Unidade
3 A estrutura social e as
desigualdades
Podemos observar sinais de desigualdades
sociais em todos os lugares. Eles aparecem, de
imediato, em elementos materiais, como
moradia e roupas, e também se manifestam no
acesso à educação e aos bens culturais.
Por que as desigualdades existem? Como se
constituem? Como são explicadas?
Estrutura e estratificação social
Capítulo
7
A estrutura social se constitui por meio da relação entre
os vários fatores – econômicos, políticos, históricos,
sociais, religiosos e culturais – que dão feição própria a
uma sociedade.
Uma das características da
estrutura social é a
estratificação, ou seja, a maneira como os
indivíduos ou grupos são
classificados em camadas sociais.
Thinkstock/Getty Images
Estrutura e estratificação
social
Capítulo
7Segundo o sociólogo brasileiro Octávio Ianni, a
estratificação social é determinada pela forma
como se organizam a produção econômica e o
poder político.
As estruturas de apropriação
(econômica) e de
dominação (política) são
influenciadas por elementos
como a religião, a
etnia, o sexo, a tradição e
a cultura, que interferem nos
processos de divisão social
do trabalho e de
Thinkstock/GettyImages
Estrutura e estratificação
social
Capítulo
7
A estratificação e as
desigualdades sociais são
produzidas historicamente.
Isso significa que elas são
geradas por situações
diversas e se expressam na
organização das sociedades
em sistemas de castas, de
estamentos ou de classes.
Thinkstock/GettyImages
Estrutura e estratificação
social
Capítulo
7
O sistema de castas é uma configuração social
registrada em diferentes tempos e lugares. Mas é
na Índia que está a expressão mais acabada desse
sistema, iniciado há mais de 3 mil anos.
As sociedades organizadas em castas
A hierarquização social se baseia em religião, etnia,
cor, hereditariedade e ocupação. Esses elementos
definem a organização do poder político e a
distribuição da riqueza gerada pela sociedade.
Estrutura e estratificação
social
Capítulo
7
a dos brâmanes (sacerdotal e superior às demais);
a dos xátrias (intermediária, formada pelos
guerreiros, encarregados do governo e da
administração pública);
a dos vaixás (casta dos artesãos, comerciantes e
camponeses);
a dos sudras (casta dos inferiores, dos que realizam
trabalhos manuais considerados servis).
Na Índia, há quatro grandes castas:
Estrutura e estratificação
social
Capítulo
7
Não há mobilidade social
em um sistema de castas.
Preparação da pira para a cremação de um morto na Índia,
em 1988. O assistente de cremação herdou essa função de
seus antepassados e a passará para os filhos.
©ArneHodalic/Corbis/LatinStock
Na Índia, os integrantes das
castas inferiores adotam
costumes, ritos e crenças
dos brâmanes, o que cria
certa homogeneidade de
costumes entre as castas.
A rigidez das regras é relativizada por casamentos, não
muito comuns, entre membros de diferentes castas.
Estrutura e estratificação
social
Capítulo
7
O sistema de castas indiano está sendo
desintegrado de forma gradativa, sob o
impacto da urbanização, da industrialização
e da introdução de padrões ocidentais de
comportamento.
Entretanto, normas e costumes desse
sistema ainda sobrevivem. Isso é
comprovado pela adoção de cotas nas
universidades públicas, como medida de
inclusão de estudantes que pertencem a
castas consideradas inferiores.
Estrutura e estratificação
social
Capítulo
7As sociedades organizadas por estamentos
Um estamento é identificado por um conjunto de
direitos e deveres, privilégios e obrigações, aceitos
como naturais e publicamente reconhecidos.
Numa sociedade estamental, a condição dos
indivíduos e dos grupos em relação ao poder e
à participação na riqueza não é somente uma
questão de fato, mas também de direito.
Estrutura e estratificação
social
Capítulo
7
Nas sociedades medievais, a possibilidade de
mobilidade de um estamento para outro existia,
mas era muito controlada. O que definia o
prestígio, a liberdade e o poder dos indivíduos
era a propriedade da terra: os que não a possuíam
eram dependentes econômica e politicamente,
além de socialmente inferiores.
