Como se dá a comunicação nesta classe? 
A comunicação se dá, nas mais das vezes, de forma unidirecional tradicional. O padrão 
de entrega do conteúdo parece-me muito repetitivo, sempre iniciando-se com uma breve 
exposição pelo Professor responsável pela disciplina, através de pequeno vídeo, 
seguindo-se da leitura da apostila, da indicação de leitura complementar e realização 
de trabalhos (individuais ou/e em grupos). Acho que a atuação dos Docentes online 
(Tutores) é que têm assegurado o processo de ensino-aprendizagem. Queria sublinhar 
a atuação da Docente Rosemary, que mantém nível de excelência em relação aos 
demais. Entretanto, importante destacar que não são todos os Docentes online que 
levam-nos a um processo pleno de aprendizagem. As melhores experiências de 
aprendizagem, até então vivenciadas, foram em relação a atuação das Professoras 
Edméa e Dênia e dos Professores Moran e Marco. Eles me despertaram sobre a 
importância dos seguintes conteúdos: desenho didático, docência interativa e avaliação 
mediada, que entendo sejam, hoje, fundamentais para a construção do ensino online de 
qualidade. É por isso que escolhi como tema do meu TCC, dois destes conteúdos, 
acerca da docência e da avaliação. 
Como se realiza a mediação docente e a avaliação da aprendizagem, tendo em 
vista que aqui se prescinde da presença física e do olho no olho determinantes 
na educação presencial? 
No tocante ao curso, parece-me que estamos, ainda, muito distantes de um modelo de 
docência interativa e avaliação mediada. Precisamos ainda superar o modelo de 
pedagogia da transmissão, da prova ou exame, pois todas as atenções, parece-me, 
estariam voltadas mais para o resultado final e menos para o processo de aprendizagem 
e de formação. Vivemos a reprodução do modelo de sala de aula com ritmo monótono 
e repetitivo, em que o aluno limita-se a função de receptor de informações e submisso 
aos comandos para a execução de demandas pedagógicas e prestação de contas das 
suas obrigações como cursista. Prevalece, pois, infelizmente, o modelo informacional 
centrado na récita do mestre ou do desenho de conteúdos e de atividades dispostos na 
plataforma e-learning para aprendizagem e avaliação. 
Como os docentes acompanham os processos de construção do conhecimento 
nas interfaces da plataforma de e-learning? 
Acho que a postura dos Docentes ainda está muito distante dos processos de 
construção do conhecimento, nas diferentes interfaces do AVA. Poucos Docentes 
efetivamente se fizeram presentes e conseguiram implementar uma docência interativa, 
pois, na maioria das vezes, não conseguimos perceber que o proponente (emissor) 
disponibilização o seu conteúdo em rede e não apenas em uma única rota. Tampouco 
foram apresentados diferentes territórios que poderiam ser explorados pelos receptores 
(cursistas). Ademais foi muito comum a apresentação de apenas uma história e a 
ausência de mais de um conjunto intrincado de percursos abertos a navegações e que 
estivessem disponíveis a modificação e cocriação. Acabamos por reproduzir, com muita 
frequência, os mesmos debates propostos nos materiais, inexistindo a coautoria do 
receptor. 
Quais os instrumentos e estratégias de avaliação mais utilizados? 
Os instrumentos e as estratégias de avaliação foram muito repetitivos, tornando este 
modelo extremamente enfadonho. Trabalho sempre na perspectiva de uma avaliação 
liberal, baseada numa ação individual (mesmo que estivéssemos em grupos) e 
competitiva. Não havia o estímulo a uma atuação mais colaborativa. Se ela ocorreu, foi
mais por iniciativa dos próprios cursistas. Além disso, é um curso que prima pela 
concepção classificatória, baseada em uma postura centralizadora e diretiva do 
professor, pautada numa valorização da memorização e em uma exigência burocrática 
pontual e periódica. Em uma das tarefas, em que os colegas deveriam avaliar-se entre 
sim, percebi comportamento de um colega extremamente impróprio, que desqualificou 
a participação do outro. Inclusive registrei a minha irresignação perante a Coordenação, 
apontando que havia faltado informar aos alunos que a avaliação entre os pares deveria 
privilegiar, em um primeiro momento, o fortalecimento daqueles elementos positivos 
trazidos no trabalho e, em segundo momento, o apontamento das possibilidades de 
melhorias, sem de uma forma cordial, educada e positiva. A Coordenação acabou não 
dando a devida atenção ao fato, o que me deixou muito frustrado à época. Acho que 
estamos distantes de um modelo verdadeiramente colaborativos e solidário de 
construção do conhecimento e compartilhamento de experiências. 
