590 ISSN 0326-2383
Acta Farm. Bonaerense 24 (4): 590-7 (2005)
Recibido el 16 de abril de 2005
Aceptado el 19 de julio de 2005
Atención farmacéutica
PALAVRAS-CHAVE: Farmacêutico, Farmácia do setor privado, Prática farmacêutica.
KEY WORDS: Community pharmacy, Pharmaceutic, Pharmaceutical practice.
* Autor para correspondência: Av. Universitária, 1105 Bairro Universitário - C.P. 3167 -
CEP:88806-000 Criciúma – Santa Catarina, Brasil
Investigação do Perfil dos Farmacêuticos
e das Atividades Desenvolvidas em Farmácias
do Setor Privado no Município de Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.
Iane FRANCESCHET 1* & Mareni Rocha FARIAS 2
1 Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC) Av. Universitária, 1105
Bairro Universitário - C.P. 3167 - CEP: 88806-000 Criciúma - Santa Catarina, Brasil
2 Departamento de Ciências Farmacêuticas e Programa de Pós-Graduação em Farmácia da Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC), Caixa Postal: 476 - Florianópolis/SC - 88040-900, Brasil
RESUMO. O estudo trata de investigar as atividades realizadas por noventa farmacêuticos atuantes em
farmácias do setor privado do município de Florianópolis/SC, bem como o perfil destes profissionais e das
farmácias, com a finalidade de identificar a prática farmacêutica adotada. A metodologia utilizada foi a
pesquisa quantitativa, de caráter descritivo, utilizando como instrumento a entrevista estruturada. A cole-
ta de dados foi realizada entre junho e setembro de 2002. Os resultados afirmaram, de maneira geral, que
a prática farmacêutica adotada parece estar em desacordo com as atribuições inerentes ao farmacêutico.
A regulamentação da profissão preconiza que o farmacêutico é um profissional membro da equipe multi-
disciplinar de saúde e suas ações nas farmácias do setor privado devem estar inseridas neste contexto. Ao
término do artigo são sugeridos alguns apontamentos de mudanças na estrutura dos serviços desenvolvi-
dos atualmente nas farmácias do setor privado, a fim de que realmente gerem resolutividade para os pro-
blemas de saúde da população.
SUMMARY. “Pharmaceutic profile investigation and activities developed in community pharmacies of Floria-
nopolis city, in Santa Catarina State, Brazil”. The present work investigates the activities done by ninety pharma-
ceutics that work in community pharmacies of Florianopolis/SC, as well as the profile of these professionals and
the pharmacies, with the intention to identify the pharmaceutical practice adopted. The utilized methodology was
the quantitative research, with a descriptive character, utilizing as an instrument a structured research. The data
gathering was done between June and September of 2002. The results confirmed, in a general way, that the phar-
maceutical practice adopted seems not to be according with the pharmaceutics attributions. The profession regu-
lation says that that pharmaceutics is a professional member of the multidisciplinary health team and their prac-
tices in the community pharmacies should be inserted in that context. At the article end there are some sugges-
tions in order to get changes in the structure of the developed services in the community pharmacies, aiming so-
lutions to the population health problems.
INTRODUÇÃO
Em 1988, a Organização Mundial da Saúde
(OMS) declarou que “a busca da saúde median-
te o enfoque da atenção primária exigirá a rede-
finição dos papéis e funções dos profissionais,
incluindo médicos, enfermeiros, farmacêuticos,
dentistas, etc., que terão que aceitar sua in-
clusão como membros na equipe de saúde” 1. A
busca de consensos sobre o papel do farmacêu-
tico nos sistemas de atenção à saúde demonstra
a necessidade e importância de incorporar este
profissional na equipe multidisciplinar, de forma
que auxilie na resolutividade dos problemas de
saúde da população. O farmacêutico, especial-
mente na farmácia do setor privado, deve pos-
suir competências e responsabilidades relacio-
nadas ao processo do uso de medicamentos,
bem como praticar ações voltadas à orientação
primária e prevenção de doenças. Sua importân-
cia pode ser medida pela facilidade de acesso
da população aos seus serviços, por isso precisa
conhecer, aceitar e viabilizar o cumprimento de
seu papel social.
De acordo com Joaquim Bonal, farmácia é
uma profissão sanitária assistencial que faz parte
do conjunto das profissões que atendem às ne-
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acta farmacéutica bonaerense - vol. 24 n° 4 - año 2005
cessidades de saúde da população 2. Dessa for-
ma, é relevante a discussão - e especialmente
neste estudo com relação às farmácias do setor
privado - da prática farmacêutica que está sendo
adotada. Todos os farmacêuticos no exercício
de sua profissão são obrigados a assegurar a
qualidade apropriada do serviço que prestam a
cada usuário. Um serviço farmacêutico amplo
compreende atividades que assegurem a saúde
e evitem enfermidades na população. Quando
se faz necessário tratar uma doença, a qualidade
do processo de uso do medicamento deveria
garantir ao máximo o proveito terapêutico e evi-
tar efeitos secundários desfavoráveis. Isso pres-
supõe a aceitação, por parte dos farmacêuticos,
de uma responsabilidade compartilhada com
outros profissionais e com os usuários pela oti-
mização da terapia 3.
A OMS, assim como outros órgãos regula-
mentadores do setor de saúde, vêm estabele-
cendo alguns critérios a nível mundial relaciona-
dos aos serviços farmacêuticos e ao papel deste
profissional no sistema de saúde, sobretudo nas
últimas décadas. Através da análise das reco-
mendações preconizadas pela OMS sobre o pa-
pel do farmacêutico podem ser estabelecidos
padrões de práticas farmacêuticas voltadas para
a realidade de cada país ou região.
O primeiro documento sobre o Papel do Far-
macêutico no Sistema de Atenção à Saúde da
OMS estabelece que o centro da responsabilida-
de do farmacêutico é a aplicação dos conheci-
mentos científicos adquiridos sobre o uso apro-
priado dos medicamentos, além da prevenção
relacionada aos perigos de seu uso indiscrimina-
do 1. Torna-se clara a preocupação em formar
profissionais com perfil qualificado para realizar
tais atividades, buscando a melhoria sistemática
e sustentada do serviço.
Em 1993, a OMS atualizou o documento so-
bre o Papel do Farmacêutico no Sistema de
Atenção à Saúde, na segunda reunião em Tó-
quio, priorizando os aspectos relacionados à
atenção farmacêutica, tornando-os essenciais pa-
ra a prática profissional. Na segunda parte deste
documento a Federação Internacional dos Far-
macêuticos (FIP) estabeleceu as Boas Práticas
de Farmácia: Normas de Qualidade de Serviços
Farmacêuticos, enfatizando as boas práticas para
as funções do profissional dentro da farmácia,
interação com outros profissionais e necessida-
de de educação continuada 3.
Em Vancouver, Canadá em 1997, a OMS rea-
lizou a terceira reunião do Grupo de Consulto-
ria, o tema de discussão foi a preparação do far-
macêutico para as tendências, ressaltando a ne-
cessidade de mudanças curriculares. Este docu-
mento aponta um novo perfil profissional para
o chamado “farmacêutico sete estrelas” 4.
No entanto, percebe-se que o profissional
encontra dificuldades que inviabilizam a utili-
zação dos modelos de âmbito global recomen-
dados por cientistas e instituições da área da sa-
úde. A busca de consensos sobre a prática pro-
fissional gera muitas discussões, principalmente
pela inadequação de um único modelo genera-
lista para as mais diversas realidades do Brasil.
Um passo importante foi a criação da Proposta
do Consenso Brasileiro de Atenção Farmacêuti-
ca, nucleado pela Organização Pan-Americana
de Saúde (OPAS), com o objetivo de promover
a sistematização das experiências e buscar estra-
tégias para a promoção da Atenção Farmacêuti-
ca. De acordo com o documento, os componen-
tes mais amplos da atividade prática do far-
macêutico são: educação em saúde (incluindo
promoção do uso racional de medicamentos);
orientação farmacêutica; dispensação; entrevista
farmacêutica; seguimento/acompanhamento far-
macoterapêutico; registro sistemático das ativi-
dades, mensuração e avaliação dos resultados 5.
Com base nas recomendações da OMS, bem
como na Legislação Brasileira (Lei N°
5.991/1973) 6 e nas Resoluções N° 308/1997 7 e
N° 357/2001 8 do Conselho Federal de Farmácia,
objetivou-se investigar o perfil dos farmacêuti-
cos e das atividades que executam nas farmá-
cias onde atuam. O panorama encontrado apon-
ta a necessidade de reestruturação dos serviços
de farmácia, a fim de que realmente gerem re-
solutividade para os problemas de saúde da po-
pulação.
METODOLOGIA
A pesquisa utiliza o método quantitativo para
coleta das informações, com caráter descritivo,
tendo como objeto de estudo o grupo de far-
macêuticos atuantes em farmácias do setor pri-
vado do município de Florianópolis/SC. Faz-se
necessário esclarecer a denominação utilizada
para as farmácias incluídas na pesquisa, as quais
são farmácias comerciais de dispensação, aber-
tas ao público, com exceção das farmácias pri-
vativas (não abertas ao público em geral) e das
farmácias magistrais.