Estrutura e estratificação
social
Capítulo
7
O que explica a relação entre os estamentos é a
reciprocidade. Os servos tinham obrigações para
com os senhores, que, por sua vez, deviam
proteger os servos.
A desigualdade era vista como algo natural:
camponeses e servos sempre estiveram em
situação de inferioridade.
Estrutura e estratificação
social
Capítulo
7Na França, no final do século
XVIII, havia três estados: a
nobreza, o clero e o terceiro
estado, que incluía os
demais membros da
sociedade: comerciantes,
industriais, trabalhadores
em geral, etc.
TheBridgemanArtLibrary/Keystone/OtherImages
Estratificação social na França: o camponês
carrega o clérigo e o nobre nas costas.
Representação de 1789.
Estrutura e estratificação
social
Capítulo
7
A pobreza é a expressão mais visível das desigualdades
sociais.
Pobreza: condição de nascença, desgraça, destino...
Como ela foi entendida no decorrer da história?
WMO
Estrutura e estratificação
social
Capítulo
7
Acreditava-se que a pobreza era uma desgraça
decorrente das guerras ou de adversidades como
doenças ou deformidades físicas.
Na Idade Média, a pobreza era considerada
uma condição de nascença.
Havia uma visão positiva dessa condição, pois
esta despertava a compaixão e a caridade. Na
concepção da Igreja Católica, os ricos tinham
obrigação moral de ajudar os pobres.
Estrutura e estratificação
social
Capítulo
7
Na Inglaterra, com o aumento da produção e do
comércio, a pobreza e a miséria passaram a ser
interpretadas como resultado da preguiça e da
indolência, já que havia muitas oportunidades de
emprego. Tais interpretações tinham por objetivo
fazer que o povo se submetesse às condições de
trabalho vigentes.
A partir do século XVI, iniciou-se um nova ordem, na
qual o indivíduo se tornou o centro das atenções. O
Estado “herdou” a função, antes atribuída aos ricos,
de cuidar dos pobres.
Estrutura e estratificação
social
Capítulo
7
No final do século XVIII, com o fortalecimento do
liberalismo, outra justificativa para a pobreza foi
formulada  as pessoas eram responsáveis pelo
próprio destino e ninguém era obrigado a dar
trabalho ou assistência aos mais pobres. Dizia-se
que era necessário manter o medo à fome para que
os trabalhadores realizassem bem suas tarefas.
Estrutura e estratificação
social
Capítulo
7
Para o economista e
demógrafo britânico Thomas
Malthus, a população crescia
mais que os meios de
subsistência. Com base nas
ideias de Malthus, dizia-se que
a assistência social aos pobres
era repudiável, pois os
estimulava a ter mais filhos,
o que aumentava a miséria.
Thomas Malthus (1776-1834).
NationalPortraitGallery,Londres,Inglaterra
Estrutura e estratificação
social
Capítulo
7
Em meados do século XIX, difundiu-se a ideia de
que os trabalhadores eram perigosos: poderiam não
só transmitir doenças, já que viviam em condições
precárias de higiene, mas também se rebelar,
organizar-se e fazer revoluções, questionando os
privilégios das classes que detinham riqueza e
poder.
Estrutura e estratificação
social
Capítulo
7Exercícios
1. Leia o texto abaixo e explique-o de acordo com o que
você estudou neste capítulo.
Quando declaramos que o espírito de casta reina em dada
sociedade, queremos dizer que os vários grupos dos quais essa
sociedade é composta se repelem, em vez de atrair-se, que cada
um desses grupos se dobra sobre si mesmo, se isola, faz quanto
pode para impedir seus membros de contrair aliança ou, até, de
entrar em relação com os membros dos grupos vizinhos. [...]
Celestin Blouglé.
O sistema de castas. In: Octávio Ianni (org.). Teorias da estratificação
social. São Paulo: Nacional, 1973. p. 90-91.
Estrutura e estratificação
social
Capítulo
72. Observe a imagem.
Que elementos dessa
cena caracterizam uma
sociedade estamental?
O trabalho no feudo
representado em iluminura
do século XV.
