ROMANTISMO
Língua portuguesa
2º Ano EMTI - 2024
Profa. Marlene Mendes
Apoteose do Sentimento
• Europa – séc. XIX
• Ascensão da burguesia – com dinheiro,
mas sem cultura
• Como compensar a falta de ancestrais
nobres e linhagem que pudesse ser
artisticamente exaltada?
• Necessidade de criar um padrão de beleza
que incluísse os burgueses.
Brasil – Século XIX
 ↑ transações
comerciais
 ↑ intercâmbio
cultural
 Imprensa nacional
• Construção de um
circuito literário
completo
• Formação de um
público leitor mais
regular
• Literatura nacional
Vinda da Família Real
Rio de Janeiro
Capital do Brasil
6
• Proclamação da Independência: almeja-se
a definição de uma identidade cultural
brasileira
• Compensar (de certa forma) a situação
econômica
Mitos Nacionais
• Grandeza territorial
• Natureza majestosa e opulenta
• “Igualdade” racial – miscigenação
• Benevolência e cordialidade do brasileiro
• Virtude dos costumes patriarcais
• Qualidades afetivas e morais da mulher
brasileira
• Pacifismo inerente à política externa do país
Sociedade
• Militares
• Comerciantes
• Artesãos
• Funcionários públicos
• Homens de imprensa
• Empregados
• Agitação nas ruas
• Saraus
• Público leitor
feminino
Romantismo: estilo de época que
prevaleceu durante o século XIX
romantismo: nome dado a um
sentimento: alguém é romântico, por
exemplo e pode existir em qualquer
período literário
Primeiro grito de independência
literária
• 1836 – Niterói, Revista Brasiliense de
Ciências, Letras e Artes
“Tudo pelo Brasil, e para o Brasil”
• Suspiros Poéticos e Saudades – Gonçalves
de Magalhães
O novo público leitor
• Esforço de alfabetização popular empreendido pelos
“revolucionários”;
• Todo o cidadão passou a ter acesso (direito) à leitura, até
pela necessidade de conhecer as proclamações do novo
regime;
• Surgimento de um novo público leitor = mais numeroso e
diversificado (consumidor).
• Escritores livres do regime de mecenato = obra = mercadoria
de ampla aceitação.
Romantismo = Contradição
• O Romantismo coincidiu com a democratização
da arte, gerada sobretudo pela Revolução
Francesa, tornando-se a expressão artística da
jovem sociedade burguesa.
• Entretanto, o movimento manteve uma relação
contraditória com a nova realidade. Filho da
burguesia, mostrou-se ambíguo diante dela,
ora a exaltando, ora protestando contra seus
mecanismos.
Romantismo = Surgimento
• Mito do bom selvagem de Rousseau;
• Os cantos de Ossian = culto à Idade Média.
• Publicação (1774) do romance (em forma
epistolar = cartas) Os sofrimentos do jovem
Werther , de Goethe = exacerbação da
imaginação e transbordamento das paixões.
ROMANTISMO
CARACTERÍSTICAS
Características
• Subjetivismo: tratar dos assuntos de forma
pessoal (sentimento; realidade tratada
parcialmente). Ex: Gonçalves de Dias não
fala da escravidão, nem e outros problemas
da época
• Idealização: extrema valorização da
subjetividade → deformação – idealiza
temas pela fantasia e imaginação
• Sentimentalismo: artista (emoção)
mundo – saudade, tristeza e ilusão
• Egocentrismo: voltado para o próprio eu;
narcisismo
• Medievalismo: índio – passado medieval
brasileiro
• Religiosidade: reação ao racionalismo
materialista, mais comum entre os
primeiros românticos; cristianismo; vida
espiritual – válvula de escape
• Idealização da mulher (virgem/sensual)
• Gosto pela noite
• Quanto à forma:
Vocabulário e sintaxe mais simples;
Métricas populares;
Liberdade formal;
Descrição minuciosa, comparação, metáfora;
Poesia – 1ª Geração
A Idealização de uma Pátria e de um
Povo
• Busca, no passado histórico, de elementos
definidores das origens nacionais,
intocados pela colonização
• Inspiração na América pré-cabralina –
geração lusófoba
• Índio: homem livre e incorruptível
(Rousseau- “bom selvagem”)
• Literatura: guardiã da melhor memória de
um povo
Gonçalves Dias
• * 1823, Maranhão
• Influenciado por Almeida Garret e
Alexandre Herculano
• 1846: Primeiros Cantos
• Poesia
• Temas: natureza, pátria, religião
• +1864: vítima de naufrágio, próx. à costa
maranhense
Canção do Exílio
I-Juca-Pirama
• No meio das tabas de amenos verdores,
Cercadas de troncos - cobertos de flores,
Alteiam-se os tetos d’altiva nação;
São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
Temíveis na guerra, que em densas coortes
Assombram das matas a imensa extensão.
• São rudos, severos, sedentos de glória,
Já prélios incitam, já cantam vitória,
Já meigos atendem à voz do cantor:
São todos Timbiras, guerreiros valentes!
Seu nome lá voa na boca das gentes,
Condão de prodígios, de glória e terror![...]
Taba:
aldeia
indígena;
Coortes:
tropas;
Prélios:
lutas
Gonçalves de Magalhães
• *1811 – Rio de Janeiro
• 1832 - Poesias
• Discurso sobre a História da Literatura no Brasil
– manifesto do romantismo (Revista Niterói)
• 1836 – Suspiros poéticos e saudades
• Visão do índio: A confederação dos Tamoios
(1857)
• +1882 - Roma
Suspiros poéticos e saudades - Prólogo
• “É um Livro de Poesias escritas segundo as impressões dos
lugares; ora assentado entre as ruínas da antiga Roma,
meditando sobre a sorte dos impérios; ora no cimo dos Alpes, a
imaginação vagando no infinito como um átomo no espaço,
ora na gótica catedral, admirando a grandeza de Deus, e os
prodígios do Cristianismo; ora entre os ciprestes que espalham
sua sombra sobre túmulos; ora enfim refletindo sobre a sorte
da Pátria, sobre as paixões dos homens, sobre o nada da vida.
São poesias de um peregrino, variadas como as cenas da
Natureza, diversas como as fases da vida, mas que se
harmonizam pela unidade do pensamento, e se ligam como os
anéis de uma cadeia; poesias d'alma, e do coração, e que só pela
alma e o coração devem ser julgadas.”
Gonçalves de Magalhães x
José de Alencar
• Conformação estética do poema; fraca
musicalidade e unidade narrativa; "falta
de arte" na descrição da natureza brasileira
e dos costumes indígenas; poesia épica –
não adequada.
Poesia – 2ª Geração
Já sinto da geada dos sepulcros
O pavoroso frio enregelar-me...
A campa vejo aberta, e lá do fundo
Um esqueleto em pé vejo a acenar-me...
Entremos. Deve haver nestes lugares
Mudança grave na mundana sorte;
Quem sempre a morte achou no lar da vida
Deve a vida encontrar no lar da morte.
Laurindo Rabelo. Adeus ao mundo.