O universo da pesquisa é constituído por far-
macêuticos que cumprem efetivamente o horá-
rio de trabalho. Para obter maior controle e evi-
tar duplicidade nas respostas, foi selecionado
um farmacêutico por farmácia para participar da
592
FRANCESCHET I. & FARIAS M.R.
pesquisa. Nas farmácias que possuíam dois ou
mais profissionais contratados, somente um foi
sorteado e participou do estudo. Considerou-se
esse método mais coerente, conforme opções
de resposta do roteiro de entrevista.
Para obter informações às indagações pro-
postas no trabalho, utilizou-se a pesquisa de
campo como instrumental, sendo a entrevista o
mecanismo utilizado para a coleta de dados.
Utilizou-se a entrevista estruturada ou padroni-
zada, ou seja, um roteiro de entrevista foi pre-
viamente estabelecido e seguido 9. A primeira
parte do roteiro é composta por informações
gerais dos entrevistados e do estabelecimento, a
segunda é composta por uma tabela de ativida-
des (72 itens), com cinco opções de repostas: a)
se a atividade não é executada, b) se a atividade
é executada pelo farmacêutico respondente, c)
se a atividade é executada pelo colega far-
macêutico, d) se a atividade é executada por
não farmacêutico com supervisão do farmacêuti-
co, e) se a atividade é executada por não far-
macêutico com ou sem supervisão de não far-
macêutico. A terceira parte do roteiro trata de
informações gerais dos serviços. As entrevistas
foram realizadas no período de junho a setem-
bro de 2002, pela pesquisadora e dois colabora-
dores que foram previamente orientados.
Os dados coletados foram armazenados e
analisados no Programa Epi Info Versão 6.04 de
2001. Quanto à validade e consistência interna,
o instrumento de pesquisa foi previamente ana-
lisado pelos integrantes do NAFAR (Núcleo de
Assistência Farmacêutica/UFSC) e testado com 8
farmacêuticos que trabalham em farmácias do
setor privado no município de São José / SC
(Grande Florianópolis) não participantes da pes-
quisa, para verificar clareza e objetividade das
questões.
A pesquisa foi submetida à análise pelo Co-
mitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos
da UFSC e aprovada, conforme Parecer N°
065/2002.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para efetuar a pesquisa considerou-se, ini-
cialmente a totalidade das farmácias do setor
privado existentes em Florianópolis em feverei-
ro de 2002, conforme dados do Conselho Regio-
nal de Farmácia de Santa Catarina (CRF/SC). O
número total apontava a existência de 181 esta-
belecimentos farmacêuticos. Após tentativa de
contato com os estabelecimentos, constatou-se
que 15 (8,3%) farmácias não foram encontradas
(por duplicação de cadastro, fechamento ou en-
dereço inexistente). Além disso, 7 (3,9%) foram
caracterizadas como farmácias privativas, são
farmácias localizadas normalmente, no interior
de empresas, que atendem apenas funcionários.
Por não serem acessíveis ao público em geral,
não foram incluídas no estudo. Sendo assim,
partiu-se de um total de 159 farmácias do setor
privado existentes no município.
Em 39 (24,5%) estabelecimentos o farmacêu-
tico não foi encontrado, após pelo menos três
tentativas de contato telefônico ou pessoal com
a farmácia, em dias e períodos alternados. Além
disso, 30 (25,0%) profissionais foram contacta-
dos e não aceitaram o convite, alegando moti-
vos como falta de tempo, farmacêutico em perí-
odo de férias, licença maternidade, entre outros.
Considerando esses percentuais de perda e re-
cusa, respectivamente, a população de estudo
restringiu-se em 90 farmacêuticos que trabalha-
vam em farmácias comerciais de Florianópolis,
sendo entrevistado apenas um farmacêutico por
estabelecimento.
As farmácias foram categorizadas da seguinte
forma: farmácias de rede (existência de 2 ou
mais farmácias do mesmo proprietário ou grupo
de acionistas), farmácias em que o proprietário
era o próprio farmacêutico e, ainda, farmácias
em que o proprietário não era farmacêutico
(chamados de leigos). Esta categorização foi
efetuada para facilitar a análise dos dados e rea-
lizar cruzamentos entre variáveis.
É importante salientar o considerável núme-
ro de farmácias onde os profissionais estavam
ausentes nos horários em que foram procura-
dos, equivalentes a 24,5% do total de estabeleci-
mentos do município. Entretanto, a ausência do
farmacêutico não significa que não é atuante no
estabelecimento. Os resultados demonstraram
que a ausência do farmacêutico atingiu o maior
índice nas farmácias de proprietários leigos
(29,0% do total das farmácias desta categoria),
sendo que o segundo maior índice foi verificado
nas farmácias de proprietário farmacêutico
(15,1%) e o menor índice ocorreu nas farmácias
de rede (14,6%). O índice de ausência mais ele-
vado nas farmácias de leigo representa um dado
interessante, visto que somente nesta categoria
os resultados demonstraram que a totalidade
dos profissionais exercia a responsabilidade téc-
nica, sem funções administrativas de maior im-
portância sob sua responsabilidade, como a
gerência. Supostamente, a presença do profis-
sional pode estar mais relacionada com suas
funções de gerenciamento do que com as
funções inerentes à responsabilidade técnica, já
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acta farmacéutica bonaerense - vol. 24 n° 4 - año 2005
que nas farmácias onde o farmacêutico é pro-
prietário e nas farmácias de rede a presença do
farmacêutico é indispensável para determinadas
funções, sobretudo as administrativas.
Quanto à recusa em participar da entrevista,
aproximadamente 32,8% dos farmacêuticos pro-
prietários não aceitaram, enquanto este índice
foi de 27,2% para farmacêuticos das farmácias
de rede e de apenas 6,5% para farmacêuticos
das farmácias de proprietário leigo. O principal
motivo de recusa alegado pelos farmacêuticos
proprietários foi a falta de tempo.
Características das farmácias
Algumas questões da entrevista se referiam
aos estabelecimentos onde os farmacêuticos
pesquisados trabalhavam, já que certas caracte-
rísticas dos locais poderiam influenciar no perfil
de atividades desenvolvidas. A Tabela 1 de-
monstra esses resultados.
Características das farmácias participantes do estudo (n=90)
Categoria Rede 32 (35,6%)
da farmácia Proprietário farmacêutico
38 (42,2%)
Proprietário leigo
20 (22,2%)
Localização da farmácia Centro 29 (32,2%)
Bairros 61 (67,8%)
Horário de Oito a doze
funcionamento horas/dia 28 (31,1%)
Treze a quinze horas/dia
50 (55,6%)
Mais de quinze horas/dia
12 (13,3%)
Número de Um 63 (70,0%)
farmacêuticos atuantes Dois 21 (23,3%)
Três ou mais 6 (6,6%)
Número de incluindo o(s) farmacêutico(s)
colaboradores Até três 39 (43,3%)
Quatro a seis 24 (26,7%)
Sete a nove 13 (14,4%)
Mais de nove 14 (15,6%)
Tabela 1. Características das farmácias participantes
do estudo.
Quanto à distribuição das farmácias, perce-
be-se que dentre as farmácias localizadas no
centro do município, 21 (72,4%) são farmácias
de rede; 4 (13,8%) são farmácias de propriedade
de farmacêuticos, enquanto 4 (13,8%) são far-
mácias de proprietários leigos. Quanto às farmá-
cias localizadas nos bairros, 34 (55,7%) são de
farmacêuticos proprietários, 11 (18,0%) são far-
mácias de redes e 16 (26,2%) são farmácias de
proprietários leigos. As redes concentram-se
mais no centro do município, tendo como pecu-
liaridade um público predominantemente passa-
geiro, enquanto as farmácias de farmacêuticos e
proprietários leigos concentram-se mais nos
bairros, normalmente com um público mais cati-
vo, principalmente moradores locais.
Percebe-se, ainda, o número restrito de cola-
boradores por farmácia, uma das possíveis cau-
sas de sobrecarga de trabalho, principalmente
para o farmacêutico. O número máximo de co-
laboradores foi de 28 numa farmácia de rede
com atendimento 24 horas, sendo que 4 destes
eram os farmacêuticos e gerentes.
Características dos farmacêuticos
O perfil dos farmacêuticos entrevistados po-
de ser visualizado na Tabela 2.
Pode-se salientar a questão do número de
farmacêuticos atuantes nas farmácias participan-
tes do estudo, que é pequeno em comparação
com o horário de funcionamento dos estabeleci-
mentos em geral. A legislação vigente no Brasil
(Lei N° 5.991/73), preconiza que em todo horá-
rio de funcionamento da farmácia deve existir
um farmacêutico presente 6. Isso demonstra que
a maioria dos estabelecimentos incluídos no es-
tudo não cumpre a legislação. Com relação ao
horário de funcionamento, das 12 farmácias que
funcionavam acima de 15 horas diárias, 2 (2,2%)
disponibilizavam 24 horas de atendimento por
dia, ambas contando com 4 farmacêuticos
atuantes.
Observa-se o predomínio de mulheres na
prática profissional, fato que corrobora com da-
dos encontrados por Borges 10 e Santos 11, indi-
cando a feminilização da profissão. Quanto à
faixa etária, a média de idade dos farmacêuticos
entrevistados foi de 31,9 anos, a idade mínima
encontrada foi de 21 anos e a máxima de 75
anos. A análise expõe, ainda, que 75% da popu-
lação entrevistada tinham até 38 anos de idade.
