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Apostila Treinamento
Igreja Metodista em Cataguases
Quarta Região Eclesiástica
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Expediente:
Bispo da 4ª Região Eclesiástica: Roberto Alves de Souza
Pastor Titular: Rev. Gilmar Costa Rampinelli
Pastor Coadjutor: Rev. Welfany Nolasco Rodrigues
Pastor Coadjutor: Rev. Dione Romualdo Felipe
Missionário Designado: Ronaldo Queiróz da Silva
Adaptação Redacional e Teológico-doutrinária:
1ª Edição: Rev. Otávio Júlio Torres e Bispa Hideíde Brito Torres
2ª Edição: Rev. Welfany Nolasco Rodrigues e Rev. Gilmar C. Rampinelli
Logotipo e Arte da Capa:
Coaracy Badaró Júnior
Revisão Final e Diagramação:
Rev. Gilmar C. Rampinelli
Rev. Welfany N. Rodrigues
ANO: 2018
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SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO................................................................................................................5
INTRODUÇÃO......................................................................................................................7
Unidade 1 – NOVO NASCIMENTO............................................................................9
1. Fundamentos da fé.....................................................................................................9
2. Fé e superstição.......................................................................................................10
3. A fé cristã..................................................................................................................11
4. Como obtemos fé......................................................................................................12
5. Os fortes e os fracos na fé (Romanos 14-15)...........................................................12
6. Fé de Tomé versus fé de Abraão.............................................................................13
7. A fé para a salvação.................................................................................................15
8. A fé em ação.............................................................................................................17
9. Fé X Desejo..............................................................................................................20
10.A fé e a esperança....................................................................................................21
11.Seis inimigos da fé....................................................................................................22
12.Evangelismo.............................................................................................................26
13.Outros conceitos de evangelizar...............................................................................29
14.As razões: porque evangelizar?...............................................................................30
15.Alguns exemplos bíblicos a respeito de ganhar almas.............................................33
16.Como evangelizar.....................................................................................................33
Unidade 2 – CONVERSÃO.........................................................................................45
1. Consolidação: Um processo eficaz para formar discípulos......................................45
2. O que é consolidação...............................................................................................46
3. O perfil de quem consolida.......................................................................................46
4. Como consolidar o novo convertido?........................................................................50
5. O processo de consolidação e integração na IM em
Cataguases...............................................................................................................58
6. A importância dos GP’s no processo de consolidação.............................................60
7. A formação de um discípulo.....................................................................................64
Unidade 3 – SANTIFICAÇÃO....................................................................................67
1. Chamados com um propósito...................................................................................67
2. Chamados bíblicos com um propósito......................................................................73
3. Liderança eficaz: A redescoberta de um importante princípio..................................75
4. O modelo por excelência..........................................................................................77
5. Liderança e responsabilidade...................................................................................77
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6. Liderança servidora..................................................................................................78
7. Autoridade e poder na liderança...............................................................................79
8. O exemplo de Jesus.................................................................................................80
9. Uma decisão: Liderar pelo exemplo ou pela força....................................................80
10.Quais são as qualidades de caráter de uma liderança marcada pela
autoridade?...............................................................................................................80
11.Características importantes na caminhada de um líder............................................81
12.Desenvolvendo líderes em potencial........................................................................84
Unidade 4 – MISSÃO...................................................................................................93
1. Igreja com Grupos Pequenos...................................................................................93
2. Qual a base bíblica para os GP’s?...........................................................................94
3. O desenvolvimento dos GP’s ao longo da história...................................................95
4. Igreja com Grupos Pequenos – Uma visão do Reino de Deus................................96
5. O que não é Grupo Pequeno....................................................................................98
6. O que é Grupo Pequeno...........................................................................................99
7. Para que Grupos Pequenos?.................................................................................101
8. Frutos bíblicos alcançados no dia-a-dia dos Grupos Pequenos.............................102
9. A reunião do Grupo Pequeno.................................................................................104
10.A estrutura do Grupo Pequeno...............................................................................108
11.A influência dos/das supervisores/ras como discipuladores/as dos/das líderes de
Grupos Pequenos...................................................................................................110
12.O lugar do ministério pastoral numa igreja com Grupos Pequenos.......................111
13.Os estágios da vida no Grupo Pequeno.................................................................112
14.Por que a multiplicação do GP é necessária?........................................................113
15.A importância das metas para a liderança de Grupos Pequenos...........................114
16.Princípios para o estabelecimento de metas..........................................................116
17.Planejamento do Grupo Pequeno...........................................................................118
18.Quatro princípios de caráter fundamentais para o planejamento...........................120
19.Planejando as reuniões do Grupo Pequeno...........................................................121
20.Planejando a multiplicação do Grupo Pequeno......................................................122
21.Multiplicando o Grupo Pequeno..............................................................................124
22.Como proteger seu Grupo Pequeno.......................................................................127
23.Grupos Pequenos de crianças................................................................................130
24.Aconselhamento no discipulado.............................................................................132
CONCLUSÃO....................................................................................................................147
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................................148
SITES................................................................................................................................150
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APRESENTAÇÃO
O Centro de Treinamento Ministerial é um ambiente de capacitação para o
discipulado cristão. Para discipular vidas é preciso exercitar de maneira intensa as
disciplinas da vida cristã. Podemos comparar com um atleta que se prepara todos os dias
para alcançar seus objetivos.
O esporte é uma das atividades humanas que mais lições nos ensinam a respeito
da vida e das conquistas. É emocionante ver, nos esportes individuais, atletas solitários/as
se entregando ao máximo e superando seus próprios limites e, nos esportes coletivos,
todos/as cooperando focados/as no mesmo objetivo: a vitória. Nos esportes coletivos nem
todos têm a mesma habilidade, capacidade técnica e compromisso, mas são supridos por
outros atletas da equipe que reúnem tais características e tornam o grupo vitorioso.
Como exemplo, pode-se citar a corrida de revezamento no atletismo. Neste esporte,
os/as atletas se revezam, de forma que apresentem suas melhores performances e
possam, ao final, chegar à vitória. Este esporte mostra com total nitidez a importância da
capacitação individual e do coletivo para se alcançar a meta desejada.
O apóstolo Paulo, em Romanos 12 e em I Coríntios 12, procura nos transmitir esse
fundamento: No corpo de Cristo, a igreja, tanto os membros individuais devem se
aperfeiçoar em seus dons, bem como todo o corpo deve se ajustar para se tornar um só
povo e buscar um só Reino.
Neste sentido, Paulo usa o esporte como analogia para demonstrar a necessidade
da devida preparação do membro do corpo, visando à vitória do Reino, da Igreja. Ele faz
muitas referências a respeito da atividade esportiva, dando o seguinte destaque: “Não
sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só
leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis” (1 Coríntios 9.24).
Há um objetivo para a corrida, o prêmio. Somente o vencedor pode recebê-lo. Há
um desafio para alcançá-lo: a preparação.
Paulo nos ensina a “tal maneira” para alcançarmos a vitória. Quais maneiras são
essas?
- Ser diligente: “Todo atleta em tudo se domina” (I Coríntios 9.25), ou seja, estabelece
prioridades, dedica-se ao objetivo de sua vida, que é uma coroa, no nosso caso,
incorruptível.
- Planejar: Paulo se dá como exemplo ao dizer – “Assim corro também eu, não sem meta;
assim luto, não como desferindo golpes no ar” (I Coríntios 9.26). Se há um alvo a ser
alcançado, precisamos ter uma tática para alcançá-lo.
- Ser aprovado: “...para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser
desqualificado” (I Coríntios 9.27). Há também uma forma de atingir esse alvo. Ele não é a
qualquer preço e tem um alcance muito maior, o respaldo e a coerência da própria vida.
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- Viver pela Palavra de Deus: Paulo nos ensina ainda que “o atleta não é coroado se não
lutar segundo as normas” (II Timóteo 2.5). A vida desse atleta tem que ser vivida de
acordo com a Palavra de Deus. Os atalhos o impedirão de ser coroado, ainda que alcance
o alvo. Não podemos correr a carreira cristã de qualquer maneira, como muitos tentam
fazer e vivem vidas infelizes, são infrutíferos ou caem cansados pelo caminho.
Como ser um atleta vitorioso? É preciso treinamento.
Por isso, o Centro de Treinamento Ministerial planejou e elaborou este material para
propiciar aos membros da Igreja Metodista em Cataguases e congregações mais uma
ferramenta que poderá ajudá-los a alcançar os seus objetivos pessoais e os objetivos de
nossa igreja, numa visão de serviço e submissão, cumprindo a Grande Comissão dada
por Jesus.
Ainda há uma compreensão que se faz necessária, perceber que o Senhor Jesus nos
mostrou que o nosso preparo adequado se fará sob o discipulado bíblico. Somente assim,
treinados/as e capacitados/as poderemos juntos correr a carreira que nos está proposta.
Equipe de Pastores
Igreja Metodista em Cataguases
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INTRODUÇÃO
O objetivo do CTM - Centro de Treinamento Ministerial é capacitar líderes de
Grupos Pequenos que possam ser discipuladores de vidas. Os Grupos Pequenos – GPs
formam uma estratégia missionária do discipulado cristão alcançando vidas para o Reino
de Deus.
A nova metodologia de trabalho do CTM segue o princípio do progresso na fé e vida
cristã, começando com o NOVO NASCIMENTO, a CONVERSÃO, a SANTIFICAÇÃO e a
MISSÃO.
Portanto, a apostila está dividida nestas quatro unidades, facilitando a compreensão
e fortalecendo a visão da necessidade um crescimento na vida cristã.
Um grande engano é pensar que por estar na Igreja você já está salvo. O crente
deve crescer espiritualmente (Filipenses 2.12). Ninguém nasce pronto, precisa se
alimentar e crescer. A vida espiritual precisa de desenvolvimento. Você tem crescido
espiritualmente?
Podemos compreender este crescimento espiritual em quatro etapas:
1) NOVO NASCIMENTO:
O Novo Nascimento acontece quando a pessoa aceita a Jesus como seu Senhor e
Salvador (João 3.3) e se torna uma “Nova Criatura, as coisas velhas já passaram, eis que
tudo se fez novo” (II Coríntios 5.17). Neste encontro com Deus, sua vida é transformada.
2) CONVERSÃO:
A Conversão é uma mudança de direção. Antes estava voltado para o mundo e de
costas para Deus (Isaías 55.6,7). Agora se volta para Deus e foge do mundo, da carne e
do pecado. A conversão é um processo que exige perseverança até que aconteça uma
completa Libertação (João 8.32).
3) SANTIFICAÇÃO:
A santificação é uma busca constante por fazer a vontade de Deus (João 17.17). A
Santificação acontece quando o cristão perde o prazer pelo pecado e mesmo sendo
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pecador, deseja ansiosamente viver em santidade. O jejum, a oração, leitura da Palavra e
exercícios como amor e perdão são imprescindíveis para a santificação.
4) MISSÃO:
A Missão é a continuidade desta escada do crescimento espiritual. Todo cristão tem
a missão de levar outras almas a Cristo (Mateus 28.18-20). A missão acontece através da
Evangelização e do Discipulado. Quem se converte e busca a santificação, mas não se
ocupa com a obra missionária, sua vida espiritual tende a se estagnar e decrescer com o
tempo. Uma diferença entre uma criança e um adulto é que a criança brinca e o adulto
deve trabalhar. Do mesmo modo deve ser a vida cristã. Uma pessoa madura
espiritualmente se ocupa em serviço missionário.
Concluindo, é preciso desenvolver a salvação (Filipenses 2.12) procurando
amadurecer espiritualmente com objetivo de atingir a “estatura de Cristo” (Efésios
4.13). João Wesley dizia aos metodistas que “não temos outro negócio nesta terra a não
ser ganhar almas”. A razão de ser da Igreja é pregar o evangelho.
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Unidade 1 – NOVO NASCIMENTO
O novo nascimento marca o início da vida cristã (João 3.1-8), quando entregamos
nossa vida a Jesus e nos tornamos “nova criatura” (II Coríntios 5.17), pois a partir de então
cremos que nos tornamos “filhos de Deus” (João 1.12). Este primeiro momento da vida
cristã não pode ser esquecido, mas deve ser revivido de forma que nunca abandonemos o
“primeiro amor” (Apocalipse 2.4). Infelizmente, muitas vidas que passam por esta primeira
experiência de fé, não conseguem permanecer porque não foram discipuladas como um
recém-nascido que precisa de cuidado.
Nesta unidade vamos falar tanto da base da fé necessária para nascer de novo,
como também do Evangelismo, que é a transmissão desta fé, o que deve ser algo natural
a partir do momento que se crê. Por isso, vamos estudar assuntos que fortalecem o Novo
Nascimento e ajudam a alcançar vidas que precisam nascer de novo através do
Evangelismo.
1. Fundamentos da fé
De acordo com o Dicionário Aurélio, fé é uma firme convicção de que algo seja
verdadeiro, sem nenhuma prova absoluta desta verdade (Hebreus 11.1). Como? Pela total
confiança e crença que depositamos neste algo ou alguém. De fato, a fé não é baseada
em evidências físicas reconhecidas pela comunidade científica (I Coríntios 2.14). Em
geral, é associada a experiências pessoais e pode ser compartilhada com outros por meio
de relatos (I Coríntios 3.19).
Pode-se dizer, portanto, que a fé é o alimento que nutre e fortalece o nosso espírito.
Por isso, ela é reconhecida como um dom ou um fruto espiritual (I Coríntios 12.9 - Gálatas
5.22). Nossos sentidos humanos são muito dependentes de evidências: o que vemos,
sentimos, tocamos, degustamos e cheiramos. Mas o nosso aspecto espiritual depende da
fé, a qual não está diretamente relacionada com o que vemos ou sentimos, “visto que
andamos por fé e não pelo que vemos” (II Coríntios 5.7).
Há vários tipos de fé. Toda pessoa, seja ela salva ou não, tem uma fé natural,
humana. A Bíblia, porém, fala a respeito de uma fé sobrenatural, uma fé que crê mais com
o coração do que com aquilo que nossos sentidos físicos nos dizem (Marcos 11.20-24).
Crer (em termos de reconhecer a existência de Deus, por exemplo) é importante, mas
precisamos alcançar o nível de confiar no Senhor (Salmos 37.3-5).
Podemos dizer, assim, que a confiança é um estado avançado da fé (Hebreus
11.6). Confiar é se entregar, pela fé.
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2. Fé e superstição
O dicionário Aurélio, da língua portuguesa, define superstição como “sentimento (...)
que se funda no temor ou na ignorância e que leva ao conhecimento de falsos deveres, ao
receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes; crendice”. Portanto, ser
supersticioso implica algumas coisas, segundo a definição do dicionário:
1º) O fundamento da superstição é o sentimento humano de temor ou ignorância.
Por exemplo, nos filmes de terror, sabe-se que o que está assistindo é invenção humana,
mas mesmo assim, a pessoa é tomada de temor e se sente tocada pelas impressões do
que aparece na tela. Superstição, neste contexto, exerce um poder falso sobre as
pessoas, a ponto de fazê-las acreditar que deve fazer certas coisas para evitar que o pior
lhes aconteça. Por exemplo, não passar em baixo de escada, para não dar azar; usar
colar de pé de coelho para dar sorte; e até mesmo abrir a Bíblia, geralmente, no Salmo 91,
como se isso fosse o suficiente para afastar maus espíritos e garantir uma vida
abençoada. Isso explica também o sentimento de ignorância, ou seja, falta de
conhecimento, que leva as pessoas a acreditarem nessas coisas.
2º) A definição afirma ainda que a superstição leva as pessoas ao conhecimento de
falsos deveres: isso significa que não se pode provar a validade dos objetos da
superstição e, pior que isso, a superstição conduz as pessoas a falsos conhecimentos da
realidade. Geralmente, quem é supersticioso sempre tem uma explicação misteriosa para
acontecimentos, que à primeira vista, parecem não ter respostas plausíveis. Já a fé, por
sua vez, não nega a razão das coisas, mas é capaz de ir além. Por isso é que a Bíblia tem
aquele versículo que diz que “...a fé vem pela pregação, e a pregação pela palavra de
Cristo” (Romanos 10.17).
A fé é adquirida e aperfeiçoada inteligivelmente. A superstição, porém, leva ao
receio de coisas fantásticas, ou seja, acreditar naquilo que não existe. Assim, a pessoa
supersticiosa passa a confundir fantasia com realidade, principalmente devido ao medo e
à dúvida.
3) Por fim, a superstição leva as pessoas à confiança em coisas ineficazes. Isso
significa que a pessoa supersticiosa vai ter muitas dificuldades em chegar a algum lugar. É
ineficaz qualquer ação que tome por causa da sua crendice. Infelizmente, isso não se
refere apenas a religiões outras que não o Cristianismo ou a coisas do dia-a-dia. Muita
gente se encontra neste nível, em sua vida cristã. Tem medo do que pode acontecer se
não cumprir certos deveres, quer fazer trocas com Deus para receber bênçãos e acredita
que
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que cumprir rituais é o suficiente para sua vida espiritual estar em ordem. Porém, isso não
é fé, pois a fé não surge do medo, mas de um profundo sentimento humano da existência
de Deus e de sua ação em relação à sua criação e do estabelecimento de um
relacionamento profundo com ele.
Tampouco, a fé é fruto de ignorância ou é inoperante. Ao contrário, a fé é capaz de
curar as pessoas, levantar pessoas que se sentem deprimidas, cabisbaixas, derrotadas
(Hebreus 11.35-40). A fé é capaz de salvar as pessoas (Efésios 2.8). Portanto, a fé não é
produzida pelo próprio ser humano, mas é dádiva, dom de Deus.
3. A fé cristã
Na Carta aos Hebreus, capítulo 11, versículo 1, aprendemos a definição da fé
cristã: “Ora, a fé é a certeza das coisas que se esperam, e a convicção de fatos que
se não veem”.
Na Bíblia Hebraica (Antigo Testamento), a palavra usada para fé é emuah – ‫ֱא‬‫מ‬‫נּו‬ָ‫ה‬
(dicionário STRONG, verbete 530) e leva-nos primeiramente ao sentido de confiança,
certeza. No Novo Testamento, a palavra traduzida por fé vem do grego pi’stis – πίστις
(STRONG, 4102), que transmite a ideia de confiança, firme convicção.
Sendo a fé a convicção das coisas não vistas, podemos ter, ao menos, duas
conclusões preliminares:
a) A fé é dom de Deus: Significa dizer que a fé é um bem sobrenatural de Deus,
concedido a nós pela nossa disposição em aceitar a sua graça (Efésios 2.8). A fé
nos revela o mundo de Deus e nos faz ir ao encontro dele. Antes do dom da fé, o
ser humano não é capaz de agradar a Deus, nem buscá-lo (Hebreus 11.6: “Ora,
sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se
aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam”).
Como a graça, a fé é uma dádiva de Deus para com o Ser humano. Mas a fé pode
crescer como uma semente que brota e frutifica (Marcos 11.20-24). Para isso é
necessário aprender sobre as Escrituras porque “a fé vem pela pregação, e a
pregação, pela palavra de Cristo” (Romanos 10.17).
b) A fé nos faz ver além da capacidade natural do ser humano: Portanto, a fé é a
única condição necessária para a justificação em Jesus Cristo, “Porque o fim da lei
é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Romanos 10.4). A justificação (ser
perdoado dos pecados e consolidado na vida com Deus) vem pela fé.
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A fé aproxima o ser humano de Deus, traz comunhão e paz com o Senhor Jesus. É
aceitação da doutrina revelada por Deus e a confiança na obra salvadora de Cristo. O
objeto da fé que salva (como explicado em Efésios 2.8) é toda a revelação da palavra de
Deus.
4. Como obtemos fé
A fé, conforme já estudamos, brota da Palavra de Deus (Romanos 10.17). Por ter
origem do coração de Deus para nós e não em nós mesmos, a fé diz a mesma coisa que a
Palavra de Deus diz. E por que, às vezes, é tão difícil termos fé? Porque simplesmente não
acreditamos na Palavra de Deus. É a incredulidade que reduz a nossa fé. Devemos estar
no centro da vontade de Deus, em tudo, e não apenas no que nos convém ou interessa. A
fé tem vigor para pronunciar a cura, mas também para suportar o espinho na carne, se
Deus lhe disser que “a graça basta” (II Coríntios 12.9). A fé caminha independente do
terreno, pois seu alvo é Cristo e seu reino e não a autossatisfação.
Por isso, é preciso o autoexame que nos leva a perceber se andamos por fé ou por
desejo. Observe que não há na Bíblia nenhum texto que diz que quando orarmos
receberemos aquilo que desejamos. O que a Palavra de Deus diz é: “tudo quanto em
oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco” (Marcos 11.24). Ou seja, a
ação que precisamos realizar não é o ato de desejar, mas sim o ato de crer.
Portanto, para obter fé, é preciso:
1. Confiar na Palavra de Deus;
2. Fazer autoexame se andamos por fé ou por desejo;
3. Praticar a fé.
5. Os fortes e os fracos em fracos na fé (Romanos 14-15)
A fé deve levar ao desenvolvimento da salvação, tornando os cristãos fortes para
poder suportar os fracos deste mundo. Mas como se definem os fortes e os fracos na fé?
O apóstolo Paulo apresenta, em Romanos 14 e 15, a atitude dos fortes na fé:
a) Os fortes são livres em Cristo. Sua consciência é capaz de distinguir a obra de Cristo
(Romanos 14.6-9). Sua fé não depende de circunstâncias deste mundo para se manter.
Está alicerçada somente na obra de Cristo (Romanos 14.22-23).
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b) Os fortes acolhem os fracos, que se escandalizam e perdem a sua liberdade, por
causa das coisas do mundo. No contexto da Carta aos Romanos, os fracos podem ser
caracterizados em três grupos: os judeu-cristãos, que continuavam presos às regras
alimentares da Lei (não comer carne que não seja de procedência judia – pureza; nem
tomar vinho); os heleno-cristãos (gentios convertidos), que se deixavam judaizar e
frequentavam as sinagogas dos judeus; e os que se convertiam do cristianismo para o
judaísmo (confira o esboço da carta aos Romanos:
http://www.bibliaonline.net/esboco/colecao.cgi?45).
Com esse texto, podemos definir o fraco como aquele que, de alguma maneira,
desvia o seu olhar do centro da sua salvação, que é Cristo, e se deixa contaminar por
pensamentos e práticas que o afastam da presença de Deus. É aquele que se escandaliza
e tropeça, seja pela sua falta de busca pessoal e comunitária; seja porque volta o seu
olhar para o mundo ou outra religião; seja porque não aprova a liberdade ou o estilo de
vida do irmão ou irmã que está na sua comunidade. Por sua vez, o forte é o que acolhe, é
aquele que é capaz de priorizar a salvação do fraco, mesmo diante da sua liberdade.
c) Os fortes não julgam, mas são capazes de ceder ao julgamento do fraco por
causa do amor fraternal (Romanos 14.15).
d) Finalmente, os fortes servem (Romanos 14.18). Aqui aparece claramente a lógica
invertida do Reino de Deus. Servir uns aos outros agrada a Deus. Os fortes servem ao
próximo para a sua edificação e não procuram agradar a si mesmos (Romanos 15.1).
Desta forma precisamos ser fortes para servir ao próximo e alcançar vidas através
do discipulado cristão.
6. Fé de Tomé versus fé de Abraão
A fé verdadeira, de acordo com o que nos ensina a Bíblia, não deve gerar em nós
um espírito preocupado ou ansioso. Se estamos assim, devemos avaliar se é porque não
estamos crendo ou estamos distantes de um relacionamento íntimo com Deus. Nosso
coração se anima à medida que lemos a Palavra. Ao meditarmos sobre essa Palavra,
nossa certeza e crença tornam-se mais profundas. Essa certeza, essa segurança, essa
crença que passa a habitar em nosso espírito não depende do raciocínio ou conhecimento
humano e, em alguns momentos, pode até mesmo contradizê-lo ou à evidência física.
Mas crer em Deus de todo o nosso coração significa crer além daquilo que nos é
evidente.
Tomé era um homem que baseava sua fé em seus sentimentos. Disse que não
creria até que pudesse ver com os próprios olhos e tocar com as próprias mãos os sinais
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dos cravos marcados nas mãos de Jesus. Confiava naquilo que podia ver e tocar, e não
naquilo que Deus dizia.
Infelizmente, ainda existe hoje muitos “cristãos tipo Tomé” - aqueles que creem
somente naquilo que sentem, veem ou tocam. É uma pena! Porque essas pessoas não
experimentam a fé genuína em Deus que está baseada na Sua Palavra.
Crer em Deus é crer na Sua Palavra. Se a Palavra de Deus diz que ele me ouve,
sei que ele me ouve, porque a sua Palavra é a verdade e a Palavra não mente. Se a
nossa fé se baseia nos sentimentos, estamos usando simplesmente o que é denominado
como fé humana natural. E a fé humana natural não produz resultados espirituais.
Precisamos usar a fé bíblica - segundo as Escrituras - crendo na Palavra de Deus, se
quisermos experiências e respostas espirituais.
Qualquer um pode crer naquilo que sente, ouve ou vê. Durante a maior parte do
tempo, vivemos e agimos na dimensão física, e obviamente, em muitos casos, precisamos
andar segundo aquilo que vemos. Porém, quando se trata de coisas bíblicas - coisas
espirituais - não devemos andar pelo que vemos e sim, andarmos pela fé (II Coríntios 5.7).
Muitos cristãos que têm uma “fé tipo Tomé” deveriam fazer uma grande troca.
Qual? Trocar a pouca fé deles por uma grande fé, uma “fé tipo Abraão”. Abraão, ao
contrário de Tomé, não duvidou da promessa de Deus. Ele fortaleceu-se pela fé. Observe
atentamente as passagens bíblicas destacadas abaixo:
João 20.24-29
24 Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio
Jesus.
25 Disseram-lhe então os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele
respondeu: Se eu não vir nas suas mãos os sinais dos cravos, e ali não puser o
meu dedo, e não puser a minha mão no seu lado, de modo algum acreditarei.
26 Passados oito dias, estavam outra vez ali reunidos os seus discípulos e Tomé
com eles. Estando as portas trancadas, veio Jesus, pôs-se no meio, e disse-lhes:
Paz seja convosco!
27 E logo disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; chega
também a tua mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente.
28 Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu!
29 Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não
viram, e creram.
Por que Tomé achava difícil crer que Jesus estava vivo? Tomé sabia a respeito dos
cravos que transpassaram as mãos de Jesus, e da lança que penetrou no seu lado. Seus
sentimentos físicos lhe diziam que Jesus estava morto. Tomé estava empregando o
conhecimento da mente em vez da fé no coração. Compare, agora, a fé de Abraão:
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Romanos 4.17-21
17 Como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí [Abraão], perante
aquele no qual creu, o Deus que vivifica os mortos e chama à existência as
coisas que não existem.
18 Abraão, esperando contra a esperança, creu, para vir a ser pai de muitas
nações, segundo lhe fora dito: Assim será a tua descendência.
19 E, sem enfraquecer na fé, embora levasse em conta o seu próprio corpo
amortecido, sendo já de cem anos, e a idade avançada de Sara,
20 Não duvidou da promessa de Deus, por incredulidade, mas, pela fé, se
fortaleceu, dando glória a Deus,
21 Estando plenamente convicto de que ele era poderoso para cumprir o que
prometera.
Observa-se claramente a diferença entre os dois tipos de fé desses homens. Tomé
tinha apenas uma fé natural e humana que dizia: “Não vou crer a não ser que possa ver e
tocar”. Abraão, porém, não considerou seu próprio corpo, nem considerou a vista ou as
sensações físicas. O que, pois, Abraão levou em conta? A Palavra de Deus.
Precisamos andar pela fé, e não por vista. É claro que isso não significa negar a
existência das dores, doenças e problemas, pois são muito reais. Entretanto, quando
olhamos para a vida a partir da perspectiva de Deus, começamos a entender que a vida
da fé é a única maneira razoável de viver. Lembre-se: “Sem fé e impossível agradar a
Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele
existe” (Hebreus 11.6).
7. A fé para salvação
O Apóstolo Paulo diz que somos salvos pela fé: “Porque pela graça sois salvos,
mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que
ninguém se glorie” (Efésios 2.8-9).
Mas como recebemos a fé para sermos salvos? Leia:
Romanos 10.8-10, 13.14,17
8 Porém, que se diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração;
isto é, a palavra da fé que pregamos.
9 Se com tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres
que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.
10 Porque com o coração se crê para Justiça, e com a boca se confessa a
respeito da salvação.
13 Porque Todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo.
14 Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão
16
naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? De
sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.
17 E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.
Agora, pense e responda:
 Depois de estudar o trecho bíblico citado acima, quais os três passos que a pessoa
deve dar para receber a salvação?
 Para quem essa salvação está disponível, segundo o v.13?
 Segundo o v.17, de onde provém a fé?
Deus ordenou que Cornélio mandasse buscar Pedro, a fim de ficar conhecendo o
plano da salvação. Na Grande Comissão, registrada em Marcos 15.15-18, Jesus disse aos
seus discípulos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. Cornélio
ainda não ouvira esse evangelho glorioso. Não encontrara a salvação em Cristo. Deus
ordenou que Cornélio mandasse buscar Pedro a fim de ficar conhecendo o plano da
salvação. Por que Cornélio tinha de mandar buscar Pedro? Porque o anjo não poderia ter
explicado a Cornélio o plano da salvação, com igual perfeição? Porque anjos não podem
pregar o Evangelho. Deus confiou aos seres humanos essa tarefa (I Pedro 1.12)!
Atos 11.13.14
13 Ele nos contou como (Cornélio) vira o anjo em pé em sua casa, e que lhe
dissera: Envia a Jope e manda chamar Simão, por sobrenome Pedro,
14 o qual te dirá palavra mediante as quais serás salvo, tu e toda a tua casa.
O versículo “O qual te dirá palavras mediante as quais serás salvo” demonstra que
as pessoas são salvas por ouvirem palavras! A razão disso é porque “a fé vem pela
pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Romanos 10.17).
Atos 14.6-10
6 E em Listra e Derbe... [Paulo e Barnabé]
7 Onde anunciavam o evangelho.
8 Em Listra costumava estar assentado certo homem aleijado, paralítico desde o
seu nascimento, o qual jamais pudera andar.
9 Esse homem ouviu falar de PauIo, que, fixando nele os olhos e vendo que
possuía fé para ser curado,
10 Disse-lhe em alta voz: Apruma-te direito sobre os pés. Ele saltou e andava.
17
Um leitor ocasional da Palavra poderia dizer a respeito desse trecho bíblico: “É
maravilhoso como Paulo curou aquele homem”. Mas não foi Paulo quem curou o homem.
Paulo fez três coisas:
a) Pregou o evangelho (v. 7);
b) Percebeu que o homem tinha fé para ser curado (v. 9);
c) Mandou o homem levantar-se e andar (v. 10).
Veja: O homem não foi curado devido a algum poder que Paulo possuía. O próprio homem
tinha fé para ser curado. E como obteve a fé para ser curado? E o que é que Paulo falou?
Paulo pregava um evangelho de salvação e de cura: “Pois não me envergonho do
evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro o
judeu e também o grego” (Romanos 1.16).
As palavras hebraicas e gregas para “salvação” dão ideia de libertação, segurança,
preservação, cura e perfeição. Hebraico yeshuah (‫ה‬‫ע‬ָ‫ׁשּו‬‫י‬ ְ - Dicionário STRONG, verbete
3444) e grego sōtēría (σωτηρίας - Dicionário STRONG, verbete 4991). Paulo estava
dizendo, portanto que a salvação nos leva a uma obra completa de Cristo na cruz
concedendo vida abundante (João 10.10). Paulo pregava o evangelho pleno, que não
parte dele mesmo. É a Palavra que cura o ser humano!
Atos 8.5-8
5. Filipe, descendo à cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo.
6. As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e
vendo os sinais que ele operava.
7. Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam gritando em alta voz; e
muitos paralíticos e coxos foram curados.
8. E houve grande alegria naquela cidade.
Os grandes milagres registrados nos versículos citados foram realizados como
resultado da pregação de Filipe. O Novo Testamento não conhece nenhum Cristo que não
seja também o Médico dos Médicos. A cura física - a cura divina - faz parte do Evangelho.
O mesmo evangelho que salva também opera cura e milagres na vida cristã.
8. A fé em ação
Tanto no Antigo Testamento quanto no Novo vemos exemplos de como o povo de
Deus, pondo em prática a sua fé, conseguiu realizar façanhas poderosas. Grandes
milagres foram operados por homens humildes que punham em prática a Palavra de
Deus, com fé simples e confiante. Pois a verdadeira fé é operante, mas a “fé sem obras é
morta” (Tiago 2.26).
18
Medite nos versículos das Escrituras em Tiago 5.14-15: “Está alguém entre vós
doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com
óleo em nome do Senhor, e a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e,
se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados”. Agora compartilhe uma experiência
onde a fé entrou em ação trazendo cura e salvação.
a) A fé em ação no Antigo Testamento:
Leia o texto de Josué 6.2-5,16,20
2 Então disse o Senhor a Josué: Olha, entreguei na tua mão Jericó, o seu rei e
os seus valentes.
3 Vós, pois, todos os homens de guerra, rodeareis a cidade, cercando-a uma
vez: assim fareis por seis dias.
4 Sete sacerdotes levarão sete trombetas de chifres de carneiros adiante da
arca; no sétimo dia rodeareis a cidade sete vezes, e os sacerdotes tocarão as
trombetas.
5 E será que, tocando-se longamente a trombeta de carneiro, ouvindo vós o
sonido dela, todo o povo gritara com grande grito: o muro da cidade cairá abaixo,
e o povo subirá nele, cada qual em frente de si.
16 E sucedeu que, na sétima vez, quando os sacerdotes tocavam as trombetas,
disse Josué ao povo: Gritai; porque o Senhor vos entregou a cidade!
20 Gritou, pois, o povo, e os sacerdotes tocaram as trombetas. Tendo ouvido o
povo o sonido da trombeta e levantando grande grito, ruíram as muralhas, e o
povo subiu à cidade, cada qual em frente de si e a tomaram.
Lemos, no versículo 2, que Deus disse a Josué que Ele dera a cidade de Jericó “na
tua mão”. Isso não significava, no entanto, que Josué e os filhos de Israel podiam ficar
acomodados e distraídos enquanto a cidade automaticamente se tornaria deles. Não! Eles
tinham de fazer alguma coisa, uma ação seria necessária para a realização da promessa.
Vamos relembrar o que aconteceu?
Deus lhes deu instruções claras quanto a tomarem posse da terra que Ele já lhes
dera, mas era preciso crer naquela Palavra e praticá-la. A prática da Palavra de Deus por
parte deles era a sua fé em ação. Deviam marchar em derredor dos muros da cidade uma
vez por dia, durante seis dias. No sétimo dia, deviam fazer isso sete vezes. Então, ao
soarem os instrumentos musicais, deviam gritar.
Note que eles gritavam enquanto os muros ainda estavam em pé. Qualquer um
pode gritar depois de os muros caírem – isso não exige fé nenhuma. Eles, porém, punham
em prática a sua fé: “Levantaram grande grito” e as muralhas ruíram! Ou seja, foi preciso
19
que eles exercitassem a fé deles para que aquilo que Deus prometeu se cumprisse.
Infelizmente, o que percebemos em nosso meio, é que um grande número de pessoas
está acomodado esperando que algo venha até elas. Encontram-se em diferentes graus
de inércia, com uma fé passiva ao invés de uma fé ativa, esperando que algo aconteça,
sem tomarem nenhuma atitude (Hebreus 11.20).
b) A fé em ação no Novo Testamento
Lucas 5.18-20,24,25
18 Vieram então uns homens trazendo em um leito um paralítico; e procuravam
introduzi-lo e pô-lo diante de Jesus.
19 E não achando por onde introduzi-lo por causa da multidão, subindo ao
eirado, o desceram no leito, por entre os ladrilhos, para o meio, diante de Jesus.
20 Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Homem, estão perdoados os teus
pecados.
24 Eu te ordeno: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para casa.
25 Imediatamente se levantou diante deles, tomando o leito em que
permanecera deitado, voltou para casa, glorificando a Deus.
Esta passagem bíblica nos relata um momento maravilhoso de exercício de fé.
Enquanto Jesus ensinava numa casa, alguns homens trouxeram-lhe o amigo deles para
ser curado. O homem era paralítico e estava confinado ao leito. A multidão era tão grande
que esses amigos do paralítico não conseguiam chegar até Jesus, mas, em vez de
desistirem, resolveram que descobririam alguma maneira de alcançar seu objetivo.
Subiram ao telhado e, através de uma abertura entre os ladrilhos, desceram o enfermo no
leito, diante do Senhor.
Vamos pensar? De quem era a fé que levou a esse milagre? Do homem no leito ou
dos amigos que o trouxeram até o Senhor? As Escrituras dizem: Vendo-lhes a fé – o
pronome demonstrativo “lhes” está no plural. Era a fé de todos eles. Teria sido fácil para
os amigos do homem, ao verem a grande multidão que cercava a Jesus, terem sacudido
os ombros, desistido, e voltado para casa, dizendo: “Pois bem, pelo menos tentamos.
Fizemos o melhor possível”. Mas eles não desistiram tão facilmente. Descobriram uma
maneira de levar o amigo até Jesus.
O enfermo também demonstrava muita fé, pois confiou em subir pelo telhado para
encontrar com Jesus. Além disso, quando Jesus o mandou levantar-se e andar, ainda não
se sentia melhor. Jazia ali, tão desamparado quanto sempre. Ele poderia ter dito:
“Levantar-me e andar? Mas você não viu esses homens me carregando para cá? Não
tenho a mínima possibilidade de levantar-me. Você terá que me curar primeiro”. Mas não
20
respondeu assim; quando Jesus ordenou que se levantasse, começou a fazer algum
movimento, e a cura veio como resultado. Se tivesse se recusado a pôr em prática a
palavra do Mestre, não teria recebido a cura. Mas, como ele creu e agiu, recebeu.
9. Fé X Desejo
E como diferenciar a fé do desejo? O desejo parte de nós mesmos, de nossas
ansiedades e concupiscências (palavra bíblica que significa inclinação, tendência). Não é
o desejar que realiza a tarefa; é o crer. Em uma tradução moderna do Novo Testamento
em inglês, o conhecido versículo em Hebreus 11.1 diz: “a fé é a certeza de coisas que se
esperam”. O ponto de partida da fé é Deus e não o ser humano, por isso o desejo é
corrompido, enquanto a fé é firme. O desejo nunca se sacia, está sempre ansioso, de um
lado para o outro, à busca de novidades. A fé caminha a passos firmes, pois seu alvo final
já está no seu horizonte, não se perdendo por novidades ou vãs doutrinas. Por isso, Tiago
disse que há pessoas que pedem e não recebem, porque não pedem por fé, mas para
satisfazer seus desejos (Tiago 4.3). Leia novamente os versículos abaixo:
Efésios 2.8-9
8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de
Deus;
9 Não de obras, para que ninguém se glorie.
Romanos 10.9-10,13
9 Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres
que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.
10 Porque com o coração se crê para Justiça, e com a boca se confessa a
respeito da salvação.
13 Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo.
Os versículos acima indicam ao ser humano o plano da salvação. Vemos que é
pela fé – e não pelo desejo – que somos salvos. Jesus prometeu que não lançará fora
ninguém que vem a Ele, mas que salvará todo aquele que invocar o nome do Senhor. Ele
nos prometeu que assim fará. O que temos que fazer é crer.
É possível que a pessoa tenha certa convicção pessoal, que não produz temor ou é
inoperante, mas ainda não pode ser definida como fé. Certa vez, John Wesley (no Sermão
14: O arrependimento nos crentes) disse que o diabo deu à Igreja um substituto da fé;
parece e soa tão semelhante à fé, que poucos percebem a diferença. Ele chamou-o de
“assentimento mental”, ou seja: uma afirmação da mente. Como isso se aplica? Às vezes,
as pessoas leem a Bíblia e concordam que o que está escrito é verdade, mas esta
concordância acontece somente na mente, pois, no coração, ainda há dúvidas ou mesmo
21
descrença. E isso não basta, não é suficiente, pois é a fé no coração que recebe algo da
parte de Deus.
Para Wesley, a fé é a convicção plena na soberania de Cristo: “Essa é a vitória que
vence o mundo, a nossa fé” (I João 5.4-5). Quem crê no filho de Deus “tem a vida; não
entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (João 5.24). Mas não qualquer tipo de
fé. Os demônios também creem e estremecem (Tiago 2.19), mas o que adianta a eles?
Falta arrependimento. A fé que não produz arrependimento não é viva. Essa fé implica
sentir que estamos salvos por Cristo. Wesley conclui que quem possui essa fé purifica o
seu coração do orgulho, da ira, da cobiça, da injustiça (Sermão 1 – A Salvação pela fé:
(http://www.metodista.org.br/sermoes-de-john-wesley-disponiveis-para-download).
10. A fé e a esperança
A esperança cristã sustenta e motiva a fé. Podemos dizer que, enquanto a fé tem a
ver com nosso momento atual, a esperança cristã está relacionada com a plenitude que
aguardamos no futuro com Cristo. Temos a bendita esperança da próxima vinda de nosso
Senhor Jesus Cristo, da ressurreição dos justos, do arrebatamento dos santos vivos;
temos a esperança do céu, e a esperança de no céu vermos nossos entes queridos e
amigos. Damos graças a Deus por aquela esperança. Paulo disse que se a nossa
esperança em Cristo se reduzir apenas a este mundo, somos os mais infelizes de todos os
seres humanos (I Coríntios 15.19).
Jesus está chegando. Ele está chegando porque a Palavra diz assim. A
ressurreição ocorrerá. Os mortos em Cristo subirão para se encontrar com Ele nos ares (I
Tessalonicenses 4.15-17). Nossa fé ou a falta dela não afetará esses eventos (Mateus
24.27). Jesus está voltando, porque a Palavra diz que ele voltará (Hebreus 10.37). Essa é
a bendita esperança que todos os cristãos antegozam.
Mas, embora a esperança nos sustente nos momentos de maior aflição (Salmos
40.1), é a fé que mobiliza para a ação. É preciso cuidar para que a verdadeira esperança
não se transforme em passividade, sendo prejudicial ao nosso crescimento na fé. O
resultado da fé em nossa vida vem quando agimos de acordo com a fé ensinada nas
Escritas – uma fé que atua.
No sermão 17 de John Wesley “A circuncisão do coração”, ele afirma a
necessidade de fé e de esperança na vida do crente
(http://www.metodista.org.br/sermoes-de-john-wesley-disponiveis-para-download). Ele
explica os dois termos:
22
a) Ter fé: uma fé capaz de derrubar “os preconceitos da razão corrompida, todos os maus
costumes e hábitos, toda aquela ‘sabedoria do mundo’, que ‘é loucura diante de Deus’ (I
Coríntios 3.19). Wesley afirma que essa fé possibilita ao cristão perceber sua vocação que
é glorificar a Deus na totalidade de seu ser. Significa não apenas a aceitação intelectual
(na mente) do sacrifício de Cristo, mas a revelação Dele em nosso coração: uma
convicção do seu amor — lembrando aqui a experiência do coração aquecido! — Uma
confiança em sua misericórdia. Uma fé operante, que torna o poder de Deus evidente.
b) Ter esperança: A convicção interior de que são “filhos de Deus” (João 1.12), testificada
pelo próprio Espírito Santo (Romanos 8.16). Wesley afirma que tal esperança é obra do
Espírito, que inspira a confiança nos cristãos, de que todas as coisas serão recebidas por
eles das mãos de Deus, uma “feliz antevisão daquela ‘coroa da glória’” que Deus lhes
reserva nos céus. Essa mesma esperança lhe possibilita atravessar os sofrimentos do
tempo presente na convicção da vitória final.
Ele ressalta o valor da esperança na vida cristã, pois a esperança leva as pessoas
a verem o prêmio e a coroa diante delas. Para Wesley, erram, portanto, os que ensinam
que, “servindo a Deus, não devíamos ter em vista nossa própria felicidade. Pelo contrário,
somos frequente e explicitamente ensinados por Deus para ‘ter os olhos fixos na
recompensa’, contrabalançar o labor pela ‘alegria que nos está proposta’, nossa “leve e
momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória” (II Coríntios 4.17)”. Wesley
afirma que, por não levar em conta esse fator, muitas pessoas acabam achando
extremamente pesados os desígnios de Deus, já que não se alegram em cumpri-los,
tomando-os simplesmente como fardos. Ao mesmo tempo, alerta sobre os que pensam
que podem cumprir a vontade de Deus sem nenhum esforço. Ele lembra os sofrimentos
exemplares de Paulo, que por tudo passou a fim de alcançar a coroa. Além dos
sofrimentos impostos pelos opositores do evangelho, ele ainda enfrentou a constante
negação de si mesmo! É a esperança que coloca nossos olhos no prêmio, sem ignorar os
espinhos do caminho, mas vencendo-os com perseverança e disciplina firmados em
Cristo.
11. Seis inimigos da fé
Aqui trataremos de seis inimigos da fé. Consideraremos o “bom combate da fé” do
cristão, conforme é mencionado em I Timóteo 6.12, que é a única luta que o crente é
conclamado a travar. O “bom combate da fé” é resistir aos inimigos da fé ou impedimentos
para a fé (pois se não houvesse inimigos da fé, não haveria nenhum combate envolvido).
23
Inimigo N° 1: Falta de compreensão sobre o que significa ser nova criatura em Cristo: “E
assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas Já passaram; eis que
se fizeram novas” (II Coríntios 5.17).
Não compreender o que significa ser uma nova criatura dificulta nossa vida de fé.
Muitas pessoas não se dão conta de que realmente são outras pessoas. Acham que
quando foram salvas, Deus simplesmente perdoou os seus pecados. Isso seria pouco
proveitoso se fosse somente o que o crente tivesse recebido. Precisa nascer de novo
(João 3.7). Precisa tornar-se nova criatura, e despojar-se dos velhos modos pecaminosos.
Somos novas criaturas, criadas por Deus em Cristo Jesus com a própria vida e natureza
de Deus em nosso espírito. Somos filhos de Deus, herdeiros de Deus, e coerdeiros com
Cristo Jesus.
Inimigo N° 2: Não compreender a nossa situação.
Uma boa atividade a ser feita é ler todo o Novo Testamento - especialmente as
Epístolas - e anotar as expressões “em Cristo”, “em que”, e “Nele”. Registrá-las por escrito
nos ajudará a memorizá-las. Há aproximadamente 140 expressões dessas no Novo
Testamento. Se conseguirmos ler esses textos meditando sobre eles até se tornarem
parte de nós, teremos uma vida diferente. À medida que ler esses versículos, pode-se
declarar: “É isso que somos”, “É isso que possuímos em Cristo Jesus”.
Esta é uma disposição de vida, um estado de alma como “disposição habitual da
alma que, nos Escritos Sagrados, se chama ‘santidade’, e que diretamente implica ser
purificado do pecado, ‘de toda impureza, tanto da carne, como do espírito’, e,
consequentemente, ser dotado com aquelas virtudes que havia em Jesus Cristo, no ser
‘renovado no espírito do nosso entendimento’, de modo a ser ‘perfeitos, como perfeito é
nosso Pai Celeste’” (John Wesley).
Inimigo N° 3: Falta de compreender a justiça Divina: “Aquele que não conheceu pecado,
ele o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos Justiça de Deus” (II Coríntios
5.21).
O sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo o pecado (I João 1.7). Logo,
pelo Novo Nascimento, ficamos sendo novas criaturas justas. Sabemos que Deus não
criou novas criaturas iníquas. Fomos criados por Deus em Cristo Jesus, e ele nos fez
novas criaturas justas.
Somos filhos e filhas de Deus e podemos ficar na sua presença sem nenhum temor
24
gerado pela má-consciência do pecado; sem sentimento de culpa nem vergonha. Não
precisamos ficar paralisados de medo (I João 4.18). Podemos entrar na presença de Deus
porque é o lugar certo para nós (Hebreus 10.19).
Quando nascemos de novo, nossos pecados foram perdoados, porque a nossa vida
pregressa cessou. Deus disse que não se lembraria das nossas transgressões (Jeremias
31.34). E se ele não se lembra delas, por que nós nos lembraríamos? Alguns podem
perguntar: “Mas cometi pecados depois de tornar-me cristão. Como posso ser justo?”.
A resposta a esta pergunta acha-se em I João 1.9: “Se confessarmos os nossos
pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”.
Quando pecamos, sentimo-nos culpados e com sensação de injustiça. Sentimo-nos
indignos de chegar à presença de Deus (Isaías 59.2). Quando, porém, confessamos os
nossos pecados, ele nos perdoa e purifica. Recuperamos a nossa condição diante de
Deus.
Cabe destacar que essa renovação é um processo decorrente da presença do
arrependimento. O primeiro arrependimento de pecados, aquele que aconteceu quando
nos convertemos, significa uma mudança interna, uma transformação da mente do pecado
para a santidade. Mas, depois que nos convertemos, há arrependimento como sendo
uma espécie de conhecimento de nós mesmos, de saber que somos pecadores; sim,
pecadores culpados, embora saibamos que somos filhos de Deus por adoção.
Muitos supõem que, pela redenção pelo sangue de Cristo, não mais somos
pecadores, que todos os nossos pecados não só foram cobertos, mas apagados
(Colossenses 2.14). Todavia, embora não sejamos imputados por Cristo, que nos perdoa,
não podemos deixar de exercer a vigilância espiritual e o crescimento em santidade.
Podemos confiar no poder remidor do sangue de Cristo, mas não podemos correr o risco
de, por não mais sentirmos o mal no nosso coração, prontamente pensamos que não há
mais mal ali (I João 3.20-21).
Embora reconheçamos prontamente que “todo o que crê é nascido de Deus” e que
“aquele que é nascido de Deus não vive em pecado” (I João 3.9; 5.18), não podemos
ignorar que podemos praticar o pecado, mas sua existência reside em nós, por causa de
nosso caráter mortal e humano. Podemos dizer que o pecado, embora permaneça, não
reina mais em nós, não nos domina (Romanos 6.14). E por isso, experimentamos a
liberdade que Cristo nos proporciona, sendo tornados justos novamente, por seu sangue!
25
Inimigo N° 4: Não compreender nosso direito de usar o nome de Jesus: “Se pedirdes
alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome. Até agora nada tendes pedido
em meu nome; pedi, e recebereis, para que a vossa alegria seja completa” (João 16.23-
24).
Quando temos plena consciência do poder do nome de Jesus - quando
compreendemos o que aquele nome fará - poderemos derrotar Satanás e desfrutar da
vitória. Por isso, Jesus disse aos seus discípulos: “Estes sinais hão de acompanhar
aqueles que creem: em meu nome expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em
serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal: se impuserem as
mãos sobre enfermos, eles ficarão curados” (Marcos 16.17-18).
Esses sinais seguirão aqueles que creem no Evangelho - não somente a Igreja
Primitiva, não somente os apóstolos, não somente os pregadores. Todos os crentes
devem expulsar demônios em seu nome. Todos os crentes têm autoridade sobre os
espíritos malignos em Nome de Jesus (Lucas 10.19). Em seu nome, falarão em línguas.
Em seu nome imporão as mãos sobre os enfermos, e estes sararão. Em nome de Jesus
temos autoridade e poder hoje, e este nome nos pertence! É claro que sempre é bom
ressaltar que não se trata de misticismo ou mágica, mas de fé. Persiste o mandamento
que diz que o nome de Deus e, por extensão, de Cristo, não pode ser tomado em vão
impunemente. Este é um nome diante do qual terra e céu se prostram, portanto, digno de
toda a reverência e adoração.
Inimigo N° 5: Não pôr em prática a Palavra.
Se sabemos que a Palavra de Deus é a verdade, e se agimos à altura dessa
verdade, isso se torna uma realidade em nossa vida. Por isso precisamos praticar a
Palavra de Deus e não somente ouvir (Tiago 1.22).
A Bíblia diz: “Confia no SENHOR de todo o teu coração, e não te estribes no teu
próprio entendimento” (Provérbios 3.5). Tudo quanto é necessário perguntar é: “O que diz
a Palavra de Deus?”.
As pessoas frequentemente perguntam por que não recebem a cura. Citam as
Escrituras, textos tais como: “ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou com
as nossas doenças” (Mateus 8.17); e: “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o
madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a
justiça; por suas chagas, fostes sarados” (I Pedro 2.24). Elas dizem que creem nesses
textos bíblicos. Perguntamos então: “Mas você já agiu à altura da veracidade dessas
Escrituras?”.
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Inimigo N° 6: Não manter firme a nossa confissão de fé: “Porque com o coração se crê
para a justiça, e com a boca se confessa a respeito da salvação” (Romanos 10.10).
“Porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te
no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele.
Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será
assim convosco” (Marcos 11.23-24).
A razão por que tantos cristãos são derrotados é porque têm uma visão
predominantemente negativa. Sempre estão falando das suas fraquezas e falhas, vivem
conforme aquilo que falam: como derrotados e sem fé, mas a Palavra de Deus nos ensina
“guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois, quem fez a promessa é
fiel” (Hebreus 10.23). Manter firme a confissão significa não abandonar a fé nem
retroceder (Hebreus 10.39).
Quando combatemos “o bom combate” (II Timóteo 4.7) da fé, conforme o Apóstolo
Paulo nos admoesta, podemos sair do lugar estreito do fracasso e da fraqueza para o
poder iluminado de Deus. Assim, devemos ter fé em quê? Naquilo que é promessa de
Deus para nossa vida! E como saber quais são estas promessas? Elas estão escritas na
Palavra de Deus. Essa Palavra precisa ser suprema, acima de todas as outras coisas. E, à
medida que confiamos em Deus de todo nosso coração, a quietude e a paz vêm ao nosso
espírito.
12. Evangelismo
Evangelizar é compartilhar a fé. A partir do momento que alguém nasce de novo, já
começa a compartilhar sua nova fé. Por isso é importante firmar bem os princípios de fé
que serão transmitidos para outras pessoas. Então, junto com o Novo Nascimento
também é oportuno aprender sobre ganhar vidas para Deus e ter uma vida cristã frutífera
desde os primeiros passos da caminhada.
A primeira ênfase da Igreja Metodista para o trabalho é “estimular o zelo
evangelizador na vida de cada metodista e de cada igreja local” de forma que cada
metodista seja um evangelista em potencial para ganhar vidas (Plano Nacional Missionário
2017-2021, página 61).
Podemos definir, singelamente, evangelismo como o testemunho que damos às
outras pessoas acerca de nossa experiência pessoal com Jesus. Não se trata apenas de
falar sobre Cristo, mas sobre o que temos vivido pessoalmente com ele (I João 1.1-4).
27
Pense: Como tem sido a prática do evangelismo em sua vida, desde que você
aceitou a Jesus? Quantas pessoas conheceram o Salvador por meio de seu testemunho?
Muitos de nós já tivemos frustrações em experiências de evangelismo. E elas podem nos
levar a dizer que não sabemos evangelizar. É preciso saber que há mitos que envolvem o
evangelismo. Talvez você ainda acredite em algum deles. Leia-os calmamente. Em
seguida, observe a realidade sobre o evangelismo, seguida pelas suas implicações:
MITO: Evangelismo significa alcançar estranhos;
REALIDADE: A maioria das pessoas é alcançada por amigos;
IMPLICAÇÃO: Os membros dos GP’s focalizarão seu amor e suas orações nas
pessoas mais próximas a eles.
MITO: A maioria das pessoas é alcançada por pregadores profissionais;
REALIDADE: A maioria das pessoas é alcançada por cristãos comuns;
IMPLICAÇÃO: Treinaremos cada pessoa para compartilhar Jesus com palavras e
ações
MITO: A conversão normalmente é instantânea;
REALIDADE: A conversão geralmente é um processo;
IMPLICAÇÃO: Ofereceremos muitas oportunidades para as pessoas ouvirem o
Evangelho.
MITO: Evangelismo significa apenas dizer as palavras corretas;
REALIDADE: As pessoas são ganhas para Jesus por meio do amor prático e palavras;
IMPLICAÇÃO: Encorajaremos os membros dos GP’s a atenderem as necessidades das
pessoas com ações e palavras.
MITO: As pessoas são levadas a Jesus por meio da influência de apenas uma pessoas;
REALIDADE: Quanto mais cristãos um incrédulo conhecer. Mais facilmente ele virá
para Jesus;
IMPLICAÇÃO: Apresentaremos os incrédulos a tantos cristãos quanto for possível.
Então, o que devemos fazer para evangelizar de forma bem sucedida?
• Devemos evangelizar principalmente as pessoas que conhecemos. Tudo passa pelos
relacionamentos que temos;
28
• Devemos incentivar-nos mutuamente a falar de Jesus; não devemos pensar que as
pessoas só se converterão se o pastor ou a pastora fizer o apelo;
• Devemos promover muitas oportunidades para que as pessoas ouçam o evangelho;
• Devemos identificar a necessidade das pessoas para ajudá-las. O princípio do serviço
não está em dar o que meramente desejam, mas servir com aquilo de que necessitam;
• Devemos apresentar às pessoas que ainda não tiveram uma experiência com Jesus
tantos cristãos e cristãs quanto possível. Quanto mais pessoas cristãs comprometidas
com o Reino estiverem ao redor da pessoa que desejamos ganhar para Cristo, mais
influência haverá.
Perguntas de reflexão:
• Você está feliz por ter sido evangelizado/a?
• O que “funcionou” com você nessas ocasiões?
a) Aprofundando a compreensão sobre o evangelismo
A palavra evangelho, em português, vem do termo latino evangeliu, que, por sua
vez, vem da palavra grega euangélion (εὐαγγέλιον – Dicionário STRONG, verbete
2098) que significa “boa nova, boa notícia”.
Portanto, evangelização ou evangelismo referem-se ao anúncio, à proclamação do
evangelho, isto é, da boa-nova de Deus: a ressurreição de Jesus dentre os mortos para a
remissão dos pecados e salvação de toda pessoa que crê.
b) O que compartilhar? Como compartilhar?
O texto de Atos 2.11 nos dá essa direção: “ouvimos falar... as grandezas de Deus”.
Evangelismo é o compartilhar das grandezas de Deus em nossa vida. Evangelismo é o
anúncio, a partir de nossa experiência de salvação, do evangelho que cura e liberta.
O primeiro apelo do Evangelho é que os seres humanos reconheçam e confessem
que são pecadores e que, por isso, estão desconectados de Deus e mortos
espiritualmente (Romanos 3.23).
O segundo apelo do Evangelho é que Cristo é a solução para esse problema, pois
29
por Ele nossos pecados são perdoados e somos pessoas reconectadas com Deus e
resgatadas da morte espiritual. A boa notícia do Evangelho, então, só se aplica a quem se
reconhece como um ser humano pecador e necessitado de salvação. Jesus disse, em
Lucas 5.31-32: “Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Não vim chamar
justos, e sim pecadores, ao arrependimento”. Assim, as vidas que recebem a morte e
ressurreição de Cristo pelos seus pecados, ou seja, creem no Evangelho de Cristo, são
salvas!
Em I Coríntios 15.1-4, Paulo também fala a respeito da importância da integridade e
pureza da mensagem. Ele diz para os coríntios se lembrarem e se apegarem firme e
exatamente ao Evangelho que ele havia pregado, pois por meio desse evangelho é que
eles seriam salvos. Qualquer desvio disso poderia conduzi-los a uma fé inútil.
O apóstolo repete essa ideia em Gálatas 1.6-9, ao escrever: “Admira-me que
estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro
evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem
perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos
pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já
dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que
recebestes, seja anátema”.
Evangelizar é proclamar às pessoas que elas são pecadoras, estando, por isso,
desconectadas de Deus e mortas espiritualmente, e que, na morte e ressurreição de
Cristo, está a boa notícia de Deus a elas, podendo, assim, serem reconciliadas com Ele.
13. Outros conceitos de evangelizar
“É a empolgante tarefa de levar a mensagem de liberdade a pessoas escravizadas” (Tom
Stebbins);
“É a proclamação do Cristo bíblico como Senhor e Salvador, com a perspectiva de
persuadir pessoas a ir até ele pessoalmente e então se reconciliarem com Deus” (Billy
Graham);
“É a proclamação do Evangelho do Cristo crucificado e ressurreto, o único redentor do ser
humano, de acordo com as Escrituras, com o propósito de persuadir pessoas pecadoras,
condenadas e perdidas a pôr sua confiança em Deus, recebendo e aceitando a Cristo
como Senhor em todos os aspectos da vida e na comunhão de sua igreja, aguardando o
dia de sua volta gloriosa” (Congresso de Evangelização, Berlim, 1966).
30
14. As razões: por que evangelizar?
a) A ordem de Jesus
Há dois textos bíblicos que nos mostram explicitamente que o evangelismo é uma
ordem de Jesus. O primeiro deles é Marcos 16.15, que diz: “E disse-lhes: Ide por todo o
mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. O segundo é o texto de Mateus 28.19-20,
que diz: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai,
e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho
ordenado”. Nesse segundo texto, ao contrário do que se pode pensar, a ordem não é
apenas evangelizar, mas, sim, fazer discípulos, o que tem a evangelização – o anúncio da
boa nova – por primeiro passo.
Além desses dois textos, outros dois ainda podem ser citados. O primeiro é Atos 1.8
que também registra palavras de Jesus. Ele diz: “mas recebereis poder, ao descer sobre
vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a
Judéia e Samaria e até aos confins da terra”. A ênfase temática deste texto é a
evangelização. Jesus está dizendo que essa é uma tarefa que deve ser realizada pelos
seus discípulos em todo o mundo, mediante o poder do Espírito Santo. O segundo texto é
II Coríntios 5.18-20, que diz: “tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo
por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em
Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões,
e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de
Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos
que vos reconcilieis com Deus”.
Esse texto diz que Deus nos reconciliou consigo nos deu e confiou a mensagem e o
ministério da reconciliação, ou seja, a evangelização é uma incumbência dada por Deus
às pessoas que foram salvas.
b) A necessidade humana
A carta do apóstolo Paulo à igreja de Roma nos apresenta excelentes descrições
quanto à necessidade que o ser humano tem do Evangelho. Veja Romanos 1.18-32. Por
se tratar de um texto grande, vamos destacar três trechos:
“A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que
detêm a verdade pela injustiça” (v.18), ou seja, a pessoa sem Cristo está debaixo da ira de
Deus; “porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe
deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-
lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos” (versos 21-22),
ou seja,
31
ou seja, a pessoa sem Cristo é fútil, insensata, obscura e louca em seu coração; “Por isso,
Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração,
para desonrarem o seu corpo entre si” (v.24); ou seja, o ser humano sem Cristo é escravo
do pecado.
Além desse texto, outros dois devem ser citados para descrever a necessidade
humana: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23); “porque o
salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus,
nosso Senhor” (Romanos 6.23). Tendo em vista que a humanidade está desconectada de
Deus por causa do pecado e que o Evangelho é uma mensagem de reconciliação, aí está
uma ótima razão para a Igreja evangelizar, não acha?
c) A exclusividade do Evangelho
Há três textos bíblicos que falam sobre a exclusividade do Evangelho, o qual tem
Jesus Cristo como elemento central e principal. Em João 14.6, diz: “Respondeu Jesus: ‘Eu
sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim’”. O segundo
é Atos 4.12, que diz: “não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe
nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. O
terceiro é I Timóteo 2.5-6, que diz: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre
Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por
todos”. Quanto à reconexão com Deus, Jesus é único, exclusivo e absoluto, ou seja,
apenas “do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê”
(Romanos 1.16).
Tendo em vista a exclusividade do Evangelho, Paulo escreve à igreja de Roma:
“Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão
aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como
ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está
escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!” (Romanos 10.13-15).
Se a salvação é exclusividade do Evangelho, a Igreja deve se engajar na
evangelização, pois o Evangelho está em suas mãos!
d) A glória de Deus
Uma quarta e última razão que apresentamos para o evangelismo é a glória de
Deus. Segundo o Dr. Russell Shedd: “a razão principal da ordem evangelizadora deve ser
32
teocêntrica. Quando a motivação para evangelizar torna-se antropocêntrica, ela se
deteriora rapidamente e se torna egocêntrica, isto é, voltada para o a realização pessoal e
para a satisfação de ambições vãs”.
Isso quer dizer que a razão principal da evangelização deve ser Deus e a sua
glória. Paulo assim escreveu para a igreja de Roma: “Porque dele, e por meio dele, e para
ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Romanos 11.36).
Todas as coisas têm sua origem, razão e propósito em Deus e em sua glória. Sendo
assim, o ser humano foi criado para a glória de Deus e é, também, salvo para a sua glória.
Quando a humanidade foi criada, boa e perfeita, sua vida rendia glória e dava
prazer a Deus. Entretanto, com o pecado, ela foi expulsa de sua presença, ou seja, deixou
de lhe render glória e de lhe dar prazer.
Com a salvação promovida pela pregação do Evangelho do Reino, Deus quer
perdoar os pecados humanos e reconectar-nos consigo, de modo que voltemos a lhe
render glória e a lhe dar prazer. Isso é confirmado pela seguinte conjectura: a Bíblia diz
em Romanos 8.29 que Deus quer ter muitos filhos semelhantes a Jesus. Sabemos que
uma pessoa se torna filha de Deus pela fé em Cristo (João 1.12). Por pelo menos duas
vezes, Deus disse que Jesus era um filho amado que lhe dava muito prazer (Mateus 3.17;
17.5).
Deus quer ter muitos filhos e filhas que lhe deem prazer, o que é alcançado por
meio da evangelização, do evangelismo.
Além de sua glória e prazer, há outra razão, em Deus, para a evangelização. A
Bíblia diz em I Timóteo 2.4 que Deus “deseja que todos os homens sejam salvos e
cheguem ao pleno conhecimento da verdade”. A evangelização é um desejo do coração
de Deus, pois apenas assim as pessoas serão salvas e conhecerão a verdade.
Sendo assim, quando evangelizamos:
 Somos obedientes à ordem de Jesus;
 Somos sensíveis à necessidade humana;
 Somos conscientes da exclusividade do Evangelho;
 Somos promotores e promotoras da glória de Deus.
33
Entretanto, quando não evangelizamos:
 Desprezamos a ordem de Jesus, sendo desobedientes;
 Desprezamos a necessidade humana, sendo insensíveis;
 Desprezamos a exclusividade do Evangelho, sendo inconscientes;
 Desprezamos a glória de Deus, sendo indiferentes.
JÁ PENSOU NISSO? ISSO LHE FAZ TER SENTIDO NO CORPO DE CRISTO?
15. Alguns exemplos bíblicos a respeito de ganhar almas:
Em João 4.37, a Bíblia fala da semeadura e da colheita. O que podemos aprender
com este exemplo?
• Podemos aprender que o evangelismo leva tempo. Quando falamos em semear e
colher, sabemos que temos de semear e esperar meses para obter frutos;
• Podemos aprender que além de levar tempo para a sua efetiva realização, o
evangelismo envolve várias pessoas. Por quê? Porque Jesus disse: um é o que
semeia e outro é o que colhe.
Em Marcos 1.17, “Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de
homens”. Este texto é muito interessante. Vejamos juntos: é o primeiro relato, em todos os
evangelhos sinóticos, do chamado dos apóstolos. No mais, dentre esses relatos, é o único
em que Jesus traz a clareza da evangelização: “ser pescadores de gente”. Portanto, isso
nos mostra de maneira clara o propósito da evangelização: ganharmos homens e
mulheres para o Seu Reino.
Outro aspecto muito interessante que aprendemos com esta passagem bíblica que
trabalhar em unidade na evangelização produz mais resultado do que trabalhar de modo
solitário.
16. Como evangelizar
O evangelismo deve ocorrer de maneira natural, clara e concisa. O evangelismo
ocorrerá, como já vimos, no anúncio da salvação em Jesus. Veremos algumas técnicas
que nos ajudarão a organizar esta exposição da boa nova aos amigos e às amigas. Nesse
aspecto, são formas de como podemos compartilhar da Graça de Deus. Formas para
darmos
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darmos os primeiros passos no processo de evangelização. Mas não se esqueça, de
como vimos anteriormente, a evangelização é um processo.
Essas técnicas serão os primeiros passos a serem dados individualmente, mas a
evangelização se dará no contexto dos Grupos Pequenos – nos quais as pessoas serão
consolidadas na fé em Cristo e tornarão discípulas.
Algumas formas de anunciar o Evangelho são:
 Testemunho pessoal
 Plano de Salvação
 Quatro Leis Espirituais
 Os Quatro Pontos (The 4 points)
 Duas Religiões (Fazer x Feito)
 Ponte
 Gráfico João 3.16
 Pesquisa Religiosa
 Evento de Colheita
 Outras dinâmicas
Vantagens de se preparar um testemunho de 5 minutos
• O testemunho curto e bem organizado é mais eficiente do o que inclui muita
informação e tira a atenção do principal: compromisso com Cristo;
• Apresenta Cristo de uma forma empírica (a partir da experiência), pessoal e
convincente;
• É uma ferramenta igualmente eficiente em grandes e pequenos grupos.
• É simples e completo;
• Serve para começar a conversa. Abrir portas para o relacionamento, base para
conversão;
• Dá confiança, pois você sabe o que vai dizer e como vai dizer;
• Permite-lhe ser breve;
• É uma forma transferível para treinar outros a compartilhar Cristo.
Escreva seu testemunho. De que forma?
1. Pedir a Deus unção e orientação;
a) Testemunho Pessoal
A mais simples pesquisa em nossas igrejas
locais demonstra que a maior porcentagem de
pessoas consolidadas na fé em Cristo são frutos
do testemunho pessoal de amigos, parentes ou
colegas de trabalho. Frutos a partir dos
relacionamentos.
