1915 MODERNISMO  PORTUGUÊS
No início do Séc. XX, havia um sentimento geral de que não era mais possível renovar a arte tradicional. As escolas literárias repetiam suas fórmulas. A superficialidade convivia com a crença de que a evolução tudo comandava e pouco cabia ao homem nesse processo.
No entanto, um movimento  forte e amplo - o Modernismo - viria dar fim a este marasmo e implantar o inconformismo.
Nesse contexto surgiram as  vanguardas  européias, que antecederam e originaram o Modernismo literário. Vanguarda vem do francês e significa extremidade dianteira dos exércitos em luta. E a literatura de vanguarda foi realmente  combativa ,  polêmica ,  desbravadora  e  irreverente . Os vanguardistas da época valiam-se do deboche, da ironia e da luta verbal com o objetivo de substituir a arte passadista pela arte moderna.  
CARACTERÍSTICAS GERAIS  DAS  VANGUARDAS
Tiveram um caráter agressivo, experimental, demolidor e inovador. Combatiam o racionalismo e o objetivismo das teorias científicas do Realismo/Naturalismo/Parnasianismo. Pregavam o irracionalismo Buscavam uma compressão mais subjetiva do homem, voltada mais para seu interior que para seu exterior.
CARACTERÍSTICAS DA LITERATURA MODERNISTA A)  atitude irreverente em relação aos padrões estabelecidos;  B)   reação contra o passado, o clássico e o estático;  C)  temática mais particular, individual e não tanto universal e genérica;  D)   preferência pelo dinamismo e velocidade vitais;   E)   busca do imprevisível e insólito
F)  abstenção do sentimentalismo fácil e falso;  G)  comunicação direta das idéias: linguagem cotidiana.  H)   esforço de originalidade e autenticidade;  I)  interesse pela vida interior (estados de alma, espírito..)  J)  aparente hermetismo, expressão indireta pela sugestão e associação verbal em vez de absoluta clareza.  K)  valorização do prosaico e bom humor;  L)  liberdade forma: verso livre, ritmo livre, sem rima, sem estrofação preestabelecida.   
PRINCIPAL POETA DO MODERNISMO PORTUGUÊS Fernando Antônio Nogueira Pessoa  (1988-1935)
É considerado um dos maiores poetas de língua portuguesa, e o seu valor é comparado ao de Camões.
 
 
FERNANDO PESSOA E SEUS HETERÔNIMOS ALBERTO CAEIRO ÁLVARO DE CAMPOS RICARDO REIS
HETERÔNIMO PROPOSTO Alberto Caeiro (16 de Abril de 1889 - 1915)
CARACTERÍSTICAS É considerado o mestre dos  heterônimos  de Fernando Pessoa, apesar da sua pouca instrução.  Foi um  poeta  ligado à natureza, que despreza e repreende qualquer tipo de pensamento filosófico, afirmando que pensar obstrui a visão.
O Espelho O espelho reflecte certo; não erra porque não pensa.   Pensar é essencialmente errar.       Errar é essencialmente estar cego e surdo.    
Afirma que, ao pensar, entramos num mundo complexo e problemático onde tudo é incerto e obscuro.  Apresenta-se como um simples "guardador de rebanhos" que só se importa em ver de forma objetiva e natural a realidade.  Poeta de completa simplicidade, e considera que a sensação é a única realidade.  Só lhe interessava vivenciar o mundo que captava pelas sensações.
Duvida da existência de uma alma no ser humano, quando diz "Creio mais no meu corpo do que na minha alma...". Caeiro é um poeta materialista, visto que crê que o mundo exterior é mais certo do que o mundo interior.  Manifesta interesse pela natureza, pelo verso livre e pela linguagem simples e familiar.
POEMAS PARA ANÁLISE
IX - Sou um Guardador de Rebanhos Sou um guardador de rebanhos. O rebanho é os meus pensamentos E os meus pensamentos são todos [sensações.   Penso com os olhos e com os ouvidos         E com as mãos e os pés   E com o nariz e a boca.         Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la   E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor    Me sinto triste de gozá-lo tanto.     E me deito ao comprido na erva,    E fecho os olhos quentes,         Sinto todo o meu corpo deitado na [realidade,    Sei a verdade e sou feliz.  
Gozo os Campos Gozo os campos sem reparar para [eles.     Perguntas-me por que os gozo.   Porque os gozo, respondo.   Gozar uma flor é estar ao pé dela [inconscientemente   E ter uma noção do seu perfume nas [nossas idéias mais apagadas.    Quando reparo, não gozo: vejo.
Fecho os olhos, e o meu corpo, que [está entre a erva,    Pertence inteiramente ao exterior de [quem fecha os olhos    À dureza fresca da terra cheirosa e [irregular;   E alguma cousa dos ruídos indistintos [das cousas a existir,   E só uma sombra encarnada de luz me [carrega levemente nas órbitas,   E só um resto de vida ouve.
Hoje de Manhã Hoje de manhã saí muito cedo,   Por ter acordado ainda mais cedo   E não ter nada que quisesse fazer...   Não sabia por caminho tomar   Mas o vento soprava forte, varria para um lado,   E segui o caminho para onde o vento me soprava [nas costas.   Assim tem sido sempre a minha vida, e    assim quero que possa ser sempre —   Vou onde o vento me leva e não me sinto pensar.    
Não Basta Não basta abrir a janela   Para ver os campos e o rio.   Não é bastante não ser cego   Para ver as árvores e as flores.   É preciso também não ter filosofia nenhuma.   Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.   Há só cada um de nós, como uma cave.   Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;   E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,   Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.    

