Introdução - Ezequiel
É denominada “arquitetura vernacular” toda forma de arquitetura em que são
empregados recursos, técnicas e materiais regionais, do próprio ambiente onde
a edificação é construída, apresentando, assim, um caráter regional ou local
em decorrência desses fatores. Ao mesmo, também são denominadas formas
de arquitetura vernacular aquelas onde os conhecimentos de edificações ou
utilização de materiais são transmitidos de geração para geração.
É considerada sustentável por seu caráter de integração com o ambiente, o
uso de materiais orgânicos e, é claro, pelas escolhas e soluções arquitetônicas
que possibilitam características como o bom isolamento térmico e acústico.
Algumas práticas dessas arquiteturas milenares são estudadas por
profissionais contemporâneos para serem reproduzidas em projetos que visem,
por exemplo, a diminuição do uso de energia.
Outro dado interessante deste tipo de arquitetura é que suas construções
surgiram de maneira quase instintiva, como uma forma de adaptação ao meio.
Suas técnicas, porém, foram se aprimorando, em alguns casos ao longo de
séculos, e atingindo um elevado grau de sofisticação. Para os arquitetos
contemporâneos, trata-se de uma verdadeira aula sobre como edificar com
elementos simples e naturais, promovendo o devido conforto e a possibilidade
de convívio social. Lições que parecem se encaixar perfeitamente nas buscas
da arquitetura sustentável de nossos tempos.
Arquitetura Vernacular no Mundo - David
Um exemplo clássico de arquitetura vernacular são os iglus, que são abrigos
de neve utilizados por seres humanos que habitam em zonas de frieza
extrema. Com formato arredondado e de construção simples e rápida, são
capazes de dar abrigo a famílias inteiras. É necessária uma camada de neve
compacta o suficiente para permitir o corte de blocos retangulares, que servirão
de tijolos para o iglu. Sua forma arredondada é muito importante, pois a neve
que cair sobre eles irá escorregar para os lados, impedindo a sobrecarga de
peso e evitando o risco de desabamento. A resistência aumenta com o tempo.
As tempestades de neve e as geadas colaboram para que os blocos de gelo
fiquem cada vez mais resistentes e grossos.
Em resposta aos desastres naturais recorrentes no Vietnã, que sofre com a
formação de ciclones em sua costa, alguns arquitetos criaram, com princípios da
arquitetura vernacular, construções de baixo custo feitas de pedaços de bambu,
painel de fibra de coco e folhas, unida por parafusos e suspensões. São
resistentes a inundações de até 1,5 m. O interior das casas se transformam em
espaços multifuncionais, como escolas, hospitais, centros comunitários ou
moradias. Além disso, o procedimento de construção é rápido, em até 25 dias, e
pode ser feito pela própria população.
Arquitetura Vernacular no Brasil – Sarah
Já no Brasil, um exemplo claro de arquitetura vernacular se encontra nas ocas
das tribos indígenas, que são construídas com a utilização de taquaras e troncos
de árvores. A cobertura é feita de folhas de palmeiras ou palha. Pode durar mais de 20
anos.
Ouro Preto é outro exemplo, pois a cidade foi erguida de aproveitando as
pedras do lugar e se tornou muito famosa por isso. Hoje, é muito visitada por
sua arquitetura.
Dentre os exemplos de arquitetura vernacular podemos citar as construções
sobre palafitas comuns, sobretudo na região Norte do Brasil. Sobre estruturas
de madeira, são construídas casas e toda uma rede de edificações, permitindo
a morada sobre rios de diferentes dimensões.
Arquitetura Vernacular no Nordeste – Luiza
O adobe é considerado um dos antecedentes históricos do tijolo de barro e seu
processo construtivo é uma forma rudimentar de alvenaria. Adobes são tijolos
de terra crua, água e palha e algumas vezes outras fibras naturais, moldados
em fôrmas por processo artesanal ou semi-industrial. Um dos mais antigos
materiais de construção, foi amplamente utilizado nas civilizações do crescente
fértil, em especial no Antigo Egito e Mesopotâmia.