Quanto ao local de formação, a maioria dos
entrevistados graduou-se na UFSC (71,1%), fato
que pode ser explicado já que Florianópolis é a
sede da UFSC e boa parte dos egressos estabe-
lece-se no mercado de trabalho da região.
Destaca-se uma proporção considerável dos
farmacêuticos entrevistados que cursaram Habi-
litação em Análises Clínicas o que, possivelmen-
te, reflete a dificuldade do recém-formado em
estabelecer-se no setor ou, ainda, a necessidade
594
FRANCESCHET I. & FARIAS M.R.
do farmacêutico atuante em farmácia do setor
privado de complementar a formação através
desta ênfase, indicando uma possível comple-
mentaridade destas áreas.
Quanto à titulação, 2 (2,2%) farmacêuticos
relataram possuir Mestrado –nas áreas de Bio-
tecnologia e Farmacologia– sendo que ambos
atuavam como responsáveis técnicos e gerentes,
um deles era proprietário de farmácia e outro
era funcionário. Nenhum referiu ter Doutorado.
Constatou-se que 1 (1,1%) farmacêutico possuía,
além da graduação em Farmácia, graduação em
Psicologia. Além disso, 7 (7,8%) farmacêuticos
relataram ter Cursos de Especialização nas áreas
de Farmácia Clínica, Gestão Hospitalar, Indústria
Farmacêutica, Saúde Pública, Análises Clínicas -
Citologia, Gestão Estratégica de Empresas e
Marketing. Dentre os 7 especialistas, 6 (85,7%)
eram proprietários, sócios-proprietários ou só-
cios da farmácia e 5 destes possuíam função ge-
rencial, apenas 1 (14,2%) era funcionário. Devi-
do ao caráter voltado à prática dos cursos de Es-
pecialização, verificou-se que foi a opção de
pós-graduação mais procurada pelos profissio-
nais atuantes nas farmácias, apesar do número
de especialistas ainda ser pequeno.
Quanto ao tempo de trabalho na farmácia,
os resultados demonstram que 53 (58.9 %) far-
macêuticos estão trabalhando no estabelecimen-
to atual (na data da pesquisa) por período me-
nor que 2 anos. Cerca de 13 (14,4 %) profissio-
nais estão no estabelecimento em questão por 2
a 4 anos. Ainda 24 (26,7 %) dos farmacêuticos já
trabalham na referida farmácia há mais de 4
anos.
É importante salientar que a maioria dos far-
macêuticos entrevistados possuía mais que uma
função na farmácia, sendo atribuído ao profis-
sional o cargo gerencial independente deste ser
o proprietário do estabelecimento. A FIP reco-
menda que a responsabilidade gerencial deve
ser aceita pelo farmacêutico, buscando sempre a
evolução e o melhoramento da qualidade da
sua função 3. O documento da OMS de Vanco-
ver, em 1997 considera o gerenciamento uma
das características do farmacêutico do futuro,
que deve administrar eficazmente recursos hu-
manos, físicos, financeiros e informacionais 4.
Estes documentos apresentam recomendações
que devem nortear as ações do farmacêutico na
sua prática profissional, não caracterizando obri-
gações legais. A atribuição da função gerencial
ao farmacêutico é relativamente recente em Flo-
rianópolis, começou a ser implementada no iní-
Características dos farmacêuticos
participantes do estudo (n=90)
Sexo Mulheres: 57 (63,3%)
Homens: 33 (36,7%)
Faixa etária De 21 a 30 anos: 56 (62,2%)
De 31 a 40 anos: 19 (21,1%)
Mais de 40 anos: 15 (16,7%)
Local de formação UFSC 64 (71,1%)
UFRGS* 8 (8,9%)
UNISUL** 5 (5,6%)
Outras instituições 13 (14,4%)
Habilitação Análises clínicas 55 (61,1%)
Tecnologia de alimentos 9 (10,0%)
Tecnologia farmacêutica 1 (1,1%)
Somente Graduação
Farmácia 25 (27,8%)
Titulação Mestrado 2 (2,2%)
Especialização 7 (7,8%)
Somente Graduação
Farmácia 81 (90,0%)
Tempo de trabalho Menos de dois anos 53 (58,9%)
na farmácia Dois a quatro anos 13 (14,4%)
Mais de 4 anos 24 (26,7%)
Função executada Somente resposável
técnico 31 (34,5%)
Somente gerente 4 (4,4%)
Ambos 55 (61,1%)
Condição do Proprietário 33 (36,7%)
farmacêutico Funcionário 51 (56,7%)
na farmácia*** Sócio 12 (13,3%)
Jornada de trabalho Até cinco 4 (4,4%)
(horas/dia) De seis a oito 44 (48,9%)
De nove a doze 38 (42,3%)
Mais de doze 4 (4,4%)
Remuneração Até 450,00 1 (1,1%)
(R$/mês) 451,00 a 700,00 8 (8,9%)
701,00 a 1.300,00 49 (54,4%)
1.301,00 a 2.000,00 25 (27,8%)
Mais de 2.000,00 7 (7,8%)
Participação em Não participam 8 (8,9%)
eventos Menos de uma vez ao ano
de atualização 17 (18,9%)
profissional Uma vez ao ano 27 (30,0%)
Duas ou mais vezes ao ano
38 (42,2%)
Tabela 2. Características dos farmacêuticos participan-
tes do estudo.
* UFRGS: Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
**UNISUL: Universidade do Sul de Santa Catarina.
***Mais de uma resposta.
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acta farmacéutica bonaerense - vol. 24 n° 4 - año 2005
cio da década de 90. As grandes redes de farmá-
cias adaptaram-se a esta mudança principalmen-
te para diminuir os custos de mão-de-obra, não
necessitando contratar um administrador ou ou-
tro profissional da área para exercer esta
função. Para o farmacêutico, a aquisição desta
nova atribuição proporcionou maior autonomia
e responsabilidade na farmácia, numa posição
hierárquica de maior prestígio e poder. Por ou-
tro lado, acumulou funções que antes não exer-
cia, para as quais não possui formação técnica
adequada.
A maior proporção de farmacêuticos que
agrega a responsabilidade gerencial é composta
por proprietários dos estabelecimentos e far-
macêuticos que trabalham nas redes. Nas farmá-
cias de proprietário leigo, nenhum farmacêutico
respondente exercia função gerencial. Teorica-
mente isto proporciona ao profissional um
maior tempo disponível para realizar outras ati-
vidades, como aquelas relacionadas ao atendi-
mento do usuário. Contudo, especificamente
nestes estabelecimentos, isto pode indicar tam-
bém uma menor autonomia de decisões.
Com relação à jornada de trabalho, a maioria
dos farmacêuticos proprietários apresentou uma
sobrecarga de trabalho, já que permanecia na
farmácia mais de 8 horas por dia (63,1%). Da
mesma forma, 53,1% dos farmacêuticos que tra-
balhavam em farmácias de rede tinham uma jor-
nada de trabalho maior do que 8 horas por dia.
No entanto, 95,0% dos farmacêuticos que traba-
lhavam em farmácias de proprietário leigo de-
clararam que permaneciam na farmácia por, no
máximo, até 8 horas diárias. É interessante, nes-
te ponto, relacionar a jornada de trabalho do
farmacêutico com sua carga de trabalho, já que
todos os farmacêuticos de farmácia de proprie-
tário leigo relataram não exercer função geren-
cial.
A relação entre jornada de trabalho e núme-
ro de profissionais deve ser enfatizada, haja vis-
ta que 52,4% dos farmacêuticos relataram per-
manecer na farmácia mais de 8 horas diárias
sem contar com outro profissional. Conforme
aumenta o número de profissionais para dois e
três, o farmacêutico entrevistado relatou perma-
necer menos tempo na farmácia. Este fato de-
monstra visivelmente que o acúmulo de funções
ocorre também devido ao pequeno número de
farmacêuticos por farmácia.
Conforme aumenta a jornada de trabalho,
maior é a renda mensal do farmacêutico. É inte-
ressante observar que um farmacêutico entrevis-
tado relatou receber mensalmente até R$ 450,00
e ele trabalhava de 9 a 12 horas diariamente na
farmácia, sendo, inclusive, o proprietário e o
único profissional. Além dele, contava com mais
um funcionário. Isso aponta um problema que
pode se tornar cada vez mais comum para pro-
prietários farmacêuticos: baixa remuneração e
altas jornadas de trabalho, muitas vezes tornan-
do inviável a manutenção da empresa.
Quanto à freqüência de participação em cur-
sos, palestras para atualização profissional o re-
sultado exposto demonstrou que a participação
média do farmacêutico em eventos é de uma
vez por ano, sendo que os profissionais forma-
dos há mais tempo relataram participar mais do
que os formados mais recentemente. Conforme
recomenda a OMS no informe sobre o Papel do
Farmacêutico no Sistema de Saúde, uma das ca-
racterísticas do profissional do futuro é “estar
disposto ao aprendizado durante toda a carreira,
tornando-se um aprendiz permanente” 4.
Características das atividades executadas
nas farmácias
Com relação às atividades ou serviços reali-
zados pelos farmacêuticos em seus locais de tra-
balho, a pesquisa demonstrou alguns resultados,
expostos a seguir.