Características do testemunho pessoal
>Breve (5 minutos); >Objetivo, simples e claro;
>Com início, meio e fim;
>Com o antes, a conversão e o depois.
35
2. Prepará-lo tendo em mente compartilhá-lo em grupo ou individualmente;
3. Ater-se ao tempo determinado;
4. Ser sincero, não dando a entender que Jesus remove todos os problemas;
5. Considerar o tipo de audiência.
O que NÃO fazer:
• Opinar sobre igrejas, organizações e pessoas;
• Mencionar denominações;
• Pregar;
• Usar termos vagos (alegre, transformado) sem explicar;
• Usar termos bíblicos (salvo, pecado) sem explicar.
Perguntas orientadoras para escrever seu testemunho:
Como era a sua vida antes de confiar em Jesus Cristo?
• Falar das atitudes, problemas, prioridades; o que dava prazer, felicidade, paz;
• Ser o mais transparente possível, mencionando o pecado pelo nome;
• Evitar um enfoque religioso.
Como que estas situações levaram você à conversão?
• Quando você ouviu o evangelho pela primeira vez, sua reação, barreiras mentais
e sociais;
• Quando você começou a reagir positivamente;
• O que lhe levou a mudar em relação a Cristo.
O que tem acontecido desde a sua conversão a Cristo?
• Relatar as mudanças na sua vida pessoal, atitudes, problemas de modo
específico;
• Quanto tempo levou para notar as mudanças;
• O que Jesus significa para você hoje.
Prática:
• Escreva em uma folha a parte, a partir das orientações dadas, o seu testemunho
pessoal.
36
• WORKSHOP: em duplas, simulem esse testemunho pessoal em voz audível para
treinarem a abordagem pessoal. Será bom que todas as pessoas possam exercitar essa
abordagem como treinamento;
• Nesta semana, busque pelo menos uma oportunidade para compartilhar o seu
testemunho com uma pessoa que não conhece o Evangelho de Cristo.
a) Plano de Salvação
O Plano da Salvação, parecido
com Os Quatro Pontos, é a
exposição da Palavra,
abordando o tema de acordo
com o texto bíblico que o
fundamenta.
De forma criativa, os dedos da
mão são usados para lembrar
cada parte do Plano de
Salvação. Veja:
Polegar: Deus me ama! E
aponte para você mesmo.
Indicador: Sou pecador. O
pecado me separa de Deus.
Dedo Médio: Jesus morreu e
ressuscitou por mim. Ele
apagou meu pecado.
Anelar: Recebo o Senhor
Jesus. Creio que Ele morreu
por mim.
Mindinho: Sou salvo. Sei que sou filho de Deus.
WORKSHOP: em dupla, simulem a exposição do Plano da Salvação para treinamento e
para gravar os textos bíblicos sugeridos.
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b) Quatro Leis Espirituais
Primeira Lei: Amor de Deus
Deus ama você e tem um plano maravilhoso para sua vida.
a) O AMOR DE DEUS: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho
unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16).
Segunda Lei: Pecado humano
O ser humano é pecador e está separado de Deus; por isso não pode conhecer nem
experimentar o amor e o plano de Deus para sua vida.
a) O SER HUMANO É PECADOR: “Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de
Deus” (Romanos 3.23). A humanidade foi criada para ter um relacionamento perfeito com
Deus, mas por causa de sua desobediência e rebeldia, seguiu um caminho próprio e seu
relacionamento com Deus desfez-se. Esse estado de independência de Deus,
caracterizado por uma atitude de rebelião ou indiferença, é evidência do que a Bíblia
chama de pecado.
b) O SER HUMANO ESTÁ SEPARADO DE DEUS: “Pois o salário do pecado é a morte”
(Romanos 6.23). Morte, nesse texto, significa separação espiritual de Deus. Deus é santo
e a humanidade é pecadora. Um grande abismo separa os dois. A humanidade está
continuamente procurando alcançar a Deus e a vida abundante através dos seus próprios
esforços: vida reta, boas obras, religião, filosofias, etc. A terceira lei nos mostra a única
resposta para o problema dessa separação.
Terceira Lei: Morte e ressurreição de Jesus
Jesus Cristo é a única solução de Deus para o ser pecador. Por meio dele você pode
conhecer e experimentar o amor e o plano de Deus para sua vida.
a) ELE MORREU EM NOSSO LUGAR: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco
pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.8).
b) ELE RESSUSCITOU DENTRE OS MORTOS: “Cristo morreu pelos nossos pecados (...)
foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras (...) e apareceu a Pedro
e depois aos Doze. Depois foi visto por mais de quinhentos irmãos” (I Coríntios 15.3-6).
c) ELE É O ÚNICO CAMINHO: “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a
vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim” (João 14.6).
Deus tomou a iniciativa de ligar o abismo que nos separa Dele ao enviar seu Filho, Jesus
Cristo, para morrer na cruz em nosso lugar, pagando o preço dos nossos pecados. Mas
apenas conhecer essas três leis não é suficiente.
38
Quarta Lei: Decisão
Precisamos receber a Jesus Cristo como Salvador e Senhor, por meio de um
convite pessoal. Só então poderemos conhecer e experimentar o amor e o plano de Deus
para nossa vida.
a) PRECISAMOS RECEBER A CRISTO: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o
poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome” (João 1.12).
b) RECEBEMOS A CRISTO PELA FÉ: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e
isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Efésios
2.8-9).
c) RECEBEMOS A CRISTO POR MEIO DE UM CONVITE PESSOAL: Cristo afirma: “Eis
que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei”
(Apocalipse 3.20).
Receber a Cristo implica arrependimento, significa deixar de confiar em nossa
capacidade para nos salvar, crendo que Cristo é o único que pode fazê-Lo. Não é
suficiente crer intelectualmente que Jesus é o Filho de Deus e morreu na cruz pelos
nossos pecados, ou ter uma experiência emocional. Recebemos a Cristo pela fé, numa
decisão pessoal.
Conclusão
a) VOCÊ PODE RECEBER A CRISTO AGORA MESMO EM ORAÇÃO
Para isso, faça a seguinte oração:
“Senhor Jesus, eu preciso de ti. Eu te agradeço por ter morrido na cruz pelos meus
pecados. Abro a porta da minha vida e te recebo como meu Salvador e Senhor. Obrigado
por perdoar os meus pecados e me dar a vida eterna. Toma conta da minha vida e faça de
mim o tipo de pessoa que desejas que eu seja”.
Esta oração expressa o desejo do seu coração? Se assim for, algumas coisas
aconteceram na sua vida.
b) AGORA QUE RECEBEU CRISTO
No momento em que, num ato de fé, você recebeu a Cristo, as seguintes coisas
aconteceram com você:
• Cristo entrou na sua vida (Apocalipse 3.20 e Colossenses 1.27);
• Os seus pecados foram perdoados (Colossenses 1.14);
• Você se tornou filho ou filha de Deus (João 1.12);
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• Você começou a viver a nova vida para a qual Deus o/a criou (João 10.10; II
Coríntios 5.17 e I Tessalonicenses 5.18).
Pode pensar em algo mais maravilhoso que lhe pudesse acontecer do que receber
a Cristo? Gostaria de agradecer a Deus agora mesmo, em oração, aquilo que Jesus fez
por você? O próprio ato de agradecer a Deus revela a sua fé em Deus.
c) Os Quatro Pontos
Os Quatro Pontos são uma estratégia de evangelismo que pode ser feita a partir de
uma pulseira, camiseta ou de um desenho feito por você em qualquer folha. É uma forma
simples e concisa de compartilhar quatro verdades da vida com seu amigo, sua amiga,
colega de trabalho.
Um modelo simples conhecido como 4points ou ‘quatro pontos’ que pode ser
resumido na figura abaixo:
Os quatro pontos são uma ideia geral ou um resumo de toda a Bíblia e a primeira
coisa que você precisa saber ou compreender que Deus lhe ama. O amor de Deus por
você é ilimitado e não há nada que possa impedi-lo. Não há nada que Deus queira mais
do que amar você e ser amado por você.
Infelizmente, a outra verdade é que fomos separados e separadas do amor de
Deus. Isso que trouxe a separação nossa para com Deus, a Bíblia chama de pecado.
Pecado, de maneira mais simples, é escolher viver para nós mesmos em vez de viver para
Deus. Pecamos quando ignoramos a Deus, seus ensinamentos, seus preceitos, e
fazemos conforme o que achamos ser bom. Além de trazer separação entre nós e Deus, o
pecado também destrói relacionamentos com amigos, família, pessoas que amamos e
com a criação. A Bíblia fala que a consequência natural do pecado na vida do homem é a
morte.
O terceiro ponto é uma verdade de um fato talvez dos mais conhecidos da história
da humanidade, mas mal compreendido. Como consequência do pecado, há a realidade
40
da morte, o fim de tudo. Esse ponto traz a verdade do grande amor de Deus por você. A
imensa misericórdia e amor de Deus são demonstrados no envio de Jesus para vir e
morrer em seu lugar. Jesus morreu, mas ressuscitou, e a fé Nele como Senhor e Salvador
é o modo de obter a vitória sobre a morte, recebendo de Deus a vida eterna.
Deus fez tudo que é possível para demonstrar como você é importante para Ele.
Agora, é com você decidir o que vai fazer. Deus está oferecendo-lhe vida plena para toda
a eternidade. Tudo que você precisa fazer é aceitar esse amor demonstrado em Jesus:
reconhecer que é pecador, pedir perdão confessando sua dependência Dele, e mudar o
rumo da sua vida, vivendo o resto de sua vida somente para Ele. A escolha é sua. VOCÊ
precisa tomar essa decisão.
d) Duas Religiões
• A religião humana = FAZER
O que eu tenho que fazer para chegar até Deus?
• A religião de Deus = FEITO
O que Deus fez para que eu possa chegar até Ele?
e) Ponte
Figura 1
41
Figura 2
Figura 3
f) Gráfico João 3.16
• Peça de 10 a 15 minutos;
• Com papel e caneta na mão, desenhe como a seguir:
42
Gráfico João 3.16
g) Evento de Colheita / Dia do Amigo
O Evento da Colheita será uma atividade realizada por cada GP ou podendo, no
máximo, envolver três GPs. Lembre-se: o evento não é um culto, uma celebração, etc.
Mas um momento para confraternizar com as pessoas, ao mesmo tempo em que
desejamos compartilhar a Graça de Deus. É um momento do ser “sal”. Dar uma “pitada”
da Graça de Deus para que a pessoa encontre o gosto por Jesus.
O Evento da Colheita é uma atividade a ser feita ao menos uma vez durante cada
período dos Quatro Grandes Prêmios que percorreremos. É uma atividade que poderá ser
usada como estratégia de crescimento do GP. Portanto, salientamos que poderá ser
realizado por até três GPs, mas será muito significativo se cada GP realizar o seu.
43
Como fazer?
• Planejar quando e onde será o evento;
• Desafiar cada membro do GP (Grupo Pequeno) a orar por três pessoas nas duas
semanas anteriores ao evento;
• Fazer contato e convidar pessoas;
• Planejar a programação:
Dinâmica de quebra-gelo
Realizar algo para que ocorra um entrosamento das pessoas na atividade. Fazer algo para
que não se sintam um “peixe fora d’água”.
Músicas evangelísticas (2 ou 3 músicas)
Não deverá ser longo e, preferencialmente, músicas que compartilham o amor de Deus.
Insira uma música de adoração.
Testemunhos de conversão (2 ou 3 pessoas, de 3 a 5 min)
Um momento de compartilhar a conversão em Cristo. Não enfatizar o momento longe de
Deus, mas como foi o encontro com Deus.
Palavra evangelística (de no máximo 20 minutos)
Uma palavra direta do amor de Deus à humanidade. Lembre-se de ser claro na exposição
deste amor.
Apelo e oração pelas pessoas decididas
Todo tempo é tempo de comunicar o amor de Deus. Portanto, sempre ao final da
palavra evangelística, perguntar diretamente, por exemplo: “Amigo/a que nos alegra com
sua visita/presença nesta festa. Você, hoje, deseja tomar a decisão de conhecer mais a
Cristo e seu amor por você? Deseja receber a Cristo como Senhor e Salvador? Se você
hoje desejar tomar essa decisão, gostaríamos de orar por você!”
Assim, chame as pessoas que desejam tomar essa decisão a chegar próximo de
quem estará orando por elas. Demais membros do GP devem estar em oração, de
preferência, de mãos estendidas a elas.
Convite para a próxima semana
Após a oração, faça o convite para que possam visitar na próxima semana o GP.
Será interessante, talvez, o GP fazer um cartão-convite com o endereço, horário, “Seja
bem-vindo”, algo parecido. Use a criatividade.
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Anotação dos dados dos convidados
O/A líder do GP deverá organizar com antecedência as fichas e as pessoas
responsáveis para anotarem os dados dos convidados (Kit Decisão).
Lanche especial
Um momento de confraternização. O lanche é preparado pelos membros do GP.
Momento para estreitar relacionamentos. Jamais deixar os visitantes de lado. Procure
entrosá-los no GP.
O dia do amigo (ou outro nome que preferir) trata-se de um encontro social,
preparado previamente pelo GP, com a finalidade de convidar novas pessoas para se
integrarem ao grupo.
Não há uma agenda evangelística previamente preparada como no caso do evento
de colheita. O dia do amigo é uma estratégia de amizade que facilita a adesão de uma
pessoa que, a princípio, tenha dificuldade em se reunir com um grupo para o estudo da
Palavra de Deus. Por isso, ela participa, anteriormente, deste encontro social (almoço,
piquenique, lazer, etc), com o objetivo inicial de “quebrar o gelo” e aproximar essa pessoa
do grupo, estando desejosa de fazer parte do mesmo, a partir de um convite realizado
durante o encontro, de forma espontânea e informal.
h) Outros eventos
Há diversos recursos disponíveis a quem deseja investir na missão de salvar vidas.
Basta disposição. Vocês podem promover teatro, vídeos, luau, etc.
45
Unidade 2 – CONVERSÃO
A Conversão é a continuação da caminhada cristã após o Novo Nascimento. A obra
da conversão é contínua na vida cristã. Converter tem o sentido de mudar de direção,
trocar o rumo. Então todos os dias fazemos isso ao negar as propostas do pecado para
nos voltar em direção a Deus buscando seu perdão. A palavra do grego bíblico para
Conversão é metanoia (μετάνοια – dicionário STRONG, verbete 3341), que significa
mudança de mentalidade. Esta transformação acontece por meio da obra do
arrependimento dos pecados através do convencimento do Espírito Santo (João 16.8-11).
Quando conhecemos a Jesus e nos deixamos ser transformados por Deus, logo nos
tornamos uma “nova criatura” (II Coríntios 5.17).
A este processo de Conversão, vamos tratar como a consolidação do novo
convertido. O objetivo dos Grupos Pequenos é alcançar vidas com o Evangelho e cuidar
destas pessoas para que continuem sua caminhada cristã. Então a consolidação é uma
forma de ajudar as pessoas a buscarem Conversão.
1. Consolidação: um processo eficaz para formar discípulos
Esta é a ordem de Jesus para todo crente: "IDE, portanto, FAZEI discípulos de
todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo;
ENSINANDO-OS A GUARDAR todas as coisas que vos tenho ordenado..." (Mateus
28.19-20).
Objetivo:
 IR e FAZER discípulos
 Modo de FAZER: ENSINANDO-LHES A GUARDAR tudo que Jesus ordenou.
O IR tem a ver, basicamente, com a atividade que a igreja realiza para buscar as
vidas que não conhecem a Cristo; buscar quem não ouviu ou entendeu a mensagem da
cruz e, portanto, não pode tomar uma decisão a favor ou contra seguir a Cristo. Este é o
primeiro passo da igreja em seu propósito de obedecer à Grande Comissão.
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O FAZER discípulos é mais que pregar o Evangelho; é cuidar do recém-nascido
espiritual. É conseguir que se afirme em sua decisão por Jesus, de tal maneira que
experimente uma mudança de vida e se envolva na Igreja, Corpo Vivo de Cristo. Deste
modo, receberá ensino básico sobre como levar seu novo estilo de vida, aprenderá a
amadurecer e terá se convertido em uma testemunha eficaz. Nisto consiste a
consolidação!
2. O que é consolidação?
A consolidação pode ser definida como o cuidado e a atenção que devemos
dispensar ao novo crente para reproduzir nele o caráter de Cristo, de maneira que sua
vida cumpra o propósito de Deus: dar fruto que permaneça (João 15.16). É ser capaz de
reproduzir-se em outras pessoas.
Paulo é um exemplo real do que significa cuidar das almas: " o qual nós
anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a
fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo; para isso é que eu também me
afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente
em mim" (Colossenses 1.28-29).
Neste texto, "trabalho" significa "cair rendido de cansaço" e, "lutando" refere-se a
"dar tudo no esforço".
CONSOLIDAR, PORTANTO, REQUER TRABALHO E ESFORÇO!
Para que ocorra uma multiplicação eficaz, é necessária a consolidação. Ao final
desta etapa, buscamos prestar contas ao Pai com a mesma afirmação vitoriosa de Jesus:
nenhum deles se perdeu (João 17.12). Este passo acontece no instante seguinte à
decisão pessoal por Jesus, seja nos cultos de celebração ou no contexto da vida do grupo
pequeno.
Começa-se um período de consolidação quando o GP investe no crescimento das
pessoas novas na fé. Cabe sempre lembrar que não adianta termos um crescimento
numérico se a qualidade não for trabalhada de maneira adequada na vida do novo
convertido. Trata-se de um processo de integração do convertido à sua nova vida em
Cristo e ao contexto da igreja local.
3. O perfil de quem consolida
O consolidador é importante? Quem deve ser consolidador? Que características
devem ser encontradas na vida de um discípulo consolidador? Diversos são os
personagens
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personagens bíblicos que nos ajudariam a responder a estas perguntas - Barnabé, Paulo,
Priscila e Áquila, etc. Mas o faremos a partir de um personagem não muito mencionado,
no entanto, importantíssimo na história da Igreja Primitiva: Ananias, que consolidou Paulo
(Atos 9.9-25).
Estava Paulo em Damasco, na casa de Judas, havia três dias, ainda impactado
pela experiência extraordinária que tivera com Jesus no caminho. Judas o havia acolhido,
comprometendo-se com ele, apesar da má-fama de perseguidor. Você hospedaria em sua
casa alguém assim? Isto mostra que cada atitude do crente é importante para o novo
convertido.
a) A instrução de Deus para Ananias foi clara (At 9.11-12)
Deus revelou a Ananias toda a visão; não apenas aquilo que se referia ao próprio
Ananias, mas também aquilo que ele estava revelando a Paulo. De igual modo, revelou a
Paulo a chegada de Ananias, preparando o seu coração para receber a bênção.
A primeira reação de Ananias foi resistir ao chamado. O seu argumento era
coerente do ponto de vista humano. Ele ouvira falar de Paulo e sabia da perseguição feroz
que liderava contra os cristãos, assolando as igrejas. Era uma ameaça, alguém a ser
evitado a todo custo. As implicações de um envolvimento com ele poderiam ser muitas.
Essa reação é natural em qualquer pessoa que se sente intimidada com a fama,
nome, posição social, condição financeira, etc. da pessoa a ser consolidada.
Ao ser desafiado a consolidar, você deve saber duas coisas que são determinantes
para permanecer confiante: (1) O Espírito Santo já impactou aquela vida e (2) Deus é
quem opera o querer e o efetuar.
O consolidador/consolidadora não pode perder de vista aquilo que só se enxerga
pela fé. O seu coração precisa estar alinhado com o coração de Deus para sentir o que
Ele sente e mover-se na direção do Seu propósito. O chamado de Deus é uma etapa de
um projeto perfeito, pleno de sabedoria e amor. Ele amou Paulo, morreu por ele, perdoou
seu passado, tinha um propósito extraordinário para sua vida e sabia do impacto que ele
representaria para o mundo. Ele via não o que Saulo era, mas o Paulo que viria a ser.
Para termos o privilégio de consolidar homens e mulheres que podem vir a ser
como Paulo em nossa geração, precisamos:
 Obedecer ao chamado;
 Valorizar o chamado de Deus;
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 Ter a visão de um propósito maior: ver o potencial do novo convertido, ou seja,
aquilo que ele pode vir a ser.
b) Características do consolidador e consolidadora
Ananias vivia em Damasco; um judeu, homem comum dentre o povo, que
desenvolveu características pessoais que deveriam estar presentes em todo homem que
segue a Cristo. Quais são as características de Ananias que podemos ver no relato do
livro de Atos?
Paulo escreve sobre ele:
"Um homem, chamado Ananias, piedoso conforme a lei, tendo bom testemunho de todos
os judeus que ali moravam, veio procurar-me e, pondo-se junto a mim, disse: Saulo,
irmão..." (Atos 22.12-16).
Ananias não vivia nos palcos, sob holofotes ou aplausos. Todavia, sua vida e
influência eram notórias em sua comunidade. Havia um testemunho que corroborava o
seu maior título: Ele era um discípulo de Jesus (Atos 9.10), ou seja, reproduzia-se nele a
vida de Jesus. Ele aprendeu a ouvir a voz de Deus. Ele também tinha a visão do propósito
maior, acolhendo aquele que Deus escolheu, sem discutir seu passado, preferências,
preconceitos, raça, cor, religião etc.
Resumindo, Ananias era:
 Discípulo;
 Piedoso;
 Coerente no testemunho cristão;
 Obediente (obedeceu imediatamente);
 Ousado na fé.
c) Atitudes do consolidador
Ananias, em obediência a Deus, foi procurar Paulo, apesar da reação que essa
atitude poderia gerar na comunidade judaica. O discurso de Paulo na escadaria do templo
em Jerusalém (Atos 22.12-16) revela que Ananias teve atitudes de consolidador, quais
sejam:
 Diligência: procurou por Paulo;
 Aceitação: colocou-se junto a ele;
 Identificação: chamou-o de irmão;
 Edificação: Ministrou a palavra de Deus;
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 Oração: Orou por ele;
 Propósito: Compartilhou a visão ministerial;
 Consolidação: levou-o ao batismo.
Ananias foi objetivo em sua missão, como deve ser o trabalho de todo consolidador.
Precisamos, como discípulos de Jesus, desenvolver as características e as atitudes de
Ananias para sermos consolidadores e consolidadoras eficazes.
d) Resultados da consolidação
A consolidação feita por Ananias teve resultado completo. Provavelmente, nem ele
mesmo imaginaria como seriam grandes os seus frutos e qual seria a dimensão do
trabalho apostólico daquele homem que por um momento ele temeu consolidar. Nós, de
igual modo, não sabemos que impacto terá a vida daquelas pessoas que Deus nos dá o
privilégio de consolidar.
Quais foram os resultados na vida de Paulo?
 Imediatamente recuperou a visão;
 Levantou-se;
 Foi batizado;
 Alimentou-se;
 Fortaleceu-se;
 Permaneceu na comunhão com os discípulos;
 Passou a pregar o Evangelho;
 Cresceu;
 Gerou discípulos.
A partir daí, não se fala mais em Ananias. A consolidação estava feita e outro
discipularia Paulo, tendo importante papel em sua vida: Barnabé.
Responda de acordo com o texto lido:
 A consolidação é importante? Por quê?
 Você reconhece que é sua a responsabilidade da consolidação? Justifique.
 Você já consolidou alguém? Em caso positivo, relate como foi. Em caso negativo,
explique o por que.
 O que você precisa fazer para ser um consolidador eficaz?
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4. Como consolidar o novo convertido?
O processo de entrega da vida para Jesus pode ocorrer durante um culto, em um
evento de colheita, em uma reunião de GP, em um encontro ou em uma abordagem
pessoal.
Em qualquer um dos casos, as pessoas que fizeram a decisão por Cristo são
desafiadas a fazer uma oração de entrega. Veja a sugestão de oração abaixo:
Meu Deus e Pai, venho a Ti em oração para entregar-te toda a minha vida,
pois está escrito que o Senhor amou o mundo de tal maneira, que enviou Teu
único Filho para nos salvar. Quero abrir as portas do meu coração neste
momento, para reconhecer e receber a Jesus Cristo como meu único Senhor e
Salvador.
Senhor Jesus, entrego-me a Ti de todo o meu coração. Perdoa-me de todos
os meus pecados e fraquezas e, como barro nas mãos do oleiro, molda-me
como um vaso consagrado, cheio do Teu Santo Espírito. Eu me coloco
totalmente nas tuas mãos para fazer a Tua vontade, e não a minha.
Entrego a ti todos os meus sonhos e desejos, peço que o Senhor revele a Tua
vontade. Instrua-me no caminho que devo seguir, pois está tudo em Tuas mãos.
Em nome de Jesus, Amém.
Em seguida, as pessoas que se decidiram e fizeram a oração são convidadas a se
colocarem de pé e vir à frente (ATENÇÃO: Essa situação deve ser contextualizada, seja
num GP, num evento de colheita ou num culto).
a) O Ministério de Consolidação
No caso de estarem num ambiente de culto ou evento de colheita, as pessoas
deverão dirigir-se para a sala previamente preparada para recebê-las, acompanhadas pelo
Ministério de Consolidação, conforme os seguintes passos:
 Apresente-se: O líder da consolidação deverá colocar-se à frente do grupo,
apresentar-se, dando as boas vindas em nome do pastor e da igreja. Faça-o de
uma maneira espontânea, para ganhar sua confiança. Com amabilidade e um
sorriso, pergunte-lhes o nome e memorize-o (se possível); assim, fará com que se
sintam importantes. Deverá apresentar os outros consolidadores, que darão uma
pequena palavra de boas vindas, incentivo e motivação, caso seja necessário.
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 Quebre o gelo: Lembre-se de que você tem o controle da situação e, portanto, a
iniciativa. Faça perguntas simples. Podem ser deste tipo: O que achou da reunião?
Como se sentiu?
 Conduza-os a compreenderem a decisão tomada ao fazerem a oração de entrega,
compartilhando com os mesmos a mensagem do folheto evangelístico dos 4
pontos.
 Kit de decisão (de preferência, com atendimento pessoal, ou seja, um
consolidador por pessoa decidida): Ficha de decisão: ajude a pessoa a preencher a
ficha, dando atenção específica; Ficha de pedido de oração: não se esqueça de
anotar a necessidade, pois isso abrir-lhe-á a porta para futuras chamadas
telefônicas ou visitas; comprometa-se a orar durante a semana pelo pedido.
Encaminhe o pedido para a caixa de oração. Folheto evangelístico: Entregue o
folheto, contendo os horários das reuniões da IM em Cataguases ao novo
convertido.

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 Ore: Peça por suas necessidades, proteção, selo do Espírito Santo, bênção e união
ao corpo de Cristo, isto é, à igreja.
 Finalmente, pergunte se ele gostaria de receber maior orientação ou
aconselhamento e diga que fará contato durante a semana.
b) Integração
Uma das provas de como é importante cada alma para Deus está em Atos 9.10. Ali
estão as indicações dadas por Jesus para que Saulo fosse visitado. Dava o endereço
exato: Rua Direita, casa de Judas, Cidade de Damasco. Não há dúvida sobre o valor
especial de uma alma para o Senhor, o que também requer uma análise sobre a pessoa a
quem se confiou o cuidado do novo decidido.
Por isso, lembre-se: cada ficha que chega às suas mãos é uma alma comprada por
um alto preço, um valor incalculável - o sangue de Jesus. Uma vez recolhidas as fichas
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de decisão, os membros do Ministério de Consolidação as distribuem entre si para que o
primeiro contato seja feito. Guarde as fichas cuidadosamente e tenha o cuidado de não
adiar o contato indefinidamente.
O primeiro contato com a pessoa a ser consolidada, pode ser por meio de um
telefonema, mensagem de whatzap ou facebook, por exemplo. Isso deve ser feito com
rapidez e eficácia e voltada sempre para o benefício da pessoa decidida. Isso deve ocorrer
em até 24 após o preenchimento das fichas. O telefone é um meio que facilita as
comunicações; contamos com ele para engrandecer o Reino de Deus. Na época de Paulo,
utilizaram-se "as cartas", tanto para conhecer a situação espiritual e pessoal dos
convertidos, como para aconselhar e exortar.
Propósitos do primeiro contato:
 Mostrar um interesse genuíno pela pessoa e por sua necessidade;
 Ganhar a confiança do decidido;
 Deixar aberta a porta para realizar uma visita.
Como preparar o telefonema:
 Em oração, com interesse no novo convertido;
 Planejando o conteúdo da conversa com objetividade;
 Planeje o tempo (o contato não pode ser longo).
Como realizar o telefonema:
 Saudação: Deve fazê-lo de forma amável; identifique-se como integrante da igreja a
que pertence;
 Comece a conversa: Inicie uma conversa amena, dizendo-lhe que tem orado por
sua necessidade, e deseja saber como ele ou ela está;
 Avalie sua condição espiritual: Pergunte-lhe o que achou da reunião e como se
sentiu em relação a Deus desde que tomou a decisão por Jesus;
 Acerte a visita: Comunique que está preparada uma visita pessoal, a partir de um
membro da igreja que participa de um GP, com a localização mais próxima à sua
residência. O novo convertido também será informado de que receberá o
telefonema desta pessoa ainda no decorrer da semana para combinar o local e
horário.
 Ore por ele: Sempre termine orando pela pessoa, conforme o Espírito Santo lhe
dirija;
 Anote na ficha de decisão, no campo indicado contato, as necessidades do novo
convertido, que tenham sido demonstradas na conversa.
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Evite ao realizar o telefonema:
 Ser cortante ou impaciente na conversa;
 Pressionar o novo convertido;
 Tomar mais tempo que o necessário;
 Discutir ou brigar;
 Mostrar um interesse egoísta, não dirigido a suprir a necessidade da pessoa.
PARA CASA
A Palavra de Deus diz: "porque ele diz: Eu te ouvi no tempo da oportunidade e te
socorri no dia da salvação; eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da
salvação" (II Coríntios 6.2). Quando realizarmos o processo de consolidação, devemos
reconhecer esse momento como dia aceitável e fazê-lo de modo excelente.
Segundo o aprendido, responda, usando as linhas abaixo:
a) Quais são os propósitos do Ministério da Consolidação?
b) O que você diria a uma pessoa que sente que não é importante para Deus?
c) O que você diria a uma pessoa que pensa que nunca cometeu erros?
d) Quem pode nos aproximar de Deus?
e) Qual é a condição que deve haver para aproximar-se de Deus e em que consiste?
f) Quais são os quatro aspectos que se deve enfatizar na decisão?
g) Marque as respostas corretas:
( ) A integração realiza-se levando em conta a reunião do GP mais próximo da
pessoa decidida;
( ) A integração realiza-se ao acaso;
( ) A integração realiza-se dependendo da vontade do Ministério de Consolidação;
( ) A integração ocorre a partir do primeiro contato.
h) Quais são os três propósitos do telefonema ou mensagem?
i) Quais são os três aspectos mais importantes que se deve levar em conta para
preparar o primeiro contato?
j) Marque as estratégias para ser bem-sucedido ao telefonar ou enviar mensagem:
( ) Não ser cortante ou impaciente na oração.
( ) Tomar mais tempo que o recomendado.
( ) Não pressionar o novo convertido.
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c) Visitação
Cabe ainda ao Ministério de Consolidação classificar por GP e distribuir as fichas
aos líderes dos grupos, imediatamente após o primeiro contato via telefone ou mensagem.
A visitação é tarefa dos GPs, a partir da sua liderança. Foi dito ao novo convertido que
ele receberia logo um contato de um membro de um GP, próximo à sua residência.
Haverá ocasiões em que chegarão pessoas que vivem em bairros onde ainda não há GPs
se reunindo. Esta é a oportunidade para a abertura futura de um novo GP nesses bairros,
a partir da consolidação dos novos convertidos. Assim, encheremos toda a nossa cidade
com o Evangelho.
Jesus sabia como era importante a visitação, por isso tomou tempo para ensinar
como realizá-la. Em Mateus 8.14-15, vemos o Mestre visitando a casa de Pedro; ali, viveu
ocasião oportuna, ao orar por sua sogra e curá-la de uma febre. Uma visita ao novo
convertido, em sua casa, torna-se oportunidade de ganhar também sua família.
Em Lucas 19.1-10, Jesus foi à casa de Zaqueu, o publicano, o qual, depois dessa
visita, não repetiu o seu erro, mas deu mostras de arrependimento genuíno.
As visitas de Jesus à casa de Marta, Maria e Lázaro foram muito especiais. Ele fez-
se muito amigo da família, tanto que as pessoas comentavam o quanto Jesus amava a
Lázaro (João 11.36).
As visitas ocupavam um papel muito importante no ministério de Jesus: Ele mesmo
treinou Seus discípulos e enviou-os de dois em dois para realizá-las (Marcos 6.7-11).
Definitivamente, visitar os lares era, para Jesus, parte do processo de consolidação
de um convertido. Mesmo depois de ascender aos céus, continuou buscando homens e
mulheres que desenvolvessem essa tarefa. Por isso, escolheu Ananias e enviou-o a visitar
a casa onde Paulo se hospedara, após sua decisão por Jesus.
Com base no ministério de Jesus, a visitação deve ser um estilo de vida, algo tão
normal para nós como frequentar a igreja. Conscientes de que, além da motivação,
necessitamos comprometer-nos com Deus em ir e obedecer, como fez Ananias, vencendo
nossos próprios temores e preconceitos para consolidar os novos convertidos a quem
formos enviados.
Visitar cada pessoa que Deus coloque sob o serviço dos GPs trará os mesmos
resultados da visita de Ananias a Saulo: novos convertidos se tornarão discípulos de
Jesus, serão edificados e crescerão fortalecidos pelo Espírito Santo, se tornarão membros
dos nossos GPs, agregar-se-ão à nossa igreja.
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Os propósitos da visita
 Conhecer a impressão do novo convertido sobre a reunião da qual participou;
 Descobrir suas necessidades e fazer ministrações e orações específicas, sob a
direção do Espírito Santo;
 Integrar o novo convertido em seu GP e motivá-lo a envolver-se nas atividades da
igreja.
Como preparar a visita
 Faça contato com a pessoa e manifeste seu desejo de visitá-la e orar por ela;
 Marque o dia, o local e a hora da visita;
 Ore e prepare sua mensagem, baseada na necessidade escrita na ficha de
decisão, no campo contato;
 Reúna-se com seu companheiro ou companheira de visitação e ore pela direção do
Espírito Santo.
Realizando a visita
Faça a visita, em dupla, como fizeram os doze discípulos e depois os setenta
enviados por Jesus para visitar os lares (Mateus 10.5-15, Lucas 10.1-12). Essa medida
contribui para o treinamento de membros do GP em formação, sob a direção de um
membro mais experimentado.
Durante a visita, proceda da seguinte maneira:
 Apresente-se e a seu companheiro, caso não conheça a pessoa visitada, tendo o
cuidado de ser agradável e sincero. Nunca esqueçam de dizer que vocês são
membros da Igreja Metodista.
 Pergunte: verifique o que achou da reunião, converse sobre seus problemas
específicos;
 Compartilhe: selecione a passagem bíblica de acordo com a necessidade e
explique-a em, no máximo, dez minutos, para produzir fé e confiança em Deus.
Faça isso sempre com a palavra de Deus;
 Envolva a pessoa: Apresente-lhe as atividades da Igreja Metodista e motive-a a
participar. Encaminhe-a ao seu GP e convide-a a participar do próximo Empacto;
 Ore: Faça uma oração direta conforme a necessidade específica e utilize
promessas bíblicas. Evite terminologia religiosa na oração e seja o mais natural
possível;
 Jamais passe a ideia de que está fazendo proselitismo em favor de sua
denominação.
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 Libere paz: Termine orando pela pessoa e por sua família, declarando bênção e
liberando paz sobre a vida deles.
Assegure-se do sucesso da visita
 Cuide de sua aparência pessoal: lembre-se de que está projetando a imagem da
igreja e de Deus, como seu embaixador ou embaixadora (II Coríntios 5.20);
 Entre no local da visita com naturalidade: cumprimente amavelmente;
 Fale e escute: converse, em lugar de pregar; assim, o visitado terá liberdade em
participar. Não contradiga seu companheiro ou companheira, pois dará má
impressão. Não falem os dois ao mesmo tempo, não se interrompam;
 Tome apenas o tempo combinado: se possível, leve um folheto ou literatura à
pessoa que vai visitar.
PARA CASA
OBJETIVO: Mostrar a importância de uma visita, tanto para quem a realiza, como para
quem a recebe.
Segundo Atos 9.1-31, responda:
a) O ENCONTRO
Como Saulo chama a Jesus? (Atos 9.5)
Em que condição emocional e física Saulo se encontrava depois do encontro com Jesus?
(Atos 9.9)
Da mesma maneira, as pessoas que se entregam a Cristo pela primeira vez: reconhecem-
no como seu Senhor e é despertado nelas um temor reverente diante da soberania de
Deus.
b) O CHAMADO
Qual o mandato que Deus deu a Ananias? (Atos 9.10,12)
Qual a atitude refletida por Ananias diante do chamado? (Atos 9.13-14)
Independentemente das desculpas para realizar o chamado, devemos entender que é
Deus quem nos manda e respalda, porque tem um propósito especial nós.
c) A VISITA
O que fez Ananias? (Atos 9.17)
O que aconteceu a Saulo quando Ananias orou por ele? (Atos 9.18-19)
Podemos estar seguros: Deus não faz acepção de pessoas (Romanos 2.11) e, assim
como Ananias, Ele fará conosco nas visitas “mais do que tudo quanto pedimos ou
pensamos, conforme o seu poder que opera em nós” (Efésios 3.20).
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d) O RESULTADO
O que Saulo fez? (Atos 9.20)
O que aconteceu nas igrejas como resultado desta visita? (Atos 9.31)
Como Paulo aplicou isto em seu ministério? (Atos 15.36)
Uma pessoa consolidada em Cristo por meio de uma visita pode ganhar nações inteiras, a
exemplo de Paulo, falando do que Jesus fez em sua vida. "Desde Jerusalém e
circunvizinhanças até ao Ilírico, tenho divulgado o evangelho de Cristo" (Romanos 15.19).
5. O processo de consolidação e integração na IM em Cataguases
No capítulo 17 do evangelho de João Jesus nos ensina o princípio da multiplicação,
ao orar ao Pai, dizendo: v.8 "Dei-lhes as palavras que me deste... e creram que me
enviaste” (ganhar – Novo Nascimento); v. 12 “guardei-os no nome que me deste...
nenhum deles se perdeu” (consolidar - Conversão); v. 19 “por eles me santifico para que
eles sejam santificados” (treinar - Santificação); v. 21 “para que o mundo creia” (enviar –
Missão).
Precisamos entender que todos nós estamos dentro deste processo do discipulado
e do crescimento na vida cristã. Quando aceitamos Jesus como Senhor e também quando
ganhamos vida através da evangelização estamos vivenciando o Novo Nascimento.
Quando buscamos nos converter deixando o mundo e ajudamos outros novos convertidos
a se consolidar na fé estamos na fase da Conversão. Quando buscamos nos santificar,
libertando de tudo que não é de Deus e treinamos pessoas para viver o evangelho integral
estamos em busca da Santificação. O momento da Missão acontece quando somos
enviados para servir ao Senhor em sua obra e os Grupos Pequenos se multiplicam.
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Entenda melhor este processo:
a) NOVO NASCIMENTO
"E disse-lhe: vinde a mim e eu vos farei pescadores de homens" (Mateus 4.19). Todo
membro de um GP deve ser constantemente desafiado a ganhar outras vidas para Jesus.
Como:
 No evangelismo pessoal ou de oportunidade (no ônibus, na escola, no trabalho
etc.);
 Nas reuniões do GP;
 Nas outras atividades da igreja (eventos sociais ou de ministérios);
 Nos Encontros Evangelísticos (Dia do amigo, Evento de Colheira, Acampamentos,
etc);
 Nos Cultos de Celebração (Grandes Temporadas).
b) CONVERSÃO
"...e vos designei para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça..." (João 15.16).
Como:
 Ministério de Consolidação (sala de consolidação e contato via telefone ou
mensagem;
 Visita;
 Integração no GP;
 Matrícula no Curso Inspire/Inicie (Primeiros Passos);
 Empacto.
O processo de consolidação continua, com o novo convertido sendo convidado e
desafiado a participar do Empacto. Trata-se de um retiro de três dias, no qual sua fé vai
ser confrontada e ele, desafiado a viver uma vida de santidade na presença de Deus.
c) SANTIFICAÇÃO
"E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para
evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos
para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo" (Efésios 4.11-
12).
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Na dinâmica dos GPs, a igreja local cresce à medida que os grupos se multiplicam
e, para que isso aconteça, é preciso formar líderes. Não basta apenas ter um número
elevado de membros na igreja, considerando somente o crescimento quantitativo e
qualitativo, buscando a santificação e o testemunho cristão. O treinamento é o próximo
passo do processo de crescimento integral da igreja, ao responder a seguinte demanda:
Como fazer desses novos crentes verdadeiros discípulos e líderes?
O treinamento acontecerá, simultaneamente, no GP (prática) e no CTM (escola).
d) MISSÃO
"... o Senhor designou outros setenta; e os enviou de dois em dois, para que o
precedessem em cada cidade e lugar aonde ele estava para ir" (Lucas 10.1).
Esse momento acontece quando os discípulos se tornam líderes; quando recebem
delegação de seus líderes para o exercício da liderança. O envio é o grande desafio em
que cada um deve começar a pôr em prática o propósito de Deus para sua vida e a melhor
maneira de começar a desenvolver um ministério, estando apto a liderar um GP, a partir
da Grande Temporada da Multiplicação, que culmina na formação de novos GPs.
6. A importância dos GPs no processo de consolidação
O líder de um GP deve estabelecer previamente dois ou três membros para serem
auxiliares e responsáveis pelo acompanhamento próximo de um novo convertido.
Assim que receber uma ficha de decisão, o líder do GP deve delegar a esses
auxiliares a tarefa da visitação inicial à pessoa nova convertida e estabelecer com ela o
processo de acompanhamento, conforme orientações do líder, visando à sua plena
consolidação.
Auxiliares e novo convertido deverão passar tempo juntos, desenvolver um
relacionamento de amizade, ter momentos para esclarecimento de dúvidas, estudos dos
princípios básicos da vida cristã; enfim, "caminhar juntos". Os membros auxiliares devem
encaminhar essa pessoa para o Curso Inspire/Inicie (Primeiros Passos) e para a Classe
de Novos Membros e assim ser preparada para o batismo e recepção como membro da
Igreja Metodista. Devem também incentivá-la a tornar-se membro efetivo do GP do qual
participa, bem como dos cultos, Escola Dominical e demais atividades da IM em
Cataguases.
61
a) Os encontros de consolidação
O ingrediente-chave para a consolidação de um novo convertido é simplesmente
passar tempo juntos. Os encontros não precisam ser rigidamente estruturados usando
sempre o mesmo modelo. Seja criativo em decidir o que vocês podem fazer juntos. Tanto
os momentos formais quanto os divertidos e descontraídos são necessários. Ambos
devem ter a liberdade de sugerir o que seria apropriado para o próximo encontro. O
importante é a dedicação contínua dos consolidadores como verdadeiros amigos. Com o
passar das semanas, o modelo de seus encontros mudará conforme o desenvolvimento
de suas habilidades em ministrar aos outros.
Nos encontros de consolidação, comece treinando habilidades básicas. O primeiro
estágio do desenvolvimento de uma criança é adquirir controle da coordenação motora.
Segurar a mamadeira, virar-se, engatinhar e andar são habilidades necessárias para o
desenvolvimento. No "estágio infantil" da vida espiritual, aprender a orar, encontrar
passagens, compartilhar a fé com outros devem ser o ponto principal a ser ensinado.
Adquirir conceitos vem mais tarde. Para ilustrar melhor, a próxima vez que você
encontrar uma criança de dois anos pergunte: "O que é uma cadeira?" A criança
responderá: "É para sentar" e não "Um objeto com quatro pés, um assento e um encosto".
Nessa fase, a criança ainda não desenvolveu a habilidade para trabalhar com conceitos.
Nos primeiros encontros, dê atenção às ações e não às ideias. Não foi o que Jesus
fez? Ele disse: "Homens, vamos para a montanha gastar tempo em oração". Naquele
momento ele não se preocupou em explicar como se deve orar. Mais tarde, eles o
procuraram e disseram: "Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus
discípulos" (Lucas 11.1).
Por que eles tinham de pedir a Jesus para que os ensinasse a orar? Por que Jesus
não fez isso automaticamente? Porque antes de observar como Jesus orava, eles não
sabiam exatamente como orar. O princípio do "mostrar e então contar" é muito importante
nos primeiros estágios de seus encontros.
Quando você falar, estará mostrando a seriedade em sua própria vida de oração.
Ao compartilhar abertamente a respeito de sua própria jornada, você estará demonstrando
que o cristão não usa máscara e não esconde aquilo que precisa ser compartilhado.
NUNCA SE ESQUEÇA DE QUE VOCÊ É APENAS UMA FERRAMENTA E NÃO A
FONTE DA GRAÇA! SAIBA QUE O ESPÍRITO SANTO DARÁ LIBERDADE E
ABENÇOARÁ SEU RELACIONAMENTO. NUNCA REPRESENTE COMO ATOR.
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Vocês passarão por três níveis:
1º Nível: Para dentro: O primeiro nível dará maior importância à jornada interior. Primeiro,
farão uma jornada em sua própria vida, retirando camadas de defesa própria enquanto
conquistam o direito de conhecer o coração um do outro. Durante esse período, algumas
fortalezas serão reveladas.
2º Nível: Ministração: É a consciência de que essas fortalezas precisam ser trabalhadas.
Períodos de dores do passado que causam sofrimento ainda hoje precisam ser
trabalhados. Seus momentos de oração possivelmente serão acompanhados de lágrimas
e de regozijo ao experimentar a libertação.
3º Nível: Mudança de Valores: O terceiro nível envolverá decisões feitas pelo discípulo.
Amor pela leitura bíblica, amor pelo tempo investido em intimidade com Deus e por
participar nos momentos de edificação no GP tornarão essas mudanças de valores bem
visíveis.
Cada um desses níveis exigirá de você uma adaptação na forma de seus encontros
semanais. Faça aquilo que vier sob a direção e sensibilidade do Espírito!
b) Preparação e planejamento dos encontros semanais
Antes de começarmos os encontros precisamos:
 Orar pelo novo convertido;
 Fazer um roteiro dos planos e objetivos do encontro;
 Estudar atenciosamente as lições sobre consolidação dos Cursos Inspire e Inicie.
c) Sugestão do uso do tempo (você pode adaptá-lo como desejar)
 Compartilhamento - 15 min
 Recapitulação dos versículos discutidos e memorizados - 5 min
 Discussão da lição da apostila "INSPIRE" - 20 min
 Oração um pelo outro e pelos amigos e parentes - 10 min
 Aplicação pessoal das verdades aprendidas - 10 min
Importante: A primeira vez em que estiver consolidando alguém, isso trará grande
crescimento para você. Na segunda vez, você terá mais confiança adquirida pela
experiência da primeira vez. No processo de discipulado pessoal, você estará
desenvolvendo as habilidades que lhe ajudarão a ser um/a líder de GP.
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d) Princípios a serem lembrados:
 Lembre-se do princípio "bambolê"' - Ele sugere que você deixe algum "espaço"
entre você e o novo convertido e enfatiza a importância de não controlar muito de
perto a vida da outra pessoa;
 Seja sensível à abertura dada pelo discípulo. Não tente aproximar-se muito e rápido
demais. A confiança se desenvolverá quando ficar óbvio que você não está usando
um "amor sufocante" no relacionamento;
 Não resolva os problemas do novo convertido. Se você assumir responsabilidades
pelos problemas de outra pessoa, estará causando um grande mal. Muitas vezes,
parece bem mais fácil resolver os problemas usando nossos próprios recursos em
vez de usar aqueles que estão disponíveis para a pessoa. O que realmente importa
é que você contribua com seu tempo, seu discernimento, sua orientação e seu
amor;
 Nunca, de maneira alguma, dê ou empreste dinheiro diretamente a uma pessoa
nova convertida (Atos 4.34-35). A ajuda financeira dada aos membros do grupo
neste texto passou primeiro pelas mãos dos apóstolos. Existe uma razão muito
importante para se observar este princípio. Quando um membro de um GP faz uma
contribuição direta, na mente de quem está recebendo fica um sentimento de dívida
que muitas vezes destrói o relacionamento. Não é uma boa ideia dar ou emprestar
dinheiro diretamente a alguém. Se o Senhor falar para você ajudar alguém, discuta
o assunto com o líder do GP ou com o discipulador. Sua doação deve ser feita
anonimamente;
 Ajude o novo convertido a tomar decisões sozinho. Você deve ouvir os seus
problemas e suas batalhas espirituais, mas não tente tomar as decisões finais por
ele. Essa é uma responsabilidade dele. Seguir sempre as instruções do
discipulador para a resolução dos problemas afeta a confiança própria do novo
convertido;
 Use o texto de Romanos 8.38-39 para reforçar a verdade de que podemos
caminhar em vitória apesar das circunstâncias. Compartilhe seu testemunho próprio
de situações em que você escolheu a alegria ao invés da tristeza, confiando que
Cristo iria interferir, e como a paz tomou conta do seu coração;
 Explique que uma pessoa nunca é derrotada enquanto não desistir. Raramente
mencionamos a palavra "perseverança" em nossas conversas diárias, mas é muito
importante praticá-la!
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 Crescimento espiritual envolve aprender a experimentar a presença de Deus nos
vales da nossa vida. Deus nos dá todos os recursos necessários para
permanecermos firmes.
 Portanto, o desafio está lançado. Você está sendo preparado para a missão mais
relevante proposta para um ser humano: levar pessoas a Cristo e prepará-las para
serem frutíferas, influenciando vidas e gerações. Sua vida terá real significado
quando entender a dimensão do seu chamado. Você aceita o desafio?
7. A Formação de um Discípulo
Baseado no livro A Formação de um discípulo Keith Philips.
Cristo ordenou que seus discípulos reproduzissem: “Todo ramo que, estando em
mim, que não der fruto, Ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais
fruto ainda” (João 15.2). Keith Phillips disse: “Você tem de ser uma pessoa de Deus, antes
de realizar a obra de Deus”.
O discípulo maduro precisa ensinar a outros crentes como viver uma vida que
agrade a Deus, equipando-os para treinarem outros para que ensinem a outros. Todos os
discípulos fazem parte de um processo escolhido por Deus para expandir o seu Reino
através da reprodução.
Deus escolheu um método sólido e eficaz de edificar seu Reino. Começaria
pequeno como um grão de mostarda, mas cresceria rapidamente à medida que
espalhasse de pessoa a pessoa.
a) O que é o discipulado?
O Discipulado Cristão é um relacionamento do Mestre e aluno, baseado no modelo
de Cristo e seus discípulos, no qual o Mestre reproduz muito bem no aluno a plenitude da
vida que tem em Cristo, que o aluno é capaz de treinar outros para ensinarem a outros.
O Discipulado é a única maneira de evitar-se a má nutrição espiritual e a fraqueza
dos filhos espirituais pelos quais somos responsáveis. É o único método (princípio) que
produzirá crentes maduros que poderão inverter a deterioração física e espiritual dos
povos.
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b) O Que é um Discípulo?
Pensemos em Jesus:
 Ele esteve com seus discípulos dia e noite;
 Seus discípulos escutavam suas pregações constantemente;
 Memorizavam seus ensinamentos;
 Viam-no viver a vida que ensinava.
Discípulo: É o aluno que aprende as palavras, os atos e o estilo de vida de
seu Mestre com a finalidade de ensinar a outros.
c) Uma comparação da evangelização sem discipulado e do discipulado com
evangelização
A pessoa que faz discípulos sabe que a responsabilidade continua até que seu
discípulo chegue à maturidade espiritual, à capacidade de reproduzir. Discipulado é uma
reprodução de qualidade que assegura que o processo de multiplicação espiritual
continuará de geração em geração. O discipulador fica sabendo quão eficazmente ensinou
seu aluno, quando ele o vê ensinando a outros.
O Discipulado não somente nos permite ter a alegria de ver o nascimento de novos
filhos na fé como também nos permite assumir a responsabilidade da paternidade
responsável.
Observe no quadro abaixo a diferença entre o trabalho de um discipulador e de um
evangelista e o impacto que o discipulado causa na vida de uma pessoa alcançando
tantas outras de forma eficaz e permanente. Por fim, o discipulador alcançou muito mais
pessoas do que o evangelista com eventos e tantas programações com multidões que
foram e não voltaram.
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Extraído do livro A Formação de um discípulo Keith Philips.
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Unidade 3 – SANTIFICAÇÃO
A Santificação é a continuação do processo de Conversão, quando a pessoa se
liberta de práticas do mundo e do pecado, buscando ter uma vida consagrada a Deus.
Esta etapa no processo de Discipulado equivale ao Treinar, pois a Santificação é um
requisito indispensável para a capacitação e para a liderança cristã.
1. Chamados com um propósito
Desde a narrativa bíblica da criação do ser humano e sua vida no Éden, Deus tinha
um propósito bem claro para a sua existência:
 Manter a ordem sobre mundo, evitando o caos, a partir da sua liderança sobre
todas as coisas.
A esse aspecto, ainda se somam outros dois:
 Deus compartilha de sua natureza com o ser humano, criando-o à sua imagem e
semelhança e, por esta razão,
 Dá a ele a capacidade de mudar o curso da história.
Só o ser humano, em toda a Criação, teria a liberdade de escolher quebrar sua
aliança com Deus. Não sem motivo, o inimigo o atacou exatamente neste ponto,
estabelecendo novamente o caos em grande parte da Criação e, mais especificamente,
influenciando o ser humano, levando-o ao pecado. Assim, originalmente, pecado é o efeito
de uma desobediência direta ao que Deus estabelece para a sua criação. Isso implica, no
caso, agir segundo outros preceitos, sejam próprios ou de outrem. No caso do texto
bíblico, o ser humano cai sob o engano da Serpente: “É certo que não morrereis. Porque
Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus,
sereis conhecedores do bem e do mal” (Genesis 3.4-5).
Controle sobre o meu destino, controle sobre a vida, sobre o ser, e mais ainda, ser
como Deus! Que proposta fantástica estava sobre a mesa! Lembre-se: Quem exerce
liderança, é chamado por Deus, sempre terá “sobre a mesa” a proposta de Deus frente a
outras, que lhe são sedutoras!
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Por isso, é preciso, logo de início, conhecer a nós mesmos, segundo o que Deus e
sua Palavra estabelecem. Nossa vida de liderança no Seu reino depende disso. Quem
somos afinal? Qual o nosso valor? Com que propósito estamos aqui? Estas perguntas
acompanham a existência humana e, para muitos, ainda sem resposta, embora ela já
esteja clara na Palavra de Deus.
a) Identidade: quem sou eu?
Na Criação, Deus revelou a sua vontade ao formar o ser humano: “Façamos o
homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Genesis 1.26). Segundo esta
narrativa, a vida humana não era algo mais acrescentada à criação, mais um elemento ou
um ser vivo a habitar a face do planeta. Era um ser que tinha uma identificação, uma
referência: o próprio criador.
Não é possível precisar a abrangência de se ser imagem e semelhança de Deus. A
crença geral é de que a nossa semelhança com Deus está no fato de sermos “racionais”,
“inteligentes”, ao contrário do restante da criação. Mas, a principal característica da
imagem divina em nós é a capacidade de comunhão com o Criador.
Neste sentido, João Wesley, precursor do Metodismo histórico, falava da imagem e
semelhança de Deus em três aspectos:
1º Aspecto: Imagem moral: refere-se às virtudes de Deus como santidade, pureza de
caráter e amor. São características da imagem de Deus, também presentes no homem e
na mulher. Para Wesley, o pecado apagou esta imagem (Colossenses 3.14; Hebreus
12.14; Salmo 4.4-5);
2º Aspecto: Imagem natural: tem a ver com a capacidade de escolher. É o livre arbítrio.
Deus é livre e nos criou assim. Esse aspecto da imagem divina no ser humano foi
comprometido com a queda, embora não tenha sido de todo perdido. Wesley explicou
que, ainda que tenhamos condições de dirigir boa parte de nossa vida e tomar decisões
razoáveis, não é assim no que diz respeito a Deus e à salvação. Esta só é possível pela
ação de Deus em favor de nós por meio da graça (Efésios 2.4-9);
3º Aspecto: Imagem política: consiste no poder criativo de Deus e sua capacidade de
cuidar e administrar a criação concebida ao ser humano. Em relação a essa imagem, a
maneira como temos destruído o planeta ao longo dos tempos é uma evidência clara de
que ela foi danificada (Romanos 8.19-23).
Assim, todas as pessoas e não apenas os crentes trazem a imagem e semelhança
de Deus, embora distorcida e afetada pelo pecado.
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Neste contexto, para saber quem somos é fundamental refletir sobre quem somos a
partir de Deus e de sua obra: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom”
(Gênesis 1.31). Foram essas as palavras do Criador, ao avaliar o que acabara de criar,
inclusive o homem e a mulher. É uma avaliação que contrasta com outra, feita algum
tempo depois: “se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra, e isso lhe
pesou no coração” (Gênesis 6.6). Apesar de tudo, Deus não desistiu das obras de suas
mãos e preparou uma situação definitiva para restaurar a criação: revela seu amor pela
humanidade na pessoa de Jesus Cristo. Deus acredita na mudança do homem e da
mulher: a transformação é possível por meio de Jesus Cristo! (João 3.16 e I Timóteo
2.3-4).
Jesus Cristo foi enviado por Deus para restaurar em nós sua imagem e semelhança
plena: O Filho “é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser” (Hebreus 1.3).
Tudo o que podemos saber e aprender de Deus estão expressos em Jesus Cristo. Nem
mais, nem menos.
A proposta falsa de Satanás no Éden, perseguida em todos os tempos pelos
homens é a mesma de hoje: ser como Deus. Mas nós não seremos como Deus. Somos a
criação e não o criador.
A proposta de Deus é nos fazer semelhantes a Jesus Cristo, que é a perfeita
imagem do Pai. Isto não se compara a nada do que se tem interpretado hoje acerca do
que significa ter filiação divina em Cristo, como sucesso humano, facilidades, domínio e
controle de todas as coisas, posses materiais. Mas, Deus quer desenvolver em nós o
caráter de seu filho Jesus.
Para isso, Deus usa um processo na nossa vida pelo qual somos tratados,
provados e aperfeiçoados para cumprir o seu propósito. O processo de santificação, de
moldar o caráter, é lento e será tanto mais demorado quanto menos nos submetermos ao
tratamento de Deus conosco.
Falar em processo é sempre difícil, pois vivemos na geração do imediatismo: CtrlC/CtrlV;
fast-food, just in time; tempo real etc. Queremos ver resultados imediatos em tudo,
preferencialmente sem nos dar trabalho. O tratamento de Deus conosco não é assim.
Para restaurar a Sua imagem em nossa vida, Deus desenvolveu um projeto fantástico:
a) Ele nos gerou novamente, por uma semente perfeita mudando a nossa natureza de
tal forma que agora podemos receber aquilo que por ele nos é dado (I Pedro 1.4);
b) Deus criou novas bases de relacionamento conosco, recebendo-nos como filhos e
não como estranhos (João 1.12);
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c) Deus colocou em nós seu Espírito Santo, para fazer em nós e por nós aquilo que é
de seu propósito: que alcancemos a santificação (I Tessalonicenses 4.7-8);
d) Restaurou a nossa identidade com Ele a tal ponto que Jesus é a nossa própria vida
(Colossenses 3.4).
Quando nos perguntarem qual é a nossa identidade, devemos responder que somos
plenamente identificados com Jesus Cristo. Não é à toa que somos conhecidos no mundo
como “cristãos”.
b) Importância: Qual é o meu valor?
Alguém já disse que o modo de enxergar a sua vida molda-a, e o modo como você
a define determina o seu destino. A maneira como vemos a vida, e mais especificamente,
a nossa vida, é expressa na forma como nos relacionamos com os outros, como nos
vestimos, o que usamos - maquiagens, joias, tatuagens, adereços, etc., nos nossos
valores, prioridades, metas.
Que tipo de pessoas faz parte dos nossos relacionamentos e o que temos visto hoje
desfilando diante de nossos olhos nas ruas? Como as pessoas estão se expressando? O
que querem dizer?
Nós precisamos enxergar a vida e expressá-la do ponto de vista de Deus. Estamos
vivendo no planeta Terra, nesta era, neste país, nesta cultura, nesta família, com esta
estatura, peso e cor da pele e não há nada de errado nisto. Você precisa compreender o
seu valor. O seu valor está relacionando com algumas perspectivas sobre a sua vida, a
partir do ponto de vista de Deus, como veremos:
 Deus planejou você
Você foi concebido/a na mente de Deus antes mesmo de ser concebido/a no ventre de
sua mãe. Você pode ter sido um filho indesejado ou não planejado por seus pais, mas
você foi desejado/a e planejado/a por Deus. Você não é fruto do acaso. Você é
exatamente dessa forma porque Deus tem um propósito em você ser assim (Salmos
139.15-16).
A clareza pessoal de que se vive sob o propósito de Deus para uma obra específica,
dada a você, é que dará sentido a todos os acontecimentos de sua existência. O seu
lugar, o seu tempo, os seus investimentos, as suas tristezas e tribulações, suas perdas...
Tudo tem sentido, quando vivido na certeza de que Deus é soberano e governa sua vida.
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Daí é simples compreender as afirmações bíblicas:
- “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que,
agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo
se entregou por mim” (Gálatas 2.20).
- “São ministros de Cristo? (Falo como fora de mim.) Eu ainda mais: em
trabalhos, muito mais; muito mais em prisões; em açoites, sem medida; em
perigos de morte, muitas vezes” (II Coríntios 11.23).
- “Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na
fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre
mim repouse o poder de Cristo” (II Coríntios 12.9).
- “também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual
para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais
agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo” (I Pedro 2.5).
- “segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei
envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será
Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Porquanto,
para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Entretanto, se o viver na carne traz
fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher. Ora, de um e outro
lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é
incomparavelmente melhor. Mas, por vossa causa, é mais necessário
permanecer na carne” (Filipenses 1.20-24).
 Você foi regenerado/a por Deus
Tudo está sob o controle de Deus. Mesmo as coisas que nos parecem
insignificantes não o são para Deus, pois nada é insignificante na vida. A Palavra de Deus
diz que você foi gerado novamente de uma semente incorruptível, que é a própria palavra
de Deus (I Pedro 1.23). A sua regeneração em Cristo não foi por acaso. Foi da vontade
de Deus, uma escolha dele.
 Deus tem algo para fazer a partir de sua vida
Quantos planos você já fez? Quantos sonhos acalentou? Quantos conseguiu
realizar? De todos eles, quais foram embasados nos planos e propósitos de Deus para
sua vida? Uma maneira de interpretar a parábola dos talentos (Mateus 25.14-30) nos diz
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que Deus nos presenteia com dons para que sejamos seus mordomos na tarefa de cuidar
e consolidar seu Reino, a partir da missão de resgatar o ser humano. Deus te regenerou
para que você seja instrumento em suas mãos para a regeneração de quem ainda não
conhece a Ele.
Assim, desde a queda adâmica, Deus planejou uma história de salvação para o ser
humano, uma história de regeneração e chamado. Finalmente, em Jesus, Deus concluiu
seu plano, reconciliando consigo toda a humanidade. Agora, todas as pessoas se
reconciliam com Deus ao acolherem seu plano de salvação, ou seja, ao aceitarem a Jesus
como Senhor e Salvador de suas vidas. Daí serem chamadas filhas de Deus (João 1.12-
13). Jesus, durante seu ministério, chamou discípulos e discípulas para o ajudarem a
cumprir o propósito de Deus. Como discípulo ou discípula de Jesus nos dias de hoje, você
também deve continuar a fazer aquilo que Jesus começou. Ele confiou isto a você (Mateus
25.21).
c) Impacto: que diferença faço no mundo e na vida das pessoas?
Muitos estão passando pela vida e seu modo de viver não afeta positivamente
ninguém. Passam despercebidos. Deus não planejou isso para o ser humano. Jesus disse
que veio para que nós tivéssemos vida e vida em abundância (João 10.10b). Isto é, num
primeiro momento, uma vida com significado e propósito; e depois, uma vida eterna.
Talvez você pense que sua vida é inexpressiva, incapaz de afetar quem quer que
seja. Saiba que Deus está atuando poderosamente no mundo e quer você ao lado dele,
para formar uma equipe poderosa, capaz de transformar a vida das pessoas com algo que
seja verdadeiramente impactante, duradouro, eterno.
O melhor para se fazer com a vida é investi-la em algo que sobreviverá à própria
vida, algo que permanecerá para sempre. Esta é a boa parte que não nos será tirada
(Lucas 10.42). A sua missão é a única no mundo que fará diferença no futuro eterno das
pessoas e no seu próprio (João 9.24). Você precisa compreender que faz parte deste
plano.
d) Deus tem atribuições para você
Você tem um propósito no mundo a cumprir. Lembre-se: Deus tem um plano de
vida para você:
 Você tem um MINISTÉRIO JUNTO AO CORPO DE CRISTO, que é discipular vidas
que se multiplicarão em outras vidas (Mateus 28.19).
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 Você tem uma MISSÃO NO MUNDO, que é seu serviço junto aos que não creem,
levando a Palavra de Deus a eles. Parte dessa missão é compartilhada com o
corpo de Cristo, e todos devem fazê-la. Mas há uma responsabilidade que é
específica e somente você pode atendê-la, ao assumir seu lugar nessa missão (II
Coríntios 5.18).
e) A sua missão é a mais importante obra da sua vida
Muitos têm seu nome lembrado ao longo da história por causa de grandes feitos,
grandes obras, grandes descobertas. Mas nenhuma vida foi tão impactante quanto a de
Jesus de Nazaré. E Deus nos chama para dar continuação à sua missão. Jesus nos
chamou não apenas para vir a ele, mas para ir por ele. A ordem de evangelização foi dada
cinco vezes de formas diferentes:
1ª) Isso foi colocado por ele, não como opção de vida, mas como compromisso (Mateus
28.19-20);
2ª) Partindo do Rei, a determinação é compulsória, ou seja, desprezá-la é
desobediência (Ezequiel 3.18);
3ª) Deve ser entendida como um privilégio, pois somos honrados com a posição de
colaboradores /as e embaixadores/as de Deus na construção do seu reino (II Coríntios
5.18,20);
4ª) É um serviço com a presença de Deus (II Coríntios 6.1);
5ª) Falhar em nossa missão é desperdiçar a vida que recebemos do Senhor (Atos
20.24).
f) Sua missão é o custo mais precioso da sua vida
Missão não é algo que agregamos à nossa vida. Substitui todas as outras coisas:
sonhos, planos, ambições, privilégios etc.
O enfoque tem de mudar: não é Deus abençoar o que eu estou fazendo, mas eu
fazer o que Deus está abençoando (Romanos 6.13).
Nada fará tanta diferença na eternidade do que o cumprimento do seu propósito (II
Timóteo 4.7-8).
2. Chamados bíblicos com um propósito
Já vimos até aqui que, pelo nosso relacionamento com Jesus Cristo, recebemos
uma nova identidade, uma clara afirmação do nosso valor pessoal e um chamado para
fazermos diferença em nossa geração. De modo a tornar mais clara a definição do
Propósito de Deus para nossa vida, vamos exemplificá-la por meio de alguns personagens
bíblicos:
 O casal Adão e Eva
Adão e Eva foram criados à imagem de Deus. Nasceram perfeitos, sem pecados,
com identidade e valor bem definidos. Deus lhes deu um chamado, uma missão, um
propósito bem claro: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos,
enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e
sobre todo animal que rasteja pela terra” (Gênesis 1.28).
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Alguns cristãos pensam que o único e importante propósito de Deus para nós é
sermos como ele. Ser como ele, é mesmo fundamental e todos devemos buscar uma
completa mudança de vida. Adão e Eva estavam nesta condição e mesmo assim o Senhor
os chamou e deu-lhes uma missão: exercer liderança, influência na terra.
 Noé
Quando Deus teve de trazer o juízo do dilúvio e recomeçar a história da
humanidade por meio de Noé, o mesmo propósito de Deus lhe foi retransmitido, com as
mesmas palavras, ou seja: “Abençoou Deus a Noé e a seus filhos e lhes disse: Sede
fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra” (Gênesis 9.1). Assim, Deus tem uma missão
para você também, a partir de Jesus Cristo: “Sede fecundo, multiplicai e enchei a terra de
filhos e filhas espirituais! ”
 Abraão
Abraão foi chamado por Deus, que tratou profundamente com ele a ponto de
transformá-lo num homem de fé e obediência, chegando até a mudar o seu nome de
Abrão (Pai Exaltado) para Abraão (Pai de um grande povo). Seu próprio nome revela o
propósito de Deus de fazer dele o pai de uma grande nação. Em Gênesis 12.1-3 e 15.5-6,
vemos claramente que o mesmo desejo que Deus tinha para Adão e Eva e para Noé
agora é retransmitido a Abraão: seja o pai de uma grande nação e que toda a terra seja
abençoada a partir de ti e de sua descendência.