Já sinto da geada dos sepulcros
O pavoroso frio enregelar-me...
A campa vejo aberta, e lá do fundo
Um esqueleto em pé vejo a acenar-me...
Entremos. Deve haver nestes lugares
Mudança grave na mundana sorte;
Quem sempre a morte achou no lar da vida
Deve a vida encontrar no lar da morte.
Laurindo Rabelo. Adeus ao mundo.
A Temática do Amor e da Morte
• Expressão de um subjetivismo exacerbado
(Geração byroniana, ou do “mal do século”)
• Lord Byron e Alfred de Musset: desilusões e
fantasias
• Byronismo: estilo de vida boêmia, noturna,
voltada para o vício e prazeres da bebida, do fumo
e do sexo
• Visão de mundo egocêntrica, narcisista,
pessimista, angustiada e, por vezes,
satânica
• Desilusões + sofrimento amoroso →
morte como solução (promessa de descanso
eterno, refúgio)
•CPM 22 - Um minuto para o fim do mundo (letras/legendado) (yo
utube.com)
•Nessa canção da banda CPM 22, o
sentimentalismo exagerado, a idealização
da mulher, o tédio e a solidão são
marcantes.
Relação entre o Ultrarromantismo e a canção
contemporânea
Último soneto
Já da noite o palor me cobre o rosto,
Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgosto!
Do leito, embalde num macio encosto,
Tento o sono reter!... Já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece...
Eis o estado em que a mágoa me tem posto!
O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.
Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos, por piedade, Olhos
por quem viveu quem já não vive!
Álvares de Azevedo
Um minuto para o fim do mundo
Me sinto só Mas quem é que nunca se sentiu assim
Procurando um caminho pra seguir,
Uma direção - respostas
Um minuto para o fim do mundo,
Toda sua vida em 60 segundos
Uma volta no ponteiro do relógio pra viver
O tempo corre contra mim
Sempre foi assim e sempre vai ser
Vivendo apenas pra vencer a falta que me faz você
De olhos fechados eu tento esconder a dor agora
Por favor entenda eu preciso ir embora porque
Quando estou com você
Sinto meu mundo acabar,
Perco o chão sobre os meus pés
Me falta o ar pra respirar
E só de pensar em te perder por um segundo,
Eu sei que isso é o fim do mundo
Volto o relógio para trás tentando adiar o fim,
Tentando esconder o medo de te perder quando me sinto assim
(...) CPM 22
Álvares de Azevedo
• *1831 – São Paulo
• 1849 – Funda a revista Sociedade
Ensaio Filosófico Paulistano
• Contista, dramaturgo, poeta e ensaísta
• Principal característica – dualismo,
contradição de sentimentos
• Não publicou livros em vida
• +1852 – tuberculose/morte misteriosa
(21 anos)
• Lira dos Vinte Anos:
 Face de Ariel (bem) x Face de Caliban (mal)
Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!
[...]
Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti - as noites eu velei chorando,
Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!
Nas nuvens cor de cinza do horizonte
A lua amarelada a face embuça;
Parece que tem frio, e no seu leito
Deitou, para dormir, a carapuça.
Ergueu-se, vem da noite a vagabunda
Sem xale, sem camisa e sem
mantilha,]
Vem nua e bela procurar amantes;
É douda por amor da noite a filha.
Minha alma tenebrosa se entristece,
É muda como sala mortuária
Deito-me só e triste, e sem ter fome
Vejo na mesa a ceia solitária.
Ó lua, ó lua bela dos amores,
Se tu és moça e tens um peito amigo,
Não me deixes assim dormir solteiro,
À meia-noite vem cear comigo!
• Noite na Taverna:
 desejo carnal – culpa associada à erotização do
relacionamento amoroso
 descrença nos valores morais, sociais e religiosos
"-Pois bem! quereis uma história? Eu pudera contá-la, como vós,
loucuras de noites de orgia; mas para quê? Fora escárnio Fausto ir
lembrar a Mefistófeles as horas de perdição que lidou com ele. Sabei-
las... essas minhas nuvens do passado; leste-lo à farta no livro
desbotado de minha existência libertina. Se o não lembrásseis, a
primeira mulher das ruas podera contá-lo. Nessa torrente negra que se
chama a vida e que corre para o passado enquanto nós caminhamos
para o futuro, também desflorei crenças e me lancei, despidas as
minhas roupas mais perfumadas, para trajar a túnica da saturnal!
• O Conde Lopo
poema narrativo
• Macário
peça teatral
satanismo
aversão por São Paulo
Pálida Imagem
• No delírio da ardente mocidade
Por tua imagem pálida vivi!
A flor do coração no amor dos anjos
Orvalhei-a por ti!
O expirar de teu canto lamentoso
Sobre teus lábios que o palor cobria,
Minhas noites de lágrimas ardentes
E de sonhos enchia!
Foi por ti que eu pensei que a vida inteira
Não valia uma lágrima... sequer,
Senão num beijo trêmulo de noite...
Num olhar de mulher!
Mesmo nas horas de um amor insano,
Quando em meus braços outro seio ardia,
A tua imagem pálida passando
A minh'alma perdia.
Casimiro de Abreu
• *1839 – Silva Jardim/RJ
• Primaveras
• Leveza à literatura do momento
• Temáticas: amor, infância, pátria,
saudade, natureza
• Poeta da saudade
• “O mais simples e ingênuo dos nossos
românticos” – por Manuel Bandeira
• +1860 – Nova Friburgo/RJ
Saudades
• Nas horas mortas da noite
Como é doce o meditar
Quando as estrelas cintilam
Nas ondas quietas do mar;
Quando a lua majestosa
Surgindo linda e formosa,
Como donzela vaidosa
Nas águas se vai mirar!
Então - Proscrito e sozinho -
Eu solto aos ecos da serra
Suspiros dessa saudade
Que no meu peito se encerra
Esses prantos de amargores
São prantos cheios de dores:
- Saudades - Dos meus amores
- Saudades - Da minha terra!
Nessas horas de silêncio
De tristezas e de amor,
Eu gosto de ouvir ao longe,
Cheio de mágoa e de dor,
O sino do campanário
Que fala tão solitário
Com esse som mortuário
Que nos enche de pavor.
Saudades
• Nas horas mortas da noite
Como é doce o meditar
Quando as estrelas cintilam
Nas ondas quietas do mar;
Quando a lua majestosa
Surgindo linda e formosa,
Como donzela vaidosa
Nas águas se vai mirar!
Então - Proscrito e sozinho -
Eu solto aos ecos da serra
Suspiros dessa saudade
Que no meu peito se encerra
Esses prantos de amargores
São prantos cheios de dores:
- Saudades - Dos meus amores
- Saudades - Da minha terra!
Nessas horas de silêncio
De tristezas e de amor,
Eu gosto de ouvir ao longe,
Cheio de mágoa e de dor,
O sino do campanário
Que fala tão solitário
Com esse som mortuário
Que nos enche de pavor.
Meus oito anos
• Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!
Meus oito anos
• Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago serenO,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!