Quanto à proporção de atendimento ao pú-
blico realizado pelo farmacêutico, verificou-se
que nas farmácias de rede 6,3% dos farmacêuti-
cos relataram atender acima de 75,0% dos usuá-
rios que freqüentam a farmácia diariamente. Já
nas farmácias de proprietário farmacêutico, esta
proporção aumenta para 47,4% dos profissionais
entrevistados. Nas farmácias de proprietário lei-
go 20,0% dos farmacêuticos atendem mais de
75,0% dos usuários. Conforme dispõe a Reso-
lução N° 0006 DVS/SC de 15/03/2001, no item
III, a presença e atuação do profissional far-
macêutico é condição e requisito essencial para
a dispensação de medicamentos ao público 12.
Os resultados indicam que nas farmácias de
proprietário farmacêutico, apesar da maioria dos
profissionais exercer funções administrativas,
observou-se a presença mais ativa do farmacêu-
tico no atendimento ao público, demonstrando
que os proprietários farmacêuticos participantes
do estudo executam com maior frequência a ati-
vidade de atendimento ao público.
Os entrevistados foram questionados quanto
ao percentual aproximado de casos em que
prestam orientações aos usuários sobre indi-
cações, contra-indicações, reações adversas, in-
terações medicamentosas e posologia de medi-
camentos. Constatou-se que a orientação mais
596
FRANCESCHET I. & FARIAS M.R.
repassada aos usuários refere-se a indicações
dos medicamentos (32,3% dos respondentes re-
lataram que orientam mais da metade dos usuá-
rios da farmácia sobre a indicação dos medica-
mentos dispensados). Entretanto, as orientações
sobre interações medicamentosas são as menos
repassadas aos usuários (6,7% dos farmacêuticos
responderam que não prestam este tipo de
orientação e 54,4% a executam para menos de
25% dos usuários da farmácia). Quanto à orien-
tação sobre contra-indicações, 72,2% dos res-
pondentes relataram orientar menos da metade
dos usuários da farmácia. Proporção semelhante
foi encontrada quanto à orientações sobre rea-
ções adversas, 70,0% dos entrevistados disseram
que orientam menos da metade dos usuários da
farmácia. No entanto, referente à orientação so-
bre posologia dos medicamentos, 33,3% dos far-
macêuticos responderam que orientam menos
da metade dos usuários.
Conforme recomenda a FIP: “... a essência
da atividade farmacêutica deve ser a adminis-
tração de medicamentos e outros produtos para
o cuidado da saúde, a informação e o assessora-
mento adequado aos pacientes, e a observação
dos efeitos de seu uso...” 3. Verifica-se que o
grau de orientações prestado é baixo. As orien-
tações mais comumente prestadas se referem a
indicação e posologia dos medicamentos. Os
motivos relacionados a estes resultados preci-
sam ser investigados mais criteriosamente.
Quanto à confecção e análise de fichas de
acompanhamento farmacoterapêutico, 76
(84,4%) farmacêuticos entrevistados não confec-
cionavam nem analisavam fichas de acompa-
nhamento farmacoterapêutico, enquanto 11
(12,2%) farmacêuticos relataram utilizá-las para
acompanhamento de pacientes com doenças
crônicas; e 3 (3,3%) farmacêuticos utilizavam es-
tas fichas para outros casos, a pedido do pa-
ciente.
Quanto à existência de um local reservado
para conversar com o paciente, 60,0% dos far-
macêuticos entrevistados alegaram que a farmá-
cia possui um local mais reservado para atender
os usuários, sendo que destes, 87,1% apontaram
a sala de aplicação de injetáveis. Não se estabe-
lece a existência de um local exclusivo para re-
ceber o paciente como pré-requisito para efe-
tuar atividades de acompanhamento terapêutico.
Um estudo realizado entre farmacêuticos da Es-
cócia demonstrou que 40,0% dos entrevistados
possuiam uma área semi-aberta ou fechada (sa-
la) exclusiva para a consulta com o paciente 13.
É importante levar em consideração a privacida-
de do paciente, mas ao mesmo tempo, uma
área fechada pode deixar o paciente receoso.
Quanto ao tipo de material utilizado para
consulta durante a atividade prática, 95,6% dos
entrevistados relataram utilizar o Dicionário de
Especialidades Farmacêuticas (DEF) para sanar
dúvidas, sendo que 65,1% destes relataram utili-
zar outro material juntamente com o anterior,
sendo a maioria de origem comercial. Apenas
3,6% dos entrevistados citaram um livro de te-
rapêutica e 7,4% citaram livros de farmacologia.
O DEF e outras fontes de origem comercial são
de utilização e funcionalidade limitada, possuin-
do baixo grau de confiabilidade para as orien-
tações sobre o uso correto dos medicamentos.
Outra consideração interessante é o parado-
xo de que na era da tecnologia apenas 2 (3,6%)
entrevistados citaram a internet como instru-
mento de consulta na prática diária da farmácia.
Além disso, ninguém citou ter participado de
programas de ensino à distância. Também não
foi citado nenhum tipo de material informatiza-
do ou programas computacionais específicos
para a orientação a pacientes ou profissionais
da saúde.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este levantamento permitiu identificar algu-
mas características sobre a prática farmacêutica
desenvolvida nas farmácias do setor privado de
Florianópolis, as quais representam nitidamente
as dificuldades vivenciadas pelos profissionais,
não permitindo seu total desenvolvimento como
prestadores de serviços de saúde, conforme re-
comendam os documentos já citados e a norma-
tização vigente.
Em 24,5% das farmácias nenhum farmacêuti-
co foi encontrado, após várias tentativas de con-
tato. Isto demonstra que ainda há dificuldades
em encontrar este profissional da saúde à dispo-
sição da população.
Além disso, 70,0% dos estabelecimentos con-
tam com apenas um farmacêutico atuante, o
que pode ser agravante da sobrecarga de ativi-
dades executadas pelo profissional, principal-
mente nas farmácias onde o farmacêutico é ge-
rente e/ou proprietário. Isso pode indicar a ne-
cessidade do profissional replanejar suas ativida-
des e reestruturar seu trabalho, contando com
maior número de farmacêuticos.
Os resultados apontados demonstram, ainda,
que os farmacêuticos entrevistados apresentam
dificuldades para desenvolver atividades volta-
das à atenção aos usuários de medicamentos, as
quais representam sua verdadeira função na far-
597
acta farmacéutica bonaerense - vol. 24 n° 4 - año 2005
mácia. Poucos serviços de aconselhamento,
acompanhamento e de educação em saúde são
realizados, de acordo com os dados obtidos.
Nas farmácias onde algum destes serviços é exe-
cutado, há necessidade de investigação mais
aprofundada.
Diante do exposto, verifica-se o apontamen-
to para um problema sério de identificação e
entendimento das funções do farmacêutico nas
farmácias do setor privado. Ou seja, para quais
atividades este profissional deve realmente dedi-
car seu tempo e a partir disso cumprir suas
funções de profissional da saúde? De acordo
com os resultados desta pesquisa, a prática pro-
fissional executada parece não estar de acordo
com as atribuições do farmacêutico, recomenda-
das pelos órgãos regulamentadores da profissão.
Por isso, de que maneira os farmacêuticos po-
dem readequar as atividades práticas e inseri-las
no contexto do sistema de saúde vigente?
Em suma, podem ser destacados a partir dos
resultados da análise os seguintes pontos:
1. Necessidade de compreender o papel do
farmacêutico como profissional de saúde para
ser capaz de redirecionar o perfil dos serviços
prestados, voltando mais sua atuação para o
aprimoramento das atividades de assistência e
acompanhamento aos usuários de medicamen-
tos;
2. Necessidade de um planejamento estraté-
gico do trabalho, a fim de que o farmacêutico
possa organizar as ações prioritárias a serem
executadas na farmácia do setor privado, de
acordo com seu papel na assistência à saúde da
população;
3. Necessidade de executar mudanças no en-
sino farmacêutico, estimulando o desenvolvi-
mento da prática farmacêutica e suprindo as de-
ficiências técnicas e de relações humanas rela-
cionados à prática.
Conforme evidenciaram os resultados do es-
tudo, a prática farmacêutica precisa de um redi-
recionamento, a fim de integrar este profissional
no sistema de atenção à saúde, incentivá-lo a
promover o uso racional de medicamentos, bem
como prepará-lo para enfrentar as exigências do
mercado de trabalho e contribuir para aumentar
sua representatividade social.
Agradecimentos. As autoras agradecem a colabo-
ração de todos os farmacêuticos que gentilmente
aceitaram participar deste estudo; aos componentes
do Núcleo de Assistência Farmacêutica (NAFAR/
UFSC) e aos demais colegas que auxiliaram na cons-
trução deste trabalho.
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Dissertação de Mestrado, Florianópolis: Uni-
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a abertura, funcionamento e a dispensação de
medicamentos em farmácias e/ou drogarias.
Diretoria de Vigilância Sanitária 2001; 15 mar.
13. Krska, F. & B.A. Veitch, (2001) Pharm. J. 267:
549-55.

Artigo+sobre+farmácias

  • 1.
