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C A I O F E R N A N D O A B R E U
ALÉM DO PONTO E OUTROS
CONTOS
Profª Josi Motta
2016
BIOGRAFIA:
•Caio Fernando Abreu, nascido em Santiago do Boqueirão, cidade do interior
do Rio Grande do Sul. (1948)
•Em 1968 – muda para São Paulo
•Caio F. : forma que usava para se autointitular, numa referência ao romance
Cristiane F. morreu no dia 25 de fevereiro de 1996, vítima de complicações
causadas pela Aids.
•Escreveu romances, crônicas, peças de teatro, e destaca-se no “ conto”, seu
ponto forte. „Ovelhas Negras‟ recebe o Prêmio Jabuti de melhor livro de contos
do ano. •Morangos Mofados um dos maiores sucessos.
Faleceu em 1996 – vitimado pela AIDS- Em 25 de fevereiro, Porto Alegre, aos
48 anos..
Filho de uma geração que sofreu com a censura da ditadura militar.
Caio Fernando Abreu pertence a uma safra de poetas, contistas e romancistas
herdeiros do Modernismo.
•A crítica literária de Caio Fernando Abreu não o aceita pelo fato do autor não
se encaixar nos padrões literários da Academia.
•Como ele mesmo chegou a dizer, sua obra incorporava o chulo e o não-
literário, sendo influenciada bem mais por Cazuza e Rita Lee do que por
Graciliano Ramos.
Contexto
 Entre os anos de 1970 e 1990, a literatura brasileira viveu uma
espécie de apoteose criadora.
 Os poetas marginais, com seus textos mimeografados, aguçaram a
irreverência, a sensibilidade e a liberdade de criação dos modernistas.
 Ditadura Militar
 A presença da linguagem IMAGÉTICA é fortemente percebida pelos
detalhes, permitindo ao leitor imaginar os cenários.
Movimentos Contraculturais:
 Ideologia "paz e amor“ (movimento Hippie): o movimento negro, a
rebeldia estudantil, a revolução sexual, o feminismo e o movimento
gay, marcados pelo inconformismo.
 Cenário cinzento: ditaduras latino-americanas, o imperialismo norte-
americano e a guerra do Vietnã.
INFLUÊNCIAS
• Principais influências: Clarice Lispector, Hilda Hilst, Gabriel García
Márquez e Julio Cortázar.
• Sua prosa introspectiva revela a pressão de se sentir sozinho,
esmagado por uma realidade opressiva que não faz a menor questão de
estimular alguém a permanecer vivo.
• A prosa desse período assistiu a uma consolidação da crônica, do
conto e do romance policial e psicológico.
• A estrutura do conto: começo, meio e fim cedeu espaço a uma
narrativa preocupada em fotografar instantes, episódios ricos em
sugestões e flagras intensamente poéticos sobre a significação humana.
(impressionista)
Assumidamente homossexual, fez de sua literatura também um espaço
de libertação, de amor livre.
•Em Aqueles Dois, conto que recebeu uma adaptação para o cinema
em 1985, o escritor gaúcho conta a história do amor entre dois homens
que não podem compreender o tamanho da beleza daquele sentimento
mútuo.
Prosa introspectiva: Caio Fernando Abreu, Lygia Fagundes Telles,
Marina Colasanti, Nélida Piñon e Raduan Nassar, guardadas suas
diferenças estéticas, mergulham no universo das personagens,
revelando suas angústias, medos, frustrações, em narrativas marcadas
pelo fluxo de consciência (narrativa psicológica) e intimismo. Narrativas
pessimistas: conflitos crescem / não há final feliz.
Temas
 A literatura de Caio Fernando Abreu desvenda minuciosamente os
sentimentos, como uma biografia daqueles que a leem.
 A maioria dos contos centraliza sua narrativa na temática social.
 Intimismo, crise existencial, marginalização, inquietações.
 Tema contemporâneos: destaque para medo, morte, sexo, angústia e
solidão.
 Personagens sombrios, angustiados, obcecados pela morte e pela
busca desesperada de amor e sexo.
 Após descoberta da doença: AIDS novo tema predominante (ex.
Linda, uma história horrível)
 Literatura como depoimento direto da experiência: retrata seus
sentimentos, ou experiências vividas por ele. Biográfico x fictício .
Espaço
O espaço em que se passam as narrativas é sempre o ambiente urbano,
a cidade. Para o autor, a cidade grande representa a solidão, a
fragmentação, o deslocamento, numa dolorosa consciência de que a vida
moderna, muitas vezes, torna-se uma experiência frustrante e sem saída,
que aprisiona o sujeito.
Personagens
 Os personagens de Caio Fernando de Abreu
apresentam sempre o mesmo perfil psicológico:
têm a sensação de vazio interior, sentem-se
incompletos, solitários, independente do momento
ou local em que se encontram.
 Além do ponto e outros contos normalmente
terem essa necessidade de movimento, de
estabelecer com o outro um contato mais profundo;
essa necessidade de encontrar no outro o seu
próprio eu. E quando isso acaba ou não acontece,
começa a surgir os dramas resultantes do conflito:
a morte, a loucura, a violência, a dor.