 Paulo
O apóstolo Paulo vivia em função do propósito de Deus para sua vida, e ele mesmo
testemunhou isso, dizendo: “Então, eu perguntei: Quem és tu, Senhor? Ao que o Senhor
respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Mas levanta-te e firma-te sobre teus pés,
porque por isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha, tanto das coisas em
que me viste como daquelas pelas quais te aparecerei ainda, livrando-te do povo e dos
gentios, para os quais eu te envio, para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas
para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de
pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim. Pelo que, ó rei Agripa,
não fui desobediente à visão celestial” (Atos 26.15-19).
Deus tem nos dado uma visão celestial e também não podemos ser desobedientes
a ela. Cada uma dessas personagens bíblicas encontrou em Deus a sua identidade, cada
uma foi profundamente tratada em seu caráter e valor pessoais e foram grandemente
usadas por Deus, pagando o preço de completarem o chamado de Deus para suas vidas.
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E Deus continua o mesmo. Nunca mudará. Jesus veio para formar uma geração de
discípulos e discípulas crentes em Deus, regenerados, a cada dia mais semelhantes a ele
e que encham a terra de muitos outros crentes com a mesma disposição.
Este é o propósito de Deus para a igreja: Sermos uma família de muitos discípulos
e discípulas semelhantes a Jesus. A missão da Igreja Metodista não podia ser diferente:
Levar o evangelho a todas as pessoas e transformá-las em verdadeiros discípulos de
Jesus.
Assim, não é coincidência que sempre tenhamos enfatizado algumas palavras-
chave na vida da igreja, tais como: multiplicação, frutos, fertilidade, crescimento, liderança,
relacionamento.
Por meio dos GPs, todos podem cumprir o chamado de Deus, dando frutos,
multiplicando e exercendo liderança transformadora em muitas vidas, confiados na
promessa de Deus: “a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as
águas cobrem o mar” (Habacuque 2.14). Amém!
Perguntas que você deve responder:
a) O que será o centro da sua vida?
• Para quem você irá viver?
• Em torno de que construirá sua vida?
b) Qual será o caráter da sua vida? (I Timóteo 4.16)
• Que tipo de pessoa você quer ser?
• Deus se interessa mais em quem você é do que em que você faz?
c) Qual será a contribuição da sua vida? (João 15.16)
• Qual é o seu ministério no corpo de Cristo?
• Qual é a sua missão no mundo?
3. Liderança eficaz: a redescoberta de um importante princípio
O fator determinante para o crescimento da Igreja é a formação de liderança. A
Igreja Cristã tem feito esta redescoberta nos últimos anos. E foi isso o que Jesus fez ao
chamar 12 homens, treinando-os para sucedê-lo na liderança de sua Igreja.
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Alguns escritores e líderes mundiais fazem algumas afirmações importantes neste sentido.
Vejamos:
 Dave Earley (Transformando membros em líderes): "A multiplicação de líderes é a
única maneira de podermos esperar cumprir a Grande Comissão e fazer a
colheita".
 James Hunter (O monge e o executivo: uma história sobre a essência da
liderança): "Nunca devemos esquecer que as pessoas aderem ao líder antes de
aderirem a uma declaração de missão. Se aderirem ao líder, elas irão aderir a
qualquer declaração de missão que o líder tiver".
 Dawson Trotman (fundador do Movimento The navigators, no início da 2ª Guerra
Mundial): "Nosso melhor investimento é em homens fiéis que também serão
capazes de ensinar outros". E ainda: a multiplicação de líderes é a chave para
"alcançar o maior número de pessoas da maneira mais eficaz no menor tempo
possível". Seu método e sua mensagem eram simples: "Produza reprodutores".
Ou seja, realmente, o fator determinante para o cumprimento do "ide e fazei
discípulos", antes de qualquer estrutura eclesiástica ou dinheiro, é o desenvolvimento de
liderança. Em II Timóteo 2.2, essa mesma máxima aparece: "E o que de minha parte
ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também
idôneos para instruir a outros".
a) Definições de liderança:
 "Liderança é influência" (J. Oswald Sanders).
 "Liderança é a capacidade e disposição de arregimentar pessoas para um propósito
comum, aliado a um caráter que inspira confiança" (Bernard Montgomery).
 "Liderança é saber: a) qual é a próxima coisa a fazer; b) por que fazê-la é
importante; c) como mobilizar os recursos necessários para fazê-la" (Bob Biehl).
 "Existem somente três tipos de pessoas - os inamovíveis, os movíveis e aqueles que
os movem" (Li Hung Chang).
 "Liderança é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem
entusiasticamente visando atingir os objetivos identificados como sendo para o bem
comum" (James Hunter).
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b) O que é comum nessas definições indispensáveis à liderança?
 Influência - habilidade
 Capacidade e disposição de arregimentar pessoas
 Capacidade de mover as pessoas
 Uma visão a ser transmitida - para um propósito comum - objetivos identificados
 Caráter que inspira confiança - bem comum
 Conhecimento - o que fazer, para que fazer, como fazer.
4. O modelo por excelência
Jesus foi e continua sendo o maior líder que o mundo já conheceu. E isso é uma
afirmação para além do próprio Cristianismo! Veja só:
 Hoje, mais de dois bilhões de pessoas, um terço dos seres humanos deste planeta,
se dizem cristãs;
 A segunda maior religião do mundo, o Islamismo, é menos da metade menor do
que o Cristianismo;
 Dois dos maiores dias celebrativos do ocidente, pelo menos - Natal e Páscoa - são
baseados em eventos da vida de Jesus;
 O calendário ocidental conta os anos a partir do nascimento de Jesus.
5. Liderança e responsabilidade
A liderança deve ser exercida diligentemente. Se um líder abrir mão ou eximir-se de
seu papel, perderá sua liderança. Como Mordecai avisou a rainha Ester: "se de todo te
calares agora, de outra parte se levantará para os judeus socorro e livramento" (Ester
4.14) James Hunter nos ensina o caminho da liderança a partir do seguinte esquema:
78
6. Liderança servidora
Jesus nos ensina que seus líderes devem ser, antes de tudo, servos e servas:
"Quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos" (Marcos 10.44). Paulo ressalta
este modelo quando exorta os cristãos em Filipos a que tenham a mesma atitude de Cristo
(Filipenses 2.6-8), que liderou por meio do serviço e ensinou seus discípulos a imitá-lo,
liderando por meio do mesmo modelo.
O tipo de liderança ensinada por Jesus extrapolou as fronteiras do Cristianismo.
Hoje, a chamada "liderança servidora" é um dos modelos mais populares no mundo
empresarial. Seus conceitos foram propostos e popularizados por Robert K. Greenleaf,
que ressaltou: "o líder servidor é a pessoa que exemplifica a liderança por meio do
serviço".
Jesus, no famoso episódio do lava-pés, em João 13.3-4, 14-15, nos ensina:
a) A liderança servidora não era o modelo de liderança prevalecente naquele tempo;
b) Jesus era reconhecido como mestre e senhor. Ele e os discípulos sabiam disso;
c) O que Jesus fez com os discípulos tinha valor muito maior que simplesmente lavar
os pés sujos deles. Era uma atitude de serviço vinda de alguém que não tinha
obrigação de fazê-lo, sob a ótica de liderança vivenciada naquele tempo;
"A liderança começa com a
vontade, que é a nossa única
capacidade como seres humanos
para sintonizar nossas intenções com
nossas ações e escolher nosso
comportamento. É preciso ter
vontade para escolhermos amar, isto
é, sentir as reais necessidades, e não
os desejos, daqueles que lideramos.
Para atender a essas necessidades,
precisamos nos dispor a servir e até
mesmo a nos sacrificar. Quando
servimos e nos sacrificamos pelos
outros, exercemos autoridade ou
influência".
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d) Os discípulos (e quem sabe nós também) não podiam ver-se realizando tarefa tão
humilhante porque estavam preocupados com suas próprias posições e status no
grupo;
e) A liderança servidora de Jesus não é uma opção, mas um exemplo, um modelo de
ministério;
f) O amor é o impulsionador da liderança servidora de Jesus, conforme o começo o
começo do texto, João 13.1 - "os amou até o fim".
7. Autoridade e poder na liderança
Inspirado no livro O monge e o executivo: uma história sobre a essência da
liderança de James Hunter.
Margaret Thatcher, conhecida como a "dama de ferro", foi uma das mais influentes
pessoas a exercer o cargo de primeiro-ministro da Inglaterra. Ela declarou certa vez:
"Estar no poder é como ser uma dama. Se tiver que lembrar às pessoas que você é, você
não é". Podemos entender que, na arte de influenciar pessoas, isto é, de liderá-las, é
fundamental compreender a diferença entre poder e autoridade.
Uma das distinções é dada pelo sociólogo Max Weber, em seu livro The theory of
social and economic organization (A teoria da organização econômica e social): “Poder é a
faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade, por causa de sua posição ou
força, mesmo que a pessoa preferisse não o fazer. Autoridade é a habilidade de levar as
pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer, por causa de sua influência pessoal”.
Poder, na prática, significa: "Faça isso senão..." Já autoridade é levar as pessoas a
declarar: "Vou fazer porque meu líder me pediu"; "Eu atravessaria paredes por ele".
Assim, poder é definido como uma faculdade, enquanto autoridade é definida como uma
habilidade.
O poder pode ser vendido e comprado, dado e tomado. As pessoas podem ser
colocadas em cargos de poder porque são parentes ou amigas de alguém, porque
herdaram dinheiro ou o status de poder; nem sempre por méritos ou habilidades de
liderança aprendidas. Isso nunca acontece com a autoridade.
A autoridade diz respeito a quem você é como pessoa, a seu caráter e à influência
que estabelece sobre as pessoas. Estabelecer autoridade sobre as pessoas requer um
conjunto especial de habilidades.
O poder conduz à rebeldia dos seguidores, pois ele, com o tempo, corrói os
relacionamentos. Já a autoridade é fundamental, principalmente em organizações com
trabalho voluntário. Isso aplica-se à igreja. Neste caso, pessoas servem, quando
percebem
80
percebem que seus líderes se importam com elas, com suas necessidades. Além disso,
só uma liderança baseada na autoridade é capaz de conduzir as pessoas a trabalharem
com o seu coração, desenvolvendo suas mentes, compromisso, criatividade e ideias.
8. O exemplo de Jesus
O ensino que move pelo exemplo denota o caráter da pessoa que ensina. Assim
era com Jesus, de tal modo que o povo percebia. Eles diziam que Jesus não ensinava
como os escribas, mas como quem tem autoridade (Mateus 7.28-29). O princípio do
ensino de Jesus estava relacionado com o exemplo que poderia ser observado em sua
própria vida, pois Ele também imitava o Pai (João 14.14 e 19.19). O problema dos fariseus
não estava naquilo que falavam, mas na incongruência entre seus atos e palavras (Mateus
7.29). Como não conseguiam convencer pela autoridade, usavam o poder, como ocorre
no caso do cego de nascença, que eles expulsaram da sinagoga (João 9).
O exercício do poder não promove a transformação, mas a autoridade, sim. Por
isso, os discípulos seguiram Jesus e, apesar de suas fraquezas e limitações, terminaram
por entregar sua vida pelo Mestre. As pessoas o seguiam espontaneamente, por causa da
autoridade que viam emanando de sua vida!
9. Uma decisão: liderar pelo exemplo ou pela força
Talvez alguém possa dizer: "Isto tudo é muito bom e bonito em teoria" ou "Se você
não exercer poder, as pessoas pisarão na sua cabeça!" É verdade! Isso pode ocorrer num
ambiente ou num sistema em que o poder é uma aspiração de todos. E há casos
extremos, nos quais a última medida é exercer o poder que a posição confere. Exemplo
disso vemos no dia a dia, seja para colocar limites ou para despedir um mau funcionário
ou uma pessoa que, no exercício de seu compromisso, é relaxada e não demonstra
mudança, por mais investimentos que tenha recebido. Nestes casos, o líder, ao exercer o
poder, deve refletir sobre as razões que o obrigam a isso. Ou seja, o poder deve ser
exercido porque a autoridade foi quebrada!
10. Quais são as qualidades de caráter de uma liderança marcada pela
autoridade?
 Honestidade, confiabilidade;
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 Bom exemplo;
 Cuidado;
 Compromisso;
 Bom ouvinte;
 Respeito;
 Encorajamento (encoraja as pessoas);
 Atitude positiva e entusiástica;
 Amor.
Cabe destacar que o líder não nasce com essas características. Essas qualidades
listadas são comportamentos e, por isso, são escolhas que a pessoa faz. E nunca
devemos esquecer que as pessoas que exercem a liderança por autoridade se tornam
eternas na história. Além de Cristo, que outros e outras líderes assim podemos listar na
história do mundo, do nosso País e da nossa igreja?
11. Características importantes na caminhada de um líder
Este estudo foi extraído do livro “Seja um Líder que Motiva” de Leroy Eims.
Seja um líder que motiva
O que Deus usa para inspirar pessoas à ação é a motivação. Por isso, uma das
tarefas primordiais de um líder é ajudar as pessoas a se inflamarem com as coisas certas
e a manter essa chama acesa.
Seja um líder responsável
 Assuma a responsabilidade pelo sucesso ou insucesso do seu grupo ou de
atividades propostas. Não transfira a culpa caso algo dê errado;
 Corrija e reprove - reprove o pecado e discipline as pessoas lideradas (Provérbios
28.23);
 Aja decididamente - não fique esperando pelas outras pessoas;
 Ouça críticas (Provérbios 15.5, 10; 19.20);
 Seja honesto - mantenha tudo aberto e transparente (I João 1.7);
 Seja justo (Provérbios 11.1).
Seja um líder que cresce
Os cuidados do mundo podem minar a energia do líder. O engano das riquezas, do
poder e da fama podem desviá-lo (Provérbios 16.16; Mateus 13.22).
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Entre os inimigos do crescimento destacam-se:
 Orgulho (Provérbios 16.5, 18; I Coríntios 4.7; II Coríntios 4.7; Jeremias 17.5-8; João
15.4-5);
 Preguiça (Provérbios 20.13);
Entre os aliados do crescimento pode-se ressaltar:
Humildade (Provérbios 15.3; 22.4);
 Piedade (Isaías 35.8; Provérbios 16.17);
 Prudência (Provérbios 14.18; 15.31-32)
 Capacidade de ouvir:
Os posicionamentos diversos na liderança são importantes, pois mostram que não
há um só modo, uma só fórmula, uma receita a ser aplicada. Além disso, posicionamentos
contrários são importantes também para servir de parâmetro, de medida, ajudam o líder a
manter o equilíbrio nas decisões a serem tomadas, considerando os diversos grupos de
pessoas e lideranças representadas.
Seja um líder exemplar
As pessoas precisam de demonstração. Jesus teve de ensinar aos seus discípulos
a orar. Na verdade, ele lhes deu um padrão (Lucas 11.1-4). Para ajudar um novo
convertido, tome-o pelas mãos e leve-o pelo caminho, a partir deste programa de cinco
passos:
1) Diga-lhe o quê;
2) Diga-lhe por quê;
3) Demonstre-lhe como (I João 2.6);
4) Ajude-o a começar;
5) Ajude-o a continuar (Provérbios 17.22; 27.17).
Seja um líder inspirador
Os líderes devem avaliar se as pessoas sob sua responsabilidade estão em
crescimento contínuo:
 Os novos cristãos necessitam da Palavra, muito amor, proteção, senso de
pertencer à família de Cristo, treinamento;
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 Os discípulos em crescimento necessitam da disciplina do devocional diário, estudo
bíblico consistente, memorização das Escrituras e ajuda para saber como
testemunhar e falar de Cristo; aprender o estilo de vida de serviço;
 Três aspectos levam pessoas a seguir um líder: Visão, Disponibilidade,
Compromisso. Esses aspectos devem ser regados das seguintes qualidades:
honestidade (Provérbios 27.5-6), lealdade (Provérbios 17.17), generosidade
(Provérbios 27.21), humildade (Provérbios 17.3).
Seja um líder eficiente
 Receba direção de Deus (momento a sós – Provérbios 3.6);
 Comunique-se com seus irmãos (Neemias 2.17-18). Um líder mune seus liderados
continuamente de informações oportunas, precisas, apropriadas e motivadoras
(Provérbios 15.23; Eclesiastes 3.7);
 Delegue. Deixe que façam o trabalho (Êxodo 18.21-22);
 Esteja disponível. Sempre lhes dê a segurança de que estará disponível quando
necessário (Provérbios 17.17);
 Avalie regularmente. Os liderados precisam saber o que você pensa do trabalho
deles! Isso gera confiança.
Seja um líder com objetivos
Por que as pessoas precisam de objetivos? Por três razões:
1) Direção: É impossível seguir em direção a uma marca se não existe nenhuma
marca. É impossível terminar o percurso se não existe uma linha de chegada;
2) Progresso: Os objetivos asseguram o processo. Sem um objetivo claro, o corpo
pode trabalhar arduamente e não chegar a nenhum lugar;
3) Realização: Aquele que atira em nada acerta exatamente nada. Se não tenho
objetivo, nunca saberei quando terminei. Posso trabalhar indefinidamente e nunca
me sentir realizado, pois nunca poderei dizer que completei o desejado.
Seja um líder que toma decisões
Por que a tomada de decisões é tão difícil? Algumas razões:
 Confusão acerca da vontade de Deus;
 Desejo de não machucar ninguém;
 Aversão à impopularidade;
 Excesso de ocupação;
 Covardia;
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 Ignorância;
 Orgulho.
Como tomar boas decisões?
 Reconheça as más decisões (cf. Paulo em Atos 26.9);
 Defina o problema (Efésios 5.15);
 Ouça antes de responder (Provérbios 18.13);
 Busque conselho (Provérbios 15.22; Eclesiastes 8.5);
 Reduza as opções, eliminando as que não se encaixam;
 Espere em Deus (Provérbios 16.3; Salmo 27.14);
 Tome a decisão: Provérbios 16.9; 19.21);
 Acompanhe a solução até o fim. Tudo posso nele (Filipenses 4.13).
Importante: Liderar com autoridade por certo significa arriscar-se. Jesus liderou e
“andou fazendo o bem” (Atos 10.38) foi perseguido, abandonado por muitos e morto.
Encare essa verdade, o líder corre risco de qualquer maneira.
Para pensar: “Quem admite o fracasso deu o primeiro passo para o sucesso”. “Os
que seguem a multidão nunca serão seguidos por ela”. James Hunter
12. Desenvolvendo líderes em potencial
O texto abaixo foi extraído do livro “Liderança Corajosa“, de Bill Hybels, capítulo 6:
Quando os líderes estão em sua melhor forma da Willow Creek Association, com
alterações que possibilitam a sua aplicação específica na vida da liderança de igrejas.
Quando é que os líderes estão na sua melhor forma? Respostas cabíveis:
 Quando estão desempenhando funções de liderança, como divulgar visões que
honram a Deus, montar equipes, estabelecer metas, resolver problemas e levantar
fundos;
 Quando são o modelo de liderança exemplar, é então que os líderes se distinguem;
 Quando os líderes demonstram caráter;
 Quando os líderes manifestam traços de fidedignidade, imparcialidade, humildade,
disposição para o trabalho e tolerância por um tempo bem longo;
 Quando provam que são inabaláveis em tempos de crise;
 Quando os líderes adicionam o componente espiritual à sua liderança;
 Quando estão trabalhando em comunhão com Deus;
85
 Quando estão humildemente prostrados perante o Pai celestial, reconhecendo a
soberania dele, escutando seus conselhos, submetendo-se à sua liderança e,
então, corajosamente executando as suas ordens, é aí que os líderes estão na sua
melhor forma.
Para Bill Hybels, os líderes estão na sua melhor forma “quando geram outros líderes,
quando criam uma cultura de liderança”. Continua Hybels: “Quando observo um líder cujo
radar fica tentando localizar um líder em potencial, ou quando vejo um líder mais
experiente investindo tempo e energia para treinar e fortalecer um líder mais jovem, tenho
certeza de que estou diante de um líder na sua melhor forma”.
Por quê? Porque somente líderes podem desenvolver outros líderes e criar uma
cultura de liderança. Somente líderes podem multiplicar o impacto da liderança, suscitando
mais líderes. Pense sobre isso. Quando um líder não apenas desenvolve o próprio
potencial de liderança, mas também extrai o potencial de diversos outros líderes, o efeito
de uma vida no Reino de Deus é multiplicado exponencialmente. Isso produz muito mais
fruto que uma única realização de liderança poderia alcançar.
O impacto da vida desse líder será sentido por muitas gerações vindouras. Como um
líder cria uma cultura de liderança e deixa um legado de líderes bem treinados?
a) O desenvolvimento da liderança
Sem visão, nada de importante pode ser alcançado. O desenvolvimento da
liderança nunca acontece acidentalmente. Isso somente ocorre quando algum líder possui
ardente visão sobre essa questão, quando a sua pulsação dobra só de pensar em injetar
no sistema organizacional um fluxo constante de líderes competentes. Antes que
desenvolvêssemos uma clara visão sobre o desenvolvimento da liderança na igreja,
sentimo-nos na armadilha que enlaça muitas igrejas: a da necessidade urgente. Em
organizações extremamente velozes e intensas, o desenvolvimento da liderança sempre
escorrega para o fim da agenda. Esse fator é o que atualmente limita o crescimento da
igreja.
Criar uma visão é, logicamente, apenas o início. O próximo desafio é criar uma
estratégia para transformar essa visão em realidade. Para estimular o raciocínio a respeito
de tal plano, é necessário fazer-se a seguinte pergunta: Como é que você acabou se
tornando um líder? Existem muitas respostas possíveis para essa pergunta, mas, a partir
da experiência de muitos líderes, é possível apontar três tópicos em comum.
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Esses tópicos nos dão uma base para a estratégia prática de desenvolvimento de
líderes:
 Potencial;
 Investimento;
 Delegação de responsabilidade
b) O plano de desenvolvimento de liderança de Jesus
Nas Escrituras, é possível observar que Jesus percorreu essas três fases ao
suscitar discípulos, líderes.
Primeiro, repare em como ele selecionou seus discípulos. Ele não apenas disse:
“Eis uma linha. Os primeiros doze rapazes que passarem por ela são os escolhidos”. Não!
Ele escolheu seus discípulos cuidadosamente. Levou tempo, e deve ter orado
fervorosamente antes de escolhê-los. Jesus sabia que num futuro não muito distante
estaria passando a liderança da igreja para eles. Ele tinha de ter certeza de que havia
escolhido pessoas com potencial para assumir aquela responsabilidade.
Após Jesus ter identificado os doze, rapidamente passou para um período de
intenso investimento na vida deles. Jesus passava tempo com eles. Ele os ensinava,
educava, confrontava, monitorava, repreendia e inspirava.
Então, tempos depois, quando soube que era o momento certo, passou para a
terceira fase do desenvolvimento da liderança. Ele delegou aos discípulos uma autêntica
responsabilidade ministerial e os treinou para serem eficientes. Seu plano funcionou
maravilhosamente. Vale a pena copiar! Às vezes, imagino como a igreja estaria neste
mundo, se os seus líderes fossem mais conscientes a respeito do desenvolvimento de
lideranças.
Percebemos, portanto, que tudo começa pelo reconhecimento e arregimentamento
de pessoas para a liderança. Para isto, são identificadas abaixo, algumas qualidades
necessárias em líderes potenciais:
1ª Qualidade: Influência
Líderes potenciais sempre buscam influenciar os outros. Líderes em potencial
exercem influência. James Hunter em “O monge e o executivo” identifica liderança com
influência: “Liderança é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem
entusiasticamente visando atingir os objetivos identificados como sendo para o bem
comum”.
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Uma das palavras-chave nesta definição de liderança é exatamente influência. A
liderança, na sua essência, trata-se de influenciar pessoas. Em outras palavras, é saber
como o líder consegue “ganhar” as pessoas do “pescoço para cima” em vez da antiga
ideia de “nós só queremos você do pescoço para baixo”.
Se liderar é, em outras palavras, “ganhar” as pessoas, sempre haverá duas
dinâmicas em jogo: a tarefa e o relacionamento. Na liderança, elas devem coexistir. Caso
contrário, por exemplo, se nos concentrarmos somente em ter a tarefa realizada e não no
relacionamento, surgirão sintomas tais como: rotatividade no exercício do trabalho,
transferências, rebeldias, má qualidade de trabalho, baixo compromisso, baixa confiança...
Somente a realização de tarefas não garante a liderança. Eis um exemplo do livro O
monge e o executivo: “A maioria das pessoas é promovida a cargos de liderança por
causa de suas aptidões técnicas reveladas no desempenho de tarefas. É uma armadilha
contra a qual fui alertado muitas vezes em minha carreira. Certa ocasião, promovemos
nosso melhor operador de retroescavadeira a supervisor e acabei percebendo que
tínhamos criado dois novos problemas. Passamos a ter um mau supervisor e perdemos
nosso melhor operador de retroescavadeira! Não percebemos que, apesar de ser um
excelente técnico, seu relacionamento com os subalternos era péssimo. Mas como existe
um conceito de liderança defeituoso, pessoas voltadas para as tarefas provavelmente
ocupam a maioria dos cargos de liderança”.
Os relacionamentos também são importantes quando você lidera. Na vida, tudo gira
em torno de relacionamentos – com Deus, conosco, com os outros. Porém, o diferencial é
que os relacionamentos devem ser saudáveis, que se estabelecem a partir do momento
em que se identifica e satisfaz as necessidades legítimas das pessoas, tais como:
Tratamento digno e respeitoso; capacidade de contribuir para o sucesso da organização;
sentimento de participação; reconhecimento/dinheiro.
Isso nos leva a outro ponto: o “ingrediente” mais importante para o estabelecimento
de relacionamentos saudáveis é a confiança. Sem confiança é difícil senão impossível
conservar um bom relacionamento. A confiança é a cola que gruda os relacionamentos.
No entanto, também é um erro considerar o relacionamento em detrimento das
tarefas realizadas. Um exemplo cotidiano numa empresa demonstra isso: Se os líderes
não satisfazem as necessidades dos donos ou acionistas, a organização também estará
em dificuldade séria. Os acionistas têm uma necessidade legítima de obter o retorno justo
do seu investimento e, se os líderes da empresa não preencherem essa necessidade, o
seu relacionamento com os acionistas não estará bom. E se os acionistas não estiverem
felizes,
88
felizes, a organização não se manterá por muito tempo.
James Hanter exemplifica isso num simples testemunho de um de seus personagens
em “O monge e o executivo”: “Descobri isso de um modo muito doloroso há vários anos
quando era gerente geral de um grande resort (hotel de luxo) no Arizona. Nós nos
divertíamos muito no trabalho, mas não estávamos muito atentos aos resultados, e eu
acabei sendo demitido”. A chave para a liderança é executar tarefas enquanto se
constroem os relacionamentos.
2ª Qualidade: Caráter
Muitas pessoas com influência não possuem o caráter necessário para usar essa
influência de modo construtivo ou cristão. Honestidade, humildade, estabilidade,
capacidade de aprendizado e integridade são qualidades de caráter indispensáveis para
conduzir bem a influência de um líder. Como se trata de um líder cristão, se caráter deve
ser forjado por um caminhar sincero com Deus, uma entrega ao Espírito Santo e um
comprometimento com a autoridade da Palavra de Deus.
3ª Qualidade: Habilidades pessoais
Habilidades pessoais inclui sensibilidade para com os pensamentos e sentimentos
dos outros, bem como a consideração de ouvir as ideias dos outros. A aptidão para se
relacionar com os outros é outra habilidade pessoal que deve ser desenvolvida num líder:
desde pessoas com um comportamento peculiar, até pessoas que possuem problemas
com o poder e deficiência de autoestima.
Habilidades são adquiridas por meio de disciplina e, portanto, não são naturais. São
adquiridas a partir de 4 estágios, próprios da vida humana:
 Estágio 1: Inconsciente e sem habilidade – Você ignora o comportamento e o
hábito. Exemplo: você desconhece a prática de dirigir um carro.
 Estágio 2: Consciente e sem habilidade – Você toma consciência de um novo
comportamento, mas ainda não desenvolveu a prática. Exemplo: Você já tem
conhecimento teórico do funcionamento e direção de um carro, mas não sabe
dirigir.
 Estágio 3: Consciente e habilidoso – Você está se tornando cada vez mais
experiente e se sente confortável com o novo comportamento ou prática. Exemplo:
Você conhece o funcionamento teórico e já tem experiência na direção de um carro,
mas depende do conhecimento teórico.
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 Estágio 4: Inconsciente e habilidoso – Você não tem mais de pensar para
desenvolver o comportamento ou prática. Exemplo: Você dirige sem precisar
pensar nos processos teóricos.
4ª Qualidade: Garra
Garra é próprio de pessoas proativas, que se sentem confortáveis em tomar a
iniciativa. São pessoas que são as primeiras a dizer: “Ao trabalho! ”.Bons líderes fazem as
coisas acontecerem. Daí, por definição, têm garra as pessoas que estimulam as outras. O
texto de I Coríntios 15.58 é uma boa definição de garra: “...sede firmes, inabaláveis e
sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é
vão”.
5ª Qualidade: Sagacidade
Em líderes potenciais, sagacidade é sinônimo de rapidez mental necessária para
processar grandes quantidades de informação, classificá-las, avaliar todas as opções e,
via de regra, tomarem decisões. Trata-se de alguém com uma mente ávida e curiosa que
possa aprender e crescer ao longo do percurso.
c) O que mantém um líder motivado
O que motiva um líder, mais que qualquer outra coisa, é ver líderes que ajudou a se
desenvolverem, disparar como líderes no Reino de Deus; ver pessoas em quem investiu
tempo e energia frutificando, influenciando, glorificando a Deus e amando o que fazem.
Nesta direção, comenta Bill Hybels: “O que me mantém estimulado como líder? É
ver um advogado abandonar seu lucrativo ofício para liderar uma revolução de pequenos
grupos aqui na Willow e ao redor do mundo. É ver um ferreiro reduzir seu envolvimento na
empresa a fim de ajudar a revitalizar a igreja na Alemanha. É ver um jovem formando da
escola de administração de Harvard, dedicar sua vida à renovação de igrejas por todo o
mundo ao liderar a Willow Creek Association. Nada me estimula mais do que isso. É claro
que ainda aprecio o desafio de exercer a liderança. Mas quanto mais velho fico, mais
compreendo a oportunidade e a responsabilidade de ajudar outros líderes a achar seu
lugar e a alcançar seu pleno potencial”.
90
 A próxima geração de líderes em potencial – um testemunho pessoal de Bill
Hybels
Recentemente, Deus fez com que eu sentisse mais claramente a minha relação
com a próxima geração de líderes em potencial de maneira muito especial. Shauna, minha
filha, após ter terminado a faculdade, sentiu o chamado de Deus para trabalhar no Impacto
Estudantil, o ministério da Willow dirigido por adolescentes. Há alguns meses, ela e sua
equipe se reuniram em nossa igreja para planejar seu primeiro retiro para quinhentos
estudantes. Eles passaram horas planejando e orando sobre como organizar atividades
recreativas, estruturar experiências de adoração e tornar o ensino aplicável aos
estudantes. Quando chegou o fim de semana, era óbvio que Deus tinha operado.
Centenas de estudantes tiveram sua vida transformada, compromissos foram
firmados e relacionamentos foram formados e aprofundados. Após o retiro, Shauna dirigiu
quase 260 km ao redor do lago Michigan, com o único propósito de vir a nossa casa de
campo contar-me tudo o que tinha acontecido. As lágrimas escorriam pela sua face,
enquanto me contava como Deus havia operado. Sabia exatamente o que ela havia
experimentado. Lembrei-me claramente como era ser jovem líder e perceber que havia
sido usado por Deus; como era ver algo planejado por você produzir resultado muito
melhor que seus mais ambiciosos sonhos, porque Deus tinha operado de forma poderosa;
e como algo assim poderia derreter o coração de jovens líderes.
Ver Deus operando por meio do meu dom de liderança ainda sacode o meu âmago
de tempos em tempos. Mas ver a mesma coisa acontecendo por meio da minha filha... vê-
la decolando... ver a próxima geração de líderes abrir suas asas e começar a voar... Isso é
realmente o melhor que há na liderança.
Quaisquer que sejam os desafios a serem enfrentados pelas nossas igrejas nos
anos vindouros, espero que possamos enfrentá-los confiantemente, sabendo que fomos
sábios o suficiente para investir na próxima geração de líderes. Não há nada que líderes
experientes possam fazer que tenha mais impacto do que isso. Não importa o que
façamos, precisamos criar cultura de liderança. Devemos identificar líderes em potencial,
investir neles, dar-lhes responsabilidades no Reino de Deus e orientá-los em direção à
eficiência. Então, cada um de nós poderá experimentar a emoção de vê-los levantar voo.
Isso será a liderança na sua melhor, muito melhor forma.
91
d) A recompensa
O líder que opta por uma liderança servidora, pautada pela autoridade e influência
precisa fazer muitas escolhas e sacrifícios. É necessária muita disciplina... O esforço que
vai ser necessário para estabelecer influência, o trabalho de prestar atenção, amar, doar-
se aos outros, e a disciplina para aprender novas práticas e comportamentos são marcas
da liderança cristã, herdadas de Jesus. É verdade, a exigência é grande, mas... vale a
pena?
Recordando-nos dos atletas, lembremos que a disciplina, a dedicação e o trabalho
duro (sacrifício) são requeridos à liderança, mas em compensação sempre trazem
prêmios. De imediato, muitas recompensas vêm à mente, ao exercermos uma liderança
com base na autoridade e serviço:
 Construímos influência;
 Desenvolvemos uma missão, um objetivo, uma visão de vida – “uma razão para
levantar de manhã!” A vida passa a ter propósito e significado;
 Adquirimos confiança para nos arriscar mais. Como diz o ditado: “Quem não
arrisca, não petisca”;
 Tornamo-nos pessoas mais reflexivas. O conhecimento na liderança traz prudência;
 Realizamos coisas que permanecem para a posteridade humana.
 Desenvolvemos uma vida espiritual que agrada a Deus.
 Há grande alegria em liderar como autoridade, servindo aos outros e satisfazendo
suas necessidades.
Biblicamente falando, a maior recompensa da liderança é a ALEGRIA de ouvir
Jesus nos dizer: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te
colocarei; entra no gozo do teu Senhor” (Mateus 25.21,23). Segundo Jesus, neste texto,
a alegria não será apenas a felicidade de um momento, mas o regozijo eterno. Ainda,
devemos ressaltar neste texto que a alegria é fruto de uma liderança de serviço.
O maior segredo da alegria bíblica está em doar-nos e liderar com autoridade,
amando ao próximo. No evangelho de João, Jesus diz a seus discípulos que a sua imensa
alegria poderia ser a alegria deles se obedecessem a seus mandamentos. E termina
dizendo – “Este é o meu mandamento: que vocês amem uns aos outros como eu os
amei”. Jesus sabia que haveria alegria em amar doando-nos aos outros. O amor quebra
nossos muros de egoísmo e nos leva ao encontro das pessoas. Quando negamos as
nossas próprias necessidades e vontades e nos doamos aos outros, crescemos.
Tornamo-nos menos autocentrados e mais conscientes dos outros. A alegria é uma
consequência dessa doação.
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93
Unidade 4 – MISSÃO
A missão da Igreja é anunciar o Evangelho para a salvação. O chamado de Jesus
para seus discípulos foi o discipulado cristão. O discipulado acontece na igreja local
através dos Grupos Pequenos onde vidas são alcançadas e cuidadas. Através da Missão
nos Grupos pequenos, continua o ciclo do discipulado: Novo Nascimento, Conversão,
Santificação e Missão. Quando a Missão acontece, vidas nascem de novo, se convertem e
buscam santificação para então continuar sendo enviados para ganhar vidas através dos
Grupos Pequenos, onde atuam como verdadeiros missionários. O discipulado através dos
pequenos grupos conduz toda a igreja a se envolver na missão evangelizando e cuidando
de vidas de forma responsável e madura.
1. Igreja com Grupos Pequenos
a) Grupos pequenos? Por quê?
Os GPs envolvem toda a igreja, direcionando todos os membros a seguirem para o
mesmo alvo destacado por Cristo Jesus: o caminho do discipulado. Por isso, não
consistem apenas em uma reunião num lar, com um lanche no final. A Igreja Metodista
estipulou por meta, que todos os membros da igreja devem estar engajados nos Grupos
Pequenos (Discípulas e discípulos nos caminhos da missão cumprem o mandato
missionário de Jesus - Carta Pastoral do Colégio Episcopal Biênio 2012-2013. Página 14).
94
O caminho do discipulado na vida de uma pessoa pode ser entendido a partir do
esquema abaixo apresentado:
Neste processo, é preciso aprender com Jesus que trabalhar com um grupo pequeno
é dar condições para que seus membros desenvolvam seus dons. Num grupo pequeno,
sob a liderança de um discipulador, as pessoas encontram espaço para serem discípulas
e desenvolverem seus dons, com vistas a se tornarem discipuladoras (Lucas 6.40).
Nesta situação, as pessoas não mais participam de uma "programação". Na verdade,
fazem parte de um ambiente apropriado ao discipulado em que podem crescer em
conhecimento e relacionamento uns com os outros e com Deus.
2. Qual é a base bíblica para os GPs?
a) No Antigo Testamento:
 Jetro - Delegação de autoridade: um cuidando de 10 - líder; outro cuidando de 100 -
discipulador; e outro, de 1000 - Coordenador de área (Êxodo 18.13-27).
b) Novo Testamento:
 Jesus: Iniciou seu ministério com um grupo pequeno de 12 discípulos (Marcos
3.13-14); Comissionou a Igreja (João 20.21; Mateus 28.18-20).
Jesus alicerçou seu ministério em relacionamentos. Diante de todas as atividades
que desenvolveu, os evangelhos dizem que ele dedicou cerca de 50% de seu ministério
para tratar particularmente de seu grupo pequeno, para estar presente com seus
discípulos. Ele aparece conversando, comendo e dormindo junto deles (João 1.39; 2.2;
4.7; Lucas 6.12; 11.1). Andaram juntos em estradas, visitaram cidades, viajaram de barco,
pescaram no mar da Galileia, oraram juntos, foram às sinagogas e ao templo. Fizeram
viagens a Tiro e a Sidom (Marcos 7.24; Mateus 15.21), para o território de Decápolis
(Marcos 7.31; Mateus 15.29) e para as regiões de Dalmanuta, a sudeste da Galileia
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(Marcos 8.10); e também para as aldeias de Cesareia de Filipe (Marcos 8.27), no
nordeste.
 A Igreja Primitiva: Local das Reuniões: no templo, na sinagoga e nas casas (Atos
2.42-47; Hebreus 5.42). No templo se reuniam para adorar a Deus, para ouvirem os
ensinos e a pregação das Sagradas Escrituras. Nas casas, os recém-convertidos
eram acolhidos e alimentados espiritualmente. Ali aprendiam a respeito de Jesus,
suas necessidades eram supridas, recebiam cuidados e acompanhamento até se
sentirem aptos para cuidarem de outros.
Ainda encontramos no Novo Testamento uma variedade de textos que atestam a
existência de grupos pequenos:
 Atos 2.42-47 - "…partindo o pão de casa em casa"
 Atos 5.42 - "... no templo e de casa em casa"
 Atos 20.20 - ".... ensinando-vos publicamente e de casa em casa"
 Romanos 16.3,5,10 - "....a igreja que está na casa deles"
 Colossenses 4.15 - "... a igreja que está em sua casa"
 Filemom 1.2 - "... à igreja que está em tua casa"
3. O desenvolvimento dos GPs ao longo da história
A partir do ano 312, a igreja começou a perder o equilíbrio entre as reuniões de
celebração no templo e nas casas. No ano de 1517, Martinho Lutero deu início à Reforma
Protestante e transformou a teologia sem, contudo, mudar a estrutura da igreja. Diversos
movimentos seguiram a partir daí: os anabatistas, os valdenses, os calvinistas e os
reformados da Suíça.
Posteriormente, surgiram os puritanos. Felipe Jacob Spener (1635-1705),
considerado pai deste movimento, se considerava apto a continuar a Reforma de Lutero,
passando a fazer pregações e reunindo os collegia pietatis, minúsculos grupos de pessoas
que se propunham a estudar e debater a Bíblia.
No ano de 1738, João Wesley, pai do metodismo, inspirado no Movimento Morávio
em sua experiência no Clube Santo, em Oxford, deu início a reuniões de grupos
pequenos, denominados classes e sociedades, em que os crentes oravam, estudavam a
Bíblia e encorajavam-se mutuamente.
Wesley se preocupava com os desdobramentos da vida cristã das pessoas que
aceitavam a Jesus por meio de suas pregações ao ar livre e queria dar-lhes condições de
aprofundar a experiência com Deus. De início, eles já deveriam manifestar a profundidade
96
de sua conversão (os demais integrantes do grupo deviam ter certeza da sinceridade do
novo membro antes de admiti-lo).
Essa pessoa era imediatamente encaminhada a uma classe. Wesley organizava grupos
de 12 pessoas, tendo um líder leigo. Diversas "classes" formavam uma "sociedade" numa
cidade ou local de reunião. Ao final do século XVIII, os historiadores registram mais de 10
mil grupos e 80.000 membros nas sociedades organizadas como "classes"
(HENDERSON, 2012. Páginas 87-98).
Já no século XX, há a retomada da igreja em GPs, a partir do chamado "movimento
celular moderno". O pai do movimento de células moderno é o Pastor David Yonggi Cho.
Esse movimento nasceu em 1964, em Seul, Coreia, com 20 células, onde chamamos de
Grupos Pequenos.
Assim, fazemos parte então do modelo de Deus para a igreja do Novo Testamento,
cujo resultado se vê no decorrer da história. Somos chamados a viver e ser testemunhas
deste mover de Deus, a partir da organização da nossa igreja em GPs nestes dias da
história da igreja. Hoje, à semelhança da igreja cristã primitiva, retomamos a ênfase total
aos cultos celebrativos e às reuniões nos lares e em outros locais.
Hoje, em todo Brasil, as Igrejas Metodistas estão envolvidas no discipulado com
Grupos Pequenos, seguindo o mandato de Jesus e a tradição metodista para ganhar vidas
evangelizando e cuidando de forma responsável (cf.: Expositor Cristão – Setembro de
2014).
4. Igreja com Grupos Pequenos
Em uma igreja com GP´S, tudo aquilo que a igreja precisa fazer é retomar a visão
de crescimento do Reino, a partir dos ensinamentos de Jesus, que passavam por:
treinamento, preparo, discipulado, evangelismo, oração, adoração. Tudo isso Jesus
realizou a partir do seu grupo pequeno de 12 discípulos.
A Igreja Metodista se organiza em Dons e Ministérios que possibilitam o serviço
missionário da Igreja (Cânones 2017, páginas 79,80). A existência de Grupos Pequenos
não substitui os ministérios da Igreja local, nem os ministérios podem suprimir os GPs.
Mas juntos possibilitam a realização do propósito da Igreja de “promover o discipulado na
perspectiva da salvação, santificação e serviço” (CARTA PASTORAL DO COLÉGIO
EPISCOPAL BIÊNIO 2012-2013).
97
O mover de Deus diz: "ide", mas nossos prédios dizem "fiquem". O mover de Deus
diz para "buscarmos os perdidos", mas os prédios dizem: "deixe que eles venham até
nós". Fomos criados em uma cultura que tem o templo como o local em que encontramos
a Deus, ou seja, o estar na "igreja" é o mais importante. Com os GPs tudo é muito
diferente, pois precisamos aprender que nós somos o templo de Deus (I Coríntios 3.16).
A respeito do discipulado em Grupos Pequenos, Igreja Metodista declara no XX
Concílio Geral:
“Que acreditamos ser o discipulado nosso estilo de vida em que Cristo é o
modelo, ou seja, “caminho, verdade e vida” à luz dos valores da fé cristã e na
perspectiva do Reino de Deus; método de pastoreio no qual o pastor e a pastora
dedicam maior atenção aos grupos pequenos e promovem dessa forma,
relacionamentos mais fraternos e pastoreio mútuo; e estratégia para o
cumprimento da missão visando a evangelização e o crescimento” (Cânones da
Igreja Metodista 2017, página 234.).
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Nesta nova proposta, cada SUPERVISOR/A DE ÁREA passa a ser responsável
pelo funcionamento dos GPs a cada um/a delegado/a, estando ao lado dos pastores e
pastoras que os supervisiona e mentora e com presença representativa na CLAM
(Coordenação Local de Ação Missionária). Veja, no organograma, a seguir:
5. O que não é Grupo Pequeno?
Para explicarmos o que é um GP, primeiramente precisamos dizer o que não é GP.
Um GP não é:
 Grupo de Oração
 Grupo de Estudo Bíblico
 Grupo de comunhão entre crentes ou Grupo de Crescimento
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 Grupo de cura interior e de apoio
 Ponto de Pregação
A diferenciação entre o que não é um GP e os exemplos citados acima não
desmerece nenhuma destas coisas, mas apenas pontua o formato dos Grupos Pequenos
em relação a outras atividades da Igreja local.
6. O que é Grupo Pequeno?
O GP é a igreja que se reúne no templo para os cultos e demais atividades, e
durante a semana nas casas (e outros lugares), com o objetivo de evangelizar,
confraternizar, edificar e servir. Isso evidencia a natureza do GP que é
RELACIONAMENTO, ESTILO DE VIDA! Os grupos se reúnem nos lares, empresas ou no
trabalho, gerando vidas e desempenhando um papel de grande importância para cumprir a
missão do grande comissionamento de Jesus em Mateus 28.18-20.
É importante frisar, mais uma vez, neste contexto, que o GP é uma estratégia eficaz
de evangelização, de discipulado e de pastoreio e não um sistema de governo de igreja.
No GP, as pessoas são cuidadas, mentoreadas e discipuladas por líderes formados pelo
Centro de Treinamento Ministerial da Igreja Metodista em Cataguases (CTM).
Na definição de Mikel Newmann, o GP "é um grupo de cinco a quinze pessoas que
se reúnem regularmente para cumprir os mandamentos das Escrituras de amar uns aos
outros, estando ao mesmo tempo integralmente ligados a uma igreja local e com olhar
voltado para o mundo" (NEUMANN, 1993). Observem a ênfase dessa definição
“...estando ao mesmo tempo INTEGRALMENTE ligados a uma igreja local...”
mostrando que nenhum GP tem vida fora da comunhão com uma igreja.
Quando falamos em GPs, é fundamental considerar:
 O GP busca ser uma comunidade e para isso, precisamos entender que ele se
define para além de uma reunião semanal. Quando nossa percepção do GP é
limitada a reunião semanal, então não participamos, de fato, de uma comunidade. A
vida em comunidade existe de fato quando acontece para além dos cultos e das
reuniões, no dia-a-dia dos nossos relacionamentos.
 O relacionamento é mais importante que a reunião. É no relacionamento que
crescemos como servos, aprendemos a viver a vida cristã, somos supridos e
também suprimos os outros em amor.
100
 O GP visa à edificação dos crentes, com o foco no evangelismo e na multiplicação,
a partir do fundamento da edificação de seus discípulos e discípulas. Todo o
projeto final de edificação do GP visa à multiplicação. Crentes comprometidos são
crentes frutíferos.
 O GP acontece num lugar definido para a reunião, criando um senso de identidade,
constância e segurança. É impossível produzir um ambiente familiar se nos
reunirmos a cada semana em uma casa diferente. Por isso, não basta ter um lugar
de reunião, é preciso que o grupo se reúna numa base regular.
Também devemos levar em conta o seguinte:
 OS GPs não sobrevivem quando as funções substituem Jesus. Somente quando
Jesus é o centro é que o GP alcança todo o seu potencial e podemos dizer que ele
está bem ajustado à igreja, corpo vivo de Cristo.
 O GP permite que a igreja aumente sua influência e sua presença na sociedade,
por estar mais próximo das pessoas, de suas casas, de suas atividades peculiares.
 É preciso tornar a enfatizar: o alvo do GP é a multiplicação. A multiplicação deve
ser uma grande motivação de todos os discípulos e discípulas do grupo.
A IGREJA METODISTA EM CATAGUASES, UMA IGREJA COM GPS SERÁ
REPRESENTADA PELOS QUATRO C’S:
 CRESCIMENTO: A prioridade é gerar filhos/as para Deus; o mais importante é que
cada membro do GP se comprometa a conquistar vidas para Cristo. Cada crente
assuma o ministério de buscar novos discípulos e discípulas.
Principal foco: Testemunho, Evangelismo, EMpacto e Integração nos GPs.
 CUIDADO: O propósito é ajudar as pessoas a crescerem na sua fé e em seu
relacionamento com Deus e a experimentarem uma vida transformada e frutífera.
Principal foco: Discipulado, Edificação, Integração na igreja, Trilho de Formação:
INICIE/INSPIRE e Batismo.
101
 COMUNHÃO: O projeto é edificar uma igreja viva, renovada e acolhedora; é
encorajar as pessoas a viverem em união e a perseverarem na comunhão da igreja
e do GP.
Principal foco: Comunidade, Relacionamento, Família e Amor.
 CELEBRAÇÃO: A firme intenção é multiplicar os GPs a cada ano, capacitando as
pessoas a servirem a Deus e a compartilharem sua fé em Cristo aqui e por todo o
mundo. Marca o começo de novos GPs e novos líderes se levantam.
Principal foco: Festa da Multiplicação, CTM, Capacitação e Compromisso.
7. Para que Grupos Pequenos?
Os GPs conduzem as pessoas a um comprometimento real com o Senhor Jesus
Cristo e de uns para com os outros. Esta estratégia leva à consolidação e permanência
dos crentes na Igreja e promove um crescimento espiritual nos novos membros, bem
como um crescimento numérico sustentável, evitando a evasão, fechando a "porta dos
fundos", para que as pessoas conheçam a Deus e tenham intimidade com ele.
A comunhão fortalece o Corpo de Cristo e traz a unidade do Espírito, conforme
vemos no livro de Atos e de Efésios. Esta comunhão tem motivo duplo: ajudar e ser
ajudado, edificar e ser edificado. No grupo há crescimento espiritual, aprendizado prático e
comunhão em amor. A expressão "uns aos outros", no Novo Testamento (Romanos 12.10;
I Pedro 1.22; I João 3.23), refere-se a mandamentos, a aprofundamento de
relacionamentos entre irmãos. Isso se torna possível quando a família da fé se aproxima e
caminha em comunhão, como os crentes da Igreja Primitiva.
À medida que a Igreja cresce numericamente, Deus abençoa o seu Corpo com os
diferentes dons, utilizando-os na sua edificação (Efésios 4.11-14). Por meio dos GPs,
todos poderão exercer seus dons e os relacionamentos vão se estreitando, criando um
clima de apoio e ajuda mútua. O impacto da igreja grande e cheia do Espírito Santo
impressiona, mas o cuidado pastoral se tornará muito mais eficaz no relacionamento
desenvolvido nos grupos pequenos. Queremos que cada membro seja pastoreado,
cuidado e amparado e isso pode se materializar nos GPs.
102
Assim, os GPs tem a finalidade de:
 Desenvolver o espírito comunitário, nutrindo seus membros, capacitando-os a
serem testemunhas do evangelho e do poder de Deus;
 Facilitar a proximidade de seus participantes, ajudando-se mutuamente,
praticando o amor e o serviço, aprendendo a orar, perdoar, amar o próximo,
compartilhar a fé, suas necessidades, enxergar as necessidades do próximo e
exercitar os dons espirituais;
 Possibilitar que os seus membros sejam levados ao treinamento de liderança,
multiplicando os GPs, no mínimo, ano a ano, na grande corrida da Celebração;
 Proporcionar a visão de ministério para o serviço, assim como o evangelismo e
o discipulado.
8. Frutos bíblicos alcançados no dia-a-dia dos Grupos Pequenos
Os GPs, via de regra, têm o objetivo de ganhar almas. Por isso, os frutos
destacados abaixo, devem marcar o crescimento de um recém convertido.
 COMUNHÃO - Desenvolvimento de vida compartilhada, alvos comuns e aliança
mútua. Isso significa fomentar o amor de uns pelos outros.
É curioso que a Bíblia fala muito mais de comunhão na igreja do que de
evangelismo. Talvez a melhor estratégia de evangelismo seja a verdadeira e genuína
comunhão entre os irmãos. Jesus disse que o mundo nos reconheceria como seus
discípulos se nos amássemos uns aos outros. É na comunhão que testemunhamos esse
amor. Basta que os membros estejam devidamente ligados pelo auxílio "de toda junta,
segundo a justa cooperação de cada parte" (Efésios 4.16).
Precisamos ser cuidadosos para que a nossa comunhão não se transforme em
clube social e, assim, sermos distraídos por outras coisas. Tudo isso foi dito para mostrar
o quanto são importantes os vínculos de comunhão na Igreja. Por isso, cada líder deve
priorizar a comunhão do seu grupo. Num GP não há lugar para ninguém sem vínculo.
 ALIMENTO - Todo novo convertido necessita de uma "dieta equilibrada". Se não for
alimentado nesta fase inicial da vida espiritual, poderá tomar-se um crente
problemático, se não morrer antes, de "inanição". No GP, eles são alimentados com
palavras de fé, de encorajamento e de ânimo.
103
 PROTEÇÃO - Além de alimento, o recém-nascido precisa de proteção. A
rotatividade na igreja pode ser fruto de falta de cuidado e proteção. O lobo entra e
leva a ovelha se não houver pastores guardando o rebanho. Até que o novo
convertido aprenda a caminhar sozinho, é fundamental a proteção de um pai/mãe
espiritual.
 ENSINO - Aqui o termo ensino não se refere simplesmente ao aprendizado de
doutrinas, mas à aquisição de hábitos espirituais. O ensino aponta para a conduta e
as atitudes que devem ser desenvolvidas no novo crente. Se quando criança o
crente não foi ensinando a ser dizimista, por exemplo, vai ser difícil mudá-lo depois
de adulto na fé. No GP a criança espiritual recebe o ensino.
 DISCIPLINA - Todo novo convertido deve ser alimentado, protegido, ensinado e
também corrigido, quando sair do padrão da Palavra. O GP é o ambiente propício
para ser corrigido em amor sempre em consonância com a Palavra de Deus.
 AMOR - A criança na fé precisa ser amada. Quase todos vêm para a vida da igreja
com suas emoções destruídas. Entretanto, o amor paciente, que deve ser marca no
GP, restaura a alma. Uma criança só recebe amor e suprimento adequado em um
ambiente familiar. E a proposta dos GPs é justamente ser uma família vinculada
pelo amor. Neste ambiente familiar nossos filhos e filhas serão supridos e nenhum
se extraviará.
 SERVIÇO - Cada crente é um ministro e cada um recebeu um dom. No GP, os
dons são exercitados para o serviço mútuo e de modo que ninguém deixe de
trabalhar.
Muita gente pensa que servir a Deus resume-se em realizar as atividades
espirituais na igreja como cantar, orar e pregar. Poucos percebem que servimos a Deus
quando exercitamos nossos dons e conhecimentos para ajudar e edificar as pessoas. São
tantas as possibilidades de ajuda mútua e serviço que não poderíamos enumerá-las aqui.
Jesus disse que seríamos conhecidos como seus discípulos se nos amássemos
uns aos outros. Não existe melhor forma de expressar esse amor do que servindo os
nossos irmãos.
Quando um GP atinge estes frutos na vida de um convertido, ele se concretiza na
promessa de Jesus para o mundo: O Reino de Deus é chegado, está próximo.
104
9. A reunião no Grupo Pequeno
A reunião do GP deve ser organizada de forma clara e simples facilitando o
trabalho, por isso é importante seguir a orientação do Ministério Regional de Discipulado,
que após avaliar a experiência de vários grupos pequenos apresenta o seguinte modelo
(Manual Regional de Discipulado e Células):
1º Momento - QUEBRA-GELO
É um momento estratégico, usado para iniciar a reunião, com a finalidade de
aproximar as pessoas, principalmente, quando o grupo é novo e as pessoas não se
conhecem. No GP sempre é esperado que sempre haja a presença de novas pessoas e,
neste sentido, o quebra-gelo lhes proporcionará um ambiente informal e acolhedor.
Informações importantes:
 Quebra-Gelo não é um jogo;
 É uma atividade que ajuda a pessoa a tirar a atenção de si mesma para se sentir à
vontade com os outros;
 Ele concentra todos os participantes do GP em um assunto central;
 Como o nome sugere, essa atividade quebra a hesitação inicial que cada pessoa
tem para falar abertamente;
 É preciso cuidado para não expor detalhes da intimidade de alguém.
Nem sempre um quebra-gelo tem um objetivo proposto, mas serve como um
elemento agregador.
2º Momento - LOUVOR E ADORAÇÃO
As pessoas agora movem o foco para o Senhor. São despertadas para a realidade
da presença de Deus no meio do GP.
Dicas:
 Escolha cânticos conhecidos e fáceis;
 Providencie letra dos cânticos para ajudar as pessoas que não conhecem os
mesmos de cor (se necessário);
 Não fique pregando e falando entre os cânticos. Haverá hora adequada para isso.
105
 O/A líder precisa ter comunhão com Deus para que este momento realmente flua
no GP. Integrantes do grupo devem ser incentivados a dirigir este momento nos
GPs, previamente convidados para reuniões subsequentes.
3º Momento - EDIFICAÇÃO/ESTUDO DA PALAVRA
O foco agora se move para as necessidades das pessoas presentes. A Bíblia é a
Palavra de Deus que purificará, converterá e alimentará os corações do GP. Lembre-se de
que o líder é um facilitador e não um professor.
Numa reunião de GP, o alvo não é fazer uma pregação, mas destacar as verdades
simples da Bíblia, ou seja, a prática destas verdades, a aplicação na vida destes
ensinamentos.
Dicas de (para) um bom estudo:
 Relaciona o tema com as situações que estão acontecendo na vida das pessoas do
grupo, sem, contudo, citar seus nomes diretamente (isso pode acontecer,
dependendo da intimidade e comunhão existentes e, desde o conhecimento próprio
do/a integrante);
 Transmite ânimo, estímulo ou desafio;
 Ministra aos corações diante de alguma necessidade;
 Proporciona apoio espiritual e emocional a cada membro;
 O bom tema focaliza-se na vida, não nos conhecimentos.
 Proporciona o compartilhar de experiências. O objetivo não é fazer uma preleção,
ou a apresentação de uma lição, mas ajudar o grupo a compartilhar e vivenciar
novas experiências com Deus e o próximo;
 O ambiente deve ser aconchegante, de modo que todas as pessoas estejam
satisfatoriamente confortáveis para ministração. Cadeiras em círculos, por exemplo,
ajuda;
 Estimule o grupo com perguntas, para ver se os mesmos conseguiram reter os
princípios ensinados;
 Faça a pergunta: "Desta nossa experiência com a Palavra, o que você vai poder
aplicar em sua vida?"
106
4º Momento - COMPARTILHAMENTO
Este momento dá a oportunidade para os membros testemunharem as bênçãos
recebidas durante a semana anterior, ou compartilhar problemas que estejam enfrentando;
também podem fazer pedidos específicos de oração.
É como se fosse um "link" (ligação) entre a lição ministrada na reunião passada e
sua aplicação prática na vida das pessoas.
O líder deve lembrar e direcionar o grupo sobre o tempo de compartilhamento, para
que todos tenham oportunidade de expor sua opinião e experiências sem perder o foco da
palavra ministrada.
5º Momento - DESAFIOS PRÁTICOS E AVISOS
 O/A líder desafia o grupo a colocar em prática o que os membros aprenderam
naquele dia e dá os avisos necessários.
 É hora também de estabelecer ou relembrar os alvos e metas para a vida pessoal
de cada um e para o GP.
 Nesse momento é compartilhado entre os participantes OS CARTÕES TAREFAS.
 É hora também de linkar o grupo com a Igreja como um todo, motivando-os a
participarem das atividades, reuniões comunitárias, cultos, Escola Dominical,
ensaios, encontros, utilizando e distribuindo o Boletim Informativo da Igreja Local.
.
6º Momento - LANCHE E COMUNHÃO
Momento de descontração e de oportunidade para que as pessoas possam
conversar e se conhecer um pouco mais. Poderá acontecer no início ou no fim da reunião.
Vai depender muito do horário do encontro. Estudantes que se encontram, por exemplo,
ao sair da faculdade, estão com fome e, por isso, o lanche deve ser servido no começo da
reunião. Em grupos recém-formados colocar o lanche no começo também é
recomendado, para criar um ambiente confortável e informal.
Outras considerações:
A reunião tem tempo, dia, hora e local definidos. É realizada durante a semana,
considerando-se os seguintes aspectos:
 É na reunião que se colhe o que foi planejado previamente;
107
 A reunião de GP deve acontecer num ambiente de confiança, proporcionando o
envolvimento e participação de todos;
 Deve seguir todas as etapas propostas: Quebra-Gelo, Louvor, Oração, Ministração
da Palavra, Compartilhamento, Desafios e Lanche;
 A duração máxima da reunião é de duas horas, incluindo o lanche. Isso dá
liberdade para quem precisa sair e previsibilidade de horário para quem tem outros
compromissos;
 Evite cancelar reunião ou mesmo mudar seu local e horário;
 É importante que o Líder verifique datas comemorativas e feriados para que não
prejudique o funcionamento semanal do GP;
 Procure manter um ritmo constante. Isso gera confiabilidade para os novatos.
Distribuição do tempo em uma reunião de GP
108
10. A estrutura do Grupo Pequeno
Conforme orienta o Ministério Regional de Discipulado da 4ª Região da Igreja
Metodista, os Grupos Pequenos têm um formato básico composto por: líder, líder em
treinamento, anfitrião, membro da célula (Grupo Pequeno), visitante e consolidador (cf.:
Manual Regional de Discipulado e Células).
 Líder
É um dos ministérios fundamentais na vida de uma igreja em grupos pequenos,
pois é quem está verdadeiramente na linha de frente. É ele quem dá atenção
personalizada aos membros de seu GP, quem dirige as reuniões; é também quem exerce,
no GP, os princípios bíblicos de mentoria.
Os líderes dos GPs mentoriam seus membros: oram pelo grupo, visitam e nutrem
os membros do GP, bem como são os responsáveis por acolher no grupo os visitantes,
conduzindo-os à comunhão em Cristo, no GP e na igreja.
Sua responsabilidade principal é gerar novos líderes: perceber a potencialidade das
pessoas, envolvendo-as no dia-a-dia do GP, acompanhando-as e treinando-as para
transformá-las em novos líderes.
109
Para ser um líder de GP, os requisitos são mínimos e todo cristão pode alcançá-los
com facilidade. São eles:
1) Participar ativamente de um GP;
2) Ser nascido de novo;
3) Ser batizado e membro da igreja (implica estar comprometido com ela);
4) Ter bom testemunho;
5) Ser capacitado pelo CTM;
6) Também precisa ser: facilitador, amigo, modelo e cuidador de vidas.
7) Responsabilidade principal do líder é: Desenvolver dons espirituais dos membros
do GP e Gerar novos Líderes.
 Líder em treinamento
Entendemos, a partir da palavra de Jesus em Lucas 6.40, que ninguém se torna um
líder/mestre de fato sem que transmita o que sabe a um discípulo/a. A partir deste
princípio bíblico é que entendemos ser importante formar dentro dos GPs novos líderes.
Assim, o líder em treinamento é a pessoa que se tornará líder de um novo GP, a
partir da multiplicação no percurso do Grande Prêmio da Celebração. Essa nova liderança
surgirá sempre dentro de um GP, sob o discipulado do seu líder. No processo de
treinamento deverão ser-lhe delegadas todas as tarefas de direção na vida do GP, bem
como ele estará em formação no CTM. No caso da ausência do líder é o líder em
treinamento quem irá substituí-lo.
No contexto do princípio de liderança como processo de aprendizado, todos os
membros de um GP estão aptos a serem líderes, ainda que as aparências ou
circunstâncias atuais se mostrem inadequadas.
 Anfitrião
É a pessoa que abre as portas da sua casa, empresa ou local de sua
responsabilidade para as reuniões, além de ser um fiel colaborador do líder, no sentido de
ganhar seus familiares e amigos para trazê-los ao GP.
Deverá primar por desenvolver um bom relacionamento com os membros do GP,
sendo responsável por receber e dar-lhes as boas-vindas, sempre se preocupando em
criar um ambiente agradável e acolhedor.
110
 Secretário/a
Acompanhar atividades do grupo e datas importantes como aniversários e outras,
fazer escala utilizando OS CARTÕES TAREFAS, auxiliar o/a líder no acompanhamento
das pessoas, principalmente quando faltam. Deverá estar sempre atento às necessidades
do GP.
 Membros
São os integrantes do GP, sendo membros da igreja, convertidos e visitantes sob o
cuidado do/a líder. Os membros são os braços extensivos do GP para atrair novos
convidados.
11. A influência dos/das supervisores/ras como discipuladores/as
dos/das líderes de Grupos Pequenos
Não devemos impor ou exigir autoridade, mas ela deve ser exercida como fruto de
um processo de disciplina bem estruturado. O/a supervisor/a discipulador/A e líder
ensinam com o exemplo. Quando crescem as virtudes cristãs nestes, cresce a autoridade
bíblica em suas vidas. Vejamos mais de perto quem são e o que cabe aos supervisores e
às supervisoras de GPs.
a) Supervisores de GP´S
Um/a supervisor/a é líder de uma rede formada por vários GPs, conforme a
organização, afinidades, o crescimento e a geografia que abrange a vida da igreja.
O/A Supervisor/a de GP´S é aquele/a que é ou já foi um/a líder bem-sucedido de
GP, que já tenha multiplicado seu grupo e que, agora, passa a acompanhar como
supervisor/a essa rede de GPs.
O/A Supervisor/a reúne-se com seu GD (Grupo de discipulado), para desenvolver
um acompanhamento com seus líderes e também ajudar na administração dos GPs do
seu setor. É também responsável por visitar constantemente os GPs do seu setor e por
acompanhar e dar suporte às suas lideranças. O/A supervisor/a deve manter uma estreita
relação com cada líder, como também com o seu pastor (seu superior imediato).
Outros encargos do Supervisor de GP:
 Deve ser muito cuidadoso, examinando a vitalidade dos GPs do seu setor. Deve se
preocupar sempre em guardar e manter a visão de uma igreja com grupos
pequenos;
111
 Deve se empenhar em realizar reuniões periódicas diversificadas, desafiadoras e
cheias do Espírito Santo com os seus líderes;
 Deve cuidar permanentemente do estado físico, espiritual e material dos líderes;
 Deve ter uma dedicação cuidadosa, visando o crescimento do setor;
 Deve manter seus líderes sempre bem orientados sobre o avanço dos GP´S. Faz
parte do seu processo de discipulado com seus líderes, uma vez que estes devem
ser futuros discipuladores;
 Deve ajudar os líderes do seu setor na solução de seus problemas e necessidades,
por mais simples que pareçam.
b) O Alvo do/a Supervisor/a:
O/A supervisor/a deve auxiliar no momento da multiplicação, ser capaz de
identificar e desenvolver o potencial de cada líder dos seus GPs para que estes
identifiquem e desenvolvam líderes em seus GPs. Ou seja, deve seguir o princípio de
Jesus, colocado em Lucas 6.40.
12. O lugar do ministério pastoral numa igreja com Grupos Pequenos
O pastor titular é o Coordenador Geral dos Grupos Pequenos, delegando aos
pastores coadjutores tarefas específicas.
O trabalho dos pastores quanto aos Grupos Pequenos, sob a dependência e
direção de Deus, é treinar os líderes, manter o cuidado com todo o rebanho, dar
sustentação à visão da Igreja com Grupos Pequenos e pastorear líderes e
supervisores/as. Se a liderança perde a visão ou a deixa sem foco, o povo se perde
(Mateus 9.36).
Os pastores ainda:
 Alimentam a visão e fortalecem os princípios do modelo da igreja com GPs,
ensinando e respondendo às diversas necessidades e anseios da igreja;
 Estabelecem metas a serem alcançadas pelos GP´S;
 Reúnem-se periodicamente com cada supervisor de GP para examinar o
desenvolvimento do trabalho nos GPs.
É preciso manter a maior aproximação possível dos líderes dos GPs com os
pastores, levando as necessidades dos membros do grupo para o cuidado pastoral. A
segunda ênfase estabelecida para o trabalho da Igreja Metodista é “revitalizar o carisma
dos ministérios clérigo e leigo nos vários aspectos da missão” (Plano Nacional Missionário
112
2017-2021, página 64), o que significa a valorização da liderança leiga e o fortalecimento
do ministério pastoral com ajuda mútua entre ambos.
13. Os estágios da vida no Grupo Pequeno
Cinco etapas são bem definidas na vida de um GP até a sua multiplicação:
a) Estágio da descoberta - Lua-de-mel
Por comparação, um GP é como uma célula humana, que é um componente
singular, diferenciado no corpo, como o GP o é na vida da igreja. No corpo, uma célula se
parece com uma bolha de protoplasma. As partes individualizadas são quase
indistinguíveis. Grupos pequenos seguem um padrão parecido. Inicialmente, os membros
ficam olhando um para o outro e o primeiro estágio do GP é destinado a que os membros
possam se conhecer uns aos outros.
