ENEM2020
PROFª VANISE FEITOSA
LINGUAGEM E PENSAMENTO
Essas fotos fazem parte
de uma série
denominada A Tropa
de Elite (fotógrafo
Gabo Morales), que
retrata moradores da
antiga comunidade
de Pinheirinho, uma
ocupação irregular
localizada em São
José dos Campos (SP).
Homens e mulheres da
comunidade
transformaram objetos
comuns em
equipamentos de
defesa e entraram em
conflito com a PM.
1. A FOTOGRAFIA COMO LINGUAGEM:
 O fotógrafo está sempre buscando princípios como luz, cor,
textura, contraste, tema e enquadramento, esperando que eles
marquem seu estilo e diferenciem sua foto das demais.
 Nessa foto, vemos uma figura humana sobre fundo branco. Trata-
se de um homem adulto, na meia-idade, está vestido e armado
para se defender e lutar, mas não tem a pose de combatente.
 Da perspectiva da linguagem fotográfica, o fotógrafo usou o
ponto de vista central, o plano geral, que abrange toda a figura, e
a iluminação frontal e rebatida, a fim de eliminar qualquer sombra
do chão, o que contribui para criar a textura das roupas, das botas
e do barril de plástico azul, usado como se fosse um escudo.
2. O QUE É LINGUAGEM?
A linguagem é um instrumento que nos permite pensar e
comunicar o pensamento, estabelecer diálogos com nossos
semelhantes e dar sentido à realidade que nos cerca.
2.1 - Tipos de Linguagem:
 Linguagem Verbal: É aquela expressa por meio de palavras escritas
ou falada, ou seja, a linguagem verbalizada.
 Linguagem Não-verbal: É aquela que utiliza-se dos signos visuais
para ser efetivada, por exemplo, as imagens nas placas e as cores
na sinalização de trânsito.
 Quando nos referimos à linguagem, a primeira da qual nos
lembramos é a Verbal, tanto a oral quanto a escrita. Por meio dela,
nomeamos objetos, formamos conceitos e articulamos nosso
pensamento sobre o mundo, quer sobre o mundo subjetivo de
sentimentos e desejos, quer sobre o mundo objetivo exterior a nós.
2.2 – Estrutura da Linguagem:
 Toda linguagem é um sistema de signos.
 O Signo: Segundo definição do filósofo Charles Sanders Peirce, é
uma coisa que está no lugar de outra sob algum aspecto.
Por exemplo, o choro de uma criança pode estar no lugar do aviso
de desconforto, de fome, de frio ou de dor; ou pode estar no lugar
simplesmente da frustação por não ter conseguido o que queria. O
choro pode ser signo de todas essas coisas e, para decifrá-lo
adequadamente, precisamos saber o contexto em que ele ocorre e
ter familiaridade com a criança que assim se expressa.
Os “números” e as “palavras” também são signos, isto é, estão no
lugar das quantidades reais dos objetos ou do próprio objeto.
 Ainda para Peirce, o homem só pensa por signos e por outros
símbolos exteriores.
2.3 – Tipos de Signos: Se o signo está no lugar do objeto, isto é, se o substitui, ele
é uma representação do objeto. Um objeto pode ser representado de várias
maneiras:
 Tipo Ícone: Quando a relação é de “semelhança”.
Exemplos: O desenho do carro é um ícone quando apresenta semelhança
com a sua forma; a representação do carro por meio do “brrrrummbrrrrumm”
também é um ícone, pois tem uma semelhança sonora como o ruído do motor
em aceleração.
 Tipo Índice: Se a relação é de “causa e efeito”, uma relação que afeta a
existência do objeto ou é por ela afetada.
Exemplos: A fotografia do carro é um índice de sua existência, pois o objeto
fotografado esteve em frente à câmera no momento em que a fotografia foi
feita. A chuva pode ser representada pelo signo indicial nuvem (causa da
chuva) ou chão molhado (consequência da chuva); a fumaça ou o cheiro de
queimado são signos indiciais de fogo; os sinais matemáticos (+,-,x e /),quando
colocados ao lado de números, são signos indiciais das operações que devem
ser efetuadas, etc.
 Tipo Símbolo: Se a relação é “arbitrária”(facultativa), regida
simplesmente por convenção.
Exemplos: As palavras são o melhor exemplo de “símbolo”, mas há
muitos outros: Nas culturas ocidentais, a cor preta é símbolo de “luto”;
o uso da aliança no dedo anelar da mão esquerda simboliza a
condição de casado.