Junqueira Freire
• Principal obra: Inspirações do Claustro –
relação direta com sua vida dividida
• Clausura: fuga de uma existência
atormentada
• Revolta, arrependimento, fogo de uma
paixão infeliz
Mas eu não tive os dias de ventura
Dos sonhos que sonhei:
Mas eu não tive o plácido sossego
Que tanto procurei.(...)
Tive as paixões que a solidão formava
Crescendo-me no peito
Tive, em lugar de rosas que esperava,
Espinhos no meu leito.
Fagundes Varela
• Vida conturbada, boêmia, desordenada.
• “Obra como expansão ou parte da vida do
artista” (Sérgio Buarque de Holanda)
• Inadaptável a convenções sociais – poemas
de teor social
• Forte apelo imagístico
• Eras na vida a pomba predileta
Que sobre um mar de angústias conduzia
O ramo da esperança. — Eras a estrela
Que entre as névoas do inverno cintilava
Apontando o caminho ao pegureiro.
Eras a messe de um dourado estio.
Eras o idílio de um amor sublime.
Eras a glória, — a inspiração, — a pátria,
O porvir de teu pai! — Ah! no entanto,
Pomba, — varou-te a flecha do destino!
Astro, — engoliu-te o temporal do norte!
Teto, caíste! — Crença, já não vives!
Poesia – 3ª Geração
• 1831 – fim do tráfico negreiro: proibição,
não desaparecimento
• 1850 – apogeu do café: prosperidade para os
latifundiários (melhoramentos urbanos);
Lei Eusébio de Queirós
• Escravistas x Libertários
• Geração condoreira
• Momento de transição
• Inovações ligadas à forma e à temática: tom
grandiloquente, hipérboles (oratória); causa
social (libertação dos escravos)
• Poeta: tarefa de denunciar as injustiças sociais
• Questões abolicionistas e republicanas
Castro Alves
• *1847 – Curralinho/BA
• Poeta dos escravos
• Espumas Flutuantes – único livro publicado em vida
• Sensualidade explícita
• Mulher: real, sedutora
• +1871 – Salvador/BA: tuberculose
Marieta
• Como o gênio da noite, que desata
o véu de rendas sobre a espada nua,
ela solta os cabelos... bate a lua
nas alvas dobras de um lençol de prata.
O seio virginal que a mão recata,
embalde o prende a mão... cresce, flutua...
Sonha a moça ao relento... Além na rua
preludia um violão na serenata.
América
• Ó pátria, desperta... Não curves a fronte
Que enxuga-te os prantos o Sol do Equador.
Não miras na fímbria do vasto horizonte
A luz da alvorada de um dia melhor?
• Já falta bem pouco. Sacode a cadeia
Que chamam riquezas... que nódoas te são!
Não manches a folha de tua epopéia
No sangue do escravo, no imundo balcão.
• Sê pobre, que importa? Sê livre... és gigante,
Bem como os condores dos píncaros teus!
Arranca este peso das costas do Atlante,
Levanta o madeiro dos ombros de Deus.
Sousândrade
• *1832/+1902 – São Luís
• Formou-se na França
• Republicano e militante
• Poéte Maudit – à margem, lido e louvado
post-mortem
Guesa Errante
• Nos áureos tempos, nos jardins da América
Infante adoração dobrando a crença
Ante o belo sinal, nuvem ibérica
Em sua noite a envolveu ruidosa e densa.
Cândidos Incas! Quando já campeiam
Os heróis vencedores do inocente
Índio nu; quando os templos s'incendeiam,
Já sem virgens, sem ouro reluzente,
Prosa Romântica
• Prosa literária brasileira: romances de
folhetim
• Expansão da imprensa – propagação do
gênero
• Advento da burguesia – disseminação
• Dramas do universo burguês –
identificação
• Folhetim (diariamente): entretenimento
para a vida ociosa da corte – mulheres, em
especial: impossibilidade de livre circulação
pelo espaço público; leitura como passatempo
• O filho do pescador – Teixeira e Sousa
• 1º romance folhetinesco: A Moreninha –
Joaquim Manuel de Macedo
Principais Características
• Narrativas de temática amorosa
• Sentimentalismo
• Religiosidade
• Final preferencialmente feliz
• Casamento – redenção ou ascensão social
• Heróis e heroínas idealizados
• Personagens planos
• Narrativas lineares
• Linguagem simples
• Observação dos costumes
O ROMANCE ROMÂNTICO
ORIGENS
O romance e a
burguesia
• O romance, por relatar acontecimentos da
vida comum e cotidiana, e por dar vazão ao
gosto burguês pela fantasia e pela aventura,
veio a ser o mais legítimo veículo de
expressão artística dessa classe.
• O romance narra o presente, as coisas
banais da vida e do mundo, numa
linguagem simples e direta.
O romance e o
folhetim
• Tanto na Europa quanto no Brasil, o
romance surgiu sob a forma de folhetim,
publicação diária, em jornais, de
capítulos de determinada obra literária.
Assim, ao mesmo tempo que ampliava
o público leitor de jornais, o folhetim
ampliava o público de literatura.
O romance e o
folhetim
• Inicialmente, os folhetins publicados no Brasil eram
traduções de obras estrangeiras de autores como
Victor Hugo, Alexandre Dumas, Walter Scott e
outros.
• O sucesso do folhetim europeu em jornais
brasileiros possibilitou o surgimento de vulgares
adaptações. Até que, em 1844, sai à luz o
romance A Moreninha, de Joaquim Manuel de
Macedo.
Ideologia dos
folhetins
• Ao escrever um folhetim, o artista submetia-se às
exigências do público e dos diretores de jornais.
Além disso, os folhetins não podiam criticar os
valores da época, reivindicar o verdadeiro
humanismo, pois obrigatoriamente tinham que se
sujeitar aos valores ideológicos do público,
constituindo-se assim numa arte de evasão e
alienação da realidade.
Romance Indianista
• Costumes e tradições do índio brasileiro e o
contato com o colonizador
• Caráter nacionalista
• Principal representante – José de Alencar:
O guarani (1857), Iracema(1865) e
Ubirajara (1874)
INDIANISMO
• No bom selvagem francês sedimentou-se o
modelo de um herói que deveria se tornar o
passado e a tradição de um país desprovido
de sagas exemplares (Idade Média). O
nativo – ignorada toda a sua cultura –
converteu-se no herói exemplar, feito à
imagem e semelhança de um cavaleiro
medieval.Assumiu-se a imagem exótica que
as metrópoles européias tinham dos
trópicos, adaptando-a à visão ufanista.
Estrutura do folhetim
• 1º HARMONIA = Felicidade = Ordenação
social burguesa
• 2º DESARMONIA = Conflito = Desordem =
Crise da sociedade burguesa
• 3º HARMONIA FINAL = Estabelecimento
da felicidade definitiva da sociedade
burguesa, com o triunfo de seus valores
Características da
prosa romântica
• Flash-back narrativo: volta no tempo para
explicar, por meio do passado, certas atitudes
das personagens no presente.
• O amor como redenção: oposição entre os
valores da sociedade e o desejo de realização
amorosa dos amantes = o amor é visto como
único meio de o herói ou o vilão romântico se
redimirem e se “purificarem” = solução: em
muitas casos: a morte.