    590 ISSN 0326-2383 ActaFarm. Bonaerense 24 (4): 590-7 (2005) Recibido el 16 de abril de 2005 Aceptado el 19 de julio de 2005 Atención farmacéutica PALAVRAS-CHAVE: Farmacêutico, Farmácia do setor privado, Prática farmacêutica. KEY WORDS: Community pharmacy, Pharmaceutic, Pharmaceutical practice. * Autor para correspondência: Av. Universitária, 1105 Bairro Universitário - C.P. 3167 - CEP:88806-000 Criciúma – Santa Catarina, Brasil Investigação do Perfil dos Farmacêuticos e das Atividades Desenvolvidas em Farmácias do Setor Privado no Município de Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. Iane FRANCESCHET 1* & Mareni Rocha FARIAS 2 1 Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC) Av. Universitária, 1105 Bairro Universitário - C.P. 3167 - CEP: 88806-000 Criciúma - Santa Catarina, Brasil 2 Departamento de Ciências Farmacêuticas e Programa de Pós-Graduação em Farmácia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Caixa Postal: 476 - Florianópolis/SC - 88040-900, Brasil RESUMO. O estudo trata de investigar as atividades realizadas por noventa farmacêuticos atuantes em farmácias do setor privado do município de Florianópolis/SC, bem como o perfil destes profissionais e das farmácias, com a finalidade de identificar a prática farmacêutica adotada. A metodologia utilizada foi a pesquisa quantitativa, de caráter descritivo, utilizando como instrumento a entrevista estruturada. A cole- ta de dados foi realizada entre junho e setembro de 2002. Os resultados afirmaram, de maneira geral, que a prática farmacêutica adotada parece estar em desacordo com as atribuições inerentes ao farmacêutico. A regulamentação da profissão preconiza que o farmacêutico é um profissional membro da equipe multi- disciplinar de saúde e suas ações nas farmácias do setor privado devem estar inseridas neste contexto. Ao término do artigo são sugeridos alguns apontamentos de mudanças na estrutura dos serviços desenvolvi- dos atualmente nas farmácias do setor privado, a fim de que realmente gerem resolutividade para os pro- blemas de saúde da população. SUMMARY. “Pharmaceutic profile investigation and activities developed in community pharmacies of Floria- nopolis city, in Santa Catarina State, Brazil”. The present work investigates the activities done by ninety pharma- ceutics that work in community pharmacies of Florianopolis/SC, as well as the profile of these professionals and the pharmacies, with the intention to identify the pharmaceutical practice adopted. The utilized methodology was the quantitative research, with a descriptive character, utilizing as an instrument a structured research. The data gathering was done between June and September of 2002. The results confirmed, in a general way, that the phar- maceutical practice adopted seems not to be according with the pharmaceutics attributions. The profession regu- lation says that that pharmaceutics is a professional member of the multidisciplinary health team and their prac- tices in the community pharmacies should be inserted in that context. At the article end there are some sugges- tions in order to get changes in the structure of the developed services in the community pharmacies, aiming so- lutions to the population health problems. INTRODUÇÃO Em 1988, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que “a busca da saúde median- te o enfoque da atenção primária exigirá a rede- finição dos papéis e funções dos profissionais, incluindo médicos, enfermeiros, farmacêuticos, dentistas, etc., que terão que aceitar sua in- clusão como membros na equipe de saúde” 1. A busca de consensos sobre o papel do farmacêu- tico nos sistemas de atenção à saúde demonstra a necessidade e importância de incorporar este profissional na equipe multidisciplinar, de forma que auxilie na resolutividade dos problemas de saúde da população. O farmacêutico, especial- mente na farmácia do setor privado, deve pos- suir competências e responsabilidades relacio- nadas ao processo do uso de medicamentos, bem como praticar ações voltadas à orientação primária e prevenção de doenças. Sua importân- cia pode ser medida pela facilidade de acesso da população aos seus serviços, por isso precisa conhecer, aceitar e viabilizar o cumprimento de seu papel social. De acordo com Joaquim Bonal, farmácia é uma profissão sanitária assistencial que faz parte do conjunto das profissões que atendem às ne-
  • 2.
    591 acta farmacéutica bonaerense- vol. 24 n° 4 - año 2005 cessidades de saúde da população 2. Dessa for- ma, é relevante a discussão - e especialmente neste estudo com relação às farmácias do setor privado - da prática farmacêutica que está sendo adotada. Todos os farmacêuticos no exercício de sua profissão são obrigados a assegurar a qualidade apropriada do serviço que prestam a cada usuário. Um serviço farmacêutico amplo compreende atividades que assegurem a saúde e evitem enfermidades na população. Quando se faz necessário tratar uma doença, a qualidade do processo de uso do medicamento deveria garantir ao máximo o proveito terapêutico e evi- tar efeitos secundários desfavoráveis. Isso pres- supõe a aceitação, por parte dos farmacêuticos, de uma responsabilidade compartilhada com outros profissionais e com os usuários pela oti- mização da terapia 3. A OMS, assim como outros órgãos regula- mentadores do setor de saúde, vêm estabele- cendo alguns critérios a nível mundial relaciona- dos aos serviços farmacêuticos e ao papel deste profissional no sistema de saúde, sobretudo nas últimas décadas. Através da análise das reco- mendações preconizadas pela OMS sobre o pa- pel do farmacêutico podem ser estabelecidos padrões de práticas farmacêuticas voltadas para a realidade de cada país ou região. O primeiro documento sobre o Papel do Far- macêutico no Sistema de Atenção à Saúde da OMS estabelece que o centro da responsabilida- de do farmacêutico é a aplicação dos conheci- mentos científicos adquiridos sobre o uso apro- priado dos medicamentos, além da prevenção relacionada aos perigos de seu uso indiscrimina- do 1. Torna-se clara a preocupação em formar profissionais com perfil qualificado para realizar tais atividades, buscando a melhoria sistemática e sustentada do serviço. Em 1993, a OMS atualizou o documento so- bre o Papel do Farmacêutico no Sistema de Atenção à Saúde, na segunda reunião em Tó- quio, priorizando os aspectos relacionados à atenção farmacêutica, tornando-os essenciais pa- ra a prática profissional. Na segunda parte deste documento a Federação Internacional dos Far- macêuticos (FIP) estabeleceu as Boas Práticas de Farmácia: Normas de Qualidade de Serviços Farmacêuticos, enfatizando as boas práticas para as funções do profissional dentro da farmácia, interação com outros profissionais e necessida- de de educação continuada 3. Em Vancouver, Canadá em 1997, a OMS rea- lizou a terceira reunião do Grupo de Consulto- ria, o tema de discussão foi a preparação do far- macêutico para as tendências, ressaltando a ne- cessidade de mudanças curriculares. Este docu- mento aponta um novo perfil profissional para o chamado “farmacêutico sete estrelas” 4. No entanto, percebe-se que o profissional encontra dificuldades que inviabilizam a utili- zação dos modelos de âmbito global recomen- dados por cientistas e instituições da área da sa- úde. A busca de consensos sobre a prática pro- fissional gera muitas discussões, principalmente pela inadequação de um único modelo genera- lista para as mais diversas realidades do Brasil. Um passo importante foi a criação da Proposta do Consenso Brasileiro de Atenção Farmacêuti- ca, nucleado pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), com o objetivo de promover a sistematização das experiências e buscar estra- tégias para a promoção da Atenção Farmacêuti- ca. De acordo com o documento, os componen- tes mais amplos da atividade prática do far- macêutico são: educação em saúde (incluindo promoção do uso racional de medicamentos); orientação farmacêutica; dispensação; entrevista farmacêutica; seguimento/acompanhamento far- macoterapêutico; registro sistemático das ativi- dades, mensuração e avaliação dos resultados 5. Com base nas recomendações da OMS, bem como na Legislação Brasileira (Lei N° 5.991/1973) 6 e nas Resoluções N° 308/1997 7 e N° 357/2001 8 do Conselho Federal de Farmácia, objetivou-se investigar o perfil dos farmacêuti- cos e das atividades que executam nas farmá- cias onde atuam. O panorama encontrado apon- ta a necessidade de reestruturação dos serviços de farmácia, a fim de que realmente gerem re- solutividade para os problemas de saúde da po- pulação. METODOLOGIA A pesquisa utiliza o método quantitativo para coleta das informações, com caráter descritivo, tendo como objeto de estudo o grupo de far- macêuticos atuantes em farmácias do setor pri- vado do município de Florianópolis/SC. Faz-se necessário esclarecer a denominação utilizada para as farmácias incluídas na pesquisa, as quais são farmácias comerciais de dispensação, aber- tas ao público, com exceção das farmácias pri- vativas (não abertas ao público em geral) e das farmácias magistrais. O universo da pesquisa é constituído por far- macêuticos que cumprem efetivamente o horá- rio de trabalho. Para obter maior controle e evi- tar duplicidade nas respostas, foi selecionado um farmacêutico por farmácia para participar da
  • 3.
