Cooperação (ou interação) na rede?
A Internet já não é mais um oceano desconhecido para você. Você já navegou por vários dos seus mares e parou em vários portos. Aprendeu a ler as estrelas e usa a bússola e o GPS com facilidade. Já até construiu o seu próprio ancoradouro onde outros navegadores já aportaram.
Com essas metáforas quisemos enfatizar suas conquistas e dizer que ter construído o seu Blog lhe coloca na condição de interagir e cooperar na Internet, lhe abre novas e importantes possibilidades pedagógicas.
Nesta unidade, vamos tratar da relevância da colaboração e da interação na Web para nossa sociedade em geral e, mais especificamente, para as nossas escolas. Vamos procurar entender por que cooperar é tão importante para o aprendizado e por que cooperar, usando a rede, é ainda mais importante.
Refletir sobre a importância da cooperação no aprendizado, tomando consciência do papel das redes digitais na promoção dos processos cooperativos de trabalho e aprendizagem; Compreender a estruturação e o alcance social e econômico de algumas das principais ferramentas de produção e/ou veiculação de conteúdo digital (wikis, youtube etc.);
Refletir sobre a importância destas ferramentas na construção de novas práticas pedagógicas; Habilitar-se a incluir a postagens de vídeos no seu Blog.
Sociedade da informação e Sociedade do conhecimento são expressões que entraram em uso na última década do século passado, associadas ao termo “Globalização”, e pretendem designar as profundas mudanças econômicas e sociais que vêm ocorrendo na nossa sociedade a partir da popularização do uso das TIC. Há discordâncias quanto ao uso de uma ou outra expressão. Alguns autores defendem o uso da palavra conhecimento, pois informação teria um cunho mais tecnológico, já que informação tem um significado bem menos abrangente do que conhecimento.
Carlos Nepomuceno publicou no portal do UOL uma reportagem muito instrutiva com um título bastante provocador, “A sociedade da informação não existe”. Recomendamos a leitura desta reportagem e do debate que ela provocou na rede. O endereço é:  http ://webinsider.uol.com.br/index.php/2009/04/01/a-sociedadeda-informacao-nao-existe
No contexto da sociedade da informação (conhecimento?), tem sido recorrente o questionamento: “Será que o computador irá substituir o professor?” Precisamos superar essa dúvida antes que possamos avançar. Assim, sugerimos a leitura da resposta elaborada por Andréa Cecília Ramal (2000), que incluímos a seguir neste material. A atividade, então, consiste em ler o texto “O computador vai substituir o professor?”,  e ao final da leitura escolher uma palavra que sintetize a sua idéia central.
O diálogo que vou propor nesta coluna é sobre a escola. Acho que precisamos conversar sobre isso. A Internet está trazendo consigo um novo modelo de educação, uma forma diferente de aprendizagem, e precisamos entendê-lo, apropriar-nos disso, ser protagonistas da mudança. Precisamos conversar principalmente porque a existência dessa grande rede nos faz pensar na escola que temos, ainda tão fechada, limitada, desconectada do mundo, da vida do aluno; ainda tão distante da realidade de imagens, sons, cores e palavras em hipermídia que constitui a nossa vida hoje.
Precisamos conversar sobre nossos sonhos para a escola, pois, se vocês não sabem, há séculos nós, pedagogos, acumulamos sonhos sobre a sala de aula. Ivan Illich sonhava com uma educação que não fosse limitada às instituições, que formalizam tudo. Jean-Jacques Rousseau pensava numa escola que não corrompesse o homem, deixando simplesmente vir à tona o que temos de melhor. Jean Piaget queria que os níveis mentais fossem respeitados, sem pular etapas, para que não tivéssemos que aprender aos saltos, ou decorar o que não entendemos.
Freinet sonhava com uma escola que permitisse o prazer, a aprendizagem agradável e divertida. Paulo Freire sonhava com um lugar em que o saber do aluno fosse valorizado, onde a relação vivida nas aulas fosse o ponto de partida para uma grande transformação do mundo. Goleman escreve sobre uma escola que permita desenvolver o lado emocional, que tenha espaço para as artes, a música, as coisas que enfim, nos fazem mais humanos.