Características da
prosa romântica
• Idealização do herói: ser dotado de honra, de
idealismos e coragem = põe a própria vida em
risco para atender aos apelos do coração ou
da justiça = em algumas obras assume as
feições de “cavaleiro medieval”.
• Idealização da mulher: são desprovidas de
opinião própria, são frágeis, dominadas pela
emoção, obedientes às determinações dos
pais e educadas para o casamento.
INDIANISMO
• Acima de tudo, o índio representava, na sua
condição de primitivo habitante, o próprio
símbolo da nacionalidade. Além disso, a
imagem positiva (idealizada) do indígena
permitia às elites orgulhar-se de uma
ascendência nobre que as ajudava na
legitimação de seu próprio poder.
O Regionalismo (ou
Sertanismo)
• O Regionalismo: resultado da “consciência
eufórica de um país novo”, procurou afirmar as
particularidades e a identidade das regiões, na
ânsia de “tornar literário” todo o Brasil. Entretanto,
permanece na superfície como uma moldura, já
que a intriga romanesca é urbana (folhetim). Além
disso, os autores usavam uma linguagem citadina
e culta.
Romance Regionalista
• Compreender e valorizar a variedade cultural
das regiões brasileiras
• Espelha a realidade (idealizada)
• Inocência – Visconde de Taunay: história de
amor impossível entre o quase “doutor” Cirino
e a enfermeira Inocência, prometida ao
vaqueiro Manecão Doca
• Bernardo Guimarães
Romance Urbano
• Tipo de romance mais lido no século XIX –
costumes e dia a dia do público leitor (Rio
de Janeiro)
• Conflitos sentimentais
• Memórias de um sargento de milícias,
Manuel Antônio de Almeida; Lucíola e
Senhora, José de Alencar
Romance Histórico
• Relato de fatos do passado -
reconstrução dos costumes, da fala e das
instituições
• As Minas de Prata, A guerra dos Mascates
- José de Alencar
O ROMANCE ROMÂNTICO
AUTORES & OBRAS
• Joaquim Manuel de Macedo [1820 - 1882]
• Principal romance: A Moreninha [1844]
• Relato sentimental da ligação entre dois jovens,
presos a uma promessa infantil: Carolina e
Augusto.
• Importância da obra: desperta no público o gosto
pelo romance ambientado no Brasil.
José de Alencar [1829 -
1877]
• Importância de sua obra: na concretização de
investidas pela liberação e autonomia da literatura
brasileira, abre caminho para que outros autores
possam expressar melhor a nossa realidade.
• Projeto nacionalista: revelar o Brasil em termos
geográficos e históricos e a tentativa de criar uma
língua brasileira.
José de Alencar
• Romances urbanos: retratam a sociedade carioca da
época, principalmente suas camadas mais abastadas.
Compreendem desde textos estereotipadamente
românticos, como a mesma velha história do casal cujo
amor só se realiza após superados certos obstáculos,
até indícios de investigação psicológica por meio de
dramas morais causados pelo conflito entre as
convenções sociais e a sentimentalidade individual.
Estão nesse grupo: “Senhora” - “Lucíola” - “A pata da
gazela” - “A viuvinha”, entre outros.
José de Alencar
• Romances regionalistas: buscam construir um
painel de diversas regiões do Brasil: a ação
se desenvolve no pampa sulino (“O gaúcho”),
no interior do Rio de Janeiro (“O tronco do
Ipê), no de São Paulo (“Til”) ou no sertão
cearense (“O sertanejo”). O autor vê as
regiões “de fora”. Não está interessado em
revelar o essencial de um mundo diferenciado
do litoral.
José de Alencar
• Romances regionalistas:
• Integra as regiões ao corpo de uma nação
centralizada, sob o comando das elites imperiais.
• Resultado: literatura mítica, celebratória dos
encantos regionais, porém insuficiente para
descrever as peculiaridades e o atraso das
províncias periféricas do país.
José de Alencar
• Romances históricos e indianistas:
• Procuram reconstruir episódios históricos ou
ambientar fatos fictícios em épocas passadas, em
busca de uma interpretação das origens da nossa
nacionalidade.
• Objetivo: representar poeticamente, isto é,
miticamente, as nossas origens e a nossa
formação como povo.
José de Alencar
• Romances históricos e indianistas:
• Resultado: “triunfo da imaginação e da
fantasia” - desejo ideológico de mostrar um
Brasil glorioso, positivo, com problemas que
nunca ultrapassam a dimensão pessoal dos
personagens.
José de Alencar
• Valorização de temas essencialmente
Nacionalista, como o índio e a natureza.
• Sentimentalismo: lirismo extremo.
• Crítico sutil da sociedade da época
• Expressão, na literatura, do retrato da cultura
brasileira, utilizando o índio como nosso herói
nacional
• Caracterização minuciosa das heroínas
românticas (idealização): Aurélia, Diva,
Cecília, Iracema, Lucíola etc.
Não é possível idear nada mais puro e harmonioso do
que o perfil dessa estátua de moça.
Era alta e esbelta. Tinha um desses talhes flexíveis e
lançados, que são hastes de lírio para o rosto gentil;
porém na mesma delicadeza do porte esculpiam-se os
contornos mais graciosos com firme nitidez das linhas
e uma deliciosa suavidade nos relevos.
Não era alva, também não era morena. Tinha sua
tez a cor das pétalas da magnólia, quando vão
desfalecendo ao beijo do sol. Mimosa cor de mulher, se a
aveluda a pubescência juvenil, e a luz coa pelo fino
tecido, e um sangue puro a escumilha de róseo matiz. A
dela era assim.
Manuel Antônio de Almeida e a
malandragem carioca
• Camadas mais baixas da população
• Traços cômicos
• Observação da vida social através de uma lente
crítica
Foram ter com Maria-Regalada, que mesmo na véspera
lhes tinha mandado dar parte que se mudara da
Prainha e oferecia-lhes sua nova morada. A comadre, de
tudo inteirada, fez parte da comissão. Quando
entraram em casa de Maria-Regalada, a primeira
pessoa que lhes apareceu foi o major Vidigal, e, o que é
mais, o major Vidigal, em hábitos menores, de rodaque
e tamancos.
– Ah! – disse a comadre em tom malicioso, apenas
apareceu a Maria-Regalada – pelo que vejo isto por aqui
vai bem...
– Não se lembra – respondeu Maria- Regalada –
daquele segredo com que obtive o perdão do moço? Pois
era isto!...
Martins Pena
• Teatro romântico
• Fundador de nossa comédia de costumes
• Grande número de personagens caracterizadas
de modo quase caricatural
• O juiz de paz da roça; O noviço; Judas em
sábado de aleluia
É isso aí!

2º ANO - Romantismo - No - Brasil.ppt

  • 1.
    ROMANTISMO Língua portuguesa 2º AnoEMTI - 2024 Profa. Marlene Mendes
  • 2.
    Apoteose do Sentimento •Europa – séc. XIX
  • 3.