Especificamente sobre as “provas prese nciais”, quais tem sido suas implicações 
efetivas no processo de construção do conhecimento pessoal e coletivo. 
Acabei realizando apenas a primeira prova presencial, pois à época da segunda prova, 
encontrava-me em Buenos Aires, frequentando as aulas presenciais do Mestrado de 
Mediação e Negociação, pois sou Mediadores Judiciário do TJRS. Achei as provas 
presenciais ainda mais vinculadas ao modelo tradicional, pois deveríamos reproduzir 
todos os conceitos e definições estampados nas diferentes apostilas de cada uma das 
disciplinas. Não me trouxe qualificação alguma, pois tratava-se de reproduzir todo o 
conteúdo entregue pelos emissores. O que mais me trouxe qualificação até, então, foi 
a experiência como Docente (Tutor) em um processo de Supervisão online para 
Mediadores Judiciais do TJRS. Atuei em uma turma de 50 colegas e participei de 
diversas aulas interativas, entregando o conteúdo do programa. A nossa atuação foi 
destacada pela coordenação do curso, levando-me a ser convidado a coordenador o 
curso a partir de agora, diante das inovações trazidas tanto em relação à docência 
quanto em relação a avaliação. Acho que o curso poderia oportunizar uma experiência 
prática, mesmo que na condição de observadores dos docentes online e conteúdistas, 
em outros cursos online da USP, como forma de vivenciarmos, na prática, todos os 
conceitos que são formulados nas disciplinas. 
Em quais situações o desenho didático ou desenho educacional de cada 
disciplina favoreceu ou prejudicou a docência e a avaliação da aprendizagem? 
Acho que estes elementos estão intrinsicamente ligados. Não podemos enaltecer algum 
deles e desmerecer o outro. Sem um modelo de desenho didático ou educacional muito 
bem formulado não haveremos de desenvolver uma docência interativa e uma avaliação 
mediada. Como já expus anteriormente, foram nas disciplinas das Professoras Edméa 
e Dênia e dos Professores Moran e Marco, que verifiquei uma grande articulação entre 
estes três elementos (desenho, docência e avaliação). Esta articulação assegurou o 
desenvolvimento do conteúdo, sua apropriação e cocriação, bem como um modelo de 
avaliação muito mais próxima da concepção de avaliação libertadora, em que há uma 
ação coletiva e dialógica, investigativa e reflexiva, propositiva e consciente, cooperativa, 
valorizando a compreensão e a consciência crítica de todos os envolvidos.

Mediação Pedagógica e Avaliação online

  • 1.
    Como se dáa comunicação nesta classe? A comunicação se dá, nas mais das vezes, de forma unidirecional tradicional. O padrão de entrega do conteúdo parece-me muito repetitivo, sempre iniciando-se com uma breve exposição pelo Professor responsável pela disciplina, através de pequeno vídeo, seguindo-se da leitura da apostila, da indicação de leitura complementar e realização de trabalhos (individuais ou/e em grupos). Acho que a atuação dos Docentes online (Tutores) é que têm assegurado o processo de ensino-aprendizagem. Queria sublinhar a atuação da Docente Rosemary, que mantém nível de excelência em relação aos demais. Entretanto, importante destacar que não são todos os Docentes online que levam-nos a um processo pleno de aprendizagem. As melhores experiências de aprendizagem, até então vivenciadas, foram em relação a atuação das Professoras Edméa e Dênia e dos Professores Moran e Marco. Eles me despertaram sobre a importância dos seguintes conteúdos: desenho didático, docência interativa e avaliação mediada, que entendo sejam, hoje, fundamentais para a construção do ensino online de qualidade. É por isso que escolhi como tema do meu TCC, dois destes conteúdos, acerca da docência e da avaliação. Como se realiza a mediação docente e a avaliação da aprendizagem, tendo em vista que aqui se prescinde da presença física e do olho no olho determinantes na educação presencial? No tocante ao curso, parece-me que estamos, ainda, muito distantes de um modelo de docência interativa e avaliação mediada. Precisamos ainda superar o modelo de pedagogia da transmissão, da prova ou exame, pois todas as atenções, parece-me, estariam voltadas mais para o resultado final e menos para o processo de aprendizagem e de formação. Vivemos a reprodução do modelo de sala de aula com ritmo monótono e repetitivo, em que o aluno limita-se a função de receptor de informações e submisso aos comandos para a execução de demandas pedagógicas e prestação de contas das suas obrigações como cursista. Prevalece, pois, infelizmente, o modelo informacional centrado na récita do mestre ou do desenho de conteúdos e de atividades dispostos na plataforma e-learning para aprendizagem e avaliação. Como os docentes acompanham os processos de construção do conhecimento nas interfaces da plataforma de e-learning? Acho que a postura dos Docentes ainda está muito distante dos processos de construção do conhecimento, nas diferentes interfaces do AVA. Poucos Docentes efetivamente se fizeram presentes e conseguiram implementar uma docência interativa, pois, na maioria das vezes, não conseguimos perceber que o proponente (emissor) disponibilização o seu conteúdo em rede e não apenas em uma única rota. Tampouco foram apresentados diferentes territórios que poderiam ser explorados pelos receptores (cursistas). Ademais foi muito comum a apresentação de apenas uma história e a ausência de mais de um conjunto intrincado de percursos abertos a navegações e que estivessem disponíveis a modificação e cocriação. Acabamos por reproduzir, com muita frequência, os mesmos debates propostos nos materiais, inexistindo a coautoria do receptor. Quais os instrumentos e estratégias de avaliação mais utilizados? Os instrumentos e as estratégias de avaliação foram muito repetitivos, tornando este modelo extremamente enfadonho. Trabalho sempre na perspectiva de uma avaliação liberal, baseada numa ação individual (mesmo que estivéssemos em grupos) e competitiva. Não havia o estímulo a uma atuação mais colaborativa. Se ela ocorreu, foi
  • 2.