Tempo
Psicológico. Os contos são fragmentações do próprio autor.
Linguagem
 Linguagem coloquial e acessível, texto econômico e enxuto.
 A linguagem considerada vulgar é colocada no mesmo plano da culta.
Assim, percebe-se o uso de frases curtas, períodos coordenados, sem
muitos arranjos formais, mas que mescla denotação e conotação ( o real
e o surreal, o individual e o coletivo).
 Observa-se, ainda, que a linguagem utilizada nos contos é
cinematográfica e imagética (baseada em imagens).
 Outra marca interessante da linguagem na obra é a forma como os
personagens são caracterizados; o narrador os descreve não com
características da narrativa comum, mas por meio de uma linguagem
sugestiva, que deixam para o leitor construir o personagem à sua
maneira.
OS CONTOS:
 Fuga
 Os Cavalos Brancos de Napoleão
 Além do Ponto
 O Coração de Alzira
 O Príncipe Sapo
 Triângulo Amoroso: variação sobre o tema
 Para uma Avenca Partindo
 Linda, uma História Horrível
 O Destino Desfolhou
 Holocausto
 Recuerdos de Ypacaraí
 Retratos
 Sob o Céu de Saigon
 Aniversário
 Aqueles Dois
Fuga
Personagens: menino (6 anos) e Lucinha (também 6 anos)
Narração : 3ª pessoa
Temas: relação entre seres humanos; comportamentos; decepção,
solidão.
Combinaram de fugir. Pra onde? Devaneios.
•Leva consigo um pião no bolso.
•Saiu de casa sem ser visto – Seu primeiro crime.
•Ganhou 02 biscoitos.
•Para num poste ( Ponto) a esperar Lucinha que não aparece.
•Como não apareceu convida um garoto e acaba ficando com seu pião.
•O garoto foge com o pião.
•Ele vai na casa de Lucinha. Ela estava numa festa de aniversário.
•Tem que fugir a gente pode todo dia.
Aniversário é só vezenquando.
Pensa. Será que ela deixa entrar sem presente?
Os cavalos brancos de Napoleão
Personagens: Napoleão (advogado), a esposa e os cavalos.
Narração: 3ª pessoa
Tema: loucura.
Antes de tudo: os cavalos. A princípio mansos, agora nem tanto.
Napoleão era advogado competente. Em casa também havia julgamento,
mas ele era réu , a esposa promotora e os convidados jurados. A esposa
os filhos sempre cobraram alguma coisa dele.
Férias: nuvens, cavalos. Olh! Marta disse „não enche”.
Manhã seguinte: voltaram a aparecer. Começou a cultivá-los.
Volta das férias, dois dias sem cavalos. Tristeza. Voltaram.
Numa audiência, viu-os entrar no tribunal. Ficaram entre os jurados,
sisudos. Napoleão começou a falar cada vez mais baixo. Perdeu o
processo.
Chamaram o médico. Psiquiatra. Vários tratamentos e nada. Fizeram
cavaloterapia, com cavalos pretos. Não adiantou, chorava dia e noite.
Morreu, parada cardíaca.
Último desejo: conduzido até o cemitério por um coche puxado por 7
cavalos brancos.
Ele foi enterrado com um vago sorriso no maxilar. Diz o zelador do
cemitério que vira um homem estranho, em pelo, galopando em cavalos
brancos.
Além do ponto
Personagem: narrador.
Narração: 1ª pessoa
Temas: relacionamentos; solidão; busca da identidade.
Homem sem nome caminha com uma garrafa de conhaque em
direção a casa outro personagem, cheio de dúvidas, na esperança de
ser bem recebido, chegando, a porta não se abre.
Crise existencial.
•Tema: Solidão, carência, alcoolismo,
dificuldade no estabelecimento de relações
nas cidades.
O Coração de Alzira
Personagem: Alzira e Jorge.
Narração: 3ª pessoa.
Temas: relação entre seres humanos; busca da identidade; solidão.
Pois ele era uma pessoa e ela outra. Ela era toda grande, até seu
coração.
Tinha necessidade de dor em alguém como se já estivesse exausta de
ser grande e boa.
Concurda? Grande e lasciva? Obscena.
Espiou o marido nu. Às vezes desejava machucá-lo. Chamou e desejou
que ele dissesse: Alzira!
Vagava. Era domingo. Sem vícios, leituras, vontade de palavrão, de
distração. Intrumentos pra chamar a atenção? Não. Era tão pobre. Tão.
Espelho. Observações. Divagações.
Surge o marido: hoje é domingo.
Pois é.
E ela queria tanta coisa, mas ele só disse: dia de dormir até tarde. E
dormiu.
O príncipe sapo
Personagem: Teresa.
Narração: 3ª pessoa.
Temas: relacionamentos, solidão, amargura.
Todos casavam, menos Teresa. Ela ia às festas e pensava: minha vez há
de chegar.
Primo Gonçalo, dos olhos verdes? Esperança. Mas ele se foi com Tanira.