    • Ascensão daburguesia – com dinheiro, mas sem cultura • Como compensar a falta de ancestrais nobres e linhagem que pudesse ser artisticamente exaltada? • Necessidade de criar um padrão de beleza que incluísse os burgueses.
  • 4.
    Brasil – SéculoXIX  ↑ transações comerciais  ↑ intercâmbio cultural  Imprensa nacional • Construção de um circuito literário completo • Formação de um público leitor mais regular • Literatura nacional Vinda da Família Real
  • 5.
  • 6.
  • 7.
    • Proclamação daIndependência: almeja-se a definição de uma identidade cultural brasileira • Compensar (de certa forma) a situação econômica
  • 8.
    Mitos Nacionais • Grandezaterritorial • Natureza majestosa e opulenta • “Igualdade” racial – miscigenação • Benevolência e cordialidade do brasileiro • Virtude dos costumes patriarcais • Qualidades afetivas e morais da mulher brasileira • Pacifismo inerente à política externa do país
  • 9.
    Sociedade • Militares • Comerciantes •Artesãos • Funcionários públicos • Homens de imprensa • Empregados • Agitação nas ruas • Saraus • Público leitor feminino
  • 10.
    Romantismo: estilo deépoca que prevaleceu durante o século XIX romantismo: nome dado a um sentimento: alguém é romântico, por exemplo e pode existir em qualquer período literário
  • 11.
    Primeiro grito deindependência literária • 1836 – Niterói, Revista Brasiliense de Ciências, Letras e Artes “Tudo pelo Brasil, e para o Brasil” • Suspiros Poéticos e Saudades – Gonçalves de Magalhães
  • 12.
    O novo públicoleitor • Esforço de alfabetização popular empreendido pelos “revolucionários”; • Todo o cidadão passou a ter acesso (direito) à leitura, até pela necessidade de conhecer as proclamações do novo regime; • Surgimento de um novo público leitor = mais numeroso e diversificado (consumidor). • Escritores livres do regime de mecenato = obra = mercadoria de ampla aceitação.
  • 13.
    Romantismo = Contradição •O Romantismo coincidiu com a democratização da arte, gerada sobretudo pela Revolução Francesa, tornando-se a expressão artística da jovem sociedade burguesa. • Entretanto, o movimento manteve uma relação contraditória com a nova realidade. Filho da burguesia, mostrou-se ambíguo diante dela, ora a exaltando, ora protestando contra seus mecanismos.
  • 14.
    Romantismo = Surgimento •Mito do bom selvagem de Rousseau; • Os cantos de Ossian = culto à Idade Média. • Publicação (1774) do romance (em forma epistolar = cartas) Os sofrimentos do jovem Werther , de Goethe = exacerbação da imaginação e transbordamento das paixões.
  • 15.
  • 16.
    Características • Subjetivismo: tratardos assuntos de forma pessoal (sentimento; realidade tratada parcialmente). Ex: Gonçalves de Dias não fala da escravidão, nem e outros problemas da época • Idealização: extrema valorização da subjetividade → deformação – idealiza temas pela fantasia e imaginação
  • 17.
    • Sentimentalismo: artista(emoção) mundo – saudade, tristeza e ilusão • Egocentrismo: voltado para o próprio eu; narcisismo • Medievalismo: índio – passado medieval brasileiro • Religiosidade: reação ao racionalismo materialista, mais comum entre os primeiros românticos; cristianismo; vida espiritual – válvula de escape
  • 18.
    • Idealização damulher (virgem/sensual) • Gosto pela noite
  • 19.
    • Quanto àforma: Vocabulário e sintaxe mais simples; Métricas populares; Liberdade formal; Descrição minuciosa, comparação, metáfora;
  • 20.
    Poesia – 1ªGeração
  • 21.
    A Idealização deuma Pátria e de um Povo • Busca, no passado histórico, de elementos definidores das origens nacionais, intocados pela colonização • Inspiração na América pré-cabralina – geração lusófoba
  • 22.
    • Índio: homemlivre e incorruptível (Rousseau- “bom selvagem”) • Literatura: guardiã da melhor memória de um povo
  • 23.
  • 24.
    • * 1823,Maranhão • Influenciado por Almeida Garret e Alexandre Herculano • 1846: Primeiros Cantos • Poesia • Temas: natureza, pátria, religião • +1864: vítima de naufrágio, próx. à costa maranhense
  • 25.
  • 26.
    I-Juca-Pirama • No meiodas tabas de amenos verdores, Cercadas de troncos - cobertos de flores, Alteiam-se os tetos d’altiva nação; São muitos seus filhos, nos ânimos fortes, Temíveis na guerra, que em densas coortes Assombram das matas a imensa extensão. • São rudos, severos, sedentos de glória, Já prélios incitam, já cantam vitória, Já meigos atendem à voz do cantor: São todos Timbiras, guerreiros valentes! Seu nome lá voa na boca das gentes, Condão de prodígios, de glória e terror![...] Taba: aldeia indígena; Coortes: tropas; Prélios: lutas
  • 27.
  • 28.
    • *1811 –Rio de Janeiro • 1832 - Poesias • Discurso sobre a História da Literatura no Brasil – manifesto do romantismo (Revista Niterói) • 1836 – Suspiros poéticos e saudades • Visão do índio: A confederação dos Tamoios (1857) • +1882 - Roma
  • 29.
    Suspiros poéticos esaudades - Prólogo • “É um Livro de Poesias escritas segundo as impressões dos lugares; ora assentado entre as ruínas da antiga Roma, meditando sobre a sorte dos impérios; ora no cimo dos Alpes, a imaginação vagando no infinito como um átomo no espaço, ora na gótica catedral, admirando a grandeza de Deus, e os prodígios do Cristianismo; ora entre os ciprestes que espalham sua sombra sobre túmulos; ora enfim refletindo sobre a sorte da Pátria, sobre as paixões dos homens, sobre o nada da vida. São poesias de um peregrino, variadas como as cenas da Natureza, diversas como as fases da vida, mas que se harmonizam pela unidade do pensamento, e se ligam como os anéis de uma cadeia; poesias d'alma, e do coração, e que só pela alma e o coração devem ser julgadas.”
  • 30.
    Gonçalves de Magalhãesx José de Alencar • Conformação estética do poema; fraca musicalidade e unidade narrativa; "falta de arte" na descrição da natureza brasileira e dos costumes indígenas; poesia épica – não adequada.
  • 31.
    Poesia – 2ªGeração
  • 32.
    Já sinto dageada dos sepulcros O pavoroso frio enregelar-me... A campa vejo aberta, e lá do fundo Um esqueleto em pé vejo a acenar-me... Entremos. Deve haver nestes lugares Mudança grave na mundana sorte; Quem sempre a morte achou no lar da vida Deve a vida encontrar no lar da morte. Laurindo Rabelo. Adeus ao mundo.
  • 33.
    Já sinto dageada dos sepulcros O pavoroso frio enregelar-me... A campa vejo aberta, e lá do fundo Um esqueleto em pé vejo a acenar-me... Entremos. Deve haver nestes lugares Mudança grave na mundana sorte; Quem sempre a morte achou no lar da vida Deve a vida encontrar no lar da morte. Laurindo Rabelo. Adeus ao mundo.
