AfricanosnaAméricaPortuguesa
Durante o período colonial, que chamamos também de América Portuguesa, a principal relação de trabalho existente
foi a escrava. Inicialmente, os portugueses escravizaram os indígenas, mas com a proibição por parte dos padres
jesuítas, passaram a buscar mão-de-obra escravizada na África, o que gerou um comércio lucrativo para os
comerciantes, mas gerou inúmeros problemas sociais, principalmente os ligados ao preconceito racial.
Os africanos chegaram à América Portuguesa como escravizados através do tráfico negreiro. O comércio de pessoas
era bastante lucrativo, pois daqui saíam os navios com produtos como aguardente (cachaça) e fumo, dentre outros
produtos baratos. Na África, os portugueses montaram portos onde trocavam esses produtos por escravizados, que
haviam sido capturados por outros povos africanos. Antes de entrar nos navios, homens e mulheres eram obrigados a
dar a volta na árvore do esquecimento.
Nos navios negreiros, os africanos eram amontoados nos porões em condições precárias. A alimentação era ruim,
os castigos físicos eram constantes e não havia nenhuma higiene. Durante várias semanas eles ficavam presos e
maltratados. Muitos dos africanos morriam devido a uma tristeza profunda chamada banzo, que deixava a pessoa sem
reação e sem se alimentar.
Chegando nos portos da América Portuguesa, eles eram colocados em galpões durante alguns dias para se
recuperarem um pouco e depois eram preparados para serem vendidos, sendo besuntados de óleo para que a pele
ficasse brilhante. Os compradores os tratavam como animais, olhando seu porte físico e seus dentes para ver se não
havia nenhum problema, e compravam aqueles que eram melhores para o trabalho desejado.
Os africanos faziam todo tipo de trabalho pesado. No Nordeste eles eram levados para trabalhar nas plantações de
cana-de-açúcar ou nas casas dos senhores de engenho. Nos centros urbanos eram usados como escravos de ganho,
ou seja, vendiam quitutes e realizavam serviços como os de barbeiro e até mesmo de dentista. Parte do dinheiro
conseguido pelos serviços ficavam com eles e a grande maioria ficava com os senhores. Em Minas Gerais havia
também escravizados que trabalhavam nas minas de ouro. Eles tinham uma expectativa de vida pequena, pois era um
trabalho muito exaustivo e era comum que o trabalhador tivesse problemas respiratórios.
Para fugir da escravidão, alguns africanos se refugiavam nos quilombos, territórios que os abrigavam e onde
formavam comunidades. Os não escravizados sabiam da existência desses territórios, mas os quilombos começaram
a ser destruídos através do sertanismo de contrato, quando os bandeirantes passaram a caçar os escravizados que
haviam fugido. Como forma de diminuir a situação de sofrimento, os africanos criaram várias estratégias como
organizar rodas de capoeira, sambas de roda e realizar o sincretismo religioso.
Além das fugas, uma outra forma de deixar a condição de escravizado era conseguir a carta de alforria. Esse
documento podia ser adquirido pelo escravizado através de compra ou doação do seu senhor. Os escravizados
urbanos tinham melhores condições de conseguir comprar a carta, já que poderiam ficar com uma parte do valor que
recebiam por dia vendendo produtos ou oferecendo serviços. Já aqueles que trabalhavam nas minas conseguiam
esconder parte do ouro encontrado e conquistar também a carta. Havia também o caso de doação da carta para casos
em que o senhor concedia a liberdade ao escravizado por questões variadas. Entretanto o processo de abolição total
da escravidão ocorreu somente no século XIX, quando a América Portuguesa já havia se tornado Brasil, e, mesmo
assim, foi um processo lento e gradual.
ATIVIDADES
1- Qual foi a principal relação de trabalho existente durante o período colonial, que chamamos também de América
Portuguesa?
2- O que gerou devido os portugueses terem passado a buscar mão-de-obra escravizada na África?
3- Os africanos chegaram à América Portuguesa como escravizados através de que?
4- Por que o comércio de pessoas era bastante lucrativo?
5- Antes de entrar nos navios, homens e mulheres eram obrigados a fazer?
6- O que acontecia com os africanos nos navio negreiros?
7- O que acontecia com os africanos quando chegavam nos portos da América Portuguesa?
8- Como eles eram tratados pelos compradores?
9- Que tipo de trabalho os africanos faziam?
10- Onde eles trabalhavam no Nordeste?
11- O que eram escravos de ganho?
12- Em Minas Gerais havia também escravizados. Onde eles trabalhavam?
13- Qual era a sua perpectiva de vida?
14- O que eram quilombos?
15- Como forma de diminuir a situação de sofrimento, os africanos criaram várias estratégias. Quais são elas?
16- O que é carta de alforria?
17- O que era carta de doação?
18- Quando o processo de abolição total da escravidão ocorreu? Justifique.