MuseuCondé,Chantilly,França

Capítulo 7 sociologia

  • 1.
    Unidade 3 A estruturasocial e as desigualdades Podemos observar sinais de desigualdades sociais em todos os lugares. Eles aparecem, de imediato, em elementos materiais, como moradia e roupas, e também se manifestam no acesso à educação e aos bens culturais. Por que as desigualdades existem? Como se constituem? Como são explicadas?
  • 2.
    Estrutura e estratificaçãosocial Capítulo 7 A estrutura social se constitui por meio da relação entre os vários fatores – econômicos, políticos, históricos, sociais, religiosos e culturais – que dão feição própria a uma sociedade. Uma das características da estrutura social é a estratificação, ou seja, a maneira como os indivíduos ou grupos são classificados em camadas sociais. Thinkstock/Getty Images
  • 3.
    Estrutura e estratificação social Capítulo 7Segundoo sociólogo brasileiro Octávio Ianni, a estratificação social é determinada pela forma como se organizam a produção econômica e o poder político. As estruturas de apropriação (econômica) e de dominação (política) são influenciadas por elementos como a religião, a etnia, o sexo, a tradição e a cultura, que interferem nos processos de divisão social do trabalho e de Thinkstock/GettyImages
  • 4.
    Estrutura e estratificação social Capítulo 7 Aestratificação e as desigualdades sociais são produzidas historicamente. Isso significa que elas são geradas por situações diversas e se expressam na organização das sociedades em sistemas de castas, de estamentos ou de classes. Thinkstock/GettyImages
  • 5.
    Estrutura e estratificação social Capítulo 7 Osistema de castas é uma configuração social registrada em diferentes tempos e lugares. Mas é na Índia que está a expressão mais acabada desse sistema, iniciado há mais de 3 mil anos. As sociedades organizadas em castas A hierarquização social se baseia em religião, etnia, cor, hereditariedade e ocupação. Esses elementos definem a organização do poder político e a distribuição da riqueza gerada pela sociedade.
  • 6.
    Estrutura e estratificação social Capítulo 7 ados brâmanes (sacerdotal e superior às demais); a dos xátrias (intermediária, formada pelos guerreiros, encarregados do governo e da administração pública); a dos vaixás (casta dos artesãos, comerciantes e camponeses); a dos sudras (casta dos inferiores, dos que realizam trabalhos manuais considerados servis). Na Índia, há quatro grandes castas:
  • 7.
    Estrutura e estratificação social Capítulo 7 Nãohá mobilidade social em um sistema de castas. Preparação da pira para a cremação de um morto na Índia, em 1988. O assistente de cremação herdou essa função de seus antepassados e a passará para os filhos. ©ArneHodalic/Corbis/LatinStock Na Índia, os integrantes das castas inferiores adotam costumes, ritos e crenças dos brâmanes, o que cria certa homogeneidade de costumes entre as castas. A rigidez das regras é relativizada por casamentos, não muito comuns, entre membros de diferentes castas.
  • 8.
    Estrutura e estratificação social Capítulo 7 Osistema de castas indiano está sendo desintegrado de forma gradativa, sob o impacto da urbanização, da industrialização e da introdução de padrões ocidentais de comportamento. Entretanto, normas e costumes desse sistema ainda sobrevivem. Isso é comprovado pela adoção de cotas nas universidades públicas, como medida de inclusão de estudantes que pertencem a castas consideradas inferiores.
  • 9.
    Estrutura e estratificação social Capítulo 7Associedades organizadas por estamentos Um estamento é identificado por um conjunto de direitos e deveres, privilégios e obrigações, aceitos como naturais e publicamente reconhecidos. Numa sociedade estamental, a condição dos indivíduos e dos grupos em relação ao poder e à participação na riqueza não é somente uma questão de fato, mas também de direito.
  • 10.
    Estrutura e estratificação social Capítulo 7 Nassociedades medievais, a possibilidade de mobilidade de um estamento para outro existia, mas era muito controlada. O que definia o prestígio, a liberdade e o poder dos indivíduos era a propriedade da terra: os que não a possuíam eram dependentes econômica e politicamente, além de socialmente inferiores.