Mas não soubemos concretizar muitos desses sonhos. Talvez ainda não tivemos tempo, porque era preciso primeiro preparar aulas, corrigir provas, anotar no quadro e nos cadernos tantas e tantas explicações. De repente a tecnologia entra na escola e nos obriga a recuperar tudo isso. A presença da máquina leva todo professor a se perguntar: como é a minha aula? Do que decorre: será que o professor vai ser substituído pelo computador? E sabemos que a resposta é sim, não temos a menor dúvida.
Explico: é que o pior de nós vai ser substituído. A nossa pior aula, o lado repetitivo, burocrático e por vezes até acomodado da escola, esse vamos deixar para o computador. Ele saberá transformar nossas exposições maçantes em aulas multimídia interativas, em hipertextos fascinantes, em telas coloridas e interfaces amigáveis preparadas para a construção do saber. Então poderemos, finalmente, ficar com a melhor parte, aquela par a qual não nos sobrava tempo, porque pensávamos que devíamos transmitir conhecimentos.
Vamos receber de herança os sonhos de todas as outras gerações, redimi-las realizando tudo o que não puderam conhecer. Agora sim, está em nossas mãos a derrubada dos muros para fazer conexões com o mundo, a criação do espaço para a arte e a poesia, o tempo para o diálogo amigo, o trabalho cooperativo, a discussão coletiva, a partilha dos sentidos. Está em nossas mãos a construção de uma escola mais feliz, feita por mestres e alunos que saibam, juntos, propor links e janelas para a sala de aula, onde aprender não seja uma tarefa árdua e penosa, mas sim uma aventura.
Então será preciso que cada mestre se despeça da figura de professor transmissor de conteúdos que há em si mesmo, e que os alunos abandonem seu papel de receptores passivos. Isso é o pior de todos nós, não nos daremos mais a conhecer assim. Vamos tentar construir juntos algo novo. É claro que nós, professores, vamos precisar de ajuda: os alunos saberão nos dizer como fazer. Será que eles aceitam ser nossos mestres? Acho que sim, é só por este próximo milênio. Nessa nova sala de aula, na verdade todos serão mestres. E, curiosamente, a gente vai aprender como nunca. Andrea Cecília Ramal
Quer saber qual foi a palavra que escolhemos como a palavra-chave da leitura do texto “O computador vai substituir o professor?” Nós escolhemos a palavra COOPERAR, pois entendemos que esta palavra nos sintoniza com a postura que consideramos necessária nesta época de tantas e tão complexas interações. Consideramos a palavra cooperação mais adequada do que a palavra interação, porque esta última apenas designa a ação conjunta entre duas ou mais pessoas, com a troca de alguns valores (materiais, emocionais, intelectuais ou éticos).
Já a palavra cooperação designa muito mais, refere-se  a um tipo especifico de interação onde se busca que os valores trocados estejam em equilíbrio. Em cooperação não há opressão, não há uso, nem abuso do outro. A cooperação presume então que não só as ações sejam comuns, mas que as intenções também sejam compartilhadas. Na cooperação a ação nasce de acordos transparentes.
Esperamos que nosso objetivo até aqui tenha sido atingido, ou seja, esperamos que você tenha compreendido que apropriar-se do uso das redes de comunicação na sua prática poderá levar-lhe, pouco a pouco, a construir uma nova relação com seus alunos e com a sua comunidade, enfim, uma nova realidade na sua escola. Nessa realidade as relações cooperativas que se desenvolvem nas atividades coletivas devem ter destaque no planejamento pedagógico.
O papel dos professores será o de traçar o cenário onde as interações irão ocorrer, cenários que potencializem a aprendizagem, a convivência, o respeito mútuo etc. A experiência e capacidade crítica dos professores são então os principais recursos que as novas gerações necessitam para poder aprender a dar valor à cooperação e à solidariedade. E, desse modo, estarão preparados para participar de modo significativo na Sociedade da Informação/Conhecimento!
Apresentação1

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    A Internet jánão é mais um oceano desconhecido para você. Você já navegou por vários dos seus mares e parou em vários portos. Aprendeu a ler as estrelas e usa a bússola e o GPS com facilidade. Já até construiu o seu próprio ancoradouro onde outros navegadores já aportaram.
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    Com essas metáforasquisemos enfatizar suas conquistas e dizer que ter construído o seu Blog lhe coloca na condição de interagir e cooperar na Internet, lhe abre novas e importantes possibilidades pedagógicas.
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    Nesta unidade, vamostratar da relevância da colaboração e da interação na Web para nossa sociedade em geral e, mais especificamente, para as nossas escolas. Vamos procurar entender por que cooperar é tão importante para o aprendizado e por que cooperar, usando a rede, é ainda mais importante.
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    Refletir sobre aimportância da cooperação no aprendizado, tomando consciência do papel das redes digitais na promoção dos processos cooperativos de trabalho e aprendizagem; Compreender a estruturação e o alcance social e econômico de algumas das principais ferramentas de produção e/ou veiculação de conteúdo digital (wikis, youtube etc.);
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    Refletir sobre aimportância destas ferramentas na construção de novas práticas pedagógicas; Habilitar-se a incluir a postagens de vídeos no seu Blog.
  • 7.
    Sociedade da informaçãoe Sociedade do conhecimento são expressões que entraram em uso na última década do século passado, associadas ao termo “Globalização”, e pretendem designar as profundas mudanças econômicas e sociais que vêm ocorrendo na nossa sociedade a partir da popularização do uso das TIC. Há discordâncias quanto ao uso de uma ou outra expressão. Alguns autores defendem o uso da palavra conhecimento, pois informação teria um cunho mais tecnológico, já que informação tem um significado bem menos abrangente do que conhecimento.
  • 8.
    Carlos Nepomuceno publicouno portal do UOL uma reportagem muito instrutiva com um título bastante provocador, “A sociedade da informação não existe”. Recomendamos a leitura desta reportagem e do debate que ela provocou na rede. O endereço é: http ://webinsider.uol.com.br/index.php/2009/04/01/a-sociedadeda-informacao-nao-existe
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    No contexto dasociedade da informação (conhecimento?), tem sido recorrente o questionamento: “Será que o computador irá substituir o professor?” Precisamos superar essa dúvida antes que possamos avançar. Assim, sugerimos a leitura da resposta elaborada por Andréa Cecília Ramal (2000), que incluímos a seguir neste material. A atividade, então, consiste em ler o texto “O computador vai substituir o professor?”, e ao final da leitura escolher uma palavra que sintetize a sua idéia central.
  • 10.
    O diálogo quevou propor nesta coluna é sobre a escola. Acho que precisamos conversar sobre isso. A Internet está trazendo consigo um novo modelo de educação, uma forma diferente de aprendizagem, e precisamos entendê-lo, apropriar-nos disso, ser protagonistas da mudança. Precisamos conversar principalmente porque a existência dessa grande rede nos faz pensar na escola que temos, ainda tão fechada, limitada, desconectada do mundo, da vida do aluno; ainda tão distante da realidade de imagens, sons, cores e palavras em hipermídia que constitui a nossa vida hoje.
  • 11.
    Precisamos conversar sobrenossos sonhos para a escola, pois, se vocês não sabem, há séculos nós, pedagogos, acumulamos sonhos sobre a sala de aula. Ivan Illich sonhava com uma educação que não fosse limitada às instituições, que formalizam tudo. Jean-Jacques Rousseau pensava numa escola que não corrompesse o homem, deixando simplesmente vir à tona o que temos de melhor. Jean Piaget queria que os níveis mentais fossem respeitados, sem pular etapas, para que não tivéssemos que aprender aos saltos, ou decorar o que não entendemos.
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    Freinet sonhava comuma escola que permitisse o prazer, a aprendizagem agradável e divertida. Paulo Freire sonhava com um lugar em que o saber do aluno fosse valorizado, onde a relação vivida nas aulas fosse o ponto de partida para uma grande transformação do mundo. Goleman escreve sobre uma escola que permita desenvolver o lado emocional, que tenha espaço para as artes, a música, as coisas que enfim, nos fazem mais humanos.
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    Mas não soubemosconcretizar muitos desses sonhos. Talvez ainda não tivemos tempo, porque era preciso primeiro preparar aulas, corrigir provas, anotar no quadro e nos cadernos tantas e tantas explicações. De repente a tecnologia entra na escola e nos obriga a recuperar tudo isso. A presença da máquina leva todo professor a se perguntar: como é a minha aula? Do que decorre: será que o professor vai ser substituído pelo computador? E sabemos que a resposta é sim, não temos a menor dúvida.
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    Explico: é queo pior de nós vai ser substituído. A nossa pior aula, o lado repetitivo, burocrático e por vezes até acomodado da escola, esse vamos deixar para o computador. Ele saberá transformar nossas exposições maçantes em aulas multimídia interativas, em hipertextos fascinantes, em telas coloridas e interfaces amigáveis preparadas para a construção do saber. Então poderemos, finalmente, ficar com a melhor parte, aquela par a qual não nos sobrava tempo, porque pensávamos que devíamos transmitir conhecimentos.
  • 15.
    Vamos receber deherança os sonhos de todas as outras gerações, redimi-las realizando tudo o que não puderam conhecer. Agora sim, está em nossas mãos a derrubada dos muros para fazer conexões com o mundo, a criação do espaço para a arte e a poesia, o tempo para o diálogo amigo, o trabalho cooperativo, a discussão coletiva, a partilha dos sentidos. Está em nossas mãos a construção de uma escola mais feliz, feita por mestres e alunos que saibam, juntos, propor links e janelas para a sala de aula, onde aprender não seja uma tarefa árdua e penosa, mas sim uma aventura.
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    Então será precisoque cada mestre se despeça da figura de professor transmissor de conteúdos que há em si mesmo, e que os alunos abandonem seu papel de receptores passivos. Isso é o pior de todos nós, não nos daremos mais a conhecer assim. Vamos tentar construir juntos algo novo. É claro que nós, professores, vamos precisar de ajuda: os alunos saberão nos dizer como fazer. Será que eles aceitam ser nossos mestres? Acho que sim, é só por este próximo milênio. Nessa nova sala de aula, na verdade todos serão mestres. E, curiosamente, a gente vai aprender como nunca. Andrea Cecília Ramal
  • 19.
    Quer saber qualfoi a palavra que escolhemos como a palavra-chave da leitura do texto “O computador vai substituir o professor?” Nós escolhemos a palavra COOPERAR, pois entendemos que esta palavra nos sintoniza com a postura que consideramos necessária nesta época de tantas e tão complexas interações. Consideramos a palavra cooperação mais adequada do que a palavra interação, porque esta última apenas designa a ação conjunta entre duas ou mais pessoas, com a troca de alguns valores (materiais, emocionais, intelectuais ou éticos).
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    Já a palavracooperação designa muito mais, refere-se a um tipo especifico de interação onde se busca que os valores trocados estejam em equilíbrio. Em cooperação não há opressão, não há uso, nem abuso do outro. A cooperação presume então que não só as ações sejam comuns, mas que as intenções também sejam compartilhadas. Na cooperação a ação nasce de acordos transparentes.
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    Esperamos que nossoobjetivo até aqui tenha sido atingido, ou seja, esperamos que você tenha compreendido que apropriar-se do uso das redes de comunicação na sua prática poderá levar-lhe, pouco a pouco, a construir uma nova relação com seus alunos e com a sua comunidade, enfim, uma nova realidade na sua escola. Nessa realidade as relações cooperativas que se desenvolvem nas atividades coletivas devem ter destaque no planejamento pedagógico.
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    O papel dosprofessores será o de traçar o cenário onde as interações irão ocorrer, cenários que potencializem a aprendizagem, a convivência, o respeito mútuo etc. A experiência e capacidade crítica dos professores são então os principais recursos que as novas gerações necessitam para poder aprender a dar valor à cooperação e à solidariedade. E, desse modo, estarão preparados para participar de modo significativo na Sociedade da Informação/Conhecimento!