Mais uma vez madrinha.
AÁ noite, sozinha: inveja, pesadelo. Na manhã: vergonha.
Irmãs casando. Pais morrendo. Teresa de luto sozinha com o gato.
Segunda a sexta: visitas à família. Sábado igreja e cemitério. Domingo:
banho, vestido, talco, perfume, coque, janela.
Novelas e histórias pra passar o tempo: divagações, príncipe sapo. Ódio do
Gonçalo.
Moço na rua. Quem? Descobre: Francisco, Chico, professor de piano.
Comprou um, e a família não gostou.
Aulas. Esperança.
Gonçalo vai falar com ela em nome da família:rumores. Príncipe sapo.
Piano. Lição. Pausa. Chá, bolinhos, pergunta: Vamos nos casar?
Não. Foi no quartel. Granada. Explosão.
Piano vendido no leilão.
Domingo...
Triângulo amoroso: variação sobre o tema.
Personagens: a menina e o gato.
Narração: 3ª pessoa
Temas: relacionamentos, morte, solidão.
 Era uma menina, o ser mais só daquela casa (apartamento) Foi aí que
apareceu o gato.
 Ela não aprendeu a se comunicar como adulto (dizer o que não se quer,
pedir o que se tem, e dar o que não se possui). Adquiriu dureza nos
gestos. Olhos, olhares, gestos, brutais e absolutos.
 Chegou a gata. E começou a disputa.
A menina perdeu. Namoro, o cio.
 O ciúme da menina, que não tinha menino.
Dissimulada como a gata, aprimorou-se do gato
e apertou-o até a morte. Apenas morreu,
sem adjetivos. Olhou, não chorou.
Cresceu, casou, teve 03 filhos e posses.
Para uma avenca partindo
Personagens: narrador e sua companhia.
Narração: 1ª pessoa.
Temas: relação entre seres humanos; busca da identidade.
Narra uma história de alguém prolixo.
Ele quer dizer alguma coisa para a namorada antes dela partir de
ônibus.
Olha, antes desse ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra
dizer, divagações, reflexões sobre si, sobre o outro, sobre o que havia de
ser dito.Suspeito que você não passa de uma simples avenca.
Concentração, preciso, pra te dizer que, antes que vá...
Fala, fala, mas não consegue falar nada.
“ ...além de nossas mãos dadas, dos nossos corpos nus, eu dentro de
você e mesmo atrás dos silêncios...”
Linda, uma história horrível
Personagens: narrador e sua mãe.
Narração: 3ª pessoa.
Temas: relação entre seres humanos (distanciamento família), doença,
AIDS, solidão, fragilidade da vida
Filho chefa na acasa da mãe. “A senhora não tem telefone. Revolvi fazer
surpresa.”
Linda é enxotada.
_ Vá dormir, é muito tarde.
_ Que foi?
Fumam juntos. Pareciam dois estranhos.
_ Nada, mãe. Não foi nada. Deu saudade, só isso.
_ Saudade?
A mãe fala da ausência da filha. Diz que podia morrer ali sozinha e nem
iam ficar sabendo. O filhos diz que também mora só.
Tosse dele.
É sina. [morrerão só]
Ele pergunta porque ela não vai morar com Elza. Não gosta do genro.
A mãe achou o filho mais magro. E que perdera cabelo.
É da idade.
E essa tosse de cachorro?
Cigarro, mãe. Poluição.
Levantou os olhos e pela primeira vez olhou direto nos dela.
Ele pensou: é agora. Mas ela piscou primeiro.
Mas vai tudo bem? Tudo mãe.
Segui-se o papo.
_Saúde? Dizem que tem umas doenças novas aí. Vi na TV. Umas pestes.
_Graças a Deus.
Falaram de várias essas. A Alzira, a Cândida.
“E o Beto?” Tá lá, mãe. Atencioso, fino, isso que é amigo, até meio parecido
com você.Parecem irmãos.
A gente não se vê a um tempo, mãe. Por quê?
„Mãe, é tão difícil – voz trêmula -.
Levantou, recolheu cinzeiro. Ela disse que o quarto dele estava igual. Ele
beijou-a na testa e disse que conversariam mais no outro dia.
Subiu com linda, bebida no bolso, em frente ao espelho – machas no peito –
Linda, você é tão linda.
O destino desfolhou
Personagens: Beatriz e rapaz sem nome.
Narração: 3ª pessoa.
Temas: relacionamento; amor; decepção; infidelidade; morte.
 O menino tinha 12 anos e está apaixonado por Beatriz.
 Desde os 6 anos, numa festa a mãe lhe pergunta: quem vc gosta. Ele
respondeu: Beatriz.
 O que a estrelete = nunca entendeu, achava que era estrela.
 Anos mais tarde, num festival do Grupo Escolar ela apresentou num
acordeom: O destino desfolhou.Seu coração bateu mais forte.
 O tempo passou , eles foram para ginásio. Ele colégio público, ela das freiras.
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não tinha quinze anos.
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pequeno.
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Holocausto
Personagem: narrador (homem sem nome).