Neste estágio devemos destacar e valorizar a amizade e os interesses em comum.
b) Estágio da transição - vem os conflitos
Como na célula humana os cromossomos se dispõem lado a lado, mas de forma
desorganizada, nos GPs os membros fazem o mesmo, expondo suas "máscaras" do dia-
a-dia. Aqui as pessoas se veem como realmente são; isso dura cerca de um mês. Pode
ser que alguém fale demais, sendo insensível ao extremo; outro busque ser sempre o
centro das atenções; outro ainda mantenha-se inibido, fechado em si mesmo. Aí serão
necessários alguns ajustes e, como resultado, as pessoas aprenderão a confiar umas nas
outras a ponto de deixarem de lado suas diferenças.
c) Estágio da comunidade
Em uma célula humana os cromossomos que antes flutuavam livremente, de
repente começam a formar uma linha no meio da célula. No GP, os membros passam a se
conhecer mais, aumentando sua expressão de comunhão. Isso produzirá enriquecimento,
ao passo que também poderá gerar algum perigo. Podem querer "fechar o grupo",
preferindo não se importar com a chegada de outros. Isso não deve acontecer nunca.
d) Estágio do ministério
Os filamentos de cromossomos começam a alinhar-se em posições Leste-Oeste,
preparando-se para o lançamento e fazendo uma reprodução exata de si mesmos. No GP,
esta é a hora para desenvolvermos o potencial de cada membro. É hora de distribuir
tarefas e focar no evangelismo e na consolidação de novos membros.
113
O líder deve acompanhar bem de perto o líder em treinamento para que sua
liderança cresça a cada dia.
e) Estágio da partida
Enquanto a célula se prepara para dar à luz uma célula idêntica, os cromossomos
se separam e se dividem - multiplicam-se. Em um GP, líderes novos são levantados e
treinados para liderar outro GP, enquanto novos membros se juntam ao grupo. Quando o
grupo se torna grande suficientemente, ocorre a multiplicação.
14. Por que a multiplicação do GP é necessária?
“Quando John Wesley morreu em 1791, ele deixou uma igreja com 10.000 Gps e
100.000 membros. Esses GPs foram tão importantes para a Igreja Metodista, que uma
pessoa não podia participar do culto de celebração se não mostrasse um bilhete
comprovando que esteve no GP durante a semana. Deus transformou pessoas por meio
da estrutura de GPs, bandas e celebração de Wesley. Muitos acreditam que Deus usou
Wesley e o movimento metodista para salvar a Inglaterra da destruição espiritual, moral e
até mesmo física.
No entanto, a ênfase no GP e celebração se extinguiu 100 anos após a morte de
Wesley. Por quê? Alunos de doutorado exploraram essa questão e chegaram à conclusão
de que o principal motivo da extinção da estrutura de GPs metodista foi permitir que eles
ficassem muito grandes. Em vez de manter o tamanho que permitisse intimidade, de
aproximadamente dez pessoas, os GPs cresceram para 30, 40 pessoas ou mais e
acabaram se tornando igrejas metodistas. A estratégia de GP/celebração desapareceu
porque os GPs cresceram demais.
A transformação acontece numa atmosfera de grupo pequeno. Mesmo pessoas
tímidas podem compartilhar num grupo de 3 a 15 pessoas. Quando os grupos ficam
maiores, somente os extrovertidos são seguros o suficiente para se expressarem. Ao
mesmo tempo, GPs devem evangelizar e alcançar incrédulos e pessoas que não
pertencem a uma igreja. Como então um GP pode crescer mantendo ao mesmo tempo a
intimidade? A única maneira é por meio da multiplicação.
Os GPs devem se multiplicar para se manterem fiéis à missão de intimidade e
crescimento por meio do evangelismo. Quando você pensa em multiplicação, os
pensamentos que vêm à sua mente são positivos ou negativos? Por que você considera
importante que o GP se multiplique? (adaptado de texto do Pr. Joel Comiskey -
International Cell Church Forum).
114
15. A importância das metas para a liderança de Grupos Pequenos
Sonhar é preciso! Sem sonhos começamos a morrer ou vivemos para cumprir os
sonhos de outrem. No entanto, nos GPs, muitos sonham alto, mas não têm a mínima
noção de como chegar ao sonho proposto no coração.
Deus sonhou em resgatar a humanidade e elaborou um plano para concretizar esse
sonho maravilhoso. Com certeza, Deus pensou na maravilhosa bênção de voltar a ter o
ser humano restaurado ao seu estado original, uma vez que o pecado o tenha tornado
num ser maldoso e distante do seu Criador.
O ponto chave para a realização de um ministério bem-sucedido passa
necessariamente pela obtenção de uma visão clara e divina daquilo que queremos, pela
encarnação dessa visão, tornando-a missão de vida, e pelo estabelecimento de metas
para aperfeiçoar esta visão para não se perder na caminhada ministerial.
Todo líder precisa saber que a visão é o fundamento de toda tarefa em liderança. A
visão exige ação e dedicação. Chamamos isso de missão. Contudo, sua visão de
ministério não será realizada a não ser por meio de um ousado conjunto de metas.
a) Vantagens de se ter metas:
Uma pesquisa entre igrejas em grupos pequenos ou células demonstrou ser muito
mais provável para o líder que tem uma data estabelecida multiplicar seu grupo e alcançar
seu objetivo do que aquele que não tem essa meta.
 As metas nos desafiam ao crescimento! Ninguém sobrevive e se desenvolve sem
desafios novos e interessantes. Desde a infância somos movidos por desafios:
aprender a falar, andar, escrever, etc... Na vida temos de estabelecer metas para
alcançarmos nossos sonhos. Caso contrário, nossos sonhos acabarão se tornando
pesadelos. Os sonhos não se realizam sem trabalho e esforço. Todo esforço e
trabalho sem etapas mensuráveis não produzem os efeitos desejáveis. As metas
podem produzir uma atmosfera propícia para suportarmos a espera de uma
conquista.
 A realização de metas nos consolida como líderes (I Samuel 15.22): Saul não foi
consolidado como um rei vitorioso porque vacilou na hora de cumprir as metas
estabelecidas por Deus, dadas por meio seu líder espiritual que era Samuel. Cada
pessoa que deseja tornar-se um líder de Deus deve cumprir suas metas na igreja.
Na vida, de um modo em geral, só conseguimos êxito quando alcançamos nossos
alvos. Cada área da nossa vida tem de ser consolidada por metas alcançadas.
115
Ouça o seu líder e seja fiel a ele. Não seja como Saul, que ignorou Samuel e fez as
coisas do seu jeito.
 As metas dão objetividade ao ministério: Um ministro não pode perder tempo com
coisas supérfluas, nem tampouco perder tempo realizando aquilo que, embora seja
bom, não faça parte da sua visão de ministério. Há muita coisa boa desenvolvida no
mundo cristão, mas nem todas têm relação com visão ministerial em questão. A
visão correta não é fazer tudo aquilo que é bom, mas aquilo que Deus preparou
para o ministério. Nesse caso as metas nos ajudam muito porque elas nos tiram do
ativismo e nos colocam nos trilhos da visão de Deus para nós.
Jesus realizou seu ministério baseado numa visão clara revelada nos profetas.
Encarnou sua missão de forma radical, com o estabelecimento de metas. Em Marcos
1.38, Jesus, que já havia curado muita gente no dia anterior, se recusa a ter sua agenda
imposta pelo povo ou pelas circunstâncias daquele momento. A multidão queria que Jesus
continuasse por ali para curar os demais enfermos daquelas cercanias que vinham até ele.
Mas ele disse: "Vamos às aldeias vizinhas, para que ali eu também pregue, porque para
isso vim." Isso deixa claro que o ministério cristão precisa de objetividade e não somente
de ser preenchido com muitas atividades, por melhor ou mais interessantes que sejam.
116
16. Princípios para o estabelecimento de metas:
Observe o acróstico META:
Mensuráveis - Se você não puder medir o resultado, como saberá se conseguiu ou não
atingir seu alvo? "Ter o máximo de membros possíveis no GP" não é uma meta, afinal,
quanto representa o máximo? Se você considerar isto como meta, qualquer valor que
atingir vai achar que este é o máximo... Temos mensurado o número entre 10 e 15
pessoas para que ocorra a multiplicação, desde que estejam consolidadas e haja um
novo líder preparado.
Específica - Mais uma vez, deixar o mais claro possível aonde se quer chegar nos ajuda
a descobrir o caminho e concentrar nossos esforços. Dizer "vou ter um carro" é bem
menos potente do que dizer "terei uma Ferrari". Cuidado, se definir uma meta como o
primeiro exemplo poderá receber um Gurgel (que já não é mais fabricado).
Temporal - Outra arma poderosa no estabelecimento de metas é o prazo para se atingi-
las. Não estabelecer um prazo não ajuda a nos organizarmos e geralmente se leva mais
tempo do que o necessário para se atingir a meta. Afinal, se não tivermos prazo teremos
a vida toda para tentarmos...
Atingível - A meta precisa ser algo tangível. Estabelecer que vou visitar marte até o meu
próximo aniversário certamente não me motivará buscar as formas de se realizar tal
sonho. Por outro lado, estabelecer uma meta que não seja desafiante também não
mobiliza esforços para atingi-la. A meta deve ter um significado pessoal. Algo que
realmente faça com que você levante da cama de manhã com "pique" para trilhar mais
uma etapa do caminho que te aproxima de sua realização. Devem ser criativas,
desafiadoras, porém alcançáveis. As metas devem ser estabelecidas de acordo com as
condições de cada igreja.
a) Perigos que devem ser evitados ao fixar metas:
 Idealismo: É fácil cair no inatingível sob o pretexto da fé em Deus. Se as metas
estabelecidas são exageradas, as pessoas ficam desanimadas e perdem o
entusiasmo no evangelismo.
 Temor: Cada meta é um desafio pelo seu tempo específico, se é alcançado ou não.
Por isso muitas pessoas temem o estabelecimento de metas.
 Competição: O propósito não é criar contenda nem competições entre líderes e
seus GPs.
117
b) Como alcançar as metas?
 Passo 1: Assuma as metas estabelecidas para o seu GP e comece a planejar
como irá alcançá-las.
 Passo 2: Delegue responsabilidades específicas a cada um dos membros do seu
GP e especifique o tempo para cumpri-las. Cada membro do GP deve ter uma meta
pessoal. É a maneira de comprometer todas as pessoas do grupo no esforço para
alcançá-la as metas.
 Passo 3: Verifique semanalmente o estado do seu GP. Certifique-se de que os
membros do mesmo estão trabalhando nas tarefas que lhes são dadas.
 Passo 4: Incentive os membros de seu GP a trazer novos convidados, como meta
para o crescimento. Líderes que incentivam seus membros a trazer convidados
dobram a capacidade de multiplicação do seu GP, ao contrário do líder que
menciona o tema só uma vez, de vez em quando ou nunca.
 Passo 5: Ore diariamente, colocando diante de Deus as metas e clamando para
que todas as coisas saiam bem a fim de alcançá-las. Incentive os membros de seu
grupo a se unirem em oração.
c) Papel dos Líderes para o cumprimento das metas
 Façam sempre menção às metas;
 Dirijam o GP em oração pelo alcance das metas;
 Mencionem as metas sempre, de tal modo que cada membro se aproprie da visão e
empregue o empenho devido para alcançá-las;
 Organizem o tempo de modo a alcançar as metas.
PARA REFLETIR
 Você sempre soube da importância de metas para a vida dos GPs e conhece as
metas da sua igreja como um todo?
 Você menciona semanalmente aos irmãos as metas pelas quais se está
batalhando?
 Você delega a responsabilidade sobre algumas ações do GP aos membros do
mesmo, de modo a movê-los em favor do grupo?
 Você tem orado pelo cumprimento das metas do seu GP?
118
17. Planejamento do Grupo Pequeno
O sonho de nosso Deus é que todos conheçam as Boas-Novas. Cremos que o
desejo do Senhor é que nos organizemos para multiplicar. Daí surge uma pergunta: Por
que alguns não conseguem se organizar e avançar? Percebemos que existem algumas
áreas que estão enfermas e precisam de cura. Existem algumas coisas que não fazemos
muito bem, mas outras não conseguimos sequer começar, quanto mais avançar.
Exemplo: Por que no trabalho eu consigo chegar às 7h da manhã, mas na reunião
do GP só chego atrasado? Existe uma lei que diz que se não chegar no horário no
trabalho serei punido, porém, como no GP, na Reunião do GD, no Culto de Celebração na
igreja eu não tenho punição, não honro o compromisso com a mesma intensidade. Isso
revela uma desorganização intencional, uma desordem nas prioridades e uma incoerência
entre o que se fala e o que se faz.
Se uma pessoa não consegue organizar pequenas coisas, também não consegue
organizar outras tantas que são tão importantes quanto chegar no horário, como ler um
livro até o final ou começar um curso de inglês e terminar. Jesus nos ensina em Lucas que
aquele que começa um projeto e não termina, está sujeito a sofrer gozações e chacotas. "
Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a
despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Para não suceder que, tendo
lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele dizendo:
Este homem começou a construir e não pôde acabar” (Lucas 14.28-30). Se não
organizarmos a visão, vamos multiplicar desorganizações e colheremos catástrofes.
O nosso Deus é organizado. Ele é o modelo de organização. Ele está
completamente organizado. Ele vê todas as coisas e nada escapa aos Seus olhos. "Os
olhos do SENHOR estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons" (Provérbios
15.3). Deus vê tudo e sabe quando eu estou sendo fiel ou infiel. Muitas vezes, o nosso
conceito de fidelidade não é o de Deus e o nosso conceito de organização não é o Dele.
"Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos
caminhos os meus caminhos, diz o Senhor" (Isaías 55.8).
a) Mas o que é planejamento?
Consiste em exercer uma função administrativa que determina antecipadamente
quais são os objetivos que devem ser atingidos e como se deve fazer para alcançá-los. É
uma criação de cenários que visamos acerca do futuro, nos quais estabelecemos quais
recursos utilizaremos para alcançar nossas metas, qual é nossa missão etc., ou seja, de
119
uma forma bem simples é "pensar antes de fazer". Planejamento é uma das
responsabilidades do Líder do GP.
b) Quais as vantagens de se planejar?
 Inúmeros são os benefícios da utilização do planejamento como ferramenta
estratégica na vida dos GPs, tais como:
 Utilização eficiente dos talentos dos membros do GP, potencializando a geração de
novos líderes;
 Mensuração de resultados;
 Direção para o cumprimento do propósito do GP, que é a multiplicação;
 Fixação no foco (metas específicas) sob a visão do todo.
c) Por que planejar?
Um dos grandes adoradores da Bíblia foi o Rei Davi. Davi era reconhecido por seu
temor e intimidade com o Senhor. Observando seu exemplo de vida, podemos encontrar
inúmeras definições para a adoração. Queremos destacar uma, em especial, no contexto
do planejamento na vida do GP. Disse Davi: "Engrandecei o SENHOR comigo, e todos, à
uma, lhe exaltemos o nome" (Salmo 34.3).
Deste cântico, conclui-se que, para Davi, tudo aquilo que cooperasse para o
engrandecimento e exaltação do Santo nome do Senhor poderia ser considerado um ato
de adoração.
Não considerando a afirmação deste cântico, muitas vezes atribuímos o ato de
adorar a disciplinas piedosas, ditas propriamente espirituais, ou a ações e reações que só
podemos manifestar em celebrações ou ministrações na Igreja. Isso é um grande engano!
Segundo Davi, tudo aquilo que fizermos com excelência, zelo, capricho e, sobretudo, que
cooperar para a exaltação do nome do nosso Pai é um ato de adoração.
Tempos mais tarde, o Apóstolo Paulo confirma-nos este estilo de vida na carta à
Igreja de Colossos: "Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor
e não para homens" (Colossenses 3.23). Podemos justificar a importância do
planejamento à luz de razões espirituais e práticas, como descrito a seguir:
120
 Razões Espirituais
Deus não abençoa a desorganização. Deus organizou as multidões para que os
milagres acontecessem. Organizou em grupos de 12 (Lucas 6.12) e em grupos de 100
(Lucas 15.3-7). Ele não abençoa na desorganização. Muita coisa você não conseguiu
porque não se organizou. Quem quiser ver milagres, prodígios e maravilhas, faça o que
Jesus ensina: organize-se. Havia uma multidão que estava ouvindo sua ministração e
Jesus disse: "dêem-lhes de comer". Os discípulos questionaram porque não tinham
dinheiro. Jesus mandou que todos se organizassem em grupos de 50 e 100, e aí veio o
milagre da multiplicação dos pães. Todos comeram, se fartaram e sobejaram doze cestos
cheios. Na desorganização não tem provisão, alimento, favorecimento..., só gente sem
senso de direção. Quando organizamos, o povo se alimenta e se farta, nunca falta.
 Razões Práticas
Uma ilustração muito atual deste contexto é a velocidade com que a tecnologia da
informação tem transformado nossos hábitos e cotidiano. Se voltarmos no tempo 10 anos
atrás, lembraremos a dificuldade (e a despesa) para se comunicar com familiares ou
pessoas queridas residentes em outros países. Atualmente, todos nós assumimos o hábito
de "teclar" gratuitamente com os mais distantes países e, se preferirmos, podemos pagar
centavos para falar com aqueles que nestes residem. Os conhecidos e tão difundidos
Facebook e Whatzapp revolucionaram a comunicação mundial e trouxeram a globalização
ao alcance de todos nós.
Assim também ocorre em relação à vida da Igreja e dos GPs. Quanto mais
organizados estivermos e estarmos preparados para oferecer às pessoas os bens
espirituais e humanos adequadamente, certamente, mais estaremos aptos a atrair
pessoas a Jesus Cristo, pela ação da igreja.
18. Quatro princípios de caráter fundamentais para o planejamento:
1º Princípio: Visão:
Ter visão significa enxergar além do óbvio. É como estar na prisão e enxergar as
estrelas ao invés das barras de ferro;
Implica também esforço e disciplina. Dá muito trabalho fazer planos para os
próximos meses ou ano. Nossa primeira reação é pensar que estes não se realizarão;
É preciso reconhecermos que a nossa visão deve ser a visão de Deus, para quem
"tudo é possível" (Mateus 19.26).
121
2º Princípio: Disciplina:
Peça-chave no desenvolvimento de qualquer área da nossa vida. Uma bela forma
de entender disciplina é: "Retardar a autossatisfação é um modo de programar o
sofrimento e os prazeres da vida, de forma a acentuar o prazer". Isso significa começar
encarando a dor, vivenciá-la e ultrapassá-la. É como os pais fazem com os filhos, sempre
condicionando o tempo livre para brincadeiras após a conclusão dos estudos ou
responsabilidades do lar. Disciplina traz recompensas que não são imediatas, mas
permanentes.
3º Princípio: Perseverança:
Este traço de caráter tem se tornado mais raro em virtude do contexto "fast food"
que a sociedade tem nos imposto. Somos a geração do imediatismo. Nossa tendência
neste contexto é abandonar os esforços caso não gerem resultados imediatos.
Cuidado: é infinitamente mais fácil desistir do que perseverar (Tiago 1.12);
4º Princípio: Amor:
Uma característica evidente daqueles que amam é a doação. Aquele que ama não
poupa esforços para oferecer o melhor.
Nosso amor pelo Senhor deve gerar em nós o compromisso de oferecê-lo o melhor
em todo o tempo, respondendo ao seu amor sacrificial (João 3.16). O Perfeito amor (I
João 4.18) potencializa a visão.
19. Planejando as reuniões do Grupo Pequeno
A reunião de planejamento é especifica para os membros do GP já consolidados; a
ideia é não levar convidados. Por quê? Porque na reunião de planejamento são dadas
algumas recomendações que devem ser colocadas em prática nas reuniões do GP.
Há alguns fatores que devem ser considerados no momento de planejar:
 Uma boa reunião de planejamento dará como resultado uma boa reunião de GP.
Nunca perca a visão de ganhar almas para Jesus. Neste sentido, o GP deve estar
preparado para gerar novos convertidos;
 Uma boa reunião de planejamento ajudará a preparar os eventos agendados,
facilitando assim a multiplicação.
a) Reunião de planejamento não é:
 Um culto;
122
 Uma reunião de oração;
 Para comemorar aniversários.
b) Reunião de planejamento é:
 Uma reunião de trabalho;
 Uma reunião de avaliação;
 Uma reunião para distribuir e fazer prestação de contas de tarefas delegadas.
c) A reunião de planejamento tem os seguintes objetivos:
 Planejar e estabelecer a data da próxima multiplicação do GP.
 Avaliar as reuniões do GP;
 Planejar as próximas reuniões do GP, os eventos evangelísticos e de comunhão;
 Distribuir tarefas e delegar responsabilidades;
 Acompanhar as anotações feitas no Diário do GP;
 Encorajar e desafiar os membros para que tragam seus convidados ao GP;
 Acompanhar e colocar em prática o planejamento para a próxima multiplicação do
GP;
 Avaliar o acompanhamento e o preparo do líder em treinamento.
20. Planejando a multiplicação do Grupo Pequeno
A multiplicação do GP é a principal meta do Líder. O Líder deve ser focado em
atingir (e potencializar o atingimento) esta meta. Por mais adversas que sejam as
circunstâncias, à luz do caráter aprovado em Cristo, da fé e do compromisso com o
chamado para servir nesta obra, sua atitude sempre deverá ser condizente com a visão de
fazer discípulos. Se o Líder possui este conceito cravado em seu coração e se o estilo de
vida e liderança exala o mesmo, contagiará seus liderados e facilmente (e rapidamente)
atingirá seu propósito.
O Líder deverá definir uma data para a multiplicação do seu GP (Isso não significa
que o GP não possa se multiplicar em qualquer tempo; dependerá do seu crescimento),
bem como para os eventos de colheita e outras atividades que levarão ao cumprimento do
propósito. Estas datas marcantes e seus objetivos devem ser registrados e compartilhados
continuamente com os membros do GP.
123
O compartilhamento e divisão de papéis e responsabilidade geram compromisso no
grupo e é uma porta para a geração de novos Líderes. O Diário do GP possui um
formulário próprio para desenvolver essas atividades e também traz a possibilidade de
simular a abertura de novos grupos, nomear os novos líderes, líderes em treinamento e
anfitriões.
a) As metas dos Grandes Prêmios, visando o planejamento:
GP do Crescimento
 Compartilhar o propósito do GP;
 Orar por novos convidados e membros;
 Convidar novas pessoas;
 Realizar primeiro evento do dia do amigo;
 Realizar segundo evento do dia do amigo;
 Convidar amigos para o EMPacto;
 Realizar evento de colheita;
 Delegar responsabilidades (louvor, secretariado, oração e escala de lanche).
GP do Cuidado
 Criar estrutura de discipulado;
 Realizar primeiro evento social;
 Convidar novas pessoas;
 Criar escala de oração pelos membros da igreja e GP;
 Programar uma ida de todo o GP ao Culto de Celebração;
 Verificar resultados do discipulado;
 Criar círculos de oração entre os membros;
 Realizar segundo evento social;
 Identificar Líderes em potencial;
 Nomear Líder em Treinamento.
GP da Comunhão
 Realizar evento social;
 Realizar GP no monte;
 Realizar visita à casa dos membros do GP;
124
 Incentivar encontros informais ao longo da semana;
 Realizar dia do amigo;
 Orar continuamente pelos membros do GP;
 Orar pela multiplicação do GP;
 Comunicar a importância da multiplicação;
 Identificar novo anfitrião.
GP da Celebração
 Realizar evento social;
 Realizar reunião em micro-GPs;
 Definir os grupos a serem multiplicados;
 Definir a data de multiplicação;
 Orar pela multiplicação;
 Realizar evento de multiplicação.
21. Multiplicando o Grupo Pequeno
É importante entender que a multiplicação de um GP é um processo que inclui
cinco fatores. São eles:
1º) Convite
2º) Comunhão
3º) Cuidado
4º) Mentoria
5º) Capacitação
Somente quando esses cinco fatores estão presentes é que um GP está pronto
para multiplicar, tanto em relação à sua condição de discipulado, quanto à sua capacidade
de crescimento. Há outros fatores frutos desses cinco primeiros que também contribuem
para que haja a multiplicação:
1º) Oração diária pelos membros do GP;
2º) Confraternização entre seus membros;
3º) Incentivo parra que cada membro faça parte do trabalho e seja um servo.
125
a) Há duas formas pelos quais os GPs se multiplicam:
1ª) Multiplicação mãe-filhos - quando o GP original gera filhos;
2ª) Abertura de novos GPs - quando novos GPs são abertos sem que se originem
de um GP-mãe. É o caso de demanda na vida da igreja e formação no CTM.
b) Nos GPs que se multiplicam...
 Os membros são saudáveis, pois passaram por todas as etapas de
desenvolvimento;
 Há uma motivação maior do líder em fazer novos discípulos;
 O grupo está aberto às pessoas de fora e tem estímulo em buscá-las, pois todos se
sentem capazes de frutificar;
 Os membros se empenham em conquistar amigos e familiares e os novos se
sentem à vontade no GP, porque foi criado um ambiente para a multiplicação.
c) O que influencia a multiplicação?
 Tempo devocional do líder e de preparação para as reuniões;
 Intercessão pelos membros do GP;
 Cuidado pastoral do líder;
 Estímulo ao evangelismo e encontros sociais;
 Número de visitantes no GP;
 Treinamento e preparação de auxiliares;
 Estabelecimento de alvos, inclusive, a data da multiplicação;
 Ambiente para multiplicação.
É importante fazer com que as pessoas já comecem no GP visando à multiplicação,
pois ela é o "ponto alto", o "clímax" do discipulado, ensinado por Jesus: "Fazei
discípulos...".
d) Como saber a hora de multiplicar?
 O grupo começa a crescer comprometendo a intimidade entre as pessoas;
 As ausências passam a não ser notadas;
 O local começa a não comportar confortavelmente todas as pessoas.
126
e) Ao multiplicar...
 Considere os relacionamentos;
 Os elos naturais devem permanecer juntos;
 Considere a localização geográfica;
 Recém-chegados ou os novos devem permanecer com o líder;
 Os maduros devem sair com o novo líder.
f) Três razões por que um GP não se multiplica:
1ª) Os membros ficam confortáveis e apegados fortemente aos relacionamentos;
2ª) Eles têm medo de que o novo grupo não seja tão bom quanto o atual;
3ª) Desconhecem a alegria de gerar um novo GP e cumprir o texto da Parábola dos
Talentos (Mateus 25.21,23).
g) O que fazer neste caso?
 Estude uma possível troca de líder ou auxiliar;
 Mude o local quando há problemas com o anfitrião ou com a localização;
 Mude o dia ou o horário das reuniões;
 Intensifique a evangelização e as visitas aos novos membros;
 Peça orientação ao discipulador.
Para que haja evangelização eficaz no GP e, consequentemente, o crescimento, é
necessário haver convidados.
Por que tão poucos convidados acabam por converter-se?
Porque não aplicamos os princípios do evangelismo (Cap. 3 do curso de
Treinamento). É por isso que o GP não cresce, não há muitas conversões e o grupo não
se multiplica. É preciso também termos clareza do que significa ser um convidado no
contexto de um GP. Vejamos:
h) Um convidado não é:
 Uma pessoa-objeto, com a qual só mensuramos cumprir uma meta;
 Alguém sobre quem pouco ou nada sabemos;
 Alguém que encontramos na rua;
 Alguém a quem vemos pela primeira vez.
127
i) Um convidado é:
Alguém, do nosso relacionamento, em quem aplicaremos os princípios de
evangelismo a serem estudados neste treinamento.
j) Como fazer o convite:
 Faça uma lista de pessoas do seu circulo de amizade - círculo de influência;
 Faça um círculo ao redor dos nomes de pessoas que estão mais abertas à
mensagem do evangelho e então comece a orar pela conversão delas;
 Aprofunde mais sua amizade com essas pessoas e demonstre-lhes seu amor;
 Procure a maneira de demonstrar-lhes na prática o amor que Deus gerou em você
pelas pessoas por quem está apresentando diante de Deus para o convite.
 Como parte de seu interesse em ajudá-las a resolver seus problemas, convide-as
para a reunião do GP.
Esse é um verdadeiro convidado e certamente acabará convertendo-se a Cristo.
Quando isso acontecer, continue sendo seu próximo; cuide do crescimento espiritual
dessas pessoas. Só assim teremos frutos permanentes, só assim os GPs crescerão em
assistência e haverá muitas conversões, visando a multiplicação dos GPs e o
cumprimento da missão da igreja: "Fazer discípulos.
22. Como proteger seu Grupo Pequeno
É comum acontecerem situações difíceis, que trazem constrangimentos nos GPs e
nem sempre os líderes sabem como lidar com elas.
Em primeiro lugar, o líder precisa ter bem claro, tanto a sua importância como líder
como a importância do grupo e agir no sentido de proteger e cuidar de todos/as de seu
Grupo Pequeno. Ele precisa ver as dificuldades de uma perspectiva correta, buscar ajuda,
quando necessário, e orar sem cessar.
Existem algumas pessoas com personalidades destrutivas ou disfuncionais que
participarão dos GPs. Há casos também de pessoas que acabam se tornando inimigas de
Deus, com o intuito de causar divisão. Jesus mesmo disse que há inimigos à nossa volta
(Mateus 5.44-45). Trataremos com eles e tentaremos ganhá-los para Cristo, mas não
podemos ficar aquém de sua presença e investidas.
De modo geral, todas essas pessoas que, com o passar do tempo, não contribuem
efetivamente para a vida do GP, precisam ser identificadas e encaminhadas para
aconselhamento ou ajuda profissional, para que o GP sempre permaneça saudável. Eis
alguns exemplos:
128
a) Membro pecaminoso:
 Impureza - pecados sexuais como prostituição, adultério, linguagem obscena
(palavra torpe), gestos obscenos, etc.;
 Avareza - atitude exacerbada em relação ao dinheiro;
 Idolatria e ocultismo - feitiçaria, adoração a ídolos, participação em outros grupos
religiosos não cristãos, práticas de adivinhação, prognósticos, consulta a mortos
etc.;
 Maledicência - falso testemunho, calúnia, difamação, infâmia, mexerico, fofoca etc.;
 Bebedice - o que se embriaga com bebidas alcoólicas, drogas, remédios ou
qualquer outro tipo de droga;
 Furto - ladrão, assaltante, sonegador, chantagista, extorsão, etc.
Como lidar? Primeiro, deverá ser admoestado pelo irmão/ã do GP que presenciou os
fatos. Se o faltoso vier a abandonar o erro, este deverá ser encoberto. Se voltar a pecar
deverá ser admoestado pelo líder em companhia da testemunha do pecado, e, caso ele
não mude de conduta, o líder deve entregar o caso ao supervisor, evitando assim
contagiar os demais. Procedimentos estes, baseados nos conselhos de Jesus em Mateus
18.15-17.
b) Membro que se acha mais espiritual do que os outros:
Esta pessoa irá criticar o líder para mostrar que é mais capacitada e experiente. Vai
tentar impressionar e quase sempre polemizará a reunião, com a intenção de enfraquecer
o líder e dividir as atenções do grupo.
Como lidar? O líder deve evitar que esse membro monopolize a reunião, e mostrar-
lhe os objetivos do grupo e como ele pode ser útil. Nunca agir com retaliação ou procurar
evitá-lo ou excluí-lo do GP. Lembre-se: Quem "passa a peneira" ou "julga" é Deus.
c) Membros de outras igrejas evangélicas:
Membros de outras igrejas ou pessoas que são discipulados por outros líderes não
devem frequentar o GP como membro. Normalmente, são pessoas que gostam de se
referir às doutrinas de sua denominação e polemizar temas em que tem outros
posicionamentos. Também fazem comparações entre as igrejas, gerando polêmicas e
questionamentos que podem trazer confusão e até mesmo levar pessoas do GP a
fazerem outra opção e deixar o grupo.
Como lidar? Não acolha membros de outra igreja em seu GP!!! Eles trazem
influencias de outras lideranças, confundindo o grupo. Encoraja-os a reunir-se em grupos
em sua própria igreja.
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d) Pastores que vêm de fora, missionários, profetas, etc.
Normalmente eles vão ao grupo e resistem à autoridade do líder e, em muitos
casos, até tentando controlar o líder e ostentando posições.
Como lidar? O líder não deve se intimidar com o título de pastor, missionário ou
outro qualquer... mas deve dizer que é bem-vindo, como ouvinte, e ter bem claro o seu
papel de líder, na direção da reunião. Deve evitar também que eles monopolizem a
reunião. Jamais dê a livre palavra para alguém assim!
e) O/A irmão/ã muito falante:
É comum pessoas assim não desenvolverem assuntos coerentes, condizentes com
o assunto ou tema abordado, além de contar longas histórias sem objetividade.
Como lidar? O líder deve intervir e ajudar (conduzir) o irmão a responder as
perguntas. Diante da persistência, deve dizer, por exemplo, que as respostas das pessoas
no grupo estão limitadas a 30 segundos, dando oportunidade a todos. O líder deve
conversar em particular com o irmão e dizer-lhe "com amor e cuidado" para que seja mais
sucinto, evitando assim gerar desinteresse por parte do grupo e até antipatia.
f) O/A crítico/a da Igreja:
Este tipo de pessoa pode fazer com que um espírito de divisão penetre no grupo e
poderá se tornar um tropeço na vida da igreja. Geralmente, é uma pessoa infrutífera em
gerar "filhos espirituais".
Como lidar? Todos podem fazer críticas. A pergunta é: se no GP é o lugar certo
para a questão levantada. Caso contrário, as críticas devem ser feitas no contexto e
espaços de liderança na vida da igreja em que as mesmas possam ser consideradas e
respondidas. O GP é um grupo evangelístico bem definido na vida da igreja e críticas ao
seu líder e modo de ação não devem encontrar muito espaço para serem fomentadas.
Críticas pessoais devem ser resolvidas em particular. O líder ainda deverá mostrar que as
críticas em público, no espaço do GP, devem ser evitadas.
g) Anfitriões/ãs que não correspondem positivamente:
É um anfitrião que fica "na sua" (em ambientes particulares da casa), ou que tenta
manipular o grupo, ou ainda, que proporciona um ambiente hostil à reunião.
Como lidar? O líder deve admoestá-lo em amor e mostrar-lhe o seu papel no grupo.
Se os problemas continuarem, a solução é mudar o local da reunião.
h) Crianças:
Em grupos de adultos ou casais, em que os mesmos têm de levar suas crianças, é
130
sempre importante atentar-se para o fato de que criança é criança. Quererão brincar, falar
alto, correr... Isso pode impedir o bom andamento das atividades do GP. Porém, uma
repreensão pública pode inibir os pais de levarem seus filhos na reunião e,
consequentemente, de eles mesmos se ausentarem do grupo.
Como lidar? Se os pais forem novos, temos de agir com paciência e conseguir
alguém de outro grupo ou do ministério com crianças da igreja para trabalhar as crianças
em outro ambiente da casa.
i) O/A antagonista:
Este tipo de pessoa traz muitas dificuldades para o líder e, geralmente, tem
algumas características peculiares: Muda de GP várias vezes porque não se adapta à
liderança de nenhum deles; sempre tem uma crítica aos líderes anteriores e gosta muito
de usar a expressão "os outros estão dizendo que...", para encobrir sua própria opinião.
Como lidar? O líder deve sempre se antecipar ao antagonista, procurando agir tão
logo qualquer situação conflitante surgir. Deverá ser firme para que o grupo fique
protegido, tendo a habilidade de não rotular o antagonista. Quando necessário, deverá
indicar a ele um aconselhamento para tratamento.
23. Grupos Pequenos de Crianças
Tem o objetivo de desafiar os pais e as crianças de zero a dez anos a conhecerem
o poder de Deus e a se tornarem verdadeiros discípulos de Jesus. A ênfase é trabalhar
com os próprios PAIS, de modo que eles assumam o cuidado e pastoreio de seus próprios
filhos. A REDE BASEIA-SE NA TRÍADE IGREJA + GP + LAR. Ou seja, além de
participar das atividades dos domingos, as crianças devem participar do culto no lar com
os pais e estarem integradas em um GP de crianças.
a) O que é um GP de crianças?
É um Grupo Pequeno formado por crianças que se reúnem em torno de um líder.
Os GPs de crianças devem estar no mesmo ambiente de um GP de adultos. No seu
grupo, as crianças recebem cuidados, ministrações bíblicas e oração, participando
ativamente de todos os momentos a elas destinados. Vivendo juntas a vida cristã, elas
ajudam umas as outras e buscam alcançar outras crianças para Cristo.
b) Objetivos de um GP de crianças:
 Levar as crianças a desenvolverem amizades sadias, conhecer a Deus e atrair seus
amigos, pais e familiares;
131
 Fazer com que cada criança de um GP sinta-se reconhecida e respeitada como
parte importante da Igreja. Crianças não são receptores passivos, mas agentes da
missão. Elas devem expressar Cristo umas as outras e a quem quer que seja (II
Reis 5.2-3);
 Ajudar as crianças a envolverem-se com a Palavra de Deus, contextualizando os
princípios bíblicos com o dia-a-dia delas.
c) Funcionamento de um GP de crianças:
 Funciona paralelamente ao GP de adulto - na mesma casa, em outro espaço;
 Os GPs de adultos que desejarem ter um GP de criança em paralelo, são
responsáveis em levantar os líderes para as crianças. Preferencialmente não se
deve importar pessoas de outro GP, mas cada caso deve ser analisado. Os líderes
das crianças devem surgir dentro do próprio GP de adultos, havendo um
revezamento entre eles, possibilitando a todos participarem do GP de adultos
também. Outra possibilidade é buscar líderes no Ministério de Trabalho com
Crianças da igreja, devidamente preparados pelo CTM;
 Em havendo interesse em abrir um GP de crianças, primeiramente, é preciso
informar e buscar orientação com o supervisor de GP e o pastor;
 O líder do GP de adultos é sempre desafiado a gerar novos líderes, visando
também o GP de crianças. Caso contrário elas podem não se multiplicar e dificultar
a multiplicação do GP de adultos.
d) Liderança de um GP de Crianças:
Os mesmos requisitos para líderes do GP de adultos se aplicam aos líderes do GP
de criança. São eles:
 Participar ativamente de um GP;
 Ser nascido de novo;
 Ser batizado e membro da igreja (implica estar comprometido com ela);
 Ter bom testemunho;
 Ser capacitado pelo CTM;
 Também precisa ser: facilitador, amigo, modelo e "cuidador de pessoas".
e) Reunião de um GP de crianças:
Proposta de tempo máximo de reunião: duas horas; deve estar em conformidade
com o tempo utilizado pelo GP de adultos:
 30 min de brincadeira e lanche na chegada;
132
 1h e 30min com oração, louvor (CD ou instrumentos); lição (conforme currículo
unificado com o desenvolvido nas atividades dos Domingos); atividades de
artes/manuais.
f) Multiplicação de um GP de Crianças:
 Tem o desafio de multiplicar-se uma vez a cada ano;
 Acima de 10 crianças, torna-se necessário multiplicar o GP. No caso do GP de
adultos não estar preparado para a multiplicação simultânea, o GP de crianças se
multiplicará assim mesmo, separando as crianças por faixa etária (com um líder
para cada faixa), mas a reunião deverá continuar na mesma casa, em ambientes
separados;
 Quando o GP de adultos multiplicar-se, o de criança também se multiplicará,
independente do número de crianças (neste caso, será pela necessidade de um
novo GP, acompanhando o de adultos);
 Os líderes de GPs de criança serão gerados dentro do próprio GP. A
responsabilidade pelos novos líderes é de cada GP, a partir do seu líder, definindo
líderes em treinamento para ocupar os futuros GPs. O CTM oferece treinamento,
capacitação e acompanhamento para a formação destes líderes em treinamento.
24. Aconselhamento no discipulado
A ajuda às pessoas não é apresentada na Bíblia como uma opção, mas como dever
de todo crente, inclusive para os líderes da Igreja (Romanos 15.1-2).
Com a finalidade de ajudar as pessoas, aconselhar é usar a Palavra para mudar a
forma de pensar, para renovar a mente, a partir do estímulo e desenvolvimento saldável
da personalidade humana. O aconselhamento é, primariamente, uma relação, em que
uma pessoa ajudadora busca assistir outro ser humano nos problemas da vida. Sua
finalidade passa pelos seguintes pontos:
 Ajudar os indivíduos a enfrentarem mais eficazmente os problemas da vida, os
conflitos íntimos e as emoções prejudiciais;
 Prover encorajamento e orientação para quem tenha perdido alguém querido ou
esteja sofrendo uma decepção;
 Assistir as pessoas, cujo padrão de vida lhes cause frustração e infelicidade.
Todas essas são questões levam as pessoas a procurar o aconselhamento hoje ao
desenvolverem culpa, ressentimento, ansiedade, angústia.
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a) Alvos do aconselhamento:
 Auto compreensão: O aconselhamento auxilia os que estão sendo assistidos a
obter um quadro real do que está passando em seu íntimo e no mundo que os
rodeia. Compreender a si mesmo é, no geral, o primeiro passo para a cura. Muitos
problemas são auto impostos. Mas a pessoa que está sendo ajudada talvez não
reconheça que suas percepções são preconceituosas, suas atitudes prejudiciais e
seu comportamento autodestrutivo. Considere, por exemplo, o indivíduo que se
queixa: "Ninguém gosta de mim", mas não percebe que sua reclamação é uma das
razões de ser rejeitado por outros.
 Comunicação/diálogo: É bem conhecido que muitos problemas no casamento
estão relacionados com uma falta de comunicação entre os cônjuges. O mesmo se
aplica a outros problemas. As pessoas são incapazes ou não estão dispostas a
comunicar-se de modo dialogal. O aconselhado precisa aprender a comunicar
sentimentos, pensamentos e atitudes, correta e eficazmente e, ao mesmo tempo,
estar disposto a ouvir e compreender estes mesmos fatores, em relação à pessoas
ou pessoas que fazem parte de sua dificuldade. Assim, tal comunicação envolve a
expressão da pessoa e a capacidade de receber mensagens corretas por parte de
outros.
 Aprendizado e Modificação de Comportamento: Quase todo (se não todo) o
nosso comportamento é aprendido. O aconselhamento, portanto, inclui ajuda no
sentido de fazer com que o aconselhado desaprenda o comportamento que gera
seu problema e aprenda meios mais eficientes de agir. Tal aprendizado vem por
meio de diversos veículos: instrução, imitação de um conselheiro ou outro modelo e
da experiência erro acerto. O ajudador deve encorajar a pessoa que está auxiliando
a "avançar", praticando o que aprendeu.
 Auto realização: Escritores humanistas recentes têm enfatizado a importância do
indivíduo aprender a alcançar e manter o seu potencial máximo. Isto é chamado de
"auto realização", sendo proposto por alguns conselheiros como o alvo de todos os
seres humanos. Para o cristão, poderíamos dizer que se trata de uma "Cristo-
realização", pois o nosso alvo na vida se completa em Cristo. Ele é que nos conduz
ao desenvolvimento de nosso mais elevado potencial, mediante o poder do Espírito
Santo que nos leva à maturidade espiritual.
 Apoio: Em períodos temporários de tensão ou crise incomuns as pessoas devem
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beneficiar-se de um período de apoio, encorajamento e "divisão de fardo", até que sejam
capazes de remobilizar seus recursos pessoais e espirituais, a fim de enfrentar
eficientemente os problemas da vida. A Bíblia nomeia essa necessidade de apoio como
“levai as cargas uns dos outros” (Gálatas 6.2). Jesus ensinou esse princípio ao dizer:
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”
(Mateus 11.28).
Em qualquer tipo de aconselhamento é fundamental quando conselheiro e
aconselhado estabelecem alvos ou objetivos definidos a serem alcançados. Esses alvos
devem ser específicos e não vagos, e (no caso de serem vários) organizados em alguma
sequência lógica que identifique os pontos a serem atingidos em primeiro lugar e, talvez,
por quanto tempo.
b) Qualificações do/a conselheiro/a:
É fundamental que a pessoa que aconselha tenha habilidades e ajude as pessoas
aconselhadas com sabedoria. Se as orientar bem, obterá resultados mais úteis, tanto na
área emocional quanto na área espiritual. O seu sucesso nesta tarefa dependerá
diretamente do seu conhecimento de algumas técnicas de aconselhamento e da ajuda do
Espírito Santo.
O que faz de alguém um bom conselheiro? Num estudo de quatro anos conduzido
com pacientes hospitalizados e vários conselheiros, foi descoberto que os pacientes
melhoravam quando seus terapeutas mostravam um nível elevado das seguintes
qualidades:
 Cordialidade: Este termo implica cuidado, respeito ou preocupação sincera, sem
excessos, pelo aconselhado, sem levar em conta seus atos ou atitudes. Jesus
mostrou isto quando se encontrou com a mulher junto ao poço (João 4). As
qualidades morais dela talvez deixassem a desejar, e Ele certamente jamais
aprovou o seu comportamento pecaminoso, mas a respeitou e a tratou como
pessoa de valor.
 Sinceridade: Significa que quem aconselha demonstra o que é verdadeiramente
(de si mesmo, de outrem e do problema a ser tratado). Entre aconselhado e
aconselhado não pode haver situações de mascaramento de pensamento ou
sentimento.
 Empatia: É o "sentir com", mostrando-se interessada pelo caso do outro, da outra,
com empenho para ajudar. Quais os valores, crenças, conflitos íntimos e mágoas
do aconselhado? O bom conselheiro mostra-se sempre sensível a essas questões,
135
 capaz de entendê-las e comunicar eficazmente essa compreensão (por palavras e
gestos) ao aconselhado.
c) Técnicas de aconselhamento
Eis algumas das técnicas mais básicas utilizadas numa situação de ajuda:
1ª) DAR ATENÇÃO: O conselheiro deve tentar conceder atenção integral ao
aconselhado. Isto é feito mediante:
 Contato de olhos - olhar sem arregalar os olhos, como um meio de transmitir
interesse e compreensão;
 Postura - que deve ser relaxada e não tensa;
 Gestos naturais - mas não excessivos ou que provoquem distração.
O conselheiro deve ser amável, bondoso, fortemente motivado à compreensão. Ele
deve estar sempre vigilante quanto a algumas distrações íntimas que nos impedem de
oferecer atenção integral: fadiga, impaciência, preocupação com outros assuntos,
devaneios e inquietação. A ajuda às pessoas é naturalmente difícil, sendo uma tarefa
exigente que envolve sensibilidade, expressões genuínas de cuidado e estar sempre
vigilante para atender.
2ª) OUVIR: É mais abrange mais do que uma recepção passiva de mensagens.
Significa:
 Evitar expressões verbais (começar a falar antes da hora) ou não verbais (com
gestos faciais, com barulhos), dissimuladas de desprezo ou juízo com relação ao
conteúdo da história do aconselhado, mesmo quando esse conteúdo ofenda a
sensibilidade do conselheiro;
 Aguardar pacientemente durante períodos de silêncio ou lágrimas, enquanto o
aconselhado se enche de coragem para aprofundar-se em assuntos penosos ou faz
pausas para reunir seus pensamentos ou recuperar a compostura;
 Ouvir não apenas o que o aconselhado diz, mas aquilo que ele ou ela está tentando
dizer ou deixou de dizer;
 Usar os olhos e os ouvidos para captar as mensagens transmitidas pelo tom de
voz, postura, e outras pistas não verbais;
 Evitar desviar os olhos do aconselhado enquanto este fala;
 Sentar-se imóvel (não devemos aconselhar andando);
 Controlar os sentimentos em relação ao aconselhado que possam interferir com
uma atitude de aceitação, simpatia, que não faz juízos antecipados (não podemos
136
escolher quem vamos aconselhar);
 Compreender que é possível aceitar a pessoa sem concordar com os erros dela. É
fácil ignorar tudo isto e escorregar rapidamente para a oferta de conselhos e
falação excessiva. Isto impede o aconselhado de expressar realmente suas
mágoas, esclarecer um problema por meio da conversa, partilhar todos os detalhes
de uma questão ou experimentar o alívio que vem com o desabafo.
3ª) RESPONDER: Não se deve supor, porém que o conselheiro nada faz além de
ouvir. Jesus era um bom ouvinte, mas a sua ajuda também se caracterizava pela
ação e respostas verbais específicas. Deve-se:
 Orientar - ajudar a pessoa se expressar melhor perguntando o que realmente ela
quer dizer. Ex.: o que é isso para você?; Você pode dar mais detalhes?;
 Refletir o sofrimento da pessoa (o que ela sente, nós também podemos sentir) -
"Eu sei o que você está passando, realmente é difícil";
 Perguntar e interpretar - Com a pergunta iremos atrás da necessidade da pessoa.
Ao invés de perguntar “Por que você fez isso?”, deve-se perguntar “O que levou
você a fazer isso?”;
 Confrontar - Pensamentos e comportamentos errados; falta de consistência entre
o fazer e o falar;
 Informar - ser diretivo (segundo a Palavra). Só não devemos ser quando a Bíblia
não for. Ex.: não podemos dizer a alguém com quem se casar ou não.
 Apoiar - Não é concordar com o outro. É servir de suporte, dar encorajamento,
amá-lo no momento difícil. É dividir o fardo (Romanos 12.15); é orar pelo
aconselhado.
4ª) ENSINAR: O conselheiro é um educador, ensinando pela instrução e orientando
o aconselhado à medida que ele ou ela aprende a enfrentar problemas da vida. Da
mesma forma que outros tipos pessoais de educação, o aconselhamento é mais
eficaz quando as discussões são específicas e não vagas, focalizando situações
concretas em lugar de alvos nebulosos.
d) O processo de aconselhamento:
O aconselhamento não é um processo tipo passo-a-passo, como assar um bolo,
trocar um pneu, ou mesmo preparar um sermão. Cada aconselhado é único - com
problemas, atitudes, valores, expectativas e experiências peculiares.
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Sem levar em conta quão eficaz possa ser a hora de aconselhamento, sua
influência pode ser diminuída se o aconselhado sair do encontro e esquecer-se ou ignorar
o que aprendeu. A fim de enfrentar este problema, muitos conselheiros dão tarefas,
projetos destinados a fortalecer, expandir e estender o processo de aconselhamento para
além do período que o aconselhado passa com o conselheiro.
e) O/A conselheiro/a e o aconselhamento:
O aconselhamento, como é natural, pode ser um trabalho muito gratificante, mas
não leva tempo para descobrirmos que se trata de uma tarefa árdua, emocionalmente e
exaustiva. Ele envolve concentração interna e, algumas vezes, nos faz sofrer, ao vermos
tantas pessoas infelizes.
f) A motivação do/a conselheiro/a:
Por que você quer aconselhar? Alguns conselheiros cristãos, especialmente os
pastores, exercem essa ocupação devido às demandas das pessoas que os procuram
para pedir ajuda com seus problemas. Outros conselheiros encorajaram as pessoas a
procurá-los e talvez tenham feito um treinamento especial, baseados na suposição válida
de que o aconselhamento é uma das maneiras mais eficazes de servir aos outros.
Quase nunca é fácil analisar e avaliar nossos motivos. Isto talvez se aplique quando
examinamos nossas razões para praticar o aconselhamento. Um desejo sincero de
auxiliar as pessoas a se desenvolverem é uma razão válida para tornar-se um conselheiro,
mas existem outras que motivam os conselheiros e que interferem com a eficácia de seu
aconselhamento:
 Curiosidade: Necessidade de Informação - Ao descrever seus problemas, os
aconselhados, no geral, oferecem certas informações que não contariam a mais
ninguém de outra forma. Quando o conselheiro é curioso, ele ou ela algumas vezes
esquece o aconselhado, pressiona para obter mais detalhes e com frequência não
consegue manter segredo.
 A necessidade de manter relações: Todos precisam de aproximação e contatos
íntimos com pelo menos duas ou três pessoas. Para alguns aconselhados, o
conselheiro será seu melhor amigo, pelo menos temporariamente. Mas, e se os
conselheiros não tiverem outros amigos além dos aconselhados? Neste ponto o
138
envolvimento conselheiro-aconselhado deixa de ser uma relação de ajuda e
solidariedade. Isto nem sempre é negativo, mas os amigos também nem sempre
são os melhores conselheiros.
 A necessidade de poder: O conselheiro autoritário gosta de "endireitar" os outros,
dar conselhos (mesmo quando não solicitado) e desempenhar o papel de
"solucionador de problemas". A maioria das pessoas, no entanto, irá eventualmente
opor resistência a um conselheiro autoritário. Ele ou ela não será verdadeiro
ajudador.
 A necessidade de socorrer: O conselheiro deste tipo tira a responsabilidade do
aconselhado ao demonstrar uma atitude que diz claramente: "você não é capaz de
resolver isso, deixe tudo comigo". Quando a técnica de socorro falha (como
acontece muitas vezes), o conselheiro sente-se culpado e inadequado - como um
messias incapaz de salvar os perdidos. Quando a pessoa procura aconselhamento,
está aceitando o risco de compartilhar informação pessoal e entregar-se aos
cuidados do conselheiro.
É provável que todo conselheiro perspicaz experimente, por vezes, tais tendências,
mas não deve ceder a elas.
Ao procurar aconselhamento, o aconselhando está aceitando o risco de
compartilhar informação pessoal e entregar-se aos cuidados do conselheiro. Este irá violar
esta confiança e, portanto diminuir a eficácia do aconselhamento se a relação de ajuda for
usada primariamente para satisfazer as necessidades do próprio ajudador.
g) O papel ou a competência do/a conselheiro/a:
O aconselhamento, torna-se às vezes ineficaz porque o conselheiro não tem uma
ideia clara do seu papel e responsabilidade. Devemos evitar a confusão de papeis tais
como:
 Aconselhamento em lugar de visita: A visita é uma troca mútua e amigável de
informações. O aconselhamento é uma conversa centralizada num problema,
dirigida para um alvo, que focaliza principalmente as necessidades de uma pessoa,
o aconselhado. Quando as visitas se prolongam ou são os pontos principais, os
problemas são evitados e é reduzida a eficácia do aconselhamento.
139
 Deliberação em lugar de pressa: As pessoas ocupadas, preocupadas com algo,
no geral querem apressar o processo do aconselhamento até um término rápido e
bem-sucedido. É verdade que os conselheiros não devem perder tempo, mas
também é certo que o aconselhamento não pode ser acelerado. Seu tempo varia de
situação para situação.
 Simpatia em lugar de desrespeito: Não se deve classificar as pessoas (por
exemplo, como um "cristão carnal", um "divorciado", ou um "tipo fleumático" [calmo,
tranquilo]) e trata-las com um confronto rápido ou conselho rígido. Ninguém quer
ser tratado com tanto desrespeito e o ajudador que não ouve com simpatia
provavelmente não dará conselhos eficazes.
 Ajuda em lugar de condenação: Há ocasiões em que os aconselhados precisam
enfrentar o pecado ou comportamento incomum em sua vida, mas o
aconselhamento não se trata de uma pregação ou juízo. O aconselhamento
acontece em resposta a um pedido de ajuda. Jesus é descrito como alguém que
"tomou sobre si as nossas enfermidades" (Isaías 53.4). Ele jamais fez vista grossa
para o pecado, mas compreendia os pecadores e sempre manifestou bondade e
respeito por aqueles que, como a mulher junto ao poço, estavam dispostos a
aprender, arrepender-se, mudar de vida.
 Moderação em lugar de sobrecarrega: Devido ao seu entusiasmo com a ideia de
ajudar, o conselheiro tenta, às vezes, resolver todo o problema numa sessão,
confundindo o aconselhado. Aconselhamento é processo, projeto. Cada problema
teve o seu tempo de gestão e, por isso, tem o seu tempo de cura.
 Esclarecimento em lugar de direcionamento: Este é um erro comum e pode
refletir a necessidade inconsciente de dominar, presente no conselheiro. O
conselheiro e o aconselhado devem colaborar como uma equipe, na qual o primeiro
tem o alvo de possibilitar ao segundo assumir o curso de sua vida, superando seu
problema.
 Comprometimento em lugar de envolvimento emocional: Existe uma linha
divisória muito fina entre interessar-se, estar comprometido e tornar-se muito
perturbado, confuso ou lutar contra o problema do aconselhado, como se fosse o
seu. Proceder assim faz com que o conselheiro perca a sua objetividade. Isto, por
sua vez, reduz a eficácia do aconselhamento.
140
 Competência em lugar de atitude de defesa: Os conselheiros e conselheiras
podem, eventualmente, sentir-se ameaçados durante o aconselhamento. Quando
somos criticados, incapazes de ajudar, sentimos culpa ou ansiedade, ou quando
estamos em perigo, nossa capacidade de ouvir com empatia (identificação) é
prejudicada. Isso acontecendo, precisamos ser sinceros conosco mesmos e saber
se temos ou não condições de continuar à frente do aconselhamento ou, até
mesmo, nos dar conta de que também estamos precisando de ajuda. Ainda, se
percebermos que a situação implica em tratamento profissional, é preciso
encaminhar o caso. Inclusive, há ocasiões em que o uso de medicamento seja
necessário.
h) Situações que causam a vulnerabilidade do/a conselheiro/a:
Alguns aconselhados têm o desejo consciente ou inconsciente de manipular,
frustrar, ou não colaborar. São, pelo menos, duas as principais maneiras com que as
pessoas frustram o conselheiro e aumentam a sua vulnerabilidade (vulnerável =
desprotegido):
 Manipulação: Os conselheiros manipulados geralmente têm pouca utilidade. Os
indivíduos que tentam manipular seu conselheiro quase sempre fizeram da
manipulação um modo de vida. Eles agem bem e com sutileza, mas não
conseguem viver sem praticar o embuste e a arte de dominar. Quando você
suspeitar desse tipo de desonestidade e manipulação, é prudente conversar a
respeito com o aconselhado, esperar uma negativa da parte dele, e depois
estruturar o aconselhamento de modo a impedir manipulação e exploração futura.
 Resistência: Algumas vezes, as pessoas buscam ajuda por desejarem alívio
imediato da dor, mas quando descobrem que o alívio permanente pode exigir
tempo, esforço e maior sofrimento ainda, elas resistem ao aconselhamento. O
conselheiro continua aconselhando, o aconselhado finge colaborar, mas ninguém
melhora. A resistência é uma força poderosa que quase sempre exige
aconselhamento profissional em profundidade e para tal deve ser encaminhado.
i) A sexualidade do/a conselheiro/a:
É preciso, inicialmente, compreender que a sexualidade diz respeito a todo tipo de
expressão íntima entre pessoas; não simplesmente implica em ato sexual. Sempre que
duas pessoas trabalham juntas em direção a um alvo comum, surgem sentimentos de
camaradagem
141
camaradagem e cordialidade entre elas. Quando esses indivíduos possuem um estilo de
vida similar (ambiente semelhante) e, especialmente quando são do sexo oposto, a
sexualidade está sempre presente. Em última instância, pode ocorrer atração sexual entre
conselheiro e aconselhado. É preciso sempre ter atenção nesta área para não incorrer no
perigo de envolver-se sexualmente com a pessoa em aconselhamento. Por ignorar isso,
muitos conselheiros terminaram por promover separações de casais, por envolver-se
amorosamente com seus aconselhados.
Trata-se de um problema recorrente na vida dos conselheiros, quer falem ou não
sobre ele com os outros.
O aconselhamento frequentemente envolve a discussão de detalhes íntimos que
jamais seriam tratados em outro lugar - especialmente entre um homem e uma mulher que
não são casados um com o outro. Isto pode despertar sexualmente tanto o conselheiro
como o aconselhado. O potencial para a imoralidade pode ser ainda maior se o
aconselhado produz atração e/ou tende a mostrar-se sedutor. A atração sexual por um
aconselhado é coisa comum e o conselheiro prudente deve ser bem resolvido
emocionalmente e exercer autocontrole sexual.
Atitudes de cuidado:
 Proteção espiritual: A meditação sobre a Palavra de Deus, a oração (incluindo a
intercessão de outros) e a confiança na proteção do Espírito Santo são elementos
importantíssimos.
 Estabelecimento de limites: Inicialmente, devem-se estabelecer limites definidos
no trabalho de aconselhamento, prescrevendo claramente a frequência e duração
das sessões de aconselhamento e apegar-se a esses limites; recusar conversas
telefônicas prolongadas; desencorajar discussões detalhadas de tópicos sexuais;
evitar o contato físico; e encontrar-se num lugar que desestimule olhares
eloquentes ou intimidades pessoais. Além disso, os conselheiros devem vigiar sua
mente. A fantasia, muitas vezes, precede a ação. O conselheiro sábio cultiva o
hábito de não se demorar em pensamentos luxuriosos, mas focar-se naquilo que é
verdadeiro, respeitável, justo, puro... (Filipenses 4.8).
 Percepção dos sinais de perigo: É preciso ter atenção tanto à linguagem corporal
do aconselhado quanto a seus próprios modos de procedimento, com o fim de ter
clara a percepção de que o aconselhamento se tornou numa perigosa tentação
para ambos. A dependência aconselhado/aconselhador é um sintoma de perigo
que pode gerar um envolvimento sexual perigoso e inapropriado (Aillen Silva e
Sérgio Andrade, Até quando? Editora Ultimato).
142
 Análise de atitudes: Não existe proveito algum em negar os seus instintos
sexuais. Eles são comuns, com frequência embaraçosos e bastante estimulantes,
mas controláveis. Se ocorrer do conselheiro perceber-se atraído sexualmente, deve
interromper o aconselhamento, transferir o trabalho para outra pessoa. No caso
detectar a atração sexual no aconselhado, deve discutir essa situação com ele,
desde que não haja reciprocidade de sentimentos de sua parte.
 Proteção do Grupo de Apoio: A resistência eficaz envolve o reconhecimento
sincero da atração sexual. Existe, pois, grande valor em discutir o assunto com um
ou dois confidentes dignos de confiança; e a primeira pessoa na lista deve ser o
cônjuge.
j) A ética do/a conselheiro/a:
Os problemas éticos surgem quando há conflito de valores e decisões diferentes
devem ser tomadas. Muitas, embora não todas, dessas decisões envolvem questões
confidenciais. Ex.: Um aconselhado confessa ter infringido a lei ou que pretende prejudicar
alguém. Você conta à polícia, à vítima em potencial, ou mantém a integridade do
aconselhado em sigilo? A filha de um líder da igreja revela estar grávida e que pretende
fazer um aborto. O que você faz com esta informação? Um aluno, formado pelo seminário,
está buscando empregar-se como pastor e revela no aconselhamento que tem um sério
desvio sexual. Como membro da igreja, você revela isto ou não diz nada ao preencher um
formulário de recomendação?
O conselheiro tem a obrigação de manter em segredo as informações confidenciais,
a não ser quando haja risco para o bem-estar do aconselhado ou de outra pessoa.
Quando decisões diferentes precisam ser tomadas, os conselheiros têm a obrigação de
discutir a situação confidencialmente com um ou dois conselheiros cristãos e/ou
especialistas, tais como um advogado ou médico, que não precisam saber sobre a
identidade do aconselhado, mas que podem auxiliar nas decisões éticas. Tais decisões
não são fáceis, mas o conselheiro cristão obtém o máximo de fatos possíveis (inclusive
dados bíblicos), confiando sinceramente em que Deus irá orientá-lo e, em seguida, toma a
decisão mais sábia possível baseada na melhor evidência a seu dispor.
k) As crises no aconselhamento:
À medida que avançamos na vida, a maioria de nós tem um comportamento
bastante consistente. Como é natural, todos experimentamos altos e baixos espirituais e
143
temos de aplicar um esforço extra para tratar de emergências ou problemas inesperados.
Mas, ao nos aproximarmos da idade adulta, cada um de nós desenvolve um repertório de
soluções de problemas baseado em sua personalidade, treinamento e experiências
passadas. Usamos repetidamente essas técnicas e conseguimos assim enfrentar com
sucesso os desafios da vida.
Surgem, porém, às vezes, situações mais graves que ameaçam nosso equilíbrio
psicológico. Essas situações, ou acontecimentos da nossa existência são também
chamados de crises. Elas podem ser esperadas ou inesperadas, reais ou imaginárias,
factuais (como quando um ente querido morre) ou potenciais (quando parece que um ente
querido possa vir a morrer logo).
l) A Bíblia no processo de aconselhamento:
A Bíblia trata assuntos relacionados à solidão, desânimo, problemas conjugais,
tristeza, relações entre pais e filhos, ira, medo e inúmeras outras situações de
aconselhamento. Como Palavra de Deus, portanto, ela tem grande e duradoura
importância para o trabalho do conselheiro e as necessidades dos aconselhados. A Bíblia
ordena o cuidado mútuo e isto, com certeza, envolve o aconselhamento.
O aconselhamento cristão deve ser um instrumento para tocar vidas, para modificá-
las, para levá-las em direção à maturidade, a serem capazes de suportar as dificuldades.
Porém, é preciso reconhecer que há muitos cristãos sinceros que terão uma vida eterna
nos céus, mas não gozam de uma vida muito abundante na terra. Essas pessoas
precisam de aconselhamento que envolva mais do que evangelização ou educação cristã
tradicional. A evangelização e o discipulado são, portanto, os objetivos mais fundamentais
no processo do aconselhamento cristão, embora não sejam os únicos.
m) A Bíblia e os tipos de crises:
Grande parte da Bíblia trata de crises. Adão, Eva, Caim, Noé, Abraão, Isaque, José,
Moisés, Sansão, Jefté, Saul, Davi, Elias, Daniel e vários outros personagens enfrentaram
crises que o Antigo Testamento descreve em detalhes. Jesus enfrentou crises
(especialmente quando de sua crucificação) e o mesmo aconteceu aos discípulos e com
muitos dos primeiros crentes. Várias das Epístolas foram escritas a fim de ajudar os
indivíduos ou igrejas a enfrentarem crises ligadas ao relacionamento no Corpo de Cristo, e
em relação a situações de perseguição, resultando em torturas, incrível sofrimento e
morte.
144
No contexto da vida humana, são identificados três tipos de crise, a saber:
1ª) As crises acidentais ou situacionais: Ocorrem quando surge uma ameaça repentina
ou perda inesperada. A morte de um ente querido, uma doença súbita, a descoberta de
uma gravidez fora do casamento, distúrbios sociais tais como guerra ou depressão
econômica, perda da casa ou das economias do indivíduo, perda súbita da reputação e
posição.
2ª) As crises de desenvolvimento: Surgem no curso do desenvolvimento humano
normal. Entrada na escola, ida para a faculdade, ajustes no casamento e na paternidade,
aceitação de críticas, enfrentar a aposentadoria e o declínio na saúde, adaptação à morte
de amigos... Todas essas podem ser crises que exigem novas abordagens para a solução
de problemas e de como superar dificuldades.
3ª) As crises existenciais: As crises existenciais surgem quando somos forçados a
enfrentar realidades perturbadoras ou desafiadoras, tais como:
 Sou um fracasso;
 Sou velho demais para alcançar meus objetivos de vida;
 Fui "deixado para trás" numa promoção;
 Sou um viúvo agora - novamente solteiro;
 Minha vida não tem propósito;
 Minha doença é incurável;
 Não tenho nada em que acreditar;
 Perdi minha casa e bens por causa do incêndio;
 Estou aposentado;
 Fui rejeitado por causa da cor da minha pele.
n) Intervenção na crise
O aconselhamento em situações críticas tem vários objetivos:
 Ajudar a pessoa a enfrentar eficazmente a situação difícil e voltar ao seu nível
comum de comportamento;
 Diminuir a ansiedade, apreensão e outros tipos de insegurança que possam
persistir durante e após a crise;
 Ensinar técnicas para a solução de crises, a fim de que a pessoa fique melhor
preparada para antecipar e tratar crises futuras;
145
 Considerar os ensinos bíblicos sobre as crises, a fim de que a pessoa aprenda com
as mesmas e cresça como resultado dessa experiência.
 Ao ajudar as pessoas a enfrentarem suas crises, as diferenças entre os indivíduos
precisam ser reconhecidas. Ao manter essas diferenças em mente, o conselheiro
pode ajudar de diversos modos.
o) Questões que necessitam de aconselhamento:
 Pecados habituais relacionados com a sexualidade: prostituição, adultério, vícios,
pornografia;
 Mágoa, ressentimentos, amarguras, falta de perdão;
 Inferioridade e autoestima problemática;
 Ansiedade;
 Depressão;
 Namoro;
 Pessoas casadas;
 Luto;
 Traumas emocionais.
p) Como tratar o crente faltoso/indisciplinado:
Em nossa igreja e em nossos GPs, sempre teremos problemas relacionados com a
disciplina de algum membro. Por crente faltoso, entendemos aquela pessoa que está
em falta com algum aspecto de seu comprometimento com Cristo, com a igreja ou
com seu GP. Um membro faltoso poderá tomar a iniciativa e procurar aconselhamento e
orientação de seu líder. Mas isto não é o mais comum. Na maior parte das vezes, na
igreja, é necessário que o pastor, o discipulador ou o líder de grupo pequeno tome a
iniciativa de procurar a(o) irmã(o) faltosa(o).
Não queremos desenvolver um espírito de censura gratuita, no qual enxerguemos
sempre o argueiro no olho do irmão antes da trave que está no nosso (Mateus 7.1-5). Mas
precisamos despertar um senso de comportamento bíblico que faça justiça ao nome de
Cristo e que não envergonhe o Evangelho. Isso começa com o cuidado sobre a nossa
própria vida e deve se estender para a nosso grupo pequeno, ministério e toda a igreja
local.
146
O objetivo prioritário visado pelas palavras de admoestação deve ser encorajar os
cristãos faltosos a crescer. A disciplina, exercida com amor, pelas razões especificadas na
Bíblia e com os objetivos que ela prescreve, deve ser exercida na esfera pessoal e ali tudo
se resolve. Os faltosos devem ser convencidos e ganhos para uma comunhão renovada
(Mateus 18.15; Gálatas 6.1 e Hebreus 12.12-13). Qualquer processo DISCIPLINAR na
Igreja deve ser conduzido pelo pastor que o fará de forma discreta e de acordo com os
princípios doutrinários (cf.: Manual de Disciplina da Igreja Metodista). Por isso é importante
informar o pastor antes de falar qualquer coisa com a pessoa e preferencialmente deixar
que o mesmo conduza a situação
147
CONCLUSÃO
O autor Christian Schwarz no livro O Desenvolvimento Natural da Igreja, afirma que
não é saudável para uma igreja copiar o modelo de outra, nem mesmo forçar um formato
de Grupo Pequeno, mas o ideal é motivar, ensinar e deixar fluir para que tudo aconteça de
forma espontânea (SCHWARZ, 2010, páginas 6-12). Portanto este treinamento visa
capacitar para fazer discípulos estando aberto ao mover do Espírito Santo que pode
conduzir a sua Igreja de forma nova como desejar (João 3.8).