  • 34.
    A Temática doAmor e da Morte • Expressão de um subjetivismo exacerbado (Geração byroniana, ou do “mal do século”) • Lord Byron e Alfred de Musset: desilusões e fantasias • Byronismo: estilo de vida boêmia, noturna, voltada para o vício e prazeres da bebida, do fumo e do sexo
  • 35.
    • Visão demundo egocêntrica, narcisista, pessimista, angustiada e, por vezes, satânica • Desilusões + sofrimento amoroso → morte como solução (promessa de descanso eterno, refúgio) •CPM 22 - Um minuto para o fim do mundo (letras/legendado) (yo utube.com) •Nessa canção da banda CPM 22, o sentimentalismo exagerado, a idealização da mulher, o tédio e a solidão são marcantes.
  • 36.
    Relação entre oUltrarromantismo e a canção contemporânea Último soneto Já da noite o palor me cobre o rosto, Nos lábios meus o alento desfalece, Surda agonia o coração fenece, E devora meu ser mortal desgosto! Do leito, embalde num macio encosto, Tento o sono reter!... Já esmorece O corpo exausto que o repouso esquece... Eis o estado em que a mágoa me tem posto! O adeus, o teu adeus, minha saudade, Fazem que insano do viver me prive E tenha os olhos meus na escuridade. Dá-me a esperança com que o ser mantive! Volve ao amante os olhos, por piedade, Olhos por quem viveu quem já não vive! Álvares de Azevedo
  • 37.
    Um minuto parao fim do mundo Me sinto só Mas quem é que nunca se sentiu assim Procurando um caminho pra seguir, Uma direção - respostas Um minuto para o fim do mundo, Toda sua vida em 60 segundos Uma volta no ponteiro do relógio pra viver O tempo corre contra mim Sempre foi assim e sempre vai ser Vivendo apenas pra vencer a falta que me faz você De olhos fechados eu tento esconder a dor agora Por favor entenda eu preciso ir embora porque Quando estou com você Sinto meu mundo acabar, Perco o chão sobre os meus pés Me falta o ar pra respirar E só de pensar em te perder por um segundo, Eu sei que isso é o fim do mundo Volto o relógio para trás tentando adiar o fim, Tentando esconder o medo de te perder quando me sinto assim (...) CPM 22
  • 38.
  • 39.
    • *1831 –São Paulo • 1849 – Funda a revista Sociedade Ensaio Filosófico Paulistano • Contista, dramaturgo, poeta e ensaísta • Principal característica – dualismo, contradição de sentimentos • Não publicou livros em vida • +1852 – tuberculose/morte misteriosa (21 anos)
  • 40.
    • Lira dosVinte Anos:  Face de Ariel (bem) x Face de Caliban (mal) Pálida à luz da lâmpada sombria, Sobre o leito de flores reclinada, Como a lua por noite embalsamada, Entre as nuvens do amor ela dormia! [...] Não te rias de mim, meu anjo lindo! Por ti - as noites eu velei chorando, Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!
  • 41.
    Nas nuvens corde cinza do horizonte A lua amarelada a face embuça; Parece que tem frio, e no seu leito Deitou, para dormir, a carapuça. Ergueu-se, vem da noite a vagabunda Sem xale, sem camisa e sem mantilha,] Vem nua e bela procurar amantes; É douda por amor da noite a filha. Minha alma tenebrosa se entristece, É muda como sala mortuária Deito-me só e triste, e sem ter fome Vejo na mesa a ceia solitária. Ó lua, ó lua bela dos amores, Se tu és moça e tens um peito amigo, Não me deixes assim dormir solteiro, À meia-noite vem cear comigo!
  • 42.
    • Noite naTaverna:  desejo carnal – culpa associada à erotização do relacionamento amoroso  descrença nos valores morais, sociais e religiosos "-Pois bem! quereis uma história? Eu pudera contá-la, como vós, loucuras de noites de orgia; mas para quê? Fora escárnio Fausto ir lembrar a Mefistófeles as horas de perdição que lidou com ele. Sabei- las... essas minhas nuvens do passado; leste-lo à farta no livro desbotado de minha existência libertina. Se o não lembrásseis, a primeira mulher das ruas podera contá-lo. Nessa torrente negra que se chama a vida e que corre para o passado enquanto nós caminhamos para o futuro, também desflorei crenças e me lancei, despidas as minhas roupas mais perfumadas, para trajar a túnica da saturnal!
  • 43.
    • O CondeLopo poema narrativo • Macário peça teatral satanismo aversão por São Paulo
  • 44.
    Pálida Imagem • Nodelírio da ardente mocidade Por tua imagem pálida vivi! A flor do coração no amor dos anjos Orvalhei-a por ti! O expirar de teu canto lamentoso Sobre teus lábios que o palor cobria, Minhas noites de lágrimas ardentes E de sonhos enchia! Foi por ti que eu pensei que a vida inteira Não valia uma lágrima... sequer, Senão num beijo trêmulo de noite... Num olhar de mulher! Mesmo nas horas de um amor insano, Quando em meus braços outro seio ardia, A tua imagem pálida passando A minh'alma perdia.
  • 45.
  • 46.
    • *1839 –Silva Jardim/RJ • Primaveras • Leveza à literatura do momento • Temáticas: amor, infância, pátria, saudade, natureza • Poeta da saudade • “O mais simples e ingênuo dos nossos românticos” – por Manuel Bandeira • +1860 – Nova Friburgo/RJ
  • 47.
    Saudades • Nas horasmortas da noite Como é doce o meditar Quando as estrelas cintilam Nas ondas quietas do mar; Quando a lua majestosa Surgindo linda e formosa, Como donzela vaidosa Nas águas se vai mirar! Então - Proscrito e sozinho - Eu solto aos ecos da serra Suspiros dessa saudade Que no meu peito se encerra Esses prantos de amargores São prantos cheios de dores: - Saudades - Dos meus amores - Saudades - Da minha terra! Nessas horas de silêncio De tristezas e de amor, Eu gosto de ouvir ao longe, Cheio de mágoa e de dor, O sino do campanário Que fala tão solitário Com esse som mortuário Que nos enche de pavor.
  • 48.
    Saudades • Nas horasmortas da noite Como é doce o meditar Quando as estrelas cintilam Nas ondas quietas do mar; Quando a lua majestosa Surgindo linda e formosa, Como donzela vaidosa Nas águas se vai mirar! Então - Proscrito e sozinho - Eu solto aos ecos da serra Suspiros dessa saudade Que no meu peito se encerra Esses prantos de amargores São prantos cheios de dores: - Saudades - Dos meus amores - Saudades - Da minha terra! Nessas horas de silêncio De tristezas e de amor, Eu gosto de ouvir ao longe, Cheio de mágoa e de dor, O sino do campanário Que fala tão solitário Com esse som mortuário Que nos enche de pavor.
  • 49.
    Meus oito anos •Oh! que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais! Como são belos os dias Do despontar da existência! — Respira a alma inocência Como perfumes a flor; O mar é — lago sereno, O céu — um manto azulado, O mundo — um sonho dourado, A vida — um hino d'amor!
  • 50.
    Meus oito anos •Oh! que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais! Como são belos os dias Do despontar da existência! — Respira a alma inocência Como perfumes a flor; O mar é — lago serenO, O céu — um manto azulado, O mundo — um sonho dourado, A vida — um hino d'amor!
  • 51.
  • 52.
    • Principal obra:Inspirações do Claustro – relação direta com sua vida dividida • Clausura: fuga de uma existência atormentada • Revolta, arrependimento, fogo de uma paixão infeliz
  • 53.
    Mas eu nãotive os dias de ventura Dos sonhos que sonhei: Mas eu não tive o plácido sossego Que tanto procurei.(...) Tive as paixões que a solidão formava Crescendo-me no peito Tive, em lugar de rosas que esperava, Espinhos no meu leito.
  • 54.
  • 55.
    • Vida conturbada,boêmia, desordenada. • “Obra como expansão ou parte da vida do artista” (Sérgio Buarque de Holanda) • Inadaptável a convenções sociais – poemas de teor social • Forte apelo imagístico
  • 56.
    • Eras navida a pomba predileta Que sobre um mar de angústias conduzia O ramo da esperança. — Eras a estrela Que entre as névoas do inverno cintilava Apontando o caminho ao pegureiro. Eras a messe de um dourado estio. Eras o idílio de um amor sublime. Eras a glória, — a inspiração, — a pátria, O porvir de teu pai! — Ah! no entanto, Pomba, — varou-te a flecha do destino! Astro, — engoliu-te o temporal do norte! Teto, caíste! — Crença, já não vives!
  • 57.
    Poesia – 3ªGeração
  • 58.
    • 1831 –fim do tráfico negreiro: proibição, não desaparecimento • 1850 – apogeu do café: prosperidade para os latifundiários (melhoramentos urbanos); Lei Eusébio de Queirós • Escravistas x Libertários
  • 59.
    • Geração condoreira •Momento de transição • Inovações ligadas à forma e à temática: tom grandiloquente, hipérboles (oratória); causa social (libertação dos escravos) • Poeta: tarefa de denunciar as injustiças sociais • Questões abolicionistas e republicanas
  • 60.
  • 61.
    • *1847 –Curralinho/BA • Poeta dos escravos • Espumas Flutuantes – único livro publicado em vida • Sensualidade explícita • Mulher: real, sedutora • +1871 – Salvador/BA: tuberculose
  • 62.
    Marieta • Como ogênio da noite, que desata o véu de rendas sobre a espada nua, ela solta os cabelos... bate a lua nas alvas dobras de um lençol de prata. O seio virginal que a mão recata, embalde o prende a mão... cresce, flutua... Sonha a moça ao relento... Além na rua preludia um violão na serenata.
  • 63.
    América • Ó pátria,desperta... Não curves a fronte Que enxuga-te os prantos o Sol do Equador. Não miras na fímbria do vasto horizonte A luz da alvorada de um dia melhor? • Já falta bem pouco. Sacode a cadeia Que chamam riquezas... que nódoas te são! Não manches a folha de tua epopéia No sangue do escravo, no imundo balcão. • Sê pobre, que importa? Sê livre... és gigante, Bem como os condores dos píncaros teus! Arranca este peso das costas do Atlante, Levanta o madeiro dos ombros de Deus.
  • 64.
  • 65.
    • *1832/+1902 –São Luís • Formou-se na França • Republicano e militante • Poéte Maudit – à margem, lido e louvado post-mortem
  • 66.
    Guesa Errante • Nosáureos tempos, nos jardins da América Infante adoração dobrando a crença Ante o belo sinal, nuvem ibérica Em sua noite a envolveu ruidosa e densa. Cândidos Incas! Quando já campeiam Os heróis vencedores do inocente Índio nu; quando os templos s'incendeiam, Já sem virgens, sem ouro reluzente,
  • 67.
  • 69.
    • Prosa literáriabrasileira: romances de folhetim • Expansão da imprensa – propagação do gênero • Advento da burguesia – disseminação • Dramas do universo burguês – identificação
  • 70.
    • Folhetim (diariamente):entretenimento para a vida ociosa da corte – mulheres, em especial: impossibilidade de livre circulação pelo espaço público; leitura como passatempo • O filho do pescador – Teixeira e Sousa • 1º romance folhetinesco: A Moreninha – Joaquim Manuel de Macedo
  • 72.
    Principais Características • Narrativasde temática amorosa • Sentimentalismo • Religiosidade • Final preferencialmente feliz • Casamento – redenção ou ascensão social • Heróis e heroínas idealizados • Personagens planos • Narrativas lineares • Linguagem simples • Observação dos costumes
  • 73.
  • 74.
    O romance ea burguesia • O romance, por relatar acontecimentos da vida comum e cotidiana, e por dar vazão ao gosto burguês pela fantasia e pela aventura, veio a ser o mais legítimo veículo de expressão artística dessa classe. • O romance narra o presente, as coisas banais da vida e do mundo, numa linguagem simples e direta.
  • 75.
    O romance eo folhetim • Tanto na Europa quanto no Brasil, o romance surgiu sob a forma de folhetim, publicação diária, em jornais, de capítulos de determinada obra literária. Assim, ao mesmo tempo que ampliava o público leitor de jornais, o folhetim ampliava o público de literatura.
  • 76.
    O romance eo folhetim • Inicialmente, os folhetins publicados no Brasil eram traduções de obras estrangeiras de autores como Victor Hugo, Alexandre Dumas, Walter Scott e outros. • O sucesso do folhetim europeu em jornais brasileiros possibilitou o surgimento de vulgares adaptações. Até que, em 1844, sai à luz o romance A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo.
  • 77.
    Ideologia dos folhetins • Aoescrever um folhetim, o artista submetia-se às exigências do público e dos diretores de jornais. Além disso, os folhetins não podiam criticar os valores da época, reivindicar o verdadeiro humanismo, pois obrigatoriamente tinham que se sujeitar aos valores ideológicos do público, constituindo-se assim numa arte de evasão e alienação da realidade.
  • 78.
    Romance Indianista • Costumese tradições do índio brasileiro e o contato com o colonizador • Caráter nacionalista • Principal representante – José de Alencar: O guarani (1857), Iracema(1865) e Ubirajara (1874)
  • 79.
    INDIANISMO • No bomselvagem francês sedimentou-se o modelo de um herói que deveria se tornar o passado e a tradição de um país desprovido de sagas exemplares (Idade Média). O nativo – ignorada toda a sua cultura – converteu-se no herói exemplar, feito à imagem e semelhança de um cavaleiro medieval.Assumiu-se a imagem exótica que as metrópoles européias tinham dos trópicos, adaptando-a à visão ufanista.
  • 80.
    Estrutura do folhetim •1º HARMONIA = Felicidade = Ordenação social burguesa • 2º DESARMONIA = Conflito = Desordem = Crise da sociedade burguesa • 3º HARMONIA FINAL = Estabelecimento da felicidade definitiva da sociedade burguesa, com o triunfo de seus valores
  • 81.