Narração: 1ª pessoa
Temas: relação entre seres humanos; loucura.
Havia sol, cabeça na grama agora escuridão. E piolhos. Dentes doíam.
Bolhas.
A casa, Os outros: doze, treze comigo, sem sol, sem luz elétrica. Sem olhar
nos olhos.
Antes frios e móveis queimados – lenha pra lareira. Hoje nada mais para
queimar. Jogar um de nós no fogo? Medo. Corpos próximos.
...
O sol tinha-se ido e os dias eram curtos ( inverno). Dormiam muito.
•Foi esfriando muito. Começaram queimando móveis, paredes, livros, tudo que
encontraram.
•Acabou a lenha. Só restava esperar quem ia se jogar primeiro no fogo.
Acabariam os piolhos, a dor de dente, as bolhas. Quem sabe daqui um pouco
eu...
Recuerdos de Ypacaray
Personagens: Bituca, narrador, Malu, Rúbia.
Narração: 1ª pessoa.
Temas: relacionamentos (amizade); companheirismo; fidelidade.
O narrador conta que estava infernizando formigas, quando soube por Malu
que Bituca ia embora com o circo.
Foi falar com Bituca em sua casa. A mãe do mesmo pede se o encontrasse
que mandasse cuidar da calça.
Encontra-o no circo. Rúbia a trapezista estava dando sorvete na boca pra
ele.
Bituca e o narrador conversam e este diz que fugirá com o circo.
Bituca fuma muito. Este está apaixonado.
Convida o narrador, mas esse não quer ir.
Ele fala que a mãe de Bituca sentirá falta dele. Mas não quer nem saber.
Outro dia o narrador esta doente. Bituca vai visitá-lo chateado com um
montão de gibis.
Não mais irá com o circo, Rúbia , a nefasta, não o levará porque Saul não
quer por ser de menor.
Retratos
Personagens: o narrador e um rapaz desconhecido.
Narração: 1ª pessoa.
Temas: homossexualidade, relação entre seres humanos, solidão, busca
da identidade, sociedade opressora e preconceituosa (representada pelas
vizinhas)
Homem, sem nome, solitário que teve seus retratos desenhados por artista
ao longo da semana procura pelo mesmo no 7º dia para finalizar o trabalho.
O artista desaparece, e em sua busca por ele, percebe que na verdade
procurava sua identidade.
•O retrato ia definhando, ao final descobre que era ele quem estava morto.
•Tema: Solidão, vazio, busca da identidade no outro,
•Formato de diário
Flor é abismo, repeti.
Flor e abismo. E de repente descobri que estou morto.
Sob o céu de Saigon
•Personagens: um rapaz e uma moça
•Narrador: 3ª pessoa
•Tema: Juventude, relações humanas
•Um rapaz desse a rua Augusta. Barba por fazer, tênis gasto, jaqueta ou suéter.
•Mãos nos bolsos – unhas roídas.
•Dentes amarelos do fumo.
•Pele muito branca.
•Ela desse a rua Augusta
•Jeans desbotado, gasto, bolsa velha.
•Em direção com ele aos Jardins, sábado à tarde.
•Ambos se encontram no cinema e olham o mesmo cartaz: Love Kills, love kills ( ele fala
baixinho)
•Ela cantarola : And this is my way ( Frank Sinatra)
•Ambos sorriem.
Parece Saigon, né? (ela)
•O quê? ( ele)
•O céu?( ela aponta para o céu)
•E você já esteve em Saigon? ( ele espantado)
•Nunca. Mas deve ser bem parecido, você não acha?
•Sim, parece o céu de Saigon ( ele sorri)
Ela sorri e desce a rua Augusta.
•Ele sem jeito sobe a Augusta.
•( No céu nuvens cada vez mais densas escondem súbitas o anjo.)
•Céu de chumbo, cogumelo atômico...
•Eles nunca estiveram em Saigon.
Aniversário
Personagem: garoto de 19 anos.
Narração: 3ª pessoa.
Temas: relações entre seres humanos, inquietações; busca da
identidade.
 Havia esperado durante todo o dia.
 No dia do aniversário a mãe veio abraçá-lo.
 Ele com olhar triste e sem brilho nos olhos.
 Fazia 19 anos. Recebeu parabéns dos parentes. Cantaram na
aula. Todos parabenizavam-no. Não aguentava mais.
 Era noite. Esperou o dia inteiro por algo que não sabia.
 Acordou sobressaltado, foi na geladeira pegou um pedaço do bolo.
Já era meia-noite. Tinha passado o aniversário. Olhou a lua pela
janela. Viu que era a mesma lua, apenas mais alta.
Aqueles dois
(história de aparente mediocridade e repressão)
Personagens:
 Raul, 31 anos, sai de casamento fracassado de 3 anos
 Saul, 29, sai de um noivado frustrado e um curso de arquitetura
Narração: 3ª pessoa.
