeito/