REFUGIADOS DO GOLPE MILITAR
CHILENO: ESTUDO DE CASOS
OS DILEMAS DA COMUNICAÇÃO
INTERCULTURAL
MARCIA CRISTINA HERNÁNDEZ BRIONES
Orientadora: Profª Me. Susana Gib Azevedo
Porto Alegre, 2 de julho de 2010.
TEMA E DELIMITAÇÃO
 TEMA: OS DILEMAS DA COMUNICAÇÃO INTERCULTURAL
 Adaptação na nova cultura.
 Como foi deixar seu país e migrar para um local desconhecido.
 Tornar-se um cidadão residente com forma ideologicamente igualitária
a dos novos conterrâneos.
 DELIMITAÇÃO: ESTUDO DE CASOS DE REFUGIADOS
DO GOLPE MILITAR CHILENO
 Análise dos processos de mudança vividos por exilados chilenos
que foram acolhidos por diversos países, através das diversas culturas
em que se refugiavam.
JUSTIFICATIVA + OBJETIVOS
 RRPP: Projeção para a área
internacional.
 Área de estudo atual: o mundo
vive as diferenças sociais
e compartilha culturas.
 Aspecto familiar e coletivo
da autora.
 Compreender os processos de
mudança e os fatos ocorridos.
 Identificar a adaptação sob o
aspecto das diferentes percepções.
 Estudar o processo intercultural.
 Vislumbrar o contexto político: a
Comunicação e as RRPP.
Reconhecimento cultural,
social e econômico
Nova família;
características
sociais diferentes
Hibridismo
cultural
RELAÇÕES INTERNACIONAIS
HISTÓRIA DA HUMANIDADE
RELAÇÕES PÚBLICAS
RELAÇÕES INTERCULTURAIS
OS ENFOQUES DO ESTUDO
Dimensões básicas do estudo:
REFERENCIAL TEÓRICO
1 COMUNICAÇÃO CONTEXTUAL: OS CENÁRIOS
Comunicação e seus processos, variações e adaptações para a contextualização dos
cenários tratados.
2 A ADMINISTRAÇÃO DAS DIFERENÇAS
Exposição da comunicação intercultural e definições de cultura.
3 AS RELAÇÕES INTERCULTURAIS NO PROCESSO DE ADAPTAÇÃO
Paralelo da diversidade intercultural e o refúgio e a atividade de Relações Públicas como
mediadora.
4 REFÚGIO, EXÍLIO, IMIGRAÇÃO E EMIGRAÇÃO
Nomenclaturas e como ocorrem estas denominações.
5 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E SOCIAL
Definições, cenários geográficos e temporais, os principais fatores de mudança, o choque
cultural ao recomeçar a vida em um novo país / reconhecimento da pátria ao retorno.
PESQUISA DE CAMPO
6 A PESQUISA: REFÚGIO, ADAPTAÇÃO E COMUNICAÇÃO
• Estudos de caso: 5 entrevistados.
• Fatos sobre a situação política e econômica do Chile.
• Mudanças sócio-culturais causadas pelo golpe militar.
• Consequências na sociedade.
• Processo de adaptação e readaptação.
 Pesquisa exploratória.
 Observação participante.
Realização:
 Roteiros com perguntas semi-
abertas e abertas.
 Uso da internet.
 Envio de roteiro, com 17
questões, a 5 refugiados do
golpe militar chileno.
 Período de convivência.
 6 categorias / 17 subcategorias
+ 3 categorias para os
depoimentos.
METODOLOGIA + PROCEDIMENTOS
6 A PESQUISA:
REFÚGIO,
ADAPTAÇÃO E
COMUNICAÇÃO
Categoria I
Percepções
 A percepção das pessoas após o
golpe mudou: consciência da ação
proposital.
 Sensação ao fim do golpe: dividida.
 O sentimento de que um novo Chile
estava por vir X às injustiças que
foram cometidas naquele período.
6 A PESQUISA:
REFÚGIO,
ADAPTAÇÃO E
COMUNICAÇÃO
Categoria II
Adaptação
 Traumas: Divisão do social. Medo.
Privação da liberdade. Não ter a
oportunidade de lutar democraticamente.
 Idioma: TV. Livros. Vivência.
 Choque Cultural: Diferenças no
comprometimento. Contato com pessoas
que viveram algo parecido.
 Lugar para morar: Segurança. Salvar a
vida. Ir para um país com estrutura.
 O que mantêm uma pessoa lá: um lugar
livre de discriminações.
6 A PESQUISA:
REFÚGIO,
ADAPTAÇÃO E
COMUNICAÇÃO
Categoria III
Trabalho
 Funções diferentes até atingir a
mesma posição.
 Sem a situação legalizada, o contrato
informal tinha outra remuneração.
 Quem não possuía formação
profissional no Chile, trabalhava onde
as organizações de apoio aos
refugiados os colocavam.
6 A PESQUISA:
REFÚGIO,
ADAPTAÇÃO E
COMUNICAÇÃO
Categoria IV
Sociedade
 As reações esboçadas: solidariedade
e aceitação.
 A população do novo país foi descrita
como calorosa, gentil e cooperadora.
 Ao saberem que a saída do Chile
ocorreu em função do golpe e/ou
regime militar, a reação foi de
indignação e ao mesmo tempo
emotiva.
6 A PESQUISA:
REFÚGIO,
ADAPTAÇÃO E
COMUNICAÇÃO
Categoria V
Interculturalidade
 Saída: forma peculiar para cada um
dos refugiados.
 Ao ingressar no novo país, contaram
com o apoio de organizações (na
Europa).
 Sensação de ser estrangeiro na
própria terra.
6 A PESQUISA:
REFÚGIO,
ADAPTAÇÃO E
COMUNICAÇÃO
Categoria VI
Refúgio
 Contatos profissionais, políticos, órgãos
internacionais e amigos.
 Ampla oferta de manifestações culturais.
 Mais liberdade para a mulher, alegria,
aproveitar a vida ao ar livre, confiança,
crenças.
 Dificuldades: orientar-se, idioma,
adaptar-se e aceitar a idiossincrasia do
país sem perder as suas raízes, outro tipo
de clima.
6 A PESQUISA:
REFÚGIO,
ADAPTAÇÃO E
COMUNICAÇÃO
PROCESSO DE
EXÍLIO MORAL:
O REFÚGIO
 Jaime Albarrán → Porto Alegre
 Roberto Bunster → Santos
 Essa denominação surgiu pois
formalmente não lhes foram quitados os
documentos, mas lhes foi vetada a
permanência no país.
 “Ao percorrer os povoados ao longo do
país, tudo traz lembranças, é como
devolver um pedaço da vida que estava
perdida; lembranças da infância e
juventude se fazem presentes.”
6 A PESQUISA:
REFÚGIO,
ADAPTAÇÃO E
COMUNICAÇÃO
PROCESSO DE
EXÍLIO POLÍTICO
 Jaime Marquez → Paris
No Illapu, que realizava turnês mundiais,
relatava aos povos o que estava
acontecendo no Chile.
 Gladys Córdova → Bruxelas
Seu marido, foi torturado na base aérea e
ao conseguir escapar, conseguiram partir
em exílio para a Bélgica.
 Enrique Navarrete → Santiago
Foi perseguido e preso. Emigrou com
identificação trocada.
6 A PESQUISA:
REFÚGIO,
ADAPTAÇÃO E
COMUNICAÇÃO
PROCESSO DE
“AUTO-EXÍLIO”
Mesmo com o fim do regime militar, alguns
refugiados optaram por não retornar.
 Jaime Marquez → Paris
na França teve maiores oportunidades, além de
contar com a estrutura que o país oferece.
 Gladys Córdova → Bruxelas
pôde realizar-se profissionalmente como artista
plástica, obtendo reconhecimento.
 Jaime Albarrán → Porto Alegre
Fixação com o crescimento da família.
 Roberto Bunster → Santos
o processo repetiu-se e ainda não garante que o
tempo de mudanças tenha estancado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
 Registro da fragilidade e da força do ser humano ao lutar
por um mundo ideologicamente sem fronteiras.
 O resgate do que vivenciaram foi marcante e dividido:
recordar o povo chileno, as opções políticas, o ir ou ficar, o
ficar feliz ou triste.
 Esse sentimento ambíguo, que mistura a alegria com a
revolta, é relatado com emoção numa forma de registrar a
história de cada um, sempre repleta de orgulho – este,
sim, sem divisões.
Muito Obrigada!
Jaime Albarrán
Enrique Navarrete
Gladys Córdova
Jaime Marquez
Isabel Briones
Roberto Bunster
• Comunicação trata do elo que conecta pessoas, organizações, mídia.
• O significado deste processo é tão amplo e a sua realidade tão essencial
que possibilita agregarmos novas ciências, novos estudos e, assim,
complementar e direcionar este processo.
• A contextualização dos cenários a serem abordados necessita de um
processo potente como a comunicação, que, realocada em outra
dimensão, torna-se um agente integrador entre cultura e comunicação
intercultural.
1 COMUNICAÇÃO CONTEXTUAL:
OS CENÁRIOS
1 COMUNICAÇÃO CONTEXTUAL:
OS CENÁRIOS
Indivíduos como meio para interação das culturas. Fonte: A Autora (2010).
Evolução do sistema de comunicação para um sistema de comunicação intercultural:
2 A ADMINISTRAÇÃO DAS DIFERENÇAS
 COMUNICAÇÃO
INTERCULTURAL
Abriga fatores existentes na
cultura individual ou coletiva.
A interação dos fatores existentes
para um indivíduo com outro,
causam a fusão de culturas que
designamos como
interculturalidade.
 CULTURA E
INTERCULTURALIDADE
A cultura não é parte apenas de
uma sociedade, mas também é
um distintivo de uma
nacionalidade, uma organização,
um grupo social.
É uma representação do real
significado do coletivismo.
Compreender a cultura de um
povo expõe a sua normalidade
sem reduzir sua particularidade.
3 AS RELAÇÕES INTERCULTURAIS
NO PROCESSO DE ADAPTAÇÃO
 DIVERSIDADE CULTURAL
E O REFÚGIO
Cada grupo vivencia essa
experiência de maneira
diferente, assim como cada
pessoa reage de formas distintas
para cada situação.
Assim como o estrangeiro
experimenta a relação
intercultural, assim o é para o
nativo que interage com este
indivíduo e sua cultura.
 RELAÇÕES PÚBLICAS COMO
MEDIADOR
Segundo Kunsch (2002), “a
comunicação é um instrumento
vital e imprescindível para que as
relações públicas possam mediar
relacionamentos organizacionais
com a diversidade de públicos, a
opinião pública e a sociedade em
geral.”
A essência das Relações Públicas
está na necessidade do equilíbrio
entre o individual e o coletivo
(FERRARI, 2003, p. 8).
3 AS RELAÇÕES INTERCULTURAIS
NO PROCESSO DE ADAPTAÇÃO
Analogia ao modelo de Shannon e Weaver e do sistema fundamental de comunicação. Fonte: A Autora (2010).
A cultura que um indivíduo
leva consigo, em uma
situação migratória,
precisa relacionar-se com a
cultura que o recebe,
através de outro indivíduo:
4 REFÚGIO, EXÍLIO, IMIGRAÇÃO E EMIGRAÇÃO
 REFÚGIO
- Fora do país de origem
- não podem ou não querem
usufruir da proteção dessa nação
- não tem uma nacionalidade e
encontram-se fora desse país em
consequência dos acontecimentos
- não possam ou tenham receio
de retornar.
 EXÍLIO
Assim como o refúgio, caracteriza
a situação do país de origem para
o passado daquele indivíduo que
passou por essas experiências.
Pode ser esclarecido como uma
formalização do estado de refúgio,
através de um decreto oficial.
4 REFÚGIO, EXÍLIO, IMIGRAÇÃO E EMIGRAÇÃO
 IMIGRAÇÃO E EMIGRAÇÃO
Movimentos que prioritariamente decorrem de mudança geográfica,
e não necessariamente estão conectados a um motivo específico do
país de origem ou de destino.
Decorrentes desses movimentos – imigração, ao entrar em um
território, e emigração, ao sair – novos fatos surgem, pois as pessoas
estão circulando pelo planeta, compartilhando culturas e evoluindo
para uma sociedade cada vez mais homogênea.
POR QUE REFUGIADOS:
 ESTEREÓTIPO
Podem impedir a comunicação em
pelo menos quatro formas: crença
coletiva a respeito de algo (ex.:
nacionalidade); associação de uma
característica específica a todo um
grupo; o estereotipado sente-se
inferior; e, quando o estereótipo
concretizado leva a interpretação de
que esse comportamento pertence ao
coletivo (JANDT, 2001 apud MARTINELLI, 2008).
 IDENTIDADE
É um movimento de construção,
aliado à personalidade e com
temporalidade ilimitada.
É algo em constante evolução que é
semeada involuntariamente dia após
dia, mesmo no passado mais
longínquo de cada ser humano, talvez
mesmo desde a concepção do
embrião.
4 REFÚGIO, EXÍLIO, IMIGRAÇÃO E EMIGRAÇÃO
5 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E SOCIAL
 A SITUAÇÃO NO CHILE NO ANO DE 1973
Salvador Allende fora eleito através de eleições democráticas, ou seja,
realização efetiva da transformação política, social e econômica do país.
O apoio dos Estados Unidos ao golpe militar ocorreu por meio desse
incentivo financeiro: pagavam parte da população para não trabalhar,
numa forma de corroer o governo socialista.
A junta militar não restringiu sua revolução somente aos acadêmicos –
sociólogos, filósofos, atores, músicos, artistas. Também foram
interditados os partidos políticos de esquerda, os conservadores
entraram em recesso, o congresso foi dissolvido.
5 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E SOCIAL
 A SITUAÇÃO NO CHILE NO ANO DE 1973
Os líderes da Junta estavam convencidos de que haviam “salvo” o Chile
e que os anticomunistas em todo o mundo estariam lhe dando apoio e
não censurando.
Somente em 1998 Augusto Pinochet foi preso por ter violado os direitos
humanos.
5 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E SOCIAL
Jandt (2001 apud MARTINELLI, 2008)
O CHOQUE CULTURAL
Euforia
inicial
Impacto da novidade, onde as similaridades entre a cultura
materna e a apresentada são exaltadas, afirmando o conforto da
nova experiência.
Irritação e
hostilidade
O foco passa para as diferenças entre o país de origem e a nova
cultura. Pode manifestar sintomas físicos e psicológicos como
fadiga, insônia, depressão, raiva e solidão, reflexo do isolamento.
Ajuste
gradual
Quando sem mais escolhas, a pessoa se ajusta a sua nova
realidade e trata de desfrutá-la como lhe parece melhor.
Adaptação
Plenamente adaptado, passa a conviver naturalmente em ambas
as culturas, caracterizando nesse estágio, o hibridismo cultural.
5 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E SOCIAL
 RECOMEÇO EM UM
NOVO PAÍS
Na ida para o novo país, o
refugiado leva consigo uma
esperança de uma vida melhor,
apesar de ter consigo a resistência
de querer estar no seu país e não
poder.
Assim, cria expectativas a respeito
do trabalho que irá ter, do idioma
que terá que aprender, da nova
vida que lhe é oferecida.
 RECONHECIMENTO DA
PÁTRIA AO RETORNO
Imagina como seria sua vida se
não precisasse mudar seus rumos,
surgindo assim a necessidade de
reencontro com o solo natal
tantas vezes postergado.
 METODOLOGIA
 Pesquisa exploratória. É feita quando o tema é pouco
explorado e complexo para formular resultados precisos. (GIL, 1999).
 Entrevistas qualitativas, através de roteiros, e observação
participante, que incide na inclusão e interação do pesquisador
com o objeto de estudo (BARROS; DUARTE, 2006).
 Nas entrevistas serão utilizados roteiros com perguntas semi-
abertas e abertas, enviadas por e-mail, podendo ser respondidos
por escrito e sem a presença do entrevistador (MARCONI; LAKATOS, 2002).
 A respeito do uso da internet, visto que os entrevistados estão
inacessíveis por outros meios, torna-se uma maneira prática de
realização (BARROS; DUARTE, 2006).
6 A PESQUISA: REFÚGIO, ADAPTAÇÃO E COMUNICAÇÃO
 PROCEDIMENTOS
Foi enviado um roteiro, contendo 17 questões, a cinco refugiados do golpe
militar chileno. As mensagens foram enviadas de 25 a 29 de abril de 2010
e as entrevistas retornaram no período de 8 a 15 de maio de 2010.
Envolvidos neste estudo de caso estão:
 Jaime Marquez. Exílio Oficial
 Gladys Córdova. Exílio Oficial
 Jaime Hernández Albarrán. Exílio Voluntário
 Roberto Bunster. Exílio Voluntário
 Enrique Jaime Navarrete Anguita. Exílio Voluntário
6 A PESQUISA: REFÚGIO, ADAPTAÇÃO E COMUNICAÇÃO
Pessoalmente, os depoimentos foram coletados nas datas que seguem:
Jaime Marquez - em 09 de abril de 2009, em Paris, na França.
Gladys Córdova - em 26 de junho de 2009, em Bruxelas, na Bélgica.
Enrique Navarrete - em 01 de fevereiro de 2010, em Santiago do Chile.
No entanto, por volta dessas datas houve um período de convivência de
aproximadamente duas semanas com cada um desses três casos de
refúgio, o que proporcionou a coleta de dados em forma de observação.
Ainda pessoalmente, no entanto com maior ênfase na observação
participante, foi resgatado o depoimento de Jaime Albarrán e sua esposa
Isabel Briones, que, por serem pai e mãe da autora, proporcionaram anos
de relatos durante a convivência familiar.
6 A PESQUISA: REFÚGIO, ADAPTAÇÃO E COMUNICAÇÃO
Para registrar os depoimentos, as análises serão segmentadas em
três categorias:
 Exílio Moral: o refúgio - Trata-se de um exílio voluntário, em
que o indivíduo sai do país por falta de recursos básicos de
sobrevivência, como alimentação e trabalho. Inclui-se nesta
categoria: Jaime Albarrán e Roberto Bunster.
 Exílio Político - É o caso de exílio oficial, quando lhe é
proibida a permanência e vetada a nacionalidade. Nesta categoria
serão incluídos: Jaime Marquez, Gladys Córdova e Enrique
Navarrete.
 “Auto-Exílio” - Trata-se da opção por não retornar ao país de
origem. Inclui-se nesta categoria: Jaime Marquez, Gladys Córdova,
Jaime Albarrán e Roberto Bunster.
6 A PESQUISA: REFÚGIO, ADAPTAÇÃO E COMUNICAÇÃO

OS DILEMAS DA COMUNICAÇÃO INTERCULTURAL: ESTUDO DE CASOS DE REFUGIADOS DO GOLPE MILITAR CHILENO

  • 1.
    REFUGIADOS DO GOLPEMILITAR CHILENO: ESTUDO DE CASOS OS DILEMAS DA COMUNICAÇÃO INTERCULTURAL MARCIA CRISTINA HERNÁNDEZ BRIONES Orientadora: Profª Me. Susana Gib Azevedo Porto Alegre, 2 de julho de 2010.
  • 2.
    TEMA E DELIMITAÇÃO TEMA: OS DILEMAS DA COMUNICAÇÃO INTERCULTURAL  Adaptação na nova cultura.  Como foi deixar seu país e migrar para um local desconhecido.  Tornar-se um cidadão residente com forma ideologicamente igualitária a dos novos conterrâneos.  DELIMITAÇÃO: ESTUDO DE CASOS DE REFUGIADOS DO GOLPE MILITAR CHILENO  Análise dos processos de mudança vividos por exilados chilenos que foram acolhidos por diversos países, através das diversas culturas em que se refugiavam.
  • 3.
    JUSTIFICATIVA + OBJETIVOS RRPP: Projeção para a área internacional.  Área de estudo atual: o mundo vive as diferenças sociais e compartilha culturas.  Aspecto familiar e coletivo da autora.  Compreender os processos de mudança e os fatos ocorridos.  Identificar a adaptação sob o aspecto das diferentes percepções.  Estudar o processo intercultural.  Vislumbrar o contexto político: a Comunicação e as RRPP. Reconhecimento cultural, social e econômico Nova família; características sociais diferentes Hibridismo cultural
  • 4.
    RELAÇÕES INTERNACIONAIS HISTÓRIA DAHUMANIDADE RELAÇÕES PÚBLICAS RELAÇÕES INTERCULTURAIS OS ENFOQUES DO ESTUDO Dimensões básicas do estudo:
  • 5.
    REFERENCIAL TEÓRICO 1 COMUNICAÇÃOCONTEXTUAL: OS CENÁRIOS Comunicação e seus processos, variações e adaptações para a contextualização dos cenários tratados. 2 A ADMINISTRAÇÃO DAS DIFERENÇAS Exposição da comunicação intercultural e definições de cultura. 3 AS RELAÇÕES INTERCULTURAIS NO PROCESSO DE ADAPTAÇÃO Paralelo da diversidade intercultural e o refúgio e a atividade de Relações Públicas como mediadora. 4 REFÚGIO, EXÍLIO, IMIGRAÇÃO E EMIGRAÇÃO Nomenclaturas e como ocorrem estas denominações. 5 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E SOCIAL Definições, cenários geográficos e temporais, os principais fatores de mudança, o choque cultural ao recomeçar a vida em um novo país / reconhecimento da pátria ao retorno.
  • 6.
    PESQUISA DE CAMPO 6A PESQUISA: REFÚGIO, ADAPTAÇÃO E COMUNICAÇÃO • Estudos de caso: 5 entrevistados. • Fatos sobre a situação política e econômica do Chile. • Mudanças sócio-culturais causadas pelo golpe militar. • Consequências na sociedade. • Processo de adaptação e readaptação.
  • 7.
     Pesquisa exploratória. Observação participante. Realização:  Roteiros com perguntas semi- abertas e abertas.  Uso da internet.  Envio de roteiro, com 17 questões, a 5 refugiados do golpe militar chileno.  Período de convivência.  6 categorias / 17 subcategorias + 3 categorias para os depoimentos. METODOLOGIA + PROCEDIMENTOS
  • 8.
    6 A PESQUISA: REFÚGIO, ADAPTAÇÃOE COMUNICAÇÃO Categoria I Percepções  A percepção das pessoas após o golpe mudou: consciência da ação proposital.  Sensação ao fim do golpe: dividida.  O sentimento de que um novo Chile estava por vir X às injustiças que foram cometidas naquele período.
  • 9.
    6 A PESQUISA: REFÚGIO, ADAPTAÇÃOE COMUNICAÇÃO Categoria II Adaptação  Traumas: Divisão do social. Medo. Privação da liberdade. Não ter a oportunidade de lutar democraticamente.  Idioma: TV. Livros. Vivência.  Choque Cultural: Diferenças no comprometimento. Contato com pessoas que viveram algo parecido.  Lugar para morar: Segurança. Salvar a vida. Ir para um país com estrutura.  O que mantêm uma pessoa lá: um lugar livre de discriminações.
  • 10.
    6 A PESQUISA: REFÚGIO, ADAPTAÇÃOE COMUNICAÇÃO Categoria III Trabalho  Funções diferentes até atingir a mesma posição.  Sem a situação legalizada, o contrato informal tinha outra remuneração.  Quem não possuía formação profissional no Chile, trabalhava onde as organizações de apoio aos refugiados os colocavam.
  • 11.
    6 A PESQUISA: REFÚGIO, ADAPTAÇÃOE COMUNICAÇÃO Categoria IV Sociedade  As reações esboçadas: solidariedade e aceitação.  A população do novo país foi descrita como calorosa, gentil e cooperadora.  Ao saberem que a saída do Chile ocorreu em função do golpe e/ou regime militar, a reação foi de indignação e ao mesmo tempo emotiva.
  • 12.
    6 A PESQUISA: REFÚGIO, ADAPTAÇÃOE COMUNICAÇÃO Categoria V Interculturalidade  Saída: forma peculiar para cada um dos refugiados.  Ao ingressar no novo país, contaram com o apoio de organizações (na Europa).  Sensação de ser estrangeiro na própria terra.
  • 13.
    6 A PESQUISA: REFÚGIO, ADAPTAÇÃOE COMUNICAÇÃO Categoria VI Refúgio  Contatos profissionais, políticos, órgãos internacionais e amigos.  Ampla oferta de manifestações culturais.  Mais liberdade para a mulher, alegria, aproveitar a vida ao ar livre, confiança, crenças.  Dificuldades: orientar-se, idioma, adaptar-se e aceitar a idiossincrasia do país sem perder as suas raízes, outro tipo de clima.
  • 14.
    6 A PESQUISA: REFÚGIO, ADAPTAÇÃOE COMUNICAÇÃO PROCESSO DE EXÍLIO MORAL: O REFÚGIO  Jaime Albarrán → Porto Alegre  Roberto Bunster → Santos  Essa denominação surgiu pois formalmente não lhes foram quitados os documentos, mas lhes foi vetada a permanência no país.  “Ao percorrer os povoados ao longo do país, tudo traz lembranças, é como devolver um pedaço da vida que estava perdida; lembranças da infância e juventude se fazem presentes.”
  • 15.
    6 A PESQUISA: REFÚGIO, ADAPTAÇÃOE COMUNICAÇÃO PROCESSO DE EXÍLIO POLÍTICO  Jaime Marquez → Paris No Illapu, que realizava turnês mundiais, relatava aos povos o que estava acontecendo no Chile.  Gladys Córdova → Bruxelas Seu marido, foi torturado na base aérea e ao conseguir escapar, conseguiram partir em exílio para a Bélgica.  Enrique Navarrete → Santiago Foi perseguido e preso. Emigrou com identificação trocada.
  • 16.
    6 A PESQUISA: REFÚGIO, ADAPTAÇÃOE COMUNICAÇÃO PROCESSO DE “AUTO-EXÍLIO” Mesmo com o fim do regime militar, alguns refugiados optaram por não retornar.  Jaime Marquez → Paris na França teve maiores oportunidades, além de contar com a estrutura que o país oferece.  Gladys Córdova → Bruxelas pôde realizar-se profissionalmente como artista plástica, obtendo reconhecimento.  Jaime Albarrán → Porto Alegre Fixação com o crescimento da família.  Roberto Bunster → Santos o processo repetiu-se e ainda não garante que o tempo de mudanças tenha estancado.
  • 17.
    CONSIDERAÇÕES FINAIS  Registroda fragilidade e da força do ser humano ao lutar por um mundo ideologicamente sem fronteiras.  O resgate do que vivenciaram foi marcante e dividido: recordar o povo chileno, as opções políticas, o ir ou ficar, o ficar feliz ou triste.  Esse sentimento ambíguo, que mistura a alegria com a revolta, é relatado com emoção numa forma de registrar a história de cada um, sempre repleta de orgulho – este, sim, sem divisões.
  • 18.
    Muito Obrigada! Jaime Albarrán EnriqueNavarrete Gladys Córdova Jaime Marquez Isabel Briones Roberto Bunster
  • 19.
    • Comunicação tratado elo que conecta pessoas, organizações, mídia. • O significado deste processo é tão amplo e a sua realidade tão essencial que possibilita agregarmos novas ciências, novos estudos e, assim, complementar e direcionar este processo. • A contextualização dos cenários a serem abordados necessita de um processo potente como a comunicação, que, realocada em outra dimensão, torna-se um agente integrador entre cultura e comunicação intercultural. 1 COMUNICAÇÃO CONTEXTUAL: OS CENÁRIOS
  • 20.
    1 COMUNICAÇÃO CONTEXTUAL: OSCENÁRIOS Indivíduos como meio para interação das culturas. Fonte: A Autora (2010). Evolução do sistema de comunicação para um sistema de comunicação intercultural:
  • 21.
    2 A ADMINISTRAÇÃODAS DIFERENÇAS  COMUNICAÇÃO INTERCULTURAL Abriga fatores existentes na cultura individual ou coletiva. A interação dos fatores existentes para um indivíduo com outro, causam a fusão de culturas que designamos como interculturalidade.  CULTURA E INTERCULTURALIDADE A cultura não é parte apenas de uma sociedade, mas também é um distintivo de uma nacionalidade, uma organização, um grupo social. É uma representação do real significado do coletivismo. Compreender a cultura de um povo expõe a sua normalidade sem reduzir sua particularidade.
  • 22.
    3 AS RELAÇÕESINTERCULTURAIS NO PROCESSO DE ADAPTAÇÃO  DIVERSIDADE CULTURAL E O REFÚGIO Cada grupo vivencia essa experiência de maneira diferente, assim como cada pessoa reage de formas distintas para cada situação. Assim como o estrangeiro experimenta a relação intercultural, assim o é para o nativo que interage com este indivíduo e sua cultura.  RELAÇÕES PÚBLICAS COMO MEDIADOR Segundo Kunsch (2002), “a comunicação é um instrumento vital e imprescindível para que as relações públicas possam mediar relacionamentos organizacionais com a diversidade de públicos, a opinião pública e a sociedade em geral.” A essência das Relações Públicas está na necessidade do equilíbrio entre o individual e o coletivo (FERRARI, 2003, p. 8).
  • 23.
    3 AS RELAÇÕESINTERCULTURAIS NO PROCESSO DE ADAPTAÇÃO Analogia ao modelo de Shannon e Weaver e do sistema fundamental de comunicação. Fonte: A Autora (2010). A cultura que um indivíduo leva consigo, em uma situação migratória, precisa relacionar-se com a cultura que o recebe, através de outro indivíduo:
  • 24.
    4 REFÚGIO, EXÍLIO,IMIGRAÇÃO E EMIGRAÇÃO  REFÚGIO - Fora do país de origem - não podem ou não querem usufruir da proteção dessa nação - não tem uma nacionalidade e encontram-se fora desse país em consequência dos acontecimentos - não possam ou tenham receio de retornar.  EXÍLIO Assim como o refúgio, caracteriza a situação do país de origem para o passado daquele indivíduo que passou por essas experiências. Pode ser esclarecido como uma formalização do estado de refúgio, através de um decreto oficial.
  • 25.
    4 REFÚGIO, EXÍLIO,IMIGRAÇÃO E EMIGRAÇÃO  IMIGRAÇÃO E EMIGRAÇÃO Movimentos que prioritariamente decorrem de mudança geográfica, e não necessariamente estão conectados a um motivo específico do país de origem ou de destino. Decorrentes desses movimentos – imigração, ao entrar em um território, e emigração, ao sair – novos fatos surgem, pois as pessoas estão circulando pelo planeta, compartilhando culturas e evoluindo para uma sociedade cada vez mais homogênea.
  • 26.
    POR QUE REFUGIADOS: ESTEREÓTIPO Podem impedir a comunicação em pelo menos quatro formas: crença coletiva a respeito de algo (ex.: nacionalidade); associação de uma característica específica a todo um grupo; o estereotipado sente-se inferior; e, quando o estereótipo concretizado leva a interpretação de que esse comportamento pertence ao coletivo (JANDT, 2001 apud MARTINELLI, 2008).  IDENTIDADE É um movimento de construção, aliado à personalidade e com temporalidade ilimitada. É algo em constante evolução que é semeada involuntariamente dia após dia, mesmo no passado mais longínquo de cada ser humano, talvez mesmo desde a concepção do embrião. 4 REFÚGIO, EXÍLIO, IMIGRAÇÃO E EMIGRAÇÃO
  • 27.
    5 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICAE SOCIAL  A SITUAÇÃO NO CHILE NO ANO DE 1973 Salvador Allende fora eleito através de eleições democráticas, ou seja, realização efetiva da transformação política, social e econômica do país. O apoio dos Estados Unidos ao golpe militar ocorreu por meio desse incentivo financeiro: pagavam parte da população para não trabalhar, numa forma de corroer o governo socialista. A junta militar não restringiu sua revolução somente aos acadêmicos – sociólogos, filósofos, atores, músicos, artistas. Também foram interditados os partidos políticos de esquerda, os conservadores entraram em recesso, o congresso foi dissolvido.
  • 28.
    5 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICAE SOCIAL  A SITUAÇÃO NO CHILE NO ANO DE 1973 Os líderes da Junta estavam convencidos de que haviam “salvo” o Chile e que os anticomunistas em todo o mundo estariam lhe dando apoio e não censurando. Somente em 1998 Augusto Pinochet foi preso por ter violado os direitos humanos.
  • 29.
    5 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICAE SOCIAL Jandt (2001 apud MARTINELLI, 2008) O CHOQUE CULTURAL Euforia inicial Impacto da novidade, onde as similaridades entre a cultura materna e a apresentada são exaltadas, afirmando o conforto da nova experiência. Irritação e hostilidade O foco passa para as diferenças entre o país de origem e a nova cultura. Pode manifestar sintomas físicos e psicológicos como fadiga, insônia, depressão, raiva e solidão, reflexo do isolamento. Ajuste gradual Quando sem mais escolhas, a pessoa se ajusta a sua nova realidade e trata de desfrutá-la como lhe parece melhor. Adaptação Plenamente adaptado, passa a conviver naturalmente em ambas as culturas, caracterizando nesse estágio, o hibridismo cultural.
  • 30.
    5 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICAE SOCIAL  RECOMEÇO EM UM NOVO PAÍS Na ida para o novo país, o refugiado leva consigo uma esperança de uma vida melhor, apesar de ter consigo a resistência de querer estar no seu país e não poder. Assim, cria expectativas a respeito do trabalho que irá ter, do idioma que terá que aprender, da nova vida que lhe é oferecida.  RECONHECIMENTO DA PÁTRIA AO RETORNO Imagina como seria sua vida se não precisasse mudar seus rumos, surgindo assim a necessidade de reencontro com o solo natal tantas vezes postergado.
  • 31.
     METODOLOGIA  Pesquisaexploratória. É feita quando o tema é pouco explorado e complexo para formular resultados precisos. (GIL, 1999).  Entrevistas qualitativas, através de roteiros, e observação participante, que incide na inclusão e interação do pesquisador com o objeto de estudo (BARROS; DUARTE, 2006).  Nas entrevistas serão utilizados roteiros com perguntas semi- abertas e abertas, enviadas por e-mail, podendo ser respondidos por escrito e sem a presença do entrevistador (MARCONI; LAKATOS, 2002).  A respeito do uso da internet, visto que os entrevistados estão inacessíveis por outros meios, torna-se uma maneira prática de realização (BARROS; DUARTE, 2006). 6 A PESQUISA: REFÚGIO, ADAPTAÇÃO E COMUNICAÇÃO
  • 32.
     PROCEDIMENTOS Foi enviadoum roteiro, contendo 17 questões, a cinco refugiados do golpe militar chileno. As mensagens foram enviadas de 25 a 29 de abril de 2010 e as entrevistas retornaram no período de 8 a 15 de maio de 2010. Envolvidos neste estudo de caso estão:  Jaime Marquez. Exílio Oficial  Gladys Córdova. Exílio Oficial  Jaime Hernández Albarrán. Exílio Voluntário  Roberto Bunster. Exílio Voluntário  Enrique Jaime Navarrete Anguita. Exílio Voluntário 6 A PESQUISA: REFÚGIO, ADAPTAÇÃO E COMUNICAÇÃO
  • 33.
    Pessoalmente, os depoimentosforam coletados nas datas que seguem: Jaime Marquez - em 09 de abril de 2009, em Paris, na França. Gladys Córdova - em 26 de junho de 2009, em Bruxelas, na Bélgica. Enrique Navarrete - em 01 de fevereiro de 2010, em Santiago do Chile. No entanto, por volta dessas datas houve um período de convivência de aproximadamente duas semanas com cada um desses três casos de refúgio, o que proporcionou a coleta de dados em forma de observação. Ainda pessoalmente, no entanto com maior ênfase na observação participante, foi resgatado o depoimento de Jaime Albarrán e sua esposa Isabel Briones, que, por serem pai e mãe da autora, proporcionaram anos de relatos durante a convivência familiar. 6 A PESQUISA: REFÚGIO, ADAPTAÇÃO E COMUNICAÇÃO
  • 34.
    Para registrar osdepoimentos, as análises serão segmentadas em três categorias:  Exílio Moral: o refúgio - Trata-se de um exílio voluntário, em que o indivíduo sai do país por falta de recursos básicos de sobrevivência, como alimentação e trabalho. Inclui-se nesta categoria: Jaime Albarrán e Roberto Bunster.  Exílio Político - É o caso de exílio oficial, quando lhe é proibida a permanência e vetada a nacionalidade. Nesta categoria serão incluídos: Jaime Marquez, Gladys Córdova e Enrique Navarrete.  “Auto-Exílio” - Trata-se da opção por não retornar ao país de origem. Inclui-se nesta categoria: Jaime Marquez, Gladys Córdova, Jaime Albarrán e Roberto Bunster. 6 A PESQUISA: REFÚGIO, ADAPTAÇÃO E COMUNICAÇÃO