Temas: homossexualidade; relação entre seres humanos, intolerância,
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 Os dois se conhecem na empresa onde trabalham, tornam-se muito
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  • 1. C A I O F E R N A N D O A B R E U ALÉM DO PONTO E OUTROS CONTOS Profª Josi Motta 2016
  • 2.
  • 3. BIOGRAFIA: •Caio Fernando Abreu, nascido em Santiago do Boqueirão, cidade do interior do Rio Grande do Sul. (1948) •Em 1968 – muda para São Paulo •Caio F. : forma que usava para se autointitular, numa referência ao romance Cristiane F. morreu no dia 25 de fevereiro de 1996, vítima de complicações causadas pela Aids. •Escreveu romances, crônicas, peças de teatro, e destaca-se no “ conto”, seu ponto forte. „Ovelhas Negras‟ recebe o Prêmio Jabuti de melhor livro de contos do ano. •Morangos Mofados um dos maiores sucessos. Faleceu em 1996 – vitimado pela AIDS- Em 25 de fevereiro, Porto Alegre, aos 48 anos.. Filho de uma geração que sofreu com a censura da ditadura militar. Caio Fernando Abreu pertence a uma safra de poetas, contistas e romancistas herdeiros do Modernismo. •A crítica literária de Caio Fernando Abreu não o aceita pelo fato do autor não se encaixar nos padrões literários da Academia. •Como ele mesmo chegou a dizer, sua obra incorporava o chulo e o não- literário, sendo influenciada bem mais por Cazuza e Rita Lee do que por Graciliano Ramos.
  • 4.
  • 5. Contexto  Entre os anos de 1970 e 1990, a literatura brasileira viveu uma espécie de apoteose criadora.  Os poetas marginais, com seus textos mimeografados, aguçaram a irreverência, a sensibilidade e a liberdade de criação dos modernistas.  Ditadura Militar  A presença da linguagem IMAGÉTICA é fortemente percebida pelos detalhes, permitindo ao leitor imaginar os cenários. Movimentos Contraculturais:  Ideologia "paz e amor“ (movimento Hippie): o movimento negro, a rebeldia estudantil, a revolução sexual, o feminismo e o movimento gay, marcados pelo inconformismo.  Cenário cinzento: ditaduras latino-americanas, o imperialismo norte- americano e a guerra do Vietnã.
  • 6. INFLUÊNCIAS • Principais influências: Clarice Lispector, Hilda Hilst, Gabriel García Márquez e Julio Cortázar. • Sua prosa introspectiva revela a pressão de se sentir sozinho, esmagado por uma realidade opressiva que não faz a menor questão de estimular alguém a permanecer vivo. • A prosa desse período assistiu a uma consolidação da crônica, do conto e do romance policial e psicológico. • A estrutura do conto: começo, meio e fim cedeu espaço a uma narrativa preocupada em fotografar instantes, episódios ricos em sugestões e flagras intensamente poéticos sobre a significação humana. (impressionista) Assumidamente homossexual, fez de sua literatura também um espaço de libertação, de amor livre. •Em Aqueles Dois, conto que recebeu uma adaptação para o cinema em 1985, o escritor gaúcho conta a história do amor entre dois homens que não podem compreender o tamanho da beleza daquele sentimento mútuo.
  • 7. Prosa introspectiva: Caio Fernando Abreu, Lygia Fagundes Telles, Marina Colasanti, Nélida Piñon e Raduan Nassar, guardadas suas diferenças estéticas, mergulham no universo das personagens, revelando suas angústias, medos, frustrações, em narrativas marcadas pelo fluxo de consciência (narrativa psicológica) e intimismo. Narrativas pessimistas: conflitos crescem / não há final feliz. Temas  A literatura de Caio Fernando Abreu desvenda minuciosamente os sentimentos, como uma biografia daqueles que a leem.  A maioria dos contos centraliza sua narrativa na temática social.  Intimismo, crise existencial, marginalização, inquietações.  Tema contemporâneos: destaque para medo, morte, sexo, angústia e solidão.  Personagens sombrios, angustiados, obcecados pela morte e pela busca desesperada de amor e sexo.  Após descoberta da doença: AIDS novo tema predominante (ex. Linda, uma história horrível)  Literatura como depoimento direto da experiência: retrata seus sentimentos, ou experiências vividas por ele. Biográfico x fictício .
  • 8. Espaço O espaço em que se passam as narrativas é sempre o ambiente urbano, a cidade. Para o autor, a cidade grande representa a solidão, a fragmentação, o deslocamento, numa dolorosa consciência de que a vida moderna, muitas vezes, torna-se uma experiência frustrante e sem saída, que aprisiona o sujeito. Personagens  Os personagens de Caio Fernando de Abreu apresentam sempre o mesmo perfil psicológico: têm a sensação de vazio interior, sentem-se incompletos, solitários, independente do momento ou local em que se encontram.  Além do ponto e outros contos normalmente terem essa necessidade de movimento, de estabelecer com o outro um contato mais profundo; essa necessidade de encontrar no outro o seu próprio eu. E quando isso acaba ou não acontece, começa a surgir os dramas resultantes do conflito: a morte, a loucura, a violência, a dor.