    592 FRANCESCHET I. &FARIAS M.R. pesquisa. Nas farmácias que possuíam dois ou mais profissionais contratados, somente um foi sorteado e participou do estudo. Considerou-se esse método mais coerente, conforme opções de resposta do roteiro de entrevista. Para obter informações às indagações pro- postas no trabalho, utilizou-se a pesquisa de campo como instrumental, sendo a entrevista o mecanismo utilizado para a coleta de dados. Utilizou-se a entrevista estruturada ou padroni- zada, ou seja, um roteiro de entrevista foi pre- viamente estabelecido e seguido 9. A primeira parte do roteiro é composta por informações gerais dos entrevistados e do estabelecimento, a segunda é composta por uma tabela de ativida- des (72 itens), com cinco opções de repostas: a) se a atividade não é executada, b) se a atividade é executada pelo farmacêutico respondente, c) se a atividade é executada pelo colega far- macêutico, d) se a atividade é executada por não farmacêutico com supervisão do farmacêuti- co, e) se a atividade é executada por não far- macêutico com ou sem supervisão de não far- macêutico. A terceira parte do roteiro trata de informações gerais dos serviços. As entrevistas foram realizadas no período de junho a setem- bro de 2002, pela pesquisadora e dois colabora- dores que foram previamente orientados. Os dados coletados foram armazenados e analisados no Programa Epi Info Versão 6.04 de 2001. Quanto à validade e consistência interna, o instrumento de pesquisa foi previamente ana- lisado pelos integrantes do NAFAR (Núcleo de Assistência Farmacêutica/UFSC) e testado com 8 farmacêuticos que trabalham em farmácias do setor privado no município de São José / SC (Grande Florianópolis) não participantes da pes- quisa, para verificar clareza e objetividade das questões. A pesquisa foi submetida à análise pelo Co- mitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFSC e aprovada, conforme Parecer N° 065/2002. RESULTADOS E DISCUSSÃO Para efetuar a pesquisa considerou-se, ini- cialmente a totalidade das farmácias do setor privado existentes em Florianópolis em feverei- ro de 2002, conforme dados do Conselho Regio- nal de Farmácia de Santa Catarina (CRF/SC). O número total apontava a existência de 181 esta- belecimentos farmacêuticos. Após tentativa de contato com os estabelecimentos, constatou-se que 15 (8,3%) farmácias não foram encontradas (por duplicação de cadastro, fechamento ou en- dereço inexistente). Além disso, 7 (3,9%) foram caracterizadas como farmácias privativas, são farmácias localizadas normalmente, no interior de empresas, que atendem apenas funcionários. Por não serem acessíveis ao público em geral, não foram incluídas no estudo. Sendo assim, partiu-se de um total de 159 farmácias do setor privado existentes no município. Em 39 (24,5%) estabelecimentos o farmacêu- tico não foi encontrado, após pelo menos três tentativas de contato telefônico ou pessoal com a farmácia, em dias e períodos alternados. Além disso, 30 (25,0%) profissionais foram contacta- dos e não aceitaram o convite, alegando moti- vos como falta de tempo, farmacêutico em perí- odo de férias, licença maternidade, entre outros. Considerando esses percentuais de perda e re- cusa, respectivamente, a população de estudo restringiu-se em 90 farmacêuticos que trabalha- vam em farmácias comerciais de Florianópolis, sendo entrevistado apenas um farmacêutico por estabelecimento. As farmácias foram categorizadas da seguinte forma: farmácias de rede (existência de 2 ou mais farmácias do mesmo proprietário ou grupo de acionistas), farmácias em que o proprietário era o próprio farmacêutico e, ainda, farmácias em que o proprietário não era farmacêutico (chamados de leigos). Esta categorização foi efetuada para facilitar a análise dos dados e rea- lizar cruzamentos entre variáveis. É importante salientar o considerável núme- ro de farmácias onde os profissionais estavam ausentes nos horários em que foram procura- dos, equivalentes a 24,5% do total de estabeleci- mentos do município. Entretanto, a ausência do farmacêutico não significa que não é atuante no estabelecimento. Os resultados demonstraram que a ausência do farmacêutico atingiu o maior índice nas farmácias de proprietários leigos (29,0% do total das farmácias desta categoria), sendo que o segundo maior índice foi verificado nas farmácias de proprietário farmacêutico (15,1%) e o menor índice ocorreu nas farmácias de rede (14,6%). O índice de ausência mais ele- vado nas farmácias de leigo representa um dado interessante, visto que somente nesta categoria os resultados demonstraram que a totalidade dos profissionais exercia a responsabilidade téc- nica, sem funções administrativas de maior im- portância sob sua responsabilidade, como a gerência. Supostamente, a presença do profis- sional pode estar mais relacionada com suas funções de gerenciamento do que com as funções inerentes à responsabilidade técnica, já
  • 4.
    593 acta farmacéutica bonaerense- vol. 24 n° 4 - año 2005 que nas farmácias onde o farmacêutico é pro- prietário e nas farmácias de rede a presença do farmacêutico é indispensável para determinadas funções, sobretudo as administrativas. Quanto à recusa em participar da entrevista, aproximadamente 32,8% dos farmacêuticos pro- prietários não aceitaram, enquanto este índice foi de 27,2% para farmacêuticos das farmácias de rede e de apenas 6,5% para farmacêuticos das farmácias de proprietário leigo. O principal motivo de recusa alegado pelos farmacêuticos proprietários foi a falta de tempo. Características das farmácias Algumas questões da entrevista se referiam aos estabelecimentos onde os farmacêuticos pesquisados trabalhavam, já que certas caracte- rísticas dos locais poderiam influenciar no perfil de atividades desenvolvidas. A Tabela 1 de- monstra esses resultados. Características das farmácias participantes do estudo (n=90) Categoria Rede 32 (35,6%) da farmácia Proprietário farmacêutico 38 (42,2%) Proprietário leigo 20 (22,2%) Localização da farmácia Centro 29 (32,2%) Bairros 61 (67,8%) Horário de Oito a doze funcionamento horas/dia 28 (31,1%) Treze a quinze horas/dia 50 (55,6%) Mais de quinze horas/dia 12 (13,3%) Número de Um 63 (70,0%) farmacêuticos atuantes Dois 21 (23,3%) Três ou mais 6 (6,6%) Número de incluindo o(s) farmacêutico(s) colaboradores Até três 39 (43,3%) Quatro a seis 24 (26,7%) Sete a nove 13 (14,4%) Mais de nove 14 (15,6%) Tabela 1. Características das farmácias participantes do estudo. Quanto à distribuição das farmácias, perce- be-se que dentre as farmácias localizadas no centro do município, 21 (72,4%) são farmácias de rede; 4 (13,8%) são farmácias de propriedade de farmacêuticos, enquanto 4 (13,8%) são far- mácias de proprietários leigos. Quanto às farmá- cias localizadas nos bairros, 34 (55,7%) são de farmacêuticos proprietários, 11 (18,0%) são far- mácias de redes e 16 (26,2%) são farmácias de proprietários leigos. As redes concentram-se mais no centro do município, tendo como pecu- liaridade um público predominantemente passa- geiro, enquanto as farmácias de farmacêuticos e proprietários leigos concentram-se mais nos bairros, normalmente com um público mais cati- vo, principalmente moradores locais. Percebe-se, ainda, o número restrito de cola- boradores por farmácia, uma das possíveis cau- sas de sobrecarga de trabalho, principalmente para o farmacêutico. O número máximo de co- laboradores foi de 28 numa farmácia de rede com atendimento 24 horas, sendo que 4 destes eram os farmacêuticos e gerentes. Características dos farmacêuticos O perfil dos farmacêuticos entrevistados po- de ser visualizado na Tabela 2. Pode-se salientar a questão do número de farmacêuticos atuantes nas farmácias participan- tes do estudo, que é pequeno em comparação com o horário de funcionamento dos estabeleci- mentos em geral. A legislação vigente no Brasil (Lei N° 5.991/73), preconiza que em todo horá- rio de funcionamento da farmácia deve existir um farmacêutico presente 6. Isso demonstra que a maioria dos estabelecimentos incluídos no es- tudo não cumpre a legislação. Com relação ao horário de funcionamento, das 12 farmácias que funcionavam acima de 15 horas diárias, 2 (2,2%) disponibilizavam 24 horas de atendimento por dia, ambas contando com 4 farmacêuticos atuantes. Observa-se o predomínio de mulheres na prática profissional, fato que corrobora com da- dos encontrados por Borges 10 e Santos 11, indi- cando a feminilização da profissão. Quanto à faixa etária, a média de idade dos farmacêuticos entrevistados foi de 31,9 anos, a idade mínima encontrada foi de 21 anos e a máxima de 75 anos. A análise expõe, ainda, que 75% da popu- lação entrevistada tinham até 38 anos de idade. Quanto ao local de formação, a maioria dos entrevistados graduou-se na UFSC (71,1%), fato que pode ser explicado já que Florianópolis é a sede da UFSC e boa parte dos egressos estabe- lece-se no mercado de trabalho da região. Destaca-se uma proporção considerável dos farmacêuticos entrevistados que cursaram Habi- litação em Análises Clínicas o que, possivelmen- te, reflete a dificuldade do recém-formado em estabelecer-se no setor ou, ainda, a necessidade