  • 11.
    Estrutura e estratificação social Capítulo 7 Oque explica a relação entre os estamentos é a reciprocidade. Os servos tinham obrigações para com os senhores, que, por sua vez, deviam proteger os servos. A desigualdade era vista como algo natural: camponeses e servos sempre estiveram em situação de inferioridade.
  • 12.
    Estrutura e estratificação social Capítulo 7NaFrança, no final do século XVIII, havia três estados: a nobreza, o clero e o terceiro estado, que incluía os demais membros da sociedade: comerciantes, industriais, trabalhadores em geral, etc. TheBridgemanArtLibrary/Keystone/OtherImages Estratificação social na França: o camponês carrega o clérigo e o nobre nas costas. Representação de 1789.
  • 13.
    Estrutura e estratificação social Capítulo 7 Apobreza é a expressão mais visível das desigualdades sociais. Pobreza: condição de nascença, desgraça, destino... Como ela foi entendida no decorrer da história? WMO
  • 14.
    Estrutura e estratificação social Capítulo 7 Acreditava-seque a pobreza era uma desgraça decorrente das guerras ou de adversidades como doenças ou deformidades físicas. Na Idade Média, a pobreza era considerada uma condição de nascença. Havia uma visão positiva dessa condição, pois esta despertava a compaixão e a caridade. Na concepção da Igreja Católica, os ricos tinham obrigação moral de ajudar os pobres.
  • 15.
    Estrutura e estratificação social Capítulo 7 NaInglaterra, com o aumento da produção e do comércio, a pobreza e a miséria passaram a ser interpretadas como resultado da preguiça e da indolência, já que havia muitas oportunidades de emprego. Tais interpretações tinham por objetivo fazer que o povo se submetesse às condições de trabalho vigentes. A partir do século XVI, iniciou-se um nova ordem, na qual o indivíduo se tornou o centro das atenções. O Estado “herdou” a função, antes atribuída aos ricos, de cuidar dos pobres.
  • 16.
    Estrutura e estratificação social Capítulo 7 Nofinal do século XVIII, com o fortalecimento do liberalismo, outra justificativa para a pobreza foi formulada  as pessoas eram responsáveis pelo próprio destino e ninguém era obrigado a dar trabalho ou assistência aos mais pobres. Dizia-se que era necessário manter o medo à fome para que os trabalhadores realizassem bem suas tarefas.
  • 17.
    Estrutura e estratificação social Capítulo 7 Parao economista e demógrafo britânico Thomas Malthus, a população crescia mais que os meios de subsistência. Com base nas ideias de Malthus, dizia-se que a assistência social aos pobres era repudiável, pois os estimulava a ter mais filhos, o que aumentava a miséria. Thomas Malthus (1776-1834). NationalPortraitGallery,Londres,Inglaterra
  • 18.
    Estrutura e estratificação social Capítulo 7 Emmeados do século XIX, difundiu-se a ideia de que os trabalhadores eram perigosos: poderiam não só transmitir doenças, já que viviam em condições precárias de higiene, mas também se rebelar, organizar-se e fazer revoluções, questionando os privilégios das classes que detinham riqueza e poder.
  • 19.
    Estrutura e estratificação social Capítulo 7Exercícios 1.Leia o texto abaixo e explique-o de acordo com o que você estudou neste capítulo. Quando declaramos que o espírito de casta reina em dada sociedade, queremos dizer que os vários grupos dos quais essa sociedade é composta se repelem, em vez de atrair-se, que cada um desses grupos se dobra sobre si mesmo, se isola, faz quanto pode para impedir seus membros de contrair aliança ou, até, de entrar em relação com os membros dos grupos vizinhos. [...] Celestin Blouglé. O sistema de castas. In: Octávio Ianni (org.). Teorias da estratificação social. São Paulo: Nacional, 1973. p. 90-91.
  • 20.
    Estrutura e estratificação social Capítulo 72.Observe a imagem. Que elementos dessa cena caracterizam uma sociedade estamental? O trabalho no feudo representado em iluminura do século XV. MuseuCondé,Chantilly,França