  • 9. Tempo Psicológico. Os contos são fragmentações do próprio autor. Linguagem  Linguagem coloquial e acessível, texto econômico e enxuto.  A linguagem considerada vulgar é colocada no mesmo plano da culta. Assim, percebe-se o uso de frases curtas, períodos coordenados, sem muitos arranjos formais, mas que mescla denotação e conotação ( o real e o surreal, o individual e o coletivo).  Observa-se, ainda, que a linguagem utilizada nos contos é cinematográfica e imagética (baseada em imagens).  Outra marca interessante da linguagem na obra é a forma como os personagens são caracterizados; o narrador os descreve não com características da narrativa comum, mas por meio de uma linguagem sugestiva, que deixam para o leitor construir o personagem à sua maneira.
  • 10. OS CONTOS:  Fuga  Os Cavalos Brancos de Napoleão  Além do Ponto  O Coração de Alzira  O Príncipe Sapo  Triângulo Amoroso: variação sobre o tema  Para uma Avenca Partindo  Linda, uma História Horrível  O Destino Desfolhou  Holocausto  Recuerdos de Ypacaraí  Retratos  Sob o Céu de Saigon  Aniversário  Aqueles Dois
  • 11. Fuga Personagens: menino (6 anos) e Lucinha (também 6 anos) Narração : 3ª pessoa Temas: relação entre seres humanos; comportamentos; decepção, solidão. Combinaram de fugir. Pra onde? Devaneios. •Leva consigo um pião no bolso. •Saiu de casa sem ser visto – Seu primeiro crime. •Ganhou 02 biscoitos. •Para num poste ( Ponto) a esperar Lucinha que não aparece. •Como não apareceu convida um garoto e acaba ficando com seu pião. •O garoto foge com o pião. •Ele vai na casa de Lucinha. Ela estava numa festa de aniversário. •Tem que fugir a gente pode todo dia. Aniversário é só vezenquando. Pensa. Será que ela deixa entrar sem presente?
  • 12. Os cavalos brancos de Napoleão Personagens: Napoleão (advogado), a esposa e os cavalos. Narração: 3ª pessoa Tema: loucura. Antes de tudo: os cavalos. A princípio mansos, agora nem tanto. Napoleão era advogado competente. Em casa também havia julgamento, mas ele era réu , a esposa promotora e os convidados jurados. A esposa os filhos sempre cobraram alguma coisa dele. Férias: nuvens, cavalos. Olh! Marta disse „não enche”. Manhã seguinte: voltaram a aparecer. Começou a cultivá-los. Volta das férias, dois dias sem cavalos. Tristeza. Voltaram. Numa audiência, viu-os entrar no tribunal. Ficaram entre os jurados, sisudos. Napoleão começou a falar cada vez mais baixo. Perdeu o processo. Chamaram o médico. Psiquiatra. Vários tratamentos e nada. Fizeram cavaloterapia, com cavalos pretos. Não adiantou, chorava dia e noite. Morreu, parada cardíaca. Último desejo: conduzido até o cemitério por um coche puxado por 7 cavalos brancos. Ele foi enterrado com um vago sorriso no maxilar. Diz o zelador do cemitério que vira um homem estranho, em pelo, galopando em cavalos brancos.
  • 13. Além do ponto Personagem: narrador. Narração: 1ª pessoa Temas: relacionamentos; solidão; busca da identidade. Homem sem nome caminha com uma garrafa de conhaque em direção a casa outro personagem, cheio de dúvidas, na esperança de ser bem recebido, chegando, a porta não se abre. Crise existencial. •Tema: Solidão, carência, alcoolismo, dificuldade no estabelecimento de relações nas cidades.
  • 14. O Coração de Alzira Personagem: Alzira e Jorge. Narração: 3ª pessoa. Temas: relação entre seres humanos; busca da identidade; solidão. Pois ele era uma pessoa e ela outra. Ela era toda grande, até seu coração. Tinha necessidade de dor em alguém como se já estivesse exausta de ser grande e boa. Concurda? Grande e lasciva? Obscena. Espiou o marido nu. Às vezes desejava machucá-lo. Chamou e desejou que ele dissesse: Alzira! Vagava. Era domingo. Sem vícios, leituras, vontade de palavrão, de distração. Intrumentos pra chamar a atenção? Não. Era tão pobre. Tão. Espelho. Observações. Divagações. Surge o marido: hoje é domingo. Pois é. E ela queria tanta coisa, mas ele só disse: dia de dormir até tarde. E dormiu.