    mais por iniciativados próprios cursistas. Além disso, é um curso que prima pela concepção classificatória, baseada em uma postura centralizadora e diretiva do professor, pautada numa valorização da memorização e em uma exigência burocrática pontual e periódica. Em uma das tarefas, em que os colegas deveriam avaliar-se entre sim, percebi comportamento de um colega extremamente impróprio, que desqualificou a participação do outro. Inclusive registrei a minha irresignação perante a Coordenação, apontando que havia faltado informar aos alunos que a avaliação entre os pares deveria privilegiar, em um primeiro momento, o fortalecimento daqueles elementos positivos trazidos no trabalho e, em segundo momento, o apontamento das possibilidades de melhorias, sem de uma forma cordial, educada e positiva. A Coordenação acabou não dando a devida atenção ao fato, o que me deixou muito frustrado à época. Acho que estamos distantes de um modelo verdadeiramente colaborativos e solidário de construção do conhecimento e compartilhamento de experiências. Especificamente sobre as “provas prese nciais”, quais tem sido suas implicações efetivas no processo de construção do conhecimento pessoal e coletivo. Acabei realizando apenas a primeira prova presencial, pois à época da segunda prova, encontrava-me em Buenos Aires, frequentando as aulas presenciais do Mestrado de Mediação e Negociação, pois sou Mediadores Judiciário do TJRS. Achei as provas presenciais ainda mais vinculadas ao modelo tradicional, pois deveríamos reproduzir todos os conceitos e definições estampados nas diferentes apostilas de cada uma das disciplinas. Não me trouxe qualificação alguma, pois tratava-se de reproduzir todo o conteúdo entregue pelos emissores. O que mais me trouxe qualificação até, então, foi a experiência como Docente (Tutor) em um processo de Supervisão online para Mediadores Judiciais do TJRS. Atuei em uma turma de 50 colegas e participei de diversas aulas interativas, entregando o conteúdo do programa. A nossa atuação foi destacada pela coordenação do curso, levando-me a ser convidado a coordenador o curso a partir de agora, diante das inovações trazidas tanto em relação à docência quanto em relação a avaliação. Acho que o curso poderia oportunizar uma experiência prática, mesmo que na condição de observadores dos docentes online e conteúdistas, em outros cursos online da USP, como forma de vivenciarmos, na prática, todos os conceitos que são formulados nas disciplinas. Em quais situações o desenho didático ou desenho educacional de cada disciplina favoreceu ou prejudicou a docência e a avaliação da aprendizagem? Acho que estes elementos estão intrinsicamente ligados. Não podemos enaltecer algum deles e desmerecer o outro. Sem um modelo de desenho didático ou educacional muito bem formulado não haveremos de desenvolver uma docência interativa e uma avaliação mediada. Como já expus anteriormente, foram nas disciplinas das Professoras Edméa e Dênia e dos Professores Moran e Marco, que verifiquei uma grande articulação entre estes três elementos (desenho, docência e avaliação). Esta articulação assegurou o desenvolvimento do conteúdo, sua apropriação e cocriação, bem como um modelo de avaliação muito mais próxima da concepção de avaliação libertadora, em que há uma ação coletiva e dialógica, investigativa e reflexiva, propositiva e consciente, cooperativa, valorizando a compreensão e a consciência crítica de todos os envolvidos.