Os temas anuais da Igreja Metodista para os anos 2017-2021 estão baseados no
discipulado, declarando que somos “discípulas e discípulos que, nos caminhos da missão,
alcançam as cidades, servem com integridade, cuidam do meio ambiente, vivem em
unidade e anunciam as boas notícias da graça” (Cânones da Igreja Metodista 2017,
página 17). Isso firma com clareza o propósito de ser igreja, bem como a estratégia
estabelecida para o discipulado, estipulando alvos de alcançar vidas para o Evangelho de
Cristo.
Esperamos que o CTM – Centro de Treinamento Ministerial tenha sido um
diferencial em sua vida te capacitando a fazer discípulos, nunca esquecendo que temos
um único Mestre que é Jesus Cristo. Desejamos que sua caminhada seja crescente na
prática do discipulado cristão e que muitas vidas sejam alcançadas através de seu
ministério.
Entendemos que não existe melhor forma de ser Igreja do que através do
discipulado com Grupos Pequenos numa igreja de dons e ministérios. Para isso é preciso
dedicação intensa e capacitação constante. Não temos outra alternativa diante da ordem
de Jesus para fazer discípulos (Mateus 28.20). Então, vamos e façamos discípulos!
Equipe de Pastores
Igreja Metodista em Cataguases
148
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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COMISKEY, Joel. Crescimento Explosivo da Igreja em Células: levando seu grupo a
crescer e se multiplicar. Curitiba: Ministério Igreja em Células, 2008.
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grupo pequeno a liderar novos grupos. Curitiba: Ministério Igreja em Células, 2009.
EIMS, Leroy. Seja um Líder que Motiva. Curitiba: Editora Atos, 2002.
FAJARDO, Cláudia M. Consolidação: um processo eficaz para formar discípulos.
Palavra da Fé Produções, 2003.
HENDERSON, Michael. Um Modelo Para Fazer Discípulos: A Reunião de Classes em
John Wesley. Curitiba, Editora Ministério Igreja em Células. 2012.
HUNTER, James C. O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança.
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HYBELS, Bill. Liderança Corajosa. In: capítulo 6: Quando os líderes estão em sua
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Manual Regional de Discipulado e Células. Ministério Regional de Discipulado – 4ª
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2001.
NEIGHBOUR JR., Manual do Líder de Célula. Curitiba: Ministério Igreja em Células,
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NEIGHBOUR JR., Ralph. Guia do Discipulador. Curitiba: Ministério Igreja em Células,
1998.
NEUMANN, Mikel. Alcançar a cidade: as células na evangelização urbana. São Paulo:
Editora Vida Nova, 1993.
149
PHILLIPS, Keith. A Formação de um Discípulo. São Paulo: Editora Vida, 2011.
RIVAS, José Reyes. Seminário de Capacitación para Líderes Celulares. Misión Cristiana
Elim - San Salvador (Apostila).
SCHWARZ, Christian A. O Desenvolvimento Natural da Igreja – Um guia prático para
as oito marcas de qualidade essenciais das igrejas saudáveis. Curitiba: Editora Evangélica
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SILVA, Aluízio A. Manual da Visão de Células. Editora Videira.
STOCKSTILL, Larry. A Igreja em Células: uma visão bíblica da função das células
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Chave: Hebraico. Grego. Tradução de João Ferreira de Almeida. Edição Revista e
Corrigida. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.
WARREN, Rick. Uma vida com Propósitos: você não está aqui por acaso. São Paulo:
Editora Vida, 2003
150
SITES
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http://metodista.org.br/content/interfaces/cms/userfiles/files/CANONES-2017-2021.pdf
Carta Pastoral dos bispos/as da Igreja Metodista – Testemunhar a Graça e fazer
Discípulos:
http://www.metodista.org.br/content/interfaces/cms/userfiles/files/documentos-
oficiais/pastoral_testemunhar_graca.pdf
Carta Pastoral dos/as bispos/as da Igreja Metodista - Discípulas e discípulos nos
caminhos da missão cumprem o mandato missionário de Jesus:
http://www.metodista.org.br/content/interfaces/cms/userfiles/files/documentos-
oficiais/Pastoral_bienio_provisoria.pdf
Expositor Cristão Setembro de 2014:
http://www.metodista.org.br/content/interfaces/cms/userfiles/files/expositor-
cristao/expositor-cristao-2014-09.pdf
Manual de Disciplina da Igreja Metodista:
http://www.metodista.org.br/content/interfaces/cms/userfiles/files/documentos-
oficiais/manual_disciplina.pdf
Pastoral dos bispos/as da Igreja Metodista 2018 - Discípulas e discípulos nos caminhos
da missão servem com integridade:
http://www.metodista.org.br/content/interfaces/cms/userfiles/files/Pastoral%20Integridad
e.pdf
Plano Nacional Missionário da Igreja Metodista 2-17-2021:
http://www.metodista.org.br/content/interfaces/cms/userfiles/files/documentos-
oficiais/pnm2017.pdf Sermões de John Wesley: http://www.metodista.org.br/sermoes-
de-john-wesley-disponiveis-para-download

Apostila CTM

  • 1.
    1 Apostila Treinamento Igreja Metodistaem Cataguases Quarta Região Eclesiástica
  • 2.
    2 Expediente: Bispo da 4ªRegião Eclesiástica: Roberto Alves de Souza Pastor Titular: Rev. Gilmar Costa Rampinelli Pastor Coadjutor: Rev. Welfany Nolasco Rodrigues Pastor Coadjutor: Rev. Dione Romualdo Felipe Missionário Designado: Ronaldo Queiróz da Silva Adaptação Redacional e Teológico-doutrinária: 1ª Edição: Rev. Otávio Júlio Torres e Bispa Hideíde Brito Torres 2ª Edição: Rev. Welfany Nolasco Rodrigues e Rev. Gilmar C. Rampinelli Logotipo e Arte da Capa: Coaracy Badaró Júnior Revisão Final e Diagramação: Rev. Gilmar C. Rampinelli Rev. Welfany N. Rodrigues ANO: 2018
  • 3.
    3 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO................................................................................................................5 INTRODUÇÃO......................................................................................................................7 Unidade 1 –NOVO NASCIMENTO............................................................................9 1. Fundamentos da fé.....................................................................................................9 2. Fé e superstição.......................................................................................................10 3. A fé cristã..................................................................................................................11 4. Como obtemos fé......................................................................................................12 5. Os fortes e os fracos na fé (Romanos 14-15)...........................................................12 6. Fé de Tomé versus fé de Abraão.............................................................................13 7. A fé para a salvação.................................................................................................15 8. A fé em ação.............................................................................................................17 9. Fé X Desejo..............................................................................................................20 10.A fé e a esperança....................................................................................................21 11.Seis inimigos da fé....................................................................................................22 12.Evangelismo.............................................................................................................26 13.Outros conceitos de evangelizar...............................................................................29 14.As razões: porque evangelizar?...............................................................................30 15.Alguns exemplos bíblicos a respeito de ganhar almas.............................................33 16.Como evangelizar.....................................................................................................33 Unidade 2 – CONVERSÃO.........................................................................................45 1. Consolidação: Um processo eficaz para formar discípulos......................................45 2. O que é consolidação...............................................................................................46 3. O perfil de quem consolida.......................................................................................46 4. Como consolidar o novo convertido?........................................................................50 5. O processo de consolidação e integração na IM em Cataguases...............................................................................................................58 6. A importância dos GP’s no processo de consolidação.............................................60 7. A formação de um discípulo.....................................................................................64 Unidade 3 – SANTIFICAÇÃO....................................................................................67 1. Chamados com um propósito...................................................................................67 2. Chamados bíblicos com um propósito......................................................................73 3. Liderança eficaz: A redescoberta de um importante princípio..................................75 4. O modelo por excelência..........................................................................................77 5. Liderança e responsabilidade...................................................................................77
  • 4.
    4 6. Liderança servidora..................................................................................................78 7.Autoridade e poder na liderança...............................................................................79 8. O exemplo de Jesus.................................................................................................80 9. Uma decisão: Liderar pelo exemplo ou pela força....................................................80 10.Quais são as qualidades de caráter de uma liderança marcada pela autoridade?...............................................................................................................80 11.Características importantes na caminhada de um líder............................................81 12.Desenvolvendo líderes em potencial........................................................................84 Unidade 4 – MISSÃO...................................................................................................93 1. Igreja com Grupos Pequenos...................................................................................93 2. Qual a base bíblica para os GP’s?...........................................................................94 3. O desenvolvimento dos GP’s ao longo da história...................................................95 4. Igreja com Grupos Pequenos – Uma visão do Reino de Deus................................96 5. O que não é Grupo Pequeno....................................................................................98 6. O que é Grupo Pequeno...........................................................................................99 7. Para que Grupos Pequenos?.................................................................................101 8. Frutos bíblicos alcançados no dia-a-dia dos Grupos Pequenos.............................102 9. A reunião do Grupo Pequeno.................................................................................104 10.A estrutura do Grupo Pequeno...............................................................................108 11.A influência dos/das supervisores/ras como discipuladores/as dos/das líderes de Grupos Pequenos...................................................................................................110 12.O lugar do ministério pastoral numa igreja com Grupos Pequenos.......................111 13.Os estágios da vida no Grupo Pequeno.................................................................112 14.Por que a multiplicação do GP é necessária?........................................................113 15.A importância das metas para a liderança de Grupos Pequenos...........................114 16.Princípios para o estabelecimento de metas..........................................................116 17.Planejamento do Grupo Pequeno...........................................................................118 18.Quatro princípios de caráter fundamentais para o planejamento...........................120 19.Planejando as reuniões do Grupo Pequeno...........................................................121 20.Planejando a multiplicação do Grupo Pequeno......................................................122 21.Multiplicando o Grupo Pequeno..............................................................................124 22.Como proteger seu Grupo Pequeno.......................................................................127 23.Grupos Pequenos de crianças................................................................................130 24.Aconselhamento no discipulado.............................................................................132 CONCLUSÃO....................................................................................................................147 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................................148 SITES................................................................................................................................150
  • 5.
    5 APRESENTAÇÃO O Centro deTreinamento Ministerial é um ambiente de capacitação para o discipulado cristão. Para discipular vidas é preciso exercitar de maneira intensa as disciplinas da vida cristã. Podemos comparar com um atleta que se prepara todos os dias para alcançar seus objetivos. O esporte é uma das atividades humanas que mais lições nos ensinam a respeito da vida e das conquistas. É emocionante ver, nos esportes individuais, atletas solitários/as se entregando ao máximo e superando seus próprios limites e, nos esportes coletivos, todos/as cooperando focados/as no mesmo objetivo: a vitória. Nos esportes coletivos nem todos têm a mesma habilidade, capacidade técnica e compromisso, mas são supridos por outros atletas da equipe que reúnem tais características e tornam o grupo vitorioso. Como exemplo, pode-se citar a corrida de revezamento no atletismo. Neste esporte, os/as atletas se revezam, de forma que apresentem suas melhores performances e possam, ao final, chegar à vitória. Este esporte mostra com total nitidez a importância da capacitação individual e do coletivo para se alcançar a meta desejada. O apóstolo Paulo, em Romanos 12 e em I Coríntios 12, procura nos transmitir esse fundamento: No corpo de Cristo, a igreja, tanto os membros individuais devem se aperfeiçoar em seus dons, bem como todo o corpo deve se ajustar para se tornar um só povo e buscar um só Reino. Neste sentido, Paulo usa o esporte como analogia para demonstrar a necessidade da devida preparação do membro do corpo, visando à vitória do Reino, da Igreja. Ele faz muitas referências a respeito da atividade esportiva, dando o seguinte destaque: “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis” (1 Coríntios 9.24). Há um objetivo para a corrida, o prêmio. Somente o vencedor pode recebê-lo. Há um desafio para alcançá-lo: a preparação. Paulo nos ensina a “tal maneira” para alcançarmos a vitória. Quais maneiras são essas? - Ser diligente: “Todo atleta em tudo se domina” (I Coríntios 9.25), ou seja, estabelece prioridades, dedica-se ao objetivo de sua vida, que é uma coroa, no nosso caso, incorruptível. - Planejar: Paulo se dá como exemplo ao dizer – “Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar” (I Coríntios 9.26). Se há um alvo a ser alcançado, precisamos ter uma tática para alcançá-lo. - Ser aprovado: “...para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (I Coríntios 9.27). Há também uma forma de atingir esse alvo. Ele não é a qualquer preço e tem um alcance muito maior, o respaldo e a coerência da própria vida.
  • 6.
    6 - Viver pelaPalavra de Deus: Paulo nos ensina ainda que “o atleta não é coroado se não lutar segundo as normas” (II Timóteo 2.5). A vida desse atleta tem que ser vivida de acordo com a Palavra de Deus. Os atalhos o impedirão de ser coroado, ainda que alcance o alvo. Não podemos correr a carreira cristã de qualquer maneira, como muitos tentam fazer e vivem vidas infelizes, são infrutíferos ou caem cansados pelo caminho. Como ser um atleta vitorioso? É preciso treinamento. Por isso, o Centro de Treinamento Ministerial planejou e elaborou este material para propiciar aos membros da Igreja Metodista em Cataguases e congregações mais uma ferramenta que poderá ajudá-los a alcançar os seus objetivos pessoais e os objetivos de nossa igreja, numa visão de serviço e submissão, cumprindo a Grande Comissão dada por Jesus. Ainda há uma compreensão que se faz necessária, perceber que o Senhor Jesus nos mostrou que o nosso preparo adequado se fará sob o discipulado bíblico. Somente assim, treinados/as e capacitados/as poderemos juntos correr a carreira que nos está proposta. Equipe de Pastores Igreja Metodista em Cataguases
  • 7.
    7 INTRODUÇÃO O objetivo doCTM - Centro de Treinamento Ministerial é capacitar líderes de Grupos Pequenos que possam ser discipuladores de vidas. Os Grupos Pequenos – GPs formam uma estratégia missionária do discipulado cristão alcançando vidas para o Reino de Deus. A nova metodologia de trabalho do CTM segue o princípio do progresso na fé e vida cristã, começando com o NOVO NASCIMENTO, a CONVERSÃO, a SANTIFICAÇÃO e a MISSÃO. Portanto, a apostila está dividida nestas quatro unidades, facilitando a compreensão e fortalecendo a visão da necessidade um crescimento na vida cristã. Um grande engano é pensar que por estar na Igreja você já está salvo. O crente deve crescer espiritualmente (Filipenses 2.12). Ninguém nasce pronto, precisa se alimentar e crescer. A vida espiritual precisa de desenvolvimento. Você tem crescido espiritualmente? Podemos compreender este crescimento espiritual em quatro etapas: 1) NOVO NASCIMENTO: O Novo Nascimento acontece quando a pessoa aceita a Jesus como seu Senhor e Salvador (João 3.3) e se torna uma “Nova Criatura, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo” (II Coríntios 5.17). Neste encontro com Deus, sua vida é transformada. 2) CONVERSÃO: A Conversão é uma mudança de direção. Antes estava voltado para o mundo e de costas para Deus (Isaías 55.6,7). Agora se volta para Deus e foge do mundo, da carne e do pecado. A conversão é um processo que exige perseverança até que aconteça uma completa Libertação (João 8.32). 3) SANTIFICAÇÃO: A santificação é uma busca constante por fazer a vontade de Deus (João 17.17). A Santificação acontece quando o cristão perde o prazer pelo pecado e mesmo sendo
  • 8.
    8 pecador, deseja ansiosamenteviver em santidade. O jejum, a oração, leitura da Palavra e exercícios como amor e perdão são imprescindíveis para a santificação. 4) MISSÃO: A Missão é a continuidade desta escada do crescimento espiritual. Todo cristão tem a missão de levar outras almas a Cristo (Mateus 28.18-20). A missão acontece através da Evangelização e do Discipulado. Quem se converte e busca a santificação, mas não se ocupa com a obra missionária, sua vida espiritual tende a se estagnar e decrescer com o tempo. Uma diferença entre uma criança e um adulto é que a criança brinca e o adulto deve trabalhar. Do mesmo modo deve ser a vida cristã. Uma pessoa madura espiritualmente se ocupa em serviço missionário. Concluindo, é preciso desenvolver a salvação (Filipenses 2.12) procurando amadurecer espiritualmente com objetivo de atingir a “estatura de Cristo” (Efésios 4.13). João Wesley dizia aos metodistas que “não temos outro negócio nesta terra a não ser ganhar almas”. A razão de ser da Igreja é pregar o evangelho.
  • 9.
    9 Unidade 1 –NOVO NASCIMENTO O novo nascimento marca o início da vida cristã (João 3.1-8), quando entregamos nossa vida a Jesus e nos tornamos “nova criatura” (II Coríntios 5.17), pois a partir de então cremos que nos tornamos “filhos de Deus” (João 1.12). Este primeiro momento da vida cristã não pode ser esquecido, mas deve ser revivido de forma que nunca abandonemos o “primeiro amor” (Apocalipse 2.4). Infelizmente, muitas vidas que passam por esta primeira experiência de fé, não conseguem permanecer porque não foram discipuladas como um recém-nascido que precisa de cuidado. Nesta unidade vamos falar tanto da base da fé necessária para nascer de novo, como também do Evangelismo, que é a transmissão desta fé, o que deve ser algo natural a partir do momento que se crê. Por isso, vamos estudar assuntos que fortalecem o Novo Nascimento e ajudam a alcançar vidas que precisam nascer de novo através do Evangelismo. 1. Fundamentos da fé De acordo com o Dicionário Aurélio, fé é uma firme convicção de que algo seja verdadeiro, sem nenhuma prova absoluta desta verdade (Hebreus 11.1). Como? Pela total confiança e crença que depositamos neste algo ou alguém. De fato, a fé não é baseada em evidências físicas reconhecidas pela comunidade científica (I Coríntios 2.14). Em geral, é associada a experiências pessoais e pode ser compartilhada com outros por meio de relatos (I Coríntios 3.19). Pode-se dizer, portanto, que a fé é o alimento que nutre e fortalece o nosso espírito. Por isso, ela é reconhecida como um dom ou um fruto espiritual (I Coríntios 12.9 - Gálatas 5.22). Nossos sentidos humanos são muito dependentes de evidências: o que vemos, sentimos, tocamos, degustamos e cheiramos. Mas o nosso aspecto espiritual depende da fé, a qual não está diretamente relacionada com o que vemos ou sentimos, “visto que andamos por fé e não pelo que vemos” (II Coríntios 5.7). Há vários tipos de fé. Toda pessoa, seja ela salva ou não, tem uma fé natural, humana. A Bíblia, porém, fala a respeito de uma fé sobrenatural, uma fé que crê mais com o coração do que com aquilo que nossos sentidos físicos nos dizem (Marcos 11.20-24). Crer (em termos de reconhecer a existência de Deus, por exemplo) é importante, mas precisamos alcançar o nível de confiar no Senhor (Salmos 37.3-5). Podemos dizer, assim, que a confiança é um estado avançado da fé (Hebreus 11.6). Confiar é se entregar, pela fé.
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    10 2. Fé esuperstição O dicionário Aurélio, da língua portuguesa, define superstição como “sentimento (...) que se funda no temor ou na ignorância e que leva ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes; crendice”. Portanto, ser supersticioso implica algumas coisas, segundo a definição do dicionário: 1º) O fundamento da superstição é o sentimento humano de temor ou ignorância. Por exemplo, nos filmes de terror, sabe-se que o que está assistindo é invenção humana, mas mesmo assim, a pessoa é tomada de temor e se sente tocada pelas impressões do que aparece na tela. Superstição, neste contexto, exerce um poder falso sobre as pessoas, a ponto de fazê-las acreditar que deve fazer certas coisas para evitar que o pior lhes aconteça. Por exemplo, não passar em baixo de escada, para não dar azar; usar colar de pé de coelho para dar sorte; e até mesmo abrir a Bíblia, geralmente, no Salmo 91, como se isso fosse o suficiente para afastar maus espíritos e garantir uma vida abençoada. Isso explica também o sentimento de ignorância, ou seja, falta de conhecimento, que leva as pessoas a acreditarem nessas coisas. 2º) A definição afirma ainda que a superstição leva as pessoas ao conhecimento de falsos deveres: isso significa que não se pode provar a validade dos objetos da superstição e, pior que isso, a superstição conduz as pessoas a falsos conhecimentos da realidade. Geralmente, quem é supersticioso sempre tem uma explicação misteriosa para acontecimentos, que à primeira vista, parecem não ter respostas plausíveis. Já a fé, por sua vez, não nega a razão das coisas, mas é capaz de ir além. Por isso é que a Bíblia tem aquele versículo que diz que “...a fé vem pela pregação, e a pregação pela palavra de Cristo” (Romanos 10.17). A fé é adquirida e aperfeiçoada inteligivelmente. A superstição, porém, leva ao receio de coisas fantásticas, ou seja, acreditar naquilo que não existe. Assim, a pessoa supersticiosa passa a confundir fantasia com realidade, principalmente devido ao medo e à dúvida. 3) Por fim, a superstição leva as pessoas à confiança em coisas ineficazes. Isso significa que a pessoa supersticiosa vai ter muitas dificuldades em chegar a algum lugar. É ineficaz qualquer ação que tome por causa da sua crendice. Infelizmente, isso não se refere apenas a religiões outras que não o Cristianismo ou a coisas do dia-a-dia. Muita gente se encontra neste nível, em sua vida cristã. Tem medo do que pode acontecer se não cumprir certos deveres, quer fazer trocas com Deus para receber bênçãos e acredita que
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    11 que cumprir rituaisé o suficiente para sua vida espiritual estar em ordem. Porém, isso não é fé, pois a fé não surge do medo, mas de um profundo sentimento humano da existência de Deus e de sua ação em relação à sua criação e do estabelecimento de um relacionamento profundo com ele. Tampouco, a fé é fruto de ignorância ou é inoperante. Ao contrário, a fé é capaz de curar as pessoas, levantar pessoas que se sentem deprimidas, cabisbaixas, derrotadas (Hebreus 11.35-40). A fé é capaz de salvar as pessoas (Efésios 2.8). Portanto, a fé não é produzida pelo próprio ser humano, mas é dádiva, dom de Deus. 3. A fé cristã Na Carta aos Hebreus, capítulo 11, versículo 1, aprendemos a definição da fé cristã: “Ora, a fé é a certeza das coisas que se esperam, e a convicção de fatos que se não veem”. Na Bíblia Hebraica (Antigo Testamento), a palavra usada para fé é emuah – ‫ֱא‬‫מ‬‫נּו‬ָ‫ה‬ (dicionário STRONG, verbete 530) e leva-nos primeiramente ao sentido de confiança, certeza. No Novo Testamento, a palavra traduzida por fé vem do grego pi’stis – πίστις (STRONG, 4102), que transmite a ideia de confiança, firme convicção. Sendo a fé a convicção das coisas não vistas, podemos ter, ao menos, duas conclusões preliminares: a) A fé é dom de Deus: Significa dizer que a fé é um bem sobrenatural de Deus, concedido a nós pela nossa disposição em aceitar a sua graça (Efésios 2.8). A fé nos revela o mundo de Deus e nos faz ir ao encontro dele. Antes do dom da fé, o ser humano não é capaz de agradar a Deus, nem buscá-lo (Hebreus 11.6: “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam”). Como a graça, a fé é uma dádiva de Deus para com o Ser humano. Mas a fé pode crescer como uma semente que brota e frutifica (Marcos 11.20-24). Para isso é necessário aprender sobre as Escrituras porque “a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Romanos 10.17). b) A fé nos faz ver além da capacidade natural do ser humano: Portanto, a fé é a única condição necessária para a justificação em Jesus Cristo, “Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Romanos 10.4). A justificação (ser perdoado dos pecados e consolidado na vida com Deus) vem pela fé.
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    12 A fé aproximao ser humano de Deus, traz comunhão e paz com o Senhor Jesus. É aceitação da doutrina revelada por Deus e a confiança na obra salvadora de Cristo. O objeto da fé que salva (como explicado em Efésios 2.8) é toda a revelação da palavra de Deus. 4. Como obtemos fé A fé, conforme já estudamos, brota da Palavra de Deus (Romanos 10.17). Por ter origem do coração de Deus para nós e não em nós mesmos, a fé diz a mesma coisa que a Palavra de Deus diz. E por que, às vezes, é tão difícil termos fé? Porque simplesmente não acreditamos na Palavra de Deus. É a incredulidade que reduz a nossa fé. Devemos estar no centro da vontade de Deus, em tudo, e não apenas no que nos convém ou interessa. A fé tem vigor para pronunciar a cura, mas também para suportar o espinho na carne, se Deus lhe disser que “a graça basta” (II Coríntios 12.9). A fé caminha independente do terreno, pois seu alvo é Cristo e seu reino e não a autossatisfação. Por isso, é preciso o autoexame que nos leva a perceber se andamos por fé ou por desejo. Observe que não há na Bíblia nenhum texto que diz que quando orarmos receberemos aquilo que desejamos. O que a Palavra de Deus diz é: “tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco” (Marcos 11.24). Ou seja, a ação que precisamos realizar não é o ato de desejar, mas sim o ato de crer. Portanto, para obter fé, é preciso: 1. Confiar na Palavra de Deus; 2. Fazer autoexame se andamos por fé ou por desejo; 3. Praticar a fé. 5. Os fortes e os fracos em fracos na fé (Romanos 14-15) A fé deve levar ao desenvolvimento da salvação, tornando os cristãos fortes para poder suportar os fracos deste mundo. Mas como se definem os fortes e os fracos na fé? O apóstolo Paulo apresenta, em Romanos 14 e 15, a atitude dos fortes na fé: a) Os fortes são livres em Cristo. Sua consciência é capaz de distinguir a obra de Cristo (Romanos 14.6-9). Sua fé não depende de circunstâncias deste mundo para se manter. Está alicerçada somente na obra de Cristo (Romanos 14.22-23).
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    13 b) Os fortesacolhem os fracos, que se escandalizam e perdem a sua liberdade, por causa das coisas do mundo. No contexto da Carta aos Romanos, os fracos podem ser caracterizados em três grupos: os judeu-cristãos, que continuavam presos às regras alimentares da Lei (não comer carne que não seja de procedência judia – pureza; nem tomar vinho); os heleno-cristãos (gentios convertidos), que se deixavam judaizar e frequentavam as sinagogas dos judeus; e os que se convertiam do cristianismo para o judaísmo (confira o esboço da carta aos Romanos: http://www.bibliaonline.net/esboco/colecao.cgi?45). Com esse texto, podemos definir o fraco como aquele que, de alguma maneira, desvia o seu olhar do centro da sua salvação, que é Cristo, e se deixa contaminar por pensamentos e práticas que o afastam da presença de Deus. É aquele que se escandaliza e tropeça, seja pela sua falta de busca pessoal e comunitária; seja porque volta o seu olhar para o mundo ou outra religião; seja porque não aprova a liberdade ou o estilo de vida do irmão ou irmã que está na sua comunidade. Por sua vez, o forte é o que acolhe, é aquele que é capaz de priorizar a salvação do fraco, mesmo diante da sua liberdade. c) Os fortes não julgam, mas são capazes de ceder ao julgamento do fraco por causa do amor fraternal (Romanos 14.15). d) Finalmente, os fortes servem (Romanos 14.18). Aqui aparece claramente a lógica invertida do Reino de Deus. Servir uns aos outros agrada a Deus. Os fortes servem ao próximo para a sua edificação e não procuram agradar a si mesmos (Romanos 15.1). Desta forma precisamos ser fortes para servir ao próximo e alcançar vidas através do discipulado cristão. 6. Fé de Tomé versus fé de Abraão A fé verdadeira, de acordo com o que nos ensina a Bíblia, não deve gerar em nós um espírito preocupado ou ansioso. Se estamos assim, devemos avaliar se é porque não estamos crendo ou estamos distantes de um relacionamento íntimo com Deus. Nosso coração se anima à medida que lemos a Palavra. Ao meditarmos sobre essa Palavra, nossa certeza e crença tornam-se mais profundas. Essa certeza, essa segurança, essa crença que passa a habitar em nosso espírito não depende do raciocínio ou conhecimento humano e, em alguns momentos, pode até mesmo contradizê-lo ou à evidência física. Mas crer em Deus de todo o nosso coração significa crer além daquilo que nos é evidente. Tomé era um homem que baseava sua fé em seus sentimentos. Disse que não creria até que pudesse ver com os próprios olhos e tocar com as próprias mãos os sinais
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    14 dos cravos marcadosnas mãos de Jesus. Confiava naquilo que podia ver e tocar, e não naquilo que Deus dizia. Infelizmente, ainda existe hoje muitos “cristãos tipo Tomé” - aqueles que creem somente naquilo que sentem, veem ou tocam. É uma pena! Porque essas pessoas não experimentam a fé genuína em Deus que está baseada na Sua Palavra. Crer em Deus é crer na Sua Palavra. Se a Palavra de Deus diz que ele me ouve, sei que ele me ouve, porque a sua Palavra é a verdade e a Palavra não mente. Se a nossa fé se baseia nos sentimentos, estamos usando simplesmente o que é denominado como fé humana natural. E a fé humana natural não produz resultados espirituais. Precisamos usar a fé bíblica - segundo as Escrituras - crendo na Palavra de Deus, se quisermos experiências e respostas espirituais. Qualquer um pode crer naquilo que sente, ouve ou vê. Durante a maior parte do tempo, vivemos e agimos na dimensão física, e obviamente, em muitos casos, precisamos andar segundo aquilo que vemos. Porém, quando se trata de coisas bíblicas - coisas espirituais - não devemos andar pelo que vemos e sim, andarmos pela fé (II Coríntios 5.7). Muitos cristãos que têm uma “fé tipo Tomé” deveriam fazer uma grande troca. Qual? Trocar a pouca fé deles por uma grande fé, uma “fé tipo Abraão”. Abraão, ao contrário de Tomé, não duvidou da promessa de Deus. Ele fortaleceu-se pela fé. Observe atentamente as passagens bíblicas destacadas abaixo: João 20.24-29 24 Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 25 Disseram-lhe então os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele respondeu: Se eu não vir nas suas mãos os sinais dos cravos, e ali não puser o meu dedo, e não puser a minha mão no seu lado, de modo algum acreditarei. 26 Passados oito dias, estavam outra vez ali reunidos os seus discípulos e Tomé com eles. Estando as portas trancadas, veio Jesus, pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco! 27 E logo disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; chega também a tua mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente. 28 Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu! 29 Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram, e creram. Por que Tomé achava difícil crer que Jesus estava vivo? Tomé sabia a respeito dos cravos que transpassaram as mãos de Jesus, e da lança que penetrou no seu lado. Seus sentimentos físicos lhe diziam que Jesus estava morto. Tomé estava empregando o conhecimento da mente em vez da fé no coração. Compare, agora, a fé de Abraão:
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    15 Romanos 4.17-21 17 Comoestá escrito: Por pai de muitas nações te constituí [Abraão], perante aquele no qual creu, o Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem. 18 Abraão, esperando contra a esperança, creu, para vir a ser pai de muitas nações, segundo lhe fora dito: Assim será a tua descendência. 19 E, sem enfraquecer na fé, embora levasse em conta o seu próprio corpo amortecido, sendo já de cem anos, e a idade avançada de Sara, 20 Não duvidou da promessa de Deus, por incredulidade, mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus, 21 Estando plenamente convicto de que ele era poderoso para cumprir o que prometera. Observa-se claramente a diferença entre os dois tipos de fé desses homens. Tomé tinha apenas uma fé natural e humana que dizia: “Não vou crer a não ser que possa ver e tocar”. Abraão, porém, não considerou seu próprio corpo, nem considerou a vista ou as sensações físicas. O que, pois, Abraão levou em conta? A Palavra de Deus. Precisamos andar pela fé, e não por vista. É claro que isso não significa negar a existência das dores, doenças e problemas, pois são muito reais. Entretanto, quando olhamos para a vida a partir da perspectiva de Deus, começamos a entender que a vida da fé é a única maneira razoável de viver. Lembre-se: “Sem fé e impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe” (Hebreus 11.6). 7. A fé para salvação O Apóstolo Paulo diz que somos salvos pela fé: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8-9). Mas como recebemos a fé para sermos salvos? Leia: Romanos 10.8-10, 13.14,17 8 Porém, que se diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé que pregamos. 9 Se com tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. 10 Porque com o coração se crê para Justiça, e com a boca se confessa a respeito da salvação. 13 Porque Todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo. 14 Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão
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    16 naquele de quemnada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. 17 E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo. Agora, pense e responda:  Depois de estudar o trecho bíblico citado acima, quais os três passos que a pessoa deve dar para receber a salvação?  Para quem essa salvação está disponível, segundo o v.13?  Segundo o v.17, de onde provém a fé? Deus ordenou que Cornélio mandasse buscar Pedro, a fim de ficar conhecendo o plano da salvação. Na Grande Comissão, registrada em Marcos 15.15-18, Jesus disse aos seus discípulos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. Cornélio ainda não ouvira esse evangelho glorioso. Não encontrara a salvação em Cristo. Deus ordenou que Cornélio mandasse buscar Pedro a fim de ficar conhecendo o plano da salvação. Por que Cornélio tinha de mandar buscar Pedro? Porque o anjo não poderia ter explicado a Cornélio o plano da salvação, com igual perfeição? Porque anjos não podem pregar o Evangelho. Deus confiou aos seres humanos essa tarefa (I Pedro 1.12)! Atos 11.13.14 13 Ele nos contou como (Cornélio) vira o anjo em pé em sua casa, e que lhe dissera: Envia a Jope e manda chamar Simão, por sobrenome Pedro, 14 o qual te dirá palavra mediante as quais serás salvo, tu e toda a tua casa. O versículo “O qual te dirá palavras mediante as quais serás salvo” demonstra que as pessoas são salvas por ouvirem palavras! A razão disso é porque “a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Romanos 10.17). Atos 14.6-10 6 E em Listra e Derbe... [Paulo e Barnabé] 7 Onde anunciavam o evangelho. 8 Em Listra costumava estar assentado certo homem aleijado, paralítico desde o seu nascimento, o qual jamais pudera andar. 9 Esse homem ouviu falar de PauIo, que, fixando nele os olhos e vendo que possuía fé para ser curado, 10 Disse-lhe em alta voz: Apruma-te direito sobre os pés. Ele saltou e andava.
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    17 Um leitor ocasionalda Palavra poderia dizer a respeito desse trecho bíblico: “É maravilhoso como Paulo curou aquele homem”. Mas não foi Paulo quem curou o homem. Paulo fez três coisas: a) Pregou o evangelho (v. 7); b) Percebeu que o homem tinha fé para ser curado (v. 9); c) Mandou o homem levantar-se e andar (v. 10). Veja: O homem não foi curado devido a algum poder que Paulo possuía. O próprio homem tinha fé para ser curado. E como obteve a fé para ser curado? E o que é que Paulo falou? Paulo pregava um evangelho de salvação e de cura: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro o judeu e também o grego” (Romanos 1.16). As palavras hebraicas e gregas para “salvação” dão ideia de libertação, segurança, preservação, cura e perfeição. Hebraico yeshuah (‫ה‬‫ע‬ָ‫ׁשּו‬‫י‬ ְ - Dicionário STRONG, verbete 3444) e grego sōtēría (σωτηρίας - Dicionário STRONG, verbete 4991). Paulo estava dizendo, portanto que a salvação nos leva a uma obra completa de Cristo na cruz concedendo vida abundante (João 10.10). Paulo pregava o evangelho pleno, que não parte dele mesmo. É a Palavra que cura o ser humano! Atos 8.5-8 5. Filipe, descendo à cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo. 6. As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava. 7. Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam gritando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados. 8. E houve grande alegria naquela cidade. Os grandes milagres registrados nos versículos citados foram realizados como resultado da pregação de Filipe. O Novo Testamento não conhece nenhum Cristo que não seja também o Médico dos Médicos. A cura física - a cura divina - faz parte do Evangelho. O mesmo evangelho que salva também opera cura e milagres na vida cristã. 8. A fé em ação Tanto no Antigo Testamento quanto no Novo vemos exemplos de como o povo de Deus, pondo em prática a sua fé, conseguiu realizar façanhas poderosas. Grandes milagres foram operados por homens humildes que punham em prática a Palavra de Deus, com fé simples e confiante. Pois a verdadeira fé é operante, mas a “fé sem obras é morta” (Tiago 2.26).
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    18 Medite nos versículosdas Escrituras em Tiago 5.14-15: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor, e a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados”. Agora compartilhe uma experiência onde a fé entrou em ação trazendo cura e salvação. a) A fé em ação no Antigo Testamento: Leia o texto de Josué 6.2-5,16,20 2 Então disse o Senhor a Josué: Olha, entreguei na tua mão Jericó, o seu rei e os seus valentes. 3 Vós, pois, todos os homens de guerra, rodeareis a cidade, cercando-a uma vez: assim fareis por seis dias. 4 Sete sacerdotes levarão sete trombetas de chifres de carneiros adiante da arca; no sétimo dia rodeareis a cidade sete vezes, e os sacerdotes tocarão as trombetas. 5 E será que, tocando-se longamente a trombeta de carneiro, ouvindo vós o sonido dela, todo o povo gritara com grande grito: o muro da cidade cairá abaixo, e o povo subirá nele, cada qual em frente de si. 16 E sucedeu que, na sétima vez, quando os sacerdotes tocavam as trombetas, disse Josué ao povo: Gritai; porque o Senhor vos entregou a cidade! 20 Gritou, pois, o povo, e os sacerdotes tocaram as trombetas. Tendo ouvido o povo o sonido da trombeta e levantando grande grito, ruíram as muralhas, e o povo subiu à cidade, cada qual em frente de si e a tomaram. Lemos, no versículo 2, que Deus disse a Josué que Ele dera a cidade de Jericó “na tua mão”. Isso não significava, no entanto, que Josué e os filhos de Israel podiam ficar acomodados e distraídos enquanto a cidade automaticamente se tornaria deles. Não! Eles tinham de fazer alguma coisa, uma ação seria necessária para a realização da promessa. Vamos relembrar o que aconteceu? Deus lhes deu instruções claras quanto a tomarem posse da terra que Ele já lhes dera, mas era preciso crer naquela Palavra e praticá-la. A prática da Palavra de Deus por parte deles era a sua fé em ação. Deviam marchar em derredor dos muros da cidade uma vez por dia, durante seis dias. No sétimo dia, deviam fazer isso sete vezes. Então, ao soarem os instrumentos musicais, deviam gritar. Note que eles gritavam enquanto os muros ainda estavam em pé. Qualquer um pode gritar depois de os muros caírem – isso não exige fé nenhuma. Eles, porém, punham em prática a sua fé: “Levantaram grande grito” e as muralhas ruíram! Ou seja, foi preciso
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    19 que eles exercitassema fé deles para que aquilo que Deus prometeu se cumprisse. Infelizmente, o que percebemos em nosso meio, é que um grande número de pessoas está acomodado esperando que algo venha até elas. Encontram-se em diferentes graus de inércia, com uma fé passiva ao invés de uma fé ativa, esperando que algo aconteça, sem tomarem nenhuma atitude (Hebreus 11.20). b) A fé em ação no Novo Testamento Lucas 5.18-20,24,25 18 Vieram então uns homens trazendo em um leito um paralítico; e procuravam introduzi-lo e pô-lo diante de Jesus. 19 E não achando por onde introduzi-lo por causa da multidão, subindo ao eirado, o desceram no leito, por entre os ladrilhos, para o meio, diante de Jesus. 20 Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Homem, estão perdoados os teus pecados. 24 Eu te ordeno: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para casa. 25 Imediatamente se levantou diante deles, tomando o leito em que permanecera deitado, voltou para casa, glorificando a Deus. Esta passagem bíblica nos relata um momento maravilhoso de exercício de fé. Enquanto Jesus ensinava numa casa, alguns homens trouxeram-lhe o amigo deles para ser curado. O homem era paralítico e estava confinado ao leito. A multidão era tão grande que esses amigos do paralítico não conseguiam chegar até Jesus, mas, em vez de desistirem, resolveram que descobririam alguma maneira de alcançar seu objetivo. Subiram ao telhado e, através de uma abertura entre os ladrilhos, desceram o enfermo no leito, diante do Senhor. Vamos pensar? De quem era a fé que levou a esse milagre? Do homem no leito ou dos amigos que o trouxeram até o Senhor? As Escrituras dizem: Vendo-lhes a fé – o pronome demonstrativo “lhes” está no plural. Era a fé de todos eles. Teria sido fácil para os amigos do homem, ao verem a grande multidão que cercava a Jesus, terem sacudido os ombros, desistido, e voltado para casa, dizendo: “Pois bem, pelo menos tentamos. Fizemos o melhor possível”. Mas eles não desistiram tão facilmente. Descobriram uma maneira de levar o amigo até Jesus. O enfermo também demonstrava muita fé, pois confiou em subir pelo telhado para encontrar com Jesus. Além disso, quando Jesus o mandou levantar-se e andar, ainda não se sentia melhor. Jazia ali, tão desamparado quanto sempre. Ele poderia ter dito: “Levantar-me e andar? Mas você não viu esses homens me carregando para cá? Não tenho a mínima possibilidade de levantar-me. Você terá que me curar primeiro”. Mas não
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    20 respondeu assim; quandoJesus ordenou que se levantasse, começou a fazer algum movimento, e a cura veio como resultado. Se tivesse se recusado a pôr em prática a palavra do Mestre, não teria recebido a cura. Mas, como ele creu e agiu, recebeu. 9. Fé X Desejo E como diferenciar a fé do desejo? O desejo parte de nós mesmos, de nossas ansiedades e concupiscências (palavra bíblica que significa inclinação, tendência). Não é o desejar que realiza a tarefa; é o crer. Em uma tradução moderna do Novo Testamento em inglês, o conhecido versículo em Hebreus 11.1 diz: “a fé é a certeza de coisas que se esperam”. O ponto de partida da fé é Deus e não o ser humano, por isso o desejo é corrompido, enquanto a fé é firme. O desejo nunca se sacia, está sempre ansioso, de um lado para o outro, à busca de novidades. A fé caminha a passos firmes, pois seu alvo final já está no seu horizonte, não se perdendo por novidades ou vãs doutrinas. Por isso, Tiago disse que há pessoas que pedem e não recebem, porque não pedem por fé, mas para satisfazer seus desejos (Tiago 4.3). Leia novamente os versículos abaixo: Efésios 2.8-9 8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; 9 Não de obras, para que ninguém se glorie. Romanos 10.9-10,13 9 Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. 10 Porque com o coração se crê para Justiça, e com a boca se confessa a respeito da salvação. 13 Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo. Os versículos acima indicam ao ser humano o plano da salvação. Vemos que é pela fé – e não pelo desejo – que somos salvos. Jesus prometeu que não lançará fora ninguém que vem a Ele, mas que salvará todo aquele que invocar o nome do Senhor. Ele nos prometeu que assim fará. O que temos que fazer é crer. É possível que a pessoa tenha certa convicção pessoal, que não produz temor ou é inoperante, mas ainda não pode ser definida como fé. Certa vez, John Wesley (no Sermão 14: O arrependimento nos crentes) disse que o diabo deu à Igreja um substituto da fé; parece e soa tão semelhante à fé, que poucos percebem a diferença. Ele chamou-o de “assentimento mental”, ou seja: uma afirmação da mente. Como isso se aplica? Às vezes, as pessoas leem a Bíblia e concordam que o que está escrito é verdade, mas esta concordância acontece somente na mente, pois, no coração, ainda há dúvidas ou mesmo
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    21 descrença. E issonão basta, não é suficiente, pois é a fé no coração que recebe algo da parte de Deus. Para Wesley, a fé é a convicção plena na soberania de Cristo: “Essa é a vitória que vence o mundo, a nossa fé” (I João 5.4-5). Quem crê no filho de Deus “tem a vida; não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (João 5.24). Mas não qualquer tipo de fé. Os demônios também creem e estremecem (Tiago 2.19), mas o que adianta a eles? Falta arrependimento. A fé que não produz arrependimento não é viva. Essa fé implica sentir que estamos salvos por Cristo. Wesley conclui que quem possui essa fé purifica o seu coração do orgulho, da ira, da cobiça, da injustiça (Sermão 1 – A Salvação pela fé: (http://www.metodista.org.br/sermoes-de-john-wesley-disponiveis-para-download). 10. A fé e a esperança A esperança cristã sustenta e motiva a fé. Podemos dizer que, enquanto a fé tem a ver com nosso momento atual, a esperança cristã está relacionada com a plenitude que aguardamos no futuro com Cristo. Temos a bendita esperança da próxima vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, da ressurreição dos justos, do arrebatamento dos santos vivos; temos a esperança do céu, e a esperança de no céu vermos nossos entes queridos e amigos. Damos graças a Deus por aquela esperança. Paulo disse que se a nossa esperança em Cristo se reduzir apenas a este mundo, somos os mais infelizes de todos os seres humanos (I Coríntios 15.19). Jesus está chegando. Ele está chegando porque a Palavra diz assim. A ressurreição ocorrerá. Os mortos em Cristo subirão para se encontrar com Ele nos ares (I Tessalonicenses 4.15-17). Nossa fé ou a falta dela não afetará esses eventos (Mateus 24.27). Jesus está voltando, porque a Palavra diz que ele voltará (Hebreus 10.37). Essa é a bendita esperança que todos os cristãos antegozam. Mas, embora a esperança nos sustente nos momentos de maior aflição (Salmos 40.1), é a fé que mobiliza para a ação. É preciso cuidar para que a verdadeira esperança não se transforme em passividade, sendo prejudicial ao nosso crescimento na fé. O resultado da fé em nossa vida vem quando agimos de acordo com a fé ensinada nas Escritas – uma fé que atua. No sermão 17 de John Wesley “A circuncisão do coração”, ele afirma a necessidade de fé e de esperança na vida do crente (http://www.metodista.org.br/sermoes-de-john-wesley-disponiveis-para-download). Ele explica os dois termos:
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    22 a) Ter fé:uma fé capaz de derrubar “os preconceitos da razão corrompida, todos os maus costumes e hábitos, toda aquela ‘sabedoria do mundo’, que ‘é loucura diante de Deus’ (I Coríntios 3.19). Wesley afirma que essa fé possibilita ao cristão perceber sua vocação que é glorificar a Deus na totalidade de seu ser. Significa não apenas a aceitação intelectual (na mente) do sacrifício de Cristo, mas a revelação Dele em nosso coração: uma convicção do seu amor — lembrando aqui a experiência do coração aquecido! — Uma confiança em sua misericórdia. Uma fé operante, que torna o poder de Deus evidente. b) Ter esperança: A convicção interior de que são “filhos de Deus” (João 1.12), testificada pelo próprio Espírito Santo (Romanos 8.16). Wesley afirma que tal esperança é obra do Espírito, que inspira a confiança nos cristãos, de que todas as coisas serão recebidas por eles das mãos de Deus, uma “feliz antevisão daquela ‘coroa da glória’” que Deus lhes reserva nos céus. Essa mesma esperança lhe possibilita atravessar os sofrimentos do tempo presente na convicção da vitória final. Ele ressalta o valor da esperança na vida cristã, pois a esperança leva as pessoas a verem o prêmio e a coroa diante delas. Para Wesley, erram, portanto, os que ensinam que, “servindo a Deus, não devíamos ter em vista nossa própria felicidade. Pelo contrário, somos frequente e explicitamente ensinados por Deus para ‘ter os olhos fixos na recompensa’, contrabalançar o labor pela ‘alegria que nos está proposta’, nossa “leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória” (II Coríntios 4.17)”. Wesley afirma que, por não levar em conta esse fator, muitas pessoas acabam achando extremamente pesados os desígnios de Deus, já que não se alegram em cumpri-los, tomando-os simplesmente como fardos. Ao mesmo tempo, alerta sobre os que pensam que podem cumprir a vontade de Deus sem nenhum esforço. Ele lembra os sofrimentos exemplares de Paulo, que por tudo passou a fim de alcançar a coroa. Além dos sofrimentos impostos pelos opositores do evangelho, ele ainda enfrentou a constante negação de si mesmo! É a esperança que coloca nossos olhos no prêmio, sem ignorar os espinhos do caminho, mas vencendo-os com perseverança e disciplina firmados em Cristo. 11. Seis inimigos da fé Aqui trataremos de seis inimigos da fé. Consideraremos o “bom combate da fé” do cristão, conforme é mencionado em I Timóteo 6.12, que é a única luta que o crente é conclamado a travar. O “bom combate da fé” é resistir aos inimigos da fé ou impedimentos para a fé (pois se não houvesse inimigos da fé, não haveria nenhum combate envolvido).
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    23 Inimigo N° 1:Falta de compreensão sobre o que significa ser nova criatura em Cristo: “E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas Já passaram; eis que se fizeram novas” (II Coríntios 5.17). Não compreender o que significa ser uma nova criatura dificulta nossa vida de fé. Muitas pessoas não se dão conta de que realmente são outras pessoas. Acham que quando foram salvas, Deus simplesmente perdoou os seus pecados. Isso seria pouco proveitoso se fosse somente o que o crente tivesse recebido. Precisa nascer de novo (João 3.7). Precisa tornar-se nova criatura, e despojar-se dos velhos modos pecaminosos. Somos novas criaturas, criadas por Deus em Cristo Jesus com a própria vida e natureza de Deus em nosso espírito. Somos filhos de Deus, herdeiros de Deus, e coerdeiros com Cristo Jesus. Inimigo N° 2: Não compreender a nossa situação. Uma boa atividade a ser feita é ler todo o Novo Testamento - especialmente as Epístolas - e anotar as expressões “em Cristo”, “em que”, e “Nele”. Registrá-las por escrito nos ajudará a memorizá-las. Há aproximadamente 140 expressões dessas no Novo Testamento. Se conseguirmos ler esses textos meditando sobre eles até se tornarem parte de nós, teremos uma vida diferente. À medida que ler esses versículos, pode-se declarar: “É isso que somos”, “É isso que possuímos em Cristo Jesus”. Esta é uma disposição de vida, um estado de alma como “disposição habitual da alma que, nos Escritos Sagrados, se chama ‘santidade’, e que diretamente implica ser purificado do pecado, ‘de toda impureza, tanto da carne, como do espírito’, e, consequentemente, ser dotado com aquelas virtudes que havia em Jesus Cristo, no ser ‘renovado no espírito do nosso entendimento’, de modo a ser ‘perfeitos, como perfeito é nosso Pai Celeste’” (John Wesley). Inimigo N° 3: Falta de compreender a justiça Divina: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos Justiça de Deus” (II Coríntios 5.21). O sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo o pecado (I João 1.7). Logo, pelo Novo Nascimento, ficamos sendo novas criaturas justas. Sabemos que Deus não criou novas criaturas iníquas. Fomos criados por Deus em Cristo Jesus, e ele nos fez novas criaturas justas. Somos filhos e filhas de Deus e podemos ficar na sua presença sem nenhum temor
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    24 gerado pela má-consciênciado pecado; sem sentimento de culpa nem vergonha. Não precisamos ficar paralisados de medo (I João 4.18). Podemos entrar na presença de Deus porque é o lugar certo para nós (Hebreus 10.19). Quando nascemos de novo, nossos pecados foram perdoados, porque a nossa vida pregressa cessou. Deus disse que não se lembraria das nossas transgressões (Jeremias 31.34). E se ele não se lembra delas, por que nós nos lembraríamos? Alguns podem perguntar: “Mas cometi pecados depois de tornar-me cristão. Como posso ser justo?”. A resposta a esta pergunta acha-se em I João 1.9: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. Quando pecamos, sentimo-nos culpados e com sensação de injustiça. Sentimo-nos indignos de chegar à presença de Deus (Isaías 59.2). Quando, porém, confessamos os nossos pecados, ele nos perdoa e purifica. Recuperamos a nossa condição diante de Deus. Cabe destacar que essa renovação é um processo decorrente da presença do arrependimento. O primeiro arrependimento de pecados, aquele que aconteceu quando nos convertemos, significa uma mudança interna, uma transformação da mente do pecado para a santidade. Mas, depois que nos convertemos, há arrependimento como sendo uma espécie de conhecimento de nós mesmos, de saber que somos pecadores; sim, pecadores culpados, embora saibamos que somos filhos de Deus por adoção. Muitos supõem que, pela redenção pelo sangue de Cristo, não mais somos pecadores, que todos os nossos pecados não só foram cobertos, mas apagados (Colossenses 2.14). Todavia, embora não sejamos imputados por Cristo, que nos perdoa, não podemos deixar de exercer a vigilância espiritual e o crescimento em santidade. Podemos confiar no poder remidor do sangue de Cristo, mas não podemos correr o risco de, por não mais sentirmos o mal no nosso coração, prontamente pensamos que não há mais mal ali (I João 3.20-21). Embora reconheçamos prontamente que “todo o que crê é nascido de Deus” e que “aquele que é nascido de Deus não vive em pecado” (I João 3.9; 5.18), não podemos ignorar que podemos praticar o pecado, mas sua existência reside em nós, por causa de nosso caráter mortal e humano. Podemos dizer que o pecado, embora permaneça, não reina mais em nós, não nos domina (Romanos 6.14). E por isso, experimentamos a liberdade que Cristo nos proporciona, sendo tornados justos novamente, por seu sangue!
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    25 Inimigo N° 4:Não compreender nosso direito de usar o nome de Jesus: “Se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome. Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi, e recebereis, para que a vossa alegria seja completa” (João 16.23- 24). Quando temos plena consciência do poder do nome de Jesus - quando compreendemos o que aquele nome fará - poderemos derrotar Satanás e desfrutar da vitória. Por isso, Jesus disse aos seus discípulos: “Estes sinais hão de acompanhar aqueles que creem: em meu nome expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal: se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados” (Marcos 16.17-18). Esses sinais seguirão aqueles que creem no Evangelho - não somente a Igreja Primitiva, não somente os apóstolos, não somente os pregadores. Todos os crentes devem expulsar demônios em seu nome. Todos os crentes têm autoridade sobre os espíritos malignos em Nome de Jesus (Lucas 10.19). Em seu nome, falarão em línguas. Em seu nome imporão as mãos sobre os enfermos, e estes sararão. Em nome de Jesus temos autoridade e poder hoje, e este nome nos pertence! É claro que sempre é bom ressaltar que não se trata de misticismo ou mágica, mas de fé. Persiste o mandamento que diz que o nome de Deus e, por extensão, de Cristo, não pode ser tomado em vão impunemente. Este é um nome diante do qual terra e céu se prostram, portanto, digno de toda a reverência e adoração. Inimigo N° 5: Não pôr em prática a Palavra. Se sabemos que a Palavra de Deus é a verdade, e se agimos à altura dessa verdade, isso se torna uma realidade em nossa vida. Por isso precisamos praticar a Palavra de Deus e não somente ouvir (Tiago 1.22). A Bíblia diz: “Confia no SENHOR de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento” (Provérbios 3.5). Tudo quanto é necessário perguntar é: “O que diz a Palavra de Deus?”. As pessoas frequentemente perguntam por que não recebem a cura. Citam as Escrituras, textos tais como: “ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças” (Mateus 8.17); e: “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados” (I Pedro 2.24). Elas dizem que creem nesses textos bíblicos. Perguntamos então: “Mas você já agiu à altura da veracidade dessas Escrituras?”.
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    26 Inimigo N° 6:Não manter firme a nossa confissão de fé: “Porque com o coração se crê para a justiça, e com a boca se confessa a respeito da salvação” (Romanos 10.10). “Porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele. Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco” (Marcos 11.23-24). A razão por que tantos cristãos são derrotados é porque têm uma visão predominantemente negativa. Sempre estão falando das suas fraquezas e falhas, vivem conforme aquilo que falam: como derrotados e sem fé, mas a Palavra de Deus nos ensina “guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois, quem fez a promessa é fiel” (Hebreus 10.23). Manter firme a confissão significa não abandonar a fé nem retroceder (Hebreus 10.39). Quando combatemos “o bom combate” (II Timóteo 4.7) da fé, conforme o Apóstolo Paulo nos admoesta, podemos sair do lugar estreito do fracasso e da fraqueza para o poder iluminado de Deus. Assim, devemos ter fé em quê? Naquilo que é promessa de Deus para nossa vida! E como saber quais são estas promessas? Elas estão escritas na Palavra de Deus. Essa Palavra precisa ser suprema, acima de todas as outras coisas. E, à medida que confiamos em Deus de todo nosso coração, a quietude e a paz vêm ao nosso espírito. 12. Evangelismo Evangelizar é compartilhar a fé. A partir do momento que alguém nasce de novo, já começa a compartilhar sua nova fé. Por isso é importante firmar bem os princípios de fé que serão transmitidos para outras pessoas. Então, junto com o Novo Nascimento também é oportuno aprender sobre ganhar vidas para Deus e ter uma vida cristã frutífera desde os primeiros passos da caminhada. A primeira ênfase da Igreja Metodista para o trabalho é “estimular o zelo evangelizador na vida de cada metodista e de cada igreja local” de forma que cada metodista seja um evangelista em potencial para ganhar vidas (Plano Nacional Missionário 2017-2021, página 61). Podemos definir, singelamente, evangelismo como o testemunho que damos às outras pessoas acerca de nossa experiência pessoal com Jesus. Não se trata apenas de falar sobre Cristo, mas sobre o que temos vivido pessoalmente com ele (I João 1.1-4).
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    27 Pense: Como temsido a prática do evangelismo em sua vida, desde que você aceitou a Jesus? Quantas pessoas conheceram o Salvador por meio de seu testemunho? Muitos de nós já tivemos frustrações em experiências de evangelismo. E elas podem nos levar a dizer que não sabemos evangelizar. É preciso saber que há mitos que envolvem o evangelismo. Talvez você ainda acredite em algum deles. Leia-os calmamente. Em seguida, observe a realidade sobre o evangelismo, seguida pelas suas implicações: MITO: Evangelismo significa alcançar estranhos; REALIDADE: A maioria das pessoas é alcançada por amigos; IMPLICAÇÃO: Os membros dos GP’s focalizarão seu amor e suas orações nas pessoas mais próximas a eles. MITO: A maioria das pessoas é alcançada por pregadores profissionais; REALIDADE: A maioria das pessoas é alcançada por cristãos comuns; IMPLICAÇÃO: Treinaremos cada pessoa para compartilhar Jesus com palavras e ações MITO: A conversão normalmente é instantânea; REALIDADE: A conversão geralmente é um processo; IMPLICAÇÃO: Ofereceremos muitas oportunidades para as pessoas ouvirem o Evangelho. MITO: Evangelismo significa apenas dizer as palavras corretas; REALIDADE: As pessoas são ganhas para Jesus por meio do amor prático e palavras; IMPLICAÇÃO: Encorajaremos os membros dos GP’s a atenderem as necessidades das pessoas com ações e palavras. MITO: As pessoas são levadas a Jesus por meio da influência de apenas uma pessoas; REALIDADE: Quanto mais cristãos um incrédulo conhecer. Mais facilmente ele virá para Jesus; IMPLICAÇÃO: Apresentaremos os incrédulos a tantos cristãos quanto for possível. Então, o que devemos fazer para evangelizar de forma bem sucedida? • Devemos evangelizar principalmente as pessoas que conhecemos. Tudo passa pelos relacionamentos que temos;
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    28 • Devemos incentivar-nosmutuamente a falar de Jesus; não devemos pensar que as pessoas só se converterão se o pastor ou a pastora fizer o apelo; • Devemos promover muitas oportunidades para que as pessoas ouçam o evangelho; • Devemos identificar a necessidade das pessoas para ajudá-las. O princípio do serviço não está em dar o que meramente desejam, mas servir com aquilo de que necessitam; • Devemos apresentar às pessoas que ainda não tiveram uma experiência com Jesus tantos cristãos e cristãs quanto possível. Quanto mais pessoas cristãs comprometidas com o Reino estiverem ao redor da pessoa que desejamos ganhar para Cristo, mais influência haverá. Perguntas de reflexão: • Você está feliz por ter sido evangelizado/a? • O que “funcionou” com você nessas ocasiões? a) Aprofundando a compreensão sobre o evangelismo A palavra evangelho, em português, vem do termo latino evangeliu, que, por sua vez, vem da palavra grega euangélion (εὐαγγέλιον – Dicionário STRONG, verbete 2098) que significa “boa nova, boa notícia”. Portanto, evangelização ou evangelismo referem-se ao anúncio, à proclamação do evangelho, isto é, da boa-nova de Deus: a ressurreição de Jesus dentre os mortos para a remissão dos pecados e salvação de toda pessoa que crê. b) O que compartilhar? Como compartilhar? O texto de Atos 2.11 nos dá essa direção: “ouvimos falar... as grandezas de Deus”. Evangelismo é o compartilhar das grandezas de Deus em nossa vida. Evangelismo é o anúncio, a partir de nossa experiência de salvação, do evangelho que cura e liberta. O primeiro apelo do Evangelho é que os seres humanos reconheçam e confessem que são pecadores e que, por isso, estão desconectados de Deus e mortos espiritualmente (Romanos 3.23). O segundo apelo do Evangelho é que Cristo é a solução para esse problema, pois
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    29 por Ele nossospecados são perdoados e somos pessoas reconectadas com Deus e resgatadas da morte espiritual. A boa notícia do Evangelho, então, só se aplica a quem se reconhece como um ser humano pecador e necessitado de salvação. Jesus disse, em Lucas 5.31-32: “Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento”. Assim, as vidas que recebem a morte e ressurreição de Cristo pelos seus pecados, ou seja, creem no Evangelho de Cristo, são salvas! Em I Coríntios 15.1-4, Paulo também fala a respeito da importância da integridade e pureza da mensagem. Ele diz para os coríntios se lembrarem e se apegarem firme e exatamente ao Evangelho que ele havia pregado, pois por meio desse evangelho é que eles seriam salvos. Qualquer desvio disso poderia conduzi-los a uma fé inútil. O apóstolo repete essa ideia em Gálatas 1.6-9, ao escrever: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema”. Evangelizar é proclamar às pessoas que elas são pecadoras, estando, por isso, desconectadas de Deus e mortas espiritualmente, e que, na morte e ressurreição de Cristo, está a boa notícia de Deus a elas, podendo, assim, serem reconciliadas com Ele. 13. Outros conceitos de evangelizar “É a empolgante tarefa de levar a mensagem de liberdade a pessoas escravizadas” (Tom Stebbins); “É a proclamação do Cristo bíblico como Senhor e Salvador, com a perspectiva de persuadir pessoas a ir até ele pessoalmente e então se reconciliarem com Deus” (Billy Graham); “É a proclamação do Evangelho do Cristo crucificado e ressurreto, o único redentor do ser humano, de acordo com as Escrituras, com o propósito de persuadir pessoas pecadoras, condenadas e perdidas a pôr sua confiança em Deus, recebendo e aceitando a Cristo como Senhor em todos os aspectos da vida e na comunhão de sua igreja, aguardando o dia de sua volta gloriosa” (Congresso de Evangelização, Berlim, 1966).
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    30 14. As razões:por que evangelizar? a) A ordem de Jesus Há dois textos bíblicos que nos mostram explicitamente que o evangelismo é uma ordem de Jesus. O primeiro deles é Marcos 16.15, que diz: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. O segundo é o texto de Mateus 28.19-20, que diz: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”. Nesse segundo texto, ao contrário do que se pode pensar, a ordem não é apenas evangelizar, mas, sim, fazer discípulos, o que tem a evangelização – o anúncio da boa nova – por primeiro passo. Além desses dois textos, outros dois ainda podem ser citados. O primeiro é Atos 1.8 que também registra palavras de Jesus. Ele diz: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”. A ênfase temática deste texto é a evangelização. Jesus está dizendo que essa é uma tarefa que deve ser realizada pelos seus discípulos em todo o mundo, mediante o poder do Espírito Santo. O segundo texto é II Coríntios 5.18-20, que diz: “tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus”. Esse texto diz que Deus nos reconciliou consigo nos deu e confiou a mensagem e o ministério da reconciliação, ou seja, a evangelização é uma incumbência dada por Deus às pessoas que foram salvas. b) A necessidade humana A carta do apóstolo Paulo à igreja de Roma nos apresenta excelentes descrições quanto à necessidade que o ser humano tem do Evangelho. Veja Romanos 1.18-32. Por se tratar de um texto grande, vamos destacar três trechos: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça” (v.18), ou seja, a pessoa sem Cristo está debaixo da ira de Deus; “porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se- lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos” (versos 21-22), ou seja,
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    31 ou seja, apessoa sem Cristo é fútil, insensata, obscura e louca em seu coração; “Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si” (v.24); ou seja, o ser humano sem Cristo é escravo do pecado. Além desse texto, outros dois devem ser citados para descrever a necessidade humana: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23); “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6.23). Tendo em vista que a humanidade está desconectada de Deus por causa do pecado e que o Evangelho é uma mensagem de reconciliação, aí está uma ótima razão para a Igreja evangelizar, não acha? c) A exclusividade do Evangelho Há três textos bíblicos que falam sobre a exclusividade do Evangelho, o qual tem Jesus Cristo como elemento central e principal. Em João 14.6, diz: “Respondeu Jesus: ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim’”. O segundo é Atos 4.12, que diz: “não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. O terceiro é I Timóteo 2.5-6, que diz: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos”. Quanto à reconexão com Deus, Jesus é único, exclusivo e absoluto, ou seja, apenas “do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1.16). Tendo em vista a exclusividade do Evangelho, Paulo escreve à igreja de Roma: “Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!” (Romanos 10.13-15). Se a salvação é exclusividade do Evangelho, a Igreja deve se engajar na evangelização, pois o Evangelho está em suas mãos! d) A glória de Deus Uma quarta e última razão que apresentamos para o evangelismo é a glória de Deus. Segundo o Dr. Russell Shedd: “a razão principal da ordem evangelizadora deve ser
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    32 teocêntrica. Quando amotivação para evangelizar torna-se antropocêntrica, ela se deteriora rapidamente e se torna egocêntrica, isto é, voltada para o a realização pessoal e para a satisfação de ambições vãs”. Isso quer dizer que a razão principal da evangelização deve ser Deus e a sua glória. Paulo assim escreveu para a igreja de Roma: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Romanos 11.36). Todas as coisas têm sua origem, razão e propósito em Deus e em sua glória. Sendo assim, o ser humano foi criado para a glória de Deus e é, também, salvo para a sua glória. Quando a humanidade foi criada, boa e perfeita, sua vida rendia glória e dava prazer a Deus. Entretanto, com o pecado, ela foi expulsa de sua presença, ou seja, deixou de lhe render glória e de lhe dar prazer. Com a salvação promovida pela pregação do Evangelho do Reino, Deus quer perdoar os pecados humanos e reconectar-nos consigo, de modo que voltemos a lhe render glória e a lhe dar prazer. Isso é confirmado pela seguinte conjectura: a Bíblia diz em Romanos 8.29 que Deus quer ter muitos filhos semelhantes a Jesus. Sabemos que uma pessoa se torna filha de Deus pela fé em Cristo (João 1.12). Por pelo menos duas vezes, Deus disse que Jesus era um filho amado que lhe dava muito prazer (Mateus 3.17; 17.5). Deus quer ter muitos filhos e filhas que lhe deem prazer, o que é alcançado por meio da evangelização, do evangelismo. Além de sua glória e prazer, há outra razão, em Deus, para a evangelização. A Bíblia diz em I Timóteo 2.4 que Deus “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”. A evangelização é um desejo do coração de Deus, pois apenas assim as pessoas serão salvas e conhecerão a verdade. Sendo assim, quando evangelizamos:  Somos obedientes à ordem de Jesus;  Somos sensíveis à necessidade humana;  Somos conscientes da exclusividade do Evangelho;  Somos promotores e promotoras da glória de Deus.