  • 15. O príncipe sapo Personagem: Teresa. Narração: 3ª pessoa. Temas: relacionamentos, solidão, amargura. Todos casavam, menos Teresa. Ela ia às festas e pensava: minha vez há de chegar. Primo Gonçalo, dos olhos verdes? Esperança. Mas ele se foi com Tanira. Mais uma vez madrinha. AÁ noite, sozinha: inveja, pesadelo. Na manhã: vergonha. Irmãs casando. Pais morrendo. Teresa de luto sozinha com o gato. Segunda a sexta: visitas à família. Sábado igreja e cemitério. Domingo: banho, vestido, talco, perfume, coque, janela. Novelas e histórias pra passar o tempo: divagações, príncipe sapo. Ódio do Gonçalo. Moço na rua. Quem? Descobre: Francisco, Chico, professor de piano. Comprou um, e a família não gostou. Aulas. Esperança. Gonçalo vai falar com ela em nome da família:rumores. Príncipe sapo. Piano. Lição. Pausa. Chá, bolinhos, pergunta: Vamos nos casar? Não. Foi no quartel. Granada. Explosão. Piano vendido no leilão. Domingo...
  • 16. Triângulo amoroso: variação sobre o tema. Personagens: a menina e o gato. Narração: 3ª pessoa Temas: relacionamentos, morte, solidão.  Era uma menina, o ser mais só daquela casa (apartamento) Foi aí que apareceu o gato.  Ela não aprendeu a se comunicar como adulto (dizer o que não se quer, pedir o que se tem, e dar o que não se possui). Adquiriu dureza nos gestos. Olhos, olhares, gestos, brutais e absolutos.  Chegou a gata. E começou a disputa. A menina perdeu. Namoro, o cio.  O ciúme da menina, que não tinha menino. Dissimulada como a gata, aprimorou-se do gato e apertou-o até a morte. Apenas morreu, sem adjetivos. Olhou, não chorou. Cresceu, casou, teve 03 filhos e posses.
  • 17. Para uma avenca partindo Personagens: narrador e sua companhia. Narração: 1ª pessoa. Temas: relação entre seres humanos; busca da identidade. Narra uma história de alguém prolixo. Ele quer dizer alguma coisa para a namorada antes dela partir de ônibus. Olha, antes desse ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra dizer, divagações, reflexões sobre si, sobre o outro, sobre o que havia de ser dito.Suspeito que você não passa de uma simples avenca. Concentração, preciso, pra te dizer que, antes que vá... Fala, fala, mas não consegue falar nada. “ ...além de nossas mãos dadas, dos nossos corpos nus, eu dentro de você e mesmo atrás dos silêncios...”
  • 18. Linda, uma história horrível Personagens: narrador e sua mãe. Narração: 3ª pessoa. Temas: relação entre seres humanos (distanciamento família), doença, AIDS, solidão, fragilidade da vida Filho chefa na acasa da mãe. “A senhora não tem telefone. Revolvi fazer surpresa.” Linda é enxotada. _ Vá dormir, é muito tarde. _ Que foi? Fumam juntos. Pareciam dois estranhos. _ Nada, mãe. Não foi nada. Deu saudade, só isso. _ Saudade? A mãe fala da ausência da filha. Diz que podia morrer ali sozinha e nem iam ficar sabendo. O filhos diz que também mora só. Tosse dele. É sina. [morrerão só] Ele pergunta porque ela não vai morar com Elza. Não gosta do genro. A mãe achou o filho mais magro. E que perdera cabelo.
  • 19. É da idade. E essa tosse de cachorro? Cigarro, mãe. Poluição. Levantou os olhos e pela primeira vez olhou direto nos dela. Ele pensou: é agora. Mas ela piscou primeiro. Mas vai tudo bem? Tudo mãe. Segui-se o papo. _Saúde? Dizem que tem umas doenças novas aí. Vi na TV. Umas pestes. _Graças a Deus. Falaram de várias essas. A Alzira, a Cândida. “E o Beto?” Tá lá, mãe. Atencioso, fino, isso que é amigo, até meio parecido com você.Parecem irmãos. A gente não se vê a um tempo, mãe. Por quê? „Mãe, é tão difícil – voz trêmula -. Levantou, recolheu cinzeiro. Ela disse que o quarto dele estava igual. Ele beijou-a na testa e disse que conversariam mais no outro dia. Subiu com linda, bebida no bolso, em frente ao espelho – machas no peito – Linda, você é tão linda.
  • 20. O destino desfolhou Personagens: Beatriz e rapaz sem nome. Narração: 3ª pessoa. Temas: relacionamento; amor; decepção; infidelidade; morte.  O menino tinha 12 anos e está apaixonado por Beatriz.  Desde os 6 anos, numa festa a mãe lhe pergunta: quem vc gosta. Ele respondeu: Beatriz.  O que a estrelete = nunca entendeu, achava que era estrela.  Anos mais tarde, num festival do Grupo Escolar ela apresentou num acordeom: O destino desfolhou.Seu coração bateu mais forte.  O tempo passou , eles foram para ginásio. Ele colégio público, ela das freiras.  Quando voltou das férias, ouviu falar que ela estava doente – Leucemia. Ela não tinha quinze anos.  Ele pede para namorar. Ela disse não. Gostava dele como amigo, e ele era pequeno.  Ela também, só que ele crescia para dentro.  O irmão diz para ele ir ao bordel, para parar com as masturbações.  Ele continuava apaixonado.  Ela morreu em Porto Alegre. Dizem que estava grávida.  Ele então vai ao bordel e encontra todos os rapazes que pegaram a Beatriz.