ATIVIDADE 7º ANO 10-11.pdf

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    AfricanosnaAméricaPortuguesa Durante o períodocolonial, que chamamos também de América Portuguesa, a principal relação de trabalho existente foi a escrava. Inicialmente, os portugueses escravizaram os indígenas, mas com a proibição por parte dos padres jesuítas, passaram a buscar mão-de-obra escravizada na África, o que gerou um comércio lucrativo para os comerciantes, mas gerou inúmeros problemas sociais, principalmente os ligados ao preconceito racial. Os africanos chegaram à América Portuguesa como escravizados através do tráfico negreiro. O comércio de pessoas era bastante lucrativo, pois daqui saíam os navios com produtos como aguardente (cachaça) e fumo, dentre outros produtos baratos. Na África, os portugueses montaram portos onde trocavam esses produtos por escravizados, que haviam sido capturados por outros povos africanos. Antes de entrar nos navios, homens e mulheres eram obrigados a dar a volta na árvore do esquecimento. Nos navios negreiros, os africanos eram amontoados nos porões em condições precárias. A alimentação era ruim, os castigos físicos eram constantes e não havia nenhuma higiene. Durante várias semanas eles ficavam presos e maltratados. Muitos dos africanos morriam devido a uma tristeza profunda chamada banzo, que deixava a pessoa sem reação e sem se alimentar. Chegando nos portos da América Portuguesa, eles eram colocados em galpões durante alguns dias para se recuperarem um pouco e depois eram preparados para serem vendidos, sendo besuntados de óleo para que a pele ficasse brilhante. Os compradores os tratavam como animais, olhando seu porte físico e seus dentes para ver se não havia nenhum problema, e compravam aqueles que eram melhores para o trabalho desejado. Os africanos faziam todo tipo de trabalho pesado. No Nordeste eles eram levados para trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar ou nas casas dos senhores de engenho. Nos centros urbanos eram usados como escravos de ganho, ou seja, vendiam quitutes e realizavam serviços como os de barbeiro e até mesmo de dentista. Parte do dinheiro conseguido pelos serviços ficavam com eles e a grande maioria ficava com os senhores. Em Minas Gerais havia também escravizados que trabalhavam nas minas de ouro. Eles tinham uma expectativa de vida pequena, pois era um trabalho muito exaustivo e era comum que o trabalhador tivesse problemas respiratórios. Para fugir da escravidão, alguns africanos se refugiavam nos quilombos, territórios que os abrigavam e onde formavam comunidades. Os não escravizados sabiam da existência desses territórios, mas os quilombos começaram a ser destruídos através do sertanismo de contrato, quando os bandeirantes passaram a caçar os escravizados que haviam fugido. Como forma de diminuir a situação de sofrimento, os africanos criaram várias estratégias como organizar rodas de capoeira, sambas de roda e realizar o sincretismo religioso. Além das fugas, uma outra forma de deixar a condição de escravizado era conseguir a carta de alforria. Esse documento podia ser adquirido pelo escravizado através de compra ou doação do seu senhor. Os escravizados urbanos tinham melhores condições de conseguir comprar a carta, já que poderiam ficar com uma parte do valor que recebiam por dia vendendo produtos ou oferecendo serviços. Já aqueles que trabalhavam nas minas conseguiam esconder parte do ouro encontrado e conquistar também a carta. Havia também o caso de doação da carta para casos em que o senhor concedia a liberdade ao escravizado por questões variadas. Entretanto o processo de abolição total da escravidão ocorreu somente no século XIX, quando a América Portuguesa já havia se tornado Brasil, e, mesmo assim, foi um processo lento e gradual. ATIVIDADES 1- Qual foi a principal relação de trabalho existente durante o período colonial, que chamamos também de América Portuguesa? 2- O que gerou devido os portugueses terem passado a buscar mão-de-obra escravizada na África? 3- Os africanos chegaram à América Portuguesa como escravizados através de que? 4- Por que o comércio de pessoas era bastante lucrativo? 5- Antes de entrar nos navios, homens e mulheres eram obrigados a fazer? 6- O que acontecia com os africanos nos navio negreiros? 7- O que acontecia com os africanos quando chegavam nos portos da América Portuguesa? 8- Como eles eram tratados pelos compradores? 9- Que tipo de trabalho os africanos faziam? 10- Onde eles trabalhavam no Nordeste? 11- O que eram escravos de ganho? 12- Em Minas Gerais havia também escravizados. Onde eles trabalhavam? 13- Qual era a sua perpectiva de vida? 14- O que eram quilombos? 15- Como forma de diminuir a situação de sofrimento, os africanos criaram várias estratégias. Quais são elas? 16- O que é carta de alforria? 17- O que era carta de doação? 18- Quando o processo de abolição total da escravidão ocorreu? Justifique.