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    33 Entretanto, quando nãoevangelizamos:  Desprezamos a ordem de Jesus, sendo desobedientes;  Desprezamos a necessidade humana, sendo insensíveis;  Desprezamos a exclusividade do Evangelho, sendo inconscientes;  Desprezamos a glória de Deus, sendo indiferentes. JÁ PENSOU NISSO? ISSO LHE FAZ TER SENTIDO NO CORPO DE CRISTO? 15. Alguns exemplos bíblicos a respeito de ganhar almas: Em João 4.37, a Bíblia fala da semeadura e da colheita. O que podemos aprender com este exemplo? • Podemos aprender que o evangelismo leva tempo. Quando falamos em semear e colher, sabemos que temos de semear e esperar meses para obter frutos; • Podemos aprender que além de levar tempo para a sua efetiva realização, o evangelismo envolve várias pessoas. Por quê? Porque Jesus disse: um é o que semeia e outro é o que colhe. Em Marcos 1.17, “Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens”. Este texto é muito interessante. Vejamos juntos: é o primeiro relato, em todos os evangelhos sinóticos, do chamado dos apóstolos. No mais, dentre esses relatos, é o único em que Jesus traz a clareza da evangelização: “ser pescadores de gente”. Portanto, isso nos mostra de maneira clara o propósito da evangelização: ganharmos homens e mulheres para o Seu Reino. Outro aspecto muito interessante que aprendemos com esta passagem bíblica que trabalhar em unidade na evangelização produz mais resultado do que trabalhar de modo solitário. 16. Como evangelizar O evangelismo deve ocorrer de maneira natural, clara e concisa. O evangelismo ocorrerá, como já vimos, no anúncio da salvação em Jesus. Veremos algumas técnicas que nos ajudarão a organizar esta exposição da boa nova aos amigos e às amigas. Nesse aspecto, são formas de como podemos compartilhar da Graça de Deus. Formas para darmos
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    34 darmos os primeirospassos no processo de evangelização. Mas não se esqueça, de como vimos anteriormente, a evangelização é um processo. Essas técnicas serão os primeiros passos a serem dados individualmente, mas a evangelização se dará no contexto dos Grupos Pequenos – nos quais as pessoas serão consolidadas na fé em Cristo e tornarão discípulas. Algumas formas de anunciar o Evangelho são:  Testemunho pessoal  Plano de Salvação  Quatro Leis Espirituais  Os Quatro Pontos (The 4 points)  Duas Religiões (Fazer x Feito)  Ponte  Gráfico João 3.16  Pesquisa Religiosa  Evento de Colheita  Outras dinâmicas Vantagens de se preparar um testemunho de 5 minutos • O testemunho curto e bem organizado é mais eficiente do o que inclui muita informação e tira a atenção do principal: compromisso com Cristo; • Apresenta Cristo de uma forma empírica (a partir da experiência), pessoal e convincente; • É uma ferramenta igualmente eficiente em grandes e pequenos grupos. • É simples e completo; • Serve para começar a conversa. Abrir portas para o relacionamento, base para conversão; • Dá confiança, pois você sabe o que vai dizer e como vai dizer; • Permite-lhe ser breve; • É uma forma transferível para treinar outros a compartilhar Cristo. Escreva seu testemunho. De que forma? 1. Pedir a Deus unção e orientação; a) Testemunho Pessoal A mais simples pesquisa em nossas igrejas locais demonstra que a maior porcentagem de pessoas consolidadas na fé em Cristo são frutos do testemunho pessoal de amigos, parentes ou colegas de trabalho. Frutos a partir dos relacionamentos. Características do testemunho pessoal >Breve (5 minutos); >Objetivo, simples e claro; >Com início, meio e fim; >Com o antes, a conversão e o depois.
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    35 2. Prepará-lo tendoem mente compartilhá-lo em grupo ou individualmente; 3. Ater-se ao tempo determinado; 4. Ser sincero, não dando a entender que Jesus remove todos os problemas; 5. Considerar o tipo de audiência. O que NÃO fazer: • Opinar sobre igrejas, organizações e pessoas; • Mencionar denominações; • Pregar; • Usar termos vagos (alegre, transformado) sem explicar; • Usar termos bíblicos (salvo, pecado) sem explicar. Perguntas orientadoras para escrever seu testemunho: Como era a sua vida antes de confiar em Jesus Cristo? • Falar das atitudes, problemas, prioridades; o que dava prazer, felicidade, paz; • Ser o mais transparente possível, mencionando o pecado pelo nome; • Evitar um enfoque religioso. Como que estas situações levaram você à conversão? • Quando você ouviu o evangelho pela primeira vez, sua reação, barreiras mentais e sociais; • Quando você começou a reagir positivamente; • O que lhe levou a mudar em relação a Cristo. O que tem acontecido desde a sua conversão a Cristo? • Relatar as mudanças na sua vida pessoal, atitudes, problemas de modo específico; • Quanto tempo levou para notar as mudanças; • O que Jesus significa para você hoje. Prática: • Escreva em uma folha a parte, a partir das orientações dadas, o seu testemunho pessoal.
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    36 • WORKSHOP: emduplas, simulem esse testemunho pessoal em voz audível para treinarem a abordagem pessoal. Será bom que todas as pessoas possam exercitar essa abordagem como treinamento; • Nesta semana, busque pelo menos uma oportunidade para compartilhar o seu testemunho com uma pessoa que não conhece o Evangelho de Cristo. a) Plano de Salvação O Plano da Salvação, parecido com Os Quatro Pontos, é a exposição da Palavra, abordando o tema de acordo com o texto bíblico que o fundamenta. De forma criativa, os dedos da mão são usados para lembrar cada parte do Plano de Salvação. Veja: Polegar: Deus me ama! E aponte para você mesmo. Indicador: Sou pecador. O pecado me separa de Deus. Dedo Médio: Jesus morreu e ressuscitou por mim. Ele apagou meu pecado. Anelar: Recebo o Senhor Jesus. Creio que Ele morreu por mim. Mindinho: Sou salvo. Sei que sou filho de Deus. WORKSHOP: em dupla, simulem a exposição do Plano da Salvação para treinamento e para gravar os textos bíblicos sugeridos.
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    37 b) Quatro LeisEspirituais Primeira Lei: Amor de Deus Deus ama você e tem um plano maravilhoso para sua vida. a) O AMOR DE DEUS: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). Segunda Lei: Pecado humano O ser humano é pecador e está separado de Deus; por isso não pode conhecer nem experimentar o amor e o plano de Deus para sua vida. a) O SER HUMANO É PECADOR: “Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Romanos 3.23). A humanidade foi criada para ter um relacionamento perfeito com Deus, mas por causa de sua desobediência e rebeldia, seguiu um caminho próprio e seu relacionamento com Deus desfez-se. Esse estado de independência de Deus, caracterizado por uma atitude de rebelião ou indiferença, é evidência do que a Bíblia chama de pecado. b) O SER HUMANO ESTÁ SEPARADO DE DEUS: “Pois o salário do pecado é a morte” (Romanos 6.23). Morte, nesse texto, significa separação espiritual de Deus. Deus é santo e a humanidade é pecadora. Um grande abismo separa os dois. A humanidade está continuamente procurando alcançar a Deus e a vida abundante através dos seus próprios esforços: vida reta, boas obras, religião, filosofias, etc. A terceira lei nos mostra a única resposta para o problema dessa separação. Terceira Lei: Morte e ressurreição de Jesus Jesus Cristo é a única solução de Deus para o ser pecador. Por meio dele você pode conhecer e experimentar o amor e o plano de Deus para sua vida. a) ELE MORREU EM NOSSO LUGAR: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.8). b) ELE RESSUSCITOU DENTRE OS MORTOS: “Cristo morreu pelos nossos pecados (...) foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras (...) e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Depois foi visto por mais de quinhentos irmãos” (I Coríntios 15.3-6). c) ELE É O ÚNICO CAMINHO: “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim” (João 14.6). Deus tomou a iniciativa de ligar o abismo que nos separa Dele ao enviar seu Filho, Jesus Cristo, para morrer na cruz em nosso lugar, pagando o preço dos nossos pecados. Mas apenas conhecer essas três leis não é suficiente.
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    38 Quarta Lei: Decisão Precisamosreceber a Jesus Cristo como Salvador e Senhor, por meio de um convite pessoal. Só então poderemos conhecer e experimentar o amor e o plano de Deus para nossa vida. a) PRECISAMOS RECEBER A CRISTO: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome” (João 1.12). b) RECEBEMOS A CRISTO PELA FÉ: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8-9). c) RECEBEMOS A CRISTO POR MEIO DE UM CONVITE PESSOAL: Cristo afirma: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei” (Apocalipse 3.20). Receber a Cristo implica arrependimento, significa deixar de confiar em nossa capacidade para nos salvar, crendo que Cristo é o único que pode fazê-Lo. Não é suficiente crer intelectualmente que Jesus é o Filho de Deus e morreu na cruz pelos nossos pecados, ou ter uma experiência emocional. Recebemos a Cristo pela fé, numa decisão pessoal. Conclusão a) VOCÊ PODE RECEBER A CRISTO AGORA MESMO EM ORAÇÃO Para isso, faça a seguinte oração: “Senhor Jesus, eu preciso de ti. Eu te agradeço por ter morrido na cruz pelos meus pecados. Abro a porta da minha vida e te recebo como meu Salvador e Senhor. Obrigado por perdoar os meus pecados e me dar a vida eterna. Toma conta da minha vida e faça de mim o tipo de pessoa que desejas que eu seja”. Esta oração expressa o desejo do seu coração? Se assim for, algumas coisas aconteceram na sua vida. b) AGORA QUE RECEBEU CRISTO No momento em que, num ato de fé, você recebeu a Cristo, as seguintes coisas aconteceram com você: • Cristo entrou na sua vida (Apocalipse 3.20 e Colossenses 1.27); • Os seus pecados foram perdoados (Colossenses 1.14); • Você se tornou filho ou filha de Deus (João 1.12);
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    39 • Você começoua viver a nova vida para a qual Deus o/a criou (João 10.10; II Coríntios 5.17 e I Tessalonicenses 5.18). Pode pensar em algo mais maravilhoso que lhe pudesse acontecer do que receber a Cristo? Gostaria de agradecer a Deus agora mesmo, em oração, aquilo que Jesus fez por você? O próprio ato de agradecer a Deus revela a sua fé em Deus. c) Os Quatro Pontos Os Quatro Pontos são uma estratégia de evangelismo que pode ser feita a partir de uma pulseira, camiseta ou de um desenho feito por você em qualquer folha. É uma forma simples e concisa de compartilhar quatro verdades da vida com seu amigo, sua amiga, colega de trabalho. Um modelo simples conhecido como 4points ou ‘quatro pontos’ que pode ser resumido na figura abaixo: Os quatro pontos são uma ideia geral ou um resumo de toda a Bíblia e a primeira coisa que você precisa saber ou compreender que Deus lhe ama. O amor de Deus por você é ilimitado e não há nada que possa impedi-lo. Não há nada que Deus queira mais do que amar você e ser amado por você. Infelizmente, a outra verdade é que fomos separados e separadas do amor de Deus. Isso que trouxe a separação nossa para com Deus, a Bíblia chama de pecado. Pecado, de maneira mais simples, é escolher viver para nós mesmos em vez de viver para Deus. Pecamos quando ignoramos a Deus, seus ensinamentos, seus preceitos, e fazemos conforme o que achamos ser bom. Além de trazer separação entre nós e Deus, o pecado também destrói relacionamentos com amigos, família, pessoas que amamos e com a criação. A Bíblia fala que a consequência natural do pecado na vida do homem é a morte. O terceiro ponto é uma verdade de um fato talvez dos mais conhecidos da história da humanidade, mas mal compreendido. Como consequência do pecado, há a realidade
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    40 da morte, ofim de tudo. Esse ponto traz a verdade do grande amor de Deus por você. A imensa misericórdia e amor de Deus são demonstrados no envio de Jesus para vir e morrer em seu lugar. Jesus morreu, mas ressuscitou, e a fé Nele como Senhor e Salvador é o modo de obter a vitória sobre a morte, recebendo de Deus a vida eterna. Deus fez tudo que é possível para demonstrar como você é importante para Ele. Agora, é com você decidir o que vai fazer. Deus está oferecendo-lhe vida plena para toda a eternidade. Tudo que você precisa fazer é aceitar esse amor demonstrado em Jesus: reconhecer que é pecador, pedir perdão confessando sua dependência Dele, e mudar o rumo da sua vida, vivendo o resto de sua vida somente para Ele. A escolha é sua. VOCÊ precisa tomar essa decisão. d) Duas Religiões • A religião humana = FAZER O que eu tenho que fazer para chegar até Deus? • A religião de Deus = FEITO O que Deus fez para que eu possa chegar até Ele? e) Ponte Figura 1
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    41 Figura 2 Figura 3 f)Gráfico João 3.16 • Peça de 10 a 15 minutos; • Com papel e caneta na mão, desenhe como a seguir:
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    42 Gráfico João 3.16 g)Evento de Colheita / Dia do Amigo O Evento da Colheita será uma atividade realizada por cada GP ou podendo, no máximo, envolver três GPs. Lembre-se: o evento não é um culto, uma celebração, etc. Mas um momento para confraternizar com as pessoas, ao mesmo tempo em que desejamos compartilhar a Graça de Deus. É um momento do ser “sal”. Dar uma “pitada” da Graça de Deus para que a pessoa encontre o gosto por Jesus. O Evento da Colheita é uma atividade a ser feita ao menos uma vez durante cada período dos Quatro Grandes Prêmios que percorreremos. É uma atividade que poderá ser usada como estratégia de crescimento do GP. Portanto, salientamos que poderá ser realizado por até três GPs, mas será muito significativo se cada GP realizar o seu.
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    43 Como fazer? • Planejarquando e onde será o evento; • Desafiar cada membro do GP (Grupo Pequeno) a orar por três pessoas nas duas semanas anteriores ao evento; • Fazer contato e convidar pessoas; • Planejar a programação: Dinâmica de quebra-gelo Realizar algo para que ocorra um entrosamento das pessoas na atividade. Fazer algo para que não se sintam um “peixe fora d’água”. Músicas evangelísticas (2 ou 3 músicas) Não deverá ser longo e, preferencialmente, músicas que compartilham o amor de Deus. Insira uma música de adoração. Testemunhos de conversão (2 ou 3 pessoas, de 3 a 5 min) Um momento de compartilhar a conversão em Cristo. Não enfatizar o momento longe de Deus, mas como foi o encontro com Deus. Palavra evangelística (de no máximo 20 minutos) Uma palavra direta do amor de Deus à humanidade. Lembre-se de ser claro na exposição deste amor. Apelo e oração pelas pessoas decididas Todo tempo é tempo de comunicar o amor de Deus. Portanto, sempre ao final da palavra evangelística, perguntar diretamente, por exemplo: “Amigo/a que nos alegra com sua visita/presença nesta festa. Você, hoje, deseja tomar a decisão de conhecer mais a Cristo e seu amor por você? Deseja receber a Cristo como Senhor e Salvador? Se você hoje desejar tomar essa decisão, gostaríamos de orar por você!” Assim, chame as pessoas que desejam tomar essa decisão a chegar próximo de quem estará orando por elas. Demais membros do GP devem estar em oração, de preferência, de mãos estendidas a elas. Convite para a próxima semana Após a oração, faça o convite para que possam visitar na próxima semana o GP. Será interessante, talvez, o GP fazer um cartão-convite com o endereço, horário, “Seja bem-vindo”, algo parecido. Use a criatividade.
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    44 Anotação dos dadosdos convidados O/A líder do GP deverá organizar com antecedência as fichas e as pessoas responsáveis para anotarem os dados dos convidados (Kit Decisão). Lanche especial Um momento de confraternização. O lanche é preparado pelos membros do GP. Momento para estreitar relacionamentos. Jamais deixar os visitantes de lado. Procure entrosá-los no GP. O dia do amigo (ou outro nome que preferir) trata-se de um encontro social, preparado previamente pelo GP, com a finalidade de convidar novas pessoas para se integrarem ao grupo. Não há uma agenda evangelística previamente preparada como no caso do evento de colheita. O dia do amigo é uma estratégia de amizade que facilita a adesão de uma pessoa que, a princípio, tenha dificuldade em se reunir com um grupo para o estudo da Palavra de Deus. Por isso, ela participa, anteriormente, deste encontro social (almoço, piquenique, lazer, etc), com o objetivo inicial de “quebrar o gelo” e aproximar essa pessoa do grupo, estando desejosa de fazer parte do mesmo, a partir de um convite realizado durante o encontro, de forma espontânea e informal. h) Outros eventos Há diversos recursos disponíveis a quem deseja investir na missão de salvar vidas. Basta disposição. Vocês podem promover teatro, vídeos, luau, etc.
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    45 Unidade 2 –CONVERSÃO A Conversão é a continuação da caminhada cristã após o Novo Nascimento. A obra da conversão é contínua na vida cristã. Converter tem o sentido de mudar de direção, trocar o rumo. Então todos os dias fazemos isso ao negar as propostas do pecado para nos voltar em direção a Deus buscando seu perdão. A palavra do grego bíblico para Conversão é metanoia (μετάνοια – dicionário STRONG, verbete 3341), que significa mudança de mentalidade. Esta transformação acontece por meio da obra do arrependimento dos pecados através do convencimento do Espírito Santo (João 16.8-11). Quando conhecemos a Jesus e nos deixamos ser transformados por Deus, logo nos tornamos uma “nova criatura” (II Coríntios 5.17). A este processo de Conversão, vamos tratar como a consolidação do novo convertido. O objetivo dos Grupos Pequenos é alcançar vidas com o Evangelho e cuidar destas pessoas para que continuem sua caminhada cristã. Então a consolidação é uma forma de ajudar as pessoas a buscarem Conversão. 1. Consolidação: um processo eficaz para formar discípulos Esta é a ordem de Jesus para todo crente: "IDE, portanto, FAZEI discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ENSINANDO-OS A GUARDAR todas as coisas que vos tenho ordenado..." (Mateus 28.19-20). Objetivo:  IR e FAZER discípulos  Modo de FAZER: ENSINANDO-LHES A GUARDAR tudo que Jesus ordenou. O IR tem a ver, basicamente, com a atividade que a igreja realiza para buscar as vidas que não conhecem a Cristo; buscar quem não ouviu ou entendeu a mensagem da cruz e, portanto, não pode tomar uma decisão a favor ou contra seguir a Cristo. Este é o primeiro passo da igreja em seu propósito de obedecer à Grande Comissão.
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    46 O FAZER discípulosé mais que pregar o Evangelho; é cuidar do recém-nascido espiritual. É conseguir que se afirme em sua decisão por Jesus, de tal maneira que experimente uma mudança de vida e se envolva na Igreja, Corpo Vivo de Cristo. Deste modo, receberá ensino básico sobre como levar seu novo estilo de vida, aprenderá a amadurecer e terá se convertido em uma testemunha eficaz. Nisto consiste a consolidação! 2. O que é consolidação? A consolidação pode ser definida como o cuidado e a atenção que devemos dispensar ao novo crente para reproduzir nele o caráter de Cristo, de maneira que sua vida cumpra o propósito de Deus: dar fruto que permaneça (João 15.16). É ser capaz de reproduzir-se em outras pessoas. Paulo é um exemplo real do que significa cuidar das almas: " o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo; para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim" (Colossenses 1.28-29). Neste texto, "trabalho" significa "cair rendido de cansaço" e, "lutando" refere-se a "dar tudo no esforço". CONSOLIDAR, PORTANTO, REQUER TRABALHO E ESFORÇO! Para que ocorra uma multiplicação eficaz, é necessária a consolidação. Ao final desta etapa, buscamos prestar contas ao Pai com a mesma afirmação vitoriosa de Jesus: nenhum deles se perdeu (João 17.12). Este passo acontece no instante seguinte à decisão pessoal por Jesus, seja nos cultos de celebração ou no contexto da vida do grupo pequeno. Começa-se um período de consolidação quando o GP investe no crescimento das pessoas novas na fé. Cabe sempre lembrar que não adianta termos um crescimento numérico se a qualidade não for trabalhada de maneira adequada na vida do novo convertido. Trata-se de um processo de integração do convertido à sua nova vida em Cristo e ao contexto da igreja local. 3. O perfil de quem consolida O consolidador é importante? Quem deve ser consolidador? Que características devem ser encontradas na vida de um discípulo consolidador? Diversos são os personagens
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    47 personagens bíblicos quenos ajudariam a responder a estas perguntas - Barnabé, Paulo, Priscila e Áquila, etc. Mas o faremos a partir de um personagem não muito mencionado, no entanto, importantíssimo na história da Igreja Primitiva: Ananias, que consolidou Paulo (Atos 9.9-25). Estava Paulo em Damasco, na casa de Judas, havia três dias, ainda impactado pela experiência extraordinária que tivera com Jesus no caminho. Judas o havia acolhido, comprometendo-se com ele, apesar da má-fama de perseguidor. Você hospedaria em sua casa alguém assim? Isto mostra que cada atitude do crente é importante para o novo convertido. a) A instrução de Deus para Ananias foi clara (At 9.11-12) Deus revelou a Ananias toda a visão; não apenas aquilo que se referia ao próprio Ananias, mas também aquilo que ele estava revelando a Paulo. De igual modo, revelou a Paulo a chegada de Ananias, preparando o seu coração para receber a bênção. A primeira reação de Ananias foi resistir ao chamado. O seu argumento era coerente do ponto de vista humano. Ele ouvira falar de Paulo e sabia da perseguição feroz que liderava contra os cristãos, assolando as igrejas. Era uma ameaça, alguém a ser evitado a todo custo. As implicações de um envolvimento com ele poderiam ser muitas. Essa reação é natural em qualquer pessoa que se sente intimidada com a fama, nome, posição social, condição financeira, etc. da pessoa a ser consolidada. Ao ser desafiado a consolidar, você deve saber duas coisas que são determinantes para permanecer confiante: (1) O Espírito Santo já impactou aquela vida e (2) Deus é quem opera o querer e o efetuar. O consolidador/consolidadora não pode perder de vista aquilo que só se enxerga pela fé. O seu coração precisa estar alinhado com o coração de Deus para sentir o que Ele sente e mover-se na direção do Seu propósito. O chamado de Deus é uma etapa de um projeto perfeito, pleno de sabedoria e amor. Ele amou Paulo, morreu por ele, perdoou seu passado, tinha um propósito extraordinário para sua vida e sabia do impacto que ele representaria para o mundo. Ele via não o que Saulo era, mas o Paulo que viria a ser. Para termos o privilégio de consolidar homens e mulheres que podem vir a ser como Paulo em nossa geração, precisamos:  Obedecer ao chamado;  Valorizar o chamado de Deus;
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    48  Ter avisão de um propósito maior: ver o potencial do novo convertido, ou seja, aquilo que ele pode vir a ser. b) Características do consolidador e consolidadora Ananias vivia em Damasco; um judeu, homem comum dentre o povo, que desenvolveu características pessoais que deveriam estar presentes em todo homem que segue a Cristo. Quais são as características de Ananias que podemos ver no relato do livro de Atos? Paulo escreve sobre ele: "Um homem, chamado Ananias, piedoso conforme a lei, tendo bom testemunho de todos os judeus que ali moravam, veio procurar-me e, pondo-se junto a mim, disse: Saulo, irmão..." (Atos 22.12-16). Ananias não vivia nos palcos, sob holofotes ou aplausos. Todavia, sua vida e influência eram notórias em sua comunidade. Havia um testemunho que corroborava o seu maior título: Ele era um discípulo de Jesus (Atos 9.10), ou seja, reproduzia-se nele a vida de Jesus. Ele aprendeu a ouvir a voz de Deus. Ele também tinha a visão do propósito maior, acolhendo aquele que Deus escolheu, sem discutir seu passado, preferências, preconceitos, raça, cor, religião etc. Resumindo, Ananias era:  Discípulo;  Piedoso;  Coerente no testemunho cristão;  Obediente (obedeceu imediatamente);  Ousado na fé. c) Atitudes do consolidador Ananias, em obediência a Deus, foi procurar Paulo, apesar da reação que essa atitude poderia gerar na comunidade judaica. O discurso de Paulo na escadaria do templo em Jerusalém (Atos 22.12-16) revela que Ananias teve atitudes de consolidador, quais sejam:  Diligência: procurou por Paulo;  Aceitação: colocou-se junto a ele;  Identificação: chamou-o de irmão;  Edificação: Ministrou a palavra de Deus;
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    49  Oração: Oroupor ele;  Propósito: Compartilhou a visão ministerial;  Consolidação: levou-o ao batismo. Ananias foi objetivo em sua missão, como deve ser o trabalho de todo consolidador. Precisamos, como discípulos de Jesus, desenvolver as características e as atitudes de Ananias para sermos consolidadores e consolidadoras eficazes. d) Resultados da consolidação A consolidação feita por Ananias teve resultado completo. Provavelmente, nem ele mesmo imaginaria como seriam grandes os seus frutos e qual seria a dimensão do trabalho apostólico daquele homem que por um momento ele temeu consolidar. Nós, de igual modo, não sabemos que impacto terá a vida daquelas pessoas que Deus nos dá o privilégio de consolidar. Quais foram os resultados na vida de Paulo?  Imediatamente recuperou a visão;  Levantou-se;  Foi batizado;  Alimentou-se;  Fortaleceu-se;  Permaneceu na comunhão com os discípulos;  Passou a pregar o Evangelho;  Cresceu;  Gerou discípulos. A partir daí, não se fala mais em Ananias. A consolidação estava feita e outro discipularia Paulo, tendo importante papel em sua vida: Barnabé. Responda de acordo com o texto lido:  A consolidação é importante? Por quê?  Você reconhece que é sua a responsabilidade da consolidação? Justifique.  Você já consolidou alguém? Em caso positivo, relate como foi. Em caso negativo, explique o por que.  O que você precisa fazer para ser um consolidador eficaz?
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    50 4. Como consolidaro novo convertido? O processo de entrega da vida para Jesus pode ocorrer durante um culto, em um evento de colheita, em uma reunião de GP, em um encontro ou em uma abordagem pessoal. Em qualquer um dos casos, as pessoas que fizeram a decisão por Cristo são desafiadas a fazer uma oração de entrega. Veja a sugestão de oração abaixo: Meu Deus e Pai, venho a Ti em oração para entregar-te toda a minha vida, pois está escrito que o Senhor amou o mundo de tal maneira, que enviou Teu único Filho para nos salvar. Quero abrir as portas do meu coração neste momento, para reconhecer e receber a Jesus Cristo como meu único Senhor e Salvador. Senhor Jesus, entrego-me a Ti de todo o meu coração. Perdoa-me de todos os meus pecados e fraquezas e, como barro nas mãos do oleiro, molda-me como um vaso consagrado, cheio do Teu Santo Espírito. Eu me coloco totalmente nas tuas mãos para fazer a Tua vontade, e não a minha. Entrego a ti todos os meus sonhos e desejos, peço que o Senhor revele a Tua vontade. Instrua-me no caminho que devo seguir, pois está tudo em Tuas mãos. Em nome de Jesus, Amém. Em seguida, as pessoas que se decidiram e fizeram a oração são convidadas a se colocarem de pé e vir à frente (ATENÇÃO: Essa situação deve ser contextualizada, seja num GP, num evento de colheita ou num culto). a) O Ministério de Consolidação No caso de estarem num ambiente de culto ou evento de colheita, as pessoas deverão dirigir-se para a sala previamente preparada para recebê-las, acompanhadas pelo Ministério de Consolidação, conforme os seguintes passos:  Apresente-se: O líder da consolidação deverá colocar-se à frente do grupo, apresentar-se, dando as boas vindas em nome do pastor e da igreja. Faça-o de uma maneira espontânea, para ganhar sua confiança. Com amabilidade e um sorriso, pergunte-lhes o nome e memorize-o (se possível); assim, fará com que se sintam importantes. Deverá apresentar os outros consolidadores, que darão uma pequena palavra de boas vindas, incentivo e motivação, caso seja necessário.
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    51  Quebre ogelo: Lembre-se de que você tem o controle da situação e, portanto, a iniciativa. Faça perguntas simples. Podem ser deste tipo: O que achou da reunião? Como se sentiu?  Conduza-os a compreenderem a decisão tomada ao fazerem a oração de entrega, compartilhando com os mesmos a mensagem do folheto evangelístico dos 4 pontos.  Kit de decisão (de preferência, com atendimento pessoal, ou seja, um consolidador por pessoa decidida): Ficha de decisão: ajude a pessoa a preencher a ficha, dando atenção específica; Ficha de pedido de oração: não se esqueça de anotar a necessidade, pois isso abrir-lhe-á a porta para futuras chamadas telefônicas ou visitas; comprometa-se a orar durante a semana pelo pedido. Encaminhe o pedido para a caixa de oração. Folheto evangelístico: Entregue o folheto, contendo os horários das reuniões da IM em Cataguases ao novo convertido. 
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    52  Ore: Peçapor suas necessidades, proteção, selo do Espírito Santo, bênção e união ao corpo de Cristo, isto é, à igreja.  Finalmente, pergunte se ele gostaria de receber maior orientação ou aconselhamento e diga que fará contato durante a semana. b) Integração Uma das provas de como é importante cada alma para Deus está em Atos 9.10. Ali estão as indicações dadas por Jesus para que Saulo fosse visitado. Dava o endereço exato: Rua Direita, casa de Judas, Cidade de Damasco. Não há dúvida sobre o valor especial de uma alma para o Senhor, o que também requer uma análise sobre a pessoa a quem se confiou o cuidado do novo decidido. Por isso, lembre-se: cada ficha que chega às suas mãos é uma alma comprada por um alto preço, um valor incalculável - o sangue de Jesus. Uma vez recolhidas as fichas
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    53 de decisão, osmembros do Ministério de Consolidação as distribuem entre si para que o primeiro contato seja feito. Guarde as fichas cuidadosamente e tenha o cuidado de não adiar o contato indefinidamente. O primeiro contato com a pessoa a ser consolidada, pode ser por meio de um telefonema, mensagem de whatzap ou facebook, por exemplo. Isso deve ser feito com rapidez e eficácia e voltada sempre para o benefício da pessoa decidida. Isso deve ocorrer em até 24 após o preenchimento das fichas. O telefone é um meio que facilita as comunicações; contamos com ele para engrandecer o Reino de Deus. Na época de Paulo, utilizaram-se "as cartas", tanto para conhecer a situação espiritual e pessoal dos convertidos, como para aconselhar e exortar. Propósitos do primeiro contato:  Mostrar um interesse genuíno pela pessoa e por sua necessidade;  Ganhar a confiança do decidido;  Deixar aberta a porta para realizar uma visita. Como preparar o telefonema:  Em oração, com interesse no novo convertido;  Planejando o conteúdo da conversa com objetividade;  Planeje o tempo (o contato não pode ser longo). Como realizar o telefonema:  Saudação: Deve fazê-lo de forma amável; identifique-se como integrante da igreja a que pertence;  Comece a conversa: Inicie uma conversa amena, dizendo-lhe que tem orado por sua necessidade, e deseja saber como ele ou ela está;  Avalie sua condição espiritual: Pergunte-lhe o que achou da reunião e como se sentiu em relação a Deus desde que tomou a decisão por Jesus;  Acerte a visita: Comunique que está preparada uma visita pessoal, a partir de um membro da igreja que participa de um GP, com a localização mais próxima à sua residência. O novo convertido também será informado de que receberá o telefonema desta pessoa ainda no decorrer da semana para combinar o local e horário.  Ore por ele: Sempre termine orando pela pessoa, conforme o Espírito Santo lhe dirija;  Anote na ficha de decisão, no campo indicado contato, as necessidades do novo convertido, que tenham sido demonstradas na conversa.
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    54 Evite ao realizaro telefonema:  Ser cortante ou impaciente na conversa;  Pressionar o novo convertido;  Tomar mais tempo que o necessário;  Discutir ou brigar;  Mostrar um interesse egoísta, não dirigido a suprir a necessidade da pessoa. PARA CASA A Palavra de Deus diz: "porque ele diz: Eu te ouvi no tempo da oportunidade e te socorri no dia da salvação; eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação" (II Coríntios 6.2). Quando realizarmos o processo de consolidação, devemos reconhecer esse momento como dia aceitável e fazê-lo de modo excelente. Segundo o aprendido, responda, usando as linhas abaixo: a) Quais são os propósitos do Ministério da Consolidação? b) O que você diria a uma pessoa que sente que não é importante para Deus? c) O que você diria a uma pessoa que pensa que nunca cometeu erros? d) Quem pode nos aproximar de Deus? e) Qual é a condição que deve haver para aproximar-se de Deus e em que consiste? f) Quais são os quatro aspectos que se deve enfatizar na decisão? g) Marque as respostas corretas: ( ) A integração realiza-se levando em conta a reunião do GP mais próximo da pessoa decidida; ( ) A integração realiza-se ao acaso; ( ) A integração realiza-se dependendo da vontade do Ministério de Consolidação; ( ) A integração ocorre a partir do primeiro contato. h) Quais são os três propósitos do telefonema ou mensagem? i) Quais são os três aspectos mais importantes que se deve levar em conta para preparar o primeiro contato? j) Marque as estratégias para ser bem-sucedido ao telefonar ou enviar mensagem: ( ) Não ser cortante ou impaciente na oração. ( ) Tomar mais tempo que o recomendado. ( ) Não pressionar o novo convertido.
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    55 c) Visitação Cabe aindaao Ministério de Consolidação classificar por GP e distribuir as fichas aos líderes dos grupos, imediatamente após o primeiro contato via telefone ou mensagem. A visitação é tarefa dos GPs, a partir da sua liderança. Foi dito ao novo convertido que ele receberia logo um contato de um membro de um GP, próximo à sua residência. Haverá ocasiões em que chegarão pessoas que vivem em bairros onde ainda não há GPs se reunindo. Esta é a oportunidade para a abertura futura de um novo GP nesses bairros, a partir da consolidação dos novos convertidos. Assim, encheremos toda a nossa cidade com o Evangelho. Jesus sabia como era importante a visitação, por isso tomou tempo para ensinar como realizá-la. Em Mateus 8.14-15, vemos o Mestre visitando a casa de Pedro; ali, viveu ocasião oportuna, ao orar por sua sogra e curá-la de uma febre. Uma visita ao novo convertido, em sua casa, torna-se oportunidade de ganhar também sua família. Em Lucas 19.1-10, Jesus foi à casa de Zaqueu, o publicano, o qual, depois dessa visita, não repetiu o seu erro, mas deu mostras de arrependimento genuíno. As visitas de Jesus à casa de Marta, Maria e Lázaro foram muito especiais. Ele fez- se muito amigo da família, tanto que as pessoas comentavam o quanto Jesus amava a Lázaro (João 11.36). As visitas ocupavam um papel muito importante no ministério de Jesus: Ele mesmo treinou Seus discípulos e enviou-os de dois em dois para realizá-las (Marcos 6.7-11). Definitivamente, visitar os lares era, para Jesus, parte do processo de consolidação de um convertido. Mesmo depois de ascender aos céus, continuou buscando homens e mulheres que desenvolvessem essa tarefa. Por isso, escolheu Ananias e enviou-o a visitar a casa onde Paulo se hospedara, após sua decisão por Jesus. Com base no ministério de Jesus, a visitação deve ser um estilo de vida, algo tão normal para nós como frequentar a igreja. Conscientes de que, além da motivação, necessitamos comprometer-nos com Deus em ir e obedecer, como fez Ananias, vencendo nossos próprios temores e preconceitos para consolidar os novos convertidos a quem formos enviados. Visitar cada pessoa que Deus coloque sob o serviço dos GPs trará os mesmos resultados da visita de Ananias a Saulo: novos convertidos se tornarão discípulos de Jesus, serão edificados e crescerão fortalecidos pelo Espírito Santo, se tornarão membros dos nossos GPs, agregar-se-ão à nossa igreja.
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    56 Os propósitos davisita  Conhecer a impressão do novo convertido sobre a reunião da qual participou;  Descobrir suas necessidades e fazer ministrações e orações específicas, sob a direção do Espírito Santo;  Integrar o novo convertido em seu GP e motivá-lo a envolver-se nas atividades da igreja. Como preparar a visita  Faça contato com a pessoa e manifeste seu desejo de visitá-la e orar por ela;  Marque o dia, o local e a hora da visita;  Ore e prepare sua mensagem, baseada na necessidade escrita na ficha de decisão, no campo contato;  Reúna-se com seu companheiro ou companheira de visitação e ore pela direção do Espírito Santo. Realizando a visita Faça a visita, em dupla, como fizeram os doze discípulos e depois os setenta enviados por Jesus para visitar os lares (Mateus 10.5-15, Lucas 10.1-12). Essa medida contribui para o treinamento de membros do GP em formação, sob a direção de um membro mais experimentado. Durante a visita, proceda da seguinte maneira:  Apresente-se e a seu companheiro, caso não conheça a pessoa visitada, tendo o cuidado de ser agradável e sincero. Nunca esqueçam de dizer que vocês são membros da Igreja Metodista.  Pergunte: verifique o que achou da reunião, converse sobre seus problemas específicos;  Compartilhe: selecione a passagem bíblica de acordo com a necessidade e explique-a em, no máximo, dez minutos, para produzir fé e confiança em Deus. Faça isso sempre com a palavra de Deus;  Envolva a pessoa: Apresente-lhe as atividades da Igreja Metodista e motive-a a participar. Encaminhe-a ao seu GP e convide-a a participar do próximo Empacto;  Ore: Faça uma oração direta conforme a necessidade específica e utilize promessas bíblicas. Evite terminologia religiosa na oração e seja o mais natural possível;  Jamais passe a ideia de que está fazendo proselitismo em favor de sua denominação.
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    57  Libere paz:Termine orando pela pessoa e por sua família, declarando bênção e liberando paz sobre a vida deles. Assegure-se do sucesso da visita  Cuide de sua aparência pessoal: lembre-se de que está projetando a imagem da igreja e de Deus, como seu embaixador ou embaixadora (II Coríntios 5.20);  Entre no local da visita com naturalidade: cumprimente amavelmente;  Fale e escute: converse, em lugar de pregar; assim, o visitado terá liberdade em participar. Não contradiga seu companheiro ou companheira, pois dará má impressão. Não falem os dois ao mesmo tempo, não se interrompam;  Tome apenas o tempo combinado: se possível, leve um folheto ou literatura à pessoa que vai visitar. PARA CASA OBJETIVO: Mostrar a importância de uma visita, tanto para quem a realiza, como para quem a recebe. Segundo Atos 9.1-31, responda: a) O ENCONTRO Como Saulo chama a Jesus? (Atos 9.5) Em que condição emocional e física Saulo se encontrava depois do encontro com Jesus? (Atos 9.9) Da mesma maneira, as pessoas que se entregam a Cristo pela primeira vez: reconhecem- no como seu Senhor e é despertado nelas um temor reverente diante da soberania de Deus. b) O CHAMADO Qual o mandato que Deus deu a Ananias? (Atos 9.10,12) Qual a atitude refletida por Ananias diante do chamado? (Atos 9.13-14) Independentemente das desculpas para realizar o chamado, devemos entender que é Deus quem nos manda e respalda, porque tem um propósito especial nós. c) A VISITA O que fez Ananias? (Atos 9.17) O que aconteceu a Saulo quando Ananias orou por ele? (Atos 9.18-19) Podemos estar seguros: Deus não faz acepção de pessoas (Romanos 2.11) e, assim como Ananias, Ele fará conosco nas visitas “mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós” (Efésios 3.20).
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    58 d) O RESULTADO Oque Saulo fez? (Atos 9.20) O que aconteceu nas igrejas como resultado desta visita? (Atos 9.31) Como Paulo aplicou isto em seu ministério? (Atos 15.36) Uma pessoa consolidada em Cristo por meio de uma visita pode ganhar nações inteiras, a exemplo de Paulo, falando do que Jesus fez em sua vida. "Desde Jerusalém e circunvizinhanças até ao Ilírico, tenho divulgado o evangelho de Cristo" (Romanos 15.19). 5. O processo de consolidação e integração na IM em Cataguases No capítulo 17 do evangelho de João Jesus nos ensina o princípio da multiplicação, ao orar ao Pai, dizendo: v.8 "Dei-lhes as palavras que me deste... e creram que me enviaste” (ganhar – Novo Nascimento); v. 12 “guardei-os no nome que me deste... nenhum deles se perdeu” (consolidar - Conversão); v. 19 “por eles me santifico para que eles sejam santificados” (treinar - Santificação); v. 21 “para que o mundo creia” (enviar – Missão). Precisamos entender que todos nós estamos dentro deste processo do discipulado e do crescimento na vida cristã. Quando aceitamos Jesus como Senhor e também quando ganhamos vida através da evangelização estamos vivenciando o Novo Nascimento. Quando buscamos nos converter deixando o mundo e ajudamos outros novos convertidos a se consolidar na fé estamos na fase da Conversão. Quando buscamos nos santificar, libertando de tudo que não é de Deus e treinamos pessoas para viver o evangelho integral estamos em busca da Santificação. O momento da Missão acontece quando somos enviados para servir ao Senhor em sua obra e os Grupos Pequenos se multiplicam.
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    59 Entenda melhor esteprocesso: a) NOVO NASCIMENTO "E disse-lhe: vinde a mim e eu vos farei pescadores de homens" (Mateus 4.19). Todo membro de um GP deve ser constantemente desafiado a ganhar outras vidas para Jesus. Como:  No evangelismo pessoal ou de oportunidade (no ônibus, na escola, no trabalho etc.);  Nas reuniões do GP;  Nas outras atividades da igreja (eventos sociais ou de ministérios);  Nos Encontros Evangelísticos (Dia do amigo, Evento de Colheira, Acampamentos, etc);  Nos Cultos de Celebração (Grandes Temporadas). b) CONVERSÃO "...e vos designei para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça..." (João 15.16). Como:  Ministério de Consolidação (sala de consolidação e contato via telefone ou mensagem;  Visita;  Integração no GP;  Matrícula no Curso Inspire/Inicie (Primeiros Passos);  Empacto. O processo de consolidação continua, com o novo convertido sendo convidado e desafiado a participar do Empacto. Trata-se de um retiro de três dias, no qual sua fé vai ser confrontada e ele, desafiado a viver uma vida de santidade na presença de Deus. c) SANTIFICAÇÃO "E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo" (Efésios 4.11- 12).
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    60 Na dinâmica dosGPs, a igreja local cresce à medida que os grupos se multiplicam e, para que isso aconteça, é preciso formar líderes. Não basta apenas ter um número elevado de membros na igreja, considerando somente o crescimento quantitativo e qualitativo, buscando a santificação e o testemunho cristão. O treinamento é o próximo passo do processo de crescimento integral da igreja, ao responder a seguinte demanda: Como fazer desses novos crentes verdadeiros discípulos e líderes? O treinamento acontecerá, simultaneamente, no GP (prática) e no CTM (escola). d) MISSÃO "... o Senhor designou outros setenta; e os enviou de dois em dois, para que o precedessem em cada cidade e lugar aonde ele estava para ir" (Lucas 10.1). Esse momento acontece quando os discípulos se tornam líderes; quando recebem delegação de seus líderes para o exercício da liderança. O envio é o grande desafio em que cada um deve começar a pôr em prática o propósito de Deus para sua vida e a melhor maneira de começar a desenvolver um ministério, estando apto a liderar um GP, a partir da Grande Temporada da Multiplicação, que culmina na formação de novos GPs. 6. A importância dos GPs no processo de consolidação O líder de um GP deve estabelecer previamente dois ou três membros para serem auxiliares e responsáveis pelo acompanhamento próximo de um novo convertido. Assim que receber uma ficha de decisão, o líder do GP deve delegar a esses auxiliares a tarefa da visitação inicial à pessoa nova convertida e estabelecer com ela o processo de acompanhamento, conforme orientações do líder, visando à sua plena consolidação. Auxiliares e novo convertido deverão passar tempo juntos, desenvolver um relacionamento de amizade, ter momentos para esclarecimento de dúvidas, estudos dos princípios básicos da vida cristã; enfim, "caminhar juntos". Os membros auxiliares devem encaminhar essa pessoa para o Curso Inspire/Inicie (Primeiros Passos) e para a Classe de Novos Membros e assim ser preparada para o batismo e recepção como membro da Igreja Metodista. Devem também incentivá-la a tornar-se membro efetivo do GP do qual participa, bem como dos cultos, Escola Dominical e demais atividades da IM em Cataguases.
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    61 a) Os encontrosde consolidação O ingrediente-chave para a consolidação de um novo convertido é simplesmente passar tempo juntos. Os encontros não precisam ser rigidamente estruturados usando sempre o mesmo modelo. Seja criativo em decidir o que vocês podem fazer juntos. Tanto os momentos formais quanto os divertidos e descontraídos são necessários. Ambos devem ter a liberdade de sugerir o que seria apropriado para o próximo encontro. O importante é a dedicação contínua dos consolidadores como verdadeiros amigos. Com o passar das semanas, o modelo de seus encontros mudará conforme o desenvolvimento de suas habilidades em ministrar aos outros. Nos encontros de consolidação, comece treinando habilidades básicas. O primeiro estágio do desenvolvimento de uma criança é adquirir controle da coordenação motora. Segurar a mamadeira, virar-se, engatinhar e andar são habilidades necessárias para o desenvolvimento. No "estágio infantil" da vida espiritual, aprender a orar, encontrar passagens, compartilhar a fé com outros devem ser o ponto principal a ser ensinado. Adquirir conceitos vem mais tarde. Para ilustrar melhor, a próxima vez que você encontrar uma criança de dois anos pergunte: "O que é uma cadeira?" A criança responderá: "É para sentar" e não "Um objeto com quatro pés, um assento e um encosto". Nessa fase, a criança ainda não desenvolveu a habilidade para trabalhar com conceitos. Nos primeiros encontros, dê atenção às ações e não às ideias. Não foi o que Jesus fez? Ele disse: "Homens, vamos para a montanha gastar tempo em oração". Naquele momento ele não se preocupou em explicar como se deve orar. Mais tarde, eles o procuraram e disseram: "Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos" (Lucas 11.1). Por que eles tinham de pedir a Jesus para que os ensinasse a orar? Por que Jesus não fez isso automaticamente? Porque antes de observar como Jesus orava, eles não sabiam exatamente como orar. O princípio do "mostrar e então contar" é muito importante nos primeiros estágios de seus encontros. Quando você falar, estará mostrando a seriedade em sua própria vida de oração. Ao compartilhar abertamente a respeito de sua própria jornada, você estará demonstrando que o cristão não usa máscara e não esconde aquilo que precisa ser compartilhado. NUNCA SE ESQUEÇA DE QUE VOCÊ É APENAS UMA FERRAMENTA E NÃO A FONTE DA GRAÇA! SAIBA QUE O ESPÍRITO SANTO DARÁ LIBERDADE E ABENÇOARÁ SEU RELACIONAMENTO. NUNCA REPRESENTE COMO ATOR.
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    62 Vocês passarão portrês níveis: 1º Nível: Para dentro: O primeiro nível dará maior importância à jornada interior. Primeiro, farão uma jornada em sua própria vida, retirando camadas de defesa própria enquanto conquistam o direito de conhecer o coração um do outro. Durante esse período, algumas fortalezas serão reveladas. 2º Nível: Ministração: É a consciência de que essas fortalezas precisam ser trabalhadas. Períodos de dores do passado que causam sofrimento ainda hoje precisam ser trabalhados. Seus momentos de oração possivelmente serão acompanhados de lágrimas e de regozijo ao experimentar a libertação. 3º Nível: Mudança de Valores: O terceiro nível envolverá decisões feitas pelo discípulo. Amor pela leitura bíblica, amor pelo tempo investido em intimidade com Deus e por participar nos momentos de edificação no GP tornarão essas mudanças de valores bem visíveis. Cada um desses níveis exigirá de você uma adaptação na forma de seus encontros semanais. Faça aquilo que vier sob a direção e sensibilidade do Espírito! b) Preparação e planejamento dos encontros semanais Antes de começarmos os encontros precisamos:  Orar pelo novo convertido;  Fazer um roteiro dos planos e objetivos do encontro;  Estudar atenciosamente as lições sobre consolidação dos Cursos Inspire e Inicie. c) Sugestão do uso do tempo (você pode adaptá-lo como desejar)  Compartilhamento - 15 min  Recapitulação dos versículos discutidos e memorizados - 5 min  Discussão da lição da apostila "INSPIRE" - 20 min  Oração um pelo outro e pelos amigos e parentes - 10 min  Aplicação pessoal das verdades aprendidas - 10 min Importante: A primeira vez em que estiver consolidando alguém, isso trará grande crescimento para você. Na segunda vez, você terá mais confiança adquirida pela experiência da primeira vez. No processo de discipulado pessoal, você estará desenvolvendo as habilidades que lhe ajudarão a ser um/a líder de GP.
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    63 d) Princípios aserem lembrados:  Lembre-se do princípio "bambolê"' - Ele sugere que você deixe algum "espaço" entre você e o novo convertido e enfatiza a importância de não controlar muito de perto a vida da outra pessoa;  Seja sensível à abertura dada pelo discípulo. Não tente aproximar-se muito e rápido demais. A confiança se desenvolverá quando ficar óbvio que você não está usando um "amor sufocante" no relacionamento;  Não resolva os problemas do novo convertido. Se você assumir responsabilidades pelos problemas de outra pessoa, estará causando um grande mal. Muitas vezes, parece bem mais fácil resolver os problemas usando nossos próprios recursos em vez de usar aqueles que estão disponíveis para a pessoa. O que realmente importa é que você contribua com seu tempo, seu discernimento, sua orientação e seu amor;  Nunca, de maneira alguma, dê ou empreste dinheiro diretamente a uma pessoa nova convertida (Atos 4.34-35). A ajuda financeira dada aos membros do grupo neste texto passou primeiro pelas mãos dos apóstolos. Existe uma razão muito importante para se observar este princípio. Quando um membro de um GP faz uma contribuição direta, na mente de quem está recebendo fica um sentimento de dívida que muitas vezes destrói o relacionamento. Não é uma boa ideia dar ou emprestar dinheiro diretamente a alguém. Se o Senhor falar para você ajudar alguém, discuta o assunto com o líder do GP ou com o discipulador. Sua doação deve ser feita anonimamente;  Ajude o novo convertido a tomar decisões sozinho. Você deve ouvir os seus problemas e suas batalhas espirituais, mas não tente tomar as decisões finais por ele. Essa é uma responsabilidade dele. Seguir sempre as instruções do discipulador para a resolução dos problemas afeta a confiança própria do novo convertido;  Use o texto de Romanos 8.38-39 para reforçar a verdade de que podemos caminhar em vitória apesar das circunstâncias. Compartilhe seu testemunho próprio de situações em que você escolheu a alegria ao invés da tristeza, confiando que Cristo iria interferir, e como a paz tomou conta do seu coração;  Explique que uma pessoa nunca é derrotada enquanto não desistir. Raramente mencionamos a palavra "perseverança" em nossas conversas diárias, mas é muito importante praticá-la!
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    64  Crescimento espiritualenvolve aprender a experimentar a presença de Deus nos vales da nossa vida. Deus nos dá todos os recursos necessários para permanecermos firmes.  Portanto, o desafio está lançado. Você está sendo preparado para a missão mais relevante proposta para um ser humano: levar pessoas a Cristo e prepará-las para serem frutíferas, influenciando vidas e gerações. Sua vida terá real significado quando entender a dimensão do seu chamado. Você aceita o desafio? 7. A Formação de um Discípulo Baseado no livro A Formação de um discípulo Keith Philips. Cristo ordenou que seus discípulos reproduzissem: “Todo ramo que, estando em mim, que não der fruto, Ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda” (João 15.2). Keith Phillips disse: “Você tem de ser uma pessoa de Deus, antes de realizar a obra de Deus”. O discípulo maduro precisa ensinar a outros crentes como viver uma vida que agrade a Deus, equipando-os para treinarem outros para que ensinem a outros. Todos os discípulos fazem parte de um processo escolhido por Deus para expandir o seu Reino através da reprodução. Deus escolheu um método sólido e eficaz de edificar seu Reino. Começaria pequeno como um grão de mostarda, mas cresceria rapidamente à medida que espalhasse de pessoa a pessoa. a) O que é o discipulado? O Discipulado Cristão é um relacionamento do Mestre e aluno, baseado no modelo de Cristo e seus discípulos, no qual o Mestre reproduz muito bem no aluno a plenitude da vida que tem em Cristo, que o aluno é capaz de treinar outros para ensinarem a outros. O Discipulado é a única maneira de evitar-se a má nutrição espiritual e a fraqueza dos filhos espirituais pelos quais somos responsáveis. É o único método (princípio) que produzirá crentes maduros que poderão inverter a deterioração física e espiritual dos povos.
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    65 b) O Queé um Discípulo? Pensemos em Jesus:  Ele esteve com seus discípulos dia e noite;  Seus discípulos escutavam suas pregações constantemente;  Memorizavam seus ensinamentos;  Viam-no viver a vida que ensinava. Discípulo: É o aluno que aprende as palavras, os atos e o estilo de vida de seu Mestre com a finalidade de ensinar a outros. c) Uma comparação da evangelização sem discipulado e do discipulado com evangelização A pessoa que faz discípulos sabe que a responsabilidade continua até que seu discípulo chegue à maturidade espiritual, à capacidade de reproduzir. Discipulado é uma reprodução de qualidade que assegura que o processo de multiplicação espiritual continuará de geração em geração. O discipulador fica sabendo quão eficazmente ensinou seu aluno, quando ele o vê ensinando a outros. O Discipulado não somente nos permite ter a alegria de ver o nascimento de novos filhos na fé como também nos permite assumir a responsabilidade da paternidade responsável. Observe no quadro abaixo a diferença entre o trabalho de um discipulador e de um evangelista e o impacto que o discipulado causa na vida de uma pessoa alcançando tantas outras de forma eficaz e permanente. Por fim, o discipulador alcançou muito mais pessoas do que o evangelista com eventos e tantas programações com multidões que foram e não voltaram.
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    66 Extraído do livroA Formação de um discípulo Keith Philips.
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    67 Unidade 3 –SANTIFICAÇÃO A Santificação é a continuação do processo de Conversão, quando a pessoa se liberta de práticas do mundo e do pecado, buscando ter uma vida consagrada a Deus. Esta etapa no processo de Discipulado equivale ao Treinar, pois a Santificação é um requisito indispensável para a capacitação e para a liderança cristã. 1. Chamados com um propósito Desde a narrativa bíblica da criação do ser humano e sua vida no Éden, Deus tinha um propósito bem claro para a sua existência:  Manter a ordem sobre mundo, evitando o caos, a partir da sua liderança sobre todas as coisas. A esse aspecto, ainda se somam outros dois:  Deus compartilha de sua natureza com o ser humano, criando-o à sua imagem e semelhança e, por esta razão,  Dá a ele a capacidade de mudar o curso da história. Só o ser humano, em toda a Criação, teria a liberdade de escolher quebrar sua aliança com Deus. Não sem motivo, o inimigo o atacou exatamente neste ponto, estabelecendo novamente o caos em grande parte da Criação e, mais especificamente, influenciando o ser humano, levando-o ao pecado. Assim, originalmente, pecado é o efeito de uma desobediência direta ao que Deus estabelece para a sua criação. Isso implica, no caso, agir segundo outros preceitos, sejam próprios ou de outrem. No caso do texto bíblico, o ser humano cai sob o engano da Serpente: “É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Genesis 3.4-5). Controle sobre o meu destino, controle sobre a vida, sobre o ser, e mais ainda, ser como Deus! Que proposta fantástica estava sobre a mesa! Lembre-se: Quem exerce liderança, é chamado por Deus, sempre terá “sobre a mesa” a proposta de Deus frente a outras, que lhe são sedutoras!
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    68 Por isso, épreciso, logo de início, conhecer a nós mesmos, segundo o que Deus e sua Palavra estabelecem. Nossa vida de liderança no Seu reino depende disso. Quem somos afinal? Qual o nosso valor? Com que propósito estamos aqui? Estas perguntas acompanham a existência humana e, para muitos, ainda sem resposta, embora ela já esteja clara na Palavra de Deus. a) Identidade: quem sou eu? Na Criação, Deus revelou a sua vontade ao formar o ser humano: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Genesis 1.26). Segundo esta narrativa, a vida humana não era algo mais acrescentada à criação, mais um elemento ou um ser vivo a habitar a face do planeta. Era um ser que tinha uma identificação, uma referência: o próprio criador. Não é possível precisar a abrangência de se ser imagem e semelhança de Deus. A crença geral é de que a nossa semelhança com Deus está no fato de sermos “racionais”, “inteligentes”, ao contrário do restante da criação. Mas, a principal característica da imagem divina em nós é a capacidade de comunhão com o Criador. Neste sentido, João Wesley, precursor do Metodismo histórico, falava da imagem e semelhança de Deus em três aspectos: 1º Aspecto: Imagem moral: refere-se às virtudes de Deus como santidade, pureza de caráter e amor. São características da imagem de Deus, também presentes no homem e na mulher. Para Wesley, o pecado apagou esta imagem (Colossenses 3.14; Hebreus 12.14; Salmo 4.4-5); 2º Aspecto: Imagem natural: tem a ver com a capacidade de escolher. É o livre arbítrio. Deus é livre e nos criou assim. Esse aspecto da imagem divina no ser humano foi comprometido com a queda, embora não tenha sido de todo perdido. Wesley explicou que, ainda que tenhamos condições de dirigir boa parte de nossa vida e tomar decisões razoáveis, não é assim no que diz respeito a Deus e à salvação. Esta só é possível pela ação de Deus em favor de nós por meio da graça (Efésios 2.4-9); 3º Aspecto: Imagem política: consiste no poder criativo de Deus e sua capacidade de cuidar e administrar a criação concebida ao ser humano. Em relação a essa imagem, a maneira como temos destruído o planeta ao longo dos tempos é uma evidência clara de que ela foi danificada (Romanos 8.19-23). Assim, todas as pessoas e não apenas os crentes trazem a imagem e semelhança de Deus, embora distorcida e afetada pelo pecado.
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    69 Neste contexto, parasaber quem somos é fundamental refletir sobre quem somos a partir de Deus e de sua obra: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gênesis 1.31). Foram essas as palavras do Criador, ao avaliar o que acabara de criar, inclusive o homem e a mulher. É uma avaliação que contrasta com outra, feita algum tempo depois: “se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração” (Gênesis 6.6). Apesar de tudo, Deus não desistiu das obras de suas mãos e preparou uma situação definitiva para restaurar a criação: revela seu amor pela humanidade na pessoa de Jesus Cristo. Deus acredita na mudança do homem e da mulher: a transformação é possível por meio de Jesus Cristo! (João 3.16 e I Timóteo 2.3-4). Jesus Cristo foi enviado por Deus para restaurar em nós sua imagem e semelhança plena: O Filho “é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser” (Hebreus 1.3). Tudo o que podemos saber e aprender de Deus estão expressos em Jesus Cristo. Nem mais, nem menos. A proposta falsa de Satanás no Éden, perseguida em todos os tempos pelos homens é a mesma de hoje: ser como Deus. Mas nós não seremos como Deus. Somos a criação e não o criador. A proposta de Deus é nos fazer semelhantes a Jesus Cristo, que é a perfeita imagem do Pai. Isto não se compara a nada do que se tem interpretado hoje acerca do que significa ter filiação divina em Cristo, como sucesso humano, facilidades, domínio e controle de todas as coisas, posses materiais. Mas, Deus quer desenvolver em nós o caráter de seu filho Jesus. Para isso, Deus usa um processo na nossa vida pelo qual somos tratados, provados e aperfeiçoados para cumprir o seu propósito. O processo de santificação, de moldar o caráter, é lento e será tanto mais demorado quanto menos nos submetermos ao tratamento de Deus conosco. Falar em processo é sempre difícil, pois vivemos na geração do imediatismo: CtrlC/CtrlV; fast-food, just in time; tempo real etc. Queremos ver resultados imediatos em tudo, preferencialmente sem nos dar trabalho. O tratamento de Deus conosco não é assim. Para restaurar a Sua imagem em nossa vida, Deus desenvolveu um projeto fantástico: a) Ele nos gerou novamente, por uma semente perfeita mudando a nossa natureza de tal forma que agora podemos receber aquilo que por ele nos é dado (I Pedro 1.4); b) Deus criou novas bases de relacionamento conosco, recebendo-nos como filhos e não como estranhos (João 1.12);
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    70 c) Deus colocouem nós seu Espírito Santo, para fazer em nós e por nós aquilo que é de seu propósito: que alcancemos a santificação (I Tessalonicenses 4.7-8); d) Restaurou a nossa identidade com Ele a tal ponto que Jesus é a nossa própria vida (Colossenses 3.4). Quando nos perguntarem qual é a nossa identidade, devemos responder que somos plenamente identificados com Jesus Cristo. Não é à toa que somos conhecidos no mundo como “cristãos”. b) Importância: Qual é o meu valor? Alguém já disse que o modo de enxergar a sua vida molda-a, e o modo como você a define determina o seu destino. A maneira como vemos a vida, e mais especificamente, a nossa vida, é expressa na forma como nos relacionamos com os outros, como nos vestimos, o que usamos - maquiagens, joias, tatuagens, adereços, etc., nos nossos valores, prioridades, metas. Que tipo de pessoas faz parte dos nossos relacionamentos e o que temos visto hoje desfilando diante de nossos olhos nas ruas? Como as pessoas estão se expressando? O que querem dizer? Nós precisamos enxergar a vida e expressá-la do ponto de vista de Deus. Estamos vivendo no planeta Terra, nesta era, neste país, nesta cultura, nesta família, com esta estatura, peso e cor da pele e não há nada de errado nisto. Você precisa compreender o seu valor. O seu valor está relacionando com algumas perspectivas sobre a sua vida, a partir do ponto de vista de Deus, como veremos:  Deus planejou você Você foi concebido/a na mente de Deus antes mesmo de ser concebido/a no ventre de sua mãe. Você pode ter sido um filho indesejado ou não planejado por seus pais, mas você foi desejado/a e planejado/a por Deus. Você não é fruto do acaso. Você é exatamente dessa forma porque Deus tem um propósito em você ser assim (Salmos 139.15-16). A clareza pessoal de que se vive sob o propósito de Deus para uma obra específica, dada a você, é que dará sentido a todos os acontecimentos de sua existência. O seu lugar, o seu tempo, os seus investimentos, as suas tristezas e tribulações, suas perdas... Tudo tem sentido, quando vivido na certeza de que Deus é soberano e governa sua vida.
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    71 Daí é simplescompreender as afirmações bíblicas: - “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gálatas 2.20). - “São ministros de Cristo? (Falo como fora de mim.) Eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; muito mais em prisões; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes” (II Coríntios 11.23). - “Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (II Coríntios 12.9). - “também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo” (I Pedro 2.5). - “segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher. Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne” (Filipenses 1.20-24).  Você foi regenerado/a por Deus Tudo está sob o controle de Deus. Mesmo as coisas que nos parecem insignificantes não o são para Deus, pois nada é insignificante na vida. A Palavra de Deus diz que você foi gerado novamente de uma semente incorruptível, que é a própria palavra de Deus (I Pedro 1.23). A sua regeneração em Cristo não foi por acaso. Foi da vontade de Deus, uma escolha dele.  Deus tem algo para fazer a partir de sua vida Quantos planos você já fez? Quantos sonhos acalentou? Quantos conseguiu realizar? De todos eles, quais foram embasados nos planos e propósitos de Deus para sua vida? Uma maneira de interpretar a parábola dos talentos (Mateus 25.14-30) nos diz
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    72 que Deus nospresenteia com dons para que sejamos seus mordomos na tarefa de cuidar e consolidar seu Reino, a partir da missão de resgatar o ser humano. Deus te regenerou para que você seja instrumento em suas mãos para a regeneração de quem ainda não conhece a Ele. Assim, desde a queda adâmica, Deus planejou uma história de salvação para o ser humano, uma história de regeneração e chamado. Finalmente, em Jesus, Deus concluiu seu plano, reconciliando consigo toda a humanidade. Agora, todas as pessoas se reconciliam com Deus ao acolherem seu plano de salvação, ou seja, ao aceitarem a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas. Daí serem chamadas filhas de Deus (João 1.12- 13). Jesus, durante seu ministério, chamou discípulos e discípulas para o ajudarem a cumprir o propósito de Deus. Como discípulo ou discípula de Jesus nos dias de hoje, você também deve continuar a fazer aquilo que Jesus começou. Ele confiou isto a você (Mateus 25.21). c) Impacto: que diferença faço no mundo e na vida das pessoas? Muitos estão passando pela vida e seu modo de viver não afeta positivamente ninguém. Passam despercebidos. Deus não planejou isso para o ser humano. Jesus disse que veio para que nós tivéssemos vida e vida em abundância (João 10.10b). Isto é, num primeiro momento, uma vida com significado e propósito; e depois, uma vida eterna. Talvez você pense que sua vida é inexpressiva, incapaz de afetar quem quer que seja. Saiba que Deus está atuando poderosamente no mundo e quer você ao lado dele, para formar uma equipe poderosa, capaz de transformar a vida das pessoas com algo que seja verdadeiramente impactante, duradouro, eterno. O melhor para se fazer com a vida é investi-la em algo que sobreviverá à própria vida, algo que permanecerá para sempre. Esta é a boa parte que não nos será tirada (Lucas 10.42). A sua missão é a única no mundo que fará diferença no futuro eterno das pessoas e no seu próprio (João 9.24). Você precisa compreender que faz parte deste plano. d) Deus tem atribuições para você Você tem um propósito no mundo a cumprir. Lembre-se: Deus tem um plano de vida para você:  Você tem um MINISTÉRIO JUNTO AO CORPO DE CRISTO, que é discipular vidas que se multiplicarão em outras vidas (Mateus 28.19).
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    73  Você temuma MISSÃO NO MUNDO, que é seu serviço junto aos que não creem, levando a Palavra de Deus a eles. Parte dessa missão é compartilhada com o corpo de Cristo, e todos devem fazê-la. Mas há uma responsabilidade que é específica e somente você pode atendê-la, ao assumir seu lugar nessa missão (II Coríntios 5.18). e) A sua missão é a mais importante obra da sua vida Muitos têm seu nome lembrado ao longo da história por causa de grandes feitos, grandes obras, grandes descobertas. Mas nenhuma vida foi tão impactante quanto a de Jesus de Nazaré. E Deus nos chama para dar continuação à sua missão. Jesus nos chamou não apenas para vir a ele, mas para ir por ele. A ordem de evangelização foi dada cinco vezes de formas diferentes: 1ª) Isso foi colocado por ele, não como opção de vida, mas como compromisso (Mateus 28.19-20); 2ª) Partindo do Rei, a determinação é compulsória, ou seja, desprezá-la é desobediência (Ezequiel 3.18); 3ª) Deve ser entendida como um privilégio, pois somos honrados com a posição de colaboradores /as e embaixadores/as de Deus na construção do seu reino (II Coríntios 5.18,20); 4ª) É um serviço com a presença de Deus (II Coríntios 6.1); 5ª) Falhar em nossa missão é desperdiçar a vida que recebemos do Senhor (Atos 20.24). f) Sua missão é o custo mais precioso da sua vida Missão não é algo que agregamos à nossa vida. Substitui todas as outras coisas: sonhos, planos, ambições, privilégios etc. O enfoque tem de mudar: não é Deus abençoar o que eu estou fazendo, mas eu fazer o que Deus está abençoando (Romanos 6.13). Nada fará tanta diferença na eternidade do que o cumprimento do seu propósito (II Timóteo 4.7-8). 2. Chamados bíblicos com um propósito Já vimos até aqui que, pelo nosso relacionamento com Jesus Cristo, recebemos uma nova identidade, uma clara afirmação do nosso valor pessoal e um chamado para fazermos diferença em nossa geração. De modo a tornar mais clara a definição do Propósito de Deus para nossa vida, vamos exemplificá-la por meio de alguns personagens bíblicos:  O casal Adão e Eva Adão e Eva foram criados à imagem de Deus. Nasceram perfeitos, sem pecados, com identidade e valor bem definidos. Deus lhes deu um chamado, uma missão, um propósito bem claro: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra” (Gênesis 1.28).
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    74 Alguns cristãos pensamque o único e importante propósito de Deus para nós é sermos como ele. Ser como ele, é mesmo fundamental e todos devemos buscar uma completa mudança de vida. Adão e Eva estavam nesta condição e mesmo assim o Senhor os chamou e deu-lhes uma missão: exercer liderança, influência na terra.  Noé Quando Deus teve de trazer o juízo do dilúvio e recomeçar a história da humanidade por meio de Noé, o mesmo propósito de Deus lhe foi retransmitido, com as mesmas palavras, ou seja: “Abençoou Deus a Noé e a seus filhos e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra” (Gênesis 9.1). Assim, Deus tem uma missão para você também, a partir de Jesus Cristo: “Sede fecundo, multiplicai e enchei a terra de filhos e filhas espirituais! ”  Abraão Abraão foi chamado por Deus, que tratou profundamente com ele a ponto de transformá-lo num homem de fé e obediência, chegando até a mudar o seu nome de Abrão (Pai Exaltado) para Abraão (Pai de um grande povo). Seu próprio nome revela o propósito de Deus de fazer dele o pai de uma grande nação. Em Gênesis 12.1-3 e 15.5-6, vemos claramente que o mesmo desejo que Deus tinha para Adão e Eva e para Noé agora é retransmitido a Abraão: seja o pai de uma grande nação e que toda a terra seja abençoada a partir de ti e de sua descendência.  Paulo O apóstolo Paulo vivia em função do propósito de Deus para sua vida, e ele mesmo testemunhou isso, dizendo: “Então, eu perguntei: Quem és tu, Senhor? Ao que o Senhor respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Mas levanta-te e firma-te sobre teus pés, porque por isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha, tanto das coisas em que me viste como daquelas pelas quais te aparecerei ainda, livrando-te do povo e dos gentios, para os quais eu te envio, para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim. Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial” (Atos 26.15-19). Deus tem nos dado uma visão celestial e também não podemos ser desobedientes a ela. Cada uma dessas personagens bíblicas encontrou em Deus a sua identidade, cada uma foi profundamente tratada em seu caráter e valor pessoais e foram grandemente usadas por Deus, pagando o preço de completarem o chamado de Deus para suas vidas.
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    75 E Deus continuao mesmo. Nunca mudará. Jesus veio para formar uma geração de discípulos e discípulas crentes em Deus, regenerados, a cada dia mais semelhantes a ele e que encham a terra de muitos outros crentes com a mesma disposição. Este é o propósito de Deus para a igreja: Sermos uma família de muitos discípulos e discípulas semelhantes a Jesus. A missão da Igreja Metodista não podia ser diferente: Levar o evangelho a todas as pessoas e transformá-las em verdadeiros discípulos de Jesus. Assim, não é coincidência que sempre tenhamos enfatizado algumas palavras- chave na vida da igreja, tais como: multiplicação, frutos, fertilidade, crescimento, liderança, relacionamento. Por meio dos GPs, todos podem cumprir o chamado de Deus, dando frutos, multiplicando e exercendo liderança transformadora em muitas vidas, confiados na promessa de Deus: “a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Habacuque 2.14). Amém! Perguntas que você deve responder: a) O que será o centro da sua vida? • Para quem você irá viver? • Em torno de que construirá sua vida? b) Qual será o caráter da sua vida? (I Timóteo 4.16) • Que tipo de pessoa você quer ser? • Deus se interessa mais em quem você é do que em que você faz? c) Qual será a contribuição da sua vida? (João 15.16) • Qual é o seu ministério no corpo de Cristo? • Qual é a sua missão no mundo? 3. Liderança eficaz: a redescoberta de um importante princípio O fator determinante para o crescimento da Igreja é a formação de liderança. A Igreja Cristã tem feito esta redescoberta nos últimos anos. E foi isso o que Jesus fez ao chamar 12 homens, treinando-os para sucedê-lo na liderança de sua Igreja.
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    76 Alguns escritores elíderes mundiais fazem algumas afirmações importantes neste sentido. Vejamos:  Dave Earley (Transformando membros em líderes): "A multiplicação de líderes é a única maneira de podermos esperar cumprir a Grande Comissão e fazer a colheita".  James Hunter (O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança): "Nunca devemos esquecer que as pessoas aderem ao líder antes de aderirem a uma declaração de missão. Se aderirem ao líder, elas irão aderir a qualquer declaração de missão que o líder tiver".  Dawson Trotman (fundador do Movimento The navigators, no início da 2ª Guerra Mundial): "Nosso melhor investimento é em homens fiéis que também serão capazes de ensinar outros". E ainda: a multiplicação de líderes é a chave para "alcançar o maior número de pessoas da maneira mais eficaz no menor tempo possível". Seu método e sua mensagem eram simples: "Produza reprodutores". Ou seja, realmente, o fator determinante para o cumprimento do "ide e fazei discípulos", antes de qualquer estrutura eclesiástica ou dinheiro, é o desenvolvimento de liderança. Em II Timóteo 2.2, essa mesma máxima aparece: "E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros". a) Definições de liderança:  "Liderança é influência" (J. Oswald Sanders).  "Liderança é a capacidade e disposição de arregimentar pessoas para um propósito comum, aliado a um caráter que inspira confiança" (Bernard Montgomery).  "Liderança é saber: a) qual é a próxima coisa a fazer; b) por que fazê-la é importante; c) como mobilizar os recursos necessários para fazê-la" (Bob Biehl).  "Existem somente três tipos de pessoas - os inamovíveis, os movíveis e aqueles que os movem" (Li Hung Chang).  "Liderança é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir os objetivos identificados como sendo para o bem comum" (James Hunter).
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    77 b) O queé comum nessas definições indispensáveis à liderança?  Influência - habilidade  Capacidade e disposição de arregimentar pessoas  Capacidade de mover as pessoas  Uma visão a ser transmitida - para um propósito comum - objetivos identificados  Caráter que inspira confiança - bem comum  Conhecimento - o que fazer, para que fazer, como fazer. 4. O modelo por excelência Jesus foi e continua sendo o maior líder que o mundo já conheceu. E isso é uma afirmação para além do próprio Cristianismo! Veja só:  Hoje, mais de dois bilhões de pessoas, um terço dos seres humanos deste planeta, se dizem cristãs;  A segunda maior religião do mundo, o Islamismo, é menos da metade menor do que o Cristianismo;  Dois dos maiores dias celebrativos do ocidente, pelo menos - Natal e Páscoa - são baseados em eventos da vida de Jesus;  O calendário ocidental conta os anos a partir do nascimento de Jesus. 5. Liderança e responsabilidade A liderança deve ser exercida diligentemente. Se um líder abrir mão ou eximir-se de seu papel, perderá sua liderança. Como Mordecai avisou a rainha Ester: "se de todo te calares agora, de outra parte se levantará para os judeus socorro e livramento" (Ester 4.14) James Hunter nos ensina o caminho da liderança a partir do seguinte esquema:
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    78 6. Liderança servidora Jesusnos ensina que seus líderes devem ser, antes de tudo, servos e servas: "Quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos" (Marcos 10.44). Paulo ressalta este modelo quando exorta os cristãos em Filipos a que tenham a mesma atitude de Cristo (Filipenses 2.6-8), que liderou por meio do serviço e ensinou seus discípulos a imitá-lo, liderando por meio do mesmo modelo. O tipo de liderança ensinada por Jesus extrapolou as fronteiras do Cristianismo. Hoje, a chamada "liderança servidora" é um dos modelos mais populares no mundo empresarial. Seus conceitos foram propostos e popularizados por Robert K. Greenleaf, que ressaltou: "o líder servidor é a pessoa que exemplifica a liderança por meio do serviço". Jesus, no famoso episódio do lava-pés, em João 13.3-4, 14-15, nos ensina: a) A liderança servidora não era o modelo de liderança prevalecente naquele tempo; b) Jesus era reconhecido como mestre e senhor. Ele e os discípulos sabiam disso; c) O que Jesus fez com os discípulos tinha valor muito maior que simplesmente lavar os pés sujos deles. Era uma atitude de serviço vinda de alguém que não tinha obrigação de fazê-lo, sob a ótica de liderança vivenciada naquele tempo; "A liderança começa com a vontade, que é a nossa única capacidade como seres humanos para sintonizar nossas intenções com nossas ações e escolher nosso comportamento. É preciso ter vontade para escolhermos amar, isto é, sentir as reais necessidades, e não os desejos, daqueles que lideramos. Para atender a essas necessidades, precisamos nos dispor a servir e até mesmo a nos sacrificar. Quando servimos e nos sacrificamos pelos outros, exercemos autoridade ou influência".
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    79 d) Os discípulos(e quem sabe nós também) não podiam ver-se realizando tarefa tão humilhante porque estavam preocupados com suas próprias posições e status no grupo; e) A liderança servidora de Jesus não é uma opção, mas um exemplo, um modelo de ministério; f) O amor é o impulsionador da liderança servidora de Jesus, conforme o começo o começo do texto, João 13.1 - "os amou até o fim". 7. Autoridade e poder na liderança Inspirado no livro O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança de James Hunter. Margaret Thatcher, conhecida como a "dama de ferro", foi uma das mais influentes pessoas a exercer o cargo de primeiro-ministro da Inglaterra. Ela declarou certa vez: "Estar no poder é como ser uma dama. Se tiver que lembrar às pessoas que você é, você não é". Podemos entender que, na arte de influenciar pessoas, isto é, de liderá-las, é fundamental compreender a diferença entre poder e autoridade. Uma das distinções é dada pelo sociólogo Max Weber, em seu livro The theory of social and economic organization (A teoria da organização econômica e social): “Poder é a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade, por causa de sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não o fazer. Autoridade é a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer, por causa de sua influência pessoal”. Poder, na prática, significa: "Faça isso senão..." Já autoridade é levar as pessoas a declarar: "Vou fazer porque meu líder me pediu"; "Eu atravessaria paredes por ele". Assim, poder é definido como uma faculdade, enquanto autoridade é definida como uma habilidade. O poder pode ser vendido e comprado, dado e tomado. As pessoas podem ser colocadas em cargos de poder porque são parentes ou amigas de alguém, porque herdaram dinheiro ou o status de poder; nem sempre por méritos ou habilidades de liderança aprendidas. Isso nunca acontece com a autoridade. A autoridade diz respeito a quem você é como pessoa, a seu caráter e à influência que estabelece sobre as pessoas. Estabelecer autoridade sobre as pessoas requer um conjunto especial de habilidades. O poder conduz à rebeldia dos seguidores, pois ele, com o tempo, corrói os relacionamentos. Já a autoridade é fundamental, principalmente em organizações com trabalho voluntário. Isso aplica-se à igreja. Neste caso, pessoas servem, quando percebem
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    80 percebem que seuslíderes se importam com elas, com suas necessidades. Além disso, só uma liderança baseada na autoridade é capaz de conduzir as pessoas a trabalharem com o seu coração, desenvolvendo suas mentes, compromisso, criatividade e ideias. 8. O exemplo de Jesus O ensino que move pelo exemplo denota o caráter da pessoa que ensina. Assim era com Jesus, de tal modo que o povo percebia. Eles diziam que Jesus não ensinava como os escribas, mas como quem tem autoridade (Mateus 7.28-29). O princípio do ensino de Jesus estava relacionado com o exemplo que poderia ser observado em sua própria vida, pois Ele também imitava o Pai (João 14.14 e 19.19). O problema dos fariseus não estava naquilo que falavam, mas na incongruência entre seus atos e palavras (Mateus 7.29). Como não conseguiam convencer pela autoridade, usavam o poder, como ocorre no caso do cego de nascença, que eles expulsaram da sinagoga (João 9). O exercício do poder não promove a transformação, mas a autoridade, sim. Por isso, os discípulos seguiram Jesus e, apesar de suas fraquezas e limitações, terminaram por entregar sua vida pelo Mestre. As pessoas o seguiam espontaneamente, por causa da autoridade que viam emanando de sua vida! 9. Uma decisão: liderar pelo exemplo ou pela força Talvez alguém possa dizer: "Isto tudo é muito bom e bonito em teoria" ou "Se você não exercer poder, as pessoas pisarão na sua cabeça!" É verdade! Isso pode ocorrer num ambiente ou num sistema em que o poder é uma aspiração de todos. E há casos extremos, nos quais a última medida é exercer o poder que a posição confere. Exemplo disso vemos no dia a dia, seja para colocar limites ou para despedir um mau funcionário ou uma pessoa que, no exercício de seu compromisso, é relaxada e não demonstra mudança, por mais investimentos que tenha recebido. Nestes casos, o líder, ao exercer o poder, deve refletir sobre as razões que o obrigam a isso. Ou seja, o poder deve ser exercido porque a autoridade foi quebrada! 10. Quais são as qualidades de caráter de uma liderança marcada pela autoridade?  Honestidade, confiabilidade;
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    81  Bom exemplo; Cuidado;  Compromisso;  Bom ouvinte;  Respeito;  Encorajamento (encoraja as pessoas);  Atitude positiva e entusiástica;  Amor. Cabe destacar que o líder não nasce com essas características. Essas qualidades listadas são comportamentos e, por isso, são escolhas que a pessoa faz. E nunca devemos esquecer que as pessoas que exercem a liderança por autoridade se tornam eternas na história. Além de Cristo, que outros e outras líderes assim podemos listar na história do mundo, do nosso País e da nossa igreja? 11. Características importantes na caminhada de um líder Este estudo foi extraído do livro “Seja um Líder que Motiva” de Leroy Eims. Seja um líder que motiva O que Deus usa para inspirar pessoas à ação é a motivação. Por isso, uma das tarefas primordiais de um líder é ajudar as pessoas a se inflamarem com as coisas certas e a manter essa chama acesa. Seja um líder responsável  Assuma a responsabilidade pelo sucesso ou insucesso do seu grupo ou de atividades propostas. Não transfira a culpa caso algo dê errado;  Corrija e reprove - reprove o pecado e discipline as pessoas lideradas (Provérbios 28.23);  Aja decididamente - não fique esperando pelas outras pessoas;  Ouça críticas (Provérbios 15.5, 10; 19.20);  Seja honesto - mantenha tudo aberto e transparente (I João 1.7);  Seja justo (Provérbios 11.1). Seja um líder que cresce Os cuidados do mundo podem minar a energia do líder. O engano das riquezas, do poder e da fama podem desviá-lo (Provérbios 16.16; Mateus 13.22).
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    82 Entre os inimigosdo crescimento destacam-se:  Orgulho (Provérbios 16.5, 18; I Coríntios 4.7; II Coríntios 4.7; Jeremias 17.5-8; João 15.4-5);  Preguiça (Provérbios 20.13); Entre os aliados do crescimento pode-se ressaltar: Humildade (Provérbios 15.3; 22.4);  Piedade (Isaías 35.8; Provérbios 16.17);  Prudência (Provérbios 14.18; 15.31-32)  Capacidade de ouvir: Os posicionamentos diversos na liderança são importantes, pois mostram que não há um só modo, uma só fórmula, uma receita a ser aplicada. Além disso, posicionamentos contrários são importantes também para servir de parâmetro, de medida, ajudam o líder a manter o equilíbrio nas decisões a serem tomadas, considerando os diversos grupos de pessoas e lideranças representadas. Seja um líder exemplar As pessoas precisam de demonstração. Jesus teve de ensinar aos seus discípulos a orar. Na verdade, ele lhes deu um padrão (Lucas 11.1-4). Para ajudar um novo convertido, tome-o pelas mãos e leve-o pelo caminho, a partir deste programa de cinco passos: 1) Diga-lhe o quê; 2) Diga-lhe por quê; 3) Demonstre-lhe como (I João 2.6); 4) Ajude-o a começar; 5) Ajude-o a continuar (Provérbios 17.22; 27.17). Seja um líder inspirador Os líderes devem avaliar se as pessoas sob sua responsabilidade estão em crescimento contínuo:  Os novos cristãos necessitam da Palavra, muito amor, proteção, senso de pertencer à família de Cristo, treinamento;
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    83  Os discípulosem crescimento necessitam da disciplina do devocional diário, estudo bíblico consistente, memorização das Escrituras e ajuda para saber como testemunhar e falar de Cristo; aprender o estilo de vida de serviço;  Três aspectos levam pessoas a seguir um líder: Visão, Disponibilidade, Compromisso. Esses aspectos devem ser regados das seguintes qualidades: honestidade (Provérbios 27.5-6), lealdade (Provérbios 17.17), generosidade (Provérbios 27.21), humildade (Provérbios 17.3). Seja um líder eficiente  Receba direção de Deus (momento a sós – Provérbios 3.6);  Comunique-se com seus irmãos (Neemias 2.17-18). Um líder mune seus liderados continuamente de informações oportunas, precisas, apropriadas e motivadoras (Provérbios 15.23; Eclesiastes 3.7);  Delegue. Deixe que façam o trabalho (Êxodo 18.21-22);  Esteja disponível. Sempre lhes dê a segurança de que estará disponível quando necessário (Provérbios 17.17);  Avalie regularmente. Os liderados precisam saber o que você pensa do trabalho deles! Isso gera confiança. Seja um líder com objetivos Por que as pessoas precisam de objetivos? Por três razões: 1) Direção: É impossível seguir em direção a uma marca se não existe nenhuma marca. É impossível terminar o percurso se não existe uma linha de chegada; 2) Progresso: Os objetivos asseguram o processo. Sem um objetivo claro, o corpo pode trabalhar arduamente e não chegar a nenhum lugar; 3) Realização: Aquele que atira em nada acerta exatamente nada. Se não tenho objetivo, nunca saberei quando terminei. Posso trabalhar indefinidamente e nunca me sentir realizado, pois nunca poderei dizer que completei o desejado. Seja um líder que toma decisões Por que a tomada de decisões é tão difícil? Algumas razões:  Confusão acerca da vontade de Deus;  Desejo de não machucar ninguém;  Aversão à impopularidade;  Excesso de ocupação;  Covardia;
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    84  Ignorância;  Orgulho. Comotomar boas decisões?  Reconheça as más decisões (cf. Paulo em Atos 26.9);  Defina o problema (Efésios 5.15);  Ouça antes de responder (Provérbios 18.13);  Busque conselho (Provérbios 15.22; Eclesiastes 8.5);  Reduza as opções, eliminando as que não se encaixam;  Espere em Deus (Provérbios 16.3; Salmo 27.14);  Tome a decisão: Provérbios 16.9; 19.21);  Acompanhe a solução até o fim. Tudo posso nele (Filipenses 4.13). Importante: Liderar com autoridade por certo significa arriscar-se. Jesus liderou e “andou fazendo o bem” (Atos 10.38) foi perseguido, abandonado por muitos e morto. Encare essa verdade, o líder corre risco de qualquer maneira. Para pensar: “Quem admite o fracasso deu o primeiro passo para o sucesso”. “Os que seguem a multidão nunca serão seguidos por ela”. James Hunter 12. Desenvolvendo líderes em potencial O texto abaixo foi extraído do livro “Liderança Corajosa“, de Bill Hybels, capítulo 6: Quando os líderes estão em sua melhor forma da Willow Creek Association, com alterações que possibilitam a sua aplicação específica na vida da liderança de igrejas. Quando é que os líderes estão na sua melhor forma? Respostas cabíveis:  Quando estão desempenhando funções de liderança, como divulgar visões que honram a Deus, montar equipes, estabelecer metas, resolver problemas e levantar fundos;  Quando são o modelo de liderança exemplar, é então que os líderes se distinguem;  Quando os líderes demonstram caráter;  Quando os líderes manifestam traços de fidedignidade, imparcialidade, humildade, disposição para o trabalho e tolerância por um tempo bem longo;  Quando provam que são inabaláveis em tempos de crise;  Quando os líderes adicionam o componente espiritual à sua liderança;  Quando estão trabalhando em comunhão com Deus;
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    85  Quando estãohumildemente prostrados perante o Pai celestial, reconhecendo a soberania dele, escutando seus conselhos, submetendo-se à sua liderança e, então, corajosamente executando as suas ordens, é aí que os líderes estão na sua melhor forma. Para Bill Hybels, os líderes estão na sua melhor forma “quando geram outros líderes, quando criam uma cultura de liderança”. Continua Hybels: “Quando observo um líder cujo radar fica tentando localizar um líder em potencial, ou quando vejo um líder mais experiente investindo tempo e energia para treinar e fortalecer um líder mais jovem, tenho certeza de que estou diante de um líder na sua melhor forma”. Por quê? Porque somente líderes podem desenvolver outros líderes e criar uma cultura de liderança. Somente líderes podem multiplicar o impacto da liderança, suscitando mais líderes. Pense sobre isso. Quando um líder não apenas desenvolve o próprio potencial de liderança, mas também extrai o potencial de diversos outros líderes, o efeito de uma vida no Reino de Deus é multiplicado exponencialmente. Isso produz muito mais fruto que uma única realização de liderança poderia alcançar. O impacto da vida desse líder será sentido por muitas gerações vindouras. Como um líder cria uma cultura de liderança e deixa um legado de líderes bem treinados? a) O desenvolvimento da liderança Sem visão, nada de importante pode ser alcançado. O desenvolvimento da liderança nunca acontece acidentalmente. Isso somente ocorre quando algum líder possui ardente visão sobre essa questão, quando a sua pulsação dobra só de pensar em injetar no sistema organizacional um fluxo constante de líderes competentes. Antes que desenvolvêssemos uma clara visão sobre o desenvolvimento da liderança na igreja, sentimo-nos na armadilha que enlaça muitas igrejas: a da necessidade urgente. Em organizações extremamente velozes e intensas, o desenvolvimento da liderança sempre escorrega para o fim da agenda. Esse fator é o que atualmente limita o crescimento da igreja. Criar uma visão é, logicamente, apenas o início. O próximo desafio é criar uma estratégia para transformar essa visão em realidade. Para estimular o raciocínio a respeito de tal plano, é necessário fazer-se a seguinte pergunta: Como é que você acabou se tornando um líder? Existem muitas respostas possíveis para essa pergunta, mas, a partir da experiência de muitos líderes, é possível apontar três tópicos em comum.
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    86 Esses tópicos nosdão uma base para a estratégia prática de desenvolvimento de líderes:  Potencial;  Investimento;  Delegação de responsabilidade b) O plano de desenvolvimento de liderança de Jesus Nas Escrituras, é possível observar que Jesus percorreu essas três fases ao suscitar discípulos, líderes. Primeiro, repare em como ele selecionou seus discípulos. Ele não apenas disse: “Eis uma linha. Os primeiros doze rapazes que passarem por ela são os escolhidos”. Não! Ele escolheu seus discípulos cuidadosamente. Levou tempo, e deve ter orado fervorosamente antes de escolhê-los. Jesus sabia que num futuro não muito distante estaria passando a liderança da igreja para eles. Ele tinha de ter certeza de que havia escolhido pessoas com potencial para assumir aquela responsabilidade. Após Jesus ter identificado os doze, rapidamente passou para um período de intenso investimento na vida deles. Jesus passava tempo com eles. Ele os ensinava, educava, confrontava, monitorava, repreendia e inspirava. Então, tempos depois, quando soube que era o momento certo, passou para a terceira fase do desenvolvimento da liderança. Ele delegou aos discípulos uma autêntica responsabilidade ministerial e os treinou para serem eficientes. Seu plano funcionou maravilhosamente. Vale a pena copiar! Às vezes, imagino como a igreja estaria neste mundo, se os seus líderes fossem mais conscientes a respeito do desenvolvimento de lideranças. Percebemos, portanto, que tudo começa pelo reconhecimento e arregimentamento de pessoas para a liderança. Para isto, são identificadas abaixo, algumas qualidades necessárias em líderes potenciais: 1ª Qualidade: Influência Líderes potenciais sempre buscam influenciar os outros. Líderes em potencial exercem influência. James Hunter em “O monge e o executivo” identifica liderança com influência: “Liderança é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir os objetivos identificados como sendo para o bem comum”.
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    87 Uma das palavras-chavenesta definição de liderança é exatamente influência. A liderança, na sua essência, trata-se de influenciar pessoas. Em outras palavras, é saber como o líder consegue “ganhar” as pessoas do “pescoço para cima” em vez da antiga ideia de “nós só queremos você do pescoço para baixo”. Se liderar é, em outras palavras, “ganhar” as pessoas, sempre haverá duas dinâmicas em jogo: a tarefa e o relacionamento. Na liderança, elas devem coexistir. Caso contrário, por exemplo, se nos concentrarmos somente em ter a tarefa realizada e não no relacionamento, surgirão sintomas tais como: rotatividade no exercício do trabalho, transferências, rebeldias, má qualidade de trabalho, baixo compromisso, baixa confiança... Somente a realização de tarefas não garante a liderança. Eis um exemplo do livro O monge e o executivo: “A maioria das pessoas é promovida a cargos de liderança por causa de suas aptidões técnicas reveladas no desempenho de tarefas. É uma armadilha contra a qual fui alertado muitas vezes em minha carreira. Certa ocasião, promovemos nosso melhor operador de retroescavadeira a supervisor e acabei percebendo que tínhamos criado dois novos problemas. Passamos a ter um mau supervisor e perdemos nosso melhor operador de retroescavadeira! Não percebemos que, apesar de ser um excelente técnico, seu relacionamento com os subalternos era péssimo. Mas como existe um conceito de liderança defeituoso, pessoas voltadas para as tarefas provavelmente ocupam a maioria dos cargos de liderança”. Os relacionamentos também são importantes quando você lidera. Na vida, tudo gira em torno de relacionamentos – com Deus, conosco, com os outros. Porém, o diferencial é que os relacionamentos devem ser saudáveis, que se estabelecem a partir do momento em que se identifica e satisfaz as necessidades legítimas das pessoas, tais como: Tratamento digno e respeitoso; capacidade de contribuir para o sucesso da organização; sentimento de participação; reconhecimento/dinheiro. Isso nos leva a outro ponto: o “ingrediente” mais importante para o estabelecimento de relacionamentos saudáveis é a confiança. Sem confiança é difícil senão impossível conservar um bom relacionamento. A confiança é a cola que gruda os relacionamentos. No entanto, também é um erro considerar o relacionamento em detrimento das tarefas realizadas. Um exemplo cotidiano numa empresa demonstra isso: Se os líderes não satisfazem as necessidades dos donos ou acionistas, a organização também estará em dificuldade séria. Os acionistas têm uma necessidade legítima de obter o retorno justo do seu investimento e, se os líderes da empresa não preencherem essa necessidade, o seu relacionamento com os acionistas não estará bom. E se os acionistas não estiverem felizes,
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    88 felizes, a organizaçãonão se manterá por muito tempo. James Hanter exemplifica isso num simples testemunho de um de seus personagens em “O monge e o executivo”: “Descobri isso de um modo muito doloroso há vários anos quando era gerente geral de um grande resort (hotel de luxo) no Arizona. Nós nos divertíamos muito no trabalho, mas não estávamos muito atentos aos resultados, e eu acabei sendo demitido”. A chave para a liderança é executar tarefas enquanto se constroem os relacionamentos. 2ª Qualidade: Caráter Muitas pessoas com influência não possuem o caráter necessário para usar essa influência de modo construtivo ou cristão. Honestidade, humildade, estabilidade, capacidade de aprendizado e integridade são qualidades de caráter indispensáveis para conduzir bem a influência de um líder. Como se trata de um líder cristão, se caráter deve ser forjado por um caminhar sincero com Deus, uma entrega ao Espírito Santo e um comprometimento com a autoridade da Palavra de Deus. 3ª Qualidade: Habilidades pessoais Habilidades pessoais inclui sensibilidade para com os pensamentos e sentimentos dos outros, bem como a consideração de ouvir as ideias dos outros. A aptidão para se relacionar com os outros é outra habilidade pessoal que deve ser desenvolvida num líder: desde pessoas com um comportamento peculiar, até pessoas que possuem problemas com o poder e deficiência de autoestima. Habilidades são adquiridas por meio de disciplina e, portanto, não são naturais. São adquiridas a partir de 4 estágios, próprios da vida humana:  Estágio 1: Inconsciente e sem habilidade – Você ignora o comportamento e o hábito. Exemplo: você desconhece a prática de dirigir um carro.  Estágio 2: Consciente e sem habilidade – Você toma consciência de um novo comportamento, mas ainda não desenvolveu a prática. Exemplo: Você já tem conhecimento teórico do funcionamento e direção de um carro, mas não sabe dirigir.  Estágio 3: Consciente e habilidoso – Você está se tornando cada vez mais experiente e se sente confortável com o novo comportamento ou prática. Exemplo: Você conhece o funcionamento teórico e já tem experiência na direção de um carro, mas depende do conhecimento teórico.
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    89  Estágio 4:Inconsciente e habilidoso – Você não tem mais de pensar para desenvolver o comportamento ou prática. Exemplo: Você dirige sem precisar pensar nos processos teóricos. 4ª Qualidade: Garra Garra é próprio de pessoas proativas, que se sentem confortáveis em tomar a iniciativa. São pessoas que são as primeiras a dizer: “Ao trabalho! ”.Bons líderes fazem as coisas acontecerem. Daí, por definição, têm garra as pessoas que estimulam as outras. O texto de I Coríntios 15.58 é uma boa definição de garra: “...sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão”. 5ª Qualidade: Sagacidade Em líderes potenciais, sagacidade é sinônimo de rapidez mental necessária para processar grandes quantidades de informação, classificá-las, avaliar todas as opções e, via de regra, tomarem decisões. Trata-se de alguém com uma mente ávida e curiosa que possa aprender e crescer ao longo do percurso. c) O que mantém um líder motivado O que motiva um líder, mais que qualquer outra coisa, é ver líderes que ajudou a se desenvolverem, disparar como líderes no Reino de Deus; ver pessoas em quem investiu tempo e energia frutificando, influenciando, glorificando a Deus e amando o que fazem. Nesta direção, comenta Bill Hybels: “O que me mantém estimulado como líder? É ver um advogado abandonar seu lucrativo ofício para liderar uma revolução de pequenos grupos aqui na Willow e ao redor do mundo. É ver um ferreiro reduzir seu envolvimento na empresa a fim de ajudar a revitalizar a igreja na Alemanha. É ver um jovem formando da escola de administração de Harvard, dedicar sua vida à renovação de igrejas por todo o mundo ao liderar a Willow Creek Association. Nada me estimula mais do que isso. É claro que ainda aprecio o desafio de exercer a liderança. Mas quanto mais velho fico, mais compreendo a oportunidade e a responsabilidade de ajudar outros líderes a achar seu lugar e a alcançar seu pleno potencial”.
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    90  A próximageração de líderes em potencial – um testemunho pessoal de Bill Hybels Recentemente, Deus fez com que eu sentisse mais claramente a minha relação com a próxima geração de líderes em potencial de maneira muito especial. Shauna, minha filha, após ter terminado a faculdade, sentiu o chamado de Deus para trabalhar no Impacto Estudantil, o ministério da Willow dirigido por adolescentes. Há alguns meses, ela e sua equipe se reuniram em nossa igreja para planejar seu primeiro retiro para quinhentos estudantes. Eles passaram horas planejando e orando sobre como organizar atividades recreativas, estruturar experiências de adoração e tornar o ensino aplicável aos estudantes. Quando chegou o fim de semana, era óbvio que Deus tinha operado. Centenas de estudantes tiveram sua vida transformada, compromissos foram firmados e relacionamentos foram formados e aprofundados. Após o retiro, Shauna dirigiu quase 260 km ao redor do lago Michigan, com o único propósito de vir a nossa casa de campo contar-me tudo o que tinha acontecido. As lágrimas escorriam pela sua face, enquanto me contava como Deus havia operado. Sabia exatamente o que ela havia experimentado. Lembrei-me claramente como era ser jovem líder e perceber que havia sido usado por Deus; como era ver algo planejado por você produzir resultado muito melhor que seus mais ambiciosos sonhos, porque Deus tinha operado de forma poderosa; e como algo assim poderia derreter o coração de jovens líderes. Ver Deus operando por meio do meu dom de liderança ainda sacode o meu âmago de tempos em tempos. Mas ver a mesma coisa acontecendo por meio da minha filha... vê- la decolando... ver a próxima geração de líderes abrir suas asas e começar a voar... Isso é realmente o melhor que há na liderança. Quaisquer que sejam os desafios a serem enfrentados pelas nossas igrejas nos anos vindouros, espero que possamos enfrentá-los confiantemente, sabendo que fomos sábios o suficiente para investir na próxima geração de líderes. Não há nada que líderes experientes possam fazer que tenha mais impacto do que isso. Não importa o que façamos, precisamos criar cultura de liderança. Devemos identificar líderes em potencial, investir neles, dar-lhes responsabilidades no Reino de Deus e orientá-los em direção à eficiência. Então, cada um de nós poderá experimentar a emoção de vê-los levantar voo. Isso será a liderança na sua melhor, muito melhor forma.
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    91 d) A recompensa Olíder que opta por uma liderança servidora, pautada pela autoridade e influência precisa fazer muitas escolhas e sacrifícios. É necessária muita disciplina... O esforço que vai ser necessário para estabelecer influência, o trabalho de prestar atenção, amar, doar- se aos outros, e a disciplina para aprender novas práticas e comportamentos são marcas da liderança cristã, herdadas de Jesus. É verdade, a exigência é grande, mas... vale a pena? Recordando-nos dos atletas, lembremos que a disciplina, a dedicação e o trabalho duro (sacrifício) são requeridos à liderança, mas em compensação sempre trazem prêmios. De imediato, muitas recompensas vêm à mente, ao exercermos uma liderança com base na autoridade e serviço:  Construímos influência;  Desenvolvemos uma missão, um objetivo, uma visão de vida – “uma razão para levantar de manhã!” A vida passa a ter propósito e significado;  Adquirimos confiança para nos arriscar mais. Como diz o ditado: “Quem não arrisca, não petisca”;  Tornamo-nos pessoas mais reflexivas. O conhecimento na liderança traz prudência;  Realizamos coisas que permanecem para a posteridade humana.  Desenvolvemos uma vida espiritual que agrada a Deus.  Há grande alegria em liderar como autoridade, servindo aos outros e satisfazendo suas necessidades. Biblicamente falando, a maior recompensa da liderança é a ALEGRIA de ouvir Jesus nos dizer: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu Senhor” (Mateus 25.21,23). Segundo Jesus, neste texto, a alegria não será apenas a felicidade de um momento, mas o regozijo eterno. Ainda, devemos ressaltar neste texto que a alegria é fruto de uma liderança de serviço. O maior segredo da alegria bíblica está em doar-nos e liderar com autoridade, amando ao próximo. No evangelho de João, Jesus diz a seus discípulos que a sua imensa alegria poderia ser a alegria deles se obedecessem a seus mandamentos. E termina dizendo – “Este é o meu mandamento: que vocês amem uns aos outros como eu os amei”. Jesus sabia que haveria alegria em amar doando-nos aos outros. O amor quebra nossos muros de egoísmo e nos leva ao encontro das pessoas. Quando negamos as nossas próprias necessidades e vontades e nos doamos aos outros, crescemos. Tornamo-nos menos autocentrados e mais conscientes dos outros. A alegria é uma consequência dessa doação.
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    93 Unidade 4 –MISSÃO A missão da Igreja é anunciar o Evangelho para a salvação. O chamado de Jesus para seus discípulos foi o discipulado cristão. O discipulado acontece na igreja local através dos Grupos Pequenos onde vidas são alcançadas e cuidadas. Através da Missão nos Grupos pequenos, continua o ciclo do discipulado: Novo Nascimento, Conversão, Santificação e Missão. Quando a Missão acontece, vidas nascem de novo, se convertem e buscam santificação para então continuar sendo enviados para ganhar vidas através dos Grupos Pequenos, onde atuam como verdadeiros missionários. O discipulado através dos pequenos grupos conduz toda a igreja a se envolver na missão evangelizando e cuidando de vidas de forma responsável e madura. 1. Igreja com Grupos Pequenos a) Grupos pequenos? Por quê? Os GPs envolvem toda a igreja, direcionando todos os membros a seguirem para o mesmo alvo destacado por Cristo Jesus: o caminho do discipulado. Por isso, não consistem apenas em uma reunião num lar, com um lanche no final. A Igreja Metodista estipulou por meta, que todos os membros da igreja devem estar engajados nos Grupos Pequenos (Discípulas e discípulos nos caminhos da missão cumprem o mandato missionário de Jesus - Carta Pastoral do Colégio Episcopal Biênio 2012-2013. Página 14).
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    94 O caminho dodiscipulado na vida de uma pessoa pode ser entendido a partir do esquema abaixo apresentado: Neste processo, é preciso aprender com Jesus que trabalhar com um grupo pequeno é dar condições para que seus membros desenvolvam seus dons. Num grupo pequeno, sob a liderança de um discipulador, as pessoas encontram espaço para serem discípulas e desenvolverem seus dons, com vistas a se tornarem discipuladoras (Lucas 6.40). Nesta situação, as pessoas não mais participam de uma "programação". Na verdade, fazem parte de um ambiente apropriado ao discipulado em que podem crescer em conhecimento e relacionamento uns com os outros e com Deus. 2. Qual é a base bíblica para os GPs? a) No Antigo Testamento:  Jetro - Delegação de autoridade: um cuidando de 10 - líder; outro cuidando de 100 - discipulador; e outro, de 1000 - Coordenador de área (Êxodo 18.13-27). b) Novo Testamento:  Jesus: Iniciou seu ministério com um grupo pequeno de 12 discípulos (Marcos 3.13-14); Comissionou a Igreja (João 20.21; Mateus 28.18-20). Jesus alicerçou seu ministério em relacionamentos. Diante de todas as atividades que desenvolveu, os evangelhos dizem que ele dedicou cerca de 50% de seu ministério para tratar particularmente de seu grupo pequeno, para estar presente com seus discípulos. Ele aparece conversando, comendo e dormindo junto deles (João 1.39; 2.2; 4.7; Lucas 6.12; 11.1). Andaram juntos em estradas, visitaram cidades, viajaram de barco, pescaram no mar da Galileia, oraram juntos, foram às sinagogas e ao templo. Fizeram viagens a Tiro e a Sidom (Marcos 7.24; Mateus 15.21), para o território de Decápolis (Marcos 7.31; Mateus 15.29) e para as regiões de Dalmanuta, a sudeste da Galileia
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    95 (Marcos 8.10); etambém para as aldeias de Cesareia de Filipe (Marcos 8.27), no nordeste.  A Igreja Primitiva: Local das Reuniões: no templo, na sinagoga e nas casas (Atos 2.42-47; Hebreus 5.42). No templo se reuniam para adorar a Deus, para ouvirem os ensinos e a pregação das Sagradas Escrituras. Nas casas, os recém-convertidos eram acolhidos e alimentados espiritualmente. Ali aprendiam a respeito de Jesus, suas necessidades eram supridas, recebiam cuidados e acompanhamento até se sentirem aptos para cuidarem de outros. Ainda encontramos no Novo Testamento uma variedade de textos que atestam a existência de grupos pequenos:  Atos 2.42-47 - "…partindo o pão de casa em casa"  Atos 5.42 - "... no templo e de casa em casa"  Atos 20.20 - ".... ensinando-vos publicamente e de casa em casa"  Romanos 16.3,5,10 - "....a igreja que está na casa deles"  Colossenses 4.15 - "... a igreja que está em sua casa"  Filemom 1.2 - "... à igreja que está em tua casa" 3. O desenvolvimento dos GPs ao longo da história A partir do ano 312, a igreja começou a perder o equilíbrio entre as reuniões de celebração no templo e nas casas. No ano de 1517, Martinho Lutero deu início à Reforma Protestante e transformou a teologia sem, contudo, mudar a estrutura da igreja. Diversos movimentos seguiram a partir daí: os anabatistas, os valdenses, os calvinistas e os reformados da Suíça. Posteriormente, surgiram os puritanos. Felipe Jacob Spener (1635-1705), considerado pai deste movimento, se considerava apto a continuar a Reforma de Lutero, passando a fazer pregações e reunindo os collegia pietatis, minúsculos grupos de pessoas que se propunham a estudar e debater a Bíblia. No ano de 1738, João Wesley, pai do metodismo, inspirado no Movimento Morávio em sua experiência no Clube Santo, em Oxford, deu início a reuniões de grupos pequenos, denominados classes e sociedades, em que os crentes oravam, estudavam a Bíblia e encorajavam-se mutuamente. Wesley se preocupava com os desdobramentos da vida cristã das pessoas que aceitavam a Jesus por meio de suas pregações ao ar livre e queria dar-lhes condições de aprofundar a experiência com Deus. De início, eles já deveriam manifestar a profundidade
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    96 de sua conversão(os demais integrantes do grupo deviam ter certeza da sinceridade do novo membro antes de admiti-lo). Essa pessoa era imediatamente encaminhada a uma classe. Wesley organizava grupos de 12 pessoas, tendo um líder leigo. Diversas "classes" formavam uma "sociedade" numa cidade ou local de reunião. Ao final do século XVIII, os historiadores registram mais de 10 mil grupos e 80.000 membros nas sociedades organizadas como "classes" (HENDERSON, 2012. Páginas 87-98). Já no século XX, há a retomada da igreja em GPs, a partir do chamado "movimento celular moderno". O pai do movimento de células moderno é o Pastor David Yonggi Cho. Esse movimento nasceu em 1964, em Seul, Coreia, com 20 células, onde chamamos de Grupos Pequenos. Assim, fazemos parte então do modelo de Deus para a igreja do Novo Testamento, cujo resultado se vê no decorrer da história. Somos chamados a viver e ser testemunhas deste mover de Deus, a partir da organização da nossa igreja em GPs nestes dias da história da igreja. Hoje, à semelhança da igreja cristã primitiva, retomamos a ênfase total aos cultos celebrativos e às reuniões nos lares e em outros locais. Hoje, em todo Brasil, as Igrejas Metodistas estão envolvidas no discipulado com Grupos Pequenos, seguindo o mandato de Jesus e a tradição metodista para ganhar vidas evangelizando e cuidando de forma responsável (cf.: Expositor Cristão – Setembro de 2014). 4. Igreja com Grupos Pequenos Em uma igreja com GP´S, tudo aquilo que a igreja precisa fazer é retomar a visão de crescimento do Reino, a partir dos ensinamentos de Jesus, que passavam por: treinamento, preparo, discipulado, evangelismo, oração, adoração. Tudo isso Jesus realizou a partir do seu grupo pequeno de 12 discípulos. A Igreja Metodista se organiza em Dons e Ministérios que possibilitam o serviço missionário da Igreja (Cânones 2017, páginas 79,80). A existência de Grupos Pequenos não substitui os ministérios da Igreja local, nem os ministérios podem suprimir os GPs. Mas juntos possibilitam a realização do propósito da Igreja de “promover o discipulado na perspectiva da salvação, santificação e serviço” (CARTA PASTORAL DO COLÉGIO EPISCOPAL BIÊNIO 2012-2013).
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    97 O mover deDeus diz: "ide", mas nossos prédios dizem "fiquem". O mover de Deus diz para "buscarmos os perdidos", mas os prédios dizem: "deixe que eles venham até nós". Fomos criados em uma cultura que tem o templo como o local em que encontramos a Deus, ou seja, o estar na "igreja" é o mais importante. Com os GPs tudo é muito diferente, pois precisamos aprender que nós somos o templo de Deus (I Coríntios 3.16). A respeito do discipulado em Grupos Pequenos, Igreja Metodista declara no XX Concílio Geral: “Que acreditamos ser o discipulado nosso estilo de vida em que Cristo é o modelo, ou seja, “caminho, verdade e vida” à luz dos valores da fé cristã e na perspectiva do Reino de Deus; método de pastoreio no qual o pastor e a pastora dedicam maior atenção aos grupos pequenos e promovem dessa forma, relacionamentos mais fraternos e pastoreio mútuo; e estratégia para o cumprimento da missão visando a evangelização e o crescimento” (Cânones da Igreja Metodista 2017, página 234.).
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    98 Nesta nova proposta,cada SUPERVISOR/A DE ÁREA passa a ser responsável pelo funcionamento dos GPs a cada um/a delegado/a, estando ao lado dos pastores e pastoras que os supervisiona e mentora e com presença representativa na CLAM (Coordenação Local de Ação Missionária). Veja, no organograma, a seguir: 5. O que não é Grupo Pequeno? Para explicarmos o que é um GP, primeiramente precisamos dizer o que não é GP. Um GP não é:  Grupo de Oração  Grupo de Estudo Bíblico  Grupo de comunhão entre crentes ou Grupo de Crescimento
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    99  Grupo decura interior e de apoio  Ponto de Pregação A diferenciação entre o que não é um GP e os exemplos citados acima não desmerece nenhuma destas coisas, mas apenas pontua o formato dos Grupos Pequenos em relação a outras atividades da Igreja local. 6. O que é Grupo Pequeno? O GP é a igreja que se reúne no templo para os cultos e demais atividades, e durante a semana nas casas (e outros lugares), com o objetivo de evangelizar, confraternizar, edificar e servir. Isso evidencia a natureza do GP que é RELACIONAMENTO, ESTILO DE VIDA! Os grupos se reúnem nos lares, empresas ou no trabalho, gerando vidas e desempenhando um papel de grande importância para cumprir a missão do grande comissionamento de Jesus em Mateus 28.18-20. É importante frisar, mais uma vez, neste contexto, que o GP é uma estratégia eficaz de evangelização, de discipulado e de pastoreio e não um sistema de governo de igreja. No GP, as pessoas são cuidadas, mentoreadas e discipuladas por líderes formados pelo Centro de Treinamento Ministerial da Igreja Metodista em Cataguases (CTM). Na definição de Mikel Newmann, o GP "é um grupo de cinco a quinze pessoas que se reúnem regularmente para cumprir os mandamentos das Escrituras de amar uns aos outros, estando ao mesmo tempo integralmente ligados a uma igreja local e com olhar voltado para o mundo" (NEUMANN, 1993). Observem a ênfase dessa definição “...estando ao mesmo tempo INTEGRALMENTE ligados a uma igreja local...” mostrando que nenhum GP tem vida fora da comunhão com uma igreja. Quando falamos em GPs, é fundamental considerar:  O GP busca ser uma comunidade e para isso, precisamos entender que ele se define para além de uma reunião semanal. Quando nossa percepção do GP é limitada a reunião semanal, então não participamos, de fato, de uma comunidade. A vida em comunidade existe de fato quando acontece para além dos cultos e das reuniões, no dia-a-dia dos nossos relacionamentos.  O relacionamento é mais importante que a reunião. É no relacionamento que crescemos como servos, aprendemos a viver a vida cristã, somos supridos e também suprimos os outros em amor.
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    100  O GPvisa à edificação dos crentes, com o foco no evangelismo e na multiplicação, a partir do fundamento da edificação de seus discípulos e discípulas. Todo o projeto final de edificação do GP visa à multiplicação. Crentes comprometidos são crentes frutíferos.  O GP acontece num lugar definido para a reunião, criando um senso de identidade, constância e segurança. É impossível produzir um ambiente familiar se nos reunirmos a cada semana em uma casa diferente. Por isso, não basta ter um lugar de reunião, é preciso que o grupo se reúna numa base regular. Também devemos levar em conta o seguinte:  OS GPs não sobrevivem quando as funções substituem Jesus. Somente quando Jesus é o centro é que o GP alcança todo o seu potencial e podemos dizer que ele está bem ajustado à igreja, corpo vivo de Cristo.  O GP permite que a igreja aumente sua influência e sua presença na sociedade, por estar mais próximo das pessoas, de suas casas, de suas atividades peculiares.  É preciso tornar a enfatizar: o alvo do GP é a multiplicação. A multiplicação deve ser uma grande motivação de todos os discípulos e discípulas do grupo. A IGREJA METODISTA EM CATAGUASES, UMA IGREJA COM GPS SERÁ REPRESENTADA PELOS QUATRO C’S:  CRESCIMENTO: A prioridade é gerar filhos/as para Deus; o mais importante é que cada membro do GP se comprometa a conquistar vidas para Cristo. Cada crente assuma o ministério de buscar novos discípulos e discípulas. Principal foco: Testemunho, Evangelismo, EMpacto e Integração nos GPs.  CUIDADO: O propósito é ajudar as pessoas a crescerem na sua fé e em seu relacionamento com Deus e a experimentarem uma vida transformada e frutífera. Principal foco: Discipulado, Edificação, Integração na igreja, Trilho de Formação: INICIE/INSPIRE e Batismo.
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    101  COMUNHÃO: Oprojeto é edificar uma igreja viva, renovada e acolhedora; é encorajar as pessoas a viverem em união e a perseverarem na comunhão da igreja e do GP. Principal foco: Comunidade, Relacionamento, Família e Amor.  CELEBRAÇÃO: A firme intenção é multiplicar os GPs a cada ano, capacitando as pessoas a servirem a Deus e a compartilharem sua fé em Cristo aqui e por todo o mundo. Marca o começo de novos GPs e novos líderes se levantam. Principal foco: Festa da Multiplicação, CTM, Capacitação e Compromisso. 7. Para que Grupos Pequenos? Os GPs conduzem as pessoas a um comprometimento real com o Senhor Jesus Cristo e de uns para com os outros. Esta estratégia leva à consolidação e permanência dos crentes na Igreja e promove um crescimento espiritual nos novos membros, bem como um crescimento numérico sustentável, evitando a evasão, fechando a "porta dos fundos", para que as pessoas conheçam a Deus e tenham intimidade com ele. A comunhão fortalece o Corpo de Cristo e traz a unidade do Espírito, conforme vemos no livro de Atos e de Efésios. Esta comunhão tem motivo duplo: ajudar e ser ajudado, edificar e ser edificado. No grupo há crescimento espiritual, aprendizado prático e comunhão em amor. A expressão "uns aos outros", no Novo Testamento (Romanos 12.10; I Pedro 1.22; I João 3.23), refere-se a mandamentos, a aprofundamento de relacionamentos entre irmãos. Isso se torna possível quando a família da fé se aproxima e caminha em comunhão, como os crentes da Igreja Primitiva. À medida que a Igreja cresce numericamente, Deus abençoa o seu Corpo com os diferentes dons, utilizando-os na sua edificação (Efésios 4.11-14). Por meio dos GPs, todos poderão exercer seus dons e os relacionamentos vão se estreitando, criando um clima de apoio e ajuda mútua. O impacto da igreja grande e cheia do Espírito Santo impressiona, mas o cuidado pastoral se tornará muito mais eficaz no relacionamento desenvolvido nos grupos pequenos. Queremos que cada membro seja pastoreado, cuidado e amparado e isso pode se materializar nos GPs.
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    102 Assim, os GPstem a finalidade de:  Desenvolver o espírito comunitário, nutrindo seus membros, capacitando-os a serem testemunhas do evangelho e do poder de Deus;  Facilitar a proximidade de seus participantes, ajudando-se mutuamente, praticando o amor e o serviço, aprendendo a orar, perdoar, amar o próximo, compartilhar a fé, suas necessidades, enxergar as necessidades do próximo e exercitar os dons espirituais;  Possibilitar que os seus membros sejam levados ao treinamento de liderança, multiplicando os GPs, no mínimo, ano a ano, na grande corrida da Celebração;  Proporcionar a visão de ministério para o serviço, assim como o evangelismo e o discipulado. 8. Frutos bíblicos alcançados no dia-a-dia dos Grupos Pequenos Os GPs, via de regra, têm o objetivo de ganhar almas. Por isso, os frutos destacados abaixo, devem marcar o crescimento de um recém convertido.  COMUNHÃO - Desenvolvimento de vida compartilhada, alvos comuns e aliança mútua. Isso significa fomentar o amor de uns pelos outros. É curioso que a Bíblia fala muito mais de comunhão na igreja do que de evangelismo. Talvez a melhor estratégia de evangelismo seja a verdadeira e genuína comunhão entre os irmãos. Jesus disse que o mundo nos reconheceria como seus discípulos se nos amássemos uns aos outros. É na comunhão que testemunhamos esse amor. Basta que os membros estejam devidamente ligados pelo auxílio "de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte" (Efésios 4.16). Precisamos ser cuidadosos para que a nossa comunhão não se transforme em clube social e, assim, sermos distraídos por outras coisas. Tudo isso foi dito para mostrar o quanto são importantes os vínculos de comunhão na Igreja. Por isso, cada líder deve priorizar a comunhão do seu grupo. Num GP não há lugar para ninguém sem vínculo.  ALIMENTO - Todo novo convertido necessita de uma "dieta equilibrada". Se não for alimentado nesta fase inicial da vida espiritual, poderá tomar-se um crente problemático, se não morrer antes, de "inanição". No GP, eles são alimentados com palavras de fé, de encorajamento e de ânimo.
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    103  PROTEÇÃO -Além de alimento, o recém-nascido precisa de proteção. A rotatividade na igreja pode ser fruto de falta de cuidado e proteção. O lobo entra e leva a ovelha se não houver pastores guardando o rebanho. Até que o novo convertido aprenda a caminhar sozinho, é fundamental a proteção de um pai/mãe espiritual.  ENSINO - Aqui o termo ensino não se refere simplesmente ao aprendizado de doutrinas, mas à aquisição de hábitos espirituais. O ensino aponta para a conduta e as atitudes que devem ser desenvolvidas no novo crente. Se quando criança o crente não foi ensinando a ser dizimista, por exemplo, vai ser difícil mudá-lo depois de adulto na fé. No GP a criança espiritual recebe o ensino.  DISCIPLINA - Todo novo convertido deve ser alimentado, protegido, ensinado e também corrigido, quando sair do padrão da Palavra. O GP é o ambiente propício para ser corrigido em amor sempre em consonância com a Palavra de Deus.  AMOR - A criança na fé precisa ser amada. Quase todos vêm para a vida da igreja com suas emoções destruídas. Entretanto, o amor paciente, que deve ser marca no GP, restaura a alma. Uma criança só recebe amor e suprimento adequado em um ambiente familiar. E a proposta dos GPs é justamente ser uma família vinculada pelo amor. Neste ambiente familiar nossos filhos e filhas serão supridos e nenhum se extraviará.  SERVIÇO - Cada crente é um ministro e cada um recebeu um dom. No GP, os dons são exercitados para o serviço mútuo e de modo que ninguém deixe de trabalhar. Muita gente pensa que servir a Deus resume-se em realizar as atividades espirituais na igreja como cantar, orar e pregar. Poucos percebem que servimos a Deus quando exercitamos nossos dons e conhecimentos para ajudar e edificar as pessoas. São tantas as possibilidades de ajuda mútua e serviço que não poderíamos enumerá-las aqui. Jesus disse que seríamos conhecidos como seus discípulos se nos amássemos uns aos outros. Não existe melhor forma de expressar esse amor do que servindo os nossos irmãos. Quando um GP atinge estes frutos na vida de um convertido, ele se concretiza na promessa de Jesus para o mundo: O Reino de Deus é chegado, está próximo.
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    104 9. A reuniãono Grupo Pequeno A reunião do GP deve ser organizada de forma clara e simples facilitando o trabalho, por isso é importante seguir a orientação do Ministério Regional de Discipulado, que após avaliar a experiência de vários grupos pequenos apresenta o seguinte modelo (Manual Regional de Discipulado e Células): 1º Momento - QUEBRA-GELO É um momento estratégico, usado para iniciar a reunião, com a finalidade de aproximar as pessoas, principalmente, quando o grupo é novo e as pessoas não se conhecem. No GP sempre é esperado que sempre haja a presença de novas pessoas e, neste sentido, o quebra-gelo lhes proporcionará um ambiente informal e acolhedor. Informações importantes:  Quebra-Gelo não é um jogo;  É uma atividade que ajuda a pessoa a tirar a atenção de si mesma para se sentir à vontade com os outros;  Ele concentra todos os participantes do GP em um assunto central;  Como o nome sugere, essa atividade quebra a hesitação inicial que cada pessoa tem para falar abertamente;  É preciso cuidado para não expor detalhes da intimidade de alguém. Nem sempre um quebra-gelo tem um objetivo proposto, mas serve como um elemento agregador. 2º Momento - LOUVOR E ADORAÇÃO As pessoas agora movem o foco para o Senhor. São despertadas para a realidade da presença de Deus no meio do GP. Dicas:  Escolha cânticos conhecidos e fáceis;  Providencie letra dos cânticos para ajudar as pessoas que não conhecem os mesmos de cor (se necessário);  Não fique pregando e falando entre os cânticos. Haverá hora adequada para isso.
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    105  O/A líderprecisa ter comunhão com Deus para que este momento realmente flua no GP. Integrantes do grupo devem ser incentivados a dirigir este momento nos GPs, previamente convidados para reuniões subsequentes. 3º Momento - EDIFICAÇÃO/ESTUDO DA PALAVRA O foco agora se move para as necessidades das pessoas presentes. A Bíblia é a Palavra de Deus que purificará, converterá e alimentará os corações do GP. Lembre-se de que o líder é um facilitador e não um professor. Numa reunião de GP, o alvo não é fazer uma pregação, mas destacar as verdades simples da Bíblia, ou seja, a prática destas verdades, a aplicação na vida destes ensinamentos. Dicas de (para) um bom estudo:  Relaciona o tema com as situações que estão acontecendo na vida das pessoas do grupo, sem, contudo, citar seus nomes diretamente (isso pode acontecer, dependendo da intimidade e comunhão existentes e, desde o conhecimento próprio do/a integrante);  Transmite ânimo, estímulo ou desafio;  Ministra aos corações diante de alguma necessidade;  Proporciona apoio espiritual e emocional a cada membro;  O bom tema focaliza-se na vida, não nos conhecimentos.  Proporciona o compartilhar de experiências. O objetivo não é fazer uma preleção, ou a apresentação de uma lição, mas ajudar o grupo a compartilhar e vivenciar novas experiências com Deus e o próximo;  O ambiente deve ser aconchegante, de modo que todas as pessoas estejam satisfatoriamente confortáveis para ministração. Cadeiras em círculos, por exemplo, ajuda;  Estimule o grupo com perguntas, para ver se os mesmos conseguiram reter os princípios ensinados;  Faça a pergunta: "Desta nossa experiência com a Palavra, o que você vai poder aplicar em sua vida?"
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    106 4º Momento -COMPARTILHAMENTO Este momento dá a oportunidade para os membros testemunharem as bênçãos recebidas durante a semana anterior, ou compartilhar problemas que estejam enfrentando; também podem fazer pedidos específicos de oração. É como se fosse um "link" (ligação) entre a lição ministrada na reunião passada e sua aplicação prática na vida das pessoas. O líder deve lembrar e direcionar o grupo sobre o tempo de compartilhamento, para que todos tenham oportunidade de expor sua opinião e experiências sem perder o foco da palavra ministrada. 5º Momento - DESAFIOS PRÁTICOS E AVISOS  O/A líder desafia o grupo a colocar em prática o que os membros aprenderam naquele dia e dá os avisos necessários.  É hora também de estabelecer ou relembrar os alvos e metas para a vida pessoal de cada um e para o GP.  Nesse momento é compartilhado entre os participantes OS CARTÕES TAREFAS.  É hora também de linkar o grupo com a Igreja como um todo, motivando-os a participarem das atividades, reuniões comunitárias, cultos, Escola Dominical, ensaios, encontros, utilizando e distribuindo o Boletim Informativo da Igreja Local. . 6º Momento - LANCHE E COMUNHÃO Momento de descontração e de oportunidade para que as pessoas possam conversar e se conhecer um pouco mais. Poderá acontecer no início ou no fim da reunião. Vai depender muito do horário do encontro. Estudantes que se encontram, por exemplo, ao sair da faculdade, estão com fome e, por isso, o lanche deve ser servido no começo da reunião. Em grupos recém-formados colocar o lanche no começo também é recomendado, para criar um ambiente confortável e informal. Outras considerações: A reunião tem tempo, dia, hora e local definidos. É realizada durante a semana, considerando-se os seguintes aspectos:  É na reunião que se colhe o que foi planejado previamente;
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    107  A reuniãode GP deve acontecer num ambiente de confiança, proporcionando o envolvimento e participação de todos;  Deve seguir todas as etapas propostas: Quebra-Gelo, Louvor, Oração, Ministração da Palavra, Compartilhamento, Desafios e Lanche;  A duração máxima da reunião é de duas horas, incluindo o lanche. Isso dá liberdade para quem precisa sair e previsibilidade de horário para quem tem outros compromissos;  Evite cancelar reunião ou mesmo mudar seu local e horário;  É importante que o Líder verifique datas comemorativas e feriados para que não prejudique o funcionamento semanal do GP;  Procure manter um ritmo constante. Isso gera confiabilidade para os novatos. Distribuição do tempo em uma reunião de GP
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    108 10. A estruturado Grupo Pequeno Conforme orienta o Ministério Regional de Discipulado da 4ª Região da Igreja Metodista, os Grupos Pequenos têm um formato básico composto por: líder, líder em treinamento, anfitrião, membro da célula (Grupo Pequeno), visitante e consolidador (cf.: Manual Regional de Discipulado e Células).  Líder É um dos ministérios fundamentais na vida de uma igreja em grupos pequenos, pois é quem está verdadeiramente na linha de frente. É ele quem dá atenção personalizada aos membros de seu GP, quem dirige as reuniões; é também quem exerce, no GP, os princípios bíblicos de mentoria. Os líderes dos GPs mentoriam seus membros: oram pelo grupo, visitam e nutrem os membros do GP, bem como são os responsáveis por acolher no grupo os visitantes, conduzindo-os à comunhão em Cristo, no GP e na igreja. Sua responsabilidade principal é gerar novos líderes: perceber a potencialidade das pessoas, envolvendo-as no dia-a-dia do GP, acompanhando-as e treinando-as para transformá-las em novos líderes.
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    109 Para ser umlíder de GP, os requisitos são mínimos e todo cristão pode alcançá-los com facilidade. São eles: 1) Participar ativamente de um GP; 2) Ser nascido de novo; 3) Ser batizado e membro da igreja (implica estar comprometido com ela); 4) Ter bom testemunho; 5) Ser capacitado pelo CTM; 6) Também precisa ser: facilitador, amigo, modelo e cuidador de vidas. 7) Responsabilidade principal do líder é: Desenvolver dons espirituais dos membros do GP e Gerar novos Líderes.  Líder em treinamento Entendemos, a partir da palavra de Jesus em Lucas 6.40, que ninguém se torna um líder/mestre de fato sem que transmita o que sabe a um discípulo/a. A partir deste princípio bíblico é que entendemos ser importante formar dentro dos GPs novos líderes. Assim, o líder em treinamento é a pessoa que se tornará líder de um novo GP, a partir da multiplicação no percurso do Grande Prêmio da Celebração. Essa nova liderança surgirá sempre dentro de um GP, sob o discipulado do seu líder. No processo de treinamento deverão ser-lhe delegadas todas as tarefas de direção na vida do GP, bem como ele estará em formação no CTM. No caso da ausência do líder é o líder em treinamento quem irá substituí-lo. No contexto do princípio de liderança como processo de aprendizado, todos os membros de um GP estão aptos a serem líderes, ainda que as aparências ou circunstâncias atuais se mostrem inadequadas.  Anfitrião É a pessoa que abre as portas da sua casa, empresa ou local de sua responsabilidade para as reuniões, além de ser um fiel colaborador do líder, no sentido de ganhar seus familiares e amigos para trazê-los ao GP. Deverá primar por desenvolver um bom relacionamento com os membros do GP, sendo responsável por receber e dar-lhes as boas-vindas, sempre se preocupando em criar um ambiente agradável e acolhedor.
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    110  Secretário/a Acompanhar atividadesdo grupo e datas importantes como aniversários e outras, fazer escala utilizando OS CARTÕES TAREFAS, auxiliar o/a líder no acompanhamento das pessoas, principalmente quando faltam. Deverá estar sempre atento às necessidades do GP.  Membros São os integrantes do GP, sendo membros da igreja, convertidos e visitantes sob o cuidado do/a líder. Os membros são os braços extensivos do GP para atrair novos convidados. 11. A influência dos/das supervisores/ras como discipuladores/as dos/das líderes de Grupos Pequenos Não devemos impor ou exigir autoridade, mas ela deve ser exercida como fruto de um processo de disciplina bem estruturado. O/a supervisor/a discipulador/A e líder ensinam com o exemplo. Quando crescem as virtudes cristãs nestes, cresce a autoridade bíblica em suas vidas. Vejamos mais de perto quem são e o que cabe aos supervisores e às supervisoras de GPs. a) Supervisores de GP´S Um/a supervisor/a é líder de uma rede formada por vários GPs, conforme a organização, afinidades, o crescimento e a geografia que abrange a vida da igreja. O/A Supervisor/a de GP´S é aquele/a que é ou já foi um/a líder bem-sucedido de GP, que já tenha multiplicado seu grupo e que, agora, passa a acompanhar como supervisor/a essa rede de GPs. O/A Supervisor/a reúne-se com seu GD (Grupo de discipulado), para desenvolver um acompanhamento com seus líderes e também ajudar na administração dos GPs do seu setor. É também responsável por visitar constantemente os GPs do seu setor e por acompanhar e dar suporte às suas lideranças. O/A supervisor/a deve manter uma estreita relação com cada líder, como também com o seu pastor (seu superior imediato). Outros encargos do Supervisor de GP:  Deve ser muito cuidadoso, examinando a vitalidade dos GPs do seu setor. Deve se preocupar sempre em guardar e manter a visão de uma igreja com grupos pequenos;
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    111  Deve seempenhar em realizar reuniões periódicas diversificadas, desafiadoras e cheias do Espírito Santo com os seus líderes;  Deve cuidar permanentemente do estado físico, espiritual e material dos líderes;  Deve ter uma dedicação cuidadosa, visando o crescimento do setor;  Deve manter seus líderes sempre bem orientados sobre o avanço dos GP´S. Faz parte do seu processo de discipulado com seus líderes, uma vez que estes devem ser futuros discipuladores;  Deve ajudar os líderes do seu setor na solução de seus problemas e necessidades, por mais simples que pareçam. b) O Alvo do/a Supervisor/a: O/A supervisor/a deve auxiliar no momento da multiplicação, ser capaz de identificar e desenvolver o potencial de cada líder dos seus GPs para que estes identifiquem e desenvolvam líderes em seus GPs. Ou seja, deve seguir o princípio de Jesus, colocado em Lucas 6.40. 12. O lugar do ministério pastoral numa igreja com Grupos Pequenos O pastor titular é o Coordenador Geral dos Grupos Pequenos, delegando aos pastores coadjutores tarefas específicas. O trabalho dos pastores quanto aos Grupos Pequenos, sob a dependência e direção de Deus, é treinar os líderes, manter o cuidado com todo o rebanho, dar sustentação à visão da Igreja com Grupos Pequenos e pastorear líderes e supervisores/as. Se a liderança perde a visão ou a deixa sem foco, o povo se perde (Mateus 9.36). Os pastores ainda:  Alimentam a visão e fortalecem os princípios do modelo da igreja com GPs, ensinando e respondendo às diversas necessidades e anseios da igreja;  Estabelecem metas a serem alcançadas pelos GP´S;  Reúnem-se periodicamente com cada supervisor de GP para examinar o desenvolvimento do trabalho nos GPs. É preciso manter a maior aproximação possível dos líderes dos GPs com os pastores, levando as necessidades dos membros do grupo para o cuidado pastoral. A segunda ênfase estabelecida para o trabalho da Igreja Metodista é “revitalizar o carisma dos ministérios clérigo e leigo nos vários aspectos da missão” (Plano Nacional Missionário
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    112 2017-2021, página 64),o que significa a valorização da liderança leiga e o fortalecimento do ministério pastoral com ajuda mútua entre ambos. 13. Os estágios da vida no Grupo Pequeno Cinco etapas são bem definidas na vida de um GP até a sua multiplicação: a) Estágio da descoberta - Lua-de-mel Por comparação, um GP é como uma célula humana, que é um componente singular, diferenciado no corpo, como o GP o é na vida da igreja. No corpo, uma célula se parece com uma bolha de protoplasma. As partes individualizadas são quase indistinguíveis. Grupos pequenos seguem um padrão parecido. Inicialmente, os membros ficam olhando um para o outro e o primeiro estágio do GP é destinado a que os membros possam se conhecer uns aos outros. Neste estágio devemos destacar e valorizar a amizade e os interesses em comum. b) Estágio da transição - vem os conflitos Como na célula humana os cromossomos se dispõem lado a lado, mas de forma desorganizada, nos GPs os membros fazem o mesmo, expondo suas "máscaras" do dia- a-dia. Aqui as pessoas se veem como realmente são; isso dura cerca de um mês. Pode ser que alguém fale demais, sendo insensível ao extremo; outro busque ser sempre o centro das atenções; outro ainda mantenha-se inibido, fechado em si mesmo. Aí serão necessários alguns ajustes e, como resultado, as pessoas aprenderão a confiar umas nas outras a ponto de deixarem de lado suas diferenças. c) Estágio da comunidade Em uma célula humana os cromossomos que antes flutuavam livremente, de repente começam a formar uma linha no meio da célula. No GP, os membros passam a se conhecer mais, aumentando sua expressão de comunhão. Isso produzirá enriquecimento, ao passo que também poderá gerar algum perigo. Podem querer "fechar o grupo", preferindo não se importar com a chegada de outros. Isso não deve acontecer nunca. d) Estágio do ministério Os filamentos de cromossomos começam a alinhar-se em posições Leste-Oeste, preparando-se para o lançamento e fazendo uma reprodução exata de si mesmos. No GP, esta é a hora para desenvolvermos o potencial de cada membro. É hora de distribuir tarefas e focar no evangelismo e na consolidação de novos membros.
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    113 O líder deveacompanhar bem de perto o líder em treinamento para que sua liderança cresça a cada dia. e) Estágio da partida Enquanto a célula se prepara para dar à luz uma célula idêntica, os cromossomos se separam e se dividem - multiplicam-se. Em um GP, líderes novos são levantados e treinados para liderar outro GP, enquanto novos membros se juntam ao grupo. Quando o grupo se torna grande suficientemente, ocorre a multiplicação. 14. Por que a multiplicação do GP é necessária? “Quando John Wesley morreu em 1791, ele deixou uma igreja com 10.000 Gps e 100.000 membros. Esses GPs foram tão importantes para a Igreja Metodista, que uma pessoa não podia participar do culto de celebração se não mostrasse um bilhete comprovando que esteve no GP durante a semana. Deus transformou pessoas por meio da estrutura de GPs, bandas e celebração de Wesley. Muitos acreditam que Deus usou Wesley e o movimento metodista para salvar a Inglaterra da destruição espiritual, moral e até mesmo física. No entanto, a ênfase no GP e celebração se extinguiu 100 anos após a morte de Wesley. Por quê? Alunos de doutorado exploraram essa questão e chegaram à conclusão de que o principal motivo da extinção da estrutura de GPs metodista foi permitir que eles ficassem muito grandes. Em vez de manter o tamanho que permitisse intimidade, de aproximadamente dez pessoas, os GPs cresceram para 30, 40 pessoas ou mais e acabaram se tornando igrejas metodistas. A estratégia de GP/celebração desapareceu porque os GPs cresceram demais. A transformação acontece numa atmosfera de grupo pequeno. Mesmo pessoas tímidas podem compartilhar num grupo de 3 a 15 pessoas. Quando os grupos ficam maiores, somente os extrovertidos são seguros o suficiente para se expressarem. Ao mesmo tempo, GPs devem evangelizar e alcançar incrédulos e pessoas que não pertencem a uma igreja. Como então um GP pode crescer mantendo ao mesmo tempo a intimidade? A única maneira é por meio da multiplicação. Os GPs devem se multiplicar para se manterem fiéis à missão de intimidade e crescimento por meio do evangelismo. Quando você pensa em multiplicação, os pensamentos que vêm à sua mente são positivos ou negativos? Por que você considera importante que o GP se multiplique? (adaptado de texto do Pr. Joel Comiskey - International Cell Church Forum).