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    594 FRANCESCHET I. &FARIAS M.R. do farmacêutico atuante em farmácia do setor privado de complementar a formação através desta ênfase, indicando uma possível comple- mentaridade destas áreas. Quanto à titulação, 2 (2,2%) farmacêuticos relataram possuir Mestrado –nas áreas de Bio- tecnologia e Farmacologia– sendo que ambos atuavam como responsáveis técnicos e gerentes, um deles era proprietário de farmácia e outro era funcionário. Nenhum referiu ter Doutorado. Constatou-se que 1 (1,1%) farmacêutico possuía, além da graduação em Farmácia, graduação em Psicologia. Além disso, 7 (7,8%) farmacêuticos relataram ter Cursos de Especialização nas áreas de Farmácia Clínica, Gestão Hospitalar, Indústria Farmacêutica, Saúde Pública, Análises Clínicas - Citologia, Gestão Estratégica de Empresas e Marketing. Dentre os 7 especialistas, 6 (85,7%) eram proprietários, sócios-proprietários ou só- cios da farmácia e 5 destes possuíam função ge- rencial, apenas 1 (14,2%) era funcionário. Devi- do ao caráter voltado à prática dos cursos de Es- pecialização, verificou-se que foi a opção de pós-graduação mais procurada pelos profissio- nais atuantes nas farmácias, apesar do número de especialistas ainda ser pequeno. Quanto ao tempo de trabalho na farmácia, os resultados demonstram que 53 (58.9 %) far- macêuticos estão trabalhando no estabelecimen- to atual (na data da pesquisa) por período me- nor que 2 anos. Cerca de 13 (14,4 %) profissio- nais estão no estabelecimento em questão por 2 a 4 anos. Ainda 24 (26,7 %) dos farmacêuticos já trabalham na referida farmácia há mais de 4 anos. É importante salientar que a maioria dos far- macêuticos entrevistados possuía mais que uma função na farmácia, sendo atribuído ao profis- sional o cargo gerencial independente deste ser o proprietário do estabelecimento. A FIP reco- menda que a responsabilidade gerencial deve ser aceita pelo farmacêutico, buscando sempre a evolução e o melhoramento da qualidade da sua função 3. O documento da OMS de Vanco- ver, em 1997 considera o gerenciamento uma das características do farmacêutico do futuro, que deve administrar eficazmente recursos hu- manos, físicos, financeiros e informacionais 4. Estes documentos apresentam recomendações que devem nortear as ações do farmacêutico na sua prática profissional, não caracterizando obri- gações legais. A atribuição da função gerencial ao farmacêutico é relativamente recente em Flo- rianópolis, começou a ser implementada no iní- Características dos farmacêuticos participantes do estudo (n=90) Sexo Mulheres: 57 (63,3%) Homens: 33 (36,7%) Faixa etária De 21 a 30 anos: 56 (62,2%) De 31 a 40 anos: 19 (21,1%) Mais de 40 anos: 15 (16,7%) Local de formação UFSC 64 (71,1%) UFRGS* 8 (8,9%) UNISUL** 5 (5,6%) Outras instituições 13 (14,4%) Habilitação Análises clínicas 55 (61,1%) Tecnologia de alimentos 9 (10,0%) Tecnologia farmacêutica 1 (1,1%) Somente Graduação Farmácia 25 (27,8%) Titulação Mestrado 2 (2,2%) Especialização 7 (7,8%) Somente Graduação Farmácia 81 (90,0%) Tempo de trabalho Menos de dois anos 53 (58,9%) na farmácia Dois a quatro anos 13 (14,4%) Mais de 4 anos 24 (26,7%) Função executada Somente resposável técnico 31 (34,5%) Somente gerente 4 (4,4%) Ambos 55 (61,1%) Condição do Proprietário 33 (36,7%) farmacêutico Funcionário 51 (56,7%) na farmácia*** Sócio 12 (13,3%) Jornada de trabalho Até cinco 4 (4,4%) (horas/dia) De seis a oito 44 (48,9%) De nove a doze 38 (42,3%) Mais de doze 4 (4,4%) Remuneração Até 450,00 1 (1,1%) (R$/mês) 451,00 a 700,00 8 (8,9%) 701,00 a 1.300,00 49 (54,4%) 1.301,00 a 2.000,00 25 (27,8%) Mais de 2.000,00 7 (7,8%) Participação em Não participam 8 (8,9%) eventos Menos de uma vez ao ano de atualização 17 (18,9%) profissional Uma vez ao ano 27 (30,0%) Duas ou mais vezes ao ano 38 (42,2%) Tabela 2. Características dos farmacêuticos participan- tes do estudo. * UFRGS: Universidade Federal do Rio Grande do Sul. **UNISUL: Universidade do Sul de Santa Catarina. ***Mais de uma resposta.
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    595 acta farmacéutica bonaerense- vol. 24 n° 4 - año 2005 cio da década de 90. As grandes redes de farmá- cias adaptaram-se a esta mudança principalmen- te para diminuir os custos de mão-de-obra, não necessitando contratar um administrador ou ou- tro profissional da área para exercer esta função. Para o farmacêutico, a aquisição desta nova atribuição proporcionou maior autonomia e responsabilidade na farmácia, numa posição hierárquica de maior prestígio e poder. Por ou- tro lado, acumulou funções que antes não exer- cia, para as quais não possui formação técnica adequada. A maior proporção de farmacêuticos que agrega a responsabilidade gerencial é composta por proprietários dos estabelecimentos e far- macêuticos que trabalham nas redes. Nas farmá- cias de proprietário leigo, nenhum farmacêutico respondente exercia função gerencial. Teorica- mente isto proporciona ao profissional um maior tempo disponível para realizar outras ati- vidades, como aquelas relacionadas ao atendi- mento do usuário. Contudo, especificamente nestes estabelecimentos, isto pode indicar tam- bém uma menor autonomia de decisões. Com relação à jornada de trabalho, a maioria dos farmacêuticos proprietários apresentou uma sobrecarga de trabalho, já que permanecia na farmácia mais de 8 horas por dia (63,1%). Da mesma forma, 53,1% dos farmacêuticos que tra- balhavam em farmácias de rede tinham uma jor- nada de trabalho maior do que 8 horas por dia. No entanto, 95,0% dos farmacêuticos que traba- lhavam em farmácias de proprietário leigo de- clararam que permaneciam na farmácia por, no máximo, até 8 horas diárias. É interessante, nes- te ponto, relacionar a jornada de trabalho do farmacêutico com sua carga de trabalho, já que todos os farmacêuticos de farmácia de proprie- tário leigo relataram não exercer função geren- cial. A relação entre jornada de trabalho e núme- ro de profissionais deve ser enfatizada, haja vis- ta que 52,4% dos farmacêuticos relataram per- manecer na farmácia mais de 8 horas diárias sem contar com outro profissional. Conforme aumenta o número de profissionais para dois e três, o farmacêutico entrevistado relatou perma- necer menos tempo na farmácia. Este fato de- monstra visivelmente que o acúmulo de funções ocorre também devido ao pequeno número de farmacêuticos por farmácia. Conforme aumenta a jornada de trabalho, maior é a renda mensal do farmacêutico. É inte- ressante observar que um farmacêutico entrevis- tado relatou receber mensalmente até R$ 450,00 e ele trabalhava de 9 a 12 horas diariamente na farmácia, sendo, inclusive, o proprietário e o único profissional. Além dele, contava com mais um funcionário. Isso aponta um problema que pode se tornar cada vez mais comum para pro- prietários farmacêuticos: baixa remuneração e altas jornadas de trabalho, muitas vezes tornan- do inviável a manutenção da empresa. Quanto à freqüência de participação em cur- sos, palestras para atualização profissional o re- sultado exposto demonstrou que a participação média do farmacêutico em eventos é de uma vez por ano, sendo que os profissionais forma- dos há mais tempo relataram participar mais do que os formados mais recentemente. Conforme recomenda a OMS no informe sobre o Papel do Farmacêutico no Sistema de Saúde, uma das ca- racterísticas do profissional do futuro é “estar disposto ao aprendizado durante toda a carreira, tornando-se um aprendiz permanente” 4. Características das atividades executadas nas farmácias Com relação às atividades ou serviços reali- zados pelos farmacêuticos em seus locais de tra- balho, a pesquisa demonstrou alguns resultados, expostos a seguir. Quanto à proporção de atendimento ao pú- blico realizado pelo farmacêutico, verificou-se que nas farmácias de rede 6,3% dos farmacêuti- cos relataram atender acima de 75,0% dos usuá- rios que freqüentam a farmácia diariamente. Já nas farmácias de proprietário farmacêutico, esta proporção aumenta para 47,4% dos profissionais entrevistados. Nas farmácias de proprietário lei- go 20,0% dos farmacêuticos atendem mais de 75,0% dos usuários. Conforme dispõe a Reso- lução N° 0006 DVS/SC de 15/03/2001, no item III, a presença e atuação do profissional far- macêutico é condição e requisito essencial para a dispensação de medicamentos ao público 12. Os resultados indicam que nas farmácias de proprietário farmacêutico, apesar da maioria dos profissionais exercer funções administrativas, observou-se a presença mais ativa do farmacêu- tico no atendimento ao público, demonstrando que os proprietários farmacêuticos participantes do estudo executam com maior frequência a ati- vidade de atendimento ao público. Os entrevistados foram questionados quanto ao percentual aproximado de casos em que prestam orientações aos usuários sobre indi- cações, contra-indicações, reações adversas, in- terações medicamentosas e posologia de medi- camentos. Constatou-se que a orientação mais