 Como só o ser humano é capaz de estabelecer signos arbitrários,
regidos por convenções sociais, dizemos que o mundo humano é
simbólico. Podemos explicar um signo por meio de outro, inclusive
misturando linguagens. Para explicar o signo-palavra “casa” para
uma criança, podemos fazer um signo-desenho de uma casa.
 Os animais são capazes de entender apenas ícones e índices. Os
cachorros , por exemplo, utilizam o signo indicial cheiro. Ele
reconhece, ainda, o tom de voz e as ações que indicam passeio,
castigo ou hora de comer.
2.4 – OUTROS ELEMENTOS DA LINGUAGEM:
 Precisamente por ser um sistema de signos, toda linguagem possui
um repertório, ou seja uma relação de signos que a compõem.
Exemplo: Na linguagem da fotografia, com os seis elementos – ponto
de vista, plano, iluminação, tom, textura e movimento – é possível tirar
diferentes tipos de fotografias.
 O repertório das linguagens verbais (ou línguas, como são
chamadas), ao contrário, é bastante amplo e costuma ser
relacionado em dicionários.
 A linguagem musical tonal, para compor seu repertório, dentre
todos os sons possíveis, seleciona alguns, denominados dó, ré, mi,
fá, sol, lá, si, acrescidos de semitons.
Do mesmo modo como existem diversos tipos de linguagem, existem
diferentes tipos de pensamento:
 Pensamento concreto: Que se forma a partir da percepção sensível, ou seja,
da representação de objetos reais, é imediato (momento presente), sensível e
intuitivo;
 Pensamento abstrato: Que estabelece relações (não perceptíveis), que cria os
conceitos e as noções gerais e abstratas, é mediato (precisa da mediação da
linguagem) e racional.
 Além de estruturar o pensamento, a linguagem mantém estreita relação com
a cultura. As várias linguagens, sofrem a influência das modificações culturais.
3.1 – A Importância da Linguagem:
Sabemos que a linguagem é um produto bastante sofisticado que só a razão
humana pode criar. Por isso, sua aquisição é um marco referencial da
humanidade. Ela permite que o ser humano vá além do mundo vivido, do
presente, e siga em direção ao mundo das ideias, da reflexão.
3. LINGUAGEM, PENSAMENTO E CULTURA

Aula de Filosofia - Linguagem e pensamento

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    LINGUAGEM E PENSAMENTO Essasfotos fazem parte de uma série denominada A Tropa de Elite (fotógrafo Gabo Morales), que retrata moradores da antiga comunidade de Pinheirinho, uma ocupação irregular localizada em São José dos Campos (SP). Homens e mulheres da comunidade transformaram objetos comuns em equipamentos de defesa e entraram em conflito com a PM.
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    1. A FOTOGRAFIACOMO LINGUAGEM:  O fotógrafo está sempre buscando princípios como luz, cor, textura, contraste, tema e enquadramento, esperando que eles marquem seu estilo e diferenciem sua foto das demais.  Nessa foto, vemos uma figura humana sobre fundo branco. Trata- se de um homem adulto, na meia-idade, está vestido e armado para se defender e lutar, mas não tem a pose de combatente.  Da perspectiva da linguagem fotográfica, o fotógrafo usou o ponto de vista central, o plano geral, que abrange toda a figura, e a iluminação frontal e rebatida, a fim de eliminar qualquer sombra do chão, o que contribui para criar a textura das roupas, das botas e do barril de plástico azul, usado como se fosse um escudo.
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    2. O QUEÉ LINGUAGEM? A linguagem é um instrumento que nos permite pensar e comunicar o pensamento, estabelecer diálogos com nossos semelhantes e dar sentido à realidade que nos cerca. 2.1 - Tipos de Linguagem:  Linguagem Verbal: É aquela expressa por meio de palavras escritas ou falada, ou seja, a linguagem verbalizada.
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     Linguagem Não-verbal:É aquela que utiliza-se dos signos visuais para ser efetivada, por exemplo, as imagens nas placas e as cores na sinalização de trânsito.  Quando nos referimos à linguagem, a primeira da qual nos lembramos é a Verbal, tanto a oral quanto a escrita. Por meio dela, nomeamos objetos, formamos conceitos e articulamos nosso pensamento sobre o mundo, quer sobre o mundo subjetivo de sentimentos e desejos, quer sobre o mundo objetivo exterior a nós.