    Características da prosa romântica •Flash-back narrativo: volta no tempo para explicar, por meio do passado, certas atitudes das personagens no presente. • O amor como redenção: oposição entre os valores da sociedade e o desejo de realização amorosa dos amantes = o amor é visto como único meio de o herói ou o vilão romântico se redimirem e se “purificarem” = solução: em muitas casos: a morte.
  • 82.
    Características da prosa romântica •Idealização do herói: ser dotado de honra, de idealismos e coragem = põe a própria vida em risco para atender aos apelos do coração ou da justiça = em algumas obras assume as feições de “cavaleiro medieval”. • Idealização da mulher: são desprovidas de opinião própria, são frágeis, dominadas pela emoção, obedientes às determinações dos pais e educadas para o casamento.
  • 83.
    INDIANISMO • Acima detudo, o índio representava, na sua condição de primitivo habitante, o próprio símbolo da nacionalidade. Além disso, a imagem positiva (idealizada) do indígena permitia às elites orgulhar-se de uma ascendência nobre que as ajudava na legitimação de seu próprio poder.
  • 84.
    O Regionalismo (ou Sertanismo) •O Regionalismo: resultado da “consciência eufórica de um país novo”, procurou afirmar as particularidades e a identidade das regiões, na ânsia de “tornar literário” todo o Brasil. Entretanto, permanece na superfície como uma moldura, já que a intriga romanesca é urbana (folhetim). Além disso, os autores usavam uma linguagem citadina e culta.
  • 85.
    Romance Regionalista • Compreendere valorizar a variedade cultural das regiões brasileiras • Espelha a realidade (idealizada) • Inocência – Visconde de Taunay: história de amor impossível entre o quase “doutor” Cirino e a enfermeira Inocência, prometida ao vaqueiro Manecão Doca • Bernardo Guimarães
  • 86.
    Romance Urbano • Tipode romance mais lido no século XIX – costumes e dia a dia do público leitor (Rio de Janeiro) • Conflitos sentimentais • Memórias de um sargento de milícias, Manuel Antônio de Almeida; Lucíola e Senhora, José de Alencar
  • 87.
    Romance Histórico • Relatode fatos do passado - reconstrução dos costumes, da fala e das instituições • As Minas de Prata, A guerra dos Mascates - José de Alencar
  • 88.
  • 89.
    • Joaquim Manuelde Macedo [1820 - 1882] • Principal romance: A Moreninha [1844] • Relato sentimental da ligação entre dois jovens, presos a uma promessa infantil: Carolina e Augusto. • Importância da obra: desperta no público o gosto pelo romance ambientado no Brasil.
  • 90.
    José de Alencar[1829 - 1877] • Importância de sua obra: na concretização de investidas pela liberação e autonomia da literatura brasileira, abre caminho para que outros autores possam expressar melhor a nossa realidade. • Projeto nacionalista: revelar o Brasil em termos geográficos e históricos e a tentativa de criar uma língua brasileira.
  • 91.
    José de Alencar •Romances urbanos: retratam a sociedade carioca da época, principalmente suas camadas mais abastadas. Compreendem desde textos estereotipadamente românticos, como a mesma velha história do casal cujo amor só se realiza após superados certos obstáculos, até indícios de investigação psicológica por meio de dramas morais causados pelo conflito entre as convenções sociais e a sentimentalidade individual. Estão nesse grupo: “Senhora” - “Lucíola” - “A pata da gazela” - “A viuvinha”, entre outros.
  • 92.
    José de Alencar •Romances regionalistas: buscam construir um painel de diversas regiões do Brasil: a ação se desenvolve no pampa sulino (“O gaúcho”), no interior do Rio de Janeiro (“O tronco do Ipê), no de São Paulo (“Til”) ou no sertão cearense (“O sertanejo”). O autor vê as regiões “de fora”. Não está interessado em revelar o essencial de um mundo diferenciado do litoral.
  • 93.
    José de Alencar •Romances regionalistas: • Integra as regiões ao corpo de uma nação centralizada, sob o comando das elites imperiais. • Resultado: literatura mítica, celebratória dos encantos regionais, porém insuficiente para descrever as peculiaridades e o atraso das províncias periféricas do país.
  • 94.
    José de Alencar •Romances históricos e indianistas: • Procuram reconstruir episódios históricos ou ambientar fatos fictícios em épocas passadas, em busca de uma interpretação das origens da nossa nacionalidade. • Objetivo: representar poeticamente, isto é, miticamente, as nossas origens e a nossa formação como povo.
  • 95.
    José de Alencar •Romances históricos e indianistas: • Resultado: “triunfo da imaginação e da fantasia” - desejo ideológico de mostrar um Brasil glorioso, positivo, com problemas que nunca ultrapassam a dimensão pessoal dos personagens.
  • 96.
    José de Alencar •Valorização de temas essencialmente Nacionalista, como o índio e a natureza. • Sentimentalismo: lirismo extremo. • Crítico sutil da sociedade da época • Expressão, na literatura, do retrato da cultura brasileira, utilizando o índio como nosso herói nacional
  • 97.
    • Caracterização minuciosadas heroínas românticas (idealização): Aurélia, Diva, Cecília, Iracema, Lucíola etc.
  • 98.
    Não é possívelidear nada mais puro e harmonioso do que o perfil dessa estátua de moça. Era alta e esbelta. Tinha um desses talhes flexíveis e lançados, que são hastes de lírio para o rosto gentil; porém na mesma delicadeza do porte esculpiam-se os contornos mais graciosos com firme nitidez das linhas e uma deliciosa suavidade nos relevos. Não era alva, também não era morena. Tinha sua tez a cor das pétalas da magnólia, quando vão desfalecendo ao beijo do sol. Mimosa cor de mulher, se a aveluda a pubescência juvenil, e a luz coa pelo fino tecido, e um sangue puro a escumilha de róseo matiz. A dela era assim.
  • 99.
    Manuel Antônio deAlmeida e a malandragem carioca • Camadas mais baixas da população • Traços cômicos • Observação da vida social através de uma lente crítica
  • 100.
    Foram ter comMaria-Regalada, que mesmo na véspera lhes tinha mandado dar parte que se mudara da Prainha e oferecia-lhes sua nova morada. A comadre, de tudo inteirada, fez parte da comissão. Quando entraram em casa de Maria-Regalada, a primeira pessoa que lhes apareceu foi o major Vidigal, e, o que é mais, o major Vidigal, em hábitos menores, de rodaque e tamancos. – Ah! – disse a comadre em tom malicioso, apenas apareceu a Maria-Regalada – pelo que vejo isto por aqui vai bem... – Não se lembra – respondeu Maria- Regalada – daquele segredo com que obtive o perdão do moço? Pois era isto!...
  • 101.
    Martins Pena • Teatroromântico • Fundador de nossa comédia de costumes • Grande número de personagens caracterizadas de modo quase caricatural • O juiz de paz da roça; O noviço; Judas em sábado de aleluia
  • 102.