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    114 15. A importânciadas metas para a liderança de Grupos Pequenos Sonhar é preciso! Sem sonhos começamos a morrer ou vivemos para cumprir os sonhos de outrem. No entanto, nos GPs, muitos sonham alto, mas não têm a mínima noção de como chegar ao sonho proposto no coração. Deus sonhou em resgatar a humanidade e elaborou um plano para concretizar esse sonho maravilhoso. Com certeza, Deus pensou na maravilhosa bênção de voltar a ter o ser humano restaurado ao seu estado original, uma vez que o pecado o tenha tornado num ser maldoso e distante do seu Criador. O ponto chave para a realização de um ministério bem-sucedido passa necessariamente pela obtenção de uma visão clara e divina daquilo que queremos, pela encarnação dessa visão, tornando-a missão de vida, e pelo estabelecimento de metas para aperfeiçoar esta visão para não se perder na caminhada ministerial. Todo líder precisa saber que a visão é o fundamento de toda tarefa em liderança. A visão exige ação e dedicação. Chamamos isso de missão. Contudo, sua visão de ministério não será realizada a não ser por meio de um ousado conjunto de metas. a) Vantagens de se ter metas: Uma pesquisa entre igrejas em grupos pequenos ou células demonstrou ser muito mais provável para o líder que tem uma data estabelecida multiplicar seu grupo e alcançar seu objetivo do que aquele que não tem essa meta.  As metas nos desafiam ao crescimento! Ninguém sobrevive e se desenvolve sem desafios novos e interessantes. Desde a infância somos movidos por desafios: aprender a falar, andar, escrever, etc... Na vida temos de estabelecer metas para alcançarmos nossos sonhos. Caso contrário, nossos sonhos acabarão se tornando pesadelos. Os sonhos não se realizam sem trabalho e esforço. Todo esforço e trabalho sem etapas mensuráveis não produzem os efeitos desejáveis. As metas podem produzir uma atmosfera propícia para suportarmos a espera de uma conquista.  A realização de metas nos consolida como líderes (I Samuel 15.22): Saul não foi consolidado como um rei vitorioso porque vacilou na hora de cumprir as metas estabelecidas por Deus, dadas por meio seu líder espiritual que era Samuel. Cada pessoa que deseja tornar-se um líder de Deus deve cumprir suas metas na igreja. Na vida, de um modo em geral, só conseguimos êxito quando alcançamos nossos alvos. Cada área da nossa vida tem de ser consolidada por metas alcançadas.
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    115 Ouça o seulíder e seja fiel a ele. Não seja como Saul, que ignorou Samuel e fez as coisas do seu jeito.  As metas dão objetividade ao ministério: Um ministro não pode perder tempo com coisas supérfluas, nem tampouco perder tempo realizando aquilo que, embora seja bom, não faça parte da sua visão de ministério. Há muita coisa boa desenvolvida no mundo cristão, mas nem todas têm relação com visão ministerial em questão. A visão correta não é fazer tudo aquilo que é bom, mas aquilo que Deus preparou para o ministério. Nesse caso as metas nos ajudam muito porque elas nos tiram do ativismo e nos colocam nos trilhos da visão de Deus para nós. Jesus realizou seu ministério baseado numa visão clara revelada nos profetas. Encarnou sua missão de forma radical, com o estabelecimento de metas. Em Marcos 1.38, Jesus, que já havia curado muita gente no dia anterior, se recusa a ter sua agenda imposta pelo povo ou pelas circunstâncias daquele momento. A multidão queria que Jesus continuasse por ali para curar os demais enfermos daquelas cercanias que vinham até ele. Mas ele disse: "Vamos às aldeias vizinhas, para que ali eu também pregue, porque para isso vim." Isso deixa claro que o ministério cristão precisa de objetividade e não somente de ser preenchido com muitas atividades, por melhor ou mais interessantes que sejam.
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    116 16. Princípios parao estabelecimento de metas: Observe o acróstico META: Mensuráveis - Se você não puder medir o resultado, como saberá se conseguiu ou não atingir seu alvo? "Ter o máximo de membros possíveis no GP" não é uma meta, afinal, quanto representa o máximo? Se você considerar isto como meta, qualquer valor que atingir vai achar que este é o máximo... Temos mensurado o número entre 10 e 15 pessoas para que ocorra a multiplicação, desde que estejam consolidadas e haja um novo líder preparado. Específica - Mais uma vez, deixar o mais claro possível aonde se quer chegar nos ajuda a descobrir o caminho e concentrar nossos esforços. Dizer "vou ter um carro" é bem menos potente do que dizer "terei uma Ferrari". Cuidado, se definir uma meta como o primeiro exemplo poderá receber um Gurgel (que já não é mais fabricado). Temporal - Outra arma poderosa no estabelecimento de metas é o prazo para se atingi- las. Não estabelecer um prazo não ajuda a nos organizarmos e geralmente se leva mais tempo do que o necessário para se atingir a meta. Afinal, se não tivermos prazo teremos a vida toda para tentarmos... Atingível - A meta precisa ser algo tangível. Estabelecer que vou visitar marte até o meu próximo aniversário certamente não me motivará buscar as formas de se realizar tal sonho. Por outro lado, estabelecer uma meta que não seja desafiante também não mobiliza esforços para atingi-la. A meta deve ter um significado pessoal. Algo que realmente faça com que você levante da cama de manhã com "pique" para trilhar mais uma etapa do caminho que te aproxima de sua realização. Devem ser criativas, desafiadoras, porém alcançáveis. As metas devem ser estabelecidas de acordo com as condições de cada igreja. a) Perigos que devem ser evitados ao fixar metas:  Idealismo: É fácil cair no inatingível sob o pretexto da fé em Deus. Se as metas estabelecidas são exageradas, as pessoas ficam desanimadas e perdem o entusiasmo no evangelismo.  Temor: Cada meta é um desafio pelo seu tempo específico, se é alcançado ou não. Por isso muitas pessoas temem o estabelecimento de metas.  Competição: O propósito não é criar contenda nem competições entre líderes e seus GPs.
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    117 b) Como alcançaras metas?  Passo 1: Assuma as metas estabelecidas para o seu GP e comece a planejar como irá alcançá-las.  Passo 2: Delegue responsabilidades específicas a cada um dos membros do seu GP e especifique o tempo para cumpri-las. Cada membro do GP deve ter uma meta pessoal. É a maneira de comprometer todas as pessoas do grupo no esforço para alcançá-la as metas.  Passo 3: Verifique semanalmente o estado do seu GP. Certifique-se de que os membros do mesmo estão trabalhando nas tarefas que lhes são dadas.  Passo 4: Incentive os membros de seu GP a trazer novos convidados, como meta para o crescimento. Líderes que incentivam seus membros a trazer convidados dobram a capacidade de multiplicação do seu GP, ao contrário do líder que menciona o tema só uma vez, de vez em quando ou nunca.  Passo 5: Ore diariamente, colocando diante de Deus as metas e clamando para que todas as coisas saiam bem a fim de alcançá-las. Incentive os membros de seu grupo a se unirem em oração. c) Papel dos Líderes para o cumprimento das metas  Façam sempre menção às metas;  Dirijam o GP em oração pelo alcance das metas;  Mencionem as metas sempre, de tal modo que cada membro se aproprie da visão e empregue o empenho devido para alcançá-las;  Organizem o tempo de modo a alcançar as metas. PARA REFLETIR  Você sempre soube da importância de metas para a vida dos GPs e conhece as metas da sua igreja como um todo?  Você menciona semanalmente aos irmãos as metas pelas quais se está batalhando?  Você delega a responsabilidade sobre algumas ações do GP aos membros do mesmo, de modo a movê-los em favor do grupo?  Você tem orado pelo cumprimento das metas do seu GP?
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    118 17. Planejamento doGrupo Pequeno O sonho de nosso Deus é que todos conheçam as Boas-Novas. Cremos que o desejo do Senhor é que nos organizemos para multiplicar. Daí surge uma pergunta: Por que alguns não conseguem se organizar e avançar? Percebemos que existem algumas áreas que estão enfermas e precisam de cura. Existem algumas coisas que não fazemos muito bem, mas outras não conseguimos sequer começar, quanto mais avançar. Exemplo: Por que no trabalho eu consigo chegar às 7h da manhã, mas na reunião do GP só chego atrasado? Existe uma lei que diz que se não chegar no horário no trabalho serei punido, porém, como no GP, na Reunião do GD, no Culto de Celebração na igreja eu não tenho punição, não honro o compromisso com a mesma intensidade. Isso revela uma desorganização intencional, uma desordem nas prioridades e uma incoerência entre o que se fala e o que se faz. Se uma pessoa não consegue organizar pequenas coisas, também não consegue organizar outras tantas que são tão importantes quanto chegar no horário, como ler um livro até o final ou começar um curso de inglês e terminar. Jesus nos ensina em Lucas que aquele que começa um projeto e não termina, está sujeito a sofrer gozações e chacotas. " Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar” (Lucas 14.28-30). Se não organizarmos a visão, vamos multiplicar desorganizações e colheremos catástrofes. O nosso Deus é organizado. Ele é o modelo de organização. Ele está completamente organizado. Ele vê todas as coisas e nada escapa aos Seus olhos. "Os olhos do SENHOR estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons" (Provérbios 15.3). Deus vê tudo e sabe quando eu estou sendo fiel ou infiel. Muitas vezes, o nosso conceito de fidelidade não é o de Deus e o nosso conceito de organização não é o Dele. "Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor" (Isaías 55.8). a) Mas o que é planejamento? Consiste em exercer uma função administrativa que determina antecipadamente quais são os objetivos que devem ser atingidos e como se deve fazer para alcançá-los. É uma criação de cenários que visamos acerca do futuro, nos quais estabelecemos quais recursos utilizaremos para alcançar nossas metas, qual é nossa missão etc., ou seja, de
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    119 uma forma bemsimples é "pensar antes de fazer". Planejamento é uma das responsabilidades do Líder do GP. b) Quais as vantagens de se planejar?  Inúmeros são os benefícios da utilização do planejamento como ferramenta estratégica na vida dos GPs, tais como:  Utilização eficiente dos talentos dos membros do GP, potencializando a geração de novos líderes;  Mensuração de resultados;  Direção para o cumprimento do propósito do GP, que é a multiplicação;  Fixação no foco (metas específicas) sob a visão do todo. c) Por que planejar? Um dos grandes adoradores da Bíblia foi o Rei Davi. Davi era reconhecido por seu temor e intimidade com o Senhor. Observando seu exemplo de vida, podemos encontrar inúmeras definições para a adoração. Queremos destacar uma, em especial, no contexto do planejamento na vida do GP. Disse Davi: "Engrandecei o SENHOR comigo, e todos, à uma, lhe exaltemos o nome" (Salmo 34.3). Deste cântico, conclui-se que, para Davi, tudo aquilo que cooperasse para o engrandecimento e exaltação do Santo nome do Senhor poderia ser considerado um ato de adoração. Não considerando a afirmação deste cântico, muitas vezes atribuímos o ato de adorar a disciplinas piedosas, ditas propriamente espirituais, ou a ações e reações que só podemos manifestar em celebrações ou ministrações na Igreja. Isso é um grande engano! Segundo Davi, tudo aquilo que fizermos com excelência, zelo, capricho e, sobretudo, que cooperar para a exaltação do nome do nosso Pai é um ato de adoração. Tempos mais tarde, o Apóstolo Paulo confirma-nos este estilo de vida na carta à Igreja de Colossos: "Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens" (Colossenses 3.23). Podemos justificar a importância do planejamento à luz de razões espirituais e práticas, como descrito a seguir:
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    120  Razões Espirituais Deusnão abençoa a desorganização. Deus organizou as multidões para que os milagres acontecessem. Organizou em grupos de 12 (Lucas 6.12) e em grupos de 100 (Lucas 15.3-7). Ele não abençoa na desorganização. Muita coisa você não conseguiu porque não se organizou. Quem quiser ver milagres, prodígios e maravilhas, faça o que Jesus ensina: organize-se. Havia uma multidão que estava ouvindo sua ministração e Jesus disse: "dêem-lhes de comer". Os discípulos questionaram porque não tinham dinheiro. Jesus mandou que todos se organizassem em grupos de 50 e 100, e aí veio o milagre da multiplicação dos pães. Todos comeram, se fartaram e sobejaram doze cestos cheios. Na desorganização não tem provisão, alimento, favorecimento..., só gente sem senso de direção. Quando organizamos, o povo se alimenta e se farta, nunca falta.  Razões Práticas Uma ilustração muito atual deste contexto é a velocidade com que a tecnologia da informação tem transformado nossos hábitos e cotidiano. Se voltarmos no tempo 10 anos atrás, lembraremos a dificuldade (e a despesa) para se comunicar com familiares ou pessoas queridas residentes em outros países. Atualmente, todos nós assumimos o hábito de "teclar" gratuitamente com os mais distantes países e, se preferirmos, podemos pagar centavos para falar com aqueles que nestes residem. Os conhecidos e tão difundidos Facebook e Whatzapp revolucionaram a comunicação mundial e trouxeram a globalização ao alcance de todos nós. Assim também ocorre em relação à vida da Igreja e dos GPs. Quanto mais organizados estivermos e estarmos preparados para oferecer às pessoas os bens espirituais e humanos adequadamente, certamente, mais estaremos aptos a atrair pessoas a Jesus Cristo, pela ação da igreja. 18. Quatro princípios de caráter fundamentais para o planejamento: 1º Princípio: Visão: Ter visão significa enxergar além do óbvio. É como estar na prisão e enxergar as estrelas ao invés das barras de ferro; Implica também esforço e disciplina. Dá muito trabalho fazer planos para os próximos meses ou ano. Nossa primeira reação é pensar que estes não se realizarão; É preciso reconhecermos que a nossa visão deve ser a visão de Deus, para quem "tudo é possível" (Mateus 19.26).
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    121 2º Princípio: Disciplina: Peça-chaveno desenvolvimento de qualquer área da nossa vida. Uma bela forma de entender disciplina é: "Retardar a autossatisfação é um modo de programar o sofrimento e os prazeres da vida, de forma a acentuar o prazer". Isso significa começar encarando a dor, vivenciá-la e ultrapassá-la. É como os pais fazem com os filhos, sempre condicionando o tempo livre para brincadeiras após a conclusão dos estudos ou responsabilidades do lar. Disciplina traz recompensas que não são imediatas, mas permanentes. 3º Princípio: Perseverança: Este traço de caráter tem se tornado mais raro em virtude do contexto "fast food" que a sociedade tem nos imposto. Somos a geração do imediatismo. Nossa tendência neste contexto é abandonar os esforços caso não gerem resultados imediatos. Cuidado: é infinitamente mais fácil desistir do que perseverar (Tiago 1.12); 4º Princípio: Amor: Uma característica evidente daqueles que amam é a doação. Aquele que ama não poupa esforços para oferecer o melhor. Nosso amor pelo Senhor deve gerar em nós o compromisso de oferecê-lo o melhor em todo o tempo, respondendo ao seu amor sacrificial (João 3.16). O Perfeito amor (I João 4.18) potencializa a visão. 19. Planejando as reuniões do Grupo Pequeno A reunião de planejamento é especifica para os membros do GP já consolidados; a ideia é não levar convidados. Por quê? Porque na reunião de planejamento são dadas algumas recomendações que devem ser colocadas em prática nas reuniões do GP. Há alguns fatores que devem ser considerados no momento de planejar:  Uma boa reunião de planejamento dará como resultado uma boa reunião de GP. Nunca perca a visão de ganhar almas para Jesus. Neste sentido, o GP deve estar preparado para gerar novos convertidos;  Uma boa reunião de planejamento ajudará a preparar os eventos agendados, facilitando assim a multiplicação. a) Reunião de planejamento não é:  Um culto;
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    122  Uma reuniãode oração;  Para comemorar aniversários. b) Reunião de planejamento é:  Uma reunião de trabalho;  Uma reunião de avaliação;  Uma reunião para distribuir e fazer prestação de contas de tarefas delegadas. c) A reunião de planejamento tem os seguintes objetivos:  Planejar e estabelecer a data da próxima multiplicação do GP.  Avaliar as reuniões do GP;  Planejar as próximas reuniões do GP, os eventos evangelísticos e de comunhão;  Distribuir tarefas e delegar responsabilidades;  Acompanhar as anotações feitas no Diário do GP;  Encorajar e desafiar os membros para que tragam seus convidados ao GP;  Acompanhar e colocar em prática o planejamento para a próxima multiplicação do GP;  Avaliar o acompanhamento e o preparo do líder em treinamento. 20. Planejando a multiplicação do Grupo Pequeno A multiplicação do GP é a principal meta do Líder. O Líder deve ser focado em atingir (e potencializar o atingimento) esta meta. Por mais adversas que sejam as circunstâncias, à luz do caráter aprovado em Cristo, da fé e do compromisso com o chamado para servir nesta obra, sua atitude sempre deverá ser condizente com a visão de fazer discípulos. Se o Líder possui este conceito cravado em seu coração e se o estilo de vida e liderança exala o mesmo, contagiará seus liderados e facilmente (e rapidamente) atingirá seu propósito. O Líder deverá definir uma data para a multiplicação do seu GP (Isso não significa que o GP não possa se multiplicar em qualquer tempo; dependerá do seu crescimento), bem como para os eventos de colheita e outras atividades que levarão ao cumprimento do propósito. Estas datas marcantes e seus objetivos devem ser registrados e compartilhados continuamente com os membros do GP.
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    123 O compartilhamento edivisão de papéis e responsabilidade geram compromisso no grupo e é uma porta para a geração de novos Líderes. O Diário do GP possui um formulário próprio para desenvolver essas atividades e também traz a possibilidade de simular a abertura de novos grupos, nomear os novos líderes, líderes em treinamento e anfitriões. a) As metas dos Grandes Prêmios, visando o planejamento: GP do Crescimento  Compartilhar o propósito do GP;  Orar por novos convidados e membros;  Convidar novas pessoas;  Realizar primeiro evento do dia do amigo;  Realizar segundo evento do dia do amigo;  Convidar amigos para o EMPacto;  Realizar evento de colheita;  Delegar responsabilidades (louvor, secretariado, oração e escala de lanche). GP do Cuidado  Criar estrutura de discipulado;  Realizar primeiro evento social;  Convidar novas pessoas;  Criar escala de oração pelos membros da igreja e GP;  Programar uma ida de todo o GP ao Culto de Celebração;  Verificar resultados do discipulado;  Criar círculos de oração entre os membros;  Realizar segundo evento social;  Identificar Líderes em potencial;  Nomear Líder em Treinamento. GP da Comunhão  Realizar evento social;  Realizar GP no monte;  Realizar visita à casa dos membros do GP;
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    124  Incentivar encontrosinformais ao longo da semana;  Realizar dia do amigo;  Orar continuamente pelos membros do GP;  Orar pela multiplicação do GP;  Comunicar a importância da multiplicação;  Identificar novo anfitrião. GP da Celebração  Realizar evento social;  Realizar reunião em micro-GPs;  Definir os grupos a serem multiplicados;  Definir a data de multiplicação;  Orar pela multiplicação;  Realizar evento de multiplicação. 21. Multiplicando o Grupo Pequeno É importante entender que a multiplicação de um GP é um processo que inclui cinco fatores. São eles: 1º) Convite 2º) Comunhão 3º) Cuidado 4º) Mentoria 5º) Capacitação Somente quando esses cinco fatores estão presentes é que um GP está pronto para multiplicar, tanto em relação à sua condição de discipulado, quanto à sua capacidade de crescimento. Há outros fatores frutos desses cinco primeiros que também contribuem para que haja a multiplicação: 1º) Oração diária pelos membros do GP; 2º) Confraternização entre seus membros; 3º) Incentivo parra que cada membro faça parte do trabalho e seja um servo.
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    125 a) Há duasformas pelos quais os GPs se multiplicam: 1ª) Multiplicação mãe-filhos - quando o GP original gera filhos; 2ª) Abertura de novos GPs - quando novos GPs são abertos sem que se originem de um GP-mãe. É o caso de demanda na vida da igreja e formação no CTM. b) Nos GPs que se multiplicam...  Os membros são saudáveis, pois passaram por todas as etapas de desenvolvimento;  Há uma motivação maior do líder em fazer novos discípulos;  O grupo está aberto às pessoas de fora e tem estímulo em buscá-las, pois todos se sentem capazes de frutificar;  Os membros se empenham em conquistar amigos e familiares e os novos se sentem à vontade no GP, porque foi criado um ambiente para a multiplicação. c) O que influencia a multiplicação?  Tempo devocional do líder e de preparação para as reuniões;  Intercessão pelos membros do GP;  Cuidado pastoral do líder;  Estímulo ao evangelismo e encontros sociais;  Número de visitantes no GP;  Treinamento e preparação de auxiliares;  Estabelecimento de alvos, inclusive, a data da multiplicação;  Ambiente para multiplicação. É importante fazer com que as pessoas já comecem no GP visando à multiplicação, pois ela é o "ponto alto", o "clímax" do discipulado, ensinado por Jesus: "Fazei discípulos...". d) Como saber a hora de multiplicar?  O grupo começa a crescer comprometendo a intimidade entre as pessoas;  As ausências passam a não ser notadas;  O local começa a não comportar confortavelmente todas as pessoas.
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    126 e) Ao multiplicar... Considere os relacionamentos;  Os elos naturais devem permanecer juntos;  Considere a localização geográfica;  Recém-chegados ou os novos devem permanecer com o líder;  Os maduros devem sair com o novo líder. f) Três razões por que um GP não se multiplica: 1ª) Os membros ficam confortáveis e apegados fortemente aos relacionamentos; 2ª) Eles têm medo de que o novo grupo não seja tão bom quanto o atual; 3ª) Desconhecem a alegria de gerar um novo GP e cumprir o texto da Parábola dos Talentos (Mateus 25.21,23). g) O que fazer neste caso?  Estude uma possível troca de líder ou auxiliar;  Mude o local quando há problemas com o anfitrião ou com a localização;  Mude o dia ou o horário das reuniões;  Intensifique a evangelização e as visitas aos novos membros;  Peça orientação ao discipulador. Para que haja evangelização eficaz no GP e, consequentemente, o crescimento, é necessário haver convidados. Por que tão poucos convidados acabam por converter-se? Porque não aplicamos os princípios do evangelismo (Cap. 3 do curso de Treinamento). É por isso que o GP não cresce, não há muitas conversões e o grupo não se multiplica. É preciso também termos clareza do que significa ser um convidado no contexto de um GP. Vejamos: h) Um convidado não é:  Uma pessoa-objeto, com a qual só mensuramos cumprir uma meta;  Alguém sobre quem pouco ou nada sabemos;  Alguém que encontramos na rua;  Alguém a quem vemos pela primeira vez.
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    127 i) Um convidadoé: Alguém, do nosso relacionamento, em quem aplicaremos os princípios de evangelismo a serem estudados neste treinamento. j) Como fazer o convite:  Faça uma lista de pessoas do seu circulo de amizade - círculo de influência;  Faça um círculo ao redor dos nomes de pessoas que estão mais abertas à mensagem do evangelho e então comece a orar pela conversão delas;  Aprofunde mais sua amizade com essas pessoas e demonstre-lhes seu amor;  Procure a maneira de demonstrar-lhes na prática o amor que Deus gerou em você pelas pessoas por quem está apresentando diante de Deus para o convite.  Como parte de seu interesse em ajudá-las a resolver seus problemas, convide-as para a reunião do GP. Esse é um verdadeiro convidado e certamente acabará convertendo-se a Cristo. Quando isso acontecer, continue sendo seu próximo; cuide do crescimento espiritual dessas pessoas. Só assim teremos frutos permanentes, só assim os GPs crescerão em assistência e haverá muitas conversões, visando a multiplicação dos GPs e o cumprimento da missão da igreja: "Fazer discípulos. 22. Como proteger seu Grupo Pequeno É comum acontecerem situações difíceis, que trazem constrangimentos nos GPs e nem sempre os líderes sabem como lidar com elas. Em primeiro lugar, o líder precisa ter bem claro, tanto a sua importância como líder como a importância do grupo e agir no sentido de proteger e cuidar de todos/as de seu Grupo Pequeno. Ele precisa ver as dificuldades de uma perspectiva correta, buscar ajuda, quando necessário, e orar sem cessar. Existem algumas pessoas com personalidades destrutivas ou disfuncionais que participarão dos GPs. Há casos também de pessoas que acabam se tornando inimigas de Deus, com o intuito de causar divisão. Jesus mesmo disse que há inimigos à nossa volta (Mateus 5.44-45). Trataremos com eles e tentaremos ganhá-los para Cristo, mas não podemos ficar aquém de sua presença e investidas. De modo geral, todas essas pessoas que, com o passar do tempo, não contribuem efetivamente para a vida do GP, precisam ser identificadas e encaminhadas para aconselhamento ou ajuda profissional, para que o GP sempre permaneça saudável. Eis alguns exemplos:
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    128 a) Membro pecaminoso: Impureza - pecados sexuais como prostituição, adultério, linguagem obscena (palavra torpe), gestos obscenos, etc.;  Avareza - atitude exacerbada em relação ao dinheiro;  Idolatria e ocultismo - feitiçaria, adoração a ídolos, participação em outros grupos religiosos não cristãos, práticas de adivinhação, prognósticos, consulta a mortos etc.;  Maledicência - falso testemunho, calúnia, difamação, infâmia, mexerico, fofoca etc.;  Bebedice - o que se embriaga com bebidas alcoólicas, drogas, remédios ou qualquer outro tipo de droga;  Furto - ladrão, assaltante, sonegador, chantagista, extorsão, etc. Como lidar? Primeiro, deverá ser admoestado pelo irmão/ã do GP que presenciou os fatos. Se o faltoso vier a abandonar o erro, este deverá ser encoberto. Se voltar a pecar deverá ser admoestado pelo líder em companhia da testemunha do pecado, e, caso ele não mude de conduta, o líder deve entregar o caso ao supervisor, evitando assim contagiar os demais. Procedimentos estes, baseados nos conselhos de Jesus em Mateus 18.15-17. b) Membro que se acha mais espiritual do que os outros: Esta pessoa irá criticar o líder para mostrar que é mais capacitada e experiente. Vai tentar impressionar e quase sempre polemizará a reunião, com a intenção de enfraquecer o líder e dividir as atenções do grupo. Como lidar? O líder deve evitar que esse membro monopolize a reunião, e mostrar- lhe os objetivos do grupo e como ele pode ser útil. Nunca agir com retaliação ou procurar evitá-lo ou excluí-lo do GP. Lembre-se: Quem "passa a peneira" ou "julga" é Deus. c) Membros de outras igrejas evangélicas: Membros de outras igrejas ou pessoas que são discipulados por outros líderes não devem frequentar o GP como membro. Normalmente, são pessoas que gostam de se referir às doutrinas de sua denominação e polemizar temas em que tem outros posicionamentos. Também fazem comparações entre as igrejas, gerando polêmicas e questionamentos que podem trazer confusão e até mesmo levar pessoas do GP a fazerem outra opção e deixar o grupo. Como lidar? Não acolha membros de outra igreja em seu GP!!! Eles trazem influencias de outras lideranças, confundindo o grupo. Encoraja-os a reunir-se em grupos em sua própria igreja.
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    129 d) Pastores quevêm de fora, missionários, profetas, etc. Normalmente eles vão ao grupo e resistem à autoridade do líder e, em muitos casos, até tentando controlar o líder e ostentando posições. Como lidar? O líder não deve se intimidar com o título de pastor, missionário ou outro qualquer... mas deve dizer que é bem-vindo, como ouvinte, e ter bem claro o seu papel de líder, na direção da reunião. Deve evitar também que eles monopolizem a reunião. Jamais dê a livre palavra para alguém assim! e) O/A irmão/ã muito falante: É comum pessoas assim não desenvolverem assuntos coerentes, condizentes com o assunto ou tema abordado, além de contar longas histórias sem objetividade. Como lidar? O líder deve intervir e ajudar (conduzir) o irmão a responder as perguntas. Diante da persistência, deve dizer, por exemplo, que as respostas das pessoas no grupo estão limitadas a 30 segundos, dando oportunidade a todos. O líder deve conversar em particular com o irmão e dizer-lhe "com amor e cuidado" para que seja mais sucinto, evitando assim gerar desinteresse por parte do grupo e até antipatia. f) O/A crítico/a da Igreja: Este tipo de pessoa pode fazer com que um espírito de divisão penetre no grupo e poderá se tornar um tropeço na vida da igreja. Geralmente, é uma pessoa infrutífera em gerar "filhos espirituais". Como lidar? Todos podem fazer críticas. A pergunta é: se no GP é o lugar certo para a questão levantada. Caso contrário, as críticas devem ser feitas no contexto e espaços de liderança na vida da igreja em que as mesmas possam ser consideradas e respondidas. O GP é um grupo evangelístico bem definido na vida da igreja e críticas ao seu líder e modo de ação não devem encontrar muito espaço para serem fomentadas. Críticas pessoais devem ser resolvidas em particular. O líder ainda deverá mostrar que as críticas em público, no espaço do GP, devem ser evitadas. g) Anfitriões/ãs que não correspondem positivamente: É um anfitrião que fica "na sua" (em ambientes particulares da casa), ou que tenta manipular o grupo, ou ainda, que proporciona um ambiente hostil à reunião. Como lidar? O líder deve admoestá-lo em amor e mostrar-lhe o seu papel no grupo. Se os problemas continuarem, a solução é mudar o local da reunião. h) Crianças: Em grupos de adultos ou casais, em que os mesmos têm de levar suas crianças, é
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    130 sempre importante atentar-separa o fato de que criança é criança. Quererão brincar, falar alto, correr... Isso pode impedir o bom andamento das atividades do GP. Porém, uma repreensão pública pode inibir os pais de levarem seus filhos na reunião e, consequentemente, de eles mesmos se ausentarem do grupo. Como lidar? Se os pais forem novos, temos de agir com paciência e conseguir alguém de outro grupo ou do ministério com crianças da igreja para trabalhar as crianças em outro ambiente da casa. i) O/A antagonista: Este tipo de pessoa traz muitas dificuldades para o líder e, geralmente, tem algumas características peculiares: Muda de GP várias vezes porque não se adapta à liderança de nenhum deles; sempre tem uma crítica aos líderes anteriores e gosta muito de usar a expressão "os outros estão dizendo que...", para encobrir sua própria opinião. Como lidar? O líder deve sempre se antecipar ao antagonista, procurando agir tão logo qualquer situação conflitante surgir. Deverá ser firme para que o grupo fique protegido, tendo a habilidade de não rotular o antagonista. Quando necessário, deverá indicar a ele um aconselhamento para tratamento. 23. Grupos Pequenos de Crianças Tem o objetivo de desafiar os pais e as crianças de zero a dez anos a conhecerem o poder de Deus e a se tornarem verdadeiros discípulos de Jesus. A ênfase é trabalhar com os próprios PAIS, de modo que eles assumam o cuidado e pastoreio de seus próprios filhos. A REDE BASEIA-SE NA TRÍADE IGREJA + GP + LAR. Ou seja, além de participar das atividades dos domingos, as crianças devem participar do culto no lar com os pais e estarem integradas em um GP de crianças. a) O que é um GP de crianças? É um Grupo Pequeno formado por crianças que se reúnem em torno de um líder. Os GPs de crianças devem estar no mesmo ambiente de um GP de adultos. No seu grupo, as crianças recebem cuidados, ministrações bíblicas e oração, participando ativamente de todos os momentos a elas destinados. Vivendo juntas a vida cristã, elas ajudam umas as outras e buscam alcançar outras crianças para Cristo. b) Objetivos de um GP de crianças:  Levar as crianças a desenvolverem amizades sadias, conhecer a Deus e atrair seus amigos, pais e familiares;
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    131  Fazer comque cada criança de um GP sinta-se reconhecida e respeitada como parte importante da Igreja. Crianças não são receptores passivos, mas agentes da missão. Elas devem expressar Cristo umas as outras e a quem quer que seja (II Reis 5.2-3);  Ajudar as crianças a envolverem-se com a Palavra de Deus, contextualizando os princípios bíblicos com o dia-a-dia delas. c) Funcionamento de um GP de crianças:  Funciona paralelamente ao GP de adulto - na mesma casa, em outro espaço;  Os GPs de adultos que desejarem ter um GP de criança em paralelo, são responsáveis em levantar os líderes para as crianças. Preferencialmente não se deve importar pessoas de outro GP, mas cada caso deve ser analisado. Os líderes das crianças devem surgir dentro do próprio GP de adultos, havendo um revezamento entre eles, possibilitando a todos participarem do GP de adultos também. Outra possibilidade é buscar líderes no Ministério de Trabalho com Crianças da igreja, devidamente preparados pelo CTM;  Em havendo interesse em abrir um GP de crianças, primeiramente, é preciso informar e buscar orientação com o supervisor de GP e o pastor;  O líder do GP de adultos é sempre desafiado a gerar novos líderes, visando também o GP de crianças. Caso contrário elas podem não se multiplicar e dificultar a multiplicação do GP de adultos. d) Liderança de um GP de Crianças: Os mesmos requisitos para líderes do GP de adultos se aplicam aos líderes do GP de criança. São eles:  Participar ativamente de um GP;  Ser nascido de novo;  Ser batizado e membro da igreja (implica estar comprometido com ela);  Ter bom testemunho;  Ser capacitado pelo CTM;  Também precisa ser: facilitador, amigo, modelo e "cuidador de pessoas". e) Reunião de um GP de crianças: Proposta de tempo máximo de reunião: duas horas; deve estar em conformidade com o tempo utilizado pelo GP de adultos:  30 min de brincadeira e lanche na chegada;
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    132  1h e30min com oração, louvor (CD ou instrumentos); lição (conforme currículo unificado com o desenvolvido nas atividades dos Domingos); atividades de artes/manuais. f) Multiplicação de um GP de Crianças:  Tem o desafio de multiplicar-se uma vez a cada ano;  Acima de 10 crianças, torna-se necessário multiplicar o GP. No caso do GP de adultos não estar preparado para a multiplicação simultânea, o GP de crianças se multiplicará assim mesmo, separando as crianças por faixa etária (com um líder para cada faixa), mas a reunião deverá continuar na mesma casa, em ambientes separados;  Quando o GP de adultos multiplicar-se, o de criança também se multiplicará, independente do número de crianças (neste caso, será pela necessidade de um novo GP, acompanhando o de adultos);  Os líderes de GPs de criança serão gerados dentro do próprio GP. A responsabilidade pelos novos líderes é de cada GP, a partir do seu líder, definindo líderes em treinamento para ocupar os futuros GPs. O CTM oferece treinamento, capacitação e acompanhamento para a formação destes líderes em treinamento. 24. Aconselhamento no discipulado A ajuda às pessoas não é apresentada na Bíblia como uma opção, mas como dever de todo crente, inclusive para os líderes da Igreja (Romanos 15.1-2). Com a finalidade de ajudar as pessoas, aconselhar é usar a Palavra para mudar a forma de pensar, para renovar a mente, a partir do estímulo e desenvolvimento saldável da personalidade humana. O aconselhamento é, primariamente, uma relação, em que uma pessoa ajudadora busca assistir outro ser humano nos problemas da vida. Sua finalidade passa pelos seguintes pontos:  Ajudar os indivíduos a enfrentarem mais eficazmente os problemas da vida, os conflitos íntimos e as emoções prejudiciais;  Prover encorajamento e orientação para quem tenha perdido alguém querido ou esteja sofrendo uma decepção;  Assistir as pessoas, cujo padrão de vida lhes cause frustração e infelicidade. Todas essas são questões levam as pessoas a procurar o aconselhamento hoje ao desenvolverem culpa, ressentimento, ansiedade, angústia.
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    133 a) Alvos doaconselhamento:  Auto compreensão: O aconselhamento auxilia os que estão sendo assistidos a obter um quadro real do que está passando em seu íntimo e no mundo que os rodeia. Compreender a si mesmo é, no geral, o primeiro passo para a cura. Muitos problemas são auto impostos. Mas a pessoa que está sendo ajudada talvez não reconheça que suas percepções são preconceituosas, suas atitudes prejudiciais e seu comportamento autodestrutivo. Considere, por exemplo, o indivíduo que se queixa: "Ninguém gosta de mim", mas não percebe que sua reclamação é uma das razões de ser rejeitado por outros.  Comunicação/diálogo: É bem conhecido que muitos problemas no casamento estão relacionados com uma falta de comunicação entre os cônjuges. O mesmo se aplica a outros problemas. As pessoas são incapazes ou não estão dispostas a comunicar-se de modo dialogal. O aconselhado precisa aprender a comunicar sentimentos, pensamentos e atitudes, correta e eficazmente e, ao mesmo tempo, estar disposto a ouvir e compreender estes mesmos fatores, em relação à pessoas ou pessoas que fazem parte de sua dificuldade. Assim, tal comunicação envolve a expressão da pessoa e a capacidade de receber mensagens corretas por parte de outros.  Aprendizado e Modificação de Comportamento: Quase todo (se não todo) o nosso comportamento é aprendido. O aconselhamento, portanto, inclui ajuda no sentido de fazer com que o aconselhado desaprenda o comportamento que gera seu problema e aprenda meios mais eficientes de agir. Tal aprendizado vem por meio de diversos veículos: instrução, imitação de um conselheiro ou outro modelo e da experiência erro acerto. O ajudador deve encorajar a pessoa que está auxiliando a "avançar", praticando o que aprendeu.  Auto realização: Escritores humanistas recentes têm enfatizado a importância do indivíduo aprender a alcançar e manter o seu potencial máximo. Isto é chamado de "auto realização", sendo proposto por alguns conselheiros como o alvo de todos os seres humanos. Para o cristão, poderíamos dizer que se trata de uma "Cristo- realização", pois o nosso alvo na vida se completa em Cristo. Ele é que nos conduz ao desenvolvimento de nosso mais elevado potencial, mediante o poder do Espírito Santo que nos leva à maturidade espiritual.  Apoio: Em períodos temporários de tensão ou crise incomuns as pessoas devem
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    134 beneficiar-se de umperíodo de apoio, encorajamento e "divisão de fardo", até que sejam capazes de remobilizar seus recursos pessoais e espirituais, a fim de enfrentar eficientemente os problemas da vida. A Bíblia nomeia essa necessidade de apoio como “levai as cargas uns dos outros” (Gálatas 6.2). Jesus ensinou esse princípio ao dizer: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28). Em qualquer tipo de aconselhamento é fundamental quando conselheiro e aconselhado estabelecem alvos ou objetivos definidos a serem alcançados. Esses alvos devem ser específicos e não vagos, e (no caso de serem vários) organizados em alguma sequência lógica que identifique os pontos a serem atingidos em primeiro lugar e, talvez, por quanto tempo. b) Qualificações do/a conselheiro/a: É fundamental que a pessoa que aconselha tenha habilidades e ajude as pessoas aconselhadas com sabedoria. Se as orientar bem, obterá resultados mais úteis, tanto na área emocional quanto na área espiritual. O seu sucesso nesta tarefa dependerá diretamente do seu conhecimento de algumas técnicas de aconselhamento e da ajuda do Espírito Santo. O que faz de alguém um bom conselheiro? Num estudo de quatro anos conduzido com pacientes hospitalizados e vários conselheiros, foi descoberto que os pacientes melhoravam quando seus terapeutas mostravam um nível elevado das seguintes qualidades:  Cordialidade: Este termo implica cuidado, respeito ou preocupação sincera, sem excessos, pelo aconselhado, sem levar em conta seus atos ou atitudes. Jesus mostrou isto quando se encontrou com a mulher junto ao poço (João 4). As qualidades morais dela talvez deixassem a desejar, e Ele certamente jamais aprovou o seu comportamento pecaminoso, mas a respeitou e a tratou como pessoa de valor.  Sinceridade: Significa que quem aconselha demonstra o que é verdadeiramente (de si mesmo, de outrem e do problema a ser tratado). Entre aconselhado e aconselhado não pode haver situações de mascaramento de pensamento ou sentimento.  Empatia: É o "sentir com", mostrando-se interessada pelo caso do outro, da outra, com empenho para ajudar. Quais os valores, crenças, conflitos íntimos e mágoas do aconselhado? O bom conselheiro mostra-se sempre sensível a essas questões,
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    135  capaz deentendê-las e comunicar eficazmente essa compreensão (por palavras e gestos) ao aconselhado. c) Técnicas de aconselhamento Eis algumas das técnicas mais básicas utilizadas numa situação de ajuda: 1ª) DAR ATENÇÃO: O conselheiro deve tentar conceder atenção integral ao aconselhado. Isto é feito mediante:  Contato de olhos - olhar sem arregalar os olhos, como um meio de transmitir interesse e compreensão;  Postura - que deve ser relaxada e não tensa;  Gestos naturais - mas não excessivos ou que provoquem distração. O conselheiro deve ser amável, bondoso, fortemente motivado à compreensão. Ele deve estar sempre vigilante quanto a algumas distrações íntimas que nos impedem de oferecer atenção integral: fadiga, impaciência, preocupação com outros assuntos, devaneios e inquietação. A ajuda às pessoas é naturalmente difícil, sendo uma tarefa exigente que envolve sensibilidade, expressões genuínas de cuidado e estar sempre vigilante para atender. 2ª) OUVIR: É mais abrange mais do que uma recepção passiva de mensagens. Significa:  Evitar expressões verbais (começar a falar antes da hora) ou não verbais (com gestos faciais, com barulhos), dissimuladas de desprezo ou juízo com relação ao conteúdo da história do aconselhado, mesmo quando esse conteúdo ofenda a sensibilidade do conselheiro;  Aguardar pacientemente durante períodos de silêncio ou lágrimas, enquanto o aconselhado se enche de coragem para aprofundar-se em assuntos penosos ou faz pausas para reunir seus pensamentos ou recuperar a compostura;  Ouvir não apenas o que o aconselhado diz, mas aquilo que ele ou ela está tentando dizer ou deixou de dizer;  Usar os olhos e os ouvidos para captar as mensagens transmitidas pelo tom de voz, postura, e outras pistas não verbais;  Evitar desviar os olhos do aconselhado enquanto este fala;  Sentar-se imóvel (não devemos aconselhar andando);  Controlar os sentimentos em relação ao aconselhado que possam interferir com uma atitude de aceitação, simpatia, que não faz juízos antecipados (não podemos
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    136 escolher quem vamosaconselhar);  Compreender que é possível aceitar a pessoa sem concordar com os erros dela. É fácil ignorar tudo isto e escorregar rapidamente para a oferta de conselhos e falação excessiva. Isto impede o aconselhado de expressar realmente suas mágoas, esclarecer um problema por meio da conversa, partilhar todos os detalhes de uma questão ou experimentar o alívio que vem com o desabafo. 3ª) RESPONDER: Não se deve supor, porém que o conselheiro nada faz além de ouvir. Jesus era um bom ouvinte, mas a sua ajuda também se caracterizava pela ação e respostas verbais específicas. Deve-se:  Orientar - ajudar a pessoa se expressar melhor perguntando o que realmente ela quer dizer. Ex.: o que é isso para você?; Você pode dar mais detalhes?;  Refletir o sofrimento da pessoa (o que ela sente, nós também podemos sentir) - "Eu sei o que você está passando, realmente é difícil";  Perguntar e interpretar - Com a pergunta iremos atrás da necessidade da pessoa. Ao invés de perguntar “Por que você fez isso?”, deve-se perguntar “O que levou você a fazer isso?”;  Confrontar - Pensamentos e comportamentos errados; falta de consistência entre o fazer e o falar;  Informar - ser diretivo (segundo a Palavra). Só não devemos ser quando a Bíblia não for. Ex.: não podemos dizer a alguém com quem se casar ou não.  Apoiar - Não é concordar com o outro. É servir de suporte, dar encorajamento, amá-lo no momento difícil. É dividir o fardo (Romanos 12.15); é orar pelo aconselhado. 4ª) ENSINAR: O conselheiro é um educador, ensinando pela instrução e orientando o aconselhado à medida que ele ou ela aprende a enfrentar problemas da vida. Da mesma forma que outros tipos pessoais de educação, o aconselhamento é mais eficaz quando as discussões são específicas e não vagas, focalizando situações concretas em lugar de alvos nebulosos. d) O processo de aconselhamento: O aconselhamento não é um processo tipo passo-a-passo, como assar um bolo, trocar um pneu, ou mesmo preparar um sermão. Cada aconselhado é único - com problemas, atitudes, valores, expectativas e experiências peculiares.
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    137 Sem levar emconta quão eficaz possa ser a hora de aconselhamento, sua influência pode ser diminuída se o aconselhado sair do encontro e esquecer-se ou ignorar o que aprendeu. A fim de enfrentar este problema, muitos conselheiros dão tarefas, projetos destinados a fortalecer, expandir e estender o processo de aconselhamento para além do período que o aconselhado passa com o conselheiro. e) O/A conselheiro/a e o aconselhamento: O aconselhamento, como é natural, pode ser um trabalho muito gratificante, mas não leva tempo para descobrirmos que se trata de uma tarefa árdua, emocionalmente e exaustiva. Ele envolve concentração interna e, algumas vezes, nos faz sofrer, ao vermos tantas pessoas infelizes. f) A motivação do/a conselheiro/a: Por que você quer aconselhar? Alguns conselheiros cristãos, especialmente os pastores, exercem essa ocupação devido às demandas das pessoas que os procuram para pedir ajuda com seus problemas. Outros conselheiros encorajaram as pessoas a procurá-los e talvez tenham feito um treinamento especial, baseados na suposição válida de que o aconselhamento é uma das maneiras mais eficazes de servir aos outros. Quase nunca é fácil analisar e avaliar nossos motivos. Isto talvez se aplique quando examinamos nossas razões para praticar o aconselhamento. Um desejo sincero de auxiliar as pessoas a se desenvolverem é uma razão válida para tornar-se um conselheiro, mas existem outras que motivam os conselheiros e que interferem com a eficácia de seu aconselhamento:  Curiosidade: Necessidade de Informação - Ao descrever seus problemas, os aconselhados, no geral, oferecem certas informações que não contariam a mais ninguém de outra forma. Quando o conselheiro é curioso, ele ou ela algumas vezes esquece o aconselhado, pressiona para obter mais detalhes e com frequência não consegue manter segredo.  A necessidade de manter relações: Todos precisam de aproximação e contatos íntimos com pelo menos duas ou três pessoas. Para alguns aconselhados, o conselheiro será seu melhor amigo, pelo menos temporariamente. Mas, e se os conselheiros não tiverem outros amigos além dos aconselhados? Neste ponto o
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    138 envolvimento conselheiro-aconselhado deixade ser uma relação de ajuda e solidariedade. Isto nem sempre é negativo, mas os amigos também nem sempre são os melhores conselheiros.  A necessidade de poder: O conselheiro autoritário gosta de "endireitar" os outros, dar conselhos (mesmo quando não solicitado) e desempenhar o papel de "solucionador de problemas". A maioria das pessoas, no entanto, irá eventualmente opor resistência a um conselheiro autoritário. Ele ou ela não será verdadeiro ajudador.  A necessidade de socorrer: O conselheiro deste tipo tira a responsabilidade do aconselhado ao demonstrar uma atitude que diz claramente: "você não é capaz de resolver isso, deixe tudo comigo". Quando a técnica de socorro falha (como acontece muitas vezes), o conselheiro sente-se culpado e inadequado - como um messias incapaz de salvar os perdidos. Quando a pessoa procura aconselhamento, está aceitando o risco de compartilhar informação pessoal e entregar-se aos cuidados do conselheiro. É provável que todo conselheiro perspicaz experimente, por vezes, tais tendências, mas não deve ceder a elas. Ao procurar aconselhamento, o aconselhando está aceitando o risco de compartilhar informação pessoal e entregar-se aos cuidados do conselheiro. Este irá violar esta confiança e, portanto diminuir a eficácia do aconselhamento se a relação de ajuda for usada primariamente para satisfazer as necessidades do próprio ajudador. g) O papel ou a competência do/a conselheiro/a: O aconselhamento, torna-se às vezes ineficaz porque o conselheiro não tem uma ideia clara do seu papel e responsabilidade. Devemos evitar a confusão de papeis tais como:  Aconselhamento em lugar de visita: A visita é uma troca mútua e amigável de informações. O aconselhamento é uma conversa centralizada num problema, dirigida para um alvo, que focaliza principalmente as necessidades de uma pessoa, o aconselhado. Quando as visitas se prolongam ou são os pontos principais, os problemas são evitados e é reduzida a eficácia do aconselhamento.
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    139  Deliberação emlugar de pressa: As pessoas ocupadas, preocupadas com algo, no geral querem apressar o processo do aconselhamento até um término rápido e bem-sucedido. É verdade que os conselheiros não devem perder tempo, mas também é certo que o aconselhamento não pode ser acelerado. Seu tempo varia de situação para situação.  Simpatia em lugar de desrespeito: Não se deve classificar as pessoas (por exemplo, como um "cristão carnal", um "divorciado", ou um "tipo fleumático" [calmo, tranquilo]) e trata-las com um confronto rápido ou conselho rígido. Ninguém quer ser tratado com tanto desrespeito e o ajudador que não ouve com simpatia provavelmente não dará conselhos eficazes.  Ajuda em lugar de condenação: Há ocasiões em que os aconselhados precisam enfrentar o pecado ou comportamento incomum em sua vida, mas o aconselhamento não se trata de uma pregação ou juízo. O aconselhamento acontece em resposta a um pedido de ajuda. Jesus é descrito como alguém que "tomou sobre si as nossas enfermidades" (Isaías 53.4). Ele jamais fez vista grossa para o pecado, mas compreendia os pecadores e sempre manifestou bondade e respeito por aqueles que, como a mulher junto ao poço, estavam dispostos a aprender, arrepender-se, mudar de vida.  Moderação em lugar de sobrecarrega: Devido ao seu entusiasmo com a ideia de ajudar, o conselheiro tenta, às vezes, resolver todo o problema numa sessão, confundindo o aconselhado. Aconselhamento é processo, projeto. Cada problema teve o seu tempo de gestão e, por isso, tem o seu tempo de cura.  Esclarecimento em lugar de direcionamento: Este é um erro comum e pode refletir a necessidade inconsciente de dominar, presente no conselheiro. O conselheiro e o aconselhado devem colaborar como uma equipe, na qual o primeiro tem o alvo de possibilitar ao segundo assumir o curso de sua vida, superando seu problema.  Comprometimento em lugar de envolvimento emocional: Existe uma linha divisória muito fina entre interessar-se, estar comprometido e tornar-se muito perturbado, confuso ou lutar contra o problema do aconselhado, como se fosse o seu. Proceder assim faz com que o conselheiro perca a sua objetividade. Isto, por sua vez, reduz a eficácia do aconselhamento.
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    140  Competência emlugar de atitude de defesa: Os conselheiros e conselheiras podem, eventualmente, sentir-se ameaçados durante o aconselhamento. Quando somos criticados, incapazes de ajudar, sentimos culpa ou ansiedade, ou quando estamos em perigo, nossa capacidade de ouvir com empatia (identificação) é prejudicada. Isso acontecendo, precisamos ser sinceros conosco mesmos e saber se temos ou não condições de continuar à frente do aconselhamento ou, até mesmo, nos dar conta de que também estamos precisando de ajuda. Ainda, se percebermos que a situação implica em tratamento profissional, é preciso encaminhar o caso. Inclusive, há ocasiões em que o uso de medicamento seja necessário. h) Situações que causam a vulnerabilidade do/a conselheiro/a: Alguns aconselhados têm o desejo consciente ou inconsciente de manipular, frustrar, ou não colaborar. São, pelo menos, duas as principais maneiras com que as pessoas frustram o conselheiro e aumentam a sua vulnerabilidade (vulnerável = desprotegido):  Manipulação: Os conselheiros manipulados geralmente têm pouca utilidade. Os indivíduos que tentam manipular seu conselheiro quase sempre fizeram da manipulação um modo de vida. Eles agem bem e com sutileza, mas não conseguem viver sem praticar o embuste e a arte de dominar. Quando você suspeitar desse tipo de desonestidade e manipulação, é prudente conversar a respeito com o aconselhado, esperar uma negativa da parte dele, e depois estruturar o aconselhamento de modo a impedir manipulação e exploração futura.  Resistência: Algumas vezes, as pessoas buscam ajuda por desejarem alívio imediato da dor, mas quando descobrem que o alívio permanente pode exigir tempo, esforço e maior sofrimento ainda, elas resistem ao aconselhamento. O conselheiro continua aconselhando, o aconselhado finge colaborar, mas ninguém melhora. A resistência é uma força poderosa que quase sempre exige aconselhamento profissional em profundidade e para tal deve ser encaminhado. i) A sexualidade do/a conselheiro/a: É preciso, inicialmente, compreender que a sexualidade diz respeito a todo tipo de expressão íntima entre pessoas; não simplesmente implica em ato sexual. Sempre que duas pessoas trabalham juntas em direção a um alvo comum, surgem sentimentos de camaradagem
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    141 camaradagem e cordialidadeentre elas. Quando esses indivíduos possuem um estilo de vida similar (ambiente semelhante) e, especialmente quando são do sexo oposto, a sexualidade está sempre presente. Em última instância, pode ocorrer atração sexual entre conselheiro e aconselhado. É preciso sempre ter atenção nesta área para não incorrer no perigo de envolver-se sexualmente com a pessoa em aconselhamento. Por ignorar isso, muitos conselheiros terminaram por promover separações de casais, por envolver-se amorosamente com seus aconselhados. Trata-se de um problema recorrente na vida dos conselheiros, quer falem ou não sobre ele com os outros. O aconselhamento frequentemente envolve a discussão de detalhes íntimos que jamais seriam tratados em outro lugar - especialmente entre um homem e uma mulher que não são casados um com o outro. Isto pode despertar sexualmente tanto o conselheiro como o aconselhado. O potencial para a imoralidade pode ser ainda maior se o aconselhado produz atração e/ou tende a mostrar-se sedutor. A atração sexual por um aconselhado é coisa comum e o conselheiro prudente deve ser bem resolvido emocionalmente e exercer autocontrole sexual. Atitudes de cuidado:  Proteção espiritual: A meditação sobre a Palavra de Deus, a oração (incluindo a intercessão de outros) e a confiança na proteção do Espírito Santo são elementos importantíssimos.  Estabelecimento de limites: Inicialmente, devem-se estabelecer limites definidos no trabalho de aconselhamento, prescrevendo claramente a frequência e duração das sessões de aconselhamento e apegar-se a esses limites; recusar conversas telefônicas prolongadas; desencorajar discussões detalhadas de tópicos sexuais; evitar o contato físico; e encontrar-se num lugar que desestimule olhares eloquentes ou intimidades pessoais. Além disso, os conselheiros devem vigiar sua mente. A fantasia, muitas vezes, precede a ação. O conselheiro sábio cultiva o hábito de não se demorar em pensamentos luxuriosos, mas focar-se naquilo que é verdadeiro, respeitável, justo, puro... (Filipenses 4.8).  Percepção dos sinais de perigo: É preciso ter atenção tanto à linguagem corporal do aconselhado quanto a seus próprios modos de procedimento, com o fim de ter clara a percepção de que o aconselhamento se tornou numa perigosa tentação para ambos. A dependência aconselhado/aconselhador é um sintoma de perigo que pode gerar um envolvimento sexual perigoso e inapropriado (Aillen Silva e Sérgio Andrade, Até quando? Editora Ultimato).
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    142  Análise deatitudes: Não existe proveito algum em negar os seus instintos sexuais. Eles são comuns, com frequência embaraçosos e bastante estimulantes, mas controláveis. Se ocorrer do conselheiro perceber-se atraído sexualmente, deve interromper o aconselhamento, transferir o trabalho para outra pessoa. No caso detectar a atração sexual no aconselhado, deve discutir essa situação com ele, desde que não haja reciprocidade de sentimentos de sua parte.  Proteção do Grupo de Apoio: A resistência eficaz envolve o reconhecimento sincero da atração sexual. Existe, pois, grande valor em discutir o assunto com um ou dois confidentes dignos de confiança; e a primeira pessoa na lista deve ser o cônjuge. j) A ética do/a conselheiro/a: Os problemas éticos surgem quando há conflito de valores e decisões diferentes devem ser tomadas. Muitas, embora não todas, dessas decisões envolvem questões confidenciais. Ex.: Um aconselhado confessa ter infringido a lei ou que pretende prejudicar alguém. Você conta à polícia, à vítima em potencial, ou mantém a integridade do aconselhado em sigilo? A filha de um líder da igreja revela estar grávida e que pretende fazer um aborto. O que você faz com esta informação? Um aluno, formado pelo seminário, está buscando empregar-se como pastor e revela no aconselhamento que tem um sério desvio sexual. Como membro da igreja, você revela isto ou não diz nada ao preencher um formulário de recomendação? O conselheiro tem a obrigação de manter em segredo as informações confidenciais, a não ser quando haja risco para o bem-estar do aconselhado ou de outra pessoa. Quando decisões diferentes precisam ser tomadas, os conselheiros têm a obrigação de discutir a situação confidencialmente com um ou dois conselheiros cristãos e/ou especialistas, tais como um advogado ou médico, que não precisam saber sobre a identidade do aconselhado, mas que podem auxiliar nas decisões éticas. Tais decisões não são fáceis, mas o conselheiro cristão obtém o máximo de fatos possíveis (inclusive dados bíblicos), confiando sinceramente em que Deus irá orientá-lo e, em seguida, toma a decisão mais sábia possível baseada na melhor evidência a seu dispor. k) As crises no aconselhamento: À medida que avançamos na vida, a maioria de nós tem um comportamento bastante consistente. Como é natural, todos experimentamos altos e baixos espirituais e
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    143 temos de aplicarum esforço extra para tratar de emergências ou problemas inesperados. Mas, ao nos aproximarmos da idade adulta, cada um de nós desenvolve um repertório de soluções de problemas baseado em sua personalidade, treinamento e experiências passadas. Usamos repetidamente essas técnicas e conseguimos assim enfrentar com sucesso os desafios da vida. Surgem, porém, às vezes, situações mais graves que ameaçam nosso equilíbrio psicológico. Essas situações, ou acontecimentos da nossa existência são também chamados de crises. Elas podem ser esperadas ou inesperadas, reais ou imaginárias, factuais (como quando um ente querido morre) ou potenciais (quando parece que um ente querido possa vir a morrer logo). l) A Bíblia no processo de aconselhamento: A Bíblia trata assuntos relacionados à solidão, desânimo, problemas conjugais, tristeza, relações entre pais e filhos, ira, medo e inúmeras outras situações de aconselhamento. Como Palavra de Deus, portanto, ela tem grande e duradoura importância para o trabalho do conselheiro e as necessidades dos aconselhados. A Bíblia ordena o cuidado mútuo e isto, com certeza, envolve o aconselhamento. O aconselhamento cristão deve ser um instrumento para tocar vidas, para modificá- las, para levá-las em direção à maturidade, a serem capazes de suportar as dificuldades. Porém, é preciso reconhecer que há muitos cristãos sinceros que terão uma vida eterna nos céus, mas não gozam de uma vida muito abundante na terra. Essas pessoas precisam de aconselhamento que envolva mais do que evangelização ou educação cristã tradicional. A evangelização e o discipulado são, portanto, os objetivos mais fundamentais no processo do aconselhamento cristão, embora não sejam os únicos. m) A Bíblia e os tipos de crises: Grande parte da Bíblia trata de crises. Adão, Eva, Caim, Noé, Abraão, Isaque, José, Moisés, Sansão, Jefté, Saul, Davi, Elias, Daniel e vários outros personagens enfrentaram crises que o Antigo Testamento descreve em detalhes. Jesus enfrentou crises (especialmente quando de sua crucificação) e o mesmo aconteceu aos discípulos e com muitos dos primeiros crentes. Várias das Epístolas foram escritas a fim de ajudar os indivíduos ou igrejas a enfrentarem crises ligadas ao relacionamento no Corpo de Cristo, e em relação a situações de perseguição, resultando em torturas, incrível sofrimento e morte.
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    144 No contexto davida humana, são identificados três tipos de crise, a saber: 1ª) As crises acidentais ou situacionais: Ocorrem quando surge uma ameaça repentina ou perda inesperada. A morte de um ente querido, uma doença súbita, a descoberta de uma gravidez fora do casamento, distúrbios sociais tais como guerra ou depressão econômica, perda da casa ou das economias do indivíduo, perda súbita da reputação e posição. 2ª) As crises de desenvolvimento: Surgem no curso do desenvolvimento humano normal. Entrada na escola, ida para a faculdade, ajustes no casamento e na paternidade, aceitação de críticas, enfrentar a aposentadoria e o declínio na saúde, adaptação à morte de amigos... Todas essas podem ser crises que exigem novas abordagens para a solução de problemas e de como superar dificuldades. 3ª) As crises existenciais: As crises existenciais surgem quando somos forçados a enfrentar realidades perturbadoras ou desafiadoras, tais como:  Sou um fracasso;  Sou velho demais para alcançar meus objetivos de vida;  Fui "deixado para trás" numa promoção;  Sou um viúvo agora - novamente solteiro;  Minha vida não tem propósito;  Minha doença é incurável;  Não tenho nada em que acreditar;  Perdi minha casa e bens por causa do incêndio;  Estou aposentado;  Fui rejeitado por causa da cor da minha pele. n) Intervenção na crise O aconselhamento em situações críticas tem vários objetivos:  Ajudar a pessoa a enfrentar eficazmente a situação difícil e voltar ao seu nível comum de comportamento;  Diminuir a ansiedade, apreensão e outros tipos de insegurança que possam persistir durante e após a crise;  Ensinar técnicas para a solução de crises, a fim de que a pessoa fique melhor preparada para antecipar e tratar crises futuras;
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    145  Considerar osensinos bíblicos sobre as crises, a fim de que a pessoa aprenda com as mesmas e cresça como resultado dessa experiência.  Ao ajudar as pessoas a enfrentarem suas crises, as diferenças entre os indivíduos precisam ser reconhecidas. Ao manter essas diferenças em mente, o conselheiro pode ajudar de diversos modos. o) Questões que necessitam de aconselhamento:  Pecados habituais relacionados com a sexualidade: prostituição, adultério, vícios, pornografia;  Mágoa, ressentimentos, amarguras, falta de perdão;  Inferioridade e autoestima problemática;  Ansiedade;  Depressão;  Namoro;  Pessoas casadas;  Luto;  Traumas emocionais. p) Como tratar o crente faltoso/indisciplinado: Em nossa igreja e em nossos GPs, sempre teremos problemas relacionados com a disciplina de algum membro. Por crente faltoso, entendemos aquela pessoa que está em falta com algum aspecto de seu comprometimento com Cristo, com a igreja ou com seu GP. Um membro faltoso poderá tomar a iniciativa e procurar aconselhamento e orientação de seu líder. Mas isto não é o mais comum. Na maior parte das vezes, na igreja, é necessário que o pastor, o discipulador ou o líder de grupo pequeno tome a iniciativa de procurar a(o) irmã(o) faltosa(o). Não queremos desenvolver um espírito de censura gratuita, no qual enxerguemos sempre o argueiro no olho do irmão antes da trave que está no nosso (Mateus 7.1-5). Mas precisamos despertar um senso de comportamento bíblico que faça justiça ao nome de Cristo e que não envergonhe o Evangelho. Isso começa com o cuidado sobre a nossa própria vida e deve se estender para a nosso grupo pequeno, ministério e toda a igreja local.
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    146 O objetivo prioritáriovisado pelas palavras de admoestação deve ser encorajar os cristãos faltosos a crescer. A disciplina, exercida com amor, pelas razões especificadas na Bíblia e com os objetivos que ela prescreve, deve ser exercida na esfera pessoal e ali tudo se resolve. Os faltosos devem ser convencidos e ganhos para uma comunhão renovada (Mateus 18.15; Gálatas 6.1 e Hebreus 12.12-13). Qualquer processo DISCIPLINAR na Igreja deve ser conduzido pelo pastor que o fará de forma discreta e de acordo com os princípios doutrinários (cf.: Manual de Disciplina da Igreja Metodista). Por isso é importante informar o pastor antes de falar qualquer coisa com a pessoa e preferencialmente deixar que o mesmo conduza a situação
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    147 CONCLUSÃO O autor ChristianSchwarz no livro O Desenvolvimento Natural da Igreja, afirma que não é saudável para uma igreja copiar o modelo de outra, nem mesmo forçar um formato de Grupo Pequeno, mas o ideal é motivar, ensinar e deixar fluir para que tudo aconteça de forma espontânea (SCHWARZ, 2010, páginas 6-12). Portanto este treinamento visa capacitar para fazer discípulos estando aberto ao mover do Espírito Santo que pode conduzir a sua Igreja de forma nova como desejar (João 3.8). Os temas anuais da Igreja Metodista para os anos 2017-2021 estão baseados no discipulado, declarando que somos “discípulas e discípulos que, nos caminhos da missão, alcançam as cidades, servem com integridade, cuidam do meio ambiente, vivem em unidade e anunciam as boas notícias da graça” (Cânones da Igreja Metodista 2017, página 17). Isso firma com clareza o propósito de ser igreja, bem como a estratégia estabelecida para o discipulado, estipulando alvos de alcançar vidas para o Evangelho de Cristo. Esperamos que o CTM – Centro de Treinamento Ministerial tenha sido um diferencial em sua vida te capacitando a fazer discípulos, nunca esquecendo que temos um único Mestre que é Jesus Cristo. Desejamos que sua caminhada seja crescente na prática do discipulado cristão e que muitas vidas sejam alcançadas através de seu ministério. Entendemos que não existe melhor forma de ser Igreja do que através do discipulado com Grupos Pequenos numa igreja de dons e ministérios. Para isso é preciso dedicação intensa e capacitação constante. Não temos outra alternativa diante da ordem de Jesus para fazer discípulos (Mateus 28.20). Então, vamos e façamos discípulos! Equipe de Pastores Igreja Metodista em Cataguases
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    148 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Citações Bíblicas:Bíblia Revista e Atualizada, Sociedade Bíblica do Brasil. COMISKEY, Joel. Crescimento Explosivo da Igreja em Células: levando seu grupo a crescer e se multiplicar. Curitiba: Ministério Igreja em Células, 2008. EARLEY, Dave. Transformando membros em líderes: como ajudar os membros de grupo pequeno a liderar novos grupos. Curitiba: Ministério Igreja em Células, 2009. EIMS, Leroy. Seja um Líder que Motiva. Curitiba: Editora Atos, 2002. FAJARDO, Cláudia M. Consolidação: um processo eficaz para formar discípulos. Palavra da Fé Produções, 2003. HENDERSON, Michael. Um Modelo Para Fazer Discípulos: A Reunião de Classes em John Wesley. Curitiba, Editora Ministério Igreja em Células. 2012. HUNTER, James C. O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Sextante, 2004. HYBELS, Bill. Liderança Corajosa. In: capítulo 6: Quando os líderes estão em sua melhor forma. Tradução James Monteiro dos Reis. São Paulo: Editora Vida, 2002. Manual Regional de Discipulado e Células. Ministério Regional de Discipulado – 4ª Região da Igreja Metodista. Organizador: Fernando Lopes Balthar. Belo Horizonte, 2013. MOREIRA, Dinamárcia Faria Barbosa. Igreja em Células. Editora Profetizando Vida, 2001. NEIGHBOUR JR., Manual do Líder de Célula. Curitiba: Ministério Igreja em Células, 1999. NEIGHBOUR JR., Ralph. Guia do Discipulador. Curitiba: Ministério Igreja em Células, 1998. NEUMANN, Mikel. Alcançar a cidade: as células na evangelização urbana. São Paulo: Editora Vida Nova, 1993.
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    149 PHILLIPS, Keith. AFormação de um Discípulo. São Paulo: Editora Vida, 2011. RIVAS, José Reyes. Seminário de Capacitación para Líderes Celulares. Misión Cristiana Elim - San Salvador (Apostila). SCHWARZ, Christian A. O Desenvolvimento Natural da Igreja – Um guia prático para as oito marcas de qualidade essenciais das igrejas saudáveis. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 3ª ed., 2010. SILVA, Aluízio A. Manual da Visão de Células. Editora Videira. STOCKSTILL, Larry. A Igreja em Células: uma visão bíblica da função das células numa igreja local. Belo Horizonte: Editora Betânia, S/A. STRONG, James. Dicionário Grego do Novo Testamento. Bíblia de Estudo Palavras- Chave: Hebraico. Grego. Tradução de João Ferreira de Almeida. Edição Revista e Corrigida. Rio de Janeiro: CPAD, 2011. WARREN, Rick. Uma vida com Propósitos: você não está aqui por acaso. São Paulo: Editora Vida, 2003
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    150 SITES Cânones 2017 daIgreja Metodista: http://metodista.org.br/content/interfaces/cms/userfiles/files/CANONES-2017-2021.pdf Carta Pastoral dos bispos/as da Igreja Metodista – Testemunhar a Graça e fazer Discípulos: http://www.metodista.org.br/content/interfaces/cms/userfiles/files/documentos- oficiais/pastoral_testemunhar_graca.pdf Carta Pastoral dos/as bispos/as da Igreja Metodista - Discípulas e discípulos nos caminhos da missão cumprem o mandato missionário de Jesus: http://www.metodista.org.br/content/interfaces/cms/userfiles/files/documentos- oficiais/Pastoral_bienio_provisoria.pdf Expositor Cristão Setembro de 2014: http://www.metodista.org.br/content/interfaces/cms/userfiles/files/expositor- cristao/expositor-cristao-2014-09.pdf Manual de Disciplina da Igreja Metodista: http://www.metodista.org.br/content/interfaces/cms/userfiles/files/documentos- oficiais/manual_disciplina.pdf Pastoral dos bispos/as da Igreja Metodista 2018 - Discípulas e discípulos nos caminhos da missão servem com integridade: http://www.metodista.org.br/content/interfaces/cms/userfiles/files/Pastoral%20Integridad e.pdf Plano Nacional Missionário da Igreja Metodista 2-17-2021: http://www.metodista.org.br/content/interfaces/cms/userfiles/files/documentos- oficiais/pnm2017.pdf Sermões de John Wesley: http://www.metodista.org.br/sermoes- de-john-wesley-disponiveis-para-download