  • 21. Holocausto Personagem: narrador (homem sem nome). Narração: 1ª pessoa Temas: relação entre seres humanos; loucura. Havia sol, cabeça na grama agora escuridão. E piolhos. Dentes doíam. Bolhas. A casa, Os outros: doze, treze comigo, sem sol, sem luz elétrica. Sem olhar nos olhos. Antes frios e móveis queimados – lenha pra lareira. Hoje nada mais para queimar. Jogar um de nós no fogo? Medo. Corpos próximos. ... O sol tinha-se ido e os dias eram curtos ( inverno). Dormiam muito. •Foi esfriando muito. Começaram queimando móveis, paredes, livros, tudo que encontraram. •Acabou a lenha. Só restava esperar quem ia se jogar primeiro no fogo. Acabariam os piolhos, a dor de dente, as bolhas. Quem sabe daqui um pouco eu...
  • 22. Recuerdos de Ypacaray Personagens: Bituca, narrador, Malu, Rúbia. Narração: 1ª pessoa. Temas: relacionamentos (amizade); companheirismo; fidelidade. O narrador conta que estava infernizando formigas, quando soube por Malu que Bituca ia embora com o circo. Foi falar com Bituca em sua casa. A mãe do mesmo pede se o encontrasse que mandasse cuidar da calça. Encontra-o no circo. Rúbia a trapezista estava dando sorvete na boca pra ele. Bituca e o narrador conversam e este diz que fugirá com o circo. Bituca fuma muito. Este está apaixonado. Convida o narrador, mas esse não quer ir. Ele fala que a mãe de Bituca sentirá falta dele. Mas não quer nem saber. Outro dia o narrador esta doente. Bituca vai visitá-lo chateado com um montão de gibis. Não mais irá com o circo, Rúbia , a nefasta, não o levará porque Saul não quer por ser de menor.
  • 23. Retratos Personagens: o narrador e um rapaz desconhecido. Narração: 1ª pessoa. Temas: homossexualidade, relação entre seres humanos, solidão, busca da identidade, sociedade opressora e preconceituosa (representada pelas vizinhas) Homem, sem nome, solitário que teve seus retratos desenhados por artista ao longo da semana procura pelo mesmo no 7º dia para finalizar o trabalho. O artista desaparece, e em sua busca por ele, percebe que na verdade procurava sua identidade. •O retrato ia definhando, ao final descobre que era ele quem estava morto. •Tema: Solidão, vazio, busca da identidade no outro, •Formato de diário Flor é abismo, repeti. Flor e abismo. E de repente descobri que estou morto.
  • 24. Sob o céu de Saigon •Personagens: um rapaz e uma moça •Narrador: 3ª pessoa •Tema: Juventude, relações humanas •Um rapaz desse a rua Augusta. Barba por fazer, tênis gasto, jaqueta ou suéter. •Mãos nos bolsos – unhas roídas. •Dentes amarelos do fumo. •Pele muito branca. •Ela desse a rua Augusta •Jeans desbotado, gasto, bolsa velha. •Em direção com ele aos Jardins, sábado à tarde. •Ambos se encontram no cinema e olham o mesmo cartaz: Love Kills, love kills ( ele fala baixinho) •Ela cantarola : And this is my way ( Frank Sinatra) •Ambos sorriem. Parece Saigon, né? (ela) •O quê? ( ele) •O céu?( ela aponta para o céu) •E você já esteve em Saigon? ( ele espantado) •Nunca. Mas deve ser bem parecido, você não acha? •Sim, parece o céu de Saigon ( ele sorri) Ela sorri e desce a rua Augusta. •Ele sem jeito sobe a Augusta. •( No céu nuvens cada vez mais densas escondem súbitas o anjo.) •Céu de chumbo, cogumelo atômico... •Eles nunca estiveram em Saigon.
  • 25. Aniversário Personagem: garoto de 19 anos. Narração: 3ª pessoa. Temas: relações entre seres humanos, inquietações; busca da identidade.  Havia esperado durante todo o dia.  No dia do aniversário a mãe veio abraçá-lo.  Ele com olhar triste e sem brilho nos olhos.  Fazia 19 anos. Recebeu parabéns dos parentes. Cantaram na aula. Todos parabenizavam-no. Não aguentava mais.  Era noite. Esperou o dia inteiro por algo que não sabia.  Acordou sobressaltado, foi na geladeira pegou um pedaço do bolo. Já era meia-noite. Tinha passado o aniversário. Olhou a lua pela janela. Viu que era a mesma lua, apenas mais alta.
  • 26. Aqueles dois (história de aparente mediocridade e repressão) Personagens:  Raul, 31 anos, sai de casamento fracassado de 3 anos  Saul, 29, sai de um noivado frustrado e um curso de arquitetura Narração: 3ª pessoa. Temas: homossexualidade; relação entre seres humanos, intolerância, discriminação.  Os dois se conhecem na empresa onde trabalham, tornam-se muito próximos.  Especulação dos colegas  Não deixa claro a natureza da relação entre ambos  Despedidos devido ao preconceito