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    2.2 – Estruturada Linguagem:  Toda linguagem é um sistema de signos.  O Signo: Segundo definição do filósofo Charles Sanders Peirce, é uma coisa que está no lugar de outra sob algum aspecto. Por exemplo, o choro de uma criança pode estar no lugar do aviso de desconforto, de fome, de frio ou de dor; ou pode estar no lugar simplesmente da frustação por não ter conseguido o que queria. O choro pode ser signo de todas essas coisas e, para decifrá-lo adequadamente, precisamos saber o contexto em que ele ocorre e ter familiaridade com a criança que assim se expressa. Os “números” e as “palavras” também são signos, isto é, estão no lugar das quantidades reais dos objetos ou do próprio objeto.  Ainda para Peirce, o homem só pensa por signos e por outros símbolos exteriores.
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    2.3 – Tiposde Signos: Se o signo está no lugar do objeto, isto é, se o substitui, ele é uma representação do objeto. Um objeto pode ser representado de várias maneiras:  Tipo Ícone: Quando a relação é de “semelhança”. Exemplos: O desenho do carro é um ícone quando apresenta semelhança com a sua forma; a representação do carro por meio do “brrrrummbrrrrumm” também é um ícone, pois tem uma semelhança sonora como o ruído do motor em aceleração.  Tipo Índice: Se a relação é de “causa e efeito”, uma relação que afeta a existência do objeto ou é por ela afetada. Exemplos: A fotografia do carro é um índice de sua existência, pois o objeto fotografado esteve em frente à câmera no momento em que a fotografia foi feita. A chuva pode ser representada pelo signo indicial nuvem (causa da chuva) ou chão molhado (consequência da chuva); a fumaça ou o cheiro de queimado são signos indiciais de fogo; os sinais matemáticos (+,-,x e /),quando colocados ao lado de números, são signos indiciais das operações que devem ser efetuadas, etc.
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     Tipo Símbolo:Se a relação é “arbitrária”(facultativa), regida simplesmente por convenção. Exemplos: As palavras são o melhor exemplo de “símbolo”, mas há muitos outros: Nas culturas ocidentais, a cor preta é símbolo de “luto”; o uso da aliança no dedo anelar da mão esquerda simboliza a condição de casado.  Como só o ser humano é capaz de estabelecer signos arbitrários, regidos por convenções sociais, dizemos que o mundo humano é simbólico. Podemos explicar um signo por meio de outro, inclusive misturando linguagens. Para explicar o signo-palavra “casa” para uma criança, podemos fazer um signo-desenho de uma casa.  Os animais são capazes de entender apenas ícones e índices. Os cachorros , por exemplo, utilizam o signo indicial cheiro. Ele reconhece, ainda, o tom de voz e as ações que indicam passeio, castigo ou hora de comer.
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    2.4 – OUTROSELEMENTOS DA LINGUAGEM:  Precisamente por ser um sistema de signos, toda linguagem possui um repertório, ou seja uma relação de signos que a compõem. Exemplo: Na linguagem da fotografia, com os seis elementos – ponto de vista, plano, iluminação, tom, textura e movimento – é possível tirar diferentes tipos de fotografias.  O repertório das linguagens verbais (ou línguas, como são chamadas), ao contrário, é bastante amplo e costuma ser relacionado em dicionários.  A linguagem musical tonal, para compor seu repertório, dentre todos os sons possíveis, seleciona alguns, denominados dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, acrescidos de semitons.
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    Do mesmo modocomo existem diversos tipos de linguagem, existem diferentes tipos de pensamento:  Pensamento concreto: Que se forma a partir da percepção sensível, ou seja, da representação de objetos reais, é imediato (momento presente), sensível e intuitivo;  Pensamento abstrato: Que estabelece relações (não perceptíveis), que cria os conceitos e as noções gerais e abstratas, é mediato (precisa da mediação da linguagem) e racional.  Além de estruturar o pensamento, a linguagem mantém estreita relação com a cultura. As várias linguagens, sofrem a influência das modificações culturais. 3.1 – A Importância da Linguagem: Sabemos que a linguagem é um produto bastante sofisticado que só a razão humana pode criar. Por isso, sua aquisição é um marco referencial da humanidade. Ela permite que o ser humano vá além do mundo vivido, do presente, e siga em direção ao mundo das ideias, da reflexão. 3. LINGUAGEM, PENSAMENTO E CULTURA