No Brasil foi e ainda é muito usado nas regiões Norte e Nordeste,
principalmente. Infelizmente muitas casas populares de adobe são construídas
sem os cuidados necessários gerando rápida degradação do material e
conferindo a impressão de ser o adobe um material ineficiente. No entanto a
História já o comprovou um material de grande durabilidade.
Pau a pique, também conhecida como taipa de mão, taipa de sopapo ou taipa
de sebe, é uma técnica construtiva antiga que consistia no entrelaçamento
de madeiras verticais fixadas no solo, com vigas horizontais, geralmente
de bambuamarradas entre si por cipós, dando origem a um grande painel
perfurado que, após ter os vãos preenchidos com barro, transformava-se em
parede. Podia receber acabamento alisado ou não, permanecendo rústica, ou
ainda receber pintura decaiação.
Das técnicas em arquitetura de terra é a mais utilizada, principalmente por
dispensar materiais importados. Seu uso ocorre, em sua maioria, na zona rural.
Arquitetura vernacular contemporânea – Charles
Os exemplos acima dados remetem a outra época e parecem não se aplicar
tanto ao nosso dia a dia, mas uma das questões mais importantes na
arquitetura contemporânea é a escolha adequada de materiais e elementos
construtivos que sejam tanto sustentáveis como econômicos, por isso a
arquitetura vernacular está sendo buscada novamente.
Nesse contexto, a utilização da terra em alvenarias vem atraindo novamente a
atenção dos arquitetos. A arquitetura contemporânea pode e deve usar a
tecnologia para desenvolver e modificar técnicas tradicionais de construção,
adequando-as às necessidades das construções atuais.
No exemplo abaixo, o arquiteto Paulo Cesa Filho, incorpora elementos
da tradição construtiva local e busca, na escolha dos materiais típicos da
arquitetura vernacular da região serrana de Gramado (madeira, pedra, tijolo in
natura e telha metálica), uma relação harmoniosa com a paisagem. A
linguagem, no entanto, é contemporânea.
referências
http://www.pensamentoverde.com.br/sustentabilidade/sustentabilidade-na-
arquitetura-o-que-e-arquitetura-vernacular/
http://www.fragmaq.com.br/sem-categoria/arquitetura-vernacular-entenda-
alternativa-sustentavel/
http://atitudesustentavel.com.br/blog/2013/09/23/construcoes-resistentes-a-
enchentes-feitas-de-bambu/
http://www.casaemercado.com.br/noticiasExibir.php?FhIdNoticia=3268

Arquitetura vernacular

  • 1.
    Introdução - Ezequiel Édenominada “arquitetura vernacular” toda forma de arquitetura em que são empregados recursos, técnicas e materiais regionais, do próprio ambiente onde a edificação é construída, apresentando, assim, um caráter regional ou local em decorrência desses fatores. Ao mesmo, também são denominadas formas de arquitetura vernacular aquelas onde os conhecimentos de edificações ou utilização de materiais são transmitidos de geração para geração. É considerada sustentável por seu caráter de integração com o ambiente, o uso de materiais orgânicos e, é claro, pelas escolhas e soluções arquitetônicas que possibilitam características como o bom isolamento térmico e acústico. Algumas práticas dessas arquiteturas milenares são estudadas por profissionais contemporâneos para serem reproduzidas em projetos que visem, por exemplo, a diminuição do uso de energia. Outro dado interessante deste tipo de arquitetura é que suas construções surgiram de maneira quase instintiva, como uma forma de adaptação ao meio. Suas técnicas, porém, foram se aprimorando, em alguns casos ao longo de séculos, e atingindo um elevado grau de sofisticação. Para os arquitetos contemporâneos, trata-se de uma verdadeira aula sobre como edificar com elementos simples e naturais, promovendo o devido conforto e a possibilidade de convívio social. Lições que parecem se encaixar perfeitamente nas buscas da arquitetura sustentável de nossos tempos. Arquitetura Vernacular no Mundo - David Um exemplo clássico de arquitetura vernacular são os iglus, que são abrigos de neve utilizados por seres humanos que habitam em zonas de frieza extrema. Com formato arredondado e de construção simples e rápida, são capazes de dar abrigo a famílias inteiras. É necessária uma camada de neve compacta o suficiente para permitir o corte de blocos retangulares, que servirão de tijolos para o iglu. Sua forma arredondada é muito importante, pois a neve que cair sobre eles irá escorregar para os lados, impedindo a sobrecarga de peso e evitando o risco de desabamento. A resistência aumenta com o tempo. As tempestades de neve e as geadas colaboram para que os blocos de gelo fiquem cada vez mais resistentes e grossos.