Alberto caeiro

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    1915 MODERNISMO PORTUGUÊS
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    No início doSéc. XX, havia um sentimento geral de que não era mais possível renovar a arte tradicional. As escolas literárias repetiam suas fórmulas. A superficialidade convivia com a crença de que a evolução tudo comandava e pouco cabia ao homem nesse processo.
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    No entanto, ummovimento forte e amplo - o Modernismo - viria dar fim a este marasmo e implantar o inconformismo.
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    Nesse contexto surgiramas vanguardas européias, que antecederam e originaram o Modernismo literário. Vanguarda vem do francês e significa extremidade dianteira dos exércitos em luta. E a literatura de vanguarda foi realmente combativa , polêmica , desbravadora e irreverente . Os vanguardistas da época valiam-se do deboche, da ironia e da luta verbal com o objetivo de substituir a arte passadista pela arte moderna.  
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    Tiveram um caráteragressivo, experimental, demolidor e inovador. Combatiam o racionalismo e o objetivismo das teorias científicas do Realismo/Naturalismo/Parnasianismo. Pregavam o irracionalismo Buscavam uma compressão mais subjetiva do homem, voltada mais para seu interior que para seu exterior.
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    CARACTERÍSTICAS DA LITERATURAMODERNISTA A) atitude irreverente em relação aos padrões estabelecidos; B)   reação contra o passado, o clássico e o estático; C) temática mais particular, individual e não tanto universal e genérica; D)   preferência pelo dinamismo e velocidade vitais; E)   busca do imprevisível e insólito
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    F) abstençãodo sentimentalismo fácil e falso; G) comunicação direta das idéias: linguagem cotidiana. H)   esforço de originalidade e autenticidade; I) interesse pela vida interior (estados de alma, espírito..) J) aparente hermetismo, expressão indireta pela sugestão e associação verbal em vez de absoluta clareza. K) valorização do prosaico e bom humor; L) liberdade forma: verso livre, ritmo livre, sem rima, sem estrofação preestabelecida.  
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    PRINCIPAL POETA DOMODERNISMO PORTUGUÊS Fernando Antônio Nogueira Pessoa (1988-1935)
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    É considerado umdos maiores poetas de língua portuguesa, e o seu valor é comparado ao de Camões.
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    FERNANDO PESSOA ESEUS HETERÔNIMOS ALBERTO CAEIRO ÁLVARO DE CAMPOS RICARDO REIS
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    HETERÔNIMO PROPOSTO AlbertoCaeiro (16 de Abril de 1889 - 1915)
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    CARACTERÍSTICAS É consideradoo mestre dos heterônimos de Fernando Pessoa, apesar da sua pouca instrução. Foi um poeta ligado à natureza, que despreza e repreende qualquer tipo de pensamento filosófico, afirmando que pensar obstrui a visão.
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    O Espelho Oespelho reflecte certo; não erra porque não pensa. Pensar é essencialmente errar.     Errar é essencialmente estar cego e surdo.  
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    Afirma que, aopensar, entramos num mundo complexo e problemático onde tudo é incerto e obscuro. Apresenta-se como um simples "guardador de rebanhos" que só se importa em ver de forma objetiva e natural a realidade. Poeta de completa simplicidade, e considera que a sensação é a única realidade. Só lhe interessava vivenciar o mundo que captava pelas sensações.
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    Duvida da existênciade uma alma no ser humano, quando diz "Creio mais no meu corpo do que na minha alma...". Caeiro é um poeta materialista, visto que crê que o mundo exterior é mais certo do que o mundo interior. Manifesta interesse pela natureza, pelo verso livre e pela linguagem simples e familiar.
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    IX - Souum Guardador de Rebanhos Sou um guardador de rebanhos. O rebanho é os meus pensamentos E os meus pensamentos são todos [sensações. Penso com os olhos e com os ouvidos      E com as mãos e os pés E com o nariz e a boca.      Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
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    Por isso quandonum dia de calor  Me sinto triste de gozá-lo tanto.   E me deito ao comprido na erva,  E fecho os olhos quentes,      Sinto todo o meu corpo deitado na [realidade,  Sei a verdade e sou feliz.  
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    Gozo os CamposGozo os campos sem reparar para [eles.   Perguntas-me por que os gozo. Porque os gozo, respondo. Gozar uma flor é estar ao pé dela [inconscientemente E ter uma noção do seu perfume nas [nossas idéias mais apagadas.  Quando reparo, não gozo: vejo.
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    Fecho os olhos,e o meu corpo, que [está entre a erva,  Pertence inteiramente ao exterior de [quem fecha os olhos  À dureza fresca da terra cheirosa e [irregular; E alguma cousa dos ruídos indistintos [das cousas a existir, E só uma sombra encarnada de luz me [carrega levemente nas órbitas, E só um resto de vida ouve.
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    Hoje de ManhãHoje de manhã saí muito cedo, Por ter acordado ainda mais cedo E não ter nada que quisesse fazer... Não sabia por caminho tomar Mas o vento soprava forte, varria para um lado, E segui o caminho para onde o vento me soprava [nas costas. Assim tem sido sempre a minha vida, e  assim quero que possa ser sempre — Vou onde o vento me leva e não me sinto pensar.  
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    Não Basta Nãobasta abrir a janela Para ver os campos e o rio. Não é bastante não ser cego Para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma. Com filosofia não há árvores: há idéias apenas. Há só cada um de nós, como uma cave. Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora; E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.