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    596 FRANCESCHET I. &FARIAS M.R. repassada aos usuários refere-se a indicações dos medicamentos (32,3% dos respondentes re- lataram que orientam mais da metade dos usuá- rios da farmácia sobre a indicação dos medica- mentos dispensados). Entretanto, as orientações sobre interações medicamentosas são as menos repassadas aos usuários (6,7% dos farmacêuticos responderam que não prestam este tipo de orientação e 54,4% a executam para menos de 25% dos usuários da farmácia). Quanto à orien- tação sobre contra-indicações, 72,2% dos res- pondentes relataram orientar menos da metade dos usuários da farmácia. Proporção semelhante foi encontrada quanto à orientações sobre rea- ções adversas, 70,0% dos entrevistados disseram que orientam menos da metade dos usuários da farmácia. No entanto, referente à orientação so- bre posologia dos medicamentos, 33,3% dos far- macêuticos responderam que orientam menos da metade dos usuários. Conforme recomenda a FIP: “... a essência da atividade farmacêutica deve ser a adminis- tração de medicamentos e outros produtos para o cuidado da saúde, a informação e o assessora- mento adequado aos pacientes, e a observação dos efeitos de seu uso...” 3. Verifica-se que o grau de orientações prestado é baixo. As orien- tações mais comumente prestadas se referem a indicação e posologia dos medicamentos. Os motivos relacionados a estes resultados preci- sam ser investigados mais criteriosamente. Quanto à confecção e análise de fichas de acompanhamento farmacoterapêutico, 76 (84,4%) farmacêuticos entrevistados não confec- cionavam nem analisavam fichas de acompa- nhamento farmacoterapêutico, enquanto 11 (12,2%) farmacêuticos relataram utilizá-las para acompanhamento de pacientes com doenças crônicas; e 3 (3,3%) farmacêuticos utilizavam es- tas fichas para outros casos, a pedido do pa- ciente. Quanto à existência de um local reservado para conversar com o paciente, 60,0% dos far- macêuticos entrevistados alegaram que a farmá- cia possui um local mais reservado para atender os usuários, sendo que destes, 87,1% apontaram a sala de aplicação de injetáveis. Não se estabe- lece a existência de um local exclusivo para re- ceber o paciente como pré-requisito para efe- tuar atividades de acompanhamento terapêutico. Um estudo realizado entre farmacêuticos da Es- cócia demonstrou que 40,0% dos entrevistados possuiam uma área semi-aberta ou fechada (sa- la) exclusiva para a consulta com o paciente 13. É importante levar em consideração a privacida- de do paciente, mas ao mesmo tempo, uma área fechada pode deixar o paciente receoso. Quanto ao tipo de material utilizado para consulta durante a atividade prática, 95,6% dos entrevistados relataram utilizar o Dicionário de Especialidades Farmacêuticas (DEF) para sanar dúvidas, sendo que 65,1% destes relataram utili- zar outro material juntamente com o anterior, sendo a maioria de origem comercial. Apenas 3,6% dos entrevistados citaram um livro de te- rapêutica e 7,4% citaram livros de farmacologia. O DEF e outras fontes de origem comercial são de utilização e funcionalidade limitada, possuin- do baixo grau de confiabilidade para as orien- tações sobre o uso correto dos medicamentos. Outra consideração interessante é o parado- xo de que na era da tecnologia apenas 2 (3,6%) entrevistados citaram a internet como instru- mento de consulta na prática diária da farmácia. Além disso, ninguém citou ter participado de programas de ensino à distância. Também não foi citado nenhum tipo de material informatiza- do ou programas computacionais específicos para a orientação a pacientes ou profissionais da saúde. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este levantamento permitiu identificar algu- mas características sobre a prática farmacêutica desenvolvida nas farmácias do setor privado de Florianópolis, as quais representam nitidamente as dificuldades vivenciadas pelos profissionais, não permitindo seu total desenvolvimento como prestadores de serviços de saúde, conforme re- comendam os documentos já citados e a norma- tização vigente. Em 24,5% das farmácias nenhum farmacêuti- co foi encontrado, após várias tentativas de con- tato. Isto demonstra que ainda há dificuldades em encontrar este profissional da saúde à dispo- sição da população. Além disso, 70,0% dos estabelecimentos con- tam com apenas um farmacêutico atuante, o que pode ser agravante da sobrecarga de ativi- dades executadas pelo profissional, principal- mente nas farmácias onde o farmacêutico é ge- rente e/ou proprietário. Isso pode indicar a ne- cessidade do profissional replanejar suas ativida- des e reestruturar seu trabalho, contando com maior número de farmacêuticos. Os resultados apontados demonstram, ainda, que os farmacêuticos entrevistados apresentam dificuldades para desenvolver atividades volta- das à atenção aos usuários de medicamentos, as quais representam sua verdadeira função na far-
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    597 acta farmacéutica bonaerense- vol. 24 n° 4 - año 2005 mácia. Poucos serviços de aconselhamento, acompanhamento e de educação em saúde são realizados, de acordo com os dados obtidos. Nas farmácias onde algum destes serviços é exe- cutado, há necessidade de investigação mais aprofundada. Diante do exposto, verifica-se o apontamen- to para um problema sério de identificação e entendimento das funções do farmacêutico nas farmácias do setor privado. Ou seja, para quais atividades este profissional deve realmente dedi- car seu tempo e a partir disso cumprir suas funções de profissional da saúde? De acordo com os resultados desta pesquisa, a prática pro- fissional executada parece não estar de acordo com as atribuições do farmacêutico, recomenda- das pelos órgãos regulamentadores da profissão. Por isso, de que maneira os farmacêuticos po- dem readequar as atividades práticas e inseri-las no contexto do sistema de saúde vigente? Em suma, podem ser destacados a partir dos resultados da análise os seguintes pontos: 1. Necessidade de compreender o papel do farmacêutico como profissional de saúde para ser capaz de redirecionar o perfil dos serviços prestados, voltando mais sua atuação para o aprimoramento das atividades de assistência e acompanhamento aos usuários de medicamen- tos; 2. Necessidade de um planejamento estraté- gico do trabalho, a fim de que o farmacêutico possa organizar as ações prioritárias a serem executadas na farmácia do setor privado, de acordo com seu papel na assistência à saúde da população; 3. Necessidade de executar mudanças no en- sino farmacêutico, estimulando o desenvolvi- mento da prática farmacêutica e suprindo as de- ficiências técnicas e de relações humanas rela- cionados à prática. Conforme evidenciaram os resultados do es- tudo, a prática farmacêutica precisa de um redi- recionamento, a fim de integrar este profissional no sistema de atenção à saúde, incentivá-lo a promover o uso racional de medicamentos, bem como prepará-lo para enfrentar as exigências do mercado de trabalho e contribuir para aumentar sua representatividade social. Agradecimentos. As autoras agradecem a colabo- ração de todos os farmacêuticos que gentilmente aceitaram participar deste estudo; aos componentes do Núcleo de Assistência Farmacêutica (NAFAR/ UFSC) e aos demais colegas que auxiliaram na cons- trução deste trabalho. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Organização Mundial da Saúde. El Papel del Farmacéutico en el Sistema de Atencion a la Salud, Nova Delli 1988. http://www.opas. org.br (acessado em 08/Dez/2002). 2. Bonal, J. (2000) Pharmaceutical Care España 2: 219-22. 3. Organização Mundial da Saúde. El Papel del Farmacéutico en el Sistema de Atencion de Sa- lud, Tókio, 1993. http://www.opas.org.br (acessado em 21/Jun/2001). 4. World Health Organization. The role of the pharmacist in the health care system. Vanco- ver, 1997. http://www.opas.org.br (acessado em 02/Dez/2002). 5. Ivama A.M., L. Noblat, M.S. Castro, N.M. Jara- millo, N.V.B.V. Oliveira & N. Rech (2002) Atenção farmacêutica no Brasil: trilhando ca- minhos: relatório 2001-2002. Brasília: Organi- zação Panamericana da Saúde. 6. Lei N°. 5.991. Dispõe sobre o controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insu- mos farmacêuticos e correlatos, e dá outras providências. Diário Oficial da República Fe- derativa do Brasil 1973; 17 dez. 7. Resolução N° 308. Aprova o regulamento téc- nico das Boas Práticas de Farmácia. Conselho Federal de Farmácia 1997; 02 mai. 8. Resolução N° 357. Aprova o regulamento téc- nico das Boas Práticas de Farmácia. Conselho Federal de Farmácia 2001; 27 abr. 9. Marconi M.A. & E.M. Lakatos (1990) “Técnicas de Pesquisa” (Atlas ed.), São Paulo. 10. Borges F.P. (2002) “Satisfação no trabalho pa- ra farmacêuticos empregados em farmácias comerciais do município de Florianópolis, San- ta Catarina - 2001”. Dissertação de Mestrado, Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina. 11. Santos, A.M. (2000) “Farmacêuticos do Estado de Santa Catarina: perfil profissional - 1999”. Dissertação de Mestrado, Florianópolis: Uni- versidade Federal de Santa Catarina,. 12. Resolução N° 0006. Norma técnica que regula a abertura, funcionamento e a dispensação de medicamentos em farmácias e/ou drogarias. Diretoria de Vigilância Sanitária 2001; 15 mar. 13. Krska, F. & B.A. Veitch, (2001) Pharm. J. 267: 549-55.