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    Em resposta aosdesastres naturais recorrentes no Vietnã, que sofre com a formação de ciclones em sua costa, alguns arquitetos criaram, com princípios da arquitetura vernacular, construções de baixo custo feitas de pedaços de bambu, painel de fibra de coco e folhas, unida por parafusos e suspensões. São resistentes a inundações de até 1,5 m. O interior das casas se transformam em espaços multifuncionais, como escolas, hospitais, centros comunitários ou moradias. Além disso, o procedimento de construção é rápido, em até 25 dias, e pode ser feito pela própria população. Arquitetura Vernacular no Brasil – Sarah Já no Brasil, um exemplo claro de arquitetura vernacular se encontra nas ocas das tribos indígenas, que são construídas com a utilização de taquaras e troncos de árvores. A cobertura é feita de folhas de palmeiras ou palha. Pode durar mais de 20 anos.
  • 3.
    Ouro Preto éoutro exemplo, pois a cidade foi erguida de aproveitando as pedras do lugar e se tornou muito famosa por isso. Hoje, é muito visitada por sua arquitetura. Dentre os exemplos de arquitetura vernacular podemos citar as construções sobre palafitas comuns, sobretudo na região Norte do Brasil. Sobre estruturas de madeira, são construídas casas e toda uma rede de edificações, permitindo a morada sobre rios de diferentes dimensões.
  • 4.
    Arquitetura Vernacular noNordeste – Luiza O adobe é considerado um dos antecedentes históricos do tijolo de barro e seu processo construtivo é uma forma rudimentar de alvenaria. Adobes são tijolos de terra crua, água e palha e algumas vezes outras fibras naturais, moldados em fôrmas por processo artesanal ou semi-industrial. Um dos mais antigos materiais de construção, foi amplamente utilizado nas civilizações do crescente fértil, em especial no Antigo Egito e Mesopotâmia. No Brasil foi e ainda é muito usado nas regiões Norte e Nordeste, principalmente. Infelizmente muitas casas populares de adobe são construídas sem os cuidados necessários gerando rápida degradação do material e conferindo a impressão de ser o adobe um material ineficiente. No entanto a História já o comprovou um material de grande durabilidade. Pau a pique, também conhecida como taipa de mão, taipa de sopapo ou taipa de sebe, é uma técnica construtiva antiga que consistia no entrelaçamento de madeiras verticais fixadas no solo, com vigas horizontais, geralmente de bambuamarradas entre si por cipós, dando origem a um grande painel perfurado que, após ter os vãos preenchidos com barro, transformava-se em parede. Podia receber acabamento alisado ou não, permanecendo rústica, ou ainda receber pintura decaiação. Das técnicas em arquitetura de terra é a mais utilizada, principalmente por dispensar materiais importados. Seu uso ocorre, em sua maioria, na zona rural.
  • 5.
    Arquitetura vernacular contemporânea– Charles Os exemplos acima dados remetem a outra época e parecem não se aplicar tanto ao nosso dia a dia, mas uma das questões mais importantes na arquitetura contemporânea é a escolha adequada de materiais e elementos construtivos que sejam tanto sustentáveis como econômicos, por isso a arquitetura vernacular está sendo buscada novamente. Nesse contexto, a utilização da terra em alvenarias vem atraindo novamente a atenção dos arquitetos. A arquitetura contemporânea pode e deve usar a tecnologia para desenvolver e modificar técnicas tradicionais de construção, adequando-as às necessidades das construções atuais. No exemplo abaixo, o arquiteto Paulo Cesa Filho, incorpora elementos da tradição construtiva local e busca, na escolha dos materiais típicos da arquitetura vernacular da região serrana de Gramado (madeira, pedra, tijolo in natura e telha metálica), uma relação harmoniosa com a paisagem. A linguagem, no entanto, é contemporânea.
  • 6.